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DOCUMENTARISMO E ATIVISMO EM PRETO E BRANCO: ANÁLISE SEMIÓTICA

DAS FOTOGRAFIAS DE SEBASTIÃO SALGADO

Phelipe Heinzen

Departamento Acadêmico de Desenho Industrial

Universidade Tecnológica Federal do Paraná

RESUMO

Sebastião Salgado é um dos maiores fotógrafos da história e o maior ainda em atividade, tendo na fotografia seu principal artifício para tentar combater problemas sociais e ambientais e abrir os olhos do mundo para essas questões, mostrando realidades ora distantes, ora mais próximas do que imaginamos. Com uma estética visual bem característica, Salgado retrata em grande parte de seu longo trabalho situações de vulnerabilidade como miséria, exploração de mão-de-obra, doenças e conflitos, além de, em um período de sua carreira, mostrar a natureza intocada pelo homem, explorando os assuntos de forma bela e ao mesmo tempo dramática. Neste artigo, busca-se realizar uma análise semiótica da obra do fotógrafo por meio de quatro imagens, presentes nos livros Sahel: L'Homme en Détresse (1986), Workers (1993), Exodes (2000) e Genesis (2013), que são as referências desta pesquisa das mais de quatro décadas de uma vida dedicada à fotografia, tendo como objetivo verificar elementos visuais comuns nos registros do autor e de que forma este tenta transmitir sua mensagem ao público, levando-o a vivenciar e reagir às situações registradas em preto e branco.

PALAVRAS-CHAVE: Artigo. Semiótica. Fotografia.

ABSTRACT

Sebastião Salgado is one of the greatest photographers in history and the greater still in activity, taking in photography his main artifice to try to combat social and environmental problems and open the eyes of the world to these issues, showing realities now distant, now closer than we imagine. With a very characteristic visual aesthetic, Salgado portrays in large part his long work situations of vulnerability such as misery, exploitation of labor, diseases and conflicts, as too, in a period of his career, to show the nature untouched by man, exploring the subjects beautifully and at the same time dramatic. In this article, we attempt to perform a semiotic analysis of the photographer's work through four images, which are present in the books Sahel:

L'Homme en Détresse (1986), Workers (1993), Exodes (2000) and Genesis (2013), that are the references of this research of more than four decades of a life dedicated to photography, with the objective of verifying common visual elements in the author's records and how he tries to transmit his message to the public, leading him to experience and react to the recorded situations in black and white.

KEYWORDS: Article. Semiotic. Photography.

1

INTRODUÇÃO

A fotografia de Sebastião Salgado, com suas infinitas nuances que vão do preto ao branco, numa rica escala de cinza, mostra mais do que belas imagens de um dos maiores fotógrafos de todos os tempos. Mostra sua visão de mundo carregada por um forte ativismo em busca de uma sociedade mais solidária e igualitária. Documentando diferentes realidades através de suas lentes, de tribos indígenas da Ruanda a trabalhadores do sertão brasileiro, passando por locais intocados pelo homem ao redor do mundo, Salgado mostra ao público aquilo que está longe de nossos olhos, mas nem sempre distante do nosso dia a dia. Afinal, como o fotógrafo comunica imageticamente o que tem a falar? Neste artigo, serão analisadas, por meio de um olhar semiótico, aspectos visuais do trabalho de Sebastião Salgado ao longo de quatro décadas, utilizando-se de uma fotografia de cada um dos seguintes livros, que estão entre as principais obras do fotógrafo: Sahel: L'Homme en Détresse (1986), Workers (1993), Exodes (2000) e Genesis (2013).

2 UMA PEQUENA APRESENTAÇÃO DE UM GRANDE FOTÓGRAFO

Nascido em Aimorés, em Minas Gerais, no ano de 1944, Sebastião Ribeiro Salgado Filho, ou apenas por Sebastião Salgado, é, hoje, o maior fotógrafo brasileiro e um dos maiores nomes da história da fotografia mundial, título conquistado principalmente por conta de suas décadas dedicadas a fotografar a realidade humana em diferentes pontos do planeta e pelos inúmeros prêmios recebidos ao longo da carreira. Salgado, no entanto, começou relativamente tarde na fotografia:

economista por formação, foi apenas com cerca de 30 anos de idade que descobriu sua aptidão por trás das câmeras. Em uma viagem à África, mais especificamente Angola, enquanto funcionário da Organização Internacional do Café, de Londres, Sebastião Salgado tomou a iniciativa de retratar a realidade de vida local. Ao retornar à Europa, registrou os conflitos sociais da França na década de 70, assim como também viria a fotografar diversos temas sociais em outros países africanos, além de América Latina, que é cenário de grande parte de suas fotografias. Salgado ganhou ainda maior notoriedade ao entrar, em 1979, após passagens pelas agências francesas de

fotografia Sygma e Gamma, para a renomada Magnum, também do país europeu, onde desenvolveu um de seus principais trabalhos, o livro Workers (1993), e permaneceu até 1994, quando fundou a própria agência, a Amazonas Imagens. Nos projetos que se sucederam até os dias de hoje - com exceção de "Gênesis", que é composta pela documentação de populações que vivem como nosso ancestrais e de cenários pouco ou nada afetados pelo homem, preservando o ecossistema local, uma série fruto de uma profunda reflexão sobre o mundo e o modo de vida moderno -, a vulnerabilidade social, que assola grande parte da população mundial, seja por condições precárias de vida, migrações forçadas ou exploração de mão-de-obra, continuou sendo o norte de Salgado, que, embora retrate pessoas em tais situações difíceis, nunca deixou de enfatizar a honra daqueles que decidiram continuar lutando e acreditando. Grande parte do reconhecimento do fotógrafo se dá pelo caráter de fidelidade aos fatos que a fotografia tem, conforme aponta Dondis (2003):

A fotografia tem uma característica que não compartilha com nenhuma outra arte visual - a credibilidade. Embora se trate de uma crença extremamente questionável, ela dá à fotografia um enorme poder de influenciar a mente dos homens. (DONDIS, 2003, p. 216).

Embora façamos uma relação da palavra "influenciar" com "manipular", Dondis tem nessa expressão o sentido de que a fotografia impacta o receptor, o que pode ser relacionado, nas obras de Sebastião Salgado, com a forma com que ele expõe as realidades sociais da população mais carente de diferentes países, levando o público a ser impactado pelo conteúdo visual por sentimentos como compaixão, empatia e solidariedade. Isso porque um de seus objetivos é trazer esse público para aquela realidade, mostrar que "somos todos responsáveis, de certo modo, pelo que acontece na sociedade em que escolhemos viver" (apud MARIUZZO, 2014).

3 OS OBJETOS ANALISADOS

De 1973, quando iniciou seu trabalho na fotografia como freelancer, até os dias atuais, Sebastião Salgado produziu milhares de fotos que compõem livros, estampam jornais e são exibidos em galerias e exposições ao redor do mundo, além de sua atuação ter sido registrada em filmes e documentários. Nessas quatro

décadas dedicadas a retratar diferentes cenários através das lentes, Salgado conquistou mais de 60 prêmios, menções e nomeações oriundos de seus trabalhos na fotografia e enquanto ativista em prol da população mundial e do meio ambiente. Grande parte das conquistas se deve aos seus livros, entre os quais estão, com seus títulos originais, Sahel: L'Homme en Détresse (1986), um retrato dos efeitos da seca e da guerra nas tribos da região africana de Sahel, Autres Amériques (1986), que trata das tribos indígenas da América Latina, Workers (1993), que reúne 350 fotos de trabalhadores ao redor do mundo, Exodes (2000), um registro em mais de 40 países sobre a realidade de pessoas que precisaram deixar suas terras natais, The End of Polio (2003), resultado do acompanhamento de Salgado dos esforços mundiais para combater a poliomielite, Africa (2007), um retrato da pluralidade cultural africana, e Genesis (2013), que busca expor a vida de grupos que ainda vivem de forma isolada e de lugares intocados pela ação humana. Diante da impossibilidade de se analisar um acervo tão vasto, para este artigo foram selecionados quatro livros: Sahel: L'Homme en Détresse, Workers, Exodes e Genesis. Como o refinamento do objeto de estudo ainda apresenta uma grande quantidade de imagens, foram selecionadas apenas quatro fotografias, sendo uma de cada livro.

apenas quatro fotografias, sendo uma de cada livro. Figura 1 - Família na Etiópia. Fonte: Sahel:

Figura 1 - Família na Etiópia. Fonte: Sahel: L'Homme en Détresse (SALGADO, 1986)

Figura 2 - Trabalhador em conflito com capataz. Fonte: Workers (SALGADO, 1993) Figura 3 -

Figura 2 - Trabalhador em conflito com capataz. Fonte: Workers (SALGADO, 1993)

em conflito com capataz. Fonte: Workers (SALGADO, 1993) Figura 3 - Migração de um povo. Fonte:

Figura 3 - Migração de um povo. Fonte: Exodes (SALGADO, 2000)

Figura 4 - Zebras bebendo água. Fonte: Genesis (SALGADO, 2013) Os critérios para a seleção

Figura 4 - Zebras bebendo água. Fonte: Genesis (SALGADO, 2013)

Os critérios para a seleção destes materiais foram apresentar registros de cada década das obras de Salgado e trazer à análise temas distintos, possibilitando, assim, verificar quais características visuais são comuns nessas diferentes situações e como o fotógrafo as utiliza para se comunicar com o público e transmitir sua mensagem.

4 ANÁLISE SEMIÓTICA

O estudo da fotografia, em termos de semiótica, é um trabalho interessante, pois nos leva, em partes, a tentar decifrar as escolhas do fotógrafo para transmitir sua visão ao receptor e também os efeitos da imagem sobre este segundo sujeito, num processo que Boris Kossoy (2002) define como "construção da representação e construção da interpretação". Diante do assunto, cabe ao fotógrafo efetuar escolhas que, sem dúvidas, são feitas com uma intencionalidade.

Seja em função de um desejo individual de expressão de seu autor, seja de comissionamentos específicos que visam uma determinada aplicação ( ), existe sempre uma motivação interior ou exterior, pessoal ou profissional, para a criação de uma fotografia e aí reside a primeira opção do fotógrafo,

quando este seleciona o assunto em função de uma determinada finalidade/intencionalidade. (KOSSOY, 2002, p. 27).

Ou seja, diante do todo, o fotógrafo seleciona apenas uma parcela, criando uma realidade ideologizada a partir da sua intenção. A partir deste ponto, surgem as demais escolhas, como enquadramento, cor, contraste, escala e outros atributos visuais, que acabam influenciando a interpretação do receptor. Assim como as escolhas do autor acabam tendo efeito sobre a interpretação de quem visualiza a fotografia, fatores inerentes ao receptor também contribuem para que uma mesma imagem adquira diferentes significados. Embora Santaella (2005, p. 42) defenda que "é preciso lembrar que o signo tem uma autonomia relativa em relação ao seu intérprete" e que "seu poder evocativo, indicativo e significativo não depende inteiramente do intérprete", é importante observar que o significado é resultado da realidade vivida pelo sujeito, o tempo em questão e suas experiências de vida, que constituem seu repertório.

Sabemos que muito do que rege o comportamento de cada um diante das imagens - em termos de percepção, emoção, rejeição, etc., quanto a um ou

- está definitivamente vinculado ao seu

repertório particular. (KOSSOY, 2002, p. 44).

outro tema (povo, raça, país

)

Essa posição é defendida também por Dondis (2003), quando aponta a importância do receptor:

É preciso notar, porém, que na experiência direta, ou em qualquer nível da escala de expressão visual, da foto ao esboço impressionista, toda experiência visual está fortemente sujeita à interpretação individual. (DONDIS, 2003, p. 88).

Portanto, toda análise semiótica acaba sendo subjetiva e pessoal, pois é uma interpretação de quem analisa o objeto em questão, tendo o próprio repertório como meio para tal. O que difere o estudo do objeto do ato de apenas visualizá-lo é a forma como o primeiro é realizado, buscando se libertar do sentimentalismo provocado pelo contato com a expressão visual e observando o conteúdo de uma forma mais minuciosa. Isto posto, seguimos com a análise das fotografias escolhidas.

De uma forma geral, em primeiro momento, as fotografias de Sebastião Salgado chamam atenção pela falta de cores. As escalas de cinza dominam as

imagens produzidas pelo fotógrafo, acrescentando maior dramaticidade e poética ao cenário. Para Salgado, a cor pouco interessa na sua fotografia, explicando que:

Com o preto e o branco e todas as gamas de cinza, posso me concentrar na densidade das pessoas, suas atitudes, seus olhares sem que sejam parasitados pela cor. Quando contemplamos uma imagem em branco e preto, ela penetra em nós, nós a digerimos e, inconscientemente, a colorimos e isso é fenomenal. (SALGADO apud MARIUZZO, 2014).

Assim, mais do que estética, a escolha pela falta de cores tem efeito sobre a participação do observador, fazendo-o construir sua própria versão colorida da

imagem de forma inconsciente. E se tratando de repertório, as cores também têm distintas interpretações para culturas diferentes - o vermelho pode significar amor para um povo e morte para outro, o amarelo é sorte para um grupo, enquanto outro

o considera sinal de azar, etc. -, o que, numa paleta acromática, não há risco de

acontecer, abrindo, mais uma vez, espaço para a significação de cada um. Além disso, Puls (2016) explica que a representação em preto e branco ou em cores acaba indo muito adiante de uma simples escolha do fotógrafo, porque, enquanto o primeiro é feito a partir da luz, expondo valores antagônicos (presença de claridade ou escuridão), o segundo se baseia em matizes que, embora as vezes sejam diferentes, se complementam. Ou seja "a luz é regida por uma dialética dos opostos, e a cor, por uma dialética dos distintos".

É por essa razão que as fotos em branco e preto em geral parecem mais dramáticas e mais trágicas do que as fotos coloridas: é que as primeiras ressaltam os conflitos, as contradições. As imagens coloridas usualmente parecem mais amenas, mais contidas: elas substituem o tom épico das fotografias em preto e branco por um registro mais natural. (PULS, 2016).

Outro ponto que Puls (2016) defende, e que se aplica perfeitamente às obras

de Sebastião Salgado, por sua função de denúncia, é que "as fotos em preto e branco desempenham nesses casos o papel de manifestos que condenam uma situação social inaceitável, a qual demanda a intervenção do espectador". Em termos de composição, o fotógrafo também utiliza na maioria dos casos a regra dos terços ("rule of thirds", em inglês), que é uma simplificação da Proporção Áurea. Nesta regra, muito estudada e amplamente difundida na fotografia, o cenário

a ser fotografado é dividido mentalmente em nove partes, com três linhas verticais e três horizontais, obtendo-se uma grade. Como nosso olhar, inconscientemente, busca se concentrar mais nas partes que seriam as interseções entre essas linhas,

se obtém um resultado mais harmônico posicionando os elementos mais importantes nessas áreas ou fazendo com que tomem um ou dois terços do quadro, seja na forma vertical ou horizontal. No caso das quatro fotos selecionadas, o resultado seria este:

caso das quatro fotos selecionadas, o resultado seria este: Figura 5 - Regra dos Terços na

Figura 5 - Regra dos Terços na fotografia de Sebastião Salgado. Fonte: autoria própria.

Na primeira foto, a criança menor, com expressão desolada, está exatamente em uma interseção de linhas, enquanto o homem ocupa um terço vertical e no centro da grade, outra criança aparece. Podemos dizer que o céu também ocupa um terço da imagem. Na segunda foto, as duas figuras principais acompanham as linhas verticais, tendo o movimento do trabalhador segurando a arma do capataz exatamente no quadro central. Na terceira imagem, os migrantes andam pelo campo, que tem exatamente dois terços do cenário representado. Nesta imagem, também vemos ao centro a presença de um menino, única pessoa olhando para a foto. Por fim, na imagem da selva africana, o lago em que as zebras bebem água ocupa a terceira parte da composição, enquanto os animais e a planície ficam com o restante do espaço. Fazendo uma relação entre os dois pontos abordados, ou seja, o significado do preto e branco, de ruptura e oposição, com o uso da regra dos terços, de

equilíbrio, podemos dizer que, embora representem situações quase sempre deploráveis, o resultado visual se apresenta belo, porque enquanto um aspecto gera desconforto, outro traz harmonia. Assim, mesmo que o assunto seja crítico, a composição será agradável, o que vai de encontro à intenção de Salgado de mostrar os valores dos representados - seja a força de um trabalhador, a honra e fé de uma mulher ou a beleza da natureza intocada. Após a análise geral da linguagem de Sebastião Salgado, podemos partir para uma análise individual das quatro fotos. Na primeira, vemos em evidência a criança mais nova e indefesa, o que parece se acentuar por ser a única pessoa da imagem sem cobrir a cabeça. No entanto, notamos o olhar protetor do homem atrás, que imagina-se ser o pai, o que, somado à proximidade da outra criança, demonstra uma ideia de união, de que, apesar da situação, nenhum deles está sozinho. Ao fundo, uma pessoa não identificada observa o vale, o que dá uma noção da imensidão do lugar e sensação do que estas pessoas têm pela frente, vivendo como nômades ou realizando uma viagem para outro lugar. Na imagem a seguir, talvez a mais forte entre as quatro em termos de significado, vemos uma documentação da realidade de trabalhadores de uma mina, que poderia se aplicar a diversas outras situações de trabalho e exploração de mão de obra pelo mundo. Mais do que isso, temos ali, de forma clara, a relação entre os mais fracos e os mais fortes na sociedade, um sistema em que poucos detém o poder e o capital e muitos obedecem e se submetem, ilustrado pela enorme quantidade de trabalhadores omitidos por apenas um capataz, que, porém, empunha uma arma. Contudo, vemos também pelo trabalhador em evidência um sinal de resistência, de luta e de coragem de alguém que, por algum motivo, deixou o conformismo de lado e decidiu protestar contra esse sistema opressor, mesmo que tenha sido por um momento, o que poderia inspirar os demais que observam a cena. Já na foto de Êxodos, notamos um grupo que, a julgar pelo título do livro, precisou fugir do local de origem, seja por guerra, escassez de água e alimentos ou por outras intempéries. A falta de identidade das pessoas pode ser um indicativo que essa é uma situação que se repete em muitos lugares e não a um povo em específico, além de mostrar que a história construída ao longo de anos ficou para trás e que agora começa uma nova página em branco. Porém, assim como na imagem anterior, vemos um "ponto fora da curva", que é o menino no colo de um

adulto, olhando para trás e parecendo sorrir, um brilho de esperança de que dias

melhores ainda virão.

E finalmente, a última, o registro das zebras bebendo água em um lago. Essa

foto tem forte apelo ambiental, pois mostra uma cena com duas realidades: o

contraste entre a ação do homem e a resistência da natureza. Por um lado, vemos

árvores caídas e o que parece ser um lugar por onde se estendia um grande lago,

agora reduzido, onde os animais se hidratam. Aliás, pela forma como os animais

estão representados, todos de cabeça baixa e olhar pacífico, há uma sensação da

fragilidade e da "inocência" da natureza. Por outro, a quantidade de zebras juntas

mostra que ainda há vida e é uma chamada para que preservemos as espécies. É

um contraste entre vida e morte, uma luta que está em nossas mãos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Essas são apenas uma pequena amostra de um trabalho enorme, composto

por milhares de fotografias, realizado através de décadas e com muita dedicação de

Sebastião Salgado. Entretanto, refletem a forma como o criador utiliza seu olhar

para provocar uma iniciativa do público e ao mesmo tempo mostrar a beleza onde

muitos só enxergam desgraça e retratar valores, como a fé, a hombridade e força,

seja física, mental ou espiritual, daqueles que perderam muito ou nunca o tiveram. O

trabalho de Salgado é, sobretudo, a respeito o homem, mesmo onde ele não

aparece. É uma manifestação de que temos o poder de transformar o mundo, mas

cabe a nós escolher se para o bem ou o mal.

Por intermédio do preto e branco e de composições em que cada elemento

exerce uma função, o fotógrafo estimula a admiração do público com imagens belas,

mas também provoca uma inquietação e nos coloca naquela realidade, seja

incitando a solidariedade e a compaixão, seja nos fazendo refletir sobre nossos

hábitos e o modo de vida moderno.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AMAZONAS IMAGES. Sebastião Salgado. Disponível em:

< https://www.amazonasimages.com/sebastiao-salgado >. Acesso em novembro de

2016.

DONDIS, Donis A. Sintaxe da linguagem visual. Tradução de Jefferson Luiz Camargo. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003. 236 p.

KOSSOY, Boris. Realidades e ficções na trama fotográfica. 3 ed. Cotia, São Paulo: Ateliê Editorial, 2002. 152 p.

MACHADO, Katia Regina. A política da estética da fotografia de Sebastião Salgado. Revista Proa, v. 4, n. 1, 2013. Disponível em: < http://www.revistaproa.com.br/04/?page_id=52 >. Acesso em novembro de 2016.

MARIUZZO, Patrícia. Sebastião Salgado em cores e movimento. Ciência e Cultura, São Paulo, v. 66, n. 3, setembro de 2014 . Disponível em:

< http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0009- 67252014000300018&lng=en&nrm=iso >. Acesso em novembro de 2016.

PULS, Mauricio. Cor ou preto e branco? Razões de uma escolha. Revista Zum, 11 de março de 2016. Disponível em: < http://revistazum.com.br/radar/cor-ou-pb/ >. Acesso: em novembro de 2016.

SANTAELLA, Lucia. Semiótica aplicada. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005. 186 p.

SOTILLI, Rogério. A gênese da obra de Sebastião Salgado. São Paulo: Carta Capital, 04 de outubro de 2013. Disponível em: <

http://www.cartacapital.com.br/cultura/a-genese-da-obra-de-sebastiao-salgado-

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