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TEMA A Queda da Humanidade

INTRODUÇÃO

No decorrer da história vamos nos deparar com relatos de vários reinos, impérios e povos que caíram. Porem nenhuma queda pode se comparar aquela que se deu no Éden.

Elucidação

Há uma tentativa dos céticos de equiparar o livro de Gênesis com outras obras do antigo Oriente como o poema Épico de Gilgamesh, o relato babilônico do diluvio e os relatos de Enuma Elish também oriundo da Babilônia que traz a narrativa da criação. Mas nenhuma dessas obras ou outras pode ser comparada com justiça, em escopo, ao livro de Gênesis. Além mais, seu belo estilo e sua riqueza teológica lhe tem dado uma importância fora do comum. Todo ser humano em algum momento de sua vida por suas raízes. O primeiro livro da Bíblia se propõe a dar uma resposta histórica e teológica. O título em Hebraico segue a tradição literária do antigo oriente, de dar título a um livro por suas palavras iniciais. O titulo hebreu é “tyviÞarEB.” (No principio), o titulo Génesis provem de uma transliteração da Vulgata de uma palavra grega que significa “origem”, “fonte” nome que foi dado ao livro pela Septuaginta. Ambos os títulos (hebraico e grego), são apropriados uma vez que contem ensinos teológicos acerca do começo de tudo que existe.

1.1.

Autor

Os cincos primeiros livros da Bíblia conhecido como Pentateuco forma uma só unidade ligada a um enredo e tema escrito por um só autor. Moises. Assim sendo, será impossível isolar completamente Gênesis dos outros quatros livros na discussão que se segue sobre autoria, estilo é mensagem teológica.

Embora nenhuma parte do Pentateuco afirme explicitamente ou implicitamente que Moises é o seu autor exclusivo. Porem dentro do próprio Pentateuco encontramos passagens que categoricamente afirmam que foi Moises que recebeu da parte de Deus a revelação e testemunhou os atos redentores. Ainda encontramos que Moises escreveu certos acontecimentos históricos (Ex 17.14; Nm 33.2), Leis (Ex 24.4;34.27) e um cântico (Dt. 31.22; 32). Os testemunhos Bíblicos posterior fornece fortes dados intrabíblicos para a autoria de Moises. No Livro de Josue encontramos uma menção de um certo livro da Lei associado a Moises (Js.1.7-8), e durante a historia de Israel vamos encontrar os israelitas se referindo a um “Livro de Moises” (2Cr 25.4; Ed 6.18; Ne 13.1). No Novo Testamento temos o testemunho do próprio Jesus Cristo associado o Pentateuco a Moises (Mt 19.7; 22.24; Mc 7.10; 12.26 Jo 1.17; 5.46; 7.23). Ainda temos o testemunho da antiga tradição Judaico Crista que e unânime em atribuir a Moises a autoria do Pentateuco do qual o livro de Gêneses serve de preâmbulo. Mesmo com todas essas evidenciam não há como negar que existem trechos do Pentateuco que Moises não poderia ter escrito. O exemplo mais conhecido desses trechos denominados pós mosaicos é o relato da Morte de Moises em Deuteronômio 34. Esses trechos têm levantado uma discussão acerca da autoria do Pentateuco trazendo muitas discussões entre os estudiosos conservadores e os liberais. Não desprezamos o fato de que algumas questões históricas e literárias não têm sido de todo resolvidas no entanto, vamos seguir a tradição e o testemunho da própria Escrituras assumindo a autoria Mosaica de Gênesis e dos outros quatros livros que formam o Pentateuco.

1.2. Data de Composição de Gênesis

Em dois séculos de alta crítica, com sua tentativa de decifrar indícios de pano de fundo, autoria, fontes e formas literárias de Gênesis, alguns estudiosos chegaram a conclusão de que as narrativas refletem crenças da época em que foram escritas, isto é, o inicio da Monarquia (séc. IX-VIII) ou o período pós-exílico

(séc. VI-V a. C) 1 . Porém, pelo peso das evidencias bíblicas e extra bíblicas que relacionam Gênesis e o seu conteúdo a Moisés e a sua era, podemos concluir razoavelmente que o livro remoto ao século XV a. C. Gerard Van Groningen 2 afirma que Moisés escreveu o Pentateuco durante os últimos quarenta anos de sua vida. Este foi o período em que Israel foi liberto do Egito, gastou quarenta anos no deserto do Sinai e havia conquistado uma parte da terra prometida, a parte leste do Rio Jordão. A bíblia esclarece em muito os problemas levantados, principalmente pelo fato do livro (1 Reis 6. 1) relatar seguinte: “No ano quatrocentos e oitenta, depois de saírem os filhos de Israel do Egito, Salomão, no ano quarto do seu reinado sobre Israel, no mês de zive ( este é o mês segundo), começou a edificar a Casa do Senhor.” De acordo com a narrativa, pelo menos 480 anos antes do reinado de Salomão é a data que o povo saíra do Egito. Tendo em vista que o reinado de Salomão está no período de (966 a.C), logo afirmamos que o período da escrita é por volta do ano (1445 a.C.). A evidencia, então, nos permite pensar que o livro foi escrito quando este povo peregrinava no deserto.

1.3. Destinatário e Proposito de Gênesis

Os primeiros leitores do livro foram os israelitas do período da libertação do Egito. Ao escrever Gênesis Moisés tinha alguns propósitos em mente. Primeiro Moisés queria ensinar a Israel a verdade que acerca do seus antepassados. Eles tinham que saber como Deus entrou em um pacto com seus pais, e o que Deus havia feito nos primeiros anos da história do mundo. O Segundo proposito era de contrastar a falsidade com a verdade. Devemos lembrar que os israelitas a quem Moises estava se dirigindo havia estado submetido a toda classe de influencias pagas. Estavam tentados a crer que o mundo era resultado dos esforços e das lutas de muitos deuses. Então havia o risco ora de rejeitar de todo a verdadeira fé de seus patriarcas, ou misturar essas verdades com as crenças religiosas de outras nações. Moises escreveu seu

1 Lasor, Hubbard, Bush. Introdução ao Antigo Testamento. 2.ed. Vida Nova. São Paulo.SP.2002.,p. 36. 2 Groningen Gerard Van. Criação e Consumação Vol 1. São Paulo. SP. Cultura Cristã. p.24

relato dos tempos primitivos em grande medida para ensinar ao povo de Deus o que realmente havia acontecido. Ele buscava estabelecer a verdade do Senhor de encontro à falsidade de outras religiões. Em terceiro lugar Moises queria deixar claro para os seus leitores que a quebra do pacto por parte do homem o levou a ser expulso do Jardim de Deus e receber as maldiçoes do pacto. Isso iria se aplicar a eles que estavam se dirigindo a Canãa que prefigurava um retorno ao Jardim de Deus. Moises queria deixar claro para eles que uma vez que chegasse a terra santa, a nação de Israel teria que permanecer fiel a Deus seria, semelhante ao seu pai Adão expulso da terra.

2. CONTEXTO LITERÁRIO

2.1. Gênero Literário

Genesis tem uma variedade de formas que compõem o livro, porem o gênero do livro como um todo contém uma unidade de enredo narrativo que leva o leitor desde a criação do mundo até a estada no Egito. Relata acontecimentos do passado e o faz com clara estrutura cronológica. Muito do livro é relatado usando se a forma verbal denominada waw consecutivo, que é característica básica de narrativa na Bíblia hebraica. A estrutura do livro com suas frequentes formulas tAdôl.At” apontam para uma motivação histórica por parte do autor. Em vista desses fatos não podemos concluir de outra forma, se não admitindo que o autor quis que Gênesis fosse lido como uma obra de história que relata acontecimentos de um passado distante, mas que tem implicações no presente.

2.2. Estrutura

A estrutura literária de Gênesis é bem dividida por secções conhecida por Toledoth. A frase hebraica “tAdôl.At hL,aeä” foi traduzida de vários modos diferentes que incluem “estas são as gerações” “esta é a história da família” esta é a narrativa” de modo que o leitor em português pode não se dar conta da

fascinante estrutura do livro. Mas na língua hebraica fica clara a estrutura literária do livro que se divide em dez secções marcadas pela expressão tAdôl.At hL,aeä”, ( elleh toledoth). “Toledoth não é apenas um marco das divisões do livro; é também um sinal da sobrevivência e da continuidade do plano de Deus para a criação, apesar das devastações do pecado humano. ” 3 Seguindo essa estrutura então, o livro de Gênesis possui um prólogo (1.1 2.3) seguido de dez episódio. É possível também fazer uma análise estrutural de Gênesis considerando as transições do livro em termos de conteúdo e estilo. Neste caso o livro tem duas partes distintas:

1. A História Primeva 1 -11.

2. História Patriarcal 12-50

2.3. Delimitação da Pericope

Apesar de Gênesis 3.1-7 marca uma mudança radical e a introdução de uma nova personagem forma uma unidade literária que começa em Gênesis 2.4 e conclui-se em Gênesis 3.24. Essa extensa narrativa apresenta a primeira Toledoth das dez do livro. Muito embora se trate de fato de uma só unidade narrativa a passagem se divide em muitos tópicos.

2.3.1.Contexto Anterior

No contexto anterior a Gênesis 3.1-7 o narrador começa seu Toledoth trazendo certos detalhes sobre a criação do homem e da mulher. No prologo do livro Moises já havia apresentado o homem em seu oficio real como vice regente da terra que deveria dominar sobre toda criação (Gn 1.28-30). Agora no início da perícope o homem é apresentado em seu oficio profético falando em nome do criador dando nome aos animais e a mulher. A narrativa prossegue mostrando que Deus entra em um pacto com o homem, e o coloca em um estado probatório e planta uma arvore no meio do Jardim. Na linguagem teológica esse pacto é chamado de pacto das obras, pois

3 Lasor, Hubbard, Bush. Introdução ao Antigo Testamento. 2.ed. Vida Nova. São

Paulo.SP.2002.p17

nele o homem teria que obedecer a ordem expressa de Deus que consistia em não comer da arvore da vida. Adão entra no pacto exercendo o oficio de sacerdote por ser ele mesmo, o seu próprio mediador e mediador de sua posteridade. A secção termina demostrando como Deus deu a Adão uma companheira para auxilia-lo e como viviam em perfeita harmonia cercado de bênçãos.

2.3.2.Contexto Posterior

O contexto posterior de Gênesis 3.1-7 mostra um gritante contraste entre as ambas secções anteriores. As consequências da quebra do pacto por parte do mediador Adão foram terríveis e imediatas. Logo se seguem as maldiçoes do pacto prevista anteriormente por Deus. O final da narrativa apresenta Deus expulsando Adão e sua mulher do Jardim, mas não antes de prometer um novo mediador que iria restaura a comunhão dos homens com Deus.

Análise Teológica

Antes de qualquer abordagem sustentamos que a narrativa de Gênesis 3 trata-se de uma narrativa histórica e literal. Não é difícil achar quem defenda que a narrativa em questão é uma metáfora ou até mesmo um mito. A preocupação gira em torno do argumento de que defender um diálogo de um ser humano com uma serpente falante é constrangedor para o cristianismo. O constrangimento, na verdade é fruto de uma cosmovisão errada da realidade. Se alguém está comprometido com uma visão materialista (como o ateu por exemplo), uma serpente não pode falar, assim também como o universo não pode vir a existência por meio de uma palavra e uma virgem não pode dar à luz ao Filho de Deus. Mas é obvio que se alguém pressupõe que a cosmovisão crista é verdadeira uma serpente falante não deveria ser diferente de qualquer outra narrativa sobrenatural das Escrituras. Na verdade toda a história está baseada na ideia de coisas incomuns, milagrosas porque para o cristianismo existe seres fora do mundo material que possuem poderes sobre o mundo material.

Não é o nosso proposito aqui fazer uma comparação da cosmovisão cristã com a cosmovisão materialista, no momento basta dizer que temos boas e fortes razoes para acreditar na superioridade da cosmovisão cristã sob a cosmovisão materialista. Embora serpentes falantes não seja o tipo de coisa que você encontre todo dia mas certamente é possível uma vez que Satanás é um ser espiritual real. Seres espirituais podem usar corpos físicos para se comunicar. Nós seres humanos, fazemos isso. Somos seres com uma alma imaterial se comunicando através de um corpo material. Desse modo, então dentro de uma cosmovisão verdadeira da realidade, uma serpente ou um jumento falante não é impossível. Sendo assim, o texto não traz nenhum motivo para constrangimento ou descrença. Não há nada incomum no fato de que Satanás, um ser espiritual e poderoso pode tomar uma serpente e usá-la como veículo de comunicação. Com isso não estamos querendo dizer que estamos dispostos a acreditar em alguém que chega para nos dizer que se deparou com uma serpente falante. Mas o que estamos querendo dizer é que não encontramos nenhuma dificuldade racional ou logica para acreditar que no caso apresentado pela narrativa uma serpente foi usada como um veículo de comunicação de um ser espiritual.

1. A Tentação

O ְו (Waw) aqui, introduz um incidente novo e uma nova personagem é

introduzido na história. A narrativa desta secção (Gn 3.1-7) estabelece a transição do cenário idílico marrado anteriormente para um cenário caótico e hostil. O diálogo é simples e direto, porem para entendê-lo precisamos estar cientes do pano de fundo que o compõe. Os versos anteriores nos chama a atenção para como o próprio Deus cuidadosa e amorosamente formou o homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o folego de vida. Deus plantou esse homem feito de hm'êd"a]h'ä-!mi ‘rp'[' ( pó da terra) em um magnifico jardim na terra e lhe deu uma auxiliadora. Um lugar belo e tranquilo onde o homem podia interagir com Deus e desfrutar de todas as boas dadivas do jardim, com exceção de uma, a arvore da vida que Deus havia plantado no meio do jardim.

A arvore é chamada “arvore da vida” cujo fruto poderia mantê-lo vivo para sempre. A arvore estava associada com a exaltada, imutável, vida eterna a ser assegurada mediante a obediência durante um período probatório que o homem foi submetido. “Querer antecipar o resultado por meio de alimenta-se do fruto estaria em desacordo com seu caráter sacramental 4 ”. Deus entrou em uma relação pactual com Adão, a narrativa deixa claro que Deus estava provando a lealdade de Adão. Se Adão fosse leal ao pacto receberia as maiores bênçãos de Deus, mas se fosse rebelde e quebrasse o pacto sofreria a maldição prevista. O Éden era um lugar santo e quem fosse viver nele também deveria ser santo. Pronto com esse pano de fundo entramos no capitulo três de Gênesis. v.1 Uma nova personagem é introduzida na narrativa, a serpente. Um mito judaico se refere a este fato de forma fantasiosa:

“Os anjos do céu exclamaram - faremos um plano para que Adão peque ante seu criador. Samael era o grande mestre entre os anjos. Ele desceu a terra para encontrar a criatura adequada com o objetivo de tentar a Adão e Eva para lhes fazer transgredir, não encontrou nenhum mais astuto do que a serpente. Originalmente, Deus propôs que a serpente fosse superior ao resto dos animais e fosse como serva da humanidade. Com este proposito lhe doto de duas características: a habilidade de falar e caminhar erguido. Samael escolheu a serpente para este propósito. Descendo a terra montou sobre as costas da serpente como se fosse sobre um camelo e impregnou com seu espírito. A partir desse momento tudo o que disse a serpente estava inspirado em Samael”. 5

Essa mítica narrativa nada tem a ver com o relato da Escritura, a expressão “que O Senhor Deus fez” aponta para o fato de que tratava se de uma criatura real. A serpente é explicitamente produto das mãos de Deus, A serpente não é uma figura mitológica, mas uma parte da história real. Essa serpente é identificada como a antiga Serpente, o diabo no NT (Ap.12.9; 20.2). A Bíblia não nos dar muita informação acerca de quando, como e porque se deu a corrupção do Diabo. A menção que chega mais perto encontramos na epistola de Judas quando se referem a “anjos, os que não guardaram o seu

4 Vos Geerhardus. Teologia Biblica Antigo e Novo Testamento. 1ª Ed. Cultura Crista.São Paulo.SP 2010.p45 5 Weissman Moshie. El Midrash Dice El Libro de Bereshit. Bnei Sholem. Bueno Aires. Argentina.2006. p.39

estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio (Jd 6) ”. Pedro em uma passagem semelhante a está diz: Deus não poupou os anjos quando

pecaram

O fato é que os textos parecem sugerirem que certos anjos caíram do

estado original em que foram criados. Mas os textos não se referem ao tempo em que isso se deu e não especificam a transgressão. Davi faz uma petição a Deus para não incorrer na condenação do diabo. O salmista parece nos dar uma pista, se for o caso trata-se da soberba. Além desses textos existem as profecias de Isaias e Ezequiel dirigida ao rei de Tiro que muitos interpretam como referencias veladas à queda de Satanás. É uma referência tão velada, que não encontramos apoio em nenhum lugar das Escrituras do Novo Testamento para

essa interpretação, que a meu ver é equivocada. Em Apocalipse 12.7- 9 temos uma menção de uma batalha no céu que culmina na expulsão do diabo e seus anjos. O texto de Apocalipse 12 é de difícil interpretação, porem o texto dar entender que essa queda é resultado da vitória de Cristo na cruz e não em algum tempo antes da queda da humanidade. As Escrituras silenciam-se sobre os detalhes dessa queda de Satanás. Por conseguinte, as Escrituras deixam claro que o Satanás é uma criatura

e não de um ser autônomo no universo. E se por um lado não apresenta detalhes

de sua queda revela algo de sua natureza rebelde. Jesus disse que ele, o diabo “foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade” (Jo 8.44). João no Apocalipse o chama de sedutor de todo o mundo (Ap.12.9) no sentido de enganador. No texto que estamos considerando o diabo e identificado como astuto. Embora o adjetivo hebraico “~Wrê[' ” não tenha sempre uma conotação

negativa, aqui parece indicar uma astucia para enganar.

O dialogo abre com uma falsa insinuação: É assim que Deus disse: Não

comereis de toda arvore do jardim? Deus não tinha dito isso, mas a serpente transforma as palavras de Deus em uma dura restrição. As acusações sutis da serpente às palavras de Deus

distorcem inteiramente a verdade. Ela quer que a palavra de Deus pareça dura

e restritiva. Deus nunca disse que eles não podiam comer de nenhuma arvores

do jardim, a restrição se aplicava apenas à uma arvore especifica. Mas a serpente propositalmente ignora todas as boas dadivas de plenitude de alimento concedidas por Deus. Outra sutileza que notamos na pergunta da serpente, é o

(2Pe 2.4).

fato que Deus não meramente disse, mas Deus ordenou (Gn.2:16). A pergunta da serpente vem toda carregada de malicia que se converte em uma cilada para Eva.

A princípio a mulher parece não cair na cilada, ela rebate a interpretação

equivocada da serpente:

Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais. Tudo perecia bem, ela corrigiu a exegese equivocada da serpente, mas o dialogo já estava traçado, o real objetivo da serpente foi atingido.

2. A Cobiça

O primeiro ataque não era para derrubar, mas para distrai-la. A serpente

dá prosseguimento ao diálogo, mas desta vez seu ataque é mais voraz, ela não

simplesmente pergunta, mas ela afirma que aquilo que Deus disse não é verdade:

Então a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis.

A negativa hebraica “ א לֹֽ ” acompanhada do infinitivo absoluto e o imperfeito

plural ‘ ןוּתֹֽ מֻ ’ (morreras), pode ser traduzido literalmente como: Não certamente

morreras o que transmite uma ênfase a negação deliberada da serpenta a proibição original. Deus dissera que Adão e Eva morreriam se comessem da arvore (Gn.2.12), mas a serpente afirma que a palavra de Deus não iria se cumprir. E vai mais além a serpente sugeriu que comer do fruto os tornaria como Deus. Nas palavras de Van Groningen “em reposta à declaração determinada da mulher de que eles não poderiam comer da árvore ou tocá-la, Satanás fez uma declaração dupla. Ambas eram mentiras e acusações contra Deus; ambas também afirmavam, implicitamente, que Eva tinha a ganhar, não perder, se ela comesse. Ela não morreria (perder a vida), mas se tornaria mais completamente viva e segura disto porque comendo, se tornaria como Deus” 6 .

6 Groningen Van Gerard. Criação e Consumação. 1ªed. São Paulo. SP. Cultura Cristã. 2008.

p.76.

Eva decidiu então duvidar da veracidade da palavra de Deus e confia na sua própria avaliação do que é certo, o que seria melhor para ela negando as palavras de Deus a prorrogativa de define o certo e o errado.

Seduzida então pela a astucia da serpente, Eva não demostra mas nenhuma resistência ela agora olha para o fruto e vislumbra essa possibilidade de fazê-la sabia “lyKiêf.h;l.”. Ela queria agora experimentar essa possibilidade de independência, de tomar suas próprias decisões sem ter a quem prestar contas, ser semelhante a Deus.

3. A Queda

Eva esquece de sua real identidade, Ela e o seu marido eram criaturas de Deus, dependente dele e sempre subordinadas a ele, seu Criador e Senhor. E com essa falsa cosmovisão de independência eles transgrediram a aliança:

Tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido e ele comeu.

A consequência da quebra da aliança foi imediata, eles de fato vieram a conhecer o mal, mas a independência não veio. Eles não se tornaram como Deus, mas algo de novo acontece com eles, houve uma alteração de seu estado natural. E essa alteração trouxe de imediato uma consequência terrível. O relacionamento harmonioso e entres eles foram rompidos, assim também como a confiança deles na providência divina. Eles olharam para si e se deram conta que estavam nus, desprotegidos. Mas não buscaram a proteção do Criador, arrogantemente eles tentaram resolver o problema confiando em seus próprios esforços. Eles percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueiras e fizeram cintas para si. Entretanto, aquele esforço de reparar o mal que haviam praticado não resolveu o problema. Desde então toda a posteridade de Adão e Eva tem tentado cobrirem suas injustiças pelos seus próprios esforços. O resultado tem sido sempre o mesmo, seus esforços são insuficientes, pois suas

vergonhas continuam expostas como uma grande ferida aberta sagrando e contaminado todo o mundo.

Aplicações

I A resposta para o mal que há no mundo

O tema teológico abordado em Gênesis 3 é a doutrina do pecado, em particular a origem da entrada do pecado na humanidade e suas consequências. A abordagem à doutrina do pecado leva consequentemente a prima causa, porque embora o pecado tenha entrado no mundo por meio da transgressão de Adão (Rm.5.12), o questionamento sobre a primeira causa do pecado permanece. G.C. Berkouwer citado Bavick escreve que a origem do mal (após a do “ser”) é o maior problema da vida e a cruz mais pesada do intelecto. 7 Não há como escapar do fato de que Deus decretou a entrada do pecado no mundo. As passagens bíblicas que apontam para este fato não são difíceis de entender, mas muitos têm dificuldade em crer nelas. Deus é a causa última de todas as coisas, de modo que planejou ter o pecado no mundo. Se ele decidiu fazer um mundo, então todas as suas criaturas e todas as ações delas devem ser de acordo com seu plano. 8 Porem isso não implica que Deus é o autor do pecado no sentido de ele comete ato pecaminoso ou aprova ou recompensa os mesmos. Se pensarmos no presente trabalho exegético, nenhum cristão negaria que Deus é a causa primeira ou última dessas linhas, visto que ele criou toda humanidade. Mas, embora Deus seja a causa desta exegese não é o seu autor. Quanto a isso a Confissão de Westminster afirma no capitulo III que “Deus

desde a eternidade ordenou tudo quanto acontece porém de modo que nem Deus é o autor do pecado nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou

contingência das causas secundárias, antes estabelecidas”. 9 Isso implica que a

responsabilidade do pecado cometido pelos nossos pais (Adão e Eva), é anulada, pois não foi feita violência à vontade deles. Além do mais, responsabilidade pressupõe uma autoridade superior que recompensa ou pune.

7 Berkouwer G. C. A Doutrina Bíblica do Pecado. Aster Editora.1958. p13

8 Clark Gordon Haddon. What Do Presbyterians Belive? Reformad Publishing. p 38

9 Confissão de Fé de Westminster Cap.III. Secção I.

A criatura está debaixo da obrigação de presta conta a Deus, por isso

homens e anjos são responsáveis. Somos responsáveis diante de Deus porque ele é o Criador e nós somos criaturas. Como prerrogativa sua Ele pode chamar sua criação para prestar contas diante dele a qualquer hora. Em contra partida se responsabilidade pressupõe uma autoridade superior que recompensa ou pune à quem Deus deve responder ou prestas contas? “Se Deus é Responsável, na acepção etimológica do termo, então Ele deve prestar contas a alguém superior! Se Ele responde perante o homem, então este é superior, o que é um absurdo ontológico”. 10 Segundo o é responsável porque existe uma lei à qual ele está sob a obrigação de obedecer. A falta de conformidade com essa lei transforma o homem responsável pelo pecado. Quanto a Deus, não lei que o proíba a decretar

o pecado, Deus é Ex Lex. Ele está acima da lei. “As leis que Deus impõe aos

homens não se aplicam à natureza divina. Elas são aplicáveis somente as condições humanas. Por exemplo, Deus não pode roubar, não somente porque tudo que ele faz é certo, mas também porque ele é dono de tudo: não há ninguém de quem roubar. Assim a lei que define o pecado visa a condições humanas e não tem relevância para um Criador soberano”. 11 Concluímos, então, que mesmo Deus sendo a causa última de todas as coisas, inclusive do mal, ele não criou o mal ou o pecado diretamente, mas o fez através das suas criaturas. Estes são as causas secundárias da Criação como nos revela as Escrituras (Cf. Is 45. 7). O que as Escrituras não revelam é como ele entrou tendo a Criatura uma natureza santa. Quanto a isso devemos nos contentar com o que nos foi revelado, pois as ocultas pertencem ao Senhor. Tendo, então, passado brevemente por essa questão, podemos então nos debruçar acerca da origem do pecado na raça humana que é a real ênfase do texto.

A Bíblia ensina que o pecado entra na história da humanidade com a transgressão de Adão no paraíso. Adão pecou não somente como pai da raça humana, mas também como chefe representativo de todos seus descendentes;

e portanto a culpa do pecado é posta na conta deles, pelo que todos os seus

10 Souza Gaspar. Teodicéia Uma Análise do Problema do Mal. p.11.PDF. 11 Clark H. Gordon. Deus é o mal o problema Resolvido.1ª Ed.Monergismo. Brasília. DF. 2010. P.82

descendentes são passiveis de punição e morte. 12 Toda a raça humana estava representada nele (Rm.5.12), nele todos pecaram, nele todos morreram. O conceito de representatividade não nos é estranho. Temos um exemplo contemporâneo que é compreensível a todos nos eventos esportivos mundiais como olimpíadas. Um atleta disputa as provas com o uniforme que carrega as cores da bandeira de seu país de origem, ele sozinho ou em uma equipe está representado todos os seus patrícios, de modo que sua vitória é a vitória de seu povo sua derrota e a derrota de seu povo. Adão era o representante federal, não apenas de uma nação, mas de toda raça humana, sua derrota trouxe implicações para todos nós (Gn.6.5; Sl.14.3; Rm 7.18), e “em consequência, a humanidade como um todo e toda a pessoa em particular é oprimida pela culpa, desonrada e sujeita a ruina e a morte” 13 . Os versículos seguintes do livro de Gênesis vão mostra como o pecado se espalhou e se expandiu na raça humana ao ponto de Deus executar juízo por meio de um dilúvio (Gên.4.8-16; 6 -7.). O que é mais chocante é que a transgressão de Adão não trouxe miséria apenas para os homens, mas toda a terra foi afetada pela sua transgressão. Adão encurva a cabeça, caído e culpado, numa terra amaldiçoada. 14

II A esperança renovada no novo mediador

Ao analisarmos como os autores do Novo Testamento interpretaram Gênesis 3.1-7, logo percebemos que eles viram Adão como um tipo de Cristo. Adão era o mediador da aliança e prefigura aquele que haveria de vir (Rm.5.15). Assim como Adão é o pai de toda a humanidade, Cristo é o pai todos aqueles que foram recriados nele (Is 53.10; Sl.22.30;). O primeiro Adão é colocado em contraste com Cristo, o segundo Adão. O primeiro Adão tornou-se, por sua transgressão, o condutor da corrupção para todos os homens. O segundo Adão, pela sua obediência tornou-se condutor da graça e vida para muitos (Rm.5.19- 21). Enquanto o primeiro Adão trouxe maldição para terra (Gn.3.17-18), o

12 Berkhof Louis. Teologia Sistemática. 3ª ed. Cultura Cristã. São Paulo. SP. 2007. P205. 13 Barvick Herman. Dogmática Reformada Vol.III.1ª ed. Cultura Crista. São Paulo. SP.2012.

p.80

14 Law Henry. Cristo em Gênesis. 2ª Ed. Editora Fiel. São José dos Campos.SP.1994.p.17.

segundo adão se fez maldição para trazer redenção para a criação do cativeiro da corrupção. Um contraste também, muito claro entre os dois mediadores é que Adão falhou em guarda o pacto, mas jesus Cristo, como o segundo Adão obedeceu toda lei, conquistado o direito à vida eterna para todos aqueles que estavam nele representados. Por fim a tentativa de Adão em resolver o problema do pecado por meio de suas forças, fazendo uma vestimenta para si fracassou. Suas vestes, não cobririam sua injustiça. As coberturas de folhas de figueira feita às pressas pelos nossos pais iriam murchar e cair. Não eram adequadas Deus mesmo providenciou uma cobertura para eles. Aquela cobertura com pele de animais que foram sacrificados para este fim apontava para uma cobertura maior e completa. A justiça de Cristo que é prefigurada na pele dos animais fora do jardim do Éden. Então os seres humanos desde Adão olhariam para um dia em que sua nudez fosse coberta, não em parte, mas por inteiro. Cobertos pelo sangue do justo mediador Jesus Cristo. Em Cristo cumpriu-se o que disse o profeta Isaias:

Regozijar me ei muito no Senhor, a minha alma se alegra no meu Deus; porque me cobriu de vestes de salvação e me envolveu com mato de justiça, como noivo que se adorna de turbante (Is.61.10). Haverá um dia em que finalmente, sob os olhos de Deus mais uma vez nós poderemos está nu, mas sem se envergonhar porque segundo Adão nos deu cobertura.

II A Uma Esperança de Retorno.

Quando Moises escreveu Gênesis 3 tinha o propósito de convencer o povo a não voltar atrás ceder à tentação de desconfiar das promessas e ameaças de Deus feita na aliança com Abraão. A história da queda em particular, além do proposito de dar ao povo um relato de como os nossos pais introduziram o pecado no mundo, tinha o propósito de alerta-los para o perigo de quebrar a aliança que o Senhor tinha estabelecido com Abrão. O retorno a Terra prometida era uma figura do retorno ao Éden. Se eles quebrassem o pacto,

semelhantemente aos seus primeiros pais no Éden seria expulso da terra. Mais tarde, já de posse da terra, Israel assim como Adão falhou. Quebrou várias vezes a aliança. Deus enviava os seus profetas para convoca-los ao arrependimento, mas eles sempre voltavam a desobediência. Até que por fim eles foram expulsos da terra. Mas o contrário de Israel, Jesus Cristo, o perfeito mediador conquistou pela sua obediência, o direito à terra. Não a terra de Canaã que era apenas uma sobra, mas um jardim restaurado. Um novo céu e uma nova terra onde habita justiça. Lá todos os que estão nele representados poderão comer livremente da arvore do meio do jardim, a arvore da vida, Porque Jesus Cristo, o segundo Adão os lavou com seu sangue para que lhes assista o direito da arvore da vida.