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O Livro de

JONAS

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Autor Este livro. que é o quinto entre os doze Pro- fetas Menores, recebe o nome do seu personagem

principal. Jonas'. filho d.e Amitai (1.1). Nada se sab~ ~ respeito de Am1ta1. Alem desta narrativa, Jonas so e mencionado em 2Rs 14.25, como "Jonas, filho de Amitai, o profeta, o qual era de Gate-Hefer", o proclamador da graça de Deus para o reino do Norte de Israel. durante o reinado de Jeroboão li (793- 753 a.C.). De acordo com essa profecia, Jeroboão estendeu os limites de seu reino para além das fronteiras da Síria. A mensagem divina dirigida a Nínive que se encontra neste livro foi proferida por esse mesmo Jonas, embora o autor da narrativa escrita seja desconhe- cido.

Data e Ocasião Com base em 2Rs 14 25, os acontecimentos registrados no Livro de Jonas devem ser enquadrados no século VIII a.C. Contudo. determinar a cronologia da composição do livro é tarefa difícil, e o livro tem sido datado entre o século VIII e fins do século Ili a.C. Data e Ocasião É importante ressaltar que não há nenhuma evidência conclusiva que elimine a possibilidade Éimportante ressaltar que não há nenhuma evidência conclusiva que elimine a possibilidade da data da composição da narrativa ter sido no século VIII (3.3, nota). O reinado de Jeroboão li estabelece o contexto histórico da história de Jonas. Esse monarca foi um dos grandes líderes militares da história de Israel. De acordo com 2Rs 14.25-28, ele impôs sua autoridade sobre os territórios de Damasco e Hamate. restaurando assim a fronteira ao norte de Israel dentro dos limites

que possuía nos tempos de

reinado de Jeroboão, assim como o do seu contemporâneo judeu

Azarias (também chamado de Uzias, 792-740 a.C.). introduziu um período de notável paz e prosperidade. Como Eliseu e Jonas haviam profetizado (2Rs 13.19-25; 14 25). o reino do Norte des- frutou de uma expansão territorial às custas da Síria. Pelas aparên- cias externas do crescimento populacional, da expansão territorial e da atividade comercial, Israel foi realmente abençoado por Deus. Contudo. este não foi o quadro pintado alguns anos depois pelos profetas Oséias e Amós, quando o reino caiu num estado de decadência social, moral e religiosa. Suas mensagens. em parte, consistiam em acusação e juízo da nação por misturar a adoração prescrita pelo Senhor com a idolatria dos povos vizinhos (sincretis- mo religioso) e pela injustiça social (Os 2.1-13; 4.1-5.14; Am 2.6-16; 3.9-15). Apesar do foco narrativo fixar-se no profeta. o Livro de Jonas é

uma história sobre a misericórdia

e o amor de Deus. OSenhor era o

Salomão (1Rs 8.65). É claro que o

Deus de Israel. e aquela nação tinha especialmente recebido a misericórdia e a salvação da aliança de Deus. Mas Jonas, juntamente com muitos dos seus compatriotas, reagiu com tama- nho orgulho nacional e particularismo étnico que não conseguiu ver o sublime alcance da graça de Deus. Jonas haveria de aprender, junto com a nação, que Israel não possuía o monopólio do amor redentor de Deus (At 10.34-35; Rm 3.29). A história confirma as

palavras do SI 145.8: "Benigno e misericordioso é o Senhor, tardio em irar-se e de grande clemência."

é o Senhor, tardio em irar-se e de grande clemência." Dificuldades de Interpretação Alguns estudiosos têm

Dificuldades de Interpretação

Alguns estudiosos têm questionado a unidade literá- ria do Livro de Jonas sugerindo teorias de autoria múltipla ou de mudanças substanciais feitas por um redator posterior. Mais recentemente, foram levantadas questões quanto à autenticidade do salmo de ação de graças de Jonas, en- contrado em 2.2-9. Tais argumentos a respeito da falta de unidade literária na composição não são convincentes. Quanto à interpretação da história de Jonas propriamente dita. quatro abordagens distintas têm sido sugeridas: alegoria, midrash, parábola e narrativa histórica. A alegoria é um método de ensino de verdades ou princípios através de uma narrativa fictícia simbólica. Um bom exemplo é o Pilgrim's Progress ("O Peregrino"). de John Bunyan, uma emocio-

nante história fictícia que transmite a verdade de que a vida cristã é uma peregrinação espiritual. Contudo, o texto de Jonas não ofere- ce nenhuma indicação conclusiva de que requeira uma interpreta- ção alegórica. Midrash é um tipo de comentário sobre as Escrituras tradicio- nalmente realizado pelos estudiosos judeus durante os primeiros mil anos da era cristã. Jonas é considerado por alguns como uma espécie de midrash ou comentário precoce, em passagens como Êx 34.6-7 (cf. Jn 4.2), comentário em que os acontecimentos descritos não são necessariamente históricos. Essa abordagem deixa de ser reconhecida diante das provas fidedignas da histori- cidade do livro e parece conflitar com o testemunho de Cristo no tocante às experiências de Jonas (Mt 12.39-42; Lc 11.29-32). A interpretação do Livro de Jonas como uma parábola é, talvez, a mais comum. A parábola é uma história breve e geral- mente fictícia que transmite verdades morais, religiosas ou espi- rituais. As parábolas são melhor ilustradas pelos ensinamentos de Jesus (p. ex., Mt 13.45-46; Lc 10.29-37; 15 11-32). A pará- bola de Natã encontrada em 2Sm 12.1-4 é um bom exemplo de parábola no Antigo Testamento. Essa interpretação compreen- de a narrativa de Jonas como uma história de fundo moral com o objetivo de transmitir um ensinamento. Contudo, há numero- sas objeções à interpretação do Livro de Jonas como uma pará-

bola, tal como a complexidade e a extensão incomuns da história.

Essa interpretação também priva o livro de sua fundamentação histórica. Apesar das surpresas de impacto e dos elementos sensacio- nais neste livro, Jonas deve ser compreendido como uma narrati- va histórica e profética. A história está centralizada em uma figura específica e foi escrita como uma composição histórica. A tradição judaica considerava essa narrativa como história, e as alusões de Cristo a essa história (Mt 12.38-41; Lc 11.29-32) con- ferem adicional suporte à historicidade do texto. Jesus não

JONAS 1

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considerava a história de Jonas como uma mera parábola, mas como uma narrativa firmemente enraizada na realidade histórica. Entretanto, alguns estudiosos questionam essa interpretação histórica em diversos níveis, incluindo a impossibilidade da sobre-

vivência do profeta dentro do ventre do peixe, a improbabilidade da dramática conversão dos ninivitas, o tamanho de Nínive naquela época e o rápido crescimento da planta. Embora algumas dessas objeções levantem questões legítimas, a maior parte das críticas

que negam a soberania de Deus na natureza

advém das conjeturas

e na história, incluindo sua capacidade de intervenção sobrenatural

na ordem criada.

I
I

Características e Temas Além dos en-

sinamentos quanto à un1versal1dade étnica do amor e

da misericórdia de Deus, o tema da soberania uni- versai de Deus sobre o homem e a criação se man-

~--~1

tém por todo o livro. Deus é apresentado como o Criador, que fez

obedientemente a cada

comando seu (1.4,15,17; 2.10; 4.6-8). Assim como os assírios nos dias de Isaías (Is 10.5-7). a criação serve à vontade do Cria-

o mar e a terra (1 9). A criação responde

dor. No Novo Testamento, o tema de Jonas da misericórdia de Deus sobre as nações é usado por Jesus como uma repreensão ao Israel impenitente (Mt 12.38-41; Lc 11.29-32). Se os ninivitas se arrependeram com a pregação do profeta Jonas. que foi salvo do confinamento no ventre de um grande peixe, quanto mais Israel deveria se arrepender com a pregação de Jesus. o Filho do Ho- mem, que seria ressuscitado do túmulo. Em um certo sentido, por- tanto, Jesus engrandece a misericórdia de Deus sobre os gentios para despertar em Israel a inveja e o arrependimento; o apóstolo Paulo faria o mesmo em suas pregações aos gentios (Rm

11.11-14).

Esboço de Jonas

1. A desobediência de Jonas e o seu livramento (caps. 1-2)

li. Jonas obediente e libertado (caps. 3-4)

A. O Senhor envia Jonas (1.1-2)

A.

O Senhor envia Jonas pela segunda vez (3.1-2)

B. O profeta foge do Senhor ( 1.3)

8. Oprofeta obedece (3.3)

C. O Senhor persegue Jonas: a grande tempestade

C. A pregação de Jonas; Nínive se converte e é libertada (3.4-1 O)

(1.4-16)

D. O Senhor preserva Jonas ( 1.17)

D. A ira de Jonas diante da compaixão de Deus (4.1-4)

E. A ação de graças e o livramento de Jonas (cap. 2)

E. Uma lição do amor de Deus (4.5-11)

A vocação de Jonas, a sua.fuga e o seu castigo

1 Veio a palavra do SENHOR a ªJonas, filho de Amitai, dizendo: 2 Dispõe-te, vai grande cidade de cNínive e

clama contra ela, porque da sua malícia subiu até mim. 3 Jonas se dispôs, mas para fugir da presença do SENHOR, para Társis; e, tendo descido a e;ope, achou um navio que ia para

CAPÍTUL01

Ja2Rs14.25

24.3 2 Lit. de sobre eles

zbGn10.11-12Cls37.37dGn18.20

•1.1-2.10 Olivro do profeta Jonas pode ser dividido em duas partes principais. sendo cada uma delas introduzida pela expressão, "Veio a palavra do SENHOR a Jonas.'' A primeira divisão compreende duas seções: o chamado, a fuga, e o julgamento de Jonas (cap. 1), e o salmo de ação de graças (cap. 2)

•1 .1·11 Esta passagem descreve a resposta desobediente de Jonas à sua co- missão como profeta que deveria ir a Nínive, mas não nos diz o motivo de Jonas ter fugido da presença de Deus (que não é revelado até 4.2). Aqui nós presencia- mos a interação de Jonas com os marinheiros gentios, que envolve um tema pro- eminente na segunda divisão do livro - a misericórdia do Senhor aos gentios. Apesar da desobediência de Jonas e da sua hipocrisia, os marinheiros não des- prezam o Deus de Jonas, mas vêem nitidamente a mão do Deus de Israel e res- pondem com adoração. Em contraste com Jonas, os marinheiros gentios são cuidadosos em evitar algum pecado pessoal perante Deus (v. 14). O profeta de Deus é julgado, mas os gentios são poupados, um evento que prenuncia a reação dos ninivitas e o cancelamento do juízo sobre eles na segunda divisão do livro.

•1.1 Veio a palavra do SENHOR a Jonas. Com algumas variações, esse tipo de enunciação é usado outras 112 vezes no Antigo Testamento para descrever a revelação de uma mensagem divina ao profeta.

Jonas, filho de Amitai. Oreceptor da revelação do Senhor é Jonas ("pomba"), filho de Amitai ("leal" ou "fiel"I. Esta designação identifica o profeta como o per- sonagem histórico de 2Rs 14.25, que proclamava que Jeroboão li (793-753 a.C.) iria reaver o território dos sírios ao norte. Compare a mensagem de Jonas ao reino de Jeroboão com as palavras de Amós e Oséias, que profetizaram durante o pe-

Társis; pagou, pois, a sua passagem e embarcou nele, para ir com eles para fTársis, gpara longe da presença do SENHOR. 4 Mas no SENHOR 1 lançou sobre o mar um forte vento, e fez-se no mar uma grande tempestade, e o navio estava apon- to de se despedaçar. s Então, os marinheiros, cheios de medo, clamavam cada um ao seu deus e lançavam ao mar a carga

JeJs19.46fls23.1gGn4.16

4hSl107.25lenviou

5i1Sm

ríodo do declínio espiritual de Israel na última parte do mesmo século (Introdução:

Data e Ocasião).

•1.2 vai

Nínive. A soberania do Senhor sobre todas as nações está implícita

na ordem a Jonas. Ele é o Juiz de toda a terra (Gn 18.25). Nínive, a última capital do Império Assírio, estava localizada no lado leste do rio Tigre, diretamente oposta à moderna cidade de Mosul no Norte do Iraque. Este sítio arqueológico tem sido amplamente escavado e ostenta uma longa e rica história. clama contra ela. Jonas entendia que o seu pronunciamento acerca do julgamento pelo Senhor contra o temido e odiado Império Assírio era revogável (4.2, nota). Ele sabia que a sua mensagem oferecia oportunidade para o arrependimento. sua malícia subiu até mim. Na profecia de Naum (proferida posteriormente no século VII a.C.J, a capital assíria, Nínive, é o foco da ira divina e é retratada como a personificação do mal e da crueldade (Na 3.1-7). A máquina de guerra assíria foi responsável por atrocidades cruéis; em 612 a.C., esse mesmo império iria cair vítima de um cruel destruidor.

•1.3 Társis. A identificação precisa desta Társis é difícil, embora seja freqüen- temente identificada com o porto de mineração de Tartesso, no Sul da Espanha. Algumas vezes. porém. o termo designa o distante litoral mediterrâneo em geral. da presença do SENHOR. Considerando que Deus está presente até mesmo "nos confins dos mares" (SI 139.9), escapar era impossível. •1.4 o SENHOR lançou sobre o mar um forte vento. O Deus de Jonas é o Criador e Senhor do mares (Gn 1.10,21; Êx 14.21; Me 4.41).

1043

JONAS 1, 2

que estava no navio, para o aliviarem 2 do peso dela. Jonas, porém, havia descido ;ao porão e se deitado; e dormia profun· damente. 6 Chegou-se a ele o mestre do navio e lhe disse:

Que se passa contigo? Agarrado no sono? Levanta-te, iinvoca

o teu deus; 'talvez, assim, esse deus se lembre de nós, para

que não pereçamos. 7 E diziam uns aos outros: Vinde, e m1ancemos sortes, para que saibamos por causa de quem nos sobreveio este mal. E lan·

çaram sortes, e a

nDeclara-nos, agora, por causa

sorte caiu sobre Jonas. 8 Então, lhe disseram:

de quem nos sobreveio este mal.

15 E levantaram a Jonas e o lançaram ao mar; 1 e cessou o mar

da sua fúria. 16 uremeram, pois, estes homens em extremo ao SENHOR; e ofereceram sacrifícios ao SENHOR e fizeram votos. 17 Deparou o SENHOR um grande peixe, para que tragasse a Jonas; e vesteve Jonas três dias e três noites no ventre do peixe.

A oração de Jonas no ventre do peixe

2 Então, Jonas, do ventre do peixe, orou ao SENHOR, seu

Deus, 2 e disse:

Que ocupação é a tua? Donde vens? Qual a tua terra? E de que povo és tu? 9 Ele lhes respondeu: Sou hebreu e temo ao JSENHOR, o Deus do céu, ºque fez o mar e a terra. 10 Então, os homens ficaram possuídos de grande temor e lhe disseram: Que

é isto que fizeste! Pois sabiam os homens que ele fugia da pre· sença do SENHOR, porque lho havia declarado. 11 Disseram-lhe: Que te faremos, para que o mar se nos

acalme? Porque o mar se ia tomando cada vez mais tempestu· dtodas as tuas ondas e as tuas vagas

oso. 12 Respondeu· lhes: PTomai-me e lançai-me ao mar, e o

mar se aquietará, porque eu sei que, por minha causa, vosso· 4 e Então, eu disse: lançado estou breveio esta grande tempestade. 13 Entretanto, os homens re· de diante dos teus olhos; mavam, esforçando-se por alcançar a terra, qmas não podiam, !tornarei, porventura, a ver porquanto o mar se ia tomando cada vez mais tempestuoso o teu santo templo? contra eles. 14 Então, clamaram ao SENHOR e disseram: Ah! s g As águas me cercaram até à alma, SENHOR! Rogamos·te que não pereçamos por causa da vida des· o abismo me rodeou;

te homem, e rnão faças cair sobre nós este sangue, quanto a

nós, inocente; porque tu, SENHOR,

Na minha angústia, ªclamei ao SENHOR, be ele me respondeu; do ventre do abismo, gritei, e tu me ouviste a voz. 3 cpois me lançaste no profundo, no coração dos mares, e a corrente das águas me cercou;

passaram por cima de mim.

e as algas se enrolaram na minha cabeça. 6 Desci até aos 1 fundamentos dos montes,

5 fizeste como te aprouve.

·-6 fSI ~~n71J~2 1 ~ 7 m: 7~; ;;-m 14 ;4~ ~3~- 8 ~ J-:-7 19; 1 S~ 1;;;3- 9 ºlN~9 6]~SI~46;-At~ 24 J;;ebr. YHWH

12 p Jo 11.50 13 q [Pv 21.30] 14 rot 12.40; Lc 11.30]

CAPÍTULO 2

21.8 s SI 1153; [Dn 4 35]

1s l[SI 89.9; 107.29]; Lc 8.24

16 UMc 4.41; At 5 11

17 V[Mt

S gs1

2 a 1Sm 30.6; SI 120.1; Lm 3.55 b SI 65.2

3 cs1 88.6 d SI 42.7

4 e SI 31 22; Jr 7.15f1 Rs 838; 2Cr 638; SI 5 7

69.1. Lm 3.54

-··-

•1. 7 lancemos sortes. O lançar de sortes era uma forma comum de adivinha· ção no mundo antigo, um método usado para descobrir a vontade dos deuses. Este método de discernir a vontade do verdadeiro Deus não foi proibido no antigo Israel, pois o Senhor governava até mesmo sobre as sortes (Nm 26.55; Js

18.6· 1O; Ne 10.34; Pv 16.33; At 1.24-26)

•1.9 Sou hebreu. Ver nota em Gn 14.13. Jonas se identifica em termos étnicos.

Oternno "hebreu" era usado pelos israelitas para estrangeiros (Gn 40 15; Êx 119; 3.18; 10.3)

temo ao SENHOR. Jonas também se identifica em termos religiosos. O Senhor seu Deus não é apenas uma divindade pessoal. familiar ou nacional. Ele é o Deus supremo e soberano, o Criador da terra e do mar.

o Deus do céu. Um título antigo (Gn 24.3.7) também comumente usado no período persa depois do exílio 12Cr 36.23; Ed 1.2; Ne 1.4-5; 2.4).

•1 .17 Deparou o SENHOR. Lit. "O Senhor designou". A mesma palavra hebraica

também ocorre em 4.6-8; em cada ocorrência indica um exemplo surpreendente da soberania de Deus sobre o mundo natural um grande peixe. A espécie de baleia ou peixe que engoliu a Jonas não pode ser identificada com segurança. Sugestões incluem a baleia cachalote ou um grande tubarão. O peixe era o instrumento de Deus para resgatar Jonas das profundezas do mar ("o ventre do abismo," 2.2). três dias e três noites. Jesus se referiu ao Livro de Jonas a fim de comunicar verdades relacionadas com a sua própria mensagem e missão (Mt 12.38-41; 16.4; Lc 11.29-32). Ele fala do "sinal do profeta Jonas" não só com referência aos três dias e três noites em que Jonas esteve no peixe (Mt 1239-40). mas também com relação à eficácia da pregação de Jonas. Sem contemplar nenhum milagre, os ninivitas reconheceram que a mensagem de Jonas tinha autoridade divina, e assim responderam com arrependimento. •2.1-1 O A resposta de Jonas ao julgamento divino é expressa na forma de um

identificar a si mesmos diante de

salmo de ação de graças (v. 9). Olamento do profeta concentra-se no caráter de· sesperador da sua situação usando termos típicos nas descrições poéticas da morte ou da proximidade da morte. Em sua difícil situação, ele volta os seus olhos para o santo templo do Senhor, o sinal físico da presença salvífica do Senhor no meio do seu povo. Esse salmo é um testemunho comovente para o coração de Israel e para o coração do profeta, porém ele ainda tinha muito que aprender. A sua visão da misericórdia de Deus ainda era pequena.

•2.1 Jonas

história de Jonas é interrompida com um poema (vs. 2-9), um salmo de ações de graça e celebração pela libertação e misericórdia do Senhor. A estrutura literária é típica de um salmo de ação de graças (a) petição por livramento 12 2); (b) exposição do problema (2.3-6); (c) descrição da libertação 12.6· 7); e ldl louvor pela libertação 12 8-9).

•2.2 clamei

o salmo de Jonas é apresentado em dois versos que falam da oração do profeta e

da resposta do Senhor. Jonas reconhece que ele foi resgatado "do ventre do abismo" (uma sepultura nas profundezas do mar). •2.3-6 Esses versículos contêm uma vívida lembrança da angústia da proximi- dade da morte, suas causas e seus resultados. Osofrimento de Jonas era resul- tado do julgamento divino sobre a sua desobediência. Oquadro do sepulcro nas águas é apresentado vividamente: o envolvimento nas algas marinhas, o silên· cio das águas profundas, e as ondas passando alto por cima da vítima. •2.4 lançado estou de diante dos teus olhos. Para o profeta, o supremo ter· ror da morte era a separação da presença do Senhor (SI 88.4·5, 10-12). tornarei, porventura, a ver o teu santo templo. D templo de Jerusalém era a localização terrena da presença divina. Jonas desejava ardentemente a co- munhão com Deus que o templo proporcionava. O profeta agora lamenta ter perdido a mesma presença divina da qual ele antes havia procurado evadir-se

orou. Assim como o estilo das narrativas do Antigo Testamento, a

e ele me respondeu. Usando o recurso poético do paralelismo,

113.10)

JONAS 2, 3

1044

desci até à terra, cujos ferrolhos se correram sobre mim, para sempre; contudo, hfizeste subir da sepultura a minha vida, ó SENHOR, meu Deus!

7 Quando, dentro de mim, desfalecia a minha alma, eu me lembrei do SENHOR-, ie subiu a ti a minha oração, no teu santo templo.

8 Os que se entregam idolatria vã abandonam aquele que lhes é 2 misericordioso.

9 Mas, com a voz do agradecimento,

1 eu te oferecerei sacrifício;

mo que votei pagarei. nAo SENHOR pertence ºa salvação! to Falou, pois, o SENHOR ao peixe, e este vomitou a Jonas na terra.

Jonas prega em Níni~e 3 Veio a palavra do SENHOR, segunda vez, a Jonas, dizendo:

2 Dispõe-te, vai à grande cidade de Nfnive e proclama

contra ela a mensagem que eu te digo. 3 Levantou-se, pois, Jo-

nas e foi a Nínive, segundo a palavra do SENHOR. Ora, Nínive

mui importante diante de Deus 1 e de três dias para

percorrê-la. 4 Começou Jonas a percorrer a cidade caminho de um dia, e ªpregava, e dizia: Ainda quarenta dias, e Nínive

será subvertida.

era cidade

O arrependimento dos ninillitas s bQs ninivitas creram em Deus, e proclamaram um je- jum, e vestiram-se de panos de saco, desde o maior até o me- nor. 6 Chegou esta notícia ao rei de Nínive; ele levantou-se do seu trono, tirou de si as vestes reais, cobriu-se de pano de saco e e assentou-se sobre cinza. 7 dE fez-se proclamar e divulgar em Nínive: Por mandado do rei e seus 2 grandes, nem ho- mens, nem animais, nem bois, nem ovelhas provem coisa al- guma, nem os levem ao pasto, nem bebam água; 8 mas sejam cobertos de pano de saco, tanto os homens como os animais, e clamarão fortemente a Deus; e ese converterão, cada um do seu mau caminho e Ida violência que há nas suas mãos. 9 gOuem sabe se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos? to hViu Deus o que fizeram, como se converteram do seu

~~~~~------~~-~-~-~~-~~-~

a~~~-

6 h Jó 33.28; [SI 16.1 O; Is 38.17] 1 Lit extremidades

deles,

7 i2Cr 30.27; SI 18.6

8 i2Rs 17_ 15; SI 31.6; Jr 10.8 2 Lit a misericórdia ou bondade

9 1SI 50.14,23; Jr 33.11; Os 14.2 m Jó 22.27; [Ec 5.4-5] n [Jr 323] o SI 38; [Is 45.17]

CAPITULO 3

3

1 O sentido exato não é conhecido 4 a [Dt 18 22] 5 b [Mt 12.41; Lc 11 32] ó e Jó 2.8 7 d 2Cr 20.3; Dn 329; JI

2.15 2nobres

8 eis 58.6/ls 59.6

9g2sm 12.22; JI 2.14; Am 515

10 hÊx 32.14; Jr 18.8; Am 7.3,6

•2.6 Desci. Jonas estava à porta da morte. A sua lenta e silenciosa descida atra- vés das profundezas, como uma viagem ao mundo subterrâneo, o tinha conduzi- do às "portas da morte" (SI 9 13) fizeste subir da sepultura a minha vida. Aqui "sepultura" é usada para des- crever o domínio da morte (Já 33.22,24; SI 49.9; Is 51.14). Apesar da situação sem esperança, o arrependido profeta é resgatado do domínio da morte e restau- rado à comunhão com Deus. •2.7 eu me lembrei do SENHOR. Ocontexto indica que essa oração foi respon-

dida; a importância e a eficácia da oração são novamente enfatizadas, como no v.

2 (cf Hb 416) •2.8 Os que se entregam à idolatria vã. Lembrando-se da ineficácia das ora- ções dos marinheiros e da dos seus deuses (1.5), Jonas condena aqueles que co- locam a sua fé em ídolos. •2.9 Ao SENHOR pertence a salvação. Como Josué antes dele (Js 24.14-15). Jonas declara a sua lealdade ao Senhor e o exalta como a única fonte de salvação e livramento. Ao conceder a salvação a Jonas, o Senhor levou o profeta da deso- bediência ao arrependimento; ao conceder a salvação aos ninivitas, ele os levará

da idolatria à fé (3.5-1 O); ao conceder a salvação aos gentios dos dias atuais, ele

soberanamente os leva à fé e ao arrependimento (At 11 .17 -18).

•2.10 Falou, pois, o SENHOR este vomitou a Jonas. A criação novamente responde com obediência às ordens soberanas do Criador (1.4,15,17) O peixe, que poderia ter sido a arma de Deus para a morte do profeta, pela graça se tornou em instrumento de libertação. •3.1-4.11 Nesta segunda divisão do livro, Jonas prega a mensagem que Deus lhe ordenou, e o povo de Nínive responde com verdadeiro arrependimento (cap. 3). Quando o Senhor deixa de executar o juízo que os ameaçava, nós passamos a perceber o verdadeiro motivo da primeira fuga de Jonas: ele temia que Deus mostrasse a sua misericórdia para com os odiados assírios (4.2). Nas lições práti- cas que se seguem, a extensão da misericórdia e da compaixão de Deus é revela- da (4.5-11) •3.3 levantou-se, pois, Jonas e foi. Tendo compreendido que o chamado de Deus é irrevogável (cf. Rm 11 29), Jonas reagiu positivamente à renovação do mesmo. Embora desta vez ele tenha obedecido a Deus, Jonas está "desgostoso" com a perspectiva do arrependimento dos ninivitas (4.1-2). Nlnive era. Alguns têm sugerido que o uso do passado ("era") indica que a cida- de não existia mais no momento da redação deste livro. Tomando-se em conta a destruição da cidade em 612 a.C. pelos medos e babilônios, essa interpretação

dataria a narrativa em algum momento após o final do século VII a.C. Contudo, o uso do passado aqui não exclui uma data no século VIII, pois ele pode simples- mente indicar a situação da cidade quando o profeta lá chegou.

de três dias para percorrê-la. Ohebraico aqui é de

difícil tradução. Muitos estudiosos interpretam essas expressões como uma refe- rência ao tamanho físico de Nínive. A exploração arqueológica tem mostrado que a cidade tinha entre cerca de 12 km de circunferência com uma população esti- mada em 120.000 pessoas. Outros sugerem que a primeira fórmula deveria ser traduzida por "uma cidade muito importante" ou mais lit. como "uma cidade im- portante para Deus" (enfatizando a sua significância ao invés do seu tamanho). Esta última interpretação se encaixa melhor no contexto do livro. A segunda ex- pressão (lit "jornada de três dias") pode indicar a duração duma visita apropriada (em termos de protocolo diplomático no antigo Oriente Próximo) a um emissário com destino a uma cidade tão importante

cidade mui importante

•3.5 Os ninivitas creram em Deus. Os piores temores de Jonas se tornaram

realidade quando o povo creu, se arrependeu, proclamou

pano de saco (a vestimenta tradicional de lamentação no antigo Oriente Próximo).

Oarrependimento foi rápido e abrangeu a toda a cidade.

•3.6 rei de Nínive. Aparentemente uma referência ao poderoso rei da Assíria. Embora fosse altamente improvável que os registros assírios contivessem essa ocorrência incomum, alguns estudiosos têm associado esse evento com as refor- mas religiosas de Adade-Nirari Ili (810-783 a.C.). Também tem sido sugerido o reino de Assurdan Ili (772-755 a.C.)

levantou-se

pontânea como a dos seus súditos. A autoridade real deu lugar à humildade peni-

tente. Ele trocou as suas vestes por pano de saco, o seu trono por uma cama de cinzas (cf. Jó 42.6; Is 58.5). •3. 7 mandado do rei. Com o edito real ordenando a oração, rituais de lamenta- ção e jejum para os homens e os animais, o arrependimento de Nínive estava completo. A inclusão dos animais demonstra a sinceridade e a totalidade do seu arrependimento. Em tempos posteriores, era costume entre os persas incluir ani- mais domésticos nos rituais de lamentação.

violência. Essa repreensão real se dirigia ao mais pro-

•3.8 e se converterão

eminente dos pecados de Nínive. A violência física e a injustiça social eram mar- cas registradas do Império Assírio (Na 31 ). •3.9 O rei dá expressão pessoal e coletiva à esperança de que o arrependimento verdadeiro irá impedir o juízo divino. A estrutura de 3.5-9 se enquadra no típico

um jejum, e se vestiu de

assentou-se sobre cinza. A reação do rei foi tão imediata e es-

1045

JONAS 3, 4

mau caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha dito Ynes íãf\ã. e não o fez.

O descontentamento de Jonas

4 Com isso, desgostou-se Jonas extremamente e ficou irado.

E orou ao SENHOR e disse: Ah! SENHOR! Não foi isso o que

eu disse, estando alnda na minha terra? Por isso, me adiantei, ªfugindo para Társis, pois sabia que és bDeus clemente, e miseri- cordioso, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e que te arrependes do mal. 3 cpeço-te, pois, ó SENHOR, tira-me a vida,

porque d melhor me é morrer do

que viver. 4 E disse o SENHOR:

É razoável essa tua ira? 5 Então, Jonas saiu da cidade, e assen-

tou-se ao oriente da mesma, e ali fez uma enramada, e repousou debaixo dela, à sombra, até ver o que aconteceria à cidade.

2

A lição do SENHOR

6 Então,

fez o SENHOR Deus nascer uma 1 planta, que su-

biu por cima de Jonas, para que fizesse sombra sobre a sua cabeça, a fim de o livrar do seu desconforto. Jonas, pois, 2 se alegrou em extremo por causa da planta. 7 Mas Deus, no dia seguinte, ao subir da alva, enviou um verme, o qual fe- riu a planta, e esta se secou. 8 Em nascendo o sol, Deus mandou um vento calmoso oriental; o sol bateu na cabeça de Jonas, de maneira que desfalecia, pelo que pediu para si a morte, dizendo: e Melhor me é morrer do que viver! 9 Então, perguntou Deus a Jonas: É razoável essa tua ira por causa da planta? Ele respondeu: É razoável a minha ira até à morte. to Tornou o SENHOR: Tens compaixão da planta que te não custou trabalho, a qual não fizeste crescer, que Jnuma noite nasceu e numa noite pereceu; 11 e não hei de eu ter compaixão da !grande cidade de Nínive, em que há mais de cento e vinte mil pessoas, g que não sabem discernir entre a mão direita e a mão esquerda, e também muitos ani- mais?

CAPÍTULO 4

2ªJn1.3 bÊx34.6; Nm 14.18; SI 86.5,15; JI 2.13

desconhecida 2 Lit. alegrou-se com grande alegria

8

e Jn 4.3

3crns19.4; Jó 6.8-9 dJn 4.8

1O 3 Lit. foi o filho de uma noite

6 f Hebr.kikayon, a identidade exata é 11 f Jn 1.2; 3.2-3 g Dt 1.39; Is 7.16

modelo veterotestamentário da narração do arrependimento coletivo IJr 36.3; JI 2); la) ameaça de julgamento, (b) reação penitente, e lei decisão divina de reter o juízo. •3. 10 Viu Deus o que fizeram, A advertência profética (v. 4) tinha uma condi- ção implícita, a saber, que o julgamento era iminente - se a cidade não se ar- rependesse. Ao converter-se do "seu mau caminho", os ninivitas cumpriram essa condição. A mudança dos planos do Senhor li.e., a sua escolha soberana de fazer com que a sua própria ação dependesse da resposta humana) é total- mente compatível com a soberania e a imutabilidade de Deus, visto que ele de- creta tanto os meios bem como os fins da sua soberana vontade (Jr 187-1 O). Ver nota em Gn 6.6.

•4, 1-11 D livro termina com a lição recebida pelo furioso Jonas acerca da miseri-

córdia divina e da compaixão do próprio Deus. Enotável que não somos informa- dos da reação de Jonas diante dessa instrução. Ao invés disso, nós ficamos com o contraste entre a atitude ressentida de Jonas e a grande misericórdia de Deus

para com os ninivitas.

•4, 1 desgostou-se Jonas extremamente. Ohebraico é particularmente vívi- do llit. "era mau a Jonas como um grande erro"). A emoção de Jonas é expressa na linguagem mais forte possível: o seu maior temor era que o Senhor iria conce- der perdão ao mais odiado inimigo de Israel.

•4.2 és Deus clemente

te arrependes do mal. A razão para a fuga de Jo-

nas para Társis é revelada. Apesar da sua desobediência patente e da sua estrei- teza de mente, Jonas entendeu o caráter de Deus. Ele aqui reproduz uma fórmula litúrgica que descreve a misericórdia de Deus a um Israel que não a merece lex., Êx 34.6; Nm 14.18; Ne 9.17; SI 103.8; JI 2.13). Somente aqui e em JI 2.13 a refe- rência ao arrependimento divino l"que se arrepende do mal") finaliza a fórmula

13.1 O, nota),

mento de Nínive.

•4.5 Jonas saiu da cidade,,. fez uma enramada. Grato pelo seu próprio livra- mento, Jonas ainda se recusa a aceitar o dos ninivitas. Esperando que o Senhor executasse o julgamento, Jonas sai da cidade para um lugar estratégico de onde poderia assistir à destruição da cidade.

•4.6 fez o SENHOR Deus nascer uma planta. Ver nota em 1.17. O abrigo de Jonas não era adequado para proporcionar proteção do ardente sol do Oriente Próximo, provavelmente devido à escassez de madeira nessa região árida. Otipo de vegetação aqui referido é incerto; alguns sugerem a mamoneira, que cresce rapidamente a uma altura de cerca de 4,5 m.

•4.7-8 A mesma mão divina que, em sua misericórdia, havia providenciado o grande peixe e a sombra, agora traz um verme para secar a planta, e um vento quente do leste (provavelmente o temido siroco do mundo mediterrâneo) para atormentar o já amargurado profeta.

•4.9-11 A intenção divina das lições práticas é agora revelada. A grandiosa com- paixão de Deus pelo povo e os animais que ele criou e sustentou lv. 11) é contras- tada com a mesquinha preocupação de Jonas com a planta (v 1O) O leitor lembra da compaixão de Jesus quando ele contemplava as multidões (Mt 9.36; Me 6.34; 8.2), e a sua afirmação em Mt 10.29 de que nem um pardal cairá se não for essa a vontade do Pai. Em seus primórdios, a Igreja do Novo Testamento, que em grande parte era judaica, iria debater-se novamente com a questão da dimen- são da misericórdia de Deus, quando o Senhor abria os corações dos gentios para obedecer ao evangelho IAt 11.18; 15.14; 28.28).

uma inclusão apropriada para o contexto do arrependimento e livra-