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• A.

Pré-História

203. “Intercoetera” e Tordesilhas

• Dois atos de direito internacional:

• o Bula Intercoetera de 1493 – expedida pelo Papa Alexandre VI. Assegurava ao

Rei da Espanha direitos sobre a América e outras terras ainda não descobertas,

a partir de uma linha de cem léguas a oeste de Cabo Verde.

• o Tratado de Tordesilhas de 1494. Entre Espanha e Portugal com mediação do

Papa. Por ele se definiu as áreas de incursões marítimas dos dois países.

Tomando Cabo Verde como ponto de partida na direção ocidental, as terras que

se incluíssem até o limite de 370 léguas pertenceriam a Portugal e as incluídas

daí por diante à Espanha.

204. O Prestígio da Igreja

• O prestígio e influência da Igreja se vêem, entre outras coisas, no fato de o

Brasil já estar incorporado legalmente (por decisão do Papa) a Portugal antes

mesmo de ser descoberto.

• B. Feitorias

205. Primeiras Manifestações Jurídicas

• A partir de 1500, ao longo de 3 séculos, não se fala de direito brasileiro.

• O direito no Brasil veio do descobridor.

• Como não havia uma política de colonização racional e eficiente, nos primórdios

do descobrimento o Brasil não havia um aspecto legal de organização, mas

apenas algumas precárias feitorias.

206. Legislação Eclesiástica e Civil

• A legislação Eclesiástica consistia de bulas pontifícias (papais):


• o Bula de 1506 – Papa Júlio II – confirma os direitos de Portugal sobre as terras

do Brasil;

• o Bula de 1514 – Papa Leão X e Bula de 1551 do Papa Júlio III, ratificando a de

1506.

• A legislação Civil consistia de alvarás e cartas-régias:

• o Contrato de arrendamento de terras descobertas em 1502 entre Portugal e um

consórcio liderado por Fernando de Noronha;

• o Dois alvarás de 1516 – D. Manuel – ordenando que os feitores e oficiais da

Casa da Índia fornecesse ferramentas e materiais aos colonos;

• o Três cartas-régias de 1530 – D. João III – investindo Martim Afonso de Souza

de poderes amplos e excepcionais para organizar e regular a administração

colonial no Brasil.

• C. Capitanias Hereditárias

207. Cartas de Doação e de Foral

• Com Martim Afonso de Souza foram lançadas as bases do primeiro regime de

governo instituído no Brasil em 1534 – as capitânias hereditárias – como

decorrência de dois atos simultâneos:

• o Cartas de doação – um contrato enfitêutico [Direito real alienável e

transmissível aos herdeiros, e que confere a alguém o pleno gozo do imóvel

mediante a obrigação de não deteriorá-lo e de pagar um foro anual, em

numerário ou em frutos], em virtude do qual se constituíam perpétuos

tributários da coroa, e dos capitães-mores, os solarengos [donos de solar - uma

antiga moradia] que recebessem terras de Sesmarias.

• o Cartas de foral – uma conseqüência e complemento das cartas de doação,

estabelecendo apenas a legitimidade da posse e os direitos e privilégios dos

donatários. Documento que outorgava ao donatário poderes para conceder

terras de sesmaria aos colonos que quisessem cultivá-las.

208. Natureza Jurídica

• O direito do beneficiário da doação não se extinguia com a sua morte – o seu

direito se transmitia por sucessão hereditária.


• Nas capitânias hereditárias o donatário se afigurava com mandatário ou

intermediário da Coroa.

• O sistema de capitânias hereditárias sob dois ângulos constituía juridicamente

um contrato de doação e um contrato enfiteuse.

• D. Governos Civis

209. Regimento de 1548

• Regimento de D. João III, de 1548, nosso primeiro diploma constitucional.

• 1949 – implantação do sistema de governos gerais.

• Tomé de Souza – Governador-Geral do Brasil.

210. Características do Sistema

• Plano de administração centralizada.

• As capitânias hereditárias se transformaram em espécies de províncias

unificadas pela autoridade do mandatário-representante da Coroa.

• Reduziu-se o poder dos donatários.

• Tomé de Souza implantou as bases de um governo capaz de possibilitar uma

unidade garantidora de posse efetiva de Portugal sobre as terras do Brasil.

211. Direito Especial

• Nessa época as normas jurídicas de Portugal já tinham plena aplicação no Brasil.

• Havia um direito comum e um direito especial para a colônia aplicado em forma

de:

• o Regimentos – Complemento do Livro I das Ordenações ou como leis orgânicas

– disciplinavam os diversos cargos da administração pública (Regimento de 1548

criando o sistema de governos gerais);

• o Cartas-régias – resoluções do rei destinadas às autoridades públicas (Carta-

Régia de 1808 dispondo sobre a abertura dos portos brasileiros ao livre comércio

com o exterior);

• o Cartas de lei – normas de caráter geral (Carta de Lei de 1815 – elevou o Brasil

à categoria de Reino);
• o Alvarás – normas de caráter específico, de vigência temporária (Alvará de

1808 criando o Banco do Brasil).

212. Domínio Hispânico-Holandês

• Durante quase um século de governos gerais houve fases de domínio espanhol

(de 1580 a 1640) e de invasão holandesa (1630 a 1655).

• Nessa fase vigiam as Ordenações Filipinas que revogaram as Ordenações

Manuelinas, mas não mudaram a estrutura do direito em Portugal e Brasil.

• As Ordenações Filipinas continuaram mesmo após a expulsão dos invasores –

até 1867 em Portugal e até 1916 no Brasil, quando entraram em vigor seus

respectivos Códigos Civis, o do Brasil em 1917.

• Durante a fase holandesa, portugueses e brasileiros no Nordeste do Brasil foram

obrigados às leis holandesas.

• Não há nenhum vestígio do direito holandês no direito brasileiro devido à

completa falta de adaptação do direito holandês em meio tão diferente.

CAPÍTULO XXXII – BRASIL-REINO

• A. Carta-Régia de 1808

213. Libertação Econômica

• Representa o primeiro passo no sentido de nossa libertação econômica e da

instauração de um regime liberal de comércio.

• Antes dessa lei o comércio externo brasileiro era monopólio exclusivo de

Portugal.

214. Conseqüências

• As principais e imediatas:

• o Revogação das leis que proibiam qualquer espécie de atividade industrial no

Brasil;

• o Isenção tributária sobre matéria-prima importada para a indústria;

• o Liberdade completa de exportação;


• o Fundação do Banco do Brasil.

• A política implantada por D. João VI atendeu mais ao favorecimento de um

intercâmbio com a Inglaterra.

• A Carta-Régia de 1808 é a nossa primeira carta de alforria econômica, o título

primitivo da nossa emancipação comercial – a entrada de navios de todas as

nações amigas em portos brasileiros e a saída dos nossos para portos

estrangeiros.

• B. Carta de Lei de 1815

215. Reino Unido

• Elevação do Brasil a reino – igual personalidade internacional, com iguais

direitos e deveres da Metrópole.

• Resultou no Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve.

• Foram assentadas as bases da nacionalidade brasileira.

216. Orientação Jurídica

• Até 1822 o Brasil foi regido de acordo com o figurino lusitano. O direito no Brasil

ainda era ordenado pelas Ordenações Filipinas.

• Então, foi proclamada a independência.

• Um dos primeiros atos do príncipe-regente, D. Pedro, quando D. João VI voltou

a Portugal, foi decretar que toda e qualquer lei de Portugal só vigoraria no Brasil

mediante o seu “Cumpra-se”.

CAPÍTULO XXXIII – BRASIL INDEPENDENTE

• A. Império

217. Projeto de Constituição

• 1823 – convocação da Assembléia Constituinte.

• Projeto de Constituição – Antonio Carlos Andradas: principal relator.


• Projeto de 1823 – formado por 272 artigos – princípios fundamentais:

• o Monarquia constitucional e representativa;

• o Liberdade e garantias constitucionais:

• § Liberdade de pensamento e locomoção;

• § Liberdade individual e religiosa;

• § Liberdade de impressa;

• § Inviolabilidade da propriedade.

• o Divisão dos poderes em:

• § Executivo – Imperador, Ministério e Conselho Privado;

• § Legislativo – Imperador e Assembléia Geral (Câmara dos Deputados e do

Senado);

• § Judiciário – Juízos “letrados” e jurados.

218. Constituição de 1824

• D. Pedro promulgou a primeira Carta Magna do Brasil independente em 25 de

março de 1824. Foi uma Constituição outorgada com 179 artigos.

• A Constituição do Império afastou-se do Projeto de Antonio Carlos em pontos

essenciais:

• o Criação do Poder Moderador – exercido pelo Imperador;

• o Criação do Conselho de Estado – membros nomeados pelo Imperador;

• o Faculdade do Imperador de dissolver o Congresso;

• o Concessão de maior soma de poderes ao Imperador e ao Senado, em

detrimento da Câmara dos Deputados.

• Os poderes da nação ficaram divididos em quatro ramos:

• o Moderador (exercido pelo Imperador);

• o Executivo (exercido pelo Imperador);

• o Legislativo (Câmara dos Deputados e do Senado);

• o Judiciário (jurados, juízes singulares e tribunais).

• Impregnava um centralismo bastante acentuado; colocavam o Imperador à

frente de um governo de caráter absolutista.

• O primeiro reinado se caracterizou por uma monarquia presidencialista; o

segundo reinado por uma monarquia parlamentarista.

219. Abdicação de D. Pedro


• Assina o decreto de abdicação em 7 de abril de 1831.

• Razões:

• o Hostilidade da parte de grupos e facções;

• o Desejo de assumir o trono de Portugal.

• Enquanto D. Pedro II era menor, assumiu o poder a Regência Trina Provisória.

Depois da convocação da Assembléia Geral, foi eleita a Regência Trina

Permanente.

220. Ato Adicional

• Em 1832 começa a ser votada a reforma da Constituição, que resulta na leia de

1834 – o Ato Adicional.

221. Codificação das Leis Ordinárias

• Erro de técnica legislativa – a criação de um Código Civil e Criminal.

222. Código Criminal

• Sua elaboração começou em 1827 e foi concluída e transformada em lei em

1830.

• Foi o primeiro Código autônomo da América Latina.

• Ressalta-se o princípio basilar de que “não há crime sem lei anterior que o

defina, nem pena sem prévia cominação legal”.

• Manteve-se fiel ao princípio de proporcionalidade entre crime e pena.

• Tomou a pena exclusiva ao condenado e só a ele endereçada.

• Sua maior falha diz respeito à modalidade de crime culposo, não prevista em

qualquer de seus dispositivos.

223. Processo Criminal

• Surgiu em 1831 e passou a vigorar em 1832.

• A reforma de 1871 criou o inquérito policial e efetuou modificações na prisão

preventiva, fiança, recursos e habeas corpus.

224. Código Comercial


• 1850.

• Houve uma evolução em três fases:

• o De 1822 a 1850

• o De 1850 a 1890

• o De 1890 em diante

225. Regulamentos 737 e 738

• O primeiro disciplinou o processo, a execução e os recursos; o segundo dispôs

sobre os Tribunais de Comércio e o processo das falências.

• B. República

226. Da Constituição de 1891 à de 1946

• A Constituição de 1891 – governo presidencialista – consagrava o princípio

básico da divisão de poderes.

• Primeira Constituição da República.

• Faltou aos legisladores – especialmente de Rui Barbosa – sensibilidade política,

jurídica e sociológica para pressentir que o servilismo ao modelo constitucional

norte-americano não haveria de atender à índole, à vocação e aos interesses de

um Brasil republicano.

• A partir da Revolução de 30 passou-se a falar em uma democracia de cunho

social, com princípios voltados para os problemas de educação, cultura, sufrágio

feminino, trabalho e previdência.

• A Carta (Constituição) de 1934 procurou conciliar a democracia liberal com a

social, o individualismo com o socialismo, no domínio econômico; o federalismo

com o unitarismo, no setor político; e o presidencialismo com o

parlamentarismo, na esfera governamental.

• o Iniciativas da época da Constituição de 34: Ministério e a Justiça do Trabalho,

nacionalização das empresas, salário mínimo, sindicalismo, etc.

• o A Carta de 34 foi sepultada pelo golpe que deu origem ao Estado Novo.

• Constituição de 1937 – a “Carta Polaca” – da era negra da república

independente do Brasil.

• A Constituição de 1946 retoma os princípios da Carta de 34.


• o Acrescentou outras conquistas:

• § Direito de greve;

• § Proteção ao trabalhador rural;

• § Participação do empregado no lucro da empresa.

227. Depois de 1964

• A instabilidade constitucional se manifesta como conseqüência de dois graves

acontecimentos:

• o A renúncia do Presidente Jânio Quadros;

• o Fase de conturbação do governo João Goulart.

• Constituição de 1967-69 – fortalecem-se os poderes do Executivo em matéria de

segurança nacional e de finanças. No Legislativo se impõe prazo fatal de

tramitação para as matérias oriundas do Executivo, sob pena de aprovação

automática.

228. Do Código Penal de 1890 ao de 1969

• Código Penal de 1890 – seus antecedentes se explicam pela idéia de reforma da

legislação pertinente em face da Leia Áurea de 1888.

• A preocupação dominante em 1889 era substituir o Código Criminal do Império

antes da Constituição republicana.

• 1891 – criada uma comissão da Câmara dos Deputados para efetuar a reforma

penal.

• 1893 – projeto resultante do trabalho da comissão, mas não teve andamento.

• 1896 – mais um projeto elaborado e aprovado como um substitutivo para o

anterior; aprovado pela Câmara em 1899. Foi remetido ao Senador, mas

também não foi pra frente.

• Consolidação das Leis Penais de 1932 – compilação de Vicente Piragibe de leis

esparsas ou complementares do Projeto Sá Pereira de 1923.

• 1940 – Promulgado o Código Penal que entrou em vigor em 1942 e continua até

hoje, embora tenha sofrido uma reforma na sua Parte Geral em 1984.

• Em 1969 criou-se um novo código, mas este foi revogado em 1978.

229. Processo Penal


• A Constituição de 1891, quando vigorava as garantias processuais já existentes,

desfazia a unidade até então mantida. Assim, em vez de um código único para

todo o território nacional, cada Estado passou a ter competência para legislar

sobre o processo e a organização judiciária.

• A quebra da unidade processual não trouxe vantagem alguma para as

instituições jurídicas.

• Em 1942 foi restabelecida a unidade do processo na área penal.

230. O Codificador Teixeira de Freitas

• 1875 – surgimento da Consolidação das Leis Civis, de Teixeira de Freitas. Serviu

de base para o futuro Código Civil.

• É uma das mais importantes obras jurídicas do Brasil e constitui um verdadeiro

monumento de erudição e capacidade organizadora.

• De 1860 a 1865 Teixeira de Freitas redigiu um Projeto de Código Civil, que ele

mesmo considerou apenas um esboço.

• 1866 – Teixeira de Freitas se convence se imprimir uma nova diretriz ao seu

trabalho. Havia um Código de Direito Privado, que ele denominou de Código

Civil, e que unificava as leis civis e comerciais. Porém, ele cria ser indispensável

um Código Geral que unificasse o direito privado e o direito público – acima das

codificações específicas da civil, penal e processual – com definições e regras de

publicação, interpretação e aplicação das leis.

• Considerado muito audacioso, o plano de Teixeira de Freitas foi rejeitado. Mas

influenciou, por exemplo, o Código Civil argentino de 1865.

231. Novas Tentativas

• Houve várias tentativas de se produzir um código civil, porém, nenhum teve

êxito. Depois do Esboço de Teixeira de Freitas, destaca-se o trabalho de Felício

dos Santos -Apontamentos para o Projeto de Código Civil Brasileiro com 2.692

artigos.

232. Clóvis e o Código Civil

• 1899 – Projeto Clóvis Beviláqua – elaborado com base na legislação alemã,

francesa, no Esboço de Teixeira de Freitas e no Projeto Coelho Rodrigues.


• Uma vez concluído esse trabalho, vinte anos depois, o Congresso o aprovou,

depois de introduzir várias emendas.

• 1º de janeiro de 1916 – Promulgação do Código Civil, que passou a vigorar no

ano seguinte, em substituição ao Livro IV das Ordenações Filipinas.

• Continha 1.807 artigos divididos como segue:

• o Parte Geral

• § Livro I – Das Pessoas

• § Livro II – Dos bens

• § Livro II – Dos Fatos Jurídicos

• o Parte Especial

• § Livro I – Do Direito de Família

• § Livro II – Do Direito das Coisas

• § Livro III – Do Direito das Obrigações

• § Livro IV – Do Direito das Sucessões

233. Processo Civil

• As velhas Ordenações mais as leis extravagantes foram compiladas por Antonio

Joaquim Ribas e formaram a Consolidação das Leis de Processo Civil de 1876.

• Com a pluralidade processual promovida pela Constituição de 1891 houve um

desacerto na nova orientação e, ao contrário da pretendida evolução do direito

processual, deu-se uma estagnação ou até um retrocesso no regime processual

brasileiro.

• A unificação na área civil foi restabelecida em 1939 quando o Código de

Processo Civil foi promulgado, entrando em vigor no ano seguinte (1940).

• Ainda que provocasse tentativas de reforma, o referido Código, que teve como

fontes os Códigos da Alemanha, da Áustria e de Portugal, somente veio a ser

substituído em 1973.

CAPÍTULO XXXIV – ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA

• A. Organização Judiciária

234. Características
• O sistema comum a Portugal e ao Brasil, até a Independência, obedecia a uma

divisão em três. A mesma divisão se manteve com a reforma judiciária de 1832,

embora com modificações introduzidas no sistema.

• Considerava-se um duplo grau de jurisdição – primeira (juízes singulares) e

segunda instância (juízes colegiados).

• Completava-se a referida tricotomia com um órgão jurisdicional superior ou

tribunal de cúpula.

235. Juízes Singulares

• Juízes de vintena

• o Nomeados pelas câmeras municipais;

• o Mandato de um ano;

• o Jurisdição em até 20 famílias;

• o Julgavam oralmente as causas de acordo com o valor e o número de

moradores;

• o Julgavam infrações contra as posturas municipais;

• o Prendiam criminosos;

• o As sentenças eram irrecorríveis.

• Almotacés

• o Em cada conselho atuavam dois durante um mês;

• o Apreciavam os litígios sobre servidões urbanas e nunciações de obra nova;

• o Prendiam e apresentavam ao juiz competente os que, responsáveis pela

defesa de multas, entrassem em conchavo com os infratores para eximi-los do

encargo.

• o Cabia recurso.

• Juízes ordinários

• o Dois para cada conselho;

• o Mandato de um ano;

• o Processavam e julgavam com os vereadores as injúrias verbais cujas

sentenças eram irrecorríveis, salvo se uma das partes fosse fidalgo ou cavaleiro;

• o Processavam e julgavam com os vereadores os furtos praticados por escravos

até a quantia de 1.200 réis, cujas sentenças também eram irrecorríveis;

• o Deviam conhecer dos recursos sobre as decisões dos almotacés nas causas de

valor até 18 mil réis.


• Juízes de fora

• o Eram nomeados por carta régia para mandato de três anos

• o Tinham que ser bacharéis;

• o Suas atribuições eram as mesmas dos juízes ordinários, sendo seus

substitutos eventuais.

• Juízes de órfãos

• o Podiam ser eleitos ou nomeados;

• o A sua alçada era a mesma dos outros juízes.

• o Competia-lhes:

• § Processar e julgar os inventários nos quais figurassem menores e incapazes;

• § Nomear tutores e curadores, fiscalizar a sua administração, exigir-lhes

prestação de contas e destituí-los;

• § Cuidar da subsistência e educação dos menores órfãos.

• Juízes de sesmaria

• o Eram escolhidos, um para cada vila e com mandado de três anos;

• o Competia-lhes, quando as partes não optassem pela justiça ordinária, decidir

sobre medição e demarcação de terras de sesmarias;

• Ouvidores de comarca

• o Eram nomeados por carta régia;

• o Um para cada comarca e para mandato de três anos.

• o Algumas das suas atribuições:

• § Conhecer das suspeições argüidas em relação a juízes ordinários e de fora;

• § Conhecer dos recursos sobre sentenças dos juízes ordinários e de fora;

• § Decretar a prisão de criminosos;

• § Inspecionar as prisões;

• § Fazer observar os forais de cada localidade.

• Com a reforma de 1832, a primeira instância passou a ser composta dos

seguintes juízes:

• o Juízes de direito de comarca;

• o Juízes de órfãos;

• o Juízes municipais;

• o Juízes de paz;

• o Juntas de paz.

236. Juízes Colegiados


• A segunda instância, composta por juízes colegiados, agrupava os seguintes

tribunais:

• o Desembargo do Paço, encarregado de apreciar matérias sobre liberdade,

adoção, legitimação, emancipação e reintegração de posse e sobre censura de

livros;

• o Mesa da Consciência e Ordens, que tratava do provimento de benefícios, da

administração de comendas e dos negócios relativos a interditos, cativos,

ausentes e defuntos;

• o Conselho da Fazenda, ao qual competia fiscalizar a arrecadação tributária e os

bens da Coroa;

• o Tribunal da Relação, que julgava os recursos ou embargos. Seus membros se

denominavam desembargadores e suas decisões, acórdão.

• Em conseqüência da reforma de 1832, os órgãos acima relacionados ficaram

reduzidos a estas duas categorias:

• o Juntas da Fazenda;

• o Tribunais de Justiça.

237. Tribunal de Cúpula

• Transferida a Corte Real para o Rio de Janeiro, D. João VI, por alvará de 10 de

maio de 1808, determinava o seguinte: “A Relação desta cidade se denominará

Casa de Suplicação do Brasil, e será considerada como Superior Tribunal de

Justiça…”.

• Na composição desse tribunal de cúpula, entravam:

• o Duas Mesas – uma que julgava as matérias civis, e outra, que julgava as

matérias criminais;

• o Grande Mesa – que se reunia ordinariamente uma vez por semana para

conhecer das decisões da Mesa.

• Como a Constituição de 1824, a Casa de Suplicação passou a se denominar

Supremo Tribunal de Justiça – a partir de 1890, Supremo Tribunal Federal, e

suas atribuições consistiam em:

• o Conceder ou denegar revista;

• o Julgar crimes praticados pelos seus membros;

• o Decidir sobre os conflitos de jurisdição.

238. O Judiciário Na República


• De poder subordinado na Monarquia, o Judiciário passou a poder soberano na

República, ao lado do Executivo e do Legislativo, como preceituava o art. 15 a

Constituição de 1891.

• Quanto à sua organização, pouco se diferenciou o referido poder do modelo

monárquico.

• A justiça federal, de primeira instância, compreendia três categorias de juízes, a

saber:

• o Juízes seccionais;

• o Juízes substitutos;

• o Juízes suplentes.

• O Tribunal Federal de Recursos, que integraria a segunda instância, com

finalidade de descongestionar o Supremo Tribunal Federal, somente foi criado

em 1946, tendo à sua competência definida no art. 104 da Constituição do

mesmo ano. A esse tempo, como conseqüência da Constituição de 1937, a

composição da primeira instância já estava desfeita. E tal situação perdurou até

1966, quando a Lei nº 5.080, de 30 de maio, houve por restabelecê-la, através

destas duas categorias de juízes:

• o Juízes federais;

• o Juízes federais substitutos.

• Pela Constituição de 1988, a justiça federal sofreu alterações, como se vê dos

arts. 104 e 105, 107 e 108, que dispõem sobre a composição e competência de

seus novos órgãos – o Superior Tribunal de Justiça, em substituição ao Tribunal

Federal de Recursos, e os Tribunais Regionais Federais.

• A justiça estadual, de primeira e segunda instância, passou a ser assim

composta:

• o Juízes de direito;

• o Juízes municipais ou distritais;

• o Juízes de paz;

• o Tribunais de Justiça.

• B. Ministério Público

239. Fase Colonial


• Mesmo na área penal, muito antes de 1832, já se fazia sentir a presença do

Ministério Público no sistema de processo brasileiro, ainda que de forma

superficial. O próprio Código Filipino, no seu Livro I, Título XV, como já referido

mais atrás, dispunha sobre as funções de promotor público na Casa de

Suplicação.

240. Fase Imperial

• Os procuradores da Coroa e promotores de justiça (membros do Ministério

Público) no Império não passavam de agentes de confiança do governo.

• As atribuições do Ministério Público no Império eram:

• o Denunciar os crimes públicos e acusar os delinqüentes;

• o Solicitar a prisão e punição dos criminosos;

• o Promover a execução de sentenças e mandados judiciais e dar parte às

autoridades competentes das negligências, omissões e prevaricações dos

empregados na administração da justiça.

• Em 1866, Nabuco de Araújo elaborou um projeto dispondo sobre a organização

do Ministério Público, mas que não avançou, embora estivesse nos moldes do

órgão que viria a ser instituído mais tarde, quando o Brasil já estava sob o

regime republicano.

241. Fase Republicana

• O desenvolvimento do Ministério Público, tanto no processo criminal como no

civil teve uma longa e demorada trajetória no Brasil.

• O órgão só tomou os contornos de uma instituição, ainda nos limites da área

federal, somente em 1891.

• Foi na Constituição de 1934 que o Ministério Público encontrou uma melhor

acolhida, mas a Constituição de 1937 não estabeleceu qualquer norma com

vistas ao aludido órgão.

• Na Constituição de 1946, “o Ministério Público recebeu maiores garantias e

tratamento condigno”.

• Na área federal, ele se organizaria “junto à justiça comum, à militar, à eleitoral e

à do trabalho”.

• Na área estadual, adotar-se-ia o mesmo critério, além do “princípio de promoção

de entrância a entrância”.