Вы находитесь на странице: 1из 98
  Caros (as) alunos (as) e professores (as)! Este livro é um convite para conhecermos
 

Caros (as) alunos (as) e professores (as)!

Este livro é um convite para conhecermos mais sobre história e cultura negras em terri- tórios quilombolas mato-grossenses. No estado de Mato Grosso, já são 66 comunidades remanescentes de quilombo reconhecidas oficialmente pela Fundação Cultural Palmares, além de outras tantas em processo de regularização fundiária junto ao INCRA-MT.

Propiciar informações que possibilitem conhecer a história, os modos e as formas de viver dessas comunidades, destacando o cotidiano de pessoas que lutam, trabalham e insistem em viver de forma criativa e solidária é um dos objetivos desta obra.

Propõe-se, ainda, evidenciar a diversidade étnico-racial na formação sócio-cultural, econômica e política da brasilidade, em geral e do estado de Mato Grosso em particular, visando uma educação que respeite e dê visibilidade a todas as etnias que contribuíram e contribuem com a formação do nosso estado, garantindo com isso a promoção de uma educação inclusiva, cujo currículo envolva conteúdos e estratégias educacionais, que evidenciem a presença negra nos vários aspectos da formação nacional.

 

O

livro deve servir de apoio e consulta a professores (as), alunos (as), especialmente

 

de comunidades quilombolas, no que se refere às diversas áreas do Ensino Fundamental. Por isso não se pensou em uma cronologia rígida ou uma espacialização única, nem em

uma área específica de conhecimento. Muito pelo contrário: a obra pode ser utilizada por educadores (as) que atuam em áreas quilombolas de todas as disciplinas que compõem

o

currículo escolar.

 

A

disposição dos textos fora organizada de modo a intercalar depoimentos, relatos e

 

fatos de algumas das comunidades rurais quilombolas de Mato Grosso, bem como des- taques a personalidades negras regionais e nacionais que lutaram e lutam por uma so- ciedade justa que respeita as diferenças e as diversidades sócio-culturais do nosso país. Procurou-se destacar poemas que ressaltam feitos da comunidade negra visando contri- buir de forma lúdica, com a construção e o fortalecimento da identidade afro-brasileira.

 

A

LDB, mediante seu art. 26 A, desafia a educação brasileira a abrir caminhos para se

 

repensar as relações étnico-raciais em nosso país, visto que obriga as escolas de todos os níveis de ensino a implementar em seus currículos, conteúdos de História e Cultura Africana e Afro-brasileira, como forma de discutir e compreender o papel do segmento negro na formação sócio-cultural, religiosa, política, intelectual e econômica desta nação. Trata-se, portanto de (re) significar o papel do negro e de seus descendentes na forma- ção da brasilidade.

 

É

inegável que o desenvolvimento da identidade do brasileiro está absolutamente con-

 

dicionado ao reconhecimento e valorização da participação dos africanos na vida brasi- leira. Porém, idéias distorcidas e preconceituosas, sobre negros ainda pairam em nosso

imaginário, gerando omissão de fatos, reprodução de inverdades, sempre no sentido de mostrar os povos africanos como “tribos” estáticas no tempo, alheias ao conhecimento científico e ao progresso.

 

Assim, é com muita alegria que a Secretaria de Educação do Estado de Mato Grosso

 

faz chegar até vocês, esse livro didático para contribuir na aprendizagem sobre a história

e

culura Negra.

 

Ságuas Moraes Sousa

Secretário de Estado de Educação

na aprendizagem sobre a história e culura Negra.   Ságuas Moraes Sousa Secretário de Estado de
a história e culura Negra.   Ságuas Moraes Sousa Secretário de Estado de Educação APRESENTAÇÃO 7

APRESENTAÇÃO

7

a história e culura Negra.   Ságuas Moraes Sousa Secretário de Estado de Educação APRESENTAÇÃO 7
  Sumário   O negro na história 15 Quilombos em Mato Grosso 40 Cultura em
  Sumário   O negro na história 15 Quilombos em Mato Grosso 40 Cultura em
 

Sumário

 

O negro na história

15

Quilombos em Mato Grosso

40

Cultura em Território Negro

67

Glossário

87

Bibliografia

94

9

9

9
Que palavra é essa? Qual a sua origem? Quilombo é uma palavra de origem Bantú,

Que palavra é essa? Qual a sua origem?

Que palavra é essa? Qual a sua origem? Quilombo é uma palavra de origem Bantú, advindo
Que palavra é essa? Qual a sua origem? Quilombo é uma palavra de origem Bantú, advindo
Que palavra é essa? Qual a sua origem? Quilombo é uma palavra de origem Bantú, advindo

Quilombo é uma palavra de origem Bantú, advindo do dialeto quibundo e ou umbundo. Seu significado original na África referia-se a uma forma organizativa sociopolítica de cunho militar. No Brasil, passou a designar as organizações de negros que fugiam dos horrores da escravidão.

11

de cunho militar. No Brasil, passou a designar as organizações de negros que fugiam dos horrores
Geralmente, as pessoas costumam imaginar os quilombos como um território composto unicamente por negros, bastante
Geralmente, as pessoas costumam imaginar os quilombos como um território composto unicamente por negros, bastante
Geralmente, as pessoas costumam imaginar os quilombos como um território composto unicamente por negros, bastante

Geralmente, as pessoas costumam imaginar os quilombos como um território composto unicamente por negros, bastante afastado das cidades, onde as pessoas vivem de forma extremamente rudimentar e sem relações com os outros grupos sociais. Entretanto, isso não caracteriza todos os quilombos iniciados no passado, nem nos territórios quilombo- las que perduram até hoje.

Em Mato Grosso, as áreas remanescentes quilombolas, apresentam diversidades sócio- culturais, políticas, econômicas, além de conflitos relacionados à permanência das famí- lias no território.

12

culturais, políticas, econômicas, além de conflitos relacionados à permanência das famí- lias no território. 12
13
13
13

13

13

O negro na História

O negro na História Estatueta Africana símbolo da fertilidade feminina - Revista Palmares O processo efetivo

Estatueta Africana símbolo da fertilidade feminina - Revista Palmares

O processo efetivo de invasão do Brasil se inicia em 1500 quando as caravelas lideradas por Pedro Álvares Cabral aportam em nosso país. Porém, só a partir de 1549 que começa- ram a desembarcar com mais freqüência em terras brasileiras, negros escravizados trazidos de algumas regiões da África, especialmente de Cabo Verde, Ilha de São Tomé, Golfo da Gui- né, Congo, Angola, Luanda entre outras. Com a diáspora negra para o Brasil, africa- nos e depois afro-brasileiros passaram a imple- mentar nesta parte da América forma peculiar de ser e agir, visto que desde a África o negro não ficou passivo à situação de escravizado. Ao contrário, na busca por liberdade e dignidade humana, esse povo buscou maneiras de burlar as normas que lhe eram impostas. Ora rein- ventando uma nova África em terras brasílicas, ora resguardando suas ,atrizes culturais daí sua fuga para os quilombos; aproveitando brechas do sistema, usava de astúcia e sagacidade. Iludia seus algozes, supostamente se conver- tendo a sua religião, tornava-se, portanto, apa- rentemente cristão, para não ser perseguido por estar praticando sua religião tradicional. Entre-

tanto, em seu íntimo, esse povo preservava os valores ético-religiosos e morais de seu continente natal. Negar essa forma de resistên- cia é não compreender as vivências religiosas africanas e afro-brasileiras tão presente em todos os cantos de nosso país, seja no passado seja na atualidade.

cantos de nosso país, seja no passado seja na atualidade. CAPÍTULO 1 Também é inegável que

CAPÍTULO 1

Também é inegável que usando brechas deixadas pela Igreja Católica, o povo negro criou uma forma salutar de sobrevivência no mundo hostil escravocrata, criando as Ir- mandades Negras, em muitas cidades brasileiras, especialmente em região mineradora. Nessas irmandades, os negros sob os auspícios de santos católicos, entre os quais Nossa Senhora do Rosário, Santa Efigênia, São Benedito, Santo Elesbão, praticavam um catolicismo preto que misturava o culto católico tradicional com aspectos religiosos de origem africana.

Em várias cidades de Mato Grosso esse catolicismo negro ainda está presente, espe- cialmente nas denominadas cidades seticentistas, entre as quais pode-se citar, Cuiabá com sua devoção a São Benedito e a Nossa Senhora do Rosário; Vila Bela da Santíssima Trindade, primeira capital de Mato Grosso, Poconé,Nossa Senhora do Livramento, com sua devoção a São Benedito, nas tradicionais festas de coroação do rei de Congo. Essas manifestações com variadas modificações e particularidades, guardam em si aspectos

17

do rei de Congo. Essas manifestações com variadas modificações e particularidades, guardam em si aspectos 17
    de resistência de um povo que no passado lutou e continua lutando por
    de resistência de um povo que no passado lutou e continua lutando por
   

de resistência de um povo que no passado lutou e continua lutando por seu espaço na

sociedade brasileira. Óbvio que houve outras formas de lutas e resistências, porém o aquilombamento e as irmandades católicas negras são maneiras específicas de perceber a organização de um povo que nunca se entregou ao jugo dos opressores.

 

É

bom que recordemos que a história do povo negro não começa dentro dos porões

dos tumbeiros. Ao contrário, esses são apenas fragmentos de uma longa história que remonta aos tempos pré-históricos. Entretanto, neste momento, vamos apenas trazer um pouco dessa história, focalizando alguns reinos e impérios africanos que, diretamente, estão interligados à história de nosso país em função do processo de escravização da Idade Moderna. Entre eles, serão citados: Reino do Congo, Império de Mali, Reino Iorubá, Reino de Benim, Reino Hauçá.

 

Reino do Congo

Localizado à margem meridional do baixo Rio Congo estava o próspero reino do Con- go, sob a liderança política e espiritual do Mani Congo.

Como líder máximo dessa sociedade ao Mani Congo cabia: cobrar impostos das cida-

des e aldeias que eram pagos com alimentos, tecidos de ráfia vinda do nordeste africano, sal, vindo da costa da África, cobre, vindo do sudeste e zimbos (pequenos búzios de Luanda que serviam de moeda e intermediavam o comércio local); exercer a justiça e garantir harmonia no reino. Era o Mani Congo que, juntamente com seus conselheiros, controlava o comércio e o trânsito de pessoas que entrava e saíam do reino.

O

Reino foi formado a partir da miscigenação cultural entre duas elites, a tradicional

da localidade e uma elite nova, descendente de estrangeiros que vieram da outra margem

 

do rio Congo.

A

capital do reino, era a cidade de Banza Congo, onde vivia o Mani Congo, seus con-

selheiros e seus servos. O entorno da capital era traçado pelo conjunto de aldeias, que

 

deviam fidelidade ao Mani Congo e recebendo proteção, tanto para assuntos temporais quanto espirituais, visto que o Mani Congo também era responsável pela intermediação entre espíritos ancestrais e a sociedade terrena. Geograficamente Banza Congo, era do tamanho das capitais européias da época. O Mani Congo habitava construções decoradas de tapetes e tecidos de ráfia que se desta- cavam das outras.

As habitações reais eram cercadas por muros e labirintos como forma de proteger o Mani Congo e sua extensa família (mulheres, filhos, parentes, conselheiros e súditos). Nas habitações reais só eram recebidas pessoas com nobreza satisfatória para gal- gar esse privilégio, portanto nem todos chegavam até o Mani Congo, a grande maioria lidava apenas com os conselheiros reais que eram os olhos e ouvidos do líder máximo do reino.

Era na praça principal da capital do reino que o Mani Congo participava das cerimônias públicas e fazia contato com seu povo. Além do Mani Congo e sua corte, moravam na cidade artesões, comerciantes, solda- dos, agricultores e cativos.

18

18

18

O Reino Iorubá

Geograficamente localizado nas re- giões do Rio Volta e do baixo Niger. A história desse reino é contada através de vestígios encontrados de caminhos calçados e muros de pedra que dão uma noção de como eram os centros dessas civilizações, bem como através de relatos orais. Os caminhos eram cercados de muros de pedra e deviam abrigar agri- cultores, artesões, grupos de famílias submetidas a um chefe e seu conselho. Nessa civilização existia um comércio. Os comerciantes circulavam em cano- as pelos rios, nas quais traziam para os mercados produtos da floresta. Diga-se de passagem, os mercados eram de

suma importância para essa sociedade, pois ligavam cidades do médio Níger ao comércio saariano. Estudos apontam que Ododua era um líder divinizado como responsável pela origem do Reino Ioruba, mais ou menos entre os séculos VIII e XIII da era cristã. Esse líder fun- dou a cidade sagrada de Ilê Ifé. Ifé tornou-se a capital de uma monarquia divina, onde vigorou um sistema político-religioso rígido e hierarquizado. Era dirigida pelo Oba ou Oni, representante da divindade e também governante da comunidade. Por ser uma monarquia divinizada o Obá servia de intermediário entre os seres divinos e sua comunidade. O Reino Ioruba era composto por várias cidades-estados, cada uma com seu chefe, e que prestava obediência ao Oba de Ilê Ifé. Todos os reinos iorubás afirmavam que seus ascendentes haviam de lá saído, sendo portanto membros de uma mesma família real. Por ter ascendência espiritual sobre quase todos os reinos iorubás era o Oba de Ilê Ifé quem distribuía os símbolos reais aos demais Obás. Placas esculpidas e moldadas em metal, datadas dos século XV e XVI retratam o papel de heróis fundadores de novas cidades e reinos a partir de uma origem comum em Ifé. Da cidade de Ifé o Obá administrava seu reino, administrava a justiça, recolhia impos- tos e servia de intermediário entre humanos e divindades, pois a ele cabia também lidar com questões espirituais. Ifé era uma cidade de ruas largas e retas, na qual destacava a moradia grande e forti- ficada do Oba, suas mulheres, filhos, parentes, conselheiros e escravaria real.

mulheres, filhos, parentes, conselheiros e escravaria real. Obá e sua corte/Nigéria, Reino de Benim, Século VII

Obá e sua corte/Nigéria, Reino de Benim, Século VII

real. Obá e sua corte/Nigéria, Reino de Benim, Século VII No século XVI, Ifé entrou em
real. Obá e sua corte/Nigéria, Reino de Benim, Século VII No século XVI, Ifé entrou em

No século XVI, Ifé entrou em declínio enquanto outras cidades prosperavam. A presen- ça de comerciantes na costa do oceano atlântico fortaleceu as cidades mais próximas dos lugares em que ancoravam, trazendo em seus navios mercadorias, que passaram a ser desejadas pelos chefes africanos. Apesar da ascensão de outros reinos e de seu empobrecimento econômico, Ifé, não perdeu sua importância religiosa. Ao contrário, todos os chefes das várias cidades-es- tado que teriam sido fundadas por descendentes de Ododuá iam até lá para terem seus poderes ratificados pelo Oba de Ifé . Os séculos XII ao XVI, marcam o esplendor do Reino Iorubá, período em que os reis- sacerdotes difundiram o culto dos orixás, espalhando-o por imensa região, inclusive o Brasil.

19

em que os reis- sacerdotes difundiram o culto dos orixás, espalhando-o por imensa região, inclusive o
O Reino Hauçás O povo hauçá migrou da região do Lago Chade a atual Nigéria,
O Reino Hauçás O povo hauçá migrou da região do Lago Chade a atual Nigéria,

O Reino Hauçás

O povo hauçá migrou da região do Lago Chade a atual Nigéria, espaço de solo fértil

onde se cultivavam cereais e algodão. E isso fez desenvolver a agricultura, a tecelagem e

a fundição. Produziam tecidos, curtiam couro e fabricavam belíssimos artesanatos. Viviam em cidades muradas independentes, da qual se destaca a cidade de Duara. No século XIV da era cristã, os hauças converteram-se ao islamismo através dos sacerdotes e comerciantes vindos do Mali.

O comércio era outra fonte da economia desse reino, destacando cidade, como: Jene,

Cano que intermediavam mercadorias do deserto da savana e da floresta. As cidades haúças viveram disputas militares entre si e isso gerou um grande número de prisioneiros escravizados para a América. O território dos haúças, a partir da segunda metade do século XIX, com a ocupação inglesa, passou a integrar o que hoje se denomi- na Nigéria.

Reino de Benim

É provável que o Reino de Benin tenha surgido

no século XII da era cristã, porém é no século XV que atinge seu apogeu. Sua capital era a cidade de Edo, que possuía uma grande avenida que cortava esta cidade de um lado ao outro e variadas ruas laterais. Os relatos de viajantes portugueses e holandeses do século XVI afirmam que as ruas de Edo eram bem mais lar- gas que as de Amsterdã . As casas eram de adobe, com uma superfície finamente polida, e coberta de palha. Em Edo estavam as habitações reais que eram compostas por vários prédios onde moravam o rei, suas mulheres, filhos, nobres, agregados e escra- vos.

As colunas do palácio real eram de madeira e as galerias cobriam-se de placas de latão esculpidas em relevo com cenas da corte, de festas, ritos, ba- talhas e de caçadas. Com a chegada dos europeus o reino de Benin entrou em lutas internas pela sucessão real, vindo depois a fragmentarem-se em novos pequenos rei- nos. Entre eles o de Daomé, no qual os portugueses edificaram a fortaleza de São João de Ajuda e esta- beleceram um entreposto de tráfico de negros.

Houve outros reinos igualmente importantes. Veja abaixo o mapa que mostra os impérios afri- canos:

tráfico de negros. Houve outros reinos igualmente importantes. Veja abaixo o mapa que mostra os impérios

20

tráfico de negros. Houve outros reinos igualmente importantes. Veja abaixo o mapa que mostra os impérios
Saiba mais Segundo alguns estudos científicos a transforma- ção de formas arcaicas do Homo Sapiens

Saiba mais

Saiba mais Segundo alguns estudos científicos a transforma- ção de formas arcaicas do Homo Sapiens em
Saiba mais Segundo alguns estudos científicos a transforma- ção de formas arcaicas do Homo Sapiens em

Segundo alguns estudos científicos a transforma- ção de formas arcaicas do Homo Sapiens em formas modernas teria ocorrido primeiro na África. O processo evolutivo que conduziu o Homo sapiens que deu origem ao homem moderno de hoje, teria sobrevivido na Áfri- ca.

O Homo erectus, hominídeo, espécie que apresentou progressos na construção de petrechos como o macha- do, teria advindo da África há quase dois milhões de anos, em ondas migratórias rumo à Ásia e à Europa, iniciando o povoamento do mundo. O Homo sapiens sa- piens também evoluiu na África e de lá saiu, há mais ou menos150 mil anos, em uma segunda fase de ondas migratórias através da Eurásia. Os indícios para essa comprovação, são as ossa- das fósseis encontradas no continente africano, que demonstram a construção de instrumentos e objetos de artes por esse grupo. Pesquisas genéticas também indicam uma origem comum do homem moderno na África. Isso leva a concluir que todos os humanos de hoje são descendentes de africanos, que se espalharam pela Eurásia dando início a um processo de intercâm- bios genéticos, que se processa até hoje.

Assim, pode-se considerar a África como o berço da humanidade.

Fonte: NASCIMENTO, Elisa Larkin em Introdução à história da África. In: Educa- ção africanidades Brasil. MEC/ SECAD. Brasília. 2006.

Larkin em Introdução à história da África. In: Educa- ção africanidades Brasil. MEC/ SECAD. Brasília. 2006.

21

Larkin em Introdução à história da África. In: Educa- ção africanidades Brasil. MEC/ SECAD. Brasília. 2006.
ATIVIDADES 22   ATIVIDADES INTERDISCIPLINARES 1. Destaque e comente aspectos que você achou relevante nos

ATIVIDADES

ATIVIDADES 22   ATIVIDADES INTERDISCIPLINARES 1. Destaque e comente aspectos que você achou relevante nos

22

 
 

ATIVIDADES INTERDISCIPLINARES

1.

Destaque e comente aspectos que você achou relevante nos diversos reinos africa-

nos:

2.

Orientado pelo/a professor/a de arte e, usando sua criatividade, escolha um dos reinos

ou impérios africanos e retrate através de desenho ou poesia o modo de viver, morar e produzir das pessoas desse reino ou império:

 

3.

Orientado pelo/a professor/a de língua portuguesa, escreva frase, com os seguintes

termos:

Reis-sacerdotes – Reino de Benim – Obá de Ifé – Mani Congo – Habitações Reais –

4.

Orientado pelo/a professor/a de geografia localize no mapa da África os países que no

passado formavam os impérios africanos de Reino do Congo, Império de Mali, O Reino Iorubas, Reino de Benim, Reino Hauçás.

 

Os países africanos sofreram grande exploração da Europa, viveram sob controle que perdurou por muitos anos. Conheça um pouco sobre a divisão da África e as datas de independência de cada nação.

que perdurou por muitos anos. Conheça um pouco sobre a divisão da África e as datas

Fonte: Curso de Especialização Educação e Relações Raciais na Sociedade Brasileira/UFMT, 2005

de cada nação. Fonte: Curso de Especialização Educação e Relações Raciais na Sociedade Brasileira/UFMT, 2005
5 - Escreva abaixo o ano correspondente a independência dos países: Madagascar: Senegal: Eritréia: Mali:

5 - Escreva abaixo o ano correspondente a independência dos países:

Madagascar:

Senegal:

Eritréia:

Mali:

Angola:

dos países: Madagascar: Senegal: Eritréia: Mali: Angola: Veja imagens de alguns países da África, depois localize

Veja imagens de alguns países da África, depois localize esses países no mapa da atividade 6.

África do Sul Etiópia
África do Sul
Etiópia
Gâmbia Guiné Equatorial
Gâmbia
Guiné Equatorial
Guiné Mali
Guiné
Mali

23

depois localize esses países no mapa da atividade 6. África do Sul Etiópia Gâmbia Guiné Equatorial
Marrocos São Tomé e Príncipe Senegal Seicheles Sudão Angola Tunísia Níger
Marrocos
São Tomé e Príncipe
Senegal
Seicheles
Sudão
Angola
Tunísia
Níger
Marrocos São Tomé e Príncipe Senegal Seicheles Sudão Angola Tunísia Níger 24

24

Benim Burundi Bruqia Faso Cabo Verde Camarões Camarões Egito 25 25
Benim
Burundi
Bruqia Faso
Cabo Verde
Camarões
Camarões
Egito
25 25
6) Observe o mapa da África abaixo e responda: a) Qual é o maior país
6) Observe o mapa da África abaixo e responda:
a) Qual é o maior país da África?
b) Qual é o menor país africano?
c) Quais os países da África são banhados pelo Oceano Atlântico?
26
d) Quais países africanos são banhados pelo Oceano Índico? e) Quais países fazem divisa com
d) Quais países africanos são banhados pelo Oceano Índico?
e) Quais países fazem divisa com o Sudão?
f)Conforme o mapa, cite os paises que são abrangidos pelo Deserto do Saara
7)
Agora pinte o continente africano. Localize os países conforme a numeração na
legenda e pinte-os de forma bem bonita.
27
28 Os Quilombos no Brasil Onde quer que existissem escravizados, aí também, surgiam os quilombos
28 Os Quilombos no Brasil Onde quer que existissem escravizados, aí também, surgiam os quilombos
28 Os Quilombos no Brasil Onde quer que existissem escravizados, aí também, surgiam os quilombos

28

Os Quilombos no Brasil

Onde quer que existissem escravizados, aí também, surgiam os quilombos como for- mas de resistência ao escravismo. Não existe uma estimativa certa do surgimento dessas organizações, o fato é que elas pipocaram em todo o país, registrando a luta dos negros. Vários foram os quilombos que se constituíram no Brasil. Pode-se dizer que os qui- lombos caracterizaram como importante movimento de massa dos africanos e seus des- cendentes que não se submeteram a escravização. De certa forma, as organizações quilombolas reproduzidas no Brasil resguardaram semelhança com os quilombos africanos, que era a proposição de uma outra estrutura política, aberta a todos os grupos que se encontram oprimidos na sociedade. Por isso era tão comum, nos quilombos brasileiros a presença de indígenas e brancos pobres. Dentre os quilombos mais famosos está o de Palmares. Vejamos um pouco dessa história:

está o de Palmares. Vejamos um pouco dessa história: “ Numa noite qualquer do ano de

“ Numa noite qualquer do ano de 1597, qua-

renta escravos fugiram de um engenho no sul de Pernambuco. Fato corriqueiro. Escravos fugiam o tempo todo dos engenhos. O número é que parecia excessivo: quarenta de uma vez. Fora também insó-

lito o que fizeram antes de optar pela fuga coletiva:

armados de foices, chuços e cacetes, haviam mas- sacrado a população livre da fazenda. Já não podiam se esconder nos matos e brenhas da vizinhança – seriam caçados furiosamente até que, um por um, tivessem o destino dos amos e feitores que haviam

justiçados

ou outro velho e diversas crianças, mas o gros- so eram pretos fortes, canelas finas e bons dentes. Escolheram caminhar na direção do sol poente, um

pouco para baixo. Com duas horas compreenderam que jamais qualquer um deles havia ido tão longe naquela terra. Mesmo os crioulos, nascidos aqui, desconheciam o pio daquelas aves, nunca tinham visto aqueles cipós. Andaram toda noite e manhã se- guinte; descansaram quando o sol chegava a pino; contornaram brejos e grotões, subiram penhascos e caminharam, um a um, na beirada dos feios preci- pícios. Eram observados, mas não tinham qualquer medo dos índios. Então, na vigésima manhã se sen- tiram seguros. De onde estavam podiam ver perfei- ”

( do Livro

tamente quem viesse dos quatro cantos Zumbi - Joel Rufino dos Santos).

” ( do Livro tamente quem viesse dos quatro cantos Zumbi - Joel Rufino dos Santos).

Havia umas poucas mulheres, um

O quilombo dos Palmares situava na região do atual estado de Alagoas, mas na época integrava a região da Bahia. Chegou a ter em média 29 mil habitantes. Distribuía-se em mocambos com um poder central na Serra da Barriga. Várias foram às investidas dos senhores e da Coroa portuguesa para destruir esse quilombo. Palmares tornou-se um efetivo espaço de busca da liberdade à reelaboração de rela- ções sociais, políticas e econômicas. Dentre suas lideranças destacam-se Aqualtune, Dandara, Ganga Zumba, Zumbi.

Zumbi e o Dia da Consciência Negra

Ganga Zumba, Zumbi. Zumbi e o Dia da Consciência Negra Busto de Zumbi dos Palmares em

Busto de Zumbi dos Palmares em Brasília - DF

O 20 de Novembro, integra o calen- dário escolar. A data é para homenagear

o herói negro Zumbi, que morreu no ano

de 1695, um dos grandes, líderes do Qui- lombo dos Palmares. É importante lem- brar que a data foi estabelecida pela Lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que es- tabelece a inclusão do ensino da história da África e afro-brasileiros na educação básica e ensino superior.

Além de ser uma data em homenagem

a Zumbi, um dos símbolos da luta negra,

é um dia dedicado especialmente a uma

reflexão nacional sobre a situação sócio- política e econômica da população negra, bem como sobre a sua participação fun- damental na história e cultura brasileira.

Francisco foi o nome cristão de Zum- bi, o herói brasileiro que mais vitórias obtivera nos combates da nossa história. Zumbi foi capturado na região de Palmares, onde nasceu. Tinha então, seis anos de idade, sendo criado por um padre português, que o ensinou a ler e escrever, inclusive em latim. Também, aprendeu a desenvolver as atividades de coroinha, na igreja. Contudo,

com idade de 15 anos, ele foge, retornando a Palmares. Era o ano de 1670. Passou então, chamar-se Zumbi e transforma-se num excelente estrategista militar, e em pouco tempo assume a liderança do quilombo dos Palmares, substituindo Ganga Zumba.

do quilombo dos Palmares, substituindo Ganga Zumba . Em Palmares, Francisco recebeu um novo nome e
do quilombo dos Palmares, substituindo Ganga Zumba . Em Palmares, Francisco recebeu um novo nome e

Em Palmares, Francisco recebeu um novo nome e se tornou sobrinho de Ganga Zum- ba, na concepção africana de família. Mas por que os escravos que fugiam mudavam de nome? Para os povos sem escrita, como era a maioria dos africanos trazidos para o Brasil, e os indígenas, naturais daqui, o nome é algo absolutamente vital. O historiador Joel Rufino dos Santos nos conta que, em Senegâmbia, uma criança só era considerada gente depois que seu pai lhe gritava ao ouvido, no meio do mato, o nome que lhe queria dar. No Daomé, entre os povos que fa- lavam a língua fon, uma pessoa ia mudando de nome ao longo da vida – quando se fazia homem, ou mulher, quando se casava, quando era nomeado para um cargo importante, quando realizava uma façanha militar etc. Nesse contexto podemos entender melhor o que os traficantes europeus faziam ao comprarem um negro africano: davam-lhe um nome cristão como uma das tentativas de esvaziar o africano da sua cultura, como uma tentativa de fragmentar sua identidade. Esta era mais uma das facetas da violência do regime escravista. Nomes como Mateus,

29

de fragmentar sua identidade. Esta era mais uma das facetas da violência do regime escravista. Nomes
ATIVIDADES 30   Lucas, Hilário, Maria, Antonia eram dados pelos colonizadores, mas os africanos escra-

ATIVIDADES

ATIVIDADES 30   Lucas, Hilário, Maria, Antonia eram dados pelos colonizadores, mas os africanos escra- vizados,

30

 
 

Lucas, Hilário, Maria, Antonia eram dados pelos colonizadores, mas os africanos escra-

vizados, no interior das senzalas, continuavam a se considerar Nzenga, Moboti, Monjolo,

e assim por diante, de acordo com a sua origem étnica em seu país africano de origem.

A preservação do nome africano, pelos escravos, pode ser considerada, também, uma

forma de resistência negra.

Já os negros nascidos no Brasil sob o regime da escravidão, os quais eram chama- dos de crioulos, só tinham o nome cristão, mas ao se aquilombarem costumavam tomar um apelido quimbundo, jeje, iorubano – enfim, de qualquer das muitas línguas africanas faladas no Brasil Colonial. Essa era uma forma de recuperarem parte de sua identidade.

Foi nesse processo de afirmação da sua identidade enquanto negro, livre e quilombola que Francisco passou a se chamar Zumbi.Além de impor um outro nome aos escraviza- dos, o tráfico de escravos separava, para sempre, as famílias. Foi uma grande mistura

de povos, famílias, crenças e línguas durante 350 anos. Pessoas de origens, línguas, religião e hábitos diferentes, por vezes inimigas no continente africano, eram obrigadas

conviver e a trabalhar forçadas, durante os longos e violentos anos de escravidão. No regime escravista, autoridades proibiam ajuntamento de negros da mesma A liderança e destreza de Zumbi, era tamanha que se criou um mito sobre a imortalidade do mesmo. Pois ele escapava de muitas emboscadas, arquitetava a fuga de escravizados, causando grande horror aos senhores de engenhos e a coroa portuguesa.

a

Assim, Zumbi se tornou um símbolo da resistência negra. O 20 de novembro, aniver- sário de sua morte é escolhido como o dia da Consciência Negra. Um dia dedicado às atividades de reflexões, debates sobre o negro na sociedade brasileira.

Atividades Interdisciplinares

1)

Orientado pelo/a professor/a de língua portuguesa, desenvolva as questões que

seguem:

a. Escreva em seu caderno uma redação com o tema: “Zumbi: uma vida dedicada à luta pela sua comunidade”.

 

2. Leia a frase: “Zumbi dos Palmares nasceu no estado de Alagoas no ano de 1655”.

a) Em qual região brasileira fica o estado de Alagoas? Qual a capital desse estado?

b)Que exemplo pode-se tirar da luta dos palmarinos para a luta de sua comunidade

 

quilombola?

 
 
Verifique o mapa e responda: 1) Escreva o nome de outros estados que compõem a

Verifique o mapa e responda:

1) Escreva o nome de outros estados que compõem a região em que o estado de Alagoas está localizado.

2) Qual a região que se localiza o estado de Mato Grosso?

3) Quais os estados que fazem parte da mesma região de Mato Grosso?

4) Em qual região do Brasil se localiza o Distrito Federal?

Orientado pelo/a professor/a de religião, desenvolva as atividades que seguem:

5) Discuta com seus colegas, o sig- nificado do termo Consciência Negra

e sua importância no contexto de sua

comunidade quilombola. Após isso faça cartazes sobre o tema e disponha no espaço da escola.

6) Escreva um pequeno texto no qual você irá demonstrar o que é ter consciência negra:

7) Com 15 anos de idade Zumbi volta para o Quilombo de Palmares para contribuir com

a luta quilombola. Orientado pelo/a professor/a de religião organize um debate acerca da importância da participação dos adolescentes e jovens na construção de uma sociedade mais justa e igualitária:

8) Juntamente com professor/a de língua portuguesa, arte, história, geografia organize em sua comunidade discussão sobre o dia 20 de novembro (Dia Nacional da Consciên- cia Negra):

9) Orientado pelo seu professor/a de arte monte uma peça de teatro no qual você e seu grupo encenarão a vida e luta de Zumbi de Palmares:

31

professor/a de arte monte uma peça de teatro no qual você e seu grupo encenarão a
    História de alguns heróis e heroínas negras no Brasil   O silêncio existente
    História de alguns heróis e heroínas negras no Brasil   O silêncio existente
   

História de alguns heróis e heroínas negras no Brasil

 

O silêncio existente sobre a participação do negro na história do Brasil retrata um dos aspectos perversos do racismo na sociedade brasileira. No ensino de história é negado o protagonismo negro e aprendemos erroneamente que as grandes lideranças, os grandes feitos das personalidades do país, foram protagonizados somente pelos brancos. Como os negros estiveram em situação desigual em relação aos brancos, poucas histórias a seu respeito foram registradas. Sem contar, que nos poucos casos registra- dos, omitiram a origem étnico-racial ou, simplesmente mudaram a cor dos mesmos, a tal ponto, de pessoas, mesmo lendo e estudando sobre determinadas personalidades negras brasileiras de séculos passados, as imaginarem como brancas. Isso porque as imagens de alguns foram veiculadas como brancos, como o caso, de Machado de Assis

Aleijadinho. Conheçam agora algumas personalidades negras que se destacaram, influenciaram e influenciam na história brasileira, mesmo vivendo em situações de extrema adversidade.

e

Francisco José do Nascimento O Dragão do Mar! Francisco José do Nascimento recebeu esse apelido
Francisco José do Nascimento
O Dragão do Mar! Francisco José do Nascimento recebeu esse apelido em decorrência
da sua luta contra a embarcação de escravizados, realizada pelos escravocratas do
Ceará que estavam vendendo os cativos para os fazendeiros da região sudeste. Com
isso, pretendiam atenuar os prejuízos devido a uma grande estiagem e à epidemia do
cólera que ocorria no período de 1877 a 1879.
Francisco era presidente da Sociedade Cearense Libertadora, que opunha ao escravis-
mo no estado do Ceará. Conhecedor do mar, pois era filho de pescador e, ainda garoto,
prestava serviço ao navio Tubarão, fazendo entregas de recados, tornou-se mais tarde,
prático-mor da barra do Porto de Fortaleza. Diante da situação que se instalou, organi-
zou os jangadeiros, bloqueando o porto. Uma das importantes ações que exemplificam
luta abolicionista no Ceará, que fizeram com que o Estado fosse o primeiro a abolir a
escravidão, no ano de 1884. Francisco nasceu em 1839, vindo a falecer 1914.
a
Dandara Dandara foi uma grande guerreira na luta pela liberdade do povo negro. Ainda no
Dandara
Dandara foi uma grande guerreira na luta pela liberdade do povo negro. Ainda no século
XVIII, participou da lutas palmarinas, conquistando um espaço de liderança. De forma
intransigente entendia que a liberdade era inegociável, enfrentando todas as batalhas
que sucederam em Palmares. Ela era a companheira de Zumbi dos Palmares. Opôs-se
juntamente com ele a proposta da Coroa Portuguesa em condicionar e limitar reivindi-
cações l dos palmarinos em troca de liberdade controlada. Dandara morreu em 1694
na frente de batalha, para defender Quilombo dos Macacos, mocambo pertencente ao
quilombo de Palmares.
Luísa Mahin Luísa Mahin, foi uma protagonista importante na Revolta dos Malês. Conforme alguns estudiosos,
Luísa Mahin
Luísa Mahin, foi uma protagonista importante na Revolta dos Malês. Conforme alguns
estudiosos, se essa revolta vingasse, Luísa seria a rainha da Bahia. Construindo um
reinado em terras brasileiras, já que fora princesa na África, na tribo Mahi, integrante da
nação nagô. Foi alforriada em 1812. Ela também participou da Sabina em 1837-1838.
Perseguida, acabou fugindo para o Rio de Janeiro. Não se sabe ao certo, mas prevê-se
que essa importante mulher, tenha sido extraditada juntamente com seus companheiros
mulçumanos africanos que encabeçaram a Revolta dos Malês.
32

32

32
  Carolina Maria de Jesus Carolina Maria de Jesus nasceu em Sacramento no interior de
  Carolina Maria de Jesus Carolina Maria de Jesus nasceu em Sacramento no interior de
 

Carolina Maria de Jesus Carolina Maria de Jesus nasceu em Sacramento no interior de Minas Gerais, no ano de 1914. Sendo de uma família extremamente pobre, trabalhou desde muito cedo para auxiliar no sustento da casa. Com isso, acabou não freqüentando a escola, além de 02 anos. Mudou-se para São Paulo, indo morar na favela, para sustentar a si e seus filhos. Tornou-se catadora de papel. Guardava alguns desses papéis, para registrar seu cotidi- ano na favela, denunciando a realidade excludente em que viviam os negros. Em 1960 foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, que conheceu seus escritos. Assim, ela escreveu o livro Quarto de Desejos que vendeu mais de 100 mil exemplares. Tornou-se uma escritora reconhecida, particularmente fora do país, sendo incluída na antologia de escritoras negras, publicada em 1980 pela Random House em Nova York.

 
 

André Rebouças Rebouças, além de ter sido um dos mais importantes militantes do movimento aboli-

cionista no Brasil, foi uma das maiores autoridades no país em engenharia hidráulica

e

ferroviária. Nasceu em 1838, filho de Antonio Rebouças, advogado, Parlamentar e

Conselheiro do Império. Estudou nas melhores escolas do Rio de Janeiro, completando seus estudos na Europa, onde se especializou em fundações e obras portuárias. Partici- pou na Guerra do Paraguai, como engenheiro. Construiu as primeiras Docas Rio de Ja- neiro, Maranhão, Recife e Bahia e o1º Plano de Abastecimento de águas do (de onde?). Foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira Contra a Escravidão. André Rebouças, também era, geólogo, matemático, biólogo, astrônomo, higienista e filantropo. Morreu no ano de 1898.

 
Cruz e Souza João Cruz e Souza foi um grande personagem da luta abolicionista no
Cruz e Souza
João Cruz e Souza foi um grande personagem da luta abolicionista no país.
Filho de
pais foros Nasceu no dia 24 de novembro no ano de 1861 em Florianópolis, era poeta
e
jornalista. Defensor da abolição, utilizou de seu talento como orador e poética para
denunciar o escravismo e a hipocrisia brasileira frente a escravidão. Suas obras con-
sagradas, o tornou um dos maiores expoentes do simbolismo brasileiro, dentre seus
escritos destacam-se os livros o Missal e Broqueis. Chegou a ser funcionário nomeado
da Central de Ferro do Brasil. Morreu em 1898 de tuberculose.
Aqualtune Aqualtune era uma princesa do Reino do Congo, foi trazida escravizada para o Brasil,
Aqualtune
Aqualtune era uma princesa do Reino do Congo, foi trazida escravizada para o Brasil,
logo que foi derrotada em guerra no interior do reinado. Quando desembargada no
Brasil em Recife, foi vendida e levada para o sul de Pernambuco. Não demorou a inte-
grar os movimentos de fugas que explodiam no regime escravocrata, tornando-se uma
liderança importante para os quilombos de Palmares. Segundo o que aponta alguns
estudos, Aqualtine era avó de Zumbi dos Palmares. Morreu queimada quando já estava
velha.
Mãe Menininha do Gantois Mãe Menininha do Gantois nasceu em 10 de janeiro de 1894.
Mãe Menininha do Gantois Mãe Menininha do Gantois nasceu em 10 de janeiro de 1894.
Mãe Menininha do Gantois
Mãe Menininha do Gantois nasceu em 10 de janeiro de 1894. Era neta de escravizados
da tribo Kekeré, da Nigéria. Foi iniciada no Candomblé, ainda criança, no terreiro fun-
dado pela sua bisavó. Aos 28 anos de idade, como filha de Oxum, assumiu o cargo de
maior hierarquia na religião. Conseguiu estabelecer interlocuções com várias personali-
dades, buscando o respeito da sociedade para a religião, muito perseguida pelo poder
político. Devido seus poderes espirituais e sua capacidade de agregar as pessoas,
conquistou respeito até mesmo de outras religiões. Tornou-se a mais respeitável mãe-
de-santo da Bahia, onde até hoje funciona o terreiro do Gantois, fundado em 1849, por
sua bisavó. Sempre divulgava o Candomblé, explicando sobre a importância do mesmo.

33

do Gantois, fundado em 1849, por sua bisavó. Sempre divulgava o Candomblé, explicando sobre a importância
Sua vida religiosa foi marcada pela fé e bondade. De grande carisma, Mãe Menina do
Sua vida religiosa foi marcada pela fé e bondade. De grande carisma, Mãe Menina do

Sua vida religiosa foi marcada pela fé e bondade. De grande carisma, Mãe Menina do Gantois tinha respeito de personalidades importantes dentre as quais Dorival Caymmi, Caetano Veloso, Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Faleceu aos 92 anos, em 1986 na cidade de Salvador.

Tereza de Benguela Teresa de Benguela foi uma liderança quilombola que viveu no séc. XVIII. Mulher de José Piolho, que chefiava o Quilombo do Piolho ou Quariterê, nos arredores de Vila Bela da Santíssima Trindade, Mato Grosso. Quando seu marido morreu Teresa assumiu o comando. Revelou-se uma líder ainda mais implacável e obstinada. Valente e guer- reira ela comandou o quilombo do Quariterê, este cresceu tanto sob seu comando que agregou índios bolivianos e brasileiros. Isso incomodou muito as Coroas, espanhola e portuguesa. A Coroa Portuguesa, junto à elite local agiu rápido e enviou uma bandeira de alto poder de fogo para eliminar os quilombolas. Teresa de Benguela foi presa. Não se submetendo a situação de escravizada, suicidou-se.

Em diversas situações, a história dos heróis negros e heroínas negras estão imbrica- das à luta geral da população negra em contraposição ao escravismo e/ou outras varia- das formas de racismo presentes na sociedade brasileira. Mas é importante salientar que muitas dessas personagens continuam anônimos na história brasileira.

brasileira. Mas é importante salientar que muitas dessas personagens continuam anônimos na história brasileira. 34

34

brasileira. Mas é importante salientar que muitas dessas personagens continuam anônimos na história brasileira. 34

Os acontecimentos sociais e históricos são vivenciados por todos os participantes da sociedade seja no campo individual ou coletivo. Cada grupo ou indivíduo vai registrando assim sua participação na história, conforme o contexto histórico, suas condições huma- nas, seus instrumentos de lutas e os interesses envolvidos. A abolição da escravatura não se deu por um acaso, foi um processo de longa dura- ção, marcada por contínuas revoltas e rebeliões de africanos e seus descendentes. As resistências negras contra a escravidão se deram de variadas formas, dentro dos limites do contexto de escravizados, os esforços empregados pelos negros revelam cora- gem e rebeldia na luta contra a escravidão, nada tendo de passividade ou resignação. Os negros participaram dos contextos da história do Brasil, seja como protagonista das lutas específicas e/ou como participantes do processo histórico das lutas gerais por melhoria de condições sociais, políticas e econômicas. Os mecanismos de resistências a escravidão como fugas, suicídios e insurreições foram constantes em todo o território nacional.

Agora veja abaixo algumas das lutas e resistência negra no Brasil:

Revolta dos Malês - Salvador/BA

negra no Brasil: Revolta dos Malês - Salvador/BA Negro Mulçumano – Pintura de Debret Malês era

Negro Mulçumano – Pintura de Debret

Malês era o termo usado para refe- rir-se aos africanos nagôs mulçuma- nos, que possivelmente foram trazidos

para o Brasil, no final do século XVIII. Esse grupo era oriundo de socieda- des africanas, altamente desenvolvida, complexas, organizadas politicamente e avançadas economicamente.

A Revolta dos Malês integra um dos

importantes capítulos na história da resistência negra no país. Ocorreu em

1835 na Província da Bahia, cidade de Salvador. Os africanos escravizados e libertos de origem hauçás e nagô ocu- param as ruas de Salvador nos dias

24 e 25 de janeiro, tendo por objetivo contrapor ao regime escravocrata e a imposição da religião católica.

O movimento tinha propósitos bas-

tante radicais, como tomar o poder dos brancos e implantar o islamismo

na Bahia. Os malês praticavam sua re- ligião de forma clandestina, pois a manifestação religiosa era permitida somente para os católicos. Embora tenha durado pouco tempo a revolta, abalou as estruturas do regime escra- vagista, dando mostra da extensa determinação dos revoltosos. Os participantes do movimento, rapidamente espalharam-se pelas ruas de Salvador. Contudo, os rebeldes foram delatados e duramente reprimidos pela força policial. O confronto entre revoltosos e o aparato repressivo, foi sangrento, tendo um desfecho des- favorável para o malês.

O confronto entre revoltosos e o aparato repressivo, foi sangrento, tendo um desfecho des- favorável para
O confronto entre revoltosos e o aparato repressivo, foi sangrento, tendo um desfecho des- favorável para

35

O confronto entre revoltosos e o aparato repressivo, foi sangrento, tendo um desfecho des- favorável para
    Houve uma enorme repressão aos malês sobreviventes e a qualquer negro suspeito de
    Houve uma enorme repressão aos malês sobreviventes e a qualquer negro suspeito de
   

Houve uma enorme repressão aos malês sobreviventes e a qualquer negro suspeito de

ter participado da revolta, ocorrendo deportação dos africanos livres. Dentre os protagonistas da Revolta dos Malês pode-se citar Luisa Mahim (mãe do poeta Luís Gama), Agostinho, Ambrósio, Engrácia, Gaspar, Luis, José Saraiva. Os forros, Jorge da Cunha Barbosa e José Francisco Gonçalves, os escravizados Joaquim, Gonçalves e Pedro, foram sentenciados ao fuzilamento por participarem da revolta.

 

Balaiada - Maranhão

A

rebelião Balaiada, resulta de uma crise política no Período Regencial ocorrida no

 

Maranhão no período de 1838 a 1841. Passou a configurarar-se numa rebeldia popular

com participação de escravos, pobres e prisioneiros.

O Período Regencial brasileiro começou em 1831 e terminou em 1840, decor- rente da abdicação
O Período Regencial brasileiro começou
em 1831 e terminou em 1840, decor-
rente da abdicação do trono, pelo impe-
rador Pedro I. Seu sucessor, D. Pedro
de Alcântara , sem ter idade suficiente
para assumir o trono, a adminitração do
Brasil, passou para a mão dos regentes
( O quê?). Foi um dos periodos mais
conturbardos da história do império bra-
sileiro, com ocorrências de muitas re-
voltas e rebeliões.

e

ta

Dentre as principais lideranças do movimento estava Cosme Bento das Chagas, ex-escravo, Raimundo Gomes

Manuel Francisco dos Anjos Ferreira,

que tinha como oficio fazer balaios, daí o nome dado à rebelião de balaiada. O pano de fundo da luta era a dispu-

partidária pelo poder local, nascida da

rivalidade entre grupos da elite. A luta generaliza-se, agregando os pobres in- satisfeitos com suas condições, vendo

uma oportunidade de mudança. No pe- ríodo dois grupos políticos, os Bentevis (liberais) e Cabanos (conservadores), se alternavam no poder. As disputas e divergência entre os dois grupos eram constantes.

 

A

população maranhense passava por uma séria crise econômica, decorrente da des-

valorização do preço do algodão e a perda de mercado no exterior para os Estados Uni- dos. A partir de 1830, a então província do Maranhão, passou a ser palco de várias lutas dos dois grupos políticos. Os conservadores que se encontravam no poder e os liberais, que estavam em situação de oposição.

a e

a

e

Os bentevis lançaram campanha para diminuir o controle de poder dos con- servadores. Essa disputa chegou até a

camada popular. É nesse contexto que se explodiu a Rebelião dos Balaios. Com

participação dos negros escravizados

livres, a Balaiada adquiriu um caráter

social, fugindo ao controle das disputas partidárias que deu origem a rebelião. Na adesão dos negros à Balaiada, destaca-se a participação de Cosme, ex-escravo e chefe de um quilombo, que tinha sob sua liderança 3.000 quilombolas.

 

Os revoltosos ganharam vários adeptos, chegaram a controlar uma importante cidade chamada Caxias, tendo algumas outras conquistas. Contudo, o governo realizou uma intensa repressão ao movimento, com tropas armadas. A revolta foi duramente reprimida,

36

36

36
  o coronel Luis Alves de Lima e Silva foi escolhido para acabar com o
  o coronel Luis Alves de Lima e Silva foi escolhido para acabar com o
 

o

coronel Luis Alves de Lima e Silva foi escolhido para acabar com o levante. Com um

 

número expressivo de homens sob sua liderança, retomaram o controle nas regiões em que tinham forte presença dos balaios e conseguiram conter a revolta que se espalhava por várias regiões.

 

A balaiada foi sustentada até o final praticamente somente pelos negros, liderados por Cosme. Em 1840, muitos dos revoltosos se renderam. Alguns receberam anistia em troca de auxiliarem na deleção dos revoltosos. A tropa de Cosme, lutou até a morte; não aceitavam serem reescravizados. O coronel Luis Alves de Lima e Silva, por sua vitória,

contra os revoltosos, recebeu o título de Duque de Caxias. Os lideres da balaiada, Mano-

el

Francisco Gomes morreu em combate, Raimundo Gomes foi expulso do Maranhão e

Cosme, líder dos negros rebelados foi preso e condenado à forca.

 

Agora é com você

1) Relate algum episódio importante da história da sua comunidade quilombola. Exem- plo: registre as formas de luta realizadas para o reconhecimento da área quilombola, as dificuldades e vitórias, formas de manifestação e as pessoas que participaram.

2)Aproveite para aprender um pouco mais sobre o negro na história do Brasil. Faça trabalho em grupo. Pesquise sobre a história de outras personalidades negras dos sé- culos passados e contemporâneos que marcam a história política, cultural, intelectual e religiosa do nosso país. Observem abaixo, sugestão de alguns nomes a serem pesqui- sados:

Aleijadinho (1730–1814) Antonieta de Barros (1901-1952) Auta de Souza (1876–1901) Benjamin de Oliveira (1870-1954) Chiquinha Gonzaga (1847-1935) Elizeth Cardoso (1920–1990) Jackson do Pandeiro (1919-1982) João Cândido (1880–1969) José do Patrocínio (1853-1905) Lélia Gonzalez (1935-1994) Leônidas (1913-2004) Lima Barreto (1881-1922) Luiz Gama (1830-1882) Machado de Assis (1839-1908) Mãe Aninha (1869-1938) Mário de Andrade (1893-1945) Milton Santos (1926-2001) Paulo da Portela (1901-1949) Pixinguinha (1897-1973) Teodoro Sampaio (1855-1937) Tia Ciata - Hilária Batista de Almeida (1854–1924) Benedita da Silva

Joaquim Benedito Barbosa Gomes - 48 anos, o primeiro negro indicado para compor a mais alta corte do país desde sua criação, em 1829.

Gilberto Gil

37

37

37
    3) Agora é com você Procure conhecer a história de seus antepassados. Escreva
    3) Agora é com você Procure conhecer a história de seus antepassados. Escreva
   

3)

Agora é com você

Procure conhecer a história de seus antepassados. Escreva a história de uma personali- dade importante na luta da sua comunidade quilombola.

 

a)

Nome:

Data de nascimento:

 

b)

Nome:

Data de nascimento:

 
38

38

38
  A escravidão e a mão-de-obra especializada em terras mato-grossense     A idéia de
  A escravidão e a mão-de-obra especializada em terras mato-grossense     A idéia de
 

A escravidão e a mão-de-obra especializada em terras mato-grossense

 
 

A idéia de que o trabalho do negro, no período da escravidão, esteve por muito tempo associado à agricultura e a mineração como únicas formas de uso em atividades produ- tivas deve ser reconsiderada, visto que a presença de escravizados qualificados em uma determinada profissão foi uma constante em várias regiões do Brasil. Em Mato Grosso, foi considerável a presença de negros especializados trabalhando em variadas funções, desde as edificações de povoados, vilas, fortes e cidades até no trabalho de ourivesaria, música e em peças de teatro.

Um exemplo dessa especialização do negro percebe-se nos órgãos de defesa ter- ritorial como no Destacamento de Casalvasco, das Pedras, nos Fortes de Coimbra, do Príncipe da Beira, Fortim de Nossa Senhora da Conceição, posteriormente, Fortaleza de Bragança, nos Arsenais da Marinha e da Guerra e na Fábrica de Pólvora que empregada a mão-de-obra escravizada, através dos chamados “escravos da nação”.

Escravos da Nação era um tipo específico de trabalhadores cativos com uma espe- cialização profissional que pertenciam ao governo e eram alugados para prestar serviços em variadas atividades. Esses escravizados em terra de Mato Grosso foram evidentes. O maior número deles estava alocado na fábrica de pólvora, no Coxipó; outros trabalhavam no Arsenal de Guerra ou estavam a serviço da Câmara Municipal e eram responsáveis por inúmeros trabalhos da municipalidade, inclusive a limpeza pública dos córregos e ruas. Como também na edificação do Forte Príncipe da Beira.

Os negros cativos especializados tinham tratamento diferenciado na capitania de Mato Grosso. Os escravos barbeiros, por exemplo, de suma importância na capitania pela sua arte de tratar os curativos emergenciais e as purgas. Eles pertenciam à Fazenda Real e, de Vila Bela, eram enviados para os fortes para tratar da saúde das pessoas. A presença de povos africanos foi determinante e da sua mão–de-obra ergueram-se aldeias, arraiais, fortes, e vilas. Suas marcas na Repartição de Mato Grosso, região do Guaporé testemu- nham a grandiosidade do projeto português e da diáspora africana, na cotidiana prática das construções.

Essa presença também foi identificada, nas atividades da fábrica de pólvora do Coxipó em Mato Grosso. Denominados de “operários”, eram contratados no Rio de Janeiro, capital do Império, sob forma de contratos individuais por dois anos. O primeiro grupo chegou a Mato Grosso 1861, para trabalhar na Fábrica de Ferro de São João de Ipanema localizada em Sorocaba - São Paulo, depois fora encaminhado à Fábrica de ferro de Vila Maria (Cáceres) e para a Fábrica de Pólvora do Coxipó. Os escravos da nação e os negros livres exerciam as mais variadas profissões ou ofício na fábrica de pólvora entre outras se destaca carpinteiro, pedreiro, ferreiro, serrador, oleiro, malhador, servente-serrador, servente-carreiro, barbeiros, domésticos, vigia de bois. Essa presença também é consta- tada em Cuiabá e Vila Bela da Santíssima Trindade e outras vilas mato-grossense.

Conveniente se faz ressaltar que não só os escravos da nação eram mãos-de-obra especializadas, alguns senhores também investiam na qualificação de seu plantel e as usavam como escravos de ganho, os que trabalhavam como vendedores e outras ativi- dades desenvolvidas nas vias públicas dos espaços urbanos no Brasil. Embora fossem essenciais para o funcionamento da cidade e para a comodidade dos seus habitantes, pois estes desempenhavam as mais variadas atividades, desde transporte de pessoas e

39

39

39
    mercadorias nas ruas e portos até amas de leite no interior das residências
   

mercadorias nas ruas e portos até amas de leite no interior das residências senhoriais.

Eles eram vigiados permanentemente, já que os escravizados urbanos protagonizaram as mais organizadas rebeliões do período imperial, entre elas pode-se citar a Revolta dos Malês na Bahia em 1835.

 

Apesar de todo o aparato repressor, no meio urbano a escravidão diferia do mundo rural, visto que os primeiros desfrutavam de certa liberdade de movimento bem maior do que seu parceiro do campo. Por passar parte do seu tempo longe dos olhos do seu senhor podia entrar em contato com idéias, pessoas e, isso contribuía para melhor orga- nizar formas diversas e sutis de burlar as normas e regras impostas pelo escravismo.

Entre as formas sutis de lutar contra a condição injusta da situação de cativo cita-se a prática do compadrio, no qual negros, principalmente os cativos, davam seus filhos para os senhores batizarem. Os laços de compadrio era um dos organismos perspicazes de que o escravo usava para beneficiar a si e aos seus filhos, pois através do batismo era estabelecido um parentesco espiritual entre o padrinho e o afilhado e entre os compadres. Se por um lado essa estratégia beneficiava os escravizados e seus filhos, também não se pode negar que o senhor também usava desse subterfúgio para evitar a fuga de seus escravos.

 

Sobre a trajetória do negro em Mato Grosso no final do século XIX, na Província de

 

Mato Grosso, é bom que se ressalte a participação de escravos e forros na Guerra contra

o

Paraguai (1864 -1870), no qual muito afro-matogrossense foram armados pelos seus

senhores, e partiram para frente de batalha para defender interesses do Império brasilei-

ro.

 

ATIVIDADES INTERDISCIPLINARES

 

1) Leia o texto acima e demonstre as formas de resistência que os negros e afro- descendentes em Mato Grosso usaram na luta contra a escravidão:

 

2) Explique porque a forma de compadrio era uma resistência negra em Mato Gros-

 

so:

3) Demonstre quais as atividades que os negros escravizados desenvolviam em terras do Mato Grosso à época colonial e imperial:

 

4) Orientado pelo/a professor/a de religião, organize um debate com o tema: “Emprego

 

e

cidadania”.

40 5) Orientado pelo/a seu/a professor de arte e de geografia, desenhe o mapa de

40

5) Orientado pelo/a seu/a professor de arte e de geografia, desenhe o mapa de Mato Grosso, destacando o município, onde está a sua comunidade.

  Os Quilombos em Matogrosso C A P Í T U L O 2 Em
 

Os Quilombos em Matogrosso

CAPÍTULO 2

Em Mato Grosso, desde os primórdios da colonização têm-se notícias de organização quilombola. Dentre outras, pode-se citar o quilombo do Quariterê ou do Piolho, localizado nos arredores de Vila Bela da Santíssima Trindade, primeira capital de Mato Grosso. Esse quilombo, além de servir de refúgio de negros escravizados, também acolhia ameríndios de várias nações, como, por exemplo, os Cabixis. Entre as várias especificidades desse espaço de diversidade cultural e étnica, destaca-se a liderança de Tereza de Benguela, a rainha Tereza, como era conhecida pelos aquilombados. Mulher forte e destemida enfren- tou seus algozes com tenacidade para ver seu povo livre do domínio da escravidão.

 

A

idéia de pobreza e miséria nos quilombos, como espaço de saltimbancos e malfeito-

 

res cultivadas pela elite, contrasta com a realidade do Quariterê, visto que, ao ser atacado,

no seu interior foram encontradas grandes plantações de milho, feijão, favas, mandiocas, amendoim, batatas, carás e outras raízes, assim como muitas bananas, ananás, abóbo- ras, fumo, galinhas e algodão do qual teciam panos grossos para confecção de roupas. Conclui-se, então, que a vida e o cotidiano nesse espaço, eram de fartura alimentícia e de víveres.

 

A presença negra em Mato Grosso no período colonial 1

 

A

diáspora negra para a América, foi responsável pelo surgimento de povoados, vilas e

 

cidades. Com esse processo, os negros exportaram cultura, idéias e símbolos por todo o Novo Mundo. Na capitania de Cuiabá e Mato Grosso, em especial nas regiões das minas do Guaporé, antes mesmo da fundação da Vila-Capital, a presença da população negra já era uma realidade. Nesse território, os africanos e seus descendentes na América, constituíram sua singularidade, ou seja, estabeleceram sociabilidades, muito demarca- das por convivências, diferenças e desencontros, mas que configurariam uma cultura mato-grossense, que, de terra de índios passaria a ser também “território de negro”.

 

A

entrada de novos africanos cativos e forros, deu-se, principalmente entre 1755 e

 

1778, durante a vigência da Companhia Geral de Comércio Grão-Pará e Maranhão, cria- da para movimentar o comércio entre Belém do Pará e Vila Bela. Usando o caminho do rio Amazonas, passando pelos rios Mamoré e Madeira, no atual Estado de Rondônia,

e

chegando ao Rio Guaporé, à sua margem estava instalada a Vila-Capital de Cuiabá e

Mato Grosso. A rota transatlântica de cativos africanos para o Grão-Pará e Maranhão, despachou 4.917 escravos para Vila Bela da Santíssima Trindade, que teve entradas pre- dominantes de negros de Guiné – Cachêu e Bissau – em segundo lugar de Angola. Possi- velmente, são essas as origens africanas dos negros que adentraram a nossa região.

Estima-se que os cativos desembarcados na região amazônica portuguesa, entre o século XVIII e as primeiras décadas do XIX, predominaram os de procedências das na- ções do grupo bantos tais como Angola, Congo, Benguela, Cabinda, Moçambique, Mo- xicongo, Mauá, Caçanje; as nações do grupo Sudanês, sendo os representantes os Mi- nas, Fânti-Achânti, Mali/Maí/Mandinga, Fula, Fulupe/Fulupo, Bijogó e as nações do grupo Guiné-Sudanês representados pelos Calabar/Cabará e Peuls.

 

Muitos cativos dessas nações desembarcam em de Vila Bela da Santíssima Trindade.

 

foi, esse universo diversificado de grupos étnicos que somando-se à diversidade das nações ameríndias e mais os colonizadores europeus, que resultaram, numa formação

E

somando-se à diversidade das nações ameríndias e mais os colonizadores europeus, que resultaram, numa formação E
 
 

1 Texto extraído do artigo de Acildo Leite. A Cultura Negra em Mato Grosso:

Territorialidades e Identi- dades, digitado. 2008. Acildo Leite é professor da Universidade Federal do Maranhão, Doutor em Educação pela Universi- dade Federal Fluminense – UFF - RJ.

43

43
  2 Texto extraído do artigo de Acildo Leite. A Cultura Negra em Mato Grosso:
 

2 Texto extraído do artigo de Acildo Leite. A Cultura Negra em Mato Grosso:

Territorialidades e Iden- tidades, digitado. 2008. Acildo Leite é professor da Universidade Federal do Maranhão, Doutorando em Educação pela Univer- sidade Federal Fluminense – UFF - RJ.

CURIOSODADE

José Piolho, levava esse apelido pelo fato de existir um córrego denomi- nado Piolho cor- tava o quilombo do Quariterê.

44

44

 
 

sócio-cultural fortemente marcada por um processo de mestiçagem, uma vez que nes- se espaço encontrou e confrontou a cultura européia e africana com as diversas etnias ameríndias.

 

A

colonização portuguesa nessa parte mais central da América do Sul, contou com

gente e braço africano para dominar a fronteira do Guaporé. Parceiro imprescindível nes-

 

se projeto colonizador, o próprio governador de Mato Grosso Rolim de Moura, em 1752, reconheceu isso, ao escrever carta a corte portuguesa, solicitando mais negros para a capitania, argumentando que os brancos sem os negros, “em toda a parte da América,

e

principalmente em minas quase se pode dizer que são inúteis”.

O

reconhecimento do valor do africano nos projetos lusitanos estava para além da

mão-de-obra cativa, pois os portugueses reconheciam e dependiam, também, dos co- nhecimentos que esses africanos eram portadores. Conhecimentos sobre a arte da mi-

 

neração, a arte do ferro - muitos africanos eram hábeis ferreiros -, a arte da construção, pois na América construíram fortalezas para a defesa do território português, como por exemplo, o Forte Príncipe da Beira, erguido na margem do Rio Guaporé próximo de Vila Bela. Construíram também, cidades como a própria vila-capital. Como guerreiros e co- nhecedores da arte da guerra, desde o continente africano, muitos negros que chegaram como cativos à capitania de Mato Grosso foram transformados em Dragões da Fronteira,

a

guarda do território fronteiriço.

Como dragões, os negros dessa companhia pegaram em armas, defenderam a fron- teira das invasões espanholas. Pelos seus despojamentos e habilidade na defesa da fron- teira, a companhia dos dragões negros teve seu reconhecimento registrado nos Anais da Câmara de Vila Bela e muitos foram premiados pelas autoridades do reino. No ano de 1763, no confronto com os espanhóis, em que morreu uma autoridade de Castela.

 

Mobilidade e participação negra na fronteira da colônia 2

Em Vila Bela, conforme consta nos Anais da Câmara de Vila Bela da Santíssima Trin- dade, negros desempenharam função de ferreiro, carpinteiro, pedreiro, barbeiro e rábula, como o caso do barbeiro Ignácio Batista e do rábula Cardoso de Guaporé. Também, há registros de muitas negras na atividade do comércio e em outras atividades como no caso de Benta Cardoso que de tanto perturbar o governador Rolim de Moura foi expulsa, “por ser causa de distúrbios”, e mandada presa para Cuiabá. Esses são exemplos de como os negros vão se percebendo nessa fronteira e se colocando como sujeito histórico

 

Na sociedade do século XVIII, ser negro barbeiro e rábula era de uma grande ex- cepcionalidade, pois representavam, no contexto das relações escravocratas, condições mais privilegiadas, recebendo tratamento diferenciado pelo conhecimento que detinham. As fugas eram uma constante, os negros cativos passavam para as terras espanholas, garantindo sua liberdade. Tais ações chegaram a desestabilizar o contingente de mão- de-obra cativa na região, o que levou a coroa de ambos os lados, a assinarem acordo de devolver os negros fugitivos que estivessem em seus territórios.As fugas levaram esses negros, também, a formarem quilombos, principalmente o quilombo Grande. Para fazer frente a essas fugas e descobrir a localização desse quilombo, criaram uma “companhia de soldado ligeiro para o sertão e mato com oficiais competentes” que no dia 29 de julho de 1769 localizaram a margem de um dos rios afluente do Guaporé o afamado quilombo Grande. Esse quilombo era o antigo Quariterê, liderado inicialmente por Zé Piolho e após sua morte, por Tereza de Benguela. Ela era a rainha do quilombo, liderava através de uma espécie de parlamento, com local específico de reuniões para tomada de decisões.

do quilombo, liderava através de uma espécie de parlamento, com local específico de reuniões para tomada

Quilombos na atualidade

Quilombos na atualidade A população negra no Estado de Mato Grosso constitui maioria. Inclusive, existem municípios
Quilombos na atualidade A população negra no Estado de Mato Grosso constitui maioria. Inclusive, existem municípios
Quilombos na atualidade A população negra no Estado de Mato Grosso constitui maioria. Inclusive, existem municípios

A população negra no Estado de Mato Grosso constitui maioria. Inclusive, existem municípios em que este percentual passa dos 80%, como é o caso de Poconé, Acorizal, Alto Paraguai, Barão de Melgaço, Jangada, Rosário Oeste e Santo Antônio de Leverger.

Apesar desse elevado percentual de afro-mato-grossenses, nessas cidades, ainda paira no imaginário de muitas pessoas que só nos municípios de Vila Bela da Santís- sima Trindade e Nossa Senhora do Livramento, há uma concentração grande de ne- gros. Conforme o censo do IBGE-2001, a população mato-grossense abarca um total de 2.505.245, destes 1.341.907 é de negros, constituindo a maioria da população que atinge 53,6%, uma porcentagem maior que a média nacional.

Os Quilombos em Mato Grosso, historicamente em sua composição populacional, fo- ram caracterizados pela presença de negros vindos de variadas partes do país e do con- tinente africano em diversas situações que não somente na condição de escravizados, mas também de alforriados que preferiram viver nas regiões de quilombos: comunidades negras rurais formadas por ex-escravos e libertos. Esses quilombos se constituíram de terras compradas por irmandades, terras abandonadas pelos grandes proprietários, terras de santo, terras herdadas dos senhores e por produto do antigo sistema de sesmaria.

As movimentações em busca do reconhecimento dos direitos territoriais das terras de quilombo revelam a amplitude das lutas dos negros no estado de Mato Grosso pelo direito de posse das áreas remanescentes.

45

revelam a amplitude das lutas dos negros no estado de Mato Grosso pelo direito de posse
Tal qual em outras partes do país, o processo de regularização dos quilombos não é
Tal qual em outras partes do país, o processo de regularização dos quilombos não é
simples. Essa luta está em meio a forças políticas que tornaram essas áreas alvos de
projetos hidrelétricos, madeireiros agro-negócio entre outros, em decorrência da intensi-
ficação do processo de mecanização do campo e expansão do capitalismo. As comuni-
dades negras são marcadas pela luta e resistência pela valorização e preservação de sua
cultura, que abarca um patrimônio material e imaterial.
Vejam o quadro abaixo as Comunidades Quilombolas certificadas pela Fundação Palmares:
2005
46
47
47
2006 2007 48
2006
2007
48
Imagens dos Quilombos 49
Imagens dos Quilombos
49
Quilombolas do Complexo Mata Cavalo Quilombolas do Complexo Mata Cavalo Quilombolas do Complexo Mata Cavalo
Quilombolas do Complexo Mata Cavalo
Quilombolas do Complexo Mata Cavalo
Quilombolas do Complexo Mata Cavalo
Quilombolas do Complexo Mata Cavalo Quilombolas do Complexo Mata Cavalo Quilombolas do Complexo Mata Cavalo 50

50

Quilombola do Complexo Mata Cavalo Altar de São Benedito no Complexo Mata Cavalo Artesanato da
Quilombola do Complexo Mata Cavalo
Altar de São Benedito no Complexo Mata Cavalo
Artesanato da Comunidade Quilombola Campina de Pedra
Alunos Quilombolas do Complexo Mata Cavalo
Siriri Quilombola do Complexo Mata Cavalo Alunos Quilombolas do Complexo Mata Cavalo
Siriri Quilombola do Complexo Mata Cavalo
Alunos Quilombolas do Complexo Mata Cavalo
Siriri Quilombola do Complexo Mata Cavalo
Siriri Quilombola do Complexo Mata Cavalo
Alunos Quilombolas do Complexo Mata Cavalo
Alunos Quilombolas do Complexo Mata Cavalo

51

do Complexo Mata Cavalo Siriri Quilombola do Complexo Mata Cavalo Alunos Quilombolas do Complexo Mata Cavalo
  Siriri Quilombola do Complexo Mata Cavalo Quilombola do Complexo Mata Cavalo Quilombola do Complexo
  Siriri Quilombola do Complexo Mata Cavalo Quilombola do Complexo Mata Cavalo Quilombola do Complexo
 
 
 
 

Siriri Quilombola do Complexo Mata Cavalo

Quilombola do Complexo Mata Cavalo

Quilombola do Complexo Mata Cavalo

Complexo Mata Cavalo Quilombola do Complexo Mata Cavalo Quilombola do Complexo Mata Cavalo Quilombola do Complexo
Complexo Mata Cavalo Quilombola do Complexo Mata Cavalo Quilombola do Complexo Mata Cavalo Quilombola do Complexo
Complexo Mata Cavalo Quilombola do Complexo Mata Cavalo Quilombola do Complexo Mata Cavalo Quilombola do Complexo

Quilombola do Complexo Mata Cavalo

Quilombola do Complexo Mata Cavalo

Quilombola do Complexo Mata Cavalo

Complexo Mata Cavalo Quilombola do Complexo Mata Cavalo Cururu Quilombola do Complexo Mata Cavalo Quilombola do
Complexo Mata Cavalo Quilombola do Complexo Mata Cavalo Cururu Quilombola do Complexo Mata Cavalo Quilombola do
Complexo Mata Cavalo Quilombola do Complexo Mata Cavalo Cururu Quilombola do Complexo Mata Cavalo Quilombola do

Cururu Quilombola do Complexo Mata Cavalo

Quilombola do Complexo Mata Cavalo

Siriri Quilombola do Complexo Mata Cavalo

52

Quilombola do Complexo Mata Cavalo Quilombola do Complexo Mata Cavalo Siriri Quilombola do Complexo Mata Cavalo
Quilombola do Complexo Mata Cavalo Quilombola do Complexo Mata Cavalo Siriri Quilombola do Complexo Mata Cavalo

Comunidade Quilombola Chumbo

Comunidade Quilombola Chumbo Mutirão para feitio de biscoitos para a festa de santo ATIVIDADES “ As

Mutirão para feitio de biscoitos para a festa de santo

Mutirão para feitio de biscoitos para a festa de santo ATIVIDADES “ As práticas religiosas afro-brasileira

ATIVIDADES

As práticas religiosas afro-brasileira estão presentes nas atividades das benzedeiras, rezadei- ras, dos cururueiros, dos raizeiros e no siriri.

Localizada no município de Poconé em Mato Grosso, a Comunidade de Chumbo é constituída por 92 famílias que mantém traços culturais vivos da cultura africana no Brasil.

Não se tem precisão da origem do nome da comunidade. As famílias vivem da agri- cultura de subsistência, no qual a banana é o principal produto.

A comunidade depende de uma indústria canavieira ali instalada. No entender da comunidade, essa usina provocou certa miscigenação étnico-racial e cultural, como tam- bém isso faz com que a escola que tem 366 alunos matriculados no Ensino Fundamental (1º ao 9º ano) enfrente alguns obstáculos no seu dia-a-dia, pois essa indústria provoca poluição em geral. Ainda é perceptível, no entender da comunidade, que há por parte da usina açucareira desvalorização do trabalhador, pois além de oferecer baixos salários, ainda efetua o pagamento salarial com atraso.

Conhecendo as personalidades negras nas Comunidades Quilombolas

Manoel Tobias Metelo:

“Manoel Tobias Metelo era negro, escravo, veio de Patos /MG, para a Comunidade de Moraria com sua senhoria. Nessa época a carta de alforria já estava sendo dada para todos os escravos, porém “Mane”, ainda não tinha ganhado a sua, pois o seu patrão era muito ruim.

Um belo dia, Manoel chamou o seu patrão e pediu sua liberdade.No qual ele concor- dou com a proposta do seu escravo. Porém colocou uma condição. O escravo deveria trabalhar por mais quatro anos sem cometer nenhum erro. Manoel concordou.

53

colocou uma condição. O escravo deveria trabalhar por mais quatro anos sem cometer nenhum erro. Manoel
    Passado os quatro anos, o escravo procurou o patrão para cobrar a promessa
    Passado os quatro anos, o escravo procurou o patrão para cobrar a promessa
   

Passado os quatro anos, o escravo procurou o patrão para cobrar a promessa feita,

porém ele voltou atrás, e não quis libertá-lo, e, além disso, ameaçou-o dizendo que se ele fugisse mandaria matá-lo.

 

Mesmo com medo, Manoel Tobias esperou que chegasse a noite, e fugiu. Foi para a fazenda vizinha pediu ajuda para Cesário Pedroso de Barros, um fazendeiro que já havia libertado todos os seus escravos.

 

Cesário Pedroso o acolheu, mas foi procurar o dono do cativo, pois ele era muito

 

perigoso. Cesário, levou consigo, além do escravo Manoel Tobias, seus capangas de confiança. Ao chegar à fazenda Cesário ergueu a mão pedindo paz, este gesto foi aceito

 

e

os fazendeiros foram conversar.

 

Cesário questionou porque o fazendeiro não havia honrado com a palavra e libertado

 

escravo. O dono explicou que não queria libertar Manoel Tobias, porque ele era muito trabalhador, e por isso não queria perdê-lo.

o

 
 

Naquela época a palavra não podia voltar atrás, com isso Manoel Tobias foi libertado.

 

Depois disso Manoel foi trabalhar para Cesário Pedroso, e lá ficou durante oito anos, juntou dinheiro e comprou terras na Comunidade de Guanandi.

 

Manoel Tobias era bastante galanteador, com isso teve três mulheres. Os seus filhos viveram na Comunidade de Chumbo e seus descendentes permanecem ali até os dias atuais”.

 

(Relato fornecido por morador da Comunidade de Chumbo)

 

Atividades interdisciplinares

 

1.

Observe a frase: “Manoel chamou o seu patrão, e pediu sua liberdade”. Orientado

pelo/a professor/a de religião organize um debate onde você e sua turma expressem sua opinião sobre a importância da liberdade para um ser humano:

 

2.

Observe a frase: “Naquela época a palavra não podia voltar atrás”. Orientado pelo/a

professor/a de história, identifique:

 

a) De que época o relato está se referindo?

3. Imagine-se no lugar do Manoel Tobias, você fugiria para onde? Porque você iria para esse lugar?

4.

Orientado pelo/a professor/a de Língua Portuguesa, Ciências e de Educação Física

escreva uma redação com o tema: “Trabalho e lazer como forma de desenvolvimento do ser humano”.

 

5.

Orientado pelo/a professor/a de língua portuguesa e de geografia, entreviste quilom-

bolas de sua comunidade. Nessa atividade peça à pessoa destacar a importância do trabalho para ele ou ela:

 

6.

Em grupos, orientados pelo/a professor/a de Educação Física, organizem um dia

de lazer em sua comunidade quilombola. Depois, mediante desenhos, retrate alguns aspectos ambientais da comunidade.

 
54

54

54
  Entre contos e causos ATIVIDADES “Por volta de 1889, um ano após a abolição
  Entre contos e causos ATIVIDADES “Por volta de 1889, um ano após a abolição
 

Entre contos e causos

ATIVIDADES

“Por volta de 1889, um ano após a abolição da escravatura aconteceu um fato consi- derado bastante triste, na comunidade de Chumbo”. Uma ex-escrava, mesmo com sua carta de alforria sofria o preconceito e o desres- peito por parte dos antigos senhores.Certo dia, a sinhá mandou que a ex-escrava fosse buscar água na cacimba com um pote d’água. Assim que a escrava colocou o pote em sua cabeça, a sinhá começou a espancá-la. Então, a escrava disse:-“Você não vai me bater, porque não sou mais escrava sua.” Então a sinhá ficou furiosa e disse:- “Você vai para o tronco, sua escrava maldita ” Nessa hora Tereza pegou o pote e atirou no tórax da sinhá estourando toda ela por dentro. Depois do ocorrido Tereza correu do lugar, deixando a sinhá morta na beira da cacimba. Este fato não foi conhecido por muitas pessoas, por isso Tereza, não foi punida. (caso relatado por Ana Maria Campos – Moradora da comunidade de Chumbo)

 

Interpretação interdisciplinar de texto:

1)

O fato relatado por Ana Maria Campos, ocorreu em 1889. Orientado pelo/a

professor/a de história, pesquise junto aos moradores de sua comunidade um fato marcante e descreva-o.

 

2)

O ano de 1889 marcou o fim do império brasileiro e início da república em nosso

país. Pesquise, sob a orientação de seu/a pelo/a professor/a de história os fatores que provocaram a transição do Império para a República brasileira, destacando a situação do povo negro com essa mudança de regime de governo.

 

3)

A pessoa que relatou o fato afirma que Tereza era ex-escrava, “mesmo com sua

carta de alforria sofria o preconceito e o desrespeito por parte dos ex-senhores”. Sobre esta afirmação responda:

 

a) Qual o significado do termo carta de alforria?

b) Durante o processo de escravidão no Brasil, qual a importância da Carta de Alforria

para um(a) escravo(a)?

d)

Pesquise como os negros escravizados reagiam aos maus tratos durante o período

de escravidão no Brasil.

 

4)

Orientado pelo seu/a professor/a de religião discuta o significado do termo precon-

ceito racial.

 

5)

“Então a sinhá ficou furiosa”. Explique o significado da palavra furiosa: Escreva uma

frase com essa palavra.

 

6)

“Depois do ocorrido Tereza correu do lugar, deixando sua sinhá morta na beira da

cacimba”. Explique o significado da palavra cacimba: Escreva uma frase com essa palavra.

 

7)

“Nessa hora Tereza pegou um pote e atirou no tórax da sinhá estourando toda ela por

dentro”. Orientado pelo/a professor/a de ciências desenhe um corpo humano e localize

 

onde fica o tórax e qual sua função no corpo humano.

55

55

55
    MOMENTO POÉTICO Anjos Negros   As “pragas devastadoras” invadiram a Diáspora, E
    MOMENTO POÉTICO Anjos Negros   As “pragas devastadoras” invadiram a Diáspora, E
   

MOMENTO POÉTICO

Anjos Negros  

Anjos Negros

 

As “pragas devastadoras” invadiram a Diáspora,

E

embranqueceram nossa cultura.

Transformaram em vovós e vovôs, Nossas iaiás e ioiôs. Instituíram um “bem” branco

 

E

um “mal” negro

Uma “paz” branca,

 

E

um “luto” negro

Almas brancas que vão pro céu,

 

Almas negras, pro inferno.

 

Deuses brancos que são benéficos, Deuses negros que são maléficos Anjos brancos que são “cristos”, Anjos negros que são demônios.

Chega!!!

A

negritude dá seu grito de desabafo!

As crianças negras querem anjos da guarda ne gros.

O

povo negro quer magia negra.

O

povo negro quer cultura negra!

Repudiamos sua prepotência, Repudiamos sua divisão racial, Repudiamos sua aquarela racista. Queremos anjos negros! Faremos um “bem negro”. Somos povo N E G R O!

 

(Shirley Pimentel de Souza) (Poesia retirada da revista eletrônica site: www.mundojovem.com.br)

 

Atividades Interdisciplinares

1)

Sob orientação do/a seu/a professor/a de língua portuguesa desenvolva as atividades

que seguem:

a)

Faça suas considerações pessoais sobre o poema

 

b)

Tendo como a base o poema acima, escreva outro poema com a mesma temática.

2)

Observe a frase: “As “pragas devastadoras” invadiram a Diáspora, e embranquece-

ram nossa cultura”.

3)

Porque o autor afirma que embranqueceram nossa cultura?

 

4)Junto com seu/a professor/a de História e Geografia discuta o que foi a Diáspora Ne- gra, destacando as conseqüências desse fato para o continente africano e para o Brasil. Faça exposição da pesquisa.

 

56

as conseqüências desse fato para o continente africano e para o Brasil. Faça exposição da pesquisa.
as conseqüências desse fato para o continente africano e para o Brasil. Faça exposição da pesquisa.

Comunidade Quilombola Minadouro II 1

Minadouro é uma comunidade quilombola situada na área rural de Poconé-MT. Possui mais ou menos 54 famílias, com uma composição étnico-racial majoritária de negros. Em sua forma organizativa, distribuem-se em áreas separadas, plantam em suas terras e vendem a produção na associação coletivamente. Vale observar que os moradores desta comunidade trabalham em sistema de mutirão.

moradores desta comunidade trabalham em sistema de mutirão. ATIVIDADES 1 Informações fornecidas pela equipe de

ATIVIDADES

1 Informações fornecidas pela equipe de professo- res da Escola Municipal Profa. Antonia do Carmo Andrade.

Essa comunidade, antigamente, tinha como meio de transporte o carro de boi. Hoje os meios de locomoção são bicicletas, charretes, cavalos e carros. Algumas residências ainda são de pau-a-pique. A comunidade destaca-se no município na produção da farinha de mandioca. A agricultura é feita em pequena escala, basicamente voltada para a pro- dução de feijão, milho, mandioca e banana. Como atividades complementares e voltadas basicamente para o consumo interno, destacam-se a criação de animais de pequeno porte, como porcos e galinhas, além da prática de pescaria.

A tradição religiosa na localidade é bastante preservada. Realizam festas de santo; fa- zem questão de guardar as datas comemorativas de cada santo. Conforme os moradores mais antigos na comunidade, isso é uma herança dos seus antepassados que habitavam

a área há muitos anos atrás. A influência negra na cultura na comunidade, observa-se

na prática de benzeções, sincretismo religioso, nas danças como o cururu e siriri. Atual- mente a comunidade vive um processo de reconstrução de sua identidade quilombola; possui reconhecimento da Fundação Palmares, como área remanescente de quilombo.

A grande reclamação dos moradores é a saída dos seus filhos da comunidade para a cidade em busca de trabalho e complemento dos estudos.

Comunidade Quilombola Espinhal

Essa comunidade é composta na sua maioria por remanescentes quilombolas. Ulti- mamente são 11 famílias que moram no local. Houve época que o número de moradores era bastante expressivo. A comunidade trabalhava de forma coletiva, através de mutirão. Porém, no momento, cada família planta para a sua própria subsistência. Já houve época em que esta comunidade abastecia o município de Poconé com farinha de mandioca, polvilho, banana, rapadura, etc.

Ainda existem na comunidade casas feitas de barro e cobertas de palhas, como existia nos quilombos do passado. A preservação dos elementos culturais afro-brasileiros está presente no cotidiano das relações estabelecidas entre os indivíduos.

Vejam alguns desses elementos, conforme comenta uma das moradoras:

“Percebemos a influência da religiosidade afro-brasileira na comunidade, através das danças, das rezas, dos
“Percebemos a influência da religiosidade afro-brasileira na comunidade, através das
danças, das rezas, dos benzimentos, do uso e conhecimento sobre plantas medicinais,
tais como: camomila, vassourinha, hortelã, broto de limão, casca de espinheira, folha de
Angélica, arnica do campo etc. Percebemos as influências afro-brasileiras também atra-
vés da culinária, como os doces, bolos feitos por nós.” (Ozelma Elisa de Abreu)

Nas festas realizadas na comunidade, os moradores fazem questão de preservar a

cultura negra, através da dança do siriri, do cururu, dos conhecimentos e técnicas sobre

o plantio e outras formas de saberes.

57

através da dança do siriri, do cururu, dos conhecimentos e técnicas sobre o plantio e outras
    ATIVIDADES   1) Observe a frase: “Já houve época em que à comunidade
    ATIVIDADES   1) Observe a frase: “Já houve época em que à comunidade
   

ATIVIDADES

 

1)

Observe a frase: “Já houve época em que à comunidade trabalhava de forma coletiva,

através de mutirão”.

 

a)

Explique a importância do trabalho em forma de mutirão para uma comunidade

quilombola.

 

b)

Em sua comunidade ainda existe o trabalho através de mutirão? Explique com detal-

hes como é realizado.

 

c)

Escreva uma frase com a palavra mutirão.

2)

No texto, afirma-se que hoje a Comunidade de Espinhal tem a agricultura de sub-

sistência como forma de economia.

 

a)

Desenvolva um comentário sobre economia de subsistência e economia solidária

como solução para assegurar a abundância de alimento nos quilombos.

 

3)

A autora do relato afirma que: “Nas festas realizadas na comunidade, os moradores

fazem questão de preservar a cultura negra como a dança do siriri, do cururu e as comidas típicas locais”.

 

a)

Destaque e comente sobre as festas realizadas em sua comunidade, comentando

como esses atos contribuem para a preservação cultural e tradições locais.

 

4)

Leia a frase “Já houve época em que esta comunidade abastecia o município de

Poconé com farinha de mandioca, polvilho, banana, rapadura, etc”.

 

a) Faça um levantamento dos produtos cultivados em sua comunidade.

b) Que relação existe entre a economia de sua comunidade com o município de onde

está localizado o quilombo onde você vive?

 

(Dados fornecidos pela professora Ozelma Eloísa de Abreu)

58

de onde está localizado o quilombo onde você vive?   (Dados fornecidos pela professora Ozelma Eloísa
de onde está localizado o quilombo onde você vive?   (Dados fornecidos pela professora Ozelma Eloísa

Comunidade Quilombola Campina de Pedra

Comunidade Quilombola Campina de Pedra A Comunidade Negra Rural Quilombola Campina de Pedra está localizada numa
Comunidade Quilombola Campina de Pedra A Comunidade Negra Rural Quilombola Campina de Pedra está localizada numa
Comunidade Quilombola Campina de Pedra A Comunidade Negra Rural Quilombola Campina de Pedra está localizada numa

A Comunidade Negra Rural Quilombola Campina de Pedra está localizada numa es-

trada vicinal entre a BR 070 e a Rodovia MT 060 – Cuiabá-Poconé. Tem reconhecimento

como área quilombola, expedida pela Fundação Cultural Palmares desde agosto de 2005. A composição étnico-racial da comunidade é composta por uma maioria de remanescen- tes quilombolas, mestiços indígenas e brancos.

É grande a luta dessa comunidade para garantir sua permanência na terra.

Veja o que diz uma professora quilombola:

“A nossa comunidade está situada no município de Poconé a há mais de 150 anos,
“A nossa comunidade está situada no município de Poconé a há mais de 150 anos,
nas terras antes denominadas ‘Cachoeira’. Com o passar dos anos e com a estadia de
grandes fazendeiros na região, nossos antepassados viram-se obrigados a vender os
1.211 hectares, passando a morar em apenas 90 hectares de terra na localidade denomi-
nada ‘Povo do Mato’, isso por volta dos anos 40
denominar-se Campina de Pedra.”
Mais tarde, essa localidade passou a

“A nossa comunidade afro-remanescente hoje tem 36 famílias, porque muitos muda- ”

ram para poder trabalhar e estudar fora

Essa comunidade possui 125 hectares, onde vivem 136 pessoas. A produção agrícola na comunidade é de subsistência, como o plantio de cana-de-açúcar, milho e banana; criação de gado e outros. Possui engenho para a produção de rapadura, melaço e açúcar mascavo e produção familiar de balinhas de banana. Destaca-se nas atividades culturais e religiosas: a dança do siriri e do cururu. As festas de São Sebastião são organizadas pelas famílias, sendo um grande momento de encontro e fortalecimento da fé e cultura local.

59

são organizadas pelas famílias, sendo um grande momento de encontro e fortalecimento da fé e cultura
Conhecendo as personalidades negras nas Comunidades Quilombolas Dona Maria Braulina: uma vida dedicada a serviço
Conhecendo as personalidades negras nas Comunidades Quilombolas Dona Maria Braulina: uma vida dedicada a serviço

Conhecendo as personalidades negras nas Comunidades Quilombolas

as personalidades negras nas Comunidades Quilombolas Dona Maria Braulina: uma vida dedicada a serviço da

Dona Maria Braulina: uma vida dedicada a serviço da comunidade do Chumbo

Dona Maria Braulina, popular mãezinha Maricota, é neta de Manoel Tobias Metelo e filha de Sebastião Metelo e Florência Francisca. Mãezinha Maricota é considerada uma das pessoas mais importantes da comunidade, pois a mesma foi parteira e ajudou as mulheres em seus partos desde 1951 até o no de 2000. Mãezinha é assim chamada por todos justa- mente pelo fato de ser parteira.

Devido a sua eficiência, ela recebeu uma carta do Drº Armando, médico da comunidade, autorizando Dona Braulina a continuar desempenhando o traba- lho de parteira.Dona Maria Braulina, além de ajudar na hora do parto, fazia uma espécie de pré-natal das

mulheres, acompanhando as gestantes durante toda gravidez, arrumando a barriga para que a criança ficasse na posição correta para nascer.

Foto: Dona Maria Braulina

Mãezinha recebia gestante de todas as comunidades vizinhas e conseguiu realizar todos os partos que chegou às suas mãos, sem, contudo deixar nenhuma mãe ou filho falecer. Quando a medicina ficou mais acessível, mãezinha Maricota levava as gestantes até o médico para que fosse feitos o pré-natal e o parto e, se necessário, à cirurgia.

Além de parteira, mãezinha Maricota é também benzedeira de: dor-de-dente, pei- to aberto, arca caída, etc. Nos dias atuais, ela não realiza mais partos, diz que já está can- sada e com idade avançada, porém continua acompanhando algumas gestantes durante a gravidez.

(Informações dadas pelos moradores da comunidade de Chumbo)

Atividades interdisciplinares

1. De acordo com o texto que importância tem Dona Maria Braulina para a comunidade

de Chumbo?

2. Dona Maria Braulina dedica sua vida a servir sua comunidade. Pesquise em sua co-

munidade mulheres que desenvolvem trabalhos junto à comunidade, fazendo um breve

relato do seu trabalho social.

3. Orientado por um/a dos/as seus/suas professores/as, pesquise nome de pelo menos

três mulheres negras que destacam por seus trabalhos sociais.

4. O texto nos informa que: “Dona Maria Braulina além de ajudar na hora do parto, fazia

uma espécie de pré-natal das mulheres, acompanhando as gestantes durante toda gravidez ”

na hora do parto, fazia uma espécie de pré-natal das mulheres, acompanhando as gestantes durante toda

60

5. Orientado pelo/a seu/a professor/a de ciências, pesquise e depois relate a importân-

cia do pré-natal durante a gestação.

relate a importân- cia do pré-natal durante a gestação. 6. O texto nos informa: “Quando a
relate a importân- cia do pré-natal durante a gestação. 6. O texto nos informa: “Quando a

6. O texto nos informa: “Quando a medicina ficou mais acessível, mãezinha Maricota

levava as gestantes até o médico para que fossem feitos o pré-natal e o parto e, se necessário, a cirurgia”. Sobre esta afirmação responda:

6.a) Na sua comunidade, as mulheres são acompanhadas por médicos durante a gravi- dez? Justifique sua resposta.

6.b) Na frase acima, a palavra cirurgia está se referindo a cirurgia cesariana, pesquise porque esse tipo de parto tem esse nome.

7. O texto nos informa que: “Além de parteira, mãezinha Maricota é também benzedeira:

de dor-de-dente, peito aberto, arca caída, etc”. Na sua comunidade existe benzedor ou benzedeira? Descreva a importância de um benzedor ou de uma benzedeira para uma comunidade rural quilombola.

Comunidades Negras Quilombolas do complexo Mata Cavalo

Comunidades Negras Quilombolas do complexo Mata Cavalo Foto: Crianças da Comunidade do complexo Mata Cavalo e

Foto: Crianças da Comunidade do complexo Mata Cavalo e Ribeirão Mutuca

Estima-se que a chegada de negros no município de Nossa Senhora do Livramento, onde concentram as comunidades negras, deu-se entre os anos de 1804-1883, com a introdução da mão-de-obra escravizada, em sua maioria mestiça, advinda de outras partes da Província de Mato Grosso.As Comunidades Quilombolas que formam o com- plexo Mata Cavalo são: Comunidade do Mutuca, Mata Cavalo de Baixo, Mata Cavalo de Cima e Aguassú. Elas estão localizadas às margens da BR-MT 060 em Nossa Senhora do Livramento, a 50 quilômetros de Cuiabá. Constituindo uma área de mais ou menos 14.690,3413 hectares, formando hoje um território quilombola com uma população mé- dia de 418 famílias.

Em, 2005 a Fundação Palmares, expediu o título de reconhecimento como territó- rio quilombola a essa comunidade. E, em 2006 o INCRA, emitiu a titulação da área de

61

de reconhecimento como territó- rio quilombola a essa comunidade. E, em 2006 o INCRA, emitiu a
Sesmarias Mata Cavalo. Em seu contexto histórico, as famílias negras, reivindicam o reconhecimento de sua
Sesmarias Mata Cavalo. Em seu contexto histórico, as famílias negras, reivindicam o reconhecimento de sua

Sesmarias Mata Cavalo. Em seu contexto histórico, as famílias negras, reivindicam o reconhecimento de sua identidade quilombola. Marcado por intensa luta pela posse da terra, que já se estende por mais de 30 anos, já ocorreram no complexo vários despejos, prisões e até mesmo conflitos armados.

A comunidade vive hoje numa área reduzida, o que dificulta o cultivo da terra de ma- neira que não lhes garantem maior desenvolvimento da agricultura de subsistência. Vivem em situação de muitas dificuldades, mas de grandes perspectivas e lutas por garantia de políticas públicas tais como: educação, saúde, moradia. As lideranças distribuídas pelas comunidades, avançam, ocupando áreas que foram invadidas pelos fazendeiros.

Conhecendo as personalidades negras nas Comunidades Quilombolas de Mato Grosso

Rosa Domingas de Jesus

Quilombolas de Mato Grosso Rosa Domingas de Jesus Foto: Dona Rosa Domingues de Jesus Dona Rosa

Foto: Dona Rosa Domingues de Jesus

Dona Rosa Domingas de Jesus, nasceu no dia 05 de maio de 1921, na comunidade quilombola do Mutuca. Casou-se com Miguel Domingos Ferreira de Jesus, também mora- dor da Mutuca. Tiveram 10 (dez) filhos/as. Ela, juntamente com o seu esposo e filhos, sempre lutaram pelas suas terras. Umas das formas de permanência e sobrevivência era o cultivo nas lavouras onde produziam, mi- lho, arroz, cana, abóbora, banana de várias espécies, e dentre outros inúmeros produtos. Além disso, ela também era parteira, rezadei- ra, benzedeira e curandeira da comunidade. Porém após muitos anos de luta, ela ficou viúva aos seus 63 (sessenta e três anos), e mesmo assim continuou a lutar com seus filhos/as, noras, genros e netos/as, contra fazendeiros, policiais, jagunços, garimpeiros;

pois os mesmos faziam toda forma de pressão e de ameaça, para que ela abandonasse a sua propriedade. A única fonte de sobrevivên- cia, que eram as roças de toco, cultivada braçalmente, os fazendeiros, jagunços, corta- vam a cerca e soltavam o gado nas plantações e, não satisfeitos, ainda cortavam os pés de bananas, ou seja, destruíam todas as plantações, colocando até veneno nas plantas. Mas isso não foi o suficiente, para explusá-los, porque, se eles cortavam 2 hectares de plantação, a família de dona Rosa plantava o dobro e não deixava que as ameaças os dominassem. Não tinham sossego: eram dia e noite em claro sem dormir, pois, temiam pelo que poderia acontecer com sua família. Apegavam muito a sua fé, em oração aos seus santos protetores, São Benedito e São Gonçalo.

Dona Rosa viu seus filhos e genros serem presos, injustamente, pelos Policiais Civis de Nossa Senhora do Livramento. Ela ficou muito triste, pois sabia que seus filhos e genros não eram marginais e simplesmente estavam lutando pelas terras às quais tinham direito, mas que haviam sido tomadas pelo fazendeiro Ernesto Herreira de forma ilegal.

pelas terras às quais tinham direito, mas que haviam sido tomadas pelo fazendeiro Ernesto Herreira de

62

Com tudo, isso, Dona Rosa, sentiu-se mais fortalecida e disse à todos que ela so-

mente sairia de lá morta e que nem fazendeiro, nem policiais iriam, mais fazer mau a sua família, nem que para isso ela precisasse morrer para que a justiça fosse feita.

isso ela precisasse morrer para que a justiça fosse feita. Os seus filhos então foram buscar
isso ela precisasse morrer para que a justiça fosse feita. Os seus filhos então foram buscar

Os seus filhos então foram buscar apoio em Cuiabá, onde passaram a conhecer o Centro de Direitos Humanos, Grucon (Grupo de União e Consciência Negra), Comissão Pastoral da Terra e Intermat, que criaram uma equipe de trabalho a qual, foram até a co- munidade para ver de que forma poderiam agir para fazer com que permanecessem na terra.

Depois de toda esta situação o Intermat chegou num entendimento que a área ali seria para reforma agrária, mas após um estudo antropológico ficou provado que ali era área de sesmaria, de remanescentes de quilombos. Deu-se o procedimento para que outras famí- lias que foram expulsas pelos fazendeiros, retornassem para a área, que hoje é conhecido como Quilombo Mata Cavalo, composta por 06 (seis) comunidades que são Aguaçu, Capim Verde, Mutuca, Mata Cavalo de Cima, Mata Cavalo de Baixo e Ponte da Estiva.

(Relato fornecido por Laura Ferreira da Silva, neta da D. Domingas, atual presidente da Associação quilombola do Mutuca)

Comunidades Quilombolas em Vila Bela da Santíssima Trindade

Comunidades Quilombolas em Vila Bela da Santíssima Trindade Foto: Adolescentes do Quilombo Manga em VIla Bela

Foto: Adolescentes do Quilombo Manga em VIla Bela

No território quilombola de Vila Bela da Santíssima Trindade, atualmente, encontram-se organizadas cinco co- munidades, que são elas: Manga, Bo- queirão, Bela Cor, Boa Sorte e Retiro. Essas comunidades caracterizam-se por serem áreas de Seismarias.

Manga – situada à margem esquerda do Rio Alegre e a direita do Rio Bar- bado, abrangendo parte da área de Casalvasco.

do Rio Bar- bado, abrangendo parte da área de Casalvasco. Foto: Reunião no Quilombo Bela Cor

Foto: Reunião no Quilombo Bela Cor em Vila Bela

Bela Cor Faz divisa com a comunidade quilombola Manga, possui poucos moradores, basicamente re- duzido a uma família. Tem reconhecimento como comunidade quilombola emitido pela Fundação Palmares desde agosto de 2005.

63

a uma família. Tem reconhecimento como comunidade quilombola emitido pela Fundação Palmares desde agosto de 2005.
Foto: Casal de Quilombo Boqueirão - Vila Bela Boqueirão – fica situada as margens do
Foto: Casal de Quilombo Boqueirão - Vila Bela Boqueirão – fica situada as margens do
Foto: Casal de Quilombo Boqueirão - Vila Bela Boqueirão – fica situada as margens do

Foto: Casal de Quilombo Boqueirão - Vila Bela

Boqueirão – fica situada as margens do Rio Alegre, na localidade Porto do Bananal. Entre os meios de transporte está o barco, necessário para atravessar o rio para deslocar até a zona urbana da cidade. É uma área reconhecida e se encontra em processo de titulação definitiva. Possui mais ou menos 200 famílias, remanescentes quilombolas cadastradas.

menos 200 famílias, remanescentes quilombolas cadastradas. Foto: Remanescente de Quilombo de Boa Sorte em Vila Bela

Foto: Remanescente de Quilombo de Boa Sorte em Vila Bela

Boa Sorte –Esta comunidade fica à margem esquerda do Rio Guaporé, tem como organiza- ção a Associação ACOREBELA. Obteve reco- nhecimento como área quilombola tanto pelo Estado, como pela União. Encontra-se com um reduzido número de famílias.

União. Encontra-se com um reduzido número de famílias. Retiro – Localiza-se nas margens de conflu- ência

Retiro – Localiza-se nas margens de conflu- ência com Rio Guaporé gleba Porto do Bananal. Também tem como organização a Associação ACOREBELA e reconhecimento como área qui- lombola tanto pelo Estado, como pela União. O número de família que se encontra na comunida- de é em média de 50 grupos familiares.

Foto: Casal de Remanescentes de Quilombo do Retiro Vila Bela

Agora é com você

Registre a história da sua comunidade quilombola.

64

Remanescentes de Quilombo do Retiro Vila Bela Agora é com você Registre a história da sua
Cultura negra e o espaço quilombola Nosso jeito de falar: palavras africanas no português do

Cultura negra e o espaço quilombola

Nosso jeito de falar: palavras africanas no português do Brasil

CAPÍTULO 3

Devido a grande presença de africanos e seus descendentes no Brasil, houve um pe- ríodo que se mesclava o linguajar brasileiro com o africano.

Leiam o trecho abaixo:

no século XIX a cidade do Salvador era exemplo típico da coexistência de duas culturas diferentes: a portuguesa e a africana. Intensifica-se o comércio de negros procedentes da Costa dos Escravos, entre os quais parece ter havido uma predominância culturológica dos Nagô, como são conhecidos os Ioruba da Nigkria Ocidental e do Baixo Daomé no Brasil, por ter sido a língua iorubá, ao lado da portuguesa, falada correntemente entre a população negra ,da cidade, que já naquela época possuía um número consideràvelmen- te grande de crioulos. Corria, então, um dialeto crioulo ou semi-crioulo do tipo nagô ou iorubá. Obrigados a falar português, esse falar por certo era mesclado de palavras africanas adaptadas aos moldes lingüísticos de suas várias línguas de origem, tomando-se, no entanto, como nivelador o iorubá, língua de um grupo mais recente. Chegado em levas numerosas e sucessivas, passando a gozar de grande prestígio sobre e entre os outros escravos, pelo fato de se acharem, medindo proporções de tempo e situando cada povo dentro do seu contexto histórico, num estágio mais adiantado de cultura em relação aos demais para cá trazidos desde o século XVI e espalhados pelo interior e Recôncavo, onde se encontram ainda hoje isolados, dentro de uma estrutura conservadora e arcaizante, como de resto é também a da cidade do Salvador, que sempre esteve interligada ao Re- côncavo por uma linha histórica continua (Yeda Pessoa de Castro Falares africanos na Bahia,2001, p.28).

A influência africana no português falado e escrito no Brasil tem uma vasta contribui-

ção em nosso linguajar, presente no cotidiano das expressões orais, de forma especial na linguagem utilizada pelos chamados “povo de santo”. Nos falares dos terreiros, podemos apontar algumas das palavras, mais ou menos conhecidas fora desses espa- ços religiosos, tais como: quizila, iaô, cachaça, cachimbo, fundanga; atabaque, búzios, dendê, axé, canjica, canjerê, ginga, agogô, etc.

Muitos vocábulos utilizados por nós são originários das diversas línguas faladas pelos povos bantú e nagô, principalmente os bantús, que desde o início até o final da escravi- dão foram trazidos para o trabalho escravo no Brasil. Podemos citar algumas palavras que integraram o nosso vocábulo, por exemplo: sunga, fuxico, samba, gogó, bagunça curinga, fubá, forró, gangorra, angico, fubá, macaco, quitanda, xodó, cachaça, berimbau, quitute, cuíca, cangaço, quiabo, vatapá, bobó, senzala, corcunda, batucada, zabumba, bafafá, bunda, babá, moleque, dengo, cafuné, dengo, paparicar, etc.

No período escravocrata, os negros foram trazidos para o Brasil, em diferentes épocas e de várias partes da África. Foram distribuídos em diversas partes do país, o que auxiliou na construção de algumas diferenças nos linguajares regionais. A visibilidade desses elementos lingüísticos africanos e/ou afro-brasileiros em nosso linguajar regional pode auxiliar a percepção de palavras e expressões que demonstram a contribuição negra na cultura mato-grossense.

O mais interessante é, que algumas palavras são comuns no linguajar dos grupos

67

negra na cultura mato-grossense. O mais interessante é, que algumas palavras são comuns no linguajar dos
ATIVIDADES 68   tradicionais de certas regiões de Mato Grosso como, Cuiabá, Vila Bela da

ATIVIDADES

ATIVIDADES 68   tradicionais de certas regiões de Mato Grosso como, Cuiabá, Vila Bela da Santíssima

68

 
 

tradicionais de certas regiões de Mato Grosso como, Cuiabá, Vila Bela da Santíssima Trindade, Poconé, Santo Antonio do Leverger, Chapada dos Guimarães, Nossa Senhora do Livramento, Cáceres e outros. Exatamente nas cidades de histórica presença negra, que se pode notar marcadamente o uso das palavras de origem africana. Observem al- gumas dessas palavras:

 

aluá

canguinha

caxumba

 

fuá congá

ganzá

cotó

caxinguelê

xingação

cucuia

dengoso

fuçado

fungação

titica

furdunçu

descar-

rego

furunfá

garapa fuxiqueiro

marimbondo

fiofó

É importante ressaltar que no território brasileiro, embora possa ser reconhecida uma vasta contribuição vocabular nos falares português-brasileiro, no período colonial as línguas indígenas passam a desaparecer como línguas francas, substituídas pelas lín- guas africanas. Podemos observar, também, marcante contribuição africana no linguajar mato-grossense, sem ainda, referir a diversidade de línguas que sobrevivem nos grupos étnicos indígenas até hoje.

ATIVIDADES

1.

Orientado pelo/a professor/a de língua portuguesa, organize um dicionário de pala-

vras regionais utilizadas na sua comunidade quilombola:

 

2. Orientado pelos/as professores/as de língua portuguesa e de arte, organize um dia de contos divulgados em sua comunidade. Busque entrevistar os mais velhos da comu- nidade para saber algumas histórias. Escolha algumas delas e divulgue-as no mural da escola.

3.

Verifique no glossário as palavras contidas no quadro abaixo e construa um texto

onde apareçam os seguintes termos abaixo:

 
Fuá – Cafuné – Dengoso – Cotó – Garapa – Bafafá
Fuá – Cafuné – Dengoso – Cotó – Garapa – Bafafá
 
apareçam os seguintes termos abaixo:   Fuá – Cafuné – Dengoso – Cotó – Garapa –
Cultura afro-brasileira - Vamos cantar? O samba-enredo que segue é de 1994 da Escola de
Cultura afro-brasileira - Vamos cantar?
O samba-enredo que segue é de 1994 da Escola de Samba Viradouro, Rio de Janeiro.
Nesse samba-enredo, a escola homenageou Tereza de Benguela, líder do Quilombo do
Quariterê no período colonial.
69
    A saga de Tereza de Benguela: uma rainha africana escravizada em Vila Bela
    A saga de Tereza de Benguela: uma rainha africana escravizada em Vila Bela
   

A saga de Tereza de Benguela: uma rainha africana escravizada em Vila Bela

 

Amor, amor, amor Sou a viola de cocho dolente Vim da Pérsia, no Oriente Para chegar ao Pantanal

Pela Mongólia eu passei Atravessei a Europa medieval Nos meus acordes vou contar

 

A

saga de Tereza de Benguela Uma rainha africana Escravizada em Vila Bela

O

ciclo do ouro iniciava

 

No cativeiro, sofrimento e agonia

 

A

rebeldia, acendeu a chama da liberdade No Quilombo, o sonho de felicidade

 

Ilê Ayê, Ara Ayê Ilu Ayê

Um grito forte ecoou (bis)

 

A

esperança, no quariterê

O

negro abraçou

 

No seio de Mato Grosso, a festança começava Com o parlamento, a rainha negra governava

Índios, caboclos e mestiços, numa civilização

O sangue latino vem na miscigenação

A invasão gananciosa, um ideal aniquilava

A rainha enlouqueceu, foi sacrificada

Quando a maldição, a opressão exterminou

No infinito uma estrela cintilou

Vai clarear, oi vai clarear

Um Sol dourado de Quimera (bis)

 

A

luz de Tereza não apagará

E

a Viradouro brilhará na nova era

ATIVIDADES

1. Use sua criatividade e faça uma ilustração a partir do samba-enredo acima.

2. O samba-enredo é mais um dos elementos culturais do país de elaboração negra.

Produza em grupo uma letra de samba enredo sobre a história das pessoas no qui- lombo onde você vive.

70

70

70

Costumes e danças tradicionais nos quilombos

Muitas práticas culturais hoje utilizadas em várias regiões do país foram reelaboradas pelos negros que aqui chegaram. Os negros aproveitavam quando os folguedos, as mani- festações religiosas, danças e outras formas culturais eram permitidos para reviver suas crenças e os ritos como forma de manter sua identidade.

crenças e os ritos como forma de manter sua identidade. Assim, nasceu a cultura afro-brasileira com
crenças e os ritos como forma de manter sua identidade. Assim, nasceu a cultura afro-brasileira com

Assim, nasceu a cultura afro-brasileira com as influências africanas, o mesmo acon- tecendo em todo o território das Américas que tiveram presença negra.

Em Mato Grosso, algumas manifestações culturais apresentam essa influencia afri- cana. Os mais conhecidos entre nós é o Congo que ocorre em Nossa Senhora do Livra- mento e Vila Bela da Santíssima Trindade. O Siriri e Cururu que são formas culturais muito presentes em cidades tradicionais como Cuiabá, Poconé, Cáceres, Chapada dos Guimarães, Nossa Senhora do Livramento e outros. São as cidades onde se concentram

maior parte das áreas quilombolas. No complexo quilombola Mata Cavalo, por exemplo,

o

a

siriri dançado pela comunidade é intitulado de siriri quilombola.

O siriri é uma dança divertida, dançada por homens, mulheres e crianças.As canções são alegres e animadas; muito letras do siriri falam do cotidiano das pessoas. É uma dança utilizada nas festas de santo como de São Benedito, São Gonçalo, São Sebastião, Santo Antonio e outros.

São Gonçalo, São Sebastião, Santo Antonio e outros. Moxo, um dos instrumentos de percussão utilizado na

Moxo, um dos instrumentos de percussão utilizado na dança do siriri.

Cururu é uma manifestação cultural muito usado nas festas de santos, os instrumen- tos utilizados são a viola de cocho e o ganzá.

São Gonçalo é uma dança que inicia em enfrente ao altar do santo, no qual os tocado- res iniciam canções relativas ao santo, seguidas de refrões repetidos pelos participantes em louvor ao santo.

Congo: É uma manifestação cultural muito presente em dois municípios do estado de Mato Grosso: Nossa Senhora do Livramento e Vila Bela da Santíssima Trindade. Nessas festas ocorre uma espécie de reelaboração da coroação do rei de Congo, da antiga Áfri- ca.

71

Trindade. Nessas festas ocorre uma espécie de reelaboração da coroação do rei de Congo, da antiga
Festa do Congo em Vila Bela da Santíssima Trindade - MT Alguns costumes que se
Festa do Congo em Vila Bela da Santíssima Trindade - MT Alguns costumes que se
Festa do Congo em Vila Bela da Santíssima Trindade - MT
Festa do Congo em Vila Bela da Santíssima Trindade - MT

Alguns costumes que se refletem na arte e culinária são muito presentes nos quilom- bos mato-grossenses.

O feito do baquité, é um tipo de sacola de palha utilizado para transportar os manti- mentos como, batata, mandioca, milho, trazidos da roça para a casa.

O abanador é um instrumento confeccionado de palha, utilizado para manter queimando o carvão do
O abanador é um instrumento confeccionado de palha, utilizado
para manter queimando o carvão do fogão a lenha, como também
p
para aliviar o calor.
p
O feitio da rede é uma arte também muito utilizada em alguns ter-
O
ritórios quilombolas. Essa prática representa uma miscigenação
rit
cultural entre negros e indígenas.
c
Si
Siga os passos do feitio de uma rede:
Foto: Menina Quilombola fabricando Baquité

1-colher o algodão; 2-descaroçar o algodão; 3-bater o algodão com arco; 4-fiar o algodão em fuso para se transformar em fio até formar um novelo;

em fuso para se transformar em fio até formar um novelo; 72 Após esse processo, armar-se

72

Após esse processo, armar-se o tear e começar urdir. Faz- se um processo de alisamento da linha, depois, começa-se a tecer com o tecedor de madeira.

o tear e começar urdir. Faz- se um processo de alisamento da linha, depois, começa-se a

ATIVDADES INTERDISCIPLINARES:

ATIVDADES INTERDISCIPLINARES: ATIVIDADES 1 – Faça um levantamento na sua comunidade sobre instrumentos de arte

ATIVIDADES

1 – Faça um levantamento na sua comunidade sobre instrumentos de arte produzidos pelas pessoas. Identifique o produto e quem o fez.

2- Faça um levantamento dos tipos de brincadeiras e danças utilizadas na sua comuni- dade. Escreva sobre cada uma delas.

3 – Organize um livro de receitas sobre comidas e bebidas tradicionais utilizadas no dia- dia da comunidade.

73

delas. 3 – Organize um livro de receitas sobre comidas e bebidas tradicionais utilizadas no dia-
    Provérbios     Cada cultura possui seus provérbios, que são ditos populares, frases
    Provérbios     Cada cultura possui seus provérbios, que são ditos populares, frases
   

Provérbios

 
 

Cada cultura possui seus provérbios, que são ditos populares, frases de caráter práti- co e direto que transmitem conhecimentos sobre a vida e apresentam idéias e recomen- dações com valores moral, filosófico ou religioso, já consagrados pelo senso comum de determinado grupo, cultura ou a humanidade em geral. Os provérbios são lógicos, que decorrem de muitos anos de forma imutável, podem ser irônicos, de aconselhamento, mas sempre se refere às situações da vida.

 
 

Exemplos:

 

Santinha do pau oco: Frase que se refere à pessoa que aparenta ser boa, mas que na realidade não é. Essa expressão foi criada em decorrência do ouro contrabandeado para Portugal, dentro de imagens ocas de santos de madeira ou barro.

 

Sem eira nem beira: Dito popular utilizado para referir-se a uma pessoa sem rique- zas. As casas das pessoas mais ricas eram as únicas no período colonial e imperial que possuíam beiral, a parte que sustentava o telhado das casas. Um ditado muito utilizado em Mato Grosso.

Agora conheça alguns provérbios africanos, leia, reflita sobre que ensinamento para as situações da vida e escreva a interpretação de cada provérbio:

 

Se você quer comer fruta, precisa regar a planta.

 

Conselho de ancião é remédio.

Galinha carregada não sabe se o caminho é longo.

Ninguém testa a profundidade de um rio com ambos os pés.

74 2. Faça uma pesquisa sobre quais são os provérbios mais usados em sua comunidade

74

2. Faça uma pesquisa sobre quais são os provérbios mais usados em sua comunidade quilombola e divulgue-os no mural da escola.

uma pesquisa sobre quais são os provérbios mais usados em sua comunidade quilombola e divulgue-os no
  Gêneros Textuais Gêneros textuais tratam-se da variedade de texto utilizados em nossas formas de
 

Gêneros Textuais

Gêneros textuais tratam-se da variedade de texto utilizados em nossas formas de comu- nicação escrita. Os textos são diversos, como contos, cartas, poesias, quadrinhos, propa- gandas, textos jornalísticos e outros.

Observe o cartaz. Este gênero textual trata-se de uma comunicação veiculada em forma de propaganda:

1. Quem é o autor do cartaz

2. Qual é o objetivo do cartaz?

3. Com base na frase abaixo, responda: Por

que as pessoas que moravam no quilombo devem se “orgulhar disso”?

4.

Leia a frase abaixo, responda: Você acha

que se deve cuidar dos quilombos? Por quê? “Vamos proteger o quilombo”.

5.

Produza um cartaz que chame atenção so-

bre alguma informação ou que aborde alguma situação que você considere importante no

quilombo.

chame atenção so- bre alguma informação ou que aborde alguma situação que você considere importante no
Você vive no quilombo deve se orgulhar disso.
Você vive no quilombo deve se orgulhar disso.

75

aborde alguma situação que você considere importante no quilombo. Você vive no quilombo deve se orgulhar
  Leia o texto em quadri- nho que segue:   76
  Leia o texto em quadri- nho que segue:   76
 

Leia o texto em quadri- nho que segue:

 
  Leia o texto em quadri- nho que segue:   76
  Leia o texto em quadri- nho que segue:   76
  Leia o texto em quadri- nho que segue:   76
  Leia o texto em quadri- nho que segue:   76

76

  Leia o texto em quadri- nho que segue:   76
  Leia o texto em quadri- nho que segue:   76
Fonte: Quilombos: espaço de resistência de crianças, jovens, mulheres e homens negros. MEC/SECAD, p.5 a
Fonte: Quilombos: espaço de resistência de crianças, jovens, mulheres e homens negros. MEC/SECAD, p.5 a 12.
77
    INTERPRETANDO O TEXTO     Esta história em quadrinhos dá informações sobre uma
    INTERPRETANDO O TEXTO     Esta história em quadrinhos dá informações sobre uma
   

INTERPRETANDO O TEXTO

 
 

Esta história em quadrinhos dá informações sobre uma comunidade quilombola.

 

Qual é a Comunidade?

 

Onde se passa o fato?

Mariazinha apresentou um trabalho para a classe. Que questões o trabalho apresenta? Quais problemas foram encontrados por Mariazinha ao fazer a pesquisa? Crie uma pequena história em quadrinho, apresentando alguma problemática que existe na sua comunidade. Termine apontando algumas possíveis soluções.

 

Leitura Complementar

 

Os textos que se seguem exemplificam algumas das variedades de produção textual. O primeiro é um texto jornalístico e o outro é um conto. Vamos aprender um pouco sobre esses gêneros textuais? Então, leia os textos e realize as propostas de atividades que se seguem:

 

Texto 1

 

As barreiras para inclusão social de quilombolas

 

Pesquisa divulgada pelo Ministério do Desenvolvimen- to Social (MDS) mostra que a maior parte das comunidades

Secretária da Associação Sesmaria Boa Vida Quilombo Mata Cavalo de Baixo (MT), Gonçalina Eva de
Secretária da Associação Sesmaria Boa Vida Quilombo Mata
Cavalo de Baixo (MT), Gonçalina Eva de Almeida.

quilombolas brasileiras vive em situação precária, sem acesso

a

água encanada, saneamento

e

escola. Com exceção do Bol-

sa Família e algumas ações em saúde, os programas sociais não chegam aos descendentes

de africanos.

Para as lideranças quilombolas, o impedimento está no próprio governo. Líder de uma das comunidades do Mato Grosso avaliadas pelo ministério e integrante da Confederação Nacional dos Quilombolas (Conaq), Gonçalina Eva de Almeida afirma que as exigências dos programas sociais não levam em conta a realidade dos quilombolas.

Os ministérios, segundo ela, pedem documentos que comprovem a titularidade das terras. O processo de regularização fundiária, no entanto, ainda é um desafio para o Ins- tituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que já reconheceu a existência de uma dificuldade institucional e técnica para atuar no caso. Quando os processos são concluídos, muitas vezes eles encontram entraves na Justiça.

“Ou o governo regulariza a terra para a gente poder acessar os benefícios ou torna os benefícios acessíveis de acordo com a realidade de cada um, porque isso é uma realidade

78

78

78
  no país, das comunidades não estarem com os seus territórios regularizados”, defende Gonçalina, que
 

no país, das comunidades não estarem com os seus territórios regularizados”, defende Gonçalina, que é secretária da Associação Quilombo Mata Cavalo de Baixo (MT).

Segundo ela, o estudo realizado pelo Ministério do Desenvolvimento Social não incluiu os quilombolas no processo de formulação da pesquisa e consolidação dos dados. “Se- quer tivemos acesso ao resultado final da pesquisa. Soubemos pela imprensa”.

(Texto adaptado. Fonte www.palmares.gov.br)

Conto

O texto abaixo é um conto. O conto tem como função fundamental contar uma história. Esse estilo de texto tem objetivo de fazer uma narrativa de forma dramática, tendo um fato central de interesse. Os contos normalmente são cheios de fantasias, de magia e aventura. Pode ou não retratar uma realidade. Quando aborda uma realidade, o conto tem objetivo de veicular padrões de conduta, preceitos éticos ou morais e outros. Caso contrário, a sua função é lúdica, visa o divertimento dos leitores.

Leia o conto abaixo:

OLHOS D’ÁGUA 1 Conceição Evaristo 2

Uma noite, há anos, acordei bruscamente e uma estranha pergunta explodiu de minha

boca. De que cor eram os olhos de minha mãe? Atordoada custei reconhecer o quarto da nova casa em que estava morando e não conseguia me lembrar como havia chegado

até ali. E a insistente pergunta, martelando, martelando

De que cor eram os olhos de

minha mãe? Aquela indagação havia surgido há dias, há meses, posso dizer. Entre um afazer e outro, eu me pegava pensando de que cor seriam os olhos de minha mãe. E o que a princípio tinha sido um mero pensamento interrogativo, naquela noite se transfor- mou em uma dolorosa pergunta carregada de um tom acusatório. Então, eu não sabia de que cor eram os olhos de minha mãe?

Sendo a primeira de sete filhas, desde cedo, busquei dar conta de minhas próprias dificuldades, cresci rápido, passando por uma breve adolescência. Sempre ao lado de

minha mãe aprendi conhecê-la. Decifrava o seu silêncio nas horas de dificuldades, como também sabia reconhecer em seus gestos, prenúncios de possíveis alegrias. Naquele momento, entretanto, me descobria cheia de culpa, por não recordar de que cor seriam os seus olhos. Eu achava tudo muito estranho, pois me lembrava nitidamente de vários

detalhes do corpo dela. Da unha encravada do dedo mindinho do pé esquerdo verruga que se perdia no meio da cabeleira crespa e bela

Da

Um dia, brincando de pentear boneca, alegria que a mãe nos dava quando, deixando por uns momentos o lava-lava, o passa-passa das roupagens alheias, se tornava uma grande boneca negra para as filhas, descobrimos uma bolinha escondida bem no couro cabeludo ela. Pensamos que fosse carrapato. A mãe cochilava e uma de minhas irmãs aflita, querendo livrar a boneca-mãe daquele padecer, puxou rápido o bichinho. A mãe e nós rimos e rimos e rimos de nosso engano. A mãe riu tanto das lágrimas escorrerem. Mas, de que cor eram os olhos dela?

Eu me lembrava também de algumas histórias da infância de minha mãe.

Ela havia

Mas, de que cor eram os olhos dela? Eu me lembrava também de algumas histórias da
 
 

1 Publicado em Cadernos Negros, vol.26, São Paulo, Quilombhoje- Literatura, 2005.

2 Conceição Evaristo é poetisa afro-brasileira, cedeu gentilmente esse conto para publicação neste livro.

79

79
    nascido em um lugar perdido no interior de Minas. Ali, as crianças andavam
    nascido em um lugar perdido no interior de Minas. Ali, as crianças andavam
   

nascido em um lugar perdido no interior de Minas. Ali, as crianças andavam nuas até

bem grandinhas. As meninas, assim que os seios começavam a brotar, ganhavam roupas antes dos meninos. Às vezes, as histórias da infância de minha mãe confundiam-se com as de minha própria infância. Lembro-me de que muitas vezes, quando a mãe cozinhava, da panela subia cheiro algum. Era como se cozinhasse ali, apenas o nosso desesperado desejo de alimento. As labaredas, sob a água solitária que fervia na panela cheia de fome, pareciam debochar do vazio do nosso estômago, ignorando nossas bocas infantis em que as línguas brincavam a salivar sonho de comida. E era justamente nos dias de parco ou nenhum alimento que ela mais brincava com as filhas.

 
 

Nessas ocasiões a brincadeira preferida era aquela em que a mãe era a Senhora, a

 

Rainha. Ela se assentava em seu trono, um pequeno banquinho de madeira. Felizes colhí- amos flores cultivadas em um pequeno pedaço de terra que circundava o nosso barraco. Aquelas flores eram depois solenemente distribuídas por seus cabelos, braços e colo. E diante dela fazíamos reverências à Senhora. Postávamos deitadas no chão e batíamos cabeça para a Rainha. Nós, princesas, em volta dela, cantávamos, dançávamos, sorría-

mos. A mãe só ria, de uma maneira triste e com um sorriso molhado

Mas de que cor

eram os olhos de minha mãe? Eu sabia, desde aquela época, que a mãe inventava esse

e

outros jogos para distrair a nossa fome. E a nossa fome se distraía.

Às vezes, no final da tarde, antes que a noite tomasse conta do tempo, ela se as- sentava na soleira da porta e juntas ficávamos contemplando as artes das nuvens no

céu. Umas viravam carneirinhos; outras, cachorrinhos; algumas, gigantes adormecidos,

e

havia aquelas que eram só nuvens, algodão doce. A mãe, então, espichava o braço

que ia até o céu, colhia aquela nuvem, repartia em pedacinhos e enfiava rápido na boca de cada uma de nós. Tudo tinha de ser muito rápido, antes que a nuvem derretesse e com ela os nossos sonhos se esvaecessem também. Mas, de que cor eram os olhos de minha mãe?

Lembro-me ainda do temor de minha mãe nos dias de fortes chuvas. Em cima da cama, agarrada a nós, ela nos protegia com seu abraço. E com os olhos alagados de

pranto balbuciava rezas a Santa Bárbara, temendo que o nosso frágil barraco desabasse

sobre nós. E eu não sei se o lamento-pranto de minha mãe, se o barulho da chuva

Sei

que tudo me causava a sensação de que a nossa casa balançava ao vento. Nesses mo- mentos os olhos de minha mãe se confundiam com os olhos da natureza. Chovia, cho- rava! Chorava, chovia! Então, porque eu não conseguia lembrar a cor dos olhos dela?

 

E

naquela noite a pergunta continuava me atormentando. Havia anos que eu estava

 

fora de minha cidade natal. Saíra de minha casa em busca de melhor condição de vida para mim e para minha família: ela e minhas irmãs que tinham ficado para trás. Mas eu nunca esquecera a minha mãe. Reconhecia a importância dela na minha vida, não só dela, mas de minhas tias e todas a mulheres de minha família. E também, já naquela época, eu entoava cantos de louvor a todas nossas ancestrais, que desde a África vinham arando a terra da vida com as suas próprias mãos, palavras e sangue. Não, eu não es- queço essas Senhoras, nossas Yabás, donas de tantas sabedorias. Mas de que cor eram os olhos de minha mãe?

 
 

E

foi então que, tomada pelo desespero por não me lembrar de que cor seriam os

 

olhos de minha mãe, naquele momento, resolvi deixar tudo e, no outro dia, voltar à cida- de em que nasci. Eu precisava buscar o rosto de minha mãe, fixar o meu olhar no dela, para nunca mais esquecer a cor de seus olhos. E assim fiz. Voltei, aflita, mas satisfeita. Vivia a sensação de estar cumprindo um ritual, em que a oferenda aos Orixás deveria ser descoberta da cor dos olhos de minha mãe. E quando, após longos dias de viagem

 
80

80

80
para chegar à minha terra, pude contemplar extasiada os olhos de minha mãe, sabem o
para chegar à minha terra, pude contemplar extasiada os olhos de minha mãe, sabem o

para chegar à minha terra, pude contemplar extasiada os olhos de minha mãe, sabem o que vi? Sabem o que vi?

 

Vi só lágrimas e lágrimas. Entretanto, ela sorria feliz. Mas, eram tantas lágrimas, que eu me perguntei se minha mãe tinha olhos ou rios caudalosos sobre a face? E só então compreendi. Minha mãe trazia, serenamente em si, águas correntezas. Por isso, prantos

 

prantos a enfeitar o seu rosto. A cor dos olhos de minha mãe era cor de olhos d’água. Águas de Mamãe Oxum! Rios calmos, mas profundos e enganosos para quem contempla

e

a

vida apenas pela superfície. Sim, águas de Mamãe Oxum.

Abracei a mãe, encostei meu rosto no dela e pedi proteção. Senti as lágrimas delas se misturarem às minhas.

 

Hoje, quando já alcancei a cor dos olhos de minha mãe, tento descobrir a cor dos olhos de minha filha. Faço a brincadeira em que os olhos de uma são o espelho dos olhos da outra. E um dia desses me surpreendi com um gesto de minha menina. Quando nós duas estávamos nesse doce jogo, ela tocou suavemente o meu rosto, me contemplan- do intensamente. E, enquanto jogava o olhar dela no meu, perguntou baixinho, mas tão baixinho como se fosse uma pergunta para ela mesma, ou como estivesse buscando e encontrando a revelação de um mistério ou de um grande segredo. Eu escutei, quando, sussurrando minha filha falou:

 

Mãe, qual é a cor tão úmida de seus olhos?

RESPONDA:

 

1.

Quem conta esta história?

(

) uma criança

(

) uma mulher

(

) um homem

2.

Com base no trecho do texto abaixo. Responda: O que a personagem do conto queria

 

descobrir?

 

“Uma noite, há anos, acordei bruscamente e uma estranha pergunta explodiu de minha

 

boca. De que cor eram os olhos de minha mãe? “

 

3. Quando a personagem diz que “um dia, brincando de pentear boneca, alegria que

 

a mãe nos dava quando, deixando por uns momentos o lava-lava, o passa-passa das

roupagens alheias, se tornava uma grande boneca negra para as filhas

”,

significa que:

(

) a mãe deixava suas filhas brincarem com uma grande boneca negra.

(

) a mãe deixava as filhas pentear seus cabelos e brincar, como se ela fosse uma

 

grande boneca negra.

 

) a grande boneca negra era a mãe, que se deixava pentear pelas filhas, tornando para as mesmas uma espécie de boneca.

(

 
81

81

81
q c b di n ci ta te e re c e Foto D. Creusa
q
c
b
di
n
ci
ta
te
e
re
c
e
Foto D. Creusa – Sacerdoti-
sa do Culto de Umbanda no
município de Poconé-MT
O
É
82

que

A religiosidade em território quilombola

A religião é um dos elementos culturais marcam a resistência e sobrevivência da

negra em nosso país.

cultura

bolas,

não

Todos sabem que as comunidades quilom-

possuem diversidade religiosa. Não po-

dia ser diferente, considerando que a cultura

é algo estático. Ela influência e é influen-

ciada pelas práticas sociais dos indivíduos.

O mais importante é aprendermos respei-

tar essa diversidade religiosa. Particularmen-

te para nós negros, independente das nossas

religiosas, devemos reconhecer as

escolhas

religiões afro-brasileiras, como um elemento

e histórico que permitiu a organização

e resistência de nossos antepassados, contra

cultural

a escravidão.

preconceito e a discriminação racial criaram formas de descaracterizar e inferiorizar

a cultura negra. Assim, muitas idéias erradas veiculam sobre as religiões, fazendo com

que muitas pessoas não compreendam e tenham concepções e posturas discriminató- rias em relação às religiões de matriz africana.

Mas, a cultura é algo muito marcante. Mesmo negando-a, estamos de forma cons- ciente ou não a produzi-la e a reproduzi-la em nossas práticas. No campo da religião nos deparamos com a influência de valores africanizados, mesmo que miscigenados.

Nas comunidades quilombolas e/ou comunidades negras tradicionais, é muito co- mum identificar as heranças culturais negras que foram passadas de geração a geração, como a tradição de rezas de santo, principalmente as relacionadas às devoções aos santos negros, como o caso de São Benedito, Nossa Senhora Aparecida e outros, nas manifestações culturais como o siriri e cururu, bem como na existência de benzedeiras, rezadeiras e curandeiros.

evidente que essas manifestações religiosas são altamente sincréticas. Devido a

forte influência da religião católica e cultura dos grupos brancos que em vantagem nas relações senhor e escravizados, impuseram suas crenças e valores culturais.

Um aspecto importante a ser observado é como os saberes e conhecimentos popu- lares, seja no espaço específico das comunidades negras, como na sociedade brasileira em geral, permeiam as práticas cotidianas.

Nas comunidades quilombolas como de Chumbo/Poconé, Campina de Pedra/Poconé, Espinhal/Poconé, Mata Cavalo/ Nossa Senhora do Livramento, etc., o manuseio e utiliza- ção de ervas medicinais é uma prática corriqueira.

Uma moradora da Comunidade Chumbo, por exemplo, diz que a grande maioria das doenças na comunidade, é tratada com ervas e plantas medicinais, dentre as quais: a folha de tarumã que depura o sangue, erva de Santa Maria ou mastruz que é usado como

vermífugo, a piúva que é usado para evitar a úlcera, chá-de-bugre para pressão arterial e
vermífugo, a piúva que é usado para evitar a úlcera, chá-de-bugre para pressão arterial
e
para combater ácido úrico, casca de laranja é usado como laxante. O conhecimento
sobre ervas medicinais, caracteriza uma herança do conhecimento negro e indígena.
Nas religiões de matriz africana, por exemplo, as ervas têm uma imensa importância e
uma delas são sagradas, tendo uma função mística relativa à energia de cada orixá.
Ossaim
era o senhor das folhas, da ciência e das ervas.
O
orixá conhece o segredo da cura e o mistério da vida.
Todos os orixás recorriam a ele para curar qualquer mo-
léstia e mal do corpo. Pois dele dependiam na luta contra a
doença. Por isso todos iam a casa sua levar oferendas.
Em troca Ossaim lhes dava preparados mágicos: banhos,
chás, infusões, pomadas, abo, beberagens. Curava as do-
res, as feridas, os sangramentos; limpava a pele purulenta
e
o sangue pisado; livrava o corpo de todos os males.
Um dia Xangô, que era o orixá da justiça, julgou que todos
os orixás deveriam compartilhar o poder de Ossaim, co-
nhecendo o segredo das ervas e dom da cura.
Xangô sentenciou que Ossaim dividisse suas folhas com
os outros orixás. Mas Ossaim negou-se a dividir suas fo-
lhas com os outros orixás.
Xangô então ordenou que Iansã soltasse o vento e trouxes-
se ao seu palácio todas as folhas das matas de Ossaim.
Ossaim percebeu o que estava acontecendo e gritou:
“Euê uassá!”. “As folhas funcionam!”.
E
ordenou às folhas que voltassem às suas matas.
as folhas obedeceram às ordens de Ossaim. Quase todas as folhas retornaram para
Ossaim.
E
As que já estavam em poder de Xangô perderam o axé, perderam o poder de cura.
orixá-rei, que era justo, admitiu a vitória de Ossaim. Entendeu que o poder das folhas
devia ser exclusivo de Ossaim e que assim devia permanecer através dos séculos.
O
Ossaim, contudo, deu uma folha para cada orixá. Cada folha com seus axés e seus ofós,
que são as cantigas de encantamentos, sem as quais as folhas não funcionam.
Com isso outros orixás também podiam realizar proezas com as ervas, mas os segredos
mais profundos ele guardou para si. Ossaim não conta seus segredos para ninguém.
Os orixás ficaram gratos a Ossaim e sempre o reverenciam quando usam as folhas.
83
ATIVIDADES 84   Conhecendo as personalidades negras nas Comunidades Quilombolas Bate papo com professora

ATIVIDADES

ATIVIDADES 84   Conhecendo as personalidades negras nas Comunidades Quilombolas Bate papo com professora

84

 
 

Conhecendo as personalidades negras nas Comunidades Quilombolas

Bate papo com professora Martinha

“A educação no começo não era boa. Para mim foi muito difícil. Nem os pais nem a prefeitura ajudavam.

Os pais achavam que era eu quem de-

Trabalhei até na casa de Seu Sebastião

Nem os pais nem a prefeitura ajudavam. Os pais achavam que era eu quem de- Trabalhei

veria comprar os materiais das crianças, porque eu recebia salário para isso.

Metelo. E, para construir a escola não foi fácil. Lutei para conscientizar os pais a formar comunidade e trabalhar pelo bem comum, e assim fazer o adobe para a essa construção. Mas, não foi fácil.

 

Foto: da direita para a esquerda Professora Martinha

Pegávamos água muito longe por isso, lutei para fazermos um poço. Mas os pais não queriam ajudar. Apenas um pai tinha consciência e ajudava.

 

Um americano de nome Astro, acompanhado por representantes da Secretária de Educação vieram aqui e me ajudaram a conscientizar os moradores.

A partir daí, obtivemos várias conquistas, dentre elas as primeiras salas-de-aula, o primeiro poço”.

(Entrevista com Professora Martinha, feita por alunos da comunidade de Chumbo)

Sugestão de atividades interdisciplinar para interpretar o texto:

1)

Orientado pelo/a professor/a de língua portuguesa, desenvolva as questões que

seguem:

a)

Destaque e comente a idéia principal do texto:

2)

A partir da leitura e compreensão do texto, comente a importância da escola e da

educação para um(a) cidadão(ã) remanescente de quilombo?

 

3)

Relate com suas palavras como foi implantada a escola em sua comunidade:

4)

Na frase:

“Apenas um pai tinha consciência

”.

a)

Nesta situação qual o significado da palavra consciência?

b)

Na sua opinião, o que significa ter consciência?

 
 
  MOMENTO POÉTICO Sonho de Deus   Querem calar o poeta Que canta a libertação
  MOMENTO POÉTICO Sonho de Deus   Querem calar o poeta Que canta a libertação
 

MOMENTO POÉTICO Sonho de Deus

 

Querem calar o poeta Que canta a libertação Que resgata a memória

 

De resistência à escravidão. Querem silenciar os atabaques

A

dança da negra gente,

Que na força do Axé Sonha um Brasil diferente.

Querem emudecer nosso grito De denúncia e indignação Contra o sistema corrupto Que gera miséria e opressão.

Querem nos negar a terra,

O

pão, a dignidade,

O

direito de marchar

Em busca de liberdade.

Mas o sonho, a dança e o canto, Calados não serão, Pois é sonho de Olorum,

O

Deus da Libertação!

de Arlekson Barreto Ramos Ilhéus - BA: www.mundojovem.com.br

Atividades Interdisciplinares

1) Faça seus comentários preliminares sobre o poema:

2) O poema afirma que “querem calar o poeta, porque ele canta a libertação e resgata a memória da resistência à escravidão”.

 

a)

Escreva dois parágrafos onde você destacará a importância do resgate da

memória de uma comunidade para a história desse povo.

 

b)

Orientado pelo/a professor(a) de Ensino Religioso ou de Filosofia, faça uma

pesquisa sobre a Cultura Religiosa do Candomblé, depois socialize com os cole

 

gas os dados levantados.

 

3) Observe a frase: “Não sou negro porque declamo Navio Negreiro”. Orientado pelo/a professor(a) de Língua Portuguesa procure saber mais sobre o poema Navio Negreiro, quem é o autor do mesmo e sua importância para o Brasil.

4) Observe a frase: “Não sou negro porque defendo as idéias de Nelson Mandela”. Orientado pelo/a professor(a) de História, procure saber mais sobre a vida de Nelson Mandela, depois socialize as informações obtidas com seus colegas em sala-de-aula:

85

85

85
5) Observe a frase: “Não sou negro porque gosto das músicas de Edson Gomes, Margareth
5) Observe a frase: “Não sou negro porque gosto das músicas de Edson Gomes, Margareth

5) Observe a frase:

“Não sou negro porque gosto das músicas de Edson Gomes, Margareth Menezes ou Cidade Negra”.

Orientado pelo/a professor/a de Arte, procure saber mais sobre esses cantores. Des- taque o estilo musical de cada um deles e sua importância para a cultura negra nacional. Traga para a sala de aula letras de música dos mesmos e interprete-a.

6) Observe a frase: “Sou negro porque sei encarar e reconhecer as minhas origens”. Escreva sua biografia destacando sua origem e sua importância na comunidade em que vive.

7) Observe os quatro últimos versos do poema, faça comentários sobre as lutas de sua comunidade e a importância no contexto quilombola.

86

últimos versos do poema, faça comentários sobre as lutas de sua comunidade e a importância no
  Afro-brasileiro : esse termo para alguns designa a identificação dos descendentes de afri- canos
  Afro-brasileiro : esse termo para alguns designa a identificação dos descendentes de afri- canos
 

Afro-brasileiro: esse termo para alguns designa a identificação dos descendentes de afri-

canos no Brasil. É um termo muito utilizado nos espaços do Movimento Negro e no meio universitário, principalmente pelos pesquisadores sobre as relações raciais. Na verdade, trata-se uma forma de identificação genealógica de pessoas com ascendência africana, bem como cultura e objetos com origem africana.

 
 

Afro-descendente: trata-se de uma expressão utilizada de forma genérica para referir aos negros nascidos fora da África. Há uma divergência quanto ao uso dessa expressão exclusivamente por negros. Pois partindo-se dos pressupostos, que o primeiro grupo de ser humano que conseguiu sobreviver e dá origem a humanidade foi o grupo que perma- neceu na África, teremos então a humanidade toda como afro-descendente.

Ancestral: o termo ancestral está relacionado aos nossos antepassados bastante remo- to, dos quais pouca ou nenhuma precisão temos em relação ao tempo. Essa linhagem perde-se no tempo, seria a nossa ascendência. Por exemplo, nas religiões de matriz africana como o Candomblé, os nossos ancestrais seriam os Orixás.

Ancestrais - Expressão que designa os nossos antepassados, avós e bisavós, etc. Esta expressão é muito usada entre os afro-descendentes como forma de lembrar os antepas- sados africanos. É o nome que normalmente se atribui a um ascendente já morto ou que se localiza a várias gerações anteriores na representação gráfica da árvore genealógica.

Antepassado: seria uma qualidade da ancestralidade, relacionado ao passado com pos- sibilidade maior de precisarmos data e o/ou período. Relativo à nossa descendência, às gerações anteriores como avós, bisavós, tataravôs, outros.

Islamismo: religião islâmica. Essa religião está presente na parte da África. No período escravocrata um grupo de africanos islâmicos estiveram principalmene na Bahia. A Re- volta dos Malês.

Ameríndio - Expressão usada para designar os índios das Américas.

Pluralidade Étnica- Termo relacionado às diversas etnias que compõem uma nação, como é o caso do Brasil, que tem influência étnica de vários povos, entre eles as amerín- dios, povos das diversas partes da África e os europeus.

Território – Designa espaço habitado por uma pessoa, ou grupo de pessoas; espaço de uma organização ou de uma instituição. O termo é empregado na política referente ao Estado Nação.

Caravelas – Embarcações leves movidas a vento usadas nas Grandes Navegações euro- péias, tanto para a África , quando para a América.

Catolicismo Preto – Termo usado por alguns pesquisadores e militantes negros para designar de forma especial as práticas católicas em várias cidades brasileiras, espe- cialmente nas cidades onde desenvolveram a mineração do ouro e diamante, nas quais os negros escravizados e forros cultuavam santos católicos negros entre os quais se pode citar, Santo Elesbão, Santo Antonio de Catigeró, Santa Ifigênia, São Benedito. Esses negros e mestiços organizavam em Irmandades Católicas Negras sob a devoção desse santos identificada com a etnia negra.

Islamismo: religião islâmica. Essa religião está presente na parte da África. No período escravocrata um grupo de africanos islâmicos estiveram principalmene na Bahia. A Re-

89

89

89
    volta dos Malês.   Escravismo Colonial - Sistema econômico adotado no Brasil, entre
    volta dos Malês.   Escravismo Colonial - Sistema econômico adotado no Brasil, entre
   

volta dos Malês.

 

Escravismo Colonial - Sistema econômico adotado no Brasil, entre os séculos XVI ao XIX, em que a base da mão- de- obra era o trabalho escravo de negros e ameríndios. Engenhos – Unidade produtora de açúcar e/ou aguardente, por vez toda a fazenda de um senhor passou a ser denominada engenho.

Eito - Trabalho estafante de escravizados nas fazendas, mineração em variadas parte do Brasil entre os séculos XVI a XIX.

Mocambos – O mesmo que quilombo.

Palmarinos – Habitante do quilombo de Palmares.

Malê - O termo é uma palavra em yorubá, utilizado para designar os negros islamizados que vieram para o Brasil.

Mito - É uma narrativa tradicional com caráter explicativo e/ou simbólico, profundamen- te relacionado com uma dada cultura e/ou religião. O mito procura explicar os principais acontecimentos da vida, os fenômenos naturais, as origens do Mundo e do Homem por meio das divindades, semi-deuses e heróis (todas elas são criaturas sobrenaturais). Pode-se dizer que o mito é uma primeira tentativa de explicar a realidade.

Carta de Alforria – Documento jurídico que dava liberdade a um ser humano escraviza- do.

Sincretismo - Fusão de doutrinas de diversas origens, seja na esfera das crenças reli- giosas, seja nas filosóficas.Na história das religiões, o sincretismo é uma fusão de con- cepções religiosas diferentes ou a influência exercida por uma religião nas práticas de uma outra.

Sesmarias - Uma forma de normatização utilizada pelos portugueses para distribuir ter- ras no Brasil à época colonial e Imperial.

Jagunços ou capanga é o nome que se dá, no Nordeste do Brasil, ao indivíduo que, usando de armas, prestava-se ao trabalho paramilitar de proteção e segurança aos líderes políticos.

Centro de Direitos Humanos - Instituição Pública sem fins lucrativo que discute os direi- to humanos em todos os aspectos.

Grucon – Grupo de União e Consciência Negra; Organização de negros/negras que traba- lha com educação não formal, visando a valorização e afirmação de identidade negra.

Reforma agrária - Um conjunto de ações públicas para reorganização do espaço rural vizando ainclusão social.

Povo de santo- ou simplesmente do santo é como se definem as pessoas devotadas ao culto dos orixás, voduns e inquices, ou seja, as divindades africanas, no Brasil, país onde este culto religioso tomou o nome de Candomblé. Essas divindidades vieram para o Brasil junto com os negros na Diáspora africana, durante o período do tráfico negreiro do Atlântico.

90

90

90
  Iaô – Pessoa que foi iniciada na religião dos Orixás.   Dendê – Azeite
  Iaô – Pessoa que foi iniciada na religião dos Orixás.   Dendê – Azeite
 

Iaô – Pessoa que foi iniciada na religião dos Orixás.

 

Dendê – Azeite extraído do fruto do dendezeiro, utilizado na culinária de modo geral.

 

Axé – Força vital que dá energia e vida aos seres.

Agogô – palavra de origem bantú, é um instrumento musical de origem africana, usado em roda de samba como também nas religiões de matriz africana

Fuxico - Palavra de origem bantú que significa fofoca.

Batuque - Religião Afro-brasileira de culto aos Orixás encontrada principalmente no esta- do do Rio Grande do Sul, Brasil, de onde se estendeu para os países vizinhos tais como Uruguai e Argentina. Batuque é fruto de religiões dos povos da Costa da Guiné e da Nigé- ria, com as nações Jêje, Ijexá, Oyó, Cabinda e Nagô

Moleque – Termo de origem africana que significa menino.

Dengo -

Termo de origem africana que significa carinho

Cafuné - Termo de origem bantú, da etnia quimbundo, que é relativo a ação de carinho feito na cabeça de alguém.

 

Fuá – palavra de origem bantú, relativo à bagunça.

Congá ou Gongá – Palavra de origem bantú e é utilizada no culto de Umbanda para de- nominar o altar. É composto de imagens de santos católicos, caboclos, pretos-velhos e outras. Ainda no gongá tem em destaque a imagem da entidade espiritual que comanda o terreiro que de modo geral.

Ganzá - Instrumento de Percussão utilizado no Mato Grosso na roda de cururu e siriri.

Cotó – Palavra de origem banto que significa pequeno, curto.

Cucuia - Termo de origem banto que significa falhar, malograr-se.

Dengoso – Palavra de origem bantú; Carinhoso, manhoso.

Fuçado – Palavra de origem bantú que significa: Coisa muito mexida.

Furdunço - Palavra de origem bantú que significa Bagunça, confusão.

Descarrego – É a forma habitual das entidades ou médiuns, nas religiões de matriz afri- cana retirarem das pessoas as energias negativas das quais estão carregados em sua aura ou perispirito.O descarrego, é feito utilizando-se de velas, pipocas, ovos, folhas, queima de pólvora e banhos de ervas. A descarga energética é feita através do descarre- go, e após os objetos passados na pessoa são despachados.

Furunfá – termo de origem bantú, que designa o ato de fazer sexo.

Garapa - termo de origem bantú, referente ao caldo/ suco extraído da cana de açúcar.

Fiofó – termo de origem bantú, que significa anús.

91

91

91
Ilê - Em português o termo significa casa, nome também utilizado para denominar a casa
Ilê - Em português o termo significa casa, nome também utilizado para denominar a casa

Ilê - Em português o termo significa casa, nome também utilizado para denominar a casa de candomblé. Terreiro - Área de terra que fica em frente uma casa de fazenda ou de sítio.Terreiro de can- domblé onde se realizam as festas de candomblé e de outras Religiões afro-brasileiras

Religiões de matriz africana – Religiões que vieram com os negros escravizados para as Américas, especialmente para o Brasil. Também são denominadas de Religiões dos Orixás, dos Inquices ou Voduns. As mais conhecidas são o Candomblé e a Umbanda.

92

são denominadas de Religiões dos Orixás, dos Inquices ou Voduns. As mais conhecidas são o Candomblé
Bibliografia Consultada   -ASSIS, Edivaldo de. Contribuição para o Estudo do Negro em Mato Grosso.
Bibliografia Consultada   -ASSIS, Edivaldo de. Contribuição para o Estudo do Negro em Mato Grosso.

Bibliografia Consultada

 

-ASSIS, Edivaldo de. Contribuição para o Estudo do Negro em Mato Grosso. Edições UFMT/PROED. Cuiabá-MT. 1988.

-ARBÉX Jr. José & SENISE,Maria Helena Valente. Cinco séculos de Brasil – Imagens & Visões, Moderna, São Paulo - SP 1998.

-ALBUQUERQUE, Wlamyra R. de & FRAGA Filho, Walter Fraga.Uma História do Negro no Brasil. Centro de Estudos Afro-Orientais Fundação Cultural Palmares, 2006.

-BARBOSA, Paulo Corrêa. Quilombos: Espaço de Resistência de Homens e Mulheres Negros – Texto para re exão com o/a professor/a. REDEH –Rede de Desenvolvimento Humano – Rio de Janeiro – RJ, 2005.

-BENJAMIN, Roberto. A África esta em nós: História de Cultura Afro-Brasileira. Grafsete, João Pessoa – PB. 2006.

-BARRETO, Vera (Coord). As diferentes raízes culturais. In.Trabalhando com a Educação de Jovens e Adultos: Alunos e Alunas da EJA. SECAD/ MEC. Brasília-DF, 2006.

-BENTO, Maria Aparecida Silva. Cidadania em Preto e Branco. Ática. São Paulo –SP, 2006.

-BORGES, Rosane da Silva. Um Fórum para a Igualdade Racial: Articulação entre Estados e Municípios. Fundação Friedrich Ebert Stifturg, São Paulo – SP, 2005.

-CASTRO, Yeda Pessoa de. Falares Africanos na Bahia – Um Vocabulário Afro-Brasileiro. Topbooks. Rio de Janeiro – RJ, 2001.

CUNHA Junior, Henrique. Tear Afrodescendentes. Selo Negro. São Paulo – SP,2004.

-

-DEL PRIORE, Mary & VENÂNCIO, Pinto Renato. Ancestrais: Uma Introdução à História da África Atlântica. Campus. Rio de Janeiro – RJ, 2004.

-DIMENSTEIN, Gilberto & GIANSANTI, Álvaro César. Quebra-cabeça Brasil:

Temas de cidadania na História do Brasil. Ática. São Paulo – SP, 2003.

-DIMENSTEIN, Gilberto. Aprendiz do Futuro: Cidadania hoje e amanhã. Ática, São Paulo – SP, 2005.

-Educação anti-racista: Caminhos abertos pela Lei Federal nº 10.639/03. SECAD. Brasília-DF, 2005.

FERREIRA, Ricardo Franklin. Afro-descendente uma identidade. Pallas. Rio de Janeiro-RJ, 2004.

-

95

95

95
    -HERNANDEZ, Leila Maria Gonçalves Leite. A África na sala de aula: Visita à
    -HERNANDEZ, Leila Maria Gonçalves Leite. A África na sala de aula: Visita à
   

-HERNANDEZ, Leila Maria Gonçalves Leite. A África na sala de aula: Visita

à História Contemporânea. Selo Negro. São Paulo – SP, 2005. -Ministério de Educação. Uma História do povo Kalunga. Brasília – DF,

 

2007.

-Ministério de Educação. Quilombos - Espaço de resistência de homens e mulheres negros. (Cartilha). Brasília – DF, 2005.

Ministério de Educação. Vamos proteger o Quilombo (Cartilha). Brasília – DF, 2005.

-

-MUNANGA, Kabengele (Org.) Superando o Racismo na Escola. ME/ SECAD. Brasília – DF,2005.

-

& GOMES, Nilma Lino. Para Entender o Negro no

Brasil de Hoje: História, Realidades, Problemas e Caminhos. Global/ Ação

Educativa. São Paulo – SP, 2004.

-Relatório de Atividades 2004: Promoção da Igualdade Racial. SEPPIR/ SECAD. Brasília – DF, 2005.

-Relatório Técnico: Comunidade Remanescente de Quilombo Mata Cavalo. Ministério do Desenvolvimento Agrário/ INCRA/MT, 2006.

-

ROSA, Carlos Alberto e JESUS, Nauk Maria de.A Terra da Conquista:

História de Mato Grosso Colonial. Adriana. Cuiabá – MT,2003.

-ROCHA, Maria José e PANTOJA, Selma (Org). Rompendo silêncios:

História da África nos currículos da educação básica. DP Comunicações Ltda. Brasília DF, 2004.

-SALGUEIRO, Maria Aparecida Andrade. A República e a Questão do Negro no Brasil. Museu da República. Rio de Janeiro – RJ, 2005.

-SANTOS, Ângela Maria dos. Vozes e Silêncio do Cotidiano Escolar: As

relações raciais entre alunos negros e não-negros. EdUFMT. Cuiabá – MT,

2007.

-SANTOS, Joel Ru no dos. Zumbi. Global, São Paulo -SP, 2006.

SANTOS, Juana Elbein dos. Os Nagô e a morte: Pade, Asése e o Culto Égum na Bahia.Petrópolis – RJ, Vozes, 11ª edição, 2002.

-

-SILVA, André Marcos de Paula e. História e Cultura Afro-Brasileira. Expoente. Curitiba – PR, 2008.

SILVA, Cristiane dos Santos. Irmãos de Fé, Irmãos do Rosário no Poder: A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos na Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá (1751 – 1819) UFMT. Dissertação. Cuiabá-MT, 2001.

-

96

96

96
-SILVA, Jovam Vilela da. Mistura de Cores: Política de Povoamento e   População da Capitania
-SILVA, Jovam Vilela da. Mistura de Cores: Política de Povoamento e   População da Capitania

-SILVA, Jovam Vilela da. Mistura de Cores: Política de Povoamento e

 

População da Capitania de Mato Grosso – Século XVIII. Editora da UFMT,

1995.

SILVA, João Bosco da. Vila Bela época de Luis de Albuquerque( 1772- 1789). UFMT. Dissertação. Cuiabá – MT, 2005.

-

 

-

SHIDMORE, Thomas E. ( Trad. Raul de Sá Barbosa) Preto no Branco:

Raça e Nacionalidade no Pensamento Brasileiro. Paz e Terra. Rio de Janeiro – RJ,1976.

- SIQUIEIRA, Elizabeth Madureira. História de Mato Grosso – Da ancestralidade aos dias atuais. Entrelinhas. Cuiabá - MT,2002.

-SOUZA, Marina de Mello e. África e Brasil africano. Ática, São Paulo – SP.

2006.

-Orientações e Ações para a Educação das Relações étnico-Raciais. MEC/ SECAD. Brasília – DF, 2006.

 

-PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos Orixás. Cia. das Letras. São Paulo – SP,

2001.

-Quilombos: Espaço de resistência de crianças, jovens, mulheres e homens

 

negros. Ministério de Educação, Brasília – DF,2006.

- PANTOJA, Selma. Nzinga Mbandi: Mulher, Guerra e Escravidão. Thesaurus, Brasília – DF,2000.

-PERREIRA, Antutérpio Dias. O Negro na economia de Rondonópolis-MT,

1940 –2006.

UFMT. Cuiabá –MT, Dissertação,2006.

PINSKY, Jaime. A Escravidão no Brasil. Contexto. São Paulo – SP, 2006, 20ª Ed.

-

 

-VOLPATO, Luiza Rios Ricci. Cativos do Sertão: Vida Cotidiana e escravidão em Cuiabá em 1850-1888, Marco Zero, 1993.

Revistas

-Revista Escola Nova. Ano XX, nº 187, novembro 2005, Fundação Victor Civita, São Paulo, 2005.

 

-Revista Quitanda Cultural. Ano I, nº 1, 2005. Global, São Paulo –SP, 2005.

-Revista Ciência Hoje das Crianças. Ano XIX, nº 168, Maio de 2006, SBPC/ FNDE, 2006.

-Cadernos NEPRE – Revista do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Raciais em Educação da UFMT.

97

97

97
    Sites consultados:   www.scinfo.org.br www.casadeculturadamulhernegra.org.br www.palmares.gov.br
    Sites consultados:   www.scinfo.org.br www.casadeculturadamulhernegra.org.br www.palmares.gov.br
   

Sites consultados:

 

www.scinfo.org.br www.casadeculturadamulhernegra.org.br www.palmares.gov.br www.midiaindependente.org.br www.mundojovem.com.br www. africaeafricanidades.com.br www.negociosdeturismo.com.br www.suapesquisa.com/datascomemorativas www.jakobi.com.br/ervasmedicinais. www.midiaindependente.org.br. http://www.terrabrasileira.net/folclore/origens/africana/historia.htm

http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/rev_norte.html

http://br.geocities.com/biografiaschiado/HistoriaCuriosidades/HistoriadoSamba/Historia-

dosamba.htm

98

98

98