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ARTIGO: ÀBÍKÚ

ÀBÍKÚ: O MITO DA MORTE SEGUNDO OS CONCEITOS DE IFÁ ÒRÚNMÌLÀ.

Saudações, Caros leitores! Mais uma vez o compromisso com o esclarecimento me faz escrever sobre um tema polêmico e cheio de nuances a ser apontado na presente matéria.

Segundo minhas pesquisas pelos templos religiosos de tradição afro-descendente

e contato com seus respectivos membros, foi comum ouvir dizer das pessoas de

santo que o àbíkú é uma pessoa previamente consagrada no ventre materno, onde a mulher ao se iniciar, estando grávida, passa por todos os rituais pelo filho (a) que se encontra em seu ventre, sem que o mesmo tenha que ser consagrado para seu ancestral divinizado (Òrìsà, Voodun, Nkise). Outros falam que àbíkú seria aquele que nasceu envolto pela placenta (empelicado) ou quem mata seus pais ao nascer. No caso de quem é àbíkú, este já nasceria feito (a).

Existem evidências que se trata de um equívoco afirmar que àbíkú (nascido para morrer), é uma pessoa feita no santo sem a necessidade de uma consagração, em se tratando da tradição africana. Nota-se uma controvérsia de conceitos entre o àbíasé, o empelicado e o àbíkú. O àbíase e empelicado, são conceitos afro-brasileiro que falaremos mais tarde, em uma outra matéria. Os fatores que identificam um àbíkú não tem nada haver com criança consagrada no ventre materno e sim com: Sucessivos abortos espontâneos; morte prematura do recém- nascido; mulheres com dificuldades em engravidar; o odu que se apresenta no oráculo em uma consulta ou consagração; etc.

O receio de se iniciar uma pessoa com histórico de àbíkú deve-se ao fato que, ao se consagrar um noviço (ìyawó) para seu ancestral divinizado, o mesmo passa

por um ritual simbólico de morte para o mundo terreno, renascendo posteriormente para a nova vida espiritual a que se iniciou. Com o referido ritual, tem-se a idéia de que ele pode ir e não querer voltar para desfrutar do nosso convívio, por fazer o àbíkú relembrar da morte despertando seu mais íntimo desejo de não coabitar neste mundo. Mas essa nova vida religiosa só se dá quando as etapas da iniciação são cumpridas e que para isso aconteça tem-se

o jogo de Ifá e o egbó preventivo, onde se afasta qualquer tipo de perigo.

Conseqüentemente, o àbíkú fica em condição igual a qualquer membro de sua sociedade religiosa, podendo ser consagrado para seu òrìsà e ser possuído por ele, com alguns detalhes no ato da sua consagração, sem ferir as tradições africanas (feitura). Além do que, para um àbíkú ter direitos sobre um cargo de herdeiro e ou ritual fúnebre (axexê), imperativamente deve ser consagrado no culto do òrìsà, onde existem cantigas especificas quando morre um membro da sociedade àbíkú que tenha sido investido no cargo de zelador (a). Falando desse aspecto àbíkú, coloco uma cantiga para alusão do assunto.

Cantiga de axexê para Àbíkú:

Ìwa àbíkú o! Ìwa àbíkú o! Àbíkú ò ìwa! Àbíkú olóyè! (Esta cantiga fala do caráter e honra do àbíkú na cerimônia do axexê, onde só quem é àbíkú pode dançar).

Deixo claro que o egbó para essas pessoas tem suas particularidades, assim como e seu Odu responsável.

Os espíritos àbíkú moram no Òrún (além) e vem de passagem ao Àiyé (terra), se escondendo nas matas sagradas (igbó em yorubá e zoun em dialeto L’èwé). O àbíkú na tradução literária da palavra significa, Àbí = nascer, kú = morrer, logo, nascido para morrer.

Pesquisando, encontrei esta crença do àbíkú entre o povo Akan na África, onde

a mãe do àbíkú é chamada de awomawu (segredo da existência ou ela bota

filho no mundo para morrer). Os povos Ibò chamam os àbíkú de Ogbanjé, os Haussas chamam os àbíkú de Danwabi e os Shanti chamam os àbíkú de Kossamah. Os povos Bantu chamam esse conceito de Uafu Zá-Kuiza (O vai e vem da morte), correspondente ao àbíkú do povo yorubá, com algumas diferenças por serem etnias distintas. Ainda para os bantos, os àbíkú são conceitos distintos do gêmeo que se chama Ngongo (Gêmeo no dialeto Kibundo).

Um òríkí de Ifá revela que o àbíkú tem sua sociedade no Ara Òrún (Além) que é presidida pela Iyájanjasà (A mãe que bate e corre), no caso dos meninos àbíkú, e Olóikó (Chefe da reunião), no caso das meninas àbíkú. Foi o Rei da cidade de Awaiyé (Aláwaiyé) quem os trouxe ao mundo para sua cidade, onde existe uma floresta sagrada para os àbíkú e onde são depositadas oferendas a fim de apaziguar o desejo de regressar ao Òrún (além) e para convencer os membros da sociedade àbíkú a ficarem sobre a terra, que o mundo é um lugar maravilhoso. No caso da aceitação em permanecer conosco, após o egbó do nascido para morrer, eles deixam de correr os riscos de um àbíkú (risco = desencarnar) e tornam-se pessoas comuns dentro da sua sociedade, ficando somente o nome de especial para identificá-lo segundo seu nascimento junto a sua comunidade de origem e reafirmar sua estada no mundo.

A sociedade àbíkú não tem haver obrigatoriamente com matar os pais para

ficarem vivos, pois o objetivo maior do àbíkú é desencarnar para não ter que viver neste mundo. Com isso pode até vir a matar sua mãe para impedir sua vinda ou sua permanência na terra, e a sociedade se formar novamente no Awaiyé (cidade dos àbíkú).

Na África esta comunidade recebe o nome de Egbé àbíkú ni Awaiyé (sociedade

do nascido para morrer da cidade de Awaiyé), onde encontramos o rei do àbíkú,

o Aláwaiyé. Como já foi dito, é do Òrun (além) que o àbíkú é trazido para o àiyé

(terra) onde passa a habitar em algumas árvores por algum tempo, por isso a

mulher grávida fica proibida de se aproximar de algumas delas.

Conta um Ìtan ni Ifá (história de Ifá) que o àbíkú veio ao mundo pela primeira vez na cidade de Awaiyé trazidos a convite do rei desta cidade e que constituiu um grupo de mais ou menos duzentos e oitenta membros na corte do Aláwaiyé. Na vinda para o àiyé juravam entre si, diante do Oníbodè Òrún (porteiro do além), regressar e se ajudarem para a morte acontecer entre eles “cedo (em forma de feto) ou tarde (Após o nascimento)” para se reunirem novamente no além. Oníbodè, ouvindo o pacto, avisou a Ifá Òrúnmìlà da intenção dos mesmos, para que Ifá Òrúnmìlà assim evitasse o sucesso dos Elegbé (outro título dos àbíkú = companheiros/senhores da sociedade). Logo que soube, Ifá Òrúnmìlà jogou o oráculo e avistou o Odu que é responsável por essa sociedade e reuniu o material necessário para o egbó preventivo contra a morte dos àbíkú. Através de Ifá, esse Odu vem ensinando ao mundo como se cuida das cabeças dessas pessoas e como evitar a morte prematura do àbíkú, até mesmo como inicia-lo para seu ancestral divinizado. Cabe essa iniciação ser feita por iyálórisà ou babalórisà, pois o babaláwo não pode iniciar ninguém, em se tratando de Òrìsà, Voodun e principalmente Nkise, e nem deve ser iniciado para o culto dos ancestrais divinizados (nada contra aos irmãos que por ventura venham ser iniciados no culto dos deuses divinizados). Deve-se ao babaláwo, após os egbós feitos por ele, encaminhar a pessoa até um egbé òrìsà (comunidade de santo) e passar as determinações do odu para o (a) responsável, afim de que corra tudo bem na iniciação do mesmo.

Não existe uma sociedade de àbíkú formada aqui na terra, existem detentores desse conhecimento que se reúnem em um local sagrado Igbó (mata), formando assim um egbé (comunidade / sociedade) em prol de combater os desmandos dessa sociedade e babaláwo preparados que encontram no oráculo de Ifá uma medida preventiva no sentido de evitar o contato com essas forças e para rechaçar a possível contaminação por um àbíkú, em uma mulher grávida ou em seu ciclo menstrual.

Existem também medidas de descontaminação através de egbó indicado pela divinação de Ifá Òrúnmìlà, inclusive de tentar persuadir o àbíkú, após o nascimento, a ficar aqui na terra junto à família por meios de Ofò (encantamento). Não só na África como Cuba, Brasil e outros países, tenho conhecimento de alguns sacerdotes que sabem combater os efeitos dessa sociedade. Para nós babaláwo, os membros dessa sociedade são chamados de Àbí-Makú (nascido para imortalidade), por nunca concordarmos com passividade a morte de um àbíkú.

Existem similaridades entre o culto de ibeji e àbíkú, devido às semelhanças das práticas de oferendas, com a presença de oito (8) estatuetas de madeira nos locais sagrados sendo seis (6) representando a sociedade àbíkú e duas (2) representando a sociedade ibeji. Essas imagens são devidamente preparadas por um sacerdote para compor um campo de proteção e representar a sociedade Èmère (mais um titulo da comunidade àbíkú) ou elegbé e ibeji (parto duplo). Outros encontros clássicos de confluências são os deuses que protegem as famílias de ambos e são cultuados quase da mesma forma e matas similares.

Outro meio usado pelos sacerdotes de convencer os membros da sociedade àbíkú a permanecerem aqui na terra é o emprego de nomes sugestivos nas crianças que, em uma consulta com um babaláwo, Ifá Òrúnmìlà detecta ser um àbíkú. Alguns nomes encontrados com freqüência pelos àbíkú:

Aiyédùn – A vida é doce. Bánjókó – Senta-se comigo. Kòkúmó – Não morra mais. Kòjékú – Não se deixe morrer. Èbèlokú – Suplico para que fique.

O uso das folhas no egbó constitui uma mensagem litúrgica de boas vindas e

juntamente com o encantamento (Ofò) correto, pode-se chegar ao objetivo de convencer o àbíkú a coabitar o mundo conosco, pois àbíkú nada tem haver de maléfico e sim de teimosia. Algumas folhas encontradas com freqüência para o egbó do àbíkú:

Ewé Abírikolo. Ewé Opa Èmère. Ewé Olobutoje. Ewé Lara pupa. Ewé Ijá Aborin.

É notório que em épocas passadas, para o povo yorubá na África, as mulheres

em seu período menstrual (àsé) ou quando grávidas (abonyún) não deviam ficar expostas. Estes momentos interditavam as mulheres de alguns afazeres por conta da periculosidade de contaminação por àbíkú, por exemplo: na África não podiam ser iniciadas e nem cumprir com seu papel de iniciadora enquanto estivessem menstruadas ou grávidas, pois as Ajé (feiticeiras) tem ligação com o

sangue menstrual e a formação do feto (omotitun) em sua gestação; e os odu responsáveis de gerar os àbíkú aqui na terra e seus interditos tem haver direta e indiretamente com o sangue. Por conseqüência deixam as mulheres vulneráveis. Portanto, deve-se interromper as tarefas e reiniciar as funções quando o ciclo ou

o período estiver passado tanto da iniciada quanto da iniciadora. Ainda na África

era comum em outras épocas, mulher menstruada ficar interditada até de fazer tarefas sociais e domésticas para a comunidade, ficando assim ao encargo de outras esposas ou outra mulher que morava nas redondezas, o agbo-Ilé (vila ou grupos de casas).

A mulher tem uma pré-disposição de se contaminar com o espírito àbíkú devido

possuir ovários, trompas de falópio e menstruar, onde o èmère ou elegbé (nome dos membros àbíkú dentro do conceito religioso africano) gosta de se hospedar quando encontra uma mulher susceptível.

Estudando e seguindo a minha linha de ensinamentos, ministrado pelo meu Olúwosíwaju Ifáobaikófá, Sr. Miguel Perez (cubano), etnia yorubá Lukumi, e meu Ojugboña Kòn Sr. Francisco Perez (cubano), filho carnal do meu mestre e também babaláwo, juntamente com meus irmãos de Ifá e toda corte a que pertenço e que devo meus respeitos e agradecimentos, aprendi que são vários

os odu que indicam que a mulher esta grávida de um àbíkú. Existem odu que a mulher só pelo fato de presenciar, quando estiver jogando para alguém (olhar no oráculo), a vinda de um deles a terra, já pode sair da consulta contaminada por esse espírito àbíkú, principalmente se o (a) oficiante do oráculo não souber lidar com odu e não ter a devida consagração que o (a) autoriza, isto complica ainda mais.

Se esses odu aparecerem em uma consulta ou para a iniciação de uma mulher ao culto que ela pertencer, deve-se retira-los por meios de òríkí e sacrifícios propiciatórios indicados por Ifá Òrúnmìlà e que alguns babaláwos estão outorgados para fazê-lo, evitando a morte prematura da criança (sánku omode). Fica explicito que jamais o babaláwo poderá substituir o odu de nascimento de quem quer que seja, somente cuidar dessas pessoas através dos egbós para que a sentença do odu seja nula ou ao menos mais leve.

O odu do nascimento espiritual de uma mulher (ao que ela pertence) também pode colocar a mesma a disposição de tal fato, já que a expõe a uma condição prévia, tendenciosamente a gerar proles àbíkú e que se o sacerdote não fizer a coisa certa, à perda do filho é segura. Em alguns casos, uma mulher grávida (aboyún), que não tomou o cuidado com o resguardo devido e não fez o egbó propiciatório, pode ser atacada e invadida pelo àbíkú e o mesmo se instalar em seu ventre, promovendo a morte sucessiva do(s) feto(s) ou tentando promover a morte de ambos (mãe e filho).

Existe um perigo maior que é proferir aleatoriamente nomes dos odu sem pagar tributo ao mesmo, por isso não devemos falar os nomes dessas forças fora de cerimônias específicas e nem devem ser proferidos por pessoas não detentoras desse conhecimento para não ocorrer em um desrespeito e evitar uma possível complicação pelo surgimento inesperado dessa energia após recitar o seu nome.

Para os africanos e cubanos a mulher que joga o oráculo “owó eyo” (búzios) corre um enorme risco, pois terá que recitar o nome, em caso de se fazer uma consulta para alguém, e fazer evocações de vários odu encontrados no corpo literário dos mérìndilogun. Se caso um dos odu responsáveis por trazer o àbíkú a terra (ventre) venha fazer uma visita no ato de se jogar os búzios, poderá trazer consigo um membro àbíkú, o que explicará a morte do feto prematuramente após uma consulta indevida, ou até a morte de um recém-nascido, que inclusive poderia ser também um gêmeo devido a ligação que possui com os odu regentes dessas sociedades, o que reforça a aliança e os cuidados, entre os àbíkú e ibeji com a morte.

Minha iniciativa é preservar a integridade física-religiosa da mulher, já que sou filho carnal de D. Therezinha D’Òòsààlá, uma mulher que amo muito e devo respeito por tudo que ela representa pra mim, iniciada ao culto dos òrìsàs a quase quarenta anos, aqui no Brasil, e que foi ensinada a nunca praticar o jogo de búzios pelos seus mais velhos, tendo esta função na casa, a qual ela pertence, um homem a frente desse cargo. Tenho minhas irmãs todas iniciadas no culto dos orìsàs e orientadas a não fazer uso do oráculo mérìndilogun para evitar os riscos subseqüentes. Minha esposa, Iyápetebi ni Ifá Valéria (somente esposa de

babaláwo pode ter esse título), também interditada de jogar búzios, porém autorizada a me acompanhar nas obrigações do culto a Ifá Òrúnmìlà. Ainda me valendo dos ensinamentos do culto a Ifá Òrúnmìlà, sempre digo ao povo de santo que se orientam comigo e que são clientes de Ifá Òrúnmìlà, através da minha pessoa, para formarem os jogadores (homens) de búzios no seu axé (eu não tenho nada contra a mulher que pratica o jogo de búzios, apenas oriento quanto ao perigo de fazê-lo), como no passado fizeram as grandes iyálórisàs aqui do Brasil, onde instituíram os Olúwos de suas casas, já falecidos e conhecidos por todos, a fim de ser um importante instrumento do culto dos òrìsàs, já que as mulheres são iniciadoras natas, por possuírem ventre e podendo ser a grande mãe escolhida pela natureza e os deuses, distribuindo tarefas, onde cada qual tem seu papel dentro da sua sociedade. Somado a isso, qualificações, onde a pessoa vai ter tempo para aprender bem o que é de seu cargo. O jogador de búzios terá uma orientação de um babaláwo, pois aprenderá a falar odu de búzios, o que é bem diferente por serem mais restritos que os odu de Ifá Òrúnmìlà, sem mencionar os ensinamentos que envolvem a ritualística do cargo. Parte dessa consagração é feita por um babaláwo por possuir o segredo desse fundamento. Após ter sido autorizado e escolhido por Ifá e o orìsà para o cargo de Oríàte ou Oríení (cabeça da esteira, no sentido de se denotar que o jogo de búzios é feito na mesma), recebem e tomam axé de um sacerdote de Ifá Òrúnmìlà e se estiver apto (sabendo o que professa) é entronizado no cargo de jogador de búzios da sua casa e podendo estender seus conhecimentos para quantos axés (casas) os convidarem.

Aclaro que os conceitos expressos aqui nesta matéria são conceitos vividos na prática e trazidos de terras distantes do Brasil, porém com uma total interação entre si, devido a coesão do culto do qual somos parte. Deixo aqui meu intuito de cada vez mais colaborar com a nossa religião, aludindo, esclarecendo, participando das casas de santo e principalmente, levando a palavra de Ifá Òrúnmìlà a todos que assim desejarem.

Tenho orgulho do nosso culto afro-brasileiro, quer seja pela visibilidade internacional que tenho conhecimento ou por nossos representantes que nos honram em congressos internacionais de orìsàs, mostrando que temos conhecimento e tradição em nossas casas. O respeito que os nossos religiosos- pesquisadores possuem por parte dos países que praticam a religião, a superação de dificuldades que enfrentamos em tempos idos para preencher cargos e os manter vivos, e até fazer certos rituais, erguendo templos para louvação dos nossos ancestrais divinizados e fincando na terra os nossos eguns vindo da África, tudo isso é também motivo de orgulho. Homenagear aqueles que geraram as nossas famílias e que, aqui no Brasil e no mundo, lutou e luta para que o culto não se torne impossível, devido a atrocidade cometida contra os verdadeiros colonizadores dos países afro-descendentes é fato. São os nossos iluminados negros que nos brindaram com o mais nobre e puros dos legados; OS ÒRÌSÀS e todas as suas vertentes.

ÀBÍKÚ

Sucessivos abortos em uma mesma mulher, partos seguidos da morte da criança recém nascida, morte de crianças ou jovens, repentinas e associadas a estágios significativos de vida, tais como mudanças nas fases de crescimento, aniversários, casamento ou nascimento do primeiro filho, são identificados como acontecimentos ligados aos Àbíkú.

Itan do Odu Irosun meji

Onde nós vemos quatro antigas divindades Bem, Orisa diz que há uma criança Orisa diz que essa pessoa

A pessoa para que nós jogamos quatro divindades

Òrìsà diz que nós devemos perguntar à ela se tem uma criança Que é um Àbíkú e que continua morrendo Òrìsà diz que eles não sabem seu nome direito Então ele continua morrendo como um Àbíkú Você vê o caminho que Òrìsà diz que é assim? "Ega p'oko l'eri f'ese kan osi bo'do" Ele foi aquele que jogou para Arco Íris Que era a criança do proprietário do mercado de óleo Lá estava Arco Íris Eles não sabiam seu nome Quando ele nasceu Era ele que iria morrer Os Babalawo que o examinaram Eles disseram, "Ha! Se esta criança que nasceu deve voltar" "Ele é "Veja o Mundo"

E ele nasceu

Eles disseram que a mãe de Arco Íris devia oferecer um sacrifício Ela disse, "quando uma mãe tem uma criança" "O que esta criança irá pegar dela?" Ela não ofereceu o sacrifício Então, uma faixa vermelha e preta Era o que eles disseram que ela devia oferecer como um sacrifício

A mãe de "Veja o Mundo"

Ela não ofereceu uma faixa vermelha e preta

A mãe de Arco Íris não ofereceu o sacrifício

A mãe de "Veja o Mundo" era aquela que estava dançando

Ela estava alegrando-se

Ela estava louvando os Babalawo

E os Babalawo estavam louvando

Òrìsà Aqueles Babalawo falaram a verdade "Ega p'oko l'eri f'ese kan osi bo'do" Joga para "Veja o Mundo" Que veio do céu para a terra Você não sabe que o dia em que o Arco Íris vem para a terra

É aquele em que ele retorna para o céu?

Orisa diz que nós devemos oferecer um sacrifício Por um Àbíkú Como Orisa disse Onde nós vemos quatro antigas divindades

Irosun

Esse texto faz referência explícita a questão do Àbíkú. Afinal de contas, o que é

"Àbíkú"?

A

tradução literal é "nascido para morrer" (a bi ku) ou "o parimos e ele morreu" (a

bi

o ku), designando crianças ou jovens que morrem antes de seus pais. Há, assim,

dois tipos de Àbíkú: o primeiro, Àbíkú - omode, designando crianças e o segundo, Àbíkú - agba, referindo-se a jovens ou adultos que morrem, via de regra, em momentos significativos de suas vidas e sempre antes dos pais, apresentando nisso uma alteração da ordem natural que socialmente é aceita e entendida

como: aqueles que chegaram ao aiye (mundo físico) primeiro, voltam primeiro ao orun (mundo espiritual). Nessa questão, além da logicidade natural, está presente

a garantia da continuidade no aiye e a certeza da lembrança e do culto ao

ancestral que deixa descendentes que recontarão sua história ao longo dos

tempos, garantindo sua "sobrevivência" na comunidade.

No orun vive um grupo de crianças chamadas Emere ou Elegbe e este grupo constitui o Egbe orun Àbíkú, ou seja, sociedade das crianças que nascem para morrer. Contam os mitos que a primeira vez que os Àbíkú vieram para a terra foi em Awaiye e constituiam um grupo de duzentos e oitenta, trazidos por Alawaiye, chefe deles no orun . Na encruzilhada que une o orun ao aiye, ikorita meta, todos pararam e vários pactos foram feitos, definindo o momento particular do retorno de cada um ao orun . Alguns voltariam quando vissem pela primeira vez o rosto da mãe, outros quando casassem, um terceiro grupo voltaria quando completassem determinado tempo de vida, um quarto grupo voltaria quando tivessem o primeiro filho, e assim por diante. E o carinho dos pais, o amor que recebessem ou os presentes não seriam capazes de retê-los no aiye. Alguns assumiram o compromisso de que nem nasceriam. Esse pacto deveria ser cumprido e seus companheiros no orun manteriam-se presentes em sua vida, interagindo no seu dia a dia, para que não o esquecessem e retornassem ao orun tão logo o momento pactuado ocorresse.

Como chega a ocorrer o nascimento ou a manifestação de um Àbíkú em uma gravidez? O Yoruba acredita que a ação do Àbíkú ocorre por determinação do destino da mãe, ou por força de magia/feitiçaria, ou por condições acidentais. O

Prof. Sikiru Salami e a Profa. Dra. Iyakemi Ribeiro, em sua monografia "Ayedungbe:

a terra é doce para nela se viver - rito na luta contra a morte de Àbíkú", definem

essas condições acidentais como "aquisição inadvertida de um Àbíkú por uma mulher grávida que não tenha tomado os necessários cuidados para evitar isso". Existe a crença de que uma mulher grávida, ao passar por determinados locais em que os Àbíkú se estabelecem, se não estiver devidamente protegida, pode ver-se invadida por este "espírito" e tornar-se sujeita à gravidez de um Àbíkú. Por

isso cuidados especiais são tomados pelas mulheres tão logo tenham consciência do estado de gravidez. Não é incomum que mulheres grávidas carreguem junto

a barriga um "ota", devidamente preparado, para evitar essa "invasão" por parte

de um Elegbe . Sacrifícios, oferendas e rezas são feitas também com o objetivo de evitar que uma mulher tenha filhos Àbíkú ou que, grávida, venha a ser "invadida" por um deles. Exemplo, temos no ofo do Odu Oyeku meji que transcrevemos a seguir:

Okin nibonranja Igba gbogbo ni tekun

Ejo ni sare iku niga nigo Lo ba oluwa re Awon lo se Ifa fun Tite

Ti

nse omo bibi inu Agbonmiregun

Ni

Tite omo toun ko ni ku

Won mi bawo ni Orunmila se maa se

Ti Tite omo re ko ni ku

Orunmila da won lohun,

O ni

Ewe-mafowo-kan-omo-ni,

Ki

nje oruko meji

O

ni Tite omo toun ko ni ku

Orunmila no Oyeku meji

A ye iku lori Tite omo toun

A ye lo si ori omo elomiran

Okin nibonranja Igba gbogbo ni tekun

É a cobra que corre com seu veneno

Atrás do ser humano Foram esses seres míticos que adivinharam para Tite Que é filho de Agbonmiregun (Orunmila) Todos diziam que Tite iria morrer Orunmila respondeu à eles que Tite não morreria Perguntaram à Orunmila o que ele faria Para evitar a morte de Tite Orunmila respondeu à eles Dizendo:

Ewe-mfowo-kan-omo-ni,

Ki nje oruko meji

A folha sagrada não-pense-em-fazer-mal-a-meu-filho

Não-encoste-a-mão-no-meu-filho

Não tem outro nome (não tem outra finalidade senão essa) Orunmila disse que Tite, o filho dele, não morreria

E que Oyeku - Aquele que afasta a Morte

Afastará a morte prematura do destino de seu filho Ele conduzirá essa morte ao destino dos filhos de outros Deixando de lado condições acidentais ou efeito de magia/feitiçaria, temos observado que a ocorrência de Àbíkú em uma mãe invariavelmente repete uma história familiar que podemos reconhecer procurando os seus antecedentes. Ou

seja, podemos procurar nos antecedentes familiares da mãe para constatar, invariavelmente, que este Àbíkú vem se fazendo presente na família, geração após geração, em linha direta ou não.

Outra questão interessante é que podemos afirmar com grande precisão que alguns odu de nascimento predispõem a ocorrência de Elegbe . Assim, temos que mulheres regidas pelo odu Ogundabede (Ogunda + Ogbe) são naturalmente predispostas à gerarem filhos Àbíkú e, identificadas, quando ainda não são mães, certas oferendas são realizadas e alimentos são-lhes dados para prevenir a ocorrência. Ebo igualmente é feito nas situações em que já geraram filhos ou planejam os gerar - um preá é colocado acima da porta de entrada da casa e um peixe acima da porta de trás, para proteger os moradores da visita dos Elegbe que ali vêm em busca de seus companheiros. Neste caso, deixam de ter acesso ao interior da casa e levarão, no lugar da pessoa que vieram buscar, o preá e o peixe. Um Orin Egbe , cantiga dedicada à Aragbo ou Ere Igbo, Òrìsà protetor das crianças Àbíkú, fala-nos desse ebo

Ere iwaju o

E

gbeku e gbeku

Ki

e maa lo

Ere eyinkule o

E

gbeja e gbeja

Ki

e maa lo

E

lo so fun won

Lorun ajule Wipe ile Ayedun, Ng o de wa mo o

Os da frente

Recebam o preá, recebam o preá

E vão-se embora. Os de trás

Recebam o peixe, recebam o peixe

E vão-se embora.

Vão dizer à eles No orun Que a vida é doce Não quero mais ir para junto deles no orun Entendemos, assim, que Egbe é cultuado e louvado com a finalidade de defender as crianças da morte prematura e oferendas lhe são feitas para que

"desistam" de levar os Àbíkú de volta para o orun, sendo um de seus objetivos a questão da manutenção dessas crianças no aiye. Segundo o Prof. Sikiru Salami e

a Profa. Dra. Iyakemi Ribeiro, na obra já citada, "

de forças entre Aragbo e a comunidade de Àbíkú que deseja levar seus membros

do aiye, mundo físico, para o orun , mundo dos mortos, mundo espiritual. Cultos e oferendas são realizados tanto para que a comunidade de Àbíkú abra mão de levá-los de volta, como para que Ere igbo os proteja de serem reconduzidos à terra espiritual." Todas as pessoas nascidas dentro do odu Ogundabede, homens

e mulheres, devem cultuar Egbe . Entende-se também que quem o cultua evoca

estabelece-se assim um jogo

suas bençãos em benefício das crianças do núcleo familiar. Aliás, o culto de Egbe

e suas festas trazem muita semelhança com as festas e o culto que se fazem no

Brasil para "Cosme e Damião" e que são, muitas vezes, confundidas com o culto do Òrìsà Ibeji. Este Òrìsà e Egbe (ou Aragbo) são de distintas naturezas, justificam abordagens e tratamentos diferenciados, têm formas particulares de serem louvados e acessados, são cultuados por diferentes razões e necessidades, e seus cultos não podem ser confundidos sob pena de incorrermos em erro de fundamento.

Outra questão que nos parece importante considerar quando falamos de Àbíkú é quanto ao nome que é dado à essa criança por ocasião de seu nascimento. Nomes que contam sobre a alegria de viver e ressaltam a doce qualidade da vida no aiye são usados no intuito de convencer o Àbíkú a não voltar ao orun e

constituem-se, junto com outras ações, em formas de trabalhar a questão relativa

a ruptura do contrato que levaria o Àbíkú à morte. Relatamos, a seguir, Itan do

odu Oyeku meji que fala sobre o uso de um nome significativo para um Àbíkú:

Eni baba yereku yereku Ola baba yereku yereku

O

nle adie opipi

O

jin si kotokoto ofin

O

sare iku yereku yereku

A

difa fun ikuye

Iku ye yi won ti bi titi

Nse lo nku

Ki nju ojo meje lo laye ko to ku

Igba ketandilogun lo to duro laye Bara re ni oun ko ni fe aya miran

O

lo difa Won ni ki o lo rubo

O

ru obuko giripa,

Pelu oromu adie

Ki

iya ikuye fi oromu adie para

Ki

o mu lo sidi Esu

Ki

oromu adie naa ke ku fun rara e

Eni ti won ba da Ifa yi fun T o ba bimo kuye ni ao maa pe

O

conhecimento do pai que se esforça para afastar a morte

O

conhecimento do pai que se esforça para afastar a morte

Ele, o ser mítico que é Baba Yereku Perseguia um galo sem penas Que posteriormente viria a cair em um buraco Ao fugir da morte Foi feito um jogo adivinhatório para Iku-ye (a morte se desviou) Esse Iku-ye já nasceu várias vezes na mesma mãe Assim que ele nascia, já morria Não passava de sete dias Parou de morrer no décimo sétimo nascimento Seu pai disse que não casaria com outra mulher que não fosse a mãe de Iku-ye

(desejava que esta mulher fosse mãe de seu filho)

Foi consultar Ifa para saber como evitar nova morte de seu filho Foi aconselhado a fazer um ebo Ofertou um bode no ebo

E também um pintinho

A mãe de Iku-ye devia passar o pintinho no próprio corpo

E depois o entregar aos pés de Esu

Esse pintinho deveria morrer piando (o som de seu piado reproduz o som iku-ye, iku-ye, iku-ye - afaste-se, Morte! afaste-se, Morte! afaste-se, Morte!) Portanto, quando a criança nascesse deveria ser chamada Kuye, contração de

Iku-ye

Ebo semelhante é feito com Egbe nascido dentro do odu Ogbe dosun (Ogbe + Irosun), onde é usado um certo número de pintinhos e outros elementos, com a finalidade de reter no aiye este Àbíkú.

Podemos citar outros nomes dados à crianças Àbíkú: Ayedungbe (a terra é doce para nela se viver), Malomo (não vá mais embora), Dirojaye (fique para usufruir a vida), Fidimoaye (finque sua raiz na terra), Kokumo (não morrerá mais), Elegbede (chegou aquele que pertence à sociedade de Àbíkú).

Por fim, podemos afirmar que os Àbíkú não são, como querem certos autores ou sacerdotes, seres maléficos, que tem por "missão" causar sofrimento às suas mães. Entendemos que, pela sua natureza, não ocorra juízo moral ou ético em relação aos processos de que participam. Podemos pensar até que, talvez, tudo não passe, por parte deles, de "uma divertida brincadeira". Não podemos nos esquecer que aos "espíritos" ligados a Egbe são creditadas muitas "brincadeiras" junto aos humanos, tais como esconder coisas ou fazer com que o dinheiro que você ganhe não se transforme em poupança ou benefício.

Por último, dois aspectos são importantes de serem nomeados: o primeiro, diz respeito ao que podemos chamar de comportamento peculiar da criança Àbíkú. São, certamente, crianças que se distinguem por este aspecto. Segundo, a resistência, na nossa cultura, que os pais têm em aceitar o fato de terem um filho Àbíkú e a dificuldade consequente em lidar com esta criança e todas as necessidades decorrentes da luta pela sua permanência no aiye. Cabe aí um importante papel para o sacerdote que pode ajudá-los a compreender a questão, dar-lhes orientação e acompanhamento durante todo o processo.

José Ribas

A RELAÇÃO DO FETO COM OS ORIXÁS

07:20 Fundamentos 3 comments (Olukó Brad Pághanni de Oxalá)

Feto tem Orixá? Tem Odú? Onde entra Babá Ajalá nesta história? O que é Abiaxé

e Abikú? Saibam aqui, no blog Sociedade Candomblé Moderno.

Eu pude observar que essa é uma pergunta realmente muito curiosa entre as pessoas que praticam o candomblé.

Antes de entendermos se feto tem Orixá, precisamos primeiro saber o que

é Orixá. Orixá é o nome da energia da natureza adaptada à cabeça humana.

A gravidez está ligada a diversos processos, todos correlacionados aos quatro elementos e suas significações. A ordem desses elementos são: terra, fogo, água, e ar. A terra, representando a materialidade, mostra conotativamente sua presença no ato sexual. O fogo representa o processo de evolução do feto, pois na magia, o fogo significa a força do movimento. Em seguida, a água –

representada pelo líquido encontrado na bolsa – a qual o feto reside. Por final, o

bebê recebe o ar

Assim quando nasce.

Ifá nos ensina que um ser humano só mune seu Orixá – quando recebe todos os quatro elementos. Logo, ele só poderá receber o ar (não necessariamente o oxigênio); ao nascer (é quando ele tem a independência para respirar sozinho). Então, podemos concluir que – somente no nascimento, o ser humano recebe seu Orixá.

É possível afirmar que, durante a gestação, o feto possui a proteção de Yiamí Oxorongá. Entretanto, é considerada uma proteção, longe do conceito que se refere à posse da cabeça.

Perguntas Freqüentes Sobre o Assunto:

“É possível saber o Orixá do meu neném antes de seu nascimento?”

- Não. Como podemos observar nos ensinamentos de Ifá, o neném só recebe seu Orixá ao receber influências energéticas dos quatro elementos. Podemos ver também, que a conclusão da recepção desses quatro elementos só é confirmada na hora do nascimento: a hora em que se recebe o quarto elemento (ar). É a hora exata em que o neném pode respirar por conta própria. Dar o primeiro suspiro por independência.

“Dizem que o neném recebe seu Orixá no ato em que ocorre a fecundação, pois Orixá é vida. Isso prossegue?”

- Não. Existe Ikú: o Orixá da morte. Nem sempre o espermatozóide se

desenvolve no óvulo, mesmo tendo acontecendo tal encontro. Houve então, de

alguma forma, ausência de vida.

“É possível receber nosso Orixá a partir do momento em que escolhemos nosso Orí perante a Babá Ajalá?”

- Impossível. Primeiramente, isso é uma visão FIGURADA. Não é ao pé da

letra. Se nós recebemos o Orixá ao receptar os quatro elementos, somente em condição humana podemos ter Orixá. Espírito não tem matéria. Logo, “não tem terra”.

“Qual a possibilidade de existir um Abiaxé?”

- A possibilidade é certamente nula. Diz-se abiaxé o neném que nasce

feito. Se feto não tem Orixá, não existe a possibilidade de algo que não existe ser

feito.

“Se Feto não tem Orixá, porque existe Abikú?”

- Ikú não se torna dono da cabeça de ninguém. Abikú é o adjetivo usado

para aquele que quase morreu na hora do parto. Abikú remete à aproximação da morte, na hora em que ocorre a vida (nascimento). Esse fenômeno não atinge somente o neném. Pode atingir a mãe também. Quando a mãe morre, o neném é um Abikú, pois, na hora do nascimento, a morte de aproximou.

“Criança de seis, sete anos, quando morre, é abikú?”

- Não. Abikú é o adjetivo usado para aquele que teve a morte próxima na

hora do nascimento. Somente na hora do nascimento. Há a probabilidade de atingir a mãe do neném.

“Quais as principais características de um Abikú?”

- Todos e quaisquer Abikús só são abikús porque tivera a morte próxima,

bem na hora do nascimento. Então, a principal característica de um abikú e a

“quase morte”. Essa “quase morte” pode ser causada por diversos fatores: má

formação do feto, cordão umbilical enrolado no pescoço

uma infinidade fatores que podem levar a morte na hora do nascimento.

Má posição

“Feto tem Odú?”

Parcialmente sim. É na formação do feto que o Odú se desenvolve.

ÀBÍKÚ Nascido para Morrer? Todos nasceram para morrer.

O ponto de partida deste texto é surpreendente e simples: a vida é um processo

de conhecimento; assim, se o objetivo é compreendê-la, é necessário entender como os seres vivos conhecem o mundo eis o que RITA DE CÁSSIO MONTEIRO da cognição. O modo como se da o conhecimento é um dos assuntos que ha séculos instiga a curiosidade humana Desde o renascimento, em suas diversas formas tem sido visto como a representação fiel de uma realidade independente de conhecer. Ou seja, as produções artísticas e os saberes não eram considerados construções da mente humana. Com alguns intervalos de contestações (como aconteceu logo no início do século XX, por exemplo), a idéia de que o mundo é pré-dado em relação à experiência humana é hoje predominante – e isso talvez mais por motivos filosóficos, políticos e econômicos do que propriamente por causa de descobertas cientifica de minha amiga e irmã RITA DE CÁSSIA MONTEIRO. BÀBÁLORÌSÁ SIQUEIRA D’ODE.

Sucessivos abortos numa mesma mulher, partos seguidos da morte da criança recém nascida, morte de crianças ou jovens, repentinas e associadas a estágios

significativos de vida, tais como mudanças nas fases de crescimento, aniversários, casamento ou nascimento do primeiro filho, são identificadas como acontecimentos ligados aos Àbíkú.

O que é “Àbíkú”?

A tradução literal “nascido para morrer” (a bi ku) ou “o parimos e ele morreu” (a

bi o ku), designando crianças ou jovens que morrem antes de seus pais. Há, assim,

dois tipos de Àbíkú: o primeiro, Àbíkú – Omode, designando crianças e o segundo, Àbíkú – Agba, referindo-se a jovens ou adultos que morrem, via de regras, em momentos significativos de suas vidas e sempre antes dos pais, apresentando nisso uma alteração da ordem natural que socialmente é aceita e entendida

como: aqueles que chegaram ao Aiyé (mundo físico) primeiro voltam primeiro ao Orún (mundo espiritual). Nessa questão, além da lógica natural, está presente a garantia da continuidade no Aiyé e a certeza da lembrança e do culto ao ancestral que deixa descendentes que recontarão sua história ao longo dos tempos, garantindo sua “sobrevivência” na comunidade. No Orún vive um grupo de crianças chamadas Emere ou Elegbe e este grupo constitui o Egbe Orún Àbíkú, ou seja, sociedade das crianças que nascem para morrer. Contam os mitos que a primeira vez que os Àbíkú vieram para a terra foi em Awaiye e constituíam um grupo de duzentos e oitenta, trazidos por Alawaiye,

chefe deles no Orún. Na encruzilhada que une o Orún ao Aiyé, ikorita meta, todos pararam e vários pactos foram feitos, definindo o momento particular do retorno de cada um ao Orún. Alguns voltariam quando vissem pela primeira vez o rosto da mãe, outros quando casasse, um terceiro grupo voltaria quando completasse determinado tempo de vida, um quarto grupo voltaria quando tivessem o primeiro filho, e assim por diante. E o carinho dos pais, o amor que recebessem ou os presentes não seriam capazes de retê-los no Aiyé. Alguns assumiram o compromisso de que nem nasceriam. Esse pacto deveria ser cumprido e os seus companheiros no Orún manterem-se presentes na sua vida, interagindo no seu dia a dia, para que não o esquecessem e retornassem ao Orún tão logo o momento pactuado ocorresse. Como chega a ocorrer o nascimento ou a manifestação de um Àbíkú em uma gravidez? O Yorùbá acredita que a ação do Àbíkú ocorre por determinação do destino da mãe, ou por força de magia/feitiçaria, ou por condições acidentais. A Drª. Rita de Cássia, em suas pesquisas “Ayedungbe: a terra é doce para nela se viver – rito na luta contra a morte de Àbíkú”, definem essas condições acidentais como “aquisição inadvertida de um Àbíkú por uma mulher grávida que não tenha tomado os necessários cuidados para evitar isso”. Existe a crença de que uma mulher grávida, ao passar por determinados locais em que os Àbíkú se estabelecem se não estiver devidamente protegida, pode ver-se invadida por este “espírito” e tornar-se sujeita à gravidez de um Àbíkú. Por isso cuidados especiais são tomados pelas mulheres tão logo tenham consciência do estado de gravidez. Não é raro que mulheres grávidas carreguem junto à barriga um “ota”, devidamente preparado, para evitar essa “invasão” por parte de um Elegbe. Sacrifícios, oferendas e rezas são feitas também com o objetivo de evitar que uma mulher tenha filhos Àbíkú ou que, grávida, venha a ser “invadida” por um deles. Deixando de lado condições acidentais ou efeito de magia/feitiçaria, temos observado que a ocorrência de Àbíkú numa mãe invariavelmente repete uma história familiar que podemos reconhecer procurando os seus antecedentes. Ou seja, podemos procurar nos antecedentes familiares da mãe para constatar, invariavelmente, que este Àbíkú vem se fazendo presente na família, geração após geração, em linha direta ou não. Outra questão interessante é que podemos afirmar com grande precisão que alguns Odú de nascimento predispõem a ocorrência de Elegbe. Assim, temos que mulheres regidas pelo Odú Ogundabede (Ogunda + Ogbe) são naturalmente predispostas a gerarem filhos Àbíkú e, identificadas, quando ainda não são mães, certas oferendas são realizadas e alimentos são-lhes dados para prevenir a ocorrência. Ebó igualmente é feito nas situações em que já geraram filhos ou planejam gerar – um preá é colocado acima da porta de entrada da casa e um peixe acima da porta de trás, para proteger os moradores da visita dos Elegbe que ali vêm em busca de seus companheiros. Neste caso, deixam de ter acesso ao interior da casa e levarão, no lugar da pessoa a que vieram buscar, o preá e o peixe. Um Orin Egbe, cantiga dedicada a Aragbo ou Ere Igbo, Òrìsá protetor das crianças Àbíkú, fala-nos desse Ebó. Entendemos, assim, que Egbe é cultuado e louvado com a finalidade de defender as crianças da morte prematura e oferendas lhe são feitas para que “desistam” de levar os Àbíkú de volta para o Orún, sendo um de seus objetivos a questão da manutenção dessas crianças no Aiyé. Segundo a Profª. Dra, Rita de

Cássia na obra já citada, “… Estabelece-se assim um jogo de forças entre Aragbo e a comunidade de Àbíkú que deseja levar seus membros do Aiyé, mundo físico, para o Òrún, mundo dos mortos, mundo espiritual. “Cultos e oferendas são realizados tanto para que a comunidade de Àbíkú abra mão de levá-los de volta, como para que Ere igbo os proteja de serem reconduzidos à terra espiritual.” Todas as pessoas nascidas dentro do Odú Ogundabede, homens e mulheres, devem cultuar Egbe. Entende-se também que quem o cultua evoca as suas bênçãos em benefício das crianças do núcleo familiar. Aliás, o culto de Egbe e suas festas trazem muita semelhança com as festas e o culto que se fazem para “Cosme e Damião” e que são, muitas vezes, confundidas com o culto do Òrìsá Ibedjí. Este Òrìsá e Egbe (ou Aragbo) são de distintas naturezas, justificam abordagens e tratamentos diferenciados, têm formas particulares de serem louvados, são cultuados por diferentes razões e necessidades, e os seus cultos não podem ser confundidos sob pena de incorrermos em erro de fundamento. Por último, dois aspectos são importantes de serem nomeados: o primeiro, diz respeito ao que podemos chamar de comportamento peculiar da criança Àbíkú. São, certamente, crianças que se distinguem por este aspecto. Segundo, a resistência, na nossa cultura, que os pais têm em aceitar o foto de terem um filho Àbíkú e a dificuldade conseqüente em lidar com esta criança e todas as necessidades decorrentes da luta pela sua permanência no Aiyé. Cabe aí um importante papel para o sacerdote que pode ajudá-los a compreender a questão, dar-lhes orientação e acompanhamento durante todo o processo. O termo Àbíkú não se pontua apenas a aqueles que nascem para morrer, como determina o conceito Yorùbá, pois sendo assim todos nós seríamos Àbíkús. Costumo dizer, para exemplificar, que Àbíkú tem qualidade, ou seja, existem vários tipos de Àbíkú e formas de atuação e agregação, numa mesma concepção. Pode-se cuidar de uma criança Àbíkú, fazendo-a conviver normalmente entre os seus fazendo oferendas, ebós, tratamento do Orí que são capazes de reter no mundo o Àbíkú e de, lhe fazer esquecer sua promessa de volta, rompendo assim o ciclo de idas e vindas constantes entre o Òrún e o Aiye, fazendo pactos também. Os Àbíkú têm influência na família, são poderosos manipuladores, videntes, espíritos envelhecidos, atitudes de adulto, etc. A energia de um Àbíkú pode rondar uma gravidez, muitos rompimentos e perda de bebê estão relacionados, porém, não se pode confundir falta de cuidados e tratamento adequado na gravidez com Àbíkú. Quando o zelador observa através do jogo a presença de Àbíkú, o tratamento começa no ventre da mãe com as obrigações necessárias e ebós, através de Òsún, Orí, Èsu, Egungun, Òsàlá. Existem também os Òrìsás Àbíkú Òsàlá e Nanã, pois regem a vida e a morte nos dois planos de vida e energia, sendo assim, todas as pessoas de Òsàlá e Nanã seriam Àbíkús inclusive a própria iniciação os diferencia como especiais. Mas, independentes disso, outras pessoas de qualquer outro Òrìsá pode ser da família Àbíkú, a família Kóreo. Um conceito interessante, que vale uma reflexão é que: uma pessoa pode introduzir em sua vida o espírito Àbíkú, quando antecipa os seus ciclos naturais em função da ambição ou opções de vida. Isto a levará a tornar-se um Àbíkú, pois certamente terá a data da sua morte antecipada. Àbíkú é muito mais do que se pode imaginar, sem dúvida alguma, há conceitos, preceitos, ewós, etc, e deve

ser tratado simultaneamente no mundo visível e invisível. Àbíkú – a palavra já diz tudo: A = Nós; Bi = Nascer; Ku = Morrer (Nós nascemos para morrer)

No Òrún; um mundo paralelo que nos rodeia, onde vive os Deuses e Antepassados, palavra facilmente traduzível por Céu; mora um grupo de crianças chamado Egbe Òrún u Àbíkú – as crianças que nascem para morrer em curto espaço de tempo, gerando grande sofrimento para as suas famílias. As meninas são chefiadas por Oloiko (chefe de grupo) e os meninos por Ìyájanjasa (a mãe que bate e corre). A permanência dos Àbíkú ou Emere é condicionada a um pacto que fazem na vinda do Òrún para o Aiye (a Terra) com Onibode Òrún, o porteiro do Céu. Este pacto é cumprido rigorosamente pelos Àbíkú, uma criança cujo acordo foi não nascer, realmente não nascerá; outra que combine voltar quando romper seu primeiro dente terá morte súbita, por acidente ou por doença, horas ou dias após o aparecimento deste dente. Quando uma criança Àbíkú nasce, seu par, aquele seu companheiro mais chegado no Òrún, começará a interferir em sua vida, atormentando-a, aparecendo-lhe em sonhos,

a fim de que não se esqueça de seus amigos do Òrún e rapidamente volte para

eles, assim que houver cumprido o seu pacto. Várias histórias de Àbíkú nos são relatadas nos Itan Ifá, pelos òdú Odi, Obara, Ejiogbe, Irete-Irosun, Otura-Rete, Iwori-Wosa entre outros (Tradição oral).

IWORI-WOSA

O dia que uma criança dá o aviso que vai se suicidar

Não se pode permitir que sua intenção se concretize

Ifá foi consultado para Matanmi (não me engane) Que estava vindo do Céu para a Terra Ele foi avisado que deveria fazer sacrifício

O

que devemos sacrificar para não sermos enganados pela Morte? Carneiro

O

que devemos sacrificar para não sermos enganados pela Doença? Carneiro

EJIOGBE

O olho da agulha não goteja pus

No banheiro não se põe uma canoa a navegar

Ifá foi consultado para Òrúnmìlà Quando ele fazia um pacto com Emere (Àbíkú) Um pacto fora feito com Emere (Àbíkú) Ele não iria morrer logo na flor da idade

O caso do Emere (Àbíkú) agora fica seguro com Ifá

A primeira vez que os Àbíkú vieram para a Terra foi em Awaiye, rei de Awaiye,

num grupo de duzentos e oitenta, trazidos por Alawaiye, rei de Awaiye e chefe

deles no Òrun. Na vinda para a Terra, todos pararam no portal do Céu e vários pactos foram feitos. Eles voltariam ao Òrún quando:

Vissem pela primeira vez o rosto de sua mãe;

Casassem;

Completassem sete dias de vida; Tivessem novo irmão; Construíssem uma casa; Começassem a andar.

E nenhum queria aceitar o amor de seus pais, e os presentes e mimos seriam

insuficientes para retê-los na Terra, e talvez alguns absolutamente não nascessem.

Esta primeira leva de crianças Àbíkú combinou entre si também roupas, rituais,

chapéus e turbantes, tingidos de Òsún que teriam valor simbólico de 1.400 búzios

e que, se seus pais adivinhassem estas roupas e dessem-nas como oferendas,

poderiam segurá-las na Terra. As roupas seriam colocadas penduradas nas árvores do Bosque Sagrado dos Àbíkú, em Awaiye, e seus pais fariam anualmente uma festa, com tambores e cantigas, para alegrar os Àbíkú, que seriam untados com Òsún, e não voltariam mais ao Òrun, rompendo assim o pacto feito, e seu

vínculo com o Egbe Òrun Àbíkú. Outras histórias são contadas por Òrúnmìlà sobre crianças que, depois de várias idas e vindas entre o Céu e a Terra, puderam ser conservadas vivas, devido a seus pais terem consultado Ifá e feito os Ebo determinados por Òrúnmìlà, trocando ou acrescentando um nome que os desanimassem de morrer novamente, usando folhas sagradas em fricções nos seus corpinhos, para afastar os outros companheiros Àbíkú, colocando em seus tornozelos Sawoor, fazendo em seus corpos pequenas incisões, e através delas inserindo pó preto e mágico de uma mistura de folhas, e com este mesmo pó enchendo um amuleto de couro em forma de pequeno saco, chamado Óndè que seria preso à cintura da criança. Alguns Àbíkú também deveriam colocar em seus tornozelos pesadas argolas e correntes que não os deixariam fugir para o Òrun. As oferendas eram feitas como recomendavam os Itan Ifá – troncos de bananeira, cabras, galos, pombos, roupas

e chapéus tingidos com Òsún, alimentos, guizos, búzios, doces, bebidas, a serem

entregues no Bosque Sagrado, ou enterrados à margem de um rio, ou soltas nas águas. Estes Ebo possibilitariam aos pais reter seus filhos na Terra, e eles não morreriam mais. Porém, se apesar das oferendas, os chefes das Comunidades

Àbíkú, Oloiko e Iyajanjasa insistissem em vir a Terra em busca de suas crianças, e conseguisse levá-las de volta ao Òrún, os pais deveriam marcar seus corpos com cortes, ou mesmo mutilá-los ou queimá-los, para que seus pares no Òrún não os reconhecessem ou aceitassem de volta. Também pelas marcas seriam reconhecidas quando voltassem a Terra e não quereriam mais nascer. Nas terras de ancestralidade Yorùbá, uma mãe que perde vários filhos antes ou depois do nascimento, por morte brusca, súbita ou inexplicável, procura um Bàbáláwo e descobre estar dando a luz a uma criança Àbíkú, que pode nascer e morrer inúmeras vezes impedindo-a também de ter filhos normais. O Bàbáláwo indica a necessidade de Ebo, o uso de folhas, procedimentos estes usados para afastar o Àbíkú, se os filhos da mulher estiverem mortos, e para que ela possa gerar crianças perfeitas. Ou para reter a criança na Terra e romper seu vínculo com o Òrun, mantendo-a viva. Até que a criança complete nove anos, sempre próximo a data do aniversário, determinada oferendas serão feitas e depois repetidas até o Àbíkú completar dezenove anos. A criança deverá usar roupas especiais, com enfeites e cores específicas, seu nome deve ser mudado ou a ele acrescentado outro, que desestimule sua volta ao Òrún. Guizos em quantidade devem ser presos os seus brinquedos, roupas, tornozelos, pulso, pois o som dos guizos faz bem ao Àbíkú e afasta os amigos do Céu. A fava Éerù, no Brasil chamada Bejerekun, deve ser usada em banhos e chás, pacificando a criança, Efun também pode ser utilizado para acalmá-la. As folhas são usadas em fricções ou banhos, e com elas é feita a mistura mágica com a qual se protege a criança

e se prepara o amuleto, que o Àbíkú carregará por toda a sua vida. O corpo da

mãe também deve ser defendido e esfregado com folhas, para que ela não atraia uma nova criança Àbíkú. Se a mãe tiver também problemas com Egbe,

chamada Eleeriko, uma deusa considerada o feminino de Egungun, que atormenta as crianças, marcando-lhes o corpo durante a noite, ela será avisada de que deve zelar por Egbe, entregando-lhe cabaças com oferendas no rio, e louvando-a a cada quinto dia. Também um altar com símbolos religiosos poderá ser instalado na casa, e anualmente serão feitas festas com sacrifícios de animais, tambores e dança. Nem toda criança Àbíkú é atormentada por Egbe que também pode dar filhos às mães que a louvam. Há alguns Òrìkí de Egbe que demonstram bem esta ligação. Este que damos a seguir é de Ibadan, e é uma súplica para que Egbe envie crianças sadias que não sejam Àbíkú ou Emere. Mãe, proteja-me, eu irei ao rio Não permita Emere seguir-me em casa Mãe proteja-me, eu irei ao rio Não permita que uma criança amaldiçoada siga-me em casa Mãe proteja-me, eu irei ao rio Não permita que uma criança estúpida siga-me em casa Olugbon morrei e deixou filhos atrás dele Arega morreu e deixou filhos atrás dele Olukoyi morreu e deixou filhos atrás dele Eu não poderei morrer sem deixar filhos atrás de mim Eu não poderei morrer de mãos vazias, sem descendentes.

No Brasil, porém, o termo Àbíkú, dito “Abikum” tem significado totalmente diverso. A mãe que entra grávida para o processo de iniciação dá a luz a uma criança que já nasce “feita pronta”, sem necessidade da tonsura ritual. Quando esta criança completa sete anos, sacrifícios são feitos para seu Òrìsá, sua cabeça é recoberta por uma cabaça antes que o sangue seja derramado, pois sobre a cabeça de uma criança “Abikum” o sangue não deve correr. Esta criança nunca estará sujeita a um transe de possessão por um Òrìsá, a elas está vetada a maioria dos cargos dentro da hierarquia sacerdotal brasileira. Ao mesmo tempo, ela já nasce com um posto honorífico, o de “feita sem ter sido raspada”, e é tido com certo que nenhum mal físico ou espiritual poderá atingi-la. Dizem também alguns sacerdotes que as crianças que nascem em datas determinadas são “Abikum”. E, sendo assim, pais e mães ambiciosos, programam seus filhos para que nasçam nestes dias, e até mesmo operações cesarianas são realizadas, para adequar a chegada ao mundo das crianças às datas de nascimento apropriadas para “Abikum”. O modo de encarar a pessoa “Abikum” muda de casa para casa, podendo ser acrescentados ou eliminados detalhes dessa explanação. Os pais e mães de Santos brasileiros deveriam reavaliar seu conceito sobre crianças Àbíkú, uma vez que estes nascimentos ocorrem não só na terra Yorùbá, elas nascem em todo o mundo e no Brasil também. É imperioso também que se instruam sobre todo o ritual sacro a ser realizado dentro da problemática Àbíkú. Vários povos ao redor do Golfo de Guinéa têm a mesma crença nos Àbíkú, embora dêem a eles nomes diferentes. Os Nupe chamam-nos de Kuchi ou Gaya- Kpeama. Entre os Ibo, são chamados Ogbanje ou Eze-Nwanyi ou Agwu ou ainda Iyi-Uwa Ogbanje. Já os Haussa chamam-nos Danwabi ou kyauta. Os Akan denominam a mãe de um Àbíkú Awomawu e entre os Fanti são conhecidos por Kossamah. Famílias que já perderam um ou mais filhos, tendem a buscar na religião um

consolo e uma explicação para estas mortes, e é dever da Tradição de Òrìsá e do Candomblé Ketú, estar apta para oferecer, além de um amparo religioso que diminua o sofrimento dos pais, uma solução para que tal tragédia não mais ocorra. Temos muita pouca literatura em português sobre o assunto, talvez apenas a tradução de um excelente artigo de Pierre Verger, publicado em 1983 na Revistas Afro-Asia nº. 14, com uma explanação ampla sobre Itan Ifá, Oruko Àbíkú, folhas e Ofo do qual farei citações literais mais adiante. Outros autores africanos, franceses e ingleses falam sobre o assunto, em considerações superficiais ou profundas, mas suas publicações não estão disponíveis para a quase totalidade do sacerdócio brasileiro. O fato de não possuirmos no Brasil local determinado, como a Floresta Àbíkú de Awaiye, não nos impede de sacralizar parte de um bosque para receber as oferendas das famílias das crianças Àbíkú. Tomando por base as recomendações do Itan Ifá, um Ebo poderá ser montado com um pedaço de tronco de bananeira, roupas e gorros tingidos de Òsún e bordados de guizos e búzios, pratos com comidas [Iyan; Akara; Ekuru; Eko; Doces; Canjica; Frutas; Mel; Guizos; Bebidas; Animais; Cabra; Pombo; Galo; Folhas]. As roupas serão colocadas nos galhos das árvores, as comidas e oferendas ao redor no chão, ou monta-se um carrego como para a morte, embrulhado em pano branco, que será enterrado ou solto nas águas de um rio. Não é necessário o uso de palavras, pois só o fato dos pais saberem qual o significado da oferenda secreta é suficiente para dar força mágica ao Ebo. Nada, porém dever ser feito sem confirmação e autorização de Òrúnmìlà, pois só a ele cabe nos orientar em nossas dificuldades e dúvidas. As folhas são colhidas como oferenda e utilizadas para fazer fricções no corpo, ou na feitura de pos mágicos que serão esfregados nas incisões no corpo e rosto dos Àbíkú, e na confecção de amuletos (Onde) ou para banhos rituais. Cada folha tem sua frase mágica, chamada Ofo, que aumenta seu poder de atuação no Ebo. Cito aqui textualmente os Ofo escritos por Pierre Verger:

Ewé Abirikolo, insinu Òrún e pehinda. (Folhas de Abirikolo, coveiro do Céu, voltai) Ewé Agidimagbayin, Òlòrún maa ti kun, a ku mo (Folha de Agidimagbayin, Òlòrún fecha a porta do Céu para que não morramos mais) Ewé Idi l’ori ki ona Òrun temi odi (Folha de Idi, dizei que o caminho do Céu está fechado para mim) Ewé Ija Agbonrin (Não ande pelo longo caminho que conduz ao Céu) Ewé Lara Pupa ni Òsún a won Àbíkú (A Folha de Lara Vermelha é o cânhamo dos Àbíkú) Olubotuje ma je ki mi bi Àbíkú omo (Olubotuje não me deixe parir filhos Àbíkú) Opa Emere ki pe ti fi ku, yio maa eu ni, nwon ni, nwon ba ri Opa Emere (Vara de Emere não os deixe morrer, isto lhes agrada, ver a Vara de Emere). As crianças Àbíkú devem, no sétimo dia a partir do nascimento, se forem meninas, ou no nono dia, se forem meninos (se for o caso de gêmeos, o dia certo é o oitavo) passar pelo ritual de Ikomojade , quando recebem um nome específico que desestimule sua volta ao Òrun. Nesta cerimônia são usada água, dendê, sal, mel, obì, peixe, gin, atare.

NOMES ÀBÍKÚ

Omolabake – Esta é uma criança que eu mimarei. Kujore – Deus poupou este aqui. Siwoku – Pare de morrer. Tire as mãos da morte. Kalejaye – Sente-se e goze a vida. Omotunde – A criança voltou. Maku – Não morra. Kikelomo – Crianças são feitas para serem mimadas. Moloko – Não tem mais enxada para enterrar. Ayedun – A vida é doce. Os nomes Àbíkú negam a morte e contam a doçura e a alegria da vida. Contam também como a Terra é bela e boa para se viver. Deve-se sempre chamar a criança por este nome, que pode ser incorporado oficialmente ou não aos seus outros nomes e sobrenomes. Isto também ajuda no rompimento do vínculo com o Egbe Òrún Àbíkú. Como a descoberta do pacto é algo difícil, sempre próximo ao

dia do aniversário da criança, até que esta complete 19 anos ou pelo prazo que

o Ifá determinar, deve ser feitas oferendas nos locais sacralizados,

acompanhadas ou não de Ebo a Egbe Eleriko. Para Òrìsá Egbe se colocam, em uma grande cabaça, os seguintes elementos: Ovos; Akasa; Iyan; Akara; Eba; cana-de-açúcar; Obi; Éerù, Ekodide; Bananas; Àádun; Doces – em um número de 01 ou 06. Esta cabaça é fechada, colocada em um saco e solta num rio, com acompanhamento de rezas e cantigas.

REZA (DE IBADAN) Egbe a afável mãe, aquela que é apoio suficiente para aqueles que a cultuam. Aquela que veste veludo, a elegante que come Cana-de-açúcar na estrada de Oyó. Aquela que gasta muito dinheiro em óleo de palma. Aquela que está sempre fresca e tem fartura de óleo com o qual ela realiza maravilhas. Aquela que tem dinheiro para o luxo, a linda. Aquela que sucumbe a seu marido como a uma pesada clave de ferro. Aquela que tem dinheiro para comprar quando as coisas estão caras.

CANTIGA (DE LALUPON) Por favor, use um Oja, o Oja é usado para atar as crianças em nossas costas. Eu posso cultuá-la todo o quinto dia.

A Mãe Egbe que mora entre as plantas.

Dê-me meus próprios filhos. Eu posso cultuá-la a cada cinco dias. Os Àbíkú não são, como querem certos autores ou sacerdotes, seres maléficos, que tem por “missão” causar sofrimento às suas mães. Eles carregam consigo, por causa de seu constante morrer/renascer, o peso de Iku, a morte, e são seres divididos entre a vontade de ficar na Terra com suas famílias e o desejo e a obrigação de retornar ao Egbe Òrun. O Bàbálorìsá ou Yàlorìsá tem verificado que uma criança é Àbíkú, deve estar preparado para contornar a natural reação dos familiares, de medo, susto, repulsa e mesmo horror, porque a primeira impressão de pais não habituados ao assunto é crer que o sacerdote coloca seu filho em

uma classificação espiritual de maldade e perversão. Também o risco iminente de uma morte súbita apavora a família que tende a reagir com agressividade ou

incredulidade, e quer garantias infalíveis e imediatas que isso não é verdade, por quaisquer meios. Portanto, é necessário que se explique aos pais o problema, e que se dê ao mesmo tempo soluções adequadas, que se citem casos e exemplos, naturalmente sem falar em nomes ou detalhes desnecessários, a fim de que os familiares concordem em ser totalmente esclarecidos e orientados para uma solução definitiva. Explicar também que oferendas “podem” reter o Àbíkú na Terra, se feitas corretamente, mas antes que tenha sido o pacto identificado e rompido, a oração e a crença profunda nos Òrìsá é de grande valia. Mães que já tenham perdido filhos Àbíkú devem ser avisadas da necessidade de oferendas para que o Àbíkú não volte a nascer de seus corpos e elas possam dar à luz crianças normais. Por vezes o nascer e morrer inúmeras vezes de uma criança pode abalar física e psiquicamente a Mãe e recursos médicos e terapêuticos “nunca” devem ser abandonados. Pelo contrário, sua utilização deve ser incentivada, em combinação com o tratamento espiritual. Os pais não devem considerar isso com castigo, karma, feitiço ou outras explicações engendradas pela falta de conhecimento. Para isso o sacerdote deverá esclarecê-los e pacificá-los com a solidez e peso de seus argumentos. Assim, no Brasil, como nos países Yorùbá, a problemática Àbíkú será contornada e menos pais serão vítimas de sofrimento causado pela morte de seus filhos. Se formos analisar profundamente, neste texto chegaremos a uma conclusão o culto foi criado devido à dor da separação isso

é nítido em todos os òrìkís e odúras (rezas e orações) se não pararmos os

genocídios ainda teremos muito a aprender e se não conseguirmos mostrará que nada aprendemos com a historia, pois na verdade se criou os Àbíkús devido a morte em massa de crianças e mães em guerras africanas pelos diferentes entendimentos étnicos, bem é notório o desespero de algumas mães, a busca desesperada de seu filhos e também existem alguns Àbíkús que são aqueles abortos ou aquelas crianças indesejadas ou mesmo criança de estrupos o que nasceram pelo ódio pela perversidade.

O

culto aos Àbíkús vem mostra algo que deve se mudar, mas que até o momento

tem piorado, hoje crianças respiram o emi (sopro divino) e morrem em seguida,

e algumas pessoas acham que estes viraram Àbikú existem vários espíritos entre

eles os bons e os ruins aqueles que apenas respiram a vida, e outros que viveram até seus 07 anos de idade e outros que não completaram a gestação, cada um destes tem um motivo para se apresentar a terra, ou naquela família, obs. devemos refletir sobre todos os pontos de vista sobre Àbikú, mas devemos primeiramente não criar fantasia sobre um assunto tão importante na vida de pessoas que perderam ou que desejam ter seus Bebes em suas mãos. Quanto a iniciação de Àbikú deixo bem claro que esta possibilidade é quase impossível, pois vejam bem: se orixá é fonte de energia da natureza deste mundo dos vivos,porque razão faríamos uma alma Àbíkú como Òrìsá? Outro ponto importante, se Òrìsá é luminosidade com certeza ele tem as formas de parar o Àbíkú, se não o culto esta dentro de eguns não de Òrìsás lembrando que Òrì-sás significa cabeças de luz. O Àbìasé é outra coisa muito diferente de Àbíkú, Àbìasé seria um ancestral, um selador de Òrìsá que não cumpriu seu Rumgêbre na terra dos vivos então seu Òrìsá vem em outra pessoa mais jovem para assim continuar com seus feitos. Podemos chamar de Àbìasé um wáo que

nasce num barracão e perde seu zelador de Òrìsá ele pode ser escolhido para ser o Àbìasé da casa, ou seja, ele é o herdeiro, pode acontecer também que 07 anos antes da morte do sacerdote o Òrìsá escolha seu sucessor neste caso ele não é Àbìasé ele é o que herdará todos os segredos da casa por ter uma dinastia dentro do Òrìsá do sacerdote que lhe iniciou. Espero te tirado alguma duvida e me coloca a disposição, não para esclarecer, mas sim para que juntos podemos encontrar uma forma de melhor servir ao Òrún (céu) e assim termos mais paz aqui no mundo dos vivos!

A verdade sobre o orixá e Ifá.

Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Ao longo dos anos tenho acompanhado um grande numero de pessoas divulgando a religião tradicional yoruba, algumas delas bem intencionadas fazem ótimos trabalhos outras, no entanto, se limitam a divulgar materiais vindos do exterior como sendo a mais pura verdade, incontestável e irretocável verdade.

O povo de nosso país durante anos foram vitimados com a verdade católica que

moldou a forma de pensar de nosso povo, a nossa gente pensa em religião como

se

o catolicismo fosse à base para tudo.

O

planeta tem sete milhões de habitantes, o catolicismo durante longo tempo foi

dominante em vários países, hoje isso já não acontece, à manipulação da informação aos poucos deixa de existir sendo assim as pessoas tem acesso a informações referentes às mais diversas religiões.

A necessidade de nossos irmãos na fé do orisá é especifica, não podemos mudar

na teologia com filosofia católica ou cristã. Existe uma guerra acontecendo nas entrelinhas em nosso país, evangélicos e católicos disputam com violência os fieis, isso gera desconforto para nossos irmãos, em grande parte dominados por um sistema corrupto que associa a politica a religião e ao poder da mídia.

O povo que cultua orisá esta necessitando de informações, precisamos de canais

de tv e emissoras de rádios disponibilizando informações verdadeiras sobre a teologia e a filosofia yoruba. Na tentativa de criar mais um espaço onde a informação sobre orisá possa ser divulgada criamos vários trabalhos, incluindo os nossos blogs e as nossas paginas na internet.

Não somos os donos da verdade, temos um trabalho que é fruto de dedicação com mais de cinco décadas de fé e amor aos orisás. É bem verdade que os orisás foram generosos conosco, nos possibilitaram um convívio com pessoas capacitadas que auxiliaram na nossa informação.

Vejo constantemente na internet abordagens equivocadas algumas pessoas na falta de conhecimento improvisam e terminam misturando o cristianismo com a

religião tradicional de culto ao orisá. Essa semana recebi de presente de aniversario de um querido amigo um livro do grande escritor Ayo Salami, após a leitura resolvi escrever esse texto desmitificando algumas questões, o livro que fala sobre Egbe Orun me inspirou uma abordagem ampla sobre a filosofia e a religião yoruba.

Buscando torna a didática leve e acessível para pessoas de todas as idades e níveis intelectuais, vamos abordar algumas questões de forma simplificada.

O

nascimento

O

nascimento de um ser humano dentro da religião yoruba é descrito em varias

fases, nos versos de ifá, partindo do principio ativo que é particularmente conhecido como alma.

Alma

A alma que vamos designar dessa forma para fácil identificação tem origem

divina, Olodumare “Deus” com a necessidade de criar novos indivíduos encarrega Obatala de criar novos corpos celestiais que após a criação ganhou vida com o sopro divino do criador, “Deus”. Com a vida insuflada em um principio que se origina em dois corpos simultaneamente a alma agora dos seres idênticos segue a trajetória natural se dirigindo para a escolha de um orí.

Ori

O orí é escolhido pela alma e seu duplo originando aqui após a escolha diante

de Àjàlá “aquele que cria o “Ori” um duplo do orí idêntico que tenha a função

de acompanhar o duplo da alma no orun”.

Egbe Orun

O culto a Egbe Orun enfatiza a necessidade de atrair o duplo da alma que

permanece no Orun depois do nascimento com a finalidade de acessar a ligação divina de Egbe com Olodumare possibilitando uma vida mais confortável.

Abiku

O espirito abiku reproduz a insatisfação e a falta de aceitação com o destino e o

afastamento do duplo, sendo assim o encontro da morte é a maneira simplista de reencontrar o duplo no orun. Embora muitas pessoas com problema de abiku não morram jovens a sua

condição de insatisfação e a não aceitação do destino escolhido caracterizam seu comportamento.

Bori

O culto a orí enfatiza a necessidade de atrair do duplo do orí que permanece no

Orun depois do nascimento com a finalidade de acessar a ligação divina de orí com Olodumare possibilitando uma vida mais confortável.

Obs: Na filosofia Yoruba o duplo da alma e o duplo do orí por permanecer no Orun tem ligação direta com o divino isso facilita o acesso a uma vida prospera e tranquila dai a razão do culto ao duplo. Sendo que o orí e a alma que se destinaram para acompanhar o corpo no nascimento em convívio terreno perde muito da sua inocência e distancia o homem do seu criador.

Esse tema já foi abordado por vários pensadores que aproximam a figura infantil e inocente do divino que também descrevem o afastamento de Deus com o passar do tempo e o desenvolvimento do caráter e da personalidade.

Caráter

O caráter conhecido na filosofia yoruba como IWA esta contido na escolha do

individuo aos pés de Àjàlá no momento da escolha d orí, porém com uma

definição mais ampla conhecida por nós como odu.

Odu

Odu pode ser designado como o resultado de parte da essência divina

introduzido em quatro elementos o orí e o seu duplo assim como a alma e seu duplo, esse conjunto em movimento após o nascimento concentra na parte que vem para terra o Iwa que sofre algumas alterações com o passar do tempo e o convívio com outros indivíduos gerando aqui o que conhecemos como personalidade.

A personalidade

A livre escolha de como viver expressada em uma pequena parte de como

conhecemos como destino pode nos aproximar ou nos afastar do divino, pessoas com o mesmo odu que tem a alma como ponto de origem da mesma essência, “Egbe” expressam comportamentos diferentes em razão do caráter “IWA” gerando assim um comportamento identificado como diferente da essência conhecido como personalidade.

Destino

Ori esta ligado ao odu, e existe 256 odus diferentes, a grosso modo, teríamos no mínimo 256 tipos de bori. Mas a verdade é que esse procedimento não segue nenhuma regra e sim, uma orientação de Ifa ocasional.

Obs:O destino pode ser assim compreendido.

AKUNLEYAN é a parte do destino que cada um escolhe por vontade própria, livre arbítrio.

AKUNLEGBA é a parte do destino o qual está adicionada como complemento de AKUNLEYAN.

AYANMO é aquela parte do destino que nunca pode ser mudado. Por exemplo: Pais, sexo etc

Ìwà Rere quer dizer, bom caráter, um dos principais requisitos para se tornar digno de ser cultuado por seus descendentes após sua morte.

Apari-Inu representa o caráter à natureza humana, Ori Apere representa o destino.

Um indivíduo pode vir para a terra com um bom destino, mas se ele vem com

mau caráter, à probabilidade de cumprimento, do seu destino é comprometida.

O pecado

A cultura Yoruba não reconhece o pecado, pessoa que toma a iniciativa de se

distanciar de seu destino, é o que popularmente se chama de pobre de espirito.

A filosofia Yoruba é fantástica, existe uma frase que diz, o castigo deve ser

adequado ao caráter do culpado.

Isso identifica que o caráter também faz parte da escolha, assim como o odu a escolha é testemunhada por Orunmila.

O

Espirito

O

espirito é descrito em um conjunto que é formado pelo Ori, a alma e o caráter,

o

odu de duas pessoas idêntico pode gerar comportamentos diferentes em razão

do desenvolvimento do caráter que é alterado gerando o distanciamento do destino comprometendo a alma e distanciando a mesma de seu duplo e da sua essência.

Orunmila

O culto a Òrúnmilà serve para aprimorar o caráter e aproximar o individuo de seu

destino, o conhecimento do odu de nascimento serve para nortear o comportamento visando aproximar a alma e o orí de seu duplo contando com o apoio do Orisa.

Orisa

A nossa alma tem a mesma origem que tem o orisa porem a nossa alma

pertence a um egbe e o Orisa pertence a outro egbe a origem é a mesma, mas definição se difere porque a alma considerando a parte que vem para a terra pode se distanciar da origem o orisa se mantem em sua essência divina e possibilita o acesso à prosperidade assim como o nosso duplo no orun por razões anteriormente descritas.

O culto a Orisa

O culto a orisa assim como o culto a orí e egbe tem a mesma finalidade que é a

aproximação com o divino e a identificação com a nossa origem, considerando que o duplo é parte do Deus e assim se comporta a essência é fundamental no desenvolvimento do espirito. As pessoas que são iniciadas para determinados Orisás seguem uma orientação de Ifá baseada em um principio da complementação. Quando um sacerdote de Ifa é iniciado cumpre uma série de rituais e cultua os Orisás indicados nos odus relativos à sua iniciação, já no caso da pessoa não iniciada em Ifá o processo pode seguir uma orientação um pouco diferente.

A

incorporação

O

transe consciente visa à aproximação do individuo com a essência do divino

expressa no Egbe, ela é provocada e se justifica para a evolução do espirito que

habita em cada um de nós.

O transe inconsciente que não é reconhecido pela ciência tão pouco se

justificaria como forma de evolução, pois se eu não tenho conhecimento que

estou alinhado como poderia me beneficiar do alinhamento, tal comportamento

é injustificado e inexplicável para a evolução espiritual.

Mesmo que algumas pessoas acreditam quem isso é possível a ciência contesta e

o comportamento daqueles que tomam banho e colocam roupas adequadas

para os rituais se entregando ao ritmo das cantigas invocatórias de forma consciente o individuo em alinhamento com a essência propositalmente.

A informação da não consciência é usada dos dois lados do oceano por pessoas

que se beneficiam e usam a energia do divino em beneficio próprio as aberrações no território yoruba como em outros países chegam ao máximo dos ridículos onde números de magicas tentam justiçar a veracidade do espirito, homens introduzem instrumentos perfurantes em seu corpo tentando provar uma incorporação, mas na verdade uma solução de folhas anestésicas é usada como forma de amenizar a dor criando um palco ilusórias onde inúmeras pessoas contracenam com a mentira.

Egungun

O culto aos antepassados tem a mesma finalidade que o culto de Egbe e Ori

com uma diferença o alinhamento é buscado na essência e não no duplo.

O culto a egungun tem a mesma finalidade que o culto a orisá, a aproximação

da essência que não sofreu alteração e mantem o principio do divino possibilita o viver mais confortável e o desenvolvimento espiritual próximo do compromisso

assumido antes do nascimento.

O

culto a Orunmila

O

ato de criar o Ifá do individuo através do assentamento de Orunmila possibilita

a criação do instrumento que identificara o destino e os compromissos assumidos antes do nascimento essa questão é fundamental que seja compreendida como um mapa que auxiliara a pessoa na caminhada terrena, mas também auxiliara o espirito no alinhamento com o duplo.

Somente Orunmila testemunhou a nossa escolha do nosso destino, a voz de Orunmila só pode ser ouvida no Ifa e o Ifá pessoal reproduz com mais detalhe a nossa escolha.

Isefa

Para algumas famílias o isefa não é uma iniciação, em nossa família consideramos o Itefa uma iniciação completa e o isefa uma pré-iniciação, em nossa família toda a pessoa submetida a um isefa recebe um nome, além das orientações do odu do ritual, se essa pessoa recebe uma indicação de ifá que deve se tornar um babalawo, o ifá é alimentado mais uma vez, em um novo ritual, que não acontece no mesmo dia, e um opele é consagrado para o inicio dos estudos.

Em algumas famílias a pessoa submetida em um isefa é chamada Omo ifá, e uma submetida ao itefa são conhecidas como awo ifá. Em nossa família consideramos esses dois nomes e usamos a denominação awo

kekere, (pequeno segredo), ou awo kekere, para as pessoas com indicação do inicio a preparação para itefa.

O awo kekere, é uma pessoa que normalmente tem o seu Exu arrumado com o

odu do isefa ou com um odu indicado por ifá, na segunda cerimonia quando é

consagrado o opele de estudo.

O awo kekere pode receber esse opele que muitas vezes é confeccionado com

pedaços pequenos de cabaças, semelhante ao que é feito no ifá cubano, com pedaços de coco, ou com um opele padrão, com favas de opele legitimas, a diferença na consagração do opele, para estudo é o porte do sacrifício por razões obvias não vou mencionar como é feito, mas existem inúmeras formas de consagrar um opele, uma pessoa que passa pelo itefa, mesmo tendo odu de babalawo, não tem o seu opele consagrado para atender clientes, a consagração do opele em alguns casos no itefa, é muito simplificada consistindo em que o opele come dentro da vasilha de Orunmila, já para consagrar o opele que vai consultar para clientes a consagração, é fora da vasilha de Orunmila e não necessitam que Orunmila seja alimentado, os rituais para esse caso, estão muito ligados a o culto de Exu.

Itefa.

Uma pessoa submetida a um itefa pode continuar se incorporando com caboclo, esu, preto velho, e seu orisá, se não for um babalawo, essas pessoas que tem

cargo de babalorisas ou tem caminho de oloorisa, passam por quase todos os rituais, que um babalawo passa a diferença esta ligada ao culto de Iya odu e Osun (antepassado).

O culto de Osun (antepassado) tem rituais específicos para pessoas que passam

por uma iniciação e rituais completamente diferentes para a pessoa que vai iniciar outras pessoas.

As pessoas, iniciadas para se tornarem babalawos começam os seus estudos, não no momento que fazem o itefa, começam seus estudos quando na pré-iniciação (isefa), recebem uma orientação de Orunmila que tem caminho de babalawo.

As pessoas pertencentes ao ifá Cubano, assim como as pessoas acolhidas em nossa família, que por alguma razão, se afastaram da sua família do ifá Nigeriano recebem um tratamento totalmente diferente, condicionado a uma forte demonstração de conhecimento ou baseado em uma orientação determinante de ifá, só assim pode ser considerado o tempo de estudos para uma futura liberação para um atendimento de clientes.

O primeiro caso, diz respeito a um conhecimento não dos versos da família a qual

a pessoa fazia parte, mas sim de um conhecimento universal, de tudo que envolve ifá.

Se Orunmila disser que devemos aproveitar os ikins da pessoa que foi iniciado no ifá Cubano, assim o faremos, pois para nós ifá é universal, mesmo tento conhecimento que os ikins usados nas iniciações da tradição do ifá Nigeriano sejam completamente diferentes das sementes de dendê usadas em Cuba.

O mais importante nesses casos é levar em consideração que o iniciado no ifá

Cubano, recebe já na sua primeira mão de ifá, o assentamento de Osun (antepassados) e Exu, diferente do isefa tradicional.

Se for aceito o assentamento de ifá, também vai ser aceito o assentamento de Osun (antepassados) e o de Exu, existem alguns casos, no ifá Cubano que a pessoa tem um opele de casca de coco, se ela passar para o ifá Nigeriano esse opele, só poderá ser usado, como um adorno, o sacerdote em sua nova caminhada deve consultar para os seus clientes com o opele tradicional.

Já o assentamento de Osun (antepassado), pode ser mantido em paralelo, assim como o Exu e o ifá, dispensando uma nova iniciação, considerando que não se pode iniciar uma pessoa duas vezes, isso seria um desrespeito com suas raízes anteriores.

Duração das cerimonias.

Um isefa leva até três dias para conclusão da cerimonia, já um itefa leva de três a dezessete dias, a conclusão das cerimonias, isso não quer dizer que não possa seguir outras indicações como é bem comum, sete dias. Sempre a orientação de Orunmila no ifá, é que vai ser seguida.

Ìtélodú

Nessa cerimonia o iniciado s torna um sacerdote conhece pelo nome de um Babalawo os Babalawo NÃO INCORPORAM, e se dedicam ao estudo dos odus

por toda a vida cultuando.

A trajetória de estudos do Babalawo pode ser descrita de varias formas, porém a

cerimonia onde o mesmo é reconhecido pela divindade conhecida como iya odu é o ápice na religião tradicional yoruba não existe Babalawo que não tenha sido apresentado para iya odu.

Iya odu

Já falamos sobre Egbe, odu destino e a essência divina falar de iya odu é falar da divindade útero gerador de odu sendo assim estamos falando de Egbe no plural, essa divindade abriga vários odus, sendo assim da origem há varias egbe disponibilizando para o criador parte da essência no momento da criação do espirito.

Expectativa

Não espero que esse trabalho mude a historia de ifá no Brasil tenho consciência que com o passar do tempo outras pessoas poderão se sentir motivadas a escrever sobre a nossa religião o importante é que cada um de nós tente auxiliar na divulgação, juntos encontraremos a essência de nossos Egbes, desenvolveremos nossos espíritos e cumpriremos nossos destinos.

Se você gostou, compartilhe, reproduza. Só não esqueça que a produção

intelectual é de propriedade privada, então, credite a autoria dos textos.

Obrigado

Postado por Bàbàláwo Ifágbaíyin Agboolà às 13:46

Para os Iorubás, a árvore Iroko é a morada de espíritos infantis conhecidos ritualmente como "abiku" e tais espíritos são liderados por Oluwere. Quando as crianças se veem perseguidas por sonhos ou qualquer tipo de assombração, é normal que se faça oferendas a Oluwere aos pés de Iroko, para afastar o perigo

de que os espíritos abiku levem embora as crianças da aldeia. Durante sete dias

e sete noites o ritual é repetido, até que o perigo de mortes infantis seja afastado.

O culto a Iroko é um dos mais populares na terra Yorubá e as relações com esta

divindade quase sempre se baseiam na troca: um pedido feito, quando atendido, sempre deve ser pago pois não se deve correr o risco de desagradar Iroko, pois ele costuma perseguir aqueles que lhe devem.

Abikú e Abiaxé: Parte 1 por tomeje

Abikú e Abiasé Só mesmo um grande mestre como Pierre Verger para nos tirar da ignorância sobre este tema, através da sua pesquisa e coragem, cujo legado será eterno. Se uma mulher, em país yoruba dá à luz uma série de crianças natimortos ou mortas em baixa idade, a tradição reza que não se trata da vinda ao mundo de várias crianças diferentes, mas de diversas aparições do mesmo ser (para eles maléfico), chamado àbíkú (nascer-morrer) que vem ao mundo por um breve momento para logo voltar ao país dos mortos, órun (o céu), várias vezes. Ele passa assim seu tempo a ir e voltar do céu para o mundo sem jamais permanecer aqui por muito tempo, para grande desespero de seus pais, desejosos de ter os filhos vivos. Essa crença se encontra entre os Akan, onde a mãe é chamada awomawu (ela bota os filhos no mundo para a morte). Os Ibo chamam os abikú de ogbanje, os Hauças de danwabi e os Fanti, kossamah. Encontramos informações a respeito dos abikú em oito itans (histórias) de ifá, sistema de adivinhação dos yorubá, classificados nos 256 odu (sinais de ifá). Essas histórias mostram que os abikú formam sociedades no egbá órun (céu), presididas por Iyàjansà (a mãe-se-bate-e-corre) para os meninos e Olókó (chefe da reunião) para as meninas.Mas é Aláwaiyé (Rei de Awaiyé) que as levou ao mundo pela 1ª vez na sua cidade de Awayié. Lá se encontra a floresta sagrada dos abikú, aonde os pais de abikú vão fazer oferendas para que eles fiquem no mundo. Quando eles vêm do céu para a terra, os abikú passam os limites do céu diante do guardião da porta, oníbodé órun, seus companheiros vão com ele até o local onde eles se dizem até logo. Os que partem declaram o tempo que vão ficar no mundo e o que farão. Se prometerem a seus companheiros que não ficarão ausentes, essas, crianças apesar de todo os esforços de seus pais, retornarão, para encontrar seus amigos no céu. Os abikú podem ficar no mundo por períodos mais ou menos longos. Um abikú menina chamada “A-morte-os-puniu” declara diante de oníbodé órun que nada do que os seus pais façam será capaz de retê-la no mundo, nem presentes nem dinheiro, nem roupas que lhes ofereçam, nem todas as cosias que eles gostariam de fazer por ela atrairiam os seus olhares nem lhe agradariam. Um abikú menino, chamado ilere, diz que recusará todo alimento e todas as coisas que lhe queiram dar no mundo. Ele aceitará tudo isto no céu. Quando Aláwaiyé levou duzentos e oitenta abikú ao mundo pela primeira vez, cada um deles tinha declarado, ao passar a barreira do céu, o tempo que iria ficar no mundo. Um deles se propunha a voltar ao céu assim que tivesse visto sua mãe; um outro, iria esperar até o dia em que seus pais decidissem que ele casasse; um outro que retornaria ao céu, quando seus pais concebessem um novo filho, um ainda não esperaria mais do que o dia em que começasse a andar. Outros prometem à iyàjanjasà, que está chefiando a sua sociedade no céu, respectivamente, ficar n mundo sete dias, ou até o momento em que começasse a andar ou quando ele começasse a se arrastar pelo chão, ou quando começasse a ter dentes ou ficar em pé. Nossas histórias de ifá nos dizem que oferendas feitas com conhecimento de causa são capazes de reter no mundo esses àbíkú e de lhes fazer esquecer suas promessas de volta, rompendo assim o ciclo de suas idas e vindas constantes entre o céu e a terra, porque, uma vez que o tempo marcado para a volta já tenha passado, seus companheiros se arriscam a perder o poder sobre eles. É

assim que nessas quatro histórias encontramos oferendas que comportam um tronco de bananeira acompanhado de diversas outras coisas. Um só dos casos narrados, o terceiro, explica a razão dessas oferendas: Um caçador que estava à espreita, no cruzamento dos caminhos dos àbíkú, escutou quais eram as promessas feitas por três àbíkú quanto à época do seu retorno ao céu. Um deles promete que deixará o mundo assim, que o fogo utilizado por sua mãe, para preparar sua papa de legumes, se apague por falta de combustível. O segundo esperará que o pano que sua mãe utilizar, para carregá-lo nas costas se rasgue. A terceira esperará, para morrer, o dia em que seus pais lhe digam que é tempo de ele se casar e ir morar com seu esposo. O caçador vai visitar as três mães no momento em que elas estão dando à luz a seus filhos àbíkú e aconselha à primeira que não deixe se queimar inteiramente a lenha sob o pote que cozinha os legumes que ela prepara para seu filho; à segunda que não deixe se rasgar o pano que ela usar para carregar seu filho nas costas, que utilize um pano de qualidade diferente; ele recomenda, enfim à terceira, de não especificar, quando chegar a hora, qual será o dia em que sua filha deverá ir para a casa do seu marido. As três mães vão então consultar a sorte, ifá, que lhes recomenda que façam respectivamente as oferendas de um tronco de bananeira, de uma cabra e de um galo, impedindo, por meio deste subterfúgio, que os três àbíkú possam manter seu compromisso. Porque, se a primeira instala um tronco de bananeira no fogo, destinado a cozinhar a papa do seu filho, antes que ele se apague, o tronco de bananeira, cheia de seiva e esponjosa, não pode queimar, e o abikú, vendo uma acha de lenha não consumida pelo fogo, diz que o momento da sua partida ainda não é chegado. A pele de cabra oferecida pela Segunda mãe serve para reforçar o pano que ela usa para levar seu filho nas costas a criança abikú não vai achar nunca que esse pano se rasgou e não vai poder manter sua promessa. Não se sabe bem o porque do oferecimento de um galo, mas a história conta que quando chegou a hora de dizer à filha já uma moça, que ela deveria ir para casa do seu marido, os pais não lhe disseram nada e a enviaram bruscamente para a casa dele. Nossos três abikú não podem mais manter a promessa que fizeram, porque as circunstâncias que devem anunciar sua partida não se realizaram tais como eles tinham previsto na sua declaração diante de oníbodé órun. Estes três abikú não vão mais morrer. Eles seguiram um outro caminho. Comentamos esta história com alguns detalhes porque ilustra bem o mecanismo das oferendas e de sua função. Não é o seu lado anedótico (de lenda) que nos interessa aqui, mas a tentativa de demonstração de que em país yorubás, a sorte (destino) pode ser modificada, numa certa medida, quando certos segredos são conhecidos. Entre as oferendas que os retêm aqui, na terra, figuram, em primeiro plano, as plantas litúrgicas. Cinco delas são citadas nestas histórias: Abíríkolo (crotalaria lachnophera, papilolionacaae). Agídímagbayin (não identificada). Ídí (terminalia ivorensis, combretacae). Ijá àgborin (não identificada). Lara pupa (ricinus communis – mamona vermelha). Ainda mais duas plantas são freqüentemente utilizadas para reter os abikú e que não figuram nessas histórias: Olobutoje (jatropha curcas, euphorbiaceae). Òpá eméré (waltheria americana, sterculiaceae). A oferta dessas folhas constitui uma espécie de mensagem e é acompanhada por ofó (encantamentos). Em país yorubá, os pais para proteger seus filhos abikú e tentar retê-los no mundo podem se dedicar a certas práticas,

tais como fazer pequenas incisões nas juntas da criança e aí esfregar atin (um pó preto feito com ossum, favas e folhas litúrgicas para esse fim) ou ainda ligar à cintura da criança um ondè, talismã feito desse mesmo pó negro, contido num saquinho de couro. A ação protetora buscada nas folhas expressa nas fórmulas de encantamento é introduzida no corpo da criança por pequenas incisões e fricções, e a parte do pó preto, contida no saquinho do ondé, representa uma mensagem não verbal, uma espécie de apoio material e permanente da mensagem dirigida pelos elementos protetores contra os elementos hostis, sendo essa forma de expressão menos efêmera do que a palavra. Em uma outra história, são feitas alusões aos xaorôs, anéis providos de guizos, usados nos tornozelos pelas crianças abikú, para afastar os companheiros que tentam vir buscá-los no mundo e lembrar-lhes suas promessas. De fato seus companheiros não aceitam assim tão facilmente a falta de palavra dos abikú, retidos no mundo pelas oferendas, encantamentos e talismãs preparados pelos pais, de acordo com o conselho dos babalaôs. Nem sempre essas precauções e oferendas são suficientes para reter as crianças abikú sobre a terra. Iyàjanjasà é muitas vezes mais forte. Ela não deixa agir o que as pessoas fazem para retê-los e porá tudo a perder o que às pessoas tiverem preparado. Contra os abikú não há remédios. Yiájanjàsá os atrairá à força para o céu. Os corpos dos abikú que morrem assim são freqüentemente mutilados. A fim de que, dizem, eles percam seus atrativos e seus companheiros no céu não queiram brincar com eles, sobretudo para que o espírito do abikú, maltratado deste modo, não deseje mais vir ao mundo. Essas crianças abikú recebem no seu nascimento, nomes particulares. Alguns desses nomes são acompanhados de saudações tradicionais. Eles podem ser classificados: quer nomes que estabeleçam sua condição de abikú; quer nomes que lhes aconselham ou lhe suplicam que permaneçam no mundo, quer em indicações de que as condições para que o abikú volte não são favoráveis; quer em promessas de bom tratamento, caso eles fiquem no mundo. A freqüência com que se encontram, em país yorubá, esses nomes em adultos ou velhinhos que gozam de boa saúde, mostra que muitos abikú ficam no mundo graças, pensam as almas piedosas, a todas essas precauções, à ação de Òrúnmìlà, e à intervenção dos babalaôs.

Abiku e Abiaxé: Parte2 por tomeje

ALGUNS NOMES DADOS AOS ABIKÚ:

Aiyédùn – a vida é doce. Aiyélagbe – Nós ficamos no mundo. Akúji – O que está morto, desperta. Bánjókó – Senta-se comigo. Dúrójaiyé – Fica para gozar a vida. Dúróoríìke – Fica tu serás mimada. Èbèlokú – Suplica para que fique. Ilètán – A terra acabou (não há mais terra para enterra-lo).

Kòjékú – Não consinta em morrer. Kòkúmó – não morra mais. Kúmápáyìí – A morte não leva este daqui. Omotúndé – A criança voltou. Tìjúikú – Envergonhado da morte (não deixa a morte te matar). ITANS DE IFÁ. É preciso cuidar dos abikú, senão eles voltam para o céu. Oferendas podem reter abikú no mundo. Subterfugios para reter os abikú no mundo Olóìkó é o chefe da sociedade dos abikú Asejéjejaiyé fica no mundo na décima sexta vez que ele vem Os abikú chegam pela primeira vez em awaiyé Iíyájanjàsá não deixa os abikú ficar no mundo. Estes itens completos são descritos numa edição da revista Afro – Ásia, em 14 – 1983, sob o título. *A SOCIEDADE EGBÉ ÒRUN DOS ÀBÍKÚ, AS CRIANÇAS NASCEM PARA MORRER VÁRIAS VEZES* As cerimônias para os abikú parecem ser pouco freqüentes entre os yorubás, a única assistida por Pierre Verger, a cerimônia foi feita pela tanyinnon encarregada do culto aos deuses protetores de uma família tradicional do bairro Houéta. Num canto da peça principal, oito estatuetas de madeira com 20 centímetros de altura e eram colocadas sobre uma banqueta de barro. Todos vestidos de panos da mesma qualidade, mostrando pela uniformidade de suas vestimentas, pertencerem a uma mesma sociedade (egbé). Seis destas estatuetas representam ábíkús e as outras duas ibeji. As oferendas consistiam de: oká (pasta de inhame). Obèlá (espécie de caruru). Èkuru (feijão moído e cozido nas folhas). Eran dindi, eja dindin (carne e peixe fritos). Depois da prece da tanyionnon e da oferenda de parte desta comida às estatuetas, foram distribuídas pela assistência. Uma sacerdotisa de Obatalá assistiu à cerimônia sublinhando as ligações que existem entre o orixá da criação, as pessoas de corpos mal formados, corcundas, alijados, albinos e aqueles cujo nascimento é anormal (àbíkú e ibeji). Portanto ao contrário que muitos falam nada tem a ver com a criança que já nasce “feita” no santo. ABIKÚ – CONSIDERAÇÕES DO AUTOR NOS TEMPOS DE HOJE. O legado dos antigos pelas suas crenças, histórias e ritos da sua prática religiosa e cultural, se adaptam e se aplicam em qualquer tempo, através da sua sabedoria, com muita propriedade. Em seu tempo, não há referências ao aborto, mas ao contrário, o esforço pela manutenção da vida, inclusive em quantidade. Pela prática divinatória através do jogo de búzios, nos dias de hoje identificamos muitos desses abikús, que percebemos em uma segunda instância, muitos são “criados”, passam a existir por ingerência do ser humano através do aborto, é até simples de entender e ver por uma ótica e lógica astral/espiritual a qual simplesmente não podemos deletá-la da nossa mente e inteligência, ou na pior das hipóteses, ignorá-la. No instante em que o óvulo é fecundado pelo espermatozóide, esta nova matéria existente já é provida de alma e espírito, que os cristãos chamam de “anjo da guarda” e os yorubanos de “orixá” (guardião da cabeça), este fenômeno consta na teologia Yorubana, na lenda de Ajálá, que será comentada. Quando da execução do aborto propriamente dito, o ser humano supostamente, exerce o “seu direito” de eliminar aquele ser; mas somente a parte

material, o corpo, por ele criado através do ato sexual de procriação, matando de forma definitiva o feto. Mas e o que por ele não foi criado, alma e espírito, onde fica, para onde vai? Esta análise via de regra não é feita ou levada em consideração, acaso haverá conseqüências? Seriíssimas, que aqui descrevemos com muita convicção, pautado nas mais diversas constatações através dos consulentes, por mais de duas décadas, dos sintomas pós-aborto, a presença daquela “figura” que aparece de uma forma genética, oriunda de gerações passadas, os que são provocados e voltam ainda na mesma geração, e os que voltarão em nossos descendentes, e da forma mais imprevisível possível. A grande maioria de seres que nascem com deformidades, doenças graves, mortes prematuras… Tem grandes possibilidades de serem abikús fabricados pelo homem. Nos dias de hoje, quando morre uma criança ainda nova, há muita possibilidade de ser um abikú que está voltando ao “céu”, bem como persiste a probabilidade de voltar em um próximo filho, ainda na mesma geração ou na próxima; quando uma criança fica muito doente e corre risco de vida, pode averiguar na família se já há caso de aborto ou morte prematura, é bem possível. As reações, mais da mãe que do pai, em caso de aborto, porque muitas vezes o pai não fica sabendo e não participa da decisão, na sua vida, no seu dia a dia são sintomáticas: desequilíbrio generalizado, na vida pessoal, no trabalho, em casa, nos estudos, nada dá certo, nada vai bem, angustia, depressão, pessimismo, falta de ânimo, aparentemente tudo deveria estar bem, mas as coisas não “vão”. É a influência daquele “ser”, que contrariando as leis da natureza foi “fisicamente” eliminado, o qual fica gravitando num outro plano próximo aos pais, afetando suas vidas com estes sintomas. Até mesmo por uma questão de justiça, não poderá um abikú que foi “gerado” por uma família, aparecer em outra, que nada tem a ver com o ato irresponsável de outros, e percebemos que uma criança que já nasce deformada de alguma forma, ou uma doença grave com morte, quem sofre realmente na sua plenitude são os pais, porque a dor interna é maior que a dor física, a criança já nasceu daquela forma, para ela que não sentiu e não sabe ser saudável, não percebe e não imagina como se sente alguém normal, portanto a sua dor ou problemas, para si é normal. Esta situação pode e deve ser tratado no seu campo espiritual, o antigo nos legaram instrumentos dentro da religião yorubá, para fazê-lo, através de ebós e oferendas específicas, que se vale do mesmo princípio aplicado nos países yorubanos, quer seja: “enganar” os abikús; Muito se pode melhorar e modificar, evidente que em alguns casos é irreversível após o nascimento, mas se detectado ou informado o babalorixá ou yialorixá competente, pelo que foi descrita, a mãe que poderia vir a ter um filho abikú, por meio desses ebós e oferendas pode-se evitar a vinda de um ser deformado ou com problemas sérios, que na realidade, nada mais é que um “retorno sob forma de castigo” de atos nossos ou de gerações passadas, de um processo que nunca foi tratado ou interrompido. Desta forma vê-se que o aborto é uma situação que transcende a ingerência das pessoas, pois é algo ligado diretamente à natureza, e conseqüentemente ao Seu Criador, modifica-se ou escapa da lei dos homens, mas não à Divina. Este é um fato porque nenhuma religião da terra permite o aborto Há uma discúsão em torno de abikú, o nascido para morrer, mas todos estão aqui para exatamente isso. nascer para morrer.

Abiku e Abiaxé: Final por tomeje

Diferença de Abikú e Abiasé

É costume na cultura Gêge Yorubá dar nomes especiais a certas crianças

chamadas ABIKÚ, cuja a tradução é “nascido para morrer”.Elas são consideradas pela ancestral cultura africana como pertences a uma legião de “demônios” que moram nas florestas ou em torno das árvores de Iroko,a gameleira branca,ou ainda figueira chorona.È sábio que cada um desse abikús quando nascem já trazem consigo o dia e a hora em que vão retornar para o “outro lado da vida” para companhia dos seus “amiguinhos” das florestas de Iroko. Geralmente esse tempo é determinado entre o nascimento e os 7 anos de vida.Assim as providencias são tomadas para que essas crianças permaneçam no mundo dos vivos. Fazendo esquecer as datas, e conseqüentemente seus “amiguinhos do outro lado”.Além de amuletos e magias feito nessas crianças , os quais vão desde símbolo,breves e patuás que são postos em suas pernas,braços e pulsos, pinturas destoantes são feitas em seu corpos de formam que transmitam sentimentos repulsivos para que assim os seus “antigos companheiros” do outro lado recusem uma nova ligação com “figuras deformadas” e os obriguem a ficar na vida. Certos nomes significativos são dados a essas crianças ABIKÚS, para deixar claro que seus objetivos foram descobertos e antecipados:

NOMES DE ABIKÚ 1)Malómo – não vai embora novamente 2)Kosokó – Não existe mais pá (para cavar á sepultura) 3)Banjokô – Sente-se ou fique comigo 4)Durosimi – Espere para me enterrar (enquanto eu viver) 5)Jekiniyin – Permita que eu tenha um pouco de respeito 6)Akisatan – Não existe mais mortalha para sepultamento 7)Apará – Aquele que vai e vem 8)Okú – O morto 9)Igbekoyi – Nem a floresta quer a você 10)Enú-Kún-onipê – O consolador está desgastado 11)Akuji – Morto e acordado 12)Tijú-ikú – Envergonhe-se de morrer 13)Duró-orí-iké – Espere e veja como você será mimado

Festas especiais são feitas para esse tipo de crianças, nas quais o feijão fradinho e

o azeite de dendê são fartamente distribuídos à todos como prato principal. Os

abikús e outras crianças são convidas. Assim como os “demônios” que as acompanham, para participarem dessas festas.Tal festa supostamente agradará aos “amiguinhos do outro lado” e os

convencerá da permanência dos Abikús na vida normal, garantindo ainda os “amiguinhos” sempre um festim para seus deleites. Os Abikús têm sido confundidos no Brasil com Abiaxé,que são as crianças nascidas “feitas de berço” e com missão espiritual.Os Abiaxés podem ou não refugar a missão espiritual na terra, retornando ao convívio de Olorún,

dependendo unicamente do teor de compreensão que obtiverem de seus pais, mestres, tutores, cônjuges e etc… Hipótese nº1 de ABIAXÉ – é oriundo de uma transmigração espiritual (morre em algum lugar, país,etc) e nasce na mesma hora ou horas depois em outro lugar e outro corpo. Carecendo apenas de um ritual de confirmação ou coroação do Ibá Orí (três adoxos e tudo mais), conforme o cargo espiritual designado por Ifá. É oferecido á Olodumaré e Olorúm pelos seus pais ou tutores e jamais conseguirá fugir de seu odú (predestinação), sob pena de refugar á missão terrestre (morrer), missão esta que geralmente é politica, missionária social ou espiritual. Hipótese nº 2 de ABIAXÉ – é “feito” (raspado) na barriga da mãe, quando está é recolhida para a “feitura” e está grávida. Aí a criança recebe todos os fundamentos que a mãe receber, independente da qualidade de Orixá, nascendo “feita” deste mesmo orixá e carecendo apenas da confirmação ou coroação, as quais seguem as mesmas ritualísticas do primeiro caso de abiaxé. Os Abikús são classificados em quatro modalidades:

Abikú Inã ou Izô – do fogo – Esse abikú é o que “come” a cabeça mãe (mata-a) no nascimento, ou “come” a cabeça do pai por acidente posteriormente. É um dos mais difíceis abikús de trato, e traz consigo a má sorte pra quem com ele mantiver relacionamento permanente. O abikú de fogo geralmente aliena o segmento social no qual estiver envolvido e não raro desenvolve uma psicopatia irreversível após os 21 anos. Uma pesquisa feita no Brasil constatou que a maioria desses abikús ou foram doados ao nascer, ou foram adotados por de seus pais legítimos. Abikú Omí ou Azín – da água – Esse é o tipo que nasce de 6,7 ou 8 meses. Geralmente explode a bolsa-d´água da mãe nesse período e vai para incubadora. Morre precocemente ou cresce e sai desse período critico. Se seus avós forem vivos, estará ligado a eles mais do que aos pais. Seu principio de abi (vida) decorre entre 1 á 3,5 anos e o seu processo de Ikú (morte) inicia-se entre 3 á 5. O retorno dos “amiguinhos” é feito pro afogamento, tuberculose, desidratação ou cólera. A forma de evitar esse retorno é usar um nome contrário ao nome que trouxe de útero e promover trabalhos de ordem espiritual propiciando ofertas aos odús (presságios). Abikú Alé – da terra – Esse tipo segundo a ancestral cultura Yorubana, os mais trabalhosos para os sacerdotes e parentes, uma vez que está intimamente ligada aos “amiguinhos das florestas” que com freqüência o chamam de volta. Muitas vezes nasce pro cesariana, ou de parto normal sanguinolento. É uma criança agitada, com tendências á neuroses familiares. Tem condição congregaste e como o abikú do fogo, costuma “comer cabeças” não só de parentes, como de outras pessoas. Contrata-se esse abikú,usando o nome contrário ao seu objetivo e promovendo-se festas anuais nas quais existam o feijão-fradinho e dendê em abundância para todos.A forma de retorno também é por acidente em quedas de alturas ou por doenças de pele e órgão digestivo.O tempo de vida (se não tratado) oscila entre 4 e 8 anos.

Abikú Fefé – do vento – Esse tipo difere um pouco dos outros demais, por ser de especial origem no meio do convívio das pessoas. Ele destaca-se em todo o ambiente desde seu nascimento que em geral, foi inspirado ou não planejado. Tem características próprias e pode ser facilmente induzido á manter-se na vida

em face de sua instabilidade emocional inicial. Deve como os demais, ter um nome contrário ao fato constante instado ás delícias da vida. Por ter mais do que “amiguinhos” do outro lado, poderá ser salvo por Exú e Oyá na hora H.

ÌKÓMOJÁDE, O BATISMO E O CANDOMBLÉ:

Muitas pessoas me perguntam se existe batismo no Candomblé. Costumo dizer

que não. Porque o sentido do batizado é de origem judaico-cristã e significa purificar (lavar o corpo) do “pecado original” cometido por Adão e Eva fazendo com que aquele ser renasça para a graça divina, recebendo um novo nome. Para o Candomblé, que é uma Religião de matriz africana e não de origem judaico-cristã, o sentido do renascimento é outro. O ritual que propicia o renascimento com um NOVO nome, seria a própria iniciação. E a iniciação não pretende livrar ninguém de nenhum pecado de Adão e Eva, mas criar um laço entre o ser e sua divindade, tornando o corpo um verdadeiro altar do Orixá. Contudo, existia um costume entre os yorubás que consistia em dar um nome (digamos o PRIMEIRO nome) pelo qual a criança seria chamada até que na sua iniciação fosse renomeada com o orunkó. Esse ritual era conhecido como ÌKÓMOJÁDE.

O Ìkómojáde era mais complexo do que simplesmente escolher um nome para o

recém-nascido. A mãe e a criança ficavam confinados em casa até que o babalawô da Comunidade fosse visitá-los para consultar o Oráculo e conhecer o odu daquele novo ser, assim como todos os interditos, e os ebós necessários para

afastar os possíveis males. Essa visita seria no sétimo dia se o bebê fosse do sexo feminino, no nono, se fosse menino e no oitavo, em caso de gêmeos (independente do sexo). Os nomes eram escolhidos conforme um certo critério. Podiam ser determinados por força de circunstâncias do nascimento, como por exemplo: Ije (os que nascem colocando os pés pela vagina e não a cabeça), Ilori (os que nascem de mulheres que não menstruavam mais), Olúgbodi (os que nascem com seis dedos em uma só mão). Podiam ser determinados também por questões familiares: babatundê (papai voltou). Outra possibilidade era a escolha do nome em razão de seu odu. Por exemplo, um àbíkú (o que nasce para morrer em tenra idade), poderia ser batizado de dúrójayé (fique e goze a vida).

O ritual do Ìkómojáde era procedido da seguinte forma: a criança era segurada

por uma anciã da família, enquanto o babalawô encostava na cabeça do bebê

os elementos e na boca os líquidos (os que a criança não pudesse engolir eram dados à sua mãe). Os ingrediantes eram os seguintes: água (omi), representando a vida; o ataré (pimenta da costa), para purificar o hálito e levar os pedidos mais facilmente ao Orun; a terra (ilê), simbolizando a relação do homem com o solo que o abastece

e com o chão de seus antepassados; o ogbi e o orogbô (as duas sementes que

simbolizam os laços de amizade e a longevidade, respectivamente); o sal (iyó), que dá sabor à vida; o mel (oyin) ou ireke (cana-de-açúcar), utilizados para atrair coisas agradáveis à sua vida; o azeite de dendê (epô pupá), tem o poder de acalmar as divindades; o ejá (peixe), que deté a placidês de nadar nas águas e

vencer as correntes e as profundezas. Depois de utilizados os elementos e recitados os ofós, todo o povo daquela comunidade dançava e cantava em homenagem ao novo membro, louvando aos seus Orixás.

ODU IOROSSUM (4)

Fala na quarta casa do Oráculo de Ifá. É representado por quatro búzios abertos e doze búzios fechados. Este Odu traz o principal caminho do Orixá Odé, entretanto Xangô, Iemanjá e Oyá também falam nesta caída. Representa ainda um forte caminho de egungun na vida do consulente, que acaba tendo uma relação amistosa com os mesmos.

Fecundação:

Obatalá chamou por mais uma vez Iselé e mandou que raspasse uma madeira de cor vermelha para extrair um pó de nome ossum. Determinou que cravasse em um brejo quatro lanças de madeira, com uma cabaça amarrada na ponta de cada lança, e colocasse no interior de cada uma das cabaças um pouco daquele pó, pedaços de pano vermelho e quatro argolas de cobre. Deste fato surgiu o Odu Iorossum, nascido sem pecado.

Personalidade:

Os eleitos deste Odu são comumente pessoas muito francas, atiradas, mão aberta, gastam o que não possuem, são gratos, gostam de ajudar as pessoas, são um pouco espalhafatosos, tendo forte atração pelos mistérios do ocultismo e do misticismo, sendo um pouco indecisos. Independente de seus Orixás, recebem grande proteção de Xangô e Oxalá, que sempre os socorrem em suas aflições, com muita rapidez na forma de ajudar. A principal característica deste Odu quando se apresenta no opalador é que este fato indica que a pessoa é ABIKU (ABI=nascer; YKU=morte; ABIKU= nascer da morte), não podendo portanto ser iniciada no Candomblé com os ritos de “raspagem”, recebendo por isso obrigações especiais que requerem profundos conhecimentos, responsabilidade e dedicação de quem for realizar tais obrigações. Geralmente as pessoas que carregam este Odu na cabeça, acabam sofrendo desastres, as vezes ficando com mazelas do fato acontecido. Entre suas fortes características, indica para o consulente problemas com calúnias sofridas ou forte risco de sofrê-las, difamação envolvendo inclusive a própria moral, traição, perigos de cair em ciladas e ardis de inimigos que sempre são muitos, pois os filhos deste Odu sofrem sempre perseguições, em certas ocasiões até mesmo de inimigos ocultos e gratuitos. Quando aparece na Oropemba, fala que a pessoa vive cercada de falsos amigos, passa por perigos de grandes desgraças, de perder sangue ou sofrer desastres. Atinge cabeça e barriga, e traz sérios problemas com egun. Seus filhos recebem muitos golpes também na área profissional. Este é o Odu das “más interpretações”.

6 Obará Meji(O ORGULHO)

Os Orixás que geralmente se apresentam neste caminho de Odu:

Exu, Ibeji, Oxossi, Ologun-Ede, Oxalá, Oxum, Ifá, Xango, Ayra, Aganjú, Oyá, Oba,

Oko, Abíkú,

Yemanja, Elésije, Ore, Egún/Ipònrín e o Orí.

ODU OBARÁ (6)

Fala na sexta casa do Oráculo de Ifá. Responde com seis búzios abertos e dez búzios fechados. Respondem neste Odu Xangô e Odé.

Fecundação:

Este é o Odu da riqueza. Foi gerado de um bloco de ouro. As suas arestas representam riquezas. O Odu Obará fez a fecundação com Egilaxeborá. De Obará veio Agé, de Egilaxeborá nasceu Araiun, que por sua vez não vem na cabeça de ninguém e gerou doze Xangôs. Agé nada gerou.

Personalidade:

As pessoas que estão sob influência deste Odu, são vítimas de calúnias, fuxicos, as vezes questões na justiça, problemas amorosos e sentimentais. Poderá ter auxílio inesperado, mas não deverá perder a oportunidade. Tem grandes idéias a realizar, mas não sabem por onde começar. Fracassam as vezes por não pedirem ajuda, mas o sofrimento não é duradouro. Vencerão pela força de vontade porque dispõe de proteção espiritual. Devem procurar os amigos que estarão sempre prontos a auxiliar.

Quem estiver sob a proteção deste Odu não poderá comentar suas intenções, senão as mesmas não se realizarão. Este é o Odu do sigilo, portanto as pessoas ligadas a ele deverão guardar segredo de seus projetos. Este Odu poderá trazer sorte no jogo, fartura e fortuna. Deve ser tratado nas quartas-feiras de lua cheia, sendo chamado em voz alta por seis vezes. Traz falsidade, calúnias, perseguição por más línguas, inveja, fuxicos, questão na justiça, sofrimento familiar e casos amorosos, notícias e boas oportunidades. São pessoas de grandes idéias positivas, possuem o dom da arte, do crescimento, da limpeza e claridade. Quando o Odu responde nos pés, traz o dom da palavra, tem idéias a realizar, porém difíceis de concretizar. Os filhos deste Odu têm espírito de luta, proteção espiritual, ajuda dos outros Odus, intuição, tendência a “Cargo de Santo”. Este é o Odu das “coisas inesperadas”. Este Odu representa a língua, a praga, o feitiço. Quando responde duas vezes significa perda de dinheiro. Quando responde três vezes é perda total, com prosperidade impossível.

7 Ôdi Meji (A AGRESSIVIDADE) Os Orixás que geralmente se apresentam neste Caminho de Odu: Exu, Ogum, Iyá Molu, Olu

Odo, Abíku, Obaluayê, Bàbá Egun, Iku, Iponri, Aje Saluga, Oyá, Ija, Ibeji, Oxumaré, Ossain, Aganju, Olosa a as Iyami.

ODU ODI (7)

Fala na sétima casa do Oráculo de Ifá. É representado por sete búzios abertos e nove búzios fechados. É Odu de Exu, Omulu e Oxalufã, mas podem falar também Oxumaré, Ossayin, Odé e Iemanjá.

Fecundação:

O Odu Odi se uniu ao Odu Etaogundá. Dessa união surgiu Omulu Orueje. Do Odu Odi nasceu Omulu Jagum e Oxumaré. Do Odu Etaogundá surgiu Iemanjá e Anibun; Desses dois nasceu Ogun Iorominan Abalajú, que deu origem a Ogun Mejejê Ajá (Ogun Já). O Odu Odi foi fecundado com farofa d’água, metal branco, metal amarelo, ímã, sete guizos dourados e pedra de minério. Representa dores e embaraços.

Personalidade:

As pessoas ligadas a este Odu são influentes, gostam dos prazeres, são ambiciosas, pensam em grandes lucros e viagens. Sempre fracassam no amor, sofrem perturbações por coisas simples, não sabem agir e perdem grandes oportunidades, precisam sempre de orientação. Este Odu é o odu do embaraço, pois as pessoas que o possuem costumam ter seus caminhos interrompidos. Começam as coisas e quase sempre não terminam. Traz problemas de coluna e pernas. Este Odu poderá ser muito bom quando bem tratado. Significa desgostos, banalidade, imoralidade, perda de virgindade. Para pessoa doente, significa morte, traz problemas de egun. Grandes lutas que poderão ter um bom desfecho se a pessoa tiver fé. Fala em guerra, barulho, fuxico, perseguição. Indica que a pessoa está sempre sofrendo. Odi significa doença, choro por morte. Significa dificuldades em tudo, principalmente com dinheiro. São pessoas muito influentes, tanto nas camadas altas quanto nas baixas. Gostam de prazeres, principalmente amorosos. Tendência a ser traído ou trair em todos os sentidos, tendência a perda total de personalidade. São ambiciosos, pensam em grandes lucros e mudanças de vida. Sofrem perseguição por inveja ou são invejosos. São vingativos quando atacados por inveja. Infelizmente fracassam em tudo, principalmente no amor. Sofrem perturbação por pouca coisa, e se agitam por tudo, movidos por influências negativas. Não gostam de perder oportunidade. Quando perdem entram em pânico. Este Odu mexe com o sistema nervoso, cabeça, sexo; traz dores nos ossos, coluna, pernas, alergia pelo corpo, problema digestivo, queda de cabelo. Deve ser tratado sempre na rua, com suas comidas propiciatórias regadas a mel.

15 Obéogundá Meji (A AGITAÇÃO) Orixás que geralmente respondem neste Caminho de Odu Exu, Obaluayê, Ajágún, Etetu, Xangô, Obá, Oko, Iemanjá, Olosa, Abiku, Nanã, Dada Ajaka, Ajagun, Aganju, Ayra Orunmila, Ewa, Oxumare, Irokó, Odé, Onile, Òrugã, Iyami, Asabo e Oxalá.

ODU OBEOGUNDÁ (15)

Fala na décima quinta casa do Oráculo de Ifá. É representado por quinze búzios abertos e um búzio fechado. É o principal caminho dos Orixás Obá e Ewá,podendo

várias vezes Xangô, Obaluayê e Yemanjá falarem nesta caída. Este Odu representa a guerra que é uma constante na vida de seus eleitos, porém costuma realizar a justiça com máxima retidão, trazendo imparcialidade no julgamento das pessoas por seus filhos, que acabam não levando em consideração suas simpatias ou antipatias no ato de julgar. Obeogundá transmite aos seus filhos complexo de inferioridade e a sensação de que as pessoas lhes sãocontrárias, querendo sempre apoderar-se das coisas que lhes pertencem, causando assim constantes sofrimentos em suas vidas. Traz verdadeiro pavor à rejeição, fala de amores que quase sempre não são correspondidos, o que lhes produz grande revolta, que se torna visível em seus atos, que sempreemonstram algum complexo de inferioridade. Traz também a seus eleitos muita depressão, melancolia e sistema nervoso depauperado, ocasionando algumas doenças de ordem física. Indica perseguição de homem por homem ou mulher por mulher, problemas em negócios que apresentam pouco lucro e, às vezes, forte tendência ao homossexualismo. Este Odu põe seus filhos, se não tiverem cuidado, com gosto a jogos,

e faz com que eles tenham rigorosa seleção na escolha de suas amizades. Apresenta

personalidade dupla, o que faz com que seus eleitos acabem não se afirmando no que realmente querem, trazendo conflitos de ordem material, no campo amoroso, de ordem espiritual e até mesmo de ordem psíquica, fazendo seus filhos ficarem mentalmente perturbados e muito irado.Quando Obeogundá recebe o tratamento

correto, poderá trazer a seus eleitos riqueza, prosperidade, saúde, amor e paz. Nunca deve ser alimentado sozinho, haja vista depender da força de outros Odus para trazer

o progresso almejado pelos seus eleitos.

Fecundação:

Este Odu é feminino, foi gerado de acaçás brancos e amarelos, próximo de uma montanha de minério de ferro.Veio pôr fim a uma guerra entre irmãos.

Personalidade:

As filhas de Obá que trazem este Odu como elemento principal de suas cabeças, costumam ser valorosas e quase sempre incompreendidas. Suas tendências um pouco agressivas fazem-nas freqüentemente voltarem-se para o feminismo ativo. As suas atitudes militantes e viris são geralmente adquiridas pelas experiência infelizes ou amargas por elas vividas. Têm dificuldade em manter o sentido de feminilidade, sendo as vezes nada gentis e comunicativas quanto aos relacionamentos afetivos. Os escolhidos deste Odu constantemente são tomados de ira, as vezes ofendendo até involuntariamente a quem mais amam, denotando um temperamento difícil de ser entendido, pois tardiamente arrependem-se de suas atitudes, querendo desculpar-se e

voltar atrás, reconsiderando seus gestos, nem sempre aceitos pelos amigos, o que traz

a eles muito sofrimento – que é constante em suas vidas, fazendo com que passem a

ser extremamente reservados, não deixando transparecer suas derrotas. São ciumentos

e possessivos demasiadamente, sempre com medo de perder seus amores e bens

materiais, fazendo-os muito sistemáticos, embora falantes. Têm tendência maníaco- depressiva desde cedo. Os filhos deste Odu têm tendências a grandes sucessos sociais, alcançando a fama e a notoriedade onde habitam devido a sua inteligência, embora quase sempre não acreditem no sucesso alcançado em razão de frustrações

adquiridas no decorrer de suas vidas, por tendência de seus temperamentos. Estão sempre ávidos em busca de ganhos e de não perderem suas conquistas materias, o que se torna garantia de sucesso. Os filhos de Ewa que trazem este Odu como opalador, são mais comedidos, embora, quando atacados ou contrariados, reajam litigiosamente, enfrentando seus opositores de maneira valente, o que quase sempre os faz vitoriosos em seus empreendimentos, pois costumam se fazer notar em suas comunidades como líderes natos.Para saber mais sobre este e os demais Odus, adquira o livro “Um Mistério Chamado Odu”.