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Questões locais e universais em processos sucessórios da “Feira Hippie”

Gusttavo Cesar Oliveira Lima Mestrando em Administração (CEPEAD/FACE/UFMG) xgcolima@cepead.face.ufmg.br

Alexandre de Pádua Carrieri Doutor em Administração (UFMG) Professor Adjunto do Departamento de Ciências Administrativas da Face/UFMG alexandre@cepead.face.ufmg.br

Ari de Souza Soares Mestrando em Administração (UFLA) xassoares@cepead.face.ufmg.br

Thiago Duarte Pimentel Mestrando em Administração (CEPEAD/FACE/UFMG) xtdp@cepead.face.ufmg.br

Resumo Neste artigo, propomos um entendimento na Feira de Artes, Artesanato e Produtores de Variedade de Minas Gerais, localizada em Belo Horizonte, sobre os acontecimentos relativos aos processos sucessórios nos negócios familiares dessa Feira. Várias são as questões que se fazem presentes e se interpõem aos processos de sucessão dessas organizações familiares. Interesses dos filhos, inserção desses nos negócios, socializações, são temas recorrentes que refletem a dinâmica da sucessão e a dialética do negócio e dos feirantes com o mundo da Feira, suas culturas, as instituições, bem como com aspectos da realidade familiar (contemporânea) e suas interferências no cotidiano das organizações familiares. Neste trabalho, questões universais,

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aquelas mais genéricas, comumente observadas na sucessão de empresas familiares, e as questões locais, peculiares às práticas de organizações na Feira, se misturam aos processos sucessórios dessas, contribuindo como um importante espaço para reflexões sobre a questão da sucessão no extenso universo das empresas familiares. Palavras chaves: Organizações Familiares, Sucessão, Socialização

Local and universal questions in successory processes of the “Feira Hippie”

Abstract In this article, we consider an agreement in the Fair of Arts, craft of craftsman and producers of varieties of Minas Gerais state, located in Belo Horizonte city, on the relative events of the successory processes in the familiar businesses of this Fair. Many questions interposes to the processes of succession of these familiar organizations. Impossibility to retire for the owner of the tent, interests of their kids, insertion of these kids in the businesses and requests are recurrent subjects that it reflects the dynamics of the succession and the dialectic of the business and the craftsmen with the world of the Fair, their cultures, institutions, as well as with aspects of the familiar contemporary reality and their interferences in the daily of the familiar organizations. In this job, the universal questions, those most generic ones, normally observed in the succession of familiar companies, and the local questions, peculiar of the organizations in the Fair, it is mix to the successory processes of these ones, helping like an important space for reflections on the question of the succession in the extensive universe of the familiar companies. Keys-words: Familiar organizations, Succession, Socialization

1. Introdução

Temáticas inerentes às relações humanas são estudadas em campos de conheci- mentos sociais, expandindo o entendimento sobre o homem e suas relações sociais a partir de diversificados objetos de pesquisas elegidos por estudos antropológicos, psicológicos e sociológicos, dentre outros pelos quais outras ciências, como a sociais aplicadas, apropriam-se e se baseiam. A Organização como local de interação humana é um importante locus de estudo a ser considerado. Nesse peculiar locus, temas e perspectivas emergem na interação entre homens no ambiente social das organizações. Nesses espaços, abarcadas em meio à gestão, as relações humanas se imbricam configurando dramas e situações em seus cotidianos. Entre estratégias, práticas, racionalizações, competitividade, dentre outros signos de práticas incidentes no contexto da gestão, indivíduos e suas respectivas construções sociais ontologicamente advindas de uma multiplicidade de convívios sociais, como o familiar, tornam complexas as relações

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internas na organização. Nas organizações familiares, estando a família mais próxima ao contexto da gestão, acaba por inserir mais intensamente seus mitos, crenças, valores sobre a dinâmica das relações internas, caracterizando a objetividade de sua administração. Isso vai ao encontro do pensamento de Davel e Colbari (2000), os quais consideram que toda organização é familiar na medida em que possuem indivíduos atrelados de alguma forma a um contexto familiar e privado, carregando desse meio influências que aderem à esfera da administração. Neste artigo, o foco se dá na relação entre organização e família, que interfere na sucessão do principal gestor, pelas quais algumas questões são elegidas como objetos de estudo, e fazem-se importantes ao entendimento sobre a dialética gestão-família em torno da sucessão de organizações de cunho mais familiar. Pela penetração da família na organização, e esta, por sua vez, fortemente arraigada

a fatores histórico-cultural-afetivos de seus membros controladores, situações singulares

à gestão dessas organizações familiares surgem do relacionamento família-empresa.

Assim, peculiaridades na administração dessas empresas emergem dos caminhos percorridos pelas famílias na busca da própria sobrevivência, bem como de seus negócios. No objeto de estudo deste artigo questões não somente familiares, mas também culturalmente especificas ao espaço da Feira – questões essas locais –, impõem-se sobre a cognição dos gestores familiares na prática cotidiana de sua gestão. Por essa perspectiva de análise, especificidades culturais e locais são deflagradas para a contribuição à reflexão sobre aspectos da gestão das organizações familiares estudadas. Fischer (2000) afirma que estudar organizações familiares a partir de organizações empresariais de diversos tamanhos e modelos administrativos, que articulam o público e o privado em sua gestão, é traduzir a dinâmica regional e local. Nesse sentido, estudar as famílias e seus pequenos negócios no ambiente de uma Feira aberta, perpassada por aspectos familiares, privados, espaciais, municipais, também contribui para explicitar uma das relevantes analíticas deste artigo em torno da sucessão das organizações da Feira: as questões locais. Segundo a autora, compreender as organizações familiares é conhecer bem a cultura local e o modo de viver e se organizar como comunidades a partir das histórias vividas por seus indivíduos. Nesse sentido, Cavedon (2001) considera que a análise da gestão em organizações familiares revela a cultura organizacional, que, por sua vez, desvenda aspectos culturais de uma região. Nesta pesquisa, a capital de Minas Gerais, por sua respectiva cultura local e estadual, é a região que interfere nas especificidades administrativas das organizações estudadas, dentro da Feira, encerrando questões locais nos limites da administração de muitas de suas organizações. As questões universais são definidas neste paper como os aspectos sociais, educacionais, econômicos, culturais que usualmente podem ser também observados na gestão da sucessão de organizações familiares fora do contexto da Feira. O objetivo deste artigo é estudar a sucessão familiar de pequenas empresas no interior das organizações familiares da anteriormente denominada Feira Hippie, e estudar aspectos intervenientes sobre a sucessão familiar. Assim sendo, este artigo se

dividirá nesta introdução, seguida de considerações teóricas sobre organizações familiares e sobre sucessão. Posterior a essas, serão explicitadas a metodologia utilizada

e

a apresentação do locus de estudo. A sexta parte deste artigo consistirá na análise de

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aspectos sucessórios divididos em percursos semânticos, subpercursos e temas que contribuíram para a confecção das considerações finais, na sétima parte deste artigo. Por último, serão apresentadas as referências bibliográficas.

2. Estudando as famílias e as suas sucessões

As organizações familiares englobam uma gama de atividades que não estão neces- sariamente vinculadas ou instituídas sob a disposição formal de uma empresa. Isso por que englobam atividades baseadas na força produtiva da família, mas que, nem por isso, estão dispostas sob uma hierarquia, uma estrutura formalizada de relações, ou revestida de legalidade. A organização familiar pode ser constituída de atores que agem através de uma rede de relacionamentos informais e pessoais envolvendo, sobretudo, elementos afetivos ligados à família, na qual é possível trabalhar sem vínculos trabalhistas legal- mente formalizados. Desse modo, faz-se essencial, conforme afirma Grzybovski e Lima (2004), o amadurecimento dos estudos sobre organizações familiares através do debate sobre questões sociais e antropológicas, dentro do contexto dos estudos organizacionais. Damiani (1991) propõe que as organizações familiares podem ser definidas como aquelas em que persiste a ocupação de um espaço e se afirmam como grupo afetivo, reforçando o sentimento de familiaridade, desenvolvendo diversas estratégias para a sua sobrevivência como unidades familiares. Antuniasi (1993), por sua vez, afirma que a noção de estratégia familiar deve ser tomada como elemento fundamental para a compreensão das ações no processo de inserção e sobrevivência econômica e de manutenção da organização. Nesta pesquisa conceituamos a organização familiar conforme os critérios estabelecidos por Silva, Fischer e Davel (1999, p. 5), segundo os quais a organização deve reunir, simultaneamente, as seguintes características: 1) A família deve possuir propriedade sobre a empresa, podendo assumir propriedade total, propriedade majoritária ou controle minoritário; 2) A família deve influenciar a gestão estratégica da empresa; 3) Os valores da empresa são influenciados ou identificados com a família; 4) A família determina o processo sucessório da empresa. Essas definições complementam os conceitos tradicionalmente citados por Donneley e Lodi, que situam as organizações como familiares somente depois de transmitidas à segunda geração. Na lógica dos muitos estudos estrutural-funcionalistas, perspectiva hegemônica no âmbito dos estudos organizacionais (DAVEL; ALCADIPANI, 2003), no qual as empresas se submetem à lógica objetiva e racional a fim de sobreviverem, as análises dos aspectos subjetivos são, muitas vezes, deixados de lado. As subjetividades surgem da construção social da realidade (BERGER; LUCKMAN, 2004), que explicariam as objetivações das organizações por abordagens interacionistas, simbólicas ou fenomenológicas. Por conseguinte, autores como Lighfoot e Fournier (2000), tentam refletir sobre a interação entre família-empresa como processos construídos socialmente e negociados a partir do estudo de gerentes de pequenas empresas. Desse modo, não se pretende excluir ou tomar como irrelevantes as contribuições de perspectivas econômicas ou estrutural- funcionalistas sobre o estudo de organizações familiares, mas sim, entendê-las de acordo com os significados adquiridos para os atores nela envolvidos, a partir da análise sobre a interpretação e construção das práticas organizacionais dos indivíduos pesquisados.

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3.

Sucessão

A sucessão, um dos aspectos cruciais para a vida da empresa (BERNHOEFT,1987), é considerada por alguns autores como um rito de transferência do poder e do capital (LEONE, 1992), e do conhecimento (TONDO, 1999). No entanto, conforme ressalta Grzybovski (2002), além de importante, a sucessão é um processo delicado devido às diferenças na gestão entre sucessor e sucedido. Bernhoeft (1987) considera o sucedido, os potenciais sucessores, a família, a empresa,

 

o

mercado e a comunidade, como elementos constitutivos dos processos sucessórios. Esse

processo é perpassado por extremas dificuldades, uma vez que trata de questões relativas

a

poder, morte, planejamento, entre outros. Vidigal (1999) aponta que muitas empresas

ao passar pelo processo da sucessão não sobrevivem ou são vendidas, encerrando-se a trajetória de um negócio familiar. Lodi (1978) levanta ainda que as características do fundador, por não se repetirem, resultam em dificuldades nos negócios futuros. Nesse sentido, Amat (2000) e Grzybovski (2002) ressaltam as diferentes visões e posturas entre fundador e sucessor quanto à gestão dos negócios. Os problemas dessas diferenças estão, segundo Lodi (1994), no comprometimento do filho, que se sente pressionado, e muitas vezes só se presta a assumir o negócio por falta de opção de trabalho ou por exigências dos pais. Apesar das reflexões relatadas sobre o processo sucessório, muitas delas fazem parte de pesquisas e trabalhos de cunho estrutural-funcionalista, concentrando-se, basica- mente, em tópicos econômicos como crescimento e fatores de sucesso. Essa abordagem das pesquisas acaba por inibir o entendimento sobre a interação da família na relação cotidiana no trabalho, e suas implicações no processo sucessório. Esse desprezo pelas atividades usuais em prol do funcionalismo empresarial cegou e ofuscou os teóricos a certas questões que podem ser mais bem pensadas adicionando-se aos aportes teóricos da Administração os da Antropologia, da Psicologia, e da Sociologia. Isso é o que afirma Lightfoot e Fournier (2000) quanto às pesquisas sobre empresas familiares que têm atraído pouca atenção dos sociólogos e teóricos organizacionais sobre as questões sociológicas pertinentes às empresas familiares. Por essa perspectiva, aspectos comu- mente observados no convívio social, reconhecidamente incidentes em grupos sociais, como as socializações primárias e secundárias, discutidas por Berger e Luckman, seriam relevantes no entendimento das motivações de indivíduos influenciados pela instituição social denominada como Família.

4.

Caminhos percorridos

Conforme Chizzoti (1991), contextualizando a dinâmica das relações e não somente fatos isolados, neste trabalho a pesquisa qualitativa é utilizada como metodologia para tratar e interpretar os dados, buscando por meio desta, conforme Bauer, Gaskell e Allum (2002), o aprofundamento na interpretação da realidade dos expositores e a retratação das respectivas questões familiares em seu ambiente natural. Para analisar as especificidades das famílias no contexto da Feira de Arte e Artesa- nato de Belo Horizonte, quanto ao evento das sucessões no negócio das “barracas”,

 
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estudamos as histórias vividas a partir de alguns casos que, ao serem investigados, permitem a integração e a inter-relação de vários estudos de casos (TRIVINOS, 1987).

Assim, pelas histórias de vida selecionadas nesta pesquisa, mostrar-se-á como a experiência pessoal subjetiva se relaciona com o contexto histórico objetivo. Através delas

é

possível revelar como o indivíduo age singularmente frente às questões da sociedade.

Desse modo, coloca-se a história de vida como resultante de interações entre ações individuais e influências do contexto social no qual o indivíduo se encontra imerso. As coletas dos dados deste artigo foram efetuadas entre agosto de 2005 e janeiro de 2006, iniciada pelo método de indicações sucessivas como “bola de neve” (GOODMAN, 1961) até o esgotamento das informações pela constatação da repetição de informações.

 

Para a coleta de dados foram usados blocos de anotações e gravador que, segundo Triviños (1987), é fundamental na coleta de desse tipo de dados – História de vida – uma vez que se forem consideradas apenas as anotações do pesquisador pode-se incorrer no risco de restringir ou generalizar informações que talvez sejam importantes e úteis para

a

pesquisa. Com a utilização desse equipamento tem-se o enunciado completo da entre-

vista, podendo ser usado inclusive para esclarecer pontos obscuros, eventuais dúvidas, e

 

até mesmo comprovar afirmações feitas pelos entrevistados (TRIVIÑOS, 1987). Durante

a

coleta de dados feita nas barracas dos vinte dois entrevistados, procurou-se propiciar

maior liberdade e flexibilidade no tratamento das questões, na medida em que estas se mostravam relevantes para o estudo. Tal liberdade foi importante, através de ques- tionários semi-estruturados aplicados em entrevistas em profundidade, para a introdução do pesquisador no universo cultural dos indivíduos, pois acontece com maior facilidade, conforme observado por Thiollent (1987). Pela Análise do Discurso (AD), utilizada como técnica de análise de dados, explicitam- se as narrativas, os discursos e as respectivas ideologias influenciadoras das práticas dos feirantes. Questões sociais são mais bem entendidas pela linguagem, instituição social e veículo de ideologias, expositora de práticas cotidianas e dos discursos dos entrevistados. Assim, Fiorin (2005) afirma que o homem, como suporte de discursos, os reproduzirá em suas relações na sociedade, ações, pensamentos, falas e reações. Logo, pela consciência verbal dos indivíduos, identificamos grupos sociais portadores de discursos. Esses são analisados com o propósito de se melhor elucidar como o processo sucessório acontece em meio a temas recorrentes nas falas dos indivíduos da Feira, ao tratarem das relações familiares dentro das organizações às quais pertencem. Os percursos semânticos, pertinentes à metodologia de Análise do discurso, são utilizados como formas de delinear os caminhos (temas) pelos quais os entrevistados constroem sentidos em torno da questão principal de interesse deste trabalho. A explicitação de temas a partir das falas dos entrevistados é feita, buscando-se compor um percurso de sentido guiado a um melhor entendimento sobre a sucessão. Assim, o grande percurso semântico identificado na Feira de Belo Horizonte será aquele que trata da sucessão de familiares nas barracas que a compõem. Em torno desse percurso, subper- cursos são evidenciados nas entrevistas. Partindo-se dos subpercursos, temas presentes nas narrativas são analisados e relacionados a um determinado subpercurso que, associado a outros, comporá o percurso semântico principal da sucessão aqui explicitado. Nesse sentido, os temas, subpercursos e percursos semânticos, são organizados da

 
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seguinte forma. O percurso semântico da sucessão, dividido no subpercurso da inserção dos familiares, tem como temas as estratégias de inserção. Dentro destas identificamos os subtemas: financeiro, tradição, educação, escola versus trabalho, mercado de trabalho, gosto profissional e inserção estratégica. No subpercurso do lazer versus trabalho, a arbitrariedade é um tema que se apresenta. Já no subpercurso do interesse dos filhos, o tema da estratégia relativo à motivação e à responsabilidade se inclui. Apesar da demarcação de percursos, subpercursos e temas, ressalta-se que um tema pode estar inserido em outros subpercursos relacionados, confeccionando uma rede semântica que explicita o principal percurso semântico deste artigo: a sucessão. Os intradiscursos, dimensão do discurso que abrange a reclusão de temas e figuras, são analisados nesta pesquisa a fim de se desvendar o encadeamento lógico de uma determinada formação social na qual está inserida. Desse modo, delimitados por ideolo- gias, os discursos serão construídos pela repetição de percursos temáticos e figurativos no intuito de se legitimar, reafirmar e disseminar, semanticamente, idéias, reveladas nos espaços para as falas. Mais internamente aos discursos, analisaremos a utilização da linguagem pelos feirantes e sua estruturação pela sintaxe e semântica discursiva pertencente ao intra- discurso, com a finalidade de favorecer a compreensão das visões de mundo do deter- minado grupo foco deste artigo. Por alguns procedimentos da AD, analisaremos os discursos, visando à compreensão sobre a construção do mesmo e sua consistência através dos temas presentes nas narrativas. Assim, por meio de quatro estratégias de persuasão, utilizadas nos discursos individuais, apontados por Faria e Linhares (1993), sendo elas a construção de personagens, escolha do vocabulário, relações entre conteúdos implícitos e explícitos e silenciamentos, percorrem-se as narrativas resgatando as visões de mundo presentes nos discursos dos atores sociais envolvidos.

5. Contextualizando o objeto: a Feira

A Feira de Arte, Artesanato e Produtores de Variedades de Belo Horizonte surgiu em 1969, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. Hoje é consi- derada como uma das maiores feiras abertas do mundo, onde cerca de 3500 expositores trabalham aos domingos. Essa Feira teve, ao longo de seus 37 anos de existência, consideráveis mudanças. Dentre elas, a mais significativa foi a mudança de espaço e localização. Saindo da Praça da Liberdade para a Avenida Afonso Pena, região central de Belo Horizonte, é marcada significativamente a história dessa tradicional Feira com grandes implicações para os participantes dela, para a população, para a sua administração, etc. Essa mudança, resultante de muitos fatores como: jogos de poder, condição econômica do país, mudanças de governo, interesses de grupos sociais, entre outros, em diferentes níveis, contribuíram para a atual localização dessa, conhecida popularmente como “Feira Hippie”. Inicialmente, os negócios, ou na visão de alguns expositores, o comércio se mistu- ravam às questões familiares em meio a um clima de amizade entre as famílias, uma vez que alguns pais cuidavam de filhos de outras famílias, enquanto as vendas eram feitas. Um fato notório e surpreendente para a realidade das famílias foram os ganhos que

 
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possibilitaram o acesso dos filhos a tradicionais universidades da capital e ao crescimento dos negócios, chegando, em alguns casos, a se tornarem empresas “exportadoras e geradoras de emprego” conforme expresso por alguns.

6. Aspectos sucessórios

 
 

6.1 - Subpercurso da inserção da família e filhos

 

A

esfera do trabalho como aspecto social da vida humana e um dos componentes da

 
 

identidade de indivíduos se vê entrecortada pela esfera privada e familiar, uma vez que o homem, ser social, traz em sua identidade construída, social e historicamente, elementos de diversas esferas que se misturam ao longo da vida na composição dinâmica das

identidades.

 
 

A

mistura – organização e família – não pode se dar de maneira unívoca. Compostas

 
 

por indivíduos portadores de vivências diferenciadas, conferem às organizações a que pertencem, ou das quais são proprietários, diferenças na dialética entre gestão e família. No âmbito da organização conhecida por familiar, grupos inteiros de pessoas, perten- centes a uma mesma família, envolvem-se no negócio a fim de prover o sustento do todo ou de outras famílias dependentes. Assim, vários grupos e famílias, mesclam-se e interferem na dinâmica da gestão da fonte de renda e sobrevivência.

 

(1) Familiar

é familiar porque a gente depende né

a família inteira

porque a maioria ganha para cá. O dinheiro é dado aqui em casa mesmo. (ee1)

 
 

A

idéia implícita presente no trecho acima trata da dependência da “família inteira”

 

ao negócio. No uso do vocábulo “a gente”, pelo narrador, este inclui outras pessoas dependentes à renda da barraca além dele, implicitamente outros familiares. Essa estratégia, de certa forma, legitima e reforça a posição de dependência da família inteira. A existência, vista pela seleção lexical “maioria”, transmite implicitamente a idéia de que existem outras famílias (netos, noras, filhas, esposas) dependentes da renda da barraca, por onde o dinheiro é direcionado.

 

6.1.1. Justificativas das inserções

 
 

Na Feira, a inserção totalitária de membros de uma família no negócio pode ser considerada por vários aspectos, sejam eles, estratégicos, econômicos, culturais. Podemos destacar que alguns feirantes preferem trabalhar com os próprios filhos para que o segredo da produção não se disperse e o negócio se mantenha competitivo pela originalidade das peças.

 
 

(2) Quando os meninos eram pequenos, eu tinha que contratar mão-de- obra. E contratar mão-de-obra dá muita dor de cabeça. Porque o camarada vem, aprende a fazer, aprende a fazer, e dali há algum tempo ele pega os seus produtos e vai vender para os seus fregueses que ele vê te comprando e vende mais barato. (ee1)

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O implícito pressuposto pela colocação de “eram pequenos” indica que os funcio- nários não-familiares somente são utilizados enquanto os filhos estão pequenos, sendo essa ação, conotada pela colocação do verbo “tinha”, como uma contrariedade à gestão do narrador. Justificando sua indisposição em contratar, o entrevistado usa a expressão “dor de cabeça” como estratégia de argumentação. Essa metáfora utilizada pressupõe, pelo uso do advérbio de intensidade “muita” antes dela, que a técnica do artesão-narrador empregada por funcionários dele, fora da barraca, causa uma série de danos ao seu negócio. Assim, pressupõe-se pelo fragmento (2) que a utilização da família é essencial à composição do quadro de funcionários para a originalidade das peças na Feira. Nesse trecho, silenciam-se ainda algumas vantagens em se contratar mão- de-obra familiar, como a informalidade, que incorreria em diminuição de despesas para a empresa e a conseqüente oportunidade de maiores ganhos aos membros das famílias.

(3) Hoje trabalham as minhas filhas comigo [

]

Porque você tem muito

mais retorno financeiro do que trabalhar com outra pessoa. (ee2)

 

Já no fragmento (3), o tema silenciado pelo (ee1) se torna subtendido pelo uso da expressão “mais retorno financeiro” como indicativo de lucro. A informalidade social e econômica dos atores familiares no contexto histórico da Feira permite a idéia, mesmo que silenciada na fala do autor, que os filhos são inseridos, também, como estratégia de redução de custos frente à carga tributária de impostos da legislação previdenciária e trabalhista incidente sobre empregado e empregador.

6.1.2. Justificativa da tradição

Culturalmente, a inserção dos filhos acontece, em alguns casos, como uma tradição passada por gerações. Essa socialização primária cria na consciência da criança uma abstração progressiva dos papéis e atitudes dos outros particulares para os papéis e atitudes em geral (BERGER; LUCKMAN, 2004, p.178).

 

(4) Eu amo a profissão minha de artesanato e agradeço a Deus em primeiro lugar. E em segundo lugar a minha mãe que Deus levou há pouco tempo atrás. Porque foi ela quem me ensinou. É coisa de família. Foi o pai dela, e ela e até o meu neto de 3, 5 anos trança aqui. Se der isto para ele, ele já faz. (ee3)

(5) Os meus sobrinhos também estão aprendendo com os pais deles. E

os nossos filhos são criados assim. [

]

eu tenho um filho de 16 anos,

uma filha de 21 e um de 13. E todos fabricando artesanato. (ee3)

Vê-se, como idéia implícita no trecho, através da inserção da seleção lexical “é coisa de família” , que se trata de uma tradição de gerações. Como reflexo do valor dado à mãe na família, nesse trecho, a afirmação “foi ela quem me ensinou” reforça e justifica a legitimação da tradição pela figura da mãe. Algo que, conforme Berger e Luckman

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(2004), seria muito bem aprendido pelos indivíduos na absorção e retenção de papéis e atitudes daqueles que o socializarão primeiramente. Dessa maneira, a inserção e o envolvimento dos filhos se dá de forma completa a partir da infância, como explicitado no trecho “e os nossos filhos são criados assim”. Aqui, há uma idéia subentendida de que o trabalho faz parte da educação dos filhos, pela

seleção lexical “nossos”. Na inserção de outros personagens à narração, a família (irmãs,

primas, etc

),

a narradora objetiva legitimar a prática educacional.

Na família, a preocupação com o bem estar dos filhos é um dos objetivos do pai. A educação pelo trabalho pode, segundo alguns barraqueiros, ser uma solução para a disciplina dos filhos, como alternativa, inclusive, à falta de tempo dos pais para essa

tarefa. Isso incorreria na participação dos pais na socialização secundária dos filhos, permitindo a melhor penetração da família em contrapartida a outras formas socializantes, tais como escolas, amigos, trabalho, entre outras.

 

(6) E os nossos filhos são criados assim. Não é prendendo. Mas o meu

filho não fica solto, não. [

]

Eu falo com eles, “quando vocês chegarem

na idade de empregar eu vou deixar vocês trabalharem. Mas estudem primeiro e enquanto isso vocês vão fabricando artesanato”. E hoje em

 

dia está muito dificultoso este mundo com as drogas e tudo isto. E assim também são as minhas irmãs: trazem os filhos delas junto com elas. (ee4)

 

Essa preocupação evidenciada pela seleção lexical “solto” indica a vontade de se manter a instituição familiar, agência da sociedade, como mantenedora do controle sobre os indivíduos, interiorizadora da ordem e da autoridade, atuando na formação da personalidade da criança e na integração da personalidade do adulto, conforme Davel e Colbari (2000). Nesse sentido, como forma de socialização e sustentação diante de “drogas e tudo isto”, vocábulos que indicam os perigos existentes no mundo contem- porâneo são elencados. Assim, trazer os filhos torna-se uma forma de cuidado com a prole e uma forma de se transmitir e educar os filhos pelo ofício dos pais. Retomando do (ee3) a educação pela esfera do trabalho, poder-se-ia refletir como a socialização pelo trabalho aparece não como secundária, conforme Berger e Luckman (2004), mas como uma primarizacão do contato com a sociedade a partir do trabalho, na medida em que as crianças em suas primeiras socializações (aprendizados) já convivem e aprendem sobre o mundo por intermédio dos pais no ambiente de trabalho.

6.1.3 - Escola versus trabalho

 

A educação é um bem que os pais desejam passar aos filhos, seja pelo valor social, seja pela projeção paterna a partir de sua falta de oportunidade em freqüentar uma escola. Nesse sentido, o incentivo ou a obrigação acontece com freqüência em determinados estágios da vida dos filhos. A continuidade nos estudos será um considerável relativi- zador quanto ao futuro do filho e do negócio familiar no momento da sucessão. A situação econômica do país, as condições empregatícias e as oportunidades são, em suma, fortes influenciadores das decisões, visto que os herdeiros poderão não enfrentar o

 
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ambiente do mercado de trabalho, uma vez que possuem a oportunidade de amparo dos familiares, trabalhando na barraca da família.

 

(7) E eles não fizeram faculdade. A minha menina não era boa de estudos. Ela tinha dificuldade. O meu menino era melhor. O meu menino passava direto todo ano. E o meu menino fez o vestibular e ele começou a fazer e falou: “Eu vou ficar aqui. Este negócio de ficar só estudando, estudando, depois nem emprego eu vou arrumar. E vou trabalhar aqui porque nós temos muito futuro pela frente”. (ee5)

 

No fragmento “E eles não fizeram faculdade”, pressupõe-se a idéia de que, como não se dedicaram a estudar, não têm outra opção a não ser continuar o negócio. O percurso gerativo de sentido nesse sétimo fragmento segue com a comparação entre filho e filha e a afirmação da posição do filho como o sucessor do negócio. Essa argumentação marcada pela polifonia, onde foi utilizada a fala de outros como poder de persuasão, também se marca implicitamente como uma visão do pai. A utilização do vocábulo “nem” remete, implicitamente, à idéia da dificuldade e da precariedade de oportunidades de trabalhar versus o trabalho no negócio da família pelo trecho “muito futuro pela frente”. Pode ser visto que alguns negócios da Feira propiciaram a intensiva educação de filhos de barraqueiros que puderam ser mantidos pelos pais durante esta etapa da vida sem precisar trabalhar. No entanto, o processo sucessório, nesse caso, entra em um viés. Os filhos a partir da educação recebida não desejariam se inserir no negócio familiar, colocando a continuidade do negócio, ainda que lucrativo, como um problema futuro.

 

(8) Não ajuda não. Só na revenda mesmo. Mal e mal na revenda. E ontem eu tive isto. Todas duas são universitárias. Uma faz jornalismo na Newton Paiva e a outra faz ciência da computação na PUC. E então tinha por obrigação de estar na empresa. Porque eu chamo de empresa. Eu falo o tempo todo que isto aqui é uma puta empresa. Hoje eu brincando e brincando eu dou renda aqui para 300 pessoas. (ee2)

 

A

afirmação sobre a empresa como “uma puta empresa” traz a idéia, ainda que

implicitamente pelo narrador, que as filhas não poderiam se afastar do negócio visto que seriam herdeiras de uma grande organização. Conseqüentemente, devido às atividades da empresa, também como geradora de muitos empregos, as filhas, pelos valores pregados pelo fundador, não poderiam deixar de continuá-la. Tal relevância se dá pela utilização lexical do “brincando, brincando”. Outra razão apontada explicitamente pelo narrador é o uso da expressão “tinha por obrigação de estar na empresa”, pressupondo que as filhas, uma vez que estudaram em escolas particulares, deveriam retornar à empresa o dinheiro gasto com a educação delas.

6.1.4 - Mercado de trabalho e gosto profissional

 

A

inserção dos filhos no aprendizado do ofício acontece, conforme já explicitado neste

 

artigo (fragmento 6), por uma preocupação dos pais com a educação familiar. O gosto pela profissão de artesão também é um valor dos pais cultivado nos filhos e justificador

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para a inserção. Assim a argumentação sobre os filhos ocorre a partir da comparação com outras profissões. Nesse sentido, os pais artesãos ressaltam a importância de suas profissões pela autonomia, reconhecimento, liberdade de criação e ganhos financeiros.

(9) Ganha mais do que se fosse trabalhando de empregado. E o meu filho sempre fala assim: “mamãe eu quero trabalhar de empregado”. E eu falo com ele, “não, meu filho se você quer você vai sim, mas até chegar à idade você vai aprender. Porque você trabalhando lentamente você não vai ser mandado. Você vai criar.” Porque também eu dependo muito de quando a pessoa gosta. Eu amo a minha profissão de artesã.

(ee4)

Aqui se vê pelo imperativo “vai criar” e “vai ser mandado” a oposição de idéias explí- citas entre ser artesão e ser empregado. Como um valor importante a ser incutido na cabeça dos filhos, a mãe argumenta que a persuasão sobre o filho se dá no sentido de ser um profissional liberal independente, que pode trabalhar “lentamente”, aqui subten- dendo a idéia de sem a pressão comum na relação patrão-empregado. Implicitamente, pela utilização do trecho “porque também eu dependo muito de quando a pessoa gosta”, a idéia de que a profissão pode ser reconhecida pela criatividade gerando, em decorrência do reconhecimento, ganhos financeiros. Pelas qualidades narradas, a artesã ressalta seu amor pela profissão, justificando a imposição do oficio aos filhos. Nesse mesmo fragmento (9), o aprendizado da profissão se coloca como uma imposição pelo imperativo “vai aprender” no trecho “até chegar à idade você vai aprender”. Por esse aprendizado, imposto pelos pais, subtende-se que os filhos, pelos motivos narrados, melhor visualizarão o valor da profissão aprendida. Essa será a expectativa da mãe ao longo da socialização dos filhos.

6.1.5 - Inserção estratégica

Em alguns exemplos peculiares à Feira, diferentemente de muitas organizações, a inserção acontece de modo planejado. Por estratégia dos pais, os filhos ajudariam como mão-de-obra para o desenvolvimento do negócio. Essa inserção faz-se planejada.

(10) Meu filho, a partir do ano que vem, ele vai começar a me ajudar. E ele é de menor. Ele está agora com 9 anos. Mas no ano que vem ele vai começar a me ajudar. Na verdade ele já está começando a me ajudar nos oratórios. E ele já está pintando legal também. Mas pintura eu não quero que ele mexa não. Ele já fez uma exposição ali na Galeria do Othon representando a escola dele. E na época ele tinha 8 anos. Foi no ano passado. E ele já tem 9 anos agora. E vai ser legal. vai ser mais automático eu ficar ali administrando e pôr mais gente para ajudar. E na hora que ele começar mesmo a engrenar eu posso ficar só administrando e montar uma firma para fazer os oratórios e vender lá na Feira. E eu vou ficar só administrando os empregados. A minha intenção é montar uma micro empresa e vender os produtos lá na Feira

) Estou esperando

como todo mundo. A maioria do pessoal lá faz isto ( o meu filho começar a me ajudar. (ee6)

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A idéia implícita do trecho: “Mas pintura eu não quero que ele mexa não”, indica que o pai ao não ensinar pintura a seu filho planeja a inserção estratégica da mudança do negócio da família: de pintura para a produção de oratórios. Vê-se a expectativa do pai com relação ao filho nas afirmações a seguir, na qual, põe-se “mais gente para ajudar” até o filho “começar a engrenar”. Taylor (1971), nesse sentido, afirma que na empresa familiar só se objetivará o desenvolvimento da empresa se puder confiar as novas responsabilidades a outros membros da família ou de parentesco próximo.

6.2

- Subpercurso do lazer versus trabalho

Apesar da inserção dos filhos parecer algo arbitrário em alguns casos, há acordos de descanso e respeito às vontades. Seria esta uma estratégia para a rotina se suavizar, e os filhos continuarem interessados pelo trabalho?

 
 

(11) Eu tenho quatro filhos. Cada domingo vai 2, para não sobrecar-

regar. Os outros dois eu libero no domingo

Para mim é muito

prazeroso. Às vezes eu falo: hoje eu não vou à Feira não, aí mando meus filhos. Aí vai dando 8h da manhã, oito e meia, 9h, quando eu assusto

 

10h eu estou na Feira. (ee1)

 

Observamos que a inflexão verbal (imperativo) do verbo “liberar” e “mandar”, bem como a semântica dos mesmos, indicam um poder do pai-narrador sobre os filhos. Mas, no mesmo trecho, verificamos a preocupação deste, pelo uso do léxico “sobrecarregar”, com o bem-estar dos filhos. Entretanto, o processo sucessório nessa barraca poderia incorrer em problemas, conforme Levinson (1977) atesta sobre empresários que pela necessidade de afirmação frente à iminência de uma sucessão, são capazes de minar a estima dos filhos, inconscientemente, com a finalidade de preservar sua onipotência e imortalidade.

 

6.3

- Subpercurso do interesse dos filhos

Uma questão presente e importante sobre o aspecto sucessório é o interesse dos filhos no negócio, e a conseqüente possibilidade de continuidade do mesmo. Analisando o subpercurso semântico do interesse dos filhos, observam-se diferentes situações. Na diversidade dos negócios da Feira há também diferenças de interesses pelos filhos frente às tarefas dos pais. Muitas serão as contingências que poderiam motivar ou não os indivíduos à continuidade dos negócios familiares. No entanto, aqui demons- tramos algumas que indicariam a peculiaridade do contexto do trabalho na Feira incidentes em questões interiores às famílias pesquisadas neste artigo. Os pais gostariam de manter o negócio por achar que a família prover-se-ia de seu próprio negócio. Na visão de Lodi (1978), para um bom processo sucessório, o pai precisa refletir sobre seu ponto de vista e entender se seu filho é realmente alguém interessante para a organização. O depoimento abaixo relata a vontade do pai pelo sustento da marca, mas os filhos dificilmente, como observado no fragmento, iriam continuar o negócio. Em outro fragmento, pela socialização na Feira e a necessidade silenciada no trecho, os filhos

 
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“fazem”, mas percebe-se pela seleção lexical “pegam” que o trabalho relacionado à Feira é exercido sem motivação.

(12) Eu gostaria eu vou te falar o que. Só que isto nunca acontece. A maioria dos pais desmontam o seu trabalho. Ele nunca. Dificilmente um filho segue o pai. Eu estou tentando com os meus meninos, porque o nome que eu tenho hoje de Brasil e até no exterior porque eu mando muito sapato para a Itália. Para a França. (ee7) (13) Tem os meus meninos que fazem e pegam. E eles já não querem.

(ee7)

No trecho abaixo, percebemos a divergência de interesses entre os filhos no ambiente familiar. Basta perceber que as motivações diferentes incorreriam em sucessões variadas ou em até, não sucessões.

(14) Meu filho me ajuda, mas ele não quer saber ir lá e lixar sola não. Ir lá e cheirar cola não. Ele quer mais é ficar na dele. Tocando viola. Agora a menina já encara. Ela já gosta de fazer a coisa. Ela já corta. Gosta de fazer. (ee7)

6.3.1 - Mantendo o interesse

O respeito por atividades extras dos filhos, a fim de se perpetuar o interesse e preser- var a identidade do negócio da família, ainda que não intencionalmente, corrobora com valores não desejáveis (apud Rodrigues, KNIGHTS, 1990), pode, nesta perspectiva, ser considerada com uma estratégia dos pais. Porém, esta aparente liberdade tem um preço.

(15) E eles não. Às vezes eles já querem sair e passear. Tem um que às vezes na hora do trabalho ele quer jogar bola. Ele está treinando e então eu deixo. Porque ele gosta muito deste negócio de bola. Mas ele já vai chegando e já vai pegando. E então eu acho importante, porque é assim, e eles têm interesse também. (ee4)

Pela utilização do “porque”, do “mas” e “então”, o percurso gerativo de sentido da narração se dá no sentido de mostrar que há um respeito às vontades dos filhos, desde que o trabalho para a Feira seja feito. O narrador explica, pelo uso da conjunção explicativa, que essa prática precisa existir, uma vez que é “importante” para que eles mantenham o interesse na atividade. O percurso gerativo de sentido, nesse caso, dá-se na direção de expor uma opinião favorável sobre um fato, independente da vontade do narrador, uma vez que o fato não vai contra a idéia principal defendida na resposta.

(16) E eles já vão entrar em tudo agora. Então se for o caso também de não estudar direito eu prefiro que estude. Pode deixar que eu trabalho só. Mas tem a tarefa deles fazerem, porque eles também têm o dinheiro deles. (ee4)

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Nesse caso, o uso da conjunção adversativa reforça a obrigação e o senso de respon- sabilidade pregado através do uso “do dinheiro deles”, tendo como idéia implícita que ali há também uma relação, ainda que velada, da responsabilidade do trabalho-ganho. Iniciado desde cedo, representado no trabalho do dia-a-dia na unidade de produção, nesse tipo de organização, conforme Santos (1984, p.65), o processo sucessório se torna vito- rioso, pois “passa a fazer parte do mundo infantil levando as crianças a internalizarem a sua importância como meio de ganhar a vida”. Já no trecho: “Pode deixar que eu trabalho só”, pressupõe-se a idéia de que ela trabalha para eles estudarem, logo, se não estudarem, terão que começar a trabalhar mais cedo. Apesar das estratégias e pressões para o comprometimento dos filhos, em algumas barracas, a dúvida sobre a continuidade dos negócios, ainda que implicitamente, faz-se presente.

(17) Eu vou te falar a verdade, por enquanto todos três se interessam mas nem tanto. Mas é da idade, é lazer por enquanto. (ee4)

“Por enquanto” exprime a idéia de transitoriedade do interesse, que indica também uma incerteza, aqui silenciada.

7. Considerações finais

No presente trabalho, buscamos uma reflexão sobre o processo sucessório no contexto da Feira de Belo Horizonte. Assim, a partir dos percursos semânticos selecionados de entrevistas de feirantes, relacionamos subpercursos e temas em uma rede semântica caracterizadora do contexto sucessório local. Pelos subpercursos da inserção dos filhos, verificamos como e por quê os filhos se inserem nos negócios, bem como as justificativas observadas na família. Nesses subpercursos, a reflexão se deu no sentido de aspectos da socialização primária e secundária, apontados por Berger e Luckman (2004) que sustentaria o processo de inserção analisado. No subpercurso da inserção, o subtema financeiro remete à informalidade presente ao contexto da Feira e ao universo de muitas empresas familiares no Brasil, considerado como um tema fundamental à sobrevivência do negócio que, no entanto, neste trabalho não foi aprofundado na análise por tratar especificamente do tema sucessório. Essa informalidade é tangenciada pela própria origem da Feira e do trabalho artesanal realizado em casa, facilitador, em muitos casos, do uso dessa prática. Essa informalidade se apresenta nas falas de alguns feirantes como um componente estratégico à gestão, pois a família envolvida no trabalho artesanal não o obriga a usar terceiros no processo produtivo, assim dificulta o “roubo” de técnicas de trabalho. O tema da informalidade, e o da inserção estratégica, são respectivamente, tema universal e local observados nos fragmentos discursivos analisados. A tradição familiar mostra-se na Feira como importante prática de socialização a ser seguida por gerações nas famílias. A produção e família se misturando implicam que as sucessões devem manter também uma tradição familiar de artesanato. A tradição e a

 
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sucessão seriam fortes continuadores dos negócios, visto que os sujeitos aqui analisados privilegiariam o caminho culturalmente seguido por seus antecessores e, por sua vez, transmitiriam esses aspectos culturais às próximas gerações. Esses caminhos influen- ciadores da sucessão, apesar de uma característica local da própria Feira, poderiam ser considerados em outras organizações familiares, como evidenciado nos trabalhos de Damiani (1991).

 

A

preocupação com a educação dos filhos é um tema recorrente ao mundo moderno.

 

Devido a questões presentes aos centros urbanos como drogas, violência, e frente à realidade laboral existente, onde o tempo é cada vez menor, a socialização pelo trabalho se reforça como um importante fator para se inserir os filhos nos negócios familiares da

 

Feira. A educação é um subpercurso desta pesquisa e, pelas peculiaridades não só ao contexto da Feira, mostra opiniões de pais e filhos sobre a educação e seu reflexo sobre a continuidade dos negócios. Aqui valeria a reflexão e a investigação sobre quais os moti- vos para incentivo à educação e como, posteriormente, aconteceria o impacto na suces- são? É trazida essa questão, pois uma vez que os filhos foram incentivados a estudar, qual seria o retorno esperado pelo chefe da família e fundador da organização? Poderia o incentivo ao estudo, como nos meios rurais, ser um convite à exclusão do negócio, estra- tegicamente planejada pelo fundador, visando sua perenidade na empresa? Essas seriam questões que poderiam ser pensadas em diversos tipos de empresas familiares?

 

A

inserção estratégica do filho como “continuador” da estratégia do fundador pode

 

ser peculiarmente vista na Feira. No entanto, conforme explicitado por Taylor (1971), a segurança propiciada pela inserção dos filhos no negócio é um fator estratégico para a expansão da empresa, uma vez que, segundo o autor, o número de indivíduos da família no negócio é limitado ao tamanho deste, pois o faturamento não é suficiente para sus- tentar a todos os membros. Assim, muitos fundadores esperarão dos filhos a conti- nuidade e auxílio aos seus negócios. Isso talvez impactaria psicologicamente os mesmos que, sentindo o peso da expectativa de um sonho dos pais, poderiam se desinteressar ou se frustrar, afastando-se dos negócios da família. Apesar das expectativas da manutenção dos filhos no negócio de alguns feirantes, a pressão para os filhos diminui, frente ao reconhecimento da necessidade de um possível lazer. Entretanto, esse lazer, em alguns casos, remete a um relacionamento entre trabalho-ganho, no qual os pais cedem a abertura para o lazer dos filhos desde que os mesmos cumpram as tarefas exigidas no negócio da família. Essas práticas de recompensas afetariam a sucessão sobre duas vertentes. O aspecto positivo, pela valoração do filho nesta tarefa, ou em sentido negativo, pela visão negativa do trabalho, conseqüente da socialização familiar feita a partir do trabalho. Quanto a este último, o aspecto negativo do trabalho, a argumentação dos pais se dá de forma interessante, partindo da socialização. Ainda que cegados pelo gosto pela profissão, os pais na Feira incutem, involuntariamente, valores do trabalho artesanal tais como: ganho pela criatividade, ambiente de trabalho e a flexibilidade de decisões e horários. Assim, pelo contexto atual de desemprego e péssimas condições no mercado de trabalho, podem potencialmente inserir os filhos nas organizações familiares. Este estudo se vê limitado ao contexto de alguns entrevistados, no entanto pelos comportamentos desses nesta pesquisa cabem reflexões para aspectos universais dos

 
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processos sucessórios locais. Desse modo, o objetivo deste trabalho como estudo de multicasos mostra-se em concordância com a proposta atribuída a ele, levantando possíveis questionamentos a se pensar em pesquisas nessa área.

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