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4 de Junho de 2017

ALeieoDesejo–InterlocuçãoentreoDireitoeaPsicanálise

CéliaReginaNilanderdeSousa[1]*

RESUMO

AnáliseentreoDireitoeaPsicanálise,passandopelaCriminologiaeabordagemdo

textoTotemeTabu,comafinalidadedeentendimentodosconflitosdohomem

primitivoqueseestendematéacivilizaçãoatualrelacionadosàleieosnossos

desejosescondidosnoinconscientehumanodescobertocomgenialidadepor

SigmundFreud.

PALAVRASCHAVES:LEI,DESEJO,INCONSCIENTE,DIREITOPENAL

ABSTRACT

Analysisbetweentherightandpsychoanalysis,throughCriminologyandapproach

TotemandTabootext,withtheaimofunderstandingtheconflictsofprimitive

manthatextendintothepresentcivilization­relatedlawandourhiddendesiresin

thehumanunconsciousdiscoveredwithgeniusbySigmundFreud.

KEY­WORDS

LAW,DESIRE,UNCONSCIOUS,CRIMINALLAW

INTRODUÇÃO

OpresentetrabalhotemporobjetivorealizarumaanálisedoDireitorelacionadoà Psicanálise,passandopelacriminologiaefazendoumaabordagemaotextode

Freud“TotemeTabu”(1913),conferindoênfaseàdiscussãoacercadagêneseda

moralidadee,maisespecificamente,àrelaçãoestabelecidaentreLeiedesejo.

OmovimentopsicanalíticofoiiniciadoporFreud,emfinaisdoséculoXIX.Apesar

deFreudtersidomédiconeurologista,suacontribuiçãoàmodernapsiquiatriaé

inegável,podemosdizerqueFreudfoiodescobridordoinconscientehumano.

NaquelaépocaoneurologistafrancêsJeanMartinCharcotutilizavadométodode

hipnosenatentativadecuradahisteria,umadoençamentalqueacometiaas

pessoasnaépoca,especialmenteasmulheres.Freudtambémutilizou­sedestes

métodosjuntamentecomCharcot,depoisresolveudarmaisumpassonosentido

dodesenvolvimentodométodopsicanalítico

Eleachavaqueahipnosenãoeraaformamaisadequadadetratarpacientes

histéricos,emprimeirolugarporqueelanãofuncionavacomtodosospacientes,

ouseja,muitosnãoconseguiamentraremtranse.Emsegundolugar,porqueele

nãoestavasatisfeitocomosresultadosterapêuticosdacatarsebaseadanahipnose,

ouseja,opacientenãotinhaconsciênciadosprocessosinsconscientespois,

quandoocorriam,eleseencontravaem“transe”,portanto,nãoconsciente,sendo

certoqueFreudsubstituiestesmétodospelalivreassociação.

A“InterpretaçãodosSonhos”eoutrosmétodosimplantadosporFreuddestinam­

seabuscarnainfânciaenosremotosrincõesdoinconscientehumanoascausasde

nossostranstornos,traumaseneuroses,psicopatologiasefobias.

Umavezqueoserhumano“esquece”nocalabouçodoinconscientetudoaquilo

quelhedói,incomodaoulheédesagradável,énesseinconscientequeapsicanálise

vaibuscarosconteúdospatológicosquemotivamasdoençaspsíquicasetambém

asfísicasdeorigempsicossomáticas.

Apsicanálise,então,vaibuscarnofundodoser,dainconsciênciaedoseupassado

ascausasdosproblemaseangústiasatuais.

Importanteressaltaraquiadiferençaentreapsicologiaepsicanálise,aprimeiraé

umaciêncianova,possuimenosde60anosdeexistência,focalizacuras

concentrando­seno“agora”,nocomportamento,nasopressõeseasdificuldadesde

adaptaçãodoindivíduoàsnormasepadrõessociais,enquantoasegundacomojá

mencionadofoicriadaporFreudnoséculoXIXeestudaoinconscientehumanoa

fimdecurartranstornos,traumas,neuroses,fobiaseatémesmodoençaspsíquicas

oufísicas.

A RELAÇÃO DO DIREITO COM A PSICANÁLISE

ConceitualmentepoderíamosafirmarqueoDireitotemporobjetoprecípuoa

organizaçãodasociedade,buscando,então,acompreensãodasrelações

intersubjetivasqueacontecemnodiaadiaentreoscidadãosqueacompõe,coma

finalidade,emúltimainstância,deregulamentaraformaquedeveserseguidapor

taisrelações.

Vistodestamaneira,oDireitopossuiporobjetivoacriaçãodenormasquevisam

instruirosindivíduosdeumadadasociedadearegersuaspráticascotidianas

levandoemconsideraçãooqueéaceitávelporestasociedade,deacordocomo

bemgeraldetodaacomunidade.

Poroutrolado,apsicanáliseanalisaoinconscientedoindivíduoparatentar

entendersuasestruturaspsíquicasetentarexplicardeterminados

comportamentos.

Apsicanálise,aomergulharnoinconscientehumanoparaentendersuasestruturas

psíquicastaiscomooID,oEGOeoSUPEREGO,demonstraquemesmopessoas

ditasnormais,possuemnoseuinconscientefantasias,tendênciascriminosase

anti­sociais.

OIDéapartedenossopsiquismoaondeestãonossosdesejos,éherdadoda

natureza,éparteinstintivadapersonalidadeeoperasegundoopsiquismodo

prazer.

OEGOvemdomundoexterno,operaatravésdeumprocessosecundário,controla

asfunçõescognitivaseintelectuais,éoexecutivodapersonalidade.

OSUPEREGOéodefensordamoral,representavaloresdasociedade,éaforça

moraldapersonalidade,buscaa“perfeição”ditapelasociedadeenãooprazer.

TrazendoapsicanáliseparaoDireitoPenal,comoseudesenvolvimentoesua

ascensãonosanoscinquenta,asteoriasdeCesareLombrosoforamsubstituídas

pelasideiasdeFreud,queprocuravamdesvendarosmistériosdamente.Poucoa

pouco,então,ocriminosonatodeLombrosofoisendodesacreditado,emvirtude

dasobservaçõesfeitaspordiversosestudiososdaáreadaMedicina,doDireitoeda

Criminologia,quenãocomprovavamaexistênciadocriminosonato.

CESARELOMBROSOfoioiniciadordaEscolaPositiva,paidaAntropologia

Criminal.Omédicopsiquiatraitalianodefendeuatesedocriminosonato,um

indivíduoque,segundoele,possuitraçosecaracterísticaspróprias.Ocriminoso

natoteriaanomaliascerebraisqueotornavam,determinantemente,umcriminoso.

Indivíduosportadoresdecertasmoléstiasnocérebro,fatalmente,cometeriam

crime,nadaosimpedindonasuacondutacriminosa.

Aoladodocriminosonato,Lombrosoadmitiatambémoutrasespéciesde

criminoso,comooocasionaleopassional,noentantonosdeteremosnoestudodo

criminosonato,queoranosinteressamaisdeperto.

Otipodocriminosolombrosiano­nato­apresentacaracterísticasparticulares,

deformaçõeseanomaliasanatômicasepsíquicas.Oindivíduocriminoso,segundo

Lombroso,temolhosnãoperfeitamenteiguais,ummenorqueooutro,emalturas

diferentes;orelhasemasa,comlóbulospregados;assimetriacraniana;fronte

fugidia;zigomassalientes;arcadasuperciliarproeminente;prognatismomaxilar;

faceamplaelarga;cabelosabundantes;odedoanularseigualaousuperaem

tamanhoaodedomédio;nospéshápregas,comoresquíciosdaantigaforma

simiesca.

SegundoocriminologistaVITORINOCASTELOBRANCO,Lombrosoafirmavaque ostiposhumanosmenosevoluídosapresentamtestalarga,puxadaparatrás,

queixosaliente,puxadoparaafrente.[2]

Ocriminoso,então,teriatambémessascaracterísticaseumareentrâncianoosso

occipital,resquíciodaanimalidadeanteriormanifestadaemindivíduosematraso

deevolução.

Aindacomocaracteresfísicos,otipolombrosianoapresentainsensibilidadefísica,

analgesia­insensibilidadeàdor­,mancinismo,istoé,ousopreferencialdamão

esquerda,ouambidestrismo,resistênciaaostraumatismoserecuperaçãorápida,

distúrbiosdossentidos,grossosdedosdospés,separadosepreensíveis,pequeno

nódulosituadonoaltoposteriordopavilhãodaorelha,encrespamentodapelédos

olhosporrugasprecoces,entreoutros.

Psiquicamente,ocriminoso,sobaóticadeLombroso,éinsensívelmoralmente,

impulsivo,vaidoso,preguiçosoeimprevidente.[3]

Taisconclusõesdapsicanálisecontribuemparaamudançadeparadigmasà

respeitodealgumasteoriasdoDireito,taiscomoolivrearbítrio,oriundodaescola

Clássica,eoconceitodedeterminismo,daescolaPositivista.

RefutandoodeterminismodefendidopelaEscolaPositiva,ocriminologista

VITORINOCASTELOBRANCOadereàteoriadolivrearbítrio,aoasseverarque“é

aeducaçãoquedáaohomemoautocontroledeseusatos,atravésdojuízocrítico

queentãopossui,epormeiodelepesaospróseoscontrasdeseusdesejos,

chegandoàconclusãodoquedeveedoquenãodeveserfeito”

Aindasegundoosupramencionadocriminologista,bastarecorreràobservação

paraquenãoseconfirmeaexistênciadocriminosonato:hámilharesde

indivíduosatrásdasgradesquenãopossuemascaracterísticasfísicasepsíquicas

gizadasporLombrosoeque,nemporisso,sãopessoaspacatas,massim

criminosos,muitosdealtapericulosidade,ladrões,assaltantes,sequestradores,

estupradoreseassassinos,quedevemcumprirpenapelosatospraticados.Há,

também,pessoashonestasetranquilasqueapresentammuitosdostraçosfísicos

docriminosonatodeLombroso.

Muitosoutroscriminologistas,nacionaiseestrangeiros,engrossamacorrentedos

queseopõemateoriadocriminosonato,asseverandoqueninguémnasce

criminoso,somenteosendodepoisdecometerocrime,nãosendopossível,dessa

forma,falar­seemcriminosonato.

ConformeoitalianoPIETRONUVOLONE,acorrentesociológica­queestudaas

causasdacriminalidade­,hojepredominante,excluiapossibilidadedeuma

configuraçãodapersonalidadecriminosaecolocatodaaculpadapráticadodelito

sobreaestruturadasociedade.

Paraareferidacorrente,“nãoexistemdelinquentes,masapenaspessoasque

cometemaçõespenalmenterelevantespelainfluênciaecoaçãodosfatoressociais.”

AEscolaClássicaprendia­seàfiguradodelito,ignorandoodelinquentecomo

pessoae,portanto,dandoaodelinquentetratamentorígidoepoucohumanista.

OlivrearbítrioéumdosprincípiosdaEscolaClássicaefoiaceitocomodogma,já

queomesmonãosediscute,umavezqueaciênciapenalcareceriadebase,de

acordocomospensadoresdaEscolaClássica.

UmdosmaiorespensadoresdaEscolaClássicafoiMarquêsdeBeccaria,oqualem

1763escreveuolivro“DosDelitosedasPenas”noqualcriticouosistemapenalda

época,seinsurgindocontraaberraçõesteóricaseabusosdosjuízes,denunciando

astorturas,ossuplícios,osjulgamentossecretoseadesproporcionalidadedas

penas,colaborandodessaformaparaumafuturareformadaquelesistema.

AEscolaPositivistanegaolivrearbítrio­defendidopeloclassicismo­pregandoo determinismoearesponsabilidadesocial,ouseja,“odelinquenteassimoépor forçadefatoresdiversos,principalmentedeorigensantropológicasesociais, devendoresponderpelosseusatosunicamenteporqueviveemsociedadeeprecisa

respeitaraharmoniadaconvivência.”[4]

Odeterminismodaescolapositivistatambémfoirefutadopelapsicanálisenaquela

época,umavezqueatotalidadedosfenômenosconstitutivosdarealidadese

encontrasubmetidaadeterminadasleis,estassendocompreendidascomo

possuindocaráternatural.

Destemodo,arealidadeseestruturaapartirdeleisqueregemeestãopresentes

emtodososacontecimentos.Odeterminismofoiutilizado,comosistema

explicativodouniverso,apartirdaIdadeModerna,emespecialparaa

determinaçãodasleisquegovernamosfenômenosnaturais.

A PSICANÁLISE E O DIREITO NO PENSAMENTO DE HANS KELSEN

AprimeirainterlocuçãoentreapsicanáliseeoDireitofloresceuemViena,na

décadadevinte,comacontribuiçãodeummagistradodaCorteConstitucionalda

Áustria,HansKelsen.

Em1922,HansKelsenescreveuseulivro:“OConceitodeEstadoeaPsicologia

Social”influenciadopelolivro“PsicologiadasMassaseAnálisedoEu,deSigmund

Freudde1921.

Parasaberseogruposocial,concebidopeloEstado,conservaemsias

característicasdessemesmolaço,aempreitadadeinvestigaçãosugeridapor

KelsenversousobreTotemeTabu,textoquenorteiaahistóriadahumanidadea

partirdeumanarrativamíticasobrearevoltadosfilhoscontraochefedahorda

primitiva,oqualcometemparricídio.

ParaKelsen,opensamentoprimitivoeradominadoporumatendênciaemocional

normativa,apsiquêhumamasecaracterizavapelapredominânciadocomponente

emocionalsobreoracional.

Napsiquêprimitivaascoisasexistiamquandosetornavamemoçõesdeesperança

outemor,desejoouterror.Ohomemprimitivoreagiaconformeoquesentia,neste

sentidopodemosafirmarqueocomponenteemocionalmaisantigoeraodesejo.

Portanto,oqueFreudchamadeinconsciente,dedesejosdoID,Kelsentratacomo

umafaltanotáveldaconsciênciado“eu”quandodizqueopredomínioda

tendênciaemotivaprevalecesobreoracionalnospovosprimitivos.

Kelsendizqueohomemprimitivonãoémovidoporumaatitudecoletivista

somenteporausênciadeconsciênciado“eu”,mastambémporuma“tendência

substanciadora”,fazendocomqueoindivíduonãoexcluaacondiçãodoindivíduo

dasociedade,eassimaideiadoindivíduosemcomunidadenãopoderiaexistir.

A PSICANÁLISE E O DIREITO NO PENSAMENTO DE SIGMUND FREUD

DeacordocomateoriadeFreudoserhumanonoventrematernoviviaemum

verdadeiro“paraíso”,ondenãopossuíanenhumanecessidade,jáquetodaseram

supridasfisiologicamentepelaprópriamãe,sendocertoqueopartorepresentaria,

então,orompimentocomesseparaíso,oqueFreudchamoudeParaísoPerdido.

Apósoparto,ohomemélançadoao“mundoreal”,noqualterácontatocomas,até

entãoinexistentes,necessidades.Aprimeiranecessidadecomaqualohomemse

deparaéanecessidadedealimentação,umavezqueagoranãorecebemaiso

alimentodocorpodesuamãeeterá,portanto,queconsegui­lo.

Parasobreviverneste“novomundo”ohomemsevêobrigadoaadaptar­se,a

necessidadeconduzàadaptação.Taisadaptaçõesconsistem,geralmente,num

relativocontrolesobreanatureza,queohomemdeveter,proporcionandoassima

sobrevivênciahumana.

Paraumamaiorpotencializaçãodesuacapacidadedesobrevivência,istoé,o

aperfeiçoamentodesuacapacidadedetrabalho,oserhumanopassaaseorganizar

emgrupos,emcoletividades.Háanecessidade,gradativamentemaior,dequeo

trabalhosejadesenvolvidoemgruposorganizados,paraqueaprodutividadedeste

sejamaiseficiente,oquegeramaisnecessidadesecorroboraparaoensejoda

organizaçãoemsociedades.

Quandopassaacomporumadeterminadacoletividade,entretanto,oindivíduo

deixadeseportardamesmamaneiraqueemambientessolitáriosepassaa“frear”

certosinstintosquevãocontraaharmoniadacomunidade.

Istoporque,comobemcolocadopelocontratualistaJean­JacquesRousseau,“o bemdeumindivíduo,seconsideradoisolado,geralmentesediferebastantedo bemdetodoumgrupo,ondedevemsermediadososinteressesindividuaisparaa

construçãosintéticadeuminteressegeral[5].Há,portanto,diferenças

comportamentaisentreoindivíduoeasociedade.

Seguindoestavivênciaemsociedade,osujeitodevereprimirosinstintosedesejos

individuaiselimitá­losàinstânciadoinconscienteo“Id”freudiano[6].Essa

limitação,entretanto,nemsempreéalcançada,havendoapossibilidadedecertos

indivíduosexternaremtaisinstintosedesejos,comobemacompanhamosem

crimesdeassassinatoscruéisebarbaridadescometidas.

Poroutrolado,nãoéconvenienteparaumacoletividadequecadaindivíduo

externeoseuinstintoreprimido,sobpenadecausarumagrandedesordemsocial

e,atémesmo,ofimdestasociedade.

Portanto,asociedadepassa,então,areprimirossujeitos,moldando­osemum

padrãoquenãorepresenteriscoparaaorganizaçãosocial,istoé,quesejaaceito

socialmente.

Talrepressãoéfeitadurantetodaavidadoindivíduoepordiversasinstituições

sociais,quandocriançapelospais,najuventudepelareligiãoqueimpõedogmase

conservadorismos,notrabalhopeloschefes,sendocriadosaolongodavidaum

padrãodecondutasquedevemosseguir,comasdeterminaçõesdoquepodemose

doquenãopodemosfazer.

Paraumamaiorefetivaçãodocontroledosindivíduos,acoletividadefazusoda

chamadacoercitividadesocial,ouseja,asociedadecriacanaiscoercitivospara

manterreprimidososinstintosindesejáveisdosindivíduos.Talcoercitividade

podeserinformal,comoseapresentanasreligiões,naéticaenamoral,oupodeser

formal,normativizadaemumtextoregulamentar,istoé,emleis.

Éaqui,então,queseencontraoDireitoparaSigmundFreud:oordenamento

jurídicoéumaformaderepressãopunitiva(compodersancionadordeimplicação

depenas)queimpeleoindivíduoalimitarseusinstintosaoplanodo“Id”(éregido

peloprincípiodoprazer).Emcasocontráriodevearcarcomosônusegravamesda

exteriorizaçãodetaisinstintos.

Nodireitopenal,ofundamentodapenaprivativadeliberdadeémanterisoladodo

restodasociedadeaqueleindivíduoquenãosoubecontrolarseusimpulsose

instintosepoderepresentar,portanto,umperigoparaaordemsocial.

Podemosfazerumparalelodestesconceitoscomo“complexodecastração”como

queopróprioFreuddefiniu.

Empsicanálise,oconceitode“castração”designaumaexperiênciapsíquica

completa,inconscientementevividapelacriançaporvoltados5anosdeidade,e

decisivapararealizaçãodasuafuturaidentidadesexual.

Ocomplexodecastraçãocompõe,juntamentecomocomplexodeÉdipo,abase

ondeaestruturadosdesejosquefundaeinstituiosujeitonasuarelaçãocomo

mundooperaasuasubjetividade.Reconhecerqueoslimitesdocorpoestãoaquém

dosseusdesejoséadmitiraquebradeumcertosentimentodeonipotênciaqueo

seu“eu”insisteemsustentar,nanossarelaçãoimagináriadooutro.

SegundoThomasHobbes,movidopeloinstintodeautopreservação,oindivíduo buscadominarosoutros,condutaestaquedáensejoà“guerradetodoscontra

todos”[7].

Nessesentido,defendeainsociabilidadenaturaldoshomenseaacidentalidadeda

vidasocial,demodoqueohomemnãoéumsersócio­políticopornatureza.

AssimcomoemHobbes,areferidaexpressãolatinatransmiteaideiacentralde Freudaoobservaravidasocial,apontandoparaofatodequeohomemem situaçõesdesfavoráveisrevela­secomoumabestaselvagem,aquema consideraçãoparacomsuaprópriaespécieéalgoestranho.“Ainclinaçãoparaa agressãoconstitui,nohomem,umadisposiçãoinstintivaoriginale

autosubsistente”[8].

OpensamentofreudianopossuimuitassemelhançasacercadasteoriasdeThomas

Hobbes,quandoàvisãodanaturezahumana,especialmenteaoafirmaremque“o

homeméolobodohomem”.Comodesdobramentodisso,asduasteoriasse

aproximamemaomenostrêsoutrospontos:aprimeirasemelhançaque

encontramosnasteoriashobbesianaepsicanalíticaconsistenafigurado“ser

desejante”.

Hobbesentendequeavidahumanaécaracterizadapelaspaixões.Estasconsistem

numelementoessencialàvida,que“nãopassademovimento”.Ohomemé,

portanto,vistocomoum“serdesejante”,enasatisfaçãodeseusdesejoséqueele

encontrasuafelicidade.

Anaturezade“desejante”éinerenteaohomemdetalmaneiraque“jamaispode

deixardehaverdesejo”.Entendeofilósofoqueafelicidadenãoresidenasatisfação

plenadaspaixões,queéimpossíveldesealcançar“nestavida”.Emrazãodisso,a

felicidadeéum“contínuoprogressododesejo”,poisaosealcançarumobjeto,

desloca­seapaixãoparaoutro.

Hobbesentendeque,sendodotadodepaixões(insaciáveis)evisandogarantira

própriasobrevivência,ohomemdirecionasuaspaixõesespecialmenteaopoder.

Comefeito,abuscadopoderérazãodeumainsegurançatalqueconduzos

indivíduosaoabandonodoestadonatural.

Demodosimilar,paraFreudavidasocialéumafontedesofrimentos,acercado qual“tendemosaencará­locomoumaespéciedeacréscimogratuito,emboraele nãopossasermenosfatidicamenteinevitáveldoqueosofrimentooriundode

outrasfontes[9].

AssimcomoemHobbes,Freudentendequeavidahumanaemsociedadeéfonte

deproblemas,desofrimento.

Surge,pois,umaterceirasemelhançaentreateoriahobbesianaeapsicanálise

freudiana:anecessidadedaregulaçãodavidasocial.

ParaHobbes,oEstadoaparececomoumserpossuidordeumpodermuitasvezes

superioraopoderdequalquerindivíduo,eéporissoqueelesefaznecessário.

Freudafirmaacercadoshomensqueelesnãosãocriaturasgentis,quedesejamser amadas,quesedefendemapenasquandoatacadas,massãocriaturasdotadasde umapoderosaagressividade.Paraeles,opróximonãoénaturalmenteumobjeto deseuamor,massimalguémqueostentaasatisfazersobreelesuaagressividade, porexemplo,aoexplorarsuacapacidadedetrabalhosemcompensação,aoutilizar delesexualmentesemconsentimento,aoapoderardesuasposses,aocausar­lhe

sofrimentoematá­lo.Daíafrase:“homohominilúpus[10]

AnalisaFreudomandamentode“amaraopróximocomoasimesmo”comouma

exigênciaquecontrariaanaturezadohomem.Aideiadequeoshomensvivem

socialmenteporamormútuoéumailusão.

Porissomesmo,éummandamento,enãoalgonaturalmentedesenvolvidopelos

homens.Nestesentido,observa­sequesocialmentenãoháumarelaçãomútuade

amor,masdeinteresses.Cadaumquerverseusdesejossatisfeitos.

Entretanto,ohomemnecessitaderegrasparaviveremsociedade,casoseja

dirigidodemodoincontroladoaoutroshomens,écausadecontendas,eassim,da

impossibilidadeemvidasocial.

TantoaPsicanálisedeFreudquantoaTeoriaPolíticadeHobbesfornecemao

Direitoofundamentodesualegitimação.Paraqueohomemtenhasatisfaçãode

seusdesejossemqueissodestruaaexistênciacomunitária,bemcomovivasem

maioressacrifíciosesofrimentos,torna­seimperiosaanecessidadederegulação

davidaemsociedade,dasrelaçõesentresujeitos,adequandoosimpulsos

individualistasàvivênciacoletiva.

Trata­sedeumaoperaçãodialéticaoperadapeloDireito,porquantobusca,ao

mesmotempo,satisfazerosdesejosindividuaiselimitaralgumasformasde

manifestaçãodestes,tarefamuitasvezes,difícileconflituosa,masquesefaz

necessáriaembenefíciodaconvivênciasocialepreservaçãodahumanidade.

InegáveléacontribuiçãodadaporHobbeseFreud,doisimportantespensadores,

quemesmoseparadospelotempo,contribuíramparaacompreensãodaorigem

dosproblemassociaiseparaevidenciarafunçãoelegitimaçãodoDireitonesse

contexto.

Naverdade,oquesebuscaéqueohomem“transforme”seusinstintosem

“produtosbenéficos”paraasociedade.Talprocesso,nomeiopsicanalítico,é

conhecidocomoSublimação.

Naliteraturapsicanalítica,aSUBLIMAÇÃOéfrequentementeconsideradacomo

ummecanismoouummododedefesacontraaspulsões.

Apulsão,deumaformageral,refere­seaumafontedeenergiapsíquicanão

específica,quepodeconduziracomportamentosdiversos.

Asublimação,segundoFreud,éummecanismodedefesaeminentementepositivo

paraasociedade,constituindoumbemsocial.Pois,pode­sedizerqueamaior

partedasgrandespersonalidadesedosgrandesfeitosocorridosnahistória

humanasóforampossíveisgraçasàsublimação.

Asublimaçãodeumapulsãoimplicaqueestapossasesatisfazercomosobjetosde

substituiçãoetambémqueumasatisfaçãoimagináriaousimbólicapossaseigualar

comumasatisfaçãoreal.

Oresultadodasublimaçãoéodesviodaenergialibidinaldesuasmetasoriginaise

investidaemrealizaçõesculturais,ouemrealizaçõesindividuaisúteisaogrupo

social.

Asublimaçãoéummeiodereconciliarasexigênciassexuaiscomasdacultura,por

conseguinte,reconciliá­lascomasociedade,oureconciliarasociedadecomelas.E

apesardeamaioriadosindivíduosnãopossuíremigualaptidãoparaasublimação,

pois,éumasoluçãorestritaapoucos,taldestinopulsionalpropiciaumasolução

menosinfelizparaoconflitoculturaldasexualidade.

ParaFreud,portanto,oDireitoéummecanismocoercitivousadopelasociedade

paraimpulsionarohomemasublimaremproldestacoletividade.

Naobra“OMal­EstarnaCivilização”Freudapresentacomoidéiacentrala

discussãodarepressãoqueéimpostapelacivilização,eaconseqüenteausênciade

felicidadeplenanessemeiosocialrepressivo.

Diantedisso,Freudpassaacomentararespeitodalei,quecertamente

desempenhaumpapelprimordialnarepressãodecondutassociais.Desua

exposição,podemserdestacadasduasapreciações,asaber,seuposicionamento

quantoàinclinaçãodohomemparaaagressãoeopapeldoDireitonoprocesso

civilizatório.

Umavezreconhecidaaoposiçãonaturalentreosindivíduos,acivilizaçãoutiliza esforçossupremosparaestabelecerlimitesparaseusinstintosagressivosemanter

suasmanifestaçõessobcontrole.[11]

Assim,nasceodireitonacivilização,oqualsubstitui­seopoderdoindivíduopelo

podernacomunidade,sendoaquelecondenadocomo“forçabruta”eopoderdesta

como“Direito”.

Semaregulaçãodosrelacionamentossociais,semoDireito,avidahumana

comuméimpossível.Somentequandosereúneumamaioriamaisfortedoque

qualquerindivíduoisolado,aqualpermaneceunidacontratodososindivíduos

isoladoséqueacomunidadeépossível,eassim,todososseusbenefíciossão

desfrutados.

Veja­seque,emboranãosejaaleicapazderefrearplenamente“asmanifestações

maiscautelosaserefinadasdaagressividadehumana”[12],eladesempenhaum

importantepapelnavidahumanacomunitária.

OjuristaitalianoFrancescoCarnelutti,aorefletirarespeitodoconceitodeDireito reconhecequeoDireitosurgeemrazãodosconflitosexistentesentreoshomens emsociedade.Defendeeleque“enquantooshomensnãosaibamamartemosque

obrigá­los”[13].

ODireitoé,pois,umaforçaimperiosanasociedade,masnãoaforçaoriginal.O Direitosóexisteondenãoháoamor,ondeohomeméumloboenãoumcordeiro

[14].

Freudcompreendequesejamnecessáriasalteraçõesnacivilização,eassim,no

sistemanormativo­valorativodassociedades,porém,elenãofazcríticaaoDireito

emsi.Mesmosendoimperiosasasalterações,oDireitonãodeixadeser

necessário.

Aocontrário,eleressaltaque“aprimeiraexigênciadacivilização,portanto,éada justiça,ouseja,agarantiadequeumalei,umavezcriada,nãoserávioladaem

favordeumindivíduo”[15].

Oresultadodessaexigênciaconsisteemque:

“Aleiseriaumestatutolegalparaoqualtodos–excetoosincapazesdeingressar numacomunidade–contribuiriamcomumsacrifíciodeseusinstintos,equenão

deixaninguém–novamentecomamesmaexceção–àmercêdaforçabruta[16].

Dessemodo,“ohomemcivilizadotrocouumaparceladesuaspossibilidadesde

felicidadeporumaparceladesegurança”[17].Emfunçãodasdiversas

possibilidadesdesofrimento,oshomensseacostumaramamoderarsuas

reivindicaçõesdefelicidade.

Nesseponto,voltamosacitaropapeldasublimaçãodosinstintos.Umavezquea

felicidadeéequivalenteàrealizaçãodosdesejos,oserhumanosenteanecessidade

desatisfazerseusinstintos,inclusiveodeagressividade.

Oredirecionamentodosimpulsosinstintivos,aobjetosenãoapessoas,conduzà

satisfaçãodasnecessidadesdosujeito.Assim,odomíniosobreosinstintos

viabilizaaomesmotempoavidasocialeafelicidade,aindaqueparcial.

Nessecontexto,asublimaçãodesempenhaumpapelfundamental,poiséumadas

técnicasqueohomempodeadotarparaafastarosofrimento.Atravésdela,o

sujeitoredireciona,reorientaosobjetivosinstintivos,demaneiraqueevitemas

frustraçõesdomundoexterno.

Assim,deumlado,oindivíduoécaracterizadoporseusímpetosagressivose

sexuais,sendonecessáriooDireitoparaaproteçãodomesmo,dosoutroseda

comunidade.Poroutrolado,eleéumsersingular,sujeitodejuízosdefatoede

valor,deapreciaçãoeinterpretaçãodascircunstâncias;éumserqueinteragecom

omeioemqueestáinserido.

Assimcomoemrazãodaexistênciacomunitáriafaz­senecessárioumDireito protetordavidasocial(queapossibilita),aexistênciasingularrequeruma“ética

datolerância”[18],umDireitogarantidordaliberdadeedaexistênciaindividuale

singular.

Portanto,alei,comosistemareguladordavidasocial,encontraemFreuduma

finalidadedialética:protegerosindivíduosdaforçabrutaproporcionando­lhes

tambémasatisfaçãodosinstintos,afelicidade,aindaquedemodoparcial.

A PSICANÁLISE COMO BASE EPISTEMOLÓGICA CRÍTICA AO JUSNATURALISMO

Quandorealizamosumaanálisedopensamentojurídicoépreponderanteduas

formasdeseinterpretarumdeterminadoordenamento,duasideologias:o

JusnaturalismoeoPositivismo.

OJusnaturalismoéumateoriaquedefendeanoçãodeexistênciadeumdito

DireitoNatural,oriundodeumafontesupra­humanacomvalorsuperior.Dessa

forma,alegitimidadedoaparatonormativoqueregeumadeterminadasociedadeé

encontradaemvaloresquenãoadvémdasimplesvontadedohomem.

OJusnaturalismosemostrabastantecomplexoetemvariadasabordagens,das

quaispodemosdestacartrês:aconcepçãoCosmológica,TeológicaeAntropológica.

OJusnaturalismoCosmológico,nascidodavisãogeocêntricadaantigafilosofia

grega,afirmaserestedireitoprovenienteda“essênciadascoisas”,danaturezado

universo.

Porsuavez,oJusnaturalismoTeológico,elaboradopelafilosofiamedievaldo

tempodeSantoAgostinhoeSãoTomásdeAquino,localizaafontereveladora

destedireitoemDeus,sendo,portanto,válidasapenasasnormascondizentescom

avontadedivina.

Porfim,oJusnaturalismoAntropológico,concepçãodifundidaapartirdo

pensamentodeHugoGrócio,encontraarazãodovaloréticouniversalqueservede

baseparaasleishumanasnoprópriohomem.

OJusnaturalismo,emresumodeterminaqueexistaumidealsupra­humanoque

nãopodeserquestionado,sejaeleaessênciadascoisas,avontadedivinaoua

razãohumana,edoqualemanaalegitimidadedeumordenamentojurídico,que

deve,portanto,serobedecido.

AabordagemrealizadaporFreudemrelaçãoaoJusnaturalismocausa,naverdade,

umaverdadeirarevoluçãonocamposubjetivo.

Opensamentofreudianolançamãodeumagamadeconsideraçõesqueatéentão

nuncahaviamsidoabordadas.

TrazendoestaquestãoparaoDireitoPenal,écomFreud,porexemplo,que

conseguimosexplicardiversoscomportamentospsicopatas,criminososemsérie

oumesmodesejosquetodospossuem.Oconceitodeinconscienteéempregado

comprimaziaporFreud.

OpensamentodeFreud,dependendodaformadeanálisedopesquisador,pode,

portanto,semostrarcomocontrapostoaoJusnaturalismo,poranularaexistência

doditoDireitoNatural.

ODireitoseanalisadodeformaisoladadosdemaissaberessemostraincompleto,

umavezquepelasubjetividadeoqualéprocessadonecessáriosefazqueexista

umainterdisciplinariedadeentreoDireitooutrasfontesdosaberqueestudamesta

complexidadequeéoserhumano,comoapsicanáliseeapsicologia,dentreoutras

fontesdosaberdetamanhaimportânciaparaoDireitotambém.

NocampodoDireitoPenal,porexemplo,apsicologiaJurídica,compreendendo,

sobretudo,apsicologiaPenitenciária,eminvestigaçõescriminaispara

determinaçãododestinoaserdadoaoagentedelituoso,ondeseensejaa

necessidadedeprevençãoemedidassocioeducativasederessocializaçãodos

delinquentes,istoé,notratodadoaosujeitoapósseujulgamentojudicialé

imprescindívelainterdisciplinariedadecomoutroscamposdosaber,

especialmentetambémaPsicanáliseFreudianaquemergulhadiretamenteno

inconscientehumano.

NolivrodeFreud“PsicologiadasMassaseanalisedoeu”,elevaideencontroa

teoriadeKelsenquandodizqueofundamentonoqualodireitoseassentaéuma

normafictícia,sendoele,portanto,assimcomoareligião,amoral,eaprópria

psicanálise,oqualgrandesficções,queconstruímosindividualecoletivamente

paratornarpossívelnossasvidasemcomum.

TrazendoestaquestãoparaopensamentodeNietzsche,eleentendequea

sociedadeseapresentacomoculturainumanaderecalqueedesejos,sendoomal­

estareaangústiaosefeitosdoexcessodasrestriçõesimpostaspelasleis.

Oconceitodemoraleculpa,naconstruçãodeNietzscheestáintrinsecamente

ligadoaodedívida.Seacivilizaçãoexigedohomemacapacidadedeempenharsua

palavra,deprometeredeseresponsabilizarpelosvaloresmoraiscriados,nasce

destaimposiçãoobinômioculpa­dívida,credor­devedor.

Porissoocriminosoéemregraaquelequedescumpreapromessaerealizaoato

proibidocontrárioaopactuadonainvestigaçãodoestadocivil.Aculpa,o

ressentimentoeamá­consciênciaserãoresultadosdesteprocessodedomesticação

dosinstintosnaturais.

Apesarderevelaremosprocessospelosquaisohomemmodernoreprimeohomo

naturalis,eapesardeserempróximos,osconceitosdeculpa(Freud)eo

ressentimento(Nietzsche)sãoassimétricos.Aculpaédaordemdarelaçãodo

sujeitoconsigomesmo.Incapazdegozaremdecorrênciadosfreiosmorais

civilizatórios,oindivíduodesenvolveosentimento,martirizandosuasubjetividade

atravésdosofrimento.

ConformeindicaFreud,seriamduasasorigensdosentimentodeculpa:omedoda autoridadeeomedodosuperego–“aprimeirainsistenumarenúnciaàs satisfaçõesinstintivas;asegunda,aomesmotempoemquefazisso,exige punição,umavezqueacontinuaçãodosdesejosproibidosnãopodeser

escondidapelosuperego.[19]

Freud, Nietzsche e a Criminologia

OcorrequeseaculpaemFreudremeteosujeitoàpunição–sejaatravésdasanção

formalprovenientedoEstadoemdecorrênciadocometimentododelitooupela

autopuniçãoprocedentedoinconscientepelaviadomasoquismomoral–,a

formaçãodoressentimentoemNietzschedesdobra­seatravésdodeslocamentoda

culpadoeuindividualparaooutro.

Note­se,destaimportantediferença,queoesquemanietzscheanopermite

visualizarcommaiorperspicáciaaformaçãodasagênciasmoralizadorasnocampo

daspunitividadesinstitucionaisqueconformamosistemapenal.

AteoriadoressentimentodeNietzscheapontaráparaomesmocampoexplorado

porFreuddécadasmaistarde,aproximando­seemtrêsvetoresimportantes:na

teoriapsicológica,nateoriadaculturaenateoriadaculpa(moral).

Novetordateoriapsicológica,aapreciaçãodosinstintoscomportaateoriadas

pulsões,naqualNietzscheanalisaráoressentimentocomoformadepatologia

derivadadoretornodoeudosinstintosvitaiscoartadosnafonte,àsemelhançado

conceitofreudianodemasoquismosecundáriocomoreversãodosadismo.

Eéexatamentenaproposiçãodatransvaloraçãodosvaloresquesuaanáliseda

culturaserá“maiscontundentequeadeFreud”,vistoaretomadadotrágicogrego

para“curarohomemcivilizadodesuadebilidademoral.”

Porfim,noâmbitodateoriadaculpa,aconstruçãodeNietzscheevidencianoideal

ascéticocristão(oidealsacerdotal)oprocessodeconversãodohomememser

doente,escravizadopelaconvicçãonaculpaoriginal.

Oidealascéticoestabeleceriafalsainterpretaçãodomundo,aoprivilegiaro

sofrimentoeaenfermidadeemdetrimentodavida.Assim,naqualidadede

psicólogodacivilização,Nietzschepropugnaráatransvaloraçãodosvaloresem

todasasconcepçõesmorais.

Trazendoestasconcepçõesparaodiscursojurídico,reguladordaordemeo

garantidordasegurança,aocivilizadoéconcedidoestatutoquelhepermitegozar

licitamentedosbensdavida:oCódigoCivil.

Noentanto,aobárbaro,queusurpaogozoalheioouquereivindicaapossibilidade

detransformarematoodesejolatente,sãoresguardadasasesferasdeilicitude

regradaspeloCódigoPenal,cujagestãodassançõesseráexercidapelasagências

inquisitóriasdepunitividade.

Odireitopenal,representadopelaestruturanormalizadoraemoralizadorado

Código,eosaparelhosrepressivos,visualizadosnossujeitosqueexercem

diretamenteacoaçãorepressiva(agênciaspoliciais,judiciáriasecarcerárias),

instrumentalizamosprocessosformaisdeculpabilização.

Osistemadejustiçacriminal,aoadquiriraqualidadedesujeitoexternode exposiçãodossentimentosindividuaisdeculpa,reforçaereproduzo ressentimento,motivopeloqualseinstituicomotipoidealdejustiçavingativa. Destaforma,constataNietzschequenãosurpreendeversurgirtentativassempre renovadasde“( )sacralizaravingançasobonomedejustiça–comosenofundo ajustiçafosseapenasumaevoluçãodosentimentodeestar­ferido( ).[20]

Aoseconstatarqueodelitoe/ouodesviosãofenômenosnormais(einclusive necessários)emtodasasestruturassociais,equeocomportamentodesviantenão éexpressãodecondutadirigidacontravaloresuniversalmenteaceitos,poisnas sociedadespluraiscoexisteminúmerosvalores,oproblemacentraldacriminologia éredefinido.Durkheimdemonstraserodelinquentenãomembrodoenteno interiordesociedadesã,maselementocatalizadoreagregador,agenteregulador davidasocial.Assim,“odelitofazparte,enquantoelementofuncional,da

fisiologiaenãodapatologiadavidasocial.”[21]

Portantoocrime,odesvioeaviolência,emsentidoamplo,nãosãorestosbárbaros

daordemprimevaemviasdeextinçãooudesupressãopeloprocessocivilizatório,

masconstantesdoagirdemasiadohumano,presentesemsuaprimeiranaturezae

mantidasnacultura.

Comovisto,segundoFreud,emsituaçõesdesfavoráveisoserhumanoagecomo

umabestaselvagem,paraquemaconsideraçãopelaprópriaespécieéalgo

estranho.

O DIREITO ABORDADO PELA PSICANÁLISE ATRAVÉS DO TEXTO FREUDIANO TOTEM E TABU

I­HorroraoIncesto

NestetextoFreuddemonstraquetudooqueéproibido,reprimindoosdesejosdo

inconsciente,ouseja,areprovaçãodeumacondutainviávelparaseviverem

sociedadeporquestõesmorais,religiosasqueindiretamenteservemparamantera

ordemeodesejoinconscienteeinstintivodaspessoassãofacesdeumamesma

moeda.

Nopresentetexto,eledemonstraqueohorrordasociedadeeodesejodeincesto

sãoduasvertentesquecaminhamjuntas,eestãopresentesemtodasassociedades,

tantonasmaisantigasquantonasmodernas.

Aolevantarapontamentossobreaorganizaçãodapopulaçãodosaborígenes,o

autorevidenciaaexistênciadeumsistematotêmico,queestruturae

fundamentaasrelaçõesentreosmembrosdestatribo.

IsentosdeumaInstituiçãoreligiosaousocial,porémoperandosobreoutralógica,

adototemismo,osintegrantesdestasociedadesesubdividememgruposmenores,

denominadosclãs,que,porsuavez,sãoorganizadosmedianteoseutotem.O

totemseaplicaàespéciedeseresoudecoisasquetodososmembros

deumclãjulgamsagrados,podendoseranimais,vegetais,ouaprópria

divinizaçãorepresentadaemumaescultura.

Antesdemaisnada,trata­sedeumsímbolo,deumnome,cujocaráterintrínseco

determinacomoascoisassãoclassificadas,funcionandocomoumaetiqueta

coletiva.Destemodo,todososdescendentesdeummesmototemsãoconsiderados

consanguíneos.

Há,contudo,umacaracterísticadototem,quesuscitouacuriosidadeeointeresse

doautor,qualseja,umaleiqueproíbeasrelaçõessexuaisentrepessoas

domesmototem,bemcomoocasamentoentreosmesmos,inclusiveaviolação

detaisnormasimplicasériasconsequênciasparaosmembrosdeumgrupo,

existindoapresençatácitadaregradaexogamia(casamentoentremembrosde

diferentesgrupos).

Arepulsaeohorroraoincesto,nassociedadesprimitivas,foramamplamente

estudas,demodoque,aoquetudoindica,omatrimônioentreosintegrantesde

ummesmogrupo,emtemposremotos,seconcretizava.Sendoassim,torna­

seevidenteecompreensívelorigordaproibiçãoderelaçõessexuais

entreindivíduosdeummesmototem.

ÉjustamentenestepontoqueFreudarticulaamoralsexualdospovosprimitivos

comadospovosditos“desenvolvidos”,poisemambasháseverasrestriçõesàs

pulsõessexuaise,principalmente,noqueserefereàpráticaderelações

incestuosas.

NesteaspectovoltadoaoDireito,podemosverificarqueasnormasexistemde

formaimperativa,justamenteparareprimirdesejosdoinconsciente,instintivas

paraquesejaharmônicaavidaemsociedade,eelasexistemporquetaiscondutas

sãopraticadas,senãonãohaveriarazãoparaexistirem.

NesteprimeirotextooqueFreudinauguraeenfatiza,sobretudo,éarelação

existenteentreestacaracterísticadedesejoaoincestoeopsiquismoinfantildo

neurótico.Apsicanálisenosapontaqueaprimeiraescolhadoobjetoparaamare

desejaréfundamentadaemobjetosproibidos,deordemincestuosa,mas,àmedida

queacriançacresce,háalibertaçãodosdesejosincestuosos.

Poroutrolado,nafaseadultaapessoaquenãoselibertoudetaisdesejos,ouseja,

noquetangeaopsiquismodeumneurótico,sãopreservados,emcertograu,um

infantilismopsíquicoque,ouaparececomoinibição,oucomoregressãodo

desenvolvimento.Destemodo,depreende­sequeasfixaçõesincestuosas,embora

reprimidas,desempenhamumpapelfundadornavidamentalinconsciente.

ÉnessesentidoqueFreudcompreendearealurgênciadospovosselvagensdese

defenderamdosdesejosincestuosos,pois,emúltimainstância,elesseefetivariam.

Paratanto,sãoconstruídasproibiçõeserestriçõesquecomparecemcomoumtabu.

II – O Tabu e a Ambivalência dos Sentimentos

Tabuéumtermodeorigempolinésiaqueapresentasignificaçõesantagônicas,ade

sagradoeconsagrado,porumlado,edeinquietante,perigosoeimpuro,poroutro.

Freudsugerequeotabupodeserevelaresclarecedorparaacompreeensãoda

noçãode“imperativocategórico”e,também,porperceberaexistênciadeuma

íntimarelaçãoentreostabusprimitivoseasproibiçõeseconvençõesmorais

vigentesemnossasociedade.

OimperativocategóricodeKantdizquetemosqueagirsemprebaseadonaqueles

princípiosquedesejamossejaaplicadosuniversalmente.Imperativoporqueéum

devermoralecategóricoporqueatingeatodossemexceção.

Porém,faz­senecessárionotarquetabunosremeteàideiadeproteçãoe prevençãocontraeventuaisaçõesquerepresentemperigoouameaça.Neste sentido,aviolaçãodeumtabuera,semdúvida,motivodepuniçãooucastigo,o quenosindicaque“osprimeirossistemaspenaishumanospodemserremontados

aotabu”[22]

TrazendoestarealidadeparaoDireitoPenal,desdetemposremotosorganizou­se

umsistemajudiciárioecoercitivo,julgadonecessárioeadequadoparaadefesados

direitosprivadosepúblicos,punindodeváriasmaneirasosqueeramconsiderados

transgressoresdalei.Cadaépocacriousuasprópriasleispenais,instituindoe

usandoosmaisvariadosprocessospunitivos.

NestesentidotrazemosopensamentodeKelsenacercadaretribuição,eleentendia

quearetribuiçãoeraumprincípiooriginário,ouseja,paraohomemprimitivoa

morteeraumcastigosobre­humanoouaconsequênciadeumatodevingança

motivadaporumdelitocometido.

Aotransgredirumtabu,apessoatransgressoraserárelegadaaseroprópriotabu,

confirmandoqueatransmissibilidadeépossívelquandoemcontatocomas

pessoasoucoisas,carregadasdeumpoderperigoso,ouseja,torna­se,aquela

pessoatornava­seimprópria,tóxicaparaorestantedasociedade,fazendoparecer

quetodacargaperigosativessesidotransferidaparaela,gerandoaíumaobsessão,

oqueFreudchamadeneurose.

NolivrodeFreud“OFuturodeumaIlusão”de1927,eledizoseguinte:

“Areligiãoéneuroseobsessivauniversaldahumanidade,culpadapela

decadênciaintelectualdepartedossereshumanos”.

Estaexpressãodedesejoe,aomesmotempo,detemor,levaFreudacrerque,

assimcomoospovosprimitivossustentamestaatitudeambivalente,nosujeito

neuróticoesseparadoxotambémcoexiste.

NasconsideraçõesqueFreudtece,aorigemdotabuaparececomoalgoimposto,

noutraépoca,porumaautoridadeexternaenãopassíveldedemonstraçãoou

clarificação.Taisimposiçõescontraditóriasaodesejodoinconscientegerama

neuroseobssessivaentreoshomens.

Asproibiçõesobsessivas,segundoFreud,estãosujeitasaodeslocamento,istoé,há

umdeslocardeumobjetoparaoutro,que,quandoeleito,torna­seigualmente

inacessível.Ajustificativarecai,novamente,aofatodequeaproibiçãorefleteo

desejoe,portanto,aotentarinterditarodesejo­queédenaturezainconsciente­,

tem­se,cadavezmais,aaproximaçãocomele.

Portanto,apsicanáliserevelaqueodesejo,aindaquereprimido,permanecevívido

noinconsciente,ecoandoesefazendopresentesobapersistênciadaproibição.

Freudretornaasfundamentaisproibições,oriundasdotabu,easdescrevecomoas

leisbásicasdototemismo:i)nãomataroanimaltotêmicoeii)evitarrelações

sexuaiscommembrosdoclãtotêmicodosexooposto.Aenunciaçãodestesdois

tabus,paraospsicanalistas,parecedenunciaropontocentraldosdesejosda

infânciaeonúcleodasneuroses.

Verifica­se,pelopensamentoFreudiamoafirmarqueháumafortemotivação

inconscienteparaaaçãoproibida,origináriadoprópriotabu,que,emsimesmo,

possuiopoderdetransmissãoecontágiodointerdito,bemcomoacapacidadede

produziratentaçãooumesmodeincentivaraimitação.Éjustamenteporessa

razãoqueosmembrosdeumacomunidadedevemestaravisadosdeseus

transgressoresesevingarem,paraqueasociedadenãoestejafadadaàdissolução.

Somenteassimépossívelmanteraligaçãoduráveleinevitáveldodesejoedalei,

razãopelaqualocorposocialimprimeseverasproibições,comointuitode

reprimir,organizarecanalizarasexualidade.

AsanalogiasqueFreudestabelece,nessesegundocapítulo,entreosselvagenseos

neuróticos,revelam,fundamentalmente,apresençadesentimentosambivalentese

contraditórios,queorasãohostis,orasãoafetuosos.Estecaráterdúbiodos

impulsosrevelaquehá,simultaneamente,satisfaçãoemambasasexperiências,

encontradasnestesdoispólosque,apenasaparentemente,sãodissociáveis.

Aofinaldestecapítulo,oautorseaproximadoquemaistardeirátratarsobre

naturezaeaorigemda“consciênciamoral”,compreendidacomoacondenaçãoque

osujeitosenteaoagirinfluenciadoporcertosdesejos.

Domesmomodoqueotabu,elaparecetambémserformadapelaambivalência

afetiva,naqualumapartedaoposiçãopermaneceinconsciente,atravésdealguns

mecanismospsíquicos,enquantoaoutrasemanifesta,explicando,assim,oseu

caráterangustiante.

Algunsprocessospsíquicosinconscientessediferem,quantoasuanatureza,dos

conscientes,desfrutandodecertasliberdadesnegadasaosúltimos,taiscomoo

deslocamentoeaprojeção(mecanismosdedefesa),quepermitemàpulsão

manifestar­senumlugaroutro,quenãoaqueleondesurgiu.

Freudnoschamaaatençãoparaoconflitoqueseestabelecequandoumaordem

emitidapelaconsciênciaéviolada,produzindosensodeculpa,cujanaturezaestá

intimamenteligadaàansiedade:

( )seimpulsoscheiosdedesejoforemreprimidos,sualibidosetransformaráem ansiedade.Eistonosfazlembrarqueháalgodedesconhecidoeinconscienteem conexãocomasensaçãodeculpa,asaber,asrazõesparaoatoderepúdio.O caráterdeansiedadequeéinerenteàsensaçãodeculpacorrespondeaofator

desconhecido.[23]

Parareforçaraidéiadequepordetrásdetodainterdiçãohádesejosinconscientes ocultos,oautorrecorreaos“DezMandamentos”paramelhorilustrarestasituação. Aofazeralusãoaomandamento“Nãomatarás”,eleexplicaqueaexistênciadesse imperativosomenteépertinente,namedidaemqueoserhumanocarrega inconscientementeodesejodematar,casocontrário,nãohaverianecessidadede proibiralgoqueninguémdesejafazere“eumacoisaqueéproibidacomamaior

ênfasedeveseralgoqueédesejado”[24]

Portanto,versandosobreatransgressãodotabu,éprovávelqueaosujeitoquea

cometeusejamincididasalgumaspuniçõesque,namaioriadasvezes,aparecem

comoumadoençagraveoumorte.Quandonãosãoacompanhadosdecastigos,a

própriacoletividade,inseridanocontextodotransgressor,seresponsabilizapor

aplicaraspenalidades,vistoquesesentemameaçadasetememotabudecontato.

Épossívelreconhecernestepontoosdesejosrecalcadosnocriminosoenaqueles

queestãoencarregadosdevingarasociedadedocrimecometido.

III – Animismo, Magia e Onipotência de Pensamentos

Oshumanos,diantedesuasnecessidades,criaramsuasprimeirasconcepçõesde

mundoemconsonânciacomseusprópriosdesejos.Inicialmente,nafaseanimista,

atribuírampoderasimesmoseposteriormente,nafasereligiosa,aosdeuses,sem,

contudo,abdicardodesejodeinfluenciá­lasparaqueagissemconformeseus

respectivosdesejoshumanos.

Oanimismo,criadopeloprimitivo,concebiaomundocomoalgonatural,regido

pelamagia,queeraconsideradaumaespéciedefiocondutorpormeiodoqualo

primitivopensavaquepoderiaseapoderardoespíritodoshomens,dosanimaise

dascoisas.

Ospovosprimitivos,pormeiodaimposiçãodesuasprópriasleispsíquicas,

externavamnarealidadeosseusreaisdesejos,afimdequeosespíritosagissem

conformesuasvontades.Essamesmacaracterísticaqueaparecenoprimitivoé

tambémvisívelnacriança,cujopsiquismoconservaasmesmascondiçõesdeum

selvagem,fazendocomquealucinemarealizaçãodeseusdesejos.

Omodoqueoserprimitivoencaraomundo,istoé,àsuaimagemesemelhança,

levaFreudaconstatarumaassociaçãoqueexisteentreaonipotênciaeo

narcisismo.Amagiaeraobjetodecrença.

Aspráticastradicionaiscomasquaisosatosmágicospodemserconfundidos

são:osatosjurídicos,astécnicas,osritosreligiosos.Osistemadaobrigação

jurídicafoiassociadoàmagiaemrazãodeque,departeaparte,hápalavrase

gestosqueobrigamevinculam,háformassolenes.Mas,secomfrequênciaos

atosjurídicostemumcaráterritual,seocontrário,osjuramentos,oordáliosão

algunsaspectossacramentais,équeelessemisturamaritos,semquesejamritos

porsimesmos.Namedidaemquetemumaeficáciaparticular,emquefazem maisdoqueestabelecerrelaçõescontratuaisentreindivíduos,elesnãosão

jurídicos,masmágicosoureligiosos.[25]

Atransposiçãodoanimismo,damagiaedaonipotênciadasideiasparaaesferada

religião,edepoisdaciência,seconcretizoudevidoàrenúnciapulsionalexigida

pelacultura.

Dessaforma,podemosconcluirquenassociedadesprimitivas,oqueregiaerao

principiosocialdaretribuiçãoeassimestruturou­seovínculojurídicooriginárioa

partirdasrelaçõesdetroca.Existeportanto,umaestreitarelaçãoentreacrençado

primitivonaalmaeaideiaderetribuição.Acrençanaalma,umnúcleodetodaa

religiãoemetafísicareligiosa,énarealidadeumaideologiaderetribuiçãoque

garanteaordemsocial.

IV – O Retorno do Totemismo na Infância

Nesteensaio,Freudretomaváriasquestõesjáabordadas,principalmente,o

totemismo,justamentepararelembraraimportânciaqueeleexerceusobreos

primitivos.

Osistematotêmicopodeserinterpretadodopontodevistatantoreligiosoquanto

social;falar­se­ádeseucaráterreligioso,namedidaemquecomparecemrelações

derespeitomútuoentreoprimitivoeseutoteme,deseuestatutosocial,nas

obrigaçõesrecíprocasquepermeiamtantoosmembrosdeumclãquantodas

tribosentresi.

Noquetangeànaturezareligiosa,pode­sedizerqueFreudprocuranoschamara

atençãoparaotabu,ligadoaototem,manifestonasproibiçõesqueseus

descendentesseimpunhamafimdeprotegê­lo.Éporissoquenãosepodiamatar,

comeroucaçaroanimaldototeme,dependendodatribo,inclusive,tocá­lo,olhá­

loouchamá­loporseuverdadeironome,sobpenadepuniçõespormeiodamorte

oudadoença.Obenefícioquefaziavalerasrestriçõesresidia,pois,naesperança

deseremprotegidosporele.

Freud,intrigadocomasquestõeslevantadaspelototemismo,procuraatravésdos

seusestudoscompreendermelhorasnecessidadespsíquicasqueeleexpressava,

bemcomoascondiçõesqueproporcionaramoseudesenvolvimento.

Posicionando­secontrariamenteàteoriadacoincidência,oautorafirmaquea

exogamia,coroláriodosistematotêmico,sópodiasefundar,nomedodoincesto.

Segundoosensinamentosdapsicanálise,nadahaviadeinatonaexogamia,suas

causas,inclusive,deveriamserprocuradasnosprimeirosdesejossexuais,de

naturezainegavelmenteincestuosa.

NestetextoFreudtambémrelataahistóriadeumpaiviolentoeciumento,que

reservatodasasfêmeasparasieexpulsaosfilhosquandocrescem.Estesirmãos

expulsossejuntaram,abateramedevoraramopai,assimterminandosuahorda

primeva.Unidos,ousaramfazeroquenãoseriapossívelindividualmente.

Ofatodehaveremtambémdevoradoomortonãosurpreende,tratando­sede

canibais.Semdúvida,opaiprimevoeraomodelotemidoeinvejadodecadaum

dosirmãos.Noatodedevorá­loelesrealizavamaidentificaçãocomele,ecadaum

apropriava­sedepartedesuaforça.Arefeiçãototêmica,talvezaprimeirafestada

humanidade,seriaarepetiçãoecelebraçãodesseatomemorávelecriminoso,com

oqualteveiníciomuitascoisas,taiscomo:asorganizaçõessociais,asrestrições

morais,areligião.

Osirmãosrebeldeseramdominados,emrelaçãoaopaipelosmesmossentimentos

contraditóriosquepodemosdiscernirnoconteúdodocomplexopaternodas

criançasatualmente.

Elesodiavamopai,queconstituíaforteobstáculoàsuanecessidadedepodere

suasreinvindicaçõessexuais,mastambémoamavameadmiravam.

Depoisqueoeliminaram,satisfizeramseuódioeconcretizaramodesejode

identificaçãocomele,osimpulsosafetuososatéentãosubjulgadostinhamde

impor­se.

Comissosurgiuoarrependimentoeaconsciênciadaculpa,queaíequivaleao

arrependimentosentidoemcomum.Omortotornou­semaisfortedoquehavia

sidoovivo;tudocomoaindahojevemosnosdestinoshumanos.Aquiloqueantes

eleimpediracomsuaexistênciaelesproibiramentãoasimesmos,nasituação

psíquicada“obediênciaaposteriori”,tãoconhecidanapsicanálise.

Elesrevogaramseuato,declarandoserproibidooassassíniodosubstitutodopai,

ototem,erenunciaramàconsequênciadele,privando­sedasmulheresentão

liberadas.

Assimcriaram,apartirdaconsciênciadeculpadofilho,osdoistabus

fundamentaisdototemismo,quejustamenteporissotinhamdeconcordarcomos

doisdesejosreprimidosdocomplexodeÉdipo.Quemosinfringiatornava­se

culpadodosdoiscrimesqueinquietavamasociedadeprimitiva.

Nissocriaram­secaracterísticasqueforamdeterminantesparaanaturezada

religião.Areligiãototêmicadesenvolveu­seapartirdaconsciênciadaculpados

filhos,comotentativadeacalmaressesentimentoedeapaziguaropaiofendido,

medianteaobediênciaposteriori.

Todasasreligiõessubsequentesmostraram­secomotentativasdesoluçãodo

mesmoproblema,quevariamconformeoestágioculturalemquesão

empreendidaseoscaminhosquetomam,massãotodasreações,partilhandouma

sómeta,aomesmograndeevento,comqueteveinícioaculturaeque,desde

então,nãopermitiuqueahumanidadesossegasse.

Freudinsistenarelevânciacoletivadosacrifícioesuarelaçãocomafesta,

chamandoaatenção,primeiramente,paraoslaçosqueunemosmembrosdeuma

comunidadee,nasequência,paraoslaçosqueunemestaàdivindade.

Portanto,atravésdealgunsdadosatéentãoisolados,dabiologiaedaetnologia,

SigmundFreudiniciaaformulaçãodesuahipótese.Paratanto,eleutiliza­sede

ummitoparanarrarosacontecimentosqueinstituíramumcontratosocial,no

qualtantooincestoquantoomonopóliodaviolênciaeramproibidos,descrevendo,

destemodo,apassagemdoestadoarcaicoparaoutromodeloderegime.

Estapassagemteriasedadoemtrêstempos.Oprimeirojaziaumestadosocialem

queaforçafaziaalei:

“(

sexualabsoluto,possuíratodasasfêmeasaomesmotempoeimpediaoacesso dosdemaismachosaelas.Purogozo,frustravaodesejodosfilhosporsuasmães

eirmãs,submetendotodosàsualei,impostapelaforça”.[26]

)umahordaprimitivadominadaporummachoquegozavadeummonopólio

Osegundotempomarcaocomplôdosfilhosfrustradosque,insatisfeitoserevoltos

comatiraniapaterna,decidemmatarodéspotaquetantoodiavameamavam

simultaneamente.Comefeito,deixaramdesersubmissosetornaram­seousados

aomataremopai,realizando,coletivamente,oquesozinhosnenhumdelesteria

feito.Paraselareafirmaraexistênciadogrupo,elescelebravamofestimtotêmico,

nodecorrerdoqualforamlevadosadevorarocorpodopaieseidentificandocom

ele,puderamsereconhecercomoirmãosdesangue.

Opróximomomentoéaqueleemqueosfilhosperceberamquecadaumdeles

almejava,secretamente,ocuparexclusivamenteolugardopai.Informadosdeque

seissoseefetivasse,aconsequênciaúltimaseriaumaguerrafratricida,decidiram

renunciarmutuamentetantoàsatisfaçãoincestuosaquantoàviolênciacomomeio

deconsegui­la.Viram­se,destemodo,obrigadosabuscaremoutrashordas

mulheresparaserelacionarem,estabelecendo,assim,aexogamia.Somentenestas

circunstânciasfoipossívelpôrfimàhordaselvagemeinauguraroclãfraterno,

fundadosobreoslançosdesangue.

Apreende­sequefoiatravésdoassassinatodopai,comoqualosfilhosmantinham

umarelaçãoambivalentedeamoreódio,queoestadodedireitopodese

consolidar.Note­sequeopaimorto,sedemonstroumaispoderosodoqueopai

vivo,umavezqueosfilhospassaramainterditaraquiloqueopaiosimpedia,

anteriormente,pelaforça.Comamortedopai,osfilhospuderamexternalizaro

sentimentodeódio,enquantoqueoamor,quetambémsentiam,setransformou

emsentimentodeculpa.

Postoisto,Freuddiscorresobreosdoistabusfundamentaisdototemismo:mataro

totemecasarcomumamulherdomesmototemque,porsuavez,correspondem

aosdoisdesejosreprimidosdocomplexodeÉdipo.

Àguisadeconclusão,épossívelestabelecerumcorrelatoentreoqueFreudafirma

sobreamoralidadehumanaeseuiníciocomessesdoistabus.Oprimeiro,sendoo

daproibiçãodoincestoeosegundooparricídio,nestaperspectiva,inclui­seaío

próprioDireito.

Há,portanto,nesseassassinato,umaconotaçãodereivindicaçãodedireitos,de

tiranicídio,oqueseriajustificável,edefatoofoi,dadascertascircunstâncias,até

porpadresdaIgrejaCatólica,teólogos­juristasmedievais,regicidas.Sóqueo

tirano,depois,revelou­secomopai.

Eisque,porém,esseprimeirocontrato,umpactodesangue,overdadeiro

"contratosocial",nãoresultarámuitobenéficoparaaspartescontratantes,pois

elesterminaramficando,dequalquermodo,semaquelequeosprotegiae

alimentava.

Alémdisso,aoinvésdaaprovação,devemterdespertadoaindignaçãodesuas

"mães",queaítambémficaramsemessaproteçãoe,deresto,semum"homemde

verdade",dondetereminstauradoomatriarcado,emqueogozododireitoàs

mulhereseatudoomaisfoiorganizadopelasmulheres,reforçandoaquelaLeique

Lévi­Straussconsideraaleifundadoradasociedade,leiaomesmotemponaturale

social,aprimeira:aleiqueproíbeoincestocomamãe.

AoutragrandeinvençãodeFreud,paraestabeleceroestatutodafantasia

inconscientequenosconstitui,inspirou­senatragédiadeSófocles,"Édipo­Rei",

apontadaporAristóteles,nocapítulodécimoquartodesuajácitadaobra,como

exemplarparanosdaroprazerprópriodatragédia:nosfazer"tremerdetemor"e

apiedarmos.

Ali,tambémumfilhoassassina,inconscientemente,opai,queoexpulsarado

convíviofamiliar.SóqueÉdipo,aocontráriodosfilhosdahordaprimitiva,vai

realmentepossuirsuamãe,aindaquesemosaber(inconscientemente),ouseja,da

eliminaçãodopainãovaidecorrer,comoparaaqueles"filhosprimevos",a

abstinência,massim,ooposto,arealizaçãodoatosexualcomamãe,

acompanhadodeumgozoletal.Emambasashipóteses,contudo,oresultadoda

transgressão,quandodelasetomaconsciência,éoreforçodainterdição,coma

invocaçãodopaimortoedesuaLei.

Ainterdição,portanto,revela­secomocondiçãodogozo,aoacenarparaasua

possibilidade,anunciadanoalémdela,istoé,nasuatrans­gressão.

Eisaírepresentadaaorigemviolentadetodaproibição,tantosagrada,como

jurídica,quegarantenossavidaemsociedade,sustentadapeloenfrentamentoda

morte.

Oincrementodaviolêncianasociedade"pós­moderna"nãopoderásercontido

peloreforçodaproibiçãojurídica,masantesporumaconsideraçãodas

consequênciaspsicológicasesociaisdasecularizaçãodefendidapelaideologia

oficialea"re­sacralização"crescentedasrelaçõesforadasinstituiçõesreligiosas,

ouseja,emseitasou"tribos".

DaíterFreudfaladonanecessidadedesublimarnossaspulsõesnoprocesso

civilizatório,eLacan,porseuturno,tenhaenfatizadoaimportânciada

simbolizaçãodosdesejosproduzidosemnossoimaginário,quesãoespectros,

fantasmas,aatormentaremosujeito,sempreembuscadoobjetocausadeseus

desejos,apesardeserbarradonoseuacessoaele.

Cabeaodireitosolidificaressainvençãoouficçãocoletiva,criandoeestabelecendo

valores,impondo­os,embuscadegarantirascondiçõesdemanutençãodavidaem

comum,avidahumana.

Emépocaspassadas,acomunidadesemantinhaíntegrapelareferênciaauma

origemcomum,sacramentadapormitologias,religiõesoumesmo,mais

recentemente,pormundividênciasfilosóficas.

Nopresente,opredomíniodopensamentocientíficoeocorrelatoprocessode

"desencantamento"domundo,aoqualserefereMaxWeber,minamasbasessobre

asquaistradicionalmenteseergueramasdiversasordensnormativas.

Aconstruçãodenovasbasespressupõeumarecuperaçãodenossacapacidade

criativadeficçõesjustificadorasdaexistênciaedaco­existência,aomesmotempo

emqueestamoscientesdocaráterficcionaldesseempreendimento,cujoresultado

éaafirmaçãodevalores.Paraisso,vamosprecisardeumaaproximaçãoentreas

maisdiversasformasdecriaçõesdesenvolvidaspeloengenhohumano­artes,

mitologias,ciências,religiões,filosofias­eaqueladentreelasquenossanciona

maisseveramente,dopontodevistasocial,aconduta,asaber,odireito.

CONCLUSÃO

Emanálisedopresentetextofreudianopodemoschegarasseguintesconclusões:

primeirolugar,éfundamentalperceberqueocrimeéumatofundador,

responsávelpororganizaracivilização.

Emsegundolugar,ocrime,aoinvésdeautorizarosfilhosaacessaremasfêmeas

desejadas,teveumefeitocontrário,opaimortolongedeperderseupoder,sóo

tevereforçadoeestabeleceuumsistemasocialcomsuasprópriasleis,sendoa

primeiradelasaproibiçãodoincesto.Nestemomentoéqueseafiguraaruptura

fundamentaldomundonaturalparaaqueledacultura,estruturadoemumsistema

deorganizaçãosimbólica.

Foisomenteatravésdessecrimequeochefedahordasetransformouempai,

dondesededuzqueopaisóexistemorto,emsuanegativa,enquantosermítico,e

que,nessafunção,incitaoamoreaculpa.Assim,inscriçãodopaimorto,porisso

negativo,éoqueconfereelegitimaasuafunção,ganhando,pois,umaexistência

simbólicaquesóemergecomasuaausência.

Olugardopaiéorganizadosimbolicamente,porexcelência,destituído,então,de

quaisqueratributosnaturais.É,pois,referenciadoaumaautoridadesimbólica

que,porsuavez,cumpreafunçãodeinscreverumvalorsimbólicoqueinaugura

umaregra,umalei,queservecomoobrigação.

Alei,contudo,retiraforçadelaprópriaparaexercersuaautoridade,namedidaem

quenãoháfundamentoexternoqueajustifique.Nestesentido,éporexclusãode

todapossibilidadefísicaoucoercitivaquealeiseconstitui.Istonoslevaacrerque

aautoridadeédadaporumvalorsimbólico,autoreferente,quetalobjetoeleito

ocupa.

Finalmente,torna­sepossívelcompreenderporqueoparricídioévistoporFreud

comoumatofundadorenecessárioparaquesedêapassagemdanaturezaparaa

culturaeototemismocomoformaelementardereligião,quenosinserenomundo

daculpaedarenúncia.

TotemeTabué,porfim,umtextoqueinauguraaimportantereflexãoarespeito

danecessidadedeumaleitranscendente,compreendidaemsuagênesepormeio

deumaexplicaçãomíticaqueacenaparaoselementosdaorganizaçãosocial,das

restriçõesmoraisedareligiãocomoseuselementosconstitutivos.

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[1]GraduadaemDireitopelaUniversidadedeMogidasCruzes(1998),advogada

criminalistacomespecializaçãonoTribunaldoJuripelaESA/OAB(2006),pós

graduaçãoemDireitoAmbientalpeloSenai(2007),MestreemDireitoPenal

PUC/SP,DoutorandaemDireitoPenalPUC/SP,Psicanalista(emformação)autora

dolivro“APrivatizaçãodoSistemaPrisional”.

[2]CASTELOBRANCO,Vitorino.Criminologia,pág.80.

[3]NORONHA,E.Magalhães.Ob.Cit.,pág.35.

[4]FIGUEIREDO,A.Alvesde.ComentáriosaoCódigoPenal.SãoPaulo:Saraiva,

1987,v1.

[5]ROUSEEAU,Jean­Jacques.DoContratoSocialeDiscursossobreaEconomia

Política.(traduzidoporMárcioPugliesieNorbertodePaulaLima).SãoPaulo:

Hemus,1981.

[6]O“Id”constituioreservatóriodaenergiapsíquica,éondese“localizam”as

pulsões:adevidaeademorte.

Ascaracterísticasatribuídasaosistemainconsciente,naprimeirateoria,são,na

novateoriadeFreud,atribuídasao“Id”.Éregidopeloprincípiodoprazer.

[7]HOBBES,Thomas.Leviatãoumatéria,FormaePoderdeumEstado

EclesiásticoeCivil.Col.OsPensadores.Trad.:JoãoPauloMonteiroeMaria

BeatrizNizzadaSilva.2ªed.SãoPaulo:AbrilCultural,1979.

[8][8]FREUD,Sigmund.Cincoliçõesdepsicanálise;Ahistóriadomovimento

psicanalítico;Ofuturodeumailusão;Omal­estarnacivilização;Esboçode

psicanálise.Coleção“OsPensadores”.SãoPaulo:AbrilCultural,1978,p.175.

[9]FREUD,Sigmund.Cincoliçõesdepsicanálise;Ahistóriadomovimento

psicanalítico;Ofuturodeumailusão;Omal­estarnacivilização;Esboçode

psicanálise.Coleção“OsPensadores”.SãoPaulo:AbrilCultural,1978,p.141.

[10]HOBBES,Thomas.Leviatâoumatéria,FormaePoderdeumEstado

EclesiásticoeCivil.In:OSPENSADORES.Traduçãode:JoãoPauloMonteiroe

MariaBeatrizNizzadaSilva.3ed.SãoPaulo:AbrilCultural,1983.

[11]FREUD,Sigmund.Cincoliçõesdepsicanálise;Ahistóriadomovimento

psicanalítico;Ofuturodeumailusão;Omal­estarnacivilização;Esboçode

psicanálise.Coleção“OsPensadores”.SãoPaulo:AbrilCultural,1978,p.167.

[12]Idem,p.124

[13]CARNELUTTI,Francesco.Aartedodireito.Campinas:Bookseller,2001,

p.20.

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