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GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL PROCURADORIA-GERAL DO DISTRITO FEDERAL Procuradoria Especial de Assuntos Constitucionais, de Processos dos Tribunais Superiores e Tribunais de Contas

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PGDF

PROCURADORIA-GERAL DO DISTRITO FEDERAI.

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO E. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS

3 bAnDSI:

Tribunal de Justiça do Distrito Federai e dos Territórios

SERPET

237

16/01/2017

18:18:46

O GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL vem,

respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, ajuizar a presente AÇÃO DIRETA

DE

INCONSTITUCIONALIDADE, com pedido de medida cautela r,

fundamentando-se no art. 8°, I, "n" da lei federal n. 11.697/2008, no art. 2° e seguintes

da lei federal n. 9.868/99, no art. 136 e seguintes do Regimento Interno dessa C. Corte

Judiciária - RITJDFT e nas razões a seguir consignadas.

1- DA NORMA IMPUGNADA NA PRESENTE AÇÃO

A presente ação direta de inconstitucionalidade tem por escopo o

reconhecimento da invalidade jurídico-constitucional do Decreto Legislativo n. 2.115.

de 12/01/2017, emanado da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Segue o inteiro

teor da norma que ora se impugna:

A CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL decreta:

Art. 1° Ficam sustados os efeitos do Decreto n°37.940, de 30 de dezembro de 2016. Art. 2° Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação.

Tal ato normativo foi editado com o objetivo de sustar os efeitos do

Decreto n. 37.940, de 30/12/2016, do Governador do Distrito Federal, que fixou as

tarifas para os modos rodoviário e metroviário do Serviço Básico do Sistema de

Transporte Público Coletivo do Distrito Federal - STPC/DF. Veja-se o que prescreve

essa norma:

Ir-

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Art. 1 0 As linhas do modo rodoviário do Serviço Básico do Sistema de Transporte Público Coletivo do Distrito Federal são classificadas, segundo suas características predominantes, em:

1- Urbanas -] (U-1); - Urbanas - 2 (U-2);

III - Urbanas - 3 (U-3);

IV - Metropolitanas - I (M-1):

V - Metropolitanas - 2 (M-2);

VI - Metropolitanas - 3 (M-3).

Parágrafo único. As linhas que compõem cada uma das classificações relacionadas nos incisos do "caput" serão discriminadas uma a uma em ato próprio da Entidade Gestora do Sistema de Transporte Público Coletivo do Distrito Federal - STPC/DF, com as suas respectivas tarifas.

Art. 2' As tarifas do modo rodoviário do Serviço Básico do Sistema de Transporte Público Coletivo do Distrito Federal passam a vigorar com os seguintes valores:

1- as linhas classificadas como "Urbana] (U-1)" e "Urbana 3 (U-3)" passam de R$

2,25 (dois reais e vinte e cinco centavos) para R$ 2,50 ( dois reais e cinquenta centavos);

ii - as linhas classificadas como 'Metropolitana 1 (M-1)", "Metropolitana 3 (M-3)"

e "Urbana 2 (U-2)" passam de R$ 3,00 (três reais) para R$ 3,50 (três reais e cinquenta centavos);

iii- as linhas classificadas como "Metropolitana 2 (M-2)" passam de R$ 4,00 (quatro

reais) para R$ 5,00 (cinco reais).

Art. 3 0 A tarifa do modo metroviário do Serviço Básico do Sistema de Transporte

Público Coletivo do Distrito Federal - METRÔ/DF passa a vigorar com o valor único

de R$ 5,00 (cinco reais).

Art. 4 0 As tarifas relativas ao Serviço de Transporte Público Complementar Rural — STPCR passam a vigorar com os seguintes valores:

I - as linhas de R$ 3,00 (três reais) passam para R$ 3,50 (três reais e cinquenta centavos);

ii - as linhas de R$ 3,00 (três reais) passam para R$ 3,50 (três reais e cinquenta

centavos); 111 - as linhas de RS 3,00 (três reais) passam para R$ 3,50 (três reais e cinquenta centavos);

IV - as linhas de R$ 4,00 (quatro reais) passam para R$ 5,00 (cinco reais).

Art. 5°A tarifa relativa à linha 113 - Executivo Aeroporto Internacional de Brasília, operada pela Sociedade de Transportes Coletivos de Brasília Ltda. - TCB, passa de

R$ 10,00 (dez reais) para R$ 12,00 (doze reais).

Art. 6° Fixa-se o percentual a que se refere o artigo 2" da Lei n.° 445, de 14 de maio

de 1993 em zero.

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Art. 7° Os créditos de vale transporte adquiridos até a entrada em vigor deste Decreto terão validade de 30 (trinta) dias a contar dessa data.

Art. 8° Este Decreto entrará em vigor à 0h00 (zero hora) do dia 02 de janeiro de

2017.

Art. 9 0 Revoga-se o Decreto n.° 36.76Z de 18 de setembro de 2015, e demais disposições em contrário.

Inobstante, ao promulgar o Decreto Legislativo ora impugnado, a

Câmara Legislativa do Distrito Federal, por adentrar em análise de mérito

administrativo e sustar ato regularmente editado pelo Governador do Distrito Federal,

afrontou o principio da separação entre os poderes (arts. 53 da LODF e 20 da CF) e as

regras especificas que cuidam da competência do Legislativo para sustar atos do poder

Executivo (art. 60, VI, da LODF e 49, V, da CF).

Assim, reputando-se presente uma clara invalidade jurídico-

constitucional no mencionado ato normativo, o Governador do Distrito Federal ajuíza

esta ação direta de inconstitucionalidade.

2 - A VIABILIDADE PROCESSUAL DA PRESENTE AÇÃO DIRETA

Cumpre registrar-se, inicialmente, o pleno cabimento da presente

demanda constitucional, dada a existência de orientação no âmbito do Supremo

Tribunal Federal a respeito da possibilidade de impugnação, por intermédio de ação

direta de inconstitucionalidade, de decretos legislativos editados nos termos do art.

49, V, da Constituição Federal (sustação da eficácia de decreto do Chefe do Poder

Executivo por suposta extrapolação de seu poder regulamentar), exatamente como

ocorre no presente caso:

Possibilidade de fiscalização normativa abstrata (

).

O decreto legislativo,

editado com fundamento no art. 49, V, da CF, não se desveste dos atributos tipificadores da normatividade pelo fato de limitar-se, materialmente, à suspensão de eficácia de ato oriundo do Poder Executivo. Também realiza função normativa o ato estatal que exclui, extingue ou suspende a validade ou a eficácia de uma outra norma jurídica. A eficácia derrogatória ou inibitória

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das consequências jurídicas dos atos estatais constitui um dos momentos concretizadores do processo normativo. (ADI 748-MC, Rel. Min. Celso de Mello, grifou-se)

Idêntica orientação foi adotada pelo Tribunal de Justiça do Distrito

Federal e dos Territórios. Essa Corte judiciária já teve a oportunidade de examinar,

no âmbito de ação direta de inconstitucionalidade, a validade constitucional de decreto

legislativo emanado da Câmara Legislativa que também tinha por escopo a sustação

da eficácia de Decreto emanado do Governador do Distrito Federal:

CONSTITUCIONAL. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. REQUISITOS MATERIAIS. ARTS. 60, VI E 100, XXVI, DA LODF. COMPETE AO PODER EXECUTIVO O EXERCÍCIO DO PODER DE POLÍCIA E ATOS ADMINISTRATIVOS. É juridicamente possível o controle de constitucionalidade de lei ou ato normativo distrital que viole a LODE Para análise do controle• de constitucionalidade das espécies normativas, necessário é averiguar a presença de vícios formais e materiais. Considerando que o Decreto Legislativo n° 991/02 objetiva a suspensão dos efeitos dos itens constantes no Decreto n°17.079/95 e 19.265/98, resta claro que o ato normativo extrapolou, de fato, os limites estabelecidos, eis que ao Poder Legislativo compete tão- somente sustar o ato abusivo. Vale registrar que os Decretos n° 17.079/95 e 19.265/98 disciplinam a cobrança de preço público para a utilização, por particulares, de espaço de logradouros ou áreas públicas do Distrito Federal, nos quais a princípio, não há qualquer exorbitância do poder regulamentar. (ADI 2005.00.2.000966-3, Rel. Des. Hermenegildo Gonçalves, grifou-se)

Diante de tais precedentes, toma-se claro o pleno cabimento da presente

ação direta de inconstitucionalidade, dado o caráter essencialmente normativo de que

se reveste o decreto impugnado nesta demanda.

3 - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES INICIAIS EM TORNO DO REAJUSTE

DE TARIFAS PROMOVIDO PELO PODER EXECUTIVO DO DISTRITO

FEDERAL

Como se sabe, a presente controvérsia constitucional alcança, de forma

indireta, o incremente do valor das tarifas no âmbito do Sistema de Transporte Público

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Coletivo do Distrito Federal. O Decreto n. 37.940/2016, cuja eficácia foi sustada pelo ato normativo impugnado na presente sede de controle abstrato, promoveu a majoração, para o ano de 2017, das mencionadas tarifas. A Câmara Legislativa então determinou a suspensão de tal aumento, apontando uma série de razões que serão mais adiante exploradas.

Diante desse quadro de grave tensão institucional entre os dois poderes do Distrito Federal, mostra-se necessária a intervenção dessa C. Corte judiciária. E, considerada a relevância e a sensibilidade da matéria envolvida, associada ao caráter

claramente jurídico-político do controle abstrato de constitucionalidade, a autoridade ora requerente passa a apresentar as razões que justificaram o aumento nas tarifas de transporte público no âmbito do Distrito Federal e que conferem plena legitimidade à dificil, porém necessária, decisão que se tomou nesse sentido.

Antes de tudo, é preciso esclarecer que, no âmbito dos sistemas de transporte público coletivo dos entes federados brasileiros, existem, em geral, duas modalidades específicas de tarifas. A primeira delas consiste na tarifa usuário, que envolve o valor das passagens pagas por aqueles que se utilizam dos serviços e são de amplo conhecimento público, pois alcançam boa parte da população e das empresas. A segunda delas envolve a tarifa técnica, que constitui o valor efetivamente percebido pelas concessionárias. A tarifa técnica é fixada a partir de análises realizadas no âmbito do DFTRANS e leva em conta uma série de custos associados à prestação dos serviços, tais como despesas de pessoal, tributos, veículos, depreciação e investimentos. Como regra, a tarifa usuário é mais baixa, de modo que o Poder Executivo normalmente tem de aportar recursos no sistema, para que se alcance a tarifa técnica e ele se mostre financeiramente viável. A simples remuneração das concessionárias pela tarifa usuário não faz frente a todas as despesas relativas ao funcionamento do serviço.

Assentadas essas premissas, é preciso destacar que o Decreto n. 37.940/2016, que majorou o valor das tarifas para o ano de 2017 e teve a sua eficácia suspensa pelo ato normativo impugnado na presente ação direta, promoveu a

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majoração da chamada tarifa usuário. Isso significa que os valores de tarifa técnica

permaneceram nos mesmos patamares. Por consequência, não houve incremento nos repasses às operadoras do sistema. O aumento simplesmente diminuiu a diferença

entre as tarifas usuário e técnica, tornando o sistema menos deficitário e reduzindo os aportes necessariamente feitos pelo poder público.

Para reforçar-se o quadro ora narrado, apresentem-se algumas informações financeiras em torno da diferença entre a tarifa usuário e a tarifa técnica,

demonstrando-se a necessidade de aporte de recursos no sistema por parte do Poder

Executivo. A tabela a seguir demonstra os valores de complemento tarifário feitos por

este ente distrital em função da discrepância de valores entre as duas tarifas, de 2014

a 2017:

Ano

Complemento tarifário

2014

R$ 112.559.235,82

2015

R$ 250.229.075,64

2016

R$ 190.746.398,56

2017*

R$ 123.985.278,69

* Considerada a majoração decorrente do Decreto n. 37.940/2016

Desse modo, o aumento da tarifa usuário, no presente caso, não constituiu em princípio uma medida destinada a beneficiar as concessionárias em prejuízo dos usuários. Cuidou-se, em verdade, de uma providência de natureza fiscal, que permitirá uma importante economia de recursos públicos em um contexto de grave crise econômica por que passam o País e o Distrito

Federal. São notórias, em tal perspectiva, as dificuldades enfrentadas por esse ente distrital no cumprimento de suas obrigações financeiras, nada obstante os enormes esforços empreendidos pela atual administração no sentido da correção desses problemas.

Mas é importante ressaltar que, nada obstante mostre-se uma medida com forte componente fiscal, a majoração da tarifa usuário pelo Poder Executivo também

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se revela uma providência absolutamente legítima na perspectiva do atual cenário do sistema de transporte público coletivo do Distrito Federal, notadamente no que se

refere aos seus componentes financeiros e à grande defasagem tarifária que vigia nesse sistema.

Ou seja, há consistentes razões desprovidas de caráter fiscal que

justificam e legitimam esse aumento. Tais fundamentos estão intrinsecamente associados ao próprio funcionamento e à viabilidade financeira do sistema, conforme

se passa a indicar: (i) houve relevante aumento nos custos operacionais das

concessionárias desde o último aumento, ocorrido em 2015, especialmente no que se refere a combustível e salários; (ii) há a necessidade de novos investimentos no

sistema, para que se aprimore a qualidade dos serviços oferecidos ao usuário; (iii)

passaram-se 10 anos sem que houvesse correção na tarifa usuário (de 2006 a 2015), de modo que ainda persiste uma considerável defasagem; (iv) as gratuidades

existentes no sistema (estudantes e portadores de necessidades especiais, por

exemplo) perfazem cerca de 33% das viagens (dobro da média nacional), reforçando a situação de desequilíbrio financeiro então existente; e (iv) os subsídios aportados

pelo Poder Executivo perfazem cerca de 50% do custo do sistema, mostrando-se excessivamente elevados.

Cabe destacar, ainda, que o incremento tarifário empreendido pelo Poder Executivo, e indevidamente suspenso pelo ato normativo impugnado na •presente demanda, aproximou a correção do valor das tarifas de diversos índices inflacionários e da própria variação de importantes indicadores do setor. Essa readequação, contudo, não afastou a circunstância de que o aumento das tarifas no Distrito Federal nos últimos dez anos ficou abaixo de todos os índices aplicáveis, conforme se pode extrair da tabela abaixo:

índice

2006

2017

Variação

Salário motorista (R$)

880,00

2.333,45

165%

Salário cobrador (R$)

460,40

1.219,84

165%

Diesel

1,70

3,00

77%

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Salário Mínimo

350,00

937,00

168%

INPC

90.91%

IPCA

87,80%

IGP-M

96,34%

Tarifa 1 STPC (R$)

1,50

2,50

66,67%

Tarifa 2 STPC (R$)

2,50

3,50

40,00%

Tarifa 3 STPC (R$)

3,00

5,00

66,67%

Pode-se perceber, por um breve exame das informações constantes da

tabela acima, que os reajustes tarifários implementados no âmbito do Distrito Federal nos últimos anos ficaram abaixo da variação percentual de todos os índices

inflacionários relevantes e que de alguma forma repercutem no setor de transporte.

Indiscutível, em tal contexto, a racionalidade e a legitimidade de tal aumento, cujo escopo é a recomposição de perdas inflacionárias que, vale repetir, são amplamente arcadas pelo próprio poder público.

Observe-se, agora, o impacto, no salário mínimo nacional ao longo dos anos, das modalidades tarifárias vigentes no Distrito Federal, de modo a demonstrar-

se que, em realidade, tratou-se de aumentos razoáveis e que, em um período de tempo

mais amplo, veem reduzindo a participação do valor das passagens nos ganhos mensais dos usuários:

Modalidade de tarifa

Impacto no salário mínimo em 2006

Impacto no salário mínimo em 2016

Impacto no

salário mínimo

 

em 2017

Linhas circulares internas

18,86%

11,25%

11,74%

Linhas de ligações curtas

31,43%

15,00%

16,44%

Linhas

37,71%

20,00%

23,48%

longas/Metrô/Integração

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A análise dessas informações mostra que, também sob a perspectiva do

valor do salário mínimo e do impacto das tarifas nos ganhos mensais dos usuários, os valores das passagens no âmbito do Distrito Federal mostram-se adequados e têm observado o postulado da modicidade tarifária.

Cabe destacar, em reforço aos fundamentos acima destacados, que, após o reajuste tarifário que foi indevidamente suspenso pelo ato normativo impugnado na

presente sede de controle abstrato, Brasília ocupa o 9° lugar, empatado com

Florianópolis-SC, no ranking das tarifas de transporte público nas capitais brasileiras. Eis as cidades cujas tarifas são mais elevadas do que aquelas aqui

praticadas: Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba,

Goiânia, Cuiabá e Campo Grande. Relembre-se que, em matéria de custo de vida, Brasília é a terceira capital mais cara do País, atrás apenas de Rio de Janeiro e São Paulo'.

Esses breves esclarecimentos mostram, de um lado, a necessidade de

efetiva readequação dos valores de tarifas no âmbito do sistema de transporte público local e, de outro, a razoabilidade dos aumentos decorrentes do Decreto n. 37.940/2016. Trata-se de uma medida que permite corrigir, ainda que em mínima

medida, as discrepâncias financeiras existentes, que vinham onerando demasiadamente os cofres públicos em um cenário de grave crise fiscal e econômica. O usuário e as empresas serão onerados, não há dúvida, mas somente na medida necessária e com parâmetros de absoluta razoabilidade. Trata-se, por fim, de uma medida que reduzirá em cerca de R$ 180 milhões os aportes anuais feitos pelo Poder Executivo no sistema.

I Conforme matéria veiculada no Jornal Folha de S. Paulo em 8/12/2014:

http://wwwl.folha.uol.com.bríasmai s/2014/12/1557488-vej a-as-10-cidades-mais-caras-para-viver-no- brasil-e-no-mundo. shtml. Site consultado em 15/01/2017.

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4 - DOS FUNDAMENTOS PARA O RECONHECIMENTO DA

INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA IMPUGNADA NA PRESENTE

AÇÃO DIRETA — VIOLAÇÃO AOS ARTS. 53 E 60, VI DA LODF

A competência outorgada à Câmara Legislativa do Distrito Federal para

sustar atos normativos exarados pelo Poder Executivo encontra-se disposta no art. 60,

VI da LODF, in verbis:

Art. 60. Compete, privativamente, à Câmara Legislativa do Distrito Federal:

(—)

4111 VI — sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar, configurando crime de responsabilidade sua reedição- (grifamos)

Este dispositivo, que se espelha no art. 49, V da Constituição Federal',

materializa mecanismo destinado a, dando concretude ao sistema de freios e

contrapesos que rege a separação entre os poderes, possibilitar que o Poder Legislativo

controle eventuais abusos cometidos pelo Executivo no uso do poder regulamentar.

Trata-se, assim, de verdadeira "invasão constitucionalmente admitida" de um poder

sobre o outro, razão pela qual o seu exercício deve limitar-se aos seus estritos termos,

sob pena de interferência inconstitucional de um Poder sobre o outro3.

Veicula-se, assim, instrumento de controle político de

constitucionalidade a ser exercido pela CLDF sobre atos do Governador do Distrito

Federal que ultrapassem os limites da sua competência regulamentar. Portanto, a

sustação não pode ser calcada num juízo de discricionariedade ou de mérito por parte

dos integrantes do legislativo sobre o ato a ser sustado. Nesse sentido, a pertinente

advertência de Anna Candida da Cunha Ferraz' sobre a questão:

.3 Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: (

Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa;

)

V - sustar os atos normativos do Poder

3 FERRAZ, Anna Candida da Cunha. Comentário ao art. 49, V. In: CANOTILHO, J.J. Gomes; MENDES, Gilmar; SARLET, Ingo; STRECK, Lênio (Coords.); Comentários à Constituição do Brasil, São Paulo: Saraiva/Almedina, p. 1029. Id. lb.

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"Não se cogita, pois, na hipótese, de sustação apenas ditada por mera

ilegalidade ou por discricionariedade ou pelo mérito do ato questionado.

O abuso de poder regulamentar ou da delegação legislativa que fundamentam

a susta* importa em transgressão de regras de competências constitucionais do Legislativo por 'incidir no domínio da atuação material da lei, em sentido formal' (ACO — Q0 1048/RS)." (grifamos)

É dizer, a faculdade conferida ao Poder Legislativo é restrita e muito

específica: a ocorrência de exorbitância do poder regulamentar por parte do Poder

Executivo, no sentido de atuar em um campo normativo que não está incluído dentre

as suas competências constitucionais.

Nessa linha, a lição doutrinária de Marcos Aurélio Pereira Valadão5:

Ou seja, o controle que pode ser exercido pelo Poder Legislativo, com base no art. 49, inciso V, da CF/88, é limitado e restringe-se às hipóteses de extrapolação do poder regulamentar, no sentido de não-adequação aos limites da lei regulamentada (disposições contra legem, extra legem ou ultra legem), configurando violação ao principio da legalidade e diz respeito somente aos atos

do chefe do Poder Executivo, isto é, os decretos regulamentares, não abrangendo os

decretos autônomos ou qualquer outro ato emanado na esfera do Poder Executivo. Qualquer outra hipótese de inconstitucionalidade só poderá ser obieto de controle pelo Poder Judiciário. Entender-se de outro modo seria como se ler no supercitado inciso V do artigo 49 da CF/88 não a expressão "atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar", mas "atos normativos no âmbito do Poder Executivo eivados de inconstitucionalidade direta ou indiretamente"; o que configuraria, evidentemente, uma ampliação distorcida do comando constitucional. (grifos nossos)

Esse é o entendimento que se descortina também de tradicional

jurisprudência do STF, manifestada no acórdão a seguir transcrito:

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE - ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO RIO GRANDE DO SUL - DECRETO LEGISLATIVO - CONTEUDO NORMATIVO - SUSPENSÃO DA EFICACIA DE ATO EMANADO DO GOVERNADOR DO ESTADO - CONTROLE PARLAMENTAR DA ATIVIDADE REGULAMENTAR DO PODER EXECUTIVO (CF, ART. 49, V) - POSSIBILIDADE DE FISCALIZAÇÃO NORMATIVA ABSTRATA - AÇÃO

Sustação de atos do Poder Executivo pelo Congresso Nacional com base no artigo 49, inciso V, da Constituição de 1988. Brasília a. 38 n. 153 jan./mar. 2002

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DIRETA CONHECIDA. REDE ESTADUAL DE ENSINO - CALENDARIO ESCOLAR ROTATIVO - PREVISÃO NO PLANO PLURIANUAL - ALEGADA INOBSERVANCIA DO POSTULADO DA SEPARAÇÃO DE PODERES - EXERCÍCIO DE FUNÇÃO REGULAMENTAR PELO EXECUTIVO - RELEVÂNCIA JURÍDICA DO TEMA - MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA. - O CONTROLE CONCENTRADO DE CONSTITUCIONALIDADE TEM OBJETO PRÓPRIO. INCIDE EXCLUSIVAMENTE SOBRE ATOS ESTATAIS PROVIDOS DE DENSIDADE NORMATIVA. A NOÇÃO DE ATO NORMATIVO, PARA EFEITO DE FISCALIZAÇÃO DA CONSTITUCIONALIDADE EM TESE, REQUER, ALÉM DE SUA AUTONOMIA JURÍDICA, A CONSTATAÇÃO DO SEU COEFICIENTE DE GENERALIDADE ABSTRATA, BEM ASSIM DE SUA IMPESSOALIDADE. - O DECRETO LEGISLATIVO, EDITADO COM FUNDAMENTO NO ART. 49, V, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, NÃO SE DESVESTE DOS ATRIBUTOS TIPIFICADORES DA NORMATIVIDADE PELO FATO DE LIMITAR-SE,MATERIALMENTE, A SUSPENSÃO DE EFICACIA DE ATO ORIUNDO DO PODER EXECUTIVO. TAMBÉM REALIZA FUNÇÃO NORMATIVA O ATO ESTATAL QUE EXCLUI, EXTINGUE OU SUSPENDE A VALIDADE OU A EFICACIA DE UMA OUTRA NORMA JURÍDICA. A EFICACIA DERROGATÓRIA OU INIBITORIA DAS CONSEQUENCIAS JUR1DICAS DOS ATOS ESTATAIS CONSTITUI UM DOS MOMENTOS CONCRETIZADORES DO PROCESSO NORMATIVO. A SUPRESSA° DA EFICACIA DE UMA REGRA DE DIREITO POSSUI FORÇA NORMATIVA EQUIPARA VEL A DOS PRECEITOS JURIDICOS QUE INOVAM, DE FORMA POSITIVA, O ORDENAMENTO ESTATAL, EIS QUE A DELIBERAÇÃO PARLAMENTAR DE SUSPENSÃO DOS EFEITOS DE UM PRECEITO JURÍDICO INCORPORA, AINDA QUE EM SENTIDO INVERSO, A CARGA DE NORMATIVIDADE INERENTE AO ATO QUE LHE CONSTITUI O OBJETO. O EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE DO DECRETO LEGISLATIVO QUE SUSPENDE A EFICACIA DE ATO DO PODER EXECUTIVO IMPÕE A ANALISE, PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, DOS PRESSUPOSTOS LEGITIMADORES DO EXERCÍCIO DESSA EXCEPCIONAL COMPETÊNCIA DEFERIDA A INSTITUIÇÃO PARLAMENTAR. CABE A CORTE SUPREMA, EM CONSEQUENCIA, VERIFICAR SE OS ATOS NORMATIVOS EMANADOS DO EXECUTIVO AJUSTAM-SE, OU NÃO, AOS LIMITES DO PODER REGULAMENTAR OU AOS DA DELEGAÇÃO LEGISLATIVA. A FISCALIZAÇÃO ESTRITA DESSES PRESSUPOSTOS JUSTIFICA-SE COMO IMPOSIÇÃO DECORRENTE DA NECESSIDADE DE PRESERVAR, "HIC ET NUN", A INTEGRIDADE DO PRINCÍPIO DA SEPARAÇÃO DE PODERES. - A PREVISÃO DO CALENDARIO ROTATIVO ESCOLAR NA LEI QUE INSTITUI O PLANO PLURIANUAL PARECE LEGITIMAR O EXERCÍCIO, PELO CHEFE DO EXECUTIVO, DO SEU PODER REGULAMENTAR, TORNANDO POSS1VEL, DESSE MODO, A IMPLANTAÇÃO DESSA PROPOSTA PEDAGOGICA MEDIANTE DECRETO. POSIÇÃO DISSIDENTE DO RELATOR, CUJO ENTENDIMENTO PESSOAL FICA RESSALVADO. (ADI 748 MC, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado em 01/07/1992, DJ 06-11-1992 PP-20105 EMENT VOL-01683-01 PP-00041 RTJ VOL- 00143-02 PP-00510) (grifamos)

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Merece referência o que constou do voto proferido pelo Ministro

Sepúlveda Pertence à ocasião:

"o inovador art. 49, V, da Constituição, a meu ver, para não romper todas as barreiras do princípio fundamental da separação e independência dos poderes num regime presidencialista, há de ser visto como um instrumento de defesa da autoridade da lei em face da função regulamentar que lhe é subordinada: e, em principio, repele interpretação que entregue ao Poder Legislativo a possibilidade de imiscuir-se no exercício das funções discricionárias da Administração ".

Sendo assim, a fim de aferir a validade jurídico-constitucional do decreto

legislativo ora questionado resta saber se o Decreto do Poder Executivo cujos efeitos

foram sustados extrapolara ou não os limites das normas que veio a regulamentar.

Neste ponto, como primeiro aspecto a considerar, é preciso ressaltar que

existem normas que expressamente outorgam ao Poder Executivo do Distrito Federal

o poder-dever de, por meio de decreto, tratar das tarifas dos transportes públicos no

âmbito desta unidade federativa.

Tal competência, inclusive, tem estatura de norma constitucional

estadual, haja vista que foi cristalizada de forma expressa no art. 15, IV, da LODF:

Art. 15. Compete privativamente ao Distrito Federal:

L ] IV - fixar fiscalizar e cobrar tarifas e preços públicos de sua competência(grifamos)

A Lei Federal n° 12.587/12, de seu turno, que trata das diretrizes da

Política Nacional de Mobilidade Urbana, também é expressa ao conferir tal

competência ao poder público outorgante. Neste sentido, o art. 9 0 da referida norma:

Art. 92 O regime econômico e financeiro da concessão e o da permissão do serviço de transporte público coletivo serão estabelecidos no respectivo edital de licitação, sendo a tarifa de remuneração da prestação de serviço de transporte público coletivo resultante do processo licitatório da outorga do poder público.

L--

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§ 2 O preço público cobrado do usuário pelo uso do transporte público coletivo

denomina-se tarifa pública, sendo instituída por ato específico do poder público outorgante.

G.) 7" Competem ao poder público delegante a fixação, o reajuste e a revisão da tarifa de remuneração da prestação do serviço e da tarifa pública a ser cobrada do usuário. § 8° Compete ao poder público delegante a fixação dos níveis tarifários.

§ 12. O poder público poderá, em caráter excepcional e desde que observado o

interesse público, proceder à revisão extraordinária das tarifas, por ato de oficio ou mediante provocação da empresa, caso em que esta deverá demonstrar sua cabal

necessidade, instruindo o requerimento com todos os elementos indispensáveis e suficientes para subsidiar a decisão, dando publicidade ao ato. (grifamos)

A lei distrital n. 4.011/2007, que "Dispõe sobre os serviços de transporte público coletivo integrantes do Sistema de Transporte do Distrito Federal, instituído

pela Lei Orgânica do Distrito Federal, e dá outras providências", também possui disposição expressa sobre o tema:

Art. 17. As tarifas dos serviços integrantes do STPC/DF serão fixadas pelo Poder Executivo, com base em estudos de custos e tarifas desenvolvidos pela entidade gestora, observadas as disposições legais e ouvido, previamente, o CTPC/DF.

Sendo assim, sob o aspecto da competência funcional, não restam dúvidas de que, tanto a Lei Orgânica do DF, como as leis federal e distrital especificamente editadas para cuidar das questões relacionadas à mobilidade urbana e transporte público, outorgaram ao Poder Executivo do DF a competência para editar ato que veicule a fixação da tarifa pública dos serviços públicos de transportes coletiva.

Em relação ao conteúdo desse ato normativo, ou seja, o modo como serão fixadas as tarifas, a norma que cuida da matéria no âmbito do DF é a lei n. 4.011/2007, acima mencionada, a qual, quanto tema, prevê o seguinte:

Seção VI

Da Política Tarifária e da Remuneração do Serviço

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Art. 16. A política tarifária adotada para o STPC/DF deverá buscar atender os seguintes princípios:

I — promover a mobilidade da população de baixa renda;

II — manter o equilíbrio econômico-financeiro do STPC/DF;

III — incentivar a implementação da integração tarifária do STPC/DF;

IV — definir estrutura tarifária simples e adequada às peculiaridades do Distrito

Federal;

V — controlar a utilização de gratuidades e descontos;

VI

— gerenciar a demanda, incentivando movimentos nos períodos entre os horários

de

pico.

Art. 17. As tarifas dos serviços integrantes do STPC/DF serão fixadas pelo Poder Executivo, com base em estudos de custos e tarifas desenvolvidos pela entidade gestora, observadas as disposições legais e ouvido, previamente, o CTPC/DF.

8

1° A entidade gestora poderá propor preços promocionais, ouvido o CTPC/DF.

8

2° O valor médio ponderado do conjunto das tarifas fixadas e os preços

promocionais de que trata o 8 1° deste artigo não poderão interferir negativamente no equilíbrio econômico-financeiro do STPC/DF e nem constituir razão para reivindicação de aumento da tarifa. Art. 18. Os serviços do STPC/DF serão remunerados pelo produto da arrecadação tarifária.

° As receitas provenientes da execução de outros serviços vinculados ao STPC/DF poderão ser revertidas em beneficio da modicidade da tarifa.

§ 2° A efetivação das disposições contidas no § I° deste artigo será objeto de

regulamentação específica pela Secretaria de Estado de Transportes. Art. 19. A legislação que vier a instituir isenções ou reduções tarifárias de qualquer natureza e quaisquer outros custos deverá dispor expressamente sobre as fontes específicas de recursos para seu financiamento, nos termos do art. 35 da Lei federal

n° 9.074/1995 e da legislação distrital pertinente.

Art. 20. Os delegatários dos serviços de transporte público coletivo serão remunerados pelas seguintes receitas:

1— receitas operacionais, advindas do recebimento em espécie e do resgate de créditos

de

viagem registrados;

II

— receitas não-operacionais, advindas da exploração de publicidade nos veículos e

de

outras que lhes forem destinadas, ouvido o CTPC/DF. Parágrafo único. A receita em espécie será recebida por cobrador, vedado o

exercício dessa função pelo condutor.

Art. 21. Fica instituída a Câmara de Compensação de Receitas e Créditos — CCRC,

no âmbito da entidade gestora, como o instrumento de administração econômico-

financeira do STPC/DF, em linhas que forem compartilhadas entre os modais. Parágrafo único. O Poder Executivo estabelecerá, por meio de decreto, normas e procedimentos relativos à implementação e ao funcionamento da Câmara de Compensação de Receitas e Créditos, ouvido o CTPC/DF. Art. 22. A Câmara de Compensação criada pela Lei n°239, de 10 de fevereiro de 1992, cessará suas atividades e estará extinta quando do início do funcionamento da CCRC.

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Parágrafo único. O Poder Executivo fixará as datas e os procedimentos de transição para o inicio do funcionamento da CCRC e a extinção da atual Câmara de Compensação, na forma prevista neste artigo. Art. 23. No caso das receitas compartilhadas, um Conselho Gestor, a ser instituído

por decreto, por meio da CCRC, exercerá a administração dos créditos comercializados, a repartição das receitas arrecadadas e o rateio entre os operadores do Sistema Integrado de Transporte, inclusive Metrô.

§ 1° Os déficits decorrentes da operação da CCRC não constituirão débitos do Distrito Federal para com a CCRC ou qualquer delegatário.

§ 2° Os superávits decorrentes da operação da CCRC serão revertidos em favor de um

Fundo de Transporte Público Coletivo, que poderá ser utilizado para promover o equilíbrio econômico financeiro do Sistema. Art. 24. A CCRC calculará, processará e providenciará os repasses com vistas a promover a manutenção de níveis de rentabilidade equânimes entre os delegatários do modo rodoviário. Art. 25. Os níveis de rentabilidade equânimes entre os delegatários do modo rodoviário serão definidos com base em critérios previamente estabelecidos pela entidade gestora. Parágrafo único. Não haverá compensação financeira e tarifária para efeito de equalização de rentabilidade do modo metroviário. Art. 26. Denominam-se receitas relativas aquelas auferidas pelos operadores integrados, caso as viagens que compõem o percurso integrado sejam efetuadas isolada e independentemente, sem o desconto para a integração. Art. 27. No caso dos delegatários autônomos, o acerto dos valores devidos será realizado entre a CCRC e a entidade representativa da classe, nos termos dispostos no regulamento. (grifamos)

Pelo exame do complexo normativo que rege a matéria, pode-se

constatar, sem qualquer dúvida, que compete ao Poder Executivo, por ato do

Governador do Distrito Federal, a fixação das tarifas de transporte público coletivo.

Não se trata de matéria que deva ser veiculada por lei especifica.

E, em tal contexto, o Chefe do Poder Executivo não excedeu o seu poder

regulamentar. Cuidou de matéria absolutamente afeita às suas atribuições funcionais,

editando o ato administrativo adequado para o fim pretendido e observando todas as

suas formalidades legais. Não houve, portanto, a usurpação da competência da

Câmara Legislativa, razão pela qual não se justificava a edição do ato normativo ora

impugnado.

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Nesse ponto, cumpre fazer uma relevante observação: ainda que estivessem presentes as irregularidades apontadas pela Câmara Legislativa nos atos que motivaram a edição do decreto impugnado na presente causa (mais adiante será demonstrado que tais irregularidades simplesmente não ocorreram), aquele órgão parlamentar não poderia ter sustado a eficácia do Decreto n. 37.940/2016. A edição de um decreto legislativo com tal escopo, nos termos do art. 49, V, da Constituição Federal e do art. 60, VI, da Lei Orgânica do Distrito Federal, somente se justifica na exclusiva hipótese de usurpação da competência da Casa Legislativa. Essa circunstância não ocorreu. Nem a própria Câmara Legislativa a reconhece, limitando-se a indicar uma série de ilegalidades que não guardam qualquer relação com a divisão de competências entre os

poderes, o sistema de check and balances e a necessidade de preservação do rol de atribuições daquele órgão.

Em outras palavras: a Câmara Legislativa do Distrito Federal simplesmente desvirtuou o alcance e o sentido da medida constitucional de decreto legislativo inscrita no art. 49, V, da Constituição Federal e no art. 60, VI, da Lei Orgânica do Distrito Federal, ampliando o seu alcance de forma ilegítima para tornar ineficaz uma medida de política pública claramente inserida na competência do Chefe do Poder Executivo. Em vez de proteger as suas atribuições, aquela Casa Parlamentar usurpou as funções de outro poder estatal.

O fato é que a CLDF, ao exarar o decreto legislativo ora impugnado, descurou-se inteiramente dos estritos limites da sua competência. A Casa Legislativa, ao contrário do que exige a LODF, atuou com base em um juízo acerca da conveniência e oportunidade do aumento das tarifas dos transportes públicos do DF.

fr-

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oriiE

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Desse modo, impende reconhecer que o ato ora questionado, além de

violar a regra do art. 60, VI da LODF, vulnera o postulado constitucional da separação

entre os poderes, plasmado nos arts. 53 da LODF6 e 20 da Constituição Federal'.

Esse princípio prescreve a repartição das funções governamentais,

traçando a sua ordenação e organização entre os poderes constituídos, ao tempo em

que fixa limites e controle em sua dinâmica com os demais. Está calcado no sistema

de freios e contrapesos, em que cada órgão tem o dever não apenas de cumprir a sua

função, mas também atuar de maneira a evitar que os demais desbordem da sua

competência. Esse controle, no entanto, "é ancorado na acepção de discricionariedade:

um poder está proibido de invadir a discricionariedade de outros."8

Assim, permitir a vigência do decreto legislativo em deslinde é, por via

transversa, autorizar uma afronta direta e frontal ao princípio constitucional da

separação entre os poderes.

Por todas as razões acima referidas é que o ato normativo ora impugnado

merece ser extirpada do ordenamento jurídico, restabelecendo-se os efeitos do

Decreto n°37.940, de 30 de dezembro de 2016.

5- A INCONSISTÊNCIA DAS RAZÕES QUE MOTIVARAM A EDIÇÃO DO

DECRETO IMPUGNADO NA PRESENTE AÇÃO DIRETA

As razões acima expostas mostram-se mais que suficientes para demonstrar-se a invalidade constitucional do ato normativo examinado nesta sede de

6 Art. 53. São Poderes do Distrito Federal, independentes e harmônicos entre si, o Executivo e o Legislativo.

.7 Art. 2° São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. STRECK, Lênio; OLIVEIRA, Fabio. Comentário ao art. 2°. In: CANOTILHO, J.J. Gomes; MENDES, Gilmar; SARLET, trigo; STRECK, Lênio (Coords.); Comentários à Constituição do Brasil, São Paulo:

Saraiva/Almedina, p. 145.

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Or

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controle abstrato. De todo modo, para reforçar-se a pretensão de inconstitucionalidade deduzida nesta demanda, cumpre apontarem-se, pontualmente, as inconsistências que emanam da fundamentação que amparou a edição do referido decreto legislativo. Tal análise permitirá que se conclua não só pela higidez jurídica da majoração de tarifas empreendida pelo Poder Executivo distrital, mas também pela necessidade e pela legitimidade do referido aumento.

Examinem-se, desse modo, de forma segmentada e objetiva, cada um dos fundamentos invocados pela Câmara Legislativa para suspender-se a majoração tarifária em causa:

a) Do descumprimento de obrigação legal de prévia consulta ao Conselho de Transporte Público do Distrito Federal - CTPC/DF: Segundo a Câmara Legislativa, a majoração tarifária sob controvérsia, objeto do Decreto n. 37.940/2016, não teria observado a prévia necessidade de oitiva do referido Conselho, nos termos do art. 17 da lei distrital n. 4.011/2007. Ocorre que o mandato dos Conselheiros do CTPC/DF encerrou-se no ano de 2014. Pretendendo indicar novos integrantes para aquele Conselho, como de resto para outros Colegiados similares, o Poder Executivo, por intermédio da Procuradoria-Geral do Distrito Federal, consultou o Tribunal de Contas do Distrito Federal sobre a viabilidade de novas nomeações, dadas as restrições decorrentes do alcance, por este ente distrital, do limite prudencial com despesas de pessoal previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal. Aquela Corte de Contas, por intermédio da Decisão n. 1.111/2015, respondeu à referida consulta no sentido da impossibilidade de nomeação de novos Conselheiros até que corrigida a situação de extrapolação do limite prudencial de gastos com pessoal.' Ou seja, este

EMENTA: Consulta formulada pela Procuradoria-Geral do Distrito Federal, consubstanciada na petição objeto do e-DOC 260B 135D-c (juntado aos autos), solicitando orientação jurídica quanto à abrangência das vedações contidas nos incisos de I a V do parágrafo único do art. 22 da Lei Complementar n° 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF). O Tribunal, por unanimidade, de acordo com o voto do Relator, decidiu: 1 - tomar conhecimento: 1) da consulta formulada pela Procuradora-Geral do Distrito Federal, Dra. Paola Aires Corrêa Lima, consubstanciada na petição objeto do e-DOC 260B I 35D-c (juntado aos autos), por atender os requisitos de admissibilidade previstos no art. 194 do R1/TCDF; 2) da Informação n° 06/2015-NAGF, do Despacho n° 22/2015 da Secretaria de Macroavaliação da Gestão Pública e do Parecer n° 254/2015-ML; II - no mérito, responder á consulente que, nas situações de extrapolação do limite prudencial de gasto com pessoal definido no parágrafo único do art. 22 da LC n° 101/00 (LRF), ou da ultrapassagem do limite máximo (art.

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ente distrital está impossibilitado de indicar os integrantes do CTPC/DF e permitir o seu funcionamento, nada obstante tenha envidado esforços para fazê-lo, inclusive mediante consulta ao Tribunal de Contas do Distrito Federal. Trata-se de uma consequência advinda da própria Lei de Responsabilidade Fiscal para a difícil situação por que passa este ente distrital e que se tem tentado corrigir, inclusive mediante a redução dos aportes anuais ao STPC/DF. O fato é que existe, no momento, um impedimento ao funcionamento regular do referido Conselho, inclusive por determinação indireta da Corte de Contas e como resultado de normas emanadas de uma lei complementar federal. Contudo, tal circunstância não pode impedir a adequada gestão, pelo Governador do Distrito Federal, do sistema de transporte coletivo local. A necessidade de aumento tarifário para o equilíbrio financeiro desse mesmo sistema deve ser atendida dentro do possível, exatamente como ocorreu na

20 da LRF), devem ser aplicadas todas as restrições insculpidas nos incisos I, II, III, IV e V do referido parágrafo único, a saber: 1) somente pode ser praticado ato de que resulte aumento de despesa de pessoal quando derivado de sentença judicial ou de determinação legal ou contratual, além do decorrente do disposto no inciso X do art. 37 da Constituição Federal; 2) somente pode ser implementada reestruturação quando não implicar aumento da despesa de pessoal, podendo, contudo, ocorrer o provimento de cargos lato sensu desde que: a) sejam estratégicos e indispensáveis ao atendimento das políticas e ações públicas necessárias ao bem-estar da sociedade, não produzindo aumento de despesa no âmbito do Poder Executivo; b) haja prévia e circunstanciada autorização da autoridade nomeante (por exemplo, Governador), com o detalhamento fundamentado dos requisitos estabelecidos na alínea anterior; 3) fica vedado o provimento de cargo público, admissão ou contratação de pessoal a qualquer titulo, ressalvados o contido na Decisão- TCDF n°534/15, concernente às áreas de segurança, saúde e educação, e as exceções apontadas no item anterior; 4) somente pode haver contratação de hora extra nas situações previstas na Lei de Diretrizes Orçamentárias, além da hipótese contida no inciso 111 do art. 67 da Lei Orgânica do Distrito Federal; 5) em atenção ao disposto no art. 44 da LC distrital n° 840/11, nessa parte regulamentada pelo Decreto n° 33.551/12, podem ser realizados pagamentos ao substituto de ocupante de cargo ou função de direção ou chefia que tenha sido designado enquanto não configurada a vacância do cargo ou função correspondente, conforme exceções previstas no inciso 1 do parágrafo único do art. 22 da LRF; 6) tendo em conta que as despesas realizadas a titulo de remuneração de membros de órgãos de deliberação coletiva (conselho consultivo, conselho de administração, conselho fiscal ou outros colegiados) devem integrar os valores da despesa liquida de pessoal considerada para fins de apuração do limite legal de gasto, a indicação ou nomeação de membros desses órgãos colegiados integrantes da Administração do Distrito Federal, exceto no caso das estatais não dependentes, deve se submeter às vedações expressas no parágrafo único do art. 22 da LRF; 111 — esclarecer, ainda, a consulente de que a observância do art. 22, parágrafo único, da LRF será objeto de aferição por parte desta Corte no exame de processos relativos às contas de governo e ao acompanhamento da gestão fiscal; IV — autorizar o encaminhamento de cópia da Informação n° 06/2015- NAGF, do Parecer n° 254/2015-ML, do relatório/voto do Relator, bem como desta decisão à consulente, ao Senhor Governador do Distrito Federal, às Secretarias de Gestão Administrativa e Desburocratização, de Planejamento, Orçamento e Gestão, da Casa Civil e de Fazenda do Distrito Federal, bem como à Câmara Legislativa do Distrito Federal e à Administração desta Corte; V — autorizar o arquivamento dos autos. Decidiu, mais, mandar publicar, em anexo à ata, o relatório/voto do Relator, a instrução e o parecer do Ministério Público junto à Corte.

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espécie. Cabe lembrar, ainda, que o CTPC/DF constitui um órgão de caráter meramente consultivo. Embora extremamente relevantes, as suas deliberações não são vinculativas, devendo ser devidamente consideradas no processo decisório. Portanto, não há qualquer irregularidade formal com um decreto editado pelo Poder Executivo no estrito cumprimento de suas atribuições constitucionais, que observou as formalidades legais necessárias e que deixou de consultar um determinado órgão que não pode ser instituído por razões circunstanciais alheias à vontade da atual administração. E, certamente, essa suposta irregularidade formal jamais poderia constituir motivo para a edição de um decreto pela Câmara Legislativa que serve ao propósito de impedir a usurpação da competência daquele Órgão Parlamentar. Inclusive, o reajuste anterior das tarifas do transporte público do DF, promovido pelo Decreto n.° 36.762, de 18 de setembro de 2015, também não foi precedido de consulta ao mencionado Conselho, sem que a CLDF haja manifestado qualquer insurgência. Se usurpação de funções tivesse ocorrido (e não ocorreu) elas teriam se dado na perspectiva do CTPC/DF e não da Câmara Legislativa que, em momento algum, sofreu interferência no exercício de suas funções.

b) Do descumprimento do principio da modicidade tarifária: nesse ponto, a

Câmara Legislativa ampara a edição do ato normativo ora impugnado na circunstância de que a majoração no valor das passagens empreendida pelo Decreto n. 37.940/2016 não teria observado o postulado da modicidade tarifária. Quanto a esse aspecto, cumpre rememorar o que já se expôs anteriormente nesta peça processual. O Distrito Federal pratica valores de tarifa menores do que de outras oito capitais brasileiras, algumas delas com custo de vida bastante inferior. O incremento nos valores de passagens nos últimos dez anos foi inferior a todos os índices de inflação. O peso da tarifa, comparado ao salário mínimo nacional, caiu substancialmente desde 2006. Os aportes de recursos públicos para permitirem-se tarifas mais baixas no ano foram de cerca de R$ 250 milhões em 2015 e R$ 190 milhões em 2016. A tarifa usuário é significativamente mais baixa que a tarifa técnica, sendo que esta última representa efetivamente a realidade financeira do sistema. Ou seja, o postulado da modicidade tem sido observado dentro do possível, com grande aporte de recursos

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públicos e correções de valores abaixo da inflação. A grande verdade é que a situação

do usuário, em termos de tarifa, é muito mais vantajosa do que há dez anos.

c) Ineficaz arrecadação de receitas adicionais: a Câmara Legislativa sustenta, como

forma de sustar a eficácia do Decreto n. 37.940/2016, que o Poder Executivo não teria

adotado as medidas necessárias para permitir-se o ingresso, no sistema de transporte público, de receitas adicionais, tais como estacionamentos públicos e a venda de

publicidades nos veículos que operam no sistema. As fontes de custeio alternativas de fato não podem ser desprezadas Mas elas de maneira alguma afastam a necessidade

de recomposição tarifária. Relembre-se, uma vez mais, que o complemento tarifário anual realizado pelo Poder Executivo se aproxima de R$ 200 milhões, já tendo

inclusive superado tal valor em anos anteriores. Receitas advindas de publicidades

e/ou exploração de estacionamentos públicos teriam uma interferência muito pequena nesse déficit e, de forma alguma afastariam a necessidade de majoração de tarifas ou

mesmo permitiriam que ela ocorresse em patamares mais baixos. Lembre-se que,

mesmo com o incremento no preço das passagens decorrente do Decreto n. 37.940/2016, o complemento tarifário estimado para o ano de 2017 aproxima-se de R$ 130 milhões.

d) Da remuneração das gratuidades: A Câmara Legislativa aponta, como um dos

fundamentos aptos a justificar a edição do Decreto impugnado na presente sede de controle abstrato, um suposto descumprimento da orientação da Procuradoria-Geral - PGDF e da Controladoria-Geral do Distrito Federal - CGDF a respeito da forma de remuneração das gratuidades oferecidas no âmbito do sistema de transporte local. Segundo aquele Órgão Parlamentar, a referida remuneração deveria tomar por base a tarifa usuário em vez da tarifa técnica, tal como teriam orientado a PGDF e a CGDF. Ocorre que, como a própria Câmara Legislativa reconhece, essa questão encontra- se sob o exame das autoridades competentes, não tendo recebido uma análise

conclusiva. Tal controvérsia jamais poderia constituir justificativa jurídica ou política para a interferência de um poder em outro, tal como ocorreu. A alegada lentidão na definição do regime de remuneração das gratuidades, ainda que tenha ocorrido, não constitui impedimento para a majoração tarifária que se pretende implementar.

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Observe-se que a Câmara Legislativa aponta um alegado prejuízo anual de R$ 20 milhões em função desse suposto equívoco na forma de remuneração das gratuidades.

Trata-se de um valor expressivo, sem dúvida. Ocorre que não se sabe de onde saiu esse número, não se comprovou a ocorrência da desídia das autoridades competentes

e não se apresentaram fundamentos jurídicos para as conclusões alcançadas pela

Câmara Legislativa. Além disso, esse valor de R$ 20 milhões representa somente 10% do complemento tarifário anual que deve ser feito pelo Poder Executivo em função da

defasagem entre a tarifa técnica e a tarifa usuário. Ou seja, ainda que houvesse esse alegado prejuízo na remuneração das gratuidades, permaneceria 90% do déficit entre as tarifas, o que torna plenamente justificável o aumento ora defendido.

e) Do posicionamento do corpo técnico do TCDF: a Câmara Legislativa, nas

razões que motivaram o decreto ora impugnado, aponta a suposta existência de um

superfaturamento nas tarifas técnicas do sistema de transporte coletivo que teria sido apurado pela unidade técnica competente no âmbito do Tribunal de Contas do Distrito

Federal. Essa avaliação técnica da Corte de Contas, conforme apontado pela própria Câmara Legislativa, constitui uma análise que ainda não foi concluída pelo Tribunal.

Portanto, ainda que se admita, por um instante, a consistência dos fundamentos invocados por aquele Órgão Parlamentar, o fato é que o mérito desse alegado

superfaturamento na tarifa técnica sequer foi examinado pelo TCDF ainda. Daí por que tal circunstância não pode justificar tamanha interferência de um poder estatal em outro, tal como sucede na espécie. A eventual ocorrência de superfaturamento deve ser apurada pelos órgãos competentes e mediante os mecanismos processuais adequados, outorgando-se a todos os interessados a possibilidade de se manifestar. O que não se pode e não se deve admitir é uma decisão unilateral da Câmara Legislativa que, apoiando-se em meros indícios, sustou a eficácia de um ato legítimo do Governador do Distrito Federal.

f) Da necessidade de realização de auditoria externa independente: A Câmara Legislativa do Distrito Federal sugere a realização de auditoria independente para apurarem-se eventuais discrepâncias tarifárias que poderiam diminuir o impacto financeiro da operação do sistema para o poder público e para os usuários. Embora

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essa constitua uma dentre várias alternativas para fazer uma análise mais aprofundada do STPC/DF, deve-se reconhecer essa circunstância ela não pode, uma vez mais, constituir impedimento ao aumento tarifário implementado pelo Poder Executivo. Não há qualquer obrigação legal para a realização dessa auditoria. Ela não constitui um pressuposto formal para a edição de atos do Governador do Distrito Federal que tenham por escopo o aumento do valor das tarifas. Além de tudo, não parece crível que uma auditoria, por mais precisa e eficiente que seja, possa identificar os problemas relativos à necessidade de um complemento tarifário anual de quase R$ 200 milhões. As causas dessa discrepância são claras e foram longamente exploradas na presente peça processual. Trata-se da ausência de aumento da tarifa usuário por cerca de dez anos, em um período de inflação acelerada e de incremento acentuado dos custos do sistema. Cuida-se da necessidade de aportes muito altos por parte do poder concedente para corrigirem-se essas distorções. Por melhor que seja a auditoria sugerida pela Câmara Legislativa, tal estudo certamente não resolverá essa equação insolúvel que se apresentava no âmbito do sistema.

g) Da alegada ausência de transparência: a Câmara Legislativa, ao editar o decreto impugnado na presente sede de controle normativo abstrato, apontou uma suposta falta de transparência por parte do Poder Executivo no processo de majoração de tarifas. Em tal contexto, haveria carência de dados nos sistemas informativos do DFTRANS e não teria ocorrido o encaminhamento dos estudos competentes que pautaram o aumento definido pelo Decreto n. 37.940/2016, tudo nos termos da lei federal n. 12.587 e das leis distritais n. 239/1992, n. 4.657/2011 e n. 5.171/2013. Uma vez mais se cuida de irregularidades formais que, caso tivessem ocorrido, não poderiam ter por consequência a sustação da eficácia da majoração tarifária implementada pelo Poder Executivo. Trata-se de uma sanção jurídico-política extremamente grave para que seja aplicada em uma situação da qual einanam supostos vícios procedimentais. Essa medida suspensiva, constante do ato normativo ora impugnado, presta-se, conforme já exposto, a evitar a usurpação da competência da Câmara Legislativa em função da exorbitância do poder regulamentar pelo Governador do Distrito Federal. Não é o que ocorreu na espécie. Ressalte-se, ainda, que o Poder Executivo procurou observar os regramentos procedimentais pertinentes,

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praticando-se os atos administrativos necessários, aos quais se deu a devida

publicidade. Nesse sentido, os estudos realizados pelo DFTRANS, que pautaram a

majoração tarifária em causa, constaram do processo administrativo n.

098.022.572/2016, no âmbito do qual foi elaborada a Nota Técnica Conjunta n.

02/2016-SUPLAM-GAB/SEMOB, tratando justamente desse processo de revisão das

tarifas do sistema de transporte público coletivo. Houve, nesse contexto, a devida e necessária transparência.

h) Ausência de proporcionalidade no reajuste: apontando um suposto

descumprimento ao art. 12, § 3°, da lei distrital n. 286/1992, a Câmara Legislativa

indica, nas razões que conferem suporte ao ato normativo ora impugnado, que não

teria ocorrido uma relação de proporcionalidade entre o incremento tarifário

introduzido pelo Decreto n. 37.940/2016 e os índices inflacionários aplicáveis.

Ocorre que aquela Casa Parlamentar, em sua análise, realizou um corte temporal

muito curto e específico. Tomando-se um lapso de tempo mais longo e verificando-se

o comportamento das tarifas nos últimos 10 anos, verifica-se que os incrementos

tarifários realizados são muito inferiores do que a inflação, por qualquer índice que se

adote. Aplicando-se o mesmo fator de correção adotado pela própria Câmara

Legislativa (INPC), constata-se que tal índice teve uma variação aproximada de 90%

desde 2006, enquanto as tarifas de transporte público coletivo no Distrito Federal

tiverem incrementos entre 40% e 66,67%. Ou seja, elas foram majoradas abaixo da

inflação, demonstrando que não houve a desproporcionalidade apontada pela Câmara Legislativa.

Diante de tais razões, torna-se necessário reconhecer a inconsistência

dos fundamentos que conferem suporte ao decreto legislativo impugnado na presente

ação direta. E, como consequência, o mencionado ato normativo mostra-se, também

sob tal perspectiva, impregnado de clara inconstitucionalidade material, dado a clara

extrapolação das atribuições institucionais da Câmara Legislativa, o cerceamento do

regular exercício das funções do Chefe do Poder Executivo local e a inquestionável violação ao postulado de separação de poderes.

GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL PROCURADORIA-GERAL DO DISTRITO FEDERAL Procuradoria Especial de Assuntos Constitucionais, de Processos dos Tribunais Superiores e Tribunais de Contas

4c91H1i

PGDF

PROCURADORIA-GERAL DO DISTRITO FEDERAL

Daí, também quanto a esse ponto, a consistência da pretensão de inconstitucionalidade deduzida nesta demanda.

6 - O PEDIDO DE MEDIDA CAUTELAR

A plausibilidade da pretensão de inconstitucionalidade deduzida nesta ação direta foi amplamente demonstrada na presente peça processual. A norma impugnada nesta demanda mostra-se indiscutivelmente impregnada de inconstitucionalidade material, dada a claríssima impossibilidade de sustação de Decreto editado pelo Poder Executivo no regular exercício do poder regulamentar. A faculdade outorgada ao Governador do Distrito Federal para, por meio de Decreto, reajustar tarifas de transporte público advém de expressa disposição da LODF, da lei federal n. 12.587/12 e da lei distrital n. 4.011/2007. Além disso, no exercício desse poder regulamentar o Governador do Distrito Federal obedeceu a todos os requisitos legais para a fixação da tarifa. O Decreto Legislativo impugnado na presente causa constitui um indevido cerceamento do exercício das atribuições do Chefe do Poder Executivo e um desvirtuamento da naturezajurídica de tal ato normativo, que somente pode ser editado quando houver a usurpação de determinada atribuição da Câmara Legislativa, situação de todo inocorrente na espécie.

O perigo na demora, de outro lado, mostra-se inescapável. O ato de sustação ora impugnado ensejará grave prejuízo às contas do Distrito Federal. Inclusive, segundo informações contidas na NOTA TÉCNICA CONJUNTA N° 02/2016 — SUPLAM-GAB/SEMOB o atual déficit para o custeio do STPC rodoviário é de R$ 426.808.266,00. Além disso, os recursos orçamentários disponíveis para 2017 não chegam a representar 30% do custo de 2016, o que pode levar à completa inviabilização do sistema. Tudo isso desconsiderando a insegurança jurídica associada a esta restrição nas atividades do Governador do Distrito Federal. O funcionamento do sistema de transporte local deve ocorrer de forma segura, clara e previsível. O Decreto Legislativo ora impugnado prejudica esses três objetivos.

GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL PROCURADORIA-GERAL DO DISTRITO FEDERAL Procuradoria Especial de Assuntos Constitucionais, de Processos dos Tribunais Superiores e Tribunais de Contas

taiia31-

PGDF

PROCURADORIA-GERAL DO DISTRITO FEDERAL

Portanto, também sob a perspectiva da urgência, revela-se muito clara a

consistência da pretensão formulada na presente sede processual, razão pela qual se

mostra necessária a outorga da tutela cautelar ora requerida, com a consequente

sustação da eficácia do ato normativo a norma objeto desta ação direta de inconstitucionalidade.

7- DOS PEDIDOS

Em face do exposto, requer-se:

a) Considerando a excepcional urgência da matéria, o deferimento da medida

cautelar mediante decisão monocrática e sem a oitiva da Câmara Legislativa

do Distrito Federal, para posterior referendo pelo Conselho Especial desse E.

Tribunal, nos termos do art. 10, caput c/c o §3° da lei federal n. 9.868/99 e do

art. 144 e seguintes do RITJDFT, para que se suspenda a eficácia do Decreto

Legislativo n.2.115, de 12/01/2017 (DODF de 16/01/2017), até julgamento definitivo da presente ação;

b) A oitiva da Câmara Legislativa do Distrito Federal, da Procuradora-Geral do Distrito Federal e do Procurador-Geral de Justiça do Distrito Federal e dos

Territórios para que se pronunciem a respeito do mérito da presente ação direta,

nos termos do art. 6° e seguintes da lei federal n. 9.868/1999 e do art. 140 e seguintes do RITJDFT; e

4

GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL PROCURADORIA-GERAL DO DISTRITO FEDERAL Procuradoria Especial de Assuntos Constitucionais, de Processos dos Tribunais Superiores e Tribunais de Contas

PGDF

PROCURADORIA-GERAL DO DISTRITO FEDERAL

c) No mérito, a declaração de inconstitucionalidade do Decreto Legislativo

n.2.115, de 12/01/2017 (DODF de 16/01/2017), com eficácia retroativa.

Nesses termos, pede-se e espera-se deferimento.

Brasília, 16 de janeiro de 2017.

Rodrigo Rollemberg Governador do Distrito Federal

o Novaes de Borbo m Procurador do Distrito Federal

Marcelo Cama Proença Fernandes Procurador do Distrito Federal

0029

LISTA DOS DOCUMENTOS QUE ACOMPANHAM A INICIAL

DOC. 01 - DIPLOMA IMPUGNADO: DECRETO LEGISLATIVO N.°

2.115/2017

DOC. 02 LEGISLATIVO

JUSTIFICAÇÃO DO PROJETO DE DECRETO

di DOC. 03 -DECRETO N.° 37.940/2016

DOC. 04 - RESUMO DIDÁTICO DA SEMOB COM AS JUSTIFICATIVAS PARA O AUMENTO TARIFÁRIO

DOC. 05- PROCESSO ADMINISTRATIVO QUE FUNDAMENTOU O DECRETO DO GOVERNADOR (DESTAQUE PARA A NOTA TÉCNICA NO FINAL DO PA)

DOC. 06 - CERTIDÃO DO DFTRANS SOBRE O NÚMERO DE PASSAGEIROS DO STPC

0030

DOCUMENTO

1

CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL PRESIDÊNcIA Secretaria Legislativa

MENSAGEM No 10/2017 — GP

Seller dtivérhatidri

'Bra tilai 12

dê janeiro de 2017.

Encaminho a Vossa Excelência o original dó Decreto Legiãlativo no 2.115, de

2017, promulgado pelo Presidente da câmara LegiSlativa do Distrito Federal, oriundo

do Projeto de Decreto Legislativo

Decreto no 37.940, de 30 de dezembro de 2016, que fixa tarifas para os modos rodoviário e metmviário dó Serviço Básico do Sistema de Transporte Público Coletivo do Distrito Federal .STPC/DP e dá outras providências • Ao ensejo, encareço a Vossa Excelência que providencie a publicação no Diário Oficial do Distrito Federal.

233, de 2017, que "Susta os efeitos do

DEPUTADO 30E VALLE

Presidente

A Sua Excelêntia o Senhor

RODRIGO ROLLEMBERG

Governador do Dittrito Federal

Palácio do Buriti

Brasília - DF

Praça Municipal — Quadra 2— Lote 5 — CEP 70094-902 — Brasília-DF — Tel. (61) 3348-8793 www.cl.dtgov.br

0032

CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL PREMÊNCIA Secretaria Legislativa

DECRETO LEGISLATIVO N° 2.115? DE 2017

(Autoria do Projeto :Vários Deputados)

Susta os efeitos do Decreto no 37.940, de 30 de dezembro de 2016, que fixa tarifas

para os modos rodoviário e metro viário do Serviço Básico do Sistema de Transporte Público Coletivo do Distrito Federal — STPC/DF e dá outras providências

A CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL decreta:

Art. lo Ficam sustados os efeitos do Decreto no 37.940, de 30 de dezembro de 2016, por exorbitar o poder regulamentar.

Art. 2° Este Decreto LegiSlatiVÓ entra em vigor na data de sua publica*.

Brasília,12 dejaneiro de 2017

DE UTADO JOE VALSE

Presidenté

Praça Municipal — Quadra 2— Lote 5 — CEP 70094-902 — Brasília-DE — Tel (61) 3348-8793 www.cl.df.gov.br

N°9 Brasília, sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Diário da Câmara Legislativa

Decretos Legislativos

ro

Página 2

DECRETO LEGISLATIVO N° 2.115, DE 2017

(Autoria do Projeto :Vários Deputados)

Susta os efeitos do Decreto n° 37.940, de 30 de dezembro de 2016, que fixa tarifas para os modos rodoviário e metro viário do Serviço Básico do Sistema de Transporte Público Coletivo do Distrito Federal — STPC/DF e dá outras providências

A CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL decreta:

1

Art. 10 Ficam sustados os efeitos do Decreto no 37,940, de 30 de dezembro de 2016, por exorbitar o poder regulamentar.

Art. 20 Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília,12 de janeiro de 2017

Redações Finais

UTADO JOE VALLE

Presidente

PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO No 233, DE 2017

REDAÇÃO FINAL

Susta os efeitos do Decreto n° 37.940, de 30 de dezembro de 2016, que fixa tarifas para os modos rodoviário e metroviário do Serviço Básico do Sistema de Transporte Público Coletivo do Distrito Federa/ — STPC/DF e dá outras providências

A CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL decreta:

Art. 1° Ficam sustados os efeitos do Decreto no 37.940, de 30 de dezembro de 2016, por exorbitar o poder regulamentar.

Art. 2° Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 3° Revogam-se as disposições em contrário.

Sala das Sessões, 12 de janeiro de 2017.

GT apresenta relatório e ouve movimentos da sociedade civil - tintim

http://www.cl.dfigov.br/ultimas-noticias/-/asset publisher/IT0h/conte

0034

11101/2017 - 15:51

GT apresenta relatório e ouve movimentos da sociedade civil

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A participação popular no conselho de transporte e nas discussões sobre mobilidade urbana foram os principais pleitos dos representantes da sociedade ar civil presentes na apresentação do relatório do Grupo de Trabalho (GT) que analisa o aumento das tarifas do transporte público, na manhã desta quarta-feira (11).

Participaram da reunião representantes do movimento Passe Livre, Nossa Brasília,

Observatório Social de Brasília, Conselho de Educação, Cooperativa de Transporte,

Projeto será analisado nesta quinta-feira

Associação de Pedestres Andar a pé, entre outras entidades.

Na apresentação, o GT referendou os argumentos que embasam o projeto de decreto legislativo que propõe a suspensão do reajuste das passagens de ônibus e metrô, em vigor desde o inicio deste ano. O projeto será apreciado pelo plenário em sessão extraordinária nesta quinta-feira

(12), às 15h.

Na avaliação dos deputados Wasny de Roure (PT), Cláudio Abrantes (Rede), Prof. Israel Batista (PV) e Raimundo Ribeiro (PPS), o governo cometeu equívocos notórios, como não ouvir o conselho de transporte e não esgotar as alternativas que existiam antes de impor o reajuste tarifário. O GT sugeriu medidas para obtenção de receitas para o sistema de transporte público, como a captação de recursos oriundos das multas de trânsito e a destinação do ISS e da tarifa

por quilômetro rodado advindo do UBER.

Segundo a técnica da Câmara Legislativa, Carla Gomes, que integra o GT, um problema crucial C ue assola o transporte do DF é o sistema de tarifas que estabelece a base do contrato entre as empresas de transporte e o governo, permitindo que se pague às empresas mais do que o arrecadado. É um vício de contrato que contamina o sistema. "O empresariado é o único que só ganha, uma vez que eles definiram, por contrato, receber pela tarifa técnica", afirmou o

deputado Israel Batista.

Gratuidade — Para o GT, a gratuidade do passe para os estudantes é um direito do qual não se pode retroceder. O deputado Wasny de Roure advertiu que as infrações e fraudes devem ser coibidas com fiscalização, mas a legitimidade da gratuidade se justifica pela "necessidade dos

usuários".

Comissão Especial — O deputado Claudio Abrantes enfatizou a proposta do GT de criar uma comissão especial para dar continuidade ao debate sobre os problemas estruturais do sistema de transporte público e a questão da mobilidade urbana do DF

Entre os pontos que a comissão deverá debater está o pleito da tarifa zero defendido pelo movimento Passe Livre. Para o representante do movimento, Paique, o sistema de transporte é um serviço de baixa qualidade financiado pelos trabalhadores das classes mais baixas da população.

GT apresenta relatório e ouve movimentos da sociedade civil - Últim

http://www.cl.dfigov.bdultimas-noticias/-/asset_publisher/IT0h/conte

Outro problema a ser discutido é o valor das tarifas cobradas pelas cooperativas, que transportam 25% dos passageiros do DF Segundo os representes do setor, que participaram do encontro, as cooperativas sofrem com o congelamento de tarifas imposto durante nove anos.

Franci Moraes - Coordenadoria de Comunicação Social

2 de 2

16/01/2017 15:53

Q035

CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL. PRESIDÊNCIA Seaetarla Legislativa

45

MENSAGEM No 10/2017 - GP

Brasília, ‘Ço de janeiro de 2017.

Senhor Governador,

Encaminho a Vossa Excelência o original do Decreto Legislativo no 2.115, de 2017, promulgado pelo Presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, oriundo do Projeto de Decreto Legislativo no 233, de 2017, que "Susta os efeitos do Decreto no 37.9401 de 30 de dezembro de 2016, que fixa tarifas para os modos rodoviário e metro viário do Serviço Básico do Sistema de Transporte Público Coletivo do Distrito Federal - STPC/DF e dá outras providências Ao ensejo, encareço a Vossa Excelência que providencie a publicação no Diário Oficial do Distrito Federal.

DEPUTADO 30E VALLE

Residente

A Sua Excelência o Senhor

RODRIGO ROLLEMBERG

Governador do Distrito Federal

Palácio do Buriti

Brasília - DF

Praça Municipal - Quadra 2- Lote 5 - CEP 70094-902 — Brasnia-DF - Tel. (61) 3348-8793 www.cl.df.gov.br

0036

CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL

PRESIDÊNCIA Secretaria Legislativa

DECRETO LEGISLATIVO N° 2.115, DE 2016

(Autoria do Projeto: Vários Deputados)

Susta os efeitos do Decreto no 37.940, de 30 de dezembro de 20161 que fixa tarifas

para os modas rodoviário e metroviárfo do Sento Básico do Sistema de Transporte Páblico Coletivo do Distrito Federal — STPC/DF e dá outras providências

Faço saber que a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou e eu promulgo o seguinte Decreto Legislativo:

Art. 10 Ficam sustados os efeitos do Decreto no 37.940, de 30 de dezembro de 2016, por exorbitar o poder regulamentar.

Art. 20 Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 30 Revogam-se as disposições em contrário.

Brasfila, t(o de janeiro de 2017

PUTADO JOE VALLE

Presidente

• Praça Municipal — Quadra 2— Lote 5— CEP 70094902— Brasília-DF —Tel. (61) 3348-8793 www.d.df.gov.br

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CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL

PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO N° / 2017 (VÁRIOS DEPUTADOS)

Susta os efeitos do Decreto n° 37.940, de 30 de dezembro de 2016, que "fixa tarifas para os modos rodoviário e metroviário do Serviço Básico do Sistema de Transporte Público Coletivo do Distrito Federal - STPC/ DF e dá outras providências".

A CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL decreta:

Art. 1° Susta os efeitos, por exorbitar do poder regulamentar, do Decreto no 37.940, de

30 de dezembro de 2016.

Art. 2° Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 3 Revogam-se as disposições em contrário.

JUSTIFICAÇÃO

1. DO EMBASAMENTO LEGAL DA PROPOSIÇÃO

O referido Projeto de Decreto Legislativo baseia-se na competência atribuída pela Lei Orgânica do Distrito Federal à Câmara Legislativa para sustar os atos do Poder Executivo que importem em desobediência aos limites do poder regulamentar.

Art. 60. Compete, privativamente, à Câmara Legislativa do Distrito Federal:

(•••)

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VI - sustar os atos normativos do Poder Executivo

que exorbitem do poder regulamentar, configurando

crime de responsabilidade sua reedição; (

).

O Tribunal de Justiça do DF já se posicionou acerca da possibilidade de controle

de lei ou ato normativo distrital que viole a LODF, desde que comprovada a presença de

vícios formais e materiais (Acórdão no 203525 — TJDFT)

"É juridicamente possível o controle de constitucionalidade 711jj

de lei ou ato normativo distrital que viole a LODF. Para

análise do controle de constitucionalidade das espécies

normativas, necessário é averiguar a presença de vícios

formais e materiais."

Conforme será demonstrado, o Decreto no 37.940/16 foi publicado em desacordo

a diversas disposições contidas no ordenamento jurídico que disciplina a matéria, além de

descumprimento de etapas formais necessárias à plena eficácia do referido Ato.

O exercício do poder regulamentar pelo Poder Executivo está jungido à plena—

observância das limitações legais que delimitam a fruição desta competência legal. Quanto 4. ,

a este aspecto, importa observar que a Lei no 239/92, que "dispõe sobre a extinção do

Caixa Único, sobre a criação de novos mecanismos de gerenciamento do sistema de

transporte público do Distrito Federal e dá outras providências", estabelece

condicionantes dirigidos à regulamentação do regime tarifário adotado no transporte público coletivo do Distrito Federal.

Com efeito, o §10 do art. 12 da Lei determina que o Poder Executivo encaminhará à CLDF, no prazo máximo de 5(cinco) dias úteis após a decretação de novas tarifas, os demonstrativos necessários para adoção dos novos valores, como se observa a seguir:

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Art. 12. Fica o Poder Executivo, ouvido o Conselho de

Transporte Público Coletivo do Distrito Federal, autorizado

a proceder adequação no modelo de exploração dos

transportes públicos do Distrito Federal, mediante:

(—)

§ 10 O Poder Executivo encaminhará à Câmara

Legislativa do Distrito Federal, no prazo máximo de

5 (cinco) dias úteis após a decretação de novas

tarifas de transporte público, demonstrativo dos

elementos e cálculos utilizados para sua

determinação.

Considerando que a publicação do Decreto ocorreu no dia 30/12/2016, o prazo expirou no último dia 06/01/2017, sem qualquer encaminhamento por parte do Poder Executivo. A título de esclarecimento, o Secretário de Estado de Mobilidade participou de reunião do Grupo de Trabalho' na Câmara Legislativa do DF no dia 05/01/2017, antes de

expirado o prazo; contudo, não protocolou a documentação devida para a plena validade

do Ato de aumento tarifário.

É necessário ressaltar que o Poder Concedente NÃO encaminhou dentro do prazo gal os referidos demonstrativos ao Poder Legislativo, em relação a qualquer aumento

tarifário, seja por meio de reajuste tarifário, ou pedidos de revisão por parte da Concessionárias, usurpando, assim, o controle externo por parte desta Casa de Leis e descumprindo os condicionantes legalmente fixados na Lei no 239/92 para o regular exercício da competência regulamentar de fixação tarifária.

Itt

Ademais, o §30 do art. 12 da Lei no 239/92, incluído pela Lei no 286/92, delimita os reajustes máximos, de modo proporcional ao período decorrido entre um reajuste e o subsequente, no caso em tela, aquele ocorrido em 20/09/2015'e este em 02/01/2015.

http://www.cl.df.gov.br/ultimas-noticiasHasset_publisher/IT0h/content/grupo-de-trabalho-sobre-reajuste-

das-passagens-ouve-secretario-de-mobilidade?redirect=http%3A0/02P/02Rwvw.cl.df.gov.bro/o2Finicio

2 Decreto no 36762/15 3 Decreto n037940/16

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Art. 12 (

)

§ 30 Os reajustes tarifários serão calculados proporcionalmente ao período decorrido em cada caso.

• O objetivo da norma é limitar o repasse dos reajustes que recairão diretamente

sobre os usuários de forma proporcional entre o último reajuste e aquele que se pretende

implementar. Se utilizarmos como parâmetro para o aumento proporcional da tarifa

usuário o índice Nacional de Preços ao Consumidor4, entre o período compreendido entr4

outubro de 2015 e dezembro de 2016, o índice máximos de 7,90% (sete inteiros e

noventa centésimos por cento), o aumento máximo proposto de 25,0% (vinte e cinco

inteiros por cento) corresponde a um valor 216,50% (duzentos e dezesseis inteiros e

cinquenta centésimos por cento) do valor autorizado pelo §30 do art. 12 do Lei.

Importante frisar que a Norma em tela se encontra em plena vigência, não

havendo sido revogada por qualquer Lei posterior. As alterações à Lei no 239/92 são

específicas, como, por exemplo, a revogação da Lei no 4.371/09, que alterou dispositivos

da Lei no 239/92 e veio a ser revogada pela Lei no 4.462/10. As legislações correlatas, a

exemplo da Lei no 4.011/07, revogam tão somente as disposições em contrário, o que não

é o caso do §30 do art. 12.

Ressalte-se que as justificativas técnicas que devem obrigatoriamente instruir e

fundamentar o aumento tarifário assemelham-se aos motivos que devem ser igualmente

declinados para a validade de todo e qualquer ato administrativo, a teor do que dispõe a

Lei no 9.784/99, aplicável ao Distrito Federal por força da Lei distrital no 2.834/01.

Desse modo, o descumprimento, pelo Poder Executivo, do comando legal

disposto no art. 121 §§1° e 3°, da Lei n° 239/921 que estabelece condicionantes

à validade do ato que fixa o regime tarifário do sistema de transporte público,

caracteriza o exercício abusivo da competência regulamentar que lhe é

atribuída, visto que exercida de modo contrário ao regramento legal que delimita e

4 Conforme art. 10 da Lei Complementar no 435/01

5 http://www.portalbrasil.net/inpc.htm

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condiciona o exercício desta competência normativa, o que faz surgir a legitimidade desta

Câmara Legislativa para a sustação do ato regulamentar.

Além do mais, deve-se ressaltar que, em resposta ao Ofício no 006/2017, do

gabinete do Deputado Wasny de Roure, Presidente do Grupo de Trabalho destinado à análise do aumento tarifário determinado pelo Decreto no 37.940/2016, foi encaminhado,

em 10 de janeiro do corrente ano, o Ofício no 26/2017-GAB/SEMOB, acompanhado da documentação destinada a subsidiar as atividades desenvolvidas pelo Grupo de Trabalho.

Ocorre que o material encaminhado, mesmo que se destinasse a suprir

tardiamente a exigência estabelecida no art. 12, §10, da Lei no 239/92, deixa

li e fornecer os demonstrativos e demais elementos que deveriam fundamentar o cálculo do reajuste tarifário proposto no Decreto no 37.940/2016.

De fato, ao se analisar a documentação que integra o Processo no 098.002.572/2016 e que, na clara dicção do Decreto em análise, deveria fundamentar o

aumento tarifário em discussão, observa-se que as informações nele constantes destinavam-se a subsidiar o aumento tarifário das cooperativas que atuam no STPC.

Todavia, para análise da solicitação de reajuste tarifário das cooperativas, a Diretoria

Técnica do DFTrans destacou a inexistência dos dados relativos à quilometragem

realizada, bem como em relação à demanda de passageiros para apuração efetiva do índice de passageiro por quilômetro (IPK), razão pela qual os técnicos do DFTrans, *dentificando que o IPK de duas das cooperativas analisadas encontravam-se bem abaixo o padrão, realizaram simulações hipotéticas com diferentes cenários de atendimento de demanda de transporte, projetando quais seriam os possíveis valores de uma tarifa média

de equilíbrio.

Ia

Nesse passo, a despeito destas observações relativas à inexistência de

informações suficientes para apuração do cenário concreto de defasagem tarifária das cooperativas, a SEMOB fez anexar solicitações do Metrô-DF e da TCB quanto à necessidade de correção tarifária, que não se fizeram acompanhar de demonstrativos de cálculo suportados por dados concretos da variação de preços dos insumos utilizados no transporte público desde a última revisão tarifária ocorrida em setembro/2015, comportamento da demanda, das diferentes formas de remuneração dos operadores do serviço (concessionárias e permissionárias), do custo por passageiro individualizado por

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cada operador, de receitas extratarifárias, do subsídio previsto em orçamento destinado às

gratuidades legais e da metodologia de cálculo utilizada para o estabelecimento da tarifa

usuário em vista das diferentes tarifas técnicas de remuneração das concessionárias.

Assim, os elementos apresentados pela SEMOB comprovam que não há

demonstrativos ou elementos de cálculo para justificar o aumento tarifário

amplo que foi determinado pelo Decreto no 37.940/2016. Não se trata, pois,

apenas de descumprimento de prazo para o envio das informações; porém, de verdadeira

inexistência de elementos suficientes para fundamentar a decisão de aumento da tarifa

praticada para todos os agentes que atuam na prestação do serviço público de transportee coletivo do DF.

II. DOS AUMENTOS DA TARIFA USUÁRIO — BREVE HISTÓRICO

A competência do DF para fixação das tarifas do transporte público coletivo decorre

do art. 15, IV, da Lei Orgânica do Distrito Federal.

Art. 15. Compete privativamente ao Distrito Federal:

(—)

IV - fixar, fiscalizar e cobrar tarifas e preços públicos de

sua competência; (

).

A Lei Federal no 12.587, de 3 de janeiro de 2012, que "institui as diretrizes da

Política Nacional de Mobilidade Urbana; revoga dispositivos dos Decretos-Leis no 3.326, de

3 de junho de 1941, e 5.405, de 13 de abril de 1943, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 10 de maio de 1943, e das Leis nos 5.917,

de 10 de setembro de 1973, e 6.261, de 14 de novembro de 1975; e dá outras providências" determina que é competência do Poder Delegante (Poder Executivo) a fixação das política tarifária do transporte público coletivo.

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Art. 9. O regime econômico e financeiro da concessão e o

da permissão do serviço de transporte público coletivo

serão estabelecidos no respectivo edital de licitação, sendo

a tarifa de remuneração da prestação de serviço de

transporte público coletivo resultante do processo licitatório

da outorga do poder público.

G-)

§ 20 O preço público cobrado do usuário pelo uso do

transporte público coletivo denomina-se tarifa pública,

sendo instituída por ato específico do poder público

outorgante.

(•••) § 70 Competem ao poder público delegante a fixação, o

reajuste e a revisão da tarifa de remuneração da prestação

do serviço e da tarifa pública a ser cobrada do usuário.

(—)

§ 80 Compete ao poder público delegante a fixação dos

níveis tarifários.

111,

No dia 30/12/2016, o Excelentíssimo Sr. Governador do DF publicou o Decreto no

7.940 (doc.1), que "fixa tarifas para os modos rodoviário e metroviário do Serviço Básico

do Sistema de Transporte Público Coletivo do Distrito Federal - STPC/DF e dá outras

providências".

O Decreto teve como finalidade principal aumentar o valor das tarifas usuário,

valores cobrados diretamente dos passageiros pagantes não gratuitos do STPC. O reajuste

ocorreu nos seguintes valores, descritos na tabela 1.

TIPO LINHA

I.ATÉ

02/01/2017

Tabela 1 — aumentos Decreto no 37.940/16

II. A PARTIR DE

02/01/2017

III. VAR. ok IIxI

DODF de 30/12/2016, edição extra, p. 16

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LINHAS CIRCULARES INTERNAS

R$ 2,25

R$ 2,50

11,11%

LINHAS LIGAÇÃO CURTA

R$ 3,00

R$ 3,50

16,67%

LINHAS LONGA DISTÂNCIA E METRÔ

R$ 4,00

R$ 5,00

25,00°k

n e:

Esse já é o segundo aumento da tarifa usuário ocorrido na atual gestão do sr. Governador Rodrigo Rollemberg. O Decreto no 36.7627, de 18 de setembro de 2015, (doc.

2) já havia onerado os valores das tarifas usuário em até 50%, conforme tabela 2.

TIPO DE LINHA

LINHAS CIRCULARES INTERNAS

LINHAS LIGAÇÃO CURTA

LINHAS LONGA DISTÂNCIA E METRÔ

Tabela 2— aumentos Decreto no 36.762/15

I. ATÉ

20/09/2015

II. A PARTIR DE

20/09/2015

III. VAR. Wo IIXI

R$ 1,50

R$ 2,25

50,0%

R$ 2,00

R$ 3,00

50,0%

R$ 3,00

R$ 4,00

33,3%

Se compararmos as alterações ocorridas no período 2015 a 2016, os aumentos9

chegam ao estratosférico percentual de 75,0% de aumento em pouco mais de 12 meses (entre setembro de 2015 e dezembro de 2016).

TIPO DE LINHA

LINHAS CIRCULARES INTERNAS

LINHAS LIGAÇÃO CURTA

LINHAS LONGA DISTÂNCIA E METRÔ

' DODF de 18/09/2015, edição extra, p. 3

Tabela 3 — aumentos tarifa usuário 2015 e 2016

I. Até

20/09/2015

II. A PARTIR DE

02/01/2017

III. VAR. cYo IIxI

R$ 1,50

R$ 2,50

66,7%

R$ 2,00

R$ 3,50

75,0%

R$ 3,00

R$ 5,00

66,7%

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1.M.

00

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Fonte: DODF

O Poder Executivo alega que, considerando o momento de crise fiscal que passa o

Estado Brasileiro, o déficit do STPC, incluindo o subsídio tarifário entre os valores de tarifa

técnica e tarifa usuário, considerando o custo com as integrações, além do custo com as

gratuidades (passe livre estudantil e PNE), não pode ser suportado pelo Tesouro. No entanto, um aumento de tarifa da ordem de 75% em aproximadamente 14

meses nas linhas principais do sistema gera grande impacto nas despesas tanto da população usuária quanto nos custos diretos da iniciativa privada que utiliza mão-de-obra %mo fator intensivo de produção, criando perigoso combustível para a aceleração de demissões frente a grave crise econômica que assola o país. Ademais, isso restringe o

acesso à cidade por parte dos cidadãos, que terão de arcar com um preço mais caro para

poderem se locomover pela própria cidade, ferindo a ordem urbanística e o próprio direito

à locomoção (art. 50, XV da Constituição Federal). O aumento do valor da tarifa de ônibus

tem um impacto direto na dinâmica da cidade, pois junto com a baixa qualidade dos serviços, acarreta na migração dos usuários para modais individuais como carros e motos,

sobrecarregando as vias. Considerando o orçamento total do DF para 2016 foi de aproximadamente R$ 41,3 bilhões, incluindo recursos sob gestão do Governo do DF (R$ 34,2 bilhõess), somados aos recursos do Fundo Constitucional para a área de segurança (R$ 7,1 bilhões), o "Investimento do Estado no transporte público coletivo é igual a SOMENTE 1,5% das receitas totais do Estado, o que demonstra o descaso com a prioridade de Transporte, enquanto direito social previsto em nossa Constituição. Ademais, o argumento de "falta de recursos" não merece prosperar, uma vez que

a priorização na alocação de recursos nas funções típicas de Estado insere-se no processo político de elaboração orçamentária e, nesse caso, não só pode como também deve o Poder Executivo promover os remanejamentos necessários às áreas prioritárias, em detrimento de gastos discricionários e desnecessários'.

ghttp://www.seplag.df.gov.br/planejamento-e-orcamento/orcamento-gdf/186-relatorios-de-execucao-

orcamentaria.html - mês novembro 'A exemplo dos gastos de publicidade alocados na ação 8505 — PUBLICIDADE E PROPAGANDA que em 2016 remontam valores acima de R$ 100 milhões.

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III. DOS AUMENTOS DAS TARIFAS TÉCNICAS A TÍTULO DE REVISÃO TARIFÁRIA

A revisão tarifária é disposição prevista na clausula XVII

dos contratos de concessão do STPC/DF:

Claúsula XVII

1. A TARIFA TÉCNICA será revisada, a qualquell. momento, para restabelecer a equação originária entre os encargos da CONCESSIONÁRIA e as receitas da

concessão, formada pelas regras do presente CONTRATO

e do Edital de Licitação, bem como pelas planilhas

apresentadas na PROPOSTA FINANCEIRA vencedora

da licitação, sempre que ocorrerem quaisquer situações

que afetem o equilíbrio econômico-financeira da concessão. (grifos no original)

LOTE

EMPRESA

BACIA 1

PIRACICABANA

BACIA 2

PIONEIRA

BACIA 3

HP-ITA

BACIA 4

AUTOVIAÇÃO MARECHAL

BACIA 5

EXPRESSO SÃO JOSÉ

TARIFA MÉDIA

(I) TARIFA

LICITADA

2,6584

2,5902

2,8309

2,7192

2,7093

2,7016

II. REVISÃO

III. VAR.

Wo II/I

2016

 

(2)

3,4300

29,02%

3,3296

28,55%

3,8243

35,09%

4,2553

56,49%

3,7934

40,01%

3,7265

37,94%

I° Publicações DODF (doc. 16) " Portaria no 22, publicada no DODF de 19/07/2016. Vigência a partir de 01/07/2106.

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Em primeira análise, verifica-se que houve aumento da ordem de 56,49% na Bacia 4 12 , entre reajustes e revisões tarifárias. O INPC do período" foi igual a 28,51%, o que demonstra que a diferença percentual se refere aos processos de revisão tarifária.

O Ministério Público de Contas do Distrito Federal' questionou a suspensão das

revisões tarifárias das empresas concessionárias, uma vez que, conforme entendimento

exarado na Instrução no 84/15-TCDF, houve superfaturamento nos valores das tarifas técnicas da ordem de 43% (quarenta e três inteiros por cento).

178. Segue que nossa sugestão ao relator é pela expedição de medida cautelar para suspender a revisão tarifária objeto da Portaria no 25/15 - SEMOB (e-doc 669D1B9C), nos termos do art. 198 do Regimento Interno do TCDF, pois concedida com base em premissas equivocadas (TIR superestimadas) e dados não oficiais, além de desprezar elementos técnicos substanciais (alavancagem financeira e receitas acessórias). (grifei)

descontrole e desconhecimento acerca das variáveis técnicas dos processos de

la evisão tarifária podem ser demonstrados por sucessivos aumentos e diminuições injustificados. A Portaria no 25-SEMOB15 aumentou as tarifas técnicas na Empresa Pioneira" (+31,87%) e Auto Viação Marechal Ltda. (+ 45,91%). Em julho de 2016, há diminuição das tarifas técnicas das Empresas da ordem de 17,66% e 17,24%, à Pioneira e Marechal, respectivamente. Os aumentos e diminuições injustificados, considerando que não houve alteração substancial no período analisado (como por exemplo instituição de

O

" A Empresa vencedora da Bacia 4 — Autoviação Marechal foi denunciada por fraude na licitação do STPC/DF pelo MPDFT

(http://www.mpdft.mp.br/portal/pdf/noticias/marco_2016/Deno/oCráBAncia_transporte_%20201501100801

88.pdf)

" Período compreendido entre maio de 2013 (assinatura do contrato) e agosto de 2016 (vigência da revisão) 2016. http://www.portalbrasil.net/inpc.htm 14 Processo no 5.964/2015-TCDF '5 DODF de 26/03/2016, p. 6 (doc. 17)

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novos modais de transporte), demonstram que a Secretaria de Estado de Mobilidade ainda

não normatizou de forma confiável o processo de revisão tarifária.

Nesse sentido, é que, por prudência, deveria ter seguido a orientação do corpo

técnico do TCDF em não se promoverem revisões tarifárias até análise confiável da metodologia.

IV. DO SUBSÍDIO TARIFÁRIO E DAS GRATUIDADES — CUSTO 2016 — BREVE HISTÓRICO

Com base nos programas de trabalho relacionados a política pública de transporte,

o gasto (custo) em 2016 foi da ordem de aproximadamente R$ 640,0 milhões, sendo R$

241,9 milhões, referentes ao custo do subsídio da tarifa técnica, R$ 102,8 milhões,

referentes ao custo do passe livre PNE, e R$ 294,3 milhões do passe livre estudantil.

, PROGRAMA

'CONCESSÃO DE PASSE LNRE-ESTUDANTIL

TOTAL PASSE LIVRE

CONCESSÃO DE PASSE LIVRE-PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS

TOTAL PNE

MANUTENÇÃO DO EQUILÍBRIO FINANCEIRO DO SISTEMA DE TRANSPORTE PÚBLICO COLETIVO

Fonte

FPM

ORDINÁRIO NÃO

VINCULADO

ORDINÁRIO NÃO

VINCULADO

ORDINÁRIO NÃO

VINCULADO

FPM

DIRETAMENTE

ARRECADADOS

FPE

Tabela 4 — gastos Tesouro — STPC

I. ORÇAMENTO

II. EMPENHADO

5.756.371

5.756.371

265.816.726

265.816.719

22.683.439

22.683.439

294.256.536

294.256.529

85.131.060

85.131.053

17.683.899

17.683.899

102.814.959

-

5.790.224

5.047.464

102.814.952

O

5.047.464

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Fonte: SIGGO

FPM

ORDINÁRIO NÃO

VINCULADO

6.651.502

230.243.194

6.650.584

230.242.750

V. DA PREVISÃO CONTRATUAL PARA AUMENTO DAS TARIFAS USUÁRIO

O reajuste da tarifa usuário (tarifa política), desde de cumpridas as normas legais e contratuais afetas à concessão, está previsto na clausula 1.1, alínea p, dos contratos de concessão (doc.3) das empresas do STPC, de forma expressa:

p) TARIFA USUÁRIO: valor ou valores diferenciados de tarifa decretados pelo Governador do Distrito Federal para utilização do Serviço Básico Rodoviário do Sistema de Transporte Público Coletivo do Distrito Federal, os quais, relacionados ao número total de usuários pagantes de cada perfil talifário e acrescidos do repasse de SUBSIDIO e de outras eventuais fontes de receitas acessórias, devem propiciar a arrecadação de receita que assegure a remuneração das concessionárias pelas suas respectivas tarifas técnicas, para cada PASSAGEIRO PAGANTE TRANSPORTADO; (

Além disso, a cláusula XIX, 1.6, atribui ao Poder Concedente, no caso Poder Executivo do Distrito Federal, "fixar tarifas, homologar reajustes e proceder às revisões tarifárias, nas condições previstas neste CONTRATO, para assegurar o seu equilíbrio econômico-financeiro".

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Apesar de o contrato e a legislação determinarem como competência do Governador a fixação de tarifas, ficarão demonstradas as ilegalidades e

impropriedades na autuação do processo que deu origem ao referido Decreto de

aumento, inclusive sem a cumprimento de atos necessários a eficácia do aumento.

VI. DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO LEGAL SOBRE A PRÉVIA CONSULTA AO CONSELHO DE TRANSPORTE PÚBLICO DO DF

A Lei n0 4.011, de 12 de setembro de 2007, que "dispõe sobre os serviços &-

transporte público coletivo integrantes do Sistema de Transporte do Distrito Federal,

instituído pela Lei Orgânica do Distrito Federal, e dá outras providências", determina, no art. 17, a obrigatoriedade de prévia manifestação do Conselho de Transporte Público Coletivo do DF acerca de aumentos tarifários no STPC.

Art. 17. As tarifas dos serviços integrantes do STPC/DF serão fixadas pelo Poder Executivo, com base em estudos

de custos e tarifas desenvolvidos pela entidade gestora,

observadas as disposições legais e ouvido, previamente, o CTPC/DF.

8

O Conselho de Transporte Público Coletivo do DF foi criado pelo Decreto n°

9.269, de 18 de fevereiro de 1986, (doc. 4) com o objetivo de "ampliar e institucionalizar a participação, no processo decisório, de setores da administração

pública intimamente relacionados com a problemática do transporte público coletivo", dar "a oportunidade de representação à comunidade na discussão de matérias e tomada de decisões relativas ao transporte público coletivo", além de" dotar o poder concedente de um instrumento que permita, dentro dessa ótica, o aprimoramento do processo decisório nas questões pertinentes ao transporte público coletivo".

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Nesse sentido, o Conselho representa a instância competente para que a

população do DF, por meio da indicação de seus representantes, entre eles, indicação

de representante das pessoas com deficiência, pessoas com doenças crônicas, idosos,

estudantes e membros da comunidade.

A política pública de transporte é responsabilidade de toda a sociedade, que

se beneficia diretamente ou indiretamente das externalidades geradas pela atividade.

O Conselho representa a instância competente para a legítima deliberação dos atores

afetos à política pública de transporte, com a competência principal de definir sobre

que parcela da sociedade (usuário ou não; público ou provado) deve recair o ônus

:financeiro do financiamento do transporte público coletivo, incluindo-se os subsídios e

II

as gratuidades.

O Decreto no 33.405 (doc. 5), de 12 de dezembro de 2011, regulamentando o

art. 15 do Decreto n° 9269/86, disciplina as competências do Conselho, em especial

aquelas diretamente relacionadas ao caso em análise dos aumentos tarifários

propostos.

Art. 3° Ao CTPC/DF compete:

(

)

III — emitir parecer conclusivo sobre matérias relativas ao

transporte público coletivo que lhe forem submetidas com

vistas à decisão do Governador;

IX — apreciar e decidir matérias relativas ao STPC/DF,

principalmente as previstas na Lei no 4.011, de 12 de

setembro de 2007, excetuadas as afetas à decisão

privativa do Governador.

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Com objetivo de comprovar a usurpação de competência do Conselho e, por

consequência, da população, no processo decisório do aumento tarifário proposto, foi

encaminhado Ofício — Gabinete Deputado Wasny de Roure (doc. 6), com objetivo de

dar oportunidade ao Poder Executivo em demonstrar o cumprimento dos normativos

legais, considerando que, nos Diário Oficiais do DF não houve qualquer publicação

nesse sentido, descumprindo o princípio constitucional da publicidade. Não houve

resposta por parte do Poder Executivo em relação ao questionamento, o que

demonstra descumprimento dos referidos dispositivos.

Considerando que a aprovação do Conselho é ato necessário a eficácia do

Decreto Regulamentar, e diante da usurpação do direito da população do DF em!"`

Ir

deliberar acerca dos aumentos tarifários, por meio da representatividade indireta na

participação no Conselho de Transporte Público Coletivo do DF, afrontando o art. 17 da

Lei no 4.011/2007, bem como do descumprimento à finalidade precípua do Conselho,

indicado em sua Norma de criação, qual seja, dar "a oportunidade de dar

representação à comunidade na discussão de matérias e tomada de decisões relativas

ao transporte público coletivo", além do não atendimento aos incisos III e IX do art. 30

do Decreto n° 33.405/11, requeremos a sustação dos efeitos do Decreto n° 37.940/16 por exorbitar de seu poder regulamentar.

A alegação do Governo de Brasília sobre a proibição do Tribunal de Contasif do DF na instituição do referido Conselho não merece prosperar, uma vez qué„,

diversos Conselhos, com pagamento de jetons, foram mantidos em 2015.

Em pesquisa ao portal da Secretaria de Fazenda do DF, o Relatório de Gestão Fiscal, verifica-se que no exercício de 2015 o Poder Executivo gastou R$ 5,3 milhões no pagamento de jetons (doc.19). A título de exemplo podemos apresentar a

instituição do Conselho de Cultura do DF e do Conselho do Fundo de Apoio ao Esporte.

VIL DO DESCUMPRIMENTO DO PRINCÍPIO DA MODICIDADE TARIFÁRIA

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A prestação do transporte público de qualidade a nossa população reveste-se em

um direito social expresso no art. 60 da Constituição Federal de 1988. Um dos princípios desse Direito se dá por meio de uma política de modicidade tarifária, de modo a incidir o

ônus econômico na justa medida da capacidade econômica de cada cidadão, tutelando

aqueles menos favorecidos. Versa a Lei Orgânica o seguinte acerca do financiamento do

transporte público coletivo:

Art. 336. Compete ao Distrito Federal planejar, organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre mediante licitação, os serviços de

transporte coletivo, observada a legislação federal,

cabendo à lei dispor sobre:

(—)

III - a política tarifária, com a garantia de que o custo do serviço de transportes públicos coletivos deverá ser assumido por todos que usufruem do beneficio, mesmo que de forma indireta, como o comércio, a indústria e o Poder Público.

Nesse sentido, demonstraremos que a política tarifária adotada pelo atual Governo do Distrito Federal, nos exercícios de 2015 e 2016, promoveram uma inversão do ônus econômico de financiamento do transporte público coletivo, uma vez que onera somente as receitas diretamente arrecadadas pelos usuários, sem otimizar a arrecadação das outras receitas previstas contratualmente. Os aumentos das tarifas usuário como forma de financiamento do STPC vêm sendo adotados, devido à incapacidade técnica, administrativa, e, principalmente, política do Governo em promover ajuste que impactem atores diversos dessa política, a exemplo das concessionárias do STPC. É obrigação do Estado promover o aumento tarifário, via tarifa usuário, somente após

esgotadas todas as demais alternativas, seja por meio da receita, seja por meio da diminuição da despesa dos contratos de concessão, fato este que comprovadamente não ocorreu.

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Essa é exatamente a lógica prevista na Lei Federal no 8.987/2005, que "dispõe

sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos previsto no

art. 175 da Constituição Federal, e dá outras providências", que em seu art. 11 determina

que deve o Poder Público prever receitas alternativas, complementares, acessórias com

"vistas a favorecer a modicidade das tarifas.

•Art. 11. No atendimento às peculiaridades de cada serviço

público, poderá o poder concedente prever, em favor da

concessionária, no edital de licitação, a possibilidade de .

outras fontes provenientes de receitas alternativas,

complementares, acessórias ou de projetos associados,

com ou sem exclusividade, com vistas a favorecer a

modicidade das tarifas, observado o disposto no art.

17 desta Lei.

I

O princípio da modicidade tarifária está expresso em diversos normativos, a exemplificar:

Lei Federal no 12.587/12 — Política Nacional depir

Mobilidade

Art. 8 A política tarifária do serviço de transporte público

coletivo é orientada pelas seguintes diretrizes:

(—)

VI - modicidade da tarifa para o usuário;

Lei Distrital no 4.011 - PTU

Art. 4° No desempenho de suas funções, a entidade

gestora dos serviços de transporte público coletivo, criada na forma indicada, deverá:

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0048

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(—)

III — assegurar a qualidade dos serviços no que se refere

à regularidade, segurança, continuidade, modicidade tarifária, eficiência, conforto, rapidez atualidade tecnológica e acessibilidade, bem como zelar pela garantia dos direitos das pessoas carentes, dos idosos, das gestantes e das pessoas com deficiência.

Lei Distrital no 5.695/16 — LDO/17

Art. 74. A política tarifária dos serviços públicos, de responsabilidade exclusiva do Distrito Federal, deve compatibilizar os princípios de:

III

— aumento da eficiência e redução de custos, com foco

na

modicidade das tarifas; (

).

As fontes de financiamento do STPC estão previstas na clausula I, alínea 'I' dos

contratos de concessão (doc. 3), quais sejam, tarifa paga pelo usuário (em dinheiro, ou por meio da aquisição dos cartões), subsídio e outras receitas acessórias.

I) REMUNERAÇÃO DA CONCESSIONÁRIA": Remuneração devida à CONCESSIONÁRIA, oriunda de recursos da

arrecadação da TARIFA USUÁRIO em espécie, nos ônibus e, quando houver, terminais e estações de transbordo do Sistema de Transporte Público Coletivo do Distrito Federal- STPC/DF, complementados com os repasses recebidos do Poder Concedente, junto à CONTA

" A título de complemento, conforme a CPI do Transporte Público concluiu (doc. 7) houve alteração do conceito "REMUNERAÇÃO DA CONCESSIONÁIS" após análise por parte da Procuradoria, sem a necessária devolução ao Órgão Consultivo para apreciação. A Secretaria de Estado de Transportes (à época) incluiu o termo " quando houver, terminais e estações de transbordo do Sistema de Transporte Público Coletivo do Distrito Federal- STPC/DF", fato este que permitiu o pagamento pela integração

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DE COMPENSAÇÃO, provenientes da comercialização de

créditos eletrônicos de transporte, das fontes de

SUBSÍDIO para custeio de gratuidades e de outras

eventuais receitas acessórias, montante esse que

corresponderá ao valor de sua TARIFA TÉCNICA

vencedora da licitação, atualizada de acordo com as

hipóteses de revisão e reajuste previstas no CONTRATO

DE CONCESSÃO, multiplicada pelo número de

PASSAGEIROS PAGANTES TRANSPORTADOS pela mesmaKip

concessionária, registrados no Sistema de Bilhetagem

Automática.

A política adotada pelo Governo de Brasília é, portanto, IMEDIATISTA, ao

imputar o aumento tarifário, de modo a diminuir o gasto do Tesouro com o sistema,

consubstanciando-se na medida mais CÔMODA, em detrimento da busca pela otimização

de outras receitas acessórias (INCAPACIDADE TÉCNICA E ADMINISTRATIVA) ou

racionalização do sistema, com diminuição do gasto (INCAPACIDADE POLÍTICA em

face pressão das concessionárias).

Serão demonstradas, tanto por parte da receita, quanto pela despesa, as medidas

que, considerando o princípio legal da modicidade tarifária, deveriam ter sido adotados

antes de promover um aumento injustificado das tarifas à população.

VIA — DA INEFICAZ ARRECADAÇÃO DAS RECEITAS COMPLEMENTARES DE

PUBLICIDADE

Uma dessas receitas acessórias é prevista diretamente nos contratos: 50% das

receitas de publicidade nos veículos do STPC/DF (cláusula XV, item 5, dos contratos — doc.

3).

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5. As receitas decorrentes da exploração publicitária, de qualquer natureza, no interior ou na parte externa dos veículos da CONCESSIONÁRIA, na forma física ou

eletrônica por meio de televisores ou similares, se e quando implantada pela CONCESSIONÁRIA, ao longo da concessão, na forma do item 7 da presente cláusula, serão rateadas da seguinte forma:

a) 50% (cinquenta por cento) auferidas pela

CONCESSIONÁRIA, como incentivo;

b) 50% (cinquenta por cento) comporão a CONTA

DE COMPENSAÇÃO,

manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do

sendo contabilizadas para

CONTRATO DE CONCESSÃO.

O Poder Concedente, apesar dos inúmeros alertas dos órgãos de controle e das promessas dos representantes do Poder Executivo, não promoveu o efetivo controle e arrecadação das receitas de publicidade nos veículos do STPC/DF, o que poderia vir a diminuir a necessidade de aporte orçamentário e, por consequência, o desnecessário

it aumento tarifário.

A Controladoria-Geral do DF' (doc. 7) aduz a seguinte constatação acerca da arrecadação das receitas de publicidade, determinando ao Poder Concedente a imediata arrecadação das receitas contratuais:

Todavia, em resposta à Solicitação de Auditoria no 04- A/2015, não houve ingressos de recursos financeiros oriundos dos contratos publicitário celebrados pelas empresas concessionárias nos exercícios de 2013, 2014 e até junho de 2015, conforme descrito a seguir:

" A Controladoria indica que o município de BH arrecadou com a receita de publicidade aproximadamente R$ 33,4 milhões entre nov/08 a abr/13.

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CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL

Em que pese existirem os contratos, as

agências de exploração publicitária não

preencheram os requisitos necessários para

emissão de autorização à vinculação de

publicidade no âmbito do STPC.

Conforme a Gerência de Orçamento e Finanças

desta Autarquia, não houve a arrecadação it

de nenhum valor referente à publicidade. \

-

A CPI do Transporte Público também questiona o descontrole acerca das receitas

de publicidade (doc. 8), nos seguintes termos:

De modo a contradizer essa informação

prestada pela Secretaria, em investigação

realizada por esta CPI, foram realizados

questionamentos a diversos órgãos da -

administração pública do DF que detêm -.

contratos de publicidade, e encontramos,

somente nos contratos com a

administração pública do DF, agências

diversas daquelas apresentadas pela Secretaria

de Mobilidade. Podemos citar algumas: BRB

(ofício no 151/2015) — Anunciart e PVN

Representações (UP Mídia). Esse fato, per si, já

demonstra a incapacidade da Secretaria de

Estado de Mobilidade e do DFTrans acerca do

controle sobre as receitas de publicidade, cujos

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ingressos minimizariam o aporte do Tesouro no

sistema.

A auditoria independente nos contratos de publicidade foi inclusive uma promessa

do antigo Secretario de Mobilidade do DF (doc. 8.1), em oitiva à CPI do Transporte

Público, no dia 10/08/2015, promessa esta ainda não cumprida.

SR. CARLOS HENRIQUE RUBENS TOMÉ SILVA

— [

um valor muito baixo e nós já temos a

determinação que o DFTrans faça uma auditoria nesses contratos de

Não sei exatamente qual o valor, mas é

]

publicidade. E esse é um elemento que

estará

verificação

independente que será contratada em

breve, porque o termo de referência já está

pronto.

também na

A falta de controle por parte do Poder Concedente acerca das receitas de

publicidades afronta o art. 11 da Lei Geral de Concessões e Permissões, invertendo a ordem de financiamento do STPC e, por conseguinte, prejudicando o princípio da t modicidade, uma vez que o ônus integral do aumento recai integralmente sobre o cidadão por meio do aumento da tarifa usuário. No momento que o Poder Concedente abre mão

de parte das receitas publicitárias em prol das concessionárias, há uma injusta inversão de

financiamento do transporte público, pois permite de forma ILEGAL e IMORAL que esses atores (concessionárias e mercado publicitário), que possuem capacidade econômica infinitamente superior ao usuário do transporte público coletivo, transfiram o ônus financeiro que a eles compete aos menos favorecidos. Esse fato por si só, ao afrontar a determinação do art. 11 da Lei das Concessões e Permissões, indica que a aprovação de Decreto Regulamentar onerando somente o usuário ocorre, nesse momento, ao arrepio da

Lei.

Salientamos que a informação, recebida apenas em 10 de janeiro do corrente ano,

por meio do Ofício no 26/2017 — GAB/SEMOB, acerca da arrecadação das receitas com a

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veiculação de publicidade efetivada a partir das recomendações da CPI do Transporte

Público, bem assim da Corregedoria-Geral do DF, destacam que as receitas já obtidas

importam em R$ 806.945,00 (oitocentos e seis mil, novecentos e quarenta e cinco reais),

encontrando-se em apuração para futuro recebimento a cifra de R$ 818.565,00

(oitocentos e dezoito mil, quinhentos e sessenta e cinco mil reais). No entanto, apesar de

se reconhecer a importância da adoção das recomendações que viabilizaram a cobrança

deste montante, o Poder Executivo foi incapaz de demonstrar como esta receita reverteu

em beneficio ao STPC, uma vez que não há nenhuma indicação de que tais montantes

foram utilizados nos cálculos que deveriam subsidiar tecnicamente a majoração das -d

tarifas.

i

VI.2 — DA NÃO APLICAÇÃO DA RECOMENDAÇÃO DA CONTROLADORIA-GERAL

DO DF E DO PARECER No 348/15 — PGDF À REMUNERAÇÃO DAS GRATUIDADES

O Parecer no 348/2015-PRCON/PGDF (doc.9), datado de 09 de maio de 2015,

concluiu que as gratuidades do passe livre estudantil e portador de necessidades especiais

não "devem ser remuneradas por meio da tarifa técnica".

ADMINISTRATIVO. CONTRATO DE CONCESSÃO DE

SERVIÇO DE TRANSPORTE COLETIVO DO DISTRITO—

FEDERAL. GRATUIDADE. PORTADORES

NECESSIDADES ESPECIAIS - LEI N. 4.582/11.

ESTUDANTES. PASSE LIVRE ESTUDANTIL - LEI N.

4.583/11. REFERENCIAL PARA PAGAMENTO. TARIFA

TÉCNICA OU TARIFA USUÁRIO. LEI FEDERAL N.

12.587/2012. LEI DISTRITAL N. 4.011/07. DECRETO

DISTRITAL N. 33.559/12.

( )

2 - O Decreto n. 33.559/12 prevê expressamente que as

viagens realizadas pelos usuários isentos - no caso,

estudantes e pessoas com deficiência - estão excluídas do

DE

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005

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conceito de "passageiro pagante". Interpretando-se os

normativos incidentes ao caso, conclui-se que a principio tais gratuidades não devem ser remuneradas por meio de tarifa técnica, ex vi do

previsto na Cláusula I, "q", do Contrato de Concessão.

Com base no contraditório, foi aberto prazo para as concessionárias apresentarem

contrarrazões ao referido Parecer. Nesse sentido, foi exarado o Parecer no 1.211/2015

(doc.10), datado de 19 de janeiro de 2015, em que o sr. Procurador do DF Romildo Olgo

Peixoto Junior, em brilhante arrazoado, solicita informação objetiva de modo a firmar entendimento conclusivo para ratificar/retificar entendimento ao Parecer no 348/15: se

as gratuidades foram ou não incluídos no conceito de passageiro pagantes na modelagem econômico-financeira e nos estudos de viabilidade do Edital.

se as viagens de PNE 's e dos Estudantes foram

considerados na modelagem econômico-financeira e nos

estudos de viabilidade que antecederam o Edital, bem como nas propostas apresentadas pelas concorrentes, como sendo remuneradas por meio de tarifa técnica. Nessa mesma linha, cabe responder, fundamentadamente se a adoção da tarifa usuário como critério de

remuneração das qratuidades de PNE's e PLE's importaria em quebra do equilíbrio econômico-financeiro

desenhado no edital e na licitação. (grifas no original)

Na aprovação do Parecer no 1.211/2015, a Procuradoria, de forma não usual, adiciona ao pedido do sr. Procurador inúmeras informações complementares, algumas que historicamente o Órgão Consultivo jamais adentrou na análise, como "parâmetro técnico utilizado na modelagem adotada na licitação".

CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL

1) Juntar aos autos todos os questionamentos e

esclarecimentos prestados pela Comissão de Licitação aos

licitantes durante todo o curso do processo licitatório;

2) Indicar se houve estudo preliminar de viabilidade do

projeto, promovendo sua juntada aos autos em caso afirmativo;

3) Informar, detalhadamente, qual a estimativa

quantitativa de passageiros transportados apresentada ir

pela Administração no projeto básico, bem como informar'

se houve segregação, nesse universo, dos passageiros

isentos e gratuitos, incluindo IDOSOS. PESSOAS COM

DEFICIÊNCIA E/OU ESTUDANTES.

4) Qual o conceito utilizado na licitação para a expressão "validações de passagens"?

5) Existe registro ou validação das viagens realizadas por

passageiros não pagantes (para os quais não há qualquer

desembolso, seja de tarifa usuário e/ou de qualquer

subsídio), como idosos, policiais, bombeiros militares,

empregados da empresa concessionária, entre outros?

6) Como foram considerados, quantitativamente, no

estudo de viabilidade e/ou no projeto básico, os

passageiros absolutamente Isentos (tais, como idosos,

policiais, bombeiros militares, empregados da empresa

concessionária, entre outros)? Houve estimativa do

quantitativo total dos passageiros que seriam transportados sem aportar qualquer recurso às

concessionárias (seja na forma de tarifa usuário ou mesmo subsidio)?

7) Para os fins do projeto básico e/ou estudo de

viabilidade, os passageiros totalmente Isentos

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influenciaram, de qualquer modo, a composição de preço da remuneração das concessionárias (tarifa técnica)?

8) Quais as bases estabelecidas no projeto básico para fins de definição do parâmetro de remuneração das concessionárias (tarifa técnica)? Os estudantes e as pessoas com deficiêncA foram consideradas no universo

total de passageiros?

9) Demonstre qual o parâmetro técnico utilizado, na modelagem adotada na licitação (ou seja, no projeto básico e no estudo de viabilidade do projeto), para remuneração das viagens realizadas por estudantes e pessoas com deficiência.

10) Esclarecer e demonstrar como foram apresentadas as

propostas das empresas licitantes, informando se nelas houve segregação das pessoas com deficiência e estudantes do universo de passageiros pagantes, ou não.

Desde então (19/01/2015), o DFTrans não teve a capacidade de encaminhar as ir formações "adequadas", tampouco a Procuradoria para formar opinião conclusiva com as informações recebidas (Parecer no 209/2016 - doc.11).

Com base nas informações contidas no Parecer no 1.211/15, o DF pagou a maior, considerando a morosidade do Poder Executivo, em especial PGDF e DFTrans, em definir o critério correto para remuneração das gratuidades, aproximadamente R$ 62 milhões de reais. Considerando os três anos de contrato, o repasse a maior poderia chegar a casa dos R$ 200 milhões.

Para corroborar o entendimento exarado no Parecer no 348/15, a Controladoria- Geral do DF, por meio do Relatório de Auditoria Especial no 01/2015- DIAPC/COAPP/SUBCl/CGDF, emitiu as seguintes recomendações (doc. 12):

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Recomendações

a) Efetuar os repasses às operadoras do STPC a título de

subsidio pela gratuidade de PNE' s e Passe Livre com

base no valor da tarifa usuário vigente de cada linha,

conforme preceito legal;

b) efetuar a glosa dos valores indevidamente pagos

a título de subsídio pela gratuidade de PNE' s e Passe

Livre por parte do Poder Público às operadoras do --a

sistema, tendo por fim restituir o Erário, observados, pois\/-1,

os Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa.

A mora do Poder Concedente em cumprir a orientação da Controladoria-Geral do

DF, bem como a indefinição por parte da PGDF, em conjunto com SEMOB e DFTrans,

oneram, nos valores indicados pela própria SEMOB no Parecer no 1.211/15, o Tesouro

distrital em aproximadamente R$ 68 milhões anuais.

O descumprimento da determinação do próprio Órgão de Controle Interno

demonstra a INCAPACIDADE POLÍTICA do Governo frente ao poder econômico e social

das concessionárias do STPC/DF, e de forma a inverter o ônus econômico, transfere paralb

a população usuária do transporte público.

VI.3 — DO POSICIONAMENTO CORPO TÉCNICO TCDF (PROCESSO No 5964/15)

— SUPERFATURAMENTO E NÃO POSSIBILIDADE DE REVISÃO TARIFARIA

A Corte de Contas, em análise aos parâmetros financeiros utilizados nas propostas

ao edital no 01/2011-ST, indicou, por meio ,da Informação no 84/15 (doc. 13),

impropriedades e ilegalidades que ocasionaram superfaturamento nas tarifas técnicas

propostas de ordem de aproximadamente 43% (quarenta e três inteiros por cento) ao valor de referência. Em síntese:

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0053

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102. O Edital da concorrência no 1/11 — ST não exigiu

uma TIR máxima, calculada pelo WACC", como requisito

das propostas financeiras das licitantes, o que foi de

encontro ao princípio basilar da modicidade tarifária

previsto na Lei no 8987/95, já consolidado na

jurisprudência, tanto do Poder Judiciário, como do TCU,

bem como na prática corrente de licitações de idêntica

natureza (Vide tópico 1.2.2.2 desta instrução).

103. Não bastasse isso, permitiu a apresentação de VPL"s

positivos aos licitantes, contrariando o mecanismo do VPL

nulo em licitações de concessões pela menor tarifa.

104. A garantia de VPLs de até 83 milhões para as

concessionárias contratadas em função da Concorrência

no 1/11 — ST, representou garantia de ganhos extras

incompatíveis com legislação relacionada às concessões.

105. Isso porque não faz sentido manter um ganho

superior ao WACC para o concessionário se este poderia

ser direcionado para uma tarifa menor, beneficiando o

usuário do serviço público prestado. Esse procedimento,

calcado na legislação de concessões, é que determina a

repartição das receitas acessórias geradas na execução do

contrato de concessão (art. 11 da Lei no 8987/95).

106. Finalmente, fechando o ciclo de impropriedades

técnicas, o contrato estipulou a manutenção da TIR e do

VPL da proposta financeira das licitantes vencedoras como

condições para o equilíbrio econômico-financeiro (item 4

da cláusula XVII da minuta do contrato).

19 Custo Médio Ponderado de Capital 20 Valor Presente Líquido

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107. Em síntese, os critérios técnicos do edital da

Concorrência no 1/11 — ST continham as •seguintes impropriedades:

A TIR" não foi estabelecida pelo Poder Concedente segundo os critérios do WACC;

O edital não fixou uma TIR máxima a ser adotada nos estudos de viabilidade previstos no Anexo ILIV;

O Permitiu a apresentação de VPLs positivos pela -Z3 concorrentes;

O Fixou regras de revisão tarifária de modo a garantir a

TIR dos estudos de viabilidade da licitante vencedora,

juntamente com o VPL informado nas e-DOC 1A2C78F1-e Proc 5964/2015

108. Da forma como foram formulados os requisitos técnicos da Concorrência no 1/11 — ST, garantindo a TIR e

o VPL da proposta financeira das licitantes na revisão

tarifária, sem limites, criou-se um mecanismo que

assegura um ganho extraordinário para o licitant

vencedor de cada lote. Assim, os respectivos:

contratos já nasceram com desequilíbrio em desfavor do Erário.

109. Se considerarmos o WACC da Licitação da ANTT como referência, no valor de 8,45%, percebemos o

quanto as TIRs das licitantes contratadas pela

Concorrência no 1/11 — ST estavam superestimadas. Com

exceção da empresa URBI, todas as demais venceram com taxas de retorno mais de 43% superiores à de referência. (grifei)

" Taxa Interna de Retorno

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005

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Além disso, a Informação no 84/2015 concluiu pelas ilegalidades das revisões

tarifarias concedidas, consubstanciadas também em parâmetro incorretos, sugerindo inclusive medida cautelar de suspensão do aumento:

178. Segue que nossa sugestão ao relator é pela expedição de medida cautelar para suspender a revisão tarifária objeto da Portaria no 25/15 - SEMOB (e-doc 669D1B9C), nos termos do art. 198 do Regimento Interno do TCDF, pois concedida com base em .premissas equivocadas (TIR superestimadas) e dados não oficiais, além de desprezar elementos técnicos substanciais (alavancagem financeira e receitas

acessórias). (grifei)

Nesse sentido, a decisão mais prudente e responsável, no sentido de resguardar o Erário, deveria ser no sentido de suspender todas as revisões já promovidas pelo Governo de Brasília, até decisão de mérito ao Processo no 5.964/2015-TCDF.

VI.4 — DA CRIAÇÃO DE NOVAS RECEITAS ADICIONAIS

Desde o início da vigência dos contratos de concessão do STPC/DF, oriundos do edital de concorrência pública no 01/2011, o Poder Concedente não apresentou qualquer estudo com vistas à obtenção de outras receitas acessórias, com objetivo de atender à

modicidade tarifária para o usuário do STPC.

Versa a Lei no 4.566, de 4 de maio de 2011, que "dispõe sobre o Plano Diretor de Transporte Urbano e Mobilidade do Distrito Federal — PDTU/DF e dá outras providências", que um dos objetivos do PDTU é privilegiar o transporte coletivo, por meio da redução da participação dos modos individuais.

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ta

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Art. 30 São objetivos gerais para a melhoria do transporte

urbano e rural e da mobilidade no Distrito Federal e no

Entorno:

I — reduzir a participação relativa dos modos motorizados

individuais; (

).

Uma das propostas, de autoria do Presidente da Associação Comercial do Si

Cleber Pires, na primeira reunião do Grupo de Trabalho para debater o problema tarifário

do STPC, ocorrida no dia 05/01/2017, foi a criação da cobrança dos estacionamentos

públicos, as chamadas zonas-azuis, da forma como já ocorre em praticamente todas as grandes cidades do Brasil.

Na realidade, não se trata de nova cobrança, uma vez que a autorização já foi

inclusive criada pela Lei Distrital no 1.843, de 06 de janeiro de 1998, que "dispõe sobre a

utilização de áreas públicas para a instalação de estacionamentos rotativos na Região

Administrativa de Brasília — RA I". O prazo para regulamentação previsto no art. 60 do

Normativo era de 120 (cento e vinte) dias a partir de 06/01/1998.

A medida representa externalidade positiva aos princípios previstos no PDTU, pois

visa desincentivar a utilização do modal privado, além de promover receita extraordinária para financiamento do transporte público.

A título de conhecimento, em recente levantamento da Prefeitura de São Paulon, o

município prevê arrecadar aproximadamente R$ 115 milhões por ano com medida similar.

Assim, a incapacidade de o Poder Concedente buscar novas receitas adicionais,

após mais de três anos do início da vigência dos novos contratos, atenta contra o princípio

da modicidade tarifária, utilizando-se somente os aumentos tarifários ao usuário como forma de financiamento do déficit do Sistema.

22http://www

l.folha.uol.com.bilcotidiano/2016/12/1 838529-zona-azul-passa-a-ser-diciital-arrecadacao-

pode-aumentafrem-77.shtml

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CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL

Além disso, outras propostas que estão sendo discutidas no âmbito do Grupo de

Trabalho da CLDF são:

O Reavaliação das receitas decorrentes das penalidades aplicadas às

concessionárias;

Avaliação das receitas oriundas das taxas de permissão das empresas de

transporte privado do DF;

Viabilidade de futura instituição de Parceria Público Privada para a rodoviária

do DF;

O Utilização das receitas de multas do Detran, conforme art. 320 do Código de

Trânsito do DF, para o transporte público;

VI.5 — DA REALIZAÇÃO DE AUDITORIA EXTERNA/INDEPENDENTE PARA

REVISÃO DOS PARÂMETROS UTILIZADOS NO EDITAL DE CONCORRÊNCIA

Conforme orientado pela CPI dos Transportes, e realizado compromisso pelo

Governo de Brasília", a contratação de empresa para " realização de uma auditoria, por

c eio de empresa de auditoria independente, a exemplo do realizado pelo Município de

ao Paulo em seus contratos de concessão, permitirá que sejam identificados os

verdadeiros e reais custos incorridos pelas empresas concessionárias, de modo a que as

,

futuras repactuações que venham a ser realizadas reflitam a variação efetiva dos custos,

que podem, inclusive, beneficiar o DF, na medida em que o incremento gradual do

número de passageiros é um elemento que permite a redução da tarifa técnica devida às

Empresas.

A contratação de empresa de auditoria independente no município de São Paulo

concluiu que existiam divergências na estrutura tarifária da ordem de 7,4% no custo total

do sistema24. Esse percentual aplicado ao custo aproximado do STPC/DF, conforme

" O antigo Secretario de Mobilidade, em oitiva à CPI dos Transportes, no dia 10/08/2015, afirmou que a contratação da auditoria independente seria realizada "em breve". Passados quase um ano e meio, a contratação ainda não se realizou.

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informação do Sr. Secretario de Mobilidade do DF, da ordem de R$ 1,2 bilhão anual,

geraria uma economia de aproximadamente R$ 88,8 milhões.

Somente no dia 10/01/2017, em processo célere", o Governo de Brasília efetivou a

contratação por inexigibilidade de licitação da Fundação Getúlio Vargas". O processo

prevê 6 meses para apresentação dos estudos, podendo ocorrer a prorrogação desse

prazo, o que, aliado ao prazo da Administração em homologar os resultados, poderia a

inviabilizar resultados ainda nessa Legislatura. Esse é mais um argumento no sentido de

que o Governo não promova novas revisões de tarifa técnica, sem o devido conhecimen da metodologia.

lek

VII — DO DESCUMPRIMENTO À LEI FEDERAL No 12.587, ÀS LEI DISTRITAL No 4.657/11 E 5171/13

É diretriz expressa da Política Nacional de Transportes Urbanos (Lei Federal no 12.587/12) a publicidade no processo de aumento tarifário:

Art. 8° A política tarifária do serviço de transporte público" )

coletivo é orientada pelas seguintes diretrizes:

(-)