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Risco Dendrocaustológico em Mapas

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Distribuição espacial dos incêndios florestais no Centro de Portugal no período de 1983 a 1987.

Contribuição para um mapa de risco de incêndios florestais *

Introdução

Qualquer campanha de prevenção de incêndios florestais deve ter por base um conhecimento objectivo e profundo do risco de incêndio florestal da área onde se pretende aplicar. Só por si, a distribuição espacial dos incêndios florestais ocorridos nos últimos anos constitui um óptimo auxiliar na identificação do risco e, por conseguinte, na prossecuçãodesseobjectivo. No intuito de contribuir para tal conhecimento, analisámos a distribuição espacial dos incêndios florestais na Região Centro, tomando como unidade administrativa de referência, o concelho. A distribuição espacial dos incêndios florestais, além de contribuir para esse objectivo geral, poderá vir a ser também importante para o estabelecimento de uma “regionalização do risco” de fogo florestal. Torna-se evidente que tanto a cartografia do número de incêndios como a das áreas ardidas, reflecte um sem número de factores intervenientes no desencadear e desenrolar dos fogos florestais, que vão desde a sua origem até à sua extinção. Traduz, ainda, as influências das características físicas (orográficas, climáticas e vegetais), bem como as ligadas à população das diferentes áreas sinistradas que, directa ou indirectamente, está, muitas vezes, na origem ou contribui para as grandes proporções que alguns incêndios tomam. Por fim, reflecte as dificuldades inerentes ao próprio combate. Por todas estas razões, pensamos que a representação cartográfica não só é importante para a regionalização do risco do fogo florestal mas também poderá

* Comunicações, Jornadas Científicas sobre Incêndios Florestais, Coimbra, 1988, vol. II, p. 4.5. - 1 a 26, (em colaboração com A. BENTO GONÇALVES e HERNANI SOARES).

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fornecer um factor local de correcção, a introduzir nos valores dos diferentes

índices de risco calculados para todo o país, além de que deveria ser imprescindível sempre que se pensa em termos de reflorestação das áreas incendiadas. Nesse sentido escolhemos, para a realização deste primeiro ensaio sobre a distribuição dos incêndios florestais, alguns concelhos do Centro de Portugal

e seleccionámos os anos de 1983 a 1987, porque foram os únicos para que conseguimos obter informação a nível concelhio.

A curto prazo, este ensaio será alargado a um maior número de concelhos, de

molde a permitir incluir a globalidade dos pertencentes às Circunscrições Florestais de Coimbra e de Viseu e, se possível, deverá contemplar os incêndios ocorridos durante este ano de 1988.

Metodologia

O estudo começou, obviamente, pela recolha de elementos estatísticos relativos

a incêndios florestais. Posteriormente, procedeu-se ao seu tratamento, apurando valores mensais, a partir dos quais se obtiveram valores anuais e totais, referentes ao período em

análise. A partir destes, calculámos valores médios e valores percentuais, após o que

se agruparam em classes. Por fim, introduzimos os valores assim obtidos num programa de computador que permitiu desenhar os mapas automaticamente.

Apresentação dos resultados

A Região Centro apresenta, no tocante a incêndios florestais, uma elevada

sensibilidade, por todos conhecida (L. LOURENÇO, 1988a). Nos seus seis distritos, Aveiro, Coimbra, Leiria, Viseu, Guarda e Castelo Branco, o número de incêndios florestais aumentou, progressiva e significativamente, desde 1978 até 1985, ano em que se registou a frequência mais elevada. A partir de então deu- -se, felizmente, uma inversão nessa tendência, embora a descida se esteja a processar

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a um ritmo muito mais lento do que ocorrera a subida, uma vez que os dois últimos anos, 1987 e 1988 (1) , registaram quase o mesmo número de fogos (fig. 1).

N. de inc. 8000 A Outros Dist. Cont. 7000 Guarda-Cast. Branco Coimbra-Viseu 6000 Aveiro-Leiria 5000
N. de inc.
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A
Outros Dist. Cont.
7000
Guarda-Cast. Branco
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Aveiro-Leiria
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1988
Anos
Hectares
160000
B
Outros Dist. Cont.
140000
Guarda-Cast.Branco
Coimbra-Viseu
120000
Aveiro-Leiria
100000
80000
60000
40000
20000
0

1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988

Anos

Fonte: Direcção Geral das Florestas

Fig. 1 - Evolução do número de fogos (A) e das áreas queimadas (B) em Portugal, durante o período de 1978 a 1988.

1 Valores provisórios, baseados nos dados fornecidos pela Inspecção Regional dos Bombeiros do Centro .

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No respeitante às áreas ardidas, a evolução não foi tão harmoniosa, pois processou-se com irregularidades. Começou por apresentar valores elevados, foi decrescendo, passou por ligeiras oscilações até que, em 1985, aumentou bruscamente. Depois desse ano voltou a diminuir e, em 1988, decresceu com tal intensidade que, nos seis distritos do Centro, se registaram os valores mais baixos dos últimos onze anos (fig.1). Para se ter uma ideia correcta da distribuição dos incêndios no país e da sua importância na região Centro, apresentamos também os valores relativos à sua evolução anual (fig. 1) e comparamos os totais dos incêndios e das áreas queimadas registados nestes distritos com os restantes do continente. Subdividimos os distritos do centro em três conjuntos, consoante neles predominam as influências litorais (Aveiro e Leiria), de transição (Coimbra e Viseu) ou interiores (Guarda e Castelo Branco). Verificou-se que nestes seis distritos, correspondentes a 1/3 do total e a 31% da superfície do continente, se registaram nos últimos dez anos 51% do número de incêndios florestais e 65% da área queimada em Portugal, valores que traduzem bem a incidência dos fogos na Região Centro (fig. 2). A importância dos incêndios nesta área pode, também, ser comprovada pela superfície média queimada por fogo e que, durante o período de 1978 a 1987, foi de 23 hectares no conjunto dos seis distritos, enquanto que foi de 12 hectares no total dos outros distritos do continente, ou seja, há uma diferença superior a 10 hectares por fogo, o que não deixa de ser relevante tendo em conta que o número de incêndios foi sensivelmente o mesmo das duas situações. Se preferirmos atentar na área florestal, constatamos pequenas diferenças relativamente a esta situação, dado que 34% da floresta nacional se encontra no centro do país. São, no entanto, os distritos que considerámos de transição e, em particular os do interior, aqueles que, proporcionalmente, apresentam áreas queimadas mais significativas (fig. 2) pelo que fazem do centro de Portugal uma área de elevado risco de incêndio. Para ser possível prevenir o risco, torna-se necessário conhecer a realidade dos incêndios florestais em três dos seus aspectos fundamentais e que são a sua distribuição no tempo, ou seja, ao longo do ano, a sua distribuição geográfica (fig. 3) e as suas causas.

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Se, por um lado, a distribuição ao longo do ano é conhecida com algum detalhe (F. REBELO, 1980; A. FERREIRA, 1988; L. LOURENÇO, 1988b e L. LOURENÇO et al., 1988), apresentando-se particularmente perigosa, em termos de risco, nos meses de Agosto e Setembro, já o mesmo não se poderá afirmar relativamente à localização geográfica do risco, pois só recentemente e apenas em áreas restritas, se tem procedido à realização de alguns estudos (L. LOURENÇO, 1987 e 1988a).

de alguns estudos (L. L OURENÇO , 1987 e 1988a). Fonte: Direcção Geral das Florestas e

Fonte: Direcção Geral das Florestas e Comissão de Coordenação da Região Centro.

Fig. 2 - Comparação das superfícies totais e florestais, do número médio de incêndios e das áreas queimadas durante o período de 1978 a 1987, nos distritos da região Centro, com os restantes do país.

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No sentido de melhorar esta caracterização, procedemos à cartografia dos locais de eclosão de todos os fogos florestais registados durante o período de 1983 a 1987. Esta representação do número de fogos mostra um risco diferente daquele que se obtém considerando as áreas percorridas pelo fogo durante esse mesmo período. No primeiro caso, o concelho de Viseu apresenta o risco mais elevado, seguido pelos da Covilhã e da Figueira da Foz (fig. 4). No segundo caso, os concelhos da Guarda e do Sabugal repartem, equitativamente, o primeiro lugar, seguidos pelos concelhos de Arganil, Covilhã e Vila de Rei que ocupam o segundo lugar (fig. 5). Como facilmente se deprende, apenas a Covilhã ocupa um dos primeiros lugares nas duas situações. Mas, se em vez de considerarmos os totais registados durante o período, preferirmos verificar a sua distribuição média anual, verificamos que, relativamente ao número de fogos, a situação se mantém. O concelho de Viseu continua bem destacado, em primeiro lugar, seguido ex-æquo pela Covilhã e pela Figueira da Foz (fig. 6). Quanto à área média queimada anualmente, o lugar de relevo vai para os concelhos de Arganil, Guarda e Sabugal. Os concelhos da Covilhã e de Vila de Rei mantiveram o segundo lugar (fig. 7), logo, pouco se adiantou em relação à representação anterior. Pensámos, então, cartografar o número total de fogos registados relacionando-o directamente com a área total percorrida pelas chamas durante o período considerado (fig.8). Relacionámos, também, o número médio de fogos ocorridos com área média consumida anualmente pelo fogo em cada concelho (fig. 9). As classes seleccionadas para essa representação cartográfica pareceram dar bons resultados, no caso dos valores totais, pois permitiram uma boa diferenciação das diversas situações, mas o mesmo já não sucedeu em relação aos valores médios, porquanto o mapa ficou muito sobrecarregado. Na realidade isso resultou do elevado risco que, praticamente toda a área comporta. Curiosamente, o concelho da Pampilhosa da Serra aparece com um risco relativamente baixo, não porque na realidade não o possua, mas apenas porque, nos anos anteriores e por diversas vezes, fora percorrido pelo fogo. Só no período de 1975 a 1985, superfícies correspondentes a 90% da sua área e a 180% da área florestal foram varridas pelo fogo, o que significa que a área florestal foi consumida quase na totalidade, por duas vezes (L. LOURENÇO, 1988-a).

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Esta situação denota algumas falhas da cartografia apresentada que resultam do facto de esta se
Esta situação denota algumas falhas da cartografia apresentada que resultam
do facto de esta se referir a um período de tempo relativamente curto.
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0 - ÁGUEDA
12 - BELMONTE
23 - ARGANIL
40 - A. DA BEIRA
53 - ALVAIAZERE
59 - C. DO SAL
1 - A.-A-VELHA
13 - C. BRANCO
24 - CANTANHEDE
41 - ALMEIDA
54 - ANSIÃO
60 - C. DAIRE
2 - ANADIA
14 - COVILHÃ
25 - COIMBRA
42 - C. DA BEIRA
55 - C. DE PÊRA
61 - MANGUALDE
3 - AVEIRO
15 - FUNDÃO
26 - CONDEIXA
43 - F. C. RODRIGO
56 - P. GRANDE
62 - MORTÁGUA
4 - ESTARREJA
16 - I.-A-NOVA
27 - FIG. DA FOZ
44 - F. DE ALGODRES
57 - P. GRANDE
63 - NELAS
5 - ILHAVO
17 - OLEIROS
28 - GÓIS
45 - GOUVEIA
58 - POMBAL
64 - O. DE FRADES
6 - MEALHADA
18 - PENAMACOR
29 - LOUSÃ
46 - GUARDA
65 - P. DO CASTELO
7 - MURTOSA
19 - P.-A-NOVA
30- MIRA
47 - MANTEIGAS
66 - S. COMBA DÃO
8 - O. BAIRRO
20 - SERTÃ
31
- M. DO CORVO
48 - MEDA
67 - S. P. DO SUL
9 - OVAR
21 - M.-O-VELHO
- V. DE R EI
32
49 - PINHEL
68 - SATÃO
10 - S. VOUGA
22 - V.V. DE RODÃO
33
- O. DO HOSPITAL
50 - SABUGAL
69 - TONDELA
11 - VAGOS
34
- P. DA SERRA
51 - SEIA
70 - V. N. DE P AIVA
35
- PENACOVA
52 - TRANCOSO
71 - VISEU
36
- PENELA
72 - VOUZELA
37
- SOURE
38
- TÁBUA
39
- POIARES

Fig. 3 - Mapa de localização dos concelhos estudados, por distritos.

58 LucianoLourenço 0 - 200 - 600 401 801 - 1000 201 - 400 -
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- 800
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Fig. 4 - Distribuição espacial do número total de fogos florestais registados nos concelhos do centro de Portugal, durante o período de 1983 a 1987.

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- 10000
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Fig. 5 - Repartição espacial das áreas percorridas pelos fogos florestais registados nos concelhos do centro de Portugal, durante o período de 1983 a 1987.

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6 0 LucianoLourenço Fig. 6 - Distribuição espacial do número médio de fogos florestais registados anualmente

Fig. 6 - Distribuição espacial do número médio de fogos florestais registados anualmente nos concelhos do centro de Portugal, durante o período de 1983 a 1987.

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0 - 500 - 1500 1001 2001 - 2500 501 - 1000 - 2000 1501
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- 3000
Fig. 7 - Repartição espacial da área média percorrida anualmente pelos fogos florestais
registados nos concelhos do centro de Portugal, durante o período de 1983 a 1987.

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6 2 0 0 0 0 N. I - 200 - 200 - 200 - 200

6 2 0 0 0 0 N. I - 200 - 200 - 200 - 200

6 2 0 0 0 0 N. I - 200 - 200 - 200 - 200

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- 200

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- 200

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0 - 100 101 - 1000 1001 - 5000 > 5000 LucianoLourenço N. I 201 201

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0 - 100 101 - 1000 1001 - 5000 > 5000 LucianoLourenço N. I 201 201

0 - 100 101 - 1000 1001 - 5000 > 5000 LucianoLourenço N. I 201 201

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- 400

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>

>

>

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400

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A.A. (ha)

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1001 - 5000

> 5000

Fig. 8 - Distribuição espacial do número total de fogos florestais e das áreas por eles afectadas nos concelhos do centro de Portugal, durante o período de 1983 a 1987.

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N. I.
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> 400
101 - 500
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> 500
- 40
20
> 500
> 400
> 500
Fig. 9 - Repartição espacial do número médio de fogos florestais e das áreas médias por eles
percorridas anualmente nos concelhos do centro de Portugal, durante o período de 1983 a
1987.

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LucianoLourenço

Por outro lado, tendo em conta que a área dos concelhos é muito variável, este tipo de cartografia favorece, naturalmente, os concelhos com maiores dimensões, dado que têm probabilidade de registar áreas queimadas maiores bem como um número de fogos mais elevado. Para obviar a este facto, relacionámos as áreas ardidas com as superfícies dos respectivos concelhos, de molde a ressaltar a importância relativa dos incêndios florestais em cada um dos concelhos. Mais uma vez, os valores obtidos deformam um pouco a realidade regional pois, se houvesse possibilidade de alargar o período até 1975, os resultados seriam ligeiramente diferentes, em especial nos concelhos que registaram grandes incêndios florestais antes de 1983 (L. LOURENÇO, 1987). À parte do concelho de Vila de Rei, cujo primeiro lugar lhe advém da sua pequena superfície e da ocorrência de um único grande incêndio registado durante este período, verificámos que toda uma extensa faixa, englobando os concelhos da Guarda, Sabugal, Belmonte, Covilhã, Pampilhosa da Serra, Góis, Castanheira de Pêra, Miranda do Corvo e Arganil, apresenta percentagens de áreas queimadas superiores a 20%. Estes concelhos apresentam como característica comum o facto de, na generalidade, se desenvolverem ao longo das vertentes das serras que constituem a Cordilheira Central. A expensas de uma outra serra importante, a do Caramulo, desenvolve-se um segundo núcleo que engloba, prioritariamente, os concelhos de Águeda, Sever do Vouga e Oliveira de Frades (fig. 10). Por fim, cartografámos a distribuição espacial dos incêndios florestais nalguns dos anos considerados. Seleccionámos os de 1983, por ser o que registou a menor área queimada e o número de incêndios mais baixo, o de 1985, porque apresentou os valores mais elevados e o de 1987, por se ter situado numa posição intermédia. Assim, resultou que todos os anos analisados foram ímpares, o que parece contrariar um pouco a convicção determinista, um tanto generalizada, de que os anos ímpares seriam os mais propícios a incêndios florestais. Pensamos que isso não passa de uma certa casualidade, tanto mais que, após 1973, foi precisamente no ano ímpar de 1977 que, mercê de condições atmosféricas extremamente favoráveis, se registou o mais baixo valor de áreas queimadas em consequência de incêndios florestais, 16 700 hectares.

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Risco Dendrocaustológico em Mapas 6 5 Fig. 10 - Distribuição espacial da percentagem das áreas ardidas

Fig. 10 - Distribuição espacial da percentagem das áreas ardidas nos concelhos do centro de Portugal, no período de 1983 a 1987, relativamente às superfícies desses mesmos concelhos.

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O que, quanto a nós, cabe destacar nestes anos é a propensão que

determinados concelhos apresentam para registar um elevado número de incêndios florestais, o que, só por si, poderá ser um bom indicador quanto a algumas possíveis causas de incêndios.

O concelho de Viseu, por exemplo, aparece sempre destacado nos primeiros

lugares que, em 1983, reparte com os concelhos da Figueira da Foz, Oliveira do Hospital e Sabugal (fig. 11). Esta distribuição não deixa de ser interessante, tanto

mais que parece não se coadunar unicamente aos critérios de natureza física que, muitas vezes, tentamos arranjar para justificar algumas destas situações. No ano de 1985, o concelho da Covilhã aparece em primeiro lugar, seguido pelos concelhos da Figueira da Foz, Viseu, Sabugal e Guarda. O concelho de Oliveira do Hospital, juntamente com os de Tábua, Coimbra, Pombal, Sertã, Oleiros, Fundão, Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Trancoso, Águeda e Ovar, ocupam a terceira

posição. Em função da sua localização geográfica, a classificação de alguns deles não causa grande surpresa, mas a de outros, como Figueira da Foz, Ovar, Pombal e mesmo Coimbra, suscitam certas dúvidas. Poder-se-ão, eventualmente, relacionar comoelevadopotencialdemográficoexistentenessesconcelhoseque,pordescuido ou deliberadamente, contribui para o elevado número de incêndios.

O ano de 1987, considerado intermédio, apresenta o concelho de Viseu no

primeiro lugar, seguido pelos concelhos da Guarda, Covilhã, Coimbra, Sertã e Castelo Branco, todos eles já anteriormente mencionados.

A evolução do número de fogos florestais, durante este período, apresenta

oscilações acentuadas. Se no concelho de Almeida o número de fogos aumentou sempre, ao longo dos três anos considerados, o mesmo não sucedeu na maior parte dosconcelhosqueapresentaramumaevoluçãoirregular,comaumentoseposteriores

descidas (Figueira da Foz, Ovar, Sabugal, Guarda,

seguidos de, ou antecedidos por, aumentos e descidas (figs. 11, 13 e 15). As áreas ardidas apresentam uma distribuição um tanto irregular, embora tendam para se centrar, preferencialmente, nas áreas montanhosas da Cordilheira Central e do Caramulo. No ano de 1983, os incêndios florestais afectaram, particularmente, áreas dos concelhos de Miranda do Corvo, Pampilhosa da Serra, Guarda, Sabugal e, já com menor gravidade, os da Covilhã e Trancoso.

) ou com períodos estacionários

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Em 1985, é o concelho do Sabugal que vem à cabeça da lista, seguido, em segundo lugar, pelos concelhos da Guarda, Covilhã e Pampilhosa da Serra. Na terceira posição colocavam-se os concelhos de Arganil, Góis, Figueiró-dos-Vinhos, Fundão, Idanha-a-Nova, Gouveia, Trancoso, Viseu, Oliveira de Frades, Sever do Vouga e Ovar. No ano de 1987, o primeiro lugar coube aos concelhos de Arganil e da Guarda. Pombal aparece colocado em segundo lugar e o terceiro é repartido pelos concelhos da Sertã, Soure, Oliveira do Hospital, Viseu e S. Pedro do Sul (figs. 12, 14 e 16).

Conclusão

Este estudo não nos permitiu delimitar com precisão as áreas de elevado risco de incêndio florestal. No entanto, permitiu mostrar a elevada sensibilidade de algumas delas, em particular a das áreas montanhosas da região centro. Assim, parece poder concluir-se que o relevo constitui, sem dúvida, um factor de peso determinante no cálculo de risco de incêndio florestal. Tal facto

resulta, por um lado, das características intrínsecas à própria orografia, muitas vezes traduzidas em acentuados declives, que dificultam a construção de acessos a essas áreas, bem como a marcha dos veículos de combate, condicionando, por isso, o próprio ataque aos fogos. Por outro lado, favorece

a existência de uma floresta desordenada, que não respeita compassos, em que

não são feitos desbastes nem limpezas periódicas e em que, para agravar tudo isto, não são respeitadas as regras mínimas de prevenção, nomeadamente na abertura e limpeza de aceiros e na manutenção de faixas limpas, junto aos caminhos florestais onde a densidade das espécies deveria ser menor. Pensamos desenvolver, a curto prazo, este trabalho de modo a contemplar uma área mais vasta, entre os rios Douro e Tejo e, se possível, um período de tempo mais longo, para minorar algumas deficiências notadas ao longo da realização deste trabalho. Contudo, a definição das áreas de elevado risco potencial apresentada para

a Região Centro, já deverá nortear as próximas campanhas de prevenção e, ao

mesmo tempo, orientar todas as acções tendentes a minorar a gravidade dos incêndios florestais, porque só conhecendo as áreas onde o risco é elevado, se poderão tomar, atempadamente, as medidas adequadas.

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LucianoLourenço

6 8 LucianoLourenço Fig. 11 -Distribuição espacial do número total de fogos florestais ocorridos nos concelhos

Fig. 11 -Distribuição espacial do número total de fogos florestais ocorridos nos concelhos do centro de Portugal, no ano de 1983.

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Risco Dendrocaustológico em Mapas 6 9 Fig. 12 - Repartição espacial das áreas percorridas pelos incêndios

Fig. 12 - Repartição espacial das áreas percorridas pelos incêndios florestais registados nos concelhos do centro de Portugal, no ano de 1983.

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7 0 LucianoLourenço Fig. 13 - Distribuição espacial do número de fogos florestais registados nos concelhos

Fig. 13 - Distribuição espacial do número de fogos florestais registados nos concelhos do centro de Portugal, no período de 1985.

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Risco Dendrocaustológico em Mapas 7 1 Fig. 14 - Distribuição espacial da área percorrida pelos incêndios

Fig. 14 - Distribuição espacial da área percorrida pelos incêndios florestais registados nos concelhos do centro de Portugal, durante o ano de 1985.

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7 2 LucianoLourenço Fig. 15 - Distribuição espacial do número total de fogos florestais registados nos

Fig. 15 - Distribuição espacial do número total de fogos florestais registados nos concelhos do centro de Portugal, durante o ano de 1987.

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Risco Dendrocaustológico em Mapas 7 3 Fig. 16 - Repartição espacial das áreas percorridas pelos incêndios

Fig. 16 - Repartição espacial das áreas percorridas pelos incêndios florestais nos concelhos do centro de Portugal, durante o ano de 1987.

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Agradecimento

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Os autores pretendem manifestar o seu reconhecimento ao Prof. Doutor Domingos Xavier Viegas, responsável pelo Projecto de Investigação sobre Incêndios Florestais, pelo apoio dado para a concretização deste trabalho. Ao Prof. Doutor Fernando Rebelo expressam o seu agradecimento pela orientação prestada ao longo da sua elaboração. Ao Dr. Rui Missa Jacinto agradecem a colaboração dada, fundamental para a representação cartográfica automática. Aos responsáveis pelas diversas entidades que nos facultaram os dados, agradecemos a cedência desses elementos inéditos, sem os quais seria impossível executar este estudo. O nosso agradecimento vai para todos eles, Eng.º Lino Pires, Chefe da Circunscrição Florestal de Coimbra, Eng.º Armínio Quintela, Chefe da Circunscrição Florestal de Viseu e Eng.ª Lucília Mota, Responsável pelo Centro de Prevenção e Detecção de Incêndios Florestais da Lousã.

Bibliografia

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LOURENÇO, L. et al. (1988) - “Incidência dos diferentes tipos de tempo na ocorrência dos incêndios florestais registados na região centro durante o período de 1982 a 1987”, Comunicações, Jornadas Científicas sobre Incêndios Florestais, Coimbra, vol. II, p. 3.6 - 1 a 33. REBELO, F. (1980) - “Condições de tempo favoráveis à ocorrência de incêndios florestais. Análise de dados referentes a Julho e Agosto de 1975 na área de Coimbra”, Biblos, LVI, p. 653-673.

COMISSÃO DE PLANEAMENTO DA REGIÃO CENTRO - A Região Centro em mapas e

quadros, Coimbra.