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MATERIAL DIDÁTICO DESENVOLVIDO COMO MATERIAL DE APOIO À DISCIPLINA MINERALOGIA * Este material foi desenvolvido

MATERIAL DIDÁTICO DESENVOLVIDO COMO MATERIAL DE

APOIO À DISCIPLINA MINERALOGIA

* Este material foi desenvolvido para uso em aula e qualquer uso deste deve ser

referenciado.

Prof. Dr. Antenor Zanardo Departamento de Petrologia e Metalogenia - DPM Instituto de Geociências e Ciências Exatas - IGCE Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” - UNESP

Janeiro de 2010 - Versão 5

M I N E R A L O G I A

No planeta Terra e em outros corpos celestes a matéria (elementos químicos) se depõem de forma ordenada de acordo com leis naturais formando os minerais e mineralóides, substâncias estas que constituem as rochas, sedimentos e solos, que são utilizados pelo homem de diferentes maneiras e objetivos, portanto para um perfeito entendimento do nosso planeta, bem como do universo, necessitamos de conhecimentos básicos de mineralogia.

DEFINIÇÕES O termo mineralogia deriva da palavra latina MINERA (mina, jazida de minério, filão), de provável origem céltica, que forma o adjetivo do Latim mineralis, “relativo às minas” e o substantivo do Latim minerale (produto das minas), que deu origem ao adjetivo e substantivo português mineral, acrescido do sufixo Grego logía (ciência, tratado, estudo); portanto mineralogia é o estudo dos minerais em todos os seus aspectos. Entretanto, a definição de mineral possui algumas controvérsias, para alguns é toda substância homogênea, sólida ou líquida, de origem inorgânica e que surge, naturalmente, na Terra ou em outros corpos extraterrestres, normalmente com composição química definida e, que se formada em condições favoráveis, terá estrutura atômica ordenada, condicionado sua forma cristalina e suas propriedades físicas; para outros, trata-se de substância com estrutura interna ordenada (cristais), de composição química definida, origem inorgânica e que ocorre naturalmente na crosta terrestre ou em outros corpos celestes. As substâncias originadas por atividades ou processos biológicos (animal ou vegetal) a exemplo do carvão, âmbar, marfim, pérola, petróleo, que não se incluem em nenhuma das definições devem ser denominadas mineralóides, como também as substâncias não cristalinas, excluídas na segunda definição. Os minerais são caracterizados pela maneira com que os átomos (cátions e anions) estão dispostos (estrutura interna) e pela composição química, expressa por fórmula química. A composição química dos minerais pode variar dentro de limites definidos e previsíveis pelas características atômicas, gerando os diferentes grupos de minerais ou soluções sólidas. Os minerais constituem os diferentes tipos de rochas, nono ou poliminerálicas, sedimentares, metamórficas, magmáticas, hidrotermais ou pneumatolíticas, bem como os solos. Algumas dessas rochas, especialmente devido à granulação muito fina, a exemplo de alguns tipos de basaltos, mostram-se em um exame a olho nu, com aparência de um único mineral (massas homogêneas). Todavia, quando observado ao microscópio petrográfico ou eletrônico, verifica-se que são constituídos por várias substâncias cristalinas e, às vezes, também por material amorfo (vidro). Nos solos, os minerais constituem as frações cascalho, areia, silte, argila e colóide. As substâncias produzidas em laboratório, com estrutura interna ordenada e composições químicas definidas, são denominadas de cristais ou minerais artificiais ou sintéticos e os sem estrutura interna de vidro. Atualmente o homem consegue reproduzir, em laboratório, com bastante semelhança, praticamente todos os minerais e gemas naturais conhecidas. Desta forma em laboratórios são produzidos os diamantes, a safira, o rubi, o quartzo, o espinélio, a esmeralda, etc. O termo mineralóide é aplicado para substâncias naturais amorfas e/ou de origem orgânica, portando que não obedecem à definição de mineral. Dessa forma, podem ser citados como exemplo betume, corais, petróleo, opala, siderogel ou limonita, etc.

COMPOSIÇÃO QUÍMICA DA CROSTA TERRESTRE Pelo fato dos minerais serem constituídos por elementos químicos, em especial ânions e cátions, para o entendimento destes em seus múltiplos aspectos, envolvendo cristalografia, cristaloquímica, propriedades físicas, proporções relativas e relacionamentos, tornam-se necessário uma noção da abundância dos elementos químicos na crosta terrestre, acompanhado de alguns dados químicos ou físicos referentes a estes a exemplo dos raios iônicos, cargas, coordenações e caráter iônico. Com esse intuito é apresentada uma tabela abaixo.

Elemento

Número

Massa

Crosta

Granito

Basalto

Raio

iônico A 0

Coordenação.

% volume

caráter

Atômico

Atômica

% peso

% peso

% peso

 

% atômica

iônico

O 2-

8

16,00

46,6

48,50

44,90

(1,36) 3 (1,38) 4 (1,40) 6 (1,42) 8

 

2-3-4-6-8-12

93,7-62,5

 

Si 4+

14

28,09

27,71

32,3

24

(0,26) 4 (0,42) 6 ou (0,40)

 

4-6

0,86-21

48

Al 3+

13

26,98

8,1

7,7

8,8

(0,39) 4 (0,48) 5 (0,54) 6

 

4-5-6

0,47-6,4

60

Fe 2+,3+

26

55,85

5,0

2,7

8,6

Fe +2 (0,63) 4 (0,78) 6 (0,92) 8 +3 (0,65) 6 (0,78) 8

 

4-6-8

0,43-1,9

69-54

Ca 2+

20

40,08

3,6

1,6

6,7

(1,0) 6 (1,12) 8 (1,18) 9 (1,23) 10 (1,34) 12

6-7-8-9-10-12

1,03-1,9

79

Na +

11

22,99

2,8

2,8

1,9

(0,99) 4 (1,02) 6 (1,18) 8 , (1,24) 9 (1,39) 12

4-5-6-8-7-8-12

1,32-2,7

83

Mg 2+

12

24,31

2,1

0,16

4,5

(0,57) 4 (0,72) 6 (0,89) 8

 

4-5-6-8

0,29-1,8

71

K +

19

39,10

2,5

3,3

0,83

(1,38) 6 (1,51) 8 (1,55) 9 (1,59) 10 (1,64) 12

6-8-9-10-12

1,83-1,4

87

Ti 2+,3+,4+

22

47,90

0,51

0,23

0,9

(0,94-0,42), Ti 4+ (0,42) 4 (0,61) 6 (0,74) 8

4-5-6

0,2 - 0,3

60-51

H +

1

1,01

0,14

     

2-6

   

P 3+,5+

15

30,97

0,11

0,07

0,14

(0,44-0,17) P 5+ (0,17) 4 (0,29) 5 (0,38) 6

4-6

 

35

Mn 2+,3+,4+,

25

54,94

0,1

0,04

0,15

(0,96-0,34) Mn 2+ (0,83) 6 (0,96) 8 Mn +3 (0,65) 6 , Mn +4 (0,53) 6

4-5-6-8-9

 

72-38

6+,7+

F -

9

19,00

0,0625

0,0850

0,040

(1,31) 4 (133) 6

 

2-3-4-6-8

   

Ba 2+

56

137,33

0,0425

0,0600

0,0250

(1,35) 6 (1,42) 8 (1,47) 9 (1,52) 10 (1,61) 12

6-7-8-9-10-12

 

84

Sr 2+

38

87,62

0,0375

0,0285

0,0465

(1,18) 6 (1,26) 8 , (1,36) 10 (1,44) 12

6-7-8-10-12

 

82

S 2- , S 6+

16

32,06

0,0260

0,0270

0,0250

S 2- (1,84) 4 S 6+ (0,12) 4 (0,29) 6

 

(4-6-8)(4-6)

 

20

C 4+ , C 4-

6

12,01

0,0200

0,0300

0,0100

C 4+ (0,08) 3 (0,15) 4 (0,16) 6

 

3-4-6

 

23

Zr 4+

40

91,22

0,0165

0,0180

0,0150

(0,72) 6 (0,78) 7 (0,84) 8 (0,89) 9

 

6-7-8-9

 

65

V 2+,3+,4+.5+

23

50,94

0,0135

0,0020

0,0250

(0,87) (0,72) (0,67), V 5+ (0,36) 4 (0,46) 5 (0,54) 6

4-5-6

 

57-36

Cl - , Cl 5+,7+

17

35,45

0,0130

0,0200

0,0060

(1,81) 6 , (0,34-0,20)

 

(4-6-8)(3-4-6)

   

Cr 3+, 4+, 6+

24

52,00

0,0100

0,0004

0,0200

Cr

3+

(0,62) 6 , (0,26) 4

Cr 4+ (0,41) 4

(0,55) 6 ,

6-4

 

53-23

Cr

6+

 

Rb + *

37

85,47

90

150

30

(1,52) 6 (1,61)8 (1,66) 10 (1,72) 12

6-7-8-10-12

 

87

Ni 2+,3+ *

28

58,71

75

0,5

150

(0,55-0,77) Ni 2+ (0,55) 4 (0,69) 6

6

 

60

Zn 2+ *

30

65,38

70

40

100

(0,60) 4 (0,74) 6 (0,90) 8

 

4-5-6-8

 

63

Ce 3+,4+ *

58

140,12

67

87

48

1,07-1,37(0,88-1,05)

 

6-7-8-9-12

 

74-73

Cu 1+,2+ *

29

63,55

55

10

100

Cu + (0,46) 2 (0,77) 6 , Cu 2+ (0,57) 4 (0,65) 5 (0,73) 6

4-5-6-8(2!)

 

71-57

Y +3 *

39

88,91

33

40

25

(0,90) 6 (1,02) 8

 

6-8-9

 

74

Nd 3+ *

60

144,24

28

35

20

1,06-1,17

 

6-8-9

   

La 3+ *

57

138,91

25

40

10

(1,03) 6 (1,16) 8 (1,22) 9 (1,27) 10

6-7-8-9-10-12

 

77

Co 2+,3+ *

27

58,93

25

1

48

(0,65-0,90) Co 2+ (0,74) 6 (0,90) 8

4-6

 

65

Sc 3+ *

21

44,96

22

5

30

(0,75) 6 (0,87) 8

 

6-8

 

65

Li + *

3

6,94

20

30

10

(0,59) 4 (0,74) 6 (092) 8

 

4-6

 

82

N 3+,5+ *

7

14,01

20

20

20

(0,16 3+ ),N 5+ (0,10) 3 (0,13) 6

 

3-6

 

9

Nb 5+ *

41

92,91

20

20

20

(0,64) 6 (0,69) 7 (0,74) 8

 

6-7-8

 

56

Ga 3+ *

31

69,72

15

18

12

(0,47) 4 (0,55) 5 (0,62) 6

 

4-5-6

 

57

Pb 2+,4+ *

82

207,20

12,5

20

5

(1,19) 6 (1,29) 8 , (1,35) 9 (1,40) 10 (0,86-

4-6-8-9-10-12

 

72

1,02)

 

B 3+ *

5

10,81

10

15

5

(0,11) 4 (0,27) 6

 

3-4-6

 

43

Th 4+ *

90

232,04

10

17

2,2

(0,94) 6 (1,05) 8 (1,09) 9 (1,13) 10

6-8-9-10

 

72

Sm 3+ *

62

150,40

7,0

9,4

5,3

1,04-1,17

 

6-8

   

Gd

3+ *

64

157,25

7,0

9,4

5,3

1,02-1,12-1,14

6-7-8

 

Pr 3+,4+ *

59

140,91

6.5

8,3

4,6

1,08-1,22(0,86-1,07)

6-8

 

Dy

3+ *

66

162,50

3,2

6,7

3,8

0,99-1,11

6-8

 

Yb

3+ *

70

173,04

3

3,8

2,1

0,95-1,06

6-8

 

4+ *

Hf

72

178,49

3

4

2

(0,71) 6 (0,76) 7 (0,83) 8

6-7-8

70

Cs

+ *

55

132,91

3

5

1

(1,67) 6 (1,74) 8 (1,81) 10 (1,85) 11 (1,88) 12

6-8-9-10-11-12

89

Be

2+ *

4

9,01

2,8

5

0,5

(0,16) 3 (0,27) 4 (0,45) 6

3-4-6

63

Er

3+ *

68

167,26

2,8

3,8

2,1

0,89(0,97-1,08)

6-8

76

U 3+,4+,5+,6+ *

92

238,03

2,7

4,8

0,6

U 4+ (0,89) 6 (100) 8 U 6+ (0,52) 4 (0,73) 6

6-7-8-9(2-4-

68-62

(1,12-0,52)

12)

Br

- , Br 7+ *

35

79,90

2,5

1,3

3,6

(1,96) 6 (0,34)

4-6-8

 

Sn

2+ e 4+ *

50

118,69

2

3

1

(0,93-1,3) Sn 4+ (0,69) 6 (0,81) 8

6-8

73-57

As

3+,5+ *

33

74,92

1,8

1,5

2

As 3+ (0,58) 6 , As 5+ (0,34) 4 (0,46) 6

4-6

60-38

Ge

4+ *

32

72,59

1,5

1,5

1,5

(0,39) 4 (0,53) 6

4-6

49

Mo 3+,4+,5+,6

42

95,94

1,5

2

1

Mo 4+ (0,65) 6 , Mo 6+ (0,41) 4 (0,59) 6 (0,79-

4-5-6-7

47

+

*

0,41)

W 4+, 6+ *

74

183,85

1,5

2

1

W 6+ (0,42) 4 (0,51) 5 (0,60) 6 (0,42-0,68)

4-5-6

57

Ho

3+ *

67

164,93

1,3

2

1

0,91(0,98-1,10)

6-8

75

Eu

2+,3+ *

63

151,96

1,2

1,5

0,8

(1,25-1,23)(1,03-1,15)

6-7-8

 

Tb

3+,4+ *

65

158,93

1,1

1,5

0,8

(1-1,12)(0,84-,96)

6-7-8

 

Lu

3+ *

71

174,97

0,8

1,1

0,6

0,85(0,94-1,05)

6-8

76

Tm

3+ *

69

168,93

0,25

0,3

0,2

0,96-1,07

6-8

 

I - e I 5+ *

53

126,90

0,5

0,5

0,5

(1,97-2,2) 6 (0,62-1,03)

6-8

54

Tl + e 3+ *

81

204,37

0,45

0,75

0,1

(1,47-1,84)(0,95-1,08)

12-8-6

79-58

Cd

2+ *

48

112,41

0,2

0,2

0,2

(0,54) 4 (0,78) 6 (0,90) 8 (1,15-0,54)

4-5-6-7-8-12

79

Sb

3+, 5+ *

51

121,75

0,2

0,2

0,2

Sb 3+ (0,76) 6 , Sb 5+ (0,60) 6 (0,85-0,60)

4-5-6

66-48

Bi

3+ *

83

208,98

0,17

0,18

0,15

(0,96) 5 (1,03) 6 (1,17) 8

5-6-8

66

In 3+ *

49

114,82

0,1

0,1

0,1

(0,62) 4 (0,80) 6 (0,92) 8

4-6-8

62

Hg

1+,2+ *

80

200,59

0,08

0,08

0,08

(1,22) Hg 2+ (0,96) 4 (1,02) 6 (1,14) 8

2-3-4-6-8

62

Ag

1+,3+ *

47

107,87

0,07

0,04

0,08

(0,75-1,38), Ag + (1,15) 6 (1,28) 8

2-4-5-6-7-8-10

71

Se

2- e 6+ *

34

78,96

0,05

0,05

0,05

(1,88-2) 6 (0,37-0,42)

4, 6-8

26

Pd

1+,2+,3+,4+

46

106,40

5.10

-6

   

(0,64-0,94), Pd 2+ (0,64) 4 e (0,86) 6

2-4-6

61

Os

4+

76

190,20

4.10

-6

   

0,71

6

 

Au

1+,3+

79

196,97

5.10

-7

   

1,37(0,78-0,85)

4-6-8-12

62

Pt 2+,4+

78

195,09

5.10

-7

   

(0,68-0,80) Pt 2+ (0,80) 6

4-6

65

Re

4+,5+,6+,

75

186,21

1.10

-7

   

0,71-0,6(0,48-0,65)

4-6

63-51

7+

   

Tc

4+

 

43

98,91

     

0,72

6

 

Ru

3+,4+

44

101,07

     

0,76-0,70

6

 

Rh

3+,4+

45

102,91

     

(0,75-0,60)

6

 

Te

2- ,Te 4+,6+

52

127,60

     

(2,21) 6 , Te 4+ (0,6-0,7), Te 6+ (0,56)

3-6

 

Pm

3+

61

(145)

     

1,04

6

 

Ta

3+,4+,5+

73

180,95

     

0,75-0,74, Ta 5+ (0,64) 6 (0,69) 7 (0,74) 8

6-7-8

 

Ir 3+,4+

77

192,22

     

0,81-0,71

6

 

Po

4+,6+

84

(209)

     

1,16-0,67

8-6

 

At

7+

 

85

(210)

     

0,62

6

 

Fr 1+

 

87

(223)

     

1,80

6

 

Ra 2+

88

226,02

1,43-1,56-1,72

6-8-12

Ac 3+

89

227,03

1,18

6

Pa 3+,4+,5+

91

231,04

1,13-0,98(0,89-1,03)

6-8-9

Np 2+,3+,4+

93

237,05

1,18-1,10(0,95-1,06)

6-8

Pu 3+,4+

94

(244)

1,09(0,88-1,04)

6-8

* Partes por milhão; valores de massa entre parênteses referem-se ao isótopo mais estável; os expoentes sobre os parênteses dos raios iônicos indicam a coordenação em que apresentam a dimensão; números em negritos referentes ao número de coordenação indicam o mais comum.

NOÇÕES DE CRISTALOGRAFIA Na formação dos minerais os elementos são organizados de acordo com as suas dimensões e cargas gerando um arranjo atômico interno tridimensional. Os átomos, ânions e cátions constituintes de um determinado mineral encontram-se distribuídos ordenadamente, formando uma rede tridimensional, denominada de retículo cristalino. Essa rede é gerada pela repetição de uma unidade atômica ou iônica fundamental, nas três direções do espaço, que podem ou não formarem ângulos retos entre si, com espaçamento igual em uma mesma direção, todavia podendo ser diferentes ou iguais nas três direções ou iguais em apenas duas direções. A figura geométrica formada pela posição atômica das primeiras posições em relação à origem é denominada de cela unitária, unidade fundamental para a construção do retículo cristalino, onde cada íon ou átomo ocupa uma posição definida dentro da cela unitária (Figura 1). Bravais em 1848 demonstrou que, geometricamente, somente são possíveis 14 tipos de retículos espaciais realmente diferentes, conhecidos como os 14 retículos espaciais de Bravais (Figura 2).

14 tipos de retículos espaciais realmente diferentes, conhecidos como os 14 retículos espaciais de Bravais (Figura
A percepção de que os minerais possuem estruturas internas ordenadas deu-se pela observação das formas

A percepção de que os minerais possuem estruturas internas ordenadas deu-se pela observação das formas geométricas externas naturais (hábitos cristalinos), bem como do(s) rompimento(s) sistemático(s), em planos preestabelecidos (clivagem e partição) resultantes de ligações químicas mais fracas oferecidas pela estrutura de alguns espécimes minerais. Estas observações remontam aos gregos, todavia apenas em 1669 aparece na literatura uma contribuição de peso para a cristalografia, quando Nicolau Steno através do estudo com cristais de quartzo e hematita, entre outros minerais, notou que apesar das diferenças de origem, tamanho e hábito os ângulos entre faces correspondentes eram constantes. Outras contribuições relevantes apenas apareceram após um século, com Carangeot (1780) que inventou um goniômetro de contato para medir ângulos interfaciais; com Rorné de I’Isle (1783) que através de medidas angulares confirmou o trabalho de Steno e formulou a lei da constância dos ângulos; e com René J. Haüy (1984) que postulou que os cristais são construídos pelo empilhamento de minúsculos blocos

idênticos, chamado por ele de moléculas (conceito de moléculas integral), que sobreviveu até o aparecimento do conceito de células (celas) unitárias, com moderna a cristalografia. As superfícies dos minerais raramente são planas e correspondentes à estrutura interna, ou seja, cristais perfeitos são incomuns e devido a este fato, aliado a importância para a pesquisa cristalográfica, foram muito apreciados pelos primeiros naturalistas, e hoje por constituírem verdadeira jóia naturais são objetos procurados por museus, colecionadores, naturalistas e esotéricos. O normal é os minerais apresentarem limites irregulares (curvos, denteados ou planos), frequentemente, gerados pela disputa de espaço com os vizinhos, não exibindo relação alguma com a estrutura interna. Nesse caso, a cristalinidade pode ser detectada através da quebra do mineral, caso este apresente clivagem, ou por meios ópticos e de difração de raios X.

A repetição sistemática do posicionamento dos átomos, íons ou moléculas no espaço, ou seja, dos motivos

estruturais, gerando a matéria cristalina, sustenta o conceito de simetria cristalográfica e constituem objeto de estudo da cristalografia, ciências que estuda a origem, desenvolvimento e classificação das formas cristalinas naturais ou artificiais. O estudo da simetria dos cristais é feito através da análise dos elementos de simetria (planos, eixos e centro) e as suas respectivas operações de simetria (reflexão, rotação e inversão). Este estudo pode ser feito através da análise da forma externa dos minerais, onde o plano de simetria é uma superfície que divide o cristal em duas partes iguais, simétricas em relação a um plano. O eixo de simetria trata-se de uma reta imaginária que passa pelo centro geométrico do cristal ao redor do qual, num giro de 360º, uma forma geométrica (face do cristal) se repete certo número de vezes (1, 2, 3, 4 ou 6) de acordo a simetria, classificando o eixo em unitário, binário, ternário, quaternário e senário. O centro de simetria é um ponto coincidente com o centro geométrico do cristal, em relação ao qual uma forma geométrica (uma face do cristal) se inverte, gerando duas

faces paralelas entre si. Essas operações de simetria podem atuar de forma combinada como exemplificado na figura 3d, que representa a combinação de eixo de rotação binário e centro de simetria (Figura 3).

A análise espacial das formas geométricas, elementos e operações de simetrias presentes nos diferentes

minerais possibilitaram agrupar ou subdividir o reino cristalino em sete sistemas cristalinos, que seguem relacionados de acordo com o aumento de simetria: triclínico, monoclínico, ortorrômbico, trigonal, hexagonal,

tetragonal e cúbico ou isométrico. Estes sistemas cristalinos são utilizados para a classificação de todas as substâncias naturais ou artificiais com estrutura interna ordenada, ou seja, com estruturas cristalinas. Cabe ressaltar que a escola norte-americana de cristalografia considera o sistema trigonal, como subdivisão do sistema hexagonal, denominando-o de hexagonal romboedral, portanto para ela existem apenas seis sistemas cristalinos. Desta forma, para a escola européia, os minerais quartzo e turmalina são trigonais, enquanto que para a escola norte-americana é hexagonal romboedral (Hr). Neste caso registra-se a existência de apenas 6 sistemas cristalinos (Figura 4).

O conjunto dos possíveis elementos de simetria encontrados em um cristal é denominado de grau ou classe

de simetria ou grupo pontual, sendo que as operações possibilitam a geração de apenas 32 classes ou graus de simetria, realmente diferentes, agrupados de acordo seus elementos de simetria nos sete sistemas cristalinos. Todas as operações de simetria possíveis de acordo com os sistemas cristalográficos e classes possibilitam a geração de apenas 48 formas geométricas, que estão relacionadas na figura 5. Os elementos que definem a geometria dos cristais (eixos, planos, zonas e formas) são representados por índices correspondentes as direções cristalográficas, sendo que o método de notação utilizado é o proposto por W.H. Miller, que apresenta vantagem sobre as outras metodologias propostas. O índice de Miller de uma face consiste de uma série de números inteiros derivados dos interceptos, dessa face, com os respectivos eixos cristalográficos por seus inversos e, se necessário, transforma as frações em números inteiros. Os índices de uma face são sempre dados por três números (quatro quando dos sistemas trigonal e hexagonal), referentes respectivamente aos eixos a, b e c ou a 1 , a 2 , -a 3 e c. A título de ilustração, a figura 6 apresenta intersecções relativas de faces de um cristal ortorrômbico, seccionando os segmentos positivos dos eixos cristalográficos com (1a, 1b, 1c), (2a, 2b, c) e (1a, b, c) respectivamente. Aplicando-se o inverso tem-se ( 1 / 1 1 / 1 1 / 1 ) ( 1 / 2 1 / 2 3 / 2 ) e ( 1 / 1 1 / 1 / ), resultando respectivamente (111), (113) e (100). Por convenção o eixo c é representado na vertical, o b na horizontal no plano do papel e o a frontal, atribuindo-se símbolo positivo, respectivamente, para cima, direita e frente e negativo para as direções opostas. Quando um dos eixos cristalográficos é seccionado no segmento negativo é colocado um seguimento de linha (hífen) sobre o índice correspondente. Como exemplo (1ī1) onde o eixo b é cortado na seção negativa, ou seja, a esquerda da origem. Quando os parâmetros de corte não são conhecidos utilizam-se as letras h, k e l, respectivamente para os eixos a, b e c, ou h, k , Ī e l, para a 1 , a 2 , a 3 e c sendo o índice correspondente ao corte do eixo a 3 sempre negativo pelo fato dos eixos a 1 , a 2 e a 3 formarem 120 graus entre si, resultando que a porção negativa do eixo a 3 posicione-se na bissetriz do ângulo formado pelas porções positivas dos eixos a 1 e a 2 . De maneira idêntica a uma face às formas, que consiste de um grupo de faces de um cristal, todas com a mesma relação com elementos de simetria e com as mesmas propriedades químicas e físicas por serem formadas pelo mesmo conjunto de átomos com o mesmo arranjo geométrico, são representadas pelo índice da face primitiva,

que dá origem as outras pelas operações de simetria colocadas entre chaves. Por exemplo, o cubo e o octaedro do sistema cúbico são representados respectivamente por {100} e {111}. De maneira idêntica as direções lineares definidas pelo arranjo paralelo das interseções de faces, denominadas de Zonas, recebem os índices que são colocados entre colchetes, sendo que as linhas paralelas as intersecção que passam pelo centro do cristal são denominadas de zonas axiais. Como exemplo tem-se [100] zona axial disposta paralelamente ao eixo a; [111] direção perpendicular à face (111). Para facilitar a visualização e ou determinação das simetrias, formas e zonas existentes nos cristais, todos os elementos obtidos, são lançados em projeções (esférica, estereográfica e/ou ortogonal). Dessa forma é possível deduzir todos os elementos que por um motivo ou outro não estão presente no cristal em análise (Figura 7).

é possível deduzir todos os elementos que por um motivo ou outro não estão presente no
NOÇÕES DE CRISTALOQUÍMICA Os cristais são formados pela aglutinação dos elementos químicos sob a forma
NOÇÕES DE CRISTALOQUÍMICA Os cristais são formados pela aglutinação dos elementos químicos sob a forma

NOÇÕES DE CRISTALOQUÍMICA Os cristais são formados pela aglutinação dos elementos químicos sob a forma de átomos e, principalmente, cátions e ânions simples ou complexos, em função da atração eletrostática, resultante das ligações iônicas, covalentes, metálicas e de Van der Waals. Apresentam composição química definida e constante dentro de certos limites, possibilitando a atribuição de fórmulas químicas. Nas ligações iônicas, cátions (íons de carga positiva) e ânions (íons de carga negativa) se unem de forma simples, como no caso do mineral halita (NaCl), onde o cátion Na, de valência unitária positiva e o ânion cloro de valência unitária negativa geram estrutura cúbica, como representado na figura 1. Estas ligações podem ser formadas também pelos grupos aniônicos (radical aniônico) negativos a exemplo do NO 3 - , CO 3 2- , BO 3 3- , SO 4 2- , PO 4 3- , SiO 4 4- , ou positivo NH 4 + . Dessa forma os últimos orbitais dos átomos são completados um cedendo eletro e outro recebendo. Nas ligações covalentes a união dos elementos químicos ocorre pelo compartilhamento dos eletros dos últimos níveis eletrônicos (camadas) a exemplo da ligação entre os átomos de carbono na constituição do diamante,

onde os quatro eletros das últimas camadas são compartilhados para preencher o último nível de eletros dos elementos químicos envolvidos na ligação. Nas ligações metálicas as últimas camadas de elétrons formam uma nuvem (nuvens de elétrons), que não pertencem especificamente a um determinado elemento, como é ocaso dos minerais do grupo dos elementos nativos (ouro, prata, cobre, etc.), que possuem a propriedade de maleabilidade, ductilidade e são excelentes condutores de calor e corrente elétrica. A ligação de Van der Waals ou molecular une moléculas e unidades estruturais através de cargas residuais presentes em estruturas polares e, até mesmo em estruturas apolares que são neutras, constituindo-se na mais fraca das ligações químicas. Esse tipo de ligação não é muito comum no reino mineral, podendo ser destacado como exemplo a grafita, onde as camadas de átomos de carbono ligadas de modo covalente são unidas entre si por ligações de Van de Waals. Transições entre as ligações iônicas, covalentes e metálicas são comuns nos minerais, podendo existir mais de um tipo de ligação na constituição de um cristal, a exemplo da grafite citada acima (covalente e de Van der Waals) e do talco (transição iônico-covalente e de Van der Waals), fato que explica a baixa dureza desses dois minerais. Os minerais que possuem apenas um tipo de ligação, pura ou de transição, são denominados de homodêsmicos e os com mais de um tipo de heterodêsmicos. Em decorrência dos raios dos cátions e ânions, de suas respectivas cargas e ambiente de pressão e temperatura vai ser o empacotamento e, em conseqüência, a força de ligação entre os elementos que constituem um determinado mineral. Na dependência dos fatores acima se formam “empacotamento” de átomos com maior ou menor densidade atômica, refletindo na densidade, dureza e índice de refração destes, entre outras propriedades. Para entender o “empacotamento” é necessário ter conhecimentos básicos sobre os princípios da coordenação.

Princípios da coordenação: Quando íons de carga opostas se unem para formar uma estrutura cristalina eles tendem a apanhar para si, ou coordenar, tantos íons quanto permitir o seu tamanho, de forma que todos se tangenciem ou seus orbitais esternos se interpenetrem. Quando os elementos estão unidos por ligações iônicas simples podem ser considerados como esferas em contato, resultando em simetria simples. Os íons coordenados agrupam-se sempre em torno de um íon coordenador central, assim, em uma estrutura estável de cristal, cada cátion está no centro de um poliedro de coordenação de ânions e o número de ânions que ocorrem ao redor do cátion formando o poliedro é o número de coordenação (N.C.) (Figura 8). No caso do NaCl o Na e o Cl formam cubos de face centrada, onde estes cubos estão encaixados de tal modo que o vértice (000) de um coincide com o vértice (½½½) do outro. Dessa forma tem-se 6 Cl envolvendo 1 Na e 6 Na envolvendo 1 Cl. Portanto o número de coordenação é 6 e o tipo de coordenação é octaédrica. A relação entre os raios iônicos do cátion (Rc) e do ânion (Ra), Rc:Ra é que determina o tipo de coordenação, sendo que o número de coordenação depende também das cargas dos íons. Dessa forma se a relação Rc:Ra for muito pequena (cátion pequeno e ânion grande) a exemplo da água, o tipo de coordenação será angular e o número de coordenação 1 e 2 (cada H coordena 1 O e cada O coordena 2 H). Se a relação Rc:Ra > que 0,225, porém não suficiente pequena para originar número de coordenação 1 e 2, origina-se compostos de número de coordenação 3 a exemplo dos boratos, nitratos, carbonatos. Cabe ressaltar que, se a relação for pequena, como no caso do (CO 3 ) -2 , que é 0,128, a coordenação será plana (triangular), enquanto que para relações mais próximas de 0,225 a coordenação tende a ser piramidal. Se 0,225<Rc:Ra<0,414 o centro dos ânions ocuparam os vértices de um tetraedro regular a exemplo do SiO 4 , onde o Si é envolto por 4 O. Para 0,414<Rc:Ra<0,732 o centro das partículas “a” ocuparam o vértice de um octaedro a exemplo do NaCl e PbS. Para 0,732<Rc:Ra<1, o centro das partículas “a” ocupa o vértice de um cubo a exemplo do CsCl. No caso de Rc:Ra=1, o número de coordenação será 12 e o tipo hexagonal e regular, a exemplo do Au, Ag, Pt, etc. Desta forma, para os compostos com ligações fracas iônicas e metálicas somente é possível as coordenações 2, 3, 4, 6, 8 e 12, todavia compostos com ligações covalentes, onde ocorre a interpenetração dos orbitais aparecem também os números de coordenações 5; 7, 9, 10 e 11. Cada íon em uma estrutura de cristal tem algum efeito sobre todos os outros de atração se as cargas forem opostas e de repulsão quando de igual carga. Por conseguinte, os íons tendem a agrupar-se no espaço para a formação de retículos cristalinos, de tal maneira que os cátions estejam afastados um dos outros o máximo possível possibilitado pela coordenação dos ânions que resultará na neutralidade elétrica. Assim, quando os cátions compartilham ânions entre si, fazem-no de tal maneira que se colocam tão afastados quando possível. Em conseqüência, os poliedros de coordenação formados em redor de cada um são unidos mais comumente pelos vértices do que pelas arestas ou faces. Os cátions pequenos, especialmente com cargas altas tendem a compartilhar o menor número de ânions possível, normalmente 3 ou 4.

Em 1929 Pauling enunciou 5 regras para a arquitetura dos cristais, que são: 1- Um

Em 1929 Pauling enunciou 5 regras para a arquitetura dos cristais, que são:

1-

Um poliedro coordenador de ânions é formado em torno de cada cátion, sendo a distância cátion-ânion determinada pela soma dos raios (caso não ocorra interpenetração), e o número de coordenação do cátion será dado pela relação dos raios e das cargas.

2-

Em uma estrutura de coordenação estável, a intensidade total das ligações de valências que alcançam um ânion, vindas de todos os cátions vizinhos é igual à carga do ânion (princípio da valência eletrostática).

3-

A existência de arestas e, particularmente, de faces, comuns a dois poliedros de ânions, em uma estrutura

coordenada, diminui a estabilidade. Efeito que é grande para os cátions com valência alta e número de coordenação pequeno, sendo especialmente grande, quando a relação dos raios se aproxima do limite mais baixo de estabilidade do poliedro (Figura 9). 4- Em um cristal contendo cátions diferentes, os de valência elevada e número de coordenação pequeno tendem a não compartilhar os elementos do poliedro com os outros. 5- O número de espécies de constituintes essencialmente diferentes em um cristal tende a ser pequeno (princípio da economia). Este princípio não se refere às espécies de constituintes diferentes quimicamente,

mas aos tipos de lugares atômicos estruturalmente distintos. Assim, em cristais de composição muito complexa, íons diferentes, ocupam a mesma posição estrutural e neste caso são considerados como “constituintes” únicos, por apresentarem dimensões similares.

Em função das relações Rc: Ra (raio do cátion pelo raio do ânion) de muitos

Em função das relações Rc: Ra (raio do cátion pelo raio do ânion) de muitos compostos propiciarem resultados idênticos, fato que pode ser constato pelos padrões de raios X, onde compostos diferentes apresentam padrões idênticos com espaçamentos e/ou intensidades similares ou bem diferentes, em função de ordenação idêntica com espaçamentos similares (elementos químicos com relação e tamanhos absolutos similares) ou diferentes (relações idênticas, porém dimensões absolutas diferentes). Disto resulta o conceito de tipo estrutural, que pode ser exemplificado pelos compostos UO 2 (uraninita) e CaF 2 (fluorita), minerais que apresentam estruturas análogas sob todos os aspectos, embora as dimensões da cela sejam diferentes e da mesma forma que as propriedades físicas e químicas. Quando isto ocorre diz-se que estas substâncias são isoestruturais ou isotípicas, sendo que quando as estruturas forem isoestruturais e as dimensões absolutas e as cargas dos elementos foram similares os dois compostos podem constituir uma estrutura cristalina única, ou seja, os dois compostos podem formar uma solução sólida no estado cristalino. Disto resulta o conceito de grupo isoestrutural, que é de grande importância para a mineralogia, uma vez que possibilitam agruparem minerais relacionáveis entre si por estruturas análogas, tendo geralmente um ânion comum e apresentando freqüentemente substituição iônica ampla. Nesse contexto tem-se o grupo dos carbonatos ortorrômbicos e romboédricos, sulfatos ortorrômbicos, piroxênios, etc.

Isomorfismo Em decorrências dos raios dos íons (ânions e cátions) poderem apresentar dimensões similares ou relações cátion/ânions idênticas ou pouco diferentes surge o conceito de isomorfismo (iso, igual, e morphos, forma). Minerais isomorfos são aqueles que possuem estrutura cristalina semelhante, más composição químicas diferentes ou variáveis dentro de determinados limites, a exemplo dos carbonatos romboédricos (calcita – CaCO 3 , dolomita – CaMg(CO 3 ) 2 , magnesita MgCO 3 , rodocrosita - MnCO 3 e siderita - FeCO 3 ) e da Halita - NaCl e Galena – PbS. Os minerais isomórficos, formados por elementos com raios idênticos e cargas iguais, podem apresentar intercâmbio entre os seus constituintes de forma total ou parcial, na dependência de restrições de dimensões e cargas, dando origem a substâncias de composição intermediária entre dois ou mais termos finais. Disto resulta o fenômeno conhecido como Solução Sólida, que é exemplificado pelo grupo da olivina, onde os termos finais forsterita (Mg 2 SiO 4 ) e faialita (Fe 2 SiO 4 ), que possuem o mesmo radical e cátions com raios iônicos similares e mesma carga, substituem mutuamente gerando compostos intermediários ((Fe,Mg) 2 SiO 4 ). Minerais isomórficos (isoestruturais) compostos por elementos com raios iônicos significativamente diferentes, mesmo apresentando as mesmas relações aniônicas, ou com cargas diferentes sem que exista a possibilidade de substituição acoplada, que compense a diferença de cargas não formam solução sólida a exemplo dos pares isomórficos calcita-magnesita e halita-galena. Como pode notar, isomorfismo não é Sinônimo de solução

sólida, pois nem todos minerais isomorfos formam solução sólida, embora todos os compostos para formarem soluções sólidas tem que ser isomorfos.

Substituições químicas Para que haja substituição química ou constitua uma solução sólida é necessária a ocorrência de substituição de um íon por outro, e para que isso se realize é necessário que certas regras sejam obedecidas:

1- Um íon pode substituir outro se a diferença de raios for menor que 15% e as cargas forem iguais, a exemplo do Fe 2+ e Mg. No caso do K (1,33Ǻ) e Na (0,99Ǻ) apesar das cargas iguais e semelhança química a diferenças de tamanho superior a 30% não possibilita a substituição a não ser em altas temperaturas.

2- Íons com mesma valência, obedecendo ao item 1, podem se substituir.

3- Íons com valências diferentes, podem se substituir, com a compensação da valência por substituições acopladas, envolvendo dois ou mais elementos químicos, desde que a diferença de Rc:Ra seja inferior a 15%. O exemplo mais comum é do grupo do plagioclásio onde ocorre a substituição do Na + e Ca 2+ , com a carga compensada pela substituição do Si 4+ do tetraedro por Al 3+ , onde a albita NaAlSi 3 O 8 se mistura com CaAl 2 Si 2 O 8 (anortita) resultando no composto (Na,Ca)Al (Si,Al)Si 2 O 8 . 4- Quando os íons possuem dimensões absolutas superiores a 15% e normalmente inferiores a 30-35% a substituição é parcial ou propiciada apenas por temperaturas elevadas, que com a queda da temperatura a solução torna-se instável e se durante o resfriamento houver um elemento catalítico, vai ocorrer a separação das fases (desmisturação ou exsolução), formando cristais isolados ou intercrescimento cristalino a exemplo das pertitas e antipertitas.

Exsolução (Desmisturação) Em função da geração de muitos minerais em condições de temperaturas elevadas ocorre a incorporação de quantidades variáveis de elementos químicos com raios iônicos possuindo diferenças significativas, normalmente superiores a 15% e inferiores a 35%, na dependência da estruturação mais compacta ou mais frouxa, que é característica do mineral. Normalmente, os íons em desacordo as regras de solução sólida, se houver um elemento catalisador (queda lenta temperatura, deformação, variação de temperatura e passagem de fluidos) são rejeitados e obrigados a constituírem uma nova fase cristalina, que na dependência da mobilidade dos elementos, forma cristais independentes ou mais, comumente, filetes, filmes, ribbons e formas irregulares no interior do mineral de origem (hospedeiro) (Figura 10).

no interior do mineral de origem (hospedeiro) (Figura 10). Polimorfismo Das diferentes possibilidades de empacotamento

Polimorfismo Das diferentes possibilidades de empacotamento resultante de relações aniônicas, com valores próximos aos limites de estabilidades entre tipos de coordenação, de variação na composição química e, principalmente, do ambiente de pressão e temperatura tem-se o mesmo composto químico com diferentes estruturas, fenômeno denominado de polimorfismo (de poli, muitos, e morphos, forma). Assim minerais polimorfos são aqueles que

possuem essencialmente a mesma composição mas estruturas cristalinas diferentes, o que se reflete em suas propriedades físicas e morfológicas diferenciadas. Por exemplo, grafita e diamante são polimorfos do carbono. Ambos têm a mesma composição química mas suas estruturas são diferentes, e como tal são consideradas espécies separadas. Assim ocorre também com a calcita e aragonita, polimorfos de CaCO 3 ; quartzo α, quartzo β, tridimita, cristobalita, coesita e stishovita, polimorfos de SiO 2 .

Pseudomorfos As transformações mineralógicas podem ocorrer de forma que a estrutura interna e/ou a composição

mudem sem que ocorra a mudança da forma externa, conduzindo ao fato da forma externa ser característica de um mineral enquanto que a interna é de outro. Esse fenômeno chama-se de pseudomorfose e podem ocorre de diferentes maneiras:

1-

Substituição: quando ocorre a remoção gradual do material primitivo e uma substituição correspondente e simultânea dele por outro, sem qualquer reação química entre ambos. Um exemplo comum disto é a substituição da fibra vegetal da madeira por sílica originando a madeira petrificada.

2-

Incrustação: quando ocorre a deposição de uma crosta de um mineral sobre cristais de outros a exemplo de crostas de quartzo recobrindo calcita e fluorita, minerais que podem ser posteriormente dissolvidos, ficando apenas o molde de quartzo para atestar a presença destes.

3-

Alteração: neste caso ocorre a adição parcial de material novo ou a remoção parcial do material primitivo a exemplo da pirita (FeS 2 ) para goethita (FeOOH), CaSO 4 para CaSO 4 .2H 2 O.

4- Paramorfismo: quando ocorre a mudança da estrutura interna de um mineral para o de um polimorfo permanecendo a forma externa. Como exemplo tem-se a transformação de aragonita para calcita.

Cálculo da Formula Química dos minerais

A partir de uma análise química em peso porcentagem de óxidos, tendo com base nos princípios colocados

acima, de que a composição dos minerais é simples, existem poucas posições a serem ocupadas para a constituição dos minerais, cátions com dimensões similares e cargas iguais ocupam a mesma posição na estrutura cristalina, cátions com cargas diferentes e dimensões similares podem ocupar a mesma posição desde que ocorra outra substituição para compensar a diferença de carga, pode-se calcular a fórmula química do mineral. Para tal basta calcular a proporção catiônica através da divisão da porcentagem peso pelo peso molecular do óxido ou do elemento químico e depois dividir todos os valores obtidos pelo menor valor, obtendo-se assim a proporção catiônica do óxido ou do metal. Para a obtenção da formula química basta colocar as porcentagens catiônicas obtidas de acordo com a convenção normalmente utilizada.

ORIGEM DOS MINERAIS

A origem de todo mineral está condicionada a disponibilidade de elementos químicos (composição) e às

condições físicas do meio (temperatura e pressão) reinantes durante a sua formação. Por este fato, os minerais podem ser considerados o alfabeto com que a natureza escreve a sua história, constituindo-se nos elementos que possibilitam desvendar o passado e prever o futuro. Através dos minerais é possível decifrar a evolução do planeta Terra, através do tempo e os enigmas da evolução dos ambientes terrestres e mesmo extraterrestres, neste último, com base na constituição dos meteoritos caídos na terra e de amostras coletadas em corpos celestes a exemplo da Lua. Os minerais originados na superfície da Terra, normalmente, são bem diferentes dos originados no interior (composição, morfologia externa e interna, associação, etc.), notando-se diferenças significativas entre os gerados na superfície, na dependência do ambiente (deserto, pântano, região fria, quente, de floresta, etc.), bem como no interior, na dependência da profundidade, grau geotérmico, posicionamento em relação às placas tectônicas, processo geológico, etc.

O processo de cristalização tem início a partir da formação de um diminuto cristal, com dimensões de

angstron, correspondente a uma ou várias célula unitária (germe de cristalização), constituindo o núcleo que funciona como uma semente, ao qual o material vai se aderindo de acordo com a propriedade cristalográfica do germe, levando ao crescimento do cristal. Isto pode ocorrer em meio líquido (magma, soluções aquosas, etc.), gasoso e mesmo sólido, com mudanças nas condições de temperatura ou pressão.

CLASSIFICAÇÃO DOS MINERAIS. Os minerais, a exemplo dos animais e vegetais, necessitam serem ordenados ou classificados, de acordo com princípios científicos, para racionalizar o estudo. O estudo sistemático é facilitado quando se usam critérios que permitam agrupá-los em conjuntos com características similares. O princípio básico de classificação elaborado por Linné (1758) no livro In Nature serviu de base para outras classificações, como a elaborada por Berzelius (1827), que estabeleceu o sistema puramente químico; de Niggli o sistema cristalográfico ou classificação isotípica,

onde agrupou os minerais com base na sua morfologia (cúbico, hexagonal, ortorrômbico, etc.); Machatscki o sistema paragenético (associação de minerais naturais que se cristalizam juntos). As classificações mais usadas na mineralogia, por melhor atende as necessidades científicas e didáticas, uma vez que considera a estrutura e a composição química dos minerais são as de Dana e de Strunz. Estas classificações subdividem os minerais em grandes grupos, baseando-se no ânion e natureza do radical aniônico dominante em sua fórmula química, sendo que esses grupos são subdivididos com base na organização estrutural. Dessa forma têm-se como grandes grupos: elementos nativos (ouro-Au, prata-Ag, diamante-C, enxofre-S); sulfetos (galena-PbS, esfalerita-ZnS, pirita-FeS 2 , arsenopirita-FeAsS); sulfossais (tetraedrita-Cu 12 Sb 4 S 13 , enargita-Cu 3 AsS 4 ); óxidos (gelo-H 2 O, magnetita-Fe 3 O 4 , hematita-Fe 2 O 3 , rutilo-TiO 2 ) e hidróxidos (goethita-FeO(OH), Gibbsita Al(OH) 3 ); halogenetos ou halóides (halita-NaCl, Fluorita CaF 2 ); carbonatos (aragonita CaCO 3 , dolomita- CaMg(CO 3 ) 2 ); nitratos (salitre-KNO 3 , salitre-do-chile-NaNO 3 ); boratos (boracita-Mg 3 B 7 O 13 Cl, bórax- Na 2 B 4 O 7 .10H 2 O); sulfatos e cromatos (barita-BaSO 4 , gipsita-CaSO 4 .2H 2 O, crocoíta-PbCrO 4 ); fosfatos, arseniatos e vanadatos monazita-(Ce,La,Th)PO 4 , apatita-Ca 5 (PO4) 5 (OH,F,Cl); tungstatos e molibdatos (scheelita-CaWO 4 , volframita-(Fe,Mn)WO 4 ) e silicatos. Este último devido a sua grande importância é subdividido de acordo com o grau de polimerização dos tetraedros SiO 4 4- e conseqüentemente pela razão Si:O dos ânions: nesossilicatos (tetraedros isolados-Si:O=1:4, olivina-(Mg,Fe)2SiO 4 ), sorossilicatos (duplas de tetraedros-Si:O=2:7, hemimorfita- Zn 4 Si 2 O 7 (OH).H 2 O), ciclossilicatos (anéis de tetraedros-Si:O=1:3, berilo-Be 3 Al 2 Si 6 O 18 ), inossilicatos (cadeias de tetraedros simples=grupo dos piroxênios, Si:O=1:3, enstatita-Mg 2 Si 2 O 6 ; e cadeias duplas de tetraedros=grupo dos anfibólios-Si:O=4:11, tremolita-Ca 2 Mg 5 Si 8 O 22 (OH) 2 ), filossilicatos (folhas de tetraedros-Si:O=2:5, talco- Mg 3 Si 4 O 10 (OH) 2 ) e tectossilicatos(estruturas tridimensionais-Si:O=1:2, quartzo-SiO 2 , microclínio-KAlSi 3 O 8 , Albita- NaAlSi 3 O 8 ) (Figura 11). A aglutinação dos minerais com base no ânion e natureza do radical aniônico dominante apresenta as vantagens de tenderem a se formar por processos físico-químicos semelhantes e a ocorrerem associados uns aos outros na natureza; possuírem propriedades físicas e morfológicas muito mais semelhantes entre si que minerais com o mesmo cátion, por exemplo, siderita-FeCO 3 tem mais afinidade com a calcita-CaCO 3 ou com magnesita- MgCO 3 , do que com pirita-FeS 2 ou com hematita-Fe 2 O 3 . Por outro lado, a subdivisão com base na estruturação permite separar as variedades polimórficas e agrupar minerais com morfologias similares, a exemplo de carbonatos ortorrômbicos (aragonita- CaCO 3 , estroncianita- CaCO 3 witherita BaCO 3 , cerussita-PbCO 3 ) e dos romboédricos (calcita-CaCO 3 , dolomita-CaCO 3 , siderita-CaCO 3 , magnesita-CaCO 3 , rodonita-CaCO 3 ). Existem muitas outras classificações mineralógicas desenvolvidas para atender necessidades específicas, tais como a importância do constituinte presente nos minerais, o modo de ocorrência deles na natureza, gêneses e associações paragenéticas, bem como as propriedades físicas. Dentre estas se destacam:

Classificação de acordo com o elemento constituinte: Nesse caso os minerais são agrupados de acordo com o elemento químico mais importante, não levando em consideração a composição química dos minerais, as propriedades cristalográficas e físicas. Assim todos os minerais de Fe importantes vão estar reunidos em uma mesma classe: hematita -Fe 2 O 3 (trigonal romboédrica); magnetita Fe 3 O 4 (isométrico); siderita FeCO 3 (trigonal romboédrico); goethita HFeO 2 (ortorrômbico); pirita FeS 2 (isométrico); marcassita FeS 2 (ortorrômbico); troillita (FeS) (hexagonal); pirrotita Fe 1-x S (hexagonal/ortorrômbica) etc. No caso do Cobre tem-se no mesmo grupo antlerita Cu 3 (OH) 4 SO 4 (ortorrômbico); atacamita Cu 2 Cl(OH) 3 (ortorrômbico); malaquita Cu 2 (CO 3 )(OH) 2 (monoclínico); azurita Cu 3 (CO 3 ) 2 (OH) 2 (monoclínico); bornita Cu 5 FeS 4 (isométrico); calcocita Cu 2 S (ortorrômbico); calcopirita CuFeS 2 (tetragonal); covellita CuS (hexagonal); cuprita Cu 2 O (isométrico); enargita Cu 3 AsS 4 (ortorrômbico); tetraedrita (Cu,Fe,Zn,AG) 12 SB 4 S 13 (isométrico); etc.

Classificação segundo a gênese e tipo de ocorrência do mineral: Esta maneira de agrupar os minerais baseia-se no modo de formação e tipo de ocorrência, foi bastante usada pelos mineralogistas e geólogos e ainda hoje vem sendo usada especialmente na área da Geologia Econômica. Aqui os minerais são classificados em magmáticos, metamórficos, sublimados, pneumatolíticos, hidrotermais e ou formados a partir de soluções quentes, intempéricos, diagenéticos, etc.

Minerais magmáticos são aqueles que resultam da cristalização do magma e constituem as rochas ígneas

Minerais magmáticos são aqueles que resultam da cristalização do magma e constituem as rochas ígneas ou magmáticas. Os magmas podem ser considerados soluções químicas em temperaturas muito elevadas, que originam fases cristalinas de acordo com as leis das soluções, sendo extremamente raro a cristalização de um magma gerar apenas uma fase cristalina, o normal é a presença de vários minerais com composições e propriedades diferentes. De um modo geral a formação dos minerais nos magmas, com o resfriamento e mudanças no ambiente de pressão litostática ou de fluídos, entre outros fatores, é controlada especialmente pela concentração dos elementos e solubilidade dos constituintes na solução magmática. Quanto mais rápido for o processo de cristalização menor serão as fases cristalinas e maior o volume de material não cristalino (obsidianas ou vidros

vulcânicos), podendo chegar a resultar apenas em vidro, por outro lado quanto mais lenta a cristalização maior serão os constituintes gerando os pegmatitos. A cristalização dos magmas resulta as diferentes rochas magmáticas (basaltos, gabros, granitos, dioritos, peridotitos, dunitos, sienitos, piroxenitos, etc.) e, às vezes, também alguns depósitos minerais importantes, a base de magnetita, ilmenita, cromita, pirrotita, calcopirita, pentlandita, etc. resultantes de segregação devido à insolubilidade (especialmente no caso dos sulfetos) e/ou diferenças de densidade do mineral ou líquido imiscível em relação ou magma de origem. Para alguns pesquisadores, esses minerais de segregação, formam uma classe à parte, denominada minerais acumulados por segregação magmática.

Minerais metamórficos originam-se, principalmente, pela ação da temperatura, pressão litostática e pressão das fases voláteis sobre rochas magmáticas, sedimentares e também sobre outras rochas metamórficas. Os processos metamórficos (regional, contato, dinâmico, termal, de fundo oceânico, carga, impacto, etc.) geram uma grande quantidade de minerais, dentre os quais muitos, dificilmente seriam formados por outros processos, como é o caso do: diopsídio, wollastonita, idocrásio, granada, estaurolita, andaluzita, cianita, sillimanita, epidoto, tremolita, actinolita, etc. Minerais sublimados são aqueles formados diretamente da cristalização de um vapor, como também da interação entre vapores e destes com as rochas dos condutos por onde passam. O exemplo mais comum de sublimação é a formação da neve, cristalização do gelo a partir de vapor d’água. Já associado às atividades ígneas, pelo fato dos magmas possuírem voláteis como a água, o enxofre, o gás carbônico, o cloro, o flúor, o boro e seus compostos voláteis, além de outros constituintes menores, aparecem muitos minerais sublimados. Os voláteis contidos nos magmas concentram-se nas fases residuais e quando os magmas chegam próximo ou na superfície terrestre, as fazes volátil tendem a escapar, aspecto que ocorre nas erupções vulcânicas ou nas fumarolas e ai podem depositar minerais por sublimação direta, formando halita (NaCl - sal-gema ou de cozinha), sal amoníaco (NH 4 Cl), enxofre, silvita (KCl), boratos, cloretos e fluoretos. Outros minerais, a exemplo da hematita, podem aparecer em cavidades vulcânicas, gerados por processos de sublimação, resultante da interação do FeCl 3 com o vapor de água, conforme a reação: 2FeCl 3 + 3H 2 O=Fe 2 O 3 + 6HCl. Minerais pneumatolíticos são formados pela reação dos constituintes voláteis oriundos da cristalização magmática, desgaseificação do interior terrestre ou de reações metamórficas sobre as rochas adjacentes. Nesse processo pode ser formado: topázio, berilo, turmalina, fluorita, criolita, cassiterita, volframita, flogopita, apatita, escapolita, etc. Na formação da cassiterita o composto volátil SnF 4 reage com o vapor d’água, segundo a reação:

SnF 4 + H 2 O=SnO 2 + 4HF. Minerais formados a partir de soluções originam-se pela deposição devido à evaporação, variações de temperatura, pressão, porosidade, pH e/ou EH. Esse processo ocorre na superfície da terra e em diferentes profundidades. Na superfície da Terra as soluções quando não diretamente ligadas a atividades magmáticas, normalmente, possuem a temperatura do ambiente, sendo consideradas frias e diluídas, enquanto que, aquelas que circulam lentamente em profundidades e/ou estão associadas a atividades vulcânicas são quentes e possuem grande quantidade de cátions e anions dissolvidos, e podem gerar importantes depósitos minerais. Os principais processos de formação de minerais a partir de soluções estão relacionados abaixo.

- Evaporação do solvente: neste processo a precipitação ocorre devido à concentração ultrapassar o coeficiente de solubilidade pelo processo de evaporação, fato que ocorre, principalmente em regiões quentes e secas, formando sulfatos (anidrita, gipsita, etc.), halogenetos (halita, silvita, etc.), etc.

- Perda de gás agindo como solvente: processo que ocorre quando uma solução contendo gases entra em contados com rochas provocando reação a exemplo do que ocorre quando solução aquosa contendo bióxido de carbono entra em contato com rochas calcárias, nesse caso o carbonato de cálcio é parcialmente dissolvido formando o bicarbonato de cálcio [CaH 2 (CO 3 ) 2 ], composto solúvel na solução. O bicarbonato de cálcio é instável e por causa do aumento de concentração resultante de evaporação, e/ou devido à desgaseificação da solução e a outros fatores, ocorre a reversão da reação de dissolução precipitando o carbonato de cálcio (CaCO 3 + H 2 O + CO 2 CaH 2 (CO 3 ) 2 ). Esse processo pode dar origem às estalactites, às estalagmites, ao mármore ônix, ao ônix das cavernas e ao mármore travertino.

- Diminuição da temperatura e/ou pressão: As soluções de origem profunda resultantes de transformações metamórficas (desidratação, descarbonatação, etc.) ou de cristalizações magmáticas, normalmente contém significativas quantidade de material dissolvido. Quando essas soluções esfriam ou a pressão diminui, formam- se minerais hidrotermais, depositados na forma de veios ou filões. As fontes termais e os gêiseres possuem uma grande quantidade de minerais depositados (carbonatos, sulfetos, arsenietos, halogenetos, etc.), constituindo-se em evidências da atuação desse processo.

- Interação de soluções: O encontro de soluções aquosas com solutos diferentes ao se interagirem pode ocorrer à formação de um composto insolúvel ou com coeficiente de solubilidade bem mais baixo, que se precipita. Como exemplo pode ser citado o encontro de uma solução com sulfato de cálcio (CaSO 4 ) com outra contendo carbonato de bário (BaCO 3 ), resultando na formação de um precipitado denominado de barita (BaSO 4 ).

- Interação de soluções e cristais: Nesse caso uma solução com determinado composto solúvel reage com minerais originado outras fases minerais, como o que ocorre quando uma solução com sulfato de zinco, entra em contato com calcita, contida em mármores ou calcários, originando a smithonita (ZnCO 3 ) e a anidrita (CaSO 4 ) ou gipsita (CaSO 4 .2H 2 O).

- Interação de gases com soluções: A passagem de gás por uma solução contendo íons pode gerar precipitado a exemplo do que ocorre com a passagem de H 2 S (gás sulfídrico) por uma solução contendo cátions de Fe, Cu, Zn, etc., formando sulfetos de ferro (pirita FeS 2 ), calcopirita (CuFeS 2 ), esfalerita (ZnS), etc.

- Ação de organismos sobre soluções: Esse processo resulta da ação dos organismos vivos, animais ou vegetais, sobre as soluções, dessa forma um grande número de seres marinhos (corais, crinóides, moluscos, etc.) extraem o carbonato de cálcio das águas salgadas para formar suas conchas e partes duras de seus corpos, resultando na formação de calcita (CaCO 3 ) e em menor quantidade aragonita (CaCO 3 ) e dolomita(MgCa(CO 3 ) 2 ). Da mesma forma as esponjas, os radiolários e as diatomáceas provocam a precipitação da sílica amorfa; algumas bactérias precipitam o ferro (limonita ou goethita) ou promovem a deposição do enxofre, nitratos, etc. Classificação química: Neste caso os minerais estão arranjados de acordo com as suas composições químicas, resultando nos grupos: elementos nativos, sulfetos, sulfossais, óxidos, etc. Classificação quanto à coloração:

Minerais máficos ou fémicos aqueles que possuem cores escuras por conterem ferro, magnésio, titânio, Manganês, etc. a exemplo da olivina, piroxênios, anfibólios, etc. Minerais félsicos ou siálicos, são incolores ou brancos, compostos a base de sílica e/ou alumina, tais como: quartzo, feldspato, zeólita, etc. Classificação quanto à densidade:

Leves: são aqueles que bóiam no bromofórmio por terem densidade menor que esse composto químico

(2,89).

Pesados: são os que possuem densidade superior a 2,89, portanto afundam no bromofórmio. Classificação quanto à utilização:

Mineral de minério são aqueles que constituem os minérios substâncias dos quais podem ser extraídos um ou mais elementos úteis com finalidades lucrativas (econômicas). Neste contexto aparecem à denominação de mineral de ganga e mineral de canga. Todo mineral que acompanha o mineral de minério que não é aproveitado na jazida por problemas econômicos ou tecnológicos é denominado de ganga e os que aparecem na superfície das jazidas, resultantes de oxidação ou laterização são denominados de canga. Neste contexto também aparece o termo bem mineral que é aplicado a todo o mineral ou mineralóide utilizado pelo homem. Minerais de gemas ou pedras preciosas são minerais que são usados para a confecção de jóias e bijuterias, sendo que nos livros especializados os minerais de gemas podem ser classificados quanto à coloração, dureza, brilho e outras propriedades físicas. Mais de 330 espécimes de minerais são ou foram usados como gema. Minerais de rochas ocorrem formando as rochas e são freqüentes. Minerais de ganga: minerais presentes nas jazidas junto com os minerais de minério que devido a aspectos econômicos, tecnológicos ou composicionais não são utilizados, sendo incorporados ao rejeito. Minerais de canga: minerais que recobrem os depósitos minerais e são formados pela oxidação ou laterização superficial, dominam os hidróxidos e óxidos de Fe, Al e Mn. Bens minerais metálicos são aqueles utilizados para a obtenção de um ou mais metais por processo metalúrgico, visando à obtenção de lucros, como exemplo tem-se o uso da hematita e magnetita para a obtenção do ferro, da calcopirita para obtenção do cobre, etc. Bens minerais não-metálicos referem-se a minerais ou mesmo rochas utilizadas, com finalidades econômicas pelas indústrias, destacando-se nesse contexto a utilização da argila ou argilito pela cerâmica, do quartzo pela indústria do vidro e eletrônica, do caulim pela indústria do papel e da borracha, etc. Minerais de carga correspondem aos minerais que são utilizados pela indústria como enchimento de seus produtos, objetivando a melhoria de qualidade dos mesmos (resistência, durabilidade, textura, aspectos, etc.) e principalmente, redução de custos de produção, em conseqüência de melhorar a trabalhabilidade e a diminuição do consumo de insumos mais caros, nesse contexto, pode ser destacado o uso do carbonato de cálcio na indústria de PVC e de tintas, de caulim nas indústrias de papel, borracha, tintas, etc. Classificação quanto à quantidade:

Minerais acessórios minerais que ocupam menos de 5% do volume de uma rocha. Minerais essenciais os minerais que aparecem iguais ou maiores que 5% em uma rocha. Classificação quanto ao tempo de formação:

Minerais primários são aqueles que se formaram na mesma ocasião e condições que a rocha que os contém e que mantém forma e composições originais.

Minerais secundários são os que se formam após a formação das rochas que os contém, geralmente, a custa de outro ou de outros minerais. Quando gerando em condições supérgenas, ou seja, na superfície terrestre ou a pequenas profundidades, os minerais secundários, correspondem a minerais argilosos. Minerais pretéritos ou residuais são os que resistem a processos de transformações intensos, responsáveis pela geração de outras rochas metamórficas ou magmáticas. Quanto à forma externa:

Minerais euedrais (idiomórficos) são aqueles limitados por faces planas (formas geométricas) que correspondem ao arranjo interno, podendo ser reconhecido com facilidade faces de prismas, pirâmides, pinacóides, etc.

Minerais subedrais (subidiomórfcos) são aqueles que alguns limites (faces externas) correspondem à estruturação interna e podem ser reconhecidos, embora com alguma dificuldade. Minerais anedrais (xenomórficos) correspondem aos espécimes que os limites não tem nada a ver com a estruturação interna, as faces embora possam ser planas e lisas, não tem relação com a estrutura interna do próprio mineral, sendo moldada, pela face de um outro mineral, de maior força de cristalização, mais antigo ou mais novo. Os minerais podem ser classificados ainda de acordo com as suas propriedades cristalográficas e físicas:

simetria; metálicos, não-metálicos e semimetálicos; volatilidade; ponto de fusão, fusibilidade, coloração; pleocroísmo, índice de refração, birrefringência; caráter óptico e ângulo 2V; brilho; solubilidade; magnetismo e susceptibilidade magnética; radiatividade; tenacidade; etc. Das várias classes de minerais existentes, apenas uma, a dos silicatos, é responsável pela constituição de mais de 95% em volume da crosta continental. Minerais das demais classes, embora menos abundantes, também são importantes pelo seu interesse econômico e científico. A crosta continental possui cerca de: 58% de feldspatos, 11% de quartzo, 13% de piroxênios e anfibólios, 10% de filossilicatos, 3% de olivina, 2% dos demais silicatos e de 3% de minerais não silicáticos (carbonatos, óxidos, sulfetos, halóides, fosfatos, etc.).

NOMENCLATURA DOS MINERAIS Os nomes dos minerais não seguem uma base científica, derivam de propriedade física ou química característica, da localidade onde foram encontrado, de nome de técnicos (mineralogistas, geólogos, químicos, engenheiros) ilustres ou que encontrou ou descreveram pela primeira vez o mineral, em homenagem a figuras públicas e a qualquer outro aspecto considerado apropriado. Dessa forma têm-se as denominações: Distênio (AlSiO 5 ) do grego dis (dois) e sthenos (força), porque tem dureza 4,5 ou 7,0 conforme a face considerada; cromita (FeCrO 4 ) por causa da grande quantidade do elemento cromio (cromo) no mineral; esfênio (CaTiSiO 5 ) do grego sphen (cunha), pelo seu hábito; magnetita (Fe 3 O 4 ), por apresentar forte magnetismo; franklinita (ZnFe 2 O 4 ) de Franklin, Nova Jérsei (EUA) onde ocorre associado com outros minerais de zinco; Alexandrita (BeAl 2 O 4 ) homenagem a Alexandre II, Czar da Rússia, por ter sido descoberta no dia do seu aniversário; Allanita (Ce,La,Y)(Al,Fe) 3 (SiO 4 ) 3 (OH) em homenagem a Thomas Allan, seu descobridor; sillimanita (AlSiO 5 ) em homenagem ao professor Benjamin Silliman da Universidade de Yale; albita do latim albus (branco) em alusão a sua cor. Atualmente, a Associação Mineralógica Internacional possui uma comissão que avalia todas as descrições dos novos minerais e julga se o nome é apropriado para o novo mineral, como também a caracterização científica. Atualmente a nomenclatura dos minerais é controlada pela Comissão de Novos Minerais e Novos Nomes de Minerais (CNMNM) da Associação Mineralógica Internacional (IMA), criada em 1959. Os nomes de novos minerais devem ter, no caso brasileiro, a terminação em “ita”. Em contraposição, a terminação “ito” que é usada para nomes de rochas. Os minerais conhecidos desde épocas remotas e cujos nomes já têm uso consagrado podem não respeitar esta regra. Para a denominação de novos minerais devem ser seguida uma das seguintes recomendações: que o nome indique a localização geográfica de sua descoberta; que indique uma de suas propriedades físicas (exemplos: tetraedrita em função do seu hábito tetraédrico, rodonita em função de sua cor rosa (rhodon do grego=rosa)); que indique a presença de um elemento químico predominante (exemplos: molibdenita, cuprita, arsenopirita); que homenageie uma pessoa proeminente (exemplos: andradita em homenagem a José Bonifácio de Andrade e Silva; tavorita em homenagem a Távora Filho, geólogo brasileiro; djalmaíta em homenagem a Djalma Guimarães, geólogo brasileiro; arrojadita em homenagem a Miguel Arrojado Lisboa, geólogo brasileiro). Quando ocorrem apenas pequenas variações químicas na composição de um mineral, utiliza-se o termo variedade em contraposição a “espécie mineral”. Por exemplo, quando parte do zinco da espécie do mineral esfalerita-ZnS é substituído por ferro, gerando assim a fórmula (Zn,Fe)S, origina-se uma variedade de esfalerita enriquecida em Fe, e não uma outra espécie e, portanto, não recebe um novo nome.

IDENTIFICAÇÃO DOS MINERAIS Os minerais são identificados por suas propriedades físicas e químicas, resultantes de suas composições químicas e organização espacial (estrutura cristalina), que influenciam de forma marcante a morfologia (aspecto

externo do mineral). Os minerais mais comuns, quando em dimensões superiores a alguns milímetros, normalmente, podem ser reconhecidos apenas pela observação de suas propriedades morfológicas e físicas, com ou sem auxílio de lupa de mão ou utensílios simples a exemplo de canivete, vidro, porcelana, martelo, imã, ácidos, etc. Para a identificação rápida dos minerais, em atividades de campo ou mesmo de laboratório, são utilizadas as seguintes propriedades: hábito, geminação, divisibilidade, dureza, tenacidade, densidade, diafaneidade, cor, cor do traço, brilho, fluorescência, propriedades organolépticas, térmicas, elétricas, magnéticas, mecânicas, radiativas e reações com água, ácidos, bases e sais. No passado, foram bastante utilizados, mesmo em trabalhos de campo, ensaios físicos e químicos expedito envolvendo: cor de chama, fusibilidade, obtenção de pérolas por fusão, testes químicos para identificação dos radicais ou grupos aniônicos e cátions, ensaios com tubo aberto e fechado, etc. Para a determinação dos minerais com dimensões submilimétricas ou os menos comum, normalmente, é necessário à utilização de metodologia mais sofisticada, envolvendo: microscópio petrográfico, estereomicroscópio, difração de raios X, microscópio eletrônico, microssonda, espectrometria de infravermelho, etc. Para a uma determinação precisa do quimismo dos minerais, soluções sólidas, impurezas ou contaminantes é necessário à realização de análises químicas (microssonda, fluorescência de raios X, ICP, análise química convencional por via úmida, Raman, etc.)

PROPRIEDADES FÍSICAS DOS MINERAIS.

Hábito: É a forma geométrica externa exibida pelos minerais, e pode ser analisada como cristal individual (habito cristalino) ou do agregado, que pode ser subdividido em vários grupos com base no arranjo, forma e dimensões dos cristais. No primeiro caso tende a refletir mais a estrutura cristalina que o ambiente termodinâmico de formação, sobretudo, quando cresce em condições geológicas ideais. Neste caso a denominação pode ser da forma geométrica refletida externamente (dodecaedro rômbico, dodecaedro pentagonal, cubo, octaedro, prisma tetragonal, prisma hexagonal, romboedro, escalenoedro, trapezoédro, etc.) ou simplesmente uma denominação para descrever a forma externa a exemplo de: laminar (forma de lâminas), micáceo (feição comum às micas), tabular (aspecto de tábua), ripiforme (semelhança de ripa), acicular (forma de agulha), capilar ou filiforme (aspecto de cabelo), equidimensional, etc. No segundo caso tende a refletir mais o ambiente de formação que a estrutura interna e as denominações mais comuns são: granular (forma de grãos equidimensionais), disseminado (grãos dispersos por entre cristais de outros minerais), dendrítico (forma arborescente com ramificações divergentes semelhantes a plantas), reticulado (grupo de cristais delgados arranjados transversalmente), radiado (cristais alongados dispostos radialmente), drusiforme (distribuição de pequenos cristais sobre uma superfície, com ou em arranjo concêntrico), coluna (arranjo de indivíduos grossos semelhantes a colunas), laminado (agregados de lâminas superpostas), fibroso (arranjo de fibras sob a forma de feixe), estrelado (indivíduos radiados formando grupos circulares ou semelhantes a estrelas), globular (indivíduos radiados formando grupos esféricos ou semi-esféricos), botrióide (agrupamentos de formas globulares semelhante a cachos de uvas), mamilar (agrupamentos radiados, formando massas grandes arredondadas com semelhança a mamas), riniforme (botrióides arranjados de maneira a gerar aspecto de um rim), esferoidal (arranjo de agregados esféricos, com arranjos radiais ou não), plumoso (escamas finas com estrutura divergente com aspecto de pena), pisolítico (agregado micro a criptocristalino formando massas arredondadas de tamanho similar ao de ervilhas), oolítico (similar ou pisolítico porem com dimensão menor, similar a de ovas de peixes), geodo (cavidade oca revestida por cristais crescidos a partir da borda), amigdalóide (cavidades milimétricas a centimétricas totalmente preenchidas), estalactítico e estalagmítico (agrupamento de cristais granulares com formas de cones ou cilindros, o primeiro a partir do teto e o segundo da base de uma caverna), concêntricos (camadas mais ou menos esféricas superpostas umas as outras em redor de um centro comum), bandado (quando forma faixas estreitas de cor ou texturas diferentes), concreções (massas aproximadamente esféricas formadas pela deposição de material sobre um núcleo), etc.

Geminação: É a propriedade dos cristais de se intercrescerem de acordo com alguma lei que pode ser deduzida, ou seja, de maneira regular, segundo direções cristalográficas, compatíveis com operações de simetria e os indivíduos que apresentam esta propriedade são denominados de cristal geminado. Quando uma parte for derivada da outra mediante reflexão, o plano em torno do quais as duas partes do cristal estão dispostas simetricamente chama-se plano de geminação ou de composição, de forma similar, se a derivação for por revolução, a linha em torno do qual ocorreu a rotação denomina-se eixo do geminado ou eixo de geminação. Quando dois indivíduos apresentam simetria em relação a um ponto diz-se que o geminado tem um centro de simetria. A superfície de união dos cristais é denominada de superfície de composição, se está for plana chama-se plano de composição, que pode ser ou não plano de geminação. Quando a superfície de união é nítida fala-se que é geminado de contato e quando os indivíduos aparecem interpenetrados diz-se que são geminados de penetração. Quando aparecem apenas duas partes unidas denomina-se geminação simples, e o aparecimento de três ou mais partes, todas geminadas de acordo com a mesma lei caracteriza os geminados múltiplos ou de repetição.

Quando a repetição gera mais de dois indivíduos com planos de composição paralelos gera a geminação polissintética (típica do grupo do plagioclásio) e se esses planos não forem paralelos resulta um geminado cíclico (característico da cordierita, rutilo, aragonita, etc.). As leis de geminação variam de acordo com os sistemas cristalográficos, sendo que nos grupos de simetria mais baixa, geralmente, gera uma simetria para o agregado maior que a do indivíduo, pelo fato da operação de geminação corresponder a uma operação de simetria adicional. De maneira similar ao hábito o tipo de geminação, em muitos casos, constitui-se em propriedade diagnóstica do mineral. Os principais tipos de geminações podem ser observados na figura 12.

tipos de geminações podem ser observados na figura 12. Divisibilidade : Refere-se a maneira que os

Divisibilidade: Refere-se a maneira que os minerais se rompem ao serem submetidos a um esforço adequado e é dividida em clivagem, partição e fratura. Clivagem é uma característica do mineral de se romper gerando superfícies planas paralelas entre si e a estrutura interna do cristal. O rompimento ocorre apenas paralelamente aos planos reticulares, onde as ligações são mais fracas, por motivo de maior espaçamento ou ligações mais fracas. De acordo com a superfície e facilidade de rompimento se divide em proeminente ou excelente (galena e micas), perfeita ou boa (fluorita e feldspatos), distinta

ou mediana (sodalita, epidoto) e indistinta ou imperfeita (apatita e berilo). Em razão de a clivagem ser uma propriedade condicionada pela estrutura interna e correspondente a fácies possíveis do cristal, em geral àquelas mais comuns, as formas resultantes podem receber as denominações das formas cristalográficas correspondentes, a exemplo: de cúbica {100}, octaédrica {111}, dodecaédrica {011}, romboédrica {10ī 1}, prismática {110}, pinacoidal ou basal {001}, etc. (Figura 13).

{110}, pinacoidal ou basal {001}, etc. (Figura 13). Partição é uma propriedade apresenta pelos minerais de

Partição é uma propriedade apresenta pelos minerais de se romperem em superfícies planas e paralelas entre si, decorrentes de fraquezas resultantes de acúmulos de defeitos, inclusões ou planos de composição de geminação. Como a clivagem é controlada pela estrutura interna do mineral, podendo receber denominações similares a esta, quando a perfeição do plano gerado ou forma geométrica correspondente a estes, porém, nem sempre está presente em uma determinada espécie de mineral. Por exemplo, o coríndon de uma determinada região ao ser rompido gera apenas fraturas, já de outra região rompe formando três conjuntos de planos paralelos entre si, não ortogonais gerando forma romboédrica. Cabe ressaltar que alguns minerais a exemplos dos inossilicatos apresentam clivagem prismática e podem apresentar também partições perpendiculares aos três eixos cristalográficos, em função da presença de geminação ou desmisturações segundo estas direções (Figura 14).

ou desmisturações segundo estas direções (Figura 14). Fratura corresponde ao rompimento do mineral segundo planos

Fratura corresponde ao rompimento do mineral segundo planos irregulares, não paralelos entre si, caoticamente dispostos espacialmente, portanto sem relacionamento com a estrutura interna do mineral. A fratura pode ser classificada de acordo com a morfologia da superfície de rompimento em: concóide ou conchoidal (rompimento gerando superfície com aspecto da superfície interna de uma concha a exemplo do vidro e do quartzo); fibrosa ou estilhaçada (quando o rompimento gera estilhaços ou fibras); serrilhada (superfície denteada, irregular, com bordos cortantes); desigual ou irregular (superfícies rugosas e irregulares) e planar (quando gera superfícies relativamente planas porém não paralelas entre si).

Dureza: É a resistência que uma superfície lisa do mineral oferece ao ser riscada e é representada pelo símbolo D. Trata-se de uma propriedade vetorial, que depende da orientação, aspecto exemplificado pelo mineral cianita ou distênio, que segundo o seu maior comprimento é riscado facilmente pelo canivete e transversalmente risca o canivete. A determinação da dureza de um determinado mineral pode ser realizada através da comparação com os minerais que constituem a escala de dureza de Mohs, que varia de 1 a 10 e é representada por: talco (1), Gipso (2), calcita (3), fluorita (4); apatita (5), ortoclásio (6), quarto (7), topázio (8), coríndon (9) e diamante (10). A dureza segundo Mohs pode ser estimada também fazendo uso de utensílios simples e comuns a exemplo do palito de fósforo (1 a 2), unha (2 a 2,5), cobre (3), (lâmina de canivete ou faca (pouco mais de 5), vidro comum (ao redor de 5,5), porcelana comum (6 a 7), aço de lima (ao redor de 6,5), porcelana de alto alumínio (8,5 a 9), carbeto de silício (SiC) (ao redor de 9,5). Para se obter a dureza Mohs risca o mineral no outro, ou no utensílio, e vice-versa verificando após o teste qual dos dois foi sulcado (riscado), após limpar a superfície que foi riscada. Ás vezes, a lupa auxilia muito, principalmente, quando a dureza dos minerais é muito próxima. Para fazer o teste é necessário verificar se a superfície a ser experimentada não apresenta sinais de alteração; não confundir material deixado na superfície do mineral mais duro com sulco, sulco é permanente; procurar riscar sempre sobre superfícies lisas e homogêneas e empregar um ângulo saliente do mineral que vai riscar; minerais com mesma dureza podem riscar-se mutuamente, dependendo da pressão aplicada; em alguns casos a natureza física de um mineral pode impedir uma determinação correta de sua dureza a exemplo dos materiais pulverulentos, granulares ou estilhaçados, que pode ser rompido por impacto, aparentemente riscado por mineral bem mais mole, porém com maior tenacidade, daí a necessidade de inverter o processo para confirmar a dureza. Em laboratório pode ser determinada a dureza através de equipamentos especiais a exemplo de esclerômetros, através do desgaste, ou através da pressão de ponteiros com pontas de diamante.

Tenacidade: É a resistência que um mineral oferece ao choque, ao ser quebrado, esmagado, curvado ou rasgado e pode ser dividido em: frágil (quebra-se facilmente com o martelo e os fragmentos saltam para os lados a exemplo do enxofre); friável (quebra-se facilmente com o martelo, porém os fragmentos ficam no lugar, sendo que

o mineral pode ser quebrado por simples pressão, sem bater a exemplo da bauxita e gipso); tenaz (quando apresenta

grande resistência contra qualquer tipo de ataque mecânico a exemplo do quartzo); séctil (pode ser contado em lâminas com o canivete e as lascas ficam coesas, a exemplo do gipso); maleável (quando ao impacto do martelo gera lâminas sem se romper a exemplo do cobre e ouro); elástico (quando as folhas ou fibras voltam à forma inicial

após cessar a pressão sob a qual esteve submetida a exemplo da muscovita); flexível ou plástico (quando as folhas ou fibras conservam a forma adquirida pela deformação a exemplo do talco e vermiculita) e dúctil (os que possuem

a propriedade de formar fios, sem se romper, sob tensão).

Densidade ou peso específico: É um número que exprime a relação entre seu peso (massa) e volume ocupado dureza M/V. Já densidade relativa (dr) de um mineral é um número que exprime a relação entre o seu peso e o de um volume igual de água a 4°C e 1 atmosfera. Trata-se de uma propriedade escalar de grande importância na determinação dos minerais, uma vez que é bastante variável de uma espécie para outra e constante para as variedades de uma mesma espécie mineral. A densidade depende dos espécimes de átomos de que é composto e da maneira pela quais estes estão arranjados entre si. A densidade pode ser estimada através do contato com as amostra, pela experiência adquirida com o manuseio de minerais conhecidos e pode ser determinada de diferentes maneiras. Podem-se utilizar líquidos densos, com densidades conhecidas, a exemplo do Bromofórmio (dr=2,89), iodeto de metileno (dr=3,33), que são miscíveis entre si e em acetona (dr=0,89), sendo que a solução que equilibrou o mineral medida através de densímetros. Pode ser medida em balanças específicas como a de Jolly, Wlaker ou Penfield, utilizando o princípio de Arquimedes, pesando o material no ar e dentro da água a 4°C, onde densidade peso no ar dividido pelo peso no ar menos o peso dento da água. Pode-se ainda utilizar o método do picnômetro ou do Vaso de Pisani para minerais grandes. Conhecendo-se o volume da cela unitária e a unidade de elementos por célula é possível calcular a densidade absoluta do mineral. Para a determinação da densidade devem ser tomados os seguintes cuidados: o mineral tem que ser puro; compacto, sem fendas e cavidades, onde possam existir bolhas ou películas de ar; na medida do possível utilizar volume de aproximadamente 2 cm 3 , ou seja, aproximadamente um corpo com 1,26 com de aresta; utilizar água destilada ou outro líquido com tensão superficial baixa, aspecto de grande importância para amostras com volumes muito pequenos.

Essa propriedade adquire importância ainda maior na determinação dos minerais, quando se trata de pedras preciosas, gemas ou material de coleções, por não poder utilizar as outras propriedades, que para a determinação estragam o cristal ou a lapidação. Essa propriedade é, também, de grande importância para a geração de depósitos minerais e para a separação dos minerais de minérios dos minerais de ganga.

Índice de refração: Quando a luz entra em contato com o mineral, parte reflete na superfície e parte

penetra no mineral. A luz que penetra no mineral, por passar de um meio menos denso para um mais denso, retarda

a sua velocidade e se a incidência não for normal a superfície sofre refração, ou seja, a luz muda a direção de

propagação, proporcionalmente, a alteração da velocidade da luz. A relação entre as velocidades nos dois meios é igual a relação entre o seno do ângulo de incidência e o seno do ângulo de refração (lei de Snell), onde Var/Vmin=seno(i)/seno(r)=n (índice de refração). Portanto a constante n expressa a relação entre a velocidade da luz no ar e no mineral e depende da refração dos íons, composição química, peso específico dos átomos e particularidades da estrutura cristalina dos minerais.

A luz que vibra em todas as direções, ao penetrar os minerais que não cristalizam no sistema isométrico,

passa a vibrar apenas em duas direções perpendiculares entre si (polarização da luz de acordo com essas direções), uma obedecendo a lei de Snell, recebe o nome de raio ordinário e outra que não obedece recebe o nome de raio extraordinário. Os materiais não cristalinos e os cristalinos do sistema isométrico possuem apenas um índice de refração. Os cristalizados nos sistemas trigonal, hexagonal e tetragonal, possuem dois índices de refração diferentes (ω e ε) e são chamados de uniaxiais por possuírem apenas um eixo ótico. Já os cristalizados nos sistemas ortorrômbico, monoclínico e triclínico, apresentam três índices de refração diferentes (α, β, γ) e, desta forma, o

elipsóide com três eixos diferentes possui duas seções circulares e, conseqüentemente, dois eixos óticos, sendo denominados de biaxiais.

A diferença entre os índices de refração maior e menor é denominada de birrefringência (δ) e, em alguns

casos, como na calcita é de uma magnitude que permite ser notado sem auxílio de equipamentos, basta apenas tomar um cristal transparente de calcita, e observar uma imagens através dele, que a imagem desdobra em duas,

uma correspondente ao raio ordinário e outra ao extraordinário, sendo que a correspondente ao extraordinário rotaciona ao redor do raio ordinário, se a calcita for rotacionada. A separação desses dois raios polazidados possibilita a utilização da calcita como polarizador.

O índice de refração pode ser obtido diretamente dos minerais por aparelho denominado de refratômetros

de contato ou por comparação com líquidos com índices de refração conhecidos, com ou sem auxílio de microscópio. Quando o mineral possui índice de refração igual ao do líquido somem no líquido (fica invisível), no caso de ter dois ou mais índices de refração, a observação tem que ser feita a luz polarizada, para observar o

comportamento da luz em relação aos dois meios nas diferentes direções.

O índice de refração e a birrefringência constituem em importante propriedade para a identificação de

minerais, em especial das gemas, que não podem ser danificadas na determinação.

Diafaneidade ou Transparência: É a propriedade dos minerais de deixarem a luz passar. Não existem minerais absolutamente opacos, secções finíssimas deixam passar a luz, e não existem cristais totalmente transparentes. O mais transparente é água pura, que possui cor azul em lâminas espessas, provando que existe absorção. Uma parte do raio luminoso que incide em um corpo reflete enquanto que a outra parte penetra no interior do meio. Ao penetrar em um determinado meio o raio luminoso muda de velocidade, sofre refração e gasta paulatinamente sua energia, a qual se transforma em outros tipos de energia, principalmente térmica. Dessa forma,

a intensidade de luz I que sai de um determinado meio é sempre inferior a que entra I 0 . Em outras palavras a razão I/I 0 =a, que é o coeficiente de transparência do meio em questão, tomando-se um objeto de 1 cm de espessura, quanto mais a se aproxima da unidade mais transparente é o meio. Segundo o grau de transparência os minerais se dividem em: transparentes – quando um mineral é perfeitamente visto através do meio (topázio, gipsita, quartzo); translúcido – quando a luz atravessa um objeto, más não é possível a observação com nitidez através deste (esfalerita, cinábrio); opacos – quando a luz não atravessa o meio, mesmo em bordas delgadas (pirita, magnetita, grafita); Semitransparentes – um objeto é visto com dificuldades através de um meio, intermediário entre transparente e translúcido; semitranslúcido – a luz só atravessa o mineral em bordas delgadas e com dificuldades. Obs.: Cristais quando com grande espessura podem dar a impressão de opacos (biotita, rutilo) e cristais em agregados provocam a difusão, aparentando serem bem menos transparentes.

Cor: É a primeira propriedade que nos chama a atenção, quando observado um mineral, por esta razão sua característica são muito importantes. É em função desta propriedade que diversos minerais foram designados (azurita, clorita, rodonita, albita, cianita, etc.).

Para alguns minerais a cor pode ser uma propriedade quase que definida e constante, servindo com um meio de identificação, isto quando observada em superfícies frescas e quando o mineral não mostra alteração (pirita – amarelo latão; galena – cinza chumbo; malaquita – verde; magnetita – preto; ouro – amarelo). Contudo, a grande maioria dos minerais não exibe uma cor constante em suas diferentes espécies, devido principalmente a: variação na composição do mineral, a exemplo da entrada de Fe no ZnS, tornando este mineral de branco a castanho; presença de impurezas a exemplo de hidróxidos de ferro na halita gerando cores amarela a vermelha; entrada de elementos químicos cromóforos (Ti, Fe, V, Cr, Mn, Co, Ni, Cu, etc.); alteração na homogeneidade da estrutura cristalina e mudança do estado eletrolítico dos íons; presença de íons soltos ou grupos inteiros deles ocupando espaços vazios da estrutura.

A cor é uma propriedade vetorial, desta forma, os minerais que não cristalizam no sistema isométrico,

podem exibir cores diferentes em função da absorção seletiva da luz nas diferentes direções cristalográficas. Este fenômeno recebe a denominação de pleocroísmo e pode ser observado utilizando-se de um polaróide, caso apresente apenas duas cores, no caso dos minerais uniaxiais (tetragonais, trigonais e hexagonais) são ditos dicróicos (dicroísmo) e no caso dos biaxiais (triclínico, monoclínico e ortorrômbico) são tricóicos (tricoísmo).

A cor dos minerais como propriedade para a determinação deve ser utilizada com muita cautela e pode ser

agrupadas em três grandes conjuntos: idiocromáticos – termo aplicado aos minerais que apresentam sempre a mesma coloração, sua cor é própria, condicionada por suas propriedades internas ou constituição (enxofre, cobre, magnetita); alocromáticos – aqueles que apresentam grande variação na coloração devido a presença de impurezas, inclusões, pigmentos, são incolores ou brancos quando puros, se pulverizados perdem a cor que possuíam, tornando-se esbranquiçados (quartzo, turmalina, berilo); e pseudocromáticos – naqueles que se observa,

às vezes, um jogo de cores determinado pela interferência da luz incidente devido a reflexão de superfícies internas (clivagem, fraturas, inclusões), neste caso a coloração não tem nada a ver com a natureza do próprio mineral (labradorita, hematita alterada).

Variação de Cores: A cor de dos minerais nem sempre é constante, varia em função de inclusões, cavidades, defeitos ou de particularidades cristalográficas, gerando aspectos interessantes, que recebem denominações, tais como: jogo de cores quando um mineral colocado em várias posições, em relação a fonte de luz, exibe várias cores espectrais numa rápida sucessão a exemplo do diamante, opala preciosa e labradorita; mudança de cor efeito semelhante ao anterior porém com as cores mudando vagarosamente com a rotação do cristal em relação a fonte de luz; iridescência aparecimento de uma série de cores espectrais na superfície (película de revestimento superficial) ou interior do mineral (fratura e planos de clivagem); opalescência reflexão leitosa no interior de um mineral em função da presença de minúsculas inclusões fluídas (opalas e pedra da lua, variedade de albita e adulária); embaçamento quando a cor da superfície é diferente da cor interna devido oxidação ou alteração, aspecto comum para minerais de cobre (calcopirita, bornita, calcosita, prata), fenômeno que pode ser acompanhado de iridescência; acatassolamento quando na luz refletida alguns minerais mostram uma aparência sedosa, resultante de muitas inclusões dispostas paralelamente a uma direção cristalográfica, a exemplo das inclusões de amianto no quartzo gerando o olho de tigre, ou de finíssimas cavidades tubulares arranjadas segundo uma posição cristalográfica no crisoberilo originando o olho de gato verdadeiro; asterismo propriedade de alguns minerais do sistema trigonal ou hexagonal que quando observado paralelamente ao eixo c mostram raios de luz como uma estrela, em função da disposição de inclusões ou particularidades cristalográficas (safira astérica, rubi astérico, flogopita).

Cor do traço: Trata-se da cor do pó de um mineral, que é determinada atritando o mesmo em uma placa de cerâmica (porcelana) comum não esmaltada (dureza 6 a7) ou de alta alumina (dureza 8,5 a 9), para minerais mais duros que 7. Enquanto a cor dos minerais é muito variável, a cor do pó e normalmente constante. É inútil experimentar o traço de minerais brancos, incolores ou transparentes, uma vez que este será automaticamente incolor ou branco. Tem mais sentido o método do traço na determinação de minerais opacos, mas tonalidades são geralmente muito sutis e necessitam de observações exatas. A cor do traço pode coincidir em muitos casos com a cor do mineral e em outros casos ser bastante diferente.

Brilho: É a aparência geral da superfície de um mineral à luz refletida, portanto dependem da natureza da superfície, do valor do índice de refração, da absorção e de outras particularidades do mineral. O brilho pode ser dividido em três grandes grupos: metálico, não metálico e submetálico.

O brilho metálico é típico dos minerais opacos, que normalmente possuem índice de refração superior a 3

(pirolusita, molibdenita, antimonita, galena, pirita, etc.)

O submetálico ou semimetálico são típicos dos cristais semitranslúcidos, normalmente com índices de

refração entre 2,6 e 3,0 (cinábrio, cuprita, volframita)

O brilho não metálico é típico dos minerais que deixam a luz passar, normalmente com índices de refração inferior a 2,6, sendo utilizados os seguintes termos para descrever a aparência destes: vítreo – próprio dos materiais com índice de refração entre 1,3 e 1,7 (vidro, quartzo); resinoso – aparência de resina, materiais com índice de refração entre 1,7 e 1,9 (enxofre, esfalerita); adamantino – igual do diamante, próprio dos minerais com índice de refração entre 1,9 e 2,6 (zircão, cassiterita, diamante); perlácio – brilho como o do talco (talco); ceroso – brilho do vidro “sujo de óleo” (nefelina); sedoso – resultado do arranjo de fibras paralelas (crisotilo, malaquita e outros minerais fibrosos); nacarado – com aparência iridescente de uma pérola, aspecto resultante de esfoliação decorrentes de planos de clivagem perfeita (base da apofilita, gipso, micas e outros minerais facilmente esfoliáveis). Quanto a intensidade o brilho pode ser classificado em: especular, notável, fraco, fosco, terroso, brilhante, cintilante, etc. Obs. O brilho deve ser verificado apenas em superfícies frescas do minerais, pequenas películas de alteração superficial podem modificar substancialmente o brilho.

Luminescência: propriedade que alguns minerais apresentam de emitir luz sem ser resultado direto da incandescência. A luminescência nos minerais é fraca e geralmente só pode ser observada em sala escura e/ou com aparelhos específicos. Este fenômeno pode ser produzido por várias maneiras e o fenômeno recebe denominações segundo o processo gerador, dessa forma tem-se:

Triboluminescência - propriedade de alguns minerais tornarem-se luminosos por ação mecânica, esmagamento, riscados ou esfregados. Esta aparece normalmente nos minerais não-metálicos e anidros, que mostram boa clivagem (blenda, mármores, dolomita, quartzo, micas, etc.). Estas substâncias se iluminam, geralmente, também por luz ultravioleta. Termoluminescência – propriedade de alguns minerais emitirem luz quanto aquecido a temperatura abaixo do vermelho (incandescência). Quando se aquece um mineral termoluminescente, a luz visível inicial, geralmente, surgem a uma temperatura ente 50 e 100°C, normalmente cessando de ser emitida a temperaturas superiores a 475°C (topázio, calcita, diamante, fluorita, etc.). Fluorescência e fosforescência – quando os minerais apresentam a propriedade de tornarem-se luminescente quando expostos a luz não visível (ultravioleta), aos raios X, ou dos raios catódicos (fluorita, scheelita, calcita, apatita, dolomita, willemita, diamante, autunita, etc.). Quando a luminescência perdura após cessar a fonte excitante é fosforescente, e quando a luminescência se interrompe juntamente com a fonte é fluorescente. Todavia, mediante métodos aperfeiçoadas demonstrou-se que alguns minerais, que pareciam ter somente fluorescência, continuavam a emitir luz por uma fração de segundos após a cessação dos raios excitantes. Em conseqüência para alguns pesquisadores existe apenas um fenômeno e não dois.

Propriedades organolépticas: São as propriedades que dizem respeito a alguns de nossos sentidos, com o olfato e o tato. Embora de pequena importância, às vezes, são de grande utilidade prática. O sabor somente pode ser percebido se o mineral é solúvel em água, normalmente os sais, sendo que em relação a este tema os principais termos empregados são: salino típico do sal comum (Halita-NaCl); adstringente do alumem (KAl 3 (SO 4 ) 2 (OH) 6 ); amargo da epsomita ou sal de Epsom (MgO 4 .7H 2 O); alcalino ou picante do potássio e da soda; doce típico dos sais de boro a exemplo do bórax (Na 2 B4O 7 .10H2O); ácido ou azedo metálico representado pelo sabor da calcantita (CuSO 4 .5H 2 O). O odor não é comum, poucos minerais desprendem naturalmente cheiro característicos, todavia muito ao serem aquecidos, friccionados, triturados, umedecidos ou tratados com ácidos emitem odores, sendo os mais comuns: aliáceo, quando lembra o cheiro do alho e é emitido por compostos de arsênio, quando atritados ou aquecidos; sulfuroso típico do enxofre queimado e é próprio dos sulfetos quando aquecidos ou da pirita, quando friccionada; fétido similar ao emitido por ovos podres, emitido por variedades de quartzo e calcários quando friccionados ou pulverizados; argiloso cheiro peculiar da argila molhada; betuminoso cheiro do betume ou asfalto. Ao tocar os minerais, apreciamos o tato, propriedade resultante da textura e calor específico dos mesmos. Desta forma, distinguimos minerais lisos (opala), untosos (talco e grafite), áspero (tripole), frios (quartzo e pedras preciosas), sedosos (amianto) e pegajosos a exemplo das argilas, principalmente quando tocada pela ponta da língua.

Propriedades térmicas: A propagação de calor, a dilatação e contração decorrentes da variação da temperatura, a exemplo das propriedades ópticas, excetuando o sistema isométrico dependem da orientação cristalográfica. A velocidade de propagação de calor varia bastante de mineral para mineral na dependência de sua composição química e tipos de ligações. Nos corpos isótropos os índices de propagação de calor, dilatação ou contração não variam com a orientação, porém, nos outros sistemas cristalográficos esses índices variam bastante com a direção axiais.

Para a geologia a dilatação e contração têm grande importância no intemperismo físico e na utilização das rochas para construção, onde os coeficientes de dilatação têm ser considerados. Esta propriedade também pode ser utilizada para a determinação de minerais. Quanto a condutibilidade térmica os minerais podem ser classificados em: condutores típica dos minerais que apresentam ligação metálica a heteropolar (metais e sulfetos metálicos); semicondutores minerais com ligação heteropolar e homopolar de ressonância, representados principalmente pelos sulfetos e arseniatos; isoladores típicos dos minerais com ligação heteropolar fraca ou homopolar sem ressonância (silicatos e halogenetos)

Propriedades elétricas: A maioria dos minerais por possuírem ligações iônicas, covalente e de Van der Waals são maus condutores de eletricidade (não condutores). Um pequeno grupo de minerais por possuírem ligações atômicas metálicas autênticas, como é o caso dos mentais nativos (ouro, prata, cobre, platina) são excelente condutores. Nas estruturas em que as ligações são apenas parcialmente metálicas, por exemplo, os sulfetos, os minerais são semicondutores. Dessa forma, a condutibilidade elétrica exemplo da térmica pode ser utilizada para a identificação de minerais ou gemas. Segundo o comportamento elétrico os minerais podem se subdivididos em: condutores, os que apresentam ligação metálica; não condutores ou isolantes os que conduzem a eletricidade muito lentamente, apresentando alta resistividade, fato que ocorre com a maior parte dos minerais; semicondutores apresentam estrutura mista com ligações heteropolar, homopolar e metálica. Alguns minerais por cristalizarem em classes de simetria, que não apresentam centro de simetria, apresentam as propriedades especiais denominadas de piezoeletricidade e piroeletricidade. Piezoeletricidade é a propriedade que um cristal tem de transformar uma pressão mecânica em carga elétrica, a exemplo do quartzo, mineral do qual uma placa cortada de forma correta, desenvolve cargas positivas e negativas extremamente regulares, se esta for pressionada (pressão normal ou por campo eletro magnético). Esta propriedade é usada pela indústria eletroeletrônica, no controle das rádio-freqüência. Piroeletricidade é a eletricidade originada pelo aumento de calor, ou seja, o desenvolvimento de cargas elétricas positivas e negativas nas terminações do cristal. A turmalina por apresentar elevada piroeletricidade foi utilizada na fabricação de pirômetros, para medida de temperaturas de altos fornos.

Propriedades magnéticas: Em geral são pouco importantes na mineralogia em relação as outras propriedades, porém é muito útil para a determinação de alguns minerais, para a orientação no planeta, na prospecção e beneficiamento de minérios. Magnetismo é a propriedade dos minerais de serem atraídos por um imã, sendo muito poucos os minerais que são naturalmente atraídos ou repelidos por um imã comum, apresentando-se de forma notável apenas nos minerais magnetita (cerca de 40% de ferro magnético, pirrotita (cerca de 0,75% de ferro magnético), ilmenita (de 0,1 a 0,7 de ferro magnético), hematita, goethita (menos de 0,1% de ferro magnético); silicatos (normalmente menos que 0,01% de ferro magnético). Quanto a intensidade do magnetismo os minerais podem ser: fortemente magnéticos (magnetita, pirrotita e ilmenita); moderadamente magnéticos (ilmenita, siderita, almandina, cromita, hematita, goethita); debilmente magnéticos (turmalina, espinélio), sem magnetismo (quartzo, calcita, feldspatos, topázio, coríndon). A utilização de aparelhos eletro magnéticos possibilita a separação dos minerais segundo a intensidade de seus magnetismo. Do ponto de vista de suas propriedades magnéticas podem ser classificados em: diamagnéticos quando suspensos em um campo de força magnética forte, se dispõem transversalmente as linhas de força, apresentam susceptibilidade negativa, ou seja, são repelidos pelo imã (halita, zircão, wulfenita, Au, Ag); paramagnéticos são aqueles que se dispõem paralelamente as linhas de força, são atraídos pelo imã (siderita, diopsídio, turmalina); ferromagnéticos apresentam susceptibilidade magnética alta e a sua imantação depende do campo magnético externo (magnetita, pirrotita, ilmenita). A determinação da susceptibilidade magnética dos minerais também é de grande utilidade para a determinação dos minerais, em especial das gemas. Alguns minerais possuem a propriedade de desenvolver um momento magnético, espontâneo, quando submetidos a elevação uniforme da temperatura, fenômeno denominado de piromagnetismo, que é difícil de ser observado e dura pouco tempo (dolomita, apatita). Este fenômeno está definido por uma rotação, enquanto que o efeito piroelétrico está definido por uma polaridade do cristal.

Propriedades mecânicas: De maneira análoga á dilatação homogênea de um cristal por efeito de temperatura, pode-se deformar um sólido submetendo-o a pressão hidrostática. A deformação pode ser elástica quando esta desaparece depois de removida a força aplicada, isto é, o corpo volta a sua forma original; plástica quando ocorre uma mudança permanente na forma do corpo e ruptura ou fratura quando a deformação ultrapassa um limite crítico (ponto crítico) e o material se rompe. As forças mecânicas que atuam nos cristais e rochas na natureza e que podem ser reproduzidos em laboratório são: compressão, tração, flexão, torção, cisalhamento simples e cisalhamento puro.

A deformação elástica será tanto mais importante quanto maior for a compressibilidade do sólido, que não

é muito grande em função das partículas ficarem próximas. O comportamento elástico é determinado pelas

distâncias das partículas no retículo e o cristal se fratura se o esforço aplicado externamente exceder as forças de

coesão do retículo. Um cristal perfeito tem compressibilidade diferente em diferentes direções, se não for isótropo.

A deformação plástica pode ocorrer por deslizamento no retículo cristalino por translação, rotação e

geminação. Os deslizamentos ocorrem segundo faces possíveis dos cristais e quando as partes dos dois lados do plano de deslizamento se tornam simetricamente relacionadas, ocorre a geminação. Por estes mecanismos os minerais podem ser estirados consideravelmente, sendo que os planos ativados para a deformação dos cristais,

podem ser relacionados com temperaturas e pressões, servindo como indicador termobarométrico a que foram submetidos os minerais nos processos geológicos.

Propriedades radiativas: As propriedades radiativas são de grande importância uma vez que servem para

a datação de rochas, minerais e processos geológicos, geração de energia, mapeamentos, prospecção mineral e

também para a determinação de minerais. Os minerais apresentam tipos e intensidades variáveis de radiatividade, na dependência do tipo e quantidade de elementos radioativos. No caso dos minerais com quantidades apreciáveis de isótopos radiativos que emitem a partícula alfa, com o tempo ocorre a destruição parcial a total da estrutura cristalina do mineral e, às vezes, também das porções limítrofes dos outros minerais em contato, além de microfraturamento radial a partir do mineral radioativo, processo que é denominado de metamixis. Os minerais metamícticos normalmente apresentam cor escura preto a marrom e aspecto de vidro a resina. A intensidade da reatividade e tipo de radioatividade é medida através de aparelhos específicos.

ENSAIOS QUÍMICOS SIMPLES

A identificação dos minerais deve começar sempre pela verificação dos diversos caracteres físicos

especificados acima, caso estes não sejam suficientes para o reconhecimento da espécie mineralógica, podem ser realizados ensaios químicos simples, que podem ser feitos de duas maneiras por via seca ou pirognóstica e por via

úmida ou hidrognóstica. No passado, estes ensaios foram bastante utilizados, mesmo em trabalhos de campo, ensaios físicos e químicos expedito envolvendo: cor de chama, fusibilidade, obtenção de pérolas por fusão, testes químicos para identificação dos radicais ou grupos aniônicos e cátions, ensaios com tubo aberto e fechado, etc.

A amostra do mineral deve ser preparada de acordo com o procedimento ou técnica a ser utilizada, porém

sempre deve se ter o cuidado com a escolha da amostra, que deve ser escolhida com muita precaução, devido ao fato dos minerais frequentemente serem impuros, por alteração ou mistura. No caso de alteração superficial, devemos quebrar o mineral e retirar uma porção sã de seu interior. Para a execução de alguns ensaios a amostra tem que ser pulverizada. Para a execução dos ensaios químicos simples são necessários os seguintes materiais: martelo, morteiros, almofariz; fio de platina (indispensável para os exames de coloração da chama e para sustentar as pérolas de bórax ou de sais de fósforo); tubos de ensaios de vidro (abertos e fechados); pedaço de carvão vegetal para suporte da substância ao ataque da chama, especialmente quando se trata de alguma operação de redução produzida pelo carbono; bico de Busen, lamparina de álcool ou vela; maçarico; pinças de metal com ponta de platina; cadinhos de porcelana; lima triangular; imã; espátulas de metal, de porcelana ou osso; suportes e telas de amianto; vidros relógios, fios e placas de prata, zinco e cobre; picetas com água destilada,; funil; papel de filtro; prendedores de madeira; lupa; carbonato de sódio; carbonato de potássio; nitrato de potássio; fosfato de sódio e amônio; tetraborato de sódio; papel de tornassol; papel de curcuma; iodeto de chumbo, zinco e estanho; estanho metálico; bióxidos de chumbo; molibdato de amônia, cobaltinitrito de sódio; alizarina vermelha S; ácido clorídrico; ácido nítrico; água régia; ácido sulfúrico; hidróxido de amônio, potássio, sódio e bário; nitrato de cobalto; oxalato de amônia; sulfeto de amônia; cloreto de bário; nitrato de prata; carbonato de sódio; água oxigenada; sulfocianato de potássio; ferrocianeto e ferrocianato de potássio; demetilglioxima; cloreto de estanho; cloreto férrico, sulfato ferroso, etc.

Ensaios por via seca Os ensaios de via seca podem ser realizados colocando-se o mineral diretamente na chama, em tubo fechado, tubo aberto, sobre o carvão e ensaios de coloração com pérolas. Diretamente sobre a chama: Nos ensaios realizados diretamente sobre a chama coloca-se um pequeno fragmento ou um pouco de pó do mineral na extremidade recurvada de um fio de platina e lava-se à chama normal

e após o do maçarico. Por este processo pode se observar a fusão dos minerais, a cor da chama e o desprendimento

de vapores. Para observar a fusão devem ser utilizados fragmentos pontiagudos, que dever ser introduzidos na chama justamente além da extremidade do cone interno. Se ele se funde e se arredonda, perdendo seu contorno nítido, diz- se que é fusível na chama da vela, bico de Bunsen ou maçarico. Dessa maneira, os minerais dividem em duas classes: fusíveis e não fusíveis, sendo que os minerais fusíveis podem ser classificados de acordo com a facilidade

de que se fundem, ressaltar que para esses ensaios comparativos é necessário usar fragmentos do mesmo tamanho e ser uniformes as condições de ensaio. A escala de Vol Kobell é a seguinte:

1- Estibinita=525ºC 2- Natrolita=965ºC ou calcopirita 800ºC 3- Granada almandina 1050ºC 4- Actinolita=1296ºC 5- Ortoclásio =1300ºC 6- Bronzita=1400ºC 7- Quartzo - acima de 1400ºC (1770). Desses a estibinita funde-se facilmente na chama (mesmo de uma vela). A calcopirita funde-se facilmente ao maçarico, mas dificilmente à chama do bico de Bunsen ou no tubo fechado (no qual sofre decriptação). A granada almandina funde-se facilmente ao maçarico, más no bico de bico de bunsen chega apenas a arredondar as pontas agudas. A actinolita tem apenas as extremidades mais delgadas fundidas sem dificuldades no maçarico; O ortoclásio funde-se nas extremidades sem dificuldades ao maçarico. A bronzita funde arredondando-se somente nas extremidades mais finas ao maçarico; enquanto que o quartzo é infusível. A cor da chama é uma característica dos metais alcalinos, boratos, fosfatos e cominações de cobre. A coloração deve ser obtida com ou sem auxílio de reagentes. De modo geral, se junta um gota de ácido clorídrico que ativa a produção da coloração. A observação exata dessa propriedade se faz pela análise espectral, onde dos minerais são volatilizados em arco voltaico e estudados as raias produzidas no espectroscópio. As principais cores são: amarelo (sódio); violeta (potássio), vermelho-alaranjado (cálcio), vermelho-carmim (lítio), vermelho-escarlate (estrôncio); verde-esmeralda ou verde azulado (cobre), verde-esmeralda (boro), verde-amarelado (bário), verde- amarelado a verde-azulado pálido (fósforo), azul-celeste (chumbo), azul-claro (arsênio), azul-claro a verde pálido (antimônio), verde-azulado (zinco), etc. Várias substâncias ao serem queimadas desprendem vapores com cheiro ou cor, inchaço, incandescência, decriptação e fusão. Os sulfetos como blenda e galena queimam desprendendo vapores sulfurosos, com cheiro de enxofre queimado, os aseniatos cheiro de alho; etc. Os minerais que contém água, como vermiculita, sais de boros, alumem, zeólitas, etc. incham, enquanto os nitratos avivam repentinamente a combustão. Alguns minerais devido à dilatação da amostra especialmente em material de clivagem fácil ou que apresentem diminutas cavidades contendo líquidos e gases estão sujeitos a pequenas explosões (decriptação). Para evitar esse fenômeno o material a ser analisado deve ser pulverizado e amassado com gotas de água, ou com aquecimento prévio, lento, progressivo e uniforme. Alguns minerais como a calcita e estroncianita se tornam luminescentes quando aquecidos ou fundem-se de acordo com a escala correspondente. Ensaios de tubo fechado: utiliza-se vidro neutro, fechado em uma extremidade, colocando o pó do mineral no interior do tubo, onde fica abrigado da passagem de ar. Com esse meio pode-se observar o seguinte: fusão, fosforescência, carbonização e principalmente desprendimento de gases e vapores e formação de sublimados. Os minerais que contêm água de cristalização ou hidroxila produzem a um aquecimento moderado um depósito de gotas de águas nas paredes superiores, mais fria do tubo e este fluido pode conter ácido clorídrico, fluorídrico, sulfúrico ou outro ácido volátil. Diversos minerais despendem gases, ácidos ou alcalinos, que coroem ou não o vidro, combustíveis ou não, coloridos, com ou sem odor. O desprendimento de gás que ativa a combustão indica que se trata de um nitrato, clorato ou peróxido. O desprendimento de CO 2 , que turva a água de cal mostra a presença de carbonatos e o cheiro sufocante de enxofre queimado indica sulfetos. Vários minerais geram sublimados brancos ou corados fusíveis ou infusíveis, cristalinos ou não a exemplo da pirita, calcopirita que dão sublimados amarelos a frio e vermelho a quente (S); antimonita e outros minerais de antimônio que geram precipitados de cor castanho-avermelhado na extremidade inferior do tubo; os sulfetos de mercúrio propiciam a formação se sublimado amorfo negro (espelho metálico); etc. Ensaios de tubo aberto: Para este utiliza-se um tubo curvo aberto nas duas extremidades, de modo que o mineral seja aquecido em presença de corrente de ar. A substância a ser examinada é pulverizada e colocada na curvatura do tubo e aquecido pelo ramo menor do tubo. Desta forma provoca-se um forte fluxo de ar através do tubo obtendo-se uma enérgica ação oxidante. Com esse processo são observados desprendimentos de gases e formação de sublimados. Neste processo os sulfetos liberam o gás incolor SO 2 de cheiro sufocante de enxofre queimado e se colocado uma tira úmida de papel tornassol azul na extremidade superior do tubo, ela torna-se vermelha, pela ação do ácido sulforoso. Os minerais de arsênio emitem cheiro de alho e formam o óxido arsenioso As 2 O 3 , de cor branca e cristalino formando cristais octaédricos a uma distância considerável acima da poção aquecida e se deslocam à medida que o calor sobe ao longo do Tubo. Os minerais de selênio emitem cheiro de rabanete podre. Os de antimônio formam sublimados de Sb 2 O 3 de cor branca e cristalinos na forma de anel mais próximo da porção aquecida que o óxido arsenioso (Isto para os compostos de Sb isentos de enxofre). Também forma-se Sb 2 O 4 que possui cor amarelo-pálido a quente, branco a frio e é denso, amorfo e não volatiliza. O Sb 2 O 4 assenta-se principalmente na parte inferior do tubo, sendo acompanhado usualmente pelo Sb 2 O 3. A fumaça

Formada é branca e pesada. Molibdênio (MoO 3 ) apresenta cor amarelo-pálido a branco; seus cristais formam uma trama perto da parede aquecida e esses cristais ao serem tocado com a chama redutora tornam-se azuis. O mercúrio origina sublimados cinzento-metálico. O bismuto sublimado amarelo.

Ensaios sobre o carvão: Para esses ensaios se faz um pequeno orifício no carvão de madeira ou em placa de gesso, onde se coloca uma pequena quantidade de substância a examinar e sobre ela se faz incidir a chama do maçarico. Observa-se com esses ensaios a formação de odores, a fusibilidade, oxidação ou redução e o aparecimento de auréolas com ou sem resíduo metálico característico. As aréolas são formadas quando o mineral

tem algum metal que forma óxidos ou anidridos, que volatilizam. Para facilitar a produção de resíduos metálicos e de pérolas usa-se fluxos sobre o carvão, de duas maneiras. Mistura à substância um pouco de carbonato de sódio ou de potássio, umedecendo a seguir com uma gota de água. Com o aquecimento adequado, havendo a redução, aparecerá pontos brilhantes que são grãos metálicos, com ou sem aréola. Os minerais de Pb formam glóbulos cinzento, mole, fusível, brilhante na chama redutora, iridescentes na chama oxidante (para distingui-lo de outros glóbulos, dissolve-lo em ácido nítrico, originando solução clara, que com a adição de ácido sulfúrico precipita sulfato branco de Pb, já O PbO dá auréola amarela perto do mineral e branca longe, sendo que com o fluxo de iodeto origina o PbI 2 , que dá auréola amarelo cromo (volátil).

O bismuto forma glóbulos branco-avermelhado (frágil), onde o Bi 2 O 3 forma auréola amarela preto do

mineral e branca mais longe (volátil) e deve ser distinguida da auréola amarela do óxido de Pb por meio do ensaio de iodeto, uma vez que o BiI 2 da auréola vermelha brilhante com anel amarelo próximo da amostra (essa reação é

obtida com fluxo de iodeto).

O molibdênio forma glóbulos irregulares com auréola de MoO 2 de cor amarela alaranjado, a quente, e

branca a amarelo limpo a frio, podendo ser cristalino ou volátil na chama oxidante, aparecendo cor vermelha sobre

a amostra e a auréola tocada por um momento por uma chama redutora, muda-se para verde-azuladas.

O Sn gera glóbulos brancos, fosco ao resfrias-se e a auréola formada pelo SnO 2 apresenta cor amarela

pálida a quente, branca a frio e não se volatiliza à chama oxidante. Essa auréola umedecida com nitrato de cobalto e aquecida, muda-se para cor verde azulada.

O Ferro gera glóbulos irregulares magnéticos; o ouro glóbulos amarelo e mole; prata glóbulos brancos,

mole e brilhante que para ser distinguido dos outros basta dissolve-lo em ácido nítrico e juntar ácido clorídrico para obter precipitado branco de cloreto de prata; cobre gera glóbulo vermelho, mole, de superfície negra quando frio,

dificilmente fusível. Os minerais de cobre devem ser calcinados para retirar o enxofre, o arsênio e o antimônio antes de misturá-los com a mistura redutora. Os elementos químicos As, Zn, Sb e Se produzem auréolas sem resíduos. O As auréola branca, muito volátil, formada longe do ensaio e acompanhada de cheiro de alho; o Sn auréola de ZnO 2 de cor amarela a quente e branca a frio; o Sb forma auréolas de Sb 2 O 3 e Sb 2 O 4 que são brancas e muito voláteis próximo dos ensaios; o Se forma auréola branca, volátil, tingida de vermelho na parte exterior, cinzenta próximo da amostra que tocada com a chama redutora produz chama azul. Sobre o produto do ensaio sobre o carvão ou sobre o gesso com carvão moído, se colocado uma gota de solução de nitrato de cobalto, com o emprego da chama oxidante gera massa colorida de acordo com a composição do mineral: Zn (verde-amarelada), Al (azul intenso), Sn (verde-azulado), Mg (rósea a carmim). Deve ser destacado que não deve ser colocado o Co(NO 3 ) 2 em excesso, porque poderá formar o óxido preto de cobalto (Co 3 O 4 ), que mascara as cores. No caso da calamina esta pode exibir cor azul nos lugares onde o aquecimento foi maior e verde nas partes restantes, caso a amostra analisada seja grande. Sobre o gesso os principais sublimados são: Se origina auréola vermelha carmim(SeO 2 ), que se volatiliza produzindo gases avermelhados e odor característico; Te gera auréola castanha (TeO 2 ), volátil e na chama redutora produz chama de cor verde-azulada; Cd forma auréola amarelo-esverdeada a castanha (CdO), tanto perto como longe da amostra não volátil; Pb com fluxo de iodeto origina auréola amarelo-cromo (BiO 2 ); Bi com fluxo de iodeto dá cor castanho-chocolate com tonalidades vermelhas subjacentes (BiI 3 ), que submetido a vapores de amônia, a auréola torna-se primeiramente amarelo-alaranjada e depois vermelha; Mo origina auréola branca (MoO 3 ) na chama oxidante e vermelho sob a amostra (MoO 2 ), sendo que a auréola ao ser tocada por chama redutora ou submetida a fluxo de iodeto adquire cor azul-marinho; o Sb forma auréola alaranjada a vermelha com fluxo de iodeto (SbI 3 ), que desaparece quando submetida a vapores de amônia.

Ensaios de coloração com pérolas: Certas substâncias têm a propriedade de dissolver os óxidos metálicos, adquirindo colorações características, diferentes, conforme se utiliza a chama redutora ou oxidante. Para esta finalidade as pérolas são obtidas tomando-se, com a extremidade enrolada de um fio de platina perfeitamente limpo, certa quantidade de bórax, tetraborato hidratado de sódio ou fosfato duplo e hidratado de sódio e amônio, levando-se à chama até se formar pela desidratação do sal uma perola bem incolor e transparente. Enquanto esta

estiver quente é colocada em contato com o pó do mineral a ser determinado, empregando-se a seguir a chama redutora ou oxidante para que ocorra a dissolução do mineral. Os minerais que contem enxofre ou arsênio, antes do ensaio com a pérola, devem ser cuidadosamente calcinados, pois a sua presença pode perturbar a coloração da pérola, tornando-a leitosa. Além disso, ataca o fio da platina, que fica quebradiço. As pérolas devem ser obtidas na chama oxidante e redutora, e a coloração deve ser examinada a quente e a

frio.

Com a Pérola de Bórax (Na 2 B 4 O 7 .10H 2 O) pode ser obtida a cor dos seguintes minerais:

 

Chama Oxidante

 

Chama Redutora

 

Minerais

Quente

frio

quente

frio

Ferro

amarelo-avermelhado

amarelo-claro

 

verde

verde garrafa

Cromo

Amarelo-esverdeado

Verde-amarelado

verde

verde-esmeralda

manganês

Roxo

roxo

róseo

incolor

Níquel

vermelho

amarelo-claro

 

amarelo

cinzento

Cobalto

Azul

azul

azul

cinzento

chumbo

amarelo-claro

incolor

cinzento

azul

Prata

amarelo

amarelo-claro

 

cinzento

azul

Cobre

Verde

azul

verde

azul

Urânio

amarelo

quase incolor

 

amarelo-pálido

quase incolor

vanádio

Verde amarelado pálido

incolor

verde

incolor