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Metodologia do Trabalho Científico

Resumo - ATIVIDADE EM SALA DE AULA

"Os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo." (Wittgenstein)

(1) BLEFES [Nível de dificuldade 01] Luis Fernando VERÍSSIMO

Ninguém conhece a alma humana melhor do que um jogador de pôquer. A sua e a do próximo. Numa mesa de pôquer o homem chega ao pior e ao melhor de si mesmo, e vai da euforia ao ódio numa rodada. Mas sempre como se nada estivesse acontecendo. Os americanos falam do poker face, a cara de quem consegue apostar tendo um Royal Straight Flush ou nada na mão com a mesma impassividade, embora a lava esteja turbilhonando dentro. Porque sabe que está rodeado de fingidos, o jogador de pôquer deve tentar distinguir quem tem jogo de quem não tem e está blefando por um tremor na pálpebra, por um tique na orelha. Ou ultrapassando a fachada e mergulhando na alma do outro. Não se trata de adivinhar o caráter. Não é uma questão de caráter. O blefe é um lance tão legítimo quanto qualquer outro no pôquer. Os puros são até melhores blefadores pois só quem não tem culpa pode sustentar um poker face perfeito sob o escrutínio hostil da mesa. Há quem diga que ganhar com um blefe supõe ganhar com boas cartas e que é no blefe que o pôquer deixa de ser um jogo de azar, e portanto de acaso, e se torna um jogo de talento.

Já fora do pôquer o blefe perde sua respeitabilidade. É apenas sinônimo de engodo, geralmente aplicado a pessoas que não eram o que pareciam ou fingiam ser. A história dos presidentes do Brasil desde Jânio tem sido uma sucessão de blefes. Jango também foi um blefe, na medida em que aparentava ter um poder que não tinha. O golpe de 64 foi um blefe para quem acreditou nele. Um blefe involuntário. Sarney não foi um blefe completo porque ninguém esperava que ele fosse muito diferente. Collor foi um blefe deliberado que manteve a versão política do poker face, que é uma cara-de-pau sustentada mesmo sob a ameaça do ridículo. E chegamos à social-democracia brasileira no poder, que pode até estar agradando a muita gente, mas é outro blefe em relação às expectativas que criou e ao que podia ter sido. Ou talvez esse blefe tenha uma história antiga, e a gente é que não tinha notado.

(2) Contra o Método [Nível de dificuldade 02]

P. FEYERABEND

Este ensaio é escrito com a convicção de que o anarquismo, embora não constituindo, talvez, a mais atraente filosofia política, é, por certo, excelente remédio para a epistemologia e para a filosofia da ciência. A razão não é difícil de apontar.‘A História, de modo geral, e a história das revoluções, em particular, é sempre de conteúdo mais rico, mais variada, mais multiforme, mais viva e sutil do que’ o melhor historiador e o melhor metodologista poderiam imaginar. A História está repleta de ‘acidentes e conjunturas e curiosas justaposições de eventos’ e patenteia a nossos olhos a ‘complexidade das mudanças humanas e o caráter imprevisível das conseqüências últimas de qualquer ato ou decisão do homem’. Devemos realmente acreditar que as regras ingênuas e simplistas que os metodologistas adotam como guia são capazes de explicar esse ‘labirinto de interações’? Não é claro que, em se tratando de um processo dessa espécie, só pode ter participação bem sucedida um oportunista brutal que não se prenda a filosofia alguma e que adote a diretriz que a ocasião pareça indicar? Tal é, sem dúvida, a conclusão a que têm chegado observadores inteligentes e ponderados. ‘Duas importantes conclusões práticas decorrem daí [do caráter do processo histórico]’, escreve Lenine, na continuação da passagem mencionada acima. ‘Em primeiro lugar, a de que, para cumprir sua tarefa, a classe

revolucionária [isto é, a classe daqueles que desejam alterar seja uma parte da sociedade, como a ciência, seja a sociedade em seu todo] deve estar em condições de dominar, sem exceção, todas as formas ou aspectos de atividade social [deve compreender e saber aplicar não apenas uma particular metodologia, mas qualquer

metodologia e qualquer de suas variações imagináveis]

e, em segundo lugar, deve estar preparada para

saltar de uma à outra, da maneira a mais rápida e mais inesperada.’ ‘As condições externas’, escreve Einstein, ‘que os fatos da experiência colocam [diante do cientista] não lhe permitem, ao erigir seu mundo conceptual, que ele se prenda em demasia a um dado

;

sistema epistemológico. Em conseqüência, o cientista aparecerá, aos olhos do epistemologista que se prende

a

e imprevistos, reclama procedimentos complexos e desafia uma análise apoiada em regras que foram estabelecidas de antemão e sem levar em conta as sempre cambiantes condições da História. É possível, naturalmente, simplificar o meio em que o cientista atua, através da simplificação de seus principais fatores.

Afinal de contas, a história da ciência não consiste apenas de fatos e de conclusões retiradas dos fatos. Contém, a par disso, idéias, interpretações de fatos, problemas criados por interpretações conflitantes, erros,

e assim por diante. Análise mais profunda mostra que a ciência não conhece ‘fatos nus’, pois os fatos de que

tomamos conhecimento já são vistos sob certo ângulo, sendo, em conseqüência, essencialmente ideativos. Se assim é, a história da ciência será tão complexa, caótica, permeada de enganos e diversificada quanto o sejam as idéias que encerra; e essas idéias, por sua por sua vez, serão tão caóticas permeadas de enganos e diversificadas quanto as mentes dos que as inventaram. Inversamente, uma pequena lavagem cerebral muito fará no sentido de tornar a história da ciência mais insípida, mais simples, mais uniforme, mais ‘objetiva’ e mais facilmente accessível a tratamento por meio de regras imutáveis. A educação científica, tal como hoje a conhecemos, tem precisamente esse objetivo. Simplifica a ciência, simplificando seus elementos: antes de tudo, define-se um campo de pesquisa; esse campo é desligado do resto da História (a Física, por exemplo, é separada da Metafísica e da Teologia) e recebe uma ‘lógica’ própria. Um treinamento completo, nesse tipo de ‘lógica’, leva ao condicionamento dos que trabalham no campo delimitado; isso torna mais uniformes as ações de tais pessoas, ao mesmo tempo em que congela grandes porções do procedimento histórico. ‘Fatos’ estáveis surgem e se mantêm, a despeito das vicissitudes da História. Parte essencial do treinamento, que faz com que fatos dessa espécie apareçam, consiste na tentativa de inibir intuições que possam implicar confusão de fronteiras. A religião da pessoa, por exemplo, ou sua metafísica ou seu senso de humor (seu senso de humor natural e não a jocosidade postiça e sempre desagradável que encontramos em profissões especializadas) devem manter-se inteiramente à parte de sua atividade científica. Sua imaginação vê-se restringida e até sua linguagem deixa de ser própria. E isso penetra a natureza dos ‘fatos’ científicos, que passam a ser vistos como independentes de opinião, de crença ou de formação cultural.

Um meio complexo, onde há elementos surpreendentes

um sistema, como um oportunista inescrupuloso

(3) Do rigor na ciência [Nível de dificuldade 03]

Jorge Luis BORGES

Naquele Império, a Arte da Cartografia logrou tal perfeição que o mapa de uma única Província ocupava toda uma Cidade, e o mapa do império, toda uma Província. Com o tempo, esses Mapas Desmedidos não satisfizeram e os Colégios de Cartógrafos levantaram um Mapa do Império, que tinha o tamanho do Império e coincidia pontualmente com ele. Menos Adictas ao Estudo da Cartografia, as Gerações Seguintes entenderam que esse dilatado Mapa era Inútil e não sem Impiedade o entregaram às Inclemências do Sol e dos Invernos. Nos desertos do Oeste perduram despedaçadas Ruínas do Mapa, habitadas por Animais e por Mendigos; em todo o País não há outra relíquia das Disciplinas Cartográficas. Suáres Miranda: Viajes de Varones Prudentes, livro quatro, cap. XLV, Lérida, 1658.

Em cada conto siga o seguinte procedimento de leitura (4 passos):

1)

PRIMEIRA LEITURA: Concentre-se apenas na leitura.

2)

DEPURAÇÂO: Sublinhe ou circule as palavras desconhecidas e os nomes próprios.

3)

Enumere as palavras centrais em cada texto.

4)

Resumo (sintetize a mensagem do texto em 10% do seu tamanho original) – linguagem própria

mas mantendo a idéia do autor (descrição ou interpretação?)

- COMPREENSÃO: A linguagem utilizada nos textos é direta, indireta ou contém ambas. O que o autor quis dizer com o texto? Qual é o objetivo do autor com esse texto? Critérios de Correção: a) Inclusão dos principais assuntos do texto e Fidelidade. Não inserção de

elementos estranhos ao texto original. b) Não referência ao texto como externo (inclusive verbos).

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