Вы находитесь на странице: 1из 248

êAfAbôôô

ôP'lêlAb

kC" "�

/

A /'

��:
��:

A

G

R

A

O

E

C

I

M

E

N TOS

o Com i ssoriado do Expos ição Mundial de Lis boa de 1 9 98 e o So ciedade Parque EXPO 98, S. A. exp ressam os seus agradecimentos o todos os p a rt icula res e i n stitu içõe s que, de algum modo, colaboraram no con cep ç ão, p rod ução e montagem do P a vi lhão do Conhecim ento dos Mares e no edi çã o d e sta obro.

E xpressam especiais agradecimentos o:

Adília Alarc ão A no Maria Lopes Anne Bimar António Gernino Carlos Duarte cláudio Pinto Rom e iro Comandante Petsch Comandante Safforling

F. Carva lho Rodrigues

Fernando Bragança Gil

Dire cção-Geral de Faróis D ivisão de Com unicação e Sistemas de Informação do EMGFA Edi clube Embaixada do Alemanha em Portugal Embaixada de Portugal no Irlanda Embaixada do Peru em Portugal E PSI Equipo Cousteau Fundação do Coso de Bragança Fund ação Oriente

Francisco A lves

Fundação

Rebikoff-Nigge ler

Jaime Costa

Imprenso

Nocion al-Cosa do Moe da

João A lvão Se rro de Mede i ros Constâncio

Joa quim Carlos Sousa

Joaquim Falcão de Limo

José Herdade Maria de Lu rdes Pir es Mon teiro

Maria do Ros á rio Castelo B ronco

Mário Sa ntos Nuno Marques da Silva Pilar Castro Santos Heitor

Admi nistração dos Portos do Douro e Leixões Arqui vo Histó rico Ultramarino A r quivos Nacionais / Torre do To m bo A ssociação dos Indústrias M arítimos Biblioteca Casanatense (Roma)

Bibli ot eca Biblioteca

Bibl ioteca Nazionale Centrale (Florença) Bibl ioteca Nocional de Lisboa Bibl iotheque Nation ale de France Cômara Municipal de Ílh avo Central Naval Museum - St Petersburg Cinem ateca Portuguesa Departamento de Optoel ectrónica do IN ETI Direcção do Serviço de Transmissão do EME

do Aj u do e Arqu ivo H istórico do MEP AT

Instituto Hidrográfico Instituto Português de Museus IPIMAR

A r quivo Noc ion al de Fotografia

I nstituto Português

e Arqueológico Marconi Marpro Merseyside M aritime M us eum Missão de Macau Museu Carlos Machado Museu da Graciosa Museu das Flores Museu de Ciências do U niversidade de Lisboa Museu de Marinha Museu Marítimo de Íl h avo M useu Marítimo de Macau Museu N aval de Madrid

Museu

Museu N a cional de A rte Antiga Nautel Observatório A stron ómico do Universidade de Coimbra

Plan etário Cala uste Gul benkian

Sé-Cate dral de Foro Sicom, Sistemas de N avegação, Lda. Sociedade de Geog rafia de Lisboa

do P atrimónio Arquitectónico

Monográ fico de Con ím briga

de N avegação, Lda. Sociedade de Geog rafia de Lisboa do P atrimónio Arquitectónico Monográ fico
Os pavilhões temáticos de uma grande exposiçõo mundial servem, antes de mais, a tema do

Os pavilhões temáticos de uma grande exposiçõo mundial servem, antes de mais, a tema do

exposição em que se inserem. No caso da EXPO '96, o tema é «Os Oceanos, Um Património para

o

Internacional dos Oceanos. Rbordando este tema nas suas vertentes ecológico, lúdica, científica e artística, os Ihães temáticos são espaços-âncoro de mostra e reflexão, fazendo realçar os bens físicos e culturais oferecidos pelos Oceanos e alertando poro o responsabilidade que todos temos no suo conservação perante as gerações futuras. No EXPO '96 há cinco grandes pavilhões temáticos: o Pavilhão dos Oceanos, o Pavilhõo do Conhecimento dos Mores, o Pavilhão do Futuro, o Pavilhão da Utopia e, naturalmente, o Pavilhõo de Portugal.

Pavilhõo do Conhecimento dos Mores mostra o processo de descoberta, conhecimento e progressiva apro do Oceano por porte do Homem, no qual os Portugueses desempenharam um papel importante, particularmente decisivo na segundo metade do século xv.

O

particularmente decisivo na segundo metade do século xv. O Futuro», em sintonia com o facto de

Futuro», em sintonia com o facto de as Na Unidas terem declarado 1 998 como Ano

com o facto de as Na Unidas terem declarado 1 998 como Ano R aprendizagem do
com o facto de as Na Unidas terem declarado 1 998 como Ano R aprendizagem do

R aprendizagem do navegaçõo e a definição dos contornos marítimos até ao total conhecimento da

suo área; a aventura nos profundezas dos Oceanos, exigindo tecnologias coda vez mais sofisticadas

e, por fim, o conhecimento e a exploraçõo dos recursos dos mares são os temas tratados de forma interligado. Nesta última Exposi o Mundial do século XX pedimos aos visitantes que mais um elo de sensibilizaçõo da comunidade internacional poro esse projecto comum que tonto nos entusiasmo

e motiva: a defesa dos Oceanos.

projecto comum que tonto nos entusiasmo e motiva: a defesa dos Oceanos. EXPOSI Ç Ã O
projecto comum que tonto nos entusiasmo e motiva: a defesa dos Oceanos. EXPOSI Ç Ã O

EXPOSI Ç Ã O MUNDIRl DE llSBOR DE 1998

EXP OSIÇ Õ ES

MODUS

FACIENDI

A Parque EXPO 98, S.A., te ndo p o r c o m prom isso estabelecido com o Bureau International des

Expo sitions (BIE) a realização em Li sbo a, de 22 de Maio a 30 de Setembro de 1 9 98, de uma Expo sição

Mundial su bord i nada ao tema «Os Oceano s,

para a concepção, produção e monta gem dos p avi l h ões temáticos.

Um Património p a ra o Futuro»,

definiu uma metodologia

Co ube à Á rea Promark/De partamento de Conte údo s a

resp onsa bilidade da organização dos

seg uintes p avi l h ões e áreas temáticos da E x posição Mundial de Li sboa: Pavilhão do Co n h ecimen to

dos Mares,

e Exi bição Náutica.

Pavilh ão do Futuro,

Pavilhão da Utopia, Pavilhão da Realidade Vi rtu al

Com uma equipa de colaborad ores perman entes e de c o nsultores nacionais e i n te rnacionais,

quer para a e laboração do guião, a partir de um plano d i rector previame nte definido,

aco mpan h a m e nto do desenvo lvi mento

exposições, foi possível pro mover um tra balho que se crê inova dor e criativo no campo da realizaç ão

de exposiçõ es. Parti u-s e de um tema,

con servação e de responsabilidade face às futuras gerações, desdobrando-o num plano n a cional

quer p a ra

o

dos pr oj e ctos expos i tivo s, da produção e da m o ntagem das

no qual a noção de património esteve ligada à ideia de

e

inter n a cional,

de modo a tor nar o futuro portu guês solidário com o futuro das relações entre

o

homem e os o c eanos à escala mundial. Foi n e ste contexto que se integraram e dese nvo lve ram

os p avilhões e áreas te m áti c os da EXPO '9 8.

Definiu-s e uma m etodologia para o d e senvolvimento dos tr abalhos de i m plantação dos conteúdos, ten do como princípios orienta dores, para além da temá tica de cada p avilhão,

planeam ento e o orçamento

preestabeleci do. E s t a m e t o d o l o g i a para a realização d as exposições obedeceu

que fo ram directam ente acompanhadas pela equipa permanente do De partamen to de Co nteúdos

e pelos con sultores para as d ifer e ntes e specialidades: plano dire ctor de c o n teúdos,

selecção de equipas p r oj e c tistas, estudo prévio,

p roj ecto básico, p roj ecto de pro dução, selecção de equipas de produção e de montagem de conteúdos, p rodução de conte ú dos, montagem e o p eração.

pré-guião,

a qualidade, o rigor, a inovação, a origi nalidade, a cria tividade, o

à definição das seg u i ntes etapas,

a n t e p r oj e c t o

exposi tivo ,

guião exp osi tivo ,

Neste c o n texto, foram seleccio nados os p r oj ectistas, de entre equipas

nacio nais,

para a

elaboração dos projectos expositivos, e escolhidas as e m presas p a ra a prod ução de conteúdos

e montagem dos exposições, o partir de uma vasta consulta, tanto (] nível nacional camo internacional. Ao mesmo tempo, foi feito um estudo no mercado sobre a tipologia dos materiais e equipamentos, e sobre os seus custos, de modo a ter elementos seguros poro negociações com as empresas produtoras e instaladoras de conteúdos, e, por outro lado, para se fazer o contraste orçamental durante a elaboração de todas as fases do projecto expositivo, permitindo análises, correcções e ajustamentos.

Durante todas os foses,

quer de

correcções e ajustamentos. Durante todas os foses, quer de eeto quer de produção, houve acompanhamento, supervisão

eeto quer de produção,

houve acompanhamento, supervisão

e controlo técnico expositivo e avaliação técnica de todos os sistemas expositivos.

Estamos perante um novo conceito de exposição centrada sabre um temo lúdico que é

económica e política para a

cultural,

simultaneamente de

humanidade. A pluralidade de ex�eriências expositivas que uma Ex�osi

pluralidade de ex�eriências expositivas que uma Ex�osi mordial importância social, o Mundial exige criou,

mordial importância social,

expositivas que uma Ex�osi mordial importância social, o Mundial exige criou, estamos certos, uma nova cultura

o Mundial exige criou,

estamos

certos, uma nova cultura no cam�o da concepção, �rodução e montagem de exposições, deixando,

assim, um grande contributo ao m odus de grandes realizações mund ais.

ROLRNDO BORGES MARTINS Director de Área

ANTÓNIO NRSAIS Director dG Departamento de Conteúdo$

FAZE R

UMA

EXPOS I Ç

ÃO

NUMA

E X POS I Ç ÃO

As Exposições Internacionais são, esse ncialmente, a

d e correm nos d iferentes p avi lhõ es que as

p a recer semel hantes às que se podem ver em qua lquer museu ou evento cultur al, mas,

razão de pertencerem a uma E x p o s içã o Inter naciona l, são bem distintas. Isto d eve-se ao facto de

que,

requ isitos tão precisos, que acabam por condicionar o projecto, tornando-as d i ferentes.

O prim eiro condicionamen to é o próprio temo do E x posição em que se ins c r evem. A Exp osição

reunlao de um c o nj unto

de exp o slço es que exp osiçõ es poderão

const ituem. A p arentemente, estas

pela simples

para que a sua função se cum pra d evida mente, têm de ser capazes de cob rir uma série de

Mundial de Lisboa de 1 9 98 - inicia tiva desencadeada com a

chegado de Va sco da Gomo ii Índ ia,

a m bicioso que o do mera comem oração histórico. A EXPO '98 pretende festejar o Ocea no, esse único

e ime nso mar que cobre uma grande porte do sup erfície do no sso p l aneta. Nenhuma outro

homenagem o Va sco do Goma,

p o derio ser m e lhor. Mos o Oceano,

p l aneta siste ma

Lisboa será o epi centro o p a rtir do qual

intençã o de cele brar o V Centenário do

comandando uma frota portuguesa -, possui um o bjectivo mais

e 00 conj u nto de descobr idor es portugueses que ele simbol iz o,

essa belo mosso de águo que caracterizo e d i fer encia o n o sso

é

e ssa imen sa m assa de águo que converte a Terra no plan eta vivo ,

paro o Futuro»,

como o plane ta azul, fr ágil.

um

Sob o temo « O s O c e a n o s , Um Património

irradiar á uma mensagem que d everó difundi r-se à escola universal,

reflectir o tod os e que l o nçaró os bases poro uma mudança de atitude individual e cole ctiva. Essa mensagem constitui o temo central da EXPO '98: o Oceano, esse ime nso e m a ravi l h oso mar azul

vi tal, é um

b i ológico e geológico, e também a relação que, ao l o ngo do hist ória, o Homem est abelec eu com ele -, e que t o d o s t e m o s a re sponsabilidade de c o nservor para o Futuro. Todos aqueles que part icipam na EXPO '98 contribuem p a ra o cele braçã o e desenvolvi mento do seu temo. Contudo, a organi z ação a ssumiu o re sponsabilidade de desenvolver o discurso global de modo integral e extensivo , através de uma série de a ctividades tem áti cos e de insta l ações

expo s itivos d e senvo lvi dos em vórios p avilh ões

conju nto discu rsivo e n trança do e coer ente: o Pavi lhão dos Oceanos, o Pavi lhão do Co nhe cim ento dos

Mar es,

geral do EXPO '98.

como um baque que nos faró

Patri mónio de todos - entendendo por património o seu va lor i ntríns eco natural,

ind epende ntes d i stri buídos pelo recinto, fo rmando um

o Pavil hõo do Utopia e o Pavilhõa do Futuro. Cada um deles desenvolve uma porte do tema

UM

PÚBLICO

UNIVERSRL

Além de contribuírem paro o desenvolvimento do tema, as pavilhões temáticos têm outro missão essencial: a de garantirem uma oferto expositivo básica no EXPO '98 que a suficientemente atractiva e satisfatória para o visitante. Atrair e satisfazer o público é, por conseguinte, a outro prioridade de cada um dos pavilhões temáticos.

a outro prioridade de cada um dos pavilhões temáticos. O público de uma Exposição Internacional caracterizo-se

O público de uma Exposição Internacional caracterizo-se por ser muito numeroso e muito diverso.

Procede dos mais variados âmbitos geográficos e linguísticos, e de níveis socioculturois muito diferentes.

No entanto,

é um público que tem algo em comum: a certeza de que vai encontrar coisas

surpreendentes, novos e admiráveis. Rs pessoas võo a umo Exposi o Internacional em busco de uma experiência único e inesquecível. Cada um dos pavilhões, e todos os elementos que os integrom, deverõo dor resposta a essa procura. O visitante de uma Exposição é movido pelo afã do descoberto, do procura da novidade. Inovação, surpresa e singularidade, são ingredientes essenciais paro que a oferta que encontrar não defraude essa expectativa. Esta atitude dos visitantes é um aliciante muito positivo sempre que se abordo um projecto

expositivo. Porém, nõo se trata de agradar a um visitante, mos a milhões deles. O visitante individual impõe-nos uma abordagem inovadora e ambiciosa de cado pavilhão. Mas o público da EXPO '98, devido 00 seu número, impõe um conjunto de obrigações funcionais e limites muito determinados. Poro que o acesso o vários pavilhões se possa garantir aos milhões de visitantes que o EXPO '98 espero receber, cada um deles teró de funcionar como uma móquina e absorver milhares de visitantes por dia.

como uma móquina e absorver milhares de visitantes por dia. A diversidade linguístico, outro aspecto que,

A diversidade linguístico, outro aspecto que, pensamos, caracterizará o público da EXPO '98,

impôs mais uma decisão comum, neste coso, ao conjunto dos pavilhões temóticos: a renúncia Ô palavra falada como sistema de comunicação. Experiências anteriores desaconselhavam o uso de sistemas de tradução em ocontecimentos dirigidos o grandes mossas de visitantes. Renunciou-se, portanto, ô voz como elemento narrativo. Quanto à palavra escrito, o seu uso também seró muito restringido, devido 00 imperativo de se terem de usar sempre em simultâneo os três idiomas oficiais do EXPO '98.

A A P O STA NA INOVAÇÃO

Por tudo o que se d i sse até agora, é evi d ente que o desenvolvi m ento d o s p roj e ctos exp ositivos não

era uma tarefa simples, pois p a rtía m os de o bjectivos a m biciosos - desenvo lver um tema complexo e muito d e nso -, mos com os fortes obrigaçõ es i m postas pelo tipo de público esperado. Perante esta perspectiva , a aposta foi, desde o início, mui to claro: por um Iodo, não renunciar à p a rti da a um delinea mento a m bicioso, não «nive lar por bai xo», tentar o máximo desenvolvi m e nto de cada um dos temos, e m boro d e ntro dos lim ites aconselháve is para u m m eio como o exp o sitivo. R esumindo, assu miu -se o desafio de atra ir o grande público sem se cai r na banali z ação. Por outro lado, procurar a inovaçã o. Era prefe rível o risco da e x periência à repe tição. Não b a stava tr a n spor para a EXPO ' 98 fó rmulas mais ou menos seguras, com provadas em p avi lhões de exp osições

precede ntes. A EXP O '98 o pto u por desenvo lver uma linguagem expo sitivo própria para cada p avilhão temático , garantindo que não se d e fra u d assem as expe cta tivas de surpresa dos vi sitantes. Qualidade, cri ativi dade, i n ovação e or iginalidade converteram-se assim em prioridades, no momento em que se definiu o ti pol ogia expos itivo de cada p avi lhão.

RLQU IMIR EN TRE EX PER IÊN CIR E F RES CU RR

De

-, até 1 9 92,

palco de nenhuma Exp osição Intern acional. D u r a n t e e s s e s t r i n t a e cinc o a n os, realizaram-se n u merosos e x posiçõ es de diferentes categorias e m a gni tudes nos Estados Unido s, Can adá, Japão

e Austr ália. Daí que a exper iência, o savoir-faire e a capacidade profissional na m a téria se enco ntrassem do outro lado do Oceano. Nos p avilhõ es da Expo '92 p u seram-se à p rovo todo a espécie de tipologias e siste mas

expo sitivos. Alguns l i mitaram -se a repetir os modelos já

Outros, aventuraram-se a exp lorar, com maior ou menor timidez,

o campo de e nsaio de uma Expo sição europeia c o nte m p orân ea.

sde

1 9 58,

ano em que se c e lebrou a Exp osiçã o de Bruxelas - conhecida p ela Exposição do R tomium ano em que se realizou a Expos içã o Universal de Sevilha, que a Europa não tinha sido

expe rimentados n o utras exp osiçõ es.

n ovos territórios. Sevilha foi

Os responsáveis pela EXPO '96 intuíram que essa experlencia podia ser útil, mos que se

Os responsáveis pela EXPO '96 intuíram que essa experlencia podia ser útil, mos que se deveria pôr ao serviço de novas fórmulas. Sabiam também que Portugal tinha de fazer a sua própria Exposi o e que o pod a fazer. Portugal tinha de contribuir para a EXPO '98 com a sua própria criatividade e com as suas capacidades, e a EXPO '96 devia servir para legar experiência e conhecimentos ao país. Conhecíamos muito bem todo o processo e as ferramentas de trabalho: os requisitos que um pavilhão de uma exposição deve cumprir, (J sua base funcional e os seus princípios operativos; os recursos tecnológicos e criativos d oníveis; o tipo de profissionais necessórios para os executar; as equipas d oníveis em ambos os lados do IHlônticoj a metodologia de trabalho necessária para o levar o cabo e os prazos razoáveis poro chegar ao seu bom termo o tempo. Estóvamos também bastante conscientes das potencialidades e dos limites que os recursos orçamentais consignados a cada projecto permitiam. Com esta bagagem, e com uma grande ânsia de investigo o e inovação, pusemos mãos ii obra. O primeiro posso consistiu em elaborar o plano Director de Conteúdos, documento programático que definiria os pavilhões a erguer e as suas características. O Plano Director marcaria as linhas mestras do conjunto da oferto temático, além de muitos outros aspectos da EXPO '96.

temático, além de muitos outros aspectos da EXPO '96. O processo de elaboraçõo deste documento foi
temático, além de muitos outros aspectos da EXPO '96. O processo de elaboraçõo deste documento foi
temático, além de muitos outros aspectos da EXPO '96. O processo de elaboraçõo deste documento foi
temático, além de muitos outros aspectos da EXPO '96. O processo de elaboraçõo deste documento foi

O processo de elaboraçõo deste documento foi apaixonante.

Intensas semanas de leitura,

pesquisa de documen o e gestação dos primeiros conceitos criativos. António Mega Ferreira, promotor da iniciativa do EXPO '96, representou um papel fundamental nesta fase do processo, alimentando o nosso trabalha cam o sua vasto cultura e matizando os propostas com lucidez, numa série de fecundas reuniões de trabalho que decorreram durante a Primavero de 1994. No Verão desse mesmo ano concluímos esta primeiro etapa, que teve como fruto um documento no qual se definiam as linhas mestras dos pavilhões, a sua função, conteúdos e estrutura conceptual, as tipologias expositivas de cada um dos seus sectores, os fluxos e circuitos. Definia também com precisão os programas dos edifícios que era preciso construir paro albergar cada exposi o e a metodologia de trabalho o seguir ao longo de todo o processo, até à sua inauguração.

ao longo de todo o processo, até à sua inauguração. A aprovação do Plano Director de
ao longo de todo o processo, até à sua inauguração. A aprovação do Plano Director de

A aprovação do Plano Director de Conteúdos por parte do Conselho de Administraçõo da EXPO '96

estabeleceu o ponto de partida poro começar a trabalhar em cada um dos projectos. Os responsáveis

pela edificação puderam, assim, iniciar o processo de selecçõo dos arquitectos que projectariam

codo um dos edifícios. Quanto o nós, começómos o procurar as estruturas profissionois copozes de

liderar os diversos projectos expositivos. Interessavam-nos equipas portuguesas, gente com criatividade e talento, com potencial inovador. Estóvamos conscientes de que nunca teriam feito

inovador. Estóvamos conscientes de que nunca teriam feito ectos similares, com muito gosto o risco mos

ectos similares,

com muito gosto o risco

mos

teriam feito ectos similares, com muito gosto o risco mos , quem não arrisco não petisco.

, quem não arrisco não petisco. Os responsóveis pelo EXPO '96 aceitaram

Assumiram com

Primeiro,

incorporaram-se os equipas de arquitectos que liderariam o projecto,

entusiasmo embrenhar se num processo incerto, de cujo complexidade só ficaram plenamente

conscientes quando já tinham percorrido uma boa porte do cominho. Desde muito cedo trabalharam com um vasto grupo de profissionais de vários áreas: engenheiros, especialistas em sistemas de som, audiovisuais e instalações especiais, maquetistas, desenhadores gráficos, compositores.

A EXPO '98 dotou-se de uma equipo de peritos nos temas que os pavilhões abordariam,

mais de dois anos que durou a elaboração dos projectos, mantivemos incontóveis reuniões, discussões e troca de pontos de visto, contómos com o tempo e o sossego necessários poro reflectir sobre os pormenores aparentemente mais insignificantes e, desses dois anos, resultaram projectos

extremamente pormenorizados em que nodo era casual.

Durante os

Numa segunda etapa,

foram-se incorporando novas equipas que assumiram a materia

za
za

o

do

projecto: teiros, serralheiros, equipas de montagem, técn cos de iluminaçõo. produtores do sector audiovisual, músicos, tipógrafos, maquetistos, escultores, Também neste caso se preferiu trabalhor com equipas portuguesas, embora se tenham igualmente incorporado equipas internacionais especializados, sempre que pareceu oportuno. Ao longo destes anos, os ideias foram ganhando formo, primeiro no papel, mais tarde materializando se em diversos suportes e, finalmente, situando se dentro do pavilhão, nos espaços paro os quais foram criados.

do pavilhão, nos espaços paro os quais foram criados. Agora é a sua vez. Esperamos que

Agora

é

a

sua vez.

Esperamos que este complexo processo, que já começa o fazer parte do

passado,

tenho servido o seu objectivo principal: surpreendê-lo,

interessá lo e contribuir pora que

a suo visita à

EXPO '9 8

a s u o v i s i t a à E X P O '

(l uma experiência inesquecível.

CRRMEN SUEMO

Consultoro do

a à E X P O ' 9 8 (l uma experiência inesquecível. CRRMEN SUEMO Consultoro

EXPQ 9a,

S.

A.

,

A N A V E / PARAL ITI CA J OAO L uís CARRI L

A N A V E

/

PARAL ITI CA

J OAO

L uís

CARRI L HO

DA

GRAÇA

A respo nsa bilida de do artista c o nsiste em aper fe içoar a sua obro até que elo per co o i n teresse e se mantenho atraente. A alma, ela própria , é de tal modo simples que não pode ter sobre as coisas mais do que uma ideio de cada vez. Uma pessoa não pode ter s e não uma a tenção. JOHN eRGE, Silence

não pode ter s e não uma a tenção. JOHN eRGE, Silence E x posição Universal

E x posição Universal de S evilha de

1 9 92

é n a tura lmente a referê ncia

mais directa e dispo n ível para alim entar fra g m entariam ente

e com as indispe n s áve is tr aduções

para Lisboa o q u e f o i sendo o nosso imaginação sobre o EXPO '98: as ideias de festa , de colisão de ima gens, de sobreposição, de saturação e de entr e choque. Le m b ro-m e de ter ido 00 P a vilhão

do Japão, todo em madeiro; depois de subir por uma escada rolante, atingia-se uma

plataforma eleva do que reenvi ava

o nosso olhar

A Torre de Belém sempre me fasci nou como

e x istên cia h íbrida, metam orfose de em n avi o, uma pequena estrofe que

vi giar, pouco pode defender, pouco pode n avegar. Agora, que mo dizem, tenho de aceitar que, em p a rte, quer ia ter feito outro Torre de Belém. I nfelizm e nte , n este s íti o só te mos a terra, os árvores e o ar em que se eleva o ed ifício. Temos m u ito pouca água, uns refl exos 00 longe, na doca. A praça de acesso procura estes refl e xos da água, a b re-se sob a mosso suspenso d o e d ifíc io e reencontra o céu.

Prime i ro lemo s o c o ntraposição vo lumé trico vertical e horizo nta l, mega l íti co, em betão.

D e p o i s s e n t i m o s

p a lácio pouco pode

que

a

m a ssa horizontal está

em suspensão mágica. Nessa m o sso escovamos uma praça de pedro. Estamos então já na praça

e temos o barulho do água e o tran sgressão verti cal de nos en contrarmos num vo lume sem tecto. E s te espaço introduz dois n ovos

paro foro do recinto, defin indo-se com este

m

ateriais:

a pedr a

e

o

hera.

m

ovi mento o p reâmbulo com que se iniciava o

A águo,

a pedra

e

o

hera.

A pedra

é

o

visito.

O P avilhão do Co n h ecime nto dos M a res é

uni tariamen te construído em betão branco e a suo formo não poderia a p arecer de fo rmo mais simples ou elementar. Quando nos aproximamos do p avilhão queremos uma imagem clara , instantânea e med iátic a. Queremos construir com a sua presença a pausa, o silênc io, o i n terva lo com que inic iamos a visita .

O p e rcurso pelos d iversos sectores e x posi tivos

é uma vi agem e o e d i fíc io é a n ave paralítica que nos tra nsporto.

calcá rio branco que constrói a cidade antiga

de

no meio de um d e nso e n ovelado barroco, nos f a z v e r os mais vari ados fósseis marinhos.

A pedra dá-nos o fia da história e o p o nto de p a rtida. N e sta densidade esculpe-se uma rampa

ascens ional. É uma mola

aprisiono um desenho de m ovimento.

M ovi mento inic i a l, espiral da pedro numa fu nda, lâminas em rota ção, o búzio, o caracol,

o disparar da manada.

Li sboa. O lioz é uma pedr a exc elen te que,

helicoidal

que

Os vo lume s do ed ifício

Figuro

.'.'1.V[

2 - visto

a

partir do

rotundo

sul

do Ala meda dos

 

Oceanos

 

Figuro

3

-

FI

p raço (visto de

cimo)

Figura

1 - Maqueta

(alçodo

norte)

respiram imobilidade escovado,

dizer m ovi m e nto e tensã o.

Co meçou o caminho,

o rampa quer

iniciamos a subido.

Se olh armos poro trás ve mos o águo na doca.

Entramos no e d ifício. Queremos um edi fíc io fora e por d e ntro.

Só no sa[a de entra do - um paralelepípedo alongado com uma faixo de portos d e a c esso e nvidraçadas vi radas o sul e uma [i nha

de janelas j u n to do tecto vi rados o

e no n ave e x iste luz natur al. Todas os outras janelas são fechados durante o Exposição.

O e d ifício será m a is tarde

e é agora um p avi lhão exp o s itivo . Os d i ferentes espa ços fo ram pensados desde o início como palc os vazios - sobretudo os que não terão recurso à luz natural - com p a rti cul ares dispos itivos «cénicos» . Inicia[m ente parecia

que o ideal seria fornecer,

fo lhas broncas, sobre os quais os e x posições

se desenhariam. No entanto, os e x posições são h oje construídos com luz artificial

que p roje cto e i[u mina

expos itivo organizo-se como um espaço de tea tro e p a[c o. N este coso , con centrámos todos os sistemas

de a p oio debai xo do tablado: um p avimento

falso em madei r a , modula do, fa cil m e nte

ace ssível e

em sentido fi gurado,

esquelé tico e nu por

n o rte -

o M useu dos Mores

obj e ctos. O espaço

que

ali m e n ta

e d i stribui tudo

o que for

é lançado a p a rtir daí com óptimo rendimento,

necessário. O ar cli m a tizado

A

N AVE

PARALÍT I CA

necessário. O ar cli m a tizado A N AVE PARALÍT I CA a suo existência
necessário. O ar cli m a tizado A N AVE PARALÍT I CA a suo existência

a suo existência permite m a nter ima c u[adas

as paredes e os tectos,

de

d i fusores.

comple tam ente l ivres e l ectrónicos ou

gadgets elé ctri cos,

A n ave é o espaço c e ntral. A luz é zenital,

com [a nternins orientados a n ascente. É n e sta

sala

que, ta[v ez de u m a m a neir o mais ev idente,

Figura 5 - vista a

Ala meda dos Oceanos

partir da

29

Figura 6 - Acesso à praça pelo lodo norte

uma vez que o

altura das s a[a s é sempre

se sente que o esca[a do edifício é difícil de

grande,

mas os utentes estão sempre p e rto do

referir. O simples facto de tocar e medir o

chão. As

instalações e l éctricas e de segurança,

e d ifício parece não nos garantir nada em

siste mas

electrónicos,

som,

et c., são sempre

relação ao jogo conscie nte da a p arente

mais facilmente ligado s o p a rtir do p avimento,

já que

todos os o bj e ctos

e

d is p ositivos

exp ositivos de alguma m a neiro pousam e tocam

nele. Este p avim ento falso é

de centrais técnicos térreos e subterrôneas;

ali m entado a partir

desconexão dos medidos .

A equipa do De partamento de Conteúdos

realizou um m agn ífi co trabalho de encenação:

há agora no interior n avios e mores de todos os

escalas,

cores e ruídos. «E [o nove va .»

Figura 4 - Maqueta nascente)

(alçado

rrd:����1J�T:tiri1rn�r7�i� ««m««<<<<<<<
rrd:����1J�T:tiri1rn�r7�i� ««m««<<<<<<< <----1ijlr;''':'''':'':''':':":":1;:III":"�_::: �
m ml; 111M ;14 m
"
"""""''"'\
E"=�
I
.f
� m ml; 111M ;14 m " """""''"'\ E"=� I .f
o ARX P R O J E C T O EXPOSITIVO PORTUGAL ARQUITECTOS - JOSÉ

o

ARX

PROJECTO EXPOSITIVO

PORTUGAL ARQUITECTOS - JOSÉ

MATEUS E NUNO

MATEUS

PORTUGAL ARQUITECTOS - JOSÉ MATEUS E NUNO MATE U S processo de trabalho partiu de um

processo de trabalho partiu de um

pré-guião expositivo

de um

ed ifício em projecto

com um

fl uxo máximo de 2100 visitantes

por hora. desenrolou-se 00 longo de aproximadame nte

24 meses, acabando

articula onze

o circuito expositivo

por esta bilizar numa soluçã o que

diferentes espaços que constroem

de uma narrativo composto por n ove ca pítulos:

CORREDOR-SULCAR OS OCEAHOS-M AGALHAES- IHVESTlGAR-CHALLEIIGER­ - MERGULHAR- EXPLORAR- NAVE- AVANÇAR

uma viagem de descoberto, dirigida aos sentidos, à a propriação e à i maginação.

CORREDOR

Daqui se estende o longo corredor que nos leva à primeira sola de exposição.

sobre o temo da relação com a águo, mostrando que a necessidade de ultrapassar o barreira da água nõo é um problema exclusiva do homem.

Como início de viagem, q ueria-se tenso, p ulsante

A pele cénico, que se desenrola no tecto e parede do lado esquerdo, fl utuo a 40 cm do pavi mento, enquanto o parede do arquitectura do pavilhão se empena no sentido oposto

estamos dentro da água , dentro de nós próprios.

lO
lO
estamos dentro da água , dentro de nós próprios. lO Figuro 9 - Corte longitudinal Figuro

Figuro 9 - Corte longitudinal

Figuro 10- COARE DOR (estudo)

Figuro 11 - CORAEDOA (maqueta final)

Figuro 7 - Planta do piso O Figura 8 - Planta do piso 1

32

12

.--------------�=

figuro

Figura

13

12 - SUlCRR os OC[ANOS

(maqueta final)

1 J' - SULCAIl os OUANOS (corte

longitudinal/modelo dinâmico «manobro»)

Figuro

14

- MRGAlHÃfS (corte)

SULCAR OS OCEAN OS contar a evo lução da rel ação do homem com a
SULCAR
OS OCEAN OS
contar a evo lução da rel ação do homem com
a água e os progressos que for am sendo feitos
nos sistemas de n avegaçã o.
o es paço, como um rasto, é
(m etafori came nte)
«sulcado» pelo barco
brilha nte que desaparece no final
um ambien te de c arácter i n st áve l,
de flutuabi lidade, precariedade de equi l íbri o,
estruturado a p a rtir de três gra nde s vo lumes
dinâ micos.
Os «teatros» dinâmicos d e screvem no seu
acabame nto a evolução dos tecnologias de
con strução n avaL
enqu anto encenam no seu interi or um
aspecto físico da relação com o mar (i m p ulsão,
propulsão e m a n o bra)
um fra g m ento de
um protóti po de
casco

cara cterísticas de tudo o que c orre , tal barco

ou projéctil sibilante, vi sitantes.

emp urr ando consigo os

um momen to dec i sivo no pro cesso de conhecime n to dos m a res: a primeira viagem de circum-navegação do p l aneta.

M A G A LHÃES

entro-se no espaço do

n ove, extraordin ária

explosão espacial em para cima.

que os o l hos se dirigem

o espaço aperta-se sobre o visita nte, criando um efeito de estrangula mento,

a que c o rresp onde, no seu p o nto culminante,

a localização no mapa do estreito de M a galh ães.

A

bloquear a visãa p a ra a grande sala,

um e n o r m e c o r p o a r q u e a d o descola -se das paredes e chão.

Intui -se o lado de lá.

A vista p o ssíve l,

tangente, d e cifra relevos de contornos

continentais. A Terra é redonda

I N V E S T I GAR

a evo l ução do conhecim ento do homem como resulta do da sua relaçõo com o mar.

A noçõo de «espaço cartografado» insinuo-se

o PROJEC TO EXPO SIT IVO
o PROJEC TO
EXPO SIT IVO
o PROJEC TO EXPO SIT IVO 33 Figuro 16 - INVESTIGAR (maqueta final) Figuro IS -

33

o PROJEC TO EXPO SIT IVO 33 Figuro 16 - INVESTIGAR (maqueta final) Figuro IS -

Figuro

16 - INVESTIGAR (maqueta

final)

Figuro

IS - INVESTIGRR (estudo)

34

34 Figuro 17 17 - IIlVE�TIGRR (planto geométrico l/elementos no pavimento) Figuro 18 - MERGUlHAR (estudo)

Figuro

17

17 - IIlVE�TIGRR (planto

geométrico

l/elementos no

pavimento)

Figuro

18 - MERGUlHAR (estudo)

Figuro

19 - MU�GULtíAR

(maqueta

 

fino I)

19 - MU�GULtíAR (maqueta   fino I) um espaço diste ndido, d e u m a

um espaço diste ndido, d e u m a enorme cenografia dos contornos continentais, um uni verso que foz alu são 00 regis to , ambiguamente representação e lugar rea l. O visitante em viag em, do Ocide nte para o Oriente.

emergem m o nstros m arinhos, fi guras m íticas dos medos de marinhe iros, figuras grotescos aparecem insc ritos rotas de grandes investigad ores, como Co ok, Gomo ou Co lombo, esten dendo-se por calhas suspensas do tecto , que se juntam em «gomos» de rotas sobrep ostos

d e uma leitura em perspectivo , que se reconhece no início do sala e junto do c o ntinente europ eu, poro um confronto tóctil com os contornos no final da sala (oriente) , em localização incerta , à descob erto .

se

um lodo é m a is «geogró fico» ou de

sabores étnicos, o o utro é mais fenomenológico,

de momentos.

um globo alongado, com relevo , m ar e continentes, pontuado por ed ifícios, referentes

do imagi n ório u niversal

encenando o dia e a noite, simula-se a experiên cia

da viagem .

grande janela horizontal,

o «Teatro do N atureza» descreve fenó menos (cíclic os) naturais que, interligados, constituem uma p arte sign ificativa do causa das m arés.

numa fase inicial , observamos.

Depois de observar, o homem desenvo lve

modelos teóricos

e diagramas

registos gráficos de equações

ilhas de vidro em que brilham desenhos de naturalistas que l eva ram o cabo o suo investigação biológica.

CHAl l ENGER

conq uista essencial da expedição do Ch al/en g er, n e ste caso o grande i nventá rio de descobertas compiladas pelos cientistas ao longo dos quatro a n o s d e vi agem e que constituem um leva ntam ento do fundo do mar que originou o n ascimento da ocean ografia cie ntífi ca.

associação sucessiva de p erfis topográficos do fu ndo do mar, cortando o planeta ao longo dos seus meridianos.

-----
-----

, .

fazendo a p onte tem áti ca para o sector seguinte: o merg u lho.

fazendo a p onte tem áti ca para o sector

seguinte: o merg u lho.

MERGUL HAR

contar o evol ução do proc esso do mergulho, as d ificuldades de vencer os limites físicos do corpo.

E ste espaço onírico define-s e como um meio ambíguo, intrigante , de l uz su ave

e variável, de limites in c ertos,

merg ulho na pr ofu ndidade e 00 longo do percurso.

propondo um

o

PRO J E CTO

e 00 longo do percurso. propondo um o PRO J E CTO E XPO SITIV O

E XPO SITIV O

35

Figuro

s aJa)

Figuro

20 - MERGULHAR (planto

da

21- MERGULHRR (corte

A---- =�= o.l' � I
A---- =�=
o.l' �
I

transversal/teatro virtual)

A---- =�= o.l' � I transversal/teatro virtual) 2•   uma p o lifonia da n ature

2•

 

uma p o lifonia da n ature za, de pro gressão

22

em sentido

descendente , até à rarefacção

abissal.

 

o

corpo

central, fra gmenta do, c o ntém

histó rias animadas dos passos marcantes

 

da evolução do processo do mergulho.

R

imagem

víd eo lib erta-s e do seu suporte

e

flutuo

 

23

Figura 22 - EXPlORAR (est udo)

No final, o espaço esmagado atinge a sua

escuridão m á x i m a

p rofu n didades são sugeridos por pontos e linhas

silhuetas d e p e i x e s d e a lta s

Figuro 23 - EXPlORRR (m aqueta

finol)

E X P L ORRR

imagem de um porto marítimo, il ustração do te ma, daqui se desdob ra a m orfologia organizad ora do espaço. Comp a rtimenta do, multitem ático

36

36 Figuro 2S - exPlORAR (guinda ste - vista de cimo) Figura 24 - EXPlORAR (plant

Figuro 2S - exPlORAR (guinda ste - vista de cimo)

36 Figuro 2S - exPlORAR (guinda ste - vista de cimo) Figura 24 - EXPlORAR (plant

Figura 24 - EXPlORAR (plant a da cobertu ra) Figura 26 - EXPlORAR (corte tra nsversal) Figuro 27 - NAV� (e studo)

A primeira sala, dedicada ao tema da comunicaçõo, morse, ritmos, pu lsações a segunda, d
A primeira sala, dedicada ao tema da comunicaçõo,
morse, ritmos, pu lsações
a segunda, d edicada à
pesco artesanal, co nstruída por redes de aço, numa
geometria de artes de pesco.
Ao fundo, uma pequena sala, espécie de
caleidoscópio
ilusõo e drama da paisagem do
aqua cultura.
pesca de alto-mar
coça
à boleia
imagens
reais de fi lmes de arquivo. Preto e bronco .
p assa-se poro o o utro lado da imagem, um
grande espaço aberto, gigantesco e dinâ mico
mundo portuário de gruas e contentores.
d entro de um contentor, suspenso por cabos
a p artir da grua que
domina a sola, dese nvolve -se o
tema do barco-fábri ca, frio e mecânico .
daqui tem-se uma visão global, d ecifrando
a imagem que lhe deu o rigem.
N A V E
o espaço é determinante, gi gantesco. Uma planta de
60
m
x 16 m com 40 m de p é-direito e iluminação
zenital.
E o espaço é determinante, gi gantesco. Uma planta de 60 m x 16 m com
o P R O J E CT O E X P O S IT Iy,Q
o P R O J E CT O
E X P O S IT Iy,Q
o P R O J E CT O E X P O S IT Iy,Q 37

37

Figura 28 - NAVE (maqueta finol) Figura 29 - NAVE (planto do piso térreo) Figura 30 - NAVl (corte transversal)

38

Figuro

31

- AVRNÇRR (alçado

late rol c om corte) Figuro 32 - AVANÇAR ( s equência de cortes tra nsversais)

Figuro 33 - AVANÇAR (e s t u d o)

Figura 34 - AVAIIÇAR

(maqueta

fino I)

s t u d o) Figura 34 - AVAIIÇAR (maqueta fino I) Tra ta-se aqui o

Tra ta-se aqui o confronto do homem com a sua (insign ifica nte) escala relativamente 00 mar.

é a con stru ção do sonho, das aspirações do homem e da reg isto do suo homenagem .

plano

geom étrico de c o n strução n ava l,

mapa complexo de m últiplos (semi) projecções simultôneas rebatidas, que, sem pre incompletos, encerram no conjunto toda a i n form ação poro o desenho da complexa geometria do casco.

O borco vai-se a rra ncando 00 tri d im ensi on a I iza ndo

d esen ho,

uma imagem do século XVI, do Cais das Naus

co nstitui um outro «ve ctor conceptual».

O q uase-barco, todos os barcos.

Dispostos ao longa da sala, os elem entos n avais vão desdobrando sistemas de c o nstru ção diferentes , utilizados ao longo dos tempos:

a madeira, o aço e as fibras com pósitas.

de modo forrado ou em ossa da fases diferentes do proc esso c o nstrutivo .

O p avimento é tra çado com o plano g eom étrica globa l, como Sala do Risco

as projecções dos desen hos na p arede ganham corpo tridimensionalmente nos fra gme ntos c o nstruídos. Tubos de aço ligam o corpo verti cal aos pontos da sua projecção no plano da parede.

Os cabos org anizam o espaço, registam-lh e a escala e vêm ao chão torná-lo convés.

AV A N Ç A R

É o

prepara a saída.

e p ílo go

d a

e xp osi ç ã o,

q u a I i d ad e

de

s i I ê nc i o

que

li "" , � { �.:' ;� , : ", 'r' .• � � 'r'
li
""
,
{ �.:'
;�
,
: ",
'r'
.•
'r'
.
.
\
\
,
,
.
.
.
.

espaço filtrante, convid ando à interiorização e à reflexão

a outra reentrôncia, a que não c orresponde um submarino visível, deixo um final deli bera dam ente ab erto e p essoal. o desenvolvi m ento global alcançado através do Conhecimento dos Mares.

Term ina a e xposição.

o P A V I D O S L HÃO A R E S M

o

P A V I D O S

L HÃO A R E S

M

MÁRIO

PEREIRA

D O

C O NHE C I

MEN TO

PRO PÓS ITO

E S M MÁRIO PEREIRA D O C O NHE C I MEN TO PRO PÓS

P avilhão do Conhecim ento dos M ares propõe-se mostrar qual fo i, ao longo da h i stória, o processo de conhecimento, d escoberta e progress iva a propriação do oceano por pa rte do homem.

A exposição d este p avi lhão analisa, sob vórios

ângulos,

com o oceano: como aprendeu a n avegá-lo e foi

definindo os seus contornos; como o exp lorou ao

lo ngo dos séculos,

conhecim ento ge ográfico da sua superfície; como, depois, começou a ave nturar-se nas suas profun dezos, num complexo processo que exigiu o desenvo lvi m e nto de tecnologias altamente

sofisti cadas; e, finalm ente, como

conhecendo e ex plorando

e ri queza de recursos que ele contém.

E ste l o ngo pro cesso é d ese nvo lvid o no P avilhão do Con hecime nto dos Mares, deixando claro aos visitantes qual fo i, de facto , o sentido do

prog resso e da evolução tecnológic a e científi ca.

como foi evol uindo a rel a ção do homem

até conseguir o total

fo i

a grande variedade

O conhecime nto do oceano, p a rti ndo

de uma base empírica, cedo se estruturou na

observa ção e no experiência. A

sistemas de n avegação, pesca, i m ersão, etc., interligou -se ao de senvolvi mento de uma série

de áreas do conh ecimento (té cnica,

a stronomia, física, m a tem áti ca, e tc.), que têm vindo a p r ogredir, dand o ao homem i nstru m e ntos cada vez mais efi cazes na revelação de m uitos

evoluç ão dos

mecônica,

dos segredos do oceano e na apropriação dos seus recursos.

O disc urso expositivo do P avil hão do

Co nhecim ento dos Mares é composto p o r u m a

grande d iversidade de meios, articula dos da

forma que considerómos mais expressiva para

a tra nsm issão das mensagens.

Assim, construím os um percurso exp osi tivo em

para além de um c orpo cenográfico e em si

que,

mesmo expressivo , uti liza mos elem entos a u dio vi suais (v íd eos e dia posi tivos) , recorremos

a modelos, m a quetas e elem entos dinômi cos,

fazemos reco n sti tuições e expom os, também, a l gumas peças originais. Neste sentido, propusemo-nos utili zar no P avil hão do Co nhecimento d'os M ares técnicas exp ositivas muito simples, com tecnologias de

apoio altamente exp ressiva s, acompan hadas de uma reduzida e sel eccio nada colecção de peças de altíssimo va lor emblem ático.

P E RCU RSO EXPOSITIV O

F!LA S

A zona de filas configura -se como a preômbulo do p avilhão. Porq ue se trata d e u m povilhão de percurso l ivr e, o fluxo de público não d everó ser

i nterr ompido por o u tros m o tivos que não sejam a capacidade dos d iversos espaços ex posi tivos e a

comodidade

do percurso

fez com que o

dos

que

próprios visita ntes. A

extensão

precede o acesso ao p avi lhão

ú l ti mo seg m e nto

das fi las

Figuro

3'5 - previsor de marés de

Lord

Kelvin,

modelo de 1876.

funcionou durante

41 onos

elaborando

previsões destinados

à

compilo�õo dos tabelas de

marés poro

todos os

portos

portugueses.

Lisboa,

Instituto

Hidrogr6fico.

42

42 fosse intervencionado a través de uma abordagem animada e l eve . Amenizo-se a espera

fosse intervencionado a través de uma abordagem animada e l eve . Amenizo-se a espera dos visitantes com filmes de animação projectados em q u atro m onitores distribuídos ao longo do alinhamento dos filos. Estes pequenos filmes a presentam, de forma

h u morístico, temos n aturalme nte relacionados com

Este espaço, para além das textu ras sonora s, contém diap ositivos projectados em q u atro

ecrãs distintos,

estabelece uma forte familiaridade entre

a água e as mais d iversas formas

Terra , dos seres unicelular es aos desenvolvidos.

que

mostram a fo rma como se

de

vi d a

mais

n a

o

mar - mitos, medos e lendas. As suas estórias

A

b a rreira

águo é,

afinal, transferíve l!

são protagonizad as por uma personagem simp ático

A

partir deste corre dor,

o percurso

e d ivertido, que actuo como o guio e decifrador de algumas das histórias do exposição e interpreto, servindo-se uni camente de g estos e expressões, diversos cenas que representam o sensação de

curiosidade e genia lidade, bem como a i m potência

e o pequenez relotivam ente à i m ensidão do mar.

E NTRADA

A imensidão do oceano provocou nos homens de

respeito e temor,

mos d esde semp re os homens sentiram a d esejo de atravessá -lo. De facto, d urante séculos, a mar f o i u m a b a rre i ra natural, c ujos águas i nspiravam d e sconfiança e medo. É este espaço d ifícil de atravessar, é essa b a rreira que g era inq uietação e exp ecta tiva ,

todas as épocas senti mentos de

é esse problema com que o homem sempre se

d efro ntou, que aqui se traduz com recurso a texturas sonoras e a efeitos lumínicos. A sonorização global do esp aço, que marca profundam ente todo o percurso e discurso exposi tivo , começo n este sector a condicionar o experiência da visita.

CORREDOR

Apesar do obstáculo que o oceano representa p a ra os seres terrestres, toda a vi da teve origem no água. A água é consang u íneo ao homem e a todos os seres vivos.

expositivo estrutura-se por q u atro sectores

(S U LCAR,

i n tersectores (M AGALHÃES e CHA LLE NGER) , uma grande N AVE e, o concluir a visita, um espaço de

reflexão

INVESTIG AR,

M E RGULHAR e EXPLORAR) ,

dois

fin al, a que chamamo s AVANÇA R.

e EXPLORAR) , dois fin al, a que chamamo s AVANÇA R. S U LCA R

S U LCA R

OS

OCE ANO S

O tema a desenvolvido no prime iro sector do

p avi lhão

é

o

de

«SULCAR os OCE ANOS» .

"

Aqui, o objectivo é mostrar como o homem

foi resolvendo os problemas que se lhe c o locaram para superar os dificuldades em sulcar os o c eanos. As respostas trazidas p elo homem à n avegação

são de ín dole m u ito d iverso . E x iste uma enorme

variedade de modos de deslocação e de construção

de em borcações e

mantiveram-se ao longo dos séculos, su bsistindo,

nos n ossos dias, uma grande tipologia de emborcações primitivos que continuam a ctuais.

m u itas das solu ções a doptadas

Os siste mas de propulsão, manobra e

orientação, que o homem desenvolveu 00 longo dos

tempos, são ess enci ais poro se compreender como

o evolução da navegação lhe p ermitiu tr ansformar

o

P AV I L H ÃO

DO

CON HE CIM E NTO

DOS

MAR E S

todos os ocea nos num só, permanentemente

sulcado por uma grande qua ntidade e variedade de n avi os. Os conteúdos d este sector distribuem­ -se, assi m, por estas três grandes áreas temáticas. Por questões que se prendem com a siste matização dos progressos do homem em relação a o t e m o d este primeiro sector,

proporciono-se aos visitantes

d istintas vertentes dessa

um conta cto com

evo l ução: o impulsão,

a prop uls ão, a manobra e o orientação.

E ste sector começa com um painel gráfi co,

e nvolvendo uma piroga moçambicana, cedido pelo

Sociedade

dá o ideia daq uilo que foi determin ante e m arcante

no sentido do progresso.

As noç ões esse nciais na uma alusão a pelo qual os

de Geo grafia, e que , de imediato, nos

de flu tu abilidade e imp ulsão,

rel ação hom em/águ o, através de Arq u imedes, mo stra m-nos o razão p esa dos n avi os flutu am.

Passa-se à propulsão,

em que a necessidade

de se m over m a is depressa contribuiu para a

evolução das técnicas, fazendo com que da mão,

passando p e l o r e m o , a ve la e o hélice, se che gasse ao j a cto.

A man obra m ostra -nos, por sua vez , o

fu ncionamento de instrum entos que permitem dirigir os barcos - lemes e ân coras. Na orien tação registamos o progresso das técnicas que permitiram viajar de n oite e longe da costa, sem visibilidade, com recurso às estrelas,

astrolábios e bússolas

Em suma, neste sector, o visitante é confrontado com os progressos feitos nos siste mas de n avegação que permitiram 00 homem um contacto cada ve z mais cómodo, fu ncional e eficaz com o elemento água.

O espaço é caracterizado por uma instabilidade que lhe é c o nferida por três grandes m odelos dinâmicos em madeiro, ferro e fib ra (numa cloro alusão aos materiais de c o nstrução), com

até aos satélites.

m ovimentos d istintos c o nforme se referem à

impulsão, manobra ou prop ulsão .

Cada modelo, paro além de dioramas alusivos ao tema, contém uma retroprojecção como complem e nto da mensagem. A abordagem do orien tação é feita numa ceno grafia de cal ote cel este em que as co nstel ações se ligam aos in strumentos de orientação (desde o astro lábio e do seu similar oriental - o kamal - até à estrelo artificial que é o satélite a li gar-se ao GPS) através de fibras ópticas. O «Quadra nte con Somiserchio» , com nónio de Pedra Nunes, réplica de uma peça do Museo di Storia della Scienza, de Florença, executada e completado pelo Caso leitão & Irmão, p o.ltua este espaço c om vários réplicas do Museu de M arinho. Como contraponto o esta evolução, o visitante é confrontad o, no final do sector, com o facto de

ex istirem

os m a is primitivos m éto dos de n avega ção

ainda nos nossos dias - exem plificamos com uma j a ngada oriental de bambu, um caiaque esq uimó, um coracle irlandês, um cab allito e a balsa de Paios do Peru, que nos foram facultados, respe ctivamente, pelo Museu Maríti m o d e Macau e Missão de Macau, M useu M arítim o d e Ílhavo, Embaixada de Portugal na Irlanda e embaixada do Peru em Portu gal. O sentido do progresso e do evolu ção é dado pela r epresentação de u m m odelo nava l u ltra moderno, que d eixa um sulco, através de um p a inel gráfico, dos sucessivos recordes de velocidade.

MAGALHÃE S

A ligação entre os sectores 1 e 2 faz-se através de um espaço de homen agem a Fernão de Magalh ães e consubstancia-se na m a rcação da rota de M agalh ães traçada num grande cenário do Globo, que simula a esferi cidade terrestre (a co nstata ção funda mental da vi agem), com 17 m de altura.

43

ção funda mental da vi agem), com 17 m de altura. 43 J7 Figuro 37 -

J7

Figuro 37 - Agulho

de

marear

construída em Lisboa por

equipou a

bitóculo de um bac alhoe iro do princípio do séc ulo xx.

R.R.

&

C.

l. ,

que

construída em Lisboa por equipou a bitóculo de um bac alhoe iro do princípio do séc

44

44 I N V ES TIGAR o bj e cto de estudo l a boratorial, sendo
44 I N V ES TIGAR o bj e cto de estudo l a boratorial, sendo

I N V ES TIGAR

o bj e cto de estudo l a boratorial, sendo N ewton, neste campo, um verdade iro precursor. Este sector começa com um fi lme proj ecta do

numa grande tela,

que introduz o vi sitante no tema

que , por sua vez, se desenvo lve num cená rio de

planisfério em que o tratamento lumínico nos dá, em cinco m i nutos, uma sequência de dia e noite. É um espaço cartografa do, com mapas como os de

Fra Mauro,

Martel lus ou Cantino ,

em

que o

mundo se

 

vai

revelando com um rigor sempre maior e em que

Este sector é dedicado 00 oceano como

se

p assa dos mo nstros

medieva is, aqui

propiciador

ao conhecim ento do planeta.

da i nvestigação e elem e n to essencial

Viajar

fo i ganhando uma o u tra dimensão.

A vi agem ma rítima deixou de ser m ovida apenas

por q u estões económi cos e militares e pôde ser i m pulsionada pela «simpl es» curio sidade

científi ca

desde a g e ográfica à biológica.

Copaz de navegar, o homem sulcorá todo o oceano, descobrindo a sua forma

o homem sulcorá todo o oceano, descobrindo a sua forma Figuro 39 - Mapo tipo T-O

Figuro 39 - Mapo tipo

T-O de

Santo

Isidoro de Sevilha,

in

física e,

consequentemente, a

forma física do próprio planeta.

O tema central é, assi m, a expl oração física e biológica do o c eano.

A e x ploração ge ogr áfica do

oceano permitiu ao homem comple tar o mapa da Terra que,

progr essiva mente, foi cartografando. Como contraponto aos conheci m entos g e ográficos

actuais,

incluem -se referências à

evolução do mundo conhecido desde os

tempos mais remotos e à formo como foi

sendo apropriado p e los natural istas.

A vi agem de exp loração

ganha uma exp ressão

Ethimologiorum Ubri Virgin ti,

século XIII.

Lisboa,

Biblioteca

Nocional.

Representação do mundo

no cartografia

medie

al

em que o

Terra é circundado pelo oceano.

Figura

40 - Monstro

marinho de

lucon Johannis

Aurigorium,

cada vez mais a centu ada a partir do século XVI II

-

o oceano vai d escobrir-se em todo a suo latitude e revelar muitos dos segredos da vi da. Os próprios fenómenos dinâmicos tra nsformam o mar em

desde Co ok a D arwi n

e, de Humboldt a Scott,

in Spe culum Moritium Super

Novigotion Moris Occidenfo/is,

16 1 2 .

Lisboa I

Biblioteca

Nocional.

representados através de esculturas expo stas na cenografia, à precisão das observa ções p ropiciadas pelas v i a g e n s d e Darwin (B e agle) e de Charles

Th omp son (Cha ll eng er).

As correntes, ventos, temp esta des

e m arés

desenvolvem-se num espaço que culmina com o

des e m arés desenvolvem-se num espaço que culmina com o lab oratório estabelece a ligação

lab oratório

estabelece a ligação com o tema seguinte. E ntretanto, um o utro modelo dinâmico, com um

conj unto de rotas, l eva-nos, pelas emblemáticas de cidades por onde

percorrer um mundo permanentemente sulcado por n avios. Apresentam-se, neste esp aço, algumas peças

- o previsor de marés, de Lord Kelvin, pertencente

oscila nte do Ch allenger e que

silhu e tas passa mos, a

ao I n stituto Hid rográfico ,

um quad rante e uma

esfera armilar, ambos de George Adams (século

XVI II), propriedade do Observatório Astronómico

o P A V I L HÃO DO CONHECIMEN TO DOS M A RES
o P A V I L HÃO
DO
CONHECIMEN TO
DOS
M A RES

45

da Universidade de Coimbra - que foram usadas para

aj udar a decif rar mui tos

se colocaram. Um morphing sobre a evolução c artográfico, um fil me sobre os fenómenos dinâmi cos do oceano e outro sobre o evolução do conh ecimento proporcionado pelos vi agens são o utros dos elem entos exp ositivos que en contramos n este sector que acaba por deixar ao visitante a imagem de um mundo diverso , de um mundo plural , de um

mundo policromo e de um mundo complexo.

dos prob lemas teóricos que

CHAL L ENGER

Quando, por volta de 1 860 , foram colocados os primeiros cabos submarinos no Atlântico, deparou­ -se ao homem um grande problema: o oceano era m ais fundo do que se estava à espero. A expedição do Ch allenger, que com eçaria doze anos mais tarde e viri a o ser considerada a primeira expedição oceano gráfica de sempre, teria como uma das suas missões reso lver este m istério, m arcando o início da d esco berta científico do fundo do oceano. O cen ário represento uma maq u eta do relevo do fu ndo do mar, em que estão representadas algumas das 36 2 esta ções de sondagens efectuados durante a expedição, assim como informaç ões colh idas na própria expedição.

M E RGULHAR

O fascínio de pen etrar o azul profundo desde sempre povo ou o imaginação do homem. Alguns p ovos contam entre os seus costumes o de mergulhar no fundo do oceano, principal m ente para recolher corais, ostras, búzios, etc., por n ecessidade ou simples prozer. Todos estes usos puseram em evidência o d i ficuldade de ve ncer os limi tes físicos 00 conhecim ent o do fu ndo do oceano e converte ram o busco de sol uções técnicos numa obsessão,

d urante sécu los, de cie ntistas, engenheiros e o utros investigadores. E ste sector
d
urante sécu los, de cie ntistas, engenheiros e
o
utros investigadores.
E ste sector aprese.n ta o longo, apaixon a nte
e
conturbado proces�o de descoberto, abordando
o
mergulho em apneia,
pressão atmosférica
e equ ip ressã Q', assim como a evolução e
desenvolvi me ntos tecn ológ icos asso ciados
a este fen ómeno.
Para permanecermos uns instantes sub mersos
na água temos de conter o respiração . A nosso
fisiol ogia não está adaptada ao meio l íq uido
(pensemos, por exemplo, que um corpo a cem
m etros de profundidade se reduz em um terço do
seu vo lume)
e muito menos às condiçõ es extremas
do fu ndo do oceano. No entanto, o homem atinge
a ctualmente profundid ades que até hó alguns anos
p areceriam impensáveis.
Os sistemas de imersão no mar - reproduzindo
as con dições da sup erfíc ie em profun didade
(subm arinos, escafandros rígidos, b atíscafos,
/

Figuro 41

- Subma rino Noutitus.

Modelo de sub marino constru ído

em

1 8 00,

por Ful ton,

que

incor porava elementos

que

levaram 00 desenvolvimen to dos

subme rsív eis.

46

46 Figura 43 - Aparelho 6ptico i nsta lado no Farol de Sines, em com funcionamento

Figura 43 - Aparelho 6ptico i nsta lado no Farol de Sines, em

com funcionamento o

incandescência pelo vapor de pe tróleo e rotação por mecanismo de relojoaria, con s truído em

França por B.

O seu alcance

1 9 15.

B.

T

l uminoso médio era de 30 milhos. Em Janeiro de 1950 foi electrificado , funcionando também como oeromorítimo através da instalação de painéis, ficando com o a lcance luminoso de 42 milhas. foi retirado o 10 de Jane iro de 1993, em virtude da

e levação da torre do foral. Paço d'Arcos, D irecçõo de faróis.

torre do foral. Paço d'Arcos, D irecçõo de faróis. etc., à pressão atm osférica) ou adaptando-se

etc., à pressão atm osférica) ou adaptando-se às condições de vi da em profundidade (escafandros tipo «pé-de- chumbo» , escafa n dros autónomos, sinos de mergulho e o utros aparelhos de

equipressõo) - são os temos expositivos d este sector que vai ter no Teatro Virtual o seu motivo central como m eio expositivo .

Aqui, o tratamento cen og ráfico procura

transm itir a i m pressão de que se está o

mergulh ar.

Num corpo c e ntra l,

através de um t e atro

virtu al, «con tam-se» cinco h i stó rias marcantes

do evoluç ão do

Ao longo do sala enco ntram-se elem entos disp ersos, como um escafandro p e rte ncente ao Porto de Le ixões, que é o m a i s a n t i g o d e várias gerações aqui representados por um equipame nto da equi po Co uste ou e o Hydra VI II (cedido por

M a pro/Come x) ; mode los de submarinos como o

Alvin e o Trieste; o Chien Plongeur e o u tros peças

da Fundação Rebi koff-Niggeler, dos Açores, num ambiente de fundos marinhos.

p ro c esso de mergulho.

O subm arino russo Drzwieck n� 3, de 1661,

p e rte ncente ao M u seu N aval Central de Samp etersburgo, apresenta-se como uma i m portante peça que m a rco o esforço do homem

na conq u i sta da mobilidade no seio das águas.

do homem na conq u i sta da mobilidade no seio das águas. EXPL ORAR ••

EXPL ORAR

••

O oceano tem vindo desde sem pre a ser utilizado

e explorado pelo homem, que depende dele para sobreviver. A ocupação dos zonas litorais e o

utilização do mar como espaço estratégico de comércio e comunicação aconteceram ao longo de toda a h istória e é importante que tenhamos plena consciência disso. O tema central deste sector - a exploração do mar - inclui não só a exp loração de recursos alimen tares e minerais, m as também outros usos que o homem faz do oceano. As comunicações, a pesco , a salinicultura ou

a aquacultura são algumas d as mais importantes a ctividades que nos evidenciam a situaçõo de dependência que vivemos em relação ao mar. Este sector d esenvolve-se num a mbiente cenográfico de porto , dominado por guind astes e contentores, onde dec orrem temas como a pesca ind ustri al ou a aqu a cultura. O m ar, como elemento de comunicação, m arca o início deste percurso. Um mapa-múndi, luminoso, no pavimento, com os m ares a serem atravessados por cabos submarinos e por satélites e de onde um

grande farol com óptica de Fresnel, d atado de 1915 (que esteve em funcionam ento na estação de Sines

e que p ertence à Direcção de Faróis) relampejo paro

todo o sector. Os satélites, tal como o videowall, com recepção directo de imagens do POSAT-l, foram­ -nos cedidos pelos consórcios LEO (INETI-OGMA­

EFACEC) e SAT (INETI -OGMA-E FACEC-M ARCONI) , enquanto

o repetidor de sinal de cabo pertence à M arconi. Pesca artesanal , com representações de todos os continentes, complementada por um diaporama,

cenas épicos de filmes d a c o ç o à boleia e um painel dinâmico, trifa cetado, de 9 m, com cenas

e elem entos de pesco de alto-mar (cedidos pelo

Museu das Fl ores), dão-nos a dim ensão do im portâ ncia dos mares que hoje se estende à exploração mineral e, concretamente, 00 petróleo.

N A V E

Na gra nde n ave centra l, pretende -se que o visitante se deixe absorver por um espaço

o P A VIL HÃO DO CONHECIMEN TO DOS MAR E S
o
P A VIL HÃO
DO
CONHECIMEN TO
DOS
MAR E S
o P A VIL HÃO DO CONHECIMEN TO DOS MAR E S '5 fas cinan te

'5

fas cinan te de vá rios leituras e múltiplos conotações. A ideio de «nove dos n aves» é apreendido pelo a rticulação de formos que, simultaneamen te , nos sugerem o criação e realização dos naves . É uma homenagem aos

c

onstrutores de n avios e o todos aque les que,

n

avegando, os utilizaram como gran de

instr umento do conhecim e nto e do exploração

g eográfico, cien tífi co

oceano um i m portante factor de universalização

c u ltura l. Grandes peças de m a deiro, aço e fibra, con stru ídos em esta lei ros n avais, pontuam esta gra nde n ove cruzado por cerco de seis quilóm e tros de cabos e três de réguas de madeiro , que projectam nos p aredes o plano geom étrico que serviu de base aos modelos

n ava is.

e económico, tornando o

AV A NÇAR

Como conclusão do p ercurso de todo o p avilhão, crio-a-se um ú lti mo espaço onde se evidencio como o sonho de alguns e o necessid ade de muitos fizeram avançar os conhecimentos do humanidade.

F eito de uma formo simp les, o trotam e nto deste

sector a presenta como peço c entral uma utopia do

p assado,

todos os mom entos do história, são p rojectados máqui nas que nunca chegam o fu ncionar (ou

fun cionam deficienteme nte) , mos que esses sonhos

acabam por ser o gérmen de

que mostro aos visitantes como, em

imp ortantes ava nços.

A tartaruga de Bushnell, de 1776,

onde,

h i stori camente, o hélice aparece pelo primeiro vez

como elem ento propulsor, fo i o obj e cto mais

que represento

de premonitório de té cnicos que só muito mais t a r d e p u d e r a m t e r condições poro se desenvo lver) , poro tra nsmitir esta mensagem final.

e x pressivo , por nós escolhido (pelo

Figuro 46 - Nave. Diversidade de elementos de navios e de aprestos marítimos que, num diõlogo com o espaço monumental que é o torre do Pavilhão do Conhecimento dos Mares, se apresenta como um lugar polissém ico (Homenagem, Sala

do

Bush nell. Réplica
Bush nell.
Réplica

Figuro 46 - Tartaruga de

Risco,

E staleiro

).

Réplica Figuro 46 - Tartaruga de Risco, E staleiro ). do submersíve l que utilizou pela

do submersíve l

que utilizou pela p rimeira vez , em

1776, o hélice como elemento propulsor, paro além de ter a ntecipado a utilização de outros recursos que s6 mais tarde viriam Q ter possibilidade de ser t ecnicamente desenvolvidos.

47

V I S Ã O / M I T O L OGIC A ADE LIN

V I S Ã O

/

M I T O L OGIC A

ADE LIN O

CAR DO SO

Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim, A tua beleza a u mento quando estamos sós E tõo fundo intimamente o tua voz Segue o mais secreto ba ilar do meu sonho, Que momentos hó em que eu suponho Seres um milagre criado só poro mim.

SOPHIA DE Mmo

BREYNER,

Mar Sonoro

A

F O NTE

I N ESG OTÁVEL

DO

M I TO

Mmo BREYNER, Mar Sonoro A F O NTE I N ESG OTÁVEL DO M I TO

m ito é uma compo nente funda mental do cultura humano. Todas as tentativas para eliminar

a sua presença se têm revelado n ecessari a mente il usórias, « m ít i c as» no sentido p ej o r at ivo que este termo a dquiriu com os fil ósofos e historia dores gregos dos séculos V- IV o. C. , nomeadamente Xenófanes

e Tucídides, para quem a palavra mythos p assou a

designar, na ex pressão elucid ativo de M. Detienne,

o escând alol, algo de absurdo e ininteligíve l. Ora, não só a psicologia de Freud e, sobretudo, de C. G. Jung, mas tam bém a antropologia c u ltural, vieram

m ostrar o lugar arcaico, ou seja, de algum modo

fundador, que o m ito ocupa na psique huma na2•

E importa real çar um tópica decisivo: o m ito

desempenha um p apel positivo

função liberta dora em face da realidade existente.

A submissão aos factos, à realidade tal como elo se

a presenta ime diatamente ao sujeito, é asfix iante não só no plano da literatura e das artes em gera l,

m as também no

onde a ima ginação esti mulo o tra balho inventivo e inovador. E fe ctivamente, como diz Paul Valéry, «o homem op õe-se in cessa nte e n ecessari a m ente

imprescindíve l, uma

plano científi co e tecno lógico,

o O

M A R

àquilo que é d evido à suo preocupação com aquilo que não é, e crio, lab oriosame nte ou através do génio, aqui lo que é necessário poro dor aos seus sonhos o poder e a precisõo do própria realidade e, por outro lado, p aro impor o essa realidade alterações crescentes que a aproximem dos sonhos» (M oles, 1985). O m ito é fermento de

invenção, ao exprimir o i m possível aj usta mento do homem àquilo que é. Tal como o sonho, alim ento a insatisfa ção essencial do homem dia nte do mundo dado, projectando-se em direcção a um mundo

a

criar. Evid entemente, i m porta d istinguir: há

m

itos paralisantes, que apontam para paraísas

i r rem ediavelm ente perdidos e ina cessíveis. O que

se visa realçar aqui é o sentido «proj ectivo» da função m ítica enquanta veículo do d eseja insaciável do homem na grande ave ntura que é a sua vi agem nos diferentes planos da sua experiência e da cultura.

Co mo diz Fern a n d o P e ssoa num poema

significativamente intitulada Ulisses: «Assim

a lenda se escorre/A entrar na realidade, /E a fecu ndá-Ia dec orre .» A lenda, o mito, não pode deixar de interessar-nos, em virtu de do seu poder de fecundar a imaginação e as grandes epope ias da humanidade.

O mar anda historicamente a ssociado a uma

m ultiplicidade de m itos. Nenhum outro elemento se revelou tão prodigiosam ente fértil em mitos. E o interessante é que o mar se reve la inesgotáve l em face dessa pluralidade de figuras míticas. De facto , a água arrasta consigo um potencial de criação, renovação e m etamorfose, que se traduz

em a parições da m itol ogia oceônica sob formas e em locais verd adeiramente surpreendentes;

1 M. Oetienne surpreendeu, em p6gíno$ luminosamente lúcidos, o degradação semântico sofrido pelo termo mythos, que perde o significação de narração (falo) que tinha desde Homero, paro possor o designar o topos do escândalo, assinalando uma linho de exclusão (v. bibliografia), , Neste aspecto, merecem referêncío especial B. Molinowski e, mais recentemente, G. ourando

Figuro 47 - Pormenor de O Parnaso,

Flndrea Mantegna,c. 1497. Floris,

Musée du Louvre.

52

Figuro 48 - Este mapa cosmológico, de 3500 Q. C., aproximada mente, repre sento o curso diário do Sol através dos águas oceânicos. A Terra é figurado como uma taça, cujos saliências são os montanhas do leste e do oeste, flutuando sobre os águas do mar. ln The

Hist ory of Cartography,

1967.

os águas do mar. ln The Hist ory of Cartography, 1967. porque o m ar é

porque o m ar é porventura o símbolo m ais genuíno do aventuro humano, seja no procuro de n ovos

m u ndos, seja no de um sentido poro o vi agem em

que estamos emborcados. Quando, no terceiro

históri a de Menina e Maça, de Bernardim Ribeiro, Rvalor abandono o ilho deslu mbrante que serve de

« c entro c a rtográfi co» do obro, lanç o-se 00 mar

na expectativa de que ele exerço o seu e feito de regeneração e cura no suo alma abúlica: «E assim todo se entregou às águas do mar, que pelo ventura houveram dele piedade, que contam que também moram nas águas coisas que guardam religião» (Ribeiro, 1990). Efectiva mente, como escreve M. Eliade, referindo-se à longo tradição védico da Índia: «Rs águas são os fundam entos do mundo

inteiro , são o essência da vegetação, o elixir do

imortalidade [

criadora e são o prin c ípio de todo o curo, etc . 'Que os águas nos tra gam o bem-estar! ', suplicava

o sacerdote védico» (Eliade, 1990).

] asseguram longo vida, forço

A

ÁGUA

ElEME NTAl,

ARQUE TÍP I C A

RS COSM OGONIRS DO P RÓXIMO ORIENTE

A primeira grande representa ção mitológi c o d a que está presente nos civilizações a ntigos do Próximo Oriente que condimentaram o fermento

cultural do Ocid ente , foi o do águo como elemento primitivo do qual tudo se gera e no qual tudo acabo por d issolver-se. As figuras em que se man ifesto são múltiplas, conforme o época e a fisionomia peculiar

da c ultura que

águo,

lhe dá

u m a

o u

outra fig ura ção.

Surpreen demo-Ia, por meados

do IV milénio a. C. ,

numa representação cosmológica egípcio. Toda o organização económica do antigo Egi pto se pol arizo em torno do Nilo e das suas águas e o mesmo se posso com o religião e a mitologia desta civilização. «Quem bebeu o água do Nilo não se satisfará com nenhuma outra», dizia-se. Entre os deuses de prime iro plano,

Osíris e Ápis são representações do Nilo. Todavia,

com nenhuma outra», dizia-se. Entre os deuses de prime iro plano, Osíris e Ápis são representações

esta águo milag rosa que fecundava os campo s, alimentava os homens e facilitava as viagens provinha do águo oceânico primitivo, que rodeio o cosmos. Entre o utros quadros i nvulgarmente belos, veja-se

a representação d eslumbrante e carregado

de simbologia, em que o Sol se desloco de leste para oeste ao longo do oceano primitivo circundante

VISÃO

M I T O L ÓGICA

DO

MAR

As águas desempenham um papel fundamental:

primeiro juntos, Deus sep ara-os colocando o

firma mento

aquelas que ficam ligadas à Terra. E reuniu de seguida as águas sob o firmamento, a fim de que a Terra , que estava submersa, emergisse dos águas. Tal como

pode ler-se nos primeiras l inhas do Génesis:

entre os á g u a s q u e cobrem o cosmos e

e ilumino com os seus raios o Terra, c uja figuro é o de uma taça flutuando nos águas do mar (figuro 48).

«No princípio, Deus criou os céus e a terra. A terra era informe e vazio. As trevas cobriam o abismo,

Reencontramos a mesmo águo elemental no

e

o Espírito de Deus m ovia -se sobre a superfície das

biblioteca do rei a ssírio Assurbanipal, no século VII a. C. , relatando o m ito b abilónico do criação, que circulo desde tempos muito mais recuados. Segundo esse relato, tudo - deuses, homens e o cosmos em geral - p rovém do águo e nela acabará por dissolver­ -se. É no seio indistinto do água inicial que se produz

águas. Ao primeiro dia, Deus disse 'faça-se a luz', separou a luz das trevas e distinguiu o dia do noite. Ao segundo dia, Deus disse ' h aj a um firmame nto entre as águas para as m anter separadas umas das

outras'. Deus fez o firmamento e separou as águas que estavam sob o firmamento. E assim aconteceu.

o

propósito do império divino: «Foi ele que fixou a

o

d istinção entre águas que se reúnem e se separam;

E ao terceiro dia Deus disse: 'Reúnam-se as águas que

e

deste jogo de penetração m útuo e oposição

estão debaixo dos céus num único lugar, a fim de

resultará o geração de toda a realidade. A águo é o elemento que foz eclodir o vibração cósmica, a tensão vital e o circulação do vida. Todo o ciclo cósmico foi iniciado pelo tensão e união fecundante

montanhas, que flutuava n a s á g u a s d e A p s u e sobre

a parecer o terra seca.'E assim aconteceu.» Deste modo, o águo envolve a terra que está assente nos mores, como diz o salmo 24, versículo 1,

entre água doce e águo salgado. É um longo mito, cujo início é assim descrito por M aria lamas: «O

terra sobre os mores e o colocou sobre os rios.» Deus foz no Éden, o o riente, um Paraíso paro Adão

elemento fundamental era o água. Da fusão do água

e

Eva. Oro, é muito significativo que não só «a terra

doce - o oceano primordial (A psu) - e da águo salgada - o mar tumu ltuoso (Tiamat) - resultou a agitação das

exalava um vapor que reg ava toda o superfície» , mas também aí nascia um rio, que, ramificand o-se, dava

ondas (M ummu) e d e pois n a sceram todos os seres, a começar pelos deuses. Rpsu era uma espécie de abismo l íquido que envo lvia a Terra. Esta tinha o aspecto de um planalto redondo, rodeado de

origem o q uatro rios que se propagavam pelo planeta, entre eles, significativam ente, o Tigre e o Eufrates. A cartografia medieval, todo elo eivada de motivos bíblicos e referências alegóricos ao cristianismo, oferece-nos uma representaçõo do

o

mundo é representado em forma de um O (o

o

qual repousava o abóbada celeste. Era de Rpsu que

mundo m uito esquemática e simplificada, de que sõo

provinham os nascentes que brotavam do solo. Apsu pode comp arar-s e 00 rio-oceano dos Gregos, que

típicos os T-O mapas, assim designados porque neles

Homero apresento, igualmente, como o pai de todas os coisas. Tiamat personifica o mar, representando o elemento feminino de que nasceu o mundo»

oceano), dividido em três continentes - Europa, Ásia e África - p o r u m T. No entonto , é imensamente significativo que elo mantém o representação do

(lamas, 1 973). A mitologia judaico- cristã concede um lugar relevante à águo elemental no processo da criação.

oceano circunda nte, mas também o ideia bíblico de que o rio do Paraíso estaria ligado aos grandes rios sagrados, como, por exemplo, o Nilo (figura 4 9). De

"

53

l\l; .\It\nirlnmrmmh M\l:

Nilo (figura 4 9). De " 53 l\l; .\It\nirlnmrmmh M\l: l 1 ! linlr\\�r.l\,r. '\ttlN' \I!\1�

l1! linlr\\�r.l\,r. '\ttlN' \I!\1� i \nrltll.\lHI1 ,ln\11.lI\n"" 'III\hr. " iI \\w,\11us m'(\ Ú 'u n l';: ·

nu!'

lIH "nlh'.ml\'lrftu�. !\1\\1\it::;"h\ur:m

\-,,\0,

\\\mtol�

m"l l� .\\1".\

\h\l '\1n'l\1'fI

\

fuGl li\'I,\mn:\l Il , nts 'ftS.l.lll\\S .II U.l\,\\

\1 r\'iIt�-rr.l',lUl.\\i .l ; ."iIUl h' r �m(1n�llfll= ,lN;" mnm,'1t\.; Vlh,nr. ú
\1 r\'iIt�-rr.l',lUl.\\i
.l
;
."iIUl h' r �m(1n�llfll= ,lN;"
mnm,'1t\.;
Vlh,nr.
ú
m'l\l
lí :.no'ifmo
uli}! """,
\1.,h' IIDn
.•lnr-llldt ,nmI11111 . •1\. \\\l \\' IR UIl\: .1\,
,htdlll.ll .\'iI OIl ,"
I
I;\' !l,l
lI ,h
ll m
fl1l111
tin\' lflllt
1'1I\,"'11.1fth
\·.I
• •lIU ilt1 1i�l lhn u ct ul : f\"MI\IÍ.l .
�' �1\tr 1,1{� i'ltmt ti\'
$:11:
IIIr Unltil'
.11lt Hnl1\\''I
IIl ti\l.t1 ':,u n ,;\!l 1l1 nou r.
'
Ü
lt'
n
h
r:fI
1I1 .lt.\mi
1

1111'''.\5 ltm:\\:t,\\l<:h'lI

, h nh 1J.I(M (nnllll

"�" ��o/fi.' \SI �"::"�I Jf.,,, .n, . I

�. �:t 1M' ' . _ '; QI ;frv� ::::::--- � �/ ,
�. �:t 1M'
'
.
_
';
QI
;frv�
::::::--- �
�/
,

'1m �:�>��i�lm

[�

Figuro 49 - Mapa

onde pode ver-se o ligação do Nilo com o rio do Paraíso. Florença, Biblioteca Medicea Laurenziana.

T-O medieval,

54

54 50 figuro 50 - Arco de Noé, ;n Psou fier de Saint Lo uis et

50

figuro 50 - Arco de Noé, ;n

Psou fier de Saint Lo uis et s/anche

de castífle.

Paris,

sibliotheque

de

l ' Arsenal.

A f,; '------
A
f,;
'------

Figuro 5 I - Mapa de Hecoteu

cu l o

VI

a.

C.,

reconstrução de E dward Herbert

de Mile to,

de a cord o com uma

Bunbury.

E dward Herb er t de Mile to, de a cord o com uma Bunbury. facto,

facto, era habitual na Idade Média, m esmo em obras de eleva da espiritualidade como o Horto do Esposo , de um anónimo português de finais do século XIV, princíp ios do século XV, a ideia de representar o Paraíso a oriente3• Deus teria e xpulsado o homem do É den e vedado o acesso a ele ao comum dos mortais, mas ele continuoria lá sob um modo físico de

orca flutuava à superfície das águas (Génesis, 7, 17-

referências explícitas nos m ito� babilónicos e, por

O RIO-OCEANO DOS GREGOS

das águas (Génesis, 7, 17- referências explícitas nos m ito� babilónicos e, por O RIO-OCEANO DOS

mais antiga designação do mar e a mais veneróvel das d ivindades m aríti mas. Simboliza a confusão inicial das águas, que antecede a criação do mundo e o form ação do cosmos. É representado como um rio imenso que circundo o terra e considerado o pai dos cerca de três mil rios que banham e ferti lizam a terra: dele, diz Homero na Ilíada , «dimanam todos

presença.

os rios

e

todo o mar

e to das os n ascentes e poços

Um episódio bíblico p articularmente revelador do carácter arquetípico da água é o Dilúvio. Após o pecado, Adão e Eva são exp ulsos do Paraíso e va i dar­ -se um processo de corrupção da humanidade. Deus decide intervir mediante o poder regenerador da água. Avisa Noé, «homem justo e perfeito», do seu

profundos». Tétis, sua mulher, deu-lhe uma miría de de Oceônides, que são as ninfas dos fundos inacessíveis do mar. No Prometeu Agrilhoado , de É squilo, é Oceano quem aconselho mo deração e reflexão a Prometeu, ao p asso que as Oceônides o consolam.

plano, manda-o construir uma arca p ara ele, sua mulher, descendentes e exemplares de todas as espécies animais. E, posto isso, «rom peram-se todas os fontes do grande abismo, abriram-se as cataratas do céu» (Génesis, 7, 1 1). As águas foram aumentando até que a terra ficou toda submersa e a

-18). Assim regenerou Deus a humanidade e fez uma aliança com Noé e a sua posteridade (figura 50). A representação do Dilúvio como meio de os deuses regenerarem a humanidade decaída e corrupta e ncontra-se de uma maneira geral n as civi lizações do Próximo Oriente e no Grécia. Podem ver-se

exemplo, no Tim eu (2 2b-d), de P l atão , onde surge como uma noção transmitido pela cu ltura sacerdotal egípcio aos Gregos. Esta mesmo representação do água regeneradora

Esta concepção cosmogónica, segundo a qual o oceano é a fonte g eradora das c oisas, anda associado à representação da Terra como um corpo que flutuo na águo, represe ntação rel ativam ente comum no Grécia ho mérico e que v.ai refectir-se igualme nte na cosmologia de Tales e, mais genericamente, dos primeiros fil ósofos gregos (figuro 51). De facto , no que a este aspecto se refere, a c onti nuidade entre mito e logos (pensa mento raciona l) é flagrante. Tales racionaliza uma concepção do mundo em que a água, e mais

precisamente o água oceônica , ocupa um lugar primigénio. No seu intento de apresentor Tales como o fundador de uma novo cosmologia, Aristóteles atribui-lhe a teoria segundo a qual a Terra flutua na água , que é, por sua vez, a origem das coisas:

«O utros dizem que a terra repousa sobre a água.

subjaz à água baptismal, mediante a qual o ser

Com efeito,

é esta

a

e x p l i c a ç ã o m a is antiga

que

humano a fectado pelo pecado origin al é restituído

recebemos,

a qual, segundo dizem, foi d a d a

p o r

à pureza que Adão e Eva conh eceram no Paraíso.

Tales de Mileto, o saber: ela mantém-se no devido lugar pelo facto de flutuar como um mad eiro ou algo de semelha nte» (De caelo, 2 940 28) . O facto

(República , 606e).

A representação da água elemental, arq uetípica, da qual tudo flui e que t u d o a b a r c a , f o i d esignado pelos Gregos com o nome de Oceano. Oceano é a

é que Tales reto ma os m itos cosmogónicos do Próximo Oriente e já presentes em Homero, «o educador da Grécia», como lhe chama Platõo

I No Horto do Esposo dil-se expressomente que «o entrado dest e poro(so, depois do pecado de Adam, sempre foi sorrado e vedado o todo o geroçom humanol, co

é todo cercodo em redor de muro de fogo» (Mohler,

1956).

Isso nõo impe diu, porém,

Elios e E noe de aí entrarem «vivos e sem corrompimento» (ibjdem).

UM EXEMPLO M O DERNO

A água elementoI faz uma aparição surpreendente

numa obra que pertence às fundações da nosso modernidade: os Prin cípios de Filosofio , de Descartes.

Qual U lisses cheio de manhas e exped ientes, o génio cartesiano encontra uma solução astuciosa paro a questão transbordantemente escaldante do decisão entre heliocentrismo'e geocentrismo: o Terra propriamente d ita está imóvel, mas todo o líquido

e nvo lvente se m ove em volto do Sol. Elo não dispõe de

m ovi mento próprio , mos é insensivelmente arrostado

pelo elemento l íquido, no qual, parecendo imóvel, flutu o. Assim, no 3° porte, art. 24�, dos Princípios, Descartes afirmo que «o matéria do céu é líquido»

e, no art. 26�, escreve muito habilmente «que o Terra repouso no seu céu, mos não deixo de ser transportado por ele». «Em quarto lugar, posto que nós vemos que o Terra não é, de modo nenhum, sustentado por colunas, nem está suspenso no ar por cabos, mas

rodeado o toda o volto por um céu muito líquido, pensamos que elo está em repouso e que não tem propensão poro o m ovimento, já que não notamos

movim ento algum; mos não creiamos também

isso posso impedir que elo seja arrostado pelo curso do céu e que nõo sigo o seu movimento sem, no entanto, se m over: tal como um borco, que não é arrostado pelo vento, nem por remos, e que também

que

VISÃO

M I TOL ÓGICA

DO

MAR

relação a mbivalente do homem com o m ar: fascínio

e

Efectivamente, o superfície do água é irresistivelmente sugestivo. Evoca o d esejo de flutuar

aprazive l m ente nas águas tépidos e ca lmos de um m ar como o M editerrâneo. Flutuar, deixar-se arrostar pelo

m a nsidão das vo gas, s e r a c a r i n h a d o p e los Nereidas

p avor 00 mesmo tempo.

e o utras imensos ninfas favoráveis e acolhedoras. É essa fascinação do mar sem fim que distrai e seduz o nosso olhar vagabundo e inquieto, que procuro nesse horizonte em expansão o repouso de uma longo

jornada ou o alento p aro retomar o viagem. E há um deus colmo, sensato, equilibrado, lumino so, um deus do sup erfície, c uj o impé rio sobre as ondas é um bom augúrio paro os n avegantes. Mos também uma perdição. As suas filhos são ornamentos fab ulosos que excitam o olhar e alimentam o fantasia. Esse deus l uminoso e benfazejo

é Nereu. Nereu, deus do mar, tal como Poseidon, mos mais antigo do que ele, é um velho que emerge à superfície dos águas e tem um carácter justo, sábio e pacífico.

O seu império estende-se em particular sobre as ondas

do mar Egeu, vive numa gruta iluminada e anuncio o futuro: a nunciou o Páris os moles que sobreviriam no

coso de Heleno ser raptado. Casado com o oceânide Dóris, é o pai dos cinquenta Nereidas, ninfas do

M editerrâneo, que h abitavam no fundo do mor, num

palácio l uminoso, e divertiam seu pai com suas danças

55

palácio l uminoso, e divertiam seu pai com suas danças 55 52 Figura 52 - poseidon

52

Figura 52 - poseidon de Milo.

Com

o seu tridente,

simboliza os mores e o vasto

fauna que os habito.

Museu Nacional de Arqueologia.

poseidon

Atenas,

não é retido por âncoras, permanece em repouso no meio do mar, e m bor a possa acon tecer que o fluxo ou refluxo dessa grande m assa de águo o arroste

seus cantos. Cada uma personifica uma formo e um

carácter particular e, muitos vezes, deslumbram os n ave g a ntes com o m agnificência do sua fig uro. Entre

e

irreverente.

insensivelmente consigo» (Descartes,

197 1).

os mais célebres contam-se Anfitrite, esposo de Poseidon, e Tétis, esposo de Peleu e mãe de Aq uiles.

A

PO LAR IDADE NEREU - P OSE IDON

Mos há também o atracção das profundezas, dos

O

ceano é o sím bolo primordial do mar. Mos Oceano

recônditos obscuros e inacessíveis do m ar. Sondar, m ergulhar até ao fundo do mar. Agitar os águas,

não recobre todo o cargo simbólico e mitológico que o mar tem p ara o ser humano. Dentro do panteão grego, Nereu e Poseidon são os outros duas grandes d ivindades maríti mas, cada uma evocando um pólo do

soltar gritos estridentes, abalar a terra, obstruir passagens ou, às vezes, abrir novos cominhos. Assim é Poseidon: p uj ante , i m petuoso, imprevisíve l,

56

Figuro S3 - O Parnoso, Andreo Montegno, c. 14 97.

Paris,

Musée du Louvre.

Andreo Montegno, c. 14 97. Paris, Musée du Louvre. Poseidon, m a is n ovo que

Poseidon, m a is n ovo que Nere u, simbolizo o outro lodo do mar, o tumulto dos águas, o agitação, o força e ó vigor selvagens. Vive no fundo do mar e

semelhante ao de Poseidon e são-lhe atribuídos os mesmos feitos que àquele. A polaridade Nereu-Poseidon é atestada pelo

dirige

com a suo voz estri dente os tem pestades

presença em todas as grandes vi agens marítimas de

fo rças

e os tremores de terra . O seu semblante é em geral carregado e transporto consigo o tridente, símbolo

dois tipos de forças: por um lado, forças favoráveis,

do seu enorme poderio (figura 5 2). Vemo-lo no Ilíada homérico (XV, 168) o enfrentar as ordens de Zeus, e o epíteto de «ínclito deus que abalo o terra» (XV, 1 73)

que aj udam o emp reendimento; por outro, bloquea doras, que criam as mais diversas d ifi culdade s. É assim no Odisseia homé rica n ' Os Lusíadas, de Camões, onde, reunido o

e também con cíl io

en contro-se igual mente na Teogonia , de Hesíodo,

dos deuses, estes se d ividem e ntre o parti do de Baco ,

e corresponde à imagem mais típica do deus. Neptuno , o deus romano do mar, tem um carácter

desfavorável ao empreendimento luso, e Vénus, que lhe é favorável (Caprestini et 01. , 1 9 8 5).

ATLÂNTIDA: M ITO E UTOPIA

Platão, fi lósofo grego dos séculos V-IV o. e. , é um excelente narrador de histórias e, de algum modo, um m itógrafo . No que se refere aos mores, a presento um grande mito - At/ân tida - , que o grande fil ósofo refere como tendo sido narrado a Sólon por um ve lho sacerdote egípcio, já que este p ovo, protegido dos dilúvios que ciclicame nte

assolam a Terra pelo divino Nilo ,

l embrança dos fa ctos notáveis de um passado

imemorial. O c a so de Atlôn ti da,

(2 3a-25e) e no

há 9000 anos. Este m ito p ertence ao ciclo de Poseidon. Poseidon fu n d a u m a comunidade humana, in stitu i leis justas e daí resulta o florescim ento de uma

c ivilização rica e exuberante, c onstituída por homens dotados de uma forço e beleza invulgares. O local de eleição foi uma ilha , a ocidente. A ilha simboliza a pureza original e o ausência de influências contaminadoras do exterior. O império de Poseidan esten de-se por um vasto mundo, que se ligo 00 nosso mundo mediterrônico pelas colunas de H ércules, no local a que h oje chama mos Gibraltar. Poseidon desposa el ito , uma jovem bela e órfã, da q u a l t e m cinco pares de gémeos, o prim eiro dos quais, Atlante, é colocado pelo deus no governo da ilho. Esta este nde o seu do mínio o m uitos outros ilhas próximas, parte de um vasto continente, tão grande como a Áfri ca e Ásia juntas, e ainda p arte

su bsta ncial da Áfri ca (até ao Egipto) e da Europa

Ocidental. Nesta é poca paradisíaco, os m ares eram

todos navegáveis, a passagem entre os d ois mun dos fazia-se sem o bstá culos. Mas eis que esta raça de Atla ntes se vai progressivamente afastando da sua origem divina

e torna-se insolente, qu erendo

a l argar o seu imp ério p a ra oriente. A í, os Atenienses,

in citados pela sua deusa, Atena , e tendo por eles a

decisão favorável de Zeus, soberano dos deuses,

conserva a

relatado no Tim eu

Crítias (112a-12 1 c), teria ocorri do

conqu istar Atenas e

VISÃO

M I T O L ÓGICA

DO

MAR

impõem uma derrota estro ndosa aos Atla ntes

insensatos. Os acontecime ntos d ivinos e humanos não podem deixar de repercutir-se no cosmos.

E assim foi: o derrota dos Atlantes provocou um

abalo tal que, no i ntervalo de um dia, Atlôntida e

todo o mundo que se estende para lá das colunas de

H é rcules foi submer so. «É por isso que,

dia», diz o sacerdote egípcio, «aquele oceano é

d ifícil e

o fundo lodoso e muito baixo que a ilho depôs ao

afund ar-se» (Tim eu, 25d). A partir

m ais se poderá navegar p e l o s m a res ocide ntais,

ideia que os medievais d ifundiram e que os desco bridores portu gueses e espanhóis dos séculos XV e XVI d e sfizeram à custa de muito h e roísmo e sonho. Atlântida ficará na m emória da nossa cultura como o modelo da utopia. Tomás Moro , nos alvores do modernidade, inscreve a suo utopia no registo platónico e, mais próximo de nós, J. R. Tolkien, na sua o b ra Th e Si/m ari/ion (Londres, 1 9 54), propõe igualme nte uma utopia c uj a inspira ção «atlântida», como notou M. R. Monte iro (Centena, 1 9 93) , é evidente.

h oj e

e m

inexpl oráve l, pelo obstáculo que constitui

de então, não

C O N C L USÃO

E nós que chegámos depois de todos os viagens

«impossíveis» , que assistimos 00 cataclismo que

submergiu todos os deuses, que expu lsámos do nosso cartografia física e mental todo o

m aravilh oso, que nos tornámos insensíveis ao canto

das sereias, que edificámos a nosso racionalidade técnico-ci entífica sobre as ruínas dos mitos, que

evo ca em nós o mar? Inserimo-lo no domínio

prosa ico das coisas

nós uma auréola de sagrado? A relação do ser humano com o mar sofreu uma

profu nda metamorfose ; o m a r n ã o

o seu fascínio e o sua renovada capa cidade de

apelar ao nosso sentido de enigma e m istério e de

profa n as ou ele mantém para

perdeu, contud o,

57