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Sem a menor dúvida, uma das mais promissoras áreas de aplicação dos sistemas de informação são os Sistemas de Informação Geográfica. E, dentro das diversas sub-áreas, aquela contemplada na presente obra é uma das mais fascinates. A Cartografia,tão necessária desde os promórdios da era da Navegação, tem-se mostrado básica para as inúmeras aplicações e necessidades que o ser humano carece. Tanto o navegador de um grande superpetroleiro, quanto o astrônomo amador, ou mesmo o acadêmico de Engenharia Cartográfica ou Geografia devem compreender os princípios da elaboração de uma carta ou mapa. Contudo, nem toda a obra apresenta esse tema com a didática necessária ou suficiente. O Dr. Paulo R. Fitz trabalha esse tema de forma tão natural, que o acadêmico facilmente identifica os problemas de representação geográfica, e a técnica mais adequada de solução. A obra também apresenta tecnologias mais avançadas e recentes.

Prof. Dr. Vinícus Gadis Ribeiro

* Unilasalle

* UniRitter

* Facensa

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CENTRO UNIVERSITÁRIO LA SALLE

ISBN

858970715-6

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CAPÍTULO 5

CARTOGRAFIA TEMÁTICA

Enquanto que a cartografia sistemática ou topográfica tradi­ cional trata de um produto cartográfico de forma geométrica e des­ critiva, a cartografia temática apresenta uma solução analítica ou explicativa.

De uma maneira geral, diz-se que a cartografia temática pre­ ocupa-se com o planejamento, execução e impressão final, ou plo- tagem de mapas temáticos, ou seja, aqueles que possuem um tema principal a ser representado. Para se obter um bom resultado em um mapa temático, alguns preceitos devem ser respeitados e, como estes mapas baseiam-se em mapas pré-existentes, deve-se ter um conhecimento preciso das características da base de origem.

5.1 Mapas temáticos

Os mapas temáticos originados geralmente utilizam outros mapas como base tendo por objetivo básico fornecer uma repre­ sentação dos fenômenos existentes sobre a superfície terrestre fa­ zendo uso de uma simbologia específica.

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Como já fora colocado no capítulo 3, é possível afirmar-se que qualquer mapa que apresente outra informação distinta da mera representação da porção analisada, pode ser enquadrado como sendo temático, ou seja, possuidor de um tema específico.

Um mapa temático, assim como qualquer outro tipo de mapa, deve possuir alguns elementos de fundamental importância para o fácil entendimento do usuário em geral.

5.1.1 Elementos constituintes de um mapa temático

Dentre os variados elementos passíveis de estarem presen­ tes em um mapa temático, merecem destaque:

1. O título do mapa: realçado, preciso e conciso;

2. As convenções utilizadas;

3. A base de origem (mapa-base, dados etc.);

4. As referências (autoria, data de confecção, fontes etc.);

5. Indicação da direção Norte10 (no caso da inexistência de um sistema de coordenadas geográficas ou plano- retangulares);

6. A escala;

7. O sistema de projeção utilizado;

8. O(s) sistema(s) de coordenadas utilizado(s) (gratícu- las e/ou quadrículas11).

10A indicação da direção norte, salvo quando explicitado, refere-se a este sentido no centro do mapa apresentado.

11 Gratículas, entendidas aqui como conjuntos de linhas que se cruzam perpendicular­ mente, em ângulos quaisquer, formando trapézios esféricos, enquanto que quadrícu­ las apresentam-se como designações dadas a pares de linhas paralelas que se cru­ zam perpendicularmente, estabelecendo necessariamente ângulos retos, para for­ marem quadrados ou retângulos.

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A confecção ou construção de um mapa qualquer deve levar em consideração, necessariamente, as características listadas de 1 a 6 sob pena de perda na qualidade do trabalho.

Os sistemas de projeção e de coordenadas devem constar sempre que possível a fim de validar cientificamente as informações contidas no mapa. Quando existir a representação de um sistema de coordenadas através de quadrículas/gratículas, a indicação da

direção norte torna-se opcional.

Convém acrescentar que, em se tratando de mapas digitais, todas as informações listadas tornam-se praticamente indispensáveis já que sua omissão impedirá trabalhos com a utilização das técnicas do geoprocessamento12.

5.1.2 Uso de legendas e convenções

Os mapas temáticos devem apresentar determinadas ca­ racterísticas básicas para que possam ser facilmente entendidos por qualquer usuário.

Em um primeiro momento, para que se possa fazer uma leitura correta de determinados detalhes, a fim de vinculá-los à rea­ lidade vivenciada, necessita-se utilizar de alguma imaginação, pois deve-se lembrar que as cartas são representações do terreno ela­ boradas com a finalidade de apresentar as características do mes­

mo o mais fiel possível.

12 As técnicas de geoprocessamento buscam realizar, de uma forma geral, o armaze­

namento, o processamento e a análise de dados georreferenciados, ou seja, de infor­

mações espacialmente localizadas. Para isto ser possível, necessita-se dispor de mapas altamente qualificados.

76

5.1.3 A qualidade das informações

Os dados ou informações a serem representados apresentam características específicas que devem ser trabalhadas

com bastante cuidado.

Para que um mapa possa traduzir exatamente o que se deseja, é imprescindível o uso preciso de determinadas variáveis visuais.

A primeira delas relaciona-se ao tamanho do elemento a ser representado. Neste sentido, é fundamental sempre manter-se uma proporção adequada à escala do mapa e ao tamanho final do produto impresso. Deve-se destacar que na representação de uma estrada, por exemplo, muitas vezes o traçado realizado não condiz

com a sua real largura.

Outra característica diz respeito às tonalidades, hachuras13, ou aos coloridos utilizados que, para uma boa representação, devem ser de fácil e imediata compressão. A execução de um mapa com informações quantitativas deve possuir tons diferenciados, do mais claro, ou hachuras mais espassadas, para valores menores, até tons mais escuros, ou hachuramento mais denso, para valores maiores. Assim, em um mapa hipsométrico14, utiliza-se duas ou três cores básicas e variações tonais intermediárias entre as mesmas (degradê) a fim de

13 Métodos de representação que utilizam traços paralelos de igual espaçamento para dar idéia de densidade ou para a representação da estrutura de um relevo.

14Mapa que representa o relevo através da utilização de cores para as diferentes altitu­ des; em geral, as áreas baixas são representadas por tons de verde passando para amarelo, as médias altitudes, por tons amarelados até avermelhados e, as maiores alti­ tudes por tons de vermelho até marrom. Muitas vezes, acrescenta-se, em tons de cinza claro, uma área correspondonto à linha do novo prosonto om grandos altltudos.

77

representar melhor as diferenças de altitudes. Já, em mapas políticos, por exemplo, as divisões administrativas deverão apresentar cores bem distintas uma das outras a fim de facilitar a localização das fronteiras;

A forma do símbolo utilizado é outra característica fundamental para uma informação precisa e objetiva. As informações existentes na realidade da superfície devem ser, como já foi dito, de fácil compreensão. A utilização de diferentes formas de representação em um mapa, passíveis de um reconhecimento imediato pelo usuário, é essencial para a satisfação deste requisito básico:

A

forma linearé utilizada para informações que, ao se­

rem transportadas para um mapa, requerem um traça­ do característico, sob a forma de linha contínua ou não. Na maioria das vezes, a largura da linha desenhada não corresponde à largura real do tema. Para melho­ rar a compreensão dos elementos representados, o tra­ cejado pode apresentar cores diversas ou ser descon­ tínuo. Exemplos: estradas, rios etc;

A

forma pontual é utilizada para as informações cuja re­

presentação pode ser traduzida por pontos ou figuras geométricas. Exemplos: cidades, casas, indústrias etc;

A forma zonal é usada para representar as informa­ ções que ocupam uma determinada extensão sobre a área a ser trabalhada. Esta representação é feita com

a utilização de polígonos.

los, clima, geologia otc.

Exemplos: vegetação, so­

78

5.1.4 A representação temática: o uso de convenções

A fim de que se possa apresentar cartograficamente os te­ mas de um mapa de formas clara, objetiva e precisa, alguns princí­

pios devem ser seguidos:

1. Cada fenômeno deve ser representado por apenas uma simbologia específica; assim, para informações quali­ tativas, há uma mudança na forma dos símbolos utili­ zados. A figura 5.1 apresenta um exemplo desta situa­ ção, onde é facilmente verificável a distinção entre os

produtos a serem descritos no mapa.

Diamante
Diamante

Figura 5.1 - Informações qualitativas

2. Para variações de informações quantitativas, a tonali­

dade da cor utilizada ou o tamanho da simbologia tra­

duz as diferenciações representadas. A figura 5.2 apon­ ta dois exemplos que demonstram a utilização de infor­ mações quantitativas. Nesta figura, pode-se verificar

duas maneiras de se apresentar dados quantitativos:

79

através de um “degrade” de tons de cinza (para de­ monstrar a variação da expectativa de vida) ou da va­ riação no tamanho do desenho do produto que deseja- se representar.

BRASIL -1991 EXPECTATIVA DE VIDA AO NASCER

se representar. BRASIL -1991 EXPECTATIVA DE VIDA AO NASCER mais de 70 anos de 65 a

mais de 70 anos

de 65 a 70 anos

de 60 a 65 anos

menos de 60 anos

PRODUÇÃO DE PETRÓLEO DO PAÍS X EM 2000

= 5.000 barris/dia

DE PETRÓLEO DO PAÍS X EM 2000 = 5.000 barris/dia = 1.000 barris/dia Figura 5.2 -

= 1.000 barris/dia

Figura 5.2 - Informações quantitativas

Como é deduzível, os sinais convencionais podem ser

apresentados de variadas formas em mapas temáticos.

80

Os cursos d’água possuem representação na cor azul, com sua nomenclatura mais usual. Os rios, de maior porte, possuem, sempre que possível, largura compatível ao mesmo. As nascentes são representadas por linhas tracejadas.

A cobertura vegetal e plantações apresentam-se normalmen­

te com colorações esverdeadas, existindo uma diferenciação de to­

nalidades entre os diversos tipos de vegetação e uso da terra.

É importante observar-se que esta cobertura poderá apresentar-se

bastante modificada em função das transformações experimenta­

das pela área desde a elaboração do mapa.

As cidades e vilas, com área urbana significativa, depen­ dendo da escala do mapa, podem ser representadas através de um

arruamento bastante simplificado, com coloração rósea. Conforme

a escala do mapa vai aumentando, o detalhamento (ruas, avenidas, quarteirões etc.) vai sendo cada vez mais aprimorado.

Pequenos quadrados pretos podem representar quaisquer construções existentes. Igrejas e escolas geralmente apresentam ícones específicos e outras construções como, por exemplo, usi­ nas, cemitérios, fábricas e outras podem receber uma identificação específica ao lado visando uma localização mais facilitada.

Nos mapas, também são colocados alguns topônimos de lugares de conhecimento geral e/ou da população residente nos ar­ redores da região. Ex.: nomes de rios, morros, vilas etc.

Alguns mapas temáticos podem apresentar um detalhamento maior patrocinado pela sua base. Assim, por exemplo, alguns ma­

81

pas apresentam isoipsas15 conhecidas como curvas de nível que podem ser apresentadas como linhas na cor sépia (marrom claro), com numeração aparente, normalmente, de 100 em 100 metros. Igualmente, os pontos cotados também podem constar com o seu valor e um “X” ao lado, na cor preta, indicando a sua exata localiza­ ção. Quando o “X” estiver na cor sépia, o mesmo deverá ser inter­ pretado como um ponto cotado obtido por interpolação. Um triângu­ lo contendo um ponto em seu centro mostra a localização de um marco geodésico ou topográfico existente no terreno.

Linhas tracejadas, contendo um ponto entre os traços, repre­ sentam linhas de transmissão de energia (alta/baixa tensão); linhas

tracejadas contendo um “x” entre os traços representam cercas.

Qualquer mapa confiável deve apresentar as convenções utilizadas pelo mesmo e suas devidas explicações. Normalmente, a legenda é localizada em um canto do mapa, enquadrada em uma moldura e contendo c título “legenda” ou “convenções”. A legenda pode ser entendida, portanto, como o quadro que apresenta, inter­

namente, as convenções.

5.1.5 Fonte da informação e referências

Outra observação a ser verificada diz respeito à fonte das informações e suas referências. A qualidade das informações cons­ tantes no mapa temático final está diretamente relacionada com o

Maiores detalhes serão apresentados no item 5.4.4 adiante.

82

mapa. base utilizado, bem como com a origem e credibilidade dos dados nele representados.

A autoria, a data de confecção, a base dos dados assim como todas as demais informações que possam contribuir para elu ­ cidar qualquer dúvida do usuário devem constar no rodapé do mapa produzido.

Um mapa desprovido de tais informações torna-se desqua­ lificado em termos técnicos e acadêmicos restringido-se a usos menos nobres.

5.1.6 Sistema de projeção e escala

Para que se possa realizar um bom trabalho, deve-se ter cuidado com a questão da qualidade do produto gerado. Quanao se deseja um nível maior de precisão nos mapas realizados, deve; rão constar, além dos itens já citados, outros dois dados imprescin­ díveis, importados do mapa base: a escala e o sistema de projeção.

Qualquer produto apresentado sem estas caracterizações deve necessariamente incluir dizeres como: “mapa ilustrativo, des­ provido de rigor geométrico”.

A geração de mapas em meio digital é, atualmente, a for­

As facilidades da

informática trazem à tona, entretanto, variados problemas que

podem ser agravados quando a manipulação das informações é

ma mais comum de confecção dos mesmos.

83

executada sem o devido cuidado ou por profissionais não qualifi­

cados.

Os “ajustes” realizados em um mapa para que ele consiga ser enquadrado em determinado trabalho podem ocasionar danos irreparáveis ao material produzido. O “esticamento” de um mapa, por exemplo, pode alterar, além do sistema de projeção utilizado, a

escala apresentada.

Em determinados casos, porém, poder-se-á reduzir a esca­

la em relação ao mapa original.

aumentada, sob pena de perder-se a confiabilidade do trabalho de­

Entretanto, ela jamais deverá ser

senvolvido.

5.2

Estrutura dimensional

A representação de dados cartográficos é tipificada pela sua distribuição espacial. As estruturas destas informações po­ dem vincular diferentes dimensões, podendo caracterizar-se como

sendo:

a-dimensionais (0-D), quando os dados não possuem uma estrutura definida, como, por exemplo, um dado meteorológico qualquer situado em um ponto de coor­ denadas conhecidas;

unidimensionais (1-D), quando os dados possuem ape­

nas uma dimensão definida, como, por exemplo, uma

84

rodovia. Neste caso, tem-se uma seqüência de pontos com coordenadas conhecidas;

bidimensionais (2-D), quando os dados possuem duas dimensões definidas (x,y), como, por exemplo, a área de uma bacia hidrográfica, onde cada ponto inserido nesta superfície possui coordenadas definidas;

tridimensionais (3-D), quando contemplar três dimen­ sões, como por exemplo, a representação altimétrica de uma área. Nesta forma de representação, além das coordenadas planas da área, tem-se o valor de sua al­ tura, ou seja, é acrescida uma coordenada “z”.

5.3

Altimetria

Uma consideração fundamental diz respeito à altimetria a ser representada em um mapa. O uso de cun/as de nível ou de cores hipsométricas para representar altitudes é o mais aconselhável.

As curvas de nivelou isoipsas podem ser conceituadas como sendo linhas imaginárias de uma área determinada, as quais unem pontos de mesma altitude, destinadas a retratar, no mapa, de for­ mas gráfica e matemática, o comportamento do terreno.

Simplificadamente, pode-se imaginar o traçado das curvas de nível como sendo as secções (fatias) retiradas de um relevo mantendo-se um espaçamento constante entre as mesmas.

85

As figuras 5.3 e 5.4 apresentam, respectivamente, uma for­ ma genérica de concepção da passagem de uma representação,- tridimensional, contendo um seccionamento constante do terreno, para uma representação bidimensional através do desenho das res­

pectivas curvas de nível.

através do desenho das res­ pectivas curvas de nível. Figura 5.4 - Representação das curvas de
através do desenho das res­ pectivas curvas de nível. Figura 5.4 - Representação das curvas de

Figura 5.4 - Representação das curvas de nível (isoipsas)

86

5.4 Construção de mapas temáticos

Como já fora colocado, os mapas temáticos necessitam do uso de outros mapas que servem de base para a sua confecção e que, qualquer mapa que apresente outra informação distinta da rnera representação da porção analisada, pode ser enquadrado como sendo temático.

Salienta-se, mais uma vez, que um melhor ou pior produto final nada mais é do que o reflexo dos trabalhos realizados no decorrer de sua construção. A confecção e decorrente qualidade de mapas técnicos depende iníeiramente da origem dos dados ob­ tidos. Assim, a qualidade de um mapa de solos, geológico, ou geomorfológico, por exemplo, estará diretamente vinculada aos tra­ balhos realizados desde os primeiros levantamentos realizados em campo objetivando a sua elaboração. Neste sentido, é interessan­ te lembrar todas as características que um mapa temático deve conter.

A seguir, a título de ilustração, serão apresentados alguns exemplos de mapas temáticos e suas técnicas de execução. A no­ menclatura utilizada procura vincular-se ao tema proposto por cada diferente mapa.

Como o leitor poderá observar ao longo do texto, alguns

“mapas” não contemplam a totalidade dos elementos destacados

anteriormente.

Estas condições serão explandas no seu devido

tempo.

5.4.1 Mapas zonais

87

Os mapas aqui concebidos como zonais são utilizados quan­ do se necessita apresentar áreas previamente demarcadas a partir de um levantamento de dados.

Os mapas zonais são construídos a partir de mapas pré- existentes que contenham, por exemplo, a divisão política de um estado, quando são produzidos mapas de regionalização, de con­ centração populacional, de nível sócio-econômico e tantos outros.

5.4.1.1 Mapas zonais: técnica de execução

• escolher o mapa-base mais adequado para a sobrepo­ sição dos dados que irão gerar o mapa temático;

• verificar o padrão de cores, hachuras ou simbologia que melhor possa ser adaptado ao mesmo;

• determinar as convenções a serem utilizadas;

• inserir os dados nas áreas pré-determinadas.

- A figura 5.5 apresenta um mapa contendo a densidade de­

mográfica no Estado do Rio Grande do Sul, construído a partir dos

dados do censo de 1991 divulgados pelo IBGE.

88

RIO GRANDE DO SUL

DENSIDADE POPULACIONAL

88 RIO GRANDE DO SUL DENSIDADE POPULACIONAL Figura 5.5 - Densidade Populacional do Estado do Rio

Figura 5.5 - Densidade Populacional do Estado do Rio Grande do Sul,

1991

5.4.2 Mapas de pontos

Os mapas de pontos são utilizados quando se necessita apresentar, de forma visualmente mais agradável, quantidades de determinados elementos.

89

Em função de suas características, estes mapas demons­ tram detalhes de localização muito mais claros e, às vezes, precisos do que quaisquer outros, possibilitando, ainda, uma visão geral de concentração ou de densidade relativa dos dados em função dos pontos representados.

Alguns cuidados devem ser levados em consideração quan­ do da confecção de mapas de pontos, especialmente no que diz respeito à quantidade de pontos a ser representada. Muitos pontos podem, ao mesmo tempo, fornecer maior precisão ao mapa, mas, por outro lado, podem conferir um excessivo rigorismo ao mesmo ocasionando dificuldades para sua compreensão.

5.4.2.1 Mapas de pontos: técnica de execução

• atribuir um valor para cada ponto a ser representado. Por exemplo, 1 ponto = 100 habitantes;

• determinar o número de pontos a serem desenhados dado pela divisão do valor do total da área pelo valor atribuído a cada ponto; e

• inserir os pontos nos locais determinados.

A figura 5.6 a seguir mostra um mapa de pontos da localida­ de fictícia de Vila Estrada Velha que aponta uma concentração de população ao longo da Estrada Velha.

90

DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO

DA

VILA ESTRADA

VELHA

-2000

90 DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO DA VILA ESTRADA VELHA -2000 Figura 5.6 - Mapa de Pontos 5.4.3

Figura 5.6 - Mapa de Pontos

5.4.3 Mapas de círculos

Os mapas de círculos são utilizados quando a representa­

ção estatística é de maior interesse do que uma representação es­

pacial mais precisa, como no caso dos mapas de pontos.

5.4.3.1 Mapas de círculos: técnica de execução

• definir os valores a serem representados a fim de que se

possa ter uma fácil interpretação destas quantidades;

• calcular o raio (ou diâmetro) do círculo a partir dos va­

lores já definidos, utilizando uma proporção entre as

raizes quadradas dos valores a serem representados e

do menor destes valores16;

18Utiliza-se a raiz quadrada do valor dado em função da área de uma circunferência ser dada por A = tiR

91

• definir a unidade do raio (ou diâmetro) do círculo, de

acordo com a escala do mapa ou do próprio dado a ser

representado.

Para a realização do mapa, utilizar-se-á, como exemplo, além

do mapa-base das regiões brasileiras, os dados da tabela 5.1, a seguir.

Tabela 5.1 - BRASIL: -Taxa de Mortalidade Infantil por região (1990)

REGIÃO

TAXA DE MORTALIDADE INFANTIL (°/J

HOMENS

Raiz quadrada

MULHERES

Raiz quadrada

Norte

60,3

7,76

45,9

6,77

Nordeste

95,6

9,78

80,6

8,98

Sudeste

37,0

6,08

22,8

4,77

Sul

33,6

5,80

19,6

4,43

Centro-Oeste

40,0

6,32

25,6

5,06

Fonte: adaptado de Anuário Estatístico do Brasil, 1996; In: SENE & MOREIRA, 1998.

5.4.3.2 Mapas de círculos: procedimentos de execução

1. Utilizando a tabela 5.1, que apresenta a “Taxa de Mor­

talidade por região, no Brasil”, caracteriza-se o menor

valor como sendo o de base, ou seja, 19,6;

2. Extrai-se a raiz quadrada de todos os valores envolvi­

dos (os valores já foram indicados na própria tabela);

3. É estabelecida a relação entre as raizes quadradas dos

maiores valores da tabela e da raiz quadrada do menor:

92

9,78/4,43 = 2,21 8,98/4,43 = 2,03 7,76/4,43 = 1,75 6,77/4,43 = 1,53 6,32/4,43 = 1,43 6,08/4,43 = 1,37 5,80/4,43 = 1,31 5,06/4,43 = 1,14

4,77/4,43 = 1,08

4. Com os valores definidos, calcula-se, a partir do valor de

base (neste caso 19,6), o diâmetro (ou raio) do círculo

de acordo com a escala do mapa. Atribui-se, então, à

base um valor escalar facilmente identificável (no exem­

plo, para uma taxa de mortalidade de 19,6°/00usou-se o

valor de 1,96cm). Para as demais taxas, multiplica-se os

valores encontrados no passo 3 pelo valor tomado por

base, estabelecendo-se as seguintes relações:

19,6°/00à 1,96cm 22,8°/00 à 1,96cm x 1,08 = 2,12cm 25,6°/00à 1,96cm x 1,14 = 2,23cm 33,6°/00à 1,96cm x 1,31 = 2,57cm 37,0°/00à 1,96cm x 1,37 = 2,68cm 40,0°/O0à 1,96cm x 1,43 = 2,80cm 45,9°/00à 1,96cm x 1,53 = 3,00cm 60,3°/00à 1,96cm x 1,75 = 3,43cm 80,6°/0oà 1,96cm x 2,03 = 3,98cm 95,6°/00à 1,96cm x 2,21 = 4,33cm

O mapa resultante desta composição pode ser observado

93

-

MORTALIDADE INFANTIL NO BRASIL, POR REGIÃO

observado 93 - MORTALIDADE INFANTIL NO BRASIL, POR REGIÃO Figura 5.7 - Mapa de Círculos contendo

Figura 5.7 - Mapa de Círculos contendo o índice de Mortalidade Infantil no Brasil, por regiões.

5.4.4 Mapas de isolinhas

Os mapas de isolinhas são fundamentais para a construção

de modelos numéricos que normalmente são associados a terre­

nos, como no caso das isoipsas ou curvas de nível.

As curvas mestras, normalmente mais precisas, obtidas atra­

vés da interpolação de pontos cotados, possuem numeração apa­

94

rias, em geral obtidas pela interpolação das curvas mestras, varia de acordo com a escala do mapa utilizado: para uma escala de 1:50.000, a eqüidistância é de 20m; para uma escala de 1:100.000, é de 40m e assim por diante. Para melhorar a visualização, quando do uso de grandes escalas, são utilizadas curvas auxiliares, com tracejado descontínuo e eqüidistância de 50m.

Salienta-se, outrossim, a existência de outras formas de re­ presentação de mapas de isolinhas.

Tem-se, dessa forma, isotermas, representando linhas com mesmas temperaturas, isóbaras, linhas com mesmas pressões, isoi- etas, linhas com mesmas precipitações pluviais, isópagas, linhas com iguais índices de geadas e assim por diante.

5.4.4.1 Mapas de isolinhas: técnica de construção

• fazer um levantamento de dados pontuais com coorde­ nadas conhecidas;

• transferir os dados coletados para um mapa (figura 5.8);

• estabelecer a amplitude máxima entre os valores dos dados;

• determinar as classes a serem representadas;

• traçar, por algum método de interpolação, a isolinha

estabelecida pela classe calculada (figura 5.9).

95

isolinha estabelecida pela classe calculada (figura 5.9). 95 Figura 5.8 - Pontos distribuídos em uma área

Figura 5.8 - Pontos distribuídos em uma área determinada

Figura 5.8 - Pontos distribuídos em uma área determinada Figura 5.9 - isolinhas construídas a partir

Figura 5.9 - isolinhas construídas a partir da interpolação dos pontos apresentados na figura 5.8

96

O método tíe construção, mostrado aqui de forma bastante

simplificada, também é utilizado por alguns programas que trabalham

com computação gráfica e geoprocessamento. Em se tratando de um exemplo fictício, desconsiderou-se a inclusão dos elementos obrigatórios constituintes em um mapa temático.

Tais mapas são amplamente utilizados em geoprocessamen­ to em função da possibilidade de se produzir modelos numérios de terreno (MNT) ou modelos digitais do terreno (MDT).

5.4.5 Mapas de fluxo

Os mapas de fluxo são empregados quando o objetivo prin­ cipal é a identificação de movimentos em uma região. Assim, deslo­ camentos de população, fluxos de turismo, rotas de modais de trans­ porte, migração de animais e tantos outras movimentações podem bem ser representadas nesta modalidade de mapas.

A representação gráfica utilizada se dá sob a forma de li­

nhas - em geral setas - com espessura variada para determinar os fluxos realizados entre diferentes locais e suas proporções.

Em boa parte das vezes, como mapas-base, utilizam-se mapas contendo a divisão política para esta forma de representa­ ção. Entretanto, para esta forma de representação, podem ser utili­ zados diagramas esquemáticos, ao invés de mapas propriamente. Fluxos de trens metropolitanos, por exemplo, utilizam-se muitas ve­ zes deste tipo de representação.

97

5.4.5.1 Mapas de fluxo: técnica de execução

• verificar o maior e o menor valor dos dados disponí­

veis;

• atribuir um valor para cada linha a ser representada. Uma linha com espessura de 1mm, por exemplo, pode equivaler a 10 unidades , uma linha com es­ pessura de 5mm, pode equivaler a 50 unidades e

assim por diante;

• Verificar, no mapa-base, os pontos de saída e chegada dos fluxos a serem representados tendo o cuidado de produzir o menor número de cruzamentos possível;

• Desenhar as linhas no mapa respectivo.

A figura 5.10 apresenta uma simulação do fluxo de expor- tação/importação entre os países fictícios A e B. O destino da seta indica o valor monetário unitário de importação pelo país re­ presentado. Assim, o país A exporta 3 milhões em unidades mo­ netárias para o país B e importa deste, 1 milhão. Observa-se que a representação utilizada não necessariamente vincula-se a um mapa podendo traduzir-se numa forma esquemática conforme a

apresentada.

98
98

Figura 5.10- Mapa de fluxo de exportação/importação entre os países A e B, em unidades monetárias;

\

.

CAPÍTULO 6

LOCALIZAÇÃO DE PONTOS

Com o intuito de se determinar a localização precisa de pon tos na sua superfície, pode-se dividir a Terra em partes iguais deno minadas de hemisférios, conforme observa-se na figura 6.1.

PÓLO

NORTE

hemisférios, conforme observa-se na figura 6.1. PÓLO NORTE HEMISFÉRI PÓLO SUL HEMISFÉRIO I HEMISFÉRIO Figura 6.1

HEMISFÉRI

PÓLO SUL

HEMISFÉRIO

I

HEMISFÉRIO

Figura 6.1 - Hemisférios da Terra

NORTE

SUL

100

De acordo com o sistema de convenções adotado, o He­ misfério Norte localiza-se ao norte da linha do Equador; o Hemisfé­ rio Sul, ao sul desta mesma linha; o Hemisfério Ocidental a oeste do Meridiano considerado como padrão, Greenwichu ; e, finalmen- te, o Hemisfério Oriental, a leste deste mesmo meridiano.

6.1 Meridianos e paralelos

As considerações apresentadas introduzem, intrinsecamen- te, dois conceitos:

• de Meridiano, ou seja, cada um dos círculos máximos

que cortam a Terra em duas partes iguais, que pas­ sam pelos pólos Norte e Sul e cruzam-se entre si,

nestes pontos, semelhantemente aos gomos de uma laranja; e

• de Paralelo, que representaria cada um dos cortes ho­ rizontais feitos na referida “laranja”, ou seja, cada cír­

culo que corta a Terra, perpendicularmente em relação

aos meridianos.

dor é o único paralelo tido como círculo máximo.

Pode-se concluir, então, que o Equa­

O Meridiano de Greenwich, que passa sobre a cidade de Londres, na Inglaterra, foi escolhido como Meridiano Internacional de Referência em 1962, durante a Conferên­ cia da Carta Internacional do Mundo ao Milionésimo, em Bonn, na Alemanha.

6.2 Latitude e longitude

101

Por outro lado, outros dois importantes conceitos merecem

ser agregados. São eles:

• de Latitude de um ponto, ou seja, a distância angular entre o plano do Equador e um ponto na superfície da Terra unido perpendicularmente ao centro do Planeta, representado pela letra grega fi (cp), com variação entre

0o e 90°, nas direções Norte ou Sul e

• de Longitude, isto é, o ângulo formado entre o ponto considerado e o meridiano de origem (normalmente Greenwich = 0o), com variação entre 0o e 180°, nas direções Leste ou Oeste deste meridiano, representa­

do pela letra grega lambda (X).

A figura 6.2 mostra uma representação dos conceitos acima.

Pólo Norte

lambda (X). A figura 6.2 mostra uma representação dos conceitos acima. Pólo Norte Figura 6.2 -

Figura 6.2 - Latitude e Longitude

102

6.3 Sistemas de coordenadas

A sistemática de divisão do Planeta apresentada anterior­ mente é utilizada, na prática, para a localização precisa de pontos sobre a superfície da Terra.

Sua efetivação se dá através do uso de um sistema de co­ ordenadas que possibilita, através de valores angulares (coordena­ das esféricas) ou lineares (coordenadas planas) o posicionamento de um ponto em um sistema de referência.

Neste livro utilizaremos dois sistemas de coordenadas dos mais utilizados, o Sistema de Coordenadas Geográficas, baseado em coordenadas geodésicas e o Sistema UTM, baseado em coor­ denadas plano-retangulares.

6.3.1 Sistema de Coordenadas Geográficas

A forma mais usual para a representação de coordenadas em um mapa se dá através da aplicação de um sistema sexagesi-

mal denominado de Sistema de Coordenadas Geográficas. Os va­ lores dos pontos localizados na superfície terrestre são expressos através de suas coordenadas geográficas, latitude e longitude, con­ tendo unidades de medida angular, ou seja, graus (°), minutos (’) e segundos (”).

As Coordenadas Geográficas localizam, de forma direta, qualquer ponto sobre a superfície terrestre não havendo necessida-

103

de de qualquer outra indicação complementar como no caso das Coordenadas UTM. Para isto, basta ser colocado, junto ao valor de cada coordenada, o hemisfério correspondente: N ou S para a coor­ denada norte ou sul e E ou W para a coordenada leste ou oeste, respectivamente18. Pode-se utilizar, igualmente, os sinais + ou - para a indicação das coordenadas N e E (sinal positivo) e S e W (sinal negativo). Resumindo, quando o ponto estiver localizado ao sul do Equador a leitura da latitude será negativa e, ao norte, positiva.

Para exemplificar, pode-se citar o caso do município de Ar- roio do Meio, no Estado do Rio Grande do Sul. De acordo com o IBGE, para efeitos de localização, o mesmo situa-se nas coordena­ das X = 51°56’24” WGr (lê-se: cinqüenta e um graus, cinqüenta e seis minutos e vinte e quatro segundos de longitude oeste, ou, a oeste de Greenwinch), ou ainda, X = - 51°56’24” e (p = 29°24’ S (lê- se: vinte e nove graus e vinte e quatro minutos de latitude sul, ou, ao sul do Equador), ou então, da forma, q>= - 29°24\

A figura 6.3, apresenta uma reprodução do canto inferior esquerdo da Carta SH.22-V-D-VI-4. Na mesma, podem ser identifi­ cas as Coordenadas Geográficas -30° 00’ e -51°15\ Estes valores indicam, respectivamente, trinta graus de latitude sul e cinqüenta e um graus e quinze minutos de longitude oeste.

Em geral, em uma escala de 1:50.000, enquanto as coorde­ nadas planas são expostas em quadrículas com intervalo de 2000 m, as coordenadas geográficas são apresentadas em intervalos de

18“E” de East (leste) e “W” de west (oeste). para Oeste.

Utiliza-se, também, “L” para Leste e “O”

104

5’. A reprodução a seguir pode não contemplar exatamente os valo­ res corretos relacionados à escala em função de possíveis distor­ ções provocadas pela impressão deste livro.

distor­ ções provocadas pela impressão deste livro. 6684 660 2OOOmN -30°00' -51015' 47 gOOOmE Figura

6684

6602OOOmN

-30°00'

-51015'

47 gOOOmE

Figura 6.3 - Reprodução do canto inferior esquerdo da Carta SH.22-V-D-VI-4

6.3.2 Sistema Universal Transversal de Mercator - UTM

A Projeção do belga Gerhard Kremer, conhecido como Mer­ cator, publicada em 1569, além de possibilitar um enorme avanço na cartografia de sua época, em função de sua construção, que conseguiu trabalhar com paralelos retos e meridianos retos e equi- distantes, acabou por ser utilizada até hoje. Esta projeção originou

105

um sistema largamente utilizado em trabalhos cartográficos, siste­ ma este, conhecido como Sistema UTM (Sistema Universal Trans­ versal de Mercator).

O Sistema UTM adota uma projeção do tipo cilíndrica, trans­ versal e secante ao globo terrestre. Ele possui sessenta fusos19, cada um com seis graus de amplitude, contados a partir do anti- meridiano de Greenwich, no sentido oeste-leste, em coincidência com os fusos da CIM, percorrendo a circunferência do globo até voltar ao ponto de origem. Os limites de mapeamento são os para­ lelos 80°S e 84°N, a partir dos quais utiliza-se uma projeção estere- ográfica polar.

Este sistema adota coordenadas métricas planas ou pla- no-retangulares, com características específicas que aparecem nas margens das cartas acompanhando uma rede de quadrícu- las planas. -

O cruzamento do equador com um meridiano padrão espe­ cífico, denominado de Meridiano Central (MC), é a origem deste sistema de coordenadas. Os valores das coordenadas obedecem a uma sistemática de numeração a qual estabelece um valor de 10.000.000 rn (dez milhões de metros) sobre 0 equador e de 500.000 m (quinhentos mil metros) sobre 0 MC. As coordenadas lidas a partir do eixo N (norte-sul) de referência, localizado sobre 0 equador terrestre, vão se reduzindo no sentido Sul do mesmo. As coordena­ das do eixo E (leste-oeste), contadas a partir do MC de referência,

19 Fuso, concebido aqui como uma zona delimitada por dois meridianos consecutivos.

106

possuem valores crescentes no sentido leste e decrescentes no sentido oeste.

Em função de ser constituído por uma projeção secante, no Meridiano Central tem-se um fator de deformação de escala k = 0,9996 em relação às linhas de secância, onde k= 1, que indicam os únicos pontos sem deformação linear. Como há um crescimento progressi­ vo após a passagem pelas linhas de secância, grandes problemas de ajustes podem vir a ocorrer em trabalhos que utilizem cartas adjacen­ tes ou fronteiriças, ou seja, cartas consecutivas com MC diferentes. Assim, uma estrada situada em um determinado local numa carta, pode aparecer bastante deslocada na folha adjacente.

Para uma descrição eficaz a respeito da localização de pontos sobre a superfície terrestre, deve-se acrescentar ou o fuso ao qual se está referindo, ou o valor de seu Meridiano Central.

A figura 6.3, anteriormente mencionada, mostra uma repro­ dução do canto inferior esquerdo da carta SH.22-V-D-VI-4, na esca­ la 1:50.000, apresentando as Coordenadas Planas (Sistema UTM) 6.682.000mN, na linha horizontal e 476.000mE, na linha vertical. Nesta figura, a coordenada 6.682.000mN indica que este ponto está a 10.OOO.OOOm - 6.682.OOOm = 3.318.000m do Equador e a coorde­ nada 476.000mE estabelece um ponto distante 500.OOOm - 476.000m = 24.000m do MC. As coordenadas 6.684 e 478 localiza­ das, respectivamente acima e à direita destes pontos, representam, abreviadamente, as respectivas coordenadas 6.684.000mN e 478.000mE. Estas observações permitem verificar que as coorde­ nadas crescem no sentido sul-norte e decrescem no sentido leste-

107

oeste. Constata-se, igualmente, que cada quadrícula desta carta, possui 2.OOOm de lado, ou seja, uma área de 2.OOOm x 2.000m =

4.000.OOOm2, isto é, 2km x 2km = 4km2.

6.4 Localização de pontos em um mapa

A determinação das coordenadas de um ponto qualquer em um mapa pode ser obtida de forma razoavelmente simplificada a partir da realização de uma regra de três simples, com o uso de

régua comum.

A figura 6.4, a seguir, apresenta a forma de uso de uma

régua em uma carta topográfica.

6.4.1 Cálculo das Coordenadas Geográficas

Para o cálculo das Coordenadas Geográficas do ponto “X” da figura 6.4, deve-se proceder da seguinte forma (desconsideran­ do as possíveis distorções provocadas na régua em função da im­

pressão no papel):

• observa-se a distância angular entre as graticulas (10°, no exemplo apresentado, em ambos os sentidos norte-sul e leste-oeste);20

,

20

20Grade de linhas que se cruzam perpendicularmente formando trapézios visando a localização de pontos na superfície do elipsóide.

108

108 Figura 6.4 - Determinação das Coordenadas Geográficas do Ponto X • coloca-se a régua, fazendo-se

Figura 6.4 - Determinação das Coordenadas Geográficas do Ponto X

• coloca-se a régua, fazendo-se coincidir o zero com um meridiano de referência e mede-se a distância, em mi­ límetros21, entre dois meridianos, consecutivos de uma gratícula que contemple o ponto que se deseja obter as coordenadas. No caso apresentado, a distância medida foi de 50mm. Essa medição deve ser realizada colocando-se a régua por sobre o ponto “X” a ser men­ surado a fim de se evitar possíveis distorções.

Ou em uma outra unidade de medida conveniente. No caso da figura 6.4, pode ter havido alguma alteração para a sua composição na página impressa.

109

• da mesma forma, mede-se a distância entre o ponto "X” considerado e o meridiano de referência. No exemplo, a medida realizada, na direção horizontal, apresentou 21 mm desde o meridiano de 50°W até o ponto “X Como temos, entre os meridianos representados pelos valores 40°W e 50°W, 10° de amplitude, ou, 50mm, teremos, a partir de uma regra de três simples, um total de 4,2° de amplitude entre o ponto "X” e o meridiano de referência, de 50°W (21 mm x 10°: 50mm = 4,2°). Então, esta coor­ denada "X” (em relação ao “eixo horizontal” representa­ do, um paralelo) terá o valor da coordenada apresenta­ da por aquela que representa o meridiano imediatamen­ te anterior ao ponto, descontando-se a distância calcu­ lada, em graus. O resultado, finalmente, será de 45,8°W (50° - 4,2° = 45,8°). A fim de facilitar a compreensão, a representação de uma coordenada deve ser preferenci­ almente fornecida no sistema sexagesimal. Para tal, deve-se transformar este valor, novamente a partir de regras de três simples da seguinte forma:

a porção inteira permanece como está, ou seja,

45°;

a porção decimal (0,8°) deve ser convertida para mi­

nutos e segundos. Assim, como 1o corresponde a 60’, os 0,8° restantes, corresponderão a 48', isto é,

0,8° x 60’ : 1o = 48'. Como o valor encontrado não possui casas decimais, o cálculo termina por aqui;

a coordenada de longitude do ponto “X”, será, então, dada pela agregação das partes converti­ das, ou seja, 45°48' W.

• Procedimento semelhante deve ser realizado em re­ lação aos paralelos, distanciados igualmente, no exem­ plo, de 10° um do outro. Para o cálculo da coordena­ da situada no ponto “X" mede-se a distância entre ele e o paralelo imediatamente inferior a este ponto, de 40°S. Encontrou-se exatamente 25mm. A distância entre os paralelos 30°S e 40°S (amplitude de 10°) no exemplo, é de 47mm22. Fazendo-se a regra de três, teremos: 25mm x 10°: 47mm = 5,319148936°. Proce­ dendo desta maneira, obter-se-á a coordenada do ponto, que é calculada subtraindo-se os 40°S dos 5,319148936° calculados, ou seja, 34,680851064°S. Como já fora colocado, a representação de uma coor­ denada deve ser preferencialmente fornecida no sis­ tema sexagesimal. Para tal, deve-se transformar este valor, novamente a partir de regras de três simples da seguinte forma:

a porção inteira permanece como está, ou seja,

34°;

Como no procedimento anterior, a medição deve ser realizada com a régua pas­ sando sobre o ponto "X" considerado, apesar do desenho deslocar a mesma para facilitar a visualização.

\

111

a porção decimal (0,680851064°) deve ser con­

vertida para minutos e segundos. Assim, como 1° corresponde a 60’, os 0,680851064° restantes, corresponderão a 40,85106384' (0,680851064° x 60’ : 1° = 40,85106384'). Novamente, separa-se

a porção inteira encontrada (40’) da decimal

(0,85106384') e transforma-se esta última em se­

gundos (V = 60”): 0,85106384* x 60” : V =

51,0638304”;

a coordenada de latitude do ponto “X’\ será dada, então, pela agregação das partes convertidas, portanto, 34°40’51,0638304"S.

• Finalmente, as coordenadas serão dadas por:

.

-

longitude: 45°48’W; latitude: 34°40’51,06"S.

6.4.2 Cálculo das Coordenadas UTM

Utilizando o mesmo princípio apresentado para o cálculo das Coordenadas Geográficas, pode-se calcular as Coordenadas UTMôe um ponto qualquer de um mapa.

Como exemplo, calcular-se-á as coordenadas do ponto A apresentado na figura 6.5 a seguir.

112

6684

6602OOOmN

-30°00'

112 6684 660 2OOOmN -30°00' -51015* 478 47 0 OOOmE Figura 6.5 - Determinação das coordenadas

-51015*

478

47 0 OOOmE

Figura 6.5 - Determinação das coordenadas UTM

Para a realização do cálculo, procede-se da forma se­

Para a realização do cálculo, procede-se da forma se­ guinte:• • Coincide-se 0 zero da régua

guinte:•

• Coincide-se 0 zero da régua com a linha da quadrícula, exatamente anterior ao ponto “A” e mede-se a distân­ cia até 0 mesmo. No exemplo, a medida realizada apre­ sentou 18mm desde a linha correspondente a 476.000m até 0 ponto “A". Sabendo-se que a carta apresentada está na escala 1:50.000, 0 que faz com que cada cada milímetro medido no mapa corresponda a 50 metros na realidade, teremos um total de 900m (18mm x 50m = 900m) desde esta linha até 0 ponto "A" considerado.

113

Desta forma, esta coordenada “E” (eixo horizontal) apre­ sentará 0 valor da coordenada apresentada pela qua­ drícula imediatamente anterior ao ponto, acrescida da distância medida, apresentando um total de 476.900m (476.000m + 900m = 476.900m).

• Procedimento semelhante deve ser realizado para a coordenada “N” (eixo vertical). Assim, para a distância entre a linha imediatamente inferior ao ponto "A” (6.682.000m) encontrou-se exatamente 11mm, ou seja, considerando-se a escala de 1:50.000, um total de 550m, na realidade (11 mm x 50m). Acrescendo-se este valor ao da coordenada da linha (quadrícula) anterior considerada, teremos 6.682.550m (6.682.000m + 550m = 6.682.550m).

Finalmente, as coordenadas do pontos “A” serão:

Coordenada E: 476.900mE; Coordenada N: 6.682.550mN.

6.5

Obtenção das coordenadas em campo

Em campo, as coordenadas de um ponto poderão ser obti­ das, por exemplo, através de levantamentos topográficos ou, mais recentemente, através do uso de sofisticados equipamentos que realizam leituras a partir de satélites, com precisões diversas, co­

nhecidos como GPS (Global Position System).

114

6.5.1 Levantamentos topográficos

No caso da topografia tradicional, pode-se obter as coorde­ nadas de pontos determinados através da utilização de equipamen­ tos de precisão excepcional.

Os levantamentos topográficos são próprios para gerar car­ tas topográficas de escalas maiores do que 1:5.000, sendo inade­ quados, entretanto, para mapear grandes áreas (em escalas pe­ quenas) em função da relação custo-benefício ditada principalmen­ te pelo valor dos equipamentos bem como da mão-de-obra do pes­ soal envolvido.

6.5.1.1 Triangulação

A triangulação é um método de levantamento onde as coor­ denadas são obtidas através do transporte de coordenadas pré-es- tabelecidas (coordenadas conhecidas) fazendo-se a leitura de ân­ gulos horizontais entre duas estações usadas como base para um terceiro ponto de visada e assim por diante.

A figura 6.6 a seguir apresenta, de forma bastante simplifi­ cada, um esquema do desenvolvimento deste processo.

cada, um esquema do desenvolvimento deste processo. 115 H (<P.,L) (<P.,JL) Figura 6.6 - Desenvolvimento

115

H (<P.,L)

(<P.,JL)

Figura 6.6 - Desenvolvimento de uma triangulação desde o alinhamento AB até o alinhamento GH.

6.5.1.2

Poligonação

Neste processo, as coordenadas dos pontos são obtidas átravés do uso de poligonais (comprimentos e direções de linhas no terreno) com a medição de ângulos e distâncias conforme é apre-

í sentado na figura 6.7

e distâncias conforme é apre- í sentado na figura 6.7 Figura 6.7 - Desenvolvimento de uma

Figura 6.7 - Desenvolvimento de uma poligonal desde o ponto A (cp ,A ) até o ponto H (cp

116

6.5.2 Sistemas de posicionamento por satélite

Outra forma de obtenção de coordenadas geográficas em campo se dá através do uso de Sistemas de posicionamento por sa­ télite. Os sistemas em operação utilizados para esse fim (GPS - Global Position System e GLONASS - Global Navigation Satellite System) além do sistema europeu GALILEO previsto para operar em 2006 são baseados no recebimento de dados em terra via satélite.

6.5.2.1 Sistema de Posicionamento Global - GPS

O GPS, o mais utilizado no Brasil, foi concebido nos EUA com fins militares, mas acabou se disseminando pelo mundo, cons­ tituindo-se, atualmente, como uma ferramenta de enorme utilidade para os mais diversos fins.

Neste sistema, dezenas de satélites que descrevem órbitas circulares inclinadas em relação ao plano do equador, com duração de 12 horas siderais, numa altura de cerca de 20.200 km em rela­ ção à superfície terrestre, enviam sinais de posicionamento que são capturados por um ou mais receptores GPS disponíveis no terreno.

As leituras instantâneas das coordenadas geográficas e da altitude de um ponto são realizadas por um processo semelhante à triangulação, através da busca dos quatro satélites melhor posicio­ nados em relação a estes aparelhos. Como este processo se ba­ seia considerando a superfície terrestre como sendo estática, pode- se incorrer em alguns pequenos erros de posicionamento ao longo

117

dos tempos como, por exemplo, em considerando-se o movimento das placas tectônicas, de alguns centímetros por ano.

As coordenadas podem ser lidas de duas formas básicas:

através de um posicionamento absoluto, onde se utili­ za apenas um receptor GPS para a realização das lei­ turas, de forma isolada, quando não se exige grande precisão. É utilizado nos processos de navegação em geral, como por exemplo, em embarcações, automó­ veis e levantamentos expeditos realizados em campo, quando não se exige maiores precisões;

através de um posicionamento relativo, quando se utili­ za pelo menos duas estações de trabalho que fazem a leitura simultânea dos mesmos satélites. No caso do uso de dois aparelhos, um deles, que deve estar sobre uma estação de referência onde as coordenadas são conhecidas, serve para corrigir os erros provocados pela interferência gerada nas transmissões ; o outro é utili­ zado para a realização das leituras necessárias ao le­ vantamento. Como os dois receptores lêem os mes­ mos dados, no mesmo instante, é possível estabele­ cer-se uma relação entre as leituras e efetuar-se um ajuste ou uma correção diferencial com o auxílio de um

23

23O Governo dos Estado Unidos resolveu retirar em 01/05/2000 o ruído ou interferên­ cia que propositalmente havia colocado nas transmissões dos satélites a fim de difi­ cultar a recepção dos sinais GPS. Assim, salvo seja retomada esta condição, consi­ dera-se como ruído somente a atuação da atmosfera terrestre.

118

programa específico geralmente fornecido junto pela empresa fabricante dos aparelhos. Esta forma de utili­ zação é indispensável quando se requer grandes pre- cisões - maiores do que o método absoluto - sendo uti­ lizado um aparelho geodésico de grande precisão, que é montado em uma estação fixa, com coordenadas conhecidas. Estações fixas de rastreamento contínuo (sistema Differential GPS - DGPS) fornecem dados para os usuários realizarem esta correção.

A figura 6.8, a seguir, apresenta o caminhamento realizado entre o ponto A ((pA , X A) e o ponto G (cpG , X J. contendo outros tantos levantados com o uso de um GPS móvel em relação ao GPS localizado em um ponto de coordenadas conhecidas H (cpH, XJ.

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X

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D (< p J ü / F / / \ A (Í,'W- X . \ \

\

" X '’

GPS FIXO

(coordenadas conhecidas)

G (<P0,x i

Figura 6.8 - Caminhamento realizado com receptor GPS desde o ponto A (cp , X ) até o ponto G (q> , X ) com correção diferencial em relação ao

A

A

Gpon1o H (cp ,X ).

H

K

119

6.5.2.1.1 Classificação dos receptores GPS

Pode-se classificar os receptores GPS em quatro catego­ rias principais, em função de sua precisão, de acordo com as ca­ racterísticas apresentadas pelos fabricantes;

de navegação, que geralmente utiliza o método abso­ luto de busca, ou seja através de leituras simples e di­

retas.

Sua precisão planimétrica varia entre 50 e 100

metros;

métrico, que geralmente trabalha com o método relati­ vo de busca, cuja precisão varia de 1 a 10 metros;

sub-métrico, que atua com o modo relativo de busca, com precisão variando de 0,2 até 1 metro; e

geodésico, que somente utiliza o método relativo para busca de informações, atingindo enorme precisão, de 0,1 a 0,002 metros.