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VIII Congreso Internacional del CLAD sobre la Reforma del Estado y de la Administración Pública, Panamá, 28-31 Oct.

2003

Avaliação de políticas públicas: Os resultados da avaliação do ProInfo (Brasil)1

Gileno Fernandes Marcelino


(da Universidade de Brasília)

O presente texto faz parte de um conjunto de três documentos que explora o tema da
avaliação de políticas públicas do Brasil, tendo como referência a experiência do ProInfo –
Programa Nacional de Informática na Educação do Ministério da Educação (MEC) do Brasil.
O primeiro documento (Prof. Nilson Holanda) definiu conceitos básicos de avaliação,
detalhou o modelo de avaliação do ProInfo e analisou a experiência brasileira de
avaliação(“ex post”) de programas e projetos. O segundo documento (de responsabilidade do
Prof. Waldyr Viegas) expôs a metodologia e o processo de execução da avaliação do ProInfo
e o terceiro (este) apresenta os resultados e conclusões básicas dos estudos.

1. Antecedentes e características do ProInfo

Dentre as políticas públicas orientadas para a ampliação e plenitude da cidadania,


assumem particular importância aquelas dirigidas à educação e, especificamente, as
voltadas para a inclusão digital. No caso brasileiro vários programas têm sido postos em
execução pelo Ministério da Educação, com esse objetivo. Dentre eles avulta o Programa
Nacional de Informática na Educação – ProInfo, pela amplitude dos objetivos, pelo alcance
do raio de ação e pela extensão dos resultados.

Como já referido nos outros dois documentos que complementam o presente painel, o
ProInfo vem sendo implementado, pelo Ministério da Educação (MEC) do Brasil, desde 1997,
através de sua Secretaria de Educação a Distância - SEED, em parceria com os governos
estaduais e municipais. O seu objetivo é introduzir, na escola pública (nos níveis fundamental
e médio), as chamadas TIC – Tecnologias de Informação e Comunicação, como ferramenta
de apoio ao processo de ensino-aprendizagem. Desde o início, o MEC enfatizou que o
ProInfo é, essencialmente, um programa de educação, antes que um projeto de
modernização tecnológica.

Objetivos

São objetivos organizacionais estratégicos do ProInfo:

1) melhorar a qualidade do processo de ensino-aprendizagem;

2) possibilitar a criação de uma ecologia cognitiva nos ambientes escolares,


mediante incorporação adequada das novas tecnologias de informação nas
escolas;

3) propiciar uma educação voltada para o progresso científico e tecnológico; preparar


o aluno para o exercício da cidadania numa sociedade tecnologicamente

1 Ver Resumo ao final do documento.


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desenvolvida2.

Em síntese, o Programa visa melhorar a qualidade e a eqüidade do sistema de ensino


do país. Qualidade no sentido do aumento e diversificação dos espaços e metodologias do
processo de construção e transmissão do conhecimento. Eqüidade pela ampliação das
oportunidades de acesso às tecnologias da telemática como instrumento para coleta e
tratamento de informações, reduzindo aquilo que se tem convencionado chamar de exclusão
digital.

Princípios Orientadores

A concepção do Programa foi orientada pelos seguintes princípios:

a) articulação entre os diferentes níveis de governo, com a formulação de diretrizes


através do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação – CONSED
e operacionalização dos projetos pelos governos estaduais;

b) adesão dos Estados e Escolas envolvidos, mediante compromissos explicitados


nos Planos Estaduais de Informática na Educação e nos projetos de aplicação
pedagógica da tecnologia de cada escola beneficiada, que também assume a
responsabilidade pela preparação das instalações físicas e pela capacitação de
professores;

c) descentralização da execução, a cargo dos Estados, com o apoio da Coordenação


Estadual do ProInfo e do sistema de Núcleos de Tecnologia Educacional - NTE;

d) parceria, incentivando-se a mobilização da cooperação da comunidade, de


instituições de ensino, como universidades e escolas técnicas, de fabricantes e
fornecedores de hardware, produtores e editores de softwares educativos e
operadores de telecomunicações, de empresas públicas e privadas;

e) transparência, pelo intenso debate das diretrizes do Programa e pela ampla


divulgação dos seus objetivos e metas (textos e estudos, folders, página da
Internet, entre outros recursos de divulgação);

f) planejamento integrado, procurando antecipar todos os requisitos considerados


essenciais para o sucesso do projeto, compreendendo infra-estrutura física e
tecnológica, capacitação, apoio pedagógico e suporte técnico.

Esses princípios vem sendo obedecidos na prática. A execução do ProInfo é feita de


forma descentralizada e participativa, através das Secretarias Estaduais de Educação, sob
supervisão da Coordenação Nacional do ProInfo e com a colaboração técnica do Centro
Experimental de Tecnologia Educacional – CETE, vinculado ao Ministério da Educação e
localizado em Brasília.

O CETE foi concebido para apoiar o processo de incorporação de novas tecnologias


pelas escolas e para ser um centro de difusão (e discussão em rede) de experiências nesse
2 MEC/SEED. ProInfo. Julho de 1997.

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campo, além de constituir também o elemento de contato do governo brasileiro com


instituições que em todo o mundo patrocinam iniciativas e experimentos relacionados com a
tecnologia educacional e a educação a distância.

Diretrizes

As Diretrizes do Programa foram estabelecidas em três documentos básicos:

1. Diretrizes do Programa Nacional de Informática na Educação, estabelecidas pelo


Ministério da Educação e pelo Conselho Nacional de Secretários Estaduais de
Educação, em julho de 1997;

2. Plano Estadual de Informática na Educação, que estabelece objetivos para a


introdução das TIC na rede pública de ensino, subordinados ao planejamento
pedagógico geral da educação na unidade federada, e, também, critérios para
participação de escolas no programa, incluindo diretrizes para elaboração de
projetos pedagógicos de uso de TIC, e

3. Projeto Estadual de Seleção e Capacitação de Recursos Humanos para o


Programa Nacional de Informática na Educação, que apresenta normas para
seleção e capacitação de recursos humanos para o Programa (professores e
técnicos).

Na implementação do programa, de conformidade com os princípios orientadores,


foram cumpridas as seguintes etapas:

a) sensibilização dos agentes educacionais para compreensão da importância do


Programa para o desenvolvimento da educação nacional;

b) especificação, aquisição e distribuição de equipamentos e softwares;

c) formação de professores multiplicadores, efetuada por intermédio de cursos de


pós-graduação lato sensu;

d) implantação dos Núcleos de Tecnologia Educacional – NTE.

Os NTE podem ser caracterizados como centros de excelência na campo da


informática educativo, estruturados junto às Secretarias de Educação dos Estados (com
apoio do governo federal) para exercer as seguintes funções

(a) capacitação permanente de professores e técnicos de suporte;

(b) suporte pedagógico e técnico às escolas (elaboração de projetos de uso


pedagógico da telemática e respectivo acompanhamento, suporte a professores e
técnicos etc.), e

(c) desenvolvimento de experiências educacionais e realização de pesquisas.

O ProInfo parte do pressuposto de que a preparação de recursos humanos constitui

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um dos requisitos principais para seu sucesso. Por isso, dá-se ênfase à preparação de
professores em dois níveis: professores multiplicadores dos Núcleos de Tecnologia
Educacional - NTE e professores das escolas. Também foi desenvolvido um programa de
treinamento de técnicos de suporte, concluído em 2002

Professor-multiplicador é um especialista em capacitação de professores para uso da


telemática em sala de aula: adota-se no Programa, portanto, o princípio “professores
capacitando professores”. Os professores multiplicadores são formados em cursos de pós-
graduação (especialização lato sensu) ministrados por universidades brasileiras (públicas ou
privadas, escolhidas em função da excelência na área do uso de tecnologia na educação).

Infra-estrutura tecnológica

A configuração tecnológica disponibilizada pelo MEC para as escolas da rede pública


de ensino é a mais próxima possível da predominante nas empresas e organizações
informatizadas do Brasil, compreendendo as seguintes especificações:

microcomputador compatível com o padrão IBM/PC;

impressoras policromáticas com tecnologia ink jet;

interface gráfica do tipo MS-Windows;

conjunto integrado de software para automação de escritórios;

hardware e software necessários para interligar os computadores fornecidos entre


si, à Internet e à TV-Escola.

Os microcomputadores têm processadores Pentium e, ao serem entregues pelo MEC


aos estados, para serem instalados nas escolas públicas, podem contribuir para:

a) o uso de software educativo por um período mínimo de cinco anos (sem custos
significativos de atualização tecnológica);

b) a utilização de recursos de informática com características ergonômicas e de


segurança adequadas à preservação da integridade física do educando;

c) a formação da Rede Nacional de Informática na Educação; otimização do


processo de gestão escolar e de avaliação educacional;

d) a interação escola/comunidade, inclusive por meio de cursos da área de


informática abertos à comunidade;

Em síntese, de acordo com as diretrizes do MEC, esses equipamentos apresentam as


seguintes características:

a) compatibilidade com o padrão IBM/PC, dominante no mercado nacional;

b) tecnologia robusta, para aumentar o tempo de vida útil;

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c) garantia de funcionamento total por cinco anos;

d) possibilidade de interligação em rede e à Internet;

e) instalação em unidades de laboratórios nas escolas, para permitir o acesso de


mais alunos e facilitar o uso pela comunidade.

Metas da primeira etapa

Em sua fase inicial, o ProInfo contemplava as seguintes metas:

a) beneficiar 7,5 milhões de alunos em 6.000 escolas;

b) implantar 200 NTE;

c) capacitar 1.000 professores multiplicadores em cursos de pós-graduação lato


sensu, realizados em parceria com universidades;

d) capacitar 25.000 professores de escolas públicas;

e) formar 6.000 técnicos especializados em hardware e software para dar suporte às


escolas e NTE;

f) instalar 105.000 computadores (inclusive 5.000 destinados aos NTE).

Acompanhamento e Avaliação

Desde o planejamento inicial do ProInfo, foi prevista a implantação de um sistema de


acompanhamento e avaliação, com a definição de indicadores de desempenho que
permitissem aferir resultados e impactos em termos de melhoria da qualidade, eficiência e
equidade do ensino de 1º e 2º graus.

Entendia-se que o Programa deveria ser submetido a processos de acompanhamento


e avaliação, por duas razões principais: primeiro, em função do vulto dos investimentos
programados, e, segundo, pela complexidade inerente a um processo de introdução de
tecnologia de ponta em sistemas tradicionais de ensino.

A avaliação de programas públicos, entre os quais se incluem, dentre os mais


importantes, aqueles voltados para a educação, em seus diferentes níveis, encerra
dificuldades conceituais, técnicas e metodológicas de monta, geradoras, não raro, de
conflitos e frustrações que desestimulam a ação do gerente público.

Conceitualmente, a avaliação tende a ser assimilada ao controle social, onde a


coesão grupal é um valor tão fundamental que qualquer desvio se torna fatal para o grupo,
na medida em que o controle implica a exclusão da ação ou do membro desviante. Outras
vezes, a avaliação gerencial é confundida com o controle jurídico-legalista, quando, sob o
fanal da lei, o controle busca verificar a conformidade ou desconformidade com a norma, por

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meio de auditorias de vários tipos, que culminam, no mais das vezes, na punição dos atores
desviantes. Diferente dessas abordagens é a avaliação como função administrativa. No
campo da administração, reina o primado da ação, de modo que a avaliação visa,
primordialmente, ao monitoramento da ação, com objetivos de reforço, complementação ou
reorientação.

A avaliação administrativa, portanto, não visa nem à exclusão nem à punição dos
agentes executores, Ainda assim, a avaliação de programas públicos encontra resistência no
jogo de poder inerente a toda organização, quando as tentativas de avaliação se frustram em
interconexões conflitantes de concepções filosóficas divergentes na teia organizacional.

Sob o ponto de vista metodológico, o processo confronta-se com os múltiplos níveis e


as complexas abordagens dos programas públicos. Dentre esses aspectos, há que se
destacar as formas de avaliação, a qual preferencialmente deve ser permanente ou
continuada. É a chamada avaliação concomitante, de natureza interna, como atividade
normal e rotineira do administrador. A esta se junta a avaliação ad hoc feita de forma pontual,
singular, isolada ou num determinado ponto do tempo e normalmente contratada com
consultores externos. O ponto de partida da avaliação é a caracterização dos objetivos dos
stakeholders ou dos patrocinadores do programa ou de sua avaliação.

a) Avaliação permanente

Nesse nível, a avaliação do ProInfo é definida como o processo formativo e


participativo que tem o propósito de “verificar se está acontecendo o que foi
previsto” e “medir as conseqüências do que está acontecendo”. Para execução
desse trabalho estão previstas as seguintes etapas:
1) estabelecer os objetivos e as metas;

2) definir indicadores e padrões de desempenho;

3) elaborar procedimentos de medição;

4) coletar e analisar dados e informações;

5) gerar conclusões;

6) corrigir rumos;

7) compartilhar resultados.

A avaliação continuada ou permanente está referida no documento de Diretrizes do


ProInfo (julho de 1997) para ser operacionalizada pela Secretaria de Avaliação e Informação
Educacional do MEC – SEDAIE, tendo como base indicadores e parâmetros de eficácia tais
como:
Repetência e evasão

Habilidades de leitura e escrita

Compreensão de conceitos abstratos

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Facilidade na solução de problemas

Utilização intensiva de informação de diversas fontes

Desenvolvimento de habilidades para trabalho em equipe

Implementação de educação personalizada

Acesso à tecnologia por alunos de classes sócio-econômicas menos favorecidas

Desenvolvimento profissional e valorização do professor.

b) Avaliação ad hoc

Em caráter complementar aos seus processos de avaliação permanente, o Ministério


da Educação, através da Secretaria de Educação a Distância (SEED), julgou conveniente, ao
final da primeira etapa de execução do ProInfo, patrocinar uma avaliação ad hoc do
Programa, visando a colher subsídios para aperfeiçoar o planejamento e desenvolver
mecanismos de implementação para a eventual reformulação de objetivos e estratégias.
Nesse sentido foi firmado um convênio com a Universidade de Brasília para execução de um
projeto de avaliação externa do ProInfo.

A Coordenação Nacional definiu Termos de Referência para a execução do trabalho,


que implicam a consideração dos seguintes aspectos e variáveis:

a) aspectos finalísticos do Programa: intensidade e tipo de uso das máquinas (quem


as está usando, em que disciplinas ou projetos, com que resultados, etc);

b) eficiência e qualidade dos cursos de formação:

• de multiplicadores;
• de professores
• de técnicos de suporte em informática;

c) eficiência da atuação dos NTE, envolvendo:

• desempenho dos multiplicadores;


• desempenho dos técnicos;
• suporte técnico-pedagógico às escolas;
• atuação institucional do NTE;

d) eficiência e qualidade dos professores formados nos NTE;

e) eficiência e efetividade do uso de Tecnologias de Informação e Comunicação -


TIC nas escolas e impactos perceptíveis sobre as instituições de ensino
(organização e funcionamento) e sobre os alunos.

Note-se que os itens b, c e d dizem respeito a objetivos instrumentais ou insumos para

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a obtenção dos objetivos finalísticos a que se refere o item a e que dizem respeito à
intensidade do uso da infra-estrutura e dos demais recursos fornecidos à escola. O item e
trata também de objetivos finalísticos, ou, no entender de alguns, da avaliação propriamente
dita.

Portanto, o objetivo dessa avaliação externa era responder a três questões básicas,
que estão estreitamente interligadas:

1) Qual a situação da infra-estrutura que foi montada?

2) Como ela está sendo utilizada?

3) Que resultados ou impactos produziu?

O processo de avaliação contemplaria, inicialmente, uma pesquisa qualitativa (survey),


de natureza amostral (e parcialmente censitária) a ser complementada e aprofundada por um
conjunto de estudos de casos.

Por outro lado, os Termos de Referência estabeleceram alguns dos objetivos


específicos que se pretendia e alcançar com a avaliação projetada, a qual deverá responder
às seguintes questões centrais :

1) Qual o resultado da implantação do ProInfo nas escolas beneficiadas com o


Programa (como se caracteriza o uso da telemática nas escolas beneficiadas com
o ProInfo)?

2) O quê caracteriza uma experiência bem sucedida de uso pedagógico da


telemática?

3) Que elementos podem ser considerados essenciais para o sucesso do Programa?

4) Que impactos traz o uso da telemática no contexto brasileiro?

5) Existe algum padrão comum entre o que se observou no contexto brasileiro e as


experiências de outros países?

Experiências internacionais

Foram analisadas algumas experiências de programas internacionais sobre o uso de


computadores em escolas, na expectativa de que pudessem apresentar referências
importantes para o trabalho de avaliação do ProInfo.

Uma dessas experiências está apresentada no relatório Quo Vademus? A


Transformação do Sistema Escolar em um Mundo de Rede de Computação3, tendo como
base um programa conduzido pela OECD. Esse programa foi iniciado a partir de um encontro

3 Venezky, Richard L. e Davis, Cassandra, March,. 2002, Quo Vademus ? The Transformation of Schooling in a
Networked World. OECD/CERI

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informal de Ministros de Educação dos países da OECD, quando foi atribuído ao Centro de
Pesquisa Educacional e Inovação (CERI) o encargo de desenvolver planos para a introdução
de tecnologias de informática no sistema escolar. Nesse sentido, quase todos os países
membros da OECD, nos últimos anos, iniciaram a instalação de redes de computadores nas
escolas.

Para avaliar os resultados do programa foram elaborados dois grupos de estudos: um


primeiro, de estudos de casos, e um segundo, de estudos quase experimentais sobre as
habilidades desenvolvidas e sobre os fatores que afetaram o aprendizado de TIC. A primeira
meta a ser atingida é entender como as TIC estão relacionadas com a inovação educacional,
no pressuposto de que a introdução das TIC provoque transformações que induzam ou
facilitem o processo de reforma.

Os estudos de casos selecionados deveriam tentar identificar a relação entre inovação


educacional e o uso de TIC. O conceito de inovação adotado era associado ao de qualquer
mudança positiva no sistema escolar. Em alguns países, isso pode tomar a denominação de
reforma e, em outros, de mudança, conforme o entendimento adotado.

A justificativa para a escolha de estudos de caso estava relacionada a situações onde


existiam dificuldades para separar o programa de seu contexto, assim como uma grande
quantidade de variáveis e poucos dados para análises ou projeções. Tinha em vista obter
melhores explicações para os casos escolhidos. Nesse sentido, cada país membro da OECD
selecionou de 3 a 6 escolas que implementaram com sucesso inovações no sistema de
ensino e obtiveram significantes melhorias em um tempo relativamente curto, ou seja, de no
máximo, dois anos de implantação de TIC.

Foram efetuadas visitas de um dia para os avaliadores escolherem as escolas a


serem estudadas (à exceção da Irlanda que apresentou as escolas desejadas para a
avaliação). Essas escolas deveriam ser entendidas como organizações de aprendizagem,
com uma estrutura formada, que envolvesse todos os componentes necessários e onde
existia uma liderança, exercida geralmente pelo diretor. Nesse sentido, todos os professores
estão preocupados com o progresso de cada um e, juntos, com o progresso da escola. E
nesse contexto buscou-se entender como o sistema de TIC pode ajudar.

Cinco conjecturas foram estabelecidas em relação ao papel das TIC para as escolas:

a) catalisador para a reforma, caracterizando-se a tecnologia como um forte


elemento para a inovação e melhoria educacional;

b) difusão das TIC, seguindo os tradicionais padrões para inovação;

c) sucesso na implementação das TIC, que depende da competência do pessoal


envolvido;

d) eqüidade, no sentido de que as diferenças de renda entre estudantes não


aumentarão se houver igual acesso às TIC;

e) padrões acadêmicos, relacionados com uma baixa qualidade de materiais das


TIC.

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A conclusão central do estudo foi a de que as TIC raramente atuam como um


catalisador isoladamente, mas podem tornar-se uma poderosa alavanca para um
planejamento de inovações educacionais. Diversos resultados do uso das TIC foram
encontrados como, por exemplo, sistemas de intranet para comunicação de pessoal ou um
sistema de rede desenvolvido como parte de um programa comunitário, incluindo educação,
desenvolvimento comunitário e treinamento de artesanato. Na escola IT03-Rodari (Itália) foi
elaborado, até de forma um tanto aleatória, um sistema de pequenas comunicações diárias
entre estudantes, logo compartilhado por outras escolas, transformando-se em um sistema
de comunicações denominado Fidonet. Outro resultado foi a diferença de atitudes e
comportamentos entre meninos e meninas, onde os primeiros eram mais relacionados com a
técnica e sua manipulação, em quanto as meninas utilizavam a informática mais como uma
ferramenta para executar uma tarefa (especialmente em escolas dos Estados Unidos).

Outros aspectos foram observados, como a natureza das dificuldades encontradas,


que podem ser de três tipos: falta de oportunidade para o pessoal desenvolver habilidades
durante as horas de trabalho; problemas com o professor, seja por ter métodos próprios de
ensino, seja por preconceito em relação ao uso das TIC; e infra-estrutura limitada, incluindo
pessoal de suporte.

Em resumo, a infra-estrutura e a competência dos professores foram consideradas


como fundamentais para sucesso na implementação das TIC. Por outro lado, fatores sociais
e econômicos parecem não influir dentro das classes para o uso das TIC. As escolas ficaram
cientes da qualidade criada pelo uso das TIC, em especial nos caminhos da internet, mesmo
considerando os perigos de pesquisas sobre temas inadequados. Pode-se considerar que a
presença e uso das TIC nas escolas levam à inovação educacional e à sua difusão no
ambiente das organizações do conhecimento.

2. Os Resultados do Programa

Do ponto de vista da implementação de suas metas a avaliação indicou que o


ProInfo vinha tendo um bom desempenho.

Até abril de 2002, o Programa já havia estruturado 263 Núcleos de Tecnologia


Educacional – NTE (163 % da meta) e capacitado 302 técnicos (50 % da meta) 1.409
professores-multiplicadores (140 % da meta) dos NTE e 20.905 professores das escolas
beneficiadas pelo Programa (84 % da meta). O programa havia sido implantado em 2.881
escolas (48 % da meta) em todo o Brasil, com a aquisição de 55.000 computadores (52 % da
meta) e periféricos (servidores, impressores, scanners).

“Survey” da Avaliação Externa

A avaliação externa contratada com equipe da Universidade de Brasília previa a


realização de uma pesquisa amostral (“survey”) – e parcialmente censitária- de natureza
qualitativa, que foi executada no final de 2001, abrangendo todos os estados da Federação.
O relatório preliminar do “survey” foi completado no segundo semestre de 2002 e o relatório
final no início de 2003.

O “survey” do ProInfo abrangeu o universo de 233 NTE e uma amostra de 525

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Escolas envolvidas no Programa. Os NTE foram avaliados com base em três questionários
aplicados aos coordenadores, professores multiplicadores e técnicos.

Do ponto de vista de infra-estrutura física e tecnológica, os índices de aprovação


variaram de 90 a 93 % (somatório das avaliações “excelente”, “muito boa” e “boa”). Foi
detectada porém um deficiência grave: somente 22,5 % técnicos consideraram boas ou
excelentes as condições de trabalho para suporte técnico às escolas, exatamente uma das
funções críticas do NTE. Entre os coordenadores esse percentual é ainda menor (10 %),
Essa deficiência veio a ser confirmada posteriormente com diversos estudos de casos.

Foram obtidas informações sobre as condições de funcionamento de mais da metade


dos equipamentos instalados nas escolas (que, em seu total, ascendiam 5.911 estações de
trabalho, ignorando os periféricos). Constatou-se que 87 % das estações de trabalho
estavam funcionamento normalmente, 5 % funcionamento de forma precária. 6 % estavam
danificadas e apenas 2 % estavam paralisadas ou tinham sido extraviadas. Esse é um dado
importante porque, face ás dificuldades de manutenção dos equipamentos e dados
problemas de segurança pública do país, havia o temor – não confirmado – de que uma
grande proporção dos equipamentos estivessem paralizados ou tivessem sido extraviados ou
roubados.

Nas escolas, a avaliação da infra-estrutura física e tecnológica dos laboratórios de


informática foi também francamente positiva com índices de aprovação de 89 % , tanto da
parte dos diretores como dos coordenadores dos laboratórios. Os professores também se
mostraram satisfeitos com a disponibilidade de uso desses laboratórios. Uma constatação
importante foi a de que 92 % das estações de trabalho estavam em efetivo funcionamento
(87 % em condições normais e somente 5 % em condições precárias). Sob esse aspecto, a
situação menos favorável era a das impressoras. Mesmo assim 74 % desses equipamentos
estavam funcionando (inclusive 16 % em situação precária)

Os dados sobre qualificação e capacitação dos recursos humanos do ProInfo, sua


motivação, aceitação e comprometimento com o Programa revelam um quadro geral
francamente positivo para todas as categorias de atores - técnicos de informática,
multiplicadores, coordenadores de NTE, coordenadores de laboratório e professores .

Dentre os 3.541 professores entrevistados, mais de dois terços, (67.8%) têm curso
superior completo, dos quais 23,8% com pós-graduação, predominantemente no nível de
especialização e a maioria (70,4%) recebeu treinamento em informática educativa, A
experiência com informática no ensino, na média, não supera 2,8 anos, ou seja, a
experiência começou, em grande parte, com o ProInfo.

Dentre 877 professores multiplicadores 85 % tem licenciatura plena e dois terços deles
participaram de cursos de informática educativa patrocinados pelo ProInfo. A mesma
situação pode ser observada em relação aos 213 técnicos de laboratório entrevistados, os
quais, em sua maioria, também têm curso superior e foram capacitados (62 %) em cursos do
ProInfo. O conteúdo dos cursos foi avaliado positivamente por 89 % desses técnicos e por
dois terços dos multiplicadores.

Foram entrevistados também 5.366 alunos, dos quais pouco mais da metade (52,9%)
é do sexo feminino. A idade média gira em torno de 14,5 anos, com cerca de dois terços dos

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entrevistados cursando as oito séries do curso fundamental e um terço fazendo o curso


médio. O nível de aceitação do ProInfo na comunidade dos alunos é de 85 %. (somatório das
avaliações positivas). 65 % dos alunos acham que a introdução da informática tornou as
aulas mais interessantes. Quase todos (98 %) entendem que as aulas seriam melhores se os
professores utilizassem o computador.

Do ponto de vista pedagógico, procurou-se identificar melhorias do processo de


ensino-aprendizagem a partir da elevação do rendimento escolar e do desenvolvimento de
competências, habilidades e atitudes que são importantes para a formação dos alunos. A
maioria (63,3%) dos professores entende que o uso do computador trouxe melhoria do
rendimento escolar nas disciplinas que ministram.

Foi pesquisada também a contribuição do computador para o desenvolvimento de


onze tipos de comportamento que caracterizassem competências, habilidades e atitudes dos
alunos. O quadro geral mostra que a contribuição do computador para o desenvolvimento
dos alunos é alta e benéfica. A maioria dos professores entrevistados entende que o
computador contribui muito para o desenvolvimento da curiosidade e observação, da
criatividade e inovação, do trabalho em equipe, da leitura, da investigação e experimentação
e, em menor escala (mas ainda numa faixa de 50 a 63 % dos professores entrevistados)
para a organização e estruturação do pensamento, para a escrita, para o raciocínio lógico-
matemático, para a identificação e solução de problemas, e para a compreensão de
conceitos abstratos.

Em síntese: a despeito do tempo relativamente curto de implementação do ProInfo e


do caráter preliminar desta avaliação, existem múltiplas indicações – e todas na mesma
direção – de que o Programa vem alcançando razoável sucesso, não apenas em termos da
realização das metas operacionais de curto prazo como no tocante aos objetivos finalísticos
de mais longo prazo.

Estudos de casos

O projeto de Avaliação Externa do ProInfo contemplava também a realização de 40


estudos de casos, desdobrados em dois grupos:

1) um grupo de 20 casos de escolas espalhadas por todo o país e com


características diversificadas em termos de porte, localização, nível de ensino, a
par de evidências ou indicações de sucesso ou dificuldades. Nesse grupo foram
incluídas algumas escolas especiais, com uma situada em aldeia indígena do
estado de Mato Grosso, na região Centro Oeste do país; e

2) um segundo grupo de 20 casos, correspondentes a 10 escolas que seriam


visitadas duas vezes (ex ante e ex post) no contexto de uma projeto denominado
Integrar. O Projeto Integrar visava a avaliar as condições para a utilização
sistemática e integrada das novas tecnologias – envolvendo os programas ProInfo

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e TV Escola 4– no processo de ensino-aprendizado de dez escolas localizadas em


municípios mais carentes – de menor índice de desenvolvimento humano
municipal-IDHM5; conforme dados do PNUD/1991, de 5 (cinco) estados do
Nordeste (duas escolas por estado). O estudo de avaliação seria realizado em
duas etapas, uma primeira de diagnóstico ou avaliação ex ante, e uma segunda,
de avaliação ex-post, ou seja, realizada no período imediatamente posterior a uma
intervenção do MEC direcionada exatamente para tentar corrigir alguns problemas
identificados na primeira etapa. As intervenções previstas para o MEC, em
articulação com os governos estaduais, compreendiam basicamente a
complementação da infra-estrutura tecnológica, a sensibilização e capacitação de
professores, a provisão de conexão à Internet (para as escolas que ainda não
dispusessem desse recurso), o enriquecimento do acervo das videotecas das
escolas e a realização do curso TV na Escola e os Desafios de Hoje.

Ao contrário do que ocorre com um “survey” ou qualquer tipo de pesquisa


experimental ou não experimental, deve ser notado que um estudo de caso não tem,
normalmente, o objetivo de produzir generalizações, induzindo de algumas poucas
evidências algo que possa ser utilizado para interpretar o conjunto da realidade investigada.
Cada caso é um caso e reflete, supostamente, uma situação particular, às vezes muito
especial ou única.

Todavia, quando se dispõe de um grande número de casos, como ocorreu na


avaliação do ProInfo, pode-se tentar avaliá-los em seu conjunto, num esboço do que se
denomina meta-avaliação. E essa visão integrada nos permite observar que, aqui e ali,
repontam problemas que se repetem e que passam a constituir novas hipóteses a serem
utilizadas para nortear investigações posteriores.

Como seria de esperar, os casos evidenciam uma grande diversidade de situações,

4 A TV Escola é outro programa especial que vem sendo desenvolvido, desde 1996, pela Secretaria de Educação a
Distância (SEED) do MEC, com os seguintes objetivos: aperfeiçoamento e valorização dos professores da rede pública,
enriquecimento do processo de ensino-aprendizagem e melhoria da qualidade do ensino. Para tanto, um número
selecionado de escolas recebeu um kit tecnológico composto de um televisor, um aparelho de videocassete, uma antena
parabólica, um receptor de satélite e um conjunto de fitas cassete. A transmissão do canal da TV Escola é feita por meio de
sinal de satélite emitido para todo o país pela TVE-Rio (Televisão Educativa) da Associação de Comunicação e Educação
Roquette-Pinto. unidade. A programação diária – relativa ao ensino fundamental e médio – é transmitida três vezes ao dia,
de forma a permitir às escolas diversas opções de horários para gravação dos vídeos. Nos fins de semana vai ao o Programa
Escola Aberta, um seleção de vídeos especialmente dedicada à comunidade. Essas transmissões são complementadas por
materiais escritos como a Revista TV Escola, os Cadernos da TV Escola e livros de uma Série de Estudos . São diversas as
possibilidades de uso autônomo da TV Escola: (1) desenvolvimento profissional de gestores e docentes (inclusive
preparação para vestibular, cursos de progressão funcional e concurso público); (2) dinamização das atividades de sala-de-
aula; (3) preparação de atividades extra-classe, recuperação e aceleração de estudos; (4) utilização de vídeos para trabalhos
de avaliação do aluno e de grupos de alunos; (5) revitalização da biblioteca; (6) aproximação escola-comunidade,
especialmente a partir da programação da Escola Aberta.
5 Conforme o Atlas de Desenvolvimento Humano, são considerados de baixo desenvolvimento humanos os municípios com
IDH menor que 0,500. São três os níveis de IDH:
- Menor que 0,500 – baixo desenvolvimento humano;
- Entre 0,500 e 0,800 – médio desenvolvimento humano;
- Acima de 0,800 – alto desenvolvimento humano.
Ver Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento -
PNUD, Fundação João Pinheiro - FJP, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA e Fundação Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística - IBGE

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que vão de sucessos inegáveis a fracassos relativos, além de situações intermediárias ou de


transição, que foram caracterizadas como de sucesso parcial.

Os dez casos do Projeto Integrar abrangiam escolas selecionadas em municípios


muito carentes da região Nordeste. Na maioria delas, foram identificados sérios problemas,
particularmente com relação à TV Escola. Em muitos casos, a implementação da TV Escola
enfrenta dificuldades – deficiências de infra-estrutura, falta de capacitação, insuficiência de
informações etc. - que limitam a plena utilização do potencial dessa tecnologia.

Em pelo menos sete das dez escolas visitadas o Programa TV Escola fora implantado,
mas não funcionava ou funcionava precariamente, em geral por problemas técnicos dos
equipamentos (antena parabólica, vídeo etc;). Nem sempre o relacionamento com os NTE
era satisfatório. Existiam problemas de comunicação e aparentemente um descompasso
grave entre as expectativas e demandas das escolas e a capacidade de atendimento dos
NTE. Praticamente em nenhum caso foi observada alguma integração entre os programas de
informática na educação e o da TV Escola

Mas foram registrados exemplos positivos; pelo menos em três casos esforços
estavam sendo feitos para incorporar a informática ao processo de ensino e aprendizado, a
despeito das dificuldades enfrentadas

De maneira geral, a infra-estrutura física e tecnológica dos laboratórios de informática


foi considerada satisfatória. Por isso mesmo, chamaram a atenção os casos de duas escolas
que estavam há bastante tempo com os laboratórios montados e até a data da visita dos
pesquisadores esses laboratórios permaneciam fechados, sem qualquer utilização por
professores ou alunos. Outra área crítica que foi identificada diz respeito à capacitação de
recursos humanos.

Ressalte-se, porém, que esses problemas já eram esperados e a primeira avaliação


tinha por objetivo exatamente orientar a intervenção prevista do MEC visando a encaminhar
a sua solução.

Os relatórios da segunda avaliação (“ex post”) indicaram pelo menos um caso de


sucesso inegável, embora esse favoráveis resultados já estivessem evidenciados na primeira
visita.

Dos oito casos remanescentes (uma décima escola não pôde ser visitada por
problemas logísticos) que apresentaram problemas, na primeira avaliação, pelo menos 5
(cinco) responderam positivamente à intervenção do MEC. Avanços foram registrados e, com
maior ou menor velocidade, os problemas estão sendo resolvidos. Ainda assim, essas
melhorias não estavam consolidadas, de modo a eliminar qualquer perspectiva de regressão.
Dois casos – os mais sérios, onde os laboratórios estavam sem utilização, por motivos vários
– não apresentaram qualquer melhora, tornando claro que os problemas eram basicamente
gerenciais e políticos.

Analisando-se conjuntamente a experiência do Integrar e a dos casos do ProInfo


algumas lições podem ser obtidas:

Em primeiro lugar, nos casos de sucesso, não há um único fator responsável por esse

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resultado positivo, que quase sempre está relacionado com a integração sistêmica de
diversas ações e atores ao longo do processo de implantação e funcionamento do programa.
Entre essas ações e atores merecem destaque: a liderança e o apoio da direção da escola, o
ambiente de cooperação e harmonia entre direção, coordenadores e professores, a
integração da informática educativa com o planejamento pedagógico da escola, a
capacitação dos professores e o papel vital dos coordenadores dos laboratórios e, até
mesmo, em determinadas situações, a importância do trabalho dos monitores. Quando essas
condições estão presentes o programa pode ter sucesso, ainda que a infra-estrutura do
laboratório seja precária ou quando a relação com o NTE não é totalmente satisfatória.

Dois exemplos marcantes são os de uma escola rural, localizada em cidade satélite de
Brasília e de uma escola especial, em uma aldeia indígena de Mato Grosso, que
enfrentavam dificuldades materiais e não tinham conexão com a Internet e, a despeito disso,
apresentaram resultados altamente positivos.

Por outro lado duas escolas do estado do Ceará, situadas em dois municípios dos
mais carentes do país, mas atendidas pelo mesmo NTE e distantes uma da outra não mais
que 40 Km2, apresentavam resultados divergentes – uma de grande sucesso e outra de
sucesso parcial, porque o programa ainda estava muito embrionário

Em segundo lugar, diversos casos evidenciaram o papel decisivo do Coordenador do


laboratório, cuja dedicação e competência são vitais para o sucesso do ProInfo. Alguns
casos de sucesso apenas parcial coincidem com situações de coordenação precária do
laboratório e treinamento insuficiente dos professores.

Em terceiro lugar, a informática educativa se insere mais facilmente no processo


educacional onde existe planejamento pedagógico que favorece essa inserção, enfatizando a
interdisciplinaridade, priorizando a integração dos diferentes instrumentos à disposição da
escola, sobrepondo os aspectos substantivos da educação aos meios e técnicas de ensino,
onde se usa a Internet, mas a orientação é no sentido de criar uma cultura de construção de
conhecimento ao invés de simplesmente adotar as posturas comodistas de “cortar e colar”.

Em quarto lugar, dois casos de sucesso – onde os esforços para a introdução da


informática educativa já vinham de um período anterior ao ProInfo - chamaram a atenção
para a importância do fator tempo, ou seja, para a necessidade de um prazo razoável para
que o processo de introdução de novas tecnologias na educação possa frutificar e
amadurecer.

Essas constatações foram parcialmente confirmadas naqueles casos considerados de


sucesso parcial – quando foram identificados alguns resultados positivos, mas ficou evidente
que o potencial do ProInfo ainda não estava sendo plenamente aproveitado – onde existiam
deficiências em termos da qualidade da liderança da Direção da Escola ou da Coordenação
do Laboratório, insuficiente capacitação dos professores, falta de apoio pedagógico do NTE
etc.

Os casos que – numa avaliação um tanto rigorosa – podem ser categorizados como
fracassos também mostram que a principal causa dos maus resultados são os problemas de
liderança e gestão, dos quais derivam dificuldades de comunicação e relacionamento entre a
coordenação do Laboratório e os professores e que se refletem na insuficiente capacitação e

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no desinteresse do corpo docente.

Finalmente foram detectadas muitas ocorrências de um relacionamento insatisfatório


entre as Escolas e os NTE que lhes prestam apoio. Nesse particular, existem,
aparentemente, dois problemas principais: de um lado, os NTE receberam encargos que são
totalmente desproporcionais aos seus recursos humanos e materiais, limitando sua atuação
e gerando a falsa impressão de passividade ou desinteresse ou ainda falta de competência;
de outro, pode ser que os papéis do NTE e da escola não tenham sido claramente definidos,
gerando expectativas que não são confirmadas, tanto de uma parte como de outra, e
provocam frustração e desentendimento. Essa definição de papéis é particularmente
importante porque os NTE foram criados com o incentivo e o apoio do governo federal, como
elementos centrais de um programa também federal – o ProInfo – mas fazem parte da
estrutura administrativa do estado e, nessa passagem do nível federal para o estadual,
alguns ruídos de comunicação podem surgir.

BIBLIOGRAFIA

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Conceitos Básicos, Universidade de Brasília, 2002
Jóia, Luiz Antonio, “Uso do capital intelectual para avaliação de projetos de tecnologia educacional: o caso
ProInfo”, in Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro, março-abril, dezembro de 2001
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Libâneo, José Carlos, Organização e Gestão da Escola – Teoria e Prática, 4 edição, Editora Alternativa,
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Mec/Seed. ProInfo. Julho de 1997.
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UnB, Projeto de Avaliação Externa do ProInfo, Protocolo dos Estudos de Casos. Documento Técnico para
ª a
Orientação dos Pesquisadores, (1 versão/janeiro de 2002; 2 versão: julho de 2002)
Viegas, Waldyr, Estudo de Caso, Plano Logístico de Execução, 2001
Venezky, Richard L. e Davis, Cassandra, March,. 2002, Quo Vademus ? The Transformation of Schooling in
a Networked World. OECD/CERI

SÍNTESE BIOGRÁFICA

Formação:
• Administração, com doutoramento, livre-docência na FEA/USP (Faculdade de Economia e Administração da
USP) e pós-doutoramento na J.L. Kellogg Graduate School of Management da Northwestern University –
Evanston, Illinois.
• Advogado, com graduação na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil.

Experiência Profissional:
• 25 anos de experiência na área de Administração Pública, nos governos federal, estadual e municipal, como
dirigente e executivo.
• 10 anos de experiência na área de Administração de Empresas, como consultor e executivo junto a grandes
grupos empresariais brasileiros/multinacionais.
• 25 anos de experiência como professor e pesquisador nos campos de Administração Pública e de
Empresas.

Cargo Atual:
Professor Adjunto do Departamento de Administração da Universidade de Brasília – UnB
Diretor da Faculdade de Estudos Sociais Aplicados da Universidade de Brasília - UnB

Endereço Residencial:
SQS 216 bloco G apto. 502
Brasília – DF 70.295-070
55 -61-346-6414 55 -61-346-5269 (fax)
gmarcel@solar.com.br

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