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UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE

MARCUS VINÍCIUS FERNANDES GROSSI

ADERÊNCIA DE REVESTIMENTO EM ARGAMASSA CIMENTÍCIA: INFLUÊNCIA DO SUBSTRATO NAS RESISTÊNCIAS DE ADERÊNCIA DOS REVESTIMENTOS

São Paulo

2014

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MARCUS VINÍCIUS FERNANDES GROSSI

ADERÊNCIA DE REVESTIMENTO EM ARGAMASSA CIMENTÍCIA: INFLUÊNCIA DO SUBSTRATO NAS RESISTÊNCIAS DE ADERÊNCIA DOS REVESTIMENTOS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Programa de Pós–graduação Lato Sensu da Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito parcial para a obtenção do Título de Especialista em Construções Civis:

Excelência Construtiva e Anomalias.

São Paulo

2014

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A Deus, acima de tudo, que por suas leis trouxe–me até aqui, me amparando sempre, através da vida abençoada que possuo, contando–me com família, amigos e colegas que sempre me apoiaram.

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AGRADECIMENTOS

À Prof. Msc. Ana Lúcia Bragança Pinheiro, por toda orientação e assistência durante o período de pesquisa e realização deste trabalho. À Rossi Residencial S/A pelo incentivo, materiais e recursos disponibilizados para realização das pesquisas, em especial ao Marcelo Nogueira e à Juliana dos Santos. Aos meus familiares por suportarem minha ausência durante os feriados e finais de semana, ao qual me dedicava exclusivamente ao desenvolvimento deste trabalho.

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Tudo o que a sua mão encontrar para fazer, faça–o com todo o seu coração.” (Jesus.

Lucas11:28)

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RESUMO

O revestimento em argamassa é um tema que vem sido estudado a bastante tempo e sua técnica construtiva incorporada em larga escala. Porém, ainda faltam estudos que determinem de maneira objetiva qual é a condição ideal de aderência que cada substrato deve ter para aderência do revestimento. Este trabalho tem como objetivo analisar a influência do substrato na resistência de aderência dos revestimentos cimentícios, verificando diferentes tipos de substratos e chapiscos para avaliar as características do substrato, do chapisco e da argamassa que influenciam em sua capacidade de aderir o revestimento. Este estudo foi feito através de pesquisa bibliográfica, pesquisa em ensaios de aderência em obra e pesquisa experimental em painéis teste. A partir dos resultados obtidos foi possível concluir que as propriedades do substrato mais importantes são a rugosidade, porosidade e sucção de água e de que a argamassa de revestimento deve ter consistência e quantidade de cimento adequada, para um melhor espalhamento sobre toda área de superfície do substrato e máxima penetração de aglomerantes da pasta da argamassa nos poros do substrato, gerando um intertravamento adequado. Não sendo possível generalizar, de maneira absoluta, qual é o melhor o melhor chapisco para cada substrato, devido a outras muitas variáveis, sendo que apenas o chapisco comum apresentou resultados que atendessem aos requisitos normativos em todos os tipos de substratos ensaiados.

Palavras–chave: Aderência. Argamassa. Arrancamento. Chapisco. Revestimento.

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ABSTRACT

The plaster coating is a topic that has been studied for a long time and its construction technique built on a large scale . However , there are still studies to determine objectively what is the ideal condition of adherence to each substrate must have for coating adhesion . This work aims to analyze the influence of the substrate on the adhesive strength of cementitious coatings , checking different types of substrates and slurry mortars to evaluate the characteristics of the substrate , the slurry mortar and grout that influence its ability to adhere to the lining . This study was done through literature , research on testing of adhesion work and experimental research on test panels . From the results obtained it was concluded that the properties of the substrate are the most important roughness , porosity and suction of water and the mortar coating must have appropriate consistency and amount of cement, for a better spreading over the entire surface area of the maximum penetration of the substrate and the binder of the mortar paste in the pores of the substrate , generating an appropriate interlock . Is not possible to generalize , absolutely, what is the best the best roughcast for each substrate , due to many other variables , and only the common roughcast presented results that met the regulatory requirements for all types of substrates tested .

Keywords: Tack . Mortar. Pullout . Roughcast . Coating.

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LISTA DE FIGURAS E FLUXOGRAMAS

Figura 1 –

Esquema das etapas do descolamento do revestimento de argamassa quando

Figura 2 –

a aderência é baixa e a retração do revestimento é Representação esquemática do aglomerante da argamassa penetrando no

14

 

29

Figura 3 –

Representação esquemática do mecanismo de aderência do revestimento em

argamassa

30

Fluxograma 1 –

Fluxo do processo de aderência da argamassa com o substrato

31

Fluxograma 2 –

Fluxo de influências sobre a aderência de revestimentos em argamassa

33

Figura 4 –

Painel A, B, C, D com aplicação manual

60

Figura 5 –

Painel E, F, G, H com aplicação

60

Figura 6 –

Painel I, J, K, L com aplicação manual

60

Figura 7 –

Painel M, N com aplicação por

61

Figura 8 –

Painel O, P com aplicação por

61

Figura 9 –

Painel Q com aplicação por

61

Figura 10 a, b) – Condição dos corpos de prova dos painéis A e B após ensaio de aderência à

tração

87

Figura 11 a, b) – Condição dos corpos de prova dos painéis C e D após ensaio de aderência à

tração

90

Figura 12 a, b) – Condição dos corpos de prova dos painéis E e F após ensaio de aderência à

tração

93

Figura 13 a, b) – Condição dos corpos de prova dos painéis G e H após ensaio de aderência à

tração

96

Figura 14 a, b) – Condição dos corpos de prova dos painéis I e J após ensaio de aderência à tração

99

Figura 15 a, b) – Condição dos corpos de prova dos painéis K e L após ensaio de aderência à

tração

102

Figura 16 a, b) – Condição dos corpos de prova dos painéis M e N após ensaio de aderência à

tração

105

Figura 17 a, b) – Condição dos corpos de prova dos painéis O e P após ensaio de aderência à

tração

108

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Figura 18 –

Condição dos corpos de prova dos painel Q após ensaio de aderência à tração

110

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Fotografia 1 –

LISTA DE FOTOGRAFIAS

Reboco cai de prédio da Rua do Livramento, na Gamboa, Zona

Portuaria devido as

17

Fotografia 2 – Reboco do teto de túnel na zona sul de São Paulo

18

Fotografia 3 a, b, c) – Aspecto chapisco rolado; Aspecto chapisco desempenado; Aspecto chapisco

23

Fotografia 4 – Projeção mecânica de

24

Fotografia 5 a, b) –

Alisamento e raspagem com régua tipo

24

Fotografia 6 –

Sarrafeamento com régua de alumínio

25

Fotografia 7 –

Aspectos do corpo de prova, com diferente chapiscos, após ensaio de absorção por capilaridade

37

Fotografia 8 –

Influência do teor de aditivo incorporador de ar na plasticidade da

argamassa

43

Fotografia 9 a, b) – Aplicação manual de chapisco comum industrializado

58

Fotografia 10 –

Aplicação por projeção mecânica com caneca e compressor de ar de chapisco comum industrializado

59

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LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 –

Influência da resistência a compressão da argamassa na resistência de aderência.

 

40

Gráfico 2 –

Influência do teor de água de amassamento da argamassa na resistência de

aderência do revestimento

42

Gráfico 3 –

Influência do teor de aditivo incorporador de ar na resistência de aderência do

 

44

Gráfico 4 –

Influência do teor de aditivo incorporador de ar na resistência de aderência do

 

44

Gráfico 5 –

Influência do teor de aditivo dispersante da argamassa na resistência de aderência do revestimento

45

Gráfico 6 –

Resumo da pesquisa dos ensaios de aderência à tração realizados sobre concreto.

 

48

Gráfico 7 –

Resumo da pesquisa dos ensaios de aderência à tração realizados sobre bloco de

concreto

50

Gráfico 8 –

Resumo da pesquisa dos ensaios de aderência à tração realizados sobre bloco

cerâmico

51

Gráfico 9 –

Resumo dos ensaios de aderência à tração realizados em obra sobre concreto

53

Gráfico 10 – Resumo dos ensaios de aderência à tração realizados em obra sobre bloco de concreto Gráfico 11 – Resumo dos ensaios de aderência à tração realizados em obra sobre bloco

55

cerâmico

56

Gráfico 12 – Resumo de resultados de R am por painel

64

Gráfico 13 – Resumo de resultados de R am por fornecedor de

65

Gráfico 14 – Resumo de resultados de R am por fornecedor de

66

Gráfico 15 – Resumo de resultados de R am por fornecedor de argamassa

67

Gráfico 16 – Resumo de resultados de R am por fornecedor de chapisco +

68

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LISTA DE QUADROS

Quadro 1–

Limites de resistência de aderência à

20

Quadro 2 –

Espessura máxima de revestimentos internos e

45

Quadro 3 –

Resumo da pesquisa dos ensaios de aderência à tração realizados sobre concreto.

 

48

Quadro 4 –

Resumo da pesquisa dos ensaios de aderência à tração realizados sobre bloco de

concreto

49

Quadro 5 –

Resumo da pesquisa dos ensaios de aderência à tração realizados sobre bloco

cerâmico

51

Quadro 6 –

Resumo dos resultados dos ensaios realizados nos revestimentos sobre concreto.

 

53

Quadro 7 –

Resumo dos resultados dos ensaios realizados nos revestimentos sobre bloco de

concreto

54

Quadro 8 –

Resumo dos resultados dos ensaios realizados nos revestimentos sobre bloco

cerâmico

55

Quadro 9 –

Configuração dos painéis teste

57

Quadro 10 – Resumo dos resultados dos ensaios realizados nos painéis

63

Quadro 11 – Matriz de Solução Chapisco x

69

Quadro 12 – Resultado da compilação de dados de ensaios de aderência à tração em pesquisa

 

80

Quadro 13 – Resultado da compilação de dados de ensaios de aderência à tração de

83

Quadro 14 – Relatório de ensaio de aderência à tração do Painel A

85

Quadro 15 – Relatório de ensaio de aderência à tração do Painel

86

Quadro 16 – Relatório de ensaio de aderência à tração do Painel

88

Quadro 17 – Relatório de ensaio de aderência à tração do Painel D

89

Quadro 18 – Relatório de ensaio de aderência à tração do Painel

91

Quadro 19 – Relatório de ensaio de aderência à tração do Painel

92

Quadro 20 – Relatório de ensaio de aderência à tração do Painel G

94

Quadro 21 – Relatório de ensaio de aderência à tração do Painel H

95

Quadro 22 – Relatório de ensaio de aderência à tração do Painel

97

Quadro 23 – Relatório de ensaio de aderência à tração do Painel

98

Quadro 24 – Relatório de ensaio de aderência à tração do Painel K

100

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Quadro 25 – Relatório de ensaio de aderência à tração do Painel

101

Quadro 26 – Relatório de ensaio de aderência à tração do Painel

103

Quadro 27 – Relatório de ensaio de aderência à tração do Painel N

104

Quadro 28 – Relatório de ensaio de aderência à tração do Painel O

106

Quadro 29 – Relatório de ensaio de aderência à tração do Painel

107

Quadro 30 – Relatório de ensaio de aderência à tração do Painel Q

109

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Influência da espessura do revestimento na resistência de aderência

46

Tabela 2 – Resumo dos resultados dos ensaios realizado dos fornecedores de bloco

64

Tabela 3 – Resumo dos resultados dos ensaios realizado dos fornecedores de chapisco

65

Tabela 4 – Resumo dos resultados dos ensaios realizado dos fornecedores de

66

Tabela 5 – Resumo dos resultados dos ensaios realizado dos fornecedores de chapisco +

67

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LISTA DE SIGLAS E SÍMBOLOS

ABNT

ANSI

ASTM

BLCO

BLCE

CONC

CONSITRA

Associação Brasileira de Normas Técnicas American Nacional Standards Institute American Society for Testing and Materials Substrato de bloco de concreto Substrato de bloco cerâmico Substrato de estrutura de concreto Consórcio Setorial para Inovação em Tecnologia de Revestimentos de Argamassas Corpo de prova Cimento Portland comum Cimento Portland comum com adição Cimento Portland II composto com escória de alto–forno Cimento Portland II composto com pozolana Cimento Portland II composto com filer Cimento Portland de alto–forno Cimento Portland pozolânico Cimento Portland de Alta Resistência Inicial Cimento Portland resistente a sulfatos Cimento Portland de baixo calor de hidratação

Deformação específica Limite de resistência Módulo de deformação à tração no momento de ruptura Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia Initial Rate of Absorption (Índice de Absorção Inicial) Mega pascoal Norma Brasileira Regulamentada Resistência de aderência à tração Resistência média de aderência à tração

CP

CP I CP I S CP II E CP II Z CP II F CP III

CP IV CP V ARI CP RS CP BC

CV Coeficiente de variação

E

f ta

E ta

INMETRO

IRA

MPa

NBR

R

R

SBR Estireno-butadieno

ad

adm

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SUMÁRIO

1

INTRODUÇÃO

14

1.1

OBJETIVOS

16

1.1.1

Objetivo geral

16

1.1.2

Objetivos específicos

16

1.2

JUSTIFICATIVA

16

1.3

METODOLOGIA

19

1.4

ESTRUTURA DO TRABALHO

20

2

REVISÃO DA LITERATURA

22

3

MECANISMOS DE ADERÊNCIA DO REVESTIMENTO

28

3.1

CONCEITUAÇÃO

28

3.2

CARACTERÍSTICAS DO SUBSTRATO QUE INFLUENCIAM NA ADERÊNCIA33

3.2.1

Sucção de água

33

3.2.2

Porosidade

34

3.2.3

Rugosidade superficial do substrato

35

3.2.4

Umidade

36

3.3

CARACTERÍSTICAS DO CHAPISCO QUE INFLUENCIAM NA ADERÊNCIA . 36

3.3.1

Adesivos poliméricos

36

3.3.2

Tipo de cimento

38

3.3.3

Tempo de aplicação

38

3.3.4

Cura úmida

38

3.4

CARACTERÍSTICAS DA ARGAMASSA DE REVESTIMENTO QUE INFLUENCIAM NA ADERÊNCIA

39

3.4.1

Resistência à compressão

39

3.4.2

Módulo de deformação

40

3.4.3

Índice de consistência

41

3.4.4

Retenção de água

41

3.4.5

Massa específica

42

3.4.6

Teor de ar incorporado

43

3.4.7

Aditivo dispersante

44

3.4.8

Espessura do revestimento

45

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4

ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DA ADERÊNCIA DE REVESTIMENTOS

 

EM REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

47

4.1

ADERÊNCIA EM SUBSTRATOS DE CONCRETO

47

4.2

ADERÊNCIA EM SUBSTRATOS DE BLOCO DE CONCRETO

48

4.3

ADERÊNCIA EM SUBSTRATOS DE BLOCO CERÂMICO

50

5

ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DA ADERÊNCIA DE REVESTIMENTOS

EM RESULTADOS DE OBRAS

52

5.1

ADERÊNCIA EM SUBSTRATOS DE CONCRETO

52

5.2

ADERÊNCIA EM SUBSTRATOS DE BLOCO DE CONCRETO

54

5.3

ADERÊNCIA EM SUBSTRATOS DE BLOCO CERÂMICO

55

6

ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DA ADERÊNCIA DE REVESTIMENTOS

EM PAINEL TESTE

57

6.1

ADERÊNCIA EM SUBSTRATOS DE BLOCO DE CONCRETO

62

6.2

ANÁLISE DE COMPARAÇÃO DOS RESULTADOS DOS ENSAIOS DE CAMPO COM O RESULTADO DAS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

69

7

CONCLUSÃO

70

REFERÊNCIAS

72

APÊNDICE A – Relação de resultados de ensaios de resistência à tração de argamassas cimentícias de diversos autores

80

APÊNDICE B – Relação de resultados de ensaios de resistência à tração de argamassas cimentícias de obras

83

ANEXO A – Relação de resultados de ensaios de resistência à tração de argamassas cimentícias de painel teste

85

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14

1

INTRODUÇÃO

O revestimento em argamassa é um tema que vem sido estudado à bastante tempo e

sua técnica construtiva incorporada em larga escala. Porém, devido ao grande número de

variáveis que influenciam o seu desempenho, principalmente no que se refere ao comportamento mecânico, ainda faltam estudos (ESQUIVEL, 2009).

A aderência de revestimentos é um termo que refere–se a resistência e a abrangência

de contato entre o revestimento e a base. Diversos estudos evidenciam a importância deste ensaio para caracterização do desempenho do sistema de revestimentos verticais. Segundo a Agence Qualité Construction (1995 apud ESQUIVEL, 2009, p.22) o desempenho do revestimento de argamassa pode ser avaliado através de três requisitos: aderência à base, estanqueidade à água e chuva e durabilidade, sendo as principais funções junto à vedação vertical. Nesse contexto, o estudo da aderência à tração é um dos principais fatores que caracterizam o desempenho da interação entre as camadas do revestimento, conforme apontado por diversos autores, nas últimas quatro décadas, Sabbatini (1984), Carasek (1996), Candia e Franco (1998), Medeiros (1999), Carvalho Junior (2005a), Antunes (2005), Esquivel (2009), Gasperin (2011), Silva (2011) e Zanelatto (2012). É possível associar os resultados de aderência com a ocorrência de patologias futuras. Quanto menos aderente for o revestimento, maior a probabilidade dele trincar, deformar e se descolar do substrato, conforme Figura 1.

Figura 1 – Esquema das etapas do descolamento do revestimento de argamassa quando a aderência é baixa e a retração do revestimento é alta.

aderência é baixa e a retração do revestimento é alta. Fonte: Carasek et al. (2005, p.559).

Fonte: Carasek et al.(2005, p.559).

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15

O único método regulamentado / padronizado de avaliação de aderência de revestimentos é o ensaio de resistência a tração, regulado pela NBR 13528 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2010). Os ensaios de aderência são realizados com um equipamento denominado dinamômetro, em corpos de provas extraídos de protótipos de paredes e/ou estruturas. Estes simulam as superfícies onde os revestimentos serão aplicados. Sobre essas paredes podem ser aplicadas as argamassas de chapisco, ou não, dependendo do caso, e após o tempo de cura aplica-se o revestimento. Todas essas etapas devem ser reproduzidas com as condições reais de aplicação em obra, eliminando possíveis variáveis que deturpem o resultado final. Porém, mesmo com todo o cuidado para controlar as variáveis, este método apresenta alto coeficiente de variação nos resultados apresentados, conforme comprovado por estudo dos trabalhos dos autores Costa e Carasek (2009), Costa (2007), Gonçalves (2004) e Candia e Franco (1998). As variáveis que influem na aderência de um revestimento, são muitas, tais como condições climáticas, tipos de materiais, forma de aplicação, movimentação da estrutura e da vedação. Um estudo aprofundado, em cada uma das variáveis, é necessário para ver qual é o impacto de cada uma delas no todo. A influência de todas essas variáveis devem ser ponderadas na época de projeto, para que o revestimento tenha um desempenho adequado em toda sua vida útil. Para que durante sua exposição ao meio e ao uso não ocorram fissuras, trincas, descolamentos, deslocamento e outras deteriorações, conforme NBR 15575-4 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013). Estudos sobre o tema já foram muito realizados, destacando-se alguns autores (CANDIA; FRANCO, 1998; CARASEK, 1996; CARASEK, 1997; CARASEK et al. 1997; CARASEK, 1999; CARASEK et al., 2001; CARVALHO JUNIOR, 2005; COSTA, 2007; GASPERIN, 2011; GONÇALVES; BAUER, 2005; KAZMIERCZAK et al., 2009; MACEDO et al., 2007; MOTA et al., 2009; MOURA, 2007; NASCIMENTO et. al 2005; PAES, 2004; PAGNUSSAT; MASUERO, 2011; PEREIRA et al. 2005; PRETTO, 2007; PRUDÊNCIO et al., 1999; RUDUIT, 2009; SCARTEZINI; CARASEK, 2003; SILVA et al., 2009; SILVA, 2006; SILVA, 2011; VIEIRA, 2009). Porém, ainda é um assunto que merece estudos, já que a variabilidade de tipos de argamassa vem crescendo e seus compostos variados não só em função dos agregados e aglomerantes, mas também quanto ao aditivos, que muitas vezes não são declarados nos catálogos e embalagens pelos seus fabricantes.

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16

Por isso a avaliação da resistência de aderência de revestimentos em argamassa de fornecedores de chapiscos e argamassas industrializadas e aditivadas é necessário para identificar qual melhor se adéqua a cada tipo de substrato. Para avaliação do desempenho quanto ao descolamento, o presente trabalho apresentará um estudo sobre a influência do substrato, peça de concreto, alvenaria e chapisco, nos revestimentos e argamassa cimentícia, contribuindo para avaliar quais características do concreto, das alvenarias e dos chapiscos, contribuem para uma maior aderência do revestimento.

1.1 OBJETIVOS

1.1.1 Objetivo geral

Analisar a influência do substrato na resistência de aderência dos revestimentos cimentícios.

1.1.2 Objetivos específicos

Analisar a resistência de aderência em diferentes tipos de substratos e chapiscos. Avaliar as características do substrato, do chapisco e da argamassa que influenciam em sua capacidade de aderir o revestimento.

1.2 JUSTIFICATIVA

O tema escolhido para estudo foi baseado na lacuna de conhecimento, identificado

através de estudo bibliográfico, da influência das variáveis do substrato sobre a aderência do revestimento. Os resultados dos ensaios de aderência do revestimento podem ser associados à

ocorrência de patologias. Quanto menor for a aderência do revestimento, maior a probabilidade dele fissurar, trincar, absorver água, deformar e se descolar do substrato.

O impacto dessas patologias na fachada da edificação traz grandes consequências

negativas, tais como, risco a segurança dos usuários, alto custo para manutenção,

desvalorização do imóvel e diminuição da vida útil da fachada.

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17

O custo de reparo da fachada é relativamente alto devido a necessidade de equipamentos que possibilitem o acesso pelo lado externo, tais como, balancins, elevadores cremalheiras, andaimes fachadeiros entre outros. A aparência da edificação fica comprometida e pode acarretar numa possível desvalorização do imóvel. Em suma, todos esses pontos indicam uma perda de desempenho da edificação, devido a insegurança, aparência, perda de durabilidade e respectiva diminuição da vida útil da edificação. Uma pequena região do revestimento que se desprende do alto de um edifício, pode acarretar em alto risco a segurança dos usuários da edificação. Como podemos observar nos noticiários e jornais, a quantidade de incidentes é alta e significativa. "Reboco cai de prédio e fere uma pessoa no Leblon." (G1 GLOBO, 30 mar. 2007). "Médica fica ferida após ser atingida por pedaço de reboco no HC." (G1 GLOBO, 12 jan. 2008). "Reboco de prédio cai e fere homem na cabeça." (FOLHA DE SÃO PAULO, 15 abr. 2008). "Reboco de teto de escola desaba e fere três crianças no Ceará." (G1 GLOBO, 24 abr. 2008). "Reboco cai de prédio da Rua do Livramento, na Gamboa, Zona Portuaria devido as chuvas desta segunda-feira." (O GLOBO, 2008), ilustrado na Fotografia 1. "Pedaço de reboco de prédio de Santos, em SP, cai e fere homem." (EXTRA GLOBO, 18 jan. 2010). " Parte do reboco da cobertura do Maracanã caiu no clássico entre Flamengo e Vasco." (GLOBO ESPORTE, 16 mar. 2010). "Reboco em túnel na zona sul de SP cai sobre carro." (ESTADÃO, 22 ago. 2010), ilustrado na Fotografia 2.

] na área central

de Londrina." (BONDNEWS, 17 out. 2011). "Reboco cai de viaduto e atinge pedestre em Del Castilho. Pai do jovem disse que ele teve 85% do cérebro comprometidos." (O GLOBO, 03 jul. 2013).

"Um pedaço de reboco da marquise de um prédio caiu e feriu uma mulher. [

Fotografia 1 – Reboco cai de prédio da Rua do Livramento, na Gamboa, Zona Portuaria devido as chuvas.

do Livramento, na Gamboa, Zona Portuaria devido as chuvas. Fonte: O Globo (2008). You created this

Fonte: O Globo (2008).

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18

Fotografia 2 – Reboco do teto de túnel na zona sul de São Paulo descola.

Reboco do teto de túnel na zona sul de São Paulo descola. Fonte: Estadão (2010). Outros

Fonte: Estadão (2010).

Outros relatos de acidentes podem ser verificados em trabalhos de pesquisadores nacionais e internacionais, como no Japão por Hayashi et al. (1993) e em Singapura por Guan e Alum (1997) e no Brasil por Medeiros (1999), Silva (2001), Campante e Sabbatini (2001), CONSITRA (2003 apud Esquivel, 2009, p.27), Fontenelle e Moura (2004), Bauer et al.([2004–2013]), Dumêt (2006) e Esquivel (2009), que mostram claramente evidências da falta de aderência dos revestimentos de argamassa nas edificações da atualidade brasileira e de outros países.

pode-se afirmar que o domínio científico da tecnologia de

produção desses revestimentos em fachadas de edifícios de múltiplos pavimentos apresenta lacunas que são evidenciadas, sobretudo, pela frequente ocorrência de problemas patológicos,

notadamente, as fissuras e os destacamentos.". (ESQUIVEL, 2009, p.27) Todas essas patologias podem ser evitadas através do conhecimento do funcionamento dos mecanismos que tem influência sobre o desempenho do revestimento. A aderência do revestimento, sendo um dos principais fatores do desempenho, deve ser estudado de maneira aprofundada, no que tange aos fatores que influenciam na aderência.

Dentro desse contexto "[

]

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19

1.3

METODOLOGIA

Este trabalho foi realizado através de pesquisa bibliográfica, pesquisa documental e pesquisa experimental.

A pesquisa bibliográfica foi baseada em textos técnicos sobre a resistência de

aderência de revestimentos em argamassa, as suas variáveis e as respectivas influências do substrato e do chapisco.

A pesquisa documental foi realizada pela análise de laudos de ensaio de empresas

construtoras, que fazem o controle tecnológico amostral do revestimento de fachada e/ou interno de edificações, com laboratórios credenciados pelo INMETRO e/ou por controle tecnológico próprio da empresa construtora. Foram considerados válidos apenas os ensaios executados conforme NBR 13528 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2010).

A pesquisa experimental foi realizada em obra, através de ensaios de protótipos do sistema de revestimento, na tentativa de representar o comportamento do revestimento in situ, variando-se os fornecedores de um mesmo substrato e argamassa de revestimento e chapisco, a fim de caracterizar o resultado geral do substrato, independentemente da marca de argamassa utilizada, quanto a aderência do revestimento.

Os protótipos foram executados com dimensões de 1x1,2m, constituídos por: substrato

de blocos de concreto de três fornecedores diferentes. Sobre os substratos foram aplicados chapiscos industrializados, de dois fornecedores distintos, aplicando-os manualmente em alguns painéis e com projeção mecânica em outros. Posteriormente foram revestidas com argamassa industrializadas de dois fornecedores distintos, também, aplicando-os manualmente em alguns painéis e com projeção mecânica em outros. Os ensaios de resistência de aderência à tração nos protótipos, foram realizados por laboratório credenciado INMETRO, conforme requisitos da NBR 13528 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2010). A comparação dos resultados de ensaio se deu através da compilação dos resultados encontrados na pesquisa bibliográfica, de campo e experimental, agrupando os dados por grupos de revestimentos: por argamassas industrializadas e argamassas mista (misturadas em laboratório ou obra); grupos de chapiscos por: comum, rolado e industrializado colante; grupos de substratos por: bloco de concreto, bloco cerâmico e estrutura de concreto. Dos

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valores de resultados enquadrados no mesmo grupo foi retirado a sua média aritmética, sendo que eventuais distorções numéricas foram observadas e comentadas.

A avaliação do revestimento foi feita com base na NBR 13749 (ASSOCIAÇÃO

BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013), que especifica os valores mínimos de resistência, conforme Quadro 1. Resultados abaixo de 0,20MPa foram considerados reprovados, resultados entre 0,30MPa e 0,20MPa foram considerados como aprovados apenas para áreas internas da edificação.

Quadro 1– Limites de resistência de aderência à tração.

Local

Acabamento

Ra (MPa)

   

Pintura ou base para reboco

≥ 0,20

Interna

Cerâmica ou laminado

≥ 0,30

Parede

 

Pintura ou base para reboco

≥ 0,30

Externa

Cerâmica ou laminado

≥ 0,30

 

Teto

 

≥ 0,20

Fonte: NBR 13749 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013, p. 3).

1.4 ESTRUTURA DO TRABALHO

Este trabalho está estruturado em 6 seções.

A Seção 1 apresenta a Introdução, que é composta pelos seguintes itens: texto de

conceituação e caracterização do tema; Objetivos; Justificativa; e Metodologia.

A Seção 2 Apresenta uma revisão de literatura sobre o conhecimento atual de

revestimentos e aderência. A Seção 3 exibe quais são os mecanismos de influenciam na aderência de revestimentos. Apresenta uma revisão de literatura sobre as características dos substratos, dos

chapiscos e das argamassas que influenciam em sua capacidade de aderir o revestimento.

A Seção 4 retrata quais são os resultados esperados de resistência de aderência dos

revestimentos com os diversos tipos de chapiscos, nos diversos tipos de substratos. Apresenta uma revisão de literatura sobre a resistência de aderência de revestimentos em diferentes tipos

de substratos, com uso de diferentes chapiscos. A Seção 5 avalia através de pesquisa documental de relatórios de ensaios de aderência, realizados por empresas construtoras, quais são os resultados de aderência de revestimento nos diversos tipos de substrato e chapisco.

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A Seção 6 avalia através de ensaios em protótipos quais são os resultados de aderência de revestimento nos diversos tipos de substrato e chapisco. É feita uma análise e comparação entre os resultados obtidos nas seções 4, 5 e 6, quanto as influências sobre a aderência do revestimento. Sendo feita a comparação de qual é o melhor substrato para cada tipo de chapisco e argamassa de revestimento. A Seção 7 relata as conclusões do trabalho e indica algumas recomendações para pesquisas futuras.

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2 REVISÃO DA LITERATURA

Vários estudos já foram elaborados com o objetivo de avaliar quais são os fatores que influenciam na aderência dos revestimentos em argamassa e quais desses fatores tem maior significância dentro do contexto geral do sistema de vedação. Com o passar dos anos os estudos e pesquisas passaram a ter uma visão holística da edificação, tal como observamos na NBR15575-1 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013) que trata do desempenho da edificação como um todo e não somente de seus materiais e componentes de maneira individualizada. Analisando a etapa de execução, a influência do preparo superficial em substratos de concreto é de grande influência sobre o sistema de revestimento, como podemos observar em Müller (2010), Balayssac et al. (2011) e Zanelatto (2012), quando os substratos são saturados o desempenho de aderência é inferior aos substratos em condições mais secas. Baseando em ensaios de aderência a tração em substratos de concreto saturados por Müller (2010), em blocos cerâmicos saturados e úmidos, através de ensaio de flexão em quatro pontos por Balayssac et al. (2011) e aderência a atração aos 28 dias por Zanelatto (2012). A influência da umidade do substrato depende também, da quantidade de polímeros da argamassa. Onde a adesão de uma argamassa com aditivos orgânicos está ligada à capacidade dos polímeros de penetrarem no substrato e uma umidade maior do substrato, poderia diminuir essa capacidade de penetração. A influência dos gradientes de retração sobre o comportamento das camadas de argamassa aplicada sobre um substrato, também foi estudada por meio de ambos os modos experimentais e numéricos em blocos cerâmicos. Demonstrou- se que este gradiente é maior, quanto maior for a sensibilidade à fissuração. Através de modelo numérico foi possível prever o tempo de fracionamento de uma camada de argamassa aplicada no substrato não absorvente. Este modelo tem de ser melhorado para, contar com a absorção através do substrato e da anisotropia de danos, conforme analisado por Balayssac et al. (2011). Algumas outras características do material do substrato devem ser avaliadas quanto a influência na aderência dos revestimento. Para os substratos de bloco cerâmico devem ser controlados o tempo de queima e o nível de porosidade segundo Pagnussat e Masuero (2011), que observou que quanto maior o tempo de queima de blocos cerâmicos, melhor a aderência do revestimento. A rugosidade em substratos de concreto é recomendada por Müller (2010), pois gera uma maior área de contato da argamassa e maior quantidade de poros para

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penetração da pasta. Constatado através de ensaios de aderência a tração em superfícies de concreto tratadas superficialmente, com limpeza com água e escovação com cerdas de aço e superfícies não tratadas. Além da limpeza e tratamento do substrato, uma alternativa bastante difundida para melhoria da ancoragem com o substrato é a utilização de chapisco, que gera uma rugosidade visível e que obtiveram resultados significativos quanto a aderência. O chapisco tradicional (aplicado com colher), ilustrado na Fotografia 3c, melhora a aderência em grande parte dos substratos, tais como concreto (MÜLLER, 2010), alvenaria de bloco cerâmico e concreto (KAZMIERCZAK et al., 2009). Todos ensaiados pelo método de aderência a tração com idade igual ou maior que 28 dias. Outros tipos de chapiscos, também, bastantes difundidos, normalmente, são empiricamente selecionados de acordo com o tipo de substrato, mas que através de estudos divergem um pouco da prática. Como o uso de chapisco rolado, ilustrado na Fotografia 3a, que obteve melhores resultados em substratos de concreto que o chapisco desempenado, ilustrado na Fotografia 3b, seguido do chapisco tradicional, ilustrado na Fotografia 3c (MÜLLER, 2010). Sendo que as melhores resistências de aderências e cisalhamento são de chapiscos com uso de areia de granulometria uniforme e bem dosada, também com o uso de sílica, ou com aditivo retentor de água, conforme resultados de Gasparin (2011) de ensaios em o revestimento a tração em superfícies de concreto.

Fotografia 3 a, b, c) – Aspecto chapisco rolado; Aspecto chapisco desempenado; Aspecto chapisco convencional.

a)
a)
b)
b)
c)
c)

Fonte: Acervo pessoal (2013).

A forma de aplicação dos chapisco também influencia na resistência de aderência do revestimento. E o que intuitivamente nos parece crer é que a projeção mecânica, ilustrado na Fotografia 4, melhoraria a aderência do chapisco, ao contrário do observado por Gasparin (2011) que demonstrou que quando utilizados equipamentos projetores de argamassa a resistência de aderência piorou devido a alta fluidez do material, formando uma superfícies não uniforme sob o substrato. Sendo a aplicação manual, mesmo precária a nível de precisão, ainda é a melhor opção.

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Fotografia 4 – Projeção mecânica de chapisco.

24 Fotografia 4 – Projeção mecânica de chapisco. Fonte: Acervo pessoal (2013). As técnicas de acabamento

Fonte: Acervo pessoal (2013).

As técnicas de acabamento são fatores que, também, interferem nos resultados de aderência, sendo que a técnica de raspagem, ilustrada na Fotografia 5a–b, se mostrou pior, em relação ao tradicional sarrafeamento ilustrada na Fotografia 6, conforme Zanelatto (2012). Devido aos ensaios de resistência a aderência em revestimento raspados apresentarem resistência superficial menor que os sarrafeados. Devendo assim, serem avaliados os equipamentos e técnicas que serão adotados em obra, para a correta capacitação da mão de obra e controle das etapas de execução, a fim de prevenir futuras patologias e perdas de desempenho do revestimento.

Fotografia 5 a, b) – Alisamento e raspagem com régua tipo H.

5 a, b) – Alisamento e raspagem com régua tipo H. Fonte: Zanelatto (2012, p.53–54). You
5 a, b) – Alisamento e raspagem com régua tipo H. Fonte: Zanelatto (2012, p.53–54). You

Fonte: Zanelatto (2012, p.53–54).

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Fotografia 6 – Sarrafeamento com régua de alumínio.

25 Fotografia 6 – Sarrafeamento com régua de alumínio. Fonte: Venturini (2011, p.2). Os fatores que

Fonte: Venturini (2011, p.2).

Os fatores que interferem na adesão inicial e fissuração do revestimento são o teor de água da argamassa e substrato, e espessura do revestimento, quanto maior a espessura das camadas aplicadas em estado fresco, pior adesão do revestimento (ZANELATTO, 2012). Constatado através de ensaio de aderência à tração em argamassa projetadas. Quando projetado mais de 1cm de argamassa de uma única vez, o resultado de aderência ficou menor do que projetado 1cm, aguardado o endurecimento dessa primeira camada e projetado a camada seguinte. Pois uma camada espessa de argamassa fresca, retém mais água, ficando com muita umidade e fluidez, fazendo com que o revestimento escorregue. As propriedades de aderência a tração da argamassa tem aumento com o aumento da água transportada (argamassa-substrato). O transporte de água ao longo do tempo é reduzido, sendo mais marcante para as argamassas com maior distribuição granulométrica da areia. A retenção de água na argamassa é influenciada pelo teor de finos, quanto mais agregados finos tiver a argamassa mais baixo será o transporte de água da argamassa para o substrato. Porém, não há associação entre a retenção de água da argamassa e o resultado de absorção do substrato (BAUER et al.,2012) . Avaliado através de sensores colocados dentro de argamassas aplicadas em blocos de concreto em diversas condições de umidade. As formas consideradas para avaliar as resistências de aderência dos revestimento são muitas, sendo que a indicada pela NBR13528 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2010) seria o ensaio de arrancamento, ou resistência de aderência à tração aos 28 dias (VIEIRA, 2009). Mas o coeficiente de variação desses ensaios de aderência, da forma que são feitos, são muito altos, sendo necessário um alto grau de controle das variáveis e análise dos resultados esperados em relação ao obtidos para se avaliar a confiabilidade do ensaio. Segundo Costa e Carasek (2009) o corte do corpo de prova feito com serra copo e água diminui a variabilidade nos resultados de aderência e umidade, em comparação com o corte a seco. Isso pode estar ligado a vibração da ferramenta, que é menor com o uso de água.

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O formato geométrico do corpo de prova segundo a NBR13528 (ASSOCIAÇÃO

BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2010) deve ser circular e este garante um resultado mais alto de resistência do que o corpo de prova. Segundo Costa e Carasek (2009) isso deve-se a alta concentração de tensões nos cantos dos CPs quadrados, comprovado por simulação computacional com o programa ANSYS®.

O tipo de cola que adere a pastilha não influência nos resultados, conforme

comprovado por Costa e Carasek (2009) por simulação computacional com o programa ANSYS®. Porém, sua espessura influencia nos resultados e está limitada a 5mm, conforme NBR13528 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2010). Quando a camada de cola é superior a 5mm, as tensões no envoltório do CP ficam elevadas e ocorre uma redução da área de tração no revestimento, conforme simulação computacional realizada Costa e Carasek (2009) com espessuras de 0mm, 5mm, 7mm, 10mm e 12mm. Camadas de cola acima de 5mm podem descolar ou gerar um falso resultado de aderência, pois a área de

tração sendo menor a capacidade de carga, também será menor. Sem contar que com uma camada mais espessa de cola a pastilha fica mais susceptível ao escorregamento, gerando possíveis excentricidades.

A forma de aplicação da carga não pode ser excêntrica, pois Costa e Carasek (2009)

simularam computacionalmente um ponto de carregamento fora do centro da pastilha, que demonstrou um efeito de flexão que tende a elevar as tensões na região do carregamento. Igual cuidado deve ser dado à taxa de carregamento, que não pode variar entre os ensaios, pois existe uma tendência de aumento da resistência de aderência com o aumento da taxa de carregamento (COSTA; CARASEK, 2009), quando comparado os resultados de taxas de carregamento >25K/s e ≤25N/s, com uso de dois tipos de dinamômetro de tração. ALVES et al. (2010) mostra ensaios de arrancamento, que também, são influenciados pela umidade dos revestimentos de argamassa, de modo que na medida em que se aumenta o teor de umidade, ocorre uma redução bastante significativa dos valores de resistência superficial à tração. Este avalia razoavelmente bem as características superficiais dos revestimentos de argamassa, contudo com algumas limitações, a exemplo, dos elevados coeficientes de variação observados, algo que compromete a precisão dos resultados obtidos por meio dessa técnica. Já o ensaio de ultrassom é bastante preciso e mais indicado para verificar as propriedades mecânicas, tais como aderência e fissuração, porém é influenciado pelas variações de umidade dos revestimentos de argamassa e substrato (ALVES et al., 2010). E o ensaio de esclerometria pendular não é influenciado pelas variações de umidade dos

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revestimentos de argamassa, mas se mostra eficaz apenas para caracterizar argamassas de composições distintas. Algo a se considerar nos ensaios de aderência à tração é a idade do revestimento para que o resultado se torne representativo para análise. Segundo as NBR13528 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2010) e NBR13749 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013) este deve ser aos 28 dias, para argamassa sem cal, porém Nakakura et al. (2009) demonstra que a resistência de aderência dos revestimento vai aumentando com o passar do tempo, podendo variar de acordo com a composição da argamassa e tempo de cura. Quando ensaiados revestimentos em argamassa com 28 e 91 dias. Por tanto, deve-se levar em conta o tipo de cimento e aditivos da argamassa para se ter um parâmetro da idade de ensaio do revestimento. Os estudos apresentados refletem as inúmeras variáveis que interferem na resistência de aderência dos revestimentos argamassados. Um estudo mais detalhado e prático permitirá validar as informações dos autores e indicar soluções mais adequadas a cada tipo de substrato, dando maior embasamento para a elaboração de planejamento e projeto de revestimento, garantindo seu desempenho e vida útil.

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3 MECANISMOS DE ADERÊNCIA DO REVESTIMENTO

Este capítulo apresenta como ocorre a aderência do revestimento no substrato e quais são os processos físico-químicos envolvidos, focando nas características intrínsecas do revestimento, chapisco e substrato que favorecem ou atrapalham nesse processo. Todo material é baseado na literatura científica histórica e atual.

3.1 CONCEITUAÇÃO

O conceito de aderência, ou adesão, é aplicável a diversas áreas científicas e tecnológicas, para atendimento das diversas necessidades do civilização atual. Focando na área de engenharia, podemos citar os revestimentos, pinturas, vernizes, silicones, mástiques, adesivos estruturais, etc. Ainda no aspecto amplo da aderência, Backelandt (2005 apud PRETTO, 2007, p.24) descreve os tipos de mecanismos de adesão, dando o nome de teoria de adesão, dividindo-as em seis teorias:

a) Teoria da Molhabilidade;

b) Teoria da ancoragem mecânica;

c) Teoria das interações moleculares (incluindo forças de Van der Waals e Pontes de Hidrogênio);

d) Teoria das ligações químicas (ligações covalente, metálicas e iônicas);

e) Teoria das camadas Interfaciais de fraca coesão;

f) Colagem em meio poroso

Segundo os autores Bèlair (2005 apud PRETTO, 2007, p.24) e Perez (2005 apud PRETTO, 2007, p.24), os mecanismo de adesão são provenientes de dois fenômenos: adesão específica e adesão mecânica. No caso de aderência de revestimentos de argamassa, os

mecanismo de aderência pelas interações moleculares físico-químicas (Vander Waals e Pontes de Hidrogênio), apesar de essenciais, geram ligações não fracas. Para Mittal (1995 apud COSTA, 2007, p.46, grifo do autor) há, também, outra definição para as manifestações de aderência:

a) Aderência básica ou fundamental: definida como a soma de todas as interações intermoleculares entre a interface de contato dos materiais. Reciprocamente, representa a energia necessária para quebras as ligações químicas na interface do sistema.

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b) Aderência termodinâmica ou reversível: representa as alterações na

energia livre quando uma interface é formada ou separada [

].

c) Aderência prática ou experimental: é a força necessária para remover ou separar o revestimento do substrato sem considerar o local de ruptura [

No caso de revestimentos de argamassa, o que realmente influencia, é a capacidade de resistir as tensões atuantes no sistema, a espessura e características do adesivo, características do substrato, tipo de ruptura, métodos de mensuração e parâmetros de análise dos dados (COSTA, 2007). E que segundo Sabbatini (1990) a aderência é a união de algumas características da interface do substrato com o revestimento:

a) aderência à tração;

b) aderência ao cisalhamento;

c) extensão de aderência (área de contato efetivo e área total da base revestida).

Os mecanismos atuantes no processo de aderência de uma argamassa em estado fresco com um substrato iniciam-se após contato, onde uma parcela da água presente na argamassa, que apresenta componentes do aglomerante, penetra nos poros do substrato, conforme Figura 2. Segundo estudo de análise microestrutural por Carasek (1996), no interior desses poros ocorre um fenômeno de intertravamento pelos produtos de hidratação dos aglomerantes, principalmente, de etringita, proveniente da hidratação do cimento da argamassa, conforme Figura 3 e após algum tempo, esses produtos exercem a ação de ancoragem ao substrato.

Figura 2 – Representação esquemática do aglomerante da argamassa penetrando no substrato.

do aglomerante da argamassa penetrando no substrato. Fonte: Maciel et al. (1998, p.3). Segundo Gallegos (1995

Fonte: Maciel et al. (1998, p.3).

Segundo Gallegos (1995 apud apud COSTA 2007, p.47) na interface da argamassa/substrato a atração química é desprezível, e a atração física oriunda das forças intermoleculares de Van der Waals são as que promovem a aderência. Porém, essa aderência é muito abaixa por si só, não sendo apenas ela suficiente, o que torna um fenômeno de aderência mecânica. Segundo Carasek (1996 apud COSTA 2007, p.47), a contribuição do sistema mecânico é superior ao sistema químico, sendo que somente 10% do total é proveniente de ligações polares entre os átomos de cimento e do substrato.

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Figura 3 – Representação esquemática do mecanismo de aderência do revestimento em argamassa cimentícia.

de aderência do revestimento em argamassa cimentícia. Fonte: Carasek (2001 apud SILVA 2011, p.44). Sugo et

Fonte: Carasek (2001 apud SILVA 2011, p.44).

Sugo et al. (2001 apud Carvalho Jr., 2005, p. 41) apresenta o processo de aderência mecânica da argamassa ao substrato através de um fluxograma, conforme Fluxograma 1.

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Fluxograma 1 – Fluxo do processo de aderência da argamassa com o substrato.

Segundos → Minutos

Contato

Argamassa /

Alvenaria

Os fluídos da argamassa molham a superfície do tijolo.

Final

transporte de

sólidos

Sucção capilar dos fluidos da

argamassa pela

unidade de

alvenaria resulta

no transporte

de sólidos para

a interface.

Minutos Horas

Final do

transporte

úmido

Começo da

hidratação

Dias → Meses, Anos

Início da

carbonatação?

Final da

hidratação do

cimento?

Final da

carbonatação?

A água é perdida para o meio ambiente. A taxa de hidratação cai quando a umidade relativa do ar na pasta cai de 100% e efetivamente cessa quando esta umidade cai abaixo de 80%.

Sucção capilar continua sob condições de fluxo não saturado (sem sólidos).

Sucção capilar termina quando a argamassa e a unidade de alvenaria tem potenciais de sucção iguais.

Se o potencial da argamassa aumentar suficientemente com o tempo, a reversão do fluxo de umidade ocorrerá.

Mais mudanças ocorrerão devido a hidratação e à

retração na

resultando em microfissuras.

secagem

O final do período de pega do

cimento resulta em crescimento

dos produtos

substrato. Aumenta a resistência

de aderência

aplicada sobre o tijolo.

da hidratação no

da argamassa

Mudança de volume: Retração plástica ocorre devido à redução do fatos água / sólidos.

ocorre devido à redução do fatos água / sólidos. Depois da hidratação inicial, a continuidade da

Depois da hidratação inicial, a continuidade da hidratação do cimento é impedida pelo início do período de pega. Hidratação do C 3 A e recristalização Ca(OH) 2 podem ocorrem.

do

3 A e recristalização Ca(OH) 2 podem ocorrem. do Início da carbonatação , aumento da argamassa.

Início da carbonatação, aumento da argamassa.

coesão da

Fonte: Sugo et al. (2001 apud CARVALHO JR., 2005, p.42).

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Segundo Costa (2007) é necessário que haja um molhamento do substrato pela argamassa, isso significa que a argamassa deve se espalhar e cobrir a maior porção de área superficial possível do substrato. Segundo Antunes (2005 apud Costa 2007, p. 49) esse espalhamento é influenciado pela energia de impacto e reologia da argamassa. A rugosidade do substrato altera esse molhamento, pois altera o ângulo de contato da argamassa com a superfície do substrato. Segundo alguns autores Kinloch (1987 apud COSTA, 2007, p.50), Carasek (1996 apud COSTA, 2007, p.50), Antunes (2005 apud COSTA, 2007, p.50), quando há redução do ângulo de contato, maior será o molhamento e isso acarreta numa menor a quantidade de ar aprisionado, o que minimizaria a quantidade de falhas no revestimento e aumenta a aderência. Nesse contexto verifica-se que a aderência da argamassa é regida, fundamentalmente, pela rugosidade e capacidade de sucção do substrato. Carasek (1996) analisando a aderência

de argamassas, verifica que a taxa de sucção de água de diferentes substratos (bloco cerâmico, bloco de concreto, bloco sílico-calcário, etc) de um mesmo tipo de substrato (mesmo fabricante e lote) teve coeficientes de variação entre 11 e 43%, confirmando a alta variação dos valores de resistência de aderência que são obtidos frequentemente em ensaios de diversos autores (COSTA, 2007). Finalizando essa breve elucidação sobre os conceitos gerais de aderência de revestimentos, resumi-se que os fatores predominantes sobre o poder de adesão estão grandemente influenciados por diversos fatores, mas que são regidos fundamentalmente pelos agrupados abaixo (COSTA, 2007) e ilustrados no Fluxograma 2 elaborado por Antunes (2005 apud COSTA, 2007, p.52):

a) argamassa (materiais constituintes – tipo e proporção; granulometria; reologia; presença de aditivos; fluidez; capacidade de incorporar ar; capacidade de reter água; resistência a compressão; módulo de deformação; espessura do revestimento);

b) substrato (rugosidade, porosidade, sucção de água, teor de umidade, tipo do material);

c) tratamento superficial da base (limpeza, lixamento, molhagem, chapisco);

d) formas de aplicação/execução (forma de mistura da argamassa – manual, betoneira ou argamassadeira; aplicação da argamassa – manual ou mecanizada;

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distância da aplicação; cura do chapisco e argamassa de revestimento; tempo para desempeno e sarrafeamento); e) condições do meio (temperatura, irradiação de calor, umidade do ar, ventilação, vibração, contaminação).

Fluxograma 2 – Fluxo de influências sobre a aderência de revestimentos em argamassa.

sobre a aderência de revestimentos em argamassa. Fonte: Antunes (2005 apud COSTA, 2007, p.52). 3.2

Fonte: Antunes (2005 apud COSTA, 2007, p.52).

3.2 CARACTERÍSTICAS DO SUBSTRATO QUE INFLUENCIAM NA ADERÊNCIA

As características do substrato que influenciam na aderência do revestimento de argamassa estão relacionadas, essencialmente, a penetração da argamassa nos poros, entre as rugosidades da base de aplicação e a absorção de água pelo substrato, que verificam-se nos itens a seguir.

3.2.1 Sucção de água

Segundo estudo realizado por Candia e Franco (1998), Cortez (1999 apud PRETTO 2007, p.76) e Paes (2004) o índice de absorção inicial (IRA) do substrato, mensurado segundo ensaio da ASTM C67 (1992), que tem seu método brasileiro pela NBR15270-3

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(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2005), é a propriedade mais importante para resistência de aderência do revestimento, até mesmo do que a rugosidade superficial do substrato. Baixos índices de IRA não permitem que a água penetre no substratos, não criando as ligações mecânicas de aderência. Taha et al. (2001 apud PRETTO, 2007, p.77) destaca que a combinação do IRA do substrato com a retenção de água da argamassa, é possível selecionar os tipos de argamassa e substrato para obter um bom desempenho à aderência. Porém, segundo Taha et al. (2001 apud PRETTO, 2007, p.77), o IRA pode trazer resultados deturpados, porque a distribuição de poros com fluxos de água diferentes, podem gerar valores iguais de IRA. E também, altos índices de IRA indicam que o substrato irá absorver água responsável pela cura do revestimento, acarretando fissuração por retração, que enfraquecerá a aderência na interface substrato/revestimento. Assim sendo, pode-se fazer uma correlação direta nos valores de resistência a aderência da argamassa, com a capacidade de sucção de água do substrato, mas segundo Pretto (2007) a utilização apenas da metodologia atual do IRA, pode não ser a mais adequada, sendo necessária a avaliação a absorção total e absortividade. Pode-se concluir que o IRA é um bom indicador de avaliação e caracterização de substratos para avaliação da resistência a aderência de revestimentos argamassados cimentícios. Outro fenômeno relacionado com a sucção de água é a absorção total do substrato, característica diretamente relacionada com a perda de água da argamassa de revestimento, segundo Candia e Franco (1998). Esse item é bastante relevante para avaliar o tempo de sarrafeamento da argamassa, sendo que quanto maior for a absorção total do substrato, mais rápido será o tempo de sarrafeamento, pois menor quantidade de água da argamassa precisa ser evaporada para estar no ponto. Porém, segundo ensaios realizados por Candia e Franco (1998), o fato de substratos terem maior absorção total, ocasionou em pior resistência de aderência, muito provavelmente porque a argamassa fica com menos tempo para curar e fortalecer a hidratação dos aglomerantes aderidos ao substrato.

3.2.2

Porosidade

A porosidade é um fator importante no potencial de sucção de água do substrato, Carasek (1996) diz que os poros que influenciam na aderência são aqueles de condutos

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abertos de dimensão capilar, pois tem a capacidade de succionar a água da argamassa e criar um intertravamento entre o substrato e a pasta da argamassa. Pretto (2007) diz que é a propriedade que exerce maior influência na aderência são a capacidade de sucção de água e a porosidade, sendo que a sucção de água dependente da porosidade, mas também, da viscosidade do líquido e tensão superficial. De acordo com Carasek (1996 apud PRETTO, 2007, p.35), os poros do substrato com diâmetro superior a 5µm, não tem força capilar suficiente para vencer os poros da argamassa, e que segundo Gallegos (1995 apud CARVALHO JUNIOR, 2005, p.38) os poros inferiores a 0,1µm, mesmo tendo força capital, não absorvem quantidades significativas de água, não influenciando na aderência do revestimento.

3.2.3 Rugosidade superficial do substrato

A definição mais sucinta e clara de rugosidade é definida por Alves (2002 apud

o conjunto de irregularidades, ou seja, pequenas saliências e

reentrâncias que caracterizam uma superfície.". Alguns autores, dentre eles Pretto (2007), Scartezini (2002), Leal (2003 apud GONÇALVES, 2004, p.14), estudam se a maior rugosidade do substrato aumenta a resistência de aderência do revestimento. Segundo estudo realizado por Candia e Franco (1998) a rugosidade superficial do substrato tem grande importância para a resistência de aderência, porém, menor do que o IRA. Segundo o autor, blocos cerâmicos e estruturas de concreto, obtiveram melhor resultado de aderência depois de aplicado chapisco rolado, mesmo com a piora do IRA, visto a considerável melhora na rugosidade superficial. Isso porque o IRA desses substratos não tem grande significatividade, por serem muito lisos, comparado com substratos de bloco de concreto, por exemplo, que quando submetidos a aplicação de chapisco rolado, tiveram piores resultados de resistência de aderência. Isso nos leva a compreender que existem diversas formas de se aderir um revestimento ao substrato, e cada tratamento do substrato deverá sem avaliado de acordo com suas características, não podendo ser considerado uma revestimento ou chapisco ideal para todos os casos. Mais uma vez, ressaltando a importância do estudo aprofundado dessa questão. Porém, atualmente não existem metodologia brasileira normatizada para medição da rugosidade de nenhum tipo de substrato. De acordo com ANSI (American Nacional Standards

STOLZ, 2011, p.47) sendo: "[

]

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Institute) os métodos de mensuração são divididos em três tipos: método de contato, tunelamentos e método óptico (MAERZ et al., 2011 apud STOLZ, 2011, p.50).

3.2.4 Umidade

A umidade do substrato é uma característica de difícil controle durante o processo executivo, mas que deve ser levada em consideração, pois representa uma influência considerável na aderência do revestimento. Scartezini e Carasek (2003) dizem que o umedecimento do substrato não deve ser executado sempre, pois pode piorar a aderência ao em vez de melhorar e vice-versa. No caso de blocos cerâmicos (substrato com baixa absorção de água inicial) o umedecimento piorou a aderência, e nos blocos de concreto (substrato com alta absorção de água inicial) melhorou a aderência. Isso se deve ao fato do umedecimento no bloco cerâmico impedir a penetração de pasta no substrato, devido a sua saturação, e no caso do bloco de concreto, houve melhorar, pois o umedecimento fez diminuir a velocidade de sucção de água do substrato, podendo ter efeito de diminuição da retração da argamassa.

3.3 CARACTERÍSTICAS DO CHAPISCO QUE INFLUENCIAM NA ADERÊNCIA

As características do chapisco que influenciam na aderência do revestimento de argamassa são as mesmas, essencialmente, que as do substrato (penetração da argamassa nos poros, entre as rugosidades da base e a absorção de água), porém com algumas particularidades verificaremos nos itens a seguir.

3.3.1 Adesivos poliméricos

Segundo a maioria dos autores (CANDIA; FRANCO, 1998; NASCIMENTO et al., 2005; PRETTO, 2007; PAES, 2004), a utilização de aditivos adesivos poliméricos, tais como PVA (poliacetato de vinila), SBR (estireno-butadieno), Acrílico (estireno-acrílico), M (acetado de polivinila) e argamassas industrializadas, contribuem para a aderência dos revestimentos. Porém, segundo outros autores (CANDIA; FRANCO, 1998; MACEDO et al,. 2007; PAES, 2004) essa adição pode prejudicar a aderência, quando os substratos possuem boa capacidade de absorção de água inicial (IRA), pois criam uma película impermeável, que

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impede a interpenetração da pasta de cimento e a formação da ligação de etringita do cimento com o substrato. E que segundo Macedo et al. (2007) o tipo de adesivo utilizado (PVA ou acrílico) não influenciou nos valores de resistência de aderência. A Fotografia 7 mostra a absorção de água por capilaridade aos 90 minutos de ensaio de dois tipos de chapisco empregados, onde verificasse claramente que o chapisco industrializado que utiliza o mecanismo de aderência química pelos polímeros, praticamente que não absorve água e o chapisco convencional, que utiliza o mecanismo de aderência mecânica pelos componentes de hidratação do cimento, absorve muito mais água.

Fotografia 7 – Aspectos do corpo de prova, com diferente chapiscos, após ensaio de absorção por capilaridade.

chapiscos, após ensaio de absorção por capilaridade. Fonte: Pretto (2007, p.107). Porém, apesar de alguns

Fonte: Pretto (2007, p.107).

Porém, apesar de alguns empecilhos dos adesivos poliméricos, segundo Macedo et al. (2007) ao realizar ensaios onde aplicou a argamassa de revestimento, ainda quando o chapisco estava úmido (após 4 horas), obteve valores mais altos de resistência a aderência. Muito provavelmente porque houve o impedimento da formação do filme polimérico, nas primeiras idades do chapisco e pelo adesivo agir sobre as duas faces, tanto do chapisco quanto da argamassa. Outro aspecto vantajoso do adesivo polimérico é quando da utilização em substratos não porosos, como estruturas de concreto e blocos cerâmicos, pois ele contribui para aumento da rugosidade e consequentemente da argamassa de revestimento, conforme observado por Nascimento et al. (2005).

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3.3.2 Tipo de cimento

A característica do chapisco que influencia mais em sua aderência é sua capacidade de penetração nos poros do substrato, portanto, quanto menores forem os grãos de cimento, mais profundamente penetrará sua pasta entre as vilosidades do substrato e melhor será o intertravamento do material. Nascimento et al. (2005) obtém resultados de ensaio, onde os cimentos tipo CPV ARI, tiveram melhores resistências que os cimentos tipo CPIII 32 RS e CPII E 32 respectivamente.

3.3.3 Tempo de aplicação

Segundo estudo realizado por Macedo et al. (2007), o tempo de execução do revestimento, após a aplicação de chapisco rolado mostrou influência significativa nos valores de resistência de aderência. Nesse caso, os resultados foram mais altos quando se aplicou a argamassa de revestimento após 4 horas, do que quando aplicado após 1 dia, 3 dias e 28 dias. Isso seria devido a formação de uma película impermeável formada pelos polímeros adesivos, presentes na mistura do chapisco.

3.3.4 Cura úmida

Observamos que o fator que mais influencia na aderência do revestimento é a capacidade de penetração de pasta de argamassa, entre as camadas substrato/chapisco, ou substrato/argamassa, ou chapisco/argamassa. Sendo assim, quanto melhor for essa ligação da pasta cimentícia, melhor será a aderência. Esta ligação se fortalece mais, quanto melhor hidratada ela for e, por isso, a importância da cura úmida nos primeiros dias, após aplicação do chapisco ou argamassa. Pereira et al. (2005), obteve melhores resultados de aderências aos 7 dias, porém com apenas 3 dias já se elevou consideravelmente os valores de resistência, o que pode ser mais viável para a produtividade das atividades de execução. Scartezini e Carasek (2003) obtiveram resultados onde o processo de cura úmida elevou, no pior caso, 14% o valor de resistência e no melhor caso, 41% do valor. Silva (2011) obtém resultados onde o resultado da cura em chapisco tradicional confirmou a afirmação dos autores Pereira et al. (2005) e Scartezini e Carasek (2003), porém

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ficou prejudicada quando do uso de aditivo SBR, se comparando ao chapisco sem cura, mas o mesmo chapisco com aditivo SBR obteve bons resultados sem cura.

3.4 CARACTERÍSTICAS DA ARGAMASSA DE REVESTIMENTO QUE INFLUENCIAM NA ADERÊNCIA

O conhecimento das características da argamassa de revestimento é de fundamental importância para quem irá especificar o material. Sem tal conhecimento fica impossível a obtenção de um bom desempenho do revestimento durante a vida útil da edificação, devendo assim, ser conhecidos os fatores intrínseco (sistema estrutural, substrato, forma de aplicação/execução) e extrínseco (uso, manutenção, exposição). Vale ressaltar que esse conhecimento deve ser atribuído ao projetista, conforme NBR 15.571-1 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013) devido sua responsabilidade em especificar os materiais e componentes dos sistemas projetados, e que serão verificadas a seguir, conforme suas principais características.

3.4.1 Resistência à compressão

Carasek (2010 apud CARASEK, 1996, p.16) apresenta os dados do Gráfico 1, quanto a influência da resistência à compressão da argamassa, apresentada como teor de cimento, na resistência de aderência. Podemos observar, que quanto maior o teor de cimento, maior será a resistência de aderência, porém é importante analisar sistemicamente a edificação, conforme Carasek (2010), pois uma alta rigidez do revestimento comprometerá a sua durabilidade, em função do alta propensão em apresentar fissuração.

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Gráfico 1 – Influência da resistência a compressão da argamassa na resistência de aderência.

a compressão da argamassa na resistência de aderência. Fonte: Carasek (2010 apud CARASEK, 1996 p. 16).

Fonte: Carasek (2010 apud CARASEK, 1996 p. 16).

3.4.2 Módulo de deformação

A ruptura de um revestimento em estado endurecido provem de tensões da movimentação do substrato, movimentação térmica e movimentação higroscópica, sendo necessário não pensar na resistência de aderência à tração de forma isolada, mas também na sua capacidade de absorver tensões, que se for baixa, irá gerar fissuras e consequente comprometimento da aderência na região da fissuração, um ponto de infiltração e possível descolamento. Segundo Sabbatini (1990) a capacidade de, um revestimento endurecido, absorver deformações pode ser definido pela Equação 1:

1

E = f ta /E ta

em que:

E – deformação específica f ta limite de resistência E ta módulo de deformação à tração no momento de ruptura

Nas argamassas com menor resistência mecânica (fracas) a sua estruturação interna é menos resistente, podendo dissipar as tensões em forma de microfissuras. Já nas argamassas

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com maior resistência mecânica (fortes), as tensões se acumulam até o ponto de ruptura, gerando fissuras macroscópicas. Daí a necessidade de achar uma argamassa que atenda tanto os padrões de resistência a aderência, quanto ao ponto de absorver deformações.

3.4.3 Índice de consistência

Essa propriedade é relevante para avaliação da facilidade ou dificuldade de aplicação em obra, de qual será a influência na trabalhabilidade e manuseio do executor, se existe a possibilidade de projeção mecânica, ou não e qual é o potencial de retenção da argamassa. Segundo Silva (2006) é uma propriedade que a argamassa tem de a resistir à aplicação de uma força imposta, quanto mais consistente, maior a resistência, ou maior é a reação à força aplicada. Segundo RILEM (1982 apud SILVA, 2006, p.24) a consistência poder ser mensurada por propriedade reológicas, tais como, viscosidade, dilatância e estruturação interna.

3.4.4 Retenção de água

É a propriedade da argamassa de manter sua consistência após a mistura, retendo a água de amassamento, sujeita a perda pela evaporação e sucção pelo substrato, ou absorção pelos componente de manuseio e armazenamento. Sem a retenção de água adequada a argamassa diminui seu tempo de para manuseio, diminuindo a produtividade, gerando a possibilidade do uso dela de maneira inadequada em obra e permite que o processo de cura do revestimento seja mais gradativo e completo. Quando no estado seco, o revestimento tem uma piora na cura e consequentemente uma menor formação de etringita, propriedade de aderência com o substrato e aglomerantes, deixando o revestimento mais pulverulento, comprometendo sua aderência, capacidade de absorver deformações, resistência mecânica e com isso a durabilidade do sistema (MACIEL et al., 1998). Segundo estudos realizados por Costa et al. (2010) a resistência a aderência aumentou 29% com acréscimo do teor de água da argamassa, conforme Gráfico 2, ao contrário da resistência mecânica da argamassa, podendo ser explicado pelo fato de ter-se alterado as

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características reológicas da argamassa, facilitando o espalhamento da argamassa sobre o substrato.

Gráfico 2 – Influência do teor de água de amassamento da argamassa na resistência de aderência do revestimento.

da argamassa na resistência de aderência do revestimento. 3.4.5 Massa específica Fonte: Costa et al. (2010,

3.4.5 Massa específica

Fonte: Costa et al. (2010, p.8).

É a propriedade da argamassa de manter sua consistência após a mistura, sujeita a perda de água pela evaporação e sucção pelo substrato, ou absorção pelos componente de manuseio e armazenamento. Sem a retenção de água adequada a argamassa diminui seu tempo de para manuseio, diminuindo a produtividade e gerando a possibilidade do uso dela de maneira inadequada em obra. Quando no estado seco, o revestimento tem uma piora na cura e consequentemente uma menor formação de etringita, propriedade de aderência com o substrato e aglomerantes, deixando o revestimento mais pulverulento. De acordo com Carasek (2007 apud SANTOS, 2008, p.18) quanto menor for a massa específica da argamassa, mais trabalhável a argamassa será, garantindo uma maior espalhamento sobre o substrato. A massa específica da argamassa varia com o teor de ar incorporado e a massa específica de seus materiais constituintes, principalmente a do agregado.

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3.4.6 Teor de ar incorporado

Segundo ensaios realizados por Costa et al. (2010) aditivos incorporadores de ar geraram

uma diminuição na viscosidade da argamassa, atuando também para diminuição do atrito entre os agregados, facilitando o espalhamento sobre o substrato, e que segundo Romano et al. (2007) isso ocorre porque o a incorporação de ar altera a tensão superficial da argamassa, conforme podemos observar na Fotografia 8.

Fotografia 8 – Influência do teor de aditivo incorporador de ar na plasticidade da argamassa fresca.

incorporador de ar na plasticidade da argamassa fresca. Fonte: Alves (2002, p.8). Porém, apesar desse melhor
incorporador de ar na plasticidade da argamassa fresca. Fonte: Alves (2002, p.8). Porém, apesar desse melhor

Fonte: Alves (2002, p.8).

Porém, apesar desse melhor espalhamento, os resultados de aderência a tração realizados por Costa et al. (2010), conforme Gráfico 3, não tiveram alteração significativa, mas que para Alves (2007 apud Costa et al. 2010, p.8) os resultados foram mais piores, assim como trouxe diminuição, também, na resistência a compressão e a flexão da argamassa.

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Gráfico 3 – Influência do teor de aditivo incorporador de ar na resistência de aderência do revestimento.

de ar na resistência de aderência do revestimento. Fonte: Costa et al. (2010, p.8). Alves e

Fonte: Costa et al. (2010, p.8).

Alves e Bauer (2002 apud CARASEK, 2010, p.21) mostram resultados semelhantes, porém indicando que deve haver um controle no percentual de teor de ar incorporado para gerar uma melhora na resistência de aderência e conforme observado na Gráfico 4, a partir de um determinado percentual, quanto maior o teor de ar incorporado, pior será a aderência.

Gráfico 4 – Influência do teor de aditivo incorporador de ar na resistência de aderência do revestimento.

de ar na resistência de aderência do revestimento. Fonte: Alves e Bauer (2002 apud CARASEK, 2010,

Fonte: Alves e Bauer (2002 apud CARASEK, 2010, p.21).

3.4.7 Aditivo dispersante

Segundo ensaios realizados por Costa et al. (2010) aditivos dispersantes foi o que mais influenciou para elevar a resistência de aderência à tração, tendo um aumento de 40% na

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resistência de aderência, conforme Gráfico 5. Aumentando, também a resistência a

compressão e tração na flexão em 32% e 16% respectivamente.

Isso pode ser explicado pelo aditivo ter alterado a viscosidade da argamassa

facilitando o espalhamento da argamassa sobre o substrato e minimizando a taxa de defeitos,

assim como com o aumento do teor de água, com a diferença de ter aumentado as

propriedades mecânicas da argamassa.

Gráfico 5 – Influência do teor de aditivo dispersante da argamassa na resistência de aderência do revestimento.

da argamassa na resistência de aderência do revestimento. Fonte: Costa et al. (2010, p.9). 3.4.8 Espessura

Fonte: Costa et al. (2010, p.9).

3.4.8 Espessura do revestimento

A NBR 13749 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013)

estabelece que a espessuras máxima e mínima permitida para revestimentos externos, com a

utilização em camada única, conforme Quadro 2.

Quadro 2 – Espessura máxima de revestimentos internos e externos.

Local de aplicação do revestimento

Local de aplicação do revestimento

Parede interna

Parede externa

Tetos internos e externos

Espessura (e)

(mm)

5 ≤ e ≤ 20

20 ≤ e ≤ 30

e ≤ 20

Fonte: NBR 13749 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013, p. 2).

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Segundo estudos realizados por Prudêncio et al. (1999) a espessura do revestimento altera significativamente os resultado de resistência de aderência, conforme podemos observar na Tabela 1, argamassas industrializas e mistas sem chapisco tem maior aderência com espessuras menores e argamassas mistas com chapisco obtém resultados melhores com o aumento da espessura. Vale ressaltar que as espessuras estudadas são menores do que a prática de campo, sendo necessários mais estudos práticos nessa questão.

Tabela 1 – Influência da espessura do revestimento na resistência de aderência.

Tipo de

Espessura

Resistência de aderência à tração

 

argamassa

argamassa

 

Substrato

 
 

Úmido c/

Úmido s/

Seco c/

Seco s/

chapisco

chapisco

chapisco

chapisco

Ra m

CV

Ra m

CV

Ra m

CV

Ra m

CV

Semi-pronta

0,5 cm

0,11

30,2

0,16

45,4

0,12

31,2

0,25

34,9

1,0 cm

0,20

20,9

0,23

33,6

0,16

32,3

0,24

37,7

2,0 cm

0,27

10,9

0,20

28,6

0,28

21,6

0,22

34,3

Industrializada

0,5 cm

0,29

39,8

0,54

46,8

1

1,0 cm

0,28

21,6

0,31

43,3

Industrializada

0,5 cm

0,17

57,7

0,32

41,1

2

1,0 cm

0,26

24,6

0,20

23,3

Ra m – Resistência a aderência média (MPa) CV – coeficiente de variação (%)

 

Fonte: Prudêncio et al. (1999, p. 458).

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4 ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DA ADERÊNCIA DE REVESTIMENTOS EM REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Este capítulo apresenta os resultados compilados de resistência de aderência de revestimento, realizado por pesquisa bibliográfica de 144 resultados de ensaios de 18 referências distintas, subdividindo-os por tipo de substrato e tratamento superficial, para análise da influência dos diversos tipos de tratamento superficial e correspondente desempenho. Os substratos pesquisados foram o bloco de concreto, bloco cerâmico e estrutura de concreto. A escolha de quais ensaios seriam adequados à pesquisa, seguiu o critério de que eles deveriam estar ter metodologia de ensaio compatível com a NBR 13528 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2010). O comparação da preparação dos substratos se dividiu entre: sem utilização de chapisco, uso de chapisco comum, chapisco industrializado colante, chapisco rolado e aplicação de solução com cal, quanto aos tração de cada chapisco e aditivos incorporados, foram desconsiderados na comparação, a não ser que descaracterizasse muito as propriedades de referência de cada grupo. Não houve distinção entre os tipos de argamassas usadas, quanto ao tração, aditivos, apenas com relação a adição de fibras ou outros componentes, tais como, agregados artificiais, pó de pedra, etc. que descaracterizam muito as propriedades de referência da argamassa mista.

4.1 ADERÊNCIA EM SUBSTRATOS DE CONCRETO

Segundo pesquisa bibliográfica (CANDIA; FRANCO, 1998; MOURA, 2007; NASCIMENTO et al., 2005; PRETTO, 2007; RUDUIT, 2009; MACEDO et al., 2007) a aderência nos substratos de concreto é prejudicada por sua falta de porosidade, rugosidade e capacidade de sucção de água, sendo necessário a aplicação de algum tipo de chapisco, ou tratamento específico, para aumentar sua rugosidade superficial. Como podemos observar na Quadro 3 e Gráfico 6, o uso de chapisco comum foi o único que, na média, atendeu aos requisitos da NBR 13749 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013), porém esses valores não podem nos induzir a concluir que apenas esse chapisco atenderia. Observando o alto desvio padrão e analisando o APÊNDICE A, onde estão detalhado todos os resultados, podemos observar que o chapisco industrializado colante, também, apresenta diversos resultados acima de 0,30MPa. Já as soluções de chapisco rolado e sem chapisco, a princípio precisariam de maiores investigações para que se possa

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afirmar que atenderiam ao requisito exigido pela norma em revestimentos de fachada, ou externo.

Quadro 3 – Resumo da pesquisa dos ensaios de aderência à tração realizados sobre concreto.

     

Desvio

Avaliação

Substrato

Preparo

R

adm

(MPa)

Padrão

NBR 13749

(MPa)

(ABNT, 2013)

Concreto

Chapisco comum

0,53

0,37

Aprovado

Concreto

Chapisco Industrializado Colante

0,23

0,34

Aprovado apenas interno

Concreto

Chapisco rolado

0,15

0,06

Reprovado

Concreto

Sem chapisco

0,10

0,10

Reprovado

 

Média

0,34

0,31

Aprovado

 

CV da média

91%

 

Fonte: o Autor.

Gráfico 6 – Resumo da pesquisa dos ensaios de aderência à tração realizados sobre concreto.

1,00 0,90 0,90 0,80 0,70 0,60 0,57 0,53 0,50 0,40 0,30 0,23 0,20 0,21 0,20
1,00
0,90
0,90
0,80
0,70
0,60
0,57
0,53
0,50
0,40
0,30
0,23
0,20
0,21
0,20
0,16
0,15
0,10
0,10
0,09
0,00
0,00
Chapisco comum
Chapisco Industrializado
Chapisco rolado
Sem chapisco
Colante
R a - Resistência de aderência à tração (MPa)

Fonte: o Autor.

4.2 ADERÊNCIA EM SUBSTRATOS DE BLOCO DE CONCRETO

Segundo os ensaios da maioria dos autores (CANDIA; FRANCO, 1998; PRUDÊNCIO et al., 1999; PAES, 2004; PEREIRA et al., 2005; SCARTEZINI; CARASEK, 2003) os blocos de concreto obtiveram a melhor resistências de aderência, com ou sem chapisco, conforme podemos observar na Quadro 4 e Gráfico 7, onde a média de resultados de resistência a aderência à tração atende aos requisitos da NBR 13749 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013) e tem um CV de 34%, considerado baixo

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para esse tipo de ensaio que sobre muitas variação naturalmente, tanto pela metodologia, quanto pelo conjunto do sistema construtivo. Porém, existem resultados divergentes, conforme estudo de Kazmierczak et al. (2009), que obteve melhores resultados em blocos cerâmicos e tijolos maciços. De um modo geral o bloco de concreto pode ser considerado o substrato com características mais compatíveis com a aderência de revestimentos, por suas propriedades de rugosidade, porosidade e sucção de água permitem sua utilização sem uso de chapisco. Porém, é recomendável, que para revestimento externos utilize-se o chapisco, não apenas pela questão da aderência, mas por questões de estanqueidade, movimentação térmica, fissuração e outras.

Quadro 4 – Resumo da pesquisa dos ensaios de aderência à tração realizados sobre bloco de concreto.

     

Desvio

Avaliação

Substrato

Preparo

R

adm

(MPa)

Padrão

NBR 13749

(MPa)

(ABNT, 2013)

Bloco de Concreto

Chapisco comum

0,36

0,09

Aprovado

Bloco de Concreto

Chapisco rolado

0,26

0,08

Aprovado apenas interno

Bloco de Concreto

Sem chapisco

0,30

0,11

Aprovado

Bloco de Concreto

Solução de cal

0,41

Aprovado

Média

0,30

0,10

Aprovado

CV da Média

34%

 

Fonte: o Autor.

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50

Gráfico 7 – Resumo da pesquisa dos ensaios de aderência à tração realizados sobre bloco de concreto.

0,48 0,46 0,45 0,44 0,42 0,41 0,41 0,41 0,41 0,40 0,38 0,36 0,36 0,34 0,34
0,48
0,46
0,45
0,44
0,42
0,41
0,41
0,41
0,41
0,40
0,38
0,36
0,36
0,34
0,34
0,32
0,30
0,30
0,28
0,26
0,26
0,26
0,24
0,22
0,20
0,19
0,18
0,18
0,16
0,14
Chapisco comum
Chapisco rolado
Sem chapisco
Solução de cal
R a - Resistência de aderência à tração (MPa)

Fonte: o Autor.

4.3 ADERÊNCIA EM SUBSTRATOS DE BLOCO CERÂMICO

Segundo os autores pesquisados (CARASEK; SCARTEZINI, 1999; CARVALHO JUNIOR et al., 2005; SILVA et al., 2009; SILVA, 2011; PAES, 2004; COSTA, 2007; MOTA et al., 2009) os substratos com blocos de cerâmicos obtiveram resultados satisfatórios de resistências de aderência, apenas com o uso de chapisco comum, rolado e aspersão de solução de cal, conforme podemos observar na Quadro 5 e Gráfico 8. Outros autores (CANDIA; FRANCO, 1998; SCARTEZINI; CARASEK, 2003) não obtiveram o mesmo resultado com o uso de chapisco ou solução de cal. Isso pode ter sido influenciado pelas propriedades dos blocos utilizados, o que nos leva a ressaltar a importância da caracterização prévia do material recebido em obra, antes de executá-lo nas paredes da fachada. Em resumo pode-se dizer que o bloco cerâmico pode ser um bom substrato, desde que seja feito um tratamento superficial com um chapisco adequado, conheçam suas propriedades de rugosidade, porosidade e sucção de água para que seja compatíveis.

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51

Quadro 5 – Resumo da pesquisa dos ensaios de aderência à tração realizados sobre bloco cerâmico.

Substrato

Preparo

R adm (MPa)

Desvio Padrão

(MPa)

Avaliação

NBR 13749

(ABNT, 2013)

Bloco cerâmico

Chapisco comum

0,56

0,50

Aprovado

Bloco cerâmico

Chapisco rolado

0,20

0,06

Aprovado apenas interno

Bloco cerâmico

Sem chapisco

0,14

0,09

Reprovado

Bloco cerâmico

Solução de cal

0,57

0,53

Aprovado

Média

0,30

0,34

Aprovado

CV da média

116%

Fonte: o Autor.

Gráfico 8 – Resumo da pesquisa dos ensaios de aderência à tração realizados sobre bloco cerâmico.

1,20 1,10 1,06 1,00 0,80 0,60 0,56 0,57 0,40 0,26 0,23 0,20 0,20 0,14 0,14
1,20
1,10
1,06
1,00
0,80
0,60
0,56
0,57
0,40
0,26
0,23
0,20
0,20
0,14
0,14
0,06
0,05
0,04
0,00
Chapisco comum
Chapisco rolado
Sem chapisco
Solução de cal
R a - Resistência de aderência à tração (MPa)

Fonte: o Autor.

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52

5 ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DA ADERÊNCIA DE REVESTIMENTOS EM RESULTADOS DE OBRAS

Este capítulo apresenta os resultados compilados de resistência de aderência de revestimento, realizado por pesquisa documental em relatórios de ensaio realizados em 6 obras distintas, por laboratórios de controle tecnológico credenciados pelo INMETRO, seguindo a metodologia da NBR 13528 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2010). Os resultados foram subdividindo-os por tipo de substrato (estrutura de concreto, bloco de concreto e bloco cerâmico), para análise da influência dos diversos tipos de tratamento superficial (chapisco comum e chapisco industrializado colante) e verificar o correspondente desempenho. A apresentação dos resultados se fez através da média dos valores da amostra, que em todos os casos foram doze CP ensaiados, de acordo com a NBR 13749 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013).

5.1 ADERÊNCIA EM SUBSTRATOS DE CONCRETO

Os resultados dos ensaios observados na Quadro 6 e Gráfico 9, resultantes da compilação de dados obtidos em obras, podemos verificar um desempenho ruim do substrato de concreto em 69% dos dados. Isso muito provavelmente ocorre, não devido a um problema do sistema construtivo, mas sim alguma falha no processo de execução, como preparo do substrato limpeza, retirada da oleosidade do desmoldante, etc.; mistura e transporte adequado da argamassa; tempo de sarrafeamento; e outros. Quanto à escolha do melhor chapisco, tendo os dados distorcidos pelas variáveis de obra, indicam que o chapisco industrializado tem um potencial de ter a melhor resistência de aderência, porém, com alguma falha na execução, pode ter o pior desempenho. Já o chapisco comum, apresentou, também, valores, não abaixo das exigências da NBR 13749 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013), porém, com menor CV, indicando que as falhas executivas interferem menos nesse tipo de chapisco.

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53

Quadro 6 – Resumo dos resultados dos ensaios realizados nos revestimentos sobre concreto.

   

R

 

CV

Avaliação

Referência

Preparo

adm

NBR 13749

(ABNT, 2013)

(MPa)

(%)

Obra B

Chapisco industrializado

0,34

24

Aprovado

Obra B

Chapisco industrializado

0,04

135

Reprovado

Obra B

Chapisco comum

0,12

89

Reprovado

Obra B

Chapisco comum

0,53

40

Aprovado

Obra B

Chapisco comum

0,28

49

Aprovado apenas interno

Obra B

Chapisco comum

0,31

52

Aprovado

Obra C

Chapisco comum

0,10

75

Reprovado

Obra D

Chapisco comum

0,31

46

Aprovado

Obra D

Chapisco comum

0,17

50

Reprovado

Obra D

Chapisco comum

0,15

38

Reprovado

Obra D

Chapisco comum

0,26

62

Aprovado apenas interno

Obra D

Chapisco comum

0,19

49

Reprovado

Obra D

Chapisco comum

0,22

75

Aprovado apenas interno

 

Média

0,23

60

Aprovado apenas interno

Fonte: o Autor.

Gráfico 9 – Resumo dos ensaios de aderência à tração realizados em obra sobre concreto.

0,45 0,40 0,40 0,36 0,35 0,30 0,25 0,24 0,20 0,19 0,15 0,12 0,10 0,05 0,00
0,45
0,40
0,40
0,36
0,35
0,30
0,25
0,24
0,20
0,19
0,15
0,12
0,10
0,05
0,00
Chapisco comum
Chapisco Industrializado Colante
R a - Resistência de aderência à tração (MPa)

Fonte: o Autor.

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54

5.2 ADERÊNCIA EM SUBSTRATOS DE BLOCO DE CONCRETO

Os resultados dos ensaios observados na Quadro 7, resultantes da compilação de dados obtidos em obras, podemos verificar um desempenho muito bom do bloco de concreto como substrato do revestimento na maioria dos casos. Isso só vem reafirmar o que os estudos demonstram, com uma tranquilidade de que mesmo no ambiente de obra, que muitas vezes utilizam as técnicas e controles necessários para garantia de uma boa qualidade da aderência dos revestimentos.

Quadro 7 – Resumo dos resultados dos ensaios realizados nos revestimentos sobre bloco de concreto.

       

Avaliação

Referência

Preparo

R adm (MPa)

CV

(%)

NBR 13749

(ABNT, 2013)

Obra A

Chapisco comum

0,45

53

Aprovado

Obra B

Chapisco comum

0,36

70

Aprovado

Obra C

Chapisco comum

0,25

54

Aprovado apenas

interno

Obra D

Chapisco comum

0,49

26

Aprovado

Obra E

Chapisco comum

0,46

42

Aprovado

Obra F

Chapisco comum

0,36

25

Aprovado

 

Média

0,36

57

Aprovado

Fonte: o Autor.

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55

Gráfico 10 – Resumo dos ensaios de aderência à tração realizados em obra sobre bloco de concreto.

0,60 0,56 0,55 0,50 0,45 0,40 0,36 0,35 0,30 0,25 0,20 0,16 0,15 0,10 Chapisco
0,60
0,56
0,55
0,50
0,45
0,40
0,36
0,35
0,30
0,25
0,20
0,16
0,15
0,10
Chapisco comum
R a - Resistência de aderência à tração (MPa)

Fonte: o Autor.

5.3 ADERÊNCIA EM SUBSTRATOS DE BLOCO CERÂMICO

Não foi possível obter mais do que um ensaio do substrato de bloco cerâmico, o que impossibilita uma melhor análise do sistemas, conforme dados do Quadro 8 e Gráfico 11. Como verificado na pesquisa bibliográfica o substrato de bloco cerâmico não apresenta boas condições de aderência. A pequena amostra confirma os resultados baixos de aderência, mesmo com o uso de chapisco.

Quadro 8 – Resumo dos resultados dos ensaios realizados nos revestimentos sobre bloco cerâmico.

       

Avaliação

Referência

Preparo

R adm (MPa)

CV

(%)

NBR 13749

(ABNT, 2013)

Obra B

Chapisco comum

0,18

62

Reprovado

 

Média

0,18

62

 

Fonte: o Autor.

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56

Gráfico 11 – Resumo dos ensaios de aderência à tração realizados em obra sobre bloco cerâmico.

0,35 0,30 0,29 0,25 0,20 0,15 0,11 0,10 0,05 0,00 Chapisco comum R a -
0,35
0,30
0,29
0,25
0,20
0,15
0,11
0,10
0,05
0,00
Chapisco comum
R a - Resistência de aderência à tração (MPa)

Fonte: o Autor.

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57

6 ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DA ADERÊNCIA DE REVESTIMENTOS EM PAINEL TESTE

Este capítulo apresenta os resultados compilados de resistência de aderência de revestimento, realizado por pesquisa experimental, onde foi testado o substrato de bloco de concreto de três fornecedores diferentes, com a combinação de dois fabricantes de chapiscos comuns diferentes e dois fabricantes de argamassa diferentes. A forma de aplicação do chapisco e argamassa foi variada, por projeção mecânica e manualmente. Quando por projeção, o chapisco e a argamassa de revestimento foram projetadas, quando aplicados manualmente, o chapisco e a argamassa de revestimento foram aplicadas manualmente. Foram montados dezessete painéis teste, conforme Quadro 9, com as diversas combinações de materiais e formas de aplicação.

Quadro 9 – Configuração dos painéis teste.

Referência

Argamassa

Substrato

Preparo

Aplicação do chapisco e revestimento

Painel A

Argamassa industrializada (A1)

BLCO (B1)

Chapisco comum (C1)

Manual

Painel B

Argamassa industrializada (A2)

BLCO (B1)

Chapisco comum (C1)

Manual

Painel C

Argamassa industrializada (A1)

BLCO (B1)

Chapisco comum (C2)

Manual

Painel D

Argamassa industrializada (A2)

BLCO (B1)

Chapisco comum (C2)

Manual

Painel E

Argamassa industrializada (A1)

BLCO (B2)

Chapisco comum (C1)

Manual

Painel F

Argamassa industrializada (A2)

BLCO (B2)

Chapisco comum (C1)

Manual

Painel G

Argamassa industrializada (A1)

BLCO (B2)

Chapisco comum (C2)

Manual

Painel H

Argamassa industrializada (A2)

BLCO (B2)

Chapisco comum (C2)

Manual

Painel I

Argamassa industrializada (A1)

BLCO (B3)

Chapisco comum (C1)

Manual

Painel J

Argamassa industrializada (A2)

BLCO (B3)

Chapisco comum (C1)

Manual

Painel K

Argamassa industrializada (A1)

BLCO (B3)

Chapisco comum (C2)

Manual

Painel L

Argamassa industrializada (A2)

BLCO (B3)

Chapisco comum (C2)

Manual

Painel M

Argamassa industrializada (A1)

BLCO (B3)

Chapisco comum (C1)

Projetado

Painel N

Argamassa industrializada (A1)

BLCO (B3)

Chapisco comum (C2)

Projetado

Painel O

Argamassa industrializada (A1)

BLCO (B2)

Chapisco comum (C1)

Projetado

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58

Referência

Argamassa

Substrato

Preparo

Aplicação do chapisco e revestimento

Painel P

Argamassa industrializada (A1)

BLCO (B2)

Chapisco comum (C2)

Projetado

Painel Q

Argamassa industrializada (A1)

BLCO (B1)

Chapisco comum (C1)

Projetado

Fonte: o Autor.

Confeccionou-se os painéis teste com blocos de concreto (19 x 39 cm), executando-se três paredes (4m x 1,60m), uma do lado da outra, expostas ao ar livre, em área predominantemente arborizada e com vegetação. As aplicações de argamassa foram feitas nas duas faces do bloco, de uma lado com aplicação manual e no outro por aplicação mecânica. O substrato foi preparado com prévio umedecido com água, utilizando-se de uma brocha, antes da aplicação do chapisco comum industrializado. O chapisco utilizado foi do tipo comum (ou chapisco de colher) industrializado, que apenas necessita de acréscimo de água. A mistura do chapisco foi feita manualmente, apenas acrescendo água, conforme instrução do fornecedor, tanto para o chapisco aplicado manualmente, quanto para o chapisco aplicado por projeção. A aplicação manual foi feita por chapadas com uso de uma colher de pedreiro, conforme Fotografia 9 a,b. A aplicação por projeção mecânica, foi feita por meio de uma caneca de quatro furos e um compressor de ar, conforme Fotografia 10.

Fotografia 9 a, b) – Aplicação manual de chapisco comum industrializado

b) – Aplicação manual de chapisco comum industrializado Fonte: Acervo pessoal (2014). You created this PDF
b) – Aplicação manual de chapisco comum industrializado Fonte: Acervo pessoal (2014). You created this PDF

Fonte: Acervo pessoal (2014).

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59

Fotografia 10 – Aplicação por projeção mecânica com caneca e compressor de ar de chapisco comum industrializado.

caneca e compressor de ar de chapisco comum industrializado. Fonte: Acervo pessoal (2014). A aplicação do

Fonte: Acervo pessoal (2014).

A aplicação do revestimento em argamassa só foi realizado após 7 dias de executado o chapisco, a fim de ser realizada uma inspeção visual, afim de verificar as diferentes

rugosidades e pulverulências e, também, a resistência mecânica do chapisco, através de espátula, para verificar empiricamente sua aderência.

A mistura da argamassa foi feita em argamassadeira, apenas acrescendo água,

conforme instrução do fornecedor. A aplicação manual foi feita por chapadas com uso de uma colher de pedreiro, depois de esperado o tempo de pega da argamassa, foi feito o sarrafeamento com uso de uma régua de alumínio, depois desempenadas com uma desempenadeira de madeira. A aplicação por projeção mecânica, foi feita por meio de uma caneca de quatro furos e um compressor de ar igual ao chapisco, conforme Fotografia 10, seguiu-se o mesmo procedimento da aplicação manual. A espessura do revestimento variou de 30 a 40mm, quando aplicado manualmente e de 23 a 36mm quando aplicado por projeção, devido a dificuldade do executor em manter um

controle mais preciso da espessura. Não foi realizada cura dos chapiscos nem do revestimento em argamassa, pois essa prática não comum nas execuções de fachada.

As combinações dos painéis teste segue ilustrado nas Figura 4 à Figura 9.

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60

Figura 4 – Painel A, B, C, D com aplicação manual.

60 Figura 4 – Painel A, B, C, D com aplicação manual. Fonte: o Autor. Figura

Fonte: o Autor.

Figura 5 – Painel E, F, G, H com aplicação manual.

Figura 5 – Painel E, F, G, H com aplicação manual. Fonte: o Autor. Figura 6

Fonte: o Autor.

Figura 6 – Painel I, J, K, L com aplicação manual.

Figura 6 – Painel I, J, K, L com aplicação manual. Fonte: o Autor. You created

Fonte: o Autor.

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61

Figura 7 – Painel M, N com aplicação por projeção.

61 Figura 7 – Painel M, N com aplicação por projeção. Fonte: o Autor. Figura 8

Fonte: o Autor.

Figura 8 – Painel O, P com aplicação por projeção.

Figura 8 – Painel O, P com aplicação por projeção. Fonte: o Autor. Figura 9 –

Fonte: o Autor.

Figura 9 – Painel Q com aplicação por projeção.

Autor. Figura 9 – Painel Q com aplicação por projeção. Fonte: o Autor. Após 64, 68,

Fonte: o Autor.

Após 64, 68, 71 e 76 dias da aplicação do revestimento em argamassa, foi realizado o ensaio de resistência a aderência à tração, realizado por laboratório credenciado pelo INMETRO, que utilizou a metodologia descrita na NBR 13528 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2010), sendo preparados 12 CP – Corpos de Prova, em cada painel, distribuídos aleatoriamente sobre a superfície. A preparação dos CP

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62

foi feita com corte a seco, com uso de furadeira com serra copo, até que fosse atingida a superfície do substrato. A colagem das pastilhas metálica (Ø 50mm) com dispositivo de

acoplagem ao equipamento de tração, sobre a superfície do CP, com adesivo estrutural à base de resina epóxi. Para realização do ensaio utilizou-se um equipamento mecânico de tração com célula de carga, com sensibilidade para um Newton (1N), para controle da força aplicada. O esforço de tração foi aplicado de forma contínua até ocorrer a ruptura, sendo então anotada

a carga máxima atingida. O cálculo da tensão de ruptura foi feito dividindo-se a força máxima anotada em Newton, pela área da secção transversal real do CP, em milímetros quadrados.

6.1 ADERÊNCIA EM SUBSTRATOS DE BLOCO DE CONCRETO

Os resultados dos ensaios obtidos constam no ANEXO A , onde foram anotados também a forma de ruptura. Para resistência de aderência estão informados o valor médio (R adm ), o valor característico (R adk ) e o coeficiente de variação (CV), sendo que o valor característico foi calculado sendo o oitavo valor da série de resultados, ordenados de forma crescente. Foi também indicado o teor de umidade da argamassa na data do ensaio e a idade da argamassa de revestimento. A cada tabela de resultados está a respectiva foto do aspecto dos CP ensaiados. Para análise desse estudo será considerado o valor médio dos resultados como sendo o efetivo do revestimento, para correta comparação com as referências bibliográficas. Porém, é necessário citar que a NBR 13749 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013) exige que em cada grupo de doze CP ensaiados, com idade maior ou igual

a 28 dias, pelo menos oito valores tenham resistência à tração igual ou superior aos valores indicados no Quadro 1 e Gráfico 12, para cada camada única, ou seja, 66,67% dos CP devem ter resistência igual ou superior ao estabelecido pela NBR. Observando a Quadro 10 e Gráfico 12, com o resumo dos resultados, os dezessete painéis teste atendem ao estabelecido na NBR 13749 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS , 2013), tanto na média dos valores, quanto no percentual de CP com resistência aceitáveis pela NBR.

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63

Quadro 10 – Resumo dos resultados dos ensaios realizados nos painéis teste.

 

R

 

R

 

CV

CP

Avaliação

Forma de

Referência

adm

adk

Aprovados

(%)

NBR 13749

(ABNT, 2013)

(MPa)

(MPa)

(%)

Aplicação

Painel A

0,55

0,52

37,34%

91,67%

Aprovado

Manual

Painel B

0,61

0,53

53,41%

75,00%

Aprovado

Manual

Painel C

0,65

0,17

26,16%

100,00%

Aprovado

Manual

Painel D

0,83

0,85

28,37%

100,00%

Aprovado

Manual

Painel E

0,44

0,34

41,69%

83,33%

Aprovado

Manual

Painel F

0,48

0,44

44,17%

75,00%

Aprovado

Manual

Painel G

0,51

0,42

44,52%

83,33%

Aprovado

Manual

Painel H

0,57

0,45

46,35%

91,67%

Aprovado

Manual

Painel I

0,51

0,33

55,47%

75,00%

Aprovado

Manual

Painel J

0,82

0,71

31,07%

100,00%

Aprovado

Manual

Painel K

0,64

0,51

43,43%

91,67%

Aprovado

Manual

Painel L

0,80

0,75

16,53%

100,00%

Aprovado

Manual

Painel M

0,67

0,62

39,64%

91,67%

Aprovado

Projetado

Painel N

0,75

0,62

34,49%

100,00%

Aprovado

Projetado

Painel O

0,90

0,88

17,39%

100,00%

Aprovado

Projetado

Painel P

0,83

0,76

19,81%

100,00%

Aprovado

Projetado

Painel Q

0,87

0,83

17,24%

100,00%

Aprovado

Projetado

Média

0,67

0,57

35%

92%

 

Fonte: o Autor.

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64

Gráfico 12 – Resumo de resultados de R am por painel teste.

12 – Resumo de resultados de R a m por painel teste. Fonte: o Autor. A

Fonte: o Autor.

A partir dos resultados da Tabela 2 e Gráfico 12, observa-se que os painéis O, Q, D, P, J, L e N foram os que tiveram resultado acima da média, com uma variação entre eles de 0,15MPa, obtendo-se os melhores resultados com os substratos B1 e B2 com a utilização do chapisco C1 e argamassa A1, ambas projetadas. Em todos os casos apresentaram baixo CV e alta R am o que demonstra bastante segurança na utilizando desse sistema de um modo geral.

Tabela 2 – Resumo dos resultados dos ensaios realizado dos fornecedores de bloco.

Substrato

R adm

R adk

CV

Aprovação

(MPa)

(MPa)

(%)

(%)

BLCO

0,70

0,58

32,50%

93,33%

(B1)

BLCO

0,62

0,55

35,66%

88,89%

(B2)

BLCO

0,70

0,59

36,77%

93,06%

(B3)

Fonte: o Autor.

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65

Gráfico 13 – Resumo de resultados de R am por fornecedor de bloco.

1,00 0,95 0,95 0,92 0,90 0,85 0,82 0,80 0,75 0,70 0,70 0,70 0,65 0,62 0,60
1,00
0,95
0,95
0,92
0,90
0,85
0,82
0,80
0,75
0,70
0,70
0,70
0,65
0,62
0,60
0,55
0,50
0,48
0,45
0,45
0,42
0,40
0,35
BLCO (B1)
BLCO (B2)
BLCO (B3)
R a - Resistência de aderência à tração
(MPa)

Fonte: o Autor.

A partir dos resultados da Tabela 2 e Gráfico 13, observa-se que os blocos B1 e B3, na média geral obtiveram melhores resultados de R am , entrando em confronto com a análise do melhor painel que tinha substrato do bloco B2. Isso nos leva a compreender que a característica de um substrato não ideal para todos os tipos de argamassa e chapisco. De maneira geral é melhor optar por desempenhos médios melhores do que específicos muito bons.

Tabela 3 – Resumo dos resultados dos ensaios realizado dos fornecedores de chapisco.

Chapisco

R adm