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DOMÉSTICOS

DOMÉSTICOS

ENTENDA A NOVA LEGISLAy:\O

RAvtv1UNDO

A NTONIO

CARNEIRO

PINTO

Desembargador aposentado Jo TRT w Rt').(iao (B•hi&j.

M.,moru tt•Academia ti" l t.'trds jurfdicas

da Bahie,

~·rofessor da 1aculdade

IJ01s de Julho 1Salvado/Uah1a}.

DOMÉSTICOS

ENTENDA A NOVA LEGISLA(:AO

L'IR

F.111TOR,\

r.rn«.

e todos os direuos reservados

Rua J;

g11:-t1

ih.e., )7 1

CLt' O12H 00 l S:lú P•rulo, SP - B1asil Fonr (11) 1167-1101

www lrr.com.br

Sctembro. 201'.>

Producáo Gráfica e Editoracáo Elctrónica: Linotcc Projero dr. Capa: Fahio Gigho

Itnpressáo:

Bartira

Versáo

impressa:

LTr 5360.5-

l~BN: 978-85-361-8583-5

Versáo

digital:

l Tr 8800.8 -

ISBN: 978-85-361-8570-5

Dados lntcmacionais de Catalogacáo na Publicacáo (ClP) (Cámara Brasilerra do LiYn1. SI~ lirastl)

P iul o, Ru yr u ur u l o

:\1111111iu

C :::1r11r in1

Dom ésticos : entenda a 110 \ 'a legislacáo Z Raym undo A n to1110 C arneiro

Pinb•

--Sa.t.1 Paulo

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Brasil 1. T itu lo.

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1 .r.il'I t' ll".gi-;-

cou 34:JJ1:647.2'SJ)

indice para c.:i.úlo~osrscemanco:

1.

R r a~ f l

F 111prt'g;-11los d< ) f n f ~ l i t· o s

O in · ilu ~111 l ra b a ll 10

34 :33 1: 6 4 7

2 (8 1)

• ' 1Eit>P.t;¡tivel que se trata de urna reki~lio

urna

e doquete que {hes preste serviros. Dizem, e néio sem

Incomum. 1-16, no trohoH>n dornP.stico,

aproximaréío intimo dafami'lio empregadora

ra200, que os emsreaaaos ooméstico« sabem moi s da vida i ndi~idvol de coao tnorooor ao casa em que trobathom do que os orépnos danos a'a coro. Privom da convwénck: da Jumí/Jo, compertilhom seos

1nn rn e-nto s o' e alegr i a t? d «

consetnos. rJt!o se trato de umo rela;llo de emprego Igual os aemats. t á1fereme, multo díferente,e

p o d e t'1 r tr o tome oto igu a l . "

.1'of r irn en to , os .'ii .st e m tel e v i s fla j u n to s . t ro c am c o 1~fi ' di!. 1r.i a ti, ou v e 1n e dfio

todos n 6 . o; s o be m o« d i ss c : PO( iss or nó o

GEORGEN OR DE SOUZA

FRA NCO FILMO

Desembargador do TRT da 8! Reglfa (Pará). professor universitário P. membro rlirl Academia Nacional de Dlrelto do rrabaího.

Revista Llr de abnl/W B, l)ácon•• 402 a 410)

(trecho de artigo publicado 1)a

oeatco este /ivrn, in mamorlam, a ) OANA DO ROZARIO,

o quern

eu corinhosomente chamavo de "la/a•.

Fo/ pora o coauxmnto de meus pols quondo elesse casaram no longinquo ano de 1932.

Desd e que naso, a tive r.omo m irdu: únfcr; bobó.

Pela r eto e amor

r.·on10 rnP cuiaavo, ero, no veraooe, uma !iRlJOOda miie.

No dio da mlnha Jormaturo em O/re/to, emccíonei-me oo vé-to sentada, oo Jodo de meus velhos,no oudnárk» do Reüork: do Un,:vers1dade

Fedt!rnl da 80 11;0, a t enta b s o te a id od e e , por c ena , no inHrno d e .~P.u

cora~ao generoso, toaenao pelo minhoJelicldode.

Somente se oposemou depois que meus pois fil!ecerom,

tenoo-tbe«prestado serviros, com extremo o'edicaráo, por mots

de quarP.nto

a nos, ioc!u-.;v(->durante

a penosa e e nje nno •1e!hice dP.!e.s.

I o moa -se , sem d ú1•ida,

p o rte d o n ossa f am ll/a .

frljlm, um exempio i11excerJNel de empreqoao domeslico.

Fa'-" u1n especia! oqroaeomem»

ao coteqo baiono luetANO MAR11NU, competente

tna(JiStl'ado trahofhi.srn, prof~.">.sor universitátto, tne.'itte f' dootor prdn PlJ[./SP, conceitoodo

esa itor de obras jurídicos. mP.rribro da Ar:aden1iaNacionalde DuP.1tn do ·rraba!ho e da Academia de ietrostunatcosdo 8ahlo, que me seu o honra de/eros or/ginals oeste Jlvro,

dondo oreciosos. 1-"! opornmas

sugestO'es,ot éra ele , gr:nn'lnlt uire ,escrever o ¡Jfe/iJc i o.

Agr o d ef:O t an1be rn a r ni n ha fi /110 uo n e P i nt o qoe , mP. s1no oiio se nd o da drt? a j (Jf J{l i c o _,

me ojudou a s:u .b sá tu1r

c eri o s trec ho s do li vro

em q ue m e ex ce d . no us·.o de f;n g uo gem té c nic o,

corrlgilláo autoo erros de d/gita¡;doe de portvgut s por mim cometidos.

SuMÁRIO

Abreviaturas usadas ao longo do livro Pref.lcio Nota do Autor

13

l5

l 7

Capltulo 1.

Breve histórico dos direitos do doméstico

l9

Capítulo 2.

Admissao do doméstico

23

Capitulo 3.

Sa l~rio e remuneracáo

 

27

Capítulo 4.

Duracáo do trabalho

e ínterrupcáo do cont rato

31

Capítulo 5.

férias

37

Capit ulo 6.

Altera>llo, suspensáo

41

Capítulo 7.

Protecáo ao trabalho da mulher e do menor. Liceni;a·paternidade

45

Capitulo 8.

Obriga,oes legais e mensa Is do empregador no curso do contrat.o

49

Capítulo 9.

Deveres e

direitos

dos

emprer,ados domésticos

55

Caplt ulo

10.

Deveres e

dlreitos

dos empregadores domésticos

63

Ca pítu lo

11.

Extincáo do contrato de t rabalho

69

Capltulo 12.

Dúvidas

mais frequentes

 

77

ANEXO 1- lEGISLA~ O PERTINENTE AO DOMESTICO

l .

2.

3.

Lei Complementar n. 150/15

tei n. 605/49

Leí n.

4.090/62

.

.

87

92

94

4. Lel n. 4.749/65

 

95

S.

l eí

n. 7.418/85

96

6.

Lel

n.

7.998/9 0

{lre chos)

97

7. lei n.

8.212/91 {trechos)

100

8. Lel

n.

8.2B /91

{tre chos)

101

l.

ANEXO 11-

Contrato de experiencia de doméstico

MO DELOS PRÁTICO S

109

O ot11t:on c .o ~ - f ~ T rN rv. A Nov-. l rCi·c¡ A( .AO

12

R .1.Y,\fU.'IJLJL•A . C. P !N I()

3.

Contrato de trabalho

do doméstico

por tempo indeterminado

 

113

4.

Folha de ponto individual de trabalho

 

115

5. Recibo de salario

mensal

 

116

6. Folha de pagamento de domósrir.o

 

117

7. Recibos de 13º salario (1·' e 2• parcelas)

118

8. Avlso-prévio de fértas e recibo

 

119

9. Recibo de vale-transporte e declaracáo de renúncia

 

120

10.

C.1rta de adverténcia

 

121

11.

Carta de suspensáo

.

.

122

12.

Aviso-prt'vio

123

13.

Cornunlcaráo

de despedida

sem

aviso-prévio

124

14.

Pedido de demissáo, corn e sem

aviso-prévio

125

15.

Termode resclsño de contrato de trabalho

 

126

Referéncias

 

.

.

127

ABREVIATURAS

USADAS

AO LONGO DO LIVRO

art.

-

artigo

CEF

-

Caixa Económica

Federal

 

CF

-

Constitul~ao

Federal

CF/ 88

-

Con stituk áo

Feder al de 19 88

 

CLT

-

Consolida~~º

das Leis do Trabalho

CPC

-

Código

de Processo Civil

CTPS

-

Carteira de Trabalho

e Previdl!ncia

Social

EC

-

Emenda

Constit ucio nal

EC/72

-

Emcnda Constitucional

n.

72

FGTS

-

Fundo

de Garantia

do Tempo de Servi{o

INSS

-

Instituto

Nacional

de Seguro Social

 

LC

-

Lel Complementar

 

LC/150

-

lei Complementar

n. 150

n.

-

número

OJ

-

Oríentacño

Jurisprudencial

do TST

RSR

-

Repouso semanal

remunerado

 

STF

-

Supremo

Tribunal

Federal

TST

-

Tribunal

Superior

do Trabalho

 

PREFÁCIO

No día 16 de maio de 2011, a Orr.aniza~ao Internacional

do Trabalho

[OIT}, em sua 100·' {lago,

histórica} reuniáo,

resolveu, añnal, publicar Conven,~o e Recomcnda, ~o para conctamar o s scus E,;t.idos-membros, entre os quais o

Brasil, a reconhscer

a contribuí,ao

significativa dos domésticos

para a economía

mundial.

Percebeu-se. ainda que tardíamente, que, ao exercerem os afazeres do lar, especialmente os de cuidar de

enancas e idosos, os domésticos tornavam possivel que diversos outros trabalhadores pudessem sair de casa para

se dedicar as atividades económicas. Essc acont ecimcnto legislativo int ernacional charnou a

sociedade jurídica para o fato de que o trabalho realizado nas residencias de todo o mundo, como clara reminiscencia da escrnvtdño, se mellndr:iva 11~0 apenas pela falta de reconhecímento, mas, cm multas casos, pela :iuséncla de um

tratamcnto mlnimam<>nte decente.

atencño de toda a

rao expressivo foi o efeito social das discussñes travadas na OIT, que o Congresso brasileiro resolveu, em lugar

de ratificar

a corwencao

n. 189 e a Recomenda~ao

n. 201, ambas

de 2011, dar andamento

a urna Proposta

de

Emenda Constitucional

(PEC)

que visava

ao incremento

de direitos

trabalhistas

em atencáo

aos domésticos.

As

casas parlamentares, cntáo, depois de algurnas idas e viadas, aprovaram o novo texto normativo, que, afinal, íoi

urn pouco mais

promulgado em 2 de abril de 2013 como "E menda Constitucional

que dois anos depois. em 12 de junho de 2015, a Leí Complementar

de "o novo Oireito do Trabalho aplicado as relacóes domésticas".

(EC} n. 72" e, para regulamentá-la,

n. 150, que detalhou o que se pode ora chamar

Diante

dos

novos

padrees e

paradigmas

estabctccidos

para as rclacóes

trobalhistas entre

empregado

e

emorcgador do lar surglram ímensas duvtdas e ínccrteras. Para sana-Ics aprescnta-se no merco do eclltorlol a obra que

chega ~s . ~u :i s m ñ o s, Dom 1fart cos - a nt an ao 11 nov o legi s la~do, um c x t r :i ordln:lrio prod u to i n td cct ual d e

Antonio Carnelro Pinto, um dos mals brilhantes

dedica~~º

obra Súmulas do TST Comentados, de vida longa por suas múltiplas reedi\:Oes e de elevado prestígio, decorrente das inúmeras referencias e clta~oes feítas em sede doutrinárla e jurisprudencia!. O autor, integrante da prestigiada

Academia de Letras Jurídicas da Bahia, traa para o seio desta obra toda a sua experiencia angariada cm longa milltáncia no Judiciéric Trabalhista. no qual exorceu todas as rnais significativas fun~óes e atribuicóes no transcurso de mals de trlnta anos de honrad:i judicatura.

Ray m un d o

nemes das letras [urldícas

Superior

nacionals,

reconhecido

por sua cuidadosa na consagredísstma

ao exame da jurtsprudéncía

do Tribunal

do Trabalho fTST) materializado

A qualidade

técnica do autor, aliada a simplicidade

de suas assertívas,

a confiabílidade

de suas observacñes e a

objetividade

de suas colocacóes,

permite-me añancar que as dúvidas

em torno do novo regime juridico do emprego

doméstico encontram

aq ui o seu fim.

Raymundo

Pinto,

como poucos,

decerto

por conta do seu talento pragmático,

é capaz de t ornar

cristalina

e

evidente qualquer passagem normativa, mesmo aquetas que nurrns doutrinadores reputarn complicadas. Ele declfra a linguagem jurídica e a fa2 acessível, alcan~ável a todos os púbncos, embora atue, em todos os instantes e passagens,

coma respeítabilidade de grande autor.

A obra

é

de

leitura

deliciosa,

especialmente

por conta

da est rut ura

composta

de capítulos

breves,

bem

dimensionados. A construcao da scqucncla temática observa a ordem lógica e prestigio o adecuado aprofundarncnto

em cada urna das multas v:iri~vels que o assunto oferece. A maest rla do autor no trato com as palavras t e xt o de e legan t e fra sea d o C? de e xtr e ma flui dez .

g:irante

um

16

Oot11t:onc .o ~ - f ~ T rNrv. A N ov-. l rCi·c¡ A(.A O

R.1.Y,\fU.'IJLJL• A.

C. P !NI()

A obra ofcrcce respostas claras e diretas sobre os princ!pais problernas e dilemas e~istMtes na vida laboral do emprcgado doméstico e deralha todas as mals slgnificalivas ccorrénclas havidas desde o momento da admiss3o até o instante do desligamento, sempre ilustradas por diversos modelos de instrumentos e pecas contratuais exigfveis em diversas sltua~óes prárícas. O leltor será presngtado, ademais. com anauses que consideram tanto as ccntratacñes que estavarn ern curso antes da vigencia da EC n. 72/2 013, quanro as que se produzíram depois dessa importante mudanca leGislativa conslitucional.

relacionadas a duracao do trobolhc dos domésticos. entre as

quals os possíveis ajustes de compcnsacño dé hcrános: :> org;¡niza~5o dos intervalos lntrajornadas, int erjornadas e lntersemanals e a problemática das controlesde ponto. N~o sao osquectdas a sistem61icadas férias: a apllcabilldadt'!

da pr~sr.ri~i!o; as limita~Bes Impostas para a altera~Besdo contrato; as regras de interrup~~a/ suspensi!a do vínculo

de

ponto é descurado. 1\ obra aprecia cada um dos institutos contidos no novo regrme de emprego dos trabalhadores do lar, inclusive nas perspectivasda rcsponsabilidade civil, dos dircitost ributários e das protccóes previdenciárias.

S~o oprecíadas

todas as principais sttuacocs

ernpreno, tampouco as dlsposicées que dizem respeit o a liberdade sindical dos emprer,ados dornésrtcos. Nenhum

Multas outros assuntos relevantes brotarn durante o transcurso da leitura e ganham soiucee s eficientes, intelieentes e bem fundamentadas. Nao tenho düvldas de dizer, portante, que a obra que ora prefacio mediante essasbreves palavras será um sucesso editorial, digno de múltiplas reedi~oes decorrentes da excelente receptividaóe que certamente provocará em cada um dos seus leitores por ser imprescindivel e indispensável.

Cidadc do Salvador. j unho de 2015.

lUCIANO

MARTINEZ

Juiz do Irabalho do TRTdas~ Rcgi5o

Mestre e Doutor em Direito do Trabalho e da Seguridade Social pela USP

Professor Adjunt o de Direito do Irabalho e da Scguridode Social pela UFBA

Bahia

fvlernbro da Academia Brasileira de Direito do Trabalho

e da Academia de Letras Juridicas da

N OTA DO AUTOR

Desde que o Congrcsso Nacional promulgou a Emenda Constitucional n. 72, que ampliou os direitos dos

empregados domésticos, instalou-se urna grande dtscussáo em todo o país. Os conos ou donas de casa e os própríos

trabalhadores beneficiados, cheios de dúvidas, passaram a fazer inúrneras

Estes. por sua vez, nao se sentiram corn absoluta seguranca para responder com precisáo. Como a evidéncia dos

fatos nos mostra, havendo pacifico consenso quanto a isso, as relaqoes trabalhistas no interior dos lares guarda particularidades bem nítidas que as distinr,uem em rela~o ao que acontece nas empresas e em cutres ambientes

indaga~e s aos proñssíonats

do Oireit o.

nos quals se defrontam patrñes e empregados. t natural que,

rnaiores, mais profundos e

provoquem acirradas poiérnlcas.

em tace disso, os

questionamentos, no caso, sejam

A partir do momento em que se t omou conhecimento de terern os domésticos sido agraciados, em especial,

com as direitos de um limite máxlrno

adicional noturno se o limite vier a ser ultrapassado, lego os imeressados correram a perguntar: como deve ser

feito o controle dos horários de servico? para quem dorme no emprego, sao computadas como á dlsposicáo

ernpregador ¡¡5 horas de descanso? Tudo indlca que estño ¡¡Í alguns pontos entre os rnais controvertidos após as lnova~é'ies leglslatlv.,s recentes, ernbora <'!~lstam multas curros. De igual modo. sugíram várlas dúvidas antes que fossem regulamcnrndos alguns dlreitos nño oplic~vcis de imedlato. Essa lacuna, como se sabe, encentra-se de certo modo sanada coma aprovacáo da Lei Complementar n. 150, de 12 de junho de 2015, mas ela ainda n~o foi capaz de encerrar,por completo, diversosquestionamentos aind3 pendentes.

em t orno do

assunto - fui convidado pare participar de um scrnináno,

promovido pela Acadcrma de t etras Jurídicas da llah1<l, da

qual sou mernbro, justamente para debater o tema. Outros dais confradcs - o Procurador do I rabalho Jairo Scnto

nossas

o de receberem horas extras e

de horas na jornada de trabalho e tarnbém

do

Em maio de 2013 (um més depois da EC/ 72, portante), - em plena efervescencia d as discussóes

e o advogado trabalhlsta Auréllo Pires - esríveram a mcu lado, formando a equipe de exposlrores. Após

breves íntervencóes. os pessoas presentes,demonstrando enorme interesse, fízeram numerosas porguntas. Desde en tao, cresceu a minha vontade em aprof undar os estudos, a que, aliás, ¡á me dedicava, referentesas peculiaridades do trabalho doméstico. Eis, pois, como surgiu a decisáo de escrever este livro.

Longe de mlm pensar que esta dcspretensiosa obra lr:i dnr solucócs seguras e definitivas aos comptcxos

problemas lev antados pela

possívet, os pontos mats polámlcos, dando ainda ínformacües úteis sobre as lels vigentes, a opiníáo de juristas e as lnterpretacóes atuais dos t ribunais trabalhistas consolidadas na jurisprudencia predominante. Procurei usar urna linguagern sim ples- sem prejud icar , contu do , a o bservanc ia de cert o s ter m o s t écnico -jur fdl co s>- ten do em vi st a que procurei redigir urn livro nao para profissionais que atuam no fórurn. mas tambérn destinado a leigos em Oireito.

nova legislai;Ao atinente aos domésticos. Meu objetivo é esclarecet, na medida do

Ell erci a ma g ist ra t u ra

t r ab athlst a du r an t e t ri nt a

ano s e m e ap o sen t ei h <I p o u c o m."lis de ci nco anos, co m o

desembargador do TRTda Bahi;J, sem nunca deh<.~r de efetuar esrudos e pesquisas M áre;i jurídlc;i. Escrevl llvros. proferí palestras e mlnlstrei aulas. Entendo que acumulei, em todo esse tempo, umavallosa e•pe.ri~ncla pe ssoatque me credencia a tr ansmirí-la como o fa~o agora por meio desta obra. Espero que os int eressados encontrem nela lnformacñes básicas sobre as rela~oest rabalhistas que env olvemos domésticos e consir,am superar, ao menos em grande parte, suas principais dúvidas.

Salvador, junho de 2015.

BREVE

11

HISTÓRICO

DOS

ÜIR EITOS DO D OMÉSTICO

'1.1.

CLT EXCLUIU DOMÉSTICOS

A Consolida~o

das Leis do Trabalho, também conheclda como CLT,fol aprovada e entrou em vigor no feriado

do dla 12 de malo de 1943, mediante o Decreto-Le! que tomou o número 5.452. O Brasil estava arravessando um

periodo dltatcnal chamado "Escodo Novo' , soba lideran98 de Getúlio Vargas, famoso político da época. Antes,

ja existiam algumas leis protetoras dos trabalhadores. A nova legisla~ao, nao só reuniu num único documento

as antigas normas esparsas, como também

década de 40 em nosso pais, se comparado com as condlcóes dos dias atuais, era ainda de considerável atraso.

A malaria da popula~5o residla no campo, dedicando-se a at:lvldadcs rudlmentares na agricultura e pecuaria.

na

acrescentou outros direitos.

O ambiente económico

reinante

Nas poucas cidades de grande porte a industriallza~5o dava os primelros passos. Nesse ccnárlo

de incipiente

desenvolvímento, náo é de estranhar o registro dos historiadores de que o avance das regras trabathistas. naquela tase, resultou multo maís de uma iniciativa governamental, para arender a ínreresses conservadores, do que urna decorréncia da pressáo de u m operariado consciente. O ditador da vez - cuj as seguidores o aclamavam como "poi

dos pobres•-, sabida mente inspirado no modelo fascista italiano, fixou normas rígidas de controle dos sindicatos

pelo Ministério

do Trabalho, tndústria

Vargas assumiu o poder em 1930.

e Comércio (atual Ministério

do Trabalho e Emprego), criado desde que

É cl aro q u e, p e la c u lt ur a v i gen t e na époc a, ;i le l n ov a j amals podc ría se r es t~n d ldo a t <1d a a cl asse trnb olha d o r a . Logo no seu sétimo artigo estabeleceu os limites:

Art. 7• - Os precetto« constantes da presente Consol/da•il<>, salvo quando tor: em ceda caso, expressamcnte .decerminado em contrán'o. 11iio se oplicom:

o) oos empregados domésNcos, oss!m considerodos. de um modo gerol, os que P.restom servkos de nawret a nli oeconómico

Ó peSSOO Otl Q fomJ1J°O; no .Ombito residencio! destas.

b} oos trobotbodoresrurais, assitn consi derodo» oque/es que, exercendc ft1nt;Oes diretamente ftgudos O vgocuJturo e

b

p ecuário,

niio s e.j am empreg odo"i e tn otiv i dnd e « oo«, peto s m é to dos d e ~x e 1:ur.On d o s resne csivo«

trabal nos ou pe t o

finaliáade de svos opero~oes, se aasstñaoe» como industriuis ou comerao«.

e) n o s frJn d n 1>6rl a !i p úbtico «

pró,orlas repartf~/Jes.

da l.Jnlli o, do« E,"it odos'" dos ll/!1Jtdct'pins e D(15 re sp ectivos extr onufneróriost?1n s e rv k o 1lo.-.

Como se observa. os domésticos foram mencionados em p.rimeiro lugar. Era pacífica e ate aceitável, naquele

tempo, a opiniáo

de que as atividades deles, nos restritos ambientes

residenciais,

carregavam determinadas

20

Oot11t:onc .o ~ - f ~ T rNrv. A N ov-. l rCi·c¡ A (.A O

R.1 .Y,\f U.'IJLJL• A . C. P !N I()

carnctcrfaticas

com certos direitos. Tarnbérn e stender as vantagcns aos rurais pcderia fazer surgir graves problemas e conflltos com

a entao poderosa classe dos fazendeiros.

que eles sempre foram considerados

born pocuüares

e, em cnnsequéncía,

a inda se mostrava bastante prematuro o dcsejo de beneñciá-tos

forres ra2oes para exclulr os funcionértos

públicos,

urna vez

H;ivia, ainda,

uma caregorta especial de "estatutártos: e ni\o empregados do Estado.

1.2.

PROFISSÁO

RECONHECIDA

Essa situacáo

de to tal abandono

dos domésticos

de qualquer

amparo

legal,

após

a CLT, durou

nada menos do

que quase trinta an os. Somente em 1972, co m Lci n. 5.859, de 11 de dezembro

(revogada peta recente LC/150),

a

proñssáo dos t rabalhadores do lar f oi aftnal rcconhccída. Mesmo assím. ela n~o contemplou a catcgorta com multos

dtreítos.

e Previdencia Social, atestado de boa condura e atestado

a

Social,

o saláno

Social, aurnentnu a contrlbul~o

com rela~~o a determinado valor do s;il~rlo. Foram criadas duas curras -allqtJotas: 9 e 11%. Na atualídade (2015), a

opresontassc,

- daí a necessidade de ter

O art. 22 passou a c•igir que o cmprcgado

-

foi a inclusiio

do dornéstico

no ato da adrníssáo.

a CTPS - Cartclra de Trabolho

Nacional

de Ser.ur o

mínima

de 8% sobre

da Previdéncia

de saúde. A principal

o b r igatór io

do

conquista

INSS -

CTPS assinada

sendo

pago.

como ser,ur ado

Instituto

que cada parte - empregador

Depoís,

a

Le1 n. 8.213,

e empregado

03.1991,

- deveria recolher a contribuicáo

sobre os Planos

de 24

que d1spoe

de Beneficios

patronal para 12% e, corn rela~ao aos empregados, os 8% permaneceram apenas

primeira é aplicada para quem ganha mais d e R$. 1.399, 13 e até R$ 2.331,88, sendo a segunda para quem recebe de

R$ 2.331,89 até R$ 4.159.00. Out ro beneficio concedido foí o de ferias anuais

l ei n. 5.859 omitiu sobre importantes aspectos nas relacóes de trabalho doméstico, nada tratando a respeito de,

de 20 días úteis.

Note-se

que a aludida

por oxemolc. satárto verbas rescísórlas,

mínimo, Jornada de trabalho, Intervalo, descanso semanal remunerado, 132 sclarío. adk lonais, entre outros.

1.3. CONSTITUl<;AO

FEDERAL

DE 1988

As condi~il<;s do doméstico expenmentaram considerável progresso coma CF/88 - Constltui~ao Federal de 1988.

O artigo contém t rinta e quatro incisos instituindo direitos para os trabalhadores urbanos e rurais. Ainda mantendo

restrkées que vinham de longa data, mais urna vez excluiu os operários do lar da listagem inicial, mas o legislador

constituinte

teve o cuidado de acrescentar um parágrafo único no final do referido art. 7°, coma seguinte

redacáo:

5fia assequrodo« a ctn eqoria dos. trabafhadore •;dom ésticas o s direitos tv evistos nos incisos HI, VI, V (U, XV, X VU, XVIII, XJX,

XXIe XXIV. bem como a sua ir1tegra~iio a previdenciasocial.

Essas

nove vantcgens,

se feíto um confronto

pouco

com as trinta e quatro porém n5o deíxararn

concedidas

eos dernais

obrciros

do país,

scriarn consideradas,

em conta a r ed uztdlsstmn

a principio,

numerosas,

de ser conquistas

valiosas

ao levarrnos

pro t e.;~o ant e rior .

Para o leígo

cm Olrc lto , que n3o tern a mño um c.l<cmplar da nossa

Carta Magna, é tnterossante relacionar os dlreltos a que se refcrem

os incisos

citados: IV -

salarlo

mlnimo;

VI -

irredutib ilidade do salarlo,

remunerado;

salvo disposto em convencáo ou acordo coletivo; VIII - 13° salário: XV-

adicional

de um terco: XVIII

- licen~a

repouso semanal

XVII - ferias como

a gestante, sem prejuízo do ernprego e do

salario, com duracáo

decent o

e vinte dias: XJX - licenca-paternidade:

XXI - aviso-prévio

proporcional

ao t empo de

servico,

observado

o minimo de 30 dias.

 

1.4.

FGTS E SEGURO-DESEMPREGO

/\pós a CF/88. a prlmeira

mudanca ern favor dos domésticos ocorreu

por meio

da l eí n.

10.208,

de 25.03.2001,

que acrescentou

de Garantía do Tempo de Servko, a critérlo do empregador. Também ñcou assegurado, semente ao emprer,ado inscrito nesse Fundo. o direito ao seguro-desernprego. Os novos arts. 6º-ll a 6°-D, igualmente acrescentados á

referida Lcl n. 5.859, regutam a ccnccssño desse seguro. N;:i pr~ticn, poucos empregadorcs opraram por recolher o FGTS de seus emprP.gados.

o art. Jº-A á l ei n. 5.859, tornando facultaríva a inclusao do ernpregado doméstico

no FGTS-

Fundo

1.5. MAISVANTAGENS

COMA

LEI N. 11.324

Outr a alteracáo benéfica aos domésticos verificou-se a partir da Lei n. 11.324, de 19.07.2006. Mais urna vez a

antiga Lei n. 5.859 foi modificada, sendo-lhe ocrescido o art, 2º·A, que proibiu o dcsconto no salario dos trabalhadores do lar pelo fom ecimcnto de alimcntacñc, vcstuário, higiene ou moradia. Como excecáo, prcviu a possibilidade do descanto em moradia quando o local for diversoda residéncia em que ocorrer a prestacáo do servíco. A mesma Lei

que excluía os domésticos do direito

n. 11.324 também

conquista obtida com a indicada lei foi a proibi~ao

da

dispensa nrbitrM lo e sem justa causa de cmprcgada doméstica gest ante,no periodo entre a confirma\:<~º da

gravidez e cindo meses após o parto. Esdareceu, aínda, deis pont os que suscitavam dúvidas: a) fíxou o período das férias em 30 {trinta) dias corridos.como adicional constitucional d e 1/3 (urn terco): b) conslderou justa causa para a

despedida as hlpótcses previstas no art, 4S2 da en.salvo as alfneas e (negoctacao habitual) e g (viola~~º de segrcdo

da empresa).

ao gozo do repouso semanal remunerado.

revogou a alinea a do art. da lei n. 60S, de OS.01.1949

Outra importante

1.6. A EMENDA CONSTITUCIONALN. 72

O último e vitorioso avance na legisla~ o ref erente aos domésticos se verificou em 2013. quando, no Diáno

Oftcial da Uni~o de 3 de abril, fo! publicada a Ernenda Constitucional n. 72, que temo seguinte teor:

Altera

a r eda;8o do par6grofo

tmlco do are. 7~ do Constf1u1,110 Federo/ paro estabelecer

a / gualdade de dl relt os

trabolhistasentreos traba/hadoresdomésticos e os demais trobalhadoresurbanos e rurais.

As Mesas do C6morc d es Deputadose do Seno do reaerot, nos termos do§ 3~ do on . 60 do Consritw~llo reaerot, pr omu/gom o segt1lme Emenda ao texto consritucional:

•;.>.rt7g

Parrigrofo única V III, X, X III, X V,

e observada a

domésticos os oireños previstosnos inoso« IV. VI, V II,.

XXVI, X X X, X XXI, . xxa u ,,, orm d i dt , .< ª·' a mdifñ e< estobeteodo« em lr.i

.s.!mp (ifico~ño d n cumartment o d o« abriga~Des t ribután·os. principnis e acessários . d ecorre m r stia re.lar.Do

Séío assegurodos O rotegor la dos t rabotbad ore«

X V I , X III/, XVIII. XIX , XXI. X X II, XXIV,

de rrabo/110 e suai oecuuonaoaes, os previstos nos incisos /, u, 111, IX, XII, XXV e !OW/11, oeo: como o sua integru-;áo á

/lf!'Vldü 1cio sociot.

Cada um desses novos direitos será tratado. com detalhes.

nos próximos capítulos do presente livro. Rcssillte-

·sc que parre dos dlreitos crtnríos coma EC/72 entrararn de lmedtato em vigor. como o jornada mñxim;i de t.rabalho de 8 {olto) horas diárias e 44 {quarenta e quatro] semanais, bem como o pagamento das horas que excedam esses

limites. O valor de tais horasextras será acrescído do adicional mínimo de

50% {cinquenta por cern o).

A regulnm.,,nta~~o de todos os novos dlreítos cooqulstados fo! ofinal nprov;id;i por mela da Lel Compl.,,mentnr

n.150, de 1º de junho de 2015. publicada no DOU - Diario Oficial da Uniao do dia seguinte. Alertamos que, em todas as dernais pácínas deste livro, usaremos as abreviaturas EC/72 e LCf l SO para as citadas Emenda Constitu cional e Lel Complementar, respectivamente.

Vale adiantar que alguns direitos somente passarn a ser devidos após regulamentados no prazo de 120 {cento e vinte) días, a contar da publlcil~5o da LCf l SO. ou seja, a partir de 2 de outubro de 2015. S5o eles:

a) depósitos obrigatórios do FGTS;

b) seguro-dcsernprego:

e) remuneracáo do t rabalho

noturno:

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O ot11t:on c .o ~ - f~T rN rv. A N ov-. l rCi·c¡ A (.A O

.1.Y,\fU.'IJLJL• A .

R

C. P !NI()

e) ~ssist~ncia gratuita nos fílhos "' dependcntes desde o nascímento at~ S (cinco) anos nrn creches e pré-

-cscolas:

f) seguro contra acidente do trabalho.

Chama-se a atencáo que o direito a "umo reiocso de emprego protegido contra despedida ortntrário ou sem j usta causa, nasremasde tei complementar,queprever6indertito>liócomoensotório, d entreoutros dire/tos",previsto

no inciso

1 do

arr. 72 da CF/88

empregados do pais.

e que agora atcanca

os domésticos,

nunca fol regulamentado,

o que arínge todosos

ADMISSÁO

DO D OMÉSTICO

2:1.

ESCLARECIM ENTO

NECESSÁRIO

Como poderáo constatar

os leitores, durante

todo o decorrer

deste

livro iremos, com frequéncla, mencionar

dispositivos da C.LT a fim de basear nossas afirmativas. A própria LC/150- Lei Complementar n. 150, de 1°.6.2015-,

que rer.ulamentou a Emenda Constitucional n. 72, referida no Capít ulo ant erior, dispoe, no art . 19. que a CLT servirá como fonte subsidiaria. lsso sir,nifica que suas normas serao usadas em caso de ornissáo da LC/150, d esde que nao colidam com regras desta. Tendo em vista que a lei regulamentadora dos noves beneñcios atinentes ao doméstico

com

certeza, teráo de preencher as prováveís

n5o esgota todas as situacóes

fáticas a scrcm observadas na prdtica, acreditarnos que os tribuna is trobolhistas,

tacunas, int erpret ando

as normas da próprta

LC/150,

da CLT e de nutras

leis que

interpretaráo

tendencia que velo a prevalecer. O TST- Tribunal Superior do Trabalho, antes de emitir urna súmula,

por meio de sua Comissáo de Jurisprudéncia e Precedentes Normativos, as chamadas ortemocses iurtsorudenctots,

conhecidas pela abreviat ura OJ, síntese int er pr etati va Que cornecou a ser r e iter ada em decisóes, mas Que ainda nao

dcsta obra,

contenham

regras traballustas, constituindo

a denominada

aprovar

jurisprudencia. Quando

urna

determinada

da

se torna dominante, os tribunais

costumam

súmotos,

cojo texto representa

urna sintese

tambérn

aprova,

obtcvc a consagracao,

o autor vai diversas vezcs buscar suas añrrnacóes

na forma de súmula,

pelo Pleno do referido tribunal.

em súmulas

e OJs do TST.

Como se observará

ao longo

2.2. DEFINl<;AO

DE EMPREG1\DO DOMtSTICO

t Importante, antes de tomar a decisáo de comratar um(a) auxiliar para as t arefas do lar, saber de que forma essa espécie de trabalhador se distinr,ue dos demais. Entendemos que o primeiro artigo da LC/150 contérn urna definicáo que satisfaz:

aque/e que presta servkos de formo conti nua, subordinada, onerosa e pessoo! e de jinatidode nao lucrativa ti pessoo ou a f amília, no ómbito residencial cestas, por mais de 2 (dois) dios por semana

Cabe-nos fazer breves comcneanos sobre o texto legal. Segundo o art. 32 da CLT. é considerado

cmpregado:

todo pessoofísico que prestarservkos de noturezo niío eventual o empreoador, soba dependencia deste e mediante sa/ário.

Como se nota, nada menos de qustro caracteristícas

na forma de prestar o servíco aproxirnam

o doméstico

dos

demais empregados:

a) continuidade

- a CLT ref ere-se a servico "de natureea nao eventuot"; b) subordínacáo

-

a CLT

contern "soba dependencia" do empreg¡¡dor; e) onerosidade - equivale, na CLT, a "mediante salário"; d) pessoalidade

- náo pode qualquer

empregado, mcluindo

o doméstico, fazcr-se substituir

por um estranho ~ rcíacño ccntratual,

na

24

Oot11t:onc .o ~ - f ~ T rNrv. A N ov-. l rCi·c¡ A(.A O

R.1.Y,\fU.'IJLJL• A.

C. P !NI()

exccu,~o dos servi~os que lhe s5o at ribuidos, salvo, em casos espedalfsstmos, com exprt~s~a autoriza'ªº

do emprcgador-

a CLT estabotocc a rcstri,ao de que apenas pode ser empregado a "pessoo ff.~icri', dedulindo·se que ewlge a pcssoandade.

Restam tres llrnitacées que caracterizam, principalmente, o ernpregado doméstico: a) o servíco deve ser executado no Smbito residencial, atendcndo :i urna pessoa ou a urna familia; b) as t:irefos descmpenhndas no interior dos lares nunca dovcm ter a ñnalidade lucrativa; e) a j ornada de trabalho será cumprida por mais dr. 2 (dois) días por semana. Essa úlnma determinacáo a respeito do número de dias de labor na semana velo solucionar urna

dúvida que mcomodava muitos empregadores domésticos. Ficou agora claro que o trabalho realizado em até 2 (dois) dias semanalmente nao constituí relacáo de empresa, podendo ser efetuado pelos(as) charnados(as) "diaristos".

Mu ita gente se acostumou

a dasstftcar como doméstico ou doméstica (predomina m pe ssoas do sexo f eminino

nesss oroñssao) apenas a cozinheira, a faxmeira e a baba. Vale alertar que se enquadram também no grupo:

arrumadeira, faxineira, passadeira, [ardineiro, vigilante, enfermeira particular, caseiro, cuidador de idoso, motorista

particular, moroomo e governanta. até quem sustente que o piloto de helicóptero ou de pequenas aeronaves, desde que nao sirva ao patráo em compromissos empresariais, poderá ser ndo como doméstico. O vigilante, o

motorista e o piloto,

e a favor do

ernpregador doméstico

embora nao prestem servicos rigorosamente "no iimbito residenciat", considera-se que isso

com domésticos,

urna vez que executam um trabalho exclusivo

náo os impcde de screm classificados

ou para ele e sua familia.

2.3. ASSINATURA

EANOTA<;ó ES NA CTPS

f eítos os esclarecimentos previos acima, passemos as instrucées sobre as providéncias com vistas a contratacáo de urn empre¡¡ado doméstíco, comecando pela obricatoriedade de registrar dados essenciais do trabalhador num documento cornurnente conhecldo peln abrevíntura CTPS, que slgnlñr,) Cartelra de Trabalho e Previdl\ncla Social. No passado, a denominacáo oficial era "Cartelra Profissional", que n~o mais se usa.

A exigéncia de que a CTPS seja assinada vem desde a Lei n. 5.859, de 11.12.1972, que reconheceu a proñssáo de

obrigntór lo do INSS. Por causa dlsso , o dono ou a

empregadc doméstico e dot er rnlnou

que este passe a ser segur ado

dona de casa nao deve contratar nínguém sem portar

tal document o, que é f ácil

de ser adquirido nas Superintendéncias

Rel]ionais

art, 9° da

do Trabalho e LC/ 1.SO obriga

Cmprego (antigas Delegacias Recionais do que sejam f eit as as devidas anotacóes na

Trabalho) ou em escrit orios por etas credenciados.

CTPS, limit ando-se a mencionar

O

a data de admissao,

n o c a so

de serem por t empo determinado. Também exige que as anoracóes sejarn registradas no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, a contar do ato da contratacáo. Por ser um artigo de curto texto, acreditamos que poderso ser aplicáveis ao

doméstico quase todas as normas existentes na ClT sobre o assunto, contidas nos seguintes dispositivos: arts. 13 a 40 e

49 a 53. Sao numerosas

do documento

dever~o ser anotados os

a rern u ne r acáo e, q ua n do

for o caso , os c ont r atos n r ev l s t os nos Incisos

1 e 11 d o a rt . 4 ° da mesma

l e i ,

o u

s ej a ,

a; normas, entrando em muitos detalhcs a respeito da errussóo, ent rega e possiveis altcracócs

e Emprego. No decorrer do contrato, também

pelo Mi11isr.ério do Trahalho

reajustes salariais, os períodos de f érias gozados

e, caso ocorram. as possíveis alteracóes

na fun~o

ou nas condicées

do labor, bem corno a ocorréncia de acídentc do trabaiho. Chama-se a atcncño de que o§ 4~ do art. 29 da CLT proíbe ao ernpregador efetuar anotacóes, na CTPS, desabonadoras da conduta do ernpregado, sob pena de multa. Tarnbérn

na CLT extstcm normas q ue i ndlcam as provid~ncias

a ser om t omadas pelo em o r eaac o q ua nd o o e mp r cg a dor se recusa

a proceder as anotacóes.

Delegadas)

e, frustrada

De inicio, ele deve procurar as Superint endencias

essa primeira

medida,

apresentar

redarnacáo

Regionais do Trabafho e Emprego (anrígas

/v; regras celetistas

na Justi~a

do Trabalho.

prcveem ainda as penalidades

c~rtelros igu:iis ou semelhantes

contra qucm pratica o crime de füls~s anotacoes ou comete infracoes como vender

á oftci~I, extrnvi~r ou inutiliz:ir

~ CTPS e n3o onotn·I~ em 48 horas.

2.4. OUTROS DOCUMEl'ffOS

O art.

2° da

antiga Lei n. apresentar

5.859,

at estado

ja revocada,

mencionava

que o empregado,

de saude.

ao ser admitido,

deveria, além

para o

da CTPS, também

próprio empregador de que n~o estaria contratando

de boa conduta

e atestado

O primeiro

é urna sarantia

alguém com antecedMtes

crimina is ou mau comportamento.

O candidato

delegada

ou c.-.ndidata a ernprego pode conseguir

Entendemos

que,

se o futuro

de pelleta.

esse documento,

comumente

chamado

'1alho corrtdo", numa

empregado

vern indicado

por urna empresa conceítuada

de

recrutamentn

e sele~ao ou recomendado

por parentes

e amigos de conñanca,

a exig~ncia

se t orna desoeressárta.

Acredita mos.

porérn,

que o at estado d e saúde e imprescindivel.

Tendo em vista

que ar.ora, de acorde coma

EC/72 , o

doméstico

a nosso ver, o art.168

de

exames complementares, a criténo médico, quando as crrcunst áncias exigirem. ~ importante assinalar que, para efeito de recolhimento dos contribuicóes prcvidenciérias, o ernpregado dcve informar o número de sua inscrii;5o no CEI - Cadastro Especíñco de ínfonnacáo do INSS. Se ainda n~o se ínscreveu, poderá faz{!-lo em qualquer agencia dos

Correios, pelo telefone 135 da Central de Teleatendimento, ou pelo site <www.previdenciasocial.gov.llr>.

destaque-se - tanto no ato da admissáo,

quase se igualou aos demais trabalhadores

no que toca aos direitos trabalhistas,

terá que ser observado,

da CIJ, que tnrnou obrigatórlos os exarnes médicos do empregado

como

também

na díssolucáo

do contrato

- por contado empregador,

alérn

e aré pertodlcamente,

2.5. FORMA DO CONTRATO

Exceto no que concome

a determinadas

categonas. a lei, no gcral, n5o dispóc que o contrato de trobaího scJa

Entretanto , em facc do aumento

considerável dos direitos dos domésticos

a contratacáo por intermedio

jornada máxima óe trabalho para o doméstico (cito horas diárias e qua renta e quatro semanaisJ, bem coma possibilidade

de compcnsa, 3o d"' horMio e prorroga,3o

essa compensacéo

que trata da dura\iio do trabalho. Adiantamos que a mesma LC autorizou o sistema de 12 horas de trabalho

de descanso, observados ou indenizados

abrange o repouso semanal remunerado e o descanso nos feriados. Alerte-se que, ern ambas as formas de compensacéo,

mensal

escr ito . Bnst.1 a si m ples assínatura

da CTPS e n r ela,3 o cont r atual j~ está efcrivada.

com a EC/72, passou a ser recomendável

que as partes envolvidas celebrem

de um documento escrito. Passaram a ser exigiveis, por exemplo, a observancia de urna

deste, como cumprimento

de horas extras e noturnas.

A LC/150 permite

os detalhes no Capítulo 4 (pág. 31 ),

por 36 horas

na forma prevista nos §§ 42, 59 e do art. 22. Informaremos

os intervalos para descanso e allrnentacáo, sendo que a remuneracác

é

obngat ório

o prévío ac erto medi ant e acoroo escrit o. J>or c au sa d isso , e n tendemos

que as

p art e s d ev er ao es t abelece r ,

numa das clausulase do contrato, essa previsáo (se foro caso). ~ int eressante, ainda, que fiquem bem esclarecidas, no contrato, certas condícóes especiais próprias de detenninadas funcóes. Deve ser mencionado, claramente, se o ernprcgado vai ou nao dormir no local de trabalho e, cm caso positivo, se as horas de sono serao computadas como

de repouso ou - nas hípóteses

levantar durante a norte para prestar algum servlco á crianca ou ao idoso. A forma de pagamento dessas horas noturnas dcve tambérn ser fixada de modo cxprcsso, a fim de evitar problemas futu ros. Outro aspecto a ser definido cm cléusula contratual die respcito ii rcsponsabilidadc do crnprcgado quando ele causa algurn preju izo. O 9 12 do art. 462 da CLT

somente autoriza o descomo no salário se for constatado

culpa, diz a lei que apenas é licito o desronto se essa possibilidade

de babá ou cuidador

de ídoso, em especial - se poderá eventualmente

o ernpregarJo

dolo do empregado, porém, se o dano far causado por simples

estiver previamente acordada. Conforme a Súmula

n.

199 do TST - Tribunal Superior do Trabafho, dirigida ao bancario,

mas válid¡¡ para qualqucrcemprcg¡¡do,

nño é permitida

a

pré-contratecao de horas extras. isto

é . n5o pode constar do contrat o que o t rabalhadcr

Irá cumprir.

semore, urna

j ornJda supertor ñ

nor mal. Nada irnpede, porém, que fig ur e numa dos cJ;íusul:is que, havendo necessidad« do .rel'Vi,o. o

ernpregado concorda ern prestar horas extras, a serern compensadas ou pagas.

Chamamos

a arencao de que, por t orca da Lel n. 4.591, de 16.12.1964,

os portcírcs.

zelcdcres

e faxlneíros de

condominios

art. 1ºda LC/ 150, é vedada a comratacáo de menores de 18 anos para exercer o trabalho doméstico.

residenciais,

verticals ou horlzontals,

nao sao considerados

domésticos.

Segundo o parágrafo único

do

2.6. CONTRATO POR TEMPO DETERMINADO,

INCLUSIVE DE EXPERIENCIA

N~o Impedimento

legal se empregadore

empregado resolvam

celebrar

um cont rato por tempo determinado,

Inclusive o contrato de experit!!ncia. A autoriza~llo e a regulamenta~ao para tanto est~o conlidas no art. 9~ da LC/150. Ma, co n tu do , a l c u ns l im it es que d ev em se r o b s er va d o s . No pri mei r o ca s o ( pr a z o fix a d o ) , o co ntr ato de v e se r par a o(a) contratado(a) substituir outro(a) doméstico(a) ou para prestar servii;o de natureza transitória, sendo que sua durar;ao vai até o término do evento que motivou ¡¡ contrutar;iío, obedecido o limite máximo de um ono.

26

O ot11t:on c .o ~ - f~T rN rv. A N ov-. l rCi·c¡ A (.A O

.1.Y,\fU.'IJLJL• A .

R

C. P !NI()

O contrato de experil!ncia nunca pode ultrapnssar o pra20 de 90 (noventa) días, sob peM de transformar-se

ern contrato por tempo indet erminado.

se for celebrado por prazn menor e n~o for prorrogado. Fique claro que é possfvel estabelecer um tempo menor de dura>llo e prorrogar o contrat o, contant o que a soma dos dols periodos nl!o exceda do citado limit e. Exemplos: um primeiro de 45 días e outro de igual tempo ou o primeiro de 60 días e o seguínte de 30 días. Somente é permitida urna única prorrogacáo ou nenhuma se, a princípio, o pacto fara firmado pelo prazo máximo de 90 dias. Nao existe veda{ ao de lei se as partes, ao celebrarem um contrato por tempo indeterminado, acrescentarem urna clausula prevendoum período inicial de experiencia, observadas as mencionadas llrnitacñes,

Tambérn t er.~ a mesma consequéncta [convcrsáo cm praao indet erminado)

Encerrados ambos os contratos no prazc normal ajustado, n~o é devido o avlso-prévto por nenhuma das partes. Todavla, sen empregador viera despedir o empregado, sem justa causa, antes de decorrldo o prazo, fie11 obrígado a

pagar-lhe, a titulo de indenízacáo, e por metade, a rernuneracáoa que teria direito até o termo do contrato. Advirta- -se que, se foro empregado que tome a iniciativa de romper o contrato antes de cumprido o prazo, também sem

iusto causo, tcrá ele de indenizar

o cmpregador pelos prejuizosque vicr a lhe causar, senda que a indcnizar;iíonüo

poderá ser maior do que aqueta que recebcria ern situacáo inversa.

2.7.

MODELOS

Na parte final deste livro, o leitor encontrará urna série de modelos que seráo utilizados no ato da contrata~~º e durante as relacües rrabanustas com doméstícos. Há diversas sugestües de redac~o das cláusulas recomendadas

nos parágraíos

acima.

2,8,

QUEM VINHA TRARALHANDO

ANTES DA EC:-72

Os modelos de cont ratos de rrabalho apresentados no anexo deste volume sao destinados ao uso no ato da prlmeir,1 :idmis.~~o do doméstico. Com frequéncia, somos indagadns por interessndos par~ saber como proceder no caso em que o empregado j~ prestava servico antesde a EC/72entrar ern vigor. Tendo em vista que multas normas

sofreram mudancas,

contrato amígavelmente, sendo pagas. de modo integral, as verbas rescisórias ríevldas. Nao há nenhuma ilegalidade em firmar um novo contrato no dia imediato. Afinal, em face das mudancas consideráveis acorridas na legisla~ao arinente ao doméstíco, nao constituí fraude as partes repactuarem-de livre vontade - as condlcñes de urna rela91io

de emprer,o sob circunstancias ber'n diversas. No passado, essa atitude encontravaobstáculo na Súmula n. 20 do TST, que presumia fraudulenta a rescisáo contratual se o empregado permanecía prestando servíco ou era readmitido em

curto prazo, mesmo que tivesse recebido tnderuzacáo de antiguidade. O referido verbete

de 2001. Hoje esta padfico o entendimento, comb ase no art. 453 da CLT, de que nl!o é computávet o tempo de servíco anterior do empregado, se readmitido, quando a despedida ocorreu por falta grave ou/orom percebtdas as indenlza~i5eslegais, O indicado dispositivo celeti sta ainda se refería a aposentadoria espontanea, mas, nesse pomo, o STF jolgou inconstitucional a hipótese, j ulgando uma a¡:Ao proposta a respeito de dois parégraf os acrescentados pela Lei n. 9.528/97 ao citado art,453. i\s parcelas cabfveis na rescisáo amigável estáo relacionadas nas observacñes conridas no final do modelo respectivo (par:. 126}. Registre-se que o prazo de 6 (seis) meses a Quese refere o art. 452 da CLT diz respeito a hipótese de um contrato por tempo determinado ser sucedido por outro (também por tempo determinado! cm prazo inferior ao mdicado, A pcnalidade, se isso acorrer, sera considerar-seo segundo contrato por tempo indeterminado, salvo se a expira~ao do primeiro contrato estava na oependéncía da execu~ o de servi~os especializados ou da realiza,ao de cerros acontecimentns. Como visto, a circunstancia de um contrato por tempo indeterminadosuceder outro da mesma espéd e é bem diferente,

nos sa orient ar áo é no sentido de que empregador e empregado devern rescindir o antigo

fo1 cancelado desde marco

SALÁRIO E REMUNERA( ÁO

3:1.

DIFEREN(,"A

Como este livro também se destina a leigos em Direito, vale dar urna breve informacéo sobre a dilerenca, do ponto de vista legal, entre os termos usados no titulo do capitulo. Na linguagem comum. costuma-se usar a palavra salário como sendo o valor mensal que se paga a um empregado. O sentido jurídico, conforme art. 457 da ClT e seus parágrafos, é mais amplo. Compreende todos os valores devidos ao ernpregado como contraorestacáo dos servicos por ele prestados e pagos diretamentepelo empregador. Desse modo, além do que se chama soláriobásico ou sotetio-oase, igualmente possucm natureza salarial as comissócs, percentuais, grntifica~ócs (inclusive a natalina, mais conhecída como 132 sa lárlo], horas extras,adtclcnats, diárias de viagem que excedam 50% do salarlo, pr~mios, abonos, entre outros. Por serem consideradas verbas de natureza indenizatória, nao integram o salárlo: ajuda de custo, diaria de viagem abaixo de 50% do satário, participa~ao nos lucros e vale-transporte. Como se vé, salvo esta última parcela, os valores indenizatórios nao costurnarn ser pagos nas rela~oes de ernprego doméstico. Mais um aspecto a destacar: existe. ainda, o soiário-tidlidode,também chamado safório in natura, ou seía, aquele que nao e pago em dinherro, mas sim por meio de certas utilidades como alirnentacáo, habitacáo, vestuario e outras que rcsultem do contrato ou dos costumes,fornccidas habitualmente pelo ernpregador, Cumprc ediantar que o saldrio-

-utilidade, no caso do doméstico, em parte está vedado, pois, como visto no subitem 1.5. do Capit ulo 1 (póg. 19), desde

a Leí n. 11.324, de 19.07.2006, ftcou proibidn o descanto no saláno do doméstico de utilidades como alimentacáo,

v estuario,

o local for diverso da residencia em que ocorrer a prestacáo do servico e as partes acordarem expressamente nesse

sentido. Fique bem claro que o empregador nao está proibido de fornecer as urílidades citadas. mas apenas nao

higiene ou moradia. Como exce,ao. a mesma lei previu a possibilldade

do desconto ern moradia quando

pode considera-las como salário in aoturo. salvo

a hipótese de excecáo ja vista.

O vocábulo remunP.rn>5o, de acordó com a dcfini~5o d~ IP-i (mesmo art, 457 da CLT), significa a soma do

salario, na acep~~o ampla, comos valores percebldos inalretameate pelo empregado, a exemplo das gorjetas, que,

como se sabe, s~o of e r ecidas pelos clientes do empr egador . A posslbilic!ad e de um doméstico receber gorjeta é, na

pránca,

e ser dirigido tao semente ao empregador e seus familiares - nao presta~ao de servico a cliente. Em face dísso,

adotarcmos, nesta obra, as duas palavros do titulo como sinónimas.

inexistente, mesmo porque durante o trabalho no inrenordas residéncias - por nao ter ftnalidade lucrativa

3.2.

FORMA

DE PAGAMENTO

mes,

perm inndn-se ser semanal o u q uinzenal. Essa rest ricáo nao an nge as comissóes, percentagens e gratiftca~Be,. No caso de pagamento mensal, o empregador dispóe do prazo de até 5 (cinco) dias úteis do mes subsequente ao vencido para quita-lo. O salario deve ser pago, contra recibo, com moeda corrente, em día útil, no local do trabalho

O pagamento

do salArio,

em nenhum~ hípétese,

pode ser estipulado

por periodo superior

a

um

211

O ot11t:on c.o~ - f~T rN rv. A Nov-. l rCi·c¡ A (.A O

.1.Y,\fU.'IJLJL• A .

R

C. P!NI()

e dentro do horário do scrvico ou logo após o encerramcnto destt>. O parágraf o único do art. 464 d.1 CLT - aplícável aos domésticos, a nossc ver - autoriza o dcp6sito do valor do so lárto cm conra corrente bancárln, abert a para essc fim pelo ernpregado, que deverá dar consenttmenro expresso para tant o, sendo que o estabeíectmento ba1,cário deve ficar próximo do local de trabal ha.

Ressalte-se que nenhum empregado deve receber menos do que o salario mínimo. Vale alertar que, quando

a lei fixa o valor do mínimo, específica a quantia

a ser paga por mes, por dia e por hora. tsso significa que é oossivet

um trabal hador receber urna remuneracñc mensa/ Infe rior ao mí ni m o estab e l c c ldo por <i ser pago p or m~s de sd e que ele tenh:i urna carga de tmbalho menor do que 8 (oito) horns por dla e 44 [quarenta e quatro] scmanais.

V <lmos dar o ex c mpl o de alg uém

dla e nao exceda dP. 22 (vinte e duas) horas por semana. Nesse caso, o salárlo pode ser fixado em metoae do mínimo leca!, urna vez que foi obedecido o salário/hora mínimo. Chamamos atencáo de que, por autorizar;iío da l ei Complementar n. 103/2000, alsuns Estados brasilerros tém estabelecido um "piso salarial estaduot", maior do que o salário mínimo nacional, que devc ser observado por todos os ernpregadores. inclusive pelos ernprcgadorcs domésticos. Recomend¡¡·sc que o leitor ou a leitora pesquise se, em seu Estado, foi oprovada urna lei nesse sentido.

que contr ata um dom ésti co para prest ar scr v íc os dur ant e 4 {quatr o) hor as po r

o calculo para obter o valor do salario-hora normal,

em caso de doméstico mensalista, deve ser efetuado

dividindo-se o salário mensal por 220 (duzentss e vinte) horas, salvo se o contr ato estipular jo rnada mensa! inferior que resulte em divisor diverso. O salário-dia normal. também em caso de empregado mensalista .• sera oblido dividindo-se o salario rnensal por 30 {trinta) e servirá de base para pagamento do repouso remunerado e dos feriados

trabalhados.

3.3.

PROTEt:;:ÁOAO SALÁRIO

Além de algumas exigi\nci:is mcnclonadas (pcriodlddade, prazo e lugar do pagamento, uso de rnoeda

corrente), a lei tambérn protege o salário das segulntes formas: a) recibo obrigatório assinado pelo empregado; b) em principio, sao proibidos descontos, salvo quando resultar de adiantamentos, determinados em lei (prevldéncía, 6% do vale-transporte etc.) ou autorizado em instrumento coletivo; e] na hipótese de dano provocado pelo emprer,ado,

o desconto é apenas permitido se houve dolo ou, no caso de culpa, se ha previsáo no contrato; d) a cessacao do

contrato nao prejudtca cornissóes e percentagens devidas; e) é vedado o chamado salarie complessivo, ou seja, se

for dcvida rnais de urna parcela no mes, terño de ser discriminadas, nño podendo constar do recibo ou da folha de

pag amento um valo r tot al único abrangendo todas etas (atribuir, por cxernplo. urna

-base, um :idicional e horas extras). Acrescente-so que a próprla CF/8 &, no inciso X do MI . 7º, considera crlme a ret en~3o dolosa de snlário.

só quanna para quitar o salárío -

A protecáo se estende ainda contra os credores do

á

c o m p ensa <;ao -

empregado: a) impenhorabilidade

do salário - art . 649, IV,

divi da s t rabal h ista s , q u e d evem somente ser

do CPC; b) r estr ic ñes

ape na s podem se r com p e n sad as

arguidas na contestacño d~ urna t!C~ºjudicial - Súmulas ns. 18 e 4R do TST. Na rcscls3o contratunt, a cornpcnsacño náo pode exceder ae equivalente a um rnés da remunera~~º do empregado 52 do art. 477 da CLT).

Queremos chamar a atencáo de que os assuntos acima trat ados sobre as formalidades no pagamento

do saláno

e a protecáo ao mesmo salário tomaram por base dispositivos da CLT. em especial os srts. 462 a 465.

Acreditamos, firmemente, que os tribunais trobalhistas vao achcá-los,

nos casos concret os f uturos . A LC/1 50 dc dlcou o art. 18 ao tema do s desconto s. R<ltiftco u o que dlsounha a Lel n. 5.859, vedando o empregador doméstico de efotuar descontosporforncclmento de aliment3e<,o, vestuáno, higiene e moradla, acrescentindo alnda, no pfOibl~~o. as dcspcsas con-, transport~. hospcdagem e alime.nta~ño M c.)so de acompanhamento em viagem. A respeito de moradia, abriu urna exce~o, per mitindo o d1;sconto quando <>.la for situada em local diverso da residencia em que os servl~os s~o prestados. A lei dispc'ls também que o fornecimento da moradia, além de nao serar qualquer direito de posse ou propriedade sobre o ímóvel por parte do empre¡;ado, o valor descontado n5o tem natureza salari¡¡I e, port¡¡nto, n5.o integro a remuncrn~5o. A mesma LC também se rcfcriu aos descontos com vist ¡¡s a inclus5o do empregado em planos de assistenci¡¡ médico-hospitalur e odontológica, de seguro e de prevld~ncia privada. ocrescentando que a dcduc~o nao poderá ultrapass.ir 20% (vlnte por cento) do

por cnalogia, cm relacao aos domésticos

29

sal~rio. Nosse ponto, entendemos que t aplicável ao doméstico a totalídade da interpretn~ao conrida n3 Súroula o. 242 do TST- TribuMI Superior do Trnbalno, cujo texto é o seguínt c:

.S1j1nula 342-

Descont os '>o(ar;ais ef etuodo«p~la ~rupr1:gador; corn a outorlzo90oprévirre ,,nr escrit o do r:n1¡>re9ar1n,paro

ser imearaaoem pionos de osststéoc» odonrológico, m~d!w-hospitalor, de seguro, de oreviaéoct« prlvodo. ou de ent!dade

e n> se ts beneficio e dos s e us o e oenaences, 1>60

airomom o d!sposto pelo an. 462 do cu; salvo se }icor oemoastraoo a exist~nclade coa~l!o ou de oouo de/eiro que vicie

o atoJU!ídico.

coooerativo,

r .11 it 11tofou rec reativa associ otiva da.<. !ir--~u s trubothadores,

Vale observar que o autorlz.i~~opara o descantodeve ser prévla e por escrito. senda nula se ficar provodo qui'.'

o ernprogcdo sofreu qualqucr pressño ou c~ r~5o ilegal que intcrforiu na sua livrc voru ade.

:l.4.

n• SALARIO

A granficacáo natalina - ou o 13º salario, como é mais conhecida - deve ser paga anualmente at é o dia 20 de dczembro na base da rernuneracño do citado mes para os que perccbem um valor fixo. Qucm recebe salario

variável, ou seia, por tarefa, por peca ou por producáo (e muito raro entre os domésticos), o cálculo é feíto de acordó

primclr~ parcela dcve ser paga entre feverelro e novernbrode cadaano,

t oma média dos mesesantecedentes. urna

corrcspondendo ti metado do sal~rio pcrcebido no mas anterior, podendo o emprogadosolicitar. em jan()iro, que

O adiantamento será compensado por ocasiáo do pagamento da segunda

o valor lhe seja pago no mt'.s das férias.

parcela. O cálculo total deverá ser apurado e pago em dezernbro, sendo a remuneracáo flxa ou variável.

Quando ocorre rescisao do contrato de trabalho- exceto sefor por justa causa- o empregadotem direito ao 13º salario proporcional- na base de tantos 1/12 (um doze avos)quantcs forem os mesestrabalhados, considerando-se

como um mes a fr;:ir;5oigual ou superior a 15 dias. A gratificac;5o proporcional é ainda devida no final dos contratos

a prazo e quando o empregado pede demissáo cu se aposenta. Rescindido o contrato, por culpa recíproca, o empregado terá direl to a 50% do valor que lhe seria devido {Súmula n. 14 do TST).

As teis ns. 4.749í65 e 7.418/65 rcgularn a gratiftcai;5o natalina, que depois teve sva denornlnacño consagrada

curiosamente até na próorta constttutcáo Federal (arr. 7º, VIII). A autorízacao para o n:i rC!la\'.'IOde cmprego do doméstico encontra-sa no art.19 da LC/ 150.

como " décim o tercetro salarlo",

uso das normas das citadas tots

3.5. ADICIONAL

DE r ERICULOSIDADE

Tem direito ao odi cionot de pertcutosidode - conforme redacao at ual do ar t. 193 da CLT, alterado pela Lei n. 12.740, de OS.08.2012, - o s ernpregados que prestam servicosem arívidadesou operacóes perigosas que, por sua natureza ou métodos de trabalho, lmpliquern risco acentuado em virtude de exposícáo permanente a: a) inflamáveis,

explosivos ou energía elétrica; b) roubos ou outras especies devioléncia fisica nasatividades profissionais de seguranca pessoal ou patrimonial. Os que t rabalham numa dessascondit;óes fazem jus a um adicional no valor de 30% sobre

o sal6rio básic». O MTE - Ministérlo do Trnbalho e Emprego hcou cncarregado de regularnentnr quats serlam tais atividades ou operacóes perlgosas.

Normalmente, os domésticos trabaiham tonge de materiais perigosose seu servlco, em principio, nao envolve

de seguranca. A EC n. 72 tcm pouco tem po de vigéncia, scndo ainda muit o prematuro imaginar como o s

tribunais trabalhistas decidiráo, por exemplo, nos casos em que oía] cozinhciro(a) presta servico oo lado de um

boti)aodegás. Afina!. n3o h5 como negar que se trata de um produto inflamável, masé bom lembrJr que o§ 22 doart.

195 da CLT, em 5Mdo aprese1~tada reclaroa~5o t rabalhist;i, obriga a reall1, i ~ ~ode pericia para qu~ seja reconhecida

a condl~ao p1'rigosa. Nessc ponto, vale lembrar que numerosas casas optam por instalar o botij~o em ;\r<:>a llvre i'.'

distant1> do ambiente da cozinha. Os f>dificios, por sua vez. em especial os de roais retente constru~~o. preferem ter uma central de gás em local seguro. Tais medidas sao suficientes para afastar possívels sttua~Bes perigosas. Ekiste ainda a possibilidade de alguem contratar, como doméstico, um vigilante para zelar pela seguran~a de seu imóvel

quest ñes

JO

O ot11t:on c.o~ - f ~ T rN rv. A No v -. l rCi·c¡ A (.A O

R.1 .Y,\f U.'IJLJL• A . C. P !N I ()

residencial. O MTE, M regulam~nt.1~~0.e os t rlbunais, por rneio da jurisprudt;ncia, ir5o interpret ar se essa segunda hip6tese se cnquadra no item b referido no parágrafo anterior.

3.6. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE

l\c¡ueles que trabalham em atividaóes insalubres- assim consideradas as que estáo relacionadas na NR (Norma Reeuladora) 11. 15, aprovada p ela Portaria 11. 3.214/78 do Ministério do Trabalho e Empreco - d evem receber um adicional de insolubddade./\ lista e extensa. Em resumo, pode-se afirmar que é insalubre o labor em que há o manuseio de substancias nocivasa saúde humana ou quando é nocivo o ambiente onde o empregado presta servko. No passado, era calculado sobre o valor do salário mínimo. O percentual vana de acorde como grau da insalubridade:

grau máximo - 40%, médio - 20% e mínimo - 10%. O STF, cm rnaio de 2008, aprovou a Súmula Vinculante n. 04, nos segulnres termos: "satvo os casosprevtsto: na Conslitul¡:ilo Federal,o sotárto mínimo nao pode ser usado como indexotiorde bose de cátcuto de vantogem de servidor público ou de empregado. nem ser substituido por decisáo judicial"./\ parte ñnal- na qual aquela Alta Corte veda a substrtuicáo do salario minimo como indexadorpor meio de decisáo judicial - criou um impasse, urna vez que, até o presente, ainda nao foi votada urna lei fíxando outra forma de cálculo. Em tace disso, os t ribuna is tr abalhistas vérn entendendo que, no caso de emprer,ados que ja recebiam o adicional de insalubndade com base no saláno minimo, essa forma de calcular nao deverá ser modificada. salvo se um instrumento coletivo (convencño colctiva, acorde coletivo ou scntcnca normativa] vicr a cstabolecer outro indcxador. As dúvidas perrnanecern em relacño aos ernpregados admitidos após a Súmula do STF. Havcndo colegas de trobalho que vmhcm recebcndo o adicional com base no mínimo. 11ao pode o cálculo ser diferente, ern tace do principio da isonomia salarial. E se a condicáo insalubre comecou na epoca da admissáo do novo empregado ou pouco depois? Há dout rinadores emendendo que, por analogia. o adicional deve ser calculado sobre o total da rernuneracáo. /\inda nao existejurisprudencia firmada sobre esse tema.

Cabe aquí também a observa~ao foita no subítem

anterior sobre a precocrdade cm emitir opinl3o se haverla

possibilldade de o doméstico

decidirl\o a respelto do assunto. Fique de logo esclarecido que o § 29 do art. 195 da CLT exige que, proposta urna a~~o trabathtsra e havendo necessidade de caracterizar e classrñcar a perículosídade ou a insalubridade em determinado ambient e de trabaího,e obrigatória a realiza~ao de urna pericia a cargo de médico ou engenheiro

devidamente registrado

Jurisprudencia! n. 4 da Secao de Oissídios lndividuais-1. interpretou que a limpeza em residéncias e escritorios e a

respectiva coleta de llxo n5o pod~m sN considP.r:>das atividades Insalubres, mesmo constatadas por laudo pericial,

porque n~o constare da portarla ministerial que classíñcou

recebar o adicional cm qucstáo.

Vai depender de como os trlbuMis trnbathistas

no

Minist ério do Trabalho e Emprego. Acrescente-seque o

tals atlvldadcs.

TST, mediant e a OJ - Orienta~ifo

nenhum dispositivo sobre os adicionais de insalubridade e de

periculosidade. C.omo antes afirmado, a concessáo dessas vantar,ens vai depender das interpretac;:5es que os t ribunais trabalhistas vieram a dar aos aludidos temas. Aguarde-s,e, pois, a tendencia que irá revelar a jurisprudencia.

Registre-se, por fim, que a LC/150 nao contérn

ÜURA(:ÁO DO TRABALHO

4:1.

LIMITES

~ preciso deixar claro que. antes de- entrar em vigor a EC/72, o que ocorreu na data de 3.4.2013, nao havia

de imediato passou

Federal. o qual, ern regra geral, estabelece que

a duracáo do trabalho normal nao pode exceder 8 (orto) horas diárlas e 44 (quarenta e quatro) sernanais. O mesmo

nenhuma limitacéo

a prevalecer o que determina o inciso XIII do art. 7° da Constitui~ao

no cumprimento

da jornada de trabalho

do doméstico. Operada

a mudanca,

dispositivo admit e que esse limite seja ultrapassado,

fo r co m pen sa do

44 horas-

prévlo ou existir regra nesse sentido em instrument o colenvo.

extra, quando o excesso de horas de urn día

o r r e spo n d ente d irni n u i cá o e rn ou t r o d ía , c o n t an t e qu e a l i m i t a~5 o lega l r e f e r ente 11 se m an a -

concordar mediante acordo escrito

sem pagamento

p el a

c

sej a respeilada. Apenas é permitida

a compensacáo

se o ernpregado

Ern princípio. segundo

o art, 59 da CLT, dcveria ser obedecida

a carga

máxima de 10 (dez) horas por dia, o que

a dizer que. dient e do limite legal de oito horas di~rias. n5o seriarn permitidas rnais de 2 (duas) horas excedentes

por db . Tod~vla, os trlbunals tr:ibalhlstas, em rP.lterada jurtsprudéncia, passaram a dar urna Interpretacño mais fle~fvel

equivale

il citada norma, a ponto de o TST, mediante a Súrnula n. 444, reconhccor a valldadc do sistema 12x36 (dozc horas de t rabalho por 36 hora's de descanso). Registre-se que a LC/ 150, no art. 10, também admitiu o menclonado sistema. A dífere nca é que o T ST, mediant e a Sümula n. 444 , exige que soment e ele seja ado t a do em car áter excepcional e desde que tenha previsáo em acordo coletivo ou convencáo colenva. A LC. porém, det ermina que apenas haja um acordó escrito entre as partes e acrescenta que deveráo ser observados os intervalos para repouso e alimenta,,iío ou, entáo,

que seiarn indenizados os intervalos nao concedidos. E curioso assinalar que essa possibilidade de indcniza~5o cm

lugar de concessño do íntervolo nl!o é válida paro os demals emcregeoos além dos domésticos, conforme tmeroretocao

consag rad a M Súmul :i n . 4 37, 11, d o T S T . Por for~ d o p ará g rafo ú n ic o d o

pactuada quando vigora o sistema 12~36 abrange os pngamentos devldos pelo rcpouso semanal remunerado e pelo

descanso

houver. Ent retanto, rambém nesse ponto, o TST tem posi~~o dillergente com referl!nr.ia aos demals empregados. De acordó coma sua Súmula n. 444, é assegurado aos que laboram 12x36 o pagamento dobrado das horas prestadas nos

art. 10 d ;i LC/ 1 50 , a rcm 1m e r;i~~ o mMs:i l

em feriados, e ser~o considerados compensados os f eriados e as prorroga,oes de t rabalbo noturno, quando

feriados. A OJ n. 388 da SDl-1 do mesmo TST, esta be le ce que , se a jorn ada alcancar a tota l ida de do ho rár io not u rno (22h

até OSh do dia seguinte), o ernprcgado t em direito ao adicional de 20% sobre o v alor da hora nor mal c. trotando-se de jorn:ida mtsta, o adicional incide alnda sobre as horas além das 05h. Entendemos que é aplic<ivel ao doméstico urna lntcrpret.~>ªº do TST, contida na aludida Súrnula n. 444, de que o empregado subrnl'?tido ao sistema 12x36 nño foz jus ao adicional de horas extras sobre o trabalho prestado na décima prlmelra e décima segunda horas.

O tempo despendido pelo empregado até o local de trabalho e para seu retorno, por qualquer meio de

será computado na jornada de trabalho. A lei - § do art. 58 da CLT - preve urna excecáo a essa

publico regular e o

t ransport e, nao regra quando

empregador

o local da presta~ao de servico

vter a fornecer a condueño.

é de dificil acesso ou nao servido

por transporte

O assunto será tratado adiantc num subitem específico.

32

Oot11t:on c .o ~- f ~ T rNrv. A N ov-. l rCi·c¡ A(.A O

R.1.Y,\fU.'IJLJL• A.

C. P !NI()

4.2.

INTERVALOS

Para os empregadosem geral, sendocontínuo qualquer trabalho,cuja dura~iioexceda 6 (seis) horas, éo brigat ória a concessáo de um intervalo - mínimo de 1 (uma) e máximo de 2 (duas) horas - para alimenta~ o e repouso. Nas jornadas de 4 {quatro) a 6 (seis! horas, o intervalo obrigatório é de 15 (quinze) minutos. A nao concessáo do int ervalo abriga o ernpregador a pagar o periodo respectivo como acréscimo de 50% sobre o valo r da hora normal. A LCJ150, no art. 13, refere-se também ao intervalo mínimo de urna hora e máximo de duas horas, admitlndo a redu~ao para trlnta minutos, mediante acordo escrito, desde que compensado com reducáo correspondente no final da jornada. A mesma lel também permite, aos dcmésncos que resldem no local de servlco, o desmembramento do intervalo em 2 ldois) periodos, desde que cada um deles tenha no mínimo, urna hora e, no máximo, 4 (quatro) horas, nao senclo exigido prévlo acordo. Os intervalos nao devem ser computadosna duracáo do trabalho e. urna vez

nao concedidos pelo empregador, este ftca abrigado 50% da rernuneracáo da hora normal.

Todo cmpregado devc ter direito a um deseanso semaMI remunerado de 24 [vtnto e quarro) horas conseeurtvas, preferencialment e aos domingos. Entre duas jornadas de trabalho de.verá ser observado um período de descanso nunca inferior a 11 {onze) horas consecutivas. Também n~o deve naver trabalho nos dlas estabelecidosoficialmente como feriados<°-Nas empresas onde, pela naturezado servico,exist etrabalho aos domingos e feriados,o emprer,ador deve organizar urna escala mensa! de rcvezarncnto,contante que nao dcixc de ser concedido o repouso semanal remunerado a todos os ernpregados, bern como a compensacüo pelos días feriados laborados. N5o cbscrvada a folga

obrlgatérta, os horas laboradas nos dtos reservados ao descanse serse remuneradas em dobro . O servico prestado

no Interior dos lares n3o

dct crmlnacóes lcg.1is. Allns, a LC/ 150 conrém normas sobre o assunto

nos arts. 15 e 16. cmbora silencie a rl'!speito do reveznmento quando h:í trabalho em domingos e feriados. Quanto a isso, tomamos por base o dísposto no parágrafo único do art. 67 da CLT. É evidente que. em casasem que labora um único doméstico, torna-se impo~sfvel o revezamento, mas a obrigatorledade do repouso remunerado na semana e nos feriados se mantém.

a pa¡¡ar o período respectivo como acréscimo de, no mínimo,

pode f ugir dcssas

4.:l.

HORAS EXTRAS

case o empregador, depols da EC/72, vcnha a prolongar a jornada de trabalho do domóstico, sem acordo de compcnsacño, terá de remunerar as horas extras - como, ali;\s, acont ece em rela~3o a todos os empregndos - com um acrésctmo de, no mínimo, 50% sobre o valor da hora normal. Obtém-se o valor da hora extra. sendo mensallsta o empregado, divldindo-se o saláno mensa! por 220 (ouzenras e vlnte) horas, acrescentando-se ao resultado o apontado percent ual. O salário-dia é calculado dividindo-se o salárío por 30 (trinta) dias. Exernplo: quem percebe R$ 1.500,00 por mes, o salario-hora é de RS 6,82 e o salário-dia, R$ 50.00. Cada hora extra- R$ 10,23. Na hipótese de o ernpregado acompanhar o patráo em viagem, somente seráo computadas as horas efetívamente trabalhadas, sendo que. ultrapassada a jornada normal, deveráo ser pagas como ext ras, admitindo-se a comoensacao. Tomando-se

refletíndo no cálculo de outras

habltu;il o trabalho em horas extras, os valores respectivosse incorporam ao salárto, parcelas, como 132 sal;\rio, fértas, depósito do FGTS etc.

Oemp r ep,ado r pode e x igir o lab or em hor asext ras sem o co nsenlimento do emp r er,ado nas seguinte s

hipóte ses:

a) f orca maior, devendo ser paga; como se fossem horas normais; b) realizacáo

cuja inexecucño possa acarretar prejuizo manifesto, senda as horas extras remuneradas como adicional

§ 2º do art. 61 da CLT se referc a 25%, mas o mínimo constitucional tcm de ser obedecido), contante que a jornad»

de 50% (o

ou conclusáo de serviros inadíáveis

(1) Sao feriados necíooars:

1" de janeiro - Coniraternizecáo

Universal; 21 de abril - liradentes: 1" de maio -D iado Irabaího: 7 de se-

l(:!tnliri 1 - ln c!l11~n c!P.111:i-. 1lc.1 Rr-<isil; 1 ~ 11~ o u h .1liro-

N 1 l':'i'WI s1~11l1o r ;.i A p rtr Ht' ic.lr1; ') 11~ f

l".'i.lH!l>rv-

Fiu;idc 1:-.; • :;: ( ~ 110\'H/lJ iro-P'n 1c l r1n 1

i-

~á o d a Repúb lica; e 24 de de z e m b r o c- N a t a l . • 1; L<>i aut oe tz a um f enado e sta dua l e q u a tr o municipais,

dJ P.li)(J.o. O municí pio podcr5 a1ndJ fiXJ1~ como fe riados,.o diJ de início e o d e té rmino do ano de scu centcn;lrio. CuriosidJclc: t)s

Uiií!! <.it: 1;an1d.\'a l 11do ~ ¡; t. , u lic.:idlrue ute - 4

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33

n5o ultrapasse

12 horas; e) retorno das atividades da empresa npós

a for\'.a rnalor, ro mo pagameoto

das horas extras

forca maror a ocorréncta de um foto

inevitável, em gernl provocado pela natureza, que indepenrle da ventada humana (tempestade, ser.a, enchentes, por exemplo). Conforme se observa, multo raramente val ocorrer a circunstancia de um doméstico se submeter a urna

dessas hipóteses. Em face disso, a LC/ 150é omissa sobre o assonto. Registre-se

por exercerem cargos de aestao

excluidos da regulamentacéo da jornada de trabalho, o que, em principio, nao traria nenhum imeresse para os domésticos, salvo se, no futuro, a jurisprudéncia entender que mordamos e govem antas possam ser enquadrados

como exorcentes de cargo de confian~1.

como normaís, at<'> duas por dia e durante

o máximo

de 45 días. Considera-se

ainda que determinados

empregados,

[tambérn

chamados

cargos de conñanca] ou por realizarem

servico externo, estáo

4.4. COMPENSA<;:ÁO DE HORÁRIO

o valor da hora

extr a e sua forma de calcular (já visto no subit em anterior),

que tem algumas diferencas em rela~ao aoque a CLT regula para os demais trabalhadores. Dent ro do mesmo mes,

as primeiras 40 (quarenta) horas extras deveráo ser pagas ou poderáo

por reducáo da jornada normal ou por nao haver servlco num dra útil. Senda ultrapassado o indicado limite, é possivel cfetuar a cornpensacáo do saldo excedente das horas extras no prezo máximo de um ano. Frise-se que a possibilidadc de compensar-se horário no período de um ano - comumcnte chamado "banco de horas" - está

prevista no § 2º do art. 59 da CLT, o quct exige que isso sola autorizado cm acorde cotcrívo ou convcncao co rcnva.

Como se observa. no caso do domestico foi afastada tal exieencia, bastando, pois, urn acordo individual. Rescindido o contrato sem terem sido compensadas todas as horas suplernentares, o empregador se obriga a pagar, como horas extras, as restantes. Os servicos prestados em dcmingos e feriados, sem a devida comcensacáo, serño remunerados

em dobr o . ~ importante destacar que, confo r me o

horário de trabalho dos domésticos que moram no local onde servem: os intervalos, o tempo de repouso, as horas nño trabalhadas, os feriados e domingos livres. Assinalc-sc que o sistema l2x3G- já tratado no subitem 4.1. acirna

- é tarnbérn urna formo de compensacáo.

A LC/ 150, no art. 22 e seus parágrafos,

além

de ñxar os limites da carea horaria diária e semanal,

também disciplinou

a compensacáo da j ornada do doméstico,

pelas horas nao rrabalhadas

ser compensadas

§ 7• do citado art, 2~ da LCi l SO, nao seráo c om p utados como

4.5. TRABi\LHO EM REGIME DE TEMf>O f>ARClt\L

A CLT contém um dispositivo - art, 58-A - que prevé o labor no denominado r eqime de tempo par cial, mas

exige, para que seja adorado, urna previa negocia~ao coletiva. lsso significa que ha necessidade de celebracáo de um acorde coletivo ou convencáo coletiva. Analisamos, no subitem 9.4. do Capitulo 9 (pág. 55) as dificuldades para screm firmados instrumentos dcssas cspécics. No caso do domestico, portante, cm face da omiss5o do art, 39 da LC/150 sobre isso, entendemos que está dispensada a exigencia.

É considerado

trabalho em regime de tempo parcial aquele cuja duracáo nao exceda 25 (v inte e cinco) horas

semanais.

senda que o salario a ser pago ao ernpregado

sera proporcional

a sua jornada, ern rela~ao ao empregado

que cumpre,

nas mesmas

lun0es, tempo

integral.

Foi mantido

pela LC/1 50 o

limite

máximo

da carga horaria e o

par.amento

de salário

proporcional

a jornada efetiva. A CLT, no§

do art. 59. proibiu

a prestacáo de horas extras

a mesma LC aut o rizou o t raba[ ho extra até o

máximo de urna hora diana, contante que a jornada n5o ultrapasse seis horas. A durac;5o das ferias é diferente para

por empregados

que labo ram

pe l o r egime de temp o p arc ial,

ma s.

quern optou pelo r egime de tempo parcial

e esse assunto

será esclarecido

no capitulo seguinte.

4.6. HORAS NOTURNAS

Ressalte-se que os domésticos. antes da EC/ 72. nao f azjam jus a nenhum acréscimo pelo servíco prestado a noite. Entende-se como trabalho noturno, para os empregados urbanos, o que é executado entre as 22 (vinte e duas) horas de urn dia as S (c inco) ho r as do dia seguint e. ainda o ut r a vantagem para os que t rabalham nas c idades: a chamada hora ficta noturna, ou seja, cada hora deve ser computada como tendo 52 minutos e 30 segundos. lsso

54

Oot11t:on c .o ~ - f ~ T rNrv. A Nov-.

l rCi·c¡ A( .AO

R.1.Y,\fU.'IJLJL• A . C. P !N I()

sigi;ifica que as sete horas comproendldas entre 22 e Sh s3o contadas como oito. O empregador t, obrígado a pagar

a os c rn p r c gad os u rb a n os q u e t rab a l h a rn 11 nolt e um ad i cio nal n unca I n fer io r a 20 o/o s o bre a h o r a d iurna . A LC/1 5 0 ratificou, nn arr. 14 e parágrafos, todas essas determinal'.iles IP.gals, acrescentando que, se o doméstico foi contratado

para rrabalhar exclusivamente

na CTPS. De a c ord e co m o i tern 11 d a Súm u la n . 60 do TST , s e a j o rna d a n o ru r n a fo r c u m p r ida i n te g ral m en te e so fre r prcrrogacáo, o mesmo adicional de 20% incidirá sobre as horas excedem es da Sh, sem prejuiw do pagamento do adicional de horas extras. Trata-se de urna interpretacáo aplicável sos domésticos.

no horárlo noturno, o percenrual de 20% deve ser calculado

sobre o saíárlo

anotado

ho ras ó\s 5 (cinco) hor as para os que

trabalham

ficta para eles, mas o adicional mínimo é maior: 25%. Exist e a posslbilldade de um doméstico laborar em área rural, na casa-sede da fazenda, por exemplo, porém entendemos que nao lhe sao aplicáveis esses horarios, por haver dispositivo expresso sobre o assunto em lei especifica de sua categoria.

N3o vigor.1a hora

O hora rio no t ur no dos

e mpregados

rurai s é d l t eren t" :

das 21

(v i nt e

e urna]

na lavoura e das 20 (vinte) horas ás 4 (quntro¡ horas para os que !aboram na pecuaria.

4.7. HORAS"IN ITINERE"

pelo emprcgado aré o na jornada de trabalho,