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EDITORIAL Vossa Excelência Os concursos públicos para magistratura são um dos mais concorridos no Brasil.

EDITORIAL

Vossa Excelência

Os concursos públicos para magistratura são um dos mais concorridos no Brasil. Na busca pela carreira de juiz, a preparação

é intensa e os desafios são constantes. Para ilustrar esse cenário em nossa matéria de Capa, a jornalista Ana Laranjeira conversou com concurseiros que estão trilhando esse caminho e apresenta uma breve análise sobre os certames na área.

Os salários oferecidos pelos certames costumam ser bem atrativos, mas as discrepâncias entre os valores praticados em diferentes estados e entre os Poderes ainda precisam de ajustes. Confira a Entrevista com o diretor da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil sobre o atual quadro salarial do funcionalismo.

No Explorando a Matéria, o professor Francisco Penante destrincha os principais pontos a serem estudados na disciplina de Direito Empresarial. O conhecimento da matéria, ainda pouco explorada pelos alunos, pode ser o diferencial para a aprovação.

Escolher a área do Direito para a segunda fase do Exame de Ordem

é uma decisão árdua. Para ajudar os examinandos, trouxemos as

características de cada especialidade e seus possíveis cargos públicos.

Na seção Preparação, um panorama sobre as contradições entre as decisões dos tribunais superiores e como essa prática influencia nos estudos. É preciso estar atento e sempre atualizado para entender o posicionamento da banca e se dar bem na prova.

Neste mês de outubro, a Constituição Federal completa 26 anos. A professora Flávia Bahia faz uma reflexão sobre a data e a síndrome de inefetividade das suas normas em artigo inédito publicado na seção Coluna.

Pouco conhecido pelos concurseiros, o certame da Comissão de Valores Imobiliários (CVM) é uma excelente oportunidade para candidatos com qualquer área de formação. Conheça mais sobre

a carreira para analista de mercado de capitais e inspetor na seção

Plantão. Mas se você já se decidiu pela seleção para papiloscopista da Polícia Civil do Rio de Janeiro, teste seus conhecimentos com as Questões Comentadas.

Muitos leitores já devem conhecer o coordenador do CERS Cursos Online, Rodrigo Bezerra. Na seção Perfil, apresentamos outros aspectos de sua carreira, seu jeito descontraído e sempre disposto a ajudar.

E anotem na agenda: nos dias 20, 21 e 22 de novembro será realizado

o I Congresso Jurídico Online de Ciências Criminais. Saiba mais na seção Acontece no CERS. Não deixe de participar de mais essa

iniciativa inovadora.

Boa Leitura! Equipe da Revista Edital

Neste mês de outubro, a Constituição Federal completa 26 anos. A professora Flávia Bahia faz uma reflexão sobre a data e a síndrome de inefetividade das suas normas em artigo inédito publicado na seção Coluna.

 

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S

U

COLUNAS > Professora Flávia Bahia comenta os 26

anos da Constituição Federal

09

PREPARAÇÃO > Muitas divergências: entenda as

contradições dos tribunais em decisões de temas

similares e como isso interfere na prova

12

ENTREVISTA > Diretor da Confederação Nacional
M

do setor

dos Servidores Públicos analisa as remunerações

16

A EXAME DE ORDEM > Saiba quais são as principais

antes de fazer sua escolha para a 2ª fase

características e exigências de cada área do Direito

19

R

CAPA > Acompanhe as alegrias e as tristezas do caminho até a magistratura pelo relato de quem

está vivendo essa jornada

23

I

O

EXPLORANDO A MATÉRIA > Uma análise geral

dos principais pontos de estudo em Direito

Empresarial e a forma de cobrança do conteúdo

pelas bancas

29

PERFIL > Conheça as particularidades e o bom

humor do professor Rodrigo Bezerra

32

PLANTÃO > Fique por dentro do concurso da Comissão de Valores Mobiliários (CVM)

35

QUESTÕES COMENTADAS > Responda as perguntas

para o concurso de papiloscopista da Polícia Civil do Rio de Janeiro

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E MAIS:

VOCÊ NOTAS CURTAS BOLETIM DE CONCURSOS SUGESTÕES ACONTECE NO CERS

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DIREÇÃO GERAL

Renato Saraiva

REDAÇÃO

Edição e redação: Ana Laranjeira, Manoela Moreira, Rodrigo Rigaud e Amanda Melo Colaboraram nesta edição:

Ana Cristina Mendonça, Aryanna Manfredini, Cristiano Sobral, Danilo Christófaro, Flávia Bahia, Francisco Penante, Guilherme Peña, Josiane Minardi, Marcelo Uzeda, Maria Augusta, Matheus Carvalho, Monique Medeiros, Necilene Alfa, Rodrigo Bezerra e Sandro Bernardes. Revisão: Ana Laranjeira e Amanda Fantini Bove

EDITORA, PRODUÇÃO E DIAGRAMAÇÃO

Direção Geral:

Guilherme Saraiva

Direção de arte e animação:

Samira Cardoso

Design gráfico e diagramação:

Euller Camargo, Juliana Carvalho e Taíssa Bach

AUDIOVISUAL

Direção audiovisual:

Jefferson Cruz

Gerente audiovisual:

Pedro Zanré

PUBLICIDADE

Gerente de Marketing:

Ivo Colen

Criação Publicitária:

Diego Pinheiro, Raphaell Aretakis e Rodrigo Souza

VOCÊ SUGESTÕES
VOCÊ
SUGESTÕES
 

NÓS CURTIMOS VOCÊ!

 

> Olá, equipe da Revista Edital! Acompanho as publicações aqui de Niterói

BRUnO MORAES - nITERóI/RJ

 

ELOGIOS

   

(Rio de Janeiro), curtindo e compartilhando as postagens nas redes sociais! Tenho algumas dúvidas sobre os salários dos

 

GISELE AnDRADE, ADRIAnA JULhO (BAhIA), AnA LOURDES AROUChE,

 

servidores e quais as diferenças entre eles. Gostaria muito que vocês abordassem esse tema na revista.

 

ROSSInI COCEnTInO (SALVADOR - BA), AMAnDA MARInhO (VITóRIA DA COnqUISTA - BA), RUTE DE OLIVEIRA (MInAS GERAIS), FLáVIO SAMPAIO (ITABERABA – BA), CAMILA TInOCO (nATAL – Rn), nELSOn PEREIRA (SÃO PAULO - SP) E MUITOS OUTROS LEITORES, DE VáRIAS PARTES DO PAíS, ACOMPAnhAM A REVISTA EDITAL nAS REDES SOCIAIS DO CERS CURSOS OnLInE! AGRADECEMOS O CARInhO E ESPERAMOS qUE VOCêS APROVEITEM O COnTEúDO DE MAIS ESSA REVISTA,

 

OLá, BRUnO! AGRADECEMOS A SUA SUGESTÃO PARA nOSSA REVISTA E COnTInUE nOS ACOMPAnhAnDO nAS REDES SOCIAIS! PARA TIRAR SUAS DúVIDAS, COnFIRA nA PRóxIMA EDI- ÇÃO DA REVISTA EDITAL A SEÇÃO DE EnTREVISTA. Lá, EM SUA hOMEnA- GEM, VAMOS TRATAR SOBRE SALá- RIOS DOS SERVIDORES PúBLICOS, Ex- PLICAnDO O TEMA PARA AUMEnTAR AInDA MAIS SEU COnhECIMEnTO SOBRE O ASSUnTO. nÃO PERCA nE- nhUM DETALhE DA nOSSA 19ª EDIÇÃO! EqUIPE DA REVISTA EDITAL

 

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NOTAS CURTAS Deputados ofendidos Um dos idealizadores do movimento que resultou na Lei da Ficha

NOTAS CURTAS

Deputados ofendidos

Um dos idealizadores do movimento que resultou na Lei da Ficha Limpa, o juiz Márlon Reis, está sendo processado pelo presidente da Câmara dos Deputados e candidato ao governo do Rio Grande do Norte, Henrique Alves (PMDB- RN). Alves ficou ofendido com a declaração do magistrado em entrevista ao programa Fantástico (TV Globo), exibida em 8 de junho, quando Reis afirmou que “[os corruptos] ocupam grande parte das cadeiras parlamentares do Brasil e precisam deixar de existir.” Márlon foi notificado pelo Conselho Nacional de Justiça.

Márlon foi notificado pelo Conselho Nacional de Justiça. Alfândega mais rígida A partir do ano que

Alfândega mais rígida

A partir do ano que vem, um sistema da Receita Federal informará aos fiscais, antes do desembarque, a profissão e as viagens ao exterior feitas nos últimos meses pelos passageiros de voos internacionais. O objetivo é apertar o cerco a turistas que trazem mais de US$ 500 em produtos sem declará-los à Receita. Em entrevista ao jornal O Globo, o tributarista Ives Gandra Martins avaliou que o novo controle da Receita Federal pode ser considerado uma invasão de privacidade, uma vez que o Fisco vai solicitar informações que fogem de sua competência e o acompanhamento dos dados de viagem caberia à Polícia Federal.

CotA de SolidAriedAde

Uma nova medida, introduzida no país pelo plano diretor do município de São Paulo, obriga os empreendimentos imobiliários da cidade com mais de 20 mil metros quadrados de área construída a destinarem 10% dessa área para a chamada Habitação de Interesse Social (HIS), cujo objetivo é atender famílias com renda de até seis salários mínimos. A chamada Cota da Solidariedade está prevista na Lei 16.050 e foi publicada em agosto no Diário Oficial. A Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Município informa que a cota se insere no cumprimento da função social da propriedade, prevista no artigo 5º da Constituição Federal, e tem por fim a construção de moradias populares. A interpretação da medida ainda diverge entre especialistas.

interpretação da medida ainda diverge entre especialistas. REVISTA EDITAL > EDIÇÃO 19 > OuTubRO 2014 >
BOLETIM DE CONCURSOS Confira concursos com inscrições abertas Prefeitura de Petrópolis Vagas: 44 Nível de

BOLETIM DE CONCURSOS

Confira concursos com inscrições abertas

Prefeitura de Petrópolis

Vagas: 44 44

Nível de instrução: médio, técnico e superior médio, técnico e superior

Salário oferecido: até R$ 8.557,57 até R$ 8.557,57

Local de trabalho: Petrópolis (RJ) Petrópolis (RJ)

Prazo para inscrições: até 14 de outubroaté R$ 8.557,57 Local de trabalho: Petrópolis (RJ) Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro Vagas:

Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro

Vagas: 90 90

Nível de instrução: médio e técnico médio e técnico

Salário oferecido: até R$ 3.518,13 até R$ 3.518,13

Local de trabalho: Rio de Janeiro Rio de Janeiro

Prazo para inscrições: até 15 de outubroaté R$ 3.518,13 Local de trabalho: Rio de Janeiro Tribunal de Justiça do Amapá Vagas: 100

Tribunal de Justiça do Amapá

Vagas: 100 100

Nível de instrução: médio e superior médio e superior

Salário oferecido: até R$ 6.009,16 até R$ 6.009,16

Local de trabalho: Amapá Amapá

Prazo para inscrições: até 15 de outubrooferecido: até R$ 6.009,16 Local de trabalho: Amapá CelgDistribuição Vagas: 300 Nível de instrução:

CelgDistribuição

Vagas: 300 300

Nível de instrução: médio, técnico e superior médio, técnico e superior

Salário oferecido: até R$ 3.630,00 até R$ 3.630,00

Local de trabalho: Goiás Goiás

Prazo para inscrições: até 16 de outubrooferecido: até R$ 3.630,00 Local de trabalho: Goiás Secretaria de Educação de São Paulo Vagas: 5.734

Secretaria de Educação de São Paulo

Vagas: 5.734 5.734

Nível de instrução: superior superior

Salário oferecido: até R$ 1.565,19 até R$ 1.565,19

Local de trabalho: São Paulo São Paulo

Prazo para inscrições: até 17 de outubrooferecido: até R$ 1.565,19 Local de trabalho: São Paulo Secretaria da Fazenda de Salvador Vagas: 90

Secretaria da Fazenda de Salvador

Vagas: 90 90

Nível de instrução: superior superior

Salário oferecido: até R$ 16.821,09 até R$ 16.821,09

Local de trabalho: Salvador (BA) Salvador (BA)

Prazo para inscrições: até 19 de outubroaté R$ 16.821,09 Local de trabalho: Salvador (BA) Petrobras Vagas: 8.088 Nível de instrução: médio,

Petrobras

Vagas: 8.088 8.088

Nível de instrução: médio, técnico e superior médio, técnico e superior

Salário oferecido: até R$ 8.081,98 até R$ 8.081,98

Local de trabalho: 16 estados 16 estados

Prazo para inscrições: até 20 de outubrooferecido: até R$ 8.081,98 Local de trabalho: 16 estados Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo

Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo

Vagas: 1.140 1.140

Nível de instrução: médio médio

Salário oferecido: até R$ 2.695,88 até R$ 2.695,88

Local de trabalho: São Paulo São Paulo

Prazo para inscrições: até 24 de outubrooferecido: até R$ 2.695,88 Local de trabalho: São Paulo Secretaria de Saúde de Minas Gerais Vagas:

Secretaria de Saúde de Minas Gerais

Vagas: 1.746 1.746

Nível de instrução: médio e superior médio e superior

Salário oferecido: até R$ 3.300,00 até R$ 3.300,00

Local de trabalho: Minas Gerais Minas Gerais

Prazo para inscrições: até 26 de outubroaté R$ 3.300,00 Local de trabalho: Minas Gerais Polícia Civil do Ceará Vagas: 763 Nível de

Polícia Civil do Ceará

Vagas: 763 763

Nível de instrução: superior superior

Salário oferecido: até R$ 14.592,39 até R$ 14.592,39

Local de trabalho: Ceará Ceará

Prazo para inscrições: até 07 de novembrooferecido: até R$ 14.592,39 Local de trabalho: Ceará REVISTA EDITAL > EDIÇÃO 19 > OuTubRO 2014

BOLETIM DE CONCURSOS Outros concursos previstos aguardando edital: Advocacia-Geral da União (AGU) Agência Brasileira de

BOLETIM DE CONCURSOS

Outros concursos previstos aguardando edital:

Advocacia-Geral da União (AGU)

Agência Brasileira de Inteligência (Abin)

Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar)

Agência Estadual de Metrologia de Mato Grosso do Sul

Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul

Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb), em São Paulo

Correios

Defensoria Pública da União (DPU)

Exército

Governo do Distrito Federal

Governo de São Paulo

Imprensa Oficial do Rio de Janeiro

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Instituto Nacional de Meteorologia

Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro)

Instituto Nacional da Propriedade

Industrial (Inpi)

Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)

Instituto Paranaense de Assistência Técnica (Emater)

Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Espírito Santo

Ministério da Justiça

Ministério da Previdência Social

Ministério da Saúde

Ministério do Trabalho e Emprego

Polícia Civil do Distrito Federal

Polícia Civil de Pernambuco

Polícia Civil de São Paulo

Polícia Civil de Tocantins

Polícia Federal

Polícia Militar do Acre

Polícia Militar do Distrito Federal

Polícia Militar da Paraíba

Polícia Rodoviária Federal (PRF)

Prefeitura de Teresina

Secretaria de Administração Pública do Distrito Federal

Secretaria da Cultura do Distrito Federal

Secretaria de Educação de Manaus

Secretaria da Educação do Rio de Janeiro

Secretaria da Educação de São Paulo

Secretaria da Fazenda do Maranhão

Secretaria de Infraestrutura d o Ceará

Secretaria Municipal de Educação de São Paulo

Secretaria de Saúde do Mato Grosso do Sul

Secretaria de Segurança do Piauí

Tribunal de Contas do Amazonas

Tribunal de Contas da União (TCU)

Tribunal de Justiça do Piauí

Tribunal de Justiça de São Paulo

Tribunal de Justiça de Sergipe

Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia

DIREITO CONSTITUCIONAL POR FLáVIA BAhIA*
DIREITO CONSTITUCIONAL
POR FLáVIA BAhIA*

Os 26 anos da Constituição e a Síndrome de Inefetividade das suas Normas

Como bem nos disse Ulisses Guimarães, depois de anos de luta, esperamos a Constituição como o “vigia es- pera a aurora”. E ela chegou, brilhando e levantando a mo- ral do povo brasileiro em defesa da grande transformação social há tanto sonhada. Renovou a esperança do cidadão em seu país, na sua gente, numa proposta de cidadania democrática nunca antes vivenciada na história brasileira.

Destemida, a Constituição ampliou direitos, renovou garantias, reforçou a Jurisdição Constitucional e o Estado Democrático de Direito, sob o fundamento da dignidade da pessoa humana, mas, aos vinte e seis anos de vida, ainda padece com a síndrome de inefetividade das suas normas.

Em 1988, a Constituição instituiu instrumentos es-

senciais de afirmação democrática, tais como: a vedação

à tortura, ao tratamento desumano e degradante, a igual- dade entre homens e mulheres, a saúde como verdadeiro

direito fundamental, o racismo como crime inafiançável

e imprescritível, a preocupação responsável com o meio

ambiente, o direito de expressão coletiva por meio das

meio ambiente, o direito de expressão coletiva por meio das Mais uma vez, nas palavras de

Mais uma vez, nas

palavras de Ulisses,

a persistência da Constituição é

a sobrevivência

da democracia.

e é nesse novo

constitucionalismo,

sobretudo, nos homens que o
instrumentalizam,

que depositamos a fé e a esperança na mudança”.

DIREITO CONSTITUCIONAL associações e do direito de reunião, o habe- as data , e o

DIREITO CONSTITUCIONAL

associações e do direito de reunião, o habe- as data, e o mandado de segurança coletivo, dentre inúmeras outras inovações, represen- tando um novo horizonte ao constitucionalis- mo pátrio.

Durante praticamente toda a história repu- blicana, os analfabetos estiveram excluídos da vida política. Pois a Constituição garantiu a eles

o direito ao voto, assim como aos menores en-

tre 16 e 18 anos. Concedeu também a todo cida-

dão o direito de saber todas as informações que

o governo guarda sobre ele e ampliou de forma

significativa os direitos trabalhistas. Depois da Constituição, foram elaborados nos anos se- guintes um novo Código Civil, o Código de De- fesa do Consumidor, o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Estatuto do Idoso e, em 2009, a Convenção Internacional dos Portadores de De- ficiência recebeu status constitucional.

O controle de constitucionalidade no Bra- sil também recebeu inegável reforço no texto constitucional. O sistema difuso, com base norte-americana, e presente no ordenamen- to jurídico brasileiro desde a Constituição de 1891, hoje se associa a um sistema de contro- le concentrado de constitucionalidade que na atual Constituição recebeu mais três impor- tantes ações, a saber: ação direta de inconsti- tucionalidade por omissão, ação declaratória de constitucionalidade, a arguição de des- cumprimento de preceito fundamental, que,

em conjunto com a ação direta de inconstitu- cionalidade, formam o arcabouço principal de proteção constitucional no controle abstrato das leis e asseguram a Supremacia da Consti- tuição e os direitos e garantias fundamentais.

Nesse afã incessante por mudanças, a Constituição importou do direito norte-ame- ricano o mandado de injunção, e do direito português, a ação direta de inconstituciona- lidade por omissão com a promessa de que finalmente estaria resolvida a crise de efeti- vidade das normas constitucionais de eficá- cia limitada dependentes de regulamentação, mas essas ações permaneceram no limbo ju- rídico durante praticamente vinte anos. Até 2007 o Supremo Tribunal Federal adotava uma postura conservadora e à luz da separação de poderes entendia que a decisão final nas ações não poderia fixar prazo para o legislador le- gislar, tampouco aplicar por analogia norma já existente para suprir a omissão normativa. E os desafios não param por aí

A influência da Constituição sobre as re- lações políticas é sem dúvidas o aspecto mais desafiador da constitucionalização do orde- namento jurídico, principalmente em face de uma Constituição dirigente como a nossa. Es- tabelecer os limites de atuação do Judiciário, os parâmetros de contenção de excessos, o que é verdadeiramente ambiente de discricionarie- dade administrativa e legislativa, é tarefa das

dade administrativa e legislativa, é tarefa das REVISTA EDITAL > EDIÇÃO 19 > OuTubRO 2014 >
DIREITO CONSTITUCIONAL mais árduas trazidas pelo Estado Constitucional de Direito e a democracia ainda tão

DIREITO CONSTITUCIONAL

mais árduas trazidas pelo Estado Constitucional de Direito e a democracia ainda tão jovem, segue abalada pela crise de efetividade.

Como falar de consolidação de democracia num país que tanto desrespeita os direitos fun- damentais de sua população? Como a própria de- mocracia vai se efetivar se a maior parte da popu- lação nacional nem conhece a sua Constituição e com isso também desconhece os seus direitos e deveres? Como exigir o desenvolvimento do ra- ciocínio crítico de um povo que carece de escolas de qualidade e que diante de tanta desesperan- ça se dá por satisfeito muitas vezes em apenas aprender a ler e escrever?

O Brasil ainda possui uma dívida social gi- gantesca em razão da fragilidade do Estado So- cial, por isto, enquanto não nos ocuparmos de reajustar o passo histórico-evolutivo e a integra- ção entre a Constituição ideal e a Constituição real, ficaremos à mercê da sorte. Mais uma vez, nas palavras de Ulisses, a persistência da Consti- tuição é a sobrevivência da democracia. E é nes- se novo constitucionalismo, sobretudo, nos ho- mens que o instrumentalizam, que depositamos a fé e a esperança na mudança.

Ainda que esbarremos na realidade insofis- mável de que não importa quão bom seja o texto da Constituição se o seu aplicador não corres- ponde aos seus méritos, entendemos que o novo debate é um caminho importante a ser trilhado pela modernidade em prol de um mundo mais plural, justo e fraterno. E como já dizia no iní- cio do século passado um baiano, conhecido por todos nós: “Oxalá não se me fechem os olhos, antes de lhe ver os primeiros indícios no hori- zonte. Assim o queira Deus!” 1

1. Trecho final da “Oração aos Moços” de Rui Barbosa, de 1920.

final da “Oração aos Moços” de Rui Barbosa, de 1920. o Brasil ainda possui uma dívida

o Brasil ainda possui uma dívida social gigantesca em razão da fragilidade do estado Social, por isto, enquanto não nos ocuparmos de reajustar o passo histórico-evolutivo e a integração entre a Constituição ideal e a Constituição real, ficaremos à mercê da sorte”.

*Professora de Direito Constitucional e Humanos. Mestre em Teoria do Estado e Direito Constitucional pela PUC/RJ. Professora da Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ), da Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (AMPERJ), da Fundação Escola do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (FEMPERJ). Leciona também na Graduação e Pós-Graduação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e no CERS Cursos Online. É autora do livro “Direito Constitucional”, editado pela Impetus.

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Quando as decisões dos tribunais superiores são diferentes, quem o candidato deve seguir na hora da prova?

POR ManOela MOReiRa A b
POR ManOela MOReiRa
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PREPARAÇÃO O s candidatos estudam meses a fio a extensa legislação bra- sileira para poderem

PREPARAÇÃO

O s candidatos estudam meses a fio a extensa legislação bra- sileira para poderem compreender e responder correta- mente as questões na hora da prova. Eles podem até saber o artigo referente à pergunta, e mesmo assim, errar a as-

sertiva. Afinal, para se dar bem em um concurso público, principal-

mente nas carreiras jurídicas, é preciso acompanhar a jurisprudência

e decisões dos tribunais superiores. Isso não é segredo para ninguém.

O dilema é o que fazer quando nem mesmo os tribunais possuem um consenso a respeito do tema. Além de saber qual é a resposta da questão, o candidato precisa saber qual resposta a banca quer. Se de acordo com o Superior Tribunal de Justiça, o Supremo Tribunal Federal ou até mesmo os Tribunais de Justiças.

EMBATE JURíDICO

Toda essa celeuma ocorre porque os juízes de primeira instância nem sempre seguem os entendimentos dos Superiores Tribunais, pois não existe uma determinação para tal. O juiz é livre para decidir con- forme a sua convicção, respeitando, claro, as definições da lei. Além disso, os próprios Superiores Tribunais divergem. Nem sempre o STF

e o STJ adotam o mesmo posicionamento, por exemplo.

Teoricamente, em todo tipo de concurso é possível ser cobrada as decisões atualizadas dos tribunais. Mas geralmente a exigência é mais presente em concursos de nível superior, principalmente em certames tidos como mais difíceis, tais como: Magistratura, Ministério Público, Defensoria Pública, Delegado, entre outros.

A ESCOLhA DA RAInhA

Para acertar a questão, o candidato precisa conhecer o posiciona- mento da banca, o que ela pensa sobre determinados temas. No final da história, é ela quem manda! Dependendo da prova, se o candidato adota um posicionamento contrário ao que os examinadores e opera- dores da área costumam adotar, ele pode ser prejudicado.

“Se aluno está se preparando para um concurso da Defensoria Pública, diante de uma divergência, deve adotar o posicionamen- to que seja mais favorável ao réu, evidentemente, afinal, o trabalho dele será justamente o de defender os réus”, explica o consultor ju- rídico Danilo Christófaro.

explica o consultor ju- rídico Danilo Christófaro. REVISTA EDITAL > EDIÇÃO 19 > OuTubRO 2014 >
explica o consultor ju- rídico Danilo Christófaro. REVISTA EDITAL > EDIÇÃO 19 > OuTubRO 2014 >
explica o consultor ju- rídico Danilo Christófaro. REVISTA EDITAL > EDIÇÃO 19 > OuTubRO 2014 >
PREPARAÇÃO POSICIOnAMEnTO DA BAnCA (TJ-SP) 64. A medida de segurança, consistente em internação em hospital

PREPARAÇÃO

POSICIOnAMEnTO DA BAnCA

(TJ-SP) 64. A medida de segurança, consistente em internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico, imposta aos agentes inimputáveis absolvidos com base no artigo 26 do Código Penal, dar-se-á:

(A)

por tempo indeterminado, perdurando enquanto persistir a periculosidade do agente.

(B)

por prazo determinado, que o juiz fixará na sentença.

(C)

pelo prazo da pena mínima cominada ao crime cometido.

(D)

pelo prazo que a perícia médica entender suficiente.

Gabarito Oficial: A

No último concurso para juiz substituto do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), realizado em setembro, foi possível conferir esse dilema na prática. O professor Rogé- rio Sanches apresentou alguns comentários a respeito da questão que versava sobre o prazo máximo de duração da medida de segurança. Sobre o tema, o STF entende que a medida de internação deve obedecer a garantia constitucional que proíbe penas de caráter perpétuo, consoante art. 5º, inciso XLVI, alínea “b”, da Constituição da República. Diante disso, os ministros decidiram ser apli- cável às medida de segurança, por analogia, o limite temporal de trinta anos, previsto no art. 75 do Código Penal (STF, HC 84.219/SP, 1.ªTurma, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 23/09205). Já o STJ se posiciona no sentido de que o tempo de cumprimento da medida de seguran- ça, independentemente da cessação da periculosidade, deve ser limitado ao máximo da pena abstratamente cominada ao crime praticado e não pode ser superior a trinta anos. Contudo, nem sempre o TJSP segue os posicionamentos das Cortes Superiores. Exis- tem decisões relativamente recentes não concordando com os limites acima mencio- nados, onde os desembargadores trabalham com o prazo indeterminado de duração da medida, seguindo a letra fria da lei (art. 97, §1º). Vejam:

“Ante o que estabelece o art. 96, I, c/c art. 97, do CP, sendo o agente inimputável autor de fato punível com pena de reclusão, o juiz determinará sua internação em hos- pital de custódia e tratamento psiquiátrico, ou, à sua falta, em outro estabelecimento adequado, por prazo indeterminado, até que cesse sua periculosidade”. (RT 612/317). “Outrossim, sem fundamento a alegação de inconstitucionalidade da duração in- determinada das medidas de segurança. Isso porque, a pena que não pode ter caráter perpétuo é diferente da medida de segurança, que tem por principal finalidade o tra- tamento do criminoso. Por esta razão, o prazo de sua duração coincide com o período enquanto perdurar a situação de periculosidade averiguada, até porque, inviável que a cura de moléstias mentais tenha determinação de prazo fixo”. Apelação julgada pelo TJSP em maio de 2009 (n° 990.08.071020-6) Não bastasse, no 173º Concurso de Ingresso na Magistratura de São Paulo, a banca adotou o entendimento de que a medida tem prazo máximo indeterminado, como ve- rificado no gabarito oficial.

PREPARAÇÃO O BOBO DA CORTE No meio de tantas indefinições, está o candidato. Ape- sar

PREPARAÇÃO

O BOBO DA CORTE

No meio de tantas indefinições, está o candidato. Ape- sar de todo o tempo dedicado ao estudo, nem todos os li- vros costumam trazer as divergências existentes. “Os livros direcionados para preparação para concursos públicos são os mais indicados, costumam vir com os principais enten- dimentos, os autores mencionam o posicionamento de cada Tribunal, bem como das bancas examinadoras. Assim, por exemplo, se o aluno está estudando para se tornar um Pro- motor de Justiça, o autor certamente lhe indicará o enten- dimento que ele deve adotar para ser bem sucedido nessa prova específica, ainda que não seja o entendimento adota- do pelo autor”, explica Christófaro.

Dificilmente o aluno conseguirá ter livros impressos totalmente atualizados, já que o Direito é uma ciência que está em constante mutação. Uma dica para nunca ficar com o conteúdo defasado é optar por livros digitais, como os publicados pela CERS Editora, já que eles são constante- mente atualizados sem qualquer custo para o leitor. Além disso, o aluno também poderá se cadastrar no sistema de notícias do STF e STJ e receber por e-mail as principais decisões e informativos. Outra sugestão é acompanhar o Portal Carreira Jurídica, onde é divulgada as novidades no mundo jurídico, além de análises da jurisprudência e co- mentários dos professores

da jurisprudência e co- mentários dos professores os livros direcionados para preparação para concursos

os livros direcionados para preparação para concursos públicos são os mais indicados, costumam vir com os principais entendimentos, os autores mencionam o posicionamento de cada tribunal”.

os autores mencionam o posicionamento de cada tribunal”.   VOCê PODE SE InTERESSAR POR:    
 

VOCê PODE SE InTERESSAR POR:

 
 

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Ordem         Clique no link acima! REVISTA EDITAL > EDIÇÃO 19 > OuTubRO

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Salários justos? Diretor da Confederação dos Servidores Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre

Salários

Salários justos? Diretor da Confederação dos Servidores Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o
Salários justos? Diretor da Confederação dos Servidores Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o
Salários justos? Diretor da Confederação dos Servidores Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o
Salários justos? Diretor da Confederação dos Servidores Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o
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Salários justos? Diretor da Confederação dos Servidores Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o
Salários justos? Diretor da Confederação dos Servidores Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o
Salários justos? Diretor da Confederação dos Servidores Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o
Salários justos? Diretor da Confederação dos Servidores Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o

justos?

Diretor da Confederação dos Servidores Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o atual quadro salarial do funcionalismo

Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o atual quadro salarial do funcionalismo POR ROdRigO
Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o atual quadro salarial do funcionalismo POR ROdRigO
Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o atual quadro salarial do funcionalismo POR ROdRigO
Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o atual quadro salarial do funcionalismo POR ROdRigO
Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o atual quadro salarial do funcionalismo POR ROdRigO
Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o atual quadro salarial do funcionalismo POR ROdRigO
Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o atual quadro salarial do funcionalismo POR ROdRigO
Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o atual quadro salarial do funcionalismo POR ROdRigO
Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o atual quadro salarial do funcionalismo POR ROdRigO
Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o atual quadro salarial do funcionalismo POR ROdRigO

POR ROdRigO Rigaud

Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o atual quadro salarial do funcionalismo POR ROdRigO
Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o atual quadro salarial do funcionalismo POR ROdRigO
Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o atual quadro salarial do funcionalismo POR ROdRigO
Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o atual quadro salarial do funcionalismo POR ROdRigO
Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o atual quadro salarial do funcionalismo POR ROdRigO
Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o atual quadro salarial do funcionalismo POR ROdRigO
Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o atual quadro salarial do funcionalismo POR ROdRigO
Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o atual quadro salarial do funcionalismo POR ROdRigO
Públicos do brasil, João Paulo Domingos, fala sobre o atual quadro salarial do funcionalismo POR ROdRigO
ENTREVISTA Q uem está fora quer entrar e quem está dentro Bem, sair não quer,

ENTREVISTA

Q uem está fora quer entrar e quem

está dentro

Bem, sair não quer,

mas quer melhorias no que diz respeito às questões salariais. Que

o

funcionalismo público é atrativo por uma

série de fatores, “ninguém” duvida, mas se depender da óptica da Confederação dos Ser- vidores Públicos do Brasil, os ordenados nem sempre são os melhores. Isso porque existem discrepâncias acerca desse tema que vão des- de as diferentes possibilidades de aumentos

salariais nas hierarquias do serviço público até

o fato de cargos iguais terem remunerações desiguais, nos mais diversos estados.

Basta uma análise do cenário atual das discussões salariais do funcionalismo e essa verdade é revelada. No Supremo, por exem- plo, os Ministros já acordaram o envio de um projeto para o Senado visando aumentar os seus próprios ordenados em quase 25% (de R$ 29,4 mil para R$ 35,9 mil) e causaram um verdadeiro efeito cascata nos vencimentos das variadas classes de magistrados. Enquanto isso, o mesmo Senado discute restringir mu- danças nas remunerações dos servidores em anos eleitorais, modificando a lei 9.504/1997 e proibindo os aumentos a partir de seis meses antes do pleito e até a data da posse dos eleitos.

Sucinto e direto em sua indignação às in- congruências do funcionalismo, João Paulo Domingos, Diretor da Confederação dos Ser- vidores Públicos do Brasil, conversou com a Revista Edital sobre o panorama salarial das diversas categorias e, sobretudo, defendeu o surgimento de uma generalização que aglu- tine as possibilidades de aumentos e progres- sões dos ordenados em todas as esferas.

1. Muitos funcionários da iniciativa privada invejam os salários oferecidos em diversos concursos de nível médio e supe- rior realizados no país. Mas nós sabemos que na realidade esses concursos com al- tíssimos salários são apenas o grão de areia da praia concurseira. Por que existe essa disparidade tão grande nas remunerações do funcionalismo das três esferas? quais tabelas ou órgãos calculam, determinam, regem e regulam os salários que são pagos para as variadas funções e esferas?

Vamos por partes. Eu acho que a inveja não

é somente pelos salários atrativos, mas,

também, pela pseudo “estabilidade” que

o serviço público oferece. Realmente é um

pequeno grão de areia porque os grandes salários estão concentrados entre os fiscais e arrecadadores de tributação. Essa disparidade começou nas gestões de Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso, valorizando as áreas ligadas à tributação. Áreas que percebemos estratégicas para estes dois governos. Hoje, essa disparidade se perpetua devido às circunstâncias e a necessidade de combater a corrupção. Acreditamos que bons salários desestimulam a prática. Somos contra essa disparidade, defendemos a equidade salarial entre as mesmas funções no serviço público, independente das esferas. Investindo em planos de carreira para o serviço público, garantimos a valorização equânime dos servidores e do próprio serviço

público. No que tange à regulação dos salários,

o Ministério do Planejamento é responsável

pelos salários dos servidores federais. Os demais têm seus salários determinados por secretários de planejamento estaduais

e municipais, auxiliados pelos Recursos Humanos de cada órgão.

ENTREVISTA 2. Pensando apenas no que tange aos salários dos funcionários públicos, houve alguma mudança

ENTREVISTA

2. Pensando apenas no que tange aos

salários dos funcionários públicos, houve alguma mudança nos últimos anos? Podemos avaliar essa questão de forma evolutiva ou negativa?

Nos últimos anos, se comparados com os últimos 12 anos, houve, sim, reajustes salariais em todas as categorias. No entanto ainda permanece a carência de uma política salarial definitiva para o servidores públicos federais. Nas esferas estaduais e municipais, pela autonomia, também houve evolução, mas, principalmente, pela força de mobilização do movimento sindical. No resultado geral, podemos considerar positiva a evolução salarial dos últimos anos. Porém, a falta de regulamentação da negociação coletiva no serviço público, conforme determina a Convenção 151 da OIT, que já foi ratificada pelo Brasil, retardou muitos avanços para o funcionalismo.

3. E os benefícios concedidos aos ser-

vidores. Existe uma padronização do que é repassado ou varia de acordo com algum fator?

Não existe padronização, somente dentro do mesmo poder (Judiciário, Executivo ou Legislativo). A variação é determinada por esses poderes, pela valorização de cada poder distinto. Dentro das mais diversas esferas também notamos que existem salários diferentes para atuações semelhantes. Somos totalmente contra isso e lutamos por isonomia salarial. Queremos que trabalhos iguais tenham remunerações iguais. Sim, nós lutamos por isonomia salarial. Trabalhos iguais com remunerações iguais.

4. Os Ministros do Supremo enviaram

proposta de aumento de seus próprios salários para o Senado. Algo próximo dos 22%. Um aumento nessas proporções é raro (ou talvez até impraticável) para de- mais servidores públicos. Mas o aumento na remuneração dos ministros pode gerar um acréscimo em massa na remuneração de outros magistrados e servidores da justiça. qual a posição da Confederação sobre este assunto?

Primeiro consideramos que todos os servidores devem ter salários atrativos. A autonomia que cada poder tem faz com que as políticas salariais sejam distintas entre eles. Defendemos a criação de um mecanismo que garanta valorização equânime, em todos os poderes, como meio de evitar essas discrepâncias.

5. quais alterações ou melhorias a

Confederação considera essenciais para que o todo o funcionalismo (das esferas federais, estaduais e municipais) possa ter acesso a remunerações, verdadeira- mente, justas?

Primeiro, o ingresso no serviço público deve ser somente por meio de concurso público. Segundo, definição de data-base. Terceiro, negociação coletiva. Quarto, uma política salarial objetiva de cada governo, seja ele federal, estadual ou municipal. Com isso, a partir da diminuição dos cargos comissionados, passamos a valorizar os trabalhadores concursados do serviço público.

EXAME DE ORDEM

EXAME DE ORDEM do do Qual é a disciplina ideal para a 2ª fase Exame de
do do Qual é a disciplina ideal para a 2ª fase Exame de Ordem Reunimos
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do do Qual é a disciplina ideal para a 2ª fase Exame de Ordem Reunimos uma

Qual é a disciplina

ideal para a

2ª fase

Exame de Ordem

Reunimos uma equipe de especialistas, em cada uma das disciplinas, para auxiliar quem ainda está em dúvida sobre esta escolha

POR ana laRanjeiRa

em cada uma das disciplinas, para auxiliar quem ainda está em dúvida sobre esta escolha POR
em cada uma das disciplinas, para auxiliar quem ainda está em dúvida sobre esta escolha POR
EXAMEEXAME DEDE ORDEMORDEM No momento da inscrição para realizar a temida prova da OAB, o
EXAMEEXAME DEDE ORDEMORDEM
No momento da inscrição para realizar a
temida prova da OAB, o bacharel em Direito,
por sua conta e risco, tem a difícil missão de
definir qual disciplina irá nortear os seus estu-
dos na preparação para a 2ª fase do Exame de
Ordem. Direito do Trabalho, Administrativo,
Tributário, Penal, Civil, Constitucional e Em-
presarial são as temáticas das questões subje-
tivas e peças profissionais cobradas em prova.
Mas qual delas melhor se encaixa no seu per-
fil de estudante e futuro operador do Direito?
Alguma delas pode garantir uma prova mais
fácil ou mesmo a aprovação? Que carreira se-
guir caso escolha a especialização em alguma
dessas áreas? Saiba abaixo:
DIREITO DO TRABALhO

A professora Aryanna Manfredini in- dica que na 2ª fase o estudante escolha a disciplina com a qual tem maior afinidade. “Pense na matéria com a qual você passa- ria horas e horas e horas do seu dia, porque é isto que acontece quando você está estu- dando para a 2ª fase. Se esta matéria é Di- reito do Trabalho, ótimo! Lembro que a FGV tem cobrado, na maioria das vezes, as peças mais comuns no Processo do Trabalho, que são: Iniciais, Contestação e Recurso Ordi- nário, mantendo assim alguma coerência e facilitando a preparação do candidato”, lembra ela.

Mercado de trabalho: O advogado de- verá representar pessoas ou empresas em disputas entre empregado e empregador, questões sindicais ou de previdência social, ou pode ainda atuar nas carreiras jurídicas públicas (Juiz do Trabalho, Advogado Pú- blico, Promotor de Justiça, Procurador ou Professor) e privadas.

jurídicas públicas (Juiz do Trabalho, Advogado Pú- blico, Promotor de Justiça, Procurador ou Professor) e privadas.
jurídicas públicas (Juiz do Trabalho, Advogado Pú- blico, Promotor de Justiça, Procurador ou Professor) e privadas.
Promotor de Justiça, Procurador ou Professor) e privadas. DIREITO ADMInISTRATIVO Já o professor Matheus Carvalho diz

DIREITO ADMInISTRATIVO

Procurador ou Professor) e privadas. DIREITO ADMInISTRATIVO Já o professor Matheus Carvalho diz que o ideal

Já o professor Matheus Carvalho diz que o ideal é colocar na balança as vantagens e desvantagens de escolher determinada disci- plina. “A parte boa de optar por Direito Ad- ministrativo é que ela é uma matéria pequena, sem a parte processual, só o direito material. Então é possível estudar, revisar e esgotar a matéria no período entre a 1ª fase e a 2ª fase. Outra vantagem é que o conteúdo de Direito Administrativo cai na maioria dos concursos públicos e, se a sua intenção é ser futuramen- te um servidor público, a preparação come- ça com antecedência. Porém, ainda assim, o maior percentual de bacharéis não gosta da matéria”, resume Matheus.

Mercado de trabalho: O advogado deverá aplicar a legislação que regulamenta os órgãos

e poderes públicos em sua relação com a so-

ciedade, ou pode ainda atuar nas carreiras ju- rídicas públicas e privadas.

ainda atuar nas carreiras ju- rídicas públicas e privadas. DIREITO TRIBUTáRIO Muitos alunos perguntam à professora

DIREITO TRIBUTáRIO

Muitos alunos perguntam à professora Jo-

siane Minardi se a 2ª fase de Direito Tributário

é difícil. Ela afirma que “a peça é a parte mais tranquila da prova, é como seguir uma receita de bolo. Para cada fundamento da defesa, nós temos no máximo três parágrafos. Além dis- so, o conteúdo de Tributário é pequeno, pouco mais de 300 artigos. Nas provas, a FGV costu-

ma cobrar petições iniciais - Ação Declaratória, Ação Anulatória, Mandado de Segurança, Ação de Repetição de Indébito Tributário, Embargos

à Execução, Consignação em Pagamento - ou uma simples Petição”, diz Minardi.

Mercado de trabalho: O advogado deverá cuidar de princípios e normas relativos à ar- recadação de impostos e taxas, obrigações tri

EXAME DE ORDEM butárias e atribuições dos órgãos fiscalizadores, ou pode ainda atuar nas carreiras
EXAME DE ORDEM butárias e atribuições dos órgãos fiscalizadores, ou pode ainda atuar nas carreiras

EXAME DE ORDEM

EXAME DE ORDEM butárias e atribuições dos órgãos fiscalizadores, ou pode ainda atuar nas carreiras jurídicas
EXAME DE ORDEM butárias e atribuições dos órgãos fiscalizadores, ou pode ainda atuar nas carreiras jurídicas

butárias e atribuições dos órgãos fiscalizadores, ou pode ainda atuar nas carreiras jurídicas públicas e privadas.

ainda atuar nas carreiras jurídicas públicas e privadas. DIREITO CIVIL “Direito Civil é uma disciplina em
ainda atuar nas carreiras jurídicas públicas e privadas. DIREITO CIVIL “Direito Civil é uma disciplina em

DIREITO CIVIL

“Direito Civil é uma disciplina em que a prática é mais palpável”, comenta Cristiano Sobral. Segundo ele, o Direito Civil está no dia a dia não só dos bacharéis, mas de toda a população brasileira, acompanhando o cidadão desde o seu nasci- mento até a morte. Tudo isso faz com que o estudante mantenha uma relação de afeto com a matéria desde o início da faculdade, o que facilita o aprendizado.

Mercado de trabalho: O advogado deverá representar interesses individuais e particulares em ações referentes à
Mercado de trabalho: O advogado deverá representar interesses individuais
e particulares em ações referentes à propriedade e posse de bens, questões fa-
miliares, como divórcios e heranças, ou transações de locação, compra e venda.
Pode especializar-se em: direito das pessoas, dos bens, dos fatos jurídicos, de
família, das coisas, das obrigações e das sucessões; ou ainda atuar nas carreiras
jurídicas públicas e privadas.
DIREITO PEnAL
Ana Cristina Mendonça, professora de Direito e Processo Penal, garante
que esta é uma matéria muito mais principiológica do que regrada, e a prova é
relativamente tranquila. “As opções de peças tem um número reduzido, com
estruturas bem semelhantes e as seguintes possibilidades: Liberdade, Resposta
ou Defesa Preliminar, Memoriais e Recurso, com as modificações necessárias
a cada caso concreto, e mesmo as questões dissertativas giram, geralmente, em
torno de um tema específico”, diz ela.
Mercado de trabalho: O advogado deverá preparar e apresentar a defesa ou
acusação em ações referentes a crimes ou contravenções contra pessoas físicas ou
jurídicas, ou pode ainda atuar como Delegado e demais carreiras jurídicas públi-
cas e privadas.
DIREITO COnSTITUCIOnAL

Para a professora Flávia Bahia, o bacharel deve ouvir seu coração. “Não esco- lha a sua 2ª fase baseado na escolha dos seus amigos, do namorado ou namorada, do vizinho. Se você gosta realmente de Direito Constitucional, saiba que as matérias principais desta disciplina na 2ª etapa são: Controle de Constitucionalidade, Processo Legislativo e Direitos Fundamentais. Este é o eixo fundamental, com 10 diferentes tipos de peças que se destacam”, comenta a constitucionalista.

de peças que se destacam”, comenta a constitucionalista. REVISTA EDITAL > EDIÇÃO 19 > OuTubRO 2014
de peças que se destacam”, comenta a constitucionalista. REVISTA EDITAL > EDIÇÃO 19 > OuTubRO 2014

EXAME DE ORDEM

Mercado de trabalho: O advogado deverá analisar e in- terpretar as normas constitucionais no intuito de regulamen- tar e delimitar o poder estatal, além de garantir os direitos considerados fundamentais. Este profissional poderá atuar nos mais diversos ramos do Direito dentro das carreiras jurí- dicas públicas e privadas.

 

DIREITO EMPRESARIAL

 
 

Alguns bacharéis acham o Direito Empresarial maçante, burocrático e chato. Mas, segundo o professor Francisco Pe- nante, o Direito Empresarial é uma disciplina palpitante que, se vista com exemplos e casos práticos que aproximem você da realidade, torna-se muito interessante. “Durante a 2ª fase é provável que você se depare com as peças base da disciplina, como uma Inicial, uma Contestação, uma Reconvenção, uma Exceção, uma Execução, uma Cautelar ou um Recurso”, diz ele.

 

Mercado de trabalho: O advogado deverá cuidar das rela- ções privatistas que envolvem a empresa e o empresário. Nes- sas relações estão o estudo da empresa, o direito societário, as relações de título de crédito, as relações de direito concorren- cial, as relações de direito intelectual e industrial e os contratos mercantis. Este profissional poderá atuar nas carreiras jurídicas públicas e privadas.

 

ESCOLhEU?

 
 

Apesar de todo este panorama, mais importante do que es- colher a disciplina é encontrar um norte, um direcionamento para os seus estudos, e conhecer um método sistemático e es- tratégico de assimilação do conteúdo. O Portal Exame de Or- dem oferece cursos preparatórios para o Exame de Ordem, fo- cado neste objetivo.

 

Conheça um pouco mais clicando AQUI.

 

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REVISTA EDITAL > EDIÇÃO 19 > OuTubRO 2014 > PÁG. 22

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notícia quente
notícia
quente
Precisa-se juízes de Muito trabalho a ser feito, Tribunais com dificuldades orçamentárias, poucas vagas, certames
Precisa-se
juízes
de
Muito trabalho a ser feito, Tribunais com dificuldades
orçamentárias, poucas vagas, certames com muitas
etapas e concurseiros determinados a alcançar um
lugar ao sol na magistratura
POR ana laRanjeiRa
MATÉRIA DE CAPA Segundo dados do Relatório Justiça em Número 2014, di- vulgado pelo Conselho

MATÉRIA DE CAPA

Segundo dados do Relatório Justiça em Número 2014, di- vulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o índice de produtividade dos Magistrados (IPM) diminuiu 1,8% em 2013, mostrando que a capacidade produtiva destes servidores está estacionada, principalmente na primeira instância. Essa reali- dade somada a computadores ultrapassados, códigos desatua- lizados, prédios velhos, fim da aposentadoria integral e ainda a exigência de três anos de prática profissional poderia assustar muita gente que pensa em ocupar cargos de magistratura nos Tribunais de Justiça do país. No entanto, mais e mais concur- seiros se mostram interessados nas poucas vagas oferecidas anualmente.

Este ímpeto beneficia o judiciário, que precisa urgente- mente de reforços. Ainda segundo o relatório do CNJ, apenas em 2013, 70% dos 95,14 milhões de processos que tramitaram na justiça eram remanescentes do ano anterior. Isso representa milhões de processos não resolvidos e pendentes, que se soma- ram a mais 28,3 milhões de casos novos (30%).

IDEnTIFICAÇÃO

Para a estudante Monique Medeiros, de Florianópolis – SC, a admiração pela magistratura veio desde pequena, vendo o avô atuar na área. Já entrou na faculdade focada neste sonho. Trabalhou no Tribunal de Justiça por sete anos, fez uma pós- graduação e ainda tentava estudar cavando uma oportunidade como juíza. Mas o acúmulo de tarefas não estava dando certo. Orientada por amigos e familiares, decidiu deixar o emprego e se dedicar integralmente aos estudos.

deixar o emprego e se dedicar integralmente aos estudos. Segundo o relatório do CNJ, apenas em

Segundo o relatório do CNJ, apenas em 2013, 70% dos 95,14 milhões de processos que tramitaram na justiça eram remanescentes do ano anterior. isso representa milhões de processos não resolvidos e pendentes, que se somaram a mais 28,3 milhões de casos novos (30%).”

que se somaram a mais 28,3 milhões de casos novos (30%).” REVISTA EDITAL > EDIÇÃO 19
MATÉRIA DE CAPA Ainda assim, com toda dedicação, Mo- nique irá enfrentar números cruéis. O

MATÉRIA DE CAPA

Ainda assim, com toda dedicação, Mo-

nique irá enfrentar números cruéis. O cálculo médio de tempo entre o início da preparação

e a sonhada aprovação no cargo fica em tor-

no de três anos. Antes disso foram registrados apenas casos excepcionais.

A jovem florianopolitana deu o pontapé inicial prestando o concurso do Tribunal de Justiça de São Paulo este ano e acertou mais de 75% da prova na primeira fase. Um resul- tado animador, que impulsionou a inscrição no concurso para o mesmo cargo do Tribunal

de Justiça do Distrito Federal. “Minha rotina

é ir para a Escola da Magistratura de manhã e

estudar com o CERS à tarde. Para ter concen- tração, preciso que o estudo seja dinâmico,

por isso, leio livros, resolvo questões, assisto às aulas online, e busco as atualizações jurí- dicas, pois são muitas reformas, todos os dias,

e o estudante precisa estar atento. Nesse uni-

verso, acredito que a resolução de exercícios é uma prática indispensável para testar os co-

nhecimentos”, conta ela.

FOCO nA MAGISTRATURA ESTADUAL

Assim como Monique, a servidora e con- curseira Necilene Alfa, de Umarizal – PA, cor- re atrás de uma chance, focada na magistra- tura estadual. Segundo ela, os concursos para estes órgãos são os que menos assustam. Eles são mais consistentes e coesos do que os fe- derais, têm mais vagas e as oportunidades são muito maiores e tangíveis.

Necilene está certa. A Justiça Estadu- al concentra mais de dois terços (69,2%) do total de magistrados do Poder Judiciário e 65,1% dos servidores. São, ao todo, 11.361 juízes. Apenas no estado natal da nossa per-

sonagem estão 375 deles.

“São concursos mais frequentes, até por- que nem sempre todas as vagas são preenchi- das, como aconteceu no último certame do TJ/DF, quando apenas sete candidatos foram aprovados na prova de sentença”, observa a estudante.

No concurso ao qual ela se refere, o Tri- bunal ofertou 92 vagas para Juiz de Direito e mais de 4.300 candidatos se inscreveram para concorrer a uma das oportunidades. Porém, o resultado da prova de sentença, publicado em julho deste ano, assustou a todos e obrigou o órgão a abrir novo certame já em setembro, com ainda mais vagas, 104 no total. A primei- ra prova será realizada no dia 14 de dezembro.

PREPARAÇÃO

Necilene já prestou três concursos para magistratura estadual e percebe que, a cada nova tentativa, o rendimento cresce propor- cionalmente à preparação: “no primeiro con- curso não obtive um resultado muito bom na primeira fase, no segundo acertei pouco mais de 50% e no terceiro e último, do Tribunal de Justiça de São Paulo, fechei mais de 70% da prova. Pretendo ter um desempenho ainda melhor no novo concurso para o TJ/DF, com uma preparação mais uniforme e consciente.”

Segundo a paraense, a base da prepara- ção para magistratura é a leitura incessante da lei, entendendo, conhecendo a interpretação dos tribunais superiores e sabendo aplicá-la. “Depois você parte para aprofundar os assun- tos e se preparar para a prova oral”, conclui.

Entre muitas dicas e técnicas, Monique diz que também tem seus truques: “Quando me imagino atuando como juíza, minha motivação é 100%. Então, quando estudo, fico repassan

MATÉRIA DE CAPA do o conteúdo como se estivesse dando aula. Isso me ajuda a

MATÉRIA DE CAPA

do o conteúdo como se estivesse dando aula. Isso me ajuda a fixar o conteúdo e a construir os argumentos para a prova oral. Às vezes o espelho é a minha plateia (risos). Mas estudar em grupo nesses casos pode aju- dar, pois todos se avaliam e se ajudam.”

A TEMIDA PROVA ORAL

Como se não bastassem tantos contratempos, dentre as etapas finais da seleção está a temida prova oral. Geralmente, esta fase é realizada por meio de um sorteio de temas pré-estabelecidos pela organi- zadora, sobre os quais o candidato deverá apresen- tar fundamentos perante a banca. “Meus professo- res costumam dizer que o medo de falar em público pode superar até o medo da morte para algumas pessoas. Então acho que não sou muito diferente dos demais. Meu nervosismo causa um branco tremen- do. Mas eu estou tentando trabalhar isso em mim, inclusive fazendo terapia, que já me ajuda muito”, confessa Monique.

Em entrevista para o Jornal Carta Forense, o mé- dico e autor Augusto Cury falou sobre as tensões que atormentam os operadores do Direito e afirmou que para ter qualidade de vida, o profissional ou estudan- te tem de aprender a filtrar estímulos estressantes, gerenciar sua mente, trabalhar perdas e frustrações. Ele afirma que, além de outras técnicas, “deveriam aprender a não ser um agiota da emoção, ou seja, do- ar-se e cobrar excessivamente dos outros e de si mes- mos. Quem cobra demais de si aumenta os níveis de exigência para ser feliz, realizado, relaxado”.

Para outros, encarar a prova oral não é um bicho de sete cabeças, significa dar apenas mais um passo. Como é o caso de Necilene. “Não tenho medo de ser avaliada na prova oral. Estou acostumada a falar em público e falar muito (risos). Mas acho que a ficha ainda não caiu verdadeiramente, porque não tive a experiência real de chegar a uma etapa oral.”

não tive a experiência real de chegar a uma etapa oral.” Minha rotina é ir para

Minha rotina é ir para a escola da Magistratura de manhã e estudar com o CerS à tarde. Para ter concentração, preciso que o estudo seja dinâmico, por isso, leio livros, resolvo questões, assisto às aulas online, e busco as atualizações jurídicas”

Monique Medeiros

MATÉRIA DE CAPA   UMA qUESTÃO DE JUSTIÇA     Pouco a pouco, o quantitativo

MATÉRIA DE CAPA

 

UMA qUESTÃO DE JUSTIÇA

 
 

Pouco a pouco, o quantitativo de magistrados tem

 
 

aumentado e registra alta de 2,1% no quinquênio. Isso

 
 

é

resultado de uma geração de novos juristas dispos-

 
 

tos a fazer justiça, não importando quais sejam as con- dições. Assim como Monique e Necilene, essa geração acredita em um mundo melhor. “Quero muito exercer a profissão com a intenção de causar mudanças na so- ciedade. Quero conduzir uma audiência me colocan- do no lugar do outro. Os magistrados podem promover transformações significativas na vida das pessoas, e estamos precisando mesmo de juízes mais humaniza- dos”, desabafa Monique.

 
 

Os salários podem parecer um atrativo, pois giram em torno de R$ 21 mil, mas não são preponderantes para motivar alguém a decidir pela carreira. Afinal, há mais de sete anos os magistrados aguardam uma re- posição de 14,79%, efeito da inflação. Além disso, são tantos riscos e responsabilidades que a folha de paga- mento não parece estar a altura dos profissionais.

 
 

Segundo o juiz Fabrício Catagna Lunardi, também

 
 

em entrevista para a Carta Forense, “a magistratura

 
 

é

uma das carreiras jurídicas que gera maior carga de

 
 

responsabilidade e comprometimento. As partes pos- tulam e deixam sobre os ombros do juiz a tarefa de de- cidir as suas vidas. Ter essa tarefa não é fácil. O juiz sai do Fórum pensando nos casos que tem para decidir. Isso porque esses casos não são números, não são esta- tísticas, são vidas”.

 
 

CURSO PARA JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO DO TRT 1ª REGIÃO

 
     
 

CURSO PARA JUIZ DE DIREITO SUBS- TITUTO DO TJ/DF 2014

 
 

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SUGESTÕES

           

LEITURA

     

EVENTOS

 

LIVRO: Coleção Portal Exame de Ordem – Questões Comentadas 1ª fase OAB AUTORES: Vários EDIÇÃO: Lançamento 2014 núMERO DE PáGInAS: 1263 EDITORA: CERS EDITORA

 

XXII Conferência Nacional dos Advogados Data: 20 a 23 de outubro de 2014 Local: Riocentro/

 

Sinopse: O Portal Exame de Ordem apresenta sua obra digital voltada à preparação prática para a primeira fase da prova da OAB, por meio da resolução de questões de todas as provas anteriores realizadas pela FGV atualizada até o XIII Exame de

 

Pavilhão 4 – Rio de Janeiro/RJ

 

Ordem. Os capítulos foram divididos por disciplinas, seguindo a sequência apresentada na prova objetiva, de forma a trabalhar melhor o leitor dentro da dinâmica da prova, respeitando o peso

 

Organizado pelo Conselho Federal da OAB, a XXII

 

de cada disciplina para os candidatos.

 

Conferência Nacional dos Advogados marca

 

Os comentários das alternativas foram feitos de forma clara e

 

o

encontro oficial da

 

objetiva, pela equipe de professores mais preparada do país:

 

classe, que acontece

 

Paulo Machado, Bernardo Montalvão, Flávia Bahia, Bruno Viana,

 

a

o

cada três anos. Com

 

Marcelo Pupe, Josiane Minardi, Matheus Carvalho, Frederico

 

tema “Advogado,

 

Amado, Cristiano Sobral, Luciano Figueiredo, Cristiano Sobral, Luciano Figueiredo, Roberto Figueiredo, Cristiane Dupret,

 

seja protagonista da história”, o evento espera cerca de 30 mil participantes. A

 

Francisco Penante, Aryanna Manfredini, Rafael Tonassi, Sabrina Dourado, André Mota, Geovane Moraes, Ana Cristina Mendonça.

NO AR

 

programação inclui 40 painéis com 160 palestrantes,

conferências

 
           

FACEBOOk.COM/CERSTV

 

magnas e bate- papos culturais, com

 

Confira os programas destaque no CERS TV:

 

discussões focadas na constituição democrática e na efetivação dos direitos.

 

PAPEAnDO COM PAMPLOnA #10 | COnCURSOS PúBLICOS

     

VEnCEDORES #02 | APROVADOS MPT

     
             

DATA VEnIA #23|

   

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DELEGADO E

   

PRInCíPIO DA

   

InSIGnIFICânCIA

   
EXPLORANDO A MATÉRIA Empresarial na Seja para concurso público ou Exame de Ordem, a compreensão

EXPLORANDO A MATÉRIA

Empresarial

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Empresarial na Seja para concurso público ou Exame de Ordem, a compreensão da disciplina passa pelo

Seja para concurso público ou Exame de Ordem, a compreensão da disciplina passa pelo estudo de casos práticos

POR ManOela MOReiRa

Veia

pelo estudo de casos práticos POR ManOela MOReiRa Veia COM FRANCISCO PENANTE Entender casos como a

COM

FRANCISCO

PENANTE

Entender casos como a Recuperação Judicial das sociedades de Eike Batista, a fusão entre a Sadia e a Per- digão, as nuances de contratos de franquias e as reper- cussões do tão comum cheque especial. “As situações reais são o ponto de partida para estudar Direito Em- presarial de forma mais eficiente e prazerosa”, define o professor do CERS Francisco Penante.

Exigida nos mais variados concursos públicos, além do Exame de Ordem da OAB, a disciplina ainda é pouco explorada pelos candidatos. Com isso, aqueles que alcan- çam um bom desempenho em Direito Empresarial podem conquistar um salto importante para a aprovação.

EXPLORANDO A MATÉRIA FLUxO DE COnhECIMEnTO O Direito Empresarial é bastante capilarizado. Não obstante, ele
EXPLORANDO A MATÉRIA FLUxO DE COnhECIMEnTO O Direito Empresarial é bastante capilarizado. Não obstante, ele

EXPLORANDO A MATÉRIA

FLUxO DE COnhECIMEnTO

O Direito Empresarial é bastante capilarizado. Não obstante, ele possui três pilares centrais: o Di- reito Societário, o Direito Cambiário, e o Direito Re- cuperacional e Falimentar. De acordo com o objetivo do estudo, os candidatos devem escolher o material de apoio a ser utilizado pela afinidade com a lingua- gem explorada pelos doutrinadores.

Alguns assuntos são clássicos e exigem o do- mínio por parte do aluno, como questões envolven- do o cheque, a duplicata, as sociedades limitadas e anônimas, a recuperação judicial, a falência, o con- trato de leasing, entre outros. Quanto aos temas de momento, Penante destaca a Empresa Individual de Responsabilidade Limitada - EIRELI (Lei 12.441/11), e o Estatuto da Microempresa e Empresa de Peque- no Porte (por força da alteração promovida pela LC

147/2014).

“As dificuldades, na maioria esmagadora dos casos, devem ser atribuídas à deficiência do primei- ro contato que os alunos tiveram com a disciplina”, avalia o professor. Para ele, o ponto que eventual- mente o estudante pode apresentar alguma resis- tência é o estudo dos títulos de crédito em função das regras que envolvem atos cambiais como aceite, endosso e aval. Sem embargo, quando apresenta- dos de maneira didática, são pontos absolutamente convidativos aos alunos.

PRESSÃO SOB COnTROLE

Concursos para Magistratura, Procuradoria, Secretaria da Fazenda, Polícia, e tantos outros. A forma de cobrança do Direito Empresarial em cer- tames públicos é variável, podendo exigir conhe- cimentos rasos até os mais aprofundados. Algumas bancas investem em casos práticos, enquanto outras

exigir conhe- cimentos rasos até os mais aprofundados. Algumas bancas investem em casos práticos, enquanto outras
 

EXPLORANDO A MATÉRIA

 
   

preferem a letra da lei. É preciso estar treinado para o perfil do certame em específico.

 
   

“Estar atualizado é decisivo. As bancas querem saber se o candidato está acompa- nhando a dinâmica legislativa, as últimas súmulas dos tribunais superiores e até o en- tendimento pacificado da jurisprudência. A atualização constante é um imperativo ca- tegórico na preparação”, salienta Francisco Penante.

 
   

Para o Exame de Ordem da OAB, o co- nhecimento sobre Direito Empresarial é exi- gido em cinco questões na primeira fase, com ênfase em Direito Societário, Direito Cambiá- rio, Direito Recuperacional e Falimentar e ou- tras duas questões sobre contratos, proprieda- de intelectual, nome empresarial ou locação empresarial. Na segunda fase, as provas cos- tumam cobrar conteúdo que pode ser 100% respondido pelo Vade Mecum utilizado pelo candidato. A indicação do professor Francis- co Penante é o Vade Mecum Civil e Empresa- rial da Editora Gem Metodo, por se tratar do único que contempla índices remissivos da Lei das S/A e da Lei de Recuperação de Empresas e Falência.

“As dificuldades, na maioria esmagadora dos casos, devem

   

VOCê PODE SE InTERESSAR POR:

ser atribuídas à deficiência do

 

Curso de Direito Empresarial para concur- sos da Magistratura do Trabalho e do Mi- nistério Público do Trabalho 2014

primeiro contato que os alunos

     
   

Isolada Teórica de Direito Empresarial – OAB 1ª fase

tiveram com a disciplina”

   

Clique nos tópicos acima!

Francisco Penante

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Café com Letras um bom café e um bom livro são suficientes para deixá-lo feliz.
Café com
Letras
um bom café e um bom livro
são suficientes para deixá-lo
feliz. O coordenador do CERS
Cursos Online, Rodrigo bezerra,
mantém o senso de humor como
filosofia de vida
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POR ManOela MOReiRa
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PERFIL UMA BOA PROSA As peripécias de Rodrigo Bezerra durante sua infância em uma escola

PERFIL

UMA BOA PROSA

As peripécias de Rodrigo Bezerra durante sua infância em uma escola no interior de Pernambuco em nada refletiam a pos- sibilidade de um dia ser professor na cidade grande e reconhe- cido em todo o Brasil. As chamadas na direção, como na vez que tentou fugir do colégio, eram suavizadas pelas notas exemplares que o colocavam entre os três melhores alunos da turma. “Eu era virado e muito hiperativo, mas sempre estudei muito. Eu ti- nha muito claro na minha cabeça que não conquistaria nada se não estudasse”, declara logo no início da conversa dando o tom dos próximos relatos.

De família humilde, os causos e contos de Rodrigo são dig- nos de uma boa prosa acompanhada de um bom café – seu hob- bie favorito ao lado de um bom livro. Desde cedo, ele encarava a vida como uma oportunidade a ser conquistada.

Aos 16 anos, sempre estudioso e prodígio em tudo o que fazia, conquistou o primeiro lugar em uma seleção na Caixa Econômica Federal, onde atuou como estagiário. Influenciado pela vocação da família, optou em seguir carreira na área de saúde, mas devido aos contratempos, acabou fazendo Letras por destino da vida.

Para ganhar um dinheirinho extra, pediu de presente de aniversário uma gramática, e teve a ideia de gravar em áudio a transcrição da obra. A ideia não deu resultados financeiros, mas chamou atenção da diretoria da escola que o convidou para ser professor substituto de Português. Como nunca foi de deixar passar as oportunidades que a vida lhe oferecia, iniciou a sua jornada sem nem imaginar o que o futuro lhe reservava.

A ARTE DE EnSInAR

O material usado em sala de aula era fornecido por uma grande rede de escolas do Recife, e Rodrigo sugeriu algumas mudanças na apostila. Daí surgiu o convite de dar aulas na cida- de grande. Sem medo de desafios, ele iniciou um novo período de sua carreira. Foi dormir na casa de amigos e depois conse- guiu um quarto no Seminário por indicação das freiras do anti- go colégio para poder se manter na capital.

Antes mesmo de concluir Letras, ele começou a cursar Di- reito. “Fazia Letras pela manhã, trabalhava à tarde, e cursava

“Fazia Letras pela manhã, trabalhava à tarde, e cursava eu era virado e muito hiperativo, mas

eu era virado e muito hiperativo, mas sempre estudei muito. eu tinha muito claro na minha cabeça que não conquistaria nada se não estudasse”

cabeça que não conquistaria nada se não estudasse” REVISTA EDITAL > EDIÇÃO 19 > OuTubRO 2014
PERFIL Direito à noite. Era bem puxado.”, lembra. Em 1998, surgiu o convite para assumir

PERFIL

Direito à noite. Era bem puxado.”, lembra.

Em 1998, surgiu o convite para assumir uma turma preparatória de Língua Portuguesa para concursos públicos. De curso em curso,

a experiência foi se ampliando e ele ganhou

destaque inclusive fora do estado: assumiu turmas em Salvador e Belo Horizonte.

Nesse mesmo período, já em 2002, co- nheceu Renato Saraiva, que também dava au- las em um curso presencial para concursos. Era o começo de uma amizade e de uma par- ceria que iria dar certo, a começar pelo incen- tivo em escrever o seu livro, “A Nova Gramá- tica da Língua Portuguesa Para Concursos”, já está em sua sexta edição.

“Escrever um livro é muito difícil e peno- so. Só sabe quem escreve. Durante um ano e oito meses, eu sentava para escrever todas as tardes. Tinha dia que o texto fluía, em outros a página permanecia em branco. A angústia de quem escreve é querer ser perfeito”, descreve.

Depois de uma longa caminhada dan- do aulas em cursos presenciais para certames,

Rodrigo Bezerra passou a trabalhar definitiva

e exclusivamente com Renato. Acompanhou

todo o processo de transformação até o CERS se tornar o que é hoje – a maior rede de ensino à distância do Brasil em preparatórios para con- cursos e Exame de Ordem.

gica. Outro desafio aceito sem titubear. “No início, foi muito difícil por eu também ser pro- fessor. Não tinha experiência como coordena- dor e era preciso lidar com outros professores, interpretar edital, lançar cursos, definir carga horária. Só com o tempo você vai aprenden- do”, afirmou Bezerra.

FILOSOFIA DE VIDA

Mesmo com a formalidade das letras, a sisudez nunca foi referência para Rodrigo. Sempre disposto e com uma brincadeira na ponta da língua, ele carrega uma filosofia de vida bem simples: mantenha o bom humor!

“Já não é fácil viver. A vida é trágica por si só e você não ri? Percebo que ser descontraí- do e bem humorado é mais positivo do que ser uma pessoa com cara fechada. É mais saudá- vel e tem dado certo”, define.

Para ele, felicidade é um estilo de vida, que facilmente pode ser comprovado nos bas- tidores do CERS. É comum ver Rodrigo Be- zerra cantarolando pelos corredores ou pre- parando um bom café após o almoço como se não houvesse compromissos. Minha sugestão:

quando encontrar ele por aí, puxe a cadeira que a conversa vai ser boa.

VOCê PODE SE InTERESSAR POR:

A confiança era tanta que Rodrigo foi con- vidado para assumir a coordenação pedagó-

Curso Começando do Zero – Língua Por- tuguesa (Rodrigo Bezerra)

 

Já não é fácil viver. A vida é trágica por si só e você não ri? Percebo

Clique no link acima!

 

que ser descontraído e bem humorado é mais positivo do que ser uma pessoa com cara fechada. É mais saudável e tem dado certo”

 

PLANTÃO

CVM:

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investimento

para

o

futuro

Remunerações elevadas para cargos valorizados em um conceituadíssimo órgão público com certame a ser lançado. Definitivamente, a CVM pode ser a opção certa para o seu futuro profissional.

POR ROdRigO Rigaud

PLANTÃO Apesar de sua louvada atuação no mercado financeiro nacional, a Comissão de Valores Mobili-

PLANTÃO

Apesar de sua louvada atuação no mercado financeiro nacional, a Comissão de Valores Mobili- ários já foi a paixão de um grupo restrito de concurseiros que sempre sonhou com um trabalho liga- do a investimentos na bolsa e à fiscalização cambial. Os cargos de analista de mercado de capitais e inspetor são os postos mais valorizados e recorrentemente oferecidos nos certames da instituição. O salário inicial para ambos é R$ 13.264,77.

Após realizar seletivas em 2003, 2005 e 2008, veio o boom. O órgão registra, em 2010, as provas mais concorridas de sua história. Quase 200 candidatos para uma vaga de inspetor e mais de 250 para uma de analista. O certame foi organizado pela Esaf e ofereceu um total de 150 oportunidades. Concurseiros que antes não conheciam a CMV ouviram falar de suas vantagens, seu crescimento in-

contestável, estrutura e a oferta de um futuro de sucesso no mercado financeiro. Resultado? Concor- rência e expectativa para o próximo. Agora que o prazo de validade do último certame está prestes a

se esgotar, a ansiedade de quem já esperava uma nova oportunidade há anos, volta, e a tendência é

que o concurso se torne ainda mais popular.

Atuando como uma verdadeira “controladoria” das atividades desenvolvidas na bolsa e pelos investidores, a CVM conta com um quadro funcional de servidores efetivos e comissionados.

CVM? O qUE É? qUEM SÃO?

A Comissão de Valores Mobiliários é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Fazenda, entretanto sem subordinação hierár-

quica. Foi criada através da Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976, que também dispõe so- bre a atuação do Conselho Monetário Nacional.

O Art. 4º da norma traz as seguintes finalida-

des pelas quais o órgão foi fundado: “estimular a formação de poupanças e a sua aplicação em valores mobiliários; promover a expansão e o funcionamento eficiente e regular do mercado

de ações, e estimular as aplicações permanen- tes em ações do capital social de companhias abertas sob controle de capitais privados na- cionais; assegurar o funcionamento eficiente

e regular dos mercados da bolsa e de balcão e proteger os titulares de valores mobiliários e os investidores do mercado”.

Atuando como uma verdadeira “controla- doria” das atividades desenvolvidas na bolsa e pelos investidores, a CVM conta com um qua- dro funcional de servidores efetivos e comis- sionados. O órgão informou à Revista Edital que o plano de cargos dos servidores efetivos da casa é composto pelos Agentes Executivos (ní- vel médio), Auxiliares de Serviços Gerais (nível intermediário), mas são as funções de Analista de Mercado e Inspetor que lidam diretamente com as atribuições do órgão prescritas em lei e que serão oferecidas aos concurseiros de nível superior no concurso que se aproxima.

PLANTÃO O qUE FAzEM? COMO ChEGAR Lá? O Analista (Mercado de Capitais) desenvolve, essencialmente, as

PLANTÃO

O qUE FAzEM? COMO ChEGAR Lá?

O Analista (Mercado de Capitais) desenvolve, essencialmente, as atividades especializadas ne- cessárias à regulação, acompanhamento, controle e supervisão das instituições sob jurisdição da CVM, colaborando na elaboração de atos normativos, im- plementando e aperfeiçoando sistemas de registro e acompanhamento e providenciando resposta a recla- mações de investidores. Já o Inspetor atua, essencial- mente, na fiscalização das instituições atuantes no mercado de valores mobiliários, apurando e identi- ficando irregularidades. O profissional ainda orienta instituições na adoção de controles e procedimentos adequados, coletando elementos para análise da situ- ação das instituições fiscalizadas, instruindo inquéri- tos instaurados pela CVM no exercício das suas com- petências e exercendo as atribuições previstas em leis e regulamentos específicos. Os que buscam a carreira de inspetor devem ter disponibilidade para viagens de vistoria que podem acontecer em instituições dos mais diversos estados do país.

Para ambas as carreiras, a exigência é a de gra- duação em qualquer área. Mas o próprio órgão chama a atenção para a necessidade de certo grau elevado de conhecimentos na área de matemática financeira, por parte do candidato interessado: ”nos concursos mais recentes a CVM tem requisitado conhecimentos em matemática financeira, estrutura do mercado de

valores mobiliários, contabilidade, au- ditoria, funcionamento do mercado de valores mobiliários e economia, além de

língua portuguesa e inglês”. E o certame

a ser aberto em 2015 não deve ser dife-

rente. A expectativa é de que sejam ofer-

tadas ainda mais vagas do que na seletiva anterior, dado o período de 5 anos sem a abertura de novo concurso do órgão e da postura do governo federal em aumentar

a regulação do mercado financeiro, pro-

cesso que depende intrinsecamente das atividades do CVM.

Internamente, a Comissão é conhe- cida por investir bastante em seus servi- dores. A instituição conta com um plano de carreiras, sendo que o desempenho do servidor é avaliado periodicamente para fins de progressão funcional e promoção.

O órgão também conta com uma área es-

pecífica de capacitação, para desenvol- vimento de programas de treinamentos internos e externos, conforme as neces- sidades de aperfeiçoamento identificadas junto aos servidores. O servidor também é estimulado a atuar junto aos grupos que estão sendo formados para a implemen- tação do Planejamento Estratégico 2013-

2023, em diversas frentes de trabalho.

     
 

Clique aqui para conhecer o Curso Teórico do CERS Para O Concurso da Cvm - Comissão De Valores Mobiliários (Cargos: Inspetor e Analista - Mercado De Capitais)

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ACONTECE NO CERS Um congresso para todos   O CERS Cursos Online reúne alguns dos

ACONTECE NO CERS

Um congresso para todos

 

O CERS Cursos Online reúne alguns dos maiores nomes do direito no país, durante três dias, em um evento gratuito, online e interativo

 

O I Congresso Jurídico Online de Ci- ências Criminais será realizado pelo CERS Cursos Online nos dias 20, 21 e 22 de novembro. A proposta do even- to, que tem coordenação científica do professor e coordenador do PCJ Rogé- rio Sanches, é trazer à tona discussões sobre temas atuais, como a redução da

A iniciativa é pioneira e contará com a

dades que estiverem sendo realizadas pelos convidados. O público ainda po- derá participar ativamente do evento através do aplicativo para smartpho- ne “CERS no bolso”. O app trará, além de conteúdos exclusivos, a cobertura completa dos três dias do encontro e mais ferramentas interativas.

 

menoridade penal, definição de or- ganização criminosa, questões sobre crimes hediondos, a evolução do siste- ma prisional, entre outros, igualmen- te relevantes no contexto das Ciên- cias Criminais e do universo jurídico. Contando com palestras, debates, jú- ris-simulados, mesas-redondas e ou- tras programações, o Congresso será transmitido em tempo real e gratuita- mente para públicos de todo o país.

presença de grandes nomes do direito nacional como o advogado Cezar Ro- berto Bitencourt, o procurador Rogé- rio Greco e o ex-promotor de justiça Fernando Capez. Além disso, um dos principais chamarizes do congresso é sua proposta de constante interativida- de que inclui um canal online exclusivo no qual os espectadores poderão enviar mensagens instantâneas, áudios, fo- tos e vídeos, que fomentarão as ativi-

Segundo o gerente de marketing do CERS, Ivo Colen, a proposta da empresa é continuar seguindo a linha evolutiva da união entre tecnologia e educação, apoiando ainda mais o processo de de- mocratização do ensino: “a proposta é levar as palestras e discussões a todos os públicos, mesmo aqueles que moram no interior, distante dos locais nos quais os eventos de cunho jurídico costumam acontecer, ou aqueles que talvez não te- riam recursos para arcar com a partici- pação presencial em um congresso”. Ivo também destaca a construção mútua do aprendizado: “a interatividade do onli- ne traz essa chance do espectador não somente receber o conhecimento, mas também aliar-se aos palestrantes nesse processo de construção do aprendiza- do”, completa.

PoR RodRigo Rigaud

 
QUESTÕES COMENTADAS > PAPIloScoPIStA/RJ Legislação Estadual Profº Guilherme Peña qUESTÃO 1 Hierarquia, segundo

QUESTÕES COMENTADAS > PAPIloScoPIStA/RJ

Legislação Estadual

Profº Guilherme Peña

qUESTÃO 1

Hierarquia, segundo leciona Santos Carvalho Filho, “é

o escalonamento em plano vertical dos órgãos e agentes

da Administração, que tem como objetivo a organização

da função administrativa”. Do sistema hierárquico decorrem alguns efeitos específicos. Acerca do tema, aprecie as proposições abaixo:

Constitui decorrência da hierarquia o poder de revisão dos atos praticados por agente de nível hierárquico inferior, havendo o dever de anulá-los se maculados por vício de ilegalidade.

Derivam do escalonamento hierárquico a delegação

e a avocação, podendo-se definir delegação como a

transferência de atribuições de um órgão a outro no aparelho administrativo.

A hierarquia é cabível apenas no âmbito da função

administrativa, não se podendo, contudo, restringi-la

ao

Poder Executivo.

O

poder de comando dos agentes hierarquicamente

superiores encontra correspondência no dever de obediência por parte dos agentes hierarquicamente inferiores, cabendo-lhes executar as tarefas em conformidade com as determinações recebidas, desde que não sejam manifestamente ilegais.

A disciplina funcional resulta do sistema hierárquico,

cabendo ao agente hierarquicamente superior, de ofício e a despeito de prévio processo em que haja contraditório, a aplicação das sanções legalmente

cominadas ao agente que lhe é subordinado.

Julgando as assertivas apresentadas, assinale:

a) Se as cinco estiverem corretas.

b) Se quatro estiverem corretas.

c) Se três estiverem corretas.

d) Se duas estiverem corretas.

e) Se uma estiver correta.

Gabarito comentado:

Resposta: B

Dentro dessa perspectiva,

o dever de anulação dos atos

praticados por agentes de nível hierárquico inferior constitui decorrência da hierarquia administrativa

(assertiva I) e a transferência de atribuições de um órgão a outro no aparelho administrativo, por meio da delegação e avocação, derivam do escalonamento hierárquico (assertiva II). Outrossim, a hierarquia não se restringe ao Poder Executivo, pois a função administrativa pode ser atipicamente desempenhada pelos Poderes Legislativo

e Judiciário (assertiva

III), e os agentes de nível hierárquico superior têm poder de comando sobre os que lhes forem subordinados (assertiva IV). Ao contrário da assertiva V, a aplicação das sanções legalmente cominadas, por força da autoria e materialidade de infração administrativa, depende de prévio processo disciplinar em que haja contraditório e ampla defesa, em atenção ao art. 5º, inc. LV, da Constituição.

QUESTÕES COMENTADAS > PAPIloScoPIStA/RJ Língua Portuguesa Profª Maria Augusta qUESTÃO 2 “Todos que visitavam

QUESTÕES COMENTADAS > PAPIloScoPIStA/RJ

Língua Portuguesa

Profª Maria Augusta qUESTÃO 2

“Todos que visitavam o lindo museu da cidade europeia, encantavam-se com as belíssimas telas do grande pintor holandês, Van Gogh”. Avalie os comentários acerca do trecho acima:

I. Observam-se, no período, seis elementos com função adjetiva.

II. A substituição das formas verbais no Pretérito Perfeito por Pretérito Imperfeito mantém a cor-

reção gramatical, mas provoca alteração semântica.

III. A pontuação obedece à norma-padrão da Língua.

IV. A substituição do complemento verbal de “visitavam” por pronome adequado apresentaria a

seguinte construção: Todos que visitavam-no

V. Há, no período, um aposto explicativo.

VI. A substituição da vírgula após “holandês” por travessão prejudicaria a correção do período.

Estão corretos os comentários:

a) I, III, IV, V e VI

b) II, IV, V e VI

c) I, II e V

d) I, II, III e V

Gabarito comentado:

Resposta: C

O item I está correto. Os seis elementos com função adjetiva são: lindo, da cidade,

europeia, belíssimas, grande e holandês.

O item II está correto: a troca de pretérito Imperfeito (expressa ação habitual

no passado) por Pretérito Perfeito (expressa ação com início e fim limitados em determinado momento do passado) manteria a correção gramatical, mas o sentido

seria alterado.

O item III está errado. A vírgula após “europeia” separa o sujeito TODOS de seu

predicado (encantavam-se com

TODOS ou que se retire a vírgula após “europeia”.

O item IV está errado. O termo QUE é pronome relativo e atrai o outro pronome.

Portanto, a forma correta seria “Todos que o visitavam

).

É necessário que se insira outra vírgula após

O

item V está correto. O termo “Van Gogh” é aposto explicativo de “pintor holandês”.

O

item VI está errado, pois a substituição de vírgula ,após “holandês”, por travessão

não prejudicaria a correção do período.

QUESTÕES COMENTADAS > PAPIloScoPIStA/RJ Processo Penal Profª Ana Cristina Mendonça qUESTÃO 3 No atual Estado

QUESTÕES COMENTADAS > PAPIloScoPIStA/RJ

Processo Penal

Profª Ana Cristina Mendonça qUESTÃO 3

No atual Estado Democrático de Direito, o in- vestigado não é mais visto como objeto de in- vestigação, mas sim como sujeito de direitos, devendo assim ser tratado em todas as fases da persecução penal. Sob a luz desta moder- na perspectiva processual e visando efetivar direitos e garantias fundamentais consagra- dos constitucionalmente, foi editada a Lei nº 12.830/2013, que trata da investigação criminal conduzida pelo delegado de polícia. Conside- rando a sistemática constitucional de garantias processuais e o que dispõe a referida Lei Federal sobre o ato de indiciamento, podemos afirmar corretamente que:

a) Quando o inquérito policial for concluído sem o formal indiciamento do suspeito, devido à con- vicção do delegado de polícia de que sobre este não recaem indícios suficientes de autoria deliti- va, poderá o juiz determinar que se realize o re- ferido ato, caso tenha recebido a denúncia ofere-

cida pelo Ministério Público contra o investigado.

b) O ato de indiciamento poderá ser requisitado

ao delegado de polícia pelo membro do Minis- tério Público que realizou diretamente a apura- ção de infração penal e denunciou o seu autor, a fim de que conste nos registros policiais a in- vestigação realizada pelo órgão acusador.

c) O indiciamento é ato privativo do delegado

de polícia, aperfeiçoado em despacho técnico- jurídico fundamentado, que indicará as provas de materialidade e de autoria delitiva e as cir- cunstâncias do fato delituoso.

d) Tratando-se o indiciamento de ato voltado à for-

malização da suspeita em procedimento instaura- do para apurar infração penal e sua autoria, poderá ser realizado por qualquer autoridade pública que presida essa espécie de procedimento, mesmo sem amparo constitucional e legal expressos.

e) O delegado de polícia pode indiciar ou deixar

de indiciar alguém por simples subjetivismo, pois a formalização da suspeita é ato discricio- nário da autoridade policial que preside a inves- tigação criminal, não encontrando limites cons- titucionais e legais que o vinculam.

Gabarito comentado:

Resposta: C

O indiciamento é ato privativo do Delegado de Polícia, conforme dispõe o § 6o do art. 2o da Lei 12.830/2013, devendo ocorrer através de ato fundamentado, através de análise técnico-jurídica do fato, com indicação dos elementos de materialidade, autoria e demais circunstâncias que levam a autoridade policial a concluir sobre a convergência de suspeitas que recaem sobre o individuo, motivo pelo qual o gabarito da presente questão é a letra C.

As assertivas A, B e D encontram-se erradas pelos mesmos fundamentos (art. 2o, § 6o, da Lei 12.830/2013). Devemos nos lembrar que o inquérito policial é dispensável ao oferecimento e recebimento da denúncia, desde que existam outras peças de informação, das quais se possa extrair a justa causa para a ação penal (prova da

materialidade da infração e indícios suficientes de autoria). Assim, dispensável também o indiciamento prévio, não havendo justificativa para que se dê o retorno dos autos à delegacia para fins de que o delegado o realize. Como o ato de indiciamento é ato privativo do delegado, dependente de aspectos de convicção da própria autoridade policial, que deverá fazer uma análise técnico-jurídica própria sobre a suspeição decorrente das diligências por ele realizadas, não sendo possível que se imponha ao delegado a modificação de sua convicção, nem mesmo por ato do juiz ou do Ministério Público. (Destaque-se a recente decisão do Supremo Tribunal Federal - HC 115015).

Quanto à assertiva E, também errada, o delegado não poderá promover o indiciamento senão por ato fundamentado, dentro dos limites estabelecidos pela Constituição Federal, pelo Código de Processo Penal e pela Lei

12.830/2013.

QUESTÕES COMENTADAS > PAPIloScoPIStA/RJ Direito Administrativo Profº Sandro bernardes qUESTÃO 4 Nos termos da

QUESTÕES COMENTADAS > PAPIloScoPIStA/RJ

Direito Administrativo

Profº Sandro bernardes qUESTÃO 4

Nos termos da Lei nº 8.429/92, pode-se afirmar que:

a) quando o ato de improbidade causar lesão ao

patrimônio público ou ensejar enriquecimento ilícito caberá à autoridade administrativa res- ponsável pelo inquérito representar ao juiz, para a indisponibilidade dos bens do indiciado.

b) o sucessor daquele que causar lesão ao patri-

mônio público ou se enriquecer ilicitamente não

ficará sujeito às cominações da lei.

c) a posse e o exercício de agente público ficam

condicionados à apresentação de declaração dos bens e valores que compõem o seu patrimônio privado, a fim de ser arquivada no Serviço de Pessoal competente.

d) a representação à autoridade administrativa competente para que seja instaurada investigação destinada a apurar a prática de ato de improbidade é de competência exclusiva do Ministério Público.

e) não constitui crime a representação por ato de improbidade contra agente público ou terceiro beneficiário, quando o autor da denúncia o sabe inocente.

Gabarito comentado:

Resposta: C

O ato de improbidade é um ilícito da ordem CIVIL, conforme tem entendido a doutrina majoritária. Com efeito, nos termos do art. 37 da CF/1988, ALÉM DO PROCESSO POR IMPROBIDADE, o cometedor do ato de improbidade pode ser responsabilizado na esfera penal. Daí, a doutrina tem entendido que improbidade, em si, não é um crime, mas sim um ilícito de ordem civil. Então, ato de improbidade administrativa pode ser visto como o ilícito de ordem CIVIL, que terá por consequências, dentre outras, a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, SEM PREJUÍZO DE UMA EVENTUAL AÇÃO PENAL. Feitos esses esclarecimentos iniciais, vejam-se os itens:

a) Errada. O problema do item é que a

representação deve ser feita ao Ministério Público (não ao Juiz), para adoção das medidas com vistas à indisponibilização dos bens do indiciado por improbidade.

b) Errada. Lembre-se da seguinte regra

em sua prova – herda-se patrimônio, mas também dívidas. Por isso, o dever de ressarcir o erário pode ser transmitido aos sucessores/herdeiros daquele que causar prejuízo ao erário até o limite do valor da herança recebida.

c) CERTA. Veja o que diz a Lei

8.4291/1992: Art. 13. A posse e o exercício de agente público ficam condicionados à apresentação de declaração dos bens e valores que compõem o seu patrimônio privado, a fim de ser arquivada no serviço

de pessoal competente.

d) Errada. Qualquer pessoa poderá

representar à autoridade administrativa competente para que seja instaurada investigação destinada a apurar a prática de ato de improbidade. Evidentemente, isso não impede que o Ministério Público entre com ações judiciais para que se apurem as devidas responsabilidades dos infratores.

e) Errada. Veja o que diz a Lei 8.429/1992:

Art. 19. Constitui crime a representação por ato de improbidade contra agente público ou terceiro beneficiário, quando o autor da denúncia o sabe inocente.

QUESTÕES COMENTADAS > PAPIloScoPIStA/RJ Direito Penal Profº Marcelo uzeda qUESTÃO 5 Os chamados tipos penais

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Direito Penal

Profº Marcelo uzeda qUESTÃO 5

Os chamados tipos penais permissivos autorizam a prática de determinadas condutas que, a princípio, seriam classificadas como antijurídicas. As excludentes de ilicitude penalmente positivadas são exemplos claros dessa espécie de permissão legal. Levando em conta o que ora se expõe, podemos afirmar corretamente que:

a) A violência sexual praticada por um dos cônjuges contra o outro constitui exercício

regular de direito, já que o débito conjugal inclui-se dentre os deveres do casamento.

b) O trote acadêmico praticado com violência não constitui ilícito penal, pois configura

exercício regular de direito.

c) As lesões corporais geradas em decorrência da prática de esportes não constituem

crime, mesmo quando forem inobservadas as normas de regência da atividade.

d) O castigo físico ou moral infringido a aluno por professor, desde que moderado e com a finalidade de educação, constitui estrito cumprimento do dever legal.

e) O castigo moderado aplicado pelos pais aos filhos menores, com objetivo de correção,

constitui regular exercício do poder familiar e ato penalmente lícito.

Gabarito comentado:

Resposta: E

a) Errada. O Código Civil, em seu

artigo 1.566, dispõe que, dentre os deveres de ambos os cônjuges, se impõe vida em comum, no domicílio conjugal, o que inclui a relação

sexual. Porém, tal direito não autoriza

o

cônjuge a praticar violência contra

o

outro, forçando-o ao ato sexual não

desejado. Assim, a conduta é ilícita, não sendo albergada por nenhuma causa de justificação.

b) Errada. O trote acadêmico, em

que pese ser conduta socialmente aceita, verdadeiro costume entre os universitários, não pode ser concebido como justificado quando há emprego de violência. Trata-se de abuso de direito (excesso).

c) Errada. As lesões decorrentes

da prática desportiva configuram exercício legal de direito, desde que observadas as regras da modalidade. Se não forem obedecidas as normas de regência, há abuso de direito, sendo a conduta ilícita.

d) Errada. O professor não tem o

dever nem o direito de castigar física ou moralmente o aluno. Há meios proporcionais de manter- se a disciplina ou impor alguma sanção por falta cometida, como por exemplo, suspensão de atividades escolares.

e) CERTA. Segundo entendimento da

doutrina moderna, no exercício do poder familiar, os pais tem direito de impor castigos moderados, devendo- se exigir cautela para evitar os

excessos, que podem desaguar em maus tratos (art. 136, CP) ou mesmo tortura (art. 1º, II, Lei 9455/97).