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COC JAÚ PROFA. MS. ISABELLA U. RECHTENTHAL REDAÇÃO – 3° ANO ENSINO MÉDIO Proposta: Redija

COC JAÚ PROFA. MS. ISABELLA U. RECHTENTHAL REDAÇÃO 3° ANO ENSINO MÉDIO

Proposta: Redija um texto dissertativo-argumentativo em que se discuta o seguinte tema:

A EVIDENCIAÇÃO DAS PSICOPATOLOGIAS E SEU IMPACTO NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA

Redija sua redação em, no mínimo, 10 linhas e, no máximo, 35 linhas. Dê um título à sua redação.

TEXTOS DE APOIO

Transtornos Mentais

Transtornos mentais (ou doenças mentais, transtornos psiquiátricos ou psíquicos, entre outras nomenclaturas) são condições de anormalidade, sofrimento ou comprometimento de ordem psicológica, mental ou cognitiva. Em geral, um transtorno representa um significativo impacto na vida do paciente, provocando sintomas como desconforto emocional, distúrbio de conduta e enfraquecimento da memória.

Dentre os fatores causadores, a genética, a química cerebral (problemas hormonais ou uso de substâncias tóxicas que afetam o cérebro) e o estilo de vida são tidos como os principais desencadeadores dos diversos transtornos existentes. Doenças em outras partes do corpo podem afetar a mente, e inversamente, transtornos ou doenças mentais podem também desencadear outras doenças pelo corpo, produzindo sintomas somáticos.

Uma doença ou transtorno mental pode ser tratado através de medicamentos, ou várias formas de psicoterapia. O diagnóstico envolve o exame do estado mental confrontando seu histórico clínico, utilizando-se também de testes psicológicos, exames neurológicos, de imagem e exames físicos.

TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE Fonte: SOS Psiquiatria

O QUE É PERSONALIDADE?

Personalidade é definida pela totalidade dos traços emocionais e de comportamento de um indivíduo (caráter + temperamento). Pode-se dizer que é o "jeitão" de ser da pessoa, o modo de sentir as emoções ou o "jeitão" de agir. Em outras palavras, é o modo habitual, estável ao longo

dos anos, de receber e processar os estímulos vindos do mundo e de devolver uma resposta (comportamento) ao meio externo. É A FORMA DE SER, NUNCA UM ESTADO.

O QUE VEM A SER UM TRAÇO DE PERSONALIDADE?

Para se falar de personalidade é preciso entender o que vem a ser um traço de personalidade. O traço é um aspecto do comportamento duradouro da pessoa; é a sua tendência à sociabilidade ou ao isolamento; à desconfiança ou à confiança nos outros. Um exemplo: lavar as mãos é um hábito, a higiene é um traço, pois implica em manter-se limpo regularmente escovando os dentes, tomando banho, trocando as roupas, etc. Pode-se dizer que a higiene é um traço da personalidade de uma pessoa depois que os hábitos de limpeza se arraigaram. O comportamento final de uma pessoa é o resultado de todos os seus traços de personalidade. O que diferencia uma pessoa da outra é a amplitude e intensidade com que cada traço é vivido.

O QUE É TRANSTORNO DE PERSONALIDADE?

Um transtorno de personalidade aparece quando esses traços são muito inflexíveis e mal- ajustados, ou seja, prejudicam a adaptação do indivíduo às situações que enfrenta, causando a ele próprio, ou mais comumente aos que lhe estão próximos, sofrimento e incômodo. Geralmente esses indivíduos são pouco motivados para tratamento, uma vez que os traços de caráter pouco geram sofrimento para si mesmos, mas perturbam suas relações com outras pessoas, fazendo com que amigos e familiares aconselhem o tratamento. Geralmente aparecem no início da adolescência e tornam-se crônicos (permanecem pela vida toda). Por convenção, o diagnóstico só deve ser dado a adultos, ou no final da adolescência, pois a personalidade só está completa nessa época, na maioria das vezes. Muitas vezes, no entanto, o desajuste é notado desde a infância.

QUAIS SÃO OS TIPOS DE TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE? Existem muitos tipos de transtornos de personalidade. Não podemos esquecer que se trata de classificação. Esta classificação é descritiva e, muitas vezes, não bate com a realidade prática. Algumas pessoas não se encaixam perfeitamente em um modelo; outras preenchem critérios para diferentes diagnósticos (“pitadas” de diferentes transtornos). Obviamente temos que pensar nas pessoas como seres únicos e nos sintomas como parte de uma doença ou transtorno de causa única, mas ainda não completamente conhecida. Daí a falta de precisão dos nossos diagnósticos

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE PARANÓIDE

Caracteriza-se pela tendência à desconfiança, seja de estar sendo explorado, passado para trás ou traído, mesmo que não haja motivos razoáveis para pensar assim. O sujeito vive, de certa forma, refém desses medos e dessas suspeitas, que têm uma conotação subjetiva de realidade para o paciente. A afetividade é restrita, sendo considerado por muitos como um indivíduo frio ou distante. A hostilidade, irritabilidade e ansiedade são sentimentos freqüentes entre os paranóide. Muitas vezes, após anos sentindo-se "passado para trás", o indivíduo pode acabar descarregando esta mágoa de forma intempestiva e violenta.

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ESQUIZOIDE

Primariamente pela dificuldade de formar relações pessoais ou de expressar as emoções. A indiferença é o aspecto básico, assim como o isolamento e o distanciamento sociais. Diferentemente de um fóbico social, o esquizóide não sente falta do contato humano ou sofre em

função deste isolamento. A fraca expressividade emocional significa que estas pessoas não se perturbam com elogios ou críticas. Aquilo que na maioria das vezes desperta prazer nas pessoas, não tem impacto, como o sucesso no trabalho, no estudo ou uma conquista afetiva (namoro).

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ESQUIZOTÍPICA

Caracterizam-se por serem indivíduos excêntricos e estranhos, que têm crenças bizarras, com experiências de ilusões, pensamento e discurso extravagante. Falta de amigos e muita ansiedade no convívio social. Muitas vezes têm interpretações incorretas de incidentes casuais e acontecimentos externos como se tivessem um significado particular e incomum, especificamente destinado a eles. Podem ser supersticiosos ou preocupar-se com fenômenos paranormais que estão fora das normas de sua sub-cultura. São pessoas que podem se dar bem no mundo das artes ou do misticismo.

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ANTI-SOCIAL

Caracteriza-se pelo padrão social de comportamento irresponsável, explorador e insensível constatado pela ausência de remorsos. Esse transtorno é o mais estudado e afeta cerca de 1% da população mundial. Essas pessoas não se ajustam às leis do Estado simplesmente por não quererem, riem-se delas, freqüentemente têm problemas legais e criminais por isso. Mesmo assim não se ajustam, pois não aprendem com os erros e experiências prévios. Freqüentemente manipulam os outros em proveito próprio, dificilmente mantêm um emprego ou um casamento por muito tempo. São predadores intra-espécie.

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE EMOCIONALMENTE INSTÁVEL (BORDERLINE / LIMÍTROFE)

Caracteriza-se por um padrão de relacionamento emocional intenso, porém confuso e desorganizado. A instabilidade das emoções é o traço marcante deste transtorno, que se apresenta por flutuações rápidas e variações no estado de humor de um momento para outro sem justificativa real. Pode-se dizer que essas pessoas vivem um estado contínuo de "hemorragia emocional" e vazio interior. Os portadores reconhecem sua labilidade emocional, mas para tentar encobri-la justificam-nas geralmente com argumentos implausíveis. O afeto predominante é o ódio e a raiva. Seu comportamento impulsivo freqüentemente é autodestrutivo. Estes pacientes não possuem claramente uma identidade de si mesmos, com um projeto de vida ou uma escala de valores duradoura, até mesmo quanto à própria sexualidade. A instabilidade é tão intensa que acaba incomodando o próprio paciente que em dados momentos rejeita a si mesmo, por isso a insatisfação pessoal é constante. Há diversos níveis de gravidade e adaptação.

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE HISTRIÔNICA

É o que antigamente já se chamou de histeria. Estudado desde os tempos de Charcot, passando

por Kurt Scheider e Freud. Caracteriza-se pela tendência a ser dramático, buscar as atenções para si mesmo, ser um eterno "carente afetivo", comportamento sedutor e manipulador, exibicionista, fútil, exigente e lábil (que muda facilmente de atitude e de emoções). São personalidades imaturas que não conseguem encontrar uma maneira mais evoluída de lidar com

o meio e as pessoas que as cercam.

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE NARCISISTA

Como se caracteriza?

Caracterizam-se por indivíduos que se julgam grandiosos, com necessidade de admiração e que desprezam os outros, acreditando serem especiais e explorando os outros em suas relações sociais. Eles rotineiramente superestimam suas capacidades e exageram suas realizações, freqüentemente parecendo presunçosos ou arrogantes. Eles podem presumir que os outros atribuem o mesmo valor a seus esforços e surpreender-se quando não recebem o louvor que esperam e julgam merecer.

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE DEPENDENTE

Caracterizam-se pelo excessivo grau de dependência e confiança nos outros. Estas pessoas precisam de outras para se apoiar emocionalmente e sentirem-se seguras. Geralmente não conseguem evoluir na vida produtiva ou afetiva: permanecem muitas vezes pueris. Permitem que os outros tomem decisões importantes a respeito de si mesmas. Sentem-se desamparadas quando sozinhas. Resignam-se e submetem-se com facilidade, chegando mesmo a tolerar maus tratos pelos outros. Quando postas em situação de comando e decisão essas pessoas não obtêm bons resultados, não superam seus limites.

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ANSIOSA (EVITAÇÃO)

Em poucas palavras, seria o máximo da Fobia Social. Algo tão profundo e intenso que passa a ser chamado de problema de personalidade. Caracteriza-se pelo padrão de comportamento inibido e ansioso com auto-estima baixa. É um sujeito hipersensível a críticas e rejeições, apreensivo e desconfiado, com dificuldades sociais. É tímido e sente-se desconfortável em ambientes sociais. Tem medos infundados de agir tolamente perante os outros. No entanto, os sintomas causam sofrimento: o paciente anseia pelo contato social.

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE OBSESSIVA (ANANCÁSTICA)

Tendência ao perfeccionismo, comportamento rigoroso e disciplinado consigo e exigente com os outros. Emocionalmente frio. É uma pessoa formal, intelectualizada, detalhista. Essas pessoas tendem a ser devotadas ao trabalho em detrimento da família e amigos, com quem costuma ser reservado, dominador e inflexível. Dificilmente está satisfeito com seu próprio desempenho, achando que deve melhorar sempre mais. Seu perfeccionismo o faz uma pessoa indecisa e cheia de dúvidas.

Disponível em

Impacto dos Transtornos

Os Transtornos Mentais e Comportamentais exercem considerável impacto sobre os indivíduos, as famílias e as comunidades. Os indivíduos não só apresentam sintomas inquietadores de seu

distúrbio como sofrem também por estarem incapacitados de participar em atividades de trabalho

e lazer, muitas vezes em virtude de discriminação. Eles se preocupam pelo fato de não poderem

arcar com suas responsabilidades para com a família e os amigos, e temem ser um fardo para os outros. Segundo estimativas, uma em quatro famílias tem pelo menos um membro que sofre atualmente um transtorno mental ou comportamental. Essas familias vêemse obrigadas não só a proporcionar apoio físico e emocional, como também a arcar com o impacto negativo da estigmatização e da discriminação, presentes em todas as partes do mundo. Embora o ônus da atenção a um familiar com distúrbio mental ou de comportamento não tenha sido adequadamente estudado, indicações disponíveis parecem mostrar que essa carga é realmente substancial (Pai e Kapur 1982; Fadden et al. 1987; Winefield e Harvey 1994). Os encargos que recaem sobre a família vão desde as dificuldades econômicas até as reações emocionais às doenças, ao estresse em face de um comportamento perturbado e ao comprometimento da rotina doméstica e restrição das atividádes sociais (OMS 1997a). Os gastos com o tratamento de doenças mentais recaem, muitas vezes, sobre a família, seja por não haver seguro disponível, seja porque o seguro não cobre os Transtornos Mentais. Além da carga diretamente relacionada aos Transtornos Mentais e Comportamentais, é preciso levar em conta as oportunidades perdidas. As famílias que têm um membro que sofre um distúrbio mental fazem diversos ajustes e assumem compromissos que impedem outros membros da família atingir o seu pleno potencial no trabalho, nas relações sociais e no lazer (Gallagher e Mechanic 1996). Esses são os aspectos humanos do ônus dos Transtornos Mentais difíceis de avaliar e quantificar, não obstante, são muito importantes. As famílias se vêm na contingência de dedicar uma parcela considerável do seu tempo para cuidar de um parente mentalmente enfermo, sofrem privações econômicas e sociais por não ser esse membro familiar inteiramente produtivo. Há ainda o constante temor de que a recorrência da doença possa causar perturbação repentina e inesperada na vida dos membros da família. Portanto, é grande e com múltiplos aspectos o impacto dos Transtornos Mentais sobre as comunidades. Há o custo da provisão de atenção, a perda de produtividade e certos problemas legais, incluindo a violência, associados com alguns Transtornos Mentais, embora a violência seja causada muito mais freqüentemente por pessoas "normais" do que por indivíduos com Transtornos Mentais.

Impacto na Qualidade de Vida

Os Transtornos Mentais e Comportamentais causam tremendos distúrbios na vida daqueles que são afetados e de suas famílias. Embora não seja possível medir toda a gama de sofrimento e infelicidade, um dos métodos de aferir o seu impacto é usar instrumentos que medem a qualidade da vida (QDV) (Lehman et al. 1998). As medidas de QDV usam classificações subjetivas do

indivíduo em diversas áreas, procurando avaliar o impacto dos sintomas e dos transtornos sobre

a vida (Orley et al. 1998). Há diversos estudos sobre a qualidade da vida das pessoas que sofrem distúrbios mentais, os quais concluem que o impacto negativo, embora não seja substancial, é sustentado (UK700 Group 1999). Já se demonstrou que a qualidade da vida continua sendo baixa, mesmo depois da recuperação de Transtornos Mentais, em virtude de fatores sociais que incluem a persistência do estigma e da discriminação. Resultados de estudos de QDV indicam também que os indivíduos com Transtornos Mentais graves que vivem em hospitais psiquiátricos de atenção prolongada, têm uma qualidade de vida mais baixa do que os que vivem na comunìdade. Um estudo recente demonstrou claramente que o não atendimento das necessidades sociais e de funcionamento básicas foram os mais importantes previsores de uma baixa qualidade de vida entre pessoas com Transtornos Mentais graves (UK700 Group 1999). O

impacto sobre a qualidade da vida não fica limitado aos transtornos mentais graves. Os transtornos da ansiedade e do pânico também têm efeito significativo, especialmente no que se refere ao funcionamento psicológico (Mendlowicz e Stein 2000; Orley e Kuyken 1994).

Comorbidade

É muito comum a ocorrência simultânea de dois ou mais transtornos mentais no mesmo

indivíduo. Isso não é muito diferente da situação dos transtornos físicos, que tendem também a ocorrer juntos, muito mais freqüentemente do que poderia ser explicado pelo acaso. A ocorrência simultânea de dois ou mais transtornos mentais no mesmo indivíduo é particularmente comum com o passar da idade, quando diversos transtornos físicos e mentais podem ocorrer juntos. Os problemas de saúde física podem, não somente coexistir com distúrbios mentais como a depressão, como também prognosticar o início e a persistência da Depressão (Geerling et al. 2000). Dentre os estudos metodologicamente válidos de amostras representativas nacionais, um foi feito nos Estados Unidos (Kessler et al. 1994) e mostrou que 79% de todos os enfermos apresentavam comorbidade. Em outras palavras, somente em 21% dos pacientes se verificou a ocorrência de um transtorno mental isolado. Mais da metade dos transtornos de toda a vida

ocorreu em 14% da população. Achados semelhantes foram obtidos em estudos de outros países, embora não seja copiosa a informação disponível dos países em desenvolvimento. A Ansiedade e os Distúrbios Depressivos freqüentemente ocorrem juntos. Observa-se essa comorbidade em aproximadamente metade das pessoas com esses transtornos (Zimmerman et al. 2000). Outra situação comum é a presença de transtornos mentais associados com o uso e a dependência de substâncias. Entre pessoas atendidas por serviços relacionados com o uso de álcool e drogas, entre 30% e 90% apresentam um transtorno duplo (Gossop et al. 1998). A taxa de transtornos devidos ao uso de álcool é também elevada entre os que buscam serviços de saúde mental, que é de 65%, segundo comunicação de Rachliesel et al. (1999). Os transtornos devidos ao uso de álcool são também comuns (12-50%) entre pessoas com esquizofrenia. A presença de comorbidade substancial tem sérias repercussões na identificação, tratamento e reabilitação das pessoas afetadas. A incapacidade dos indivíduos sofredores e o encargo para as famílias também crescem na mesma proporção.

Suicídio

O suicídio resulta de um ato deliberado, iniciado e levado a cabo por uma pessoa com pleno

conhecimento ou expectativa de um resultado fatal. O suicídio constitui hoje um grande problema de saúde pública. Tomada como média para 53 países, dos quais há dados completos disponíveis, a taxa agregada e padronizada de suicídio em 1996 foi de 15,1 por 100.000 habitantes. A taxa de suicídio é quase universalmente mais alta entre homens em comparação com mulheres, por um coeficiente agregado de 3,5 homens para cada mulher. Nos últimos 30 anos, as taxas de suicídio nos 39 países dos quais há dados completos disponíveis, para o período 1970-96 os índices de suicídio parecem ter se mantido bastante estáveis, mas as taxas agregadas atuais ocultam significativas diferenças quanto aos sexos, grupos etários, geografia e tendências a mais longo prazo. Geograficamente, verificam-se consideráveis variações dos índices de suicídio. As tendências observadas nos mega-países do mundo, aqueles que têm mais de 100 milhões de habitantes, provavelmente proporcionarão informações idôneas sobre a mortalidade por suicídio. Há informações disponíveis em 7 de 11 desses países nos últimos 15 anos. As tendências variam de um aumento de quase 62% no México a um declínio de 17% na China, enquanto os Estados Unidos e a Federação Russa se deslocam em direções opostas pelos mesmos 5,3%. São necessárias duas observações: primeiro, é muito provável que somente o tamanho das suas populações coloque esses países na mesma categoria, uma vez que são diferentes em praticamente todos os outros aspectos. Segundo, a magnitude da mudança não reflete a verdadeira magnitude dos índices de suicídio naqueles países. No último ano para o qual

existem dados disponíveis, os índices de suicídio variam de 3,4 por 100.000 habitantes no México, a 14,0 por 100.000 na China e 34,0 por 100.000 na Federação Russa. E muito difícil, senão impossível, encontrar uma explicação comum para essa diversidade de variações. A mudança socioeconômica (em qualquer sentido), muitas vezes é apontada como possível fator contribuinte para um aumento dos índices de suicídio. Contudo, embora isso tenha sido documentado em várias ocasiões, têm sido também observados aumentos dos índices de suicídio em períodos de estabilidade socioeconômica, assim como se têm observado taxas de suicídio estáveis em períodos de grandes transformações socioeconômicas. Não obstante, essas

cifras agregadas podem ocultar diferenças significativas entre alguns setores da população. Por exemplo, uma evolução plana dos índices de suicídio pode ocultar um aumento das taxas para o sexo masculino estatisticamente compensado por uma diminuição das taxas para o sexo feminino (como ocorreu, por exemplo, na Austrália, Chile, Cuba, Espanha e Japão); aplicar-se-ia o mesmo

a grupos etários extremos, tais como os adolescentes e os idosos (por exemplo, na Nova

Zelândia). Já se mostrou que os aumentos das taxas de desemprego são, geralmente mas nem sempre, acompanhados de uma baixa dos índices de suicídio na população geral (por exemplo, na Finlândia), mas também de uma alta dos índices de suicídio entre os idosos e aposentados

(por exemplo, na Suíça). O alto consumo de álcool, como ocorre nos Estados Bálticos e na Federação Russa, juntamente com a facilidade de acesso a certas substâncias tóxicas (por exemplo, na China, Índia e Sri Lanka) e às armas de fogo (por exemplo, em El Salvador e nos Estados Unidos), parecem ter alguma correlação positiva com os índices de suicídio em todos os países industrializados ou desenvolvidos estudados até agora. Mais uma vez, as cifras agregadas podem esconder grandes discrepâncias entre, por exemplo, áreas rurais e urbanas (como é o caso da China e da República Islâmica do Irã). O suicídio é uma das principais causas de morte de adultos jovens. Situa-se entre as três maiores causas de morte na população de 15 a 34 anos para ambos os sexos. Isso representa uma tremenda perda para a sociedade em pessoas jovens nos anos produtivos da vida. Só existem dados disponíveis sobre tentativas de suicídio de alguns países; indicam elas que o número de tentativas de suicídio pode ser até 20 vezes maior do que o de suicídios consumados. As lesões auto-provocadas, inclusive o suicídio, foram a causa de cerca de 814.000 mortes em 2000. Dos transtornos mentais que levam ao suicídio, o mais comum é a Depressão, embora também se registrem taxas elevadas de Esquizofrenia. Ademais,

o suicídio muitas vezes se relaciona com o uso de substâncias - seja na pessoa que o comete,

seja dentro da família. A proporção maior de suicídios em alguns países da Europa central e oriental foi recentemente atribuída ao uso de álcool (Rossow 2000). É bem conhecido o fato de que a disponibilidade de meios para cometer suicídio tem significativo impacto sobre os suicídios ocorridos em qualquer região. Esse aspecto foi mais estudado com relação à disponibilidade de armas de fogo, tendo-se constatado que ocorre alta mortalidade por suicídio entre pessoas que compraram tais armas no passado recente (Wintemute et al. 1999). De todas as pessoas que morreram devido a lesões com armas de fogo nos Estados Unidos em 1997, um total de 54% morreram por suicídio (Rosenherg et al. 1999). A explicação precisa das variações dos índices de suicídio deve ser sempre considerada no contexto local. Há premente necessidade de vigilância epidemiológica e pesquisa local apropriada para contribuir à compreensão melhor desse grave

problema de saúde pública, melhorando assim as possibilidades de prevenção.

Relatório Sobre a Saúde no Mundo, 2001- Organização Panamericana da Saúde - Organização Mundial de Saúde - ONU, World Health Report - WHO - Genève - Swiss - who@who.int, in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br

Doenças mentais são o nosso problema de saúde mais urgente

DO "FINANCIAL TIMES"

Depressão e ansiedade causam mais miséria do que as doenças físicas, a pobreza e o desemprego. Também impõem pesados custos econômicos. Mas são suscetíveis de tratamento efetivo e relativamente barato.

No Reino Unido, porém, menos de um terço dos adultos que sofrem dessas doenças recebem tratamento, ante 90% dos adultos que sofrem de diabetes. Apenas um quarto das crianças que sofrem dessas doenças recebem tratamento efetivo. Essa deficiência de tratamento é injusta e altamente ineficiente. Ela existe em grande parte por conta do preconceito continuado e da falta de conscientização quanto à existência de tratamentos efetivos. E é preciso que essa imensa falha seja corrigida já.

É esse, em resumo, o argumento central de um novo e convincente livro intitulado "Thrive: The Power of Evidence-Based Psychological Therapies", dos professores Richard Layard, da London School of Economics, e David Clark, de Oxford. O primeiro é um conhecido economista. O segundo é psicólogo e um dos especialistas mais renomados sobre terapia cognitivo- comportamental (TCC).

Embora eu seja capaz de avaliar o aspecto econômico da argumentação, não tenho como julgar as alegações feitas sobre a TCC. Mas, apontam os autores, o Instituto Nacional de Excelência na Saúde e Tratamento, responsável por avaliar a efetividade de tratamentos para o Serviço Nacional de Saúde britânico, recomenda seu uso. O que torna a falta de acesso a esse tipo de serviço notável, se não chocante.

No Reino Unido, um em cada seis adultos sofre de distúrbios de depressão ou paralisante ansiedade. O mesmo se aplica aos Estados Unidos e à Europa continental. Essas condições podem incapacitar o paciente. De fato, seu impacto sobre a capacidade da pessoa para funcionar em sociedade é em média 50% mais grave do que o da angina, asma, artrite ou diabete, em termos de incapacitação.

Para os pacientes, a doença mental é um "inimigo interno" - um assalto à personalidade mais doloroso do que o de muitas moléstias físicas. Além disso, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), as doenças mentais respondem por 38% das doenças, nos países de alta renda.

Problemas cardíacos, derrames, cânceres, problemas pulmonares e diabetes, somados, respondem por apenas 22% das doenças nesses países. E no entanto, talvez por conta do estigma da doença mental, os sistemas de saúde e empregadores em geral ignoram a severidade desses efeitos.

Acima de tudo, a má saúde mental é, de longe, a mais importante forma de doença que afeta crianças e adultos em idade de trabalho. Já que o impacto das doenças infecciosas em larga medida se dissipou, as doenças físicas tendem a afligir mais os idosos. Isso significa que as consequências econômicas da doença mental são muito mais vastas que as da doença física, e isso sem nem considerarmos o impacto duradouro que as doenças mentais na infância podem causar na vida do paciente.

Uma proporção extraordinariamente alta da população carcerária, por exemplo, sofre de problemas mentais. Cerca de 90% das pessoas que se suicidam sofrem de doenças mentais. O suicídio é uma praga silenciosa: "O número de pessoas mortas por suicídio no planeta é

equivalente ao da soma das mortes causadas por homicídios e guerras". Em 2000, 815 mil pessoas se suicidaram.

Além disso, enfatizam os autores, a doença mental torna muito mais difícil tratar doenças físicas. As pessoas com doenças mentais enfrentam dificuldade para manter seus planos de tratamento. E não devemos esquecer que as consequências da doença mental contribuem significativamente para doenças físicas.

No geral, os argumentos em favor do tratamento de doenças mentais de maneira no mínimo tão enérgica quanto tratamos as doenças físicas são esmagadores. A questão, porém, é determinar se isso é possível. O livro argumenta que os remédios de hoje e, acima de tudo, a TCC, tiveram sua eficiência comprovada em rigorosos testes clínicos. A questão, portanto, envolve uma abordagem científica correta para o desenvolvimento e teste de tratamentos.

"Para algumas condições", argumentam os autores - mencionando depressão, distúrbios de ansiedade, distúrbio de estresse pós-traumático e bulimia -, "temos tratamentos que levam a recuperação sustentada em metade ou mais dos pacientes, e em melhora considerável para muitos dos restantes".

Não é uma solução perfeita. Mas é imensamente melhor do que nada. Além disso, tratamentos como esses podem ser efetivos para crianças a partir dos oito anos de idade. O aspecto mais encorajador, ao que parece, é o de que somos os capitães de nossas almas. Ao que parece, é possível ajudar pessoas que sofrem agonias a reconquistar o controle perdido.

Dados os custos econômicos para a sociedade, entre os quais os causados por desemprego, incapacidade, mau desempenho no trabalho e encarceramento, os custos de tratamento se pagariam facilmente. O custo da terapia tampouco é alto: o mesmo que o de um tratamento de seis meses para diabetes como muitos sistemas nacionais de saúde oferecem hoje. Mas o compromisso da maioria dos países de alta renda para com o fornecimento de cuidados universais de saúde é desconsiderado grosseiramente no caso das doenças mentais, sem bons motivos e com um vasto custo econômico, social e pessoal. E isso, argumentam os autores persuasivamente, é um escândalo.

A maioria de nós conhece pessoas que sofrem doenças mentais. Todos conhecem suas devastadoras consequências. Na verdade, os autores argumentam que o fracasso em combater as doenças mentais é um dos motivos para que a infelicidade tenha tão elevada incidência em sociedades que são tão ricas, pelos padrões históricos. Se as alegações quanto a esses tratamentos, procedem, nosso fracasso em não oferecê-los é não só um crime mas um erro crasso. Não devemos permitir que nossos antiquados preconceitos nos impeçam de tomar as providências necessárias.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/martinwolf/2014/07/1486733-doencas-mentais-sao-o- nosso-problema-de-saude-mais-urgente.shtml