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23072016 Nogitude, Lesbiaicade ¢ Amox Arocetrado - Questing style EM TEXTO (HTTP://QUEERINGSTYLE.COM/CATEGORY/PRIVADO/EM-TEXTO/) Negritude, Lesbianidade e Amor Afrocentrado 21/01/2016 Por Geanine Escobar {http //queeringstyle.com/colab) 2 0 http:/queeringstyle com/negritude-lesbianidade-e-amor-aftocentrado/#respond) ipquocrngstyle.cominogrtude lesienade-e-amcr-alrocntraco! w 23072016 Nogitude, Lesbiaicade ¢ Amox Arocetrado - Questing style Essas fotos foram feitas em junho de 2015 pela fotdgrafa Walesca Timmen, com a ajuda da sua namorada Karen Kaerche. As duas séo idealizadioras do Projeto AMA (http://www facebook com/AMA- 815715135145154/timeline), “AMA é um projeto fotogréiico que visa notabilizar a beleza de mulheres reais que no se encaixam nos padirées de beleza ditados peta midia e reforcados pelo restante da sociedade. AMA vai ao sentido contréirio destas expectativas impostamente padronizadas, empoderando as mulheres fotografadas e assim incentivando outras mutheres a também aceitarem, amarem e apropriarem-se dos seus corpos de todas as maneiras, Onome escothido para esse ensaio for: Andressa e -anine AMA(m) 0 seu amor negro-lesbofeminista, A auséncia de representatividade da mulher negra nao estereotipada como a “servical’ ou a ‘mulata’ nas variadas midias ainda é enorme. O “esquecimento” das feministas brancas em torno da discussao aberta sobre racismo, privilégios da branquitude e género ainda é avassalador. 0 machismo dos homens negros no interior do movimento negro é o maior limitador das pautas que tratam sobre especificidades e problematicas relacionadas as mulheres negras. No movimento de mulheres negras a lesbianidade é um ar 23072016 Nogitude, Lesbiaicade ¢ Amox Arocetrado - Questing style assunto tratado de forma superficial. No movimento LGBT, as mulheres negras lésbicas e bissexuais se deparam com a total desconsideracao, especialmente dos gays, das lésbicas e das(os) bissexuais, brancas(os), diante dos dados alarmantes que comprovam a dupla/tripla violéncia fisica e psicol6gica sofrida por lésbicas e bissexuais negras, o que néo contribui em nada para a construgao positiva da lesbianidade negra Dessa forma, muitas mulheres negras e lésbicas acabam ficando em um nao lugar. Esse ndo lugar néo possibilita 0 poder de fala, téo pouco 0 poder de decisao. A resistencia se da no existir. A presenga da mulher negra e lésbica masculinizada (butch, daquela que se identifica mais com 0 feminino (lady): ou daquela que nao se identifica com binarismos e normatividades, que gosta de vestir-se a partir da mistura do que é considerado feminino e masculino (queen), confrontam a sociedade com a sua existéncia, mostrando que querendo ou nao, todas(os) terdo que ver e conviver com essa diversidade de identidades negras, lésbicas, queer, marginalizadas e majoritariamente periféricas, Mas, antes de mencionar sobre o amor lésbico entre mulheres negras ou sobre lesbianidade negra. & importante ressaltar 0 porqué um relacionamento afrocentrado considerado um ato de resistencia a0 sistema racista. Quando se pensa num relacionamento entre duas pessoas negras, militantes, que constroem a sua identidade negra cotidianamente com base na negritude e na consciéncia negra, se pensa num amor afrocentracio, Um amor que ultrapassa as semelhangas com a cor da pele e com o histérico de resiliéncia que carrega essa ancestralidade negra, Do mesmo modo, essas duas pessoas compartilham pensamentos que extrapolam o senso comum de que “o amor e/ou um relacionamento amoroso nao tem cor" entendem que essa unido é uma verdadeira afronta ao sistema opressor que cotidianamente exclu humitha e mata negras e negros todos os dias, seja por meio da violéncia simbolica, pelo racismo institucional ou pela violéncia policial. Portanto, ser um casal negro afrocentrado é contrariar 0 mito da democracia racial, é poder a dedicar-se a outra pessoa que sofre os mesmos problemas em relagdo a discriminagao racial e acima de tudo é ter 0 direito de amar sem limites, sem 0 medo de nao ser compreendida(o) Nesse sentido, ¢ importante lembrar que negras e negros até pouquissimo tempo, cerca de 130 anos atrés. no period colonial escravista, néo tinham direito a dignidade, a humanidade, nao tinham direito a ter um home. falar sua lingua ou ter qualquer tipo de crenga, que dita afetividade e ao amor. Até pouco tempo, os homens negros e as mutheres negras, de forma animalizada, eram utilizados como *reprodutores de escravos’, que forneciam mercadoria gratuita (seus filhos) aos escravocratas. Nao existia familia negra, ndo existia amor negro. Toda(o) negra(o) que nascia servia para gerar lucro, podia ser comercializada(o), alugada(o), vendida(o), agoitada(o). usada(o) até a morte. Eramos coisas, animais. menos pessoas, E as mulheres negras, desde a infancia, serviam como objeto sexual. O estupro e todo 0 tipo de violéncia sexual era comum quando se tratava do corpo das mulheres negras. Seguindo esse pensamento, os relacionamentos afrocentrados de hoje fazem parte de uma busca muito recente por uma identificacao negra conjunta. Hoje, quando uma pessoa negra escolhe amar outra pessoa negra, ela pode escolher tornar-se negra na companhia de alguém que vai ajuci-la a se entender enquanto ipquocrngstyle.cominogrtude lesienade-e-amcr-alrocntraco! 23072016 Nogitude, Lesbiaicade ¢ Amox Arocetrado - Questing style sujeito de uma histéria de luta. Essa consciéncia negra duplicada, triplicada, € considerada uma ameaca ois vai ao encontro do pensamento descolonizado e ¢ forte o bastante para subverter o status quo. Indubitavelmente, é importante atentar para a realidade histérica da populagdo negra e sua relacdo com o amor, Que amor? Durante séculos nos foi negada a minima possibilidade de amor entre negras(os). Fomos ensinados a nos odiar. no confiar em nés mesmos, menos ainda em pessoas iguais a nés. Isso explica a falta de carinho, beijo, abraco e as vezes a total falta de afetividade no interior das familias negras. De fato, isso também explica o histérico de abandono e solidao especialmente das mulheres negras. Visto que, nos relacionamentos heterossexuais, a mulher negra nunca é escolhida pelos homens brancos e € preterida pelos homens negros. Nos relacionamentos lésbicos ou nao heteronormativos, a mulher negra nunca é escolhida pela mulher branca e muitas vezes é preterida pelas mulheres negras que reproduzem o pensamento machista, racista e colonial. Nao enxergar como possivel uma relago amorosa e duradoura com uma mulher negra, esta diretamente relacionado com conceites racialistas eurocéntricos, que comprovaram cientificamente a superioridade da raga branca. Esses conceitos ultrapassados serviram para justificar a escravidao. por exemplo, e infelizmente continuam no imaginario de grande parte das pessoas. Podemos citar brevemente algumas caracteristicas sobre o que é ser negra e o que é ser branca, segundo © que prezava o racismo cientifico eurocéntrico, A feminilidade, inteligéncia, bom carater, bom comportamento, ascensao social estao intimamente ligados as mulheres brancas; Jé a brutalidade, a sujeira, o mau carater, a falta de intelectualidade, a sensualidade/vulgaridade exagerada e a pobreza, estao intimamente ligados as mulheres negras, Essas caracteristicas, tio demarcadas e falaciosas ganham veracidade todos 0s dias por meio das midias hegemdnicas que fazem piada com a nossa pele, com 0 nosso cabelo crespo, pixaim, com a nossa condigéo social e independentemente da forma como somos, magras, baixas, gordas, altas, uma coisa & certa’ os nossos corpos negros sero hipersexualizados, Essa naturalizagao da representagao entre negras e brancas é extremamente violenta, pois serve apenas para sustentar ideias coloniais escravistas e manter os privilégios da branquitude. Tudo isso colabora sobremaneira para a solidéo da mulher negra Em suma, quando duas mulheres negras e lésbices conseguem se encontrar, namorar e assumir uma relagdo amorosa publicamente, demonstrando que se amam de variadas formas, até mesmo casando, constituindo familia, com filhastos) e bichinhos de estimagao, causam estranheza, para nao dizer nojo e até repUdio das(os) homolesbotransfébicas(os) Na cabeca doente de pessoas racistas e lesbofébicas, duas mulheres negras e lésbicas nao podem se relacionar amorosamente, muito menos desfrutar publicamente da harmonia dessa unido. No entanto, essas mesmas pessoas, que nao conseguem imaginar as mulheres negras e lésbicas felizes, conseguem tragar a vida dessas mulheres da forma mais cruel e com muita naturalidade. Se fomos/somos rejeitadas, humilhadas, na infancia, na adolescéncia e na vida adulta; se estamos sozinhas ou num relacionamento heteronormativo abusivo, sem nenhum afeto; se estamos no servico doméstico servindo em casa de familia branca ou sendo exploradas em algum trabalho bracal com salario minguado, ipquocrngstyle.cominogrtude lesienade-e-amcr-alrocntraco! 23072016 Nogitude, Lesbiaicade ¢ Amox Arocetrado - Questing style nada disso é visto com estranheza e tristeza, ao menos pelo olhar mediocre da branquitude que ja esta acostumada a ver 0 nosso presente e futuro dessa forma Por tudo isso, 0 amor lésbico afrocentrado confronta a branquitude, o sexissimo e a heteronormatividade. Em sintese, ser uma mulher negra e lésbica militante loucamente apaixonada por outra mulher negra & lésbica militante é inegavelmente um ato politico. Esse amor lésbico afrocentrado e feminista amefricano (Feminismo Afro- ino-Americano defendido por Lélia Gonzales) desconstréi 0 ciclo de solidéo da mulher negra e mostra para a sociedade e para nés mesmas que também temos 0 direito de amar e ser amadas. ‘Temos direito de viver uma relacdo saudavel. sincera e repleta de negroamor. Sem duvida, é notavel a dificuldade que Lemos para nos encontrarmos presencialmente ou virlualmente, mas lembrem-se de que nao estamos sozinhas na luta contra a lesbofobia e o racismo. Somos mithares, somos fortes e guerreiras, so estamos espalhadas., Salve a luta das mulheres negras lésbicas do mundo inteiro! Geanine Vargas Escobar Doutoranda do Programa Doutoral em Estudos Culturais Universidades de Aveiro e do Minho - Portugal Bolsista CAPES - Brasil Sobre Outros Artigos Contribuigées Queerin Somos) style (Http://Queeringstyle.Com/Quem- Contribuiges convidadas. Queres escrever para o Queering Style? 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