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DECISÃO: 1.

Trata-se de pedido de suspensão de segurança,


ajuizado pelo Estado de Sergipe, contra acórdão proferido pelo Tribunal de
Justiça daquela unidade da Federação, nos autos do mandado de segurança nº
0243/2009 (processo nº 2009110796).

A impetração foi formulada, em síntese, com o objetivo de


assegurar o direito à estabilidade gestacional (art. 10, II, b, do ADCT) a
servidora ocupante de cargo em comissão. É o que se vê à cópia da petição do
mandado de fl. 33:

“f. A manutenção da liminar, para, ao final seja


concedida a segurança para fazer valer a estabilidade
gestacional da impetrante no cargo com o pagamento de
indenização sobre o período em que foi indevidamente
exonerada até cinco meses da data do parto (...)” (grifos
nossos).

O Tribunal de Justiça, não obstante o indeferimento da medida


liminar, concedeu a ordem:

“MANDADO DE SEGURANÇA – SERVIDORA PÚBLICA


OCUPANTE DE CARGO EM COMISSÃO – PRELIMINAR DE
ILEGITIMIDADE ATIVA DO NASCITURO ARGÜIDA PELA
PROCURADORIA DE JUSTIÇA – ACOLHIDA – EXONERAÇÃO
DE GESTANTE – DIREITO DE RECEBIMENTO DOS
VALORES ATÉ O TÉRMINO DA LICENÇA-MATERNIDADE –
PRECEDENTES – SEGURANÇA CONCEDIDA – DECISÃO
UNÂNIME.
- A servidora pública pode ser exonerada de função
comissionada mesmo estando grávida, devendo,
contudo, receber a indenização a que faria jus durante o
período restante da gravidez e da licença-maternidade”
(fl.s 74).

A Desembargadora Relatora proferiu despacho determinando o


cumprimento do acórdão no prazo de 48 horas (fls. 106).

O Estado interpôs recurso extraordinário contra o acórdão aqui


impugnado.

Em seguida, o Estado Sergipe formulou o presente pedido de


suspensão, argüindo, em síntese, a) risco de grave lesão à ordem e à economia
públicas; b) ocorrência do denominado “efeito multiplicador” e c) desrespeito ao
regime constitucional do precatório.
2. É caso de extinção anômala do processo.

Nos termos do art. 297 do RISTF, do art. 25 da Lei n° 8.038/90 e


do art. 4° § 4º da Lei n° 8.437/92, a suspensão, pelo Presidente do Supremo
Tribunal Federal, de execução de decisões concessivas de segurança, de liminar
e de antecipação dos efeitos de tutela contra o Poder Público, somente é
admissível diante da coexistência de três requisitos, a saber: (i) que tais decisões
sejam proferidas em única ou última instância pelos tribunais locais ou federais;
(ii) que a discussão travada na origem tenha potencial de causar grave lesão à
ordem, à saúde, à segurança ou à economia públicas; e (iii) que a controvérsia
seja de índole constitucional (cf. Rcl nº 497-AgR/RS, rel. Min. CARLOS
VELLOSO, Plenário, DJ 06.4.2001; SS nº 2.187-AgR, rel. Min. MAURÍCIO
CORRÊA, DJ 21.10.2003; e SS nº 2.465, rel. Min. NELSON JOBIM, DJ
20.10.2004).

Não se encontram aqui, todavia, tais requisitos elementares do


regime legal de contracautela.

É que, ao apreciar situação análoga, no julgamento da SS nº


3.798 (Rel. Min. GILMAR MENDES, DJ de 12.5.2009), a Corte entendeu não
estar diante de situação passível de causar grave lesão à ordem, à saúde, à
segurança ou à economia públicas. É o que se vê de trecho da referida
decisão:

“(...) Feitas essas considerações preliminares, passo


à análise do pedido, o que faço apenas e tão-somente
com base nas diretrizes normativas que disciplinam as
medidas de contracautela. Ressalte-se, não obstante,
que, na análise do pedido de suspensão de decisão
judicial, não é vedado ao Presidente do Supremo Tribunal
Federal proferir um juízo mínimo de delibação a respeito
das questões jurídicas presentes na ação principal,
conforme tem entendido a jurisprudência desta Corte, da
qual se destacam os seguintes julgados: SS 846-AgR/DF,
rel. Ministro Sepúlveda Pertence, DJ 29.5.96; SS 1.272-
AgR/RJ, rel. Ministro Carlos Velloso, DJ 18.5.2001.
No caso, verifica-se que a decisão impugnada está
em sintonia com o posicionamento desta Corte.
Confirma-se:
“DECISÃO RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. EXONERAÇÃO DE
SERVIDOR PÚBLICO NO GOZO DE LICENÇA-GESTANTE:
IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO
EXTRAORDINÁRIO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO.
Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com
base no art. 102, inc. III, alínea a, da Constituição da
República, contra o seguinte julgado do Tribunal de
Justiça do Paraná: “MANDADO DE SEGURANÇA. CARGO
EM COMISSÃO. EXONERAÇÃO. FUNCIONÁRIA GESTANTE.
ESTABILIDADE PROVISÓRIA RECONHECIDA. LIÇENCA
MATERNIDADE. DIREITO CONSTITUCIONALMENTE
ASSEGURADO. SUSPENSÃO DOS EFEITOS DO ATO ATÉ O
TÉRMINO DA REFERIDA LICENÇA. CONCESSÃO DA
ORDEM IMPRETADA” (fl. 115). 2. A Recorrente alega
que teriam sido contrariados os arts. 6º, 7º, inc. XVIII, e
37, inc. II, da Constituição da República e art. 10, inc. II,
alínea b, do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias. Apreciada a matéria trazida na espécie,
DECIDO. 3. Razão de direito assiste à Recorrente. 4. A
jurisprudência deste Supremo Tribunal Federal firmou
entendimento no sentido de que as servidoras públicas,
inclusive as contratadas a título precário,
independentemente do regime jurídico de trabalho, têm
direito à licença-maternidade de cento e vinte dias e à
estabilidade provisória desde a confirmação da gravidez
até cinco meses após o parto, conforme o art. 7º, inc.
XVIII, da Constituição da República e o art. 10, inc. II,
alínea b, do Ato das Disposições Constitucionais
Provisórias. Entendeu, ainda, que a demissão de
servidora pública no gozo de licença-gestante constitui
ato arbitrário e contrário à Constituição. Nesse sentido:
“EMENTA: CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO.
SERVIDOR PÚBLICO. LICENÇA-GESTANTE. EXONERAÇÃO.
C.F., art. 7º, XVIII; ADCT, art. 10, II, b. I. - Servidora
pública exonerada quando no gozo de licença-gestante:
a exoneração constitui ato arbitrário, porque contrário à
norma constitucional: C.F., art. 7º, XVIII; ADCT, art. 10, II,
b. II. - Remuneração devida no prazo da licença-gestante,
vale dizer, até cinco meses após o parto.
Inaplicabilidade, no caso, das Súmulas 269 e 271-STF. III.
- Recurso provido” (RMS 24.263, Rel. Min. Carlos Velloso,
Segunda Turma, DJ 9.5.2003). E ainda: “EMENTA:
CONSTITUCIONAL. LICENÇA-MATERNIDADE. CONTRATO
TEMPORÁRIO DE TRABALHO. SUCESSIVAS
CONTRATAÇÕES. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. ART. 7º,
XVIII DA CONSTITUIÇÃO. ART. 10, II, b do ADCT.
RECURSO DESPROVIDO. A empregada sob regime de
contratação temporária tem direito à licença-
maternidade, nos termos do art. 7º, XVIII da Constituição
e do art. 10, II, b do ADCT, especialmente quando
celebra sucessivos contratos temporários com o mesmo
empregador. Recurso a que se nega provimento” (RE
287.905, Rel. Min. Joaquim Barbosa, Segunda Turma, DJ
30.6.2006). Dessa orientação não divergiu o acórdão
recorrido. 5. Pelo exposto, nego seguimento ao recurso
extraordinário (art. 557, caput, do Código de Processo
Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo
Tribunal Federal).” (RE 569552, Relatora: Min. CÁRMEN
LÚCIA, DJ 12/11/2008)
No mesmo sentido: AI nº 710203/MG, Rel. Min.
Cármen Lúcia, DJ 27.5.2008; RE nº 590.893-3, Rel. Min.
Eros Grau, j. 14.8.2008; RE nº 520.077-9, minha relatoria,
J. 15.12.2006.
A exordial, por sua vez, não comprova que a
imediata exoneração da servidora ocupante do cargo de
provimento em comissão inviabilizaria a adequada
prestação dos serviços públicos que lhe são atribuídos.
Vê-se, portanto, que no tocante aos pressupostos
para o deferimento do pedido de contracautela, entendo
que o requerente não logrou comprovar a existência de
lesão à ordem e à economia públicas, haja vista
inexistirem, nos autos, elementos aptos à comprovação
de que o serviço público será seriamente comprometido,
o que é suficiente para o indeferimento do pedido de
suspensão. Não se pode olvidar que este Supremo
Tribunal Federal possui reiterada jurisprudência no
sentido de que a potencialidade danosa da decisão deve
ser comprovada de forma inequívoca pelo requerente,
em virtude do caráter excepcional do instituto da
suspensão. Assim, na Suspensão de Segurança nº
1185/PA, o Ministro Celso de Mello asseverou o seguinte:
“A existência da situação de grave risco ao
interesse público, alegada para justificar a concessão da
drástica medida de contracautela, há de resultar
efetivamente demonstrada pela entidade estatal que
requer a providência excepcional autorizada pelo art. 4º
da Lei nº 4.348/64. Não basta, para esse efeito, a mera e
unilateral declaração de que, da execução da decisão
concessiva da liminar mandamental, resultará
comprometido o interesse público”. (SS nº 1185/PA, Rel.
Celso de Mello, DJ 4.8.1999).
Percebe-se, ademais, que o pedido de suspensão
formulado pelo requerente possui nítido caráter recursal,
pois o que se busca é a reforma do decisum, o que é
expressamente vedado pela jurisprudência desta Corte,
conforme se depreende dos seguintes julgados: SL
14/MG, rel. Maurício Corrêa, DJ 03.10.2003; SL 80/SP, rel.
Nelson Jobim, DJ 19.10.2005; 56-AgR/DF, rel. Ellen
Gracie, DJ 23.6.2006; SL-AgR 38, Ministra Ellen Gracie, DJ
17.9.2004.(...)”

3. Ante o exposto, nego seguimento ao pedido (artigo 21, § 1.º,


do RISTF). Arquivem-se.

Publique-se. Int..

Brasília, 25 de março de 2010.

Ministro CEZAR PELUSO


Vice-Presidente
(art. 13, VIII, c.c. art. 14 – RI/STF)