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MACROECONOMIA II Capítulo 20 Taxas de Câmbio e o Sistema Monetário Internacional

Balanço de Pagamentos1 O balanço de pagamentos (BP) de um país registra as transações entre residentes e não-residentes durante um determinado período de tempo (mês, trimestre, ano). As diferentes contas presentes no BP refletem os diferentes tipos de transações que podem ocorrer entre tais residentes e não-residentes. Essas transações envolvem bens, serviços e renda, além de fluxos de recursos para compra de ativos fixos ou financeiros, empréstimos e financiamentos. A instituição responsável pela divulgação do balanço de pagamentos no Brasil é o Banco Central. O balanço de pagamentos é dividido em subcontas, são elas:

(A) Conta Corrente (Current Account) (A.1) Balança Comercial: O saldo desta conta é o saldo das exportações menos as importações de mercadorias do país no período. Se o país exporta mais do que importa dizemos que a balança comercial é deficitária, analogamente, se o país exporta mais do que importa dizemos que a balança comercial é superavitária. (A.2) Serviços e Rendas (líquido): Como o próprio nome indica, dentro desta conta temos duas contas: a conta de serviços e a conta de rendas. Na conta de serviços são registrados serviços de diversos tipos, incluindo fretes, turismo e viagens governamentais, seguros, serviços governamentais, entre outros. Já a conta de rendas é lançada os valores entre residentes e não-residentes relativos a rendas do trabalho e do capital (remessas de lucros, juros, dividendos). O saldo desses pagamentos é conhecido como renda líquida enviada ao exterior (RLEE) ou Renda Líquida Recebida do Exterior (RLRE), dependendo se o resultado é positivo ou negativo. (A.3) Transferências Unilaterais Correntes: Nesta conta são registrados todos os tipos de pagamentos que ocorrem sem contrapartida de algum bem ou serviço, isto é, que têm caráter de doações. (B) Conta Capital e Financeira: Esta conta registra todos os fluxos de entrada e saída de capital classificados em diversos tipos. (B.1) Conta Capital: desempenha a função de registrar as transferências unilaterais que têm caráter de capital, tais como doações feitas de máquinas, equipamentos e patentes. (B.2) Conta Financeira: Nesta conta são registrados quatro tipos diferentes de investimento: Investimentos Diretos; Investimentos em Carteira; Derivativos e Outros Investimentos. Vale destacar que os três últimos tipos de investimento registrados nesta conta têm caráter mais volátil e costumam entrar e sair do país de maneira mais instável.

(C) Erros e Omissões: Nem todas as transações internacionais podem ser registradas

adequadamente, por isso, esta parte é fundamental para o fechamento do balanço de pagamentos.

(D)

Resultado do Balanço de Pagamentos = A + B + C

(E)

Haveres da Autoridade Monetária: se tivermos superávit no BP (saldo da

conta D acima) o excesso é transferido para esta conta, contrariamente, se tivermos déficit

no balanço de pagamentos, os recursos para fechar contabilmente o balanço são retirados desta conta, também conhecida como estoque de Reservas Internacionais. A conta de variação de reservas internacionais é uma subconta utilizada para registrar a variação nos haveres da autoridade monetária. Temos que:

Conta Corrente + Conta Capital e Financeira = - Reservas Internacionais Assim, o aumento das reservas ocorre quando há retirada de reservas do BP para incorporar às reservas internacionais e, dessa forma, tal aumento é lançado a débito. Por outro lado, a redução das reservas ocorre quando é preciso buscar os recursos no estoque

de reservas e introduzi-los no BP para contrabalancear o resultado negativo, sendo assim lançada tal redução a crédito. Abaixo temos uma estrutura simplificada do Balanço de Pagamentos.

temos uma estrutura simplificada do Balanço de Pagamentos. Taxas de Câmbio e Mercado de Moeda É

Taxas de Câmbio e Mercado de Moeda É de suma importância compreender a relação entre o balanço de pagamentos e o mercado de câmbio. É essencial perceber que todos os débitos do balanço de pagamentos representam a demanda por moeda estrangeira, isso ocorre, pois, para comprar um carro japonês, por exemplo, apesar de pagarmos em dólares, o exportador quer receber em ienes, por isso, os dólares precisam ser trocados por ienes. Visto por um outro ponto de vista, os débitos do balanço de pagamentos representam a oferta de dólares no mercado de moeda estrangeira. Por outro lado, os créditos do balanço de pagamentos são iguais à oferta de moeda estrangeira ou à demanda por dólares no mercado de moeda estrangeira. Mercado de Moeda Antes de analisar o mercado de moeda vamos fazer algumas simplificações:

vamos assumir que existem apenas dois países (Estados Unidos e Alemanha) e que os bancos centrais não intervêm no câmbio. A taxa de câmbio entre esses dois países é expressa como o preço do euro em termos do dólar (US$/€), nesse caso, um aumento da taxa de câmbio significa que precisamos de mais dólares para comprar um euro, portanto, o euro apreciou e o dólar depreciou. Analogamente, quando a taxa de câmbio diminui, necessitamos de menos dólares para comprar um euro, por isso, dizemos que o dólar apreciou enquanto o euro depreciou. Observação: O raciocínio é o mesmo que fazemos para o caso brasileiro, uma vez que a maneira mais comum de expressar a taxa de câmbio no Brasil é a de expressar o preço do dólar em termos do real (R$/US$).

A oferta de moeda estrangeira (S fe ) é positivamente inclinada, pois à medida que

A oferta de moeda estrangeira (Sfe) é positivamente inclinada, pois à medida que a taxa de câmbio aumenta, ou seja, à medida que a moeda nacional deprecia, mais baratos

ficam os produtos nacionais, por isso, mais produtos nacionais os estrangeiros quererão comprar e para fazê-lo eles precisarão oferta mais da sua moeda.

Já a demanda por moeda estrangeira (Dfe) é negativamente inclinada, pois à

medida que a taxa de câmbio fica menor, mais vale a moeda nacional, mais baratos ficam os produtos importados e, por isso, aumenta a quantidade demandada de moeda estrangeira para poder pagar essas importações. Todos os débitos do BP representam a demanda por moeda estrangeira (importações, compra de ativos estrangeiros, remessas de moeda nacional ao estrangeiro,

entre outras). Por outro lado, todos os créditos do BP dos Estados Unidos representam a oferta de moeda estrangeira (no outro país eles têm que trocar a moeda deles por dólares para pagar as exportações).

Há que destacar que a inclinação das curvas se deve apenas à balança comercial

(exportações e importações), já que não são claros os efeitos da taxa de câmbio sobre a

demanda/oferta de ativos estrangeiros e sobre as transferências unilaterais correntes. Observação: Na figura acima, é feita a suposição de que a elasticidade da demanda por produtos do país com relação à taxa de câmbio é maior do que um. Caso contrário, a oferta não seria positivamente inclinada. Determinação da Taxa de Câmbio (i) Regime de Câmbio Flutuante: Neste regime, a taxa de câmbio ajusta-se de modo a equilibrar o mercado cambial. Para ilustrar o funcionamento desse mercado vamos supor um aumento autônomo das importações.

O aumento das importações causará um aumento na demanda por moeda

estrangeira para poder pagar os importadores. Esse aumento da demanda provocará um

aumento da taxa de câmbio (π0 -> π1), ou seja, uma desvalorização da moeda nacional e uma valorização da moeda estrangeira. Esse aumento da taxa de câmbio reduzirá em parte as importações e aumentará as exportações. Esse processo está ilustrado no gráfico abaixo.

reduzirá em parte as importações e aumentará as exportações. Esse processo está ilustrado no gráfico abaixo.

(ii) Regime de Câmbio Fixo: No sistema de Bretton Woods vigorava o regime de câmbio fixo, no qual o dólar mantinha uma paridade com ouro, enquanto as outras moedas mantinham paridade com o dólar. Para compreender o funcionamento desse regime, voltemos ao nosso exemplo de Estados Unidos e Alemanha. Vamos supor que os Estados Unidos queiram manter a paridade entre o dólar e o euro em 1 para 1, supondo ainda que esse valor é inferior ao que equilibra o mercado de câmbio que é de 1,25 US$/€. Nesse caso, o regime de câmbio fixo faz com que o euro seja subvalorizado e o dólar sobrevalorizado.

que o euro seja subvalorizado e o dólar sobrevalorizado. Na situação ilustrada acima, é necessária a

Na situação ilustrada acima, é necessária a intervenção do Banco Central para impedir o aumento da taxa de câmbio. Se o banco central estiver disposto a comprar moeda estrangeira ao valor da taxa de câmbio fixada, a taxa nunca ficará abaixo desse valor. Analogamente, para a taxa nunca ficar acima do valor fixado o banco central terá que intervir vendendo moeda estrangeira. Para manter um regime de câmbio fixo, o banco central tem que estar atento, ora para comprar (se quiser evitar a queda da taxa de câmbio), ora para vender (se quiser evitar o aumento da taxa de câmbio) moeda estrangeira. Implicações do Intervencionismo (i) Efeitos sobre o BP: se o Fed. (Federal Reserve) intervir no mercado cambial, ele terá que comprar euros do BCE (Banco Central Europeu) para poder ofertar no mercado de câmbio, com isso, haverá uma redução dos haveres monetários do Fed. Por outro lado, se o BCE intervir ofertando diretamente os euros, ele terminará aumentando as suas reservas em dólares, enquanto o Fed terá as suas reservas em ativos estrangeiros aumentadas. A soma desses dois (aumento das reservas internacionais com a queda das reservas em dólares) será igual ao déficit do Balanço de Pagamentos. (ii) Países que financiam os déficits continuamente podem ficar sem reservas. O Atual Sistema de Taxas de Câmbio O colapso do Sistema de Bretton Woods deu-se em 1971. O sistema atual de taxas

de câmbio pode ser melhor descrito como um sistema de flutuação controlada (pelo menos para a maioria dos países industrializados). Esse é um tipo de sistema híbrido, que conta com elementos tanto do sistema de câmbio fixo, quanto do sistema de câmbio flutuante, uma vez que, no sistema de flutuação controlada a taxa de câmbio pode flutuar devido às forças do mercado, porém os bancos centrais podem intervir para evitar flutuações indesejáveis. Alguns tipos de sistema de taxas de câmbio:

- Regime de Câmbio Fixo: o câmbio é fixo a uma moeda ou a um conjunto de

moedas, com margens de 1% ou menos;

- Regimes de Bandas Cambiais: similar ao regime de câmbio fixo, porém com

maiores margens;

- Regime de Câmbio Flutuante: ajustam o valor da sua moeda com relação a uma moeda base e a uma série de indicadores;

- Regime de Câmbio Participativo: compreende basicamente os países da união

europeia;

Em um regime do tipo flutuação controlada, a questão de quanto o BC deve deixar

o câmbio flutuar e quanto deve intervir está muito presente. Ao longo da história posturas

mais ou menos intervencionistas podem ser observadas. Atualmente, o maior exemplo de postura intervencionista é a do BC Chinês, que intervêm constantemente no mercado cambial afim de manter o Yuan desvalorizado com relação ao dólar.

As vantagens dos Sistemas de Câmbio

O debate sobre qual sistema cambial é melhor tem perdurado durante anos entre

economistas e banqueiros centrais.

Argumentos a favor da Flexibilidade no Câmbio

(A) Taxas de câmbio flexíveis permitem aos policymakers se concentrarem única

e exclusivamente nos objetivos domésticos, sem se preocupar com déficits no balanço de pagamentos. Assim, eles removeriam potenciais conflitos entre o balanço interno e o

balanço externo.

(B) Taxas de câmbio flexíveis isolam uma economia dos choques gerados no

exterior.

Justificativas

(A) Conflitos entre Balanço Interno e Externo (com câmbio fixo)

O primeiro argumento a favor da flexibilidade no câmbio acabaria com potenciais

conflitos entre o balanço interno e o balanço externo que os regimes de câmbio fixo podem gerar. Inúmeras variáveis podem afetar a demanda por importados, principalmente a taxa de câmbio. Para simplificar a nossa análise vamos assumir que a taxa de câmbio é fixa.

nossa análise vamos assumir que a taxa de câmbio é fixa. Vamos assumir que 0 seja

Vamos assumir que 0 seja o ponto de equilíbrio entre oferta e demanda agregada, além disso, nesse equilíbrio os níveis de emprego e de preços são as ideias do ponto de vista da economia interna. Se os policymakers quiserem equilibrar o setor externo, eles terão que utilizar uma política econômica restritiva para alcançar YTB=0, uma vez alcançado esse nível de renda o setor externo estará equilibrado (ver gráfico acima). Acontece que o ponto YTB=0 não representa o nível desejado de emprego do ponto de vista interno. Neste caso, temos um trade-off entre o equilíbrio interno e externo.

Fluxos de capitais e o nível de atividade econômica Os fluxos de capitais são regulados pelo nível esperado de retorno dos ativos entre os países. Num sistema de câmbio fixo os efeitos de flutuações no câmbio sobre os ativos podem, obviamente, ser ignorados. Nesse caso, as taxas de juros serão o principal determinante da lucratividade relativa e, consequentemente dos fluxos de capitais. Temos

que:

F = F (r), com ∂F/∂r > 0 Assim, as alterações nos juros irão afetar o balanço de pagamentos via conta capital e financeira. Assim, se tivermos uma expansão do produto via política monetária

a taxa de juros irá cair o que fará entrar menos capital no país, com isso, teremos uma

deterioração da conta capital e financeira e, consequentemente, do balanço de pagamentos. Por outro lado, as expansões via políticas fiscais iriam subir a taxa de juros o que atrairia capital, porém a balança comercial iria piorar devido ao efeito preço. O resultado dessas forças seria positivo ou negativo seria negativo ou positivo, depende da magnitude de cada uma delas. Por fim, mais um exemplo de como pode existir um trade-off entre balanço interno e balanço externo é o efeito preço, pois qualquer política (fiscal ou monetária), por afetar o produto via demanda agregada, provoca um aumento do nível geral de preços. Se supusermos o câmbio fixo, esse aumento de preço torna os produtos internos mais caros vis a vis os produtos externos, com isso, as exportações irão diminuir e as importações aumentar, aumentando o déficit do setor externo. (B) Flexibilidade na Taxa de Câmbio e Isolamento dos Choques Considere uma economia inicialmente em equilíbrio macroeconômico no ponto ótimo de inflação e desemprego. Vamos supor um choque externo, tal que o país passa a exportar menos e a oferta de moeda estrangeira irá diminuir, uma vez que, o país em crise irá trocar menos moeda para pagar importações.

em crise irá trocar menos moeda para pagar importações. Se tivéssemos o regime de câmbio fixo,

Se tivéssemos o regime de câmbio fixo, o câmbio permaneceria em π0 e teríamos um déficit no balanço de pagamentos de magnitude AB., porém, com o sistema de câmbio flutuante, o câmbio irá subir de π0 e π1 reequilibrando assim o balanço de pagamentos e estimulando a demanda interna. Desta forma, o regime de câmbio flutuante pode ajudar a isolar uma economia dos choques externos. Argumentos a favor dos Sistemas de Câmbio Fixo Segundo o economista norueguês Ragnar Nurkse, os regimes de câmbio flutuante têm três desvantagens:

(A). Criam um elemento de risco no comércio internacional, risco esse, baseado na incerteza quanto as taxas de câmbio futuras. (B). Criam custos e desemprego friccional. (C). Levam a especulação desestabilizadora dos mercados cambiais. Experiências com Câmbio Flutuante Uma breve história do dólar pós Bretton Woods (1976-1980) Dólar em Declínio Do meio para o fim da década de 70, as taxas de câmbio foram influenciadas pelos estoques no preço do petróleo. Nessa época, os países tiveram que escolher quanto as suas políticas iriam acomodar os choques negativos de oferta provocados pelas crises do petróleo, o preço da acomodação dos choques eram justamente níveis de inflação mais elevados. De modo geral, os países que escolheram maiores graus de acomodação tiveram as suas moedas mais depreciadas. Vejamos por que:

Uma política monetária de acomodação, teria como principais efeitos a queda dos juros, um aumento

Uma política monetária de acomodação, teria como principais efeitos a queda dos juros, um aumento dos preços e da renda. A demanda por produtos importados iria aumentar graças ao aumento do preço dos produtos internos e ao aumento da renda, com

isso, a demanda por moeda estrangeira também iria aumentar (Dfe0 ->Dfe1). Por outro lado, a queda dos juros e o aumento dos preços internos faria que os investidores estrangeiros comprarem menos ativos e os importadores menos mercadorias, por isso, a

oferta de moeda estrangeira diminuiria (Sfe0 -> Sfe1). O resultado final é um aumento da taxa de câmbio (π0 -> π1) que representa uma desvalorização do dólar. A desvalorização do dólar com relação a uma cesta de outras moedas no período sugere que a política de acomodação dos choques oferta foi maior nos Estados Unidos do que nos demais países. (1981 1985) A Subida do Dólar Neste período, o dólar reverteu a tendência de desvalorização mencionada acima. Muitos acreditam que essa recuperação se deve a uma mistura de política monetária restritiva e uma política fiscal expansionista. Os efeitos da política monetária restritiva são contrários aos efeitos da política monetária expansionista descritos acima, portanto a política monetária restritiva causa um aumento na taxa de juros e apreciação do dólar. Já a política fiscal expansionista tem dois efeitos: aumenta a renda e a taxa de juros. O aumento da renda provoca um aumento das importações, esse aumento desloca a demanda por moeda estrangeira à direita. Por outro lado, o aumento dos juros causa um aumento dos capitais influxos, portanto desloca a oferta de moeda estrangeira à direita. Com relação ao câmbio esses deslocamentos têm efeitos contrários, porém a experiência indica que o deslocamento da oferta de moeda estrangeira foi maior, contribuindo para a valorização do dólar. Um fator adicional foi a compra especulativa de títulos americanos. Assim, quando o câmbio está baixo, ou seja, quando o dólar está valorizado, os investidores esperam o dólar continue valorizando, por isso, quererão comprar títulos para vender posteriormente. (1985 1988) A Desvalorização do Dólar Neste período, o G5 decidiu desvalorizar o dólar, através da venda de dólares no mercado cambial. Da mesma forma que a compra especulativa aumentou o valor do dólar, aqui a venda diminuiu o seu valor, além disso, vale destacar que a política monetária se tornou menos restritiva. Em 1987, houve nova reunião do G5 na qual foi acordado que o dólar já havia desvalorizado o bastante, por isso, era necessário estabilizá-lo. Apesar dos primeiros esforços malsucedidos nesse sentido em 1988 a estabilidade foi alcançada. Desde 1990 até o presente, o dólar e as taxas de câmbio não tiveram grandes variações, marcando assim um período de relativa estabilidade cambial.

Capítulo 21 Políticas Monetária e Fiscal em Economia Aberta

Para estudar efeitos de políticas macroeconômicas em economias abertas existem diversos modelos. Neste capítulo, estudaremos o modelo de Mundell-Fleming (IS LM BP) também conhecido como modelo de carro-chefe. O Modelo de Mundell Fleming Este modelo é uma versão do modelo IS-LM tradicional estudado anteriormente, porém readaptado para estudar economias abertas. Vejamos as equações do IS-LM tradicional:

(i) M = L (Y, r) -> demanda por moeda é uma função da renda e dos juros (curva LM).

(ii) S (Y) + T = G + I (r) -> Poupança total é igual ao gasto total (público e privado). Como G e T são exógenos, temos que S (Y) = I (r), por isso, curva IS. Como estudado anteriormente, a curva LM representa o equilíbrio do mercado monetário, enquanto a curva IS representa o equilíbrio do mercado de bens, logo o modelo IS-LM nos dá as combinações de juros e produto que equilibram os dois mercados simultaneamente (para dado nível de preços). A pergunta que devemos fazer é: o que é necessário acrescentar a esse modelo para analisar as economias abertas? Curva LM: nada deve ser acrescentado, dado que ao controlar a oferta nominal de moeda, a autoridade monetária irá controlar também a oferta real de moeda. Isso ocorre por que no modelo IS-LM assumimos que os preços são fixos. Curva IS: A curva IS tradicional deriva da condição de equilíbrio para as

economias fechadas (C + I + G = C + S + T -> I + G = S + T). Se acrescentarmos o setor externo a essa condição teremos: C + S + T = C + I + G + (X Z) Rearranjando temos: S (Y) + T + Z (Y, π) = I (r) + G + X (YF, π) Tal como anteriormente, a poupança é função da renda e o investimento é função das taxas de juros, a diferença é que agora foram acrescentadas as importações e as exportações. As importações (Z) dependem positivamente da renda interna (Y) e negativamente da taxa de câmbio (π), esta, tal como no capítulo anterior, é representada como o preço da moeda estrangeira medido em moeda nacional (por exemplo, US$/€$ ou no caso do Brasil R$/US$). Analogamente, as exportações (X) dependem positivamente da renda externa (YF) e positivamente da taxa de câmbio (π). Para construir a curva IS mantemos constantes: gastos do governo, impostos, renda externa e taxa de câmbio. Com isso, teremos uma curva IS negativamente inclinada, uma vez que, com altas taxas de juros temos baixo nível de investimentos, por isso, teremos baixos níveis de renda para ter pouca poupança e poucas importações. O inverso ocorre para taxas de juros baixas. Aumento dos gastos do governo (T), diminuição dos impostos (T), aumento da renda externa (YF) e aumento da taxa de câmbio (π) são todos fatores que deslocam a curva IS à direita. Além das modificações na curva IS citadas acima, temos que incorporar uma nova curva ao modelo IS-LM, a curva BP. Essa curva representa, para dada taxa de câmbio, as combinações de juros e produto de que equilibram o balanço de pagamentos, ou seja, Δreservas internacionais é igual a zero. O equilíbrio do balanço de pagamentos é dado por: X (YF, π) – Z (Y, π) + F (r

rF) = 0

Os dois primeiros termos da equação acima são justamente os componentes da

balança comercial (exportações importações). O terceiro termo representa a entrada líquida de capitais (entradas líquidas de capital) no país, está como vimos anteriormente, depende positivamente do diferencial de juros internos (r) e externos (rF), onde os juros externos são tidos como exógenos.

A curva BP é positivamente inclinada, pois quando a renda aumenta as

importações aumentam enquanto as exportações permanecem inalteradas, já que estas

dependem apenas da renda externa. Para manter o balanço de pagamentos equilibrado, a

entrada líquida de capitais tem que aumentar e para que isso ocorra os juros internos devem aumentar. Alguns fatores fazem a curva BP deslocar-se à direita, são eles:

- Aumento da taxa de câmbio (π): aumenta as exportações e diminui as

importações, por isso, para dado nível de juros, a renda deve ser maior para aumentar as importações e reestabelecer o equilíbrio do balanço de pagamentos. - Aumento da renda externa (YF): aumenta as exportações, por isso, é necessário um aumento da renda interna afim de aumentar as importações e reestabelecer o equilíbrio

do balanço de pagamentos.

- Queda na taxa de juros externa (rF): aumenta o diferencial de juros o que

aumenta o ingresso líquido de capitais no país, por isso, para reestabelecer o equilíbrio do balanço de pagamentos é necessário um aumento das importações, portanto é necessário um aumento da renda para dados níveis de juros.

Observação: Mudanças das variáveis acima no sentido inverso (diminuição da taxa de câmbio, diminuição da renda externa e aumento da taxa de juros externa) fazem a curva BP deslocar à esquerda. Por fim, vale destacar que a curva BP é positivamente inclinada no caso de mobilidade imperfeita de capitais, nesse caso, os ativos de outros países são vistos como substitutos, mas não substitutos perfeitos. Se os ativos são considerados substitutos perfeitos estamos numa situação de mobilidade perfeita de capitais, nessa situação, temos que r = rF, o que implica numa curva BP horizontal. O gráfico do modelo IS-LM-BP com mobilidade imperfeita de capitais está ilustrado abaixo.

mobilidade imperfeita de capitais está ilustrado abaixo. Mobilidade Imperfeita de Capitais (A) Taxa de Câmbio Fixa

Mobilidade Imperfeita de Capitais (A) Taxa de Câmbio Fixa Política Monetária Expansionista

(A) Taxa de Câmbio Fixa Política Monetária Expansionista Uma política monetária expansionista, provoca um

Uma política monetária expansionista, provoca um deslocamento da LM à direita

(LM (M0) ->LM (M1)), esse deslocamento gera uma queda nos juros (r0->r1) e aumento

do produto (Y0->Y1). Observação: Os pontos abaixo da curva BP indicam déficit no balanço de pagamentos, analogamente, os pontos acima da curva BP indicam superávit no balanço de pagamentos.

O que ocorreu com o balanço de pagamentos? Naturalmente, passamos de um

ponto de equilíbrio (A) para um ponto de déficit (B). Isso ocorreu porque estamos em um regime de câmbio fixo e a renda externa não se alterou, enquanto, as importações aumentaram devido ao aumento da renda e a entrada de capitais diminuiu devido à queda dos juros, por isso, o resultado deficitário do balanço de pagamentos. Neste caso, podemos perceber novamente o trade-off entre balanço interno e externo quando se opera no regime de câmbio fixo. Se o ponto B for ótimo do ponto de vista interno, será impossível alcançá-lo sem comprometer o balanço de pagamentos. Por outro lado, para ter o equilíbrio do balanço de pagamentos (ponto A) teremos que ter um nível de emprego abaixo do desejado (Y0).

Política Fiscal Expansionista

abaixo do desejado (Y 0 ). Política Fiscal Expansionista Neste caso, a curva LM é mais

Neste caso, a curva LM é mais inclinada do que a BP, por isso, a política fiscal expansionista leva a um ponto de superávit do BP. Quanto maior for a inclinação da curva BP, menor é a elasticidade dos capitais influxos com relação aos juros. Além disso, quanto maior for a propensão marginal a importar, mais inclinada será a curva BP. Podemos observar que independente da inclinação da curva BP com relação à curva LM, uma política fiscal expansionista leva a aumentos da renda e dos juros, estes, por sua vez, levam a um aumento das importações e dos capitais influxos. A posição final do balanço de pagamentos (déficit ou superávit) irá depender da magnitude dessas forças. Quando a curva BP é mais inclinada do que a LM temos que a propensão marginal a importar é maior e a sensibilidade da capital influxos é menor, portanto, o aumento das importações tende a ser maior do que os capitais influxos (situação ilustrada no gráfico acima). Por outro lado, quando a curva BP é menos inclinada do que a LM ocorre o inverso, ou seja, o aumento da entrada de capitais tende a ser maior do que o aumento das importações, por isso, a BP vai para uma posição superavitária (situação ilustrada no primeiro gráfico desta página). (B) Taxa de Câmbio Flutuante Política Monetária Expansionista

de Câmbio Flutuante Política Monetária Expansionista A política monetária expansionista leva a um deslocamento

A política monetária expansionista leva a um deslocamento da curva LM à direita

(LM (M0) ->LM (M1)), provocando um aumento da renda e queda dos juros.

Com a taxa de juros externa (rF) fixa, a diminuição da taxa de juros interna (r0-

>r1) irá tornar os ativos estrangeiros mais atrativos o que fará aumentar a demanda por moeda estrangeira e diminuir a sua oferta, o que levará a um aumento da taxa de câmbio

0->π1). Esse aumento da taxa de câmbio leva a um deslocamento da curva BP

à direita (BP (π0) ->BP (π1)), além do deslocamento da curva IS também à direita

(IS (π0) ->IS (π1)), esse último ocorre devido ao aumento das exportações e diminuição das importações. Com isso, chegamos ao ponto de equilíbrio final (E2). Vale destacar dois pontos. Primeiro, contrariamente ao caso da taxa de câmbio fixa, quando a taxa de câmbio é flutuante, o balanço de pagamentos permanece em equilíbrio após a política monetária expansionista. Assim, quando a taxa de câmbio é flutuante temos a eliminação do trade-off entre balanço interno e balanço externo. Segundo, quando a taxa de câmbio é flutuante os efeitos da política sobre o produto são maiores (Y2 > Y1). Política Fiscal Expansionista

maiores (Y 2 > Y 1 ). Política Fiscal Expansionista Inicialmente, ocorre o deslocamento da curva

Inicialmente, ocorre o deslocamento da curva IS à direita (IS (G0, π0) ->IS (G1, π0)), esse deslocamento provoca um aumento do produto e dos juros. O aumento dos juros tornará os títulos nacionais mais atrativos do que os títulos estrangeiros, isso irá se refletir no mercado de câmbio através da diminuição da demanda por moeda estrangeira e uma

diminuição da oferta dos mesmos o que provocará uma queda na taxa de câmbio (π0-

>π1). A queda na taxa de câmbio (valorização da moeda nacional) terá dois efeitos. Primeiro, deslocamento à esquerda da curva BP. Segundo, deslocamento à esquerda da

curva IS (IS (G1, π0)) -> IS (G1, π1)), devido ao aumento das importações e diminuição das exportações. Chegamos assim ao equilíbrio final, representado pelo ponto E2 (r2, Y2). Neste caso, o efeito sobre da política fiscal sobre o produto é menor do que quando a taxa de câmbio é fixa (Y2<Y1). No caso em que a curva BP é mais inclinada do que a LM, a diferença é que a taxa de câmbio tem que subir para reequilibrar o balanço de pagamentos. Com esse aumento da taxa de câmbio, a curva BP desloca à direita assim como a curva IS, isso ocorre, devido ao aumento das exportações e diminuição das importações. Nesse caso, o efeito da política fiscal é maior do que se o câmbio fosse fixo. Observação: Ainda que teoricamente a curva BP possa ser mais inclinada do que a LM, muitos economistas acreditam que a BP é mais flat, devido à grande mobilidade de capitais (ainda que não seja perfeita). Mobilidade Perfeita de Capitais Neste caso, os ativos são assumidos como perfeitamente substitutos, o capital move-se livremente entre países, o diferencial de risco entre países é indiferente, bem como os custos das transações.

Nesse contexto, supõe-se um equilíbrio entre juros internos e externos, ou seja: r

= rF a condição acima substitui a equação da curva BP apresentada anteriormente, por isso, a curva BP torna-se horizontal. Anteriormente, rF foi tida como exógena. Na prática isso só ocorre se o país é tão pequeno que não exerce influência sobre rF, ou essa influência

é considerada secundária e, por isso, é ignorada.

(A) Câmbio Fixo

Política Monetária Expansionista

(A) Câmbio Fixo Política Monetária Expansionista Inicialmente, a curva LM se desloca à direita (LM (M

Inicialmente, a curva LM se desloca à direita (LM (M0) ->LM (M1)), com isso,

temos uma queda na taxa de juros e uma consequente fuga maciça de capitais. Para manter

o câmbio fixo o Banco Central deve reduzir a sua oferta de moeda até que cesse a fuga

de capitais e, tanto o produto quanto os juros voltem aos seus níveis iniciais. A partir do

gráfico acima podemos concluir que no regime de câmbio fixo com mobilidade perfeita de capitais a política monetária é ineficiente. Política Fiscal Expansionista

monetária é ineficiente. Política Fiscal Expansionista Uma política fiscal expansionista desloca a curva IS à

Uma política fiscal expansionista desloca a curva IS à direita (IS (G0) -> IS (G1)),

esse deslocamento faz com que o produto e os juros subam (Y0->Y1 e r0->r1, respectivamente), com isso, haverá uma grande entrada de capitais e uma queda na taxa de câmbio. Para manter o câmbio fixo, o Banco Central terá que forçar uma queda nos

juros através de uma política monetária expansionista (LM (M0) ->LM (M1)), essa

política monetária expansionista fará com que o efeito da política fiscal sobre o produto seja ainda maior.

(B) Câmbio Flutuante

Política Monetária Expansionista

Primeiramente, temos um deslocamento da LM à direita (LM (M 0 ) -> LM (M

Primeiramente, temos um deslocamento da LM à direita (LM (M0) ->LM (M1))

que provoca uma queda na taxa de juros (r0->r1), esta, por sua vez, provoca uma fuga de capitais do país. Como estamos num regime de câmbio flutuante e, portanto, não há

interferência do Banco Central, a taxa de câmbio irá subir (π0->π1) o que irá aumentar as

exportações e diminuir as importações, deslocando a curva IS à direita (IS (π0) ->IS (π1)), com isso, o efeito da política monetária sobre o produto será ainda maior. Vale ressaltar que, contrariamente ao regime de câmbio fixo, quando operamos um regime de câmbio flutuante com mobilidade perfeita de capitais a política monetária

é eficiente.

Política Fiscal Expansionista

monetária é eficiente. Política Fiscal Expansionista Incialmente temos um deslocamento à direita da curva IS (IS

Incialmente temos um deslocamento à direita da curva IS (IS (G0, π0) ->IS (G1,

π0)) e um consequente aumento da taxa de juros (r0->r1), esse aumento faz com que o país receba um grande ingresso de capitais estrangeiros, o que valoriza a moeda nacional,

ou seja, diminui taxa de câmbio (π0->π1). A valorização da moeda nacional faz com que o país importe mais e exporte menos, por isso, a curva IS desloca à esquerda até voltar à

sua posição inicial (IS (G1, π0) ->IS (G1, π1) = IS (G0, π0)). Observando o gráfico acima, podemos perceber que num regime de câmbio flutuante com mobilidade perfeita de capitais é a política fiscal que é ineficiente. Conclusões Quando temos mobilidade perfeita de capitais e um regime de câmbio fixo, a política monetária é ineficiente, porém se tivermos um regime de câmbio flutuante é a política fiscal que se torna ineficiente. Quando temos mobilidade imperfeita de capitais os resultados de políticas econômicas são mais na linha do modelo IS-LM tradicional.

Alguns países têm mais restrições do que outros à entrada e saída de capitais, para estudar esses países devemos utilizar o modelo IS-LM-BP com a curva BP positivamente inclinada. Por outro lado, existem países que as restrições à entrada e saída de capitais são tão pequenas que podemos considerar mobilidade perfeita de capitais, nesses casos, devemos utilizar o modelo IS-LM-BP com a curva BP horizontal. A grande dificuldade

é identificar em qual dessas duas situações o país que queremos analisar se encontra, pois só assim podemos escolher o modelo mais apropriado para a nossa análise.