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Georges

Bataille

HISTÓRIA DO OLHO

I

seguido de MA DA ME O MORTO

EDWARDA

e

Novelas

Tradução de Glória Correia Ramos

ESCRITA

Coleção Mundo Erótico

1 - História do Olho - Georges Bataille

Capa: Sônia Maria Fontanezi

Do origina/francês: Madame Edwarda / Le Mort / Histoire de rOei! Copyright (c) 1977 by La Sociéte Nouvelle des Editions Pauvert. SARL

Direitos desta edição reservados à Editora e Livraria Escrita Ltda. Rua General Jardim. 570 - Fone:

0/223 -

São Pau/o (SP)

1981

Prefácio

Notas do Prefácio História do Olho

M adame Edwarda

O Morto

ÍNDICE

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

9

14

15

75

97

'

PREFÁCIO

Nada é mais terrível do que a morte e nada exige mais/orça do que a manute,nção de sua obra.

HEGEL

o próprio autor de Madame Edwarda destacou a seriedade do seu livro., Todavia acho oportuno insistir na gravidade do tema, devidQ.llQJP~do leviªno com que se consideram, geralmen- te, as obras .que tratªm_da_vida sêxual. Não que eu tenha a esperança - ou a intenção - de modificar esse estado de coisas.

~ Mas peço

ao leitor do meu prefácio para refletir um breve instan-

te sobre a atitude tradicional relativa ao prazer (que, no jogo dos sexos, atinge uma louca intensidade) e à dor (que a morte apazi- gua, é certo, mas não sem antes conduzi-Ia a seu auge).Uma série de condicionamentos leva-nos a ter uma imagem dO.homeni(da humâõÍdade) afastãdãtarfto do extremo praier como da extrema

dor: os tabus mais comuns incidem quer sobre a vida sexual, quer sobre a morte, de tal sorte. que uma e outra formam um domínio sagrado, de cunho religioso. O problema começa no momento em que s60s tabus referentes às circunstâncias do desapareci- mento do ser adquiriram uma dimensão de seriedade, enquanto aqueles que se relacionavam com seu aparecimento - toda a atividade genética - foram considerados futilmente. Não estou sequer cogitando de lutar contra a tendência profunda da maio- ria: ela é a expressão do destino que quis o homem rindo de seus órgãos reprodutores. Porém esse riso, que revela a oposição entre

o prazer e a dor (a dor e a morte são dignas de respeito, enquanto

o prazer é irrisório, destinado ao desprezo), traduz também seu parentesco fundamental. O riso não é mais respeitoso: ele é o signo do horror. O riso é a atitude de compromisso que o homem adota diante de algo que o repugna, quando esse algo não lhe

mente,parece grave.representaAss.im,umao erotismocompleta encaradoinversão degravement~valores.) tragica- Antes de mais nada, faço questão de salientar até que ponto me parecem vãs as afirmações tolas, segundo as quais o tabu

sexual é um preconceito do qual há nos deveríamos ter libertado. Assim, a vergonha, o pudor que acompanham o sentimento de intenso prazer, não seriam senão provas de falta de inteligência. Isso equivale a dizer que deveríamos fazer tábua rasa e regressar a uma condição de animalidade, aos tempos do livre devorar e da indiferença às imundices. Como se a humanidade inteira não resultasse de grandes e violentos movimentos de horror seguidos

de atração, aos quais estão ligadas a sensibilidde e a inteligência. Mas, sem querer opor o que quer que seja ao riso motivado pela indecência, gostaríamos de retomar - parcialmente - um ponto

de

Com efeito, é o riso que justifica uma forma de condenação desonrosa. O riso nos engaja numa via onde o princípio de uma inferdição, de decências necessárias, inevitáveis, se transforma em hipocrisia fechada, em incompreensão do que está emjogo. A extrema licenciosidade ligada ao gracejo é fruto de uma recusa em considerar seriamente - quer dizer, tragicamente - a verda- de do erotismo.

vista

que

o

riso

permitiu.

O-prefácio

do sem subterfúgios

deste pe

ueno livro_o_nde o erotismo

n11consciência

é apresenta-

e desemboca

de um dilacera-,

-mên o, oferece-me que seja patetico.

a o

não

se desvie de si próprio,

ortunidade

de fazq

um apelo

que; desejo,

que eu ache surpreendente

e que, por assim dizer, dando as costas

qüe o espíritos

a si

próprio,

se transforme,

em sua obstinação,

na .caricatura

da sua

verdade.

Se o homem

precisa de mentira,

afinal

de contas

está

no

afogado

o que há de violento e maravilhoso noãesejOâeabrir os olhos,

encarar

acontece, oque é. E eu nada saberei sobre

direito

de usá-Ia.

O indivíduo,

que talvez tenha

seu orgulho,

jamais

é

na massa humana

de fren~o_que

.Mas enfim:

não esquec~rei

o

que

jl50nt~ce,

se

nada

souber-Sôbre

o prazer

extremo

e

a

extrema

dor-!-

-

-

-

E~tendamo-nos.

 

Pierre

Angélique

tem o cuidado

de dizê-Io:

não

sabemos

nada

e estamos

no

fundo

da

noite.

"Ma~,_~<?-

menosd~odemos

yer o que nos engana,_aquilo

que ~fasta

 

do

conhecimento

da nossa

angústia:

IJ1ais extamente,

aquilo

que nos

Lr!!pede oe, sal5er que

a alegria

é a mesma

coisa_~e

a

dor,

a

mesma

coisa

que

a morl~.

-

• Aquilo

licencioso,

de que

o r~so nos

afasta,

e

ue

é a identida<!e, entre

o prazer

extremo

rovoca_o_gracejo e a dor extrema:

a identidade

entre

o

ser

e

a

morte,

entre

o conhecimento

que

desemboca

nessa

persp-ectiva

poderemos

luminosa

e a obscuridade

defini-

tiva. Sem dúvida,

finalmente

rir dessa verdade,

porém

10

desta

desprezo

vez

um do que pode

com

riso

absoluto,

que

ser repugnante,

se detém

mas cuja repugnância

não

perante

o

nos

afunda.

Para

chegar

ao fundo

do êxtase

em cujo gozo nos perdemos,

devemos

sempre

identificar

seu limite

imediato:

o horror.

Não só

do

momento em que o horror Il)e inundará,

çar um estado de felicidade beirando o delírio, como também não

existe discernir nenhuma uma afinidade forma de com repugnânci~ o desejoY~fica-que-O em que eu não consiga horror se confunda sempre com a atração, mas, se não consegue inibi-Io, destruí-Io, o horror fortalece, o desejo. O perigo paralisa, mas, se não for excessivamente forte, põde exclta!"-<?'desejo. Só alcançamos o êxtase na perspectiva - mesmo que longínqua - da morte, daquilo que nos destrói.

a dor

dos

outros

ou a minha

própria

dor,

se aproximando

podem permitir-me alcan-

Um

ser

humano

difere

de

um

animal

pelo

fato

de que

algumas

sensações

o machucam

-

liquidam-no

-

no que

ele

possui

de mais

íntimo.

Tais

sensações

variam

segundo

o indiví-

duo e os modos de vida. Mas o espetáculo

do sangue,

o odor

do

vômito, que provocam

em nós o horror

da morte,

suscitam

por

vezes um estado

a dor. Não suportamos essas sensações ligadas à_suprema verti-

gem. Alguns

zôrul ündea

o movimento

tade, quando era necessário, a qualquer preço, que ficássemos. E

é justamente

distinguem

nável porém maravilhoso: Se nada nos transcende, se não existe nada que nos ultrapasse contra nossa vontade e que deveria a

qualquer preço não ser, não alcançamos o momento ins~nsato,

para o qual tendemos

neamente rejeitamos com todas as nossas forças.

de.náusea

que nos atinge mais cruelmente

do que

Qreferem.a

morte

não

intolerável

esse

o momento

mo_rte ao contatojnofensivo.

Existe uma

significa apenas o desaparecimento, mas

onde

desaparecemos

contra

nossa von-

a qualquer preço,. e.sse apesar. de nó.s, qu.e

da extrema

felICidade e do extase

moml-

com

todas

as nossas

forças

e que simulta-

O prazer

seria desprezível

se não fosse esse aterrador

ultra-

11

passar-se que não caracteriza apenas o êxtase sexual: místicos de diversas religiões, especialmente os místicos cristãos, vivencia- ram-no da mesma forma. O ser nos é dado num transbordamento

intolerável

do ser, não menos

intolerável

do que a morte.

E, visto

que,

na

morte,

ao

mesmo

tempo

que

ele

nos

é dado,

 

nos

é

roubado,

devemos

procurá-Io

no sentimento

da

morte,

nesses

momentos

insuportáveis

em

que

temos

a

impressão

de

estar

morrendo,

porque

o

ser

em nós

só existe

em excesso,

na coin-

cidência

entre

a plenitude

do

horror

e

a

da

alegria.

Até mesmo o pensamento (a reflexão) só se completa em nós

no excesso. O que significa a verdade, fora da representação do

o

que

que significa a verdade se nós não pensamos aquilo que excede à

excesso, se não enxergamos o que excede à possibilidade

é intolerável ver, tal como, no êxtase, é intolerável gozar? O

de ver,

possibilidade de

?

N o término

desta

reflexão

patética,

que num

grito

se anula

a si mesma,

na medida

em que se afunda

em sua própria

intole-

deste

rância, reencontramos Deus.

É c sentido,

é a enormidade

livro insensato: esta narrativa

põe em jogo

Deus,

na plenitude

de

seus atributos; e esse Deus, todavia, é uma mulher da vida, em

tudo semelhante às outras. Porém o que o misticismo não pôde

dizer (no momento

de dizê-Io,

desfalecia),

o erotismo

afirma-o:

Deus

não

é nada

se não for um ultrapassar

de Deus em todos' os

sentidos;

no

sentido

do

ser

vulgar,

no

sentido

do

horror

e

da

impureza

e, finalmente,

no

sentido

de

nada

Não

podemos

acrescentar

impunemente

à linguagem

a palavra

que

transcende

às

palavras,

a palavra

Deus: a

partir

do

momento

em

que

o

fazemos,

eSS{l.

palavra,

transcendendo-se

a

si própria,

destrói

vertiginosamente

seus

limites.

O

que

ela

é

não

récua

perante

nada,

ela

está

em toda

a parte

onde

é impossível

esperá-Ia:

ela

própria

é uma enormidade.

Qualquer

um que suspeite

disso, por

menor

que seja a suspeita,

cala-se imediatamente.

Ou, procuran-

do

uma

saída,

e sabendo

que

está

se afundando,

procura

nele

aquilo

que, podendo

aniquilá-Io,

o torna

semelhante

a nada.

Neste

inenarrável

caminho,

por

onde

nos

conduz

o mais

incongruente

de

todos

os

livros,

é

possível,

no

entanto,

que

façamos

ainda

algumas

descobertas.

Por

exemplo,

casualmente,

a descoberta

da

felicidade

 

A alegria

estaria,

justamente,

na perspectiva

da morte

(por

isso

mesmo

ela

usa

a máscara

do

seu contrário,

a tristeza)_

Não

estou

de modo

algum

inclinado

a crer

que o essencial

neste

do gozo.

do

ao espírito, é provável que tentemos iludi-Ia e nos esforçemos por aceder à alegria aproximando-nos o menos possível do hor-

ror. As imagens que excitam o desejo ou provocam

ao órgão

o seu segre-

mundo

. Visto

seja a volúpia.

esse órgão

o gozo

O homem

inconfessável

não é redutível

ensina-lhe

Porém

que

depende

da perspectiva

deletéria

aberta

o espasmo

final são extraordinariamente

duvidosas,

ambíguas:

se

é

o hor-

ror,

se é a morte

o seu alvo,

elas o atingem

sempre

de uma forma

dissimulada.

Mesmo

na perspectiva

de Sade,

a morte

é desviada

para

o outro,

e

o outro

é, antes

de mais

nada,

uma

expressão

deliciosa

da

vida.

O domínio

do

erotismo

está

condenado,

sem

escapatória, ao fingimento. O objeto a que provoca o movimento de Eros simula ser algo que não é. De tal sorte que, em matéria de

erotismo,

a

Eles dizem que a beleza é

a armadilha

são os ascetas do diabo:

que têm razão.

só a beleza,

com efeito,

torna

tolerável

necessidade

de desordem,

de violência

e de indignidade,

que está

na raiz

do amor.

Não posso examinar

aqui,

em pormenores,

os

delírios

cujas

formas

se multiplicam:

é o amor

puro

que,

obli-

quamente,

nos

permite

conhecer

o mais

violento

dos

delírios,

aquele que leva até o limite da morte,

o excesso

cego da vida. A

condenação ascética é, sem dúvida, grosseira,

ela

é covarde,

é

cruel,

mas

vibra

em

uníssono

com

o tremor

sem

o qual

nos

afastamos

da

verdade

da

noite.

Não

há razão

alguma

para

que

seja atribuída

inteira merece. Porém,

ao amor

uma se não fizermos

sexual

preeminência

incidir

um

a vida

foco de luz no

que

ponto

exato

onde a noite cai, como

poderemos

saber

que somos

feitos

da projeção

do ser no horror?

Como,

se o ser ~aufr~ga

no

vazio nauseabundo

do qual,

a qualquer preço, devena

fugu

?

 

Seguramente,

nada

é mais

temível.

Como

as

imagens

do

inferno nos pórticos das igrejas deveriam parecer-nos irrisórias! O

inferno é a fraca idéia que Deus nos oferece, voluntariamente, de si próprio! Porém, na escala da perda ilimitada, reencontraremos o triunfo do ser - que nunca deixou de aderir ao movimento que

o quer perecível. O ser convida-se a si próprio para a terrível dança,

cuja

Se nos

dançante,

síncope

-

que

devemos

apenas

aceitar

o horror

como

ela

é

-

é

o ritmo

conhecendo

a que corresponde.

13

faltar coragem, como ultrapassá-lo, se ele viesse a nos falar?

Todavia,

o ser aberto

à morte,

ao suplício e à alegria sem reser-

vas, o ser aberto

e moribundo,

doloroso e feliz, já aparece em sua

luminosidade

velada:

essa luz é divina.

E o grito,

que esse ser de

boca torcida

deforma

talvez,

mas

profere,

é uma imensa aleluia

perdida,

num

silêncio

sem

fim.

 

Georges

Bataille

 

NOTAS

DO

PREFÁCIO

I

-

Peço

desculpa

por

acrescentar

aqui

que

excesso não se pode fundamentar

fundamento:

o excesso

é aquilo

filosoficamente,

que

faz com

que

o

esta

definição

já que

o excesso

ser

seja,

antes

do

ser

excede

e

do

ao

de qualquer

outra

coisa,

algo que escapa

a todos

os limites:

esses limites

permitem-nos

falar

(eu também

falo,

mas falando

não esqueço

que a fala não só me escapará,

como

está

são, em larga medida,

o milagre

me escapando).

Estas

frases

metodicamente

alinhadas

são possíveis

não

(elas o

devido ao fato de que o excesso é a exceção, -

designa

a atração

a atração

quando

é o maravilhoso,

o horror,

; o excesso

.

tudo

aquilo

que

é mais

aquilo

que

é), mas a sua impossiblidade

é colocada.de

início.

De tal forma

que

eu nunca

fico preso;

nunca

me escravizo,

pelo contrá-

mantenho

impossiblidade

rio,

a

de

mim. Não recuso o conhecimento, sem o qual não escreveria, mas esta mão que

minha

em que

condição

estava

soberana

e de me limitar

- ao ser sem excesso

-

minha

morte

que

provará

a afasta

HISTÓRIA DO OLHO

escreve está moribunda e, através

da morte

que

lhe está

destinada,

ela escapa

 

aos limites aceitos

no

ato

de

escrever

(aceitos

pela

mão

que

escreve

mas

recusados

pela

que

está

morrendo).

 

2

-

Eis, portanto,

a primeira

teologia

proposta

por um homem

que o riso

 
 

"

ilumina

e que

se propõe

não

limitar

aquilo

que

não sabe

o que é limite.

Tome

nota

sobre

do dia

em que você

leu com

um

calhau

de chama,

você

os textos

dos filósofos!

Como

pode

se exprimir

aquele

que empalideceu

que

os obriga

a

se

calarem,

se não

for

de

um

modo

para

eles

inconcebível?

3

-

Poderia

observar,

além

do mais,

que o excesso

é o próprio

princípio

de reprodução

seu

próprio

segredo

dia

sexual:

permanecesse

em

com

efeito,

legível!

que

ele se apercebe

a divina providência quis que, em sua obra,

Nada

poderia

ser poupado

está

ao

homem?

sob

No

seus pés

de que

o chão

faltando

explicam-lhe

que essa falta

é providencial!

Mas, se bem que extraindo a criança

 

de sua blasfêmia,

é sempre

blasfemando,

cuspindo

sobre

seu limite,

que

o mais

miserável goza; é blasfemando

que

ele

é Deus.

Tanto

assim

que

a criação

é

inextricável,

irredutível

a qualquer

outro

movimento

de espírito,

que não

seja a

certeza

de

que,

embora

excedida,

excede.

I

I

o OLHO

DE

GATO

hlj

t!

 

Criei-me

sozinho

e,

tão

longe

quanto

possa

me

lembrar,

 

vivia na ansiedade das coisas do sexo. Tinha quase dezesseis anos

quando encontrei

uma garota da minha idade, Simone, na praia

de

X.

Havendo

entre

as nossas

famílias

um

parentesco

lon-

gínquo, as nossas relações precipitaram-se. Três dias depois de nos termos conhecido, Simone e eu estávamos sós em sua man-

são.

Ela

estava

vestida

com

uma

bata

preta

e usava

uma

gola

engomada.

Comecei

a adivinhar

que

ela participava

da minha

,I

angústia,

particularmente

intensa,

naquele

dia,

porque

pare-

cia estar

nua

debaixo

da

bata.

 

Ela

tinha

meias

de

seda

preta

que

subiam

até

acima

do

joelho.

Não

tinha

conseguido

ainda

que eu usava com Simone,

parecia-me

vê-Ia até o cu (esta palavra,

o mais bonito

dos nomes do

 

sexo).

Imaginava

apenas

que,

levantando

a

bata,

veria

a

sua

bunda

pelada.

No

corredor,

havia

um

prato

de

leite

para

o gato.

-

Os pratos

são feitos

para

a gente

se!ltar,

disse

Simone.

Quer

apostar?

Vou

sentar

no

prato .

 

.

 

-

Aposto

que você

não

tem

coragem,

respondi,

ofegante.

Estava

calor.

Simone

colocou

o prato

sobre um banquinho,

instalou-se

lia minha

frente

e,

sem

desviar

os olhos

dos

meus,

sentou-se e mergulhou

a

bunda

no

leite.

Fiquei

algum tempo

imóvel, o sangue subiu-me à cabeça e estava tremendo enquanto

a seus pés. Ela

não se mexia; pela primeira vez, vi sua "carne rosa e preta" imersa no leite branco. Ficamos imóveis durante muito tempo, os

dois igualmente corados.

pela coxa até as

meias.

ela olhava o meu pau levantar a calça.'.Deitei-me

De repente,

Ela

ela levantou-se:

com

o leite escorreu

de pé,

por

limpou-se

o lenço,

cima

da

minha

cabeça,

um

dos pés apoiado

no banquinho.

Esfreguei o pau me

agitando

no chão.

Gozamos

no mesmo instante,

sem nos termos

tocado.

Porém,

quando

a mãe

dela

voltou,

sentando-me

numa

poltrona

baixa

e aproveitando

um momento

em que a jovem

se

aconchegava

nos braços

maternos,

levantei

a bata

sem que nin-

guém

visse

e infiei

a mão .entre

as coxas

quentes.

Voltei

para

casa

correndo,

louco

por

bater

uma

punheta

novamente. No dia seguinte, tinha olheiras fundas. Simone enca-

rou-me, escondeu a cabeça contra o meu ombro e disse-me:

quero

"Não

mais

que

você

se masturbe

sem

mim".

e

tão

Assim

começaram,

necessárias

que

entre

era

raro

nós, relações

ficarmos

de amor

uma

tão estreitas

sem

semana

nos

vermos. Praticamente

nunca

falamos

disso.

Compreendo

que ela

tenha

na

minha

presença,

sentimentos

parecidos

com

os meus,

difíceis

de descrever.

Lembro-me

de um

dia

em

que

íamos

de

carro,

em

grande

velocidade.

Derrubei

uma

ciclista

jove~

e

bonita,

e o pescoço

dela

quase

foi arrancado

pelas

rodas.

FIca-

mos

olhando

para

a morta

durante

longo

tempo.

O horror

e o

d~sespero que emanavam

daquelas

carnes,

em parte

n.auseantes,

em parte

delicadas,

vermos.

lembravam

Normalmente,

o sentimento

queexpen~entamos

ao

nos

Simone

é uma

moça

sImples.

É

grande e bonita; nada de desesperador no olhar, n.em na voz. M~s

tal

leve

sangue

felicid;de

é a sua

avidez

por tudo

ao

o que perturba

seu rosto

uma

o crime,

tudo

Vi pela

os sentIdos,

expressão

o que

arruína

que o maIS evoca o

que sem fim a

estímulo

confere

súbito,

o terror

e boa

consciência.

primeira

vez essa crispação

muda, absoluta - que eu partilhava

-

no dia

cou a bunda

no

prato.

Só olhamos

atentamente

em que ela colo- o outro

um para

nesses momentos.

Só sossegamos

e brincamos

nos

breves minu-

tos

de

relaxamento

Devo

dizer aqui

depois

do

orgasmo.

muito

que ficamos

tempo

sem fazer

amor.

Aproveitávamos as ocasiões para nos dedicarmos às nossas brin-

cadeiras. Não éramos destituídos

mas uma espécie de mal-estar obrigava-nos a superá-lo. Assim, mal acabara de me pedir para não me masturbar sozinho (estáva-

de pudor,

muito

pelo contrário,

mos no alto de um penhasco),

ela me baixou

as calças,

fez-me

deitar

no chão

e, arregaçando

as saias,

sentou-se

sobre

o meu

ventre,

abandonando-se

sobre

mim.

Enfiei-lhe

no

cu um

dedo

que a porra

tinha

molhado.

Ela deitou-se

então

com

a cabeça

debaixo do

meu

pau

e,

apoiando

os

joelhos

sobre

os

meus

ombros, levantou o cu aproximando-o tinha ao nível dele.

da minha

cabeça,

que eu

 

-

pra

você

mijar

pro

ar,

até

o meu

 

-

Dá, respondi,

mas o mijo vai

escorrer

cu? no seu vestido

e no

seu

rosto.

 

- E por que não? concluiu,

e eu fiz como ela dissera;

só que,

mal terminara,

inundei-a

novamente,

desta

vez de porra

branca.

No entanto

o cheiro

do mar

misturava-se

ao da roupa

mo-

lhada,

permanecemos

ruído

de

nossds

ventres

grama.

nus

posição,

e

naquela

na

de passos

da

porra.

imóveis,

A

noite

quando

caía

e

escutamos

nós

o

-

Não

se mexa,

suplicou

Simone.

Os passos

tinham

parado:

não podíamos

~er quem se apro-

ximava, suspendemos a respiração. O cu de SImone, .le~antado

suplIca: e~a

perfeito, as nádegas estreItas e delIcadas, a racha .profunda. ~ ao duvidei de que o desconhecido ou a desconhecIda SUCumbIsse

sem demora e se visse forçado a se despir também. Os passos

daquele jeito, parecia, n~ verdad~, uma poderosa

recomeçaram,

quase

uma

corrida,

e eu vi aparecer

uma jo.vem

encantadora,

Marcela,

a mais

pura

e tocante

de nossas

amIgas.

Estávamos contraídos

sequer mexer um

mente desabou; já desgrudados um do outro, ~ogamo-nos sobre o coroo abandonado. Simone arregaçou a sala, arrancou a cal-

cinha e me mostrou, ébria, uma nova bunda tão linda

sua.

tinham fechado sobre os rins da estranha Marcela, que Ja nao

em nossas

e

foi

posições,

a ponto

de não poder

que subita-

quanto a

pe~~as !e

dedo,

a nossa

infeliz. amiga

Beijei-a

com raiva,

bolinando

a de Simone,

cujas

escondia

os seus

soluços.

 

.

 

-

Marcela,

gritei,

por

favor

não chore mais. Quero que

você

me

beije

na

boca.

Até

mesmo

Simone

beijos

pelo

acariciava

corpo

os seus belos cabelos lisos,

cobrindo-a

de

todo.

 

Todavia

o céu ameaçava

tempestade

e, com a noite,

haviam

começado

a cair grossos

pingos

de chuva,

aliviando

a pressão

de

um

dia

tórrido

e sem

ar.

O mar já estava

fazendo

um

barulho

enorme, dominado pelos longos roncos ~os trovões, e os relâmpa-

gos deixavam-me ver, como em pleno d~a, as duas.bundas

das das garotas emudecidas. Um frenesI brutal agItava os nossos

eXCIta-

três

lhões e o meu pau, e eu não parava de abnr pernas umIdas de salIva

e de porra. Era como se eu estivesse desejando escapar ao enlace ~e

era caía a cântaros

corpos. A violência dos trovõe.s estremecia-nos e aume':ltava .a

mentos.

mOVI-

um

corpos. Duas bocas juvenis disputava.m o meu .cu~os meus ~o-

monstro

e esse

monstro

A chuva

quente

a violência

dos

e escorria

meus

sobre

nossos

gntos que redobravam de mten~I-

dade a cada relâmpago, pela visão de nossos órgãos sexuaIS.

nossa fúria, arrancando-nos

Simone tinha encontrado uma poça de lama e se borrava com

ela: masturbava-se

minha cabeça espremida

que

enlaçava com um braço em volta dos rins, a mão puxando a coxa e abrindo-a com força.

com a terra e gozava, chicoteada pela chuva,

entre suas pernas sujas de terra, o rosto

onde

ela agitava

o cu de Marcela,

jogado

na

poça

de lama

 

o ARMÁRIO

NORMANDO

Desde

essa época,

Simone

pegou

a mania

de quebrar

ovos

com

poltrona,

minha direção; eu batia punheta

o

cu.

Para

isso,

ela colocava

a cabeça

no assento

de uma

em

as costas

coladas

ao espaldar,

para

as pernas

dobradas

lhe jogar

a porra

no rosto.

o ovo então junto

ao buraco:

ela tinha

prazer em agitá-

Colocava 10 na racha

profunda.

No

momento

em que

a porra

jorrava,

as

nádegas quebravam

o rosto

o ovo e ela gozava,

enquanto,

mergulhando

abundante.

no

seu cu, eu me inundava

daquela

sujeira

Sua

mãe

surpreendeu

a brincadeira,

mas, sendo

de extrema

doçura, se bem que levasse uma vida exemplar, na primeira vez

assistiu a tudo sem

a de-

bemos sua presença. Quando terminamos

dizer

palavra,

de modo

que nós nem perce-

(consertávamos

sordem

às pressas),

descobrimos

que ela estava

de

pé no vão

da

porta.

-

Faça

como

se não

tivesse

visto

nada,

disse

Simone,

e

continou

limpando

a bunda.

Saímos

sem

nos

apressarmos.

 

Alguns

dias

depois,

Simone

estava

fazendo

ginástica

comigo,

na armação

de uma

garagem;

a senhora

parou

debaixo

dela sem vê-Ia. Simone mijou-lhe em cima. A velhinha recompôs- se, olhando-nos com seus olhos tristes, com um ar tão desam- parado que provocou os nossos jogos. Simone, caindo na garga-

lhada, em posição de engatinhar, expôs o cu diante do meu rosto

e

eu

levantei

a saia,

ébrio

por

vê-Ia nua

diante

da

mãe.

 

tínhamos

passado

um

semana

sem rever Marcela,

quan-

do

nos

reencontramos

na

rua.

Essa

moça

loira,

tímida

e

ingenuamente

devota,

ficou

tão

intensamente

vermelha

que

Si-

mone

a

beijou

com

uma

nova

ternura.

 

-

Por

favor,

me desculpe,

disse-lhe

em voz baixa.

O que

aconteceu

no

outro

dia

foi

errado.

Mas

isso

não

impede

que

sejamos

amigas

agora.

Eu lhe prometo:

nós não tentaremos

mais

tocá-Ia.

Marcela,

acompanhar-nos

que não

tinha

qualquer

força

de vontade,

aceitou

e tomar

lanche

na casa de Simone,

junto

com

21

alguns

amigos.

Mas,

em

vez de

chá,

bebemos

champanhe

em

abundância.

 

Ver Marcela

corar

nos perturbava.

Simone

e eu tínhamo-nos

entendido

e estávamos

certos

de que

nada

doravante

nos faria

epilepsia; contorcia-se

aos

pés do

rapaz

que

ela tinha

despido,

balbuciando

palavras

sem

nexo:

Mije em cima de mim sofreguidão.

-

mije no meu cu

repetia com

recuar.

Além de Marcela,

estavam

lá também

três moças bonitas

Marcela

olhava

fixamente:

ficou vermelha

que nem sangue.

e

dois

rapazes.

A bebida

produziu

um

efeito

violento,

porém,

Disse-me,

sem

me ver,

que

queria

tirar

o vestido.

Despi-lhe

o

exceto

Simone

estava

tão

perturbado

quanto

nós

vestido

e tirei-lhe

a roupa

de baixo;

ficou

com o cinto

e com

as

desejávamos.

e eu, ninguém Um fonógrafo

resolveu o nosso problema. Simone,

meias.

Mal

se

deixou

bolinar

por

mim

e

se

beijar

na

boca,

dançanoo

sozinha

um "rag-time"

endiabrado,

mostrou

as pernas

armário

normando onde se trancou (tinha murmurado algumas palavras ao ouvido de Simone).

dentro

atravessou

a sala

como

uma

sonâmbula,

alcançou

um

até

o

cu.

As outras

moças

convidadas

a imitá-Ia

estavam

altas

demais

para

se controlarem.

Estavam

de calças,

mas

estas

não

escondiam

quase

nada.

Marcela,

de

porre

e silenciosa,

re-

cusou-se

a dançar.

 

Simone,

que

fingia

estar

completamente

bêbada,

arrancou

uma

toalha

de

mesa., amassou-a

e, levantando-a,

propôs

uma

aposta:

 
 

-

Aposto,

o

mundo.

Tratava-se,

Ela queria

masturbar-se

do armário

e suplicava

que a

deixássemos

só.

É preciso

dizer

que estávamos

todos

bêbados,

desnorteados

pela audácia

uns

dos outros.

O rapaz

nu estava

sendo

chupado

por uma mocinha. Simone,

de

e com

as

saias

levantadas,

disse,

que faço pipi na toalha

em frente

de todo

esfregava as nádegas contra

o armário

onde

se ouvia

Marcela

 

masturbar-se

com

um

resfolegar

violento.

em

princípio,

de

uma

reunião

de jovenzinhos

Subitamente,

aconteceu

uma coisa louca:

um ruído

de água

ridículos

e tolos.

Um dos rapazes

desafiou-a.

O desafio

foi aceito,

com o prêmio

a ser escolhido

pelo vencedor.

Simone

não hesitou

nem um pouco

e ensopou

a tolha.

Porém

sua audácia

dilacerou-a

até o âmago. desnorteados.

De forma

que os jovens

loucos

começaram

a ficar

seguido

do surgimento

de um fio de líquido

que crescia vindo

de

debaixo

armário,

da

porta

gozando.

do

móvel.

A infeliz

A gargalhada

bêbada

Marcela

no seu que se seguiu degenerou

urinava

num deboche

saias

molhadas

de quedas e de porra.

de corpos,

de pernas

e cus para

como

Os risos produziam-se

o ar,

de

soluços

-

o meu prêmio,. disse Simone

ao

perdedor,

mundo.

Já que sou eu que escolho vou

com voz

rouca,

tirar

sua calça

diante

de todo

o

O que

foi feito

sem dificuldade.

Tiradas

as calças,

Simone

despiu-lhe

a camisa

(para

evitar

que

ficasse

ridículo).

Todavia

nada grave tinha acontecido:

com sua mão ligeira,

Simone

tinha

apenas acariciado

o pau

do seu colega.

Mas ela só pensava

em

Marcela,

que

me

suplicava

que

a deixasse

partir.

 

-

Nós

não

prometemos

não

tocar

em você,

Marcela?

Por

que

quer

ir embora?

 

involuntários,

atrasando

por

instantes

a investida

sobre

os cus

e

os paus.

Porém

ouviu-se

pouco

depois

a triste

Marcela

soluçar

sozinha

e cada

vez mais

forte

naquele

urinol

de acaso

que

lhe

servia

agora

de prisão.

 
 

.

 

.

Meia

hora

depois,

menos

alto,

tive

a

idéia

de

ajudar

Marcela

a sair do armário.

A infeliz

moça

estava

desesperada,

tremia

e tiritava

de febre.

Vendo-me,

ela demonstrou

um horror

doentio. Eu estava pálido, manchado

de sangue,

vestido de trás

para diante. Corpos sujos e despidos cobriam o chão, atrás

-

Porque

sim,

respondeu,

obstinada

(uma

cólera

pânica

de mim, numa desordem desvairada.

Cacos

de

vidro

tinham

apoderava-se

dela).

 

cortado

e feito sangrar

dois

de nós; uma

moça

vomitava;

tínha-

De repente,

Simone

caiu

no chão,

para

o terror

dos outros.

 

mos tido

ataques

de riso tão

violentos

que alguns

de nós tinham

Agitava-a

uma

confusão

cada

vez

mais

louca;

as

roupas

em

molhado

as roupas,

outros

as poltronas

ou o chão; daí um cheiro

desordem,

o

cu

para

o

ar,

como

que atingida

por

uma

crise

de

de sangue, de esperma,

de urina

e de vômito,

que faria qualquer

22

23

um recuar horrorizado;

porém

o grito

que

se despedaçou

na

g~rganta de ~arcela

~e

assustou

ainda

mais.

Devo

dizer

que

sereno. Simone

dormia

de barnga

para

o ar,

a mão

nos pêlos

e o

rosto

M~rcela,