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O Evangelho Segundo

MARCOS

l

O Evangelho Segundo MARCOS l O Autor Nenhum dos quatro Evangelhos decla- ra seu autor. Juntos.

O Autor Nenhum dos quatro Evangelhos decla- ra seu autor. Juntos. fornecem à Igreja um testemu- nho autorizado e coletivo da pessoa e da obra de

Jesus através dos apóstolos - um tema freqüente- mente enfatizado em Marcos (3.14; 4.10; 5.37; 8.32 e notas) Não há nada de incoerente no fato dos apóstolos se utilizarem de coo- peradores tais como João Marcos. cujo nome aparece no alto des- te Evangelho. para transformar este testemunho individual e coletivo em texto escrito. Quanto ao relacionamento entre João

e os apóstolos. ver At 12.12,25; 13.5, 13; CI 4.10; 2Tm

4.11; Fm 24. A autoria de Marcos é estabelecida por certas considerações externas. Apesar do título "Segundo Marcos" não ser original, ele aparece em todas as antigas listas canônicas e em muitos manus- critos arcaicos e acredita-se que tenha sido incluído bem no início

da história do texto. Em segundo lugar. todos os primeiros pais da Igreja, tais como Papias (140 d.C.). Justino Mártir (150 d.C.). lrineu (185 d.C.) e Clemente de Alexandria (195 d.C.). afirmam que Mar- cos escreveu o segundo Evangelho. Papias refere-se a Marcos como o "intérprete de Pedro". Outra razão para se aceitar a autenti-

Marcos é que, no segundo e terceiro séculos

da Igreja, livros que falsamente reivindicavam autoria apostólica para si. em geral, atribuíam sua autoria a apóstolos bem conheci- dos em vez de a figuras secundárias como João Marcos. No próprio texto, uma indicação velada da ligação de Marcos com este Evangelho pode ser observada em outra nota aparente- mente irrelevante a respeito de um "certo rapaz" que fugiu quando Jesus foi preso. Alguns intérpretes sugeriram que esta é a forma de Marcos referir-se a si próprio na ocasião (14.51, nota). A possí-

cidade da autoria de

Marcos

vel evidência da posição de Marcos como "intérprete" de Pedro (acima) éaordem cronológica simplificada dos acontecimentos re- gistrados em Marcos. que reflete a narração dos mesmos fatos por Pedro no Livro de Atos dos Apóstolos (At 3.13-14; 10.36-43)

~

Data e Ocasião Se Marcos foi usado por Mateus e Lucas. ele é o mais antigo dos Evangelhos e não pode ser datado muito depois do ano 70 d.C.

~"'~- Admite-se. geralmente, que os Evangelhos de Mate- e Lucas foram escritos por volta de 80 a 90 d.C. No entanto. se

os livros de Lucas e Atos foram concluídos em torno de 62 d.C quando termina a narrativa de Atos, o evangelho de Marcos seria ainda anterior. Além dessas considerações. há base para argumen- tar que todos os livros do Novo Testamento foram escritos antes de 70 d.C a data da destruição do templo em Jerusalém e. portanto. procedem da primeira geração apostólica. Os pais da Igreja sustentavam que Marcos foi dirigido à igreja de Roma ou. genericamente. à Itália. Esta tese é apoiada pela as- sociação de Marcos com Pedro, que em 1Pe 5.13 dirige-se aos cristãos na "Babilônia" (uma provável referência a Roma). pela in- fluência do latim no texto grego e pela provável referência aos

us

membros da igreja de Roma (15.21; cf. Rm 16.13). A tradução de

termos semíticos (3.17; 5.41; 15.22) e a cuidadosa explicação dos

15.42) sugere que o autor tinha em mente

os leitores gentios. sem. no entanto. excluir gentios convertidos ao judaísmo.

costumes judeus (7.2-4;

.,1 Características e Temas

1. O Propósito do Evangelho. Oprimei-

e Temas 1. O Propósito do Evangelho. Oprimei- • , ro propósito de Marcos é apresentar

, ro propósito de Marcos é apresentar por escrito o

-~ testemunho dos apóstolos a respeito dos fatos da

vida. morte e ressurreição de Jesus. Marcos não pretende escre- ver uma biografia completa ou mesmo um relato completo do mi-

nistério

adaptando-se à estrutura básica da proclamação do Evangelho: o início do ministério de Jesus com João Batista; o ministério públi- co de Jesus na Galiléia e nas regiões circunvizinhas; e sua jornada

final a Jerusalém para o sacrifício na cruz. Segundo o Evangelho de João, Jesus fez pelo menos cinco visitas a Jerusalém (Me 1.14. nota). Mateus e Lucas registram mais dos ensinamentos de Jesus do que Marcos, mas o objetivo de Marcos é diferente. Usando detalhes históricos. apresenta uma narrativa ampla do que os apóstolos pregavam a respeito da cruz de Cristo (At 1.21-22; 2.22-24; 1Co 2.2).

público de Jesus. O registro histórico é simplificado.

2. Jesus como o Verdadeiro Israelita. Marcos re-

trata Jesus como o verdadeiro israelita cuja vida como um todo de- monstra a necessidade de submissão à Palavra escrita de Deus (1.13, nota; 12.35-37). Neste aspecto. e mais genericamente no

serviço e no sofrimento

(8.34-9.1). Jesus é apresentado e apre-

senta a si próprio como o modelo para os seus discípulos.

3. Jesus como o Filho de Deus. Marcos apresenta

Jesus como Filho de Deus e Filho do Homem (1.11 ;

2.10,28; 3.11; 5.7; 9.7; 14.62; 15.39) brilhando através do estado

ambíguo de humilhação necessário para seu chamado messiânico terreno. Marcos também chama a atenção para o desejo de Jesus de esconder sua verdadeira identidade como Messias e Filho de Deus (o assim chamado "segredo messiânico") daqueles que ine- vitavelmente não o entenderiam (1.34.44; 3.12; 5.43; 7.36-37; 8.26,30; 9.9).

a divindade de

4. O Evangelho como o Poder de Deus. Marcos

enfatiza a importância da pregação e do ensino da mensagem do Evangelho não apenas como uma verdade teológica. mas como o "poder de Deus" (12.24; cf. Rm 1.16) sobre o mal e a doença (1.27; cf. 16.15-18).

5. A Missão aos Gentios. Marcos mostra o interesse

de Jesus para com os gentios e a validade da missão da Igreja para com eles. Esta ênfase aparece no esboço básico do livro. no

,.

MARCOS

1146

cuidado tomado para explicar os termos e os costumes judaicos, na declaração de que o templo era uma "casa de oração para todas as nações" (11.17). e na confissão final de Cristo pela boca de um gentio (15.39)

na confissão final de Cristo pela boca de um gentio (15.39) Dificuldades de Interpretação A questão

Dificuldades de Interpretação

A questão do gênero literário do Evangelho de Marcos tem ocupado estudiosos continuamente, especialmente nos últimos dois séculos. A questão é importante porque determina o contexto para se interpretar os elementos individuais do Evangelho. Alguns acreditam que os Evangelhos têm um único gênero literário, correspondente à singu- laridade da mensagem Cristã. Outros acham que os Evangelhos deveriam ser comparados às biografias gregas e romanas que combinam em uma obra literária feitos extraordinários e ensina- mentos memoráveis. Os Evangelhos diferem de tais biografias, es- pecialmente na ênfase que colocam nos últimos dias e na morte de Jesus, e no seu silêncio sobre a maior parte de sua vida adulta. Já

foi dito, e com propriedade, que os Evangelhos são narrativas da Paixão com longas introduções. Marcos mesmo situa o começo de seu Evangelho no Antigo Testamento (1.1-4, notas). e seu ponto de referência básico deve ser encontrado lá, especialmente no Livro de Êxodo. Êxodo é um documento pactuai cujo enfoque é o registro de como a aliança foi iniciada sob a liderança de Moisés. Este enfoque corresponde, nos Evangelhos, ao significado da morte de Jesus, na qual ele derra- mou o sangue da nova aliança (14.24 e nota). Oresto de Êxodo diz respeito à carreira de Moisés, o mediador da aliança; um registro dos sinais que Deus realizou através dele para estabelecer a fé en- tre o povo de Deus no meio de um Egito incrédulo; e um registro da legislação da aliança. Da mesma forma, Jesus chamou para si um novo povo, demonstrando sua autoridade através de milagres e si- nais, eoutorgou seu ensinamento como o"novo mandamento" (Jo 13.34) da nova aliança. Como um registro da vida e dos ensina- mentos de Jesus, Marcos assume seu lugar na história da reden- ção como um documento canônico do Novo Testamento.

 

Esboço de Marcos

1. Prólogo: o início do ministério de Jesus ( 1.1-13)

Ili. Ministério às regiões gentias (6.45-9.32)

A. Otestemunho de João Batista a respeito de Jesus

 

A. Visita a Genesaré (6.45-7.23)

(1.1-8)

B. Ministério em Tiro, Sidom e Decápolis

B. O batismo de Jesus e o testemunho do Pai ( 1.9-11)

 

(7.24-8.9)

 

C. A tentação de Jesus (1.12-13)

C. Ministério às regiões de Cesaréia de Felipe

li. Oministério público de Jesus na Galiléia (1.14-6.44)

(8.10-9.32)

 

A. O ministério inicial (1.14-3.12)

IV.

Retorno a Cafarnaum; conclusão do ministério na

1.

A chegada à Galiléia (1.14-15)

Galiléia (9.33-50) V. Viagem final para a Judéia e Jerusalém (cap. 10)

2.

O chamamento dos

primeiros discípulos (1.16-20)

3.

Exorcismos e curas em Cafarnaum (1.21-34)

 

A. Ensinamento a caminho de Jerusalém (10.1-45)

4.

Ministério em toda a Galiléia ( 1.35-45)

B. Uma cura em Jericó (10.46-52)

5.

Uma cura em Cafarnaum (2.1-12)

VI.

A paixão (caps. 11-15)

6.

O chamamento de Levi (2.13-17)

A. Entrada triunfal em Jerusalém (11.1-11)

7.

Controvérsias com as autoridades (2.18-3.12)

B. Purificação do templo (11.12-26)

B. O ministério posterior

(3.13-6.44)

C. Controvérsias no pátio do templo (11.27-12.44)

1.

Ochamamento dos doze (3.13-19)

 

D. Profecias no monte das Oliveiras (cap. 13)

2.

Controvérsias em Cafarnaum (3.20-35)

E. Ungido em Betânia (14.1-11)

3.

As parábolas do reino (4.1-34)

F. Refeição pascal em Jerusalém (14.12-31)

4.

A jornada em Decápolis (4.35-5.20)

G. Prisão e julgamento de Jesus ( 14.32-15.20)

5.

Retorno à Galiléia (5.21-6.6)

H. Morte e sepultamento de Jesus (15.21-47)

6.

Missão dos doze na Galiléia (6.7-30)

VII. Aparições de Jesus ressurreto em Jerusalém

7.

Alimento para cinco mil na Galiléia (6.31-44)

 

(cap. 16)

 

1147

MARCOS 1

O BATISMO DE JESUS

Me 1.9

purificação

e visavam à remissão de pecados (Me 1.4; At 2.38). Porém não eram idênticos.

 

já veio;

o batismo de João foi um rito preparatório, significando preparação

Há continuidade entre o batismo de João para o arrependimento (Me 1.4) e o batismo trirlitário instituído por Jesus (Mt

28. 19l.

Ambos eram simbolos de

Os que foram batizados por João necessitavam também do batismo cristão (At 19.5). Obatismo cristão é limsiílai de inicia-

ção que indica o relacionamento com Cristo, que

para a vinda de Cristo e seu juízo (Mt 3.7-12; Lc 3.7-18; At 19.4). Jesus insistiu com João, seu primo, que o batizasse, passando por cima dos protestos de João (Mt 3.13-15). Em seu papel de Messias, ·nascido sob a ler (GI 4.4), Jesus tinha de submeter-se a todas as exigências da lei de Deus para Israel e identifi- car-se com aquelescujos pecados ele tinha vindo carregar. Seu batismo anunciou que ele viera paratomarolagft'P8çador

sujeito ao juízo de Detis. Nesse sentido é que ele foi batizado por João para "cumprir tode a justiça" (Mt 3;15; cf. Is 53.11 ). No batismo de Cristo houve uma manifestação da Trindade: o Pai falou do céu, e uma pomba desceu cOmó um sinal da unção do Espírito. A significação da pomba descendo e parrnanecendo não foi que Jesus estava sendo enchido com o Espfrito pela pri- meira vez. porém significava que ele estava sendo marcado como Aquele que tinha oEspírito eque batizaria c0moEspírito (Jo 1.32-33) e, desse modo, estava inaugurando a era do Espírito, que foi o cumprimento das esperanças de Israel (Lc 4.1, 14, 18-21 ).

} ªPrincípio do evangelho de Jesus Cristo, bfiJho de Deus.

los de camelo; ele trazia um cinto de couro e se alimentava de gafanhotos e mel silvestre.

João Batista

2 Conforme está escrito 1 na profecia de Isaías:

e Eis aí envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho; 3 dvoz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas; 4 eapareceu João Batista no deserto, pregando batismo de

João dá testemunho de Jesus

7 E pregava, dizendo: h Após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de, curvando- me, desatar-lhe as correias das sandálias. 8 iEu vos tenho ba- tizado com água; ele, porém, vos batizará icom o Espírito Santo.

arrependimento 2 para remissão de pecados. S!Saíam a ter com ele toda a província da Judéia e todos os habitantes de O batismo de Jesus

Jerusalém; e, confessando os seus pecados, eram batizados 9 'Naqueles dias, veio Jesus de Nazaré da Galiléia e por

João foi batizado no rio Jordão. to mLogo ao sair da água, viu

por ele no rio Jordão. ó g As vestes de João eram feitas de pê-

CAPITUL01 lªLc3.22bMt14.33 2CM13.1 ITReMnosprofetas Jdls40.3 4eMt3.12Quporcausadoperdão S/Mt3.5 68Mt3.4 7hJ01.27 8iAt1.5;11.16ils44.3 91Mt3.13-17 tomMt3.16

•1.1 Principio. Diferente de Mateus e Lucas. Marcos não contém uma narrativa do nascimento de Jesus. O "princípio" (cf. Gn 1.1; Jo 1.1) é identificado com o mi- nistério de João Batista (cf. At 1.22) e com as profecias do Antigo Testamento, anunciando a vinda de João Batista. evangelho. Um termo de comunicado e correspondência política ou pessoal, que significa "boas novas". Os gregos usavam esta palavra para referir eventos tais como o nascimento de um imperador ou uma grande vitória militar. de Jesus Cristo. Esta frase pode ser entendida ou como "a respeito de Jesus Cristo". ou como "da parte de Jesus Cristo". Oevangelho é "a respeito" de Jesus Cristo, mas étambém "da parte" dele (Rm 1.9; 1Co 9.12; 2Co 10.14). OEvange- lho de Marcos reivindica autoridade divina e se oferece como a palavra de Cristo através de seus apóstolos, à Igreja (cf. Ap 1.1). Filho de Deus. Marcos apresenta a Jesus. no começo do seu Evangelho, como o divino e eterno Filho. Ver notas em 13.32; 14.36; 15.39; cf. Rm 1.3. •1.2 está escrito. Colocando aqui esta citação do Antigo Testamento. Marcos procura mostrar o progresso orgânico da revelação sob o controle do divino Se- nhor da história. Se o Antigo Testamento é o início e a fonte do evangelho, o evan- gelho revelado através de Jesus Cristo é a interpretação final e inspirada do Antigo Testamento. na profecia. Ver nota textual. A citação é uma cadeia de textos (Êx 23.20; MI 3.1; Is 40.3), referentes a mensageiros que Deus tem enviado como meio de pre- paração. •1.4 João. As citações do Antigo Testamento colocam João Batista na pré-planejada história do trato de Deus com seu povo segundo a aliança.

no deserto. lembra a Israel, simbolicamente, as

no deserto. A pregação de João,

suas origens na aliança celebrada no êxodo (cf. Jr 2.2). Odeserto é o lugar tradici-

um tipo clássico de profeta do Antigo Testamento (2Rs 1.8; Zc 13.4).

Também os convertidos ao judaísmo eram batizados. A inovação de João foi exi- gir um único batismo de israelitas que já estavam na comunidade da aliança. Para ele, o exigir um tal gesto de arrependimento radical é um sinal da chegada da nova aliança. Ver nota em Mt 3.6. para remissão de pecados. João, na verdade, não concede perdão de peca- dos. Operdão definitivo de pecados pertence à aliança (Jr 31.34) que o Messias inaugurará.

•1.5 toda

todos. Isto é uma hipérbole (recurso literário que exagera). indican-

do que o povo da aliança foi a João numa grande multidão, sem dúvida como fa-

mílias inteiras (4.1; 6.44 e notas).

•1.6 pêlos de camelo. As vestimentas e o alimento de João o identificam como

•1.7 E pregava. A identidade daquele a quem João anuncia e diante de quem

ele se sente indigno de ajoelhar-se é evidente nas profecias do Antigo Testamen-

to já citadas. Éo "Senhor" que, "de repente, virá ao seu templo

o Anjo da Alian-

ça", tendo sido precedido pelo "meu mensageiro" (MI 3.1 ).

•1.8 Espírito Santo. A nova aliança traz renovação ao povo de Deus (Jr 31.33-34; Ez 37 .14) através do Filho e do Espírito, que o Filho possui em medida plena (Is 42.1; 61.1 ). •1.9 Naqueles dias. De acordo com Jo 2.20, um dos primeiros atos de Jesus, que se seguiu ao seu batismo. teve lugar quando a reconstrução do templo esta- va no seu quadragésimo sexto ano. Posto que Herodes começou a reconstrução

no ano 19 a.e

Jesus foi batizado por volta de 27 d.C.

por João foi batizado. Jesus sabe que isto é parte do plano divino, para "cum- prir toda justiça" (Mt 3.15). pelo qual, em sua humanidade, ele se identifica plena- mente com a condição humana e começa o processo de levar os pecados da humanidade. Ver nota teológica "O Batismo de Jesus".

•1.1 OLogo. Esta importante palavra (às vezes traduzida "imediatamente") é

onal de encontro entre Deus e seu povo. batismo de arrependimento. A comunidade de Oumran, com a qual João pode ter tido contato em sua juventude, praticava rituais de purificações e batismos.

MARCOS 1

1148

os céus rasgarem-se e o Espírito "descendo como pomba so- bre ele. 11 Então, foi ouvida uma voz dos céus: ºTu és o meu Filho amado, em ti me comprazo.

A tentação deJesus

tamente as redes e o seguiram. 19 Pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco consertando as redes. 20 E logo os chamou. Deixando eles no barco a seu pai Zebedeu com os empregados, segui- ram após Jesus.

o deserto, l3 onde

permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás; estava com as feras, qmas os anjos o serviam.

12 PE logo o Espírito 3 o impeliu para

A cura de um endemoninhado em Cafarnaum

21 ªDepois, entraram em Cafarnaum, e, logo no sábaÜ(), foi ele bensinar na sinagoga. 22 e Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e

não como os escribas. 23 Não tardou que aparecesse na sina- goga um homem possesso de d espírito imundo, o qual bra- dou: 24 eoue temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-nos? Bem !sei quem és: 80 Santo de Deus! 2s Mas Je-

sus ho repreendeu, dizendo:

imundo, iagitando-o violentamente e

26 Então, o espírito

16 vcaminhando junto ao mar da Galiléia, viu os irmãos bradando em alta voz, saiu dele. 27 Todos se admiraram, a

ponto de perguntarem entre si: 6 0ue vem a ser isto? Uma nova 7 doutrina! Com autoridade ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem! 28 Então, !correu célere a

14 'Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galiléia,

Jesus volta para a Galiléia

5 pregando o evangelho 4 de Deus,

ts dizendo: 1 0 tempo está

cumprido, e ºo reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho.

A vocação de discípulos

Simão e André, que lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores. 17 Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e eu vos fa- rei xpescadores de homens. 18 Então, zeles deixaram imedia-

5 Cala-te e sai desse homem.

n;t 10; 11 ºMt 31;,1218 12 PMt 4.1-11 3enviou-oparafora ~qM~-;-1-14'Mt 4. ;;-;Mt 4.23

16 Vlc 5.2-11

17 XMt 13.47-48

18 z [Lc

4Cf. NU; TR e M acres-

14.26] 21 ª Lc 4.31-37 bMt 4.23

22 e Mt 7.28-29; 13.54 23 d [Mt 12.43] 24 e Mt 8 28-29/Tg 2.19 g SI 16.10 25 h [Lc 4 39] 5 Lit Amordaça-te 26 i Me 9.20 27 ô Cf. NU; TR e M Oue é isto? Oue nova doutrina é esta? Pois com autoridade ordena 7 ensino 28 /Mt 4.24; 9.31

centam do reino; NU omite 1S l[GI 4.4] u Mt3.2; 4.17

característica de Marcos !doze vezes no restante do Novo Testamento e quarenta e duas vezes em Marcos). A palavra sugere. talvez, não rapidez, mas a certeza e a inevitabilidade do soberano plano de Deus. recordando os caminhos direitos (a mesma raiz grega) divinamente preparados para avinda de Jesus e seu ministério.

Espírito descendo. A descida do Espírito é um sinal da Messianidade de Jesus lv. 8, nota). No batismo de Jesus. como mais tarde no batismo cristão IMt 28.19). to- das as três pessoas da Trindade estão envolvidas. A iniciativa do Pai, a obra vicária do Filho e glória e o poder capacitador do Espírito estão todos presentes •1.11 Tu és o meu filho amado. O mistério da pessoa de Jesus encontra ex- pressão na divina declaração. Ele. a Segunda Pessoa da Trindade, é, ao mesmo

tempo, o representante do crente, o verdadeiro e fiel

"filho" de Israel (Êx 4 23).

em quem o Pai se compraz e a quem o Pai reconhece como Filho, tanto no sentido

pessoal como no sentido oficial (SI 2. 7; Is 42.1 J. Ver nota no v. 1.

•1.12 o Espírito o impeliu. O verbo grego traduzido por "impelir" é forte e dá a idéia de necessidade divina e escriturística. O Espírito está impelindo Jesus para o "deserto", exatamente como Israel - chamado "filho" (Êx 4 23) e batizado em

foi conduzido pelo Espírito nas colu-

nas de nuvem e fogo (Êx 14 19-20). ao longo do caminho da provação. no deserto. •1.13 quarenta dias. Possivelmente uma referência simbólica aos quarenta anos da experiência de Israel, no deserto IDt 1.3; cf. v. 12. nota). feras. Este detalhe dá ênfase ao fato de que o deserto é um lugar de maldição, onde o diabo manda IMt 12.43; cf. Ef 2.2). Jesus entra neste domínio e amarra o valente !ver nota em 3.23-27). Esta é uma espécie de reconstituição da prova a que Adão foi submetido. Ainda que Adão tenha sido provado num jardim enão te- nha sido ameaçado por feras, ele sucumbiu à tentação de Satanás. No deserto, Jesus, o segundo Adão, começa a derrotar Satanás e inicia sua obra de reden- ção, sendo aprovado no teste de obediência filial. mas os anjos o serviam. An1os acompanharam Israel no deserto (Êx 14.19; 23.20; 32.34; 33.2). A experiência de Jesus no deserto é um tipo da que o cristão tem no mundo, que é experimentada por causa do domínio de Satanás (Ef 6.12). Ver nota em 10.30.

para a Galiléia. Alega-se freqüentemente que a cro-

nologia dos três Evangelhos Sinóticos é irreconciliável com a de João, por três principais razões:

(ai a purificação do templo é colocada em d~erentesperíodos do ministério de Jesus (11.15. nota); (b) nos Evangelhos Sinóticos. Jesus vai a Jerusalém só uma vez, na última se- mana do seu ministério. enquanto no de João ele esteve cinco vezes;

Moisés no mar (1Co 10.2; cf. Êx 14.13-31 J -

•1.14 Depois de João

lei em João, Jesus tem o seu primeiro ministério na Judéia ao mesmo tempo que João Batista (Jo 3.22-24). enquanto nos Sinóticos Jesus começa o seu minis- tério na Galiléia. Contudo. ao dizer que um ministério na Galiléia começa só depois que João Batista é preso. Marcos não está negando que houve um ministério ante- rior na Judéia; esse ministério simplesmente não faz parte de sua narrativa. •1.15 O tempo está cumprido. Os tempos passados. especialmente os atos de salvação de Deus em favor de seu povo Israel. atingiram seu clímax no atual tempo de salvação, através de Jesus. o reino de Deus está próximo. Oreino de Deus é aquele estado final de acon- tecimentos onde o supremo reinado de Deus é plenamente reconhecido sobre o universo transformado. e nos corações do seu povo redimido e glorificado. Este reino "está próximo" no sentido de que a vinda de Jesus põe em movimento tudo aquilo que contribui para a sua realização. Deus exige arrependimento e crença como respostas a estas novas. Ver nota no v. 4. •1.16 mar da Galiléia. É um lago interior de aproximadamente 21 km de com- primento por treze de largura. Éconhecido no Novo Testamento como Lago de Genesaré (Lc 5.1) ou mar de Tiberíades (Jo 5.1).

•1.17 Vinde após mim

mostra Jesus chamando discípulos para segui-lo e chamarem outros para ele. Este primeiro ministério estabelecido na Igreja nascente tem como seu objetivo principal buscar os perdidos. Esta ênfase sobre a evangelização foi bem percebida por Paulo, que disse "Ai de mim se não pregar o evangelho" (1 Co 9.16)

•1.19 Tiago

dores de homens" dentre os da cúpula religiosa, mas dentre as pessoas simples. de atividades comuns. •1.20 empregados. Este pormenor sugere um pequeno e próspero negócio. •1.22 como quem tem autoridade. O ensino de Jesus é diferente do ensino dos escribas, porque está ligado à sua pessoa 12.10) e à sua interpretação das Escrituras 112 35-40) Seu conteúdo é novo, anunciando a vinda do reino (v. 15) e a derrota de Satanás (v 27)

•1.24 Que temos nós contigo. Esta expressão distancia a pessoa que fala da- quela a quem se dirige. Ocorre em outro lugar no Novo Testamento (Jo 2.4). Nazareno, Nazaré ficava ao ocidente do mar da Galiléia e era a cidade natal de Jesus. Santo de Deus. Jesus é descrito deste modo só neste incidente (Lc 4.34). Os demônios tremem na presença da santidade divina. •1.25 Cala-te. Esta forte expressão dá ênfase ao poder de Jesus para estabele- cer o seu reino em face da presença do mal.

pescadores de homens. Marcos, imediatamente.

João. Note-se que Jesus não recruta seus apóstolos e "pesca-

1149

MARCOS 1, 2

fama de Jesus em todas as direções, por toda a circunvizi- nhança da Galiléia.

A cura da sogra de Pedro

29 1 E, saindo eles da sinagoga, foram, com Tiago e João, di- retamente para a casa de Simão e André. 30 A sogra de Simão achava-se acamada, com febre; e logo lhe falaram a respeito dela. 31 Então, aproximando-se, tomou-a pela mão; e a febre a deixou, passando ela a servi-los.

Muitas outras curas

32

mA tarde, ao cair do sol,

trouxeram a Jesus todos os en-

Se quiseres, podes purificar-me. 41 Jesus, profundamente ªcompadecido, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero, fica limpo! 42 bNo mesmo instante, lhe desapareceu a lepra, e ficou limpo. 43 Fazendo-lhe, então, veemente advertência, logo o despediu 44 e lhe disse: Oiha, não digas nada aninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação co que Moisés determinou, para servir de testemunho ao povo. 45 d Mas, tendo ele saído, entrou a propalar muitas coisas e a divulgar a noticia, a ponto de não mais poder Jesus entrar publicamente em qualquer cidade, mas permanecia fora, em lugares ermos; •e de toda parte vinham ter com ele.

A cura de um paralítico em Cajamaum

2 Dias depois, ªentrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu que ele estava em casa. 2 / Muitos afluíram

para ali, tantos que nem mesmo junto à porta eles achavam lugar; e anunciava-lhes a palavra. 3Alguns foram ter com ele, conduzindo um bparalítico, levado por quatro homens. 4 E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, des- cobriram o eirado no ponto correspondente ao em que ele es- tava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jaiia o doente. s Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados. 6 Mas alguns dos escribas es- tavam assentados ali e arrazoavam em seu coração: 7 Por que fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! couem pode per- doar pecados, senão um, que é Deus? 8 EJesus, percebendo

logo por seu espírito que eles assim arraioavam, disse-lhes:

A cura de um leproso Por que arrazoais sobre estas coisas em vosso coração? 40 z Aproximou-se dele um leproso rogando-lhe, de joeihos: 9 d Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os

fermos e endemoninhados. 33 Toda a cidade estava reunida à porta. 34 E ele curou muitos doentes de toda sorte de enfer- midades; também nexpeliu muitos demônios, ºnão lhes per- mitindo que falassem, porque sabiam quem ele era.

Jesus se retira para orar

35 PTendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali q orava. 36 Procuravam-no diligentemente Simão e os que com ele estavam. 37Tendo-o encontrado, lhe disseram: 'Todos 5 te buscam. 38 Jesus, porém, lhes disse: 1 Va- mos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de que eu pregue também ali, pois ªpara isso é que eu vim. 39 vEntão, foi por toda a Galiléia, pregando nas sinagogas deles e xexpe- lindo os demônios.

• 29 ILc 4.38-39 32 mMt 8.16-17 34 nMt 9.33; Lc 13.32 ºMe 3.12; Lc 4.41; At 16.17-18 35 Plc 4.42-43 QMt 26.39,44; Me 6.46; Lc

39 v SI

Me 1.21; 3.1; Lc 4.44 x Me 5.8, 13; 7.29-30 40 ZMt 8.2-4; Lc 5.12-14 41 ª Lc 7.13 42 b Mt 15.28; Me 5.29

5.16; 6.12; 9.28-29; Hb 5.7 37 r Mt 4.25;

22.22; Mt 4.23; 9.35;

Jo 3.26; 12.19 s [Hb 11.6]

38 t Lc 4.43 u [Is 61.1-2; Me 10.45; Jo 16.28; 17.4,8]

44Clv14.1-32

CAPITULO 2

43.25; Dn 9.9

45 dMt 28.15; Lc 5.15 e Me 2.2,13; 3.7; Lc 5.17; Jo 6.2

1 a Mt

9.1 2 1 Cf. NU; TR e M acrescentam imediatamente; NU omite 3 b Mt 4.24; 8.6; At 8.7; 9.33 7 e Jó 14.4; Is

9 dMt 9.5

•1.29 Tiago e João. Ver v. 19. •1.30 A sogra de Simão. Pedro era casado (ver também 1Co 9.5). mostrando que o casamento é normal entre os líderes cristãos. Ao mesmo tempo, o celibato permanece como uma possibilidade legítima (Mt 19.12; 1Co 7.7-8,32).

•1.32 ao cair do sol. Jesus já tinha curado no dia de sábado (v. 25). Nesta oca- sião, opovo esperava ainda opôr-do-sol, quando o sábado terminava, para levar seus doentes a Jesus. •1.34 muitos demônios. A quantidade de possessão demoníaca na população judaica da Galiléia (v. 32, nota) é surpreendente, ainda que a influência pagã ou gentílica, na Galiléia, não deva ser esquecida. não lhes permitindo que falassem. Este é oprimeiro exemplo daquilo que tem sido chamado o "segredo Messiânico" (v. 43; 3.12; 4.10-11; 5.19; 8.30; 9.9). A revelação de Jesus como o Messias tinha de começar discretamente e avançar por estágios, de modo que o plano de Deus, para a morte de seu servo, não fosse comprometido por qualquer excesso de entusiasmo popular. •1.35 lugar deserto. Lit., "lugar desabitado", onde Jesus trava sua luta espiritu- al (v. 12; cf. v. 3) e que é também, como o antigo Israel, um tipo da presente cami- nhada cristã (1Co 10.1-11; Hb 13.12-13). •1.38 para isso é que eu vim. Jesus ~firma seu programa de pregação evan- gelística com firme clareza. Em Lc 19.1 O, ele diz: "porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido". Eassim ele se move, percorrendo a Galiléia várias ve-

zes (v. 39; 6.6; Lc 8.1 ).

•1.40 um leproso. Sob a lei mosaica, certas doenças de pele tornavam a pes- soa cerimonialmente impura, excluindo-a do convívio da sociedade (Lv 13.46). •1.43 veemente advertência. Ver nota no v. 34. Overbo grego expressa pro- funda emoção, como no caso de Jesus diante do túmulo de Lázaro (Jo 11.33,38).

•1.44 servir de testemunho. Jesus respeita a lei mosaica como o grande sumo sacerdote de outra linhagem (Hb 7.11-8.13). mas não está preso e nem limitado por ela. Ainda que tocar um leproso fosse uma violação às leis da pureza ritual (Lv 5.3). Jesus otocou quando o curou. •1.45 entrou a propalar muitas coisas. Este não é otempo para aproclama- ção desenfreada (v. 34, nota), ainda que devesse chegar o tempo, na história da redenção (depois da ressurreição). quando a pregação aberta seria adequada (Mt 10.27; Lc 12 2-3). •2.1 casa. Jesus era de Nazaré, cerca de 32 km de distância, e a casa de Simão Pedro (1.29) podia estar servindo como morada em Cafarnaum, uma cidade mais centralmente localizada e com direto acesso ao mar da Galiléia. •2.4 descobriram o eirado. As casas tinham o teto plano feito de ramos e bar- ro seco, sustentado por vigas de madeira.

Jesus é extraordiná-

ria por duas razões: primeiro, o homem tinha vindo em busca de cura física, mas Jesus lhe fala a respeito da doença mais profunda do pecado. da qual geral- mente a doença física é conseqüência, e a respeito da cura radical do perdão, da qual esta cura física específica era um sinal. Segundo, Jesus reivindica para

si o poder de perdoar pecados que, em toda a Bíblia, é atribuído só a Deus (Êx 34.7; Is 1.18). Os mestres da lei, imediatamente, acusaram a Jesus de "blasfê- mias" (v. 7; 3.29, nota). no que estariam certos se Jesus fosse um mero ho- mem. •2.9 Oual é mais fácil. Jesus pede aos escribas que reconsiderem o seu julga- mento à luz do seu poder de curar (cf. Jo 5.36; 10.25,38). poder que, em última análise. é poder divino (SI 41.1; Jr 3.22; Os 14.4).

•2.5 os teus pecados estão perdoados. A resposta de

MARCOS 2

1150

teus pecados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda? to Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra 2 autoridade para perdoar pecados - disse ao paralítico:

11 Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa. 12 Então, ele se levantou e, no mesmo instante, tomando

o Jeito, retirou-se à vista de todos, a ponto de se admirarem to- dos e edarem glória a Deus, dizendo: Jamais vimos coisa assim!

A vocação de Levi

13/De novo, saiu Jesus para junto do mar, e toda a multi- dão vinha ao seu encontro, e ele os ensinava. 14 gOuando ia passando, viu a Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria e disse-lhe: hSegue-me! Ele se levantou e io seguiu.

Jesus come com pecadores

Do jejum

18 Ora, mos discípulos de João e os fariseus estavam je- juando. Vieram alguns e lhe perguntaram: Por que motivo jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, mas os teus discípulos não jejuam? 19 Respondeu-lhes Jesus: Podem, por- ventura, jejuar os 5 convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Durante o tempo em que estiver presen- te o noivo, não podem jejuar. 20 Dias virão, contudo, em que lhes será ntirado o noivo; e, nesse tempo, jejuarão. 21 Nin- guém costura remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo novo tira parte da veste velha, e fica maior a rotu- ra. 22 Ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrá- rio, o vinho romperá os odres; e tanto se perde o vinho como os odres. Mas põe-se vinho novo em odres novos.

15 i Achando-se Jesus à mesa na casa de Levi, estavam jun-

Jesus é senhor do sábado

tamente com ele e com seus discípulos muitos publicanos e 23 ºOra, aconteceu atravessar Jesus, em dia de sábado, as

pecadores; porque estes eram em grande número e também

Vê! Por que fazem o que qnão é

companhia dos pecadores e publicanos, perguntavam aos dis- lícito aos sábados? 25 Mas ele lhes respondeu: Nunca lestes 'o cípulos dele: Por que come [e bebe] ele com os publicanos e que fez Davi, quando se viu em necessidade e teve fome, ele

o seguiam. 16 Os escribas 3 dos fariseus, vendo-o comer

searas, e os discípulos, ao passarem, Pcolhiam espigas.

em 24 Advertiram-no os fariseus:

pecadores? 17 Tendo Jesus ouvido isto, respondeu-lhes: 1 0s

sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim cha- no tempo do sumo sacerdote Abiatar, e comeu os pães da pro-

Como entrou na Casa de Deus,

e os seus companheiros? 26

mar

justos, e sim pecadores. 4 posição, 5 os quais não é lícito comer, senão aos sacerdotes, e

10 ;P~~~r -- 12~~t1531:-[F~--;-11 13fMt ~~ ~~Mt 99-13; Lc-;-27~32 hMt 4 19: 822; 1921, ~-;43; ~226; 21 2;'Lc 1~2~---~

15 i Mt 9.10 16 3 Cf. NU; TA e Me; NU omite 171Mt912-13; 18.11; Lc 5.31-32; 19.10 4 Cf. NU; TA e M acrescentam para arrependimento, NU omite )B mMt 9.14-17; Lc 5.33-38 19 5Ljt.filhos do quarto nupcial 20 nAt 1.9; 13.2-3; 14.23 23ªMt12.1-8; Lc6.1-5PDt23.25 24QEx20.10;3115 25'1Sm21.1-6 26Slv245-9

•2.10 Filho do Homem. Jesus empregou esta frase regularmente para designar- se a si mesmo, associando-se, no seu ministério, com o "filho do Homem" celes- tial, de Dn 7.13-14 (v 28; 8.31; 9.31; 10.33,45; 13.26). Ver nota em Mt 820. •2.14 Levi. filho de AHeu. Na narrativa paralela de Mt 9.9-13, esta pessoa é chamada Mateus. Uma vez que Mateus aparece na lista de apóstolos de Marcos

e não há menção de Levi - parece-nos que Levi tinha por sobrenome

Mateus e era por esse nome que foi mais conhecido na Igreja Primitiva.

coletoria. As cabinas de coletor ficavam nas estradas, pontes e canais para cobrar tributos e à beira dos lagos para impostos sobre o pescado. Ver nota em Lc 3.12.

Ele se levantou. A exigência radical do chamado

diência daquele que ouve são mostradas de maneira relevante ao leitor. •2.15 estavam juntamente com ele. O contato com os pecadores faria de Je- sus também um pecador, uma vez que os regulamentos rabínicos proibiam espe- cificamente uma tal comunhão à mesa. Por outro lado, os "pecadores" veriam nisto um gesto de amizade e aceitação 114 20, nota)

pecadores. Um termo de desdém usado pelos fariseus para todos os judeus que não seguiam suas tradições de pureza legal.

•2.16 fariseus. Descendentes teológicos dos Hasidim - um movimento de de- voção, cultura e lealdade à lei de Moisés do século li a.C., contra a influência gre- ga pagã. Nos tempos de Jesus, a estrita observância da lei - especialmente a pureza ritual - era regulada por um conjunto de ensinos éticos conhecidos como "a tradição dos anciãos" (7.3). desenvolvidos pelos rabinos como uma aplicação da lei a situações específicas A dificuldade de conhecimento desta tradição e to- das suas muitas interpretações sutis, criaram uma lacuna social ereligiosa entre uma elite hipócrita - "os 1ustos" - e a população geral, os "pecadores".

•2.17 respondeu-lhes

(3.18) -

de Jesus e a incondicional obe-

não vim chamar. Notemos a enfática declaração de

prioridade da sua missão (cf. 1.38). Nas palavras de Jesus, há tanto verdade quanto ironia severa. Os publicanos (coletores de impostos). as prostitutas e ou- tros semelhantes são espiritualmente "doentes", mas Jesus não pretende que os fariseus pensem em si mesmos como "sãos" (cf. Lc 18.9-14). Jesus põe abaixo as categorias artificiais de toda religião legalista, baseada na justiça própria.

Como o Antigo Testamento (SI 14.1-3), Jesus ensina que todos são pecadores (71-8) e que a justiça é o primeiro e mais importante dom de Deus para os peca- dores arrependidos (SI 51.1-18; Lc 19.9; Rm 3.22)

•2.18 jejuando. A lei Mosaica exigia só um jejum por ano, no Dia da Expiação (Lv 16.29-31; cf. At 27.9, que o chama de "Dia do Jejum"). Não obstante, como um sinal de contrição e penitência e associado à oração, o jejum era uma parte da piedade, no Antigo Testamento, desde o tempo dos juízes (Jz 20.26; 1As 21.27) e, muitas vezes, tornava-se um ritual vazio (Is 58.3). Os fariseus e seus seguido- res, aparentemente, jejuavam duas vezes por semana (Lc 18.12). Uma vez que a mensagem de João Batista centrava-se no arrependimento (Mt 3.11). o jejum era apropriado para os discípulos dele. Jesus, porém, cuja própria mensagem in- cluía o arrependimento, não insistiu sobre o jejum. •2. 19 Respondeu-lhes Jesus. A razão oferecida por Jesus destaca-o de tudo aquilo que era antes, porque o "noivo"" agora chegou e o"novo" (vs. 21-22) está presente. Ao comparar-se com o "noivo", Jesus afrrma a presença do reino como um tempo de celebração, como as bodas. Jesus come e bebe com publicanos e pecadores, trazendo alegria e salvação a eles (Lc 19 6,9). •2.20 jejuarão. Para Jesus a presente celebração é provisória (v. 19), pois ele tem que sofrer emorrer, e "lhes será tirado o noivo" (ver f\t 13.2; 1413).

•2.21-22 As figuras da veste nova e dos odres velhos continuam a dar ênfase à nova situação criada pela vinda do reino e de seu Rei, e procuram mostrar, através desses símbolos da ação insensata, a impropriedade do jejum nesta nova s·1tuação. •2.23 dia de sábado. O problema com o raciocínio legalista de certos fariseus é ilustrado neste incidente. Os discípulos não estavam furtando nem trabalhando no campo (Ot 23.25). Seus acusadores consideraram mesmo o "'colher espigas" (para alimentar-se) como ceifa, o que era proibido pela lei no dia de sábado (Êx 34.21) •2.25 ele lhes respondeu: Nunca lestes. A pergunta de Jesus sugere uma

irônica ao conhecimento que os fariseus tinham das Escrituras (Jo 3.1 O;

crítica

5.39,47). Jesus não se justifica deixando as Escrituras de lado, mas revela conhe- cer sua profundidade e sua adequada aplicação às necessidades humanas.

Davi. Executando uma missão divina (1 Sm 21.5) como ungido do Senhor, Davi comeu o pão consagrado, normalmente reservado aos sacerdotes. Cristo, como Filho de Davi, permite a seus discípulos satisfazerem suas necessidades físicas, de modo a poderem continuar sua missão de redenção, uma obra que é sempre lícita realizar. •2.26 Abiatar. De acordo com 1Sm 21.1-6, foi Aimeleque. pai de Abiatar, que deu

1151

MARCOS 2, 3

deu também aos que estavam com ele? 27 E acrescentou: O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do 1 sábado; 28 de sorte que "o Filho do Homem é senhor também do sábado.

O homem da mão ressequida

3 De novo, ªentrou Jesus na sinagoga e estava ali um ho-

mem que tinha ressequida uma das mãos. 2 E bestavam

observando a Jesus para ver se o e curaria em dia de sábado, a

fim de 1 o acusarem. 3 E disse Jesus ao homem da mão resse-

meio! 4 Então, lhes perguntou: É lícito

nos sábados fazer o bem ou fazer o mal? Salvar a vida ou tirá- la? Mas eles ficaram em silêncio. 5 Olhando-os ao redor, in- dignado e condoído com da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a mão. Estendeu-a, e a mão lhe foi restaura- da. 3 6 e Retirando-se os fariseus, conspiravam logo com / os herodianos, contra ele, em como lhe tirariam a vida.

quida: 2 Vem para o

jesus se retira. A cura de muitos à beira-mar 7 Retirou-se Jesus com os seus discípulos para os lados do mar. Seguia-o da Galiléia uma grande multidão. gTambém da

mendou a seus discípulos que sempre lhe tivessem pronto um barquinho, por causa da multidão, a fim de não o compri- mirem. 10 Pois curava 'a muitos, de modo que todos os que padeciam de qualquer enfermidade se arrojavam a ele para io tocar. 11 1 Também os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e exclamavam: mTu és o Filho de Deus! 12 Mas nJesus lhes advertia severamente que o não ex- pusessem à publicidade.

A escolha dos doze apóstolos. Os seus nomes 13 ºDepois, subiu ao monte e chamou os que ele mesmo quis, e vieram para junto dele. 14 Então, designou doze 4 para

estarem com ele e para os enviar a pregar 15 e a exercer a 5 au- toridade 6 de expelir demônios. 16 7Eis os doze que designou:

PSimão, a quem acrescentou o nome de Pedro; 17Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais deu o nome de Boa- nerges, que quer dizer: filhos do trovão; 18 André, Filipe, Bar- tolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão,

o Zelote, 19 e Judas Iscariotes, que foi

quem o traiu.

A blasfêmia dos escribas

Judéia, B de Jerusalém, da Iduméia, dalém do Jordão e dos ar- 20 Então, ele foi para casa. Não obstante, a multidão

redores de Tiro e de Sidom uma grande multidão, sabendo hquantas coisas Jesus fazia, veio ter com ele. 9 Então, reco-

afluiu de novo, qde tal modo que nem podiam comer. 21 E, quando 'os parentes de Jesus ouviram isto, saíram para o

l

e~2;1Dt5~-28UMt128--~-~~~--~ --~- ~~-~- - ~-~-~~-~- ~ ~~-~~~

CAPÍTULO 3 1 ªLc 6.6-11 2 bLc 14.1; 20.20 cLc 13.14 ltrazeremacusaç6es contra ele 3 2Lit.Levanta para o meio 5 dZc 7.12 3Cf. NU; TR e M acrescentam são como a outra, NU omite 6 e Me 12.13 /Mt 22.16 7 8Lc 6.17 8 h Me 5.19 10 iLc 7.21iMt9.21; 14.36

11 ILc 4.41 mMt 8.29; 14.33 12 n Me 1.25.34 13 o Lc 9.1 14 4NU acrescenta a quem ele também chamou apóstolos 15 5 poder

6 Cf. NU; TR e M acrescentam para curar enfermidades e, NU omite 16 P Jo 1.42 1 Cf. NU; TR e M omitem Eis os doze que designou

20 qMc 6.31

21'Me6.3

a Davi pão consagrado. Contudo, Abiatar certamente estava vivo e, talvez. pre-

ocorreu o incidente referido. Portanto. "no tempo do sumo sacerdo-

sente quando

te Abiatar" é frase rigorosamente certa. Éprovável que Jesus tenha referido a

Abiatar porque ele era bem conhecido como um dos principais defensores de

Davi.

•2.28 senhor

do sábado. Outra vez (cf. v. 1O) Jesus declara sua autoridade

como Filho do Homem que traz bênçãos, esta vez como Mediador da lei do Anti- go Testamento referente ao sábado. Esta reivindicação é feita contra tradiçõ~s

que tinham tornado em peso o quarto mandamento que é estimulador da vida (Ex 20.8-11) Desde que o sábado foi instituído na criação e não apenas sob Moisés,

o senhor do sábado é também Senhor da criação.

•3.1 ressequida uma das mãos. Esta não era uma doença de vida ou morte, cuja cura era permitida no dia de sábado, segundo as regras dos fariseus (v. 4, nota). A ação de Jesus pareceria uma provocação deliberada tanto quanto um ato de misericórdia.

•3.2 estavam observando a Jesus. Os fariseus (v. 6) fizeram da ação de Je- sus uma prova, como evidentemente Jesus queria que eles fizessem.

•3.4 Élícito. Jesus antecipa a crítica deles. reiterando oensino a respeito dosá- bado, ensino que ele começou em 2.25-28. Os fariseus sustentavam que só a ajuda essencial ao doente era lícita no sábado. Jesus mostra que a interpretação deles era contra o espírito do mandamento. que existia para promover o "bem" (2.27). Obem que Jesus faz, trazendo a redenção, é exigido -e não proibido- pela lei divina.

não religioso. que apoiava a dinastia de He-

rodes. Apoiavam a aliança com Roma e dependiam dela. Ao colaborarem com os herodianos, os fariseus tinham se afastado para bem longe do ideal do Antigo Testamento para o povo de Deus (cf. Dt 17.15). Para mais informações sobre essa conspiração, ver Me 8.15; 12.13. •3.8 grande multidão. A frase é repetida duas vezes (vs 8-9). Oministério pú- blico de Jesus, apesar da oposição da elite governante, (v. 6). está se tornando um movimento de massa. Jesus é tão pressionado pela multidão que precisa re-

•3.6 herodianos. Um grupo político.

fugiar-se num pequeno barco (v 9). O povo, de toda parte, vem à Galiléia para ouvir a Jesus.

•3.11 quando o viam. Ainda que as multidões sejam constituídas de judeus (cf. 7.26-29). Jesus está se defrontando constantemente com pessoas possuídas por espíritos malignos. Na presença de Jesus, a verdadeira natureza do combate torna-se evidente (Ef 6.12). Os demônios são desmascarados e revelam a verda- deira identidade de Jesus, o Filho de Deus (1.1, 1539. notas).

•3.12 advertia severamente. Ver 1.34,43.

•3.13 os que ele mesmo quis. Marcos dá ênfase ao fato de que a escolha dos apóstolos tem origem no determinado propósito de Jesus.

designou doze. Num tal contexto, a significação do número "doze" dificil-

mente pode passar despercebida. Jesus estava estabelecendo a constituição do

novo Israel (Mt 19 28). Ver "Os Apóstolos", em At 1.26. para estarem com ele. Um sinal que aponta para a singularidade dos "doze" é o tempo que eles passam com o Jesus terreno, um tempo de preparação.

pregar. Outra vez (1.14, 17) é prioridade da missão a pregação, juntamente com o exorcismo. O tempo de preparação tem um ênfase marcantemente prática.

•3.18 Tadeu. Marcos e Mt 10.2-4 listam nomes idênticos para os doze. A lista paralela de Lc 6.12-16 (cf. At 1.13) tinha "Judas" ao invés de "Tadeu" Uma pos- sível explicação desta diferença é que Tadeu pode ter tido um segundo nome, Judas. Zelote. Ver nota em Mt 10.4. •3.19 lscariotes. Alguns crêem que Judas era um revolucionário político, por- que "lscariotes" pode ter sido uma derivação do latim sicarius, "assassinos" Mais provavelmente, no entanto, a palavra deve ter uma origem semítica -ish. que significa "homem (de)" e Queriote. uma cidade, em Israel, perto de Hebrom (Js 15.25).

•3.14

•3.21 parentes de Jesus. Alguns intérpretes identificam estes como a família de Jesus; outros propõem companheiros ou amigos. Contudo, o grupo está pos- sivelmente identificado no v. 31, como "seus irmãos e sua mãe"

MARCOS 3

1152

O PECADO IMPERDOÁVEL

Mc3.29

A solene advertência de Jesus a respeito de um pecado que nãO será perdoado, nem neste mundo nem no vindouro, é re-

gistrada pelos três Evangelhos Sinóticos (Mt 12.31-32; Me 3.28-30; lc 12.1 O). Especificamente, esse pecado é a "blasfêmia

contra o Espírito Santo". Essa blasfêmia é um ato consumado pela palavra, entendida como

L!fll'&>fPressão dos penn~os

do coração (Mt 12.33-37; cf. Rm 10.9-10). No contexto específico, os opositores de Jesus estavam dizendo que o.Poder que estava operando boas obras entre eles não era Deus, mas odiabo. Jesus faz distinção entre essa blasfêmia eoutros pecados, tanto pecados da língua como outros pecados em geral. Como a Bíblia ensina, Deus perdoou pecados de incesto, assassi- natos, mentira e, mesmo, os pecados de Paulo como perseguidor da Igreja, pecados que Paulo cometeu quando respirava "ameaças e morte contra os discípulos do Senhor" (At 9.1 ). Oque toma diferente dos outros o pecado imperdoável é a sua relação com o Espírito Santo. A obra do Espirita Santo é ilu- minar a mente dos pecadores (Ef 1.17-18), revelar e ensinar o evangelho (Jo 14.26), persuadir as almas a arrepender-se e a crer na verdade (cf. At 7.51 ). OEspírito não só explica a Palavra de Deus, mas também abre a mente do modo que ela possa

ser entendida (2Co 3.16-17). Quando a influência do Espírito é deliberada e conscientemente recusada, em oposição à luz, en- tão o pecado irreversível pode ser cometido como um ato voluntário e deliberado de malícia. Em resposta a essa atitude, há

um

permite que a decisão da vontade humana seja permanente. Deus não faz isto levianamente e sem causa, mas em resposta a um ultraje cometido contra seu amor. Uma pessoa que quer arrepender-se, isto é, que quer desfazer-se dos pecados que tenha cometido, não sofreu esse endu- recimento e não cometeu o profundo ato de ódio que Deus determinou não será perdoado. Qualquer pessoa que nasceu de novo não cometerá esse pecado, porque o Espírito vive nela e Deus não está dividido contra si mesmo (1Jo 3.9). Os outros versículos que tratam do pecado imperdoável são Hb 6.4-6; 10.26-29; 1Jo 5.16-17. Esses versículos mostram que a possibilidade de esse pecado ser cometido depende de ter havido iluminação e entendimento específicos da parte de Deus e que isso não é matéria comum de todo dia. Jesus disse que todos os "pecados" e "blasfêmias" serão perdoados, ex- ceto esse um pecado.

endurecimento do

coração, vindo da parte de Deus, que impede o arrependimento e a (Hb 3.12-13). Nesse caso, Deus

prender; 5 porque diziam: Está fora de si. 22 Os escribas, que haviam descido de Jerusalém, diziam: 1 Ele está possesso de Belzebu. E: É pelo "maioral dos demônios que expele os de- mônios. 23 vEntão, convocando-os Jesus, lhes disse, por meio de parábolas: Como pode Satanás expelir a Satanás? 24 Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode subsistir; 25 se uma casa estiver dividida contra si mesma, tal casa não poderá subsistir. 26 Se, pois, Satanás se levantou contra si mesmo e está dividido, não pode subsis- tir, mas perece. 27 xNinguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; e só então lhe saqueará a casa. 28 zEm verdade vos digo que tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e as blasfêmias que proferirem. 29 Mas aquele que blasfemar contra o Espf-

rito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno. 30 Isto, porque ªdiziam: Está possesso de um espírito imundo.

Afamília de jesus

31 bNisto, chegaram sua mãe e seus irmãos e, tendo fica-

do do lado de fora, mandaram chamá-lo. 32 Muita gente es- tava assentada ao redor dele e lhe disseram: Olha, tua mãe,

teus

ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus ir- mãos? 34 E, correndo o olhar pelos que estavam assentados ao redor, disse: Eis minha mãe e meus irmãos. 35 Portanto, qualquer que fizer ca vontade de Deus, esse é meu irmão,

irmã e mãe.

irmãos 8 e irmãs estão lá fora à tua procura. 33 Então,

SJo?.5;10.20

221Mt9.34;10.25U[Jo12.31;14.30;16.11]

23VMt12.25-29

27X[ls49.24-25]

28Zlc12.10

30•Mt9.34

31

b Mt 12.46-50

32 8 Cf. NU e M; TR omite e (tuas) irmãs

35 e Ef 6.6

Está fora de si. A frase expressa uma atitude de descrença para com Jesus da

do o coração de maneira a tornar o arrependimento -

impossíveis. Ver nota teológica "O Pecado Imperdoável".

e, portanto. o perdão -

parte daqueles que, humanamente, estavam mais próximos dele.

•3.22 Belzebu. Otermo grego beelzeboul, o deus

de Ecrom (2Rs 1.2; Mt 10.25,

nota). Os fariseus usam esta palavra como um nome para Satanás e acusam Je- sus de expulsar demônios pelo poder de Satanás.

•3.23-27 parábolas. Ver nota em 4.2. Esta parábola ilustra a declaração de Jesus de que o reino 1á chegou (Mt 12.28), porque um mais forte do que o "va- lente" está presente e é capaz de amarrar Satanás e livrar o povo de seus domí- nios.

•3.29 bl,!lsfemar contra o Espírito Santo. Para várias formas de blasfêmias, ver 2.7; Ex 22.28; Lv 24.10-16; Ez 35.12-13; Jo 10.33-36; At 6.11. A blasfêmia imperdoável especificada aqui é o ato de associar, deliberadamente, o poder e a obra de Jesus - que está cheio do Espírito Santo - com a obra de Satanás. Isto é identificar o bem espiritual supremo com o mal espiritual supremo, endurecen-

irmãos. Ver v. 21 e nota. Os estudiosos Católicos Romanos. para

quem a virgindade eterna de Maria é um dogma, sustentam que "irmãos" pode referir-se a relacionamentos mais amplos de família, apontando para Gn 13.8; 14.16; Lv 10.4; 1Cr 23.22. Contudo, em Marcos, o termo parece ser sempre usa- do para significar irmãos de sangue dos mesmos pais. Mt 1.25 indica que Maria e

José começaram a ter relações conjugais normais, depois do nascimento de Je- sus, acrescentando um sentido adicional à designação de Lc 2.7, onde Jesus é chamado o "primogênito" de Maria. •3.35 qualquer que fizer a vontade de Deus. A chegada do reino de Deus muda os relacionamentos humanos. Os que se opõem ao seu progresso - quer sejam mães ou irmãos - devem ser deixados; os que estão no reino se tomam nossos amigos mais íntimos. mais próximos e mais queridos que quaisquer ou- tros.

•3.31 mãe

1153

MARCOS 4

A parábola do semeador

a ensinar à beira-mar. E reuniu-se numero-

sa multidão a ele, de modo que entrou num barco, onde

se assentou, afastando-se da praia. E todo o povo estava à beira- mar, na praia. 2 Assim, lhes ensinava muitas coisas por pará- bolas, no decorrer do seu bdoutrinamento. 3 Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear. 4 E, ao semear, uma parte caiu à bei- ra do caminho, e vieram as aves / e a comeram. 5Outra caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. 6 Saindo, porém, o sol, a queimou;

e, porque não tinha raiz, secou-se. 7 Outra parte caiu entre os

espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram, e não deu

fruto. 8 Outra,

gou e cresceu, produzindo a trinta, a sessenta e a cem por

um.

4

ªVoltou Jesus

enfim, caiu em boa terra e deu fruto, que vin-

tem ouvidos para ouvir, ouça.

9 E acrescentou: 2 Quem

A explicação da parábola

to couando Jesus ficou só, os que estavam junto dele com os doze o interrogaram a respeito das parábolas. 11 Ele lhes res- pondeu: Avós outros vos é dado d conhecer o 3 mistério do rei- no de Deus; mas, eaos de fora, tudo se ensina por meio de parábolas, 12 para que, !vendo, vejam e não percebam; e, ou- vindo, ouçam e não entendam; para que não venham a con- verter-se, e haja perdão para eles. 13 Então, lhes perguntou:

Não entendeis esta parábola e como compreendereis todas as

parábolas? 14 gO semeador semeia a palavra.

beira do caminho, onde a palavra é semeada; e, enquanto a ou- vem, logo vem Satanás e tira a palavra semeada neles. 16 Seme- lhantemente, são estes os semeados em solo rochoso, os quais,

15 São estes os da

lhes chegando a angústia ou a perseguição por causa da pala-

logo se escandalizam. 18 Os outros, os semeados entre os

espinhos, são os que ouvem a palavra, 19mas hos cuidados do mundo, ;a fascinação da riqueza e as demais ambições, concor- rendo, sufocam a palavra, ficando ela infrutífera. 200s que fo- ram semeados em boa terra são aqueles que ouvem a palavra e a recebem, ifrutificando a trinta, a sessenta e a cem por um.

vra,

A parábola da candeia

21 1 Também lhes disse: Vem, porventura, a candeia para

ser posta debaixo do alqueire ou da cama? Não vem, antes, para ser colocada no velador? 22 m Pois nada está oculto, se-

não para ser manifesto; e nada se faz escondido, senão para ser revelado. 23 nse alguém tem ouvidos para ouvir, ouça. 24 Então, lhes disse: Atentai no que ouvis. ºCom a medida com que tiverdes medido vos medirão também, e ainda se vos acrescentará. 25 PPois ao que tem se lhe dará; e, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.

A parábola da semente

26 Disse ainda: qO reino de Deus é assim como se um ho-

mem lançasse a semente à terra; 27 depois, dormisse e se levantasse, de noite e de dia, e a semente germinasse e rcres- cesse, não sabendo ele como. 28 A terra por si mesma 5 fruti-

fica: primeiro a erva, depois, a espiga, e, por fim, o grão cheio na espiga. 29 E, quando o fruto já está maduro, logo 1 se lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa.

A parábola do grão de mostarda

ouvindo a palavra, logo a recebem com alegria. 17 Mas eles não 30 Disse mais: "A que assemelharemos o reino de Deus?

têm raiz em si mesmos, sendo, antes, de pouca duração; em

Ou com que parábola o apresentaremos? 31 É como um grão

~~~ÍTULO--; -;-ª ~ 8.4-1O-2 ~e; ;;

4 1 c;-N~M~~R~re~~n~do céu, ~U~~ omit~ ~ 2 a ~-C-e M; TR acr~scentapara

eles; NU e M omitem 10 CMt 13.10; Lc 8.9

secretas ou ocultas 12/ls 6.9-10; 43.8; Jr 5.21; Ez 12.2; Mt 13.14; Lc 8.10; Jo 12.40; Rm 11.8 14gMt13.18-23; Lc 8.11-15 19 h Lc

21.34 ipy 23.5; Ec 5.13; Lc 18.24; 1Tm 6.9-10, 17 20 i[Jo 152,5; Rm 7.4] 21 IMt 5.15; Lc 8.16; 11.33 22 mEc 12.14; Mt 10.26-27; Lc 12.3; [1 Co 4 5] 23 n Mt 11.15; 13 9,43; Me 4.9; Lc 8.8; 14.35; Ap 3.6, 13,22; 13.9 24 °Mt 7.2; Lc 6.38; 2Co 9.6 25 PMt 13.12; 25.29;

Lc8.18;19.26 26q[Mt1324-30,36-43];Lc8.1 27T[2Co3.18;2Pe3.18] 28 5 [Jo12.24] 12 31-32; Lc 13.18-19; [At 241; 4.4; 5.14; 19.20]

29t[Mc13.30];Ap14.15 30UMt

11 d[Mt 11 25; 1Co 2 10-16; 2Co 4.6] e [1 Co 5.12-13; CI 4.5; 1Ts 4.12; 1Tm 3.7] 3verdades

•4.2 parábolas. Ver Mt 13.3, nota. •4.3-8 semeador a semear. Na Palestina do século I, o semear precedia o arar. Nos caminhos feitos pelos aldeães e nas áreas espinhosas, as sementes eram enterradas pelo arado. Lugares rochosos. cobertos por uma fina camada de terra, só se tomavam visíveis depois de arados. •4.9 Quem tem ouvidos. Ver também v. 23; Mt 11.15; 13.9,43; Lc 8.8; 14.35; Ap 2.7; cf. SI 115.6. Esta frase é uma chamada para ficar atento. •4.10 Quando Jesus ficou só. Jesus estava só com os seus discípulos, em particular com os doze (3.14, nota), dando-lhes instruções especiais. Este aspec- to do ministério terreno de Jesus está em todos os Evangelhos.

parábolas. Ver nota textual. O "mistério" se refere à revelação

divina especial (Rm 16.25; Ef 1.9; 3.3,9), a noção do Antigo Testamento de que o profeta. pelo Espírito, está presente no conselho deliberativo de Deus. Aquilo q~e ele ouve torna-se sua mensagem autorizada, divinamente inspirada para opovo (Ex 24. 15-18; Dt 33.2; 1Fls 22 19; Is 6.1-13; Jr23.18; Am 3.7). Tal revelação se cumpre plenamente no evangelho, que Paulo, mais tarde, chamará o "mistério de Cristo" (Ef 3.4; CI 4.3) ou "o mistério do evangelho" (Ef 6.19). Aqui, o mistério do reino é que o reino vem com Jesus, porque ele é o Rei. Esse "mistério" revelado aos discípulos é contrastado com "parábolas" contadas "aos de fora". Para "os de fora", a parábola é um enigma (contrastar Jo 16.29), obscurecendo o seu entendimento, como as Escrituras tinham profetizado (v. 12, citando Is 6 9-10). Para "os de fora", Jesus per- manece um enigma provocativo, como será através de todo o seu ministério.

•4,11 mistério

•4.13 todas as parábolas. Esta explicação a respeito da função das parábolas aplica-se a todas as parábolas. Ver nota em Mt 13.13.

•4.14-20 O "mistério" da parábola não é o seu ensino moral a respeito da dureza dos corações humanos. O "mistério" está no paradoxo que a vinda do reino de Deus deve ser comparada com uma frágil semente. OFilho do Homem, que exer- ce toda autoridade na terra (2.11,27), aparece como Jesus de Nazaré. A vinda do reino não é igualmente visível a cada um, embora seja um reino de poder. Os que estão fora têm corações não receptivos. Para aqueles que têm ouvidos para ouvir, a parábola revela o "mistério" da redenção encoberto na pessoa e obra do próprio Cristo (1.34, nota)

•4.19 fascinação da riqueza. Cf. Ef 4.22.

•4.22 nada está oculto.•• senão para ser revelado. Durante oministério ter- reno de Cristo, coisas estão encobertas; mas virá o dia, da ressurreição em dian- te, quando tudo será revelado (Mt 10.26-27; Lc 12.2-3).

•4.24 Com a medida com que tiverdes medido. A futura disseminação do mistério do reino será recompensada na medida direta da fidelidade da pessoa à esta obra.

•4.25 ao que tem se lhe dará. Este princípio é ilustrado nas parábolas dos ta- lentos (Mt 2514-30) e das minas (Lc 19.11-27).

•4.30-32. A parábola do grão de mostarda é outra vez relacionada com a presen- te manifestação do reino, na pessoa de Jesus.

MARCOS 4, 5

1154

de mostarda, que, quando semeado, é a menor de todas as se-

mentes sobre a terra; 32 mas, uma vez semeada, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças e deita grandes ramos,

a ponto de as aves do céu poderem aninhar-se à sua sombra.

Por quejesusfalou por parábolas

33 vE com muitas parábolas semelhantes lhes expunha a palavra, conforme o permitia a capacidade dos ouvintes. 34 E sem parábolas não lhes falava; tudo, porém, xexplicava em particular aos seus próprios discípulos.

Jesus acalma uma tempestade

35 zNaquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos

para a outra margem. 36 E eles, despedindo a multidão, o le- varam assim como estava, no barco; e outros barcos o segui- am. 37 Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas

se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já es-

tava a encher-se de água. 38 EJesus estava na popa, dormindo

sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe disseram: ªMes- tre, bnão te importa que pereçamos? 39 E ele, despertando,

e repreendeu o vento e disse ao mar: d Acalma-te, 4 emudece!

O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. 40 Então, lhes

disse: Por que sois assim tímidos?! ecomo 5 é que não tendes

fé? 41 E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos ou-

tros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?

A cura do endemoninhado geraseno

5 Entrementes, ªchegaram à outra margem do mar, à terra dos 1 gerasenos. 2 Ao desembarcar, logo veio dos sepul-

cros, ao seu encontro, um homem possesso de bespírito imundo, 3o qual vivia nos sepulcros, e nem mesmo com ca- deias alguém podia 2 prendê-lo; 4porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias !oram quebra- das por ele, e os grilhões, despedaçados. E ninguém podia subjugá-lo. s Andava sempre, de noite e de dia, clamando por entre os sepulcros e pelos montes, ferindo-se com pedras. ó Quando, de longe, viu Jesus, correu e o adorou, 7 excla- mando com alta voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? cconjuro-te 3 por Deus que não me atormen- tes! 8 Porque Jesus lhe dissera: dEspírito imundo, sai desse homem! 9E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? Respondeu ele: Legião é o meu nome, porque somos muitos. to Erogou- lhe encarecidamente que os não mandasse para fora do país. 11 Ora, pastava ali pelo monte uma grande manada de epor- cos. 12 E os espíritos imundos rogaram a Jesus, dizendo:

Manda-nos para os porcos, para que entremos neles. 13 4 Je- sus o permitiu. Então, saindo os espíritos imundos, entraram nos porcos; e a manada, que era cerca de dois mil, precipi- tou-se despenhadeiro abaixo, para dentro do mar, onde se afogaram. 14 Os porqueiros fugiram e o anunciaram na cida- de e pelos campos.

Os gerasenos rejeitam

a jesus

Então, saiu o povo para ver o que sucedera. IS Indo ter com Jesus, viram/o endemoninhado, o que tivera a legião, gassen- tado, hvestido, em perfeito juízo; e temeram. 16 Os que haviam presenciado os fatos contaram-lhes o que acontecera ao ende·

17 E i entraram a rogar-lhe que

moninhado e acerca dos porcos.

• 33 v Mt

13.34-35; [Jo 16.12] 34 x Lc 24.27.45 35 z Mt 8.18,23-27; Lc 8.22.25 38 a [Mt 23.8-1 O] b SI 44.23 39 e Me 9.25; Lc

4.39 d SI 65.7; 89.9; 93.4; 104.6-7; Mt 8.26; Lc 8.24 4 Lit. Fique qweto

CAPiTuLO 5 1 ªMt8.28-34; Lc 8.26-37 1 Cf. NU; TR e Mgadarenos 2 bMc 1.23; 7.25; [Ap 16.13-14] 3 2NU acrescenta mais 7 CMt

26.63; Me 1.24; At 19.133fu te exijo 8.16; Me 1.32 glc 10.39 h [Is 61.10]

IS!Mt 4.24;

40 e Mt 14.31-32;

Lc 8.25 5NUAinda não tendes fé?

13 4NU Ele

8 d Me 1.25; 9.25; [At 16.18] 17 iMt 8.34; At 16.39

11 eLv 11.7-8; Dt 14.8; Lc 15.15-16

•4.32 avas do céu. Em Dn 4.21, a mesma metáfora se refere ao domínio mundi- al de Nabucodonosor. •4.33-34 Ver vs. 10-12. •4.35 a outra margem. De acordo com 3.7, Jesus está na Galiléia. A "outra margem" do lago é a região dos gadarenos, em Decápolis 15.1, nota).

•4.37 grande temporal. Omar da Galiléia fica a cerca de 213 m abaixo do nível do mar, tem cerca de 21 km de comprimento por cerca de 13 km de largura. Na sua extremidade meridional, um vale profundo cercado por rochas escarpa-

das. Ovento, afunilando-se através de colinas

que o cercam e através deste vale,

tura missão da Igreja aos gentios. Ocaráter gentílico da população se torna claro, uma vez que os judeus não criavam porcos, porque a lei mosaica os considerava animais imundos. •5.2 vaio dos sepulcros. Este homem endemoninhado estava afastado do seu contato humano normal, separado de sua aldeia e de sua família lv. 19).

alguém podia prendi-lo. Violência eforça física incomum, que o

•5.3 nem

levam a uma lenta autodestruição (v. 5; 9.22). parece freqüentemente caracteri- zar o endemoninhado lv. 13; 1.26; 9.18,20,22,26); porém, ante a força espiritual de Jesus, os demônios se acovardam e fogem.

pode açoitar olago, provocando repentinas e violentas tempestades. •4.38 donnindo. Jesus tinha estado ensinando o dia todo e, sem dúvida, estava exausto. Marcos, assim como João IJo 4.6; 11.35,38). dá ênfase à plena huma- nidade de Jesus. •4.39 Acalma-te, amudaca. Lit. "seja amordaçada". Jesus tem autoridade sobre a terra para perdoar pecados 12.10), é Senhor do sábado 12.28). tem au-

5.4, 13). a ordem para a natureza aquietar-se 11.25, nota) e a calma resultante

•5. 7 Que tenho au contigo. Ver 1.24. •5.9 Qual é o tau nome. Entendia-se que chamar pelo nome era ganhar poder sobre eles. Os demônios já tinham identificado a Jesus (v. 7; cl. 1.24-34\. mas. por meio desta pergunta, Jesus revela o seu poder superior. Legião. Jesus força o demônio a se desmascarar. Ele não é apenas um, mas mui- tos. Uma legião romana compunha-se de seis mil homens.

toridade no seu ensino 11.22) e sobre os demônios 11.27) e agora demonstra

•5.1 OE rogou-lha. Odemônio acovarda-se diante de

Jesus. mesmo invocando

sua autoridade sobre a natureza. O ato de acalmar a tempestade parece-se

o

nome de Deus como uma forma de proteção (v. 7). e reconhece que Jesus tem

com o seu poder de exorcizar: há a expressão demoníaca de violência 11.26;

poder absoluto sobre ele. •5.13 Jesus o permitiu. Jesus permite que os demônios entrem nos porcos

•5.15 assentado. Em comparação com o seu violento comportamento anterior

15.15). Jesus amarra "o valente" 13.23-27) e corrige

com seu poder acriação fí-

que, então. se precipitam despenhadeiro abaixo. Este exorcismo é uma demons-

sica. •5.1 terra dos garasanos. Gerasa ficava a uns 48 km a sudeste do lago. Gadara estava cerca de 10 km ao sul do lago !Mt 8.28, nota), e ocorre em outros manus-

tração dramática do poder de Jesus sobre o mal (vs. 14,16) e da presença do rei- no em seu ministério llc 11.20). Ver "Demônios", em Dt 32.17.

critos gregos. Há também uma aldeia chamada Kersa, à margem oriental, com a

e

com a recente destruição dos porcos, o homem "assentado, vestido, em perfei-

mesma espécie de despenhadeiros e sepulcros descritos na história. Jesus entra

to

juízo" expressa com eloqüência a paz e a restauração vivificante, que provêem

em Decápolis, uma associação de dez cidades-estados gregas. antecipando afu-

do poder de Jesus 14.39; 9.26-27).

1155

MARCOS 5, 6

se retirasse da terra deles. 18 Ao entrar Jesus no barco, isupli- cava-\he o que fora endemoninhado que o deixasse estar com ele. 19Jesus, porém, não lho permitiu, mas ordenou-lhe: Vai para tua casa, para os teus. Anuncia-lhes tudo o que o Senhor te fez e como teve compaixão de ti. 20 Então, ele foi e começou 1 a proclamar em 5 Decápolis tudo o que Jesus lhe fizera; e todos m se admiravam.

O pedido de ]airo

21 nTendo Jesus voltado no barco, para o outro lado, afluiu para ele grande multidão; e ele estava junto do mar. 22 ºEis que

se chegou a ele um dos principais da sinagoga, chamado Jairo, e, vendo-o, prostrou-se a seus pés 23 e insistentemente lhe su- plicou: Minha filhinha está à morte; vem, Pimpõe as mãos so- bre ela, para que seja salva, e viverá. 24 Jesus foi com ele.

33 Então, a mulher, 1 atemorizada e tremendo, cônscia do que

nela se operara, veio, prostrou-se diante dele e declarou-lhe toda a verdade. 34 E ele lhe disse: Filha, "a tua fé te salvou; vvai-te em paz e fica livre do teu mal.

A ressurreição da filha de ]airo 35 xFalava ele ainda, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, a quem disseram: Tua filha já morreu; por que ainda incomodas o Mestre? 36 Mas Jesus, sem acudir a tais

palavras, disse ao chefe da sinagoga: Não temas, 2 crê somente. 37 Contudo, não permitiu que alguém o acompanhasse, senão Pedro e os irmãos Tiago e João. 38 Chegando à casa do chefe da

sinagoga, viu Jesus o 7 alvoroço,

pranteavam muito. 39 Ao entrar, lhes disse: Por que estais em

alvoroço e chorais? A criança não está morta, mas bdorme.

40 E riam-se dele. crendo ele, porém, mandado sair a todos, to-

mou o pai e a mãe da criança e os que vieram com ele e entrou onde ela estava. 41 Tomando-a pela mão, disse: Talitá cumi!, que quer dizer: Menina, eu te mando, levanta-te! 42 Imediata- mente, a menina se levantou e pôs-se a andar; pois tinha doze anos. Então, ficaram todos dsobremaneira admirados. 43 Mas eJesus ordenou-lhes expressamente que ninguém o soubesse; e mandou que dessem de comer à menina.

os que ªchoravam e os que

A cura de uma mulher eriferma

Grande multidão o seguia, comprimindo-o. 25 Aconteceu que certa mulher, que, qhavia doze anos, vi- nha sofrendo de uma hemorragia 26 e muito padecera à mão de vários médicos, tendo despendido tudo quanto possuía, sem, contudo, nada aproveitar, antes, pelo contrário, indo a pior, 27 tendo ouvido a fama de Jesus, vindo por trás dele, por entre a multidão, rtocou-lhe a veste. 28 Porque, dizia: Se eu

apenas lhe tocar as vestes, ficarei curada. 29 E logo se lhe es- jesus prega em Nazaré. É rejeitado pelos seus

tancou a hemorragia, e sentiu no corpo estar curada do seu Ó ªTendo Jesus partido dali, foi para a sua terra, e os seus

discípulos o acompanharam. 2 Chegando o sábado, pas- sou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, bse maravi- lhavam, dizendo: coonde vêm a este estas coisas? Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E como se fazem tais ma- ravilhas por suas mãos? 3 Não é este o carpinteiro, filho de

32 Ele, porém, olhava ao redor para ver quem fizera isto.

·~8-~;;;38-3920~~~;~I~1-;mM~;;;~3;~Jo~2;7;-;t~12; ~~~s:i-;~~idad-:S-=;1-:-M~~l~-Lc-;~O~~:~~

Quem me tocou nas vestes? 31 Responderam-lhe seus discí- pulos: Vês que a multidão te aperta e dizes: Quem me tocou?

ó flagelo. 30 Jesus, reconhecendo

imediatamente que 5 dele

saíra poder, virando-se no meio da multidão, perguntou:

9.18-26; Lc 8.41-56; At 13.15

1435-36; Me 3.1 O; 6.56 29 6 sofrimento 30 s Lc 6.19; 8.46 33

5.19; Lc 7.50; 8.48; At 1636; [Tg 216] 35 Xlc 8.49 36 z[Mc 9.23; Jo 11.40] 38 ªMe 16.10; At 9.39 ?tumulto 39bJo11.4,11

40 e At 9.40 42 d Me 1.27; 7.37 43 e [Mt 8.4; 12.16-19; 17 9]; Me 3.12 CAPÍTULO& lªMt13.54;Lc4.16 2bMt7.28CJo6.42

23 P Mt 8.15; Me 6.5; 7.32; 8 23.25; 16.18; Lc 4.40; At 9.17; 28.8

l[SI 89 7]

25 q Lv 15.19,25; Mt 9.20 27 rMt

34 u Mt 9.22; Me 10.52; At 14.9 v 1Sm 1.17; 20.42; 2Rs

•5.19 Vai para tua casa. Este homem se torna o primeiro missionário gentio. Jesus geralmente exige silêncio (1.34, nota). porém neste caso ele permite apre- paração para futura missão da Igreja a começar. Jesus. posteriormente. ordenará silêncio com relação a outra cura realizada em Decápolis, mas não obtém resulta- do 17 .31-37) •5.22 principais da sinagoga. Ainda que fosse um leigo, as responsabilidades de um chefe eram social e religiosamente importantes. incluindo não só a conser- vação do edifício. mas, também, a condução própria do serviço e a escolha das leituras da Torá •5.25 uma b~morragia. A condição da mulher era não só fisicamente debilitan- te. mas também a desqualificava tanto para o casamento (Lv 20.18) quanto para a vida religiosa em geral (Lv 15.25-33)

•5.29 logo. Ver 1.1 O, nota.

•5.30 Quem me tocou nas vestes. Um toque de fé é sentido por Jesus. mes- mo no meio de uma multidão numerosa. onde muitos o estavam tocando. A frase

"que dele saíra poder" ocorre somente aqui. •5.32 olhava ao redor. Para uma mulher que tinha sido uma rejeitada social por muitos anos, a cura só se completa quando Jesus a identifica publicamente, elo- giando sua fé. declarando a todos que ela está curada (v. 34) e purificada.

Tiago e João. Jesus construiu ao redor dele uma hierarquia de

•5.37 Pedro

intimidade. Há numerosos discípulos 1410). dos quais doze são designados após- tolos (3.13-19) e dentre os doze. alguns (Pedro, Tiago e João e. às vezes, André) desfrutam da mais plena intimidade de Jesus, mais notavelmente na Transfigura-

ção 19 2-13) e no Getsêmani 11432-33).

•5.38 pranteavam. Nas culturas do Oriente Médio, prantear era uma expressão habitual de luto e. às vezes, apelava-se para pranteadores profissionais.

•5.40 mandado sair a todos. Jesus não está interessado num grande espetá- culo de cura. Ao invés disso, ele está preocupado com o sofrimento da menina, com a fé que tinham os pais dela e com o objetivo último de sua missão (v. 43).

•5.41 Talitá cumi. O aramaico era a língua popular falada na Palestina. Marcos

dá a tradução para outros termos aramaicos 13.17; 7.11,34; 10.46; 14.36). de modo a tornar sua narrativa mais clara para os que não tinham familiaridade com essa língua.

•5.43 ordenou-lhes expressamente. Ver notas no v. 19 e 134. •6.1 foi para a sua terra. Nazaré. cerca de 32 km a sudoeste de Cafarnaum e do mar da Galiléia. seus discípulos. Os Doze (v 7). •6.2 sábado. Ainda que fosse o Senhor do sábado (2.28), Jesus observa sema- nalmente o culto sabático 11 21; 31. Lc 4 16-30). se maravilhavam. Ver 1.22; 737; 10.26; 11.18. •6.3 carpinteiro. Poderia também significar "pedreiro" O trabalho de Jesus. antes de seu ministério. pode explicar o emprego de metáforas sobre constru- ções, especialmente ao descrever seu próprio ministério essencial (1458.15 29; Mt 7.24; 16.18; 21.33; Lc 12.18; 17 28) A observação con- cernente ao trabalho manual talvez não seia depreciativa como tal. pois espe- rava-se que todos os Rabis tivessem uma ocupação. Paulo fora educado como um Rabi e fazia tendas ou toldos (At 183; 22.3; 26.5; Fp 3.5-6) A acusação é

MARCOS 6

1156

Maria, dirmão de Tiago, José, Judas e Simão? E não vivem aqui entre nós suas irmãs? E eescandalizavam-se nele. 4Je- sus, porém, lhes disse: !Não há profeta sem honra, senão na sua terra, entre os seus parentes e na sua casa. 5 gNão pôde fa- zer ali nenhum milagre, senão curar uns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos. 6 h Admirou-se da incredulidade de- les. ;Contudo, percorria as aldeias circunvizinhas, a ensinar.

As instruções para os doze

de 1 dois a

dois, dando-lhes autoridade sobre os espíritos imundos. 8 Ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, exceto um bordão; nem pão, nem alforje, nem dinheiro; 9 que mfos- sem calçados de sandálias e não usassem duas túnicas. 10 n E recomendou-lhes: Quando entrardes nalguma casa, perma- necei ai até vos retirardes do lugar. 11 °Se 1 nalgum lugar não vos receberem nem vos ouvirem, ao sairdes dali, Psacudi o pó dos pés, em testemunho contra eles. 2 12 Então, saindo eles, pregavam ao povo que se arrependesse; 13 expeliam muitos demônios e curavam numerosos enfermos, qungindo-os com óleo.

7 iChamou Jesus os doze e passou a enviá-los

A morte de joão Batista

14 rchegou isto aos ouvidos do rei Herodes, porque o nome de Jesus já se tornara notório; e alguns diziam: João Ba-

tista ressuscitou dentre os mortos, e, por isso, 5 nele operam forças miraculosas. 15 1 0utros diziam: É Elias; ainda outros: É 3 profeta ucomo um dos profetas. 16 vHerodes, porém, ouvin-

do isto, disse: É João, a quem eu mandei decapitar, que ressur-

giu. 17 Porque o mesmo Herodes, por causa de Herodias, mulher de seu irmão Filipe (porquanto Herodes se casara com ela), mandara prender a João e atá-lo no cárcere. 18 Pois João lhe dizia: xNão te é lícito possuir a mulher de teu irmão.

e=~

19 E Herodias 4 o odiava, querendo matá-lo, e não podia.

20 Porque Herodes ztemia a João, sabendo que era homem

justo

cava perplexo, escutando-o de boa mente. 21 ªE, chegando um dia favorável, em que Herodes bno seu aniversário natalí- cio dera um banquete aos seus dignitários, aos oficiais milita- res e aos principais da Galiléia, 22 entrou a filha de Herodias e, dançando, agradou a Herodes e aos seus convivas. Então, dis- se o rei à jovem: Pede-me o que quiseres, e eu to darei. 23 E

jurou-lhe: cse pedires mesmo que seja a metade do meu rei- no, eu ta darei. 24 Saindo ela, perguntou a sua mãe: Que pedi- rei? Esta respondeu: A cabeça de João Batista. 25 No mesmo instante, voltando apressadamente para junto do rei, disse:

Quero que, sem demora, me dês num prato a cabeça de João Batista. 26 dEntristeceu-se profundamente o rei; mas, por causa do juramento e dos que estavam com ele à mesa, não lha quis negar. 27 E, enviando logo o executor, mandou que

lhe trouxessem a cabeça de João. Ele foi, e o decapitou no cár- cere, 28 e, trazendo a cabeça num prato, a entregou à jovem,

e esta, por sua vez, a sua mãe. 29 Os discípulos de João, logo que souberam disto, vieram, elevaram-lhe o corpo e o deposi- taram no túmulo.

e santo, e o tinha em segurança. E, 5 quando o ouvia, fi-

A primeira multiplicação de pães e peixes

30fVoltaram os apóstolos à presença de Jesus e lhe relata- ram tudo quanto haviam feito e ensinado. 31 8E ele lhes disse:

Vinde repousar um pouco, à parte, num lugar deserto; por- que eles não tinham tempo nem para comer, visto nserem nu- merosos os que iam e vinham. 32 ;Então, foram sós no barco

lugar solitário. 33 6 Muitos, porém, os viram partir e,

!reconhecendo-os, correram para lá, a pé, de todas as cidades,

para um

e chegaram antes deles. 34 1 Ao desembarcar, viu Jesus uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque eram como

3dMt12.46e[Mt11.6] 4/Jo4.44 5iGn19.22;32.25 6hls59.16iMt9.35 7iMc3.13-14i[Ec4.9-10] 9m[Ef615J 1onMt

10.11 11 °Mt 10.14PAt13.51; 18.6 1 Cf. NU; TA e Malguém 2Cf. NU; TA e M acrescentam Em verdade vosdigoquehaverámaistolerância

no dia do juízo para Sodoma e Gomorra, do que os daquela cidade; NU omite 13 q [Tg 5.14] 14 r Lc 9. 7-9 s Lc 19.3 7 15 t Me 8.28 u Mt

21.11

3 Cf. NU e M; TA o Profeta, ou como

um

dos profetas

16 Vlc

3.19 18 Xlv 18.16; 20.21 19 4guardava-lhe ódio 20 ZMt 14.5;

21.26

5NUmesmoassimo escutava

21 ªMt 14.6 bGn 40.20

23 cEt 5.3,6; 7.2

26dMt14.9

29e1As 13.29-30; Mt 27.58-61; At 8.2

30/Lc 9.10

31 gMt 14.13 hMc 3.20

32iMt14.13-21; Lc 9.10-17; Jo 6.5-13

33 i[CI 1.6] ô NU e MEies

34 IMt 9.36; 14 14; [Hb 5.2]

que Jesus (que ensina "sabedoria", no v. 2), é um operário comum, sem cre- denciais religiosas ou acadêmicas. filho de Maria. Ver 3.31.

•6.4 na sua casa. Jesus não só é rejeitado pelo povo da cidade e pelo mais am- plo círculo de parentes ali, como também por sua própria família (3.31 ). •6.7 os doze. Tendo já sido designados para estarem com Jesus (3.14, nota), e tendo já recebido instruções especiais concernentes ao mistério da pessoa e do papel de Cristo (4.10-11, notas), aos Doze agora é permitido compartilhar do mi- nistério e da autoridade de Jesus.

enviá-los. Overbo "enviar" tem a mesma raiz do substantivo

ta os laços com Jesus, como representantes pessoais dele (3.14, nota).

"apóstolo" e ressal-

dois a dois. Oprincípio bíblico de que o testemunho deveria ser firmado por, pelo

menos, duas testemunhas (Nm 35.30; Dt 17.6; 19.15; Mt 18.16; Jo 8.17; 2Co 13.1; 1Tm 5.19; Hb 10.28) foi também aplicado na atividade missionária da Igreja Primitiva, nos ministérios de Pedro e João (At 3.1; 4.1), de Paulo e Barnabé (At 13.2) e de Paulo e Silas (At 15.40). •6.8 nem pão. Mt 1D. 1Da razão "porque digno é o trabalhador do seu alimento". •6.11 sacudi o pó dos pés. Os judeus rigorosos sacudiam o pó de seus pés de- pois de atravessarem territórios pagãos. A recusa do evangelho convida à mesma reação.

•6.14 aos ouvidos do rei Herodes. Herodes Antipas, filho de Herodes, o Gran- de, era tetrarca (governador de um estado dependente) da Galiléia e Peréia. •6.15 um dos profetas. Especulação a respeito da identidade de Jesus condu- zirá às narrativas da multiplicação de pães e peixes (vs. 30-44; 8.1-9) e da cami- nhada sobre a água (vs. 47-52), que apontam para a divindade pessoal de Jesus. Porém primeiro Marcos relata as circunstâncias da morte de João Batista, com quem Herodes e outros tinham identificado Jesus. •6.17 mulher de seu irmão Filipe. Herodias era filha de Aristóbulo, um dos fi- lhos de Herodes, o Grande. Outros filhos de Herodes, o Grande, incluíam Herodes Antipas e Herodes Filipe (filhos de diferentes esposas). Depois de casar-se com seu meio-tio Herodes Filipe, Herodias o de'1xou para manter uma relação adúltera com o irmão dele, Herodes Antipas. Tal era o comportamento moral licencioso da dinastia de Herodes, contra o qual João Batista pregava (cf. Lv 18.16,20). •6.31 à parte. Estar sozinhos com Jesus - que então os instruía no mistério do reino (4.10-11) - era parte da preparação deles para o futuro ministério (4.34; 9.2,28; 13.3; cf. Jo 13.1, 16.29). •6.34 e compadeceu-se deles. Jesus faz aquilo que Deus prometeu fazer em Ez 34.11, 14: "Eis que eu mesmo procurarei as minhas ovelhas e as buscarei Apascentá-las-ei de bons pastos". Jesus age como o Pastor do povo de Deus, do mesmo modo que Moisés (Nm 27.15-17; SI 77.20), Davi (SI 78.70-72) ou Deus mesmo (SI 23.1; 74.1; 78 52-53; 80.1; Ez 34.15).

1157

MARCOS 6, 7

movelhas que não têm pastor. E npassou a ensinar-lhes mui- tas coisas. 35 ºEm declinando a tarde, vieram os discípulos a Jesus e lhe disseram: É deserto este lugar, e já avançada a hora; 36 despede-os para que, passando pelos campos ao re- dor e pelas aldeias, comprem 7 para si o que comer. 37 Porém ele lhes respondeu: Dai-lhes vós mesmos de comer. Disse- ram-lhe: Piremos comprar duzentos denários de pão para lhes dar de comer? 38 E ele lhes disse: Quantos pães tendes? Ide ver! E, sabendo-o eles, responderam: qCinco pães e dois peixes. 39 Então, Jesus 'lhes ordenou que todos se assentas- sem, em grupos, sobre a relva verde. 40 E o fizeram, repar- tindo-se em grupos de cem em cem e de cinqüenta em

cinqüenta. 41 Tomando ele os cinco pães e os dois peixes, 5 er-

guendo os olhos ao céu, 1 os abençoou; e, partindo os pães, deu-os aos discípulos para que os distribuíssem; e por todos repartiu também os dois peixes. 42 Todos comeram e se farta-

ram; 43 e ainda recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e de peixe. 44 Os que comeram dos pães eram 8 cinco mil homens.

da quarta vigi1ia da noite, veio ter com eles, andando por so- bre o mar; e xqueria tomar-lhes a dianteira. 49 Eles, porém, vendo-o andar sobre o mar, pensaram tratar-se de zum fantas- ma e gritaram. 50 Pois todos ficaram aterrados à vista dele. Mas logo lhes falou e disse: ªTende' bom ânimo! Sou eu.

e o

vento e cessou. Ficaram entre si d atônitos, 52 porque •não ha-

viam compreendido o milagre dos pães; antes, f o seu coração estava endurecido.

bNão temais! 51 E subiu para o barco para estar com eles,

Jesus em Genesaré 53 &Estando já no outro lado, chegaram a terra, em Gene-

saré, onde aportaram. 54 Saindo eles do barco, logo 2 o povo

reconheceu Jesus; 55 e, percorrendo toda aquela região, trazi- am em leitos os enfermos, para onde ouviam que ele estava. 56 Onde quer que ele entrasse nas aldeias, cidades ou campos, punham os enfermos nas praças, rogando-lhe que hos deixasse tocar ao menos ina orla da sua veste; e quantos a tocavam saíam curados.

jesus anda por sobre o mar

45 "Logo a seguir,

9 compeliuJesus os seus discípulos a em

barcar e passar adiante para o outro lado, a Betsaida, enquan- to ele despedia a multidão. 46 E, tendo-os despedido, vsubiu ao monte para orar. 47 Ao cair da tarde, estava o barco no meio do mar, e ele, sozinho em terra. 48 E, vendo-os em difi- culdade a remar, porque o vento lhes era contrário, por volta

Jesus e a tradição dos anciãos.

7 Ora, ªreuniram-se a Jesus os fariseus e alguns escribas,

vindos de Jerusalém. 2 E, vendo que alguns dos discípu- los dele comiam pão com bas mãos impuras, isto é, por lavar 1 3 (pois os fariseus e todos os judeus, observando ca tradição dos anciãos, não comem sem lavar 2 cuidadosamente as

O que contamina o homem

l

·~~2;; 1;;-2217; 2Cr_1_8~6~c~2 ~ls4;,-~6~1-3]~c9~- 3~º~~415~Lc91;-; 7~~N~TReMpãoparasi,po~~ue~-

não têm que comer 37 PNm 11.13,22; 2Rs 4.43 38 qMt 14.17; Lc 9.13; Jo 6 9 39 'Mt 15.35; Me 8.6 41 5 Jo 11.41-4211Sm 9.13; Mt 15.36; 26.26; Me 8.7; Lc 24.30 44 Bct. NU e M; TR acrescenta cerca de; NU e M omitem 45 u Mt 14.22-32; Jo 6.15-21 9convidou. urgiu veementemente 46 v Me 1.35; Lc 5.16 48 x Lc 24.28 49 z Mt 14.26; Lc 24.37 50 ª Mt 9.2; Jo 16.33 b Is 41.1 O I Tende coragem 51cs1107.29 dMc 1.27; 2.12; 5.42; 7.37 52 eMt 16.9-11; Me 8.17-18/ls 63.17; Me 3.5; 16.14 53gMt 14.34-36; Jo 6.24-25 54 2 Lit eles reconheceram 56 h Mt 9.20; Me 5.27-28; [At 19.12] i Nm 15.38-39

I Cf. NU; TR e Meles recriminaram. NU omite 3 e Me 7.5,8-9, 13; GI 1.14; 1Pe 118 2 Lit

CAPÍTULO 7 1 a Mt 15.1-20 2 b Mt 15.20 com o punho

ovelhas que não têm pastor. Oantigo Israel, abandonado pelos líderes infiéis, era também descrito deste modo IJr 50.6; Ez 34.1-10). •6.40 em grupos de cem em cem e de cinqüenta em cinqüe~ta. Este deta-

lhe relembra como Moisés

•6.42 Todos comeram e se fartaram. Esta história da multiplicação de pães e \)eí~es recorda a provisão miraculosa do maná no deserto, sob Moisés IÊx

16.1-36, especialmente v. 16). Jesus é o novo Moisés, trazendo o novo concerto.

•6.43 e ainda recolheram. Outra referência à provisão do maná, quando nada era para ser deixado até a manhã do dia seguinte IÊx 16 19) doze cestos cheios. Onúmero lembra as doze tribos do antigo Israel e sugere o importante papel que os Doze desempenhariam na constituição do Novo Israel (3 14, nota) •6.44 cinco mil homens. Marcos não usa a palavra grega que significa "seres humanos", mas um termo que distingue os homens das mulheres, talvez com a idéia de "chefe de família" iMt 14.21 acrescenta "além de mulheres e crianças"). A multidão pode ter sido de quinze a vinte mil pessoas •6.48 quarta vigília. Uma vez que os romanos dividiam a noite em quatro perío- dos, a quarta vigília seria das três da madrugada até à aurora. •6.49 um fantasma. A palavra grega traduzida aqui por "fantasma" é usada no Novo Testamento só aqui e em Mt 1426. Tem a conotação de imaginação su- persticiosa. •6.50 Sou eu. A frase grega (lit "eu sou") é igual ao termo da Septuaginta !tra- dução grega do Antigo Testamento), que traduz o nome divino "Eu sou" revelado a Moisés (Êx 3.14; Dt 32.39; Is 41.4; 43.1O,13.25; 45.18; 52.6; Os 13.4; JI 2 27) Esta narrativa tem todas as marcas comuns das teofanias bíblicas !vários modos

organizava o antigo Israel no deserto (Ex 1821)

da visível auto-revelação divina). incluindo o pavor humano, a identificação divina e as palavras de confiança. •6.52 não haviam compreendido o milagre dos pães. Essa observação su- gere que esse milagre contém o mesmo mistério a respeito de Jesus quanto o seu milagre de andar sobre as águas. Jesus, quanto à sua humanidade, é de fato

o novo Moisés. mas ele é também -e ao mesmo tempo -

pão do céu (Êx 16.4) •6.53 Genesaré. Uma aldeia à margem ocidental do mar da Galiléia llc 5.1}. •6.56 sua veste. Ver nota em 5.30. •7.1 fariseus. Ver nota em 2.16. escribas. Eram mestres da lei; a maioria deles era constituída de fariseus. •7.2 impuras. Os discípulos não tinham se lavado conforme mandava a "'tradi- ção dos anciãos" (vs 3-4) e, por isso. foram considerados cerimonia/mente impu- ros. Jesus crítica estas expansões tradicionais da lei cerimonial elaboradas pelos escribas e fariseus, porque eles estenderam suas tradições a ponto de permitir a própria transgressão da lei moral (vs. 9-13). A cruz de Jesus levará. finalmente. ao fim da lei cerimonial.

o Deus que supriu o

7.3 tradição dos anciãos. Os tar"1seus acreditavam que, além das palavras es- critas da lei, Moisés recebeu instruções para a sua interpretação e aplicação. Esta lei oral era transmitida pela palavra falada de mestre para mestre. Ao argumentar com eles, Jesus apela constantemente para as Escrituras, procurando sempre voltar ao seu verdadeiro sentido lvs. 6-8) lavar. Por suas tradições, os fariseus estenderam as ordenanças bíblicas da puri- ficação sacerdotal, no momento do sacrifício no templo IÊx 30.19; 40.12). ao co- mer do pão por todos os judeus.

MARCOS 7

1158

mãos; 4 quando voltam da praça, não comem sem se aspergi- rem; e há muitas outras coisas que receberam para observar,

como a lavagem de copos, jarros e vasos de metal [e camas]), 7E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são

s dinterpelaram-no os fariseus e os escribas: Por que não an-

!Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.

preceitos de homens.

dam os teus discípulos de conformidade com a tradição dos 8 Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tra-

anciãos, mas comem com as mãos por lavar? 6 Respondeu- lhes: Bem profetizou Isaías a respeito de vós, ehipócritas, como está escrito:

9 E disse-lhes ainda: Jeitosamente grejei-

tais 4 o preceito de Deus para guardardes a vossa própria

dição dos homens. 3

tradição. 10 Pois Moisés disse:

5 dMt 15.2 ó eMt 2313-29/ls 29.13 8 3Cf. NU; TR e M acrescentam como o lavar dos jarros e dos copos, e fareis muitas outras coisas

semelhantes a estas, no final deste versículo; NU omite

9 gPv 1.25; Is 24.5; Jr 7.23-24 4colocais de lado

•7 ,5 Por que não andam os teus discípulos. Os fariseus e os escribas não es- tão genuinamente interessados na prática da refeição dos discípulos de Jesus, mas na razão por que Jesus, como Mestre deles, não exige que eles observem "a tradição dos anciãos", de modo geral.

•7,6 Isaías, O objetivo de Jesus é trazer o povo de volta à conformidade com as Escrituras.

•7,8 Negligenciando o mandamento de Deus. Overbo "negligenciar" pode significar também "cancelar" ou "abandonar" Jesus não é um antinomiano. Como o salmista, ele se consumia por desejar incessantemente a lei de Deus ISI 119.20). que ele cumpre, protege IMt 5.17-20) edetende. Ele não é nem mesmo contra a tradição, mas é contra aquilo que nela anula as Escrituras.

As cidades do ministério na Galiléia

Jesus iniciou seu ministério público em Caná, onde honrou uma festa de casamento com a sua presença e transformou água em vinho (Jo 2.1-11 ). Na sinagoga de

Nazaré, Jesus anunciou que ele é o cumprimento da profecia do Livro de Isaías (Lc 4.16-22). Mas sua cidade de origem o rejeitou. Por isso, ele foi a Cafarnaum, uma próspera cidade pesqueira situada junto a uma rota comercial internacional. Ali estabeleceu a base do ministério. Em Cafarnaum, chamou Mateus para ser seu dis-

o servo paralítico de um cen-

turião (Mt 8.5-13), bem como a sogra de Pedro (Mt 8.14-15). O mar da Galiléia, com sua indústria pes- queira, foi palco de muitos milagres. Em Naim, Jesus ressuscitou misericordiosamente o único filho de uma viúva (Lc 7.11-17). Corazim e Betsaida foram cidades que Jesus acusou por causa da incredulidade (Mt 11.21 ). Gera- sa foi provavelmente o local onde Jesus curou os de- moníacos (Mt 8.28-34).

cípulo (Me 2.14) e curou

"'\ Nezeré. Monte Tabor , 0 Nalm \. '"'-· \ \. ;;;i.J. SAMARIA ,. PERÉIA
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1159

MARCOS 7, 8

hHonra a teu pai e a tua mãe;

e:

;Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte. 11 Vós, porém, dizeis: Se um homem disser a seu pai ou a sua mãe: JAquilo que poderias aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta para o Senhor, 12 então, o dispensais de fazer qualquer coisa em favor de seu pai ou de sua mãe, 13 invali- dando a palavra de Deus pela vossa própria tradição, que vós mesmos transmitistes; e fazeis muitas outras coisas seme- lhantes. 14 1 Convocando ele, de novo, a multidão, disse-lhes: Ouvi- me, todos, e m entendei. 15 Nada há fora do homem que, en- trando nele, o possa contaminar; mas o que sai do homem é o que no contamina. 16 5 [ 0 Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.] 17 PQuando entrou em casa, deixando a multidão, os seus discípulos o interrogaram acerca da parábola. 18 Então, lhes disse: qAssim vós também não entendeis? Não compre- endeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, 19 porque não lhe entra no coração, mas no ven-

tre, e sai para lugar escuso? E, 6 assim, considerou ele puros

todos os alimentos. 20 E dizia: '0 que sai do homem, isso é o

que o contamina. 21 5 Porque de dentro, do coração dos ho- mens, é que 1 procedem os maus desígnios, ua prostituição, os furtos, os homicídios, vos adultérios, 22xa avareza, as malíci- as, zo dolo, ªa lascívia, a inveja, ba blasfêmia, ca soberba, a loucura. 23 Ora, todos estes males vêm de dentro e contami-

nam o homem.

besse; no entanto, enão pôde ocultar-se, 25 porque uma mu- lher, cuja filhinha estava possessa de espírito imundo, tendo ouvido a respeito dele, veio e /prostrou-se-lhe aos pés. 26 Esta mulher era 8 grega, de origem 9 siro-fenícia, e / rogava-lhe que expelisse de sua filha o demônio. 27 Mas Jesus lhe disse: Dei- xa primeiro que se fartem os filhos, porque não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. 28 Ela, porém, lhe respondeu: Sim, Senhor; mas os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem das migalhas das crianças. 29 Então, lhe disse:

Por causa desta palavra, podes ir; o demônio já saiu de tua fi- lha. 30 Voltando ela para casa, achou a menina sobre a cama, pois o demônio a deixara.

A cura de um surdo e gago

31 gDe novo, se retirou das terras de Tiro e foi por Sidom até ao mar da Galiléia, através do território de Decápolis. 32 Então, hJhe trouxeram um surdo e gago e lhe suplicaram que impusesse as mãos sobre ele. 33 Jesus, tirando-o da multi- dão, à parte, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e lhe tocou a língua ;com saliva; 34 depois, /erguendo os olhos ao céu, 1 suspirou e disse: Efatá!, que quer dizer: Abre-te! 35 mAbriram-se-lhe os

ouvidos, e logo se lhe soltou 2 o empecilho da língua, e falava desembaraçadamente. 36 Mas nJhes ordenou que a ninguém o dissessem; contudo, quanto mais recomendava, tanto mais

eles o divulgavam. 37 °Maravilhavam-se sobremaneira,

zendo: Tudo ele tem feito esplendidamente bem; Pnão so-

mente faz ouvir os surdos, como falar os mudos.

di-

segunda multiplicação de pães e peixes

A

8 Naqueles dias, quando outra vez se

ªreuniu grande mul-

tidão, e não tendo eles o que comer, chamou Jesus os dis-

dom]. Tendo entrado numa casa, queria que ninguém o sou- cípulos e lhes disse: 2 Tenho bcompaixão desta gente, porque

A mulher siro-fenícia

24 dLevantando-se, partiu dali para as terras de Tiro 7 [e Si-

l

• 10hÊx20.12;Dt5.16;Mt15.4iÊx21.17;Lv20.9;Pv2020 llfMt15.5;2318 141Mt15.10mMt16.9,11-12 15nls59.3 16ºMt

11.15 5 Conteúdo dos colchetes conforme TR e M; NU omite 17 P Mt 15.15 18 q [Hb 5.11-14] 19 ó Ct. NU; TR e M incluem a frase final como palavras de Jesus assim purificando todos os alimentos? 20 r SI 39.1 21 s Gn 6.5; 8.21 l[GI 5.19-21] u 1Ts 4.3 v 2Pe 2.14 22xlc12.15 zRm 1.28-29 ª1Pe4.3 bAp 2.9 C1Jo 2.16 24dMt15.21 eMc 2.1-2 7Conteúdo dos colchetes conforme TA eM; NU omite

25 /Me 5.22; Jo 11.32; Ap 1.17 26 8 gentia 9 Uma síria da Fenícia / suplicava-lhe 31 gMt 15.29; Me 15.37; Lc 23.46; 24.46; At 10.40;

1Co 15.4 32 h Mt 9.32; Lc 11.14 33 iMc 8.23; Jo 9.6 34/Mc 6.41; Jo 11.41; 17.1 1Jo 11.33,38 35 m Is 35.5-6 2 Lit. a cadeia

37 ºMe 6.51; 10.26PMt12.22 1 a Mt 15.32-39; Me 6.34-44; Lc 9.12

•7.11 Corbã. Uma palavra hebraica e aramaica (que Marcos traduz

36 nMc 5.43

CAPITULO 8

2 b Mt 9.36; 14.14; Me 1.41; 6.34

para os leito-

plicar o plano da salvação. especialmente para dizer que "a salvação vem dos ju- deus" (Jo 4.22). A mulher entende isto deste modo, como indica a sua resposta. •7.31 Decápolis. Ver nota em 5.1. Jesus permanece em território gentílico. indo primeiro ao norte, para Sidom e, depois. ao sudeste, para Decápolis. •7.33 pôs-lhe os dedos nos ouvidos. Estas atitudes físicas acompanham o milagre da cura, mas não são a causa dela. •7.34 Efatá. Uma palavra aramaica que Marcos traduz para os leitores de língua grega. •7.35 e falava desembaraçadamente. Para uma pessoa surda, o expres- sar-se claramente em linguagem talada só pode ser aprendido, normalmente, de- pois de um período de tempo. •7.36 que a ninguém o dissessem. Com relação à ordem de sigilo dada por Jesus, ver notas em 1.34 e 5.19. •8.1-10 Uma segunda multiplicação miraculosa de pães. Jesus, depois, indica o profundo significado teológico desses dois milagres (8.18-21 ). •8.2 Tenho compaixão. Posto que esta multiplicação aconteceu, provavelmen- te, em Decápolis (7.31). é evidente que Jesus estende sua compaixão das ove- lhas perdidas da casa de Israel (6.34) aos gentios. quando cura a filha da mulher siro-tenícia (7 .24-30) e quando realiza seu ministério em território gentio (7.31-37). Por suas ações. Jesus anuncia a futura missão mundial da Igreja

res gentios), e que significa alguma coisa dedicada a um propósito religioso. Por

um simples voto, para reservar suas posses como dádiva para Deus. uma pessoa poderia tugir à responsabilidade de sustentar seus pais. • 7.20 O que sai do homem. Jesus está fazendo uma generalização a respeito do modo constante e natural pelo qual se expressa a natureza humana decaída. e sua lista de vícios (vs. 21-22) visa trazer ao homem autoconhecimento da sua própria imundície interior (cf. Rm 1.24-32; 2.17-24)

contamina. Jesus vai à essência do problema -

qual a impureza cerimonial é realmente um símbolo. •7.24 Tiro. Jesus se dirige ao norte, a uma região marcadamente gentílica (cf. Mt 11.21-22). à vizinhança de Tiro, uma antiga cidade portuária da Fenícia (no Lí- bano moderno). •7.26 grega. Ela era de origem siro-tenícia, mas talava grego. •7 .27 primeiro. Mesmo em território gentílico. Jesus mantém a prioridade tem- poral de Israel ("os filhos") no plano divino da salvação, como Paulo fará posterior- mente (Rm 1.16; 2.10; ct. At 1.8; 13.46-47). cachorrinhos. Otermo. certamente, é pejorativo (Mt 7.6; Fp 3.2; Ap 22.15) ainda que a palavra grega inclua a nuance de "filhotes" ou "cães de estimação"'. Deve ser visto como exemplo da vívida figura do convívio à mesa dada por Jesus para ex-

a imundície do coração, da

MARCOS 8

1160

há três dias que permanecem comigo e não têm o que comer.

eu os despedir para suas casas, em jejum, desfalecerão

3 Se

mos pão. 17Jesus, percebendo-o, lhes perguntou: Por que dis-

correis sobre o não terdes pão? 1 Ainda não considerastes, nem

compreendestes?

olhos, não vedes? E, tendo ouvidos, não ouvis? Não vos lem-

brais 19 de m quando parti os cinco pães para os cinco mil, quan- tos cestos cheios de pedaços recolhestes? Responderam eles:

os sete pães para os quatro mil,

Doze! 20 E de n quando parti

quantos cestos cheios de pedaços recolhestes? Responderam:

Sete! 21 Ao que lhes disse Jesus: ºNão compreendeis ainda?

pelo caminho; e alguns deles vieram de longe. 4 Mas os seus

discípulos lhe responderam: Donde poderá alguém fartá-los de pão neste deserto? s E eJesus lhes perguntou: Quantos

pães tendes? Responderam eles: Sete. ó Ordenou ao povo que se assentasse no chão. E, tomando os sete pães, partiu-os, após ter dado graças, e os deu a seus discípulos, para que estes os distribuíssem, repartindo entre o povo. 7Tinham também alguns peixinhos; e, dabençoando-os, mandou que estes igualmente fossem distribuídos. 8 Comeram e se fartaram; e dos pedaços restantes recolheram sete cestos. 9 Eram cerca

homens. Então, Jesus os despediu. to e Logo a

de quatro mil

seguir, tendo embarcado juntamente com seus discípulos,

partiu para as regiões de Dalmanuta.

Tendes o coração 2 endurecido? 18Tendo

A cura de um cego em Betsaida 22 Então, chegaram a Betsaida; e lhe trouxeram Pum

cego, rogando-lhe que qo tocasse. 23 Jesus, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia e, raplicando-lhe saliva aos olhos e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa? 24 Este, recobrando a vista, respondeu: Vejo os ho- mens, porque como árvores os vejo, andando. 25 Então, no- vamente lhe pôs as mãos nos olhos, e ele, passando a ver claramente, ficou restabelecido; e tudo distinguia de modo perfeito. 26 E mandou-o Jesus embora para casa, recomen-

dando-lhe: 5 Não 3 entres

Os fariseus pedem um sinal do céu

11 IE, saindo os fariseus, puseram-se a discutir com ele; e, tentando-o, pediram-lhe um sinal do céu. 12 Jesus, porém, garrancou do íntimo do seu espírito um gemido e disse: Por que pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo que h a esta geração não se lhe dará sinal algum. 13 E, deixando-os, tornou a embarcar e foi para o outro lado.

Ofennento dos fariseus e o de Herodes

na aldeia.

A confissão de Pedro 27 1 Então, Jesus e os seus discípulos partiram para as

aldeias de Cesaréia de Filipe; e, no caminho, pergun-

14 1 0ra, aconteceu que / eles se esqueceram de levar pães e, tou-lhes: Quem dizem os homens que sou eu? 28 E respon- no barco, não tinham consigo senão um só. lSiPreveniu-os Je- deram: "João Batista; outros: vE!ias; mas outros: Algum dos sus, dizendo: Vede, guardai-vos do fermento dos fariseus e do profetas. 29 Então, lhes perguntou: Mas vós, quem dizeis fermento de Herodes. E eles discorriam entre si: É que não te- que eu sou? Respondendo, Pedro lhe disse: xTu és o Cristo .

5 CMt ~-34; Mc638; J~-~9 - 7dMt141~;Mc6~ ~O e-;:;t 1539 11fMt12;8; 16-~, Lc 11~;J-;;-21~; 630; 1~ 12;-IU~c-

7.34 h Mt 12.39

14 iMt 16.5

1 Cf

NU e M; TR os

discípulos

1S iMt 16.6; Lc 12.1

17 IMc 6.52; 16.14 2 Cf NU; TR e M acrescentam

ainda; NU omite

19 m Mt 14.20; Me 6.43; Lc 917;

Jo 6 13

20 n Mt 15.37

21 o [Me 6 52]

22 PMt 9.27; Jo 9.1

Qlc 18.15

23 rMc

7.33 26 5 Mt 8.4; Me 5.43; 7.36 3 Cf NU; TR e M nem contes a nrnguém na aldeia

6.14-15; Lc 9.7-8

29 x Jo 141; 4.42; 6.69; 11.27

27

tMt 16.13-16; Lc 9.18-20

28 u Mt 14.2 V Me

•8.4 neste deserto. Ver nota em 1A. A pergunta dos discípulos, diante do que Jesus tinha feito anteriormente - em circunstâncias semelhantes - justifica a repreensão dada por Jesus nos vs. 17-18. •8.10 Dalmanuta. Presumivelmente à margem ocidental do mar da Galiléia, embora sua localização exata não seja conhecida. •8.11 fariseus. Ver nota em 2.16.

sinal do céu. Jesus não realiza sinais a pedido, especialmente àqueles que estão "tentando-o" lcf 1 13; Mt 4.1-11) Os fariseus queriam um sinal para confirmar que Jesus era um Messias político, como eles estavam esperando lv. 15, nota). •8.14 senão um só. Este detalhe da narrativa liga esta passagem aos dois mila- gres das multiplicações de pães

de Herodes. Jesus emprega o assunto coti-

diano do pão, como uma metáfora (Lc 12.1, nota) Aquilo que parece um pedido inocente e legítimo de um sinal !quanto ao desejo de Herodes por milagres, ver Lc

23.8) é, na verdade, uma re1eição do seu ministério e de todos os seus sinais an- teriores. Jesus está advertindo seus discípulos contra concepções superficiais de seu papel, e os está preparando para o seu ensino com relação ao verdadeiro sen-

tido

vel para muitos judeus (1 Co 1.22-23) •8.17 o não terdes pão. Os pensamentos dos discípulos são ainda dominados por preocupações de ordem material, preocupações que os deixam cegos para a verdadeira vocação de seu Mestre e abertos para serem tentados pelo "fermen- to" dos fariseus. •8.21 Não compreendeis ainda. Aqui, o papel de Jesus no ensino e no treina- mento dos Doze está implícito na narrativa (3.14, nota). Sua pergunta a eles é uma censura por deixarem de perceber que o Senhor - que providenciou ali-

•8.15 fermento dos fariseus

de sua vinda e de sua cruz (vs. 27,31 ). Tal ensino permaneceu incompreensí-

menta miraculosamente para cinco mil e para quatro mil homens e suas famílias

- é capaz de cuidar das necessidades físicas de doze pessoas. Na verdade, eles

deviam saber que Jesus é digno de sua fé total, em tudo aquilo que lhes revelará nos dias futuros.

•8.22 Betsaida. Uma cidade pesqueira à margem norte do mar da Galiléia e ter- ra natal de Filipe, André e Pedro •8.23 saliva aos olhos. Ver nota em 7.33.

•8.24 como árvores

andando. A restauração da visão, neste caso, é gradual.

•8.26 Não entres na aldeia. Como Jesus tinha levado o cego para fora da cida- de (v. 23), é plausível que a mensagem deste milagre fosse dirigida a seus discí- pulos. Eles devem entender que Jesus está curando gradualmente sua cegueira espiritual. Enquanto no v. 21 eles ainda não tinham entendido quem é Jesus, eles também, como ohomem cego lv. 25), estão quase para ver '"claramente" o mis- tério de sua pessoa lvs. 27-30). •8.27 Cesaréia de Filipe. Uma cidade ao sopé do monte Hermom e próxima da nascente do rio Jordão. Herodes, o Grande. construiu ali um templo de mármore a César Augusto e seu filho Filipe mudou o nome da cidade de Paneas para Cesa-

réia. Para distingui-la de outra Cesaréia -

- ela foi conhecida como Cesaréia de Filipe.

Mas vós. quem dizeis que eu sou. Outra vez é enfatizada a preeminên-

•8.29

cia dos Doze, na revelação da pessoa de Jesus (v. 21; 3.14). Jesus desconsidera aquilo que o povo diz (v. 27). mas retém como verdade divinamente revelada a confissão dos Doze (Mt 16.16-17 e notas). Tu és o Cristo. Lit. "o Ungido" 11 Sm 2.10; Mt 1.1 e notas). Esta é a primeira vez, na narrativa de Marcos, que o nome "Cristo" aparece (aparece também no título do seu Evangelho, 1.1). A confissão de Pedro (como aquele que fala pelos Doze) e

o bem conhecido porto mediterrâneo

1161

MARCOS 8, 9

30 z Advertiu-os Jesus de que a ninguém dissessem tal coi- sa a seu. i;eweito.

jesus prediz a sua morte e ressurreição

31 Então, ªcomeçou ele a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do Homem sofresse muitas coisas, bfosse rejeita-

do pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, cfosse morto e que, depois de três dias, ressuscitasse. 32 E isto ele expunha claramente. Mas Pedro, chamando-o à parte, co- meçou a reprová-lo. 33 Jesus, porém, voltou-se e, fitando os seus discípulos, drepreendeu a Pedro e disse: Arreda, Sata-

das dos

nás! Porque não 4 cogitas das coisas de Deus, e sim homens.

O discípulo de jesus deve levar a sua cruz

34 Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: •se alguém quer vir após mim, a si mes- mo se negue, tome a sua cruz e siga-me. 3S!Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por cau- sa de mim e do evangelho salvá-la-á. Que aproveita ao ho-

mem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? 37 Que da- ria um homem em troca de sua alma? 38 gPorque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, nse envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos.

9 Dizia-lhes ainda: ªEm verdade vos afirmo que, dos que aqui se encontram, alguns há que, de maneira nenhuma,

passarão pela morte até que vejam ter chegado bcom poder o

reino de Deus.

A transfiguração

2 cseis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, Tiago e

João e levou-os sós, à parte, a um alto monte. Foi transfigu-

rado

centes e sobremodo dbrancas, como nenhum lavandeiro na terra as poderia alvejar. 4 Apareceu-lhes Elias com Moisés, e

estavam falando com Jesus. s Então, Pedro, tomando a pa- lavra, disse: Mestre, bom é estarmos aqui e que façamos três tendas: uma será tua, outra, para Moisés, e outra, para

diante deles; 3 as suas vestes tornaram-se resplande-

e~~~~~~

30 ZMt 8.4; 16.20

12.25 38 gMt 10.33 h 2Tm 1.8-9; 2.12

CAPÍTULO

31 a Mt 16.21; 20.19 b Me 10.33 e Me 9.31; 10.34

2 e Mt 17.1-8

33 d [Ap 3.19] 4 tens em mente as

9

1 a Lc 9.27 b [Mt 24.30]

3 d Dn 7.9; Mt 28.3

34 e Lc 14.27

3SfJo

a Transfiguração que se segue (9.2-13) são o ponto alto na revelação da pessoa de Jesus e uma reviravolta no seu ministério terreno. De agora em diante, o seu ensino se concentrará sobre sua morte iminente, e ele logo começará sua viagem para Jerusalém. •8.30 a ninguém dissessem. Ver notas em 1.34; 5.19; cf. 9.9. Estranhamente, neste ponto alto da revelação vem a ordem para conservá-la em sigilo. Mas, olhando para trás, a razão fica clara. Jesus não permite que noções políticas de sua obra messiânica comprometam sua verdadeira vocação de Messias Sofre- dor, cuja obra essencialmente moral e espiritual da redenção será total. •8.31-10.52 Esta seção conta minuciosamente a convergência do ministério terreno de Jesus em direção ao seu clímax (8.29, nota). Contém três predições da morte e ressurreição de Jesus (8.31; 9.31; 1O33-34); relata o começo de sua viagem a Jerusalém e dá ensino substancial sobre a verdadeira messianidade e discipulado. •8.31 necessário. Por trás desta palavra está todo o peso das profecias bíblicas e da necessidade divinamente ordenada (9.31; Lc 22.37; 24.7,26,44). As predi- ções de Jesus concernentes à sua morte e ressurreição procedem de seu modo de entender as Escrituras do Antigo Testamento. Filho do Homem. Ver nota em 2.1 O. sofresse muitas coisas. A predição do Messias Sofredor vem particularmente de Is 52.13-53.12. Ver também Zc 9.9; 12.10; 13.7; e todo o Antigo Testamento sobre o tema geral do justo sofredor anciãos. Membros leigos do Sinédrio, a corte que governava os negócios ju- deus. A corte era composta dos anciãos, principais sacerdotes e mestres da lei (os escribas). principais sacerdotes. Jesus prediz que as ricas famílias sumo sacerdotais, que eram aliadas dos saduceus, se envolverão na sua morte. depois de três dias. Ver Os 6.2. Esta é também expressão convencional de um curto período. ressuscitasse. Ver Is 52.13; 53.10; cf. SI 110.1; Dn 7.13-14.

•8.32 expunha claramente. Em contraste com o seu ensino público através das parábolas (4.10-11). os Doze recebem privativamente plena instrução (cf. Jo 16.25,29). O claro ensino particular de Jesus se tornará a base da pregação públi- ca de seus discípulos, depois da Páscoa (At 2 29; 4.13,29,31; 28.31 ).

começou a reprová-lo. Quando o próprio Pedro, líder entre os Doze,

Pedro

falha em aceitar que o Messias precisa sofrer, pode-se apreciar a sabedoria do segredo de Jesus com relação ao seu ofício messiânico. Note-se a observação de Paulo que, para muitos, ··a palavra da cruz é loucura" (1 Co 1.18; cf. GI 3.13).

•8.33 Arreda, Satanás. Satanás agora está operando até mesmo entre os próprios discípulos de Jesus, não somente em Judas, mas também em Pedro,

cuja intervenção teria anulado o plano da redenção e realizado o objetivo

tanás. •8.34 tome a sua cruz. Prisioneiros condenados eram geralmente obrigados a carregar o madeiro de sua cruz até o lugar de execução (cf. 15.21). •B.37 em troca de sua alma. A mesma palavra grega é traduzida aqui por "alma" e, no v. 35, por "vida". Nenhum valor monetário ou material pode ser pago por isto (SI 49.7-9, ao qual Jesus talvez se refira). •8.38 na glória de seu Pai. No presente tempo de humilhação, o "Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça" (Mt 8.20); no entanto, um dia ele será revelado com esplendor divino como o Filho de Deus (12.6-11; 14.62; cf Dn

713).

•9.1 com poder o reino de Deus. Ver nota textual. A vinda do reino "com po- der" parecia estar associada com a ressurreição de Jesus, uma vez que será tes- temunhada por alguns "dos que aqui se encontram" e é também descrita como uma vinda "com poder" (Rm 1.4). A transfiguração, que se segue a esta expres- são, é um cumprimento intermediário e imediato das palavras de Jesus, já que antecipa a manifestação do poder da ressurreição e da glória divina. Ver nota em Mt 16.28. •9.2 Seis dias depois. Em Êx 24.16, "seis dias" é também o período de prepara- ção para receber a revelação e testemunhar uma visão da glória divina (uma teofa- nia; 6.50, nota). Pedro, Tiago e João. Estes três podem representar os Doze, exatamente como Pedro sozinho pode (8 29; Mt 16.18; At 2.14). a um alto monte. Tanto a Moisés (no Sinai, Êx 24) como a Elias (em Horebe, 1Rs 19) foi dada a visão da presença teofânica de Deus no alto de montanhas. transfigurado. Lit. "mudou de forma". Este verbo grego é usado por Paulo para descrever a presente obra do Espírito na vida interior do crente (Rm 12.2; 2Co 3.18). Aquela obra será completada quando este mesmo Espírito der vida ao cor- po mortal, como quando ele ressuscitou Jesus dentre os mortos (Rm 8.111 e, como aqui, na momentânea glorificação de Jesus. Ver nota teol6gica "A lrans!1- guração de Jesus". •9.4 Elias com Moisés. Atransfiguração liga aantiga aliança à nova, ligando di- retamente Moisés e Elias, representantes da Lei e dos Profetas, com Jesus e seus apóstolos, mensageiros da completa redenção. •9.5 façamos três tendas. Pedro talvez deseje capturar e prolongar a glória, de modo a evitar o sofrimento do qual Jesus já tinha falado (8.31-33).

de Sa-

MARCOS 9

1162

Mc9.2

--- --- --·----

A TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS

1 6 2 Mc9.2 --- --- --·---- A TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS Registrada em três Evangelhos (Mt

Registrada em três Evangelhos (Mt 17 .1-8; Me 9.2-8; Lc 9.28-36) e atestada por Pedro e João (cf. 2Pe 1.16-1 B; Jo 1.14), a Transfiguração foi uma revelação da divindade de Jesus. Atransformação na aparência de Jesus, quando ele orava (Lc 9.29), foi uma transição momentânea do ocultamento da sua glória divina, que marcou seus dias sobre a terra, para a manifasta~ã\) da glória que será revelada quando ele voltar. A resplandecente luz que brilhou de Jesus, quando seu rosto foi transfigurado (Lc 9.29), era a glória intrínseca a ele como o Fi- lho divino, o "resplendor da glória" (Hb 1.3). A voz que veio da nuvem confirmou a identificação que a visão já havia fornecido. A Transfiguração foi também um acontecimento significativo na revelação do Reino de Deus. Moisés e Elias representaram a Lei e os Profetas dando testemunho de Jesus e sendo suplantados por ele. A "partida" (do grego exodos), a respeito da qual eles e Jesus conversaram (Lc 9.31 ), referia-se à morte, ressurreição e ascensão de Jesus. Esses acontecimentos não eram

apenas um modo de deixar este mundo, mas também de redimir seu povo, exatamente como o êxodo do Egito, conduzido por L Moisés, foi a libertação de Israel da escravidão.

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Elias. 6 Pois não sabia o que dizer, por estarem eles aterra- dos. 7 A seguir, veio e uma nuvem que os envolveu; e dela uma voz dizia: Este é f o meu Filho amado; ga ele ouvi. BE, de relance, olhando ao redor, a ninguém mais viram com eles, senão Jesus.

A \linda de Elias

9 h Ao

descerem do monte, ordenou-lhes Jesus que não di-

vulgassem as coisas que tinham visto, até o dia em que o Filho do Homem ressuscitasse dentre os mortos. to Eles guardaram a recomendação, perguntando uns aos outros ique seria ores- suscitar dentre os mortos. 11 E interrogaram-no, dizendo: Por que dizem os escribas ser necessário ique Elias venha primei- ro? 12 Então, ele lhes disse: Elias, vindo primeiro, restaurará to·

das as coisas; 1 como, pois, está escrito sobre o Filho do Homem que sofrerá muito e m será aviltado? 13 Eu, porém, vos digo que nEJias já veio, e fizeram com ele tudo o que quiseram, como a seu respeito está escrito.

A cura de umjol'em possesso

14 ºQuando eles se aproximaram dos discípulos, viram numerosa multidão ao redor e que os escribas discutiam

com eles.

surpresa, correu para ele e o saudava. 16 Então, ele interpe-

lou os escribas: Que é que discutíeis com eles? 17 E Pum, dentre a multidão, respondeu: Mestre, trouxe-te o meu fi- lho, possesso de um espírito mudo; 18 e este, onde quer que o apanha, lança-o por terra, e ele espuma, rilha os dentes e vai definhando. Roguei a teus discípulos que o expelissem, e eles não puderam. 19 Então, Jesus lhes disse: ó qgeração 1 incrédula, até quando estarei convosco? Até quando vos 2 sofrerei? Trazei-mo. 20 E trouxeram-lho; rquando ele viu a Jesus, o espírito imediatamente o agitou com violência, e, caindo ele por terra, revolvia-se espumando. 21 Perguntou Jesus ao pai do menino: Há quanto tempo isto lhe sucede? Desde a infância, respondeu; 22 e muitas vezes o tem lança- do no fogo e na água, para o matar; mas, se tu podes alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos. 23 Ao que lhe res- pondeu Jesus: 5 Se 3 podes! Tudo é possível ao que crê. 24 E imediatamente o pai do menino exclamou [com lágrimas]:

Eu creio! 1 Ajuda-me

que a multidão concorria, "repreendeu

dizendo-lhe: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai deste jovem e nunca mais tornes a ele. 26 E ele, clamando e agi-

15 E logo toda a multidão, ao ver Jesus, tomada de

na minha falta de fé! 25Vendo Jesus

o espírito imundo,

0-; eÊx ;034,~Rs~~; At 19; ;p 1; /SI 2~7; [Is 421]; Mt3.17; Me 1.11; Lc 1.35; 322; ;Pe 1.1UAt 3.22 9 h Mt 17.9-13; M~ 16~; Lc 24.6-7,46 10 i Jo 2.19-22 11/MI45; Mt 17.10 12 ISI 22.6; Is 53.3; Dn 9.26 m Lc 23.11; Fp 2.7 13 n MI 45; Mt 11.14; 17.12; Lc 1.17 14°Mt17.14-19;Lc9.37-42 17PMt17.14;Lc9.38 19qJo4.481semfé2suportarei 20TMc1.26 23SJo11.403Cf.

NU; TR e M Se tu podes crer, tudo 24 t Lc

17.5

25 u Me 1.25

•9. 7 Este é o meu Filho amado. A declaração celestial

na revelação concernente à identidade de Jesus. Exatamente como Deus tinha se revelado na teofania do Sinai, como "o SENHOR o.eus compassivo, clemente e longânirno e grande em misericórdia e fidelidade" (Ex 34.6), assim, agora, ele se revela como quem fala através do seu amado Filho (Jo 1.17; 3.16; Hb 1 2).

a ele ouvi. Esta frase representa uma repreensão aPedro bem como uma decla· ração concernente à autoridade do Filho, corno revelador e profeta da nova alian- ça. Estas palavras ecoam Dt 18.15, e identificam Jesus como o grande profeta semelhante a Moisés.

•9.9 ordenou-lhes

até o dia em que o Filho do Homem ressuscitasse dentre os mortos. O testemunho público e aberto à glória de Jesus é para ser reservado para depois da plena realização da redenção. •9.1 Oque seria o ressuscitar dentre os mortos. A confusão dos discípulos surge da expectação judaica, de uma ressurreição geral, nos últimos dias, mas não de uma ressurreição individual, no meio da história. •9.12 Elias, vindo primeiro. Ainda que João Batista não seja Elias pessoalmen- te ressuscitado dentre os mortos (6 14-16; cf. Jo 121), Jesus ensina que Elias

é um ponto alto da divi-

que não divulgassem. Ver nota em 1.34 e 8.30.

foi, ern verdade, o tipo no Antigo Testamento que prefigurava o ministério de João Batista (cf. Lc 1.17).

•9.13 e fizeram com ele. Exatamente como EY1as so\reu nas mãos de Acabe e Jezabel (1Rs 19.1-10), assim João Batista sofreria nas mãos de Herodes e Hero- dias (6.18, nota). Se João-que restaurou todas as coisas por chamar o povo ao arrependimento e à piedade- foi posto à morte, deveria ser surpresa (v. 12) se o Filho do Homem sofresse a mesma sorte?

•9.17 possesso de um espírito mudo. A possessão demoníaca é claramente distinta de uma doença comum (7 .31-37), ainda que em ambos os casos a pes- soa não possa falar. Compare 1.24-25; 5.2-15.

•9.19 Ógeração incrédula. A impaciência de Jesus com a falta de fé nos discí- pulos e a frustração com a cena geral de descrença e incapacidade, quando ele re- torna do monte da Transfiguração, é uma reminiscência da descida de Moisés do Monte Sinai, ao encontrar descrença e infidelidade no arraial dos israelitas (Êx 32).

•9.25 a multidão concorria. A situação é ainda volátil. O cego entusiasmo da multidão coloca Jesus num dilema: quer ministrar compassivamente ao sofri- mento do povo, sem comprometer o plano global da redenção.

1163

MARCOS 9

tando-o muito, saiu, deixando-o como se estivesse morto, a ponto de muitos dizerem: Morreu. 27 Mas Jesus, tomando-o pela mão, o ergueu, e ele se levantou. 28 vouando entrou em casa, os seus discípulos lhe pergun- taram em particular: Por que não pudemos nós expulsá-lo? 29 Respondeu-lhes: Esta casta não pode sair senão por meio de xoração 4 [e jejum].

De n01'oJesus prediz a sua morte e ressurreição

30 E, tendo partido dali, passavam pela Galiléia, e não que-

ria que ninguém o soubesse; 31 zporque ensinava os seus dis-

cípulos e lhes dizia: O Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens, e ªo matarão; mas, btrês dias depois da sua morte, ressuscitará. 32 Eles, contudo, cnão compreendiam isto e temiam interrogá-lo.

O maior no reino dos céus

33 dTendo eles partido para Cafarnaum, estando ele em

casa, interrogou os discípulos: De que é que 5 discorrfeis pelo caminho? 34 Mas eles guardaram silêncio; porque,

pelo caminho, e haviam discutido entre si sobre quem era f o

maior. 35 E ele, assentando-se, chamou os doze

gSe alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de to- dos. 36 hTrazendo uma criança, colocou-a no meio deles e, tomando-a nos braços, disse-lhes: 37 Qualquer que receber

uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me rece- be; e iqualquer que a mim me receber, não recebe a mim, mas ao que me enviou.

e lhes disse:

Jesus ensina a tolerância e a caridade

38/Disse-lhe João: Mestre, vimos um homem que, em teu nome, expelia demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibi- mos, porque não seguia conosco. 39 Mas Jesus respondeu: Não lho proibais; 'porque ninguém há que faça milagre em meu nome e, logo a seguir, possa falar mal de mim. 40Pois mquem não é contra 6 nós é por 7 nós. 41 nporquanto, aquele que vos der de beber um copo de água, em meu nome, porque sois de Cristo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.

Os tropeços

42 ºE quem fizer 8 tropeçar a um destes pequeninos cren- tes, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse lançado no mar. 43 E, Pse tua

faz tropeçar, corta-a; pois é melhor entrares 9 maneta

na vida do que, tendo as duas mãos, ires para o 1 inferno, para

o fogo inextinguível 44 2 [onde qnão lhes morre o verme, nem

o fogo se apaga]. 45 E, se teu pé te faz tropeçar, corta-o; é me- lhor entrares na vida aleijado do que, tendo os dois pés, seres lançado no 3 inferno 4 46 5 [onde 'não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga]. 47 E, se um dos teus olhos te faz trope- çar, arranca-o; é melhor entrares no reino de Deus com um só

dos teus olhos do que, tendo os

no, 48 onde snão lhes morre overme, 1 nem o fogo se apaga.

dois seres lançado no 6 infer-

mão te

Os discípulos, o sal da terra

49 Porque cada um será salgado u com fogo. 7 so vBom é o

28

VMt 17.19 29 x [Tg 5.16] 4 Cf. NU; conteúdo dos colchetes conforme TR e M; NU omite 31 z Lc 9.44 ª Mt 16.21; 27.50b1Co 15.4

32

Clc 2.50; 18.34 33dMt18.1-5 5discutíeis 34e[Pv13.10] /Lc 22.24; 23.46; 24.46

35 gLc 22.26-27 36hMc10.13-16 37 IMt

10.40 38iNm11.27-29 3911Co12.3 40m[Mt12.30];Lc11.23óMvós1Mvós 4tnMt10.42 42ºMt18.6;Lc17.1-2;[1Co 8.12] 8 Cair em pecado 43 P [Dt 13.6]; Mt 5.29-30; 18.8-9 9aleijado 1 Gr. Gehenna 44 q Is 66.24 2 Conteúdo dos colchetes confonme TR e M; NU omite 45 3Gr. Gehenna 4Cf. NU; TR e M acrescentamnofogoquenuncaseapaga, no final deste versículo; NU omite 46 'Is 66.24 5944 Conteúdo dos colchetes conforme TR e M; NU omite 47 óGr. Gehenna 48 s1s 66.24 tJr 7.20; [Ap 21.8] 49 ª[Mt3.11J 7Cf. NU;

TR e M acrescentam e cada sacrifício será salgado com sal, no final deste versículo; NU omite 50 v Mt 5.13; Lc 14.34

eu te ordeno. Opoder espiritual de Jesus leva o demônio a gritar (v. 26). Ver "De-

mônios", em Dt 32.17. •9.28 em particular. Ver nota em 8.32.

•9.31 ensinava os seus discípulos. Freqüentemente, Jesus dá prioridade ao treino dos Doze. Jesus repete, visando dar ênfase e por causa da lição ainda não aprendida, aquilo que ele tinha ensinado anteriormente em 8.31. •9.33 em casa. Ver nota em 2.1.

o maior. Dada a importância de honra naquela sociedade, uma

tal preocupação desempenhava um significativo papel na mente do povo (cf. 10.35-45). Jesus está introduzindo uma revolução neste modo de pensar, sem destruir a noção de hierarquia funcional. Ver nota em 5.37. •9.35 chamou os doze. Outra vez. os Doze são chamados à parte (3.14), e a posição de liderança deles é explicitamente reconhecida. Se alguém quer ser o primeiro. Jesus não está atacando a posição de lideran- ça, mas está mostrando o modo de essa liderança ser exercida (isto é, como "úl- timo e servo de todos"). Este princípio é exemplificado pelo próprio Jesus, que "não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por mui- tos" (10.45). A maneira abnegada de Jesus cumprir o seu papel messiânico, que é o primeiro e mais importante no reino, oferece o padrão para seus discípulos em todos aqueles papéis secundários, que eles podem desempenhar no reino de Deus. •9.36 uma criança. Lit. "infante". A dignidade concedida por Deus a todo ser humano é exemplificada pela criança. Este mais fraco dos seres humanos deve ser servido do mesmo modo como são servidos os maiores (9.35, nota).

•9.38 o qual não nos segue. Esta frase não nega que o homem fosse um se-

•9.34 quem era

guidor de Jesus; ele estava expulsando demônios em nome de Jesus. Provavel-

mente. a frase signifique que esse homem não reconhecia

Doze. Sem tirar aprerrogativa dos Doze, porém e percebendo oorgulho eexclu- sivismo deles (9.35, nota; 10.35-45), Jesus se recusa a condenar aquele de quem os discípulos estão falando. Ao invés disso, ele ensina que o apoio e a co- munhão de todos os que defendem sua causa devem ser gratamente reconhe- cidos.

em meu nome. Todos os atos de misericórdia. de cuidado

e de cura feitos em nome de Jesus (isto é, com o entendimento, ação e propósito

a autoridade dos

•9.41 que vos der

de servi-lo) são eternamente reconhecidos como evidência de verdadeiro disci- pulado.

•9.42 quem fizer tropeçar. "Pequeninos" pode referir-se às crianças (v. 36) ou aos crentes considerados insignificantes (v. 39). Comprometer a confiança da- queles de pequena importância para o mundo, por exemplo, através do uso ego-

ísta e inconsiderado de poder (v. 35,

•9.43 corta-a. Esta admoestação deve ser entendida como uma espécie de exagero empregado na linguagem para atingir um objetivo (cf. vs. 45-47). Jesus está falando das difíceis renúncias de hábitos pecaminosos. Ver nota teológica "O Inferno".

•9.44-46 Ver nota textual. Os versículos 44.46 não aparecem em alguns dos mais antigos manuscritos, mas a frase é encontrada também no v. 48.

•9.49 salgado com fogo. O sal é associado com o sacrifício em Lv 2.13; Ez

43.24. Odito pode significar que, em contraste

com o fogo da destruição - de

que acabara de falar - os crentes perseverarão através do fogo e serão purifica- dos por ele.

nota), exige a mais severa punição (v. 43).

MARCOS 10

1164

Mc9.43

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MARCOS 10 1 1 6 4 Mc9.43 -------- -- ------ _J O INFERNO O Novo Testamento

_J

O INFERNO

O Novo Testamento consi~era o inferiío como o lugar de habitação final dos condenados à punição eterna, no Juízo Final (Mt 25.41-46; Ap 20.11-15). Edescrito como um lugar de "fogo" e "trevas" (Jd 7,13), de "choro e rangerde dentes" (Mt 8.12; 13.42,50; 22.13; 24.51; 25.30), de "destruição" (2Ts 1.7-9; 2Pe 3.7; 1Ts 5.3), de "tor_mento" (Ap 20.10; Lc 16.23). Esses ter- mos são, provavelmente, simbólicos ao invés de literais, porém, de qualquer modo, a realidade será mais terrível do que o símbolo. Oensino do Novo Testamento a respeito do inferno visa mais a nos alarmar e encher-nos de horror, persuadindo~nos de que, embora o céu será melhor do que podemos sonhar, assim o inferno será pior do que podemos imaginar. Estas são as

conseqüências da eternidade que precisam ser realisticamente enfrentadas. O inferno não é tanto a ausência de Deus, quanto a conseqüência da sua ira e indignação. Deus é um fogo consumidor (Hb 12.29), e a justa condenação daqueles que o desafiam apegando-se aos pecados que ele detesta será experimentada no in- ferno (Rm 2.6,8-9, 12). Segundo as Escrituras, o inferno nunca terá fim (Jd 13; Ap 20.1 O). Não há fundamento bíblico para es- peculações acerca de uma "segunda oportunidade" depois da morte ou da aniquilação dos ímpios em alguma ocasião futura. Os que estão no inferno compreenderão que se condenaram a si mesmos para estarem ali, porque amaram mais as trevas do que a luz, recusando-se a terem o seu Criador como seu Senhor. Preferiam a autogratificação do pecado ao altruísmo da justiça, rejeitando ao Deus que os criou (Jo 3.18-21; Rm 1.18,24,26,28,32; 2.8; 2Ts 2.9-11 ). A revelação geral coloca cada um diante da incontestável evidência de Deus, e, desse ponto de vista, o inferno tem sua base no respeito de Deus pela escolha humana. Todos recebem o que escolheram, seja estar com Deus para sempre ou estar sem ele. Os que estão no inferno sabe- rão não só que seus feitos mereceram a sua punição, mas também saberão que escolheram isso em seu coração. Opropósito do ensino bíblico sobre o inferno é fazer-nos aceitar com gratidão a graça de Deus em Cristo, que nos salva dele (Mt 5.29-30; 13.48-50). Por essa razão, a advertência de Deus para nós é misericordiosa: Ele não tem prazer "na morte do per-

verso, mas em que o perverso se converta do seu mau caminho e viva" (Ez 33.11

).

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sal; mas, se o sal vier a tornar-se insípido, como lhe restaurar o sabor? xTende sal em vós mesmos e zpaz uns com os ou- tros.

Jesus atravessa o Jordão

1O ªLevantando-se Jesus, foi dali para o território da Ju- déia, além do Jordão. E outra vez as multidões se reu-

niram junto a ele, e, de novo, ele as ensinava, segundo o seu costume.

A questão do divórcio

2 E, baproxirnando-se alguns fariseus, o experimentaram, perguntando-lhe: É lícito ao marido repudiar sua mulher? 3 Ele lhes respondeu: Que vos ordenou Moisés? 4 Tornaram eles: cMoisés permitiu lavrar carta de divórcio e repudiar. 5 Mas Jesus lhes disse: Por causa da dureza do vosso coração,

ele vos deixou escrito esse mandamento; 6 porém, desde o princípio da criação, Deus dos fez homem e mulher. 7 epor isso, deixará o homem a seu pai e mãe [e unir-se-á a sua mu- lher], 8 e, com sua mulher, serão os dois urna só carne. De modo que já não são dois, mas uma só carne. 9 Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem. 10 Em casa, voltaram os discípulos a interrogá-lo sobre este assunto. 11 E ele lhes disse: /Quem repudiar sua mulher e ca- sar com outra comete adultério contra aquela. 12 E, se ela re- pudiar seu marido e casar com outro, comete adultério.

Jesus abençoa as crianças

13 gEntão, lhe trouxeram algumas crianças para que as to-

casse, mas

vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim os pe- queninos, não os embaraceis, porque hdos tais é o reino de

os discípulos os repreendiam. 14 Jesus, porém,

·~9~;Cl~.6ZRm12.18; 1419; 2Co 1311: 1Ts 5.13; Hb 12.14

CAPITULO!O

1ªMt19.1-9;Jo10.40;11.7

zbMt19.3

4cot24.1-4;Mt5.31,19.7

6dGn127;52

7eGn224;[1Co6.16];Ef

5.31 11/Ex20.14; [Mt 5.32; 19.9];Lc 16.18; [Rm 7.3]; 1Co 7.10-11

13 gMt 19.13-15; Lc 18.15-17

14 h [1 Co 14.20; 1Pe 2.2]

•9.50 Tende sal em vós mesmos. A figura do sal descreve o verdadeiro disci- pulado. O sal tem a função de preservar. Jesus está falando aos seus discípulos para usar a humildade e o serviço para preservar a paz da Igreja, ao invés de divi- di-la pelo desejo de ser grande (v. 34).

•10.1