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IV FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES:

EDUCAÇÃO E RELAÇÕES ETNICORRACIAIS

10 a 12 de novembro de 2010 UFS Itabaiana/SE, Brasil

IDENTIDADE E MÍDIA: SER NEGRO/AS EM REVISTAS

Daniela Barreto do Sacramento (GEPIADDE-UFS/SEMED-Laranjeiras) Maria Batista Lima (GEPIADDE/GERTS)

RESUMO

Diversas literaturas, tais como Hall (2002), Meneses (1992), Lima (2006) apontam que somos seres sociais constituídos por diversas identidades, tais como gênero, etnicorraciais, religiosas, entre outras. Considera-se que essas identidades são construídas histórica e socialmente a partir das relações com os diversos outros com os quais no relacionamos direta e indiretamente. Relações estas mediadas por diversos artefatos culturais produzidos e em processo na sociedade. Entre estes instrumentais, encontram-se aqueles constituídos por imagens representativas do pensamento e imaginários sócio-políticos e ideológicos da sociedade através das imagens. Um dos lócus privilegiados dessa linguagem imagética são as revistas destinadas predominantemente aos jovens e ao público feminino. Nessa perspectiva este artigo propõe-se a analisar a representação sobre negros e negras nas revistas Toda Teen e Atrevida , revistas brasileiras destinadas a adolescentes. Consideramos a produção midiática como instrumento de formação de opinião, portanto de conceitos, procedimentos e atitudes. Desse modo, estes artefatos são instrumentos de educação das novas gerações através de suas representações e, portanto, na forma como representam as diversidades brasileiras. Estudos apontam que hegemonicamente ainda servem como instrumentos de exclusão de parte dessa sociedade, de modo específico a população negra. Faz-se necessário refletir sobre essa realidade e sua dinâmica de (re)produção em processo, bem como suas possibilidades de transformação.

Palavras chave: identidade, imagem, mídia, ser negro, racismo, representação.

1 - INTRODUÇÃO

Com o grande avanço das tecnologias e a necessidade de informação, a mídia, como

espaço-tempo de comunicação, sem dúvidas é, cada vez mais, grande detentora do poder

informativo e formador de opinião da atualidade. Considerando-se tal poder como também

como

base

de

formação,

compreende-se

que

o

mesmo

ocupa

lugar

significativo

na

construção, reconstrução e vivências das diversas identidades que compõem o ser humano,

entre estas as identidades étnicas, demarcadas pelos repertórios históricos culturais dos grupos

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etnicorraciais

que

compuseram

e

compõem

a

sociedade

brasileira.

Essas

heranças

etnicorraciais

e

suas

expressões

na

atualidade

têm

demarcado

os

indicadores

sociais

brasileiros, evidenciando o caráter etnicorracial da desigualdade sócio-econômica do país.

A configuração da desigualdade tem sido retroalimentada historicamente pelos

diversos espaços e instrumentos de formação e informação da sociedade, entre estes a

educação escolar, a produção acadêmica e a mídia, entre outros. Considerando a importância

da mídia como meio de comunicação e referenciais, entende-se que esta em sua forma

imagética, sonora e/ou impressa tem um papel na forma como as pessoas se vêem e vêem e

tratam as outras nas relações em sociedade.

Desse modo, essa mídia se constitui também em uma fonte de formação das

identidades etnicorraciais a partir da forma como as pessoas de diferentes características

etnicorraciais são representadas em seus veículos midiáticos.

Para tratar dessa questão é importante compreender a partir de quais conceitos de

identidade e mídia se aborda a temática. A mídia, termo oriundo do inglês "media" e

originado do latim "media", plural de "medium" significa "meio" ou "forma" e atualmente

assume uma complexidade de significados, entre estes de forma genérica os veículos

instrumentos de comunicação que são usados para divulgação do conteúdo de propaganda e

publicidade.

Entre esses veículos estão a televisão, os jornais e também as revistas, que se

constituem como elementos de informação, formação e entretenimento. De diversos tipos e

formatos, vão desde as classificadas como científicas até as que são apenas veículos de

entretenimento, versando sobre a vida de celebridades e amenidades do cotidiano dos artistas.

Destas últimas algumas são mais direcionadas para o público adolescente. E são estas que se

toma como foco de análise deste trabalho, por entender-se que a adolescência se constitui

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como espaço e tempo de afirmação e expressão identitária, embasados em referenciais,

inclusive imagéticos.

Duarte (s/d, p.01), ao discutir sobre mídia e identidade coloca que Em sociedades

fortemente audiovisuais, artefatos culturais veiculados em imagem e som constituem um dos

muitos itinerários por onde passa a construção de identidades individuais e coletivas . Ou

seja, a forma como me vejo ou como meus semelhantes são classificados/as no âmbito

etnicorracial, é mediada pela forma como os outros e outras me percebem e expressam essa

percepção seja nas relações sociais cotidianas presenciais ou nas representações veiculadas

pelos diversos instrumentos de comunicação. O eu pessoal se constitui em processo sócio-

cultural histórico na mediação entre as diferenças, ou como disse Hall (2002), a identidade se

constitui a partir da diferenças, ou melhor dizendo, do tratamento que se dá a essas diferenças.

Desse modo, as revistas do mercado editorial de revista de trivialidades são meios

midiáticos de consumo entre adolescentes do sexo feminino (nesse caso não apenas de

informação, mas de referenciais de consumo e aparência), o que podemos observar é que o

espaço destinado às capas não inclui a imagem da população negra. Isso nos permite pensar

uma série de questionamentos a partir da invisibilidade de negros e negras em meios

midiáticos, entre estes, nas revistas impressas. Considerando ser o Brasil um país que é a

segunda nação mais negra do mundo, ficando apenas após a Nigéria, no Continente Africano.

Considerando-se também o recorrente discurso brasileiro de que vivemos em um país

miscigenado, um país multicultural, porque essa diversidade etnicorracial não se encontra

representado na mídia brasileira, seja ela impressa ou eletrônica? E considerando-se o papel

das revistas, como parte da mídia impressa, na (re) produção de valores, comportamentos,

atitudes e referenciais que modelam a forma de ser e viver da adolescência e juventude, como

essa adolescência e juventude diversa tem sido representada nessas revistas? Em que medida

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tem ocorrido mudanças nessas representações da juventude no que se refere as suas

diferenças, em particular etnicorracial? Quais os reflexos da forma de representação dessa

diversidade, de modo particular da adolescência negra, nas revistas voltadas para o público

adolescente?

Essas são algumas das questões discutidas no projeto que origina este trabalho,

a partir da análise das revistas Toda Teen e Atrevida , revistas brasileiras destinadas a

adolescentes. Para este trabalho focalizamos o lugar da mulher/população negra nas revistas.

No âmbito do espaço

da imagem,

em revistas de maior acessibilidade entre

adolescentes, temos como foco de estudo as revistas Toda Teen e Atrevida no período de

julho de 2008 a julho de 2010.

2 IDENTIDADE E MÍDIA

Se por um lado entendemos que constituímos nossa identidades também por meio da

formação dos nossos referenciais a partir de personagens apresentados pela mídia, o que de

fato devemos levar em consideração para a construção da personalidade identitária? Como ela

é definida? Para Sodré (1999, p.34) apud Lima (2006,p. 22):

Dizer identidade é designar um complexo relacional que liga o sujeito a um quadro contínuo de referências, constituído pela intersecção de sua história individual com a do grupo onde vive. Cada sujeito singular é parte de uma continuidade histórico-social, afetado pela integração num contexto global de carências naturais, psicossociais e de relações com outros indivíduos, vivos e mortos. A identidade de alguém, de um si mesmo , é sempre dada pelo reconhecimento do outro , ou seja, a representação que o classifica socialmente.

Podemos então perceber que precisamos sempre do outro para fortalecer e/ou

personalizar quem somos; e, é, ainda mais importante notar que é principalmente na

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adolescência que temos a necessidade de nos fazer notórios, sob a aceitação pelos outros de

quem somos e como nos fazemos perceber através da aparência; Se somos física, estética e

aparentemente como desejam que sejamos, e apenas dessa maneira seremos aceitos e amados

de todos/ populares , como todo adolescente idealiza. Caso contrário, surgirão intempéries

típicas da adolescência, além da probabilidade de nos tornarmos alvos de chacotas, apelidos e

reprovação do nosso grupo. Como podemos ver em Oliveira (2009, p. 12):

Os testes nos diziam quem éramos, ou seríamos; as colunistas ensinavam a conquistar os garotos e como cuidar da aparência, e as celebridades serviam de referencial de comportamento. Logo nessa época, já sentia a falta de referenciais negros na revista, isto é, não enxergava retratado ali meu tipo de cabelo, de pele e meus traços sem, no entanto, localizar qual era o problema. Seguir aquele padrão foi se tornando cada vez mais uma luta diária de cuidados com o cabelo. Nada que fizesse no cabelo atingia o ideal proposto pela revista, nem mesmo os acessórios podiam ser usados sem sofrimento. Nesse contexto de busca por mudanças na aparência, durante muitos anos, guardei um exemplar da extinta revista Querida. Era um dos poucos, ou talvez o único, que tive acesso que ensinava um penteado para cabelos crespos, e nele figurava uma adolescente negra. Não reproduzi o penteado, mas sempre imaginei que, quando fosse a uma festa, pentearia o cabelo daquela forma, o que não se confirmou, já que, ao me preparar para sair, fazia a escova de sempre.

O padrão a que hoje muitas adolescentes negras estão sujeitas, infelizmente não foi

constituído levando em consideração a historicidade, individualidade, etnicidade e tampouco

a identidade da população negra, mas determinado por certo grupo dominante que sugere a

caracterização, homogeneidade e branqueamento identitário, favorecendo a idéia de um

modelo idealizador de completa perfeição, já que como não sou visto ou não me vejo

representada, não sirvo como referência tampouco como padrão.

A ausência de pessoas negras nos meios de comunicação pode parecer que há

escassez de personalidades representativas justificadas sob a alegação de insuficiência,

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incapacidade ou mesmo incompetência para ocupar tal espaço, porém o que contraria tal

argumento é que em um país com maioria negra não ter ao menos 50% de representatividade

na mídia apenas reafirma a hegemonia e manipulação de uma minoria elitista e dominante. A

falta de tal representação infere a restrição de espaços para a população negra.

A invisibilidade é uma das grandes crueldades do racismo. É lamentável que tenhamos que levantar bandeiras dessa natureza em uma sociedade que compreende e reconhece que negros, indígenas e brancos formaram a nossa civilização brasileira, mas que nos considera invisíveis e pensa que somos poucos, contáveis, identificáveis aqui e acolá, perdidos neste país, no Parlamento brasileiro, em uma Assembléia Legislativa, numa Câmara de Vereadores ou numa Fundação Palmares. (SILVA, 2001, p. 22)

A invisibilidade caracteriza o racismo implícito, pois embora saibamos que nosso

país tenha sido construído por força, sangue e suor dos antepassados da população negra, não

nos enxergamos nos espaços midiáticos de destaque; e ser formado pela maioria da população

negra, o nosso país ainda não tenha percebido a falta dela nos meios de comunicação,

reafirma o desprestigio e o não reconhecimento dos referencias negros como formação de

identidade.

A falta de espaço para a visibilidade da população negra inclui a mudança da nossa

história, ou melhor, a aparição dela, já que por muitos anos temos presenciado o palco/quadro

onde os nossos grandes atores e heróis tem sido apresentado a nós, desde o jardim de infância,

como brancos, anulando e apagando toda a história da construção e formação do nosso país.

Ser negro, a partir de referencias midiáticas, é simplesmente não ter referencial, a não ser

partindo do pressuposto de quais figuras representadas pela mídia são favoráveis à formação

de

uma

identidade

étnica

que

queira

possuir:

se

negro

empregado

representatividade inferiorizada e submissa a um branco, porém feliz

doméstico

com

ou branco bem

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sucedido, sempre nos melhores papéis e superior ao mesmo negro, que normalmente é pobre?

Não podemos negar a existência de certas personalidades negras que circulam na mídia, e

talvez por isso, podem-se até ser citadas, porém não é mesmo quando se fala do contingente

de brancos.

Afinal, como se faz uma celebridade senão através dos espaços midiáticos? Como se

cria oportunidades para que haja o surgimento de uma celebridade que venhamos a gostar,

admirar, copiar e adquirir traços de sua personalidade mesmo sem que nunca a tenhamos

visto? Deve-se supor que como diz o ditado: quem não é visto, não é lembrado. Assim sendo,

não nos permitem ver e nem sermos visto para que não sejamos influencia ou referencia.

3 REPRESENTAÇÃO NEGRA NA MÍDIA: ALGUNS APONTAMENTOS

O

caráter

etnicorracial

da

também se manifesta, está expressa

desigualdade

sócio-cultural

e

econômica

brasileira,

e é reproduzida e reprodutora nos diversos âmbitos da

sociedade, entre estes nos espaço de representação, tais como a mídia. Mídia esta espaço

cultural de mediação de conceitos, procedimentos e atitudes nas relações sociais vigentes em

cada tempo e espaço histórico. Como aponta Hasenbalg (1982) a publicidade não é alheia à

dinâmica que rege as relações raciais no Brasil. Por ação e omissão, ela é instrumento eficaz

de perpetuação de uma estética branca carregada de implicações racistas .

Nessa perspectiva, a inferiorização impetrada à população negra desde o processo

desumanizador da escravização até os resquícios do racismo cordial tem alimentado uma

invisibilidade e/ou deturpação da população negra nos espaços e veículos midiáticos.

Para

isso contribuíram ao longo da história do Brasil o mito da democracia racial e a ideologia do

branqueamento. Passados mais de cem anos da assinatura da Lei Áurea a população negra

continua em luta por reconhecimento efetivo de sua participação na construção do país, pelo

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efetivo acesso aos bens considerados essenciais ao ser humano, bem como pela representação

da imagem positiva de suas identidades, repertórios materiais e simbólicos.

O avanço na conquista da autoria política e acadêmica de pesquisas sobre si e temas

de interesses da população negra, tem gerado a ampliação de significativa dos estudos e

debates políticos e acadêmicos sobre relações etnicorraciais, mídia e comunicação. Entre os

eixos tratados nesses campos destacam-se: Os estudos sobre identidade e comunicação/mídia

no Brasil, entre os quais destacamos Sodré (1999, 2002); sobre teledramaturgia, nos quais

destacamos os trabalhos de Araújo (em vídeo e livro); na produção cinematográfica na qual

destacamos o trabalho de Araujo (

); na propaganda, na qual destacamos o trabalho de

( ) e os trabalhos sobre representação da população negra nas revistas, nos quais

destacam-se as produções de

(

) e de

( ).

As produções em tela apontam que, apesar de se constituir em praticamente a

maioria da população brasileira, a população negra aparece predominantemente na mídia sob

a forma impressa ou audiovisual como sujeitos e/ou objetos de violência, de incivilização de

miséria, em papéis subalternos e humilhantes. São sempre destacados papéis e imagens

estereotipadas com status inferiorizado. De forma similar se dá o lugar da cultura negra nessa

mesma mídia; como apêndice da cultura nacional, com status de folclore enquanto as

expressões culturais de predominância européia são classificadas e tratadas com status de

cultura erudita. Trata-se de reprodução de imagens, mas não somente isso. Trata-se de

reprodução de valores que mediam posturas nas relações entre as pessoas no cotidiano de

existência real. São práticas sociais que historicamente tem retroalimentado e sido alimentada

pelo pensamento social de uma parcela da intelectualidade brasileira e operacionalizada no

imaginário social. Exemplos dessa deturpação dos repertórios culturais é a forma dicotômica

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como se representam expressões culturais como a capoeira e o balé, as religiões cristãs e as

religiões de matrizes africanas; mulheres, crianças e homens negros, indígenas e brancos.

As produções sobre teledramartugia apontam que pouco avançamos na representação

negra na televisão brasileira, seja em filmes, seriados, programas de atualidades e auditórios

(infantis

ou

adultos)

ou

nas

telenovelas.

Ainda

predominam

os

papéis

subalternos

estereotipados, descontextualizados. Ainda que tenha se ampliado a presença negra em espaço

como filmes e novelas, esta presença se constitui como exceção, mediante um quantitativo

ínfimo, o que só confirma a regra que tem marcado o tratamento dado a população negra na

sociedade brasileira. Ou seja, se tivéssemos um país democrático de fato, considerando o

percentual de negros deste país, teríamos não apenas uma primeira protagonista negra, a quem

é atribuída A Cor do Pecado , mas diversos personagens negros em diferentes papéis e

formação familiares.

Chama atenção também o fato de não temos ainda uma apresentadora de programas

infantis negra, que possa servir de referencial para crianças negras e não negras, contribuindo

para afirmação da identidade negra e brasileira, através da potencialização da auto-estima

dessa crianças.

Araújo (

), talvez o cineasta com maior produção negra do país 1 ,

aponta tanto em

suas produções audiovisuais como no livro A Negação do Brasil: O

Negro na Telenovela

Brasileira , que

a representação negra

na mídia brasileira deu alguns passos a frente, mas

sempre em meio a retrocessos. Aponta ainda que desde os primórdios da televisão brasileira

o movimento que tem garantido algumas conquistas tem se dado pela ação militante dos

movimentos sociais negros e pela postura de artistas negros/negras.

1 Entre as obras audiovisuais do cineasta, produtor, diretor doutor em Comunicação pela ECA-USP, estão: os documentários

a) Retrato em Preto e Branco (

); e) A

Negação do Brasil: O Negro na Telenovela Brasileira ( ). O filme Filhas do Vento ( ), o livro A Negação do Brasil: O Negro

na Telenovela Brasileira, entre outras produções.

); b) Além de Trabalhador,

Negro(

), c) Vista minha Pele (

),

d) Princesas

(

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No livro A Negação do Brasil, fruto de sua pesquisa de doutorado em comunicação

pela

Escola

de

supracitado autor

Comunicação

da

Universidade

de

São

Paulo,

de modo

específico,

o

analisa a representação da população negra na telenovela brasileira, no

período de 1963 a 1997, bem como as conseqüências dessas representações na constituição

das identidades etnicorraciais e consequentemente da identidade brasileira. O autor

discute

assim, de forma crítica, o papel da mídia na constituição do ser brasileiro e brasileira.

Segundo Araújo (

) além de ínfima a representação negra na teledramaturgia sempre

esteve envolta em estereótipos que desfigurava (e continua fazendo) a identidade negra em

sua historicidade, política, cultural, social e humana. Tem predominado desde os primórdios

uma

representação

marcada

pelo

padrão

etnicorracial

euro-americanizado,

com

fortes

resquícios do ideário de branqueamento pós-escravista, no qual tem predominado uma

representação dos estereótipos ora do negro e da negra sensual, sem moral, vulgarmente

sedutora, ora do negro e negra de alma branca, bondoso, serviçal e fiel e ora

ainda a

representação da negra, e principalmente, do negro violento, marginal.

O livro de Araújo aponta também como essa estereotipia continua se reproduzindo

no século XXI, mesmo quando se tem negros/as em papéis de maior destaque. Exemplos

disso são as representações da mulher negra nas telenovelas recentes Da Cor do Pecado e

Viver a Vida , nas quais a atriz Taís Araújo faria, supostamente, as personagens principais.

Na primeira novela citada, ela representa a personagem Preta. Até aí tudo bem, ainda que

devamos nos perguntar em qual novela o autor colocou o nome adjetivado da personagem

como branca . Um segundo ponto, que compromete quaisquer supostas intenções do autor

de positivar a identidade negra é o próprio título da novela, que atribui a cor da personagem à

Cor do Pecado , o que só reforça a ideologia racista da negra sensual, sedutora, mulher

objeto sexual. Não bastasse essa representação estereotipada, resgatando das cinzas a

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estereotipia representada na obra de Gilberto Freire, a partir da máxima racista e sexista de

que Branca é prá casar, preta é pra trabalhar e mulata prá fornicar , a referida novela, repete

outras estereotipias na representação das mulheres negras, tais como a imagem de que só

conseguem ser feliz se tiverem um homem branco como companheiro; é o que acontece com

a personagem Preta, que apesar de ter um homem

negro digno, bonito, inteligente e

trabalhador como namorado, só consegue ser feliz com Reinaldo Gianechini. È o caso da

personagem de ? Talma de Freitas? (Novela Senhora do Destino) que tem como marido um

homem negro beberrão e violento (papel de Rony Marruda) e tem como salvador um branco

português, único capaz de fazê-la feliz.

De modo similar a novela Viver a Vida apresenta a Helena, personagem também

vivido pela belíssima Taís Araújo, como pretensa protagonista da novela e logo de início o

prêmio

é

se

envolver

com

o

personagem

que

encarna

o

estereótipo

do

modelo

homogeneizador de ser humano perfeito produzido por e para a sociedade brasileira: branco,

classe social alta e sedutor, o personagem do ator José Mayer. Não bastasse isso, no decorrer

da trama, a personagem passa do pretenso papel de protagonista a um papel secundário

subalterno, personagem que se autoflagela e é culpabilizada por não ter cuidado da enteada,

conformada com tapas na cara. No decorrer da trama mais uma vez a personagem segue com

a síndrome do branqueamento simbólico, envolvendo-se com outro homem branco, bem no

modelo de perfeição vendido pela mídia e pelos artefatos simbólicos e materiais disponíveis

para crianças e adultos (programa, propagandas, brinquedos, entre tantos outros). É o

envolvimento com o personagem representado pelo ator Thiago Lacerda.

Diante disso, nos

perguntamos: Em que essa representação ajuda a desconstruir o racismo e favorecer a

valorização da população negra e a consolidação de uma sociedade anti-racista?

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Segundo Lima (1998, p.01), em artigo produzido a partir da pesquisa A Identidade

da Personagem Negra na Telenovela Brasileira realizada pela ECA-USP:

A telenovela no Brasil contemporâneo reflete uma situação de racismo não explícito

característico da ideologia racial praticada na nossa sociedade. Um racismo do qual as pessoas

nem têm consciência e que é tão ambíguo como as próprias relações raciais, com momentos

de avanço e de retrocesso.

Desse modo, a citação de Lima (1998) nos aponta para o que Munanga explicita em

sua obra Rediscutindo a Mestiçagem no Brasil , sobre a complexidade e a força das

estratégias racistas reprodutoras de desigualdades, mediadas pelo mito da democracia racial e

pela ideologia do branqueamento, que tem contribuído para a forma como se constituiu a

problemática etnicorracial no Brasil; da mestiçagem como objeto sinuoso de negociação, seja

para discriminar ou para tentar fugir da discriminação. Assim é que o racismo cordial e a

ambigüidade presente na vivência e expressão identitárias brasileiras são representadas e

reproduzidas na mídia, seja na telenovela, nos filmes, nos programas, nas peças publicitárias

ou

nas revistas.

Como diz Lima (1998), os meios de comunicação, assim como a escola, a famílias,

os

espaços de lazer, de vivência religiosa, entre outros, contribuem de forma significativa para

a

formação

das

identidades

dos

sujeitos,

entre

estas

as

identidades

etnicorraciais.

Especialmente

na

infância

e

adolescência

um

processo

significativo

de

identifificação/projeção com as personagens exibidas diariamente nos diversos espaços e

meios midiáticos. Nesse sentido,

podemos perceber quais as consequências possíveis de se

ter programas televisivos e revistas

infantis e infanto-juvenis com quase totalidade de

imagens

loiras, de cabelos lisos e muitas vezes de olhos claros povoando o cotidianos de

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crianças e adolescentes. Isso pode contribuir para

o fortalecimento de um complexo de

inferioridade e negação de si nas crianças negras e um complexo de superioridade nas

crianças brancas que incorporam a idéia de serem superiores pela cor da pele e pelos traços

que remete a uma ancestralidade branca predominante. Ou seja, embora muitas vezes não

atente para isso, a midia tem forte influência na auto-estima e consequente potencialização ou

despontencialização dos seres humanos em formação.

Em estudo sobre a representação midiática da adolescência negra em revista

destinada a essa faixa etária Oliveira (2009)

Segundo Duarte (

) o modo como as mulheres são representadas na produção

audiovisual muito provavelmente reproduz o modo como elas são vistas e percebidas pela

maioria dos que consomem mais regularmente essas produções. Assim, novas tendências nos

modos de ver, pensar e agir de homens e mulheres quanto ao lugar a ser ocupado pela mulher

na sociedade certamente aparecerão em artefatos da mídia quando estiverem fortalecidas o

bastante para disputar posições com os pressupostos já legitimados no jogo social (mesmo se

ainda restritas a certas camadas sociais).

Temos referenciais negros na mídia? Sim, embora ainda não os tenhamos em

proporção

Lei nº 12.288, 20 de julho de 2010

CAPÍTULO VI DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO Art. 43. A produção veiculada pelos órgãos de comunicação valorizará a herança cultural e a participação da população negra na história do País. Art. 44. Na produção de filmes e programas destinados à veiculação pelas emissoras de televisão e em salas cinematográficas, deverá ser adotada a prática de conferir oportunidades de emprego para atores, figurantes e técnicos negros, sendo vedada toda e qualquer discriminação de natureza política, ideológica, étnica ou artística. Parágrafo único. A exigência disposta no caput não se aplica aos filmes e programas que abordem especificidades de grupos étnicos determinados.

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Art. 45. Aplica-se à produção de peças publicitárias destinadas à veiculação pelas emissoras de televisão e em salas cinematográficas o disposto no art. 44. Art. 46. Os órgãos e entidades da administração pública federal direta, autárquica ou fundacional, as empresas públicas e as sociedades de economia mista federais deverão incluir

cláusulas de participação de artistas negros nos contratos de realização de filmes, programas ou quaisquer outras peças de caráter publicitário.

1 o Os órgãos e entidades de que trata este artigo incluirão, nas especificações para

contratação de serviços de consultoria, conceituação, produção e realização de filmes,

programas ou peças publicitárias, a obrigatoriedade da prática de iguais oportunidades de emprego para as pessoas relacionadas com o projeto ou serviço contratado.

2 o Entende-se por prática de iguais oportunidades de emprego o conjunto de medidas

sistemáticas executadas com a finalidade de garantir a diversidade étnica, de sexo e de idade na equipe vinculada ao projeto ou serviço contratado.

3 o A autoridade contratante poderá, se considerar necessário para garantir a prática de iguais oportunidades de emprego, requerer auditoria por órgão do poder público federal.

4 o A exigência disposta no caput não se aplica às produções publicitárias quando abordarem especificidades de grupos étnicos determinados.

§

§

§

§

4

ANÁLISE

SOBRE

PESQUISADAS

A revista Atrevida

A

REPRESENTAÇÃO

NEGRA

NAS

REVISTAS

De acordo como o próprio site da editora da revista define, a Atrevida foi feita para

um público adolescente feminino e cuida para que as expectativas deste sejam atendidas,

expectativas estas que abordam o mundo das celebridades ali exibido, são bandas, modelos,

cantores e cantoras, atores e atrizes que configuram e ditam os modismos da fase adolescente.

Porém, a representação de tais figuras compromete o recurso que utilizam para selecionar a

foto para capa, já quem dentre as 24 que observamos, não pudemos nos identificar

etnicamente como demonstra a tabela abaixo:

http://www.assineescala.com.br/DetalheRevistas.asp?Produto_txt=ESAT&Site_txt=EDITORI

AL&Origem_txt=BOTAOASSINE&Formato_txt=ESAD&Banner_txt=&Versao_txt=

MESES

EDIÇÕES

ARTISTA

OBSERVAÇÕES

JULHO/2008

166

NX

Zero

Banda brasileira de brancos

AGOSTO/2008

167

Hayley

Vocalista da banda norte americana Paramore

SETEMBRO/2008

168

Mc

Fly

Banda britânica - brancos

OUTUBRO/2008

169

Kayky Brito

Ator brasileiro - branco

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NOVEMBRO/2008

170

Britney Spears

 

Cantora branca norte americana

 

DEZEMBRO/2008

171

Zac

Efron

e

Casal

de

atores

brancos

norte

Vanessa Hudgens

americanos

 

JANEIRO/2009

172

Mari Moon, Kika e Luisa

VJs da Atrevida - brancas

 

FEVEREIRO/2009

173

Cecília Doce

 

Atriz brasileira branca

 

MARÇO/2009

174

Robert Pattisson

 

Ator britânico

 

ABRIL/2009

175

Daniel

Dalcin

e

Casal de atores brasileiro - brancos

 

Bianca Bin

 

MAIO/2009

176

Katy Perry

 

Cantora norte americana branca

 

JUNHO/2009

177

Joe Jonas

 

Integrante da banda norte americana Jonas Brother, Branco

JULHO/2009

178

Miley Cyrus

 

Atriz, cantora e compositora norte americana branca

AGOSTO/2009

179

Emma Watson

 

Atriz britânica branca

 

SETEMBRO/2009

180

Zac Efron

 

Ator norte americano branco

 

OUTUBRO/2009

181

Robert Pattinson ou Kristen Stewart

Atores:

ela

norte

americana

e

ele

britânico

 

NOVEMBRO/2009

182

Demi Lovato

 

Cantora

e

atriz

norte

americana

 

branca

DEZEMBRO/2009

183

Taylor Lautner

 

Ator estadunidense branco

 

JANEIRO/2010

184

Taylor Lautner

 

Ator estadunidense branco

 

FEVEREIRO/2010

185

Taylor Swift

 

Cantora e atriz estadunidense branca

MARÇO/2010

186

Selena Gomez

 

Atriz e cantora estadunidense branca

ABRIL/2010

187

Nick

Jonas

ou

Ator

e

integrante

da

banda

Jonas

Robert Pattinson

Brother,

é

Ator

britânico

 

respectivamente

MAIO/2010

188

Lady

Gaga

ou

Cantores: ela estadunidenses e ele canadense

Justin Bieber

JUNHO/2010

189

Fiuk

Stwart

ou

Kristen

e Atriz estadunidense

Ator

cantor

brasileiro

branco

Gráficos de análise segundo etnia, gênero e nacionalidade:

Negros Negros Brancos Brancos
Negros
Negros
Brancos
Brancos

Figura 1 - Capas da Revista Atrevida entre Julho/2008 a Junho/2009:

Representação Étnica

Figura 2 - Capas da Revista Atrevida entre Julho/2009 a Junho/2010:

Representação Étnica

Como podemos observar nos dois anos de publicação da revista dos quais

selecionamos não havia um negro na capa, o que nos trouxe a sensação de desconforto. Não

IV FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES:

EDUCAÇÃO E RELAÇÕES ETNICORRACIAIS

10 a 12 de novembro de 2010 UFS Itabaiana/SE, Brasil

há reconhecimento, visibilidade para que outros, principalmente para os adolescentes, quando

o que vêem representado e tomam como referencial e padrão de beleza são cabelos loiros,

lisos e pele branca divergindo da suas próprias características físicas. Deste modo podemos

entender que seria necessário ser como o que vemos para sermos aceitas e reconhecidas como

são aqueles que tomo como padrão de perfeição. Naturalmente a mutação de si mesmo não

seria tão difícil já que, se para ser estampada em uma capa de revista ou mesmo ser admirada

tenha que passar por um processo químico capilar: alisar, escovar progressivamente (o que na

maioria das fórmulas usasse o formol), fazer e escovas e chapinhas, tingi-los, branquear a

pele, usar lentes de contato, retirar costelas, fazer lipoaspiração, tudo viria a ser apenas meta

para elevação da auto-estima e atingir o padrão que é imposto a partir da mídia.

No entanto, apesar da veiculação de discursos mais positivos ou afirmativos do negro nas diversas modalidades midiáticas, ainda se faz presente a associação preconceituosa referente a esse segmento étnico- racial e que também remete à ausência de valores morais, animalidade, desejo de branqueamento, sexualidade exacerbada, entre outros. (OLIVEIRA, 2009, p. 37)

Oliveira, (2009) ainda cita a propaganda de uma famosa marca de cosméticos, a

L oreal manipulando a imagem da cantora negra estadunidense Beyoncé ao mostrá-la com a

pele mais clara.

estadunidense Beyoncé ao mostrá-la com a pele mais clara. 16 ANAIS DO IV FÓRUM IDENTIDADES E

IV FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES:

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10 a 12 de novembro de 2010 UFS Itabaiana/SE, Brasil

FIGURA 2 Propaganda da tintura para cabelo Féria Hair, da L oreal, comparada com outra foto da cantora em um evento

Fonte:http://www.bbc.co.uk/blogs/victoriaderbyshire/2008/08/a_whiter_shade.html?page=4

(OLIVEIRA, 2009, p. 37).

Homens Mulheres Casais
Homens
Mulheres
Casais

0%

Homens 50% 50% Mulheres Casais
Homens
50%
50%
Mulheres
Casais

Figura 3 - Capas da Revista Atrevida entre Julho/2008 a Junho/2009:

Representação de Gênero

Figura 4 - Capas da Revista Atrevida entre Julho/2009 a Junho/2010:

Representação de Gênero

Quanto à representação de gênero não há necessariamente o favorecimento a

promoção de alguma das partes, com 41,7% para representatividade tanto para homes quanto

para as mulheres e 16,6% para os casais no primeiro ano entre Julho/2008 a Junho/2009, o

que não contribui para aumentar a discriminação contra as mulheres já discriminadas por

serem negras, já que há o uso da imagem feminina em muitos outros meios, inclusive de

determinadas revistas, é feita de forma depreciativa e como objeto sexual; E no segundo ano

encontramos 50% de representatividade feminina contra 50% masculina. O destaque, no

entanto ficou para a representatividade dos casais: em 2 capas, ou seja, 7,14% dentre as 28

lançadas pela revista são de casais formados pela mídia, e que como podemos ver, não são

negros.

IV FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES:

EDUCAÇÃO E RELAÇÕES ETNICORRACIAIS

10 a 12 de novembro de 2010 UFS Itabaiana/SE, Brasil

10 a 12 de novembro de 2010 UFS Itabaiana/SE, Brasil Brasileiros Estrangeiros Brasileiros Estrangeiros Figura 5
10 a 12 de novembro de 2010 UFS Itabaiana/SE, Brasil Brasileiros Estrangeiros Brasileiros Estrangeiros Figura 5
10 a 12 de novembro de 2010 UFS Itabaiana/SE, Brasil Brasileiros Estrangeiros Brasileiros Estrangeiros Figura 5
Brasileiros Estrangeiros
Brasileiros
Estrangeiros
2010 UFS Itabaiana/SE, Brasil Brasileiros Estrangeiros Brasileiros Estrangeiros Figura 5 - Capas da Revista
Brasileiros Estrangeiros
Brasileiros
Estrangeiros

Figura 5 - Capas da Revista Atrevida entre Junho/2008 a Julho/2009:

Representação da Nacionalidade

Figura 6 - Capas da Revista Atrevida entre Julho/2009 a Junho/2010:

Representação da Nacionalidade

O que podemos observar quanto à representação da nacionalidade é admitir que, ou

não temos referenciais artístico em nosso país a altura de serem vistos em uma das capas da

revista ou os artistas estrangeiros são melhores que os nossos, uma verdadeira idolatria aos

países estrangeiros. Afinal, no primeiro semestre da amostra que observamos, ou seja, de

Julho/2008 a Junho/2009, 58% foi representada por estrangeiros, dos quais

71,43% são dos

Estados Unidos, e apenas 28,57% correspondem a outro país, cabendo aos brasileiros os 42%

restantes; já no segundo semestre entre Julho/2009 a Junho/2010 a disparidade é ainda maior

já que apenas 6, 25% dos brasileiros (apenas 1 das 16 capas do período) foram representados

contra 93,75% dos estrangeiros, divididos por 73,33% estadunidenses e 26,67% de outros

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10 a 12 de novembro de 2010 UFS Itabaiana/SE, Brasil

países. Nota-se que dentre as 28 capas pesquisadas apenas 6 foram representadas por

brasileiros, ou seja, 21,42% contra 78,58% de estrangeiros.

Não devemos ser xenófobos, mas se já entendemos que se formam identidades e

personalidades através daquilo que vemos e temos como objetos de referencia, como teremos

brasileiros amantes e orgulhosos de assim serem, quando o que vemos é a importação de

personagens de outros países, especialmente oriundo dos Estados Unidos, sendo naturalmente

expostos como supremacia cultural. Não levantamos a bandeira do patriotismo a ponto de não

conhecer e admirar culturas de outros países, mas valorizar e reconhecer o valor da cultura e

do povo que constrói sua nação é essencialmente norteador para os artistas das nossas futuras

gerações.

A

revista

Atrevida

conta

ainda

Atrevidinha segundo a fala da sua editora:

com

a

sua

versão

pré-adolescente,

a

revista

Atrevidinha é feita sob medida para a leitora pré-adolescente. Cabe direitinho na mochila e tem tudo o que ela quer ler e ver: quadrinhos, testes, moda, beleza, jogos, horóscopo, ídolos e muito mais coisas legais para ela se divertir e se informar. É a revista ideal para as garotas que não querem mais ser chamadas de criança e que, no entanto, ainda não ingressaram no universo adolescente. http://www.assineescala.com.br/DetalheRevistas.asp?Produto_txt=ES AD&Site_txt=EDITORIAL&Origem_txt=BOTAOASSINE&Formato _txt=ESAD&Banner_txt=&Versao_txt=

Tendenciosa na sua definição a editora explicita o fato de que a revista voltada para o

público adolescente é perfeita para ler e ver, o fato é que sendo um atrativo para o mundo da

leitura a editora determina no uso do verbo na sua forma imperativa de que a revista tem tudo

o que a pré-adolescente precisa generalizando, como se todas desejassem o mesmo alvo de

consumo.

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A revista Toda Teen

MESES

EDIÇÃO

ARTISTA

OBSERVAÇÕES

 

JULHO/2008

152

Jonas Brother

 

Banda

 
 

estadunidense

-

brancos

AGOSTO/2008

153

Fresno

Banda

brasileira

-

brancos

SETEMBRO/2008

154

NX Zero

Banda

brasileira

-

brancos

OUTUBRO/2008

155

Zac Efron

Ator

estadunidense

-

branco

NOVEMBRO/2008

156

Caio Castro

 

Ator

brasileiro

-

 

branco

DEZEMBRO/2008

157

Jonas Brother

 

Banda

 
 

estadunidense

-

brancos

JANEIRO/2009

158

Kayky Brito

 

Ator

brasileiro

-

branco

FEVEREIRO/2009

159

Robert Pattinson

 

Ator

estadunidense

 

-

branco

MARÇO/2009

160

Britney Spears

 

Cantora

 
 

estadunidense

-

branca

ABRIL/2009

161

Fresno

Banda

brasileira

-

brancos

MAIO/2009

162

Jonas Brother

 

Banda

 
 

estadunidense

-

brancos

JUNHO/2009

163

Robert Pattinson e Kristen Stewart

Casal

de

atores

norte americano

-

 

brancos

JULHO/2009

164

Zac Efron

Ator

estadunidense

-

branco

AGOSTO/2009

165

Robert Pattinson

 

Ator

estadunidense

 

-

branco

SETEMBRO/2009

166

Miley Cyrus

 

Atriz,

cantora

e

 

compositora

norte

americana branca

 

OUTUBRO/2009

167

NX Zero

Banda

brasileira

-

brancos

NOVEMBRO/2009

168

Kristen

Stewart

e

Casal

de

atores

Taylor Lautner

norte americano brancos

-

DEZEMBRO/2009

169

Robert Pattinson

 

Ator

estadunidense

IV FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES:

EDUCAÇÃO E RELAÇÕES ETNICORRACIAIS

10 a 12 de novembro de 2010 UFS Itabaiana/SE, Brasil

     

- branco

JANEIRO/2010

170

Selena Gomez

Atriz

e

cantora

estadunidense

 

branca

FEVEREIRO/2010

171

Fiuk

e brasileiro branco

Ator

cantor

MARÇO/2010

172

Taylor Lautner

Ator

estadunidense

branco

ABRIL/2010

173

Cine

Banda

brasileira

-

brancos

MAIO/2010

174

Lady Gaga

Cantora

estadunidense

 

branca

JUNHO/2010

175

Robert Pattinson e Kristen Stewart

Casal

de

atores

norte americano brancos

-

Gráficos de análise quanto ao gênero, etnia e nacionalidade

de análise quanto ao gênero, etnia e nacionalidade Homens Homens Mulheres Mulheres Casais Casais Figura 7
Homens Homens Mulheres Mulheres Casais Casais
Homens
Homens
Mulheres
Mulheres
Casais
Casais

Figura 7 - Capas da Revista Toda Teen entre Julho/2008 a Junho/2009:

Representação de Gênero

Figura 8 - Capas da Revista Toda Teen entre Julho/2009 a Junho/2010:

Representação de Gênero

A revista Toda Teen em sua representação quanto a gênero tem sugerido ao seu

público alvo nas capas o suposto interesse aos quais aspiram, os meninos estampado nas

capas como o principal alvo de consumo e idealização do universo feminino. No primeiro ano

observado 83,4% das capas representavam homens, contra 8,3% para mulheres e casais e no

IV FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES:

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10 a 12 de novembro de 2010 UFS Itabaiana/SE, Brasil

segundo destinou-se 58,3% para os homens, 25% para mulheres e 16,7% para os casais. Um

fato que chamou atenção é que as três capas dentre as 24 analisadas e que destinadas a

representação de casais houve apenas 1 única garota para 2 rapazes: tal formação deve-se ao

fato de que os três personagens figuravam o filme da saga Crepúsculo escrito por Stephenie

Meyer, e vislumbra a possibilidade de outra formação romântica.

e vislumbra a possibilidade de outra formação romântica. Figura Pattinson Stewart, estadunidenses ator - 9 e

Figura

Pattinson

Stewart,

estadunidenses

ator

-

9

e

Robert

Kristen

atriz

e

Stewart, estadunidenses ator - 9 e Robert Kristen atriz e Figura 10 - Taylor Figura 11
Stewart, estadunidenses ator - 9 e Robert Kristen atriz e Figura 10 - Taylor Figura 11

Figura

10

-

Taylor

Figura

11

-

Robert

Lautner

e

Kristen

Pattinson

e

Kristen

Stwart,

ator

e

atriz

Stwart, ator,

modelo e

estadunidenses

músico britânico.

E o que torna ainda mais preocupante é que dentre todas as capas analisadas, ou

seja, as 24 no período de dois anos, e no quantitativo referentes à representação feminina que

totalizaram apenas 4 capas, nenhuma delas representava a mulher brasileira.

4 capas, nenhuma delas representava a mulher brasileira. Figura 12 - Lady Gaga, cantora estadunidense. Figura

Figura 12 - Lady Gaga, cantora estadunidense.

brasileira. Figura 12 - Lady Gaga, cantora estadunidense. Figura 13 - Selena Gomez, atriz e cantora

Figura 13 - Selena Gomez, atriz e cantora estadunidense

Figura 13 - Selena Gomez, atriz e cantora estadunidense Figura 14 - Britney Spears, cantora estadunidense

Figura 14 - Britney Spears, cantora estadunidense

Figura 14 - Britney Spears, cantora estadunidense Figura 15 - Miley Cyrus, atriz e cantora estadunidense

Figura 15 - Miley Cyrus, atriz e cantora estadunidense

IV FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES:

EDUCAÇÃO E RELAÇÕES ETNICORRACIAIS

10 a 12 de novembro de 2010 UFS Itabaiana/SE, Brasil

Contudo podemos interpretar tais fatos como a desvalorização da mulher brasileira,

que além de assumir e obter pouco espaço no que diz respeito a representatividade feminina,

ainda acentua-se a idéia de que as mulheres estrangeiras, especificamente as de oriundas dos

Estados Unidos

são padrões de referencial e capazes ou com melhor capacidade de

representação que as brasileiras.

Numa leitura de (OLIVEIRA, 2009) devemos considerar a compreensão de que a

mulher ascende socialmente através do casamento, ou ainda entendendo que ela vive única e

exclusivamente com o propósito de ter um homem idealizado para esse fim, como objeto de

conquista, tais como as dicas das capas sugerem:

objeto de conquista, tais como as dicas das capas sugerem: Como conquistar, paquerar, namorar, ganhar e

Como conquistar, paquerar, namorar, ganhar e entender o mundo dos garotos são as

principais dicas que norteiam a revista, como vende a editora:

Com periodicidade mensal e voltada ao público leitor adolescente, a Todateen traz matérias sobre beleza, comportamento, moda, conquista, paquera, pôsteres dos famosos e novidades do universo "teen". A revista atende todas as necessidades e os interesses das

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10 a 12 de novembro de 2010 UFS Itabaiana/SE, Brasil

garotas nesta fase da vida, com informação e entretenimento. Os produtos e dicas de comportamento encontrados na revista são para que elas curtam a adolescência com qualidade. As leitoras são ativas, com estilo e atitude, sempre ligadas nos acontecimentos, por isso buscam informações com credibilidade.

http://www.editoraaltoastral.com.br/site/revistas_interna.php?id=54

Brasileiros Estrangeiros Figura 16 - Capas da Revista Toda
Brasileiros Estrangeiros
Brasileiros
Estrangeiros

Figura 16 - Capas da Revista Toda Teen entre Julho/2008 a Junho/2009:

Representação de Nacionalidade

Julho/2008 a Junho/2009: Representação de Nacionalidade Brasileiros Estrangeiros Figura 17 - Capas da Revista Toda
Julho/2008 a Junho/2009: Representação de Nacionalidade Brasileiros Estrangeiros Figura 17 - Capas da Revista Toda
Julho/2008 a Junho/2009: Representação de Nacionalidade Brasileiros Estrangeiros Figura 17 - Capas da Revista Toda
Julho/2008 a Junho/2009: Representação de Nacionalidade Brasileiros Estrangeiros Figura 17 - Capas da Revista Toda
Brasileiros Estrangeiros
Brasileiros
Estrangeiros

Figura 17 - Capas da Revista Toda Teen entre Julho/2009 a Junho/2010:

Representação de Nacionalidade

Na representação quanto a nacionalidade e relacionado à representação de gênero

abordada anteriormente, vemos que os brasileiros não são o principal alvo de conquista para

ascensão ou mesmo referencia masculina já que 41,67% foram representados por brasileiros

contra 58,33% dos estrangeiros, diferença que só aumentou no segundo ano com apenas 25%

de representatividade brasileira contra 75% estrangeira.

25% de representatividade brasileira contra 75% estrangeira. Negros Brancos Brasileiros Estrangeiros Figura 18 - Capas
25% de representatividade brasileira contra 75% estrangeira. Negros Brancos Brasileiros Estrangeiros Figura 18 - Capas
25% de representatividade brasileira contra 75% estrangeira. Negros Brancos Brasileiros Estrangeiros Figura 18 - Capas
25% de representatividade brasileira contra 75% estrangeira. Negros Brancos Brasileiros Estrangeiros Figura 18 - Capas
Negros Brancos
Negros
Brancos
Brasileiros Estrangeiros
Brasileiros
Estrangeiros

Figura 18 - Capas da Revista Toda Teen entre Julho/2008 a Junho/2009:

Representação Étnica

Figura 19 - Capas da Revista Toda Teen entre Julho/2009 a Junho/2010:

Representação Étnica

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EDUCAÇÃO E RELAÇÕES ETNICORRACIAIS

10 a 12 de novembro de 2010 UFS Itabaiana/SE, Brasil

A representatividade étnica nos traz a reflexão e a certeza de não há visibilidade

negra no espaço midiático, nos dois anos analisados a visualização de brancos foi 100%

contra 0% de negros.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O principal objetivo deste artigo foi analisar a representatividade de negros e negras

nas revistas Atrevida e Toda Teen voltadas ao público adolescente. E diante das

considerações finais refletiremos a visibilidade e importância que requer o tema.

Nesse contexto, é preciso ressaltar a importância e a urgência de políticas e ações de mídia-educação em sua dupla dimensão de objeto de estudo, perpassando todas as disciplinas, e de ferramenta pedagógica, permitindo aprendizagem mais significativas e sintonizadas com os mundos sociais e culturais da infância e da adolescência. A mídia-educação é um dos caminhos e instrumentos mais adequados para dar oportunidades às novas gerações de se tornarem usuárias criativas e críticas de todas as mídias e TIC s e, por conseqüência, de serem capazes de exercer seus direitos de cidadania, podendo assim contribuir para a diminuição das desigualdades sociais (BELLONI 2001A, APUD BELLONI, 2010).

A produção midiática delimitada pelas revistas tomadas como objeto de pesquisa foi

considerada por tais instrumentos de veiculação representar maior atratividade e acesso em

massa entre os adolescentes, que passam por mudanças e transformações, principalmente

ideológicas durante essa faixa etária e que buscam construir sua imagem, personalidade

identitária a partir de como os outros são e os vêem, para serem aceitos no grupo que desejam.

E é baseando-se principalmente naquilo que vemos que devemos pensar em quais meios de

comunicação e como tais meios tem se posicionado para educar e ajudar nossos adolescentes

a formarem opinião, conceitos e posturas diante do aglomerado bombardeio de informações

IV FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES:

EDUCAÇÃO E RELAÇÕES ETNICORRACIAIS

10 a 12 de novembro de 2010 UFS Itabaiana/SE, Brasil

referentes a esta fase e pensar como eles tem sido representado em gênero, etnia e

nacionalidade.

REFERÊNCIAS

ARAUJO, Joel Zito. A negação do Brasil. São Paulo: SENAC, 2000.

BAUMAN, Zygmunt. Vida Líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2007

BELLONI, Maria Luiza. Crianças e mídias no Brasil: Cenários de mudança. Campinas, SP:

Papirus, 2010.

CAMPBELL, Colin & BARBOSA, Lívia. Consumo, Cultura e Identidade. Rio de Janeiro:

Ed. FGV, 2006.

DUARTE, Rosália. Mídia e identidade feminina: mudanças na imagem da mulher no audiovisual brasileiro da última década http://www.rizoma.ufsc.br/pdfs/542-of8a-st1.pdf

OLIVEIRA, Carolina dos Santos de. As adolescentes negras no discurso da revista Atrevida. Dissertação (Mestrado em Educação) Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2007.

em

REVISTA

http://www.editoraaltoastral.com.br/site/revistas_interna.php?id=54. Acesso em 22/10/2010.

PEREIRA, Rita Marisa Ribes. Nossos comerciais, por favor! Infância, televisão e publicidade. 2003. Tese de Doutorado. Departamento de Educação. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

SILVA, Benedita da. Mídia e Racismo. Introdução. In: RAMOS, Silva (org.). Mídia e Racismo. Rio de Janeiro: Pallas, 2002.

SILVA, Edna de Mello. Retratos de Mulher - A Mulher Negra nas Revistas para o Público Negro - Estudo de Caso, 2003. Disponível em www.antroposmoderno.com/antro- articulo.ph?id_articulo=316. Acesso em 12/10/2010.

SODRÉ, Muniz. Claros e escuros: Identidade, Povo e Mídia no Brasil. Petrópolis: Vozes,

2002.

TODA

TEEN.

Disponível