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A Animação Sociocultural Metodologia de Intervenção

Actualmente, a animação sociocultural requer uma metodologia de intervenção que implique uma acção educativa assente em respostas que anulem a domesticação humana, a mecanização, o indivíduo desligado das pessoas, o ritual e o trivial em vez da vivencia criativa. (É necessária) Uma metodologia que dê estratégias de resposta aos problemas sentidos, nos dias de hoje, e que se prendem com a necessidade de se promover a dimensão humana. A animação sociocultural investe em práticas de cidadania plena, mediante as quais o ser humano é incitado a intervir na causa pública. Isso requer informação, consciencialização, cultura e vivência democráticas que promovam a pessoa à condição de actor e protagonista do seu desenvolvimento social, cultural educativo e político. Marcelino Lopes

A Metodologia, por excelência, de intervenção da Animação Sociocultural é a PARTICIPAÇÃO. Esta é uma metodologia à medida. Ou seja, adequa-se ás especificidades de cada participante e deve respeitar sempre os indivíduos.

É muito flexível e adaptativa. Muda-se e enriquecesse com as sugestões e as intervenções de todos. Adapta-se e adequa-se ás necessidades de cada um, ás suas preocupações, os seus interesses, os seus medos e receios, mas também aos seus prazeres e vontades, ás suas capacidades e incapacidades, à sua criatividade e, muitas vezes não temos isso em conta,

as suas limitações e as suas falhas.

Marrana

João

Neste contexto, a ASC pode contribuir activamente para transformar a sociedade e assumir-se como um agente

de mudança social. A acção da Animação Sociocultural, ao intervir na promoção dos indivíduos e ao actuar nas estruturas sociais de base,

“abala” essas mesmas estruturas e

A Animação Sociocultural Metodologia de Intervenção Actualmente, a animação sociocultural requer uma metodologia de intervenção que

contribui para a adequação e transformação da realidade social.

Desta forma, ao desenvolver o seu trabalho com os grupos, ao consciencializar as pessoas e incentivar a sua participação activa na sociedade, ao tornar os homens e mulheres em protagonistas e actores principais do seu desenvolvimento social e cultural, a

ASC assume a sua função de transformação social, desde a base, e o animador em agente de mudança e transformação social.

O resultado da intervenção da animação nos grupos e nos indivíduos permite que estes, e os colectivos onde se inserem, readquiram a capacidade de gerar processos de mudança individuais e colectivos.

O HOMEM, O LOBO, A CABRA E A COUVE

O HOMEM, O LOBO, A CABRA E A COUVE Um agricultor, regressa a sua casa com

Um agricultor, regressa a sua casa com um lobo, uma cabra e uma enorme couve. Chega à margem de um rio e o único meio de transporte de que dispõe para o atravessar é um pequeno barco que não suporta mais do que o homem e um dos seus pertences de cada vez: ou o lobo, ou a cabra ou a couve. Infelizmente, ele não se atreve a deixar o lobo sozinho com a cabra nem a cabra sozinha com a couve, porque o lobo comeria a cabra e a cabra comeria a couve. Depois de pensar durante algum tempo, compreendeu que podia usar o barco para atravessar o rio, salvando todos os seus pertences. Como terá procedido?

Este enigma representa uma visão e uma interpretação do que é a ASC. É uma tarefa, ou um conjunto de tarefas. Para a ou as executar, o animador (Homem), deve ter o conhecimento, tão profundo quanto possível, dos elementos com quem desenvolve o seu trabalho. As suas características, a sua realidade socioculturalDeve, porque conhece, planificar a sua intervenção. Organizar as acções. Definir a melhor estratégia. De acordo com os alvos do seu trabalho, deve saber proteger os mais frágeis e débeis, ou salvaguardar a expressão da individualidade de cada um. Cuidar, salvaguardar a identidade, respeitar a diferença.

OS PRESSUPOSTOS DA ANIMAÇÃO SOCIOCULTURAL

<a href=OBJECTIVOS implícitos na Prática da Animação SOCIOCULTURAL A Animação Sociocultural tem como razão da sua existência a intervenção na consolidação do ser humano : O crescimento da população urbana sem planificação prévia, criou graves problemas de “massificação”, originando desenraizamento, alteração e adulteração de valores e marginalidade. Colmatar o vazio cultural existente nas cidades e nos centros urbanos em geral. As grandes cidades e centros urbanos, representam comunidades de pessoas de diversas culturas, diferentes formas de estar e interpretar a vida em sociedade. Atenuar estas diferenças é um dos objectivos clássicos da Animação Sociocultural; Salvaguardar a identidade de cada um, desenvolver acções culturais e sociais descentralizadas e realizá-las nos locais onde vivem as pessoas no respeito pela diferença como ponto de partida para encontrar a igualdade; Procurar lutar pela defesa individualidade de cada pessoa, de acordo com as suas necessidades, preocupações, interesses, medos e receios, mas também " id="pdf-obj-2-12" src="pdf-obj-2-12.jpg">

A Animação Sociocultural tem como razão da sua existência a intervenção na consolidação do ser humano:

  • O crescimento da população urbana sem planificação prévia, criou graves

problemas de “massificação”, originando desenraizamento, alteração e

adulteração de valores e marginalidade.

  • Colmatar o vazio cultural existente nas cidades e nos centros urbanos em

geral. As grandes cidades e centros urbanos, representam comunidades de pessoas de diversas culturas, diferentes formas de estar e interpretar a vida em

sociedade. Atenuar estas diferenças é um dos objectivos clássicos da Animação Sociocultural;

  • Salvaguardar a identidade de cada um, desenvolver acções culturais e sociais

descentralizadas e realizá-las nos locais onde vivem as pessoas no respeito pela

diferença como ponto de partida para encontrar a igualdade;

  • Procurar lutar pela defesa individualidade de cada pessoa, de acordo com as suas necessidades, preocupações, interesses, medos e receios, mas também

com os seus prazeres, as suas capacidades e incapacidades, a sua criatividade ou falta dela, limitações e falhas;

  • Estimular e permitir as relações interpessoais ao combater a realidade do dia-a-dia que transforma os indivíduos em criaturas anónimas, isoladas, passivas, deprimidas;

  • Ajudar a que as pessoas se encontrem, convivam, participem, e que sinta o seu local de vida como seu, estimulando a participação cidadã e potenciando o multiculturalismo.

  • Estimular o conhecimento de si próprio.

Estes são os principais objectivos da animação sociocultural, que devem ser

devidamente adaptados a cada situação de trabalho. Seja em contexto de ATL, Ludoteca, ou com idosos, etc., os objectivos básicos da animação são estes e são inquestionáveis.

Outros objectivos complementares:

  • Evitar que se acentue (cada vez mais) o fosso existente nos diferentes sectores da sociedade e corrigir o grande vazio produzido nos centros urbanos;

  • Criar espaços de convívio e convivência e as condições onde possam surgir a

participação, a criatividade, a expressão e a contestação.

  • Ajudar a encontrar a “alma” do indivíduo, como “ser social”, combater o desenraizamento dos cidadãos e a debilitação do tecido social.

  • A ASC, como pedagogia da cultura, luta pela abolição das desigualdades Socioculturais entre os membros de uma comunidade;

  • A ASC deve dar lugar a projectos concretos que devem nascer da comunidade com a finalidade de a transformar e melhorar;

  • A ASC aplica o postulado metodológico e pedagógico da “proximidade – partilha -participação “;

  • Procurar intervir na construção de redes sociais para a “acção mediadora” e para a “comunicação de encontro”;

  • Incentivar e estimular nos indivíduos o gosto e a importância da Educação, como a melhor estratégia para que os colectivos sociais se identifiquem com a sua comunidade.

João Marrana

A implementação de uma politica de animação Sociocultural deve ter presente que é um processo que resulta de conhecimentos e práticas nas áreas da cultura, do social e do educativo. Quer isto dizer que intervindo socialmente ou realizando um trabalho de carácter pedagógico ou educativo, a animação está a participar activamente no desenvolvimento do conjunto das competências sociais e de cidadania nos indivíduos, nos grupos e comunidades, que lhes permitirá ser os protagonistas de seu desenvolvimento, no respeito pela individualidade de cada um, da sua cultura e do seu “modos vivendi”. Neste sentido, podemos encontrar e identificar alguns dos pressupostos comuns ao trabalho do animador sociocultural.

Produzir actividades e acções para um público específico, respeitando sempre as suas características, as suas raízes, as suas necessidades, os seus gostos expectativas e tendo em conta as suas fragilidades e limitações., privilegiando o individuo, a pessoa, o ser humano. É nossa obrigação conhecer, respeitar, proteger e evitar confrontos e conflitos, resultantes da participação de todos.

João Marrana

A Participação

A participação, é algo tão genuíno e sensível, que por vezes é “usado” para fins menos lícitos ou para decidir por outrem. Politicamente, ouvimos muitas vezes algumas pessoas assumirem os desejos de outros e com isso procurar o seu apoio, dizendo que os representam ou que são os porta-vozes da participação popular. Participar implica um conjunto de regras. A Participação das populações só é efectiva, quando as pessoas podem apresentar as suas propostas e a sua opinião e capacidade de decisão conta.

Sintetizando, a participação existe desde que exista informação e progride, intensifica-se e legitima-se quando além da informação existe também o cuidado com a auscultação das pessoas, quando a estas é solicitado e permitido que opinem sobre ideias e projectos que lhes dizem respeito, que possam apresentar as suas sugestões ou ainda, numa lógica de participação quase perfeita, que as própria pessoas possam apresentar as suas iniciativas, desenvolve-las e partilhar todas as decisões que as envolvem.

Produzir actividades e acções para um público específico, respeitando sempre as suas características, as suas raízes,
Produzir actividades e acções para um público específico, respeitando sempre as suas características, as suas raízes,

“Gráfico da Participação”

INICIATIVA DAS PESSOAS E INICIATIVA DAS PESSOAS E PARTILHA DAS DECISÕES PARTILHA DAS DECISÕES INICIATIVA CRIADA
INICIATIVA DAS PESSOAS E
INICIATIVA DAS PESSOAS E
PARTILHA DAS DECISÕES
PARTILHA DAS DECISÕES
INICIATIVA CRIADA E
INICIATIVA CRIADA E
DIRIGIDA PELAS PESSOAS
DIRIGIDA PELAS PESSOAS
INICIATIVA APRESENTADA
INICIATIVA APRESENTADA
E PARTILHA DAS DECISÕES
E PARTILHA DAS DECISÕES
CONSULTADO E INFORMADO
CONSULTADO E INFORMADO
NÃO CONSULTADO,
NÃO CONSULTADO,
MAS INFORMADO
MAS INFORMADO
SIMBOLOGIA/TOTENISMO
SIMBOLOGIA/TOTENISMO
DECOR
DECOR
MANIPULA MANIPULA Ç Ç ÃO ÃO
MANIPULA
MANIPULA
Ç
Ç
ÃO
ÃO

Os diferentes níveis de participação João Marrana 2007

Quadro de Participação e Actuação

Participação

Características

Formas de Actuar

Informação

A Comunidade é informada sobre o projecto

Campanhas de publicidade, sessões de esclarecimento e de informação

Análise

A população informada, recebe e estuda o projecto

Estimativa de barreiras e resistências, sondagem

Valorização

A população aceita e valoriza criticamente o projecto

Estimativa de barreiras e resistências, sondagem

Iniciativa

A população propõe acções e contribui com ideias e sugestões

Brainstorming, Grupo Nominal; encontros

Apoio

Os grupos locais (instituições) colaboram conjuntamente com o projecto

 

Brainstorming, Grupo Nominal; encontros

Cooperação

Os grupos cooperam de maneira co-

 

Estabelecimento de

responsável com a Organização do projecto

acordos, atribuição de tarefas e funções

Gestão

Os grupos gerenciam o projecto sob

 

Assinatura de Contrato

delegada

tutela e supervisão da Entidade promotora

Programa de gestão entre Organização e os grupos

Autogestão

Gestão autónoma do projecto pelos

 

Constituição de

grupos locais constituídos em sociedade

Cooperativas, microempresas,

 

Instituições, parcerias…

Participação e Motivação

A participação não é uma capacidade inapta, ou seja, não nasce com o indivíduo. Pelo contrário, aprende-se a participar, o que significa que se adquire, fundamentalmente através do processo de socialização. Assim, esta aprendizagem da capacidade de participação, prevê que se privilegie uma educação para a participação em todos os contextos educacionais formal, não formal e informal. A ASC pode desempenhar um papel fundamental nesta aprendizagem, através da essência, da sua forma de agir e actuar. Ao procurar promover a intervenção dos indivíduos, a ASC esta a contribuir para uma aprendizagem activa da participação e a desenvolver nos indivíduos a necessidade e a vontade de serem cidadãos activos e participantes. A participação deve estar imbuída de uma necessidade e uma vontade legítima, assente na motivação de cada um.

A motivação é algo muito sensível e que deve ser usado com muito cuidado pela animação Sociocultural. Se por um lado os animadores, na sua tentativa de envolver as pessoas de forma a desencadearem um processo participativo numa determinada acção ou projecto, têm de conseguir motivar e estimular os indivíduos e a comunidade, por outro lado, a motivação tem que obedecer a regras e ter sentido objectivo. Ou seja, a sociedade exerce sobre os indivíduos inúmeras pressões motivacionais. Exemplo disso, são as campanhas publicitárias, as temáticas abordadas pela comunicação social, etc. A motivação é fundamental, necessária e imprescindível ao processo de animação. Os Animadores para desencadearem um processo de participação tem de conseguir motivar e estimular os indivíduos a participar na acção ou no projecto que pretendem implementar e desenvolver. A ASC está, como temos visto, intrinsecamente ligada à noção de participação, no sentido de intervir, de agir, de procurar o envolvimento num projecto ou acção ou numa simples actividade. Deste modo, podemos afirmar que não existe animação se não existir processo participativo e este sem estímulo e motivação.

A motivação deve ser usada com muito cuidado. É preciso saber gerir as expectativas. Motivar sem
A motivação deve ser usada com muito cuidado. É preciso saber gerir as
expectativas.
Motivar sem conteúdo é o mesmo que motivar para o vazio, para nada!
Noémia Silveiro