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HistórO

;:.

.

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.

.,,'~

e IP- Bra s il . C a ta l og aç ão - na- Fonte Sindicato N ac i ona l dos E di tores d e L i vr o s , RJ

His t ó ri a d o te a t ro b ras i l e iro, v olume I: da s ori g en s ao rea rr o prof i s -

s iona l d a p rimeira m e t ade do séc ul o xx / J oão R o be r t o F a r i a ( d ir. ) ; ].

G u in s b urg e João Roberto F a r i a ( p roje t o e pl a n eja m e nto e di tor i a l ) . - São

P a ul o : P e r s p e cri va: E d i çõ es S ES e Sp, 2012 . 58 i l.

I S B N I S B N

978 - 85-273 -0946 -2 978-85 - 7 99-5 03 1 - 5

P E RSP E CTI VA ED IÇ ÕE SSE S CS P

r . Teat r o b ra s i l eir o - H ist ó r i a - S é c. xx . 2. T ea t r o b r as ile i ro - S éc. xx

( J a có ),

- H is r ó r i a e crí t ic a . 3 . T ea t r o - Bra s il-

H

is r ó ria. I . G u i n s b urg , ] .

19 21- . lI . Fa r i a , J o ã o R o b e r ro, 1 9 46 - . I . Tírulo.

10.01 . 12

eDD: 7 92 .098 1 CDU: 7 9 2( 81 )

1 1 . 01 . 1 2

Direit os r es er va d os à

E D I TORA PERSPECT I VA S .A .

Av. Brigadeir o Lu ís A nt ô n i o , 30 25 014 0 1 -0 00 S ã o P a ul o SP Br asil

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www.edir o ra pe r s p e cri v a. c om . br

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Tel. 55 I I 26 07 - 8 000

edicoe s @edi c oes . se s c s p. org. b r

w ww .se s c s p.org . b r

o Teatro Prof i ssi o na l dos Anos de

1 920 a os A n os de 1950

s

i nas pr ime ir as d écada s d o sécu l o xx . Num e r os o s

usurp açã o, um a tirania. E a í o as tro se tra nsform a

p

o d e m ser os pont os de v i s ta. Aind a mais qu a ndo

em uma f i gura p e jorativa . É curio so observ a r que em

se t rata d e um teatr o po li ssê mi c o, n a s ua e ssên c i a e

n o seu for m a t o, no seu c o nt eú d o e na s u a es t é tic a.

P o d e m os o b serv á -I o, i n c l usive, c o m o empresa de

a r t e e di versã o d e m assa e, t a mbém, d iz er qu e é um

do s e lem e nt o s re s p o nsávei s no pr o c ess o da f o rma -

ção d a n ossa i d e ntid a de cu l tural .

n ão s e in s c rev e m ais em

n osso pr esen t e te a t ra l . A s m a rc ações s impl es , t o d as em linha r e t a , de fren te p ara a plat é i a, re s p e ita ndo

a s c o n v en çõe s e hi e r ar qui as c a íram de mod a. N es s e mund o em q ue se t e l ev i ve , c h a m a m os in gê nuo o hum or ver b a l . R e m e tem os ao pl a n o d o n evoe i ro esse teat ro que cumpriu exe mpl a rm e nte se u p a p e l mo di í i ca do r durant e déc ada s .

O t ea t ro d e r evis ta

Q u a n do se tent a r ec onst r u i r a h is t ó ri a , d e pa-

ram o -n os co m marcos e b a nde i r as co n s i dera do s

d efi niti vos. Pascoa l Car l os M agn o tirou o p o n t o ,

di zem. A e ncen ação no Brasi l s ur gi u de um po -

l o n ês, acr e dita - s e . Nã o s e pre s t ou muita ate nção,

m as b em a nte s J a rd e l j á o u sava a p rese nt a r es petá -

c ul os s em po nt o. E Luiz Peix ot o ( qu e t a mb ém f ez

t eat ro s em p o nt o), p rov a velme nt e fo i o int ro dutor da "enc e n ação" n o B rasil . E A r t ur Az e v ed o? E ste

j á pe ns ava e desc rev i a o t ex to-esp e t a cular em su as

rev i s t as . E ass im seg ue o t ea tro br asil e i ro. P o rqu e

n ão há i nvenç ã o sem con s t r u çã o. T ij o lo a tijo lo.

4 . os GRA N D E S AST RO S

As tro: a pa l av r a é f o rte. M uitas d as vá rias a cepçõe s que s e en co ntram n os dici o nários indicam s ituaçõe s

so b e ran as, p o la r i zações hi e r á rquic as, ó rbita s es peta -

c ul are s . Do u niverso à soci e d a de h u m a n a , o c a mp o

d as a r t e s da r e pr ese nt aç ão e m de s t a qu e, n ão h á c om o

i g norar qu e astr o s in a l i za o r e conhe c iment o de um

li mi t e ú lti m o. P or ve ze s a de s ign açã o nã o t e m v a-

l o r posi t i v o - a l ém de indi ca r a gra nde za e m alt a

e s c a la, indica t ambé m u m t ra n s b or d a m ento, uma

as tro n o mia astr o é " nom e comu m a t odo s os corp os

ce les t es, co m ou se m lu z própri a ' : conf or m e s e l ê n o Dicionário H oua i ss . E m teatr o , no n oss o idiom a ,

a inda qu e o termo e s tre l a s eja p o r ve z e s mais u sa do par a as mulh er e s , as du as pa l avras se confu n dem:

as tro e e str e la p o dem s er empr e g a do s p a r a definir

a tores e a tri zes, se m di s tin ç ão d e g ê ner o . P o dem t ra -

du z ir, n o e nt a nt o, a o l o ngo d a hi s tória , den s id a de s

dife re nciada s , mu i to e mbora rev e lem se mpre um a

o rient açã o ob s tin a da p a r a con s t ruir o próprio pe r-

c ur so e delimi t a r a s u a ó rbita . As du as palavras são útei s para p e n sar a hi s t ó - ria do palc o re c e nte, em particular a d i n â mica que

ca r acterizou a primeir a met a d e do s é cu l o x x na

cena br a sil eir a . As t r o e es tre l a enc e rram r eferê n c i as

a um lugar e a u ma co n s t i tuição i nteri o r, f a l a m d e

h ier a rquia e d e e ne r gi a o u lu z p ró pr i a. N a prim eira pala v r a , de s t a c a -se o poder de c o mandar um a con s t e l a ção , uma tram a de s u b o rdina ç ão essen cia l par a qu e o a s t ro po ssa ex istir . Na s egund a pala vra, asso ciáv e l ou n ão a um a fu n ção de c o m an do , d uas

qua lid a de s es t ão pre se nt es: e levaçã o e irr a di a ç ão. E

d ois d i c ionari s tas do t ea tro, por s ua e s p ec i a lidad e - ao m e n os em p a rte , c o m r e l açã o ao s e gundo, p o -

dem a jud a r a r ef l ex ão . O prime i r o

tex t o é o v erb e t e

" e s t r e l a ' : de So u sa B a s t os :

É a d e n o min aç ão que se d á a um a rtis t a , n e m s empr e de

g r a n de va lor, m as que obt eve muit a inf l uên c i a n o c o n ce ito

do pú b lico . A p esa r d e se da r a c l as s ificaç ã o de estre l a a um

ator ou a u m a atriz , são es t as qu e q u as e s empre assim s e

in t itul a m ,

ten do as e x i gênc i as i n e r e ntes . As es t re l as o r d i -

na r iam e nte

são m e díocr es e a r ru ínam as empr es as com s u a s

into l e r áve i s pr e t e n sões. As e s tr e l as , a l é m d e t o d o o p rej u í z o

que dão ao e mpre s ár i o, a i nda comun i cam ao s co l egas a i n -

s ub o r d i nação, d e s mo r a liz an d o o t ea t ro. Mai s t ar d e o u mais

d e qu e a e s tr e l a nad a va l e ;

c ed o o públic o des eng a n a - se

mas qu a ndo o e mpres á ri o o perc e b e , j á e s t á a rruinad o ' " .

É c l ara, na visã o d o a utor, a resso n â n c ia d e uma

d e s u as outras o cup açõ e s e ve ntuai s, a de empre -

s ário, p o nto d e vi sta que in t e re s sa, ao meno s p o r

enqu a nto , d e i xa r d e l a do. M ais adia nt e s er á inte -

1 19 A. d e Sou sa B as to s, Dicionário do Teatro Português, L i s b oa :

Impr e n sa Liba ni o d a Silv a , 1 9 08 , p. 60 .

• 4 55

ressante considerar os termos de sua azeda restri-

ção. Por ora, o que importa sublinhar é a condição estabelecida de saída par a a definição de estrela: a essencial aclamação pelo público, ainda que outros

História do Teatro Brasileiro • vo l ~

Segundo Aurore Evain, o aparecime n t o

categoria de atriz profiss i onal

enfrentada pelo teatro, na Europa, par a se t o uma prática social reconhecida, de mercad o, a u

-

foi a últim a e •

pontos de v i sta possam considerar que a voz geral ,

noma . De acordo com as suas pesquisas,

h o u ve ,

que aclama, está enganada e que logo descobrirá o

p

a rticular

no século XVI e até o século X V I I ,

erro em que incorre. Detalhes descartáveis, afinal :

polêmica a propósito do aparecimento das a t r i zz s

o que conta é o clamor do povo, retumbante

algum momento, em grau suficiente para construir

uma reputação. Outro verbete, assinado pelo bras i leiro Otávio

Rangel, traz uma definição bem dife r ente e reveste

a estrela de uma aura positiva absolut a :

em

A figura maior de um e lenco de qualquer gênero de peças.

Deve ter real valor artístico, destacada erudição , cultura

social apurada; físico modelar e largo tirocínio da sua arte.

Além dessas condições essenciais, deve estar de posse ,

indispensavelrnente, da simpatia pública e bem assim da

unanimidade de louvores por parte da crítica do país "o.

A partir dessas duas definições, seguindo-se a

busca de aproximações entre os seus dizeres, talvez se possa definir o astro, a estrela do teatro, por sua capacidade de arrebatar o público , gerada por uma

habilidade de expressão e de comunicação. Um

corpo em forma, capaz

seu tempo para aqueles

a serem ouvintes, é aclamado como porta-voz da

sensibilidade da época. Há , portanto, um uso do

corpo e a aceitação

i ndividualidade

para ser reconheci da enquanto tal e é consagrada precisamente por essa qualificação.

A dinâmica integra a história do nascimento do

de dizer algo a respeito de que, ao redor, se propõem

do corpo do outro . Há uma

especial , única, peculiar, que luta

teatro do Ocidente . ~er dizer, após o medievo, no instante da inauguração da Idade Moderna, a

emancipação do teat r o frente aos grandes senhores, aos mecenas, a sua afirmação como fato de mer- cado, se deu graças ao aparecimento e à aclamação

de grandes individualidades, capazes de transfor- mar o métier em necessidade social . Falar em métier

não é opção gratuita, nem falta de vocábulo - o

a

referência à prostituição .

que se quer é apro v eitar uma outra ressonância,

120 Técnica Teatral, Rio de Janeiro: A rtes Gráfica s Inco , 1949 , p. 97 -

profissionais na Europa . A polêmica em t o r n o - atriz era, antes de qualquer coisa, uma pol ê m i

propósito da "mulher em representaçã o " ; o b i de atração cujo poder erótico resultava da e xp o s r

ção pública do seu corpo. Essa condição situ a aproximação entre a prostituta e a atriz : em m

ao panorama

ambígua e de múltiplas possibilidades, eram m ui as brechas que permitiam a infiltração femin i n a : . - atriz se definiu gradativamente por sua fac u l d a&

de se inserir at r avés dessas brechas e de sup l a n t a r numerosos obstáculos e interd í tos"!" .

cultural da época, de uma teatr al i dac e

Essas observações

são importantes

p o r q

~

permitem dar conta da afirmação do teat r o n Ocidente como uma construção ditada p el a p - sença do ator, quer dizer, personalidades í m p a re s ,

homens e mulheres, que erigiram o seu esp a ç o = expressão como espaço de representação e vi ab i - lizaram a sua sobrevivência e a sobrevivên c i a =

sua arte como realidade autônoma, indepen d e n

capaz de acontecer sem o sustentáculo de c l a sse s di r igentes, instituições , figuras de poder e r e le político, econômico e cultural : emancipar a m -

dessas exigências e x ternas, digamos. E o fi z e r ar : ;:. com o uso público de seus corpos, vitrines p ar a exposição do jogo sensorial e ideal contempor ân e o , em uma comunicação direta, pessoa a pessoa, t r a ns -

gressora, med i ada p e la carne . No teatro euro pe u = no teatro norte- a mericano, esse caminho ac o n te -

ceu em estado de tensão, pois as individualid a de s foram sedimentadas em r e lação a forças soci a i s q u e

pleiteavam - ou mesmo realizavam - a tut e l a G artistas; a cada avanço das personalidades acont e - cia alguma mutação institucional, nem que fos se a

solidificação de vertentes de mercado. Exi s tiu, portanto, uma trajetória singular, cap a z

de gerar astros e estrelas fora dos poderes socia i s correntes , fora das carreiras artísticas e intelectuai s

121 A . Evain, I.:Apparition des actrices professionelies em Europe. Pari s : L'Harrnatta n , 2001 , P.23 .

• o T e atro Prof i ssion a l

do s A no s d e 1 920 a o s A no s d e 1950

trad i c io nai s e do esp ír ito; criou- se um a p r á t ica, um

faz e r, um modo d e p ro duç ã o , ma s u m m od o de

produ ção

ção e f ê m era d o mundo, pa r a a o bt e n ção de p ra z e r,

s en sações , e m oções, alegrias, enfi m m ani f est ações pa ssagei r as d o im ediato, como se acon t ecesse u m a

reb e l i ão d o c o r po. De n tro dessa esfe r a de gra t ui -

muito esp ecíf ic o , de vo tad o à re p ro du-

Astros e Estrelas no Brasil

No caso b r a sileiro, em q u e o mec e n a t o e a ação in s - tit uc i ona l do s difere n tes p od e r es socia i s - E sta d o, Igreja, Esc ol as, Agremiações, Notáveis , Ri cos

- não reconheceram, após a i ndependênc i a po lític a fre nt e a Po r tug a l , a necessidade de e stí m u l o à pr á t ica

d

a

d e , p arece l óg ic a a aproxi ma ção e nt re atr i z e s e

do teatro, é possív e l vi s lumbrar, em esta d o b r u to, o

p

ros t i tu tas ; h á , d e cer t a for m a , a co nfi guração de

esforço so l i t ário e o poder p esso al de mo bili zação

u

m i nt erdi t o s o c ial , ai nd a q u e as d uas ca t egor i as

necessários aos ar t istas para a firmar (o u imp or) a

e

s

ti vessem s epa radas, d e p ois d e cer t o t e m po . A

sua profissã o, a sua a rte e o e n can t o de s u as p erso -

apro x imação, no B ras il , e m um m a ti z h ist óri co

e

m part ic ul ar n os segmen t os em que o corpo da

na l idade s . A constr u ção d o es p aço soc ial do t ea t ro

mu i t o l óg ico , sob revive u a t é be m avançado o s é-

lh

es cou b e, mai s do q u e a q u a l q u e r o utro e l eme nt o

cul o xx e conta minou o con to rno da pr ofissã o,

da sociedade; n ão s u rgiu a necessidade, p o rta nt o, de emanc i par - s e de qua lqu er instância socia l d e

a

t

riz era veícul o imp orta n te pa r a a comu n icação

proposição ou apoio à ar t e. Tam b é m não se i n s t a -

co

m a p l a t eia. Impo rt a re co nh ecer , e nt ão, o aparec im e nt o

lo u uma trajetória de atri t o entre perso n a lid ades e instit uições , a par tir do nasc i men t o e da p rojeção

de c r i a tur as cri adoras de d i men são exemp l ar - e

de grandes as t ros. Ao co nt rá r io , até o alh eame nt o

 

tal

vez p o r is so e l as pudesse m fi g u rar no t ex t o de

das forças sociais dian t e da gênese e d a produ ção

S

ou sa Ba stos com o ef i cie nt e s "cr ia d oras de caso"

do t ea t ro c o nt ribu i u p ara a mpli a r o preconceito,

e

d e pr o blemas p a r a a o rdem id ea l da e mpre sa.

her d a do d a Eu r opa, co nt r a o u niver so da arte , f a -

De c e rt a forma, trat a-se d a din â m ic a de um a e r a; acre dit ava-s e que o ind iv ídu o m ovia o mu n do, era

en d o c r ist a lizar a discrimin ação c o nt ra o s artist as em man ifestações v árias d e re pu lsa . A ind a qu e os

z

o

s uj e it o d o uni verso e e le co m eçava a se despoj a r

arti s tas se torn a ss em cé l ebres, a c l ama d os e r i c os, o

d

e cam i sas de f o r ça e mo rd aças q u e o co n ti n ham a t é

s

e u lugar na vida s ocia l era demarcado com c l a r as

e

nt ão . Nessas circ unst âncias, er a na t ura l qu e o a t o r

t

in t as de exc l usão até datas avançad a s do sé culo xx .

se pr o j e t asse como o gra n de ma go d os p a l cos, o p o l o

A sua condição de mo n str o s, figuras q u e po-

hum a n o capaz d e ir r adia r as s en s a ções i m po r ta nte s

d

em ser s u pos t as como en t idades qu e ultr a pa ssam

p

a r a a v ida so cial de seu t e mpo. E o t ea t ro d a é poc a

o

h u man o corrente, con tinh a algo d a re a lid a d e

p

ass ou a se construir ao r e dor de v ede t es, mons-

vivida, n a qu a l se o b riga vam a po r tar a marc a d a

tr

os s a grados , ser es espe c ia i s aos q u a i s se a tribuía

diferença f r ente à vida nor m a l e p rec i sa vam se s u -

u m va l or es petacul ar. A din â mi c a fo i o seg r e do do

jei t ar ao e x er cício de múltip las f u nções. P o rta nt o ,

sécu l o X I X e t a l vez se p ossa co g i t a r que t e nh a si d o o

a

co n strução des s e espaço soc i a l do t ea t ro , e m a n ci-

ú

ltim o gra nde m omen t o p l e n o d o s u jei t o oci dent a l ,

pado e a ut ônomo, foi obra rea lizada pe l os gra nd es

muit o em b o r a, a prin c ípio, o seu c a r á t er t en h a si d o

atores do séc ul o XIX , ao lado de a t ores-co m parsas ,

l

oca l , p o i s a prim eira gra nd e ve d e t e de dime n são

a

u tores, ensaia dores, ar t esãos e operários da cena ,

mun dia l só t e r ia s u rg i do me s m o n o f in al do séc ul o,

c

r í t icos, e n fim, homens d e teatro . Foi , e m re s u mo ,

c o m a aclamaçã o d e Sa r a h Bernh a rdt . A prá tica s e

p r o d uçã o de uma classe, mas o gr up o a dqu i r iu

est e nd e u a o sécul o xx e m diferente s pa í ses; a ponta ,

fe

i ção e imp ôs o seu dire ito à expressão a pa r t ir d a

c

o ntud o , p a ra u ma forma de est r el a t o e d e ar tist a

lid era n ça d o s gra n des inté r p re t es. Pa r a fundamen -

b

e m definid a , a st ros e estre l as heroi cos, u ma esp é -

tar um p ou c o mais esse a r gumen t o , va l e des t acar

c

i e d e c ria tura c r i adora cria d a p or si, di f e r e nt e d os

que os ú n icos i n t egr a ntes da c l asse q u e p a ssar am a

gran d es nom e s modernos e p osteriores, fr u tos de um s i s t e ma d e a rt e do t ado de for t e eficiê n cia , q u e tem um p a p e l i mp ac t an t e para a consagração - o u não - dos talent os natu r ais que s ur gem.

s obre v i v er exclu s ivamen t e de seu ofício, no século X IX , foram os a tore s, os primeiros a t ores em par-

t icular, m e s mo que e s ta vida nem sempre fosse um

e x ercício de prodigal i dade .

• 457

É preciso sublinhar a existên c ia de uma dinâ -

H i s tória do T eatr o B rasil e iro

• vol ume r

mento s d e identi f ic a ção inten s a com a a rte d a ce n a

mica diferente da europ é i a, poi s n ã o houve como

No

s serõe s d as f a míli as , os salõe s podi a m se in si -

ponto de partida a tut e la de per s onalid a des ou

nuar como e s p e lho s, atuali z ados segund o a m o da

instituições , mecenato, enfim. Houve sim um pacto

da e s tação . O re conhecimento

foi deci s i vo p a ra

entre atores e público, uma trajetória iniciada

a

inst a ur a ção

da er a dos a s tros , ainda qu e n ã o se

com João Caetano em nosso período romântico .

po

s sa cont a r com pe s quisas his t óricas definid or as

O

século XIX foi o momento de construção desse

do

perfil da s platei a s brasileiras, para afin a l neut r a -

pacto. A época dos grande s astro s foi ini c iada no

liza

r um v e lh o t r uí s mo que teima em sust e nt ar q u e

século xx e foi uma resultante dessa construção.

os

frequentad o re s dos teatros na época eram a p en as

Na impossibilidade de es t ender

a análise, é possível

as

camada s populares .

recorrer à edição de Serenat a s e S a r au s , de Mello Moraes Filho, para fechar o ponto . de vista pro - posto . Na apresentação do v olume dedicado aos recitativos , diálogos e monólogo s, c a n ço n e t a s , ce -

n a s dram á ticas e cenas cômica s , o e s tudio s o

que o s te x to s reunido s são part e d e um a cer v o s ocial

con s truído durante a segund a met a d e do s éculo

XI X, em particular

apó s a cheg a d a a o Rio de Ja-

o bser v a

Na práti ca ,

a e ra dos astros apresenta

um si g - .

niíicado simples: a mesma rot i na

biografias e stel a re s,

sistem a sol a r , ou o h o me m,

Terra - ca rr e g ava n os o mbro s o segredo d a m ag i a

da cen a; e r a o primei ro

Um ator - como o sol , n o

no centro d a v i da n a

unindo di ver s as

at o r, imposto aos c o nt e m -

por â n e o s p o r s u a p e r so n a lidade ,

capacid a d e d e c o muni caç ã o e domíni o d o púb lic o.

impo s iti vo p or su a

neiro , em 1856, de Furtado C o e lh o , ator que teria

A

qu a lific ação en vo l v i a a ma is ampla m aes t r i a e m

difundido o go s to soci a l , dom és tic o,

p e l os r e citati-

su

a a rt e : a l é m d e su jeit o d a cena e em cen a, se n h or

v o s e repr es entações . O autor procu ro u , p o rtanto,

recolher e m sua obra aquil o qu e o t ea tr o pro p usera

e o público incorporara, fr ag mento s . Mas não eram quai s quer fragmentos -

de um a f or m a d e express ão encantad ora que a

o astro e r a l í d e r d e

sua c a t e g or i a , ar t íf i ce d e sua companhi a ,

bilhet er ia , e mpr esá ri o e f or jador do pr ó prio o fíci o.

Em re s um o , o a s tr o e ra a qu e le que con s tru í a

a art e

platei a a d o r ava a c om p a nh a r,

m a g o d a

fragmento s e sse s que, uma v e z v ito ri ados n o p alc o , tr as la-

de qu e s o br ev i v i a e para a qual v ivia, s ingran d o

d

ara m- s e para os salões, ond e s ã o a pr ec i a do s co m a s toadas

um can a l qu e o s éculo XI X construiu e qu e só se

g

e ralmente sabidas de cor, não o b sta nte grand e num e ro

rev

e lou

es t á v e l n o s finais da centúria, quando u m

de edições impressas por aí s e en co ntr a r e m

e s tab e l ecimentos especiais "'.

à venda nos

O te x to localiza

a e x ist ê ncia

de uma prática

e x pressiva que unia pal c o , plat e i a, sa l õ e s e saraus, uma prática voltada par a a manif es t aç ão e o li vr e

exe r cí cio da habilidade pe s so a l hi s tri ô nica .

tant o e x i s tiam modelos e se gu i d or e s , o ri g in ais

e c ó pi as. A f a la, o v er s o ou o c a nt o do prim e iro

a tor eram forma s de demon s tr aç ã o

h a bilid a de ; bem-sucedid as, e r a m a c l a m a d as e , ad -

mir a d as, to r na v am - s e a s p e ç as d e um di á logo que ultrapassava o jogo palco-p la t eia , via bili z avam a

difu s ão diletante

d a ge nialidade de

e s pecial após o reconheciment o

João Cae t ano, afinal um í co n e n a ci o nal inconteste, foi possív e l introduzir nas pr á tic as so ciai s in s tru -

Por-

d e s ua rara

do teatro n os salões. A s s im, e m

122 Em Ser e natas e S a r aus , R i o d e J a n e ir o : H. Ga rni e r , '90 2, P:

6- 7 ·

sistema de r e laç õe s entre o palco e a sociedad e

apresentou am a dure c ido. Os astros se projet a r am como os e i xos d e s u s t e ntação desse sist e ma .

se

Di

ve r sos

f o r am os s eus nomes. Após a e t ap a

heroi ca d o sé culo X I X - em que uma s ensibilid ad e

brasileir a f o i mo l d a d a por J oão Caetano, Es rela S e - zefr e d a, Ga bri e l a d a C unha, Eug ê n ia C â m a ra, Ade- laíde do A m ara l, Fur t a do C oelho , Lu c ind a S i m õ e s,

I smê ni a dos Sa nt os , Vasq u es , Dias B r a g a , Marti n s,

R o s a V illi o t , int é rpr e t e s

em que ainda o pact o se

con s t r u ía e e m qu e ain d a ha v ia oscil açã o, bu s c a d o enc o nt ro co m a pl a t e i a - u m rol d e per s on a lid ad e s ímp a r es pod e se r cit a do . Os nomes de inque s tion áv el

proje ção , qu e pre c i s am s er qualificados c o mo as t r o s e e str e l as, p er s on a l i d a de s únicas d otadas de lu z p r ó -

pr i a , s ã o It á li a Fa u s t a (

1 88 o ? - 1 9 5 1 ), Leopoldo Fr óe s

(1 882- 1 9 3 2 ) , Proc ó pio Ferreira (189 8 -1979 ) , J a i m e

Costa (1 897 - 196 7 )

e Dulcina

de Moraes ( 1 9 II -

1996 ); e l es c o nstituem o centro deste capítulo .

• o T e atro P r of i s si onal

dos Anos de I920 ao s Anos de I9 50

A o s eu l a do, h á um e lenco n o t áv e l d e a r ti s ta s,

algun s t a mb é m , n o tod o ou e m a l g um

sua s carr e i ras , li ga do s a o t e atr o de te x t o o u d ec la-

moment o de

em p resár i o Lu i z Ig l ezias, s itu ação qu e a imp e d iu de

exis ti r com o a s t ro n o s entid o f i x ad o a qu i .

E ess a c o n s t a ta ção imp õe um limit e c l aro p ara

m

a do , m as a m a i or ia

li ga d a a o t ea tr o d e rev i s t a ou

a

abord a ge m

dos d i fe r e nt es a t o r es ci t ados e para a

lig e iro, quer dizer , ao pal co d a o pe re t a, d a burlet a,

menor es po r c ert a tr ad i ção. D ev em se r l e mbr a d os

xa ç ão d e um a li s ta de a s t r os. A l g u ns arti s t as f oram

fi

es

t re l as d e p rim e ir a g r a nd eza, a b so lut as , f o r am gê -

ra

a

r

m d es frut a r d e um a cond i çã o indi s c u tí ve l de a st ro,

l g u ém ao redor d o qu a l t u do aco n tecia, p or d i v e rsas

az õ es - d esde as m ais d i ve r sas li m it ações d e or d em

da farsa; s ub g ên e ro s c ô mi cos de s i g nad os co m o

nios de s u a a rt e. No e nt a nt o, n e m sem p re cons e gui -

em parti c u l a r os nom es de C ini r a P o l ô n io , Ir a c e m a

de A len ca r , A bi ga il Ma i a, M a c h a d o Ca r eca, Co l ás,

Lu cí lia Per es, A po l ô ni a Pint o , A ld a G arri d o , M ar -

garida Ma x , Otíli a A m orim ,

Ara c y C ort e s , Os c a-

p essoa l , at é as p oss ibil i d a de s

e co nô m i c as do m er -

r

i t o, D er c y Go n ça l ves, G ran d e O t elo. H á t am b ém

ca

do e, em especial, po r q u e n o t ea t ro d e revis t a e em

u

ma n otáv e l per so nal i dad e qu e a t r avesso u o sé c u l o

ce

rt os s egm e nt os d o t e atr o l ig eiro, e m par ti c ul a r nos

perc or r e u di v er sos gê -

n e r os, a i n d a que tenh a c o n s t r u í d o

d o t ea t ro

nome o u c om p an hi as e p e rm a ne ce

n a t e le v i são - a e nc a n t ad o r a

senho ra de uma ex p ress ã o f a ci a l e d e u m a pr es en ça em c en a n o t áve i s. O se u cas o n ão será obje t o de s t e

xx com en c a nt o a b so lut o,

o seu r einado

lid e rou

e

sobre t udo

a partir

mu si cal ,

e m a t iv id a d e

Ev a To d o r (19191),

t ex to p o r uma razão s i m pl es - es tr e l a d es lum-

br a nt e, Eva T o d o r se proj e to u

um a pl a t a f or m a de seg ur ança o b je ti va, a f i g u ra do

sempr e a p a r tir d e

o a r ar Gra nd e Ot e l o, q ua nd o m e n ino, em I 926, n a

C o mp a nhia Se basti ã o Arr u da .

~ ~~~~~ -

m u sica i s, era im pe n sáv el a co n t i n u id a d e d e t ra b a l ho

fora do p a t rocí ni o de um "empresário de forà: capi-

t a list a, v e r d a d eiro d o n o d a em pr es a e d a c o m pa n hia.

É in t eressa nt e, por t a n to , es t a b e le cer u m a d ifer e nça

su

do t ea tr o de

uma épo c a, em que b r ilh ava m ta mb é m pe r so n alida -

d es o utr as, a b so lut as, estr e la s i rr e sis t íveis, mas sem a mesma p ro je ção in s titu c i o n a l c ont ín u a, o u por que não consegui r am es t a bili zar co m pa n hias sub m e t i - da s ao s eu p od er ou p or q ue n ã o for am a b ençoados pe l os d e u ses do t ea t r o , e m fa lt a de n o m e m e l ho r , com a n ecessár i a d ose de a ut o no mia e de a f i rmação.

c o m o pont o ma i s a lto e i n qu es tion áve l

til

e ntr e as tr o e es t re l a, f i g u ra n do - se o p rimeiro

 

A

l g um as nu a n ças d ev em s er pr op os t as . Todos

os

n omes q u e en u meramos como as t ros do te atro

de

co n ve n ção b rasi l eiro t í p ico d a pr i me i ra metade

do sé cu l o xx fora m as tr os d o t ea t ro d e c l amado,

ain d a q u e tenham

s i ca d o, seg und o a n o m e n c l a tur a

ze m um a a rt e do a t or ide nti f ic áve l c omo a arte do

circ ul a d o no p alco do t eatro rnu -

da é p o c a . Trad u -

pri

m eiro a t or, q ue n ão pre ci sava abra n ger a ar t e ( o u

as

art e s ) d o mu s ic a l . S e n ã o f o ram s em p re gal ã s, in -

gên u as, damas-ga l ãs, damas cen t ra i s, cen tr os, foram

ca r ac t e r ís ti cos ao p o nt o de indi car a t ransfor m ação

d o emploi m a i s n ob r e pa r a o( a ) ca ri ca r ota) , uma

i n clinação da al t a co m é di a pa r a a baixa comédia.

A ri go r , tud o é p er m i t i do ao p rime i ro ator, e l e é

q u e m d e t er m in a

qu e se m a nt en h a fi e l às gra nd es t radiçõ e s.

a "fo r ma d e es t ar e m c en a", d esde

A e xp res s ão" f orma d e es t a r em ce n a" n ã o é a l ea t ó -

r i a - an t es de fa l a r em int e rp re t ação o u a tu ação, est u-

d ar ess e s int érpre t es é reco nh ecer uma for m a pessoa l

de cr iaç ã o o u exp r essã o , uma f or m a de re p r e se nta r q u e

é u ma assi n a t ura assumida e recon h ecida. O astro é

• 459

H

i stóri a do T eatro B ra s ilei r o

vol u m e I

sempr e e le mesmo , f aze nd o t a l o u qual p a pel. A

le it u ra de E du a rdo Vitorino é demo nstra çã o e lo -

que nte de ssa arte ; o pequeno vo lume que e s cre ve u , Para Ser Ator, é um modest o in v entário d e t é cnica s

e d e r e co m e nd açõ e s d e t re in a m e nto , c uj o p o nt o d e

pa r t i da é a a r t e d e di z er . D e sua leitura e do estudo

do s casos m a is d est aca d os é p ossív e l dedu z ir qu e o

uni v er so d o p ri m e ir o at o r e ra a grand e za da e x pres-

são s en t iment al e e l o q uent e d a pa l avr a , a p a rti r d e

u m a emb o cadur a p essoa l . Há tamb é m um a o utr a l eitu ra es cla re ce d o r a ,

a d os t ex t o s de P r o có p i o F er re ira d e dica d os à s u a

a rt e . E ssa s af i r m ações p er mite m d e f in i r a a rte d os

gran d es astro s c o m o um me i o d e a p r e se nt a r a fala no co rp o . A t o r es c ô mi c o s e a t or e s dr a m á tic os se

a p rox im am, v i s t os d e um âng ul o dete rmin a d o - é

po ssí v e l f a lar e m um a i d e nt i d a de de pro ce dime nto,

um a a u r a de pr ec on c eito , s o c i a l e t ea t ra l , o q ue o

d i s t an ciav a do es t r e lato a bs ol ut o e d a l i d era n ç a .

Co m o ob s er vo u D é cio de A lmeida P r a d o , e sse

artist a de save r g o nh a d o e livr e n ão fo r a um a f or m a ante r io r d a a rte d o ator e d a c o m é di a br asileir a ,

como Pr o cópio Fe r reira t e nt o u a f i rma r , n o s i n g e lo livro d e di ca d o à d e fini ç ã o d e s u a a rte. Segu n d o o

o lh a r d e Procópio , teria oco r r id o um a pr ogre ss ã o

hi s t ó r ica, um enc a de ame nto ; a p arti r de Vasq ue s ,

s u rg ira o a t o r c ô mico, qu e r esvalara a s e g u ir p a r a

os a bu s o s d o c ô m ico d e o pe re ta, p ara re cupe ra r - se

a final c om sua g era çã o , qu e r d i z e r, c o m e le pr óp ri o ,

Pro c ó pi o . A hi stór i a s u rge em s eu t ex t o co mo u m a

fe rra m e nta p ara s itu ar -se, a si p ró p rio e a s u a ar t e ,

e m um lu g ar b as t a nt e f a vo r áve l . a m o do de ol h a r

d eix a d e v e r , in c lu s i ve, co m o D écio de A lm ei d a

Pr a d o a s s in a lou , que Vas qu es f o r a o p rimeir o d a

c

o mo se o te x t o esc r i t o c oma nd asse a e x pr essão f í -

lis t a d os hi s t r i ô ni cos de o c as ião, e nfeitiçado s p e l o

s

ic a ao pont o d o corp o impr e gn a r - s e d e p a l av ra s,

público. N a v e r da de , o qu e p a re c e importa n t e n o -

s er com a nd a do po r e l as. a físico se t or n a o l u g a r de um a l ít e r a lídad e. A a t itud e e m cen a lembra as

q u est ões da est a tu ár i a, a impla nt a ç ão fís ica n o c e - nário o b e dece a critér ios plá s tic os e o movim e nt o

n e m sem p re s e a f irm a como va l or d es tac ad o: o qu e

t

de um jo g o pe c uliar , um a r e laçã o p r ofun d am ent e

fund a da na se n s ibil i d a d e do temp o: e l a s ó pode se r

a r é qu e a a rte d o a t o r cô mico se faz ia a part i r

de med iaç ã o

entre os ex tre m os re p rese nt a do s p e lo a tor tr ágic o -

entendid a c o m o uma b isse tri z, a linh a

s

e mo ve é o ve rb o , pr ó d i go e m emo çõ e s . a tema d a

-

d r a mátic o e o a to r c ar icato d as r e v i stas e o p eret a s.

r

e ci t ação n ão est á l o n ge dessa esc ol a.

P

ro c ó pi o F e rre i I a fe ch a o se u livro c o m um a sé rie

A ess ep r o cedim e nt o , n a m e sma époc a, n o espaç o

d e t ira d as , h á bi t o c or re nt e em se u temp o, s itu ad o

d

o cô mic o,

se p o de r i a co n trapo r a ar te d os ca rica t os

c

o m pr ecis ã o p o r Décio d e A lme id a P ra d o . a p r o -

p

ro pr iam ente dit os, os b a i xos c ô m ico s completos

c

e di mento a po n ta p a r a um c o ntin e nte mai s a mp l o ,

e

ac ab a d os, c uj a art e co n sistia n a a p r e se nt a ç ão d o

r

e l a tiv o a o d o mínio da p a l av r a. U m do s pa ss at e m p o s

co r p o n a fa l a, e m lug ar d a fa la n o co rp o. A d ua l i- dade é p er ceptí ve l também n os t ex to s d e Procó p io

pr e dile t o s d e Pr o c ó p i o F erre i ra , s eg und o depoi m en t o

d e s u a filha M ar i a, e r a f a zer sess ões d e de c l a m aç ã o:

F

er reira, qu an d o d i f e r e n c i a o a to r c ô mico, q u e s er ia

o

nobre in t é rpr e te do a u t o r, do a tor qu e fa z gr a ça,

n

ã o t in h a na da de pr og r a m a do.

Q uas e s emp re na hor a da

tr

ansb or dante m e s t re d o i m p r ov i so, preo cup a d o

so br eme s a. E l e a pr ove i tava q u e t o d os n ós es t á v a m os sen-

em afa s t ar o tédio da plat eia .

A dis t â n c i a qu e sep ara esses dois pol os d a ar t e da

t a do s [

Catu l o d a P aix ão Cearense , A u g u s t o d os Anjos , M en ott i

] e co m e ça v a a re c i t a r os se u s p oe t as pred il e t o s :

com éd i a é muito e v id e nt e no s filme s qu e che g ar a m

d

e i Pi c chia, M á r i o ~nt a n a

etc. " !

a

ser rodad o s n os

anos 195 o , se aco m pa n ha rmos os

d

esemp e nh os d e Pro c ó p io Fer r e i ra o u J a ime C o s ta

 

U

m a d as frases d e ef e ito d e Pro có pi o F e r reir a

e

m c o mp araç ã o com as p erfor m a nc es d e Oscar ito,

r

e un i d as s o b o t í tulo "Da Ar t e'; na parte fin al d o

G r a nde O t el o e D er c y Go n ça l ves . A s ce n as c o nt ri-

bu e m a ind a para a perc e pção d o p ape l de seg u nd o

g r a u d o s ca r i ca t os - a sua a g ilid a d e p a r a o u s o do

c or p o, da e xp r essão fac i al e xa g er a da , d o s jogos d e pal avras e d e s enti do , d e t re jeit os e m a ne iris m o s

g estu a i s, que f az i am com qu e f osse m o lh ados so b

liv r o A Arte de Fazer Graça, p od e s er u s ad a p ar a

s itu a r c o m m a i s d e t a lh e n ão só o se u p e rfil d e at or como t a mbém p a r a d e lin ea r a din â mica t eatr a l

ca r ac t erís tica de tod a um a é p oca. A f rase é si m ple s ,

123 Apud Ja l u s a Barce llo s, Procôpio Ferreira: O Mágico da Ex- pressão, R i o d e J ane ir o: F u n ar t e, 1999 . P: 20 .

• o Teatr o Profission a l

dos An o s de 1 920 a os A n os de 1950

ma s elo q u e nt e - "O ges t o , no t ea tr o, é c o m o u m i n-

t

aqui é um tipo de i nt er p re t a ç ão

c o m o j á se o bserv ou - co m a nd a a reação c or p o r a l ,

u s a o corp o e a ex pr essão físi c a; a mo v iment a ç ão d o

corp o d o a tor es t á s ubm e tid a a uma diret r i z obj e ti va,

r e sult a nte d o s e nt i d o fi x a d o p e l o ve rbo .

r o d ut or dipl o máti co d a p a l avra"!" . O qu e se tr a du z

e m q u e a p a la v r a -

U m a c o mp a r ação é inevi t áve l : em u m p e quen o

cader no de a n o t ações d e d i m ensões se m e lh a nt es a um vo lum e in -o it avo, ca dern e ta pesso al d a a tri z I t á -

lia Fa u s ta , se m d a t a , mas c u ja i n for m açã o

c r i ta m a i s re m o t a é u ma referê n c i a ao a n o d e 1920,

h á u m ex t enso e l e n co ma nu scrito d e ve r sos, f rases,

s on e t os, p oesi a s , d i scursos e a n o t ações

ao lado d e inc o nt áveis re c o rt es

a l g un s ilegíveis, p or v ezes co l a d os u ns so br e ou t toS ,

co nt e nd o p ri n c ip a l me nt e ve r sos . Em ge r a l os te x to s

m a nu sc rito s f o r am t ra n scr it os d e pr ó p r i o punh o

p e l a a t riz , mas exis t e a l g um a va ri ação d e l e tr a ,

pr ec i sa o b as t a n te p ara indicar qu e out ras p essoas

escrevera m

h o m e n ag em ínt i m a e p essoa l .

m a nu s -

p essoa i s,

de j o rn ais d iversos,

t ex t os em honra à ar ti s t a, c om o um a

U m d os prim eiros tex t os é um fo lh e t o impr esso,

"O Avião d a R aça': "versos de Ruy C h ianca ex p res -

sa

m e nt e es c ri t os pa r a s erem r e ci t a d os p e l a e m i n e n te

a

tri z bra s il e ir a, It á lia Fa u s t o [s ic 1 n a fe st a ded ica d a

p

e l a s u a c o mp a nhi a

na n oit e d e 23 de m aio d e 1 924

ao g l o ri oso Raid Aéreo L i s b oa - Macau', s e g u n d o

i

n s c rição n a c apa . No i nterio r do f o lhet o, um "So -

n

e t o" de tom exa c er b a d o, l au d a t ór i o, d á bem a idei a

d

os limit e s d a pr á t i c a de re c i t ação re tumb a nt e,

qu e

ser i a e s p erad a de quem se p r o pu sesse

t a i s es trofes. S e r i a pre c iso f az e r c o m qu e a s p a l avra s

c o n c l a m a s se m os o u v int es a um a b a t a l ha a c irra d a, aind a qu e essa b a t al h a f o sse só a v ida , um a v id a em qu e p a lp i t ar i a "a Raça de Car n ões ! "

é um a e s p é ci e de

d e s a b a f o, exe m p l a r raro n o c o n j unt o :

a e n fr ent ar

O te x t o seg uint e , manu s c ri t o,

"O coração não funciona "

Na d a a ni ng u é m .

F aç o os p ap éis d e d am a ga l ã

Aga rr a d a à e s perança d a glória

e c h ega . co m u n ha s e dentes

proc u ro da r às mi n h a s i nterpre t a çõe s r od a a m i n h a pai- xão , r o d a a m in ha i n t e l igê n c i a , r o d a a m inh a a mb ição. Os

124 A Arte de Fazer Graça, p . 186.

meu s d e t a l h e s s ã o à s v e z es as minh as l e m bra n ças, as minhas saud a des, a s minhas esperanças e a firmaç ões. A a rt e é a alm a. Tecer a sua teia, fio por fio , com r oda s a s suas as p iraç õ es,

a

s r eb e liões e a s tris tezas e bor d á-Ia d e graç a e maestria. D ar

u

m a a l ma a um autô mato , tr a nsmit ir-lhe s ua própria a lma . Rep r e s e n t ar n ão é pa r a m i m exercitar um ofíc i o, é v i ve r .

O o ri g in al não t em da t a , mas deve ser a nt e r ior

a 1924, d a t a d o f olheto re f er i do, qu e l he foi co -

l ado por c i ma, e m um ca nt o in t e rn o

a seguir, f o r am anotados do i s p oemas em i t al i ano

d a p ág i na;

(" l nganno", de A m á l ia G u g l i e lme tt i, "Lacrime si -

e n z iose", de Ad a Negri), co l a d os d ois recortes de

jo r nal sem da t a e , ao fina l , co p iada a "Ode ao 2 d e

l

Jul

h o", de Cas t ro A l ves, acom p an h a d a d a me n ção

de

q u e foi dec l a m ada na festa c ívica de 2 de ju lh o de

1 9 20, no P asse i o Pú bl ico

do Rio. Poucas são as

as ú nica s

exis t e nt es ab ran gem os a n os de

P o r t a n to , t r a t a - se de docume nt o da f ase de maior

p r o j eção da a t r i z , ép o ca e m q u e se t o rn ara a gra nd e

referê n c i as

a da t as em t o d o o caderno;

1920 , 192 1 e 1 9 24.

tr ág i ca d o t ea t ro b r a s i l eiro, in tér pr e te r e con h eci d a

por s u a int e n si d a d e e m c e n a n a demo n s t ração

sen tim en t os e e m ra z ão do

s u a voz. A s u a c onc e p ção

ção fazia c o m qu e usasse a t éc n ica p a r a loca l izar os

m

vol u me e das s ut i l ezas d e

d e

d

o t raba lh o d e int e r p r e t a -

a a l ma d a ce n a

e n fim, u m p roce di me nt o dis t a nt e d a reci t ação m e -

câ nic a de ri vada da ar t e de b e m d izer f r a n cesa, q u e

da é p o c a , mas que e r a ap en a s um a

era o encan t o

o t o r es ú ltim os d a aç ã o dr a m á ti ca,

c

o le ção d e pequ e n os t r u ques mecânicos, exterio r es.

E

m se u s perío d os de formação p ro fi ssio n al , Pro-

c

ó pi o F err e ir a e Jai m e Cos t a int egra r a m

a c o mp a -

nhi a l id e rada por I t ália Fa u s t a; es t ivera m , po rt a nt o ,

so b s u a i n f l uê nc ia di re t a . Ass i m , o co nc eito e a t éc -

ni ca t ea t ra l p r o f essados s e aproximavam, di a lo gavam

entr e si - é n a tur a l q u e em seus esc r i t os P r o c ó pi o

F e r rei r a faça re f erê n cias i nsis t e nt es ao a to r t rágico.

O m ais c urio s o a o b servar é que o a t or cô m ico fa l a

d e um a a rt e br as il eira - t óp i co q ue não será possív e l

a n al i sa r em d e talh e aq u i - qu a n d o s e m ovia e m um

t ea tr o d e fo rt e inf l uência por tu g u esa , i m pr eg n a d o

d e co nc ei t os fra nce ses, po r vezes e le p r ópr i o recor -

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endo a um repe rt ório em q u e pre d omina v am

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it a l ia n a . Por qu e I t á l ia Fa u sta fo i b ras il eira por opção .