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DA SEMIOSIS DE SAUSSURE À POIESIS DE JAKOBSON: O SISTEMA LINGUÍSTICO FUNDA O PROCESSO POÉTICO

DE LA SEMIOSIS DE SAUSSURE À LA POIESIS DE JAKBSON: LE SYSTÈME LINGUISTIQUE FONDE LE PROCESSUS POÉTIQUE

Vera Lúcia Pires

RESUMO

Este trabalho reflete uma história de pesquisas, que têm proposto casamen- tos (in)sólid/tos entre grandes estudiosos da linguagem: F. de Saussure, R. Jakobson, É. Benveniste e M. Bakhtin. Desta vez, o objetivo é aproximar algumas concepções linguísticas, investigadas por Saussure e, posteriormente,

integradas por Jakobson a sua teoria dos usos poéticos da linguagem, a saber,

a questão dos eixos paradigmático (relações de substituição) e sintagmático

(relações de combinação). Ambos afirmaram a linguagem como o principal sistema de signos estudado nas ciências humanas. A Linguística foi reconhe- cida como a “ciência piloto” das humanidades e continua sendo, em muitos sentidos ainda, um modelo metodológico para as esferas do conhecimento humanista.

PALAVRAS-CHAVE

Semiosis, Poiesis, Saussure, Jakobson

RÉSUMÉ

L’article suivant reflète une histoire de recherches,. Ces recherches ont propo- sées certains types spéciaux de mariage (in)solit/des parmi les grands érudits de la langue: F. de Saussure, R. Jakobson, É. Benveniste et M. Bakhtine. On

a le but, en ce moment, d’apporter quelques concepts linguistiques étudiés

par Saussure et que Jakobson les integre, par la suite, à travers de sa théorie

des usages poétiques du langage, c’est-à-dire la question de l’axe paradig- matique (les relations de sélections) et de l´axe syntagmatique (les relations de combinaisons) . Ainsi, les deux ont rapportés la langue comme système principal de signes étudiés dans les sciences humaines. De façon que la Lin- guistique a été reconnu comme la «science pilote» des humanités et elle reste encore, à bien des égards , un modèle méthodologique pour les domaines des sciences humaines.

Da Semiosis de Saussure à Poiesis de Jakobson: O Sistema Linguístico Funda o Processo Poético

MOTS-CLÉS:

Semiosis, Poiesis, Saussure, Jakobson

PALAVRAS INICIAIS

Estudar esses gênios da Linguística, Ferdinand de Saussure e Roman Jakobson ou Émile Benveniste e Mikhail Bakhtin e realizar casamen- tos (in)sólid/tos entre as teorias de tais estudiosos brilhantes, não é para mim um modismo, visto que pesquiso suas ideias e doutrinas há muitos anos. Tornou-se uma filosofia de vida, indisciplinar, apro- ximar suas teorias. Desta feita, elegemos aspectos do pensamento de Ferdinand de Saussure (1857- 1913), linguista genebrino, considerado o “pai da Linguística moderna”, colocando-os em sintonia com os do linguista russo, Roman Jakobson (1896 - 1982), fundador do que podemos denominar a Linguística da comunicação. Saussure refletiu e teori- zou sobre a ciência da linguagem na primeira década do século XX, enquanto Jakobson realizou suas pesquisas acerca da linguagem e da poética a partir de 1914. A aproximação feita, nesta pesquisa, entre as teorias desses dois estudiosos, levará em conta questões relativas aos signos da linguagem, ou seja, aspectos ligados à semiologia/semiótica, importantes para o desenvolvimento das investigações linguísticas de ambos. Os signos são elementos constitutivos de qualquer linguagem, pode- mos dizer que são sua unidade de análise. Classicamente conceituados como uma representação de algo que não eles mesmos, os signos estão no lugar de. Os signos não são os objetos. Eles “são representações das coisas do mundo” (GREIMAS; COURTÉS, 2008, p. 419). Assim, a linguagem é um sistema de signos. A Linguística, por sua vez, enquanto ciência dos signos verbais, é apenas parte da semiótica, a ciência geral dos signos, dos quais os mais comuns são as palavras.

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Enquanto C. S. Peirce tomou o termo e o conceito de semiótica do filósofo inglês J. Locke (1632-1704), Saussure escolheu falar de semiologia, uma ciência geral dos signos, que esclareceria o problema linguístico da inter-relação da linguagem com todos os outros sistemas de signos, além de, ao tomar os ritos e costumes como signos, tais fatos apareceriam sob nova luz, sendo necessário agrupá-los, conforme Saussure, na semiologia e explicá-los pelas leis dessa ciência. Saussure privilegiou o signo verbal, enquanto Peirce, o não-verbal. Ambos estabeleceram uma relação entre as qualidades materiais do signo – o significante – e seu intérprete imediato/seu conceito – o significado. Jakobson optou pelo uso do termo utilizado por Peirce – semiótica, observando que:

Em suma, o objeto da semiótica é a comunicação de mensagens, enquanto o campo da linguística se restringe à comunicação de mensagens ver- bais. Dessas duas ciências do homem, a segunda tem um escopo mais estreito e, de outra parte, qualquer comunicação humana de mensagens não-verbais pressupõe um circuito de mensagens verbais, sem implicação inversa.” (JAKOBSON, 2007, p. 21).

Por outro lado, o pensador russo concordou com Saussure, ao reafirmar a importância da linguagem como “sistema central dentre todos os sistemas semióticos humanos” (JAKOBSON, 2007, p. 15).

CONTEXTO HISTÓRICO

F. de Saussure, o fundador da Linguística moderna, desde muito cedo foi introduzido nos estudos linguísticos, estudando grego e latim. Com 15 anos, em 1872, escreveu Essai sur les langes, no qual desenvol- ve um “sistema geral da linguagem” e poucos anos mais tarde (1876), foi aceito na Sociedade de Linguística de Paris.Nesse mesmo ano, vai

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para a Universidade de Leipzig, na Alemanha, onde defende tese de doutoramento em filosofia sobre o emprego do genitivo absoluto em sânscrito, obtendo a nota máxima. (ARRIVÉ, 2010, p. 37). No ano de 1880, Saussure chegou à Paris e foi nomeado, no ano

seguinte, professor assistente, substituindo Michel Bréal, na École des Hautes Etudes. Ali permaneceu até 1891, quando volta à Genebra e

é nomeado professor de sânscrito e gramática comparada de línguas

indo-europeias na Universidade de Genebra. (NORMAND, 2000, p. 6). A partir de 1906, ele foi encarregado de ensinar, além da discipli- na de Gramática Comparada, também a de Linguística Geral. Esse curso de linguística foi estipulado para acontecer a cada dois anos e Saussure responde por três edições do curso até 1911. As conferências realizadas nesses cursos foram compiladas por seus alunos que, após

a sua morte, publicaram o Cours de Linguistique Générale, em 1916. Já muito doente, o linguista retira-se da vida acadêmica em 1912. Em torno desse ano de 1912, na Rússia pré-revolução, o jovem R. Jakobson presenciou discussões, recebendo todas as influências artís- ticas da época: do simbolismo na metrificação do verso à semântica na pintura e na língua, passando pelo cubismo e pela poesia futurista russa.Desde muito cedo, o linguista russo revelara interesse pelos estudos comparativos, explorando a relação entre o som e o sentido:

“os sentidos produzidos pelos sons da língua revelavam-se como um enigma a ser decifrado.” (MACHADO, 2008, p. 26).

Cresci no meio de pintores e as suas sérias discussões sobre os elementos fundamentais do espaço, da cor, da característica linear e da textura das telas eram-me tão familiares quanto as questões, já amadurecidas, da composição vocabular na poesia em comparação com a linguagem corrente. (JAKOBSON; POMORSKA, 1985, p. 16).

Jakobson pretendia viajar para a França em 1914, mas a guerra o impediu, levando-o a ingressar na Universidade de Moscou, especi-

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ficamente na Faculdade de História e Filologia, onde a Linguística era disciplina obrigatória. Na faculdade, as relações entre língua e literatura eram estudadas desde o século XVIII, assim como o elo en-

tre literatura e folclore, ou seja, já se pensava nas intersecções entre linguagem e cultura.

A faculdade moscovita levou-o a adquirir um rigor de pensamen-

to que permeou todo o seu trabalho acadêmico. Seu interesse pela

linguagem poética se intensificava, à medida que as discussões com

o grupo de colegas se aprofundava. No ano seguinte a seu ingresso,

fundou, juntamente com esses estudantes, o Círculo Linguístico de Moscou, o grupo dos formalistas russos. Nesse ambiente intelectual, travou-se conhecimento com a doutrina do signo linguístico de Saussure, aprofundando-se o interesse acerca da abordagem semiótica. O próprio Jakobson afirmou em entrevista que, na universidade, os estudantes de linguística e os de psicologia discutiam apaixonadamente os recentes empreendimentos da filoso- fia no sentido de uma fenomenologia da linguagem e dos signos em geral. (MACHADO, 2008). Nos anos 20, o autor participou do Círculo Linguístico de Praga, onde, em meio a discussões profícuas com Trubetzkoy, elaborou as

bases para uma nova disciplina linguística, a Fonologia, cujo estudo já havia iniciado ainda em Moscou. Seu olhar sobre a linguagem poética, especialmente sobre a metrificação, levou-o a abordar o vínculo entre

o lado fônico (externo) da fala e o sentido (interno).

A partir do final dos anos 1930, fugindo da perseguição nazista

aos judeus, Jakobson iniciou um périplo pela Europa oriental e, mais tarde, seguiu para os Estados Unidos, onde, primeiramente em Nova Iorque, foi convidado para ministrar cursos na École Libre des Hautes Études. Em suas aulas, estiveram presentes, entre outros, o antropólo- go Claude Lévi-Strauss (1908-2009) e o linguista brasileiro J. Mattoso Câmara Jr. (1904-1970).

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Toda essa peregrinação determinou mudanças em seus projetos de investigação, ora favorecendo seu trabalho, ora prejudicando e forçan- do o pesquisador a buscar novos caminhos e objetivos de análise. Os deslocamentos devido às circunstâncias históricas e políticas da época modificaram e anularam suas perspectivas de pesquisa frequentemente (JAKOBSON; POMORSKA, 1985). Nesse novo cenário, engajou-se em debates sobre o Curso de Lin- guística Geral de Saussure (1916), comparando sua própria análise fonológica com pontos concordantes ou discordantes expostos no Cur- so, criticando, sobretudo, a concepção de signo do mestre genebrino, além de improvisar articulações com a semiótica de Peirce. A partir desse contato, refletiu a respeito de uma teoria da linguagem como meio de comunicação e sistema semiótico. Para tanto, empregou o esquema de funções do psicólogo alemão Karl Bühler, acrescentando às três já existentes (a expressiva, a conativa e a cognitiva), outras três, a saber: função fática, função metalinguística e função poética. Estava criado o seu conhecido modelo funcionalista da comunicação. Já no ano de 1957, tornou-se professor no renomado Massachusetts Institute of Technology (MIT). Lá, organizou o Centro de Ciências da Comunicação ao reunir-se com outros pesquisadores americanos, dentre os quais, o teórico da informação, C. Shannon; o cientista da comunicação, W. Weaver; e o da cibernética, N.Wiener. Esse contexto de intersecção com outras áreas proporcionou a Jakobson refletir sobre a linguagem como modo de interação e comunicação intersubjetiva, enraizada no diálogo, uma vez que há entre a fala e o código da língua uma relação mútua de dependência, conforme evi- dencia Machado (2008). O pesquisador percebia na interação entre a linguística estrutural e a teoria da comunicação um meio possível que pudesse ser aplicado “à análise do verso e a muitas outras províncias da linguagem” (JAKOBSON, 1971b, p. 86). Ainda nos anos 50, o autor conheceu os estudos de semiótica do

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americano C. S. Peirce (1839-1914), para ele, o pensador “mais inven- tivo e universal” entreos pensadores americanos (JAKOBSON, 1971a, p. 99). Desse conhecimento, resultou a certeza da importância de uma investigação semiótica que “firmasse a linguagem como instru- mento de comunicação e sistema semiótico humano por excelência”, vinculando a Linguística a outros campos de estudos. (MACHADO, 2008, p. 37).

O conhecimento linguístico, segundo o linguista, é dependente da

capacidade de estabelecer relações entre domínios diversos, como a antropologia, a psicologia e ainda, a teoria da comunicação, a biolo- gia, etc. Concordando com a base semiótica dos estudos de Saussure, Machado (2008) afirma que Jakobson construiu pressupostos para a orientação de sua análise comparativa dos fenômenos linguísticos ao examinar as ocorrências de troca que acontecem entre eles. Ele encontrou na teoria geral dos signos instrumentos para compreender as articulações de semiose, considerada por ele como a “essência da linguagem”. Conforme Jakobson (2007), o foco saussuriano na Linguística como parte de uma ciência maior dos signos – a semiologia – conduziu o mestre aos outros sistemas de signos: gestos, imagens, sons melódi- cos, ritos, espetáculos, levando-o a compará-los a partir da linguagem verbal e a seguir os seus pressupostos. Os próximos tópicos abordarão as interações entre o pensamento dos dois autores, enfocando, mais especificamente, os eixos sintag- mático e paradigmático.

SAUSSURE: A SEMIOSIS OU O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DO SIGNIFICADO

O linguista genebrino postulou uma ciência – a Semiologia - que

estudaria “a vida dos signos no seio da vida social.” (SAUSSURE, 1974,

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p. 24). Tal ciência abordaria os signos e suas leis. Os signos são os elementos constitutivos da linguagem. Como a linguagem convencional do ser humano – a língua - é o mais impor- tante dos sistemas de signos, a ciência semiológica mais avançada é

a Linguística ou ciência das leis da vida dos signos linguísticos. Para Saussure, a língua é um sistema de valores, cuja unidade - o signo linguístico – é composta por um elemento binário, que une um sentido (significado) a uma imagem acústica (significante). Uma variedade de sistemas semióticos consiste de diversos substitutos da

língua falada. Como, por exemplo, na língua de sinais: o significante

é uma imagem ótica (gesto); ou no código Morse, em que há uma

substituição de outra ordem: os pontos e barras são significantes cujo significado é o alfabeto. Cada um desses signos demarca um valor que vai diferenciá-lo de todos os outros na estrutura de relações das línguas. Assim, como pregou Saussure (1974, p. 82), “a língua, o mais

completo e o mais difundido sistema de expressão, é também o mais característico de todos; nesse sentido, a Linguística pode erigir-se em padrão de toda Semiologia”.

O processo de produção de significados é nomeado semiose. Trata-

-se, conforme Greimas; Courtés (2008) de uma operação geradora de

signos a partir do pressuposto de uma relação recíproca entre signi- ficado e significante.

A partir desse pressuposto, como a estrutura linguística produziria

significação, para Saussure? Como se relacionariam os signos entre si para formar um discurso?

O linguista genebrino respondeu a essa questão, propondo a díade

sintagma/paradigma, em que ocorrem as relações e as diferenças esta- belecidas entre os elementos do sistema linguístico. Toda a estrutura da língua sustenta-se nestes dois eixos: o eixo das relações de subs- tituição (associativo/paradigmático) e o das relações de combinação (sintagmático); todos os elementos se definem pelas relações que

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estabelecem com outros elementos e com o próprio sistema linguístico. As relações sintagmáticas acontecem in praesentia, ou seja, na cadeia linear da atividade linguística, realizando uma sucessão orde- nada de elementos verbais. Já as relações associativas são realizadas in absentia, mentalmente (na memória), fora do discurso. Ao produzirmos um enunciado, levamos em conta a intenção, o propósito, o público a quem será dirigido e, com a nossa bagagem mnemônica de signos linguísticos, selecionamos, via eixo paradig- mático, aqueles que nos parecem mais adequados para a ocasião. Feita essa escolha, operamos uma combinação desses elementos na linearidade do enunciado. Pode-se exemplificar da seguinte maneira:

do enunciado. Pode-se exemplificar da seguinte maneira: Com base no caráter linear do signo linguístico, a

Com base no caráter linear do signo linguístico, a língua é formada de elementos que se sucedem um após outro linearmente na cadeia da fala ou da escrita. Saussure chama a relação entre esses elementos de sintagma. Vê-se que, no eixo paradigmático (vertical), formam-se grupos, por associação mental, que aproximam os termos que apresentam algo em comum, o radical ou o tempo verbal, mas “o espírito capta também a natureza das relações que os unem em cada caso e cria com isso

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tantas séries associativas quantas relações diversas existem” (SAUS- SURE, 1974, p. 145). Dessa forma, por analogia dos significados ou simplesmente pelas imagens acústicas (significantes), pôde-se gerar associações, como em beba e babe; coca, caco e cola e, enfim, produzir, no sintagma, o substantivo cloaca. Ao estudar o signo linguístico, composto de significado e signi- ficante, Saussure (1974) afirma que o vínculo existente entre eles é

arbitrário, ou seja, não há uma relação direta entre o conceito e a ima- gem acústica. Para usar o mesmo exemplo de Saussure, o significante, boi, não estabelece elo de semelhança com o conceito/representação psíquica de boi: “como prova, temos as diferenças entre as línguas

]: [

o significado da palavra francesa boeuf tem por significante b-ö-f

de um lado da fronteira franco-germânica, e o-k-s (Ochs) do outro.” (SAUSSURE, 1974, p. 82). Entretanto, o linguista suíço estabeleceu uma diferença entre “arbitrariedade absoluta” e “arbitrariedade relativa” do signo verbal:

nem todos os signos de uma língua têm essa característica de ser, absolutamente, imotivados; alguns deles são apenas relativamente motivados, conforme Saussure (1974). Os exemplos são muito simples:

vinte, dez e nove são signos arbitrários (imotivados), porém, vinte e nove, dezenove e noventa são signos parcialmente arbitrários, uma vez que são motivados por aqueles primeiros signos arbitrários. Da mesma forma, Saussure exemplifica como relativamente motivado o signo pereira: “que lembra a palavra simples pera e cujo sufixo –eira faz pensar em cerejeira, macieira, etc.” (SAUSSURE, 1974, p. 152). O princípio de limitação do arbitrário é basilar para o estudo da língua enquanto sistema, uma vez que introduz ordem e regularidade em determinadas partes da massa de signos, conforme afirma Saussure (1974, p. 154). Assim, a motivação parcial dos signos linguísticos é explicada pelas relações sintagmáticas e pelas paradigmáticas: toman- do-se, uma vez mais, o signo pereira e analisando seus segmentos,

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tem-se, no eixo sintagmático, pera eira; já no eixo paradigmático, pela associação com outros termos, pode-se chegar a banana, laranja; e, associado a eira, banan-al, laranj-al. As ligações estruturais que vinculam os eixos do sintagma e do paradigma acentuam as relações solidárias existentes no sistema da língua e, igualmente, explicam as semelhanças e as diferenças entre os signos. O estudo da díade sintagma/paradigma tornou-se tão produtivo que alguns estudiosos vão aplicá-lo em outros sistemas de signos. Como R. Barthes (1960), em sua obra “Elementos de Semiologia”, na qual sugere empregar os eixos nos sistemas de vestuário e alimentação, entre outros; ou Jakobson (1971), ao utilizar a díade ligada às asso- ciações e substituições mentais de linguagens variadas. Essa nova visão jakobsoniana dos signos da linguagem será contemplada no próximo item.

JAKOBSON: A POIESIS OU O USO POÉTICO DA LINGUAGEM NO COTIDIANO

Jakobson é um dos autores mais referidos da Linguística moderna. Seus interesses de pesquisa atravessaram praticamente todos os cam- pos em que a linguagem desempenha algum papel: literatura, cultura popular (folclore), cinema, sons (fonética/fonologia), comunicação, neurociências, entre outros. Quando no Círculo Linguístico de Praga, nos anos 20, o linguista já demonstrava seu pensamento inovador sobre as transformações da linguagem na sociedade. Para o grupo funcionalista de Praga, a lingua- gem, em seu papel social, tem uma função de comunicação, voltada para um significado, e uma função poética, dirigida para o próprio signo (teses do I Congresso Internacional de Linguistas, Haia, 1928). Posteriormente, ao investigar os estudos de Peirce, Jakobson refletiu

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a respeito de uma teoria dos signos que configurasse a linguagem como meio de comunicação e sistema semiótico pertencente à cultura.O

pesquisador intuiu a necessidade da interação entre a linguística es- trutural e a teoria da comunicação como uma possibilidade de arranjo semiótico ligado aos processos poéticos de múltiplas linguagens. Jakobson (2007, p. 81) considerava que a Linguística recebia “su- gestões particularmente valiosas para o estudo um tanto negligencia- do da recepção verbal”. Assim, assumiu que três processos estavam envolvidos no ato comunicativo: a codificação (que vai do sentido ao som e do léxico-gramatical ao fonológico), a decodificação (direção contrária, que vai do som ao sentido e dos elementos aos símbolos)

e a recodificação (que é a transposição para outro código, como na

tradução, por exemplo). Para dar suporte aos seus estudos sobre poética, o autor concentrou- -se na estrutura verbal. Em seu projeto de trabalhar com a linguagem poética, Jakobson delimitou as demais funções da linguagem em um esquema muito estudado no Brasil desde a década de 70. Nesse es- quema, a linguagem pressupõe um sujeito (remetente), que envia uma mensagem a outro sujeito (destinatário). Para tanto, são necessárias as seguintes condições: o contexto, o código e o contato. O contexto,

apreensível pelo destinatário, inclui as informações que fazem referên- cia à realidade em que estão inseridos os interlocutores. Já o código é

o

sistema de signos, como o código linguístico, comum ao remetente

e

ao destinatário. Códigos diferentes impossibilitam a comunicação,

a

não ser que ela se estabeleça por outro código além do verbal. E

o

contato é o canal físico que faz a conexão entre os participantes. A partir desse estudo dos elementos do ato comunicativo e seguindo

o

esquema triádico do psicólogo Karl Bühler (1939), Jakobson propôs

seis funções para a linguagem: a referencial (centrada no contexto ou referente), a expressiva ou emotiva (centrada no remetente), a conativa (centrada no destinatário), a metalinguística (centrada no

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código), a poética (centrada na mensagem) e a fática (centrada no contato). Cada uma, segundo o autor, enfatiza um dos elementos do processo de comunicação. A insistência em conceber a Linguística e a literatura associadas aos fundamentos da poética, aliada às reflexões sobre as relações entre som e sentido marcaram os caminhos dessa disciplina, bem como os da poética a partir de Jakobson.

O duplo caráter da linguagem e suas leis de estruturação: os eixos metafórico e metonímico

Roman Jakobson assumiu de forma radical o laço entre Linguística

e literatura nas suas concepções sobre o uso poético da linguagem.

Na esteira de seus estudos sobre os elementos fônicos da língua, ele

considerou a ligação recíproca entre o som e o sentido a base de uma nova disciplina teórica: a fonologia. Assim, suas formulações acerca da linguagem poética, que tem a forma da fala, enquanto ato criador individual, e o fundo da língua da comunicação contemporânea, nor- tearam a concepção da poética no século XX. Para o autor, o índice

organizador da poesia é a intenção dirigida sobre a expressão verbal

e não sobre o significado. “O signo é uma dominante no sistema artís-

tico” (Teses do I Congresso Internacional de Linguistas, Haia, 1928).

Retomando a aplicação dos eixos saussurianos, em texto de 1956

(Dois aspectos da linguagem e dois tipos de afasia), o linguista russo afirmou que “todo signo linguístico implica dois modos de arranjo:

a combinação e a seleção” (JAKOBSON, 2007, p. 37). Dessa forma,

para produzirmos um discurso, recorremos às relações sintagmáticas de combinação e às relações associativas/paradigmáticas de seleção ou substituição. No uso cotidiano da linguagem, o falante primeiramente seleciona palavras que expressam suas ideias em determinado contexto de uso.

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Além disso, posteriormente, combina os signos selecionados confor-

me as regras sintáticas da língua usada, de modo que constituam um enunciado, manifesto na superfície da frase, que faça sentido para seu interlocutor.

A seguir, Jakobson propôs tais eixos na oposição entre metáfora e

metonímia, de maneira que a metáfora, construção comparativa de substituição de vocábulos, pertenceria à ordem do eixo associativo/ paradigmático, enquanto a metonímia,construção que opera por contiguidade,seria da ordem do eixo sintagmático. Podemos observar esses dois processos nas rimas de um poema, por exemplo, gênero em que as escolhas linguísticas e sonoras são visivelmente acuradas de acordo com os sentidos pretendidos. Ou em jogos de palavras,

aliterações, atos falhos e outros processos de natureza estilística, que sugerem uma escolha mais cuidadosa das palavras. Tais procedimentos não ocorrem, exclusivamente, na poesia, senão em todos os processos simbólicos/de significação.

A estruturação do “duplo caráter da linguagem” pode ser represen-

tada da seguinte maneira:

da linguagem” pode ser represen- tada da seguinte maneira: No polo metonímico, existe um processo de

No polo metonímico, existe um processo de mudança de significan- tes de um mesmo campo, que têm entre si relação de continuidade, fazendo com que a parte tome o lugar do todo. Assim, a significação acontece devido à vinculação imediata do pensamento entre os dois significantes em jogo.

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Por outro lado, no processo metafórico há uma aproximação de dois significantes sem qualquer ligação de sentido, porém, justapostos, esses criam um outro termo que evoca, por similaridade, um novo sentido. Para Jakobson (1971a, p. 113), “A metáfora (ou a metonímia) é a vinculação de um significante a um significado secundário associado por semelhança (ou por contiguidade) com o significado primário.” Os processos metafóricos e metonímicos estruturam a função poética, priorizando um olhar para a elaboração da forma da palavra e do enunciado na estética das produções linguageiras. Pode-se observar esse processo no já referido poema Beba Coca Cola de Décio Pignatari (1957), em que o autor desconstrói o famoso slogan publicitário do refrigerante:

desconstrói o famoso slogan publicitário do refrigerante: Na função poética, a mensagem volta-se para si mesma

Na função poética, a mensagem volta-se para si mesma e o desti- natário/ouvinte percebe a escolha feita por meio de rimas, jogos de palavras, aliterações, etc. O autor russo privilegiou a metáfora e a metonímia não apenas como figuras de linguagem, mas como leis de estruturação do próprio discurso, ao estudar a afasia como um proble- ma linguístico resultante da dificuldade de construir enunciados por similaridade ou por contiguidade. A estruturação do “duplo caráter da linguagem”, segundo o estudioso, projetaria “o princípio de equiva- lência do eixo de seleção sobre o eixo de combinação” (JAKOBSON, 2007, p. 130), ficando também evidente na superfície da frase.

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Como afirmou Bakhtin (2010, p. 50), o determinismo da língua não entra no objeto estético, porém fica à margem. “O enorme trabalho do

artista com a palavra tem por objetivo final a sua superação”. É dessa maneira que o poeta liberta-se da língua/código: não ao negá-la, mas ao aperfeiçoá-la linguisticamente. Embora a função poética esteja mais presente na poesia, não é exclusividade da literatura. A linguagem da publicidade, os chistes, os atos falhos, entre outros mecanismos, exploram os recursos dos signos, construindo novos sentidos ao romper com o modo tradicional com o qual encaramos as construções linguísticas. O próprio Jakobson sugeriu exemplos no texto À procura da essência da linguagem (1965): a orientação poética construída na mensagem/ slogan político americano, I like Ike, em que o arranjo linguístico (verbal, visual e sonoro) define o sentido da frase. Os elementos po- éticos tornaram-se, nesse exemplo, um exercício da prática cotidiana da linguagem (MACHADO, 2008), marcando a fusão entre o ser que ama e o amado, unidos linguisticamente: like contém tanto I quanto Ike. Além disso, conforme afirmou Jakobson (1971a), a palavra like pode funcionar como um elemento comparativo de identificação entre os sujeitos: I am like Ike (eu sou como Ike). Marcada por elos e relações paronomásticas, a linguagem poética faz com que o signo, em sua própria forma, exiba o objeto como signo, em vez de somente apontá-lo, quebrando, desse modo, a distância entre

o signo e o objeto. O jogo paronomástico é comum em trocadilhos,

potencializando o sentido da expressão: como em monstruário, alusão

a um mostruário (de roupas, talvez) muito feio (monstro). Fundamentado nessas observações, o pensador russo questiona o princípio saussuriano da arbitrariedade do signo linguístico, afirman- do que é no uso da linguagem que a ação dos signos problematiza a noção de arbitrariedade. Para ele, o laço estabelecido no signo entre som e sentido é motivado, podendo ser comprovado no estudo de

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anagramas 1 , como também na investigação da paronomásia, “con- frontação semântica de palavras similares do ponto de vista fônico, independentemente de toda conexão etimológica” (JAKOBSON, 1971a, p. 112). Dito de outra maneira, é a relação de troca entre som e sentido que ocorre nas palavras do trocadilho “monstruário”, ou no slogan político “I like Ike, comentados acima. Explorar a semiose (processo de produção de significados) do ato linguístico leva à compreensão do pensamento linguístico como ato semiótico. Assim, “a atualização é o que move a poiesis da ação do signo em sua semiose.” (MACHADO, 2008, p. 48). Como já notado, anteriormente, embora a função poética esteja mais presente na poesia, não é exclusividade da literatura. A aplica- ção dos eixos pode acontecer em todas as práticas culturais: poemas, textos publicitários, filmes, charges, entre outros. Conforme afirma Machado (2001, p. 96): “Na função poética reside a própria essência da linguagem. É aqui que a liberdade pode ser exercitada de fato, até mesmo no que diz respeito ao código”.

PALAVRAS FINAIS

1 Como se sabe, Saussure realizou uma potente investigação, informal, sobre anagramas em obras literárias. Pode-se ler sobre seus estudos em J. Starobinski (1971), As palavras sob as pa- lavras: os anagramas de Ferdinand de Saussure.

Este texto foi um exercício de aproximação entre algumas ideias paralelas nas obras de dois dos mais importantes linguistas do século XX, Ferdinand de Saussure e Roman Jakobson, a saber, os aspectos ligados à dupla estruturação dos signos da linguagem. Saussure refere-se ao caráter dicotômico do signo linguístico, sus- tentando a estrutura da língua por meio de dois eixos: o sintagmático, das relações de combinação; e o associativo (paradigmático), das relações de substituição, nos quais os elementos estabelecem elos entre si e com o próprio sistema linguístico. Jakobson empreende uma atualização dos eixos saussurianos, pos- tulando que toda a organização discursiva dos signos da linguagem é

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estruturada por meio de dois polos: o metafórico (da ordem do eixo paradigmático) e o metonímico (da ordem do eixo sintagmático).

O encontro entre esses dois gênios da linguagem é sempre pro-

fícuo: muitos outros temas podem ser explorados dentro do campo da arbitrariedade dos signos, dentre os quais a questão da dêixis e

a do signo indicial peirciano; ou ainda o princípio da linearidade do

significante, também contestado por Jakobson. Com a função primordial de comunicar, a linguagem institui re- lações entre o som e o sentido das palavras, tornando significante e

significado, relativamente, motivados. Pode-se observar esse ponto na análise de onomatopeias, anagramas, trocadilhos, entre outros, todos devidamente averiguados por Saussure e por Jakobson.

O encontro de Jakobson com Saussure produziu semiosis e poiesis.

A paixão de Jakobson pela arte da linguagem, sobretudo pelo processo

de criação da significação na palavra, “a linguagem é o sistema central

e o mais importante dentre todos os sistemas semióticos humanos.”

(JAKOBSON, 2004, p. 14), rendeu-lhe um epíteto – o poeta da linguís-

tica – atribuído pelo poeta brasileiro Haroldo de Campos. Conforme Campos (apud MACHADO, 2008, p. 191), “a paronomá- sia, figura rainha da poesia na concepção de Jakobson, não é senão outra maneira de abordar o fenômeno dos anagramas de Saussure”. Sendo a língua uma estrutura, ela vai muito além do sistema, ao abranger os usos e as relações entre os sujeitos. Nesse mesmo con-

texto, pode-se afirmar que a cultura é considerada um todo orgânico,

e o papel da língua é enfocado “em sua múltipla relação criadora

com os outros sistemas de signos”. (JAKOBSON; POMORSKA, 1985, p. 151). Jakobson propunha, então, que a Linguística fosse inserida “no conjunto dos problemas culturais e sociopolíticos mais amplos”, já que a estrutura interna da língua é apenas um plano de análise, que é complementado pelo plano sociocultural e histórico em que a língua se insere.

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Vera Lúcia Pires

A linguagem é um evento cultural de interações, organizadas por

palavras, cuja função essencial é a comunicativa. Tal premissa ele-

mentar no pensamento de Jakobson considera a impossibilidade da

existência de discursos, e mesmo do próprio pensamento, fora do

contato com a linguagem. Desse modo, o conhecimento linguageiro

depende da capacidade de estabelecer relações entre domínios diversos

como a antropologia, a psicologia e ainda, a teoria da comunicação,

a

biologia, entre outros. É um conhecimento interdisciplinar.

A

necessidade de entender a comunicação como sistema semiótico

e

a cultura como um conjunto unificado de sistemas, ou melhor, como

um grande texto, fez com que os estudiosos das áreas disciplinares

ligadas à linguagem reelaborassem o conceito de língua, sem o qual

seria impossível estender a noção de linguagem a uma diversidade

de códigos e sistemas de signos da cultura. Com base nessas noções,

a cultura é entendida como texto e a comunicação como processo

semiótico.

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VERA LÚCIA PIRES

Doutorado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1999). Professora Adjunto do Centro Universitário Rit- ter dos Reis e Colaboradora voluntária do PPGLetras da Universidade Federal de Santa Maria/RS. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Linguística Aplicada e Teoria e Análise Linguística, realizando pesquisas, principalmente, nos seguintes temas: enuncia- ção, dialogismo, estudos semióticos da linguagem, relações de gênero, estudos culturais.

E-mail: pires.veralu@gmail.com

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