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UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP PROF. ANDERSON FRANÇA

Conceitos básicos:

O1) o que é um texto?

APOSTILA

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Texto é tudo aquilo que comunica algo: visual, oral ou escrito desde que possua sentido. Sem sentido, não é texto. Já o texto escrito tem que estar de acordo com as regras gramaticais, uma vez que é a gramática que organiza as frases, parágrafos e o texto como um todo.

Leia o fragmento a seguir, a respeito do que é um texto de acordo com Roland Barthes, estudioso francês:

Do latim textus, como no radical de “têxtil”, “texto” designa todo agrupamento de palavras. Em um sentido específico, certos teóricos do fim do século XX fizeram do “texto” o lugar de

manifestação da linguagem e do sentido e tenderam a substituir, elaborando “teorias do texto”,

o texto assim entendido à literatura. Primeiramente, a idéia de “texto” está ligada, por analogia com a trama de um tecido, à de trama de uma narrativa. Um fenômeno, derivado da difusão cada vez mais ampla do escrito impresso, radica na busca pelas relações entre textos, no seio de uma representação do mundo como um universo de linguagem, formando um vasto “texto”,

Paradoxalmente, a idéia de que um

texto possa ser um conjunto fechado, isto é, que traz em si o todo de sua significação, que pode tornar-se independente de sua situação de enunciação, articula-se com a idéia de que o texto se constrói na relação complexa que trava com outros textos, de que exibe os traços. Daí, resulta a tensão entre os modos de abordagem que ou priorizam o texto ou que o inscrevem no contexto ( )

de que cada obra, cada texto singular seria uma parte. (

)

A ideia de texto implica que se leve em conta, em seu conjunto, a materialidade do enunciado.

A publicação, oral ou escrita, de um mesmo enunciado constitui um só e mesmo texto ou se

trata de um mesmo enunciado em dois textos? Evidentemente que, no caso do teatro, o texto escrito e lido e a peça representada e vista não estão estruturados com os mesmos conjuntos de signos, podendo, por conseguinte, produzir efeitos de sentidos e efeitos estéticos sensivelmente diferentes. Mesmo na edição de uma obra unicamente verbal, outros elementos vêem inserir-se no enunciado primeiro: a paginação, a tipografia, mas também elementos de

prefácio ou quarta-capa etc.

Atualmente, a crítica leva em consideração tais signos, designando-os como “peritexto”, e a história cultural estuda-os cada vez mais. Advêem duas consequências principais:

primeiramente, o texto é um enunciado tomado em sua materialidade, devendo a textualidade ser abordada em todas as suas dimensões de significante; em segundo lugar, o texto, como todo significante, é contingente e representa a estabilização momentânea de um discurso. A ideia de fechamento do texto torna-se, portanto, dificilmente operatória, e, face à sacralização que tal ideia implica, faz-se mister uma reflexão sobre a relatividade dos textos. O uso cada vez mais frequente e expansivo de meios de duplicação, transmissão e transformação dos textos (o tratamento informático e a Internet), incluindo-se a prática literária (literatura on line, literatura interativa) confirma o jogo imponderável do texto. No entanto, presentes desde sempre na transmissão oral, manuscrita e impressa, todas as formas passíveis de variações textuais estruturam, em sua seleção, em seu recorte e no modo de apresentação de um texto, significações, na medida em que a relatividade dos textos leva, necessariamente, a uma reflexão sobre a recepção e a hermenêutica.

Texto original: Roland Barthes, Le plaisir du texte, p. 13-14., traduzido do francês

O2) o que é Interpretação de textos?

Interpretar um texto é entender a mensagem que ele passa, é compreender a ideia que é expressa pelo autor por meio da decodificação. Isto é possível se compararmos os sentidos do texto a camadas. Segundo Humberto eco, no livro Interpretação e superinterpretação, interpretar é “escavar” as camadas do texto, é adentrar para buscar seus sentidos. E ainda, é possível afirmar que o sentido é dado pelo autor, mas nós podemos abstrair outros sentidos a partir do nosso conhecimento de mundo.

Leia o fragmento adaptado do artigo: sobre os limites da interpretação,de Eduardo R. Rabenhorst*

De acordo com a primeira interpretação, o processo interpretativo seria entendido como um jogo interminável, pois se um texto é um “tecido de signos”, uma malha de relações, interpretar, por sua vez, seria simplesmente “tecer um tecido com os fios extraídos de outros tecidos- textos.

A Importância da Leitura

Ler é produzir sentido. E o que lemos? Tudo que é linguagem e está ao nosso redor: imagens, gestos, vídeos, para entender o que está proposto. Anderson França

TEXTO 01

A importância da leitura com fonte de conhecimento e participação na sociedade!

Ler significa aproximar-se de algo que acaba de ganhar existência. Ítalo Calvino

O ato de ler é soberano. Implica desvendar e conhecer o mundo. É pela leitura que

desenvolvemos o processo de atribuir sentido a tudo o que nos rodeia: lemos um olhar, um gesto, um sorriso, um mapa, uma obra de arte, as pegadas na areia, as nuvens carregadas no céu, o sinal de fumaça avistado ao longe e tantos outros sinais. Lemos até mesmo o silêncio!

longe e tantos outros sinais. Lemos até mesmo o silêncio! Nos dias de hoje, a comunicação,

Nos dias de hoje, a comunicação, mesmo presencial, está mediada por uma infinidade de signos. Na era da comunicação interplanetária, estabelecemos infinitas conexões com pessoas

de todos os cantos do mundo, o que nos obriga a decodificar um universo poderoso de

mensagens e a nos adaptar a elas: comunidades virtuais do Orkut, conversas pelo MSN, compras e negócios fechados pela rede e, se essa informação foi dominantemente verbal até então, agora se torna também visual com a chegada do YouTube

Sabemos o quanto a força da imagem exerce fascínio e entendemos, definitivamente, que não há mais como sobreviver neste mundo sem que haja, de nossa parte, uma adaptação constante no que se refere ao acesso às diferentes linguagens disponíveis.

É fundamental reconhecer que o sentido de todas as coisas nos vêm, principalmente, por meio

do olhar, da compreensão e interpretação desses múltiplos signos 1 que enxergamos, desde os

mais corriqueiros – nomes de ruas, por exemplo – até os mais complexos – uma poesia repleta

de metáforas. O sentido das coisas nos vêm, então, por meio da leitura, um ato individual de

construção de significado num contexto que se configura mediante a interação autor/texto/leitor.

A leitura é uma atividade que solicita intensa participação do leitor e exige muito mais que o simples conhecimento linguístico compartilhado pelos interlocutores: o leitor é, necessariamente, levado a mobilizar uma série de estratégias, com a finalidade de preencher

as lacunas e participar, de forma ativa, da construção do sentido. Dessa forma, autor e leitor

devem ser vistos como estrategistas na interação pela linguagem para que se construa o sentido do texto. Segundo Koch & Elias (2006),

numa concepção interacional (dialógica) da língua, os sujeitos são vistos como

atores/construtores sociais, sujeitos ativos que – dialogicamente – se constroem e são

construídos no texto. [

texto-sujeitos e não algo que preexista a essa interação. A leitura é, pois, uma atividade interativa altamente complexa de produção de sentidos, que se realiza evidentemente com base nos elementos lingüísticos presentes na superfície textual e na sua forma de organização,

Nessa perspectiva, o sentido de um texto é construído na interação

] [

}

mas requer a mobilização de um vasto conjunto de saberes no interior do evento comunicativo.

Para esclarecer as idéias até aqui apresentadas, leia a tira a seguir:

as idéias até aqui apresentadas, leia a tira a seguir: http://tiras-hagar.blogspot.com/ (acesso em 16/02/2007) Na

http://tiras-hagar.blogspot.com/ (acesso em 16/02/2007)

Na tira, Hagar, o viking, revela o papel do leitor que interage com o texto, no caso, da placa, e atribui-lhe o sentido, considerando tanto as informações explícitas, como também o que é sugerido de maneira implícita, subentendida.

Podemos, então, concluir que:

a) a leitura de qualquer texto exige do leitor muito mais do que o conhecimento do código lingüístico; b) o leitor realiza um trabalho ativo de compreensão e interpretação do texto, a partir, entre outros aspectos, de seu conhecimento lingüístico, textual e, ainda, de seu conhecimento de mundo.

Leitura é, assim, uma atividade de produção de sentido. É nesse intercâmbio de leituras que

se refinam, se reajustam e redimensionam hipóteses de significado, ampliando constantemente

a nossa compreensão dos outros, do mundo e de nós mesmos. O exercício pleno da cidadania

passa necessariamente pela garantia de acesso aos conhecimentos construídos e acumulados

e às informações disponíveis socialmente. E a leitura é a chave dessa conquista.

1 Signos: entidades linguísticas dotadas de duas faces: o significante (imagem acústica) e o significado (conceito).

Título: As Diferentes Linguagens

A linguagem é o instrumento com que o homem pensa e sente, forma estados de alma, aspirações, volições e ações, o instrumento com que influencia e é influenciado, o fundamento último e mais profundo da sociedade humana.

L. Hjelmslev

Para dar início às suas reflexões a respeito do tema a ser estudado, leia o texto que segue.

Comunicação

É importante saber o nome das coisas. Ou, pelo menos, saber comunicar o que você quer.

Imagine-se entrando numa loja para comprar um

como é mesmo o

nome?” “Sim?” “Pomba! Um

É uma coisa simples, conhecidíssima.” “Sim senhor.” “O senhor vai dar risada quando souber.” “Sim senhor.” “Olha, é pontuda, certo?” “O quê, cavalheiro?” “Isso que eu quero. Tem uma

ponta assim, entende? Depois vem assim, assim, faz uma volta, aí vem reto de novo, e na

outra ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na ponta tem outra volta, só que esta é

mais fechada. E tem um, um

encaixa a outra ponta, a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É isso.

“Ora, você sabe do que

estou falando.” “Estou me esforçando, mas

Pontudo numa ponta, certo?” “Se o senhor diz, cavalheiro

vontade. Eu sei que é pontudo numa ponta. Posso não saber o nome da coisa, isso é um detalhe. Mas sei exatamente o que eu quero.” “Sim senhor. Pontudo numa ponta.” “Isso. Eu sabia que você compreenderia. Tem?” “bom, eu preciso saber mais sobre o, a, essa coisa. Tente descrevê-la outra vez. Quem sabe o senhor desenha para nós?” “Não. Eu não sei desenhar nem casinha com fumaça saindo da chaminé. Sou uma negação em desenho.” “Sinto muito.” “Não precisa sentir. Sou técnico em contabilidade, estou muito bem de vida. Não sou

um débil mental. Não sei desenhar, só isso. E hoje, por acaso, me esqueci do nome desse raio. Mas fora isso, tudo bem. O desenho não me faz falta. Lido com números. Tenho algum problema com os números mais complicados, claro. O oito, por exemplo. Tenho que fazer um rascunho antes. Mas não sou um débil mental, como você está pensando.” “Eu não estou pensando nada, cavalheiro.” “Chame o gerente.” “Não será preciso, cavalheiro. Tenho certeza de que chegaremos a um acordo. Essa coisa que o senhor quer, é feito do quê?” “É de, sei lá.

É mais ou menos assim. Presta

De metal.” “Muito bem. De metal. Ela se move?” “Bem

atenção nas minhas mãos. É assim, assim, dobra aqui e encaixa na ponta, assim.” “Tem mais de uma peça? Já vem montado?” “É inteiriço. Tenho quase certeza de que é inteiriço.” “Francamente.” “Mas é simples! Uma coisa simples. Olha: assim, assim, uma volta aqui, vem

vindo, vem vindo, outra volta e clique, encaixa.” “Ah, tem clique. É elétrico.” “Não! Clique, que eu digo, é o barulho de encaixar.” “Já sei!” “Ótimo!” “O senhor quer uma antena externa de ”

televisão.” “Não! Escuta aqui. Vamos tentar de novo

“Tentemos por outro lado. Para o que

serve?” “Serve assim para prender. Entende? Uma coisa pontuda que prende. Você enfia a ponta pontuda por aqui, encaixa a ponta no sulco e prende as duas partes de uma coisa ”

“Certo. Esse instrumento que o senhor procura funciona mais ou menos como um gigantesco

como é mesmo o seu nome? “Posso

ajudá-lo, cavalheiro?” “Pode. Eu quero um daqueles, daqueles

um

” “Um

um

Que cabeça a minha. A palavra me escapou por completo.

Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco onde

Uma coisa pontuda que fecha. Entende?” “Infelizmente, cavalheiro ”

“Escuta. Acho que não podia ser mais claro. ”

“Como, se eu digo? Isso já é má

“Mas é isso! É isso! Um alfinete de segurança!” “Mas do jeito que o

senhor descrevia parecia uma coisa enorme, cavalheiro!” “É que eu sou meio expansivo. Me vê

aí um

alfinete de segurança e

um

Como é mesmo o nome?”

(Luís Fernando Veríssimo. Para gostar de ler. v.7. São Paulo, Ática, 1982.) A linguagem nasce da necessidade humana de comunicação; nela e com ela, o homem interage com o mundo. Para tratarmos das diferentes linguagens de que dispomos, verbais e não verbais, precisamos, inicialmente, pensar que elas existem para que possamos estabelecer comunicação. Mas o que é, em si, comunicar?

Se desdobrarmos a palavra comunicação, teremos:

Comunicação: “comum” + “ação”, ou melhor, “ação em comum”.

De modo geral, todos os significados encontrados para a palavra comunicação revelam a idéia de relação. Observe:

Comunicação: deriva do latim communicare, cujo significado seria “tornar comum”, “partilhar”, “repartir”, “trocar opiniões”, “estar em relação com”. Podemos assim afirmar que, historicamente, comunicação implica em participação, interação entre dois ou mais elementos, um emitindo informações, outro recebendo e reagindo. Para que a comunicação exista, então, é preciso que haja mais de um pólo: sem o “outro” não há partilha de sentimentos e idéias ou de comandos e respostas.

o

apresentada.

Leia

cartum

a

seguir

e

procure

reconhecer

como

o

humor

se

produz na

situação

Para que a comunicação seja eficiente, é necessário que haja um código comum aos interlocutores.

Para que a comunicação seja eficiente, é necessário que haja um código comum aos interlocutores.

O que é a linguagem?

que a comunicação seja eficiente, é necessário que haja um código comum aos interlocutores. O que
que a comunicação seja eficiente, é necessário que haja um código comum aos interlocutores. O que

Linguagem é a capacidade humana de articular conhecimentos e compartilhá-los socialmente. Assim, todo e qualquer processo humano capaz de expressar e compartilhar significação constitui linguagens: tirar fotos, pintar quadros, produzir textos e músicas, escrever jornal, dançar, etc. As linguagens fazem parte das diversas formas de expressão representadas pelas artes visuais, pela música, pela expressão corporal e pela escrita.

A linguagem, portanto, nomeia, fixa e concebe objetos, utiliza conceitos e tem por função permitir a comunicação.

Nós encontramos a língua pronta quando nascemos e aprendemos a utilizá-la com as pessoas mais velhas. É a partir dessa aprendizagem que passamos a reproduzi-la.

Muitas das expressões artísticas atuais têm origem conhecida: a fotografia surgiu no século XIX; o teatro ocidental surgiu na Grécia e na Idade Média. Já a escrita surgiu há milhares de anos.

na Idade Média. Já a escrita surgiu há milhares de anos. Tomemos, agora, o conceito apresentado
na Idade Média. Já a escrita surgiu há milhares de anos. Tomemos, agora, o conceito apresentado

Tomemos, agora, o conceito apresentado por Bechara (1999:28) para fundamentar o conceito de linguagem:

Entende-se por linguagem qualquer sistema de signos simbólicos empregados na intercomunicação social para expressar e comunicar idéias e sentimentos, isto é, conteúdos da consciência.

A linguagem é, então, vista como um espaço em que tanto o sujeito quanto o outro que com ele interage são inteiramente ativos. Por meio dela, o homem pode trocar informações e idéias, compartilhar conhecimentos, expressar idéias e emoções. Desse modo, reconhecemos a linguagem como um instrumento múltiplo e dinâmico, isso porque, considerados os sentidos que devem ser expressos e as condições de que dispomos em dada situação, valemo-nos de códigos diferentes, criados a partir de elementos como o som, a imagem, a cor, a forma, o movimento e tantos outros.

Vale salientar a idéia de que o processo de significação só acontece verdadeiramente quando, ao apropriarmo-nos de um código, por meio dele nos fazemos entender.

TEXTO 02

Linguagem Verbal e Linguagem Não Verbal

Chamamos de linguagem a todo sistema de sinais convencionais que nos permite realizar atos de comunicação. Certamente, você já observou que o ser humano utiliza as mais diferentes linguagens: a da música, a da dança, a da pintura, a dos surdos-mudos, a dos sinais de trânsito, a da língua que você fala, entre outras.

Como vemos, a linguagem é produto de práticas sociais de uma determinada cultura que a representa e a modifica, numa atividade predominantemente social.

e a modifica, numa atividade predominantemente social. Considerando o sistema de sinais utilizados na comunicação

Considerando o sistema de sinais utilizados na comunicação humana, costumamos dividir a linguagem em verbal e não verbal. Assim, temos:

a. Linguagem verbal: aquela que utiliza as palavras para estabelecer comunicação. A língua que você utiliza, por exemplo, é linguagem verbal, assim como a literatura.

b. Linguagem não verbal: aquela que utiliza outros sinais que não as palavras para estabelecer comunicação. Os sinais utilizados pelos surdos-mudos, por exemplo, constituem um tipo de linguagem não verbal.

Para viver em sociedade, o ser humano — possuidor de capacidade criativa e cumulativa — cria um arsenal de códigos, que se entrecruzam e atendem às suas necessidades de sobrevivência, de intercâmbio com o outro, de satisfação afetiva, de aprimoramento intelectual.

A comunicação dá-se, assim, por intermédio de algum tipo de linguagem que, como vimos, altera-se de acordo com o uso que as pessoas fazem dela. Verbais ou não verbais, criamos sinais que têm significado especial para o grupo humano do qual fazemos parte.

especial para o grupo humano do qual fazemos parte. Veja, Portinari: por exemplo, a tela de

Veja,

Portinari:

por

exemplo,

a

tela

de

Ao pintar os trabalhadores rurais em atividade, Portinari revela, com precisão, uma importante questão social: a vida sofrida dos lavradores nas lavouras do café que, ao cumprir longas jornadas de trabalho, misturam-se à terra, numa interminável fila de homens e mulheres anônimos, com mãos e pés enormes, sugerindo, talvez, o excesso e a força de tanto trabalho. Não há céu, não há horizonte; o predomínio da cor marrom reforça o drama vivido por esses trabalhadores. Diante do não verbal, como espectadores, experimentamos a emoção que o quadro desperta, não porque seu significado esteja expresso em palavras, mas porque ele exibe a síntese do sentimento do artista.

Podemos concluir, assim, que a linguagem é múltipla e, a partir da combinação de seus variados códigos, promove a interação entre os seres humanos, permitindo a expressão do que pensa e do que sente.

Título: Linguagem Formal e Informal

Nossa língua apresenta uma imensa possibilidade de variantes lingüísticas, tanto na linguagem formal (padrão) quanto na linguagem informal (coloquial). Elas não são, assim, homogêneas. Especialmente no que se refere ao coloquial, as variações não se esgotam. Alguns fatores determinam essa variedade. São eles:

diferenças regionais: há características fonéticas próprias de cada região, um sotaque próprio que dá traços distintivos ao falante nativo. Por exemplo, a fala espontânea de um caipira difere da fala de um gaúcho em pronúncia e vocabulário; • nível social do falante e sua relação com a escrita: um operário, de modo geral, não fala da mesma maneira que um médico, por exemplo;

diferenças individuais.

É importante salientar que cada variedade tem um conjunto de situações específicas para seu uso e, de modo geral, não pode ser substituída por outra sem provocar, ao menos, estranheza durante a comunicação. O texto de Luis Fernando Veríssimo ilustra uma dessas situações inusitadas:

Aí, Galera

Jogadores de futebol podem ser vítimas de estereotipação. Por exemplo, você pode imaginar um jogador de futebol dizendo “estereotipação”? E, no entanto, por que não? - Aí, campeão. Uma palavrinha pra galera. - Minha saudação aos aficionados do clube e aos demais esportistas, aqui presentes ou no recesso dos seus lares. - Como é? - Aí, galera. - Quais são as instruções do técnico? - Nosso treinador vaticinou que, com um trabalho de contenção coordenada, com energia otimizada, na zona de preparação, aumentam as probabilidades de, recuperado o esférico, concatenarmos um contra-golpe agudo com parcimônia de meios e extrema objetividade, valendo-nos da desestruturação momentânea do sistema oposto,

surpreendido pela reversão inesperada do fluxo da ação. - Ahn? - É pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá eles sem calça. - Certo. Você quer dizer mais alguma coisa? - Posso dirigir uma mensagem de caráter sentimental, algo banal, talvez mesmo previsível e piegas, a uma pessoa à qual sou ligado por razões, inclusive, genéticas? - Pode. - Uma saudação para a minha

progenitora. - Como é? - Alô, mamãe! - Estou vendo que você é um, um

- Um jogador que

confunde o entrevistador, pois não corresponde à expectativa de que o atleta seja um ser algo primitivo com dificuldade de expressão e assim sabota a estereotipação? - Estereoquê? - Um chato? - Isso.

Correio Braziliense, 13/05/1998.

Podemos concluir daí que cada variedade tem seus domínios próprios e que não existe a variedade “certa” ou “errada”. Para cada situação comunicativa existe a variante “mais” ou “menos” adequada. É certo, no entanto, que é atribuída à variante padrão um valor social e histórico maior do que à coloquial. Cabe, assim, ao indivíduo – competente lingüisticamente - optar por uma ou outra variante em função da situação comunicativa da qual participa no momento.

Por fim, citando Bechara (1999), a linguagem é sempre um estar no mundo com os outros, não como um indivíduo em particular, mas como parte do todo social, de uma comunidade.

TEXTO 03

Noções de Texto: Unidade de Sentido

A palavra “texto” é bastante familiar no âmbito escolar e fora dele, embora, de modo geral, não o reconheçamos em diversas de suas ocorrências. Certamente já ouvimos: “Que texto interessante! Seu texto está confuso! Faça um texto sobre “suas férias”

No entanto, no que diz respeito especialmente à leitura, muitas vezes os alunos lêem fragmentos do texto e buscam entender partes isoladas que, sem relação com as demais — com o todo —, levam o leitor, provavelmente, a chegar a conclusões precipitadas e até mesmo erradas sobre o sentido do texto.

Os estudos mais avançados na área da Lingüística Textual, a partir da década de 60, detiveram-se em explicar as características próprias da linguagem escrita concretizada em forma de texto e não em forma de um mero amontoado de palavras e frases.

Para a Linguística Textual, a linguagem é o principal meio de comunicação social do ser humano e, portanto, seu produto concreto — o texto — também se reveste dessa importante característica, já que é por intermédio dele que um emissor transmite algo a um receptor, obedecendo a um sistema de signos/regras codificado. O texto constitui-se, assim, na unidade lingüística comunicativa básica.

Inicialmente, faz-se necessário expor o conceito de “texto”, por ser ele o elemento fundamental de comunicação. Vejamos o conceito proposto por Bernárdez (1982):

Texto é a unidade lingüística comunicativa fundamental, produto da atividade verbal humana, que possui sempre caráter social: está caracterizado por seu estrato semântico e comunicativo, assim como por sua coerência profunda e superficial, devida à intenção (comunicativa) do falante de criar um texto íntegro, e à sua estruturação mediante dois conjuntos de regras: as próprias do nível textual e as do sistema da língua”.

Alguns elementos nos parecem centrais nessa definição. São eles:

a.Um texto não é um aglomerado de frases; o significado de suas partes resulta das correlações que elas mantêm entre si. Uma leitura não pode basear-se em fragmentos isolados do texto. Observe a sequencia:

Marilene ainda não chegou. Comprei três melancias. O escritório de Sérgio encerrou o expediente por hoje. A densa floresta era assustadora. Ela colocou mais sal no feijão. O vaso partiu-se em pedacinhos.

Essa sequencia apresenta um amontoado aleatório de frases, já que suas partes não se articulam entre si, não formam um todo coerente. Portanto, tal seqüência não constitui um texto.

Agora, observe a tira:

Inicialmente notamos que os personagens curtem o sol num momento de lazer. No segundo acreditamos

Inicialmente notamos que os personagens curtem o sol num momento de lazer. No segundo

acreditamos que o personagem vai interromper

o agradável momento por conta de alguma obrigação que deva cumprir. No terceiro quadro, porém, somos obrigados a reinterpretar o significado anteriormente atribuído e verificar que ambos estão, mesmo, dispostos a aproveitar o sol sem qualquer pressa. Como vemos, o sentido global de um texto depende das correlações entre suas partes.

quadro da tira, ao lermos “mas, infelizmente

”,

Veja como isso se dá no texto que segue.

Circuito Fechado Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo; pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço, relógio, maços de cigarros, caixa de fósforos. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapos. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis, telefone, agenda, copo com lápis, canetas, blocos de notas, espátula, pastas, caixas de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetos de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha, cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo, xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone interno, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel, relógio, papel, pasta, cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras, cigarro e fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.

(Ricardo Ramos)

Em Circuito fechado não há apenas uma série de palavras soltas; temos aqui um texto. E por quê? Apesar de haver palavras, aparentemente, sem relação umas com as outras, é possível reconhecer, depois de uma leitura atenta, que há uma articulação entre elas. A escolha dos substantivos e a seqüência em que são empregados revelam um significado implícito, algo que une e relaciona essas palavras, formando um texto. Podemos, assim, dizer que esse texto se refere a um dia na vida de um homem comum. Note que no início do texto há substantivos

relacionados a hábitos rotineiros, como levantar, ir ao banheiro, lavar o rosto, escovar dentes, fazer barba tomar banho, vestir-se e tomar café da manhã. Chinelos, vaso, descarga. Pia. Sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço, relógio, maço de cigarros, caixa de fósforos.

Já no final do texto há o ritual que denota a volta para casa. Observe:

Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras, cigarro e fósforos. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.

Descobrimos que a personagem é um homem também pela escolha dos substantivos. Parece que sua profissão pode estar relacionada à publicidade e o personagem é, também, um fumante, pois, por quatorze vezes, o narrador retoma a seqüência “cigarro, fósforo”.

Creme de barbear, pincel, espuma, gilete [

Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis, telefone, agenda, copo com

Papéis,

Mesa, cavalete,

telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes [

lápis, canetas, blocos de notas, espátula, pastas, caixas de entrada, de saída [

gravata, paletó [

cueca, camisa, abotoadura, calça, meia, sapatos,

]

]

]

]

cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetos de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel.

Enfim, o texto Circuito fechado é uma crônica — um texto narrativo curto —, cujo tema é o cotidiano e leva o leitor a refletir sobre a vida. Usando somente substantivos, o autor produziu um texto que termina onde começou. Essa estrutura circular tem relação com o título e com a rotina que aprisiona o homem nos dias atuais.

b. O texto tem coerência de sentido e o sentido de qualquer passagem de um texto é dado pelo contexto (unidade maior em que uma unidade menor está inserida. Exemplo: a frase serve de contexto para a palavra, o texto para a frase etc.)

Se não levarmos em conta as relações entre as partes do texto, corremos o risco de atribuir a ele um sentido oposto àquele que efetivamente tem.

c.Todo texto tem um caráter histórico, não no sentido de narrar fatos históricos, mas no de revelar as concepções e a cultura de um grupo social numa determinada época.

http://www.propagandasantigas.blogger.com.br/ Os anúncios retratam duas concepções distintas a respeito da moda

http://www.propagandasantigas.blogger.com.br/

Os anúncios retratam duas concepções distintas a respeito da moda infanto-juvenil em épocas diferentes: o recato do século XIX e o olhar prático e dinâmico dos dias atuais.

TEXTO 04

Textos Orais e Textos Escritos

o recato do século XIX e o olhar prático e dinâmico dos dias atuais. TEXTO 04

A interação pela linguagem materializa-se por meio de textos, sejam eles orais ou escritos. É

relevante, no entanto, reconhecer que fala e escrita são duas modalidades de uso da língua que, embora se utilizem do mesmo sistema lingüístico, possuem características próprias. As duas não têm as mesmas formas, a mesma gramática, nem os mesmos recursos expressivos. Para a compreensão dos problemas da expressão e da comunicação verbais, é necessário evidenciar essa distinção.

Para dar início às suas reflexões, leia o texto de Millôr Fernandes, a seguir.

A vaguidão específica

"As mulheres têm uma maneira de falar que eu chamo de vago-específica." Richard Gehman

— Maria, ponha isso lá fora em qualquer parte. — Junto com as outras? — Não ponha junto

com as outras, não. Senão pode vir alguém e querer fazer coisa com elas. Ponha no lugar do outro dia. — Sim senhora. Olha, o homem está aí. — Aquele de quando choveu? — Não, o que

a senhora foi lá e falou com ele no domingo. — Que é que você disse a ele? — Eu disse pra

ele continuar. — Ele já começou? — Acho que já. Eu disse que podia principiar por onde quisesse. — É bom? — Mais ou menos. O outro parece mais capaz. — Você trouxe tudo pra cima? — Não senhora, só trouxe as coisas. O resto não trouxe porque a senhora recomendou para deixar até a véspera. — Mas traga, traga. Na ocasião nós descemos tudo de novo. É melhor, senão atravanca a entrada e ele reclama como na outra noite. — Está bem, vou ver como.

FERNANDES, Millôr. Trinta anos de mim mesmo. São Paulo, Círculo do Livro, 1976, p.77.

No texto, o autor revela ironia ao atribuir às mulheres o falar de modo vago e por meio de elipses. No entanto, tais características são próprias do texto oral, em que a interação face-a- face permite que os interlocutores, situados no mesmo tempo e espaço, preencham as lacunas ali existentes, já que ambos, ancorados em dados do contexto e no conhecimento partilhado que possuem, são capazes de compreender e produzir sentido ao que se diz.

Em nossa sociedade, fundamentalmente oral, convivemos muito mais com textos orais do que com textos escritos. Todos os povos 1 , indistintamente, têm ou tiveram uma tradição oral e relativamente poucos tiveram ou têm uma tradição escrita. No entanto, isso não torna a oralidade mais importante que a escrita. Mesmo que a oralidade tenha uma primazia cronológica sobre a escrita, esta, por sua vez, adquire um valor social superior à oralidade.

A escrita não pode ser tida como representação da fala. Em parte, porque a escrita não

consegue reproduzir muitos dos fenômenos da oralidade, tais como a prosódia, a gestualidade,

os movimentos do corpo e dos olhos, entre outros. Ela apresenta, ainda, elementos significativos próprios, ausentes na fala, tais como o tamanho e o tipo de letras, cores e formatos, sinais de pontuação e elementos pictóricos, que operam como gestos, mímica e prosódia graficamente representados.

Observe a transcrição de um texto falado, retirado de uma aula de História Contemporânea, ministrada no Rio de Janeiro, no final de década de 70. Procure ler o texto como se você estivesse “ouvindo” a aula.

nós vimos que ela assinala

ora

como disse o colega aí,,, a elevação da sociedade burguesa

o que é uma revolução

uma revolução significa o

e capitalista

pode-se já ver nisso

quê? Uma mudança

de classe

em assumindo o poder

você vê por exemplo

a

Revolução Francesa

o que ela significa? Nós vimos

você tem uma classe que sobe

e

outra classe que desce

não é isso? A burguesia cresceu

ela ti/a burguesia possuía

o

poder

desse poder econômico da burguesia

economia da França

quinze

burguesia quer

quer entrar em Versalhes

de forma violenta

ascensão de uma classe e a queda de outra

tanto que

econômico

mas ela não tem prestígio social

nem poder político

através

que tinha nas mãos a

desde o século

essa

ela

então

que controlava o comércio

tava nas mãos da classe burguesa

quer o poder político

que crescera

com a Revolução Comercial

quer

o poder

ela

nós temos o crescimento da classe burguesa

ela quer o prestígio social

de uma Revolução

então nós vamos ver que através

ela vai

ela vai conseguir o poder

isso é uma revolução porque significa a

mas qual é a classe que cai? É a aristocracia

o Rei teve a cabeça cortada

não é isso?

Dinah Callou (org.). A linguagem falada culta na cidade do Rio de Janeiro – materiais para seu estudo. Elocuções formais. Rio de Janeiro, Fujb, 1991, p. 104-105.

É possível notar que o texto é bastante entrecortado e repetitivo, apresenta expressivas marcas de oralidade e progride apoiando-se em questões lançadas aos interlocutores, no caso, aos alunos. Isso não significa que o texto falado é, por sua natureza, absolutamente caótico e desestruturado. Ao contrário, ele tem uma estruturação que lhe é própria, ditada pelas circunstâncias sociocognitivas de sua produção. No entanto, tais características, próprias do texto oral, são consideradas inapropriadas para o texto escrito. E por quê?

Para entender essa questão, inicialmente, faz-se necessário observar a distinção entre essas duas modalidades de uso da língua, proposta por Marcuschi (2001:25):

1. A fala seria uma forma de produção textual-discursiva para fins comunicativos na modalidade oral. Caracteriza-se pelo uso da língua na sua forma de sons sistematicamente articulados e significativos, bem como os aspectos prosódicos e recursos expressivos como a gestualidade, os movimentos do corpo e a mímica.

2. A escrita, por sua vez, seria um modo de produção textual-discursiva para fins comunicativos com certas especificidades materiais e se caracterizaria por sua constituição gráfica, embora envolva também recursos de ordem pictórica e outros. Pode manifestar-se, do ponto de vista de sua tecnologia, por unidades alfabéticas (escrita alfabética), ideogramas (escrita ideográfica) ou unidades iconográficas. Trata-se de uma modalidade de uso da língua complementar à fala.

De modo geral, discute-se que ambas apresentam distinções porque diferem nos seus modos de aquisição, nas suas condições de produção, na transmissão e recepção, nos meios através dos quais os elementos de estrutura são organizados.

Para Koch (1992), dentre as características distintivas mais freqüentemente apontadas entre as modalidades falada e escrita estão as seguintes:

Fala

Escrita

1. Contextualizada. 2. Não-planejada. 3. Redundante. 4. Fragmentada. 5. Incompleta. 6. Pouco elaborada. 7. Predominância de frases curtas, simples ou coordenadas. 8. Pouco uso de passivas. 9. Pouca densidade informacional. 10. Poucas nominalizações. 11. Menor densidade lexical.

1. Descontextualizada. 2. Planejada. 3. Condensada. 4. Não-fragmentada. 5. Completa. 6. Elaborada. 7. Predominância de frases complexas, com subordinação abundante. 8. Emprego freqüente de passivas. 9. Densidade informacional. 10. Abundância de nominalizações. 11. Maior densidade lexical.

Ocorre, porém, que essas diferenças nem sempre distinguem as duas modalidades. Isso porque se verifica, por exemplo, que há textos escritos muito próximos ao da fala conversacional (bilhetes, recados, cartas familiares, por exemplo), e textos falados que mais se aproximam da escrita formal (conferências, entrevistas profissionais, entre outros). Além disso, atualmente, pode-se conceber o texto oral e o escrito como atividades interativas e complementares no contexto das práticas culturais e sociais.

Oralidade e escrita, assim, são práticas e usos da língua com características próprias, mas não suficientemente opostas para caracterizar dois sistemas linguísticos distintos. Ambas permitem a construção de textos coesos e coerentes, ambas permitem a elaboração de raciocínios abstratos e exposições formais e informais, variações estilísticas, sociais e dialetais.

Cabe lembrar, finalmente, que em situações de interação face a face, o locutor que detém a palavra não é o único responsável pelo seu discurso. Trata-se, como bem mostra Marcuschi (1986), de uma atividade de co-produção discursiva, visto que os interlocutores estão juntamente empenhados na produção do texto.

1 Povos: Em todas as comunidades, a fala antecede a escrita. Segundo pesquisas, há 3 mil línguas faladas no mundo, das quais 180 possuem escrita e, aproximadamente, apenas 78 delas, literatura.

TEXTO 05

Estilos e Gêneros Discursivos

Você conhece essa piada?

Desconfiado de que sua festa estava cheia de penetras, o anfitrião grita: - Convidados da

noiva, para o lado direito! Metade se aloja do lado direito dele. - Agora, convidados do noivo, do meu lado esquerdo! Um monte de gente se junta do lado esquerdo. - E, agora, caiam fora vocês! Isto aqui é uma festa de aniversário!

Todos os dias, deparamo-nos com diferentes textos durante as mais diversas situações comunicativas das quais participamos socialmente: anúncios, relatórios, notícias, palestras, piadas, receitas etc. Veja, por exemplo, o que podemos fazer quando queremos:

1. Escolher um filme para assistir no cinema.

Podemos consultar a seção cultural de um dos jornais da cidade ou uma revista especializada, ler num outdoor sobre o lançamento de um filme que lhe agrada ou, ainda, pedir a opinião de um amigo.

1. Saber como chegar a um local desconhecido por nós.

Podemos consultar um guia de ruas da cidade ou, ainda, perguntar a alguém que conheça o trajeto. Quem sabe até pedir que essa pessoa lhe desenhe o caminho?

1. Convidar um amigo para sua festa de aniversário.

Podemos mandar um e-mail, um convite pelo correio, telefonar ao colega, enviar um “torpedo” pelo celular.

1. Entreter uma criança. Aqui as possibilidades são várias! Podemos ler histórias de fadas, lançar adivinhas, lembrar antigas canções, recitar quadrinhas e parlendas, propor jogos diversos, assistir a um desenho etc.

Em todas as situações descritas acima, utilizamos textos em diferentes gêneros, isto é, para situações e/ou finalidades diversas, lançamos mão de um repertório diverso de gêneros textuais que circulam socialmente e se adaptam às diferentes situações de comunicação. Cada um desses gêneros exige, para sua compreensão ou produção, diferentes conhecimentos e capacidades.

De modo geral, todos os gêneros textuais têm em comum, basicamente, três características:

1. o assunto: o que pode ser dito através daquele gênero;

2. o estilo: as palavras, expressões, frases selecionadas e o modo de organizá-las;

3. o formato: a estrutura em que cada agrupamento textual é apresentado.

Os gêneros surgem, situam-se e integram-se funcionalmente nas culturas em que se desenvolvem. O conjunto dos gêneros é potencialmente infinito e mutável, materializado tanto na oralidade quanto na escrita. Eles são vinculados à vida cultural e social e contribuem para

ordenar e estabilizar as atividades comunicativas do seu dia-a-dia. Assim, são exemplos de gêneros textuais: telefonema, carta, romance, bilhete, reportagem, lista de compras, piadas, receita culinária, contos de fadas etc.

Para Bronckart (1999), a apropriação dos gêneros é um mecanismo fundamental de socialização, de inserção prática nas atividades comunicativas humanas.

TEXTO 06

Interpretação de textos diversos e de assuntos da atualidade

Concepções sobre o processo da leitura

A leitura é uma fonte de conhecimentos que servem de grande estímulo e motivação para que

a criança goste da escola e de estudar. Além da satisfação pessoal ela, contribui para a

construção de modelos relacionados às formas de escrita, e tem como finalidade a formação

de leitores competentes, com função de escritores. O espaço de construção da leitura é um

processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo, a partir dos seus conhecimentos.

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997, p. 53) leitura é:

] [

texto, a partir dos seus objetivos, do seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor e de

É um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção do significado do

tudo o que sabe sobre a língua. Não se trata apenas de extrair informações da escrita,

decodificando-a, letra por letra, palavra por palavra. Trata-se de uma atividade que implica,

necessariamente, compreensão na qual os sentidos começam a ser constituído antes da leitura

propriamente dita. Qualquer leitor que conseguir analisar sua própria leitura constatará que a

decodificação é apenas um dos procedimentos que utiliza quando lê.

A língua é um sistema de signos histórico e social que possibilita ao homem dar significados ao

mundo e à realidade. Não é aprender apenas as palavras, mas também os seus significados

culturais para que, com eles, as pessoas do meio social entendam e interpretem a realidade. A

leitura fluente envolve uma série de estratégias como seleção, inferência e verificação, sem as

quais não é possível rapidez e competência.

O leitor só se forma através de uma prática constante de leitura organizada em torno da

diversidade de gêneros textuais que circulam socialmente. A partir da idéia de que a leitura é

uma prática social, concebe-se o leitor não como um mero decodificador, mas como alguém

que assume um papel atuante na busca de significações (

A leitura deve acontecer continuamente com as diferentes formas e objetivos no contexto do

cotidiano, e para que tenha sentido para o educando, tenta-se descrevê-la de forma sucinta.

Para aprender a ler, é preciso interagir com uma variedade de textos escritos e participar de

fato dos atos da leitura. É importante que a criança receba incentivo e ajuda de leitores

experientes para ampliar os seus objetivos e interesses.(fonte: site pedagogia ao pé da letra).

Observe os diagramas abaixo:

pedagogia ao pé da letra). Observe os diagramas abaixo: Para a interpretação de textos diversos, é
pedagogia ao pé da letra). Observe os diagramas abaixo: Para a interpretação de textos diversos, é

Para a interpretação de textos diversos, é importante, a partir da vertente da semiótica, observar alguns conceitos básicos que levam a entendimento do significado do texto. O primeiro conceito é a semiótica. Observa-se:

Semiótica é a teoria geral dos modos de produção, funcionamento e recepção dos diferentes sistemas de signos que permitem a comunicação entre indivíduos e/ou coletividade de indivíduos (Larousse cultural-enciclopédia). Embora a semiótica retome o projeto de Ferdinand Saussure e defina seu objeto de estudo nos signos, diferentemente da semiologia de Saussure, ela não se subordina ao campo da língua e da sociedade. A semiótica procura inventariar os sistemas de signos existentes e dar-lhes uma teoria geral

Neste sentido, veja que a forma de interpretação um texto é bem diferente do que se aprende na escola, esta que adota a gramática como responsável não só pela estruturação do texto, mas principalmente pelo entendimento que ele passa. Obviamente que há muitos modos de se interpretar um texto. Pelo viés da semiótica, basicamente vamos ter alguns elementos que nos auxiliam a chegada da “mensagem” do texto como um todo a partir de pequenas unidades,que são os “semas” ou “micromensagens”

Observe:

são os “semas” ou “micromensagens” Observe: Assim, para estudar um texto, podemos destacar os seguintes

Assim, para estudar um texto, podemos destacar os seguintes elementos:

a) contexto local e espacial;

b) enunciação;

c) os brancos do texto;

d) as micromensagens que formam uma mensagem maior;

e) ideia central;

f) tipo de linguagem (verbal ou não verbal)

g) discurso

Observação em relação à letra “G”:

O DISCURSO

Michel Foucault produziu uma obra muito: A ordem do discurso. Neste trabalho, o poder e o desejo são elementos essenciais, os quais podem ser distribuídos e classificados como procedimentos. Neste sentido, tais ideias podem ser transferidas para o texto dissertativo, pensando nos seguintes elementos, há uma síntese que serve para a elaboração do discurso:

a) O que é dito: a mensagem como uma ideia completa

b) Porque é dito: uma explicação dos elementos apresentados

c) Par quem é dito: a quem se destina

Exemplos:

O Brasil tem um problema social? Qual é o problema? O que é dito deve ser pensando e escrito, deste modo:

O Brasil tem vários problemas sociais: educação e saúde são os mais relevantes.

Observe o quadro:

deste modo: O Brasil tem vários problemas sociais: educação e saúde são os mais relevantes .

23

TEXTO 07

Qualidades do texto: Coerência, Coesão (I)

Nesta aula daremos início ao estudo de alguns fatores importantes para a qualidade de um texto. Como você já viu, em aulas anteriores, o que é um texto, isto é, quais as características básicas que nos permitem considerar um texto como tal, passaremos aos itens relativos à qualidade textual, que compreendem: coesão e coerência; clareza e concisão e correção gramatical.

e coerência; clareza e concisão e correção gramatical. Coesão e coerência Para entendermos a noção de

Coesão e coerência

Para entendermos a noção de coesão/coerência, primeiramente devemos considerar a hierarquia de valores que existe de uma palavra a um texto. É essa hierarquia que determina a coesão/coerência, tendo em vista ser o texto um “todo” de significado, ou seja, para considerarmos que um texto seja um “texto”, temos que levar em consideração sua organização sintático-semântica em primeiro lugar.

Assim, a coesão equivale à relação entre as palavras, entre as orações, entre os períodos, enfim, entre as partes que compõem um texto. Quando chegamos ao “todo”, ao sentido global, temos a coerência do texto. Então, um fator depende do outro, isto é, a coerência pressupõe a coesão.

Exemplificando: o falante de língua portuguesa não reconhece coesão e coerência em uma seqüência como:

Dia é muito este especial vida minha em.

No entanto, esse mesmo falante reconheceria como coerente (e coesa) a seqüência:

Este dia é muito especial em minha vida.

Houve organização sintático-semântica na segunda seqüência, o que não ocorreu na primeira.

Segundo Koch (1998), “o conceito de coesão textual diz respeito a todos os processos de seqüencialização que asseguram (ou tornam recuperável) uma ligação lingüística significativa entre os elementos que ocorrem na superfície textual”.

Essa coesão pode ser estabelecida por meio de mecanismos referenciais e/ou seqüenciais, segundo os estudos lingüísticos. Para entendermos melhor, vejamos a proposta didática dessas classificações, feita por Platão & Fiorin (1999).

Coesão por retomada ou por antecipação (coesão referencial)

a. Retomada ou antecipação por uma palavra gramatical

São classes gramaticais (artigos, pronomes, numerais, advérbios, verbos) que funcionam, no texto, como elementos de retomada (anafóricos) ou de antecipação (catafóricos) de outros termos enunciados no texto.

Exemplo:

Estamos (a) reunidos para examinar o caso. Eu, a diretoria e vocês entendemos que não se trata de uma questão simples. Ela (b) deve ser analisada com muita cautela, por isso nós (c) nos encontramos aqui.

No pequeno trecho, podemos observar as expressões destacadas e verificar que:

(a) “Estamos” é o verbo que antecipa o sujeito “eu, a diretoria e vocês”. Na seqüência, é um

elemento catafórico. (b) “Ela” é um pronome que retoma “uma questão”, portanto um elemento anafórico. (c) “Nós” é pronome (elemento anafórico) que retoma o sujeito “eu, a diretoria e vocês”.

É a isso que se denomina “retomada ou antecipação por uma palavra gramatical”. Podemos, então, encontrar, em um texto, vários elementos que estabelecem essa retomada ou antecipação. São eles que estabelecem as ligações no texto, ou seja, são esses termos que estabelecem o que se denomina coesão referencial.

Algumas observações:

1 – O termo substituído e/ou retomado pode ser inferido pelo contexto.

Exemplo: Estamos aqui para examinar o caso.

Nesse caso, “aqui”, se não houver referência anterior explícita, leva à inferência de que se trata do local em que ocorre a situação comunicativa (que não precisa ser um lugar concretamente especificado).

2 – No uso de artigo, o definido tem a função de retomar um termo já enunciado, enquanto o indefinido geralmente introduz um termo novo.

Exemplos:

(a) Encontrei a carta sobre a mesa. (pressupõe-se que se trata de uma carta já referida

anteriormente).

(b) Uma carta foi deixada sobre a mesa. (“uma” introduz o termo carta, ou seja, o termo está

sendo apresentado no texto)

3 – Os verbos “fazer” e “ser”, enquanto anafóricos, substituem, respectivamente, ações e estados. Exemplos:

(a)

João e Maria estudaram muito para a prova, o que você não o fez. (=estudar)

(b)

Eduardo e o irmão ficaram muito emocionados com a homenagem, mas não foi (= ficarem

emocionados) como esperávamos.

4 –Ambigüidade. Quando um elemento anafórico refere-se a dois antecedentes distintos, pode provocar ambigüidade. Observe:

antecedentes distintos, pode provocar ambigüidade. Observe: (b) Pronome relativo: A placa pede que o pedestre reduza

(b) Pronome relativo:

A placa pede que o pedestre reduza a velocidade ou que o motorista reduza a velocidade pela presença de pedestres no local? Veja outros exemplos que provocam ambigüidade:

(a) Pronome possessivo:

Minha amiga discutiu com a irmã por causa de sua resposta. (sua= da amiga ou da irmã?).

Ela convidou o irmão do namorado, que chegou atrasado para a festa. (que= o irmão ou o namorado?) b. Retomada por palavra lexical (substantivos, verbos, adjetivos)

Além das palavras gramaticais, há outra forma de se retomar as palavras no texto. É o mecanismo de substituição por sinônimos, por hiperônimo, por hipônimo ou uma antonomásia.

de uma questão

simples”, o substantivo “questão” retoma “o caso” por um processo de substituição por sinônimos.

No exemplo anterior, podemos observar um desses mecanismos. Em “

A relação de hipônimo/hiperônimo corresponde à relação de “contém” / “está contido”. O primeiro está contido no segundo e vice-versa. Por exemplo, cachorro é hipônimo de mamíferos e vice-versa.

Quanto à antonomásia, é o processo de substituição de um nome próprio por um comum ou de um comum por um próprio. Geralmente é utilizado para personalidades.

Exemplo: A Rainha dos baixinhos estréia novo filme. (Em vez de Xuxa estréia novo filme).

Dentre os mecanismos de coesão referencial, há também a elipse, quer dizer, o apagamento de palavras (que podem ser recuperadas pelo contexto) em uma seqüência, para que não haja repetição indevida. Exemplo: O Presidente da República anunciou novas medidas. Ø Baixou os juros, Ø elevou o salário mínimo e, ainda, Ø regulamentou a criação de novos empregos.

Veja que o símbolo Ø representa o sujeito “O Presidente da República”, que foi omitido para evitar repetição na seqüência. Trata-se da elipse do sujeito.

CONTINUAÇÃO DO TEXTO 07: Qualidades do texto: Coerência, Coesão (II)

Coesão por encadeamento de segmentos textuais (coesão seqüencial)

a. Coesão por conexão

Estabelecida por conectores (ou operadores discursivos), que fazem a relação entre segmentos do texto. Esses conectores, além de estabelecer relação lógico-semântica entre as partes do texto (de causa, finalidade, conclusão etc.), têm função argumentativa, que segundo FIORIN & PLATÃO (1999) podem ser dos seguintes tipos:

1) Os que marcam uma gradação numa série de argumentos orientada no sentido de uma determinada conclusão (até, mesmo, até mesmo, inclusive, ao menos, pelo menos, no mínimo, no máximo, quando muito). Ex.: Ele tem todas as qualidades para vencer o concurso: é alto, magro e até inteligente. 2) Os que marcam uma relação de conjunção argumentativa (ligam

mas também,

tanto

ficou, ainda, insatisfeito com o que recebera.

além de, além disso, a par de). Ex.: O cliente não recebeu o produto solicitado e,

argumentos em favor de uma conclusão, como: e, também, ainda, nem, não só

como,

3) Os que indicam uma relação de disjunção argumentativa (argumentos que levam a

caso contrário). Ex.: Todos os

convocados pelas autoridades competentes devem apresentar-se ou serão intimidados a fazê- lo.

conclusões opostas, como: ou, ou então, quer

quer,

seja

seja,

4) Os que marcam uma relação de conclusão (portanto, logo, por conseguinte, pois, quando não introduz a oração). Ex.: Ele foi classificado o melhor corredor. Recebera, pois, o maior prêmio. (Está implícito que quem fosse considerado o melhor corredor, receberia o melhor prêmio).

5) Os que estabelecem uma comparação entre dois elementos, com vistas a uma conclusão (a favor ou contra). Ex.: Não sei se o trabalho ficará bom, mas esse pedreiro é tão eficiente quanto o outro.

6) Os que introduzem uma explicação ou justificativa (porque, já que, que, pois). Ex. É melhor não mexer no material, já que não tem a intenção de comprá-lo.

7) Os que marcam uma relação de contrajunção (mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto, embora, ainda que, mesmo que, apesar de que). Ex.: O governo abriu

financiamento de casas à classe média, porém há uma grande parte da população sem casa própria.

8) Os que introduzem argumento decisivo, como um acréscimo à informação (alíás, além do mais, além de tudo, além disso, ademais). Ex.: Ela tirou tudo do armário, espalhou no quarto e não terminou a arrumação. Aliás, nem deveria ter começado.

9) Os que indicam uma generalização ou uma amplificação da informação anterior (de fato, realmente, aliás, também, é verdade que). Ex.: Não bastasse estar atrasado, também esqueceu o ingresso no bolso da calça.

10) Os que especificam ou exemplificam o que foi dito. Ex.: Todos ficaram insatisfeitos com a decisão da mãe. O filho mais velho deixou de falar com ela.

11) Os que marcam uma relação de retificação, ou seja, uma correção, um esclarecimento, um desenvolvimento ou uma redefinição do conteúdo anterior. (ou melhor, de fato, pelo contrário, ao contrário, isto é, quer dizer, ou seja, em outras palavras). Ex.: O candidato não honrou seu compromisso, isto é, não cumpriu o que prometera em campanha eleitoral.

12) Os que introduzem uma explicitação, uma confirmação ou uma ilustração do que foi informado. (assim, desse modo, dessa maneira).Ex.: Encontramo-nos em período de crise econômica. Assim, o comércio de produtos eletrônicos está em baixa.

b. Coesão por justaposição

Esse tipo de coesão pode ser estabelecido com ou sem elementos de ligação. Quando há conectores, estes podem ser:

1) Os que marcam seqüência temporal. Ex.: A mulher abandonara o lar. Um ano depois, estava arrependida.

2) Os que marcam uma ordenação espacial. Ex.: À direita fica o portão de entrada para o prédio.

3) Os que especificam a ordem dos assuntos no texto. Ex.: Primeiramente, devo declarar que aceito a proposta.

4) Os que introduzem um dado tema ou servem para mudar o assunto na conversação. Ex.:

Devemos nos unir para uma decisão acertada. Por falar nisso, estamos todos no mesmo barco.

Algumas observações:

1 – Quando não há conectores, eles podem ser inferidos pelo contexto.

Ex.: Não assistirá à conferência. Está atrasada. (subentende-se um conector que estabeleça relação de causa na segunda oração, como “porque”)

2 – Quanto à manutenção do tema no texto, trata-se da articulação tema (dado) e rema (novo), que se dá na perspectiva oracional ou contextual.

Ex.: Vamos descrever, então, o interior da casa. A sala é ampla e se divide em dois ambientes. Os quartos são bem arejados. A cozinha comporta toda a família nos horários de refeição.

CONTINUAÇÃO DO TEXTO 07: Qualidades do texto: Coerência, Coesão (III)

Coerência e progressão textual

A pescaAffonso Romano de Sant’Anna

o

anilo anzolo azulo silêncioo tempoo peixe

a

agulhaverticalmergulha

a

águaa linhaa espuma

o

tempoa âncorao peixe

a

gargantaa âncorao peixe

a

bocao arrancoo rasgão

aberta a águaaberta a chagaaberto o anzol

aquelíneoágilclaroestabanado

o peixea areiao sol

Apesar dos poucos elementos de coesão, temos um texto coerente porque há unidade de sentido que é dada a partir do próprio título; ele também é elemento de referência e ativa o conhecimento de mundo. As palavras, assim, ganham sentido e vemos que se trata da descrição de uma pescaria, situação que corresponde ao esquema que temos arquivado na memória.

Como já dissemos, a coerência é o todo de sentido em que resulta o texto. Para que ela se estabeleça, é preciso observar a não-contradição de sentidos entre partes do texto, o que se constrói pelos mecanismos de coesão já explicitados.

Além disso, de acordo com Fiorin & Platão (1999), há vários níveis que devem ser levados em conta, como o narrativo, o figurativo, o temporal, o argumentativo, o espacial e o de linguagem. Para todos eles, dois tipos de coerência são fundamentais: a coerência intra e extratextual. A primeira corresponde à organização e encadeamento das partes do texto, ao passo que a segunda pode estar relacionada tanto ao conhecimento de mundo como ao conhecimento lingüístico da falante.

No entanto, há textos que podem ser incoerentes aparentemente. Para se verificar se o texto tem sentido, é preciso considerar vários fatores que podem levar à atribuição de significado ao texto. São eles: o contexto, a situação comunicativa, o gênero, o(s) intertexto(s).

Esses fatores determinam as condições de produção e de recepção de um texto. É preciso ter conhecimento dessas condições para julgar coerente (ou não) um texto. Para exemplificar, um texto literário, por ser ficcional, admite o uso da linguagem figurada, ao passo que um texto científico não a admite. Portanto, se houver o uso de uma metáfora em um texto científico, por exemplo, este será julgado incoerente.

Qualidades do texto: Clareza e Concisão

julgado incoerente. Qualidades do texto: Clareza e Concisão A clareza e a concisão compreendem duas qualidades

A

clareza e a concisão compreendem duas qualidades primordiais de um texto bem elaborado.

A

primeira diz respeito à organização coerente das idéias, de modo a não deixar dúvidas sobre

o

que foi proposto pelo texto, desde seu início até sua conclusão, enquanto a segunda está

associada à não-prolixidade do texto, ou seja, uma está ligada à outra.

Do ponto de vista da produção, de acordo com a intenção, deve-se selecionar a estrutura que

sustentará o texto, levando-se em consideração características peculiares a cada uma delas (narrativa, descritiva ou dissertativo-argumentativa), as quais serão apresentadas mais à frente.

O fundamental é garantir que haja uma hierarquia de idéias e fatos na relação intratextual, a

fim de se organizar um todo coeso e coerente.

Nesse sentido, a organização dos parágrafos no interior do texto é de suma importância e constitui uma das dificuldades que deve ser vencida pelo produtor, pois quando não se tem domínio dessa habilidade, há duas tendências na construção dos parágrafos: ou o texto é um bloco único de informações ou confundem-se período e parágrafo.

Para melhor compreensão, passemos a verificar essas duas etapas: da organização discursivo-textual e da elaboração dos parágrafos.

Organização discursivo-textual

Do ponto de vista de quem produz o texto, é preciso que haja conhecimento das condições de produção, ou seja, é preciso saber para quê, para quem e por quê o texto será produzido. Além dessas, o tipo de texto também é uma condição de produção, visto que o gênero determina as características de cada texto, o que pressupõe o conhecimento delas para a organização discursivo-textual adequada.

Uma primeira preocupação deve ser com a pessoa do discurso, na cena enunciativa, tendo em vista que o uso da 3ª ou da 1ª pessoa produz efeito de objetividade ou subjetividade. Dizemos efeito porque este é resultado da intenção do locutor (para com o interlocutor) de “afastar-se” ou “aproximar-se” da enunciação quando faz a escolha.

A partir desse primeiro posicionamento, o sujeito assume “a voz” que seja mais conveniente à

produção do texto-discurso. Trata-se da relação entre enunciação e enunciado, ou ainda, “o que se diz” e “o que se quer dizer”.

É

dessa escolha enunciativa que se pode avaliar se o texto-discurso é objetivo ou subjetivo, se

o

sujeito aproxima-se ou distancia-se do ponto de vista que há no texto. Enfim, o modo de

dizer, o que se pretende dizer depende dessas escolhas prévias. Após essa primeira seleção, torna-se necessário saber que tipo de texto pretende-se produzir, isto é, se o texto é descritivo, narrativo ou argumentativo.

Nesse sentido, Emediato (2004:136) propõe o seguinte quadro:

MODOS DE

 

PRINCÍPIO DE

 

ORGANIZAÇÃO

FUNÇÃO DE BASE

ORGANIZAÇÃO

Posição

em

relação

ao

interlocutor.

 

relação de influência (EU-TU)

 

ENUNCIATIVO

Ponto de vista situacional (EU – Contexto)

Posição em relação ao que é dito.

Relato sobre o mundo (ELE)

Posição em

 

relação ao

mundo e aos discursos dos

outros.

Organização da construção

Identificar os seres, objetos do mundo de maneira objetiva ou subjetiva.

descritiva.

(Nomear,

DESCRITIVO

Localizar, Qualificar e

 

Quantificar).

 

NARRATIVO

Construir uma sucessão de ações de uma história no tempo em torno de uma busca e de um conflito, com actantes e

Organização

 

da

lógica

narrativa

(Actantes,

processos

e

funções

 

person agens.

narrativas).

Qualificação

da

ação

e

estatuto do

narrador.

Explica r uma verdade, numa visão raciona l, para influenciar o interlocutor:

Organização

da

lógica

ARGUMENTATIVO

conven cê-lo (se argumentação demon strativa) ou persuadi-lo (se argume ntação retórica)

argumentati va. (Relações lógicas, tipo s de argumentos).

Convencer é apresentar pro vas e, por isso, os argumentos “demonstram”, ou seja, comprovam

o que está sendo dito. Pers uadir é “levar o outro a acreditar”, por isso é u m ato retórico, ou seja, o sujeito-enunciador de ve construir os argumentos para persuadir “o out ro”.

Parte inferior do formulário

Processando

“o out ro”. Parte inferior do formulário Processando Parte inferior do formulário Processando Ti pos textuais

Parte inferior do formulário

Processando

Processando Parte inferior do formulário Processando Ti pos textuais I: Narração e Descrição Texto descritivo

Ti pos textuais I: Narração e Descrição

Texto descritivo

O texto descritivo tem por ba se um sujeito observador, o qual descreve o m undo de maneira

objetiva ou subjetiva. A prim eira diz respeito a uma descrição da realidade t al como ela é, em

que o sujeito tem como objet ivo primeiro informar sobre objetos, pessoas ou lugares. Quanto à

que o sujeito descreve a realidade como a s ente, passando a em relação ao objeto, pessoa ou lugar descrito .

segunda, é a descrição em exprimir a afetividade que tem

A descrição opõe-se à narr ação pelo seu caráter estático, em que o tem po não tem tanta

importância, pois não há tran sformação de estados e ações, o que compete ao texto narrativo. Desse modo, o ponto de vis ta do sujeito observador é fundamental e depe nde tanto de sua posição física (em relação a o que descreve) quanto de sua atitude afetiva ( relativa ao objeto descrito).

Leia este trecho de um texto descritivo:

A feira era enorme, num vas to prado que a defrontava com os muros da cid ade. As barracas

de lona, de madeira, de tapet es, de ramagens, alinhavam em grandes ruas.

No topo do mastro

flutuavam bandeirolas. E homens enfardelados como orientais, mulheres com pluma na cabeça, outras com trajo de nações estranhas, conservavam-se por trás dos balcões, onde, seguindo a rua e os misteres, se desdobravam panos, reluziam jóias em caixas gradeadas, se perfilavam frascos de essência, se amontoavam as peles, se confundiam as armas tauxiadas. N’outras ruas, sob tendas de lona, havia cozinhas, grandes barricas de cerveja ou de vinho. E os saltimbancos ocupavam um lugar perto do rio, que longos olmeiros assombravam. Em volta, por toda a vasta planície, era uma confusão de carros descarregados, de pilas de madeira, de cavalgaduras presas pelas patas, de grandes gigos onde se debatiam aves.

Apenas as portas da cidade se abriram, a multidão começou a encher as ruas da feira [

]

Eça de Queirós. Obra completa. Rio de Janeiro: José Aguilar. 1970, p. 1530.

Tauxiada: ornamentada, lavrada de embutidos de ouro, prata etc.

Saltimbanco: elemento de um elenco de artistas populares itinerantes.

Gigo: cesto de vime, estreito e alto.

Texto narrativo

Podemos dizer que a história do homem confunde-se com a história da narrativa. Contos fantásticos e maravilhosos, fábulas, parábolas, histórias de suspense constituíram, durante muito tempo, a principal forma de transmissão de conhecimento e registro da memória dos mais diversos povos.

O

texto narrativo, ao contrário do descritivo, é dinâmico, pressupõe a transformação de estados

e

o encadeamento de ações. Para tanto, torna-se necessária a criação dos elementos

fundamentais de uma narrativa: personagens, tempo e espaço. Há narração quando os personagens, por meio de ações, transformam-se no tempo e no espaço determinados no desenvolvimento do texto. Esse conjunto constitui o que se denomina enredo.

Portanto, para que um texto seja narrativo, é preciso criar personagens (e apresentá-los), instaurar um problema que determinará o conflito central em torno do qual os personagens relacionam-se em busca da solução. Quando chega ao auge, tem-se o clímax e daí em diante torna-se necessário apresentar a resolução do problema, que constitui o desfecho. Normalmente, um texto narrativo, contém, ainda, uma moral, que corresponde a uma avaliação, a um juízo de valor implícito no texto.

Além de todos esses elementos apresentados, é importante ressaltar que em um texto narrativo há um narrador, aquele que “conta a história”. Ele assume um ponto de vista, que é demonstrado pelo uso da 1ª ou da 3ª pessoa, revelando a primeira uma aproximação e a segunda um distanciamento, isto é, o narrador em 1ª pessoa está mais próximo dos fatos narrados e o narrador em 3ª pessoa mais distanciado, como se observasse “de longe” o que está acontecendo.

Leia este texto narrativo:

A incapacidade de ser verdadeiro: Carlos Drummond de Andrade

Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões-da-independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas.

A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da

escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo. Desta vez, Paulo não só ficou sem sobremesa como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias.

Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pala chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça:

– Não há nada a fazer, Dona Coló. Este menino é mesmo um caso de poesia.

Tipos Textuais (II): Dissertativo – Argumentativo

Quando as pessoas não sabem falar ou escrever adequadamente sua língua, surgem homens decididos a falar e escrever por elas e não para elas. (Wendel Johnson)

Primeiramente, é preciso ficar claro que não acreditamos que haja texto dissertativo que não seja argumentativo, daí a classificação. A dissertação, a nosso ver, está mais relacionada à forma (que ao conteúdo) de um texto, que compreende as seguintes partes: introdução, desenvolvimento e conclusão.

Já a argumentação está mais ligada ao conteúdo e pode apresentar-se em outras formas (como a narração ou a descrição). Esse é o tipo de texto que revela a intenção do sujeito de convencer e/ou persuadir “o outro” sobre a validade de uma tese, que compreende uma proposição (idéia proposta) a ser defendida no desenvolvimento do texto.

Para tanto, Emediato (2004) sugere uma estrutura básica, que é constituída de:

1) Afirmação (tese, proposição); 2) posicionamento: que pode demonstrar concordância ou discordância com uma tese já existente; 3) quadro de problematização: situa a argumentação em uma perspectiva (social, econômica, política, ideológica, religiosa,etc.), direcionando o discurso do sujeito; 4) formulação de argumentos: provas, raciocínio lógico, justificativas ou explicações que dêem sustentação à tese; 5) conclusão: resultado que se pretende com a defesa da tese pelos argumentos apresentados e sua pertinência e adequação ao quadro de problematização. Os argumentos podem ser divididos em dois grupos: os que são utilizados para persuadir e os que servem para convencer. O primeiro grupo corresponde ao que Emediato denomina argumentação retórica, que se apóia em valores, crenças e lugares comuns, ao passo que o segundo apóia-se em fatos e verdades e é denominado argumentação demonstrativa pelo autor.

Um texto argumentativo nor malmente é composto dos dois tipos de argum ento, os quais o

produtor do texto deve ass ociá-los na busca da defesa de sua tese, to rnando seu texto coerente. No entanto, depen dendo do tipo de texto a ser produzido, pode hav er predominância

Para essa relação, Emediato (2004, p. 169) p ropõe o seguinte

de um tipo sobre o outro. quadro:

ARGUMENTAÇÃO DEMONSTRATIVA

ARGUMENTAÇÃO RET ÓRICA

Textos acadêmicos

Textos publicitários e de m arketing

Textos científicos

Textos político-eleitorais

Textos jornalísticos in formativos objetivos

Textos religiosos e de inte nção moral

Textos técnicos

Textos de opinião

Há uma variedade de tipos d e argumentos que podem ser utilizados na organ ização discursivo-

textual do texto argumentativ o. Todavia, este não será objeto de estudo no pela qual não nos deteremos no assunto específico.

momento, razão

Parte inferior do formulário

Processando

momento, razão Parte inferior do formulário Processando A Organização dos Parágrafos Embora um parágrafo seja d

A Organização dos Parágrafos

Embora um parágrafo seja d efinido pela extensão de uma margem em bra nco até um ponto

final, devemos salientar que o mais importante é a garantia de uma unidad e de sentido para

cada parágrafo de um texto,

o que não pode delimitar uma forma padrão.

Primeiramente, ao se elabora r um texto, é preciso um planejamento, um rote iro que norteará a organização dele em parágra fos, de forma que haja um encadeamento lógic o-semântico. Para tanto, faz-se necessário inve stigar o conhecimento prévio que se tem sobr e o assunto, pois esse conhecimento permitirá um plano de organização do texto.

Em seguida, deve-se fazer u m esboço da estrutura do texto a ser produzid o, partindo-se da

idéia central, isto é, do tema escolhido. A partir dele, podem-se relacionar tó picos que possam

ser desenvolvidos em núcle os temáticos no interior do texto, de modo

orações, períodos e parágraf os. Para o planejamento dos parágrafos há sug estões de autores variados e uma delas, a qua l é um consenso entre muitos deles, foi sintetiz ada por Emediato (2004, p. 92) da seguinte form a:

a se organizarem

Tempo

Histórico sobre o assunto, datas, origens, narrativa histórica. Quando?

Espaço

Locais, situações no espaço. Onde?

Definição

O que é? Definir, conceituar, explicar o significado de um conceito.

Enumeração

Lista de características, funções, princípios, fatores, fases, etapas etc.

Comparação

Estabelecer relações de semelhança e de diferença, contrastar.

Causas / Efeitos

Resultados, conseqüências, fatores causais.

Exemplificação

Fatos concretos, provas factuais.

Conclusão

/

 

Dedução geral sintetizando os dados e parágrafos anteriores.

informações contidas nos

Dedução

A seleção de uma dessas formas direcionará a construção do texto, orientando a seqüência dos parágrafos de acordo com a ênfase dada no início. É ela que estabelecerá as relações intratextuais e a segmentação dos parágrafos.

É importante salientar, ainda, que não há uma fórmula mágica para a organização dos parágrafos em um texto. O importante é estabelecer uma sequencia lógica que o torne claro. Para que se inicie bem um texto (e, consequentemente, haja uma sequencia coerente), Faraco e Tezza (1992: 178) sugerem as seguintes recomendações:

1) Iniciar o texto familiarizando o leitor com o assunto que será tratado, de modo que a introdução do texto situe com clareza as coordenadas do texto (assunto, intenção, aspecto que se pretende abordar);

2) evitar o início do texto com uma frase avulsa, a não ser que o tipo de texto o exija (como a linguagem publicitária, por exemplo), pois esse procedimento denota má estruturação;

3) utilizar períodos mais curtos, uma vez que os períodos longos tornam o texto prolixo e podem desinteressar o leitor.

TEXTO 08

Complemento gramatical

Na escrita, sabemos da necessidade de se respeitar a norma culta, a não ser que o tipo de texto não o exija. Por exemplo, um texto literário, no qual se reproduz a fala dos personagens,

se estes estiverem no “papel” de pessoas comuns e o contexto permitir uma fala descontraída,

então a norma padrão não precisa ser seguida à risca, com a finalidade de imprimir realidade

ao texto.

Todavia, em geral, precisamos cuidar da nossa linguagem e, principalmente, do uso da norma padrão em textos do dia-a-dia. Por isso, passemos a algumas dicas sobre dúvidas que surgem

ao

ter-se que utilizar esse português mais formal.

a.

O uso do que.

O

que, bastante utilizado como um elemento de coesão, pode simplesmente introduzir uma

informação complementar, como pode retomar um termo anterior. Veja nos exemplos:

(a) Ela me disse que não fará mais isso.(b) O cão, que é fiel ao homem, jamais o trai.

No exemplo (a), o que introduz a segunda oração “que não fará isso”, complementando o verbo “disse” (Ela disse o quê?). Nesse caso, trata-se de uma conjunção integrante, pois esta é sua função, integrar o sentido da oração anterior.

Já no exemplo (b), o que relaciona-se ao antecedente “cão”, por isso é um pronome relativo. Ele poderia até ser substituído por “o qual”. A informação principal encontra-se na oração “O cão jamais trai o homem”. A segunda oração foi intercalada na oração principal, acrescentado- lhe uma informação.

Quando se usa o pronome relativo, ele pode introduzir uma informação complementar, mas de

caráter genérico, e, nesse caso, a oração iniciada pelo pronome apresenta-se destacada entre vírgulas (ou travessões, ou parênteses). Esse tipo de pronome pode também restringir o termo

a que se refere e, nesse caso, a oração introduzida por ele não fica destacada pela pontuação. Vejamos os exemplos:

(c) O homem, que é sensato, não comete esse tipo de erro(d) O homem que é sensato não

comete esse tipo de erro.

No exemplo (c), entende-se que todos os homens (a humanidade) são sensatos, ao passo que

no exemplo (d) entende-se que há um grupo de homens que são sensatos e outro grupo dos que não o são. No primeiro exemplo há uma generalização, a informação apenas complementa

a

anterior; no segundo, o termo está sendo restrito.

b.

Uso de porque, por que, por quê e porquê.

http://tiras-hagar.blogspot.com/2006_04_01_tiras-hagar_archive.html • POR QUE Pode ser utilizado em uma pergunta

http://tiras-hagar.blogspot.com/2006_04_01_tiras-hagar_archive.html

• POR QUE

Pode ser utilizado em uma pergunta indireta (por que motivo) ou em substituição a “pelo(a) qual”. Vejamos os exemplos:

(a) Não entendo por que você age assim. (por que motivo)

(b) A rua por que passei, estava congestionada. (pela qual)

• PORQUE

Este é geralmente usado em enunciados afirmativos. Veja o exemplo:

Fiz isso porque queria irritá-lo.

• POR QUÊ

É usado em final de sentença interrogativa. Exemplo:

Você fez isso, por quê?

• PORQUÊ

É um substantivo, sinônimo de motivo, razão e deve ser acompanhado de artigo. Vejamos o exemplo:

Não entendo o porquê de tanta revolta. (o motivo)

Título: Uso da vírgula

A vírgula é um sinal de pontuação utilizado para marcar, na escrita, uma pausa (da fala) menor entre várias informações existentes em um texto. Para sua utilização, há regras que devem ser seguidas. Vejamos.

1) Não se separa o sujeito do predicado, independentemente da extensão do sujeito. Vejamos os exemplos.

(a) O pai auxilia o filho em suas dificuldades.(b) O pai dedicado auxilia o filho em suas dificuldades.(c) O pai dedicado e atencioso auxilia o filho em suas dificuldades.

Nos exemplos, temos os seguintes sujeitos: em (a) o pai; em (b) o pai dedicado; em (c) o pai dedicado e atencioso. Em todos os casos, não há vírgula.

2) A informação principal pode ser separada da informação complementar pela vírgula. Exemplo:

Sem notar a minha presença, ela entrou na sala à minha procura.(informação complementar) (informação principal)

A menos que tenha outra sugestão, você pode seguir esse roteiro.(informação complementar) (informação principal)

3) Termos acessórios, como o vocativo e o aposto, devem ser separados por vírgulas:

(a) Crianças, não gritem! (vocativo)

(b) Luís Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, fez um pronunciamento na TV.(aposto)

4) As expressões explicativas devem ser separadas por vírgulas.

Ele disse tudo, ou seja, a verdade.

5) Usa-se vírgula para isolar SIM ou NÃO que indicam respostas.

Sim, eu aceito o convite.

6) A vírgula pode indicar elipse (omissão de um termo)

Um disse a verdade, o outro, a mentira. (disse)

7) Quando o adjunto adverbial é antecipado, usa-se vírgula para destacá-lo.

Na semana passada, todos foram à exposição.

8) Em datas, a vírgula separa a expressão locativa.

São Paulo, 01 de janeiro de 2007.

9) Algumas conjunções, como as conclusivas e adversativas, são separadas por vírgulas, conforme os exemplos:

(a) Procurei minhas chaves na sala toda, porém não a encontrei.(b) O aluno constatou, pois,

sua aprovação no vestibular.(c) Não estudou o suficiente; portanto, não foi aprovado.

10) A vírgula separa orações intercaladas.

A verdade, eu sei, é impossível ficar calada.

11) Usa-se vírgula para separar orações reduzidas (ou nas formas nominais: gerúndio, particípio ou infinitivo), como nos exemplos:

(a) Chegando ao local, avise-me.(b) Concluída a tarefa, recebeu os honorários.(c) Ao sair,

bateu a porta do carro.

12) A vírgula é usada para separar orações subordinadas adverbiais.

(a)

Quando chegou ao prédio, comunicou-me.(Or. Sub. Adv. Temporal)

(b)

Embora quisesse muito, não foi à inauguração da loja.(Or. Sub. Adv. Concessiva)

Em suma, para entender quando a vírgula será proibida, obrigatória ou facultativa, lembre-se:

• substitua a noção de pausa respiratória pela noção das noções sintáticas;• ao usar uma

vírgula, separa-se algo; ao usar duas vírgulas, isola-se algo.• não separe por vírgulas aquilo

que mantém um vínculo lógico.

Apresentamos, a seguir, um quadro para facilitar sua consulta, quando necessário.

Os principais casos de uso da vírgula

Vírgula proibida

Entre sujeito e predicado ou entre predicado e sujeito.

Exemplo

O ministro das Relações Exteriores da França está em Brasília/Está em Brasília o ministro das Relações

 

Exteriores da França.

 

O

presidente disse aos governadores que não aceita a

Entre verbo e seu(s) complemento(s)

proposta; O ministro informou aos jornalistas que não participará da entrevista; O ministro apresentou todos os projetos de privatização aos investidores presentes.

Vírgula obrigatória

 

Exemplo

 

Se não chover, haverá jogo;

Depois

de

orações

adverbiais

antepostas

Quando a economia entrou em colapso,o ministro renunciou; Ao deixar o governo, o prefeito voltará a dar aulas na universidade.

Antes do que que introduz oração explicativa

Nosso time, que ganhou o torneio neste ano, foi vice dessa competição em 55 e 56.

Quando há elipse do verbo

 

Os cariocas preferem praia; os paulistas, shopping.

Para separar conjunções contíguas

Irá a São Paulo, mas, se não receber o cachê antes, não cantará; Disse que, quando for a Brasília, tentará uma audiência com o presidente.

Antes de mas (com sentido de porém), porém, contudo, entretanto, todavia, portanto, por isso etc.

Jogou bem, mas perdeu; Estudou, porém foi reprovado;

O

acordo não será renovado, portanto os empregos

serão mantidos.

Antes de e que introduza oração de sujeito diferente do da anterior, se, sem a vírgula, houver a possibilidade de entender o sujeito da segunda oração como complemento do verbo da primeira.

Fifa pune Maradona, e Pelé recebe prêmio.

Para separar adjuntos adverbiais de natureza diferente

Ontem à noite, no Pacaembu, sem sete titulares, sob chuva forte, o Corinthians derrotou o Juventude.

Vírgula optativa

 

Exemplo

Com expressões adverbiais breves, antepostas ou intercaladas

O

São Paulo enfrenta neste sábado mais um desafio (ou

O

São Paulo enfrenta, neste sábado, mais um desafio);

 

O

governador participará em Brasília de uma reunião

com o ministro da Fazenda (ou O governador

 

participará, em Brasilia, de uma reunião com o ministro

da

Fazenda).

Depois de no entanto, entretanto, por isso, porém, contudo, portanto, todavia, quando essas palavras ou expressões iniciarem o período

No entanto o presidente deixou claro que não aceitará a proposta da oposição (ou No entanto,o presidente deixou claro que

Atenção: essa opção não existe quando essas palavras ou expressões não iniciarem o período

O

presidente aceita participar da reunião, no entanto

avisa que não aceitará a proposta da oposição.

Antes de orações adverbiais de alguma extensão que venham depois da principal

O prefeito deixará o partido se a Câmara aprovar a CPI sobre títulos públicos (ou O prefeito deixará o partido, se a Câmara aprovar a CPI dos títulos públicos);O jogador não disputará a próxima partida porque foi suspenso pelo Tribunal de Justiça da CBF (ou O jogador não disputará a próxima partida, porque foi suspenso pelo Tribunal de Justiça da CBF).

Fonte: Manual de Redação da Folha de S. Paulo.

TEXTO 09

Produção de textos diversos

Oficina de textos: teoria e prática

O "texteando" nasce com o intuito de se tornar um espaço de interação entre professores de

língua materna, como ferramenta de discussões que tenha como eixo temático a Educação em

suas várias "letras" e "expressões". Deseja-se que o espaço possa, ainda, auxiliar os colegas

da área com a circulação de atividades produzidas, troca de experiências em sala de aula,

reflexões em torno das políticas de educação, além de sugestões de leitura.

A prática de produção de texto pode se basear em diversos procedimentos e técnicas. O mais

importante é que o professor tenha bem certo em sua mente o rumo que deseja seguir. Pois

nada adianta produzir textos sem objetivos concretos e reais.

Segue abaixo uma série de sugestões que poderão nortear sua prática:

PRODUÇÃO DE TEXTO A PARTIR DE DESENHO:

Com a exposição em sala de aula de qualquer figura (desde uma foto de uma pessoa ou uma paisagem) pode se produzir um texto, porém é importante lembrar que desta forma, para que o aluno produza um bom texto o professor deve primeiramente explorar a figura oralmente com perguntas que estimulem o aluno a pensar em uma situação para o desenho ou que o leve a

perceber particularidades e consiga à partir das perguntas formular um texto. Neste momento de exploração oral o professor deve estar atento a separação das ideias em parágrafos e conversando com os alunos sobre a questão.

ATIVIDADE 01:

Por exemplo, ao mostrar uma paisagem com algumas pessoas, pode se formular perguntas como:

.o que você pode ver no desenho? .há pessoas na cena? Quantas? Quem são elas? Você as

conhece? O que elas estão fazendo? Como está o dia ou a noite no desenho? As pessoas

estão felizes?

o dia ou a noite no desenho? As pessoas estão felizes? Leia o texto abaixo :

Leia o texto abaixo:

O MSN por Arnaldo Jabor

Publicado em maio 27, 2008 por simbioze

Sempre odiei o que a maioria das pessoas fazem com os seus MSN’s. Não estou falando desta

vez dos emoticons insuportáveis que transformaram a leitura em um jogo de decodificação,

mas as declarações de amor, saudades, empolgação traduzidas através do nick.

O espaço ‘nome’ foi criado pela Microsoft para que você digite O NOME que lhe foi dado no

batismo. Assim seus amigos aparecem de forma ordenada e você não tem que ficar clicando

em cima dos mesmos pra descobrir que ‘Vendo Abadá do Chiclete e Ivete’ é na verdade Tiago

Carvalho, ou ‘Ainda te amo Pedro Henrique’ é o MSN de Marcela Cordeiro. Mas a melhor parte

da brincadeira é que normalmente o nick diz muito sobre o estado de espírito e perfil da pessoa. Portanto, toda vez que você encontrar um nick desses por aí, pare para analisar que você já saberá tudo sobre a pessoa…

‘A-M-I-G-A-S o fim de semana foi perfeito!!!’ acabou de entrar. Essa com certeza, assim como as amigas piriguetes (perigosas), terminou o namoro e está encalhadona. Uma semana antes estava com o nick ‘O fim de semana promete’. Quer mostrar pro ex e pros peguetes (perigosos) que tem vida própria, mas a única coisa que fez no fim de semana foi encher o rabo de Balalaika, Baikal e Velho Barreiro e beijar umas bocas repetidas. O pior é que você conhece o casal e está no meio desse ‘tiroteio’, já que o ex dela é também conhecido seu, entra com o nick ‘Hoje tem mais balada!’, tentando impressionar seus amigos e amigas e as novas presas de sua mira, de que sua vida está mais do que movimentada, além de tentar fazer raiva na ex.

‘Polly em NY’ acabou de entrar. Essa com certeza quer que todos saibam que ela está em uma viagem bacana. Tanto que em breve colocará uma foto da 5ª Avenida no Orkut com a legenda ‘Eu em Nova York’. Por que ninguém bota no Orkut foto de uma viagem feita a Praia-Grande – SP?

‘Quando Deus te desenhou ele tava namorando’ acabou de entrar. Essa pessoa provavelmente não tem nenhuma criatividade, gosto musical e interesse por cultura. Só ouve o que está na moda e mais tocada nas paradas de sucesso. Normalmente coloca trechos como ‘Diga que valeuuu’ ou ‘O Asa Arreia’ na época do carnaval.

‘Por que a vida faz isso comigo?’ acabou de entrar. Quando essa pessoa entrar bloqueie imediatamente. Está depressiva porque tomou um pé na bunda e irá te chamar pra ficar falando sobre o ex.

‘Maria Paula ocupada prá c** ‘ acabou de entrar. Se está ocupada prá c**, por que entrou cara- pálida? Sempre que vir uma pessoa dessas entrar, puxe papo só pra resenhar; ela não vai resistir à janelinha azul piscando na telinha e vai mandar o trabalho pro espaço. Com certeza.

‘Paulão, quero você acima de tudo’ acabou de entrar. Se ama compre um apartamento e vá morar com ele. Uma dica: Mulher adora disputar com as amigas. Quanto mais você mostrar que o tal do Paulão é tudo de bom, maiores são as chances de você ter o olho furado pelas sua amigas piriguetes (perigosas).

‘Marizinha no banho’ acabou de entrar. Essa não consegue mais desgrudar do MSN. Até quando vai beber água troca seu nick para ‘Marizinha bebendo água’. Ganhou do pai um laptop pra usar enquanto estiver no banheiro, mas nunca tem coragem de colocar o nick ‘Marizinha matriculando o moleque na natação’.

‘ < . ººº< . ººº< / @ || e $ $ ! || |-| @ >ªªª . >ªªª >’ acabou de entrar. Essa aí acha que seu nome é o Código da Vinci pronto a ser decodificado. Cuidado ao conversar: ela pode dizer ‘q vc eh mtu déixxx, q gosta di vc mtuXXX, ti mandá um bjuXX’.

‘Galinha que persegue pato morre afogada’ acabou de entrar. Essa ai tomou um zig e está doida pra dar uma coça na piriguete que tá dando em cima do seu ex. Quando está de bem com a vida, costuma usar outros nicks-provérbios de Dalai Lama, Lair de Souza e cia.

‘VENDO ingressos para a Chopada, Camarote Vivo Festival de Verão, ABADÁ DO EVA, Bonfim Light, bate-volta da vaquejada de Serrinha e LP’ acabou de entrar. Essa pessoa está desesperada pra ganhar um dinheiro extra e acha que a janelinha de 200 x 115 pixels que sobe no meu computador é espaço publicitário.

‘Me pegue pelos cabelos, sinta meu cheiro, me jogue pelo ar, me leve pro seu banheiro…’ acabou de entrar. Sempre usa um provérbio, trecho de música ou nick sedutores. Adora usar trechos de funk ou pagode com duplo sentido. Está há 6 meses sem dar um tapa na macaca e está doida prá arrumar alguém pra fazer o servicinho.

‘Danny Bananinha’ acabou de entrar. Quer de qualquer jeito emplacar um apelido para si própria, mas todos insistem em lhe chamar de Melecão, sua alcunha de escola. Adora se comparar a celebridades gostosas, botar fotos tiradas por si mesma no espelho com os peitos saindo da blusa rosa. Quer ser famosa. Mas não chegará nem a figurante do Linha Direta.

Bom é isso, se quiserem escrever alguma mensagem, declaração ou qualquer coisa do tipo, tem o campo certo em opções ‘digitem uma mensagem pessoal para que seus contatos a vejam’ ou melhor, fica bem embaixo do campo do nome!! Vamos facilitar!!!!

ATIVIDADE 02: reproduzir uma conversa de MSN.

Leia o texto abaixo:

Prezado professor José, mestre da linguagem, eu venho até vós pedir-lhe que faça uma revisão na sua matéria, afinal, eu estudei muito e não entendo porque tirei nota tão baixa. Olha, quando eu entrei nesta faculdade, eu pensei que tudo ia ser fácil, mais depois descobri que as coisas são

difícil mesmo. Olha aí com carinho, tá bom? Eu agradeço.

Atenciosamente,

Joao Aerogolino.

ATIVIDADE 03:

Reescreva este texto com mais sentido lógico.

Leia o texto abaixo:

HISTÓRIA DO LAGARTO QUE TINHA O COSTUME DE JANTAR SUAS MULHERES

Eduardo Galeano

Na margem do rio, oculta pelos juncos, uma mulher está lendo.

Era uma vez, conta o livro, um senhor de vasto senhorio. Tudo pertencia a ele: a

aldeia de Lucanamarca e o de mais para cá e o de mais para lá, os animais marcados e os não

marcados, as pessoas mansas e as zangadas, tudo: o cercado e o baldio, o seco e o molhado,

o que tinha memória e o que tinha esquecimento. Mas aquele dono de tudo não tinha herdeiro.

Sua mulher rezava todos os dias mil orações, suplicando a graça de um filho, e todas as noites

acendia mil velas. Deus estava cansado dos rogos daquela chata, que pedia o que Ele não

tinha querido dar. E finalmente, para não ter de continuar escutando, ou por divina misericórdia,

fez o milagre. E chegou a alegria do lar.O menino tinha cara de gente e corpo de lagarto.Com o

tempo o menino falou, mas caminhava se arrastando sobre a barriga. Os melhores professores

de Ayacucho ensinaram o menino a ler, mas seus dedos feito garras não conseguiam escrever.

Aos dezoito anos, pediu mulher.Seu opulento pai conseguiu uma para ele; e com grande

pompa foi celebrado o casamento, na casa do padre. Na primeira noite, o lagarto lançou-se

sobre sua esposa e devorou-a. Quando o sol despontou, no leito nupcial havia apenas um

viúvo dormindo, rodeado de ossinhos. E depois o lagarto exigiu outra mulher. E houve novo

casamento, e nova devoração. E o glutão precisou de mais uma. E mais. Noivas, era o que não

faltava. Nas casas pobres, sempre havia alguma filha sobrando. Com a barriga acariciada pela

água do rio, Dulcídio dorme a sesta. Quando abre um olho, vê a mulher. Ela está lendo. Ele

nunca havia visto, na vida, uma mulher de óculos.Dulcídio aproxima o nariz:

– O que você está lendo?

Ela afasta o livro e olha para ele, sem susto, e diz:

– Lendas.

– Lendas?

– Velhas vozes.

– E para que servem?

Ela sacode os ombros:

– Fazem companhia.

Essa mulher não parece da serra, nem da selva, nem do litoral.

– Eu também sei ler – diz Dulcídio.Ela fecha o livro e vira a cara.Quando Dulcídio

pergunta quem é e de onde veio, a mulher desaparece. No domingo seguinte, quando Dulcídio

desperta da sesta, ela está lá. Sem livro, mas de óculos.Sentada na areia fininha, os pés guardados debaixo de sete saias de balão, está estando, estando desde sempre; e assim olha para aquele intruso que lagarteia ao sol.Dulcídio põe as coisas em seu devido lugar. Ergue uma pata unhada e passeia essa pata sobre o horizonte de montanhas azuis:

– Até onde chegam os olhos, até onde chegam os pés.Sou eu o dono. De tudo.

Ela nem olha para o vasto reino, e permanece calada. Silêncio, muito. O herdeiro insiste. As

ovelhinhas e os índios estão ao seu mandar. Ele é amo de todas estas léguas de terra e de água e de ar, e também do pedaço de areia onde ela está sentada.

– Você pode: eu deixo – concede.

Ela começa a fazer sua longa trança de cabelo negro dançar, como quem ouve

chover, e o réptil esclarece que é rico mas humilde, estudioso e trabalhador, e sobretudo um cavalheiro com intenções de formar um lar, mas o destino cruel quer que ele termine sempre viúvo.Inclinando a cabeça ela medita sobre esse mistério. Dulcídio vacila. Sussurra:

– Posso pedir um favor?

E chega perto, oferecendo o lombo. Coça as minhas costas – suplica –, porque eu não alcanço. Ela estende a mão, acaricia a couraça ferruginosa e elogia:

– Macio feito de seda. Dulcídio estremece e fecha os olhos e abre a boca e ergue

a cauda e sente o que nunca havia sentido.Mas quando vira a cabeça, ela não está mais

ali.Arrastando-se a toda através dos juncos, procura por tudo que é canto. Nada. No domingo seguinte, ela não vai à margem do rio. E nem no outro, nem no outro.Desde que a viu, a vê. E não vê mais nada.O dormilão não dorme, o comilão não come. A alcova de Dulcídio já não é o feliz santuário onde repousavaamparado por suas finadas esposas. As fotos delas continuam ali, cobrindo as paredes de alto a baixo, com suas molduras em forma de coração e suas grinaldas de jasmins; mas Dulcídio, condenado à solidão, jaz afundado nas cobertas e na melancolia. Médicos e curandeiros acodem vindos de longe; e nenhum consegue nada diante do voo da febre e da queda de todo o resto. Grudado no rádio de pilhas que comprou de um turco que passou por ali, Dulcídio pena suas noites e seus dias suspirando e escutando canções fora de moda. Os pais, desesperados, olham só para vê-lo murchar. Ele já não exige mais mulher como antes:

Estou com fome.

Agora, suplica:

– Sou um mendigo do amor, e com voz quebrada e alarmante tendência à rima,

sussurra homenagens de agonia à dama que lhe roubou a calma e a alma.Todos os serviçais se lançam na captura. Os perseguidores removem céus e terras; mas não sabem nem mesmo

o nome da evaporada, e ninguém jamais viu mulher de óculos naqueles vales, nem fora deles.

Na tarde de um domingo, Dulcídio tem um palpite. Levanta-se a duras penas e, do jeito que consegue, se arrasta até a margem do rio.E lá está ela. Banhado em lágrimas, Dulcídio declara seu amor à menina desdenhosa e esquiva, confessa que de sede estou morrendo pelo teu mel, sozinho no caminho desse mundo cruel, te esperando, te lembrando, água da minha mágoa: – Te ofereço meu anel. E chega o casamento. Todo mundo agradecido, porque fazia tempo que

a aldeia não tinha festa, e ali\Dulcídio é o único que se casa. O padre faz preço de ocasião, por se tratar de cliente tão especial. Gira a viola ao redor dos noivos e tocam glória a harpa e os violinos. Brinda-se pelo amor eterno dos felizes pombinhos, e rios de ponche correm debaixo dos ramos de flores. Dulcídio estreia pele nova, avermelhada no lombo e verde-azulada na cauda

prodigiosa.

E quando os dois ficam enfim a sós, e chega a horada verdade, ele oferece:

– Te dou meu coração. Pisa-o sem compaixão. Com um sopro ela apaga a vela,

deixa cair seu vestido de noiva, rendas borbulhantes, tira lentamente os óculos e diz:

– Larga a mão de ser babaca. Deixa de besteira. Num puxão o desembainha e

joga a pele dele no chão. E abraça seu corpo nu, e faz arder.Depois, Dulcídio dorme profundamente, encolhido contra aquela mulher, e sonha pela primeira vez na vida. Ela o come adormecido. Vai engolindo-o aos poucos,da cauda até a cabeça, sem ruído nem mastigar forte, cuidadosa de não despertá-lo, para que ele não leve uma impressão ruim.

ATIVIDADE 04: Reescrever o final da história.

O Direito ao voto e direito de ser votado

Todos os cidadãos brasileiros maiores de 16 anos têm direito ao voto. O voto deve ser secreto e direto; e pode ocorrer por meio de plebiscitos, referendos ou iniciativas populares. Chama-se de eleição de voto direto aquela que não possui mediações entre o resultado e o voto, ou seja: quando é dado o mesmo valor e importância ao voto de cada eleitor, independente do conjunto social e político a que este pertença. Um cidadão só deixa de ter direito ao voto quando:

• apresenta incapacidade civil absoluta (por exemplo: afecções clínicas graves, incapacidade de discernimento mental reconhecida, etc); • há cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado; • há condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos; •há recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa; •há improbidade administrativa;

Um cidadão não pode alistar-se como eleitor quando:

•se é estrangeiro; •se está conscrito durante o serviço militar

O alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios para os maiores de 18 anos e facultativos para os analfabetos, maiores de 70 anos e para quem está entre os 16 e 18 anos.

O direito de ser votado é mais complexo do que o direito de votar. Para poder eleger-se há a necessidade de ter a nacionalidade brasileira, o pleno exercício dos direitos políticos, o alistamento eleitoral, o domicílio eleitoral na circunscrição, a filiação partidária e uma idade mínima que varia de acordo com o cargo político. A idade mínima para ser presidente, vice-presidente e senador é de 35 anos. Para ser governador e vice-governador de estado ou do Distrito Federal essa idade mínima abaixa para os 30 anos, enquanto que para os cargos de deputado federal/estadual/distrital, prefeito e vice-prefeito a idade mínima é de 21 anos de idade. Para poder eleger-se vereador a idade mínima é de apenas 18 anos.

ATIVIDADE 05:

Leia o texto abaixo:

O AÇUCAR

Ferreira Gullar

O branco açúcar que adoçará meu café nesta manhã de Ipanema não foi produzido por mim

nem surgiu dentro do açucareiro por milagre. Vejo-o puro e afável ao paladar Como beijo de moça, água Na pele, flor Que se dissolve na boca. Mas este açúcar não foi feito por mim. Este açúcar veio da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira, Dono da mercearia. Este açúcar veio De uma usina de açúcar em Pernambuco Ou no Estado do Rio

E tampouco o fez o dono da usina. Este açúcar era cana

E veio dos canaviais extensos

Que não nascem por acaso No regaço do vale. Em lugares distantes, onde não há hospital Nem escola,

Homens que não sabem ler e morrem de fome Aos 27 anos Plantaram e colheram a cana Que viraria açúcar. Em usinas escuras, Homens de vida amarga

E dura

Produziram este açúcar Branco e puro Com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.

ATIVIDADE 06: refletir sobre as questões sociais.

Observe a charge abaixo:

Observe a charge abaixo: ATIVIDADE 07 : criar 5 frases com o sentidos distintos da palavra

ATIVIDADE 07: criar 5 frases com o sentidos distintos da palavra “pena”.

Observe a charge:

abaixo: ATIVIDADE 07 : criar 5 frases com o sentidos distintos da palavra “pena”. Observe a

ATIVIDADE 08:

Observe a imagem abaixo:

Observe a imagem abaixo: ATIVIDADE 09: 51

ATIVIDADE 09:

Observe a imagem abaixo: ATIVIDADE 09: 51

Observe:

Observe: ATIVIDADE 10: Observe o quadro da Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, século XVI: ATIVIDADE

ATIVIDADE 10:

Observe o quadro da Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, século XVI:

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ATIVIDADE 11:

Observe a charge abaixo;

Observe a charge abaixo; ATIVIDADE 12: Observe a imagem pós-moderna abaixo: ATIVIDADE 13: 53

ATIVIDADE 12:

Observe a imagem pós-moderna abaixo:

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ATIVIDADE 13: