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Empreendedorismo Dênio Magno da Cunha Erika Rúbia de Souza Igor Augusto de Melo Dias Wander

Empreendedorismo

Dênio Magno da Cunha Erika Rúbia de Souza Igor Augusto de Melo Dias Wander Moreira da Costa

Empreendedorismo Dênio Magno da Cunha Erika Rúbia de Souza Igor Augusto de Melo Dias Wander Moreira
Empreendedorismo Dênio Magno da Cunha Erika Rúbia de Souza Igor Augusto de Melo Dias Wander Moreira

Dênio Magno da Cunha Erika Rúbia de Souza Igor Augusto de Melo Dias Wander Moreira da Costa

EMPREENDEDORISMO

Belo Horizonte Novembro de 2015

COPYRIGHT © 2015

GRUPO ĂNIMA EDUCAÇÃO

Todos os direitos reservados ao:

Grupo Ănima Educação

Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610/98. Nenhuma parte deste livro, sem prévia autorização por escrito da detentora dos direitos, poderá ser reproduzida ou transmitida, sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravações ou quaisquer outros.

Edição

Grupo Ănima Educação

Vice Presidência

Arthur Sperandeo de Macedo

Coordenação de Produção

Gislene Garcia Nora de Oliveira

Ilustração e Capa

Alexandre de Souza Paz Monsserrate

Leonardo Antonio Aguiar

Equipe EaD

Conheça a Autora Erika Rúbia de Souza é Mestre em Administração, especialista em Marketing e

Conheça a Autora

Erika Rúbia de Souza é Mestre em Administração, especialista em Marketing e Comunicação e graduada em Comunicação Social. É professora dos Cursos Superiores de Marketing, Processos Gerenciais e Recursos Humanos do Centro Universitário UNA. Possui experiência em empresas de diversos portes e segmentos, tais como automotivo, tecnológico e comunicacional, que proporcionaram vivência em setores administrativos e de marketing. Vencedora dos prêmios: “Jovem empreendedor/2009” e “Prêmio Nacional de Criatividade no Combate à Pirataria”, promovido pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos.

Conheça o Autor Dênio Magno da Cunha é Professor do Centro Universitário Una. Doutorando em

Conheça o Autor

Dênio Magno da Cunha é Professor do Centro Universitário Una. Doutorando em Educação pela Universidade de Sorocaba-SP. Mestre em Gestão da Inovação pela Faculdade de Pedro Leopoldo/MG. Pós-graduado em Educação Tecnológica pelo Centro Universitário Una- MG. Especialista em Gestão Estratégica pela Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG. Graduado em Comunicações, ênfase em Relações Públicas pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUCMG.

Conheça o Autor Igor Augusto de Melo Dias leciona, desde 2009, as disciplinas Teorias da

Conheça o Autor

Igor Augusto de Melo Dias leciona, desde 2009, as disciplinas Teorias da Administração, Gestão de Pessoas e Gestão de Processos. Ele

é graduado em Administração de Empresas

pelo Centro Universitário UNA, especialista em Gestão Estratégica de Negócios (UNA)

e em Gestão Pública (UEMG) e mestre em

Administração Pública pela Fundação João Pinheiro. Atuou, durante oito anos, no setor privado, em empresas como Vale, Oi e Unimed- BH. Atualmente, além da docência, ele exerce o cargo de Analista em Planejamento e Gestão no governo federal.

Conheça o Autor Wander Moreira da Costa é Graduado em Filosofia, com ênfase em Ética,

Conheça o Autor

Wander Moreira da Costa é Graduado em Filosofia, com ênfase em Ética, Pós Graduação em Gestão Empresaria, Mestre em Antropologia e Doutorado em Ciências da Educação. É professor dos Cursos Superiores de Processos Gerenciais e Recursos Humanos do Centro Universitário UNA. Desenvolve projetos de extensão na área de responsabilidade social e empreendedorismo social. Possui experiência em áreas de Ética nos negócios, Responsabilidade Social e empreendedorismo. Leciona no Curso de Pós Graduação em Ciências da Educação da Universidade San Carlos, em Assunção.

Apresentação da disciplina A disciplina Empreendedorismo compõe a área de gestão e convida a uma

Apresentação da disciplina

A disciplina Empreendedorismo compõe a área de gestão e convida a uma

reflexão sobre o processo empreendedor. A reflexão parte do princípio de que o ato de empreender não se limita à criação de uma empresa. Todas

as vezes que criamos algo novo, inusitado ou provocamos uma inovação

em algo já existente, estamos empreendendo. Portanto, o processo empreendedor requer do indivíduo um comportamento diferenciado, que ultrapassa as técnicas gerenciais. Pensando neste aspecto, a disciplina

propõe uma reflexão sobre o desafio deste século que é conciliar capacidade produtiva e lucrativa com a gestão ambiental e social. Aponta-se que o mercado não é mais complacente com empresas que não preveem em suas práticas organizacionais uma gestão responsável. Refletindo, desta maneira, sobre um futuro que já bate à nossa porta.

A disciplina também discute que o ato de empreender depende da

capacidade do indivíduo em reconhecer oportunidades e, partir disso, se empenhar em concretizá-las por meio de metodologias que permitem organizar as ideias, tais como o modelo de negócios Canvas e o plano de negócio.

Em seguida, são abordados aspectos relacionados à economia criativa

e à inovação, passando por conceitos como desing thinking e gestão da

inovação. Assim, procura-se apontar os setores da economia criativa e suas diferenças em relação a economia tradicional.

A economia criativa prima pela inovação. A inovação é matéria prima

do empreendedor, entretanto, para concretizá-la, é preciso angariar recursos financeiros e uma certa assessoria. Então, a disciplina também aborda aspectos relacionados à aquisição de recursos financeiros, bem como tipos de assessoria as quais o empreendedor pode buscar auxílio

durante a árdua tarefa de sobreviver no mercado.

Por fim, a disciplina discute os arranjos empresariais e o empreendedorismo do futuro, apontando perspectivas e desafios empreendedores. Espera-se que o leitor aproveite esse material, compreendendo os preceitos do empreendedorismo e sua aplicação, de forma que possa, a partir daí, desenvolver habilidades empreendedoras. Bons estudos!

UNIDADE 1   003 Introdução ao empreendedorismo Inspiração empreendedora Empreendedorismo: conceitos
UNIDADE 1   003 Introdução ao empreendedorismo Inspiração empreendedora Empreendedorismo: conceitos
UNIDADE 1   003 Introdução ao empreendedorismo Inspiração empreendedora Empreendedorismo: conceitos
UNIDADE 1   003 Introdução ao empreendedorismo Inspiração empreendedora Empreendedorismo: conceitos
UNIDADE 1   003 Introdução ao empreendedorismo Inspiração empreendedora Empreendedorismo: conceitos

UNIDADE 1

 

003

Introdução ao empreendedorismo Inspiração empreendedora Empreendedorismo: conceitos básicos A importância do empreendedorismo para o desenvolvimento econômico Perfil empreendedor Revisão

004

005

010

015

020

028

UNIDADE 2

 

030

Os desafios da inovação Princípios da inovação O que é inovação? As diferenças entre imitação, inovação e invenção Características e tipos de inovação As vantagens competitivas da inovação Revisão

 

031

 

033

 

035

 

039

 

042

 

047

 

051

UNIDADE 3

 

053

Mapeando oportunidades Oportunidades pessoais – descobrindo a si mesmo Ideia x oportunidade Critérios para análise de oportunidades Revisão

 

054

 

055

 

059

 

064

 

071

UNIDADE 4

 

073

Metodologias empreendedoras Design thinking Modelo de negócio canvas

 

074

 

078

 

082

Estrutura do plano de negócio Análise de mercado

 

092

 

096

Revisão

105

UNIDADE 5 107 Economia criativa e múltiplas faces do empreendedorismo Economia criativa 108 110 Economia
UNIDADE 5 107 Economia criativa e múltiplas faces do empreendedorismo Economia criativa 108 110 Economia
UNIDADE 5 107 Economia criativa e múltiplas faces do empreendedorismo Economia criativa 108 110 Economia
UNIDADE 5 107 Economia criativa e múltiplas faces do empreendedorismo Economia criativa 108 110 Economia
UNIDADE 5 107 Economia criativa e múltiplas faces do empreendedorismo Economia criativa 108 110 Economia
UNIDADE 5 107 Economia criativa e múltiplas faces do empreendedorismo Economia criativa 108 110 Economia
UNIDADE 5
107
Economia criativa e múltiplas faces do empreendedorismo
Economia criativa
108
110
Economia criativa e economia tradicional
Empreendedorismo social
Empreendedorismo sustentável
Revisão
113
115
123
129
UNIDADE 6
131
Formas de assessoria e financiamento para novos empreendimentos
Fontes de assessoria para o empreendimento
Como financiar seus empreendimentos
Programas do governo brasileiro
Revisão
132
134
142
160
163
UNIDADE 7
164
Arranjos empresariais e startups
Clusters de inovação e arranjos produtivos locais
Empresas de base tecnológica
Startup: desenvolvimento e características
Revisão
165
167
174
176
189
UNIDADE 8
191
Construindo o futuro
192
Características do empreendedor do futuro
Revisão
195
211
REFERÊNCIAS
213

Introdução ao empreendedorismo

Introdução

Oque é ser empreendedor? O que significa empreendedorismo? Qual sua relação com o desenvolvimento econômico? Esta unidade tem a finalidade de responder às essas questões. Para isso, o conceito de empreendedorismo é apresentado como sendo algo muito mais relacionado ao comportamento do que propriamente atrelado à abertura de negócio. Além disso, procura-se demonstrar a importância do empreendedorismo para o desenvolvimento econômico. Neste sentido, apresenta- se o empreendedor como um agente de transformação que carrega consigo um perfil específico, com características como criatividade, inovação, persistência, dentre outras. Assim, essa unidade apresenta o perfil do empreendedor e procura ressaltar as diferenças entre ele e o administrador. Dessa forma, discute-se o administrador como alguém detentor de conhecimentos técnicos, mas que não apresenta diferenciais que possam defini-lo como um empreendedor. Em meio às discussões propostas, são introduzidos dois conceitos, um relacionado às motivações empreendedoras:

empreendedorismo por necessidade (executado em função de uma necessidade pessoal) x empreendedorismo por oportunidade (executado em função de uma oportunidade vislumbrada) e outro relacionado ao intraempreendedorismo (funcionários com espírito empreendedor). Esses dois conceitos são apresentados para aguçar a sua curiosidade, caro aluno, de forma que, a partir de outras partes do material, você possa saber mais a respeito desses aspectos. Bons estudos!

possa saber mais a respeito desses aspectos. Bons estudos! • Inspiração empreendedora • Empreendedorismo:

• Inspiração empreendedora

• Empreendedorismo:

conceitos básicos

• A importância do

empreendedorismo para o

desenvolvimento

econômico

• Perfil

empreendedor

• Revisão

básicos • A importância do empreendedorismo para o desenvolvimento econômico • Perfil empreendedor • Revisão

EMPREENDEDORISMO

Inspiração

empreendedora

A revelação do comportamento empreendedor exige de nós

uma reflexão inicial: quem somos? De onde vem a inspiração empreendedora? Em algum momento nos vemos como um modelo

de negócio? Ou será que estamos no mundo como um barco à

deriva?

Pesce (2013) e Clark [et al] (2013) tratam a questão empreendedora

de uma forma abrangente, para além da abertura de um negócio.

Esses autores convidam-nos a conhecermo-nos e encontrarmos, em nossas competências e habilidades, uma forma de inovar. De

acordo com eles, podemos, a partir de autoconhecimento e do planejamento, construir o nosso próprio modelo de negócios.

Para tanto, temos que estar preparados para nos reinventar e desenvolver o comportamento empreendedor. Pesce (2013), em seu livro Procuram-se super-heróis, esclarece que pessoas empreendedoras carregam grandes habilidades. Ela define essas pessoas como:

que têm superpoderes e mais

superpoderes, e muitas vezes nem sabem disso. Pessoas que fazem os outros se sentirem queridos, úteis e importantes. Pessoas que dão bons exemplos. Pessoas que escutam e falam com entusiasmo. Pessoas que sabem criar ambientes de trabalho que permitem a outros fazerem o melhor trabalho de suas vidas. Pessoas que pedem desculpas e perdoam. Pessoas que fazem boas perguntas. Pessoas que não julgam nem têm inveja ou preconceito. Pessoas que veem as coisas pelo lado positivo. Pessoas que criam situações em que todo mundo ganha. Pessoas que querem se conhecer melhor. (PESCE, 2013, p. 10).

]pessoas [

Conforme apregoado por Pesce (2013), conhecer-se melhor

é um bom caminho para um comportamento empreendedor.

Nessa unidade falaremos, entre outros, sobre o comportamento

empreendedor e a importância do autoconhecimento.

005

unidade 1

unidade falaremos, entre outros, sobre o comportamento empreendedor e a importância do autoconhecimento. 005 unidade 1

EMPREENDEDORISMO

A relação entre comportamento empreendedor e autoconhecimento

não é assunto novo na psicologia. Skinner, pai do behaviorismo radical, na década de 70, já apontava o significado do

autoconhecimento para o indivíduo:

] [

o próprio indivíduo. Uma pessoa que se ‘tornou consciente de si mesma’ por meio de perguntas que lhe foram feitas está em melhor posição de prever e controlar seu próprio comportamento. (SKINNER, 1974, p. 31).

o autoconhecimento tem um valor especial para

A novidade está, portanto, em usar o autoconhecimento como

forma de identificar aquilo que te faz feliz e, ao mesmo tempo, faz

de você uma pessoa inovadora.

De acordo com Barbieri (1997), a inovação é a capacidade de colocar soluções criativas para os problemas e as oportunidades, como o objetivo de melhorar e enriquecer a vida das pessoas. Não basta ter novas ideias, é preciso transformá-las em um produto tangível, torná-la empreendimento, serviço ou negócio.

O empreendedor tem um papel fundamental dentro desse prisma:

reformar ou revolucionar o padrão de produção, explorando uma invenção ou, de modo geral, um método tecnológico não experimentado para produzir um novo bem, ou um bem antigo de maneira nova. A atitude empreendedora leva o indivíduo a providenciar soluções viáveis para as necessidades das pessoas.

A atitude empreendedora leva o indivíduo a providenciar soluções viáveis para as necessidades das pessoas.

Esse processo de tradução de uma ideia ou invenção em um bem

ou serviço é que cria valor aos anseios, e atende as expectativas dos

consumidores que, certamente, pagarão por aquilo que necessitam.

Na unidade 2, veremos como o processo de inovação ocorre a partir de um conjunto de ideias. Essas ideias passam por uma seleção com o objetivo de chegar a um modelo que esteja em sintonia com

o investimento e com o tempo para o seu desenvolvimento, e que,

ao mesmo tempo seja inovadora.

006

unidade 1

sintonia com o investimento e com o tempo para o seu desenvolvimento, e que, ao mesmo

EMPREENDEDORISMO

A atualidade nos apresenta vários exemplos de pessoas que resolveram inovar dando uma guinada em sua vida a partir da identificação das suas competências e habilidades, e se tornaram grandes inspirações empreendedoras.

Exemplo disso é o de Durval Sampaio. Esse brasileiro tinha uma empresa de sucata industrial que lhe dava o suficiente para viver dignamente e com certo conforto. Mas isso não o fazia feliz. Ele queria mesmo era fazer chapéus. Isso mesmo, o grande projeto de Durval era confeccionar chapéus de todo tipo, de toda forma. Durval relata que sempre gostou de chapéu, mas tinha dificuldades de encontrar chapéu para a sua cabeça, que é grande para os padrões brasileiros. Foi então que ele decidiu fabricar o seu próprio chapéu para uma festa que foi convidado e, segundo ele, esse foi um “click de vida”:

Um dia bordei do jeito que dava uma touca para uma

Mas, enfim, esse “click” foi de

vida. Descobri que eu podia fazer. Isso se tornou minha

Na época vendia

equipamentos caros, mas o prazer estava começando a ser vender essas toucas por R$ 20,00 em um site de vendas online e para amigos. Pronto! Descobri minha vida. Não foi difícil largar tudo. Sou passional demais em tudo e jamais me arrependi um segundo disso. Minha relação hoje com o trabalho é de oportunismo.

vida, minha paixão, meu amor

festa não lembro bem

Não sou um artista, sou um oportunista do acaso Chapéu é minha desculpa para conhecer pessoas e

histórias especiais. (

dinheiro vem da consequência (SAMPAIO, Durval. In: Site

na verdade das coisas “e-holic”).

)O

Hoje, Durval vive disso, viaja e, nos lugares que vai, vende seus chapéus que são conhecidos nos quatro cantos do mundo. E afirma que esse trabalho “não é um plano de carreira, mas um plano de vida”. (SAMPAIO, Durval. In: Site “e-holic”).

A história de Durval mostra que ser um empreendedor de sucesso exige postura positiva diante das dificuldades, criatividade na sua superação e persistência em relação aos objetivos, dentre outras importantes características. Para dar suporte ao desenvolvimento empreendedor existem instrumentos que podem e devem ser

007

unidade 1

Para dar suporte ao desenvolvimento empreendedor existem instrumentos que podem e devem ser 007 unidade 1

utilizados.

EMPREENDEDORISMO

De acordo com Degen (2009), há duas frases conhecidas para ilustrar os motivos para que o empreendedor utilize essas ferramentas. A primeira é do filosofo e professor chinês Confúcio (c. 551-479 a.C.): “os cautelosos raramente erram”. E a segunda do fabulista grego Esopo (c. 620-560 a.C.): “pense antes de agir”. As duas remetem à ideia de não ser aventureiro sem mapa e sem objetivo. Os instrumentos empreendedores são necessários na redução dos riscos no empreendedorismo. Assim, na unidade 4 abordaremos esses instrumentos: o Design Thinking, o modelo de negócio CANVAS e o Plano de Negócio. Os dois primeiros auxiliam o empreendedor na criação e na validação de suas ideias. O Plano de Negócio apoia na hora de captar recursos e, nos momentos iniciais, quando a ideia está sendo implantada.

É importante salientar que você pode criar seu próprio plano,

mesmo que sua intenção não seja abrir um negócio. Você pode, por exemplo, desejar atuar na comunidade em que vive ou implementar

suas habilidades em prol da sociedade. Uma das formas de fazer

isso é através do empreendedorismo social e sustentável. Segundo Melo e Froes (2002), o empreendedorismo social é uma das formas mais tangíveis de inovação dentre os tipos de empreendedorismo.

O empreendedor social não produz bens e serviços para vender,

mas para solucionar problemas sociais. Não é direcionado para mercados, mas para segmentos populacionais em situações de risco social (exclusão social, pobreza, miséria, risco de vida).

O Plano de Negócio apoia na hora de captar recursos e, nos momentos iniciais, quando a ideia está sendo implantada.

Um exemplo de empreendedor social é Dona Geralda, fundadora da ASMARE – Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Outros –. A ASMARE é conhecida por gerar emprego e renda para dezenas de pessoas na grande Belo Horizonte, além de contribuir de forma definitiva para conscientização da população sobre o reaproveitamento de materiais. Você poderá aprofundar seus conhecimentos sobre a ASMARE no vídeo da estrutura didática da unidade 5, em que aprofundaremos a discussão a esse respeito.

008

unidade 1

a ASMARE no vídeo da estrutura didática da unidade 5, em que aprofundaremos a discussão a

EMPREENDEDORISMO

Uma das formas de fomentar o empreendedorismo social é as incubadoras voltadas para a área social, como a Ashoka, por exemplo, cuja missão é:

Dar suporte a empreendedores sociais que estão apoiando e colaborando com a nossa visão, com uma equipe multidisciplinar e integrada (Team of Teams), que entende a fluidez de uma sociedade em rápida evolução. A Ashoka acredita que todas as pessoas podem aprender e aplicar as habilidades de empatia, trabalho em equipe, liderança colaborativa e postura ativa de transformação. Dessa forma, serão cidadãos bem-sucedidos no mundo moderno, capazes de promover mudanças em seu entorno. (ASHOKA BRASIL. Missão)

Já na área de desenvolvimento de empresas, temos as incubadoras de base tecnológica que, segundo Dornelas (2008, p. 14), tem como objetivo: “a produção de empresas de sucesso, em constante desenvolvimento, financeiramente viáveis e competitivas, em seu mercado, mesmo após deixarem a incubadora, geralmente em um prazo de 2 a 4 anos.”

Além das incubadoras, os parques tecnológicos também são bastante úteis ao empreendedorismo. Exemplo disso é o vale do Sílício, que contribuiu para o surgimento de uma grande variedade de startup de tecnologia (empresas jovens e extremamente

inovadoras em qualquer área ou ramo de atividade, que procuram desenvolver um modelo de negócio escalável e repetível), muitas em mercado de alto potencial (Pesce, 2012). Além de pensar a respeito das formas de assessoria para um negócio, como as incubadoras,

o empreendedor também deve se preocupar com as fontes de

financiamento. Veremos mais a esse respeito nas unidades 6 e 7 desse livro.

Como vimos nesse texto, o caminho do empreendedor é uma jornada de construção do futuro. No início, aquela inquietação para criar algo novo, produtivo, que transforma a realidade, uma ideia.

O final, aparentemente, é ver a ideia concretizada através de uma

empresa, de uma ação social, de uma mudança na organização

009

unidade 1

é ver a ideia concretizada através de uma empresa, de uma ação social, de uma mudança

EMPREENDEDORISMO

de atuação do empreendedor. No entanto, não é bem assim, pois, parodiando um dito popular, “uma vez empreendedor, sempre empreendedor”. Isto é, quando começamos a desenvolver ideias e a realizá-las não paramos mais, queremos sempre fazer, construir e realizar mais. O mundo é sempre dinâmico, vivemos no meio de uma rede empreendedora e, por isso, é necessário um desenvolvimento constante de novas características e comportamentos empreendedores. Nesse momento, em que você está iniciando esse curso, está acontecendo mudanças que afetarão o seu futuro como empreendedor.

Ao final de nossa jornada, na Unidade 8, apresentaremos as habilidades que o empreendedor deve desenvolver para enfrentar o futuro desconhecido, inspirando você a caminhar por essa jornada, afinal:

A personalidade empreendedora transforma a condição mais insignificante numa excepcional oportunidade. O empreendedor é o visionário dentro de nós. O sonhador. A energia por trás de todas as atividades humanas. A imaginação que acende o fogo do futuro. O catalizador das mudanças (GERBER, 1996, p. 31).

Empreendedorismo:

conceitos básicos

Até quando você vai ficar preso a sua vaquinha? Parece um tanto quanto inusitada esta pergunta, mas logo você entenderá que todos nós temos uma vaquinha que precisamos abandonar para alçar novos voos.

vaquinha que precisamos abandonar para alçar novos voos. Conta a história que dois monges, um sábio

Conta a história que dois monges, um sábio e um aprendiz, foram visitar

um sítio onde morava uma família muito pobre. Rapidamente notaram que

a única fonte de renda da família era uma vaca magra que, de acordo com

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unidade 1

pobre. Rapidamente notaram que a única fonte de renda da família era uma vaca magra que,

EMPREENDEDORISMO

o pai, era suficiente para lhes dar o sustento. Ao terminar a visita, os dois monges iam se retirando do sítio quando o monge sábio pediu ao aprendiz que jogasse a vaca no precipício. O aprendiz ficou muito incomodado com

o pedido, mas resolveu atendê-lo.

Tempos depois, o monge aprendiz, inconformado com o que tinha feito, resolveu voltar ao sítio. Chegando lá, o aprendiz viu um cenário muito diferente do que encontrara na vez anterior. Agora o sítio estava cheio de plantação e de animais, inclusive de várias vaquinhas. O aprendiz, então, perguntou ao proprietário o que havia acontecido. Então, ele lhe respondeu: - algum tempo atrás, logo que vocês nos visitaram a nossa velha vaquinha caiu no precipício, achamos que seria o fim do mundo. Entretanto, isso nos deu coragem para mudar, desenvolver em nós habilidades e competências para descobrir novas oportunidades que antes não víamos por estarmos acomodados com a vaquinha.

Essa história mostra que também temos que nos desvincular da nossa “vaquinha”, de ideias ultrapassadas e abrirmos a mente para novos comportamentos. É esse o convite que o empreendedorismo nos faz. Certamente, nos últimos tempos, de alguma forma, você já ouviu sobre este termo, ‘empreendedorismo’, certo? Seja na TV, no rádio e em programas do governo, essa palavra tem sido bastante veiculada e, quase sempre, ligada à inovação. Embora tenha ganhado vigor somente a partir da década de 90, o termo empreendedorismo existe há mais de 800 anos. Segundo Dolabela (2006, p. 29) “Empreendedorismo não é um tema novo ou modismo:

existe desde sempre, desde a primeira ação humana inovadora, com o objetivo de melhorar as relações do homem com os outros e com a natureza”.

as relações do homem com os outros e com a natureza”. Embora tenha ganhado vigor somente

Embora tenha ganhado vigor somente a partir da década de 90, o termo empreendedorismo existe há mais de 800 anos.

O Empreendedorismo é uma palavra derivada do verbo francês entreprende

(empreender) que é usada para designar o ato de “fazer algo”.

Quem é que nunca “fez algo” novo? Quem é que nunca criou, reinventou ou inovou? Todo ser humano, em algum momento

011

unidade 1

nunca “fez algo” novo? Quem é que nunca criou, reinventou ou inovou? Todo ser humano, em

EMPREENDEDORISMO

da vida, já utilizou dessas habilidades, afinal, a criatividade é aspecto inerente à condição humana. Desde a criação da roda até os mais modernos aparelhos eletrônicos da atualidade, deparamo-nos com uma série de invenções que transformaram a vida humana.

Um dos mais marcantes empreendedores da história foi Marco Polo, que foi um homem de muitas facetas, atuando como explorador, embaixador e mercador. Como explorador, Marco Polo tentou estabelecer uma rota comercial para o oriente e, como empreendedor, assinou um contrato com um homem rico na promessa de vender suas mercadorias. Na estrutura didática da unidade 1, no texto “As fantásticas (e verdadeiras) aventuras de Marco Polo”, de Jacques Brosse, você poderá saber mais a respeito desse grande empreendedor.

FIGURA 1 - Marco Polo: o empreendedor

grande empreendedor. FIGURA 1 - Marco Polo: o empreendedor Fonte: MOSAICO DE MARCO POLO. [1271]. Dornelas

Fonte: MOSAICO DE MARCO POLO. [1271].

Dornelas (2008) explica que o termo Empreendedorismo, durante a história, foi utilizado de várias maneiras para designar indivíduos que se diferenciaram dos demais devido as suas características, tais como: criatividade, coragem e poder de transformação.

012

unidade 1

dos demais devido as suas características, tais como: criatividade, coragem e poder de transformação. 012 unidade

EMPREENDEDORISMO

Na Idade Média, o termo era usado para identificar indivíduos que assumiam grandes riscos ao gerenciar projetos de produção cujos recursos eram oriundos dos governos dos países. Já no século XVII, Dornelas (2008) explica que eram considerados empreendedores aqueles que firmavam contratos com o governo a fim de fornecer algum produto ou serviço.

FIGURA 2 - Thomas Edison: o valor das ideias 1

ou serviço. FIGURA 2 - Thomas Edison: o valor das ideias 1 Fonte: Site “Startup Quote”

Fonte: Site “Startup Quote” Thomas Edison.

No século XVIII, a palavra ganhou um outro viés, vindo a ser usada para identificar pesquisadores como Thomas Edison e outros estudiosos da eletricidade e da química. Ao final do século XIX e início do século XX, Dornelas (2008) afirma que os empreendedores passaram a ser frequentemente confundidos com administradores. Foi somente em 1945 que o termo Empreendedorismo ganhou contornos próprios. Um dos mais importantes economistas, Joseph Schumpeter, debruçou-se sobre esse tema, tornando- se um dos grandes responsáveis pelos estudos a respeito do Empreendedorismo.

Schumpeter

(1982),

ao

desenvolver

sua

Teoria

da

Destruição

1 Tradução: O valor de uma ideia reside na utilização da mesma.

013

unidade 1

sua Teoria da Destruição 1 Tradução: O valor de uma ideia reside na utilização da mesma.

EMPREENDEDORISMO

Criativa, dissertou sobre o impacto da criação de novos produtos que trazem como consequência a destruição de empresas e modelos de negócios que não inserem a inovação em suas práticas organizacionais. Nesse contexto, o autor apresenta

o Empreendedorismo como o principal elemento para o

desenvolvimento da economia e aponta o empreendedor como um agente de mudança, responsável pela inovação. Esta, por sua vez,

como a grande responsável pelo constante progresso econômico. Assim, Schumpter define o empreendedor como:

econômico. Assim, Schumpter define o empreendedor como: ] [ invenção em uma inovação bem sucedida e

] [

invenção em uma inovação bem sucedida e sua principal tarefa é a “destruição criativa”, a qual se dá através da mudança, ou seja, através da introdução de novos produtos ou serviços em substituição aos que eram utilizados (SCHUMPETER, 1982, p. 26).

uma pessoa que deseja e é capaz de converter uma nova ideia ou

A partir da concepção trazida por Schumpter (1982),

vários estudiosos deram sua contribuição na definição de Empreendedorismo. De acordo com Wildauer (2010, p. 25), Empreendedorismo é a “capacidade que uma pessoa possui de

formular uma ideia sobre um determinado produto ou serviço em

O autor apresenta o Empreendedorismo como o principal elemento para o desenvolvimento da economia.

um

mercado, seja essa ideia nova ou não.”

Birley e Muzika (2005) defendem que, independente dos

recursos que o empreendedor possui, a capacidade empreendedora está ligada às oportunidades vislumbradas por ele. Dornelas

também traz sua contribuição nessa discussão, ao afirmar que: “o empreendedorismo envolve o processo de criação de algo novo,

de valor. [

requer a devoção, o comprometimento de tempo e o

esforço necessário para fazer a empresa crescer” (2008, p. 23).

]

Por meio da contribuição trazida pelos autores, fica fácil compreender que o empreendedorismo está ligado a um comportamento inovador, que pode ou não se concretizar por meio

014

unidade 1

que o empreendedorismo está ligado a um comportamento inovador, que pode ou não se concretizar por

EMPREENDEDORISMO

da abertura de uma empresa. Em outras palavras, empreender não se limita a criar uma empresa. O comportamento empreendedor vai além desse aspecto e anda de mãos dadas com qualquer tipo de inovação.

e anda de mãos dadas com qualquer tipo de inovação. E você? Será que você possui
e anda de mãos dadas com qualquer tipo de inovação. E você? Será que você possui

E você? Será que você possui um comportamento empreendedor? Faça o teste disponível no tópico “aplicação na prática” dessa unidade e tire suas conclusões.

Apesar das várias definições existentes para o termo Empreendedorismo, os autores concordam com a premissa desenvolvida por Schumpeter (1982), de que o Empreendedorismo, por meio da inovação, propulsiona o desenvolvimento econômico.

Devido à importância que o empreendedorismo tem para o desenvolvimento econômico, o tópico a seguir convida você para discutir esse aspecto, apresentando os benefícios do Empreendedorismo, para as economias de países que o adotam, como um caminho para obter vantagem competitiva nesse mercado globalizado.

A importância do Empreendedorismo para o desenvolvimento econômico

Parabéns! Você está empregado! Esta era a frase que milhares de graduados costumavam ouvir assim que se formavam até a década de 70. Grandes empresas nacionais e multinacionais, ou órgãos públicos absorviam grande parte da mão de obra que se formava

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unidade 1

nacionais e multinacionais, ou órgãos públicos absorviam grande parte da mão de obra que se formava

EMPREENDEDORISMO

naquela época. Os salários eram convidativos nas empresas privadas e a estabilidade oferecida pelas repartições públicas era o sonho de muita gente. Frente a essa realidade, o ensino superior era voltado para os aspectos específicos da profissão, não havia

o interesse em discutir sobre empreendedorismo. Até mesmo

os cursos de administração ou de gestão tinham como foco a gerência de uma empresa, deixando de lado aspectos relacionados

ao comportamento empreendedor.

Contudo, esse cenário mudou. Na década de 90 pôde-se observar o aumento do número de desempregados (GRÁFICO 1). A mudança foi movida pelo contexto econômico e pela aceleração de abertura de instituições de ensino superior no Brasil. Melhor explicando, o aumento do número de instituições de ensino superior provocou, por consequência, um número cada vez maior de profissionais no mercado, intensificando a concorrência entre eles. Com um mercado profissional extremamente competitivo, foi preciso que o indivíduo revisse suas alternativas de renda. O caminho encontrado para isso foi o Empreendedorismo.

GRÁFICO 1 - Porcentagem de desocupados na PEA (População Economicamente Ativa)

de desocupados na PEA (População Economicamente Ativa) Fonte: ECONOMIA e SOCIEDADE, 2003, p. 115. Então, na

Fonte: ECONOMIA e SOCIEDADE, 2003, p. 115.

Então, na década de 90, o Brasil voltou o seu olhar para o que estava acontecendo no mundo e percebeu que essa necessidade de adequação, frente às transformações que estavam ocorrendo, não

016

unidade 1

e percebeu que essa necessidade de adequação, frente às transformações que estavam ocorrendo, não 016 unidade

EMPREENDEDORISMO

era exclusividade sua. O Empreendedorismo estava se apresentando para o mundo todo como a alternativa mais promissora diante dos problemas econômicos. Os seus benefícios eram evidentes em países como os Estados Unidos, que viu na década de 90 a redução da inflação e das taxas de desemprego ocasionados pelas políticas públicas de incentivo ao desenvolvimento do Empreendedorismo. Dornelas (2008) exemplifica algumas dessas políticas públicas, como: programas de incubação de empresas e parques tecnológicos; programas de incentivos governamentais para a promoção da inovação; subsídios governamentais para a criação de novas empresas, entre outros.

Além dessas ações de estímulo ao Empreendedorismo, pôde-se ver todo um movimento mundial voltado para educação empreendedora. Notou-se o desenvolvimento de currículos integrados às práticas empreendedoras em todos os níveis, da educação fundamental até o ensino superior. Dornelas (2008) aborda alguns deses programas desenvolvidos no mundo, tais como:

• Cap’tem (Bélgica): inserção de práticas empreendedoras no currículo da educação infantil, com a finalidade de desenvolver nas crianças, desde cedo, as habilidades da criação e da inovação.

• Bouleand Bill Createna Enterprise (Luxemburgo): programa voltado para as crianças. O programa baseia-se em histórias em quadrinhos que estimula mais crianças a agirem de forma empreendedora.

• NetWork For Training Entrepreneursip: programa que teve origem nos Estados Unidos e foi replicado em outras regiões do mundo. Consiste em ensinar Empreendedorismo para jovens em situação de risco social.

Todo esse esforço realizado no mundo, em prol do Empreendedorismo, deve-se, segundo Dornelas (2008), a um consenso geral a respeito dos benefícios das ações empreendedoras

017

unidade 1

deve-se, segundo Dornelas (2008), a um consenso geral a respeito dos benefícios das ações empreendedoras 017

EMPREENDEDORISMO

para o desenvolvimento econômico. Para Dornelas (2008, p.9), “o Empreendedorismo é o combustível para o crescimento econômico, criando emprego e prosperidade”. David (2004) reforça

os argumentos de Dornelas (2008) ao explicar a razão pela qual o

Empreendedorismo ganhou espaço nas escolas de gestão:

[

Empreendedorismo? Simples: o empreendedor é identificado como um dos fatores de crescimento e desenvolvimento econômico da sociedade, pois é ele quem gera riquezas, implementando inovações de todos os tipos nas organizações contemporâneas (DAVID, 2004, p. 15).

qual a razão de tanto interesse no

]

Para estudar todo esse movimento e seus benefícios, em 1997 um grupo de pesquisadores organizou o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), cujo objetivo é mensurar a capacidade empreendedora de um país e sua relação com o crescimento econômico. O programa GEM, de acordo com o IBQP – Instituto Brasileiro de Qualidade

e Produtividade - é o maior estudo anual sobre a dinâmica

empreendedora e conta com a participação de mais de 60 países. No Brasil, o órgão responsável pela pesquisa é o IBPQ e o seu parceiro SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), que fornece apoio técnico e financeiro para a pesquisa.

O programa GEM é o maior estudo anual sobre a dinâmica empreendedora e conta com a participação de mais de 60 países.

Os resultados do GEM 2012 são animadores para o país. A pesquisa apontou que o número de empreendedores no Brasil, passou de 20,9% em 2002, para 30,2% em 2012, o que indica que

cerca de 36 milhões de brasileiros estão envolvidos com atividades empreendedoras. E, mais do que isso, o resultado do PIB do Brasil, nesse mesmo período, cresceu, indicando uma relação entre

a atividade empreendedora e o desenvolvimento da economia brasileira. De acordo com o SEBRAE:

a evolução da taxa de Empreendedorismo é

compatível com o desenvolvimento da economia, cujo Produto Interno Bruto, PIB, cresceu em média 4% no período. Existe ainda uma tendência de expansão dessa taxa devido ao ambiente de negócios (Lei Geral, Super Simples e Empreendedor Individual); ao aumento da escolaridade e da renda da população. (SEBRAE,

] [

2013).

018

unidade 1

e Empreendedor Individual); ao aumento da escolaridade e da renda da população. (SEBRAE, ] [ 2013).

EMPREENDEDORISMO

Acredita-se que essa evolução deve-se, dentre outros fatores, aos programas desenvolvidos pelo Brasil para o incentivo ao Empreendedorismo. São exemplos disso os programas Softex

(Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro)

e

Genesis (Geração de Novas Empresas de Software, Informação

e

Serviço); Programa Empretec (Metodologia da Organização das

Nações Unidas – ONU), desenvolvido pelo SEBRAE. O Empretec é um programa voltado para o desenvolvimento de características de comportamento empreendedor e para a identificação de novas oportunidades de negócios; cursos e programas sobre Empreendedorismo oferecidos por universidades brasileiras em todo o país, dentre outros.

Apesar de todas as previsões otimistas e das evidências de que o Empreendedorismo é uma força motriz para a economia, vale ressaltar que a criação de uma empresa, por si só, não gera desenvolvimento econômico. Em outras palavras, não basta simplesmente criar uma empresa. Esse empreendimento tem que estar baseado em uma oportunidade real e deve ser bem planejado para que sobreviva aos primeiros anos e, dessa forma, gere os benefícios sociais e econômicos esperados.

Assim, é necessário evitar as práticas empreendedoras

desorganizadas e intempestivas, realizadas por uma necessidade

de sobrevivência do empreendedor, e otimizar o Empreendedorismo

por oportunidade, que é o que, de fato, um país precisa para crescer saudável.

O empreendedorismo por oportunidade é um tipo de motivação

empreendedora que se defronta com o empreendedorismo por necessidade. Você pode saber mais a respeito dessas duas motivações empreendedoras no texto temático da estrutura didática dessa unidade.

019

unidade 1

a respeito dessas duas motivações empreendedoras no texto temático da estrutura didática dessa unidade. 019 unidade

Perfil

empreendedor

O que caracteriza um empreendedor? Para responder a essa

questão, é necessário compreendermos que um empreendedor possui os atributos de um administrador. Então, poderíamos dizer que os termos empreendedor e administrador são sinônimos? Não, certamente que não. O indivíduo pode ser um administrador, mas não carregar consigo as características de um empreendedor. Dornelas (2008) explica essa diferença ao afirmar que “o empreendedor de sucesso possui características extras, além dos atributos do administrador, e alguns atributos pessoais que, somados a características sociológicas e ambientais, permitem o nascimento de uma nova empresa”, (DORNLEAS, 2008, p. 17). Um dos fatores que mais marca a diferença entre o empreendedor e o administrador é que os empreendedores são visionários e planejam com base na visão de futuro. Além disso, os empreendedores conhecem muito bem o negócio onde atuam, ou, pelo menos, cercam-se de pessoas experientes que possam lhes transferir conhecimento. O empreendedor também busca por soluções novas, é ousado, corre riscos calculados, é criativo e inovador.

EMPREENDEDORISMO

Um empreendedor é uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões.

Filion (1999) resume as características principais do empreendedor

ao dizer que este é uma pessoa criativa, marcada pela capacidade

de estabelecer e atingir objetivos. Além de manter um alto nível

de consciência do ambiente em que vive, usando-a para detectar

oportunidades de negócios. Um empreendedor que continua a aprender a respeito de possíveis oportunidades de negócios e a tomar decisões, moderadamente arriscadas, que objetivam a inovação, continuará a desempenhar um papel empreendedor. Resumindo nos aspectos essenciais: “um empreendedor é uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões” (FILION, 1999,

p.19).

020

unidade 1

“um empreendedor é uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões” (FILION, 1999, p.19). 020 unidade

EMPREENDEDORISMO

Dolabela (1999) também traz sua contribuição nessa discussão, ao apontar as características que, segundo ele, são próprias do empreendedor (QUADRO 1):

QUADRO 1 – Perfil empreendedor

Tem um “modelo”, uma pessoa que o influencia;

Tem iniciativa, autonomia, otimismo, necessidade de realização;

Tem perseverança e tenacidade para vencer obstáculos;

Considera o fracasso um resultado como outro qualquer, pois aprende com os próprios erros;

É

capaz de se dedicar intensamente ao trabalho e concentra esforços para alcançar resultados;

Sabe fixar metas e alcançá-las, luta contra padrões impostos; diferencia-se;

Tem a capacidade de descobrir nichos;

Tem forte intuição;

Tem sempre alto comprometimento;

Cria situações para obter feedback sobre seu comportamento e sabe utilizar tais informações para seu aprimoramento;

Sebe buscar, utilizar e controlar recursos;

É

um sonhador realista;

Cria um sistema próprio de relações com empregados;

É

orientado para resultados, para o futuro, para o longo prazo;

Aceita o dinheiro com uma das medidas de seu desempenho;

Tece “rede de relações” (contatos, amizades) internas e/ou externas modernas;

Conhece muito bem o ramo em que atua;

Cultiva a imaginação e aprende a definir visões;

Traduz seus pensamentos em ações;

Cria método próprio de aprendizagem, aprende indefinidamente;

Mantêm um alto nível de consciência do ambiente em que vive, usando-a para detectar oportunidade de negócios

Fonte: DOLABELA, 1999, p. 142.

Já Dornelas (2008) chama a atenção para alguns erros que são comumente cometidos quando o assunto são as características dos empreendedores. De acordo com esse autor, há mitos que devem ser vencidos, tais como: considerar que os empreendedores são natos, que assumem riscos altíssimos e que possuem dificuldade com o trabalho em equipe. O autor afirma ainda que a realidade mostra justamente o contrário. Se considerarmos que empreendedores são natos, de que adiantariam tantos programas de educação empreendedora? É certo que não se pode negar

021

unidade 1

são natos, de que adiantariam tantos programas de educação empreendedora? É certo que não se pode

EMPREENDEDORISMO

que algumas pessoas nascem com um conjunto de habilidades que favorecem um comportamento empreendedor, mas isso não significa que o Empreendedorismo não possa ser aprendido por meio do desenvolvimento de algumas características. Quem acredita nesse mito fica imobilizado, fadado ao insucesso. Os empreendedores natos existem e vão continuar nascendo, mas isso não invalida, de forma alguma, o processo de ensino das habilidades empreendedoras. Dornelas concorda com essa afirmação ao dizer que:

A essência do Empreendedorismo hoje em dia é a busca de oportunidades inovadoras. Para isso, as pessoas não precisam ter um dom especial, como se pensava no passado. Pelo contrário, qualquer pessoa pode aprender o que é ser um empreendedor de sucesso (DORNELAS, 2005, p. 20).

Acreditar que os empreendedores correm riscos altíssimos, como loucos, também é um mito grave. Os empreendedores correm riscos, porém, estes são cuidadosamente calculados e planejados. Os empreendedores evitam riscos desnecessários. Outro aspecto importante a considerar é que os empreendedores

são excelentes líderes, possuem um ótimo relacionamento com sua equipe. Delegam atividades, valorizam quem está ao seu lado, integram pessoas e conhecimentos. Atuam como facilitadores, conciliando diversas partes: fornecedores, funcionários, clientes, etc (DOLABELA, 1999). No objeto de aprendizagem “Notícia”, cujo título

é “8 mitos e verdades sobre o empreendedorismo no Brasil”, da

estrutura didática da unidade 1, voltaremos a falar sobre os mitos

que cercam os empreendedores e o próprio empreendedorismo de forma pormenorizada.

Os empreendedores evitam riscos desnecessários.

Enfim, pode-se afirmar que o que torna o indivíduo empreendedor

é o fato de ele ser visionário, de saber tomar decisões, de fazer a diferença. O empreendedor é alguém que explora ao máximo as oportunidades. De acordo com Dornelas (2008) os empreendedores são determinados e dinâmicos, dedicados, são otimistas e apaixonados pelo que fazem. São indivíduos que constroem o

022

unidade 1

e dinâmicos, dedicados, são otimistas e apaixonados pelo que fazem. São indivíduos que constroem o 022

EMPREENDEDORISMO

próprio destino, são independentes, organizados, bem relacionados, possuem conhecimento, planejam, criam valor para a sociedade e normalmente ficam ricos.

Dolabella (1999, p. 12) completa Dornelas (2008), ao afirmar que o comportamento empreendedor inclui “aprender a pensar e agir por conta própria, com criatividade, liderança e visão de futuro, para inovar e ocupar o seu espaço no mercado, transformando esse ato também em prazer e emoção”. Filion (1999) também contribui para essa discussão ao mencionar que o indivíduo precisa de visão, energia, liderança e relações para se tornar um empreendedor.

É importante ressaltar que, embora a maioria das definições considere o empreendedor como alguém que cria um novo negócio ou produto, ele pode ser também alguém que inova em negócios já existentes ou em produtos e/ou serviços que já existem. Indivíduos com esse tipo de comportamento é conhecido como intraempreendedor.

O intraempreendedor é uma pessoa que empreende em empresas

já existentes, por meio de um comportamento inovador. Em

outras palavras, é um funcionário diferenciado. A globalização e a crescente competitividade das empresas fizeram o mundo voltar os olhos para esse tipo de indivíduo que agrega muito valor às empresas e as faz mais competitivas no mercado. Esse indivíduo

é um tipo de empreendedor que não tem como objetivo a criação

de empresas. Há indivíduos que possuem todas as características empreendedoras, mas que preferem desenvolvê-las nas empresas onde trabalham. De acordo com Filion:

Intraempreendedores são pessoas que desempenham um papel empreendedor dentro das organizações. São semelhantes aos empreendedores, salvo que o risco que enfrentam é muito mais baixo, porque estão usando o dinheiro e os recursos da empresa, ao invés dos seus. Se forem bem sucedidos, serão beneficiados pelo seu sucesso. Trabalham em sistemas organizacionais nos quais têm menos poder que os empreendedores porque, como eles não são proprietários,

023

unidade 1

o empreendedor pode ser também alguém que inova em negócios.

porque, como eles não são proprietários, 023 unidade 1 o empreendedor pode ser também alguém que

EMPREENDEDORISMO

tem

que

seguir

regras

e

diretrizes

sobre

as

quais

não

tem

controle

(FILION, 2004, p. 74).

Não é difícil compreender que o estudo do intraempreendedorismo tem ganhado espaço nas discussões sobre gestão. Afinal, ter um empreendedor dentro das organizações confere a elas vantagens competitivas. As organizações estão inseridas em um ambiente efervescente de tecnologias, contingências e competidores. Se não criarem um ambiente propício para o aparecimento de inovações, elas perderão espaço no mercado. Voltaremos a discutir sobre esse assunto no vídeo “Intraempreendedorismo: empreendendo em empresas existentes” da estrutura didática, unidade 1. E também na unidade 2, quando o intraempreendedor é apresentado como uma das faces da inovação.

é apresentado como uma das faces da inovação. TESTE: VOCÊ POSSUI PERFIL EMPREENDEDOR? Será que você
é apresentado como uma das faces da inovação. TESTE: VOCÊ POSSUI PERFIL EMPREENDEDOR? Será que você

TESTE: VOCÊ POSSUI PERFIL EMPREENDEDOR?

Será que você tem o perfil empreendedor? Faça o teste elaborado pela

ACEB e descubra se você possui características empreendedoras

1 – Ao realizar trabalhos em grupo, você:

a.

Sempre dá ideias e gosta de participar do processo de elaboração

do trabalho;

b.

Nunca participa efetivamente e gosta que os outros façam tudo

por você;

c.

Dá boas ideias e colabora, mas só quando pedem sua ajuda.

2 – Ao terminar os estudos, qual foi a sua reação?

a. Ficou extremamente inseguro, porque não tinha noção do que

faria dali pra frente e por isso demorou a decidir que carreira

seguir;

b. Apesar do medo, decidiu ir à luta e traçar metas profissionais;

024

unidade 1

demorou a decidir que carreira seguir; b. Apesar do medo, decidiu ir à luta e traçar

EMPREENDEDORISMO

c. Sentiu-se contente e confiante em enfrentar os desafios que a vida iria lhe proporcionar.

3 – No início de sua carreira profissional, você:

a.

Tentava adquirir conhecimentos e experiência com os demais funcionários, mas nunca acreditou que isto o levaria a crescer profissionalmente;

b.

Sempre observava os profissionais à sua volta, principalmente os mais experientes, a fim de acumular conhecimentos que o fizessem crescer;

c.

Não dava a mínima para o que os outros estavam fazendo, o importante era cumprir as suas tarefas.

4 – Em sua vida profissional, quando surgem outras oportunidades de emprego você:

a.

Nunca as aceita, por mais positivas que elas sejam. A ideia de encarar um novo desafio o deixa muito inseguro;

b.

Fica extremamente contente por ter surgido a oportunidade de ascender profissionalmente em um ambiente novo e na companhia de outros profissionais;

c.

Analisa durante dias se esta será a melhor escolha e, se chegar à conclusão de que não tem nada a perder, aceita o desafio.

5 – Em qual dos perfis abaixo você melhor se encaixa?

a.

O líder;

b.

O observador;

c.

O flexível.

6 – Com que frequência você se informa sobre economia e o mundo dos negócios?

a. Pelo menos três vezes por semana;

b. Todos os dias, de preferência de manhã e à noite;

025

unidade 1

negócios? a. Pelo menos três vezes por semana; b. Todos os dias, de preferência de manhã

EMPREENDEDORISMO

c. Nunca. Fica sabendo das novidades somente quando alguém o informa.

7 – Como você toma decisões importantes na sua vida profissional ou pessoal?

a.

Consulta a opinião de amigos e parentes, mas a decisão final sempre é sua;

b.

Sempre coloca a opinião das pessoas próximas a você em primeiro lugar, afinal, elas gostam de você e só querem o seu bem;

c.

Não escuta a opinião de terceiros. Você é a pessoa mais indicada para tomar suas próprias decisões e traçar o seu caminho.

8 – Se algo der errado em algum projeto profissional, você:

a.

Não se deixa abalar, afinal, para que as coisas sejam resolvidas é necessário manter a calma;

b.

Acredita que tudo irá se resolver da melhor maneira, mas que é preciso trabalhar para que a melhora aconteça;

c.

Acha que o mundo está desabando e que, por mais que você se esforce, nada poderá ajudá-lo a resolver o problema.

9 – Você se considera criativo?

a.

Sim. Sempre procuro transformar ideias simples em negócios efetivos;

b.

Não. Por mais que eu me esforce para ter ideias, nada me vem à cabeça;

c.

Às vezes. Em dias de muita inspiração consigo ter ideias.

10 – Como você projeta sua vida para daqui 5 anos?

a. Procuro não pensar no futuro, pois meu sucesso depende muito da oportunidade dada por outras pessoas;

b. Tenho vários planos, entre eles o de montar meu próprio negócio.

026

unidade 1

dada por outras pessoas; b. Tenho vários planos, entre eles o de montar meu próprio negócio.

EMPREENDEDORISMO

Porém, não tenho muita certeza de que dará certo, pois muitas empresas fecham logo no início de sua existência;

c. Imagino-me um empreendedor de sucesso, com meu próprio negócio concretizado e bastante competitivo no mercado. Tenho este anseio e só depende de mim alcançá-lo.

Agora, veja os pontos correspondentes às suas respostas, conforme a tabela abaixo, e some para ver o resultado.

Questões A B C

10°

2 0 1

0 1 2

1 2 0

0 2 1

2 1 0

1 2 0

1 0 2

1 2 0

2 0 1

0 1 2

De 0 a 6 pontos: você não possui o perfil empreendedor. Se o seu grande objetivo profissional é constituir seu próprio negócio, é necessário que você mude diversas características se quiser obter sucesso. Comece se informando mais sobre o ramo em que quer atuar, procure ser mais otimista, ativo e mais seguro no momento de tomar decisões. Porém, não é interessante forçar a barra. Se você não nasceu para ser empresário, com certeza encontrará sua aptidão e obterá sucesso no que se propor a fazer.

De 7 a 14 pontos: se sua intenção é investir em um empreendimento, ainda faltam alguns passos importantes para que você consiga êxito.

027

unidade 1

é investir em um empreendimento, ainda faltam alguns passos importantes para que você consiga êxito. 027

EMPREENDEDORISMO

Você pode ser criativo, mas tem dificuldades em administrar uma equipe. Ou gosta de enfrentar desafios, mas sente-se inseguro no momento de

tomar decisões importantes

Administrar uma empresa é uma tarefa

difícil e requer bastante preparação. Portanto, você precisa se aperfeiçoar, e somente após se sentir seguro deve aceitar este desafio.

De 15 a 21 pontos: você nasceu para o empreendedorismo, pois possui as principais características que um empresário necessita ter: é otimista, criativo, independente e tem espírito de liderança. Você sente-se à vontade para tomar decisões difíceis, adora encarar desafios e sabe aproveitar as oportunidades. Portanto, se você sempre objetivou ter seu próprio negócio, agora mais que nunca você sabe que tem grandes chances de montá-lo, administrá-lo com excelência e caminhar rumo ao sucesso!

Para ajudá-lo a desenvolver o seu perfil empreendedor, recorra às associações comerciais e empresariais, que oferecem cursos e palestras, além de consultoria jurídica e contábil, tudo para auxiliá-lo a desenvolver seu talento e tomar as decisões corretas.

Fonte: FAÇA o teste: Você possui perfil empreendedor? Disponível em: <http://

www.administradores.com.br/noticias/negocios/faca-o-teste-voce-possui-perfil-

empreendedor/16260/>. Acesso em: 08 abr. 2015.

Revisão

Nessa unidade, discutimos o conceito de Empreendedorismo e como sua definição foi mudando no decorrer da história, sem perder a sua essência: a inovação. Também vimos a importância do Empreendedorismo para o desenvolvimento econômico, ressaltando que o ato de empreender de forma estruturada, o chamado empreendedorismo por oportunidade, pode contribuir para o crescimento de um país.

Também foi traçado o perfil do empreendedor e as diferenças entre ele e um simples administrador. Basicamente, um administrador conhece as técnicas de gerir um negócio, mas faltam-lhe características que são próprias do empreendedor, tais como:

028

unidade 1

de gerir um negócio, mas faltam-lhe características que são próprias do empreendedor, tais como: 028 unidade

EMPREENDEDORISMO

criatividade, ousadia, capacidade de correr riscos calculados, entre outras. Por fim, salientamos a existência de um tipo de empreendedor: o intraempreendedor, indivíduo que empreende em organizações já consolidadas, mencionando que essa discussão será retomada em outras partes do nosso material. Espera-se, portanto, que essa unidade possa ter inspirado você, aluno, a conhecer mais a respeito dos aspectos que norteiam o empreendedorismo.

a respeito dos aspectos que norteiam o empreendedorismo. Você pode refletir a respeito dos conceitos aprendidos
a respeito dos aspectos que norteiam o empreendedorismo. Você pode refletir a respeito dos conceitos aprendidos

Você pode refletir a respeito dos conceitos aprendidos nessa unidade assistindo ao filme “Tucker - Um Homem e Seu Sonho”. Esse filme conta a história verídica de Preston Tucker, um homem que conta com características empreendedoras e que fez inovações na indústria automobilística dos anos 40.

Há também artigos interessantes que falam a respeito do comportamento empreendedor e da sua importância pra a economia, tais como:

SCHMIDT, Serje; BOHNENBERGER, Maria Cristina. Perfil empreendedor e desempenho organizacional. ANPAD. RAC, Curitiba, v. 13, n. 3, art. 6, p. 450- 467, jul./ago. 2009.

FONTENELE, Raimundo Eduardo Silveira; et al. Empreendedorismo, Crescimento Econômico e Competividade dos BRICS: Uma Análise Empírica a partir dos Dados do GEM e GCI. ENANPAD. Rio de Janeiro. 4 a 7 de setembro de 2011. Disponível em: <http://www.anpad.org.br/admin/pdf/ ESO2080.pdf> Acesso em 08 abr. 2015.

PEDROSO, José Pedro Penteado; MASSUKADO, Marcia S. A relação entre o jeitinho brasileiro e o perfil empreendedor: interfaces no contexto da atividade empreendedora no Brasil. V EGEPE. Encontro de estudos sobre empreendedorismo e gestão de pequenas empresas. Disponível em: http:// www.anegepe.org.br/edicoesanteriores/saopaulo/87_trabalho.pdf Acesso em 08 abr. 2015.

029

unidade 1

em: http:// www.anegepe.org.br/edicoesanteriores/saopaulo/87_trabalho.pdf Acesso em 08 abr. 2015. 029 unidade 1

Os Desafios da Inovação

Introdução

O que é inovação? Quais são as suas faces? O que significa de

fato inovar e criar novos produtos e serviços? Quais são os tipos de inovação? O que significa inovação aberta? Esta unidade tem a finalidade de responder aos questionamentos acima. Além disso, caro aluno, esteja certo de que, após uma leitura dessa unidade, você se tornará capaz de compreender o que é inovação e conhecer

as suas diversas faces, saber conceituar o que é inovação disruptiva,

inovação incremental e inovação aberta. Ressalta-se, entretanto, que o importante é que você tome consciência de que “a inovação é um divisor de águas entre um líder e um seguidor”.

A inovação é chave para ajudar você a compreender que a sua

empresa pode expandir muito mais em um mundo em constante mudança. Qualquer empresa, organização ou pessoa, a título particular, pode ser inovadora. Ela não está ligada só diretamente às grandes organizações ou às grandes empresas industriais do planeta ou do Brasil, que oferecem grandes tecnologias para o mundo, mas também a qualquer pequeno negócio. Quaisquer empresas ou pessoas podem e devem ser inovadoras. A inovação não é exclusividade das grandes organizações.

O objetivo principal da unidade é conduzi-lo a conhecer os quatro

tipos de inovação: produto, processo, posição e paradigma, destacando, principalmente, a inovação de produto e processo. A inovação de processo consiste na implementação de métodos de produção inovadores, novos ou com melhorias. Portanto, a inovação é um processo contínuo, no qual uma nova ideia é criada

é um processo contínuo, no qual uma nova ideia é criada • Princípios da inovação •

• Princípios da

inovação

• O que é

inovação?

• As diferenças

entre imitação,

inovação e

invenção

• Características e tipos de inovação

• As vantagens competitivas da inovação

• Revisão

e invenção • Características e tipos de inovação • As vantagens competitivas da inovação • Revisão

e transformada em um conceito para implantar um produto ou serviço novo, com o objetivo de melhorar a vida das pessoas.

Em destaque está o esforço para conhecer os quatro tipos de inovação estratégica: a incremental, disruptiva, radical e aberta. Pense um pouco que a inovação é uma exigência dos tempos modernos e que somos terreno fértil de inovação continuada, chamados para produzir produtos e serviços renovadores a todo instante.

Bons estudos!

fértil de inovação continuada, chamados para produzir produtos e serviços renovadores a todo instante. Bons estudos!

Princípios da inovação

Agora que você já conhece os princípios do empreendedorismo

e suas vertentes, vamos debater um tema imprescindível para os

tempos modernos e que demanda que as pessoas, as organizações

e o mundo de forma geral se movimentem: a inovação. Hoje todo

mundo fala nisso. É uma questão fundamental para as organizações modernas e influencia sobremaneira no progresso de sua carreira, conforme foi explanado na Unidade 1 desse livro. As novas ideias

e a criatividade podem gerar oportunidades e dezenas de novos

empregos. O tema inovação está em todas as rodas de discussões dos executivos, na sala de reunião das grandes empresas, na roda

de amigos e alunos de uma faculdade.

Caro aluno, esteja certo de que, após uma leitura minuciosa deste conteúdo, você se tornará capaz de compreender melhor

o significado do termo inovação. Existem várias vertentes para

explicar qual o seu significado, mas, dentro dos objetivos traçados nessa unidade, vamos procurar uma linguagem que torne mais compreensível e que seja de grande importância, e de grande valia em seu avanço acadêmico e profissional.

EMPREENDEDORISMO

A inovação é

a chave para

ajudar a sua empresa a crescer e a expandir em um mundo de acelerada mudança.

A inovação é a chave para ajudar a sua empresa a crescer e a

expandir em um mundo de acelerada mudança. Está intimamente relacionada ao desempenho financeiro, já que uma inovação bem sucedida pode reduzir os custos de produção de artefatos ou serviços, criar nichos de mercado, introduzir novos artigos ou serviços que, por sua vez, é claro, farão com que sua empresa torne- se cada vez mais rentável e atraente.

Porém, é importante ressaltar que qualquer organização ou pessoa, a título individual, pode ser inovadora. Inovar não significa o condicionamento aos grandes negócios com emprego de recursos exorbitantes, com a contratação de um gestor de

033

unidade 2

aos grandes negócios com emprego de recursos exorbitantes, com a contratação de um gestor de 033

EMPREENDEDORISMO

inovação ou outro profissional altamente treinado e qualificado, com pós-graduação na área. As microempresas, por exemplo, com pequenas ideias empreendedoras, constituem terreno fértil para inovar.

Muitas necessidades do consumidor nasceram de pessoas criativas, com espírito inovador, que tiveram a ousadia de montar seu próprio negócio, ainda que pequeno, utilizando estratégias que pudessem atrair os diversos desejos dos clientes, exigentes e minuciosos.

Convido-o a assistir o vídeo “Pipoca do Valdir”, que é um exemplo de pequeno negócio inovador. Acesse: <https://www.youtube.com/

FIGURA 3 – Pipoca do Valdir

watch?v=ma8BHdAyieM > FIGURA 3 – Pipoca do Valdir Fonte: Site “Pipoca do Valdir”. Creio que é

Fonte: Site “Pipoca do Valdir”.

Creio que é possível perceber que a inovação é uma mudança que cria uma moderna dimensão de performance. É a capacidade profética de antecipar ao seu tempo. Concorda?

Para o pipoqueiro Valdir, viver a atitude de ser um empreendedor de sucesso é investigar, descobrir, apontar caminhos e, sobretudo, confrontar as várias faces da inovação utilizando recursos metodológicos para aproximar e descobrir a riqueza de uma visão diferenciada. É viver a ação transformadora. É surpreender e sentir uma mudança na mente diante das possibilidades de oferecer uma diferente realidade, mais criativa e cheia de novidades.

034

unidade 2

na mente diante das possibilidades de oferecer uma diferente realidade, mais criativa e cheia de novidades.

EMPREENDEDORISMO

Lembre-se, portanto, de que a inovação é de importância vital para as pequenas empresas. É o sangue, poder-se-á assim dizer, de qualquer pequena empresa próspera, ajudando-a a florescer e a ter sucesso.

O que é inovação?

Não raro, ouve-se uma pergunta muito comum: “Por que a inovação exige tanta atenção em nossos dias? ” A resposta é simples e imediata: porque o ritmo de mudança é muito rápido. Vejam os celulares, os computadores, as câmeras fotográficas e tantos outros equipamentos oferecidos pela moderna tecnologia. As alterações ocorrem em uma velocidade incrível. Porém, é necessário observar que as mudanças atendem às exigências de um mundo contemporâneo. Isso é a dinâmica da própria história. Estamos passando da era industrial para a era do conhecimento. Alguns estudiosos têm insistido em afirmar que quanto mais conhecimento agregado, maior será a nossa oportunidade de empregabilidade.

Todas as

empresas

precisam ser

inovadoras.

Numa atmosfera global de inovação contínua, a vantagem estratégica pode apenas advir daqueles que são líderes e não apenas de meros seguidores da mudança. A única forma de se tornar um verdadeiro líder da mudança pode ser alcançada através da inovação.

Todas as empresas precisam ser inovadoras. A realidade, contudo, é que a maior parte delas, particularmente as pequenas e médias, encontram dificuldades em compreender o conceito de inovação. Não sabem bem como usar os seus conceitos, imaginando que ela só se aplica às indústrias de alta tecnologia.

É importante ressaltar que existem muitas teorias acerca da inovação. Qual a sua definição, quais as suas principais

035

unidade 2

ressaltar que existem muitas teorias acerca da inovação. Qual a sua definição, quais as suas principais

EMPREENDEDORISMO

características e seus diversos tipos, como implementá-la? A sociedade, até hoje, não alcançou consenso (e possivelmente nunca alcançará) sobre uma teoria única de inovação. A partir de então, será possível conhecer alguns conceitos acerca do assunto. Vamos adiante

No dia a dia, a inovação é compreendida como criar algo que culmine no resultado desejado (Sakar, 2007). A partir dessa afirmativa, há uma pluralidade de compreensão sobre esse procedimento. Para melhor compreensão, veja:

sobre esse procedimento. Para melhor compreensão, veja: a palavra “inovar” deriva do latim in+novare, que

a palavra “inovar” deriva do latim in+novare, que significa “fazer novo”, renovar ou alterar. De forma simples, inovação significa ter uma nova ideia ou, por vezes, aplicar as ideias de outras pessoas em novidades ou de forma nova. (SAKAR, 2007, p. 115)

Dito isso, podemos esclarecer melhor que inovação significa o envolvimento da criatividade, de adaptação, de ideias novas com possibilidade de implementação e que gerem impacto.

Na visão de Bessant e Tidd, no primeiro capítulo do livro “Inovação e Empreendedorismo” há o registro da fala de profissionais da GE, Microsoft e Apple sobre inovação. Veja:

Estamos avaliando as lideranças da GE em relação a

sua capacidade de Criação. Líderes criativos são os que têm coragem de financiar novas ideias Liderar equipes para encontrar as melhores ideias e pessoas para assumir Ricos com maior preparo e método (J. Immelt, presidente e Diretor-executivo da General

Sempre dizemos a nós mesmos: temos

Eletric). (

que inovar. Precisamos ser os Primeiros a nos superar

(Bill Gates, Microsoft). (

A inovação é o divisor de

águas entre um líder e um seguidor (Steve Jobs,

Apple). (BESSANT e TIDD, 2009, p. 20)

)

)

Para o Manual Oslo (OCDE, 2005, p. 14), “inovação é uma implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método

036

unidade 2

de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo

EMPREENDEDORISMO

organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas”.

Se você observar e ler com atenção essa definição, perceberá que ela é bem vasta e abrange o bem ou serviço que a empresa faz, sua forma de fazer (processo), sua forma de planejar e organizar o seu mercado, e até mesmo sua forma de cuidar da gestão.

Outro ponto importante a observar na definição do Manual Oslo é que a inovação é uma implementação de algo novo ou melhorado. Isto é, não importa se é bem, serviço, processo ou método. Se ele não for novo e significativamente melhorado, e não for implementado, não é inovação. Significativamente melhorado quer dizer que a mudança deixou o produto melhor. Como exemplos, podemos citar bicicletas feitas de alumínio e celulares cada vez menores.

Outra questão importante a destacar na referida definição é que estamos falando de implementação, não só a definição teórica no papel, mas a sua realização de fato. A ideia que você teve foi implementada e está funcionado, ou seja, dando certo. Portanto, inovação é uma ideia que deu certo. O aparelho de DVD foi uma ideia que deu certo e gerou resultado, pois encontramos esses aparelhos nas residências nos dias de hoje.

Na visão de Simantob e Lipp (2003), existem vários conceitos de inovação, segundo várias personalidades. Sublinhamos dois teóricos muito conhecidos que podem ser muito úteis em nossa tarefa. O primeiro, Peter Drucker, da Universidade de Claremont, em seu livro, “Inovação e Espírito Empreendedor”, está escrito que inovação é: “o ato que contempla os recursos com a nova capacidade de criar riquezas, sendo que não existe algo chamado de recurso até que o homem encontre uso para alguma coisa na natureza, e assim o dote de valor econômico” (DRUCKER, 1987, p.

39).

Na visão de Giovanni Dosi (Universidade de Pisa), inovação é a

037

unidade 2

econômico” (DRUCKER, 1987, p. 39). Na visão de Giovanni Dosi (Universidade de Pisa), inovação é a

EMPREENDEDORISMO

busca, a descoberta, a experimentação, o desenvolvimento, a imitação e a adoção de novos produtos, novos processos e novas técnicas organizacionais.

Entretanto, nota-se que, depois de Joseph Schumpeter, que foi o primeiro economista a falar de inovação na última década do século XX, conforme discutimos na Unidade 1, a inovação passou

a ser reconhecida como um fator essencial para a competitividade das empresas.

Segundo Schumpeter,

A inovação está relacionada ao desenvolvimento econômico, sendo impulsionada pela criatividade quando há uma perturbação do equilíbrio, que altera e desloca para sempre o estado de equilíbrio previamente existente. Isso se chama destruição criativa (SCHUMPETER, 1984, p. 54. Citado por BARBIEIRI, 2005, p. 14).

A “destruição criativa” gera movimento e crescimento na economia, e

altera o estado de ânimo do empreendedor criativo e inovador.

A “destruição criativa” gera movimento e crescimento na economia.

Poderíamos, então, dizer que a inovação surgiu de um processo, evoluiu dos meios econômicos, sendo Joseph Schumpeter considerado o pai da inovação. Os investimentos das combinações de produtos e processos produtivos de uma organização influenciam diretamente no desempenho financeiro, de modo que o moderno empresário deve ocupar, simultaneamente, dois papéis de liderança:

econômica e tecnológica.
econômica e tecnológica.

Quantos produtos você conhece que poderiam ser considerados inovação?

Quer saber mais sobre isso? O Manual de Oslo é uma fonte muito rica de

informações referentes ao nosso tema alvo e recomendo a sua consulta. Ele

está disponível para download em: http://download.finep.gov.br/imprensa/

manual_de_oslo.pdf. Pense nisso!

038

unidade 2

para download em: http:// download .finep.gov.br/imprensa/ manual_de_oslo.pdf . Pense nisso! 038 unidade 2

As diferenças entre imitação, inovação e invenção

EMPREENDEDORISMO

Como se pode perceber, a inovação consiste em colocar as ideias em prática, gerando novos produtos ou serviços. Melhorando processos ou criando novos modelos de negócio que levem à ofertas de valor ao mercado com sucesso.

Porém, não podemos confundir o conceito de inovação de Schumpeter com invenção. São dois conceitos complementares e

diferentes, ao mesmo tempo. Há uma relação entre eles, distinções

e desafios. Nem toda invenção transforma-se em inovação e nem

toda inovação é proveniente de uma invenção. A inovação refere-se

a uma ideia, método ou objeto que é criado, que pouco se parece

com padrões anteriores. Há uma ruptura, pois algo novo surgirá e modificará antigos padrões.

Na visão de Cerqueira (1989), temos a melhor definição de invenção.

a invenção, de modo geral, consiste na criação de uma coisa até então inexistente, a descoberta é a revelação de uma coisa existente na natureza. Descobrir é o ato de anunciar ou revelar um princípio científico desconhecido, mas preexistente na ordem natural, e inventar é dar aplicação prática ou técnica ao princípio científico, no sentido de criar algo novo, aplicável no aperfeiçoamento ou na criação industrial (CERQUEIRA, 2007, p. 9. Citado por REQUIÃO, 1989, p. 223).

Não podemos confundir o conceito de inovação de Schumpeter com invenção.

A invenção é um ato de criar uma nova tecnologia, processo ou objeto. Está muito ligada ao protótipo, modelos, fórmulas e outros meios de registrar ideias. O ato de inventar, necessariamente, não responde ao conceito de inovar.

Na visão de Dosi (1988) “Inovação refere-se essencialmente à

039

unidade 2

não responde ao conceito de inovar. Na visão de Dosi (1988) “Inovação refere-se essencialmente à 039

EMPREENDEDORISMO

procura, à descoberta, à experimentação, ao desenvolvimento, à imitação e à adoção de novos produtos, aos novos processos de produção e às novas formas de organizações” (DOSI, 1988, p. 222). Observamos que, segundo Dosi, a inovação deve estar revestida de requisito de novidade e envolve a concepção de uma ideia direcionada para economia.

Como já mencionado anteriormente, a ação de inovar deve proporcionar um resultado concreto e aplicado. A inovação em qualquer situação cria novos valores, modifica comportamentos, interfere na economia, gera resultados e demanda aceitação de uma sociedade.

Podemos dizer que o processo de inovação demanda um elevado comprometimento e envolvimento das pessoas que estão envolvidas com o processo de mudanças, e busca contextos que proporcionam novas realidades, resultados e experiências.

Observe a figura seguinte na qual pode-se identificar a diferenciação entre inovação e invenção

FIGURA 4 - Os Traços da Inovação

inovação criatividade A ideia que se tornou um sucesso ideia A ideia que invenção ainda
inovação
criatividade
A ideia que se
tornou um
sucesso
ideia
A ideia que
invenção
ainda não se
tornou sucesso

Fonte: Elaborado pelo autor.

Como você pode perceber, a diferença entre invenção e inovação vem justamente do fato de que, se a ideia implementada resulta em um negócio que dará retorno ao seu idealizador, ela é uma inovação.

Michael Porter, uma das maiores referências no estudo da competitividade, cita que a inovação pode ocorrer a partir do momento em que a invenção chega ao mercado, passando a gerar lucro e dividendos no momento em que o novo conhecimento é

040

unidade 2

a invenção chega ao mercado, passando a gerar lucro e dividendos no momento em que o

EMPREENDEDORISMO

colocado em prática, criando novos produtos, serviços e processos, permitindo que a empresa cresça e se expanda.

Segundo o dicionário Michaelis (2012), imitação vem do latim e significa o ato ou efeito de imitar. Representação ou reprodução de uma coisa, fazendo-a semelhante a outra. Na figura a seguir temos um exemplo de imitação que gera, sem dúvida, prejuízos ao idealizador, no caso da Apple.

a) HiPhone (imitação de iPhone) e o iPhone da Apple

FIGURA 5 – Hiphone e Iphone

de iPhone) e o iPhone da Apple FIGURA 5 – Hiphone e Iphone Fonte: [Hiphone e

Fonte: [Hiphone e Iphone].

b)

FIGURA 6 – Hiphone e Iphone tela inicial

[Hiphone e Iphone]. b) FIGURA 6 – Hiphone e Iphone tela inicial Fonte: [Hiphone e Iphone

Fonte: [Hiphone e Iphone tela inicial].

041

unidade 2

[Hiphone e Iphone]. b) FIGURA 6 – Hiphone e Iphone tela inicial Fonte: [Hiphone e Iphone

EMPREENDEDORISMO

Então pergunto-lhe: olhando rapidamente para a primeira figura, qual é o verdadeiro? E se você olhar para a segunda figura, será que conseguiria ver com clareza a distinção entre ambos?

Criatividade, ideia, imitação, invenção e inovação não são as mesmas coisas, mas sim etapas diferentes de um processo. A criatividade promoverá o desenvolvimento de várias ideias. É um ato no qual o ser humano promove a descoberta de novas ideias e conceitos. Muitas delas serão descartadas, sejam por motivos técnicos, econômicos e/ou financeiros. Caso uma dessas ideias seja implementada, ela poderá se tornar uma inovação, se obtiver sucesso. Caso isso não aconteça, essa ideia terá se tornado uma boa invenção.

aconteça, essa ideia terá se tornado uma boa invenção. Um exemplo disso é o telefone móvel

Um exemplo disso é o telefone móvel celular. Quando apareceu, era grande, pesado, sendo até necessário uma maleta para carregar a bateria de energia. Tratava-se de uma boa invenção, apesar de não ter sido um sucesso logo no início. Com o andar da carruagem, os avanços tecnológicos, ele tornou-se um dos produtos mais inovadores e em constante inovação, sempre entregando ao usuário uma nova possibilidade, cada vez mais imprescindível.

A criatividade promoverá o desenvolvimento de várias ideias.

Características e tipos de inovação

Bessant e, Tidd e Pavvit (2008) classificam a inovação em quatro grupos:

1.

Inovação

de

consumidores.

de

produtos

e

produto: representada pela mudança

que a empresa oferece aos

serviços

042

unidade 2

de consumidores. de produtos e produto: representada pela mudança que a empresa oferece aos serviços 042

EMPREENDEDORISMO

2. Inovação em processo: mudanças na forma em que os produtos/serviços são criados e entregues; inclui mudanças significativas nas tecnologias, equipamentos e logística.

3. Inovação de posição: constituída por mudanças contexto em que produtos e serviços são introduzidos.

no

4.

Inovação de paradigma: deriva de mudanças nos modelos mentais subjacentes que orientam o que a empresa faz.

Na ilustração a seguir, é possível observar as relações entre as classificações de inovação apresentada por Besssant, Tidd e Pavitt:

FIGURA 7 - A inovação e sua classificação

Produto

Processo

INOVAÇÃO
INOVAÇÃO
inovação e sua classificação Produto Processo INOVAÇÃO Posição Paradigma Fonte: Elaborado pelo autor. Um exemplo

Posição

Paradigma

Fonte: Elaborado pelo autor.

INOVAÇÃO Posição Paradigma Fonte: Elaborado pelo autor. Um exemplo de inovação de produto é a introdução

Um exemplo de inovação de produto é a introdução de travagem ABS, expressão alemã “Anti blockeir-bremssystem”, que é um dispositivo de segurança que não permite que as rodas travem em frenagens de emergência e o sistema de navegação nos carros de GPS (Sistema de Posicionamento Global), e outros sistemas melhorados. Outro exemplo é um restaurante que vai até a sua residência e faz todo o cardápio para servir aos seus convidados. É um serviço novo que atende aos consumidores independente da sede da empresa. Assim como uma empresa que compra uma máquina para preencher um cheque com mais rapidez, facilitando a vida do cliente. Ou incorpora uma balança eletrônica que facilita a visualização do seu cliente.

043

unidade 2

a vida do cliente. Ou incorpora uma balança eletrônica que facilita a visualização do seu cliente.

EMPREENDEDORISMO

Já na inovação de posição, que outros autores chamam de mercadológica, agrega-se valor ao produto por meio de uma embalagem totalmente nova. Um exemplo é uma embalagem que não suja as mãos ao carregar uma pizza. A elaboração de um cadastro eletrônico e digital dos consumidores também pode facilitar a identificação e a empatia, gerando valor e lucro para o negócio.

No quarto tipo de inovação, Paradigma ou Inovação Organizacional, trata- se uma técnica nova. É sempre a primeira vez. Um exemplo é as nossas ginásticas laborais. A primeira vez que ela é implementada provoca qualidade de vida e melhoria no local de trabalho dos funcionários.

Segundo o professor Clayton Christensem (2011), da Harvard Business School, existem quatro tipos de inovação por estratégia. Porém, antes de conhecermos melhor sobre cada uma delas, gostaria de convidá-lo a assistir ao vídeo explicativo sobre inovação disruptiva. O vídeo tem como objetivo mostrar e explicar como um produto ou serviço atende com simplicidade, a baixo custo, às necessidades essenciais dos clientes. Também vai ajudá-lo a perceber o processo para desenvolver inovações disruptivas, um processo para criar produtos e serviços para novas fronteiras de mercado. Acesse o vídeo “Processo para desenvolver inovações disruptivas” no link <https://www.youtube.com/

Veja agora a ilustração que pode facilitar a compreensão dos quatro tipos de inovação por estratégia. Vamos explicar e citar exemplos para que fique clara a compreensão:

FIGURA 8 - Tipos de inovação por estratégia

Incremental

Aberta

INOVAÇÃO
INOVAÇÃO
de inovação por estratégia Incremental Aberta INOVAÇÃO Radical Disruptiva Fonte: Elaborado pelo autor. 044 unidade 2

Radical

Disruptiva

Fonte: Elaborado pelo autor.

044

unidade 2

de inovação por estratégia Incremental Aberta INOVAÇÃO Radical Disruptiva Fonte: Elaborado pelo autor. 044 unidade 2

EMPREENDEDORISMO

A inovação incremental é a que predomina na maioria das empresas. São pequenas, mas importantes mudanças que podem ser aplicadas em modelos de negócios, produtos e/ou serviços. Tem como objetivo modernizar um produto já existente e que já

tem aceitação do mercado. O seu propósito é garantir o consumo

existente do produto, atrair novos consumidores, gerar lucro

e

garantir aos clientes, que já são consumidores do produto,

conveniência e fidelização.

são consumidores do produto, conveniência e fidelização. Podemos citar como exemplo de inovação incremental as

Podemos citar como exemplo de inovação incremental as indústrias de carros, que mantêm por anos uma marca no mercado. Entretanto, atualizam anualmente o produto com as tendências do momento.

Para os pesquisadores Davila, Epstein, Shelton (2007, p. 61), a inovações incrementais “são uma maneira de extrair o máximo valor possível de serviços e produtos existentes sem a necessidade de fazer mudanças radicais e grandes investimentos financeiros”. Visa, pois, atender, através de melhorias, as necessidades dos clientes e aprimorar os processos e produtos atuais.

A inovação incremental é a que predomina na maioria das empresas.

A inovação disruptiva tem como objetivo substituir o produto

existente por outro mais moderno e atualizado. As empresas que ditam as tendências de diversos segmentos são exemplo de inovação disruptiva.

de diversos segmentos são exemplo de inovação disruptiva. Um exemplo clássico de inovação disruptiva é a

Um exemplo clássico de inovação disruptiva é a GOL. Entrou no mercado de transporte aéreo oferecendo serviços mais simples do que seus concorrentes, poucas rotas, baixa flexibilidade de alterações, barras de cereais, mas com uma contrapartida de preço que permitia a diversos consumidores o conforto de viajar de avião. Isso gerou até uma possibilidade de concorrência com as empresas de ônibus. Nesse caso, a GOL representa algo de inédito, um serviço inteiramente novo ao consumidor.

045

unidade 2

de ônibus. Nesse caso, a GOL representa algo de inédito, um serviço inteiramente novo ao consumidor.

EMPREENDEDORISMO

A inovação radical visa criar um novo conceito, com novos mercados e paradigmas. Segundo Davila, Epstein, Sheltpn (2007, p. 71), “inovações radicais são, pela própria natureza, investimentos de pouca probabilidade de retorno”. Porém, é primordial uma avaliação detalhada e bem planejada de um investimento nesse tipo de inovação, pois os riscos são maiores do que na inovação incremental.

os riscos são maiores do que na inovação incremental. Um exemplo típico de inovação radical são

Um exemplo típico de inovação radical são os bancos − organizações financeiras. Eles têm passado por uma metamorfose ao longo dos anos utilizando máquinas de multibanco, fundos acessíveis em qualquer parte do mundo com a utilização do cartão de plástico apropriado.

A inovação aberta está ligada àquelas empresas que compram ou licenciam processos de inovação (patentes) no lugar de criar seus próprios produtos inovadores. Aqui, é preciso cultivar uma rede de inovação, além dos limites da organização.

É preciso cultivar uma rede de inovação, além dos limites da organização.

Esse tipo de inovação busca encontrar as pessoas certas e procura integrar descobertas científicas de forma inovadora. O seu papel fundamental é fomentar o trabalho colaborativo entre todas as partes envolvidas no processo.

colaborativo entre todas as partes envolvidas no processo. Um exemplo de inovação aberta colaborativa é a

Um exemplo de inovação aberta colaborativa é a Brasil Foods, maior exportadora de carne de frango, que se preocupa com a gestão do conhecimento para fazer funcionar toda cadeia de desenvolvimento e tecnologia da empresa. As parcerias com a academia e programas de computador, ou de atividades gerenciais que permitem identificar possíveis nichos de pesquisa é uma constante na Brasil Foods. Todas as áreas trabalham juntas com um único objetivo: competitividade do produto

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unidade 2

na Brasil Foods. Todas as áreas trabalham juntas com um único objetivo: competitividade do produto 046

EMPREENDEDORISMO

Na visão de Chesbrough (2003), o modelo de inovação aberta, citado anteriormente,

consiste no conjunto de estratégias pelas quais as empresas podem adquirir tecnologia que necessitam de outras empresas assim como adquirir as patentes de tecnologia que tenham desenvolvido, mas que não pretendam utilizar. Numa inovação aberta, as empresas obtêm a sua tecnologia de múltiplas fontes. As estratégias abertas de inovação procuram a eficiência através de parcerias de negócio efetivas. (CHESBROUGH, 2003, p. 237)

A inovação aberta é altamente colaborativa, pressupondo-se que o

conhecimento para inovar encontra-se em qualquer lugar da rede de colaboradores de empresas e no mundo globalizado. Aqui, tem-

se um diálogo de escuta e atenção com todos os “stakeholders”, isto

é, os públicos interessados no negócio da organização. Existe um

intercâmbio, um trabalho participativo em redes para a definição

dos próximos passos e dos negócios das empresas. Empregados capacitados são considerados um recurso-chave de uma empresa

inovadora aberta, com uma equipe de gestão eficiente, aumentando

a capacidade de atendimento das necessidades dos clientes.

As vantagens competitivas da inovação

É possível perceber que, depois que você fez uma viagem pelos conceitos de inovação com todas as suas características abordadas, para que inovação torne-se vantagem competitiva, é fundamental equilibrar os modelos de inovação estudados. Far-se-á necessário, igualmente, avaliar o retorno, de modo que cada um possa oportunizar os negócios e as suas necessidades.

Davila, Tidd e Bessant afirmam que a única forma de uma empresa garantir seu futuro e perenidade é inovar, e ser mais adaptável

047

unidade 2

afirmam que a única forma de uma empresa garantir seu futuro e perenidade é inovar, e

EMPREENDEDORISMO

ao ambiente por meio da mudança. Veja a afirmativa de Davila, Epsteins e Shelton, que corroboram com a ideia de Bessant e Tidd:

o processo de inovação deve ser contínuo uma vez

que a tendência diante de um feito de sucesso é que

a concorrência tente a imitação. Desta forma, um

feito inovador deve ser constantemente aprimorado

ou ampliado ou mesmo arriscar novas abordagens

(BESSANT; TIDD, 2008, p. 26).

O que você pode perceber na citação anterior é que, embora as

empresas possam adotar formas semelhantes de inovação ou imitação de produtos, o resultado final dessa estratégia poderá ser diferente, pois os processos e conhecimentos fazem parte de

uma cultura e são diferentes, muito peculiares a cada empresa e

a pessoas. Portanto, a competitividade será diferente para cada

organização:

como cada organização tem uma combinação exclusiva e específica de estratégia da inovação, organização, processos, cultura, indicadores de desempenho e recompensas, os produtos de inovação de cada uma delas serão igualmente diferentes. Aquilo que a Apple desenvolve nunca sairia das linhas de produção da Dell ou da IBM. Cada empresa cria seu próprio tipo de inovação mediante o acrescimento de toques especiais (por exemplo, cultura, conhecimento específico recompensas diferenciadas). (DAVILA, EPSTEIN, SHELTON, 2007, p. 27)

Pare e pense um pouco sobre eles e retorne à figura “Tipos de inovação por estratégias”, estabelecendo os conceitos.

Percebe-se que não há como separar a inovação do conhecimento, pois inovar é “criar novas possibilidades por meio de combinações de diferentes conjuntos de conhecimentos” (TIDD, BESSANT, PAVITT, 2008, p. 35).

Agora, convido-o a lembrar dos pontos-chave de nosso estudo. A inovação é um processo contínuo, no qual uma nova ideia é criada e transformada em um conceito para implantar um produto ou serviço novo, com o objetivo de melhorar a vida das pessoas. Voltemos aos quatro tipos principais de inovação: produto, processo, posição e paradigma. Pare e pense um pouco sobre eles e retorne à figura “Tipos de inovação por estratégias”, estabelecendo os conceitos.

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pouco sobre eles e retorne à figura “Tipos de inovação por estratégias”, estabelecendo os conceitos. 048

EMPREENDEDORISMO

Em seguida, faça o esforço para relembrar-se dos quatro tipos de inovação estratégica: a incremental, disruptiva, radical e aberta. Pense um pouco que a inovação não se encontra somente nas grandes empresas industriais do planeta ou do Brasil, em que oferecem grandes tecnologias para o mundo. Quaisquer empresas ou pessoas podem ser inovadoras. A inovação não é exclusividade das grandes organizações. Você é um terreno fértil para a inovação!

Você é um terreno fértil para a inovação! AS COMPETÊNCIAS DOS INOVADORES Será desenvolvidas? que
Você é um terreno fértil para a inovação! AS COMPETÊNCIAS DOS INOVADORES Será desenvolvidas? que

AS COMPETÊNCIAS DOS INOVADORES

Será

desenvolvidas?

que

nascemos

inovadores

ou

essas

competências

podem

ser

Por mais de oito anos de pesquisas e entrevistas com quase 1000 executivos e empreendedores de sucesso, Jeff Dyer, Hal Gregersen e Clayton M. Christensen chegaram à conclusão de que existe um conjunto de características que distingue os profissionais inovadores. Para eles, a habilidade de gerar novas ideias não é mera função da capacidade cerebral, mas também fruto do desenvolvimento de comportamentos.

Segundo os autores, o DNA dos inovadores é complementado por competências de descoberta e execução. As cinco competências de descoberta cumprem um papel importante nas fases iniciais do processo de inovação, o que chamamos do “front end” do processo de inovação. Resumidamente elas são:

Questionar: fazer perguntas que desafiem o senso comum e as ortodoxias dos setores. Inovadores fazem mais perguntas. O que é isso? Por que é assim? E se fosse assim? Por que não fazer diferente? São perguntas comuns utilizadas pelos inovadores.

Observar: através da observação do comportamento dos consumidores, fornecedores, competidores e outros agentes, estabelece-se novas formas de fazer as coisas. Buscar o job to be done que está por trás do comportamento dos consumidores.

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formas de fazer as coisas. Buscar o job to be done que está por trás do

EMPREENDEDORISMO

Trabalhar em rede: lidar com pessoas de diferentes gerações, formações, áreas de atuação que possam trazer novas ideias e perspectivas. Combinar suas ideias com outras pessoas de áreas distintas para aprender coisas novas.

Experimentar: construir experimentos para testar incertezas, hipóteses e fazer emergir rapidamente insights e aprendizados sobre as ideias inovadoras. Questionar, observar e trabalhar em rede fornece insights e dados sobre o passado e o presente. Experimentar permite coletar dados sobre o comportamento esperado no futuro.

Associar: trata-se de conectar as diferentes perspectivas, questões, problemas e ideias, gerando uma nova solução que ainda não havia sido proposta. Pensar nos problemas como um conjunto de peças que podem ser recombinadas e em novas configurações.

As competências de descoberta devem ser complementadas com as competências de execução. São as competências necessárias para transformar as novas ideias em realidade.

As 4 competências podem ser definidas como:

Analisar – capacidade de organizar e coletar dados concretos para tomar as decisões corretas.

Planejamento – está ligada com a capacidade de estabelecer planos, metas e um conjunto de atividades que precisam acontecer para o projeto inovador chegar ao objetivo esperado.

Orientação aos detalhes – garante que os pequenos detalhes aconteçam conforme planejado, sem esquecer nenhum detalhe.

Auto disciplina – supera os obstáculos e mantém o cronograma definido para garantir os resultados dos projetos.

O vídeo abaixo traz um resumo das diferentes competências:

Assista ao vídeo “O DNA dos Inovadores – as competências para inovar” no link <https://www.youtube.com/watch?v=JI_Bpr9wQwY>

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– as competências para inovar” no link < https://www.youtube.com/watch?v=JI_Bpr9wQwY > 050 unidade 2

EMPREENDEDORISMO

A prática constante dessas habilidades aumenta a capacidade de gerar novas ideias e executá-las na prática.

Felipe Scherer

Fonte: SCHERER, Felipe. As competências dos inovadores. 02 set. 2014. In:

2015.

Revisão

Nessa unidade discutimos o conceito de inovação, a sua importância nas empresas e na vida pessoal. Também aprofundamos os quatro tipos de inovação: produto, processo, posição e paradigma. Conhecer os quatro tipos de inovação é de importância vital para as pequenas empresas serem mais prósperas e terem sucesso.

A inovação incremental é a que predomina na maioria das

empresas. São pequenas, mas importantes mudanças que podem

ser aplicadas em modelos de negócios, produtos e/ou serviços.

O seu objetivo é melhorar o já existente, sendo voltado para o

mercado concorrente.

A inovação disruptiva refere-se às empresas iniciantes no mercado,

com um custo menor, com mais simplicidade e com performance

em produtos estabelecidos.

A inovação radical visa a criar um novo conceito, com novos

mercados e paradigmas.

A inovação aberta, em que é preciso cultivar uma rede de inovação,

além dos limites da organização. Esse tipo de inovação busca

encontrar as pessoas certas e procura integrar descobertas científicas de forma inovadora. O seu papel fundamental é fomentar

o trabalho colaborativo entre todas as partes envolvidas no processo.

051

unidade 2

O seu papel fundamental é fomentar o trabalho colaborativo entre todas as partes envolvidas no processo.

EMPREENDEDORISMO

Também foi traçado o caminho para você começar a ser inovador. Basicamente, gerir um negócio inovador é colocar em prática algumas características que são próprias do empreendedor, tais como: criatividade, ousadia, capacidade de correr riscos calculados, entre outras. Espera-se, portanto, que essa unidade, possa ter inspirado você, aluno, a fazer a diferença na sua vida pessoal e na sua empresa.

a fazer a diferença na sua vida pessoal e na sua empresa. Você pode refletir a
a fazer a diferença na sua vida pessoal e na sua empresa. Você pode refletir a

Você pode refletir a respeito dos conceitos aprendidos nessa unidade, assistindo aos vídeos da HSM Educação Coorporativa. Confira no site:

https://www.youtube.com/user/HSMEducacao/videos

Ler o Livro: “A nova era da Inovação” de C.K. Prahalad e M.S. Krishnan. O livro traz uma visão moderna e aberta sobre o processo de inovação nas grandes corporações do mundo moderno.

052

unidade 2

traz uma visão moderna e aberta sobre o processo de inovação nas grandes corporações do mundo

Mapeando

oportunidades

Introdução

Prezado(a) aluno(a), tão importante quanto discutir a inovação é identificar quais ideias podem ser transformadas em oportunidade. Afinal, a inovação sem direção é como um barco sem leme. Assim, pretendemos nesta unidade fazer um convite a você para uma autorreflexão a respeito das oportunidades pessoais, discursando acerca de como o indivíduo pode recuperar seus sonhos e encontrar em suas vontades uma nova oportunidade de carreira.

Em seguida, esta unidade apresenta a diferença entre ideia e oportunidade. É a partir de uma ideia que surgem grandes oportunidades de negócio. Portanto, discutiremos os critérios para a análise de uma oportunidade, tais como: qual mercado ela atende? Qual sua vantagem competitiva? Qual retorno econômico ela trará? Dentre outras.

Além disso, nesta unidade você terá a chance de conhecer duas técnicas muito usadas no meio organizacional para a geração de ideias: a técnica de visualização e o brainstorming.

de ideias: a técnica de visualização e o brainstorming. • Oportunidades pessoais – descobrindo a si

• Oportunidades pessoais – descobrindo a si mesmo

• Ideia x oportunidade

• Critérios para análise de oportunidades

• Revisão

Ao término da unidade, espera-se que você seja capaz de diferenciar uma simples ideia de uma verdadeira oportunidade e que possa abrir seus horizontes para uma conduta mais criativa, sendo capaz de se comportar de forma proativa frente às possíveis oportunidades de mercado e/ou de carreira. Boa leitura!

capaz de se comportar de forma proativa frente às possíveis oportunidades de mercado e/ou de carreira.

EMPREENDEDORISMO

Oportunidades pessoais – descobrindo a si mesmo

Caro aluno, na unidade anterior, vimos que a inovação não é exclusividade de grandes organizações. Nesta unidade, expandiremos ainda mais essa questão, aplicando o conceito de inovação à descoberta de oportunidades.

Assim, a unidade se inicia com uma reflexão sobre as oportunidades pessoais. Isso mesmo! Você já parou para pensar sobre você, sua carreira e as oportunidades que o cercam? Para iniciar essa

reflexão, vou repetir uma pergunta que certamente você já ouviu na infância: o que você quer ser quando crescer? Para muitos, essa pergunta ainda não tem resposta, e se tem ela ecoa internamente incomodada com a realidade do dia a dia que não a representa.

E, para você? O que essa pergunta significa? Ela é um incômodo

ou um orgulho pelo fato de você ter conseguido concretizar o seu sonho infantil?

Essas questões são para você dar início à nossa reflexão. Afinal,

o que difere as pessoas que conseguem realizar seus sonhos

daquelas que se afundaram na frustração de ter que trabalhar em

algo que não lhes traz prazer? Bolles (2011), autor de “What color is your parachute” (Que cor é seu paraquedas?), dá uma explicação sobre isso. De acordo com ele, “a maior parte das pessoas que falham ao procurar seu emprego dos sonhos não é por falta de informação sobre o mercado de trabalho, mas por falta de informação sobre eles mesmos” (BOLLES, 2011. Citado por CLARK

et al, 2013, p. 85).

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unidade 3

mas por falta de informação sobre eles mesmos” (BOLLES, 2011. Citado por CLARK et al, 2013,
EMPREENDEDORISMO Ao afirmar isso, Bolles (2011) aponta a autorreflexão como um caminho para que o

EMPREENDEDORISMO

Ao afirmar isso, Bolles (2011) aponta a autorreflexão como um caminho para que o indivíduo encontre novas oportunidades para sua vida. Clark et al (2013) exemplifica o aspecto apontado por Bolles contando a história de Andrea Wellman, uma fotógrafa comercial. Andrea foi dispensada do seu emprego e tomou uma decisão: ao invés de correr para a agência de empregos e aceitar o primeiro emprego que aparecesse, ela resolveu preencher seu dia com compromissos com ela mesma, isto é, com atividades que lhe traziam prazer e que ela tinha deixado de lado em função da correria do dia a dia.

Assim, Andrea juntou duas de suas paixões: corrida e cachorro. Ela tinha uma cadelinha chamada Molly e começou a correr em sua companhia e, ocasionalmente, corria também com cachorros dos seus amigos. De acordo com ela, isso a mantinha feliz. Certo dia, Andrea leu uma reportagem sobre mudança de carreira e se deparou com a história de um homem em Chicago que corria com os cachorros em tempo integral, fazendo disso sua profissão. Andrea, então, percebeu que estava diante de uma oportunidade, isto é, assim como aquele homem, ela poderia ser uma corredora de cachorros profissional!

Andrea descobriu sua paixão e isso foi importante para identificar uma nova oportunidade. Bel Pesce, a famosa menina do vale, chama a atenção para isso ao afirmar que “quando você está apaixonado pelo que faz, de repente tem uma energia infinita para trabalhar dia e noite. É um sentimento um tanto quanto mágico” (PESCE, 2013, p. 57).

Movida por essa paixão, Andrea, embora estivesse um pouco incrédula de que pudesse ganhar dinheiro com essa atividade, resolveu ligar para seus amigos e perguntá-los se eles estariam dispostos a pagá-la para que ela continuasse a correr com os seus cachorros. Para sua surpresa, a resposta foi sim, pois essas pessoas notaram os benefícios que a corrida trouxe para seus animais. Então, Andrea transformou seu hobbie em profissão e, de repente, a partir de indicações de amigos, ela foi aumentando sua cartela de clientes, o que permitiu pagar todas as suas contas e fazê-la pensar que poderia profissionalizar ainda mais aquela atividade. Para

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pagar todas as suas contas e fazê-la pensar que poderia profissionalizar ainda mais aquela atividade. Para

EMPREENDEDORISMO

tanto, ela adicionou aos seus serviços o seguro de animais e criou um site.

Hoje, Andrea tem mais de 50 clientes e teve que contratar novos corredores

para ajudá-la. Ela resume sua experiência afirmando que seu trabalho,

além de ter permitido que ela vivenciasse seu sonho, criou uma forma de

outros corredores viverem os seus.

A história da Andrea nos mostra que às vezes uma crise nos empurra para algo melhor, se fizermos desse momento um período para refletirmos com cuidado sobre nossas carreiras. Mas, como podemos refletir a esse respeito sem ter que, necessariamente, passar por uma crise?

respeito sem ter que, necessariamente, passar por uma crise? Clark et al (2013), autor do livro

Clark et al (2013), autor do livro “O modelo de negócios pessoal – business

model you”, nos dá uma dica sobre isso. De acordo com ele, parar para

pensar em determinadas questões pode ajudá-lo a mergulhar em uma

autorreflexão significativa. Para isso, é importante pensar sobre:

Quem sou eu? O que você ama fazer? De quais atividades (jogos, hobbies,

esportes, etc.) você gosta? Quais tarefas fazem seu tempo voar? Além

disso, pensar a respeito de interesses internos e externos é importante. E,

por que não, voltar-se para os seus sonhos infantis pode apontar caminhos

interessantes para sua carreira. George Kinder, reconhecido como o pai

do movimento de planejamento de vida e fundador do Instituto Kinder do

Planejamento de Vida, valida essa afirmação ao dizer que:

cada um de nós carrega dentro de si uma ânsia secreta – que, com o passar o tempo, ao longo da vida, torna- se com frequência um arrependimento secreto. Esta ânsia será diferente para cada um de nós, já que é um traço muito pessoal de autoexpressão. Somente na medida em que cada um de nós formos capazes de trazer à tona as vontades reais do nosso coração, nossas vidas serão plenas, verdadeiramente válidas. (KINDER e GALVAN, 2006. Citado por CLARK et al,

2013, p.91).

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unidade 3

vidas serão plenas, verdadeiramente válidas. (KINDER e GALVAN, 2006. Citado por CLARK et al, 2013, p.91).

EMPREENDEDORISMO

Entretanto, às vezes nossas vontades foram tão sufocadas que não as reconhecemos mais. Pesce (2012, p.20) alerta sobre isso ao dizer que: “se você não tomar cuidado, corre o risco de se prender demais aos projetos do dia a dia e se esquecer de quais são seus planos a longo prazo”.

Essas intempéries cotidianas aparecem como obstáculos para os nossos sonhos, obscurecendo nossas vontades. Maslow, um psicólogo americano, já dizia que “não é normal saber o que queremos. É uma realização psicológica rara e difícil” (MASLOW, 1970. Citado por CLARK et al, 2013, p. 127). Então, como fazer para reencontrar nossas vontades? Qual o papel que o trabalho desempenha na sua vida hoje? O que ele representa para você? Ele corresponde às suas convicções sobre o verdadeiro significado de sua vida? Perguntas como essas podem fazê-lo encontrar suas vontades escondidas.

De acordo com Clark et al (2013), especialistas no assunto afirmam que o trabalho pode ter quatro significados diferentes para a pessoas, quais sejam: trabalho como emprego, trabalho como carreira, trabalho como vocação e trabalho como realização. Vamos compreender cada um desses significados?

Clark et al (2013) explica que o trabalho como emprego é o trabalho realizado em troca de algo, que, no caso, é o salário. Esse tipo de significado laboral não prevê muito envolvimento pessoal ou satisfação. O trabalho como carreira, ao contrário do anterior, é motivado pelo desejo de sucesso, realização e status. Esse tipo de significado dado ao trabalho, de acordo com Clark et al (2013), pode ser uma importante fonte de sentido para a vida. O autor continua explicando que o trabalho como vocação é encarado como uma missão, um chamado divino. Por fim, o trabalho como realização é tratado como “uma abordagem orientada por uma fonte de interesse (ou até mesmo passional) pelo trabalho - mas sem a esmagadora, abrangente natureza de uma vocação” (CLARK et al, 2013, p. 125). Esse tipo de significado também pode dar sentido à vida do indivíduo, pessoas que dão esse significado às

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unidade 3

tipo de significado também pode dar sentido à vida do indivíduo, pessoas que dão esse significado

EMPREENDEDORISMO

suas profissões geralmente privilegiam interesses pessoais sobre a recompensa financeira, explica Clark et al (2013).

Vislumbrar o trabalho como fonte de significado e não apenas como um meio de geração de renda pode fazê-lo encontrar novas oportunidades de carreira. Então, fique incomodado, pergunte para a criança que está dentro de você onde estão os seus sonhos? Encontre-os e abrace-os com dedicação e siga o conselho de Pesce:

o potencial humano é absolutamente incrível. Com paixão, determinação e iniciativa, é possível fazer qualquer sonho acontecer. Mas, infelizmente, muitas pessoas pensam de maneira diferente. Não deixe que essas pessoas o desencorajem (PESCE, 2012, p.71).

Então, procure se conhecer, encontre novas oportunidades para a sua vida, seja empreendedor dos seus sonhos, mude o rumo da sua profissão, torne-se o capitão do seu barco e navegue nas águas da satisfação.

Ideia x oportunidade

FIGURA 9 - Síndrome da jaula pequena

Ideia x oportunidade FIGURA 9 - Síndrome da jaula pequena Fonte: Grupo Anima Educação, (NEaD), 2015.

Fonte: Grupo Anima Educação, (NEaD), 2015.

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Ideia x oportunidade FIGURA 9 - Síndrome da jaula pequena Fonte: Grupo Anima Educação, (NEaD), 2015.

EMPREENDEDORISMO

Você sofre da síndrome da jaula pequena? Não sabe o que é isso? Conta-se a história de que um gorila vivia em um zoológico em uma jaula de 6x6 metros e um dia ele foi colocado em um ambiente maior. Um visitante observou que o animal, embora agora contasse com um espaço maior, usufruía apenas de parte desse espaço, vagando de um lado para o outro em um quadrado imaginário de 6 metros por 6 metros, como se continuasse na jaula pequena. O gorila da nossa história ilustra bem o comportamento de algumas pessoas que repetem sempre a mesma coisa mesmo diante de desafios diferentes. Elas criam jaulas, obstáculos imaginários que as impedem de criar. E aí? Agora você consegue responder se sofre da síndrome da jaula pequena? Se a resposta for positiva, não se desespere! Sempre é tempo de se desvincular das amarras que o impedem de encontrar a criatividade.

A criatividade nos permite ter ideias. Quanto mais a desenvolvemos, maior é a chance de criarmos. Muita gente se sente insegura quando são solicitadas a terem ideias. O receio está em encontrar um ponto de partida. Em resposta a esse temor, Dornelas sugere que a informação pode contribuir para o processo criativo. Segundo ele:

novas ideias só surgem quando a mente da pessoa está aberta para que isso ocorra, ou seja, quando está preparada para experiências novas. Assim, qualquer fonte de informação pode ser um ponto de partida para novas ideias e identificação de oportunidades de mercado (DORNELAS, 2008, p. 41).

Dornelas sugere que a informação pode contribuir para o processo criativo.

A atualidade nos fornece um leque de possibilidades quando o assunto é informação. O empreendedor pode usar como fonte de pesquisa: TV, internet, jornais, livros, revistas, participar de palestras, feiras de negócio, congressos, conversas com especialistas da área em que se pretende abrir um negócio, estar atento à mudança de hábito da população, etc.

Saunders (1997) citado por Birley e Muzyca (2005, p.25) também fornece sua contribuição, sugerindo três fontes de oportunidades:

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unidade 3

Birley e Muzyca (2005, p.25) também fornece sua contribuição, sugerindo três fontes de oportunidades: 060 unidade

EMPREENDEDORISMO

“anúncios; agentes e busca de oportunidades; ou, aguardar atentamente o surgimento de um negócio que você considere adequado aos seus objetivos”. O autor também explica que as ideias

podem surgir das necessidades e desejos das pessoas, que podem ser satisfeitas de diversas maneiras. David (2004, p. 31) concorda com Saunders ao afirmar que “o impulso para a ação que possibilita aos empreendedores a busca do desenvolvimento, conhecimento

e inovação, constitui as necessidades humanas individuais, que

podem ser chamadas de desejos, aspirações, objetivos individuais ou motivos”. Por isso, é imprescindível ficar atento às necessidades

e desejos da sociedade, deles podem surgir boas ideias.

Outro aspecto a ser considerado, de acordo com Saunders (1997),

é um nicho de mercado não explorado pela empresa do seu chefe. Você como empregado pode melhorar o que seu empregador realiza, abordando o mesmo mercado sob uma outra vertente.

De acordo com o mesmo autor, algumas técnicas podem ser úteis como fonte de ideias: visualização e brainstorming. A técnica de visualização é explicada como um processo de sonhar acordado, no qual o indivíduo deve procurar sonhar com seu próprio futuro, visualizando o negócio que deseja. Em meio a esse processo mental, podem surgir ideias interessantes para o empreendedor.

Em meio a esse processo mental, podem surgir ideias interessantes para o empreendedor.

O brainstorming, muito usado no processo de gestão, também pode

ser uma fonte de ideias. Dornelas (2008) explica que o brainstorming, cuja tradução literal é tempestade cerebral, é um método desenvolvido em grupo. Nesse grupo, as pessoas são estimuladas

a falarem livremente a respeito de um tema, uma necessidade ou

qualquer outra questão. Ao falarem livremente, uma série de ideias surge. Nesse momento, a criatividade não deve ser tolhida, isto é, não se deve avaliar se a ideia é factível, real ou viável. Em seguida, devem-se registrar aquelas ideias que pareceram mais coerentes, para que possam ser analisadas. O brainstorming tem algumas regras que devem ser obedecidas para que os resultados sejam satisfatórios. Dornelas esclarece essas regras:

061

unidade 3

que devem ser obedecidas para que os resultados sejam satisfatórios. Dornelas esclarece essas regras: 061 unidade

EMPREENDEDORISMO

1.

Ninguém pode criticar outras pessoas do grupo e todos estão livres para expor as ideias que vierem à cabeça, mesmo que aparentemente pareçam absurdas.

2.

Quanto mais rodadas entre os participantes melhor, pois serão geradas mais ideias. Sempre, em cada rodada, todos os participantes devem dar uma ideia a respeito do tópico em discussão.

3.

Podem dar ideias baseadas em ideias anteriores de outras pessoas. Essas combinações são bem-vindas e podem gerar bons resultados.

4.

A sessão deve ser divertida, sem que haja uma ou outra pessoa dominando. Apenas deve ser garantido que todos participem, sem restrições. (DORNELAS, 2008, p.42).

todos participem, sem restrições. (DORNELAS, 2008, p.42). As fontes de informação, aliadas à técnica de

As fontes de informação, aliadas à técnica de brainstorming, podem ser um bom caminho para aqueles que não se sentem tão inspirados a criar. Mas, pergunto a você, caro aluno, no processo empreendedor basta ter uma ideia? Quando o intuito é gerar um negócio, a resposta é não! Assim, passada a fase divertida do brainstorming, a avaliação de uma ideia se deve dar por um viés mais racional.

É necessário avaliar se a ideia pode se transformar em uma oportunidade, que, por sua vez, é uma ideia com potencial lucrativo.

que, por sua vez, é uma ideia com potencial lucrativo. Portanto, a oportunidade, em termos práticos,

Portanto, a oportunidade, em termos práticos, pode ser definida como “um conceito negocial que, se transformado em um produto ou serviço tangível oferecido por uma empresa, resultará em um lucro financeiro” (BIRLEY; MUZYKA, 2005, p.22).

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tangível oferecido por uma empresa, resultará em um lucro financeiro” (BIRLEY; MUZYKA, 2005, p.22). 062 unidade

EMPREENDEDORISMO

De acordo com estudiosos como Timmons (1994) e Hisrich (1998), citados por Dornelas (2008), o processo empreendedor tem seu início a partir da identificação de uma oportunidade. Em seguida, ela deve ser planejada por meio de um plano de negócio. A terceira fase

é a determinação e busca por recursos que coloquem a empresa

no mercado e, por fim, a última fase é o gerenciamento da empresa criada. A figura a seguir, demonstra, resumidamente, o processo

empreendedor:

FIGURA 10 - O processo empreendedor

IDENTIFICAR E AVALIAR A OPORTUNIDADE

1

• Criação e abrangência da oportunidade

• Valores percebidos e reais da oportunidade

• Oportunidade x habilidades e metas

pessoais

• Situação dos competidores

DESENVOLVER O PLANO DE NEGÓCIOS 1. Sumário 2 executivo 2. O conceito de negócio 3.
DESENVOLVER O PLANO DE NEGÓCIOS
1.
Sumário 2 executivo
2.
O conceito de negócio
3.
Equipe de gestão
4.
Mercado e competidores
5.
Marketing e vendas
6.
Estrutura e operação
7.
Análise estratégica
8.
Plano financeiro
9.
Anexos

DETERMINAR E CAPTAR OS RECURSOS NECESSÁRIOS

3

Recursos pessoais

Recursos de amigos e parentes

Angels

Capitalistas de risco

Bancos

Governo

Incubadoras

GERENCIAR A EMPRESA CRIADA

Estilo de gestão

4

Fatores críticos de sucesso

Identificar problemas atuais e potenciais

Implementar um sistema de controle

Profissionalizar a gestão

Entrar em novos mercados

Fonte: Núcleo de Educação a Distância (NEaD), Ănima, 2014 Adaptado de DORNELAS, 2008, p.27. Adaptado de Hisrich, 1998.

Ao observar a figura anterior, não é difícil concluir que a parte mais difícil do processo empreendedor é a identificação da oportunidade, pois, se a avaliação da oportunidade não for bem realizada, todo

o restante do processo ficará comprometido. De acordo com os pesquisadores do relatório GEM (2012):

quando indivíduos são capazes de reconhecer oportunidades de negócios e de perceber que possuem capacidade para explorá-las, pode-se afirmar que se encontram presentes elementos fundamentais para o florescimento de novos negócios, que irão

063

unidade 3

afirmar que se encontram presentes elementos fundamentais para o florescimento de novos negócios, que irão 063

EMPREENDEDORISMO

contribuir para o benefício de toda sociedade através

do desenvolvimento econômico e social do país, seja

com a criação de empregos, seja com o aumento da riqueza e sua distribuição (GEM, 2012, p. 25).

A essa altura, você já compreendeu a importância de identificar oportunidades, mas deve estar se perguntando: como reconhecer essas oportunidades? No intuito de responder a essa questão, o tópico a seguir discute alguns critérios e métodos de avaliação de oportunidade.

Critérios para análise de oportunidades

Quando o assunto é avaliar uma oportunidade, não se pode generalizar as condições ou tampouco fornecer uma receita pronta. Contudo, alguns critérios devem ser levados em consideração. Birley e Muzyca (2005) apontam alguns desses critérios. De acordo com eles, uma boa oportunidade não está ligada necessariamente a um baixo custo do produto e sim à criação de valor. Nesse contexto, entende-se por criação de valor algo originado de um produto ou serviço capaz de fortalecer a marca e a reputação da empresa, por meio do seu diferencial.

Outro aspecto que deve ser considerado é que não basta vislumbrar uma oportunidade, deve-se colocá-la em prática e nem todos fazem isso. Segundo esses mesmos autores:

o lucro fica para aqueles que desejam mostrar

iniciativa e realmente exploram e não para aqueles que somente pensam sobre uma oportunidade de negócio.

O pensamento criativo é maravilhoso, mas se não leva

à ação é somente um desperdício de energia (BIRLEY;

MUZYKA, 2005, p.23).

Também é comum que quanto mais complexa uma oportunidade, maior a chance de falhas. Isso acontece porque, quando a oportunidade é complexa, normalmente, ela fica dependente de uma

064

unidade 3

de falhas. Isso acontece porque, quando a oportunidade é complexa, normalmente, ela fica dependente de uma

EMPREENDEDORISMO

série de pessoas e processos que possam colocá-la em prática. Em meio a tudo isso, o empreendedor se perde e desiste da oportunidade.

Birley e Muzyca (2005) também destacam que nem sempre as oportunidades são encontradas em mercados emergentes ou muito “badalados”, pois o excesso de empreendimentos nesses mercados pode causar sua saturação. Muitas vezes é mais coerente encontrar um nicho de mercado que ninguém percebeu. Por fim, esses autores comentam que as oportunidades não são necessariamente resultado de invenções feitas pelo próprio empreendedor.

O empreendedor precisa buscar mão de obra especializada, centros tecnológicos, parceiros e pessoas capacitadas que coloquem em prática a sua ideia. Os empreendedores não precisam, portanto, investir tempo e esforço como inventores.

Além dos critérios levantados por Birley e Muzyca (2005), Dornelas (2005) argumenta que uma oportunidade deve ser avaliada a partir dos seguintes questionamentos:

FIGURA 11 - Avaliação de Oportunidades

Qual mercado ela atende? Qual retorno econômico ela trará? Quais são as vantagens competitivas que

Qual mercado

ela atende?

Qual mercado ela atende? Qual retorno econômico ela trará? Quais são as vantagens competitivas que ela

Qual retorno econômico ela trará?

Quais são as vantagens competitivas que ela dará ao negócio?

são as vantagens competitivas que ela dará ao negócio? Que equipe será necessária para transformar a

Que equipe será necessária para transformar a oportunidade em negócio?

O empreendedor está realmente disposto e comprometido com o negócio?

Fonte: Núcleo de Educação a Distância (NEaD), Ănima, 2014.

Uma das primeiras reflexões diz respeito ao mercado que a oportunidade virá a atender. É preciso verificar se esse mercado

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unidade 3

diz respeito a o mercado que a oportunidade virá a atender. É preciso verificar se esse

EMPREENDEDORISMO

tem potencial de crescimento. É preciso também averiguar a força dos competidores nesse mercado e a estrutura desse mercado. Dornelas (2008) explica que a avaliação da estrutura de mercado diz respeito à análise das seguintes características:

o número de competidores; o alcance (capilaridade) dos canais de distribuição desses mesmos competidores; os tipos de produtos e serviços que se encontram no mercado; o potencial de compradores (número de clientes potenciais e quanto consomem, com que periodicidade, onde costumam comprar, quando e como); as políticas de preços concorrentes, etc. (DORNELAS, 2008, p.46).

No que diz respeito à análise econômica e financeira, é necessário avaliar o retorno financeiro que essa oportunidade pode trazer. Para fazer essa análise, Dornelas (2008) comenta que é útil usar como referência o retorno oferecido pelo mercado financeiro. Então, é importante perguntar se o retorno financeiro que a oportunidade trará será superior ao retorno do mercado financeiro e se vale a pena correr o risco por ela. Nesse sentido, conceitos como ponto de equilíbrio, fluxo de caixa e payback são importantes para tomadas de decisão. O ponto de equilíbrio indica o momento em que a empresa não está tendo lucro e nem prejuízo. Já o fluxo de caixa, de acordo com Wildauer, “relaciona entradas, saídas e saldo assinalados de acordo com a linha de tempo (cronograma) de um projeto, com início no instante de tempo igual a zero” (WILDAUER, 2010, p.26). Quanto ao payback, ele indica para o empreendedor o prazo de retorno do investimento.

O ponto de equilíbrio indica o momento em que a empresa não está tendo lucro e nem prejuízo.

Em relação às vantagens competitivas, o empreendedor deve avaliar se a oportunidade traz consigo realmente um diferencial ainda não trabalhado no mercado e, mais do que isso, deve-se avaliar se esse diferencial é difícil de ser copiado.

A análise da equipe que vai gerir o negócio também é um critério importante na análise de oportunidade. A esse respeito, o autor explica que:

066

unidade 3

também é um critério importante na análise de oportunidade. A esse respeito, o autor explica que:

EMPREENDEDORISMO

de nada adianta identificar uma oportunidade, criar um protótipo de um produto, o mercado ser espetacular e promissor, o empreendedor ter desenvolvido um bom plano de negócios, se ele e sua equipe não estiverem à altura do negócio que está sendo criado. A experiência prévia no ramo conta muito, pois pode evitar muitos erros e gastos desnecessários, bem como agregar um conhecimento singular ao negócio (DORNELAS, 2008,

p.49).

Por fim, é preciso averiguar se você realmente está disposto a empreender e arcar com todas as dificuldades inerentes a essa prática. Faça uma autoavaliação, veja se você tem todas as características necessárias para empreender. Se não as tiver, procure desenvolvê-las antes de se aventurar a abrir um negócio. Além disso, veja se você tem conhecimento e identificação com o negócio com o qual pretende atuar. Dornelas (2008) chama a atenção para essa reflexão e ressalta que o empreendedor deve estar disposto a abandonar o emprego atual e todos os direitos trabalhistas, assim como ficar sem receber uma remuneração adequada por um período, e ser capaz de dispor de bens pessoais em função do negócio. É preciso também verificar se a família o apoia e se está disposto a trabalhar mais do que 10 horas. Enfim, é preciso que o empreendedor esteja consciente de todos os riscos e obstáculos que terá que enfrentar.

Além da avaliação dos critérios anteriores, Dornelas (2008) indica o uso de um roteiro denominado 3Ms para seleção de boas oportunidades. Esse roteiro parte de um checklist que visa responder algumas questões críticas. Essas questões, se bem respondidas, podem ser úteis na escolha de ideias com potencial de oportunidade. As questões desse método são agrupadas em três aspectos relacionados a: demanda de mercado, tamanho e estrutura do mercado e análise de margem. A figura a seguir ilustra os 3Ms envolvidos nessa técnica.

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unidade 3

e estrutura do mercado e análise de margem . A figura a seguir ilustra os 3Ms
FIGURA 12 – 3Ms Demanda do Tamanho da Mercado estrutura do Mercado Análise de Margem
FIGURA 12 – 3Ms
Demanda do
Tamanho da
Mercado
estrutura do
Mercado
Análise de
Margem

Fonte: Núcleo de Educação a Distância (NEaD), Ănima, 2014. Adaptado de DORNELAS, 2009, p.93.

EMPREENDEDORISMO

Na análise do primeiro aspecto, demanda de mercado, o empreendedor deve se preocupar em identificar: o público-alvo; o ciclo de vida do produto; os canais de acesso aos clientes; o valor agregado da empresa; o potencial de crescimento do mercado onde a empresa estará inserida; e o tempo de recuperação do investimento realizado para captação do cliente. No que diz respeito ao tamanho e estrutura do mercado, a preocupação deve estar relacionada a saber: se o mercado é emergente e/ou fragmentado; se há barreiras de entrada e se está preparado para transpô-las; se o número de concorrentes no mercado é elevado e se eles controlam a propriedade intelectual; em que fase do ciclo de vida o produto se encontra. É importante também identificar o tamanho do mercado em termos monetários e conhecer a estruturação do setor no que se refere a fornecedores, compradores, competidores e substitutos. Quanto à análise de margem, deve-se, de acordo com Dornelas (2008), identificar as forças do negócio, as possibilidades de lucro, o ponto de equilíbrio, os custos e a cadeia de valor do negócio.

Por fim, cabe ressaltar que é importante o empreendedor ter ciência de que existem diversos tipos de oportunidades. É lugar comum acreditar que as oportunidades são frutos de invenções

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unidade 3

diversos tipos de oportunidades. É lugar comum acreditar que as oportunidades são frutos de invenções 068

EMPREENDEDORISMO

tecnológicas. Birley e Muzyca (2005) destacam que, na verdade, esse tipo de oportunidade costuma ser exceção e não a regra. Ao refletir sobre isso, podemos dizer que a maioria das oportunidades são oriundas de ideias simples, em outras palavras, você não precisa ser um grande inventor para encontrar uma boa oportunidade.

Birley e Muzyca citam os tipos de oportunidades mais comuns.

Segundo eles, há oportunidades de risco, cujo potencial é elevado;

há também o contrário, isto é, oportunidades com riscos e retornos

menores. Os autores destacam que as melhores oportunidades

não se limitam a essa relação de risco/retorno.

Os empreendedores quando trabalham a oportunidade focam em seus próprios objetivos, o retorno se torna um fruto do seu sucesso. Assim, Birley e Muzyca (2005) destacam um outro tipo de

oportunidade, chamada por eles de oportunidades de estilo de vida. Nesse tipo de negócio, o empreendedor está muito mais interessado na qualidade de vida que terá com o desenvolvimento do negócio

do que propriamente com o lucro que ele trará. Em outras palavras,

o empreendedor ao buscar esse tipo de oportunidade abre mão de um lucro maior, para, por exemplo, ter mais tempo para usufruir com a família.

Os autores destacam que as melhores oportunidades não se limitam a essa relação de risco/retorno.

Seja qual for o tipo de oportunidade que o empreendedor esteja buscando, é importante que ele saiba mapeá-la dentre as várias

ideias obtidas. Todos os recursos aqui apresentados podem ajudar

o empreendedor a selecionar as melhores oportunidades. No

entanto, cabe ainda uma discussão a respeito das possibilidades de oportunidades existentes em outro cenário: o ambiente virtual.

No texto temático denominado “Oportunidades.com” que se encontra na estrutura didática desta Unidade 3, você poderá ter conhecimento a respeito dos principais tipos de oportunidades de negócios realizados na internet.

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unidade 3

ter conhecimento a respeito dos principais tipos de oportunidades de negócios realizados na internet. 069 unidade

EMPREENDEDORISMO

EMPREENDEDORISMO
EMPREENDEDORISMO

NOVOS EMPREENDEDORES DEVEM AVALIAR OPORTUNIDADE DE TER O PRÓPRIO NEGÓCIO

Cerca de 53% dos brasileiros com até 30 anos têm o sonho de abandonar a

vida de empregado e montar o próprio negócio. No Brasil são criados mais de 1,2 milhão de empreendimentos formais a cada ano e por pessoas de todas as idades. Desse total, mais de 99% são micro e pequenas empresas

e empreendedores individuais (MEI). No entanto, não é nada fácil tomar coragem e abandonar a segurança do emprego formal.

Em Porto Alegre, a gerente de loja, Patrícia Pilger começou em uma loja de móveis como caixa. Depois de cinco anos, já cansada da função, ela pediu ao chefe uma nova oportunidade. Foi para área de logística. Passaram- se dois anos e mais uma vez teve coragem de lutar por uma promoção. Agora é gerente de quatro lojas. “Eu faço um trabalho de coaching, que é para aprender a aprofundar mais o trabalho de gerenciamento de lojas e de pessoas. Eu sugeri esse cargo, que até então não existia”, conta Patrícia.

Ter atitude e propor mudanças pode ser a solução para melhorar um problema que incomoda a maioria dos trabalhadores. Segundo um estudo feito este ano com mais de três mil funcionários de 31 países, 57% das mulheres e 59% dos homens estavam insatisfeitos com o trabalho. Os principais motivos eram falta de oportunidade de crescimento e falta de um plano de carreira.

Quando o profissional decide sair do emprego, 31% dos homens e 12% das mulheres querem virar empreendedores. Foi o que aconteceu com a Lis Nunes, uma jornalista de Maceió.

A rotina era em uma redação de jornal

a jornalista resolveu mudar radicalmente e abriu uma loja de esmaltes. O

investimento não foi pequeno, cerca de R$ 100 mil. Mas a Lis pesquisou bastante e não se arrepende. Inclusive o negócio está se expandindo para outros estados! “É. E a coragem de empreender que em oito meses de loja, nós já tomamos uma proporção muito maior. E daqui a dois meses, teremos duas franquias no país: uma em Sergipe e outra no Rio de

Mas

Horário fixo, reportagens

070

unidade 3

dois meses, teremos duas franquias no país: uma em Sergipe e outra no Rio de Mas

Janeiro”, conta Lis.

EMPREENDEDORISMO

Segundo a consultora do Sebrae, Mônica Arruda, “é muito importante que o empreendedor invista sempre em conhecimento, porque a partir do conhecimento você tem informações sobre o seu mercado, você consegue

entender o ramo de atividade, entender melhor o funcionamento do próprio

negócio

suas necessidades internas para o mercado”.

E principalmente, conhecer internamente seus números e as

Fonte: NOVOS empreendedores devem avaliar oportunidade de ter o pprio

negócio. 29 out. 2012. In: Site “Jornal Hoje”. Disponível em: <g1.globo.com/jornal-

o-proprio-negocio.html>. Acesso em: 24 nov. 2014.

Revisão

Nesta unidade, começamos refletindo sobre vontades e sonhos, mencionando exemplos de pessoas que a partir do autoconhecimento identificaram novas oportunidades, associando o prazer e o trabalho. Em seguida, procuramos traçar a diferença entre ideia e oportunidade. Vimos que as ideias atuam no campo livre do pensamento, isto é, podemos ter uma série delas, sem muito compromisso com sua validade. Já a oportunidade, é uma ideia que tem potencial de retorno financeiro e que, por isso, sua viabilidade deve ser testada. Assim, os critérios para teste também foram investigados. Ao avaliar uma oportunidade, o empreendedor deve se questionar: qual mercado ela atende? Qual retorno econômico ela trará? Quais são as vantagens competitivas que ela dará ao negócio? Dentre outras reflexões. A unidade também deixa uma pergunta para você: os modelos de negócio via WEB podem se constituir como grandes oportunidades para o empreendedor? Esse é o convite para que você leia o texto temático “Oportunidades.com” da estrutura didática, onde discutimos esse aspecto, de modo que você possa tirar suas próprias conclusões.

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unidade 3

estrutura didática, onde discutimos esse aspecto, de modo que você possa tirar suas próprias conclusões. 071

EMPREENDEDORISMO

EMPREENDEDORISMO
EMPREENDEDORISMO

Livro:

CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo: dando asas ao espírito empreendedor. Empreendedorismo e viabilização de novas empresas - Um guia eficiente para iniciar e tocar seu próprio negócio. 3 ed. São Paulo:

Saraiva, 2009.

Este livro tem um foco mais técnico, destinado para aqueles cujo desejo é abrir um negócio. Ele traz exemplos de empresas e de soluções criativas.

Site:

Site do Instituto Endeavor: www.endeavor.org.br. Endeavor é uma organização internacional e representa um grande apoio a empreendedorismo e empreendedores. Neste site, você poderá ter acesso a uma biblioteca digital com obras que vão de conteúdo inspirador a conteúdo técnico.

E-book:

ENDEAVOR. 5 conselhos para se tornar um empreendedor de alto impacto. Disponível em: <http://info.endeavor.org.br/ebook-conselhos-empreendedor- alto-impacto>. Este e-book discute as características comuns entre grandes casos de sucesso e dá dicas essenciais encontradas no estudo feito com 55 empreendedores em 11 países para quem quer criar seu próprio negócio de alto crescimento.

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unidade 3

feito com 55 empreendedores em 11 países para quem quer criar seu próprio negócio de alto

Metodologias

empreendedoras

Introdução

Vocês puderam ver nas unidades anteriores as definições de empreendedorismo e as características dos empreendedores. Estudaram também sobre inovação, bem como as formas de aproveitar as oportunidades. Agora é o momento de aplicar esse conhecimento utilizando os instrumentos que o empreendedor tem

à sua disposição para desenvolver uma ideia, validá-la nos vários

aspectos do ambiente de negócio e planejá-la de forma a possibilitar

a sua realização.

Atualmente, falar em inovação virou “lugar comum”, isto é, todos nós buscamos por novidades, procuramos gerar inovações em nossas vidas. Isso acontece desde a busca de um novo aparelho de celular para nos comunicarmos e ter acesso às informações, até na busca por novos processos de trabalho – “novos jeitos de fazer as coisas”. E, porque não, buscamos continuamente melhorar as nossas vidas, nosso jeito de ser, aprendendo com os erros e evoluindo, inovando- nos. Estamos invadidos por uma onda de inovação.

inovando- nos. Estamos invadidos por uma onda de inovação. • Design thinking • Modelo de negócio

• Design thinking

• Modelo de

negócio canvas

• Estrutura do plano de negócio

Análise de

mercado

• Revisão

Mas nem sempre conseguimos alcançar nossos objetivos de inovação, não é mesmo? Qual foi a última grande novidade na sua vida? Ou simplesmente, quando é que aconteceu alguma coisa nova na sua vida

Bem, nas organizações empresariais pode acontecer o mesmo. Até em maior proporção. Muito mais que as pessoas, as organizações precisam inovar, renovar, criar novas maneiras de ser e fazer “as coisas”.

mais que as pessoas, as organizações precisam inovar, renovar, criar novas maneiras de ser e fazer

Mas e o empreendedor? Pois é, imagine o empreendedor que deseja implantar um novo negócio. Ele, então, precisa mesmo ser inovador. No mercado dinâmico, sobrevive aquele que sabe se refazer a cada instante e aquele que desenvolve um produto, ou serviço que seja diferente do já existente. Essa é uma das características do novo empreendedor (observe como estamos utilizando as expressões “novo” e inovador a todo instante).

É curioso como não observamos coisas simples da vida. O tempo é uma delas, constituído de três momentos que convivem eternamente. Temos sempre o que era, o que é, e o que será:

passado, presente e futuro. E entre os tempos, a transição, o período de mudança. O que significa que nada é definitivo.

É sobre isso que trata esse módulo. Vamos falar de tecnologias que apoiam os empreendedores nesse movimento de criação. Vamos tratar do Design Thinking, do Business Model Generation - Canvas – e do Plano de Negócio. Essas são as principais tecnologias utilizadas por empreendedores para pensar e colocar “no papel” suas ideias, seus sonhos, seus planos para o futuro.

O nome Design Thinking surgiu a partir da empresa IDEO (pronuncia- se “eye-dee-oh”) – www.ideo.com -, fundada em 1991 pelo americano Tim Brown. Nas palavras do fundador:

Eu fui treinado como um design industrial, mas por

muito tempo fiquei tentando compreender a diferença

entre ser um design e pensar como um design [

dia eu estava num chat com meu amigo David Kelley, professor em Stanford e fundador da IDEO, e ele me contava que toda vez que alguém perguntava a ele sobre design, ele inseria por conta própria a palavra “thinking” para explicar o que os designers fazem. O termo “design thinking” pegou. Eu agora uso esse termo como forma de descrição dos princípios de solução de

problemas. (BROWN, 2009, p. 4). (tradução nossa)

Um

]

Como diz Tim Brown, ao contar a origem da expressão, Design Thinking é um conjunto de princípios para solução de problemas.

Tim Brown, ao contar a origem da expressão, Design Thinking é um conjunto de princípios para

Isto através da geração de soluções e, consequentemente, geração

de ideias.

Essa metodologia é constituída por quatro etapas: Imersão, Análise

e Síntese, Ideação e Prototipação. Falaremos dessa metodologia em profundidade um pouco mais à frente.

O Business Model Generation – CANVAS – na tradução para o

português, quer dizer um modelo de análise da geração de um negócio. Ele é muito utilizado na fase de criação, geração ou validação de uma ideia de negócio. Só de imaginar que há um modelo para pensar o negócio já é uma grande inovação na área do empreendedorismo. Mas ele não é só um modelo, é também um novo jeito de pensar o negócio. Normalmente, o negócio, quando pensado por um empreendedor, é pensado isoladamente, solitariamente, guardado a sete chaves. Já no CANVAS, busca-se o

pensamento de forma coletiva, isto é, entre várias pessoas. É uma atividade coletiva e, sinceramente, não estamos acostumados

a pensar dessa forma. Por isso, você vai perceber isso, ele é uma grande inovação na área do empreendedorismo.

O Plano de Negócio, como vamos ver aqui, é muito utilizado para

tornar as ideias tangíveis. Sua origem não pode ser precisada, isto é, definida exatamente. Sabe-se que começou a ser utilizado nos Estados Unidos como um conjunto de informações exigidas por organizações financiadoras de negócios. A intenção era ter mais certeza sobre a aplicação que fariam de seus recursos. De certa forma, é essa a maior aplicação do Plano de Negócio até os nossos dias. Isto significa que as ideias ficarão compreensíveis, serão entendidas com facilidade por investidores ou por qualquer pessoa que tenha contato com o plano. Podemos dizer que todos os negócios precisam ser pensados, planejados, tangíveis e viáveis. Isso tudo está presente no Plano de Negócio. Nessa unidade vamos ver como isso acontece.

tangíveis e viáveis. Isso tudo está presente no Plano de Negócio. Nessa unidade vamos ver como

Para facilitar nossos estudos, iremos trabalhar em subtópicos, abordando três metodologias utilizadas por empreendedores. Cada uma delas com um propósito, não excludentes, mas complementares.

A primeira tratará do Design Thinking, utilizada no empreendedorismo para a geração de soluções de problemas ou geração de ideias.

A segunda é o Modelo Canvas, utilizada no empreendedorismo para criar e avaliar uma ideia, mapeando seus caminhos críticos.

A terceira é o Plano de Negócio, metodologia utilizada para apresentar as ideias aos investidores ou à base sobre a qual será construída a ideia empreendedora.

Como você pode observar, aquele que deseja tornar realidade uma ideia não está sozinho, e sim amparado por métodos de trabalho. Esses métodos objetivam reduzir a margem de erro e aumentar as chances de uma ideia ter sucesso quando deixar de ser planejamento, transformando-se em realidade.

Bom proveito em sua aprendizagem!

uma ideia ter sucesso quando deixar de ser planejamento, transformando-se em realidade. Bom proveito em sua

EMPREENDEDORISMO

Design

Thinking

Como mencionado na introdução, o método do Design Thinking

é utilizado para gerar ideias que solucionem problemas – gerar

soluções que são ideias. Podemos dizer que é uma evolução de uma

outra metodologia para geração de ideias, chamada brainstorming,

que com uma grande evolução.

As

duas metodologias são realizadas em grupo. No brainstorming,

cada membro do grupo, uma vez definido o problema, dá a sua ideia que vai sendo anotada por um outro participante. Ao final, eliminam- se as ideias que não parecem ser factíveis (realizáveis) e escolhe-se uma das outras. Essa técnica é muito utilizada no meio publicitário para escolha de nome de produtos ou ideias de campanha.

Já no Design Thinking, dado o problema, o grupo procura estudar

as possibilidades de solução. Dependendo da situação, há o envolvimento do cliente ou usuário final, numa aproximação da empresa com seu público. O fato é que há um estudo sobre o problema e seu contexto. Essa fase é denominada IMERSÃO.

A Imersão está dividida em duas etapas: Preliminar e em

Profundidade. A primeira tem como objetivo o reenquadramento e

o entendimento inicial do problema, enquanto a segunda destina-se

à identificação de necessidades e oportunidades que irão nortear

a geração de soluções na fase seguinte do projeto, a de Ideação. (VIANNA, 2012, p. 22)

A imersão preliminar tem o objetivo de definir as várias faces do

projeto e seus limites – o escopo do projeto – e identificar os “perfis dos usuários e atores-chave que deverão ser abordados”. (VIANNA,

2012, p. 22). A etapa de Imersão em Profundidade “inicia-se com

a elaboração de um Plano de Pesquisa, incluindo protocolos de

pesquisa primária, listagem de perfis de usuários e atores-chave

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unidade 4

de Pesquisa, incluindo protocolos de pesquisa primária, listagem de perfis de usuários e atores-chave 078 unidade

EMPREENDEDORISMO

para recrutamento e mapeamento dos contextos que serão estudados” (VIANNA, 2012, p. 23).

Ao final dessas duas fases, pretende-se alcançar informações seguras sobre as tendências de mercado sobre as quais a empresa atua ou atuará. Essas informações estarão contidas em cartões ou documentos que serão utilizados na fase seguinte.

Chamo a atenção que todo esse processo é realizado de forma coletiva e participativa. O empreendedor deve convidar pessoas de sua confiança para participar junto com ele desses levantamentos a respeito do seu problema.

com ele desses levantamentos a respeito do seu problema. Depois de passar pelas fases anteriores de

Depois de passar pelas fases anteriores de nosso curso, você descobre que tem uma habilidade enorme para lidar com pessoas, para fazer negociações, para vender produtos/serviços/ideias. Fica claro que você é muito bom nessas duas habilidades. Entretanto, você não sabe exatamente qual o negócio que melhor lhe atenderia nessa sua habilidade. Afinal, são tantas as possibilidades. Então o seu “grupo de trabalho” irá ajudá-lo a pesquisar sobre as possibilidades de aproveitamento dessas suas habilidades, conhecendo a fundo como funcionam as características de negócios e atividades, as várias formas de atuação possíveis e tudo o mais que utilize essa sua habilidade. Alguns irão entrevistar comerciantes (que naturalmente fazem isso no dia a dia), outros irão buscar informações na internet, e assim por diante. A próxima etapa é a ANÁLISE E SÍNTESE.

Chamo a atenção que todo esse processo é realizado de forma coletiva e participativa.

Terminada a IMERSÃO, é hora de fazer a análise dos dados e a síntese, isto é, organizar o material pesquisado para que ele possa ser utilizado por todos. Você poderá organizar em fichas, por exemplo. Aqui já se analisa com mais profundidade os dados coletados, verificando se não falta informações, se está completa a pesquisa realizada pelo grupo.

Ao final, o grupo deve sentir que dá para seguir com segurança para a próxima etapa.

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unidade 4

pelo grupo. Ao final, o grupo deve sentir que dá para seguir com segurança para a

A próxima etapa é a IDEAÇÃO.

EMPREENDEDORISMO

Essa fase tem início com um brainstorming – como dissemos, uma das técnicas mais utilizadas para a geração de ideias.

das técnicas mais utilizadas para a geração de ideias. Brainstorming é uma técnica para estimular a

Brainstorming é uma técnica para estimular a geração de um grande número de ideias em um curto espaço de tempo. Geralmente realizado em grupo, é um processo conduzido por um moderador, responsável por deixar os participantes à vontade e estimular a criatividade sem deixar que o grupo perca o foco. (VIANNA, 2012, p. 101)

Essas ideias podem ser colocadas num quadro e vão sendo observadas e analisadas por cada um dos participantes do grupo.

As discussões são permitidas e o grupo irá, naturalmente, filtrando

as ideias, selecionando aquelas que têm mais possibilidade de

acontecer.

Chamo a atenção para um fato importante. Existem grupos que, para diferenciarem as ideias, decidem que, ao final, deverá existir um certo número de ideias possíveis. Estas deverão ter níveis diferentes de possibilidades de acontecerem. Por exemplo, haverá uma ou duas ideias bem possíveis de acontecer – chamadas de “essenciais”; uma ou duas ideias mais improváveis – chamadas de “desejáveis”; e uma ou duas ideias improváveis de acontecerem – chamadas de “fora da caixa”. Essas ideias devem ser soluções para o problema proposto. No nosso exemplo devem aproveitar a sua habilidade de relacionamento e negociação.

A seguir

PROTOTIPAÇÃO.

vem

a

etapa

final

do

Design

Thinking,

denominada

A seguir vem a etapa final do Design Thinking, denominada PROTOTIPAÇÃO.

Na prototipação, segundo Vianna (2012) é realizada a “tangibilização

de uma ideia, a passagem do abstrato para o físico de forma a representar a realidade – mesmo que simplificada – e propiciar

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unidade 4

do abstrato para o físico de forma a representar a realidade – mesmo que simplificada –

EMPREENDEDORISMO

validações. É um instrumento de aprendizagem”. Essa etapa dá forma à ideia. É a hora de colocar a “mão na massa”, literalmente.

Vianna explica o motivo da prototipação:

Há várias maneiras de prototipar: utilizando papel, isopor, jogos de Lego, encenação, papelão. O importante é que o grupo veja a ideia.

Protótipos reduzem as incertezas do projeto, pois são uma forma ágil de abandonar alternativas que não são bem recebidas e, portanto, auxiliam na identificação de uma solução final mais assertiva. O processo de Prototipação inicia-se com a formulação de questões que precisam ser respondidas a respeito das soluções idealizadas. A partir disso, então, são criados modelos que representem o aspecto em aberto e que viabilizem o teste. (VIANNA, 2012, p. 124)

No nosso exemplo, o seu grupo fará a prototipagem da ideia que permitiria melhor a aplicação de suas habilidades (negociação e vendas de produto/serviço/ideias); aquela que fez você se sentir bem. Agora é hora de ver essa ideia funcionando e analisar se você estará feliz e satisfeito com o resultado. Se isso acontecer, termina aqui a utilização do Design Thinking e você terá uma ideia para ser trabalhada pelos nossos próximos instrumentos, o CANVAS e o PLANO DE NEGÓCIO. Se isso não acontecer, o grupo continua trabalhando nas outras ideias, até encontrar aquela que mais chance tem de fazer você se sentir bem. Veja a seguir a visão gráfica das etapas do Design Thinking.

FIGURA 13 – Etapas do Design Thinking

Design Thinking . FIGURA 13 – Etapas do Design Thinking Fonte: http://www.uniempre.org.br/user-files/images/

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http://www.uniempre.org.br/user-files/images/ design thinking_640x571.jpg . Acesso em: 17/06/2015. 081 unidade 4

EMPREENDEDORISMO

FIGURA 14 – Evolução do Processo de Design Thinking

FIGURA 14 – Evolução do Processo de Design Thinking Fonte: http://engenhariacotidiana.com/?attachment_id=1954

Modelo de negócio Canvas

Um grande mistério da atividade empreendedora é sobre como surgem as ideias e quando elas se tornam realidade. Há ideias que levam anos para serem pensadas e percebemos isso quando dizemos: “por que não pensei nisso antes?” Não é assim que acontece?

Para facilitar a geração de ideias existem diversas formas. Imagine você querendo escrever um poema de amor. Como você faria? Provavelmente, abriria a tela do seu celular e veria a foto da pessoa que você ama, e se concentraria pensando nas qualidades que essa pessoa tem, e o que ela significa para você.

E se você estiver pensando em criar um negócio, como faria? Seria diferente, claro. Bem, para criar um negócio, atualmente, utiliza- se uma nova ferramenta: Business Model Generation – conhecida como CANVAS. Traduzindo ao pé da letra: Modelo de Geração de Negócios. Canvas é uma palavra em inglês que significa tela. Então, temos que esse modelo de geração de negócios utiliza uma tela ou um quadro, se você preferir, como instrumento. E você verá na figura do CANVAS, um pouco mais à frente, que é mesmo uma tela. Mas

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como instrumento. E você verá na figura do CANVAS , um pouco mais à frente, que

EMPREENDEDORISMO

não é só o desenho do modelo que é uma tela, você terá também de construir uma. Vamos ver como construí-la logo a seguir, na hora de praticar.

ver como construí-la logo a seguir, na hora de praticar. Qual a diferença entre o Design

Qual a diferença entre o Design Thinking e o Canvas? Neste você já trabalha

uma ideia definida por aqueles que já utilizaram o Design Thinking. Para

os que não utilizaram o Design Thinking, o Canvas também pode ajudar na

geração de novas ideias. Mas o seu objetivo é tornar as ideias mais visíveis

do ponto de vista da sua implementação. Sob esse aspecto, o CANVAS

aprofunda a validação da ideia. Vejamos o porquê.

Daqui para frente, vamos chamar esse modelo somente de CANVAS, para que você possa guardar bem esse nome, se é que já não o memorizou. O CANVAS foi criado por Alexander Osterwalder, em 2004, quando defendeu a sua tese de doutorado na Universidade de Lousanne, na Suíça. Em 2009, através de uma rede de 470 colaboradores e junto com Yver Pgneur, Ostewalder publicou o livro Business Model Generation. O livro virou um sucesso mundial e é muito utilizado por empreendedores na área da internet, ganhando espaço cada vez maior entre todos os tipos de empreendedores. Dada a sua simplicidade, o CANVAS é acessível a qualquer empreendedor e é uma ferramenta muito útil na fase de elaboração da ideia de negócios. Vamos conhecê-lo agora.

CANVAS é acessível a qualquer empreendedor.

Objetivos do Canvas

Na introdução de seu livro, Osterwalder diz que, quando estamos falando de um novo modelo de negócio:

“precisamos de um conceito de Modelo de Negócios que todos compreendam: de fácil descrição, que facilite a discussão. Precisamos começar todos do mesmo ponto e falar sobre a mesma coisa. O desafio é que esse conceito deve ser simples, relevante e intuitivamente compreensível, ao mesmo tempo em que não simplifique demais a complexidade do funcionamento de uma empresa” (OSTERWALDER, 2011, p. 15).

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em que não simplifique demais a complexidade do funcionamento de uma empresa” (OSTERWALDER, 2011, p. 15).

EMPREENDEDORISMO

Portanto, o objetivo do modelo é facilitar a descrição e a discussão de um negócio. No nosso caso, entendemos negócio de forma ampla, substituindo o seu conceito por empreendimento ou ideia a ser empreendida, em qualquer campo, não somente no empresarial. Então, utilizando o modelo, o empreendedor poderá, de modo fácil,

compreender o seu negócio, visualizá-lo. O CANVAS veio para facilitar

a inovação nos negócios, uma vez que o modelo permite e desafia

a inovação. O modelo foi criado para gerar ideias inovadoras, mas

também propiciar o amadurecimento delas através de uma ação coletiva. Essa é a grande atualização que traz o modelo em relação

a outros, inclusive o Plano de Negócio (sobre o qual falaremos à frente): ele é trabalhado de forma coletiva.

Estrutura do Canvas

A rede CANVAS funciona da seguinte forma: ela tem nove componentes, como se fossem espaços que você deve preencher. Estes estão desenhados ou dispostos no Quadro em Branco do Modelo de Negócios.

O CANVAS veio para facilitar a inovação nos negócios.

Para cada um desses componentes existem perguntas básicas que você deve procurar responder.

Os nove componentes e as perguntas básicas estão a seguir:

1. Segmentos de clientes – um empreendimento nasce para atender a um ou a diversos clientes. Que clientes sua empresa quer atingir? Eles são diferentes ou têm a mesma característica (renda, grau de instrução, local onde moram, idade, gênero)? Quais são as necessidades deles? O que eles estão procurando? Exemplo: a Fundação Sara (www.fundacaosara.org.br) atende famílias carentes de recursos financeiros. Aquelas pessoas que usam seus serviços formam um público específico. Assim como uma loja da Ferrari (www.saopaolo.ferraridealers.com) atende a pessoas com alto poder aquisitivo.

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como uma loja da Ferrari ( www.saopaolo.ferraridealers.com ) atende a pessoas com alto poder aquisitivo. 084

EMPREENDEDORISMO

2. Proposta de valor – as pessoas só dão valor àquilo que resolvem seus problemas e satisfazem suas necessidades, essa é a proposta de valor, uma solução. Quais benefícios sua empresa oferecerá aos clientes? Será um serviço ou um produto? Quais as características dessa solução? Exemplo: um seguro de automóveis tem como principal valor oferecer segurança a quem o adquire. Mas não é só segurança, pode oferecer também comodidade, como uma rede de assistência técnica para revisões periódicas a preços mais econômicos.

3. Canais – você precisa levar a seus clientes o seu produto ou serviço. Eles precisam acessá-lo, conhecê-lo. Como a sua empresa fará a comunicação com os clientes? Como o serviço ou produto será entregue ao cliente? Como o cliente saberá da sua proposta de valor? Exemplo: seu serviço ou produto poderá ser acessado pela internet, mas também poderá ser encontrado em uma loja física, situada num bairro ou dentro de um centro comercial.

4. Relacionamento com o cliente – será necessário estabelecer relacionamentos com os clientes e também mantê-los ao longo do tempo. Que tipo de relacionamentos sua empresa estabelecerá? Quais meios utilizará para manter esse relacionamento? Exemplo: para construir um relacionamento, sempre a longo prazo, você precisará de um programa de fidelização, incentivando o cliente a fazer mais compras ou utilizar seus serviços. “Se o cliente almoçar dez vezes em seu restaurante, ganhará uma refeição grátis” é uma prática comum.

5. Fonte de receitas – se você oferece uma proposta de valor (veja a definição no item 2), os clientes estarão dispostos a remunerar por ela. Quais são as fontes de receitas? Como o cliente remunerará o serviço ou produto? Quais serão as condições de pagamento? Exemplo: seus clientes podem necessitar pagar a prazo, dividir em parcelas, dependendo

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de pagamento? Exemplo: seus clientes podem necessitar pagar a prazo, dividir em parcelas, dependendo 085 unidade

EMPREENDEDORISMO

do valor do seu serviço ou produto. Então suas receitas virão ao longo do tempo e não toda de uma vez, o que acontece quando o pagamento é feito à vista.

6. Recursos-chave – Existe sempre um recurso que não pode

faltar para que o seu empreendimento alcance o sucesso. Quais são os recursos-chave de seu negócio? Quais são os mais relevantes para que o negócio funcione bem? Exemplo: os recursos financeiros são sempre chave para

a maioria das organizações, mas para outras pode ser a

tecnologia, para outras, a estrutura de transporte. Mas lembre-se de que estamos falando no plural, “recursos”.

7. Atividades-chave – são aquelas atividades que, se não são realizadas, trarão prejuízos à operação ou à imagem da empresa na “produção” ou entrega do valor. Quais as atividades mais importantes da empresa? Quais devem ser feitas para que o modelo de negócio dê certo? Um exemplo:

se você desejar criar uma atividade de ajuda humanitária,

a atividade de captação de recursos é uma das atividades-

chave. Assim como a tecnologia de vendas online não pode faltar àqueles que atuam no comércio eletrônico.