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Aplicação de Revestimentos Cerâmicos Aderentes Edgar Dinis Jesus Vaz Dissertação para obtenção do grau de Mestre

Aplicação de Revestimentos Cerâmicos Aderentes

Edgar Dinis Jesus Vaz

Dissertação para obtenção do grau de Mestre

Engenharia Civil

Júri

Presidente

Doutor Albano Luis Rebelo das Neves e Sousa

Orientador

Doutor José Alexandre de Brito Aleixo Bogas

Orientador

Doutor Augusto Martins Gomes

Vogal

Doutora Ana Paula Patrício Teixeira Ferreira Pinto França de Santana

Vogal

Doutor Pedro Manuel Gameiro Henriques

Novembro 2013

Resumo

Em Portugal, os revestimentos cerâmicos aderentes são largamente utilizados na construção, cumprindo uma função importante no desempenho global dos edifícios, atendendo a que oferecem elevada durabilidade, bom desempenho técnico e variadas possibilidades estéticas. Os revestimentos cerâmicos constituem um sistema complexo composto pelos ladrilhos cerâmicos, pelos produtos de assentamento e pelos produtos de preenchimento de juntas entre ladrilhos. Estes materiais têm tido um grande desenvolvimento devido a uma crescente inovação tecnológica da indústria de fabrico, quer de ladrilhos cerâmicos, quer de novos materiais de assentamento, por forma a responder adequadamente aos diferentes tipos de suportes onde são aplicados. Neste trabalho reúnem-se informações essenciais sobre os vários tipos de materiais que compõem o revestimento cerâmico aderente e nomeadamente o tipo e características de ladrilhos cerâmicos utilizados em revestimento de paredes e pavimentos, existentes no mercado, os produtos de assentamento e ainda os de preenchimento de juntas entre ladrilhos. São também referidos os procedimentos a adotar na aplicação destes materiais, tendo em conta os respetivos suportes e as condições ambientais, de modo a garantir o adequado desempenho e durabilidade do sistema de revestimento. É ainda efetuada uma abordagem à durabilidade dos revestimentos cerâmicos aderentes, descrevendo-se algumas das anomalias mais frequentes, técnicas de inspeção e diagnóstico, medidas de prevenção, manutenção e reparação. Ao longo do trabalho é analisada a normalização em vigor, onde se encontram especificadas as características, ensaios e critérios de aceitação e/ou classificação, aplicáveis a ladrilhos cerâmicos, materiais de colagem e argamassas de juntas.

Palavras Chave:

  • Revestimentos cerâmicos

  • Materiais de colagem;

  • Argamassas de juntas

  • Ladrilhos

  • Aplicação

  • Assentamento

Abstract

In Portugal, Adhesive ceramic tiling system have been used in construction, fulfilling an having role in the overall performance of buildings, by ensuring higher durability, improved technical performance and providing varied aesthetic possibilities. Ceramic tiling relies both on several applications and manufacturing techniques and on a variety of materials, such as ceramic tiles, adhesive products and filling joints materials. In particular, these materials have been continuously improved and further developed, in order to respond appropriately to the architectural and construction requirements. In this work, we gather essential information about the various types of materials that make up the adhered ceramic tiling system, namely the type and characteristics of ceramic tiles communly used for wall cladding and flooring, as well as fixing and joint filling products. We also discuss the application procedures of these materials, taking into account the proprieties of the global ceramic system as well as environmental conditions,in order to ensure the adequate reliability and durability of buildings and infrastructures. The durability of the cladding are discussed regarding some of the most frequent pathologies. Technical inspection and diagnosis, prevention, maintenance and repair are also foucused in the present work. The most relevant standards and regulations concerning the specification of material characteristics, testing and acceptance criteria and/or classification applicable to ceramic tiles, bounding materials and mortar joints, are considered.

Keywords

  • Ceramic tiling system

  • Adhesive materials

  • Filling materials

  • Tiles

  • Instalation

  • Application

Índice Geral

  • 1. Introdução ............................................................................................................................................

1

  • 1.1. Considerações

1

  • 1.2. Objetivos e metodologia

...............................................................................................................

1

  • 1.3. Organização da dissertação

1

  • 2. Revestimentos

3

  • 2.1. Introdução .....................................................................................................................................

3

  • 2.2. Materiais cerâmicos utilizados em soluções de revestimento

7

  • 2.2.1. Tipo de ladrilhos cerâmicos ...................................................................................................

7

  • 2.2.2. Características de revestimentos cerâmicos

14

  • 2.3. Exigências funcionais dos revestimentos cerâmicos

18

  • 2.4. Normalização ..............................................................................................................................

19

  • 2.5. Classificação UPEC

23

  • 2.6. Processo de certificação de produto e controlo de qualidade

25

 
  • 2.6.1. Enquadramento no domínio da qualidade

25

  • 2.6.2. A marcação e certificação CE

27

  • 2.6.3. Normas harmonizadas

30

  • 3. Assentamento de revestimentos

33

  • 3.1. Soluções de assentamento

........................................................................................................

33

  • 3.1.1. Soluções de assentamento mecânico .................................................................................

33

 
  • 3.1.2. Assentamento aderente

35

  • 3.2. Materiais de assentamento em soluções aderentes

36

 
  • 3.2.1. Técnicas de aplicação

39

  • 3.2.2. Exigências aplicáveis ao suporte e compatibilidade com o material de assentamento

45

 
  • 3.2.3. Materiais de assentamento

47

  • 3.3. Materiais de preenchimento de juntas

.......................................................................................

52

  • 3.3.1. Exigências dos materiais de preenchimento

53

 
  • 3.3.2. Soluções existentes .............................................................................................................

53

  • 3.3.3. Normalização, certificação e marcação CE

56

  • 4. Procedimentos a adotar na aplicação de revestimentos cerâmicos aderentes

57

  • 4.1. Dimensionamento de juntas

57

  • 4.2. Preparação do suporte

58

  • 4.3. Aplicação do material de assentamento

60

  • 4.4. Assentamento do revestimento cerâmico

64

  • 4.4.1. Equipamentos

65

  • 4.4.2. Tipo de pente e acessórios utilizados

66

  • 4.5. Aplicação de produtos de preenchimento de juntas

67

  • 4.6. Limpeza final

..............................................................................................................................

68

  • 4.7. Casos particulares ......................................................................................................................

69

  • 4.9. Controlo de qualidade de revestimentos aderentes

72

4.10. Síntese dos procedimentos de aplicação do revestimento cerâmico

74

  • 5. Durabilidade de revestimentos cerâmicos aderentes

77

  • 5.1. Anomalias em revestimentos cerâmicos

77

  • 5.2. Técnicas de inspeção e diagnóstico

..........................................................................................

82

  • 5.3. Medidas e disposições construtivas de prevenção

83

  • 5.4. Manutenção de revestimentos cerâmicos ..................................................................................

83

  • 5.5. Técnicas de reparação

85

  • 6. Conclusão ..........................................................................................................................................

87

  • 7. Referências Bibliográficas

89

Índice de Figuras

Figura 2.1: Imagem do Dragão de Marduk

3

Figura 2.2: Porta de Ishar

3

Figura 2.3: Imagem de um painel de azulejo presente na Abadia de Cister, Alcobaça

4

Figura 2.4: Imagem do tapete cerâmico da Capela dos Paços de Sintra

4

Figura 2.5: Imagem do Corredor das Mangas, Palácio de Queluz

5

5

Figura 2.7: Pormenor de um revestimento de fachada, de 1870

5

Figura 2.8: Imagens de diversos tipos de revestimento

6

Figura 2.9: Ensaio ISO 10545-4

17

Figura 2.10.A: Imagens das normas de

21

Figura 2.10.B: Imagens das normas de

22

Figura 2.11: Classificação UPEC

23

Figura 2.12: Símbolos de Produto Certificado emitido pela CERTIF

26

Figura 2.13: Símbolo de empresa Certificada emitido pela APCER

26

Figura 2.14: Marcação

28

Figura 2.15: Exemplo de declaração do fabricante / cimentos-cola

30

Figura 2.16: Exemplo de Etiqueta do fabricante / cimentos-cola

31

Figura 2.17: Exemplo de etiqueta de fabricante de ladrilho cerâmico

31

Figura 3.1: Fixação oculta

34

34

34

35

paredes ..................................................................................................................................................

41

Figura 3.6: Técnicas de assentamento de ladrilhos cerâmicos em pavimentos

42

Figura 3.7: Técnicas de assentamento de ladrilhos cerâmicos com cimentos-cola e colas em

pavimentos

43

Figura 3.8: Técnicas de assentamento de ladrilhos cerâmicos com cimentos-cola e colas em paredes

 

44

Figura 3.9: Cimento

48

Figura 3.10: Argamassa Tradicional

48

Figura 3.11: Cimento

50

Figura 4.1: Regularização do suporte

59

62

Figura 4.3: Exemplos de tipos de talochas

64

65

Figura 4.5: Colher de pedreiro à esquerda e martelo de borracha à

66

Figura

4.6:

Exemplos

de

espaçadores

66

Figura 4.7: Exemplos de aplicações de materiais em juntas

67

Figura 4.8: Limpeza manual com esponja normal

68

69

Figura 4.10: Preocupações na transição entre substratos

70

Figura 4.11: Viga de betão armado revestida exteriormente apenas com ladrilhos

71

Figura 4.12: Mosaico porcelânico, de dimensões de 2,5 x 2,5 cm 2

71

Figura 4.13: Exemplo de um edifício de grande altura

72

73

73

Figura 5.1: Descolamento com empolamento em revestimento de fachada de edifício antigo

79

Figura 5.2: Descolamento localizado

79

80

80

80

Figura 5.6: Ensaio de arrancamento “in situ”

83

86

Índice de Quadros

Quadro 2.1: Classificação dos ladrilhos cerâmicos segundo a EN 14411

8

Quadro 2.2: Identificação de materiais cerâmicos dos grupos A e B

9

13

13

Quadro 2.4: Características exigidas nas diferentes aplicações

15

Quadro 2.5: Classificação dos ladrilhos cerâmicos - exemplos

16

18

19

Quadro 2.7: Normas de ensaio de ladrilhos cerâmicos da série da EN ISO 10545

21

Quadro

2.8:

Edifícios

25

Quadro 2.9: Edifícios coletivos

25

26

Quadro 2.11: Sistemas de comprovação da conformidade adaptado

28

Quadro 3.1: Classificação dos materiais para fixação por contacto

36

Quadro 3.2: Caracterização dos vários tipos de adesivos para ladrilhos

38

Quadro 3.3: Propriedades das colas a considerar na aplicação em obra

39

em fachadas

 

39

Quadro 3.6: Resumo da aplicabilidade de colas em dispersão aquosa (D)

51

Quadro 3.7: Resumo da aplicabilidade de colas de resinas de reação (R)

52

Quadro 3.8: Tipos e classes de argamassas de preenchimento de juntas

54

Quadro 3.9: Caraterização dos vários tipos de betumagem de juntas

55

56

Quadro 4.1: Tipos de juntas de construção EN 13888

58

Quadro 4.2: Condições a satisfazer pelos paramentos exteriores das paredes no momento da

colagem

60

Quadro 4.3: Tipo de pente e aplicações tipo

63

78

Quadro 5.2: Tipos de rotura da ligação ao suporte

79

81

Quadro 5.4: Produtos de limpeza recomendados para sujidades específicas em ladrilhos de grés

porcelânico

 

84

Quadro 5.5: Produtos de limpeza recomendados para sujidades específicas em ladrilhos de grés

rústico

85

Quadro 5.6: Produtos de limpeza recomendados para sujidades específicas em ladrilhos de grés

vidrado

85

ix

Quadro 5.7: Produtos de limpeza recomendados para sujidades específicas em ladrilhos de barro

vermelho

................................................................................................................................................

85

Agradecimentos

Ao concluir este trabalho quero manifestar o meu sincero agradecimento a todos os que, de alguma forma, contribuíram para a sua realização. Ao Professor Doutor José Alexandre Bogas, orientador científico desta dissertação, por estar sempre presente, pela colaboração, pelo tempo despendido e pelas sugestões dadas, fundamentais para o desenvolvimento do trabalho a que me propus. Ao Professor Doutor Augusto Martins Gomes, orientador deste trabalho, pela disponibilidade, aconselhamento e incentivo, que tornaram possível a elaboração do mesmo. Ao contributo dos profissionais e investigadores que constam na Bibliografia. Ao Eng.º José Leonardo Padrão, Diretor de Centro (Carregado) da Saint-Gobain Weber Portugal, S.A., pela forma amável e atenciosa como me recebeu nas respetivas instalações. Ao Eng.º Luís Silva, Diretor Técnico da Weber, pela disponibilidade demonstrada, pelos conhecimentos transmitidos, e ainda pelo material de apoio fornecido. Aos Engenheiros Hélder Novais, Nuno Vieira e Miguel Mendes pela disponibilidade e os conhecimentos transmitidos. À minha família pelo apoio incondicional dado, ao longo do meu percurso académico.

1. Introdução

  • 1.1. Considerações Iniciais

A aplicação de revestimentos cerâmicos em Portugal remonta há vários séculos, continuando a ser uma excelente opção, como solução de revestimento. Nas últimas décadas, a indústria de fabrico de ladrilhos cerâmicos acelerou o seu desenvolvimento com o aparecimento de novas tecnologias, novas matérias-primas, novos tipos de cerâmica e novos formatos e design. No sentido de dar resposta ao grande número de novos produtos de revestimento cerâmico e tecnologias inovadoras, verificou-se uma clara evolução na variedade e qualidade dos materiais de assentamento e dos materiais de preenchimento de juntas de ladrilhos cerâmicos disponíveis no mercado, tendo em vista garantir uma adequada fiabilidade e durabilidade na construção. A importância e complexidade das soluções de revestimento cerâmico obriga a uma maior sistematização e especificação de procedimentos e materiais de assentamento a adoptar no assentamento dos vários tipos de revestimento disponíveis no mercado, associados a diferentes porosidades, dimensões e formatos quando aplicados em diferentes ambientes. Considerando que a aplicação destes produtos dão um contributo importante no desempenho global das construções, em particular no que se refere à durabilidade, valorização, eficiência e aspeto visual/estético, surge o interesse em desenvolver e aprofundar os conhecimentos sobre esta matéria, visando contribuir para a divulgação de informação sobre o assunto.

  • 1.2. Objetivos e metodologia

A presente dissertação, desenvolvida no âmbito do Mestrado Integrado em Engenharia Civil, teve como objetivo desenvolver e aprofundar os conhecimentos existentes no âmbito da aplicação de soluções de revestimentos cerâmicos aderentes. O Trabalho envolveu essencialmente a recolha e sistematização da informação obtida na diversa bibliografia consultada e no acompanhamento de estudos de controlo de qualidade realizados na Weber (Carregado). Foi ainda realizada uma abordagem normativa das soluções de aplicação, tendo em consideração a normalização em vigor.

  • 1.3. Organização da dissertação

O trabalho encontra-se organizado em 6 capitulos sendo o primeiro e o último de introdução e conclusão e os restantes abordando de forma faseada os principais aspetos considerados relevantes

na aplicação de revestimentos cerâmicos aderentes.Este documento encontra-se estruturado em seis capítulos, organizados da seguinte forma:

  • Capítulo 1 Este capítulo constitui a introdução da dissertação, na qual são feitas algumas considerações sobre o âmbito da mesma e onde se apresenta a justificação da sua elaboração. É ainda descrito o objetivo a atingir e a metodologia adotada para o efeito. Por último, descreve a organização e estrutura do trabalho onde é efetuado um breve resumo dos capítulos.

  • Capítulo 2 Neste capítulo apresenta-se, numa primeira parte, uma breve síntese histórica sobre a evolução dos revestimentos cerâmicos ao longo do tempo, seguindo- se, numa segunda parte, uma caracterização dos materiais cerâmicos em particular dos ladrilhos cerâmicos utilizados em soluções de revestimento e respetivas exigências funcionais. Faz-se referência à normalização em vigor, descreve-se a classificação UPEC e abordam-se os processos de certificação de produto e controlo de qualidade.

  • Capítulo 3 Este capítulo carateriza, de uma forma geral, o assentamento de revestimentos cerâmicos, e em particular os as soluções de assentament associados a diferentes tipos de suporte. Neste sentido é feita referência aos materiais de assentamento e às diferentes soluções de preenchimento de juntas. Para finalizar, efetua o enquadramento normativo em vigor.

  • Capítulo 4 Neste capítulo são abordados os procedimentos a adotar na aplicação de revestimentos cerâmicos aderentes e precauções a ter em conta, nomeadamente no que diz respeito ao dimensionamento de juntas, à preparação do suporte, à aplicação de material de assentamento, ao assentamento, e ao controlo de qualidade do revestimento.

  • Capítulo 5 Este capítulo aborda a durabilidade de revestimentos cerâmicos aderentes, recorrendo à descrição de anomalias neste tipo de revestimentos e suas principais consequências, técnicas de inspeção e diagnóstico, medidas de prevenção/disposições construtivas de prevenção, manutenção de revestimentos cerâmicos e técnicas de reparação.

  • Capítulo 6 - Conclusões.

2. Revestimentos Cerâmicos

Neste capítulo será efetuada uma caracterização global dos revestimentos cerâmicos. Numa primeira parte será apresentada uma breve síntese histórica sobre a evolução dos revestimentos cerâmico ao longo do tempo, seguindo-se uma abordagem em termos da definição, classificação, características, normalização e certificação do ladrilho cerâmico.

2.1. Introdução

A aplicação de materiais cerâmicos é uma prática que vem desde os primórdios da civilização humana. No entanto, foi essencialmente apenas durante o Período Neolítico que nasceu a cerâmica tradicional [1], através de um processo de modelagem, secagem e queima, tendo como principal matéria-prima um produto natural, a argila [2]. O desenvolvimento de revestimentos cerâmicos remonta a 4000 a.C., no Egipto, com a utilização de placas cerâmicas, como elemento decorativo, nas paredes interiores das câmaras funerárias dos faraós egípcios [3]. Destacam-se, neste âmbito, as câmaras funerárias da Pirâmide em degraus de Saqqara, no Egito, que se encontram revestidas com 36000 peças de cerâmica decorativa. Estas peças dispunham de uma anilha na sua parte posterior por onde atravessava um elemento de cobre ou madeira, para fixá-las à parede. O exemplo mais antigo que se conhece de revestimento cerâmico para exteriores conservado até aos nossos dias é o denominado “Dragão de Marduk”, que faz parte da decoração da Porta de Ishtar, na Mesopotâmia [3], e que se pode ver nas Figuras 2.1 e 2.2.

2. Revestimentos Cerâmicos Neste capítulo será efetuada uma caracterização global dos revestimentos cerâmicos. Numa primeira parte

Figura 2.1: Imagem do Dragão de Marduk, que decora a porta de Ishtar na Mesopotâmia, que data de 575 A.C. [4]

2. Revestimentos Cerâmicos Neste capítulo será efetuada uma caracterização global dos revestimentos cerâmicos. Numa primeira parte

Figura 2.2: Porta de Ishar que data de 575 A. C. [5]

Também a Ocidente foram encontrados indícios do uso de cerâmica pelos povos etruscos e gregos, nomeadamente algumas variedades de terracota “terra cozida” [6]. Por volta do século IV os romanos utilizavam nas suas construções diversos tipos de materiais cerâmicos dos quais se destacam as placas de revestimento e as belíssimas composições de

mosaico. Também deram início à utilização de material cerâmico no revestimento de pavimentos e em particular, o mosaico, apontando-se, como exemplo, os pavimentos decorativos existentes em Conímbriga. A arte de vidrar a cerâmica também começou com os egípcios [7] [8]. Já no século VIII, os Mouros introduziram a arte do azulejo na Península Ibérica, desenvolvendo novas técnicas e estilos de decoração. Numa das suas obras de arquitetura mais imponentes o “Palácio de Alhambra”, em Granada (séculos XIII e XIV), pode apreciar-se a Arte Árabe, cujo atrativo principal reside no revestimento dos seus interiores e em particular nos belíssimos painéis de azulejo de conteúdo muito rico. Os primeiros indícios da utilização de revestimentos cerâmicos vidrados em Portugal remontam ao século XIII, destacando-se, neste âmbito, a cerâmica pavimentar bem como painéis de azulejo, presentes na abadia de Cister, em Alcobaça [9] como se destaca na Figura 2.3.

mosaico. Também deram início à utilização de material cerâmico no revestimento de pavimentos e em particular,

Figura 2.3: Imagem de um painel de azulejo presente na Abadia de Cister, Alcobaça [10]

Já no século XV são encontrados em Portugal Palácios Reais revestidos, no seu interior, com azulejos. Este revestimento cerâmico decorativo é proveniente de Sevilha, praticamente o único fornecedor existente no mercado, na época. Começa também a ser feito o revestimento cerâmico de pavimentos e em particular de palácios e igrejas, podendo servir de referência o célebre tapete cerâmico da capela dos Paços de Sintra, cuja técnica de composição do mosaico faz lembrar os “alicatados” andaluzes [11], conhecidos entre os séculos XII e XIII, conforme se pode verificar na imagem da Figura 2.4.

mosaico. Também deram início à utilização de material cerâmico no revestimento de pavimentos e em particular,

Figura 2.4: Imagem do tapete cerâmico da Capela dos Paços de Sintra [12]

Entre os séculos XV e XVII e apesar de não ser grande produtor de revestimentos cerâmicos, Portugal, foi o país europeu que mais utilizou esse tipo de revestimento nos seus edifícios. Ainda assim, o uso de revestimento cerâmico continuava a restringir-se essencialmente aos espaços interiores, em forma de tapetes, ou apenas como material ornamental, ou ao revestimento de pináculos e cúpulas das igrejas, quando utilizado exteriormente, devido ao seu elevado custo [13].

Surgem então alguns pintores ceramistas portugueses, entre os quais se destaca António Oliveira Bernardes, considerado por alguns especialistas o criador do verdadeiro azulejo português. Já em finais do século XVII e princípio do século XVIII são fundadas a Fábrica de Loiça do Rato, em Lisboa e a Fábrica de Juncal, em Alcobaça [14]. A concretização destas medidas, aliadas à simplificação do padrão do azulejo, possibilitou o aumento da produção o que se refletiu na diminuição do preço de custo. Expande-se assim o uso do revestimento cerâmico a outros espaços para além dos espaços interiores e exteriores, nomeadamente no revestimento de alpendres, pátios, claustros para além do embelezamento de jardins e em particular, bancos e chafarizes revestidos (ver Figuras 2.5 e 2.6).

Surgem então alguns pintores ceramistas portugueses, entre os quais se destaca António Oliveira Bernardes, considerado por

Figura 2.5: Imagem do Corredor das Mangas, Palácio de Queluz

Surgem então alguns pintores ceramistas portugueses, entre os quais se destaca António Oliveira Bernardes, considerado por

Figura 2.6: Imagem do Frei Zacarias, Convento de São Francisco, Alenquer, século XVIII

No século XIX, sob os efeitos da revolução industrial, assistiu-se a um enorme aumento da produção de azulejo fazendo com que este tipo de revestimento cerâmico se tornasse mais acessível a um leque de público mais alargado, passando também a ser aplicado no revestimento das fachadas dos edifícios (Figura 2.7).

Surgem então alguns pintores ceramistas portugueses, entre os quais se destaca António Oliveira Bernardes, considerado por

Figura 2.7: Pormenor de um revestimento de fachada, de 1870

Atualmente os revestimentos cerâmicos correspondem ao terceiro revestimento em fachada mais utilizado em Portugal [15], por se considerar que contribuem para a valorização dos edifícios, por revelarem adequada durabilidade, bem como uma boa funcionalidade e um bom desempenho estético. Ao longo do século XX a indústria cerâmica acelerou o seu desenvolvimento devido ao aparecimento constante de novas tecnologias, novas matérias-primas, novos tipos de cerâmica,

novos formatos e design, sendo que, a partir dos anos 70, passou a haver uma grande procura relativamente aos revestimentos cerâmicos de pavimento. Apresentam-se exemplos de diferentes tipos de revestimento usados nos dias de hoje.

novos formatos e design , sendo que, a partir dos anos 70, passou a haver uma

Tijoleira rústica

novos formatos e design , sendo que, a partir dos anos 70, passou a haver uma

Revestimento em grés extrudido [17]

novos formatos e design , sendo que, a partir dos anos 70, passou a haver uma

Pavimento em grés cerâmico [18]

novos formatos e design , sendo que, a partir dos anos 70, passou a haver uma

Revestimento de interior- Estação Sete-Rios do Metropolitano Júlio Resende, Lisboa, 1995. [16]

novos formatos e design , sendo que, a partir dos anos 70, passou a haver uma

Revestimento em monocozedura [17]

novos formatos e design , sendo que, a partir dos anos 70, passou a haver uma

Revestimento de fachada em Azulejo José Almada Negreiros, 1949 [19]

Figura 2.8: Imagens de diversos tipos de revestimento

2.2.

Materiais

revestimento

cerâmicos

utilizados

em

soluções

de

Os ladrilhos cerâmicos constituem atualmente um dos materiais mais usados na construção civil e nomeadamente no revestimento de paredes interiores, exteriores e pavimentos. Tendo a argila, como matéria-prima, o produto final do ladrilho cerâmico pode apresentar as mais variadas características, consoante os elementos secundários adicionados, os métodos e os processos de fabrico. As diversas alterações na tecnologia de fabrico e na seleção das matérias-primas, tem possibilitado a obtenção de produtos com cada vez melhores desempenhos técnicos e estéticos, relativamente a outros materiais existentes no mercado. O desempenho do revestimento cerâmico depende da relação de todos os materiais e das técnicas de aplicação para cada situação específica. É necessário considerar vários fatores para garantir um bom resultado, tais como a utilização de materiais adequados ao tipo de uso, a qualidade, o planeamento e execução dos serviços de assentamento e a manutenção após a aplicação, de acordo com a finalidade a que se destina [20]. Há ainda a ter em conta o contributo da mão-de-obra, que para além dos poucos bons profissionais do setor, se resume a uma mão-de-obra indiferenciada, com conhecimentos insuficientes no âmbito da aplicação dos novos materiais de revestimento, que exigem formação específica para se atingirem os objetivos esperados.

2.2.1. Tipo de ladrilhos cerâmicos

Os revestimentos cerâmicos são objeto de normas europeias que definem a terminologia, requisitos e critérios de marcação para estes produtos. Destaca-se a NP EN 14411:2008 [21] onde os ladrilhos cerâmicos são definidos como: “Placas finas de argila e/ou outras matérias-primas inorgânicas, geralmente utilizadas como revestimentos para pavimentos e paredes. De acordo com esta norma os ladrilhos cerâmicos são classificados segundo o seu processo de fabrico e a sua absorção. No que diz respeito aos processos de fabrico, os ladrilhos são usualmente conformados por extrusão (Método A) ou prensagem a seco (Método B), à temperatura ambiente, podendo, no

entanto, ser moldados por outros processos. Os processos de fabrico dos grupos A e B, diferem apenas na fase da conformação, já que no processo de fabrico por extrusão a pasta é extrudida em fieiras, enquanto que no processo de fabrico por prensagem a seco, a pasta é prensada através de equipamentos hidráulicos. Os ladrilhos de ambos os grupos podem ainda ser vidrados (GL) ou não vidrados (UGL), sendo incombustíveis e não afetados pela luz. A porosidade aberta é medida através da percentagem de absorção de água. Considera-se a

existência de ladrilhos com baixa absorção de água (E ≤ 3%); ladrilhos com média absorção de água (3% < E ≤ 10%); e ladrilhos com elevada absorção de água (E > 10%).

Os ladrilhos incluídos no grupo C são moldados manualmente sendo utilizados processos artesanais na produção dos mesmos. No Quadro 2.1 é apresentada uma síntese dessa classificação, assim como a designação comercial dos mesmos.

Quadro 2.1: Classificação dos ladrilhos cerâmicos segundo a NP EN 14411 [21] seus anexos

Processo de

Grupo EN

   

Tipo

Absorção de água (E)

Fabrico

14411

       
 

AI

Grés Extrudido

3%

 

Grés extrudido

 

Grupo A

AIIa

Klinker

3% < E 6%

Tijoleira Rústica

Extrudido

     
   

Tijoleira Rústica

 

Allb

6% < E 10%

Terracota

   

AIII

Tijoleira Rústica

E > 10%

   

Pavimento de Grés

 

BIa

Klinker

0,5%

 

Porcelânico

Grupo B

 

Pavimento de Grés

 

BIb

0,5% < E 3%

Prensado a

Klinker

seco

 

Pavimento de Biocozedura

 

BIIa

Pavimento de monocozedura

6% < E 10%

BIIb

Revestimento de monocozedura

3% < E 6%

BIII

Azulejo (Faiança)

> 10%

Grupo C

CI

-

3%

     

Outros

CIIa

Pavimento rústico

3% < E 6%

Processos

CIIb

Pavimento rústico

6% < E 10%

(Moldagem

 

Azulejo

 

manual)

CIII

> 10%

Pavimento Rústico

     

O Quadro 2.2 apresenta a classificação alguns exemplos de ladrilhos de acordo com o processo de conformação e a correspondente designação comercial. Os ladrilhos são fabricados a partir de uma mistura de diversas matérias-primas, entre as quais, o caulino, outras argilas, a areia e materiais fundentes como o feldspato, entre outros, podendo ter diversos tipos de acabamento, em particular, o natural, o polido e o vidrado. Os principais processos de fabrico baseiam-se, como já referido anteriormente, na conformação por extrusão e por prensagem. No processo por extrusão, a preparação da pasta cerâmica pode ser feita por via seca ou por via semi-húmida. O processo por via seca implica a secagem prévia da matéria-prima antes de se proceder à sua conformação. O processo por via semi-húmida categoriza pasta composta de cerca de 18% a 20% de água que vai ser responsável pela coesão do produto conformado [23]. No fabrico com prensagem a seco, distinguem-se os processos de monocozedura e de bicozedura. No processo de monocozedura, os produtos passam uma só vez no forno para cozedura da pasta cerâmica e fixação do vidrado e decoração. As areais e os materiais fundentes são moídos em moinhos rotativos, horizontais. Neste tipo de processo reduz-se a granulometria dos materiais até ao grau de finura desejado. No processo de bicozedura é primeiro cozida a pasta, obtendo-se o

biscoito ou chacota. Posteriormente procede-se à vidragem e decoração da chacota, seguida finalmente da segunda cozedura [24] [23].

Quadro 2.2: Identificação de materiais cerâmicos dos grupos A e B, e respetiva denominação comercial [21]

Processo de conformação Absorção de A - Extrudidos B - Prensados a seco água Grupo Ia
Processo de conformação
Absorção de
A - Extrudidos
B - Prensados a seco
água
Grupo Ia - Porcelânico
E ≤ 3%
Grupo I - Grés extrudido
Grupo Ib - Grés porcelânico
3% < E ≤ 6%
Grupo IIa - Klinker
Grupo IIa - Pavimento de monocozedura
6% < E ≤ 10%
Grupo IIb - Revestimento de monocozedura
Grupo IIb - Terracota
E > 10%
Grupo III - Azulejo
Grupo III - Tijoleira rústica

Em seguida é elaborada uma pequena síntese sobre os diferentes tipos de ladrilhos cerâmicos existentes no mercado.

a) Produtos tradicionais de barro vermelho

Estes produtos são peças cerâmicas produzidas a partir de argilas fusíveis constituídas por elevadas percentagens de óxido de ferro. Adquirem colorações que vão do creme aos tons avermelhados, consoante a percentagem de óxido de ferro na sua composição. Referem-se, neste âmbito, a tijoleira, a terracota e a alheta ou forra de barro, conformadas por extrusão ou moldagem manual. Estas peças são sujeitas a tratamentos superficiais sobre o produto acabado para embelezamento e proteção das manchas. São maioritariamente utilizadas em pavimentos onde se

pretendem criar ambientes rústicos de cores térreas, de texturas naturais com arquiteturas e interiores ecológicos. Apresentam uma variedade cromática que vai do amarelo ao vermelho forte, característico do barro. Possuem um grau absorção de água elevado que dependendo dos produtos, pode variar desde cerca de 3,5 até 22 %. A tensão de rotura, dependente da espessura das peças, varia entre aproximadamente 2,3 e 3,2 kN/m 2 [25]. Depois de cozidas, revelam uma dureza entre 3 e 6 na escala de Mohs. Este tipo de peças não possui boa resistência à ação de ciclos gelo/degelo, devido à sua porosidade. Alguns destes produtos apresentam expansão por humidade, e como são produtos com porosidade aberta significativa, tornam-se muito sensíveis às manchas estando também frequentemente sujeitos a problemas de eflorescências. Este tipo de cerâmica de barro vermelho, é produzido por moldagem manual no caso de peças tradicionais, sendo as peças industriais produzidas por prensagem ou por extrusão. A enorme aceitação comercial deste tipo de materiais cerâmico, conduziu a uma maior oferta, quer do ponto de vista de formatos, quer do ponto de vista estético e, em particular, na aplicação de vidrados, inserções, incrustações e das combinações com pedra natural.

b) Azulejo

Os azulejos são cerâmicos porosos de suporte branco ou branco acinzentado, com aplicação de vidrado e eventual decoração de superfície. Maioritariamente são utilizados, em revestimentos interiores, podendo ainda ser utilizados em exteriores, mas não em zonas sujeitas à ação de gelo/degelo. Este tipo de cerâmica tem uma capacidade de absorção de água que varia geralmente entre 12 e 17%. A força de rotura varia entre 300 e 1200 N [26]. Dependendo da natureza dos vidrados, o azulejo, tem uma dureza na escala de Mohs inferior a 5. Os azulejos apresentam-se numa grande variedade de dimensões e formas, onde predominam os quadrados e os retângulos. São fabricados, maioritariamente, por prensagem a seco, sendo submetidos, posteriormente, a uma ou mais cozeduras. A aplicação de vários tipos de vidrados originam uma grande variedade cromática e de reflexão da luz, permitindo ainda a obtenção de peças com uma grande variedade de texturas. Os azulejos produzidos e comercializados em Portugal são basicamente de três tipos:

  • Azulejos não decorados e sem tratamentos superficiais, ou seja, azulejos lisos;

  • Azulejos com tratamento de superfície ao nível de texturas, cores e grafismos;

  • Azulejos especiais a que se dão o nome de fitas ou sanefas, peças essencialmente destinadas e efeitos estéticos, de forma a criar conjuntos com as peças base dos revestimentos.

No que diz respeito ao último tipo de azulejos (azulejos especiais) acresce dizer que podem ser moldados por prensagem, extrusão, ou por vazamento em moldes de gesso. Esta família de produtos apresenta uma grande variedade de peças cerâmicas, processos de fabrico, formatos, e tratamentos superficiais. São consideradas cerâmicas finas e decorativas. O formato típico destes revestimentos é de 14x14cm, sendo também correntes outros formatos.

  • c) Klinker

As peças cerâmicas de Klinker são de suporte colorido e baixa porosidade aberta, vidradas ou não vidradas e sem aplicação de decoração. São utilizadas principalmente em pavimentos interiores e exteriores, pavimentação de áreas industriais, revestimentos de edifícios industriais, comerciais e serviços, e ainda no revestimento de piscinas e locais muito húmidos, como câmaras frigoríficas. A conformação é obtida por prensagem ou extrusão. As peças obtidas por extrusão, destinadas a aplicações em pavimentos interiores e exteriores, não apresentam normalmente a superfície vidrada. As peças destinadas a revestimentos, em geral, apresentam a superfície vidrada. Este tipo de revestimento extrudido, parcialmente vitrificado, apresenta um grau de absorção de água muito baixo, variando esta propriedade entre 3 e 6%. Possuí ainda elevada resistência mecânica, apresentando forças de rotura entre 2,3 e 5 kN (as forças de rotura superiores a 5 kN encontram-se em peças com maiores espessuras), e elevada resistência química. O klinker apresenta ainda uma grande resistência à abrasão, dependendo do tipo de vidrado aplicado sobre a sua superfície. Os formatos predominantes no mercado são essencialmente retangulares, variando entre 23,6x5cm e 23,6x6,5cm com espessuras normalmente de 20mm [27]. Para a aplicação em pavimentos que exijam um comportamento anti-derrapante, este tipo de produtos cerâmicos fornece ao mercado peças com relevo superficial [25].

  • d) Grés cerâmico

O grés cerâmico é caracterizado por possuir porosidade aberta baixa a média e suporte branco acinzentado a camurça, podendo apresentar vidrado e em alguns casos, decorações. Existem essencialmente duas grandes famílias deste tipo de cerâmica, as peças de grés de pasta branca e as peças de grés de pasta vermelha. São conformadas por prensagem a seco ou por extrusão, sendo submetidas a uma única cozedura após vidragem e decoração. Este revestimento é maioritariamente utilizado em pavimentos residenciais, ainda que alguns, com especial resistência mecânica e química, se utilizem em pavimentos não residenciais. Apresenta uma capacidade de absorção de água entre 1 a 6% [23], em função do grau de gresificação do suporte, ou seja, em função da extensão do nível de vitrificação interna da pasta durante a cozedura. Depende também do grau de gresificação do suporte a sua resistência mecânica, em que a força de rotura varia entre 1 a 5 kN. O grau de resistência à abrasão depende do tipo de vidrado que é aplicado sobre a superfície, assim como a sua dureza da escala de Mohs, que pode variar entre 3 e 8. Este tipo de cerâmica apresenta, em geral, uma boa resistência química, dependendo do tipo de vidrado utilizado na sua superfície. Estas cerâmicas apresentam baixo coeficiente de dilatação térmica, com valores aparentemente compreendidos entre 5 e 7x10 -6 ºK -1 [25]. No mercado pode encontrar-se uma grande variedade de formatos, texturas e efeitos decorativos nas peças de grés cerâmico. Em geral, todas as decorações são aplicadas em processo produtivo para submeter as peças a uma cozedura única. As decorações apresentadas pelas peças enquadram-se, geralmente, na imitação da pedra natural, imitação de cerâmica não vidrada, desenhos geométricos que derivam do mosaico, apresentando ainda uma ampla variedade de desenhos de tipo tradicional.

e) Grés porcelânico

O grés porcelânico é um produto de ultima geração, de muito baixa porosidade aberta e com uma ampla gama de cores, obtido por prensagem ou extrusão, e submetido a uma única cozedura. Como o próprio nome indica são produtos similares à porcelana, caracterizados por apresentarem elevada qualidade e temperatura de fusão. Estes materiais resultam de se atingirem temperaturas de cozedura mais elevadas (1200º) e de se utilizarem argilas vitrificaveis necessárias à aglutinação dos grânulos de cerâmica, entretanto formados com alto nível de sinterização. A grande variedade da oferta deste produto, quanto a formatos, texturas, relevos superficiais, espessuras e características físico-químicas, permite que seja utilizado num leque bastante alargado de aplicações, nomeadamente: pavimentos e revestimentos de edifícios habitacionais de qualquer tipo; revestimento de fachadas; pavimentos e revestimentos de edifícios comerciais, de serviços, e industriais; espaços húmidos ou com condições de elevado risco de escorregamento; pavimentos submetidos a tráfego não exclusivamente pedonal, ou com especiais exigências mecânicas, quando submetidos a elevadas cargas estáticas ou dinâmicas; equipamento urbano. A família dos grés porcelânicos apresenta uma capacidade de absorção de água quase nula, inferior a 0,5% devido ao elevado grau de moagem, alto teor de fundentes, e elevada tensão de compactação [28]. Tem uma elevada força de rotura, com valores superiores a 2 kN, podendo alcançar os 8 kN para peças de espessura superior a 15 mm. Têm uma dureza na escala de Mohs que varia entre os 6 e 8 para as peças naturais e entre os 3 e os 5 para as peças polidas [25]. Resistem aos ciclos de gelo/degelo; têm um baixo coeficiente de dilatação térmica, com valores inferiores a 6,5x10 -6 ºK -1 ; apresentam baixa expansão por humidade, com valores inferiores a 1 mm/m; são resistentes aos choques térmicos; possuem uma boa resistência química, salvo ao ácido fluorídrico e compostos derivados. O acabamento superficial deste tipo de cerâmica pode ser mate, polido ou com brilho. Quanto aos produtos com acabamento polido, pode fazer-se a aplicação de resinas sintéticas para minimizar as consequências da micro-porosidade superficial. Podem ter um aspeto muito semelhante ao das pedras naturais [28]. A textura pode ser lisa ou texturada quando as condições de aplicação exijam propriedades anti derrapantes. No mercado podemos encontrar uma grande variedade de formatos e espessuras deste tipo de grés. Encontram-se no mercado peças que vão desde 2,5x2,5 cm e com 2mm de espessura. Mais recentemente as placas podem atingir dimensões de 60x120 cm com 8 mm de espessura [25]. O grés porcelânico conheceu um desenvolvimento tecnológico muito importante no domínio dos cerâmicos de construção, tendo sido possível obter soluções com características de porosidade e desempenho semelhante aos das pedras naturais de melhor qualidade, tornando-se uma alternativa bastante viável para os mesmos domínios de aplicação. A EN 14411 define um conjunto de características sobre os ladrilhos cerâmicos que se resumem nos Quadros 2.3.A e 2.3.B.

Quadro 2.3.A: Caracterização das classes de ladrilhos definidas pela NP EN 14411:2003 (Grupo A) [21]

GRUPO A Ladrilhos extrudidos

Designação e

Cor da

Tipo de

Aplicação

Dimensões

Características

porosidade

Pasta

superfície

habitual

comerciais

principais

     

Revestimentos em

 

Alta resistência à

AI

Grés extrudido

Pasta

branca

GL ou UGL

parede ou

pavimentos

(12 x 12) cm a (40 x 40) cm

flexão, ao desgaste e à ação do gelo; baixa

(E ≤ 3%)

(interiores ou

 

exteriores)

 

absorção de água

AIIa Klinker (ladrilhos de barro

(3% < E ≤ 6%)

Pasta

Natural, GL

Pavimentos interiores ou exteriores, mesmo

(11,5 x 11,5) cm

Aspeto rústico; boa resistência ao

vermelha

ou UGL

a (40x40) cm

vermelho)

em locais de elevado tráfego

desgaste

AIIb

   

Pavimentos interiores ou

 

Aspeto rústico; boa

Terracota

(6% < E ≤ 10%)

De rosa a vermelha

Natural, GL

ou UGL

exteriores, mesmo em locais de elevado tráfego

(7 x 7) cm a (30 x 30) cm

resistência ao desgaste

AIII

Pasta

     

Porosidade alta

Tijoleira rústica

(E > 10%)

branca e

vermelha

Natural, GL

ou UGL

Pavimentos

interiores

(10 x 10) cm a (40 x 40) cm

elevada expansão com a humidade

Quadro 2.3.B: Caracterização das classes de ladrilhos definidas pela NP EN 14411:2003 (Grupo B) [21]

GRUPO B Ladrilho prensado a seco

Designação e

Cor da Pasta

Tipo de

Aplicação habitual

Dimensões

Características

porosidade

superfície

comerciais

principais

BIa Porcelânico

Branca a creme ou com efeitos

 

Revestimentos em parede ou

(2,5 x 2,5) cm (mosaicos1) a

Massa cerâmica completamente

(E ≤ 0,5%)

especiais (cor marmoreada ou com

Natural ou

polida; GL

ou

pavimentos (interiores ou

(60 x 120) cm (retificado

vitrificada, de muito baixa porosidade; alta resistência à flexão,

(normalmente E ≤ 0,1%)

incorporação de grânulos coloridos)

UGL

exteriores); uso industrial ou locais de elevado tráfego

aplicação sem junta em interiores)

ao desgaste e à formação de nódoas; fragilidade ao choque

BIb

Cinzenta, creme

 

Revestimentos em parede ou pavimentos

(2,5 x 2,5) cm

Alta resistência à

Grés extrudido

(E ≤ 3%)

ou cor de barro vermelho

Natural, GL

ou UGL

(interiores ou exteriores), mesmo em locais de elevado tráfego

(mosaicos1) a (41 x 41) cm

flexão, ao desgaste e à ação do gelo

BIIa

       

Maior porosidade e

Pavimento de

monocozedura

(3% < E ≤ 6%)

Cinzenta creme ou cor de barro vermelho

Natural ou

polida; GL

ou UGL

Pavimentos interiores ou exteriores

(7,5 x 11,5) cm a (44,5 x 44,5) cm

menor resistência que o grés (menor grau de vitrificação)

BIIb

     

Nenhuma das

 

Cinzenta creme

Natural ou

Revestimentos em

empresas

Revestimento de

monocozedura

(6% < E ≤10%)

ou cor de barro vermelho

polida; GL

ou UGL

parede interiores ou exteriores,

analisadas

comercializa

esta tipologia

---

BIII Azulejo

   

Revestimentos em

(15 x 15) cm

Porosidade alta

(E > 10%

Pasta branca e

GL

(mosaicos) a

normalmente

vermelha

parede interiores e

(44,5 x 80) cm

elevada expansão

E>15%)

 

exteriores

(retificado)

com a humidade

2.2.2. Características de revestimentos cerâmicos

A seleção cuidada para a aplicação de materiais nos mais variados suportes, revela-se da maior importância. Neste sentido, existem características específicas que deverão ser determinadas nos ladrilhos a aplicar e que a seguir se descrevem [25].

  • Ladrilhos cerâmicos de pavimento: resistência mecânica; resistência à abrasão; resistência ao impacto; resistência ao escorregamento; resistência às manchas.

  • Ladrilhos cerâmicos para aplicações exteriores: resistência ao gelo; expansão por humidade; resistência ao impacto; dilatação térmica linear;

  • Ladrilhos vidrados: resistência à fendilhação;

  • Ladrilhos de cor uniforme: pequenas diferenças de cor;

  • Para aplicações em bancadas de cozinha ou locais em contacto com alimentos: libertação de chumbo e cádmio, provenientes de vidrados e decorações.

  • Para aplicações em piscinas: resistência aos produtos de tratamento de água.

  • Para aplicação em instalações de indústria química: resistência a altas concentrações de ácidos e de álcalis.

Os ladrilhos cerâmicos devem ser armazenados em locais planos e estáveis, protegidos do sol e da chuva, bem como acondicionados em caixas adequadas às suas várias dimensões, podendo ser empilhadas até um máximo de 2 metros de altura [29]. A norma EN 14411 [21] recorre às normas de ensaio da série EN ISO 10545 em particular no que se refere às características dimensionais, propriedades físicas e químicas de acordo com o apresentado no Quadro 2.4.

Quadro 2.4: Características exigidas nas diferentes aplicações [29]

 

Características

Produtos/Aplicações

Norma de ensaio

Dimensões e

 

Comprimento e largura

Pavimentos /Revestimentos

ISO 10545-2

qualidade

superficial

Espessura

Pavimentos /Revestimentos

ISO 10545-2

Retilinearidade das arestas

Pavimentos /Revestimentos

ISO 10545-2

Planidade (curvatura e empeno)

Pavimentos /Revestimentos

ISO 10545-2

 

Qualidade superficial

Pavimentos /Revestimentos

ISO 10545-2

Absorção de água

Pavimentos /Revestimentos

ISO 10545-3

Resistência à flexão

Pavimentos /Revestimentos

ISO 10545-4

Módulo de rutura

Pavimentos /Revestimentos

ISO 10545-4

 

Propriedades físicas

 

Resistência à abrasão profunda

Pavimentos não vidrados

ISO 10545-6

Resistência à abrasão superficial

Pavimentos vidrados

ISO 10545-7

Dilatação térmica linear

Locais sujeitos a temperaturas elevadas*

ISO 10545-8

Resistência ao choque térmico

Locais sujeitos a variações de temperatura*

ISO 10545-9

Resistência à fendilhagem

Ladrilhos vidrados

ISO 10545-11

 

Resistência ao gelo

Exterior

ISO 10545-12

Expansão por humidade

Locais sujeitos a humidade*

ISO 10545-10

Pequenas diferenças de calor

Ladrilhos de cor uniforme

ISO 10545-16

Resistência ao impacto

Pavimentos

ISO 10545-5

 

Propriedades químicas

 

Resistência às manchas

Pavimentos /Revestimentos

ISO 10545-14

Resistência a ácidos e bases em baixas concentrações

Pavimentos /Revestimentos

ISO 10545-13

Resistência a ácidos e bases em altas concentrações

Pavimentos /Revestimentos

ISO 10545-13

Resistência aos químicos domésticos e aditivos para águas de piscina

Pavimentos /Revestimentos

ISO 10545-13

Libertação de cádmio e chumbo

Locais em contacto com alimentos*

ISO 10545-15

* Para produtos colocados nos locais indicados

No Quadro 2.5 qualifica-se de forma resumida as características principais de cada classe de ladrilhos cerâmicos através dos seus valores médios.

Quadro 2.5: Classificação dos ladrilhos cerâmicos - exemplos [23]

Grupo

Absorção de água

Flexão (MPa)

Dilatação térmica linear (/ºC) x10 -6

Expansão por hu- midade (mm/m)*1

AI

0,7 a 3,0

17,6 a 38,8

5,3

-

AIIa

2,3 a 5,5

20,5 a 38,1

5,3

-

AIIb

7,6 a 10,4

10,4 a 15,6

5,3

0,8

AIII

11,4

13,5 a 21,5

4,5

1,9

BIa

0,1 a 0,4

36,2 a 53,0

7,1

-

BIb

0,7 a 2,8

27,6 a 55,6

5,9

-

BIIa

3,2 a 4,6

30,4 a 45

5,2

-

BIII

12,4 a 20,3

13,4 a 33,1

5,4

-

Tendo em conta os dados apresentados é feita uma síntese descrevendo a forma como o grau de vitrificação, a absorção de água, a expansão por humidade e a dilatação térmica afetam o desempenho do ladrilho cerâmico. As matérias-primas utilizadas no fabrico dos ladrilhos cerâmicos e os métodos de fabrico são os parâmetros que condicionam o grau de vitrificação da massa cerâmica. Lucas e Abreu [30] referem que esta característica dos ladrilhos determina o nível de desempenho das peças produzidas, influenciando, entre outros: a absorção de água; a resistência ao desgaste, à flexão, ao choque, à formação de gelo e ao enodoamento; a regularidade dimensional. Este nível de desempenho cresce com o grau de vitrificação, excetuando-se a resistência ao choque de corpos duros, em virtude de a vitrificação corresponder, em geral, a uma maior fragilidade [30]. A absorção da água corresponde à quantidade de água absorvida, expressa em percentagem segundo a norma europeia EN ISO 10545-3:1997 [31]. Este parâmetro está diretamente relacionado com a porosidade aberta dos ladrilhos cerâmicos. Quanto menor for a porosidade do ladrilho cerâmico e menor for a absorção de água, melhores serão as seguintes características: resistência mecânica, resistência ao desgaste, resistência ao gelo/degelo e resistência química. Em revestimentos cerâmicos aplicados no exterior recomenda-se utilização de ladrilhos com absorção de água não superior a 3%. Ainda nos revestimentos exteriores, deve-se preferencialmente optar, nas superfícies que necessitem de limpeza frequente, pela utilização de ladrilhos lisos e vitrificados [32]. Fiorito [32] refere que os ladrilhos cerâmicos estão sujeitos a um “inchamento quando entram em contacto com a humidade do meio ambiente, logo após a saída do forno. Este inchamento prossegue após as placas terem sido assentes dando origem a tensões nos revestimentos, que podem afetar a estabilidade do revestimento. A este fenómeno atribui-se o nome de expansão por humidade dos ladrilhos cerâmicos. O autor acrescenta que a ordem de grandeza desta deformação é de 0,3 a 0,7 %O, após dois anos de exposição ao ar. Os valores podem no entanto ser superiores ou inferiores, podendo ser desprezíveis como no caso dos ladrilhos vitrificados onde a expansão por humidade é praticamente nula. [23]. A dilatação térmica é das características com maior importância no comportamento dos revestimentos cerâmicos, particularmente nos revestimentos cerâmicos em exterior, devido a estarem sujeitos a maiores amplitudes térmicas. A envolvente exterior dos edifícios pode atingir

amplitudes térmicas, ao longo do ano, superiores a 50 °C, podendo ser resultantes da introdução de tensões elevadas, nos casos de deformação de revestimentos [23]. A variação dimensional é caracterizada pelo coeficiente de dilatação térmica linear. Os valores típicos indicados para os ladrilhos são da ordem de 5 x 10 -6 ºC -1 [23]. O valor do coeficiente de dilatação térmica é determinado segundo o prescrito na EN ISO 10545-8 [33]. A EN ISO 10545-4 estabelece os procedimentos para a determinação da resistência à flexão e da força de rotura [34]. O ensaio à flexão é realizado com 3 pontos de carga, sendo o valor da resistência à flexão, , expresso em Newtons, determinado pela seguinte expressão (ver Figura

2.9):

em que:

  • é a força de rotura em N;

  • é a distância entre os apoios do eixo, em mm;

  • é a largura do material, em mm (na perpendicular ao vão).

Por sua vez o módulo de rotura, expressado em N/mm 2 , é avaliado pela seguinte formula:

em que:

  • é a espessura mínima do material testado.

amplitudes térmicas, ao longo do ano, superiores a 50 °C, podendo ser resultantes da introdução de

Figura 2.9: Ensaio ISO 10545-4 [34]

2.3. Exigências funcionais dos revestimentos cerâmicos

Com a aplicação de revestimentos cerâmicos espera-se que sejam cumpridas diversas funções no contexto dos revestimentos de exteriores e de interiores já que, os mesmos, influenciam bastante as condições de habitabilidade dos edifícios. O revestimento de exteriores tem em vista a estanquidade e a proteção do suporte, para além do aspeto estético (com a regularização dos toscos) e outros. O revestimento de interiores desempenha funções de regularidade, aspeto estético, de conforto higrométrico e de forma marginal, contribui para o desempenho acústico e conforto térmico. No Quadros 2.6.A e 2.6.B é feita a síntese das principais exigências funcionais dos revestimentos cerâmicos.

Quadro 2.6.A: Resumo das principais exigências funcionais dos revestimentos cerâmicos [29]

Exigências

Tipos de exigências

Descrição das exigências

   

Estabilidade perante

Peso Próprio

solicitações normais de

Solicitações climáticas

Estabilidade

uso

Choques normais

Segurança

Estabilidade perante situações de caracter acidental

Choques acidentais

Segurança contra riscos de incêndio

 

Reação ao fogo

   

Rugosidade dos paramentos

Segurança no uso

Segurança no contacto

Temperatura dos paramentos

   

Compatibilidade geométrica

Compatibilidade com o suporte

 

Compatibilidade mecânica

 

Compatibilidade química

Termo higrométrico

 

Isolamento térmico

     

Permeabilidade ao vapor de água

Estanquidade

Estanquidade à água

Estanquidade à água da chuva

Permeabilidade à água

Absorção de água

     

Planeza geral

Planeza

 

Planeza localizada

 

Verticalidade

Conforto visual

 

Retidão das arestas

Regularidade e

Defeitos de superfície

perfeição da superfície

 

Largura das fissuras

Homogeneidade

Enodoamento pela poeira

Homogeneidade da temperatura superficial interior

Quadro 2.6.B: Resumo das principais exigências funcionais dos revestimentos cerâmicos [29]

Exigências

Tipos de exigências

Descrição das exigências

 

Resistência a ações de

Resistência aos choques

choque e atrito

Resistência à riscagem

Classes de resistência à riscagem

 

Resistência à água da chuva

Resistência à ação da

Resistência às projeções acidentais de água

água

Resistência à lavagem por via húmida

Adaptação à

Resistência aos vapores húmidos

utilização normal

 

Resistência ao arrancamento por tração

Aderência ao suporte

Resistência à peladura

Resistência ao

Resistência à formação de nódoas

enodoamento pela

 

poeira

 

Lavabilidade

 

Exigência de resistência à suspensão de cargas

     

Resistência ao calor

 

Resistência ao frio

Resistência aos agentes climáticos

 

Resistência à água

 

Resistência à luz

Resistência aos choques térmicos

Durabilidade

 

Resistência ao ozono

Resistência aos

Resistência ao dióxido de enxofre

produtos químicos do ar

Resistência ao azoto

Resistência a soluções amoniacais

Exigência de resistência à erosão provocada pelas partículas sólidas em suspensão no ar

Exigência de resistência à fixação e ao desenvolvimento de bolores

2.4. Normalização

A

Norma

Europeia

NP

EN 14411 [21] Ladrilhos cerâmicos: definições, classificação,

características e marcação, foi elaborada a partir da Norma Internacional ISO 13006:1998 [35] por mandato da União Europeia, para apoio da aplicação da Diretiva dos Produtos de Construção 89/106/EEC e da marcação CE. A EN 14411 [21] difere da ISO 13006 [35] nos pontos que se seguem:

  • Tem um campo de aplicação mais abrangente, pois inclui também no seu anexo Q, os ladrilhos que não são de 1ª qualidade;

  • Exclui a característica "Resistência ao escorregamento";

  • Contém os Anexos ZA e ZB de harmonização da norma, com vista à marcação CE com a apresentação e definições de termos, classificação de produtos e critérios para marcação dos pavimentos e revestimentos cerâmicos.

A Norma Europeia NP EN 14411 define a seguinte terminologia:

  • Ladrilhos cerâmicos: Placas finas feitas de argilas e/ou outras matérias-primas inorgânicas geralmente utlizadas como revestimentos para pavimentos e paredes, usualmente conformados por extrusão ou prensagem à temperatura ambiente, mas podendo ser moldadas por outros processos, em seguida secas e subsequentemente cozidas a temperaturas suficientes para se obterem as propriedades requeridas; os ladrilhos podem ser vidrados (GL) ou não vidrados (UGL), são incombustíveis e não são afetados pela luz.

  • Ladrilhos extrudidos (tipo A): ladrilhos cuja pasta é conformada no estado plástico numa extrusora, sendo a barra obtida cortada em ladrilhos com dimensões pré- determinadas.

  • Ladrilhos prensados a seco (tipo B): ladrilhos conformados a partir de uma mistura em pó finamente moída, conformada em moldes sob pressão.

  • Ladrilhos fabricados por outros processos (tipo C): ladrilhos fabricados por processos diferentes da extrusão e da prensagem a seco.

  • Ladrilhos vidrados (GL): ladrilhos com a aplicação de um revestimento superficial vitrificado que é impermeável.

  • Ladrilhos não vidrados (UGL): ladrilhos a que não é aplicado qualquer revestimento superficial vitrificado.

  • Ladrilhos engobados: ladrilhos a que é aplicado um revestimento superficial à base de argila, com um acabamento mate que pode ser permeável ou impermeável (são classificados como não vidrados).

  • Absorção de água (E): percentagem de massa de água absorvida, medida segundo a EN ISO 10545-3 [31].

  • Dimensão nominal (N): Dimensão usada para designar o produto.

  • Dimensão de fabricação (W): dimensão de um ladrilho especificada para produção e com a qual a dimensão atual tem de ser conforme, dentro das tolerâncias admissíveis.

  • Dimensão atual: Dimensão obtida por medição da face do ladrilho segundo a EN ISO 10545-2 [36].

  • Dimensão de coordenação (C): dimensão de fabricação adicionada da largura da junta.

  • Dimensão modular (M): ladrilhos e dimensões baseados em módulos M, 2M, 3M e 5 M e também nos seus múltiplos ou subdivisões, exceto ladrilhos com área superficial inferior a 9000mm 2 .

Esta norma define e específica os requisitos e critérios de marcação de ladrilhos cerâmicos da melhor qualidade comercial, sendo que, quando estes se revelam estar em conformidade com a norma, garantem a capacidade de desempenhar a sua função segundo os níveis de desempenho declarados. São ainda abrangidos pelo Anexo Q, da norma NP EN 14411:2008 [21], ladrilhos que não sejam de primeira qualidade comercial. Não abrange ladrilhos fabricados por outros processos que não sejam os normais processos de extrusão ou prensagem a seco, nem acessórios decorativos ou ladrilhos (isto é, qualquer peça que

caiba numa área de 7 cm × 7 cm). As características especificadas são avaliadas segundo os métodos de ensaio normalizados descritos na série de normas NP EN ISO 10545, constituída por diversas partes, cada uma descrevendo um método de ensaio específico. O Quadro 2.7 indicam-se todas as propriedades e respetivas normas de ensaio para a determinação das características dimensionais, propriedades físicas e químicas de pavimentos e revestimentos cerâmicos.

Quadro 2.7: Normas de ensaio de ladrilhos cerâmicos da série da NP EN ISO 10545 [22]

Norma de ensaio

Propriedade

ISO 10545-2 [36]

Dimensões

ISO 10545-2 [36]

Qualidade da superfície

ISO 10545-3 [31]

Absorção de água, E (%)

ISO 10545-4 [34]

Resistência à flexão e módulo de rotura

ISO 10545-5 [37]

Resistência ao impacto pelo coeficiente de restituição

ISO 10545-6 [38]

Resistência à abrasão profunda (UGL)

ISO 10545-7 [39]

Resistência à abrasão ou superficial (GL)

ISO 10545-8 [33]

Dilatação térmica linear

ISO 10545-9 [40]

Resistência ao choque térmico

ISO 10545-10 [41]

Expansão por humidade

ISO 10545-11 [42]

Resistência à fendilhação de ladrilhos vidrados

ISO 10545-12 [43]

Resistência ao gelo

ISO 10545-13 [44]

Resistência química

ISO 10545-14 [45]

Resistência à formação de nódoas

ISO 10545-15 [46]

Libertação de chumbo e cádmio

ISO 10545-16 [47]

Pequenas diferenças de cor

ISO 10545-17 DIN 51130 [48]/DIN 51097 [49]

Resistência ao deslizamento

NP EN 101 [50]

Dureza superficial

Nas Figuras 2.10.A e 2.10.B são aprsentadas imagens ilustrativas dos ensaios normalizados indicados no Quadro 2.7.

caiba numa área de 7 cm × 7 cm). As características especificadas são avaliadas segundo os

Equipamento de medição de características dimensionais [51] ISO

10545-2

caiba numa área de 7 cm × 7 cm). As características especificadas são avaliadas segundo os
caiba numa área de 7 cm × 7 cm). As características especificadas são avaliadas segundo os

Equipamento de medição de espessura [23] ISO 10545-2

Avaliação da qualidade da superfície [23] ISO 10545-2

Figura 2.10.A: Imagens das normas de ensaio

Ensaio de absorção de água [23] ISO 10545-3 Resistência à flexão [51] ISO 10545-4 Resistência ao
Ensaio de absorção de água [23] ISO 10545-3 Resistência à flexão [51] ISO 10545-4 Resistência ao
Ensaio de absorção de água [23] ISO 10545-3 Resistência à flexão [51] ISO 10545-4 Resistência ao

Ensaio de absorção de água [23] ISO

10545-3

Resistência à flexão [51] ISO 10545-4

Resistência ao impacto [51]

ISO10545-5

Ensaio de absorção de água [23] ISO 10545-3 Resistência à flexão [51] ISO 10545-4 Resistência ao
Ensaio de absorção de água [23] ISO 10545-3 Resistência à flexão [51] ISO 10545-4 Resistência ao
Ensaio de absorção de água [23] ISO 10545-3 Resistência à flexão [51] ISO 10545-4 Resistência ao

Abrasão profunda para ladrilhos não vidrados [51] ISO 10545-6

Abrasão profunda para ladrilhos vidrados [51] ISO

10545-7

Dilatação Térmica Linear [51] ISO 10545-8

Ensaio de absorção de água [23] ISO 10545-3 Resistência à flexão [51] ISO 10545-4 Resistência ao
Ensaio de absorção de água [23] ISO 10545-3 Resistência à flexão [51] ISO 10545-4 Resistência ao
Ensaio de absorção de água [23] ISO 10545-3 Resistência à flexão [51] ISO 10545-4 Resistência ao

Choque térmico [23] SO 10545-9

Expansão por humidade [23] ISO 10545-10

Fendilhação de ladrilhos vidrados [51] ISO 10545-11

Ensaio de absorção de água [23] ISO 10545-3 Resistência à flexão [51] ISO 10545-4 Resistência ao
Ensaio de absorção de água [23] ISO 10545-3 Resistência à flexão [51] ISO 10545-4 Resistência ao
Ensaio de absorção de água [23] ISO 10545-3 Resistência à flexão [51] ISO 10545-4 Resistência ao

Resistência ao gelo [23] ISO 10545-12

Resistência química [23] ISO 10545-13

Resistência às manchas [23] ISO 10545-14

Ensaio de absorção de água [23] ISO 10545-3 Resistência à flexão [51] ISO 10545-4 Resistência ao
Ensaio de absorção de água [23] ISO 10545-3 Resistência à flexão [51] ISO 10545-4 Resistência ao

Pequenas diferenças de cor [23] ISO

10545-16

Plataforma inclinada [23] ISO 10545-17

Figura 2.10.B: Imagens das normas de ensaio

2.5. Classificação UPEC

A classificação UPEC é um método francês de classificação de pavimentos. É um método geral aplicável a todos os tipos de materiais (alcatifas, madeira, cerâmicos, pedras naturais e sintéticas, plásticos, etc.) bem como a todos os tipos de locais (públicos e privados). Esta classificação foi estabelecida com base nas observações de casos práticos e na experiência de peritos. Também designado por Classement UPEC, é utilizado desde 1986 com grande sucesso e foi desenvolvido pelo Centre Scientifique et Technique du Batiment [52]. Nesta classificação é tido em conta não só a qualidade do revestimento, mas também as condições de utilização no local. Tendo apenas em conta o fator durabilidade, um revestimento considera-se adequado para um determinado local desde que a sua classificação seja igual ou superior à do local. A classificação UPEC tem em consideração o fator de durabilidade, o local em função da severidade de atuação sobre o piso dos agentes mecânicos, físicos e químicos de deterioração; classificação em função dos revestimentos segundo os tipos e os graus de resistência aos agentes de deteriorização. Na Figura 2.11 encontra-se o símbolo desta classificação. A sigla UPEC significa:

  • U Uso (Usure), abrange os efeitos devido à circulação das pessoas, tratando-se de movimentos unidirecionais, de rotação, de calcamento, em pé ou sentado;

  • P Punçoamento (Poinçonnement), abrange todos os efeitos mecânicos não contemplados na letra U;

  • E Água (Eau), caracteriza a frequência da presença de água sobre o piso, tendo em conta as operações de limpeza do piso;

  • C Química (Chimie), caracteriza o emprego de substâncias cuja ação físico-química possa ter uma incidência sobre a durabilidade do revestimento, produzindo, por exemplo, uma nódoa indelével.

2.5. Classificação UPEC A classificação UPEC é um método francês de classificação de pavimentos. É um

Figura 2.11: Classificação UPEC [53]

Cada letra é seguida de um índice numérico que permite identificar as exigências às quais deve satisfazer a obra abrangida pela classificação e o desempenho do produto. O índice numérico aumenta com a severidade do uso ou com o nível de desempenho. Esta classificação aplica-se a pavimentos interiores essencialmente destinados à circulação de pessoas e cargas em edifícios de habitação, administrativos, hoteleiros, comerciais, escolares e hospitalares. Este tipo de classificação não deve ser aplicado em locais onde predominem fatores de destruição, para além dos resultantes da utilização pedestre da atividade humana. A mesma classificação visa garantir que através de operações de limpeza normais, os pavimentos se conservem de modo satisfatório, sem

deteriorização notável, e com uma alteração progressiva e limitada do seu aspeto inicial, devido ao uso dos locais que tenham uma durabilidade razoável, não inferior a 10 anos [54] [52] [23]. A letra U traduz os efeitos de circulação: alteração de aspeto (perda de brilho), desgaste (perda de matéria e outros processos diversos). Esta letra é afetada por um destes 5 índices (2, 2S, 3, 3S, 4) [55]:

  • U 2S classificação de locais de uso doméstico/privado;

  • ≥U 3 classificação de locais de uso público/coletivo.

A letra P representa os efeitos mecânicos do mobiliário (efeitos estático + arrastamento ou rolagem) e dos objetos (choques) e as ações de caminhar de salto alto e fino. Esta letra é afetada por um dos 4 índices (2, 3, 4, 4S) [55]:

  • P 2 = locais onde não é previsível ações muito intensas: cargas estáticas limitadas a 20kN/m2, sem rolagem, exceto de objetos tais como os usados em locais de habitação;

  • P 3 = locais tipo escritórios equipados com cadeiras de roletes, corredores (normalmente hospitais) ou circulação de porta paletes e locais submetidos a esforços de intensidade considerável;

  • P 4 = locais, com exceção dos industriais, submetidos a todo o tipo de cargas, fixas ou móveis: são locais pouco comuns.

  • P 4S = locais, com exceção dos locais industriais, submetidos a todo o tipo de cargas, fixas ou móveis.

A

letra

E caracteriza

a

frequência da ação

da água no pavimento, nomeadamente a

relacionada com a utilização. É afetada por um dos 3 índices (1, 2, 3) [55]:

  • E 1 = presença de água ocasional; utilização a seco e limpeza a húmido;

  • E 2 = presença de água frequente, mas não sistemática; utilização húmida, limpeza por lavagem;

  • E 3 = presença de água frequentemente prolongada.

A letra C carateriza o emprego de substâncias em que a ação físico-química tem incidência na durabilidade (produtos alimentares, de limpeza, farmacêuticos). É afetada por um dos 3 índices (0, 1, ou 2) [54]:

  • C 0 = nestes locais tais produtos não são normalmente utilizados;

  • C 1 = nestes locais o contacto com o solo é acidental;

  • C 2 = nestes locais os produtos são correntemente utilizados.

Nos Quadros 2.8 e 2.9 encontram-se descritas as classificações UPEC para as diferentes divisões em edifícios.

Quadro 2.8: Edifícios unifamiliares [23] [55]

 

Efeito de

Efeito

 

Efeito da

 

Efeito da ação

 
 

Uso Privado

circulação

mecânico

ação da água

físico-química

 

Entradas

U 2S

P 2

 

E 1

 

C

0

 

Cozinhas

U 3

P 2

 

E 2

 

C

2

 

W.C.

U 2

P 2

 

E 2

 

C

1

 

Escadas

U 2

P 2

 

E 1

 

C

0

Terraços (acesso interior)

 

U 4

P 3

 

E 3

 

C

1

 

Outros

U 2S

P 2

 

E 1

 

C

0

 

Quadro 2.9: Edifícios coletivos [23] [55]

 
 

Efeito de

Efeito

Efeito da

Efeito da ação

 
 

Uso Coletivo

circulação

mecânico

ação da água

físico-química

Hall de entrada do edifício

 

U 4

P 2

E 1

 

C

0

Patamar de entrada

 

U 3

P 2

E 1

 

C

0

 

Escadas

U 3

P 2

E 2

 

C

0

 

Varandas

U 3

P 2

E 3

 

C

0

Terraços (acesso interior)

 

U 4

P 2

E 3

 

C

1

Terraços (acesso exterior)

 

U 3

P 2

E 3

 

C

0

Estabelecimentos comerciais

U 3

P 3

E 1

 

C

0

2.6.

Processo

de

certificação

de

produto

e

controlo

de

qualidade

 

2.6.1. Enquadramento no domínio da qualidade

Os processos de certificação e controlo da qualidade da produção permitem transmitir confiança ao cliente / utilizador no que se refere à qualidade do produto e serviço adquirido. Encontram-se disponíveis vários sistemas de certificação (Quadro 2.10) geridos por entidades independentes, que vão desde a certificação do produto à certificação da empresa. Alguns são de adesão voluntária, outros de adesão obrigatória [23]. De acordo com a Diretiva CNQ 5/94, existem vários níveis de certificação de produtos, sendo os mais utilizados a certificação pelo sistema 3 e a certificação pelo sistema 5. A certificação pelo sistema 3 (Certificação do produto), permite evidenciar que o produto foi avaliado por uma entidade independente e que os resultados obtidos se enquadram dentro dos limites estabelecidos na norma de especificação de ladrilhos aplicável, EN 14411 [21]. Esta certificação tem um acompanhamento periódico estabelecido, normalmente anual, e dá origem à emissão de um certificado. A certificação pelo sistema 5 (Marca de produto certificado), permite evidenciar que o produto foi avaliado por uma entidade independente, que os resultados obtidos se enquadram dentro dos limites estabelecidos na norma de especificação de produto aplicável e que a empresa tem operacional um sistema de controlo da produção, evidenciados através de registos, produção e ensaios, que lhe permitem controlar e garantir a constância das características do produto. Esta

certificação consiste, para além de ensaios laboratoriais, em auditorias ao controlo da produção,

feitas por entidades externas independentes. Tem um acompanhamento periódico estabelecido, normalmente anual e dá origem à emissão de uma licença para o uso da marca de conformidade

”Produto Certificado”.

Quadro 2.10: Sistema de certificação previsto na diretiva CNQ 5/94

Sistema

Designação

Ensaios

Auditoria

Acompanhamento

1

Ensaio tipo

X

   

2

Ensaio tipo seguido de posterior acompanhamento através de ensaios de amostras colhidas no comércio

X

   

3

Ensaio tipo seguido de posterior acompanhamento através de ensaios de amostras colhidas na fábrica

X

 

X

 

Ensaio tipo seguido de posterior acompanhamento

     

4

através de ensaios de amostras colhidas no comércio e/ou na fábrica

X

X

 

Ensaio tipo e aceitação do sistema da qualidade da

     

5

fábrica, seguido de acompanhamento que compreende ensaios de amostras colhidas no comércio e/ou na fábrica, bem como auditorias ao sistema de qualidade

X

X

X

6

Certificação do sistema da qualidade

 

X

X

7

Certificação de lote

X

   

8

Certificação a 100%

X

   

A certificação pelo sistema 6 (Certificação da empresa), permite evidenciar que a empresa tem em prática um sistema de gestão da qualidade ISO 9001:2000, certificado por uma entidade independente. Este sistema é mais abrangente e envolve todos os processos da empresa, desde a conceção do produto, comercialização, assistência pós-venda, para além do controlo do processo produtivo. A certificação baseia-se na realização de auditorias promovidas por entidades exteriores independentes, mas não prevê a realização de ensaios laboratoriais em laboratórios independentes. Tem um acompanhamento periódico estabelecido, normalmente anual, e dá origem a um certificado e ao uso da marca “Empresa certificada” [56].

certificação consiste, para além de ensaios laboratoriais, em auditorias ao controlo da produção, feitas por entidades

Figura 2.12: Símbolos de Produto Certificado emitido pela CERTIF [57]

certificação consiste, para além de ensaios laboratoriais, em auditorias ao controlo da produção, feitas por entidades

Figura 2.13: Símbolo de empresa Certificada emitido pela APCER [58]

2.6.2. A marcação e certificação CE

A “marcação CE” é representada pelo símbolo, cuja aposição tem de seguir determinadas regras. As iniciais “CE” são a abreviatura da designação francesa Conformité Européene que significa Conformidade Europeia. A “marcação CE” é a evidência dada pelo fabricante de que os produtos estão conforme os requisitos estabelecidos pelas diretivas comunitárias, permitindo-lhes a sua livre circulação no Espaço Económico Europeu (EEE). As Diretivas da União Europeia são de cumprimento obrigatório em todos os países membros à medida em que vão sendo transpostas para a legislação nacional de cada país membro. A legislação exige aos fabricantes que aponham, no(s) seu(s) produto(s), a “marcação CE". O fabricante é legalmente responsável por assegurar se um determinado produto está conforme com as especificações técnicas designadas para o respetivo processo de conceção e de fabrico, de acordo com as disposições da diretiva que se lhe aplica. Os equipamentos abrangidos pelas diretivas comunitárias, para poderem ser comercializados nos países da Comunidade Europeia, deverão ter a marcação CE. A “marcação CE” não pode constituir uma barreira técnica para impedir que países terceiros exportem os seus produtos para o mercado da EU, é apenas uma das formas de harmonização e unificação de procedimentos, normas e legislação com o propósito de concretização do “mercado interno europeu”, promovendo um desenvolvimento económico e social harmonioso entre os diversos estados-membros. Os procedimentos de avaliação da conformidade dos produtos com as normas das diretivas, visam garantir que os produtos colocados no mercado estão de acordo com as exigências expressas nas diretivas. A marcação CE, em alguns produtos, é obrigatória, sobrepondo-se a todos os sistemas em vigor de certificação. Não é uma marca de qualidade como a marca "Produto certificado" mas sim um "livre transito" para a circulação dos produtos no Mercado Europeu. Essa conformidade verifica-se, não apenas em relação às obrigações essenciais estabelecidas nas diretivas, mas também em relação a eventuais obrigações específicas, previstas nas diretivas. A própria Comissão Europeia considera a marcação CE como um "passaporte" que permite a livre e legal circulação de mercadorias dentro das suas fronteiras de acordo com os seus elevados padrões de qualidade e segurança, para as pessoas e o meio ambiente [59]. As bases de implementação da marcação CE (ver Figura 2.14) nos produtos da construção estão publicados no regulamento 305/2011 (União Europeia) que estabelece as condições harmonizadas para a comercialização dos produtos de construção e que revoga a Diretiva Europeia 89/106/CE [60] [61].

Figura 2.14: Marcação CE [60] Esta Diretiva exige que produtos de construção aplicados em obra, de

Figura 2.14: Marcação CE [60]

Esta Diretiva exige que produtos de construção aplicados em obra, de algum modo relevantes para o cumprimento de alguns dos sete requisitos especiais, necessitem de um comprovativo de que cumprem tais requisitos, a fim de poderem circular no mercado europeu. Os requisitos estão presentes no anexo I da diretiva [61]:

  • Resistência mecânica e estabilidade;

  • Segurança contra incêndio;

  • Higiene, saúde e ambiente;

  • Segurança e acessibilidade na utilização;

  • Proteção contra o ruído;

  • Economia de energia e isolamento térmico;

  • Utilização Sustentável dos recursos naturais.

De acordo com este regulamento, o comprovativo do desempenho para com os requisitos essenciais pode ser emitido pelo próprio fabricante (declaração do fabricante), ou por um organismo notificado (organismo de certificação), dependendo do sistema de comprovação que estiver definido para o produto em causa [62]. Existem os seguintes sistemas de avaliação e verificação da regularidade do desempenho: 1+, 1, 2+, 3 e 4. O sistema 1+ é o mais exigente e o sistema 4 o menos exigente. No Quadro 2.11, apresentam-se os sistemas de comprovação da conformidade.

Quadro 2.11: Sistemas de comprovação da conformidade adaptado [61]

   

Sistemas

 
 

Funções

1+

1

2+

3

4

Controle de produção da fábrica

 

F

F

F

F

F

 

Ensaio inicial do produto

   

F

 

F

       

Ensaio de amostras colhidas na fábrica de acordo com um programa de ensaios

 

F

F

F

previamente estabelecido

     
 

Ensaio inicial do produto

 

C/L

C/L

 

L

 

Inspeção inicial da fábrica e do controlo de produção da fábrica

 

C/I

C/I

C/I

 

Fiscalização, apreciação e aprovação contínuas do controlo de produção da fábrica

C/I

C/I

C/I

 

Ensaio aleatório de amostras colhidas na fábrica, no mercado ou no local da obra

C/I

 

Organismo envolvido

F
F

- Fabricante;

L
L

- Laboratório; I - Org. Inspeção;

C
C

- Org certificação

 

O sistema 1+ é o mais exigente pois necessita da intervenção de um organismo notificado para a certificação de conformidade do produto com base na realização de ensaios iniciais, avaliação inicial do sistema de controlo da produção do fabricante e acompanhamento através de ensaios ao produto ou sua encomenda a laboratórios exteriores. No sistema 1 os ensaios de acompanhamento são da responsabilidade do fabricante. O sistema 2 + difere do anterior por que é liderado pelo fabricante que emite uma declaração de conformidade pela qual é o único responsável. Para tal este deve possuir um controle da produção e realizar os ensaios periódicos ao produto na fábrica ou num laboratório exterior. Deve também solicitar a um organismo aprovado a certificação do controlo da produção da fábrica e o seu acompanhamento. O sistema 3 é também baseado numa declaração de conformidade, emitida pelo fabricante, após a realização de ensaios iniciais num laboratório aprovado. O sistema 4 é o menos exigente pois é da responsabilidade única do fabricante, que deverá ter um controlo da produção implementado e realizar ensaios ao produto. O resultado é a emissão, pelo fabricante de uma declaração de conformidade do produto, sob sua responsabilidade. No caso dos sistemas 1 e 1+ o Organismo de certificação pode recorrer a laboratórios ou organismos de inspeção para a realização de tarefas específicas como os ensaios ou auditorias ao sistema de controlo do fabricante, respetivamente. No caso do sistema 2+ o Organismo de certificação pode recorrer a organismos de inspeção para a realização de auditorias ao sistema de controlo do fabricante. Quando o cumprimento das exigências do Anexo ZA da norma EN 14411 for atingido, o fabricante ou o seu agente estabelecido no EEE (Espaço Económico Europeu) deve preparar e manter uma declaração de desempenho (Declaração de Conformidade CE) que autoriza a fixação da marca CE. Esta declaração deve incluir:

  • Nome e endereço do fabricante, ou seu representante estabelecido no EEE e seu local de produção;

  • Descrição do produto (tipo, identificação, destino de aplicação, …) e cópia da informação que acompanha a marcação CE;

  • Características de conformidade do produto (Anexo ZA da EN 14411 [63]);

  • Condições particulares de aplicação do produto (por exemplo, particularidades para uso em condições determinadas, etc.);

  • Nome e função da pessoa responsável para assinar a declaração em nome do fabricante ou seu representante autorizado;

  • Nome e endereço do laboratório notificado (relevante quando aplicável para aplicações com exigências de limitação de substâncias perigosas, por exemplo Chumbo e Cádmio);

A declaração acima mencionada deve ser apresentada na língua oficial do Estado Membro em que o produto irá ser utilizado. Na Figura 2.15 apresenta-se um exemplo de declaração de conformidade da responsabilidade do fabricante.

Figura 2.15: Exemplo de declaração do fabricante / cimentos-cola 2.6.3. Normas harmonizadas Para além das normas

Figura 2.15: Exemplo de declaração do fabricante / cimentos-cola

2.6.3. Normas harmonizadas

Para além das normas voluntárias de especificação de produtos que os Comités Técnicos do CEN tinham desenvolvido, houve necessidade de harmonizar as especificações de produto com os Requisitos Essenciais que a Diretiva Europeia 89/106/CE [64] indica. As normas harmonizadas são normas europeias EN que especificam as características dos produtos, objeto da marcação CE. De modo geral possuem duas partes:

  • Uma voluntária com indicação das características e ensaios;

  • Uma harmonizada com a Diretiva designada por Anexo ZA, obrigatória para efeitos da marcação CE, com indicação das características mínimas dos produtos. Também indica o sistema de comprovação da conformidade.

O símbolo de marcação CE consiste exclusivamente nas letras CE na forma especificada na Diretiva 93/68/CE. O símbolo de conformidade CE para revestimentos cerâmicos deve aparecer na embalagem e/ou na documentação comercial que acompanha o produto e deve ser acompanhado da seguinte informação:

  • Referência à norma europeia EN 14411 [63]:

  • Nome e marca do produtor;

  • Os últimos dois dígitos do ano em que a marca foi afixada;

  • A classificação do produto e destino de aplicação.

As indicações das características do produto determinadas com base na especificação técnica EN 14411 (tabela ZA. 1 subA e subB). Apresenta-se um exemplo de etiquetagem do fabricante na Figura 2.16 (no caso de cimento- cola) e 2.17 (para ladrilho cerâmico).

As indicações das características do produto determinadas com base na especificação técnica EN 14411 (tabela ZA.

Figura 2.16: Exemplo de Etiqueta do fabricante cimentos-cola

As indicações das características do produto determinadas com base na especificação técnica EN 14411 (tabela ZA.

Figura 2.17: Exemplo de etiqueta de fabricante de ladrilho cerâmico

3. Assentamento de revestimentos cerâmicos

Os sistemas de revestimento cerâmico aderente têm sofrido um enorme desenvolvimento, causado pela crescente inovação tecnológica da indústria de produção de ladrilhos cerâmicos, pelo surgimento de novos materiais de assentamento e ainda pela enorme variedade de suportes onde este tipo de revestimento é aplicado. Neste capítulo procura-se, de uma forma geral, caracterizar as soluções de assentamento não aderentes (soluções de fixação mecânica) e de uma forma mais detalhada, o assentamento de revestimentos cerâmicos aderentes.

3.1. Soluções de assentamento

3.1.1. Soluções de assentamento mecânico

No âmbito dos soluções de fixação distinguem-se essencialmente as soluções de assentamento por contacto e por fixação mecânica. As soluções de fixação mecânica podem ser aplicados em fachadas ou pavimentos. No caso de fachada é constituído pelo suporte que o sustenta e eventualmente por uma camada isolante. O revestimento é fixado mecanicamente sobre o suporte e por uma camada de revestimento geralmente fixa ao edifício através de uma estrutura de fixação, geralmente em alumínio ou aço inox. Entre o material de isolamento e o revestimento, é formada uma camada de ar que, pelo efeito chaminé, ativa a ventilação natural. Com esta solução surge o conceito de fachadas ventiladas o qual permite ganhos notáveis no comportamento higrotérmico da fachada. A fixação pode ser [65]:

  • Oculta através de grampos interiores, com a execução de uma pequena incisão no topo das peças cerâmicas, podendo ainda ser utilizada uma fixação química complementar;

  • Semi-oculta com a aplicação da cerâmica através de grampos de suporte em alumínio ou aço inox, podendo os mesmos ser lacados da mesma cor do revestimento escolhido.

Este tipo de solução de fixação são especialmente vocacionados para a reabilitação de edifícios, começando também a ser utilizados nas novas construções, por garantirem maior conforto na habitação, maior facilidade de manutenção, fiabilidade na aplicação independentemente do suporte e maior segurança para as pessoas. Nas Figuras 3.1 e 3.2 apresentam-se exemplos de fixação mecânica.

Figura 3.1: Fixação oculta [65] Figura 3.2: Fixação semi-oculta [65] Esta solução de fixação executa-se rapidamente
Figura 3.1: Fixação oculta [65] Figura 3.2: Fixação semi-oculta [65] Esta solução de fixação executa-se rapidamente

Figura 3.1: Fixação oculta [65]

Figura 3.1: Fixação oculta [65] Figura 3.2: Fixação semi-oculta [65] Esta solução de fixação executa-se rapidamente
Figura 3.1: Fixação oculta [65] Figura 3.2: Fixação semi-oculta [65] Esta solução de fixação executa-se rapidamente

Figura 3.2: Fixação semi-oculta [65]

Esta solução de fixação executa-se rapidamente e dá na maior segurança na aplicação, mais concretamente na reabilitação. Utiliza-se em qualquer tipo de suporte permitindo dispensar a decapagem da pintura e limitar as exigências de coesão das camadas superficiais. Em termos de eficiência energética apresenta vantagens já que, há menor necessidade de aquecimento no inverno e menor necessidade de arrefecimento no verão, devido à ventilação e efeito de pára-sol, eliminando as pontes térmicas face à continuidade do isolamento e ao aumento da inércia térmica por força da colocação exterior do isolamento. Proporciona ainda: uma maior facilidade de inspeção e manutenção, dado que é possível haver uma rápida substituição das peças e facilidade na desmontagem de pequenas áreas; um maior conforto ambiental no interior dos edifícios, devido à ausência de condensações e à ventilação eficaz de todos os elementos [65]. Este método de fixação não se aplica a revestimentos de paredes interiores [23]. Este método é mais eficaz no revestimento de fachadas, pois a sua utilização no revestimento de pavimentos, deverá ser mais cuidada devido aos esforços de flexão nos ladrilhos, sendo para tal necessário recorrer-se a ladrilhos cerâmicos com uma resistência mecânica capaz de suportar cargas pontuais e distribuídas. Outro dos inconvenientes deste processo, quando aplicado no revestimento de pavimentos interiores é a dificuldade de limpeza com água, tendo esta de ser efetuada com o cuidado necessário, de modo a impedir infiltrações para a caixa inferior [23]. Na Figura 3.3 apresenta-se um exemplo de fixação.

Figura 3.1: Fixação oculta [65] Figura 3.2: Fixação semi-oculta [65] Esta solução de fixação executa-se rapidamente
Figura 3.1: Fixação oculta [65] Figura 3.2: Fixação semi-oculta [65] Esta solução de fixação executa-se rapidamente

Figura 3.3: Fixação mecânica [65]

3.1.2. Assentamento aderente

Nas soluções de assentamento aderente, a fixação ao suporte é feita por contacto, com argamassas tradicionais ou colas, sendo aplicada em pontos, em faixas, ou em toda a superfície de contacto. A área de colagem não deve ser inferior a 20% da área total e deve garantir uma boa aderência dos bordos da placa, para que estes não sofram grandes deformações, que originariam tensões elevadas no revestimento [23]. Nas soluções de assentamento por colagem a execução do revestimento cerâmico abrange um conjunto de atividades necessárias a uma adequada execução da camada de acabamento e compreende as seguintes etapas:

  • Verificação e preparação do substrato;

  • Aplicação da camada de assentamento;

  • Assentamento dos ladrilhos;

  • Preenchimento das juntas entre componentes;

  • Limpeza.

Habitualmente uma parede revestida por este tipo de solução é formada por cinco tipos de camadas de preenchimento: suporte; chapisco; camada de base; adesivo; ladrilho cerâmico e junta de assentamento. Na Figura 3.4 pode observar-se os cinco tipos de camadas típicas da solução de revestimento aderente, assim como a junta de assentamento.

Legenda: 1 - Suporte 2 - Chapisco 3 - Camada de base 4 - Adesivo 5
Legenda:
1
- Suporte
2
- Chapisco
3
- Camada de base
4
- Adesivo
5
- Ladrilho cerâmico
6
- Junta de assentamento

Figura 3.4: Camadas da solução de revestimento cerâmico aderente e suporte [66]

O revestimento é constituído pelas seguintes camadas:

  • Suporte é o componente base de sustentação do revestimento cerâmico, habitualmente formado por elementos de alvenaria ou estrutura em betão armado [20] i .

  • Chapisco/Crespido é a camada de revestimento aplicada diretamente sobre a base, com a finalidade de assegurar a aderência do reboco ao suporte e de reduzir ou igualar a tendência do suporte para absorver água da camada subsequente. É, normalmente, constituída por uma argamassa fortemente doseada em cimento com traço volumétrico entre 1:3 e 1:2 [30], [29].

  • Camada de base/Emboço - é a camada de revestimento executada para cobrir e regularizar a superfície de suporte e chapisco, com a função de definir o plano vertical, contribuir para a impermeabilização do conjunto e dar sustentação à camada seguinte, o revestimento propriamente dito. É uma argamassa que pode ter o traço em volumes

aparentes entre as razões de 1:1/2:5 a 1:2:8 de cimento, cal hidratada e areia média húmida [29].

  • Ladrilho cerâmico - é o revestimento em si. São placas de material composto de argila e outras matérias-primas inorgânicas que são conformadas por extrusão por prensagem, ou por outros processos [21].

  • Junta entre os azulejos ou ladrilhos são definidas juntas que irão ser posteriormente preenchidas com argamassa de cimento ou outros produtos de substituição, e cuja largura depende dos elementos cerâmicos e da situação do paramento revestido [67].

  • Adesivo - material que liga o ladrilho ao suporte podendo ser constituído por uma argamassa, um cimento cola ou uma resina sintética [67].

No que se refere a revestimento de pavimentos por contacto, o material de assentamento é aplicado normalmente sobre uma camada de regularização (betonilha) colocada sobre o suporte existente. As soluções de assentamento aderentes são mais fáceis de aplicar do que os de assentamento mecânica, mas exigem uma preparação mais cuidada do suporte: limpeza e, se se tratar de reabilitação, decapagem de tintas e outros produtos orgânicos, e se necessário, remoção de rebocos pouco coesos ou com deficiente aderência ao suporte. Este tipo de sistemas é o mais utilizado em Portugal e aplica-se em paredes e pavimentos.

3.2. Materiais de assentamento em soluções aderentes

Os materiais de assentamento disponíveis atualmente no mercado, possuem propriedades específicas para cada situação de aplicação conforme o tipo de material a aplicar e o comportamento final que se pretende obter. Os produtos de assentamento podem ser agrupados em 4 grupos:

argamassa tradicional, cimento-cola, colas em dispersão aquosa e colas de resinas de reação. No Quadro 3.1 são apresentados os materiais de assentamento para fixação por aderencia, conforme definido na NP EN 12004:2001.

Quadro 3.1: Classificação dos materiais para fixação por contacto [23]

   

Aplicação em paredes 1:1/2:5 (cimento; cal e

Materiais para fixação por

Argamassa tradicional

(camada espessa - de 5 a

areia)

20 mm)

Aplicação em pavimentos 1:5 (cimento e areia)

   

contacto

Cimento-cola (C) - Mistura de ligantes hidráulicos, agregados e outros aditivos orgânicos

Colas em dispersão aquosa (D) - Mistura de agentes ligantes orgânicos na forma aquosa constituída por polímeros, aditivos orgânicos e cargas minerais

Colas de resinas de reação (R) - Mistura de resinas sintéticas, cargas minerais e aditivos orgânicos (endurecimento por reação química)

   

No que diz respeito à aderência pode distinguir-se três soluções de assentamento de revestimentos cerâmicos: argamassas tradicionais (solução aderente tradicional); colas e cimentos- cola (soluções aderentes colados). Na solução aderente tradicional, através do método da “camada espessa” são aplicadas

argamassas tradicionais em camada espessa, de 5 a 20 mm, servindo também de camada de regularização [22], [29]. O traço volúmico destas situa-se entre 1:3 e 1:5 de cimento:areia no revestimento de paredes, admitindo-se a utilização de argamassas bastardas ou de cal. No sistema aderente colado, os materiais utilizados são os cimentos-cola, colas em dispersão aquosa e colas de resina de reação. Estes materiais industriais são designados cimentos-cola ou

adesivos e devem ser homologados pelo LNEC conforme referido no art.º 17.º do “Regulamento

Geral das Edificações Urbanas” (1951). São aplicados em camada fina diretamente sobre o suporte ou sobre a camada de regularização e em particular, de acordo com a norma europeia harmonizada de referência para colas utilizadas em ladrilhos cerâmicos é a NP EN 12004:2008. A classificação apresentada na norma NP EN 12004 [68], distingue assim três tipos de colas, para ladrilhos cerâmicos, em função da sua composição química:

  • Cimentos-cola (C);

  • Colas em dispersão aquosa (D);

  • Colas de resina de reação (R).

Cada tipo está subdividido em diferentes classes de acordo com as propriedades específicas que um adesivo tem de apresentar e características opcionais, propriedades requeridas apenas para utilizações e aplicações específicas, em que são necessários níveis de desempenho acrescidos. No Quadro 3.2, é feita a caracterização destes tipos e respetivas classes, de acordo com as suas diferentes características. A NP EN 12004 define as exigências a respeitar por este tipo de produtos, distinguindo as seguintes classes para cada uma das categorias [23].

  • Classes com características fundamentais: o

Adesivo normal; (C1, D1, R1);

o Adesivo melhorado (cumpre os requisitos adicionais definidos pela norma C2, D2,

R2).

  • Classes de características opcionais: o E Adesivo de tempo aberto prolongado (apenas para cimentos-cola e colas em dispersão aquosa das classes C2 e D2, respetivamente); o F Adesivo de presa rápida; o T Adesivo com resistência ao deslizamento vertical; o S1 Cola deformável; o S2 Cola altamente deformável.

As classes 1 e 2 podem ser combinadas com todas as outras classes. Por exemplo a classe C2FTS1 representa uma cola melhorada deformável do tipo cimento-cola de presa rápida e com deslizamento vertical reduzido.

Quadro 3.2: Caracterização dos vários tipos de adesivos para ladrilhos cerâmicos [23]

 

Adesivos

Composição

Aplicações

Vantagens

Cuidados de

 

aconselháveis

aplicação

 

Cimento branco ou

cinza, areias siliciosas

Ladrilho de porosidade

Custo reduzido, rapidez de aplicação,

Aplicação em

C

Cimentos

média ou elevada em

cola standart

ou calcárias e aditivos orgânicos e inorgânicos

interiores, em suportes à base de cimento

colagem de peças porosas no interior das habitações

suportes limpos e planos

C

Cimentos

Cimento branco, areias

Pavimentos interiores e

 

Aplicação em

cola de

siliciosas e calcárias

exteriores (ladrilhos

Elevada resistência à

suportes

derivados

adjuvantes e resinas

porosos) revestimentos

água

estabilizados,

celulósicos

em dispersão

interiores e piscinas

espessura menos do que 10 mm

 

Cimento branco ou

Pavimentos ou revestimentos de

Elevado poder de

Aplicação em suportes estabilizados

C

Cimentos

cinza, areias siliciosas

cola de dois componentes

ou calcárias, adjuvantes e resinas em dispersão

parede de betão ou de cerâmica antiga e revestimentos de parede rebocados

colagem, mesmo em ladrilhos de grande formato

e de baixa porosidade; espessura menor do que 10 mm

 

Cimento cola ou cinza,

Revestimentos de

 

Aplicação em suportes estabilizados

C

Cimentos

areias siliciosas ou

fachada, pavimentos

Alta flexibilidade;

cola de ligantes

calcárias com aditivos

de tráfego intenso;

colagem sobre

e de baixa

 

mistos

orgânicos e inorgânicos

ladrilhos de qualquer formato de porosidade

madeira

porosidade; espessura menor do que 10 mm

 

Cimento aluminoso,

Ladrilhos até (60x60)

Colagem sobre pavimentos

Aplicação em suportes estabilizados

C

Cimentos

areias, resina sintética

cm, pouco porosos, em

cerâmicos; adequado

cola aluminosos

e outros adjuvantes específicos

todo o tipo de suportes (exceto pavimentos de madeira)

para exteriores incluindo ambientes frios

e de baixa porosidade e limpos; espessura menor do que 10 mm

D Cimentos de dispersão aquosa

Pasta adesiva resinas sintéticas em dispersão, aditivos orgânicos e cargas siliciosas

Todo o tipo de revestimentos, com exceção de suportes metálicos

Reparação de pavimentos, revestimentos, elevada elasticidade; pasta pronta a aplicar

Aplicação em suportes estabilizados; não resistente à água nem ao gelo

R Colas de resina de reação

Mistura de resinas epóxidas, poliuretano cargas minerais e orgânicos

Pavimentos e revestimentos de indústrias químicas, laboratórios, piscinas

Aplicação em ambientes quimicamente agressivos; aplicação sobre metal; endurecimento por reação química

Apresenta um custo bastante elevado, devendo a sua utilização ser devidamente justificada

Deste modo, é possível definir os produtos mais adequados para cada aplicação. As classes de cimentos-cola ou adesivos existentes são: C1, C1F,C1T, C1FT, C2, C2E, C2F, C2T, C2TE, C2FT, D1, D1T, D2, D2T, D2TE, R1, R1T, R2 e R2T. No Quadro 3.3, são apresentadas as propriedades das colas a ter em conta na aplicação em obra segundo a norma europeia EN 12004: 2001 [23]

Quadro 3.3: Propriedades das colas a considerar na aplicação em obra

Designações

Definições

Tempo de vida útil

Tempo em armazém durante o qual uma argamassa mantém as suas propriedades

Tempo de repouso

Intervalo de tempo necessário desde a preparação até ao uso

Tempo de vida

Máximo intervalo de tempo até ao uso

Tempo aberto

Máximo intervalo de tempo para acabamento desde a aplicação

Tempo de presa

Intervalo de tempo a partir do fabrico das argamassas até começarem a endurecer

Tempo de

Tempo necessário para que a argamassa desenvolva a sua resistência

endurecimento

No Quadro 3.4, apresentam-se as classes de cimentos-cola recomendadas [23] para o assentamento de ladrilhos cerâmicos em fachadas, dependendo da área da peça cerâmica a ser assente. No Quadro 3.4, menciona-se uma classe adicional de cimentos-cola, a C2S, definida pela Centre Scientifique et Technique du Bâtiment (CSBT) [69].

Quadro 3.4: Classes de cimentos-cola recomendadas para o assentamento de ladrilhos cerâmicos em fachadas [54], [23]

Revestimentos a colar

 

Altura da fachada H

Natureza

Área (cm 2 )

H 6 m

6 m < H 28 m

Mosaico em pasta de vidro ou porcelânico

S 50

   

Plaquetas murais em terracota

S 231

Azulejos de terracota

S 300 (15 x 15)

C2

C2S

Ladrilhos extrudidos ou

S 2000 (40 x 40)

prensados, exceto os

 

Não admissível assentamento

plenamente vitrificados (*)

2000 < S 3600

por colagem

Ladrilhos plenamente vitrificados (*)

S 2000 (40 x 40)

C2S

C2S

(*) Consideram-se plenamente vitrificados os ladrilhos com absorção de água (E) não superior a 0,5%

3.2.1. Técnicas de aplicação

Antes de terem surgido no mercado o cimento-cola, a colagem das peças de cerâmica era feita com argamassa tradicional, preparada no próprio local da obra, constituída por areia, cimento, cal, e água. Existem diferentes métodos para a fixação de ladrilhos cerâmicos, destacando-se, no sistema de aplicação tradicional: a técnica de colagem por pontos, a mais antiga e com tendência a desaparecer e a técnica da camada espessa. No sistema aderente colado que inclui a fixação dos ladrilhos com cimentos-cola e colas [70] é utilizada a técnica da camada fina, uma técnica mais evoluída.

  • a) Técnica da colagem por pontos

A aplicação de ladrilhos cerâmicos através desta técnica consiste em colocar pontos de argamassa tradicional de colagem no tardoz da peça cerâmica ou de pedra natural. Estes pontos são maiores ou menores, dependendo do tamanho da peça cerâmica, sendo em geral colada em cinco sítios da mesma. Normalmente aplica-se um pedaço de argamassa em cada canto da peça e um outro no centro geométrico da mesma. A utilização desta técnica permite que ao fazer-se a colagem de cada uma das peças cerâmicas, se faça em simultâneo o nivelamento da peça recém-colocada, com as peças que a rodeiam. Desta forma faz-se o nivelamento de todo o revestimento cerâmico. É a técnica mais antiga e com tendência a desaparecer [71].

  • b) Técnica da camada espessa

A pr EN 13548 [69] classifica a técnica de assentamento de ladrilhos com camada espessa em:

  • V1, V2, V3 para paredes;

  • B1, B2, B3 para pavimentos.

Sendo o método V i referente a paredes e o B i a pavimentos. O índice 1, 2 ou 3 indica a forma de aplicação da argamassa de colagem. Os métodos V1 e B1 consistem na aplicação da argamassa de colagem diretamente no tardoz dos ladrilhos. Nos métodos V2 e B2 a argamassa de colagem é aplicada numa camada única de argamassa de 10 a 15 mm de espessura, acabada à régua e deixada endurecer de forma a suportar o peso dos ladrilhos, após o que se aplica uma camada de argamassa no tardoz do ladrilho (a espessura depende da rugosidade do mesmo) e pressionando momentaneamente, colocam-se os ladrilhos na posição devida. Nos métodos V3 e B3 a argamassa de colagem é aplicada sobre uma camada de separação previamente instalada sobre o suporte existente, permitindo alguns ajustes [69]. A utilização da técnica de camada espessa permite compensar maiores defeitos de planimetria do suporte. Esta técnica de assentamento recomenda-se apenas para peças cerâmicas com média e alta absorção de água (superior a 3%) e para locais com fracas solicitações mecânicas, ou seja, baixos movimentos esperados por parte do suporte assim como locais de fraco tráfego. Aplica-se uma camada de material de colagem uniforme sobre o tardoz da peça a colar de forma a cobrir toda a superfície e em seguida assentam-se imediatamente sobre o suporte, pressionando de forma a existir contacto e nivelamento adequados com as peças adjacentes. A camada de colagem varia entre os 5 e 20 mm [71] [72]. O sistema tradicional que utiliza argamassa como meio de fixação é aplicado usualmente em camada espessa.

Na Figura 3.5 apresentam-se técnicas de assentamento de ladrilhos com argamassas em paredes.

Na Figura 3.5 apresentam-se técnicas de assentamento de ladrilhos com argamassas em paredes. Figura 3.5: Técnicas

Figura 3.5: Técnicas de assentamento de ladrilhos cerâmicos com argamassas tradicionais em paredes [23]

As desvantagens traduzem-se: numa menor tensão de adesão no ladrilho visto que a colagem é feita apenas por ação física; numa maior sobrecarga da estrutura; num tempo de aplicação mais prolongado; no fato da aplicação ser adequada apenas a suportes e a materiais cerâmicos de elevada porosidade. Se for aplicado em exteriores deverá ser incorporado na sua constituição um aditivo hidrófugo, de modo a aumentar a sua resistência à penetração de água pluvial [69], [23].

Na Figura 3.6 mostram-se técnicas de assentamento de ladrilhos cerâmicos com argamassas tradicionais em pavimentos.

Na Figura 3.6 mostram-se técnicas de assentamento de ladrilhos cerâmicos com argamassas tradicionais em pavimentos. Figura

Figura 3.6: Técnicas de assentamento de ladrilhos cerâmicos em pavimentos [23]

c) Técnica da camada fina

A pr EN 13548 classifica a técnica de colagem de ladrilhos com camada fina em W i e A i sendo W relativo a paredes e A a pavimentos. O índice i pode tomar os valores de 1 ou de 2, conforme se ilustra nas Figuras 3.7 e 3.8. Esta técnica consiste na aplicação de uma camada fina, contínua e uniforme de adesivo, cuja espessura pode variar entre os 3 mm e os 10 mm, devendo garantir toda a superfície a aplicar, ou, pelo menos, 95% da superfície de revestimento e do suporte [71]. Na técnica da camada fina, os métodos usados para a colagem dos ladrilhos cerâmicos em pavimentos são o A1 e o A2. No primeiro, o adesivo é aplicado diretamente sobre o suporte, sendo

recomendado no caso de suportes rígidos; no segundo, o adesivo é aplicado sobre uma camada previamente instalada sobre o suporte existente, de forma a permitir pequenos ajustes. No que se refere à colagem dos ladrilhos cerâmicos em paredes os métodos utilizados são o de colagem simples (método W1) e o método de colagem dupla (método W2). No primeiro o adesivo é aplicado diretamente sobre o suporte, sendo recomendado para suportes regulares. No segundo, o adesivo é aplicado sobre uma camada previamente instalada sobre o suporte existente. Todos os outros processos de assentamento com recurso a cimento-cola ou colas, são do tipo camada fina. Na Figura 3.7 apresentam-se técnicas de assentamento de ladrilhos cerâmicos com colas e cimentos-cola em pavimentos.

recomendado no caso de suportes rígidos; no segundo, o adesivo é aplicado sobre uma camada previamente

Figura 3.7: Técnicas de assentamento de ladrilhos cerâmicos com cimentos-cola e colas em pavimentos [23]

Na Figura 3.8 destacam-se técnicas de assentamento de ladrilhos cerâmicos com colas e cimentos-cola em pavimentos.

Figura 3.8: Técnicas de assentamento de ladrilhos cerâmicos com cimentos-cola e colas em paredes [23] Nesta

Figura 3.8: Técnicas de assentamento de ladrilhos cerâmicos com cimentos-cola e colas em paredes [23]

Nesta solução apontam-se como vantagens: uma maior adesão ao ladrilho; uma mais elevada produtividade no assentamento; a manutenção das características dos materiais, e sobretudo uma maior capacidade de retenção de água. A aplicação de soluções aderentes colados tem ainda a vantagem de não precisar de grande espessura na sua utilização, sem perder, para a base ou para o ar, a quantidade de água necessária à hidratação do cimento [73]. A característica comum às duas soluções resume-se à fixação que é feita por colagem, embora na primeira, os ladrilhos sejam assentes e na segunda sejam colados diretamente nos suportes. Aquando da fixação deve ser recolhida informação no que se refere:

  • Ao tipo de ambiente em que se insere o sistema de revestimento e às solicitações e desempenho esperados, atendendo: à superfície a revestir (horizontal ou vertical) e a sua localização (interior ou exterior); o uso previsto para o espaço (sala, cozinha…); a existência de condições climatéricas severas; o desempenho esperado conforme o tipo de utilização dos edifícios;

  • Ao tipo de suporte e as suas características mecânicas, geométricas, químicas…tendo em conta as interceções entre as diferentes superfícies;

  • À calendarização da obra, com especial destaque para os tempos de cura/secagem dos diferentes componentes.

A execução de um revestimento cerâmico, seja ele aplicado em camada fina ou em camada espessa, é constituído, por ordem cronológica, pelas seguintes fases [29], [22]:

  • Execução de tarefas preliminares;

  • Preparação do suporte;

  • Aplicação do material de assentamento;

  • Assentamento dos ladrilhos;

  • Execução e preenchimento das juntas;

  • Limpeza.

3.2.2. Exigências aplicáveis ao suporte e compatibilidade com o material de assentamento

As soluções de revestimento cerâmico devem ter um desempenho satisfatório relativamente às solicitações a que são submetidos durante o seu período de vida, sem sofrerem deteriorações significativas desde que sujeitos a uma manutenção adequada. É fundamental ter em conta regras gerais para a seleção dos materiais e a sua adequação ao uso, de forma a garantir que o comportamento esperado em obra seja alcançado. Assim, os seguintes efeitos devem ser tidos em conta [23], [30], nomeadamente:

  • Características dos ladrilhos cerâmicos, tendo em atenção a porosidade aberta, a textura do tardoz do elemento a colar, a espessura da peça e o peso (particular atenção para o caso do revestimento de fachadas e geometria da peça);

  • Características do suporte a revestir e requisitos funcionais (tensões, cargas mecânicas, comportamento térmico e higrotérmico, enquadramento estético e dureza, porosidade, estado de conservação e limpeza do suporte e ainda a resistência e planeza do mesmo);

  • Características mecânicas, físicas, químicas e geométricas do adesivo e sua compatibilidade com os ladrilhos e o suporte (necessidade de eventuais tratamentos prévios);

  • Condições ambientais adequadas à colagem e posterior endurecimento (temperatura ambiente, condições de humidade, riscos de gelo e ambientes agressivos);

  • Posição da superfície a revestir (horizontal e vertical como casos limite);

  • Adequação da superfície revestida ao uso e ações previstos;

  • Localização e definição das características das juntas de movimento do revestimento e dos eventuais reforços ou proteções;

  • Prazos de execução e tempos de espera entre tarefas e antes da entrada em serviço do revestimento;

  • Avaliação final da qualidade do revestimento.

3.2.2.1. Exigências aplicáveis ao suporte

Os suportes de revestimentos cerâmicos devem apresentar-se planos, limpos e isentos de partículas pulverulentas ou gordurosas, que possam afetar a aderência e a durabilidade do revestimento. Os suportes em betão devem encontrar-se isentos de produtos de desmoldagem, a não ser que seja comprovada a sua compatibilidade com os trabalhos de revestimento. A decapagem deste tipo de produtos pode ser feita na altura da desmoldagem das peças, com água a alta pressão ou sobre o betão endurecido, por picagem, decapagem com jato abrasivo de areia. Os suportes à base de materiais cerâmicos devem secar por períodos mínimos que vão de 4 semanas a 6 meses, dependendo do seu tipo, espessura e das condições ambientais [74]. Os suportes à base de gesso devem curar, pelo menos, 4 semanas e secar completamente. Os painéis pré-fabricados que sirvam de suporte a revestimentos cerâmicos devem apresentar- se rígidos e sem deformações [74].

3.2.2.2. Compatibilidade entre o suporte e o material de assentamento

Convém salientar também a exigência de compatibilidade, do ponto de vista mecânico, geométrico e químico, entre o revestimento com ladrilhos cerâmicos e o respetivo suporte. A compatibilidade mecânica está relacionada com o módulo de elasticidade e a resistência à tração do suporte e do revestimento. A compatibilidade geométrica traduz-se na necessidade do suporte apresentar planeza e regularidade superficial adequadas à espessura e técnica de aplicação do revestimento. A incompatibilidade química pode provocar a degradação, refletindo-se em deslocamentos e destacamentos do revestimento. O regulamento europeu que estabelece condições harmonizadas para a comercialização de produtos de construção ( Nº 305/2011) exige que este tipo de produtos respeite determinadas exigências de modo a que, uma vez aplicados em obra, garantam o cumprimento dos sete Requisitos Essenciais, indicados no seu anexo I e já referidos no ponto 2.6.2. Para além destes requisitos, é necessário equacionar outras exigências fundamentais na conceção e projeto dos revestimentos cerâmicos, tais como a compatibilidade com o suporte, o conforto visual e táctil, a durabilidade e adaptação à utilização normal [23]. Para além das anteriormente citadas, Sá [29] considerou ainda mais algumas exigências, tais como: de estanquidade; termo-higrotérmicas, de pureza do ar, de facilidade de limpeza, de aptidão para o armazenamento e de economia.

3.2.3. Materiais de assentamento

Os materiais de assentamento têm características específicas em termos de aplicação e desempenho final. As argamassas podem definir-se de acordo com as misturas efetuadas entre os seus constituintes e em particular com a adição de aditivos e adjuvantes, no sentido de alterar as propriedades das mesmas, melhorando as características físicas, mecânicas e químicas. Estes materiais são doseados em obra. Para além do assentamento de ladrilhos em pavimentos, são principalmente utilizadas no assentamento de alvenaria, no reboco e nas camadas de regularização. As propriedades das colas são determinadas, principalmente, pelos tipos de ligantes utilizados, ou seja, de acordo com a natureza química da incorporação dos respetivos ligantes. Estes materiais são doseados em fábrica, apresentando-se, por isso, prontos a amassar em obra para aplicação imediata. São utilizados nos espaços interiores, exteriores e pavimentos. Neste ponto serão abordados a composição, as características, as aplicações, as dosagens, os consumos e ainda os ensaios de conformidade dos materiais para fixação por contacto. Os adesivos para ladrilhos (colas) ( NP EN 12004) [68] estão obrigados a Marcação CE pelo sistema 3 desde 2004, enquanto as argamassas de reboco (EN 998-2 e EN 998-1) iniciaram essa obrigatoriedade em 1 de Fevereiro de 2005, pelo sistema 4. No caso dos cimentos-cola e colas, o anexo ZA da norma NP EN 12004 [68], prevê a indicação na Declaração do Fabricante de:

resistência da adesão antes e após sujeição a diferentes condições de calor, humidade e gelo.

3.2.3.1. Argamassa tradicional

Conforme a Associação Portuguesa dos Fabricantes de Argamassas de Construção [58], uma argamassa é um produto que resulta da mistura de pelo menos um ligante, agregados finos e água. O agregado mais comum é a areia. O ligante pode ser a cal, o cimento ou o gesso, que concede a coesão à mistura final. A cal apresenta características mecânicas médias e dificuldade de endurecimento, não sendo adequada para zonas húmidas e grandes juntas onde existem fortes cordões de aderência. O seu baixo módulo de elasticidade facilita a capacidade de deformação do suporte e reduz a possibilidade de fissuração. O cimento Portland (Figura 3.9), o mais empregue em Portugal, apresenta uma elevada resistência mecânica e módulo de elasticidade, promove um endurecimento forte às cerâmicas contendo na sua constituição grande quantidade de sais solúveis. O gesso apresenta, como qualidade principal, a presa rápida e como desvantagens a sua baixa resistência e solubilidade nas águas pluviais, sendo a sua utilização recomendada para climas secos ou para a utilização no interior dos edifícios. A água, é essencial quer para a produção da argamassa quer para o humedecimento do suporte e das peças cerâmicas, não devendo apresentar sais solúveis. Recorre-se ainda à adição de adjuvantes no sentido de alterar as propriedades das argamassas, nomeadamente ao nível das suas características físicas, mecânicas ou químicas [75].

A utilização destes adjuvantes visa contribuir para: o aumento da resistência mecânica; a fácil aplicação; a resistência ao fogo; melhor resistência química aos meios agressivos; a estabilidade dimensional durante a presa; o endurecimento acelerado. A dosagem e mistura dos vários constituintes deste materiais de fixação (Figura 3.10) deverá ser feito com rigor, já que, uma adição excessiva de ligante causará uma contração do ligante durante o endurecimento da argamassa, originando fissuração, enquanto que uma quantidade insuficiente de ligante provocará demasiada porosidade que conduzirá ao enfraquecimento da argamassa. Este tipo de fixação apresenta algumas desvantagens, das quais se destacam: uma menor tensão de adesão em relação a outros produtos; aplicação limitada a suportes e materiais cerâmicos de elevada porosidade; maior sobrecarga na estrutura; tempo de aplicação mais prolongado; traço não sujeito a controlo de Qualidade. Antes de se proceder à aplicação dos ladrilhos deve garantir-se que a espessura entre o paramento e a face do tardoz do ladrilho seja, no mínimo, de 20 mm. A primeira etapa, tem início com o tratamento prévio do suporte que implica a limpeza e regularização do mesmo, seguindo-se o seu humedecimento. Numa segunda etapa a argamassa é chapada contra o suporte, sendo que, posteriormente, a superfície deverá ser regularizada com uma régua, devendo esta mostrar uma textura rugosa para melhorar a ancoragem da argamassa de assentamento. Entre a aplicação de camadas deve decorrer um período mínimo de 24 horas. Numa terceira etapa, deverá ser efetuada a colocação de mestras no suporte para servirem de guias à colocação dos ladrilhos. Por fim, procede- se à marcação das juntas nas guias. Os principais ensaios de conformidade são: flexão; compressão; absorção capilar. Os ensaios de flexão e compressão deverão ser realizados de acordo com a NP EN 196-1 [76]. Os ensaios de absorção capilar deverão ser executados segundo a Especificação LNEC E393 de 1993 [77].

Figura 3.9: Cimento Portland Figura 3.10: Argamassa Tradicional
Figura 3.9: Cimento Portland
Figura 3.10: Argamassa Tradicional

3.2.3.2. Cimento-cola (C)

A NP EN 12004, define os cimentos-cola como uma “Mistura de ligantes hidráulicos, agregados e aditivos orgânicos”. Os cimentos-cola (Figura 3.11), designados do tipo C (C = base cimentícia) são os mais utilizados nas soluções de assentamento por colagem. Estes produtos são pré-doseados em fábrica, apresentando-se prontos a amassar em obra para aplicação imediata. De acordo com a sua composição, os cimentos-cola dividem-se em cinco tipos [68]:

  • Com adjuvantes orgânicos e inorgânicos;

  • De derivados celulósicos;

  • De ligantes mistos orgânicos e inorgânicos;

  • Aluminosos com ligantes mistos;

  • De resinas com dois componentes.

O método de aplicação dos ladrilhos com cimentos-cola está dependente da área da peça a ser assente, sendo aplicados, normalmente, em camada fina (2 a 5 mm), podendo chegar aos 10 mm em pequenas áreas isoladas onde existam irregularidades superficiais na base Nos revestimentos com ladrilhos de pequenas dimensões (S 50 cm 2 ) ou com “plaquetas” de terracota, a colagem é simples, aplicada apenas sobre o suporte, com consumos mínimos de 3,5Kg/m 2 e 4,5kg/m 2 , respetivamente. Para ladrilhos com superfície S > 50cm 2 , a colagem deve ser dupla, sobre o suporte e no tardoz dos ladrilhos, e os consumos mínimos de cimento-cola são os que se indicam no Quadro 3.5. São aceitáveis desvios de 15% nos consumos mínimos do produto de colagem, desde que ocorram apenas em superfícies limitadas. As relações entre as características e as condições de utilização (condições de humidade, temperatura, tempo de presa, etc.) não são apresentadas na NP EN 12004 [68], devendo o prescritor avaliar o estado do local da obra (influências térmicas e mecânicas) e escolher o produto apropriado, considerando eventuais riscos.

Quadro 3.5: Consumos típicos de cimento-cola (C) em paredes exteriores e métodos de aplicação [23]

Área dos ladrilhos (cm2)

50 <S < 300

2000 < S 3600

(*)

(15X15)

(60X60)

Consumo de cimento-cola (Kg/m2 de área a revestir)

6

9

* Apenas ladrilhos cerâmicos de absorção de água > 0,5%, admitem-se desvios de 15% nos consumos mínimos do produto de colagem, quando as superfícies sejam de superfícies reduzidas.

Devem também ser tidos em conta os tempos de vida útil, tempo aberto e tempo de repouso definidos na EN 12004 e indicados na embalagem do produto. Porém, em dias secos, quentes e com muito vento, estes tempos podem sofrer alterações. O final do tempo aberto do produto é indicado pela formação de uma película esbranquiçada sobre os cordões da argamassa de cimento-cola, a

partir do qual as condições de assentamento ficam prejudicadas, podendo implicar o descolamento precoce da placa cerâmica [68]. A UEAtc (Union Européen pour l’Agrément Technique dans la Constrution), estabelece diferentes tipos de argamassas e aplicações para cada grau de sensibilidade à água [78]. Na aplicação deste tipo de produto é necessário ter em conta certos cuidados, nomeadamente:

remover resíduos e produtos de conservação de aplicações anteriores; assentamento do ladrilho apenas depois de conseguida uma boa estabilização do suporte; controlar a espessura, que nunca deve ultrapassar os 10 mm. Para avaliar as características de determinado produto procede-se à realização de ensaios. Neste contexto refere-se o ensaio de arrancamento que se destina a avaliar a qualidade do assentamento. Assim, durante o assentamento, devem arrancar-se placas, aleatoriamente, no sentido de verificar se estas, estão com o verso totalmente preenchido de argamassa. A avaliação das características presentes nos produtos, de acordo com normas e especificações adequadas servirá de base à sua classificação. O CEN [79] desenvolveu um conjunto de normas de ensaio específico para avaliação e qualificação adequada de cada tipo de cola. De acordo com a informação obtida na Weber, os tipos de cimentos-cola mais vendidos em Portugal são o C1 e C2. O C1, tem preços de referência que variam entre os 100 e os 150 €/t, para peças cerâmicas de 20x20 cm ou 30x30cm, consoante a sua aplicação se destine a interiores ou exteriores. O C2 tem preços que oscilam entre 150 a 250 €/t para peças cerâmicas até 30x30cm; 250 a 400 €/t para peças cerâmicas até 40x40cm; 400 a 600 €/t para peças cerâmicas até 90x90cm; 600 a 1000 €/t para peças cerâmicas maiores que 90x90cm.

partir do qual as condições de assentamento ficam prejudicadas, podendo implicar o descolamento precoce da placa