Вы находитесь на странице: 1из 10
PESQUISA
PESQUISA

FUNGOS MICORRÕZICOS

ARBUSCULARES

Fotos e ilustraÁıes cedidas pelos autores

CaracterÌsticas, associaÁ„o simbiÛtica e aplicaÁ„o na agricultura

Origem e caracterÌsticas dos fungos Glomaleanos

agricultura Origem e caracterÌsticas dos fungos Glomaleanos s plantas terrestres estabelecem simbioses mutualÌsticas ou

s plantas terrestres estabelecem simbioses mutualÌsticas ou parasÌticas com diversos microrganismos, os quais encontram ambientes favor·veis nas partes aÈreas ou subterr‚neas dos vegetais. As micorrizas s„o as relaÁıes mutualÌsticas mais comuns na natureza, sendo formadas por certos fungos do solo e as raÌzes da grande maioria das plantas (Smith & Read, 1997). Entre os sete tipos de micorrizas conhecidos, as micorrizas arbusculares (MAs), formadas por fungos da Ordem Glomales, s„o as mais comuns nos ecossistemas terrestres. Embora tradicionalmente classificados na Divis„o Zygomycota, os fungos micorrÌzicos arbusculares (FMAs) apresentam divergÍncias suficientes, com base na an·lise do RNA ribossÙmico 18S, para formarem uma nova Divis„o. Schufller et al. (2001) propuseram a Divis„o Glomeromycota para abrigar os organismos formadores de MAs, colocando esse grupo de fungos no mesmo nÌvel da hierarquia taxonÙmica que os tradicionais grupos basidiomicetos e ascomicetos. Existem fortes evidÍncias de que os FMAs desempenharam um papel crucial na conquista do ambiente terrestre pelas plantas (Redecker et al., 2000). Essa premissa È corroborada por evidÍncias de estudos de biologia molecular que confirmam que a origem dos FMAs coincide com a origem das plantas terrestres, h· cerca de 353-462 milhıes de anos (Simon et al., 1993). A origem dos FMAs foi tambÈm confirmada por an·lises em materiais fÛsseis do Devoniano, os quais revelaram a presenÁa de estruturas f˙ngicas similares ‡quelas formadas pelos fungos Glomaleanos atuais (Piro- zynski, 1981). Os FMAs s„o simbiotrÛficos obrigatÛrios, pois comple-

tam seu ciclo de vida apenas se estiverem associados a uma planta hospedeira, a qual lhes fornece carboidratos

e outros fatores necess·rios ao seu desenvolvimento e esporulaÁ„o (Siqueira et al., 1985). Essa aparente desvan- tagem da relaÁ„o com a planta, no entanto, È compensada pela ausÍncia de especificidade existente entre os FMAs e os hospedeiros. Normal- mente, uma determinada espÈcie f˙ngica pode colonizar as raÌzes de v·rios hospedeiros entre as Angiospermas, Gimnospermas e PteridÛfitas. Apesar de apenas 3% das espÈcies vegetais terem sido examinadas para a presenÁa de MAs, pode-se afirmar que cerca de 95% das espÈcies vegetais atuais pertencem a famÌlias que s„o caracteristicamente micorrÌzicas (Trappe, 1987). Assim, as MAs s„o a regra e n„o a exceÁ„o na natureza. FamÌlias de plantas tipicamente n„o-micorrÌzicas incluem Caryophylaceae, Brassicaceae, Chenopodiaceae, Juncaceae, Polygonaceae, Cypera- ceae, que parecem ter perdido a capacidade de formar essa associaÁ„o em tempos mais recentes, evolutivamente. Os FMAs podem ser encontrados em plantas herb·ceas, arbustivas ou arbÛreas que ocupam os mais diversos ecossistemas, como florestas, desertos, dunas, savanas, campos e agrossistemas. O longo tempo de co- evoluÁ„o entre os FMAs e as plantas pode explicar a presenÁa ubÌqua desses fungos nos ecossistemas. Eles invariavelmente associam-se ‡ maioria das plantas nativas dos trÛpico s e a espÈcies de interesse econÙmico como cafÈ, soja, milho, sorgo, maÁ„, citrus, feij„o, entre outras. No Brasil, os estudos realizados pelos autores sobre a

No Brasil, os estudos realizados pelos autores sobre a Figura 1. Segmento de raiz de gramÌnea,

Figura 1. Segmento de raiz de gramÌnea, mostrando o

aspecto microscÛpico da penetraÁ„o e colonizaÁ„o do cÛrtex

por fungo micorrÌzico arbuscular

JosÈ Oswaldo Siqueira

Eng o Agr o Ph.D. Prof. Titular de Microbiologia do Solo Universidade Federal de Lavras, Lavras,MG bolsista do CNPq siqueira@ufla.br

M·rcio R. Lambais

Eng o Agr o Ph.D. Prof. Associado de Microbiologia do Solo Escola Superior de Agricultura ìLuiz de Queirozî, USP, Piracicaba, SP bolsista do CNPq mlambais@esalq.usp.br

Sidney L. St¸rmer

BiÛlogo Ph.D. Prof. de Bot‚nica na UniversidadeRegionaldeBlumenau ñ FURB Blumenau-SC sturmer@furb.br

12 Biotecnologia CiÍncia & Desenvolvimento - n 25- marÁo/abril 2002

ocorrÍncia dos FMAs em ecossistemas naturais e em agrossistemas indicam que o n˙mero de espÈcies pode variar de 35 em dunas costei- ras atÈ mais de 40 em cultivos de cafÈ e no cerrado nativo. Essa diversidade representa aproximadamente 1/3 de to- das as espÈcies de Glomales descritas atÈ o momento. A estrutura das comunidades de FMAs nos diferentes siste- mas È bastante vari·vel. Por exemplo, trÍs espÈcies de Acaulospora ( A. scrobicula- ta , A. morrowiae e A. mellea) s„o as mais freq¸entemente encontradas em solos com

cafeeiros, enquanto que no cerrado, Scutellospora pellu- cida , Gigaspora margarita e para Glo- mus diaphanum s„o geralmente as espÈ- cies predominantes (Siqueira et al., 1989). Estudos sobre a ecologia desses simbi- ontes devem ser incentivados para ob- ter-se um invent·rio mais completo de sua diversidade taxonÙmica, fisiolÛgica e genÈtica. Essas informaÁıes poderiam ser utilizadas para a seleÁ„o de isolados eficientes para a aplicaÁ„o em processos biotecnolÛgicos de interesse agrÌcola ou ambiental. Os FMAs n„o produzem alteraÁıes morfolÛgicas visÌveis nas raÌzes das plan- tas, e, desta forma, um processo de coloraÁ„o e observaÁ„o ao microscÛpio È necess·rio para a visualizaÁ„o das estruturas f˙ngicas nas raÌzes coloniza- das ( figura 1). As MAs possuem trÍs componentes, quais sejam: a raiz da planta hospedeira, as estruturas forma- das no cÛrtex radicular (arb˙sculos e vesÌculas) e o micÈlio e esporos extra- radiculares ( figura 2 ). As vesÌculas, es- truturas globosas ou alongadas conten- do gr‚nulos de glicogÍnio e lipÌdios, s„o consideradas estruturas de estocagem dos fungos e podem ser formadas den- tro ou fora das cÈlulas do cÛrtex. Os arb˙sculos s„o as estruturas caracterÌsti- cas das MAs. S„o formados pela intensa

caracterÌsti- cas das MAs. S„o formados pela intensa Figura 2. IlustraÁ„o esquem·tica da anatomia de uma

Figura 2. IlustraÁ„o esquem·tica da anatomia de uma raiz com

micorrizaarbuscular

ramificaÁ„o de hifas intracelulares e s„o respons·veis pela troca de nutrientes entre os simbiontes. O desenvolvimento de arb˙sculos È acompanhado da inva- ginaÁ„o da membrana plasm·tica vege- tal, n„o comprometendo a integridade das cÈlulas radiculares. As hifas intra e extra-radiculares s„o importantes como prop·gulos para iniciar nova coloniza- Á„o, para gerar novos esporos, para aquisiÁ„o de nutrientes e ainda podem favorecer a agregaÁ„o do solo. O micÈlio extra-radicular pode atingir de 14 a 50 m g -1 de solo, diferenciando-se em hifas absortivas, as quais formam uma rede dicotomicamente ramificada que se es- tende solo adentro para absorÁ„o de nutrientes e ·gua. Os esporos formados pelos FMAs s„o assexuados e servem para sua disse- minaÁ„o e sobrevivÍncia ( figura 3 ). Pos- suem di‚metro que varia de 45 a 700 µm (os maiores encontrados no Reino Fun- gi), coloraÁ„o hialina, amarelada, esver- deada, amarronzada ou mesmo preta, e forma globosa, alongada ou muitas ve- zes irregular (Morton, 1988), podendo ter parede lisa ou ornamentada. Os tipos de esporos s„o distinguÌveis em funÁ„o de sua ontogenia, que, juntamente com caracterÌsticas estruturais, formam a base

da taxonomia e siste- m·tica dos FMAs. Al- guns tipos de esporo e aspectos da sua germi- naÁ„o s„o ilustrados na figura 3 . A diversidade estrutural nos esporos permite reconheceratu- almente cerca de 168 espÈcies de fungos Glo- maleanos, pertencen- tes a sete gÍneros dis- tribuÌdos em cinco fa- mÌlias (figura 4 ). Ape- sar de germinarem fa- cilmente em meios de cultura, o crescimento continuado e a espo-

rulaÁ„o dos FMAs n„o ocorrem na ausÍncia de cÈlulas vivas do hos- pedeiro. As dificuldades de se cultivar os FMAs in vitro representa um obst·culo ainda n„o superado, o qual tem limitado os estudos de sua biologia e desenvolvi- mento biotecnolÛgico.

Desenvolvimentoda associaÁ„o simbiÛtica

Os mecanismos que regulam o de- senvolvimento e funcionamento das MAs ainda n„o foram elucidados. AlÈm do crescimento intercelular, o processo de colonizaÁ„o das raÌzes pelos FMAs È caracterizado pelo crescimento intrace- lular das hifas no tecido cortical e por diferenciaÁ„o de hifas intracelulares ter- minais em arb˙sculos ( figura 2 ). Apesar do crescimento intrarradicular extensi- vo, normalmente observado nessa asso- ciaÁ„o, as reaÁıes de defesa da planta s„o brandas e localizadas, sugerindo a existÍncia de um mecanismo de reco- nhecimento m˙tuo entre os simbiontes,

o qual È controlado por genes do fungo

e da planta. A sinalizaÁ„o molecular entre os sim- biontes deve ter inÌcio muito antes de seu contato fÌsico. Os esporos germinam quando as condiÁıes de umidade, tem- peratura e press„o parcial de CO 2 s„o

umidade, tem- peratura e press„o parcial de CO 2 s„o Figura 3. Esporos de fungos Glomaleanos.

Figura 3. Esporos de fungos Glomaleanos. (a) detalhe de cÈlula suspensora bulbosa em Gigaspora sp.; (b) Scutellospora spp mostrando o escudo de germinaÁ„o; (c) fotomicrografia de Gigaspora margarita mostrando tubo germinativo prÛximo ‡ hifa de sustentaÁ„o, (d) detalhe da base do tubo na parede do esporo, (e) detalhe de uma cÈlula auxiliar produzida in vitro e (f) fotomicrografia de Glomus sp na rizosfera

Biotecnologia CiÍncia & Desenvolvimento - n 25- marÁo/abril 2002

13

Tabela 1 ñ As aÁıes das micorrizas arbusculares no crescimento das plantas

AÁ„o

Mecanismos principais

Biofertilizadora

Maior absorÁ„o e utilizaÁ„o de nutrientes do solo. Favorecimento da nodulaÁ„o e fixaÁ„o de N 2 em leguminosas. AmenizaÁ„o de estresses nutricionais e nutriÁ„o balanceada. Acessos a nutrientes pouco disponÌveis.

Biocontroladora AÁ„o de biocontrole sobre certos patÛgenos e pragas. ReduÁ„o de danos causados por pragas e doenÁas. AmenizaÁ„o de estresses causados por fatores diversos como metais pesados e poluentes org‚nicos. Efeitos benÈficos na agregaÁ„o do solo, melhora a conservaÁ„o da ·gua e do solo.

Biorreguladora

Atua na produÁ„o/ac˙mulo de subst‚ncias reguladoras do crescimento (desenvolvimento e floraÁ„o). Interfere favoravelmente na relaÁ„o ·gua-planta (aumenta toler‚ncia a dÈficit hÌdrico); AlteraÁıes bioquÌmicas e fisiolÛgicas (ac˙mulo de certos metabÛlitos secund·rios).

favor·veis, e n„o h· evidÍncias de sina- lizaÁ„o nesse est·dio de desenvolvimen- to. No entanto, quando nas proximida- des das raÌzes de plantas hospedeiras, o cresciment o e a ramificaÁ„o de hifas de esporos germinados s„o altamente esti- mulados ( figura 5 ), sugerindo existÍncia de uma sinalizaÁ„o especÌfica. De fato, fatores presentes nos exsudatos de plan- tas hospedeiras estimulam o crescimen- to ( figura 6 ) e a ramificaÁ„o de hifas ( figura 5 ), e sua divis„o nuclear (Buee et al., 2000; Douds & Nagahashi, 2000). Ao contr·rio do que ocorre com cÈlulas de hospedeiros, aquelas de n„o hospedei-

ros n„o estimulam o crescimento do fungo. A natureza dessas molÈculas si- nais ainda n„o foi determinada. Embora certos compostos fenÛlicos sintetizados por plantas, como os flavonÛides, flavo- nonas e isoflavonÛides estimulem o cres- cimento de hifas in vitro (Nair et al., 1991; BÈcard et al., 1992; BÈcard et al., 1995) e a colonizaÁ„o micorrÌzica (Siqueira et al., 1991), a essencialidade desses com- postos para o desenvolvimento da sim- biose, como ocorre em interaÁıes legu- minosas-rizÛbios, n„o foi demonstrada. Estudos com mutantes de milho defici- entes em chalcona sintase, enzima cha-

ve na sÌntese dos flavonÛides, indicam que esses compostos fenÛlicos n„o s„o necess·rios para o desenvolvimento de MAs (BÈcard et al., 1995). Essenciais ou n„o, flavonÛides estimulam a coloniza- Á„o micorrÌzica e apresentam grande potencial de aplicaÁ„o pr·tica, como abordado neste artigo. A primeira e mais importante indica- Á„o de reconhecimento de um hospe- deiro compatÌve l È a diferenciaÁ„o de hifas f˙ngicas em apressÛrios (Staples & Macko, 1980). A formaÁ„o de um apres- sÛrio funcional, apÛs um perÌodo de proliferaÁ„o e ramificaÁ„o abundante

Figura 4. ClassificaÁ„o atual dos FMAs mostrando as caracterÌsticas que definem as famÌlias e gÍneros
Figura 4. ClassificaÁ„o atual dos
FMAs mostrando as caracterÌsticas
que definem as famÌlias e gÍneros
de Glomales. Elaborada e atualizada
conforme informaÁıes do INVAM
(http://invam.caf.wvu.edu)

14 Biotecnologia CiÍncia & Desenvolvimento - n 25- marÁo/abril 2002

Tabela 2 ñ Exemplos de culturas, fungos eficientes e efeitos da inoculaÁ„o no Brasil (Siqueira & Klauberg Filho, 2000)

Cultura

Fungos eficientes

Efeitos da inoculaÁ„o

Abacaxi

Glomus clarum, Gigaspora margarita e Glomusintraradices

Melhor desenvolvimento de mudas micropropagadas.

Cafeeiro

Glomus clarum, Gigaspora margarita, Glomus etunicatum

Melhor desenvolvimento de mudas, melhor sobrevivÍncia no campo e maior produÁ„o.

Citros

Acaulospora morrowiae, Glomus clarum, Gl. etunicatum, Glomus intraradices, Glomusfasciculatum

Crescimento mais r·pido de porta enxertos e de mudas no campo.

Leguminosas

Glomus etunicatum, Glomus clarum

Favorecimento da nodulaÁ„o, do ac˙mulo de N, da produÁ„o de gr„os e da toler‚ncia ao dÈficit hÌdrico.

Milho

Glomus clarum, Glomus etunicatum

NutriÁ„o favorecida, melhor ia do crescimento e da produÁ„o.

Mam„o

Glomus etunicatum, Entrophospora colombiana

Melhor desenvolvimento inicial e de nutriÁ„o de mudas.

Tomate

Glomus clarum, Glomus etunicatum, Gigasporamargarita

Crescimento estimulado e maior eficiÍncia de uso de fÛsforo.

Plantas arbÛreas:

Glomus clarum, Glomus etunicatum, Glomusfasciculatum

Essencial para o desenvolvimento de mudas de espÈcies de semente pequena e crescimento r·pido.

reflorestamento e

frutÌferas

das hifas de FMAs na rizosfera do hos- pedeiro e ades„o ‡ superfÌcie da cÈlula vegetal, resulta em penetraÁ„o e posteri- or colonizaÁ„o do tecido cortical. A formaÁ„o de apressÛrios depende do genoma da planta hospedeira, de modo que o fungo n„o È capaz de formar apressÛrios funcionais em raÌzes de plan- tas n„o-hospedeiras, muito embora dila- taÁıes de hifas semelhantes a apressÛri- os possam ser observadas quando o fungo È colocado prÛximo ‡s raÌzes ( figura 5). Esses resultados sugerem a existÍncia de fatores essenciais para a completa diferenciaÁ„o das hifas em apressÛrios funcionais (Giovannetti et al., 1993). Nagahashi & Douds (1997) observaram que a diferenciaÁ„o de hifas em apressÛrios È dependente do reco-

nhecimento especÌfico da parede de cÈlulas epidÈrmicas em plantas hospe- deiras. O processo de colonizaÁ„o, propria- mente dito, tem inÌcio na superfÌcie da raiz, com a penetraÁ„o resultante da combinaÁ„o de press„o mec‚nica e de- gradaÁ„o enzim·tica parcial da parede celular vegetal. A produÁ„o de enzimas hidrolÌticas como pectinases, celulases e hemicelulases por FMAs tem sido do- cumentada e pode ser essencial para o desenvolvimento da simbiose. A coloni- zaÁ„o intrarradicular È limitada aos teci- dos externos ‡ endoderme, e se d· pelo crescimento inter- e intracelular das hi- fas. O crescimento intracelular inicial È caracterizado pela formaÁ„o de enove- lamentos de hifas transcelulares e pela

de enove- lamentos de hifas transcelulares e pela Figura 5. Esporo germinado e crescendo na rizosfera

Figura 5. Esporo germinado e crescendo na rizosfera de uma planta hospedeira (a) e resposta induzida pela presenÁa de componentes de exsudatos da planta (b)

invaginaÁ„o da membrana plasm·tica vegetal, de modo que n„o existe com- prometimento da integridade das cÈlulas hospedeiras. Esse processo È acompa- nhado tambÈm pela deposiÁ„o de mate- rial semelhante ‡ parede celular vegetal ao redor da hifa, criando uma regi„o apopl·stica (interface) com caracterÌsti- cas bioquÌmicas especÌficas ( figura 7). Em algumas cÈlulas corticais, hifas intra- celulares se diferenciam em arb˙sculos. Durante esse processo, a parede celular f˙ngica se torna amorfa, desaparecendo as cadeias de quitina cristalina. Adicio- nalmente, intensa sÌntese de membrana plasm·tica, fragmentaÁ„o do vac˙olo, aumento do volume de citoplasma, de- crÈscimo no n˙mero de amiloplastos, movimentaÁ„o do n˙cleo, rearranjo do citoesqueleto e aumento da atividade de transcriÁ„o gÍnica s„o tambÈm altera- Áıes observ·veis durante o desenvolvi- mento dos arb˙sculos (Bonfante & Pe- rotto, 1995). AlteraÁıes bioquÌmicas no fungo e no hospedeiro ocorrem n„o somente durante o desenvolvimento de arb˙scu- los, mas tambÈm durante o processo de colonizaÁ„o intrarradicular. EvidÍncias de alteraÁıes do metabolismo do fungo s„o dadas pelas observaÁıes da ativida- de e localizaÁ„o de ATPases e da ativida- de de fosfatase alcalina vacuolar (Saito, 1995). Durante o crescimento de hifas de esporos germinados, ATPases ativas s„o localizadas prÛximo ‡ extremidade das hifas, enquanto em hifas intercelulares e nos arb˙sculos elas se localizam ao

Biotecnologia CiÍncia & Desenvolvimento - n 25- marÁo/abril 2002

15

Figura 6. Efeito da presenÁa de suspens„o de cÈlulas de plantas hospedeiras e n„o hospedeiras

Figura 6. Efeito da presenÁa de suspens„o de cÈlulas de plantas hospedeiras e n„o hospedeiras no crescimento micelial assimbiÛtico da Gigaspora gigantea em meio de cultura (Dados de Paula & Siqueira, 1990)

longo de toda a membrana plasm·tica f˙ngica. J· a atividade de fosfatase alca- lina vacuolar È maior durante o processo de colonizaÁ„o das raÌzes, comparada ‡ atividade em hifas proveniente de espo- ros germinados. No hospedeiro, a ex- press„o diferencial de v·rios genes en- volvidos na defesa vegetal contra o ata- que de patÛgenos, avaliada com base em atividades enzim·ticas, ac˙mulo de proteÌnas e/ou de mRNAs, tem sido observada durante o desenvolvimento das MAs, podendo ter papel fundamen- tal no controle da colonizaÁ„o intrarradi- cular (Lambais, 2000). O crescimento de FMAs no interior das raÌzes parece ser um processo ìcon- troladoî, j· que a colonizaÁ„o de tecidos meristem·ticos e/ou de vasos conduto- res n„o È observada. Adicionalmente, nem todas as cÈlulas corticais s„o infec- tadas e a diferenciaÁ„o de hifas terminais em arb˙sculos ocorre somente em algu- mas das cÈlulas colonizadas. No entan- to, os fatores atuantes nesse controle s„o desconhecidos. A regulaÁ„o do desen- volvimento e da funcionalidade das MAs envolve uma complexa troca de sinais entre os simbiontes, a qual pode ser afetada tambÈm pelas condiÁıes ambi- entais. O resultado dessa sinalizaÁ„o È a sÌntese dos simbiossomos, representa- dos pelos arb˙sculos, membrana periar- buscular e interfaces caracterÌsticas ( fi- gura 7 ). Apesar da colonizaÁ„o extensiva das raÌzes pelos FMAs, n„o h· desenvolvi- mento de sintomas evidentes de resposta de hipersensibilidade (ac˙mulo de fito-

alexinas e morte das cÈlulas microbianas ou do hospedeiro) em MAs (Gianinazzi, 1991). O ac˙mulo de fitoalexinas ocorre predominantemente nas fases mais tar- dias do desenvolvimento da simbiose, e atinge concentraÁıes muito inferiores ‡quelas observadas em interaÁıes com fungos fitopatogÍnicos. A ausÍncia de reaÁıes de hipersensibilidade È, da mes- ma forma, observada na simbiose entre leguminosas e rizÛbios. Aparentemente, esses microssimbiontes s„o reconheci- dos pelos hospedeiros de modo a for- marem interaÁıes compatÌveis de longa duraÁ„o (Lambais & Mehdy, 1995). A utilizaÁ„o de modelos de sinaliza- Á„o e regulaÁ„o gÍnica que ocorrem nas simbioses leguminosas-rizÛbios tem con- tribuÌdo para melhor entendimento dos processos atuantes em MAs. A existÍncia de fatores comuns entre os dois tipos de simbiose tem sido sugerida pelo fato de que mutantes de plantas de ervilha que n„o s„o capazes de desenvolver micor- riza tÌpica, e tÍm a colonizaÁ„o bloque- ada em um est·dio imediatamente pos- terior ‡ formaÁ„o do apressÛrio (myc - precoces), s„o tambÈm n„o-nodulantes, i.e., nod - (Gianinazzi-Pearson et al., 1995). Mutantes que formam nÛdulos n„o-fixa- dores, i.e., nod + fix - , tambÈm n„o desen- volvem micorriza tÌpica. Nesse caso, ocorre penetraÁ„o e colonizaÁ„o inter- celular, mas n„o h· formaÁ„o de arb˙s- culos, definindo os mutantes myc - tardi- os (Lambais, 1996). Diferente dos mutan- tes myc - precoces de ervilha, mutantes de Lotus japonicus n„o-nodulantes tÍm o desenvolvimento da micorriza bloquea-

16 Biotecnologia CiÍncia & Desenvolvimento - n 25- marÁo/abril 2002

do na colonizaÁ„o do cÛrtex, e foram denominados Coi - (ìcortex invasionî) (Wegel et al., 1998). RaÌzes micorrizadas sintetizam tambÈm proteÌnas imunologi-

camente relacionadas com nodulinas, proteÌnas especÌficas de nÛdulos de le- guminosas (Wyss et al., 1990; Perotto et al., 1994), e fatores Nod sintetizados por rizÛbios s„o capazes de estimular a co- lonizaÁ„o intrarradicular de fungos mi- corrÌzicos (Xie et al., 1995). Tem sido sugerido que a coloniza- Á„o intrarradicular por FMAs depende da capacidade do fungo em evitar a ativa- Á„o ou mesmo em suprimir o sistema de defesa vegetal. A n„o ativaÁ„o do sistema de defesa vegetal pode estar associada ‡ maior atividade de enzimas anti-oxidan- tes (catalase, por exemplo) em raÌzes micorrizadas (Lambais, 2000). As ativida- des de quitinases s„o induzidas nos est·dios iniciais do desenvolvimento da simbiose, e suprimidas posteriormente a nÌveis inferiores aos observados em plan- tas sem micorrizas. Essa supress„o È atenuada em condiÁıes de alto P, onde

a colonizaÁ„o È inibida. Em condiÁıes

de alto P, o ac˙mulo de mRNAs codifi-

cando uma isoforma ·cida de quitinase

È induzido em cÈlulas contendo arb˙s-

culos ou sua vizinhanÁa (Lambais & Mehdy, 1993). As atividades de -1,3- glucanases s„o tambÈm suprimidas em certos est·dios do desenvolvimento da simbiose, e dependem da concentraÁ„o de P. Em condiÁıes de baixo P, tem sido observado ac˙mulo de mRNAs codifi- cando uma isoforma de -1,3-glucanase, homÛloga a uma isoforma b·sica de soja, em cÈlulas contendo arb˙sculos e suas imediaÁıes. AlÈm da induÁ„o loca- lizada, uma supress„o sistÍmica, em con- diÁıes de alto P ou em raÌzes micorriza- das, tambÈm tem sido observada (Lam- bais & Mehdy, 1998). Os mecanismos que controlam o sistema de defesa vege- tal podem envolver a regulaÁ„o diferen- cial de isoformas de quitinases e -1,3- glucanases, em conseq¸Íncia de altera- Áıes hormonais e/ou sÌntese de molÈcu- las elicitoras/supressoras especÌficas (Lam- bais, 2000). O desenvolvimento de novas tÈcni- cas de an·lise de express„o gÍnica, como hibridizaÁ„o em microarrays (arranjos ordenados de milhares de genes em l‚minas de vidro especiais), an·lise siste- m·tica de ESTs (Expressed Sequence Tags) e SAGE (Serial Analyses of Gene Expression), bem como a an·lise de proteomas de raÌzes micorrizadas por eletroforese bi-dimensional e espectro- metria de massa, permitir· um melhor entendimento dos mecanismos que con-

Figura 7. Enzimas e sinais moleculares de origem f˙ngica ou vegetal secretados na interface apopl·stica

Figura 7. Enzimas e sinais moleculares de origem f˙ngica ou vegetal secretados na interface apopl·stica de micorrizas arbusculares

trolam a formaÁ„o de MAs e poder· contribuir para a efetiva aplicaÁ„o em larga escala dos FMAs na agricultura.

Efeitos no crescimento das plantas

Embora as MAs sejam conhecidas desde o inÌcio do sÈculo XIX, seus efeitos benÈficos para as plantas sÛ foram documentados no sÈculo passa-

do, quando verificou-se que certas espÈ- cies vegetais apresentavam desenvolvi- mento retardado e sintomas de dist˙rbi- os (deficiÍncias) nutricionais quando cultivadas em solos esterilizados para controle de patÛgenos. No perÌodo de 1950-60, experi- mentos confirmativos desen- volvidos na Inglaterra e nos Estados Unidos evidencia- ram que plantas inoculadas com prop·gulos de fungos extraÌdos do solo desenvol- viam-se melhor ( figura 8), por conterem teores mais elevados de nutrientes mi- nerais, especialmente da- queles pouco mÛveis no solo, como fÛsforo, zinco e cobre, cuja absorÁ„o È faci- litada pelas hifas externas ( figura 2). Sabe-se, no en- tanto, que, devido a efeitos secund·rios da micorriza- Á„o, outros nutrientes s„o

tambÈm absorvidos em mai- or quantidade em plantas micorrizadas. Embora os efeitos das MAs sejam mais

consistentes para os nutrientes de baixa mobilidade, os FMAs interferem direta ou indiretamente na absorÁ„o de outros elementos como Br, I, Cl, Al e Si e metais pesados. Os efeitos nutricionais depen- dem da disponibilidade relativa dos ele- mentos no meio de crescimento e da exigÍncia da planta a eles, sendo mais acentuados em condiÁıes de deficiÍn- cia, especialmente de P. A absorÁ„o de P tem relaÁ„o direta com o crescimento da planta, sendo que quando este atinge concentraÁıes prÛximas da adequada, a colonizaÁ„o das raÌzes È inibida por mecanismos auto-regulatÛrios da simbi- ose, tornando as MAs desnecess·rias e

incompatÌveis com as condiÁıes de ex- cesso de nutrientes no solo. A maior absorÁ„o de nutrientes re- sulta de in˙meros mecanismos, como aumento na superfÌcie e capacidade de absorÁ„o das raÌzes, maior acessibilida- de aos nutrientes, utilizaÁ„o de formas n„o disponÌveis a raÌzes n„o-coloniza- das, por solubilizaÁ„o e mineralizaÁ„o de nutrientes na rizosfera, e amenizaÁ„o de fatores adversos ‡ absorÁ„o, como metais, compostos org‚nicos tÛxicos e patÛgenos que atacam o sistema radicu- lar (Siqueira, 1994). A contribuiÁ„o das micorrizas para a absorÁ„o de alguns nutrientes tem sido estimada em 80% para o P, 60% para o Cu e entre 10% a 25% para os demais nutrientes (Marsch- ner & Dell, 1994). Se a difus„o quÌmica no solo È limitante, as hifas podem aumentar a ·rea de absorÁ„o em atÈ 1800% (Okeefe & Sylvia, 1991). AlÈm da alta capacidade e eficiÍncia de absorÁ„o

de P, as hifas crescem a partir das raÌzes solo adentro ( figura 2 ), absorvendo este

e outros nutrientes fora da zona de

esgotamento que se desenvolve prÛxi- mo ‡ superfÌcie das raÌzes absorventes, transferindo-os para o hospedeiro nos arb˙sculos.

Devido ao fato da disponibilidade de

N

e P ser o principal fator limitante para

o

cresciment o e a produtividade das

plantas, os FMAS apresentam grande potencial como insumo biolÛgico para a agricultura. A inoculaÁ„o de milho e soja com isolados f˙ngicos eficientes pode reduzir em 34% e 56% o requerimento

externo de fertilizante fosfatado, respec- tivamente (Siqueira, 1994). Essa reduÁ„o representa um efeito ìbioferti- lizante equivalenteî estimado de 30 e 60kg de P 2 O 5 aplicado ao solo, respectivamente, para essas culturas. Considerando- se a ·rea plantada com soja e milho no paÌs, cerca de 28 milhıes de ha, e o efeito das MAs em condiÁıes de campo, aproximadamente um terÁo do que È observado em condi- Áıes controladas, pode-se es- timar que a contribuiÁ„o dessa simbiose para a economia com fertilizantes fosfatados nestas culturas seria da ordem de US$ 250 milhıes no Brasil. O efeito biofertilizante varia para as di- ferentes culturas em funÁ„o da exigÍncia nutricional, efici-

Íncia de absorÁ„o e de uso do nutriente, assim como da ca- pacidade de formar uma sim- biose eficiente com o fungo e

pacidade de formar uma sim- biose eficiente com o fungo e Figura 8. Resposta do ipÍ:

Figura 8. Resposta do ipÍ: c - sem inoculaÁ„oem- inoculada (a) e do citros (b) ‡ inoculaÁ„o com FMAs. Foto de citros cedida por A. Colozzi-Filho-IAPAR- Londrina, correspondendo a plan- tas sem e com inoculaÁ„o em solo fumigado e n„o fumigado

Biotecnologia CiÍncia & Desenvolvimento - n 25- marÁo/abril 2002

17

Figura 9. Atividades de Pesquisa e Desenvolvimento visando ‡ aplicaÁ„o de fungos micorrÌzicos arbusculares na

Figura 9. Atividades de Pesquisa e Desenvolvimento visando ‡ aplicaÁ„o de fungos micorrÌzicos arbusculares na agricultura

do nÌvel de fertilidade ou manejo da adubaÁ„o. Em condiÁıes nutricionais Ûtimas, a colonizaÁ„o intrarradicular È reduzida, assim como os benefÌcios do fungo. No caso do N, as plantas com micorrizas absorvem mais o N disponÌ- vel no solo e evidÍncias recentes indi- cam que os FMAs s„o capazes de mine- ralizar N org‚nico no solo, facilitando assim a nutriÁ„o nitrogenada das plan- tas. … interessante tambÈm o sinergismo que existe entre os FMAs e bactÈrias diazotrÛficas. No caso do rizÛbio, a nodulaÁ„o e a quantidade de N fixada pelas leguminosas È favorecida em plan- tas inoculadas com FMAs. Um dos meca- nismos envolvidos nessa relaÁ„o È a maior absorÁ„o de P do solo, nutriente exigido em grande quantidade para a fixaÁ„o biolÛgica de N 2 . Em solo de cerrado adubado com metade da quan- tidade de fosfato Ûtima, a inoculaÁ„o com FMAs dobrou a quantidade acumu- lada de N na soja. Em sistema de sorgo consorciado com soja, a inoculaÁ„o com FMAs favoreceu a transferÍncia de N da soja para o sorgo, de modo que a produÁ„o de gr„os deste aumentou em 67% e 157% na ausÍncia ou presenÁa de fungomicorrÌzico, respectivamente (Bres- san, 1996).

AlÈm dos efeitos nutricionais, as mi- corrizas exercem outros papÈis sobre a planta hospedeira, os quais s„o resumi- dos na tabela 1 . Plantas micorrizadas s„o menos danificadas por danos causa- dos por diversos tipos de estresse do solo ou ambientais, facilitando seu esta- belecimento e sobrevivÍncia em locais adversos. As MAs s„o componentes es- senciais em programas de recuperaÁ„o de ·reas degradadas e solos poluÌdos com metais pesados ou compostos org‚- nicos poluentes.

AplicaÁ„o dos FMAs na agricultura

Devido ‡ sua natureza ubÌqua, ‡ ausÍncia de especificidade hospedeira e ‡ susceptibilidade generalizada das plan- tas ‡ micorrizaÁ„o, os FMAs apresentam enorme potencial biotecnolÛgico. Al- guns exemplos da aplicaÁ„o desses fun- gos na agricultura e no reflorestamento s„o apresentados na tabela 2 . Sua explo- raÁ„o È viabilizada pelo aumento da taxa de micorrizaÁ„o das plantas, que pode ser conseguido: a) pela inoculaÁ„o com isolados f˙ngicos selecionados; b) por pr·ticas de manejo seletivo da popula- Á„o f˙ngica indÌgena dos solos agrÌcolas

18 Biotecnologia CiÍncia & Desenvolvimento - n 25- marÁo/abril 2002

e; c) mais recentemente, pela aplicaÁ„o de compostos estimulantes da micorri- zaÁ„o. A inoculaÁ„o garante efeitos benÈfi- cos, podendo ser efetuada no solo du- rante a semeadura de plantas anuais e de pastagens, na repicagem de mudas de plantas olerÌcolas, na formaÁ„o de mu- das de espÈcies arbustivas ou arbÛreas (figura 9 ) com finalidades agronÙmica, florestal, de recuperaÁ„o ambiental e de ornamentaÁ„o. As respostas da inocula- Á„o variam de 10% a 800% em aumento

da biomassa vegetal (Siqueira & Franco, 1988), e s„o maiores, mais consistentes e promissoras em plantas que passam por fase de formaÁ„o de mudas. No entanto,

a aplicaÁ„o desses fungos em larga esca-

la È ainda muito limitada, principalmente

pela falta de inoculante aceito comerci- almente. A principal raz„o para essa falta de inoculant e È o car·ter biotrÛfico obri-

gatÛrio do fungo, que exige que sua propagaÁ„o seja feita em plantas multi- plicadoras. S„o conhecidos v·rios siste- mas para a multiplicaÁ„o de prop·gulos, em solo desinfestado, substratos inertes, sistemas hidropÙnicos e aeropÙnicos, e produÁ„o de inoculantes. Em condiÁıes favor·veis apropriadas, pode-se obter atÈ 200.000 esporos de FMAs por litro de substrato em 4 meses, o que seria sufici- ente para inocular de 2.000 a 3.000 mudas. O estabelecimento de padrıes de qualidade de inoculantes, conside- rando-se aspectos de pureza e sanidade,

È essencial para o desenvolvimento co-

mercial desses fungos. Pacotes tecnolÛ- gicos para aplicaÁıes diversas j· foram desenvolvidos, com o È o caso da inocu- laÁ„o do cafeeiro (Saggin J˙nior & Si- queira, 1996), cuja viabilidade tÈcnica j· foi demonstrada no Brasil e sua aplica- Á„o È concretizada na ColÙmbia, onde existem v·rias empresas produtoras de inoculantes. Mudas inoculadas com es- poros de fungos selecionados ( figura 10 ) desenvolvem-se mais rapidamente no viveiro, sobrevivem melhor quando transplantadas para o campo e produ- zem mais. Aumentos de produÁ„o no primeiro ano variam de 30% a 800%, enquanto que, nos anos seguintes, esses efeitos s„o muito inconsistentes. Valores mÈdios para aumento de produÁ„o nos cinco primeiros anos, em diversos expe- rimentos realizados em Lavras e PatrocÌ- nio (MG), s„o da ordem de 50% em relaÁ„o ‡s mudas sem inoculaÁ„o na formaÁ„o. Isso representa um aumento de produtividade acumulada de 35 sacas de cafÈ beneficiado por ha no perÌodo. Esses estudos revelaram efeitos comple- mentares entre a aplicaÁ„o de P com a

Figura 10. Suspens„o de esporos obtida de vasos de multiplicaÁ„o pronta para uso em inoculaÁıes

Figura 10. Suspens„o de esporos obtida de vasos de multiplicaÁ„o pronta para uso em inoculaÁıes (a) e mudas de cafeeiro micorrizadas preparadas para o plantio no campo (b)

resposta do cafeeiro ‡ micorrizaÁ„o. Sem P n„o h· resposta ‡ inoculaÁ„o e a dose de P necess·ria para atingir a produÁ„o m·xima foi de 207 e 100 g de P 2 O 5 por planta, sem e com inoculaÁ„o na formaÁ„o, respectivamente. Portanto, em solos de cerrado, a micorriza pode reduzir a necessidade de P do cafeeiro ‡ metade (Siqueira et al 1998). Nos cultivos anuais extensivos, a inoculaÁ„o com FMAs n„o È vi·vel, devido ao grande volume de inoculante que seria necess·rio. Nesse caso, uma alternativa seria o manejo da populaÁ„o

de fungos indÌgenas que, embora pre- sentes em todos os solos, n„o se encon- tram em quantidades suficientes para atingir, em tempo, taxas de colonizaÁ„o necess·rias para garantir benefÌcios ‡s culturas de ciclo curto como milho, soja, feij„o. Conhecendo os fatores ed·ficos e culturais que influenciam os FMAs, suas populaÁıes podem ser manejadas. … relativamente f·cil aumentar a densida- de de prop·gulos no solo, porÈm difÌcil promover alteraÁıes qualitativas especÌ- ficas. Em geral, o cultivo mÌnimo do solo, o uso reduzido de agroquÌmicos e o

cultivo mÌnimo do solo, o uso reduzido de agroquÌmicos e o Figura 11. RepresentaÁ„o esquem·tica das

Figura 11. RepresentaÁ„o esquem·tica das etapas da descoberta de subst‚ncias vegetais bioativas e desenvolvimento de produtos estimulan- tes da micorrizaÁ„o

cultivo com leguminosas favorecem os FMAs. J·, o cultivo com espÈcies n„o micotrÛficas, como crucÌferas e mem- bros da Chenopodiaceae, e monocultu- ras de gramÌneas de uso prolongado reduzem a densidade de prop·gulos no solo.

A identificaÁ„o de compostos org‚-

nicos ativos sobre os FMAs em exsuda- tos de plantas sob estresse nutricional (Nair et al., 1990, Paula e Siqueira, 1990) possibilitou o desenvolvimento de uma nova estratÈgia para estimular os prop·- gulos desses fungos em solos agrÌcolas ( figura 11 ). Compostos naturais de alta atividade sobre os FMAs in vitro e na micorrizaÁ„o foram encontrados e servi- ram de base para o desenvolvimento de produtos estimulantes da micorrizaÁ„o (US patent no. 5.002.603, de 03/1991). Durante a dÈcada de 90, estudos de P &

D conduzidos por pesquisadores da

Michigan State University (MSU), nos EUA, e da Universidade Federal de La- vras (MG) permitiram o desenvolvimen-

to de formulaÁıes comerciais ‡ base de formononetina sintÈtica (figura 12) como

o Myconate TM , atualmente produzido pela VAMTech (L.C.C.,EUA), sob licenÁa

da MSU. Em experimentos realizados em

Lavras (MG), a aplicaÁ„o de 60 a 100 g de

Myconate no solo ou na semente au- mentou a produtividade do milho de 8,0 t ha -1 no controle para 10,4 t ha -1 no

melhor tratamento, correspondendo a 37 sacas ha -1 ( figura 13). Respostas se- melhantes foram encontradas para a soja no Brasil ( figura 12 ) e para esta e outras culturas em outros paÌses (Nair et

al 1999). Devido ‡ predomin‚ncia de

solos pobre s e ‡ alta exigÍncia de P das culturas, o Brasil apresenta enorme po- tencial para essa tecnologia, a qual j· foi licenciada para uma empresa nacional

do ramo de insumos biolÛgicos. Testes

finais de campo est„o sendo realizados

visando ao registr o e ‡ comercializaÁ„o

do Myconate. Para obter-se sucesso com

o emprego de produtos ‡ base de isofla-

vonÛides È importante considerar: a) a

cultura deve ser micotrÛfica e apresentar alta compatibilidade com os fungos indÌ- genas; b) deve haver prop·gulos vi·veis

no solo, porÈm em densidade abaixo da

necess·ria para atingir m·xima coloniza-

Á„o; c) as condiÁıes nutricionais ou

ambientais devem impor algum grau de estresse para garantir os benefÌcios da melhor micorrizaÁ„o; d) a viabilidade tecnolÛgica depende de benefÌcios con- sistentes na produtividade e/ou reduÁ„o

no uso de insumos, como os fertilizantes fosfatados.

A aplicaÁ„o dos FMAs em larga esca-

Biotecnologia CiÍncia & Desenvolvimento - n 25- marÁo/abril 2002

19

Figura 12. Formononetina pura e incorporada em veÌculo para aplicaÁ„o (a), lavoura experimental de milho

Figura 12. Formononetina pura e incorporada em veÌculo para aplicaÁ„o (a), lavoura experimental de milho tra- tada com Myconate (b), produÁ„o de soja em Lavras-MG (c), Formononetina (d)

la poder· contribuir para reduÁ„o no uso de agroquÌmicos, diminuir as perdas das culturas causadas por estresses di- versos e aumentar a produÁ„o, e, ao mesmo tempo, favorecer a conservaÁ„o ambiental. Portanto, os FMAs s„o impor- tantes componentes da produÁ„o agrÌ- cola e, se manejados adequadamente, podem contribuir substancialmente para a sustentabilidade dos agrossistemas. Nos trÛpicos tambÈm s„o componentes im- portantes na recuperaÁ„o de ·reas de- gradadas, especialmente quando se em- prega a fitorremediaÁ„o. Sua aplicaÁ„o como insumo biolÛgico depender· de v·rios aspectos:

a) exploraÁ„o comercial em larga escala: est· condicionada a avanÁos reais para produÁ„o de inoculantes, ma- nipulaÁ„o da populaÁ„o indÌgena atra- vÈs de manejo especÌfico ou do empre- go de produtos estimulantes da micorri- zaÁ„o; b) È necess·rio ampliar a experimen-

taÁ„o, em campo para obter-se resulta-

dos experimentais conclusivos e realizar an·lise da consistÍncia, longevidade e custo/benefÌcio da inoculaÁ„o;

c) o mercado de fertilizantes, no que

diz respeito ao preÁo relativo do produ-

to, disponibilidade dos adubos para os

produtores e esgotamento de matÈrias- primas industriais, È de grande import‚n- cia. PreÁos altos ou relaÁıes de troca com produtos desfavor·veis facilitar„o a aplicaÁ„o dos FMAs na agricultura;

d) o enfoque ecolÛgico da produÁ„o

agrÌcola visando sustentabilidade, impli- car· na reduÁ„o da mecanizaÁ„o e do uso de agroquÌmicos, facilitando o em- prego dos FMAs. A maior conscientiza- Á„o dos agricultores e da sociedade

sobre a necessidade de preservaÁ„o am- biental e conservaÁ„o de recursos natu- rais amplia as oportunidades para tecno- logias biolÛgicas seguras, como os FMAs, que s„o aliados ancestrais das plantas no ambiente terrestre.

s„o aliados ancestrais das plantas no ambiente terrestre. Figura 13. Efeitos de formulaÁıes de formononetina

Figura 13. Efeitos de formulaÁıes de formononetina aplicadas na semente (sem) ou no solo na produÁ„o do milho (Romero, 2000, dissertaÁ„o de mestrado-UFLA)

20 Biotecnologia CiÍncia & Desenvolvimento - n 25- marÁo/abril 2002

ReferÍncias

BÈcard, G.; Douds, D.D. & Pfeffer, P.E. Extensive in vitro hyphal growth of vesicular-arbuscular mycorrhizal fun- gi in the presence of CO2 and flavo- nols.Appl. Environ.Microbiol. 58:821- 825. 1992. BÈcard, G.; Taylor, L.P.; Douds Jr., D.D.; Pfeffer, P.E. & Doner, L.W. Flavonoi- ds are not necessary plant signal compounds in arbuscular mycorrhi- zal symbioses. Mol. Plant-Microbe Interact. 8:252-258. 1995. Bonfante, P. & Perotto, S. Strategies of arbuscular mycorrhizal fungi when infecting host plants. New Phytol. 130:3-21. 1995. Bressan, W. Micorriza, fÛsforo e nitrogÍ- nio no sorgo e soja consorciados (Tese de doutorado) Universidade Federal de Lavras, Lavras, MG. 1996.

160p.

Buee, M.; Rossignol, M.; Jauneau, A.; Ranjeva, R. & BÈcard, G. The pre- symbiotic growth of arbuscular mycorrhizal fungi is induced by a branching factor partially purified from plant root exudates. Mol. Plant- Microbe Interact. 13:693-698. 2000. Douds, D.D. & Nagahashi, G. Signaling an recognition events prior to coloni- zation of roots by arbuscular mycor- rhizal fungi. In: Podila, G.K. & Dou- ds, D.D. Current Advances in Mycor- rhizae Research. St. Paul: American Phytopathological Society Press. p. 11-18. 2000. Gianinazzi, S. Vesicular-arbuscular (endo-) mycorrhizas: cellular, bio- chemical and genetic aspects. Agric. Ecosystems Environ. 35:105-119. 1991. Gianinazzi-Pearson, V.; Gollotte, A.; Lher- minier, J.; Tisserant, B.; Franken, P; Dumas-Gaudot, E.; Lemoine, M.C.; van Tuinen, D. & Gianinazzi, S. Cellu- lar and molecular approaches in the characterization of symbiotic events in functional arbuscular mycorrhizal associations. Can. J. Bot. 73 (Suppl. 1):S526-S532. 1995. Giovannetti, M.; Avio, L.; Sbrana, C. & Citernesi, S. Factors affecting appres- sorium development in vesicular-ar-

buscular mycorrhizal fungus Glo- mus mosseae (Nicol. & Gerd.) Gerd. & Trappe. New Phytol. 123:115-122.

1993.

Lambais, M.R. & Mehdy, M.C. Spatial distribution of chitinases and -1,3- glucanase transcripts in bean mycor- rhizal roots under low and high phos- phate conditions.New Phytol. 140:33- 42. 1998. Lambais, M.R. & Mehdy, M.C. Suppressi- on of endochitinase, -1,3-endoglu- canase, and chalcone isomerase ex- pression in bean vesicular-arbuscu- lar mycorrhizal roots under different soil phosphate conditions. Mol. Plant- Microbe Interact. 6:75-83. 1993. Lambais, M.R. Aspectos bioquÌmicos e moleculares da relaÁ„o fungo-planta em micorrizas arbusculares. In: Si- queira, J.O. AvanÁos em Fundamen- tos e AplicaÁ„o de Micorrizas. UFLA, Lavras, MG. p. 5-38. 1996. Lambais, M.R. Regulation of plant defen- se-related genes in arbuscular mycor- rhizae. In: Podila, G.K. & Douds, D.D. Current Advances in Mycorrhi- zae Research. St. Paul: American Phytopathological Society Press. p. 46-60. 2000. Marschner, H. & Dell, B. Nutrient uptake in mycorrhizal symbiosis. In: Rob- son, A.D.; Abbot, L.K. & Malajczuk, N. (eds) Management of mycorrhizas in agriculture, horticulture and fores- try. Kluwer Academic Publishers, Ne- therlands. 159 (1):89-102, 1994. Morton, J.B. & D. Redcker. Two new families of Glomales, Archaeospora- ceae and Paraglomaceae, with two new genera Archaeospora and Para- glomus, based on concordant mole- cular and morphological characters. Mycologia 93:181-195, 2001. Morton, J.B. Taxonomy of VA mycorrhi- zal fungi: classification, nomenclatu- re, and identification. Mycotaxon 32:267-324, 1988. Nair, M.G.; Balasubramanian, S.; Kelly, J.F.; Schutzki, R.E.; Wenzl, P. & Ch·- vez, A.L. Natural products as potenti- al soil amendments for crop impro- vement . In: Siqueira, J.O., Moreira, F.M.S.; Lopes, A.S.; Guilherme, L.R.; Furtini Neto, A.E.; Faquin, V. & Carva- lho, J.G. Inter-relaÁ„o fertilidade, bi- ologia do solo e nutriÁ„o de plantas. Lavras:SBCS, UFLA, 1999. p.405-419. Nair, M.G.; Safir, G.N. & Siqueira, J.O. Isolation and identification of vesicu- lar-arbuscular mycorrhiza-stimulatory compounds from clover (Trifolium repens) roots. Appl. Environ. Micro- biol. 57:434-439, 1991.

OíKeefe, D.M.; Sylvia, D.M. Mechanisms

of the vesicular-arbuscular mycorrhi-

zal plant-growth response. In: Arora, D.K.; Rai, B.; Mukerji, D.G.; Knudsen,

G.R. (eds) Handbook of applied mycology. New York: M. Dekker,

1991. p.35-53.

Paula, M.A. & Siqueira, J.O. Stimulation

of hyphal growth of the VA mycorrhi-

zal fungus Gigaspora margarita by suspension-cultured Pueraria phase- oloides cells and products. New Phytol., 115:69-75, 1990. Perotto, S.; Brewin, N.J. & Bonfante, P. Colonization of pea roots by the mycorrhizal fungus Glomus versifor- me and by Rhizobium bacteria: im- munological comparison using mo- noclonal antibodies as probes for plant cell surface components. Mol. Plant-Microbe Interact. 7:91-98. 1994. Pirozynski, K.A. Interactions between fungi and plants through the ages. Canadian Journal of Botany 59:1824- 1827, 1981. Redecker, D.; Kodner, R. & Graham, L.E. Glomalean fungi from the Ordovici- an.Science 289 (5486):1829-1992, 2000. Saggin-J˙nior, O.J. & Siqueira, J.O. Mi- corrizas arbusculares em cafeeiro. In: Siqueira, J.O. (ed) AvanÁos em fundamentos e aplicaÁ„o de micorri- zas. Lavras: Universidade Federal de Lavras/DCS e DCF, 1996. p.203-254.

Saito, M. Enzyme activities of the internal hyphae and germinated spores of an arbuscular mycorrhizal fungus, Gi- gaspora margarita Becker and Hall. New Phytologist 129:425-431. 1995. Schussler A., Schwarzott, D. & Walker C.

A new fungal phylum, the Glome-

romycota: phylogeny and evolution. Mycological Research, (in press), 2001. Simon, L., J. Bousquet, R. C. LÈvesque, & M. Lalonde. Origin and diversificati- on of endomycorrhizal fungi and coincidence with vascular land plants.

Nature 363:67-69, 1993. Siqueira, J.O. & Franco, A.A. Biotecnolo- gia do solo: fundamentos e perspec- tivas. MEC/ABEAS/FAEPE, BrasÌlia,

1998. 236p.

Siqueira, J.O. & Klauberg Filho, O. Micor- rizas arbusculares: a pesquisa brasi- leira em perspectiva. In: Novais, R.F., Alvarez V.H. & Schaefer, C.E. (eds) TÛpicos em CiÍncia do Solo. v.1, ViÁosa:SBCS, 2000. p.235-264 Siqueira, J.O. Micorrizas arbusculares. In: Ara˙jo, R.S. & Hungria, M.(eds) Microrganismos de import‚ncia agrÌ- cola. BrasÌlia, DF, EMBRAPA-SPI,

1994. p.151-194.

Siqueira, J.O.; Colozzi-Filho, A. & Olivei-

ra, E. OcorrÍncia de micorrizas vesi- cular-arbusculares em agro e ecos- sistemas do estado de Minas Gerais. Pesq. Agropec. Bras., BrasÌlia, 24(12):1499-1506, 1989. Siqueira, J.O.; Safir, G.R. & Nair, M.G. Stimulation of vesicular-arbuscular mycorrhiza formation and growth of white clover by flavonoid compoun- ds. New Phytol. 118:87-93. 1991. Siqueira, J.O.; Saggin-J˙nior, O.J.; Flo- res-Aylas,W.W. & Guimar„es, P.T.G. Arbuscular mycorrhizal inoculation and superphosphate application in- fluence plant development and yi- eld of cofee in Brazil. Mycorrhiza,

7:293-300, 1998. Siqueira, J.O.; Sylvia, D.M.; Gibson, J. & Hubbell, D.H. Spores, germination, and germ tubes of vesicular-arbus- cular mycorrhizal fungi. Can. J. Mi- crobiol. 31:965-972, 1985. Smith, S.E., & D.J. Read. Mycorrhizal Symbiosis. Academic Press, London,

1997. 605p.

Staples, R.C. & Macko, V. Formation of infection structures as a recognition response in fungi. Exp. Mycol. 4:2- 16. 1980. Trappe, J.M. Phylogenetic and ecologi- cal aspects of mycotrophy in the angiosperms from an evolutionary standpoint. In: Ecophysiology of VA Mycorrhizal Plants. G. Safir (ed.) CRC Press, Boca Raton, Florida. 1987,

p.5-25.

Wegel, E.; Schauser, L.; Sandal, N.; Stou- gaard, J. & Parniske, M. Mycorrhiza mutants of Lotus japonicus define genetically independent steps du- ring symbiotic infection. Mol. Plant- Microbe Interact. 11:933-936. 1998. Wyss, P.; Boller, T. & Wiemken, A. Phytoalexin response is elicited by a pathogen (Rhizoctonia solani) but not by a mycorrhizal fungus (Glo- mus mosseae) in soybean roots. Experientia 47:395-399. 1991. Wyss, P.; Mellor, R.B. & Wiemken, A.

Vesicular-arbuscular mycorrhizas of wild-type soybean and non-nodula- ting mutants with Glomus mosseae contain symbiosis-specific polypep- tides (mycorrhizins), immunologi- cally cross-reactive with nodulins. Planta 182:22-26. 1990.

Xie, Z.-P.; Staehelin, C.; Vierheilig, H.; Wiemken, A.; Jabbouri, S.; Brou- ghton, W.J.; Vˆgeli-Lange, R. & Bol- ler, T. Rhizobial nodulation factors stimulate mycorrhizal colonization of nodulating and nonnodulating soybeans. Plant Physiol. 108:1519-

1525. 1995.

nonnodulating soybeans. Plant Physiol. 108:1519- 1525. 1995. Biotecnologia CiÍncia & Desenvolvimento - n 25-

Biotecnologia CiÍncia & Desenvolvimento - n 25- marÁo/abril 2002

21