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Concepção de Carl Rogers sobre aprendizagem

Trabalho de Psicologia da Educação do curso de Formação de Professores


(Educação Artística) apresentado à Universidade São Judas Tadeu (2005), sob
orientação da Professora Zenáide Caciare Pereira. Sugiro, logo após essa leitura, que
você visite o post sobre o meu TCC – “Uma experiência Formadora: Cortes e Recortes, a
Arte de Encadernar“, no qual relato como essa teoria mudou minha prática pedagógica
junto a alunos com necessidades educativas especiais.

INTRODUÇÃO
Estudar a teoria de Rogers é muito importante para o educador, pois este
perceberá, através dela, que há um grande trajeto a ser percorrido por todos. Um
caminho repleto de esperança, conquistas, respeito, desafios, ousadia e,
principalmente, muito trabalho.
Sua teoria convida a todos a refletir sobre as mudanças necessárias e que
devem ser buscadas, tanto dentro como fora da sala de aula. Ela aponta para uma
profunda mudança no relacionamento entre professor e aluno, relacionamento esse
capaz de provocar transformações intensas, tanto no comportamento de ambos como
na busca dos saberes.
Suas observações são instigantes e levam o professor a repensar a educação que
é imposta atualmente (de cima para baixo, de acordo com o próximo plano político).
Apesar de toda intransigência do sistema educacional, essa teoria pode, sim, ser
implementada dentro da sala de aula.
Os relatos das escolas que adotaram esta teoria vêem para comprovar a sua
importância para o futuro da educação. Escolas que romperam com a escola
tradicional, enfrentaram as incertezas e ousaram, apesar do medo, construir a escola
do futuro.

I – CARL ROGER E SUA TRAJETÓRIA DE VIDA

Carl Rogers nasceu em 1902 em Chicago e aos 17 anos ingressou no campus de


agronomia na Universidade de Wisconsin. Desistiu desse curso e matriculou-se no
curso de história.
Ao findar o curso de licenciatura em história, matricula-se no Seminário da
União Teológica em Nova Iorque. Após um ano no curso começa a freqüentar algumas
aulas de psicologia na universidade. Encantado pelo curso de psicologia, abandona a
teologia e transfere-se para a Teachers College da Universidade de Columbia para
freqüentar o curso de psicologia e psicopedagogia.
Rogers começar a trabalhar como psicólogo no Instituto de Aconselhamento
Infantil. Nesta época teve que lutar para não ter seu salário reduzido pela metade,
visto que os psiquiatras não admitiam um psicólogo ganhar igual a eles.
Adquire seu doutorado em 1928 no Theachers College.
É convidado a ser professor pela Universidade de Ohio após ter publicado, em
1938, seu primeiro livro, sobre Tratamento Clínico da Criança Problema.
Passa a assumir a cadeira de psicologia na Universidade de Chicago e cria um
novo Centro de Aconselhamento. Em 1946 é eleito presidente da Associação
Americana de Psicologia, aclamando, assim, o seu reconhecimento como profissional.
Rogers assume o departamento da Ciências da Educação em 1957, na
universidade de Wisconsin. Em 1971 dirige sua atenção especialmente para a
Educação, com a proposta da pedagogia centrada no aluno. Faleceu em 1987.
As idéias de Rogers sobre a educação são de fácil compreensão, já que suas
observações são frutos de uma vivência – dentro de seu próprio consultório – entre
terapeuta e paciente. Rogers desenvolveu uma teoria aplicável em qualquer tipo de
relacionamento, seja entre professor e aluno, seja entre pais e filhos, amigos ou
mesmo na vida profissional.
Ao olhar uma pessoa como um todo a ser considerado, ele quebra o paradigma
do relacionamento formal e cria um relacionamento interpessoal, transportando para
a educação esta convivência em busca de uma aprendizagem significativa e
qualitativa.
Como terapeuta suas idéias foram revolucionárias. Entretanto, não demorou
muito para encontrar resistências entre os profissionais da mesma área. Rogers
começa a ser criticado ao olhar para a pessoa em seu consultório não mais como um
paciente doente a ser curado, e sim como um cliente apto a aprender a conviver,
independente de suas limitações.
No campo da psicanálise ele desenvolveu a idéia da terapia centrada na pessoa.
No campo da educação, aplicando as experiências do consultório, trabalhou a
aprendizagem centrada na pessoa.
Da mesma forma que dentro da psicanálise, no princípio, foi difícil entender a
teoria rogeriana, na área da educação não foi diferente, ou seja, há resistência até hoje
– vindo não só por parte do professor, mas também do aluno.
Rogers passa a trabalhar com as pessoas de forma diferenciada dos outros
psicólogos e a combater várias tendências da ciência comportamental já em
desenvolvimento em sua época. Também passa a questionar vários cientistas
renomados e conscientizar outros do perigo dessa ciência.
Rogers considera a ciência comportamental uma forma de manipulação da
mente do ser humano, desrespeitando a liberdade de cada um, ignorando assim os
sentimentos, desejos e aspirações. Alerta, também, para o perigo dessa ciência nas
mãos dos detentores do poder, pois podem usá-la para conduzir o ser humano.
A Ciência Comportamental desconsidera a natureza do homem em poder fazer
suas próprias escolhas e se responsabilizar por elas, impondo sobre o indivíduo a
vontade de poucos. Ela tira do homem a espontaneidade, a liberdade de ser o que
quer ser, de traçar a sua trajetória de vida e ser responsável por ela – primorosos
valores que ninguém gosta de perder, muito menos de ser manipulado de acordo com
os interesses alheios.
Rogers defende a idéia de mudança de comportamento através da
aprendizagem significativa, pois sua experiência no consultório como terapeuta lhe
mostra que um aprendizado centrado no cliente é perene (provoca a transformação
interna do homem). ROGERS (1997) entende que:”Por aprendizagem significativa
entendo aquela que provoca uma modificação, quer seja no comportamento do
indivíduo, na orientação da ação futura que escolhe ou nas suas atitudes e na sua
personalidade”.
Na psicoterapia a aprendizagem acontece com a vivência, com as experiências
do dia a dia. Ao deparar com os problemas do cotidiano, o indivíduo conscientiza-se
da necessidade de adaptação a sua nova realidade e a seus conflitos. Essa é
transformadora, pois exige da pessoa uma mudança de atitude ao solucioná-lo.
Neste tipo de terapia o relacionamento entre cliente e terapeuta tem que ser
transparente e real. Caso seja um relacionamento de fachada, o cliente não confiará
no profissional à sua frente, e conseqüentemente, não haverá uma aprendizagem
consciente definitiva e transformadora.

II - A APRENDIZAGEM CENTRADA NA PESSOA

Dessa mesma forma deve acontecer, também, na educação. Um


relacionamento interpessoal, afetuoso e de interesse de ambos, professor e aluno,
juntos, caminhando para o aprendizado significativo. Um aprendendo com o outro,
todos os dias. Essa humildade por parte do professor o levará a um relacionamento
autêntico e transparente com o educando. A autenticidade será a principal ferramenta
do educador que conduzirá o aluno à aprendizagem significava.
Rogers combate a aprendizagem do tipo “tarefas”, que só utiliza as operações
mentais, não considerando o indivíduo como um todo. Esse tipo de aprendizado é
esquecido com o tempo, pois não tem relevância com os sentimentos, as emoções e
sensações do educando, e não provoca uma curiosidade que leve o indivíduo a
aprofundar mais e mais.
Para Rogers, ensinar é mais que transmitir conhecimento – é despertar a
curiosidade, é instigar o desejo de ir além do conhecido. É desafiar a pessoa a confiar
em si mesmo e dar um novo passo em busca de mais. É educar para a vida e para
novos relacionamentos.
A sobrevivência é um estímulo ao aprendizado, desde que o conhecimento
transmitido seja imutável. Quando uma pessoa vive em um ambiente hostil e nesse
existem novas situações constantemente, do que adianta o conhecimento transmitido
por seus ancestrais? Ainda mais hoje, no mundo globalizado, tudo se transforma
muito rápido, inclusive o conhecimento científico. Nada é garantido, nem mesmo o
conhecimento de hoje. O que se sabe profundamente hoje poderá, daqui a dez anos,
ser considerado errado.
Uma pessoa instruída é capaz de se adaptar às mudanças que ocorrem durante
a sua vida (a aprendizagem é contínua). A vida é um processo de mudança – tudo ao
seu redor é questionável e tudo se mistura. Por isso, não existe aquele que sabe e
aquele que ensina, todos sabem alguma coisa e todos aprendem alguma coisa com
alguém. É nesse contexto que Rogers vai expor a sua teoria.
O professor passa a ser considerado um facilitador da aprendizagem, não mais
aquele que transmite conhecimento, e sim aquele que auxilia os educandos a aprender
a viver como indivíduos em processo de transformação. O educando é instado a
buscar o seu próprio conhecimento, consciente de sua constante transformação.
O facilitador se reconhece como um material de apoio humano para o
educando. Enquanto um bom professor é um estrategista da educação, ele usa o seu
tempo planejando o currículo escolar, suas aulas e o faz muito bem. O facilitador, por
sua vez, cria condições de interação pessoal com os educandos, prepara o ambiente
psicologicamente favorável para recebê-los, proporciona aos alunos material de
pesquisa, instiga a curiosidade que é inerente ao ser humano para promover a
aprendizagem significativa. O que um facilitador ensina aos educandos é buscar o seu
próprio conhecimento, para tornar-se independente e produtor de seu próprio
processo cognitivo.
Rogers considera o indivíduo como um todo: mente e corpo, sentimento e
intelecto são partes integrantes do mesmo ser e são inseparáveis. Na educação
moderna só está sendo valorizada a parte intelectual, como se o conhecimento
cognitivo pudesse ser separado das vivências do ser humano. Um indivíduo que
apresenta problemas emocionais não consegue reter um bom aprendizado, por isso é
necessário considerar que a atmosfera psicológica é fundamental para o processo de
aprendizagem.
Para conseguir um bom resultado como facilitador é preciso ter ou desenvolver
algumas qualificações. A mais importante de todas é a autenticidade, qualidade que
conquista o respeito dos educandos. Nesse caso o facilitador precisa aprender
primeiramente a ser autêntico consigo mesmo e, só depois, expor aos alunos seus
limites, suas dificuldades. É necessário deixar cair a máscara do educador bonzinho,
compreensivo, tolerante; ser verdadeiro sem transferir suas próprias frustrações para
os alunos. É preciso se mostrar pessoa como eles também são: com defeitos e
qualidades, sentimentos e desejos, alegrias e tristezas. Um ser real e comum com sua
própria história de vida. Essa transparência conquista a confiança e o respeito dos
educandos.
A segunda qualificação é o apreço, a aceitação e confiança. Isto significa ter
carinho pelo estudante, por tudo que ele representa; considerar suas ações e reações,
e aceitá-los como pessoas reais como você. O facilitador confia neste ser em
transformação, que possui qualidades e defeitos, em busca de satisfazer suas
aspirações desejos e ansiedades, como qualquer ser humano.
A terceira qualificação é a compreensão empática, que ocorre quando o
facilitador deixa o julgamento de lado e compreende o educando, tornando a
aprendizagem significativa. Quem possui esta habilidade não classifica o aluno, antes,
integra-o ao grupo. Possui a capacidade de olhar o outro de seu ponto de vista e isso
será de extrema importância para a aprendizagem. Se colocar na posição do outro,
olhar através do ponto de vista do estudante, são fatores fundamentais para a
aproximação do facilitador e do aluno.
É, portanto, fundamental que um facilitador confie no ser humano, em suas
potencialidades e capacidades da escolha do caminho traçado para sua própria
aprendizagem. A pessoa que não confia no outro ser humano, não pode tornar-se um
facilitador. É mister aceitar os questionamentos, os caminhos errôneos, as propostas
diferentes das planejadas. Todos os alunos são dignos de confiança, todos são
importantes, e devem ser respeitados independente do contexto e de sua realidade.

O facilitador arrisca a viver na incerteza dos relacionamentos pessoais,


permitindo que a sala de aula tenha vida e liberdade de expressão, sem saber o que
este relacionamento interpessoal pode gerar dentro e fora da sala de aula. Agindo
assim, destemidamente, ele torna a aprendizagem parte da vida de seus educandos.

O professor que ajuda o aluno a pensar por si próprio (auxiliando-o com


autenticidade, confiando em sua habilidade) e, com carinho, conduzindo-o ao
caminho da participação e independência é, realmente, um bom facilitador da
aprendizagem.
Olhar a disciplina com o olhar do aluno – (não com o olhar de cima e dos
planejamentos curriculares e pré-determinados, e sim do ponto de vista do aluno) o
estimula a procurar os recursos para que possa trabalhar esta disciplina sem prejuízo
ao currículo escolar. O facilitador disponibiliza recursos que agucem a curiosidade dos
alunos em buscar e aprofundar seus conhecimentos. O ser humano já nasce com uma
tendência realizadora e o que tem que ser explorado ou restaurado nos alunos é essa
tendência que lhe é tirada, cada dia um pouco, dentro do ensino tradicional.

O aluno não tem que se preocupar em ser avaliado pelo professor, pois faz
parte do processo de aprendizagem a auto-avaliação responsável. Lembramos que, na
aprendizagem centrada na pessoa, o aluno torna-se gestor de seu próprio processo de
busca do conhecimento. Ele aprende também a estabelecer critérios, a determinar os
objetivos a serem alcançados e verifica se foram alcançados. Dentro desse critério é
que se embasa a auto-avaliação do aluno e a avaliação do professor.

Toda criança tem, por natureza, a necessidade de ensinar o que aprendeu.


Neste tipo de aprendizagem e de busca de novos conhecimentos, o aluno é também
responsável pelo desenvolvimento de outros colegas. Dessa forma, elas também
aprendem a desenvolver um relacionamento interpessoal com os colegas e com a
família.

Quanto ao erro cometido pelo aluno durante o processo de aprendizado, ele


será orientado pelo facilitador a reencontrar o caminho certo, sem ser diminuído,
julgado ou menosprezado por todos. Uma vez que o educando sente-se seguro e
confiante em um relacionamento respeitoso e sincero dentro da sala de aula, ele não
teme falar de suas experiências e vivências fora da sala de aula.

Faz parte da vida de um facilitador nutrir a curiosidade e as perguntas de seus


alunos, permitindo aos alunos brilhantes e criativos desenvolverem seus interesses e
expor suas idéias, mesmo quando estas pareçam sem sentido. A nutrição dessas idéias
pode levar a grandes experimentos.ROGERS (1986: 150) explica:
“Em grande parte, com todas as crianças, mas, excepcionalmente, com
crianças brilhantes, não é necessário ensiná-las, mas elas precisam de recursos
que possam alimentar seus interesses. Para fornecer essas oportunidades, é
preciso muita imaginação, reflexão e trabalho.”

Uma das formas de criar a responsabilidade sobre seu próprio aprendizado é


estabelecer contrato estudantil independente ou grupal, no qual as regras são feitas
junto com o aluno. No contrato, estarão pré-estabelecidas as regras a serem
cumpridas por ambos. Dessa forma, os estudantes tornam-se seguros e responsáveis.
Ao fim do contrato, que será avaliado por ambos, o educando prestará contas ao
facilitador sobre tudo que aprendeu e pesquisou.

A aprendizagem centrada na pessoa é revolucionária e transformadora por


aproveitar o desejo natural de todo estudante de participar e interferir em seu próprio
processo.
III – CONSIDERAÇÕES FINAIS

Hoje existem várias teorias que desenvolvem a aprendizagem por meio da


valorização da pessoa, e a teoria de Rogers inspirou muitas escolas a ousarem e
colocarem essas teorias democráticas em prática. As escolas que apostaram nessas
teorias enfrentam problemas, mas não se intimidam diante deles. Pelo contrário,
todos juntos aprendem, um com o outro, a se fortalecer e solucionar as dificuldades
encontradas pelo caminho.

É primordial aceitar que o ser humano não é estático, mas um ser em


constante mudança. E assim sempre será qualquer lugar onde houver um ser
humano. Todavia, para ousar transformar uma sala de aula, ou uma escola, o
educador precisa aceitar a si próprio e ao educando em um processo de
transformação vital. Neste processo de respeito e amor ao próximo, pode-se pensar
em uma escola melhor.

IV – RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA NA ESCOLA LUMIAR

Na escola Lumiar as paredes do salão principal não tem reboco e os tijolos


estão aparentes (não são tijolinhos bonitinhos aparentes e sim tijolos de construção).
Com esta atitude e transparência a expressão de “inacabado” de Paulo Freire ficou
bem clara, na qual há algo a ser feito. Nada no ser humano está concluído. Para
FREIRE (2005: 50), “Na verdade, o inacabamento do ser ou sua inconclusão é
próprio da experiência vital. Onde há vida, há inacabamento. Mas só entre mulheres e
homens o inacabamento se tornou consciente.”

Nessa escola o educador não é aquele que apenas transmite conhecimento às


crianças. Ele é, também, o tutor(1) delas. Cada educador é responsável por doze
crianças que se movimentam e tem acesso a qualquer dependência da escola.
Enquanto nas escolas tradicionais a criança faz parte da escola, na Lumiar o papel se
inverte. A escola faz parte da vida das crianças; lá, as crianças sentem-se felizes.
A Lumiar, por ser uma escola democrática, prepara os educandos a exercerem
a democracia na prática, pois são em assembléias semanais que eles determinam as
regras de convivência, fazem suas reivindicações e solucionam os problemas do
cotidiano. Nessa assembléia, todos podem falar, exercer o direito ao voto, e respeitam
a decisão da maioria. Definem também as punições para os que virem a desrespeitar
as regras de convivência.

Para definir a pauta da próxima assembléia é colocada no mural do salão


principal, três dias antes, uma cartolina na qual os alunos têm a liberdade de escrever
o que eles querem discutir e votar.

O plano pedagógico da escola é definido de acordo com o PCN. O que o


diferencia das outras escolas é a forma de executá-lo. Por exemplo: toda escola tem o
direito à autonomia de gestão; a Lumiar exerceu este direito rompendo com o sistema
de ciclos sugerido pelo PCN, adotando o sistema de grupos de pesquisa por meio de
projetos.

Todo conteúdo a ser ministrado aos educandos será executado por projetos,
que tem a duração de três meses. Os projetos são interdisciplinares e elaborados por
mestres que tenham, naquele ofício uma grande paixão. E com esta mesma paixão ele
instiga os educandos, o que favorecerá a sua aprendizagem. Esses projetos são feitos
para respeitar a ritmo de cada educando, já que os grupos não são definidos por faixa
etária e sim por grupo de afinidade.

O aluno não é obrigado a participar dos projetos. Ele será despertado para a
importância de cada projeto em sua vida estudantil, mas nunca obrigado a freqüentá-
lo. A escolha não vem dos pais, nem dos professores e sim dele mesmo. Mas ao
escolhê-lo ele terá que seguir regras pré-definidas. Terão direitos e obrigações a
serem cumpridos. Dessa forma, eles estão sendo preparados para assumirem
responsabilidades.

Os alunos podem transitar por toda escolha e usar suas dependências quando
quiserem. Em alguns espaços, devem seguir algumas regras que facilitam a
convivência. Um bom exemplo dessas regras são os laboratórios de informática e
ciências. Ambos são pequenos, porém bem compartilhados. Esse é o objetivo:
compartilhar e respeitar o direito do outro!

A avaliação do mestre e a auto-avaliação é feita durante o processo de


aprendizagem, observando se os objetivos de ambos foram ou não alcançados .

A cada dois meses é realizada uma assembléia com todos os que colaboram
para o desenvolvimento da escola: funcionários, educadores, mestres, parceiros e pais
dos educandos. O objetivo desta reunião é que todos possam interferir no processo de
gestão.
A Lumiar e a Escola da Ponte são escolas democráticas, que preparam as
crianças para a vida pessoal e profissional. As crianças são ensinadas: o respeito
mútuo, a paciência e o compartilhar das vidas. Essas crianças sentem-se capazes de
tomar decisões importantes em suas vidas e aprendem a ser responsável por essas
decisões, dando certo ou não.

VI – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALVES, Rubem. “A alegria de ensinar”. Campinas, SP: Papirus, 2000.

___________. “A escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse
existir.” CAMPINAS, SP: Papirus, 2000.

FREIRE, Paulo. “Pedagogia da autonomuia: saberes necessários à prática


educativa”. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

HOUASISS, Antônio. “Dicionário Houasiss da Língua Portuguesa”. Rio de


Janeiro: Objetiva, 2001.

Revista Plural: v.4, n.2 (dezembro 2002). São Paulo: Editora São Judas Tadeu,
2002.

ROGERS, Calrs R. “Liberdade de aprender em nossa década”. Porto Alegre: Artes


Médicas, 1985.

_____________. “Tornar-se pessoa”. Trad. Manuel J. C. Ferreira, 5 ed. São


Paulo: Martins Fontes,1997.

http://www.usc.br/assecom/not_771_pacheco.htm . PACHECO, José


06/08/2004.

http://revistacrescer.globo.com/crescer/ . PACHECO, José 10/08/2004