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uma história

concisa e ilustrada de Debussy a Boulez

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Paul Griffiths

A Músiea Moderna

uma história concisa e ilustrada

de Debussy a Boulez

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ilustrações

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Tradução :

Clóvis Marques

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Jorge

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Zahar Editor

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o tr a du t or agradece a colaboração de

SILVIO AUo.ugTQ MERHY

I ( l ula o r i g in a l :

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AI ul /TI Music: A concise history

'I r c llI Ç O ut o ri za d a d a rei m p re ssã o

111 ' I r 1\ pu b li c ada e m 1986 po r T ha m es a nd H u ds o n ,

da primei ra edição

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I,

111(\'

In g l a t er r a

I

11 I puhl l h e d by T h a rne s a n d Hud so n ,

Lond o n ,

1 9 86 as

M,"lrl" AI,t.! : A concise history by Pa u l G rif f i t hs

( "1' 1 1 1 1 111 1978, Pa u l G r iffi th s

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IIJlyd11l1

1 987 d a edição e m l í n g u a p ortu g u e sa:

 

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11 I t ' 1 lh ur E d i tor Ltda.

1II

M

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J

b r e l oj a

1(11) \I I t i ti J a n ei r o, RJ

diL r i a ! Revisão: Ve r a G a rr i do , Nair D am etto, Ce c ília Devus.

, lI ! 1 1110 ( I

Lace rda ( t ip.); Dia g ram aç âo :

C e l s o Bi v ar ; C om po si çã o :

1 \ li ',

111111 Ir I rn r u o d a par ti t u ra i mpr essa de Z y klos , d e Stockha u s en ; /11'1" 1 , 1 a: Ta v a res e Tri s tão Gr áfi c a e Edi t ora d e L i v ro s Lid a .

/ l r l ~ · n a l : J osé Geral d o Lac er da ( t e x t o) ; Capa: Gi l v an F . d a Si l va

SUMÁRIO

1

Pr

e lúdio

7

2

O

Ro ma nti s m o T a rdio 13

3

Nov a Harmonia 24

4

No

vo Ritmo , Nova Forma 38

5

G

ê nios Nacion a is 49

6

Neoclassicismo 62

7

S

e r i a li s m o 8 0

8

O

M und o Mod erno 97

9

Oriente 115

10

Co n t inu açã o d o Seri a lismo 130

ff

El e t rô nica 145

12

Músi c a A l eató r i a 1 59

13

Teatro e Política 169

14

Multipli c id a de 1 8 3

Bibliogra fi a 1 8 9

Li

Índi ce d e A ut o res e Obras 202

s t a d e Ilu s tra ç ões

195

Neiva aehns

I',I/r/l/l/'/I

/1(1{,

I I I 1I 1I/,'/IIór!a d mi n ha mãe

capí t u l o

1

PRELÚDIO

Se a mú s ica mo de r na t e v e um po nto de p artida p reciso , p odemos identifi - ca -l o n e sta melodia p a r a flau t a que abre o Pr é lude à t ' Ap r es - Mid i d ' u n Faun e d e Cla u de D e bu s s y ( 1 862- 1 9 1 8).

Tal v e z se j a necessári o j u st i fica r a qu a l i f icação d e " mode r na " n o c a s o

d e mú s i ca co mpost a há m a i s d e o i tenta a n os e n u m out r o sé cu l o , s o br e t u - do se co nsi dera r m os qu e ent r e as obras m u si ca lmen t e no v as do período e m

q ue foi

composto o P r é lud e, e ntre 1 892 e 1 8 94 , estav am a Sin f onia N o v o

Mund o, de Dvof á k , e a Pat é ti c a , d e Tcha ikovsky. Mas é cla r o que , no con -

texto d as art es, a express ã o " mod e rn o " rem et e a n te s à e s t é t ica e à técnica do q ue à cronol o gi a . É p ort a nto j ust i ficáve l qu e uma " histó r ia concis a d a

co n t r a di ção , r e m onte quase u m

séc ulo , com o pa r ece lógico q u e i gno r e c e rt a músic a m ais rece nte m as m e-

nos mo de r na p e lo métod o c omo p e la s en sibi lid a d e. Uma d a s p r inc i p ais ca r acte r íst i ca s da m ú si c a mode r na, n a acep ç ão não estr i tamente c ronológica , é sua libertação d o sistema de tonalid a des m a ior e m enor qu e mo tivo u e de u coerência a qu a s e tod a a música ociden- ta l desde o séc ulo XVII. Nest e sent i do, o P r élude de D ebussy in c ontesta -

ve l me n te a nu n c ia a er a mod e r na . Su ave m ent e , e l e

t o n a lid a d e di a t ô nic a ( m a ior-m enor), o que nã o s i gnific a qu e se j a ato n al,

s e l i b er t a d as r aízes d a

mú s i ca mod e rna" , já em si um a a p a r e n te

mas a p e na s que as velhas rel aç õ es h ar mônic as j á n ão t ê m c a ráte r i mp era t i- vo . Em certos moment o s , D eb u ssy deixa p ai r ar um a d úv i da sobre a ton a l i - dade , como nos d o i s p rimei r os compassos d a citada melodia para fla uta,

onde p reenc he o

das, e não apenas aqu elas q u e p er m iti r iam identif i car uma e sp ecíf i ca t ona - lidade maior o u me nor . Além disso , o int e r valo h armô n ico - um trrton

es p aço e n t r e d ó s us tenido e sol : todas as not a s s ã o i nclu í-

8

a m ú s i c a mod e r n a

Debussyem uma rua de Paris na virada do século.

-

é O

m a is hos t il ao s i stema d i atô n ic o , o " d i ab o l u s in rnusica ", como

o

d

e nom i na v a m o s t e ó ri co s m e d i e v ai s . D e bu ssy n ão p e rsi s t e n e s t e c amin h o ,

p

o i s s e u terce i ro c ompa s s o r e gi s tr a u m a r e s ol uç ã o n a tonalidade

de si

prel ú d i o

9

.

m a i o r . M a s a harmonia di a t ôn i c a é a gora ap e nas uma possibili d a de entre mui ta s , n ão necessa r i a me n te a m a is importante , nem necessariamente de-

t e r m i n a n te d a fo rma e d a fun ç ão .

N o que d i z re s pe ito à f orma , o Prélude também lança as sementes da

de f inido e desen v ol v ê-I o con -

se qüe n t e m e n t e , D eb u ssy a p o d e ra-se de uma id é ia que he sita e se vo l t a duas

v eze s s obr e s i m esma ant es d e se desenvolver, incer ta e porta nto imprópria

para um a e la bor açã o "lógic a" à maneira ortodox a . Este t e ma da flaut a re- ap are ce co m o m oti vo por qu a se t odo o Prélude , embora às vezes e x p a ndin-

d o -s e e m o r n a me ntaçõ es ou di s perso em fragm e ntos independentes ; reite-

r a das v e z es o t e m a é r e t o m a do depois de se prestar a dig r essões . Mas De-

bu ss y n ã o pr o j e t a s u a idéi a principal num desen v olvimento progre s sivo de longa du ração. O e f e i to é a nte s d e impr o v isação. A espontaneida d e d o P r é lu de não é a pe nas um a que s t ã o de a rnbigü i- da d e h armôni c a e liber d a d e f or m a l ; ela de c orre t amb é m das o scilações de

a nd a m e n to e do s r i t mo s ir re gu la res, a ssim como do s ut i l colorido da peça .

O desenvol v i m en t o t emát i c o tradicion a l e x i gi a u m a ce r ta regularidade e

h o m ogene i da d e de ri t mo , pa r a que a atenção pudesse concentrar-se na har-

m on i a e na fo rm a m e l ó di ca, e os and a mentos de v iam se r escolhidos de mo -

d o a caracte r izar o ím p eto da mú s i c a em d i r eção a se u f i m . C a pric h osa na

ha rm o n i a e na forma, a mú si ca d e Debuss y é t a mb é m m ais liv re em sua m e-

d id a de te m po. Qu a nt o a o co lo ri do , D e bussy foi um mest re na d elic ad e z a das nua n - ces o rqu e s t r ai s , e u m p i o ne ir o na ut i liz ação sist e m á tic a d a inst rumen tação

como elemento esse ncial da co mpo sição . M ais que q u a lqu er o u t r a música

anterio r (excet u ada talvez a d e Berlio z), as obras de D eb u ssy p e rd e m sub s - tância quando arranjadas p a r a i n st rume ntações diferentes : basta o u vi r u m a

versão para piano do Prélude , por e x emp lo, para constat á -lo .

fla u ta é d ecidida m ente um t em a para f lau t a , e se t r a ns fo rma em a l go mu i to

d i f eren t e ao ser ou vi d o em outro i nst r umento . Co n s c i e n t e disso , Debussy

r e string e seu t e m a à f lauta, no Pr é lud e, exce to por du as breves i nterven-

ções d a cJ ari ne t a e d o obo é, ambas de impor t ância es t rutur al: a cJari ne t a

l a nça o tema em seu m a is extenso desenvolviment o, e o o b oé tent a pro l on-

ga r o mo v imento quand o se r estabele c e a quietud e d o iníci o . Desse m o do ,

a orqu es tra ção co nt r i bu i para estabele c er tanto a s i d éias quanto a estru t u-

ra, deixando de ser a p e nas um ornamento ou r ea l c e r e tórica . Debussy pôd e dar um tratamento diferente à orque s tra ção porque

su a formaç ã o musi ca l era inteiramente nova . Ele n ã o tinha muito tempo

a dedica r às pr á t icas sin fô ni c as contínuas e int e nsi v as d a tradiç ã o austro -

germ ân i c a , a o de s en vo l v iment o "l ó gico " de idé ia s que pr o duz em mú s ica

um e f eito

i no vação. Em v ez de esc olher um tema bem

O tema d a

d e narr açã o . P a r a e l e, a mú s i c a nã o er a um ve í culo de emoç õ es

p

e ss oais, como o s c rí tic os c ont empo râ neos s upunh a m no ca s o d a s obras

d

e Beethoven , o u como deixava m ex p lícit o e m seu s p oe m as s in fô nico s

1

0

a música mod e rn a

c

omposito r es

co mo Ríchard

S t r a u s s.

A mús ica

de Debussy ab a ndona

o

modo n a rr ati v o,

ele o enc a d eam e n t o

 

c oe r e nte

pr o jet a do

pela

c nsciéncia ; s uas

e c o m imagens

evoc a tiv a s

e

s eu s

movime n tos

el ípticos

 

u ge rem ma i s a es fera da im ag in ação

li v r e e d o s onh o .

C o mo e l e mesmo

.

sc r c v e u , " so m ente

a mú s i ca

t em o poder

de e v ocar liv r eme nt e

os luga-

r

e s inv e ross íme is ,

o mundo

indu b i t á ve l

e qurmé n c o qu e o p era se c r e ta-

1

I l . ntc na m i ste ri o sa

p oes ia

d a n o i te , n os mil h a r e s d e ru í d os

anô n i mos

<

1 \ 1' e m a n a m

das f olh a s a c a r ic i a d as

p elos r ai o s de lua " . A pro sa é t í pica-

mente e nigmática

e c a rregada

1

1f r c i e nte r nen te c l a ra .

.

d e im ag en s .

m a s a referên c i a

ao sonho

é

's

U

p o llt â n

m a a n a l o gia

co m o s sonh os,

ou , m a i s geralmente ,

c o m a s s o ciaç ões

as d e id é i as , é mai s r e v e ladora

q ue a h abi tu a l comparação

d a mú-

I 'l i de Dcbussy à p i n t u r a

i mpr es si o ni s t a .

Ê ve r 'J o : que <.:!<.:

~ ! ~ Ui 1 1 J Sveze s

'S 0111 u te mas

que t a mbé m

atr a ír am

os imprcssionrstas

. "Rcfle t s d an s

l'enu", por exe mp l o ,

u m a

d e su as I ma ge s p ar a p i ano .

tem u m tít u lo

que

bem p o d er i a

s e r ap li ca d o

a c ert as

t e l as

de 1 I1 0 l l cI . Mas J m ú s i c a

di fere

c e n cial m e n te

da pi n t ur a

p o r se r u m a a r te que se projeta

1 1 0 tem p o.

As

t éc n icas fo rm a i s e r í t m ica s

de De b u s s y

p ode m

t er atenuado

J s e n s a çã o do

dec rr er te m po r a l ,

m as o mo vi m en t o

t i n h a p ar a el e extrema importância.

M a i s u ma v e z , el e não s e p reoc up av a a p e n as e m pintar irnagcns son o ras :

.

m

ç ã o m ais o u m e n os exa t a d a naturez a,

J urna r e produ-

• u de sejaria

a i s i n e r e nt e

p a r a a mú s i c a ",

q u e a qu a lquer

e screve u ,

outra

" um a

I iber da de q ue lh e é t a l v e z

arte , n ã o s e lirnitando

m a s às mi s terio s as c orrespondéncías

nt re a

a tureza e a I ma g i n ação . "

ca o do Prél ud e,

há um a for t e s ug e s t ã o

arn i u c n ta l , de- u m bos que

11

0 p r eg ui ç oso

c a l o r da ta rd e,

m as o int e re sse

(termo bau del ai ria no

I la ~ "co r res p o nd ê n c i a s "

p

' Il S U i ll c nto

do f auno

n a é c loga

de St é p h ane

princ i p a '

j

C I : ' Il '

Mallarrné

d e D e: u ss y r esi de l' ~l l ' a n: i cn r e e o s

em qu<? se inspi-

1 I 1 l i 1 1 1 \ 1 ~ai , se rvindo- lhe

de "pr e lú dio " .

Seg u nd o

Debussy.

a ob r a é uma

cqücncia de "ce nári o s sucess i vos

do I l Iu n o" .

em q ue se pro j et a m

o s de s e j o s e so nhos

(I I)( )

O

utr as

0 5 ) , pr o vavelme nte

o bras d e Debu ss y , c om o

o s esboços

insp i r a m -se diret a m e nt e

sinfóruco

d e I . a Mer,

l i a II J tu r C l . J . sem a fil-

I l l H' m d a ima g in a ç ã o

ne l a s a n a t u r e za

é a penas

 

\ liIl

p o nt

d e p a rti d a,

de um poet a. a f in a l deix a d o

M as t amb é m em seg u nd o

pl a no p ar a : l c ria ç ã o

de

"

un s t er !

as co rres pond ê ncias"

mai s afi n adas

c om o mu n d o

i n ter i o r

do

c

d

o tnp

n c omposição

s i t o r . B o que dá a entender

m us i c al ":

s ob rc ' : o se gredo

" O so m do mar . a CUf \ ' 3 do h o n z o n r e , o v e nto

D eb u ssy , e s cre v end o

II

I S

l has , o g r ito de um p áss a ro

dei xam e m nó s i rn pr cssõ e m ú lt i plas .

E

l i ' r p e n te , ind e p e nden te men te

de no ssa vo nt a d e .

u ma dessas l e m b ra n ç as

( 11 1 r g c de n ós e se ex pre ssa

em l in g ua g e m

musi c a l . " O e. t i mu lo

n ã o é

o

I 1 1 0 m n

nat u r a l o rig i n a l ,

a " i m pr es s ã o " .

m as o ( cn ó m c n o

mcn tal d e r i va ,

p

re l úd i o

11

do , a " lembrança" . " Qu ero c ant a r minh a p a i s agem inte rior com a s implic i - dade de uma crian ç a " , escrev e u no mesmo e nsaio .

Figuri n o de L éo n B a k s t pa r a o f a un o no P rél u d e de Deb ussy . O b a lé estreou pe l a companh i a de Diagh il e v e m Par i s, 1912, com coreogra· fia de Fok i ne e Nijinsky no p ap e l do f auno.

No esp í rito d e De bu ssy , as téc n ic a s c on s agradas constituíam um obs- táculo a e s sa expre s são ; elas impunham o c havão e o artifício , tendo sido desenvol v idas para f i n a l i d a des d i f e r entes, s o bre t udo a de e x pressar e e s ti- mul a r reaçõ e s emo c i o n a i s . O f l u xo mai s l i vre que ele cons e guiu, na s e nsibi-

lida d e co m o n a t é c ni c a (s en do as d u a s insep a r áv e i s ) , t in ha mais p ossibilid a - des de refl etir a s concate n aç õ e s a lu siv a s e esquivas da mente . E nvo lv e u tamb é m sua mú s i c a e m u ma a t mo s f era s e dutora , o qu e e m ce r t a med i d a

o b s c u rece u s u a no v i da de téc ni c a e estét i ca. O Pr é lu de ob t e v e i m e di a ta p o -

12 a m úsi ca m od er n a

C ap e d a pn r r e ir a

eo ç a o d e L a M er , co m

a gravu r a oe Hok u s a i ,

A o n da , esc c s t u c a po r D cbuss y .

p u l a ri d a d e , a o con t rá ri o d a v iole nta rejei çã o s uscit a d a p e l a s prime i r a s obr a s ra di c ai s d e S c h o enb e rg , Stravinsky e outros ; o esc â nd a l o sobre ve io somen-

t e du as d é c a d a s a p ó s a prime ir a execu ç ão , quand o a d a nç a d e N i j i n . s ky pôs nu a l a ng ui dez e r óti ca d a pe ça . D e buss y ab r ir a o c a m i n ho da mú sic a mo - de r n a - a b a n d ono da t on a lida d e trad ic ion al, d ese n v o lvime nt o de um a n o- va co mplexi dade r ít m i c a , r econh e c i mento d a c o r c om o ele men to e s s en -

c i al, c r iaçã o d e u ma f o rm a i nteir a m e n t e no v a p a r a cada o br a , e x p lo r açã o de pro c e ss os men t ai s m ai s p r of un do s - , m a s o f e z f urt i vam ente.