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15º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental

DADO GEOTÉCNICO DIGITAL: DA AQUISIÇÃO EM CAMPO AO MODELO BIM GEOTÉCNICO

Giuliano De Mio 1

Resumo A incorporação de dados digitais aos processos de trabalho das empresas da cadeia de valor da geotecnia proporciona ganhos finaceiros, de qualidade e de eficiência, com notórias possibilidades de redução de incertezas e riscos de projeto. O dado é coletado digitalmente no momento da aquisição e armazenado em banco de dados geotécnico para geração das informações necessárias. Este processo torna o dado prontamente disponível para as análises e interpretações em ambientes Excel e AutoCAD Civil 3D, os mesmos dos projetos de engenharia, possibilitando o gerenciamento dos dados das investigações em todas as etapas do ciclo de vida útil dos empreendimentos, desde os estudos iniciais, passando por projeto, construção, operação até a fase de descomissionamento. Os dados e informações geológicos e geotécnicos são inseridos no modelo BIM (Modelagem da Informação da Construção) sendo compartilhados já nos estágios iniciais do projeto, antecipando a incorporação de riscos e oportunidades. A organização do dado geotécnico para gerar as análises e os modelos necessários é obtida pela aplicação do Sistema de Gerenciamento do Dado Geotécnico (GDG) a todas etapas dos projetos.

Abstract The digital geotechnical data is incorporated into the chain of value of geotechnical companies working processes providing new levels of quality and efficiency and improving risk contro and uncertainty reduction. The geotechnical data is digitalized during acquisition and populates a geotechnical database, from where the information will be generated. Under this working method data is quickly available to the required analysis and interpretations using Excel and Civil 3D environment and making it possible to manage data along the enterprise life cycle, from the initial designs, the construction, operation and decommissioning. Data is inserted into BIM Models (Building Information Modelling) and shared with all project areas at the initial project stages, helping to reduce the risks and identifying the opportunities. The geotechnical data is organized by the application of GDG (a Geotechnical Data Management System) during all project life cycle.

The incorporation of digital geotechnical data into the geotechnical companies value-chain provides financial gains and quality and efficiency improvements reducing projects uncertainties and risks. The data is collected and instantly stored in geotechnical database to information generation.

Palavras-Chave Dado geotécnico Digital, Investigação Geotécnica, Formato AGS

1 Geol., PhD, e-Geo Gerenciamento da Informação Geoambiental SS Ltda,São Carlos SP, (16) 999623880, gdemiol@e-geoinfo.com.br

1. INTRODUÇÃO

O artigo descreve a metodologia de gerenciamento do dado geotécnico (GDG) que incorpora

banco de dados geotécnico, aquisição padronizada em campo e laboratório, automação dos processos de análise dos dados, desenhos, gráficos e tabelas, resultando na produção de modelos tridimensionais para serem incorporados aos modelos BIM (Building Information Modelling) de obras de infraestrutura. A utilização dos recursos tecnológicos e de softwares é incorporada nas práticas de gerenciamento e gestão das empresas de geotecnia na forma de rotinas e processos de trabalho mais eficazes, com a integração entre sistemas e processos. A eficiência proporcionada pelo GDG, possibilita que o esforço das equipes de geologia e engenharia seja concentrado em campo, suprindo as deficiências graves de qualidade nos serviços de investigação, normalmente verificada no Brasil.

A base do desenvolvimento tecnológico que propicia estes elevados níveis de eficiencia nos

processos de trabalho está ligada à tecnologia da informação (TI) aplicada aos processos de gerenciamento e gestão das empresas. Na área de geotecnia os processos de trabalho são truncados e o fluxo dos dados é desorganizado. Isto foi identificado pelos profissionais da Inglaterra no final da década de 1980 como limitador ao desenvolvimento e aumento de eficiência da área de geotecnia no novo mundo digital que estava se consolidando. Um esforço concentrado de governo, industria e universidades daquele País levou à proposição de um

padrão digital de transferencia de dados geotécnicos (AGS, 2004), o que deu início a um processo de transformação na forma como os dados geotécnicos são manuseados, culminando

com a incorporação ao modelo BIM, o que traz desafios adicionais aos profissionais da geotecnia

no

aprendizado e incorporação das novas tecnologias digitais ao dia-a-dia de trabalho.

2.

FLUXO DE DADOS GEOTÉCNICOS NA CADEIA DE VALOR DA GEOTECNIA

Os dados obtidos nas investigações geológico-geotécnicas são básicos para a tomada de decisões no ambito das obras de infraestrutura. Nas fases iniciais, de viabilidade e projeto conceitual, estes dados orientam a escolha de alternativas procurando identificar riscos e focando menores custos de construção e operação dos empreendimentos. Já nas fases de projeto básico e executivo os dados geológico-geotécnicos orientam o dimensionamento das estruturas e seleção de métodos construtivos. Os trabalhos de mapeamento (incluindo os de ATOs) e investigação devem ser abrangentes e detalhados o suficiente para que os riscos e oportunidades geológico-geotécnicos sejam identificados e incorporados nos conceitos iniciais dos projetos. A falha na identificação prévia destes riscos resultará em aumento de custos e prazos não previstos.

A Figura 1, mostra que as alterações de projeto definidas nas fases iniciais tem baixos custos e

altos impactos, enquanto que as alterações nas fases avançadas levam a custos altos com baixos impactos. Isto demonstra a importância de dados e informações bem organizados e disponíveis de forma rápida para a efetiva redução de riscos e melhor tomada de decisões. Frequentemente, os dados e informações geotécnicas tornam-se disponíveis após a tomada de decisão ou mesmo após a conclusão de uma fase de projeto, seja por problemas de cronograma, custo e burocracias de contratação ou mobilização.

A Figura 2 mostra as etapas de trabalho truncadas e o fluxo de dados desorganizado,

características típicas da área de investigação geotécnica na cadeia de valor de geotecnia. Em

cada etapa de trabalho ocorre a necessidade de re-digitação do dado, o que eleva a quantidade de erros. A ausência de protocolos de transferencia dos dados entre as empresas torna o processo de aquisição e análise do dados ineficiente. A padronização estabelecida no Formato de Transferencia de Dados AGS é uma referencia para estabelecer protocolos de transferencia

de dados e eliminar os erros devidos a re-digitação dos dados (Child, et all, 2014).

Figura 1 – Alterações, impactos e custos nas diferentes etapas de projeto. As curvas 1

Figura 1 Alterações, impactos e custos nas diferentes etapas de projeto.

As curvas 1 e 2 mostram a capacidade de impactar custos nas etapas do ciclo de vida dos projetos de infraestrutura. A curva 3 mostra o processo de decisão atual, onde muitas das decisões são tomadas em obra, por problemas não identificados previamente, e que levam a custos adicionais ao projeto. A curva 4 mostra um melhor processo de decisão, que utiliza dados geotécnicos digitais em ambiente BIM e torna a informação geotécnica disponível mais cedo ao projeto. (Adaptado de Chandler et all, 2012).

mais cedo ao projeto. (Adaptado de Chandler et all, 2012). Figura 2 – Motivadores para a

Figura 2 Motivadores para a ineficiência da cadeia de valor da geotecnia. Etapas de trabalho normalmente aplicadas aos dados geotécnicos, com destaque para o fluxo truncado das informações (esquerda); o envolvimento de diversos tipos de empresas, com fluxo de dados desorganizado (direita).

3.

PADRONIZAÇÃO DO DADO GEOTÉCNICO

A importância da padronização do dado geotécnico cresceu sensivelmente com o surgimento da

internet no final da década de 1980, quando os resultados das investigações e projetos começaram a ser compartilhados de forma digital. As dificuldades de comunicação, a grande quantidade de papel digital em diferentes formatos (pdf, dwg, cdr, fch), a variedade de localizações de canteiros, consultores, projetistas e proprietários, levou os profissionais da geotecnia da Inglaterra a conceber uma estrutura lógica, organizada e de padrão aberto, denominada Padrão de Transferência do Dado Geotécnico AGS, nominação oriunda da associação técnica que coordenou e gerencia atualmente o padrão digital (Association of Geoenvironmental Scientists). Este padrão de transferência foi incorporado nas empresas de sondagens, de ensaios de campo, de laboratório, de projeto, integrantes da cadeia produtiva, tornando-se amplamente utilizado no mercado inglês já no final da década de 90.

A padronização dos dados propiciou expressivo desenvolvimento de softwares de

gerenciamento especializados, estimulando a maior integração da cadeia produtiva, o que resultou em acúmulo crescente de informação organizada, em meio digital e com dados disponíveis gratuitamente. Atualmente, o maior banco de dados geotécnico do mundo, da Agencia de Rodovias do Reino Unido UKHAG, opera com base no dado digital e mesma tecnologia do GDG (Wathall & Palmer, 2006). A partir de 2008 teve início a difusão internacional

do padrão AGS, iniciando por Hong Kong, Singapura, Nova Zelândia e Austrália, países onde o

AGS já foi incorporado como padrão local digital.

Os geradores de dados geotécnicos e geoambientais (empresas de investigação) adotaram

sistemas eficientes para preparação e apresentação de relatórios impressos e os usuários de dados (empresas projetistas) passaram a receber e processar os dados digitalmente com sistemas eficientes integrados às rotinas convencionais das anáises. A transferencia de dados por meios eletrônicos para o sistema do recebedor, sem a necessidade de uma interface

impressa, ajudou a reduzir custos, tempo e erros, encorajando o uso mais intenso e eficaz do dado geotécnico (AGS 4, 2011).

O Formato AGS é um formato de transferência eletrônica de dados para a comunidade

geotécnica, que consiste em dicionário de dados, regras e o formato do arquivo propriamente

dito. Funciona como um protocolo estruturado de referência, permitindo também que a abrangência das informações requeridas, o tipo de classificação e nomenclaturas sejam padronizados e acordados entre gerador e receptador do dado.

A Figura 3 mostra um arquivo AGS com as informações de um projeto (PROJ), de uma

sondagem (HOLE), das amostras (SAMP), das descrições geológicas (GEOL), da permeabilidade em campo (IPRM) e dos ensaios SPT (ISPT), em formato texto, no padrão

AGS3.1.

A adequação dos sistemas de dados geotécnicos para aceitar ou produzir um arquivo no formato

AGS proporciona que o operador do sistema continue a utilizar seus processos e métodos de trabalho. Isto possibilita a implementação e melhoria contínua dos procedimentos de controle de qualidade entre produtores e usuários de dados geotécnicos. O armazenamento e acesso aos dados torna-se mais eficiente e o formato também facilita a formação de banco de dados por produtores, usuários ou mesmo órgãos governamentais.

A publicação e implementação do Formato AGS 4 (AGS, 2011) trouxe atualizações expressivas

para incorporar a abrangência dos dados que podem ser transferidos e refletir os requisitos de

qualidade e confiabilidade mais recentes da engenharia geotécnica mundial.

Figura 3 – Exemplo de um arquivo AGS com informações do projeto (PROJ), da sondagem

Figura 3 Exemplo de um arquivo AGS com informações do projeto (PROJ), da sondagem (HOLE), das smostras (SAMP), da descrição geológica (GEOL), da permeabilidade em campo (IPRM) e dos ensaios SPT (ISPT), em formato texto, padrão AGS3.1.

Existe também uma iniciativa de desenvovlimento de um padrão de dado geotécnico nos USA, denominado DIGGS (Data Interchange for Geotechnical and Geoenvironmental Specialists) que está em fase de testes piloto, com previsão de início de uso para 2016 (www.diggs.org). O

formato DIGGS foi desenvolvido com apoio da AGS e desta forma existe compatibilidade entre

os sistemas. Os softwares de gerenciamento de dados geotécnicos estão se desenvolvendo de

forma a possibilitar a troca de arquivos entre estes diferentes formatos (AGS, DIGGS e alguns

formatos específicos), o que objetiva tornar o fluxo dos dados geotécnicos mais rapido e contribuir enfaticamente para a melhoria da área de investigação e projetos geotécnicos (Chandler, 2011)

4.

O SISTEMA DE GERENCIAMENTO DO DADO GEOTÉCNICO

O

Sistema de Gerenciamento de Dados Geotécnicos (Sistema GDG) consiste em um método de

trabalho que sistematiza as atividades e incorpora o conceito de dado digital. O Sistema GDG

estabelece qualidade na aquisição dos dados em campo ou laboratório, através de padronização

da

coleta de cada tipo de ensaio.

O

dado coletado de forma organizada e qualificada torna-se prontamente disponível para as

etapas seguintes de investigação e projeto, na forma de logs integrados, gráficos e modelos tridimensionais. A infraestrutura de softwares combina um sistema para coleta de dados em palm

tops e tablets, rotinas em Excel para digitação e geração de arquivos AGS, um banco de dados e extensões para a automação na geração de gráficos e tabelas em Excel e de desenhos em AutoCAD Civil 3D. Os dados de laboratório, com a utilização do Keylab na operação, são diretamente inseridos no banco de dados, possibilitando a integração dos ensaios de campo e laboratório. A Figura 4 mostra o arranjo geral simplificado de operação do sistema GDG.

Os dados são transformados em informação com eficácia, pelo uso conjunto de softwares (Hole Base, AutoCAD Civil 3D e Excel) incorporados nos processos de trabalho das empresas de geotecnia. A geração de logs de sondagem, boletins de ensaios, gráficos, tabelas, seções

geotécnicas, mapas, modelos tridimensionais e preparação de dados para softwares especializados, é feita a partir de uma única base de dados, de forma automatizada com base em templates.

base de dados, de forma automatizada com base em templates. Figura 4 – Estrutura de operação

Figura 4 Estrutura de operação do Sistema de Gerenciamento do Dado Geotécnico, com base em dado geotécnico padrão AGS.

Os resultados de ensaios de laboratório podem ser inseridos no banco de dados e, quando a

operação do laboratório de geotecinia utiliza o KeyLAB, eles são diretamente enviados ao banco

de dados, propiciando a integração entre os resultados das investigações de campo e laboratório

nas análises e relatórios.

O Sistema de Gerenciamento do Dado Geotécnico (GDG) é aplicado a todas as fases da

investigação. Na fase de geração dos dados existem rotinas customizadas para logs de sondagem e boletins de ensaios, na fase de análise existem rotinas automatizadas para

produção de desenhos e de gráficos, e na fase de modelagem tridimensional para incorporação

no

BIM*, o dado geotécnico é diretamente inserido no ambiente 3D do AutoCAD Civil 3D, onde

as

ferramentas para geração e modificação de superfícies e de “feature lines”, possibilitam a

interpretação tridimensional dos dados incorporando conceitos de geologia e de geologia de engenharia.

Na análise espacial dos dados é possível visualizar de forma rápida, diferentes sistemas de classificação de solos e rochas aplicados ao perfil individual das sondagens na forma de log 3D, superfícies de topo e base das camadas ou mesmo sólidos tridimensionais. As mesmas classificações utilizadas na espacialização são utilizadas na filtragem da base de dados e na análise estatistica de resultados de ensaios de cada unidade de classificação. O produto final do BIM Geotécnico é um sólido com limites individualizados e com caracterização geotécnica estatistica dos resultados de ensaios.

5.

AQUISIÇÃO DE DADOS

A área de investigação geotécnica utiliza grande quantidade de ensaios para obtenção de dados

que, transformados em informação, possibilitam o planejamento, o projeto e a implantação de obras geotécnicas. A eficácia de uma campanha de investigação geotécnica está ligada à habilidade em integrar o conhecimento geológico de uma região a um conjunto de ensaios de campo e de laboratório, utilizando métodos diretos e métodos indiretos, para obter a melhor informação em cada fase do projeto.

A diversidade de ensaios e fontes de dados, associados ao fluxo truncado e desorganizado da

informação (Figura 2) levam a uma complexidade no processo de aquisição de dados, que requer trabalho intensivo e mão de obra especializada para analisar e processar os dados adquiridos nos diferentes padrões.

No Brasil, a aquisição de alguns tipos de dados de campo e laboratório ainda é realizada em formulários de papel, embora existam diversos ensaios onde a aquisição já é digital e automatizada, como nos ensaios de piezocone, ensaios triaxiais ou de adensamento.

Os dados coletados em campo ou laboratório são transformados em informação, na forma de logs de sondagem, seções, mapas, tabelas, gráficos, entre outros, utilizando ferramentas como AutoCAD e Excel e alguns softwares especializados. Assim são gerados os papeis digitais, em PDF ou em CAD, que continuam requerendo redigitação ou processo de copia e cola para nova compilação e análise.

O formato digital padrão AGS, com uma estrutura lógica digital para organização de todos os dados geotécnicos, possibilitou a sistematização do processo de aquisição, trazendo versatilidade e simplificação. O processo de trabalho passa a ser padronizado (Figura 5) na alimentação do banco de dados e obtenção de informações de forma automatizada.

dados e obtenção de informações de forma automatizada. Figura 5 – Processo simplificado de alimentação e

Figura 5 Processo simplificado de alimentação e obtenção de informações, onde o banco de dados é a ferramenta principal de gerenciamento e gestão dos dados.

A aquisição criteriosa e organizada dos dados passa a ser parte fundamental do processo, e

deve ser pensada e padronizada para cada tipo de ensaio e sistemática utilizada pelas empresas. A combinação da padronização da estrutura do dado com listas de escolha (por exemplo: códigos de classificação geológica, códigos de legendas, entre outras) reduzem a possibilidade de erros, aumentam a padronização e viabilizam a automação de processamento.

Considerando a elevada eficiencia no processamento dos dados torna-se viável a existencia de pessoas qualificadas, com ferramental apropriado para aquisição digital e simultâneo controle de qualidade dos dados em campo, resultando em um processo que leva a patamares internacionais de qualidade.

As regras básicas da aquisição dos dados, segundo recomendações da norma BS8574 (2014),

são:

tornar digital o dado geotécnico o mais próximo possível do momento da geração;

utilizar um formato digital padrão de transmissão dos dados;

arquivar os dados em um sistema de banco de dados

Para atender a estes quesitos, três arranjos de aquisição são propostos:

O primeiro utiliza um sistema de aquisição em palm ou tablet, operado por técnico qualificado ou geólogo-geotécnico que sistematicamente orienta e fiscaliza o preenchimento de boletins de campo padronizados, registra digitalmente os dados diariamente e incorpora nos arquivos digitais as descrições das amostras, realizadas por ele mesmo ou por outra equipe.

A segunda alternativa é a aquisição digital em campo pelo sondador, onde lápis e papel são substituídos por tablets robustos com sistemas de aquisição inteligentes customizados para cada tipo e sequencia de ensaios. Requer operadores mais qualificados e treinamentos específicos, trazendo como grande benefício a disponibilidade do dado em tempo real e a redução expressiva de erros no processo. Ao final de um dia de trabalho, boletins técnicos, de produção e arquivos digitais padrão AGS estão prontamente disponíveis para o uso.

Um terceiro arranjo é aquele onde os dados dos boletins de campo são digitados em planilhas customizadas, denominadas Fichas Digitais, a partir das quais são gerados os arquivos AGS para alimentação do banco de dados.

O processo de trabalho para aquisição e registro digital dos dados geotécnicos altera a rotina convencional, e qualquer informação necessária é obtida a partir dos dados do banco de dados, seja um log de sondagem, boletim de ensaio, seção ou modelo geotécnico.

Nos ensaios onde a aquisição é digital, são criados protolos de comunicação para alimentação direta dos bancos de dados e para disponibilização organizada dos dados para análise.

(a)
(a)
disponibilização organizada dos dados para análise. (a) (b) Figura 6 – (a) Tablet de campo e

(b)

Figura 6 (a) Tablet de campo e impressora térmica para sondadores (Keylogbook); (b) Palm Top Nomad com software PocketSI para registro digital a partir de dados anotados em boletins de campo.

6. O MODELO BIM GEOTÉCNICO

O BIM (Building Information Modelling) é um conceito de trabalho que envolve processos, pessoas e ferramentas de informática e é materializado em um modelo tridimensional que integra todas as áreas de um projeto, utilizado para compartilhar os dados já nas fases iniciais dos projetos, identificando riscos e oportunidades e funcionando como plataforma para gerenciamento dos empreendimentos ao longo do ciclo de vida.

Atualmente existem iniciativas em praticamente todo o mundo (Chandler et all, 2012), algumas já em andamento no Brasil, para implementar processos BIM em obras de infraestrutura e construção civil. O BIM não é novo, seu conceito já é utilizado a muitos anos na industria aeronáutica, aeroespacial, entre outras, e está sendo implementado agora na área de arquitetura, engenharia e construção. Alguns países, como é o exemplo do Reino Unido, já estabeleceram metas de implantação do BIM em todos os projetos de infraestrutura a partir de

2016, quando o uso obrigatório do BIM passa a ser exigido com meta de redução de 20% no custo de implantação e operação dos empeendimentos. (UK Government,2015)

As aplicações do BIM estão em franca evolução e as metodologias e sistemáticas de trabalho já

estão bem definidas para a superestrutura das obras. Ao incorporarmos o conceito de BIM Geotécnico, com os dados e informações geológico-geotécnicos sendo inseridos no modelo 3D,

questões relacionadas a variabilidade e incertezas, inerentes à geotecnia e geologia de engenharia, precisam ser melhor trabalhadas para possibilitar o compartilhamento destas informações com as outras áreas do projeto.

Atualmente é possível incorporar nos modelos BIM os logs tridimensionais com padrão de cores relacionados à classificação geológica ou classificação textural. Alguns modelos mais elaborados mostram as superfícies delimitando topo e base de camadas em situações com geologia mais regular e camadas horizontalizadas. Os recursos de software possibilitam modelagens mais complexas com uso de ferramentas do AutoCAD Civil 3D e geração de elementos sólidos onde são individualizadas unidades mais ou menos homogêneas do terreno em ambiente tridimensional (Figura 7). Para geração do BIM Geotécnico acrescenta-se a este modelo sólido uma análise estatística dos parâmetros geotécnico e uma caracterização geológico-geotécnica.

O BIM Geotécnico passa a ser uma forma eficaz de comunicar dados e informações com as

suas incertezas geológicas e geotécnicas, riscos e oportunidades gerados por estas incertezas.

riscos e oportunidades gerados por estas incertezas. Figura 7 – Modelo tridimensional com sólidos definidos

Figura 7 Modelo tridimensional com sólidos definidos pelas unidades geológicas, a partir do Hole Base, em ambiente AutoCAD Civil 3D, para incorporação no BIM Geotécnico.

7.

SISTEMA DE GERENCIAMENTO DE DADOS X CONTROLE DE QUALIDADE

O

sistema de qualidade dos dados deve focar as etapas do ciclo de vida de um

empreendimento, que contempla no mínimo as seguintes fases: desk studies e reconhecimento

em campo, investigação em campo e laboratório, projeto, monitoramento da pré-construção, ATO da construção (Acompanhamento Técnico de Obra), monitoramento, arquivamento de

relatórios de projeto e de dados em um repositório central até o descomissionamento. A garantia

de qualidade dos dados geotécnicos extrapola o âmbito individual das empresas e só pode ser

obtida em um esforço conjunto dos integrantes da cadeia de valor da geotecnia.

A norma BS 8574 recomenda que o sistema de controle de qualidade dos dados seja focado no projeto, ou seja, os proprietários de empreendimentos, concessionárias e governos são os principais beneficiários e responsáveis por estabelecer a necessidade de um sistema de controle

de qualidade dos dados em seus projetos.

O sistema de gerenciamento dos dados geotécnicos (GDG) trabalha integrado e em harmonia com o sistema de gestão de qualidade, pois foi pensado com objetivo principal de garantia de qualidade e eficácia, desde a aquisição até a distribuição do dado getécnico. Para tanto, os procedimentos de coleta, armazenamento, arquivamento, compartilhamento e transferência de dados devem estar incorporados nas estratégias, políticas, manuais e planos de gerenciamento dos dados do Sistema de Qualidade.

8. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os expressivos avanços que ocorreram na área de aquisição, processamento, análise e visualização dos dados geotécnicos nos últimos 20 anos foram impulsionados pelo desejo de se obter maior eficiência nas obras de infraestrutura. A iniciativa de padronização do dado, no início da década de 90, levou a um processo de aprimoramento das práticas de manuseio do dado geotécnico, que atualmente estão organizadas na norma BS 8574:2014 - Código de Pratica para Gerenciamento dos Dados Geotécnicos.

A aquisição digital qualificada proporciona a organização, a padronização e a classificação dos dados já na etapa de aquisição, possibilitando que as informações e dados sejam compartilhados nas fases iniciais dos projetos. Isto torna possível identificar os riscos e oportunidades, contribuindo para redução de incertezas e melhores previsões de custos e prazos na implantação e operação de obras de infraestrutura e civis em geral.

As ferramentas especializadas em ambiente AutoCAD Civil 3D e Excel proporcionam dado geotécnico prontamente disponível para análise em ambiente CAD e Excel e para produção de modelos do BIM Geotécnico integrados ao Bim da superestrutura.

BIBLIOGRAFIA

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