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Snow Child

Angela Carter

Meados de Inverno invencvel, imaculado. O conde e a sua mulher vo a


cavalo, ele numa gua cinzenta, ela numa preta, ela envolta em brilhantes
peles de raposas pretas; e levava botas cintilantes, pretas, altas, com saltos
escarlates e esporas. Neve fresca caa sobre neve j cada; quando parou, o
mundo inteiro estava branco.
- Gostaria de ter uma menina to branca como a neve -, diz o conde.
Continuam a cavalgar. Chegam a um buraco na neve, este buraco est cheio
de sangue. Ele diz:
- Gostaria de ter uma menina to vermelha como o sangue.
Continuam a cavalgar, est um corvo pousado num ramo nu.
- Gostaria de ter uma menina to negra como as penas do corvo.
Assim que acabou a sua descrio, ali estava ela, ao lado da estrada, pele
branca, boca vermelha, cabelo negro e completamente nua; era a filha do seu
desejo e a condessa odiou-a. O conde pegou nela e sentou-a sua frente na
sela, mas a condessa s pensava numa coisa: Como que eu me vou livrar
dela?
A condessa deixou cair a luva na neve e disse rapariga que descesse e a
procurasse; tencionava ir a galope e deix-la ali mas o conde disse:
- Comprar-te-ei luvas novas.
Naquele momento, as peles saltaram dos ombros da condessa e
enrolaram-se em volta da rapariga nua. Depois a condessa deitou o seu broche
de diamantes atravs do gelo para um lago gelado:
- Mergulha e vai busc-lo disse ela; pensava que a rapariga se afogaria.
Mas o conde disse:
- Ela peixe, para nadar com um tempo to frio?
Nessa altura as botas saltaram dos ps da condessa e enfiaram-se nas
pernas da rapariga. A condessa estava agora nua que nem um osso e a
rapariga cheia de peles e com botas. O conde teve pena da mulher. Chegaram
a uma roseira toda em flor.
- Apanha-me uma - disse a condessa rapariga.
- Isso eu no te posso negar disse o conde.
E assim a rapariga apanha uma rosa, pica-se no dedo com um espinho,
sangra, grita, cai.
Chorando, o conde desce do cavalo, desabotoa as calas e lana o seu
membro viril dentro da rapariga morta. A condessa dominou a gua que batia
com os cascos e olhou-o de perto, ele acabou em breve.
A rapariga comeou ento a derreter. Em breve nada mais restava dela a
no ser a pena que algum pssaro possa ter deixado cair, uma mancha de
sangue, qual trilho de uma raposa na neve, e a rosa que ela tinha arrancado. A
condessa tinha de novo toda a sua roupa. Com a sua longa mo, acariciou as
peles. O conde apanhou a rosa, fez uma vnia e entregou-a mulher: quando
ela lhe tocou, deixou-a cair.
- Ela morde! disse.

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