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UNIDADE DIDÁTICA XI - INDUSTRIALIZAÇÃO E URBANIZAÇÃO NO BRASIL

1. O PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO DO BRASIL

A expansão da industrialização no mundo e no Brasil tornou mais complexa a divisão social e territorial do trabalho, afetando diretamente a dinâmica das relações sociais e as interações da sociedade com o espaço. Pode-se afirmar que a industrialização foi o motor do processo de desenvolvimento da sociedade brasileira, que esteve associado à modernização do campo e à urbanização. De meados do século XVI até o início da década de 1930 do século passado, a economia brasileira esteve organizada com base no modelo primário-exportador, com destaque para a agro exportação. Desde o período colonial até as primeiras décadas da República foi essa a principal marca da economia nacional. Dentre os principais produtos que compunham a pauta exportadora do Brasil destacaram-se:

a) cana-de-açúcar;

b) algodão;

c) ouro;

d) borracha;

e) café.

A organização do território nacional esteve, nesse longo período histórico, estruturada com base no que se convencionou chamar “Arquipélago Econômico Regional”. Neste período, as regiões brasileiras constituíam verdadeiras “ilhas econômicas”, pois se caracterizavam por:

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2 Fonte www. folha. brasil .br a ) Pouquíssima ou nenhuma relação comercial entre as regiões

Fonte

www.

folha.

brasil

.br

a

) Pouquíssima ou nenhuma relação comercial entre as regiões brasileiras; b) Ínfima integração nacional.

Tais características resultavam do fato da economia nacional ter sido organizada quase que exclusivamente voltada para atender a demandas externas, ou seja, o mercado interno não era a prioridade do arranjo econômico nacional. A industrialização do país teve como condição estruturante o crescimento da produção de café na passagem do século XIX para o século XX. A economia cafeeira propiciou um volumoso acúmulo de capitais, incentivou a imigração estrangeira, criou um mercado consumidor e produziu infraestrutura, depois utilizada no avanço da industrialização. Contudo, a conjuntura gerada pela crise de 1929, fez com que houvesse uma transferência de capitais da economia cafeeira para a produção industrial. A crise

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reduziu a exportação de café e a presença de produtos importados, o que contribuiu para a formação de condições favoráveis à produção industrial dentro do país. O café foi o mais importante produto da pauta de exportações brasileiras da 2ª metade do século XIX até as primeiras décadas do século XX. A dependência da economia nacional das exportações de café era fortíssima e, assim, era intensa a dependência da economia nacional frente ao mercado externo, isto é, frente aos principais compradores do café brasileiro. Entretanto, uma série de fatores iria demonstrar a fragilidade de um modelo econômico excessivamente dependente do mercado externo e mais: que apresenta uma pauta exportadora muito pouco diversificada. Os fatores geradores da crise da economia cafeeira, e de toda a economia brasileira de então podem ser resumidos assim:

a) a 1ª Guerra Mundial;

b) a Crise de 1929 (esse evento foi o mais devastador) e;

c) a 2ª Guerra Mundial.

Os anos de 1930, primeira década da era do Presidente Vargas, constituíram-se em um momento de grande reestruturação da sociedade brasileira, seja nos aspectos político, econômico ou social. Do ponto de vista político, significou uma ruptura com a ordem vigente na República Velha. A chegada de Vargas ao poder representou a vitória de grupos políticos que apoiavam uma maior centralização do poder da esfera federal. O governo central passou a controlar mais diretamente a política das esferas estadual e municipal, as políticas econômicas e sociais. A intervenção do Estado esteve na base do desenvolvimento industrial brasileiro. Os anos 30 presenciaram o processo de modernização do Estado brasileiro e o maior apoio deste à industrialização. Neste momento, foram construídas algumas das bases político-institucionais com vistas a modernizar a economia brasileira: a criação do Ministério do Trabalho, da Indústria e do Comércio (em 1931), do Ministério da

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Educação (em 1933), do IBGE (1938), do salário mínimo, da CLT (consolidação das leis trabalhistas), a constituição do sistema de ensino nacional e do sistema “S” (SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural; SENAC – Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio; SESC – Serviço Social do Comércio; SESCOOP – Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo; SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial; SESI – Serviço Social da Indústria; SEST – Serviço Social de Transporte; SENAT – Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte). Quanto ao desenvolvimento industrial, a Era Vargas caracterizou-se, entre outras coisas, pelo largo investimento estatal em setores estratégicos e pelo predomínio do investimento pautado no capital nacional – estatal e privado. Um dos principais legados deixado pelo governo Vargas para a modernização da economia brasileira foi o estímulo ao desenvolvimento do setor da indústria de base no país. Constituem-se marcos importantes dessa política a criação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), da Companhia Vale do Rio Doce e da Petrobras. Já na Era Vargas, configurou-se uma estrutura industrial da qual o Rio de Janeiro (com a CSN) e Minas Gerais (com a Vale do Rio Doce) compunham a base para a produção industrial concentrada no estado de São Paulo, confirmando a concentração de investimentos estatais e de potencialidades para o desenvolvimento industrial do Sudeste. Entre 1933 e 1939, a produção da indústria brasileira cresceu a 7,2% ao ano. Apesar do crescimento da indústria de base, nas décadas de 30 e 40 prevaleceram os ramos industriais mais convencionais, com menor emprego de capital e tecnologia. As indústrias que se desenvolviam passaram a fabricar produtos antes importados, que não estavam mais disponíveis na mesma quantidade do período anterior, devido à Grande Depressão e, mais tarde, à 2ª Guerra Mundial. Este modelo de desenvolvimento industrial ficou conhecido como substituição de importações. No pós 2ª Guerra Mundial, ocorreu uma alteração significativa na divisão internacional do trabalho. Em especial a partir da década de 1950, observou-se um movimento de maior exportação de capitais produtivos e tecnologia por parte dos países desenvolvidos. Desde então, inicia-se o movimento de expansão dos

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investimentos de empresas sediadas nos países centrais voltados para a instalação de filiais em áreas selecionadas da periferia do sistema. Neste contexto, no período do governo do Presidente Juscelino Kubitschek (1956 – 1960) observa-se uma grande transformação do pilar de desenvolvimento industrial do país, com maior estímulo à entrada de capital estrangeiro no setor produtivo da economia. O Plano de Metas foi arquitetado pelo governo “JK” com o intuito criar condições estruturais favoráveis ao investimento produtivo estrangeiro e ao crescimento da economia nacional. Este previa estímulos à construção civil e investimentos na agricultura, na indústria de base, na infraestrutura de transportes e produção de

energia. A partir deste momento, o modelo de substituição de importações, sobre o qual se pautou a industrialização brasileira, irá se basear na produção dos bens de consumo duráveis (como automóveis e eletrodomésticos). As empresas multinacionais passaram então a realizar investimentos produtivos no Brasil transferindo tecnologias já superadas dos países desenvolvidos. A partir deste momento, a região Sudeste se consolidou como o articulador da integração do mercado interno nacional e, ao mesmo tempo, base de ampliação da ação das multinacionais no território nacional.

O estímulo à entrada das grandes montadoras de automóveis se associou à

opção pela construção de rodovias em detrimento do maior desenvolvimento de redes

de outros meios de transporte. A construção de estradas gerava vantagens imediatas, por ser uma estrutura de mais rápida implementação e menos custosa em curto prazo. Assim, também se estimulava a compra de veículos produzidos no país. A opção pelo relativo abandono do desenvolvimento de outros meios de transporte no país, que perdurou ao longo das quatro décadas seguintes, traz hoje uma série de obstáculos para o crescimento da economia brasileira.

A partir da segunda metade da década de 1960, os governos militares

retomaram o modelo desenvolvimentista arquitetado por JK. Contudo, criaram maiores restrições às importações de produto pondo em prática políticas protecionistas em setores estratégicos. O Estado passou ainda a investir na indústria aeronáutica e bélica,

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e no desenvolvimento da tecnologia nuclear. Outro destaque foi a política de

barateamento da mão-de-obra do trabalhador brasileiro por meio da implementação do arrocho salarial e do controle dos movimentos sindicais. O período entre 1969 e 1973 foi denominado como os anos do "milagre econômico", quando o produto interno bruto brasileiro atingiu médias anuais acima de 10% ao ano. Tal ritmo de crescimento foi possível graças à conjuntura da época, sob a qual havia um grande volume de recursos financeiros (capitais para investimento na

produção e para a tomada de empréstimos) disponíveis nos países desenvolvidos, ocasionando uma rápida expansão no mercado interno brasileiro. O aumento do PIB

esteve relacionado, portanto, ao grande volume de empréstimos tomados pelo governo brasileiro para investimento interno, à entrada de capital estrangeiro, ao aumento das exportações e à expansão do consumo - em especial das classes média e alta - dentro do país. Além do crescimento econômico, pode-se destacar nesse período a grande diversificação ocorrida no parque industrial brasileiro. A década de 1990 foi marcada pela implementação de políticas econômicas de cunho neoliberal. Neste sentido, promoveu-se a liberalização da economia brasileira por meio da queda das barreiras protecionistas adotadas há décadas e das privatizações de empresas estatais. A abertura abrupta do mercado brasileiro à concorrência estrangeira ocasionou sérios problemas ao setor produtivo nacional. Muitas indústrias brasileiras fecharam as portas, foram vendidas a capitais estrangeiros ou tiveram que

se associar a estes para conseguir competir.

Logo, desde os anos 30, o Estado brasileiro teve papel relevante na industrialização exercendo funções fiscais, controlando o mercado de trabalho, realizando investimentos públicos, criando infraestrutura e produzindo insumos. Em especial a partir dos anos 60, a ideia de segurança nacional justificou a expansão dos investimentos públicos em setores considerados estratégicos. Tais investimentos foram um dos principais fatores de estímulo ao processo de desconcentração relativa da

atividade industrial e das infraestruturas críticas.

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Contudo, observa-se nas últimas décadas uma maior dispersão da atividade industrial pelo território nacional e uma queda na participação relativa da região Sudeste no total da produção industrial. Em diferentes níveis, este fenômeno está relacionado aos seguintes fatores:

1. as políticas de industrialização das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste

implementadas nas décadas de 60, 70 e 80;

2. o surgimento de um novo padrão de localização industrial, associado ao

desenvolvimento de novas tecnologias que permitem desvincular a área de produção da área administrativa, fator que aumenta a flexibilidade e reduz os custos das

empresas;

3. o fato de algumas indústrias buscarem mão de obra mais barata em outras

regiões;

4. a “guerra fiscal” (isenção de impostos) entre estados e municípios;

5. a oferta de terrenos mais baratos;

6. a propagação pelo território de sistemas de transporte mais eficientes e não

saturados;

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uma menor preocupação com a preservação do meio ambiente em certos

estados;

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o surgimento de mercados consumidores de alta renda; e 9. a proximidade

dos parceiros do MERCOSUL.

A mudança na distribuição da produção industrial ocorrida no Brasil nas últimas décadas ocasionou certo declínio da participação da metrópole de São Paulo. A desconcentração industrial que se processa é relativa a poucas e selecionadas áreas do território nacional. O que se observa é a alocação dos investimentos do setor industrial em uma área mais ampla e dotada de uma grande densidade técnica que vai da metrópole de Belo Horizonte até Porto Alegre.

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Essa dispersão industrial está relacionada à “deseconomia” de aglomeração 1 na metrópole de São Paulo e à criação de economias de aglomeração em outras áreas, às políticas econômicas do Estado e dos estados da União (investimentos diretos, incentivos fiscais e infraestrutura), à busca por recursos naturais; à concentração espacial e social da renda, do consumo e da pesquisa; e à unificação do mercado interno por meio da infraestrutura de transportes e comunicações. Neste início de século XXI, em que aumentaram os questionamentos sobre alguns dogmas e medidas associadas à doutrina neoliberal, o governo brasileiro, adotou como uma de suas políticas prioritárias o incentivo ao setor produtivo, apesar disso ainda não conseguiu promover o real crescimento da oferta de energia e transporte tão necessárias ao processo de industrialização. Alguns exemplos desse empreendimento são as políticas de estímulo à produção industrial e ao consumo interno e o programa de aceleração do crescimento econômico (PAC), que inclui o incentivo à produção de infraestrutura e à construção civil. Com a industrialização, busca-se alterar a relação de dominação e dependência dentro do sistema capitalista internacional. Antes, a dependência era realizada pelo controle de preços e mercados de produtos primários e depois passou a ser exercida pelo controle da industrialização dos países subdesenvolvidos. Atualmente, as empresas multinacionais exercem forte influência na sociedade brasileira, controlando a maior parte dos investimentos e das exportações de bens industrializados. Nas últimas décadas, observa-se em todo o mundo uma maior integração das atividades secundárias (produção de bens industriais e construção civil) e terciárias (comércio e serviços). No Brasil, é possível observar a expansão da terceirização da economia, que está vinculada às transformações geradas pelo processo de industrialização e pelas características do modelo flexível de produção. Ao mesmo tempo observa-se a desconcentração da atividade industrial.

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Esse processo tem início já na década de 1970 obedecendo a uma tendência mundial. Mas será na década de 1990 que efetivamente se manifesta com maior pujança. A desconcentração industrial (reestruturação territorial da atividade produtiva) consiste na instalação (ou na transferência) de unidades produtivas em algumas médias e pequenas cidades. As grandes cidades apresentam diversos fatores que desestimulam novos investimentos produtivos em seus respectivos espaços (deseconomias de escala ou de aglomeração) com destaque para:

a) A redução da oferta e encarecimento do valor dos terrenos;

b) Os impostos elevados;

c) Os intensos congestionamentos de trânsito;

d) A presença de organizações sindicais com longa tradição reivindicativa;

e) Os elevados índices de poluição atmosférica;

f) O aumento dos índices de violência urbana.

Por apresentar um quadro distinto das metrópoles e grandes cidades é que muitas médias e pequenas cidades vêm atraindo investimentos produtivos. Ademais,

essas precisam, também, oferecer uma boa infraestrutura de transportes, energia e telecomunicações. Soma-se a isso a importância dos incentivos e/ou das isenções fiscais que tem servido como um dos principais atrativos de investimentos. As causas do processo de desconcentração industrial no Brasil podem ser definidas como:

1. Aumento dos custos ambientais;

2. Ampliação de impostos nas grandes cidades;

3. Aumento do preço da terra nas áreas centrais;

4. Problemas de tráfego na região metropolitana;

5. Busca de áreas com fraca organização sindical;

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Entre as consequências da desconcentração Industrial podemos citar:

1. Incremento do setor terciário;

2. Extinção de postos de trabalho da área de repulsão;

3. Aumento da taxa de desemprego nas áreas de repulsão;

4. Processo de desmetropolização, ou seja, crescimento lento em relação às cidades

de porte médio do interior;

5. Mudança do destino das correntes migratórias, saindo das grandes cidades e voltadas agora para o interior do estado e para, por exemplo, o retorno de nordestinos aos seus estados de origem. Observe o mapa da concentração e dispersão industrial do Brasil.

o mapa da concentração e dispersão industrial do Brasil. Fonte: Atlas Nacional do Brasil, IBGE, 2010.

Fonte: Atlas Nacional do Brasil, IBGE, 2010.

Apesar dessa tendência de mudança a desconcentração industrial é tida como relativa já que o peso da região Sudeste no PIB nacional continua sendo elevado. Com

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efeito, uma parte dos investimentos industriais se deslocou e tem se deslocado das grandes cidades para as cidades médias e pequenas na própria região. É o que vem ocorrendo nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo. Cabe ainda ressaltar que a riqueza regional continua na ascendente, pois a desconcentração industrial não é sinônimo de desconcentração econômica. Isso é comprovado pela grande concentração financeira na região. Neste caso, a concentração se dá nas metrópoles: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Cabe lembrar que o processo de modernização da economia alavancado pela industrialização gerou uma intensificação do ritmo e uma alteração nas formas de apropriação dos recursos naturais do território nacional. À modernização se vincula uma expansão das fronteiras produtivas agropecuárias e extrativo-minerais, bem como a necessidade de maior geração de energia. O equilíbrio entre desenvolvimento e uso sustentável dos recursos constitui-se hoje um dos maiores desafios para a sociedade brasileira.

2. O PROCESSO DE URBANIZAÇÃO DO BRASIL

Nos três primeiros séculos de ocupação do território brasileiro, o dinamismo

econômico esteve baseado na produção do campo. Assim, a posição da cidade neste período deve ser entendida a partir da análise do sistema sócio econômico da colônia. A cidade constituía-se em um espaço de representação do poder da metrópole portuguesa, possuindo uma clara função político-administrativa.

A partir do século XVIII e, principalmente, ao longo do século XIX, as cidades

passaram a assumir uma função mais preponderante na organização sócio-econômica do Brasil. Aos poucos, os centros urbanos vão se consolidando como espaços de disputa de poder, de construção das estruturas sociais, políticas e econômicas que

regem a vida do país.

A herança colonial também tem influência sobre a urbanização. A cultura do

patrimonialismo se reflete, por exemplo, na tomada da esfera pública por interesses

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privados. São características do patrimonialismo: o clientelismo, a aversão ao enfrentamento do conflito, o desprestígio do trabalho, a distância entre o discurso e a prática da estrutura produtiva. A política urbana reflete a dinâmica das relações sociais nas cidades, nas quais a garantia do poder costuma dar-se com base nas relações de troca de favores. Também é bastante presente uma cultura de acumulação de terras e imóveis. No desenvolvimento urbano estas características se refletem na ambiguidade presente na aplicação dos planos e leis urbanas: no fato de que apenas uma parte da cidade é fiscalizada, o que engendra uma seleção no acesso à modernidade (melhor falar em acesso aos serviços e equipamentos urbanos) e aos direitos básicos; na privatização de terras devolutas; na falta de controle sobre o uso do solo; no fato de que coexiste a flexibilidade com a ocupação ilegal fundiária e a inflexibilidade formal para a regularização de assentamentos de baixa renda; no direcionamento dos investimentos públicos para contribuir com os ganhos imobiliários privados; no uso de recursos públicos para a cooptação em currais eleitorais; na exclusão da maior parte da população do mercado formal de imóveis. Estas características fazem com que instrumentos, a princípio inovadores como a elaboração de planos diretores, sejam aplicados apenas a uma parte da cidade, pois ao tomarem o mercado como referência, ignoram as demandas da maior parte da população. A intensificação da urbanização se deu a partir da década de 1940. Desde então, num período de 50 anos a população urbana saltou de 10.891.000 habitantes para 115.700.000. Em apenas cinco décadas, o Brasil saiu de uma condição predominantemente rural (em 1940, somente 26,35% da população era urbana) para se configurar como uma sociedade bastante urbanizada. Hoje, mais de 80% da população do país é considerada urbana. O baixo crescimento econômico de meados dos anos 70 até o início desta década acentuou as mazelas sociais urbanas. A redução no ritmo de crescimento levou à não incorporação de significativas parcelas da mão de obra pelo mercado de trabalho

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formal. Neste período houve grande expansão do desemprego, da pobreza e da violência. As políticas neoliberais também surtiram efeitos para a vida urbana. Pode-se incluir a privatização de serviços públicos, tornando-os, em muitos casos, mais onerosos para a população; a redução de investimentos em políticas públicas sociais; e o aumento da competitividade entre as cidades por recursos, que tende a transferi-los da esfera pública para a privada. Estas medidas têm contribuído para dificultar a ação do Estado como redistribuidor de recursos, o que pode aumentar ainda mais a diferenciação sócio espacial nas cidades brasileiras. No Brasil, a magnitude do circuito econômico informal e a insuficiência da ação estatal em vários aspectos da vida social, associam-se ao alto grau de ilegalidade na ocupação do solo, o que implica numa urbanização desordenada e na ocupação de ambientes mais vulneráveis (como encostas, manguezais e etc.). Isso faz com que boa parte da população conviva cotidianamente com a condição de ilegalidade, o que para muitos pesquisadores é um dos muitos fatores que explicam o grau de corrupção e violência urbana presentes no país. Ao longo do século XX, a autoconstrução, ou seja, a produção do espaço realizada pela própria população, teve uma importante funcionalidade dentro do sistema econômico. Ela significou o barateamento do custo da mão de obra, já que os próprios moradores produzem a parte da cidade onde vivem, num processo de urbanização que não teve financiamento público ou privado, sem conhecimento técnico e sem seguir a lei. O acesso à moradia legalizada é uma das questões centrais para o desenvolvimento urbano e o avanço da sociedade brasileira, estando associada à questão da ocupação irregular do solo, da segregação espacial e do desenvolvimento de uma sociabilidade que se assente sobre o direito à cidadania e à cidade. Nos anos 80 e 90, com a redemocratização, surge o movimento da reforma urbana, posto em prática por planejadores, acadêmicos, líderes sociais, sindicatos, ONG, Igreja Católica, políticos e servidores públicos. Deste movimento, tem origem o

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estatuto da cidade, o documento que consolidou a estrutura jurídica para a construção de uma política urbana no Brasil. Apesar das dificuldades para implementação de propostas de intervenção urbana progressista, o país pode ser considerado hoje uma das referências na produção de conhecimento sobre as políticas e o espaço urbanos. Uma das propostas mais elogiadas é o orçamento participativo, que tem como objetivo democratizar a tomada de decisão na alocação dos recursos orçamentários por parte do poder público.

3. REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA E TRANSFORMAÇÕES NO ESPAÇO URBANO

As transformações da estrutura produtiva afetam a dinâmica das cidades e estabelecem novas relações entre economia e território. De modo geral, no mundo observam-se dois movimentos distintos de urbanização. Um decorrente da concentração de capital, poder e recursos do bem-estar social e outra gerada pelo êxodo rural nos países subdesenvolvidos. A redução dos custos de transporte e comunicação e as novas formas de gestão empresarial aumentam a mobilidade do capital e geram mais um desafio para as políticas de desenvolvimento urbano. Sob a lógica predominante das políticas urbanas da atualidade, são fatores de desenvolvimento das cidades no período pós-fordista: as cidades se constituírem como meios geradores de inovação e proporcionarem condições de coesão social e qualidade de vida. No Brasil, nas últimas décadas, observa-se uma queda do ritmo de crescimento das metrópoles e uma aceleração do crescimento das cidades médias e pequenas, que está vinculada ao processo de desconcentração da produção. O crescimento das cidades médias e pequenas relaciona-se à saída de investimentos vinculada à busca de vantagens locacionais como áreas com custos menores de produção e transporte ou com mercados consumidores emergentes. Também pode estar associado ao maior desenvolvimento da agroindústria e do setor extrativo em certas regiões.

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Em São Paulo, polo dinâmico do país, observa-se um forte processo de desindustrialização, acompanhado da terceirização da economia. A metrópole paulista vem se consolidando como a principal metrópole informacional do hemisfério sul, concentrando em sua área as atividades gerenciais, de serviços altamente especializados e de pesquisa. Contudo, apesar da concentração econômica existente na metrópole paulista, ela não possui ainda o potencial de rivalizar com as chamadas cidades globais de primeira grandeza, que estão no topo da hierarquia urbana mundial, como Nova Iorque, Tóquio, Londres e outras. Por isso, o estímulo à conurbação 2 entre as metrópoles do Rio de Janeiro e São Paulo tem sido visto como estratégia de desenvolvimento para o país – é neste contexto que se procura implementar o trem de alta velocidade, visto como vetor de consolidação da megalópole 3 brasileira.

2 Conurbação: processo de integração socioeconômica e física entre duas ou mais áreas urbanas.

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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

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