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A rcflcxz‘io tcéricz c critica, con-
ccitual e mctodolégica, sobre a cons—
ciéncia dc classc, quc scmprc ocupou
11m lugar dc dcstaquc nos classicos da
sociologia moderna e contemporz’inca,
notadamcntc (la corrcnte marxista c
ncomarxista, parccia que seria inexo—
ravclmcntc varrida do campo das in-
vcstigacfics académicas, dcvido a onda
avassaladora do pensamcnto noolihcral
e do avango do proccsso dc glol'Jalizacfio
a partir da década de 1980.
Parcccu, por alguns momcntos, quc
a hegemonia conscrvadora passaria a
ocupar dcfinitivamcntc -— c, portanto,
dc modo monopolistico -— o pcnsamento
social, cconGmico, politico c cultural,
tornando-o globalizado, scm dcixar
ncnhum cspaco altcrnativo para outras
corrcntcs dc rcllcxfio tcérica como mo-
dclos dc interpretacfio critica dos acon-
tccimcntos do mundo contemporz’inco,
tanto da pcrspcctiva regional quanto
da global.
No livro As metamorfoscs da cons-
cié‘ncia do classc, Mauro Iasi rctoma,
com profundidadc c rcfinamcnto tcéri—
co, 0 tcma da consciéncia, ([uc jz’: foi ob—
jcto dc analisc c intcrprctacfio cm sua
dissertaci'io dc mcstrado. Nestc livro,
o autor procura dcslindar a complcxa
questi‘io sobrc o Iugar ocupado pela
consciéncia dc class *: sc cla tcm mora-
dia 11a particularidadc do individuo 011
11a genoralidade da classc. Para Iasi,
o problcma (la consciéncia encontra-
~sc no intrincado fluxo dc mct‘liaci‘ics
articuladoras das dctcrminacocs par—
ticulares c genéricas quc compficm o
movimcnto alimentado pclas rclaciics
dc produci‘io cntrc 0 capital c o traha-
lho, constituindo o scr social. E dentro
dcssc quadro complcxo dc rclacfics so-
Ciais quc a consciéncia dcsponta, ora
como consciéncia do individuo, ora
como cxprcssfio sintctizadora do scr
social do grupo, para dcpois sc configu-
rar como classc, assumindo, cm varios
momcntos histéricos, difcrentcs formas

MAURO LUIS IASI

AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE
0 PT entre a negagio e o consentimento

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MAURO LUIS IASI

AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLAS SE
0 PT entre a negagfio e o consentimento

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1.043.801-5
2a ediqio

EDITORA
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: EXPREssfio POPULAR
Sfio Paulo — 2012 i ’71“1.19500" E S

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Copyright © 2006, by Editora Expressfio Popular

Revisfio: Maria Elaine Andreoti e Miguel Cavalcanti Yoshida
Projeto grzifico, diagramaga’io e capa: ZAP Design.
Ilustragiio da capa: detalhe do quadro Guerra Alemz’i dc Pdvel F{1671012, onde se
observam o (165c de transmitir dejbrma sensz’uel a dinc’z‘n-zica e 0 was da destruigcfo,
asformas que se degflzzem em cacos para depois novamentejzmtar—se em cristais,
criarzdo variantes.
Impressfio e acabamento: Cromosete

Dados Intemacionais de Catalogagfio-na-Publicacfio (CIP)
Iasi, Mauro Luis
I] m As metamorfoses da consciéncia dc classe (0 PT entIc a negaqfio e
o consentimento)! Mauro Luis Iasi -- Zed—Sic Paulo :
Expressfio Popular,
2012.
584p. : i1.

lndexado em GeoDados - http://www.geodados.uem.br
ISBN 85-7743-014~6

1. Grupos dc classe. 2. Individuo e sociedade. 3. Partido dos
Trabalhadores - Brasil.

CDD 21.ed. 324.281
Ellane M. S. Jovanovlch CRB 9/1250
l

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Nenhuma part6 deste livro pode ser utilizada
ou reproduzida sem a autorizagfio da editora.

2:l edigfio: agosto de 2012

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Sumz’irio

PREFACIO
A consciéncia de classe entre a negagfio e o conscntimento ....................................... 9

APRESENTAQAO ................................................................................................ 15

PARTE 1 - AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE
. 23
1. Caminhando para todos os lados do finito ........................................................
classe ........... 73
2- 0 processo de mediacfio particular 6 genérico da consciéncia de
........... ......... 121
3- Da sociedade ao ser social como individuo .................................
... 219
4. Do individuo ao grupo como totalizaofio dialética .......................................
................... 219
4.1. A préxis individual 6 0 grupo ................................................
.......... 262
4.2. Freud e o fenémeno grupal ............................................................
4.3. Sartre e o processo dialético do totalizagz‘io por meio dos grupos:
a serialidade, o grupo em fusfio, a fraternidade-terror, o grupo
ade ............. 284
organizado, a instituioé‘io, a burocracia e o retomo £1 serialid
.............. 313
5. Do grupo 2‘1 classe ..............................................................................

PARTE 2 — 0 PT ENTRE A NEGACAO E 0 CONSENTIMENTO
357
6. As metamorfoses do PT (1980—2002 ................................................................
6.1. Primeiros passos: dos documentos preliminares
................ 376
a0 Manifesto de Fundaoiio (1979/1980) .................................
6.2. Do 1° Encontro Nacional até 0 4° Encontro Nacional;
o .............. 386
caracterizando a sociedade brasileira e buscando um caminh
............. 412
6.3. 0 5° Encontro e a definigi‘io da Estratégia Democrética Popular
6.4. 0 6° Encontro(1989) e o Programa de Agiio de Govemo: o longo
prazo chegou mais cedo .......................................................................... 442

4% 13m: 1 :2. Nam .. grim Cw ii iii: .4 i ii. if 31158 LIMOFECAfiCENTRAL

7..

6.5. O 70 Encontro (1990) o inicio da inflexi‘io moderada............................... 452
6.6. O I Congresso do PT (1991) .................................................................... 462
6.7. 0 8° Encontro Nacional e a Revoluoz‘io Democrética 6 Popular:
uma inflexz’io 2‘1 esquerda no curso de uma trajetoria 2‘1 direita 492
6.8. A retomada da moderaoz'io e o caminho para a vitéria
presidencial em 2002: do 10° ao 12° Encontros Nacionais ...................... 505
7. Consideraofies finais: 0 PT entre a negaoz‘io e o consentimento ....................... 517

BIBLIOGRAFIA.................................................................................................. 569

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Alé'm desm estrolzz, porzsoz', nodo oxide
E old and mo doozzsz‘odo
Bid 6’ somonto nosso dorz'go, o
OZ/M so" 0 ospocto dole!
Bertolt Brecht

— Vocé‘jd ozwz'ufizlor om ‘Kdnjo’?
-— Kan sigm'fico oscudo o roprosonm
o soldzzdo.’]o‘ é costelo...
—- Exotomonto! O soZdodo o’ o oostolo...
— Esto é o modo do sor do odosolo lord.
Emoom sou Costelo ostcjd condonddo,
o soldzzdo jomoz's oodixo o esoudo,
mos ooMpdrtil/yd do destino do sou [or (n)
onto 6’ o modo do 567‘ do guerroz'ro.
Koike e Kojima (Lobo Solitério)

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PREFACIO

A CONSCIENCIA DE CLASSE ENTRE A
NEGAQAO E O CONSENTIMENTO

As metammfoses d4 comcz'é‘m‘irz dc 614556 trata de um dos fe—
némenos mais enigmz’iticos e polémicos da histéria recente: a
trajetoria do Partido dos TrabalhadoresQ A controvérsia, ainda em
andamento, atesta a dificuldade em encontrar explicagées para a
oscilagfio que levou um movimento politico, organizado pelos se—
tores mais combativos do operariado, com forte teor anticapitalista
rtes
e projeto assumidamente socialists, a se tornar um dos balua
do capitalismo no Brasil.
Mauro Iasi descarta as explicagées convencionais e generalizantes
desse fenomeno: seja a tese, de extragfio trotskista, que atribui a res—
nte,
ponsabilidade unicamente 51 agfio pessoal e moral da elite dirige
a teoria da “traigfio das diregées” que pressupée que a classe opere’iria
esteja sempre propensa £1 revolugio; seja o ponto de vista oposto — na
verdade apenas o outro lado da mesma moeda —, atualizado, entre
1163, por Jacob Gorender, com a afirmagiio de que o “proletariado

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. Rip” w.\@1135 fii‘fi? l 5.“ *. quc redefiniram o horizontc social. Iasi propéc—se a comprccnder as oscilacécs do PT a partir dos movimentos da “consciéncia dc classc”.. como um movimento politico de afirmacao da independ éncia 6 auto— nomia da classe operaria.saws? " Mime??? fix??? WW“: mm. A pfssagem da “classc” a “nacao” atesta a prevaléncia da estra tégia d0 gradualismo rcformista” e a subordinacao a tatica elcitoral.'€. dos “cida daos”. ?. atua— liza. Com plcno dominio teérico e uma vivacidadc impressionantc. as mudancas termi— nologicas quc estao na base da construcao da autoimagcm do partid0. mesmo quc em um registro proprio. sindicais. como :epresentante da “classe trabalhadora”. 0 PT aprescnta-se. ou seja..2311 a? .. Na formula sarcastica dc Iasi. por firn. Os desdobramentos e 03 difcrentcs momentos da consciéncia dc classe corporificada no partido sao cxaminados a partir das resolucées do PT. possibilita o acompanhamcnto. assim. do “povo”. como resul tantc do conflito entre burgucsia e proletariado. v. um arco que abrangc dcsdc as dcclaracées preli— minarcs ao “Manifesto de Fundacao” até a “Car ta aos Brasileiros” e 03 Programas da campanha que elcgcu Lula presidente cm 2002. no entanto. '.. do conj unto dos trabalhadores”. passou-sc dc um progr ama 10 \}. mas no viés e no teor da interpretacao que aprcsenta.§?:s.Organizado a partir das lutas concrctas.: l.i???rm" H“3????3.u +. Emf. e. isto é. is? - ‘21:? 5‘. -\.ie.H? - 2w? ash??? i.. a vertente marxista quc aprescnta a dinamica social como expressao da luta de classes. niio sc assenta apcnas na premissa dc quc se trata de um fenomeno que exigc uma explicacao particular. da inflexao que levou o partido da negacao ao consentimento. as?“ ZR? v M. m_ L‘s-g - . inici almcntc. s:<\‘1%.?\i\* a: as“: '. por cxcmplo.'-'-.. . A analise desses documentos. 88?: exame torna visivel. A originalidadc do livro. cm seguida.“X.’_i “3332‘? . dcpois. ao contrario do juizo quc tendc a desconsidcrz’i-los como meras “cartas dc intencécs ”. a trajcté- ria do PT devc ser comprcendida como fenémeno social cm sua singularidade. por mcio de suas mediacécs concretas no interior da socicdade capitalista. $38K ?s.?. politico c cconémic o do projeto partidario.i.. Na pcrspcctiva dc Iasi.{$33 Ewagiémé‘o - . AS METAMOIIFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE é ontologicarnentc reformista”..%?ai.

Gyorgy Lukacs e Jean-Paul Sartre.\. nomia. 1?? . v 9-} .» \!._-¥> gs xv. . em poucos anos. "' WE ‘V . .ifih‘éfifi‘tfi.». ja que sciéncia” deslocar sua atengao das “classes” para os “atores”. A moldura histérica desse “amoldamento e conformagao da classe nos limites da ordem do capital” tern duas dimensées: o éxito da reestruturagao produtiva empreendida pelo capital a par— tir dos anos 1980 e a ruina das tentativas de transigao socialistas na década seguinte. $\ § 233%:17‘3‘75vyi air-Mg E's-$333“: "Ev-1’? {9.”-'Zv. . . cujo marco maior é o desmoronamento da URSS.-“}<\. cabe Mas é exatamente esse movimento da consciéneia que a eco- explicar. a sociologia e a historiografia predominantes. $5?“ g»? $35” 1n 1 awg : x:m... Passou-se.-\5-:3‘3a¥ sf‘fiififi m._ '3“a. MAURO LUIS IASI assentado na “nacionalizagao dos meios de produgao” a proposta de uma “nacionalizagao do consumo”. A y «35' ‘. no chao das fabricas e nas experiéncias politicas ensaiadas por comunistas ou social-democratas.'\\'§<. g.. o fechamento dos espaeos democraticos de dissenso.» «5% » (mg: em .-. .?re§'0. Iasi também desentranha indi— cagées acerca da reorientagao das formas de organizagao da Vida partidaria. escapando dos esquemas deterministas comuns tanto..\ . sem mais. da “con sentido apenas para a “identidade”.3:. M t. A definigao pioneira de “consciencia de classe” desenvolvida por Lukacs no artigo homonimo. .\ 5-. Para livro."=‘--2?v’”3< 93‘ 6‘55 {3 few“?. da “consciéncia da possibi- lidade de Vitéria” a “consciéncia da impossibilidade da ruptura”. coligido em Histo’rizz e 11 {3}”. o que leva ao descarte. atribuindo intencionalidade e das tentativas aos “individuos”. de 1920.}.§'\u$ zr. . 3X. a0 longo da primeira parte do eitual os instrumentos teoricos necessarios a compreensao conc lecentes da “consciénCia de classe”..‘9'. Da analise desses documentos. .' a“?5 {:5 t. . Os modelos analiticos preva tendem a no atual ambiente académico 5510 de pouca valia. Ni \fl-3Mkzm x».. inverteu completamente a compreensao da conjuntura por parte da classe operéria.35: k‘é‘xgaw‘ E§g§a?‘§ §§%\M§a3 £151 §W§Q§ grik5éjgziéiéé§ .\<-.i §ygw MW }.. Mauro Iasi retoma e refina. a burocratizagao e até mesmo a submissao das instfincias partidarias a estruturas paralelas de poder. Essa dupla derrota.‘\'= A..\ 2L».. E‘s.‘w. . e.-. g " ' ' ‘ ' g“ ' 1% v \ u $19. concei— de apreensao de “totalidades”. Iasi recorre entao ao aparato tual desenvolvido ao longo da histéria do marxismo por Antonio Gramsci.fiig «a. como a substituioao dos procedimentos da democracia direta pelas regras da democracia representativa.

o individuo liberta-se da sua ‘conformacao em czipsulas individuais que velam o carater social do ser” e insere-se no grupo. ire-"SJ . Afinal.3:: i. ms? 52%" \€:°\‘ w-"= it. ‘5“. concepcées de mundo. . 32 . AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE comrz’éncz'a dc classe.. mas também da class e.\ '.. :kz‘ \ :3 Am.\ \. . . " iiiigiaiiii‘éi " W' ' ' ' " " iifiiiiii ' ‘ V’" iiii‘éiii' dii = ""' . adquire uma nova configuragao ao incorporar a teoria dos “grupos” ensaiada por Sartre em Crz’tz'czz d4 mzzio did/flied. surge ini— c1almente como “consciéncia social herdada .:I\'fi_{_v‘f: §p\'€__‘l'. os seres humanos (e 05 partid os politicos) nao encaram o mundo apenas como uma configuracéo preexistente._ . possibilidades em aberro.'..iiffiz“: ‘2 iiixiii‘ic xvii: if: i:i:. 2-. _. acaba desencadea n- (do uma dinamica prépria. . t': ‘5 3‘2. AS mammmfoses dd conscié‘ncz'cz d6 clam) nao se contenta em apresentar e desenvolver teoricamente a dialética da praxis humana na construcao histérica. no modo como ela age e reage dian te da confor— ma‘Eéo social do mundo. Esse arsenal teorico permite a Iasi recuperar as mediacoes dialéticas existentes enrre as dimensées da objerividade e da subjetividade. logo se objetiva. . .‘.x": v. 3mm. presentes na obra de Marx e Engels e desarticula— das pelo marxismo vulgar. 0 consentimento e a negacao 5510.1“ : i363. . complementada pelos conceitos de “hegemo- nia” e “senso comum” desenvolvidos por Gramsci nos Cademos do crz’rcere. como membro d0 grupo ou da classe.3. resultante de uma certa ordem social de relacées que se instituiram sob a fOrrna de valores. mi: 1mm *: m mm -‘ Tufm“ MM“? ”. . juizos.mll' :N: }. seja como ruptura revolucionziria”. mas como um “pr ojeto”."€~i"">: if”: it‘s. sujeitas as mediacées da pratica social. Sua acao. por cons eguinte. A construcao historica passa a depe nder assim tanto dos condicionantes objetivos quanto da acao cotidiana dos seres humanos. ‘.” . concebida como przixis livre. partilhadas por aqueles que convivem numa certa época”. . _!_(_ fix {E§. inercial. Primeiro. . A singularidade propria a cada consciencia cristaliza-se ainda mais na peculiaridade de seus desclobramentos. -'. no entanto. . : -_ -e .. \. . A consciéncia do individuo.\ w rt -.. institucionalizando—se seja :omo “burocracia” conformada £1 ordem do capi talismo.-._’=§§:3\$ ii“ .: :ia: was: at. resgatando suas diver sas instancias em 1’)H “ .o. O proletariado passa a ser concebido simultaneamente como uma classe do capital e como uma classe contra 0 capital." :93 W =9: “3.\§’ 3. ha? " ' '6' . iiiiiiiii W“ '7'“ §\\-.v .‘ x. A acao humana.

. .9... 0 de— cisivo é que o novo projeto do partido repercute a hegemonia da perspectiva que privilegia a nacéio em lugar da classe.9. que haveria de se desenvolver naturalmente. E verdade que uma grande par- cela dos quadros do PT — em especial os politicos profissionais._. Mas isso importa pouco.. por mais que haja similitudes entre seu percurso e a dinamica da social—democracia europeia. W. por exemplo. MAURO LUIS IASI uma tipologia.w. assim. Iasi reconhece que o “apagamento de sua feicao socia— lista” 1150 se explica. Iasi mostra como a negaciio e o consentimento coexistem enquanto possibilidades concretas para a classe trabalhadora no Brasil. cujo contel’ido impressiona por sua capacidadc de revelar as con— tradicées da consciéncia social.. transparece uma grande simi— litude. mas congrega em si as oscilacées da consciéncia da classe operaria que se movem entre a negaciio e o consenti— mento. .. 9 . O balanco do projeto historico do PT resume.. seu “amoldamento ao capital” como Iasi gosta de frisar. A experiéncia social do PT desenvolveu—se em outra época. .. .3 . tal como dissecada por Adam Przeworski. desenvolveu—se a partir da conversao de um projeto socialista em uma politica pautada por uma visao de mundo completamente distinta. A integracz’io do proletariado.3 .. E a partir dessas balizas.9._...¢. o que fica patente quando se mira a politica economica dc agora e de antes. nao uma trajetoria predeterminada. apenas pela légica inerente aos partidos social—democratas. os dirigentes do aparato partidario e mesmo os sindicalistas —— se alcou a uma nova situacao social. i H. Por meio da analise de uma série de entrevistas. .... sob as restricées de outro contexto historico._. uma vez feitas tais ressalvas._. Mas. . o consenso 13 . levados a cabo na primeira parte do livro. . da reconstrucao da teoria marxista sobre a “consciéncia de classe” e do resgate das determinacoes principais do conceito de “classe” na obra de Marx... . que Mauro Iasi apresenta seu diagnéstico e veredicto acerca das metamorfoses do Partido dos Trabalhadores.

Eta-ks33:5.»\§ 6. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DIS CLASSE e a conciliagzio em vez do conflito entre 0 capital e 03 trabalhadores.‘.. fiéfifia “@322: ii:.».-¢"&- . socio’logo.» 5 Liz}. m . Ricardo Mum. destacara como préprias da przitica politica e da visio de mundo da pequena burguesia.§*k§§>§§ma§ z‘vE-‘sié.y.« '___V:\-. W..\W\v.a“): 5: x.) k gag: g\\\_-.’._ §Q=2h§rfiwab§r§§§$§m§£§ $5 %:. mvv =?.%Zn._-_§\\:.-_.<«w. fig?g»_\'<g:j’j-z‘_=.é~‘< Vfififié $ §ffi§=k§m a».. profismr dtz FFLCH ~ USP 14 _-. ééma=magsv=£x§<i§sa 3w. hm.33} sf. jzi em 1852.1..2 y: \m M3: 2:311? F. tais caracterfsticas Marx._...2-1:“ Wig-21. 9:3 2V._q in: m _\$:-:\..-a‘-‘:—':-i:‘l‘§ -}> _‘j ijé $.o.»_. Como bem lembra Iasi.

MM At“ “2’“ ’1. %-.3*: 15‘"- . _ : -. .M .." até os estudos da tese dc doutorado no Programa de Sociologia da USP.‘<_ -: x M A“ ‘ M ”M. M M MMMMMMM M MMM M M MMMM MM“: M M?» ‘MMMM M M if“. .Q \ ‘2'“ . M W .{-k. . Silo Paulo (1999.3“ s. 0 (Ii/mm dc Hamlet. Mario Benedetti Este livro.\ .vi MMHW 3 HM “a.-_. Processo dc comeiérzcz’a foi publicado pelo CPV. -= -\'.-‘. Sfio Paulo.. 8"“3' ix: 3%“ {SEE “M9. V ‘ .: . - MMMMMMMMM MM . 0 ser 3 0 Mo ser dd camcz'éncz'a. yM-. Em primeiro lugar. resultando no presente trabalho que a Editora Expressiio Popular agora publica.\<. em que se cruzam tantas historias.. tem ele préprio sua histéria. deve-se ressaltar que é uma continuidade direta do esforgo de pesquisa e estudo que se inicia na coleta de histérias de Vida e militz’incia junto ao programa de educagfio popular do NEP 13 de Maio (16s 1987. Viramundo: 2004.’. Mauro. IASI.-_- w: M.= ‘.‘ewfi. .-.xxx.-..§“\z. e rceditado pela Expressfio Popular. passando pela primeira sistematizagfio no livro Processo d6 consciéncz'f 6 nos estu- dos de mestrado publicados com o titulo O dilemzz de Hamlet: 0 567 e 0 mic ser dd conscié‘ncz'a. “i’ F1 MWX. . APRESENTACAO Ofm‘uro 50’ 56 tormz respim’vel qzmndo transgredz'mos aZguma ordem. Q._ r 5 ’9\-.Q{-_... 2001)...3"‘\\“'>'--z‘=‘2~s i.¥ 5“}“§5{ 39”?“ 5. pela Germinal Paraguai (2004).{<_ M EM. x x. 2-.\V . 'M\ . u . -..-_ :' fame“ w.

222.Eifié 21-fo. Desde a formacao da consciéncia nos individuos moldados por uma determinada forma social estabelecida. ifi-‘ififi‘a . buscamos compreender que essa aparente circularidade so pode ser entendida se incluirmos o fenémeno da consciéncia no conjunto das relacées que determinam o scr socia l 6 as classes. 22‘ .2.3 “2'53 Q2329” 2:25. .‘" 2 'vvn'lwsz‘523% : if}: i.» {\‘31:_\\". AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DIE CLASSE O tema que me impulsionou nesses quase 20 anos dc estudo foi 0 da consciéncia. Scriam esscs ciclos naturais? Seria esta a mesma causa dos ciclos historicos que marcam a histéria da rebeldia dos trabalhadores: lutar contra a ordem para depois se amoldar novamente? Em nossos estudos. v .»--:222.2 2. 2:. Cada militante que encontrei em todos esses anos foi.-.922:. levando— —nos novamente a alienacao..':. 22.2. \_.2-4 my.: 9.. -:I 222252: 22. no entanto.152253'3: 2 y??? -u2. iafii ism-E 2. _ _ .. mais precisamente do movimento da formacao da consciéncia e da possibilidade de rompimento com as amarras que prendem nossas mentes a reproducao da ordcm que nos conforma. apontando para a transformacao socia l. alguns estudiosos procuram entender a cons— ciéncia como fenémcno individual.§I-2€ g“: -}' fir} ”if? ‘f’idrixnéjli mi: 'i5ié’w'"'§§§:Smr: “filial . a prova viva de que é possivel mudar o mundo. ao contrario. a consciéncia é um movimento.'uv.2 2&2. \E. -.2: { 12.a 222‘. Para nos. nos quais brotam sempre renovados os germes de uma nova consciéncia.\ 9.2.firstgfiémééfii . enquanto outros busca m suas dcterminacées nas formas coletivas do grupo até a classe._ _ . um fluir que encontra diferentes mediacées que se expressam em diferentes formas em constante mutacz‘io. estamos sempre diante dc ciclos que vao desde um momento inicial de alienacao até a constituicao dc formas coletivas de luta.m 322-233-522: =‘.2_ _ _2 22. . ou. como negacao da ordem. que buscam se organizar e que acabam por se institucionalizar e se burocratizar.2.§?EJ'.22.2‘. ja se manifesta o caréter dc sr’ntcsc de muitas determinacées. Ao mesmo tempo. 521*? it“??? . $3223 -'\\\: W. A grande polémica que envolve esse tema diz respeito a caracte— ristica da consciéncia dc classe dos trabalhadores como consc iéncia de uma acomodacao a ordem social estabclecida.-..-’2‘a-.: .2.§’§§Z2§%V“3 .-222§22222:332:22 . tanto objetivas quanto 16 .__’_. que a socicdade capitalista continua produzindo seus coveiros. Em nossos movimcntos.\ 2. para mim. : 2 .2.

pode produzir momentos de consciéncia dc classe que expressam tal autonomia. as classes se formam e se constroem em permanente movimento dc negacao e afirmacao. ora como aspectos subjetivos da contradicao histérica entre a necessidade de mudar as relacées sociais e a determinacao das classes dominantes em manté—las. mas. o destino da consciéncia esta inevitavelmente ligado a0 destino da classe: se esta consegue. como identidade grupal que se forma quando. como revolta diante das injusticas e contradicées que cada um enfrenta no curso de sua Vida. que afirma urn projeto histérico com autonomia e independéncia. se politica- mente nao consegue ir além dos limites do sociometabolismo do 17 l. conseguimos ver no outro nossas préprias dores e esperancas. ora como orgaos Vivos do Capital em seu processo de valorizacéio. cujo resultado sale 05 diferentes momentos da conscien— cia como senso comum dos individuos serializados. se a classe consegue em sua acao superar a sociedade do capital. para alguns. em determinadas situacoes. As classes nao se definem apenas pela posicao objetiva no seio de certas relacées de producao e de formas de propriedade. em seu processo de formacao. destinada inevitavelmente a expressar uma consciéncia revolucionaria. pois ela mesma 11510 é um ser fixo e dado de uma 86 vez. As mutacées da consciéncia faz com que muitos considerem cada um de seus momentos como formas definitivas. se constituir na luta de classes corno uma forca auténoma. como consciéncia de classe em si na luta pela afirmacao de seus direitos e necessidades. Maria was a RM iii: {$3352 @a 駧¥§€§$i§ lafis if ’M ”’éfié‘véia? £2: EM 123 wag‘mg . de maneira que. Partindo dessa perspectiva. a consciéncia dos trabalhadores esta condenada ao senso comum. Procuramos entender 0 movimento da consciéncia como expressao do movimento da prépria classe. ora como personificacao de interesses de classes em luta. para outros. até a possibilidade de expressao como consciencia de classe para si. MAURO LUIS 1A5: subjetivas.amenlfisxiixfi l. na concepcao de Marx. pode gerar as bases para uma nova consciéncia. mas se a classe sofre uma derrota. ou. ora como individuos submetidos a concorréncia.

se 0 leitor. feliz— mente.5. ?n f3 «$3.>_vz§ _22 . w. Por maior que seja a importancia da analise do PT.M.‘. de- sejar compreendé—la. 2 .._ \' _x.§§. um estudo teérico sobre as media- 9663 que cncontramos nos diferentes momentos do movimento da consciéncia. na qual encontrarzi uma descrigéio do movimento que levou 0 PT da origem socialista até a acornodagiio atual.E. mas com a paixiio e o compromisso que estao costurados em mim. No entanto. 23 .\. has. no qual 0 PT é somente um episédio.'. em 1980. O presente livro é uma resisténcia contra essa tendéncia.22.. refluindo e se desconstituindo novamente em alienagz’io. 921‘)”: \‘f' =. tenta mandar para o exilio certos temas. i2: EQEE-‘EEfi-‘g Easfi’n E E Egg-zanfi-Ea $332332. '\\_>. 18 2.:>m:'_ -1‘\'_\V§AE 2 ."’.._ EH Earn.'._ {‘35 fig? $. EEEEEWEEbEEEEEEEQ E EMEEE i1} sigEéi E “FEE._a2. 6 sons reflexos no campo prético da politica. na segunda parte.¥.’.“. 22 2.~2___§2x+ is“. O leitor que assirn desejar poderzi se dirigir a segunda part6. da forga explicativa do conceito de classes. assim como da centralidade do trabalho. até 0 12° Encontro Nacional. além de conhecer essa trajetoria.. entre eles 0 da formagao da consciéncia de classe. A ofensiva pos—moderna que se impés no mundo académico. em 2002. . O livro A: metamofivses dd camcz'é‘ncz'a d6 clrme divide—so em duas partes: na primeira parte. construido a partir de todas as regras do universo académico.25 ‘\\'.\ . As METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE capital._ _» _ga.. ele é apenas uma etapa de uma longa jornada que nao comegou hoje e que.“:. um estudo de caso que busca ilustrar o movimento reorico analisado através da trajetéria que levou 0 PT da negagao ao amoldamento a ordem que esperava superar em sua origem. O estudo de caso a respeito da trajetéria do PT se deu a partir da pesquisa das resolu— goes 6 dos documentos partidérios (16s 03 momentos anteriores 2‘1 fundagéo.2E§E E‘s-EEM. mas que fornece as pegas teéricas para entender o movimento da consciéncia de classe.’§ -:3.\\.3314:?. seria aconselhzivel voltar a primeira parte do trabalho e se permitir trilhar um caminho mais longo e arduo.’=:"\I§ .."_’}. na conformagao da classe 6 na possibilidade de constituigfio da classe como um sujeito histérico. 2 >-. com o rigor e a objetividade necessarias.. desde sua formagao nos individuos. a consciéncia acompanha o acomodamento.. no processo grupal. seguira adiante..2.2’..§.-. iii—M‘sfiwafifias «.g: {33$ .

3 33..._ a .... N510 poderia deixar de agradecer :1 Paula e a0 seu amor incon— dicional que me segura no mundo. .._. _. Um espe— cial agradecimento ao Bill. a minha grande amiga Leo.. por seu empenho e dedicacao para que este livro fosse publicado._.. Muitas 3510 as pessoas que tornararn possivel este estudo e 3510 seus cumplices.... Gostaria de agradecer tam— bém ao camarada Scapi.3“._.. s. meu camarada de dissidéncia.. muitos dos quais nao entraram diretarnente no texto final..3._._:_. Ea? EEEEEEz NEE EN 19%} EEEEEEKER ._§. .. cuja contribuicao teérica foi de fundamental importancia para constituir as bases deste livro e de todos os meus estudos.. H. impedindo que me perca em qualquer compromisso abstrato. pela forca e pela dedicacéio para que fosse possivel a realizacao do livro. os companheiros do Nucleo de Educacao Popular 13 de Maio forarn fundamentais para garantir a publicac'ao através de iniciativas individuais e dos movimentos e entidades que partilharam ern todos esses anos nossa jornada de educacao popular. a0 professor Ricardo Antunes (Uni— camp).. Quero agradecer aos professores que muito me ajudaram na formacao teérica deste trabalho. 3 ...... W .N. por seus comentz’irios pertinentes e seus puxées de orelha que niio me deixarn esquecer o compromisso 19 . que nao seja a tormenta da paixiio e a ternura do acolhimenro.3_. . a professora Nadya Castro (USP).E:E§‘EwEs i‘EkwE’é‘a EE-zéE ENE“) EWREEE}.. centenas de depoimentos...3.. . ... o professor Sedi Hirano (USP).\. pelo menos are 0 fim. Primeiro.. mas contribur’ram muito para que fosse possivel construir nossa analise sobre o movimento da consciéncia. Como disse Silvio Rodriguez em uma de suas cancées: “romantico._.2. . por seu desprendimento que faz corn que a genre continue acreditando no ser humano e na possibilidade de uma sociedade nova...\._ w _. que acreditaram no trabalho e defenderam sua publicacao..._.. a . . . politico ou intelectual.tt_.._ :.... em especial a0 meu orientador. . imposmodernizavel”. assim como a todos os companheiros da Editora Expressao Popular._. . os companheiros e companheiras que emprestaram suas trajetérias de Vida para servir de rnatérias—primas das reflexées teéricas que desenvolvemos.._ E EaxmiEEwEECE E: Wan?» a?! E EK‘EE %..3 . Mais uma vez._.§. MAURO LUIS IASI impossibilitando qualquer tipo de neutralidade..

... . .\ EEEEEEEEEE EEE’E“ EE‘E EEEEEEE EEEE. estejam onde estiverem. agosto de 2006.”<. 20 ... -.. casa onde iniciei minha milifl tfincia nos anos 1970 e 51 qual agora retorno. \\-v . . resistem na defes a dos Interesses da claSse trabalhadora em que.\h.=’. um dia estaremos todos juntos. EE WEE E... . EEEE EEEEEEEEEEEE E . e finalmente ao professor Ricardo Musse (USP). E . aos camaradas do PCB.EEEEEEEEEE \' . Por fim. . Mauro Luis [asz' Sofa Bernardo. .. e a todos os socialisras e combatentes que.'=C‘. '. E .m . E. tenho certeza. E _E .5 k \ . no qual sua especialidade no tema indica com clareza o caminho a ser seguido pelo leitor.uu‘: E m. companheiro de primeira hora que conheceu este trabalho antes mesmo de ele ser feito. ‘4 -. E.. . néo apenas pela leitura profunda e pelos comentérios que me ajudaram na escolha do caminho teérico da tese desde a qualificagiio ate’ a defesa. .. n. E E.\ 'u. _. '.3 E33 “ER E‘Efifi \EEEEEEE-fiEE-‘E EE‘EW‘EEE EEEEEEE EEEEEEE EE. em nossas noites de debate em Florianopolis. E: E».(c.E_. . ao professor José Paulo Neto (UFRJ).”9W 2 -. . .::‘E' . . por sua leitura acurada e atenta de meu trabalho e pela base teérica que é um exemplo de resisténcia para todos nos. EE EEEE‘EEE EEEE E. ao professor Paulo Tumolo (UFSC). mas tambe’m pelo prefzicio deste livro. EEEE. . . AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE sociolégico de minha escolha profissional.

PARTE 1 AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE .

fiMw \‘zk3 .

as determinagées histéricas. s-gzg péfi 59.\\ '\€‘" ate: . suas personali-I dades.sm. Hans Magnus Enzensberger1 Em que lugar podemos encontrar a consciéncia? Nos individuos e na sua forma particular de pensar.w‘§\{\'9\§:~zs. . J. saws am Main M a. s. . -.iu-. .s:. a correlagao de forgas das classes em luta. . sempre um outro quem fizlcz par (11’.»: v“ gsws'. e porqm’ aquele do qua! sefa/a 56 min. ... Goethe parque rm boat d4 clam operzz’rz'zz mic existe a palavm clam opercz’rizz 6. ora como consciéncia rebelde que quer mudar o mundo? Por que aqueles que queriam mudar o mundo “assistem a tudo em cima do muro”. . Instituto Goethe.- siliense. x - 6‘. e’ sempre um 0mm.' l‘kfi'. portarzto. v. {II-fl. onde mora a consciéncia: 11a particularidade do individuo ou na generalidade da classe? Razoes admonals para 03 poems mentlrem.vzy. 1985. p.) parque. enquanto outros langam seus olhos para as formas gerais da sociedade... se rendem on se vendem amoldando—se novamente 2‘1 ordem do capital? Alguns buscam esta resposta nos individuos. is}? {émx gs}. 5510 Paulo: Bra— 1 u ' .?. ac 4?.. 1 CAMINHANDO PARA TODOS OS LADOS DO FINITO Se quartz: czzmz'nbarpzzm 0 Infinite: Andi: para todas 05 [(21105 no Finito.. suas traieées.|. .I-§:-‘(.>l. n1“ _?."Q -.'2{z. de maneira que ora se apresenta como simples amoldamento a uma determinada sociedade. . .:..V. mm mm m : ms \ . We . aww :2 s a 1a was“ s. 9:: Mk _\V :. 90—91.” Ez-tfizlo do: qua mzoflzlam. 4. Afinal.V \5. W. ou na sociedade que os conforma? Por que a nossa consciéncia como individuos e como classe sofre tantas metamorfoses.

ism. A totalidade se esfuma numa abstracao exatamente pelo fato de que é reduzida a uma abstracéio fundada na relacao entre “individuos”.‘. como dlscursos que tentam em va’io reduzir o fluxo vivo do presente em . em seus termos. E na particula- ridade que encontramos a existencia. Eis que fica assim resolvido um dilema que assombrou todo o pensamento humano desde os velhos gregos: a relacao entre o todo e suas partes. Ningue’m levou muito a sério sua hipotese. A verdade agora estz’i na parte. as classes. O pensamento pés—moderno tenta resolver esse dilema decre— tando o fitn da “totalidade”. no con- creto concretamente existente. “universos—ilhas”. que em 1755 descobriu que alguns amontoados de estrelas nao eram simplesmente partes de nossa galaxia. como se fossem..\): \‘t‘gi 1 swag 52. acabamos nos 24 :-.{_ . g fry-«:5: :ugc: 'WI‘. subjetividade e objetividade. ._ €. 1%? éifisxifizwfih .»: 'Q _.239-23 '39.: Vii-'3‘. mas outras galaxias. Como a histéria. 3. na metiifora de Norbert Elias (1994). para as quais a realidade é seu pensamento individual e o mundo la fora. A totalidade e 05 fantasmas que a materializaram todos esses anos.\_-t'. numa sociedade de “estatuas pensantes”. .%s-:__¢\'§.§. a sociedade.'.3 lye"°?‘. ia-‘Zu. tais como individuo e sociedade.£-$‘::=s Eitzi’iiéfiiarifa misfit.§. 0 socialismo. Wk. emérito precursor da astronomia. Desse modo. _\: E 3:3“:m _‘-.: _“~i-§{\‘“\'€:-. o capitalismo. Foi ningue’m menos que Kant...§\\g‘\ 3:3 \.I_ __.'§'§€ :2:.h0mem.mzx.3 _ my? 935* imft -:I hxwgz: 9:3 . o todo nada mais seria que uma projecéio defensiva na qual os seres humanos buscam fugir do jogo aleatorio da existéncia.. na singularidade do acontecimento. mas acabou-se por encontrar até 1908 algo em torno de 15 mil dCStaS ilhas.‘x‘ $3. os individuos e suas representacées coletivas entre estas represen— tacées e as classes sociais.\_:e_ I':_f§~:§. foram desmascarados como meras construcées. ism-E isfi:s-”E§§§.. além de filésofo.\\\'. Estamos. :. esqueletos conceituais compreensivos. 93o ai‘w‘. 0. :3. decreta o pensamento p68— -m0derno. .§’E wa.._ idtir’éslizsiiollw“ 3 km a??? . A consciéncia nada mais seria que a subjetividade que tenta compreender este movimento partido em polaridades irreconcilia— Veis.. AS METAMORFOSBS DA CONSCIENCIA DE CLASSE A humanidade hoje direciona as lentes de seu Hubble em busca do Universo e 56 encontra novas partes de um todo sem origem e sem finalidade.:. A L’lnica maneira de conhecer o Infinito continua sendo o singelo conselho de Goethe: andar por todos os lados do Finito. nao mais que uma percepciio individualizada._ Q.

.s.3 3 4-. em outro. Wé‘mlli ..' :w: «J. .s.3.. os individuos nao passam da matéria—prima moldavcl da histéria. dcscricoes e 25 333. .9% $331323): :33: sq 3:3 . p. Um dos temas mais recorrentcs e complexos do pensamento iéncia sociologico é 0 da consciéncia. A é movimento que ora se aprescnta como consciéncia do individuo isolado. mais especificamcnte da consc dc classc. 33m“. Conclui. nao tendo sentido o conceito dc consciéncia a nao ser como “falsa consciéncia” (fazem.\ m. ora ‘a dimensao social. w.. podendo chegar a diferentes formas no processo dc constituicao da classe até a uma consciéncia que ambiciona a universalidade..&3? . “em sua grande maioria.- z '53:» is 1" q?. w iéémw‘a aafia Elfii‘fiilfi 1%.3 a. ao contrario. Para ele as relacées nao sao simplesmente entre um individuo c outro individuo. 's-ma '9'»?-3122541525:'. 1976. E por isso que estamos d6 quc o problcma da consciéncia encontra—se no difi'cil jogo d6 que mediacécs que liga as determinacées particulates c genéricas consciéncia COmpéem o movimcnto quc constitui 0 set social. - i waxvawffiii‘a Maia 3%“ i‘xm. 81). dc modo quc a consciéncia é ora atribuida a dimensao pessoal e psicolégica. ora é esta quc condiciona a acao dos individuos.v. mas relacoes histéricas e particulates... de forma quc taiS relacécs adquirem uma objetividadc tao concreta como impalpz’ivel. .\.. = w. avg-13. m. Marx ja dissc que os sores humanos produzem suas relacées assim como produzem o pano ou o alimento. en— tao. Num caso.\ . . . . 1533‘ ‘. depois da (313586. 31.s 33233:“. tudo sc compreendc pelo sentido da acao social tendo como sujeitos OS individuos. costumam ser. como afirma Ricardo Antunes (1996. Os estudos dc consciéncia dc classc. ora como expressao da fusao do grupo. 103).'g. p. . como as que se dao entre o capitalista e o trabalhador assalariado.2.523 :3“. .-.w w . \ m r\\ . is5.\'"-.33" xvi-a 93 . A complexidade do tema 36 dd pelo fato de que o feno— meno da consciéncia ocorre na fronteira daquilo quc constitui uma das mais problematicas questocs do pensamento sociolégico. 53mg»??? . quc é a relacao entre individuo e sociedade. mas nao sabem que fazcm).t «We ”RM?“ . que: “suprimam estas relacécs c tera sido dcstruida a sociedadc convencidos inteira” (Marx. «m: \\~. 3‘ iw. . ora ao individuo. MAURO LUIS IASI cnvolvendo em uma polaridade que nos condena eternamente a escolher entre determinacées mccanicas: ora os individuos determi- nam a socicdade. ora a sua conformacao de classe. ..\»'x-.'~.225.

seria: (.).3393333. Thompson. tanto clzissica quanto contemporé‘mea.. .” in: ______ e REGO.\__ -: 3:. Goldman. r.'=\‘. Wal— qufria Leio (org.’. ainda segundo Antunes. 1999). : . Ricardo Antunes (1992.. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE relatos empiricos. Touraine e tantos outros.. 1979). k ‘ ..is 33:43 42323} gas-9.. Nosso maior desafio.2 Esta preocupagz’io de Antunes embasa—se na formulagiio de Lukzics sobre a relagiio entre a imediaticidade cotid iana e a di- mensiio genérica da aeio humana. 1996. Leéncio Basbaum (1982). 26 . p. 31:3 «54:3: 9. .“322 g:. -. a afirm agéo de que a Vida cotidiana é “a mediagfio objetiva—ontolégica entre a simples reprodugzio espontfinea da existéncia ffsica e as formas mais altas de genericidade agora ja conscientes” (Lukzics.._ EE-sheoasgfs $5.. a classe trabalhadora”. . . 3'95. ou. Celso Freder ico (1978... . “Notas sobre consciéncia dc classe. Hobsbawm. pecam pelo desvio inverso concebendo a classe trabalhadora como “uma construgéio idealizada e a—historica”.£3:ng3:}-::\I>~If&.M I '. .. Elias. da sua conscié ncia cotidiana e suas formas de manifestagfto (. 363133333 33333. \-v . . fetichizam o partido como uma consciencia que substitui a classe em seu fazer histérico. Marx. :33“:. Leéncio Martins Rodrigucs (1970). {3353 $33-$13}. p.) apreender tanto a dimensio da consciéncia empirica. ysg. iv 333. Gramsci._. 1996. Althusser. menos fragmentada e coisificada do todo social. : .3333 1113331133» E322. 103.\z‘..3 O ponto de partida da polémica 2 ANTUNES.{733‘}. \' .. » _* 4-. mais ou menos sofisticados.. préximas de uma apreenséio mais totalizante. . m {up _\\~.(c.... *4 '..\ IL . 1987. .\h. . (2pm! Antu- nes._ . ou seja.\ \ . . ‘. . 100). Labia: um galz'leu do se'cu/oXX. . 1996. acabando por fetichizar a classe como portadora metafi'sica de uma “misséio historica”..-_ \. 1998. assim como os estudos cléssicos sobre o tema em Kant. A Vida cotidiana seria o espaoo heterogeneo no qual se inter-relacionam dinamicamente os dois polos hum anos da realidade social: 21 particularidade e a genericidade. de como atuou e atua..“3 -'.-. diante da consratagio empirica das formas imediatas de amoldamento 51 ordem do capital pela consciéncia dos trabalhadores concretos. Weber e as obras de Lukzics.. . O tema da relage’io entre a classe trabalhadora e sua cons ciéncia tern sido uma questéo permanente na reflexfio sociolégica.). 1:11:35iEffi'ii'ai-S‘j‘ig'itifi-13Eii-i §{%“3?i31333. . por outro lado... Ricardo._..c gm)‘.. . ou.. Sio Paulo: Boitempo.. .\ w. 353-33. c v.<~:§ 333:.' n.. na imediaticidade. 31:33:}. como em buscar compreender também quais seriam as outras possibilidades de agiio coletiva.-.3323-313. Hegel.. Sfio representantes significativos deste esforqo no Brasil as obras de Juarez Brandfio Lo— pes (1967).' : \‘n'a.

iEi é‘ 1‘.sen-my. p. fundamentalmente intelec entre causas assim como a clara percepgao das ligaqées existentes a consciencia de e consequéncias.. MAURO LUIS IASI que envolve o terna da consciencia poderia ser assim resumido: existiria alguma ligagéio comprovavel entre a posigao de classe dos individuos. m.'. {39% §5§x¥§ §-§::'. afirmar a relagao existente entre a situag classe diante de certas relagées sociais de produgao determinadas gao da e uma agao politica de classe orientada para a transforma cons- sociedade pode significar. m i. . «amaze. m. ou seja. volvimento de condigées culturais. if: . Neste sen— tido.1% §9WE$€Q3 3%???“- wz . 'sfg1‘? 5:"afi§"§'{?€§“§i WW???“ ‘5- 13. esta aoao pode assumir a forma de atitudes pontuais amorfas que nao V510 alérn de uma agao reativa. entendidos como posieao diante do mercado.. como Weber (1979). . Como se observa. e uma determinada forma de Visao de mundo que poderia levar te a a uma consciéncia mais ou menos homogénea relativamen identidade coletiva.? $31" .%¥§éii§i§ m.*3 . r .E was.\.. assim. : \ w . :w: «mark -'-. ainda. éio de Por outro lado.mfm-J a.~ .ghqx _m:§ J_-. p. por meio de sua consciéncia particular. ..\::§:_§.. resisténcias e segundo Weber.§\\-: » . mas de forma alguma “urn fenémeno universal”.-.§':. a posigao em que se encontram no interior de certas relagées sociais de produgao ou de uma ordem “economical”. em classes como situagées partilhadas por certo mimero de pessoas que serviriam de base para a emergéncia de “interesses comuns”. a agao politica e aos fins almejados? ora. . ou. 212—215). 4. .ieé‘s. 1993. como em Marx.s-e\ -. é uma possibilidade. A possibilidade deste tipo de agao de 27 é\:¥. 90).' . . . - $. apontar para uma alternativa societaria diversa da ordem atual (Marx.a. W31.. agoes comunitarias “orientadas pelo sentimento dos agentes de pertencerem a um todo”.\. Mafia. como urn “ajustarnento de interesses racionalmente morivado” (idem. ou seja. uma agao homogénea morivada por interesses economicos. i-uiwrgmm-e imiig 1. A simples resposta a esta questao pode nao ser esclareced Dizer que sirn pode significar que pensarnos.. com mundo que orienta eticamente o agir no mundo. .= “Viki M a 113111. para Weber a visao de classe confunde—se com a Wltrzmbammg.\ Ava. a possibilidade de tituigao de um sujeito histérico capaz de representar. uma vez que.. exigindo para a formagao de agées tipicamente societarias o desen— tuais. 08 caminhos de uma emancipaeao geral e.

o que implicarzi a substituicao da contradicéio entre burguesia e proletariado no eixo central da 28 in\Pa'. p. .. x.a.\. mas a uma dinamica objetiva e subjetiva de luta de classes dentro da qual uma classe se constitui enquanto classe (Marx.._. . partindo de Haberrnas. \- aia.. esta acao coletiva seja resultante da dinfimica de “interesses” baseada no individuo corno sujeito da acao social. 67): “é a classe. as principais estrate’gias sociais na definicao de identidades coletivas?” Esta mesma indagacao orientou toda uma geracao de pensadores contemporfineos. Evidentemente ha nuancas significativas entre aqueles que. desde Hanna Arendt (2000) e Habermas (1990.) It EEEEEJEE '. \“x “x. Ea--“.:_\x.xa.a. s/d) e dal’ como sujeito histérico.-. na versao weberiana. Thompson.o. ainda que esre seja urn dos mfiltiplos aspectos dCSte processo.. --w V raga» ElfiEEEiafi " . . _' as. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE classe.-v¢. - ”3's ma - aaEa WA at. hoje.Ex“«98 E41E Jig. porranto.\ :-.'9'. _-: ..an} -. definidora de identidades coletivas? Ou quais sao. *4 ‘--. ainda que.que atua de forma qualitativamente diversa do individuo.h.. _. \.m aaax‘E= . -aim. desloca a natureza e manifestacao deste conflito para fora do eixo capital e trabalho em direcao as esferas de legitimacao. de uma forma ou de outra.-. -e x.. \=-_.__¢\-5: . hoje. enquanto em Marx enfatiza—se a dinfimica historica da luta entre as classes e.»‘. Com o per- gunta Leopoldo Waizbort (1998. :\'.«E. nio estaria ligada apenas 210 desenvolvimento de fatores dc compreensao intelectual e a intencionalidade dos sujeitos individuais.aff-. Urn dos tracos mais marcantes da sociologia contemporanea rem sido colocar ern dfwida exatamente esta possibilidade.-.z\. O que ha de comum entre estas duas visées. . 1983): passando POI Dahrendorf(l982) e Bell (1977).\. “W i‘aEEaE ma. Waizbort. afirmara que os conflitos que estruturam nossa socie- dade 3510 ainda conflitos de classe. - a. assim como esta prépria dinfimica estaria condicionada pela contradi— c510 entre o desenvolvimento das forcas produtivas e a forma das relacées sociais de produciio existente.:zx .. 1976. deslocam a analise das classes para outras fontes de formacao de identidade coletiva. teérica e pratica— mente opostas. aaaxxafa. s: a x ‘aEakx’i‘a .".m EVEEEMEE. até Offe (1987) e Gorz (1987). No entanto. urn sujeito propriamente coletivo . .. ‘ “ ' ' w: ' N. nesta Visao.a m. . Tiif.§._. é a possibilidade de as classes converterem-se em bases reais para a formacao de identidade/consciéncia e acao coleti - va.

e nao pela suposta homogeneizacao de classes. \-. 2003. geri-los na direcao de uma sociabilidade emancipada. argumentam que as afirmacées baseadas na centralidade das classes foram ultrapassadas por aquilo que denominam “sociedade pés—industrial”. 2”?” s: w massages. (33“. . \. MAURO LUIS IASI atividade produtiva para outras esferas.3». ainda que em uma perspectiva diversa..\\-'e:y.~A_ -.». _J:_. n.«-vyg in: 33% 32'9““ g”. p. socializando os meios de producéio desenvolvidos pelo capitalismo.T. Aqui. 1'1 § A. . classe social 3 status. 9—38. marcada pela diversifica— ciio. Cn’ticzz marxism. como Dahrendorf (1982) OH BC” (1977).:. A“. que também se apresenta em Marshall. . tais como a dicotomia entre empregados e desempre— gados. . “. . mm ( . a impossibilidade de alteracéio revolucionz’iria da sociedade vem acompanhada de uma defesa das virtudes da ordem do capital. Outros. O que ha de comum entre estas aproximacées teéricas tz'io diversas é a constatacao de que a forma atual do capitalismo alte— rou radicalmente a composicao e o perfil de classes da sociedade contempori‘mea a ponto de inviabilizar._ AN»._. como a da comunicacéio on da moral. ou modifica— —la substancialmente em outras. Isto levaria a contradiciio social para outras formas de polarizacao. A.i-‘ 7: _‘?A 3-.’.. 5w. . H. as nuancas 11510 5510 menos signi— ficativas. A.. {A}. 29 museums i Ms W i am saws am isms M a. Podemos encontrar um exemplo deste procedi— mento na delirante visao de Dahrendorf.‘. ou ainda incluidos e excluidos. Ar ( . como Bell e Dahrendorf. Cidadxmz’a. “Cidadania e capitalismo: uma critica 31 concepcfio liberal de cidadania”.. Para pensadores que tendern ao conservadorismo.4 sobre o capitalismo lograr uma igualdade de fato e 'l MARSHALL .. numa visao. 1967. \A. Décio. a alternativa revolucionaria dos trabalhadores como classe na perspectiva de uma ordem social além do capital. Rio de Janeiro: Zahar. . :33: Emma. \{i “I“? .: . substituindo a disputa das classes por recursos escassos pela administracao politica e institucional da alocac'ao de recursos disponr’veis.-_ _r\\\-. -: 5 gym-£. 16.A.» _\\. colocara a questéio na forma de emergéncia de uma “nao classe de niio trabalhadores” e criticara impiedosamente as pretensoes de Marx e dos marxistas de estabelecer um vinculo entre 0 desenvolvimento das forcas pro- dutivas capitalistas e a formacéo de uma classe operaria capaz de. Gorz (1987).9-.. 8510 Paulo: Boitempo. também.» f¢§\v. apzm’ SAES. Rex.

772mm}! d6! kommzmikatz’ven Hands/m.. “5% f. via de regra. Estado e ideologia”. Leopoldo.S No entanto..: Suhrkamp. 1987. Os novos conflitos surgem antes de ambitos da reproducao cultura l..:‘-----'-'“1’-"t“:‘.» g»._ :._—. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE nao apenas juridica. Jurgen. w m3. Siio Paulo.. de maneira que capital e trabalho.. nem tampouco podem ser apaziguados recorrendo a compensacées confo rme o sistema. criando novos tipos de conflitos néio mais centrados na “produc’ao material” e que. que mantém a perspectiva critica em relacao ao capitalismo.. a.. Sociol.<_. ). da integracfio social e da socializagfio.} iii“.. W i!“ ‘5'“ 9.576: dpud WAIZBORT. (llfisellVOIV‘fln‘Se em formas de PtSto subinstitucionais.::§. Nps estudos de Norbert Elias (1993.g“. Com a classe ope- —-——__‘________________ s HQBERMAS. 1994).. p. o fato é que se coloca em duvida 0 Piaf-ml tradicional das classes como patamares possiveis de agiio polluca e de formacéo de identidades e consciéncia coletivas. nao podem ser equacionados simplesmente na polarizacéo de classes. V' f P. 1‘2. M. . seja por meio da critic a da centralidade do trabalho e das classes que se estruturam em torno da produeiio ruaterial do valor..>~ F'RV.3.! «i’? i953” iéféii’iji».319. assim corno das formas organizativas que. “Classe social.. 10 (l)..335‘: o. Ja pensadores corno Gorz ou Habermas. kiwi i iwa a. se associam ao ser da classe (Sinclicatos.» ej. . em todo caso extraparlamentar._. encontra urn ponto de equilibrio insta vel. 78-79. USP. ao contrario de se antagonizarem. mg “fr-g ... p.:: riff. Eiafifira r393 izi 2M. Diz Elias: Estas duas classes (burguesia e proletariado) se contro lam mutuamente em e(lufll'brio amiude precario e sempre instével de tensées. pod emos ver. solidarizam—se em interesses agora comuns.A. partidos etc.. t.“ .5 “3. mi 2. 25).. seja mediante a glorificacéio das virtudes da so- ciedade capitalista liberal. Como afirma Habe rmas: Tais conflitos jzi niio se produzem nos fimbitos da reproducao material. .”. max :12)? . portanto. ja nao se canalizam através de partidos e associ acées. Yi’mpo Socml— Rev.3.» 5.iaimhiiim 5. {mm W49“ \_ E is“??? . 30 m9. as 3‘3? 35%. tialmlmm. i. Frankfu rt.. “f“ f‘iKfiEE-E- . a constatacao de que a polaridade de classe tem sido subs- titulda por urn campo comum em que a contradic ao.} 2. afirmam que este sistema foi capaz de desenvolver a faculdade de sobreviver ao seu mau funcionamento e dominar a “néio soluciio de seus pro- blemas” (Gorz. stair.. sem deixar de exrstir... n. dai o deslocamento para esfer as da acao comu- nrcativa e da reproducao cultural.

9.93. 0 equilibrio da chamada “Guerra Fria” levou a uma certa correlacao de forcas que permitiu. Norbert.: 99.isiii ii. tais como no contexto da Primeira Grande Guerra (1914—1918).99”: 9:. on que este conflito nao é mais entre as chamadas classes fundamentais. 1993.9 99% 3. i i. os representantes da burguesia industrial e do operariado tradicional Formam agora a elite das nacées da primeira onda de industrializacéo.. por um lado.9izmxv3:. iifiiii iiwiiiiiii i‘iiwzfi? i iixiii‘iii iii-iii i ii”: iiieii“ ii iii-iii is. 228.9. 31 99-99: 1.9. no qual as classes em luta encontram uma unidade a ponto de se tornarem a “elite” das sociedades industrializadas.es. é um traco constante naqueles que procurarn argumentar que o eixo central das sociedades contemporaneas é cada vez menos o conflito de classes. na Italia e principalmente na Russia. (. m I.9. O processo civilizador (Introducao a edicfio de 1968). mas ganhando lentamente forcas. a par da consciéncia e dos ideais de classe.s..) .3 my..2 3999 93 $9939 9. 1.6 A ideia de um campo comum — no caso. mas crescentemente também no operariado. tal como estava presente nas analises do século XIX e parte do século XX. iiiiiiixz iiiiiiiii i is.. a concepcz’io de 1139510 —-. .) Parcialmente como sécios e até certo ponto como adversaries. a consciéncia nacional e o ideal de sua prépria nacao como valor supremo desempenham urn papel de importan— cia crescente nas duas classes industriais. como na China. MAURO LUIS IASI raria tradicional ainda em posicz‘io mais fraca.. . 9:: 99:9 . e em certa medida como disfarce para eles. v -.9. 0 carater ciclico da economia capitalista produziu momentos de crise aberta e de vigorosa retomada de crescimento do modo de producao ca- pitalista._\9_. . :35”? :9: ". em primciro lugar na burguesia industrial. o desenvolVImento 6 ELIAS.9% (m9 232: 5: x99 59:. "flfi 4. .9. casos de ruptura revolucionz’iria. Em consequéncia.: :c 979 23:99:99: 9: 9999. 9-5.» . Vivemos um longo século XX marcado por um fenomeno desconcertante para o pensamento revolucioneirio: o amoldamento da classe trabalhadora em relacao a ordem do capital. Rio de Janeiro: Zahar.‘9199: \9 -..: . v.9s-iie .993 . p. por meio das experiéncias revolucionarias na Alemanha. surtos revolucionz’irios combinados com o processo de descolonizacao da Asia e da Africa... A classe trabalhadora viveu momentos claros de ruptura.9 .: 'ITE'_-:‘-E'°'<“ 999 9.

nao sao experiéncias idénticas. uma Sanda. as esperiéncias de transicao socialista nfio apenas demonstraram praticamente a possibilidade de derrotar as forcas capitalistas como foram responsiveis por equilibrar o jogo de forcas por quase um seculo.:\\\-:I':‘:. As transicées socialistas e as alternativas social—democratas 350 OS dois lados da mesma moeda: a tentativa de superacéio seguida do amoldamento a ordem capitalista que se esperava negar._?. em que se arriscaram it além dela.asgizféétzaiaélak 5 Wu »§:::.v§:::. Entretanto. As METAMORFOSES DA CONSCIENCIA 1J1: (:LAssrs de experiencias de transicz’io socialista e. a ruptura com a ordem capitalista mediante a socializacao dos meios de producfio e a constituicéio de um Estado proletario (aquilo que Mészétos (2002) chamaria de uma tuptura “juridica” qut‘.‘"f”’“-§?‘3§"’If<é"‘f‘§ “T5? . Os trabalhadores submetidos diretamente a0 jugo do capital ar— rancaram significativas conquistas no que tange a direit os formais.““§t is 6‘5 fsn:q. notadamente na Europa Ocidental.*__«W_g\\\ «gm-“>33 “seems“ f“‘:". vivemos durante o século XX trés momentos simultfineos do vir a ser da classe trabalhadora: a existéncia subordinada ao capital. §“--:. A subordinacf io diretamente capitalista e a indireta.1’ e“ ‘-"‘-'=="-v°: $‘Ts=§. >. enquanto a experiéncia social—democratica levou a0 maxi— mo 21 possibilidade da convivéncia democratica entre as classes por uln certo periodo. mas sem superar seus horizontes liltimos. No entanto.§: at m=-:."‘.~z\".:§’sl: 3 imétsa w its-asii-ii-sk Rims Naming: air-5% ENEEta}. Intere ssante é que todas estas alternativas fracassaram exatament e naquilo em u tlverarn sucesso. como demonstrou claramente a emergen- 32 _.Q|gxg. na qual os traba— lhadores esperavam sobreviver dentro da ordem do capit al. 1989). na forma social—democrata . Significativamente. a miss: WWMHRM . todas fracassaram. nio conseguiram evitar as crises ciclicas do capital e seus efeitos sobre as classes trabalhadoras.§-:“\" W"??? :v‘". \__.§w§‘s.'.:':-t2lfi 3’21.?_:¢_ 353-“ '“\'::i:'*:. por outro. o desenrolar da experiéncia social-democrata. e uma terceira.'Eat: it} #63». Uma primeira. que buscava it além desta ordem utilizando-se de seus préprios mecanismos.” it ”‘Q's‘ {AW “. niio logrou ir além do sociometabolismo do capital) e o sonho social—democrata de colocar a servico de um Estado democratico uma economia capitalista voltada a um tipo de desenvolvimento que melhorasse gradativamente a qualidade de Vida das camadas Operarias (Przeworski._-_E_e_ »_.

Teorz'a geraldapolz’tica. de se cristalizaram em formas além do capitalismo e. é provzivel que o interesse da classe dominante seja assumido e sustentado até mesmo coercitivamente enquanto interesse coletivo. Assim. Rio de Janeiro: Campus. Nao é de estranhar que a consciéncia de nosso tempo caia no atual atoleiro da acomodacz’io 2‘1 ordem do capital como um destino inescapz’wel. 33 E“ ‘EEEEEEE EEEEEEEEEEIEE E "EMEE. As transicées socialistas falharam exatamente pelo fato de deixarem de ser transicées. a di— nfiimica dos interesses seria pautada por outras demandas que nao propriamente a de classes. Norberto. uma de classe e outra “pluralista e democratica”. muitas vezes. isto é. MAURO LUIS IASI cia da crise a partir da década de 1980. Uma das manifestacées mais claras desse pintano é o ataque as nocoes de classe social. considera—se interesse coletivo aquilo que foi aprovado pela maioria. a capitalista -— pode ser organizada como uma polaridade de classes contrapostas ou uma pluralidade de interesses individuais harmonizaveis no corpo do Estado conforme a 0pcao pela forma politica mais ou menos racional. £1 proposta de uma sociedade socialista e. 2000. a centralidade do trabalho. levando ao extremo a afirmacao weberiana segundo a qual a forma de classes da sociedade é uma possibilidade. na qual as decisées coletivas sao tomadas pela maioria (ou pelos préprios cidadiios.7 Fica claro nesta passagem o argumento segundo o qual uma sociedade — por exemplo. Diz Bobbio: Em uma sociedade fortemente dividida em classes contrzirias. Em uma sociedade pluralista e democratica. produzindo uma curiosa trajetéria que levou certas formacées sociais pré—capitalistas ao capitalismo pela Via de uma acumulacao comandada por um Estado socialista. 220-221. E. acordos ou conveniéncias na perspectiva de conquista ou manutencao do 7 BOBBIO. p. ou por seus representantes). aquém do capital. tais como preferéncias politicas. Bobbio (2000) contrapoe duas formas societérias.» EE‘E EEEEE EWEEMEEEEE EEEEEEEE EEz‘EEEEEEEEE‘E EEE‘EE EEE MEEE EEEE E‘EEEEE E:: EEME EEEEEEEEEELEEEH‘E . e 1130 um Fator eStruturante das relacées sociais sob o capitalismo. principalmente. de uma alternativa revolucionaria.

mas apenas uma “politica” diante de outras formas pacificas de partilha do mundo (Lenin.-. _r.>3. Arendt (2000.\.\-..“: ..\ 3 u: \ 5 . 1963. . p. p. 33333. Em certa oportunidade. 8.3333. w .. ou mesmo do liberalismo social... .. are a negacao do conceito de um sujeito historico.a. Kautsky chegou a imaginar que o imperialismo niio era propriamente uma fase do capitalismo.33'3 M .. 1976.:\ .:y_. 1995. algumaS das questées fundamentais sobre os efeitos da automacao em uma. como parecem indicar Habermas ou Castells (2000).-. identidades nacionais ou étnicas. 12) colocava. 1976. 3.\.. q‘f:-{yg’gs'....-. No campo de um pensamenro mais critico.5. mas que parte da constatacao da inviabilidade do sujeito histérico na forma da classe trabalhadora. rem 73\\‘L2\‘. 114—115)..._\.. 1984b.Adorno. passando pela tentativa de conceituacao de uma nova classe de trabalhadores assalariados intelectuais (Mallet.\ _::-_ \_.-. ficamos cientes de que a sociedade de “classes” é uma das possi— bilidades politicas do capitalismo ao lado da sociedade “pluralista e democratica”. a emergéncia de novos sujei— tos sociais.. esta constatacao leva a um processo acentuado de idealizacao da capacidade do Estado de institucionalizar os conflitos nos limites da ordem. como a “classe expandida” de Negri (apzzd Lessa. Neste caso.3 3331:3333 3. Gorender.333 313 3 32. corpora— tivismos e outras fontes de identificacao individual ou coletiva.3:32. 1:: 3 ”:53 day-‘5. como a criminalidade. 489).33. . 5 -\":. on um novo sujeito.3. m. 230). 22—23 ).3. No campo do pensamento mais conservador._m__\ ... 1995). 1998. 5.-. p. 333._ 3.. como se esta néio fosse uma sociedade de classes. AS METAMOIIFOSES DA CONSCIENCIA DE (ILASSI‘I prestigio e do poder. x._ _v. como em Foucault (1984a. .::_-.333 3. comeca-se a buscar novos sujeitos: desde a estranha formulacéio de Gorz de uma “nao classe de néio trabalhadores”. "‘:"" _w._. For este raciocinio dc Bobbio. p. 333 333.33 33.3 333.t avg-I”.3 333333 3. .-.. sociedade que teria desenvolvido uma verdadeira c‘glorificacao red— 34 . p. 2002. . 1999. os confliros contemporaneos se— riam conflitos que contrapoem a ordem (que incluiria 0 capital e o trabalho) 51 negagao da ordem. caminhando para a afirmacao da multiplicidade de negacées pontuais e microssociais. jz‘i em 1958.. 333333333 33333W 333333333333 3333.-\_. fazendo corn que a categoria central da analise volte a ser a anomia nos termos durkheimianos (Durkheim.. Podemos encontrar a formacao deste pensamento em um periodo muito remoto..ge‘\\ 33-9} .

.7.._»= . 9w: 51 4f.393 m». 1867. por outro lado.x». 1991.$%1z 1131 1. mas pela correspon— déncia entre a ofensiva teérica e as derrotas no campo da relacéo econémica direta nos locais de trabalho.9 9119-99. Este fenomeno resultou na defensiva dos trabalhadores. tais argumentos estavam presentes ha bastante tempo no cenario da luta teérica. ainda na década de 1950.9 :1 \ 93¢ '.7. assim corno. Estes fatos histéricos acabaram por. o profundo processo de reestruturacao que 0 capital empreendeu entre 03 anos 1980 e 1990 que mudou a face da atividade produtiva e culminou na passagem da subordinac’ao formal para a subsuncao real do trabalho ao capital (Marx. 1987. 35 9??? (my. em sua esséncia.1111 19> . .. 1998).18113} 1: 3. Bihr.-E11>: ”1%. & 9. assim como no universo da formulacao politica. na reorganizacz’io profunda das relacoes de tra— balho no mundo capitalista.. 1-1. 11% 1:33 2‘\ E $2.)9: . Dois fatores se combinam para produzir este efeito no reino das formulacées académicas e teéricas. 99:99 $1): ‘5: . 3% 9229.1.%a$. no centro estratégico da producao do valor e no fimbito da luta politica e histérica mais geral da alternativa socialista.11:1..58) Entretanto.“ :93. o desmonte da URSS e o consequente fim do chamado “socialismo real” no Leste europeu. 1982..1.. MAURO LUIS last rica do trabalho” para depois vé—lo desaparecer.. 1.939.$$. dpud Chauvel. 9. o tema ganhou impulso nos anos 1980 e assumiu a forma de uma quase-unanimidade na década de 1990.. 2002.. e.____ $39 9.. 9:3 «9 ".561 1. .1. an}.11. 1993).”"'8\\"”E'.. $1... Por um lado. até porque. o tema do fim das classes aparece com toda a nitidez nos ensaios de Robert Nisbet (1959.. criar uma feicfio de comprovacao empirica incontestzivel as teses que questio— navam a centralidade do trabalho e das classes produzindo a maior ofensiva teérica que o pensamento marxista ja sofreu em toda a sua histéria. Hirata. 1. 1997. L».-:_. acompanhado pelo recuo da social—democracia na Europa Ocidental (Mészziros..1. Antunes.: 9}.913. na derrota das transicoes socialistas e na regressiio de conquistas nos paises onde predominava uma alternativa social—democrata. 2002. g?“ 1.$ 11$$.4999. 1998.__.1:111:81. :m.1311>.. \1 . $11: H2“ 11. 1993._.?.:1. A forca e o vigor desta ofensiva teérica se explicam néio apenas pelo embate dos argumentos e sua preciosidade conceitual. Anglieta.99»? 91-23 9:: 9.3111: $11. 9: {5:231 WV {.-:I 999.21. >.x.p.31 11383013131 . Castro.. 5999-9 .“ $11$ 11. Chesnais..1 :99 1“ 113-1... 1996.. 1999. aparentemente..

Me’szaros (1996) jzi afirmava que “a ideologia dominante tem uma capacidade muito maior de estipular aquilo que pode ser considerado como critério legitimo de avalia gao d0 conflito. p. x2. 36 ______. . 15.- 2223 2 ..8 Este tipo de argumento supostamente cienti'fico néio é propri a- mente uma novidade. John Maynard Keynes: Como posso aceitar uma doutrina que estab elece como sua biblia..22. .3. ....22222-22. 2“ . acaba antes mesmo de comegar pela desqualificagao de qualquer argumento relacionado as afirmagées marxistas classicas. \-2 2.. p. encontradas principalmente entre os teéricos franceses como Foucault.2.2"“:22. ..2. na medida em que controla efetivamente as instituigées culturais e politicas da sociedade”9 e. ’0 KEYNES. Claus. 2.. Mid... apesar de suas falha s.EE. pode desqualificar todo argumento contrario como “nao cienti’fico” ou ideolégico. Istvzin. -..»..2 _t ENELEE§£232322§22222E£§ é WEE. urn manual econémico obsoleto que reconhego n50 so corno cientificamente erréneo. We. . 29-3 “Yea“x-E-vésfs=§fi?3-‘-= 3 . ... E22 2» 3 232. 1996.2. representam a prosperidade na Vida e certamente levam consigo as sementes de todo o avango humano?10 Observem que 0 critério cientifico para julgar o pensamen to de Marx é o reconhecimento por parte do préprio Keyne s sobre OFFE. preferindo a lama a0 peixe.2 . p. ..2.- ._ £2: E. ‘. .. 2&3 2..\2 93?? i~.. Capitaiisrrzo desorgrmizrzdo. As METAMORFOSES DA CONSCIENCIA n13 (:LASSE Desta forma. 195. . o debate. “Trabalho: categoria sociolégica chave?”.__ 222.2M».. Sfio Paulo: Ensaio. Isto fica patente nesta afirmagfio de Offe: (.. 1984. via de regra... . .YE).3353. 16..» 322.. Como exemplo deste procedimento.2. . Touraine e Gorz..) 9 MESZAROS.23. (grifos nossos.” 3---.»2 -. exalta o proletariad o rude acima da burguesia e da intelligentsia que.=.32.2-222gs2 n. . 2E§EE2E223 2. mas também sem interesse ou aplicagz’io para o mundo mode rno? Como adotar um credo que. 2. .23. Silo Paulo: Brasiliense. 333. a partir dai. .22%. penetr aram tio profundamente em nosso pensamento que a ‘ortodoxia’ marxista nao rem mais muita respeittzéilidztde cienttflco-socitzl. Istvzin.3.) todas as hipéteses e convicgées... . o autor hfing aro nos traz este brilhante argumento de um dos mais respeitad os economistas.: H} 222 2 .. 22. acima e além de qualquer critica.2% f3. John Maynard.. w». 2. ail: «.3.2.22 ... A short view ofRussia [1925].2%.. apud MESZAROS..19% 222 3. 2.‘25 3“?" a». Opader dd ideologizz. iii: .

evidentemente. objetivamente neutros. apesar de pequenas “falhas”. mediante a prova empirica do desmonte do bloco socialista. por meio de Estados nacionais que deveriam ser uma transicao. A mesma incri— Vel percepcao “cientifica” que encontra na burguesia a “semente de todo avanco humano”. tudo em nome dos mais altos “valores” e do “avanco humano”. como antes. E22. Evidente que estas experiencias niio se redu— zem apenas nisto. que nao apenas desprezavam o “refugo confuso das livrarias vermelhas” como fizeram questiio de quei- mar estes “livros vermelhos” e proibir seu estudo na moderna inquisiciio do nazismo alemao ou. mas. a Primeira Guerra Mundial. posteriormente. MAURO LUIS “231 o carater c‘cientificamente erréneo” e a falta de aplicabilidade pratica da obra de Marx para os tempos presentes. parece indicar a correspondencia entre as afirmacées teéricas e o papel politico e social que as principais ideias marxistas desempenharam durante todo o século XX e sua aceitacao academica em uma época na qual ser “marxista” era uma espécie de amuleto que indicava que mesmo os “filhos honrados” da intelligentsia burguesa possuiam uma “alma” com preocupacées sociais. ocorreram no tempo histérico. a mesma percepcao que escolhe o peixe da burguesia e descarta a rude lama proletaria. em que foram proferidos estes juizos.. O termo que associa “respeitabilidade cientifico—social”.: 2223232 222. Tanto hoje. nos golpes militares da América Latina. até mesmo por aquilo que nao completaram.?! 22 22 2 2 E2222 2222 22:22:32 32. a experiéncia socialista do século XX rem se constituido em um poderoso arsenal contra as teses centrais do pensamento marxista.2 22* E2222 2223323232. Entre as pequenas falhas nesse caminho inelutz’ivel de prosperidade. como dizia o economista.22E2 322. 2. a Crise de 1929 e a Segunda Guerra Mundial. 2 2 22. 22222222 222 E22222§2233E2¢EE23 i: 2222222. Sua percepcz’io é o critério da verdade. honrados e inteligentes da Europa Ocidental”.22 2-222 22. nas pa— lavras de Offe. mas que de fato nao transitavam para uma sociedade sem classes. foram e 5510 manifestacées histéricas que comprovam a possibilidade de uma alternativa além do capital. tudo isto feito por “filhos instruidos. paradoxalmente.2-3 22 22 23222 222233222 ELE.2. .223 :2 2. 222 22.232.

1° sem. Vera da Silva. n. p.como formagao social integrada a or—~ dem capitalista e a natureza desta integracao. USP. in: IASI. 0 dilemrz dc Hamlet: 0 ser 6 o mic ser dd comcz'é‘mz'a. mais precisamente de nao Ver :1 respeito desta mudanca de enfoque: CASTRO. p. a terminologia muda de classes para “atores”. naquilo que nos interessa diretarnente. na dificuldade dos conceitos tradi~ cionais. 1994. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA [)E CLASSE No entanto.11 Gradativamente. Silo Paulo. TELLES. “Pensando a classe operaria: os trabalha~ dores sujcitos ao imaginério académico”. de compreender a relaciio entre os aspectos objetivos e subjetivos. 0 general da tatica”. 1983. Maria Célia. pelo fato de 03 sociélogos terem desenvolvido a impressz’io de que os conceitos disponiveis nao 5510 05 mais adequados 2‘1 percepcao daquilo que chamariamos de consciéncia de classe. nas décadas de 1980 e 1990. das atitudes operarias e manifestacoes coletivas para aspectos da subjetividade. seja nas sinteses que levaram £1 dicotornia desenvolvimento/subdesenvolvimento) — em direcz’io a temas que buscavam a analise do microcosmo da producao e dos processos de trabalho. Eder. EM? faiiaiil‘: M“: is? amgugws s in %€%\3\§3mé‘&lszv . 39-59. LEITE. de consciéncia para “identidade”. Nadia Araujo. 37. Esta inadequacao residiria. pouco a pouco deixaram o terreno das teorias explicativas do Brasil —. SADER. Rio de Janeiro. segundo esta aproximacao. “A sociologia do trabalho industrial no Brasil: desafios e interpretacées”. Sio Paulo: Viramundo. 140-167. Bofetz'm Informativo e Bib’liogrzz’fico. Este movimento ocorre. 38 weamarrwma ifiéirém saifiliwé iwafliig. 2002. Revista Brasileira de Histo’ria. Marcia de Paula. ‘2 Ver a respeito: “Foucault. entre outras coisas. Poderiamos até dizer que se produz urn Vigoroso questionamento da perspectiva de “totalidade” e. incluindo suaa consequencias para uma particular estrutura de classes (seja na perspectiva marxista de caracterizacao capitalista da formacao social brasileira. Mauro. normalmente ligados a Marx. contra a suposicao de que esta tota- lidade se orienta por certa intencionalidade e sentido12 que niio aquela centrada na aciio dos individuos no ambito singular dos acontecirnentos. PAOLI. os estudos sociologicos recentes. seja na dicotornia arcaico/moderno de insa piracao weberiana.

M. 118—119 . 1995.22.” Caso nos detivéssemos apenas neste aspecto. Nadia.\ €19? § 3%)" _ . No entanto. p. ENGELS. A ideologizz alemci. :i.. o papel da cultura e dos aspectos étnicos. CRSTOM. no limite. predominou a conviccfio de que o referencial de aniilise marxiano é insuficiente. is»: =% ‘3 QR gs.. :Y‘zgfiffivguém 2?: of? . 429. das determinacoes mais gerais e das acoes indivi— duais de modo menos mecfinico.§ “‘3’ ‘9: . mas “partir da terra para atingir o céu”. 1.E: WEEK '3._' *I?mgi_-\I. Karl. isto é._\\~.3n EEEE. '“Ezfii: . 39 E: EEEEEEEA EEE EE-E. absolu— ‘5 GUIMARAES. CASTRO.. c‘daquilo que 3510 ml realidczde.13 A principal Virtude deste caminho foi recuperar para a analise sociolégica o terreno proprio da mediacao em que se produz e reproduz o fenomeno da consciéncia em sua imediaticidade coti— diana. ».‘$"5 5%???” :23. Neste caminho. \. Imagem e iderztz’dade do trawl/J0. Guirnaraes. v.» EEEE E iE EEE ESE E -‘ EEK EEE EEEE E .» f». 24—26.EEE EEE-E EEE .’> yaw. 1995). :\V.\}_:e_ WV. 1989. partir dos hornens e mulheres reais.. p. Esta busca Conceitual e teérica animou uma infinidade de estudos que pretendiam tratar as dimensées da objetividade e da subjetividade.]. E’EEEEEXE EE-EEE EEE .E1. 335'"? ‘1. Elster. negando a simples determinacao material ou economica que caracterizava um tipo de marxismo. assim como a dimenséo psicologica do fenémeno da consciéncia. tal como trabalham e produzem materialmente”.1’resenca. «v. nao haveria maiores discordancias entre esta nova perspectiva e um processo de revigoramento do marxismo. Nadia.'. S. de carne e 0330. uma insuficiéncia destc referencial no sentido de captar as dimensées subjetivas (Przeworski. Agier. _-.. E. MAURO LUIS IASI dar a atencéio necessaria aos aspectos subjetivos..\\::§: $1. 1989.E. p...w‘:. [s. nas palavras de Marx e Engels. Silo Paulo.E:. p. 31m“: _v\\_ : Isé'iwx gyfi 5. pautando temas antes relegados como as questées de género. on... a maioria dos autores compreendeu neste movimen— to uma ruptura metodolégica ern relacao ao marxismo. em alguns casos. A.“ 5 gs.l5. assim como das dificuldades em encarar o grande desafio de ccirwestigar e teori— zar os microfundamentos dos macroprocessos de transformacao social” (Guimaraes. 23). mais ainda. M. S. Buscar o terreno concreto da mediacao nos adverre que o nosso principal objetivo r1510 é opor uma fraseologia a outra.2.d.. A. gm: 3.. Castro. Lisboa: Martins Fontes. Friedrich. --‘.EEE.20. AGIER. 1998. . p» 11- ” MARX.E::. 5"?” $5:.E EE ME . Sio Paulo: Hucitec. EEEZE E *EEEEE -.

de maneira absolutamente sintética: a) 05 conceitos sfio historicos para Marx e poli-histéricos 0“ trans'hiStéfiCOS para Weber. . . em seu livro A: aventums dd diale’tz'ca. 128). Sio Paulo: Hucitec. p.3V V. Habermas (1990) ja haVia tratado do campo comum de catego- rlas marxistas e weberianas. e em Marx “a chave estrutural para a interpretacao das formacées sociais é a producz'io social historicamente determinada”. 1986). _3V.E::. V. Vi: 1‘7 EEEEV‘VW w?‘ . entre os chamados marxistas weberianos.w. em Adorno e Horkh ei— mer (1997). tais como a tentativa de Sartre (1979). VV. Nos Estados Unidos. segundo Michel Lowy (1995). no entanto.V. da obra fundamental de Hirano sobre a compa— rac‘ao entre os conceitos de classes e estamcntos em Weber e Marx chegar a conclusfro erldente sobre a irredutibilidade do método marxista em relacao ao weberiano e VlCC-Vcrsa enquanto “metodologias radicalmente diversas” (Hirano. VV . {‘VEVV.VV. . pois. do marxismo analr’tico (Roemer. ainda. pressao marxrsmo weberrano. que combinaria “a critica marxista da ideologia” e o uso das categorias como reificacao e fetichismo com uma ampla preocupaciio corn 0 mundo moderno como “mundo integralmen te IS 16 igiMAR-AES. por exemplo. V. A: S.. 1975. esta sfntese pode ser vista em sociologos como Pamel Bell. tendo os individuos como seus sujeitos. . . Um son/a0 de clam. além do fato de que “o marxismo nao desenvolveu uma teoria da subjetividade”. portanto. naquilo que se chamou de marxismo weberiano. notadamente Lukzics e depors em 318L105 aurores da Escola de Frankfurt.3.3 VKVVVWV EJZEW‘EEEEEEEEEEEE l EVE EV Ex . ou. 40 . V3. Isto porque. . como Adorno e Horkheimer. refermdo-se a influéncia dc Weber sobrc alguns autores marxisr as. é a chave compreensiva das relacées sociais (Hirano. p. segundo o estudo destes autores profun- damente influenciados pelo chamado “marxismo anall'tico”. no Brasil. 1998. . V. empdetnmemo do fato.. V. 16. foi utilizada pela prunerra V6? por Merleau-Ponty em 1955. foi lnCIUIdo. C) ambos autores partem. b) a perspectiva de uma totalidade integrada dialeticamente em Marx (0 que nos remete a Hegel) e uma perspectiva neokantiana dc aproximacao ou distanciamento de realidades particulates em relacao la conceitos tfpicos ideais em Weber. o marxismo classico desembocaria em uma “orientacz’io sobretudo estruturalizante e totalizante”. 0 professor Scdi Hirano. WWW“: EXEETE‘E‘: :EEEEEEEVE E33: E2: *:ME :35 ’EW . 1975. enquanto para Weber :1 acfio social. .16 . Marcuse e outros. em uma afirmacfio de Gorender. Alvin Goudner ou Wright Mills..VV. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE (ILASSIE tamente inadequado para articular os fatores da objetividade e da subjetividade. de assuncoes axiolégicas e epistemolégicas absolutamente diversas a respcito da relacao entre sujeito e objeto. p. 15).15 Nao por acaso surgem sucessivas tentativas de sintese entre o marxismo e alguma outra versao teérica que articulasse os aspectos da subjetividade e da objetividade. V__ . _V. V.

was was an r a. ‘M . p. '3 IASI.._-_§\\. 1990. dc certa mancira. 195-196)- 41 a smwwrw a Na as m.. No cntanto.= on s :w 9. acima de tudo. :wmm _.. p. na medida cm que separam estas dimensécs corno realidadcs contrapostas. como. cxista uma clara preocupacao dialética em nao tornar a socicdadc uma abstraciio buscando a mediacz'io concrcta dos scrcs humanos concrctos. Mauro. cit. 24). Esta polarizac‘ao mecanica encontra sua raiz na incompreensao da forma como em Marx se equaciona a relacao cntrc individuo c socicdadc. como jzi dcmonstrou Hirano (1975).. certos marxistas tendem a ver a histéria corno um produto mcramcntc obj etivo que fogc a comprecnsao e a teleologia humana. O discursofiloséfico dd modemz’dade._\ _»_ . in: aw. 1977. Poderiamos.o|é\\m.‘. Muitas das reflexécs no campo do marxismo padeceram deste mal.__= _.m. O dilema dc Hamlet. ( V 4. é quc acaba por nao comprecnder a dialética cntrc as determinacoes objctivas e subjetivas que compoem a t0talidade do fenémeno da consciéncia.l.«w. assegurar quc os pcnsadorcs que buscam a rcsposta sobre como articular as dimensées da objctividade e da subjctivi- dadc criam o préprio problema para o qual esperam ter uma solu- cao..2 a ¢.’. Jurgen. sc é verdade que em Marx. p. 91")?" Eta-2. .” é igualrnentc verdade que inflmcros marxistas transformaram csta dialética numa formula empobrecida de positi- vismo. evitar que ‘a sociedade’ se considere novamente como uma abstracao em confronto com o individuo. “lmporta. corn certo cxagcro. pois pairaria sobre 616 “a maldicao da rcificacéo dcmoniaca”.\. 5 NW_ : a“: .9W§1x}fit\}:§: ‘43 Ni:._ .I-:_§.5 m. Lisboa: Don Quixote. tal como foi sustentado por Marx. V H ‘ _ M § _ . c também cm Engels.€ W. 1993. :V. Exagerando a afirmacfio marxiana segundo a qual os scres humanos na producao social da Vida estabeleccm rclacées sociais necessarias e independentes dc sua vontadc (Marx [1859]. 112. critica Elias (1994._.{. como descrcve Lowy (1998) a0 56 rcferir a positivisacao do ‘7 HABERMAS. 1998).E.3}: _§:. O individuo é o ser social” (Marx. “a“ .. msww a w. MAURO LUIS IASI racionalizado” e 36 aparcntcmcntc descncantado._.». W_ .a_.17 Afirmamos em um trabalho anterior18 que o problema desta busca dc sintcsc improvz’ivcl. cm quc a consciéncia é mero rcflcxo dc condicionantcs objcti— vas e 03 individuos sz’io moldados simplesmente por uma objetividade cxterna.

x xwx ..x. .“...-.. Este marxismo empobrecido e rudim entarmente positivista serviu de espantalho para o desenvolvimen to da critica contemporanea contra Marx e tem sido um recurso facil que evita o difi’cil caminho de encontrar tais deformac ées no préprio Marx. x .x = :. >‘ . . segundo pensamos. Wright Mills (in: Weber.x.. _. xx.\ .§. da possibilidade de formacz‘io de uma consciéncia de classe revolucionaria.'x_L' Byx\'o-'\~§2.2.. . 2002).l. a inteligibilidade das acées sociais se reduz. por compreender a sociedade como uma totalidade dinz’imica. mas fundamentals. nz'io aborda a 21930 dos seres humanos individualmente ou enquanto classes..x.{>_\é3.. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE (ILASSE marxismo... Entretanto.L ..»g 3. . Como procuramos demonstrar em nosso estudo sobre 0 con— ceito de consciencia de Classe na sociologia cléssica (lasi. xx. do imediato a0 geral.3 . esta ria ainda na dificil tarefa de compreender os “microfundamentos dos macroproces— SOS” e. . . .=3. estado ou outras instituicées sociais....x. A questao ainda é a da determinacao.' L’g‘xfiag ...\.._<3113333§13§f33§33§3fix1 11.. . ér’ii‘afia xmLxLx-m . .<“33.. Para Weber.. m...s. «.. .. 3'3 g. 5“?“i -:'xz'x. por exemplo.¢..3. assim como a mecfinica relacz’io entre a formacao da classe e 03 momentos do processo de entificacao da consciéncia numa linear evolucfio comteana do simples a0 complexo. para isto. 5x3.. 1313. pode conduzir a supe racao de Marx pela “16550 (e n'alo simplesmente pela busca de uma sintese) a Webe r e a envergadura da vara no sentido do indi viduo como sujeito da acao social.xx... E nesta tradicao que encontramos o fetiche do partido como portador.. A resposta.H g.__.9.._i)‘l\.'2?-L. Da mesma forma seria equiv ocado supor que Marx.«'s~."z>\'€.52.e NW.xx». 1979) jzi afirmava que o fato de Weber centrar sua analise na acao social dos individuos r1510 impede que o sociélogo alemao trate de manifestacées coletivas como class es. ... 1%. SE: 0 esforco de defesa dos pressuposros materialistas de Marx pode levar a énfase exagerada nos aspectos objetivos e nas determinacoes macrossociais e econémicas. x...1%..§%L Elm-3. i. W”LL-- . os conceitos e categori as da dialética materialista marxiana sao nao apenas Liteis. a simples combinacao dos aspectos macro e micros— sociais niio ajuda na precisiio conceitual que procuramos. .\' xx: .333.. _xx333 ..... :x-_.3_%x.. é igualmente Verd ade que o cami- nho do “individualismo metodolégico” prop osto pelos marxistas analiticos.. . . “sem excecao.§. do econo— mico a0 politico.\'f_:. no lugar da classe em movimento. 32L . 42 rx-ELL1. 9x3: .c Lx 31..§.

designa ndo tudo que seria objetivo aparece em e. portanto.\‘|3N}. a sociedade (Marx [1857-1858]. uma vez que a Vida 11a Terra. como em Marx. como na formulacao de se a relacao de determinacao é entre 2° Em nome da coeréncia. que esta bem perto da constatacfio inquietant Elias o universo ns'io teve inicio. saiiis ‘="‘§". Reparem que. de forma que o produto da acao coletiva assume uma racionalidade diversa da acao individual.V'. 1997. Por outro lado. A questiio.?‘"w. na sociedade a fisica ou no individuo. As palavras 11510 3510 neutras e. a . portanto. na aproximaciio apresentada por Castro. xm: \Vn §.32)- 43 a . a nosso ver. o: s \. sf: iris. - .:=_§2_i-i.~ “st-'2 ssssws» sisis is? sssssisii i iiws sis igkgléxwg‘gé‘rigwx 3&5 :smE-sl‘psm 5-2» 7?":. seriamos obriga- dos a modera r nossas pretens oes. o microfimdzzmenm aquilo que no macro se processa. . no macro on no micro.20 ou. determinado por uma série de variantes objetivas e gerais que servem de base 6 condicionam a acao dos seres humanos em cada periodo histérico. na qual somos apenas fisica da totalidade material. s ii _s W}:sss am ssmifis . MAURO LUIS Iasr aos atos dos individuos participantes”. a 39510 dos seres humanos concre tamcnt e definid os e o mundo fisico. ainda que s que a encontr am dada como da espécie.'-»2: sa is . mas é obra da prépria humanidade que se apresenta estranhada. com e de que moderna. nao se trata de uma simples combinacao de aspectos e dimensées macro e micros— sociais. Ju. mostrad-se como objerividade para as geracée histérica . por sua vez. nao se resolvera tao simplesmente.-‘.. ou das determinacées objetivas e subjetivas..s. pois. precisariamos afirmar que. Esta uma forma particular. p. nao podendo portanto ser reduzida a inteligibilidade individual.-. devemos aprender. esta totalidade estruturante nao constitui forca merafisica ou se im— p6e aos seres humanos como produto da natureza. Em vez de ficarmos buscando o inicio desta determinacao. 6 bem posterior :‘1 organizacfio s de uma toralida de social e histérica que se aprcsenra questao so tem sentido a0 falarmo seja produto da acao como objetividade esrranhada aos seres humanos. t “2' a smi‘ssis‘sgii a? s-s .. issssisis ‘. a palavra “natureza” patamar “natural” de sua prética sua objetivid ade contrapo sta ao humano .w. Aqui. O que de— termina foi antes determinado. também. como na troca ampliada de mercadorias. .-:s-. por analogia. enquanto para Marx a acao dos seres humanos cristaliza—se em produtos sociais que se autonomizam relativamente a estes. Guimaraes e Agier (1995). Aquilo que no corte da imediaticidade concreta opera como forca cons— tituinte é.

5 a-}\1‘. mas néio planejada/ movida por propésitos. itvii-U} : ._.? s§ axfi m ._ q. Sader e Telles. que marcou toda a elab oraciio teérica das filtimas décadas e que emetgiu nos ano s de 1980 e 1990 com Vigor na chamada critica pés-moderna (Ea gleton.\ § =-"§". Guimaraes partilha com os marxis tas analiticos a impressfio de que o marxismo nao desenvolveu uma teorizacao capaz de dar conta da subjetividade. \.‘Sm-z. S. ”39% w. 44 .. A sociedczde do: z'ndiw ’duos. A. M w“ . 1983).“-»-§ii-=-t?w“e a ig-é4. Um 5071/10 dc clam. . 5. de uma alteraciio significativa na forma como o ima— ginario académico pensou a Classe ope raria em particular e 08 trabalhadores em getal. . A correta preocupacfio com a relacao dialética entre aspectos subjetivos e objetivos aqui se aproxima do universo conceitual weberiano. 1994. Esta polémica. \. 2001. t. Ami “-2 \ a Q . cit. assim como orientou o foco na direcao de ternas cada vez mais particularizados (Ca stro e Leite. foi acompanhada.. AS METAMORFOSBS DA CONSCIENCIA DE CLASSE sobre a sociedade: “dc planos emergindo.3“ .-. fruto dc antig as acées intersubjetivas que acabam por limitar o “alca nce das escolhas efetivas abertas aos homens” (Mi lls. -.} $. 1979).22 Nesta aproximaciio. a t yawn . Paoli.I\\»$. \-:_\. w: wmnweam fissfii-{ég ikrfifgfiahfi tgé}: im‘ami. mas sem finalidade”.21.mw» . . Anderson. Rio de Janeiro: Zahar. p. determ inacées e opcées se combinam para construir uma explicacfio._. . como vimos... 1994). e e’m a» 0. ._ '33. p- 59- 7-3 GUIMARAES.-. . 1994.§w—_' (gag mw $3 élégilgifgafi a. Touraine. 2'72 Weber. 21 ELIAS.\\§~Y '-_ .» E?“ ’» N a«2 .2. . onde a objeti vi- dade é modificada pela intersubjetividade dos atores e onde as mtiltiplas determinacées limitam as fronteiras além das quais os resultados ja ni-io siio deterrninziveis.21 Neste aspecto. . . 1998. ._s- «“263i fif.___ . {fig-algé w-.«. 22. Norbert. a sintese de Guimariies é representativa desta polémica e da busca de solucées menos esquematicas: Em outras palavras [sublinhar o processo de formacz‘io de classes como fundamental para a anélise sociolégica] significa transformar a analise de classes no espaco teérico onde fatores objetivos e subjetivos. 1996.\_.2‘. as estruturas sociais séio vistas como unida— de enquanto configuracées de instituicées. “31%.

uma manifestacao particular de um determinado grupo da sociedade: os “revolucionarios”. cntre alguns povos indigenas. e dai para os temas da identidade e da cultura operéiria. centrados na descricao sobre como pcnsam os difcrcntcs sctorcs sociais. segundo esta visao. 0 desejo de quc a classe trabalhadora se cmancipe para realizar rem (da pequena burguesia) objctivos. ocorre um processo no qual os temas so— ciologicos.'. Nesta trajetéria.j w: r: I)??? 4. No interior dc Goias.‘. nao podem ser cacados. entre os operzirios dc Séio Bernardo.. na familia. o tcma da consciéncia dc classe se transmuta em cstudos sobre “Visées dc mundo” difercnciadas.\If. aparcntemcntc scm ncnhuma implicacao mais abrangcnte para a conformacfio dc projetos socie— térios cm luta. Via dc regra associados aos sctores médios e pequeno-burgueses descontentes. os trabalhadores apresentariam uma consciéncia muito distinta daqucla espcrada pclos militantcs 45 :'. ocorre frequentemente a crenca na possibilidadc do socialismo corno alternativa revolucionéria da classe trabalhadora contra a ordcm do capital.'-§\'-'i‘-‘-"s°?='g-‘-‘. entre um pcqueno grupo de pessoas sem rcspcita— bilidadc cientifica.‘?"-. prevalecc a vontadc dc subir na Vida movcndo—se ascendcntemente na escala social. Enquanto classe.’. em especial no fimbito da sociologia do trabalho e das rclacécs industriais.‘"" mg»: mg”: . na realidade urbana.. existe uma comunidadc quc acrcdita cm lobisomem. quadro clinico quc é superado assim que estes scnhores acham um emprcgo em algurn governo local._.-:-' $351.z *‘z-.?“ '%‘_=. MAURO Lurs IASI Em linhas gerais. A consciéncia rcvolucionziria seria.--“\'%- tiamwzww i: M» ti“ : pm? mama a“ amass m2 gm MW WW tiw imfiég‘fln’st . por cxernplo. transitam do esforco dc compreensfio do Brasil 6 da sociedade industrial capitalista cm desenvolvimento (que podcria ser identificado no termo “macroproccssos”) para a anzilisc centrada em estudos dc caso c dos processos dc trabalho no fimbito das fébricas._-:§\:_:.fj:I-:_§. naquilo que se complcta fora dcstc universo. nao se sabe exatamentc quais. portanto. 2‘ Q-W.9W sixj-nfgxqatlxxfti :9».. quasc em uma pcrspectiva antropologica.»fits§é§vf:. acredita—se quc os animais com cinco dedos sao irmz’ios dos seres humanos e.o-«x 341$ <2".\'S::\:I§I.6"’§: i‘? ‘3“ .3% *E§.‘fig’N £39: ir-“s 335‘: 9:3 “Tb-‘3 “'. estes individuos desenvolveriam. projetivarnente. na cducacao (o que seria identificado com os chamados “microfundamcntos”).

seria verificavel em uma situagao particular muito bem definida. 33333333233.N m: . {N 1”. ou seja. N. -. e também seria. 33331'33fl3‘333233333% N' ”Nana-N: 'N'. . A “visao de mundo” operaria estaria centrada no trabalho 6 na perspectiva de Vida. . A consciéncia de classe (operaria).. os pequeno-burgueses desconten tes podi am encontrar nesse momento especifico uma classe traba lhadora como matéria—prima para suas intengées revolucio nz’irias. Assim.323 ’5%_ 39" . Hm -:. Todas as afirmagées seriam cercadas do pesquisas e procedi— mentos cientificos que traduziriam as afirrnagées em tabelas. 1966).}'-.N.N:.\\ -N : \-."‘ . Rodr igues.N \NN gel].t:.-. parafraseando Marx: existiu consciéncia de class e.-:z.: . 3:INNNiN . 333N333. estudos de caso e relatos com tons color idos de cotidianidade e experiéncia vivida (Lopes. NN. .WW“. 331'\m353:. .\\-. :5} {Ni-“’3 “2. nao raramente.}. que seriam melhor explicadas pela psicanalise do que pela sociologia ou ciéncia politica. processo no interior do qual os ope-ratios sentiriam uma perda de 5mm: antes fundado no saber operério de molde quase artesanal (Touraine.'N:a-.2 33. : 3%. 3*3a13-333 3. Segundo esta apro ximagi. enquanto o reformismo é a auténtica consciéncia proletaria.-. de forma tipica.: n. consciéncia de classe “tipica” seria aquela que se apresenta na passagem para um capitalismo moderno ocorrido cm socie— dades vindas de um processo manufatureiro 6 indu strial em que se verificava uma subordinagao formal do traba lho a0 capital. na passagem para a forma de produgao baseada na linha de montagem 6 na gestao fordista-taylorista. “Hm: N . foi inventada por Marx e partilhada enquanto delirio utépico por algumas geragées dc almas atormentadas em busca de um conforto quimérico.33 NM 3.§N§3*:u:33*é§=.i:. NN._ V. Segundo Gorz: 46 . NEiN NNN -"'='---'.5_rr§:¥m_q\-N__. ou seja. cm \\'. N N . .. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA1)E CLASSE politicos e intelectuais de esquerda. niio exiSte mais. Opera—so aqui uma interessante inversao: a proposta socialista é um aspecto da consciéncia da pequena bur- guesia. r.\rN...353: 33.NN-N. por— centagens.3»: iafiwm3 m2 . 1970). N. nz'io existiria.a. como possibilidade dc expressao de um ser genérico. como possibilidade de apresentar um projeto alternativo dc sociedade para além do capital. -“ . Quando havia.w_ aw”. nt’lrneros. .y?_. conservadora na politica e nas escolhas eleitorais. 4. eventual- rnente mobilizando—se coletivamente para atingir tais beneficios imediatos..¢. .. '1: 3"“? flfi-zz 5a?" .- i535. _N_ N-__N. “n: ::\ -. A classe operéiria..Ng. NAN 3-33 3:3: N . 3nl figwm 3. 1967. . N .w\-.N .NN‘ S-=\%. como a europeia e a estadunidense. N. _N_ _»_:.‘E-‘.\_.

.. \ . g». assim. r.. Reapresentawse aqui de maneira invertida.\\-.” Esta surpreendente denfincia.33%. -. ). Existiria urn abismo entre o ser mesmo da classe e a classe como sujeito histérico. em sua massa. Marx e Engels tiveram de se defrontar com o fato de que os proleta‘irios concretos.333333. x :_':.333 3333. M. Segundo José de Souza Martins (1998._.-¥>.-. pelo simples fato. 47 . enquanto classe social.w 3mg: 9 g3. apenas revela a percepcz’io do autor. >9.3q3iégél33333133 . _ s ..33..\2 a.. corno continua o sociélogo brasileiro. nao se comportavam. cristianizando-o corno salvador que personifica. a consciénfl cia operaria”. Segundo Gorender (1999). ..» w- m. Marx teria ficado no meio do carninho em sua pretens'ao de superar o carziter utépico dos primeiros socialistas.. -.\V. 333393. de que 56 o operzirio faz a histéria” e de que “a consciéncia verdadeira seria.. 1987.-’*. p. Adam (10 proletrzrz’rzdo (para aie’m do socialismo).. ern sua injustica particular. p. -. e um dos motivos seria a forma corno aborda o terna do proletariado. = =. 33. x. MAURO LUIS IASI A teoria marxista do proletariado nfio se funda em um estudo empirico dos antagonismos de classe nem em uma experiéncia militante da radi— calidade proletz’iria..§-. . André.=.333. 3 w . 36).3. como negaciio.. . v.. .. _ \f.? 3:3 3333'}.._ u. Rio de Janeiro: Forense Universitziria.. 3: 3:. 1999.. Marx nz’io teve que se confrontar corn 0 fato incémodo de 03 operarios r1510 expressarem irnediatamente esta consciéncia simplesmente ern raziio da constatacéio inicial de “que héi uma enorme distincia entre o sujeito filoséfico e o sujeito da revolucao” (Martins).._. caso consideremos que 05 mo— menros histéricos que serviram de base para os estudos de Marx incluem as revolucées de 1848 e nada menos que a Comuna de Paris.-3::E§ W 33¢ :32». $. como portadores da missfio histérica de revolucionamento da sociedade” (Gorender. «3». ... isto se baseia em uma “suposicéio equivocada._ \\-.-.3:933 3333:2333 3: 3‘33’3323m3'133 3.323: 333 «3:33.$=-' ‘-"~'§ 95-.. de que: 25 GORZ. 93.9.-i 4.3:__\§. uma afirmacao extremamente equivocada que permeia largamente uma certa tradic’ao do pensamento de esquerda.».-. 33-3. -. * 9.\V-_¢_. segundo a qual Marx teria inventado uma classe para depois lhe atribuir urn papel historico. -t . p. 135).: 33... we --’-‘-:_§\\3. “Cedo [continua Gorender]. 27. _.3._\>\. a injustica pura. concretamenre existentes.1. como sinénimo de consciéncia revolucionz’iria. .. .3 t. nem urn pouco marxista.

“ax-51v: '\-. As explanacées a respeito da forca do reformismo. w.‘%*' gl 2m lag” I -: §«‘\$§l‘6:§§l Ql-S‘i gixi'i lg..§ .'5. nao teriam se aprofundado na questéio deten do-se nos aspectos da influéncia da ideologia burguesa e dos bene ficios materiais distribur’dos a classe operaria pelas burguesias do centro do sistema.k. ora deduzem desta impossibilidad ea impossibilidade da consciéncia revolucionéria da classe enqua nto classe.3. ora cobram uma consciéncia historica do oper ério concreto subsu- mido as relacées do capital. \ . e de sua pessoa.s' .-.\\-.-. mas que vai muito além dela. l‘ . l2 '= a»! -=. ‘3 h.\.z.3».“A“ _\~.-\= 1. ‘. nas circunstfincias atuais.'. :1’.... -.a I \ \ {I 9: ‘5». Esta luta constitui«se em um espaco que perpassa a fabrica... ainda que 0 local central da producao do capital seja 0 da produciio do valor.‘>. {z \‘2 ‘M ‘ w . .2-.' -. que a classe operaria é orzrologicammte reformis— 48 \\ .':m a? -'(‘.. ou seja.18 this»? . ‘ Eva ": ~21" % {Wye-m . embo ra esclarecedoras. . 2&3“ § .. O que estaria no cerne da questao? Vejamos: Mais a fundo. o centro da producéo do capital reside na producao do valor.. no entanto. algo que assombrou o pensamento marxista por todo um século: o reformismo.' \- > 5-. W gxé" he} 5 ”ME :3? '%w<. :3’.. w: “a. 1:3} w ~23“3 B: ~ s .‘. ‘Q (“fl-‘5??? .. h £1:- .M) ”W? 3. x. v 5:: 2"” .. "gm".‘ .. o continuo trabalho de cooptacz'io. § ' f' g" ”‘92:? M5” gs" “ “lg-3%. jzi é impossfvel negar.“ w-l1 “<-z fix . o fruto produzido.x'" '. mas o ato de consciéncia so pode voltar retroativamente sobre este momento quando retorna emergido de uma luta politica maior e de uma visfio teérica que lhe permita reconhecer aquele momento particular em todas as suas determinac ées. Como as criticas a Marx ignoram esta sutil mediacao . Isto é.... r . e estes nao querem uma revolucao.E. concretamente cxistentes” . I“:}'. Nao ha absolutamente nenhuma contradicz’io nesta afirmacéio. f .: ms '-'-\‘€. teriamos que nos preo cupar com os “proleta’irios concretos. Isto implica que. A consciéncia da exploraciio depende de que o trabalhador se reconheca no fi‘uto alienado da exploracz’io e de que nesse reconhecimento possa reconstruir os nexos e 08 passos que distanciaram de seu trabalho.'_-§l3 \ . segundo se acredita..y _ vs» : 5-1i 3 $3 w? 54"..» Eifi‘ . f: w‘. ..gw“ .}: -I:I§>. Eis que se explica. R a ”s.: A“ 33‘}. o espaco de constituicao da classe enquanto classe se da na luta politica. . AS MBTAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE (ILASSE (. . it-'. ¥ :33.) nz'io ha a menor possibilidade sociolégica de que um operario se re— conheca como explorado no préprio ato da exploracz’io.. *4.4: ’3 2 ‘ “Y“ -. } Z 1 Vi “ z. 9a \2.: . = )3? : “\‘V’ 3. vamos encontrar algo que os teéricos revolucionarios do marxismo evitaram admitir e. ou seja. . Segundo estes autores.‘2. tar“ filul’fl : v1 El’é’MM‘e Ms. n .

. [Marxismo 56m utopia.. Jacob.\2i ? 1. . a autocritica é retroativa. (Grifos do original. p.227). A posicao do autor de Escmoz‘smo colonial e significativa de um comportamento que acomete alguns pensadores de esquerda.?~“. L.) 49 i“ 3? p. dia 21 dia. 1999.E 2" GORENDER.. tais como a Comuna de Paris e todas as revolucées do século XX.. O fato de esta afirmagao partir inclusive de figuras com grande respeitabilidade e comprovada tradicao em defesa do préprio marxismo demonstra a que ponto o pensamento marxista se encontra na defensiva.. especialmente a soviética. Reparem que também na autocritica apresentada no recente trabalho de Gorender (1999) lanca-se mao do recurso a. ‘ ”dig???” . ilhas revolucionarias no mar reformista de toda a historia mundial”. Toda a experiéncia histérico-mundial demonstra que. 1. “Toda a histéria mundial” e o “transcurso cotidia- no” comprovam o carz’iter “ontologicamente reformista” da classe. Szio Paulo: Atica. no transcurso cotidiano de sua existéncia.. p. Isto talvez se explique pela referida correspondéncia das afir— macées que procurarn questionar o pensamento marxista com 0 processo de reestruturacéo do capital no ambito da producéio e com os processos politicos associados ao desmonte das experiéncias dc transicao socialista. ?. verificabi— lidade empirica. mas indica. no amago do seu ser. a classe operaria nz'io ultrapassa as fronteiras da ideologia do reformismo?‘1 A burguesia facilmente cooptaria os trabalhadores para a refor- ma em Virtude de que. acabaram por assumir alguns dos pressupostos de seus interlocutores.. 1???? 1? 2?}?. também. estes sempre foram reformistas. na tentativa de responder aos questionamentos contrarios aos pressupostos marxianos. 37—38. MAURO LUIS IASI ta. ? ?. a questfio e’ mais profunda (teria um fundo neste fundo finalmente desvelado). No entanto. ou “acidentes” (zdem.-. Neste sentido. que alguns autores. k??? ?M??&:?&1?I?ki-?Iai???$§ “a???“ ‘1? i? «. Todas as manifestacées que ocorrem “fora do cotidiano” e que apresentam um comporta— mento revolucionario da classe seriam apenas meios “”sangrentos para atingir fins reformistas..

Este substitucionismo esta presents em Lukéics de forma refinada. a rendigao a qualq uer prlnCIpIo ontolégico reformista no proletaria do enquanto claSSC.3 3333 3333 § 3RR3392:. A3 METAMORFOSES DA CONSCIENCIA Dli CLASSIE uma autocri'tica sincera. o pensamento 35 MESZAROS...3 33 33333333333333 333333-3333 33 33333333333333. Algo que se opunha a sua ‘consciéncia imputada’ ou ‘atribufda’. Nas palavras de Mészaros: (. do partido. ao contrarlo. Uma vez que seria esta agao politica sobre a classe que definiria o carater revolucionzirioou reformista.33. Para (#6722 do capital. a revolugz‘io niio podia ter sucesso. 33.) 0 Sujeito—Objeto idéntico de Lukacs — 0 proletariado.333 3 333 3 3333 . ou seja.3 33333233333 333_33.§%3a3§o 3.::-. mas o Partido.§3. sem a qual.33g3§a3}= 3 £3. 50 3.3. so que Hegel o viu personificado em um oficial militar de baixa estatura passando pelas ruas de Iena sobre um cavalo branco.. niio hé. Istvzin.3 3. o partido entraria como portador da missao.33% is. portando bandeiras vermelhas e um tanto mal vestido.35333 33333 3. na sua opiniao. para o autor dc Histérz'zz e conscié‘ncz‘cz d6 6/4556.33933 in gawk-{ég‘fixzio 3%: 3%“? “*33323g7‘333 . 3. neste ponto.%x. substituindo—a. evidentemente. Sfio Paulo: Boitempo. a culpa pelo reformismo.31%... aproximando. . Uma vez que a classe idealizada niio corresponds ao seu papel histérico. com seu ‘ponto de vista da totalidade’ -— no final terminou sendo nfio a classe dos traba— lhadorcs. ocorre que uma diferenga entre a consciéncia ime— dfata dos m3er3nbros da classe e a formagio da classe como sujeito hftoflio eXIgIa o chamado “trabalho da consciéncia sobre a cons- Clenc1a . enquanto alguns marxistas juram ter visto o espectro rondando a Europa.. 333.25 3 Em Luka’cs.333 {3. 1am» E§. teoricamente na transposigao do conceito hegeliano de Sujeito—Objeto idéntico (como veremos mais adiante. o reencontro do esplrito criador no objeto criado). Dizia—se que a classe como tal era prisioneira dc sua ‘consciéncia psicolégica’. A consequéncia imediata deste tipo parti- cular de idealismo fetichista é o mito do partido. p. 2002.333 3333 3333.333 3. so poderia ser assumida pelos partidos reformistas da Segunda Internacional. 81.. ele realmente é herdeiro e representante de um pensamento que transformou a classe numa manifestagfio do espirito absoluto hegeliano.__.

26 O fundamento da forma idealizada de conceber o prole— tariado em Marx estaria.2:. defendida por Lukacs como a ‘encarnagao visivel e organizada da consciéncia de classe’ (Lukacs. g “‘3‘? : @153 l"-.9% :A}_s's\:\:§s ‘gj i‘ii' 2"”1'“? SEW” its: .. Marx teria herdado de Hegel a dialética dos movimentos que geram um sentido no todo de seu desenvolvimento. Este trabalho teria de ser concebido pela agao do partido. Ms.os<«x pg. fica a referéncia da distancia entre aparéncia e esséncia. Quanto ao cientificismo.. assim corno suas conotagées morais e éticas. _7~w. em Marx. da salvagao e redengao final dos pecados.ms s. O resultado é a substituigao do espirito absoluto pela classe proletaria. nao séio casuais. seja no Estado prussiano on no comunisrno. mais precisarnente. 26 Ibid. e depois aceito por Gorender. sobre as influéncias da orientagz'io da agao social motivada pela adesao racional a certos valores como em Weber. a was. é substituido. 0 termo traioiio. além da teoria corno instrumento de construg’ao de um “sistema” enquanto totalidade explicativa das leis que revelam no concreto pensado a esséncia oculta pelo reino da aparéncia. if: “its é-iis‘ iiiigsi is. ou ainda. do Estado prussiano pelo comunisrno.. p. wax 9-». as._..." . 1974) e como a ‘ética do proletariado’.5_" '. o cristianismo e o cientificismo. {“1. Do cristianismo.. ::-s:_§. O espirito absoluto. "it-'R‘fr‘ _»: _s€. ambos guardariam a metafora da morte e da ressurreigao.) o dilema relativo a ‘consciéncia psicolégica’ da classe trabalhadora foi tambe’m resolvido por Lukacs em termos intelectuais e ideologicos: ao pro— jetar o sucesso ideolégico do ‘trabalho da consciéncia sobre a consciéncia’. _r\\\-. MAURO LUIS IASI do marxista hfingaro da afirmagao de certos ramos do trotskismo sobre a chamada traigz’io de classe ou a famosa “crise de diregéio”.\v:. pelo proletariado. que orienta todo 0 pro— cesso e é reencontrado ao final pelo sujeito.. alérn do mito do paraiso reencontrado. 33.5059. Continua Mészz’iros: (.w wag.s= as s°?='--r. mas que nao é compreensivel do ponto de vista daqueles que produzem os momentos particulates desse desenvolvimento.: _.(_ s. iii iiiiéiifiaiiiiifi . \»\_§:_¢' s ia-iaiaiwii-iii-iaiiii is iaaa‘si. 82. segundo Gorz. iaiixx i isaisiia sasilisiiai iiifim iiiiiiiiisis iiasii.§\s. 51 f. v _. na triplice raiz de seu pensamento: o hegelianismo._.

22292922922}: .27 O que nao é observado por alguns pensadores de esqucrda que 86 apressam em assumir esta critica. 2‘n 22$ $32-96. 2221.) a uma colocacz’io em ‘série’ que.. No fundo é esta a acusacao dirigida a Marx.. ele teria substituido o proletariado concreto pelo conceito de proletariado e atribuido ao conceito o papel historico dos proletarios. 69. p. Interessante que a Polemioa entre as micro e macrodeterminacées é.222222. . o que tornaria 27 FOUCAULT..2: 2. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSIE A critica a esta pretensao de hermenéutica jzi foi realizada com grande maestria. 2 UK 22-53: $222. mas.proletariado em si pelo conceito dc proletariado por culpa de uma nao superaciio efetiva do sistema hegeliano.E\$_:T. tendo por referencia a matriz do racionalismo de Descartes. _2: %g9._:m A292: 22:»: 12%. é que tal critica se faz acompanhar pelo questionamento da totalidade. Michel. Uma das ambicées d0 EétodO”:. faz aparecer as diferencas como graus de complexidade..”: 2222222 59.2222. a maneira como elas podem ser conhecidas. essa ordem ou comparacao generalizada so se estabelece conforme o encadea - mento no conhecimento.22% {:933$$‘.29“? {“2 . que Marx tomou o . partindo do simples.22 49.222 222.. ou seja. (. Foucault afirmara: E nisto justamente que consistem o método e seu ‘progresso’: reduzir toda a medida (.) Entretanto. tocando na questao fundamental do método. 1995.2 922 '..é equacionar “pelo jogo das similitudes”.. dessa epoca historica.”via de regra. O filosofo francés revela que um dos passatempos prediletos de certo tipo de discurso do saber cientifico é procurar os significados ocultos nos espacos que se interpéem entre as palavras e as coisas.232221229222 in: 922-“ $332. sim. o carater absoluto que se reconhcce ao que é Simples nao concerne'ao ser destas coisas. aparece na forma de um questionam ento ao Amstema e a “totalizacées estruturantes”. aquela em cujas bases se assentou um tipo de saber que‘se convencionou chamar “racionalismo”. 22222-222 Ere-22:2 2:325 3223.. Silo Paulo: Martins Fontes. U1 [0 22:2 -9w& (22312-2259 2. Nao por outro mo‘t‘nIO que. compondo um srstema exaustivo de enumeracz’io e recenseamento de todo o conjunto de elementos ordenados em sua totalidade. A0 tratar da questao do “método”. Aspalavm: e as coims.22%”‘2 22233:: ”22222221‘23E22a222 a 2252?. também..'””"-§\2:3':‘2. por Foucault (1995).:_@I:__22-9_ N‘E’fwbixfiiaéafili i: 21222222 2§2§2§ 2 2222292“ 222 5:23-2. 22222=2322222-i2§<2§2:22..

Uma pretendida ‘superacao’ do marxismo nio passarzi.55. Vejarnos: Ademais.5555 M5 5.5: 5:. Critz'az de [a razo’rz diale’ctz'm. E por demais significativo que a critica a totalidades estrutu- ralizantes venha acompanhada da dt’lvida sobre como equacionar as micro e macrodeterminacoes. Para examinarmos as dimensées particulates..55555 =5 5.5. Asp/1151222725 e as cofms.55 5.55555 5 5555. no pior dos casos.. por um sistema ordenado. MAURO Lurs IASI possivel superar a antiga infinitude dos elementos.29 2" FOUCAULT.mais que o rejuvenescimento aparente de uma ideia pré—marxista. 1979. de mais uma volta ao pre’wmarxismo.5555. 5. o redescobrimento de um pensamento jzi contido na ideia que se acreditava superar.55 557%.55 . dai necessariamente a ideia de sistema...5. $555. 55 5.£2:i '\_ «\\\ . No interior dessa constituicao do conceito de totalidade é que se buscava equacionar o dilema do microcosmo e macrocosmo.555 Fifi.5.5% 55? 5. Tinha raz’ao Sartre ao afirmar que: Vimos. Buenos Aires: Losada. como na noca’io de “sistema” de Hegel. 1:5. na melhor possibilidade. o jogo das similitudes era outrora infinito. 53 55. 70. 17-18.“? i3. p.5. Se a particularidade subjetiva nao pode ser captada por estar diluida numa totalidade objetiva. Ix $5“ 32. mais de uma vez. é necessario responder se sao “partes” que se explicam por sua insercao em algum tipo de totalidade. $555. :53. entao.55-5553-55.55 55. neste sentido operando uma passagem de volta de Hegel a Kant. Jean-Paul... Nao é por acaso que Foucault identificara a dialética como o “esqueleto” que pretende ordenar o aleatério atribuindo sentido ao acaso. que um argumento ‘antimarxista’ 11510 6.55. e. era sempre possivel des- cobrir novas similitudes e a L’mica limitacao vinha da ordenaciio das coisas.555.5.\{-. superar a infinitude das associacées possiveis pela finitude das associagées e similitudes fechadas nasérie que constitui a totalidade.52. sofre—se a tentacao de diluir esta totalidade na materialidade particular em que poderia set observada a acao subjetiva.5..5.355535555 5 5’. 2255:5535.:5. on se trata de uma dialética das particularidades em si mesmas.‘5 5"5. . da finitude de um mundo comprimido entre o macrocosmo e o microcosmo. Michel.. 55»-. cit.28 O sistema racional permitiria. 5 5 55555.}: 555.. in x»: 55% 35-: $5595: v5)“: :\_.55. “Cuestiones de método”.5: 5.5.5. p.555. que dava ao saber um caraiter aberto. 39 SARTRE.

_. A adesz‘io a uma perspectiva de totalidade em Marx nasce da critica a.2.3 “.-§§x§-. o fazem em nome da c‘neutralidade” e da “comprovagfw empirica”..‘?‘31-*. 2.“§§%§§§.2. Uma vez erigido em sistema. 71).. O sistema ordenado das palavras reveladoras da esséncia das coisas delas se distancia. 2. marcas inseparz’weis da razao esclarecida...:i$‘-‘.. -i 91‘:Y‘T-... gm £q ..2? Q22. para Hegel. o saber traria consigo a pretenséo da objetividade e da neurralidade.? £12.:'--:‘"-e*"T‘--‘?“- §JZ?§. forma substancial pela qual Hegel estrutura esta totalidade... $32.\. 2:.. negam um sistema estrutu' rante de totalidade por outro..2. o método de se “apropriar do concreto. 1995. a classe proletaria.-__:.§§\$ 29‘ . AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE Ha. E verdade que o tempo histérico de Marx é herdeiro do esclarecirnento cientificista.. ne'io por acaso existe a possibilidade de uma leitura positivista de Marx.. “ O equivoco de Foucault é acreditar que o pensamento de Marx alojou-se sem dificuldades... o que nos leva a supor que nao se trata da desconsrruv 9510 do sistema ordenado que revelaria as determinagées veladas pela aparéncia.3. No en— tanto.3 ’3} 33%. como coerentemente acaba por concluir Foucault.. como urn “peixe n’agua”.}.. l‘éflzx"? l E§.§’...513. 'f§:“'. WW“. “W.9%. mas de negar uma totalidade.3 2:52.. . mantendo um de seus principais objetivos. de forma que “a linguagem se retira do meio dos seres para entrar na sua era de transparéncia e neutralidade” (Foucault. corno uma figura plena.§§} l? $5. p... igualmente toralizador._ Q Q.555152 if?“ . a. era 0 processo mesmo de constituigflo e génese do real (cabendo aqui perfeitamen— 54 m?....§‘2.2.3§T 25. t. . {3. ainda que nem sempre visivel. __ 2g g .“? _:.?..§’K§Z€§l§w§:\‘ @533». um outro elemento significativo nesra critica fou’ caultiana sobre o discurso do saber racional. E por demais conhecido que Marx nao cai na ilusao de con— fundir a coisa em 51 com palavras que delas derivam e que buscam compreendé—la. 3..%3§§43i.y». ainda.§ 1§3.. _‘. Marx niio parece aderir ao “sistema hegeliano” substituindo aperras o espirito absoluto por outro absoluto. ”1‘s ..... .2. a. os criticos da toralidade.... Incrr’vel coincidéncia.. tranquila e confortével”.. no interior desta ordem epistemolégica do raciona— lismo.5 15. ou mergulham na néio finalidade do jogo das particularidades e do acaso..§. Ou seja. no caso por n65 estudado..§m2-§\.i‘ -. de reproduzi-lo como concreto pensado”. a neutralidade cientifica..

a conclusz’io que se tira dai é que Marx nao opera uma ruptura com a teleologia idealista de Hegel. a afirmacao de que Marx parte de uma perspectiva de totalidade (e. p. Vejamos mais detidamente esta questao: Para a consciéncia e a consciéncia filoséfica considera que o pensamento - que concebe consrirui o homem real. o que é lamenrado — cujo resultado é o mundo.. que se acomoda sem rupturas significativas na tradicao cientificista e 3” MARX. Corzrrz'buifzio (it crz’tz'm drz Ecorzom'z'zz Politim.ifl‘s.. 55 5 W. .“WW _. 0 objeto real conserva sua independéncia fora do espirito. enquanto para Marx este procedimento “nao 6': de modo nenhum o processo de génese do préprio concreto” (Marx. porranto. 5:10 Paulo: Martins Fontes. também no de. (E de fato um produto do pensamenro. per conseguinre. Eis que o peixe pula fora d’z’igua. EH3???“ w» . . mas um produto da elaboraciio de conceitos a partir da observaciio imediata e da representacao. o movimento das cate— gorias surge como aro da producao real que recebe um simples impulso - do exterior. e isto (trata-se ainda de uma tautologia) é exaro na medida em que a totalidade concreta enquanto totalidade—de—pensamento.. isefiaa i. 219).t . de um modo difere da apropriacz’io desse mundo pela arte. Antes como depois. ele niio é pois de forma alguma o produto do conceito que engendra a si préprio. pelo espirito prritico. p. 1977. meramente teérica..mwiéixxiés} i-=a:s:-§=-¢e i: M}. Karl.30 Logo. M ”urea? $2. a socieda constantemente presenre no espirito como dado primeiro. no entanto..: tier 123sfisfi‘éaie . a ideia do sistema hegeliano permanece como fundamental no interior de seu pensamento) é absoluta— mente veridica.3 E??? *‘H “s ‘1': 2““ ixisr: . o mundo so é real quando concebido —. m.w r's«« . pela religiz‘io. 1977. é um produto do cérebro pensante. O todo. MAURO LUIs IASI re a critica de Foucault)... que pensa exterior e superiormente 21 observacfio imediara e a representa— giio. e. 219. . Por consequéncia. que se que apl‘Opria do mundo do L’mico modo que lhe é possivel. -. - . Wis._ -..9\':. m. ir‘ .. enquanto concrero—de—pensamento. . e isso durante o tempo em que o espirito river atividade meramenre especulativa. na forma em que aparece no espirito como todo—do—pensamento. . esteja emprego do método teérico é necessario que o objeto. m . . £2-“2‘-i"‘:§‘. para a consciéncia.-. portanto. da arividade de conceber.

-_-» 5.'-. O mesmo se atribui a burguesia. a . Nao por acaso a ironia de Gorz de incluir urn “5510 Marx” a0 lado dos santos Bruno e Stiner. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DIE CLASSE positivista. 6 sim por abs’tragées como “capital constants” 6 “capital variavel”. .. alérn do que somente uma leitura muito preconceituosa pode [1510 ver por trés da abstragao dos con— ceitos em 0 capital 0 “objeto real” da classe. w' :w. desconsidera as “coisas” preterindo—as relativamente aos conceitos abstratos e teéricos. « arr? Mir“ it.8'5 '. Seria muito diffcil encontrar ai' uma classe como sujeito metafi’sico transcendente ou sua organizagao como portadora de uma consciéncia que a prépria classe nao possui. nas lutas politicas concretas 6 na luta das ideias. que neste ambito trata-se do conceito constitutivo do processo do capital. pois a acusagiio é simultaneamente de “determinismo” objetivista e de subjetivismo “voluntarista”. e o papel nem sempre heroico e por vezes ridiculo que desempenharam os burgueses em varios contextos historicos. Seria o mesmo que censurar Marx por dizer que 0 capital nao é feito de came e 0530 e personificado por pessoa s que nasceram de mac 6 pai.'-. Nada mais ilustrativo desse fato do que a forma como Marx trata a classe historicamente concreta em seus estudos. parece niio haver fundamento consistente na critica anti— marxista contemporanea.\\\. Mr: “ms“ a . Naquilo que concerne ao conceito dc classe. sobretudo na Guerra cz'w'l 724 am on no 18 Bruma’rz'o. 6 néio da formagao histérica.\\ s‘§‘%§“«>% Rm” mama) WK i? “a. ou seja.\--2 r. . . como nos estudos sobre a acumulagiio primitiva dc capitais ou o efeito da produgfio mecanizada sobre o trabalhador. Neste aspecto. podemos dizer que “o objeto real conserva independéncia” e permanece na atividade do pensamento como “dado primeiro”.. «. A possibilidade nz‘io compreendida pelos criticos de Marx é que a unidade dos aspectos objetivos e subjetivos compée uma toralidade de determinagées e 56 N. xflfisikm '.-.s. 2%" §§gw§33§§1§§ 2mm a. enquanto classe histérica que se ergue contra o feudalismo. E interessante 0 carater contraditério desta critica atribufda a Marx. A acusagao de que a classe aparece em 0 capital (16 maneira um tanto “abstrata” desconhece o ébvio. W iézwri’mr .

. _. . atribuindo-lhes uma consciéncia que néo confere empiricamente itquela que eles expressam. \. . .\ w. na quai 0 real e externo é um objeto bern ao gosto da estrutura do funcionalisrno durkheimiano. . pela afirmagfio da particularidade da aefio humana e do processo de consciéneia a ela associado. m“. :_ 3E EME.\3_. u. s _. Ora por se ater a um sistema toralizador e abstrato que a poe de fora do objeto real com pretensoes de cientificidade positivista. Marx ignora o papel dos seres humanos no processo histérico pela afirmagz'io da determinaoéo de uma objetividade histérica. Assim... 4E. é exatamente o oposro. To. uma vez que Marx. ou pela idealizagiio calcada numa universalidade que nfio encontra mediagfio empirica na pratica real dos seres humanos reais. £3“.‘. h.E-VJV su. was $5:‘3.\\j ..EEE E56»-:E--E>.E Es._ \_-_ \\~. ._\ »_ -\.. :EM EEs ‘QE EEE’EEEEEE -"“E-:°. _._ .“EE ..9. . s. “os operz’irios reais realmente existentes”. .5: “E515 -.“* i -. e aos empiristas de toda ordem.. ora aos materialistas mecz’inicos.\ s_. . Vista corno meramente “economica”.. Ora por ser positivista. MAURO LUIS IASI relagoes reciprocas que ora desagrada aos idealistas pela afirmagéo da determinagéo material. desconsiderando os aspectos reais. Ja para outros. fantasia um sujeito histérico e sua missfio redentora de modo que o mundo somente aguardaria que a ideia de emancipagfzo se produzisse em algum cérebro iluminado para depois realizar—se na concretude da historia. jogando todas suas fichas num sujeito 57 = “3.-t 2‘“: £4. abrindo a possibilidade de constituigéio de sujeitos historicos portadores de uma intencionalidade dotada de um sentido que 56 se compreende na perspectiva de uma totalidade em movimento. .?\\EEY\\_ EE EEEE EEE E. ora pela impossibilidade desta objetividade pela lamentzivel interferénCia de juizos valorativos deformadores da realidade existente fora e independente dos seres humanos.s.- \_. . \ w.E: E . ou perde—se a possibilidade de compreender a conscien— cia pelo primado de uma materialidade exterior ao sujeiro._s ~9-. EE E E ssE E E“ E E E-E EEEEEEE EEsE EEE E EEEE E sEE. -.. esta dicotomia se manifesta ora na critica de que Marx trata com desdém a consciénCia real dos “trabalhadores reais realmenre existenres”. ora por néo ser suficientemente positivista! Quanto as classes e it consciéncia de classe. = M342 _ ._£-j-\‘|é’\' . que molda a agiio e o pensamento dos seres humanos.mg:._ g. \\ . _ _ “a. Segundo alguns dos seus criticos. '. m». EEEw“_Efin‘ sQ“?Ess EEE.

:3. at: gig-:5.é_.3»:._g 5 . continua preso a terra e as prosaicas determina cées de sua materialidade concrera. if . e em forma s particulates de estruturar a personalidade dos individuos sociais.:7.\‘ \ $2“ . corno compradores ou vendedores de forca de trabalho. é necessairio que outro tenha encontrado na compra e 58 3 v a .f if: £32 {9' $31: {(8..-\. .'5. . As classes nao esperam o julgamento d0 espirito teérico para constituir—se.’.. EWE‘I .w._-.. ifilfiik’} E? Q7: iqi.v'. .: 3." \\“._<.. encontram diante de si relacées que os dividem e lhes atribuem papéis distin tos.7“.. x.. .m.§\. hierarquias de sexo e idade.-. -m_. ou como aque le que acumulara privadamente o valor excedente dai produzido .. gig-' g. ‘. . g3::?§€£§§ . \ 2. despencando para 0 voluntarismo. \ \ . o objero. . AS METAMORI‘OSES DA CONSCIE’NCIA DE CLASSE imaginario capaz de fazer a histéria demiurgicamente... seja como possibilida de revolucionaria.. para que um veja no assalariamento a possibilidade de ga— nhar sua Vida.. . gzufii' W3 :5 fivg'fifii is» {(37%._\ » w .naquilo que Gramsci chamou de senso comum.3 z-§w\‘ 1x3.7. é impulsionada por uma “esséncia” na direciio de sua inevitavel emancipacao. preso as determinacées materiais das circunstancias. \ 3. Mas.$1.\£§figs-33. . .mg 6-53?” \s-' . As classes ganham existéncia material quando os individuos en— contram um emprego. . a0 produzirem socialmente sua existéncia." :. condenados a uma consciéncia fragmentada. 3-». w as. independentemente das condicées e circunstancias materiais. a coisa em si de onde partiu para seu V00. -:_ . : "‘. nega 0 espaco de acao dos seres humanos transformando—os em meros espectadores.... ora uma consciéncia oniporente e voluntarista que.‘o'bfi' \ s. Ora uma consciéncia imediata moldada sem mediacées por urna ordem social externa. “"W i: m. 'I '-..j. pois se empregar em busca de um salario é a (mica maneira de garantir sua existéncia.\ «A : § . gait! g {4% 3'q ks.-.3} : -\: gfié.»). . w 2%“? :'-... 15w..1.fig*4: 3:“. \T gig: \ -.i? ski" ii.\{\ «if‘. estranhada e presa aos Vinculos imediatos —..'o. Enquanto 0 “espirito” Viaja pelas regiées etéreas da teoria e da critica da teoria.." %Has.$259).i1§§ i . ora a acusacao é que. .._ .». .\-$ (.r.32m.sax} . As classes ganham sua materialidade na medida em que os seres huma nos.\'\‘. {x} “3 7 . inclusive relativas a organizacao e a consciencia.» M7: _\\~. ou corno objetos a serern consumidos na producao do valor. levando a tese da necessidade de um parrido que faca pela classe aquilo que ela é incapaz de fazer. seja como amoldamento reformisra. As “classes” e seus comportamentos se materializam em determ ina— das relacées de familia.‘. .

Uma vez que este ao de seita. 103): 6 mm a natureza on a diversidade de organismos humanos.‘. dada sua insisténcia dogmética em apelar se mantém surdo vocaciio revolucionaria do proletariado. Se este é um proble para quem acredita em uma esséncia revolucionaria.29..‘. O pensamento ma pode resolver. MAURO Lurs IASI no consumo da forca de trabalho a sua forma de existéncia.“-“$5: . 1994..5.&g’\: 5??? i'“‘5_ 5%“ i3§x§m> 55‘s is? ““tg‘: “=3 «“5": “U55 WW . evidenternente mantendo sua preferéncia por urn dos espec Diz Gorender: para organizar e liderar Compreende—se a incapacidade cronica do trotskismo a suposta movimentos de massa.‘. acao so O carater reformista ou revolucionério desta classe em iio pode ser determinado por esta acao. . Tal mas. p.- i: M» 5"“ ‘???“ WWW?“ 2*‘“1*’?““‘Z""“ 5‘s: a?“ imwofi‘fléfi‘t \““ “5'5 :t i ?s%‘ 5"“ zit-159:5“ 5%???s s-. em certos mementos.55 512. Como os momentos de reformismo (diriamos. os trorskistas nao conseguem ultrapassar a condic Trata—se de um caso tfpico de amor nfio correspondido. J51 0s partidos comu- s nistas filiados a linha soviética se mostraram intuitivamente mals prox1mo 59 “ » 5V 5“._*"*5 “‘:”-'-‘. auxilia o autor no acerto de contas com alguns velhos fantas tros. em si mesmo.--. a genese do real. Gorender parece se amol— uma certa eficécia preitica maior naqueles que procuram es dar aos limites deste suposto ser reformista do que entre aquel pensamento que mantém sua fé na esséncia revolucionziria. é a individualiaacfro do processo social. Assim corno. a possibilidade de agir como classe. as relacoes e todo o estilo de sua coex1stenc1a social. nz’io é menos um problema para quem sustenta um reformismo ontolégico frequentemente negado pela persisténcia da resisténcia cotidiana e a eventual emergéncia da luta revolucionaria. inversamente. Ajuda muito pouco a reflex nao sociolégica trocar uma metafisica por outra. my “553221. que é a base real para que os seres humanos se vejam pa estranha forma de capsulas individuais (Elias. aos apelos. 05 de acomo~ dacao cotidiana instzivel para diferenciar da expressiio politica e evitar juizos valorativos) séio mais comuns do que os atos de ques— ver tionamento e as explosées revolucionérias. O fato de 03 individuos — esta absrracao com a qual o pensamento liberal envolve o ser social humano — estarem submetidos a determinacées de classe é que os levam. r: e552 4. quase sempre adormecida. .‘_.5: 15.

. _E.”°. segundo Gorender.. Dal’ a meta’fora do amor niio cor- respondido entre os trotskistas e a classe. “x.: E ' W“ .. . p.‘-‘f:=‘. intuitivamente captado pelo reformismo dos partidos comunistas. 4:? ”3‘3. enquanto aqueles que acreditavam que o mundo ia ser destruido por um meteoro no firm da semana passada so trans forma- ram em uma seita ainda menor na segunda-feira. EEE. EEWEE.. EE.. a pregar a salvagiio da alma pela adesiio ajesus Cristo Nosso Senhor. ..EEC.‘7‘ £12552" HE. . para estes. O que explicaria por que teriam contado com “apoio evidente” da classe proletz’iria. entéo. mas que aqueles que correspondem i1 ordem costumam ser mais eficientes no curto P1320 do (1116 quem prega a ruptura com a ordem. AS METAMORFOSES DA CONSCIE‘NCIA DE (ILASSIi da realidade e puderam se adaptar 2‘1 propenséio reformista do proletariado. 221). .. \ -.”.:EEE’. passando. n E.E". O ser da classe.. SEE E .EEEE’E E??? . . m»- ”E..1: ”REE-3: we: IM' Tm Tim}? ... pois por meio dele chegamos 2‘1 conclusz’io 11510 da CfiCéCia politica dos partidos reformistas sobre o trotskismo.\. ... E ....' \\'«.-.‘ -: . . por este racioci'nio de Gorender.. EE.. . . servindo mais £1 classe trabalhadora do que propriamente aos interesses da burguesia.. . mas naquilo que o autor chama de “a61 em que se definem as propensées ontolégicas” (Go render.E. EEEEEEE. ... EEEEE. ainda mais que os partidos comunistas. ..8' k ENE”.-E >233: E:EEE ESE-EE-E..-' - . kw. . .¥..~. . 1999. EE' . conseguiram. a Vida terrena tem cada vez menos sentido.Nesse ni'vel. Aquelas organizagées que souberam. podendo tornar—se hegeménicos somente no dia da catéstrofe efetiva.. com forte apoio da massa operziria e influéncia politica ponderdvel. teria ainda encontrado confirmagfio na recente experiéncia do Partido dos Trabalhadores 60 ' ' ' EEEEEEEEEEEEEEEEE EE..-. Por isso mesmo.a‘*‘=-. “EEEJEEE -* . cc que estzi por trzis desse argumento de Gorender é que a preferéncia reformista” néio pode ser julgada por um aspecto metamente moral (ainda que os aspectos mor ais estejam sempre envolvidos).-:‘E. se aproximar da realidade concreta dos trabalhadores concretos e perceberam o quanto.. o fato constrangedor é que as lider angas reformistas teriam sido produzidas muito mais pela classe operziria do que pela agfio de cooptagéio da burguesia ou de suas diregées traidoras .) :E--. Este raciocfnio numérico e de eficécia por correspondéncia com a realidade 1150 ex- plica nada. _«E. em vzirios paiscs. . conseguiram se tornar grandes partidos.. massas ainda maiores e influéncia “politica” ainda mais ponderz‘ivel.E‘E... .

7. da reestruturaga estrutural. Nunca tendo assumido. .7 s7 3. tentou atribuip —-lhe uma meta anticapitalista e um horizonte socialista. s: *-7. 0 mo— 6 das politicas governamentais. A fundagiio se deveu aos sindicatos mais combativos de 8510 Paulo e de alguns outros Estados. Ao mesmo tempo..“ is}.7. intelectuais e militantes de Varias tendéncias de esquerda logo aderiram ao partido. ss. s.77._ .. .se o filme tantas VCLCS .. cit. colocando—se sob diregao dos sindicalistas._-:_§\\_:_. 0 PT simboli a esperanga na atuagio de um partido que nascia desvinculado dos vicios do passado esquerdista e trazia o certificado da autenticidade operaria. a classe “concreta dos trabalhadores concretos” se moveu. .. . de um partido social—democrata. . . Cresceu o desemprego um vimento grevista fraquejou. Durante varios anos as resolugoes programaticas ta.. a trajetéria especifica do PT é a mais pura comprovagao de sua tese. Vejarnos: Caracteristica e mesmo tipica tern sido a trajetéria do Partido dos Traba— lhadores (PT). Para 0 autor. que o zou criaram.. em 1981. iséswfi’és 1%.31 .. ..7 7. Sua fundagiio.... Mais uma vez. e a classe operairia adotou decididamente eleitorais do PT 0 comportamento defensivo.__.22 is ss. 85:77 {.7. A partido nao deixaram de colocar enfaticamente o objetivo socialis da campa— combatividade esquerdista do PT comegou a arrefecer a partir do ABC paulista e nha presidencial de 1989.. .-£z:7”1€%§7‘ i: . . A base proletaria industrial consequéncia de outros centros industriais sofreu baixas consideraveis... e 0 PT assumiu a feigio e o comportamento moderado 7 Ja ._. em o produtiva das prziticas empresariais de enxugamento.7. nem com os grupos de esquerda dominados por intelectuais. ainda assim integram—se a0 PT diversas organizagées marxista do inclusive trotskistas. A perspec socialista se apagou..7 Vlsto.. Repetlu— 3‘ GORENDER.’. nos documentos oficiais..__.5“. MAURO LUIS IASI (PT). p. os éxitos fizeram inseriram na estrutura legislativa e administrativa do Estado e o tiva voltar—se cada vez mais para os eleitores de classe média. . marxisra. compromisso com a doutrina s.\'r.. dirigentes das grandes greves de 1978—1980 que abalaram a di- tadura militar. .7._.7. Jacob.::i=7s}=77£§7. e a tradigao de esquerda.. .77. N0 Brasil e em outros paises da América Latina.=§. Marxismo mm utopia. . 61 . ainda que nao diretamente de origem marxista ou ligada aos partidos comunistas.. 228-229. iiif“ ‘7 a: 7..7.7:=:s*7ss ....7287 is? i‘as. . 3. nada teve a ver com os comunistas.‘. 7.

O ser essencial reformiSta da classe passou por um breve momento papagueando palavra1 socialistas que certos pequeno—burgueses. 31111-11111é111113 111 . 1'1%*‘1 111.) ser uma real expressao political d6 IOdOS 53 Trechos do Manifesto de Fundagao do PT aprovado pelo Movimento Pro-PT em 10/2/1980. Mas podemos deduzir coisas muito diferentes dessa trajetoria que Gorender.\. . portanto. 11. '. . t'. isto é\ nao importa o que tenre a vontade revolucionziria atribuir—lhe. 3":\. “nada tinha a ver com os comunistas” ou qualquer outro doutrinador de uma esséncia revolucionéria? Um partido que “nunca assumiu comp ro« missos com a doutrina marxisra” e. \ 1 311-5? 11* “f3. 111-1) _» _ 111. 1331 13% 1. mas uma meta socialista enquadrada por uma critica anticapitalista (um partido para “organizar os setores explorados pela sociedade capita lism” e que nasce da “decisao dos explorados de lutar contra um sistema economico e politico que nao pode resolver os seus proble mas.1’w.: . .‘ ' \. I 31:}.1. \. Vejamos. 5-.. 62 \ if 1-1: . N510 seria urn fato.11. que um movimento concreto da classe tenha..1% 11111-1 ’111 1-11 ..-. . a partir de lutas sindicais. pois so existe para beneficiar uma minoria de privilegiado s”). 1 61-11% 1:»? {915%.1. 1J1 :1. 1111111. :51}.111 11.. 'QV.11211 1 $11-13. colocou “enfatica— meme 0 objetivo socialista”? Nz'io somente “socialism”. = ..\M.._. no mfnimo passivel de analise.. e que. '.. tao precisamente descreveu. como neoempirista mais recente.32 além da atualizagao de uma afirmaeao da independéncia e autonomia da classe trabalhadora (“os trabalhadores querem se organizar como forea politica auténoma (. 43$ 35% . o f. se constitufdo em partido politico? Isto em um momenro historico no qual a influéncia das correntes marxistas estava quase impossi« bilitada pela agao prévia da ditadura. pois essa é uma palavra vaga que carrega muitos significados. f‘:. cristaos radicalizados e intelectuais lhes ensinaram para depois abandona-las por pa—~ lavras mais adequadas 1 sua esséncia proletaria reformista. . 31. ggfiunf? .W . ainda assim.‘o ' 011:5» '.$131311. .1 . .. a classe concreta enconrrara um jeito de assumir sua esséncia reforx mista contra as intengées socialistas. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA [)E CLASSE O que o autor conclui da reprise deste filme tantas vezes ja visto? A classe proletéria é ontologicamente reformista.2111: mg: 111:1. 1h: . 1 . _.

4-’4. porter derrotado as forgas revolu— cionzirias e de 0 capital ter criado urn polo de industrializacao no ABC. NV. Wéa' ‘.\.44: 33."‘ «32% .. __ k4 .i...2.4 4. haviam quebrado para sempre a possibilidade de um movi— rnento de carater contestatério de horizontes socialistas baseado na classe trabalhadora? N510 é revelador que o impeto anticapitalista e classista tenha “arrefecido” somente depois de praticas brutais de reestruturacao produtiva do capital e de politicas governamentais que empurraram o movimento desta mesma classe para o defensi- Visrno? Que tipo de “essencia ontological” é esta que precisa da ajuda do capital e de seu Estado para emergir de onde sempre esteve?.4.:2‘47‘._ . :‘:“'<¢-. Resolugo’es de mcomros e congressos.e444 4. 3" Ibid. & _z c «.-. 4.4:¥. \ .944 3: E4444: 4.33 Nz'io seria significativo que esre movimento concreto da classe trabalhadora tenha arribur’do uma qualidade diferente ao processo de abertura politica em curso e. “4.44 4. ’\_ . fer-4. Ag: 44.“ __2. _ . ern seu 5° Encontro Nacional (1987)... VIEIRA.§ 34. $95».:..23 2 §:.22:4 421-2.-2.34244.. 1:42.34 e que.2. .4_44-§_‘4__ _c: $3 __gyflfg. .32 4-4472._4’-‘4.44224343-44."=‘--2?“’”34 23:4 {324$ 42444-4} 9'4. .. .4442.4444 53... . os trabalhadores precisam transformar—se o hegemonica e dominante no poder de Estado.41. realizar uma mudanca polltlca em classe radical. MAURO LUIS IASI os explorados pelo sistema capitalista”.4.__ . 63 .-\.” in: ALMEIDA. 1998.v.. um partido que “nasce da vontade de independéncia politica dos trabalhadores”).2.:.4. no momento subsequente. 2..§4‘-. 244%._.42...4442444 2. _ 2...44% 1 44:44 Q4449? 4414.4“ ‘44. mais adranre. e isto depois de a ditadura milirar acreditar que.4:.:2§§...44..2. acabando com dominio politico exercido pela burguesia”..2.. .4494 4. CAN'CEI’J‘JI (org). partrdol N510 seria no minimo interessante saber por que um e suas que surge afirmando que “sua participacéo em eleicées de organr— atividades parlarnentares se subordinarz’io ao objetivo zar as massas exploradas e suas lutas”._ _. 442‘._2 4%.. _Nyflr \ . afirmou que.. a en— trada em cena da classe trabalhadora tenha imprimido urna marca propria no periodo historico de mais de 20 anos que se inicia com as greves de 1978 até a eleicfro de Lula em 2002.fi.-‘5’ .4.35 por que neste par— ” Mid.‘.2-§.44 34* saggy. 4344: _4 .’\.. *5 “Resolucées do 5" Encontro Nacional do PT.4§‘4._.._ _ }_ _ .34:4.. e o capitalismo e iniciar a construcao da sociedade socia necessario.§4.4? .. “para extrnguu: lrsra..4._.3K4 . 8510 Paulo: Fundacfio Perseu Abra mo e Drretor‘0 Nacional do PT.. 4%4}: 22._. _v 4% 3M.".544-3 "~24..2244. .5311.. 3.? *2"24. em primeiro lugar..

porquo corresponde a0 ser mesmo do proletariado. agar-12¢» mu: _\9. nao e’ possivel supor que o momento da criacao do PT e do particular movimento concreto da classe entre 0 final da de’cada de 1970 e inicio da década de 1980 é qualitativam ente diferente do contexto de sua degeneracao. -:\. relacées de 64 . assumindo a moderada feicéo e comportamento social—democrata? Uma explicacao possivel é aquela que nos oferece Gorender: acabou social-democrata e reformista porque sempre foi. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DIE CLASSES tido a “feicao socialista apagou”.: E. . «)9. artificio muito utilizado por toda sorte de ideologos que querem justificar toda a historia humana pelo ponto capitalism final no qual se encontra hoje. -. 0 final da década de 1980 e os anos 1990? Nz'io é possivel supor que nesta trajetéria houve inclusive uma mudanca de composicao e perfi l de classe do préprio partido (sem falar da mudanca de perfi l da prépria classe)? Nao é possivel supor que a atual form a “moderadamente social-democrata” corresponde muito mais a atual composicao pequeno—burguesa e burocratica do que propriamente a origem de classe proletaria que marcava a identidade prime ira? O fato de ser a prépria classe trabalhadora quem fornece seus eleme ntos individuais para format as burocracias sindicais e partidz‘irias. . . \.r\\_. \ v . -w.» .-- . No entanto. . portanto. 223% aim is swan 93%. os dirigentes e representantes parlamentares que irao conformar—se como a pequena burguesia burocratica nao significa outra coisa senao o fato de que as classes se constituem pela subordinacao dos individuos a certas relacoes sociais. . i ii .§\5 -r-::§&p\‘§ . .\. can-as "ya. E verdade que o desfecho social-democrata -— e adiantamos que essa é uma visao otimista de desfecho..\. . N510 nos parece um procedimento adequado.§:§‘§:‘g‘2“<rvg':¢_’-‘E:-s‘§ . .sw i“§i‘§éiiiiiii éifiiismak if“ Hams gases} ism.9.. como veremos —— confirma a possibilidade de amoldamento e conformacao da classe nos limites da ordem do capital.... Outra explicacao é que o produto final esconde 0 processo._. v _s «m. . .j‘I-Q 43%: ". nao é possivel julgar o movimento pelo ponto final aonde ele chegou. . . ou seja. . Visées de mundo. e. aims ‘zwam’isi . 5 ma»?. Resta saber por que: por um tempo expressou algo distinto de sua “esséncia”._. .nn».: {5'}: $3.: 6?_\\. -:_ Ems-9. E:. «aux-A. como ja teorizou detalhadamente Przeworski (1989).< . . Talvez mais um acidente.w)_'.‘\ j"...

A classe trabalhadora tanto l se identifica com aquele que luta corajosamente contra 0 capita como. e alguns restritos setores da ingenuidade militante. pode mudar de classe ao deixar certas relacées e assumir outras. 92)- Naquele “nivel em que se definem as propensées ontolégicas”. A sociologia compreensiva costuma chamar isto de “mobilidade” social. ou. A classe proletaria costuma respaldar suas criacées muito além do periodo de validade. 1993. de “pragmatismo”. uma classe mz sociedade civil que nao é uma classe dz: sociedade civil (Marx. de “traicao de classe”. ainda que seu senso estético alerte de que r1510 é uma obra de arte. Este espaco tern seu centro nas 65 We“ §€1§§ i W file. amplos setores do PT. também. a classe se faz enquanto classe simultaneamente como urn ser do capital e como sua possibilidade de negacao. Costuma ser fiel e leal a suas criacées muito além do que a prudencia aconselharia. mas foi 56 se transformar em um assessor especial que ganha alguns mil reais para participar de apenas uma reuniao por més que ficou “meio metido” e com tendéncias a acreditar que a sociedade de consumo nao é assim tao ruim. com aquele que vence na Vida e passa a sair nas revistas sociais que mostram a Vida de nossa “melhor sociedade”. ainda. Nao é verdade. da mesma forma que os pais consideram aceitaveis seus filhos ainda que niio tenham saido exatamente como desejaram. e nao por nascimento. nas palavras de Marx. a ii‘xw‘ “ . de “incrivel genialidade tzitica”. O risco implicito nesta aproximacfio é culpar a pequena burgue- sia pela “traiciio” e preservar a classe como ser incélume do espirito puro da ética revolucionaria. O individuo era revolucionario en- quanto proletario. 05 trotskistas. Isto pelo simples fato de que a classe trabalhadora e 05 individuos le que a compoem sao simultaneamente seres da ordem do capita seres com a porencialidade de confrontar com esta mesma ordem. posse de recursos materiais ou simbélicos. dife— rentemente da ordem estamental.” a $33. p. como o pintor inexperiente que assina o quadro e 0 ex— o pée orgulhoso na parede de casa. o que implica que um membro de uma classe. MAURO LUIS IASI propriedade.

. nos termos de Przeworski (1989. mais essencial.. pelo mesmo motivo que o trabalho estranhado pressupée o trabalho. AS METAMORFOSES DA CONSCIE‘NCIA DIE (JLASSE relacées do trabalho. critério pelo qual o hiperempirismo julga os fenomenos. o universo da fabrica. im— plica uma contradicao frontal com um outro Ser. que podemos estender para 0 da empresa produtiva no geral. mas nao se reduz a elas.*~* -*‘-. que é o ser humano. Esta na'io é uma contradicao filoséfica hegeliana ou uma reflexao existencialista sartreana. vestir—se. portanto mercadoria submetida ao processo dc valorizacao do valor.*. Nikon? “2:372 21*: 2-2222. e néio por nenhuma esséncia. enganam—se aqueles que veern nesta dimensao as razoes ultimas da “propensiio ontologica” para o reformismo on o “consentimento”. mas o humano nao pressupée a reificacao. é 0 local do trabalho como ato estranhado e da formacao da consciéncia reificada e fragmentada. p. mas o consentirnento sob 0 capital pressupée a condicfio do coisificacz’io dos sores humanos) pressupée o humano. enquanto capital variavel.5. estzi no ser da classe como fator muito mais marcante que o consentimento a possibilidade da resisténcia e da luta contra 0 capital. No entanto. mas a aciio criativa dos 66 l%. mas assume a forma dramatica existencial tanto enquanto objetividade como percepc‘ao subjetiva.§3. digamos assim.3’§... nao por acaso onde predomina a “cz’ipsula individual”. Como ja foi afirmado por Martins. quando muda a composicao organica do capital em favor do capital constante e 0 capital varizivel que resta sern ser usado ainda tern aquelas determinacées prosaicamen— te humanas como corner. Nestc iimbito o trabalhador so é coletivo pela mediacao do proprio capital. *XN £323 is. *w * “W. 161 6 ss). Isto porque o ser da classe. Nada mais concreto para a definicfio do ser da classe que este universe de relacées que constitui a producéo do capital como capital. Muito mais marcante 11510 cm razao de ser mais comum sua ocorréncia.2561%»3‘3’.§* *2“: **** 9*: m*ifiiitfiiaéigg l2 fifiméfi Raga-3. ter habitagiio e outros vicios adquiridos desde a infancia... mas pelo fato de que a condicao reificada (perdoem—nos os entusiastas da harmonia social. imiw}:2*: l:is}13%3'Eg'g223ufirifiéws . 6 neste universo os trabalhadores se convertem em elemento variavel do capital. 3 flags-$1.. Por isso.15*. H ii»§‘1§i€§&fi-§fi 7* 21 E 25515 213% 27* tssfi’m lugs-3': 32%.

1-"?- . Egiaawia 5-“: ""‘N W ‘3: EEEEEEE‘EE 1-. e o comportamento contestagao.. por esse ato." EEZEWEEE. o ser humano subsumido na mercadona forga de trabalho reaparece. .<3»\§. por— sao uma forma particular de produgao social da existéncia nhadae tanto. a. . e isto 36 para impérios. Qualquer historiador pode confirmar que a regra tern sido submeter—se (talvez a melhor imagem seria submeter-se resistindo).__. 4!: E. de fato de aquilo que prevalece na coridianidade.9“? “‘3" i“ E EaEsEiEEEEXEE’ -"‘"- '.EV="E'°‘'<“ EEME *3: ". se a cotidianidade desse ato nao garantir a Vida. mesmo que de forma mutilada.}?. N:. naquela imagem depois traduzida por Torquato Nero. * $2. O consentimento presume que. as relagoes sociais no ambito de sua reprodueao disc1pl1na cotidiana.. Entretanto. que. nao ha contradigao entre o consentimento. Vejamos: \ _..EEE: a“: ’“EW EEE' Egg-za. que tinha razao Brecht. m 3. coloque os dois na fila do matadouro. transformam—se de campo pratico—inerte do memo em base material para rupturas e questionamentos._. se torna mercadoria. MAURO LUIS lASl seres humanos como mediagz’io de primeira ordem com a natureza nao pressupoe o estranhamento." “ff. Isro quer dizer.: \w. o que nao é senao a mediaeao concreta daquilo que Marx chamou de contradigao entre o avango das forgas produtivas materiais e a forma das relagoes sociais de produeiio.Ea. ainda que estra imperlo fetichizadamente. mas porque em certo momento do processo de submissio a ordem fica antagénica com a sobrevivéncia do ser que se submete. O trabalhador vende sua forga de trabalho para viver e. a -. E” E3 ‘11 v -. garanta esta existencia subumana.5. Esse depoimento colhido entre aqueles que servirao de base ao nosso estudo exemplifica de maneira categérica o argumento apresentado."'. so rem existéncia efetiva enquanto. mesmo que tenha sido o boi. o que resisrir é o ser humano.EEEEE ENE» e:-. Portanto. o interesse elementar do ser que se submete esreja garan— rido. Todo nfio serye cai quando niio consegue manter Vivo seu escravo. W“ W“ Y: EEEWEE“. se vocé que’r saber qual a diferenga entre urn ser humano e um boi. de maneira mais direta.$3. Nao porque estaria na esséncia humana resistir e néio se sub— meter.:1. As relaeoes capitalistas de produgao e. E ESE-«2 M V‘ ‘ '“EWVZ’TY'E 3* EEWE 3““ '3‘.::= ‘f' “H :“‘-'.‘ W. portanro legitimadas pelos mecanismos da consenti- consentida.

°EM1-_‘""\§\-"\_\. s a "‘ ‘ l" "‘ i ‘ “' =~‘ -"‘ -’" V" a" . pois era so trabalho.-\_ p“: ‘. ela estava contente com aquele horror.36 Na época a depoente tinha 15 anos e trabalhava das sete da manha até as dez horas da noite.\'g. No interior deste processo. “tern o que comer. E por isso que é o campo aberto da praxis.3. \. Portanto. m ‘2 mm.- m WM. E neste campo que se cruzam duas possibilidades: a do amol- damento/consentimento e a da agao humana como praxis livre. . mas “ta born”. conseguir que sua “pessoa negra fosse vista (16 outra maneira”. pois é o espago em que a agao dos seres humanos pode reproduzir as condigées de sua dominagz’io ou enfrenté—las. para 0 capital atingir seus objetivos de valo— rizagao. mlhtante do PT 6 do Orgamenro Participativo do Porto 6 I o a a n Alegre. enquanto membro da classe. 0 mesmo “salario desgragado” é des— crito em outra parte do depoimento como “muito dinheiro” para uma menina de 15 anos. é necessario compra-la como mercadoria. numa fabrica muito famosa. eu era alguém naquele momento. fiz curso para isto. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE Quando comegou 0 PT. como sabemos.". «IE: “was” :". ela precis a vender—se ao capital. ». ."fn . a classe trabalhadora pode 5 Depormento de Bearrrz (Bra). porque ela “era alguém” por ter achado urn emprego — e. mas eu estava contente. Eu trabalhava pra caramba com um salario desgragado. como ela diz.‘h:\g. era hom’vel.“': . f-"_ '\ a _\. ela nao é sequer reformista.' 3": . é um individuo conte nte por ser explorado pelo capital.‘“\":‘o_ :‘=. 68 iteéwzm i am M.\‘3\\1 g“-»_ ._M."'\. \ “3‘2?“ _. Para alcangar seus propésitos (ser alguém). Eu era passadeira. Neste memento. Como alguém poderia estar “contente” corn algo que ela mesma descreve corno “horrivel”? Pelo fato de que era uma fébrica grande (corn cerca de 3 mil fun— cionarios e 10 andares). ‘.\ x}: ‘. na verdade é onde as particularidades empreendem seu continuo processo de constituigz’io da universalidade. colhido em abril de 1999. 86 se é alguém no capitalismo quando se vende a0 capital. e 05 caras me fodiam a Vida. ta born”. E também neste campo que a genericidade encontra a particula— ridade. Eis a base de um consentimento instavel. M was it: a‘“-. "fix?“‘u‘ _ fig.J. .. naquela época eu jzi estava trabalhando. era so 0 meio horrivel para conseguir ser alguém. .’-‘=. <' 3. o que vestir. M w .-"“'“' ": -.

31333 323333 3333-33-33 3 3:. 2&4?E _-.. eu entro ou junto? E as guria 13 dizendo. im-a.. eu tinha assim uma producao mons— o..W>‘ a2:35... 3:3..__—-——--— 3.33: 3‘33 33:333-. ‘5: 33. .. . porque nés produziamos muito. trabalhava doming nao entro era uma loucura. eu podia dizcr.‘.. ‘tu é nova mas a genre tern que mudar isto ai.\ . trabalhava sabado se tivesse que trabalhar.1. O ser humano é um ser social.Iifi.. ba e agora. mais precisamente quando o trabalho como atividade fundamental da existéncia se torna 56 um mero meio de Vida.. 3‘ 13.3. ou ser um importante instante dc superacao da serialidade que caracteriza o processo estranhado da praxis cotidiana em direcao a0 ser do grupo. mas en 1150 sei. mas isto aqui é como se fosse uma escravidao’. .33333 323 3:3 3:3 ”3‘.3 3‘33.3“ .\-$_:I.$ 33‘ 3333-332: 3’33“ 333-3 3333.-.. tu tem que entrar’.. -. 03 seres humanos em contradicz'io com o processo imediato do capital se encontrarem em certas condicées coletivas para romper o invélucro individual 6 se verem como seres coletivos. Entao eu fiquei assim.3:: 23. 33:3. pode ser vivido como um m0— mento de desilusiio. .. tu ta chegando agora..3. trabalha e quando a genre vai conferlr.1»: .: :33: 3. :3. SC eu entro e perco meu emprego’. 3: {. fi: E3493 Me (3-._: 223:._g:‘”&. O trabalho como meio individual de Vida esconde o fato de que este trabalho segue sendo atividade social.n2. mas. :.3-2'3.333. 0 set social do trabalho.. nos termos de Norbert Elias (1994). mas o que que da parte das passadeiras de gola.'_. e somente se.3 5. 31.. desde a mediacao particular do grupo até a genericidade da classe.1-3).3-. e eu pensava ‘ai.. :\3_2:.]: \‘f' £353. eu dizia para elas. 1.333 37:3 33333333. . cu era (33) ‘Tu tern que dizer alguma coisa’. A sequencia do depoimento daquela operaria pode llUStfaf este movimento: icacao de sala- Teve uma ocasiz'io onde os mais antigos fizeram uma reivind rio. :. emerge para a percepcao dos SCI‘CS humanos envolvidos.. . truosa. MAURO LUIS IASI se constituir enquanto classe se.3_ 9:3 5:3? .._-§\: :32 )5: $32 ?. revolta....3.333 3. .3: 3. capital.332:. §.. ou.. IEI&§. no caso. trabalha... . . 3 33.3. partilha de uma autoconsciéncia que percebe a si mesmo e 03 outros como individuos. eu sinto que alguma coisa ta errada. se Vé como um individuo. crise existencial. ‘33: . 3333. 3-3.3.333“: . 8-5:}.mg. O momento em que um ser humano r1510 se reconhece naquilo que é sua mediacao fundamental para a vida.... por motivos que apresen— taremos mais adiante. meu 69 :‘ _. nao é normal porque a genre trabalha.2. 33: 53 I.2332.: . so acho que ta errado.. cm determinadas circunstéincias. ‘néio.3.3333.

<~"3.3 I h 33333 ’3 $333. atravessou a tentacz’io dc mudz’i—lo por reformas (aumento de salarios. o momento da serialidade. No mo— vimento da classe em seu processo de formacao encontraremos as mediacées nos momentos da constituicao do ser social como individuo.gzr 3R 3659‘"33"3‘33‘3. eu acho que eu ganho pouco por tudo quc cu faco.-= '-\'. 3 3 333.33. neste pcqueno depoimento. O que iremos estudar na continuidade destas reflexées sobre consciéncia dc classe sao exatamente estas mediacées.33 i "3.3. Ela nz’io é. Enquanto individuo. como diz em seu depoimento. mas seu ser em movimento cxprcssa com clareza cada um destes momentos. 3. Partiremos para a compreensz’io das circunstéincias em que esta serialidade se rompe no momento em que a préxis individual 36 defronta com 70 33333333333333 i" ' M ""3 II 3 3333 3 3333 » 3’333:33-33 I I33-3 .33.. da realidade das relacées sociais bascadas na objetividade estranhada 6 na conformacéio das czipsulas individuais que velam o carater social do scr. em si mesma. Podemos ver. seja o que Deus quiser. que uma pessoa pode mediar toda a sintese de uma época. iniciando sua participacao no processo dc formacao da classe. que partilha conjuntamente a sina dc ter que dar conta daquela producéio monstruosa.33 3.. nem reformista.". para no fim encontrar novamcnte pontos institucionais de adequacao. As METAMORFOSES DA CONSCIENCIA m.33 ”*7" 33. O ser humano se enfrenta com uma pluralidade dc escolhas que sao mais que simples alternativas. (.) Fui no embalo e parci também. '\ V “" ' ' 333333333 3’3. mas o seu Scr é também “parte das passadeiras de gola”. “332. ela rem que pcnsar que o trabalho é seu meio de Vida.33 32: 33. Em um curto intervalo de tempo. “sc- eu entro e perco meu emprego”. (21. 33:3. ela passou da plena subordinacao cstranhada ao mundo do capital 3 contestacao.3333. nem rcvolucionaria. no caso) c.. pois implicam diferentcs dimensoes do Set. sentc que tcm alguma coisa crrada pela confrontacao entre o quanto trabalha e o quanto recebc. cadé o dinheiro. Enquanto indivi— duo.333 33333 3 3?:3. 933-33" : 5 ’3 ."‘-3‘?\.23.13551: deus. tornar—se—ia uma militante contra o capitalismo.. Participar da 339530 abre um espago da praxis livre diante do campo pratico-incrtc. depois.3 *"" '= E -"' 3 313-3 33-33-33: 3 37. mas ja se constituindo como um ser que vai além de si mesma... . ainda para “alcancar scu lugar”.3 3333-3 ..33..

.:. . agora na forma da buro— cracia.-31ie._-. em organizagao e agao de classe. Apesar de estar em de aberto..Mm W 3&33 3&2. Este movimento da serialidade individual ao grupo e do grupo a classe leva a transformaeéio da praxis livre em processo e 21 insti— tuieao da aeao humana em objetivaefio.%$%E$§:§Jiffi§m .-. ..\\. . wv-r. porque indeterminado por uma praxis ainda livre e pela desconstituigao inicial da ordern institucional objetiva que delimitava o leque d6 eseolhas aberto diante dos seres humanos.2 asamvaEmmm is imwé’fié.-2% $333 23% ”Eééa. -.:?~tfi>‘§b§é§\fs. ’E. Esta possibilidade nos remete a permanénCia da insti— 71 . . g f% _ ‘v. é-aigpfi-i .§$'¥§g swag). e como essa mediaeao particular do grupo pode. o que vai condicionar o espaeo de liberdade dos seres humanos em sua construgao histérica. instituir agées de uma dimensao social/historica de classe. r\\\-. m.\\~. ou seja. 1979) que delimita as possibi— lidades e impossibilidades da aeao e no qual ocorre a primeira negagao por meio do grupo. ..x$a . .$:. 33$QE-aa $3.:m $3. .?) =?°='=-‘-‘\‘ 1”“ " ”"3 -:-‘. Este patamar da agao humana pode conduzir a duas possibilidades: a uma negagao da negagfio “regressiva”. fundamentalmenre expresso em certo grau de avanqo das forgas produtivas. MAURO Luzs IASI urn campo przitico-inerte (Sartre. levando a institucionalizagao e 21 volta a serialidade. .:. - :-"::§:_s‘.¢W-x .$333 $3. na qual o grupo—organizagao é o espago de uma nova conformaefio no interior da ordem do capitalismo. no sentido de uma ruptura revolucionziria.$ $‘$. _\V:'__§. 5253*. em certas situagoes. este novo campo carrega as determinagoes da materialida objetiva.aq {$1.~. Neste sentido..“-“\ <9" “’3 ‘i-“"--"‘-‘=-‘ .\ 33in: \ .$3. :\ ..‘ » an..\\|é\\_}y.": in»: 5 FMS.”"S “ff-Ht 3539. o novo produto da agao humana reapresenta campo aqui uma nova dualidade de carninhos possiveis: o novo socio— pratico—inerte pode constituir—se como superagao efetiva do metabolismo d0 capital (Mészaros.3 " eW----:§\\-. » -:. 3.\ w: \ w.\. OH 3 nova construgao humana pode nz'io ir além de uma negagao formal deste sociometabolismo. ‘F :=. $. em consciénCia de classe em si. mantendo as condigées de extensao da praxis humana como emancipagio humana... .“ W.. . . \ . Esta segunda alternativa eleva a praxis livre a possibilidade de instauraeao de um novo campo pratico—inerte em aberto. 3. ou uma negagao da negaeao “progressiva”. in: swag. 2002). abrindo caminho para a volta do estra— nhamento num ciclo de regressividade dentro da progressividade alcangada..'-’% 5 km“??? &~é M3..

\ xi}.\ win . m w .<~\'g: . era :21 frente. a consciéncia sé pode acompanhar a dialética do ser social..\. “xv-735.:M'-@3I:. :3 $4.. 72 3v \ . Neste movimento.. '\\_». ‘3'_-_\\:.\\-'£:v.r\\_. .93 :5». ”3253 {33.3245I_fz>_:<?-.= 9593. »_ 15:3. 3 _‘-\. mas sempre em relagfio a0 ser que a abriga. da burocracia e da volta da serialidade.”§. \\ x. »\\-3. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE tucionalizagfio estranhada do Estado. . ora atrzis.-.. -=.-_\\.

2 2 2 2. Trazia dentro plicavel. 22222. . sempre paga por nao se dobrar. 160. 2 O PROPESSO DE MEDIACAO PARTICULAR E GENERICO DA CONSCIENCIA DE CLASSE P4554 2mm 502201.. Desde raiva maior que o mundo e uma angfistia inex do sempre alguém lhe impunha ordens. 2222222 2-.22 122 2222:2222 :2. 5" Operario e militante do PT/RS.. acmdendo—so e opagando—so conformo a medido.. 2 22. “Fragmentos” (Cleme 1994.222 por dionte do mim Epolzz primez'm oez no Universo on reparo Que as 60750131725 72:20 tém cor nom mooz’mentoC. quando acertou um direto no capata ndo castigos no ritmo infernal da fiibrica.2:22 2 2-222 12222222:2 222 2 ..2. p. (’5 56 pm te alige Z2 trabalho. “O guarda de Janeir o: Nova Fronteira.2 2. 2-22.--. .j§23:.’2‘. .. non/mm do: bomens ofi’z.. Euprofimdo o 05 outros om. 2'.22 2. . -. p. 68.‘. 2-_.37 Fernando Pessoa Esta mzmdo.2 2 2 2 .22.)2 A cor é qua tom cor 7m: om: do borooiettb No mooz'morzto do 202201222 (3’ qua o movimento so 772006. .:22§. 2.§2?§..” Heraclito de si uma Madeira39 saia do quartel cabisbaixo. fragmento 3'7 PESSOA. seu pai na porta de casa segurava irar!” Assim foi no calmamente: c‘niio é nada 11510. No quartel.2. 0 772657720 para todos. .. 225222 .. Fernando (Poemas de Alberto Caeiro). mos em 3' e 222221230 sempro oioo. norzlmm dos domes.. Silo Paulo: Brasilicnse.2-2.. v. 2. 1980. ainda adolescente..§. 2 2. Ainda era crianga quan passando por saia de casa para a escola e ouViu o zumbido dc bala o revolver e dizia sua cabega.:"352 .2 2222 . 1. XL OAS/1914). Marilena.. Depoimento colhido em 2001. Rio nte dc Alexan dria. .j22. 2 2’. Introdupzio zi' lJz'sro'rz'rz dzzfiiosofitz.2-. dor de rebanhos”..2 22. Tapeqa rias).22. 222. 1'72: CHAUL 38 HERACLITO. 2 2 22 “MW-=22 2‘22.

_ .' E-.._.' E» EEEEE‘EEE‘E . A consciéncia de classe niio esté apenas na forma coletiva enqu anro produto ou em suas representagées institucionais acab adas.\\ \ \ E ‘75». assim como nao pode se reduzir a manifestaooes individuais que compéem estas formas coletivas.».\\\": . No entanto. EEEEHEEEEEE. nada adquire sua concretude fora do ml’iltiplo processo dc suas deter minagées._::E:§ g: E E2: : "'1"i ffifxé‘fi‘éfiji WE’E‘TV‘N‘EEEE‘EE LEW.EEE E“ EfEEEEEE E‘EEE’EE‘ EEEEEEEE‘EEEEE EEEEE. O partido era cons trui'do por militantes enquanto os construfa como milita ntes. Nada térn existéncia fora dc seu processo de mediagao.\ = .. este se expressa tanto nos momentos particulares que conduzem ao todo como na forma genérica em que os diferentes momentos particulares produzem suas sfnteses historicas. esperava por ele passando aquela manha com sua raiva. O partido nz'io esperou o processo do consciéncia deste mi— litante para 36 formar. ou seja. 74 . .9: 3..5:: 911949.-.-_ m.‘ Eva -. uma grande estrela e den- tro dela duas letras: PT. as- sim como os partidos que esta classe cria e destréi em seu continuo processo de formagao. . Foi até a sede do partido e- disse decidido: “como faz para entrar neste partido?”. .:-.".. Nesse movimento é que enconrra mos os momenros particulares e as formas genéricas em unidade 6 cm luta.--.. No interior deste movimento de perpétua constituigao e negag ao das formas particulates que constituem o todo.E E.E .E.-\ 2 EEEE’EEEEEEE EEE . O que seria aquilo? Depois soube que a sigla queria dizer: Partido dos Trabalhadores! Dos trabalhadores? Aquela estrela tinha sido pintada na rua para 616. § .2‘ «m >\‘-. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE Madeira saia do quarrel cabisbaixo quando olhou para a rua 6 Vin ali. -: P}‘.. Ele o encontrou como uma objer ividade ja constituida por uma praxis anterior.. Er‘ EM} EEE EEEEEEE E EE’ . desenhada no chao. Do mesmo modo que nao rem existéncia o universo em si mesmo fora do choque acid ental e fortuito dos elementos materiais que o compéem enqu anto universo.-v. enquanto objetividade. porta nto. mas no movimento em que uma s se transformam nas outras.=‘--'E= Emaw» E-. . . A classe trabalhadora nao existe como absrragao socio légica.E._. de uma multiplicidade de processos particulares dc cons ciéncia em um determinado contexto historico. a. o partido foi constitufdo por um certo momento de sintese coletiva de uma consciéncia de classe e. na rua.

..... no a categoria. nao existe esta esséncia anterior que na no movimento. ..40 Sobre o absoluto. F. .. 1979). m. fix.._ . Ocorre. . G. MAURO LUIS IASI 0 set da classe trabalhadora nao esta somente no momento particular de sua expressao coridiana.._:_. nem ern sua classe agindo corno sujeito de um determinado periodo historico por meio dos instrumentos criados em sua acao. Warm .s a. pois para Hegel: “(.. m. _ . Fenomenologz'a do aspirin). deve—se dizer que é essencialrnente é O todo 11510 é uma coisa (individuo ou sociedade). que as mediacoes que dao corpo ao processo me’dio. pois aqui também o produto costuma esconder o processo. Para Marx. to a esséncia que se implementa através de seu desenvolv resultado”.g z.?._.iii-i airs-E. Enquanto implementacao em desenvolv vivo em seu processo de constiturr— lizagéo” (Sartre. W.s.. pois tuicao do todo nao se apresentam apenas no termo uma substanc1a isto implicaria. O ser e a consciéncia da classe.. da mediagéo de consti— entanto. 5._ . 0 todo imento. o todo é parece indicar —se enquanto todo..§ $4 .%%E%鑧._%. “rota- movimento... . corno de fato acontece em Hegel.. O termo “através” (por meio de) . de modo que estas sao constituidas pela multiplicidade de acées particulates ao mesmo tempo que as acées particulates sao constituidas por cada patamar coletivo objetivado... =2: AA ‘5». 1997..fiat-52%. podemos compreender a famosa afirmacao hegeliana de — que a verdade esta no “todo”._. _. estao mais no processo de “totalizacao” do que na “totalidade” enquanto produto (seja na for ma do produto—individuo ou produto—grupo. it} §=C “was.. Petropolis: Vozes.. . se reapresenta essencial que antecede o processo de mediacao e assirn corno ao final. .. mas precisarnente no movimento que leva de um até outro. seja na forma classe). \ gags-sign aiéawE-aa Egg-2&3 i‘ximw afi-fis Mag:.. Para eles.) o todo é somen imento. sua consciéncia estao no movirnento que leva destas trajetorias particulates até conformacées coletivas. nao ha esséncia ou “natureza” huma 4" HEGEL. Desta maneira. central para nossa analise. “essencialmente” no resultado. \ s.:iiil. is.V -. iii 1%._>\. .. nern na abstracao sociolégica de um sujeito historico.. p.__.. se implementa para Sartre.tt_.. .“ @353? i a. portanto. Nao esta num operario andando com suas ma- goas e incertezas pela rua. \. portanto._- 3am aging.31- 75 \ t.s s.§w.r. w.32:?" E‘s}.. O ser da classe e._ s.. $2.Q .

s .W . produz novas sinteses objetivas que passam a me- diar a acao histérica de um ponto de vista gene’rico.:93: “V.. a implementacao em processo de seu ser. '-. a0 mesm o tempo. seja na praxis coletiva (que podem ir desde grupos ime— diatos até acées de classe).g-:*’-' g.\-€__w\_. s= W: aim = Y». Assim. . “o homem nao é mais que o que ele faz” (ma).Y'Vsifii’i"< 2-. para nosso tema. Aquilo que os indivi- duos ou suas mediacées coletivas representam nao é a expressz'io de nenhuma esséncia.sV. os seres humanos séio. considerar os individuos e suas trajetérias particulates como mediacées... V39 Ffig.52"“. para estes pensadores._ imaixfifiieiiiiviaéig l t2§ar§i irai‘i‘s E ixsk‘i aé-Mé-Etafia sag-2a. -. :w. . 6). Neste sentido. nao correspondendo a nenhuma esséncia. . :. $1“? . 'Q J.--. “W . uma vez que é esta acao dos seres humanos concretos que produz. N0 entanto. x. “a existéncia precede a esséncia” (Sartre. afta 3: .. w: r km a gala. Aquilo que encontra mediacfio..-s§__¢\-§.>‘>?N‘"'>-"*?s V ‘3": " 2“». . E no movimento vivo da classe que eSta se move. sujeitos que constituem patamares de objetividade e objet o conformado objetivamente pela acéo de outras geracées._ -e -. seja ela revolucionziria ou reformista. Hi ‘43 azsai.. %R {Etr. é a singularidade que comp ée a acao humana diante do mundo na forma de uma inten cionalidade que deve agir comprimida por uma materialidade determin ada. seja viva e livre. “? 0%} = .. \ x. seja na praxis individual dos seres humanos. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSIE fora daquela que os seres humanos concretamente determinados produzem em cada periodo de constituicao de seu ser. uma vez que neles se sin— tetizam um momento da totalizacao social e histérica. has. a mediacao nao pode ser reputada como simples meio”. _\_>. de forma que o “homem primeiramente nao é nada”. ‘neste sentido.:{_’?\_ Mr” ”3. p. mediante sua atividade. . E a singularidade do ato do trabalho e da atividade que se mediatiza nos seres particulates ou nas manifestacées genéricas .‘2 Mariam-a2»: await ism m.“=. 0 set e a consciéncia de classe dos trabalhadores tam- bém seria aquilo que estes trabalhadores produzem como ser e consciéncia da classe por meio de sua atividade historica. A 21950 dos seres humanos. enquanto prax is individual ou praxis coletiva. \-. ‘ ms. como classe. .».. -: 5 _\.13 it“? gh‘é 9 Rug gm: i’: -=’-. isto porque. seja como produto objetivado de praxis humanas anteriores que servem de base para a acao presente dos seres humanos no 76 ':. . m.. . Isto implica.. 1978.» s. 3. :9? 5% $. é sempre a expressz'io da praxis humana.

. é dc fato possivel imaginar facilmente que Género ou Homem se desenvolvem nesses individuos ou que eles desenvolvem o Homem: visz'io imaginaria que traz a histéria sérias afrontas. estamentos ou classes. 5510 homens e mulheres que os filésofos escrevem em minfisculas e que prosaicamente preocupam-se com suas mint’isculas necessidades: alimentar~se. mas resolvendo suas necessidades diante dos elementos materiais que encontram disponiveis. a 6. Presenga. além de individuos. transformando-os.$3. ter moradia. p.. igualmente produto da agao humana prévia. realizando os designios do Género on do Homem. Isto quer dizer que o fazer histérico se apresenta simultaneamente em dimensées particulates e genéricas. vestir-se.“ O que isto quer dizer? Isto significa que os seres humanos nz‘io estiio executando um projeto de uma Providéncia a0 agirem sobre o mundo. o dese nvolvimento dos individuos nas condiqées de existéncia cornum das ordens e das classes que se sucedem historicamente c nas representagées gerais que por isso lhes sao impostas. t. as 11:5. Lisboa: Martins Fontes. Karl. o que para Marx (1977) é determinado por um certo grau de desenvolvimento das chamadas forgas produtiVaS materiais. 79. 1976.“ «Mm V's W a as w.1:?. a. ENGELS. ark-1%. quer daquelas que €16 proprio criou” (117127. 77 «a: M Ms. 1. a sua agao e suas condl— goes materiais de existéncia. quer se trate daquelas que encontrou jzi elaboradas quando de seu aparecimento. a estes individuos silo impostas representagées e formas coletivas. Friedrich/1ideologirmlemri. um “campo pratico-inerte”. Sé que.E‘s? Ear-1%. 13§a§$ Rat-aiz-iéfia-Ea rings 1?}! tab 2%. ao realizarem estes 4' MARX. 3fl ed. v. . MAURO LUIS IASI jogo em aberto da histéria. 1.hisiffimii’fi as 1. p. Sc consrderarmos.}. e que Sartre (1979) encontra como 0 pano de fundo onde agem os seres humanos. Entretanto.. e nao como polos estanques de uma determinagéio mecéinica ou transcendente. do ponto de vista filoséfico. em personificagées dc ordens.t was... 5510 Paulo. como momentos de uma totalizaqao. que os moldam 6 moles imprimem de- terminado carater. Marx e Engels (1976) jéi afirmavam que as premissas de sua analise sempre foram “os individuos reais. mo moms id'iié-sasoiifsgz‘igéisirséaiijé a Maria 113% a 1%. .Mim it {Es-3:11:32. 18).

da humanidade em movimento. Sfio momentos do processo de totalizaciio no interior do qual a praxis humana se converte em sociedade. como escravo. contudo. ou como arrendatzirio capitalista. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE atos minusculos. mas a mediacao concreta dos homens e mulheres. enquanto a classe é a forma particular que melhor evidencia o ser social. ou seja. procurava uma abordagem que definisse o “particular (0 grupo) como mediacao do singular (o operario) e 0 universal (a classe)” (Frederico. em sua concretude. 15). Celso Frederico (1978). o singular. em seu estudo pioneiro. Numa escala. Do modo como expomos nosso problema. Além disso. 1978. assim como sao formas particulates o grupo e a propri a classe. p. roupas ou sapatos. ao passo que o individuo é. N510 sao a mediacao de um Homem. na busca da compreensz’io da pratica e da consciencia de classe dos trabalha- dores.. . utensilios. os seres humanos estao produzindo mais que alimento. os individuos nz’io correspondem propriamente is ca— tegoria singular. O préprio fato de se apresentarem hoje como “individuos” ja indica um certo momento do processo social. mas de maneira ainda incompleta e particularizada. cotidianos. ou como meeiro. sz'io uma manifestacao particular do ser social humano. menos abstrato. . revolucionarios. Nao é por acaso que a prépria palavra “individuo” seja de uso recente e associada a0 78 -. estz'io produzindo os diferentes seres particulares que compéem o género humano. poderiamos dizer que o individuo é a forma particular que mais se distancia do universal (por isso dificilmente seria urn juizo singular). __s as ~1 . a humanidade. s s -_ M WM_ sax”. tudo. é sempre abstrato. enquanto classe. . Ocorre que algumas destas formas particulates se aproximam mais ou menos do ser universal. submetidos a urn nomarca egipcio. assim como 0 universal. estao produzin— do histéria. O individuo é uma ma— nifestacz'io particular do ser social humano. do ponto de vista conceitual. ou como proletario assalariado. 0 grupo revela o ser social. so pode se fundir com a genericidade do humano em periodos histéricos especificos. s. pois fragmenta e obscurece o caraiter social do ser. s: i» ”3“ m“ spams iififs‘ié‘wiiii‘siiifii ii?» iiiiiii ii}? iw‘éiiiii iii ”M iii? iasimis isiis it? twig iii“ iii itiiiiiisiii .

niio é uma essé‘ncizz que se manifesta nas diferentes formas particulates ern que os individuos personificam suas relacoes coletivas. se acaba por produzir uma diferenca entre essa forma individual ou pessoal C autores essas personificacoes coletivas. V. . uma personalidade que se manifesta por oposicfio a outra Antonio é so uma pessoa simpzitica e afz’ivel. Ocorre que.42 . alertam os autores. enquanto s burgueses ta. i “WEEKEEE EEE. que. _. EEE: .E W EEE E M E E. segundo Marx e Engels. pois. fruto inevit Vida de cada individuo. mas que o seu ser coletivo s classes. EEE EE -. com uma personall— 43 MARX. 1993. ento 1976. dentro de certas condicoes materiais para produzir sua existéncia. urn burgués deixe de ser uma pessoa (embora algun lhe impoe se empenhem muito para isso). 80.EEEEEEEE EEE. Vejamos nas palavras dos de A ideologitz alemz’i: ico. e a sua Vida enquanto subordinad ramo do trabalho e is condicées inerentes a esse ramo. EEEEE E'EEEEEEEEEEEEEEEE Her-i . .0 quer dizer. Karl. “os individuos partiram sempre de si mesmos. ou acoes coletivas de abrangéncia econémica imediata ou mais amplamente histérica na forma de classes sociais. Friedrich. EEEE EEEEEEEEEE EEEEEE-EE EEEEEE-EEEEEE EEEEEE EEEEEE EEEE EEEE. 1994 e 1996). 79 __f. E QEEE EEE EEEEE E ”E . Na viséo marxiana. n’ao certamente do individuo ‘puro’ no sentido dos ideologos. O ser social. MAURO LUIS 1A5] processo de individualizacéo que se confunde com a emergéncia da sociedade capitalista (séculos XIV—XVIII) (Elias. uma espécie singular de ser vivo que estabelece certas relacées sociais de produciio. on em momentos de fusio coletiva em grupos. cit. ENGELS. capitalls— 1330 115. EM E‘Eé: \4. e precisamente pela Verifica—se no decurso do desenvolvimento histér avel da divisfio independéncia que adquirem as relacées sociais. p. 1. 80). necesszirias e independentes de sua vontade.E\ ”Kg E. na do trabalho. no interior do desenvolvim histérico e de uma certa divisao social do trabalho. que existe uma difercnca entre a a 21 um qualquer medida em que é pessoal. é o ponto de partida abstrato e geral que encontramos mediatizado por formas particulares como cépsulas individuais que se julgam auténomas. mas de si mesmos no fimbito das suas condicées e das suas relacoes histéricas dadas” (Marx e Engels. EEE EEE EEE EEE? E EE EE EEE E EEE E. p. A ideologia aiemri".

...g. que se expressa por meio de suas diferent es agées particulates.. \: m m \. precisando descansar minhas pernas. .’.“ sum-”1v.-'\" .5. :. diferentemente.. e sua personalidade consiste em 38f valor que quer se valorizar. o Espirito Huma— no. Eu. N. é algo que niio sou eu. . p. Enquanto projeto. ‘§-\j‘-‘:§. Nés. evidente que nfio haveria dificuldade alguma de “reencontra-la” ao final. «. Estas personificagées de classe niio seriam estagios pelos quais a esséncia humana encon trou sua mediagao. . simples mortais destituidos de espirito. mas diante de seus empregados é Antonio Ermirio de Moraes. de maneira mais simples. As METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE dade forte que traz as marcas da personalidade de seus pais e de seu temPO.= v.w?. Estes momentos trazem em si uma unidade que nos interessa: a unidade entre a aeao dos individuos enquanto pessoas e enquanto personifica— eées cle relagées de classe. nem expressoes de uma “natureza”.. . personificaefio do capitalista.m. Como no ato direto descrito trata—se de uma so pessoa e uma so cadeira. Nao é mais uma pessoa.:\. \\. e um outro em que esta agao se materializa em formas coletivas que agem em Home (108 individuos. > ._ fi:-_ii§1§‘é-¥$x 1V" mar-M“): s. “M w.. . como individuos ou grupo de individuos..i:'i1_e':'<e" g5“ i: w“ ”ii: m? jjgegfifiikgc {wists}. M . Veremos mais adiante que a propria polarizagflo entre o envoltorio individual e o ser coletiv o é o tipico produto d6 110333 éPOCa. era parte de mim e de minha humanidade. m M MMa Ma. ganha Vida pré pria. . Mg)» mo. eu precisaria estar passando por uma séria psicose 80 m mm WM as. a inteneao subjetiva Vita um objeto e. i-\\. como objeto. 19 94. a. \. ou. . pois seria um encontro de algo que sempre esteve ali. . \M"... “Jr’mm Egg-Y. podendo se reencontrar a0 final no obje to. e’ algo impessoal: agora ele é 0 Capital. ha uma esséncia. .'. w: a: a... 9). 32:1 $13: 3-”? \‘e.._. A complica gao toda estzi no fato de que o processo de exteriorz'zagio leva a0 de objetz'wzgt'io. » _‘<-\. ..~>§ 43m.. ._:a-. . enquanto tal. mm am ‘3 as. se a esséncia do homem se expressa nas suas agées e produtos . assim como um fimb ito de agao particular. poderiamos objetar que.‘. penso em transformar algumas madeiras em cadeira e assim procedo corn meus parcos conhecimentos de marcenaria... _\. mas agora.§ MR?»-.z~._. mas momentos nos quais os seres humanos se construiam como seres huma nos.\-<?.wr. Para Hegel..=s§:&v€. XML. mas é muito difi’cil imaginar este “individu o” com0 um “eu destituido de nos” (Elias.

o Homem. “E " EM . era. MAURO LUIS IASI amnésica para olhar para o objeto que acabei de fazer e perguntar assombrado: nossa. é possfvel que uma das formas particulates reencontre esta origem.N. seja ele prosaicamente uma cadeira ou urn conjunto complexo de relacées sociais. guerras mundiais. ganhe autonomia em relacéo ao ser que o criou. Para Hegel. de forma que um outro ser humano pode olhar para o objeto sem saber do que se trata. 1983. EEE EEE EEE. E.EEE EEEEEE-EE E3.. 0 set humano r1510 6 apenas um ser—fazedor—de-cadeiras.N__ _-. pois os seres humanos particulates estéio sempre presos a um dos momentos..<.. ele gostava' muito da metéfora do bosque e das érvores: Primeiramente queremos ter uma visio total de um bosque. ainda segundo Hegel. o eminente filésofo alemz'io r1510 estava minis— trando um curso sobre nocées elementares de sobrevivéncia em “‘5 HEGEL. portanto. E.43 _ Como sabemos. NEE E.. Ele faz também mesas. refrigerantes de diversos sabores. Introdupzio it bixrdrz'a dafiiosofizz. Aquilo que estaria expresso ora como um senhor feudal. Como era uma esséncia prévia.. F. ora como aristocracia escra— Vista. NNNN NNN NNNNN NN EEQE _ : .-NEE. 85. poesias.ENE. EEZE E ’EE ENE.0 Paulo: Hemus. para o filésofo aleméio.EE:E-=EEE2E. G. Como exemplo. o que é isto? Mas. EEE EENEEEENEEEEEEEEEEE. é possivel que o objeto.f“. para dePOES conhecer demoradamente cada uma das :irvores. “EE EE-. ou niio perceber pOI‘ triis dc sua aparéncia fenoménica a humanidade ou intencionalidade que o fundamenta. Hegel afirma que a acéo particular 56 pode expressar uma parte do todo que seria a esséncia do ser humano.NNN N _._N. seu Estado nacional e sua forma particular de ser humano: o individuo.E-EEE. se perde e se desnorteia dentro dele.N _N EEL'E ENEEEE E“.. ENZEINE EE‘E‘E" EEEEEE E E EE-«EE-ENEE. este reencontro se aproximava da era do dominio burgués.E\ VEE " E" 'E W ENE E.25- 81 N. p. se considerarmos o conjunto dos seres humanos e inseri—los numa dimensiio temporal.EN.. . sofisticados aparatos de exterminio em massa.. filosofias. ..ENNNNVN. esta é apenas uma faceta particular de seu carziter..:. Este reencontro do sujeito com o objeto. o que pre— judica a percepcéo do todo. ora como burgués. arte.E EE.EEEE EEE ENEEE “““EE Er-"uE'E EEE-‘E. W. Quem considt‘il‘i1 33 zirvores primeiro e somente esté pendente delas 1150 se dé conta de todo o bosque.. so poderia ocorrer na dimenséo genérica.

desta busca incessante do espirito.‘. e o produto deste processo tornado em conjunto 6': A Filosofia (também una). vejamos a énfase que Hegel coloca nesta relagao do pensamento como 4940 mediada que produz a filosofia: O pensamento é ativo somente enquanto se produz. 34444-1 4‘ 4443. ..». Existe somente enquanto se produz a si mesmo.. O que ele assim produz é a filosofia. se mediatiza mediante as ml’iltiplas formas concretas de alcangar esta verdade (as filosofias). 3* “-32. 23). 3433. mas as mediaeées sao mt’rltiplas. pois foi o proprio Hegel que nos disse que o “todo” era somente o processo pelo qual a esséncia se implementa por meio de seu desenvolvimento. Entao. poderfamos dizer que a humani- dade nao é “imediata”.. o ato singular de 0 espirito procurar a verdade por meio da razao. e nao o bosque—absoluto.4.44.44: 4. que é essencialmente resultado.4....444 4. O pensamento nao é imediato.4. o bosque era “A” filosofia.»§.44» 33:.44.4 .m.‘4‘.4. 44. 3 334434 3..\'4.44 +4. :§:§§:¢{. é uma meta’ifora. 3344.44.43344 3:4..2 .. enquanto as arvores eram “AS” filosofias. 82 3." 34H 4:...3 . assim como seu resultado. .4.:. G. uma expressao do Espirito do Mundo (Hegel. o juizo singular é um verdadeiro paradoxo! Como pode existir um ponto de partida anterior e externo a este processo de mediagéio? Para Hegel.43. 11. 34432344 3434333413 4 34.4 --"'“-. Ele se produz através desta sua prépria atividade. . Aquele que ten- “ HEGEL.. que siio o momento mesmo da mediaeao. 34344333344434 3. justificado olhar para as arvores-filosofias.. mas se produz por meio de sua atividade humana. existe somente enquanto se produz a si mesma. mediagao. ..‘M Tratando—se de nosso tema. 44:4 \‘4...=--"3 .5 4.. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE bosques. Para reforgar este paradoxo.»??? 2424444. p.\H\V 4v. entiio.44. a histéria da filosofia. 33. Introdugio (it bisto'rz'd dafilosofia. 3._-::..'--4"‘-4‘. 1983. 3. Conhecer o mundo e buscar a Verdade é um atributo da R4240.7". 3._.. cit” p.. F.. pode e é o que explica o proprio processo. W. e esta. Mas como seria possivel esta visao inicial do bosque—filosofia fora das expressoes concretas que constituem o ato préprio de pensar em busca do conhecimento e da Verdade? Aqui se apresenta um aparente paradoxo. 433344434o 43. 3:444 444 “4. as diferentes filosofias sao apenas a manifestagfio. A filosofia como juizo singular. 4-4._. 4434._ ~44 441.. 33. O espirito inicial é uno. Para 0 tema especifico que estudava._ ...4. 31-9“ . Pare— ceria.’. :43:...3244.-1.4-.44.3. 4..

p.222. ver Lukacs (1978) ~ Introdumog uma estéticzz mzzrxz'sm. que nos afirma que urna singular disposicao de arvores. pOSSO compreendé—lo como manifestacao particular do juizo singular— —universal de bosque.2222: 2:2 2222222 222:2 223-222-2222. como sintese de multiplas particularidades. ele deveria permanecer ”‘5 Para uma visao mais abrangente e precisa da diferenca da abordagem de Kant. o Espirito do Mundo. 22 ““222 22222 2"“: 2221322222222 2 2s :22. tiio uno quanto abstrato. nao seria provavel uma mudanca tao abrupta de qualidade no juizo universal. “A tentativa de solucao de Hegel .222 222-2232 isms-2:2 222-222 222. MAURO LUIS IASI tasse conhecer a filosofia pelas filosofias. portanto. enquanto 0 universal. 25).) por culpa das filosofias.22 22222 “222 2222:2222 {22. dos particulares e do universal.22 22. O bosque inicial (a primeira visfio toral do bosque) é o juizo singular.} 2 222222 2'2 2222 2:5: 22:22 2 2 22:22.. Hegel e Marx sobre estes juizos e categorias da dialética. posso me debrucar demoradamente so— bre esras arvores particulates. unidade do diverso. tornando. fungos. uma vez que.222. em que o ser do bosque agora atualizado seja uma pequena ilha verde cercada pela civilizacéio de plastico C COHCFetO por todos os lados e objeto de cobica da especulacao imobiliéfia- Para Hegel.2. nao chegaria a filosofia” (Hegel. torna-se um novo ponto de partida singular em busca de novas particularidades. o jardim la de casa ou urn bonsai..2 2222. este tipo particular de fungo. nao veria o bosque (. e. A dialética hegeliana. entéio. 22 2:2 2. assim. principalmente o capitulo II. plantas e animais. equaciona este problema arti— culando de maneira bastante criativa os juizos do singular. no nosso caso. infinito o movirnento do conhecimento.2. por culpa dos seres humanos particulares niio encontraria a Humanidade.22222. 83 2222. merece uma denominacao que o distinga de outros fenomenos singulares. Sabendo do juizo singular de bosque. “por culpa das arvores.45 O singular é um juizo abstrato e so— mente se eleva ao universal pelas mediacoes particulates.222 1222222§22222§ 2:2: . com uma relacao prépria entre zirvores. E por esse procedimento que eu posso erguer um novo juizo universal. novo porque constituido por novas par— ticularidades. como as grandes florestas tropicais. 1983. tratandoflse de uma esséncia imutzivel.

EEEEEEEEEEEE‘EE EVEEEE?‘ $6. EE‘ E6266 ET $. deve existir eternamente”. especificamente com a acei ragiio de que esta é. 6‘ 6E»:EEEE. Passou a conceber 0 “real como resultado do pensamen to.51. Como sabemos.E-$6.. Assim. enquanto os criticos modernos do marxismo insistem que esta concordiincia. porém a filosofia.EEEEE} EEEEEE E. pois Marx dira que este seria apenas 0 processo pelo qual o pensarnento busca se aproprial’ d0 tea . que se concentra em si mesmo. o que de resto explica 0 porqué de a teoria do conhecimento em Marx ser a dialé tica hegeliana. rnas neste caso. 33). 1987: P.303 Gorender. mas “niio e de modo nenhum o processo de génese do proprio concrete” (1. As METAMORFOSES DA CONSCIE‘NCIA DE CLASSE em identidade no seu ser—Ourro. EEE‘EE6 EE‘EEE. Acompanhando Schiller ao per- guntar qual filosofia permaneceria entre tantas. Os adeptos apressados do materialismo esquecem que nesta discordancia entre Marx e Hegel hz’i uma grande confor— midade. . p.6 El: {WE‘RE. um sentido transcendental. d6 fato. obliterada pelos marxistas mec anicos. apesar da multiplicidade de filosofias. EECM=6 W»EEE’E >M~. 6 ’EZV‘EY‘ME‘ . [1859]197 7. além d6 0 pensamento produzir a si mesmo por meio de sua ativid adeE €16 era capaz de produzir a propria realidade. o entusiasmo de Hegel diante desta consta- tagz’io sobre o bosque—absoluto levou-o a acreditar que. O Sujeito da Historia (parece que quando os autores escrevem em 84 . e 03 marxistas de— pois dele.616). ainda poderia dizer: “a0 sei. 1999. 219). teriam atribufdo urn sentido 2‘1 Historia. se aprofunda em si mesmo e se movi menta em 31 mesmo” (Marx. Ora. revela rnuito mais que urn espaeo comum na teoria do conhecim ento e deduzem interessantes conclusoes sobre um suposto hegelianism o mal resolvido em Marx que o faria substituir sem maiores conse— quéncias o Espirito Absoluto pelo Proletariad o (Gorz. que independe dos prosaicos seres humanos.. Isto quer dizer concretamente que Marx. Como o juizo singular é uma ideia.E EE66E6E6E6E. persistiria a filosofia.E.. ' - E$6. paradoxal seria o marxismo propor um JUfZO Singular! N210 exatamente. . : T13}? *-E:6“-:“’ . espero eu. a forma de 0 pensamento se apropriar do real. mais precisamente um conceito.E21? E'EEHE. gera—se a ilusao de que uma ideia é que se fez materializar em diversas particularidades.. p.

nos trazem o retrato de um amoldamenro a ordem do capital. grandes prazeres ou angfistias existenciais. constituir—se enquanto sujeitos hlstor1— cos. de uma disputa individual de projetos individuais due faz do liberalismo darwinista seu principal quadro de referenc1a. Assim corno é perfeitamente comprovavel empiricamente que os individuos desta classe 1150 se comportam o tempo todo como sujeitos historicos.“ . %§\M’w&z2 KL. livre de seus inconvenientes particulates. MAURO LUIS IASI maifisculas querern indicar a dimensao Universal do termo. pois a classe so pode ganhar sua materialidade por meio dos corpos concretos daqueles que a constituem. as revolucées dos séculos XIX e XX. {"7 >335? ”K ”silks ii swam $5363 if ‘3 E?. Permanecem boa parte do tempo submersos em problemas relativos a sua sobrevivéncia. Existiria uma diferenca essencial e nao redutivel entre a classe trabalhadora. enquanto sujeito histérico coletivo. E verdade que as classes tém uma existéncia objetiva e podem. if? :6” x. assim. posso falar no des— tino majestoso do Homem sem levar em consideracao algumas trapalhadas que o homem concreto tern feito) ficaria igualmente transcendente. um proletario prefira a parte dele 85 “éiasi is“ $3£1353. nos anunciam a inteligibilidade de um processo em que as contradicées entre as forcas produtivas materiais e as relacées sociais de produ- céio encontram sua expressao subjetiva numa classe que representa uma alternativa societaria para além do capital. Abre—se aqui urn abismo que muitos galées de tinta tentariam preencher. de um reformismo atavico. E perfeitamente provavel que diante do futuro emancipado. concretamente existentes”. ou simplesmente distraidos corn pequenas alegrias. e cada um dos trabalhadores tomados em sua individualidade. poderiamos chegar a conclusao 1nquietante de que ambos tern razao. Os que olham a classe ern rnovimento na dimensao hisrorica. Os que observam OS “proletarios concretos. Caso pudéssemos observar esta polémica de fora. e ern cer’tas condicoes assim o fizeram. de modo que o Proletariado e sua Missao seriam algo qualitativamente diverso de um proletario pensando em que fazer para pagar as contas do més.1 s‘ 2 i 3% ix 1% Méii Mm “2’12: If. da livre associacao dos produtores.

mais ou menos homogéneos. :§ “_‘Y‘V 1.. 22. .222 222. Qualquer crianca sabe que uma zirvore nao é um bosque.25. mol— dam seus comportamentos e definem a forma de sua acao.\'. em ultima instancia.46 ]a para outros pensadores.} 2. ”‘6 “A {mica realidade przitica e dialética.22 22.e\'§.? $2.322232222 2. 465). seria um fato inegz’tvel que certas estruturas sociais ganham uma objetividade independente dos seres humanos. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE em dinheiro e agora. isto se apresenta também na leitura fenomenolégica existencialista de Sartre.3. is»: f2 ___< 22. $225. o produto costuma se apresentar tao distante das intencées daqueles que o criaram? Alguns pensadores que fazem do individuo o sujeito da acao social.§v. Como a praxis coletiva é a interacao de diversas subjetividades. Para estes nao existe propriamente um “sujeito coletivo” como as classes. corno produto.35%:q $222\'§.. 22‘ 1:222.2??ai «gift: {’-‘-‘§5' ‘. $222.fi?‘:"-\"5 ‘35::. Q \\\N_ 222. e mesmo o botanico mais desatento nao costuma confundir um bosque com uma arvore.\{-. entao. acreditando que. p. das praticas individuais..22-2323-2s2. De certo modo. 1979 (v.}: 21:22-22.222.":§1-2?V’N3t 23‘ {AR _2.». apenas que a przitica individual pode manifestar—se em maior ou menor medida como przitica de conjuntos. 0 motor de tudo.2% 22222. ._\ 32-: g—Yfig: as :\_.» in x»: .5. 2.. I). :_.22232. inevitavelmente marcada pela intencionalidade dos diversos agentes individuais? Em caso afirmativo.22: 22222 2 222. ‘2" 9“”. ‘2. de individuos. se 6: que existe uma relacao. por que._ _. Mas esta afirmacao niio faz sentido e nao nos auxilia em nada. é a acfio individual” (Sartre.222. entre a praxis individual e as manifestacées coletivas que se produzem em sociedade e que ga— nham autonomia em relacao aos individuos que as criaram. seria ela. bem analisadas as coisas. passam a buscar a inteligibilidade dos processos e da acao social como derivados. é sempre possivel derivar das ma— nifestacées coletivas o substrato original de acoes individuais.22$1. mas qual a relacao. entre a forma individual do ser social como uma pessoa e seu ser coletivo de classe. que de uma forma ou de outra se aproximam da sociologia compreensiva de Weber. entre os quais se incluem alguns marxistas e quase a totalidade dos funcionalistas durkheimianos._ §2t2a222§2221222222.222.222 2.? 2 iafiwik 2. 86 Fifi.222 2-.2.jg?“ '\_ 2552‘s .:2>~'§:-_..2932» 222:3? _v: @. A questao nao é se existe uma diferenca entre o todo e as partes._. PPM-F" i i-‘5" '3‘ ”.222.

Parece evidente. . MAURO LUIS IASI Enquanto os primeiros tém a seu favor o fato de que ninguém nunca encontrou uma instituieiio que nao tenha sido criada por seres humanos.23-2. os segundos podem argumentar que é igualmente muito difi’cil encontrar um ser humano que nao tenha sido previa— mente moldado como tal por uma ou outra instituigao. : 2 22. 22L. mas.i’ .‘ 22-2-2 22. 2 2.:2*. 2% W.2 22 222222 \ 2..2322.. ou “uma porgao de pessoas juntaS”. .. 22 22.-22~*-"-2 ~12 W-.W\W {in 2’22_. que “a mudancga de uma forma de Vida em comum para outra nao foi planejada por ”‘7 Este foi um dos eixos de meu estudo passado. Para Elias. quando nos perguntamos se e’ o conjunto que determina as partes. segundo a posigao do autor. 2-12 . o que inclui Hegel. 2. 22. Sartre e outros.. Assim. assim como sabemos que um termo diz respeito a um conjunto e ourro as unidades deste conjunto. Como ja afirmou Elias (1994).f £4223 2.. aparentemente sabemos mui— to bem o que queremos dizer quando falamos em sociedade e individuos..2:. a coisa néio é tfio simples.2.47 I Vejamos de maneira mais profunda este problema. . 3510 as partes que dao existencia e sentido ao conjunto2 o pensamento humano se enreda numa polemica apamntemeflte insolt’ivel. 22 2 2 2:2 2-.-.“3. ao contrario. -.. . ou.22:2. Asia on Africa) on no tempo (a sociedacle do século XVI e a do século XX) e nos depa— ramos com o fato de que as formas de Vida em comum mudam..2-22.232 . pois devem se perguntar sobre o papel que cada polo tem no sistema geral de contradigées e sempre ter em mente que um aspecto é ao mesmo tempo seu oposto e que em certos momentos uma coisa pode se transformar no seu contrario.. partindo da constatagao elementar de que costumamos definil’ a sociedade como c‘todos nos”. pois estes formam uma unidade dialética.-. -22 222-22..' 2222222222 2.2.» 2w.2. 222.2." 2' 22: W'r . Fifi??? “Ni? $2252.222.} 2.-: in» 2’2 2”"! W't-. Marx.22. 87 :""\. por ocasiz'lo do mestrado..2. 2.2..‘<.:é2 2222223222W22‘.232 2. Para pensadores que fazem de seu método os elementos fun- damentais da dialética.22?»n 5-22..2....‘. observamos que essa forma coletiva assume diferentes feigoes caso a desloquemos no espago (America.2 95) g .22 22 iim. 22WW“: A22: =2. 22 “222.23. :2: :2» 2.22.. 32: {2.2.225..2.22.‘ 2 22-22-22 “=2 2: . a dicotomia mecz’inica individuo—sociedade niio faz muito sentido.. 9. que se encontra publicado no livro jzi citado O dffema dc Hdmiet: a ser (3 a mic ser dd corzsczencm.x :.222.. K? \2.

E. 1979. quando observada no conq‘IIO. das intengées de qualquer pessoa em particular. p. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSF. e. que nfto foi pretendida ou planejada por nenhum de nos. “rm Rive» . s: rg 1%. Engels [1890] parece ter indicado este fenémeno quando afirmou que: A histéria faz—se de tal modo que o resultado final decorre sempre dos conflitos que se estabelecem entre muitas vontades individuais. Norbert. isoladamente. *Mémiitm .48 0 paradoxo que Elias atualiza e’ o centro de nosso tema. segundo a qual o todo 11510 e a simples soma das partes. A sociedade do: indz'w’duos. 88 ewes a» mi 92%. 3&3?e r We mm. ainda que seja exatamente esta a conclusfio de Weber corn seu raciocinio a respeito da disciplina e da burocracia como formas de agiio social49 e a de Sartre.? ”was :M. de um grupo infinito de paralelogramos de forgas que diio ern consequencra uma resultante — o acontecimento histérico — que. 13) que compunham uma sociedade. so continua a funcionar porque muitas pessoas. Na ver- dade. P. 1994. 1996. p0r sua A c 4” ELIAS. nem tampouco por todos n63 juntos? Ela so existe porque existe um grande nfimero de pessoas. aqui se reapresenta uma velha afirmagz’io dos gregos. cada uma das quais é o resultado de uma multidio de condigées de existéncia particulares. 129). querem e fazem certas coisas. sobre o que chamou de “objetivagz’io alienadora de fins realmente perseguidos” (Sartre.13- ’” WEBER. sua estrutura e suas grandes transformaqées histéricas independem. Max. de um conjunto inumerével de forgas que se entreu cruzam.}‘5: s: r. que é partilhada pelos pensadores dialéticos e pelos adeptos da psicologia gesta’ltica. Os defensores do individuo como sujeito da agéo social resistem ao fato de que a agz'io dos individuos. é impossivel constatarmos que qualquer pessoa dos séculos XII ou mesmo XVI tenha conscientemente planejado o desenvolvimento da sociedade industrial dos nossos dias. zsfit we» éimmo M 2:. pois. Rio de Janeiro: Zahar. Enmz'or de sociologia. p. Que tipo de formagio é essa. claramente. Rio de Janeiro: Zahar. produz algo que volta como estranho aos seus produtores. esta ‘sociedade’ que compomos em conjunto. nenhum destes individuos” (Elias.» H ism isgem: 32%. no entanto. 1979 [V 1]. Diz o autor: Pelo menos.

o que encontraria a mais resoluta concordfincia com os pensadores weberianos. como um todo. negar a intencionalidade dOS individuos moldados por um todo externo a eles.. WNW.“. A . ... 3.‘ Para enfrentar o paradoxo.i§.. m. N .§:-. De planos emergindo. 284. e mais.?.§. Pois o que um deseja tropeca com a resisténcia oposta do outro.. com um rodo resultante desta aciio que atuaria como umaforgcz 22mm inconsciente e involuntariamente.. Todo o esforco da sociologia compreensiva e de captar o sentido da acéo social. mas o produto da 3930 do conjunto dos individuos emerge como algo sem finalidade.%f. N.. alizis.. iii {32$ ‘2 Eggs-. .}. Vejamos: Considerados num nivel mais profundo..__.. outros alnda preferem abolir qualquer inteligibilidade e assumir o acaso. tanto individuos quanto a so— ciedade conjuntamente formada por eles sz‘io igualmente desprowdos de 5" ENGELS.7. atua incomcz'erzte e involuntariamente. . v. __N..50 O problema aparentemente implicito nesta Visio é a com— binacio de uma aciio motivada por interesses e orientada por valores. i3 {3*}._ _N. N . outros.miss§§-%§:§§-§... .. Elias dzi um tom todo especial e provocativo a esta ex1stenc1a néio finalista. mas o produto é algo sem finalidade consciente. Friedrich.. Pa— rece que poderiamos encontrar esta relacio de sentido. pode ser encarado como produto de uma forca finica.E€:E ii isfié‘aié ifirfi‘r i @3513..figs 2%.. que. alguns propéem estender a inteligibihdade da acéio individual :10 todo. bem simples de ser explicado.is. p. lé.3. nos termos sartreanos. Carm de Engels a Bloc/J (21/22 de setembro de 1890). via de regra. ou esta inteligibilidade. e o resultado de tudo isto é algo que ninguém desejava.. a inteligz’bilz’dade. MAURO LUIS IASI vez. Todas estas iniciativas indicam uma certa dificuldade em compreendfil‘ estas duas manifestacées opostas: a acéo intencional dos Indiw— duos e a formacio de um todo que se autonomiza destas intencoes... no memento em que atuam os individuos. . 8‘) N. ou. . .N.. i.Wn}: ... aparece como um produto estranho e hostil.3.§ 15.3533} 9 Q7536.Eééi-‘é-azfi. ig’sé N3 . As pessoas atuam em sua cotidianidade e juram que seus atos tern um sentido.Obms “‘0‘ Midas.3‘7.... .3%. mas nz'io planejada.... 4... 3..

elemento essencial para o hiperernpirismo em que estamos envolvidos. p.51 Ha uma grande proximidade entre esta-Visao e a afirmagiio de Sartre a respeito da determinagao da existéncia sobre a esséncia. P.“ sag-its WW“: i §. formam um sistema solar. ii:s this my?“ VFW“ sass. Para 0.3 i iv». Gestalt tempy verbatim (Gestalt tempt}: exp/iatdtt). o raciocinio de Perls nao atribui uma materialidade 5‘ ELIAS. dizia que 0 “N65 nao existe. as agées significantes) e o processo concreto e sem finalidade que constitui a sociedade. um exagero aqui.550 Paulo: Summus.pr0cedimento przitico da pesquisa. 52 PERLS. mas ha. esre “tecido basico”. a socie- - dade como uma sociedade de individuos —— de um modo tfio desprovido de objetivo quanto as estrelas que. analisando um pouco mais profundamente. cons- troem. 3:. MW: stasis-as. é evidente que estes liltirnos 3510 de uma manlfestagao empirica concreta corn muito mais densidade. No entanro. Norbert. entao.. N510 por acaso hzi aqui. 32. 18. 33 iisiatwaiisiiii. asi/iis. AS METAMOIIFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE objetivo.imam. ou sistemas solares que formam a Via Lactea. far: is is. swim. Frederick S. Antes de tudo. Existe um diferente grau de materialidade entre 0 Nos e 0 Eu on 0 Tu.. niio de um sentido do processo em si mesmo. E essa existéncia nz'io finalista dos individuos em sociedade é 0 material. Nenhum dos dois existe sem o outro. levado ao exagero. at.i'xii§:i?<'sis-t?»- :s-. uma coincidéncia com a relagao figura—fundo da Gestalt. Perls (1976). 0 tecido basico em que as pes- soas entremeiam as imagens variziveis de seus objetivos. na verdade. eles simplesmente existem o individuo na companhia dc outros.r. o fundo em que estas significagées séio construidas. estamos falando..9- mm *2.sia§z 13“: ->“\. A sociedade dos indiw’duos. é sempre mais facil encontrar 0 Tu que 0 N63 para entrevistar. um dos expoentes da psicologia gestaltica. liaisiiitiiiis . mas é composto de Eu e Tu. 1976. é uma fronteira sempre movel onde duas pessoas se encontram”?2 Em principio :udo bem. this it. 3. Pois as pessoas estabelecem para si diferentes objetivos de um caso para 0mm: C 11510 hi outros objetivos senao es que elas estabelecem. mas daquele que os seres humanos sobre este fundo. isms-é. =s"~:. As relagées de sentido seriam a figura (nos termos de Sartre.'-=.imi§} i. juntas. Quando nos referimos a inteligibilidade e sentido.4. <~~x 3. também.

¥s’3.‘2 §.fi-ikséfifié i: hair‘s. Como é ainda mais espessa so a fome a come. ainda que nao papavel..a.. 0 set do Capital niio tem existéncia fora das relagées que o compéem.§m-. mas somente o oxigénio e 0 hi— drogénio. P085id5 complems (1940-1965l. portanto das relaoées entre as personificagées do capitalista e do trabalhador assalariado. do que 0 Eu ou 0 Tu — inclusive. 91 3. MAURO LUIS IASI diferente a dimensao do Nés. acabar por subordinafllos.Eééi-‘éai. O poeta pernambucano nos apresenta em seu conhecido poe— ma uma gradagao interessante sobre este assunto do 561' espesso. 0 Capital é espesso. como diria Joz'io Cabral de Melo Nero (1979). may a Mag ia':§:3§}:§:§:l§ swa. p. Como é ainda muito mais espessa 36 I150 a pode comer a form: que a Vé. A molécula Trabalho encontra—se com a molécula Capital 6: produzem 0 set do Capital..31. Como uma magi é muito mais espessa so um homem a come do que 36 um homem a vé.“? @336. Joao Cabral dc. “como todo real é espesso”.si‘fifimiffil as . pode adquirir uma densidade t'ao ou mais material. mas seria um tanto exagerado dizer que 0 Capital r1510 existe. 0 Nos nao é apenas uma “fronteira”. o encontro. Vejamos este fragmento: Espesso como uma magi é espessa. mas a abole.?. como é o caso do nosso estudo.. 317. is: axis 2%. ou que é apenas a fronteira.Rio de Janeiro: 10363 Olympio. Nao é um procedimento pratico aconselhavel pedir a alguém que se afoga para manter a calma e respirar primeiro todas as moléculas do oxigénio.. Seria como se alguém dissesse que niio existe a zigua. Certo.2.$2. considerado abstratamente. 1979..\-.sass-. .}..” 53 MELO NETO. iaiaé 1%.

neste segundo sentido.. r115: 4. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE Parece que as coisas vao ganhando espessura maior.Elias esta cerreto em afirmar este caréter nae finalista da ferma soc1al contra aqueles que querem atribuir. objetivamente sem nenhuma finalidade. .\'. “21‘9“:‘1 3:. Assim.Eeeeee-. A maca é mais espessa se um homem a come do que se ele apenas a observa pelo mesmo metive. do que es seres que a pro— duzem. 5"“ _:EI. que chamamos sociedade.§ {an :t “W 2:113:22 Y: $9M Ag»: if‘fiifi fit’w‘efifi": EEMII Egg-T. é muito mars que um simples pane de fundo em que as pessoas costuram suas relacées de significade. 1979)? 92 finer-9W $“3-:%‘-§“E§‘. Contudo. este produto dos seres humanos. esta existén— cia nae finalista que parece aos seres humanos tile natural quanto a coexrsténcia no espaco das estrelas e planetas. quanto mais se aproximam do humane e da necessidade humana. come vimos. ela ganha ainda mais densidade quando aquele que olha tern £01116 e nae pode comé—la. O conjunto das relacées que formam uma sociedade é tiio eu mais concrete. Marx chega a afirmar que abolindo tais relacées abolir—se—ia a propria sociedade. Esta densidade é de uma natureza diferente. porém.\E_-§p:$_:-\‘A'-@I=_:-<‘\I§n Efiiaeeee"iE-Eeefimiejfi E: eweefie efie E Me ea-seEeEefie efiefi-ete. Evidente que o “sangue de um homem é mais espesso que o sonho de um homem”.3m {EV. Caberia perguntar: por que es seres humanos olham para o seu proprio produto come alge “sem sentido”? Talvez pelo fate do que é hu- mane aparecer come um produto nae humane. mas as relacées per eles criadas ganham seus 03305 e sua came. . Clare que nada mais objetivo e concrete que os seres de carne e 0530.I:_§_E_Q®?_VN. na verdade estender. dlante da crise. de tal forma que.IVT:. Per isso. . . por exemplo. das relacées. inumano.. mas nae menes concrete e objetivo. estranhade. Como é possivel que desempenhe algum papel ativo esta “objetivacao alienante de fins realmente persegui— dos” (Sartre.%e$eaae ei-fie em Ema-ere e-efie.EeEEEeE.Ea Eaeee Zeeeeiefiea-eeeé arse. na imagem poética.93 $35. mas aqui se trata da materialidade palpavel. a inteligibilidade individual ao corpo social. é ainda um produto humane. 0 capital nae hesita em sacrificar 21 came dos homens para salvar 05 05503 do Capital. mais que isto. 2““'_'“E°““:I"§"EE‘ 3::.E fig}. é relativa ao universe nae palpavel.

mas de uma forma muito prépria e invertida. p. Esta dualidade. um produto humano que se apresenta estranhado e incontrolz’ivel. de uma forma ou de outra. we . a agao individual nao desaparece. para Adam Smith é a 11150 invisivel do Mercado. Ela é. 2002. MAURO LUIS 1A5] Entendendo desta maneira. como querem fazer crer os apologistas do supostamente neutro ‘mecanismo de mercado’ — mas é. 140. racionalidade—irracional. umaforma incontro/a’ve! (if corztrole socz'omez‘azlyo'lz'co. Pam além do capital. Como afirma Mészéiros: Antes de tudo. O mesmo serve para a Sociedade. Segundo Hegel: 5“ MESZAROS. o Espirito do Mundo ou o Mercado sao apenas os nomes de uma forga externa em relagao 51 agao humana que a controla e subordina...Ea: EE’E ZEMEEEEEMEEKE are. EdiakEE-E-Em-Eséii} E ewaaéia REE a were ii-staTE-s-Easfl‘a EEEEQE-a» : a' any: xii-{53s Ear: Eat-Es 2E}. ora uma total falta de inteligibilidade. segue sendo a base real da mediagz’io por meio da qual a histéria e a sociedade ganham concretude.54 O que o autor hungaro descreve de maneira bem precisa é a forma como.. Em Hegel é nada menos que o “Espi'rito do Mun- do” em seu caminho para a “Liberdade”. 55 117121. é necessario insistir que 0 capital niio é simplesmente uma ‘entidade material’ — tambe'm nao é (. ao mesmo tempo.) um ‘mecanismo’ racionalmente controlzivel. é perfeitamente coerente com a forma “sociometabélica” que assume nossa sociedade con— temporanea. esta incontrolabilidade acaba virando virtude. lstvan. P. Sfio Paulo: Boitempo. Esta é a sociedade do Capital. no campo da teoria. Assim entendemos porque em Hegel os individuos 3510 a mediagz’io do Espirito: “é por isso que Hegel — no rastro de Adam Smith — teve de caracterizar até mesmo os cindividuos histéricos do mundo’ como simplesfl)?- mmenm: nas maos do ‘Espirito do Mundo’: o unico ser com um relacionamento nao ilusério entre consciencia e agéio”?5 Na verdade. em ziltz'mzz dmflise.. nao é a agao humana que ordena uma certa inteligibilidade.EEEE-Egi. podemos nos livrar da dicotornia que ora afirma um sentido. Na Visao destes autores.96.

. . O contmto social Szio Paulo: Cultrix. 65..+. ao ganhar e produ— zir para seu préprio gozo.3. E‘:= . _ . de algo que se encontra fora dele. sua Vida e sua vontade. seja da liberdade natural. E\. .W F. . . . (a. na base do contratualismo e sua concepciio de “corpo moral” ou da c‘vontade geral”..) Logo. aliena sua soberania. Enquanto ser concreto é sempre mediacéio. 1971. a “Vida e a vontade” de cada Eu—particular. a0 invés da pessoa particular de cada contratante. 4pm! Me'szziros.E mE vr‘EE‘E \ EEEEEEEEEMEEEE as. Este corpo moral e coletivo. e recebemos em conjunto cada membro como parte indivisivel do todo (. 129-130. seu eu comum.. composto de tantos membros quanto a assembleia de vozes. Assim o ser humano ou estei na abstracio do individuo egoista ou na abstracfio do ser coletivo. Jean-Jacques.. E . E.) a busca subjetiva do préprio interesse transforma—se na mediaciio do particular através do universal.\v.E.. como “capital permanente universal”.EE. 57 ROUSSEAU.\. inteiramente gratis.. E. EEF‘E 5 .:.__». e ganha.w. seja da restricéio da liberdade no Estado civil.--=. p. ”WP/151050105} ofrz'g/It. 56 HEGEL. impée como vontade geral.57 Cada um de nos entra com “sua pessoa” e sua “autoridade”. seu “eu comum” que vai determinar sua “Vida e sua vontade”.. e agora ela se apresenta a cada um como 0 capital permanente universal. Aqui o encontramos nas palavras de Rousseau: Cada um de nos péc em comum sua pessoa e toda a sua autoridade sob o supremo comando da vontade geral. esse ato de associacéio produz um corpo moral e coletivo.EE .E . A compulséio que produz este ICSUltadO CSUE enraizada na complexa interdependéncia de cada um em relagéio a todos...E.EEEEgE-EE Ea. como o resultado de que. e’ mais espesso que o sangue..31- _.. P. meio ou ferramenta. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE (.E:. os sonhos e 03 préprios homens.E__ . p. tern uma densidade material considerével.56 A afirmacao de que cada um buscando seus interesses produz o bem geral é um dos axiomas mais elementares da doutrina liberal e se vé.. cada homem esta 60 z'pso produzindo e ganhando para deleite de todos os demais.. também... . . EEE EEEE EEE EEZLI‘E E E. o qual recebe desse mesmo ato sua unidade.s :Ee-u: E EEEEE. esta “complexa interdependéncia de cada um em relacao a todos”... G.WE. E ' “Eur: EfifE EE’E “ab ”EEEE. Mid.. ..yr..9 m .

como na célebre metz’ifora de Hobbes sobre a guerra de todos contra todos..9% ($3..0 Paulo: Brasiliense...'-._.EE‘ . . seja na natureza que previamente apresenta :- aos homens suas “disposigées”. 33.58 Como vemos.. 95 =E-. 85.E-EEE EEEEEE-EZE EEEEEEEEEEE EEEE Em "EEE ”EEEE EEEEEEE E1. a imagem kantiana. uma sociabilidade insociz’ivel: O meio de que a natureza se serve para realizar o desenvolvimento de todas as suas disposigées é 0 antagonismo das mesmas na sociedade. é que a luta de todos contra todos (a insociabilida— de) se expressa em urn todo ordenado (sociabilidade). EE. que ainda assim produziria o todo harmonioso por meio da constatagiio da necessidade da ordem. em luta egoista com todos os outros zitomos.5 “TEE“: EE HEW. EEE EEEEEEEEEEEEEEEEE . na medida ern que se torna ao firm a causa de uma ordem regulada por leis desta socie- dade. ou seja. = - EE-E. . lutam. mas a resultante rnoralmente positiva do conflito entre os individuos. 13.:‘.315 ‘3 \‘. A ideia de uma bistdrz’zz universal de um ponto de vista: cosmopofim.E .E‘E EEEE. o somatério das bondades. Hé uma racionalidade da sociedade estranha aos seres humanos e uma racionalidade humana estranha £1 sociedade. a tendéncia dos mesmos a entrar em sociedade que estzi ligada a uma oposigéio geral que ameaga constantemente dissolver essa sociedade.\\: : '. E EE EE. 1986. Nas famosas palavras de Kant. Entendo aqui por antagonismo a irzsocizfvelsociaéz’lz’dade dos homens. . EEEEEE . . Os seres humanos séio irracionais. querem para si mesmos." EM .‘\\ :>>‘-'..v :.. neste aspecto também hobbesiana. E’EEE EEE EE-E EE:E E. . . EE.< Ex E». De qualquer forma. . mas o resultado é uma sociabilidade pactuada dentro dos limites da ordem.9'3 E‘s-u: Ema-:21 -:°=-=-. . 0 Capital é racional. Ern Adam Smith. : «ACE-E EE EE’E’: EAR 2 ”Y‘. E . N50 (5. MAURO LUIS IASI Cada zitomo individual pode estar. seja no produto social. A “sociedade” quer manter—se.Eas}? v:E “E E :=E. w . o todo adquire uma expres— sz'to diversa daquela que estava na intengz’io dos individuos. . rnas os seres humanos parecem querer constantemente dissolvé—la. O sentidO encontra—se no todo. segundo seu desejo e inte— resse. Immanuel. de modo um tanto mais amenizado e idea— lizado do que em Kant."Y>:3‘\‘§\"f:--$'V?s E“: «its: .E . neste sentido... p. este axioma aparece da seguinte forma: Assirn como todo individuo se esforga o quanto pode para empregar sell capital em apoio 21 indfistria nacional e assim orientar essa indfistria de 5” KANT. Estes disputam.‘-:-\ Em EE f. {.

§. p- 88)- O quc succdc aqui se explica por um mecanismo comum ao fenémeno ideolégico. néio sao cles que controlam o todo.<2:\.. magicamente as acées individuais transformam—se em genéricas.~. Pan: 1216'»: do capital. .a: é‘éflia iflfisfifik *5“ “mt: was arm rigs ‘2 Mambo 1!“: ix: * Essa. o mecanismo pelo qual urn ccrto aspecto particular é apresentado como universal. :r:*?“W. 135. An inquiry into the nature and azure: oftbe wealth ofNations (1863. clc é incontrolévcl.. cada individuo ne— cessariamentc trabalha para tornar o rendimento anual da socicdade tiio grande quanto possivel.. é comum quc promova 0 d3 socicdadc com eficz’icia ainda maior do que quando tenciona rcalmcntc promové—lo..-. elc nao tenciona promover o interessc publico nem sabe o quanto o estzi promovcndo (m) é guiado por uma mio invisivel para promover um objetivo que néio Fazia partc de suas inrencécs. wasilsr‘a {@iJk-iia-afissé isréz. sao levados por uma mao metafisica a “promover um objetivo que nao fazia parte dc suas intcncées”! . p.fi\a§a s‘“‘.. Em geral.}: \s’ww 1%. :f’.-’-‘--'_=. Adam.2. apud Mészaros. a Razao da Histéria.Eééi-‘éafi- s.. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSIS modo a dotar seu produto do maior valor possivcl.?. ou seja. cit. guiadas por uma mao invisivcl mais sabia c eficaz quc a vontade dos individuos.3:“ so: 13. 3‘2 sass? 5"“ . 0 quc aparece como a virtude do corpo moral.. $2. Ao falar do 5” SMITH. p- 199-200).59 Assim. O fantéstico é que os individuos nao tinham a intencao dc alcancar cstc interesse publico tz'io altruista._. cm luta constante entrc si. ocorre uma profunda cisao entre o scr gcnéri co e 0 ser particular. quc parccc adquirir uma racionalidade prépria independente das vontadcs e intencécs das pcssoas responséveis por produzi—la e reproduzi—la cotidianamcntc. 96 aw.}._»=-E..hisifimiffil as .. Realmcnte hzi um abis— m0 entre a acao dos seres humanos.. e o corpo coletivo de sua sociabilidadc. Revcla quc dc fato a estrutura do processo Vital da socicdadc niio esté submetida ao “cont-role consciente e planejado” dc scres humanos livremente associados (Marx [1867]. Todas e cada uma destas visécs ideolégicas guardam uma incrivcl correspondéncia com a rcalidade...--¢'** film-ids} i: has}. 3‘s «rams2%. a harmonia do mercado que sc autorrcgula.§:.\s« ‘2': :‘ E is. Neste sentido.. ao buscar seu préprio interesse.§ _"_ 2:2? 4. nada mais expressa senao quc o produto social nao é regulaivcl pcla acao dos seres humanos..:.

115).. quem escreve em “nuvens: Eu.M-zi:_.“ “s":fi‘fi i’. Que tipo especifico de ser humano “se esforga o quanto pode para empregar 3311 capital”.zz‘i". sua personalidade.iiiisiisisi issi-ssié‘i s ism is“: 2%. Silo P511110: Brasiliense. que suas pequenas ideias. grades e trincheiras contra qualquer contato coletivo. quem seniO aqueles que “algarismam os amanhés”. diSPUta a riqueza e o mercado. if. . 1985. que se fecha num envoltério individual e se arma de muros.i‘siissfi. 0 fundamento. Unicos” (Eufido do: que ndofizlam.=_ fewf-i: ”“3 93% liai“.3 iw'Ifi-lr‘ifiri 7: $9. u h 3! r 97 Eng. cré que sua lingua é a lingua e suas palavras as corretas. seu Estado. p.93-9“ $“3-:i‘-§“E§ \{E 5Q}? .iii i9“”? i‘” ’jiiii’iwfiism :‘. sua filosofia mediocre. :ii‘j " sisssiissss isss:ii::i§iszssi3is viii-siss. age enquanto um individuo morivado pm 86118 interesses d6 alCangar o maior lucro possivel produzindo e ganhando para seu PréPFiO gozo. MAURO LUIS IASI “homem”.-s iii? 4. arredondada e sebosa é a imagem da humanidade. ¥“‘_"_a. iss. (’1 Expressées de Mano de Andrade em seu poema “Ode a0 burgues . sua histéria COHfUHd-Se com as manifestagées mais puras da alma humana. [1843]1993. sua arte pequena. quem senéio 0 “p3? de batatas morais”. salvo na abstraeéo do Estado. Nuvens/ que diziam ‘Eu’. li'lnicos”60 e defende seu ego. d0 “SCI humane”.§-.. I chips. CSfOf‘QafldO-Se para apresenta—lo como expressao universal do género humano. assim como de “sociedade”.’-°éi§ swi.61 quem senao o burgué‘s! A dissolugao da antiga sociedade feudal e dos laqos de depen- déncia mutua que ligavam os seres humanos entre si nas diferent‘es ordens foi sendo decomposta até seus elementos mais simples. iiss} i: his siis-s issss.i:-ss-.§:_':. mas I10 hornem que consistia o seu real no homem egoista” (Marx. O “homem” que almeja ser 0 representante genérico da espécie é prec1samente este ‘30 Referéncia ao poema “Breve histéria da burguesia”. os pensadores e ideélogos da ordem capitalista estao falando de um tipo histérico bern deter— minado. p..1% silvfiggs-gsvg. em concorréncia com outros in— divdOS. de Hans Magnus Enzensberger: “Jogzivamos pelas janelas concertos de solistas. orquideas embrulhadas em celofane. sua conta bancz’iria? Quem senao o “homem—nadegas”. acredita ser uma forga que controla seu destino e se faz a si mesmo.s\'s issiis iiixssi {ii sis-is. 61). homem. $1.is.}.§ Eisiisiississsiiiisss $4 . cré piamente que sua forma pequena. da “humanidade”. “mundo” ou “realidade”. que julga ser de “todos”.

. confundiu—se com o conjunto da sociedade em movrrnento. 7.. >. .-.7 it"s-7 _§E&‘\f‘2_i *-. 7. Esta identidad e prética tinha que ser acompanhada de uma identidade no cam po das ideias 6 da consciéncia social. Eflfi-H.i 44.77..... “7-? ‘.. $7. .7.:‘§: $§7kfivfl§i§§ “ V“ a....63 MAlfx. a representar o seu interesse como sendo o interess e comum a todos os membros da sociedade ou.. exprimindo a coisa no plano das ideias.%-y‘-.-- 77 7.77. Karl.7. A co- munidade politica se degrada em simples meio para que OS direiros desta espécie de ser humano abstrato se perpetuem. Diz Marx: (....73»\fl «mg.*<:'§.....77 E. §Kg§<5a§a7 W.-.ifs-77. 3 MARX. . p. "§ "'i‘. 1993.-. era 0 aristocrata e era a propria natureza que imprimia nas relacées sociais aquele que era detentor da virtude e da palavra. consriruia o ser universal. p. A burgue- 31a.-. . (.. 57. . num determinado momento histérico. - .% 7 a .§:.. $22i¢®§ 7.7. Marzmcritos econémico: efi/oséficos. e que.. quando mais nao seja para aungir seus fins.. a.62 A imagem universal de Homem é sempre uma forma histérica particular que alcanca uma expressao genérica ou.. Lisboa: t.‘.. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE homem egoista.. @3773??? : 377% gifirwfifi W93.. daocapacidade do mando. ixfifi é :N.173. elevou—se a.7.. 77.7.7 r3125: m- 935 gws w .7 . cz't. p.-.7.-. O 98 .7. 77. 3. Karl.etbst g5.) a esfera em que o homem age como ser genérico vem degradada para a esfera onde ele atua como ser parcial. era ele que representavam no teatro e na arte.77. que em urn determinado momento histérico fundiu sua particularidade com o interesse universal da humanidade. .-’.77..... o Grego. . mais precisa— mente.-.' in”? 54‘: .3% sex“.:§77‘7. -.. a representa—los como sendo os unicos razoaveis. Friedrich. ”..is" '7 . diluiu sua prépria emancipacao no movim ento de emancrpacao da humanidade.77.. o burgués. . era sobre ele que filosofavam os sabios. do poder de previsao. $77.. condicao de classe universal..) Cx Edlcoes 70.. o “homem-nz’idegas” andradiano.19 3757. “A questzio judaica [1843]”. . Corn efeito. Para Aristoteles... é o homem como éourgeoz's (membro da sociedade civil) e naio o homem como citoyen (individuo com direitos politicos) que é considerado como o homem verdadeiro e auréntico.--..7 é: ":fi" “um-"7% we??? Mal-$.. a dar aos seus pensamentos a forma da universalidade.. 7.I. 58—59. A ideoiogz'a alemzi. Era em relaciio a ele que faziam sentido as leis e regras da vida politica._ .. {$27.. cada nova classe no poder é obrigada. ENGELS. 7:5. o Homem.. 58)..... os L‘inicos verdadeiramenre validos. e “o citoyen é declarado como servo do homem egoista” (Mi/1.7-‘ ?-. por fim. ..

0 «x g.. "---'--“ . esta cadeira.‘-'. portanto. podemos estar infimeras relaeées: um artesao.“ Mas quais sao estas relagées materiais das quais derivam esta expresséio ideal que constitui o pensamento dominante de nossa época? O termo “relagao” parece ocupar aquele espago de fronteira.$"’?s u: gr. de O fato de meu ato particular de ptodugao ocorrer no interior a relagées caracteristicas da produeiio agricola familiar faz da cadeir apenas um valor de uso.". . OS pensamentos dominantes siio apenas a expressiio ideal das relagées materiais dominantes concebidas sob a forma de ideias e.>'. perante um set humano..«\§\v.__ :3: 339% $53. . ao passo que. Mas a relagéio nao tem este 5mm: de materialidade. um e social. 8&3”? ti ’E‘. ainda que seja 6-1 15:21. a dicotomia entre as agées individuais providas de sentido e as objetivagées COICIiVaS e sociais proibidas de serem dotadas de teleo— logia siio expressées coerentes com a forma histérica das relagées sociais e da profunda individualizagao dos processos sociais que caractemzam nossa época..im' \ . l." ' ' ' ' ' . O que dificulta sua associagao com o vocabulo “material” que o acompanha.. assim como o produto: a cadeira. 5510 as ideias de seu dominio. propriedade de outta pessoa que me contrata e paga um saliirio. derivada da relagao dos seres humanos entre si.. _\V .: .\\'. :1 ex— pressao (135 [61519668 que fazem de uma classe a classe dominante.'. a natureza igualmente. a natureza e a cadeira. ainda que menos palpavel que cadeira. um servo. . Estamos diante de uma objetividad ece ou seja. trabalhador assalariado. 3. $3.. um escravo grego. se minha atividade realiza— —se no interior de uma manufatura.\\.~‘ "-'-- 13.'\.ys_. dizendo de outro modo. a . 56.5. MAURO LUIS IASI Isto significa que a consciénCia social que marca nossa época. a imensa polémica sobre o grau de intencionalidade da agao humana e 0 fatO d8 3 SOCiedade apresentar—se como algo “incontrolavel”. s y’xf‘: “silk mom 2%}: iii liiixiifiaiiiilfi . .\. -. No entanto. iéifiio fimimw gigs if: E 1X§:§ ”Mk-:2". 0 set que agiu 6 material.. p. was View? iaém 3:22...5: \g i “3% . Um ser humano age sobre a natureza e produz uma cadeira. 3-: . Acont a que esta objetividade é material.... 99 ___.‘eW'F: r“ “4. . mantendo os mesmos trés elementos. "§¥- .53"» m“ iléi gas-Em it}: li a: ix £2 at} §§‘ i.

em determinadas condicées. p. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE a mesma e feita com os mesmos procedimentos récnicos.\ q $333.‘\\\\‘s>. s. “3’333‘3‘1333 3. estabelecida entre os home ns..331}..eces s: \. ao invés de as controlare m” (Marx.‘.65 0 fato de encontrarmos uma (‘5 MARX..‘ _«--.w W.. p. 100 _. 2339 s‘éwfi 3*“. assim como a cadeira nao tenha deixado de ser cadeira. --¥>. mas de uma relacao que teria a caracteristica de produzir nos seres humanos envolvidos a estranha cisz’io entre eles como sujeitos e o produto estranhado de sua acao. O trabalhador virou capital variavel.____.. Mas nao estamos falando de qualquer relacz’io. assume a forma de fonre de matérias—primas — em certas condicoes. Apesar de Marx localizar este fetichismo na sua forma mais avancada na sociedade produtora de mercadorias. alterar a natureza dos elementos materiais que estiveram envolvidos em sua constituicao.‘ “YE-f"! rm. idiésixi>§§3s333iw3 . Isto significa que a relacz'io estabelecida entre os seres humanos age como realidade material e pode inclusive. ENGELS. As __‘. E isto nao é privilégio da cadeira. wk M.38493: t" fir. 6.-_s\\. 3." 9“" " ”f3 4. «“35. ao mesmo tempo em que a natureza. as raizes deste estranha— mento encontram—se na prépria divisao social do trabalho. 333 15. aringindo seu ponto méximo sob a ordem do capital. Deve— mos partir da afirmacao marxiana segundo a qual “a consciéncia nunca pode ser mais do que 0 Ser consciente. cit. sem deixar de ser 0 mesmo subStrato fisico que era antes. é agora uma mercadoria. assu‘I‘ne a’forma fantasmagérica de uma relacao entre coisas ”. para usar a famosa expl‘CSSiO d6 Marx: uma relacao social definida.\‘Ig\V E-V-‘g‘: s. 3233. e 0 Ser dos homens é o seu processo da Vida real”.vvyg u: gag... 81).": $3151-S‘"=-"‘-‘=-R\'%- .’. Ni 9. = .534 is”: . saiwxmiifsh . \. em que a propria atividade social possui a forma de uma atividade das corsas sob cujo controle se encontram.. [1867].13. mudou de natureza. Friedrich. elemento constitutiVO do processo de valorizacao e enquanto tal igualmente mercadoria. 25. Karl. ela prépria também transformada em mercadoria. 1N:. mafia 3%3‘ 3.-« y: m.. de forma que os objeros se fetichizam e as relac‘oes humanas se reificam._. ainda que nz'io tenha deixado de ser um ser humano.»... A ideologia alemd. o produtor e a prépria natureza mudaram sua personali— dade.5 iv?»- 3. 3x333.3333% w -.

. edu— cacz'io. . 3Hoasiszzrwsusgrs . . A producao social da Vida é fundamentalmente a producao ma— terial baseada no interciimbio dos sercs humanos com a naturcza c a producfio material dos meios necessarios para este aro social. Marx c Engels (1976) consideram quc esta producao social da existéncia envolve cinco momentos articulados dinamicamente. w _s. abrigar—sc. is: s Maw was . s Ms. ressaltaram que néo se podia reduzir a reproducao apenas £1 reproducz'io fisica. _s ms is. a s ms.. E apenas no momento em que o ser humano passa a produzir meios nao existentes na natureza fisica que completem ou potencializem seu organismo que surge o primeiro ato historico. afirmam que: s Massimo i m a sss w issusissssfisss s. O terceiro aspecto é que os seres humanos renovam sua prépria cxisténcia cnquanto seres fisicos c histérico—sociais mediante as relacées de familia (reproducao fisica. . a partir da forma como o ser humano satisfaz suas necessidadcs. - . Viver. ma?-§1?“<¢“:?-:$_"“*§£n figs «am swig.. no scntido propriamentc humano. instrumentos e procedimentos que usa para tanto. beber. ou seja. relacées dc parentesco. o organismo humano precisa comer. O segundo momento seria urn desdobramento deste. cm uma palavra. Entretanto. padrées psiquicos etc).w. Enquanto parte da natureza fisica. mas ter instrumentos dc trabalho quc permitam plantar.W. Ainda que os autorcs do A ideologia (231677252 nao tenham desenvolvido todos cstes aspcctos presentes nas relacées familiares. s \ . MAURO LUIS IASI consciéncia csrranhada. ou scja._ _s. agora 11510 6 necessario somente ter 0 quc comer. que pode deixar atras de si uma variacfio dc formas cumulativas ou nao pela qual esta existéncia foi garantida. uma cisao entre o 561' humano e um nao reconhecimento das relacoes sociais que constituem a sociedade como um produto humano sobre scu controlc significa que esta inversao corresponde a uma inversz'io real quc se produz c rcproduz na producao da cxisténcia. am 5swam ». hierarquias de sexo e idade. dos meios. e estes instrumentos tornam-se rao necessarios para o organismo histérico quanto os nutrientes 5230 para o fisico. .s. . desen— volvem-se novas necessidades. por cxemplo. an s . A Vida enquanto sobrcvivéncia do organismo ainda nao seria um ato “histérico”. Ash‘s-“s was ss 1.

porém.) nao devemos considerar esse modo dc producz’io deste L’mico ponto de vista. 0 quarto momento que compée esta totalizacao é marcado pelo fato de que todos os trés primeiros momentos (a produgflO dos meios. Karl. ** N11???“ AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE (ILASSE (. Alguém pOdCfia af- gumentar que este nz'io seria propriamente um quarto momento.. produzern-se mediante um “modo de cooperacfio” ou um certo “estado social”. uma forma determinada de manifestar sua Vida.2“ . 110 ato da producao se reproduzem as relacécs capitalistas. 35.. p. 102 . Friedrich. Uma coisa é um ser humano procurando o que comer ou 5“ MARX.67 Esta implicito neste raciocinio que a acao coletiva constitui uma forca autonoma. assim como aquilo que se reproduz no ato da producao niio séo apenas novas mercadorias. jé (111. ENGELS. uma forma determinada dc cooperacéio entre OS seres humanos transforma—se ela prépria em uma “forca produtiva” como “forga conjugada de varios individuos”. (’7 Mid. p. N--NNNN-Ns= ANN-N» -N-. mais que novas pessoas. 19. enquanto meta reproducao da existéncia fisica dos individuos. cit. . .. E fato que a producz'io dos meios 63 em si um ato social 6 pres— supoe as relacées entre os seres sociais..“ Isto quer dizer que aquilo que se reproduz nas relacées familia— res nao sao apenas os individuos biolégicos. Mais quc mercadorias. . da mesma forma que a familia so pode ser compreendida como uma relacao social. o surgimento de novas necessidades c a reproducao biolégico—social dos seres humanos) ocorrcm por mcio de uma relacz'io entre os seres humanos. A ideologia alema‘r.N :N':-~N£ “N ”15‘ --‘e-“:“N Vf‘““ . mas “um modo determinado de Vida”. = .8 perpassaria todos os outros. ou que se toma auténoma em relacéio aos membros particulares que a compéc. um modo de vidzz determinado. . na familia se reproduz o modo de Vida determinado pela sociedade das mercadorias e do capital. jzi constitui um modo determinado dc atividade dc tais individuos. assim como a pI'OdUGQO d3 novas necessidades implica a relacao entre estcs seres. A0 contrario. mas é um pouco mais que isto. isto é.

.:1.. para isto.E1. ..A ”WWW” do penmmem‘o :1 dd [inguagem Sio Paulo: Martins Fontes. 1“: EEEE. é quando isto é realizado por 166 milhoes de pessoas.1 1:12.11 11‘EE-E‘ EEEWE-E} ““11111‘111/ 1:“ s: E.. mas porque se opera uma mudanga qualitativa na qual a forga combinada néio é apenas o somatorio de 166 milhoes de intengées individuais..1. Vet também: VIGOTSKY.11%.69 Ninguém pode negar que a palavra cadeira é sirnbélrca e nela néio podemos nos sentar como no set mesmo que 0 simbolo linguistico representa.111391% 1151... néio apenas pela evidente dimensiio quantitativa. MAURO LUIS IASI como se abrigar. bem distinta.68 Ern um primeiro momento.. que produzem e reproduzem a si mesmos como seres sociais de um determinado modo de Vida. “a minha consciénCia é a minha relagao corn o que me rodeia”. Neste fimbito. EEE 11121111 11‘“‘*11 NEE-11. esta consciéncia so pode ser a cons— ciéncia das relagoes que 0 set consciente tem com as coisas e pessoas situadas fora dele e no espago imediato de sua agéo. nas palavras de Marx e Engels.1-E.1... L. 35 e 36. 63 Mid.1.. E111 1‘1 31-1-1111E:. ao proce- derern dessa forma coletiva.=1. que. E.1.E1:E E E11131.E. alteram a natureza produzindo meios antes néo disponiveis.-E11111 1-1 “111 EE. 1. .. p. Os seres que produzern so- cialmente sua existencia e. Estes seres sociais desenvolvern uma consciéncia social. e outra. transformam—se em urna forga produtiva combinada que é quantitativa e qualitativamente distinta da agfio individual. nio poderia haver estranhamento da consciéncia.1‘:=. mas nao estranhada.111EEE1f1-1.1:El E EEg-EEE. mas é ainda uma representagéo externada do ser representado. 5. O difemzz de Hamlet.EE1E11E. ainda que exista desde o inicio uma exteriorizagéio da consciéncia em objeto externo: a linguagem. 25. Mesmo que esta consciéncia alcance uma dimensao sirnbélica. 6" Ver a respeito as reflexées contidas em: “A consciéncia como questfio filoséfica e soc1olo— gica”. 41—55. O quinto elemento pressupée o desenvolvimento combinado dinamicamente dos quatro primeiros. criando novas necessidades sociais que se somam fiquelas naturais. cit" p.. . No entanto.1: 11:31 --1111 “1 E2.EEE ‘13 1 1. mes— mo enquanto linguagem he‘i ainda uma correspondéncia entrefla representagz’io e o conjunto das relagées de produgéio e reprodugao da Vida real. 2001- 1"‘1 .

O fato d6 08 individuos sociais agirem na forma de uma forca produtiva coletiva 7° Bero — Poemas. que representa dc faro qualquer coisa sem represenrar algo de real.de representar realmente algo sem representar algo de real — que se explica o fenomeno do estranhamento como um todo.22 222232.22. 39). A ideologia alemzi. Anrunes 1999). p.2 -=<'-. ou seja.222 2322 2322-2322222 2. a consciéncia pode supor—se algo mais do que a consciéncia da pratica existente. alnda que seja a base fundamental para compreender fenémenos como a religiz'io. Karl. A divisao social do trabalho implica a poss ibilidade da contradicao entre os inreresses do individuo singular on da familia singular e o inreresse coletivo de todos os individuos que se relacionam entre si” (Marx e Engels. 222. A partir deste momenro. 1982. o que significa que. a divis io social do trabalho opera uma diferenciagao qualitativa na correspondéncia enrre o ser social e sua expressao coletiva no conjunto das relacées que‘constltul.222. 37. Naquilo que nos interessa por ora. p.22. se por meio desta atividade torna—se um ser social._ ' . 1981.2222 22222232222222. 104 «222 w @3125 22222»: 212*222'212 22-2 2222“ 2222:2132:.. 22. . Friedrich. encontramos os elementos que caracterizam a propria £19510 humana. .2232. 7‘ MARX. para o bem ou para 0 mal. SC 113 atividade d0 trabalho o ser humano se hominiza a partir d0 momento em que se torna um homo-fiber." WW2 22‘2“"2-22.2 229-2232222222“2222222222222} i: 2:2-22222232 2232232: 2 22. '2 22:22:22. O trabalho é a protoforma da acao humana (Lukacs.2222 . é também por meio desta arividade que pode produzir seu estranhamento. .22 .-“\ 22‘2““ r» {322.70 Assim descreve Marx e Engels essa relacao entre a divisao social do trabalho e seu efeiro sobre a consciéncia: A divisiio social do trabalho so surge efetivamenre a partir d0 momen to em que se opera uma divisz'io entre o trabalho material e intelectual. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE Somente quando o proprio ser da producfio social da Vida Se fragmenta é que sua consciéncia acompanha a fragmentacao.- 2‘2 522. e este processo esta intimamente ligado £1 divisz'io social do trabalho. Como disse um poera: “quem forja seu desviver é o préprio homem”. i222-222.71 N520 é apenas em razao de a consciéncia ganhar esta autonomia relativa —. 1976. "“2: 22-22-22 ”“2 :‘e-a232‘ 322. ENGELS..2232 222. na arividade do trabalho como ato sin» gular.

lho social total nao deixa de ser um produto humano mente dlsso nao natural. E neste sentido que a Erase deve esta “universalidade iluséria” ser entendida.. a divisiio social do trabalho opera muito mais . Na parte deA este estrato foi retirado. portanto. Marx e Engels acabavam dc falar que. uma parte apresent a seus interesse s particula res como se fossem universais e que a expressfio desta universalidade é o Estado.§222 22:32 2. Com efeito.0 pode sair (. portanto. portanto se verifica uma cisao entre o interesse particular e o interesse comum.22:2: 2. como vimos. E sempre born lembrar que.” Como vemos. cit” p.:2: i§:. Friedrich.alermz da dual O termo natural aqui pode ser mal compreendido. é exata e soc1al.?i“2""}§é2rixlklé2 . i2. 105 “ . Karl. histérica controla. cada individuo tem uma esfera de atividade exclusiva que lhe é imposta e da qual 115. desde que o trabalho comeca a ser repar— tido.2. Isto porque a forca produtiva combinada apres indivrduos como um poder estranho que submete e determina os por como se fosse uma forca “natural”. no interlor da d1v1sao social do trabalho . mas social e historico.. Entretanto. 40-41. que se trata: uma forca humana e. mas sim de forma natural. em vez de ser ele a dominzi-la. Os seres que Vlvem 50b a veem como “natura l”.§. Vejamos esta passagem: (.. a 21950 do homem transforma—se para ele num poder esrranho que se lhe opée e o subjuga.§*2§‘2§2s2.) se r1510 quiser perder os seus meios de subsisténcia.22 .. A ideofogizz afemd. do traba— se colocar de maneira estranhada... ENGELS.) a partir do momento em que os homens vivern na sociedade natural: desde que. esta forca combinada e. apresenta—se aos seres sociais como algo natural que os Ideologia. mas pode c alterar a natureza mesma do trabalho como meio de hominizaca enta-se da espécie.22 "3:22-22M8 :32. de esta “forca produtiva” ser qualitativamente diversa da acao individual abrem a possibilidade de esta “forca” impor aos individuos suas posicées no interior da divisao do trabalho e expressar uma “necessidade” coletiva que pode se chocar com as necessidades das partes que compéern esta coletividade. ou seja. quando a atividade jzi nao é dividida volun— tariamente. 72 MARX.: 2-222 3:21”? \E%:‘. MAURO Lurs IASI marcada por uma certa divisao social do trabalho e a razao.- que uma simples organizacao cooperada da atividade. 22%.

’. ”1111._..-$3“?:gs-I§‘2§.1 1 1._%1\. Todo cstranhamcnto tcm por base uma divisiio social do trabalho. 1113-1. 135:.. r1510 se lhes aprescnta como o seu préprio poder conjugado.1-_. E possivel uma segunda hipotcse em quc a ativid adc do trabalho partilhado pelo grupo constitua um momento colct ivo nao estranhado. 11 1. situado fora deles e do qual nao conhecem nem a origem mom 0 fim a quc se propée.111" £1 wrisiwméfi21“}11111‘21‘11 g11 $131-$315 1 1%. a atividade no grupo nz’io lhc é cstranhada c é visivel — como diz Marx. ou cntre o Império Asteca ou Inca e as coletividades que sc- subordinavam ao seu dominio. . e esta insercao mais ampla deve apresentar—se como poder impos iti— vo.. a forca produriva multiplicada que é devida £1 cooperacao dos diversos individuos. 106 . que niio podem dominar e que de tal forma atravessa uma série particular de estzidios dc desenvolvimento tiio independentes da vontade e da marcha da humanidade que é na verdade ela qucm dirige cssa vontade e cssa marcha da humanidadc.Ef\t:1{=is\'§ $1. 1 f1 $3.. .1111113 1. a “forma direta- 7’ Mid. . »_ _€ 12-11 «17‘. ou scja. como a relacao cntrc os monarcas c as comunidades no Egito antigo.‘. 41. 1 . 1111/1151 & WK 111. no interior da qual aqucle momento primeiro dcve contribuir corn tal atividadc colct iva.3? 11. antes lhes surgindo como um poder esrranho... no qual cada membro particular da divi— sao do trabalho se veja como partc do sujeito colctivo quc cheg ou 1‘1 producéio social total do grupo. p. .11‘1111111 i111 {13:13:1113111 1113111 1112111111111 2113131161 1111.$1.11.1. 11:11 1111’1‘131r11113’11 1:11.1._. mas quc csta atividadc sc insira numa divisao do trabalho mais ampla.11 . mas nem por isto o produtor particular vé o produto do trabalho total como algo quc nao a conscquéncia do trabalho conjugado do qual ale (-3 seu grup o sao os sujcitos.1113 931?.. Nestcs casos. mas nao é suficicnte. 1.:11_1..11111.3:11. mas nem toda divisao social do trabalho é necessariamenre estranhada. pois essa colaboracao niio é voluntaria 6 sim natural.. .111 1111. 1. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE Vejamos um pouco mais precisamcnte estc fcnémeno nas palavras dos autorcs cstudados: O poder social. quer dizer.2 1111-.73 A divisao social do trabalho é condiciio para o processo dc estranhamento. E possivcl supor ' um grupo humano que divida entre si as tarefas que constitucm a totalidade do trabalho social. . a qual é condicionada pela divisz'io do trabalho.-...1 1213113111 11.

. 0 dizimo page a Igreja no feudalismo “é mais palpavel que sua béncao” ou qualquer promessa de redencao eterna (Marx [1867]..-x. .77-7 ..-w.-:-77. :3.7. Como produtores de merc simplesmente como a os seres humanos nao se relacionam mais no trabalho total (igual— conjugacéio do trabalho particular (social) l pelo fato de ter mente social). independentes uns dos outros..77. A totalidade nao se mantém socia paradoxalmente.7 1. do intercfimbio das e produtos Objetos liteis se tornam mercadorias por serem simplesment de trabalhos privados.. neste momento. .7.. mas. 0 set se torna esta totalidade abstrata é que torna os seres sociais.“ 8. pela mediacao. 77 . O salto carz’iter social de seu valor que se expressa no valor diz respeito ao nosso de qualidade na relacao humana. . 7-7-<.. dois saltos: a sociedade produtora de mercadorias e a forma capitalista de produzir mercadorias.7... naquilo que adorias.:. ..§-a:: 1:. coisas. .277777..1.°-*\7 s“..7. e uma coletividade que ja produz com a inten no da troca..§%§‘éaa. __.. O conjunto desses 107 a. p. Ha uma diferenca essencial entre uma comunidade que produz l de seus valores de uso. Para que o estranhamento se complete de modo que o préprio ato do trabalho se fragmente em unidades autonomizadas que se vejam como individuos diante de um poder que nao controlam.. in7 . aW-. tema. coletividades). entre os produtos de seu préprio trabalho” (Marx [1867]. 86). 7 )7. A producao de mercadorias pressupée uma avancada divisao social do trabalho entre produtores “privados” (ainda que estes possam ser. é de grande relevancia. 7 .. social apenas por meio. mesmo que proceda a alguma troca casua cionalidade produtos. seriam necessarios. por base a acao conjugada de seres sociais. Cada produtor coloca seu produto no mercado e por este ato acaba por “ocultar a relacfio social entre os trabalhos individuais dos produtores e o trabalho total. A distincao esta em que o produto do trabalho huma ja em si mesma assume a forma de mercadoria e como tal tem exatamente no uma autonomia essencial em relacao ao seu criador. p._ . . 7' W":._. 81).2 a. . . $55: 7. :..39:3 "Eaiéfiéiiti fiaflfijiéfiiikl‘i .. . ‘f---’-‘ 2 ' £77827: 7 7 7 --"‘--=---'-7 saw-:7 3177:? li3. ao refleti—la como relaciio social existente :‘1 margem deles._.7-7.. de troca..77.g_.7.. MAURO LUIS IASI mente social do trabalho” é a “forma concreta do trabalho”.. e 11510 a generalidade abstrata na qual ela se insere como parte.727... ainda.

-:.*. Somente no capitalismo este fenémeno cind e 0 prépi ato do trabalho.:‘e-méa. nao apenas as relacécs entre os produtos do trabalho assumem caréter de relacao social. O que jzi seria assombroso. 103). p. ou na exploracao Servil no feudalismo europeu. como relacées materiais entre pessoas e relacées sociais entre coisas.74 Podemos observar que a polaridade contraditéria entre 0 set particular e sua expressao genérica nao é um surto ou cisz’io prépria do organismo humano ou de sua psicologia particular.. Cit. Em outras palavras. . as relacées sociais entre seus trabalhos privados aparecem de acordo com o que realmente sfio.~ $. e [1510 como relacées sociais diretas entre individuos e seus trabalhos. para os filtimos. . m was w-w ..>*\.w/ 'gs“ : Mn.-‘-s u! . como diz Marx ([1867]. -e --'. a. Am . mas encontra sua justificativa numa forma de Vida particular que insere esta dualidade no proprio ato de produca'o socia l da existéncia. AS METAMORFOSBS DA CONSCIENCIA DE CLASSE trabalhos particulates forma a totalidade do trabalho social. 0 capital. Na producao de mercadorias. Karl. A base do trabalho especificamente capitalista 7“ MARX.t‘.:. wan» M. Os modos de producao anteriores nao poderiam levar ao paroxismo este processo pelo fato de que se base avam em formas de trabalho ainda diretamente sociais. “Os homens procedem de maneira atomistica no processo de produgéo social”.\-. os trabalhos privados atuam como partes componentes do conjunto do trabalho social. nos termos de Mészaro s (2002). Processando~ —se os contatos sociais entre produtores. como na exploracao de comunidades pelos Incas.9 t.... a a. por meio destes. mm %: as.W » Manama mm. Por isso. W . . so dentro desse intercambio se patenteiam as caracteristicas especificamente sociais de seus trabalhos privados. . P- 82'83- 108 W .. _ sy-s :.» :4 '4 m. apenas através das relacées que se estabelecem entre os produtos do trabalho e..33? ii a:“355‘ 1amam P fivfix‘M My}. “e suas relac ées de pro— ducao assumem uma configuracao material que nao depende de seu controle nem de sua acao consciente indi vidual”. entre os produtores.i'.. mas produzem na atividade funda nte da sociedade como tal aquilo que sob 0 capital assumiria a forma plena da “incontrolabilidade”... por intermédio de seus produtos de trabalho.. .

for.§\\_ :-‘ 5': ’?_ * 9. como a producz'io generalizada dc mercadorias.. na e se depara cotidiana do trabalho. opera—so uma mudanca dc relevancia (mica. - i33'§”9%@?'1$§“5§: it} it} .m s. «a. Entre estes elementos cncontramos a cooperacao.= N g».\ :I. Ocorr n— que. a forca produtiva cooperada esta sob o comando do capital.: ( Q. Néio apenas pelo a- que a quantidadc altcra a qualidade da acao. mas esta acao qualit ular 6 a rivamente diversa sob 0 capital alrera a relacao do scr partic concrctudc espécic no préprio aro do trabalho. segundo Lukacs. porranto.x. do ' (Marx [1867]. . Mas nao é exatamente o que ocorre no fenomeno da cooperacao. Vejamos: 1 09 «We "3-:‘5.. Na cooperacao esta prescnre a caracreristica de que falavamos anteriormente.“ ._\\~x 14:». mas que constituem funcionalmente o ser do capital. diz Marx. tracao dos meios do producao nas maos do proprietario priva c. ja aqui. .W -. portanro. como vimos. 1. 7. 374—375).\'§'°'é\‘ ”.5“. \ ~_. M». sob a forma capitalista.59. ou seja. Em principio.. a genericidad forma de com a particularidadc. Neste caso. 378). . a saber. pode estar em contradicao com a genericida Vejamos por qué. mas elevacao da forca produtiva individual através da cooperacao va” da criacao de uma forca produtiva nova. : . esta cooperacao é produto da conce do. mas 0 controls real da atividade esta corn 0 saber e o procedimento operéirio. -_ m.m. o capitalista apcnas refine o trabalho no mesmo espaco. Mas. segundo a qual a forca social combinada é mais que simplesmcnte a soma das acées individuais. “Nao se trata”. a cooperacao apro que por humana concreta dc sua expressao gcnérica na medida cm a- meio dela “desfaz—se o trabalhador dos limites de sua individualid e de 6 desenvolve a capacidade dc sua espécie” (ibidu p.935 “3".. -e y. a particularidade da al o que.. Inicialmente este comando é formal. .\. a . MAURO Lurs IASI encontra—se em elementos nao propriamente capitalistas.\. p. xima a aciio Em um primeiro momento.. “da .. Lembremos que. \-.\. ': 5 mm. nao faria a menor diferenca se nos defrontassemos com o produto (16 com tra- balhadores produzindo individualmente ou com o produto dcstes mesmos ccrn trabalhadores reunidos. a forca coleti fato. trabalho encontra uma universalidade que é a do capit de humana. 9' "5‘?“ j: "W” i Em?“ .

474 444444. com a aplicac’ao do maquinzirio a0 processo produtivo. ou entre coletividades sociais que formam o trabalho total. 4444444 44: 4444444444 43434. p.. gfiffifil 4‘5?“ Mi?" 5“. o dominio do capital torna-sc uma exigéncia para a execucz‘io do préprio processo de trabalho.”W v: .44. e outra bern distinta é uma divisz’io social do trabalho fundado em unidades.4344. In fag-”3.2‘3‘3 2311:??? N. transformando o ser que trabalha em um instrumento do processo dc producao. V»: 43%: ms.4. sob seu controle.43.. seja de cooperacao ou mesmo de exploracfio. :4 _. guy: 444444444444444444414 4 4:..44._\I .: :44}: 4. da producao a acao humana se fragmenta em partes de produtos. a conexao. . mas para o capitalista e. destacando- -se entrc elas a divisao dc trabalho na sociedade.. 34. enquanto no universo particular ‘.4. Karl. 54W: {4. 4. ver na objetivizacao algo externado. A divisiio do trabalho na sociedade se processa através da compra e da venda dos produtos dos diferentes ramos de trabalho. cit. 76 “E quc é que caracteriza a divisao manufatureira do trabalho? N510 produzir 0 trabalhador parcial nenhuma mercadoria. “I 54““ -)§1§s. Uma coisa é uma divisao de trabalho na sociedade entrc individuos unidos num corpo visivel e coletivo do grupo humano.) de inicio que o comando do capital sobre o trabalho era a consequéncia formal de 0 trabalhador trabalhar [1510 para si.4 44444434444444 1m.4 444344 4:. $9423.4. .76 Enquanto individuo. O trabalho como atividade do ser humano so 0 é por meio do produto. 444. em concorréncia uns contra os outros.5.4444.\::4. 4 44. p.4. K‘s-J3? «$4.“ ?‘\~_I\:-:¢_: 9:. agora. .444 444. que OCOf1'6 entre produtos do trabalho humano. «q: T: Wang._4'. mais ainda. 379. dentro da manufatura. Ele somente se torna social. o proprio produ to e subdmdido em partes fragmentadas. Isto agrava sobremaneira o processo de estranhamento por uma série dc razées. mas nao estranhado.424.4\__E 3: v. como parte do 75 MARX.g 3M 4. 0 capital. uma condicz’io necessaria da producgz'io. .3--_ .. AS METAMORFOSIZS DA CONSCIENCIA DE CLASSE Vimos (.: _I\"_. 444 “4. 6: r1510 apenas a relacao social so pode ser Vista no processo total como. [1867]. 406-407)- 110 _-. apenas se converte em ser social.434 444. o que oblitera sensivelmente a capacidade do ser quc trabalha cm . Com a cooperaciio dc muitos assalariados.. dos trabalhos pa rciais se realiza através da venda de diferentes forcas dc trabalho ao mesmo capitalista que as emprega como forca dc trabalho coletiva” (Marx. portanto. o ser humano é uma manifestac ao atomizada.444. 4.75 Evidente que isso se aprofunda com a manufatura e. . c 11510 0 inverso. Cada trabalhador faz uma parte.44. em que o trabalho particular é também fragmentado em acées particulares. 36 o produto coletivo dos trabalhadores parciais transforma- -se em mercadoria._-°{'°"‘ M" .

_. -: ):\~. Dalmo dc Abreu.. comeca com a coop stria moderna. ma: 2 . na industria moderna. as Este processo do dissociacao do scr social de seu prod em podcr relacées sociais corno totalidadc humana convertida eragfio.336. - Em“ iii-i airs-Em is}: i: a.+. \v -. naqucla lho que resistia que prevalcce o maquinério.\vx: «3. Nada mais dcscritivo da subordinacao do trabalho ao capital.3%? .52 :\\_z‘. o proprio ato do traba cntas unitario.77 uto. 24“ ed.p. por isso mesm reconhecido como pessoa”. 5s. .w.\\-_i. Para 0 velho contratualista. . Sanfiva.ia-séfiis 2:332.? “w {mg ’§\::§/\2 _»= $3.99. e a rcalidade do controle do capital sobre o tra— balho.9: @163 y. :y m s.: €2. sua Vida e sua vontadc”.. Nao é 0 no. citada anteriormente. pcla mediacao do capital._. ou scja. 111 ___. Incrivel coincidéncia entre a afirmacao dc Rousseau.. cada pessoa dove abrir mao dc sua vontadc e interessc particular para submeter—sc a0 “a0 mesmo supremo comando da vontade geral”. s": w . Sob o comando do capital. recebendo “desse ato sua unidade. \. $32 $65.§§‘ H’xfiri.& 5W\)§ any 15w. mas controle hierarquico da forca dc trabalho. é fragmentado em seus clementos componentes pcla inter— vencao do processo cientifico e técnico no processo dc produgao. Dai nao estranhar Estado cao contida nos manuais dc teoria geral do Estado: “N0 o. a.m. mas 0 set so torna social apenas quando recon mos esta defini— pelo Estado como cidadao.2. seu cu comum. quc a subordina e impée a atividade.. estranho sobre os seres humanos. ou seja. 85. o proccdimento humano dc utilizar ferram c meios.0 Paulo: 77 DALLARI. ». osto por como nao é o Estado urn corpo politico por ser comp hccido seres sociais. if: Ex‘kwsEzétéiaQ $11M? ifi’s‘fiéfifiiffild . Moderno todo individuo submetido a 616 é. é‘éifiia \Eifi’wiriéi‘k 293.2003. capital quc é social gracas a combinacao do trabalho huma assim mas o scr humano que é um ser social gracas ao capital.——--— Is gva§ £3"._. o trabalhador é mutilado. a forma de realizar c 05 fins esperados. Elementos d6 Moria gem! do Estado. . hdnuno LUISIAM processo do trabalho comandado pelo capital. a cooperacao nao é apenas potencializacao do trabalho das partcs que a constituem. “redu em fracao de si mesmo”. desenvolvc—sc na manufatura e completa—se na indu zindo—sc a uma Na manufatura.

o que nao altera a natureza do processo descrito. em instrumen- to da maquina. tendo em vista que. e estabelece-se uma economia otima da forea correspondente is condigées de trabalho” (Max Weber. mas. determinado pela estrutura dc seu organism o. neste contexto. . o que Aristoteles so poderia tratar com ironia. 11510 somente nas partes em que 86 dmde a Produgao interna a manufatura. r: m a. “os arquitetos nfio precisariam de operérios. 301-302) - 112 Wmnmw g was an a m :3 . ele préprio. mm: 5: Views i.. p. mesmo sob a forma do trabalho escravo como “instrumento animado” na concepgao de Aristételes (1998. cit. 10—11)- Na indt’lstria modema. 0 set humano sempre foi. a e W2 s: a :wmmt seize: ”’1 «“2»? fins-9.‘%>'--"‘-“=-s\'%- .. neste caso. 0 individuo - e destltuldo de seu ritmo natural.. . ’ as fetrafnentas. seu aparato psxcossocial é adaptado a urn novo ritmo através de uma especializaqao metédica de musculos que funcionam separadamente. mesmo sendo o trabalhador uma espécie de instrumento.2% <€":. o maquinario converte—se numa ferramenta que {move outras ferramentas. ou uma mate’ria dela derivada. fragmenta—se em um conjunto de agées de ferramentas potencializadas pela maquina fazendo com que 0 set humano converta—se.sm. nem os mestres de escravos” (ibial.<2\'=.-\‘Ia\_-V'§. p. o centro do processo. entiio.—4— 2—6-428. ‘3 0 :parato pslcofislc o do homem sc ajusta completamente as exigencias do mu ndo exterior. agora. era um “agente preposto a todos os outros meios” (ibiozl).«\§\‘s>'.\-.\'r.'_:‘.”ii? 4. s finais sfio obtidas com a mecanizaqfio e discip linfl d3 Fabrica.--¥>_. 1979. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE O ato do trabalho sempre foi a combinaez’io da forga de traba— lho em interaeao com a natureza. por urn acaso. mediado por meios técnicos ou ferramentas. ( 7) uAs conseouenela . uma vez que ele move corn sua intencionalidade e saber (mesmo que controlado pela vontade de outro) a ferramenta.i-'. Enquanto o organismo hu’matno limita—se ao uso de alguns instrumentos. relegando 0 set humano a tarefa de Vigiar a maquina e corrigir seus desvios ocasionais..: E" Asa-rm :“1‘ -". das maquinas em suma.maquma permite-lhe operar Véirias]8 seja partindo da forga motriz ain— _ d3 hurnana ou derivada de qualquer outras fonte de energia ou outro inecamsmo. Este ato é cercado de certa dignidade. “uma propriedade instrumental animada”. O que nos importa aqui é que a atividade do trabalho fragmentou—se nfio somente nos tanlos da divisiio social do trabalho. p. Karl.. fié’X‘ w >5v wwyw re". Se.a. p.\\. 10).W --’-‘-.< ox tam mm .79 73 MARX.$'vyg aw“ .-. “cada instrumento pudesse executar pct Si mesmo a vontade on a intencionalidade do agente”. 0 capital. o mecanismo da . a uma ‘fungfio’ individual.

1M 193%. . na representagz'io ideal destas relaeées. “W._ . . m V.. o deles e nao . sendo a finica saida voltarmo-nos para o individualismo metodolégico 210 (Przeworski. (grifos 1105303. . G. que dio realidade atual ao que é substan $510 03 instrumentos vivos daquilo que é..213.‘_._ :“t. Szio Paulo: Ensaio. sim.n _: .2.. {3:33.80 Poderia parecer que esta visao dos individuos como meros instrumentos de um espirito transcendente reforga o argumento de que o hegelianismo mal digerido por Marx faz corn que ele despreze o papel dos individuos reais realmente existentes. . . No entanto._ .1121:1111}.M3.____.W__. :g m __.Opoder d“ ideologia. _. seu desejo ele esteja 3” HEGEL.. . . Todas as agées._. 1.._ ”-2-.o 192». 11.-. MAURO LUIS IASI Assim.1. 1996. considerados como sujeitos. “3..$11323... os Estados. p. . a agfio do espirito do mundo.._ 3:} gay: . 1989). MW Mass.2 .2€s~e_. .1 wee-Mn . J” 2. embora ." $93))”.. culminam com individu cial.3151.A. mu."(Q-$1. Ybep/Jilosopby ofrig/Jt.3. a agfio do individuo continua sendo o substrato ultimo da agiio histérica.. seja . v m. F‘ééfihfi _. nagées e individuos surgem animados por seu principio particular que rem sua interpretagfio e realidade atual em suas constiruigoes e em toda a extenséio de sua condigz‘io.2 €323: figgfifig‘ {if Max».. Vejamos nas palavras de Hegel: No decorrer deste trabalho do espirito do mundo.. em substi‘mcia. p.<_ .. os seres sociais sejarn expostos primeiro como individuos e depois se faga destes individuos mera “ferramenta” de uma von— tade externa. .1:31 fits-.3353. 3‘ Mid. : NM \ m.. consciente. por isso mesmo. e estao por isso diretamente de acordo com aquela a950.2. como transparece na continuidade do argumento hegeliano: os. ...... Embora sua consciéncia seja limitada a estas coisas e eles entos esrejam absorvidos em seus interesses mundanos.? up. m: \-.) 113 5 \we._ .?-.\. mesmo em Hegel. way: «A: gwAmugxw .Wfismi 1). que resiste culto do individuo préprio do esclarecirnento racionalista. A consciéncia do ser. nesre caso.._ 1 111.s: {“3“ “92. a. niio e de estranhar que._. estes individuos sao instrumentos de um patriio chamado “espi'rito universal”. No caso de Hegel. F. p. 1. . 517. .‘52-»? {if}. 515.._9\_ 12:15 E figfi g: .31 .. fiw‘gim 11:15. .g.. ._. . esta... W. flPIIdMESZAROS' 1.a: -:. condenado a ser “orgao inconsciente” de uma vontade que se encontra fora dele.. . m. _ \ -2. 11..121. nem seu objetlvo. inclusive :2: agées bista’rico—mzmdiazk. silo sempre instrum e orgies inconscientes do espirito universal que arua dentro deles. néio pode ultrapassar a particularidade do ser que esta. 217. escondld .15.A .E_.

a representacfio de cadeias e limitacées muiro empiricas 114 wmwmw am as is w? were am % 5233* as i? Him % w MMEEH’M . a superacao de uma forma de consciéncia so pode se ligar a uma agéo pratica. E. Se os momentos da sociabilidade humana acabaram por desenvolver uma contradicao entre si. Consequentemente os ‘fantasmas’ (. entao.para produzir sua existencia acabou por gerar relacoes que se objetrvaram em urn produto estranho que se volta contra eles na forma de um controle sociometabolico incontrolavel. ainda que inverta descaradarnente o papel da acao humana. corresponde a realidade da sociabilidade do capital. de fato. ou seja.. a afirmacéo hegeliana. o “desejo e o objetivo” dos seres que servem d6 mstrumentos a este capital. possfvel a superacao deste estranhamen- to? aeiro.e representacées estao inseparavelmente ligadas a atividade matenal. porque é mais do que conhecido que para Marx esta . as 1de1as. o estado social e a consciéncia) nao entrem em ‘contradieiio reside unicamente na hipétese de acabar de novo com a divisio social do trabalho.eracao mac é um ato de consciéncia. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE Marx caminha em sentido inverso desta concepcao. Neste caso. Como a consciéncia. a0 fazer iStO: demonstra que este “espi'rito” ern que consiste a “substancia” que 86 encontra na mediacao concreta na acao dos individuos é somente uma das objetivacées alienantes que os seres humanos criaram e que volta a eles na forma espectral de “espirito do mundo”. ja que a raiz deste estranhamento estaria numa determinada divisao do trabalho. entao: (. Mas corno seria.. 8510 apenas a expressao mental idealista. a representaciio aparente do indi— VldUO lSOladO. que usa os seres humanos como instrumentos para seus fins de valorizacao do valor sem que rsto seja.) ‘ente superior’. segundo porque. Primeiro porque revela o mecanismo que transforma o ser social na abstracao do individuo atomizado.) a possibilidade de que esses elementos (constitufdos pela forca produtiva.. como afirma Eagleton (1997). Marx nao hesita em propor 8113 superagao.8up. o que explica ao final sua eficiéncia. a acao dos seres human08.. combina a inverséio e falsificacao com um gran de correspondencia com a realidade. Mas toda a ideolo— gia.

iii?!" “iii-iii??? i Ms m3 . niio apenas a religiao ou filosofias.. E por isro. A emancipacao humana. Sociologia USP. p. p. A ideologia alemz-E. superacfto da forma mercadoria e da mediagfio do capital como condiciio 33 MARX. Pelo fato de que o estranha— mento que se prOduz no ambito do trabalho e. 2002- 115 W 335: _.” Em uma passagem rerirada do manuscrito.egs-@349. 9. 38. se estende as relacoes que constituem a sociabilidade na qual OS até os seres humanos produzem e reproduzem sua existéncia volta seres humanos na forma de um poder politico. cujo poder r1510 nte é nern urn pouco mitico ou transcendente. 2002 b). ENGELS. Seria precisamente a contradiciio entre os interesses particulares e o interesse coletivo (agora objetivado de forma estranhada) que faz com que este “interesse coletivo adquira._-'-*s. uma forma independente. implicando. na forma de uma “comunidade ilusoria” na qualidade de Estado.:35? :"I-“M’s s. O estranhamento se estranha.- i 3%whims}: ssia‘wiwi‘s. 43—71. Plural. os autores com— pletariam o raciocinio sustentando que esta “expressao idealista” nao é apenas teérica. 2° sem. mas “existe na consciéncia pratica” como no Estado.83 neste sentido. \ «s so: \'r . Nao é mais.g: rW-sz . MAURO LUIS IASI no interior das quais se movem o modo de produciio da Vida e o modo de troca que este implica. 5?”»‘i"’§“"?“‘ {is . na qualidade de Es— tado. 0 conjunto alienado do produto social total do trabalho social na forma do intercambio dos produtos do trabalho. uma luta politica. 9% s2”. mas ganhou materialidade num “corpo politico” externo e superior aos seres humanos. 33 V61' :1 respeito “O problema da emancipacao humana” (Mauro Iasi. 2”»: .92/ gm. é simultaneamente a emancipacfio do trabalho como mero meio de Vida. que em Marx a luta eco— nomica é.-_“. mas eminenteme pratico: o Estado. is. e nao por outro motivo. por consequénCIa.- sweg \“*-~2j-‘?='. Karl. Sfio Paulo. 's emf-s A “3“ v": \fij-"x. Friedrich. sass amass Rain lime? i‘ssiwsio sofa is: fissisizr’iii‘asrsi st: sins giWsifié . (it. f. como vimos no mistico “corpo moral” rousseauniano. separada dos interesses reais do individuo e do conjunto e tome simultaneamente a aparéncia de uma comunidade iluséria”. sempre. n.s m. Esta aproximacéio implica algo essencial. portanto. neste fimbito.

. Por este motivo. submergida na serialidade.. mas pelo fato de que inverte aquilo que constitui o carater social do ser.3» £1333 hawks.- g3. Esta é a genericidade de uma determmada universalidade. sendo—lhes necesszirio derrubar esse Estado para realizar a sua personalidade. Se a consciéncia se move é porque ha contr adicfio. Iluséria nao no sentldo de falsa.3-3. ‘32335233‘ fiasifimfi é "K33vé3 33.) os proletairios. isto é. p. apresentado como objetividade alienada. 0 set particular transforma-se em ser genérico sern perder sua singularidade. 3. A ideologizz alermi. a “efetividade exterior” —...: 33 3. 3_ 333333 _. 3 . 82-83. também. 3.. em um primeiro ins— tante.. ENGELS.3 3 _3. ao contrario. Karl. na consciéncia dos seres sociais submetidos ao estranhamento drante de um campo pratico—inerte (Sartre) — ou. cit. wfiwk Riki‘s itmfiii‘s Q3533 ii? . em oposicao ao Estado. . CLASSL‘ primeira da sociabilidade humana e..3-3. Nesta emancipaciio. nos termos de Hegel. Esta é uma comunidade iluséria”.. quer dizer. da superacz’io do Estado. devem abolir o trabalho. 33333 33. entre a necessidade da sobrevivén— cia (aqul em um sentido mais amplo que apenas a sobrevivéncia fislca) do ser social e a funcao do organismo humano como parte fragmentada do processo de trabalho do capital na valorizacao do 3“ MARX. se pretendem se afirmar como pessoas. espectral. aquela relativa ao capital. 333. 3. As METAMORFOSES DA CONSCIENCIA or. 116 33 neww 3.. Witt? i3 5&33 whimv‘gfiififi. 3. 0 conjunto das relacées de troca entre os produtos do trabalho (o mercado) ou o corpo politico do Estado no lugar das relacées humanas entre seres humanos na producao de sua eXIStencia. ainda que baseada na materiali— dade das relacées que constiruem 0 ser do capital.. esta emanci- pacéio é a condicao para recuperar sua singularidade enquanto scr social. eles encontram-se em oposicfio direta 2‘1 forma que os individuos da sociedade escolheram até hoje para expressio de conjunro.33. Friedrich.3 3.3 333333333. 3. e a contradicz'io que move a consciencia é aquela que se expres sa3 n'este momento do movimento. Vejamos nas palavras de Marx e Engels: (. que é simultaneamente 3 de toda a sociedade até os nossos dias.333 W. deVCm abolir a sua prépria condicz'io de existéncia anterior.84 O movimento da consciéncia se expressa. 33 3.

Na verdade.‘?-E"‘?‘ EEE. Seria por demais misterioso se esra negagiio desve- lasse o ser genérico de imediato.<§£E:§?:':-i‘:\: Egg.EE’" “V“ WE -EEW-=E. E'EEH ”" 5E". o que néio é senéo a mediacéo przitica e concreta da contra- digiio entre o avanco das forcas produtivas materiais e as relacées sociais de produciio. nesta primeira negacéo. Mas.E22.E‘s-’9. . Isto implica que... e néio poderia ser de outra forma. Quando 0 capital nega o ser social por sua fragmentagz’io até a abstracfio do individuo egoista. 117 :‘EEEE -Er-EW-EE“E=E2EE Em EEE \ 2g iEg‘E. EEEE. A formacz’io do ser social enquanto classe em si 6. neste primeiro processo de negaciio. o que corresponde é fragmentacéo do préprio ato produtivo do trabalho..:‘ m EEEEEE E E3 $V2:..9510 no grupo.. 0 final de um processo que encontra sua materialidade nas negacées particulates no nivel do grupo. Como a superacfio da consciéncia é um ato przitico. prépria do estranhamento serial. de fato. Enquanto individuo. Como vimos.'“?“““.. e sim por uma contingéncia rnuito precisa. o ser social so pode aparecer na forma particularizada do grupo. “'32-'333-‘2 ”3.E:. Negar a fragmentacéio do ser implica recuperar 0 set social. E EE Err: EE E-‘E EE N‘s.:E EEE" "EEEE EEEEE-EE. Ocorre que a emergéncia do ser social corno classe em si abre uma dupla possibilidade: a da integragz’io £1 ordem do capital pelo amoldamento/consentimento. EEIE E E.‘. acaba determinando que a negaciio da negacfio so pode ser a recuperacz’io do ser social subsu— mido ern suas representacées ilusérias do mercado ou do Estado. porém num tipo de acéo que permite ao ser social a primeira negacz’io desta serialidade: a 3. ele é o ser social que unifica na comunidade iluséria o ser que ele prépno fragmentou. isto niio pode ser determinado por nenhuma esséncia ontolégica.. o ser social é a expressiio da fragmentaciio promovida pela diviséio social do trabalho capitalista e pela sociedade das mercadorias. MAURO LUIS IASI valor. mas 0 capital que opera e se reproduz por meio desta fragmentacz’io é ele préprio eminentemente social 6 néo pode deixar de 5640. mas néio na 219510 individual. i?"'. esta con— tradicéio se resolve na acéio. 0 set SOCial que emerge nada mais é que o proprio ser social do capital antes velado pela fragmentacz‘io individual: a classe em si..EEEEEEEEEEE EEEEE EE. EEEEEE EEE-EEEEEEEEEEEEEE.\E WE EEEEZEEE. ou o enfrentamento de classes.E Egg: wE‘E EEEEEEEEE.2:.

pois é a representacao 85 SAES. ainda que precariarnente. Crz’tz'm Marxism. boas intencées ou brutais ingenuidades. na medida em que luta contra a classe que repre— senta a destrutividade e o entrave universal. E. EEK}. O que é o fenémeno social-democrata se nz'io exatamente isto? N510 por acaso todos os mitos. Décio. académicas ou prz‘iticas. Assim como os individuos. E neste momento que a consciéncia pode assumir uma dimenséio verdadeiramente genérica. que imaginam de algum modo uma certa coexisténcia nz'io conflituosa entre capital e ttabalho. supée de alguma forma esta barganha. As METAMORFOSES DA cowscrtm on cmssu Assim como o individuo submete—se £15 relacées de exploraciio do capital somente na medida em que esta exploraciio garanta. “Cidadania e capitalismo: uma critica :‘1 concepcfio liberal de cidadania”. Sfio Paulo. seja pela insercfio na sociedade de consumo.. p. Esta impossibilidade pressupée a contradicéio plena— rnente desenvolvida entre a forma das relacées sociais e o avanco das forcas produtivas. EEE EEE EEEE E‘E $2. 9—38. uma classe particular pode representar o interesse universal da humanidade. de maneira que a perpetuacao destas relacées passa a ameacar a producéio social da Vida e a impor urn cardter destrutivo Es forcas produtivas (Mészziros. as classes se movem quandO enfrentam no campo social uma impossibilidade (Sartre. as classes encontrarn seu equilibrio instz’ivel no consentimento tiio so desde que as classes trabalhadoras possam arrancar do capital 03 meios necessérios a uma existéncia urn pouco mais digna Sob o regime de exploracéio capitalista. n. 118 EMEE EEEE. corn pro- messas de “distribuicfio de renda” dos atuais socialistas utépicos ou capitalistas realistas.E:-E.E EEE E‘2‘E1 E-=. 16. 2003. constituindo—se em classe para si.E -“::E «W ‘E‘EEE‘E EEEEEEEE‘EEEE’EEEEE $4 . 1979) peremptéria.‘-'-E= EE E EE ‘-"‘EEEEEE '9 "'?v E1" WEE EEEEZE-EE- E-EEEEEEE E" Ew“’EE EWEEE EE-EEE EEE-EEEEEE-EE E“: EEEZEE- “‘ EEEE E :‘e-«EEEEE.EEEE-EEE- E E. e estes como patamar para chegar aos direitos sociais.85 ou por meio de “pactos sociais” pelo crescimento econémico. seja na viséo de Marshall sobre a evoluce’io linear da cidadania por meio das conquistas de direitos civis como condicz'io para alcancar direitos politicos. 2002). sua existéncia subordinada. Nestas condi— goes.

43). ora mol- dado pela subordinacao ao capital como peca fragmentada de seu metabolismo. Mas. 6 natural que sua consciéncia também esteja. é movimento. Por fim. Neste sentido. p. mas se define pelo momento concreto de sua acao. iii iiiiiiiiiaiiiiiai . Isto implica que a negacao da frag— mentacao do individuo pela emergéncia do ser social da classe em si pode. o ser genérico acha-se fragmentado por suas “comunidades ilusérias”. p. querer atribuir 2mm consciéncia ao ser da classe trabalhadora é um absurdo impraticzivel. 56 a “COHSCiénCia nunca pode ser mais que 0 Ser consciente”.. O ser da classe. Da mesma forma que o ser social encontra—se velado pela fragmentacao do trabalho. MAURO Lurs IASI do ser genérico como “individuos diretamente ligados a histéria universal” (Marx e Engels. também é movimento. ora como ser social integrado a esta mesma ordem. ora como possibilidade do ser social genérico universal. sua ma— nifestacao particular ou genérica depende do carater particular on genérico deste ser. Este caraiter. nz’io dependendo de nenhuma forma estabelecida ou esséncia pré— Via. por sua vez. iiw‘iiiwii i% SM % iiiiii‘ii‘i‘e ibis. ern certas condicées — na confrontacao do capital como totalidade —. immisi iiii i iwii. enquanto c‘hornens empiricamente universais que Vivern de fato a historia mundial em vez de serem individuos vivendo numa esfera exclusivamente local” (ibid. fazer emergir o ser social genérico: a classe para si. 42). pois. continua sendo uma forca social. como niio ha linearidade neste movimento nern uma esséncia primeira a ser reencontrada ao final. empirica e prz’itica enquanto existéncia mundial. ii M ”iii‘ “is? i222. 0 capital total 56 pode encontrar sua forma especifica. como alias todo ser. ainda fragmentado 0 capital. a consciéncia so pode encontrar suas mediacées n0 movimento dialético das formas particulates e genéricas. For tudo isto. os Estados Nacionais. 1976. Se 0 ser estz’i em movimento. pois seria supor que o ser da classe trabalhadora é unico. dai os equivocos dc considera-la em si mesma revolucionaria on em si mesma reformista. e neste movimen to tran— sita por formas particulares e através destas até formas univer sais. 0 mecanismo 11‘) gum: aiiiiiisfi i.

\ m . pois. - W“ . ou seja. mesmo diante de um novo campo pratico—inerte aberto pela praxis livre dos seres humanos. ao contrario. s a. Ocorre que isto nio elimina o movimento. 120 as. de manutengéio das relagées estranhadas.. é o que o faz permanente. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE de externagao (Entdussemng) e objetivaofio (Wrgegemtz’z‘ndigung). reatuahzando o movimento. as impossibilidades so reapresentam e a agao se torna possfvel em um novo ciclo dialético q.“5§ 1. entendendo _ os patamares em que esta totalizagz’io se totaliza em barreiras que -ransforompam a livre praxis humana em novo amoldamento e as commflIQOCS que impedem que estas barreiras sejam definitivas.a .“ w N. no sentido de possibilidade dc emancipagao e supe— ragéo do estranhamento. diante de um novo campo prético-inerte fechado. f). pode produzir um novo estranhamento (Emfremdzmg). Este tern SldO o dilema de todas as transigées socialistas tal como tratou Mészziros (2002). E o que estudaremos a seguir.ue abre a possibilidade tanto do it além como do recuo. -§1-9”‘$“§2-:£‘-. -. Isto significa que existe nao apenas a possibilidade progressiva. = a i s. contra uma possibilidade regressiva. que no caminho da emancipagao encontremos momentos de recuo e possibilidade de novas “objctivaoées alienantes”. .3 is)?“ wousmfiufiga ‘1 3.t as W. desafio teérico de compreender as mediagées particulates e generlcas da consciéncia de classe é nao absolutizar cada um destes momentos abstraindo o movimento de totalizagfio. mas ha uma possibilidade de regressividade dentro da progressividade. so a .

para mim. 3 DA SOCIEDADE AO SER SOCIAL COMO INDIVlDUO Eu. E= a .is}? H‘sfig‘: E : . Edenise Santana86 dd A definiya’io do princzpio dd realidade coma exigérzcz‘zz sociedzm’e permanecefbrmal 56 71520 acrescmmrmos concremmmte que 0 princzjaio dd reafz‘dade. 6’ 0 princzlvio dd sociedade capitalism.. V.. m. condicionado por um determinado estzigio de desenvolvimento das forgas produtivas. Ms. . t. 3“ ed.\\ e 3. Martins Fontes. M. p. ‘5‘ 5 EM».=~'-.. 86 Militante do PT da Bahia e do Movimento Negro Unificado. 4) a reproduqfio.\«\. . 33—36) — ou seja: 1) a produ instru— da existéncia na interagao com a natureza 6 na produgz’io de como mentos. . p. torna fisica tfio essenciais come as primeiras. -._\. 1. por uma certa forma de cooperagiio e das relagées sociais historicamente dadas.«s g Mfg: m- . 2%". s- é’hi. 2) a constituigfio destas atividades e seus produtos ndo-as novas necessidades que se somam £13 naturais e fisicas..x $15.Sal : . in??.vs- z: Mfixs if“.9\ .§. \W.. E? May‘s .9.». tanto natural quanto social. QMMEMS‘M‘Q J” is: iii -_ WEE _ . 3) a reprodugéio da Vida meio dos seres humanos e a reprodugz’io das relagées sociais por da familia. ammm: -\ 3-? a v. nascerfoz' muz’to impormnte. Lisboa: Presenga. 1977. "am ‘ \-\'. 505 afiarmcz qua reveste para 220’: at'ualmente. _. . de um determinado modo de Vida.-. . 47. w. 37 Materialismo dialético epsicmm’lz'se... Reich” hiSr Apesar de a ordem de constituigéio do conceito da praxis térica da humanidade seguir os cinco momentos descritos por gfio social Marx e Engels (1976..

o primeiro capitulo desta histéria so pode ser seu nascimento e suas primeiras relacées de socializacao. Esta analise mecz’inica caracteriza—se por urn raciocinio centrado fundamentalmente na repeticao. Poderiamos dizer que. Primeiro. normas de conduta e Visées de mundo. é evidente que a producfio material da existéncia ante— cede. e isto se dzi nas diferentes formas de familia. Exrstem Varios pontos cegos nesta aproximacao. MERE EEE’E E E’EEE EEMEEEE‘E E‘a E EEEEEEE‘EEE‘EE EEE‘E EE‘ EH EEEE EEEEEEE E:: EEE 123 EEEEEE‘EEEES . na teia das relacées coridianas. um grande mimero tie . Quando se trata da espécie. desta forma. A maioria dos marxistas costuma fazer uma ligacao direta e mecfinica. para os seres humanos concretos. E: repassando estes valores para seus filhos por meio da vivéncia . tornando—os mais amplamente difundidos. na Vida cultural. o papel dos chamados “meios de cornunicagao” e da atividade educacional como osoprmcipais fatores de manutencao ou de transformaciio da copscrencia dos individuos. entrc o carater capita— lista da sociedade. a 122 EEEEEVEE‘NEEEEEEEC‘E E. finalmente. na drfusao religiosa. os capitalistas controlariam os meios de producao e a divulgacao de ideias e juizos sobre a socieda— de. por— que reduz o fenomeno da reproduciio ideologica ao ato da repeticao e comunicacao das ideias ja formadas e articuladas num conjunto de valores. pelo fato de que o papel da familia fica diluido como se tratasse dc apenas mais urn espaco de repeticao destes valores. ressaltado somente o privilégio de ser 0 primeiro. a ordem nao pode ser esta.mljlitantes acredita que se trata dc “trocar” um ccconjunto d6 idelas Hpor outro e adere com entusiasmo a missfio redentora da educapao. nos meios de comunicacao. mas. desta maneira. evidentemente com a finalidade de “conscientizacao” e 03 mars nobres objetivos de transformacéo social. Nao é por acaso que se exagera.na famrlia. depois. Desta maneira. o desenvolvimento e reproducao de uma certa consciéncia social — para os seres humanos que se inserem em uma determinada sociedade. as ideias dominantes e sua reproducfio por meio da familia. Uma vez que as relacées determinantes 5210 de tipo capitalista. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE 5) e. possibilitando que os adultos os encontrem nas escolas. portanto muito pouco dialética.

alem cao e dominacao geral de produzir mais-valia.3 3113’: ‘.Y§¥E§\\§_\z _v: Hrs: M‘s-14.t. M. p. ou seja. \_ = w ”I 0 I)“ ‘ 5 WW. v. no entanto. Friedrich. :5“ MM-M‘ = \-=\'-MM-EMMMMM : :'.Mfs MMMMM M %%. uma posiciio domin ao e a pensantes.89 role dos meios Reparem que o argumento central é que o cont o poder dc de producz’io e distribuicao das ideias dz’i a uma classe inantes. Karl. cste e transforma-se em capital fixo: “A produca o. . também produz um sistema de explora das propried ades naturais e humana s tendo como suporte a ciéncia.9% . na medida coisas uma consciéncia. . ‘ . 1. de uma parte.I“ MM A 3%. a fabrlc em resume.. \ .it. ela realiza a colocan- apropriaqio através da ciéncia.. de uma determin ida. Enfim. . 1991. Esta aproximacfio. quando jzi é comandada pelo capital.. as was as ideias dominantes de sua época.~:\\~. MAURO LUIS IASI analise fica resrrita a “circulacao” e deixa de compreender o processo mesmo de “producao”88 das concepgées de mundo..\'.: '. portanto. M.r\\\-. -' "'{M"Q5“ ME W ' MM M? s a. 3" MARX. a dinamica e 1321 este processo ganha materialidade na reproducao ideologica ada Vlsao aceitacao. de seu desenvolvimento histérico. termo designa.. Ou seja. e. MM-MM m %. Isso implic do” (Lefebreve. Ele designa também a producao do ‘ser a a producao das relayoes 50mm. MM %\ ' ‘9 ””3 WV: . 515 ohms da juvent capital). de mesmo.MM M MEM $3M?“ EM-MM. 33 “Num retorno as fontes.t . MMMMM 1:54:3.‘3. notadamente para a ativid pela qual de conhecimento sistematizado ou cientifico.’*-' :. que tenham.9??? 4. . saber cientifico é subordinado a0 capital 9” Hirano nos mosrm como. na visio de Marx. a produgao rnaterlal._ «A. . 56.\ mag: § . que regulamentem a produg ideias sfio. distribuicao dos pensamentos da sua época. o termo envolve reprodug cit. é légico que esses individuos domin ante como seres sentidos. ENGELS. ou saber cientifico.90 ude de Marx (sem. W a V. :1 criacao acao outta parte.ZM% MM-MM %MLZ% % MMMM MM. 1‘ ' .§ wax 9. no decorrer humano’ pct 31 de coisas. 123 .\§-_ . nao da violénCia e do poder pessoal. 37)- tomada em toda a sua amplitude.M‘ V“ ’sM}-'. pelo conjunto da sociedade. A “producéo de mundo fica absolutamente velada e obscurec o” das ideias sistematl— da ideologia estaria vinculada a “produca e 210 controle dos zadas como conhecimento.‘\‘ . como produtores de ideias. entre outras.32 .MME%§2M‘i?K%M . Ainda converter suas ideias particulates em ideias dom ade de producao que isro seja verdade.» M. a producfio ‘espiritual’. de certa forma.“"-‘=. p.\. A producao de obras (inclui ndo o tempo 6 o'espaco socrars). . :\ __-.. e é em consequéncia disto que pensam época histérica em em que dominam enquanto classe e determinam uma em em todos os toda a sua extensao.1% W)? Ma? '-. =~=='-. esta presente em Marx e Engels quando afirmam que: entre outras Os individuos que constituem a classe dominante possuem . 0 termo produ cao readq uire um sentido'amplo e Vlgorosg deixar de lado 0 nzio se reduz a fabricacao de produtoso Sentido esse que se desdobra. 9: .': K. A ideologia alemd.

1977.91 jfieoésjlgreggll-iefigficzsjj:r 5“V190 11% espéoie dc capital fixo. ’ ' ' ’ ' 91 GRAMSCI’ Antonio.392. agora aplicado a transformagao. os pais encontrariam mais amplamente divulgado urn conjunto de valores e ideias que explicariam a realidade e um certo funcionamento social 6. 12. . ao Cipltfill’ O que 11510 ocorre com o cscravo. Parece um movimento que ocorreria totalmente num {imbi— to consciente. Scdl. passariam aos seus filhos e tudo isto seria reforgado pela repetige’io insistente dos mesmos valores na escola 6 nos meios de comunicagz’io. g 0 da ma q aria (HIRANO. Torino: Einaudi Editore. . estaria presente também em Gramsci. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE meios de circulagéio destas ideias. enquanto uma moda- da societiezlzaé21(t‘:iénfiafixggifririfazipggfinfa. Polltrca e economia como formas dc o empre dommagfio: o trabalho intelectual cm Marx”.. perante . diforcntemente do e'scravo. ou seja.. ’fi P meflnte. apesar do out: no comunista italiano o fenémeno de formagz'io d0 861150 :23.' a re p tlgao 6 ' ' e’ o melo dldatO mals eficaz para atuar sobfe o o t a o 0 ' mentalrdade popular. l‘im esséncia. p POtenc‘i‘a crontlfica (sczmtgfl‘power) mediante . nov.. como “consumidores”..:1:izgzrzuido por Inediagées one enriquecem dialeticamente “ . sem instrumentos criticos adequados.6 Given? 6 e Inaterralmente frladora )' uin . 1. 719mm Social RCV Soc USP 550 Paulo 13(2). :0 "a‘ia (Inga. este argumento. 2001). p. e nao socralrnente. a maioria da sociedade entraria em contato corn estas ideias na esfera da “circulagao”. qur tambem vemos Igualmente a énfase no aspecto a repetrgiio”. transitando do aparelho ideolégico familiar para o cscolar. como ‘sabcr acurnulaolo E 0 capital somcnte pode se apro riar dacra (1:16 5. e nao a manutenqao da sociedade. .0 (gapita’l. . Al— thusser (1996) ira levar ao méximo este raciocinio ao dizer que a escola “martela” uma enorme quantidade dc saberes “embru- lhados ideologicamente” num momento em que a crianga estaria fragrlmente “vulneravel”. Assim. 124 waawrémw i m a 2 w mm am rmsm ”a a a s 2H s: as imsmm . Dizia Gramsci (19 77): (. Quaderm' 46’! m’rcere: edizione critica dell’Instituto Gramsci a cum di Valentino Gerratana. 1—20. p. p.) nunca cansar—se dc repetir os préprios argumentos (variando a forma- literéiria). aceitariam como seus estes Valores. ou seja.. Essa aproprlagio do conhec1mcnto filial.

xg‘w we._. “minha antes consciéncia sfio minhas relacées”. . {k gamma i may. “COHS' ciéncia real. converte-se em sua expressao ideal na consciéncia dos seres sociais? a Quando Marx e Engels afirmam que em um primeiro momento consciéncia é a linguagem (Marx e Engels. isto é.. como acredita o pensamento durkheimiano. “relacao”.i‘. . 1986. No entanto._. um modo de Vida determinado historicamente. outra. p.. e com ela uma certa visao de mundo tornada hegemo- nica. . i: M same E“ H‘s iiirw‘eiéfiifrlfi . se interiorizam como Visao de mundo dos seres sociais que a compéem em cada época histérica. MAURO LUIS IASI O que desaparece nesta aproximacao sao exatamente as me— diacées. . g. Mmgwkm . . tampouco sfio interiorizados pela simples “coercao”.. 1’35 H ‘31:??? 151%... A consciéncia é. 1976. pressu relacées anteriores no seio das quais estes codigos foram desenvol— vidos e partilhados. . \. niio podemos supor que os seres sociais olhem para a complexidade das relacées que constituem ”2 Nao é uma mera coincidéncia que também Durkheim data um peso consideravel a arivi- dade educacional. iéw‘isiwk mafia Eisxi‘mii‘a {3. A pista funda- é mental que nos é dada pela aproximacao marxiana.92 A questz’io central continua esta: como certa ordem de relacées sociais objetivas. “A pressfio de todos os instantes que sofre a crianca é a prépria pressao do meio social tendendo a molda-la 21 sua imagem.336.. esquecem que ai ja se encontra urn complexo processo de mediacées que converteu uma certa objetividade em representacao simbélica (Vigotsky. ._ \. pratica”. os momentos pelos quais uma determinada forma social estabelecida.:_. . pressao de que tanto os pais quanto os mesrres nfio sfio senio representantes e intermediaries” (Durkheim. Aquilo que era de uma objetividade rorna—se uma representacao mediante o uso pée simbolos e convencées linguisticas.. . ou ainda. seja na forma sistematizada dos processos educacionais. obviamente._ .m._ E m. fili were? a‘ . as ideias domin em nada mais sao que as relacoes sociais dominantes convertidas rre ideias.. . que segue acriticamente um certo marxismo positivisado. fig“. 2001). A interiorizac’ao destes valores nfio ocorre pela simples “comunicacao” racional.1. 1976. seja por meio da mera socializacz’io da linguagem. a nosso ver. V 1. Mas corno um conjunro de relacées se conve em ideias? Eu olho uma cadeira e digo: cadeira. p. . Muito bem. antes de mais nada. O que. . 5).\_:_. 36).

entretantoa urn soviético que pode nos dar o melhor exemplo sobre a limitacao desta aproximacao e apontar o caminho correto para supera—la. )u . fundamentalmente a sovie’tica.3 \r_ 5-: 5.)3: via? \Ifié’w‘)‘ gag-4 in“. VigOESkY ([1929]. Na ansia de buscar uma base materialista para o processo de consciéncia.3 “1'. gal): a. $1. mas construgées. 95 Mid. e dai' a centralidade das relacées de familia. que tomou o lugar da interaca’io das pessoas.993». relacao social que é inte— riorizada nos leva a urn grau de complexidade um pouco maior que inevitavelmente nos conduz a diniimica de formacao do psiquismo. M: a. 4) o principio bdsico do trabalho das funcées psiquicas superiores (da person alidade) é social do tipo interaciio das funcées. chegando a: teoria do “reflexo psiquico”. uma certa tradicao marxista. 2000).E-EE :EELEE EEEE EEEZE-E. (grifos nossos. Pavlov). a». Lev S. reduziu este processo aos seus aspectos fisicos e neuro— légicos. 2) deve explica—Ias nz’io com ligacées internas organicas (regulacao). 4. transferidas para dentro e que se tornaram funcées da personalidade e formas da sua estrutura”. o processo de 95 A formacao destes processes e determlnada pelo aparecimento de uma funcao de sinal. distanciando—se da visao organicista.\\\'-_¢_.95 ' Uma das consequéncias desse modo de ver 0 fenomeno psi— qurco é que. ano 21. . 71. através de - CStl'mUIOS. u: "' r u Assim nasce aaptidfio dos organismos para reHetir as acées da realidade circundante nas suas llgacoes e relacées objetivas: é o reflexo psiquico” (Leonriev. pas— sando aurornaricamente a pensar e estrururar sua visao de mundo por meio das palavras e valores—chave do pensamenro liberal. mas de fora daquilo a que a pessoa dirige a arividade do cérebro de fora..3 fey. ViGZLS(fSKY. 0. dirzi que “a natureza psicolégica da pessoa é o conjunto das relacées sociais.94 concluindo que: 1) é ridiculo procurar centros especiais para as funcées psicolégicas su— periores ou funcées supremas do cortex (partes frontais. $3 ?"':’f!§‘ :\\:».9x :. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE nosso atual patamar de sociabilidade e digam: “capitalismo”.. p. A pista de que a consciéncia é.. parafraseando Marx.». . 3) alas mfo sd’o estrumms naturaz's.3-3-1? :3»: \.: _:‘~'\ {9. . 9:3 3V? ". “Manuscrito de 1929”. Educapzfo e Sociedade..) 126 ‘ 0.9 ES“?- . 27. [1959]: 21)- 9. . antes. n.E E: E: Emo HE EE Em: ”E EEE.93 E..E EEEE E: EEEEE E: EE EEEEEEEEEEEE : LEE. If”)? 92 7: w. -:I }:\V.

consequéncia é uma profunda reorientacfio do préprio método dc peq}83 pslcologica de pesasa.condicée s artificiai s. .97 por mais que insistam no aspecto “social” do pensamento e da consciéncia. Série 14.93. torna—sc mais complex a. A.\ {11.v -. 127 m3. depois conscitui—se como Funcéo psicolégic personalidade” (Vigotsky. deduzimos as funcécs sociais. nosolltrnltes por meio de uma “profunda rejeicfio do paradigma experimental com ajuda de forma especial da atnndadc do qual o psicélogo em esséncia tenta criar.9: @153 ‘E'.. MAURO LUIS IASI construcfio psiquica inverte a determinacfio do individual para 0 social?6 A armadilha da Viséo organicista—ncurolégica do processo dc consciéncia é quc acaba deduzindo a conduta social pela forma de atividade e pensamento dos individuos.'-~\‘:. -:I w\\-_i. das formas de Vida coletiva.. $1.§-Q'. Aléxis.E:-:E:EE EEE EEEE-EE. 28-29. UEnfl oufra Universidade ([6 Moscow.... . freia—se.). p. mas para a individu funcées zaczio das funcées sociais (transformacéio das relacécs sociais em nto infantil psicolégicas. 2000. embrionéria — enriqueceuse. que cste nfio naturaliza a consciéncia humana como algo humano é como a Visiio de W. O préprio Leonticv insiste que o que é iéncia é caracteristico de uma Visfio marxista do processo dc consc imutzivel. n. desenvo lvc-se. o ‘experimento’ —.) 192? (Bo/6’13”” 62'“ ”6 Segundo podemos ver na nota 25 do editor russo dos manuscritos de Puzircl).( ‘2' ‘9. ou 97 “Antes era pressuposto: a Funcfio existe no individuo em forma pronta.EE‘ E EEEEEEE . Wundt. estes determinados por amadurecimentos lineares c fisiolégicos. semipron no coletivo ela exercita— se.95% 'fié’w‘E‘Efi’“ 15w. O ali- desenvolvimento segue niio para a socializaciio..E:: E:.Eii LE E'EEEEEEEEEEEEEEE . 95. transforma—sc (. p. eleva—se. 9" Apud LEONTIEV.3 we {mg ’§:}\2 _E: $3 995*" :\_.m 5 gm: .2“ . cit.. As conclusées de Vigotsky levam—no a um caminho distinto: (. a consciéncia humana. «9-. 29)- 98 Mid. No lugar deste paradig ma seriam proposto s metodos T313 ade— do prescrito quados h natureza especifica de um objeto definido como “histériCO'Cllltural - ta. engenharia. 1. Nés perguntamos: como o coleti naquela crianca as funcées superiores?93 Ocorre que apontar para a determinacfio social podc niio resolver todo 0 problema. 1986 —— A. oprime—se etc. Psicologia. Toda psicologia do coletivo no desenvolvime aqucla crianca se esté sob nova luz: geralmente perguntam como csta ou vo cria nesta ou comporta no coletivo.EEEEEEEEEEE EEEE EEE EE E E EEE E :E EEEE. O desmvolw'mento do psiquimzo. EE EEEE EEEE EE-E EEE ESE-IE E E: E3 EEE E3». para quem “o psiquismo em toda parte e sempre o rnesmo”?9 mas afirma quc o “psiquismo dc maneira humano.) n65. p. \M. 3-": w .“ . Agora: a funcfio primeiro consrréi-se no coletivo a da na forma de relacio entre as criancas. nas quais seria posswel 21 real-lzacao modelo ”.

O desem/olz/immto do psiquismo. e no caso da praxis humana esta atividade muda historicamente. Devemos. derivaria do fato de que a consciéncia seria agora vista como “reflexo psiquico” da atividade do 361' humano sobre a narureza (o trabalho).11‘1‘11‘1 3111111 11".1111-. na nledida em que uma pessoa assimile ou nao um certo conjunto do Significagées tornando-o parte dc sua personalidade. 111. p.' 1%1 1111111 12-1 1 11111111111: “111 111:1 11111311211311: 11. I28 1111111 191. 1‘11».100 A atividade humana do trabalho. o que o leva a afirmar que o ato propriamente pmcologlco se aproxima de uma escolha “subjeriva e pessoal”. Aléxis. 111111311111-1111111 .111 1‘1““1:11.21“ 1 . em contraposigao 2‘1 imutabilidade atribuida a “psicologia burguesa”. 95). Logo. Devemos em seguida estudar como a estrutura da consciéncia do homem se rransforma com a estrutura da sua atividade. um “sistema de significagoes”. N50 é por acaso que para este autor “consciéncia” é sinénimo do “psiquismo”. estudar como a consciéncia do homem depende do seu modo de Vida humano.1113-1113. Segundo Leontiev ([1959]. do tipo: por “’0 LEONTIEV.11.11113111 1111. como eminenternente social. 98. permitiria que os seres partilhassem de um conjunto dc simbolos e rooresentagées fonéticas que. pelo contrério. pois. p. cit. Ainda que este conjunto de significagées nao se apresente sempre e diretamente como uma ideia consciente. todo processo é consciente. p. 1111111 §-:§-11111-§11§1131 1 111111111321‘.102). Isto significa quc devemos estudar como se formarn as relaqées Virais do homcm em tais e tais condigées sociais histéricas c que estrurura particular engendra dadas relagées. da sua existéncia. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DB CLASSE qualitativa no decurso do desenvolvimento histérico 6 social” (Leontiev [1959]. como 0 use doum’lnstrumento. pos- 51bllitariam em igual medida a representagfio simbélica da realidade destas relaoées. elaborado historicamente. conclui corretamente que: Para descobrir (as) caracteristicas psicolégicas da consciéncia..11311131. Este carater dinamico.11 1‘1 1:11-11“ ‘11:‘ 1-1-1“ 1131. devemos ab~ solutamentc rejeitar as conccpgées metafisicas que isolam a consciéncia da Vida real.: =11‘12.111:121 1111. “o homem encontra um sistema de sigm'ficczgo'es pronto [grifos nossos].1111. além do permirir a comunicagao. modificando assim sua representagao subjetiva. e apropria—se dele tal como se apropria de um instrumento”. como transparece na afirmagao. : 1111 “ 111.

o pensamento abstrato. a memoria..“:.§-. me comportarei em meu trabalho como um individuo profundamente competitivo. 33). cit.... podem ser conscientes (Leontiev [1959]. a sustentar que a trafl‘Of— condlcoes de macao essencial que caracteriza a consciéncia nas desenvolvimento da sociedade de classes é a modificaciio que sofre a relaciio que existe entre o plano dos sentidos e 0 Flint. 113). ::*~ :1-.\'r. escolha e assimilacao de ideias e nao.. :“-“““3“ “"3 «re»: if: s“: “so 2%. “niio significa que deixem de ser conscientes”. is}. mais uma vez.MM: w m. E essencial lembrar que o autor estabelece uma diferenciacz’io no fenémeno da consciéncia entre as chamadas “estruturas do peosa— mento” e o aspecto propriamente psicolégico. como afirmava Vigotsky (op.yrs-:1“ a“: $2. que insiste em seu duelo com a “psicologia burguesa” na dinfimica do psi- 12‘) MM}: iii-i=:. Eis que a consciéncia se toma. por exemplo.z. o... Podemos deduzir que a capacidade dos organismos superiores —— por exemPlo. w §M:.gr:<.§:-.%::E%. que a “personalidade social é o conjunto das relacoes sociais encarnado no individuo (funcées psicolégicas construidas pela estrutura social)”.. ou seja. conscientemente. mas sao na esséncm.}:. 0 sistema de significacées e suas rclacées de sentido. que significa que. i1:. . controlados.. nas palavras do mesmo autor.::\ <:::. \ 3... p..§ 1%. As primeiras serlam explicadas pelo amadurecimento das chamadas funcées superiorcsc definidas a partir de uma base fisico—neurolégica.-.:§s i'““j2'=.““1311???“ §::E§}13:§§ :aQ-M lizaiwmw: W§ MW“: :2"“. em certas condicées...§2§l5$§§= :13. :: . E por demais significativo que o mesmo Leontiev. MAURO LUIS IASI participar de uma sociedade capitalista e aceitar como parte da minha personalidade o ideario liberal. por assim dizer.:Mi§:. “ Isto leva Leontiev.:. i. A “:1”: “=‘“““. isto. :M as. i“ 2t M .3:. sao igualmente.1. i: a. :. O que mudaria seila 0 contetido desta forma imutavel. p.. mas que “ocupam apenas outro lugar na consciencia.§-M. portanto sociais. sempre os mesmos. 1. For terem bases fisiologicas..) das significacées nas quais se produz a tomada de consciénCIa ({5s uma questao de 122). m M.. a segunda estafla ligada as relacOes de sentido e significaca’io. seu aspeCto qualitative. a capacidade de associacao e sinteses abstratas -— encontram e ganham forma a partir do desen— volvimento histérico da atividade humana.

139). com 352 paginas. conclui o estudioso soviérico. a “apropriacao de um conjunto de significacoes linguisticas é (to mesmo tempo a apropriacao de um conteL’ido ideologico muito mais geral” (z'bz'd. A consequéncia destas cisoes é que o conjunto das significacées passaria a nfio refletir mais diretamente a objetividade e a finalida— dc consciente. Em seu livro sobre o Desenvolw’mento dopsz'qm’smo. Seriam estas relacées objetivas ligadas ao desenvolvimenro da propriedade privada que determinariam “as propriedades da consciéncia hufl mana nas condicées da sociedade de classes” (LeontieV. para os trabalhadores. Ms”: “:“?e-‘. p. que segundo o autor encontra—se nas relacées dc senrido 6 na con—- tradicao aberta entre estas e o conjunto das significacées.:“A-‘=_. acaba por se esquecer da relacao social que deveria ser a base deste processo dc interiorizacao: a familia. Desta maneira. ao passo que. reria se produzido por duas transformacées: a cisz’io operada na atividade humana entre o trabalho manual 8 o intelectual e a separacfio d0 sujeito da atividade dos meios de producao necessarios a esta. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE quismo contra sua imutabilidade e atribui esta dinfimica a relacéio deste psiquismo com as mudancas histéricas das relacées sociais. Direto da esfera das relacées de producao para a consciéncia sem escalas. Segundo sua concepcao. o “mundo do trabalho” se transforma em “pcrcepcz'io” subjetiva d0 mundo sem a mediacao de nenhuma relacao social. A modificacéio essencial da consciéncia na sociedade de classes. a familia so aparecera na pagina 306 e de forma absolutamente abstrata e a—histérica.<‘\'§-.= wag..'§z>'-. 130 “ E *"' “ ' ""°“""' ""’" “" ” EEE: 1%”? m w E‘EJEENE EEMM “WY-“'4”- H" -‘ W- E‘Ez -'\\- E: MEEE E‘EW E: Em EEEEEEEi‘EfsEx a rem-s. ." 9"»: ‘1 ?‘W-= my {943}?:I. [1959]: P‘ 129). mas se autonomizaria. ge— rando um'a “alienaciio” cujo resultado é que sua propria atividade “deixa de ser para o homem o que ela é verdadeiramente”. Os membros da classe dominante estariam condenados a uma contradicao insolfwel. O conjunto de significacoes refletiria agora outras significacées que manreriam obscurecido os sentidos e interesses reais em jogo.. pois restabelecer o vinculo entre o sentido e a significacao dcsnudaria o carater da exploracao que lhe é funcional.

A dommacao Ideologlca se u g c f u . 142)."~: is} “i iii iss-E-issi Ems“ ifs-3i i: its is ii. perde todo o sentido. p. i’. se— proletariado. Eissi-isi‘siwsi ssi-sii‘is is: ii :iii:- 9‘s ire-u:”iii-s éziigs-ifi iii-i. Aléxis. ‘01 LEONTIEV. MAURO LUIs IASI toma—se vital superar esta “imperfeicao” ou “inadequacao” criando “um terreno psicologico favoravel a assimilacao de significacées ade— quadas.i2"’i". cit.“ski i iii mix E’a.-zis=*-"-i. 0 proximo passo é a possibilidade de superar tal consciéncia sem que isto implique superar as relacoes socials propriamente ditas. p.. de uma ideologia adeqzmdzz [grifos nossos]. 131 ii-Kiowa-A -.’-:sa'i.. que 5510 as da Vida dos trabalhadores.is: isW iii“ '9~\ swiii i it :‘ i xiii iw'.i"". o Como as classes trabalhadoras Vivem o antagonismo entre conjunto das significacées burguesas e a “Vida real” e “anseiam” por ideias que exprimam as “relacées verdadeiras”. O desenvoivimento do psiqm'smo.(!!!???)101 . Como a consciéncia foi transformada em um conjunto duos d6 Significacoes que psicologica e subjetivamente os indivi assimilam on 11510. uma consciéncia proletaria. Mas aqui se trata de uma incompreensao muito maior (lo que o simples uso incorreto do ambivalente e vago termo ideologia. principalmente tratando—se de um proletariado que fez uma revolucao social 6 apresenta certa dificuldade em largar o Esrado. Mesmo ' rcado que mascarava outror ' car {iter a o verdadelro ’ ' s lacos do patria os ultimo destas relacées eStao definitivamente quebrados. Vejamos. A assertiva anter gundo a qual a consciéncia social deriva das relacées sociais. néo condicées que fixam na sua consciéncia as relacées dominantes (1?). iii iii-its: ism-ii Eisiiiiiiéssiiiissi . cria aquilo que se manifesta objetivarnente por uma atracao pela ideologia socialista. ainda que em polos opostos e por vezes antagomcos. Marx com toda certeza so poderia reagir com profundo espanto a busca de uma “ideologia adequada” no caminho da emancipa— cao humana. o autor conclui que: ha tracos das Nestas condicées.s'=. pela consciéncia socialista cientifica” (ibid. reendlclas Estas surpreendentes afirmacoes so podem ser comp ciéncia soc1al se percebermos que para o autor existiria uma cons burguesa e o para cada classe: a burguesia teria uma consciéncia ior. 141."'\'-'s5?‘:}e-‘2essiiis is-fii ass-figs axis-i we: viii-sis. pois as classes que compéem uma certa sociedade devem por definicao partilhar de uma mesma relacao.

p. O sentido do trabalho modifica— —se porque os sous motivos sfio novos. Vejamos entfio a descrigao de uma mudanoa na consciéncia operaria sobre as condiqées de uma transigao socialista: O Operario socialista.. para a sociedade.222232r: 2§. mas para estc filtimo nao é senfio um meio para realizar uma parte dos frutos da produgz'io social para seu consumo pessoal. Para ele.2222“£22§2$2m§2$ 2"“ i: 22.2 “22 it. tece. Mas para ele o seu trabalho rem realmente o sentido de tecelagem. para sua classe. 222. seu pai's (onde os {llrimos lagos do patriarcadO estavarn definitivamente quebrados) e o momento histérico em que se encontrava quando escreveu tais assombrosas conclusées. o morivo e o produto objetivo do trabalho 11510 550 estranhos um :10 outro. Estamos cientes de que. Nao precisamos ir muito longe para buscar um exemplo que nos mostre a impropriedade destas afirmagées. 2.. servir a uma finalidade desejada. ao contrério da imurabilidade atribufda a consciéncia pela P3iCOlogia burguesa. abrindo caminho para 0 marxismo tornar-se uma “ideologia adequada’”. Sabemos que Leonriev produziu este texto no final da década do 1950 na URSS. Pequenos abalos sfsmicos sz'io detectados proximos ao cemitério do Londres onde Marx estzi enterrado.222. 10?. assim como sua prépria consciéncia. asseverando que a consciéncia é. uma significagao dc salz‘irio. 144.. a adesao ou 11510 a um conjunto dc significagées que permitem. 223.15:22.32:22 3 :2». AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DIE CLASSE reduziria ao fato lamentével de um proletario aceitar como sua uma ideologia “inadequada”. remos que afirmar que Leontiev realmente acredita no que estz‘i diZCH dO. Primeiro.-i§2§2:22 .2-1:“ 32222222222 2222222 2%. psicologicamente. portanro.. utilizemos 0 P16" prio autor.322. porque ele n50 trabalha para os exploradOfES) mas Para ele.2"2122 2W2 222-‘22 22M 2&2‘2 2223?: Wéfifiai‘fiaao .22322a. 132 9““ W2 2‘“ 292. como o uso de um instrumento consciente. ral como o operzirio da empresa capitalism.:§22: 2 222.(!!!!)102 Analisemos estas afirmagées detidamenre. fill Etc. rambém para file 0 trabalho rem. esta muda conforme as relagées sociaiS e 0 carater da atividade humana alterem sua forma histérica. 52:32 22332 «ma-. O Operario socialista recebe um salario em troca de son trabalho.22 N2: 322:2 1"“:252 Ewan. 539510 etc.

Ora. fazem parte de um sistema de significacoes que ele assimilou e quc compée sua personalidade.~s\.91 1-11 12.»-11111-11131 11:1 11111111111131. 1‘1 11-111“ " 11.1 ’12. Passemos ao final da afirmacao: “o sentido do trabalho mo- difica—se porque seus morivos sao novos”. na finalidade do trabalho para este operario socialista prevalece o valor dc troca. O fafo de trabalhar ou nao para um proprietario privado capitalista nao é o que define a finalidade dc seu trabalho (fiacao ou tecelagemla mas uma certa divisao social do trabalho e as formas espcradas dc valor dc uso.-’-‘-=a. Portanto. esta passagem pare-CC ’11210 tcr ficado muito evidentc pcla prépria continuacz’io do rac10c1n1o apresentado. 1-W‘1-1‘1 11W: ?111111‘1111 1‘W: '-1 111-1: 13-131 1111. comporia uma “ideologia adequada” que scria capaz dc romper a “imperfcicao” do conjunto dc significados burgueses que nao correspondem as relacoes verdadciras. a ativida— dc em si do trabalho ainda continua sendo um “meio para o seu 133 W.: 1&3 11. o trabalho é um meio de Vida.1. seu trabalho concreto é 0 de tecclagcm e de fiacao.11» \4111.111.1111 sWs-. ao que parecc.1. ' Por quc o operario socialista tece e fia? Resposta dc Leontlexi: h'o”. que o operario recs 6 fia porque os membros da socicdade precisam se vestir. De forma alguma! O scntido do trabalho nao modifica porque scus agentes encontrarn “motives novos”.1 11111 1311 11-1 11:}.11:1. Em uma palavra. Dizer que a finalidade do trabalho desalienou—se significaria dizer que ela restabeleceu a predominancia do valor dc uso. .111 1-13.W911? 1111:.1111111 11. 1'6139568 objctivas que constituem concretamcnte o Interessante quc varios aspectos desta rclacao objetiva pareccm nao ter sido alterados. scgundo nos informa o proprio autor. pelo menos neste aspecto. Nao por acaso a “significacao” de trabalho continua a mesma. assim como o operario no capi— talismo.11. cc0 operario socialista recebc um salairio em troca dc scu traba’l e também para ele o trabalho rem uma “significacao dc salano .1r-sW11W1-:s. mas para 616 sua atividade “realmente tern scntido dc tecelagem e fiacao”.a1 1111 1311311111131 11113-1111. mas somente 6 na medida em que mudam as ato do trabalho.122. O operano socialista rece. ou seja. cstes valores e ideias fazem parte de sua consciéncia. fia etc.1s1111‘1123-s'11 1-11-11 1.” 11 111 1.M k1 111.1a 1111. para usar sua terminologia. MAURO LUIS IASI portanto. Contudo. pois. Mais que isto.

ao que tudo indica. . AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE consumo pessoal”. nao ha tracos das condicoes que fixam na sua consciéncia as relacoes dominantes? Parece que sim. ' .« “Msmww «2:..'«-.. é a expressao das relacées que fazem da burguesia a classe dominante (Marx e Engels. . nao porque Leontiev nao forneceu uma “ideologia adequada”. 134 «W 2». nossa questéio continua a mesma: mas como este conjunto de relacées interioriza e forma nos individuos dc uma certa época sua consciéncia social? Como se dial a transformacao das relacées sociais em funcées psicolégicas? Qual seria a causa da forca destas ideias que operam mesmo nos membros da classe oprimida. meio de Vida e 11:10 primeiro fundamento da existéncia (Marx). as relacées objctivas niio mudaram.103 Por conseguinte. assim como a do intelectual socialista que aprescnta os fatos c sobrc cles teoriza. 56 11510 quisermos if mais longe e perguntar se esta divisao social do trabalho se insere ou nao numa divisao hierarquica do trabalho que tinha por base 0 controle e a subordinaciio da classe trabalhadora. ¢ a forma da consc1enc1a proprla desta passagem cm que sobrevivcm elementos importantes do sociometabolismo do capital. a0 contrario. nas palavras dc Marx.: g’wki W fikfigsgs R‘Q? ifii‘zzfiiflbw «3&2 §€“§ Mgfifigfir «3&8 «2“: «2. Podemos entao voltar 6 nos perguntar: nestas condicées. --“'-°-: s « 5° ‘ «\é ‘ v '. ela é ideologia burguesa exatamentc porque corresponde as verdadeiras relacées estabelecidas. dc modo que estes acreditam scr estas ideias naturais e universalmente validas? Infelizmente quem nos explica este com— 103 Voltaremos mals adlantc a questao sobre o carater das relacées soc1ais na tranSIcao e a I O \ . p. ao menos em alguns de seus aspectos. que 5510 as da Vida dos trabalhadorcs. Isto quer dizer que a ideologia burguesa r1510 pode ser acusada de ser “inadequada” ou “imperfeita” porque 11510 corresponde as “verdadeiras relacées”. um operério acredita que seu trabalho tern a significacao de salério.“is? m“ V\«‘\« s3.2 “WM”. «‘2 «w « -~'$ «2. 23‘? i§?¥332§w3331\ . mas porque. A consciéncia destc operario socialista niio mudou. Mesmo no contexto de uma formacao social que passou por uma revolucao socialista. 1976. 56): as relacées capi— talistas de produciio. o trabalho ainda é um meio de Vida.

especificamente de uma dinfimica psiquica. nao haveria “nenhuma relagao direta” entre estes dois fatos. Freud deduz a existéncia de uma estrutura psiquica de um que é menos descririva de uma objetividade fisica e mais Desta movimento.. a psicanzilise aplicou de fato o materialismo dialético e desenvolveu teorias corres— pondentes -— inconscientemente como tantas outras ciéncias naturais” (Reich. :°?:'--'t\' A“: 2..22. 9. p. a localizagao destes processos sem contribuir ern nada com sua compreensao (Freud.‘<.2 9-25"} A2223? 2.322 2.2? $922. idealista ao de “algo concre— 36“ PCflSamento pelo fato de nao partir sua analise '0" “Neste caso..12.‘2 2-»: $3.2 22'.2%. V :. ela seria idealista e antidialética -.2. mesmo considerando algumas de suas conclu .22 2222-.: a“: : ':-‘-:-“'é\ $22. como nos dizia Vigot descober— Wilhelm Reich (1977) afirma que é possivel deduzir das soes e tas de Freud. 22:2: 2 2:22. sua aproximagao é extremamente adequada aqueles que ura querem entender o processo psiquico nao como uma estrut sky. 135 :-.. Primeiramente. :3'. 22). os dois fatos que cornpéem nosso conhecirnento sobre a Vida psiquica constituem o cérebro. 2.29 22-99 12. :2 «Ix . maneira.s§ .. universalizagées indevidas no que range 2 explicagao sociolégica uma leitura materialista e uma dinfimica profundarnente diale’tica da constituigao e do funcionamento do psiquismo..neste caso.\§\“:?:-. Para ele. ou pelo menos nos indica um caminho promissor.2 22. além do sistema ner— voso como base orgiinica onde ocorre o processo. i‘W-Q . mais precisamente. Freud.\::\: 339W.2222 . {9.2222 1'2.ou entfio é possivel demonstrar que.53993153 \9 i =2\. e a compreensiio do sistema neurologico nos daria.M»: *2 $255.32232 2222 3:222 ”$2.3. . 2. natural. i2? 2.29". Freud opera uma diferenciagiio que nos é extre— mamente util quando se trata de nos afastar de um materialismo mecanico.22 E222222§= 22%. -9. 69).22.-. Segundo o pai da psicanz’ilise. 2:12-2:2.i2222‘22222 2. 2232 222E. 9-192”: 9. e os chamados atos de consciéncia.2._§‘:}. portanto..’.2 2:2 2 22. Mediante esta observagao. 2'=.. é a psicologia “burguesa”. 1977. no maximo. 9:9 $. [1938] 1955. (2. p.2-2.9 _.222E%§22:i?2§..22132 A 2.52-. das duas uma: ou a psicanzilise se opée ao marxismo como método -.. 2.104 er o Os criticos soviéticos de Freud sempre acreditaram resolv problema atribuindo urn carater metafisico e. MAURO LUIS IASI plexo processo. se Quanto ao aspecto metodolégico. mas como uma construeao. o procedimento de Freud aproxima da fenomenologia e se baseia na observagao e no estudo do desenvolvimento individual do ser humano.$'V?s 2):: 32. em seu domi11io especifieo.“.

as atuais reflexées de Damésio (1996. ter fome de salgados ou necessidad e de um doce. ou seja. No entanto outros autores. 2000) sobre a relagéo existente entre cmocées. entao. nao se explica a nao ser na insercao deste individuo nas relacées imediatas que estabelece durante a inffincia. I36 . como a fome ou 0 Bio. como Poster ou Elias. 70). Em urn primeiro momento. na medida que e5te impulso ganha uma forma. Partilhamos corn Reich a compreensao de que o movimento de entificacz’io psiquica é algo profundamente concreto. e. 0 id em verdade nao seria propriamente este conjunto de instintos. Daquilo que era original- X 105 Nestc campo. a dinamica de constituicao do psiquismo nao é individual. arcaica.105 Como se construiria. ainda que nao palpavel. Freud supée uma instancia psiquica basica. chamarfio a atencao para o fato de que a propria forma como se expressa para a consciéncia um impulso jri o reveste d6 U013 forma social. razz‘io.106 A primeira contradicfio que coloca ern movimento a dinfimica que ira resulrar no aparato psiquico se da entre estes impulsos e o mundo externo (segunda determinacfio material)_ Nas palavras de Freud: Sob a influéncia do mundo exrerior e real que nos rodeia. mas a primeira expressao destes na forma de demandas instintivas que se faria notar por meio de estimulos transmitidos fisicamente. uma parte do za’ experimenta uma transformacao particular. por exemplo. no entanto. ter fome ao meio-dia. 1955. '06 Para Freud esta manifestacao do impulso bzisico é destituida de uma forma social. incorrer no antigo erro de tentar localizar fisiologicamente produtos sociais no cérebro humano. esta dialética psiquica e de que forma isto pode esclarecer nosso tema? Apesar de 0 objeto de observacao e de a esperada cura psicanalitica serem o individuo. nao é possivel rer “fome” no abstrato. isto é. p. “sobretudo os instintos originados na organizacao somatica” (primeiro aspecto da determinacao material) (Freud. que estzi no movimento e nao no substrato fisrco. ao contrario. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DIE CLASSL' to”. de onde se conclui a inutilidade de ficar analisando o cérebro para encontrar as funcées psicologicas. id 0 impulso estaria revestido de uma profunda influéncia do contexto social e cultural historicamente determinado. Podem. consciéncia e o cérebro humane sfio significativas e interessantes. que denomina de id e que consistiria em tudo aquilo que seria herdado e inato ao ser humano.

. mais precisamente.. MM.» §§é mi. . MAURO LUIS IASI estimulos C de meme uma camada cortical datada dC 6rg§os l'CCCptOfCS dc dispositivos para a protegfio contra estimulagées excessivas. e r1510 como objetividades. 39:22». . diante dos estimulos mais moderados por meio da addpmfizb do exterior mediante d) e.‘°7 A 219510 do ego como instancia mediadora se dz‘i mediante qua— tro procedimentos basicos que tém. Tal principio nao se baseia como prazer 0 pensador vienés. em magnitudes absolutas sentidas ées de estadOS ou desprazer.k it’s-steam.. 1955. 3. 0 mov os ilo que os psicélog diatamente esta nogao do “cu”..2“ . ..«2 ha».V-t -32. malsa nitudes. 92$.=-=-I“-.108 e ser humano 11510 possui ime- LOgO apés 0 nascimento.imagi..§I‘ . . \. o que implicaria valores. aprende a mudar o mun a atividzzde (Mid).. segul’ldO chamado “principio do prazer”. Passa por aqu ”. “Compendio del psicoanélisis Santiago Rueda Editores.2:: ‘..2. o ego deve levar em impulsos.2". 0 ego surge como mediagfio subjetiva como reagao objetiva. mas antes no ritmo e nas modificag alteragées destas mag— sentidos pelo ego como sinais de perigo as e... b) evita os estimulos que se lhe odamento intensos por meio dafugzz. Obras complems.M: W23. conta a realidade Neste primeiro momento. Buenos Aires: '07 FREU D. 2 . 2i. .. *9" " ‘ "‘"=-' ' ”I" -I-‘1:-54:“-“‘21 hiéfiifiifrfi 1”? iaias lass r22. O reinado do principio do prazer supé Julgamento 3 percepgéo sensorial (seja interna ou externa) do que (‘0 propriamente..éV.. : :-. do impulso.. P. .52 N. em ultimo case. . W. .a2.» mat}.3 .~. A este setor de nossa Vida psiquica lhes damos 0 nome de ego. c) busca situagées de acom . . is. 52% $2..z. Orienta—se. externa apenas como o meio no qual tera que realizar os agéio do dCSCjoa e seu critério é ainda determinantemente a realiz portanto.. 137 a m 2.~ 5. A prépria mediaqiio aparece primeiro julgamento de valores.236.-:. portanto. Sigmund. a finalidade experiéncias de “autoconservagao”: a) armazena na memo’rz'a as situagées Vividas e é capaz de associar estas experiéncias com apresentam por demais 110V38. finalmente. como moral.. desenvolve—se paulatinamente uma organizagao especial que desde entao assume uma fungz‘io mediadora entre 0 id e o mundo externo. .70- de duas forqas materiais (a realidade “” Podemos observar aqui que 0 psiquismo é sfntese entre duas pulsional _ . .2-. W.... ”2.d_ e 0 mundo externo). .2..2x2-..2.2. ‘52-“:firing- 32”“2%22- . p610 ou... yifm.Ei} ii iii.. XXI.9.

permitindo a esta que leve em conta as exigéncias do mundo externo mesmo na auséncia destes adultos. um campo em que terzi que aplicar seus instrumentos de autopreservagéio (fuga. v. o superego completa a tri'ade que constitui o aparato psfquico. p. o préprio ego é definido como sintese entre os impulsos bzisicos de origem somética C um mundo externo e objetivo.9:3 $5. Em raziio de que seu organismo estava em unidade com a mile no periodo de gesraga’io. W 5w. a}: _. No entanto. Ewa. 9*:. 71.2» g. cada uma £1 sua vez.3 . Egg/fl E?“ imééfi 1%. adaptagz’io ou atividade)." ”:52 4.?.ifi’é‘s ingot Essa-23m. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DIE CLASSE chamam de fase pré-objetal..§. Todavia.3. ”’9 O superego constitui—se.5. entz'io."‘. NM : m _ .*‘. O salto de qualidade que aqui se verifi ca é que a mediagfio do ego agora se dz‘i internamente entre as duas instfincias que representam. Juntamente da manffestagfio dos impulsos bésicos apresentados pelo id e a tarefa medladora do ego. durante o qual o ser huma- no em formagéo vive na dependéncia de seus pais. xzemmmm M. De certa forma.~*--¥« W w .1. _wkwfl. Assim. na interiorizagiio de normas. “Compendio del psicoanzilisis ”. 2‘1 qual se dd 0 Home de superego. cit.= . Sigmund. como afirmamos. esta objetividade permanece ainda externa. Diz Freud: Como sedimento do longo perfodo infantil. esta objetividade nfio permaneceré extern a. :3.»? hid-z «orig-$4.--.-5e}'=§t~}.i~?"%- % “R5". E somente no momento em que a satisfaefio de um impulso instintiVO dependa de outro que néio ele é que passa a fazer sentido a ideia do “eu”. E Vista pelo ego em formagiio como barreiras en— trepostas entre o impulso e sua realizagéio. os impulsos somz 'iticos e a realidade objetiva. ou seja. . padroes de conduta apresentados pelos adultos que convivem com a cnanga. ”’9 FREUD. o'_-. forma— se no ego uma instincia especial que perpetua esta influ éncia parental. a crianga imagina o mundo como um complemento de seu corpo e que pode acioné—lo por sua vontade.3.?“ <53 51$?" $““2=:. re— gras.-. a percepgéio da ruptura desta unidade niio é imediata. {N k :t mix a3\ % éxfiéw “c <2».. . nz'io distingue ainda exata— mente onde acaba seu corpo e onde comega o mundo externo.

.._. 1” Ver a respeito a critica elaborada pOI‘ Mark Poster (1979) em principalmente o primeiro capitulo (p. m“ iE-i arr-Em is}: i: a. raciais dos pals. como os educadores. mas que estes atuam como representantes de uma certa cultura e uma certa sociedade. .. SL111 71’0”.i ' '--"‘"'--‘- .112 Para 0 nosso muito além do que imaginaria seu préprio artific ncial. coberta freudiana vao A grandiosidade e a relevancia desta des e.. Vejarnos em suas palavras: indole pessoal Naturalmente. Reparern que terna. abstrata do desejo. ..131. iafis a a“ EM: ia mgr:- . 139 . 0 superego incorpora aportes dos nagens exemplares.2“ .—~-—-—-- . . isto néio desmerec l uma certa sociedade descrito é exatamente o processo pelo qua ... .» ~i We v-a. como também em cerro sentido as tradigées as demandas do respectivo e nacionais que estes perpetuam. a reconhecer estas demandas e valores como seus. aquilo que é interioriz ser definido como da formagéio do superego poderia muito bem m uma culru: um certo estagio das relaeées sociais que constitue o verernos. e suas demandas. assim Corn efeito.‘ mm“: 6%: a. cit. na influéncia parental nfio somente atuam a familiares. Com al como “a realidade”. ire-1W._. tal como Ricardo ”3 “Freud descobriu a natureza subjetiva ou esséncia (Deleuze e Guatta ri. . padrées de conduta iduo.2 m m -\swim a: 9%. . universalizar uma determinada forma soci o “a” familia... . flag/. descobriu a natureza subjetiva ou esséncia do trabalho” op. toma a familia burguesa com de sociabilidade. «w. 21—60).» W H». assim como curso de sua evolugao meio social que representam. . an: s . .' i. MAURO LUIS IASI Freud completa sua apresentaefio do superego asseverando que este niio se reduz a personalidade dos adultos mais préximos. no substitutos e sucessores individual. ern outras palavras.“ ”5.111 como a sociedade capitalista corno forma final ser e 0 fato de que o que acaba de NO entanto. uma sociedade. os ulteriores dos pais.z :52 \__ W. ideais venerados na sociedade. r“-3.-\ in ii? « v hiifiiiiifilo v uni -=-=--*‘ 1:54:3..-~ i‘aiia-éfi.64 (3414177131311. possui pelo menos uma implicagao esse mediatizadas a internalizaeao das regras e normas sociais que sfio “0 Mid. apud Poster. “ideais venerados . mntjww W .a____ use. ix $2. e esre passa passam a fazer parte do universo psiquico do indiv ... in} §§‘ em (M a.“s:3}.~ .%ma-ei . regras.\. os perso . v '. Freud 1ra ra.. xwas : has or d).110 ado por melo Conforme observamos. p.. we» limgxa-. 21). De igual maneira.

AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSES pelos adultos que convivem com a crianga nao ocorre somente pela comunicagz’io racional e. 9. m».\. ii? 1“ -!-‘:-. em grande medida. s... segundo Leontiev. muito provavelmente simultanea— mente ao desenvolvimento da linguagem. t‘.=. Segundo estudos. Recordem que. mas a construgz‘io de Significados como resultante da série de significante s e por Ineio da relagao entre eles. Ora. pode se dar mesmo antes da aquisigz'io da linguagem."§§:‘v§ . A crianga vive a relagfio com os adultos e a incorpora antes como carga afetiva.j 1“" ".” “ “MW”. como movimento da cabega) mesmo antes de pronunciar o vocabulo que representa o signifi cante. Diz Lacan: “Nos designamos por letra esse suporte material que o discurso concrete empresta a linguagem. Esta simples definigiio supée que a linguagem nao se confunde com as diversas fungées somaticas e psfquicas que a produzem no sujeito falante” (Jacqu es Lacan (1992. Quando L’acan afirma que o significante precede o significado nao estaria SC refer este'conteudo que se encontra no fundamento da prépri indo a a linguagem. a crianga sabe e usa a nega9510 (por exemplo.“§-::‘?£ ‘. Este simples fato pode ter implicagées profundas em nosso tema. como sinais de aprovagao ou teprovaoéo que seu ego traduz como estimulos que ativam seus mecanismos de autopreservagz’io. o sujeito tenha como efipressar tal contet’ldo utilizando a linguagem.. 225)- I 40 _ \ v} v r s. 0 set humano assim ila urn conjunto de significagées como que usa um instr umento. me faltam ————_-__——'—'——-—— “3 D-izernos apatentemente porque nos parec —____.w Weft: mt Mr. e que também o psica nalista franCéS Vé esta dlferenga essencxal entre a palavra e a base dos conteddos psiquicos que ela expressa. o “1150”. p.‘=¥$ filial?\f“’.. A dificuldade cor- riqueira do tipo “eu compreendo mas nao sei explicar. no nivel conscien te. muito longe. significati- vamente. a primeira palavra que costuma ser realmente incorporada pela crianga é.’.\ » _M. Isto n50 quer dizer que a crianga fale a palavra “nz'io” (aparentemente contrariando Lacan. Vejamos urn exemplo.113 diriamos que o signi- ficado antecedeu o significante).. de um valor moral ou um saber cientifico..-. «“35. a dlnamica descrita nos revela que a base daq uilo que serzi expresso num conjunto de significagées (na verdade significantes) pode jé estat asmmilada sem que.m.\\. portanto. o proprio “real”. ou conceito. Isto significa que um valor jzi pode estar assimilado antes de assumir uma forma sistematizada de ideia."*??-'=-§‘. . produzir.\59'. quand o afirmarzi que a ideologia tem uma funqa'o de constituir. E este aspecto que sera essencial a Zizek (1996).

que mas aquilo que esta expresso encontra sua substancia em algo dela se diferencia e que a ela nao pode ser reduzida. . as demandas e valores de ”‘1 “(. 22. Por analogia (6 so por analogia).2221:222. expressa-se numa linguagem (Gramsa. 222 222.222.222 22.2222.2:222222-22222.222 2. 1976.222M . 2 22222-222 2222:1222. a substancia de um valor social (seja uma prescrieéio moral. . o valor de troca é mera forma de expresséio do valor.“ Ora. Sabemos que. de mundo.n uma substancm que dele se pode A . Ora.. nantes sao apenas expresscio ideal das relagoes mate classe a classe ou. 222222222 2. mas nao consigo escrever” demonstra que existe uma diferenga entre a substancia dos contefidos interiorizados e suas formas de expressao. 1978). os pals Freud ja nos forneceu uma pista ao mencionar que uma apresentam. .‘2:. ou mesmo uma conduta pratica do tlpo nao coloque o garfo na tomada”) pode estar incorporada corno carga afetiva e se expressar ou nao no corpo de codigos linguistrcos.*3) ‘ distingllll' . segundo o pensador alemao. pelo menos que encontramos na familia. ito da produgao dominantes seriam aquelas que ocorrem no amb e o vendedor da do valor. os pens riais domlnantes.. 141 . que constitui sua substancia. uma Naquilo que nos interessa. a forma de mamfestaeao de / (Marx [1867]: P. 2 222. 22. como“nao andar por a1 pelado. 22. 36 por analogia podemos nos remeter ao raciocinio efetuado por Marx para diferenciar valor de rroca e valor.222: 2 22.2-222 222 2222-22 22232 %22‘22222. ainda. p. 56). a elaboragao de Marx e Engels amentos domi— marnente reveladora. no eixo da relaeao entre o capitalista em pr1nc1plo. por meio de sua agao. sei explicar. expressd‘o das relagées que fazem de uma mas estas relaeoes dominante (Marx e Engels..22 2222 2:22=2.) o valor de troca so pode ser :1 maneira dc expressar.22 2 2. uma certa visao consciéncia social.?2222222222 222-... podemos esrar confundindo a forma de expressao com (1976) E: extre— Neste sentido. Segundo estes autores. forga de trabalho.212 £.2.2'2. para que o valor de tro- ca possa expressar—se.222 2222 1222222222222222222 . é necessario que sua substancia tenha prévia existencia na forma de uma certa quanridade de trabalho humano abstrato socialmente necessario. Isto signlficia qne a substanc1a. \ 2222222 2:. MAURO LUIS IASI palavras. Niio é esta a relagao.

entao.\I\‘. O deserwolw'mmto do psiqm'mzo. neste caso para outra relagao concreta -— a familia -—.115 “5 LEON TIEV. Em" ’ffis ME. 305-306- 142 “saws as Was-if.“ Ms ‘-"=??<"-“‘3 ”“5 ‘Y‘ ”-33% 43-“ ‘1E3'Y'-=:'I S”\I:"M§':'R\$ ”E. para a “pétria”. p. sem que perca sua esséncia (o que de fato OCOHC com as mercadorias e as metamorfoses do valor). pois o autor discorda veernenternente da existéncia de uma instancia inconsciente.-. deve conrar com as exigéncias que aqueles que a roderam impéem a sua conduta. Destas relagées depend em nz‘io apenas seus sucessos 6 sons fracassos. Vejarnos a descri giio trazrda pelo autor do desenvolvimento desta con sciéncia numa certa fase do amadurecimento da crianqa. urn operario socialista trabalhava e seu trabalho tinha a signi— ficagao dc salario. as was relagées intimas. siio elas que tém valor dc motiv o. sis-E Ef-E-E EELE E EEEEE Ea Es: EEE’E EEQEE EEE‘E EE’NSF-2 ““2Ma EW-u. dc fato. Temos que supor. Como serz’i que se desenvol— Veram neste operario socialista estes valores? Seria em razao de que outra classe agora controla a “produgao” e 03 meios dc “circulagao” de Irovos valores “socialistas”? Parece que nao. mas para sua classe e para a sociedade. Segundo Leonriev. Para ilustrar esta dinémica. O exemplo também nos é fitil.\ 29. mas sfio elas que encerram igualmente as was alegrras e suas penas. pois é isro que dcrermina. . sank-Ea EEEEE » EELEEEEEE EEEEME‘QE A:-'-s\§'\'*-- :-. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE certa sociedade.. este operé rio trabalhava feliz por nz'io o fazer para urn explorador. corn elas. ESP} EL“. pessoais. ou seja. Isto 56 dd evidentemente dc maneira mediada. _': 9% say . recebia uma quantidade de equivalente geral que podia trocar por bens dirigidos a0 seu consumo. E -E “E iEs E: EEE EEEEEE’EEE‘EEEHE . Aléxis. niio podendo ser acusado de disrorcer os fatos para dar razao aos argumentos psicanalr’ricos de Freud. recorreremos mais uma vez a um exemplo trazido por Leonriev e sua prépria consciéncia._ __ fiW-EW if“._<2\\_. dz. Tudo com ega corn uma Clafa percepgao na crianga em idade pré—escolar: de que ela depe nde de OUEIOS que determinam seus sucessos e fracassos.\. em troca de uma quantidade dc trabalho. que a substancia de um valor possa ser transposto para outra forma. Verifi quemos as palavras de Leontiev: a crranga sente sua dependéncia para com as pessoas com quem esra di— rerarnente em contato..\.-. Comecemos por recordar que mas relagées sociais descritas pelo autor.

EEE-EEEEE EM.) E E . mas podem dizer que silo estas pessoas que tém o papel do impor VEIlOffiS em troca da aceitagéo. . EEEEE E-. Por exem ar. MAURO LUIS IASI Resumidamente. a criancga desenvolve a percepgéio de quo de— pende de outras para satisfazer suas necessidades. “a posigfio real da crianga a partir da qual icionada ela descobre o mundo das relagées humanas.E“ E“. no enta treinando gumas “reorganizaooes” nestas atividades para que ela Vé. Jz’i seria o suficiente. reage negativamente £1 perda cia. isto é. 143 \ E .“7 entiio o mundo abre—se—lhe de maneira funcionalmente difere Ai' entio a criancinha vai £1 escola e suas relagées sofrem uma reorganizagfio das mais significativas. basmm al— gira em torno de uma “coloragiio infantil”. posigfio cond ciéncia ainda pela posigflo quc ela ocupa nestas relagé')es”. portanto. N510 corresponder fits exigéncias é perder esta fonte do afetividade e do reconhecimento. ainda longe dc juizos valorativos ou mora conscientes. Niio é possivel compreender o que o tradutor os quis dizer com “5510 elas que térn valor dc motivo”. p.4.. E EEEE E--. plo. pois é isto que vai determinar seu “sucesso” ou “fracasso”. EEE E ”ESE-E EE >\E: EE-EEEE EEEEEEEEEEE = :. ‘f--... “7 15:21.. Ela precisa accitar as “exigéncias” que estes outros impoem £1 sua conduta. do reconhecimento e busca o equilibrio adaptando—se it exigén is tudo isto. reconhecimento e trocas afetivas. mas r1510 para por ai. pois pela primeira vez suas "6 Mini. carinho. aquilo que a em chama de “fundamento geral” do desenvolvimento da criang idade pré—escolar.“6 Sua cons nto.“Mm-“*- ' E“ -=-‘EEEEEEEEEEEEEEEEEEE EEEEE E’EEE EEE EE-EE.EEEE RAE-1“? ”’3 to»:E-EEE EEEEEEEE 1“" EEEEEE =?‘-‘=="-. 307. mas parece que os mesmos adultos que estabelecem as exigéncias séio as fontes de aceitagiio. alegria e cargas afetivas essenciais. movido pelo princfpio do prazer. tiver uma irmz’izinha e a mic se lhe dirigisse como a uma auxili nte”. EEEE-WEEE -. mas ainda hzi um aspecw importante que néio fica téio 51 Vista. “se sua ccposiqfcio” nas relagées nas quais irz’i so inserir. E22. EEEE E E EE EEE EE EE‘ EEEEEEEEEE $4 . Uma crianga nesta idadc (supée—se antes dos seis anos) estz’i muito pouco preocupada com o sucesso ou fracasso na Vida. Diriamos que 0 ego. Leontiev Esta crianga estzi descobrindo algo essencial.

se tornou diferente [grifos nossos]. “22:3 3232:3232a: . que so poderiam ser pronunciadas por um adulto que esqueceu dc sua inlffincia.. cresce muito a ImportanCIa pratlcas dc avalia cao como selecao também do setor rivado As hierar uias sociais correspondem as hierarquias dos 0 d P . \. Fortalecendo-se :95 fruicanrsmos de hierarqurzagao. O proprio lugar da sua atividadc na Vida adulta. \. um ca erno 120 “A 68 :1 rev 1 " P.o' \-_ _-. que une avaliador e um avaliado”.3‘23233‘ 2 $2.22%.3 2 :32.w . .' l’ . A forma pratica quc assume este treinamento sao sons dcveres ..:32 3-2. .. . pois.. acabaram os jogos.. “cstarzi amanha nas fileiras dos entusiastas da producao dc vanguarda” (Leonticv. entao.. 2092’ p.3 2232223 Nifio 3%?22322s2a 232. Ela agora serzi submetida a uma avaliaciio.\\. classificacéo e rcconhecimento do valor social dos mdl‘fldUOS numa estrutura escolar quc crescentementc valoriza a meritocracia c dela se cxrge guardar esrreira corrcSPOIIdéncia com o sistcma economico” (Dias Sobrinho. 125). Mid-2ontra pass agem Leontiev f‘ briaedo 21 crianga mas n: a (ill-ma que “ podemos acerrar « ou recusar compaar um: (Leonticv [1959] ’308) 30 p0 emos recusar comprar—lhe um manual. A crianca estz’i sendo treinada para o trawl/90. f3 31103 e de son Significado social. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DIE CLASSE “obrigacées” deixam dc scr para com ela e as pessoas mais intimas e tornam—se obrigacées em rclacz’io a sociedadc. Proibc os menores de a perturbar c 05 préprios adulros sacrificam por vezcs suas atividades para quc ela possa tram/bar. _' . A pratica 63:0?8f1tuem as classes como grupo socral dcfiomdo em fupcao on deveres para os alurlls cgaigelcs que mars se tornou comuna COHSIStla em excrcrcros atribuicées dc noras Des’env ln 0 aos professores as correcoes e as correspondentcs .o\_'€. . poder pfiblico. c scu dcscmpcnho definira “o scu lugar na Vida. c apdCtermifliiiioéggusfiull. .) a avaliacao é scmpre muito mars que uma medida. ‘( 3) A0 fazer seus deveres. do valor cscolar ou intelecrual de outro individuo.v: ' \s. 307). com a organizacao hierarquizada dos postos de tralfalho das . p. “a nota cristaliza "3 Em 119 p. o esquema dc notacfio.. l. E uma representagéo.\. . . 2. Na escola s p stos e trabalho ou de cxercrcro po Itrco no Sistema d_ e de um nivel. r . . a sua funcao e scu papel social” (ibid. .118 Esta espantosa descricao do entusiasmo da crianca diante de suas tarefas.. para o lugar que vai assumir na Vida ‘joam a verdade”.222 2a» N331 322323223 . Inscrcve-sc. P 309). $332“ 2:212“ 32:33.\. 0 VC-Se. pela primeira vez. a Vida loam a verdade’que a rodeia.333. "‘2: >3 \'_\’. V6: tamb‘ém Perrenoud (1999. q . sem drivida. a impressfio de fazer qualquer coisa dc verdadeiramente importante. 3.': . [1959]. a crianca rem. construida por alguém. e esta avaliag. . 57): “(. 144 ".119 é por outro lado reveladora.é'10120 ganhara uma cxpressz’io numérica. 3. Que diferenca das suas ocupacées e de scus jogos precedentes. .. em uma relacao social especifica. _\. 307-308. p.

. fixifisék v E. que sem isso niio podera aprender é uma obrigaqfio para ele. Alexis.. 145 =3» "7>:3"‘\\":'-. ora como pura o segredo do desempenho aos sujeitos a servigo do julgamen to discricion zirio do professor ” (Iasi. o conceito. o ser passivo para qual o professor é apenas o insrrumento que comunica e é comunicada a sentenga . subjetividade 122 LEONTIEV. ou seja. . gue entregar—se aos Suponhamos que um aluno da primeira n50 conse r o memento em que terfi seus deveres. ..g. . aplicar—se com todas as forgas e ganhar as boas gragas do professor”._. Uma frequentemente a crianga quer fazer coisas sem importanc treinamenro pequena e significativa atitude completara o nosso para “a verdade”. como no jardim da inffincia.'\.:. -. ‘ A? {‘51 =‘2 we. p.“ “aw-2 "' =“?='--‘-‘ -§>>‘-'. . 3 xv“? fig “2’" i‘“. e.<2\\-.. nao conversar com o vizinho durante a aula. Esta observagao faz enquanto n50 fizer os teus deveres.‘ $4 . Tenta por todos os meios afasta nte se disrrar com outra que fazé—los.\\. apesar de ver nos deveres as primeiras coisas realmente importantes que jé fez na Vida." ”'3 .9\ gm i“: gnaw {9.). Suponhamos agora brincar. contraditoriamente. cit-v P..\\ .$"’?s gag.’. mesmo assim podera receber uma nota baixa porque colocou o nome das flores e do sol em letra maifiscula. . Assumindo a forma de fetiche.\'. s 2A}. . _\V:'__\. que é seu que a crianga normal— tornar—se realmente 1’1til a sua piitria et<:. .p Por certo e’ suficiente para levar a se menre desenvolvida sabe tudo isso.121 A crianga socialista esta quase se convertendo em um operario seus socialista. . . MAURO LUIS IASI em 51.. mas nela resiste ainda a crianga.317. N510 podera argumentar. .g ewe . ' “-' '3 " '. . H E hwy: ”"3 “‘u.2. que nao fez por mal. p. néio pode escapar daquilo que “os adultos chamam de objetividade da apreciagao escolar” (ibid. ora converrendo—se em uma objetivid do processo que o desconhe ciam. 2002. uma nova forma de co- rnunicagao em que a crianga entrou agora” (rm. 92—93).‘. “jamais deixar bater a tampa da carteira. \ w r .- hgwék ' ' s3k»?&a’\ §3§m§££§< g: :3: 33-9“ “IE-K1315 ‘5: \{a “Q‘s ‘. coisa. as novas relagoes. ade que revela oscila entre duas naturezas antagonicas. e ainda mal comegou jzi imediatame o preparar as ligées. 0 derenvolvimmto do psiquismo. nao vais efeiro e a crianga entrega—se ao trabalho. ia.. Mesmo que ela tenha um comportamento “acima de qualquer censura”. " z!- .(!!)122 objetivo inquestiondvel do 121 “Desta forma o conceito fetiche é a revelagfio de um carfiter quem o aluno. 308). e ainda n50 que se diz a crianga: entregar ao seu trabalho escolar..\ » _v an (m A vsvw. Acaso compreende ele ou saberzi que lhe é precis dever. por assim dizer.

‘9 .§§>'.9”: . obedecendo a equagao: impulso — exigéncias e limitagées do mundo externo . os “ideais venerados”._. is iii. esté depois o professor.trabalho de mediagao do ego levando em conta que a fonte das demandas e exigéncias é também :1 fonts da afetividade I46 :15n {”52“ Q“ _: 9.’. am 1: isi iiisiiiissfisi’eisis s. . de mercadorias. Seus preceltos morais séio psicologicarnente ineficientes... Um operario se insere numa dlvisao hierarquica do trabalho..'=-§'E""<“‘ mg 9. 1. significativamente. :\\:».. éiéissfsliils.i: ii ii.\' xi: 9-2. vestir.. tern um dever a comprir e perfeita consciéncia de sua responsabilidade para com a patria e o Estado._. p1isss-z-isssss. mas estes motivos sfio. ja sabe que so so rem acesso a urn valor de uso mediante um valor de troca e pode agora se entregar as “fileiras dos entusiastas da produgao”.2g.:55}: gay: 5. a condlgao para que compre os meios necessarios a sua existéncia que ele se entrega a tarefa.:_s\\_ :_\ 7: s? i a.)3: «35 _ 'fix’w‘iu' 93. i ssfsi. o Estado..i:.3“? mg 91... No processo d6 trocas afetivas na infancia.9 :3'. numa determinada posigéio e no Interior de certas relagées sociais do produgao.2 .i osssiisiss isss-s ifiéiisisiis. mas é so lembrzi—lo de que peu trabalho é a condigao para que receba seu salz’irio. Eis que nosso operario esta pronto. o morivo que age “verdadeiramente é 0 do obter a possibilidade dc ir brincar” (ibid. nas relagées assalariadas no universo da produgao.iaissesi‘a isi-siis iz: ii iii: 2. as condigées de sobrevivéncia ocupam o lugar do brincar.. s.iii Era-r3. agora é so colocar “a sociedade”.'\\\'.‘.: V_ : .s.. psicologicamente ineficientes. O trabalho ainda é meio de Vida. '?3 :. e este. morar.9.. _9. 318).I -:I was: . O trabalho do psiquismo se deu em todos estes momentos..§ as. atividade imposta no intervalo do qual OS seresfi homanos vivem. Ivy. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DIE CLASSIE Evidente que a crianga “normalmente desenvolvida” sabe em sua consciéncia que rem que fazer os deveres e obter boas notas. no mercado da avaliagiio na Vida escolar. . “a classe”. Mas a equagéo dc troca é em si mesma 1dent1ca._I_\_»\I. Mudou a forma: onde esrava brincar esta agpra comer. 9:: 9. 99. 4f: 3). Reparem que havia urn valor em substancia transitando em diferentes formas que lhe serviram de expresséio.‘2 Ea i i-s i .ii..Kiss“ isE-i its-is._ H.. mas gostaria de estar fazendo outra coisa..3): ‘5: 19%}. :.:logflx. Desvendemos oprocesso agora de trais para frente.. No lugar da pessoa adulta que apresenta as exrgencras sociais 6 cm relagao a qual a crianga busca o reconheci— mento e a troca afetiva.: x. Brincar ocupa o lugar do desejo e.. segundo o autor.9: ...

).Y. atividade — amol— damento e interiorizaeao de exigéncias externas como se fossern do préprio sujeito. Assim. Rio de Janeiro: Imago.-=sas\s a. na constituigao da forma deste trabalho psiquico. algumas delas sao ligadas a urn conjunto de instintos relacionados diretamente a sobrevivéncia fi'sica do organismo vivo (comer. Poster. 1979). 12.123 no qual afirma que as relagées primarias podem ser revividas em outras situagées por meio da as— sociagao. por que o ego opta pela aceitagéio da exigencia apresentada desde fora em ' detrimento do desejo. Sigmund. 1976. ou seja. a? 1%?K‘2gs’imill’ge‘. beber etc. No entanto. mas a esséncia da vivéncia é recordada e reapresenta-se por meio de uma atitude. procedimento. 147 ‘: eras 4. nao podem ser burladas pelos mecanismos de adaptagao do ego. nos nossos termos.Agsgs»?:s. Guardadas as conhecidas criticas sobre a universalizagao desta dinamica psiquica (Reich [1932]. supostamente mais essencial ao organismo Vivo? A resposta esta naquilo que. MAURO LUIS IASI ou a garantia da sobrevivéncia —— adaptagz’io. mas ocorre uma “atuadagao”. uma questao parece ficar sem resposta. v. Neste caso.rs. ainda que de maneira inconsciente e sem que o sujeito tenha que descrevé—la com as ferramentas da consciéncia. Uma vez que as pulsées 11510 5310 de natureza iden- tica. . sua l‘gunciOImlidfilC'le aqui é evidente. A crianga aprende procedimentos e atua em outras situagées com base nesta referéncia priméria. fuga.2% szs:. as pessoas mudam. nao sao propriamente repetidas ou recordadas. manter a integridade fisica. ou seja. respirar. elaborar e repetir”. Freud descreve este procedimento em um texto chamado “Recordar. todo valor de uso se obtém mediante um valor de troca — pode permanecer a mesma e expressar—se em diferentes contextos. Freud destaca como uma dinamica essencial: o complexo de Edipo. culpa ou qualquer outra forma. “Recordar. as circunstfincias. elaborar e repetir”. 017m: psicoldgims complettzf. a substi‘mcia de um valor — por exemplo. Se aquilo que 0 id demanda vem de suas cargas pulsionais e instintivas. medo. nem deslocadas ”'5 FREUD. a forma.

5.-313331553335 53353313535). como sabemos. ela projeta para fora estas cargas em objetos separados.iflmaww 535-5336. 3"]:‘55 153 3253) 53. contra as manifes- tagées da sexualidade infantil. desencadeando todo um conjunto de ameagas reais ou simbélicas.55.535.. a crianga escolhe um objeto externo e identifica nele seu “ideal do ego”..53 333*?33335- ”“3 «$25553 5‘3") €32 M35553 15533333553555333§$5 ‘2 323:? ~33“ 3331. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE ou substituidas. sua funcionalidade para a inserg ao dos individuos numa divisao hierarquica do trabalho parece ser evidente. a condigao para o desenvolvimento do complexo de Edipo parece ser uma relagiio de identidade restrita a algumas pessoas.m. 55-5 3» . Melaine Klein 16% esta dinz’imica de maneira a nos informar que eStas cargas (afetividade e destrutividade. amor e édio) coexistem na crianea. A substancia filtima desta dinamica é que na luta entre o desejo e a sobrevivéncia a crianga abre mao do desejo.. O fato é que.533. Mark Poster (1979) argumenta que estas precondigées nao estao dadas para a espécie humana meramen— te pelo fato de que as criangas sao em qualquer época ou contexto 124 FREUD. Como vemos. p.555:3 £5 "55.533'3‘3’W" . 148 §a5i.3..5m 3335:3953": :33").523.3. a plena realizagiio da integragao emocional e afetiva com um dos componentes da familia provocaria a reagao do terceiro.3515. gas: ) .:55. por se tratar de uma contradieiio que produz no psiquismo uma ansiedade por seu carater ambivalente. 53535.. entre as quais Freud enfatizou o medo da castraeao. Compendio dclpsz'coam z’lisis. os reprime em Home d3 autopreservagao fisica. devido a natureza mais malezivel dos impulsos sexuais afetivos.$2. a crianea. ou mais precisamente. 72. enquanto outros. fantasiando sua plena integragiio afetiva com 65“? objeto.. ainda que a forma social se altere substancialmente e possamos mesmo falar em inexisténcia do complexo de Edipo em determlnadas sociedades.‘*’?““3’?53"333 5)_-. 5&5 559« 553. mas. 53"»‘. se prestam a estas agées do egam Segundo Freud..5§§. na relagao familiar triangular. 22. que ele edifica como universal.. uma rigida diferenciagéio de papéis sexuaiS 6 uma ameaga. Nesta disputa desigual com os adultos. cit.5.§. O terceiro elemento que de fato disputa com a crianga esta atengéio afetiva e emocional recebe a projegao de toda a carga negativa de destrutividade.)3“? 5555255 "333133553 gyms». A base. Sigmund. de ordem mais afetiva e ligados a sexualidade.35. muito mais que simplesmente simbélica. diante deste impasse..

MAURO LUIS IASI social criadas por adultos e que a ameaea s sexualidade infantil é uma constante.EEEE.. Sigmund... de maneira que uma ccansiedade inicial da crianga confrontada por uma ameaga é agora substituida por uma ansiedade interna (culpa)” (552%. O papel que mais tarde sera penhado pelo superego esta no comeeo entregue a um poder externo. 1979. O chamado complexo de Edipo pressupée.s-Ess EEEaE-ss s: s :§:‘. no entanto. vivida pela crianga primeiro como uma forga externa que se impée aos seus desejos pulsionais. o que geraria “vergonha”..E. é evidente que esta poderosa dinamica psiquica depende das relaeées familiares.« EEi-ss ESE-E sss-E. quando a coergao externa é internalizada . FREUD. p.3.s EM..Es.. parental. ao contrario.. Es. sinais provas de amor e ameagando com punieoes que silo.s:.0 amorais.s- WWW” sags ass “ E33”soraw. 40).1 2 5 e o superego toma o lugar da aeao 125.. O fundamento de todo o argumento desenvolvido por Poster é a diferenea entre o efeito psicolégico quando o impulso é confrontado com uma forea externa. esta generalizaeéio é tao indevida quanto a tentativa de universalizar o capitalismo pelo fato de que “os seres humanos sempre produzem e consomem” (Poster... New introductory lecture: on Psychoanalysis. Essa ansiedade lista é a precursora da subsequente ansiedade moral. A influéncia dos pais governa a crianga... e quando se confronta com uma forga interna. p. Poster (1979..:. Edieao brasileira: Novas confiréncids introdutorias more pszca- mflz’se..E:-..E-EEEE§§. a oferecendo autoridade parental.. 1964. para a crianga. v. Es . Rio de Janeiro: Imago. Nova York. nao naturaliza o complexo de Edipo atribuin- do—o a mecanismos biolégicos ou organicos.::. EE. $4 .. 39). EE:E E s.‘ s. levando s culpa. segundo a qual o desenvol— vimento daquilo que chama de processo civilizador coincide com a mudanea do controle externo para o “autocontrole”: Freud. “P“d M. 14‘) p E. 22. Segundo este autor. E extremamente relevante a homologia que existe entre este argumento e a afirmaeao de Norbert Elias (1993).. Somente mais tarde é que a situagz’io secundaria se desenvolve (que todos nés estamos dispostos a considerar a situagao normal). Vejamos nesta passagem: desem- As criangas pequenas 85.. p. 40).. uma certa relagao de poder e autoridade.. EEK 2”” “WEsEE‘s EEEQEQ EJJEE 22“ Exiswss Ems E's. gs“. Para ele. iw' Es Es‘s Ens mass. 1973. rea— de perda de amor e estao fadadas a causar medo nela.

passando na maioria das vezes o ind-USN? pelo argumento de que a ameaga dc CRStraqfio pode ser. apud POSTER. Ievando ao fato de que. iii 1&3 saiigzaiiiiiili . : @163 9-. tal como nos apresenta Poster (1979).2“ . Mark. 0 (it? e decrsrvo C que 0 pcrlgo consista em uma ameaea vinda de fora e a crianea acredita nela (FREUD. :\ gm wag. portanto. p.. f33P11C3-1h6 uma surra em vez de pumr a $1 mesmo . a ambivalénCia dai resultante e."\' . . 41). 15-lgmun (FREUD . Vimos no raciocinio kleiniano que a crianga tende a projetar separadamente suas cargas de afetividade e agressividade em objetos distintos.que oponha realidade e desejo. . 86). . como argumenta Poster. entre esta rn’ultiplicidade de objetos. New introductory". AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE Como vemos. m i. inclusive na forma de impulso sexual.332: .. Suponhamos uma familial como a camponesa ou aristocrética dos séculos XVI e XVII. {“1 . Mal-estar na crvilizagao”. e a confluencia de algumas variantes: a redugfio ou quase—exclusivi— dade dos objetos de identificagao. e que nos parece obvio. - i 1. N3 época dc Freud estas ameaqas 150 is}: 33.9.”an“. a administragao das “provas de amor C ameagas de punigao” pelo mesmo objeto externo. _r\\\-. encontra—se no fato de que sua agressividade dirige-se para o mesmo objeto do amor. chega a cada uma destas determinagées.b .5 art-g: .. m: i i. Como argumen— tara Poster. 5 few-s. -.‘ D12. p. uma contradlgfio . Esta estrutura permitiria o livre deslocamento da raiva e da afetividade. a": w -"\°-'. o que as caracterizava eram as relagées com uma multiplicidade de adultos evidenciadas pelo baixo grau de afetividade entre os membros. o individuo apre- sentasse sentimentos de vergonha e nao propriamente de culpam ’ A condigao para a emergéneia do complexo de Edipo. op. 127 Q proprlo Freud. a identidade de objetos de amor e Ol. ao contrario. mas ao seu fenehe.t «We "iii-“:3 7: >¢. \-. depende da forma de familia na qual a crianga se insere. cit. diante de uma nao correspondencia com alguma norrna externa. que obv1a. (1513:3131?133331 giftiniwaflffi‘bpi‘mit‘m . Mark Poster 36 pode concluir que: . . 9-». fundamentalmente.\ g». O fundamento da ansiedade produzida na crianga.9% s“): $3315 334. Freud que “nz'io é uma questiio de a castragéo ser realmente executada.)k iiiiiiiifi i: ism-a iii i xvi/ii 3&3”i iiiififi iiiiié‘iii‘ii iiffis if: Eiikziiziziiaii is. menos ainda em relagao aos pais blolégicos..Se s16 126 u f. ' ‘ 3‘: 60mm“ ‘16 “do “‘0 flifereme.127 Diante disto. menten50 cum ri p 1:13:q 0 “5:19:10. . ”I 3 5} mesmo a culpa. -. e que deve mobilizar suas defesas o suficiente para que reprima o desejo pulsional. uma das condigées é uma identidade entre o sujeito do amor e odio. “5-. pulséio e normatizagfio socral restrrtlva. cit. e 6: SImEEOIICa. g?" 13’3““:33'63 i‘f: gm“ fill-ER“ m3. Sigmund. x .. . este nao é um dado invariavel.

$2$§2§22L2 $3: $222322 122:2 22222222322222 2 . mas no prosaico lat burgués. poderiamos falar em intensidades maiOI' 0L1 menor de internalizagao das normas sociais restritivas. p. no interior deste continuum. A severa repressfio.22. 2. 23222222273212 2 22 2. 6 sim de um m0m€flt0 dentro de um movimento dialético de entificagao do psiquisrn02 produto da sintese entre as pulsées e o mundo externo. Na familia burguesa havia o controle total dos filhos pelos pais e. p... op. Sigmund.. nao é bastante. uma vez que depende diretamenre do grau de ambivaléncia entre as cargas pulsionais e restrigées sociais impostas. Mark. Freud generaliza a afirmagao para dizer que isto ocorre “logo que os homens se defrontam com a tarefa de viver juntos” (Mid). Freud chega a uma definigio mais centrada 119. MAURO LUIS IASI O segredo do Edipo estzi aqui localizado. A questao néio é propriamenre de existéncia ou nao do superego. 41) . uma combinagiio que comegou na familia burguesa condiciona o desenvolvimento do superego. :‘1 eterna luta entre Eros e o instinto de destruigao ou morte” (FREUD. Ao final. ”3 POSTER. “Mal—estar na civilizagao”.22. Logo em seguida. porém podemos dizer com uma margem d6 seguranga que é pouco proveivel que o superego tenha forma inva— riavel..2222 22223-212 $2222222222 22. apud POSTER. Soma—se a isso urn grau extremo de ternura. que provavelmente encontrada em numerosas situagées de familia. Pois a combinagao de um amor in- tenso e de uma severa repressiio nas mesmas pessoas. 42- 151 229 2222-2 222. cit.2132 2. de uma exterioridade maior ou menor destas normas2 0 que poderia nos levar ao raciocinio de Elias sobre a passagem d0 nfio cram assim rao simbélicas e estavam ligadas ao horror que a masturbacfiloDinflfan'tl1 provocava nos adultos.128 N510 temos instrumentos suficientes para afirmar ou negar a tese segundo a qual poderi'amos sustentar a inexisténcia do superego como instancia psiquica em certas sociedades. tese da qual Poster muito se aproxima..2 . :10 mesmo tempo. Assim. p610 inverse. mas SC equivoca quando universaliza o grau antagénico que esta contra— digéio chegou sob a forma burguesa. 22. Cit.dmaflmlca essencial do que na forma. uma dominagiio e modelagao extrema da conduta da crianga.2. uma vez que todos concordamos que 1150 se trata de um “aparato objetivo”. 2. Freud tem razao em supor que sempre havera uma certa restri— tiVidade social em confronto com a plena realizagao do desejo.2232 2.22 2 2.222. nao nos belos mitos da Grécia antiga. Mark... Op. on. afirmando que: “0 sentimento de culpa é uma expressao do conflito devido 22 ambivaléncia..22 “2:222 ”22$.

a “selvageria”. é aquele bem constitufdo de alma e de corpo. west irate-rs rem-sew 22W. e 11:10 o que é degrado e sujeito 51 corrupcao. ewsto. p.§a%’2t2‘22\22x2 2-222 E‘s-*2 2. 12—13). contrapondo a elas a “barbaric”. r . POI‘ sua natureza. segundo sua natureza.A50ciea’ade do: z'ndz'w’duos. comanda e o segundo obedece. Rio de Janeiro: Zahar. 2 V-a P. sob a forma que reveste para nés 3. Na frase citada de Freud. Pode-se considerar caracteristico de certaofase deste processo que se intensifiquem as tensées entre os dirames e as proibi- coes soc1als. sank-“2% riflxéemifslm . Como vemos. 103). AS METAMORFOSES DA CONSCIRNCIA DE (ILASSIS controle para o autocontrole. 1998. pois é preciso considerar o mais perfeito como tendo emanado dela..g<-\w~2\2 “r 22:”2% * . tratando-se de nossa sociedade contemporanea.130 “Wilhelm Reich tem razz’io quando nos lembra. internalizadas como autocontrole. ele denomina este controle de “moral” e estz’i disposto a considera-lo “normal” (“todos n68 estamos dispostos a considerar a situacao normal quando a coercz’io cxrerna é internaliza- da e o superego toma o lugar da acao parental”). um processo de civilizaciio. o “primitivismo”. p. parece evidente que. . O homem. 1993. expressando com outras palavras que a plena realizaciio pulsional impede a Vida em sociedade e as manifestacées mais elevadas da cultura. niio sao apenas os “belos mitos” que Freud herdou da velha Grécia.M. e 05 impulsos espontfineos reprimidos” (ELIAS. O processo civilizador. A polz’tz'm.: r322 2222. por um aspecto se apresenta como um processo de individualizacio crescente. O anlmal compoe—se pnmerro de uma alma. incluindo 0 pensamento cientifico.”=-‘:: .23} 2:2:e.129 Seja como for. Rio deJaneiro. Sfio Paulo: Martins Fontes. Norbert.-. é cerramente por erro e contra a natureza” (ARISTOTELES. Em varias passagens Freud associa esta atitude com o que chama de pratica civilizada. ' " Aqurlo . cultura. na frase referida no 1ni'cio deste capftulo. estamos diante de uma intensa introjecz’io das normas restritivas e de um controle externo transformado em “autocontrole”. O que estzi no fundo de tal construciio teérica é a famosa conclusiio freudiana de que nz'io ha civilizacao sem repressfio.2 *. depois de um corpo: '50 K ' u n . Se nas coisas viciosas e depravadas o corpo nfio raro parece comandar a alma. Digo ‘por sua natureza’. de que “o principio da realidade como exi— géncia da sociedade permanece formal se nz'io acrescentar concreta- mente que o princfpio da realidade. por outro. (ldeev1sto. 1994.VCY mmbém’ do mesmo autor. a primelrfl.244'247- Voltaremos a este ponto essencial ainda nestc capitu lo. rags 3 steamer 321. Isto permitiria uma transicao importante na forma de acao do ego: passaria do principio do prazer para o princfpio da realidade.

1666666636 6 666.$'¥?g n: aw“ _\V:'__\. ._ . Sigmund.¢6=-. de autocontrole de predominfincia do afetiva. ¥“‘§_a'=: ms 6. mas nao a também silo os seres humanos que fazem sua como um mediador fazem como querem. . o 561‘ social esta— Assim. essencialmente as dizer. tal como esmbelecem Paulo Silveira C Salvoj Zizek (1996.5. . Compondx’o delpsicormo’lisis.663 2%.. p.‘ewjfij . 66:6 momfifiimd . sus (Elias. mas de “uma” sociedade. 66:666. p.3666 6666. . 121—122 de equivalente geral de Marx._ _ _ 6‘.-.\\ m _Lv'. no supe l passa nas mantém a mesma nas metamorfoses pelas quais 0 set socia da pessoa. 66. é o principio da sociedade capitalista” (Reich._6. p. na qual o ego administ tividade social.. . MAURO LUIS IASI atualmente. mas de um tipo muito bem determinado de sociabilidade sso humana. .. 66636. \\ _ V 6 . x6_-_§. aquela que parece ter um sentido evidente de um proce loomo clau— de individualizacao. é aquela na qual é possivel a internalizacao desta 0 id. moldam sua 219210 e contextualizam historica a das relacées sociais Nossa afirmacz’io é que a substancia filtim ns significantes mes— dominantes encontra sua expressiio ideal em algu internalizados como tres132 que em sua substancia siio transmitidos e rego. quer (FREUD.. .6». O que é internalizado como carga d). e o superego tém uma ”1 “Adverte-se que. 0 id. 11:10 3:10 “agressividade” devida a “frustracao do instinto” (Freu “demandas” apenas relacées. 47). 9‘3 $3.. 1993. Esta substancia se cargas afetivas. 6:66 66666 :3: 3. p. O ego em formacao atua ionais ou sociais.66. apesar de todas as diferencas fundamentais. 4.: . pelo que é atual e acidental” palmente pelas vivéncias préprias do individuo. que diante de demandas objetivas. 242).6 . sejam puls mente sua existéncia. 324). a propria contradicéio individuo—sociedade néio siio préprios do ser humano. 71). . e nao meramente ideias. O coisa em comum: ambos representam as influéncias do passado recebid as dos ouros. cit. enqua nto 0 ego é determinado princi— superego. mas as relacées capitalistas. . A ambivalencia amor—édio. as herdadas. . N50 5510 as da sociedade. relacées com o conceito ”3 Aquino sentido lacaniano do termo “significante mestre” e was ) (2002. o antagonismo desejo-sobrevivéncia. p.“666. A familia. relacées que comporz’io o conjunto do ciclo vital is que se mais do que simplesmente a primeira ordem de relacées socia s relacées apresenta.-9>'. 1977. i6“): 63.~_\.131 Aqui exigencias pulsionais e as demandas da obje histéria.66 “. podemos concluir que as relacées que se confundem com belece sfio introjetadas como cargas afetivas que ra simultaneamente as a diniimica psiquica.. -..“: 3%n i633: _ :f‘” "V-\\“\\“o>'-. 66.

cit. uma matriz psicolégica. De fato. sobre uma estrutura basica e um conjunto de significantes mesrrcs. Elfl 6’ em vez disso. e’ possivel constituir toda a Visflo de mundo que é posteriormente relcmbrada pela pessoa nas acées que se seguem. . a0 dc mundo. . op. neste sentido. 85-86) 154 ‘V’VV: V 'V . (2pm! POSTER. i?V Ema Va . os argumentos dc Erik Erikson (I976) 4. em primciro Iugar.~as-iaé‘a akin z“? a?a: a: i“? -=Momma -<. ao contrario das afirmacées de Freud e cstudos posteriorcs dc Melainc Klein. por volta dos cinco anos. Mark. mas a Familia nfio esta sepdo conceptualizada primordialmcnte como uma insriruicfio investida na funcfio de soc1allzacfio. A forma como tentarnos apresentar o fenomeno nos permite supor que. até mesmo com sua estrutura basica e o conjunto dos significantes mesrres. nas quais vao se agregando e se completando aquilo que em substancia ja é uma totalidade coerente (aquilo que toraliza uma totalidade impossivel. a formacio do superego e’ o ponto no qual uma ordem societaria converte-se em visz'io subjetiva do mundo.133 e esra socializacao primaria serve dc base. segundo os quals o desenvolvimcnto do ego. teriamos que supor um zirduo trabalho de comu— nicacz‘io e educacao de cada um dos valores que comporiam a Viséio de mundo dominante em cada época.Va as {V V . 1989. E evxdente que as relacées futuras do ser social podem alterar ou entrar ern contradicao com esta visao dc mundo e.V-. canto na idade adulta quanto na illfiincia (ERIKSON. afi-ia-‘a. em cerras situacé es. a localizacao social onde a estrutura psiquica é proeminente dc um modo sumamente decisive”. . famlha é o Iugar onde so forma a estrutura [”91qc Ollde 11 expenéncia se caracteriza. ‘ ' ’ P~ 161). Caso considerassemos a adesao a uma ideologia simplesmente um conjunto de ideias. por pad rées emocionais. Retomaremos este ponto posteriorme nte. VVa 29:. VamaV’ astute afiafifia liaiaiaéaa 522 .aV. ”3 A familia 3“ locus 'L da estruturacao da Vida pmqurca. em um codlgo de conduras e de valores gllfgzldgjjlltlfilfigil:([1:1n pelos ind‘ivfdlios” (Jose Roberto Tozoni Reis. 13 Poster F1979) apresenta. assim como uma complexa socializacao de uma elaboracao logica que fornecesse a0 conjunto destes elementos unidade e coeréncia apropriadas. p. A foncao dc SOCIalizagao estzi claramente implicita nesta definiciio. aV mafia-swag “V.§:::::t::lfifluifloxfiisonal de seus membros que [he permite transformar a f _ . Erilcson amplia sua reoria para todo o ciclo vital. AS Mli'I'AMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSIE como cargas afetivas. que solda impossibilidades). h a mancna pecullar com que 0 ‘ a f ' r o '1 . 11:10 limita a formacéo do complexo dc Edipo.». - :{Zfigfi 3. ainda que o processo de internalizacao nao se reduza a somente este momentoffi para todo o desenvolvimento futuro da consciéncia.

.---... se :1 1109510 de alguma Foi introduzida por Marx. O mesmo ocorre com o significante: de sinroma ‘35 “Se 0 real manifesta—se na analise. ele poderia “produzir significados”..§\\ \ x. Zizek. __ ..§9 a“? u..-i: i«aif): 'm x. em outros . .. On ainda: “a origem da nocao de sintoma nao em Hipécrates. de forma a torna-lo signo termos.: éfléii’fgélifii' . é somente com a emer . para partindo das contribuicées de Zizek. é enquan to o sintoma é ef’eito simbolico no real” (Lacan. Dadas a complexidade da quest’ao e nossa quase-ignorfincia sobre alguns de seus fundamentos (notadamente na parte relativa a Lacan).“ i: 19. 7. O argumento central de Paulo Silveira. c‘c 9%” 5“ $5" 5 i? ""' " '.‘. A particula res diferentes. 5““ a]: 5 >5““. '. numa “equivalente geral”136 que a série se fecha numa possibilidade “totalizacao”. V. 2002.z‘N: . Por fim.573 ~. -= l'. 2’”: 823$ 8:? £3. na re- nenhum significado. iv.:." K).’fi. m. 155 1A. bem antes de Freud. x -..923 (9:: gag._-~1 x v (1" \ \ g. p. . sintoma deve ser buscada Silveira.. so.. it in. simples ou isolada. 3“. 2002.$.03 "“5. oria torna a outra equiva- 1} “A forma relativa do valor. mercadoria e o papel que atribui 2: “formal” do valor (Zize ficado.' 'k‘..éh . 76). w 9 .:3. " 7‘” ' : ’.92(~2:. 3. somos capazes de operar sobre 0 coisa que nfio vai bem no real. a equacao do valor continua fortu gencia do como uma “totalizacfio impossivel”. p. apud. para Lacan o significante precede o signi nao possui uma vez que urn significante considerado isoladamente s”.. . em todas as outras que recebem a forma de equivalentes geral. sendo impo anto série isoladamente estabelecer “sen” valor (Marx [1867]).135 explicativa da se remete ao modo como Marx constroi sua teoria k. uma vez que o valor de mercadorias so se revelaria na equacao do valor de troca.».. Segundo Silveira. p..2’ g” {‘. E: K.\ #1" w.’.&2%\\\.m ' 1w: $3? Egrfk": in 5:2” 5 Eu: :9. na ligacao que ele faz entre capitalismo e aquilo a que chamamos o tempo Feudal” (Mid. 1975. _\V .3’z.ifi'fi5.E § ‘ 13.h xe g.\\' §= ‘3' -'-‘°-' ~" g“‘-'. e niio somente na analise.. . mas em Marx. gfl ‘2 5 V” is ’3'.”12% .' it «“4. E neste uma mercadoria que residiria a homologia.»? :3‘..-.“. 119). gm}: $2: 5:5. 1996). somente poderemos nos ater aqui a urn dos seus aspectos. \S"§§?%§ i" ’iu'v'.\' I}: n :w: i . p..'m-. 1996). p. 33. ' . -."M5” 2*? k ’Ss-a? gvs§ 2.\I. é que a divida de Lacan o corn Marx vai muito além de uma passagem marginal na qual mas psicanalista francés atribui a Marx a “invencao do sintorna”. 3. de uma mercad C’\ forma extensiv a do valor relativo exprime o valor de uma mercadoria lente singular. de mercadorias. MAURO LUls IASI A pista que aqui vamos seguir é que existiria uma homologia en— tre a teoria do significante em Lacan e a analise da forma mercadoria em Marx (Silveira. e somenre na “cadeia de significanre ponto lacao com outros. 119). Rn. apud Silveira. hm.. 1: a: : $135. gig??? . Enqu ita e acidental. 1:. § i’k’k. I??? : m)?» 3%:532. 'é ' ' .:' m. 37.\1".>”‘i":§.9%. 9: . em virtude uma especie particular de mercadoria adquire a forma de equivalente e geral de de todas as ourras mercadorias converterem-se em material da forma {mica valor que consagram” (Marx [1867]. na série de ssi'vel a uma delas postas em relacao de equivaléncia.

seu significado estarzi sempre dcslizando numa série infinita dc emparelhamentos... im- possivel de ser totalizada. nas relagées familiares.. O conjuntoi animal (16 tragiio e carroga. 3% «mo . a esséncia das relagées sociais determlnantes em uma certa ordem societa’ria.2». bem-sucedido.ESE-E E E3. seu carate r par— tlcu ar.E. . E3. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE Com 0 significante ocorre algo cxatamcnte homélogo. é assim necessario que um dos significantes seja ‘escolhido’ e retirado da série de ‘todos os outros’ significantes (. um cavalo.3 3 EE-:=. Fora dCStfl ulna I’zagao. Portanto. n. no trabalho etc. Em. esta atitude isolada néo faz o menor scntido.-’E --. Para que esta série infinita seja interrompida..: K.. E E2. Conforms seu em- parelhamento com outro on com outros significanrcs.r-"-§= : :EE’EEEWEEEE ENE-. da série. 14. As relagées que comlpoem uma certa sociabilidade. Quando olhamos para uma dcsta s atitudes rsoladamente.§E< .9“? EEE EEEEE E‘EE‘EE EaE-E EEEE.EEE-EEE EEEE. isto (5.Wr\)\_ 935$. . _\. Q‘t’tzv. essa ‘totalizagz‘io’. 3% 44._ . EE. e (:16 puxa uma carmgj chela dc tralhas retiradas do lixo cujo peso parece SCI muito :efjf:d::r:aa:i:1li:dt:E-le ocupa o lugar que em uma carrO‘Ea ' gao. \\'I 5 _=.-.:1br. Estes “significantes-mesrres” correspon— derlami segundo nosso argumento. um burro ou um bor.. 56 apresentam em diferentes formas. dc produzir um significado L’lnico. 121-122. dc maneira que. . A0 significantc que produz essc: ‘bastea— mento’. compée um valor dc uso para . ”av-22' 95) g. “Lacan e Marx: a ideologia em pessoa”.. diante de toda a evidéncia.iio possivcl”. os transformam em valores relatrvos que so podem ser compreendidos por equivaléncia a uma detormmada totalizagao. assim.”7 A0 que nos parece. e quc (1510 a (:19.EEE. Silo Paulo: Boitempo.__‘\.o’qual eXIStem instrumentos cuja tecnologia até entfio desen volvida )3 nos oferece: uma caminhonete. \ . EE . E)" 3%» g ALE-E. por exemplo. Vemos all um ser humano.-§\\\€E_\ x..-: Pym-g: ”fit . Critiaz flfrzrxism. zmm.)..a E-EEE-E-EE-EEE-‘EE.. 4E . p. “EEK“ EA}:..) \q‘ \ E EEEE-EE. uma vez mseridas na série do significantes. é uma srtuagao 1nd1gna contra a qual deveriamos todos reagir com a ‘57 SILVEIRA. acabado. E ‘2' $5.9\'. f E:__ EEK-ER. :\ 5'?“ w": \ &_. Lacan denominara signz'fzmrzte-rrzesrre. «“5. ela perde tod o o sentido.. 2002. 156 0 mama Q.. ou seja. :E. em sua::1bstflanc1a. _. 3: E“ E. representem uma “totalizac. portanto.9: .EEEEE. ostatos que compoem as ago es cotidianas permanecem a earorlos e ac1dentais.a.EN.w.. algumas “palavras”. vestido com trapos.Ev» Ma'fix . que silo mais (1116 P313" was3 funcionam como esta espécie de equivalents geral. LQE: .3%. na escolaznoogrupo dc amigos. EE. \'f _. Paulo.

. a.. .. swag : -_¢_. pederia lutamente cerriqueire e as duas cenas. .. o aparato repre al” seria Estado e. sentide este que atribuiu a um aceitivel de 56 se o valor de ser um meie de treca e e precedimento aparentemente.\' :..=.5$x\}<\I-'. «33. E melhor que muites de nos. .\' .. tem seu proprio negecie.. 0 are “norm pegar a magi e cemé—la sem a mediagio de um equivalente geral.. .. em ameaga a crianga.. -. tude bem. trabalha para viver. ‘. * " . ... Weber diria.”M’. quigi. compro a magi e a come. Jana»: . a.. W9 " W «a. ximagie. amigos. 75‘ s. Alguém pederia argum censide rar inad equadas um julgamente humanista.95- .0 «s }.{:I5<. {fig}..\. i sem pagar per nada de errado neste are. ainda que seja puxande carrega. nesta. pois 157 . MAURO LUIS IASI mais pronta e decidida agio.. Entio.. ' ' ' ' ' * was"V’-«Ms M»: 25 >2. is. Em uma ga. .. .2. Nie hi. i.. s as :1. .§z<§’. é 36 um set humane. a .e _-. ele adquife que “estamos tedes dispostos a assumir come norm a condigio humana justamente per puxi—la! Um adultO Uma crianga quer brincar em vez de fazer seus deveres.\\‘s.. “ético”.. Errade seria pegar a mag ssive do ela.. Basra entretanto inseri—la numa série um peuco maior que seu sentido comega a se revelar.v'. givi‘wa‘ @933: 32$.\s-"5«\'=. .-: ' ias-.><=c .» 5 {sass a»??? ass asaaas ‘5 Es sassaaa Ms in $s {at-a“? Fri s: a 1?: a E a“ swi‘is‘a“"€?€¥"‘i " _.355. . investide pelOS indiVid pedago d6 papd que dela sie sujeites. . E a pessea que entar que para que ela “seja alguém na Vida”.» was. as :. . ji que o exemplo e UOS dele..‘---'..‘vé :9” News xv.. .s . pegar a magi tende o dinheire necessirio. is i. a tralha tem um valor de troca que 86 de converteri em equivalente geral e. No case.. e contra tal atitude reagiriam e feirante.. cend outta apro- da existéncia. _ -. ‘ 3w$35v.. situagie miserivel de animalidade. ele perde sua humanidade per puxar uma carre al”. V...'5. que hi um sentide nesta agio social.3‘*.. Ele é igual a todos nos.\\'. meu henrado trabalho de feirante. “é 6a _q" \ _ . a profbe de brincar e encontrar seus . Sequestre ela mais ama educandefla seguido de agressie? Nie. pego meu dinheiro ganho com dar aulas. a Yak-«43‘ -a&\rs. . No entanto.. .. O hemem é pobre.\. ..:3.. «W: '. ._‘<_§.3 .. ser humane é trabalhar.. circere privadO case extreme poderi inclusive agredi—la. . . .-. -\-. e sistemajudiciirio. .\\ A-'.. assumiri a forma alguns hens de consume que manteri aquele erganismo vivo em condigées cle puxar a carroga no dia seguinte.. Entie imaginemes alge abso Olhe uma magi na banca do dentre dos mais altos preceites morais. per sua vez.mmé’l‘. . norma significantes em O que é “ser” humane afinal? Depende da série de igie prévia que se encontra.\a‘-'s'.. ”fax 5 ~. Nie é mais um ser humane numa l. aquele é seu trabzzlbo. ..“. \V ..

. r»: »‘33 ~91 «vs-mg tW t" -. uma consciéncia invertida do mundo.. e que nz'io causa espanto.Ea. Por que o que é humano virou crime e o que é reificador e fetichizante tornou—se 0 “real”... 27): “Per esse movimento essencial do esperriculo. 0 normal? Pelo simples fato de que as aritudes.}§:_-:. 158 9.'“?“\\“':j-.Miffiaiiififi an?“ . mas encontram—se totalizados por um universo simbélico que.. (1997. ‘59 “Mas 0 homem r1510 é um ser abstrato. A inversao estava antes produzida no corpo das relacées.maw-v~'§ a. tornou—se ele préprio mercadoria. neste ambiro. iaiaé 1:54:3. Neste sentido.\ r." ”:5? 4-H“ “Xx”*‘“"--"‘"=-'°¥- Mai-MaxiE-iméaéfii i: aha-a i§§ E wsfia ia-séfieisiaz‘a véawfiib is Eafiai-éri-ix iLf-fis mgr. a sociedade. “institui” 0 “real”.-:_<2\\_. corres- pondflem as relacées sociais determinantes. Este Estado e esta socicdade produzem a religiao.*“'.138 Somos obrigados a dizer que esta ordem simbélica institui 0 “real” (Zizek ). 0 aceitzivel. acocorado fora do mundo.éziia-gfi. seu dominio converrido em ideias. 0 “real” insriruido simbolicamente corresponde ao real constituido pelas relacées sociais de produgiiO.. é que reconhecemos nossa velha inimiga (. que no caso constituem a sociedade capitalista produtora de mercado— nas.139 Os Signlficanres mestres que servem a este fim. na mesma medida em que o comprador da maca vendeu sua forca de trabalho para adquirir a quantidade de dinheiro necessaria. mas nap é ela que produz a inversao que aparece totalizada como real. num mundo governado pelos produtos e [1510 pelos produtores. 5:10 a expressiio ideal das relacoes que: fazem de uma classe a classe dom inante.t e ' t.. . 77). que consisre em retomar nele rudo o que existia na atividade humana em estado Huido. [1844]. p. 0 primeiro aparece como inverséo porque o segundo de fato é umainversiio. seu valor definido na relacao corn outras mercadorias na abstracao do trabalho social toral no qual os seres humanos ficam de fora. os comportamCmOS. supée a maca como mercadoria. p. a a 9v. 8510 218 ideias de seu dommro. -t five -_-’-‘-. O are corriqueiro. :“‘-'.9.m i‘_:= m._“7'§:< W“ $313.): a mercadoria”. ’?-é_‘". AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DIE (ILASSE corresponde a uma medicao de primeira ordem enrre o ser humano com fome e o valor de uso capaz de sarisfazer esta necessidade. O homem é o mundo do homem.§-. it?“ “1M3? ‘4} W231. como coisa que se rornou o valor exclusivo em virtude dafieula pdo pelo (206550 do valor vivido. porque eles :do um mundo invertido” (Marx.“?r. 3. para possuf-lo em estado coagulado. porranro. o Esrado. “she 2-3}. a 1'0 ' I . 1993. as ideias e 03 valores de uma certa visfio de mundo nz’io deslizam numa série aberta de significanres. fecha a serle das impossibilidades numa toralidade estruturada. Mas quais siio.z_$.

seduz o eonhecimento académico. materializa-se nos cultos religiosos. além d6 dCSCHVOIVCI mlcranvas turma similares no Rio Grande do Sul.). que rem esre'nome por ser :1 data de sua formaefio a movnpentos 1983. MAURO LUIS IASI entao. cuja substancia espectral estzi presente nas relaeées familiares primarias. . Nordeste.) (Aristételes. 15‘) W22 ‘ We 2 a ixW222 21:322. uma especial junro aos educadores do MST.2“§. 1998. recentemente. A inreneao inicial de Bodra era destacar as passagens em em que Arisrételes discorria sobre o método (decompor 0 todo partes e recompé-lo por meio das associagées novamen‘te em tora. foi fundadO‘Cm ”0 O NEI’ 13 de Maio. Por exemplo. A expcrlfincla que deserevpremosx se dcu nos esforeos de nossa equipe em formar educadores populates.aiséaé 12a..22223322 W:flag-2. pragueja no senso comum. p. conceitos que comporiam a analise da mercadoria. 0 use proprlo de yum sa. mals precisamente o valor de uso e o valor de troca. Apesar de as primeiras rurmas cumpr . como indicado pot Marx.. emerge nas segées de psicanzilise e frequenta nossas melhores universidades? N510 estraguemos a surpresa. Hoje (2003) 0 NEP 3‘3 encotrtra na 18‘ turma nacional de monitores sediadas em 3510 Paulo.141 Sabiamos de onde partiamos e sabiamos aonde queriamos chegar er os elementos (formar educadores populares capazes de compreend no entan— fundamentais da critica da economia politica). incluiu enrre os textos alguns capitulos de A polz’ticrz de Aristételes. extrato no qual antecipava. lidade) e a parte em que apresentava a diferenga entre a economla e a “crematistica”. mafia if:* 2:ab 2 22:222%22-222 §§§rfi§a we: 22W héaafi’e‘n’s :2:. no Paraguai e. partidos e pasrorais em todo o Brasil.EEfi-w‘finw r222 WW2: 1"“. cu]a mlcmuva L primeira forma coube ao professor Humberto Bodra. Humber— to Bodra. sindicatos. estes “equivalentes gerais” que “soldam impossibilidades”. Permitam—me descrever o processo pelo qual uma experiéncia priitica evidenciou a incrfvel e repetida incidéncia de certas ideias—chave. desenvolvendo um programa de cursos e atividades educarrvasjunto sociais. Quando nossa equipe de educadores populares do Nucleo de Educagao Popular 13 de Maio140 preparava 0 material para o desafio de formar educadores populares. esgueira—se mesmo nos partidos socialistas. podemos também vendémlo ou troczi-lo para obter dinl'1e1r0 ou pao (. Alcaneamos. 23). reaparece na escola. I211 “Cada coisa que possufmos rem dois usos (.. o organizador do curso. destinos insuspeitziveis.21s. pato é calgar. 22622 . manifesra-se no trabalho. lrem to.

.}::_':. {. EH 2&2 2 $2 33:23 W» E::-. I’ouco a pouco e com as devidas provocacées mareutlcas.§-. O que seria revela do niio estava ai'.wks'xg m. a contextualizaca'o historica. pedagoglco :ZrNéirgt: e um 13strumento valioso de pesquisa. p.-:§\\_.s:___Q-\_ EdiakEKwEEENECE E. Luiz Carlos Scapi e eu assumimos a coordenacao dos trabalhos. ou a'opdiniao.315 ‘3 \{E it}. . 144).9: fig ans-fl: \f.m. pot meio do didlogo. 2000). E133 3‘2 REE E 2x352. In1c1almente. contexto historico. remexendo socraticamente o grupo e encurralando provocativamente suas certezas.9% ($3. Em comum acordo resolvemos Pesqulsar mais a atitude do grupo partindo da seguinte questao: O que mobiliza no grupo esta resisténcia? Nossa suposicao era de que 0 gruPo possui'a dificuldades para ler teoricamente. 23's: . . sua maestria e quase—obsessao em nz’io deixar nenhuma pergunta sem resposta impunham limites a este trabalho maiéuoticom2 de seu companheiro. ”:53 -:.-\‘|aw-V~'§ ~§'-_ :t I‘N: -_-’-‘-.22::\2:y‘.__m. iaéfimfi‘a 322323215 EEEa§§é2K2E2 E3332. Scapi sempre funcionara como uma espécie de “ego-auxiliar”. por vezes £1 beira da rebelia'o aberta. o grupo. isto e.§5_ 2% .-. notamos uma enorme resisténcia por parte dos par— ticipantes diante do texto de Aristételes. a arte do part0 (Iasi. oportunidade impar para averiguar de onde provinha aquela resisténcia._ my». um aspecto Fundamental do rnetodo I I . ou seja. : ) (ti/11:10 . os pressupostos. Esta '42 A maleutlcas OCF . Sécrates ia induzindo a pessoa aefpt‘essar sua opmrao enquanto a colocava em dfivida mediantc a eiro'nez’a (i tonia). tentando encarar o desafio da leitura. -.“-' $32515: §§. Assim. ora numa sonolenta tarefa burocratica. epistemo- {ogrcamenta um texto. faziamos emergir a opiniao dos participantes.€.. 1994. deixava-se envolver pelo texto. refutacao. mas exatamente na forma “emocional” da reacao.. . 33. com a finalidade de qucbrar a solidez aparente dos preconceitos” (Chan 1'. Como Humberto faleceu no infcio de nossa 4“l turma de monitores.2“ .por scr ' . Quando Bodra coor- denava os trabalhos. interrompia algumas exposicoes que pareciam ter solucionado as dt’ividas e levantava outras. desconsiderando seu método. a linguagem. como ten'taremos demons- . 2. p o proce lmento de Socrates para buscar o conhecunento e s1gmfica llteralrnente: am: de EIZCFPWWL O part0 aqui é usado como metafora da a rte de ajudar 30 nascnnento d3 verdade que esraria dentro de cada um. Vet mais em Maiéurim. AS ME'I'AMORFOSES DA CONSCIENCIA DIi CLASSES a tarefa proposta por Bodra e chegarem aos vestigios arqueolégicos da economia politica. Esta resisténcia se expressava ora num debate acalorado contra o autor. . pressupostos.:??='=-r. EEE 1E3 EEEEEEEEMES . 160 9:9.§_ RIM-fifvvff-a-Y"?! 2):.‘\\ . mas obstrufda pelo falso co- flhCClmCIltO. partindo para reacées emocionais quanto as conclusoes do autor.\ r: >§fi5~wg A:. coeréncia interna etc.ltlca acabou 'l .

. . \ _ _. unit dois a dois os seres que. 0 Estado se coloca antes da (. \. Porque aquele que possui inteligéncia mais de previsz’io tern naturalmente autoridade e poder de chefe. =. 1998. 9'.impée diferenga entt e o homem [No entanto] sem objetos cravo. (. S._..< ash Nam-. O macho e’ mais perfeito e governa. -_ W M WMWW fiaw as. cram CStflS: Deve—se. sfio machos e fémeas.-'\_.\ am 1:54.aaaaa gags mg“:.t‘. e. ._. “mas este cata é muito machista”.__ i 3.) e...) individuo._Q a.l'M o escravo é cont 1'33 (.-v\'. (. 161 m ‘6 .. “muito me admira vocés do 13 usarern urn texto destes”.. 5 a a3 3:1”: a..._a\}.-is. r de escravos. $6 a lei -— dizem —..) Corn efeito.t. os homens nfio saberiam viver se. a: : ..-=:'-.}. p.no 2%. de primeira necessidade. se cada instrumento pudes entao os atquitetos nao dada ou apenas prevista. set colocado antes da part6 desde o momento em Todas as coisas se definem pelas suas fungées. MAURO LUIs IASI apatecia como veementes criticas acompanhadas de desabafos do tipo: é um “absurdo”.3 m.352. _:_’§.. A mesma lei aplica—se naturalmente a todos os homens familia e antes de cada Na ordem da natureza. o interesse do senhor é o mesmo do escravo o é menos. o que nada obedecer e possui além da forga fisica para executar deve.) outros sustentam que 0 poder do senhor sobre livre e 0 es— natureza. forgosamente... antes de tudo.).': ‘. nem o senho . ‘--""i=--\$'-. \..) Dos teriam a necessidade de trabalhadores. executar sua tarefa (..»h A 2‘» say.?. niio podem existir um sem 0 outro. “quetia que estivesse aqui para dizer—lhe algumas vetdades”.) Os anlmals servir — e. pois o todo deve.é‘aiiasfi.. s s ‘. a fémea . pois. Fontes ”4 ESta passagem encontra-se na tradugéo utilizada na edieao da Editora Martins na p.l 43 e obedece. a uma ordern viver Felizes.__\j_ 15.922i.. forgosamente. jzi nao se podera da natureza e antes do mesmas (. (. __. “o cara defende a escravidéio como naturall”. como o homem e a Ha mulher. 43:3?“.-:I3.Fm ”winks t.) urn set que também por obra da natureza 6 para conservagao das espécies capaz ordena e um ser que obedece.. propositalmente unia 1‘” Aqui reproduzimos as passagens segundo a apostila utilizada traduqfio “popula r” (livros de B0150 da Ediouto) e em seguida indicamos a referénaa na edigao da Editora Martins Fontes (Aristételes. gwéfis_-§g_~. 2 e 13).. As passagens que mais provocavam estas reagées. devido 21 reprodugao (... (.. dizet que sejam as que elas percam os seus caracten’sticos. o que é mais... .).) Evidentemente o Estado esta na ordem individuo (. a natureza a nenhum deles distingue. ”. €11t outras.

a0 contrario.__E. Como instrumento o trabalhador é sempre 0 primeiro entre eles.. 5e um homem pertence a outro. Eff-9‘3 Ens 32:5.:I“"'-z‘-=_:. at. a mandar.. 2“”'. : =EEEEEE§EEEEEEE E..-:_§_E_E®_M§ (y.. é um homem.) E por isso que exisre um interesse comum e uma amizade reciproc a enrre o amo e o escravo. mas pertence a outro. e O que pode vir a ser.. se veem destinados a obedecer."16 [Na democracia] 0 Estado cai no dominio da multidao indigen te e se Vé subtraido a0 império das leis. que essa distingao subsiste em alguns seres.. MES-9”“ $“l?—:E‘-i"i. p..) do mesmo mode a propriedade é um insrrumenro essencial 21 Vida.» WM .. p. (. outros._ EE’EEEEEKEM EEEEEEE-EEEEEZE E EEEEEEEEEE. pois é preciso que aquele obedega e este ourro ordene. 925$]: 9:. pois.. Os demagogos calcam-na com os pés c fazem predominar os decretos. EE-I. Tal genrallla é desconhecida nas politeias onde a lei governa. com uma auroridade absoluta.§ WEE. que ha escravos e homens livres pela prépria obra da narureza. quando a prépria natureza os julga dignos um do ourro. é uma coisa possuida. -EEE.) A Vida 6 use e nfio produeao. é simplesmenre uso (. no entanto. Trata-se de um ser composro de varias cabegas. mas todas junras.”7 ”5 ARIS’I‘O'I‘ELES.. . elas dommam niio cada uma separadamenre.5?“ 55. p..) Vé—se. Fica demonstrado claramente O que 0 escravo 6 cm si.. mas apenas em virrude da lei. isto é. mais ainda coisas liteis. Alguns seres.. eis por que 0 escravo 56 serve para Facilitar 0 use (.. segundo seu direito natural.) O povo torna-se tirano.<‘\'§.E EE-EE.§=‘. AS MI‘ZTAMORFOSIES DA CONSCIIENCIA DE CLASSIE instrumenros..!. 0]). Ora..) Os instrumenros sfio propriamente de produqao. que a discussao que vimos de sustenrar tern algum fundamenro. a riqueza e a multiplicida- de de instrumenros. 125. ‘5""'“ ‘:5-.) A autoridade e a obediéncia nao sao 56 coisas necessarias..).. :E “W lit-132:3: _E: “. 10-11- ME 15:21.". (.“” 3::. ”’2“ .. EEE‘E E EE.EEE EEE-sEiEEE-EEEEE EEEEiE-EE {E. mesmo sendo homem. e por efeito da Violéneia. da—se a0 contrario quando 11510 é assim.332.:\\§23:$I. A propriedade..E. um 5:10 animados._\\..... 12-17. para outrem mandar. E uma coisa possuida é um instrumenro de uso.2%: V353? ficwkgtwi if». WE ’13". ao nascer. (.. W 15221.” Mas ha ou nz'io tais homens? Existira alguém para quem seja justo 6 (mil ser escravo? (. {Eff23.""\‘“‘\§3§"‘. e o escravo uma propriedade viva. sempre que igualmente parega Litil e justo para alguém ser escravo. . (.. separado do corpo a0 qual pertence.EEEEEEEEEEEE EEfiz-EEE EEEEEE-E EEE-EE E-EEEE. (..._:5E 4. outros inanimados. esse é escravo por narureza. Aquele que r1510 se pertence.

\ . os Hegel e Marx.-. MAURO LUls IASI Existia algo nestas afirmagées que provocava a ira do grupo. unidade e coeréncia. .\. Entre o trabalho pe— olhos dos educadores ern formagao. Con- Declaramos aberta :1 “temporada de caga car as afirmagoes trolando nossa ansiedade em responder ou retru fluir dos argumentos con- d0 grupo. nos permitimos ouvir o livre r no discurso. e estes levam presentes no desenvolvimento de seus argumen ramos combatéfllo coerentemente as suas conclusées. decompo— u em —10 em suas partes e reconstrui-lo enquanto todo nz'io nasce tanto. Caso quei (111313 devernos buscar. mas alguns milhares de anos antes.' . da velha Grécia. Basra que o leitor pare urn minuto a leitura do presente texto e verifique em 81 mesmo este incémodo. seus pressupostos e prin- Como era esperado.: . o que totaliza. V}: . mentos e com estes o 3510 nossos pressupostos. aproximadarnente. igualmente.-.: \. o alvo das contra—argumentagoes eram imos cipalmente as passagens citadas. W zf- . tentando identifica sua coeréncia. .. o seguinte desafio: por que “abs por tételes é um pensador “unitario e coerente” (afirmaeao esta que ).:'5-.-\.. ainda que com insistiam na vontade dagogico chegassem as mesmas constatagées.. E3x§swtx 233% is eufiiizeéim 3%: 33% 153 sfiéfi‘im‘}? .').. sem revelar aos participantes. entéo. umas 18 experiéncias) e 163 \ ism w a?“ :s r3333 %.. de discordar das conclusoes do velho filésofo que qualificavam como “absurdas”. M . seus pressupostos estao si mesma jé gerava uma enorme polémica tos. E preciso registrar que repet de forma sistematizada esre procedimento nas 13 turmas que se seguiram (alérn de algumas turmas extras realizadas fora de 8510 Paulo. 2: . . trarios as afirmaeées aristotélicas.>. . o que me e dos importa é a brilhante antecipaqao do pensamento racional instrumentos da légica.\ ". . ou seja.Q". urdas”? Aris— Langamos.. Salta aos olhos que alguma coisa nas afirmagoes de Aristételes nos incomoda. quais nossos argu entes das do autor? nos conduzem a conclusoes que julgamos difer a Aristételes”. Olhos treinados teoricamente tendem a se livrar rapidamente do problema com mecanismos de defesa do tipo: trata—se do Aristoteles. .\'. siio afirmagées condicionadas historicamente. o método de partir de um todo.

o que levava its formas justas de governo etc. natureza uma diferenga quanto a inteligéncia. EEE 2‘ :‘z-wg2 EE2 EEEEEE‘» Vi“ EEMEEEEEEEEI’EEE: . Se em um primeiro momento procu— ravampsevitar a reaeao emocionada colocando em seu lugar urn rac10c1n10 epistemologico. portanto. derivar daf uma posigao de mando ou obediéncia para homens e mulheres. entao corno explicar as diferengas reais entre senhor e escravo? Aristoteles as inventou ou realmente existiam na Grécia antiga? (. E possivel imaginar a reaeiio de um grupo de educadores populates. n . O mesmo argu— mento serviria para discordar que a natureza pudesse definir papéis sociais como 03 de senhor ou escravo. os part1c1pantes eram levados a. capacidade de previsio e. instigava o grupo procurando coloca-lo em dt’lvida ou f“3“}3fldo para que buscassem coeréncia em suas afirmagoes. na esséncia. para os partmpantes. j 3. A postura pedagégica de Scapi neste momento foi essencial. Os participantes alegavam que seria um absurdo148 atribuir 22. nao basta afirmar que a natureza nao atribui difereneas €103 SCFSS. AS: METAMORFOSBS DA CONSCIE‘NCIA DE (ILASSE em todas. na medida do possivel.‘ . a natureza justa e fitil da escravidiio. podemos dizer que os argumentos eram.u de fato ocorria é que. com o trabalho maiéutico. por inteiro. no carater geral da sociedade e no papel do individuo diante dela (e do Estado). que sempre incluiu um certo ntimero de militantes feministas. . indo diretamente ao emocional. a natureza da desigualdade.3. t. os mesmos. Em linhas gerais.. Por exemplo. diante da afirmagz’io “mas r1510 ha uma diferenea natural entre homens e mulheres”. Assumindo a defesa das teses aristotélicas. ppr aSSlm dizer. buscar uma unldade e coeréncia de seu pensamento e construir uma afirmaez‘io. p015 parece lIldlCflI’ que. i‘ixx‘i E‘EEEEVEKE‘EEEEEEECE ‘ ii“ E E132 E322‘5: EEE 2922 «a . agora operzivamos no sentido oposto. 164 “WWW-:2 E2“. com pequenas variagées. o foco do debate concentrou— -se em alguns pontos—chave recorrentes: a questao da mulher.‘ xEEE WEE EEEE‘ENE E‘EEVZEEZE ‘MW EM EW‘E“? 1‘“: EEEEEEEEEEEE W Efik‘x EE-E‘EE Em ‘ -“::22 mix “‘2 E:. ou “niio esraria srstlmos 1-18 I n '' aqur' no termo u absurdo . A naturalidade com que os partici— pantes expressavam suas oplnloes foram para nos uma importante pista na compreensfio do senso comum. OS u - argumentos contrarlos a Arlstoteles seriam obvios.

aquilo que aparecia de maneira reiterada eram.\ a: . insisrindo que era a propriedade que definia as diferencas sociais._:.Icy. $.. ordem natural.\ .”9 "‘9 Algumas vezes aparecia com forca a ideia da propriedade como causa das diferencas e sua contraposicao com a socializacao da propriedade. C) quanto 21 escravida'io. s. e niio a natureza. $$% $ $w%% 32$32$$$$ $3% {32> $$$$$§3$i%§3 $3536.553: \. m: ( ‘2' «s.23 EMWQA “$32. dons. 33m “33%. era 56 exigir um pouco mais de profundidade que esra afirmaciio se mostrava “vazia”. . ‘25-. assim como das ‘condicées’ oferecidas a0 individuo e suas capacidades inatas (talentos. chegando a asseverar que a posiciio que .\\|é\V m3 q. cada um deve ocupar depende do esforco do individuo. e com ela os argumentos.:»‘ r\\\-. mas todos os z'rzdz'm’duos teriam ‘potencial’ para se desenvolver.. MAURO LUIS IASI Aristételes certo a respeito da superioridade do homem quanto a inteligéncia on a posicéio de mando?”. ou seja.“: 3:34} a 33‘ . pressupostos e conclusées de um discurso articula— do objetivando se contrapor as afirmacées de Aristételes..9s. mas da ‘organizaciio social’.‘. os seguintes argumentos: a) contra a afirmacfio arisrotélica de que a natureza produz os seres com diferencas fundamentais e que isto define a posiciio social dos seres huma— ento. .. Pouco a pouco emergia a opiniiio do grupo._-_§\\_.w. -. ‘talentos’. e este deveria se submeter ao todo independentemente de sua vontade ou esforco préprio. d) 0 gtupo reagia 2‘1 afirmaciio de que o Estado estaria.’.E..: _»= -‘€--. - wkka"? s$$$%$%i:% $ $tfimé'52 i.\\\\§\::. «'3‘ A:. m s. na antes do indivz’duo.t W .. e a posicfio social a ser ocupada nao depende da natureza. em sintese. a resposta do grupo é que nao. 165 :3. 0 grupo constréi o argumento da igua/dade natural de nascim b) instigado sobre se esta igualdade geraria seres absolutamente iguais. : $4.sv.33 $22 $$$ mhfififiifdfi . pois haveria aptidées diferentes. ora ia para o direito de todos terem propriedadc. assim como injusta a atribuicao de um papel subordinado de qualquer a0 pessoa sob a vontade absoluta de outta. . ._ii3'¥?g ‘5 sag.63 9'. -: 5 Ewe-s. _s. e r1510 da natureza nem da itnposicz‘io do Estado. No entanto. os participantes consideravam-na ‘antinatural’.s.'-":\\"._. _\::I':_§. Contrapunham este estado da liberdaa’e e o atribuiam como um direito de todos que so podia SCI subtraido pela injusrica e pela forca.. Nesta contraposicao. e) niio chegavam a uma contraposicao nitida quanto a questao da proprie— dade. aptidoes etc). HOS. ora permanecia como um vago sentido dc socializacao da propriedade porque seria mais “jUSto”.+.

uma concordz’incia com as diferencns “naturflis” d6 género. a maior parte deles de setores mais radicalizados da esquerda que tém como perspectiva o socialismo e acreditam que 0 meio para alcancé-lo é uma revolucz’io. o mals Importante é a educaciio”.g§:"-'\£"z‘ F ws.:. 321. ainda que n50 expressamente.W'Il -ZSQ‘Ee-‘Eszfis‘g gggEQ-ga egwx a». “este é o papel do Estado”. E preciso que se diga que ate’ este ponto os participantes jul— gam que estéio contrapondo Aristételes corn suas préprias ideias. lembrem—se de que se trata de um grupo de militantes oriundos de movimentos sociais. por exemplo. “como organizar o poder e a tomada de decisées”. os participantes criticavam a preferéncia de Aristo- teles pela forma de governo aristocrzitica e suas crfticas 2‘1 democracia como forma ‘degenerada’.: we . 15° Interessante notar que esta mesma dinamica realizada com grupos niio militantes reproduz essencialmente a mesma reacio no que diz respeito £1 contraposicéo dos va- lores afirmados por Aristoteles com valores como igualdade. pessoas que tém sua autoimagem como militantes de esquerda. partidos politicos de esquerda. sempre expondo os argumentos de Aristételes e saindo em sua defesa. “precisamos garantir trabalho para todos”. valorizacao do individuo e outros. No entanto. ponteados de profissées de fé no socialismo. ou seja. assim como. “como garantir uma verdadeira igualdade entre as pessoas?” A riqueza desta experiéncia é que cada grupo encontrava caminhos e formas diferentes. a lideranca.15° Uma vez chegada a diniimica a este ponto. a forma de governo ideal deveria aproximanse da democracia. segundo a opiniiio deles. tenham as mesmas chances”. sindicatos.gmlz-gé Egg-swmmifil-ag . neste tipo de grupo 0corre também uma :irea maior dc concordiincia com Aristoteles quanto 21 afirmacéo da necessidade de “mando e submis- sz'lo” como uma determinante natural que explicaria. iméfiég légsgmw gm izéaagzg 2. para sempre chegar a uma substancia de pressupostos comuns: “a sociedade deve dar as condicées para que todos igual— ‘r‘nente. deixzivamos livre a discussz'io e. gags ageing-mtg * gjsmks M g mg:.mgag <i§1z§ff. liberdadc. “0 problema é que a propriedade é 56 de alguns” etc. indagévamos sobre o funcionamento da sociedade partindo destes pressupostos apresentados: “assim n50 ht’Fia desigualdade”. sustentando que. Poderfamos afirmar que o senso comum nzio militante mescla mais intensamente o universo de valores de Aristételes com valores liberais. I66 * M \“o g'2 :‘ as” “Mg-sag “. AS METAMORFOSES DA (IONSCIENCIA [)[i CLASSE f) de forma unanime.

isto é. Abordaremos alguns ou valores principios. A primeira reacz’io. OS axiomas basicos ou valores maximos” da doutrina liberal. aceitas sem discussao. a sequéncia do texto l pelas Cunha. Rio de Janeiro: Francisco Alves. . a maximos da doutrina liberal. 167 . Siio eles: 0 z'rzdz'w'dualismo. eram também as mesmas ide’ias—chave que eles haviam utilizado para contrapor as ideias de Aristoteles. Apenas para citar uma passagem ilusrrativa. por vezes alguns dos argumentos utilizados pelos participant os: literalmente. uma ideologia. Em verdade. por isso em nosso material melllante para evidenciar os principios liberais na educacao imento de traballro possuiamos o texto de Luiz Antonio Cunha: Eduazno e desenvolv social no Brasil. ainda que persistisse o duelo entre os participantes do grupo a respeito de algum aspecto secundario. os cinco principios liberais. encaminhavamos aos participantes um texto que veio a ter 0 efeito de uma bomba.153 quase que repctc es. em competicz’io jzi llavia realizado algo se- '5' Um outro membro dc nossa equipe. a! propriedade. N0 entanto. O texto estava em nosso arsenal didatico para ser utilizado em outro momento e tratava dos principios do liberalismo. MAURO Lurs [AS] Quando Viamos que estavam acumuladas afirmacées sufi— cientes e um certo consenso no grupo sobre as criticas. 1983. 7" ed. :22 322222“: 2 2 s22 22 22:222 2222 2222 2a 22 1:2 22222 2 2 222222222 . cit. os ou Todo sistema de conviccées rem como base um conjunto de principi verdades. 152 CUNHA.‘52 cc Para espanto dos participantes. descrevendo os fundamentos do pensamento libera palavras de alguns de seus cminentes teéricos. Vejam cada individuo A funcz’io social da autoridade (do governo) é a de permitir a com os demais. op. os que constituem os axiomas basicos liberddde. é a resisréncia que se expressava pela afirmacao de que dc foi isto que eu queria dizer”. Cunha apresenta como um bloco so alguns contratualistas como Hobbes e Rosseau. os mais gerais. ao lado de fundadores do liberalismo classico como John Locke.151 Luiz Cunha (1983) inicia sua exposicz’io afirmando o seguinte: O liberalismo é um sistema de crencas e conviccées. ao o desenvolvimento de seus talentos. apés 0 cs— “nz'io panto. que formam o corpo de sua doutrina ou desses corpo de ideias nas quais ele se fundamenta. Paulo Sérgio Tumolo. a iguaidzzde e a derrzocmcz'zz. Luiz Antonio.

a dinamica ocupa dois dias c uma noire de rrabalho. diante da insisténcia do argumento de “11510 f0i bem isto que eu queria dizer”. No contexro d0 curso dc monitores.:z _!_(_52%. o scnso comum (c 6 disto que sc trara como vcrcmos mais adianrc) reage dc modo particularmenre diferenre quando as idcias sfio aprcscntad as na forma de texto impresso.a m 33%? . algo em torno de 10 on 12 horas.~“. alguns corn que concordasse 6 com eles fosse escrita uma frase descrevendo uma nova sociedade com a qual cada um se identifica.: gk gs. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSES mdximo da sua capacidade.__-. N510 precisamos dizer que aparecia '54 CUNHA.» .2 f: fixing.-.. » w -. ”3-...iar§3§“}?§§ ififim E §.¢\'§_ mi? §_ k . :5 sf}? . aésafiaé 3w: manila.2 «magma 3mm ._§\\_:. ? :imn‘ *2. 2mm. -._.im M a: . Luiz Anténio.N.3». e por vezes até mesmo na forma. a~. 168 " a? ‘ .. Com a sequéncia das turmas.-\. 0 faro dc aprcscnrarmos o texto dc Cunha é um podcroso insrrumento.@:__._w~. entre os cinco principios. . op. o exercicio foi sendo aprimorado. mesmo que resistindo ponrualmenre na defesa de um ou outro argumenro pessoal.-¢. o impacro n50 seria o mesmo apenas comunicando verbalmenrc que havia uma correspondéncia enrrc as afirmagécs do grupo c 03 principios liberais. $5». $33? \' -: “fir-é '._. como se cornprovou em ccrras oporrunidades em quc renramos transpor esra dinfimica para outro contexto sem o tempo rlccesszirio para dcsenvolvé—la.§TJ§«. ou “os monitores manipularam o grupo para que chegassem a estes principios”. Além disso. ax} E $535134» “W.§' 55A? 3-33.. os participantes assumiam varias posturas. »..Q}: vgxa §9\z¢. urna vez quc j:i csrava pronto antes dc comcgarmos a diniimica c 11510 pode ser acusado dc repcrir os argumcnros que ainda seriam deserwolvidos pelos participanres. ou. os participanres veem claramenre no produro colerivo a correspondéncia com 05 fun- damentos liberais.t m . ‘55 No que range a csrc aspecro cm particular.Wu": r -. O individualismo acredita rcrem os difcrentes individuos atributos diversos e é dc acordo com 6163 quc aringem uma posigéio social vanrajosa ou nao.. assim. Com toda ccrteza. Propfinhamos. s": away w .: _w. O que ajuda na dinamica é o fato de que a afirmagao coleriva aparece como urn produto do grupo. entao.'5“ Dada a incrivel correspondéncia com o conrefido. COIUO disse um participante. ideias-chave que séio vistas como “verdades” e “aceitas sern discussao” e sob as quais o grupo partiu para atacar Aristételes. is» . desdc a reflexao mais profunda até a resisténcia aberra. “ressignificé—la” no corpo de ourra visao do mundo. cit. Por exemplo.:>.1‘§\33?>\§£§ REE. EQ¢\X. $1.\\.155 afirmzivamos que nao havia problema em recuperar uma palavra e “redefini—la”. que cada participanre escolhesse.

MAURO LUIS IASI novamente a utilizagao de todas as palavras—chave. \ imam arias 3. mas.. Usar um dos conc . nem escravos.3% Newman zafis if: "asks ”3%.. nismo. Por exemplo:156 iguais e a liberdade de Na sociedade que defendo. “liberdade” quer dizer. cada individuo serzi Na futura sociedade que queremos..3%. considerando o coletivo dos participantes. justa e igualitaria. livre e a propriedade serzi de todos. socialista. de manelra uma “ligagao estreita entre os cinco principio s implica na impossibilidade que “a 11510 realizagao de um 56 dele eitos—chave isoladamente de todos os outros”.. no comu nem opressiio da mulher pelo do homem pelo homem.%:%i%%% Ea. porque todos os individuos nascem iguais e livres. Poderiamos multiplicar as dezenas as frase lar que tais termos notem que isto ocorre mesmo depois de reve entalmente. nao acid ha alerta em seu texto que existe axiomas centrais. O préprio Cun s liberais”. %%‘ i. pois seu significado 11510 0 redefine pela vontade de quem o usou tinua operando. a base use que os liberais fazern da palavra “liberdade”. mas como fazem parte da doutrina liberal. iaézsé iiSsx§§£m§$ f3 . estzi preso a uma cadeia de significantes que con o haviamos antes apre~ Observamos aqui que se revela. ern si mesmo. com da série. quelibera esta dinamica. e as frases giravam no essencial nos limites da mesma visao de mundo. sagao de que estao a falar o os participantes acreditam. basta “reme— Para comprovar a fragilidade desre arg ificantes total1zado: termos uma palavra a dois conjuntos de sign fala dos homens “livres diferentemente. “liberdade”. Quando Aristoteles nos muito diferente do em contraposieao ao escravo. nao havera exploragz‘io Diferente da sociedade capitalista. os seres que torna possivel a liberdade é a escravidiio.:%% %. dai a sen “obvio”: ora. sentado. nao em cada um do grupo. s apresentadas. 0% 47. homem. Q} l: a: 3‘: $2. todos os valores se reapresentavam. o fato de que um significante fora Mas é exatamente isto que n50 pode expressar um significado. a... todos serao cada um terminara onde comega a do outro. umento. o faz de forma Para ele. ‘56 Frases colhidas em algumas das turmas nas quais realizamos 1 6‘) was We %.:s-%.

so tornarem conceiros de um cer 110 to corpo teérico. gumlo mm! SE . Marx iron izava a pretensio daqueles que como Lassalle imaginavam resolver a questfio com :1 criariva combinagao de palavras. n a0 1103 aproximaremos um milimetro da solugao do problema" - (MARX.§ 122. como na proposta de um “Estado livre”.: 22:e . Karl. “comunismo”. ‘ . “revolugiio” ou qualquer outra. Para os liberais. Sabcmos que as palavraS. ou. upor mais que combinemos de mil maneiras a palavra povo e a palavra“ Estado ’ . U78. Desra Forma.V.l _ . gs“ 2i. 51 '58 Deparamo-nos com um Faro similar no trabalho r corico. no caso. AS ME'I‘AMORFOSES DA CONSCIENCIA DIE CLASSIE com instinto de mando para a associagz’io politica. ou.2e2 riéeazi’eh’s . ern uma toralidade coerente. e sell significado so pode ser buscado I 1a relagfio que esrabelcce com o corpo do qual E12 part6. alrnejam. porranro.de Durkheim. [S2d-l. p...MWW 2%:2. I erguntando-se quals rransformagées soFre ria o Esrado na transiqfio para uma sociedade comunista. a liberdade é condicionada pela igualdade natural. nao redefine todas as outras em fungao da totalidade de significado orversa? Por que nz'io rerr’amos. sem Esrado. por que a inserg'ao na série da palavra “comunismo”. John . a dourrina liberal.‘zifi-M‘Wfiivw ir-séfiis VH2 W22? rags 282 if: “W 22122222222. deixam de scr simples palavras.157 Emparelhados numa série de significantes. mesmo contra a suposta vontade do formulador. Crmca :10 programa de Gorha”.10 I aulo.itiner. ou significantes mesrres. Mas por que cerras palavras tém o poder de funcionar como “equivalentes gerais” e ourras néio. a palavra “solidari e'dade” ganha significados (listinros quando emprega‘l‘1 159 na ) obra . como “socialismo”.22 P2 220321). e. assim. 05m: escolbidzzs. 5. De nada adianta acrescentar £1 série uma palavra significa— tiva de outra Visao de mundo. a liberdade comunisra. .159 Certas palavras sao determinantes porque correspondem a relagé es 157 IJOCKE . o direito de dispor de si mesmo como propriedade inalienz’wel. estes valores centrais. Seria interessante imaginar o que pensaria o velho filosofo alemfio d6 [Cfmos como governo democrfitico-popular” com o qual 0 PT imaginava diferenciar sua proposra de gesriio dos espaqos conquisrados no Estado burgués. uma “democracia social isra”i>158 Porque niio se trata de uma quesrao linguisrica ou semantica. ainda que nada lhe reste. 6 ela se funda— menta exatamente no individuo e em seu direito natural de dispor de suas propriedades.. a 1gualdade socialista. e no relarorlo de uma ONG carolica. ( (Os pensadore3)_ 1 c a :0 re ogoz/c’rrzo.§:. como muitos hoje. 5 . 2 \\ “2232222. 170 W22 ‘ W. Abrll Cultural. por exemplo. Sio Paulo: Alla-Omega. tém o poder de definir cada palavra que na série se apresenta.2-.. com as mais altas e nobres intengées. . Para Marx..2332 22firs-”Lira.

sobrcvive. ao distribuir o produto social segun utor. o direz'ro [mrgués”. p. Alias. p. 236). c estas sao condiciona 613.. . is iii“ .” % iii. A “igualdade e democracia socialistas” sé podern corresponder a uma transigao cm quc os fundamentos das rclacées cocxistcm sem que urn possa determinar por complero o outro. Entretanto. pois nao se trata de uma questao dc produto social. niio pod pera da tradicao outro “principio”. por exemplo aquelc quc Marx recu a cada qual. mas desigual” estcs inconvenientes. segundo sua capacidadc. isto porque: na primcira fase da socicdadc comu— Estes defeitos. on o mais principio para regular a distribuiciio do ccluSIO”. 215). a “apli “para cvitar todos medida igual” a individuos dcsiguais. sz'io incvitfweis talista dcpois de um longo e doloroso nista. v. Crztzcrz (10 program: dc Got/m. em scu Crz’tica no programa de Got/M. 214). mas que certos voc das por uma matcrialidade felagécs sociais. V.} f" §~31§§ i {ii wit. “escolha” do mclhor N510. vezes que so arvorou a falar um pouco mais detidamentc da transi passa gem. p. igual.214- I ” MARX. ’ p I 6 marxisra. mas uma questfio do proprto ““ ESte nfio é somcnte um dilema da tradicao pcnsamento sociolégico. t3 quc foi criticado por Elias (1993. o direito r1510 tcria que ser eriamos. Karl. 220 e 171 153‘ 1.160 ” a0 dcscnvolvimento cultural da sociedade estrutura economica A complexa c polémica rclacao entre “a ela dcterminado” assombrou e 0 “desenvolvimento cultural por que aqui sc trata.16‘ Nao é o os marxistas dcsdc sempre e é disto sc rcsolveria criando ter— caso dc inadequacz’io dc palavras. 1. socialista utépica: “de cada qual. é cxatamcnte isto que Marx (1875) nos apresenta em uma clas poucas cao. o quc ibulos correspondcm a certas mos apropriados. [1875]. da quantidadc dc trabalho oferecida por cada prod cacao dc uma mesma “em principio. O dircito r1510 pode ser nunc por ela condicionado. ‘3) teorlco quc dcssc conta da relaciio cntre “estruturas dc person n . scgundo suas necessidades”? (ibid. 2. MAURO LUIS IASI sociais dctcrminantes. entao. Em uma conhecida do o critério ole ira afirmar que. de forma que. porém. tal como brota da socicdade capi a ncm a superior a estrutura economic parto. optar por (Marx. como demon stra o csforc o de Parsons em buscar um modclo alldadc e cstruturas soc1a1s ' o . p. isto é.

a caréncia que limira o monrante do trabalho social total. o_-_\.“’i"§ Aw:§:: V31 .A._\'r_. por exemplo. As forgas produtivas materiais 5510 o conjunto dinamico dc trés fatores.... a materialidade sobre a qual agem (que inclui a natureza fisica.‘. seja na forma de saberes. seja na forma de instrumentos e ferramenras. idififlw‘ifiiwiliii‘iiiifi lifié‘a aiflf F m: ii-sé3'§"}s§:s§k i‘éifiis ‘2 Era-ai-a‘iaix rings. 0 iato de .. tecnologia e conhecimentos. Totalizada na série do significantes as palavras—chave.._.x_ p.. agao humana. urnpa organizagao simbélica no interior da qual se institu ern as Yisoes de mundo.. adjetivando a palavra igualdade como igualdade socialista.11): 5: \.‘riks 2%.\ . _\\::-:_\.§*W\>§W$¢ my '=_ six». da mesma maneira como o dinheiro apresenta-se como 172 _I._-_§\\_:_\ 7: -‘é_‘". uma certa “cultura”.: §.‘.. f or? 435325 $3.3}: 95. \‘ss_v_ \:: swag.’. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE que apenas resumidamente podemos identificar com aquilo que Marx chamava do “grau dc desenvolvimenro das forgas produtivas materiais”. imam.. Existe aqui uma circularidade que pode desaparecer numa aproximagéio mais meca— nica.= 9' 335. p. subjetiva.o. Superar ou redefinir o conceito burgués dc lgoaldade nao é possivel por meio de uma simples operagiio sim- bolrcaou gramatical. 214-21 5). é cond1c10nada por uma materialidade que inclui esta mesma aqz’io. que corre o risco de apresentar na forma sintética e simplificada uma complexidade que nao permite simplificagées.v. = . portanto. por assim dizer. sua dimensao. a contradiqz ’io entre trabalho manual 6: intelectual.-§z>:§-. sé que objetivada..iziia-g§= siag skim lashiifiiaimm 2335 . exatamente aqueles que constiruem o trabalho como protoforma da agao humana: os seres humanos.9: $3.__ . axiomas centrais do ideario liberal apresentam—se as pcssoas como “a forma ” pela qual é possivel construir a represenragao simbolica das relagées humanas.0 ser social ter assumido a esrra nha c egoista Eorrrla de Individuos” que rransformam o trab alho apenas em um mero de Vida” (Marx [1875]. significa alterar radicalmente as relagées que det erminam os limires desta igualdadfz...\2. Faz parte desta materialidade. segundo as pistas do Marx em seu Critical (to progmmz z de Got/m.5 x. mas nao apenaS) e as mediagées criadas pelos seres humanos para atuar sobre esta materialidade.5.:Ml-@_=_.. Superar a igualdade burguesa.<~\'g.t W .}. por exemplo a escravizante sub ordinagiio dos individuOS em relagao a uma divisiio do trabalho..<«xg.

Em EM. ilégico. O que se coloca “fora” desta tota- lizagiio é visto como corpo estranho. EEE . Numa passagem de A political.-._ ...- EE-E. .‘.. EE * _. 0 “indi— viduo” n50 tem espago pela simples razéo de que o “individuo” 11510 existe! 0 set so existe na associagfio e se define a partir dela sendo uma abstragfio absolutamente indevida.E:-._E..*..2. é de cada um bastar—se a: 51 Alénl disso.E... . esta encapsulagiio do homo: 61mm: é condigz’io essencial para a série simbélica liberal..E_. . Vejam como esta mesma passa duzidai’ em outra versiio: . .En. E._. . dai a famosa formulaQaO segundo a qual o “homem é naturalmente feito para a sociedade gem £01 tra- politica”. O fim a0 qual a natureza se propée é o bastar— Janeiro: ”’2 ARISTOTELES.E .....*-. uma esséncia individual separada. Dentro dela é impossivel se referir ao ser social senfio na forma de “individuos”. MAURO LUIS IASI “forma natural” de meio de troca. significantes e outra. Para Aristoteles e a totalizagéo simbélica dentro da qual opera.. . WEE.. 22.22. \ EEEEEE_.E_E .. 13._EE WE. E.EE.162 gz’io...EE- 2W2 E::.:. Um bom exemplo deste uso “indevido” de uma palavra 110 interior de uma série que totaliza outro significado nos é dado pelos problemas de verséo que invariavelmente encontrarnos naqueles que assumem o desafio de traduzir Aristételes. ora a condigiio de bastar—se a si préprio e o que de melhor pode existir para ele. _KE... 173 :EEE.E-EEE EEEE-EE..‘23E.].E E.. perfeito estado”. Muito bem. p.. _ EE} ..E.. Aristételes (1998. E. E g EE E. .. _.” .. Traduefio de Nestor Silveira Chaves.E.E E. mesmo._ . E. E‘E’EE’EEEENEEE EEEEEEE EEEiEE EEEE ”EEEE EEEEE-EE Eat. 4) afirma que “a natureza de uma coisa é precisarnente seu firn” e que “bastar—se a si mesmo e uma meta a que tende toda a produez’io da natureza e (E tambérn o mals .." 22*E:E2.. No entanto. E. . Rio de Ediouro.-. Como a natureza fez dos seres em si incompletoS estaria em seu fim natural a associagfio.E EEEEEEEEEEEEEEEEE.. [s.. \ 2._. sem sentido.EE..E:-.. Existe um abismo entre a afirmagfio original e esta tradu série de abismo este que é nada mais do que a distfincia entre uma se. EEEEEEE.d. A. E EEEEE . Equivaleria a0 argumento de alguém que censurasse Aristételes pelo fato de que seu raciocinio sobre a natureza de a associagao impor-se do todo até a parte deixa o “individuo” sem espaqo de agzio e liberdade. EYE. p.EE _.._E. A polz’tz'az._.*25E2= EEE {a 2E. o fim para qual cada ser foi criado é o ideal de todo irzdivz’duo.‘. *.

-:I 9&9.‘2 Rafi-flats lfirfis if: “Us 2%. A0 que parece. amda que nfio apareeam como “palavras”. mas como um valor em substincia ainda incorpérea. 174 9:9: 99% 8:5}: 9. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE (ILASSE mas os seres. p.2g.-\_ Mia-awn"film-imifié l: seams->32 i§§ F .. como optar pela forma: “o homem é um animal politico” on o “homem é um animal civico”. de nenhuma maneira “cada um” poderia bastar—se “a si mesmo”. ME isEsxiéfiriiffilS . Tradugao de Roberto Leal Ferreira._\ 7: . 9.s:.§§ sag-:13. somenre podem alcanea—lo por meio da associaez’io.“ .s :-__<. dando a ele um srgnificado mais proximo do moderno uso burgués? N510 existem simples palavras. mas um brasileiro que parte da versao francesa.9: . como nao se trata de um tradutor “romano”. por serem incompleros. . de maneira mais sofisticada.m. mais adiante.39 _r. :\\:».:: 2‘91.\\-. e esta série so adquire seu significado como corpo :ImbOhfofie relagées sociais bem determinadas.)3: «35 _ & 9. pois. mas seré que €flt€fld€ este termo como o anunciou o velho Arisrételes? Nao sera provzivel que o msira em sua prépria série de significantes. As difereneas de tradugao correspondem £1 diferenga entre as relaeées escravistas gregas C as modernas relagées de exploragao do trabalho assalariado. O vocabulo civis é de origem latina (civizm) e equivale ao rermo grego polis.. \.5%??? .':'§'E'°'<“ 993‘. g?“ 1. cada palavra :arrega srgnificados que so podem emergir na série totalizada de Signll’ioantes. 4f: _. mesmo em um problema banal. Nao se apresentam como uma 16 5 Haiti. 53. gay: 5.3».7% 9. Silo Paulo: Martins Fumes. _\: :.-. I10 entanto a armadilha das palavras leva o tradutor. muito menos isto tornar-se “o ideal de todo indiw’duo”. N210 se trata apenas de uma “tradugz’io ruim”? Parece que nao.: _\'f_.163 Ora.}.. Estas palavras surgem na consciencia das pessoas de forma tz'io natural como 0 ar que respiramos e 3210 o criterio de representaez’io e9do Julgamento valorarivo (moral) e da agao (ética) sobre mundo._. o problema per— siste em outra cuidadosa e reconhecida tradueao. desra forma.. . .... Um c‘cidada’io” dos tempos presentes entende perfeitamfiflte que o homem naseeu para a “sociedade civil”. 9. 99.3“? mg 9:19:95 9.. 1998.: s..itikaafi Ea.-gz?. 9s§\v. passou por Roma e deslizou para a série de significantes da velha Revolugz’io Francesa.. é possivel imaginar que o telefone sem fio deixou distante a velha Grécia da Polis.9: . a tecer a incri— Vel declaragao de que o homem é “um animal feito para a sociedzzde civil”.35:9}.W“ 21-3“.3): ‘5: 1.7. 9:: 9.é:3§3§.a: §.

-_\\~.-.”.2? $1222 mm 3‘" “Er? :22. .: “-33% ‘543. égzzlz'té. De forma absoluta- VCjamos mais detidamente esta que d6 mente resumida.. Norbert.2 2.o: \\':_ a (”EM . ”‘2 232‘. pouco a pouCO.‘. exige certas lor desta forga de trabalho. Clara. .. meros possuidores das préprias forqas uma relagfio social que relagfio nio tern sua origern na natureza. Esta dorias. o que ha de singular nas relagoes capitalistaS meios d6 produgiio é o fato de que um proprietario privado de e a consome em produgao e dinheiro compra forga de trabalho ai mais valor do que 0 va— um processo de produgéio no qual extr nto. 25..3. t . 175 22.--¢: % $35? 152” 2?: _w. ao refletir sobre o processo de formagz’io de nossa atual autoconsciéncia. afirma que: muito Agora que todas estas ideias silo tidas como aceites. graeas £1 qual desenvolvemos a percepqao de nés mesmos e dos outros como individuos.'m{ z..2": ’23‘2‘4i‘iiil‘»: _ 3. a qual. 2._‘.2 22 Q. MAURO LUIS IASI unidade coerente e articulada. cit. . . '\v. .¢.2 2 $2M wk. infiltrou-se nos process que hoje é quase mento humanos. . nem é mesmo ‘6“ ELIAS.»32-29423.. possuidores de de trabalho. por que esta filtima te a proprz'été? desapareceu e em seu lugar emerge quase onip0ten stao. M. if: “its ”’2‘2E2é‘22‘Q2‘ 5 >>“-\\-.- . os de pensa— niio sem uma poderosa resisténcia. digamos.\ w. Elias (1994). concepgées essas que.\-. de maneira refletidamente teonca. Mas recordar uma época em que aquilo hecido confere relevo evidente ainda tinha o brilho e o ineditismo do descon qées fundamentais mais nitido a algumas caracteristicas de nossas concep por sua familiaridade. Esta telagao. 222:2 ”2 Emma‘s 2232-2536. iv“.- . Ocorre que estas precondigées sem as quais niio pode se condieées nao sao dadas “naturalrnente”. de um lado.. A sociea’ade do.\ . de outro..'$'-9322'..\. mas antes como uma “fungao natural” do cérebro. _ \. e.«22¢ . de “familiaridade” que reside abaixo do limiar Revolugflo Cia? Por que estas e niio outras? A triade axiomatica da Francesa falava em liberre. 2» 23. irzdim’duos... “ \‘“\*--= 2 6" ...’. no enta efetivar. .3% &g’ 42". fraternité. pois: dinheiro ou de merca- A natureza niio produz.\1'-..164 normalmente permanecem abaixo do limiar da consciéncia particular corn as relagées M38 qual a relagz’io destas ideias em de” consen— burguesas e como assumem a forma desta “naturalida da conscien— sual.._: r. talvez nz'io seja época em simples nos colocarmos na situagao das pessoas que viveram na que tais experiéncias consrituiram uma inovagiio. de nos mesmos e do mundo.\~ya.

\3'3-. o produto dc muitas rcvolucées economicas. Entretanto.-. 33. México: Siglo Veintcuno. 6. em linhas gerais. 23333113 333-.. . 3:”. 1998. 189.. a imprescindibilidade do dinheiro como forma dc equivalente geral. 33. 33:3 333-3333333333 3:33 $3. e 6. 4.5 3:33 '3 . 11“ ed.166 [905]- I76 .3’.I“. com a generalizacao da economia mercantil. ou seja. a condicz’io mesmo da existéncia. cnquanto." 3:33-31}.’.33::333 333.-.3‘._ 3:33:133: 333. um certo desenvolvimento da divisfio social do trabalho que produza os produtores como irzdz'w’duos. A inversao essencial que aqui se opera (5 que._. com o desenvolvimento da economia das trocas. fiiifé 433$} 313331:33‘_§“:13'.estc que garante aos participantcs do coletivo as condicées da cxisténcia. AS METAMORFOSES DA (IONSCIENCIA DE CLASS-SE fosse comum a todos os pcriodos histéricos. no primciro caso3 o trabalho de cada um apcnas tcm sentido como parte do trabalho social total. 6 o produto social como préprio (valor de uso individual. muita zigua tevc que rolar por debaixo da ponte da histéria.33.$6.‘. . do desaparecimento de toda uma série dc antigas formacées da producao social. ou seja.3333». . . enfatiza os lacos dc dependéncia e evidencia o carater social da producao da existéncia.33 333. a divisz‘io social do tra— balho.. 3. o isolamento do individuo niio apenas nao faz sentido. 3. Desse modo. objeto do consumo individual)”. p. 3333:33*331. Nestes marcos. Karl. v. Para que dois pontos dcsta di— visao do trabalho dentro dc uma ordem mercantil sc encontrem como livres proprietzirios dc distintas mercadorias. p.j‘1f-:‘\3: 333.. nos marcos da producfio dc valores de uso.:. uma vez que so pode apresentar £1 troca seu produto com a condicao dc niio ser comum aos outros produtores. 1. cap. o trabalho privado isolado é a condicz’io da sociabilidadc conquistada na circu- 13930 das mercadorias.3. Primeiramente.3-.3 33.. 3. portanto em condicées dc igualdade. 3: 3.3. “a circulacao é o movimento em quc o produto pro’prio é posto como valor dc troca (dinheiro)..165 As precondicées das relacées que constituem 0 capital siio. livro I.3 .333. passa a ser 0 isolamento do produtor privad o. '56 [d3 Grzmdrz'sse [1857-1858]. no segundo caso.166 0 fato d6 “35 MARX. 3. ._33.3.3 3_ 3933333333333333 333333313333 3133:3343? 3 33333333333 3313133333353 333. a producao generalizada de mercadorias. cit.33333. como seria impossivel..3 333 33 33. . v. como produto social. 0 capital. Ela é evidentcmente o resultado de um desenvolvimcnto llistérico anterior.33:3 33:33..

de troca se apresenta inclusive como gfio do individuo produtor de valores um p0 nro auténorno produto histérico. estfio condicionados que. por obra desde todos os pontos de vista. 167-168. de existénciafw sua vinculacfio com os outros e seu proprio modo “produciio do individuo A primeira condiciio. por sua vez. e o pode se desenvolver mesmo mantendo lacos de dependen cao intercz’imbio dos produtores privados pressupor ainda a produ “*7 16:21. porém nao se completa somente nela. na das quais o individuo estzi condicionado. p. . por si mesmo e para individuo que participa integrante de uma comunidade natural. urn s de passar por determinado se converte em produto para si mesmo depoi conseguinte.. mas de “condicées e relacées historicas em virtude das quais o individuo ja se encontra determinado social- mente” (Marx. :. 11510 de forma imediata —~— enquanto ser social -— na producao e que. 1998. por prépria iniciativa. -.) O carater privado da produ— lhe apresentam como necessidade natural. 3. Por icées de producao e relacées de dentro de um contexto. produziu valor de troca. Mauuo LUIS IASI os seres sociais apresentarem seus produtos corno mercadorias nao é determinado pela vontade do individuo. imediata de subsisténcia. “nem de sua imediata condicao natural”.. nem como portanto. mas que 86' interciimbio que devem sua existéncia 21 um processo (. "$ ¥- . A form cia. é a como ser “auténomo”. a» ".: ..'\. niio como necessidade e suas capacidades.\. determinado si mesmo. sua conversao em por uma divisiio do trabalho no fimbito da producz‘lo. se funda numa série de condicées economicas. . entretanto. portanto. sob certas cond histérico. 177 . . 167). p. produziu mercadorias como individuo somente por sua vado independente. determinada metamorfose. sua producao individualizacao do “isolado”. se comporta com seu produto como uma fonte produto que 56 Por outra parte. O processo historico que gerou esta cao da forma mer— ser social rem grande impulso com a generaliza a mercadoria cantil. produtor de valores de troca”.\‘. Completa Marx seu argumento afirmando que: pri— Isto implica: por uma parte. produziu jzi processo social. seu isolamento.

A liberdade. “a forga de trabalho so pode aparecer como mercadoria (. Vejamos: Duas espécies bem diferentes dc possuidores de mercadoria tém de con- frontar—se e entrar em contato: de um lado. que seja proprietzirio livre de sua capacidade de trabalho. 187—1 88)- ”‘3 Id. de trabalho. 24. vendedores da sua forga de trabalho e. estando assim livres e desembaragados deles. se dlstancia muito do que Vimos em Aristételes.3n = \222:2 232 33:23 :22} “° 3:133? " V" ifisxiéfisiimfi .) enduanto for e por ser oferecida ou vendida como mercadoria por seu propno possuidor. ficam dadas as condigées basicas da produqao capitalista.‘_=. tal estado esré ligado ao fato de a pessoa nao servir de instrumento da vontade de outro.“ (2222”. C as relagées capitalistas carecerao de um dos elementos essenciais a sua constituigz’io. como o camponés auténomo. aqui como precondigao das relagzées capitalistas.. Trabalhadores Iivres em dois sentidos. Enquanto o ser humano puder participar do universo das trocas por intermédio do “produto d6 seu trabalho”. e porque nao sz‘io donos dos meios de produgao. p.2... porque niio 5510 part6 direta dos meios de produqao. e. cit. como escravos e servos. livro I. Mais que individuos. pela pessoa da qual ela é forga de trabalho”. $323232. os trabalhadores livres. d6 meios de produgz’io e de meios de subsisténcia. Wé ixéfimfi‘a 32. de outro. 178 “MW W32 *3. Estabelecidos estes dois polos do mercado. £32 ~52». portanto.222 3232:2313 “W‘2n ewes: § $21233 “22W 3333s is: 2W». E nesre sentid o. pois baseia—se no ato de dlspor do que é seu para atingir seus interesses. 829-830. pois.2. 0 capital. nao tera por que vender sua “forga dc trabalho”. §Qim3xw§§m§§$ i. 2. p. empenhado em aumentar a soma de seus valores comprando a forga dc trabalho alheia. conclulndo clue para que seu possuidor venda a forga de trabalho como mercadona é mister que ele possa dispor dela. 187). Para 0 velho filosofo. was <2: 2 a x352. v. de sua pessoa” (z'éz'd.. AS MIi'I‘AMORFOSES DA (IONSCHIZNCIA [Hi CLASSE com os meios proprios de cada um. comO transparece Elaramente no texto citado.168 . convertendo este intercz’imbio numa troca de produtos do trabalho. corno afirma Marx ([1867]. aqui a liberdade se expressa no ato de servir ao ontro como instrumento. servir livremente. o proprietiil‘iO de dinheiro. cap. p. é necessario que estes individuos sejam “livres”. que a noqfio de liberdade estzi llgada as de individuo” e de “propriedade”.

11. 71311113 1: 1111:1111 11. .--c “11. 1111 11111 .175). vendedores c compradores dc merca ram dorias. p. Da mesma forma esta implicita a relacao dc igualdadc pelo fato - dc tratar—se de proprietérios. “agentes do mesmo trabalho social geral. mas tambérn pelo fato de que os individuos se enfren no mercado como possuidores de valor de troca equivalentes. liberdade.11 121* 151-1 1:11.1 1W. 1978) quando afirmara que “é evidente que. cada um dos valores Resulta que.. .. indiferenc 1998. as mul— Por meio deste processo dc.v 1:.. _. Tais precondi olica. sendo senhor de si proprio e proprierério de sua pessoa e das acées ou trabalho que executa. do modo que: iimbio se enfrentam. Enquanto tal. MAURO LUIS IASI Estc principio ja aparece em Locke ([1690]. p. Grmzdrz'sse.--:a'1-:54'1.11. 1. no Assim como na qualidade de sujcitos do interc (como sujeitos). . Karl. . aro do mesmo se acreditam a si mesmos acreditar—se."-.-.11111-111111 1111:1111. 1998.. p. aquilo que diversidade natural é o “motivo do sua igua os coloca como sujeitos da troca” (Marx..1_*: 1. corno iado” (Marx..<g'. embora a natureza tudo nos ofcreca em comum. 175 [913l- 179 1 .1 .11 1. '1-11'.1. 11131111121 .=. . A si mesmos”).93u:~.11:1 1111.. 176)- . “por si 6 para pelas proprias necessidadcs e capacidades préprias” equivaléncia.» 1' *1: -. prop amento aparece aqui forma individual do ser social como fund fio do capital.. . c‘acredirarem—se” que marcam o ato tiplicidadcs das singularidades individuais.11‘ 1. . como iguai cquivalcntes. .111’1 111311111 1111:1121 13’ 11111 111 1311131111111 2235 .. .. diante do que foi exposto riedade” '3 H3 cxpressos nas palavras “igualdade..m1}. e quando sores os axiomas centrais da representacao simb de urna tarefa (como da ordcm capitalista sfio colocados diante ar Aristo— os participantes de nosso curso em seu esforco de critic W’ MARX.169 iguais. 0 como precondicocs para que se estabeleca a relac gocs séio também mundo csra cheio dc coincidéncias. “determinada concreto da producao (como citamos anteriormente: . o homem.11-. .11 1.1. 51).12-11.1» 11. 11. Se apresentam como o intercémbio 11510 (E mais que estc s. cit. e as suas mercadorias como intercambiantes e. se desvanecern na universalidade da ldade social.\.1 . teria ainda em si mesmo a base da propriedade” (56111.. portanto.'1\°.

» M 33 a. eis que aparccem de novo estes mesmos valores ccnrrais. Lembremo-nos de que certa ordem dc: relagées 500313 exP1133821 em um “modo de Vida” implica um continuum dc PEOduQEIO.» a i M «a Va 3°? i313. Salram aos olhos 33 drferrantes formas dc familia que se aprescntam na historia da humamdade. C reprodugao de si mesmas. £3123 i'iihiiiifiififi .izi‘iae} Ea. a liberdade e a igualdade. Acreditamos convictamenre que [1510 hi nenhum aspecto fortuito ou acidental nesre conjunro de “coincidéncias”. AS METAMORFOSI‘ZS DA (IONSCIENCIA DE CLASSE tales) sendo obrigados a buscar em suas consciéncias imediaras as ferramentas ideais para resolVé—la. A0 flfifITIar a hlstoricidade das formas de familia revela—se que esta lnStltfu‘filO faz parte de uma determinada maneira de organizar o socrometabolismo que constitui o fundamento de uma cerra sociedade. Siio as relagées sociais domi— nantes converridas em idcias... AS “31. Tampouco aparecem fortuitamente estes valores nas conscién— Claa I‘mediatas. (in. sao cxpressées idealizadas dos diversos mementos desre processo. e basta transporrar uma destas formas para fora de :70 MARX. como estas 5510 son produro. por conseguinte.2“ . 180 «WWW 3%: 3w»: ‘ g. seu desenvolvimenro em conexées juridicas. Diz Marx: O processo do valor de troca. G'rzmdrisse.fiSica e espiritual dos seres sociais que a compéem. Como idcias puras. uma ordem dc rela— ‘POCS que jflClUi Como um momento essencial dc sua continuidade a produgao .rxfl" ifi-m-imifié i: §wa i§§ E was“ ia-séfiaisifi orig-31:3 ‘2 iafi-ai-iivix 33336. é a base real das mesmas.170 . ‘3‘. 179 [916]. ou seja.39668 familiares se organizam sem que isro implique qualquerintencionalidade individual ou mesmo social.“ WWW 3v.. catexizadas na diregfio dc objeitos dc identlficagao projetiva e introjetiva.. de forma a rePrOdl' 0 fundamento das relagées dererminantes apresentando este undamento om sua substancia essencial a ser inrernalizada “)a cargas afotlvas e emocionais. if: 33% :33.. mas uma relagao precisa e bem dererminada. mais uma coincidéncia. desenvolvido na circulagfio. p. Kari. nfio $6 respeita. politicas e sociais 11510 6 mais que sua reprodugao clevando—as a outras poréncias.

3.. as relacoes familiares guardam uma autonomia relativa.393 3. MAURO LUIS IASI seu tempo para evidenciar que ela nao produz os mesmos seres sociais.363. . Ao mesmo tempo. as diferentes formas de familia e sua especifica acao para garantir a producao material da Vida.p. pre— senciamos um “desenvolvimento muito diferenciado da consciéncia e dos instintos. .33 $93} :\: .. '73 ELIAS. mas seres de uma ordem de relacées da qual faz parte.. x.333. A légica do “preconceito” que se expressa nas formas de falar..3 33:33:33. p..9.9 9.\~.13 3 33. a maneira de internalizar as normas sociais externas. Norbert. ‘5. a unidade espacial na qual se desenvolvem estas relacées.333 3333:}.. um membro de uma familia camponesa que chega 3 cidade nos dias de hoje sofre o que se chama de uma “ inadaptacéo”.33 3:333 ”333. entre pai.172 mesmo O autor continua seu argumento afirmando-nos que. k. A sociedzzde do: indiw'duos. cit. 9.-. a maneira de organizar as relacoes por meio de uma particular hierarquia de idade e relacées de género. 28.. como a autoridade do pai e a relacao de obediencia e dis— ciplina no trabalho. .“ 3.? $1. 3’ . sao determ crianca nasce e estruturas basicas. 181 _.. 11:10 siio casuais e independentes de uma sociedade historicamente determinada. e sua dinamica niio corresponde necessa— riamente a uma funcionalidade mecanica com a forma social que a abriga.133 333333353‘3333 3» 3 M.3.9 9.9 .3333.: 3333-3-31} 31.-__. mile. os padrées de higiene e manifestacao da sexualidade.999.. 1994. 3x3.9 . Elias (1994) nos diz que: [As] relacées — por exemplo. Repatem que o sociologo m N510 precisamos ir longe na histéria para ilustrar esu: fato. dependendo da estrutura preexistente das relacées em que eles crescem” (Elias.3:“ 3. No entanto.. . _. 9. 3.. Ma). em suas por variaveis que sejam em seus detalhes. costuma- —se buscat a meta “repeticao” na familia das relagées sociais mais amplas. 9.\. assim como uma particular arquitetura funcional das moradias.9 . ...33. pela estrutura da sociedade em que a que existia antes dela. o modo de desenvolvimento do psiquismo e sua Vinculacao com as manifes— tacoes de amor e édio. inadas.”1 Como se imagina a socializacao ideolégica como a transmissao simples de valores acabados em sua forma sistematizada.99 999. _.9 WWW 999. seus padroes de conduta cotidiana e outros apenas revela que seu ser foi criado por outta forma de socializacao.333.3.. filho e irmaos numa familia —.33.3 33. vestir... considerando a constituicao natural das criancas recém—nascidas. 28).

.. p. rompe a rede de dependéncia que uma antes os seres sociais. portanro.-:--:. Elias que: Em consoniincia com a estrutura mutzivel da sociedade ocidental.\\_»._\\~. p.» :v. .. A partir do estudo do processo civilizador. Alguém poderia argumentar que qualquer familia produz “indi— v-i'duos”. agindo e existindo com absoluta indcpendéncia um (l0 OLIEI‘O é llIIl pI‘OClUtO artificial (l0 lIOIIICIIl. on mesmo a antiguidade cliissica siio prova disto.e . O que emerge muiro mais nestas ultimas 3510 o isolamento e a Snoapsulaeao dos individuos em suas “31396. . 15w. ‘ i * . AS ME'I‘AMOIIFOSES DA (IONSCIE’NCIA DE CLASSE dos processes inclui nesta moldagem a partir das relagées os préprios “instintos”. outras descritas por Morgan..... -..3 . inicia sua tarefa por um fato de transcendental importancia: produz o ser social como “individuos”. m (m) :1 “Pam‘EfiO dOS individuos.§\\§-‘2 5': >¢. o préprio nticleo familiar. ja o faz assumindo uma forma que a condiciona e a dis— tancia da pura existéncia fisico-natural.-. Considerados como COFPOS: 03 llldiduO-S inseridos por toda a Vida cm cornunidades dc parentesco cstreltanlente unidas Foram e 5210 separados entre si quanto membros das sociedades nacronais complexas. m .i': - .. . ‘ 2?”. A idem de individuos decidindo. Isolado ‘73 Mid._..-. por incrivel que possa parecer aos nossos olhos.w.z‘N: ""\'-'. Conclui. «a. (la qua] :‘Is vezes se Ella como um fenomeno dado pela natureza.\v ' . “no-e y.w.--w. e portanto a formagio individual de cada pessoa. A forma das relagées familiares de nossa sociedade arual caracteriza—se por uma estrutura que isola.-v~. nem toda sociedade constréi suas relaeées rendo por unidade singular “individuos”..-\E 35.”3 A familia nuclear monogamica. v.5“. a0 se expressar.. uma vez que esres seriam entendidos como manifestaeao Singular das unidades que compéem uma sociedade.. rem o Inesmo sentido da separaeao de cada pessoa no espaeo.\ \9.§ . como na familia camponesa descrita por Poster (1979) ou na aldeia dos povos indigenas no Brasil.-’9~.9:S . inicialmente. ... . da estrutura das relaeées humanas.3. -.33 uns com os outros” (Elias.. separa—o da atividade produtiva. s . 103).. gov. depende da evolueao historica do padrzio social. evidenciou-se com bastanre clareza a que ponto a modelagem geral..552: g \.‘._. 1994. .174 N0 entanto. caractcrfstico dc um dado cstgigio do desenvolvimento dc sua autopercepefio” (id.>\_ 9. -: 5 gave. 248) 182 \ '\\ : ..\ mag: § . .\. uma crian- ea do século XII desenvolvia uma estrutura dos instintos e da consciéncia diferente da de uma crianea do século XX. querendo indicar que uma carga somatica pulsional.s y. As organizaeées sociais estudadas por Malinowski.s:nu V.= w .( w \._____. 1993.

19-4.232. p. Jacques. Vejamos este efeito pelas préprias palavras do psicanalista francés: cia do eu.2 . * ' .. 1996.. ”£332. i’1"ZIzEK' Um may»: dd ideologia. . .. o sucesso das sinteses maticamente ao devir do sujeito.) '77 LACAN. “O estridio do espelho como Formador da Pu 11950 do Eu”. via. p. as fontes de identificagiio para a crianca. 97.3336.->. desta forma. 97—1032 V3” tambem 0 capitulo “A linguagem da Familia”. 2. 22323.if: ‘22:.3 Eisxwrww 2.-= 2N. Como nos lembra Poster: Deve ser tambe'm assinalado que a estrutura da familia burguesa restrin- giu. op. na condlcao de Eu .322‘3223 3:: its iii‘ssisfifiifrléi . Somente os pais da crianca estavam disponiveis como modelos adultos.. é utilizado para indicar a diferenca entre os vocabulos utilizados por Lac-an para identificar 0 sujeito do inconsciente (je em francés) e 0 en indicando a instfincia psiquica nos termos freudianos (ego). 2 ..3.175 E esta estrutura que torna possivel o desenvolvimento de um tipo particular de psiquismo do qual Freud foi o principal intérprete. torna—se exclusivo e restrito.-< 222 2 . Slla . Mark. para sempre antes de sua determinacao social. limita o horizonte no qual ocorrera o processo de identidade.. 98. p. Como nos mostrou Melaine Klein e foi recuperado em outro sentido por Lacan. como nunca antes. discordfincia de sua propria realidade. MAURO LUIS IASI o nucleo familiar.. desde Mas 0 ponto importanre é que esta forma situa a instfin . ao par de adultos e. (Ver nora inicial do tradutor. cit. Rio de Janeiro: Contraponto.NN-. antes de se objetivar na dialética da identifi cacao com o outro” — produz urn efeito dos mais significativos. in: Jacques Lacan. qualquer que seja ele tenha que resolver. p.177 ‘75 POSTER. cit. '76 LACAN. numa linha de ficcéio que 56 se unirzi assinto— irredutivel para o individuo isolado -—. 98) chamou de estagio do espelho -— ou seja. “uma transformacao produzida no sujeito quando ele assume uma imagem” numa e que constituira “a matriz simbélica em que 0 Eu se precipita forma primordial. 183 .. «“6": -:2=-.. com mait’lscula... correspondendo a0 pronome Frances moi. 0 .122 222 >222». p.§:3 2. . em razfto de este objeto apresentapse de maneira exclusiva neste processo que Lacan (1996. Via de regra. : .. no caso psicanalitico —— a miie. in: Mark Poster. i.176 a prépria identidade embrionaria do en 56 se produz por meio de um objeto externo.ou melhor. op. cit.22-. Entretanto. 2 2 . Jacques. op.2 222-2 . 104-127- 0 termo Eu. pelo que a estrurura emocional ganhou maior e mais decisiva intensidade. . p. 2.. dialetlc ' as pelas quais .

w -e x. seja ou nfio ‘78 “T31 interpretaqfio. que é a de Jacques Lacan. Sabemos que o fato de a crianga ser cuidada nos primeiros meses por “uma mile” consiste em uma manifestagao histérica nao passivel de universalizagées. Segundo este autor. que baseia sua amilise na obra citada dc Poster (1979).179 Em outras formas de familia. e. a crianga era cuidada por uma multiplicidade de adultos. 25:}. nos cuidados com as criangas a mic era “ajudada por parentes. -. 5510 Paulo: Brasiliense. 8" ed. impediria efetivamente uma comprccnsfio historica da estrutura de familia e da personalidade.m. uma entificagiio prev1a a qualquer determinagz’io social. f'. rigs is: saws 2-33. e somos levados a crer que sua identidade se aproxima mais do 2203* do que do en. no limite. o isolamento do nt’icleo familiar.:hr-_ $.§‘-. .“ twin is. 107-108)- ]. pressupoe uma esrrutura particular de familia cujo produto seja exatamente a con— formagz'io desta identidade como “individuo”. AS MET'AMORFOSES [)A CONSCIE‘NCIA DE (ILASSE Esta aproximagao psicanalitica poderia nos levar.: was: s. [tirnm’fz'm emoprfo e ideologizz. '7‘) Tudo isto se dd muito recentemente na histéria.178 Podemos. todavia. s: . marcando uma nitida “separagz‘io entre a residencia e 0 local de trabalho.s§\£§a . ““3 1‘“ $3 . .) 0 lat passou a ser 0 espago exclusivo da Vida emocional. mais ou meme: a partir (103 56‘3”]0 5 XVIII C XIX (REIS. p. 118). ou seja. entre a Vida ptiblica e a privada (. DC qualquer modo. ou pelo menos a ideia de 720’: prevalece como determinante .)”.533.\. depois uma certa divisao do trabalho com base em papéis sociais de género.“gtfifé Via-r? §gé'i1. assim como quando se trata da teoria freudiana. por mogas mais novas e também por mulheres mais velhas que ensinavam e fiscalizavam as praticas relativas ao tratamento dos bebés” (REIS. consideraroque a forma basica que torna possivel o estzigio do espelho. t a v. 184 é‘”. n0 qual a mulher passaria a Vida em reclusio” (Mid. p. Toda a centralidade afetiva e emocional e 05 vinculos da mz’ie e a crianga pressupéem. é extremamente revelador que no contexto do estudo da formaeiio d0 psiquismo na familia nuclear burguesa. 1989. ou esra identificagao prévia por meio de uma matriz simbélica do Eu.. 3. s. \. na familia camponesa.i a familia tipicamente burguesa que se desenvolveu entre os séculos XVIII e XIX era caracterizada acima de tudo pelo “fechamento da familia em si mesma (.75. a universalizar os mecanismos de formagao da personalldade. o que seria mais grave. primeiro.§$§}§. 1989).. seria possivel uma ultragenerali- zaeao de uma estrutura invariaivel presente em qualqner forma de familia. p. englobando todas as estruturas de familia sob a mesma lei universal e com as mesmas conseq uencias psicolégicaS” (POSCCK 1979. “Em-W Wis: -& W‘s?” .39:5? is)“ WW3a???3“’§':§%"§§:‘\§ i‘éifiifi is ifisi-ériw W".=.«.. reduzida a relagéio mae-bebé. José Roberto Tozoni. 109410). uma vez que.

O fato seguinte foi caracteristico regulaoiio consciente ja foi salientado. mesm nos—cu 1nc11nava—se forte— r . (. . a balanga . em parece seguir a mesma diregiio do aumento da carga restritiva 2‘1 relagao aos instintos e a Vida pulsional antes descritos e que leva se chamou internalizagao das normas sociais na formagao do que lso nas de “autocontrole”. uniforme e estavel. muitas vezes. a forma primordial (pré—narcisismo) da identidade seja ja individualizada. para 0 en” (Elias. individuo desde seus primeiros anos. uma autocompulsao £1 qual ele niio poderia resistir. nao capitalista. para 0 nos. Quanto mais diferenciadas elas se torna individuo constantemente de Fungées e. O fato da civilizagfio: o controle das mudangas psicolégicas ocorridas no curso vez mais instilado no mais complexo e estavel da conduta passou a ser cada espécie de automatismo. 0 individuo era compelido a regu de que isto nao exija apenas uma diferenciada. . “encapsulagao dos individuos”. sob pressao da comperigz‘io. 1994. Partilhamos corn Elias (1995. p. meme. Em épocas mais recentes. assim. como uma o que desejasse. mais crescia o numero das. a fim de que cada aqiio individua lar a conduta de maneira mais social. as fungées Do periodo mais remoto da historia do Ocidente ram-se cada vez mais diferencia— sociais. Este grau de individualizagiio nao é um dado natural. Segundo o mesmo autor: até nossos dias. 165). de pessoas das quais o ns até as complexas dependia em todas suas agées.180 O processo de individualizagao. MAURO LUIS IASI universalizzivel tal observagao.) Nos estaglos mais prrmltlvos. torna vam. em que compéem a “diferenciagéio” que toma conta da rede de relagées sociedade. a teia dc aeées teria que se organizar de l desempenhasse uma fungao e precisa. . desde as simples e comu am sua conduta com a de e raras. segundo Elias (1993). Todo este processo recebe particular impu por acaso o mudangas ocorridas entre os séculos XVI e XVIII. A momento mesmo de transigiio para a ordem burguesa uma profunda base deste processo estaria. cujo sentido parece ser um desequilibrio da balanga nos—cu em favor do eu. 1994) a ideia de que esta individualizaoao e’ fruto de um longo processo. como afirmel. “ r u .. '80 rem pendido intensamente. A medida que mais pessoas sintonizav forma sempre mais rigorosa outras. _ .. :1 principio.

}.‘81 Ha. 195-196. Mas fosse consciente ou inconsciente.m {a. o esforgo Ilecesszirio para comportar—se ‘corrctamente’ dentro dcla ficou tfio grande que. Devemos ressaltar.___W»_\_y§ _ .$»‘ 2%: gW i:mm i?" m. que aquilo que aparcce como fundamental é a instituigiio de um autocontrole. A \. a . mas.< ox gm ‘9._ 21"“:. 186 .182 de maneira que a autonomizagz’io se completa pela interdependéncia. ”‘3 Hzi igualmcntc uma Clara referéncia a Durkheim e sua tcsc sobrc a difcrcnga entre a cllamada solidariedade mccfmica c orgz’inica.-e_\"_g\’-gz>\'<¢.n . indireta- mente produzia colisées com a rcalidade social. via.y>_r\\§\v.»_._ _ x. e esta ultima é a condigao de reprodugio e apro— fundamento da autonomizagiio dos produtores privados. . :s-.vz?$ w: “. :s \ . uma aproximagz’io entre a Visao de “divisz‘io das fungées” e o processo descrito anteriormente e fundamentado em Marx sobre a “divisz’io social do trabalho” com a consequente forma como a ordem mercantil produz uma inversao baseada na forma privada e autonomizada que assum em os produtores. sob a forma de uma regulagao crescentemente diferenciada dc impulsos.$51. .mtg? s3.3. WSW .“‘-zr§. . com frequéncia. Oprocc’sso civilizzzdor.\\. mais uma vez. g 'fiqwké'” . “i” _‘Z“W: 36. pela progressiva divisiio das fungées e pelo crescimento de cadeias dc interdependéncia nas quais. precisamente porque operava cegamente e pelo hzibito. que cabe tame a Parsons como a Durkheim.:. o distancia dcsta ordcm teérica.v ggffif’. a -._. Esse mecanismo visava a prevenir rransgressées do comportamento socialmcnte aceitzivel mediante uma muralha dc medos profundamentc arraigados. v. 2. Norbert. $1: g A“. gm“. a direqao dessa transformagao da conduta. . que supée a especializaqao das fungées. era determinada pela direga‘io do processo dc diferenciado social._x _QW w‘? m. Tami? \. ii'n‘i‘. elc. cada agz'io do individuo tornava— —se integrada. p. . = . assumindo a Forma de um “aparelho automaitico” que. a visao dc “processo” de Elias e sua critica ao llabito de 0 pensamento sociolégico transformar dinflmica cm “esrados”.w? _ .m. um (:c aparelho automatico dc autocontrole foi firmemente estabelccido.3“ h §k駧9miffis} 5.».:\. . cada impulso.51*“ -._:§:..>. além do autocontrole conscienre do individuo. \.l x . como o préprio Elias mais adiantc irz’i estabelecer. direta ou indiretamente. $13 ._‘< s. No entanto.s‘$ . AS MI-lTAMORFOSIiS DA CONSCIENCIA DE (ILASSL‘ A tcia de agées tornou-se tao complcxa e extensa. __ .>\ _. notadamcnte cm relagfio £1 conclusfio scgundo a qual a coesfio é inversamentc proporcional ao crescimento da solidarieda dc organica. . Aqui aparcce como que desdo— brado em mais de um controle consciente... como parece indicar a citagao. corresponds plenamente a0 conceito frendiano dc “‘1 ELIAS..\.

mwd .:.< .).0 do . §§._ W. Nas sociedades coletivistas. i.Nfi-ka : 'a:. . A0 progredir a producao capitalista.’. .‘9:= \‘yifi'izfi'fl ‘3‘5h”? 1'i .. Assim como na matriz psicanalitica. 1a nas sociedades incontrolavel ou ao poder maior de um outro grup autocontrole nestes term os. MAURO LUIS IASI superego. como leis naturais evidentes”(MARX. e a éo de forcas com esta natureza existéncia é sempre relativa a correlac o._. 133 EVIden . . A relacfio central é do falha na garantia d3 coletividade e a natureza ou outros grupos.\\.§.‘ w. 2. 187 Mm an M? i: . [Law w}. lizacao. : H w“ W”. cit.o . nao apenas “podem. de outro._ «.s.§:::E?§rz}. m. Nti lm» 5*. r. . ram ._. livro 1.9‘ M9. desenvolve—se costum e aceita as exigencias daque le modo de producao que por educacao. abrindo rdo pensar casso. ' tal como so depois iria ser desen- pois envolve a nocao de Vida psiquica e inconsciente. v.. . .-..183 A formacao dos meios deste controle transformado em autocontrole (consciente ou inconsciente) corresponde ao processo que ira produzir o encapsulamento do ser social na forma de in— mento do dividuos. nao si”.» .&..Q. 102)._ {. te que Marx nao poderla chegar a esta conclus 5. Ocapz'ml p. .-‘>. é um verdadeiro absu que constituem em urn dos seus membros “fora” da rede de tarefas grupo enquantO a producao social da Vida. 13:: ”"9" 1»? ”‘Y' 3-“ gab/.. ._ .1. abre—se aos indiv dir muito mais por de “opcoes” diante das quais eles “tém que deci autonomos” (.-:‘. p. que distancia os seres rias e outras diretos presentes no c151. tradicao e 14. na tribo.2“ -. a x..C.W .‘.:h kaii'wg 43:3?“' ‘95-‘75" *""‘-‘“'i:-'°I" ..§-§ m 9ME“ 1‘“? . desenvolver um raciocinio mais centrado volvida por Freud. como devern ser mais térn opcao” (Elias. g”. no desenvolvimento do “habito” ou “costumes”. iduacao O fato é que.\.9: 1 5»? ..as’”.§xé.*§$ k.3 9" >21»?. cap. O autor de 0 capital ira “Nao basta que haja.» a3? 32%..k . Tampouco basta forczi-los a se venderem uma classe trabalhadora livremente._. ”313‘' ‘V '°°' “ ’$3. de um lado. o pensa sociélogo dos processos relaciona esta interiorizacao ao controle dentro sobre os instintos e pulsées e a agressividade descolada para na forma de superego. =5 :.Qiéggfiiggfisé‘a ..t .\ V g t..? $9._ LQ {_.1:2.. que nada tém l e.. nas sociedades agra s e presenciais manifestacoes que caracterizam por lacos mais direto ia durkheimiana dos grupos de base da sociedade.. uma vez acentuado este processo de indiv humanos dos lacos C €Specializacao crescente."‘. seres humanos condicées de trabalho sob a forma de capita para vender além de sua forca de trabalho. ___.. 854).m a x.§!-§$KI... ___\ §. Karl. - ='-“__'. . [1867]. “' . a -. fix.. . 1994.§§ \aéxwlifig.. aumenta o Diante da crescente especializacao e individua oa para sua insercao tempo social utilizado para preparar a nova pess a possibilidade de fra— nesta divisao complexa do trabalho. que a sociolog iduos um leque chama de “solidariedade mecanica”. «_.

.z: ”w. . p.2».. lows-”922: \ my.n __ .w§. ... .‘-:-\‘|<“\ BM {32... :5. A combinacao dos dois processos. £2» 3 :. §2>\§.E. Como Iodo o prazer e alegna (pl/21y) da mente consmtem 18-1 “r ‘ .. a objeti— Vidade)._. .3 “'.. . x is: H. g: . g5.'. Na escala social de valores. AS MBTAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE (ILA-SSE chamadas por Elias de “complexas”.__ ‘7‘? .1" . 105).\_< fag $5. Conscientemente ou néio.\\: .'3. p. . . . a: . . SC ‘ nos compararmos a elas. esse desejo de se destacar dos outros. de se suster nos proprios pés e de buscar a realizacfio de uma batalha pessoal em suas proprias qualidades. produz uma sociabilidade em constante tensao e disputa pelas oportunidades.:. a independéncia e autonomia assumem urn papel central.-&"§'1‘2”<‘i1-‘§:t' *1 -' 413-.Tami-1: i»). -. ":1 =§-. . = .. 1994. .8% .» vii-. .. op... proprieda des ou realizacéesa POr CCFtO é um comportamento fundamental da pessoa individualme nte considerada (. . [1642].. . 34). e o ideal dos mem bros desta sociedade passa a ser cada vez mais “diferir dos seus seme— lhantes de um modo ou de outro.. p. k .'. ._ o:_ “a . “Xx-$2 a“: 5&5“)..184 transformados neste processo em adver saries na disputa. cit. E algo que se desenvolveu nela através da aprendizagem social. . .. W i . . nos fazem sentir triunfantes e com motivos para nos gabar” (Hobbes.. “i” y: “719. 331’ diferente” (5195a.:I:i. Prossegue o autor: Esse Ideal de ego do individuo. 1’2. a .§_\\\. 188 wwm‘aw as ask 1 w as?» ‘g mm . p.109)- O longo processo que levou as sociedades humanas das for- mas iniciais de sociabilidade até a complexa sociedade capitalista mundial (recuperando aqui os termos marxistas. as [3688038 8510 inseridas numa “competicéio” em que se torna fundame ntal para sua autoafirmacao a énfase nesta ou naquela qualidade que a difere de seus semelhantes.. separado “como por um muro invisivel” (Elias. \ 3W3 . a especializacao—individua— lizacao acompanhada de uma autoimagem bipartida em uma realidade interna (o eu) e externa (os outros.\_ A V ‘ m.. aptidées. -.¢3§5 \ -._ _. a “abundiincia de oportunidades e metas individuais diferentes nessas sociedades é equiparz’ivel 51$ abundantes possibilidades de fracasso” (Elias. distingu ir—se —— em suma.__. a sociedade.: Q‘f}__§:<. 118).. :t «”3 ¢m’$.§>%. uma vez que Elias prefere ocultar o cariiter capitalista enfatizando 0 aspecto da “complexidade”) desenvolveu—se patalelamente £1 formacz’io de uma “auto-imagem” do set humano como preso :‘1 ideia de “um mundo interior” e “um mundo exterior”.). . *1 2 {Us ‘<.. em encontrar pessoas que.

.71 sociedade dos Indivz’duos. kJKKk isiwiésfl i. op. é antes uma um longo pessoal aprendida._._ H}. afeto ern troca do comportamento E por puniez‘io e desaprovagao contra o que se considera desviante. especifico de cada sociedade... aéw‘ieiiéfl ietlies ii ii i $153 1. com certeza. “A individualizaqfio no processo social. ”‘5 ELIAS. is ’M ”Esiéeiiaef it: its immense . a. lfi' “Desde a infincia. (. . . M . .... Norbert.‘36 individuos Este comportamento r1510 aparece simplesmente nos “batalha quando entram no mercado de trabalho. .. as pessoas maioria das sociedades altamente diferenciadas. E acostumado a competir com os outros.1513. 6. o reconhecimento. a. mas. ao mesmo tempo. p. . . ao contrario. . 118:119.336. basta recordar o que £01 de avaliagao.. 1994: 120).. aprende dcsde cedo._. E algo sumamente mas.. ”‘6 ELIAS.”.. universaliza—se como padriio.. . p. ease-£2 aria r b.. Nesta preparagéio para a competigao. .. MAURO LUIS lASl outros aspectos do autocontrole ou ‘consciéncia’.. 118)..“ w ..3. a escola urn papel.. . so emergiu na histéria. Em outras palavras. gradativamente...185 Esse “ideal de ego” que foi se desenvolvendo gradativarnente néio se apresenta aos individuos como uma das opgées a sua escolha. esse ideal faz parte de uma estrutura de personalidade so- que 36 36 forum em conjunto com situaqées humanas especificas.__ “a 3. 18‘) __. de demais significativo que a estrutura mais profunda do complexo £72...187 a esta em jogo E no iimbito das relagées primarias que na troca afetiv aceitavel. disfarga—se de “opgao” ou caracteristica da “personalidade” individual. dessa maneira pronunciada e difundida. produzida no individuo” por meio de tern “treinamento”. quando algo lhe granjeia aprovagao e lhe causa orgulho. a. com pessoal. cit.... aprende a encontrar satisfaefio nesse tipo de sucesso” (Elias.. o individuo é treinado para desenvolver um grau baStante ClCV’ddO ‘N-u de autocontrole e independéncia pessoal.. ciedades dOtadas de uma estrutura particular. . Ele é o ideal individual socialmente exigido e inculcado na grande ._. Norbert.. dos mais relevantes.. esforgos e realizagoes pessoais.. que é de- scjzivel distinguir-se dos outros por qualidades....) Normalmente rtamento que criadas dessa maneira aceitam essa forma de batalha e compo a acompanha corno evidentes e ‘naturais’. dito do contato da crianga corn 0 universo e 03 critérios Porém é na familia que siio langadas as bases de todo este processo. cit. A pessoa nao escolhe a atrai pessoal- livremente esse ideal dentre diversos outros como unico que mente.

Mark. __m_... . provavelmente.. . . O que a crianga leva como aprendizagem para a laténcia é muito mais que os instintos reprimidos.. e a internalizagao desta agressividade..... do ponto de Vista do novo ser social. New introductory lectures”.) Uma consciéncia severa nasce da operagao conjunta de dois fatores: a frustragz’io do instinto.3333 3-33.... 3.. ..3 53:.. gerando “identi— dado” com os sujeitos responsiveis pela perda. 1' .3.3 sow-39 3. p. (rpm! POSTER. V.. 64.. p.. ela é o momento no qual as relagées sao recriadas conti- nLlanr‘I‘ente (portanto...3.— . na perpetuagao da forma individual do ser social.. ocorreria uma produgao”.. .”.._. 3335. que internaliza a agressividade e a transmite ao superci'go. Por varias vezes.) renunciar 21 intensa catexia objetal que depositou nos pais. Com seu abandono do complexo dc Edipo.3 . 3'93M... $23. e é como uma compensaga‘io por esta perda dc objetos que se verifica tz‘io vigorosa intensificagiio das identificagées com os pais que..w ‘9x.23.. p. czt.. 18‘) F'REUZ..t. Mark. ... 31:33 3333. '90 FREUI/D._.33333. Sigmund. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE (ILASSE Edipo é uma disputa por um objeto de desejo cuja plena realizagao é impedida pela concorréncia de um terceiro. 74.. a identificagao com o “vencedor”. por exemplo. . que desencadeia a agressividade... Civilization and its discontents. (1pm! POSTER.. cit....) o superego parece o herdeiro deste vinculo emocional que é dc tamanha importfincia na infancia.190 Assim a familia burguesa n50 apenas “socializa” uma certa ordem de Valores.. o reter para si mesmo. (. op.... I33 ' . . .. 4.. 3s 3333333333. que gera agressividade.3. 190 _.g iii’xs‘mnfi 33.. Freud insistiu na relagz’io existente entre a perda relativa aos objetos..733}... ”3333 \ok «. 3..._. Os . Identificou cste procedimcnto burgués como uma fixaqao na fase anal retentlva. cit. . fitniifimifsla....... e o que volta como “sintoma” é a competigfio.33...._... i‘safio .. p. e nz’io simplesmente “reprodugfio”). uma crianga dove (. 12._.$33.. 3..138 o critério do abrir mao do desejo em nome da sobrevivéncia. Sigmund. op.. no padrz'io associado a forma individualizada dc competigao 6 na formagz’io do superego como representante desta ordem de relagées sociais e historicas na qual a prépria familia se baseou..ia‘ “. estavam ha muito tempo presentes em seu ego‘89 (. aparentemente de forma paradoxal. 3. _ . e a experiéncia de ser amado.. RCIChr por-exemplo.

':" . numa “batalha” compe exilados cada um em sua forma egoista. gm: «vigéwévgggi‘ K‘?{: «v _\\~:s 14:35 \&&. ou seja. no entanto. 3mm. expressandoflse nas Visées de mundo. a0 contrzirio. s»'.. naquilo que Elias chamou de processo do individualizacao. Mr: iiflwiéuiiikl‘i . o que se afirmaria como “principio da iéncia social realidade”. precisamos ir além desta constatacao. vidos. “complexidade” ou o polémiCO tel‘mo “civilizacao”. na consc de uma certa época manifestando—se nas consciéncias dos individuos ou dessa época 6 na forma geral sistematizada como conhecimento ideologia? carater Ampliado o fato pela lento do processo. nem tampouco da afirma— 9:10 vazia segundo a qual as dinfimicas psicolégicas. MAURO LUIS IASI N510 se trata de um jogo no qual as polaridades so igualam. e que a formacéio gradativa no interior de um longo processo aponta para um sentido que é perfeitamente verificavel. \.? lifisiiéufia :55»: ii“ “3*: Kiwfiiig :2.__m_.wr $33. O que parece ser evidente é que exists uma relaciio entre as formas sociais e 03 padroes de personalidade. determinam cada uma a seu modo. fica evidente o historico das formas sociais e como estas representacoes gerais agem gradativamentc na formacao das relacées que constituiram a base da consciéncia social. foi necessario um “processo 191 ué\\}~§ £3 é. assirn como as formas sociais. este “processo” acaba pct 56 diluir nas Gal-'3“ zacées como “diferenciacao”.\~.¢:__¢>_'—.\_(_ QR sea-9V: _:__o. 5:1: WSW-«. tenham ou nz'io consciéncia disso. Para que os sores sociais se vissem como individuos isolados envol— titiva. sendo obrigados a escolher “livremente” o ponto dc inserciio em uma divisao social do trabalho diversa daquela a qual ele antes se ligava diretamcnte o que era caracte— rizada pelos lacos do dependéncia mfltua.. sao estas diniimicas reflexos das formas sociais. nao se trata da infrutifera polémica sobre so as formas sociais siio projecoes das dinz’imicas psiquicas ou. o carater préprio das relacées sociais quc se constituem do no Huir do processo descrito: as relacées capitalistas e o chama sociometabolismo do capital. diriamos as formas dc consciéncia. No entanto. 2 :«s \ gkfi W: 32%. imfs t-s' }. O que apareceria pouco a pouco como padrao do comportamento on ma forma de ideal do ego dos individuos.32 Kw 5??. no caso de nosso estudo. _. Este é o principal mérito da aproxima9510 do cri— Elias.25».\\-_¢_ Y".

evacuados para darem lugar as reservas de Gaga.a-=:. veriamos. 2.w. p. no século XV. no reinado de Henrique VIII. a mass ia-séfisiszsz‘s flailin. em 1547. enquanto Bacon constatava.‘ . . Eduardo VI. mais adiante..2”. Henrlque VIII. Elizabeth. . a espantada rainha Elizabeth viajando por seus dominios C declarando: pauper ubiquejczcet (o pobre eStzi prostrado em toda a parte).. depois. veri- amos Thomas Morus tendo a delirante visao de um pais imaginério onde as ovelhas devoravam os homens. Caso pudéssemos parar em pontos especificos deste processo. oferecendo licenga aos pobres._:{a mi». enquanto os vagabundos sadios eram fla- gelados e encarcerados.§. 1:29: a as game.: as? 1:as.s as._. Este longo processo e' 0 da acumulagao primitiva de capitais e se desenvolve entre os séculos XIV e XVIII.1. Aquilo que surge no produto final como um processo de dife— renciagao que resulta no encapsulamento dos individuos é de fato um longo processo de Violenta expropriagao.§-. em 1572. alguns rieos senhores arrendando uma paréquia e lei construindo uma cadeia e.§a§~mw rags is: “ab skis §E§§$§a 2. 830)..3: . e 05 vagabundos seriam marcados a ferro com letras que indicassem sua situagao: V dc vagabundo ou um S de escravo (slave). em 1530.. *1“?§§1. a. f.§1" «. cortando as orelhas dos desocupados e enforcando reincidentes.3}.1. cap.§-asm . “fies-TE 33. em $25. em 1489. exigindo a bondosa e sabia intervengao do rei Henrique VII para estabelecer a correta proporgiio entre as areas de lavoura e pastagem (tao infltil quanto o espanto da rainha).:.. [1867]. que as queixas sobre a transformacgao de terras de lavoura em pastos para ovelhas haviam crescido sensivelmente. .¥ . para de 151 serem retirados para as matas e. 0 enforcamento de 72 mil pessoas por esta mesma acusagao. XXIV. V. m 131.3. velhos e doentes para mendigar. para burlar a lei de ajuda 192 a. 15 mil gaélicos seriam substituidos por 131 mil ovelha s..3<s. um processo que transforma em capital 05 meios de subsisténcia e 03 de produgao e converte em assalariados os produtores diretos” (Marx.a-i. estabelecendo a lei segundo a qual aquele que se recusasse a trabalhar seria conduzido a srtuagao de escravo por aquele que o denunciou.“as.‘2 §. uma massa de gaélicos sendo expulsos de suas terras e exprimidos no litoral. e assim sucessivamente até que..:.5.. AS ME'I‘AMORFOSES DA (IONSCIIENCIA DIE (ILASSE que retira do trabalhador a propriedade de seus meios de trabalho.33.

“por educa— ‘91 Exemplos rerirados aleatoriamente do capitulo 24 de 0 capital. enquanto. 33333‘333‘33 333E313 3 333333333323 333-. E. 828-882).3 3333. uma choupana ardendo em chamas com uma velha que se recusava a sair.3. 333 333 3 3. a paréquia firmava contraro no qual se “estipulava que uma crianga idiota seria inclui'da em cada lore de 20 sadias”.3.3.511.191 E O que o magistral rexro de Marx nos revela é que em cada momento do processo o sentido niio se apresenra claro ‘aquelesque estio vivendo diretamente este mesmo processo. uma comissz’io parlarnentar de inquérito de Londres apurando que os fabricantes empregavam criangas como aprendizes.33 33.3.. portanto. entre s. 33:33.3 33 33333 333333 3:3. “de modo geral. cap. 24. 50 libras por escalpo de mulher ou crianea. :1 assim chamada acu— mulagio primitiva de capitais (Marx [1867]. formafise uma classe trabalhadora que. em outro caso.. em 1813. esse prego subiria para 100 libras e. adiante.3333 333. quando. 33. seriam 100 libras por escalpo de um adulto homem (acima de 12 anos). 333-3333. “perdeu—se naturalmente a lembranga da conexiio que existia entre agricultura e terra comunal”. p. estabelecendo que nz’io seria dada ajuda fiquele que se negasse a ser encarcerado. depois. através do Parlamento. proibindo que os pobres rivessem animais sob 0 pretexto de que iriam roubar cereais do celeiro para alimenrzi—los.3 333 3. 1 93 “333333 333. um bondoso landlord no parlamento dizendo que.333 33:33:33 '9 $3..323 3. transferindo—as de uma fz’ibrica £1 outra. MAURO LUIS IASI aos pobres. livro I. em 1703.. avisando a vizinhanga de que quem quisesse alugar urn pobre para trabalhar deveria apresentar uma proposta lacrada “com o menor prego pelo qual ficaria com ele”.. 1810 e 1831. outros arrendatarios. como nos indrca a trajetoria absolutamente ineficaz da elaboragfio das leis que buscavam disciplinar a expropriagflo das terras. em 1740.3 3333 33 ““333 233333 3' 3 3’3 :3-3 3 33. 03 puritanos da Nova Inglaterra apresentando uma curiosa tabela de pregos na qual o escalpo de um “pele vermelha” valia 40 libras esterlinas —— em 1720. v.-.313 3333“ 3 333 32333333 33.333 “‘3‘. Completado o movimento de expropriagiio.333 33333333333333333 . 32. e depois estas cram encontradas “em completo estado de inanigz’io”. seriam expropriados 3.770 acres de terras comun “com os quais. a situagio das classes inferiores do povo piorou em todos os sentidos”. os [andiords presentearam os landlords”. 2.

O espago assume uma divisiio Clara entre o rrabalho. e a definigz’io dos espagos de trabalho e moradia siio rénues. crianqas. e disciplinadamenre irzi acordar pela manhz’i e levar a si prépria para o mercado onde se venderzi. 1 94 WWWWWWWW a” W \a M W. prevalecendo ainda uma rede de mulheres nos bairros operzirios. mile e filhos). o espago pL’lblico do bar e da rua. AS ME'I'AMORFOSES DA CONSCIENCIA [)Ii (ZLASSIZ gao. [1867]. As transformaeées das formas proletarias de familia transiraram desde uma rede de relagées comunirarias muito proximas da familia camponesa. surgem as preocupaeoes com a Vida familiar proletaria. 854). o isolamento da mulher e sua determinagao como miie na prioridade absolura com o cuidado com os filhos. Visto por esre fingulo nao ha contradieao entre o processo de ccdiferenciagiio”/ “individualizagfio” e o processo pelo qual gesta— ram—se historicamenre as condigées que tornam possivel 0 capital. a repressao a sexualidade infantil. . mulheres e homens dividem o trabalho de 14 a 17 horas. acenrua—se de maneira doentia. o rompimento das redes femininas. o cuidado com as criangas é parrilhado por uma multiplicidade de adultos. Os liabiros de higiene converrem—se em uma compulsao maniaca. O primeiro é caracrerizado pela chegada mais sistematica dos camponeses expropriados as manufaruras no final do século XVIII e inicio do século XIX. tradigao e costume aceita as exigencias” do modo de produgao capitalista como “leis narurais evidenres” (Marx. e a familia proletziria assume como seu o modelo da familia burguesa. p. O segundo é caracterizado pela segunda fase da Revolugz’io Industrial e pela especializagéio d6 serores da classe na segunda merade do século XIX. W. e o espaeo privado do lar. Ex‘kwaiziiiiuié ii: iii 1i3saiix§s§iiilfi ._WW W: W WWW. O terceiro estagio é 0 do isolamento da familia em seu nucleo (pai. uma acentuaeao das preocupagoes com a higiene. W W W W i3 1}“: $31? iiéiasiixm‘? l. O cuidado com os filhos passa a SCI uma tarefa domésrica. isa‘z kiwi a Kai/{‘2‘ awafii’iifis i‘aé W12: iii‘fiizi‘ifii’i i353» if. antes livremente expressa.. passando por rrés estagios segundo Poster (1979). Nesse periodo. e a mulher ocupa—se mais da criagao das crlangas. nesra fase manrém—se os lagos comunirarios e de dependéncia mfitua. in- centivada pela agao recém—inaugurada das “assisrentes sociais” e filanrropos de toda ordem.

.22.. os seres humanos.2.2EE§. no qual o autor afirma que todo Estado é uma associa “rem por fim um bem”. e toda associacfio (1998.9. também do valor excedente getado no processo de consumo da mercadoria forca de trabalho. EWEEEE . »..E2‘.192 entre Como ele supoe os homens todos iguais naturalmente s”. so 0 fazendo “para dela [receber] alguma honra ou proveito” (Hobbes [1642]. \{a mfg.~:\\~.“ EEE E2-E.. seja uma vaga no mercado de trabalho.2 _»_ 2g. _‘=. . . p.‘ . .. p..\-_ E EXE’EEE..‘-:-° E'9\ 2. .22. V___..2 E2.g E. ._ -... ideias Apenas para ilustrar.-.2.. todos os individuos disputam entre si.'_=:.:. 195 W . isto si e com uma propensz‘io natural de “ferirem uns aos outro todos contra levaria it sua famosa formulacéo sobre a “guerra de forte. gay”._ E22. 31).._ _3. assim como é essencial para a forma privada de apropriacfio dos meios de producfio e. 9-3. .. E'..\-... quanto pelo amor a nés mesmos” (£61225.E'. _M .2. .. assirn totalizad a. podernos nos referir a algumas este e argumentos centrais encontrados em Hobbes..g2?. ‘ . .-. Ex.\ 2mg..2».-. Vimos como uma certa forma de familia produz individuos e 03 mecanismos afetivos e emocionais que internalizam na pessoa determinadas normas e demandas da sociedade. No reino da igualdade. nfto desejariam nem procurariarn natur companhia dos outros. treinados por outra ordem simbélica... 29).:’%.. . . Séio bastante interessantes as “coincidéncias” corn as ideias ditas universais que aparecem na aurora da sociedade do capital e que servem de fun— damento para sua visiio de mundo especifica.9% $3. e esta guerra é disciplinada pelas “leis do mercado” e suas mfios invisiveis.3 . . MAURO Lurs IASI A individualizaciio do ser social é uma precondiciio para que os livres vendedores de forca de trabalho se apresentem ao mercado. 33.. ...: 5 NY. Basra que nossos olhos. -.EEEEEEE‘EEEEEE 2.. ENE-SEE EEE . Segundo e pensador. de modo que so n08 por amor aos associamos “para o ganho ou para a gléria.a..“ EEEE .... .2. nz’io tanto nossos préximos. __‘ _ :- f. aos quais chama indiferentement almente a de “homens”... seja na livre concorréncia entre capitalistas.. 2. Um bom exemplo como '92 Esta ideia de retirar algum “proveito” da associacfio é bastante esta cadeia de significantes. . .‘ 2”. fi . 5. . 1). .. EEIE E E2E.= 2-... ..._ i__ = . _ =.EEE NE E-EE EEQE ESE-E3 E32. E.. 3 . vejam a palavra “vantagem” para esquecermos por complete 03 pressupostos aristotélicos sobre a incompletude natural dos seres e imaginar um “proveito” proprio dos individuos que se associam. mediante esre ato.’.. W“ EN" {SEE :E-E‘EEE EESEEEEEE'Q5 EEEEEEEEAEQE E.. pode interferi r na compreensfio equivocada de Aristételes de outta cadeia ocorre qua ndo estudamos o primeiro pardgrafo de Apolz'tz'az cio. p.... E". \_ = w ”I .‘. :\ _-. 9: ._§\\3/.213}. 2W2: . ..\\2.\\::':. ou que “toda associacéo tern por meta algurna vantagem”.

a$:. 35). 38). p. que passamos a acreditar ser conveniente i: EEOBBES. 3435' ortanto. p..:... Lavina? [1651]. AS METAMORFOSES DA CONSliNClA [)Ii CLASSE todos” (Hobbes.-’s. . estado natural dos homens. . para que os seres humanos desejem se ferir mutuamente (. . ‘4. 37). M.) vem do fato de que muitos.s .. nao e de surpreender que para Hobbes 0. . mas uma’guerra de todos contra todos” (ibid.. if: irate 2%. [1642].?. mas acima de tudo do maior dentre todos 03 males naturais.. aaéfiis . [1642]. Sfio Paulo: Nlartins Fumes. p. p. nao passava de guerra..Eiaiiséfi. twins Zamsfiwm. do que se segue que o mais forte hzi de té—la.. i -. ao mesmo tempo.194 O autor segue seu texto argumentando sobre os “perigos corn que os desejos naturais dos homens diariamente os ameagam” e vaticina que nao deveriamos tratar com desdém a tarefa de “cuidar de si mesmo”.193 Deixemos aos psicanalistas o deleite da interpretacz’io sobre o uso da imagem félica da espada e contentemo-nos em destacar a incrivel semelhanca com a eStrutura basica descrita do complexo de Edipo.. que. . e necessariamente se decide pela espada quem é mais forte.in.s\i-%z. E no caminho para seu fim (que prlncipalmeme a prépria COHSCFV‘iGiO: e 513 V6268 apenas seu deleite) esforcam-se por se destruir ou subjugar um a0 outro” (Hobbes.. sem um slstema de compromissos “por meio de convencoes ou obrigagéesns 0 set humano poderia “fazer o que quisesse e contra quem julgasse cablvel.s 1. nas palavras do proprio Hobbes. m . Como a primeira fundacao do direito natural reside no fato de que todos tém o direito de se empenhar em “proteger sua Vida e seus membtos” [sic]. 1979. e esta nao seria uma guerra qualquer. 74-75). [1651] 1979. p.. Tllonras..m3.93=2.1%“ . e foge do que é mau... contudo. .) $3}? N‘s). i _. eles tornam-se inimigos. p. . se dors llomens desejam a mesma cmsa. .\. e portanto possuir. E pela ansiedade e pelo medo que sentimos uns dos outros. A principal razao. usar e desfrutar tudo o que quisesse ou pu‘desse obter” (26:21..Z*-’s i‘vsxum rfi-z’fis. com muita frequéncia eles niio podem nem desfrutar em comum. 196 3w.-. ao mesmo tempo em que é impossfvel ela ser gozada por ambos.:‘ s ‘5t t_. a. .->. que é a morte” (Hobbes. ou a mais frequente.¢. antes de ingressarem na Vida social.. e diante da constataciio de que esta mesma natureza deu igualmente um direito a todos sobre tudo. any. tém um apetite pela mesma coisa. nem dividir. :.§s‘s mafia EE.t . 75).. pois “todo homem é desejoso do que é bom para 616.€. Do cz’dzzdrio.

195 A ideia do contrato. 98).) 1 97 22222222222222 2:2: 2M.222..2222 22:2 “222 2222. “que amam naturalmente a liberdade e 0 do— minio sobre os outros”. 103. criarn o Estado baseado no (. Os homens. A mesma substancri que reaparece na “mao invisivel” de Smith. Esta consciéncia social n50 se reproduz a0 longo dos séculos gra- cas 22 sua incrivel coeréncia interna e 2 preciosidade dos argumentos “)5 Veremos no proximo capitulo 0 quanto esta imagem hobbesiana se reap‘resenta no raciocinio de Freud. p. como nos apresentou Mészaros. MAURO L015 11181 “livra rmos desta condicéo” pelo estabelecimento da sociedade civil. ")6 HOBBIES. 1976. ao cumprimento de seus pactos e ao respeito aquelas leis da natureza. Vé corno exigencra um maior controle dos impulsos naturais. O mesmo processo que gera a ex— propriacao dos seres humanos das condicées e dos meios que garantiarn sua existéncia os individualiza como seres egoistas.) desejo de sair daquela misera condicz'io de guerra que é consequéncia necessaria das paixées naturais dos homens.2222 22221322222222 22 «>222 222% 2' > 2": :22»: 22 2: 2 2.222223..2 2: 22:22 22322222222222} 2 2222222222 22': . O Leviatti de Hobbes 6. quando niio ha um poder visivel capaz de os manter em respeito. (Os pen- sadorcs. da sociedade regida pelas leis. . o mesmo conceito jzi apresentado por Kanta respeito da sociabilidade insociavel do ser humano. na substfincia. Thomas [1651].196 0 set social eStaria se livrando de todos os lacos de dependéncia mutua que os prendiarn a uma certa forma social para mergulhar na concorréncia de todos contra todos. forcando-os. pelo contrato. 1979. segundo o qual a “ansiedade social constitui a essenc1a do que e cliamado de consciéncia” (Freud [1921]. do instrumento que permite aos hornens viverem sem se ferirem. ou no “Espirito do Mundo de Hegel. s perderam o controle sobre as formas de sociabilidade por eles mesrno criadas e geraram um modo de controle sociometabélico incontrolavel.122:222 23222222222222. em respeito. por meio do castigo. E. 222222-222 2222.0 Corztmz‘o social de Rousseau siio apenas os precursores desta conscrencra social prépria de uma época na qual os seres sociais individualizaram-se. 222222222 122222222232222222 2:22. p. no qual o produto subordinou o produtor. projeta—se como necessidade incontornavel de uma forca externa que zele pela ordem e garanta a soc1a— bilidade. Leviatd. 5510 Paulo: Abril Cultural.2222 2222322322 2222.222 2:2 222222222 2 2 222.2 2222. remete em Hobbes a ideia de Estado.2222.

. todos os dias colocado em luta competitiva contra outros individuos.E:::.Ea.-* €942 «x Mg: )3: {WEE . mas pelo fato de que. I98 {fig-0k“ ?-"«'§ 3-.5». 5510 Paulo: CPV. ' a {365503 P353a a Julgar 0 todo pela parte em que se insere. apresentamos sintetica- mente'as caracterr’sticas desta vivéncia primaria e sua relacao com a prrmelra forma de consciéncia. esta relacao primaria serzi fundamental na constituiciio da primeira forma da consciéncia. Este as pecto levar ao mecanl' smo dc ‘ ultragenerallzac ' ao’. AS METAMORI‘OSES DA CONSCIENCIA DIE CLASSE da razao esclarecida. " ou seja. lubrificar seus mecanismos de autocontrole. m»: Q- ‘ ME“ iE-sEEE-E EEEEE EEEEE-XETZE E EaE-EsEEEEEEE E35363 Ea” EEEE E-EEE EEEEEEE. A prépria maneira pela qual se da’. Da mesma maneira que as condicées de expropriacao dos meios de producéio aos produtores diretos silo coridianamente recriadas. ..& 3‘7"!\)§ sax-4 mu ':_ Pym-g: . \. ->‘. assim como as relacoes que lhe servem de base. o novo set social ira constituir sua primeira “Visao de mundo”.3”"). cujo processo de formacao do psiquismo e da identidade inicial (nar— ClSlsmO primz‘irio) é o fundamento. E também na familia que a primeira forma de consciéncia ganha seus contornos. de modo que aquilo que ‘é vivido partlcularmente como uma realidade pontual toma-se a realidade’.9: $15: w: . o novo ser dcscnvolve a per— cepcao da parte como se fosse o todo. reiteradamente deve controlar “suas paixées naturais”. 2001. Procesm d6 camcz'émz'a. Mauro. submeter—se aos mecanismos externos de controle que podem a qualquer momento “castiga—lo” e forga-lo a manter—se no fimbito do pacto e do “respeito as leis da natureza”. Nos estudos que consistiram os csbocos iniciais197 da reflexao que desenvolvemos no presente trabalho. recriam a si mesmas cotidianamcnte. 2. Naquela oportunidade reduzimos estas caracterfsticas a sete pontos: 1.\-\. E na familia que encontramos a instituicao que produz nos seres sociais as condicoes para que assumam esta tarefa cotidiana como se fossem “naturais”. o ser social recriado diariamente como individuo. \v :3 fly». Por se ll‘lSCl’lr ' ' em relacocs ' = preestabelecrd ' as. O n ovo ser soc1al ' vwencra ' ' relacoes ' preesrabelecrdas ' e que para 616 SC apresentam como uma realidade dada.E Z'EEEEEEfimEEEE$ . {9. 2‘ ed.E1: . “’7 IASI. m: I( Q. Sobrc esta base._I: w 9.z-‘N: «€34 f: g.

”H. o ego administra as tensées entre as demandas pulsio externas como um equilibrio interno.N. na situagz’io histérica em que nos en- e de contramos. .77. "'--"‘"=-.-. MAURO Luxs IASI 3. . Devido ao fato de que o novo ser apresenta suas exigéncias pulsionais num cerro contexto determinado.»..- 7757.. que.7. que servira de base para o desenvolvimento da ideologia como forma de dominagz’io.73%. Gramsci (1978) descreve 0 361150 comum partindo da afirmagao de que rodos expressam uma certa “concepgao de mundo”. _ z ”NW..7.. . -=-‘.. unifica no processo de identificagao os objetos de desejo ade. a agressividade concentra-se no superego e tern . mas que se aprese passa a aruar na conti- passando a assumi-los como seus.7.7. o novo ser social por sua continuidade nuidade de suas relagées a partir desta matriz. .-- i§777é7777737 7.7. aspecto este que esta na base da percepgao de que ‘sempre foi assim e sempre scarf..-.7-_ 7. 7777. p.-'-". 1. N_.77 7773257717. a fungao de controle se transfo comO em autocontrole... '- 7 7 . 17—18). portanro a realizagz‘io do desejo implica a aceitaqao da autorid eXterno. . 7%. . punigiio.7 . atual das relagées 6.::_.7 77 7777777. \T--- .7 ‘. em nome do equilibrio e da integridade da sobrevivéncia.727717..__... . crlado Sem que nenhum destes aspectos seja conscientemente forma para este fim. .7 ”£7. uma vez nta como universal) e res centrais desre ‘real’ (particular. : ---\ -§ We “a.. Neste conjunto estao impressas as principals caracteristicas daquilo que assumira mais tarde a forma de senso comum. 4.7.73 °:--. N.. *‘i'..7... ainda 19‘) ...“A.. 7. na forma sso de identificagao em familiares.i. autocontrole. real on simbolicamente) abre miio do desejo em nome interiorizados os valo— 7._.. =7-=="\‘ . se vé enredada em fisica (ameagada de amor e odio..:77773 . Submerido as relaqées dadas como reais..7._z.. rendo concentrado seu proce sentimentos ambivalentes urn mimero restrito de objetos.N7.. .. 2001. . .77. . mas é inte- 5. A parrir complemento a identificagao com a figura de auroridade externa nais e as restrieées dai.. a satisfagao das necessidades deve respeirar um conjunto de normatizagées que r1510 sao definidas por quem apresenta o impulso. ... . \ _.:7 32... a crianga. mas por urn outro.. o conjunto assume uma funcionalidade como inicial de consciéncia.§_. zelando c reproduqao (Iasi..71:37 s . . Devido a natureza distinta dos impulsos.7.:. Esre conjunto de normatizagées r1210 permanece rma riorizado na formagao do superego. as relaqées vividas imediatamente perdem seu cararer historico e cultural e tornam-se ‘naturais’...ii: 7.7737..71:7 17:72:7. Assim.7::..7.

W s M: ="“::\: -‘. -_. gag: Qv _. cit. A ideologizz alemd.. O caréter imediato desta relagfio produz nesta primeira visz'io sobre o mundo um efeito que é 0 dc tomar o todo pela parte. 6 a eterniza.12. antes de tudo.‘ 3. é apresentada aos participantes uma questiio: desde quando existiria esta situagiio de uma part6 19H 5:31:15‘ Cibggtom-o... Somos conformistas dc algum conformismo. por meio da linguagem. ._-..-. Gramsci afirmard que “0 set huma- no dove-scar concebldo como um bloco histérico dc clementos puramcnte individuais e SllCUVOS e de elementos dc massa objctivos ou materiais com os quais 0 indidUO tece uma rclaqfio ativa" (sdemz’ dc! afrcere. \. 200 ' . A _. any. Por meio dela 0 set humano toma seus vinculos imedia— tos e particulates como “realidade dada”. A conceppffo diale'tim dd bisro'ria.) . 200 Wmmwss a as.i 3mg: m3“ 3 9:55 5‘: J‘??? 5 5 \m. 1.-:. a: W2 isms/2m . Rio dc Janciro: Civilizagfio . portanto.-_-_ -. chegar £1 conclusiio de que sempre foi assim e por este motivo sempre semi.w ?-V"'§ _q_ .-_.. _:_\ _»= . pertenccmos sempre 21 um determi- nado grupo. p...“ .24 .m. cit.338. . precisamente 0 dc todos os elementos sociais que partilham de um mesmo modo de pensar e de agir. mom 1. may-‘35. Esta é uma das caracteristicas constitutivas do chamado senso comum. M a? My a M .. é»: <«_:\§ ass.r. .l99 Como Vimos.: . o ser humano entra em contato com uma determinada época histérica e um tipo especifico de sociedade primeiramente por meio de sua inclusao numa certa forma de familia. Friedrich. natural. abrindo caminho para naturalizar esta forma parti- cular universalizada e. me: Q . p. p. ENGELS. somos sempre homens—massa ou homens coletivos.' Em. por exemplo. mcra conexfio limitada com as outras pcssoas c coisas situadas fora do individuo que se torna conscientc” (MARX.3. 9. ’Em outra atividade de formagao do NEP 13 de Maio.v - 0 qso Introdutono do pmgrama dc formagfio politica da entidade chamado Como funcmna a sociedade. mm am mam <5}. Segundo o marxista italiano: Pela prépria concepgz’io do mundo.200 lOgO apos a explicagao sobre os mecanismos dc exploragao que catac— tenzam a sociedade capitalista.]: 9i _. . Em: ‘33 : . assim.198 A primeira forma da consciéncia s6 pode ser. AS ME'I‘AMORFOSES DA (IONSCIENCIA DE (ILASSE que de maneira “espontfmea e inconsciente”. ”J ‘A conscmncm e naturalmcntc. Karl.:-¥> g¢§jfi 3% i‘i. r11. Pym-g a. . .-. Em outta passagem. 43).m m. au-i. w?. _3. 3" ed. aquela que é produto da insergao imediata do set humano e do was relagées diretas com as pessoas que o rodeiam num certo con- texto objetivo.9. 5:: fi.

.. aqui nos interessa a sustenta loragao”.: (3“).333.‘.. mas depois a s dc alternativa “B”.23. A linha na lousa ficaria entao assinalada corn estas opgécs assumindo esta forma: 201 9 W w .3.\\-._$w?. “sempre foi etc. MAURO LUIS IASI da sociedade explorar economicamente a outra. entao. seu inicio o surgimento do ser humano. que acreditam que “sempre” houve esra expl a marcada na lou- portanto. 33. ‘2' “3 23%. e 0 final do segmento de reta representaria uem onde dias atuais. \\ _.’. ou declaragao de que isto ocorre “desde que o mun “desde o inicio do mundo”.3333». trabalhador assalariado. pois sabemos que o mundo é um a forma humana amigo que a Vida e esta.333. . 0 monitor completa as alte o a historia do ser a possibilidade de que a linha representand meio (alternativa humano na terra seja dividida exatamente no esponda nz’io mais que ((C”) e. 3.333 3 3:3. -.). 33-333 ‘3'”? 3333233 31:: {WERE 33% 3:13. . por fim. s 9 3.. que esta exploragz’io corr “D”). J. que chamaremo oria absoluta dos Estes dois grupos via de regra incluem a mai rnativas oferecendo participantes. Pede-se. conhecimento de um Apesar de esta afirmag’ao revelar o des pouco mais fato cientifico. in: 93. na forma mais préxima de sua primei- constituigao biolégica atual (ou seja.3..3 3 fi.333.. Aqueles da agao humana sobre o planeta jzi havia “exp oragao indicam.33333333 \«3 3 33:23 133:33. o «3 3y.333: %3333%%C3 . ressaltando que nao preci mais—valia a forma capitalista (patrao.\ m“ J _9. Outro grupo de- sa 6 que indicaremos como alternativa em (1116 participantes assevera que houve um pequeno periodo maior parte da histéria 1a niio havia exploragiio. apresenta este fenomeno.13 $5: . desconsiderando os os ros hominideos).>'2«333..'y.\\\\§\>'.3'. _\3 .3 33.. 33. o trago inicial no inicio da linh “A”. {3335 E: 13:33 .33 3. aos participantes que indiq sa ser teria comegado esta exploragao. alternativa a parte mais recente da historia (alternativa os ou esta que na maioria absoluta dos casos encontra pouc nenhum adepto. enriquecendo um pequeno grupo e levando ao empobrecimento da grande maioria? seria 0 monitor coloca entiio na lousa uma linha.3 313333 3 3:32. e por vezes esta afirmagz’io ganha énfase na do é mundo”. . 333331332333§3 3. . Invariavelmente alguém do grupo afirma que forma de uma assim”.. bem mais antiga que gao de que desde o inicio de Vida. ? . 3323. 3.. ..

??? ‘Vfigg \ 3:2: " _Mv.\_ -.-..'§\’w‘>§ 3:? if\\\-'.8 milhfio dc anos (Homo liabilis e Homo rztdoyomz's).__.'-~\‘\.. consideremos o Homo mpiorzs que tcve seu aparecimento registrado em algum ponto entre 200 e 100 mil anos (WONG.x?‘. 2: P.5 milhées dc anos. lui aproximadmncnte 5 on 6 rmlhées dc anos na Africa Oriental. Apés este procedimento. ou. e apenas uma pequena parcela. “Em busca do primeiro homem”..\u \v."?\\.g A eso-sww 1 5»? a§v§E§M§5fimv}V} {$5 x- . normalmente duas ou trés pessoas. indica a alter- nativa D. O aparecimento do género Homo se dzi entrc 2. 2003).v'§.<.. no me- lhor das hipéteses.\-52.. n. 2.S'cz'entafic/lmen'cmz.I-f53 _v: $3 s €". nas quais poderia caber a descriqiio da apropriaeiio do produto do trabalho de parte da sociedade em beneficio de uma pequena parcela. p. 2% -.. 23-27. o ser humano teria SC.:.) Realizada uma consulta geral. : . 702 :."'\'"-. Descobertas reccntcs no Cllade. enquanto o capitalismO tern ________fi___ 20] - C9n31dderand0 somfme 0 Programa de formagfio d0 NEP. acredita que sempre foi assim.‘. Scientific American. E's): 5: \. nos mais diferentes lugares e composigées possiveis.“""s :\ _.\ V3. gag-(wig its? “ling 32%?” :s‘ :s- w:. “N510 esuivamos sozinhos”._ §Jio§$§€§§§§s§%%3§v :{QEVE ggfgxggfifi is»? gsii‘é § if’gj‘bigms “w" i295 {§§$}%§3§ §§k§§§ {Essa §§5 $133?s 51:} is.\. Fomando em conta o conjunto dos monitores formados que realizam esta atmdade em seus movimentos o ni’unero sobe ncima do 100 altividades por ano.y. _\V:':_‘. o /oomo sopz'em desenvolve-se aproximadamente hit 25 mil anos.-. " A abordagem mats aceita no csrudo da evoluqfio l1u mama alirma quc . a grande parte dos participantes concentra suas opinioes entre os seguimentos A e B. podem ser encontrados somente nos L'lltimos 10 mil anos desta histéria (se formos um pouco mais rigorosos. -.ss.-&.:.202 Os primeiros registros de sociedades de classes..d€S€nV0lvido de um ancestral comum aos chimpanzés. my '.x . Independentemente da composiqio du turm :1 e do seu gran dc instruefio. Por exemplo. verifica-se quc a mesma maioria acreditaria que a cxploragfio sempre foi ou pclo mcnos se dcu nu maior partc da llistoria.\ . {9: .82 2003. .201 A maioria dos participantes. seus antepassados mais préximos estflo todos num campo temporal que gira em torno de 100 mil anos.\. 5 x. n. foi assim na maior parte da histéria. Kate. C 'I'AT'I‘ERSALL. AS ME'I'AMORFOSES DA (lONSCIi-ZNCIA DE (ILASSIE (desde que A B C D (hoje) o mundo é mundo. sfio realizadas dezenas destas dt1 d es por ano. algo em tomo de 6 mil anos).. sobre as quais ainda palram dL'lvidas sobre :1 relaqfio com os seres humanos.3-_ \:= (mg. renletcrinm estu dumqfio para 7 milhées. ..5 t: 1. so para cfeito de uma aproxima gfio mars segura. 0 monitor expoe algumas referéncias cronolégicas e histéricas que indicam de modo mais preciso a proporgz‘io represen— tada.. Apesar de 0 om de talhar objetos de trabalho em pcdra poder ser remetido :1 are 2. mas a maioria dos losseis compro vados [cm algo em torno de 4 milhées de anos. O Homo ”condom/Jolson} viveu na Europa e no Ocste asidtico cerca de 200 mil =1 30 mil anos atrzis..' 'o so: ism-i.rug 3:1. Ian.\‘|é\~.

“bastam duas pessoas para mais fraco” etc.Ea §QK§%\§9§Q\\\’S:$¥. . .. Tern m a atual forma ainda por corresponder as relacées que sustenta este real que se de sociedade.w. r\\\-.«ns: u. “é que o mais forte domine o egoismo”. ':>.\ . Ocorre 0 elemento descrito do senso comum é uma cons oferecendo— aqui uma inverséio daquilo que entendemos por real. pelo ntes devem resolver os problemas situacfio de 11 aufrrigio.-2-.~§ 53-.-.1:. A primeira reac is argumentos." :w: E'.\'\'cue._-:§\\_:_\z 7: =99. . MAURO LUIS IASI algo préximo de 500 anos (incluindo ai o periodo da acumulacao primitiva). . k1”? . Aw-_\\V. ii-:E:E§*Esz:§3‘a E‘mwliia EEaE’EE‘EiEiE .EEEE ”ii-ET? E31" ire-“25:2 EEEE-EEE"E“§E§§“°‘ . WM .: $11: 5%“.c. a linha ficaria assim.\ a: _. w: EEEEEEEEEEE e. como: é tentar recuperar alguns de seus principa da natureza humana 0 “mesmo entre os indios 1121 um chefe”. A simples dataclao da linha redefine em relacao a uma acreditava eterno e redesenha sua proporcao ao dos participantes totalidade antes desconhecida..3“‘\\""'--a$"’?s a rm (in. = \'z. i tweak \§:E EM. 11a mente que dade das experiéncias. RN mm ($3. .2‘. i. a alternativa A on B revela clara tante. 203 .. .. 0 “real” —nos uma pista valiosa para entender 0 sense oracao. Indicando as datacées.” w.-':’.0 enfrentadas em uma longa s comunitarias que nte as relagée da atividade na qual siio recriadas psicodramaticame a. ade da dfwida 56 como se sempre houvessem existido. comum.. a :9‘--"7’. a partir da qual todos 05 pa rticipa da sobrevivéncia sem nenhum instrumento ou recurso da sociedade modema. 1y Essf‘sxxiika‘i‘sag§i1-'-§s“'-W:§ i’?\“--'% Eh.203 ralizacao de relacées O que ocorre de maneira clara é uma natu que silo universalizadas histéricas e de formas sociais particulares.35ms. .{35363 EE. A possibilid res importa ntes: a figura SC apresenta pela conjugacao de alguns fato dinz’imica que ocupa todo 0 segundo dia 2“” Estas reacées 56 85. :t " q-me._='3:'§ it“ w” “my.\. e assim tem para os individuos é a objetividade da expl 5mm: de real sido pelo longo periodo da sociedade de classes. Esta dini‘lmica é conhecida marcaram as primeiras formas de sociabilidade human Faro de que a motiva cao inicial é proper :10 grupo uma como dinfimica da ilha. A B C D Homo sapiens 100 mil anos 50 mil 10 mil (sociedade de classes) totali— 0 fato de a maior parte dos presentes ter indicado.

para transformar—se em fato.. ora outro. incor pora ora urn valor. ou seja. E.: r”. assim como tende a transformar em verdade qualquer argumento que for apresentado por escrito. Gramsci rem razao ao afirmar que o senso cornum é formado de maneira “bizarra”. Segundo Gramsci: (. No senso comum. Basra a datagiio sugerida ser—lhe apresentada em uma tabela. .. ideias.) de maneira desagregada e ocasional. preconceitos. formando uma colcha de retalhos. que o individuo var Vivendo e. (.r airs-1.) ‘participa’ de uma con— cepgz’io de mundo ‘imposta’ mecanicamenre pelo ambienre exterior. O senso comurn encanta—se com palavras préprias do universo cientifico (hominideos. em livros. amalgamam—se sem necessidade de uma coeréncia interna elementos dos mais diversos herdados pelas mais diferentes influéncias que se materializam no campo imediato de agao dos seres humanos em formagao. na mulher que herdou a sabedoria das bruxas on do pequeno intelectual avinagrado pela prépria estupidez e pela impoténcia para a agao) (. o ser humano forma sua Visz'io de mundo.. p. 12....). o uso de argumentos considerados “cientificos”. ou seja.. E EwEE. 204 a w» ‘v .EA:E as $2?“ EEEEEéaEmi-EEEA. revistas ou jornais. ou. por exemplo.. Isto é verdade no senrido de que os valores. paleontologos etc. at. A concepfdo dizzle’rim dz: birtdrizz. entrando em relaeao com os demais.).20“ Esta forma “desagregada e ocasional” pode nos levar 2‘1 im- pressao de que todo processo é acidental. AS Mlj'I'AMORFOSES DA (IONSCIENCIA DE (ZLASSE da autoridade do monitor.. ou seja. por um dos vairios grupos sociais nos quais todos estéio automa — ticamente envolvidos desde sua entrada no mund o consciente (e que pode ser a prépria aldeia ou provincia. “ideais venerados” sao retirados de sistemas articulados coerentem ente e aparecem amalgamados numa visz’io de mundo que niio parte da mesma sistemzitica de constituigao teérica que estava presente 3"" GRAMSCI... Antonio. pode se originar na paréquia e na ‘atividade intelectual’ do vigzirio ou velho patriarca. EM E‘Efiiia Essmw ia':§::é'§‘}il€:§§§ VEEmwxw rw EWE-fis EE «:2»:z-EE: fife-Es “3% E? a:E. destas que ilustram livros didaticos ou alguma noticia de jornal. cuja ‘sabedoria’ dita leis.

N0 entanto. : vs.Vr:.5 Ffig Mi”._ ._ . "' c_u. a afirmagao de que o “macho é mais perfeito e governa. MAURO LUIs IASI nos sistemas de origem. Ava-“N149. _\._ m“ . ha uma ordem nesre caos desagregado. Pode costurar este novo valor sobre a base de sua antiga concepeiio de mundo e chegar a concluséio de que “sempre houve injusrieas” (desde o tempo dos 205 _ rags l? Ema srfia giro“: £1: ‘M ioni’éii‘iiilx \ MALEas}?wan: téhZE-o li. . sem gregado esconde uma légica substantiva que lhe da unida que perca a forma desagregada. .%a§\ém &9\':_w\_s:__\-$_ . Caso z um encontrem estas afirmaeées por escrito. a "‘2 E. ite enfrentar— A compreensfio desta substancia abstrata perm mos um dos principais dilemas daqueles que lidam com 0 861180 regado comum. . Isto r1510 ocorre porque as ideias liberais 5510 as mais encontradas e difundidas.. . it 3.9.9.~23~\.\3 ‘ ”H" ‘9 ‘ ._(_ w . Como ele é formado por este procedimento desag a costure e ocasional. por exemplo. . Uma pessoa que agora conviva com um grupo que valoriza a militancia e o compromisso politico pode assumir para si esres valores e considerar—se um “militante”. v} can). ‘7 mean. com a afirmagao de que “Deus fez todos nés como iguais” sem a menor necessidade de resolver a contradigao entre os pressuposros excludentes (diferenga natural — igualdade natural).9. . do mesmo modo que na CfitiCfl da economia politica a substancia comum do valor nao impede a variedade de formas do valor de troca. 9's «ff-u: 63. Por este procedimento podemos juntar um juizo aristotélico.. e 03 valores nz’io deslizam numa série totalmente aleatéria e em aberto._-§\\__\ i9" _“-\. v: = 3‘12. As pessoas sabem que estéio numa disputa acirrada na . é possivel que incorpore uma nova ideia e seu em sua velha colcha de retalhos sem que altere a natureza de senso comum.. de imediaro se produ como desa— reconhecimento. .. sem OS mais fortes vencem e so 05 que se adaptam sobrevivem ter a necessidade de ler Adam Smith on Charles Darwin. aquilo que aparece de. mas pelo fato antes assinalado de que as relaeées que constituem a substancia de seus valores siio aquelas que embasam a experiéncia imediata de Vida das pessoas submetidas a ordem do qual capital..’. Desta maneira. a fémea o é menos e deve obedecer”. '3.. Uma dos aspectos evidenciados em nossas arividades de formaeao é que 0 senso comum é “liberal”._»_ : rwgz _. ecu. _ . ..

O fato de a concepgao de mundo ser partilhada pelo grupo imediato fortalece seu 5mm. ao gosto dos apriorz's kantianos. que corno Vimos representa as relagées sociais determinantes. a escravidao no Brasil etc. Ao que tudO leva a crer. Outra caracteristica importante do senso comum. Quando falamos que ha uma substancia “coerente” sob esta aleatoriedade desagregada que aparece no senso comum. autenticamente produzida por sua percepgao singular do mundo. por exemplo. Este reconhecimento é o que torna possivel £1 pessoa identificar na objetividade um fator que corresponde a urn valor que orienta sua subjetividade. espera set um dia e se destacar por suas qualidades sobre os demais. Para nos isto nao constitui uma novidade. Este reconhecimento opera. AS METAMORFOSES DA (IONSCIE‘NCIA Dir: CLASSE Faraos.) e por isso “sempre houve militantes”. O novo valor pode se acomodar sem problemas SObI‘e a Velha Visao de mundo. aquilo que é interiorizado na formagz’io da consciéncia. a perseguigao a Jesus Cristo. se expressa como uma consciéncia 206 a a = s a at M WWW “W a s w. “individuos” extraordinarios que se levantavam contra estas injustigas. at“ some . Aspecto importante do fenémeno ideolégico. Jesus. O efeito de correspondencia é produzido em razz’io de a pessoa julgar certa consciéncia social “Como se fosse sua”. sobre a existencia de algumas noeées que constituem em si a consciéncia como dado anterior e natural. Depois de todo o exposto até aqui. assim como ele. agora mili- tante. central. Zumbi e outros grandes “homens”. quere— mos com isso indicar nao uma aceitaeao racional consciente. como Moisés. de “real”. para a analise de Althusser. também. produz o efeito do reconhecimento quando encontra fora da pessoa a mesma relaeao. podemos descartar as visées aprioristicas. a ”If. profunda— mente Vinculada ao fato descrito. como clemento consoli— dador da visiio de mundo no senso comum. mas antes urn “reconhecimento”. uma vez que a visao de mundo que a pessoa julga ser sua é construida e interiori— zada a partir da relaeiio com o “outro”.

. a partir de Elias.2.. MAURO LUIS 1A5! do “individuo”.132 2 2. 2. p. . .92 2. concebida como “relagao da existéncia corn seus possiveis” (£5321 p.w-E.9222 22:: 22. 22:22.221.2 223.-. Neste salto na diregao do aind o individuo parte de situagées e condigoes objetivas.= 22. as experiéncias traumaticas ou edificantes. os possiveis sociais siio vividos “positiva e nega- tivamente (...2. 22. ‘2‘ . A aeao sobre o mundo. N510 pode mover-3e..922.22322232 . cada uma isoladame nte. amoldando—se ao grupo imediato e as relaeées estabelecidas on se confrontando corn esta realidade. l Sartre.23: W222 &»~. 22. Uma vez que esta praxis opera no contexto em que definirnos.2 2222 2. 1979.205 Em uma sociedade de individuos encapsulados. A agao da pessoa no mundo se apresenta como urn “desdobra— no mento determinado”. _v. . a escolha da profisséio. a consciencia imediata so pode assumir a forma de uma consciéncia do eu. .22% ‘3? {9‘25 ‘5. 96).2. .. mas acabam por Formar ideias disrintas.. \. pode olhar. 78). O indivi- duo enfrenta as situagoes de sua Vida e encontra-se diante daquilo que Sartre (1979) chamou de “campo de suas possibilidades”.222232. (Sartre. e uma positividade . corno uma sociedade de individuos encapsulados. imagina esta pratica como uma dialét encapsulagao do individuo: 75”" Elias (1994) langa mao de uma parabola para ilustrar esta : um conjunto a parabola das “estatuas pensantes”.2222 3222.2-2. a trajetéria pessoal.2. 1979.22: 22222. 78—79). 2 - 2. definern para cada um uma situagao objetiva de partida” (£62221 é en— Ocorre que toda praxis é negatividade. (2-.2.222-. _..22222222222 2.. uma vez que o ser humano é “produto de seu produto”. ou seja.2-.222 2..222.2-2. a busca de suprir uma “falta”. ainda que permanega fiel 2 sua convicgao no pape ica do central do individuo.. 2.22%.>\. Veem-se como separaclas clas outras estatuas e do objeto que observam. z.) como determinagoes esquemz’iticas de um pOI'Vif individual” (Sartre. de forma que a {mica certeza de existéncia é seu pensamento (A sociedade do: irzdz'm’duos.. 2.222:1222 _2: $9.. .2. 2.222222222222222 22:.2._ 2.. 80).. -. nos termos sartreanos: “proje a niio existente. 2.-. . 207 :3: 33.22... no sentido em que frentamento para superar esta determinagao. E 22.22. é visto como uma espécie de sina pessoal. os acidentes. 2. p. 2. .22% 22.222 12222E2§2m2222$ . p.2.. Tentam. . cit.2.222 2222. : 33. mas compreender o que olham.2.222. “as estruturas no de uma sociedade que foi criada por meio do trabalho huma ).22”.2 £22. ouvir e pensar. tudo. para urn vale ou para 0 mar. enfim.222 22.2 ..2. um salto to” sentido do “ainda nz'io existente”. . Em sintese a metafora é a seguinte de estatuas esta alinhado olhando para a mesma direqao..2“.

Sartre diria em sua Crz’tica dd razdo dialétim que “nosso Formalismo.).=-. e“: . que se inspita 110 de Marx. 3‘1 ed. 3:3 3. O 1nd1v1duo mterrorrza suas determinaeées sociais: interioriza as relagées de 3”“ SARTRE. Jean-Paul.353 .206 Esta concepgz’io. Em outta passagem. E neste ambito que em seu “Cuestiones de método” o autor nos fala da (. Sartre descrevera o mesmo processo de modo mais direto: Creio que um homem sempre pode fazer algo a partir do que é feito dele. ~32 «u.. 307 MESZAROS. ’\ _\. ou seja.--°"$~ 5'}.\‘|é\V gm qr.._ . .< $.. W W :.v SW:. Szio Paulo: Ensaio. 81. que se traduz quanto ao juizo literario na afirmagao de Sartre segundo a qual “a obra constréi seu proprio autor ao mesmo tempo que ele cria a obra”... Buenos Aires: Losada. a agao do individuo é definida como exteriorizagz’io daquilo que foi interiorizado. A praxis.lc‘ 3. uma dialética na qual o objetivo internaliza— —se no sujeito e este reexterioriza este contet’ido mediante sua agfio.207 nos permite localizar o momento subjetivo no caminho da praxis do objetivo (deter— minagées historicas das relagées sociais) em diregao ao objetivo (materialidade dada que constitui o campo de aeao dos sujeitos). Crz’tim de [(1 razo’n dirzféctiw._. e. W W. cit” p. alguém que nfio devolve completamente aquilo que seu condicionamento lhe deu (. W W a . .) necessidade conjunta da ‘internalizagfio do exterior' e da ‘exteriorizagao do interior’. 5.22”? PE.13 3X: 9: 93-3" : ‘35:??? "3’1 £32.rigs-1% 3 333.. consiste simplesmente em recordar que o homem faz a historia na exata medida em que ela 0 F32”. o projeto como superagiio subjetiva da objetividade em diregiio a objetividade. representa em si mesmo a unidade movente da subjetividade e da objetividade. Crz’rim de [a razo'n dz'dléc‘tim.saW 3 W 3333. entre as condieées objetivas do meio e as estrutu— ras objetivas do campo dos possr’veis. 38. AS METAMORI‘OSL'S DA (IONSCIENCIA DI'Z (ILASSli objetivo e do subjetivo. i W WW. {'3}.33%»a g. Istvén.gy’ §%>%-.WW WW3}3 ' 1W we . de um ser social totalmente condicionado. Jean-Paul. v .W. é um passo do objetivo ao objetivo por meio da interiorizagiio. f: v. p._ = .x s».< 3. que 5510 as determinagées cardinais da atividade. “Cuestiones de método”. 229). p.X _ .. O “momento subjetivo” e’ a “mediagao” concreta da praxis. '.33333323 ‘2 E33 3% éwww 3Wa3§t MW: W3 W.-_§\\_ :3.“ . (SAR'I'RE. -. ’ 3 we ----. 2&3 X. 1991. 3 -: 5 N. W . A 05a de Sartre: 6mm dd [Mara/ads. Este é o limite que eu hoje atribuiria 21 liberdadc: o pequeno movime nu to que faz.1-. mas falando diretamente sobre a praxis humana e a historia.:>. de Faro..333 -. _\x : :\ _ . Ms “‘3.>3. 1979."‘-%". O subjetivo aparece entiio como momento neces- sério do processo objetivo. 208 W ‘ mg.. Neste mesmo sentido.

3 ‘ 33333333 333 3 3 333333333 ‘W’ “ W " ' " “° ‘ ‘ 333 3. 84. necessariamente.333.133333% 3': 3. 3 3333 “-W. Segundo o argumento hegel como a individualidade diante destas circumstancias estabelecidas efetividade real e objetiva pode assumir trés posturas: uma maneira tranquila l) em ser 0 universal e portanto em confluir de etc. 33:. Jean-Paul. 33:: 3: 3‘53 33. 45. = 3. 33. o desta A inspiraeao e referéncia imediata de Sartre na construgii dialética da interiorizagao de uma objetividade e o retorno desta l.~:3:‘J. nada 3"" “A alienagio esta’ dc alguma forma na base e no cume. O filéso si com méio.3 9 3.3.. . p. Mas a alienaeio resultado objetivado 11510 é a mesma da alienaqfio da partida” (Sartre. a familia de sua inffincia.’.<3'.3 ...3 . ‘.'\3-. passa sempre pelos mesmos pontos mas em distintos m’veis de integragéo e complexidaden (Sartre. as instituigées contemporaneas e. 1979..~'533J. preocupado com a questao da relaefio da consciéncia de sobre 0 aquilo que chamou de “efetividade exterior”. mas encontra—se em um patamar superior. pela “intengiio”.) por esta razfio uma Vida se dcsenvolve em espirais.208 ESte processo dialético que Sartre chamava de “movimento de totalizaeao” niio poderia ser julgado.. isto é. a agao humana nega. por meio da mesma atividade. 3 33333 333333 3333333 (“3-1335 3% E§3IN§ 333. a heranea objetiva interiorizada mediante sua em 219510 e. este produto onde Objetivo final 11510 e um mero retorno 33 situagao inicial de partiu o sujeito.-3.33. 1979:» P.210 trans- formando e carregando as marcas da agfio subjetiva que sofreu.313-3:'. no sentido da superagfio inicial.:33: . Este raciocinio implica que o estranhamento encontrar— —se-—ia no inicio e no fim do movimento de totalizarjio. questionava—se minadas tipo de efeito e da influéncia que as “circumstancias deter iano.-. ”VI-"wk“ 3.3333 . subjetividade novamente em objetivagao é evidentemente Hege fo ale— mas especificamente sua Fenomerzo/ogizz do espz’rito. _ 3 .\'..-.1:5?‘2-1-23- 3 3 3. o agente nunca empreende do que niio seja negagfio da alienaqao e volta a cair no mundo alienado.88)- 20‘) :3: 3.33%.'§33:33:333“-.333. Irztz'nemry ofzz thong/It. nos remetem de volta a elas.83: nota 1)- 2‘” “(.. 3&3..209 Ocorre uma negagao da negaeiio.333 3 33 333 3 3333 . P.‘.. 0 passado histérico.333“? "t. habltos 3”“ SARTRE.333 3. mas pela objetivaqao desta intengao. reexrerioriza essas coisas por meio de atos e opgées que. p. ainda segundo 0 mesmo autor.'--. imediata com este universal que estzi presente corno costumes. MAURO LUIS IAsI produgio. 53. . rzpud MESZAROS3 1' A 0677: d" Sartre”.3 ‘.-.333. . No entanto.. cit. a seguir. . exercern sobre a individualidade”. volta a externalizar—se um produto objetivo que dele se afasta.333 “="=‘\”‘"“3= WWW” 3 3 33 ’“"' 33 “W”. por sua “rea— lizagao”.3'3.33333333333-33. .

) 36 da prépria individualidade depende. o que deve ter influéncia sobre ela. W. estado do rnundo em geral.3 vm swxw 333336. p. wmeno/ogid do espz’rito.3 3. se tor— nou esta individualidade determinada nz’io significa outta coisa senao que ela jzi era isso antes.33353333.). costumes etc.. nfio os dcixando agir sobre ela. pois esta individualidade é também uma “in— dividualidade determinada”.3 «. que uma vez sao indicados corn dados. nem sendo ativa contra eles. (. com total indiferenca a seu respeito. parte 1. somente exprimem a esséncia indeterminada da individua- lidade — da qual [1510 se trata aqui. 3” HEGEL. F.. 3 . e portanto em subverté—los.. Circunstfincias. Diz Hegel: Portanto [dizer] que tal individualidade. se conhecemos bem Hegel. O individuo nz'io seria o que 6 se essas circunstiincias.3333 m: 3 x 333133323333 333333313 333333331333 1:33.3. para poder “particularizar—se neste individuo”. 3M . No entanto. r1510 tivessem sido. dai a afirmacao que depende da prépria individualidade a natureza desta influéncia. habitos. costumes. maneiras de pensar etc. com tudo o que este estado pode incluir (costumes. 3) como também em comportar—se.333 3:333M2-333. mediante esta influéncia. se contrapor a ele.212 Como vemos. situacées. 195. ou em relacao a ele ser indiferente.3333333‘ 33:33 3333 . nada é assim tao simples. pois. em comportarvse como oposta a eles. maneiras de pensar. e outra vez séio indicados nesta individualidade determinada. 3'3 Mid.. “0 estado do mundo deveria particularizar—se em si e para si mesmo”. G. Entretanto.. AS ME'I‘AMORFOSES DA (IONSCIENCIA DE (ILASSI‘Z 2) 6 [a0 mesmo tempo]. estaria nas duas pontas do processo: como efEtividade real externa (universal) e como singularidade no individuo determina- do.:3:2. em sua singularidade. o chamado estado do mundo. e qual influéncia isso deva ter — o que vem a dar exatamente no mesmo?” Neste fragmento observamos claramente a afirmacao de que a individualidade (Die Irzdz'vz’dzmlz’tz‘it) se Vé diante da relacz‘io livre com a efetividade do real que encontra como base para sua acao no mundo e pode “fluir” com este universal enquanto unidade com ele. porque tal substfincia universal é tudo que se acha nesse estado do mundo.333. cit.

V: §§>'-. Logo.‘\\ :m 5 M3 ..?. “dentro da esséncia consciente” (o individuo). N510 nos estranha. Easies.¢_.$:__¢'. Esta duplicidade nao geraria maiores problemas. que a conclusao de Hegel é o fundamento do existencialismo de Sartre.E ifi‘s 5 . .‘-:-\‘ '9‘ M9. Conclui Hegel: 211 E: SW: . e a mesma galeria “traduzida”.ss \35:_$-_ if?“ '. ”.2 §a :iéaiia N31“ §§§é M ii}: i? is. se houvesse uma galeria de quadros represenrando a determinabilidade completa e as delimitagées das circumstancias exteriores. no exemplo que nos apresenta Hegel. -. da efetividade fenomenal -. corno. subverté—la ou inverté—la. y: .--" 5'7" (as. MAURO LUIS IASI de maneira que existiria uma identidade entre 0 universal e sua expressao particularizada em um individuo. p. no entanto. mas também é em si ou tem ele mesmo um determinado quanto ser fixo originario (.t if»... _ . a afirmagao de que o centro so pode ser concebido a partir do individuo mesmo.: ~§-. Assim construido.°?=':-r..i. 1997..I »\\._\‘A.fit: 2%._ :"“'.. o agir como rizagz'lo como reflexao sobre a exteriorizagao efetiva” (Hegel."'\'":.“ ia-séfirfisgfik lax-Eis.. 1997.Edie-sie. portanto. A implicagao maior do argumento volta.}. a sua” (Hegel.1 $21. teria uma dupla significagao: a significagao de ser mundo e a de ser 0 mundo do individuo. cularli por aquilo que o originou como individuo (expressao parti z de 51 zada do universal). uma vez que ambos sao em si mesmos idénticos e contrarios em unidade.liz§s§ériaiis rigs.3 «5WD: {1:951 .“\"..\‘:'. Disto resulta que o ind}- viduo (D115 Individuum) é “em 51 e para si: é para si. uma vez que é ele que pode deixar Huir esta efetividade que o influencia ou interrompéflla.'3"2. 1's): 5: \. 0 individuo é tanto marcado por sua determinabilidadg.5}..& mg. 3‘: £2 gal. Vemos a total coincidéncia com o pressupos duas reforqada quando Hegel concluirz’i que a mediagao entre estas efetividade dimensées. 202).efetividade essa que no indiv imediatamente.? “. nas palavras de Hegel. como igualmente aquilo que ele produ to de Sartre mesmo. 93. %‘~'\ {9.§=C E sagas.zéaf Y" :.i’a lialiig Esamiéfigimfl ..) tanto movimento da consciéncia iduo é. como uma esfera na qual a superficie é o mundo do individuo e 0 interior. 0 set consciente que reflete esta superficie mesma. 197)._¢. a da individualidade determinada e a da “exterio— imediata. so pode estar no agir do individuo. o argumento de Hegel apresenta uma nova circularidade na medida em que esta “superficie”. p. nao por acaso a exterioridade da esfera. on é um aglr ser livre.

g-. 3% .‘j-. cantaremos com Belchior e Elis que “ainda somos os mesmos e vwemos como nossos pais”.6 eonservagfio. a individualidade é efetiva (. . -&W‘>§"-’>". age no mundo orientada por certa visz’io de mundo partilhada com seu grupo imediato (nos termos de Hegel: 0 estado do mundo universal encontra na pessoa sua forma de particularizagao).filhOS. e 05 filmes de James Bond terao que garimpar novos inimigos.. . O ato é isto. ainda. estarao marcados no produto objetivo.§1-eW-% $“IE-:2‘-é“i§\{é WEE.. 205.). o mundo se apresentara mais integrado e préximo.. ao final. nele."=??='=-r:\\ i“? " ”315‘ 43:3?“ *‘3’3-‘7-9’E“""‘-“"i:-"°\E' EEEEeEewEEEeeEECE E @2e EEE E 2eEe32: EEEEEEEN‘E @2231} EEEeEEa‘LeEE EVE-fie E22 "$22 zeEe. Morarz’i agora na Cidade.-‘|a‘2-V~'§ e". tera menos .:_'. 1979. acordaremos com Marlo Quintana num quarto de Hotel na Rua da Praia.'-“.2” Voltando a0 nosso tema direto. 212 . verao televisz'io horas seguidas. Pknommologirz do espz'rz'to. as crianeas nao entrarao no mundo do trabalho na mesma 1dadeque ele.t_2've 2f: ewe.:‘-. de modo que “pensaremos com esses desvros originais (apreensao obscura de nossa classe. atuaremos com estes gestos aprendidos e que queriamos negar” (Sartre. AS MI‘JTAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSl-l O verdadeiro ser do homem é. a0 mesmo tempo. a pessoa interioriza as relagées sociais determinadas de uma certa sociedade e de um tempo histérico. ou. enfrenta o campo de possibilidades que se abrem diante de suas opgées. de nosso condrc1onamento social através do grupo familiar). (in. 0 jOgO d3 interagao de “seu” projeto com os demais que se chocarn no seu cam— po de agao. e olhando para o espelho nos surpreenderemos: 3'3 HEGEL.'“?“2\“. em Porto Alegre. a divisao de tarefas e papéis de género se alterou.2 x 2??” M-“qi‘i’fé. de supetagao . p. 1m]: Pe‘WQ-i ”’1 Eff-m? “11332-5 ‘.}.2“ . O ato é isto. A “(fag-10 da negagao é um processo. seu ato. e o homem individual ('3 o que o aro (5. possivelmente carregando a mesma estrutura e representando as mesmas relagées sociais determinantes. EEE 1E3 hififizfiifeh 2 .. Apesar de 0 processo iniciar e culminar na forma familia. mas a Coisa mesma. p.EeEiaei E:2. 84) e. com um café e um quindim. antes. Sua aeao no campo das possibilidades. Por meio da vivéncia subjetiva das relaeées objetivas que constituem a familia. nao existira a URSS. e seu ser niio é somente um signo. cons— titui familia e cria seus filhos. [1'30 6 mais a “mesma” familia.W 31-33.2"'.

Para 0 autor. ' : . entretanto estas relagées histéricas siio humanas somenre na medida em que siio dadas a todo momento como consequéncia dialética da praxis.. por outro.2 seam Mat->3: {’31 swig-*1 r»_--__ >>W.\. logo toda relagiio é histérica”. 55.“ Lembremos que Freud nos explica que a dinfirnica encerrada no complexo de Edipo culmina na identificagiio com o objeto que querl’amos negar.iia isizs.':. urn dia — a longa. Arztologirzpoétiaz. r1510 corno produto acabado. MAURO LUIS IASI Por acaso.- BrELIoTECA CENTRAL o is«:‘Em‘éiiis i‘s‘iasfi.:. e pois nos permite entender o processo em seu proprio mowmento. Aquele menino teimoso de sempre E teus planos enfim lei se foram por terra. Porto Alegre: LficPM. Pai?! Tu é que me invadisre. E por causa da énfase contida nesta concepgiio da przixis que Sartre considerara este movimento como totalzzafaoi e r1510. um orgulho triste.~. Que importa? Eu sou. 2001. Mas sei que vi. apesar de estar inserido num campo prz’itico determinado’pelas relagoes sociais de produgz’io e pelas condicionantes de sua epoca historica.“2=. Mario. meu Deus.. quem é esse Que me olha e é tao mais velho do que eu? Porém. a infiril guerra! — Vi sorrir. iW'iré-isriiWiiiiiiii} “W‘ i“-‘-“>=S=‘-a EN i saissii i fies-ii isii i‘--'W?‘W“"--$'*?s ‘=.g>'=. por um lado. Como para o autor francés 0 set humano consrroi sua praxis em meio a uma unidade de contrérios representa— da. é cada vez menos estranho.. Para nos isto é de suma imoortancla. . afirma que. seu rosto. nesses cansados olhos.-‘"<W g {914' isii§'-§’}5§:§§i 2‘3 iiifim iisi-iiiziiii gas-sis if: Was-firfi‘fp‘ ...que jzi morreu! Como pude ficarmos assim? Nosso olhar — duro — interroga: “O que fizeste de mim?!” Eu.. “toralidade”. ruga a ruga. ainda. 9». sua agiio esrz'i sempre em aberto diante de um espaQO d6 possibilidades que 36 se desenham por meio da atividade hurnana. simplesmente. gsis. Parece Meu velho pai —.....°3=-=-._p :35 w‘_-. surpreendo-me no espelho.. “o homem sé existe para o homem em circumstanaas e condieées sociais dadas. pela necessidade e.«W: -...:.. p.. pela liberdade."_ rig-2 4 ix e. Meu Deus. ou 2” QUINTANA. ass.. Lentamente.

: mm. até certo ponto.‘.:$.{1-9W&“}. se constitui como Outro distinto do . porque nunca ha 0 bastante para todos._= _._\ _»_ nip”. on. Jean-Paul.. 263. p.g_$'v2s i‘f: fits: ..‘15§a§“Q‘s egl~-_-Y>§W\Vo:-. Como a experiéncia humana se define em um contexto de “escassez”.como borm’m mumzmo homem.\ . para ele. a luta pode gerar um outro como “niio humano”. ou seja. Neste contexto.. 0 homem. Este espaco de liberdade em que se da a acz’io do individuo é ele proprio determinado por uma contingéncia. de Forma que a sobrevrvéncia de um esta em contradicfio com a dos outros. _r\\\-. Uma vez que cada um esta consrituido “em sua objetividade por si mesmo e por todos” e sua necessidade esta determinada pela sobrevivéncia.. . isto somente pode ocorrer na medida em que esta experiéncia se define na relacao “com todos os individuos que figuram neste campo”. Desta maneira. 214 W . N50 por outro motivo. \ w. se preferlrem. de modo que. esta intersubjetividade é uma relacz‘io de luta.. segundo Sartre. da pluralidade das atividades no interior de um mesmo campo prético” (Sartre. de forma que o Outro é. se a “organizacao do campo pratico no mundo determina para cada um uma relacao real”.’. a “praxis cotidiana” se reveste de uma importancia central. a». 1979.215 215 SARTRE. uma totalizacao em curso na qual integram—se os diferentes fins e na qual eu sou meio do fim esta— belecido pelos outros simultaneamente ao fato de 05 outros serem os meios de meus préprios fins.t $4 . Crt'tiaz de [a mzo’n dizdéctz’m.. RN. . E este fenémeno que Sartre chamara de “reciprocidade comutariva”. Par'a cada' um o homem unste . grau este determinado.‘5' a.}::_':. cit” p. : w . . sua préptia atividade se volta contra ele e “10 cliega como Outro através do meio social. (5‘ Am _\\~. 230).§-. . estruturas intersubjerivas. METAMORI‘OSES DA CONSCIENCIA I)I£ CLASSES AS seja. As relacées humanas sao.-s|a\?-Vx?y: §--__ . pela relacao entre forcas produtivas materiais e relacoes sociais de produciio. através da matéria socializada e da negaciio material como unidade inerte. como espécie esrranha. assim como eu. o antagonismo é determinado pelo gran de escassez que atlnge Cada um e cada grupo particular no interior de uma dada socredade._-_§\\. -. um movimenro no qual o Outro é meio a0 mesmo tempo em que eu também o sou.= x \. .

estao “reunidos.95-9“ “Mite ‘43 ”$1.\.:§s-.~\I. a :‘ Wait-'R‘fr‘ f: “.. mas invertida.Ea. .o. na tradicao marxiSta. na qual é “cada um para si”. Sartre lanca mao do exemplo de uma fila de pessoas esperando um énibus para ilustrar 215 :‘. p._\':__:. mas um certo padrao de apropriacao e acumulacao em meio a abundancia e a riqueza. MAURO LUIS IASI Sabemos muito bem por que uma sociedade assume a forma pratica de niio humanidade e a que ponto chega este processo sob 0 reino do capital.-=-. :\. aria-2% Zatmafiégiiam . L’mica maneira de garantir a sobrevivéncia. A reciprocidade ainda funciona aqui. No interior desta sociabilidade determinada. Esta forma de expressao inicial do coletivo é que Sartre (1979.g»-..I$-s.. mas nao integrados”. 0 capital produz um novo tipo de escassez por meio da acumulacao privada da riqueza socialmente produzida.t§-x§-%tiaix 293% was “silk z-aéa été‘ia-afi. paradoxalmente. ainda que desempenhe um papel consideravel. r313.32 g»-.9*.:°. 396) denominara de “serialidade”. unificar o grupo humano e estar na base das for— mas iniciais de trabalho e sociabilidade que constituem o humano como humane. E um coletivo serial no qual cada parte esta acidentalmente ocupando um lugar.: r we. a. 0 set humano reificado é o meio para atingir 0 firm estipulado pela materialidade capitalista fetichizada e incontrolavel.. mas a série em que se encontra [150 e um grupo. A forma social coletiva é a da ocupaciio do mesmo espaco de luta. O reino do capital produz como desumanidade algo que nao tem por base a escassez propriamente..W s . A escassez na luta contra uma natureza hostil pode.:.<a\.& “a 9. _I\I\::_-I_:.__m_t:___¢\-§_ iaeakifi-iaa-imifi i pad->32 a&. 0s seres humanos concorrem entre si pelas possibilidades de uma vaga na divisao social do traba— lho. \s". cada um é indeter- minado. como multiplicidade de individualidades. como “pluralidade de solidées”.5?” “3“)? Sign . Cada individuo vem de sua insercao em grupos. nao pode ser reputada como fmico aspecto. numa luta de todos contra todos na qual ninguém ajuda ninguém._ “Ni-‘1' o: 951?. 33:?”i a‘éifiia E§. assim como. de certa forma. as)?“ <§a. naquilo que Sartre chamaria de “campo pratico-inerte”. Na sociabilidade do capital..s?st\v. A énfase na escassez que se apresenta em Sartre..I. de forma que todos sao definidos como concorrentes e inimigos ao mesmo tempo em que cada urn é definido por todos com o inimigo.

1979. mas posso nunca conhecet um outto que sente o mesmo. O que nos interessa é que me vejo como 216 29mm =r. talvez me presenteie com um sorvete para compensar meu esforgo. p. os membros da série apenas coexistem no mesmo espago e disputam OS flSSCI‘IEOS- Um membto da sétie pode ser ttocado pot outro. Seja como for. mas igualmente transcendentes. no trabalho terei que terminar a tarefa que deixei incompleta no dia anterior. A serialidade pode set vivenciada pela presenga diteta. Estou saindo para 0 trabalho nesta hora potque aluguei esta casa. absolutamente impessoal. Vivo a totalidade social em uma capsula individual e em nada alteta esta percepeiio encontrar no caminho outras Capsulas e pattilh ar com elas o espaeo no énibus. em cettos casos. em niveis patologicos extremos. AS METAMOIH‘OSES DA (IONSCIENCIA DE CLASSE a serialidade.:§sai t r- rr wt. para mim. para cada membro da série esta atividade se reveste de um interesse individualizado. como é a sétie que se forma pelos ouvintes de uma estaeiio de radio (Sartre. que a natureza da série nao se altera. m» vrw Zarrrirfitiifrlo. como a sepatagao entre 0 local C16 moradia e trabalho e um certo padriio de acumulaoao que permite a uns item com seus cartos particulates e outtos setem obtigados a enfrentar as filas do transporte coletivo.. seja por fatores r1510 acidentais. no casamento. no ttabalho e. seja pelos aspectos acidentais. ffs laafifar- arr-kt rag-{ri » t Ea: tat-tr . na volta terei que comprar cafe e p510. tt €33”?e rant-rs WW tr East-airtirir t“.Etritrrfi. Ainda que a atividade de cada um esteja de fato integrada em uma totalidade que em nossa sociedade é 0 capital total. Faeo parte da série dos que se sentem culpados ao tomat um sorvete. . ao mesmo tempo."~:. Nimrxatig-ésaimiri} i tantra rt= tt r:= %§. na padatia ou mesmo. neste bairro. considerados normals. comO no exemplo do énibus. ou mesmo todos. como o horzitio que cada individuo saiu de casa. A unidade desta reuniiio de individuos é externa a0 coletivo ali formado. talvez niio.fiat:t-«aaar. indicando que a serialidade é individualizante e.r::'-:. mas também numa situaefio de auséncia. um fato contingente e acidental. 410—411). Fago isto cotidianamente e em razfio de meu bairro inteiro fazer o mesmo é. pois me sentirei culpado p610 gasto corn urn item supétfluo no meu oreamento tfio apertado.

53 's' . 9:: gm“ _w . l 3%. por cxcmplo. $6 a socicdadc capitalista podc levar cste processo dc individualizacao ao maximo pelo fato dc superar os conSErangimentos mais evidentes quc subordinam o ser humano.. it %xVii m}.. mas uma “antipraxis” na qual espaco da liberdade é nulo.’.a. a.. mas atemporal..-'.s..- . 5“" ti: 5 “NE-9' it W a ‘3' 3' ' “E N” \' g” ‘ é. dc do Nestc sentido. SA}: ail-'3): E"? Igpxx 5 Ismsi. Eu me vesti para sair ao trabalho pela manha porque cu assim quis.é 3w: s ‘_. A consciéncia imediata do 361' social sob esta ordem so podc naturalizada c se apresentar como uma consciéncia individual..§9 . MAURO LUIS IAsI parte isolada e singular. Da mesma forma. m. .. desagregada e ocasional. constituind o niio propriamente uma praxis. mas cstc niio é a harmonia 6 0 ca— felicidade do conjunto como quer o pensamento liberal.. Cada um buscando scu prépl‘iO a intercsse realiza o interesse geral._‘~. e a rede dc rclacoes que me une aos outros aparccc na forma dc uma contingéncia absolutamente acidental. A interiorizacao dc uma objetividade social particular aparece como subjetividade singular.'-. mas pital total C a reproducao das condicoes gerais dc sua perpetuagéo.. = $4 g 92’s“ 32‘3“: (13:9? ’ \ "" ' 9'5" 1. uma coisa mi— nha. v. . 09‘ _vQ (A'. 3-"w? 2*?‘1.} i zigzag“. g 5-.. as trajctéri Vida daqueles que se orientam por urn comportamcnto militantc —. %3 § .1% m: z: '2? is“? ..’n u. .??? \ \ £7“ .. ninguém me mandou fazer isto. $1: €33" l? ‘3‘ mu»\\3:.._. herdada revelando uma coeréncia irretorquivcl aquclc que a possu dc uma sociabilidade objetiva imposta. w v .'w. mas que o individuo julga como “sua” auténtica subjctividade.y. acordei bem cedo c fui ao trabalho porque sou um scr rcsponsz‘ivcl quc sabe dc seus dcvcres.. . apcsar de desejar permanecer em casa olhando meu jardim. . R“Ed . como a servidao on a escravidao. if? "' = {CV . rcaliza o intercssc do capital social toral.“ ' flush" it}? E-EEAFE. Antes dc estudarmos o processo pclo qual sc revcla que as coisas as de néio siio bem assim —— como comprova.i.. A forca cxtcrna que impunha da a atividade ao individuo se internalizou. no contexto igualdadc “natural” dos individuos. . . . do meu carater.fiw?. fl. fato. .\ 9" {9&3 x.§\ Axis} ‘3.\\\\§\V.‘. ntc. ._-. 5 . mas igualmente o na mediacao pela propria atividadc dos individuos. . cada um aparece como um dc sujeito atomizado buscando scu préprio interesse enquanto. a alienacao nao cstaria apenas na objetivida ponto dc partida 6 na forma objetivada ao final.. ygéfiifysfi ifii'? i«g»:} ..s-..-.w: i . agora. -\. : j«J. x.<AKJ~\J\ 2:1I {I} fit} Q.\\ .-_. formada bizarrame i. 217 :3: 3. 5. {‘._ I \g §}2\\5 k ’55-“? 3’1 :25. ... '3».:._§ é K. {km-. z.

agem no terreno maleavel da historia enquanto devir. nao hzi uma correspondénCia direta entre o carz’iter da sociedade. uma forma social seria imutzivel. . possibllldade P 355:1 ll] 1 (. 2. aquela na qua] o IlllldllO . produzindo uma nova objeti- vagao. se eSta é uma possibilidade até mesmo bastante frequente.122222222222222222 . A perspectiva sartreana de um movimento de toralizagao em aberto pode nos fornecer algumas pistas valiosas no caminho de nosso estudo. ainda que niio seja Jamals o mesmo. . 3. A n 218 222222 2:2.vem . Se assim fosse.1 II tireelra (“95. certamente muito menos que nossa pretensao supée. 222 22 2 222222 W22 2223222222 22 2222 2222:1222 22222222222222 2'“. sabemos pelo menos com um grau muito grande de certeza que as formas de sociedade mudam e mudam muito no decorrer do tempo. quanto alterzi—lo. institui uma realidade em movimento que pode-tanto reproduzir 0 real do qual se partiu. AS MIE'I'AMORFOSES [)A (IONSCIENCIA Dl-l (ILASSL' guardemos um pequeno espago para o fato de que esta é uma possibilidade real e que certas pessoas podem passar toda a sua Vida reproduzindo a existéncia reificada da ordem do capital. por meio de sua praxis. 316 C omo22. apresentada por Hegel. Vejamos mediante a anzilise de algumas histérias de Vida como ocorre este processo. mas mesmo na perspectiva temporal de geraeées. 3 J i ‘3 ' 1 3 ‘I ' I . ~ . em cada momento. Néio apenas no que refere aos modos de produgz’io. que para Sartre é o espaeo da liberdade. a consciéncia de seus membros e a agao dos individuos como repro- dutores mecz’inicos desta sociabilidade. f ’ _' . 222 W 2222:“2-222 222 23:2 2222 2.. nao constitui uma fatalidade inevitavel.222 222 2.222 2'2 222 222 2‘222. .. ou seja. na gradaez‘io de décadas. Mesmo que saibamos pouco sobre a sociedade humana. naocassml taoneurraquamoas consequcncms. Este momento da przixis. 222 222222 223222 ‘2 “2 2:.216 No entanto. os seres humanos. 22222222222222222} 2 21. .I'LIIIL PCLl dittfmlnfibllldddt. o que nos remeteria aos séculos e milénios. de uma obje— tividade historica herdada. Diante de um campo prético-inerte. ou seja.

44» 4 = 4_. 56s Id 0 que issofiosse. _\~.«45 _4-. . :. . incluindo neSte grupo gigantes do pensamento sociolégico como Weber. 1999- 2” “Como me tornei socialism”. 2001. ni atbol ni libro”.4-4 )4: gr.s_. Cantos. _\V:':_\. C 9. acaba semprc tondando os séculos XIV a0 XVIII. 6. “3.._ -. Buenos Aires: Ojala (Cubfl)/Alfiz (Argentina). a com ajudzz ([05 [Euros descobrz' que i550 em ser sociaiz'sm. p. [7077717d [as pisadas e [as nombres (H) pobre hombre d6 arena.\ 14. \... momento da interiorizacao da objetividade que constitui um set social particu— larmente determinado..\. . :m: \.v_:. K 9444:”): x. 2‘9 A maioria dos autores que buscam uma alternativa ao marxismo partindo d3 critica de um certo determinismo. Marz'posas.344.3 _-.‘. W9 i iiiv‘i‘t Qwiiifi. Silvio Rodriguez217 (. A przixis individual e o grupo O primeiro momento do movimento dialético de constituicao da consciéncia que estudamos (E 0 momento da determinacao da forma histérica sobre as consciéncias particulates.54. 4 DO INDIViDUO A0 GRUP O COMO TOTALIZAcAo DIALETIC A L05 hombres sin historz'zz son la historia Gmrzo a gram sefbrmam [argzzs playas 3/ [Mega view 61 vierzto y [as revuelve._ ):\\\-_c\.E ‘5‘.\ 4.. Jack London218 4.“ $322. mm % gfiiifiii“. “4. '_.4..:. Silo Paulo: Expressao Popular.'.» “:5: _»= _* 43-44: :\\_>. apés um longo processo hiStérico.4. A forma particular que 0 set social assume.) Eujd em isso.1. W2 ii3hii§i}iii§i .\\ «x .l: as 934.g=. defarma igmzlmerzte eficaz._ -: wheeze m__... ig‘a its “52% i3 Witt? if. 49. é a forma de “individuos” 2‘9 2‘7 “Sin hijo. exatamente o periodo histérico que Marx identificou como 0 de geStacao da forma capitalista de socwd ade. que coincide com a formacao do modo capitalista de producao. Foucault.:_m. Elias._ i‘iiiwiaiitiziifiii? i it.\'v E's): £4 \.._ . 33—34.__4..?). p. i.-.4\.) aparenremenre mm individualismofiroz foi efi’tivammz‘e extraz’do dc mim efoi-me incufma’o 0mm coisa.

proprio do eu. '11:: 1' 3330?: .\ «V a". “uma 220 Como IMO r lembra' r dos~ versos 1 dc Dru mmond: ‘ ' ‘Vwemos um tempo dc pilftldo ' . AS METAMORFOSES DA (IONSCIENCIA DE (ILASSE Para a consciéncia social desta época particular.. 9"".\‘ \w. . apresenta alto grau de desintegracz’io.\. Wififrfiin . antes como PIOCCSSO psi'quico do que como valores de ordem moral 0U SOCial. £2 §§‘ § Nfli. 3 i' ki: £32. ':. 189). nas palavras de Pichon-Riviére (2000._. a partrr dai 1nconciliavel. W’} A . produz 0 set social como individuo.$'.--'-. o muntlo externo. §§§§§§§§j§ ~.3:: = . _\V .\ . Alguns aspectos universais da formacz’io da consciéncia ganham.. O resultado deste processo fica impresso na pessoa e em seu préprio psiquismo como marcas daquilo que Foucault (1977) chamaria de corpos doceis e assujeitados de uma sociedade disciplinar. como produtor 0“ vendedor autonomizado de uma me rcadoria particular. ‘:. i \-."1-"1'Q\'§" . entre um universo interno.U1“ tempo dc homens partidos”.‘ f: fig Mg???» 9-.\ . nos termos antes descritos por Elias. §3§}§%b§a §‘%. uma forma particular de estrutura familiar que restringe os objetos de identificacao e opera dentro de uma hierarquia de idade e sexo.mm. ao mesmo tem- PO em que reproduz a ordem social que esta na base deste ser socral Particular. na realldade material das relacoes sociais . iai’é“ 153‘ 5V“? '9" 5?: ”"§ ‘25-‘93”: 1" '13:“? -':1' 1'.'_ \\_ . m: s: \. O modo Como historicamente se opera este processo éftinda responsivel pela existéncia de uma dualidade. A objetividade internalizada. --¥>. ‘ figifi ‘. '=. EM" 3&3 $33233}: 32:1. «K. isto impli- ca uma certa forma de expressz’io daquilo que denominamos senso comum. sendo. por intermédio deSta mediacao particular. 2 3'1“ {116 -\'f-. '__. uma feicz'io prépria. e. p. mas.-.W. expressa padrées emocionais e apre- senta demandas de sua época hisrérica como um conjunto de restricoes e preceitos que devem ser levados em conta pelo novo SCI“ em formaciio..-. ' A sociedade dos individuos. fragmentacfio e divi- sz’io. A particularidade vivida inicialmente como universal pela crianca em nossa sociedade é a familia nuclear burguesa.""=‘\"‘ ‘Q’I’fii 12“} 'fizgi ix? ’WE..' ' $1'1E'1-‘1‘. O ser social assume a forma historica d6 capfulas IHdiViduais nao apenas como autoimagem.9322 Hit} 33 3. O ser social sempre se insere em relacées preestabelecidas e pode apenas viver uma parte da totalidade histérica em movimento.

na qual uma certa consciéncia socia ._ a EEE-E.-‘.‘T‘E’. desenvolve—se uma diale’tica de cfio das amor e (3dio que permitiré nz’io apenas a eficaz interioriza . o ser social ocupa posicoes na rede de relacées que constituem a sociedade. mas como algo estranho ao sujeito. moldar seus desejos e impulsos segundo entada. Ela é uma objetividade inter— nalizada.’-°EE EEEEEEEEEEE EEE‘E EEE ”EEE" EEEEEEEEEE E: EEE EEEEEEEEEEEEEEEEE . . Ela apenas como externaciio da prz’ixis humana anterior. como Vimos. no movimento do capital como forca social. normas externas._. MAURO LUIS IASI sociedade cindida constituida por individuos cindidos”. Manifesta a objetividade corno forca incontrolz’wel diante da qual o individuo isolado nada rem a fa— zer senao se submeter. . E EEE-EE- \:_ : \.\_... mas como uma peca intercambizivel e aleatoria buscando seu préprio interesse individual e egoista.\ '4.': 9‘13: (EN: 1%): 5: x.EEEEEE ME. apresenta uma forma particular como se fosse universal. EE \“A:_$'_ :'-“.EE EEEEEEE E'E‘ E 2‘ W.. no mercado. EE EEE EEE EEE EEZE E E: E: EEE EE. . ao novo ser como 52m consciéncia. o mesmo grupo 221 E -E. E. pois a unica forma de contor— nar este problema seria a imortalidade. restricz'io e organizacéo externa apres meio de Como neste processo a objetividade lhe é colocada por OS figuras humanas de identificacao que concentram e sobrepéem aspectos de afetividade e punicao. Sua generalidade se particulariza enquanto sua particularidade se universaliza. Esta objetividade constituida enquanto subjetividade se expressa nao coloca-se como alienaciio em vzirios aspectos.220 Nesta situaciio prevalece a serialidade (Sartre. naturalizada e universalizada. O fato de uma forma particular de sociabilidade historica apresentar—se como produto da przixis de outros seres humanos é inevitz‘ivel. Seu caréter social é dado por algo situado fora dele. A funcionalidade da primeira forma assumida pela conscién— cia social do individuo encapsulado. ou seja.. ou seja. gerando a impressao de que “sempre foi assim” e portanto “sempre serz’i”. E individuo corno ser humano e 56 se torna social enquanto parte da engrenagem do capital. E. E‘E‘EEE'E’EE‘JEEEEE E‘ EEW-E-v-E Er EEEE’QEEZE “="‘=‘. 1979). a x._ME V. forma de A primeira forma da consciéncia assume assim uma l é apresentada imposicz’io.. SEE-i _\E.: -. a normatizacz’io. como a identificacéo com o ser que as impée Amar quem se odeia e odiar quem se ama.

sentido 68W (1116 SC expressa no préprio nomc quc niio indica uma singularidadc.» _\x :.13:3 4._\ »_ _ s 9. 1978. a}? it“? lasa. . . além de um produto objetivo. Os argonaum.§. Desse modo. naturalizada c sem hisréria. 222 . o quc mais me impressionou foi 0 dc que 63365 natiVOS quase n50 tém nenhum mcdo dc fantasmas c nao cxperimcntam as sensacées dc a{Ween-551‘) que nos sio caracterisricas ao pensarmos numa possivel volta dos mortos. p.}._ 475". Sio Paulo: Abril Cultural. (.) OS espiritos voltam para visirar as aldcias uma vez por one C parricipam. . eter— nizada. a grands festa anual ondc recebcm oferendas” (MALINOWSKI. $3. qxx: _‘. Em uma cscala maior. -._\\~x ”mo.1:??? “fig-gagging». do mi/mmzlzz. aprcscnta-sc nz'io apenas como objctivacao._ 2. m».191”: 3-. na cultura estudada por Malinowski — os nativos In! In) dc I PObfland —. . do Paczfico Ocz'a’erzml. . podcmos rcprcscnta r CStC espaco nos momentos revolucionarios. : \\.91 91". . Urn novo ser social podc cncontrar uma sociabilidadc objctivada c integrar—sc ncla como 610 do fluxo continuo de uma przixis colctiva.: V_ E i 99:99“ N_.. E conhccido o sentido dc unidade dos membros dc cerras culturas como o conjunto da tribo 0“ c151. Pym-$. Tcrcna ou Waimiriarroari. mas apenas a realidade. -. mas cstranharnento. PW. \s \ a. entao. I’odcmos scnri-la quando. Bronislaw. N A???” para (131‘ um exemplo ilusrrativo..’. a forum capitalista. participa mos dc um grupo dc teatro c vemos nascer O'PWCCSSO Cfiativo. s. além dc aSSlsmmos a uma peca dc teatro. ela nao é para o individuo uma aparéncia estranha. $3. 64). Esrc scgundo aspccto niio é ncm natural ncm ineviravcl. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE (ILASSIE humano quc produz a socicdade vivé—la como produto. O ser social na capsula egoista individual vé o mundo como uma rcdc dc individuos em competicz’io. nos quais rorna»sc possivcl a construczio dc uma nova socicdade e tudo parcce por fazcr.. 35:9:. impressionou o famoso antropélogo uma certa rclacfio com os morros._.v'. ‘-.<‘\'§. csta forma social se mostra como estranhamcnto quc entra cm contradiciio com o novo ser social.. da mesma forma nos scntimos mais vivos ao criar um partido do quc Slmplcsmcntc entrar em um que j. . .\\ .. cnvolvidos numa guerra de todos contra todos c controlados por uma forca cxtcrna quc a a 2-1 Esra 861153950 :1 encontramos no espaco livre da praixis.‘. primeiro diretamentc contra suas pulsécs c dcpois como forma rcstritiva num ccrto regime dc producz’io dc necessidades.: _\_'.222 A forma histérica dc nossa sociabilidade. A alienacao presente na primeira forma dc consciéncia complcta—sc ao cxpor a realidade estranhada como “0 real”. De todos os fatos relativos 21 sua crcnca sobrc os mortos. -_ _r\\\-.i cxistc. mas o pcrtcncimento colctivo como Navajo.221 Ocorre que. quando colctivamcnte participa- mos d_a‘3_r13§50 dc algo. Estc fato quc parccc improvzivcl aos olhos do loomo inclioz'dzmlz’s pode ser verificado sem maiores problemas nos mitos c relatos des— critos por antropologos que Observam outras culturas. «x ?. c n50 dc sua simples rcptoduci‘io._. ta: §i駧s§§§ £35333 if: is? its? 7%._ l“) {EV $9: 1% §§§ iiié-i it?“ if E23351}. if: fits-3i: 3 £33» i: Kiwis-*‘E‘iafis §§ {331" ‘2 if.

o novo ser social é moldado corno um ser da ordem concor- capital...... . .\-".. r a»? 1».--\ . mas. que lhe dara acesso aos valores de uso necessa— iéncia rios 21 sua existéncia.\. a capitalista.. a consciéncia inicial se produ no individuo como autenticarnente sua.. . r1510 65 a sociedade que cria o Estado..223 Como esta “realidade” é uma forma especifica de sociabili- dade.. p.w: i: it”? @523 i”.§. um determinado interesse particular aparece na primeira forma de consciéncia como universal.h.§:. (Stimas de desenvolvirnento e de eficacia como forma de particular corno A primeira forma de consciencia ja apresenta o s a funcio— universal.. 2‘. ainda que seja a consc particular de uma certa classe..<1i..... :1 titulo de ilustracfio.c M . a ideologia é apena o politica de nalidade deste processo como exercicio de dominacii cular uma classe.~. . a ideologia é a expressao organizada e fins deste particular para permanecer como universalidade corn dc dominacéio politica de uma classe sobre outra. 223 m§_. assim corno os interesses e a visao de mundo propria de uma classe tornam—se a visao de mundo da propria pessoa. como um individuo livre e igual aos outros....§.\'-E i é-fi’EV-gii“‘i=§%i§-='°E . . que ganha contornos de pensamento politico sistematizado em Hobbes e Rousseau. Nesta visao. ern sobre 3“ Ver. Isto implica que.Nwéagaivméh i swim-r32 suits E was. . i $11930 lifis if: v....iaéfiieiéfik NATE-:13. it? $. 160) a forma como Freud define a relacao do superego e a interioriza cao cla norma externa. do Assim. o histérico como natural.. a expressao das relacées que fazern z de uma classe a classe dominante. A “realidade” é definida pela concretude das relacoes nas quais 0 set social deve vender sua forca de trabalho para obter urna quantidade de equivalente geral na forma de dinheiro. MAURO LUIs IASI todos se impée — o Estado. ideo— Tudo o que falamos até aqui ocorre antes do fenémeno vai operar légico e nao deve ser confundido corn ele. . gafiigéfimfiflwg 5.‘II‘H.\ ¥9’\ “$333 m. -k¥%“¥%§' ...ii..". s‘-*"'““I”"<“%”‘ .I\{:.-. o Estado que torna possivel a sociedade..it. .... is.zw.fifli. ... IV}:'.‘:\:-7.. 3.. o argumento descrito por Terry Eagleton (1997. Esta forca externa completa—se com seu correspondente internalizado na forrna do superego.\‘Jé‘z’... de certa maneira. A ideologia sobre esta base antes produzida e nela encontrara as condicées dominacao. Se a consciéncia imediata tende a viver o parti sistemz’itica corno universal....

ak. um ser capaz de autocontrole. '_. na forma genériea. AS Mli'I'AM(. \. \ ‘1‘?” . se universaliza como a forma final enfirn eneontrada..x.. Aquilo que aparece como liberdade na forma ideal valorativa de uma certa visiio de mundo é apenas a sintese universal das formas particulates nas quais cada individuo é proprietario e livre (portanto igual) para dispor de sua propriedade. p.' Q “W. ..‘<t a:t ’?.‘FM§="§i§. . is?”- gilt”: 1-. awe 2. estando obrigados a produzir a existéncia por meio das relaeées estabelecidas corn objetividade._. . __ a \m*)ts\? saw») me: §E§§am Elk” ..w. _!_(_ gxx {WeQ_\"_$""$‘%5\}':$."aE-mka %wé'w its?) r—“fi-‘u £13.5§We"gfiFVWZEE. livre para acumular privadamente a riqueza socialmente produzida. Todos e cada um destes valore s 550 de fato universais. Eli-H23 w}? item-M 3m: $2" WWW} gm“. quando nos afirma que: 0 capitalismo funciona porque ele aceita a natureza humana como ela é (.§_-m_t. livre para vender e comprar. Urn born exemplo desta ilusao nos dzi o senhor Joao Mellao Nero. m. sem que sejam universais de fato. (.w av-MW-ya: rW- “‘{g}_§j§§. e de sua natureza. \ 3““ -... ’m. ... 2004. 2. da liberdade e da propriedade. .. da igualdade. . livre para firmar contratos.$a\\ 2m. Map} : \X. : .. . . W 5: mm .. 21 mai. ‘5‘ \. iN.E.v'.l‘é’g-. cuja convicefio liberal so (5 superada por sua espessa mediocridade intelectual..i. .. tram}. a figura dos capi- talistas em eoncorréncia entre si. a . .33:”? c. na qual a esséncia humana poderia expressar-se plenamente.. 53-:-= ‘ifli: ':-¥--“Wi\§\-i‘:§-\‘%‘=‘ . ac {N . O mundo é assim porque o ser humano é assim.§h&g v.) a natureza humana — niio importa o progresso material — é imu- taivel.:.) O capitalismo niio é uma ideologia pré-elaborada. Os valores préprios desta universalidade assumem a forma do individuo. O que aparece na mediaeao imediata na multiplicidade particular de individuos isolados é antes. Paulo.\. ..-. Por meio destas relagées particulates é que o ser so- cial se eleva :1 nova generalidade.H._:I§\\x§. O fato sin- gular de que os seres humanos produzern socialmente sua existéncia encontra uma certa sociabilidade particular — a capitalista —. a democracia. sé que na forma de uma generalidade burguesa.\. da mesm a forma que uma sociabilidade politica. - .‘ an“ stair-2s.‘\f‘1-9§_. eomo consequéncia natural do progresso econém ico da I‘Iumanidadefiz'1 33" 0 Ermda (Z6 5. Ele nasceu espontaneamente.p %‘:2€‘15§’€§ fw‘éfii‘i'i iz‘fiiifié'tfi : NM.‘i. ao mesmo tempo em que se subordina a um controle externo que reconhece como legitimo..)RFOSI£S DA (IONSCIE‘NCIA DI-L (ILASSIE réncia com os outros pela propriedade das riquezas e bens dispo— niveis. cadern o A.S‘\I§a %: i*? is“? 3“ sum M“? m uma“ $3M" .

MAURO LUIS Ins: Por meio de uma ultrageneralizacao. é um homem primitivo ou selvagem imaginério..<~\'<. Quando Malinowski estudava os trombriandeses. Essa criatura ficticia de existéncia persistente na literatu de certos popular e semipopular. encontrada em alguns textos ra econémica cas. cuja sombra penetra até mesmo na mente pre— antropélogos competentes eSterilizando—lhes a visao atraves de idelas movido em concebidas._. todas as suas acées por uma concepciio racionalista do interes esforcos. 9:3 $4. seus objetivos s . Toda relaeao é uma relacz’io de troca. %‘~'\ {9._ ‘ i an? ass-3a a§a§a lit-:ta’waaw 293% Ma:. pode ver 0 quanto era inapropriada a visao da teoria economica sobre o chamado “homem primitivo”.~§'k !\\:7. projetando sua propria imagem distorcida.mente niio se referem ao simples atendimento de necessidades imediata nem a propésitos utilitarisras._“A-@:_. se pessoal. do ponto de vista utilitario._.izéiae} Ea. \T .. com sua ten— tativa nem sempre bem—sucedida de “distanciamento” etnografico.) o trabalho nativo nz'io é executado segundo a lei do menor esforco.:?. e sabemos que cada individuo quer dar o menos possivel para tirar para si 0 maximo que puder. O nativo de Trombriand trabalha movido certa— V dc natureza social e tradicional altamente complexas.).=. Muito ao contrario. antes de tudo (.\\\'-_¢_.. 0 famoso antropélogo: a do ‘Homem Outra nocz’io que precisa ser destruida de uma vez por todas é de ciéncias econo miu Economico Primitivo’.53 pig-fl: K?. sao inteiramente desnecessarias.2? fiffir‘)‘ gag-4 1m. em sua realizacao sao despendidas grandes parcelas de tempo e energia que. e seus estudos podem nos ade dar urn born exemplo de como o ser social de uma certa socied D12 projeta uma imagem distorcida universalizando a si mesmo. O comunismo jamais sera uma forma de sociedade viavel pelo fato de que supée a possibilidade de que cada um ofereca em trabalho tanto quanto for possivel por sua capacidade e retire do produto social tudo aquilo que lhe é necessario. Bastam duas pessoas para que uma explore a outra e procure tirar vantagens.. am laarfififiifrlm .. uma relacao mer- cantil...:_‘_\. Um atingindo seus objetivos de maneira direta e com o minimo de absurda e' finico exemplo bem analisado serzi suficiente para mostrar quao por razées ' (esta) suposiciio (.t i‘w1”’§::}‘z by: gas 9.. o individuo julga todas as e’pocas e situacées.>3: V3. O trabalho 225 \'\\ ? § :3 .‘.‘3.‘ab s3}. :55}: t.2. Assim. M a I“... P}~.‘§>'-.

\2_*\ @531? ii:.. prepara suas baterias argumentativas.%££\’2’ ii‘éfiifiwfiyifii yimfi§§i§§§ §2ZE§E§E lofmi :a§n%\§ §§§3 :E’gugé} 52:52. Por este mouvo. u m certo papel soc1al. O senso comum. 2:15..2 5‘21 5W‘1:f..226 No entanto.gwékxfifigs gi'é avsg§m§§~w§ é gwa-gm?‘ 3522‘ imgwéfi’é g éi.2: iaémsg‘ Elk-S 222%: . 21”.": Em?” . *2:.. por exemplo._ g Wi':\"-2i$i$:‘. 11135250 certo ponto de vista. ' ' uns manclam: outros obedecem. “autorldad e”. p. ilustrada através dc sclvagens imagin‘irioS 22 (em apenas finalidade didzitica..3. nascido na Polénia em 1884.”6 O velho Bronislaw nao podia desconfiar até que ponto esta sombra penetra na mente de certos antropologos competentes desfigtlranclo SCuS juizos mais objetivos por meio de ideias preconcebidas. I I I 3) Malmowski apresenta uma consideracao altamente reveladora: “5 MALINOWSKI.z§%§:§m MW 52.-9.:. quando usa a palavra “chefe” para identificar C .‘-" “5""??? 2w: xs _. A natureza economica do liomem é. ou “castas”. No enta nto.. 331: $322. 22%" Saw" “WWW? “33“. leis CStaS que teriam sido descobertas por meio de estudos referentes a nossa sociedade desenvolvida. sempre f01 asmm.lo chefe usando pal'w c c ras como “ l1dcr‘ 'anca”. 1:.Trata—se de uma projecao de uma certa visao de mundo Prépria de uma sociedade na tentativa de descrever outta cultura. 57. 11a realidade. o que manda tem privilégios. nota 28). r1510 tem outra lmgua para narrar o que Vé que n30 aquela de sua prépria c ultura. 0 Pro” prio Malinowski concorda com as ideias economicas dc seu temp0 e considera este episédio um mero deslize didatico na busca de um exemplo Simples que ilustre as teses sobre as leis de nossa sociedade. via de regra. Bronislaw.‘"‘?§“i _. O que OS economistas encontraram no passado 11:10 ('3 0 homem do passado. P e <1uen a palavra _.:323-555j2: 55. o homem egofsta.2.5. P” 56' 236 “Isto 11510 significa que as conclusées gerais das ciéncias economicas estejam incorretas. r hierarqulca e ver na forma soc1al estudada “classes”. um fim em si mesmo. Depois de definir as filngécs (.. ' por vezes pode haver discordanaas ' entre O ltermo utillzado e a realldade que este quer expressar. sempre sera. ciL. “13051910 c . aro. mas a si proprios.. cstz'to ba-Scfldfls em seus estudos dos Fatos referentes 5: economia desenvolvida” (ibid. ao 0L1Vir 0 50m desta .. 096 an. as conclusées dos autores. sabemos que é muitO mais que iSSO.. AS METAMORFOSIES DA CONSCIENCIA DE (ZLASSE e o esforco nao constituem apenas meios para atingir certos fins. .. Os argommms do P21617220 Ocidenml.: 21:39-22: 2:22. Chefs: -. o burgués- O antropélogo britanico. a descricao d0 Papal que ocupa esta figura com denominacao tao destacada é incom — preensivel para o ser social capitalista. ou primitivo.‘3.22%}? ._‘2_ 3:32 . ."i"’..‘:""§-"‘._.j. como fica I i .

EE. trés funcées: doar prescntcs. mas achar cm nossa cultur fcnémcno quc se aproximc a0 dcscrito. Portanto. na qual o “chefs nz’io manda. N510 n08 devemos csqucccr dc quc raramentc surgcm ocasiécs dc dfwida ou oportunidades para grandcs dclibcracécs. dc mancira quc seria mais corrcto chamar tais sociedadc dc soc1cdadcs contra o Estado‘” c 11510 apenas pela definicfio de uma ausencm. fazcr a paz c falar. segundo socicdades come as dos povos indigcnas brasilciros a autora. é quc as sociedad da csfcm polltlctconno algo organizam-sc dc tal forma quc podem impedir a separacfio autonomizado. . . W __N?“ E: : E. cnvolvida na mesma dificuldadc dc dcscr ades cm dcs internamcnte homogéncas.‘. c 11510 “sem EStado”.:. p. E ‘tEE .E¥..7 EE EJJ.iii-E'EE 3.. pouco mais que urn mcstrc fora dc ccriménias. com frequéncia. Bronislaw. p. qucr individualmente -— so :1n cm linhas ditadas pclas tradicées e convcncécs tribais.E . a comu obcdccc”.MEI-Jig: ”NE _ 5W. r1510 forma uma instfincia acima delfiaa nidadc 11o nem fora dcla”. “chcfc” por outros. \-N:- . nos ofcrccc uma aproximacfio distinta deste papél SOCIE11 edfldes em socicdadcs quc cla provocativamcntc dcnomina “som contra o Estado”.quer comunitariamente.-. PE 58' 23“ O principal argumento dc Marilena Chaui.-\:‘-’\. 5510 Paulo: Francisco Alves. o orador ou porta-voz dc sua comunidade.228 O suposto c‘Chfiffi 1133 teria. : EEEEEEEE EEEEAEQ. 2. unas e indivisiveis.227 CSfOI‘QO d6 tfocar 0 term)? NOECm Como [1510 ajuda mUitO O . . 132). a significar muito. Ea. socicd quc o podcr “nio sc scpara. Marilcna Chaui (2009. 2‘27 MALINOWSKI. muito embora csta n50 che— guc.EW N Jw 7*». como parcce 1n dicar a forum “socicdades 3cm Estado”. E-EEE W- EEEJE EEJEEw”:EEE-g-EEEE i.N__ Ea?“. .-E. o lidcr da aldeia é. EEE EEE EE-EJ EEJE EE. E. MAURO LUIS 1A5! Em cada uma das comunidadcs existentcs nas ilhas Trombriand hei sempre um homcm quc cxcrce a autoridadc méxima. quando a ocasiiio assim o exige.N. cvcr comumdafl 378—379). ele nada mais é do quc o primus z'rzterpares entre os nativos mais vclhos da aldcia. dentro ou dos limitcs da aldcia.2. EJ EEE E EEE EE E E E EJ. w.HE E E EEEE EJ _. 0P. cit. Na maioria dos casos. apoiando-se cm Clastres (A souf’cf'a'de cs comumtarlas contra 0 Esmdo. aos quais cabe fazcr deliberacécs cm conjunto sobrc todos os assuntos importantes da tribo c chcgar a dccisées finais cm comum acordo. como “porta—VOZ” ou “mcstrc dc ccriménias é en— diantc da rcalidadc dcscrita pclo autor. cm geral. pois os nativos -—. A dificuldade r1210 a um contrar uma palavra adequada.

: @3334} 39%.\fi .R :\\_>. aqui estamos drante de fato de que as palavras trazem muito mais que seu pré- pI‘IO Slgmficado.lggscl’givg‘lff{Oi‘ififl. Nunca fala em seu nome como uma ordem. . Todas as tardes o chefe afasta—se da aldeia para uma posigiio na qual ainda fique visivel aos seus membros e ainda possa ser ouvido por estes. Uma vez mais. passa pela afirmagfio dc que as :iguas mais adequadas para beber I150 podem ser coletadas muiro préximo as margens.\\ . tarefa que Malinowski identifica como “compra de servieos” ou tarefas “pagas”. . diante de uma quelxa que as muiheres estariam pegando figua muito perto das margens do rio. Este curioso ritual é assim apresentado por Chaui. ..:. } in? fiéfii’i‘i? rakeflih-rié =. .\"\V _r. r rwiwfir NJ?“ Wig i‘érifiis Vii i2“ “3*? "’3 £93193 ”8 §..I_»21. p. -. A Grande Palavra simboliza a maneira pela qual a comunidade impede 0 advento d0 poder como algo separado dela ("3. o risco e o perigo que correria se possuisse um chefe que lhe desse ordens 6 a0 qual devesse obedecer. Mas o que mais nos interessa neste exemplo é 0 aspecto da fala e 0 ritual descrito pela filésofa brasileira: “a Grande Palavra”.. ‘: r>:-jé 9.._ gang/’44}. 5. entao. Mafia ram-gr. _\V:'__‘. _r\\\-.9% $“Y-:}£§“= 5:823... 379. . 2000.V'. . 3. mas um conjunto de significantes que totalizam 229 ’ .\. ‘ lurll‘lt0 L consuicrado maproprlado para um caaque dar dlreta meme uma ordem a qualquer membro da comunidade. suas qualidades.-. _ ‘ ‘ 2:325:’3311:. nem dirige a demanda a uma pessoa em particular. AS METAMORFOSI—LS DA CONSCIENCIA DE CLASSL‘ Por meio da primeira tarefa.\ Xa . = m“. ii“. sua forea e coragem.\. Come-ea entao uma grande fala na qual enaltece seu poder.. no mere de varios assuntos. _ .: 93:1. 0 CIIClqf: refine toda a tribe e [hes fala sempre coletivamente dos habitos de seu povo e. diariamente.= x. o chefe deve devolver os membros da sociedade que ela mesma produziu. . relata seus grandes feitos. --y>§\\§l\\s¥.-. Pela segunda.w.= w a» -.§$'??g in 3m. _. a: w . . Chaui: A Grande Palavra tem significado simbélico: a comunidade lembra a Si mesma. ______H 3m «rage $3.*kmiirziwizm? r._m 149. \. apenas apresentando—se como a necessidade de manter a comunidade indivisa..5:10 I’mrlo: Atica. ..¢--__ :‘ . O que daria mostras de qrre comeeou a entender alguma coisa. os membros da comunidade 0 ignoram por completo e ninguém deve lhe dar a minima atengao. [im outro trabalho.229 O senso comum 56 poderia reagir com a afirmaefio de que um chefe destes niio é propriamente um chefe. ._. if? a 399. . seu prestigio.L A. “_.55% $5.\ .'.n.\rv\\. adquire uma fungz'io de mediador de conflitos sem que possa se escorar em cédigos ou leis.. Apesar de ouvir este discurso a distancia. i_ . Coma-nos que. . . ..3 »_ _‘ -\. Conclui.‘... 93.

ou na primeira forma em que a conscien- cia se expressa como alienacao. MAURO Lurs IASI urn certo registro do que é assim instituido como “0 real”. esta circularidade se rompe? Se as relacoes do capital conformam uma rcalidade objetiva que é interiorizada pelas pessoas como suas proprias visées subjetivas de mundo. depois de Marx. No senso cornum. Até aqui trabalharnos 229 . por que uma certa ordem de exploracao que alcanca este moto continuo permite a formaciio de uma consciéncia critica que questiona esta sociabili— dade e aponta na direcao de uma nova? Como é possivel que entre os membros desta ordem se produzam militantes contra a ordem do capital? Como se desenvolve uma consciéncia anticapitalista dentro da ordem capitalista? A pista que trilhamos a partir de Sartre nos revela que uma certa objetividade inicial encontra uma mediacao subjetiva corno caminho necessario para uma futura objetivacéio. e que é neste momento subjeti— vo que se acha a possibilidade de uma praxis livre.. e nao outro motivo. mas uma acao sobre esta objetividade orientada por esta visao subjetiva permitindo sua reproducao. nao apenas as relacées do capital aparecem como 0 “real”. mas como naturais e ultrageneralizadas para toda a historia. uma tarefa dentro de uma divisao social do trabalho que envolva lideranca ja é em si aproximada rapidamente de relacées de poder. entao. que Sartre. e estas conduzem a reproducao da forma universal. exploracfio. esta absolutarnente correto em afirmar que a existencia precede a esséncia e que nao ha esséncia humana além daquela que os seres sociais criarn a cada momento de sua praxis historica.. Para as pessoas inseridas em nosso tipo de sociedade. subjugaciio. E por isso. produzindo nao apenas urn reconhecimento e uma correspondéncia. portanto sem histéria. De que maneira. 0 universal so é universal pelo fato de que se eleva novamente como universalidade por meio dc infimeros particulates. A forma genérica da sociedade se recria cotidianamente enquanto se constitui por meio de formas particulares.

a insergao da pessoa em novas relagoes sociais pode. permitir novas internali— zagées. Isto nao significa uma mudanga imediata de consciéncia. arestas. e de fato produzem. conHitos. estabelece vinculos e desenvolve processos de identidade que permitem assumir como seus os valores (ideias A) expressos por outras pessoas.‘)‘il‘. acidentes. . Seguindo sua Vida. Graficamente poderiamos imaginar este processo da seguinte maneira: 1' SITUAv: lntemalizagao de valores Indiv1duo (1) deias Al‘Fj vii—1cm“ aficiasy Individuo (2) . esta correspondéncia [1510 e’ um dado absoluto. uma vez que os velhos valores continuam ativos. assumir novos valores (ideias B) que podem reforgar e reproduzir os amigos ou entrar em contradigao com estes.'1998 E LE)! momma-:13. que nada mais 5210 do que a expressao ideal da contradigao entre os dois contex— tos materiais distintos. em uma palavra: crise.‘i l)r\ (IUl-l‘HfH-IN‘IIA lil'. AN Ml‘. novos processos de identi— dade com outras pessoas e pode. contradigées.610. A pessoa vive suas relagées num certo contexto material (A). muito ptovavelmente o que se segue é uma crise na qual os novos valores entram em choque com os velhos.l'r\l‘vl()l'{l“. ELAN-Eli com a possibilidade de uma cori‘espondéncia entre a interiorizagao que forma a visao subjetiva do mundo nas pessoas e a objetividade que ela depara em sua agao. No entanto. ao contrario. De maneira sintética ditiamos que.comp. fiéfimos DA LEI9. estabelece novas relagoes. da mesma forma. casualidades que podem produzir. se a consciénCia é a inter— nalizagao de certas relagées sociais.‘ / _ ____ _l Certo contexto material (A) 230 PUCRSEBIELEOTECA GENTRAL . encontra-se em outro contexto material (B). de igual forma. existe sempre um “resto do real” que 11510 pode ser totalizado na visao de mundo aceita como valida.

cuja sintese real correspondéncia entre a antiga visao de mundo e o mundo uma lnta em movimento. O mais provavel aqul s por ela pessoa molde a nova realidade mediante os antigos vaIOte al a aceitos como sua visao de mundo. .6Eéfil'2003. Ideias B Ind1v1duo (3) vmcu (L — (Contradiqfioy “\ . MAUIH) LUIS IASI 2a SITUAQAO: Internalizaqao de valores Mesmo ”' t u “a" ‘\ lndivn’duo (1) {cm A B)‘. transpor as rela-goes materiais e objetivas em cargas valorativas enraizadas afetlva e psicologicamente como visao subjetiva do mundo. sem se dar conta de que é a expressao mudan— de uma contradigao objetiva provocada pela continua produtlvas ga da materialidade no desenvolvimento das forgas no materiais. comeear a trabalhar. O humano é sempre o modelo de identidade do humano.610919% E LEI 10. 4—. Aqui também é fundament mediagao do outro. _ _I__ __ __.x Novo contexto material (B) uma A chave do movimento das formas de consciéncia é é uma nao contradieao. por meio de um Vineulo afetivo. migtat do campo para a Cldadca ntural de cnse. de uma nova fonte de identificagao. 231 PUCRSI'BIBUDTECA CENTRAL . diretamente a possibilidade de internalizaeao de novo o ainda que possa gerar questionamentos profundos em telaga e que a aos velhos valores interiorizados. pela qual é possivel. subjetiva. enfrentar um momento conju nao produz 0L1 simplesmente viver em uma época diferente etc.CCJPIA NDS TERMOS DA LEI 9. A pessoa vive esta contradieao como subjetlva interna. ou um jogo de contradigées. ainda que seja para gerar uma identidade desumanizada.) s valores. O que nos importa é que mesmo esta mudanga contexto material (por exemplo.

\ ". as condigées para satisfazer seus ideais passou a ser o seu maior problema. V ENE W‘ Wa. Por aqui corpo e espirito andavam famintos e atormentados (. em suas palavras. tudo que dzi decéncia e dignidade £1 Vida . -V‘-'- ..\2 f: E2 E E Eaaaa EQEE EEK EaEaa EEaEaEEaaE aE-EEE Eaaa. Jack. .. E EEEEEEEEEEEEEEEEEE . La em cima. Jack London afirma que descobriu cedo a ambieao e 05 ideais de “subir” na Vida. a {mica saida era para cima. w._a. além da sordidez e miséria”. pensamentos puros c nobres e uma Vida intclectual intensa.. “Meu lugar na sociedade era 03 fundos”..-. Particularmente dois contos do escritor estadunidense nos oferecem um material muito rico para enrender este momento do processo de corlscic'éncia..) Acima de mim se erguia o imenso edificio da sociedade e.:-a‘" .E“ *9" V’ 5-"«\E \---.. Havia também coisas boas para comer e muita fartura. aceitava que acima de mim estava tudo o que era fino.-. Acima dc mim.E: reW'E: 9%x EVE. tudo que faL' a Vlda ' valer a pena e recompensa um homem por seu sofrim ento e esforeo (. DCPOiS havia as coisas do espfrito. de forma que.. -\ E‘""'-“‘ "E ““- . srgmfica ' ' para mun” ' e “Como me tome]' um socialism” (LONDON. 23' 1M. eu sabia.g a “-x 35. p. op. Tendo nascido “na classe trabalhadora” e vivido sua infancia nos “ranchos da California”.‘...:E".»m:EEEE. estzi mais uma vez consta tado q.a . Logo.E§. 17-34). EQ m ag-’-‘-.231 Amda que de manelra literaria..23’0 Primeiro. . p. os homens vestiam ternos pretos e camisas engomadas e as mulheres usavam vestidos lindos. P"u. cit.\_.ue um aspecto sempre presente na primeira forma de conscien— c1a proprla da classe trabalhadora é o desejo de deixar de ser da classe trabalhadora. e ali “a Vida nao oferecia nada. vejamos como o autor descre- ve sua consciéncia inicial. tV'.) Mas nao ~ e' multo ' facrl ' ' para um homem ascender e sair da classe trabalhadora. Ea-aw.‘- -.'_§\\?.. Utilizaremos. havia despojamento do espl’rito.. 17—18. AS ME'I‘AMORFOSES DA CONSCIENCIA DIE (ILASSE Vejamos um pouco mais detidamente este movimento de crise que esta na base do primeiro processo de negaeiio da forma inicial da consciéncia. nobre e belo. Os trabalhadores “concretos concretamente 350 R f‘ e lro-m e aqui aos contos u O que a Vida .E -. em minha meme. 1-W-.i : yams Eng:.w_ _ A” mm A”! a.V=-. (. assim como eu aceitava o nascer do Sol. EVEEEE Ea Ea. resolvi subir.) Em resu- mo. inicialmente.__.. diz London.. _. o relato literario de Jack London 6 sua trajetéria de Vida.. 232 z \\s a a «:52:_!.

). o que nao implica passividade.3. 29.333. 3.333 3.. 9'3“ 1N3 3.\ \ _.. .: 3 .3 333..).3 3333333 .3 3.. Eu N50 apenas eu niio procurava o socialismo (..)..333 . dominados etc.3 2933-3333 333._ 3: 33-3 3’33 33-33 3333 3333.3333 33333 131 {529% 333333353333 : '33“? .3. Isto implica que sua cons consciéncia burguesa...333.§-:"-\.333 .3 33. os explorados.3..”2 ‘individualismo’.. mas nada de coisa alguma e. Ainda que vivenciando uma situacz’io de caréncia.3. da idealizacao do andar de cima como lugar de ra neste é bom.3_. por exemplo como transparece na afirmacz‘io ”2 15:22. momento niio e de fato a sua consciéncia. era demasiado jovem e inexperiente.3 33 33. empreendedores etc.. 33W. mas a uma mental de amoldamento que implica a aceitacz’io da regra funda individuos e substantiva da prépria sociedade. elite..3. ou seja.. 333. _ . cao estzi presente o mecanismo de naturalizacao associado it aceita r desta determinada realidade (“assim como eu aceitava o nasce no relato é do Sol”).. MAURO LUIS IAS! existentes” existem e querem deixar de ser trabalhadores e pas— sar para o “andar de cima”. Como afirma London: lutava contra ele..33. menos favorecidos.3_.__.3-3 A 3333333I----.333.___ \ m 133:3. as capitalistas. m p 333. pobres.7>' . exploradores. enquanto aquelas que identificam a burguesia sz’io quase sempre adjetivadas de maneira positiva (classe alta. 3333 33:333. “sordidez e miséria”.“: =. acompanh tudo que vemos.:. .. como pelos postos na hierarquia do edificio social.\\::':. A consciéncia da classe trabalhado adversario. mas sua consciénc determinan— ser social 6 aquela que corresponde fits relacoes sociais ciéncia e’ a tes. niio sabia pensamento chamada apesar de nunca ter ouvido falar de uma escola de todo o meu coragfio. a competigiio dos ada. _3 3.” 3-.2"” 13’3“"?3f'fi3'33‘ 32. 3. nobre e belo. cantava o hino dos fortes com r1510 re— E muito difi’cil um relato de Vida em que a pessoa que tem no construa sua trajetéria a partir da Viséo de mundo sobre niio momento. 233 _ 3 .333 3333-. -.} Y. p.? 3’53 33:.vns""3-3333 \_ _ 3 3.3 M A.. mas a de seu ente marca Sua insercfio particular na sociedade muito provavelm ia enquanto sua consciéncia de modo particular. 33. As proprias palavras que na série de significantes sfio utilizadas para identificar as condicoes de classe sfio todas pejorativas (03 de baixo. dominadores. Interessante icoes que a contradicao com a situaciio de dificuldade nas cond acao da classe trabalhadora pode levar a uma acéo.3“ w _-. 33-33:? 25“. t_ 332 3' .333“.\ -3:2.3333333 33:3 33:3 3333 Md .

Emile Durkheim (1995) ja nos descrevia com precis ao este fato. d o entanfo. Aqueles que desconhecem este fato estiio condenados a equivocos de toda ordern.EasiE-‘é-azfi. quando acreditaram que formariam geracées de comunistas apenas incluindo o marxismo—leninismo no curriculo escolar. assumia como suas estas ideias que orientavam praticamente seu juizo sobre a Vida e sua acz'io no mundo. uma certa divisi io social do trabalho traz em si. .}.Ea arm liarxisifiaiffil as . um enfra— quecimenro dos lacos de solidariedade que ligam o todo social. N510 apenas me percebo numa situacao desfavoravel e sei que 112i postos melhores a serem alcancados como faz part e da heranca objetiva lnrrojetada em mim como subjetividade uma clara definicao dos criterlos emeios de ascensao social aceitos e eficazes.. 'nao subestimemos a coeréncia da primeir a for ma e conscrencra com o universo ideologico liberal burg ués. Isto parece confirmar nosso argumenro de que a substancia de valor contida na forma “individuo” é incorporada na visiio de mundo de alguém muito antes de ser apresentada como qualquer conhecimento ou pensamento articulado.{ariaaéaRa-aa rings ix: agar-la 2%. como fato primeiramente normal. “mesmo sem nunca ter ouvido falar de uma escola de pensa— mento chamada individualismo”. Para 0 sociélogo funcionalista. O mesmo ocorre com o valor de ser socialista. mas a passagem rambe’m indica um aspecto interessante. 234 Fisk-mass: igééaaémifii z gawk iiii‘kr E Maia ia-séfisiéfik lag-£13. enquanto os ditadores latino—americanos acreditavam poder evitar a subversfio retirando a sociologia e a filosofia dos curr iculos. o que poderia ser uma prim eira contradicao. por consequéncia. uma maior especializacao das funcées sociais e. Ele nao apenas nz'io se Via como socialista neste momento como “lutava contra ele” e. Neste aspecto’ o ponto particular de insercao na sociedade de classe s passa a fa— :r multa dlferenca. assim como uma precrsa concepcao de que se trata de uma luta heroica a ser empreendida pelo individuo.. A sociedade que molda no individuo “os ideais e as ambicées” nao parece oferecer as condicées para alca nczi—los. por exemplo os soviéticos. AS METAMORFOSES DA (IONSCIENCIA DE CLASSE “saber de coisa alguma” por ser “jovem e inexperiente”.

.I‘:$3::$:!: 35”?“ ya :23. Pers trato social” teria a solidariedade so poderia ser imperfeita. 1995. . 377): “03 sentimentos coletivos se tornam (. .. meios de conseguir outta” ($121.a5' cié‘ ”3' 5‘=. 2.x:_. sociais envolvidas. Em um certo nivel de desenvolvimento. assim como Aristételes). como estas transformacées se consu interesses em conflito ainda nio tivcram tempo de se equilibrar” (DURKHEIM.5‘3 . nos diz Durkheim (1995.) cada vez mais impotenres para conter as te tendéncias centrifugas que a divisao do trabalho deve suposramen esta tendéncia engendrar”. :_: . *‘kkégie‘i'é-Eilii“ 15:?-a sum-mmvssmia-Ea . naturalmente.3E 33. ska 95?“. istindo este estado.233 Na pratica isto quer dize de “classes 11131105 normalmente ligadas ao que o autor denomina s dentro da divisao do favorecidas”. Dd divisrio do traéalbo social. p. niio havendo s essenciais ao estabe— desenvolvessem o habito e as normatizacée interesses das partes lecimento de um contrato que equilibraria os r que certas pessoas. p.Ex._. Para seja.“”1“a leai?a-. s e degradantes. Assim completa o autor: e é condenado a uma funcao como essa i- requerem. 387).\ .. Mauuo LUIS IASI Desta maneira. ou industriais ocorreram devido ao faro de que as transformacées tempo necessario para que SC muito rapidamente. o c‘con ia na “guerra existéncia meramente formal e a sociedade mergulhar de classes”. “as ta.'\\§\\. obrigadas e forcadas. do trabalho pode levar aquilo que o auror chama de uma divisao classes ope- “morbida” e provocar uma anomia. - e. "‘ v a a r Ema aim“ is? l ma 12 irs» %..\>'. ' ”E: . esta anomia seria pouco a pouco a obra de consolidacao”.35 . pois a problema em existirem funcées rudimentare olveram o bastante para isto. 570).¥>. Neste caso._-_.:§"’ pas: Ema-a. o “tempo completa explicar o mecanismo aqui envolvido. i 5:223:. [1510 ha i1 natureza.\sw>. was. \: z.\: :' if ii" '-\\-' =§1Mé\\'w' “ " \ V I I :1. natureza faz pessoas que so se desenv rem mais “potencial” segundo Durkheim. o problema é alguém que s. p. 86 rarias nao querem na verdade a condicao que lhes é impos por nao terem a aceitando. 3%?s ”W i was $3.. OS maram com uma extrema rapidp ZaGiO. uma nova organ 2” “Estas novas condicées de Vida indusrrial z.. com frequéncia.--. iii was REEHME Mk-i \‘ii'Em ?\“~%%i 35‘ m“ g:\. L'. Szio Paulo: Martins Fontes.. i .. °"""“ &. Emile. acabaram ficando em posicée podem nao condizer trabalho social que nao lhes agradam e que ui as que Durkheim atrib com suas capacidades e ambicées (cois Em poucas palavras. nos 6 bastante Litil para A solucéio oferecida por Durkheim ele....? 19%. mas. .

- 22222 22W>2 2“:22 22‘ 2 22. r1510 sa'o necessaries a lei c a forca. AS ME'I'AMORFOSES DA CONSCIENCIA DE (ILASSE N50 estando satisfeitas. além disso. como em outros pontos. as classes inferiores aspiram as funcées que lhes sz'io vedadas e delas procuram despojar os que as exercem (. e. 397). a saber. une um set com capacidade de mando e ptevisao com alguém que a natureza so dotou da forca para executar tarefas. 222232222222222‘22 . 235 Neste. Por meio deste pressuposto. o individuo se reSIgnaria com uma ocupacao num ponto desf avoravel desde que 23* DURKHEIM. por outro. com o papel que o costume e a lei lhes atribuem. Emile. segundo pensa Durkhe im. p. Se nao se os levam em conta (os gostos e as aptidoes). mas nas condicées externas a2 conc orréncia. 391-392. .. igualdade jurid ica e outras. Ora. niio ha outro Ineio. 236 . 2. p. 222.22 2 “2 2 3222 2 222222222. a igualdade nas condicées exteriores da luta” (Durkhe im. que afirmava que quando a escrav idfio é natural. o acesso a empregos publicos. on 1150 mais o estando. a néio ser mudar a ordem estabelecida e refazer uma nova... A desigualdade é natural e correspon de aos atributos naturals dos individuos e suas diferentes capacidad es. que cada um tenha uma tarefa. 1995. aprofunda a desigualdade pela divisio social do trabalho e pela formacao de ricos e pobres.. ou seja. que esta tarefa lhe convenha?“ Quando isto nao ocorre.235 A contradicao se expressa de forma ainda mais intensa pelo fato de que 0 desenvolvimento da sociedade industrial (leia—se capitalista) produz um resultado duplo: de um lado. é necesszirio.. pois. sofremos e procuramos um meio para por firm a nossos sofi'imentos. nfio basta. se sao incessantemente contrariados por nossas ocupacées cotidianas. Dadas estas condicées.32115 2. como a educacfio. a divisao do trabalho so pode ser sustentada pela forca.). Durkheim resolve este pequeno paradoxo como todo pen- sador liberal. Para que a divisiio do trabalho produza a solidariedade. 2:2 2‘22 222 2 2:2222 2222222-2 22222. o pensamento de Durkheim estzi diretamente associado :10 de Aristételes.2 .:“2335‘ “+27% %“$3““‘ . enquanto a igualdade “so pode ser aquela de que falamos. generaliza a crenca de que a igualdade entre todos os cidadz’ios é um fato desejzivel e justo. D22 2222222220. Durkheim concluirai que “o trabalho 56 se divide espontaneamen te se a sociedade for constituida de maneira que as desigualdades sociais se exprimam exatame nte as desi- gualdades naturais”. A expressao “exteriores 2 luta” aqui empregada indic a que nao deve- mos pensar em igualdade de condicées econémicas e de acesso 2‘2 propriedade.

Continua chegar naquele lugar que sua “natureza” lhe perm Jack London: ntude. pode nz'io ser caso. capaz de me defender bem. muito apropriado no men coracao. MAURO LUIS IASI a visse corno temporaria e que estariam disponiveis diante dela as chances. sempre deixarzi um espac a Vida social seja atritos.) Podia vet—me apenas avancando pela ”6 DURKHEIM. em condicoes de igualdade. exultante em minha juve feroz individualism. que a concorréncia... ele apenas O contrato nada mais é que uma trégua.. no nosso c510 que ocupa dentro da divisao do trab es. a contradicao de um individuo alho. Vida sem fim sempre vigorosos. (. Eu era um vencedor. For tudo isso. ou das lutas. nem mesmo possivel. considerava o jogo. suas posicées para concorréncia” na qual os individuos disputam itir.236 com a posi— Por conseguinte. fazer o traba tocavam profundamente salatio de um menino) — essas eram coisas que me outra. Emile. de disputar posicoes mais privilegiadas. por mais precisa suspende por algum tempo as hostilidades. Cit-a p. E eu olhava adiante e ficavam gravadas em mim como nenhuma minzivel. Mas nao é necessairio.. Por conseguint para HOM ENS. Arriscar—se como significava escrever em letras maiusculas lho de homem (mesmo com o homem. mas sem lutas.. Sem dfivid o livre para muitos que uma regulamentacao seja. E isso era tanto no trabalho como nas brigas. da muito natural. Nas palavras de Durkheim: preca’iria. lutar como homem. Evidente que este procedimento nao significa 0 Fun das tensées. eu era um e. Dd divisrio. regulamenta as circunstfincias da disputa e 03 meios validos de mobilidade social. mas produz um efeito determinante. O papel da solidariedade r1510 6 suprimir sim modem-121. portanto. e bastante a. no interior da divisfio da sociedade de class mas uma “saudz’ivel algo “patolégico” nos termos durkheimianos. Ser HOMEM forma como era jogado.382- 237 . em direcz’io as amplas paisagens de um futuro nebuloso e inter ns -— continuaria a ao qual — jogando o que considerava urn jOgo de horne e com os mfisculos viajar com uma saude inquebrantavel sem acidenres.

palavra interessante que os estadunidenses (esta socie- dade que nos comprova a que ponto pode chegar a mediocridade universal se niio tomarmos cuidado)”8 transformaram em um cruel xingamento (loser— perdedor). Urn “jogo de homens” com as regras do jogo que devemos aceitar e que Bobbio esta sempre pronto a nos lembrar.\. cit. . 35“ Evidente que toda generaliza c510 é cruel e inadequada.’.' 3»: ~.w w. pois acredirava que. 238 . forca e superioridade. do “jogo” e alguns critérios para o triunfo: saude. A dignid ade do traballlo era para mim a coisa mais impressio- 337 LONDON. sua personalidade glori osa. salvo acidentes. A principal atividade na qual estes crirérios de sucess o podem se condensar é o trabalho.' ewe. assim como o magistral Walt With man. Diz Jack London: Espero ter delxado claro que eu tinlla orgulho de ser um daquel es seres eleitos da Natureza. mulberes e criancinb - as do que por linllas geograficas imagindrias” 55:21..\ »_ .. doentes. pode lCVé'lo ao sucesso. ralvez “seu exultante p atriotismo tenha se evaporado um pouco e vazado por alguma fiesta no fimdo de sua alma pelo menos. perambulando lascivamente e triunfando pela simples superioridade e forca. 30.. estando ai para provar o contrario o proprio Jack London. falando dc si mesmo depois de ser p reso sob a acusacio de “n50 ter residéncia fixa ou meio aparente de subsisténcia" e obrig ado a rrabalhar sob a mira de guardas armados com Winchesters. m‘é “11‘ “5 =o°35='E\. aleijados). velhos. constituindo uma forca da qual nao se pode escapar. Salvo acidentes. Jack nos conta que raramente pensava nos perdedores (desafortunados. ‘ Wk. '=_ Fifi: ‘9“ 3‘3. i i-315% ”Ki 32'“ iii: 8113:! §zsr§'»-\'-Il§-:'3R\I$ . . . desde que passou por esta experiéncia. apesar de aparentemenre nao incluir entre elas o fato incomodo de que sempre haverzi vencedores e perdedores. Como indiv iduo encapsulado. o ser social vislumbra a possibilidade de superar sua condiciio de classe somente como individuo. op.:. Perdedores. s é‘sw. 33).. Jack.237 Além da evidente forma individual desta empreitada. -"\". “Q «x }. on John Steinbeck. Como disse o préprio London. devemos observar a metafora. nada acidental.v-. a forca e determinacéo do individuo. .. p. poderiarn ser tiio competitivos como ele se realmente desejassem..9-39. jfi se deu coma de que se interessa muito mais por homens. .... representados por aquilo que o escritor escreve igualmente em maiusculas — o DESTI- NO -. p. mas que so conseguem brill 1ar em universalidade quando ultrapass am esta casca cmbrute— cedora que é o patriotis mo estadunidense.. AS MIZ'I'AMORI‘OSES DA CONSCJIENCIA DE CLASSE como uma das feras louras de Nietzsche.\ «. \\ .

O trabalho era duro. . A ética o que move 0 11510 6 apenas O que move 0 capitalista a0 lucro. 0L1 seja. c: - \. E V {E‘6 .. téria de Jack London a seguir. Nunca um capitalista explorou um escravo do pagava o salzirio tiio fiel quanto eu. E quase inconcebivel para mim quando penso nisso agora. . MAURO LUIS IASI name do mundo." EN. limpei tapetes fabricas de enlatados. Deixe auror nos conte aonde esta érica do trabalho o levou: ourros capitalistas. \\'.\\.. . e lavei janelas.: -.. K. :.3” 23% . \ w. estivador..gaaw E .. Via o filho do industrial indo 23‘) 152a. Sem ter lido Carlyle ou Kipling. entreranto. Cortei grama. - 5. primeiro contra mim mesmo. primeiramente. depois contra ruim quanro. E niio ganhava nunca o produro em sua carruagem.239 mim era um crime que vinha logo atras da traicao. . O orgulho que sentia depois de um dia de trabalho arduo e benfeito seria algo incompreensivel para os demais. Este tipo de comportamento estev como veremos todos os relatos de histérias de vida que pude coletar. Au.\ .32. e eles faziam dinheiro com isso enquanto. -.. “E M m. carruagem sabia que eram meus mfisculos que ajudavam a empurrar aquela para a escola e sabia em seus pneus de borracha. 53. Era a santificaciio on a salvaciio.€ 8.-.-z. \c. Para salario era um pecado. Trabalhei em eu levava uma vida banal. em. =.3%.:'§\=. 239 WW E. p. Continuemos._II-e w. forca fisica. - \.. .. pois o trabalho. na traje mos que 0 para ilusrrar. E EE EE E EE EEE a E EEE EE EEEEEE if». e Olhava para a filha do dono da fabrica de enlatados.“ '\. 5‘": w :wmx. t-' Pym-g: Y". Tinha Desde entiio fui implacavelmente explorado por do men esforco. 5: . . Fui marinheiro. .. Embromar ou ludibriar o homem que me ele.. .)? . . 31. inteiro do meu trabalho. -". apesar grumete. mas r1510 tao ato a E possivel ver como os crirérios que descrevem em abstr iguais sociedade burguesa como uma competiciio dos individuos ade na vida pelas posicées sociais e pela riqueza ganham materialid A inversao do individuo como ferramenras de sua prépria ascensfio." .iip‘ '\. mas sua condiciio de trabalhador em sua lura para elevar—se acima de e presente em quase explorado. Egh‘illl‘ EEEEEE E E E EE _E. _ Wm. a arivi e seu ser social se subordina a uma relaciio de exploracz’io e defin o a ferramen— lugar entre os explorados é Vista pelo individuo com do trabalho ta capaz de tira—lo da condicao de oprimido. . dade pela qual o aqui é perversa.QE we §- E m. formulei um evangelho do trabalho que varria os deles ‘no chinelo’. indlistrias e lavanderias. rodo o movimento.

Na realidade. me tornar um pilat da sociedade. "3 iifi‘fi .'. p.'\'-'=.:§ E‘fin-kfis g-gég‘ E nag-afup :3. eventualmente. perambulando pelos Estados Unidos e suando sangu e em favelas e prisées.'=-§'E"‘“-"V”‘ §.tx-§%3-’é§ ggémémggé g: $53M £3}? Mica-é xxx ‘1’. :2"_'“?“WII"§“?‘ i‘f: {W -. trabalhar mais que nunca e. 1‘95. O CXCBSSO de trabalho me deixou doente. p. I’ensei que estava aprendendo um offcio. havia substituido dois homens (. e tivesse minha cabega e minha capacidade de tra :1 ho Irremedlavelmente esmagadas por um porrete nas mios de algum sindicalist a militante” (MM.’-:éi§. Mas niio ficava ressentido com isso. jun-5.. Fazia parte do jogo. ‘o_ r352 it§13§§g §. os melos de garantia e reprodugfio de uma ordem em certa quantldade alteram sua qualidade e se transformam em seu contrarlo. 2-10 39._ :t “._.-5.__g€. estava abaixo do ponto em que tinha comegado.‘I:. Da mesma maneira que a doenga ment al nada mals’e flue Lima eariagfio quantitativa dos mecanismos psiquicos saudavels. mendigando de porta em porta.. Eu estava querendo trabalhar. E quanto mais duro. e ele estava mais que querendo que eu trabalhasse. e agora. As ME‘I‘AMORFOSES 1m (:oNSCIfsNeIA m: (.. melhor. Gostaria de me entregar ao trabalho..tlvessem - eventos nao mudado minha trajetoria — viesse a me trafislorntar numfura-greves profissmnal... I’odia cavar um lugar entre eles e fazer dinheiro com a forga de outros homens. Niio tinha medo do trabalho. e'_-_§. 31). Cairn nos porées da sociedade. com a sorte que eu gostaria de ter.a Mr. mais me agradava. E assim foi comig o.. Eu nio queria mais ver trabalho.. mas ostras demais Vito deixzi—lo enfastiado._{._figw>\ gust-I: jg». jogado no subterriineo da miséria sobre a qual n50 é agradével nem digno falarf’m ‘ O que 5: passagem literz‘iria revela é que aquilo que pode levar apCOIltl‘adlgtao que estz'i na base do questionamento de certa ordem 8210 OS mesrnos mecanismos responss’iveis por sua repro dugfio e rnanutengao.‘.\§£§ fe‘fij'fi “9‘3 93:5. gating-.“?\:-i"2 7: .do que — se outros ..by: Ix (Qt-figflgg‘m“ W.. E a essa altura. Se parassemos um pouco antes 0 relato tinhamos um ser totalmente moldado nos limites da ordem do capita l e um fiel reprodutor da Vlsao de mundo prépria desta ordemfm Um indi- m 15:21.X §Q§.) Este patrfio me fez trabalhar até a morte. eu também era forte.5 .JLASSE que era em parte a minha forga de trabalho que ajudava a pagar seu vinho e was boas amizades.5 mm w}. aos dezoito anos. Abandonei o emprego.1": 9».«\§. ixréfigififia‘g fikfixfi ‘E §§R§X3‘z.-Zr=’?s. 20-21.. Eu nascera na classe operziria. 2-11 “ Naofduw ~ . Muito bem. Eles eram a forge. descobri um patrfio com a mesma mentalidade.W '. Um homem pode adorar ostras. Tornei-me urn vagabundo.

. x. .. o que induz