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SILVEIRA, Renato de Mello Jorge. Direito penal econômico como direito penal de perigo. São Paulo:

SILVEIRA, Renato de Mello Jorge. Direito penal econômico como direito penal de perigo. São Paulo: RT, 2006. 206 p.

como direito penal de perigo. São Paulo: RT, 2006. 206 p. SILVEIRA, RENATO DE MELLO JORGE.

SILVEIRA, RENATO DE MELLO JORGE. DIREITO PENAL ECONÔMICO COMO DIREITO PENAL DE PERIGO. SÃO PAULO: RT, 2006. 206 P.

Ciências Penais | vol. 6/2007 | p. 392 - 394 | Jan - Jun / 2007

DTR\2007\15

Luís Roberto Gomes Mestrando em Direito Penal pela UEM. Procurador da República e Professor de Direito Penal na Associação Educacional Toledo em Presidente Prudente.

Área do Direito: Penal; Filosofia Sumário:

O autor é doutor em Direito pela Universidade de São Paulo e professor-doutor do Departamento de

Direito Penal, Medicina Forense e Criminologia da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. É advogado em São Paulo.

Nesta obra o autor pormenoriza questões dogmáticas fundamentais envolvendo os crimes de perigo abstrato na construção do direito penal econômico, encontrando-se embrião desse estudo já em sua obra anterior Direito penal supra-individual: interesses difusos, lançada pela mesma editora no ano de 2003.

Cuida de tema envolvente, complexo e atual, relativo à utilização, cada vez em maior profusão, da formulação típica dos delitos de perigo abstrato, com abordagem centrada nos delitos econômicos. O autor traz à lume questões que têm causado profunda inquietude na doutrina pátria e alienígena, não se furtando a discutir, por exemplo: como estabelecer, em um Estado Democrático e Social de Direito, a utilização de um direito penal de perigo? Quais os limites dogmáticos que esse Estado impõe ao direito penal no particular caso de utilização do perigo? Em que medida isso pode ser aceito dentro de suas fronteiras? Não se estaria com um direito penal de perigo, em que figuras abstratas sejam freqüentes, quebrantando princípios tão caros à seara penal? Não seria de se argüir a inconstitucionalidade de figuras que se mostrem fundadas unicamente em um desvalor da ação?

A fim de se desincumbrir de seu desiderato, o autor estrutura a obra em cinco partes.

Na primeira, discorre sobre direito penal econômico e sociedade de risco, partindo da evolução histórica do direito penal econômico, para analisar as relações entre o direito penal e a economia, e entre a sociedade de risco contemporânea e a globalização, esta com seus novos paradigmas (envolvendo criminalidade transnacional, criminalidade organizada, criminalidade eletrônica pela rede mundial de computadores, criminalização de condutas globais, criminalidade em paraísos fiscais etc.).

Na segunda, desenvolve noções sobre o direito penal de perigo e a antecipação da tutela penal, abordando o conceito de ação no direito penal, o desvalor da ação e o desvalor do resultado, traçando paralelos entre a tentativa e a antecipação da tutela penal, e discorrendo sobre a antecipação da tutela no direito penal moderno, sobre seus antecedentes históricos e a moderna tendência de antecipação da tutela penal.

Na terceira, contempla a distinção clássica entre crimes de perigo abstrato e crimes de perigo concreto.

Na quarta, enuncia as diversas construções doutrinárias e teorias atuais acerca do conceito de perigo e da demonstração relativa à sua prova, principalmente as oriundas da doutrina alienígena, mas precisamente a espanhola e a alemã. Faz referência às denominadas infrações abstratas-concretas, distingue os crimes de resultado de perigo dos crimes de mera conduta perigosa, elencando ainda outras concepções que escapam desses preceitos, e que estão sendo utilizadas na sociedade de risco, tanto pelo direito penal econômico, como pelo direito penal ambiental, quais sejam, os crimes baseados na ausência ou infração de controle administrativo, os

crimes por acumulação ( Kumulationstatbeständen), e a idéia do bem jurídico espiritualizado. Por fim,

tece considerações sobre o que denomina a superação do mito da necessidade do perigo abstrato,

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SILVEIRA, Renato de Mello Jorge. Direito penal econômico como direito penal de perigo. São Paulo:

SILVEIRA, Renato de Mello Jorge. Direito penal econômico como direito penal de perigo. São Paulo: RT, 2006. 206 p.

como direito penal de perigo. São Paulo: RT, 2006. 206 p. concluindo que a clássica afirmação

concluindo que a clássica afirmação pela insuperabilidade e absoluta necessidade de uma proteção in abstrato parece, cada vez mais, ceder espaço para idéias mais apuradas, não mais podendo-se aceitar a fundamentação de uma proteção unicamente ratio legis, nem uma estruturação atinente a regras administrativas ou acumulativas, havendo razão de ser de uma imputação objetiva, vincada, em espécie, ao risco e ao perigo. Em outras palavras, lembrando que talvez a melhor saída para a tutela econômica encontre-se em outra esfera de proteção que não a penal, pondera entretanto, que

é até de se aceitar um direito penal de perigo, mas nunca em moldes tradicionais, não servindo para tal o perigo abstrato, em sua forma clássica.

Finalmente, na parte cinco cuida de refletir, muito apropriadamente, acerca dos limites dogmáticos ao direito penal de perigo, cotejando-o com a necessidade de proteção do bem jurídico-penal, e a lesividade ou ofensividade, que tem por base a necessidade de lesão ou perigo de lesão ao bem

jurídico protegido, nem sempre verificável no perigo abstrato. Em seguida, cuida o autor de enfocar a relação entre direito penal econômico e direito penal mínimo, abordando o princípio da intervenção mínima e o princípio da culpabilidade, ressaltando a conflituosidade dos crimes de perigo com os ideais do direito penal clássico. Por fim, culmina a obra com seu ponto nevrálgico, a discussão sobre

a validade do direito penal econômico como direito penal de perigo. Após consignar que a questão

de como empregar a técnica em foco dentro dos parâmetros constitucionais é dúvida sempre presente, o autor descortina a visão de que hoje parece certa a necessidade de utilização, como lastro referencial, da política criminal para o embasamento da utilização do perigo no controle social, porém com um alerta de que deve sempre estar presente: pode-se sustentar uma criminalização antecipada, mas isso não pode ser confundido com uma liberação desenfreada deste grau de tutela, previsão esta que sempre se deve combater, segundo preconiza o autor.

Note-se que parte da doutrina assinala a inconstitucionalidade dos delitos de perigo abstrato, com o argumento principal de que há violação ao princípio da lesividade, da intervenção mínima, da proporcionalidade, da dignidade da pessoa humana, da culpabilidade, e até mesmo da presunção de inocência. Todavia, carece de uma análise dogmática mais aprofundada, posicionando-se, não raro, apenas em face de determinada opção de ordem eminentemente política.

Todavia, afigura-se mais coerente a posição de equilíbrio demonstrada pelo autor, que prefere defender um aprofundamento na dogmática dos delitos de perigo abstrato e sua utilização parcimoniosa dentro de certos lindes, em vez de simplesmente rechaçá-los, como preconiza certo setor doutrinário.

Ciente dos riscos e das dificuldades inerentes ao assunto, o autor investiga cientificamente o conceito e os limites constitucionais a essa espécie delitiva, buscando a construção de critérios de legitimidade, haja vista que sua vigência se revela necessária em uma sociedade de riscos, globalizada e com parâmetros tão complexos e dinâmicos, absolutamente diversos da sociedade liberal do século XIX, tempo ao qual o direito penal moderno, porquanto, se se pretender um instrumento eficiente dos novos bens jurídicos carentes de tutela, certamente não irá retroceder.

A obra é de excelente qualidade, bem estruturada logicamente, e representa, sem dúvida alguma,

significativa contribuição para o mundo científico, recomendando-se a leitura que, diga-se de passagem, é instigante e incitativa, informando, ensinando e provocando o raciocínio do leitor, simultânea e progressivamente, do início ao final. Enfim, cuida-se de precioso estudo, de leitura obrigatoriamente recomendada para os que tiverem interesse em vivenciar o tema dos delitos de perigo abstrato em profundidade, dentro ou fora da seara específica do direito penal econômico.