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Paulo Machado

Atualizado de acordo com as Leis 13.245/16, 13,247/16 e com o Novo Código de Bica e Disciplina

Atualizado de acordo com o Novo CPC

Inclui anotações referentes ao Código de Ética e Disciplina e ao Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Dez em Ética - 3a edição! Paulo Machado. Recife, PE: Armador, 2016.

277 p.; 16 x 23,5 cm.

ISBN: 978-85-67674-97-1

Paulo Machado

Wenl

Ética.

3' EDIÇÃO

Teoria e Questões comentadas; Atualizado de acordo com as Leis 13.245/16, 13.247/16 e com o Novo Código de ética e Disciplina; Atualizado de acordo com o Novo CPC.

 

3° edição

1. Direito. 2. Estatuto da Advocacia e da OAB. 3.Exame de Ordem. I. Título

Recife — PE

CDU 341415

Índice para catálogo sistemático:

1. Direito: Estatuto da Advocacia e da OAB.

340

EDITORA

2016

O Copyright 2016 Armador

Autor

Paulo Machado

Editor

Maurício Gieseler

Projeto gráfico e diagramação

Lee Marvin

Capa

Lyvia Melo

Revisão

Carla Carmelita Felipe

Proibida a reprodução total ou parcial desta obra, de qualquer forma ou meio eletrônico, mecânico, inclusive por meio de processos xerográficos, sem permissão expressa do editor (Lei n° 9.610/98).

Todos os direitos reservados à:

ARMADOR

Rua Pio IX, 301, Madalena Recife-PE, CEP: 50710-265 Tel.: (81) 3128-6650

Site: www.armador.com.br e-mail: armador.atendimento@gmaiLcom

AGRADECIMENTOS E DEDICATÓRIA

Agradeço a Deus por tudo!

Agradeço aos meus familiares, amigos e, principalmente, aos meus alunos!

Por fim, agradeço ao Professor Renato Saraiva, ao Dr. Maurício Gieseler e ao Dr. Prof. Geovane Moraes pela parceria de sempre!!

Dedico esta obra ao meu amor, minha alma gêmea, Ana Cristina, em forma de gratidão por todos os momentos maravilhosos ao seu lado!

NOTAS DO AUTOR PARA ESTA 3 0 EDIÇÃO

Como nota a esta 3' edição, irei transcrever minha entrevista em relação ao Novo Código de Ética e Disciplina da OAB, concedida ao site do Portal Exame de Ordem, cuja direção fica a cargo do Ilustre advogado Mauricio Gieseler:

1. Já estava na hora de mudar alguma coisa, professor, ou o senhor discorda dessa necessidade de alterações?

Como qualquer lei, regulamento, regimento, o Código de Ética e Disciplina também requer alterações com o passar do tempo. Isto porque, quando se elabora um texto de lei ou de ato normativo, não há como prever todas as situações do cotidiano. Com as mudanças no mundo e na sociedade, surgem pontos na legislação que merecem ser amoldados.

2. Quais são, realmente, as principais mudanças trazidas por este Novo Código de Ética e Disciplina da OAB? E de antemão, queria saber a posição do professor acerca da fiexibilização do segredo profissional, algo que consta lá no artigo 38 desse Novo Código e já está causando um mar de discussões entre os advogados.

O projeto prevê alterações nas relações com os clientes, com as autoridades, com os colegas, com os servidores e com terceiros, bem como deveres no exercício de cargos e funções na OAB e na representação da classe, no segredo e na publicidade profissional, todas elas detalhando melhor a atuação do advogado. Especialmente em relação ao art. 38 do projeto, entendo que não merece ser aprovado pelo seguinte: o texto diz que, na

hipótese em que terceiro seja acusado da prática de crime, cuja autoria lhe haja sido confessada pelo cliente, o advogado deverá renunciar ao mandato, ficando livre, em seguida, da preservação do segredo profissional, para agir segundo os ditames de sua consciência e conforme as circunstâncias recomendarem. Se tal determinação for aprovada, imagino que a partir de então os clientes passariam a omitir a verdade do seu patrono, por não mais poder confiar nele. E temo que, uma vez violado o segredo, advogados possam a vir a ser, constantemente, vítimas de alguns de seus clientes, inconformados com a violação do sigilo por parte do profissional.

(OBS: A entrevista aqui transcrita foi dada antes de ser aprovado no Novo CED. Esta parte não foi aprovada! A advocacia, a sociedade e a Justica agradecem!)

3. Professor, com esse Novo Código, o que pode mudar no

tocante ao posicionamento da disciplina de Ética nos exames de Ordem a partir de então?

Mesmo com a aprovação do novo texto, o CED tem uma linguagem muito simples, clara e direta. Entretanto, o Novo CED tem muito mais detalhes do que o anterior, exigindo um estudo intenso para que o candidato possa acertar todas as questões no Exame de Ordem.

4. Em sua concepção ainda há algo a ser adicionado neste

Novo Código de Ética? Há algo a ser observado com mais atenção por parte dos advogados do nosso país?

Por hora, não vejo necessidade. A proposta de um modo geral é muito boa. Somente desejo que os advogados e os estagiários passem a seguir mais à risca os mandamentos do CED, seja na sua relação como o cliente, na publicidade, no sigilo e na cobrança de honorários.

A disciplina "Deontologia Jurídica" é importante para o Exame de Ordem e também para o dia a dia dos advogados e dos estagiários!

O autor

NOTAS DO AUTOR NA 1° E 2° EDIÇÕES

Este trabalho foi elaborado com base no Estatuto da Advocacia

e da OAB (Lei n° 8.906/94), no Regulamento Geral e no Código de

Ética e Disciplina. Trata-se de um livro com o objetivo de trazer de maneira simples e objetiva todos os aspectos necessários para uma visão geral da ciência deontológica. Como advogado militante e professor de Deontologia Jurídica do Complexo de Ensino Renato Saraiva e de cursos de graduação em Direito, abordei todos os tópicos trazidos pela Lei n° 8.906/94 e pelo Código de Ética, explicando em linguagem clara todos os temas relacionados ao exercício da advocacia e à Ordem dos Advogados do Brasil.

Em outras palavras, o livro alcança todos os tópicos necessários

à disciplina de Ética Profissional, obrigatória nos cursos de graduação

em Direito, servindo, perfeitamente, para um estudo direcionado para o Exame da Ordem e para os concursos públicos que exigem a matéria, sem prejuízo da utilidade no dia a dia dos advogados e dos estagiários, uma vez que explica as questões dos direitos e deveres dos

advogados, da responsabilidade funcional, da imunidade profissional, do processo disciplinar, entre outras. Assim, lançamos este livro com a certeza de seu sucesso, não sendo demais frisar que a sua leitura é extremamente útil e importante para a formação dos acadêmicos de Direito e para a atividade dos profissionais jurídicos.

Vamos juntos! Rumo ao #10ernÉtica!

O Autor

ABREVIATURAS

ADC — Ação Declaratória de Constitucionalidade ADPF — Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental ADI — Ação Direta de Inconstitucionalidade Art. — Artigo CED — Código de Ética e Disciplina da OAB CLT — Consolidação das Leis do Trabalho

CC — Código Civil

CDC - Código de Defesa do Consumidor

CP — Código Penal

CPC — Código de Processo Civil CPP — Código de Processo Penal CRFB — Constituição da República Federativa do Brasil DJ— Diário da Justiça DOU — Diário Oficial da União

EAO'AB — Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil IAB — Instituto dos Advogados Brasileiros

LC — Lei Complementar

LCP — Lei das Contravenções Penais OAB — Ordem dos Advogados do Brasil NCED - Novo Código de Ética e Disciplina RG — Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil STF — Supremo Tribunal Federal STJ — Superior Tribunal de Justiça TED — Tribunal de Ética e Disciplina

SUMÁRIO

CAPÍTULO 1. Artigos 1° ao 5°

15

CAPÍTULO 2. Artigos 6° e 7"

 

37

CAPÍTULO 3. Artigos 8° ao 14

65

CAPÍTULO 4. Artigos 15 ao 17

89

CAPÍTULO 5. Artigos 18 ao 21

103

CAPÍTULO 6. Artigos 22 ao 26

113

CAPITULO 7. Artigos 27 ao 30

129

CAPITULO 8. Artigos 31 ao 33

147

CAPITULO 9. Artigos 34 ao 43

173

CAPÍTULO 10. Artigos 44 ao 50

191

CAPÍTULO 11. Artigos 51 ao 55

197

CAPITULO 12. Artigos 56 ao 59

213

CAPITULO 13. Artigos

60 e 61

221

CAPITULO

14.

Artigo 62

 

225

CAPÍTULO 15. Artigos 63 ao 67

235

CAPÍTULO 16.

Artigos

68

e 69

243

CAPITULO 17. Artigos 70 ao 74

245

CAPÍTULO 18. Artigos 75 ao 77

253

CAPÍTULO 19. Artigos 78 ao 87

265

CAPITULO 20.

Adendo

271

BIBLIOGRAFIA

 

275

CAPÍTULO 1

Artigos 10 ao 5°

Lei n° 8.906, de 4 de julho de 19941

Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB

O Presidente da República Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a

seguinte Lei:

TÍTULO I

DA ADVOCACIA

CAPÍTULO I DA ATIVIDADE DE ADVOCACIA

São atividades privativas de advocacia:

I - a postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário e aos juizados

especiais.

II - as atividades de consultoria, assessoria e direção jurídicas.

§ 1° Não se inclui na atividade privativa de advocacia a impetração de

habeas corpus em qualquer instância ou tribunal.

§ 2° Os atos e contratos constitutivos de pessoas jurídicas, sob pena de

1 Publicada no Diário Oficial da União de 5 de julho de 1994

PAULO MAcrpno

15

10emétical

10e.mÉtical

nulidade, só podem ser admitidos a registro, nos órgãos competentes, quando visados por advogados.

§ 3

É vedada a divulgação de advocacia em conjunto com outra ati- vidade.

0

O advogado é indispensável à administração da justiça.

§ 1° No seu ministério privado, o advogado presta serviço público e exerce função social.

§ 2° No processo judicial, o advogado contribui, na postulação de

decisão favorável ao seu constituinte, ao convencimento do julgador,

e

§

seus atos constituem múnus público.

3 0 No exercício da profissão, o advogado é inviolável por seus atos

e

manifestações, nos limites desta lei.

M --,W O exercício da atividade de advocacia no território brasi- leiro e a denominação de advogado são privativos dos inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil - OAB.

§ 1° Exercem atividade de advocacia, sujeitando-se ao regime desta

lei, além do regime próprio a que subordinem, os integrantes da Ad- vocacia Geral da União, da Procuradoria da Fazenda Nacional, da Defensoria Pública e das Procuradorias e Consultorias Jurídicas dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de suas respectivas entidades de administração indireta e fundacional.

§ 2° O estagiário de advocacia, regularmente inscrito, pode praticar os atos previstos no art. 1°, na forma do Regulamento Geral, em conjun- to com advogado e sob a responsabilidade deste.

ÍiIT São nulos os atos privativos de advogado praticados por

pessoa não inscrita na OAB, sem prejuízo das sanções civis, penais

e administrativas.

Parágrafo único. São também nulos os atos praticados por advogado impedido - no âmbito do impedimento -, suspenso, licenciado ou que

16

Enrram Amures I 1 O a+ Érra - 3' eaclo

passar a exercer a advocacia incompatível com a advocacia.

Fiar.51°I.

do mandato.

O advogado postula, em juízo ou fora dele, fazendo prova

§ 10 O advogado, afirmando urgência, pode atuar sem procuração,

obrigando-se a apresentá-la no prazo de quinze dias, prorrogável por

igual período.

§ 2° A procuração para o foro em geral habilita o advogado a praticar

todos os atos judiciais, em qualquer juízo ou instância, salvo os que exijam poderes especiais.

§ 3

O advogado que renunciar ao mandato continuará, durante os 10 (dez) dias seguintes à notificação da renúncia, a representar o man- dante, salvo se for substituído antes do término deste prazo.

0

41,1 COMENTÁRIOS

Atos privativos de advogado

O art. 1° do Estatuto da Advocacia e da OAB trata dos atos privativos de advogado, ou seja, daqueles que somente podem ser praticados por pessoas devidamente inscritas no quadro de advogados da OAB, após terem preenchido as exigências do art. 8°. Podemos dizer que, no inciso I, estão os atos judiciais ("a postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário e aos juizados especiais") e, no inciso II, os atos extrajudiciais ("consultoria, assessoria e direção jurídicas"). Vejamos alguns comentários acerca desses dispositivos:

"Art. 1° São atividades privativas de advocacia":

I — a postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário e aos juizados especiais.

PAuLo MAVIN20

17

1 OemÉtica!

Em relação a este inciso I, do art. 1° do Estatuto, foi proposta, pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a ADI n° 1.127-8, tendo o STF declarado a inconstitucionalidade da expressão "qualquer". Com razão, pois há hipóteses previstas em lei em que a pessoa pode agir junto ao Poder Judiciário sem estar representada por um advogado. Essas hipóteses são verdadeiras exceções os ius postulandi do advogado, que serão analisadas mais adiante, em item próprio (sobre o assunto remetemos o leitor para o item "Exceções ao ius postulandi do advogado"). O advogado pode postular em juízo ou fora dele fazendo prova do mandato que lhe foi outorgado. Todavia, afirmando urgência, pode atuar sem procuração, obrigando-se a apresentá-la no prazo de 15 (dias), prorrogável por igual período (art. 5°, § 1°, EAOAB). Saliente- se que, nesse ponto, o Estatuto não traz a exigência mencionada no art. 104, § 1°, do Novo CPC, de que haverá necessidade de "despacho do juiz" para que o prazo seja prorrogado (NCPC: art. 104. O advogado não será admitido a postular em juízo sem procuração, salvo para evitar preclusão, decadência ou prescrição, ou para praticar ato considerado urgente. § 1°- Nas hipóteses previstas no caput, o advogado deverá, independentemente de caução, exibir a procuração no prazo de 15 (quinze) dias, prorrogável por igual período por despacho do juiz. § 22 O ato não ratificado será considerado ineficaz relativamente àquele em cujo nome foi praticado, respondendo o advogado pelas despesas •e por perdas e danos.) Entendemos que, por se tratar o EAOAB (Lei n° 8.906/94) de lei especial, cuja finalidade é garantir o bom desempenho da advocacia — função essencial à Justiça — tal exigência de ter despacho do juiz não mais prevalece, bastando ao advogado informar a necessidade e o direito de prorrogação antes de expirar o primeiro prazo. Advirta-se que. na instância especial, os tribunais não têm admitido a interposição de recurso por advogado sem procuração nos autos (Súmula 115 do STJ).

18

Eorrov. AFIAIS:CR 1 10 Em Én. - agr,do

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A propósito:

1 OemÉtica!

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Precedente.

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II — as atividades de assessoria, consultoria e direção jurídicas.

Embora sejam atividades extrajudiciais, apenas podem ser exercidas por advogado regularmente inscrito na OAB. Assessoria e consultoria são atividades distintas. Paulo Lôbo explica (obra citada, p. 21): "assessoria jurídica é espécie do gênero advocacia extrajudicial, pública ou privada, que se perfaz auxiliando quem deva tomar decisões, realizar atos ou participar de situações com efeitos jurídicos, reunindo dados e informações de natureza jurídica, sem exercício formal de consultoria. Se o assessor proferir pareceres, conjuga a atividade de assessoria sem sentido estrito com a atividade de consultoria jurídica".

A atividade de direção jurídica também é privativa de

advogado. Os departamentos jurídicos de empresas só podem ter como diretores-jurídicos profissionais regularmente inscritos no quadro de

advogados.

O art. 7° do Regulamento Geral enfatiza: "A função de

diretoria e gerência jurídicas em qualquer empresa pública, privada

ou paraestatal, inclusive em instituições financeiras, é privativa

PALLO Wenano

19

1 OemÉtical

de advogado, não podendo ser exercida por quem não se encontre

inscrito regularmente na OAB." Veja que o cargo de gerência jurídica

do RG. O

também é privativo do advogado, de acordo com este art. 7

EAOAB não menciona este cargo (gerência jurídica), mas o RG sim!

0

Atos e contratos

Senão vejamos:

a) Impetração de habeas corpus

oemÉtica!

Essa exceção encontra-se no art. 1°, § 1°, do Estatuto, estabelecendo que "não se inclui na atividade privativa da advocacia a impetração de habeas corpus em qualquer instância ou tribunal".

O parágrafo 2° do art. 1° do Estatuto da Advocacia prevê mais um ato privativo de advogado: os atos e contratos constitutivos de

A

impetração de HC pode ser feita por qualquer pessoa, até mesmo

pessoas jurídicas somente podem ser admitidos a registro nos órgãos competentes (juntas comerciais, cartórios de registro civil de pessoas jurídicas) após visados por advogados. Na ausência do "visto", o Estatuto considera nulos tais atos.

pelo próprio paciente (quem sofre ou está na iminência de sofrer constrangimento ilegal). Pode ainda ser impetrado em qualquer instância ou tribunal. Porém, somente as impetrações podem ser feitas pelo leigo, não sendo admitidas interposições de recursos, como o

Advirta-se que este visto não se resume à simples rubrica do advogado. O profissional deve, cuidadosamente, e com total

Recurso em Sentido Estrito e o Recurso Ordinário em Habeas Corpus. Esses recursos são atos privativos de advogado. Assim, por exemplo,

responsabilidade, analisar de forma integral o seu conteúdo. Quis

se

há um inquérito policial instaurado para investigar um crime que

assim o legislador evitar (ou pelo menos diminuir) o risco de futuros

está prescrito, o leigo pode impetrar habeas corpus para o juízo de

problemas ou conflitos decorrentes do contrato. A razão não é para reserva de mercado da advocacia. A questão é de absoluta ordem pública. No final, ganha a sociedade. Com um advogado analisando o contrato e dando o seu "aval" (visto), a chance de dar algum problema diminui sobremodo. Entretanto, a Lei Complementar n° 123/06, no art. 9°, § 2°,

primeira instância. Sendo denegada a ordem, pode impetrar um novo HC para o Tribunal de Justiça. Perceba que ele não recorreu, apenas impetrou outro habeas corpus na instância superior. Já se fosse um advogado, este poderia interpor RSE no TJ ou até mesmo optar por impetrar um novo HC.

trouxe uma exceção a essa exigência, determinando que "não se

b)

Juizados Especiais

aplica às microempresas e às empresas de pequeno porte o disposto no § 2° do art. 1° da Lei n° 8.906/94", ou seja, nesses casos não se

Por determinação do art. 9° da Lei 9.099/95, pode ser dispensada

exige o visto do advogado. Isto ocorre porque, nessas situações, o

a

presença de advogado nas causas de valor até 20 (vinte) salários

registro é mais simples, muitas das vezes se realizando com o mero preenchimento de formulários já padronizados.

mínimos. Todavia, nos recursos para as Turmas Recursais, as partes serão, obrigatoriamente, representadas por advogado (art. 41, § 2°, da Lei n° 9.099/95).

Exceções ao ias postulandi do advogado

Via de regra, o ius postulandi (capacidade postulatória, capacidade de representar alguém em juízo) é do advogado. Porém, há casos em que a parte pode ir ao Judiciário sem constituir advogado.

20

Ecoam ARMADOR 1

"I O ME ÉTICA -

Ear}o

c) Justiça do Trabalho

A atuação da parte sem advogado na Justiça Trabalhista é garantida

pelo art. 791 da CLT, que permite aos empregados e aos empregadores

PAuln Macwoo

21

1 Oe mÉtica!

litigarem pessoalmente ("Art. 791 - Os empregados e os empregadores poderão reclamar pessoalmente perante a Justiça do Trabalho e acompanhar as suas reclamações até o final.").

Embora alguns autores entendam que esse dispositivo não foi recepcionado pela atual Constituição, o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento da ADI n° 1.127-8, proposta pela Associação dos Magistrados Brasileiros em face do art. 1°, I, do Estatuto da Advocacia e da OAB, manifestou-se pela constitucionalidade do mandamento celetista.

d) Justiça de Paz

No que pese a relevância da Justiça de Paz, este órgão não está entre aqueles do Poder Judiciário (vide art. 92 da Constituição Federal), tendo a incumbência de celebrar o casamento civil, de verificar, de oficio ou em face de impugnação, o processo de habilitação e de exercer atribuições conciliatórias, sem caráter jurisdicional (art. 98, II, CF/88).

De toda forma, ninguém precisa estar representado por advogado para se casar.

Atos dos estagiários

Os estagiários que estiverem regularmente inscritos na OAB podem praticar os atos mencionados no art. 1° do Estatuto da Advocacia e da OAB, na forma do Regulamento Geral, em conjunto com o advogado e sob a responsabilidade deste. O Regulamento Geral também fala em conjunto com o defensor público (e o defensor público é advogado: advogado público). Entretanto, os estagiários podem praticar isoladamente, isto é, sem a presença ou assinatura do advogado, os seguintes atos, mas ainda sob a responsabilidade deste (art. 29, §§ 1° e 2°, do Regulamento Geral):

22

EtxrcaA AANADOR

10 ELI ÉncA - EDÇÂO

1 Oe mÉtical

a) retirar e devolver autos em cartório, assinando a respectiva

carga;

b) obter junto a escrivães e chefes de secretarias certidões de peças

ou autos de processos em curso ou findos;

c) assinar petições de juntada de documentos a processos judiciais

ou administrativos.

d) praticar os atos extrajudiciais, quando receber autorização ou

substabelecimento do advogado.

I. ATOS NULOS

O Estatuto traz cinco grupos de pessoas que, caso venham a praticar quaisquer dos atos privativos de advogado, tais atos serão nulos. Repita-se: pela Lei n° 8.906/94, haverá nulidade (absoluta), não podendo ser ratificados por outro profissional, apesar de haver entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em sentido contrário.

Vejamos as hipóteses constantes no art. 4°, e parágrafo único, do Estatuto da Advocacia e da OAB:

a) pessoas não inscritas na OAB

Os atos privativos da advocacia somente podem ser exercidos por pessoa regularmente inscrita no quadro de advogados da OAB. Nem mesmo os estagiários podem praticá-los isoladamente. Estes apenas estão habilitados a desenvolver sozinhos os atos mencionados no art. 29, §§ 1° e 2°, do Regulamento Geral, conforme acima mencionado.

O Estatuto, no art. 4°, caput, não exclui as sanções civis, penais e administrativas daí decorrentes, seja pelo prejuízo causado a terceiros, seja pelo exercício ilegal de profissão (art. 47 do Decreto-Lei n° 3.688/1941 - Lei das Contravenções Penais). No caso do estagiário,

PAULO Mackico

23

Oe mÉtica!

este pode ser punido pela prática de ato excedente de sua habilitação, nos termos do art. 34, XXIX, EAOAB.

b) advogado impedido

Para o Estatuto da Advocacia e da OAB, impedimento é a proibição parcial do exercício da advocacia. Assim, o advogado pode continuar exercendo a profissão, menos conta ou a favor das pessoas

determinadas no art. 30, como, por exemplo, o auxiliar administrativo

da Prefeitura de São Paulo. Caso este advogado venha a atuar em

processo contra o município de São Paulo, os atos praticados serão nulos. Perceba que a nulidade somente alcança as hipóteses em que

ele está impedido de advogar.

c) advogado suspenso

A suspensão não se confunde com a licença. Aquela é uma punição

aplicada pela OAB; esta, um instituto no qual o advogado se afasta por um tempo, nas situações previstas no art. 12 do EAOAB (requerimento com motivo justificado, doença mental curável ou

exercício de atividade incompatível em caráter temporário).

Durante o prazo da suspensão, que varia, em regra, de 30 dias a 12 meses (art. 37 e §§ 1° ao 3°, EAOAB), qualquer ato privativo de advogado que for praticado pelo profissional suspenso será nulo.

d) advogado licenciado

Considerando a diferença exposta no item anterior (letra c), no prazo da licença, nenhum ato de advocacia pode ser exercido pelo advogado, sob pena de nulidade.

24

Exma., A.1.1351 1

1 O em Épr." -

EIX4i.

OemÉfiCal

e) advogado que passar a exercer atividade incompatível com a advocacia

Neste último grupo, o legislador quis alcançar aqueles advogados que passam a exercer atividade incompatível com advocacia, mas não comunicam à OAB, nem tampouco tomam as medidas adequadas (licença ou cancelamento). Ilustrando, seria o caso de um advogado que passa no concurso para Delegado de Polícia ou é eleito prefeito e, mesmo após o desenvolvimento de qualquer dessas atividades, continua advogando. Da mesma forma que nos itens anteriores, os atos serão nulos.

PROCURAÇÃO E SUBSTABELECIMENTO

Do mandato judicial

O mandato se opera quando alguém recebe poderes de outrem

para praticar atos ou administrar interesses em seu nome (art. 653,

CC). Então, mandado judicial é quando alguém (no caso, o advogado, que é o detentor do ius postulandi) recebe de outrem (outorgante)

poderes para atuar perante o Poder Judiciário em seu nome. Para o Estatuto da Advocacia e da OAB, o advogado postula em juízo ou fora dele, fazendo prova do mandato. Todavia, afirmando urgência, pode atuar sem procuração, obrigando-se a apresentá-la no prazo de 15 (dias), prorrogável por igual período (art. 5°, § 1°, EAOAB).

A procuração é o instrumento do mandato, na qual ficam

consignados os poderes outorgados pelo constituinte (outorgante) ao advogado (outorgado). Verifica-se, contudo, na legislação pátria, que a constituição de advogado pode ocorrer verbalmente em alguns casos:

(1) se o acusado o indicar por ocasião do interrogatório (art. 266 do CPP) e (2) nos juizados especiais, salvo quanto aos poderes especiais (art. 9°, § 3°, da Lei n° 9.099/95). Diz-se, nesses casos, que a outorga

é apud acta (do latim: na ata, conforme está na ata), pois, embora seja verbal na origem, é consignada na assentada da audiência.

PAULO MACHNX)

25

1 OemÉtica!

10emÉtical

Nos casos das sociedades de advogados, o mandato judicial ou extrajudicial deve ser outorgado individualmente aos advogados e indicar a sociedade de que façam parte, não podendo ser fornecidos poderes para a própria sociedade (pessoa jurídica), muito menos coletivamente (como por exemplo: "outorga poderes para todos os advogados do Escritório de Advocacia Pedro Meira", sem menção ao nome de um ou mais advogados).

Poderes gerais e especiais

Na procuração, pode constar a outorga de poderes gerais e poderes especiais. Poderes gerais (ou poderes para o foro em geral, em substituição à antiga expressão "poderes da cláusula ad judicia et extra") são os poderes básicos que o advogado precisa para poder atuar desde a distribuição de uma ação até os recursos nos tribunais. Já os poderes especiais são aqueles que devem constar quando exigidos por lei, a exemplo do art. 105 do Novo CPC ("A procuração geral para o foro, outorgada por instrumento público ou particular assinado pela parte, habilita o advogado a praticar todos os atos do processo, exceto receber citação, confessar, reconhecer a procedência do pedido, transigir, desistir, renunciar ao direito sobre o qual se funda a ação, receber, dar quitação, firmar compromisso e assinar declaração de hipossuficiência econômica, que devem constar de cláusula específica."), do art. 39 do Código de Processo Penal ("o direito de representação poderá ser exercido, pessoalmente ou por procurador com poderes especiais"), do art. 44 do CPP ("a queixa poderá ser dada por procurador com poderes especiais") e do art. 55 do CPP ("o perdão poderá ser aceito por procurador com poderes especiais").

Vejamos a seguir os dispositivos do Novo Código de Processo Civil que tratam do tema da procuração:

26

Ecoai,.ARMADOR

I

10 eu ÉTICA -

isolcâo

Substabelecimento

rô.cesso~us

O substabelecimento é o instrumento pelo qual aquele advogado que recebeu poderes do cliente os transfere para outro advogado. O substabelecimento pode ser feito com reservas de poderes, isto é, quando o primeiro advogado constituído estende os poderes ao novo advogado (substabelecido). Neste, o advogado que substabeleceu (substabelecente) permanece na causa. Permite-se também ao advogado substabelecer seus poderes sem reserva, caso em que o novo advogado sucede o antigo, assumindo o patrocínio da causa sem que o antigo conserve nenhum dos poderes.

PAULO MACHADO

27

10emÉtical

10emÉtica!

Por questões éticas, o substabelecimento do mandato com reserva de poderes é ato pessoal do advogado da causa, mas o substabelecimento sem- poderes exige o prévio e inequívoco

conhecimento do cliente (art. 26 e §1° do Novo Código de Ética e Disciplina).

O Novo CED (art. 26, § 2°) continua impondo que o advogado

substabelecido com reserva de poderes deve ajustar, antecipadamente,

seus honorários com o substabelecente.

Renúncia e revogação

Renúncia e revogação são formas através das quais o advogado

e o cliente desistem dos poderes recebidos ou outorgados no mandato.

O advogado que renunciar, não precisa justificar o motivo,

mas deve permanecer pelos 10 (dez) dias seguintes à notificação a representar o mandante, salvo se for substituído antes do término desse prazo (art. 10, § 3°, do EAOAB) ou "desde que necessário para evitar prejuízo" (art. 112, § 1°, do NCPC), sob pena de cometer infração disciplinar (art. 34, M, do EAOAB) e de responsabilização

civil (neste caso, havendo prova do dano sofrido pelo constituinte).

A ciência pode ser provada por aviso de recebimento, por

notificação do Cartório de Títulos e Documentos ou pela própria

ciência do cliente, quando este assina o documento que comunica a renúncia. O art. 6° do Regulamento Geral prefere que seja "mediante carta com aviso de recepção, comunicando, após, o Juízo).

O art. 17 do Novo Código de Ética e Disciplina diz que a

revogação do mandato judicial por vontade do cliente não o desobriga do pagamento das verbas honorárias contratadas e não retira do

advogado o direito de receber o quanto lhe seja devida em eventual verba honorária de sucumbência, calculada, proporcionalmente, em razão do serviço efetivamente prestado.

O cliente que revogar o mandato outorgado ao advogado, no

mesmo ato, deverá constituir outro profissional que assuma o patrocínio da causa. Sendo descumprido, o juiz, verificando a irregularidade da representação, suspenderá o processo e marcará prazo razoável para

28

ED ~moa I 10 Ene ÉTICA- EDIÇÃO

ser sanado o defeito. Não sendo regularizado dentro do interstício judicial, se a providência couber ao autor, será extinto o processo; cabendo ao réu, reputar-se-á revel; competindo ao terceiro, será excluído do processo ou decreta sua revelia, dependendo do polo em que se encontre. É o que determina o art. 76 e §§ 1° e 2° do NCPC, abaixo transcritos.

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prazo razoável para que seja sanado c

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29

10e mÉtica!

ESTOESiÇ OMENTA

to:

I. (FGV — XVI Exame de Ordem) Bernardo é bacharel em Direito, mas não está inscrito nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil, apesar de aprovado no Exame de Ordem. Não obstante, tem atuação na área de advocacia, realizando consultorias e assessorias jurídicas. A partir da hipótese apresentada, nos termos do Regulamento Geral da Ordem dos Advogados do Brasil, assinale a afirmativa correta.

a) Tal conduta é permitida, por ter o bacharel logrado aprovação no

Exame de Ordem.

b) Tal conduta é proibida, por ser equiparada à captação de clientela.

c) Tal conduta é permitida mediante autorização do Presidente da

Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil.

d) Tal conduta é proibida, tendo em vista a ausência de inscrição na

Ordem dos Advogados do Brasil.

^N) Comentário:

Nos termos do art. 1°, II, do EAOAB, são atos privativos de advogado, devidamente inscrito na OAB, a consultoria, a assessoria e a direção jurídicas. Assim, ressalta o art. 4° do Regulamento Geral que a prática de atos privativos de advogado por pessoas não inscritas na OAB constitui exercício ilegal da profissão.

30

10emÉtical

2. (FGV — XVI Exame de Ordem) João é advogado da sociedade empresária X Ltda., atuando em diversas causas do interesse da companhia controle da sociedade foi alienado para estrangeira, que resolveu contratar novos profissionais em várias áreas, inclusive

a

jurídica. Por força dessa circunstância, rompeu-se a avença entre

o

advogado e o seu cliente. Assim, João renunciou ao mandato em

todos os processos, comunicando formalmente o ato à cliente. Houve novo contrato com renomado escritório de advocacia, que, em todos os processos, apresentou o instrumento mandato antes do término do prazo legal à retirada do advogado anterior.

Na renúncia focalizada no enunciado, consoante o Estatuo da Advocacia, deve o advogado

a) afastar-se imediatamente após a substituição por outro advogado.

b) funcionar como parecerista no processo pela continuidade da

representação.

c) atuar em conjunto com o advogado sucessor por quinze dias.

d) aguardar dez dias para verificar a atuação dos seus sucessores.

Comentário:

O art. 5°, § 3°, do EAOAB determina que o advogado que renunciar ao mandato continuará durante os 10 (dez) dias seguintes à notificação da renúncia a representar o mandante, salvo se for substituído antes do término desse prazo. Portanto, a resposta é a de que o advogado anterior deve se afastar após a juntada da procuração do novo advogado.

PAULO MAcrian

31

10emÉtica!

10emÉtical

3. (FGV - VII Exame de Ordem) Tício é advogado prestando serviços à Junta Comercial do Estado Y. Exerce a atividade

concomitantemente em escritório próprio, onde atua em causas civis

e empresariais. Um dos seus clientes postula o seu visto em atos

constitutivos de pessoa jurídica que pretende criar. Diante do narrado,

à luz das normas do Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, assinale a alternativa correta:

a) Sendo um cliente do escritório, é inerente à atividade da advocacia

o visto em atos constitutivos de pessoa jurídica.

b) Ao prestar serviços para Junta Comercial, surge impedimento

previsto no Regulamento Geral.

c)A análise do conteúdo dos atos constitutivos pode ser realizada pelo advogado tanto no escritório quanto na Junta Comercial.

d) A atuação na Junta Comercial gera impedimento para ações

judiciais, mas não para vistos em atos constitutivos.

Comentários:

O art. 20 do Regulamento Geral determina que o visto do advogado

em atos constitutivos de pessoas jurídicas, indispensável ao registro

e arquivamento nos órgãos competentes, deve resultar da efetiva

constatação, pelo profissional que os examinar, de que os respectivos instrumentos preenchem as exigências legais pertinentes. Estão impedidos de exercer o ato de advocacia referido os advogados

que prestem serviços a órgãos ou entidades da Administração Pública direta ou indireta, da unidade federativa a que se vincule a Junta Comercial, ou a quaisquer repartições administrativas competentes para o mencionado registro. Não confunda este tema com o impedimento do art. 30 do EAOAB! São assuntos diferentes!

32

EM-0W, AFOAAOCR 10 Eu Enc., - Enio

4. (FGV - VII Exame de Ordem) Esculápio, advogado, deseja comprovar o exercício da atividade advocatícia, pois inscreveu-se em processo seletivo para contratação por empresa de grande porte, sendo esse um dos documentos essenciais para o certame. Diante do narrado, à luz das normas do Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, o efetivo exercício da advocacia é comprovado pela participação anual mínima em

a) seis petições iniciais civis.

b) três participações em audiências.

c) quatro peças defensivas gerais.

d) cinco atos privativos de advogado.

Cli::\11 Comentários:

Considera-se efetivo exercício da atividade de advocacia a participação anual mínima em cinco atos privativos previstos no artigo 1° do Estatuto, em causas ou questões distintas. A comprovação do efetivo exercício faz-se mediante:

a) certidão expedida por cartórios ou secretarias judiciais;

b) cópia autenticada de atos privativos;

c) certidão expedida pelo órgão público no qual o advogado exerça

função privativa do seu oficio, indicando os atos praticados. É o teor do art. 5° do Regulamento Geral.

PAULOtirown

33

10eméticd

10emÉtical

5. (FGV - VII Exame de Ordem) A multiplicidade de opções para atuação do advogado desenvolveu o ramo da Advocacia Pública. Assim, à luz das normas do Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, nela podem ser integrados o(a), exceto:

a) Advogado-Geral da União.

b) Defensor Público

c) Advogado (Procurador) de Autarquia.

d) Advogado de Sociedade de Economia Mista.

1;311) Comentários:

Para o art. 9° do Regulamento Geral, exercem a advocacia pública os integrantes da Advocacia-Geral da União, da Defensoria Pública e das Procuradorias e Consultorias Jurídicas dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, das autarquias e das fundações públicas, estando obrigados à inscrição na OAB, para o exercício de suas atividades. Lembre-se ainda de que os integrantes da advocacia pública são elegíveis e podem integrar qualquer órgão da OAB.

34

Eornam AMIAEOR 1 1 O EM ÉlKA - enk,

6. (FGV - IX Exame de Ordem) Laura, advogada na área empresarial, após concluir o mestrado em renomada instituição de ensino superior, é convidada para integrar a equipe de assessoria jurídica da empresa K S/A. No dia da entrevista final, é inquirida pelo Gerente Jurídico da empresa, bacharel em Direito, sem inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil, apesar de o mesmo ter logrado êxito no Exame de Ordem. Observado tal relato, consoante as normas do Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, assinale a afirmativa correta.

a) O bacharel em Direito pode exercer as funções de Gerência

Jurídica mesmo que não tenha os requisitos para ingresso na Ordem dos Advogados. b)A função de Gerente Jurídico é privativa de advogados com regular inscrição nos quadros da Ordem dos Advogados.

c) O bacharel em Direito, caso preencha os requisitos legais, inclusive aprovação em Exame de Ordem, pode exercer funções de Gerente Jurídico antes da inscrição na Ordem dos Advogados.

d) A função de Gerente Jurídico, como é de confiança da empresa,

pode ser exercida por quem não tem formação na área.

-g? Comentários:

Apesar de o art. 1°, II, do EAOAB di7er que são atos privativos da advocacia a consultoria, a assessoria e a direção jurídicas, o art. 7° do RG inclui a gerência jurídica a essa lista. Vejamos: "A função de diretoria e gerência jurídicas em qualquer empresa pública, privada ou paraestatal, inclusive em instituições financeiras, é privativa de advogado, não podendo ser exercida por quem não se encontre inscrito regularmente na OAB."

PAULOMACHADO

35

icternÉtical

CAPÍTULO 2

Artigos 6° ao 7°

CAPÍTULO TI DOS DIREITOS DO ADVOGADO

Não há hierarquia nem subordinação entre advogados, magistrados e membros do Ministério Público, devendo-se todos tratar-se com consideração e respeito recíprocos.

Parágrafo único. As autoridades, os servidores públicos e os serventuários da justiça devem dispensar ao advogado, no exercício da profissão, tratamento compatível com a dignidade da advocacia e condições adequadas a seu desempenho.

rtir:V2Z; São direitos do advogado:

I - exercer, com liberdade, a profissão em todo o território nacional; II — a inviolabilidade de seu escritório ou local de trabalho, bem como de seus instrumentos de trabalho, de sua correspondência escrita, eletrônica, telefônica e telemática, desde que relativas ao exercício da advocacia;2 III - comunicar-se com seus clientes, pessoal e reservadamente, mesmo sem procuração, quando estes se acharem presos, detidos ou recolhidos em estabelecimentos civis ou militares, ainda que considerados incomunicáveis;

2 Este inciso foi alterado pela Lei n° 11.767, de 7 de agosto de 2008.

PAULO MAO-NDO

37

1 OemÉtical

IV - ter a presença de representante da OAB, quando preso

em flagrante, por motivo ligado ao exercício da advocacia, para a lavratura do auto respectivo, sob pena de nulidade e, nos demais casos, a comunicação expressa à seccional da OAB;

V - não ser recolhido preso, antes da sentença transitada em julgado, senão em sala de Estado Maior, com instalações e comodidades condignas, assim reconhecidas pela OAB', e, na sua falta, em prisão domiciliar;

VI - ingressar livremente:

a) nas salas de sessões dos tribunais, mesmo além dos cancelos que separam a parte reservada aos magistrados; b)nas salas e dependência de audiências, secretarias, cartórios, ofícios

de justiça, serviços notariais e de registro, e, no caso de delegacias e prisões, mesmo fora da hora de expediente e independentemente da presença de seus titulares; c)em qualquer edificio ou recinto em que funcione repartição judicial ou outro serviço público onde o advogado deva praticar ato ou colher prova ou informação útil ao exercício da atividade profissional, dentro do expediente ou fora dele, e ser atendido, desde que se ache presente qualquer servidor ou empregado; d) em qualquer assembleia ou reunião de que participe ou possa participar o seu cliente, ou perante a qual este deva comparecer, desde que munido de poderes especiais:

VII - permanecer sentado ou em pé e retirar-se de quaisquer locais indicados no inciso anterior, independentemente de licença; VIII - dirigir-se diretamente aos magistrados nas salas e gabinetes de trabalho, independentemente de horário previamente marcado ou outra condição, observando-se a ordem de chegada;

IX - sustentar oralmente as razões de qualquer recurso ou

processo. nas sessões de julgamento. após o voto do relator. em instância judicial ou administrativa, pelo prazo de quinze minutos,

3 O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Ação Direta de lnconstitucionali- dade n°1.127-8 (DOU de 26.5.2006), declarou a inconstitucionalidade da expressão "assim reconhecidas pela OAB".

38

Eorroas AR~ 10 EM

aptçáo

1 OemÉtical

s't salvo se prazo maior for concedidol X - usar da palavra, pela ordem, em qualquer juízo ou tribunal, mediante intervenção sumária, para esclarecer equívoco ou dúvida surgida em relação a fatos, documentos ou afirmações que influam no julgamento, bem como para replicar acusação ou censura que lhe

forem feitas; XI - reclamar, verbalmente ou por escrito, perante qualquer juízo, tribunal ou autoridade, contra inobservância de preceito de lei, regulamento ou regimento;

XII - falar, sentado ou em pé, em juízo, tribunal ou órgão

de deliberação coletiva da Administração Pública ou do Poder Legislativo; XIII - examinar, em qualquer órgão dos Poderes Judiciário e Legislativo, ou da Administração Pública em geral, autos de processos

findos ou em andamento, mesmo sem procuração, quando não estejam sujeitos a sigilo, assegurada a obtenção de cópias, podendo tomar apontamentos;

XIV - examinar, em qualquer instituição responsável por

conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento,

ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital;'

XV - ter vista dos processos judiciais ou administrativos de

qualquer natureza, em cartório ou na repartição competente, ou retira- los pelos prazos legais;

XVI- retirar autos de processos findos, mesmo sem procuração,

pelo prazo de dez dias; XVII - ser publicamente desagravado, quando ofendido no exercício da profissão ou em razão dela; XVIII - usar os símbolos privativos da profissão de advogado;

4 O Supremo Tribunal Federal, no julgamento das Ações Diretas de Inconstitucio-

nalidade n° 1.105-7 e 1.127-8 (DOU de 26.5.2006), declarou a inconstitucionalida- de deste inciso.

5 Este inciso foi alterado pela Lei 13.245/16.

PA= MACI-0-00

39

OemÉtiCa!

XIX - recusar-se a depor como testemunha em processo no qual funcionou ou deva funcionar, ou sobre fato relacionado como pessoa de quem seja ou foi advogado, mesmo quando autorizado ou solicitado pelo constituinte, bem como sobre fato que constitua sigilo profissional; XX - retirar-se do recinto onde se encontre aguardando pregão para ato judicial, após trinta minutos do horário designado e ao qual ainda não tenha comparecido a autoridade que deva presidir a ele, mediante comunicação protocolizada em juízo. )0CI - assistir a seus clientes investigados durante a apuração de infrações, sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento e, subsequentemente, de todos os elementos

investigatórios e probatórios dele decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, podendo, inclusive, no curso da respectiva apuração:6

a) apresentar razões e quesitos;

b) (VETADO).

§ 1° Não se aplica o disposto nos incisos XV e XVI:

1 - aos processos sob regime de segredo de justiça;

2 - quando existirem nos autos documentos originais de dificil

restauração ou ocorrer circunstancia relevante que justifique a permanência dos autos no cartório, secretaria ou repartição, reconhecida pela autoridade em despacho motivado, proferido de

oficio, mediante representação ou a requerimento da parte interessada;

3 - até o encerramento do processo, ao advogado que houver deixado

de devolver os respectivos autos no prazo legal, e só o fizer depois de

intimado.

§ 2° O advogado tem imunidade profissional, não constituindo injúria,

difamação ou desacato' puníveis qualquer manifestação de sua parte, no exercício de sua atividade, em juizo ou fora dele, sem prejuízo das sanções disciplinares perante a OAB, pelos excessos que cometer.

§ 3° O advogado somente poderá ser preso em flagrante, por motivo

6 Este inciso e a alínea a foram acrescentados pela Lei 13.245/16. 7 0 Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionali- dade n°1.127-8 (DOU de 26.5.2006), declarou a inconstitucionalidade da expressão "ou desacato".

40

Ecoo!. Ara.mon

I

10 Eu Énen - 3' enci.o

ioemÉtical

de exercício da profissão, em caso de crime inafiançável, observado o disposto no inciso IV deste artigo

§ 4° O Poder Judiciário e o Poder Executivo devem instalar, em

todos os juizados, fóruns, tribunais, delegacias de polícia e presídios, salas especiais permanentes para os advogados, com uso e controle'

assegurados à OAB.

§ 5° No caso de ofensa a inscrito na OAB, no exercício da profissão

ou de cargo ou função de órgão da OAB, o Conselho competente deve promover o desagravo público do ofendido, sem prejuízo da responsabilidade criminal em que incorrer o infrator.

§ 6° - Presentes indícios de autoria e materialidade da prática de crime por parte de advogado, a autoridade judiciária competente poderá

decretar a quebra da inviolabilidade de que trata o inciso II do caput deste artigo, em decisão motivada, expedindo mandado de busca e apreensão, específico e pormenorizado, a ser cumprido na presença de representante da OAB, sendo, em qualquer hipótese, vedada a utilização dos documentos, das mídias e dos objetos pertencentes a clientes do advogado averiguado, bem como dos demais instrumentos de trabalho que contenham informações sobre clientes.'

§ 7° A ressalva constante do § 62 deste artigo não se estende a clientes do advogado averiguado que estejam sendo formalmente investigados como seus partícipes ou coautores pela prática do mesmo crime que deu causa à quebra da inviolabilidade.m

§ 8° (vetado)

§ 9° (vetado)

§ 10. Nos autos sujeitos a sigilo, deve o advogado apresentar procuração para o exercício dos direitos de que trata o inciso XIV."

8 O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Ação Direta de inconstitucionali-

dade n° 1.127-8 (DOU de 26.5.2006), declarou a inconstitucionalidade da expressão

"e controle".

9 Este parágrafo 6° foi acrescentado pela Lei n° 11.767, de 7 de agosto de 2008. 10 Este parágrafo 7 0 foi acrescentado pela Leio" 13.245/16. 11 Este parágrafo foi acrescentado pela Leio" 13.245/16.

PAULO N4~0

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ioemÉtical,

§ 11. No caso previsto no inciso XIV, a autoridade competente poderá delimitar o acesso do advogado aos elementos de prova relacionados

a diligências em andamento e ainda não documentados nos autos,

quando houver risco de comprometimento da eficiência, da eficácia ou da finalidade das diligências."

§ 12. A inobservância aos direitos estabelecidos no inciso XIV, o fornecimento incompleto de autos ou o fornecimento de autos em que houve a retirada de peças já incluídas no caderno investigativo implicará responsabilização criminal e funcional por abuso de autoridade do responsável que impedir o acesso do advogado com o intuito de prejudicar o exercício da defesa, sem prejuízo do direito subjetivo do advogado de requerer acesso aos autos ao juiz competente.-"

Al ij COMENTÁRIOS

DIREITOS DO ADVOGADO

O Estatuto trata de maneira indistinta os direitos e as prerrogativas do advogado. Portanto, inicialmente, cabe-nos fa7FT um breve esclarecimento sobre a diferença técnica entre direito e prerrogativa. Pode-se dizer que o "direito" e stá relacionado a todas as pessoas, ao passo que a "prerrogativa" é um direito exclusivo de determinada

profissão para o seu pleno exercício. Desse modo, todos têm o direito

à livre locomoção no território nacional em tempo de paz (art. 5°,

XV, CRFB), mas os advogados têm a prerrogativa de examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de fla,T•ante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade,

12

13

42

Este parágrafo foi acrescentado pela Lei n° 13.245/16.

Este parágrafo foi acrescentado pela Lei n° 13.245/16.

atroa, AFINADOR

1

10 em ÉTICA - ranin

10emÉtica!

podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital (art, 7 0 , XIV, da Lei n° 8.906/94). Entretanto, por questões didáticas também empregaremos as expressões "direitos" e "prerrogativas" sem distinção, como se sinônimos fossem. O Estatuto da Advocacia e da OAB disciplina os direitos dos advogados ao longo de toda a lei, sendo que as concentra em maior número no Capítulo II do Título I (arts. 6° e 7°). Sendo a advocacia indispensável à realização da justiça — ao lado da Magistratura do Ministério Público —, o art. 6° logo determina que não há hierarquia nem subordinação entre advogados, magistrados e membros do Ministério Público, devendo todos tratar- se com consideração e respeito recíprocos. E para que o advogado possa exercer de maneira plena, sem embaraços, a sua atividade, impõe-se às autoridades, aos servidores públicos e aos serventuários da justiça o dever de tratar os advogados, no exercício da profissão, de forma compatível com a dignidade da advocacia, inclusive com condições adequadas ao seu desempenho.

Conforme o disposto no art. 7 0 do Estatuto são direitos do advogado:

— exercer, com liberdade, a profissão em todo o território nacional.

O advogado devidamente inscrito em um determinado Conselho Seccional da OAB pode exercer a profissão em todo o país. Importante apenas lembrar que esta prerrogativa permite que o profissional advogue, ilimitadamente, no respectivo Conselho; eventualmente, em qualquer outro estado. Se vier a atuar em mais de cinco causas em outro estado, deverá providenciar outra inscrição (inscrição suplementar - art. 10, § 2°, do EAOAB). Desse modo, é garantido o direito de advogar livremente dentro do território nacional, sendo que, em alguns casos, a atuação é condicionada à realização de outra inscrição.

PAULO MACHADO

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oemÉtimi

— a inviolabilidade de seu escritório ou local de trabalho, bem como de seus instrumentos de trabalho, de sua correspondência escrita, eletrônica, telefônica e telemática, desde que relativas ao exercício da advocacia.

Essa é a nova redação dada a este inciso pela Lei n° 11.767/08.

Essa lei também acrescentou os parágrafos 6' e 7° ao art. 7° do Estatuto da Advocacia, que, em linhas gerais, melhor tratou do tema da inviolabilidade referida neste inciso.

A inviolabilidade de seu escritório ou local de trabalho,

bem como de seus instrumentos de trabalho, não é absoluta, uma vez que, presentes indícios de autoria e materialidade da prática de

crime pelo advogado, a autoridade judiciária competente poderá, em decisão motivada, decretar a quebra da inviolabilidade de que trata este inciso, expedindo, para tanto, o devido mandado de busca e apreensão, especifico e pormenorizado, a ser cumprido na presença de representante da OAB. É de salientar que, em qualquer hipótese - mesmo nesses casos -, é proibida a utilização dos documentos, das mídias e dos objetos que pertencem aos clientes do advogado averiguado, muito menos dos demais instrumentos de trabalho que tenham informações acerca de clientes, a não ser que haja algum cliente do advogado averiguado que esteja sendo formalmente investigado como participe ou coautor pela prática do mesmo crime que deu origem à quebra da inviolabilidade.

111 — comunicar-se com seus clientes, pessoal e reservadamente, mesmo sem procuração, quando estes se acharem presos, detidos ou recolhidos em estabelecimentos civis ou militares, ainda que considerados incomunicáveis.

A Constituição Federal garante a todo preso a assistência de

advogado (art. 5°. LXIII). Ao encontro da Lei Maior, o Estatuto da

Advocacia e da OAB confere ao advogado esse direito. Apenas por debate, ainda que de forma bem sucinta, no que tange à incomunicabilidade do preso, tratada no art. 21 do Código

44

tORA Aff.ocoa

I

10 &Á ÉrcA - Etecdo

10e mÉtical

de Processo Penal, acompanhamos o entendimento de renomados autores, entre eles, Fernando da Costa Tourinho Filho, de que, na atualidade, em razão de a Constituição Federal determinar que é

vedada a incomunicabilidade do preso na vigência do estado de defesa, com mais razão não deve haver na ausência deste. Reforçando esse entendimento o ilustre professor afirma que "se por acaso houver entendimento contrário, não se deve olvidar que a incomunicabilidade é medida perversa e que, no fundo, o seu objetivo, que é impedir a comunicação do preso com o mundo exterior, se reduz a uma nonada, em face do direito conferido ao advogado de se comunicar com o "

(Código de Processo

incomunicável pessoal e reservadamente

Penal Comentado, 12° Edição, Editora Saraiva, Volume 1, 2009, página 97). De qualquer forma, a incomunicabilidade não alcança o

advogado.

IV — ter a presença de representante da OAB, quando preso em flagrante, por motivo ligado ao exercício da advocacia, para a lavratura do auto respectivo, sob pena de nulidade e, nos demais casos, a comunicação expressa à seccional da OAB.

Este inciso foi objeto de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI n° 1.127-8), proposta pela Associação dos Magistrados

Brasileiros (AME), em relação à expressão "ter a presença de representante da OAB", que chegou a ficar suspensa desde 1994. Contudo, o STF, no julgamento do mérito, ocorrido em 17 de maio de 2006, decidiu pela integral constitucionalidade do inciso. Ressalte-se que os ministros do Pretório Excelso destacaram que, se a OAB não remeter um representante em tempo hábil, não haverá de se falar em invalidade da prisão em flagrante. Em complementação, o parágrafo 3° do art. 7° do Estatuto garante ao advogado o direito de somente ser preso em flagrante em caso de crime inafiançável, desde que por motivo ligado ao exercício da profissão e, mesmo assim, com as observações indicadas no inciso

IV.

Psao MA01.00

45

oemÉtica!

V — não ser recolhido preso, antes da sentença transitada em julgado, senão em sala de Estado Maior, com instalações e comodidades condignas, assim reconhecidas pela OAB, e, na sua falta, em prisão domiciliar.

Mais uma vez a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) insurgiu-se, por meio de Ação Direta de Inconstitucionalidade, contra a Lei n° 8.906/94. Neste caso, foi em relação à expressão "assim reconhecidas pela OAB", e o STF, confirmando a liminar antes concedida, julgou, nesta parte, procedente a ação, ou seja, declarou a inconstitucionafidade da expressão "assim reconhecidas pela OAB". A prerrogativa de prisão domiciliar, na ausência de sala de Estado Maior, continua valendo. Esse é o entendimento do Supremo Tribunal Federal.

VI— ingressar livremente:

a) nas salas de sessões dos tribunais, mesmo além dos cancelos

que separam a parte reservada aos magistrados;

1 OemÉtical

a essas garantias deve ser entendido corno ilegal e, nos casos de

violações às alíneas a, b e c, como crime de abuso de autoridade, previsto no art. 3°, f; da Lei n°4.898/95.

Na alínea d, encontramos um direito que, para ser exercido, exige procuração com poderes especiais.

VII — permanecer sentado ou em pé e retirar-se de quaisquer

locais indicados no inciso anterior, independentemente de licença.

Conforme o art. 6° do Estatuto, não há hierarquia nem subordinação entre advogados, magistrados e membros do Ministério Público. Nesse mesmo sentido, este inciso VII assegura ao advogado

decidir a melhor maneira de ficar nos locais onde precisa estar para

o exercício da advocacia, sem qualquer interferência por parte dos

agentes públicos (nem mesmo das autoridades policiais e judiciárias). Importa em desprestigio para a classe, e nenhum advogado pode a isso condescender, quando o magistrado determina o local

onde o advogado deve ficar, com a clara intenção de menoscabo ou em atitude arbitrária.

b)

nas salas e dependências de audiências, secretarias, cartórios,

ofícios de justiça, serviços notariais e de registro e, no caso

VIII— dirigir-se diretamente aos magistrados nas salas e gabinetes

de delegacias e prisões, mesmo fora da hora de expediente e independentemente da presença de seus titulares;

de trabalho, independentemente de horário previamente marcado ou outra condição, observando-se a ordem de chegada.

c)

em qualquer edifício ou recinto em que funcione repartição

judicial ou outro serviço público onde o advogado deva praticar

 

Justamente em razão de não haver hierarquia nem subordinação

ato ou colher prova ou informação útil ao exercício da atividade

entre advogados e magistrados, e também de ser o advogado um

profissional, dentro do expediente ou fora dele, e ser atendido,

dos

figurantes essenciais à justiça, é assegurado o seu livre acesso

desde que se ache presente qualquer servidor ou empregado;

aos

magistrados. Entretanto, é razoável que, em razão de um ato

d)

em qualquer assembleia ou reunião de que participe ou

processual estar sendo realizado, a autoridade judiciária solicite ao

possa participar o seu cliente, ou perante a qual este deva

advogado que aguarde o término do aludido ato. O que não se admite

comparecer, desde que munido de poderes especiais;

Com essas prerrogativas, o Estatuto garante ao advogado o pleno exercício de sua atuação, a fim de que possa representar os interesses de seus clientes de maneira eficaz. Qualquer impedimento

46

EDITORA AwArxx:

10 em ÉTICA - 3' ran

c,

é a restrição para atendê-lo somente em alguns dias da semana e em horários previamente estipulados. Saliente-se que para fins de prova (Exame de Ordem), é direito do advogado, e não do estagiário.

PAULO MNSLADO

47

ioernÉtical

10emÉtical

IX — sustentar oralmente as razões de qualquer recurso ou processo, nas sessões de julgamento, após o voto do relator, em instância judicial ou administrativa, pelo prazo de quinze minutos, salvo se prazo maior for concedido.

O STF declarou inconstitucional todo o conteúdo deste inciso, por ocasião do julgamento da ADI n° 1.127-8, proposta pela Associação dos Magistrados Brasileiros. Quis o legislador garantir ao advogado o direito de sustentar oralmente as razões recursais "após o voto do relator", o que contribuiria muito para a realização da justiça, uma vez que, após ouvir o voto do relator, o advogado melhoraria sua argumentação para maior esclarecimento das razões para os demais julgadores do órgão colegiado.

Com a declaração de inconstitucionalidade, o advogado deve "tentar adivinhar" o que se passa na mente do relator e preparar uma

sustentação oral mais completa, e sintetizada, possível

Observe que no Novo Código de Ética e Disciplina (art. 60, § 4 0 ) ainda consta que no processo disciplinar na OAB, a sustentação oral do advogado será anós o voto do relator!

Lamentável

X — usar da palavra, pela ordem, em qualquer juízo ou tribunal, mediante intervenção sumária, para esclarecer equivoco ou dúvida surgida em relação a fatos, documentos ou afirmações que influam no julgamento, bem como para replicar acusação ou censura que lhe forem feitas.

Aqui temos uma importantíssima prerrogativa garantida pelo Estatuto aos advogados. Trata-se da utilização da expressão "pela ordem", quando se verificar a necessidade de esclarecer algum equívoco ou uma dúvida relevante que possa influir no julgamento ou, ainda, como forma de defesa contra acusações ou censura que lhe forem feitas.

48

arra. ARMAGOR

10 Em Énc.A - 3' Ear„Ao

— reclamar, verbalmente ou por escrito, perante qualquer juízo, tribunal ou autoridade, contra a inobservância de preceito de lei, regulamento ou regimento.

Este inciso traz mais uma forma de o advogado reclamar junto às autoridades contra a inobservância de preceito de lei, regulamento ou regimento. A diferença que há entre o inciso anterior e este é

que naquele a intervenção deve ser sumária, de modo a evitar um

prejuízo maior, enquanto que neste pode-se esperar um momento

mais oportuno para intervir.

Xii — falar, sentado ou em pé, em juízo, tribunal ou órgão de

deliberação coletiva da Administração Pública ou do Poder

Legislativo.

O advogado tem o direito de se manifestar oralmente, sentado

ou em pé, em qualquer órgão do Poder Judiciário, do Legislativo ou da Administração Pública, não podendo nenhum ato normativo interno estabelecer forma diversa.

XIII — examinar, em qualquer órgão dos Poderes Judiciário e Legislativo, ou da Administração Pública em geral, autos de processos findos ou em andamento, mesmo sem procuração, quando não estejam sujeitos a sigilo, assegurada a obtenção de cópia, podendo tomar apontamentos.

O direito ao exame dos autos e o direito de vista dos autos

não se confundem. Aquele significa a simples consulta dos autos

no cartório, enquanto que este é a retirada dos autos pelo advogado mediante registro em livro de carga ou em documento que declare a saída dos autos. Por vezes, o exame dos autos é necessário para suprir uma dúvida urgente ou até mesmo para que o advogado decida se irá ou não ingressar na causa. Assim, o Estatuto assegura ao advogado examiná- los em qualquer órgão do Poder Judiciário, do Poder Legislativo e da

PALto MN:RAD:,

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1 OemÉtica!

Administração Pública em geral, findos ou em andamento, mesmo sem procuração, desde que não estejam submetidos a sigilo, sendo assegurada a obtenção de cópia, podendo, ainda, tomar apontamentos. Em relação ao direito de obtenção de cópia mesmo sem procuração, explicitado neste inciso, explica Geronimo Theml de Macedo que "aqui é fundamental ter em mente que o direito não

é de retirar os autos de cartório para levá-los até a copiadora mais

próxima. O direito é de obter as cópias, o que implica dizer que cada cartório judicial deverá disponibilizar os mecanismos adequados para garantir tal direito, alguns, por exemplo, possibilitam que servidores acompanhem o advogado até a copiadora." (obra citada, p. 81).

XIV - examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital;"

Em seu texto original não constavam as expressões "em

qualquer repartição policial responsável por conduzir investigação"

e "investigações de qualquer natureza", bem como a questão da

obtenção de cópias por meio digital, como, por exemplo, a fotografia

por scanner portátil ou por aparelho de telefone celular. Tais alterações vieram em boa hora, pois há muito tempo já se discutia este direito de acesso do advogado aos procedimentos investigatórios nos mais variados setores, e não só em sede policial (como é o caso do procedimento investigatório criminal feito pelo Ministério Público). Para assegurar este direito, a Lei 13.245/16 também acrescentou o § 12, determinando que: "A inobservância aos direitos estabelecidos no inciso XIV, o fornecimento incompleto de autos ou

o fornecimento de autos em que houve a retirada de peças já incluídas no caderno investigativo implicará responsabilização criminal e funcional por abuso de autoridade do responsável que impedir o

14 Este inciso foi alterado pela Lei 13.245/16.

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arrcon Amonon

I

10 ai ÉlICA -

EDIÇÃO

1 OemÉtica!

acesso do advogado com o intuito de prejudicar o exercício da defesa, sem prejuízo do direito subjetivo do advogado de requerer acesso aos autos ao juiz competente." Assim, entendemos que o mesmo direito deve ser estendido para se ter vista e cópia de registros de ocorrência (ou boletins de ocorrência), de termos circunstanciados e de qualquer procedimento anterior à instauração do inquérito policial, como o comumente chamado procedimento de "verificação das procedências das

informações- (VPI), tratado no art. 5°, § 3 , do CPP. Afinal, se pode o

mais (inquérito policial), pode o menos (VPI ou RO ou BO). Importante atentarmos para o seguinte: embora o art. 20 do Código do Processo Penal estabeleça que "a autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade", essa sigilosidade (característica do IP) não alcança o advogado, em virtude do que lhe é garantido pelo art. 7°, inciso XIV, da Lei n° 8.906/94. Em razão disso, em fevereiro de 2009, o Supremo Tribunal Federal editou a súmula vinculante n° 14 com o seguinte teor: "É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de policia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa." Neste sentido, a Lei 13.245/16 acrescentou os §§ 10 e 11, que esclarecem mais ainda este tema. Vejamos:

No § 10 consta que, "nos autos sujeitos a sigilo, deve o advogado apresentar procuração para o exercício dos direitos de que trata o inciso XIV." Isso ocorre porque, como comentamos acima, o sigilo do inquérito policial não alcança o advogado. Porém, há casos em que há interceptação telefônica decretada pelo juiz ou há quebra de sigilo bancário. Assim, documentos e informações sigilosas são juntadas aos autos do inquérito policial. Nesta hipótese, para o advogado ter acesso, terá que ter procuração. O § 11 diz que, "no caso previsto no inciso XIV, a autoridade competente poderá delimitar o acesso do advogado aos elementos de prova relacionados a diligências em andamento e ainda não

0

Ruxo NAAcw.co

51

1 Oe mÉtica!

documentados nos autos, quando houver risco de comprometimento

da eficiência, da eficácia ou da finalidade das diligências." Este inciso, ao nosso ver, melhor esclareceu o teor da aludida Súmula Vinculante

14.

XV — ter vista dos processos judiciais ou administrativos de qualquer natureza, em cartório ou na repartição competente, ou retirá-los pelos prazos legais.

XVI— retirar autos de processos findos, mesmo sem procuração, pelo prazo de dez dias.

Os direitos trazidos nos incisos XV e XVI não se aplicam nos casos mencionados no § 1° do art. 7 0 , a saber:

a) quando o processo estiver sob o regime do segredo de justiça; b) quando houver nos autos documentos originais de dificil restauração ou ocorrer circunstância relevante que justifique a permanência dos autos no cartório, secretaria ou repartição, reconhecida pela autoridade em despacho motivado, proferido ex officio, mediante representação ou a requerimento da parte interessada; c) até o encerramento do processo, ao advogado que tenha deixado de devolver os respectivos autos no prazo legal, e só o fizer depois

de intimado.

XVII — ser publicamente desagravado, quando ofendido no exercício da profissão ou em razão dela.

O Estatuto tratou o desagravo público como um direito do

advogado, tendo o Regulamento Geral especificado o tema nos art. 18 e 19.

O desagravo público é um procedimento formal utilizado pela

Ordem dos Advogados do Brasil para mostrar o repúdio e prestar urna

solidariedade às ofensas sofridas pelo advogado no exercício da sua profissão ou de cargo ou função nos órgãos da OAB, sem prejuízo das

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Enrraka Armam j 10 e.

- 3' Ea0o

OemÉtica!

sanções penais em que incorrer o ofensor. Não raro, os advogados são ofendidos por juízes, promotores de justiça, delegados de policia, no desempenho de seu mister, devendo o desagravo ser promovido pelo Conselho competente, de oficio, a requerimento do próprio advogado ou de qualquer outra pessoa. O desagravo público, como meio de defesa dos direitos

e prerrogativas da advocacia, não depende de concordância do ofendido, que não pode dispensá-lo, sendo, portanto, um critério do próprio Conselho. Uma vez ocorrendo a ofensa no espaço territorial da Subseção

a que se vincule o inscrito, a sessão de desagravo pode ser promovida pela Diretoria ou Conselho da Subseção, com representação do Conselho Seccional. Com razão. Se o advogado foi ofendido num município distante da sede do Conselho Seccional, de nada adiantará

a solenidade ser lá realizada. Atenderá melhor ao seu objetivo, se

realizada num local mais próximo de onde ocorreu a ofensa. Por outro lado, competirá ao Conselho Federal promover o desagravo público nos casos de ofensa a conselheiro federal ou a Presidente de Conselho Seccional, quando ofendidos no exercício das atribuições de seus cargos e, ainda, quando a ofensa a advogado se revestir de relevância e grave violação às prerrogativas profissionais com repercussão nacional. Assim, o Conselho Federal indica seus representantes para a sessão pública de desagravo, que será realizado na sede do Conselho Seccional, exceto no caso de ofensa a conselheiro federal, quando acontecerá no próprio Conselho Federal. 0 procedimento o desagravo público é disciplinado nos parágrafos do art. 18 do Regulamento Geral. Compete ao relator, convencendo-se da existência de prova ou indício de ofensa relacionada ao exercício da profissão ou cargo da OAB, propor ao Presidente que solicite informações da pessoa ou autoridade ofensora, que serão fornecidas no prazo de 15 (quinze) dias, a não ser que haja urgência ou notoriedade do fato. Pode o relator propor o arquivamento do pedido se (1) a ofensa tiver natureza pessoal, (2) se não estiver ligada ao exercício profissional ou às prerrogativas gerais do advogado ou (3) se configurar crítica de

Paio

53

1 Oe mÉtica!

caráter doutrinário, político ou religioso. Sendo recebidas ou não as informações solicitadas e convencendo-se da procedência da ofensa, o relator emitirá um parecer, que será submetido ao Conselho. Em caso de acolhimento do parecer, é designada a sessão de desagravo, amplamente divulgada. Na sessão do desagravo público, o Presidente lê a nota a ser publicada na imprensa, encaminhada ao ofensor e às autoridades e registrada nos assentamentos do inscrito.

XVIII— usar os símbolos privativos da profissão de advogado

Apenas o advogado devidamente inscrito na OAB pode utilizar os símbolos privativos da advocacia. São os anéis, adornos e outros relacionados à profissão. Compete ao Conselho Federal criar ou aprovar o seu uso (art. 10, inciso X, EAOAB - Compete ao Conselho Federal: X— dispor sobre

a identificação dos inscritos na OAB e sobre os respectivos símbolos

privativos). Não se deve confundir esta competência do Conselho Federal com o que está disposto no art. 58, XI, do mesmo diploma:

compete ao Conselho Seccional determinar, com exclusividade, critérios para o traje dos advogados, no exercício profissional. Um fala sobre os símbolos; o outro, sobre o traje.

5ta)C — recusar-se a depor como testemunha em processo no qual funcionou ou deva funcionar, ou sobre fato relacionado com pessoa de quem seja ou tenha sido advogado, mesmo quando autorizado ou solicitado pelo constituinte.

A recusa em depor como testemunha em processo no qual funcionou ou deva funcionar, ou até mesmo sobre algum fato vinculado

a pessoa de quem seja ou foi advogado, é um direito assegurado pelo Estatuto, mas também é um dever imposto pelo Código de Ética e Disciplina (arts. 35 a 38 do Novo CED).

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Er:noa. ARAADOR

1 O EM ÉlICA - EDIÇÃO

1 Oe mÉticd

xx -.- retirar-se do recinto onde se encontre aguardando pregão

para ato judicial, após 30 (trinta) minutos do horário designado

e ao qual ainda não tenha comparecido a autoridade que deva presidir a ele, mediante comunicação protocolizada em juízo.

O advogado ganhou com este inciso uma importantíssima prerrogativa. Para evitar abusos, lamentavelmente cometidos por alguns magistrados, garantiu o Estatuto da Advocacia e da OAB ao advogado o direito de se retirar do recinto onde está aguardando para a realização do ato judicial, após passados 30 (trinta) minutos do horário marcado e sem que a respectiva autoridade tenha chegado. Este direito não se aplica quando o magistrado já se encontra no local, porém, realizando outro ato processual, como é o caso de uma audiência designada para um horário anterior, mas que ainda não terminou. Mister salientar que a Consolidação das Leis do Trabalho traz um prazo menor. Assim, para os advogados que atuarem perante a Justiça Trabalhista, o tempo de espera é de apenas 15 (quinze) minutos a partir do horário designado (art. 815, CLT). Em qualquer caso, obviamente, exige-se a comunicação protocolizada em juízo.

XXI - assistir a seus clientes investigados durante a apuração

de infrações, sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento e, subsequentemente, de todos

os elementos investigatórios e probatórios dele decorrentes ou

derivados, direta ou indiretamente, podendo, inclusive, no curso

da respectiva apuração:

a) apresentar razões e quesitos; b) (VETADO).

Esta inovação trazida pela Lei n° 13.245/16 traduz um relevante avanço para a Justiça e para o exercício do direito de defesa. Embora o Princípio da Ampla Defesa não seja aplicado à fase da

P.A MAC.430

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1 OemÉtica!

1 OemÉtica! .

investigação policial, a presença e a participação do advogado evita que se cometam abusos contra os investigados.

I IMUNIDADE PROFISSIONAL DO ADVOGADO

A imunidade profissional do advogado é tratada no artigo 7 0 ,

parágrafo 2°, do Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei n° 8.906/94):

"O advogado tem imunidade profissional, não constituindo injúria, difamação ou desacato puníveis qualquer manifestação de sua parte,

no exercício de sua atividade, em juízo ou fora dele, sem prejuízo das sanções disciplinares perante a OAB pelos excessos que cometer". Imunidade profissional é a imunidade que se refere à atividade ou à função do advogado, podendo assim ser de ordem civil, penal

e disciplinar. Se responsabilidade funcional (ou profissional) do

advogado, quer dizer responsabilidade civil, penal e disciplinar, do mesmo modo será sua imunidade profissional.

A razão dessa imunidade vem do fato de a advocacia ser uma

profissão eminentemente conflituosa, na qual, não raro, o advogado se depara com situações injustas em desfavor do seu cliente, o que em decorrência o faz despender palavras ou expressões que em outras situações até poderiam ser consideradas como ofensivas, mas não ali, no exercício de seu mister, devendo ser levadas conta em nome do

princípio da libertas convinciandi.

O instituto da imunidade penal do advogado em relação aos

crimes de injúria e difamação não é novidade no ordenamento jurídico pátrio. O artigo 142, I, do Código Penal, já previa essa imunidade ("Não constituem injúria ou difamação punível: 1— a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador"). Assim, o Estatuto da Advocacia e da OAB inovou em seu texto original os seguintes aspectos: (1) ampliou a imunidade penal do advogado para imunidade profissional, ou seja, agora ela é civil, penal e disciplinar; (2) acrescentou ao rol da imunidade o crime de

desacato; (3) a imunidade profissional do advogado deixou de ser apenas em juízo e passou a ser em qualquer lugar onde desenvolva

a sua atividade (delegacia de polícia, Comissão Parlamentar de

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Eram, APRIAOCRI I

10 EM - 3' ECOO

Inquérito, Conselho de Contribuintes, etc.). Acontece que a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) propôs uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI n° 1.127-8), na qual o Supremo Tribunal Federal, em 1994, suspendeu liminarmente a eficácia da expressão "desacato", tendo o mérito sido julgado em 17 de maio de 2006 e, nessa parte, julgada procedente, ou seja, o advogado não tem mais imunidade profissional em relação ao crime de desacato. Importante evidenciar a ressalva contida na parte final do parágrafo 2°, do artigo 7°, do Estatuto, que, no tocante à injuria e à difamação, no exercício da advocacia, o advogado pode vir a ser processado pela OAB, caso cometa excessos. Tal reprimenda faz sentido, porque, se por um lado, o advogado tem a prerrogativa da imunidade, por outro, ele tem o dever de tratar as pessoas e os funcionários públicos com os quais for se relacionar com urbanidade, educação e lhaneza. Exagerando e extrapolando o direito de imunidade, estará violando um dever de bem tratar a todos. Note-se ainda que, embora o advogado tenha a imunidade profissional conferida pelo Estatuto da Advocacia, outras leis podem trazer para ele algumas sanções, como, por exemplo, o Novo Código de Processo Civil, que, no artigo 78 e seus §§ 1° e 2°, permite ao juiz riscar as palavras ofensivas empregadas nos escritos que o advogado fizer, advertir o advogado em audiência e até cassar a palavra do mesmo - nos dois últimos casos quando venha a proferir palavras ofensivas de forma oral. No art. 360, II, do Novo CPC, há até mesmo possibilidade de o juiz retirar do recinto quem se comportar de modo inconveniente.

PAU_O MACHADO

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1 Oe rnÉtical

Abaixo, o teor dos arts. 78, §§ 1° e 2°, e 360, II, do Novo CPC:

Em relação a tais sanções aplicadas• pelos juízes, cabe.nos, ainda que de maneira superficial, tecer alguns comentários, especialmente porque há controvérsias acerca da natureza jurídica dessas punições. Há quem entenda que são sanções disciplinares, resquícios de uma época em que cabia ao Judiciário a disciplina dos advogados (fase anterior à criação da OAB pelo Decreto n° 19.408/30); outros entendem que são sanções processuais, pois os magistrados têm

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&nom AFCAMOR 1 10 EY Ema -

EIX:43

oemÉtical

poder de polícia, e também porque o artigo 6° do EAOAB diz que não hierarquia nem subordinação entre advogados, juízes e membros do Ministério Público. Comungamos desse entendimento, apenas complementando que essas sanções não podem chegar ao ponto de cercear o direito de defesa. Por fim, há os que entendem que os dispositivos citados do CPC estão todos revogados, uma vez que o artigo 44, II, do Estatuto, diz que compete à OAB com exclusividade disciplinar os seus inscritos.

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1. (FGV — XIX Exame de -Ordem) O advogado Carlos dirigiu- se a uma Delegacia de Polícia para tentar obter cópia de autos de inquérito no âmbito do qual seu cliente havia sido intimado para prestar esclarecimentos. No entantO, a vista dos autos foi negada pela autoridade policial, ao fundamento de que os autos estavam sob segredo de Justiça. Mesmo após Carlos ter apresentado procuração de seu cliente, afirmou o Delegado que, uma vez que o juiz havia decretado sigilo nos autos, a vista somente seria permitida com autorização judicial.

Nos termos do Estatuto da Advocacia, é correto afirmar que

a) Carlos pode ter acesso aos autos de qualquer inquérito, mesmo sem

procuração.

b) Carlos pode ter acesso aos autos de inquéritos sob segredo de Justiça, desde que esteja munido de procuração do investigado.

c) em caso de inquérito sob segredo de Justiça, apenas o magistrado

que decretou o sigilo poderá afastar parcialmente o sigilo, autorizando o acesso aos autos pelo advogado Carlos.

d) o, segredo de Justiça de inquéritos em andamento é oponível ao

advogado Carlos, mesmo munido de procuração.

PAIO MOD.90

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10emÉtica!

10emÉtiCal

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Comentário:

Essa questão teve por base o art. 7°, XIV, do EAOAB (é direito do advogado examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio flsico ou digital) e a Súmula Vinculante 14, cujo teor é: "É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa." Perceba que na presente questão, houve decretação pelo juiz de sigilo. Como se sabe uma das características do inquérito policial é a sua sigilosidade, o que significa que qualquer do povo não pode ter acesso às suas informações. É também sabido que esta sigilosidade, em regra, não alcança o advogado, que pode ter acesso mesmo sem procuração. Acontece que, em muitas situações, o juiz pode decretar a sigilosidade em maior grau, quando há documentos sigilosos nos autos, corno, por exemplo, extrato bancário dos envolvidos, interceptação telefônica, etc. Nestes casos, para que o advogado tenha acesso, toma-se necessária ajuntada de procuração nos autos.

O § 10 do art. 7°, com a redação dada pela Lei 13.245/16, dispõe que: "nos autos sujeitos a sigilo, deve o advogado apresentar procuração para o exercício dos direitos de que trata o inciso XIV."

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EDnow AFPINJOR I

10 al Éren - axçie

2. (FGV— XVI Exame de Ordem) Isabella, advogada atuante na área pública, é procurada por cliente que deseja contratá-la e que informa a existência de processo já terminado, no qual foram debatidos fatos que poderiam interessar à nova causa. Antes de realizar o contrato de prestação de serviços, requer vista dos autos findos, não anexando instrumento de mandato.

Nesse caso, consoante o Estatuto da Advocacia, a advogada pode

a) ter vista dos autos somente no balcão do cartório.

b) ter vista dos autos no local onde se arquivam os autos.

c) retirar os autos de cartório por dez dias.

d) retirar os autos, se anexar instrumento de mandato.

Comentário:

O art. 7°, XVI do E0AB traz como um dos direitos do advogado retirar autos de processos findos, mesmo sem procuração, pelo prazo de 10 (dez) dias.

PAULO INAawoo

61

1 OemÉtical

3. (F'GV XVI Exame de Ordem) O advogado Antônio participava

do julgamento de recurso de apelação por ele interposto. Ao proferir

seu voto, o Relator acusou o advogado Antônio de ter atuado de forma antiética e de ter tentado induzir os julgadores a erro. Em seguida, com o objetivo de se defender das acusações que lhe haviam sido

dirigidas, Antônio solicitou usar da palavra, pela ordem, por mais cinco minutos, pleito que veio a ser indeferido pelo Presidente do órgão julgador.

A respeito do direito de Antônio usar a palavra novamente,assinale a

afirmativa correta. a) Não é permitido o uso da palavra por advogado em julgamentos de recursos de apelação.

b) É direito do advogado usar da palavra, pela ordem, mediante

intervenção sumária, para replicar acusação ou censura que lhe forem

feitas. c) É direito do advogado intervir, a qualquer tempo e por qualquer motivo, durante o julgamento de processos em que esteja constituído.

10e mÉtiCal

4. (FGV - X Exame de Ordem) Um jovem advogado inicia sua carreira em seu estado natal, angariando clientes em decorrência das suas raras habilidades de negociador. Com o curso do tempo, sua fama de bom profissional se espraia e, em razão disso, surgem convites para atuar em outros estados da federação. Ao contatar um cliente no Estado Y, distante mais de mil quilômetros do seu estado natal, é surpreendido pelas autoridades de Y, com determinação restritiva ao seu exercício profissional, por não ser advogado do local. A partir do exposto, nos termos do Estatuto da Advocacia, assinale a afirmativa correta.

a) O advogado deve restringir o exercício profissional ao local em que obteve sua inscrição.

b) O advogado deve solicitar autorização a cada processo em que

atuar fora do local de inscrição.

c) O advogado deve realizar Exame de Ordem em cada estado em que for atuar.

d) O advogado pode exercer sua profissão em todo o território

d)

O uso da palavra, pela ordem, mediante intervenção sumária,

nacional.

somente é permitido para o esclarecimento de questões fáticas.

Comentários:

Comentários:

O art. 7°, X, do EAOAB diz que é direito do advogado usar da palavra,

pela ordem, em qualquer juízo ou tribunal, mediante intervenção sumária, para esclarecer equívoco ou dúvida surgida em relação a fatos, documentos ou afirmações que influam no julgamento, bem como para replicar acusação ou censura que lhe forem feitas.

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Para o art. 7 0 , I, do EAOAB o advogado tem o direito de exercer, com liberdade, a profissão em todo o território nacional. Assim, se ele possui inscrição principal no estado A, por exemplo, ele poderá atuar ilimitadamente nesse estado, mas poderá advogar de forma limitada (até 5 causas por ano) em qualquer outro estado (art. 10 e §§ 1° ao 3° do EAOAB).

PAun MACile0

63

1 OemÉtical

10emÉtical

5. (FGV — XIII Exame de Ordem) Agnaldo é advogado na área de Direito de Empresas, tendo como uma de suas clientes a sociedade Cobradora Eficiente Ltda., que consegue realizar os seus atos de cobrança com rara eficiência. Por força de sua atividade, a sociedade é convidada a participar de reunião com a Associação dos Consumidores Unidos e envia o seu advogado para dialogar com a referida instituição.

Consoante o Estatuto da Advocacia, deve o advogado comparecer

a) à reunião com seu cliente, responsável pela empresa.

b) desacompanhado, com procuração com poderes ad juditia.

c) à reunião, com mandato outorgado com poderes especiais.

d) ao local sem a presença do cliente e sem mandato.

Ç;),)

Comentários:

Há muitos atos que o advogado pode praticar sem procuração, como, por exemplo, visitar cliente preso, tirar cópia de autos de inquérito policial etc. Com a procuração com poderes gerais, o advogado pode praticar os mais variados atos, desde que a lei não exija poderes especiais (vide Art. 105 do Novo Código de Processo Civil).

A

questão exigiu o conhecimento de uma das hipóteses de exigência

de

procuração com poderes especiais, que é ingressar livremente em

qualquer assembleia ou reunião de que participe ou possa participar o seu cliente, ou perante a qual este deva comparecer, desde que munido de poderes especiais (art. 7°, VI, d, do EAOAB).

64

Eorroa4 AFMACCP

I

10 ae Énc

- Enke

CAPÍTULO 3

Artigos 8° ao 14

CAPÍTULO III

DA INSCRIÇÃO

Para inscrição como advogado é necessário:

I - capacidade civil;

11-diploma ou certidão de graduação em direito, obtido em instituição

de

ensino oficialmente autorizada e credenciada;

III

- o título de eleitor e quitação do serviço militar, se brasileiro;

IV

- aprovação em Exame de Ordem;

V - não exercer atividade incompatível com a advocacia;

VI - idoneidade moral;

VII - prestar compromisso perante o Conselho.

§ 10 O Exame de Ordem é regulamentado em provimento do Conselho

Federal da OAB.

§ 2° O estrangeiro ou brasileiro, quando não graduado em direito no

Brasil, deve fazer prova do título de graduação, obtido em instituição estrangeira, devidamente revalidado, além de atender aos demais requisitos previstos neste artigo. § 3° A inidoneidade moral, suscitada por qualquer pessoa, deve ser declarada mediante decisão que obtenha no mínimo dois terços dos votos de todos os membros do Conselho competente, em procedimento

que segue os termos do processo disciplinar.

§ 4° Não atende ao requisito de idoneidade moral aquele que tiver

sido condenado por crime infamante, salvo reabilitação judicial.

Nu.° MACI-IPLIO

65

1 Oe mÉtica!

Para inscrição como estagiário é necessário:

I - preencher os requisitos mencionados nos incisos I, III, V, VI e VII

do art. 8 0 ;

II - ter sido admitido em estágio profissional de advocacia.

§ 10 O estágio profissional de advocacia, com duração de dois anos,

realizado nos últimos anos do curso jurídico, pode ser mantido pelas respectivas instituições de ensino superior, pelos Conselho da OAB, ou por setores, órgãos jurídicos e escritórios de advocacia credenciados pela OAB, sendo obrigatório o estudo deste Estatuto e do Código de Ética e Disciplina.

§ 20 A inscrição do estagiário é feita no Conselho Seccional em cujo território se localize seu curso jurídico.

§ 3 0 O aluno de curso jurídico, que exerça atividade incompatível

com a advocacia pode frequentar o estágio ministrado pela respectiva instituição de ensino superior, para fins de aprendizagem, vedada a inscrição na OAB.

O estágio profissional poderá ser cumprido por bacharel em

§ 4

0

Direito que queira se inscrever na Ordem.

AN) COMENTÁMOS

QUADROS DA OAB

A OAB possui dois quadros de inscritos: o quadro de

advogados e o quadro de estagiários.

A palavra "advogado" vem do latim (advocatus). Ad significa

"para junto" e vocatus quer dizer "chamado". Advocatus é aquele que é chamado para junto (para representar quem o constituir).

66

arra.> AMADOR 1

10 as Értaa - Eaçáo

QUADRO DE ADVOGADOS

1 Oe métical

Requisitos para inscrição com advogado

Os requisitos necessários para inscrição no qiisdro de advogados estão no art. 8° do Estatuto. Vejamos:

1— capacidade civil

A capacidade civil aqui referida é a capacidade civil plena, que

nos termos da legislação civil se adquire aos dezoito anos completos (art. 5° do Código Civil). Essa capacidade civil pode ser comprovada com a apresentação da carteira de identidade.

Para o preenchimento desse requisito, presume-se que a pessoa

é capaz civilmente com a simples prova de sua maioridade. Não é demais lembrar que, em algumas situações, o menor

pode ser emancipado, cessando sua incapacidade, através da colação

do art. 5 0 , parágrafo

de grau em curso de nível superior, nos termos

único, IV, do Código Civil. E, nesse caso, o curso deve ser o de Direito

e a comprovação dar-se-á com o diploma.

' II — diploma ou certidão de graduação em Direito obtida em instituição de ensino oficialmente autorizada e credenciada

O atual Estatuto possibilitou a apresentação de certidão de

graduação em Direito, na falta do diploma. Isso ocorre em razão de o diploma, em determinadas situações, demorar a ser expedido, o que impossibilita a inscrição daquele que já colou grau em Direito.

Além desse requisito expresso no inciso II do art. 8° do Estatuto, o art. 23 do Regulamento Geral condicionou o suprimento da falta do diploma à apresentação da certidão de graduação em Direito desde que acompanhada da cópia autenticada do histórico escolar. Assim, deve o candidato apresentar o diploma ou, se não o tiver, a certidão de graduação em Direito mais o histórico escolar devidamente autenticado.

PAILO MAcowco

67

10emÉtiCal

— titulo de eleitor e quitação de serviço militar, se brasileiro.

Esse requisito permaneceu no atual Estatuto. Atente-se que a redação determina que para inscrição como advogado é necessário apresentar o título de eleitor e provar a quitação do serviço militar, se brasileiro. A contrario sensu— e por razões óbvias — se brasileira for, somente deve ser apresentado o título de eleitor e, se estrangeiro, nem título de eleitor, nem quitação do serviço militar. Sobre a inscrição de estrangeiros e brasileiros graduados em outro país comentaremos mais abaixo.

IV— aprovação no Exame da Ordem

Conforme expressamente dito pelo art. 8°, § 1°, do Estatuto,

o Exame da Ordem será regulamento por provimento do Conselho Federal da OAB.

O Exame já foi regulamentado por vários provimentos: 81/96,

109/05 e 136/09. Atualmente o Exame da Ordem é regulamentado pelo Provimento 144/11.

O Exame da Ordem pode ser prestado por bacharéis em Direito,

inclusive por aqueles que exercem atividades incompatíveis com a

advocacia, a exemplo dos policiais, dos técnicos de atividade judiciária

e dos prefeitos, ficando, entretanto, impossibilitados de exercer a

atividade de advocacia enquanto estiverem incompatibilizados. Neste caso, a aprovação no Exame na Ordem tem validade por prazo indeterminado, podendo estes obter a inscrição no quadro de advogado após a desincompatibilização.

V — não exercer atividade incompatível com a advocacia

A expressão "atividade incompatível" está relacionada à

atividade profissional da pessoa. O art. 28 do EAOAB traz num rol taxativo (numeras clausus) as atividades incompatíveis. Uma pessoa que exerce atividade incompatível com a advocacia pode prestar o Exame da Ordem, mas, caso venha a ser

6B

Earroak Aawaan

1

10 Ga ÉTICA - inv.1.0

10emÉdcW

aprovada, não poderá se inscrever no quadro de advogados enquanto estiver incompatibilizada.

— idoneidade moral

O EAOAB não define o que vem a ser idoneidade moral.

Alguns autores se referem à condição do indivíduo honesto, probo ou

escrupuloso. Para Paulo Lôbo, "os parâmetros não são subjetivos, mas decorrem da aferição objetiva de standards ou topoi valorativos que se captam na comunidade profissional, no tempo e no espaço, e que contam com o máximo de consenso na consciência jurídica." Como a idoneidade moral é um requisito para a inscrição na OAB, caso venha o advogado futuramente ser considerado inidôneo moralmente sofrerá a penalidade de exclusão dos quadros da OAB, somente podendo retornar após o deferimento do pedido de reabilitação (vide art. 41 e parágrafo único do Estatuto).

A inidoneidade moral, antes ou depois da inscrição, pode ser

suscitada por qualquer pessoa, sendo declarada mediante decisão que alcance, no mínimo, 2/3 (dois terços) dos votos de todos os membros do Conselho competente, em procedimento que segue os trâmites do processo disciplinar. Alei traz uma hipótese expressa de inidoneidade moral: prática de crime infamante, salvo se já tenha sido reabilitado judicialmente (vide arts. 93 a 95 do Código Penal).

VII— prestar compromisso perante o Conselho

Esse compromisso é o juramento que dever ser feito pelo requerente por ocasião do recebimento da carteira e do cartão de advogado. Trata-se de um requisito solene e personalíssimo, portanto, indelegável. Não se pode prestar o compromisso por procuração, devendo o requerente comparecer pessoalmente.

PAULO MAO INZO

69

10emÉtica!

Esse compromisso encontra-se no art. 20 do Regulamento Geral. Note que as finalidades da OAB e o compromisso ético são passados ao advogado neste momento:

•"Prometo exercer a advocacia com dignidade e independência, observar a ética, os deveres e prerrogativas profissionais e defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado Democrático, os direitos humanos, a justiça social, a boa aplicação das leis, a rápida administração da justiça e o aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas."

Além dos requisitos arrolados no art. 8° do Estatuto, o art. 20,

§ 2°, do Regulamento Geral, trouxe mais uma exigência: não praticar conduta incompatível com a advocacia. Cabe aqui esclarecer a diferença entre atividade incompatível

e conduta incompatível. A primeira, como acima explicado, está relacionada à atividade profissional (art. 28 do EAOAB) da pessoa: atividade policial, cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente a qualquer órgão do Poder Judiciário, militares de qualquer natureza (na ativa), etc.; a segunda, refere-se à vida pessoal (social) do indivíduo, como por exemplo, a embriaguez e a toxicomania habituais, a prática reiterada de jogo de azar não autorizado por lei,

a incontinência pública e escandalosa (art. 34, parágrafo único, do

EAOAB). A respeito disso, entendemos que somente a lei (e a lei é a 8.906/94 - Estatuto da Advocacia e da OAB) pode determinar os requisitos necessários ao exercício da advocacia, pois a Constituição,

no art. 5°, XIII, ao tratar do princípio da liberdade de profissão, assim

impôs: "é livre o exercício de qualquer trabalho, oficio ou profissão,

atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer". Assim, no que pese a relevância e a obrigatoriedade do respeito

ao Regulamento Geral por todos os advogados e membros da OAB,

o RG não é lei, é ato normativo emanado pelo Conselho Federal da OAB.

70

Ecarna Anntkom

10 EM ÉTICA - 3' EDIÇÃO

10emÉtica!

Comunga do mesmo posicionamento Geronimo Theml de Macedo em Deontologia Jurídica (Coleção Tópicos de Direito, volume 12, Editora Lumen Juris, Rio de Janeiro, 2009, página 50):

"tal acréscimo trazido pelo Regulamento Geral da OAB é ilegal, pois as normas regulamentadoras devem se ater aos limites das normas regulamentadas; no nosso caso, o Regulamento Geral deve se limitar ao que dispõe o Estatuto da Advocacia e da OAB". Sobre a questão da reserva legal, Flávia Bahia Martins, em Direito Constitucional (Editora Impetus, Niterói, Rio de Janeiro, 2009), discorre sobre o assunto:

"A Constituição assegura a plena liberdade profissional, exceto quando a lei determinar a satisfação de certos requisitos, como é o caso da comprovação de três anos de atividade jurídica para quem pretender ingressar na carreira da magistratura ou do Ministério Público (art. 93, 1, e 129, sf 3°, da CF respectivamente), ou ainda, da prova exigida pela Ordem dos Advogados do Brasil para o exercício da advocacia. Ressalte-se que a restrição deve ser feita por lei (reserva de lei) e tem que ser proporcional à natureza da função a ser exercida."

De toda forma, para aqueles que se preparam para provas com questões objetivas, em especial, para o Exame da Ordem, aconselhamos que sigam o disposto no art. 20, § 2°, do Regulamento Geral, ou seja: "a conduta incompatível com a advocacia, comprovadamente imputável ao requerente, impede a inscrição no quadro de advogados".

Requisitos para inscrição como estagiário

O estágio profissional, com duração de dois anos, realizado nos últimos anos da faculdade de Direito, pode ser mantido pelas instituições de ensino superior, pelos Conselhos Seccionais da OAB ou, ainda, por setores, órgãos jurídicos e escritórios de advocacia credenciados pela OAB.

PAULO MAO-MDO

71

1 Oe mética!

A inscrição do estagiário deve ser realizada no Conselho

Seccional do estado onde se localiza o seu curso jurídico, e não naquele

que tenha seu domicílio civil, na eventualidade de serem diferentes. Podem inscrever-se o aluno de Direito (a partir dos últimos dois anos do curso jurídico) ou o bacharel em Direito que assim desejarem e preencherem os requisitos mencionados no art. 9° do Estatuto. Exige o art. 9° que o requerente preencha alguns dos requisitos do art. 8°, também do EAOAB:

a) capacidade civil;

b) título de eleitor e quitação de serviço militar, se brasileiro;

c) não exercer atividade incompatível com a advocacia;

d) idoneidade moral;

e) prestar compromisso perante o Conselho.

Além desses requisitos, o candidato deve ter sido admitido em estágio profissional de advocacia.

O acadêmico de Direito que exerce atividade incompatível

com a advocacia (policial, técnico de atividade judiciária, militar das Forças Armadas, por exemplo) pode frequentar o estágio ministrado

pela respectiva instituição de ensino para fins de aprendizagem, sendo proibida a inscrição na OAB (art. 9°, § 3°, EAOAB).

Inscrição para estrangeiros ou brasileiros graduados fora do pais

Não vigora no atual Estatuto (Lei n° 8.906/94) o princípio da reciprocidade, no qual o estrangeiro somente poderá exercer a advocacia no Brasil, se o brasileiro tiver igual tratamento no país de origem daquele estrangeiro.

O art. 8°, § 2°, do EAOAB, determina que o estrangeiro

ou o brasileiro, quando graduados em Direito fora do país, podem inscrever-se no quadro de advogados da OAB. Para isso deve ser feita a prova do título de graduação em Direito, obtido pela instituição de ensino estrangeira, devidamente revalidado, bem como preencher os

72

&nom AmopoR

10 o+ Énc

4

- EorçAo

10e Ética!

requisitos indicados nos incisos do art. 8° do Estatuto. De acordo como Provimento n° 91/2000 do Conselho Federal

da OAB é possível que o advogado estrangeiro preste tais serviços no Brasil, desde que regularmente admitido em seu país a exercer

a advocacia e após a autorização dada pelo Conselho Seccional da

OAB do estado onde for exercer sua atividade profissional. Ressalte- se que tal autorização será concedida sempre em caráter precário e

o exercício da advocacia se restringe, exclusivamente, à prática de

consultoria em direito do país de origem, sendo vedados, mesmo em conjunto com advogados ou sociedades de advogados nacionais, o exercício do procuratório judicial e a consultoria ou assessoria em direito brasileiro. Para tanto, deve se inscrever no giladro de advogados, depois de preencher as exigências do art. 8°, § 2°, do EAOAB. Existe uma exceção trazida pelo Provimento n° 129/2008:

os advogados de nacionalidade portuguesa, desde que em situação regular junto à Ordem dos Advogados Portugueses, poderão se inscrever no quadro de advogados da OAB com dispensa dos requisitos de aprovação no Exame da Ordem, de revalidação do diploma e da prestação de compromisso perante o Conselho ("juramento").

flj: A inscrição principal do advogado deve ser feita no Conselho Seccional em cujo território pretende estabelecer o seu domicilio profissional, na forma do Regulamento Geral.

§ 1° Considera-se domicílio profissional a sede principal da atividade de advocacia, prevalecendo, na dúvida, o domicílio da pessoa física do advogado.

§ 2° Além da principal, o advogado deve promover a inscrição

suplementar nos Conselhos Seccionais em cujos territórios passar a exercer habitualmente a profissão, considerando-se habitualidade a intervenção judicial que exceder de cinco causas por ano.

§ 3° No caso de mudança efetiva de domicílio profissional para outra

unidade federativa, deve o advogado requerer a transferência de sua

inscrição para o Conselho Seccional correspondente.

PAULO MACHADO

73

10emÉtical

MemÉtical

§ 4 0 O Conselho Seccional deve suspender o pedido de transferência ou de inscrição suplementar, ao verificar a existência de vício ou ilegalidade na inscrição principal, contra ela representando ao Conselho Federal.

aliei COMENTÁMOS

I TIPOS DE INSCRIÇÃO

O Estatuto prevê três tipos de inscrição para advogados

(principal, suplementar e por transferência) e um tipo para os estagiários (inscrição de estagiário).

a) Inscrição principal

Obtida a aprovação no Exame, e caso a pessoa não exerça atividade incompatível com a advocacia (art. 28 do EA0AB), a inscrição principal deve ser feita no Conselho Seccional em cujo estado pretende estabelecer seu domicílio profissional. O Estatuto da Advocacia e da OAB considera domicílio profissional a sede principal da atividade de advocacia, prevalecendo, na dúvida, o domicílio da pessoa fisica do advogado (domicílio civil). Com a inscrição principal, o advogado pode exercer livremente (ilimitadamente) a profissão no Estado-membro (ou no Distrito Federal) respectivo e, eventualmente (limitadamente), em qualquer outro Estado do país. Passando a exercer a advocacia com habitualidade na área de outro Conselho Seccional, será obrigado a fazer uma outra inscrição naquele local. Chama-se inscrição suplementar.

b) Inscrição suplementar

A inscrição suplementar é outra inscrição que deve ser feita

74

Eorrom ~Mi

10 ai Eixo. - 3° EDIÇÂo

pelo advogado quando passa a exercer a advocacia habitualmente em outro estado, diverso daquele onde tem a inscrição principal. O art. 10,

§ 2°, do Estatuto da Advocacia considera habitualidade a intervenção judicial que exceder de cinco causas por ano.

Nesse ponto, alguns aspectos devem ser evidenciados:

O primeiro é em relação à expressão "mais de cinco causas por ano", que pode dar ensejo a duas interpretações: (1) mais de cinco causas em andamento ou (2) mais de cinco causas distribuídas por ano. Adotando-se aquele entendimento, caso um advogado, que tenha inscrição principal no Conselho Seccional do Rio de Janeiro, passasse

a atuar em cinco causas em São Paulo no ano de 2009 e, no ano

seguinte, distribuísse mais uma causa, ficando agora com 6 causas em andamento, seria obrigado a fazer uma inscrição suplementar no Conselho Seccional de São Paulo. Esse é o entendimento adotado por Geronimo Theml de Macedo. Seguindo a outra interpretação, no mesmo exemplo acima citado, não haveria necessidade de o advogado providenciar a inscrição suplementar em São Paulo, uma vez que ele

teve cinco causas em 2009 e apenas uma em 2010. Neste caso, ele somente teria de fazer a suplementar se num mesmo ano passasse

a atuar em seis ou mais causas novas, podendo, perfeitamente, ter

cinco causas em 2009 mais cinco causas em 2010, mesmo que as antigas (de 2009) não tenham se encerrado, totalizando 10 causas em andamento. Somos por esta última interpretação, principalmente porque o legislador parece ter sido bem claro quando determinou que

a habitualidade é aferida com mais de cinco causas por ano. Esse

parece ter sido também o entendimento do Conselho Federal da OAB quando decidiu no processo n° 0136/1997 (DJ 08.07.97) que "intervenção, para fins do art. 10, do Estatuto, é sempre a primeira, sendo irrelevante o acompanhamento nos anos subsequentes". É de salientar, ainda, que nos casos de procurações conjuntas ou de substabelecimento recebido com reserva de poderes, somente

serão computadas as causas em que o advogado, efetivamente, passar atuar, assinando petições, fazendo audiências, etc.

PAULO tvt.0.00

75

10emÉtica!

10emÉdcal

Outro aspecto relevante é acerca da expressão "intervenção judicial", que consta no art. 10, § 2°, do Estatuto. Desse modo, não contam para fins de habitualidade as intervenções extrajudiciais. O art. 1°, e seu § 2°, do Estatuto determinam que são atos privativos de advogado a assessoria, consultoria e direção jurídicas, bem como

o visto nos atos e contratos constitutivos de pessoas jurídicas para

registro nos órgãos competentes. Assim, o advogado que tem inscrição principal, por exemplo, no Conselho Seccional do Rio de Janeiro pode elaborar mais de cinco - e muito mais - pareceres jurídicos na Bahia, sem a necessidade de fa7fr a inscrição suplementar.

Também não se deve contar o acompanhamento de cartas precatórias em outro estado. A carta precatória é um ato processual de comunicação, não exigindo do advogado inscrição suplementar no Conselho Seccional, mesmo sendo superior a cinco. A respeito, já se manifestou o Conselho Federal da OAB na mesma consulta supracitada (processo n° 0136/1997, DJ 08.07.97): "A defesa em processos administrativos, em inquéritos policiais, o visto em contratos constitutivos de pessoas jurídicas, a impetração de habeas corpus e o simples cumprimento de cartas precatórias não constituem intervenção judicial para os efeitos do art. 10, § 2°." Em relação aos recursos para tribunais localizados fora do Estado, Paulo LU°, em "Comentários ao Estatuto da Advocacia e da OAB (página 110), diz que "não se entende, evidentemente, no

sentido de causa os recursos decorrentes e processados em tribunais localizados fora do território da sede principal". E completa o assunto:

"A instalação ou participação em escritórios de advocacia ou vínculo permanente a setor jurídico de empresa ou entidade pública fazem presumir a habitualidade da profissão, deixando de ser eventual". Na primeira parte, é o caso dos recursos para o STJ, STF, TST, TSE, STM ou TRF, quando sediados fora do local de inscrição do advogado, não

se exigindo outra inscrição.

c) Inscrição por transferência

A inscrição por transferência deve ser feita pelo advogado

76

Enna. ~OCR I 10 I )4

- 3' sapo

quando houver mudança efetiva de seu domicílio profissional para outra unidade federativa. Difere-se da inscrição suplementar, porque nesta o advogado

permanece com a inscrição principal. Com a transferência da inscrição,

a principal é cancelada. Por determinação do art. 10, § 4°, do Estatuto, o Conselho

Seccional deve suspender o pedido de inscrição suplementar ou

de transferência ao verificar a existência de vício ou ilegalidade na

inscrição principal, representando contra ela ao Conselho Federal.

LICENÇA E CANCELAMENTO

T112Cancela-se a inscrição do profissional que:

I - assim o requerer; - sofrer penalidade de exclusão;

ILI

- falecer;

IV

- passar a exercer, em caráter definitivo. atividade incompatível

com a advocacia;

V - perder qualquer um dos requisitos necessários para inscrição.

§ 1° Ocorrendo uma cias hipóteses dos incisos II, III e IV, o cancelamento

deve ser promovido, de oficio, pelo Conselho competente ou em virtude de comunicação por qualquer pessoa.

§ 2° Na hipótese de novo pedido de inscrição - que não restaura o

número da inscrição anterior - deve o interessado fazer prova dos requisitos dos incisos I, V, VI e VII do art. 8°.

§ 3° Na hipótese do inciso II deste artigo, o novo pedido de inscrição também deve ser acompanhado de provas de reabilitação.

ritkiR2).' Licencia-se o profissional que:

I - assim requerer, por motivo justificado;

II - passar a exercer, em caráter temporário atividade incompatível

com o exercício da advocacia;

III - sofrer doença mental considerada curável.

Pm.no lvtrowo

77

10emÉtica!

10emÉtical

O documento de identidade profissional, na forma prevista no Regulamento Geral, é de uso obrigatório no exercício da atividade de advogado ou de estagiário e constitui prova de identidade civil para todos os fins legais.

É obrigatória a indicação do nome e do número de inscrição em todos os documentos assinados pelo advogado, no exercício de sua atividade.

Parágrafo único. É vedado anunciar ou divulgar qualquer atividnde relacionada com o exercício da advocacia ou o uso da expressão "escritório de advocacia", sem indicação expressa do nome e do número de inscrição dos advogados que o integrem ou número de registro da sociedade de advogados na OAB.

I LICENÇA E CANCELAMENTO DA INSCRIÇÃO

A licença e o cancelamento, por razões óbvias, são institutos

que ocorrem após a inscrição nos quadros da OAB. O Estatuto trata do assunto nos artigos 11 e 12.

Licença

A licença significa o afastamento do advogado do exercício

profissional, quando ocorrer qualquer uma das hipóteses do art. 12 do Estatuto. Durante o prazo do licenciamento, caso o advogado pratique qualquer ato de advocacia, o ato será nulo (art. 4° e parágrafo único, EAOAB).

Na licença, não será cobrada anuidade e o profissional não precisará votar (nem justificar porque não votou), caso haja eleição na OAB no período correspondente. Com a licença, o número de inscrição será mantido quando do seu retorno à atividade.

78

EDIMAA ~CP

1

1 Oem ÉTICA 3. Enos°

Será licenciado o advogado que:

a) assim o requerer por motivo justificado.

De um modo geral, os advogados preferem a licença ao cancelamento. Urna, porque o número continua o mesmo; outra, porque para retomar é mais fácil e mais rápido. No cancelamento, deverá ser feito um novo requerimento, aguardar a confecção de nova carteira e o número de inscrição passa a ser outro, tendo, ainda, que prestar novo juramento. Para licenciar-se, o requerimento deve vir acompanhado de um motivo justificado, que será analisado pela OAB (viagem ao exterior para fazer um curso de extensão em Direito e doença grave, por exemplo). Caso não haja comprovação de justo motivo, a inscrição poderá ser cancelada por simples solicitação do advogado.

b) passar a exercer atividade incompatível com a advocacia

em caráter temporário.

As atividades incompatíveis estão arroladas no art. 28 do Estatuto, sendo algumas delas em caráter permanente, outras em caráter temporário. É temporária, por exemplo, a atividade de Chefe do Poder Executivo. Assim, o advogado que for eleito Presidente da República, Governador ou Prefeito ficará licenciado, ficando, portanto, impossibilitado de exercer a advocacia durante o período do mandato.

c) sofrer doença mental considerada curável.

Não há no Estatuto um rol de quais as doenças mentais se enquadram nessa hipótese, devendo a expressão ser remetida à área médica. Para o nosso estudo, enquanto durar a enfermidade mental curável, o advogado ficará licenciado.

PaioMAC.ADO

79

I OemÉtica!

Cancelamento

O cancelamento, por sua vez, enseja a saída do advogado

dos quadros da OAB. Em outras palavras, ele passa a não mais ser advogado. Caso o advogado faça um novo pedido de inscrição deve fazer prova dos requisitos dos incisos I, V, VI e VII do art. 8° do Estatuto, que são, respectivamente: capacidade civil; não exercer atividade incompatível com a advocacia; idoneidade moral e prestar compromisso perante o Conselho, não precisando prestar novo Exame da Ordem. O número antigo não será restaurado, ficando para dados históricos da OAB.

A inscrição será cancelada se advogado:

a) assim requerer;

ioemÉtica!

d) passar a exercer atividade incompatível com a advocacia

em caráter definitivo.

As atividades incompatíveis encontram-se no art. 28 do EAOAB, sendo algumas delas em caráter permanente, outras em caráter temporário. São de natureza definitiva, por exemplo, as atividades de membro do Poder Judiciário e de membro do Ministério Público. Assim, o advogado que for aprovado em concurso público de provas e títulos para a magistratura deverá cancelar sua inscrição na

OAB. Esclareça-se que, embora o juiz possa voltar ao exercício da advocacia após sua aposentadoria ou exoneração, respeitado o prazo de três anos para o juízo ou tribunal do qual se afastou (art. 95, parágrafo único, V, da Constituição Federal), a atividade aqui referida tem natureza permanente, ensejando o cancelamento, diferentemente dos mandados eletivos, dos cargos em comissão e dos cargos exoneráveis

ad nutum.

Diferentemente do que ocorre no requerimento de licença, no pedido de cancelamento não há de ser apresentado um motivo

e)

perder qualquer um dos requisitos necessários para a

justificado.

inscrição.

b) sofrer penalidade de exclusão;

A exclusão é a sanção disciplinar mais grave aplicada pela

OAB. Com a exclusão, ocorrerá, automaticamente, o cancelamento da inscrição. Um novo pedido de inscrição deve vir acompanhado de provas de reabilitação (art. 41 e parágrafo único do EAOAB).

c) falecer;

Em caso de falecimento do advogado, o cancelamento será promovido ex officio pelo Conselho competente ou por meio de comunicação por qualquer pessoa.

80

Enna. kidglai

10 EM Érc.4

Tais requisitos são aqueles do art. 8° do Estatuto. Se o interessado precisa preenchê-los para fazer a inscrição, urna vez perdido qualquer deles, deverá a mesma ser cancelada.

NuLo Mav.Da

BI

ioemÉtica!

TOES COMENTA

1. (FGV — XIX Exame de Ordem) Victor nasceu no Estado do Rio de Janeiro e formou-se em Direito no Estado de São Paulo. Posteriormente, passou a residir, e pretende atuar profissionalmente como advogado, em Fortaleza, Ceará. Porém, em razão de seus contatos no Rio de Janeiro, foi convidado a intervir também em feitos judiciais em favor de clientes nesse Estado, cabendo-lhe patrocinar seis causas no ano de 2015.

Diante do exposto, assinale a opção correta.

a) A inscrição principal de Victor deve ser realizada no Conselho

Seccional de São Paulo, já que a inscrição principal do advogado é feita no Conselho Seccional em cujo território se localize seu curso

jurídico. Além da principal, Victor terá a faculdade de promover sua inscrição suplementar nos Conselhos Seccionais do Ceará e do Rio de Janeiro, onde pretende exercer a profissão.

b) A inscrição principal de Victor deve ser realizada no Conselho

Seccional do Rio de Janeiro, pois o Estatuto da OAB determina que esta seja promovida no Conselho Seccional em cujo território o advogado exercer intervenção judicial que exceda três causas por ano. Além da principal, Victor poderá promover sua inscrição suplementar nos Conselhos Seccionais do Ceará e de São Paulo.

c) A inscrição principal de Victor deve ser realizada no Conselho Seccional do Ceará. Isso porque a inscrição principal do advogado deve ser feita no Conselho Seccional em cujo território pretende estabelecer o seu domicilio profissional. A promoção de inscrição suplementar no Conselho Seccional do Rio de Janeiro será facultativa, pois as intervenções judiciais pontuais, como as causas em que Victor atuará, não configuram habitualidade no exercício da profissão.

82

Erra

Annum i 10 ed ÉTICA - 3' EaçÃo

Nt.

d) A inscrição principal de Victor deve ser realizada no Conselho Seccional do Ceará. Afinal, a inscrição principal do advogado deve ser feita no Conselho Seccional em cujo território ele pretende estabelecer o seu domicilio profissional. Além da principal, Victor deverá promover a inscrição suplementar no Conselho Seccional do Rio de Janeiro, já que esta é exigida diante de intervenção judicial que exceda cinco causas por ano.

10emÉtica!

Comentários:

Nos termos do art. 10 do EAOAB, a inscrição principal deve ser feita no Conselho Seccional onde o advogado for estabelecer seu domicílio profissional, ou seja, onde exercerá a advocacia com habitualidade. Na dúvida, deve prevalecer o domicílio da pessoa fisica.

Passando a exercer a advocacia com habitualidade também em outro estado (mais de 5 causas por ano), deverá providenciar sua inscrição suplementar, nos termos do art. 10, §2°, do EAOAB.

PAULO MAnano

-

83

10emÉtical

1 OemÉtical

2. (FGV - IX Exame de Ordem) Sávio, aluno regularmente matriculado em Escola de Direito, obtém a sua graduação e, logo

a seguir, aprovação no Exame de Ordem. Por força de movimento

grevista na sua instituição, o diploma não pode ser expedido. A respeito da inscrição no quadro de advogados, consoante as normas do Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, assinale

a afirmativa correta.

a) O diploma é essencial para a inscrição nos quadros da Ordem dos

Advogados.

b) O bacharel, diante do impedimento de apresentar o diploma, deve

apresentar declaração de autoridade certificando a conclusão do curso.

c) A Ordem, diante do movimento grevista comprovado, poderá

acolher declaração de próprio punho do requerente afirmando ter obtido grau.

d) O bacharel em Direito deve apresentar certidão de conclusão de

curso e histórico escolar autenticado.

Ç-R,)

Comentários:

Embora o art. 8 0 , II, do EAOAB determine que, para inscrição como advogado, deverá o candidato apresentar diploma ou certidão de graduação em direito, obtido em instituição de ensino oficialmente autorizada e credenciada, o art. 23 do RG exige também, na falta de diploma regularmente registrado. a certidão de graduação em direito, acompanhada de cópia autenticada do respectivo histórico escolar.

84

Eorrop. Anst~ I 10 EA, NOA -

meçÂo

3. (FGV -IX Exame de Ordem - Ipatinga) João, após aprovação em Exame de Ordem, apresenta os documentos exigidos para inscrição nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil. Após sua regular inscrição, a instituição universitária que João informou ter cursado, comunicou à OAB que não havia, nos seus registros, qualquer referência a ele. Em razão disso, foi instaurado processo administrativo para apurar se o advogado havia efetivamente colado grau. Após o devido processo legal, ficou confirmado que João, efetivamente, não lograra êxito no curso de Direito. Diante dessa narrativa, à luz da legislação aplicável aos advogados, assinale a afirmativa correta.

a) O advogado será apenado com a suspensão do exercício das

atividades até apresentar certidão de colação de grau.

b) O advogado será advertido e não poderá exercer a profissão até

regularizar sua situação. e) O advogado terá cancelada sua inscrição na Ordem dos Advogados

do Brasil.

d) O advogado não será apenado porque o curso do tempo convalidou

os seus atos sendo considerado rábula.

Comentários:

O fato de o advogado João ter feito uma falsa prova de um dos

requisitos necessários para a inscrição na OAB, que foi o diploma, dá ensejo à punição de exclusão (art. 38, I, do EAOAB, com o consequente cancelamento da sua inscrição (art. 11, II, do EAOAB).

PAULO MACMCO

'15223~

85

10emÉtical

10emÉticd

4. (FGV -IX Exame de Ordem - Ipatinga) Mareio, advogado com inscrição regular, passou a exercer atividade incompatível com a advocacia e, por força disso, teve sua inscrição cancelada. Após sua aposentadoria no cargo que gerava a incompatibilidade requereu o seu retomo aos quadros da OAB. Assinale a alternativa que indica o requisito exigido pelo Estatuto para a inscrição nesse caso.

a) Diploma de graduação em Direito.

b) Certificado de reservista.

c) Compromisso perante o Conselho.

d) Título de eleitor.

Comentários:

Se o advogado já foi inscrito na OAB, mas teve que cancelar sua inscrição para exercer atividade incompatível com a advocacia em caráter definitivo, quando deixar de exercer tal cargo e quiser se inscrever novamente, terá que ser pedida uma nova inscrição. A inscrição antiga não se restaura. Para isso terá que prestar um novo compromisso (juramento), eis que está passando a integrar novamente os quadros da OAB. Os demais documentos indicados nas alternativas já estão na OAB, desde sua primeira inscrição.

86

5. (FGV - VI Exame de Ordem - Duque de Caxias) O Bacharel em Direito, após aprovação no Exame de Ordem, deve apresentar cópia do diploma. Caso ele não tenha sido expedido, segundo as normas do Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB,

a) ocorrerá a inscrição provisória como advogado.

b) não poderá ocorrer a inscrição até expedido o diploma.

c) pode apresentar certidão de conclusão com histórico escolar.

d) deve obter permissão especial do Conselho Seccional.

Comentários:

Por determinação do art. 23 do RG, o requerente à inscrição no quadro de advogados, na falta de diploma regularmente registrado, apresenta certidão de graduação em direito, acompanhada de cópia autenticada do respectivo histórico escolar.

PAULO Manvno

87

1 OemÉtica!

CAPÍTULO 4

Artigos 15 ao 17

CAPÍTULO IV DA SOCIEDADE DE ADVOGADOS

Nr-051 Os advogados podem reunir-se em sociedade simples de prestação de serviços de advocacia ou constituir sociedade unipessoal de advocacia, na forma disciplinada nesta Lei e no regulamento geral."

§ 1° A sociedade de advogados e a sociedade unipessoal de advocacia adquirem personalid2de jurídica com o registro aprovado dos seus atos constitutivos no Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial tiver sede.'6

§ 2° Aplica-se à sociedade de advogados e à sociedade unipessoal de advocacia o Código de Ética e Disciplina, no que couber.'7

§ 3° As procurações devem ser outorgad2q individualmente aos advogados e indicar a sociedade de que façam parte.

§ 4° Nenhum advogado pode integrar mais de uma sociedade de

advogados, constituir mais de uma sociedade unipessoal de advocacia,

ou integrar, simultaneamente, uma sociedade de advogados e uma sociedade unipessoal de advocacia, com sede ou filial na mesma área territorial do respectivo Conselho Seccional."

15 Redação alterada pela Lei 13.247/16.

16 Redação alterada pela Lei 13.247/16.

17 Redação alterada pela Lei 13.247/16.

18 Redação alterada pela Lei 13.247/16.

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113emÉtica!

§ 5° O ato de constituição de filial deve ser averbado no registro da

sociedade e arquivado no Conselho Seccional onde se instalar, ficando os sócios, inclusive o titular da sociedade unipessoal de advocacia, obrigados à inscrição suplementar."

§ 6° - Os advogados sócios de uma mesma sociedade profissional não

podem representar em juízo clientes de interesses opostos.

§ 7°A sociedade unipessoal de advocacia pode resultar da concentração por um advogado das quotas de uma sociedade de advogados, independentemente das razões que motivaram tal concentração."

Não são admitidas a registro nem podem funcionar todas as espécies de sociedades de advogados que apresentem forma ou características de sociedade empresária, que adotem denominação de fantasia, que realizem atividades estranhas à advocacia, que incluam como sócio ou titular de sociedade unipessoal de advocacia pessoa não inscrita como advogado ou totalmente proibida de advogar.21

§ 1° A razão social deve ter, obrigatoriamente, o nome de, pelo menos, um advogado responsável pela sociedade, podendo permanecer o de

sócio falecido, desde que prevista tal possibilidade no ato constitutivo.

§ 2° O licenciamento do sócio para exercer atividade incompatível

com a advocacia em caráter temporário deve ser averbado no registro da sociedade, não alterando sua constituição

§ 3° É proibido o registro, nos cartórios de registro civil de pessoas

jurídicas e nas juntas comerciais, de sociedade que inclua, entre outras finalidades, a atividade de advocacia.

§ 4° A denominação da sociedade unipessoal de advocacia deve ser

obrigatoriamente formada pelo nome do seu titular, completo ou parcial, com a expressão Sociedade Individual de Advocacia."

19

Redação alterada pela Lei 13.247/16.

20

Este § 7° foi acrescentado pela Lei 13.247/16.

21

Redação alterada pela Lei 13.247/16.

22

Este § 4° foi acrescentado pela Lei 13.247/16.

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:12:e Além da sociedade, o sócio e ,o titular da sociedade individual de advocacia respondem subsidiária e ilimitadamente pelos danos causados aos clientes por ação ou omissão no exercício da advocacia, sem prejuízo da responsabilidade disciplinar em que possam incorrer."

41 1j COMENTÁRIOS

I SOCIEDADE DE ADVOGADOS

Quando um advogado começa a assumir uma quantidade maior de causas, surge a necessidade de se unir a outro ou a outros advogados, para juntos dividirem as tarefas (e, até mesmo, as despesas) e, ao final, ratearem os ganhos obtidos. Não raro, audiências são marcadas para o mesmo dia, em juízos, em comarcas, em estados diferentes. Para o auxílio recíproco, os advogados constituem uma sociedade de advogados. O tema está disciplinado nos arts. 15 ao 17 do Estatuto da Advocacia e da OAB (que foram alterados pela Lei 13.247/16), nos arts. 37 ao 43 do Regulamento Geral e no Provimento n° 112/06 do Conselho Federal da OAB.

Natureza jurídica

De acordo com o texto original do art. 15 do Estatuto da Advocacia e da OAB, os advogados poderiam se reunir em sociedade civil de prestação de serviços de advocacia. Por essa redação, poderíamos dizer que a natureza jurídica de uma sociedade de advogados é uma sociedade civil. Acontece que o EAOAB é uma lei de 1994 (Lei n° 8.906/94), quando ainda vigorava o Código Civil de 1916, que, por sua vez, classificava as sociedades

23 Redação alterada pela Lei 13.247/16.

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10emÉtica!

em civis e mercantis. Com o advento do novo Código Civil (2002),

a classificação passou a ser em sociedades simples e sociedades

empresarias, razão pela qual, atualmente, sua natureza jurídica é de sociedade simples. Porém, apenas com o advento da Lei 13.247/16

é que o mencionado art. 15 foi alterado, constando agora, que os

advogados podem reunir-se em sociedade simples de prestação de serviços de advocacia. Acrescente-se que mais uma novidade veio com essa alteração da Lei 8.906/94. A partir de então os advogados também podem constituir uma sociedade unipessoal de advocacia, como se percebe na redação abaixo destacada:

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Sem a intenção de nos aprofundarmos no tema, há quem entenda que a sociedade de advogados é uma sociedade simples sui generis, uma vez que há peculiaridades trazidas pela Lei n° 8.906/94 que a toma diferente das demais sociedades simples do Código Civil. Essas características serão abordadas logo abaixo.

Personalidade jurídica

Para qualquer sociedade adquirir personalidade jurídica, há de ser feito o registro de seus atos constitutivos em um órgão competente. Em relação à sociedade de advogados, esta adquire personalidade jurídica com o registro aprovado dos seus atos constitutivos no Conselho Seccional da OAB, em cuja base territorial tiver sede, seja esta uma sociedade simples ou uma sociedade unipessoal de advocacia, sendo proibido o registro nos cartórios de registro civil de pessoas jurídicas e nas juntas comerciais.

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EUTORA ARMADO.

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10emÉtical

Prevê o Estatuto que não são admitidas a registro, e nem podem funcionar, as sociedades simples de advogados ou sociedades unipessoais de advocacia que apresentem formas ou características mercantis, que adotem denominação fantasia, que realizem atividades estranhas à advocacia, que incluam sócios não inscritos no quadro de advogados da OAB ou que estejam totalmente proibidos de advogar.

Denominação

No contrato social, que será registrado no Conselho Seccional da OAB, deve constar a denominação (razão social) da sociedade. No entanto, existem regras a serem seguidas para que o registro seja aprovado. Conforme dito, não se admite o uso do nome fantasia (por exemplo, "Justa Causa, advogados". Tampouco se permite a utilização

do nome de algum advogado renomado já falecido ("Escritório de Advocacia Rui Barbosa" ou "Evandro Lins e Silva, advogados associados"). Quando se tratar de uma sociedade simples de advocacia,

a denominação adequada deve trazer o nome de, pelo menos, um advogado responsável pela sociedade, acompanhado de uma expressão que indique a finalidade do escritório. Assim, se três advogados — Pedro Meira Júnior, Ana Cristina Secioso de Sá Pereira e Carlos Henrique Afonso Dias — resolvem constituir uma sociedade simples de advogados, poderão ser colocadas, entre outras, as seguintes denominações: "Meira e advogados"; "Ana Cristina Secioso de Sá Pereira, advocacia"; "Escritório de Advocacia Carlos Dias"; "Escritório Jurídico Meira, Secioso e Dias". Não importa se a expressão indicadora da finalidade vem antes ou depois do nome do advogado. O Regulamento Geral permite o uso do nome abreviado do

advogado, o que não significa que serão utilizadas siglas com as iniciais de cada parte do seu nome completo. Apenas para melhor ilustração,

o nome completo de uma pessoa é formado por um prenome mais

um sobrenome, podendo, ainda, ter um agnome. O prenome pode ser

NULO Abairro

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F".

1 OemÉtical

simples (p. ex., Pedro, Fabiana, Rafael) ou composto (Pedro Henrique Tiago, Ana Cristina), do mesmo modo que pode ser o sobrenome (Vidal, sobrenome simples; Meira Matos, sobrenome composto). O agnome só deve constar quando houver nomes iguais na mesma família, justamente, para que possa ser feita a distinção: Júnior, Neto, Sobrinho, Filho. Então, quando o Regulamento Geral disse "nome abreviado", quis dizer, qualquer parte do nome. Por autorização do Provimento n° 112/06, pode ser utilizado

o símbolo "&" na denominação da sociedade de advogados (Meira & Dias, Sociedade de Advogados — por exemplo). Quando vigorava o Código Civil de 1916, era possível constar

a abreviatura "S.C.", de sociedade civil no final da denominação (p. ex., Escritório de Advocacia Pedro Meira S.C.), mas, pelo fato de o novo Código Civil não mais adotar esta classificação, hoje, não se pode utilizá-la. Advirta-se que sempre foi proibida, por motivo óbvio,

a adoção das expressões "Ltda", "Cia", "S/A" e "ME". Em caso de falecimento de um dos sócios, cujo nome é utilizado na denominação da sociedade simples de advogados, o Estatuto determina que a permanência do nome é condicionada à previsão no contrato social (art. 16, §1°, in fine). Quando houver licenciamento de um sócio para o exercício de atividade incompatível com a advocacia em caráter temporário, deverá tal fato ser averbado no registro da sociedade, não alterando sua constituição. Por outro turno, caso o advogado passe a exercer atividade incompatível em caráter definitivo, gerando o cancelamento da inscrição, será obrigatória a alteração contratual para que seja retirado o nome daquele sócio. Lembre-se de que a raAo social deve ter o nome de pelo menos um advogado da sociedade. Neste caso, ele não será mais advogado em virtude do cancelamento da inscrição. Em relação à grande novidade trazida pela Lei 13.247/16, quando se tratar de sociedade unipessoal de advocacia, a sua denominação deve ser obrigatoriamente formada pelo nome do seu titular, completo ou parcial, com a expressão "Sociedade Individual de Advocacia", como por exemplo, "Ana Cristina, sociedade individual de advocacia" ou "Ana Cristina Secioso de Sá Pereira, sociedade

94

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1 OemÉtical

individual de advocacia" (conforme art. 16, §4°, do EAOAB).

Outras considerações

Os mandamentos do Código de Ética e Disciplina são aplicados

às sociedades simples de advogados ou às sociedades unipessoais de

advocacia, no que couber.

A sociedade unipessoal de advocacia pode resultar da

concentração por um advogado das quotas de uma sociedade de

advogados, independentemente das razões que motivaram tal

concentração. Nenhum advogado pode integrar mais de uma sociedade de advogados, constituir mais de uma sociedade unipessoal de advocacia, ou integrar, simultaneamente, uma sociedade de advogados e uma sociedade unipessoal de advocacia, com sede ou filial na mesma área territorial do respectivo Conselho Seccional. Dessa forma, se um advogado já é sócio de um escritório de advocacia no Estado do Rio de Janeiro, não poderá integrar, como sócio, nenhuma outra sociedade simples de advogados nem constituir uma sociedade unipessoal de advogados neste Estado. Poderá, todavia, ser sócio de outra sociedade de advogados (simples ou unipessoal) no Estado de Minas Gerais, por exemplo.

Já na hipótese de constituição de filial em outro estado, o ato de

constituição deve ser averbado no registro da sociedade e arquivado no Conselho Seccional onde se fixar, ficando os sócios obrigados à inscrição suplementar. Essa obrigação também é exigida para o titular da sociedade unipessoal de advocacia (art. 15, § 5°, do EAOAB). Os sócios de uma mesma sociedade simples de advogados não -podem representar em juízo clientes com interesses opostos. As procurações passadas aos advogados devem ser outorgadas individualmente aos profissionais, mencionando a sociedade de que façam parte. As atividades de advocacia são exercidas pelos próprios advogados, ainda que os honorários se revertam à sociedade. No

entanto, podem ser praticados pela sociedade, com o uso da razão social, os atos indispensáveis às suas finalidades, que não sejam

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1 OemÉtical

privativos de advogado. A sociedade simples de advogados pode contemplar qualquer tipo de administração social, sendo permitida a existência de sócios gerentes, com indicação dos poderes atribuídos (art. 41 do Regulamento Geral). Por fim, no que diz respeito à responsabilidade civil, os advogados sócios, o titular da sociedade individual de advocacia e os advogados associados respondem subsidiária e ilimitadamente pelos danos causados diretamente ao cliente, por dolo ou culpa, por ação ou omissão, no exercício da advocacia, sem prejuízo da responsabilidade disciplinar e penal em que possam incorrer (art. 17 do EAOAB, com a redação dada pela Lei 13.247/16, combinado com o art. 40 do Regulamento Geral).

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1. (FGV - Exame de Ordem 2010.2) Michel, Philippe e Lígia, bacharéis em Direito recém-formados e colegas de bancos universitários, comprometem-se a empreender a atividade advocatícia de forma conjunta logo após a aprovação no Exame de

Ordem. Para gáudio dos bacharéis, todos são aprovados no certame

e obtém sua inscrição no Quadro de Advogados da OAB. Assim,

alugam sala compatível em local próximo ao prédio do Fórum do município onde pretendem exercer sua nobre função. De início, as causas são individuais, por indicação de amigos e parentes. Logo, no entanto, diante do sucesso profissional alcançado, são contactados por sociedades empresárias ansiosas pela prestação de serviços profissionais advocatícios de qualidade. Uma exigência, no entanto,

é realizada: a prestação deve ocorrer por meio de sociedade de advogados.

No concernente ao tema, à luz clAs normas aplicáveis

a) a sociedade de advogados é de natureza empresarial.

b) os advogados sócios da sociedade de advogados respondem

limitadamente por danos causados aos clientes.

c) o registro da sociedade de advogados é realizado no Conselho

Seccional da OAB onde a mesma mantiver sede.

d) não é possível associação com advogados, sem vínculo de emprego,

para participação nos resultados.

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Comentários:

A letra A está errada, porque a natureza jurídica de uma sociedade de

advogados é uma sociedade simples.

A letra B está errada, porque a responsabilidade é ILIMITADA e não

LIMITADA (art. 17 do EAOAB).

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97

10emÉtica!

10emÉticall

A letra D está errada; porque o art. 39 do Regulamento Geral permite

tal forma de advocacia. É o advogado associado.

A letra C é a correta, nos termos do art. 15, § 1°, do EAOAB.

2. (FGV -IV Exame de Ordem) Os advogados Pedro e João desejam estabelecer sociedade de advogados com o fito de regularizar o controle dos seus fluxos de honorários e otimizar despesas. Estabelecem contrato e requerem o seu registro no órgão competente. À luz da legislação aplicável aos advogados, é correto afirmar que

a) é possível a participação de advogados em sociedades sediadas em

áreas territoriais de seccionais diversas.

b) o Código de Ética não se aplica individualmente aos profissionais

que compõem sociedade de advogados.

e) podem existir sociedades mistas de advogados e contadores.

d) a procuração é sempre coletiva quando atuante sociedade de advogados.

Comentários:

O tema "sociedade de advogados" é tratado nos arts. 15 ao 17 do

EAOAB e nos arts. 37 ao 43 do Regulamento Geral. Esse tipo de sociedade só pode ter advogados como sócios. Tais dispositivos determinam que há proibição para que o advogado seja sócio em mais de um escritório no mesmo estado. Assim, se forem em estados diferentes, não há problema.

As procurações devem ser outorgadas individualmente aos advogados (e não coletivamente) e indicar a sociedade de que façam parte.

O Código de Ética se aplica aos advogados e à sociedade, no que

couber (art. 15, § 2°, EAOAB).

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3. (FGV - VI Exame de Ordem - Duque de Caxias) No concernente à Sociedade de Advogados, é correto afirmar, à luz do Estatuto e do Código de Ética e Disciplina da OAB, que

a) pode se organizar de forma mercantil, com registro na Junta

Comercial.

b) está vinculada às regras de ética e disciplina dos advogados.

c) seus sócios estão imunes ao controle disciplinar da OAB.

d) seus componentes podem, isoladamente, representar clientes com

interesses conflitantes.

Comentários:

Para o art. 15, § 2°, do EAOAB, aplica-se à sociedade de advogados o Código de Ética e Disciplina, no que couber.

PAULO MASUKX)

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4. (F'GV - VII Exame de Ordem) Lara é sócia de determinada sociedade de advogados com sede no Rio de Janeiro e filial em São Paulo. Foi convidada a integrar, cumulativamente e também como sócia, os quadros de outra sociedade de advogados, esta com sede em São Paulo e sem filiais. Aceitou o convite e rapidamente providenciou sua inscrição suplementar na OAB/SP, tendo em vista que passaria a exercer habitualmente a profissão nesse estado.

a) Lara agiu corretamente, pois, considerando-se que passaria a atuar

em mais do que cinco causas por ano em São Paulo, era necessário que promovesse sua inscrição suplementar nesse estado.

b) Lara não agiu corretamente, pois é vedado ao advogado integrar

mais de uma sociedade de advogados com sede ou filial na mesma área territorial do respectivo Conselho Seccional.

c) Lara não agiu corretamente, pois é vedado ao advogado integrar

mais de uma sociedade de advogados dentro do território nacional.

d) Lara agiu corretamente e sequer era necessário que promovesse

sua inscrição suplementar, pois passaria a exercer a profissão em São Paulo na qualidade de sócia e não de advogada empregada da sociedade em questão.

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Comentários:

A resposta é a literal disposição do art. 15, §4 0 , do EAOAB (Nenhum advogado pode integrar mais de uma sociedade de advogados, com sede ou filial na mesma área territorial do respectivo Conselho Seccional).

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10emétical

5. (FGV - IX Exame de Ordem) O advogado João, regularmente contratado para defender os interesses de José em Juízo, realiza a defesa regular em primeiro grau, mas não apresenta recurso de apelação contra sentença que julgou improcedente o pedido, mesmo havendo sólida fundamentação para modificar o decidido. O prejuízo causado ao cliente foi de R$ 10.000,00, parcialmente coberto por seguro realizado pela sociedade de advogados integrada por João. Consoante as regras estatutárias, os prejuízos causados ao cliente acarretam a responsabilidade pessoal do sócio advogado de forma

a) limitada à responsabilidade decorrente de contrato de seguro.

b) ilimitada, mas subsidiária em relação à sociedade.

c) limitada e principal, sendo a da sociedade subsidiária.

d) ilimitada e vinculada ao resultado do processo disciplinar

instaurado.

Comentários:

Para o art. 17 do EA0AB, além da sociedade, o sócio responde subsidiária e ilimitadamente pelos danos causados aos clientes por ação ou omissão no exercício da advocacia, sem prejuízo da responsabilidade disciplinar em que possa incorrer. Acrescente-se que o art. 40 do RG inclui o advogado associado nessa regra. Vejamos:

"Os advogados sócios e os associados respondem subsidiária e ilimitadamente pelos danos causados diretamente ao cliente, nas hipóteses de dolo ou culpa e por ação ou omissão, no exercício dos atos privativos da advocacia, sem prejuízo da responsabilidade disciplinar em que possam incorrer "

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CAPÍTULO 5

Artigos 18 ao 21

CAPÍTULO V DO ADVOGADO EMPREGADO

A relação de emprego, na qualidade de advogado, não

retira a isenção técnica nem reduz a independência profissional

inerentes à advocacia.

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Parágrafo único. O advogado empregado não está obrigado à prestação de serviços profissionais de interesse pessoal dos empregadores, fora da relação de emprego.

O salário mínimo profissional do advogado será fixado em sentença normativa, salvo se ajustado em acordo ou convenção coletiva de trabalho.

rwz-15 A jornada de trabalho do advogado empregado, no exercício da profissão, não poderá exceder a duração diária de 4 (quatro) horas contínuas e a de 20 (vinte) horas semanais, salvo acordo ou convenção coletiva ou em caso de dedicação exclusiva.

§

l° Para efeitos deste artigo, considera-se como período de trabalho

o

tempo em que o advogado estiver à disposição do empregador,

aguardando ou executando ordens, no seu escritório ou em atividades externas, sendo-lhe reembolsadas as despesas feitas com transporte,

Palio MAOIADO

103

MemÉtica!

hospedagem e alimentação.

§ 2° As horas trabalhadas que excederem a jornada normal são

remuneradas por um adicional não inferior a 100% (cem por cento) sobre o valor da hora normal, mesmo havendo contrato escrito.

§ 3° As horas trabalhadas no período das 20 (vinte) horas de um dia

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até as 5 (cinco) horas do dia seguinte são remuneradas como noturnas, acrescidas do adicional de 25 % (vinte e cinco por cento).

Nas causas em que for parte o empregador, ou pessoa

por este representada, os honorários de sucumbência são devidos aos advogados empregados.

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Parágrafo único. Os honorários de sucumbência, percebidos por advogado empregado de sociedade de advogados são partilhados entre ele e a empregadora, na forma estabelecida em acordo»

COMENTÁRIOS

DAS ESPÉCIES DE ADVOGADO

Profissional liberal

O advogado como profissional liberal é o tipo mais antigo das espécies de advogado. Trata-se daquele profissional que não mantém vínculo empregatício com nenhum cliente, podendo atendê-lo de forma avulsa, habitual ou permanente. Apesar de ser a forma mais antiga de se exercer a profissão, ainda é a mais comum, e a que mais se vê nos dias de hoje.

240 Supremo Tribunal Federal, na data de 14 de fevereiro de 1996, em liminar par- cialmente concedida, na Ação Direta de Inconstitucionalidade o° 1.194-4, decidiu limitar a aplicação deste artigo aos casos em que não exista disposição contratual em contrário.

104

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1NmÉtical

Atualmente, este advogado pode prestar seus serviços emitindo nota fiscal corno pessoa física ou, se assim desejar, constituir uma pessoa jurídica (sociedade unipessoal de advocacia), emitindo suas notas fiscais através desta PJ.

Advogado sócio

Quando um advogado começa a assumir uma quantidade considerável de causas, chega o momento de se unir a outro, ou a outros, advogados, constituindo, juntos, uma sociedade de advogados. Os sócios dividem as tarefas e rateiam os lucros auferidos. Esse tema é melhor explorado no capítulo que trata das sociedades de advogado, para onde remetemos o leitor.

Advogado empregado

O advogado empregado é aquele que mantém um vínculo

empregatício com uma empresa ou com uma sociedade de advogados, para a qual presta os seus serviços de advocacia. Ele preenche todos

os requisitos caracterizadores do mencionado vínculo, a saber:

habitualidade, onerosidade, pessoalidade e subordinação. Pela primeira vez, essa forma de advocacia recebeu sua tutela

legal com o advento do atual Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei n° 8.906/94) nos arts. 18 ao 21. O Regulamento Geral também tratou do assunto nos arts. 11 ao 14.

A relação de emprego não retira do advogado a isenção

técnica, nem tampouco reduz a independência profissional inerentes à advocacia. Advirta-se que advogado empregado não está obrigado a prestar serviços profissionais de interesse pessoal dos empregadores, fora da relação empregatícia.

PAULO MA64430

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10emÉtica!

Vejamos alguns aspectos importantes relacionados a esta espécie de advogado:

a) Piso salarial

O salário mínimo do advogado empregado será fixado por

sentença normativa, salvo quando ajustado em acordo ou convenção

coletiva de trabalho.

b) Jornada de trabalho e hora extra

A jornada de trabalho do advogado empregado não poderá

ultrapassar a duração diária de 4 (quatro) horas contínuas e a de 20 (vinte) horas semanais, exceto se houver acordo ou convenção coletiva de trabalho ou, ainda, em caso de dedicação exclusiva. O Estatuto considera dedicação exclusiva o regime de trabalho que for previsto expressamente em contrato individual de trabalho. As horas trabalhadas que excederem a jornada normal são remuneradas com um adicional não inferior a 100 % (cem por cento) sobre o valor da hora normal, mesmo havendo contrato escrito. Naqueles casos de dedicação exclusiva, serão remuneradas como extras as horas trabalhadas que passarem da jornada de 8 (oito) horas diárias. Considera-se como período de trabalho todo o tempo em que o advogado estiver à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens, no seu escritório ou em atividades externas, sendo- lhe reembolsados os gastos efetuados com transporte, hospedagem e alimentação.

c) Os honorários de sucumbência e o advogado empregado

O art. 21 do Estatuto e seu parágrafo único determinam que,

nas causas em que o empregador (ou pessoa por este representada) for parte, os honorários de sucumbência são devidos aos advogados empregados. Já se o advogado for empregado de sociedade de advogados, os sucurnbenciais são partilhados entre ele e a sociedade,

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como for estabelecido em acordo. Esses dispositivos, embora tenha sido objetos de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI n° 1.194- 4). foram declarados constitucionais pelo STF, que deu interpretação conforme, sem redução do texto. Os referidos honorários, por decorrerem precipuamente do exercício da advocacia e só acidentalmente da relação empregatícia, não integram o salário ou a remuneração do advogado empregado, não podendo, assim, ser considerados para efeitos trabalhistas. Os honorários sucumbenciais desses advogados constituem fundo comum, cuja destinação é decidida pelos profissionais integrantes do serviço jurídico da empresa ou por seus representantes.

Advogado associado

O advogado associado é um tipo intermediário entre o

advogado sócio e o advogado empregado. Ele não é sócio, porque não figura no contrato social da sociedade de advogados como tal. Também não é empregado, porque não mantém vínculo empregatício. Dessa forma, uma sociedade de advogados pode associar- se com advogados para participação nos resultados, sem vínculo de emprego (art. 39 do Regulamento Geral). O contrato para tal deve ser averbado no registro da sociedade, que fica no Conselho Seccional. Quanto à responsabilidade civil — da mesma maneira que os advogados sócios os advogados associados respondem subsidiária e ilimitadamente pelos danos causados diretamente ao cliente, em caso de dolo ou culpa, por ação ou omissão, no exercício dos atos privativos da advocacia. Obviamente, também são responsáveis disciplinar e criminalmente, quando infringirem o Estatuto, o Regulamento Geral, o Código de Ética e Disciplina e a legislação penal.

Advogado público

O Estatuto da Advocacia e da OAB não tratou apenas do

advogado que atua no setor privado. Conforme determinação do seu art. 3°, § 1°, exercem atividade de advocacia os integrantes da

NaLo Mawco

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10emétical

Advocacia Geral da União, da Procuradoria da Fazenda Nacional, da Defensoria Pública e das Procuradorias e Consultorias Jurídicas dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de suas respectivas entidades de administração direta ou indireta, sujeitando-se, todos esses, ao regime da Lei n°8.906/94 (EAOAB), além do regime próprio a que se subordinem. Para os advogados públicos, o Estatuto da Advocacia é a lei supletiva das leis específicas da advocacia pública, como, por exemplo, a Lei Complementar n° 80/94, para a Defensoria Pública em geral. A questão da advocacia particular pelos advogados públicos, ou seja, fora das suas atribuições institucionais, varia de acordo com a respectiva lei. Para os procuradores dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, somente é vedada a advocacia particular contra a Fazenda Pública que os remunere, a não ser que a respectiva lei estipule de modo contrário, trazendo-lhes a vedação. Para os advogados públicos federais, de um modo geral, há proibição para a advocacia fora de suas funções públicas. Um ponto muito debatido é sobre a obrigação ou não da inscrição na OAB para essa espécie de advogado. No que pese as controvérsias e discussões acerca do assunto, para o Regulamento Geral (art. 14) todos eles estão obrigados à inscrição no quadro de advogados da OAB para o exercício de suas atividades públicas, inclusive o regulamento determina que os advogados públicos são elegíveis e que podem integrar qualquer órgão da OAB, como conselheiros seccionais ou federais. Com razão, sobretudo porque os advogados públicos também estão sujeitos às infrações e sanções disciplinares aplicadas pela OAB. Caso um advogado público cometa um infração não-funcional, mas relacionada a qualquer atividade privativa da advocacia (art. 1° da Lei n° 8.906/94), e venha a ser suspenso por decisão da OAB transitada em julgado, em razão do princípio da moralidade administrativa (art. 37 da Constituição Federal), essa imposição deve repercutir na respectiva instituição. Afastado temporariamente da advocacia, haverá reflexos em suas funções, devendo ser instaurado o

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devido processo administrativo. Há quem entenda que o que aqui foi dito não tem aplicação. No entanto, seguimos a posição do Estatuto e do Regulamento Geral, a nosso ver, em harmonia com os preceitos constitucionais. Afinal, o art. 22, XVI, diz competir à União legislar sobre condições para o exercício cias profissões. E o Estatuto da Advocacia e da OAB é lei federal Acrescente-se que o Novo Código de Ética e Disciplina reservou um espaço para tratar da advocacia pública. Vejamos como ficou a redação do seu art. 8°:

"Art. 8°. As disposições deste Código obrigam igualmente os órgãos de advocacia pública, e advogados públicos, incluindo aqueles que ocupem posição de chefia e direção jurídica.

§ 1° O advogado público exercerá suas funções com

independência técnica, contribuindo para a solução ou redução de litigiosidade, sempre que possível.

§ 2° O advogado público, inclusive o que exerce cargo

de chefia ou direção jurídica, observará nas relações com os colegas, autoridades, servidores e o público em geral, o dever de urbanidade, tratando a todos com respeito e consideração, ao mesmo tempo em que preservará suas

prerrogativas e o direito de receber igual tratamento das pessoas com as quais se relacione."

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109

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11

1. (CESPE - Exame de Ordem 2010.1) Assinale a opção correta acerca da situação do advogado como empregado, de acordo com as disposições do Estatuto da Advocacia e da OAB.

a) O advogado empregado não está obrigado à prestação de serviços

profissionais de interesse pessoal, fora da relação de emprego.

b) Nas causas em que for parte empregador de direito privado, os

honorários de sucumbência serão devidos a ele, empregador, e não, aos advogados empregados.

c) Considera-se jornada de trabalho o período em que o advogado

esteja à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens

no âmbito do escritório, não sendo consideradas as horas trabalhadas em atividades externas.

d) A relação de emprego, no que se refere ao advogado, não retira

a isenção técnica inerente à advocacia, mas reduz a independência

profissional, visto que o advogado deve atuar de acordo com as orientações de seus superiores hierárquicos.

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Comentários:

A letra A está correta, porque, se o advogado tem vínculo de emprego para defender os interesses de determinada empresa, por exemplo, não cabe ao advogado atuar na defesa dos interesses do empregador, fora da sua relação empregatícia (art. 18, parágrafo único, do EAOAB).

As demais estão erradas porque:

1 - Nas causas em que for parte o empregador, ou pessoa por este representada, os honorários de sucumbência são devidos aos advogados empregados. Sá os honorários de sucumbência, percebidos por advogado empregado de sociedade de advogados são partilhados entre ele e a empregadora, na forma estabelecida em acordo (art 21

110

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10emÉtical

do- 2 CEoAn°siAB)a der-se como período de trabalho o tempo em que o advogado

estiver à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens, no seu escritório ou em atividades externas, sendo-lhe reembolsadas as despesas feitas com transporte, hospedagem e alimentação (art. 20,

§ 1°, do EAOAB).

3 - A relação de emprego, na qualidade de advogado, não retira a isenção técnica nem reduz a independência profissional inerentes à advocacia (art. 18 do EAOAB).

2. (FGV - VI Exame de Ordem) Mévio é advogado empregado de empresa de grande porte atuando como diretor jurídico e tendo vários colegas vinculados à sua direção. Instado por um dos diretores, escala um dos seus advogados• para atuar em processo judicial litigioso, no interesse de uma das filhas do referido diretor. À luz das normas estatutárias, é correto afirmar que

a) a defesa dos interesses dos familiares dos dirigentes da empresa

está ínsita na atuação profissional do advogado empregado.

b) a atuação do advogado empregado nesses casos pode ocorrer

voluntariamente, sem relação com o seu emprego.

c) a relação de emprego retira do advogado sua independência

profissional, pois deve defender os interesses do patrão.

d) em casos de dedicação exclusiva, a jornada de trabalho máxima do

advogado será de quatro horas diárias e de vinte horas semanais.

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Comentários:

O advogado empregado não está obrigado à prestação de serviços profissionais de interesse pessoal dos empregadores, fora da relação de emprego, conforme previsão do art. 18, parágrafo único, do EAOAB.

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CAPÍTULO 6

Artigos 22 ao 26

CAPÍTULO VI DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS

A prestação de serviço profissional assegura aos inscritos na OAB o direito aos honorários convencionados, aos fixados por arbitramento judicial e aos de sucumbência.

§ 1° O advogado, quando indicado para patrocinar causa de

juridicamente necessitado, no caso de impossibilidade da Defensoria Pública no local da prestação de serviço, tem direito aos honorários fixados pelo juiz, segundo tabela organizada pelo Conselho Seccional da OAB, e pagos pelo Estado.

§ 2° Na falta de estipulação ou de acordo, os honorários são fixados

por arbitramento judicial, em remuneração compatível com o trabalho

e o valor econômico da questão, não podendo ser inferiores aos

estabelecidos na tabela organizada pelo Conselho Seccional da OAB.

§ 3° Salvo estipulação em contrário, 1/3 (um terço) dos honorários

é devido no início do serviço, outro terço até a decisão de primeira

instância e o restante no final.

§ 4° Se o advogado fizer juntar aos autos o seu contrato de honorários

antes de expedir-se o mandado de levantamento ou precatório, o juiz deve determinar que lhe sejam pagos diretamente, por dedução da quantia a ser recebida pelo constituinte, salvo se este provar que já os pagou.

§ 5° O disposto neste artigo não se aplica quando se tratar de mandato

NILO MAO.n0

113

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outorgado por advogado para defesa em processo oriundo de ato ou omissão praticada no exercício da profissão.

Os honorários incluídos na condenação, por arbitramento ou sucumbência, pertencem ao advogado, tendo este direito autônomo para executar a sentença nesta parte, podendo requerer que o precatório, quando necessário, seja expedido em seu favor.

A: A decisão judicial que fixar ou arbitrar honorários

e o contrato escrito que os estipular são títulos executivos e

constituem crédito privilegiado na falência, concordata, concurso de credores, insolvência civil e liquidação extrajudicial.

§ 1° A execução dos honorários pode ser promovida nos mesmos

autos da ação em que tenha atuado o advogado, se assim lhe convier. § 20 Na hipótese de falecimento ou incapacidade civil do advogado, os honorários de sucumbência, proporcionais ao trabalho realizado,

são recebidos por seus sucessores ou representantes legais.

§ 3° É nula qualquer disposicão. cláusula_ regulamento ou convencão

individual ou coletiva que retire do advogado o direito ao recebimento

dos honorários de sucumbência."

§ 4° O acordo feito pelo cliente do advogado e a parte contrária, salvo

aquiescência do profissional, não lhe prejudica os honorários, quer os

convencionados, quer os concedidos por sentença.

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Prescreve em cinco anos a ação de cobrança de honorários de advogado, contado o prazo:

I - do vencimento do contrato, se houver;

II - do trânsito em julgado da decisão que os fixar;

III - da ultimação do serviço extrajudicial;