You are on page 1of 5
A Facunpave pz Direrro bo Ceara AL Tipos de estado na atualidade Nao se possibilita o absolutismo de es- tabilidade nas instituicées humanas, que se moldam 4 lei das necessidades sociais. As supremas condigées da vida de ca- da povo exigem, pana seu desenvolvimen- to, a existencia de principios a elas corres~ pondentes e oriundos do poder constituido. Assim, o Estado, expresso mais ele- vada de organizacio politica, afim de me- Jhor assegurar os interesses sociais, co- letivos e individuais, precisa ter’ nitida compreensdo de sua finalidade. Ele, consoante o ritmo de pensamento e sentimento da atualidade, se apresenta sob trés tipos distintos: demo-liberal, to- talitario e corporstivo, Nessa triplicidade de aspectos ha a prevalencia dos principios de liberdade ou de autoridade, que, em todas as épocas da historia, polarizam os tipos de Estado. © poder do Estado promana do povo no tipo democratico, da forga no totalita- rio e das corparagées no corporativo. Essas diferentes doutrinas, que se degladiam, a primeira, heroicamente, para subsistir; a segunda, vandalicamente, afim de conquistar territorios; e, a terceira, in- teligentemente, no sentido de se adaptar ‘ao clima da contemporaneidade, fazem pe- rigar, mostrando a sua fragilidade, a in- gente obra da civilizacao. ESTADO DEMO-LIBERAL No principio do livre exame da Refor- ma esté o germen do liberalismo demo- cratico, que nasceu na Inglaterra, triunfou com a independencia politica dos Estados Unidos da America do Norte e se popula rizou em virtude da revolugdo francesa, dando ao mundo uma estrutura de socie- dade politica em que se respeita a dignida— de humana, Ao Dr, Gustavo Capanema J. M, GOMES COUTINHO O Estado democratico tem por princi- pios basilares: a soberania da nacdo, re- presentada por seus delegados, o regimen constitucional, indicando os direitos e de- veres dos cidadaos, a divisio dos poderes, a delimitago da autoridede publica e a de- terminagéo de seus fins, Possuia, a principio, as fungées poli- ticas de assegurar a ordem interna e a de- fesa externa, e a economica de crear novos mercados para os produtos nacionais. Dominou, aceitando alteragdes socia~ listas adequadas 4 sua estrutura, 0 mun— do no seculo XIX, que, gragas a éle, se tor- nou brilhante por conquistas materiais e culturais. Garantiu a maior possibilidade 20 progresso dos povos, deu vigor ao espi- rit de iniciativa individual e em seu am- biente de liberdade expandiu-se o poten- eisl economico da época, Durante muito tempo, a liberdade sem certas restrigoes no ponto de vista da economia foi um bem gersl, sem ofensa 4 idéia de justiga, nem prejuizos 4 comunhio social. ‘Aparece a maquina, que nas suas mul— tiplas aplicagdes, crea novas condigdes de vida e transforma o homem. A oficina pas sa a ser fabrica, que exige organizacio apropriada; a tecnica segue caminho ‘triunfal. O industrialismo, resultando desse no- vo metodo de existencia, atrai as popula~ gdes as cidades e firma a escravatura do operario em prol do enriquecimento das empresas e da formacao do capitalismo. Em consequencia de tal transformacao, © mundo contemporaneo é assolado por uma situacdo de crise economica, moral e cultural, que, agtavada consideravelmente pela guerra européia de 1914, se tornou — como bem se expressa Tomaz Mann — ra~ pida e visivel. 42 A Facunpapg pg Direrto po CeaRA A solugdo desse estado de coisas pro- ‘vocou 0 aparecimento de diferentes dou- trinas, todas em absoluto ntagonismo ao individualismo ereado no seculo XVIII ¢, dominante, sem restricdes, durante 0 se— culo XIX. ‘Com a desorganizacdo economica e a deslocagao social, surge o fendmeno das massas, cuja ascensio Funck-Bretano pre- vira, 1880, para o seculo XX. O descontentamento delas, que se mo- vimentam por toda a parte, encontra opor- tunidade para exprimir-se, com maior vi- vacidade e mais nitida esperanga. ‘Tornou-se sentimento contemporaneo “o predominio do sentido social na concep- Go e reajustamento dos negocios da cole- tividade”, O Presidente Wilson assim compreen- deu, tanto que, na Nova Liberdade, se ex- pressa: “Nao é a flr que deve sustentar a Taiz, mas a raiz que deve sustentar a flor”. O Estado demo-liberal, para salvaguar- dar a liberdade e a dignidade humanas, criticadas e vilipendiadas pelas novas ideo- logias, teve que se modificar na sua pro~ pria estrutura e fez-se progressivo, Assim, houve aumento de funcdes em correspondencia ao ideal de justiga para garantir os direitos dos assalariados con- tra o capitalismo desenfreiado e do fraco contra o despotismo dos potentiados, © Estado torna-se intervencionista, sem rigor, preocupa-se com o problema da desiguidade economica e educativa, para soluciona-lo, alarga com moderacdéo sua acio no setor moral, etnico, cultural e ju- ridico, e controla as atividades sociais, dis— ciplinando-as, afim de evitar a absorcao de umas pelas outras, com ofensa ao equi- librio necessario na dinamica das forgas nacionais. FE, como afirma Pierre Dominique, arbitro e controlador, diretor mais de cima, dos trabalhos humanos, respeitoso desse clima de liberdade, fora do qual nada de grande o homem jamais conseguiu fazer” (A. Cidade Livre — Inteligencia, n. 45, pa- gina 23). \Assiste ao homem, que é um associa- do e solidario 4 comunidade politica do Es- tado, o direito de viver, consoante sua ra~ zio, pertencer-se a si mesmo, pensar li- vremente, expressar o seu pensamento, aceitar ou recusar as idéias alheias, con- tratar e transigir, escolher profissio, fixar e mudar 0 domicilio, Ao sentido de demoeracia no mundo. contemporaneo esti incluida a idéia de justica social, para efetivar as reivindica- ‘Goes operarias. Hamilton Fish Armstrong (Dois Mun- dos em conflito) escreve: “O liberalism ngo é uma atitude de pensamento, sendo o desenvolvimento po- sitivo e constante de uma acao, Ser liberal nao € compreender todos os principios e ndo ter nenhum. O principio democratico implica que a maioria possue o direito de governar, e a minoria o de discordar e opor-se 4 maioria, Neste direito de discor- dar tém sua origem todos os demais direi- tos do cidadao. A minoria de hoje, no mo- vimento pehdular da opinifo, pode ser a. maioria de amanha, Mas, a maioria atual ndo pode encarcerar-se a'si mesma e com ola todas as futuras maiorias”, © Estado demo-liberal, cujo criterio “evoluiu de um rigido e cruel individua- lismo para uma socializacio progressiva de tipo fabiano”, liberta-se das oligarquias do dinheiro e, fortalecido na lei e vontade na~ cional, orienta-se no sentido de socialismo construtivo. ‘Adotam-no os Estados Unidos da Ame- rica do Norte, a Franca e a Inglaterra, po- tencias de primeira ordem no concerto das nacionalidades, ESTADO TOTALITARIO Masilio de Padua concebeu o totalita- rismo politico para o tempo modemo, Tomaz Hobbes, no Liviathan, concei~ tia o Estado totalitario, dando-lhe a ma- teria, a forma e 0 poder. Ha o soberano e os subditos. © primei~ xo concentra todas as forgas em si, que constitue um poder unico, indivisivel e in- felivel. Faz e revoga as leis 4 sua vontade, &s quais nfo deve obediencia, impée sacri- ficios, opinides e deveres. ‘Nada esta acima dele, contra quem no existe sangio. “Os suditos — expressa-se Adriano’ Tilger — nfo o podem condenar, nem de- por, Tém éles, sem duvida, direitos: — os: ‘que o Soberano Ihes reconhece. Tem por A Facurpape pg certo liberdade: — a liberdade de fazer 0 que 0 Soberano omitiu de vetar”. Essa concepsio de Estado, que se su- punha inaceitavel com o fulgor da civiliza- ‘cao ocidental, é hoje dominante em trés paises do velho contmente, como capaz de solucionar as equagées da existencia, Acentua-se o declinio na vida moral dos povos. E’ a aceitacao, pelas armas, dos concei- tos de cultura € personalidade humanas, ‘So por uma fatalidade historica se po- de compreender a implantagao do regimen totalitario no seculo mais luminoso de que tem conhecimento a humanidade. O Estado totalitario rege-se pela filo- sofia da fora. Nasce da forga, vive da for- ga tem terror 4 forca dos seus contrarios, que éle procura anular, na conformidade do despotismo da sua propria forca. A sua razdo esta na forga; a conviven- cia dos subditos apola~se na submisséo; @ escravatura é 0 bem concedido por Levia- than aos homunculos de sua couraca. (© chefe, que se livra do cumprimento a lei por ser a fonte unica do direito, con centra em suas maos todas as fungdes do Estado, de que é 0 arbitro supremo, totalitarismo atual tem trés modali- dades: 0 comunismo russo, o fascismo ita- liano e o nacional socialismo da Alemanha. ‘Ha entre éles, principalmente, em re- lagdo ao primeiro para com os dois ultimos pontos de diferenciacio. © comunismo é universal, porque in- tenta valer em todo o mundo, e absoluto, pelo motivo de, rompendo com o passado, ter a pretengio de crear um homem novo —o homem socializado — e uma outra hu- manidade. Ble, que vé na especie humana o todo social, “postula — segundo René Dupuis, — “no seu principio, a politica de imperio, de sociedade mundial, de negagio da co existeneia das soberanias nacionais”. (0 fascismo e 0 nacional-soeialismo sao particularistas, visto nao haver, na sua es- sencia doutrinaria, a idéia de dominio uni- ‘versal, e relativos, porque, mantendo a tra— dicao 'e acelerando a historia, pretendem refazer a humanidade, sem, entretanto, a intengfo de creé-la novamente. ‘Ambos reconhecem a existencia dos individuos coletivos; 0 fascismo identifica Drrert0 po Ceara 43 0 todo social 4 Nagio-Estado ¢ 0 nacional- socialismo limita-o 4 raca, Essa noo, consequentemente, impli- ca a multiplicidade de todos. Entretanto, o duce do fascismo e o fuehrer do nacional socialismo afirmam 0 valor universal do seu regime e procurain implanté-lo 4 forca em outras soberanias. ‘A Italia conquista a Abissinia e a Al- bania; a Alemanha anexa ao seu territorio a Austria e a Checoslovaquia, “Aguerridas com se acham pretendem 0 dominio da Europa. Comunismo—Fatores remotos e imedia~ tos de grande complexidade, provocaram, na Russia, a guerra, que ocasicnou, em or dem sucessiva, a abdicacao do Czar, a 19 de margo de 1917, a elei¢ao de um governo provisorio com elementos de todos os par- tidos, a subida 4 suprema magistratura de Kerensky, que, chefe do partido socialista revolucionario, proclamou a Republica e, nfo se sujeitando a certas imposigées, foi desalojado do poder pelo partido bolche- vique do Conselho de Operarios e Solda— dos, que, apoiado pela guarda vermelha, comandada por Trotsky, se proclamou 0 unico poder com o nome de Congreso Ne- cional de Operarios, Camponeses e Solda- dos, creou para dirigir 0 pais, 0 Conselho dos Comissarios do Povo, presidido por Le- nin, 0 orientador do movimento, e con- trolado pelo Congresso dos Soviets de De~ legados Operarios, Soldados e Camponeses e 0 respectivo Comité Central Executivo Panrusso. © dec, de 10 de novembro de 1917 abo- liu 2 propriedade de terra e outros pos- teriores nacionalizaram os bancos, 0 co— merclo exterior e as fabricas. © regimen politico da Russia baseia- se no comunismo economico, consoante 0 pensamento teorico de Carlos Marx, chefe do materialismo historico. O Estado aparelhou-se da ditadura re~ volucionaria do proleteriado, manifestagéo do comunismo de guerra, para, no desem— penho de sua finalidade, assegurar a vito- tia dos principlos comunistas na vida so- cial. Lenin, logo que o pais se pacificou, inspirou providencias acertadas, que pro- duziram a nova politica economice. A Facuupape pg Admitiu-se com limitacdo o interesse privado na ordem economica, 0 que concor- Teu para o desenvolvimento das atividades industriais, agricolas e comerciais. A Russia, no seu evolver, passou de Republica Socialista Federativa dos So- viets da Russia, para Urtido das Republicas Socialistas dos Soviets, que se forma de varios Estados soberanos, Os orgios do Estado so os soviets (conselhos) ; 0 primario é 0 soviet local ¢ 0 supremo chama-se Congresso dos Soviets, que se compoe de delegados dos Congres- sos de Governo e dos soviets da cidade, ele- ge 0 Comité Central Executivo, que exer- ce atribuigdes legislativas, executivas e ad- ministrativas da Unifio ¢, com organiza- Go de parlamento, adotou o sistema bi- camarario: 0 Soviet Federal, eleito pelo Congresso dos Soviets dentre os represen- tantes das Republicas federadas, e 0 Soviet das Nacionalidades, composto’ de repre- sentantes das Republicas Federadas ¢ das regiées autonomas. © Conselho Central Executive tem como orgdo executive e administrative 0 Conselho dos Comissarios do Povo. O criterio de representagéo apresenta- se sob dupla modalidade — profissional, para os soviets das cidades, e, territorial, dos soviets regionais, correspondentes, res— pectivamente, aos numeros de eleitores e de habitantes. Na Russia Sovietica s6 ha o partido co- munista (bolchevista), que se compoe de uma minoria da classe operaria. © Estado, que é a fonte do direito e uma forca organizada, legisla em beneficio da classe dominante e ndo encontra limita— Ges 20 seu poder. As liberdades individuais existem ape- nas para os trabalhadores e com ‘rigorosa restrigfo. E’ vedada a livre critica e a autocriti- ca permite-se aos bolchevistas de elite do proletariado. Fascismo — © fascismo & 0 partido que, a pretexto de reag&o ao comunismo revolucionario, se apoderou do governo da Italia, em outubro de 1922, Tal forca, que julga expressar a von- tade da nagao, tem por orgio executivo um chefe de poder onipotente. Dinerro po CEeaRA Dada a grandeza ilimltada de que se reveste e a forma de exercito adotado na sua organizacio, julga que o direito 4 exis- tencia the é privativo, pois veda-o a qual- quer outra agremiacio partidaria. Seu chefe e creador — Benito Mussoli- ni — em reminiscencia historia da época dos Cesares de Roma, plasmou o Estado fascista sob linhas acentuadamente dita- toriais. Ha na patria de Dante — honra da es- pecie humana — uma interessante organi- zacdo politico-juridica com o nome de go- ‘verno monarquico representativo direto, FE’ 0 Governo do Rei, que se compée do Chefe do Governo — Primeiro Ministro Secretario de Estado — e outros ministros, ‘com a colaboragao do Grande Conselho do Fascismo. Cabe ao rei nomear, por indicaco do Grande Conselho do Fascismo, e demitir 0 Chefe do Governo, que propde ao monarca a nomeagéo e exoneragao dos ministros se- cretarios de Estado. © Grande Conselho do Fascismo tem interferencia no governo para assegurar a uniformidade na direg&o do Estado, quan~ to & ordem social, politica e economica. O Chefe do Governo, responsavel pe- rante 0 rei pelos atos praticados sobre a orientagio dada ao pais, representa a uni- dade do poder do Estado no carater da au- toridade unipessoal. Ele apresenta a0 Grande Conselho do Fascismo, para sua maior estabilidade no posto de mando, a lista dos nomes de que o rei tem de esco- Iher o Chefe do Governo. O mecanismo eleitoral ndo-apresenta complexidade, As associagdes nacionais propdem nomes para deputados, ao Gran- de Conselho do Fascismo, que organiza a lista para ser aprovada pelo corpo de elei- tores. © parlamento, em sua funcdo, limita se a aprovar as leis do Governo, que, em determinados casos pode editar decre- tos-leis. Em qualquer de seus ramos, nenhuma materia entra na ordem do dia sem 0 con centimento do Chefe do Governo. Musolini 6 0 Chefe do Governo e, tam- bem, do Grande Conselho do Fascismo, A Facunpapr bE No aspecto economico, o fascismo ado- tou o regimen corporativo com clara inver- sio de principios, pois, como acertadamen~ te escreve Azevedo Amaral, “fez dos nu- cleos corporativos, nao os orgéos origina- ios da soberania, mas apenas instrumentos mais ou menos burocraticos de um Esta— do absorvente e onipoiente”. Nacional socialismo — A tendencia da Alemanha sempre foi para o dominio pela forca, Eis 0 pensamento de E. Porcario: A Alemanha luterana, primeiro — divergen- te e, depois — opositora das campanhes do Sacro Romano Imperio — o prussianis- mo que prepara um solar para a nacéo desmembrada, mas atenta 4 realizagéo de uma sintese estupenda da cultura ocidental — 0 poder bismarkeano de concentracdo, com o seu sentido nacional — feudal — militarista — a época guilhermina, com 0 caracteristico germanismo que se ndo dis— ipou depois da derrocada de 1918, — tudo isto so atitudes de uma idéia-forga fun- damental: a da absoluta supremacia do ariano, que origina e aplica o sou intran- sigente dogmatismo”, . _ Herder coneebe a coletividade sem 0s individuos, a prevalencia da estirpe, inde~ pendente dos elementos de sua composicao compreende a realidade historica 4 iuz do idioma e do direito, dos costumes e da religiao. Hegel sustenta que o Estado deve perso- nificar-se em um principe, precisa ter for— te coesdo e perfeita comunidade de idéias, pode, sendo grande, conquistar e anexar os menores. Apreg6a a necessidade da guer- ra, que considema divina, por ser a histo- ria e a condigao de vida da humanidade. Nietsche fez um “dogma da vontade de potencia, como razio de ser e movel de acao”. Adolfo Hitler, chefe do partido nacio- nal-socialista, conquista em 1933 9 poder na Alemanha. Extinguindo todos os opostos ao seu ideal, constituiu.o I Reich (Estado, Impe- rio) ém substituigao ao II de Weimar, Aca~ bando, mediante a forga, com todos os par- ticularismos, implantou a comunidade na- cional da raca. III Reich, expressa-se R, Chenevier, um regimen que tem por base 0 confor- Drre1To po CEeARA 45 mismo autcritario, em que se vive sob dlho do dono, como o' dono quer, nos estritos limites das fronteiras nacionais”, ‘Na Alemanha, com a exaltacio da idéa de raca, o entusiasmo pelo Fuehrer (chee) — lei suprema de todo o progresso huma- no — eo ardor de expansao territorial, 0 Estado é a soberania da forca. Estado corporativo — A doutrina cor porativa nao é creagio dos tempos mo- dernos, ‘© professor rumeno Mihail Manoiles- co afirma que, com excecéo dos casos das democracias do seculo XIX, todas as so- ciedades foram sempre crganizadas em li- nhas corporativas. f No Estado eorporativo, as corporacées so 0s orgaos primarios da soberania. © aludido pensador, em sua grande obra — O Seculo do Corporativismo — formula esta definicéo: “A corporagao é uma organizagdo coletiva e publica com~ posta pela totalidade de pessoas (fisicas ou juridicas) , que desempenham em conjunto mesma fungo nacional, ¢ tendo por ob- jetivo assegurar 0 exercicio desta no inte- esse supremo da Nacio, através de regras de direito impostas aos seus membros. As corporagées que desempenham fun- gfo nacional si0 economicas e mio econs- snicas, compreendendo as ultimas as de or dem social e cultural, Blas expressam, como orgaos naturais, a vida nacional. © Estado, sempre encamacio de um ideal superior da coletividade, ¢ simulta- neamente: corporacio, como assegurador da ordem interna e da defesa externa, e super-corporacio na qualidade de orgao creador dos fins da Nagio e coordenador das outras corporacées, em relacdo ds quais nao existe o criterio da hierarquia, No corporativismo puro constituem orgios indispensaveis, consoante o funda~ mento do principio funcional, o Chefe do Estado, 0 Governo, 9 Parlamento e as Cor- poracdes, necessitando tambem o Conselho Nacionel das Corpora¢ées, como coordena- dor das medidas de economia. No regimen em apreco, ha liberdade dentro da ordem juridica estabelecida; equilibram-se os interesses; satisfaz-se o principio de predominancia do sentido so-