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1.

INTRODUÇÃO:

A equideocultura no Brasil é uma atividade em constante crescimento. O nosso

país atualmente possui o terceiro maior rebanho de eqüinos do mundo, sendo que em

2005 houve um faturamento com esta atividade da ordem de R$ 7,3 bilhões, gerando

3,2 milhões de empregos sendo 641 mil diretos (Confederação da Agricultura e

Pecuária no Brasil-CNA, 2006).

Estes dados mostram como a equideocultura, estando em constante crescimento

pode ser bastante rentável. Com isso vem crescendo cada vez mais as especialidades

dentro da medicina eqüina. Atualmente os eqüinos são considerados verdadeiros atletas,

que necessitam de cuidados especiais, para que possam obter um melhor desempenho

dentro de sua modalidade esportiva.

Uma das especialidades é a odontologia eqüina, que, apesar de ser uma atividade

relativamente nova na nossa realidade, vem crescendo cada vez mais e ganhando espaço

dentro do desporto eqüestre.

Este relatório pretende descrever a experiência vivenciada ao longo do estágio,

com um breve relato das atividades desenvolvidas, assim como descrever um pouco

sobre a odontologia eqüina e a prática desta atividade que vem ganhando importância na

medicina eqüina, se tornando uma atividade bastante rentável para médicos veterinários

especialistas nesta área.


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2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA:

A odontologia eqüina tem sido praticada ao longo dos séculos, sendo que o

registro mais antigo data de 1207 dC., o primeiro livro publicado nesta área data de

1889, e foi escrito por T D Hinebauch, professor de Ciências Veterinárias da

Universidade de Purdue, e a primeira escola de odontologia eqüina foi inaugurada em

1980 em Glenns Ferry, Idaho (JOHNSON, 2008).

Sendo assim área da odontologia eqüina na medicina veterinária pode ser ainda

considerada como nova e é uma especialidade que vem crescendo e tomando espaço a

cada dia, e com o avanço das técnicas de diagnóstico e materiais para o tratamento, cada

vez mais ela vem sendo destrinchada, aperfeiçoando-se assim as técnicas utilizadas para

diagnóstico e tratamento (GIOSO, 2008).

A boca do cavalo, até pouco tempo, era uma área muito negligenciada pela

maioria dos médicos veterinários, porém com o avanço da equideocultura e da medicina

esportiva eqüina, os profissionais e proprietários estão cada vez mais se conscientizando

da importância desta prática na medicina eqüina (LYNNE, 2008).

2.1. O DENTE:

Os cavalos, como a maioria dos outros mamíferos, possuem dois conjuntos de

dentes, eles nascem ou obtém ao longo dos meses a dentição chamada decídua ou de

leite, e ao longo dos anos ela vai sendo substituída por um novo conjunto de dentes

permanentes (LYNNE, 2008). Os dentes de leite são de menor volume e mais

esbranquiçados, com diferentes tempos de erupção, sendo os incisivos centrais os

primeiros a aparecerem (já ao nascimento ou uma semana após), e os últimos surgem

com aproximadamente oito meses de idade (GIOSO, 2008).


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Há uma fórmula dentária que indica o número de dentes de cada tipo nas

maxilas inferior e superior, sendo que no eqüino, a dentição definitiva pode diferir nos

machos (40 a 44 dentes) e nas fêmeas (36 a 44 dentes), o que se deve ao fato que nas

fêmeas os caninos não existem, salvo em casos isolados (SILVA et al., 2003).

Esta fórmula pode ser representada desta forma:

1° dentição, dentição decídua ou de leite;

2( I 3 / 3, C 4 / 4, PM 3 / 3, M 0 / 0) = 24 dentes

2° dentição, dentição permanente, definitiva ou adulta:

2( I 3 / 3, C 0(1) / 0(1), PM 3(4) / 3(4), M 3 / 3) = 36 a 44 dentes.

Sendo: I: incisivos; C: caninos; PM: pré-molares; M: molares.

Fonte: adaptado SILVA, 2003.

Porém na odontologia eqüina tem sido mais utilizado o método de classificação

Triadan, sendo que a boca é dividida em quadrantes numerados de 1 a 4 em sentido

horário começando pelo maxilar direito (DIXON, 2002), conforme ilustra a figura 1.
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Figura 1: Sistema Triadan de nomenclatura dental.


Fonte: (DIXON, 2002).

O órgão dental do eqüino é semelhante ao dos carnívoros, possuindo as quatro

estruturas periodontais: gengiva, osso alveolar, cemento e ligamento periodontal. O

sulco gengival no eqüino varia de 1 a 4 mm (GIOSO, 2008). Possui uma parte visível

externamente, a coroa, e uma parte interna, a raiz ou raízes e a zona de separação entre

as raízes e a coroa denomina-se colo do dente, sendo que os principais componentes

dentários são o esmalte, a dentina e a polpa, o esmalte forma uma camada fina sobre a

superfície dentária, a dentina encontra-se sobre o esmalte e constitui a maior parte do

dente e a polpa encontra-se na cavidade pulpar (SILVA et al., 2003).

O dente do cavalo possui uma estrutura peculiar denominada infundíbulo, que é

um sulco cuja profundidade varia com a idade do animal, e conforme o dente vai se

desgastando, a forma do infundíbulo e da face de oclusão vai se diferenciando, e o

infundíbulo desaparece, surgindo a cavidade pulpar (cavidade dental interna), indicando

a idade do animal (GIOSO, 2008).


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As estruturas responsáveis pela fixação dos dentes são denominadas periodonto,

nos quais incluem o cemento, o ligamento periodontal e o osso alveolar, sendo que o

cemento cobre a raiz dos dentes, o espaço que existe entre os caninos e os pré-molares é

chamado de barra ou diastema (SILVA et al., 2003).

Existem quatro tipos de dentes, sendo os incisivos, que são usados

principalmente para cortar, após aparecem os caninos, que sua forma permite rasgar e

caudalmente temos os pré-molares e molares, que são chamados de um modo geral de

dentes molares, que esmagam e trituram os alimentos (REECE, 1996).

Os dentes de lobo são pré-molares rudimentares (1° PM), que não possuem

função no cavalo moderno, é um dente permanente e o cavalo pode possuir todos ou

nenhum, este dente pode causar desconforto no animal em relação ao freio/bridão,

através do contato, levando à dor na gengiva e conseqüentemente queda no desempenho

desportivo, sua erupção ocorre normalmente a partir do 5° ao 6° mês de idade (LYNNE,

2008).

2.2. ESTIMATIVAS DA IDADE DO EQÜINO PELA DENTIÇÃO:

A idade do eqüino pode ser estimada pelo exame dos incisivos inferiores,

determinando-se quando os incisivos permanentes nasceram e examinando as

características associadas ao desgaste (REECE, 1996).

Através da história, a determinação da idade do cavalo pelos seus dentes tem

sido amplamente utilizada para fins de seguros, identificação e venda dos cavalos

(LYNNE, 2008). Segundo Silva et al., (2003), o exame da dentição não é o único

método de estimar a idade dos eqüinos, porém ainda continua sendo o mais utilizado,

para, de uma forma expedita e barata, estimar a idade dos eqüinos.


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Lynne (2008), cita que o primeiro indicativo da idade é olhar se o cavalo possui

dentes na boca, e se os mesmos são decíduos ou permanentes, veja a tabela 1 abaixo

para erupção e data de eliminações.

Tabela 1: Seqüência de erupção dentária.

Dentes de Leite Permanentes


INCISIVOS
Primeiro Parto a primeira semana 2 ¹/² a 3 anos
Segundo 4 a 6 semanas 3 ¹/² a 4 anos
Terceiro 6 a 9 meses 4 ¹/² a 5 anos
CANINOS
Ausente 4 a 5 anos (se aparecer)
PRÉ-MOLARES
Primeiro (dente de lobo) Ausente 5 a 6 meses (se aparecer)
Segundo Nascimento a 2 semanas 2¹/² anos
Terceiro Nascimento a 2 semanas 3 anos
Quarto Nascimento a 2 semanas 4 anos
MOLARES
Primeiro Ausente 9 a 12 meses
Segundo Ausente 2 anos
Terceiro Ausente 3 ¹/² anos
Fonte: Adaptado de (LYNNE, 2008).

Deve se observar ainda as alterações da superfície oclusal ou mesa dentária, no

que se refere à cavidade dentária externa, ao esmalte central, à estrela dentária e à forma

da mesa dentária, nos cantos superiores a apreciação da formação da cauda de

andorinha e do sulco de galvayne e ainda o perfil do ângulo de oclusão das duas arcadas

(SILVA et al., 2003).

As características de desgaste são relacionadas às estruturas dentárias, uma boca

é considerada em desgaste quando dois anéis de esmalte completo estão presentes na

superfície da mesa dentária, O julgamento é feito pelo desaparecimento do infundíbulo

(cavidade dentária externa) e aparecimento da cavidade pulpar (estrela dentária)

(CICCO, 2008 e REECE, 1996). Conforme ilustrado na figura 2.


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Figura 2: Estruturas anatômicas do dente eqüino.

Fonte: (CICCO, 2008).

A oclusão das mesas dentárias dos cantos não é geralmente total, deixando a

região posterior dos cantos superiores sem contato com os inferiores, provocando uma

proeminência conhecida como cauda de andorinha, que aparece por volta dos 7 anos de

idade (prancha 1, figura A), e também há o sulco de galvayne, que possui coloração

escura e aparece na face vestibular dos cantos superiores, junto ao bordo gengival, por

volta dos 10 anos de idade do cavalo, prolongando-se até os vinte anos (prancha 2,

figura B), conforme cita Silva et al., (2003).

A B
Prancha 1: Figura A: presença da cauda de andorinha no canto superior esquerdo; figura
B: presença do sulco de galvayne junto ao bordo gengival do canto superior.
Fonte: (SILVA, et al., 2003)
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Ocorre também a mudança na angulação dos incisivos com o crescimento dos

mesmos em conseqüência do avançar da idade (LYNNE, 2008). Conforme ilustra a

figura 3.

Figura 3: Alteração do perfil de oclusão das arcadas com o avançar da idade.


Fonte: (SILVA, et al., 2003)

Após o rasamento dos incisivos podemos observar uma mudança na angulação

do dente em si, visto de cima, que caracterizará a idade, sendo o arredondamento por

volta dos 9 aos 11 anos, triangularidade por volta dos 14 aos 16 anos e a biangularidade

por volta dos 18 aos 21 anos de idade, sendo que se iniciam nas pinças, após nos

médios e depois nos cantos (CICCO, 2008).

Segue abaixo a cronologia dos eventos observáveis no exame dentário dos

eqüinos, com imagens da arcada de animais ilustradas nas pranchas 2 e 3 (SILVA, et al.,

2003).
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Prancha 2: Figura A: 1 mês de idade; figura B: 2 meses de idade; figura C: 1,5 anos de
idade; figuras D e E: próximo dos 3 anos de idade; figuras F e G: próximo dos 4 anos de
idade; figuras H e I: 5 anos de idade; figura J: 6 anos de idade.
Fonte: (SILVA, et al., 2003).
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Prancha 3: Figura A: cerca de 7 anos de idade; figura B: cerca de 8 anos de idade; figura
C: cerca de 9 anos de idade; figura D: cerca de 10 anos de idade; figura E: cerca de 11
anos de idade; figura F: cerca de 12 anos de idade; figura G: cerca de 13 anos de idade;
figura H: 14 a 16 anos de idade; figura I: 18 a 20 anos de idade; figura J: mais de 20
anos de idade.
Fonte: (SILVA, et al., 2003.
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2.3. FISIOLOGIA:
Os dentes reduzem mecanicamente o tamanho das partículas ingeridas pela

trituração e ao mesmo tempo aumentam a área de superfície do alimento para

degradação química e microbiológica, também são usados para cortar, desta forma o

alimento pode ser introduzido à boca (REECE, 1996).

Os dentes de leite são substituídos quando os permanentes começam a empurrá-

los, o suprimento sanguíneo é cortado e o dente vai sendo reabsorvido pedaço por

pedaço, até sobrar uma fina camada que cai com o atrito no caso dos pré-molares e

molares e os incisivos vão sendo empurrados e caem dando lugar ao dente permanente

(LYNNE, 2008).

Os eqüinos possuem dentes denominados de hipsodontes, o que difere da

maioria dos mamíferos, estes dentes possuem cerca de 6 a 8 cm de comprimento, porém

apenas 1 cm da coroa está oposta, o restante está embutido nos ossos mandibulares e

maxilares, eles crescem cerca de 2 a 3 mm por ano (GRAHAM, 2002 e LYNNE, 2008).

As forças de desgaste são comparadas ao crescimento do dente hipsodonte sendo

que os mesmos possuem serrilhamentos regulares que expõem bordas afiadas que

esmaga o material de celulose, ao mesmo tempo, a natureza quebradiça do esmalte

dentário é protegida pela dentina e pelo esmalte periférico circundante (BAKER, 2001).

Os dentes dos eqüinos não possuem uma grossa camada de esmalte sobre a sua

superfície como nos carnívoros e onívoros. Esta camada mais fina de esmalte é

projetada para permitir um desgaste natural dos dentes, devido à dieta fibrosa e dura que

o eqüino se alimenta naturalmente, coincidindo com o crescimento dos dentes

(DELOREY, 2002).

Segundo GREENE e BASILE (2002), a dentição eqüina evoluiu em um sistema

que possibilitou que eles pastassem grandes volumes de uma alimentação abrasiva,

durante 16 – 18h por dia. Quando soltos no campo, os cavalos pastam quase que
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continuamente, recolhendo impurezas que friccionam os dentes no processo de

mastigação, causando um desgaste natural (SOUZA, 2008).

Tendo em vista que os dentes dos eqüinos crescem numa proporção de 2 a 3 mm

por ano durante a maior parte da vida do cavalo, o desgaste dos dentes se torna

necessário, obedecendo a um processo evolutivo da espécie (GRAHAM, 2002).

O eqüino movimenta seu maxilar de forma elíptica, primeiramente abrindo a

boca, depois posiciona para a direita ou esquerda, causando um contato dos dentes,

friccionando-os em direção ao centro, tendo um padrão tanto vertical, como lateral

(DELOREY, 2002). Este ciclo foi representado na figura 4.

Figura 4. Esquema das fases do ciclo mastigatório dos eqüinos definidas de acordo com
o movimento mandibular, representado pelo traço contínuo: Os números de 1 a 3
representam a fase de abertura; 4 e 5, a fase de fechamento; de 6 a 9, a fase de impacto e
atrito (IA); e o número 10, a fase de retorno.
Fonte: (PAGLIOSA, et al., 2006).

Após a domesticação, houve a adição de alimento concentrado, rico em

nutrientes e com isso uma menor oferta de forragem que diminuíram o tempo de

ingestão e estimularam movimentos mastigatórios mais verticais, promovendo

alterações no desgaste dentário (PAGLIOSA, et al., 2006). Alguns cavalos, mesmo com

a alteração da dieta continuam realizando movimentos verticais, porém o fato de não

pastarem pode favorecer o crescimento excessivo dos incisivos e causar problemas


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mastigatórios (LYNNE, 2008). Traumas, infecções, neoplasias, má conformação,

comportamento e anomalias contribuem também para problemas dentários (GRAHAM,

2002).

Além disso, os molares superiores possuem uma superfície de mesa dentária

mais ampla que os inferiores, a rotação da mandíbula associada à mastigação

usualmente proporciona um constante desgaste das mesas, mas nem sempre ocorre total

desgaste, podendo levar à formação de pontas dentárias (REECE, 1996). Conforme

figura 5.

Figura 5: Posição de repouso: os dentes superiores são mais amplos que os inferiores,
podendo levar à formação de pontas como na lateral direita da figura, sendo que na
lateral esquerda o dente se encontra normal.
Fonte: (JOHNSON, 2008).

2.4. PROBLEMAS DENTÁRIOS:

Dentre as alterações, as pontas excessivas de esmalte dentário (PEED), (prancha

4, figuras A e B), são os distúrbios mais abordados na odontologia eqüina, com

incidência de 44 a 72% e elas formam-se nas bordas bucal e lingual da superfície

oclusal dos dentes pré molares e molares maxilares e mandibulares, causando

ulcerações na bochecha e língua, com conseqüente dor à mastigação e mudança na sua

biomecânica (PAGLIOSA, et al., 2006).


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A B
Prancha 4: Figura A: pontas excessivas de esmalte dentário (PEED); figura B: PEED.
Fonte: (JOHNSON, 2008).

Ocorre ainda a formação de ganchos (prancha 5, figura A) nos dentes pré

molares e molares maxilares e a formação de rampas (prancha 5, figura B) nos

mandibulares, que são pontas que se projetam para a arcada oposta, o gancho se projeta

para baixo e a rampa para cima, podendo causar lesões na gengiva (GRAHAM, 2002).

E a formação de ondas (prancha 5, figuras C e D), que provocam uma maloclusão e

com isso mudança na biomecânica da mastigação, dificultando a mastigação e causando

problemas no dente oposto, podendo levar até a queda do dente (DELOREY, 2002).

Nos incisivos podem ocorrer os chamados “overbite” (prancha 5, figura E), onde

os incisivos superiores sobressaem os inferiores ou ocorre o contrário sendo

denominado de “underbite” (prancha 5, figura F), pode ocorrer a curvatura ventral ou

chamado “sorriso” (prancha 5, figura G) ou a curvatura dorsal, conhecido como

“carranca” (prancha 5, figura H) ou ainda uma mordida diagonal compensatória

(prancha 5, figura I), (JOHNSON, 2008).


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A F

B G

C H

D I
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E J
Prancha 5: Figura A: ganchos; figura B: rampas; figura C: ondas; figura D: ondas
acentuadas; figura E: overbite; figura F: underbite; figura G; sorriso; figura H: carranca;
figura I; mordida diagonal compensatória; figura J: dente de lobo.
Fonte: (JOHNSON, 2008).

Podemos citar ainda problemas como retenção de dentes decíduos, desconforto

causado pelos dentes de lobo (prancha 5, figura J) quando em contato com a

embocadura, dentes caninos longos e afiados, dentes quebrados ou perdidos, dentes

excessivamente gastos, justaposição da mordedura, dentes ou gengivas infeccionadas e

doenças periodontais, com sendo a maioria dos problemas odontológicos que acometem

os eqüinos (SOUZA, 2008).

2.5. SINAIS CLÍNICOS:

Cavalos com problemas dentários trituram mal os alimentos, possuem digestão

moderada e podem apresentar emagrecimento progressivo, além de processos de

indigestão, que poderão desencadear quadros de cólica (THOMASSIAN, 2005).

Souza (2008) cita como sinal, que o animal deixa cair alimento da boca, tem

dificuldade de mastigar, ocorre perda de condicionamento físico, pedaços grandes de

alimentos não digeridos nas fezes, balanços da cabeça, movimentos constantes de

mascar e enrolar a língua, resistência ao freio/bridão, baixo desempenho, odor


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desagradável ou traços de sangue na boca, que são indicativos de problema

odontológico.

A maioria dos eqüinos, devido a sua natureza instintiva de se alimentar pelo

menos 18 horas por dia, não deixa de comer e acabam se adaptando á dificuldade ou

desconforto causados pela dor, e só vão parar de se alimentar quando a dor for tão grave

ou, pela ação de forças mecânicas, o animal seja impedido de ingerir alimentos, sendo

assim necessário um diagnóstico por parte de um dentista veterinário (DELOREY,

2002).

2.6. DIAGNÓSTICO:

Segundo Thomassian (2005), pode-se passar o dedo indicador sobre a mesa

dentária, junto à sua face lateral, detectando pelo tato as formações puntiformes. Na

maior parte dos casos há a correlação entre histórico, idade e sinais clínicos, deve se

realizar um exame físico completo seguido de exame oral e dentário, com o auxílio de

abre bocas e uma fonte de luz, para facilitar a visualização da boca e dentes (BAKER,

2001).

Deve-se ter cuidado ao se palpar a boca do animal, pois o exame pode

representar uma ameaça ao animal, alguns eqüinos permitem a manipulação da boca

sem sedação, porém, para uma melhor visualização, é necessário o uso de sedativos, um

abre boca e fonte de luz para examinar principalmente os dentes mais traseiros, como no

caso dos molares (GIOSO, 2008).

A avaliação dos tecidos moles também deve ser feita, pois podem apresentar

feridas, úlceras, cortes, tanto na gengiva, como na bochecha e língua, pois são

indicativos de problemas dentais e vão direcionar o tratamento, também é indicado


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procurar inchaços ou dor na mandíbula, em especial na articulação temporomandibular

(LYNNE, 2008).

A radiografia é um dos métodos auxiliares de diagnóstico para acompanhamento

e identificação de problemas dentários, em especial nos molares, devem ser feitas

radiografias em todos os padrões (lateral, oblíqua, dorso ventral, etc.) a fim de

identificar problemas, como por exemplo, fraturas, abcessos periapicais, erupção

anormal entre outros (LOWDER, 1999).

2.7. TRATAMENTO:

O tratamento consiste na correção dos problemas que possam estar presentes,

através da aplicação de grosas dentárias corrigindo a face oclusal, extração dos dentes

de lobo, dentes soltos e fraturados além de tratamento de suporte com o uso de

antibióticos e antiinflamatórios, se houver necessidade (GRAHAM, 2002; LYNNE,

2008 e THOMASSIAN, 2005).

2.8. MATERIAIS UTILIZADOS NA PRÁTICA DA ODONTOLOGIA EQÜINA:

Dentre os equipamentos utilizados na odontologia eqüina podemos citar as

grosas manuais (prancha 6, figura A) ou elétricas (prancha 6, figura B), a cabeçada

odontológica (prancha 6, figura C) ou a muleta odontológica que serve de apoio da

cabeça do animal, o abre-boca eqüino (prancha 6, figura D), seringa plástica de grande

volume para lavagem da boca do animal, lanterna de cabeça, extratores de dentes

molares e incisivos (prancha 6, figura E), extrator de dente de lobo, alavanca apical

(prancha 6, figura F) entre outros (BAKER e ALLEN, 2002; ALLEN, 2008 e

GRAHAM, 2002).
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A D

B E

C F
Prancha 6: figura A: grosas manuais; figura B: motor para grosas elétricas; figura C:
cabeçada odontológica; figura D: abre-boca eqüino; figura E: extrator de dentes pré-
molares e molares; figura F: alavanca apical. Material e imagens da ORTOVET®.

2.9. PROCEDIMENTOS ODONTOLÓGICOS:

Primeiramente deve ser feito um exame físico visual observando a condição

corporal e o estado geral do paciente, após é realizado o exame físico em si para

diagnosticar possíveis anormalidades (ALLEN, 2008).


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Usa-se a sedação sendo mais utilizado a xilazina na dose de 1,1mg/Kg, porém

podem ser usados ainda a detomidina e o butorfanol, há relatos do uso da acepromazina

em éguas, podem ser realizados bloqueios anestésicos no ramo mandibular do nervo

trigêmeo e infraorbitário, além de anestesia local no caso de extração de dentes

(GRAHAM, 2002).

Então é colocado o abre boca e o cabresto odontológico, mantendo o animal com

a cabeça suspensa para mais conforto do veterinário, é feito a visualização com a

lanterna de cabeça a procura de anormalidades como ondas, rampas, ganchos, PEED, a

presença de dentes de lobo, conformação dos incisivos, etc., e inicia-se a correção

(ALLEN, 2008).

No caso de ganchos, rampas, ondas e PEED nos molares de modo geral, é feita a

grosagem com o auxilio das grosas através do atrito contra os dentes afetados até

produzir um arredondamento e com isso a normalização da mordedura, com relação as

ondas reduzir a face de oclusão elevada que assim permitirá a recuperação do dente

oposto(JOHNSON, 2008).

No caso dos incisivos realizar o alinhamento com o auxilio da grosa para uma

correta oclusão, se forem encontrados os problemas “underbite” ou “overbite” deve-se

examinar os molares a procura de ganchos ou rampas que podem estar ocasionando o

problema e após a resolução grosar os incisivos que estiverem com crescimento

exagerado (LYNNE, 2008).

Se for encontrado o dente de lobo realizar a extração do mesmo com o auxilio do

extrator de dente de lobo rebatendo a gengiva, provocando o afrouxamento do dente

tomando cuidado para o mesmo não quebrar, dificultando assim a retirada (GRAHAM,

2002).
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Se for encontrado um dente fraturado, deve-se inspecioná-lo para ver se o

mesmo se encontra solto ou ainda bem implantado, se estiver solto o indicado é realizar

a extração, pois ele pode vir a ocasionar uma infecção, caso o dente esteja saudável o

indicado é deixá-lo, pois o mesmo irá crescer voltando ao tamanho normal (LYNNE,

2008).

Os caninos são encurtados, arredondados e o acúmulo de tártaro, comum nos

caninos, deve ser retirado, esses dentes podem, devido ao crescimento excessivo,

machucar a gengiva oposta, além de oferecer risco na manipulação do eqüino (ALLEN,

2008).

Em caso de infecções ou doenças periodontais realizar o tratamento com o

auxilio de antibioticoterapia além da extração do dente afetado, em caso de sinusite ou

dente infeccionado pode ser indicado a trepanação (THOMASSIAN, 2005).

Como terapias de suporte podem ser utilizados antibióticos e antiinflamatórios,

além da profilaxia antitetânica, ficando a escolha do médico veterinário, dependendo do

problema que acomete o animal (GRAHAM, 2002).

2.10. PROFILAXIA:

Os dentes dos cavalos devem ser inspecionados, como qualquer outra

enfermidade, logo que começarem os sinais clínicos, porém, para um melhor cuidado do

animal os procedimentos odontológicos devem ser realizados no mínimo anualmente,

dependendo de cada animal (LYNNE, 2008).

Deve-se realizar sempre antes da doma, independentemente da idade, pois o

animal dependerá da boca para obter sucesso no treinamento, caso contrário o animal

sentirá dores causadas por problemas dentários e terá dificuldades na doma (SOUZA,

2008).
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Quanto mais cedo for iniciado o trabalho odontológico, melhor será a qualidade

de vida e o desempenho do animal, além do que alguns problemas podem se tornar

irreversíveis ou de difícil resolução com o passar do tempo (LYNNE, 2008).


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3. DESCRIÇÃO DOS LOCAIS DE ESTÁGIO:


O Estágio foi realizado em dois locais distintos, sendo que o primeiro foi na

cidade de São José S/C, onde reside o supervisor M.V. Rudnei João de Souza, porém

com atendimentos em toda a região de Florianópolis S/C. E o segundo na cidade de

Ponta Grossa PR, onde reside o supervisor Rogério Carvalho de Abreu Lima, com

atendimentos em toda a região.

3.1. PRIMEIRO LOCAL:

O Município de São José foi fundado em 26 de Outubro de 1750 pelo Alvará

Régio do Rei de Portugal. Está localizado na parte central do litoral catarinense entre os

paralelos 27º 31 30 e 27º 38 31 de latitude Sul, e os meridianos 48º 44 50 e 48º 35 20

de longitude Oeste.

São José é um município brasileiro do estado de Santa Catarina. Está localizado

na região metropolitana de Florianópolis, (litoral do estado), e em alguns momentos

chega a confundir-se com a capital. Tem cerca de 200.000 habitantes e não possui curso

de água relevante. Faz limites importantes com as cidades de Palhoça e Biguaçu, ambas

são partes integrantes da região metropolitana. Na divisa com Palhoça encontra-se o rio

Imaruim. Também possui limites com a capital, Florianópolis, os quais não se

distinguem com claridade devido à conurbação existente.

A base de sustentação da economia josefense está fundamentada no comércio,

indústria, atividade de prestação de serviços, pesca artesanal, maricultura e produção de

cerâmica utilitária.

Uma das maiores festas do estado de Santa Catarina é o rodeio nacional do CTG

Os Praianos de São José, ficando atrás apenas da Oktoberfest (Blumenal) e da Festa do


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Pinhão (Lages). Sendo que o Médico Veterinário Rudnei João de Souza é o responsável

técnico pelo CTG.

No município há uma grande quantidade de eqüinos que participam

principalmente de rodeios crioulos e de hipismo e o supervisor de campo atende uma

boa parte destes animais.

Em Florianópolis atendemos principalmente hípicas, entre estas podemos citar a

Sociedade Hípica Catarinense, da qual o M. V. Rudnei João de Souza também é

responsável técnico.

Na região atendíamos fazendas ou locais de criação de cavalos, em especial da

raça crioula.

Ainda na cidade de São José, um dos principais locais de atendimento é a

Guarnição Especial de Polícia Montada de São José S/C (Cavalaria), em que o

veterinário, supervisor, atende três vezes por semana, três horas por dia, além das

emergências.

3.1.1. Descrição da Cavalaria:

A Guarnição Especial de Polícia Montada realiza o patrulhamento ostensivo,

preventivo ou repressivo no processo montado a cavalo, em regiões pré-estabelecidas,

compreendendo a grande Florianópolis ou até em regiões do Estado de Santa Catarina,

mediante necessidades operacionais.

Atua de forma interventiva, usando o cavalo para evitar crimes, além de atuar de

forma preventiva em eventos onde possam ocorrer tumultos ou perturbações públicas. A

cavalaria alia o binômio homem cavalo, trazendo a eficiência, a praticidade e a

ostensividade juntamente com o aspecto psicológico, fazendo frente eficaz e duradoura

aos problemas de segurança pública.


26

3.1.2. Missão Geral:

Executar o policiamento ostensivo preventivo ou repressivo nas diversas

circunstâncias peculiares aventadas, de modo a preservar o patrimônio público e

privado e a integridade do indivíduo a fim de cumprir as disposições legais que regulam

a vida em comunidade. A tropa hipomóvel atuará como promotora principal ou em

apoio a outras no cumprimento da missão fim da Polícia Militar de Santa Catarina

(PMSC).

3.1.3. Missão Extraordinária:

Atuar como tropa de controle de distúrbios civis;

Executar o policiamento de guarda, em seu aquartelamento, na parte externa de

estabelecimentos prisionais ou outros, quando em razão da perturbação da ordem

pública assim o exigir;

Atuar excepcionalmente como policiamento de trânsito, rodoviário, florestal e de

apoio de outra OPM;

Executar escoltas, guardas de honra, representações hípicas e desfiles.

3.1.4. Histórico:

A Polícia Militar Montada de Santa Catarina surgiu juntamente com a Força

Pública, em 05 de maio de 1835, através da Lei Provincial n° 12, quando então era

Presidente da Província Feliciano Nunes Pires. Em 1870 a Lei 637 deu nova

organização à Força Pública, dividindo-a em duas armas: Cavalaria e Infantaria. A

partir desta data o efetivo da cavalaria foi redefinido por várias leis, que foram

decorrentes do momento político da época e situações de guerra.


27

No ano de 1981, com a criação do Comando do Policiamento do Litoral, ao qual

o esquadrão ficou subordinado, A cavalaria recebeu um terreno para a construção do

quartel no município de São José, onde permanece até hoje.

Em 24 de março de 1994, pelo Decreto Estadual n? 4374, o Esquadrão de

Polícia Montada foi transformado em Batalhão de Operações Especiais. A Estrutura do

Batalhão ficou dividida em: Comando, um Esquadrão de Polícia Montada, uma

Companhia de Operações Especiais, em Pelotão de Policiamento com Cães e um

Pelotão de Comandos e Serviços.

Em 2005, pelo decreto n° 3546, o Esquadrão de Polícia Montada do Batalhão de

Operações Especiais da Polícia Militar foi transformado em Guarnição Especial de

Polícia Montada.

3.1.5. Estrutura da Guarnição de Polícia Militar Montada:

A Guarnição de Polícia Montada está situada em uma área de aproximadamente

10000 m², no município de São José, Santa Catarina, Brasil. Conta com um efetivo de

170 policiais militares, sendo 01 Tenente Coronel (comandante), 01 Major, 01 Capitão,

05 Primeiros Tenentes, 01 Sub-tenente, 17 Sargentos, 26 Cabos e 118 soldados e seu

plantel é de 95 equinos, estabulados em dois pavilhões onde estão ainda situadas as

seções administrativas da unidade.

3.1.6. Composição da Cavalaria:

A Cavalaria é constituída por um Comando Geral, Sub-Comando Geral,

Guarnição Especial de Polícia Montada (Gu Esp PM Mon), Esquadrão de Polícia


28

Montada (EPM), 1° Pelotão, 2° Pelotão, Veterinária, Reserva de Armamento, Selaria e

Ferradoria; e está estruturado conforme organograma da figura 6, abaixo:

Comando Geral

Sub-Comando Geral

Gu Esp PM Mon

P1 P3 P4
EPM
Recursos Humanos Seção Operacional Apoio Logístico

1° Pelotão

2° Pelotão

Veterinária

Reserva de Armamento

Selaria

Ferradoria

Figura 6: Organograma estrutural da Guarnição Especial de Polícia Montada de São

José, S/C 2008.

A GPMON está sob supervisão do Ten. Cel. James Amaral, a EPM pelo Cap.

Falco, a Veterinária pela Sgt. Rosanir e a Selaria e Ferradoria pelo Sub-Ten. Khunn.

Sendo que o Veterinário responsável contratado é o Rudnei João de Souza.


29

3.1.7. Atividades Operacionais:

Devido à mobilidade e flexibilidade ocorre uma multiplicidade de formas de

emprego operacional, dentre elas podemos citar o policiamento ostensivo preventivo, o

controle de distúrbio civil, o policiamento de guarda, o policiamento de trânsito, o

policiamento florestal, o policiamento rural, a busca terrestre, escoltas, diligências,

permanência, entre outros.

Dentre as características do policiamento montado podemos citar a ostensividade

e comandamento, a mobilidade, a flexibilidade, multiplicidade de formas de emprego,

atuação em terrenos diversos, o efeito psicológico, o baixo custo, a atuação de grande

raio e a rapidez de ação.

Há ainda outras atividades desenvolvidas na GPOMN, como a equoterapia, a

Copa PMSC de hipismo, o Projeto Cavaleiro Mirim e alguns cursos especiais.

3.1.8. Manejo dos Eqüinos:

O sistema de arraçoamento dos eqüinos é dividido em 5 etapas, alternando-se

alimentos concentrados e volumosos, conforme tabela abaixo:


30

Tabela 2: Sistema de arraçoamento dos eqüinos do Gu Esp PM Mon, São José S/C,
2008.
Etapa Horário Alimento Quantidade

(Kg/animal)
1 05:00hs Ração 2
2 09:00hs Capim picado 2
3 12:30hs Aveia 0,9
4 17:00hs Ração 2
5 21:00hs Alfafa 2

A guarnição possui 95 equinos, que são utilizados nas operações e alguns na

equoterapia. Estes animais são adquiridos através de licitações, sendo que os mesmos

devem possuir no mínimo 1,5 metros de altura, de preferência da cor castanha, devem

ser domados e mansos. Depois de adquiridos os animais são treinados na cavalaria para

poderem sair nas ruas.

O treinamento consiste em passear os animais na rua e em locais movimentados,

transpor obstáculos como valetas e bueiros, perder o medo de objetos como sacolas

plásticas, não se assustarem com tiros e barulhos externos, se manterem calmos no meio

de multidões, e responderem bem aos comandos do cavaleiro. Alguns animais ainda são

treinados para o hipismo.

Este treinamento é feito na própria guarnição e nas proximidades, e quando os

animais estiverem preparados, começam a participar de operações mais ostensivas.

Os eqüinos trabalham em turnos, podendo ser pela manhã ou durante a tarde. Os

animais são ferrados a cada 45 dias mais ou menos, e são banhados e escovados sempre

que trabalham. É dever de cada policial cuidar de seu cavalo, escovando e banhando e

ainda limpando a baia do animal quando houver necessidade.


31

3.1.9. Veterinária:

A Veterinária é de responsabilidade da Sgt. Rosanir, lá trabalha o M.V. Rudnei

João de Souza e dois soldados que são auxiliares, sendo eles o soldado Borges e o

Soldado Josanias, no turno da manha e da tarde respectivamente.

O trabalho da veterinária consiste na enfermagem dos animais machucados, na

visualização de sinais de enfermidade nos animais, avisando em seguida ao veterinário

para que seja fechado o diagnóstico e instituído o tratamento. Além da licitação de

medicamentos, controle de estoques de medicamentos, ração e produtos relacionados.

O trabalho do veterinário não é apenas curativo, mas principalmente preventivo,

treinando assim os soldados e dando dicas para evitar danos aos animais, além da

inspeção dos equipamentos e do caminhão, para evitar acidentes que possam acometer

os animais.

A maior casuística de problemas está em feridas e contusões por batidas ou

coice, que ocorrem principalmente nas viagens, devido à lotação no caminhão, ao

balanço do mesmo, ao estresse, acometendo principalmente os membros. Há também

ferimentos na região da cernelha devido a pisaduras do arreio e alguns casos de cólica.

Nos anos anteriores havia muitos casos de cólica por enterólitos, que levaram a

óbito alguns animais, porém, após alguns estudos e a realização de métodos de

prevenção, houve uma diminuição desta afecção.

3.2. SEGUNDO LOCAL:

A cidade de Ponta Grossa surgiu com a passagem dos tropeiros pela região dos

Campos Gerais, em meados do século XVIII, devido a região ser propícia para a

agropecuária. Sendo que o povoamento dos Campos Gerais teve início em 1704, por

iniciativa dos nobres potentados paulistas José Gois de Morais e Pedro Taques de

Almeida.
32

Ainda no século XVII pequenas povoações começaram a surgir, mas somente no

século XIV que as vilas adquiriram uma conformação urbana. Surgindo então a cidade

de Ponta Grossa.

O município se encontra a 975 metros de altura, 25º05'58'' de latitude e

50º09'30'' de longitude. Numa área bem irrigada por ampla rede hidrográfica,

destacando-se os rios Pitangui, Tibagi e Verde.

Faz divisa norte com Carambeí, sul com Palmeira e Teixeira Soares, Leste com

Campo Largo e Oeste com Tibagi e Ipiranga.

Sua população urbana é de 272.946 habitantes e população rural de 13.701

habitantes, totalizando 286.647 habitantes.

Ponta Grossa é um município que possui uma grande quantidade de indústrias

ligadas à agricultura para beneficiamento de grãos e produtos alimentícios, além de

madeireiras, metalúrgicas, entre outras.

Além de atendermos em Ponta Grossa, também atendemos em Carambeí,

Castro, Palmeira e Piraí do Sul, que são municípios que compreendem a região dos

Campos Gerais, podendo citar como referência o Haras São Nicolau, na divisa de

Carambeí com Ponta Grossa.

O Haras São Nicolau, de propriedade de Gilda de Valle Nicolau, cria eqüinos da

raça Quarto de Milha, sendo que trabalhamos com 30 éguas de reprodução. O Haras

conta ainda com um plantel de garanhões, potros, e cavalos e éguas de esporte, sendo

que os animais competem em diversas modalidades de prova da raça Quarto de Milha,

constando com muitos troféus.

Na propriedade há ainda a criação de bovinos, ovinos e algumas aves

ornamentais.
33

O trabalho do supervisor, M. V. Rogério Carvalho de Abreu Lima, na

propriedade consiste no exame reprodutivo das éguas, indicando assim as coberturas,

tratando possíveis enfermidades, na transferência de embriões, na neonatologia eqüina e

no exame andrológico dos garanhões.


34

4. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS:

4.1. PRIMEIRO LOCAL:

O estágio foi realizado em dois locais distintos, sendo que em São José foram

desenvolvidas atividades na área de clínica médica e cirúrgica, radiologia e odontologia

eqüina, sendo que a reprodução ficou restrita apenas à palpação para diagnóstico de

prenhez, apesar de o supervisor possuir o ultrassom, que durante o período de estágio

não foi utilizado.

Seguem na tabela 3 abaixo as atividades desenvolvidas no estágio:

Tabela 3: Atividades desenvolvidas no estágio curricular na região de São José S/C, sob
supervisão do M. V. Rudnei João de Souza, no período de 14/07/08 a 29/08/08.

CLÍNICA E MEDICINA PREVENTIVA QUANTIDADE


Aplicação de vacina 72
Auto-hemoterapia p/ sarcóide 1
Babesiose 2
Clínica (diarréia) 2
Clinica de claudicações em geral 29
Clínica de ovino (possível parasitose) 1
Clínica oftalmologia 3
Coleta de sangue para AIE 73
Cólica 4
Curativos em geral 67
Desordem neurológica 1
Enfermagem 25
Eutanásia 2
Exame p/ compra 2
CLÍNICA E MEDICINA PREVENTIVA QUANTIDADE
Habronemose 1
Necropsia 1
Odontologia 25
Palpação retal p/ diagnóstico de prenhês 2
Parto distócico (novilha) 1
Raio-X 29
Recepção de animais que chegaram de viagem 18 animais
Recepção e exame físico de eqüinos p/ prova de hipismo 40 animais
Redução de hérnia umbilical em potros 3
Tétano 1
CIRURGIAS QUANTIDADE
Cirurgia de castração 4
Cirurgia funiculite pós-castração 1
35

Cirurgia prepúcio 1
Clinica e cirurgia em tigre (abcesso de codilho) 1

4.1.1. Odontologia eqüina – realidade e discussão:

Dentre as atividades desenvolvidas no estágio, foi dada uma atenção especial à

área da odontologia eqüina, por ser uma atividade relativamente nova e que está em

constante crescimento. A seguir farei um breve comentário sobre a rotina da

odontologia e a forma que o supervisor trabalha nesta atividade.

O procedimento odontológico geralmente não consiste numa emergência

veterinária, então o veterinário marcava o dia e horário que seria feito o procedimento, e

deixava a recomendação de um jejum de 24 horas, devido à necessidade da utilização de

um sedativo, podendo ser um alfa 2 adrenérgico, no caso de se utilizar a xilazina existe

a possibilidade de predisposição do eqüino à cólica devido à diminuição da motilidade

intestinal.

Ao chegarmos à propriedade iniciava-se a avaliação clínica pelo histórico de

alteração da apreensão de alimentos ou de comportamento durante treinos ou provas

que direcionem para alterações odontológicas. O exame clínico geral inicia-se através

da inspeção do animal, e um rápido exame odontológico, visualizando e palpando a

boca do animal, sem o uso do abre-boca.

Para o procedimento era necessário estabelecer um local adequado para

montagem do equipamento, com local apropriado para sustentação do cabresto

odontológico, e acesso à rede elétrica para utilização do motor que seria ligado às grosas

dentárias. Também era necessário acesso a água para lavagem da boca do animal.

Os equipamentos básicos utilizados eram duas grosas manuais do tipo flexíveis,

um abre-bocas, um cabresto odontológico, o conjunto elétrico composto pelo motor, o

chicote, a caneta e as grosas odontológicas, um balde com água, uma seringa plástica de
36

2 litros para lavagem da boca do animal, uma extensão, uma lanterna de cabeça,

extratores de dente de lobo, de dentes molares e incisivos, e duas alavancas apicais,

além do frasco de anestésico, seringas de 5 ml e agulhas 30X7.

Após a montagem do equipamento, seguia-se o procedimento anestésico com a

aplicação de xilazina na dose de (1,1 mg/Kg), estando de acordo com o que cita

(GRAHAM, 2002). O animal então começa a apresentar sinais de sedação quando é

colocado o abre-bocas e após o cabresto odontológico que já se encontra pendurado

numa altura que seja confortável tanto para o eqüino quanto para o veterinário segundo

indicado também por (ALLEN, 2008).

Então era feito a lavagem da boca do animal com a seringa, para depois ser feita

a visualização novamente da boca do animal, sendo este segundo exame mais

minucioso, para após o exame iniciar o tratamento necessário.

Na maioria dos casos os animais apresentavam nos molares apenas PEED,

rampas e ondas. O veterinário iniciava o tratamento com a aplicação das grosas

dentárias, nivelando e arredondando, para que fosse normalizada a face de oclusão, o

que está de acordo com (JOHNSON, 2008). O tratamento era iniciado seguindo os

quadrantes, conforme o sistema Triadan de nomenclatura dentária, sendo que começava

pelo quadrante 2, seguido do 3, 4 e 1. Sempre nesta ordem para evitar erros no trabalho,

pois segundo o veterinário, deve-se ter uma rotina para não se perder durante o trabalho.

O trabalho era sempre iniciado com os dentes molares de uma forma geral,

corrigindo as PEED, depois as rampas, após os ganchos e finalmente as ondas. Quando

encontrava dentes decíduos, no caso de potros, os mesmos eram extraídos se caso

estivessem soltos, pois em alguns casos ocorre a retenção destes dentes ocasionando

problemas de oclusão, e também estes dentes soltos atrapalham a correta grosagem de

todos os molares em geral.


37

Caso estivessem presentes dentes de lobo, os mesmos eram retirados, com o

auxílio do extrator de dentes de lobo, e a alavanca apical, em alguns casos. Para a

extração aplica-se anestésico local na gengiva em torno da raiz do dente, sendo usada a

lidocaína sem vasoconstritor. O veterinário tomava cuidado para não quebrar a raiz do

dente de lobo, dificultando assim o trabalho, conforme indica também (GRAHAM,

2002).

Só então começavam os procedimentos com os incisivos, corrigindo

anormalidades de oclusão com o auxílio das grosas dentárias, corrigindo as má oclusões

de acordo com o que cita (LYNNE, 2008). A cauda de andorinha era retirada através da

grossa, pois em alguns casos ela pode crescer em demasia ocasionando problemas.

Além disso, os proprietários, ao visualizarem a cauda de andorinha, acham que o

trabalho não ficou bom.

Os caninos eram aparados e arredondados, pois os mesmos podem causar lesões

na boca e ainda oferecer riscos ao proprietário, em casos de ataque conforme indica

também (ALLEN, 2008).

O trabalho com os caninos e incisivos é feito sem o abre-boca, apenas colocando

a mão sob o pálato, fazendo assim com que o eqüino mantenha sua boca aberta. Nesse

caso pode ser utilizado o abre-boca, mas com uma embocadura diferente, que fica na

região da barra e não sobre os dentes, ou ainda pode ser utilizado um pedaço de cano

grosso, que é fixado atrás dos incisivos com o auxílio de uma corda, fazendo com que a

boca do animal se mantenha aberta, mas fora do contato com os incisivos.

O Veterinário indica o início dos procedimentos odontológicos antes da doma,

pois o animal depende totalmente da boca para obedecer aos comandos, se o mesmo

tiver alguma dor na boca ou até mesmo possuir dentes de lobo, a embocadura irá
38

aumentar esta dor e o animal poderá associar isto à embocadura, tendo assim uma

resposta insatisfatória ao treinamento, isto também é indicado por (SOUZA, 2008).

Com relação ao uso do freio/bridão, o veterinário faz um arredondamento mais

específico nos 2°s pré-molares da arcada inferior (306 e 406 segundo método Triadan),

provocando uma espécie de rampa. Isso faz com que a embocadura, ao entrar em

contato, não provoque uma batida no dente, mas sim deslize sobre ele diminuindo

sensação de dor que pode ser causado devido a impactos.

Os procedimentos dentários são indicados pelo veterinário de ano em ano,

porém depende do animal, pois em alguns é necessário que se realize de 6 em 6 meses e

outros de 2 em 2 anos, o que está de acordo com (LYNNE, 2008).

Após o término do trabalho, se ocorreu sangramento devido a retirada de algum

dente, o veterinário faz a profilaxia antitetânica, e em alguns casos, dependendo da

gravidade das lesões na boca do animal é feito o uso de antibióticos e antiinflamatórios

como auxílio na recuperação do animal, conforme indica também (GRAHAM, 2002).

Não houve problemas mais graves na nossa rotina, estando de acordo com

(PAGLIOSA et al., 2006), que cita os procedimentos que foram realizados como os

mais rotineiros na prática da odontologia eqüina.

Ao terminar os procedimentos era recomendado um aporte nutricional apenas

com forrageiras durante um dia, devido ao uso do sedativo, e repouso por três dias, sem

exercício, e se possível em liberdade em num piquete para pastar. Após os três dias o

animal poderia voltar ao treinamento normal.

4.2. SEGUNDO LOCAL:

A principal área de atuação do médico veterinário Rogério Carvalho de Abreu

Lima , atuante na região de Ponta Grossa PR, era a reprodução eqüina. Seu trabalho era
39

realizado com o auxílio da ultrassonografia. Ao exame clínico e reprodutivo eram

desenvolvidos a palpação retal, para diagnóstico de cio, prenhes e patologias uterinas,

além da coleta de sêmen, exame andrológico, inseminação artificial e transferência de

embriões. A neonatologia é uma constante na rotina do veterinário de campo além da

medicina interna de eqüídeos

A rotina de ultrassonografia em éguas consiste no exame uterino via retal, para

diagnosticar possíveis patologias e o período do ciclo estral da égua e estabelecer o

direcionamento da época de cobertura, necessidade ou não de tratamentos hormonais,

época de parição entre outros.

Seguem abaixo na tabela 4 as atividades desenvolvidas no estágio:

Tabela 4: Atividades desenvolvidas no estágio curricular na região de Ponta Grossa PR,


no período de 01/09/08 a 03/10/08, sob supervisão do M. V. Rogério Carvalho de Abreu
Lima.
ATIVIDADES DESENVOLVIDAS QUANTIDADE
Andrológico em garanhões 6
Clínica de claudicação 4
Clinica de cólica 1
Clinica de égua se preparando para o parto 2
Clínica de potro (artrite) 1
Clínica de potro (dificuldade de mamar) 1
Clinica de potro (Sindrome da má adaptação neonatal) 2
Cobertura controlada 9
Coleta de sangue para AIE 7
Coleta de sêmen 5
Coleta de “swab” uterino (endometrite fúngica) 1
Curativos em geral 2
Infusão uterina 4
Inseminação artificial 5
Inseminação artificial em bovinos 3
Lavado uterino 2
Plasma em potro 3
Rotinas de ultrassonografia em éguas 289
Transferência de embrião em égua 1
Ultrassonografia em bovinos 15
Ultrassonografia em ovelha 3

5. CONCLUSÃO.
40

Com base no que foi vivenciado durante o estágio, podemos concluir que a

atividade da equideocultura vem alcançando cada vez mais espaço, principalmente

como um esporte. O Brasil situa-se entre os primeiros colocados em criação de eqüídeos

do mundo

A Odontologia eqüina é de suma importância na saúde e no desempenho atlético

dos cavalos. Cavalos no mundo todo estão se beneficiando dos tratamentos dentários,

inclusive em todo o Brasil. A odontologia eqüina vem se tornando cada vez mais uma

realidade em nosso meio, sendo necessários mais estudos na área, porém a maior

dificuldade é o acesso à literatura especializada, especialmente em se tratando de

literaturas nacionais brasileiras.

Os estágios extra curriculares e curriculares são uma excelente oportunidade de

colocarmos em prática parte do que foi teorizado na Universidade, estabelecendo a

relação da rotina do médico veterinário nas suas diferentes áreas de atuação,

deixando claro a necessidade de aperfeiçoamento contínuo e da procura por

especialistas na medicina eqüina, como já podemos verificar na medicina humana.

Na cavalaria vivencia-se a importância dos eqüinos como auxiliares dos Policiais

Militares, assim como da atuação do profissional médico veterinário, trabalhando

juntamente em prol da segurança da comunidade. Os eqüinos são verdadeiros

policiais sempre prontos a servir a população.

Nesta fase de profissionalização, com a obrigatoriedade do estágio pode-se

perceber o quanto é difícil ser um Médico Veterinário; quão grande responsabilidade

este profissional carrega em seus ombros, assim como a importância da ética

profissional. Mas em contrapartida, percebe-se como é gratificante esta profissão,


41

especialmente em se tratando de eqüinos, que são animais fascinantes, fazendo valer

todo o trabalho.
42

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ALLEN, T. A Day in the Life of... Disponível em:

<http://www.horsequest.com/daylife/dec99.html>Acesso em: 08 out. 2008

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DIXON, P. M. The Gross, Histological, and Ultrastructural Anatomy of Equine

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LYNNE, H. E. Equine Dentistry. Disponível em:

<http://www.hanne.com/index.htm l> Acesso em: 08 out. 2008.


43

PAGLIOSA, G. M. et al. Influência das Pontas Excessivas de Esmalte Dentário

na Digestibilidade e Nutrientes de Dietas de Eqüinos. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec.,

Belo Horizonte, v.58, n.1, p.94-98, 2006.

REECE, W. O. Digestão e Absorção. In:_____. Fisiologia do Animais

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SOUZA, L. M. P. de. Boca Saudável Cavalo Saudável. Mundo Eqüestre,

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do Cavalos. 4. ed. São Paulo: Livraria Varela, 2005. p. 274.

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