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A rcflcxz‘io tcéricz c critica, con-
ccitual e mctodolégica, sobre a cons—
ciéncia dc classc, quc scmprc ocupou
11m lugar dc dcstaquc nos classicos da
sociologia moderna e contemporz’inca,
notadamcntc (la corrcnte marxista c
ncomarxista, parccia que seria inexo—
ravclmcntc varrida do campo das in-
vcstigacfics académicas, dcvido a onda
avassaladora do pensamcnto noolihcral
e do avango do proccsso dc glol'Jalizacfio
a partir da década de 1980.
Parcccu, por alguns momcntos, quc
a hegemonia conscrvadora passaria a
ocupar dcfinitivamcntc -— c, portanto,
dc modo monopolistico -— o pcnsamento
social, cconGmico, politico c cultural,
tornando-o globalizado, scm dcixar
ncnhum cspaco altcrnativo para outras
corrcntcs dc rcllcxfio tcérica como mo-
dclos dc interpretacfio critica dos acon-
tccimcntos do mundo contemporz’inco,
tanto da pcrspcctiva regional quanto
da global.
No livro As metamorfoscs da cons-
cié‘ncia do classc, Mauro Iasi rctoma,
com profundidadc c rcfinamcnto tcéri—
co, 0 tcma da consciéncia, ([uc jz’: foi ob—
jcto dc analisc c intcrprctacfio cm sua
dissertaci'io dc mcstrado. Nestc livro,
o autor procura dcslindar a complcxa
questi‘io sobrc o Iugar ocupado pela
consciéncia dc class *: sc cla tcm mora-
dia 11a particularidadc do individuo 011
11a genoralidade da classc. Para Iasi,
o problcma (la consciéncia encontra-
~sc no intrincado fluxo dc mct‘liaci‘ics
articuladoras das dctcrminacocs par—
ticulares c genéricas quc compficm o
movimcnto alimentado pclas rclaciics
dc produci‘io cntrc 0 capital c o traha-
lho, constituindo o scr social. E dentro
dcssc quadro complcxo dc rclacfics so-
Ciais quc a consciéncia dcsponta, ora
como consciéncia do individuo, ora
como cxprcssfio sintctizadora do scr
social do grupo, para dcpois sc configu-
rar como classc, assumindo, cm varios
momcntos histéricos, difcrentcs formas

MAURO LUIS IASI

AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE
0 PT entre a negagio e o consentimento

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MAURO LUIS IASI

AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLAS SE
0 PT entre a negagfio e o consentimento

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1.043.801-5
2a ediqio

EDITORA
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: EXPREssfio POPULAR
Sfio Paulo — 2012 i ’71“1.19500" E S

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Copyright © 2006, by Editora Expressfio Popular

Revisfio: Maria Elaine Andreoti e Miguel Cavalcanti Yoshida
Projeto grzifico, diagramaga’io e capa: ZAP Design.
Ilustragiio da capa: detalhe do quadro Guerra Alemz’i dc Pdvel F{1671012, onde se
observam o (165c de transmitir dejbrma sensz’uel a dinc’z‘n-zica e 0 was da destruigcfo,
asformas que se degflzzem em cacos para depois novamentejzmtar—se em cristais,
criarzdo variantes.
Impressfio e acabamento: Cromosete

Dados Intemacionais de Catalogagfio-na-Publicacfio (CIP)
Iasi, Mauro Luis
I] m As metamorfoses da consciéncia dc classe (0 PT entIc a negaqfio e
o consentimento)! Mauro Luis Iasi -- Zed—Sic Paulo :
Expressfio Popular,
2012.
584p. : i1.

lndexado em GeoDados - http://www.geodados.uem.br
ISBN 85-7743-014~6

1. Grupos dc classe. 2. Individuo e sociedade. 3. Partido dos
Trabalhadores - Brasil.

CDD 21.ed. 324.281
Ellane M. S. Jovanovlch CRB 9/1250
l

Todos os direitos reservados.
Nenhuma part6 deste livro pode ser utilizada
ou reproduzida sem a autorizagfio da editora.

2:l edigfio: agosto de 2012

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Sumz’irio

PREFACIO
A consciéncia de classe entre a negagfio e o conscntimento ....................................... 9

APRESENTAQAO ................................................................................................ 15

PARTE 1 - AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE
. 23
1. Caminhando para todos os lados do finito ........................................................
classe ........... 73
2- 0 processo de mediacfio particular 6 genérico da consciéncia de
........... ......... 121
3- Da sociedade ao ser social como individuo .................................
... 219
4. Do individuo ao grupo como totalizaofio dialética .......................................
................... 219
4.1. A préxis individual 6 0 grupo ................................................
.......... 262
4.2. Freud e o fenémeno grupal ............................................................
4.3. Sartre e o processo dialético do totalizagz‘io por meio dos grupos:
a serialidade, o grupo em fusfio, a fraternidade-terror, o grupo
ade ............. 284
organizado, a instituioé‘io, a burocracia e o retomo £1 serialid
.............. 313
5. Do grupo 2‘1 classe ..............................................................................

PARTE 2 — 0 PT ENTRE A NEGACAO E 0 CONSENTIMENTO
357
6. As metamorfoses do PT (1980—2002 ................................................................
6.1. Primeiros passos: dos documentos preliminares
................ 376
a0 Manifesto de Fundaoiio (1979/1980) .................................
6.2. Do 1° Encontro Nacional até 0 4° Encontro Nacional;
o .............. 386
caracterizando a sociedade brasileira e buscando um caminh
............. 412
6.3. 0 5° Encontro e a definigi‘io da Estratégia Democrética Popular
6.4. 0 6° Encontro(1989) e o Programa de Agiio de Govemo: o longo
prazo chegou mais cedo .......................................................................... 442

4% 13m: 1 :2. Nam .. grim Cw ii iii: .4 i ii. if 31158 LIMOFECAfiCENTRAL

7..

6.5. O 70 Encontro (1990) o inicio da inflexi‘io moderada............................... 452
6.6. O I Congresso do PT (1991) .................................................................... 462
6.7. 0 8° Encontro Nacional e a Revoluoz‘io Democrética 6 Popular:
uma inflexz’io 2‘1 esquerda no curso de uma trajetoria 2‘1 direita 492
6.8. A retomada da moderaoz'io e o caminho para a vitéria
presidencial em 2002: do 10° ao 12° Encontros Nacionais ...................... 505
7. Consideraofies finais: 0 PT entre a negaoz‘io e o consentimento ....................... 517

BIBLIOGRAFIA.................................................................................................. 569

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Alé'm desm estrolzz, porzsoz', nodo oxide
E old and mo doozzsz‘odo
Bid 6’ somonto nosso dorz'go, o
OZ/M so" 0 ospocto dole!
Bertolt Brecht

— Vocé‘jd ozwz'ufizlor om ‘Kdnjo’?
-— Kan sigm'fico oscudo o roprosonm
o soldzzdo.’]o‘ é costelo...
—- Exotomonto! O soZdodo o’ o oostolo...
— Esto é o modo do sor do odosolo lord.
Emoom sou Costelo ostcjd condonddo,
o soldzzdo jomoz's oodixo o esoudo,
mos ooMpdrtil/yd do destino do sou [or (n)
onto 6’ o modo do 567‘ do guerroz'ro.
Koike e Kojima (Lobo Solitério)

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PREFACIO

A CONSCIENCIA DE CLASSE ENTRE A
NEGAQAO E O CONSENTIMENTO

As metammfoses d4 comcz'é‘m‘irz dc 614556 trata de um dos fe—
némenos mais enigmz’iticos e polémicos da histéria recente: a
trajetoria do Partido dos TrabalhadoresQ A controvérsia, ainda em
andamento, atesta a dificuldade em encontrar explicagées para a
oscilagfio que levou um movimento politico, organizado pelos se—
tores mais combativos do operariado, com forte teor anticapitalista
rtes
e projeto assumidamente socialists, a se tornar um dos balua
do capitalismo no Brasil.
Mauro Iasi descarta as explicagées convencionais e generalizantes
desse fenomeno: seja a tese, de extragfio trotskista, que atribui a res—
nte,
ponsabilidade unicamente 51 agfio pessoal e moral da elite dirige
a teoria da “traigfio das diregées” que pressupée que a classe opere’iria
esteja sempre propensa £1 revolugio; seja o ponto de vista oposto — na
verdade apenas o outro lado da mesma moeda —, atualizado, entre
1163, por Jacob Gorender, com a afirmagiio de que o “proletariado

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Com plcno dominio teérico e uma vivacidadc impressionantc. ?. Iasi propéc—se a comprccnder as oscilacécs do PT a partir dos movimentos da “consciéncia dc classc”. A pfssagem da “classc” a “nacao” atesta a prevaléncia da estra tégia d0 gradualismo rcformista” e a subordinacao a tatica elcitoral. v. '. mas no viés e no teor da interpretacao que aprcsenta. passou-sc dc um progr ama 10 \}. possibilita o acompanhamcnto.. por cxcmplo. ou seja. AS METAMOIIFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE é ontologicarnentc reformista”. sindicais. A originalidadc do livro.. atua— liza. no entanto..: l.?\i\* a: as“: '.. 88?: exame torna visivel. da inflexao que levou o partido da negacao ao consentimento. s:<\‘1%.i.{$33 Ewagiémé‘o - .2311 a? . como :epresentante da “classe trabalhadora”. is? - ‘21:? 5‘. as?“ ZR? v M. A analise desses documentos. como resul tantc do conflito entre burgucsia e proletariado. $38K ?s..'-'-.. Rip” w. do “povo”.%?ai. -\.'€.“ *. Os desdobramentos e 03 difcrentcs momentos da consciéncia dc classe corporificada no partido sao cxaminados a partir das resolucées do PT. inici almcntc.u +. um arco que abrangc dcsdc as dcclaracées preli— minarcs ao “Manifesto de Fundacao” até a “Car ta aos Brasileiros” e 03 Programas da campanha que elcgcu Lula presidente cm 2002.saws? " Mime??? fix??? WW“: mm. ao contrario do juizo quc tendc a desconsidcrz’i-los como meras “cartas dc intencécs ”. assim.. niio sc assenta apcnas na premissa dc quc se trata de um fenomeno que exigc uma explicacao particular. Na formula sarcastica dc Iasi. isto é.’_i “3332‘? . por firn. Na pcrspcctiva dc Iasi.\@1135 fii‘fi? l 5. a vertente marxista quc aprescnta a dinamica social como expressao da luta de classes.§?:s. politico c cconémic o do projeto partidario. e. quc redefiniram o horizontc social. Emf..i???rm" H“3????3. dcpois. dos “cida daos”. as mudancas termi— nologicas quc estao na base da construcao da autoimagcm do partid0.. . 0 PT aprescnta-se.Organizado a partir das lutas concrctas.ie.“X. por mcio de suas mediacécs concretas no interior da socicdade capitalista.?. mesmo quc em um registro proprio. cm seguida. m_ L‘s-g - . do conj unto dos trabalhadores”.H? - 2w? ash??? i. como um movimento politico de afirmacao da independ éncia 6 auto— nomia da classe operaria. a trajcté- ria do PT devc ser comprcendida como fenémeno social cm sua singularidade.

.\. cabe Mas é exatamente esse movimento da consciéneia que a eco- explicar. .. coligido em Histo’rizz e 11 {3}”. . "' WE ‘V . da “consciéncia da possibi- lidade de Vitéria” a “consciéncia da impossibilidade da ruptura”.-\5-:3‘3a¥ sf‘fiififi m. no chao das fabricas e nas experiéncias politicas ensaiadas por comunistas ou social-democratas. v 9-} .\ 2L». Gyorgy Lukacs e Jean-Paul Sartre.?re§'0. concei— de apreensao de “totalidades”. escapando dos esquemas deterministas comuns tanto.}.» «5% » (mg: em .35: k‘é‘xgaw‘ E§g§a?‘§ §§%\M§a3 £151 §W§Q§ grik5éjgziéiéé§ .-“}<\. Passou-se. . g " ' ' ‘ ' g“ ' 1% v \ u $19.-. . MAURO LUIS IASI assentado na “nacionalizagao dos meios de produgao” a proposta de uma “nacionalizagao do consumo”. g.3:. $5?“ g»? $35” 1n 1 awg : x:m. Para livro.».."=‘--2?v’”3< 93‘ 6‘55 {3 few“?. a burocratizagao e até mesmo a submissao das instfincias partidarias a estruturas paralelas de poder.fiig «a._ '3“a.. A moldura histérica desse “amoldamento e conformagao da classe nos limites da ordem do capital” tern duas dimensées: o éxito da reestruturagao produtiva empreendida pelo capital a par— tir dos anos 1980 e a ruina das tentativas de transigao socialistas na década seguinte. inverteu completamente a compreensao da conjuntura por parte da classe operéria. A definigao pioneira de “consciencia de classe” desenvolvida por Lukacs no artigo homonimo. como a substituioao dos procedimentos da democracia direta pelas regras da democracia representativa.. ja que sciéncia” deslocar sua atengao das “classes” para os “atores”.‘\'= A.\ 5-. em poucos anos. a0 longo da primeira parte do eitual os instrumentos teoricos necessarios a compreensao conc lecentes da “consciénCia de classe”.' a“?5 {:5 t. . nomia. Iasi recorre entao ao aparato tual desenvolvido ao longo da histéria do marxismo por Antonio Gramsci.‘9'.i §ygw MW }.\ . cujo marco maior é o desmoronamento da URSS. E‘s.§'\u$ zr. 1?? . a sociologia e a historiografia predominantes.\<-.» \!. Mauro Iasi retoma e refina. . . Os modelos analiticos preva tendem a no atual ambiente académico 5510 de pouca valia. Essa dupla derrota. A y «35' ‘. 3X. e.'\\'§<.. Iasi também desentranha indi— cagées acerca da reorientagao das formas de organizagao da Vida partidaria. de 1920. atribuindo intencionalidade e das tentativas aos “individuos”. o fechamento dos espaeos democraticos de dissenso. . sem mais. $\ § 233%:17‘3‘75vyi air-Mg E's-$333“: "Ev-1’? {9..._-¥> gs xv. da “con sentido apenas para a “identidade”.‘w. M t.ifih‘éfifi‘tfi..”-'Zv. o que leva ao descarte. Ni \fl-3Mkzm x». . Da analise desses documentos.-. .

presentes na obra de Marx e Engels e desarticula— das pelo marxismo vulgar. mi: 1mm *: m mm -‘ Tufm“ MM“? ”. . O proletariado passa a ser concebido simultaneamente como uma classe do capital e como uma classe contra 0 capital. logo se objetiva.1“ : i363. no entanto. juizos._ . resultante de uma certa ordem social de relacées que se instituiram sob a fOrrna de valores.. 3mm.o.” . concepcées de mundo. ms? 52%" \€:°\‘ w-"= it. A construcao historica passa a depe nder assim tanto dos condicionantes objetivos quanto da acao cotidiana dos seres humanos. . ha? " ' '6' . por cons eguinte.3:: i. 32 . t': ‘5 3‘2. . partilhadas por aqueles que convivem numa certa época”. iiiiiiiii W“ '7'“ §\\-..mll' :N: }._’=§§:3\$ ii“ . \. -'. institucionalizando—se seja :omo “burocracia” conformada £1 ordem do capi talismo.x": v. os seres humanos (e 05 partid os politicos) nao encaram o mundo apenas como uma configuracéo preexistente. Sua acao. . :kz‘ \ :3 Am.. mas também da class e. . complementada pelos conceitos de “hegemo- nia” e “senso comum” desenvolvidos por Gramsci nos Cademos do crz’rcere. A consciéncia do individuo. : -_ -e .\§’ 3. .'. Primeiro.‘. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE comrz’éncz'a dc classe.-. no modo como ela age e reage dian te da confor— ma‘Eéo social do mundo. .3. Esse arsenal teorico permite a Iasi recuperar as mediacoes dialéticas existentes enrre as dimensées da objerividade e da subjetividade. concebida como przixis livre. _. .. surge ini— c1almente como “consciéncia social herdada . . sujeitas as mediacées da pratica social. 2-. ‘5“. inercial. o individuo liberta-se da sua ‘conformacao em czipsulas individuais que velam o carater social do ser” e insere-se no grupo.v . Afinal." :93 W =9: “3.\ '. AS mammmfoses dd conscié‘ncz'cz d6 clam) nao se contenta em apresentar e desenvolver teoricamente a dialética da praxis humana na construcao histérica. ‘.‘ x. seja como ruptura revolucionziria”. " iiiigiaiiii‘éi " W' ' ' ' " " iifiiiiii ' ‘ V’" iiii‘éiii' dii = ""' . A acao humana. . possibilidades em aberro.iiffiz“: ‘2 iiixiii‘ic xvii: if: i:i:.:I\'fi_{_v‘f: §p\'€__‘l'. acaba desencadea n- (do uma dinamica prépria. adquire uma nova configuragao ao incorporar a teoria dos “grupos” ensaiada por Sartre em Crz’tz'czz d4 mzzio did/flied. .\ w rt -. mas como um “pr ojeto”.. resgatando suas diver sas instancias em 1’)H “ . como membro d0 grupo ou da classe.: :ia: was: at. A singularidade propria a cada consciencia cristaliza-se ainda mais na peculiaridade de seus desclobramentos. _!_(_ fix {E§. 0 consentimento e a negacao 5510. ire-"SJ ."€~i"">: if”: it‘s. .\ \.

3 . . ._. tal como dissecada por Adam Przeworski.9. . transparece uma grande simi— litude. A experiéncia social do PT desenvolveu—se em outra época. o consenso 13 ... por mais que haja similitudes entre seu percurso e a dinamica da social—democracia europeia. . O balanco do projeto historico do PT resume. apenas pela légica inerente aos partidos social—democratas. . Iasi reconhece que o “apagamento de sua feicao socia— lista” 1150 se explica. . MAURO LUIS IASI uma tipologia. nao uma trajetoria predeterminada._.. seu “amoldamento ao capital” como Iasi gosta de frisar... os dirigentes do aparato partidario e mesmo os sindicalistas —— se alcou a uma nova situacao social.¢.3 .. que haveria de se desenvolver naturalmente. A integracz’io do proletariado. assim._.. E a partir dessas balizas.9.9.. sob as restricées de outro contexto historico.. da reconstrucao da teoria marxista sobre a “consciéncia de classe” e do resgate das determinacoes principais do conceito de “classe” na obra de Marx. . W.. . Mas.. cujo contel’ido impressiona por sua capacidadc de revelar as con— tradicées da consciéncia social. mas congrega em si as oscilacées da consciéncia da classe operaria que se movem entre a negaciio e o consenti— mento. ..._. Mas isso importa pouco. que Mauro Iasi apresenta seu diagnéstico e veredicto acerca das metamorfoses do Partido dos Trabalhadores.w. por exemplo. Iasi mostra como a negaciio e o consentimento coexistem enquanto possibilidades concretas para a classe trabalhadora no Brasil. 9 . uma vez feitas tais ressalvas. levados a cabo na primeira parte do livro. i H. 0 de— cisivo é que o novo projeto do partido repercute a hegemonia da perspectiva que privilegia a nacéio em lugar da classe. Por meio da analise de uma série de entrevistas. E verdade que uma grande par- cela dos quadros do PT — em especial os politicos profissionais. o que fica patente quando se mira a politica economica dc agora e de antes... desenvolveu—se a partir da conversao de um projeto socialista em uma politica pautada por uma visao de mundo completamente distinta.

» 5 Liz}.-¢"&- . fig?g»_\'<g:j’j-z‘_=.§*k§§>§§ma§ z‘vE-‘sié. jzi em 1852.._.\W\v.-a‘-‘:—':-i:‘l‘§ -}> _‘j ijé $.»\§ 6.2 y: \m M3: 2:311? F..-_. Como bem lembra Iasi._q in: m _\$:-:\.%Zn. Ricardo Mum. profismr dtz FFLCH ~ USP 14 _-. Eta-ks33:5. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DIS CLASSE e a conciliagzio em vez do conflito entre 0 capital e 03 trabalhadores.2-1:“ Wig-21. m .1.y._-_§\\:. destacara como préprias da przitica politica e da visio de mundo da pequena burguesia..<«w.o.a“): 5: x. hm..»_..« '___V:\-. ééma=magsv=£x§<i§sa 3w.’.) k gag: g\\\_-.‘. W..».. fiéfifia “@322: ii:.é~‘< Vfififié $ §ffi§=k§m a». 9:3 2V._ §Q=2h§rfiwab§r§§§$§m§£§ $5 %:. mvv =?. socio’logo. tais caracterfsticas Marx.33} sf.

‘ewfi. Processo dc comeiérzcz’a foi publicado pelo CPV.¥ 5“}“§5{ 39”?“ 5. “i’ F1 MWX.{<_ M EM. MM At“ “2’“ ’1. 0 (Ii/mm dc Hamlet.{-k. pela Germinal Paraguai (2004).-.. . IASI. yM-. Viramundo: 2004.M .3"‘\\“'>'--z‘=‘2~s i.. M M MMMMMMM M MMM M M MMMM MM“: M M?» ‘MMMM M M if“.\ . u .. V ‘ .xxx..’.Q \ ‘2'“ . passando pela primeira sistematizagfio no livro Processo d6 consciéncz'f 6 nos estu- dos de mestrado publicados com o titulo O dilemzz de Hamlet: 0 567 e 0 mic ser dd conscié‘ncz'a. -= -\'.‘<_ -: x M A“ ‘ M ”M.3*: 15‘"- .\<. Sfio Paulo. 0 ser 3 0 Mo ser dd camcz'éncz'a. M W . .: .= ‘.. _ : -. .§“\z.-_ :' fame“ w.-_- w: M.. 'M\ . resultando no presente trabalho que a Editora Expressiio Popular agora publica. e rceditado pela Expressfio Popular. em que se cruzam tantas historias. APRESENTACAO Ofm‘uro 50’ 56 tormz respim’vel qzmndo transgredz'mos aZguma ordem.-. Mauro. x x.3“ s." até os estudos da tese dc doutorado no Programa de Sociologia da USP. %-. deve-se ressaltar que é uma continuidade direta do esforgo de pesquisa e estudo que se inicia na coleta de histérias de Vida e militz’incia junto ao programa de educagfio popular do NEP 13 de Maio (16s 1987. ... 2001)._ r 5 ’9\-. 2-.-_. Silo Paulo (1999.vi MMHW 3 HM “a..\V .Q{-_. . - MMMMMMMMM MM . Q. tem ele préprio sua histéria. Mario Benedetti Este livro. -. Em primeiro lugar.-‘. 8"“3' ix: 3%“ {SEE “M9.

152253'3: 2 y??? -u2. Cada militante que encontrei em todos esses anos foi. levando— —nos novamente a alienacao. tanto objetivas quanto 16 .2‘. um fluir que encontra diferentes mediacées que se expressam em diferentes formas em constante mutacz‘io. enquanto outros busca m suas dcterminacées nas formas coletivas do grupo até a classe.-. -:I 222252: 22. ao contrario.»--:222.‘" 2 'vvn'lwsz‘523% : if}: i. .922:. mais precisamente do movimento da formacao da consciéncia e da possibilidade de rompimento com as amarras que prendem nossas mentes a reproducao da ordcm que nos conforma.__’_.-222§22222:332:22 .§?EJ'.22. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DIE CLASSE O tema que me impulsionou nesses quase 20 anos dc estudo foi 0 da consciéncia.m 322-233-522: =‘. buscamos compreender que essa aparente circularidade so pode ser entendida se incluirmos o fenémeno da consciéncia no conjunto das relacées que determinam o scr socia l 6 as classes.2_ _ _2 22. : 2 .§I-2€ g“: -}' fir} ”if? ‘f’idrixnéjli mi: 'i5ié’w'"'§§§:Smr: “filial .3 “2'53 Q2329” 2:25.firstgfiémééfii .Eifié 21-fo. \E. que a socicdade capitalista continua produzindo seus coveiros. para mim.-.. v .2.-’2‘a-. ou. Desde a formacao da consciéncia nos individuos moldados por uma determinada forma social estabelecida.':. nos quais brotam sempre renovados os germes de uma nova consciéncia.2-4 my. iafii ism-E 2. -.222.\ 9. no entanto.: . $3223 -'\\\: W..2. 521*? it“??? . estamos sempre diante dc ciclos que vao desde um momento inicial de alienacao até a constituicao dc formas coletivas de luta.: 9..2: { 12.2.a 222‘. Scriam esscs ciclos naturais? Seria esta a mesma causa dos ciclos historicos que marcam a histéria da rebeldia dos trabalhadores: lutar contra a ordem para depois se amoldar novamente? Em nossos estudos. que buscam se organizar e que acabam por se institucionalizar e se burocratizar. _ _ .2 2. como negacao da ordem. Para nos. alguns estudiosos procuram entender a cons— ciéncia como fenémcno individual.§’§§Z2§%V“3 . Em nossos movimcntos.2 2&2. a prova viva de que é possivel mudar o mundo. 22. A grande polémica que envolve esse tema diz respeito a caracte— ristica da consciéncia dc classe dos trabalhadores como consc iéncia de uma acomodacao a ordem social estabclecida. \_. ja se manifesta o caréter dc sr’ntcsc de muitas determinacées.2. a consciéncia é um movimento. . 2:..2. apontando para a transformacao socia l.2.'uv. 22‘ . ifi-‘ififi‘a .» {\‘31:_\\"._ _ . Ao mesmo tempo.\ 2.

o destino da consciéncia esta inevitavelmente ligado a0 destino da classe: se esta consegue. para alguns. ora como personificacao de interesses de classes em luta. destinada inevitavelmente a expressar uma consciéncia revolucionaria. se politica- mente nao consegue ir além dos limites do sociometabolismo do 17 l. que afirma urn projeto histérico com autonomia e independéncia. pode produzir momentos de consciéncia dc classe que expressam tal autonomia. as classes se formam e se constroem em permanente movimento dc negacao e afirmacao. como consciéncia de classe em si na luta pela afirmacao de seus direitos e necessidades. mas. se constituir na luta de classes corno uma forca auténoma. ou. como revolta diante das injusticas e contradicées que cada um enfrenta no curso de sua Vida.amenlfisxiixfi l. cujo resultado sale 05 diferentes momentos da conscien— cia como senso comum dos individuos serializados. até a possibilidade de expressao como consciencia de classe para si. Maria was a RM iii: {$3352 @a 駧¥§€§$i§ lafis if ’M ”’éfié‘véia? £2: EM 123 wag‘mg . As classes nao se definem apenas pela posicao objetiva no seio de certas relacées de producao e de formas de propriedade. As mutacées da consciéncia faz com que muitos considerem cada um de seus momentos como formas definitivas. em seu processo de formacao. de maneira que. na concepcao de Marx. se a classe consegue em sua acao superar a sociedade do capital. Partindo dessa perspectiva. ora como individuos submetidos a concorréncia. em determinadas situacoes. MAURO LUIS 1A5: subjetivas. como identidade grupal que se forma quando. ora como aspectos subjetivos da contradicao histérica entre a necessidade de mudar as relacées sociais e a determinacao das classes dominantes em manté—las. pois ela mesma 11510 é um ser fixo e dado de uma 86 vez. mas se a classe sofre uma derrota. ora como orgaos Vivos do Capital em seu processo de valorizacéio. Procuramos entender 0 movimento da consciéncia como expressao do movimento da prépria classe. conseguimos ver no outro nossas préprias dores e esperancas. pode gerar as bases para uma nova consciéncia. a consciéncia dos trabalhadores esta condenada ao senso comum. para outros.

. ._a2. 22 2._ \' _x.22. na qual encontrarzi uma descrigéio do movimento que levou 0 PT da origem socialista até a acornodagiio atual.¥. iii—M‘sfiwafifias «. um estudo teérico sobre as media- 9663 que cncontramos nos diferentes momentos do movimento da consciéncia. seguira adiante.§. O presente livro é uma resisténcia contra essa tendéncia.'. ele é apenas uma etapa de uma longa jornada que nao comegou hoje e que.~2___§2x+ is“. '\\_>. feliz— mente. w. da forga explicativa do conceito de classes... assim como da centralidade do trabalho. 18 2.. desde sua formagao nos individuos.-.’§ -:3.5.2’. na conformagao da classe 6 na possibilidade de constituigfio da classe como um sujeito histérico.E.§§.\ . em 2002. de- sejar compreendé—la.\\."_’}. 921‘)”: \‘f' =._ _» _ga. mas com a paixiio e o compromisso que estao costurados em mim. As METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE capital. além de conhecer essa trajetoria. seria aconselhzivel voltar a primeira parte do trabalho e se permitir trilhar um caminho mais longo e arduo.25 ‘\\'. No entanto.>_vz§ _22 ."’.\. has. no qual 0 PT é somente um episédio.“..‘. com o rigor e a objetividade necessarias. construido a partir de todas as regras do universo académico.2. tenta mandar para o exilio certos temas. se 0 leitor. até 0 12° Encontro Nacional. refluindo e se desconstituindo novamente em alienagz’io. A ofensiva pos—moderna que se impés no mundo académico._ EH Earn. i2: EQEE-‘EEfi-‘g Easfi’n E E Egg-zanfi-Ea $332332. ?n f3 «$3. 2 . entre eles 0 da formagao da consciéncia de classe.’.. na segunda parte. a consciéncia acompanha o acomodamento.2E§E E‘s-EEM. um estudo de caso que busca ilustrar o movimento reorico analisado através da trajetéria que levou 0 PT da negagao ao amoldamento a ordem que esperava superar em sua origem. O estudo de caso a respeito da trajetéria do PT se deu a partir da pesquisa das resolu— goes 6 dos documentos partidérios (16s 03 momentos anteriores 2‘1 fundagéo. O leitor que assirn desejar poderzi se dirigir a segunda part6. 6 sons reflexos no campo prético da politica. EEEEEWEEbEEEEEEEQ E EMEEE i1} sigEéi E “FEE...’=:"\I§ .M.:>m:'_ -1‘\'_\V§AE 2 .'. 2 >-.3314:?._ {‘35 fig? $. no processo grupal.“:.g: {33$ . mas que fornece as pegas teéricas para entender o movimento da consciéncia de classe. em 1980. Por maior que seja a importancia da analise do PT... 23 . O livro A: metamofivses dd camcz'é‘ncz'a d6 clrme divide—so em duas partes: na primeira parte.

._§.. meu camarada de dissidéncia.._:_.3 .. politico ou intelectual.3_.._. por seu empenho e dedicacao para que este livro fosse publicado.. Primeiro.. ...§.... mas contribur’ram muito para que fosse possivel construir nossa analise sobre o movimento da consciéncia. o professor Sedi Hirano (USP). os companheiros e companheiras que emprestaram suas trajetérias de Vida para servir de rnatérias—primas das reflexées teéricas que desenvolvemos. _.\. MAURO LUIS IASI impossibilitando qualquer tipo de neutralidade. N510 poderia deixar de agradecer :1 Paula e a0 seu amor incon— dicional que me segura no mundo. a minha grande amiga Leo. por seus comentz’irios pertinentes e seus puxées de orelha que niio me deixarn esquecer o compromisso 19 . Gostaria de agradecer tam— bém ao camarada Scapi. . Mais uma vez. Como disse Silvio Rodriguez em uma de suas cancées: “romantico. Quero agradecer aos professores que muito me ajudaram na formacao teérica deste trabalho._ :._. a0 professor Ricardo Antunes (Uni— camp)._ a ._.. que acreditaram no trabalho e defenderam sua publicacao._.3 33. centenas de depoimentos.... . . a professora Nadya Castro (USP)..._. impedindo que me perca em qualquer compromisso abstrato..2. em especial a0 meu orientador.3“. W .. H.3._. cuja contribuicao teérica foi de fundamental importancia para constituir as bases deste livro e de todos os meus estudos.E:E§‘EwEs i‘EkwE’é‘a EE-zéE ENE“) EWREEE}. pelo menos are 0 fim.. s. pela forca e pela dedicacéio para que fosse possivel a realizacao do livro... por seu desprendimento que faz corn que a genre continue acreditando no ser humano e na possibilidade de uma sociedade nova. Ea? EEEEEEz NEE EN 19%} EEEEEEKER . que nao seja a tormenta da paixiio e a ternura do acolhimenro. 3 .N.....3. ....._ E EaxmiEEwEECE E: Wan?» a?! E EK‘EE %..\. . os companheiros do Nucleo de Educacao Popular 13 de Maio forarn fundamentais para garantir a publicac'ao através de iniciativas individuais e dos movimentos e entidades que partilharam ern todos esses anos nossa jornada de educacao popular. muitos dos quais nao entraram diretarnente no texto final. .. ._..._ w _.._.. assim como a todos os companheiros da Editora Expressao Popular.. a . Muitas 3510 as pessoas que tornararn possivel este estudo e 3510 seus cumplices. Um espe— cial agradecimento ao Bill..tt_.. .. imposmodernizavel”. .

companheiro de primeira hora que conheceu este trabalho antes mesmo de ele ser feito. estejam onde estiverem. aos camaradas do PCB.::‘E' .\ 'u. agosto de 2006. e finalmente ao professor Ricardo Musse (USP).”9W 2 -.”<. tenho certeza.m . ao professor José Paulo Neto (UFRJ).=’. um dia estaremos todos juntos. .(c. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE sociolégico de minha escolha profissional. ‘4 -.E_. Mauro Luis [asz' Sofa Bernardo.\h... por sua leitura acurada e atenta de meu trabalho e pela base teérica que é um exemplo de resisténcia para todos nos. . . 20 . néo apenas pela leitura profunda e pelos comentérios que me ajudaram na escolha do caminho teérico da tese desde a qualificagiio ate’ a defesa. . em nossas noites de debate em Florianopolis. . -..\ EEEEEEEEEE EEE’E“ EE‘E EEEEEEE EEEE. E . EE EEEE‘EEE EEEE E. '.5 k \ . _. EE WEE E.uu‘: E m. e a todos os socialisras e combatentes que. \\-v . resistem na defes a dos Interesses da claSse trabalhadora em que. . . E .'=C‘.. . Por fim. '.EEEEEEEEEE \' . n. . E... E _E .3 E33 “ER E‘Efifi \EEEEEEE-fiEE-‘E EE‘EW‘EEE EEEEEEE EEEEEEE EE.. . EEEE EEEEEEEEEEEE E . E. EEEE. E E.. ao professor Paulo Tumolo (UFSC). mas tambe’m pelo prefzicio deste livro. E: E». . casa onde iniciei minha milifl tfincia nos anos 1970 e 51 qual agora retorno.. .. no qual sua especialidade no tema indica com clareza o caminho a ser seguido pelo leitor.. . .

PARTE 1 AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE .

fiMw \‘zk3 .

Instituto Goethe. 1 CAMINHANDO PARA TODOS OS LADOS DO FINITO Se quartz: czzmz'nbarpzzm 0 Infinite: Andi: para todas 05 [(21105 no Finito.. 4. .V. portarzto. saws am Main M a.) parque. enquanto outros langam seus olhos para as formas gerais da sociedade. . mm mm m : ms \ . 1985..|. is}? {émx gs}.iu-. J. as determinagées histéricas."Q -. Afinal. 5510 Paulo: Bra— 1 u ' .?. {II-fl. -. suas personali-I dades. p.. .V \5.vzy.. ora como consciéncia rebelde que quer mudar o mundo? Por que aqueles que queriam mudar o mundo “assistem a tudo em cima do muro”. . x - 6‘. s.. a correlagao de forgas das classes em luta. . aww :2 s a 1a was“ s. s-gzg péfi 59..' l‘kfi'.s:. . sempre um outro quem fizlcz par (11’.I-§:-‘(.:.»: v“ gsws'.. n1“ _?. W. Goethe parque rm boat d4 clam operzz’rz'zz mic existe a palavm clam opercz’rizz 6.\\ '\€‘" ate: .>l.'2{z. se rendem on se vendem amoldando—se novamente 2‘1 ordem do capital? Alguns buscam esta resposta nos individuos. Hans Magnus Enzensberger1 Em que lugar podemos encontrar a consciéncia? Nos individuos e na sua forma particular de pensar.” Ez-tfizlo do: qua mzoflzlam. 90—91. ou na sociedade que os conforma? Por que a nossa consciéncia como individuos e como classe sofre tantas metamorfoses. . . e porqm’ aquele do qua! sefa/a 56 min. v. de maneira que ora se apresenta como simples amoldamento a uma determinada sociedade. suas traieées.sm. 9:: Mk _\V :.- siliense. e’ sempre um 0mm. . ac 4?.w‘§\{\'9\§:~zs. onde mora a consciéncia: 11a particularidade do individuo ou na generalidade da classe? Razoes admonals para 03 poems mentlrem. We .

em seus termos. ism.:. mas acabou-se por encontrar até 1908 algo em torno de 15 mil dCStaS ilhas. mas outras galaxias. 1%? éifisxifizwfih .. Desse modo. Estamos. para as quais a realidade é seu pensamento individual e o mundo la fora.\): \‘t‘gi 1 swag 52.£-$‘::=s Eitzi’iiéfiiarifa misfit. como se fossem. “universos—ilhas”. Eis que fica assim resolvido um dilema que assombrou todo o pensamento humano desde os velhos gregos: a relacao entre o todo e suas partes. A L’lnica maneira de conhecer o Infinito continua sendo o singelo conselho de Goethe: andar por todos os lados do Finito. E na particula- ridade que encontramos a existencia. 3... ..‘x‘ $3. além de filésofo. o capitalismo. tais como individuo e sociedade. . Ningue’m levou muito a sério sua hipotese. ism-E isfi:s-”E§§§. . as classes.§. os individuos e suas representacées coletivas entre estas represen— tacées e as classes sociais.. como dlscursos que tentam em va’io reduzir o fluxo vivo do presente em .§’E wa. decreta o pensamento p68— -m0derno.. na metiifora de Norbert Elias (1994).. A consciéncia nada mais seria que a subjetividade que tenta compreender este movimento partido em polaridades irreconcilia— Veis. A totalidade se esfuma numa abstracao exatamente pelo fato de que é reduzida a uma abstracéio fundada na relacao entre “individuos”. Como a histéria. acabamos nos 24 :-. Foi ningue’m menos que Kant.§. na singularidade do acontecimento. O pensamento pés—moderno tenta resolver esse dilema decre— tando o fitn da “totalidade”.%s-:__¢\'§.\_:e_ I':_f§~:§.I_ __.239-23 '39._ Q.\\\'. Wk. :3.mzx. 93o ai‘w‘. a sociedade.'. subjetividade e objetividade.h0mem.3 _ my? 935* imft -:I hxwgz: 9:3 ._ idtir’éslizsiiollw“ 3 km a??? . A totalidade e 05 fantasmas que a materializaram todos esses anos. _\: E 3:3“:m _‘-. g fry-«:5: :ugc: 'WI‘. o todo nada mais seria que uma projecéio defensiva na qual os seres humanos buscam fugir do jogo aleatorio da existéncia. que em 1755 descobriu que alguns amontoados de estrelas nao eram simplesmente partes de nossa galaxia. A verdade agora estz’i na parte.\_-t'.'§'§€ :2:. AS METAMORFOSBS DA CONSCIENCIA DE CLASSE A humanidade hoje direciona as lentes de seu Hubble em busca do Universo e 56 encontra novas partes de um todo sem origem e sem finalidade.§\\g‘\ 3:3 \.{_ . :. emérito precursor da astronomia. no con- creto concretamente existente.»: 'Q _. 0 socialismo. nao mais que uma percepciio individualizada. numa sociedade de “estatuas pensantes”. esqueletos conceituais compreensivos.: Vii-'3‘.3 lye"°?‘. ia-‘Zu._ €.‘.: _“~i-§{\‘“\'€:-. 0. foram desmascarados como meras construcées.

w. p.\ m. A é movimento que ora se aprescnta como consciéncia do individuo isolado. que: “suprimam estas relacécs c tera sido dcstruida a sociedadc convencidos inteira” (Marx. 3‘ iw.-.\ . w iéémw‘a aafia Elfii‘fiilfi 1%. . . MAURO LUIS IASI cnvolvendo em uma polaridade que nos condena eternamente a escolher entre determinacées mccanicas: ora os individuos determi- nam a socicdade.3. 81).3 3 4-. mais especificamcnte da consc dc classc. 1976. 53mg»??? .\'"-. avg-13. «m: \\~. mas nao sabem que fazcm). de forma quc taiS relacécs adquirem uma objetividadc tao concreta como impalpz’ivel. Os estudos dc consciéncia dc classc. os individuos nao passam da matéria—prima moldavcl da histéria.33" xvi-a 93 . en— tao. \ m r\\ . 31.s.523 :3“. . costumam ser. depois da (313586. 103).. tudo sc compreendc pelo sentido da acao social tendo como sujeitos OS individuos.3 a. 's-ma '9'»?-3122541525:'. nao tendo sentido o conceito dc consciéncia a nao ser como “falsa consciéncia” (fazem. Um dos temas mais recorrentcs e complexos do pensamento iéncia sociologico é 0 da consciéncia.2. . . dcscricoes e 25 333..w w . como as que se dao entre o capitalista e o trabalhador assalariado.. E por isso que estamos d6 quc o problcma da consciéncia encontra—se no difi'cil jogo d6 que mediacécs que liga as determinacées particulates c genéricas consciéncia COmpéem o movimcnto quc constitui 0 set social. . dc modo quc a consciéncia é ora atribuida a dimensao pessoal e psicolégica. . ora ao individuo.'g. ao contrario.- z '53:» is 1" q?.. “em sua grande maioria.t «We ”RM?“ .225.s. ora ‘a dimensao social.. m.' :w: «J. em outro..\.. .v.\»'x-.. quc é a relacao entre individuo e sociedade. ora a sua conformacao de classe. . is5. . como afirma Ricardo Antunes (1996. p. Marx ja dissc que os sores humanos produzem suas relacées assim como produzem o pano ou o alimento. = w. ora é esta quc condiciona a acao dos individuos. podendo chegar a diferentes formas no processo dc constituicao da classe até a uma consciéncia que ambiciona a universalidade.'~.&3? . Conclui. Wé‘mlli . mas relacoes histéricas e particulates. . ora como expressao da fusao do grupo. 33m“.s 33233:“. Num caso. - i waxvawffiii‘a Maia 3%“ i‘xm. Para ele as relacées nao sao simplesmente entre um individuo c outro individuo.9% $331323): :33: sq 3:3 . 1533‘ ‘. A complexidade do tema 36 dd pelo fato de que o feno— meno da consciéncia ocorre na fronteira daquilo quc constitui uma das mais problematicas questocs do pensamento sociolégico.

. Sio Paulo: Boitempo.is 33:43 42323} gas-9. 3'95. acabando por fetichizar a classe como portadora metafi'sica de uma “misséio historica”._... 103..) apreender tanto a dimensio da consciéncia empirica. O tema da relage’io entre a classe trabalhadora e sua cons ciéncia tern sido uma questéo permanente na reflexfio sociolégica.{733‘}. Touraine e tantos outros. Celso Freder ico (1978. mais ou menos sofisticados. . Goldman. fetichizam o partido como uma consciencia que substitui a classe em seu fazer histérico. : . ysg. \-v . .. 353-33. a afirm agéo de que a Vida cotidiana é “a mediagfio objetiva—ontolégica entre a simples reprodugzio espontfinea da existéncia ffsica e as formas mais altas de genericidade agora ja conscientes” (Lukzics. Hobsbawm. . ou. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE relatos empiricos. 1:11:35iEffi'ii'ai-S‘j‘ig'itifi-13Eii-i §{%“3?i31333.\__ -: 3:. iv 333. .M I '. Leéncio Basbaum (1982).2 Esta preocupagz’io de Antunes embasa—se na formulagiio de Lukzics sobre a relagiio entre a imediaticidade cotid iana e a di- mensiio genérica da aeio humana.... 1996.3393333. da sua conscié ncia cotidiana e suas formas de manifestagfto (. . ou.-_ \..\ IL . 1996.\h.' : \‘n'a._ .-.'=\‘. Nosso maior desafio. m {up _\\~. Wal— qufria Leio (org. 1999).' n. . :33“:... : . na imediaticidade.. \' . c v.3333 1113331133» E322. (2pm! Antu- nes. Marx. Labia: um galz'leu do se'cu/oXX.\ \ .3323-313.“322 g:. A Vida cotidiana seria o espaoo heterogeneo no qual se inter-relacionam dinamicamente os dois polos hum anos da realidade social: 21 particularidade e a genericidade. r. . Thompson... a classe trabalhadora”. . p.£3:ng3:}-::\I>~If&. 31:33:}. “Notas sobre consciéncia dc classe.\ w. 1987. por outro lado. 26 .. -. 1998.. Leéncio Martins Rodrigucs (1970)._ EE-sheoasgfs $5. 363133333 33333. *4 '. Gramsci.“3 -'. ou seja...\z‘.. 1979). ‘. .). {3353 $33-$13}.(c. Ricardo. 100). como em buscar compreender também quais seriam as outras possibilidades de agiio coletiva.c gm)‘... assim como os estudos cléssicos sobre o tema em Kant. k ‘ . 31:3 «54:3: 9. p. Weber e as obras de Lukzics.-. . 1996. tanto clzissica quanto contemporé‘mea. Althusser. pecam pelo desvio inverso concebendo a classe trabalhadora como “uma construgéio idealizada e a—historica”.. Hegel. menos fragmentada e coisificada do todo social.. préximas de uma apreenséio mais totalizante. . ainda segundo Antunes. . .. ._. seria: (.3 O ponto de partida da polémica 2 ANTUNES. . Ricardo Antunes (1992. ... de como atuou e atua.’. Sfio representantes significativos deste esforqo no Brasil as obras de Juarez Brandfio Lo— pes (1967).). » _* 4-.<~:§ 333:. Elias... . diante da consratagio empirica das formas imediatas de amoldamento 51 ordem do capital pela consciéncia dos trabalhadores concretos.” in: ______ e REGO.

' . i-uiwrgmm-e imiig 1. como urn “ajustarnento de interesses racionalmente morivado” (idem.~ . Mafia. ainda. . if: . 08 caminhos de uma emancipaeao geral e..iEi é‘ 1‘. 'sfg1‘? 5:"afi§"§'{?€§“§i WW???“ ‘5- 13. ou seja.%¥§éii§i§ m..-.s-e\ -.1% §9WE$€Q3 3%???“- wz . {39% §5§x¥§ §-§::'.\::§:_§. «amaze. .mfm-J a. 90). . m..ghqx _m:§ J_-.a. . é uma possibilidade.§\\-: » . p. Neste sen— tido. entendidos como posieao diante do mercado.*3 . MAURO LUIS IASI que envolve o terna da consciencia poderia ser assim resumido: existiria alguma ligagéio comprovavel entre a posigao de classe dos individuos.= “Viki M a 113111. a posigao em que se encontram no interior de certas relagées sociais de produgao ou de uma ordem “economical”. éio de Por outro lado. mas de forma alguma “urn fenémeno universal”. fundamentalmente intelec entre causas assim como a clara percepgao das ligaqées existentes a consciencia de e consequéncias. :w: «mark -'-. uma vez que. : \ w . - $.§':. . m i. como Weber (1979). W31. apontar para uma alternativa societaria diversa da ordem atual (Marx. A possibilidade deste tipo de agao de 27 é\:¥.. uma agao homogénea morivada por interesses economicos.? $31" .\ Ava. resisténcias e segundo Weber. . r . a agao politica e aos fins almejados? ora. 4.ieé‘s. esta aoao pode assumir a forma de atitudes pontuais amorfas que nao V510 alérn de uma agao reativa. ou. a possibilidade de tituigao de um sujeito histérico capaz de representar..\. 212—215). Como se observa.. por meio de sua consciéncia particular. como em Marx. com mundo que orienta eticamente o agir no mundo. afirmar a relagao existente entre a situag classe diante de certas relagées sociais de produgao determinadas gao da e uma agao politica de classe orientada para a transforma cons- sociedade pode significar. A simples resposta a esta questao pode nao ser esclareced Dizer que sirn pode significar que pensarnos. exigindo para a formagao de agées tipicamente societarias o desen— tuais. para Weber a visao de classe confunde—se com a Wltrzmbammg. . 1993.'. m.. agoes comunitarias “orientadas pelo sentimento dos agentes de pertencerem a um todo”. assim. e uma determinada forma de Visao de mundo que poderia levar te a a uma consciéncia mais ou menos homogénea relativamen identidade coletiva. volvimento de condigées culturais..E was. em classes como situagées partilhadas por certo mimero de pessoas que serviriam de base para a emergéncia de “interesses comuns”. ou seja. .sen-my.\. p.

\. -e x. 1976. Urn dos tracos mais marcantes da sociologia contemporanea rem sido colocar ern dfwida exatamente esta possibilidade. porranto. . \.a m.. -aim. ainda que esre seja urn dos mfiltiplos aspectos dCSte processo. No entanto. teérica e pratica— mente opostas. _.\ :-. Tiif.m aaax‘E= . .. *4 ‘--. de uma forma ou de outra.z\. .h. afirmara que os conflitos que estruturam nossa socie- dade 3510 ainda conflitos de classe. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE classe.-. ..:zx .§. até Offe (1987) e Gorz (1987).. hoje.xa.. nesta Visao. desde Hanna Arendt (2000) e Habermas (1990.. é a possibilidade de as classes converterem-se em bases reais para a formacao de identidade/consciéncia e acao coleti - va. “W i‘aEEaE ma.'9'. Evidentemente ha nuancas significativas entre aqueles que. urn sujeito propriamente coletivo . 67): “é a classe. - ”3's ma - aaEa WA at. _' as. definidora de identidades coletivas? Ou quais sao._. enquanto em Marx enfatiza—se a dinfimica historica da luta entre as classes e. assim como esta prépria dinfimica estaria condicionada pela contradi— c510 entre o desenvolvimento das forcas produtivas e a forma das relacées sociais de produciio existente. aaaxxafa. s/d) e dal’ como sujeito histérico. Thompson.-.a. --w V raga» ElfiEEEiafi " . partindo de Haberrnas.an} -.aff-. na versao weberiana. :\'. mas a uma dinamica objetiva e subjetiva de luta de classes dentro da qual uma classe se constitui enquanto classe (Marx. \“x “x. Ea--“. s: a x ‘aEakx’i‘a .:_\x. - a.. x.o. ainda que.«E. \- aia.»‘. as principais estrate’gias sociais na definicao de identidades coletivas?” Esta mesma indagacao orientou toda uma geracao de pensadores contemporfineos. \=-_.\.. nio estaria ligada apenas 210 desenvolvimento de fatores dc compreensao intelectual e a intencionalidade dos sujeitos individuais.__¢\-5: . O que ha de comum entre estas duas visées. .) It EEEEEJEE '._.que atua de forma qualitativamente diversa do individuo. _-: . 1983): passando POI Dahrendorf(l982) e Bell (1977). ‘ “ ' ' w: ' N.".a. o que implicarzi a substituicao da contradicéio entre burguesia e proletariado no eixo central da 28 in\Pa'.m EVEEEMEE. deslocam a analise das classes para outras fontes de formacao de identidade coletiva. desloca a natureza e manifestacao deste conflito para fora do eixo capital e trabalho em direcao as esferas de legitimacao.-v¢. p. Com o per- gunta Leopoldo Waizbort (1998.-. . esta acao coletiva seja resultante da dinfimica de “interesses” baseada no individuo corno sujeito da acao social.Ex“«98 E41E Jig. hoje.. Waizbort.

4 sobre o capitalismo lograr uma igualdade de fato e 'l MARSHALL . \A. como Dahrendorf (1982) OH BC” (1977). .«-vyg in: 33% 32'9““ g”. \-. :33: Emma. as nuancas 11510 5510 menos signi— ficativas._.».T.. “Cidadania e capitalismo: uma critica 31 concepcfio liberal de cidadania”. H.: .A. apzm’ SAES. . como Bell e Dahrendorf. 1'1 § A.i-‘ 7: _‘?A 3-. “.~A_ -. a impossibilidade de alteracéio revolucionz’iria da sociedade vem acompanhada de uma defesa das virtudes da ordem do capital.‘. (33“. substituindo a disputa das classes por recursos escassos pela administracao politica e institucional da alocac'ao de recursos disponr’veis. como a da comunicacéio on da moral.’. 8510 Paulo: Boitempo. ou modifica— —la substancialmente em outras. Rex.» f¢§\v. Décio. ainda que em uma perspectiva diversa. também. n.-_ _r\\\-. 2003. \. 2”?” s: w massages. 29 museums i Ms W i am saws am isms M a. A“. Outros. .. . marcada pela diversifica— ciio. A. tais como a dicotomia entre empregados e desempre— gados. _J:_. classe social 3 status. Cn’ticzz marxism. 1967. A. . Ar ( . e nao pela suposta homogeneizacao de classes._ AN».9-. Podemos encontrar um exemplo deste procedi— mento na delirante visao de Dahrendorf.\\-'e:y.. {A}. Para pensadores que tendern ao conservadorismo. . O que ha de comum entre estas aproximacées teéricas tz'io diversas é a constatacao de que a forma atual do capitalismo alte— rou radicalmente a composicao e o perfil de classes da sociedade contempori‘mea a ponto de inviabilizar. MAURO LUIS IASI atividade produtiva para outras esferas. 9—38. Rio de Janeiro: Zahar. Cidadxmz’a. ou ainda incluidos e excluidos.:. socializando os meios de producéio desenvolvidos pelo capitalismo. . geri-los na direcao de uma sociabilidade emancipada. \{i “I“? . mm ( .» _\\. Isto levaria a contradiciio social para outras formas de polarizacao.. p.3». a alternativa revolucionaria dos trabalhadores como classe na perspectiva de uma ordem social além do capital. numa visao. Aqui. argumentam que as afirmacées baseadas na centralidade das classes foram ultrapassadas por aquilo que denominam “sociedade pés—industrial”. 16.. Gorz (1987). -: 5 gym-£. colocara a questéio na forma de emergéncia de uma “nao classe de niio trabalhadores” e criticara impiedosamente as pretensoes de Marx e dos marxistas de estabelecer um vinculo entre 0 desenvolvimento das forcas pro- dutivas capitalistas e a formacéo de uma classe operaria capaz de. 5w.. que também se apresenta em Marshall.

. a. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE nao apenas juridica. seja por meio da critic a da centralidade do trabalho e das classes que se estruturam em torno da produeiio ruaterial do valor.3. ja nao se canalizam através de partidos e associ acées. V' f P..! «i’? i953” iéféii’iji»... o fato é que se coloca em duvida 0 Piaf-ml tradicional das classes como patamares possiveis de agiio polluca e de formacéo de identidades e consciéncia coletivas..335‘: o. 10 (l). sem deixar de exrstir... tialmlmm.:: riff._. portanto. 1987.. Siio Paulo.:‘-----'-'“1’-"t“:‘. 1994). nem tampouco podem ser apaziguados recorrendo a compensacées confo rme o sistema.» ej.. encontra urn ponto de equilibrio insta vel. as 3‘3? 35%. nao podem ser equacionados simplesmente na polarizacéo de classes. assim corno das formas organizativas que. USP.S No entanto._—. solidarizam—se em interesses agora comuns. Frankfu rt. “5% f.<_.. mg “fr-g .iaimhiiim 5.“ . {mm W49“ \_ E is“??? . “f“ f‘iKfiEE-E- ..::§.. mi 2.319.. 772mm}! d6! kommzmikatz’ven Hands/m. da integracfio social e da socializagfio. . max :12)? .} iii“.>~ F'RV. w m3. afirmam que este sistema foi capaz de desenvolver a faculdade de sobreviver ao seu mau funcionamento e dominar a “néio soluciio de seus pro- blemas” (Gorz. M. Com a classe ope- —-——__‘________________ s HQBERMAS. ).”.. Nps estudos de Norbert Elias (1993.. Jurgen. 25).. Como afirma Habe rmas: Tais conflitos jzi niio se produzem nos fimbitos da reproducao material.. se associam ao ser da classe (Sinclicatos. stair.. Estado e ideologia”. Leopoldo. 1‘2.» g». a constatacao de que a polaridade de classe tem sido subs- titulda por urn campo comum em que a contradic ao. seja mediante a glorificacéio das virtudes da so- ciedade capitalista liberal. partidos etc. em todo caso extraparlamentar. “Classe social._ :. 30 m9. Os novos conflitos surgem antes de ambitos da reproducao cultura l. Yi’mpo Socml— Rev. criando novos tipos de conflitos néio mais centrados na “produc’ao material” e que.: Suhrkamp. W i!“ ‘5'“ 9. t. (llfisellVOIV‘fln‘Se em formas de PtSto subinstitucionais. Ja pensadores corno Gorz ou Habermas. dai o deslocamento para esfer as da acao comu- nrcativa e da reproducao cultural. n. kiwi i iwa a..3. Sociol. . Diz Elias: Estas duas classes (burguesia e proletariado) se contro lam mutuamente em e(lufll'brio amiude precario e sempre instével de tensées. p. i.» 5. via de regra. 78-79. . p. de maneira que capital e trabalho.5 “3.576: dpud WAIZBORT. ao contrario de se antagonizarem. Eiafifira r393 izi 2M.} 2.A. que mantém a perspectiva critica em relacao ao capitalismo. pod emos ver.g“..

. como na China. casos de ruptura revolucionz’iria.. .. a consciéncia nacional e o ideal de sua prépria nacao como valor supremo desempenham urn papel de importan— cia crescente nas duas classes industriais. 0 equilibrio da chamada “Guerra Fria” levou a uma certa correlacao de forcas que permitiu.3 my.9.es. 31 99-99: 1.. surtos revolucionz’irios combinados com o processo de descolonizacao da Asia e da Africa. :35”? :9: ". v -..‘9199: \9 -.: 'ITE'_-:‘-E'°'<“ 999 9.993 . iifiiii iiwiiiiiii i‘iiwzfi? i iixiii‘iii iii-iii i ii”: iiieii“ ii iii-iii is.. a concepcz’io de 1139510 —-.9 99% 3. i i. por meio das experiéncias revolucionarias na Alemanha. A classe trabalhadora viveu momentos claros de ruptura. tal como estava presente nas analises do século XIX e parte do século XX. v. Vivemos um longo século XX marcado por um fenomeno desconcertante para o pensamento revolucioneirio: o amoldamento da classe trabalhadora em relacao a ordem do capital. mas crescentemente também no operariado.isiii ii. iiiiiiixz iiiiiiiii i is. em primciro lugar na burguesia industrial.9. a par da consciéncia e dos ideais de classe.) Parcialmente como sécios e até certo ponto como adversaries. os representantes da burguesia industrial e do operariado tradicional Formam agora a elite das nacées da primeira onda de industrializacéo.93.6 A ideia de um campo comum — no caso.s. 0 carater ciclico da economia capitalista produziu momentos de crise aberta e de vigorosa retomada de crescimento do modo de producao ca- pitalista. Rio de Janeiro: Zahar.9izmxv3:.9.9. on que este conflito nao é mais entre as chamadas classes fundamentais. . Norbert.9% (m9 232: 5: x99 59:.9 . O processo civilizador (Introducao a edicfio de 1968). 1993.2 3999 93 $9939 9. Em consequéncia. 9:: 99:9 . MAURO LUIS IASI raria tradicional ainda em posicz‘io mais fraca. o desenvolVImento 6 ELIAS. . e em certa medida como disfarce para eles. no qual as classes em luta encontram uma unidade a ponto de se tornarem a “elite” das sociedades industrializadas. (. m I.9. p. tais como no contexto da Primeira Grande Guerra (1914—1918)..99”: 9:.9s-iie . 9-5. na Italia e principalmente na Russia. é um traco constante naqueles que procurarn argumentar que o eixo central das sociedades contemporaneas é cada vez menos o conflito de classes.) .» .. mas ganhando lentamente forcas. 1. por um lado. .: . 228.: 99.: :c 979 23:99:99: 9: 9999._\9_. "flfi 4.9.

§: at m=-:. No entanto. nio conseguiram evitar as crises ciclicas do capital e seus efeitos sobre as classes trabalhadoras. mas sem superar seus horizontes liltimos.:\\\-:I':‘:.§w§‘s. enquanto a experiéncia social—democratica levou a0 maxi— mo 21 possibilidade da convivéncia democratica entre as classes por uln certo periodo. na forma social—democrata . \__.asgizféétzaiaélak 5 Wu »§:::. nao sao experiéncias idénticas."‘.Q|gxg. as esperiéncias de transicao socialista nfio apenas demonstraram praticamente a possibilidade de derrotar as forcas capitalistas como foram responsiveis por equilibrar o jogo de forcas por quase um seculo. 1989).” it ”‘Q's‘ {AW “. todas fracassaram.'. Intere ssante é que todas estas alternativas fracassaram exatament e naquilo em u tlverarn sucesso. Entretanto.~z\". como demonstrou claramente a emergen- 32 _. em que se arriscaram it além dela.‘"f”’“-§?‘3§"’If<é"‘f‘§ “T5? .*__«W_g\\\ «gm-“>33 “seems“ f“‘:".?_:¢_ 353-“ '“\'::i:'*:. o desenrolar da experiéncia social-democrata.1’ e“ ‘-"‘-'=="-v°: $‘Ts=§. por outro.:':-t2lfi 3’21. e uma terceira.'Eat: it} #63». >. uma Sanda. Uma primeira. niio logrou ir além do sociometabolismo do capital) e o sonho social—democrata de colocar a servico de um Estado democratico uma economia capitalista voltada a um tipo de desenvolvimento que melhorasse gradativamente a qualidade de Vida das camadas Operarias (Przeworski. As transicées socialistas e as alternativas social—democratas 350 OS dois lados da mesma moeda: a tentativa de superacéio seguida do amoldamento a ordem capitalista que se esperava negar. As METAMORFOSES DA CONSCIENCIA 1J1: (:LAssrs de experiencias de transicz’io socialista e._-_E_e_ »_. Os trabalhadores submetidos diretamente a0 jugo do capital ar— rancaram significativas conquistas no que tange a direit os formais.““§t is 6‘5 fsn:q. na qual os traba— lhadores esperavam sobreviver dentro da ordem do capit al. A subordinacf io diretamente capitalista e a indireta._?. Significativamente. a miss: WWMHRM . que buscava it além desta ordem utilizando-se de seus préprios mecanismos.:§’sl: 3 imétsa w its-asii-ii-sk Rims Naming: air-5% ENEEta}.§-:“\" W"??? :v‘". vivemos durante o século XX trés momentos simultfineos do vir a ser da classe trabalhadora: a existéncia subordinada ao capital. §“--:. notadamente na Europa Ocidental.v§:::. a ruptura com a ordem capitalista mediante a socializacao dos meios de producfio e a constituicéio de um Estado proletario (aquilo que Mészétos (2002) chamaria de uma tuptura “juridica” qut‘.

Diz Bobbio: Em uma sociedade fortemente dividida em classes contrzirias. 220-221. de uma alternativa revolucionaria. a di— nfiimica dos interesses seria pautada por outras demandas que nao propriamente a de classes. Em uma sociedade pluralista e democratica. a centralidade do trabalho. Assim. a capitalista -— pode ser organizada como uma polaridade de classes contrapostas ou uma pluralidade de interesses individuais harmonizaveis no corpo do Estado conforme a 0pcao pela forma politica mais ou menos racional. levando ao extremo a afirmacao weberiana segundo a qual a forma de classes da sociedade é uma possibilidade. aquém do capital. acordos ou conveniéncias na perspectiva de conquista ou manutencao do 7 BOBBIO. na qual as decisées coletivas sao tomadas pela maioria (ou pelos préprios cidadiios. é provzivel que o interesse da classe dominante seja assumido e sustentado até mesmo coercitivamente enquanto interesse coletivo. produzindo uma curiosa trajetéria que levou certas formacées sociais pré—capitalistas ao capitalismo pela Via de uma acumulacao comandada por um Estado socialista. principalmente. Norberto. As transicées socialistas falharam exatamente pelo fato de deixarem de ser transicées. de se cristalizaram em formas além do capitalismo e. ou por seus representantes). considera—se interesse coletivo aquilo que foi aprovado pela maioria. uma de classe e outra “pluralista e democratica”. E. e 1130 um Fator eStruturante das relacées sociais sob o capitalismo. Uma das manifestacées mais claras desse pintano é o ataque as nocoes de classe social. tais como preferéncias politicas. 2000.» EE‘E EEEEE EWEEMEEEEE EEEEEEEE EEz‘EEEEEEEEE‘E EEE‘EE EEE MEEE EEEE E‘EEEEE E:: EEME EEEEEEEEEELEEEH‘E . 33 E“ ‘EEEEEEE EEEEEEEEEEIEE E "EMEE. muitas vezes. MAURO LUIS IASI cia da crise a partir da década de 1980. p. £1 proposta de uma sociedade socialista e. isto é.7 Fica claro nesta passagem o argumento segundo o qual uma sociedade — por exemplo. Nao é de estranhar que a consciéncia de nosso tempo caia no atual atoleiro da acomodacz’io 2‘1 ordem do capital como um destino inescapz’wel. Teorz'a geraldapolz’tica. Bobbio (2000) contrapoe duas formas societérias. Rio de Janeiro: Campus.

_.3.33. p. ficamos cientes de que a sociedade de “classes” é uma das possi— bilidades politicas do capitalismo ao lado da sociedade “pluralista e democratica”.\ 3 u: \ 5 . 333.. 1984b. 1998. 2002. ou mesmo do liberalismo social.. . 333 333. mas apenas uma “politica” diante de outras formas pacificas de partilha do mundo (Lenin. 1:: 3 ”:53 day-‘5._ _v. mas que parte da constatacao da inviabilidade do sujeito histérico na forma da classe trabalhadora. identidades nacionais ou étnicas. Kautsky chegou a imaginar que o imperialismo niio era propriamente uma fase do capitalismo. p. 5 -\":.-.-.3. Podemos encontrar a formacao deste pensamento em um periodo muito remoto. 5...5.3333. comeca-se a buscar novos sujeitos: desde a estranha formulacéio de Gorz de uma “nao classe de néio trabalhadores”. For este raciocinio dc Bobbio.3 3331:3333 3..3:32..-...ge‘\\ 33-9} . 8.:\ . como a criminalidade. AS METAMOIIFOSES DA CONSCIENCIA DE (ILASSI‘I prestigio e do poder.333 3..\ _::-_ \_.. No campo de um pensamenro mais critico.“: .3 333333 3. jz‘i em 1958. q‘f:-{yg’gs'. a emergéncia de novos sujei— tos sociais. Neste caso.._ 3. p.3 333. p. sociedade que teria desenvolvido uma verdadeira c‘glorificacao red— 34 . corpora— tivismos e outras fontes de identificacao individual ou coletiva. 114—115). on um novo sujeito._\. 22—23 ).. w .. Gorender. x. Arendt (2000. 333333333 33333W 333333333333 3333..Adorno. . are a negacao do conceito de um sujeito historico. . 33333.. como parecem indicar Habermas ou Castells (2000). _r. 12) colocava. 1995. como em Foucault (1984a.-. esta constatacao leva a um processo acentuado de idealizacao da capacidade do Estado de institucionalizar os conflitos nos limites da ordem.\. como se esta néio fosse uma sociedade de classes.\-.\. . p. 1999.. No campo do pensamento mais conservador. 230).33'3 M .t avg-I”.-.33 33.. "‘:"" _w. como a “classe expandida” de Negri (apzzd Lessa.-\_.a. 1976. 1995).-..:y_. fazendo corn que a categoria central da analise volte a ser a anomia nos termos durkheimianos (Durkheim. os confliros contemporaneos se— riam conflitos que contrapoem a ordem (que incluiria 0 capital e o trabalho) 51 negagao da ordem.. caminhando para a afirmacao da multiplicidade de negacées pontuais e microssociais. passando pela tentativa de conceituacao de uma nova classe de trabalhadores assalariados intelectuais (Mallet. rem 73\\‘L2\‘._m__\ . 489). 3. Em certa oportunidade.333 313 3 32. 1963.. m.>3. .. . 1976. algumaS das questées fundamentais sobre os efeitos da automacao em uma.::_-..

1111 19> . e.7.$ 11$$.$$._»= . MAURO LUIS last rica do trabalho” para depois vé—lo desaparecer.913. no centro estratégico da producao do valor e no fimbito da luta politica e histérica mais geral da alternativa socialista.939.. 1993. $11: H2“ 11. A forca e o vigor desta ofensiva teérica se explicam néio apenas pelo embate dos argumentos e sua preciosidade conceitual. 2002.x». na derrota das transicoes socialistas e na regressiio de conquistas nos paises onde predominava uma alternativa social—democrata.. an}. 1997.31 11383013131 .x. 1987. \1 .$%1z 1131 1.-:_. assim como no universo da formulacao politica. .21. 11% 1:33 2‘\ E $2. acompanhado pelo recuo da social—democracia na Europa Ocidental (Mészziros. por outro lado.. g?“ 1. em sua esséncia.: 9}.1 :99 1“ 113-1. .1:111:81..._.7. Antunes. 9. 3% 9229. Por um lado.____ $39 9. 2002.9 9119-99. 1996. 1.1. Castro.58) Entretanto. 1991.3111: $11....“ $11$ 11.99»? 91-23 9:: 9.-E11>: ”1%. 1. até porque.. aparentemente. Este fenomeno resultou na defensiva dos trabalhadores... $1. o profundo processo de reestruturacao que 0 capital empreendeu entre 03 anos 1980 e 1990 que mudou a face da atividade produtiva e culminou na passagem da subordinac’ao formal para a subsuncao real do trabalho ao capital (Marx. 9:3 «9 ". dpud Chauvel.”"'8\\"”E'. tais argumentos estavam presentes ha bastante tempo no cenario da luta teérica. Dois fatores se combinam para produzir este efeito no reino das formulacées académicas e teéricas.-:I 999.. 9: {5:231 WV {. o desmonte da URSS e o consequente fim do chamado “socialismo real” no Leste europeu. o tema do fim das classes aparece com toda a nitidez nos ensaios de Robert Nisbet (1959.__. o tema ganhou impulso nos anos 1980 e assumiu a forma de uma quase-unanimidade na década de 1990. 1998.11..18113} 1: 3..1. na reorganizacz’io profunda das relacoes de tra— balho no mundo capitalista.1.p.?. assim corno. Anglieta. criar uma feicfio de comprovacao empirica incontestzivel as teses que questio— navam a centralidade do trabalho e das classes produzindo a maior ofensiva teérica que o pensamento marxista ja sofreu em toda a sua histéria. Estes fatos histéricos acabaram por. 1993).. & 9. 5999-9 . 1867..1311>. 1982. 1998).4999.1.. 99:99 $1): ‘5: . Chesnais.393 m». ainda na década de 1950.9 :1 \ 93¢ '. Bihr. 9w: 51 4f. Hirata...561 1. L». 1-1..“ :93..11:1. >.)9: . :m. 1999.:1. mas pela correspon— déncia entre a ofensiva teérica e as derrotas no campo da relacéo econémica direta nos locais de trabalho.. 35 9??? (my.%a$..

36 ______.. representam a prosperidade na Vida e certamente levam consigo as sementes de todo o avango humano?10 Observem que 0 critério cientifico para julgar o pensamen to de Marx é o reconhecimento por parte do préprio Keyne s sobre OFFE....) todas as hipéteses e convicgées.2.. ’0 KEYNES. mas também sem interesse ou aplicagz’io para o mundo mode rno? Como adotar um credo que.” 3---.. preferindo a lama a0 peixe. apesar de suas falha s.23.8 Este tipo de argumento supostamente cienti'fico néio é propri a- mente uma novidade. Capitaiisrrzo desorgrmizrzdo. Me’szaros (1996) jzi afirmava que “a ideologia dominante tem uma capacidade muito maior de estipular aquilo que pode ser considerado como critério legitimo de avalia gao d0 conflito. 2.2"“:22.»2 -. urn manual econémico obsoleto que reconhego n50 so corno cientificamente erréneo. .. . -. Opader dd ideologizz. p. As METAMORFOSES DA CONSCIENCIA n13 (:LASSE Desta forma.2.. x2.2M».. o autor hfing aro nos traz este brilhante argumento de um dos mais respeitad os economistas. . 2.. .2 .2-222gs2 n.=. .3.. via de regra.23.. 1984. John Maynard Keynes: Como posso aceitar uma doutrina que estab elece como sua biblia. Sfio Paulo: Ensaio.\2 93?? i~. John Maynard. p. E22 2» 3 232. pode desqualificar todo argumento contrario como “nao cienti’fico” ou ideolégico.3353.__ 222.22%.... 15. 2.. ail: «.22222-22.19% 222 3. encontradas principalmente entre os teéricos franceses como Foucault..32. Istvzin. “Trabalho: categoria sociolégica chave?”... penetr aram tio profundamente em nosso pensamento que a ‘ortodoxia’ marxista nao rem mais muita respeittzéilidztde cienttflco-socitzl. 2&3 2. acima e além de qualquer critica. 195. . 29-3 “Yea“x-E-vésfs=§fi?3-‘-= 3 .) 9 MESZAROS.». o debate. 22. . 2. ._ £2: E. . exalta o proletariad o rude acima da burguesia e da intelligentsia que.YE).. . Claus. ‘. 333... 1996.2.2% f3.. \-2 2.22 . iii: ... Como exemplo deste procedimento. Touraine e Gorz.» 322.2. w». Isto fica patente nesta afirmagfio de Offe: (. (grifos nossos... Istvzin.- 2223 2 . . a partir dai. .2.22. . A short view ofRussia [1925]. We. acaba antes mesmo de comegar pela desqualificagao de qualquer argumento relacionado as afirmagées marxistas classicas. na medida em que controla efetivamente as instituigées culturais e politicas da sociedade”9 e.2 _t ENELEE§£232322§22222E£§ é WEE. p. . 2“ . .....3. 16. 2E§EE2E223 2.: H} 222 2 . Mid.EE.- ..2.3..2%.‘25 3“?" a». apud MESZAROS. . Silo Paulo: Brasiliense.

parece indicar a correspondencia entre as afirmacées teéricas e o papel politico e social que as principais ideias marxistas desempenharam durante todo o século XX e sua aceitacao academica em uma época na qual ser “marxista” era uma espécie de amuleto que indicava que mesmo os “filhos honrados” da intelligentsia burguesa possuiam uma “alma” com preocupacées sociais. mas.2 22* E2222 2223323232. nos golpes militares da América Latina. 2 2 22. a experiéncia socialista do século XX rem se constituido em um poderoso arsenal contra as teses centrais do pensamento marxista. . E22.. mas que de fato nao transitavam para uma sociedade sem classes. posteriormente. Sua percepcz’io é o critério da verdade.?! 22 22 2 2 E2222 2222 22:22:32 32. a mesma percepcao que escolhe o peixe da burguesia e descarta a rude lama proletaria. em que foram proferidos estes juizos. honrados e inteligentes da Europa Ocidental”. Evidente que estas experiencias niio se redu— zem apenas nisto.: 2223232 222.232. como dizia o economista.2-3 22 22 23222 222233222 ELE. Entre as pequenas falhas nesse caminho inelutz’ivel de prosperidade. A mesma incri— Vel percepcao “cientifica” que encontra na burguesia a “semente de todo avanco humano”. 22222222 222 E22222§2233E2¢EE23 i: 2222222. até mesmo por aquilo que nao completaram. Tanto hoje. foram e 5510 manifestacées histéricas que comprovam a possibilidade de uma alternativa além do capital. MAURO LUIS “231 o carater c‘cientificamente erréneo” e a falta de aplicabilidade pratica da obra de Marx para os tempos presentes. tudo isto feito por “filhos instruidos. paradoxalmente. como antes. evidentemente. a Primeira Guerra Mundial.22E2 322. tudo em nome dos mais altos “valores” e do “avanco humano”. que nao apenas desprezavam o “refugo confuso das livrarias vermelhas” como fizeram questiio de quei- mar estes “livros vermelhos” e proibir seu estudo na moderna inquisiciio do nazismo alemao ou. mediante a prova empirica do desmonte do bloco socialista. apesar de pequenas “falhas”. nas pa— lavras de Offe.223 :2 2. objetivamente neutros. 2. ocorreram no tempo histérico. 222 22.2. O termo que associa “respeitabilidade cientifico—social”. por meio de Estados nacionais que deveriam ser uma transicao. a Crise de 1929 e a Segunda Guerra Mundial.22 2-222 22.

os estudos sociologicos recentes. Maria Célia. n. 2002. pouco a pouco deixaram o terreno das teorias explicativas do Brasil —. naquilo que nos interessa diretarnente. seja na dicotornia arcaico/moderno de insa piracao weberiana. de consciéncia para “identidade”. Nadia Araujo. Rio de Janeiro. incluindo suaa consequencias para uma particular estrutura de classes (seja na perspectiva marxista de caracterizacao capitalista da formacao social brasileira. PAOLI. SADER. nas décadas de 1980 e 1990. das atitudes operarias e manifestacoes coletivas para aspectos da subjetividade.como formagao social integrada a or—~ dem capitalista e a natureza desta integracao. normalmente ligados a Marx. Revista Brasileira de Histo’ria. 140-167. contra a suposicao de que esta tota- lidade se orienta por certa intencionalidade e sentido12 que niio aquela centrada na aciio dos individuos no ambito singular dos acontecirnentos. segundo esta aproximacao. 39-59. 1994. TELLES. p. Esta inadequacao residiria. na dificuldade dos conceitos tradi~ cionais.11 Gradativamente. 37. ‘2 Ver a respeito: “Foucault. EM? faiiaiil‘: M“: is? amgugws s in %€%\3\§3mé‘&lszv . mais precisamente de nao Ver :1 respeito desta mudanca de enfoque: CASTRO. Eder. Mauro. 0 general da tatica”. Bofetz'm Informativo e Bib’liogrzz’fico. 38 weamarrwma ifiéirém saifiliwé iwafliig. 1° sem. seja nas sinteses que levaram £1 dicotornia desenvolvimento/subdesenvolvimento) — em direcz’io a temas que buscavam a analise do microcosmo da producao e dos processos de trabalho. Poderiamos até dizer que se produz urn Vigoroso questionamento da perspectiva de “totalidade” e. in: IASI. p. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA [)E CLASSE No entanto. LEITE. pelo fato de 03 sociélogos terem desenvolvido a impressz’io de que os conceitos disponiveis nao 5510 05 mais adequados 2‘1 percepcao daquilo que chamariamos de consciéncia de classe. USP. “A sociologia do trabalho industrial no Brasil: desafios e interpretacées”. Vera da Silva. 1983. 0 dilemrz dc Hamlet: 0 ser 6 o mic ser dd comcz'é‘mz'a. Este movimento ocorre. Sio Paulo: Viramundo. de compreender a relaciio entre os aspectos objetivos e subjetivos. a terminologia muda de classes para “atores”. Marcia de Paula. entre outras coisas. “Pensando a classe operaria: os trabalha~ dores sujcitos ao imaginério académico”. Silo Paulo.

v.EEE... 335'"? ‘1. M. das determinacoes mais gerais e das acoes indivi— duais de modo menos mecfinico. absolu— ‘5 GUIMARAES. A.E: WEEK '3.‘$"5 5%???” :23. No entanto.]. ». 1998._' *I?mgi_-\I. M. partir dos hornens e mulheres reais. isto é.. em alguns casos. Imagem e iderztz’dade do trawl/J0. CRSTOM.2. 1995).EEE EEE-E EEE ..\\::§: $1.22. [s.. MAURO LUIS IASI dar a atencéio necessaria aos aspectos subjetivos. on.§ “‘3’ ‘9: . nao haveria maiores discordancias entre esta nova perspectiva e um processo de revigoramento do marxismo. EEEZE E *EEEEE -.3n EEEE. a maioria dos autores compreendeu neste movimen— to uma ruptura metodolégica ern relacao ao marxismo. --‘. Silo Paulo.w‘:. nas palavras de Marx e Engels. p. Lisboa: Martins Fontes. \.” Caso nos detivéssemos apenas neste aspecto. E.'. S. mas “partir da terra para atingir o céu”. _-. gm: 3. Esta busca Conceitual e teérica animou uma infinidade de estudos que pretendiam tratar as dimensées da objetividade e da subjetividade. tal como trabalham e produzem materialmente”. predominou a conviccfio de que o referencial de aniilise marxiano é insuficiente. 23). «v. Elster. 24—26. no limite. :\V. is»: =% ‘3 QR gs. :Y‘zgfiffivguém 2?: of? .E.20.1’resenca. AGIER. Sio Paulo: Hucitec. 1995. 5"?” $5:.E::. c‘daquilo que 3510 ml realidczde.E1. assim como das dificuldades em encarar o grande desafio de ccirwestigar e teori— zar os microfundamentos dos macroprocessos de transformacao social” (Guimaraes.E:.\ €19? § 3%)" _ .E EE ME .» f». p. Nadia.l5.. 429. Karl. :i._\\~.d.\}_:e_ WV. uma insuficiéncia destc referencial no sentido de captar as dimensées subjetivas (Przeworski..» EEEE E iE EEE ESE E -‘ EEK EEE EEEE E .. 1989. mais ainda. . A. 1. Neste caminho. Agier. o papel da cultura e dos aspectos étnicos. S. p. Guirnaraes. 39 E: EEEEEEEA EEE EE-E. Buscar o terreno concreto da mediacao nos adverre que o nosso principal objetivo r1510 é opor uma fraseologia a outra.. Castro.. p. p» 11- ” MARX. A ideologizz alemci. 118—119 . E’EEEEEXE EE-EEE EEE .. 31m“: _v\\_ : Isé'iwx gyfi 5. negando a simples determinacao material ou economica que caracterizava um tipo de marxismo.. CASTRO. 1989.’> yaw. de carne e 0330. '“Ezfii: .13 A principal Virtude deste caminho foi recuperar para a analise sociolégica o terreno proprio da mediacao em que se produz e reproduz o fenomeno da consciéncia em sua imediaticidade coti— diana. Friedrich. assim como a dimenséo psicologica do fenémeno da consciéncia. Nadia. pautando temas antes relegados como as questées de género.“ 5 gs. ENGELS.

ainda. em uma afirmacfio de Gorender.15 Nao por acaso surgem sucessivas tentativas de sintese entre o marxismo e alguma outra versao teérica que articulasse os aspectos da subjetividade e da objetividade. o marxismo classico desembocaria em uma “orientacz’io sobretudo estruturalizante e totalizante”. VV . 40 . pressao marxrsmo weberrano.V. V. além do fato de que “o marxismo nao desenvolveu uma teoria da subjetividade”. pois. .VV. . de assuncoes axiolégicas e epistemolégicas absolutamente diversas a respcito da relacao entre sujeito e objeto. tais como a tentativa de Sartre (1979). p. . V. VV. entre os chamados marxistas weberianos. do marxismo analr’tico (Roemer. C) ambos autores partem. 1986). foi utilizada pela prunerra V6? por Merleau-Ponty em 1955. Alvin Goudner ou Wright Mills. Sio Paulo: Hucitec. que combinaria “a critica marxista da ideologia” e o uso das categorias como reificacao e fetichismo com uma ampla preocupaciio corn 0 mundo moderno como “mundo integralmen te IS 16 igiMAR-AES.3.3 VKVVVWV EJZEW‘EEEEEEEEEEEE l EVE EV Ex . segundo o estudo destes autores profun- damente influenciados pelo chamado “marxismo anall'tico”. da obra fundamental de Hirano sobre a compa— rac‘ao entre os conceitos de classes e estamcntos em Weber e Marx chegar a conclusfro erldente sobre a irredutibilidade do método marxista em relacao ao weberiano e VlCC-Vcrsa enquanto “metodologias radicalmente diversas” (Hirano. 1998. de maneira absolutamente sintética: a) 05 conceitos sfio historicos para Marx e poli-histéricos 0“ trans'hiStéfiCOS para Weber.w. 1975. . foi lnCIUIdo. em seu livro A: aventums dd diale’tz'ca. 128). em Adorno e Horkh ei— mer (1997). no entanto. . Nos Estados Unidos. V. Habermas (1990) ja haVia tratado do campo comum de catego- rlas marxistas e weberianas. _3V. naquilo que se chamou de marxismo weberiano. refermdo-se a influéncia dc Weber sobrc alguns autores marxisr as. {‘VEVV. 15). p. b) a perspectiva de uma totalidade integrada dialeticamente em Marx (0 que nos remete a Hegel) e uma perspectiva neokantiana dc aproximacao ou distanciamento de realidades particulates em relacao la conceitos tfpicos ideais em Weber. segundo Michel Lowy (1995).. empdetnmemo do fato. p.E::.. . 16. portanto. V3. no Brasil. por exemplo. . 0 professor Scdi Hirano. e em Marx “a chave estrutural para a interpretacao das formacées sociais é a producz'io social historicamente determinada”. notadamente Lukzics e depors em 318L105 aurores da Escola de Frankfurt. é a chave compreensiva das relacées sociais (Hirano. tendo os individuos como seus sujeitos. enquanto para Weber :1 acfio social. como Adorno e Horkheimer.VV. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE (ILASSIE tamente inadequado para articular os fatores da objetividade e da subjetividade. esta sfntese pode ser vista em sociologos como Pamel Bell. A: S. Um son/a0 de clam. . _V. 1975. WWW“: EXEETE‘E‘: :EEEEEEEVE E33: E2: *:ME :35 ’EW . V__ . ou. V. Isto porque.16 .3V V.. V. Marcuse e outros. Vi: 1‘7 EEEEV‘VW w?‘ .

corn certo cxagcro._. Esta polarizac‘ao mecanica encontra sua raiz na incompreensao da forma como em Marx se equaciona a relacao cntrc individuo c socicdadc.». Exagerando a afirmacfio marxiana segundo a qual os scres humanos na producao social da Vida estabeleccm rclacées sociais necessarias e independentes dc sua vontadc (Marx [1859]._-_§\\. acima de tudo.I-:_§. 24). was was an r a. No cntanto. '3 IASI. 1977. O discursofiloséfico dd modemz’dade. como.2 a ¢. msww a w.l. . Mauro.m.«w. 1993. cxista uma clara preocupacao dialética em nao tornar a socicdadc uma abstraciio buscando a mediacz'io concrcta dos scrcs humanos concrctos.. p.\. cm quc a consciéncia é mero rcflcxo dc condicionantcs objcti— vas e 03 individuos sz’io moldados simplesmente por uma objetividade cxterna. 91")?" Eta-2. evitar que ‘a sociedade’ se considere novamente como uma abstracao em confronto com o individuo.3}: _§:. como jzi dcmonstrou Hirano (1975).o|é\\m. “a“ .a_. W_ . Muitas das reflexécs no campo do marxismo padeceram deste mal. 1998).E.5 m.__= _. certos marxistas tendem a ver a histéria corno um produto mcramcntc obj etivo que fogc a comprecnsao e a teleologia humana._. pois pairaria sobre 616 “a maldicao da rcificacéo dcmoniaca”. é quc acaba por nao comprecnder a dialética cntrc as determinacoes objctivas e subjetivas que compoem a t0talidade do fenémeno da consciéncia. :V. :wmm _.{. 5 NW_ : a“: ._\ _»_ . p. Poderiamos. na medida cm que separam estas dimensécs corno realidadcs contrapostas. p.._ . sc é verdade que em Marx.. MAURO LUIS IASI racionalizado” e 36 aparcntcmcntc descncantado.’. “lmporta.= on s :w 9. cit. V H ‘ _ M § _ . tal como foi sustentado por Marx..€ W. 112.‘.17 Afirmamos em um trabalho anterior18 que o problema desta busca dc sintcsc improvz’ivcl. O individuo é o ser social” (Marx. Lisboa: Don Quixote. assegurar quc os pcnsadorcs que buscam a rcsposta sobre como articular as dimensées da objctividade e da subjctivi- dadc criam o préprio problema para o qual esperam ter uma solu- cao. como descrcve Lowy (1998) a0 56 rcferir a positivisacao do ‘7 HABERMAS. ( V 4. critica Elias (1994. c também cm Engels. Jurgen.9W§1x}fit\}:§: ‘43 Ni:. ‘M .. in: aw. 195-196)- 41 a smwwrw a Na as m.. 1990. O dilema dc Hamlet. dc certa mancira.” é igualrnentc verdade que inflmcros marxistas transformaram csta dialética numa formula empobrecida de positi- vismo.

. Para Weber. A questao ainda é a da determinacao.. esta ria ainda na dificil tarefa de compreender os “microfundamentos dos macroproces— SOS” e.x.52. segundo pensamos.§%L Elm-3.__. pode conduzir a supe racao de Marx pela “16550 (e n'alo simplesmente pela busca de uma sintese) a Webe r e a envergadura da vara no sentido do indi viduo como sujeito da acao social... assim como a mecfinica relacz’io entre a formacao da classe e 03 momentos do processo de entificacao da consciéncia numa linear evolucfio comteana do simples a0 complexo...x.. ._<3113333§13§f33§33§3fix1 11..\'f_:.. xx.. os conceitos e categori as da dialética materialista marxiana sao nao apenas Liteis.x. 1%. 2002).L . x xwx . 42 rx-ELL1. . _xx333 .. 1979) jzi afirmava que o fato de Weber centrar sua analise na acao social dos individuos r1510 impede que o sociélogo alemao trate de manifestacées coletivas como class es. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE (ILASSE marxismo. i.\.xx».-.x = :...333. _. .»g 3. m.. xx. por compreender a sociedade como uma totalidade dinz’imica.. A resposta... “sem excecao..3. .«'s~.\ .x.2. .' L’g‘xfiag . . Wright Mills (in: Weber. . nz'io aborda a 21930 dos seres humanos individualmente ou enquanto classes.._i)‘l\. 9x3: . a simples combinacao dos aspectos macro e micros— sociais niio ajuda na precisiio conceitual que procuramos. x . 1313..H g.9.3_%x.xx.. 5x3. Entretanto.'x_L' Byx\'o-'\~§2.3 .... E nesta tradicao que encontramos o fetiche do partido como portador.{>_\é3. Da mesma forma seria equiv ocado supor que Marx. é igualmente Verd ade que o cami- nho do “individualismo metodolégico” prop osto pelos marxistas analiticos. . Este marxismo empobrecido e rudim entarmente positivista serviu de espantalho para o desenvolvimen to da critica contemporanea contra Marx e tem sido um recurso facil que evita o difi’cil caminho de encontrar tais deformac ées no préprio Marx.§.s. mas fundamentals.. do econo— mico a0 politico. do imediato a0 geral.§.1%. :x-_. por exemplo.. x. . 32L . .<“33. da possibilidade de formacz‘io de uma consciéncia de classe revolucionaria.'2?-L."z>\'€. para isto. .e NW. .\' xx: . 5“?“i -:'xz'x. ér’ii‘afia xmLxLx-m ...§. «.. . .. Como procuramos demonstrar em nosso estudo sobre 0 con— ceito de consciencia de Classe na sociologia cléssica (lasi. a inteligibilidade das acées sociais se reduz..c Lx 31.=3.... estado ou outras instituicées sociais.... no lugar da classe em movimento..¢.. >‘ ..l..“.. W”LL-- . 3'3 g. SE: 0 esforco de defesa dos pressuposros materialistas de Marx pode levar a énfase exagerada nos aspectos objetivos e nas determinacoes macrossociais e econémicas..

Aqui. também. Esta uma forma particular.20 ou. ainda que s que a encontr am dada como da espécie. s ii _s W}:sss am ssmifis . a . por sua vez.?‘"w. p.:=_§2_i-i. como na troca ampliada de mercadorias. que esta bem perto da constatacfio inquietant Elias o universo ns'io teve inicio. pois. a nosso ver.-‘. nao se trata de uma simples combinacao de aspectos e dimensées macro e micros— sociais. designa ndo tudo que seria objetivo aparece em e. Em vez de ficarmos buscando o inicio desta determinacao. Ju. como em Marx.. enquanto para Marx a acao dos seres humanos cristaliza—se em produtos sociais que se autonomizam relativamente a estes. de forma que o produto da acao coletiva assume uma racionalidade diversa da acao individual. nao podendo portanto ser reduzida a inteligibilidade individual. esta totalidade estruturante nao constitui forca merafisica ou se im— p6e aos seres humanos como produto da natureza. Reparem que.. xm: \Vn §. a 39510 dos seres humanos concre tamcnt e definid os e o mundo fisico. portanto. o microfimdzzmenm aquilo que no macro se processa. t “2' a smi‘ssis‘sgii a? s-s .s.32)- 43 a . Por outro lado. mas é obra da prépria humanidade que se apresenta estranhada. no macro on no micro. . As palavras 11510 3510 neutras e. na qual somos apenas fisica da totalidade material. - .. a sociedade (Marx [1857-1858]. portanto. saiiis ‘="‘§". seriamos obriga- dos a modera r nossas pretens oes.'-»2: sa is . issssisis ‘. nao se resolvera tao simplesmente. devemos aprender. na aproximaciio apresentada por Castro. uma vez que a Vida 11a Terra. com e de que moderna. sf: iris.~ “st-'2 ssssws» sisis is? sssssisii i iiws sis igkgléxwg‘gé‘rigwx 3&5 :smE-sl‘psm 5-2» 7?":. A questiio.w. na sociedade a fisica ou no individuo.-:s-.V'. 6 bem posterior :‘1 organizacfio s de uma toralida de social e histérica que se aprcsenra questao so tem sentido a0 falarmo seja produto da acao como objetividade esrranhada aos seres humanos. Aquilo que no corte da imediaticidade concreta opera como forca cons— tituinte é. o: s \. O que de— termina foi antes determinado. a palavra “natureza” patamar “natural” de sua prética sua objetivid ade contrapo sta ao humano . precisariamos afirmar que. por analogia. . MAURO LUIS Iasr aos atos dos individuos participantes”. Guimaraes e Agier (1995). como na formulacao de se a relacao de determinacao é entre 2° Em nome da coeréncia. 1997. ou das determinacées objetivas e subjetivas.\‘|3N}. mostrad-se como objerividade para as geracée histérica . determinado por uma série de variantes objetivas e gerais que servem de base 6 condicionam a acao dos seres humanos em cada periodo histérico.-.

A. w: wmnweam fissfii-{ég ikrfifgfiahfi tgé}: im‘ami. p._..21. A correta preocupacfio com a relacao dialética entre aspectos subjetivos e objetivos aqui se aproxima do universo conceitual weberiano. 44 .\_. 1996. Um 5071/10 dc clam. S. ”39% w. fruto dc antig as acées intersubjetivas que acabam por limitar o “alca nce das escolhas efetivas abertas aos homens” (Mi lls._ q. Touraine.I\\»$. “31%. . . M w“ .mw» .2. .«. foi acompanhada. Guimaraes partilha com os marxis tas analiticos a impressfio de que o marxismo nao desenvolveu uma teorizacao capaz de dar conta da subjetividade. . . mas néio planejada/ movida por propésitos._s- «“263i fif.5 a-}\1‘.2‘. AS METAMORFOSBS DA CONSCIENCIA DE CLASSE sobre a sociedade: “dc planos emergindo.___ . \. assim como orientou o foco na direcao de ternas cada vez mais particularizados (Ca stro e Leite. \. 1998.-. \-:_\. de uma alteraciio significativa na forma como o ima— ginario académico pensou a Classe ope raria em particular e 08 trabalhadores em getal. -._. Anderson. 1994. como vimos._ '33. Esta polémica.22 Nesta aproximaciio. Paoli.“-»-§ii-=-t?w“e a ig-é4. 1979). Rio de Janeiro: Zahar. 22. A sociedczde do: z'ndiw ’duos. 2'72 Weber. a t yawn .» E?“ ’» N a«2 . Norbert. 5. Ami “-2 \ a Q . p- 59- 7-3 GUIMARAES. . . Sader e Telles. onde a objeti vi- dade é modificada pela intersubjetividade dos atores e onde as mtiltiplas determinacées limitam as fronteiras além das quais os resultados ja ni-io siio deterrninziveis. a sintese de Guimariies é representativa desta polémica e da busca de solucées menos esquematicas: Em outras palavras [sublinhar o processo de formacz‘io de classes como fundamental para a anélise sociolégica] significa transformar a analise de classes no espaco teérico onde fatores objetivos e subjetivos. t. e e’m a» 0. 1983).. 1994. . que marcou toda a elab oraciio teérica das filtimas décadas e que emetgiu nos ano s de 1980 e 1990 com Vigor na chamada critica pés-moderna (Ea gleton. 1994).\ § =-"§".-. cit. {fig-algé w-. 21 ELIAS. itvii-U} : . determ inacées e opcées se combinam para construir uma explicacfio.? s§ axfi m . .. 2001.\\§~Y '-_ . .} $.3“ ..§w—_' (gag mw $3 élégilgifgafi a.‘Sm-z. as estruturas sociais séio vistas como unida— de enquanto configuracées de instituicées. mas sem finalidade”.21 Neste aspecto.

segundo esta visao. centrados na descricao sobre como pcnsam os difcrcntcs sctorcs sociais. por cxernplo.9W sixj-nfgxqatlxxfti :9»._. naquilo que se complcta fora dcstc universo. nao se sabe exatamentc quais. entre os operzirios dc Séio Bernardo.\If.. quasc em uma pcrspectiva antropologica.o-«x 341$ <2".'. estes individuos desenvolveriam.3% *E§.»fits§é§vf:. A consciéncia rcvolucionziria seria. o tcma da consciéncia dc classe se transmuta em cstudos sobre “Visées dc mundo” difercnciadas.‘"" mg»: mg”: .‘?"-.6"’§: i‘? ‘3“ .j w: r: I)??? 4. e dai para os temas da identidade e da cultura operéiria. aparcntemcntc scm ncnhuma implicacao mais abrangcnte para a conformacfio dc projetos socie— térios cm luta. acredita—se quc os animais com cinco dedos sao irmz’ios dos seres humanos e.‘fig’N £39: ir-“s 335‘: 9:3 “Tb-‘3 “'.’.?“ '%‘_=. projetivarnente.-:-' $351. na familia. entre um pcqueno grupo de pessoas sem rcspcita— bilidadc cientifica. Nesta trajetéria. MAURO Lurs IASI Em linhas gerais.fj:I-:_§. quadro clinico quc é superado assim que estes scnhores acham um emprcgo em algurn governo local. em especial no fimbito da sociologia do trabalho e das rclacécs industriais. Enquanto classe... 2‘ Q-W. portanto. na cducacao (o que seria identificado com os chamados “microfundamcntos”).\'S::\:I§I._-:§\:_:. Via dc regra associados aos sctores médios e pequeno-burgueses descontentes. cntre alguns povos indigenas. ocorre frequentemente a crenca na possibilidadc do socialismo corno alternativa revolucionéria da classe trabalhadora contra a ordcm do capital. os trabalhadores apresentariam uma consciéncia muito distinta daqucla espcrada pclos militantcs 45 :'. uma manifestacao particular de um determinado grupo da sociedade: os “revolucionarios”. ocorre um processo no qual os temas so— ciologicos.‘. transitam do esforco dc compreensfio do Brasil 6 da sociedade industrial capitalista cm desenvolvimento (que podcria ser identificado no termo “macroproccssos”) para a anzilisc centrada em estudos dc caso c dos processos dc trabalho no fimbito das fébricas.'-§\'-'i‘-‘-"s°?='g-‘-‘. na realidade urbana. No interior dc Goias.z *‘z-. prevalecc a vontadc dc subir na Vida movcndo—se ascendcntemente na escala social. existe uma comunidadc quc acrcdita cm lobisomem. nao podem ser cacados.--“\'%- tiamwzww i: M» ti“ : pm? mama a“ amass m2 gm MW WW tiw imfiég‘fln’st . 0 desejo de quc a classe trabalhadora se cmancipe para realizar rem (da pequena burguesia) objctivos.

Opera—so aqui uma interessante inversao: a proposta socialista é um aspecto da consciéncia da pequena bur- guesia. Rodr igues.: n. cm \\'. foi inventada por Marx e partilhada enquanto delirio utépico por algumas geragées dc almas atormentadas em busca de um conforto quimérico..N m: .\rN. como possibilidade de apresentar um projeto alternativo dc sociedade para além do capital. _N_ _»_:. nt’lrneros. . 333N333.w_ aw”.N . como a europeia e a estadunidense.\_.N. 1967. ._ V. niio exiSte mais.N:. . “Hm: N . de forma tipica.§N§3*:u:33*é§=. nz'io existiria. enquanto o reformismo é a auténtica consciéncia proletaria.3»: iafiwm3 m2 .33 NM 3. ou seja. '1: 3"“? flfi-zz 5a?" . . consciéncia de classe “tipica” seria aquela que se apresenta na passagem para um capitalismo moderno ocorrido cm socie— dades vindas de um processo manufatureiro 6 indu strial em que se verificava uma subordinagao formal do traba lho a0 capital."‘ . N.\\ -N : \-. Quando havia. seria verificavel em uma situagao particular muito bem definida.}'-. nao raramente. NN. por— centagens. 3nl figwm 3. N .\\-.-:z... A “visao de mundo” operaria estaria centrada no trabalho 6 na perspectiva de Vida.5_rr§:¥m_q\-N__. . r. :5} {Ni-“’3 “2.y?_.t:.2 33. 3:INNNiN . NAN 3-33 3:3: N .: .- i535. Assim.'N:a-.‘E-‘. NEiN NNN -"'='---'. processo no interior do qual os ope-ratios sentiriam uma perda de 5mm: antes fundado no saber operério de molde quase artesanal (Touraine. 33331'33fl3‘333233333% N' ”Nana-N: 'N'. {N 1”..N \NN gel].}. como possibilidade dc expressao de um ser genérico. os pequeno-burgueses desconten tes podi am encontrar nesse momento especifico uma classe traba lhadora como matéria—prima para suas intengées revolucio nz’irias. . .NN‘ S-=\%. e também seria. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA1)E CLASSE politicos e intelectuais de esquerda.-. 4. 1966). eventual- rnente mobilizando—se coletivamente para atingir tais beneficios imediatos. N.w\-.-.i:. Segundo esta apro ximagi. .a. conservadora na politica e nas escolhas eleitorais. Todas as afirmagées seriam cercadas do pesquisas e procedi— mentos cientificos que traduziriam as afirrnagées em tabelas.WW“. que seriam melhor explicadas pela psicanalise do que pela sociologia ou ciéncia politica. -“ . : 3%. NN. 3*3a13-333 3. estudos de caso e relatos com tons color idos de cotidianidade e experiéncia vivida (Lopes. na passagem para a forma de produgao baseada na linha de montagem 6 na gestao fordista-taylorista.NN-N.¢. Segundo Gorz: 46 . “n: ::\ -. Hm -:.. 1970).323 ’5%_ 39" . 33333333233.Ng. parafraseando Marx: existiu consciéncia de class e. 331'\m353:. N. ou seja.. A consciéncia de classe (operaria).. A classe operéiria. _N_ N-__N. N N . -.353: 33.

w 3mg: 9 g3.3:__\§.-¥>. 1987.3q3iégél33333133 .3.. como negaciio. M.. p. de que: 25 GORZ. x :_':. . -. como portadores da missfio histérica de revolucionamento da sociedade” (Gorender.\2 a.. . \ . Rio de Janeiro: Forense Universitziria.$=-' ‘-"~'§ 95-.323: 333 «3:33. _ \f.. Reapresentawse aqui de maneira invertida.. 27. pelo simples fato.». ern sua injustica particular.3 t. 47 . _ s .=.3.. Marx teria ficado no meio do carninho em sua pretens'ao de superar o carziter utépico dos primeiros socialistas. cristianizando-o corno salvador que personifica.33.. «3». como sinénimo de consciéncia revolucionz’iria.3:933 3333:2333 3: 3‘33’3323m3'133 3.\V-_¢_. 3 w . . a injustica pura.. Marx e Engels tiveram de se defrontar com o fato de que os proleta‘irios concretos. de que 56 o operzirio faz a histéria” e de que “a consciéncia verdadeira seria. 33. -.. concretamenre existentes. caso consideremos que 05 mo— menros histéricos que serviram de base para os estudos de Marx incluem as revolucées de 1848 e nada menos que a Comuna de Paris. uma afirmacao extremamente equivocada que permeia largamente uma certa tradic’ao do pensamento de esquerda. = =. 333393.._\>\. x. $._.-’*.” Esta surpreendente denfincia. . e um dos motivos seria a forma corno aborda o terna do proletariado._.333 3333..\V. nao se comportavam.333333. ).. v. Adam (10 proletrzrz’rzdo (para aie’m do socialismo). Segundo José de Souza Martins (1998. we --’-‘-:_§\\3. >9. Existiria urn abismo entre o ser mesmo da classe e a classe como sujeito histérico.» w- m. * 9. a consciénfl cia operaria”. 1999.? 3:3 3333'}. Marx nz’io teve que se confrontar corn 0 fato incémodo de 03 operarios r1510 expressarem irnediatamente esta consciéncia simplesmente ern raziio da constatacéio inicial de “que héi uma enorme distincia entre o sujeito filoséfico e o sujeito da revolucao” (Martins).-3::E§ W 33¢ :32». . isto se baseia em uma “suposicéio equivocada. enquanto classe social. -. nem urn pouco marxista.. p. 33-3. g». . em sua massa. corno continua o sociélogo brasileiro.. Segundo Gorender (1999)... 36)..\\-._ \\-.. André...: 33. p.333. segundo a qual Marx teria inventado uma classe para depois lhe atribuir urn papel historico._ u.§-. -.33%.-. 93. r. -t . MAURO LUIS IASI A teoria marxista do proletariado nfio se funda em um estudo empirico dos antagonismos de classe nem em uma experiéncia militante da radi— calidade proletz’iria. . 3: 3:. _.-i 4.-.9.1. “Cedo [continua Gorender]. 135). assim.. apenas revela a percepcz’io do autor..-...

mas que vai muito além dela. ‘3 h. ou seja. e estes nao querem uma revolucao..s' . Segundo estes autores. ‘Q (“fl-‘5??? ..‘>. = )3? : “\‘V’ 3.gw“ .' \- > 5-.y _ vs» : 5-1i 3 $3 w? 54"..'_-§l3 \ . segundo se acredita. "gm". 2&3“ § . o espaco de constituicao da classe enquanto classe se da na luta politica. r . .3».a I \ \ {I 9: ‘5». f: w‘. Isto é.4: ’3 2 ‘ “Y“ -.: .» Eifi‘ . ‘ Eva ": ~21" % {Wye-m . “ax-51v: '\-. W gxé" he} 5 ”ME :3? '%w<.M) ”W? 3. .-.. . :3’. h £1:- .. ¥ :33. l2 '= a»! -=.E.§ .-\= 1..2-. 1:3} w ~23“3 B: ~ s . jzi é impossfvel negar.‘%*' gl 2m lag” I -: §«‘\$§l‘6:§§l Ql-S‘i gixi'i lg.: A“ 33‘}. concretamente cxistentes” . } Z 1 Vi “ z. e de sua pessoa.. {z \‘2 ‘M ‘ w ..: ms '-'-\‘€. o fruto produzido. l‘ .....-.'5. R a ”s. 9a \2. Isto implica que. teriamos que nos preo cupar com os “proleta’irios concretos. nas circunstfincias atuais.‘ .\. Eis que se explica. -.18 this»? . :1’.k. x. As explanacées a respeito da forca do reformismo. *4.‘2. ora cobram uma consciéncia historica do oper ério concreto subsu- mido as relacées do capital. ou seja. v 5:: 2"” . vamos encontrar algo que os teéricos revolucionarios do marxismo evitaram admitir e. no entanto.z. n .‘. ora deduzem desta impossibilidad ea impossibilidade da consciéncia revolucionéria da classe enqua nto classe. ainda que 0 local central da producao do capital seja 0 da produciio do valor.':m a? -'(‘. o centro da producéo do capital reside na producao do valor.\\-. I“:}'.3. AS MBTAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE (ILASSE (. w: “a.}: -I:I§>. it-'... mas o ato de consciéncia so pode voltar retroativamente sobre este momento quando retorna emergido de uma luta politica maior e de uma visfio teérica que lhe permita reconhecer aquele momento particular em todas as suas determinac ées. f . ‘.. Nao ha absolutamente nenhuma contradicz’io nesta afirmacéio. o continuo trabalho de cooptacz'io.' -.“A“ _\~. tar“ filul’fl : v1 El’é’MM‘e Ms. . . nao teriam se aprofundado na questéio deten do-se nos aspectos da influéncia da ideologia burguesa e dos bene ficios materiais distribur’dos a classe operaria pelas burguesias do centro do sistema. \ .. que a classe operaria é orzrologicammte reformis— 48 \\ ... § ' f' g" ”‘92:? M5” gs" “ “lg-3%. O que estaria no cerne da questao? Vejamos: Mais a fundo...) nz'io ha a menor possibilidade sociolégica de que um operario se re— conheca como explorado no préprio ato da exploracz’io. Esta luta constitui«se em um espaco que perpassa a fabrica. algo que assombrou o pensamento marxista por todo um século: o reformismo. Como as criticas a Marx ignoram esta sutil mediacao . A consciéncia da exploraciio depende de que o trabalhador se reconheca no fi‘uto alienado da exploracz’io e de que nesse reconhecimento possa reconstruir os nexos e 08 passos que distanciaram de seu trabalho. . embo ra esclarecedoras.'.x'" '. w.“ w-l1 “<-z fix .

Reparem que também na autocritica apresentada no recente trabalho de Gorender (1999) lanca-se mao do recurso a. especialmente a soviética.. L.-. mas indica. k??? ?M??&:?&1?I?ki-?Iai???$§ “a???“ ‘1? i? «.. p. verificabi— lidade empirica..) 49 i“ 3? p. 1???? 1? 2?}?. Jacob. acabaram por assumir alguns dos pressupostos de seus interlocutores. A posicao do autor de Escmoz‘smo colonial e significativa de um comportamento que acomete alguns pensadores de esquerda.E 2" GORENDER. No entanto. Todas as manifestacées que ocorrem “fora do cotidiano” e que apresentam um comporta— mento revolucionario da classe seriam apenas meios “”sangrentos para atingir fins reformistas.227). Neste sentido. a classe operaria nz'io ultrapassa as fronteiras da ideologia do reformismo?‘1 A burguesia facilmente cooptaria os trabalhadores para a refor- ma em Virtude de que. estes sempre foram reformistas. ou “acidentes” (zdem. a autocritica é retroativa. ‘ ”dig???” . (Grifos do original.. p. 37—38.\2i ? 1.. 1999. Isto talvez se explique pela referida correspondéncia das afir— macées que procurarn questionar o pensamento marxista com 0 processo de reestruturacéo do capital no ambito da producéio e com os processos politicos associados ao desmonte das experiéncias dc transicao socialista. no transcurso cotidiano de sua existéncia. também. “Toda a histéria mundial” e o “transcurso cotidia- no” comprovam o carz’iter “ontologicamente reformista” da classe.. na tentativa de responder aos questionamentos contrarios aos pressupostos marxianos. ?. ? ?. O fato de esta afirmagao partir inclusive de figuras com grande respeitabilidade e comprovada tradicao em defesa do préprio marxismo demonstra a que ponto o pensamento marxista se encontra na defensiva. MAURO LUIS IASI ta. tais como a Comuna de Paris e todas as revolucées do século XX. dia 21 dia. Szio Paulo: Atica. . que alguns autores. [Marxismo 56m utopia. Toda a experiéncia histérico-mundial demonstra que. 1..?~“. ilhas revolucionarias no mar reformista de toda a historia mundial”. a questfio e’ mais profunda (teria um fundo neste fundo finalmente desvelado). no amago do seu ser..

3 3333 3333 § 3RR3392:. mas o Partido. o partido entraria como portador da missao.333 3333 3333. substituindo—a. teoricamente na transposigao do conceito hegeliano de Sujeito—Objeto idéntico (como veremos mais adiante. 3... ou seja.3 33333233333 333_33. Este substitucionismo esta presents em Lukéics de forma refinada. o pensamento 35 MESZAROS. . com seu ‘ponto de vista da totalidade’ -— no final terminou sendo nfio a classe dos traba— lhadorcs. para o autor dc Histérz'zz e conscié‘ncz‘cz d6 6/4556.. do partido.%x. so que Hegel o viu personificado em um oficial militar de baixa estatura passando pelas ruas de Iena sobre um cavalo branco. sem a qual.33% is. Nas palavras de Mészaros: (. portando bandeiras vermelhas e um tanto mal vestido. Istvzin. a rendigao a qualq uer prlnCIpIo ontolégico reformista no proletaria do enquanto claSSC.33. 2002.35333 33333 3. Dizia—se que a classe como tal era prisioneira dc sua ‘consciéncia psicolégica’. ele realmente é herdeiro e representante de um pensamento que transformou a classe numa manifestagfio do espirito absoluto hegeliano. ocorre que uma diferenga entre a consciéncia ime— dfata dos m3er3nbros da classe e a formagio da classe como sujeito hftoflio eXIgIa o chamado “trabalho da consciéncia sobre a cons- Clenc1a . p.333 {3. Uma vez que a classe idealizada niio corresponds ao seu papel histérico..33933 in gawk-{ég‘fixzio 3%: 3%“? “*33323g7‘333 . evidentemente. Para (#6722 do capital. 81..33g3§a3}= 3 £3. na sua opiniao.31%. so poderia ser assumida pelos partidos reformistas da Segunda Internacional.3.3 3.333 3.) 0 Sujeito—Objeto idéntico de Lukacs — 0 proletariado.. 1am» E§. a culpa pelo reformismo. Uma vez que seria esta agao politica sobre a classe que definiria o carater revolucionzirioou reformista. Sfio Paulo: Boitempo. aproximando.§%3a3§o 3.__.. 50 3. enquanto alguns marxistas juram ter visto o espectro rondando a Europa. Algo que se opunha a sua ‘consciéncia imputada’ ou ‘atribufda’. 333. a revolugz‘io niio podia ter sucesso.25 3 Em Luka’cs. neste ponto.§3. A3 METAMORFOSES DA CONSCIENCIA Dli CLASSIE uma autocri'tica sincera. niio hé.3 33 33333333333333 333333-3333 33 33333333333333. 33.333 3 333 3 3333 . A consequéncia imediata deste tipo parti- cular de idealismo fetichista é o mito do partido.::-. ao contrarlo. o reencontro do esplrito criador no objeto criado).

1974) e como a ‘ética do proletariado’. e depois aceito por Gorender. é substituido. além da teoria corno instrumento de construg’ao de um “sistema” enquanto totalidade explicativa das leis que revelam no concreto pensado a esséncia oculta pelo reino da aparéncia. if: “its é-iis‘ iiiigsi is. "it-'R‘fr‘ _»: _s€. defendida por Lukacs como a ‘encarnagao visivel e organizada da consciéncia de classe’ (Lukacs. 82. 0 termo traioiio... wax 9-». pelo proletariado. fica a referéncia da distancia entre aparéncia e esséncia. Este trabalho teria de ser concebido pela agao do partido. as. da salvagao e redengao final dos pecados. \»\_§:_¢' s ia-iaiaiwii-iii-iaiiii is iaaa‘si.) o dilema relativo a ‘consciéncia psicolégica’ da classe trabalhadora foi tambe’m resolvido por Lukacs em termos intelectuais e ideologicos: ao pro— jetar o sucesso ideolégico do ‘trabalho da consciéncia sobre a consciéncia’." . v _.w wag.9% :A}_s's\:\:§s ‘gj i‘ii' 2"”1'“? SEW” its: . iaiixx i isaisiia sasilisiiai iiifim iiiiiiiiisis iiasii.: _.2:._. mas que nao é compreensivel do ponto de vista daqueles que produzem os momentos particulates desse desenvolvimento.. o cristianismo e o cientificismo. p. do Estado prussiano pelo comunisrno.. seja no Estado prussiano on no comunisrno. em Marx. 51 f. segundo Gorz. sobre as influéncias da orientagz'io da agao social motivada pela adesao racional a certos valores como em Weber.. na triplice raiz de seu pensamento: o hegelianismo. _7~w. g “‘3‘? : @153 l"-. que orienta todo 0 pro— cesso e é reencontrado ao final pelo sujeito.5059.\v:. _r\\\-.os<«x pg. nao séio casuais. mais precisarnente.. Continua Mészz’iros: (.5_" '. Quanto ao cientificismo. MAURO LUIS IASI do marxista hfingaro da afirmagao de certos ramos do trotskismo sobre a chamada traigz’io de classe ou a famosa “crise de diregéio”.s= as s°?='--r.26 O fundamento da forma idealizada de conceber o prole— tariado em Marx estaria. O espirito absoluto. ou ainda.(_ s. assim corno suas conotagées morais e éticas.§\s. Do cristianismo.. Ms. alérn do mito do paraiso reencontrado. 26 Ibid. a was._. ::-s:_§. {“1. Marx teria herdado de Hegel a dialética dos movimentos que geram um sentido no todo de seu desenvolvimento. 33.ms s. ambos guardariam a metafora da morte e da ressurreigao. O resultado é a substituigao do espirito absoluto pela classe proletaria. iii iiiiéiifiaiiiiifi .

(.2 922 '. compondo um srstema exaustivo de enumeracz’io e recenseamento de todo o conjunto de elementos ordenados em sua totalidade.. U1 [0 22:2 -9w& (22312-2259 2. No fundo é esta a acusacao dirigida a Marx. p. sim. . mas.. Uma das ambicées d0 EétodO”:._:m A292: 22:»: 12%.. que Marx tomou o ... 2221. também.'””"-§\2:3':‘2. aquela em cujas bases se assentou um tipo de saber que‘se convencionou chamar “racionalismo”.29“? {“2 . tendo por referencia a matriz do racionalismo de Descartes. 22222=2322222-i2§<2§2:22.) Entretanto.222 222. tocando na questao fundamental do método..22% {:933$$‘. aparece na forma de um questionam ento ao Amstema e a “totalizacées estruturantes”.22 49. Michel. O filosofo francés revela que um dos passatempos prediletos de certo tipo de discurso do saber cientifico é procurar os significados ocultos nos espacos que se interpéem entre as palavras e as coisas. 22292922922}: . 2‘n 22$ $32-96. Silo Paulo: Martins Fontes.. a maneira como elas podem ser conhecidas. Aspalavm: e as coims..:_@I:__22-9_ N‘E’fwbixfiiaéafili i: 21222222 2§2§2§ 2 2222292“ 222 5:23-2. 69.222222. ou seja. 2 UK 22-53: $222. dessa epoca historica.2222. ele teria substituido o proletariado concreto pelo conceito de proletariado e atribuido ao conceito o papel historico dos proletarios.proletariado em si pelo conceito dc proletariado por culpa de uma nao superaciio efetiva do sistema hegeliano. o que tornaria 27 FOUCAULT. faz aparecer as diferencas como graus de complexidade. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSIE A critica a esta pretensao de hermenéutica jzi foi realizada com grande maestria. Foucault afirmara: E nisto justamente que consistem o método e seu ‘progresso’: reduzir toda a medida (. é que tal critica se faz acompanhar pelo questionamento da totalidade. _2: %g9. 1995.27 O que nao é observado por alguns pensadores de esqucrda que 86 apressam em assumir esta critica.E\$_:T. partindo do simples. Interessante que a Polemioa entre as micro e macrodeterminacées é. Nao por outro mo‘t‘nIO que.) a uma colocacz’io em ‘série’ que. A0 tratar da questao do “método”.”: 2222222 59. 22222-222 Ere-22:2 2:325 3223..2: 2.232221229222 in: 922-“ $332.é equacionar “pelo jogo das similitudes”.22%”‘2 22233:: ”22222221‘23E22a222 a 2252?.”via de regra.. essa ordem ou comparacao generalizada so se estabelece conforme o encadea - mento no conhecimento. por Foucault (1995). o carater absoluto que se reconhcce ao que é Simples nao concerne'ao ser destas coisas.

mais que o rejuvenescimento aparente de uma ideia pré—marxista. Uma pretendida ‘superacao’ do marxismo nio passarzi. 39 SARTRE. 70. MAURO Lurs IASI possivel superar a antiga infinitude dos elementos.\{-. da finitude de um mundo comprimido entre o macrocosmo e o microcosmo. 1979.29 2" FOUCAULT.5555 M5 5. Asp/1151222725 e as cofms. $555. 2255:5535. sofre—se a tentacao de diluir esta totalidade na materialidade particular em que poderia set observada a acao subjetiva. dai necessariamente a ideia de sistema. superar a infinitude das associacées possiveis pela finitude das associagées e similitudes fechadas nasérie que constitui a totalidade. Nao é por acaso que Foucault identificara a dialética como o “esqueleto” que pretende ordenar o aleatério atribuindo sentido ao acaso.28 O sistema racional permitiria. no pior dos casos.5% 55? 5. Critz'az de [a razo’rz diale’ctz'm. 53 55. :53. Jean-Paul. Tinha raz’ao Sartre ao afirmar que: Vimos.5: 5:. 5 5 55555... o redescobrimento de um pensamento jzi contido na ideia que se acreditava superar. de mais uma volta ao pre’wmarxismo. “Cuestiones de método”..5. que dava ao saber um caraiter aberto.55-5553-55.£2:i '\_ «\\\ ..55 5. como na noca’io de “sistema” de Hegel.}: 555. No interior dessa constituicao do conceito de totalidade é que se buscava equacionar o dilema do microcosmo e macrocosmo... entao. E por demais significativo que a critica a totalidades estrutu- ralizantes venha acompanhada da dt’lvida sobre como equacionar as micro e macrodeterminacoes. Para examinarmos as dimensées particulates.. Vejarnos: Ademais. Se a particularidade subjetiva nao pode ser captada por estar diluida numa totalidade objetiva.5.5. Ix $5“ 32.52.5.55 . Michel. por um sistema ordenado.‘5 5"5.555 Fifi.“? i3. e.55. Buenos Aires: Losada.. que um argumento ‘antimarxista’ 11510 6.555.55 557%. era sempre possivel des- cobrir novas similitudes e a L’mica limitacao vinha da ordenaciio das coisas.555.:5.5. p. 55 5.55 55. é necessario responder se sao “partes” que se explicam por sua insercao em algum tipo de totalidade. $555. in x»: 55% 35-: $5595: v5)“: :\_.355535555 5 5’. neste sentido operando uma passagem de volta de Hegel a Kant. o jogo das similitudes era outrora infinito. 5.55555 5 5555.55555 =5 5. . on se trata de uma dialética das particularidades em si mesmas. p.5. na melhor possibilidade.55. 55»-.5555.5. mais de uma vez. 1:5.5. cit.5.55. 17-18.5: 5..

9%.§§} l? $5. l‘éflzx"? l E§... era 0 processo mesmo de constituigflo e génese do real (cabendo aqui perfeitamen— 54 m?. o método de se “apropriar do concreto. Incrr’vel coincidéncia. mas de negar uma totalidade. ”1‘s . 71).§m2-§\...“§§%§§§.2... a._ Q Q.. no caso por n65 estudado. A adesz‘io a uma perspectiva de totalidade em Marx nasce da critica a...:i$‘-‘... “ O equivoco de Foucault é acreditar que o pensamento de Marx alojou-se sem dificuldades.3 ’3} 33%. forma substancial pela qual Hegel estrutura esta totalidade. para Hegel. p.555152 if?“ . __ 2g g .513. ne'io por acaso existe a possibilidade de uma leitura positivista de Marx.. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE Ha. Uma vez erigido em sistema. t.. “W.. a neutralidade cientifica. igualmente toralizador. 'f§:“'. marcas inseparz’weis da razao esclarecida..:'--:‘"-e*"T‘--‘?“- §JZ?§. a.. .5 15.3.. 2.. de reproduzi-lo como concreto pensado”. E verdade que o tempo histérico de Marx é herdeiro do esclarecirnento cientificista.. mantendo um de seus principais objetivos.§§\$ 29‘ . o saber traria consigo a pretenséo da objetividade e da neurralidade.2.3 “.3 2:52. {3.i‘ -. ainda que nem sempre visivel.\... 1995.‘?‘31-*. 2. o que nos leva a supor que nao se trata da desconsrruv 9510 do sistema ordenado que revelaria as determinagées veladas pela aparéncia..%3§§43i. no interior desta ordem epistemolégica do raciona— lismo. a classe proletaria. WW“..“? _:. gm £q .§‘2.. No en— tanto. corno uma figura plena... _‘..2.... o fazem em nome da c‘neutralidade” e da “comprovagfw empirica”. Ou seja.. ainda. como coerentemente acaba por concluir Foucault.....§ 1§3. de forma que “a linguagem se retira do meio dos seres para entrar na sua era de transparéncia e neutralidade” (Foucault..-§§x§-..? £12. negam um sistema estrutu' rante de totalidade por outro.}. 3..2.2? Q22. tranquila e confortével”. um outro elemento significativo nesra critica fou’ caultiana sobre o discurso do saber racional. ou mergulham na néio finalidade do jogo das particularidades e do acaso. como urn “peixe n’agua”. $32.. -i 91‘:Y‘T-._.?.3§T 25.2. ..-__:. os criticos da toralidade. Marx niio parece aderir ao “sistema hegeliano” substituindo aperras o espirito absoluto por outro absoluto.. 2:.§’K§Z€§l§w§:\‘ @533». . O sistema ordenado das palavras reveladoras da esséncia das coisas delas se distancia.y». E por demais conhecido que Marx nao cai na ilusao de con— fundir a coisa em 51 com palavras que delas derivam e que buscam compreendé—la.§’.§.

. - . que se acomoda sem rupturas significativas na tradicao cientificista e 3” MARX.t . enquanto concrero—de—pensamento. . pela religiz‘io.mwiéixxiés} i-=a:s:-§=-¢e i: M}._ -. na forma em que aparece no espirito como todo—do—pensamento. p. que se que apl‘Opria do mundo do L’mico modo que lhe é possivel. é um produto do cérebro pensante.. e isso durante o tempo em que o espirito river atividade meramenre especulativa. m. Eis que o peixe pula fora d’z’igua. a ideia do sistema hegeliano permanece como fundamental no interior de seu pensamento) é absoluta— mente veridica. m .. da arividade de conceber. p. Karl. Por consequéncia. a socieda constantemente presenre no espirito como dado primeiro. também no de. M ”urea? $2. a conclusz’io que se tira dai é que Marx nao opera uma ruptura com a teleologia idealista de Hegel. portanto. e isto (trata-se ainda de uma tautologia) é exaro na medida em que a totalidade concreta enquanto totalidade—de—pensamento. Vejamos mais detidamente esta questao: Para a consciéncia e a consciéncia filoséfica considera que o pensamento - que concebe consrirui o homem real. O todo. 1977.: tier 123sfisfi‘éaie . . esteja emprego do método teérico é necessario que o objeto. EH3???“ w» . Corzrrz'buifzio (it crz’tz'm drz Ecorzom'z'zz Politim. isefiaa i. porranto. 5:10 Paulo: Martins Fontes. ... 219).ifl‘s. no entanto. m. per conseguinre.30 Logo. 219. o movimento das cate— gorias surge como aro da producao real que recebe um simples impulso - do exterior. e. mas um produto da elaboraciio de conceitos a partir da observaciio imediata e da representacao. o mundo so é real quando concebido —. pelo espirito prritico.. -. ir‘ .-. Antes como depois. o que é lamenrado — cujo resultado é o mundo. para a consciéncia. ele niio é pois de forma alguma o produto do conceito que engendra a si préprio. . enquanto para Marx este procedimento “nao 6': de modo nenhum o processo de génese do préprio concreto” (Marx. 1977...3 E??? *‘H “s ‘1': 2““ ixisr: . (E de fato um produto do pensamenro. a afirmacao de que Marx parte de uma perspectiva de totalidade (e. 0 objeto real conserva sua independéncia fora do espirito.9\':. £2-“2‘-i"‘:§‘.w r's«« . 55 5 W.“WW _. de um modo difere da apropriacz’io desse mundo pela arte. que pensa exterior e superiormente 21 observacfio imediara e a representa— giio. meramente teérica.. .. MAURO LUIs IASI re a critica de Foucault). Wis.

Nao por acaso a ironia de Gorz de incluir urn “5510 Marx” a0 lado dos santos Bruno e Stiner. Mr: “ms“ a . E interessante 0 carater contraditério desta critica atribufda a Marx. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DIE CLASSE positivista. W iézwri’mr .8'5 '. 6 sim por abs’tragées como “capital constants” 6 “capital variavel”. A acusagao de que a classe aparece em 0 capital (16 maneira um tanto “abstrata” desconhece o ébvio. ou seja. . como nos estudos sobre a acumulagiio primitiva dc capitais ou o efeito da produgfio mecanizada sobre o trabalhador.-_-» 5. O mesmo se atribui a burguesia. que neste ambito trata-se do conceito constitutivo do processo do capital.s.\\\. a .\\ s‘§‘%§“«>% Rm” mama) WK i? “a. parece niio haver fundamento consistente na critica anti— marxista contemporanea. e o papel nem sempre heroico e por vezes ridiculo que desempenharam os burgueses em varios contextos historicos. 2%" §§gw§33§§1§§ 2mm a.. . . pois a acusagiio é simultaneamente de “determinismo” objetivista e de subjetivismo “voluntarista”. nas lutas politicas concretas 6 na luta das ideias.'-. Nada mais ilustrativo desse fato do que a forma como Marx trata a classe historicamente concreta em seus estudos.\--2 r. enquanto classe histérica que se ergue contra o feudalismo.. sobretudo na Guerra cz'w'l 724 am on no 18 Bruma’rz'o. alérn do que somente uma leitura muito preconceituosa pode [1510 ver por trés da abstragao dos con— ceitos em 0 capital 0 “objeto real” da classe. w' :w. « arr? Mir“ it. Seria o mesmo que censurar Marx por dizer que 0 capital nao é feito de came e 0530 e personificado por pessoa s que nasceram de mac 6 pai. Neste aspecto. «. A possibilidade nz‘io compreendida pelos criticos de Marx é que a unidade dos aspectos objetivos e subjetivos compée uma toralidade de determinagées e 56 N. desconsidera as “coisas” preterindo—as relativamente aos conceitos abstratos e teéricos. Naquilo que concerne ao conceito dc classe. Seria muito diffcil encontrar ai' uma classe como sujeito metafi’sico transcendente ou sua organizagao como portadora de uma consciéncia que a prépria classe nao possui. podemos dizer que “o objeto real conserva independéncia” e permanece na atividade do pensamento como “dado primeiro”. xflfisikm '.-.'-. 6 néio da formagao histérica.

Ora por se ater a um sistema toralizador e abstrato que a poe de fora do objeto real com pretensoes de cientificidade positivista. _. . m». ora por néo ser suficientemente positivista! Quanto as classes e it consciéncia de classe. :EM EEs ‘QE EEE’EEEEEE -"“E-:°.9. ora aos materialistas mecz’inicos. e aos empiristas de toda ordem. Vista corno meramente “economica”. pela afirmagfio da particularidade da aefio humana e do processo de consciéneia a ela associado..E-VJV su. ou perde—se a possibilidade de compreender a conscien— cia pelo primado de uma materialidade exterior ao sujeiro. Marx ignora o papel dos seres humanos no processo histérico pela afirmagz'io da determinaoéo de uma objetividade histérica. . \.?\\EEY\\_ EE EEEE EEE E. Ora por ser positivista.\ s_. .. atribuindo-lhes uma consciéncia que néo confere empiricamente itquela que eles expressam. abrindo a possibilidade de constituigéio de sujeitos historicos portadores de uma intencionalidade dotada de um sentido que 56 se compreende na perspectiva de uma totalidade em movimento. s.._ g. £3“. was $5:‘3.\ w. MAURO LUIS IASI relagoes reciprocas que ora desagrada aos idealistas pela afirmagéo da determinagéo material. fantasia um sujeito histérico e sua missfio redentora de modo que o mundo somente aguardaria que a ideia de emancipagfzo se produzisse em algum cérebro iluminado para depois realizar—se na concretude da historia. :_ 3E EME. ora pela impossibilidade desta objetividade pela lamentzivel interferénCia de juizos valorativos deformadores da realidade existente fora e independente dos seres humanos. '. ou pela idealizagiio calcada numa universalidade que nfio encontra mediagfio empirica na pratica real dos seres humanos reais._£-j-\‘|é’\' ._s ~9-. m“.-t 2‘“: £4.. . -. _ _ “a. \ w.\3_. = M342 _ . . .EEE E56»-:E--E>. 4E. jogando todas suas fichas num sujeito 57 = “3. EEEw“_Efin‘ sQ“?Ess EEE. que molda a agiio e o pensamento dos seres humanos. \\ . uma vez que Marx. Ja para outros. . .. h.E Es._ \_-_ \\~.\\j . . é exatamente o oposro.. “os operz’irios reais realmente existentes”. .- \_.E: E .. To. na quai 0 real e externo é um objeto bern ao gosto da estrutura do funcionalisrno durkheimiano._ . u..“EE . Segundo alguns dos seus criticos.s.‘. Assim.. _. EE E E ssE E E“ E E E-E EEEEEEE EEsE EEE E EEEE E sEE. s _. esta dicotomia se manifesta ora na critica de que Marx trata com desdém a consciénCia real dos “trabalhadores reais realmenre existenres”.mg:._\ »_ -\.“* i -.5: “E515 -. desconsiderando os aspectos reais.

estranhada e presa aos Vinculos imediatos —.7.$259)..w. gzufii' W3 :5 fivg'fifii is» {(37%. ‘. seja como possibilida de revolucionaria.». 'I '-. ..'o.." %Has. : "‘. -m_.i? ski" ii.1. . o objero.. “"W i: m. if . para que um veja no assalariamento a possibilidade de ga— nhar sua Vida..’.. 3-».3} : -\: gfié.mg 6-53?” \s-' .32m. . . .-. \ \ . As classes ganham sua materialidade na medida em que os seres huma nos. é impulsionada por uma “esséncia” na direciio de sua inevitavel emancipacao. . -:_ .:3.. preso as determinacées materiais das circunstancias.\'\‘.: 3.‘.3 z-§w\‘ 1x3. encontram diante de si relacées que os dividem e lhes atribuem papéis distin tos. continua preso a terra e as prosaicas determina cées de sua materialidade concrera.. condenados a uma consciéncia fragmentada. independentemente das condicées e circunstancias materiais.‘o'bfi' \ s. {x} “3 7 ..._-. w as._g 5 . a coisa em si de onde partiu para seu V00. .i1§§ i . ora a acusacao é que. . Enquanto 0 “espirito” Viaja pelas regiées etéreas da teoria e da critica da teoria. \T gig: \ -.\{\ «if‘. As classes nao esperam o julgamento d0 espirito teérico para constituir—se. gait! g {4% 3'q ks. As classes ganham existéncia material quando os individuos en— contram um emprego. seja como amoldamento reformisra. \ 3.r.» M7: _\\~.'5. levando a tese da necessidade de um parrido que faca pela classe aquilo que ela é incapaz de fazer.\‘ \ $2“ . g3::?§€£§§ ." \\“.j._ . As “classes” e seus comportamentos se materializam em determ ina— das relacées de familia.. ou como aque le que acumulara privadamente o valor excedente dai produzido .v'. Mas. AS METAMORI‘OSES DA CONSCIE’NCIA DE CLASSE imaginario capaz de fazer a histéria demiurgicamente. gig-' g.fig*4: 3:“. e em forma s particulates de estruturar a personalidade dos individuos sociais. pois se empregar em busca de um salario é a (mica maneira de garantir sua existéncia.._\ » w . . hierarquias de sexo e idade.. \ 2.. ou corno objetos a serern consumidos na producao do valor.-.$1.. ifilfiik’} E? Q7: iqi.§\.:7. a0 produzirem socialmente sua existéncia.sax} . despencando para 0 voluntarismo.7“.. . w 2%“? :'-... corno compradores ou vendedores de forca de trabalho._<. x.\ «A : § . EWE‘I . inclusive relativas a organizacao e a consciencia.-\.f if: £32 {9' $31: {(8." :.é_.. at: gig-:5. Ora uma consciéncia imediata moldada sem mediacées por urna ordem social externa.. ..naquilo que Gramsci chamou de senso comum.\-$ (. .m.»).3»:. 15w. é necessairio que outro tenha encontrado na compra e 58 3 v a . .\£§figs-33. ora uma consciéncia oniporente e voluntarista que. . nega 0 espaco de acao dos seres humanos transformando—os em meros espectadores.

inversamente. Uma vez que este ao de seita. nz’io é menos um problema para quem sustenta um reformismo ontolégico frequentemente negado pela persisténcia da resisténcia cotidiana e a eventual emergéncia da luta revolucionaria. os trorskistas nao conseguem ultrapassar a condic Trata—se de um caso tfpico de amor nfio correspondido. MAURO Lurs IASI no consumo da forca de trabalho a sua forma de existéncia. quase sempre adormecida. aos apelos. Ajuda muito pouco a reflex nao sociolégica trocar uma metafisica por outra. acao so O carater reformista ou revolucionério desta classe em iio pode ser determinado por esta acao. que é a base real para que os seres humanos se vejam pa estranha forma de capsulas individuais (Elias.‘.- i: M» 5"“ ‘???“ WWW?“ 2*‘“1*’?““‘Z""“ 5‘s: a?“ imwofi‘fléfi‘t \““ “5'5 :t i ?s%‘ 5"“ zit-159:5“ 5%???s s-. dada sua insisténcia dogmética em apelar se mantém surdo vocaciio revolucionaria do proletariado.29. ..&g’\: 5??? i'“‘5_ 5%“ i3§x§m> 55‘s is? ““tg‘: “=3 «“5": “U55 WW . 05 de acomo~ dacao cotidiana instzivel para diferenciar da expressiio politica e evitar juizos valorativos) séio mais comuns do que os atos de ques— ver tionamento e as explosées revolucionérias. em certos mementos. auxilia o autor no acerto de contas com alguns velhos fantas tros. Gorender parece se amol— uma certa eficécia preitica maior naqueles que procuram es dar aos limites deste suposto ser reformista do que entre aquel pensamento que mantém sua fé na esséncia revolucionziria.--.55 512. O fato de 03 individuos — esta absrracao com a qual o pensamento liberal envolve o ser social humano — estarem submetidos a determinacées de classe é que os levam._*"*5 “‘:”-'-‘. r: e552 4. a genese do real. O pensamento ma pode resolver.‘_. é a individualiaacfro do processo social. as relacoes e todo o estilo de sua coex1stenc1a social. Tal mas. Assim corno. 103): 6 mm a natureza on a diversidade de organismos humanos. p. Como os momentos de reformismo (diriamos. my “553221.‘. J51 0s partidos comu- s nistas filiados a linha soviética se mostraram intuitivamente mals prox1mo 59 “ » 5V 5“..‘.“-“$5: . . evidenternente mantendo sua preferéncia por urn dos espec Diz Gorender: para organizar e liderar Compreende—se a incapacidade cronica do trotskismo a suposta movimentos de massa. Se este é um proble para quem acredita em uma esséncia revolucionaria. a possibilidade de agir como classe.5: 15. em si mesmo. 1994.5.

SEE E . para estes. _E. 221). m»- ”E. mas naquilo que o autor chama de “a61 em que se definem as propensées ontolégicas” (Go render... cc que estzi por trzis desse argumento de Gorender é que a preferéncia reformista” néio pode ser julgada por um aspecto metamente moral (ainda que os aspectos mor ais estejam sempre envolvidos). . .:EEE’. kw.E‘E.. 4:? ”3‘3. E .. . . com forte apoio da massa operziria e influéncia politica ponderdvel. EEWEE.¥. “EEEJEEE -* . EE' .Nesse ni'vel. . podendo tornar—se hegeménicos somente no dia da catéstrofe efetiva.‘-‘f:=‘..8' k ENE”.~.‘7‘ £12552" HE. o fato constrangedor é que as lider angas reformistas teriam sido produzidas muito mais pela classe operziria do que pela agfio de cooptagéio da burguesia ou de suas diregées traidoras . Este raciocfnio numérico e de eficécia por correspondéncia com a realidade 1150 ex- plica nada. por este racioci'nio de Gorender. EEE.. n E. EEEEEEE. EEEEE. O ser da classe.-E >233: E:EEE ESE-EE-E.. segundo Gorender.E". teria ainda encontrado confirmagfio na recente experiéncia do Partido dos Trabalhadores 60 ' ' ' EEEEEEEEEEEEEEEEE EE.-:‘E.. . Aquelas organizagées que souberam. conseguiram. _«E. . ...-. EE.. Dal’ a meta’fora do amor niio cor- respondido entre os trotskistas e a classe. massas ainda maiores e influéncia “politica” ainda mais ponderz‘ivel... 1999.' \\'«. . a Vida terrena tem cada vez menos sentido..”. conseguiram se tornar grandes partidos.”°..\..EEEE’E E??? ... EE. O que explicaria por que teriam contado com “apoio evidente” da classe proletz’iria. entéo. em vzirios paiscs.‘ -: . a pregar a salvagiio da alma pela adesiio ajesus Cristo Nosso Senhor.. \ -. “x..E.. p. enquanto aqueles que acreditavam que o mundo ia ser destruido por um meteoro no firm da semana passada so trans forma- ram em uma seita ainda menor na segunda-feira.. . Por isso mesmo.: E ' W“ .-' - .. . mas que aqueles que correspondem i1 ordem costumam ser mais eficientes no curto P1320 do (1116 quem prega a ruptura com a ordem. se aproximar da realidade concreta dos trabalhadores concretos e perceberam o quanto. . .EEC..1: ”REE-3: we: IM' Tm Tim}? ..a‘*‘=-. ainda mais que os partidos comunistas. .) :E--.. servindo mais £1 classe trabalhadora do que propriamente aos interesses da burguesia. passando. intuitivamente captado pelo reformismo dos partidos comunistas..-. AS METAMORFOSES DA CONSCIE‘NCIA DE (ILASSIi da realidade e puderam se adaptar 2‘1 propenséio reformista do proletariado.. pois por meio dele chegamos 2‘1 conclusz’io 11510 da CfiCéCia politica dos partidos reformistas sobre o trotskismo.. .. . .

. Durante varios anos as resolugoes programaticas ta.. Sua fundagiio. nem com os grupos de esquerda dominados por intelectuais.. Ao mesmo tempo. Mais uma vez..__. de um partido social—democrata. ainda que nao diretamente de origem marxista ou ligada aos partidos comunistas. em o produtiva das prziticas empresariais de enxugamento. marxisra. ss. MAURO LUIS IASI (PT). A base proletaria industrial consequéncia de outros centros industriais sofreu baixas consideraveis. .’. Repetlu— 3‘ GORENDER. .7.. s. compromisso com a doutrina s.::i=7s}=77£§7.7. e a classe operairia adotou decididamente eleitorais do PT 0 comportamento defensivo.=§. iiif“ ‘7 a: 7.. .. e a tradigao de esquerda.5“.7. ainda assim integram—se a0 PT diversas organizagées marxista do inclusive trotskistas. dirigentes das grandes greves de 1978—1980 que abalaram a di- tadura militar._ .. 7. e 0 PT assumiu a feigio e o comportamento moderado 7 Ja .....22 is ss. 228-229.‘.7:=:s*7ss . a classe “concreta dos trabalhadores concretos” se moveu. os éxitos fizeram inseriram na estrutura legislativa e administrativa do Estado e o tiva voltar—se cada vez mais para os eleitores de classe média.7. 0 mo— 6 das politicas governamentais.. 0 PT simboli a esperanga na atuagio de um partido que nascia desvinculado dos vicios do passado esquerdista e trazia o certificado da autenticidade operaria. A fundagiio se deveu aos sindicatos mais combativos de 8510 Paulo e de alguns outros Estados. nada teve a ver com os comunistas.. .__. colocando—se sob diregao dos sindicalistas. .\'r. N0 Brasil e em outros paises da América Latina.77. Nunca tendo assumido. ._. em 1981. . que o zou criaram.77. .se o filme tantas VCLCS .7 7.7.. . A partido nao deixaram de colocar enfaticamente o objetivo socialis da campa— combatividade esquerdista do PT comegou a arrefecer a partir do ABC paulista e nha presidencial de 1989. cit. ... intelectuais e militantes de Varias tendéncias de esquerda logo aderiram ao partido. ..7287 is? i‘as. 85:77 {._._-:_§\\_:_..-£z:7”1€%§7‘ i: . iséswfi’és 1%. nos documentos oficiais. Cresceu o desemprego um vimento grevista fraquejou.7.7 s7 3..7.7 Vlsto. A perspec socialista se apagou.. Marxismo mm utopia. s: *-7. Vejarnos: Caracteristica e mesmo tipica tern sido a trajetéria do Partido dos Traba— lhadores (PT). da reestruturaga estrutural. 3. .. p. . Jacob. 61 .“ is}. a trajetéria especifica do PT é a mais pura comprovagao de sua tese. Para 0 autor. tentou atribuip —-lhe uma meta anticapitalista e um horizonte socialista.31 ... .

pois so existe para beneficiar uma minoria de privilegiado s”). AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA [)E CLASSE O que o autor conclui da reprise deste filme tantas vezes ja visto? A classe proletéria é ontologicamente reformista. e que. tao precisamente descreveu.. 43$ 35% .2111: mg: 111:1. 1331 13% 1.111 11.$131311. isto é\ nao importa o que tenre a vontade revolucionziria atribuir—lhe. t'. portanto. 31. .\M. 31111-11111é111113 111 . N510 seria urn fato.W . I 31:}. Vejamos. Mas podemos deduzir coisas muito diferentes dessa trajetoria que Gorender. “nada tinha a ver com os comunistas” ou qualquer outro doutrinador de uma esséncia revolucionéria? Um partido que “nunca assumiu comp ro« missos com a doutrina marxisra” e.\. \. 1h: . = . 11. como neoempirista mais recente. o f. . _.. 1 61-11% 1:»? {915%. .-... 62 \ if 1-1: .: ..1% 11111-1 ’111 1-11 . a partir de lutas sindicais. no mfnimo passivel de analise. pois essa é uma palavra vaga que carrega muitos significados. :51}.‘ ' \. a classe concreta enconrrara um jeito de assumir sua esséncia reforx mista contra as intengées socialistas. '. 'QV. . '.32 além da atualizagao de uma afirmaeao da independéncia e autonomia da classe trabalhadora (“os trabalhadores querem se organizar como forea politica auténoma (. que um movimento concreto da classe tenha. ainda assim. O ser essencial reformiSta da classe passou por um breve momento papagueando palavra1 socialistas que certos pequeno—burgueses. mas uma meta socialista enquadrada por uma critica anticapitalista (um partido para “organizar os setores explorados pela sociedade capita lism” e que nasce da “decisao dos explorados de lutar contra um sistema economico e politico que nao pode resolver os seus proble mas. 3":\.. 1'1%*‘1 111. 1 .1 . f‘:. . ggfiunf? ._.1.1’w. . 5-.11211 1 $11-13.. . 1111111.) ser uma real expressao political d6 IOdOS 53 Trechos do Manifesto de Fundagao do PT aprovado pelo Movimento Pro-PT em 10/2/1980. 1J1 :1. \ 1 311-5? 11* “f3..11. cristaos radicalizados e intelectuais lhes ensinaram para depois abandona-las por pa—~ lavras mais adequadas 1 sua esséncia proletaria reformista.1.. se constitufdo em partido politico? Isto em um momenro historico no qual a influéncia das correntes marxistas estava quase impossi« bilitada pela agao prévia da ditadura. 111-1) _» _ 111.‘o ' 011:5» '. colocou “enfatica— meme 0 objetivo socialista”? Nz'io somente “socialism”.

44 34* saggy.-.944 3: E4444: 4.44 4.. realizar uma mudanca polltlca em classe radical. _v 4% 3M.. ern seu 5° Encontro Nacional (1987).2-§. _ 2._. 4344: _4 .4“ ‘44. em primeiro lugar. . a en— trada em cena da classe trabalhadora tenha imprimido urna marca propria no periodo historico de mais de 20 anos que se inicia com as greves de 1978 até a eleicfro de Lula em 2002. um partido que “nasce da vontade de independéncia politica dos trabalhadores”). . VIEIRA.34 e que.? *2"24.-\. MAURO LUIS IASI os explorados pelo sistema capitalista”. 4%4}: 22. Ag: 44. _Nyflr \ . .35 por que neste par— ” Mid.§4‘-. & _z c «..‘.” in: ALMEIDA. porter derrotado as forgas revolu— cionzirias e de 0 capital ter criado urn polo de industrializacao no ABC. Wéa' ‘. partrdol N510 seria no minimo interessante saber por que um e suas que surge afirmando que “sua participacéo em eleicées de organr— atividades parlarnentares se subordinarz’io ao objetivo zar as massas exploradas e suas lutas”.:..4:¥._. 3.2244.4. os trabalhadores precisam transformar—se o hegemonica e dominante no poder de Estado.2. 2.4442. ..’\. 442‘. “para extrnguu: lrsra. *5 “Resolucées do 5" Encontro Nacional do PT.4? .4..2. 244%.2._ . 8510 Paulo: Fundacfio Perseu Abra mo e Drretor‘0 Nacional do PT.44224343-44._._4’-‘4...."=‘--2?“’”34 23:4 {324$ 42444-4} 9'4. fer-4. Resolugo’es de mcomros e congressos.33 Nz'io seria significativo que esre movimento concreto da classe trabalhadora tenha arribur’do uma qualidade diferente ao processo de abertura politica em curso e..3K4 .44% 1 44:44 Q4449? 4414.._ _ }_ _ .5311.i.4. 1998._ _."._2 4%.4494 4.44: 33.32 4-4472.. “4.4 4.4:.\..-2.44..:. e isto depois de a ditadura milirar acreditar que.. _ .22:4 421-2.e444 4.v. afirmou que.4.34:4..:2§§._.4§‘4.§4. .23 2 §:.__ .544-3 "~24. 4...2.fi.“ __2.§ 34. \ .. __ k4 .. haviam quebrado para sempre a possibilidade de um movi— rnento de carater contestatério de horizontes socialistas baseado na classe trabalhadora? N510 é revelador que o impeto anticapitalista e classista tenha “arrefecido” somente depois de praticas brutais de reestruturacao produtiva do capital e de politicas governamentais que empurraram o movimento desta mesma classe para o defensi- Visrno? Que tipo de “essencia ontological” é esta que precisa da ajuda do capital e de seu Estado para emergir de onde sempre esteve?. 63 ..4444 53. acabando com dominio politico exercido pela burguesia”.4442444 2..42. mais adranre. 3" Ibid.2.:2‘47‘.. $95». e o capitalismo e iniciar a construcao da sociedade socia necessario.41.4_44-§_‘4__ _c: $3 __gyflfg. ’\_ ..-‘5’ .4-’4. CAN'CEI’J‘JI (org). :‘:“'<¢-..34244. 1:42...."‘ «32% . . no momento subsequente. NV..4... ..

agar-12¢» mu: _\9.r\\_. ou seja. . \.. N510 nos parece um procedimento adequado.» .-- . . portanto. Visées de mundo. v _s «m. . can-as "ya. nao é possivel julgar o movimento pelo ponto final aonde ele chegou.: 6?_\\.: {5'}: $3. .j‘I-Q 43%: ".< .: E. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DIE CLASSES tido a “feicao socialista apagou”. como ja teorizou detalhadamente Przeworski (1989). como veremos —— confirma a possibilidade de amoldamento e conformacao da classe nos limites da ordem do capital. nao e’ possivel supor que o momento da criacao do PT e do particular movimento concreto da classe entre 0 final da de’cada de 1970 e inicio da década de 1980 é qualitativam ente diferente do contexto de sua degeneracao. E:. «)9. «aux-A.‘\ j"._.\. No entanto. porquo corresponde a0 ser mesmo do proletariado.sw i“§i‘§éiiiiiii éifiiismak if“ Hams gases} ism. 5 ma»?. relacées de 64 . ... Resta saber por que: por um tempo expressou algo distinto de sua “esséncia”.\. . -:_ Ems-9. i ii . -w. . ..nn». .§\5 -r-::§&p\‘§ .9. . 0 final da década de 1980 e os anos 1990? Nz'io é possivel supor que nesta trajetéria houve inclusive uma mudanca de composicao e perfi l de classe do préprio partido (sem falar da mudanca de perfi l da prépria classe)? Nao é possivel supor que a atual form a “moderadamente social-democrata” corresponde muito mais a atual composicao pequeno—burguesa e burocratica do que propriamente a origem de classe proletaria que marcava a identidade prime ira? O fato de ser a prépria classe trabalhadora quem fornece seus eleme ntos individuais para format as burocracias sindicais e partidz‘irias. . artificio muito utilizado por toda sorte de ideologos que querem justificar toda a historia humana pelo ponto capitalism final no qual se encontra hoje. 223% aim is swan 93%.w)_'. -:\. os dirigentes e representantes parlamentares que irao conformar—se como a pequena burguesia burocratica nao significa outra coisa senao o fato de que as classes se constituem pela subordinacao dos individuos a certas relacoes sociais.. E verdade que o desfecho social-democrata -— e adiantamos que essa é uma visao otimista de desfecho.. Outra explicacao é que o produto final esconde 0 processo._. -. . . Talvez mais um acidente. aims ‘zwam’isi . e. assumindo a moderada feicéo e comportamento social—democrata? Uma explicacao possivel é aquela que nos oferece Gorender: acabou social-democrata e reformista porque sempre foi..§:§‘§:‘g‘2“<rvg':¢_’-‘E:-s‘§ . . . \ v .

de “traicao de classe”. a classe se faz enquanto classe simultaneamente como urn ser do capital e como sua possibilidade de negacao. ou. ainda. 1993. a ii‘xw‘ “ . e nao por nascimento. e alguns restritos setores da ingenuidade militante. A sociologia compreensiva costuma chamar isto de “mobilidade” social. O risco implicito nesta aproximacfio é culpar a pequena burgue- sia pela “traiciio” e preservar a classe como ser incélume do espirito puro da ética revolucionaria. da mesma forma que os pais consideram aceitaveis seus filhos ainda que niio tenham saido exatamente como desejaram. com aquele que vence na Vida e passa a sair nas revistas sociais que mostram a Vida de nossa “melhor sociedade”. mas foi 56 se transformar em um assessor especial que ganha alguns mil reais para participar de apenas uma reuniao por més que ficou “meio metido” e com tendéncias a acreditar que a sociedade de consumo nao é assim tao ruim. uma classe mz sociedade civil que nao é uma classe dz: sociedade civil (Marx. A classe trabalhadora tanto l se identifica com aquele que luta corajosamente contra 0 capita como. Costuma ser fiel e leal a suas criacées muito além do que a prudencia aconselharia. Nao é verdade. p. O individuo era revolucionario en- quanto proletario. dife— rentemente da ordem estamental. de “pragmatismo”. A classe proletaria costuma respaldar suas criacées muito além do periodo de validade. também. posse de recursos materiais ou simbélicos. o que implica que um membro de uma classe. como o pintor inexperiente que assina o quadro e 0 ex— o pée orgulhoso na parede de casa.” a $33. nas palavras de Marx. ainda que seu senso estético alerte de que r1510 é uma obra de arte. Este espaco tern seu centro nas 65 We“ §€1§§ i W file. 05 trotskistas. Isto pelo simples fato de que a classe trabalhadora e 05 individuos le que a compoem sao simultaneamente seres da ordem do capita seres com a porencialidade de confrontar com esta mesma ordem. amplos setores do PT. 92)- Naquele “nivel em que se definem as propensées ontolégicas”. MAURO LUIS IASI propriedade. de “incrivel genialidade tzitica”. pode mudar de classe ao deixar certas relacées e assumir outras.

nos termos de Przeworski (1989. Nada mais concreto para a definicfio do ser da classe que este universe de relacées que constitui a producéo do capital como capital. Por isso. 3 flags-$1. 6 neste universo os trabalhadores se convertem em elemento variavel do capital. 161 6 ss). portanto mercadoria submetida ao processo dc valorizacao do valor. critério pelo qual o hiperempirismo julga os fenomenos.5.*~* -*‘-. enganam—se aqueles que veern nesta dimensao as razoes ultimas da “propensiio ontologica” para o reformismo on o “consentimento”. Nikon? “2:372 21*: 2-2222. mas o consentirnento sob 0 capital pressupée a condicfio do coisificacz’io dos sores humanos) pressupée o humano.. mas pelo fato de que a condicao reificada (perdoem—nos os entusiastas da harmonia social. mas a aciio criativa dos 66 l%. Isto porque o ser da classe. im— plica uma contradicao frontal com um outro Ser.. digamos assim.§3. é 0 local do trabalho como ato estranhado e da formacao da consciéncia reificada e fragmentada. imiw}:2*: l:is}13%3'Eg'g223ufirifiéws . vestir—se. p. *XN £323 is. AS METAMORFOSES DA CONSCIE‘NCIA DIE (JLASSE relacées do trabalho. H ii»§‘1§i€§&fi-§fi 7* 21 E 25515 213% 27* tssfi’m lugs-3': 32%.15*. nao por acaso onde predomina a “cz’ipsula individual”.. Muito mais marcante 11510 cm razao de ser mais comum sua ocorréncia. Nestc iimbito o trabalhador so é coletivo pela mediacao do proprio capital. que podemos estender para 0 da empresa produtiva no geral. ter habitagiio e outros vicios adquiridos desde a infancia.3’§..§* *2“: **** 9*: m*ifiiitfiiaéigg l2 fifiméfi Raga-3.2561%»3‘3’. . o universo da fabrica. pelo mesmo motivo que o trabalho estranhado pressupée o trabalho. No entanto. mas o humano nao pressupée a reificacao. e néio por nenhuma esséncia. Como ja foi afirmado por Martins. enquanto capital variavel. que é o ser humano.. mais essencial. mas nao se reduz a elas. Esta na'io é uma contradicao filoséfica hegeliana ou uma reflexao existencialista sartreana.*. mas assume a forma dramatica existencial tanto enquanto objetividade como percepc‘ao subjetiva. estzi no ser da classe como fator muito mais marcante que o consentimento a possibilidade da resisténcia e da luta contra 0 capital. *w * “W. quando muda a composicao organica do capital em favor do capital constante e 0 capital varizivel que resta sern ser usado ainda tern aquelas determinacées prosaicamen— te humanas como corner..

de fato de aquilo que prevalece na coridianidade. o interesse elementar do ser que se submete esreja garan— rido. a.__. naquela imagem depois traduzida por Torquato Nero. garanta esta existencia subumana.EEE: a“: ’“EW EEE' Egg-za." “ff.9“? “‘3" i“ E EaEsEiEEEEXEE’ -"‘"- '.EEEEE ENE» e:-. Nao porque estaria na esséncia humana resistir e néio se sub— meter. coloque os dois na fila do matadouro. se a cotidianidade desse ato nao garantir a Vida. que.: \w. As relaeoes capitalistas de produgao e.Ea. de maneira mais direta. Portanto. .. mas porque em certo momento do processo de submissio a ordem fica antagénica com a sobrevivéncia do ser que se submete.5.. mesmo que de forma mutilada. e o comportamento contestagao. por— sao uma forma particular de produgao social da existéncia nhadae tanto. Qualquer historiador pode confirmar que a regra tern sido submeter—se (talvez a melhor imagem seria submeter-se resistindo).$3.::= ‘f' “H :“‘-'. e isto 36 para impérios. so rem existéncia efetiva enquanto. Egiaawia 5-“: ""‘N W ‘3: EEEEEEE‘EE 1-. nao ha contradigao entre o consentimento. Vejamos: \ _. se torna mercadoria.‘ W. O trabalhador vende sua forga de trabalho para viver e.}?. o que resisrir é o ser humano. mesmo que tenha sido o boi. que tinha razao Brecht.:1." EEZEWEEE. 4!: E.. se vocé que’r saber qual a diferenga entre urn ser humano e um boi. as relagoes sociais no ambito de sua reprodueao disc1pl1na cotidiana. o que nao é senao a mediaeao concreta daquilo que Marx chamou de contradigao entre o avango das forgas produtivas materiais e a forma das relagoes sociais de produeiio. o ser humano subsumido na mercadona forga de trabalho reaparece. por esse ato. W“ W“ Y: EEEWEE“. Todo nfio serye cai quando niio consegue manter Vivo seu escravo. O consentimento presume que.<3»\§. MAURO LUIS lASl seres humanos como mediagz’io de primeira ordem com a natureza nao pressupoe o estranhamento. * $2."'._. . E ESE-«2 M V‘ ‘ '“EWVZ’TY'E 3* EEWE 3““ '3‘. transformam—se de campo pratico—inerte do memo em base material para rupturas e questionamentos. portanro legitimadas pelos mecanismos da consenti- consentida. a -.1-"?- .EV="E'°‘'<“ EEME *3: ". N:. Isro quer dizer. Esse depoimento colhido entre aqueles que servirao de base ao nosso estudo exemplifica de maneira categérica o argumento apresentado. ainda que estra imperlo fetichizadamente. E” E3 ‘11 v -. Entretanto. m 3.

"'\. como sabemos. . na verdade é onde as particularidades empreendem seu continuo processo de constituigz’io da universalidade. E por isso que é o campo aberto da praxis. M was it: a‘“-. Como alguém poderia estar “contente” corn algo que ela mesma descreve corno “horrivel”? Pelo fato de que era uma fébrica grande (corn cerca de 3 mil fun— cionarios e 10 andares). é necessario compra-la como mercadoria. Eu trabalhava pra caramba com um salario desgragado.“': . o que vestir. é um individuo conte nte por ser explorado pelo capital. 86 se é alguém no capitalismo quando se vende a0 capital. ela precis a vender—se ao capital.\'g. No interior deste processo. era hom’vel. e 05 caras me fodiam a Vida. . m ‘2 mm. porque ela “era alguém” por ter achado urn emprego — e. Para alcangar seus propésitos (ser alguém). mas eu estava contente. ta born”.- m WM.°EM1-_‘""\§\-"\_\. f-"_ '\ a _\. ela nao é sequer reformista. mas “ta born”. eu era alguém naquele momento. fiz curso para isto. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE Quando comegou 0 PT.’-‘=. 68 iteéwzm i am M.-"“'“' ": -.36 Na época a depoente tinha 15 anos e trabalhava das sete da manha até as dez horas da noite. pois era so trabalho. E também neste campo que a genericidade encontra a particula— ridade._M. <' 3.\‘3\\1 g“-»_ . Neste memento.‘h:\g. ».J. conseguir que sua “pessoa negra fosse vista (16 outra maneira”.3. "fix?“‘u‘ _ fig. Eis a base de um consentimento instavel. Eu era passadeira. a classe trabalhadora pode 5 Depormento de Bearrrz (Bra). ‘. colhido em abril de 1999. E neste campo que se cruzam duas possibilidades: a do amol- damento/consentimento e a da agao humana como praxis livre.' 3": .. .‘“\":‘o_ :‘=. M w . como ela diz. 0 mesmo “salario desgragado” é des— crito em outra parte do depoimento como “muito dinheiro” para uma menina de 15 anos. para 0 capital atingir seus objetivos de valo— rizagao. naquela época eu jzi estava trabalhando. mlhtante do PT 6 do Orgamenro Participativo do Porto 6 I o a a n Alegre. pois é o espago em que a agao dos seres humanos pode reproduzir as condigées de sua dominagz’io ou enfrenté—las. numa fabrica muito famosa. \ “3‘2?“ _. . \. s a "‘ ‘ l" "‘ i ‘ “' =~‘ -"‘ -’" V" a" . Portanto. era so 0 meio horrivel para conseguir ser alguém. ela estava contente com aquele horror. enquanto membro da classe.".-\_ p“: ‘.\ x}: ‘. “tern o que comer."fn . «IE: “was” :".

§. MAURO LUIS IASI se constituir enquanto classe se.1.. 3:3. SC eu entro e perco meu emprego’. O momento em que um ser humano r1510 se reconhece naquilo que é sua mediacao fundamental para a vida.. ‘néio. nos termos de Norbert Elias (1994).. trabalha e quando a genre vai conferlr. cm determinadas circunstéincias. . 0 set social do trabalho.3.3 5.n2.3: 3.. trabalhava sabado se tivesse que trabalhar. truosa. Entao eu fiquei assim. im-a. ba e agora..3333.33: 3‘33 33:333-.. mas. revolta.mg.. pode ser vivido como um m0— mento de desilusiio. .333. . 03 seres humanos em contradicz'io com o processo imediato do capital se encontrarem em certas condicées coletivas para romper o invélucro individual 6 se verem como seres coletivos.31333 323333 3333-33-33 3 3:.‘.3-..3. ou ser um importante instante dc superacao da serialidade que caracteriza o processo estranhado da praxis cotidiana em direcao a0 ser do grupo. mais precisamente quando o trabalho como atividade fundamental da existéncia se torna 56 um mero meio de Vida. ‘33: . capital.3_ 9:3 5:3? . 33: 53 I. mas o que que da parte das passadeiras de gola. IEI&§.]: \‘f' £353. se Vé como um individuo... 2&4?E _-. emerge para a percepcao dos SCI‘CS humanos envolvidos..33333 323 3:3 3:3 ”3‘. tu tem que entrar’.. porque nés produziamos muito.._g:‘”&. desde a mediacao particular do grupo até a genericidade da classe. por motivos que apresen— taremos mais adiante.3“ .333 37:3 33333333.'_. 8-5:}... ‘5: 33. e somente se.3:: 23. trabalha.333 3. eu sinto que alguma coisa ta errada.3. -. :3.3-2'3.1»: ._: 223:.W>‘ a2:35.3. crise existencial.\-$_:I.. eu entro ou junto? E as guria 13 dizendo.: .\ .-. A sequencia do depoimento daquela operaria pode llUStfaf este movimento: icacao de sala- Teve uma ocasiz'io onde os mais antigos fizeram uma reivind rio.2.. trabalhava doming nao entro era uma loucura.3 3‘33..Iifi._-§\: :32 )5: $32 ?. cu era (33) ‘Tu tern que dizer alguma coisa’. 3: {.332:. 3‘ 13.333“: . . . eu podia dizcr.2332. tu ta chegando agora. partilha de uma autoconsciéncia que percebe a si mesmo e 03 outros como individuos... :.. mas en 1150 sei. ou. no caso. O trabalho como meio individual de Vida esconde o fato de que este trabalho segue sendo atividade social.: :33: 3..$ 33‘ 3333-332: 3’33“ 333-3 3333. mas isto aqui é como se fosse uma escravidao’.. eu tinha assim uma producao mons— o. O ser humano é um ser social.. 31. . :. 3333.3. 3-3. so acho que ta errado.. meu 69 :‘ _... e eu pensava ‘ai.. .3. nao é normal porque a genre trabalha. . eu dizia para elas.. 3 33. . 33:3. ‘tu é nova mas a genre tern que mudar isto ai.1-3). fi: E3493 Me (3-. 1.__—-——--— 3. :\3_2:..

.-= '-\'. (. mas o seu Scr é também “parte das passadeiras de gola”. “sc- eu entro e perco meu emprego”. iniciando sua participacao no processo dc formacao da classe.23. O que iremos estudar na continuidade destas reflexées sobre consciéncia dc classe sao exatamente estas mediacées.13551: deus. em si mesma. da realidade das relacées sociais bascadas na objetividade estranhada 6 na conformacéio das czipsulas individuais que velam o carater social do scr. para no fim encontrar novamcnte pontos institucionais de adequacao. Podemos ver. nem rcvolucionaria. 3 3 333.33."‘-3‘?\. (21. As METAMORFOSES DA CONSCIENCIA m.33.33. Enquanto individuo. Enquanto indivi— duo. O ser humano se enfrenta com uma pluralidade dc escolhas que sao mais que simples alternativas.3 I h 33333 ’3 $333.33 3. . '\ V “" ' ' 333333333 3’3. o momento da serialidade...3.. Ela nz’io é. 933-33" : 5 ’3 . 3.gzr 3R 3659‘"33"3‘33‘3. cadé o dinheiro. ela passou da plena subordinacao cstranhada ao mundo do capital 3 contestacao.33 ”*7" 33.) Fui no embalo e parci também. nem reformista. como diz em seu depoimento. ainda para “alcancar scu lugar”. tornar—se—ia uma militante contra o capitalismo. mas ja se constituindo como um ser que vai além de si mesma.33 32: 33.. atravessou a tentacz’io dc mudz’i—lo por reformas (aumento de salarios. eu acho que eu ganho pouco por tudo quc cu faco. Em um curto intervalo de tempo. “332.333 33333 3 3?:3.3333.. Participar da 339530 abre um espago da praxis livre diante do campo pratico-incrtc. ela rem que pcnsar que o trabalho é seu meio de Vida. no caso) c. Partiremos para a compreensz’io das circunstéincias em que esta serialidade se rompe no momento em que a préxis individual 36 defronta com 70 33333333333333 i" ' M ""3 II 3 3333 3 3333 » 3’333:33-33 I I33-3 .<~"3."..3 3333-3 . depois. que uma pessoa pode mediar toda a sintese de uma época. pois implicam diferentcs dimensoes do Set.3 *"" '= E -"' 3 313-3 33-33-33: 3 37. 33:3. seja o que Deus quiser.. No mo— vimento da classe em seu processo de formacao encontraremos as mediacées nos momentos da constituicao do ser social como individuo. sentc que tcm alguma coisa crrada pela confrontacao entre o quanto trabalha e o quanto recebc. mas seu ser em movimento cxprcssa com clareza cada um destes momentos. neste pcqueno depoimento. que partilha conjuntamente a sina dc ter que dar conta daquela producéio monstruosa.33 i "3.

r\\\-.": in»: 5 FMS. na qual o grupo—organizagao é o espago de uma nova conformaefio no interior da ordem do capitalismo. 1979) que delimita as possibi— lidades e impossibilidades da aeao e no qual ocorre a primeira negagao por meio do grupo.:.Mm W 3&33 3&2.$:.\\. no sentido de uma ruptura revolucionziria. . .\\|é\\_}y. .:m $3. 5253*. Esta segunda alternativa eleva a praxis livre a possibilidade de instauraeao de um novo campo pratico—inerte em aberto.¢W-x . wv-r....“ W. este novo campo carrega as determinagoes da materialida objetiva.$3.“-“\ <9" “’3 ‘i-“"--"‘-‘=-‘ . .'-’% 5 km“??? &~é M3. Apesar de estar em de aberto. . Este patamar da agao humana pode conduzir a duas possibilidades: a uma negagao da negagfio “regressiva”. ou seja. g f% _ ‘v.. 3.§$'¥§g swag). ou uma negagao da negaeao “progressiva”. em consciénCia de classe em si._-. .-2% $333 23% ”Eééa.%$%E$§:§Jiffi§m . MAURO Luzs IASI urn campo przitico-inerte (Sartre. e como essa mediaeao particular do grupo pode. agora na forma da buro— cracia. . in: swag. mantendo as condigées de extensao da praxis humana como emancipagio humana. ‘F :=. porque indeterminado por uma praxis ainda livre e pela desconstituigao inicial da ordern institucional objetiva que delimitava o leque d6 eseolhas aberto diante dos seres humanos.2 asamvaEmmm is imwé’fié.. é-aigpfi-i . abrindo caminho para a volta do estra— nhamento num ciclo de regressividade dentro da progressividade alcangada... - :-"::§:_s‘. o que vai condicionar o espaeo de liberdade dos seres humanos em sua construgao histérica. .. » -:. o novo produto da agao humana reapresenta campo aqui uma nova dualidade de carninhos possiveis: o novo socio— pratico—inerte pode constituir—se como superagao efetiva do metabolismo d0 capital (Mészaros.:?~tfi>‘§b§é§\fs.x$a .:.?) =?°='=-‘-‘\‘ 1”“ " ”"3 -:-‘. Este movimento da serialidade individual ao grupo e do grupo a classe leva a transformaeéio da praxis livre em processo e 21 insti— tuieao da aeao humana em objetivaefio. 3.”"S “ff-Ht 3539. ’E. -. :\ .\\~.. $. _\V:'__§. Esta possibilidade nos remete a permanénCia da insti— 71 .$333 $3. .3 " eW----:§\\-.\ w: \ w. Neste sentido. \ . 2002). fundamentalmenre expresso em certo grau de avanqo das forgas produtivas..-31ie.aq {$1. em certas situagoes. 33$QE-aa $3. em organizagao e agao de classe.\.‘ » an..$ $‘$.. m.~. instituir agées de uma dimensao social/historica de classe. . . levando a institucionalizagao e 21 volta a serialidade.-.\ 33in: \ . OH 3 nova construgao humana pode nz'io ir além de uma negagao formal deste sociometabolismo.

”§.r\\_. m w .= 9593.\\-'£:v.3245I_fz>_:<?-. .-_\\. ora atrzis.:M'-@3I:.-. era :21 frente. :3 $4. \\ x. ‘3'_-_\\:. mas sempre em relagfio a0 ser que a abriga. da burocracia e da volta da serialidade. »_ 15:3.. -=.\. »\\-3. '\\_». 72 3v \ . 3 _‘-\...\ win .93 :5». ”3253 {33.. Neste movimento. .\ xi}. “xv-735.<~\'g: . AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE tucionalizagfio estranhada do Estado. a consciéncia sé pode acompanhar a dialética do ser social.

22.:"352 .22 2. Ainda era crianga quan passando por saia de casa para a escola e ouViu o zumbido dc bala o revolver e dizia sua cabega.. Rio nte dc Alexan dria.2 2 2 2 .. Marilena.22. 2. 2 2 22 “MW-=22 2‘22.)2 A cor é qua tom cor 7m: om: do borooiettb No mooz'morzto do 202201222 (3’ qua o movimento so 772006. 2 2’. dor de rebanhos”. 2 22. Introdupzio zi' lJz'sro'rz'rz dzzfiiosofitz.’2‘.” Heraclito de si uma Madeira39 saia do quartel cabisbaixo. (’5 56 pm te alige Z2 trabalho. 2-_.. Fernando (Poemas de Alberto Caeiro).22 122 2222:2222 :2.‘. 2 2 2 2.2... seu pai na porta de casa segurava irar!” Assim foi no calmamente: c‘niio é nada 11510. . p.37 Fernando Pessoa Esta mzmdo. “Fragmentos” (Cleme 1994. Tapeqa rias). non/mm do: bomens ofi’z.. Silo Paulo: Brasilicnse. . No quartel. . 1.. . 1'72: CHAUL 38 HERACLITO.2 2.:22§. 2 2.. 2222222 2-.. mos em 3' e 222221230 sempro oioo. . v. 2. 222..222 por dionte do mim Epolzz primez'm oez no Universo on reparo Que as 60750131725 72:20 tém cor nom mooz’mentoC. sempre paga por nao se dobrar. .2-2. quando acertou um direto no capata ndo castigos no ritmo infernal da fiibrica. .--. 22222.2:22 2 2-222 12222222:2 222 2 . “O guarda de Janeir o: Nova Fronteira.. Euprofimdo o 05 outros om. 2'.. Trazia dentro plicavel.. Desde raiva maior que o mundo e uma angfistia inex do sempre alguém lhe impunha ordens.§.2 2222 . norzlmm dos domes. 0 772657720 para todos.2-. 225222 .§2?§. 1980. ainda adolescente. -. Depoimento colhido em 2001. p.2 22.j§23:. 2-22. 2 O PROPESSO DE MEDIACAO PARTICULAR E GENERICO DA CONSCIENCIA DE CLASSE P4554 2mm 502201. acmdendo—so e opagando—so conformo a medido.. 68.2. XL OAS/1914).j22. fragmento 3'7 PESSOA. 160. 5" Operario e militante do PT/RS.

5:: 911949. . assim como nao pode se reduzir a manifestaooes individuais que compéem estas formas coletivas. No entanto. esperava por ele passando aquela manha com sua raiva.».-\ 2 EEEE’EEEEEEE EEE ._.EEE E“ EfEEEEEE E‘EEE’EE‘ EEEEEEEE‘EEEEE EEEEE. 74 . -: P}‘. ._::E:§ g: E E2: : "'1"i ffifxé‘fi‘éfiji WE’E‘TV‘N‘EEEE‘EE LEW.. No interior deste movimento de perpétua constituigao e negag ao das formas particulates que constituem o todo.\\ \ \ E ‘75».' E» EEEEE‘EEE‘E ..E . O partido era cons trui'do por militantes enquanto os construfa como milita ntes.E. uma grande estrela e den- tro dela duas letras: PT. . EEEEHEEEEEE. o partido foi constitufdo por um certo momento de sintese coletiva de uma consciéncia de classe e.\ = . Nesse movimento é que enconrra mos os momenros particulares e as formas genéricas em unidade 6 cm luta.--.. na rua.-_ m. O que seria aquilo? Depois soube que a sigla queria dizer: Partido dos Trabalhadores! Dos trabalhadores? Aquela estrela tinha sido pintada na rua para 616. A classe trabalhadora nao existe como absrragao socio légica. porta nto. as- sim como os partidos que esta classe cria e destréi em seu continuo processo de formagao. desenhada no chao. a.=‘--'E= Emaw» E-._. § ..2‘ «m >\‘-. este se expressa tanto nos momentos particulares que conduzem ao todo como na forma genérica em que os diferentes momentos particulares produzem suas sfnteses historicas.:-.-v. Nada térn existéncia fora dc seu processo de mediagao.. . nada adquire sua concretude fora do ml’iltiplo processo dc suas deter minagées.9: 3. Do mesmo modo que nao rem existéncia o universo em si mesmo fora do choque acid ental e fortuito dos elementos materiais que o compéem enqu anto universo. Foi até a sede do partido e- disse decidido: “como faz para entrar neste partido?”.E E.‘ Eva -. enquanto objetividade. de uma multiplicidade de processos particulares dc cons ciéncia em um determinado contexto historico._ .. ou seja. mas no movimento em que uma s se transformam nas outras.E. O partido nz'io esperou o processo do consciéncia deste mi— litante para 36 formar. . AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE Madeira saia do quarrel cabisbaixo quando olhou para a rua 6 Vin ali. A consciéncia de classe niio esté apenas na forma coletiva enqu anro produto ou em suas representagées institucionais acab adas.-..".\\\": .' E-. Ele o encontrou como uma objer ividade ja constituida por uma praxis anterior. Er‘ EM} EEE EEEEEEE E EE’ .

seja na forma classe). Warm .§w.iii-i airs-E.s a. O termo “através” (por meio de) . pois para Hegel: “(. $2. se implementa para Sartre.?.. de modo que estas sao constituidas pela multiplicidade de acées particulates ao mesmo tempo que as acées particulates sao constituidas por cada patamar coletivo objetivado. deve—se dizer que é essencialrnente é O todo 11510 é uma coisa (individuo ou sociedade)..__... Desta maneira._ ._._- 3am aging. \ s.§ $4 . portanto.. “essencialmente” no resultado._%. nao existe esta esséncia anterior que na no movimento.“ @353? i a. =2: AA ‘5». nern na abstracao sociolégica de um sujeito historico. sua consciéncia estao no movirnento que leva destas trajetorias particulates até conformacées coletivas. estao mais no processo de “totalizacao” do que na “totalidade” enquanto produto (seja na for ma do produto—individuo ou produto—grupo.. Petropolis: Vozes... G... da mediagéo de consti— entanto.. central para nossa analise. iii 1%... p. .31- 75 \ t. \ gags-sign aiéawE-aa Egg-2&3 i‘ximw afi-fis Mag:.. O ser da classe e.. w. pois tuicao do todo nao se apresentam apenas no termo uma substanc1a isto implicaria. is. portanto.40 Sobre o absoluto. \.. .. 5. 1997.%%E%鑧. MAURO LUIS IASI 0 set da classe trabalhadora nao esta somente no momento particular de sua expressao coridiana. “rota- movimento. Para Marx. O ser e a consciéncia da classe..Q . no a categoria.. F.. m. . Ocorre..s.._. mas precisarnente no movimento que leva de um até outro. se reapresenta essencial que antecede o processo de mediacao e assirn corno ao final. . . .:iiil..._:_. 0 todo imento._ .s s. fix.. nao ha esséncia ou “natureza” huma 4" HEGEL. m. Fenomenologz'a do aspirin). podemos compreender a famosa afirmacao hegeliana de — que a verdade esta no “todo”..fiat-52%. pois aqui também o produto costuma esconder o processo. Nao esta num operario andando com suas ma- goas e incertezas pela rua.g z. o todo é parece indicar —se enquanto todo. 1979). corno de fato acontece em Hegel. to a esséncia que se implementa através de seu desenvolv resultado”.. Para eles. _.. .. W. _ ._ s.V -.32:?" E‘s}.) o todo é somen imento. Enquanto implementacao em desenvolv vivo em seu processo de constiturr— lizagéo” (Sartre._>\. nem ern sua classe agindo corno sujeito de um determinado periodo historico por meio dos instrumentos criados em sua acao. que as mediacoes que dao corpo ao processo me’dio.tt_.r. it} §=C “was. .

“=. como classe. a0 mesm o tempo.. é a singularidade que comp ée a acao humana diante do mundo na forma de uma inten cionalidade que deve agir comprimida por uma materialidade determin ada. Aquilo que encontra mediacfio. nao correspondendo a nenhuma esséncia. uma vez que neles se sin— tetizam um momento da totalizacao social e histérica. %R {Etr. :w. ‘ ms. . V39 Ffig.». Hi ‘43 azsai. E a singularidade do ato do trabalho e da atividade que se mediatiza nos seres particulates ou nas manifestacées genéricas . :. considerar os individuos e suas trajetérias particulates como mediacées. m.‘2 Mariam-a2»: await ism m. $1“? . 3. “W .\-€__w\_.>‘>?N‘"'>-"*?s V ‘3": " 2“». -.Y'Vsifii’i"< 2-. é sempre a expressz'io da praxis humana.. seja viva e livre.:{_’?\_ Mr” ”3. .--.W .g-:*’-' g. ‘neste sentido. s . Assim. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSIE fora daquela que os seres humanos concretamente determinados produzem em cada periodo de constituicao de seu ser. A 21950 dos seres humanos.. Aquilo que os indivi- duos ou suas mediacées coletivas representam nao é a expressz'io de nenhuma esséncia. \ x._ imaixfifiieiiiiviaéig l t2§ar§i irai‘i‘s E ixsk‘i aé-Mé-Etafia sag-2a. p. seja ela revolucionziria ou reformista. Isto implica. uma vez que é esta acao dos seres humanos concretos que produz. .sV. 6). 'Q J. 1978. :9? 5% $.:93: “V.. -: 5 _\. seja na praxis coletiva (que podem ir desde grupos ime— diatos até acées de classe).-s§__¢\-§. seja na praxis individual dos seres humanos.» s. afta 3: . x. w: r km a gala. '-.13 it“? gh‘é 9 Rug gm: i’: -=’-. enquanto prax is individual ou praxis coletiva. N0 entanto. \-. 0 set e a consciéncia de classe dos trabalhadores tam- bém seria aquilo que estes trabalhadores produzem como ser e consciéncia da classe por meio de sua atividade historica. “a existéncia precede a esséncia” (Sartre. . para estes pensadores. _\_>. isto porque. . a implementacao em processo de seu ser.. seja como produto objetivado de praxis humanas anteriores que servem de base para a acao presente dos seres humanos no 76 ':. Neste sentido. produz novas sinteses objetivas que passam a me- diar a acao histérica de um ponto de vista gene’rico. .. mediante sua atividade. . sujeitos que constituem patamares de objetividade e objet o conformado objetivamente pela acéo de outras geracées. “? 0%} = .. para nosso tema.52"“. s= W: aim = Y». . has. de forma que o “homem primeiramente nao é nada”. “o homem nao é mais que o que ele faz” (ma).. E no movimento vivo da classe que eSta se move. os seres humanos séio.. a mediacao nao pode ser reputada como simples meio”._ -e -..

13§a§$ Rat-aiz-iéfia-Ea rings 1?}! tab 2%. ark-1%. p. Entretanto. um “campo pratico-inerte”. ter moradia. Presenga. 1. quer daquelas que €16 proprio criou” (117127. a. em personificagées dc ordens. 1. Karl. Lisboa: Martins Fontes.t was...1:?.}. 1976. Sé que. Marx e Engels (1976) jéi afirmavam que as premissas de sua analise sempre foram “os individuos reais. a sua agao e suas condl— goes materiais de existéncia.. como momentos de uma totalizaqao. 77 «a: M Ms.. as 11:5.. o dese nvolvimento dos individuos nas condiqées de existéncia cornum das ordens e das classes que se sucedem historicamente c nas representagées gerais que por isso lhes sao impostas. p. 5510 homens e mulheres que os filésofos escrevem em minfisculas e que prosaicamente preocupam-se com suas mint’isculas necessidades: alimentar~se. MAURO LUIS IASI jogo em aberto da histéria.Mim it {Es-3:11:32. mo moms id'iié-sasoiifsgz‘igéisirséaiijé a Maria 113% a 1%. é dc fato possivel imaginar facilmente que Género ou Homem se desenvolvem nesses individuos ou que eles desenvolvem o Homem: visz'io imaginaria que traz a histéria sérias afrontas. do ponto de vista filoséfico. que os moldam 6 moles imprimem de- terminado carater. Sc consrderarmos. e nao como polos estanques de uma determinagéio mecéinica ou transcendente.“ «Mm V's W a as w. 18). ENGELS. e que Sartre (1979) encontra como 0 pano de fundo onde agem os seres humanos. v. realizando os designios do Género on do Homem. Friedrich/1ideologirmlemri. além de individuos. . 79. mas resolvendo suas necessidades diante dos elementos materiais que encontram disponiveis. t.“ O que isto quer dizer? Isto significa que os seres humanos nz‘io estiio executando um projeto de uma Providéncia a0 agirem sobre o mundo. 5510 Paulo. vestir-se. 3fl ed. igualmente produto da agao humana prévia.$3.E‘s? Ear-1%. Isto quer dizer que o fazer histérico se apresenta simultaneamente em dimensées particulates e genéricas. o que para Marx (1977) é determinado por um certo grau de desenvolvimento das chamadas forgas produtiVaS materiais. transformando-os. .hisiffimii’fi as 1. a 6. a estes individuos silo impostas representagées e formas coletivas. quer se trate daquelas que encontrou jzi elaboradas quando de seu aparecimento. ao realizarem estes 4' MARX. estamentos ou classes.

. como escravo. o singular. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE atos minusculos. mas a mediacao concreta dos homens e mulheres. __s as ~1 . ao passo que o individuo é. O préprio fato de se apresentarem hoje como “individuos” ja indica um certo momento do processo social. utensilios. Além disso. menos abstrato. Do modo como expomos nosso problema. assim como sao formas particulates o grupo e a propri a classe. p. é sempre abstrato. ou seja. ou como proletario assalariado. os individuos nz’io correspondem propriamente is ca— tegoria singular. Ocorre que algumas destas formas particulates se aproximam mais ou menos do ser universal. enquanto a classe é a forma particular que melhor evidencia o ser social. contudo. ou como meeiro. procurava uma abordagem que definisse o “particular (0 grupo) como mediacao do singular (o operario) e 0 universal (a classe)” (Frederico. s s -_ M WM_ sax”. em seu estudo pioneiro. os seres humanos estao produzindo mais que alimento. Sfio momentos do processo de totalizaciio no interior do qual a praxis humana se converte em sociedade. roupas ou sapatos. revolucionarios. submetidos a urn nomarca egipcio. enquanto classe. em sua concretude. 0 grupo revela o ser social. assim como 0 universal. estao produzin— do histéria. Numa escala. .. 15). tudo. sz'io uma manifestacao particular do ser social humano. s: i» ”3“ m“ spams iififs‘ié‘wiiii‘siiifii ii?» iiiiiii ii}? iw‘éiiiii iii ”M iii? iasimis isiis it? twig iii“ iii itiiiiiisiii . estz'io produzindo os diferentes seres particulares que compéem o género humano. cotidianos. poderiamos dizer que o individuo é a forma particular que mais se distancia do universal (por isso dificilmente seria urn juizo singular). N510 sao a mediacao de um Homem. Celso Frederico (1978). do ponto de vista conceitual. O individuo é uma ma— nifestacz'io particular do ser social humano. a humanidade. 1978. so pode se fundir com a genericidade do humano em periodos histéricos especificos. na busca da compreensz’io da pratica e da consciencia de classe dos trabalha- dores. ou como arrendatzirio capitalista. pois fragmenta e obscurece o caraiter social do ser. Nao é por acaso que a prépria palavra “individuo” seja de uso recente e associada a0 78 -. . mas de maneira ainda incompleta e particularizada. da humanidade em movimento. s.

p. EEEE EEEEEEEEEE EEEEEE-EE EEEEEE-EEEEEE EEEEEE EEEEEE EEEE EEEE. V.42 . . urn burgués deixe de ser uma pessoa (embora algun lhe impoe se empenhem muito para isso). A ideologia aiemri". Karl. 80. p. i “WEEKEEE EEE. se acaba por produzir uma diferenca entre essa forma individual ou pessoal C autores essas personificacoes coletivas. niio é uma essé‘ncizz que se manifesta nas diferentes formas particulates ern que os individuos personificam suas relacoes coletivas. 1994 e 1996). com uma personall— 43 MARX. uma espécie singular de ser vivo que estabelece certas relacées sociais de produciio. mas que o seu ser coletivo s classes. O ser social. cit. ou acoes coletivas de abrangéncia econémica imediata ou mais amplamente histérica na forma de classes sociais. que. EEE EE -. Vejamos nas palavras dos de A ideologitz alemz’i: ico. alertam os autores. E QEEE EEE EEEEE E ”E .E W EEE E M E E. Na viséo marxiana.0 quer dizer. “os individuos partiram sempre de si mesmos. que existe uma difercnca entre a a 21 um qualquer medida em que é pessoal. e precisamente pela Verifica—se no decurso do desenvolvimento histér avel da divisfio independéncia que adquirem as relacées sociais. dentro de certas condicoes materiais para produzir sua existéncia. fruto inevit Vida de cada individuo. necesszirias e independentes de sua vontade. pois. e a sua Vida enquanto subordinad ramo do trabalho e is condicées inerentes a esse ramo. _. 1. ento 1976. uma personalidade que se manifesta por oposicfio a outra Antonio é so uma pessoa simpzitica e afz’ivel. capitalls— 1330 115. MAURO LUIS 1A5] processo de individualizacéo que se confunde com a emergéncia da sociedade capitalista (séculos XIV—XVIII) (Elias. Friedrich. enquanto s burgueses ta. 1993. é o ponto de partida abstrato e geral que encontramos mediatizado por formas particulares como cépsulas individuais que se julgam auténomas. mas de si mesmos no fimbito das suas condicées e das suas relacoes histéricas dadas” (Marx e Engels. EM E‘Eé: \4. . EEE: . n’ao certamente do individuo ‘puro’ no sentido dos ideologos. 80). 79 __f. Ocorre que. on em momentos de fusio coletiva em grupos.E\ ”Kg E.EEEEEEEE EEE. no interior do desenvolvim histérico e de uma certa divisao social do trabalho. na do trabalho. EEEEE E'EEEEEEEEEEEEEEEE Her-i . segundo Marx e Engels. EEE EEE EEE EEE? E EE EE EEE E EEE E. ENGELS.

“M w.. nem expressoes de uma “natureza”. . M . era parte de mim e de minha humanidade. mas momentos nos quais os seres humanos se construiam como seres huma nos.’. A complica gao toda estzi no fato de que o processo de exteriorz'zagio leva a0 de objetz'wzgt'io. .. evidente que nfio haveria dificuldade alguma de “reencontra-la” ao final.5.. Estes momentos trazem em si uma unidade que nos interessa: a unidade entre a aeao dos individuos enquanto pessoas e enquanto personifica— eées cle relagées de classe.. como objeto. a inteneao subjetiva Vita um objeto e. Nao é mais uma pessoa.‘. é algo que niio sou eu... precisando descansar minhas pernas.. e sua personalidade consiste em 38f valor que quer se valorizar. . pois seria um encontro de algo que sempre esteve ali.. . . » _‘<-\.m._:a-. Estas personificagées de classe niio seriam estagios pelos quais a esséncia humana encon trou sua mediagao. . e’ algo impessoal: agora ele é 0 Capital.:\. mas diante de seus empregados é Antonio Ermirio de Moraes. Veremos mais adiante que a propria polarizagflo entre o envoltorio individual e o ser coletiv o é o tipico produto d6 110333 éPOCa. .\-<?..~>§ 43m. penso em transformar algumas madeiras em cadeira e assim procedo corn meus parcos conhecimentos de marcenaria.. como individuos ou grupo de individuos.g. personificaefio do capitalista. Para Hegel. mm am ‘3 as._. que se expressa por meio de suas diferent es agées particulates._ fi:-_ii§1§‘é-¥$x 1V" mar-M“): s. \: m m \. w: a: a.w?.=s§:&v€. . assim como um fimb ito de agao particular. mas agora. ou. 32:1 $13: 3-”? \‘e. poderiamos objetar que. “Jr’mm Egg-Y. Enquanto projeto.§ MR?»-. Nés. . diferentemente. «.“ sum-”1v. 19 94. a. Mg)» mo. e um outro em que esta agao se materializa em formas coletivas que agem em Home (108 individuos. enquanto tal..-'\" . i-\\... . \\.. Eu.= v. de maneira mais simples. ‘§-\j‘-‘:§. ha uma esséncia. 9). Como no ato direto descrito trata—se de uma so pessoa e uma so cadeira. \M". . p. mas é muito difi’cil imaginar este “individu o” com0 um “eu destituido de nos” (Elias. > . se a esséncia do homem se expressa nas suas agées e produtos . _\. podendo se reencontrar a0 final no obje to.'. XML. o Espirito Huma— no.. eu precisaria estar passando por uma séria psicose 80 m mm WM as. simples mortais destituidos de espirito. ganha Vida pré pria. :. \.. N... .z~._.i:'i1_e':'<e" g5“ i: w“ ”ii: m? jjgegfifiikgc {wists}. As METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE dade forte que traz as marcas da personalidade de seus pais e de seu temPO. m M MMa Ma.wr.

NNN N _.E\ VEE " E" 'E W ENE E. pois os seres humanos particulates estéio sempre presos a um dos momentos. este reencontro se aproximava da era do dominio burgués.-NEE.E-EEE. ou niio perceber pOI‘ triis dc sua aparéncia fenoménica a humanidade ou intencionalidade que o fundamenta..43 _ Como sabemos. seja ele prosaicamente uma cadeira ou urn conjunto complexo de relacées sociais.. “EE EE-.EEEE EEE ENEEE “““EE Er-"uE'E EEE-‘E. G..N.EEE EEEEEE-EE E3. ENZEINE EE‘E‘E" EEEEEE E E EE-«EE-ENEE.. E. 85. o que é isto? Mas.E EE. portanto.. p. F. “E " EM . arte.25- 81 N. Aquilo que estaria expresso ora como um senhor feudal. Como exemplo. guerras mundiais.EN. Ele faz também mesas.f“. MAURO LUIS IASI amnésica para olhar para o objeto que acabei de fazer e perguntar assombrado: nossa. seu Estado nacional e sua forma particular de ser humano: o individuo. Para Hegel. NNNN NNN NNNNN NN EEQE _ : . poesias.:. Hegel afirma que a acéo particular 56 pode expressar uma parte do todo que seria a esséncia do ser humano. esta é apenas uma faceta particular de seu carziter. 0 set humano r1510 6 apenas um ser—fazedor—de-cadeiras. ele gostava' muito da metéfora do bosque e das érvores: Primeiramente queremos ter uma visio total de um bosque..<. para dePOES conhecer demoradamente cada uma das :irvores. para o filésofo aleméio. 1983.. se perde e se desnorteia dentro dele.ENNNNVN. ora como burgués..0 Paulo: Hemus. EEE EENEEEENEEEEEEEEEEE. . o que pre— judica a percepcéo do todo. de forma que um outro ser humano pode olhar para o objeto sem saber do que se trata. o Homem. é possfvel que uma das formas particulates reencontre esta origem.. E. W. Como era uma esséncia prévia. EEE EEE EEE. ainda segundo Hegel. NEE E. Introdupzio it bixrdrz'a dafiiosofizz. o eminente filésofo alemz'io r1510 estava minis— trando um curso sobre nocées elementares de sobrevivéncia em “‘5 HEGEL.. so poderia ocorrer na dimenséo genérica. é possivel que o objeto. . sofisticados aparatos de exterminio em massa._N.ENE. ganhe autonomia em relacéo ao ser que o criou. filosofias.N__ _-.. refrigerantes de diversos sabores. ora como aristocracia escra— Vista. EEZE E ’EE ENE. Este reencontro do sujeito com o objeto. se considerarmos o conjunto dos seres humanos e inseri—los numa dimensiio temporal.N _N EEL'E ENEEEE E“.EE:E-=EEE2E. Quem considt‘il‘i1 33 zirvores primeiro e somente esté pendente delas 1150 se dé conta de todo o bosque. era.

‘. que siio o momento mesmo da mediaeao. 3. mediagao. entiio. 4-4..444 4.‘4‘.»§. 3344. 4434. 3* “-32. Existe somente enquanto se produz a si mesmo. Para reforgar este paradoxo. 34432344 3434333413 4 34. A filosofia como juizo singular. poderfamos dizer que a humani- dade nao é “imediata”.4 .44.4-..44._-::. 33. . . e esta.4. Conhecer o mundo e buscar a Verdade é um atributo da R4240.4 --"'“-. uma expressao do Espirito do Mundo (Hegel. assim como seu resultado.5 4...44 +4. 44.4.43344 3:4.. Mas como seria possivel esta visao inicial do bosque—filosofia fora das expressoes concretas que constituem o ato préprio de pensar em busca do conhecimento e da Verdade? Aqui se apresenta um aparente paradoxo..4.. 3 334434 3. e o produto deste processo tornado em conjunto 6': A Filosofia (também una).. 3..4. Aquele que ten- “ HEGEL. . o bosque era “A” filosofia. 4.4.. as diferentes filosofias sao apenas a manifestagfio. Ele se produz através desta sua prépria atividade.. Para 0 tema especifico que estudava.3244. 3433... é uma meta’ifora. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE bosques. :§:§§:¢{. 31-9“ . cit” p. 1983..=--"3 . W.. justificado olhar para as arvores-filosofias.'--4"‘-4‘. mas se produz por meio de sua atividade humana.44» 33:.. pois foi o proprio Hegel que nos disse que o “todo” era somente o processo pelo qual a esséncia se implementa por meio de seu desenvolvimento.\H\V 4v. G.»??? 2424444._ .3 . 11.2 . existe somente enquanto se produz a si mesma. e nao o bosque—absoluto.." 34H 4:.. enquanto as arvores eram “AS” filosofias. 34444-1 4‘ 4443. 44:4 \‘4.. Entao. vejamos a énfase que Hegel coloca nesta relagao do pensamento como 4940 mediada que produz a filosofia: O pensamento é ativo somente enquanto se produz.\'4.3. que é essencialmente resultado.. o ato singular de 0 espirito procurar a verdade por meio da razao. 33._. Pare— ceria.44..». 3. se mediatiza mediante as ml’iltiplas formas concretas de alcangar esta verdade (as filosofias).7". desta busca incessante do espirito. 23).:.44. :43:.-1. 3:444 444 “4. p.. o juizo singular é um verdadeiro paradoxo! Como pode existir um ponto de partida anterior e externo a este processo de mediagéio? Para Hegel. mas as mediaeées sao mt’rltiplas._ ~44 441. a histéria da filosofia.44. 82 3.. . F. O que ele assim produz é a filosofia.’..43._. pode e é o que explica o proprio processo. O pensamento nao é imediato.4.m.44: 4. O espirito inicial é uno... 433344434o 43.‘M Tratando—se de nosso tema. Introdugio (it bisto'rz'd dafilosofia.. 34344333344434 3.

“A tentativa de solucao de Hegel . ele deveria permanecer ”‘5 Para uma visao mais abrangente e precisa da diferenca da abordagem de Kant.222. com uma relacao prépria entre zirvores. este tipo particular de fungo. torna-se um novo ponto de partida singular em busca de novas particularidades.2 2222. dos particulares e do universal.2. tiio uno quanto abstrato. E por esse procedimento que eu posso erguer um novo juizo universal.) por culpa das filosofias. nao seria provavel uma mudanca tao abrupta de qualidade no juizo universal.45 O singular é um juizo abstrato e so— mente se eleva ao universal pelas mediacoes particulates. e. A dialética hegeliana. por culpa dos seres humanos particulares niio encontraria a Humanidade. no nosso caso. equaciona este problema arti— culando de maneira bastante criativa os juizos do singular..2222: 2:2 2222222 222:2 223-222-2222. tornando.2. portanto.222 222-2232 isms-2:2 222-222 222. uma vez que. infinito o movirnento do conhecimento.222. em que o ser do bosque agora atualizado seja uma pequena ilha verde cercada pela civilizacéio de plastico C COHCFetO por todos os lados e objeto de cobica da especulacao imobiliéfia- Para Hegel. Sabendo do juizo singular de bosque. 83 2222. entéio. enquanto 0 universal..222 1222222§22222§ 2:2: . como sintese de multiplas particularidades. 1983. unidade do diverso. p. principalmente o capitulo II. posso me debrucar demoradamente so— bre esras arvores particulates. o Espirito do Mundo. MAURO LUIS IASI tasse conhecer a filosofia pelas filosofias. nao veria o bosque (. pOSSO compreendé—lo como manifestacao particular do juizo singular— —universal de bosque. 22 ““222 22222 2"“: 2221322222222 2 2s :22. novo porque constituido por novas par— ticularidades. O bosque inicial (a primeira visfio toral do bosque) é o juizo singular.22 22. Hegel e Marx sobre estes juizos e categorias da dialética. nao chegaria a filosofia” (Hegel.} 2 222222 2'2 2222 2:5: 22:22 2 2 22:22.22 22222 “222 2222:2222 {22. plantas e animais. como as grandes florestas tropicais. assim. tratandoflse de uma esséncia imutzivel.22222. 22 2:2 2. “por culpa das arvores. 25). o jardim la de casa ou urn bonsai. ver Lukacs (1978) ~ Introdumog uma estéticzz mzzrxz'sm. fungos. que nos afirma que urna singular disposicao de arvores. merece uma denominacao que o distinga de outros fenomenos singulares.

Como o juizo singular é uma ideia.. porém a filosofia. Passou a conceber 0 “real como resultado do pensamen to. As METAMORFOSES DA CONSCIE‘NCIA DE CLASSE em identidade no seu ser—Ourro. teriam atribufdo urn sentido 2‘1 Historia. : T13}? *-E:6“-:“’ . e 03 marxistas de— pois dele. deve existir eternamente”. EE‘ E6266 ET $. além d6 0 pensamento produzir a si mesmo por meio de sua ativid adeE €16 era capaz de produzir a propria realidade. que independe dos prosaicos seres humanos. . ' - E$6. apesar da multiplicidade de filosofias. mais precisamente um conceito. o que de resto explica 0 porqué de a teoria do conhecimento em Marx ser a dialé tica hegeliana. o entusiasmo de Hegel diante desta consta- tagz’io sobre o bosque—absoluto levou-o a acreditar que. Como sabemos. espero eu. paradoxal seria o marxismo propor um JUfZO Singular! N210 exatamente.EEEEE} EEEEEE E. . a forma de 0 pensamento se apropriar do real. enquanto os criticos modernos do marxismo insistem que esta concordiincia. 1999. Acompanhando Schiller ao per- guntar qual filosofia permaneceria entre tantas. revela rnuito mais que urn espaeo comum na teoria do conhecim ento e deduzem interessantes conclusoes sobre um suposto hegelianism o mal resolvido em Marx que o faria substituir sem maiores conse— quéncias o Espirito Absoluto pelo Proletariad o (Gorz.616).. 6‘ 6E»:EEEE. que se concentra em si mesmo. p. pois Marx dira que este seria apenas 0 processo pelo qual o pensarnento busca se aproprial’ d0 tea . um sentido transcendental. Assim. d6 fato. [1859]197 7. ainda poderia dizer: “a0 sei.E21? E'EEHE.303 Gorender. EEEEEEEEEEEE‘EE EVEEEE?‘ $6. persistiria a filosofia.51.E EE66E6E6E6E. 1987: P. 33). mas “niio e de modo nenhum o processo de génese do proprio concrete” (1. especificamente com a acei ragiio de que esta é.E-$6. p. O Sujeito da Historia (parece que quando os autores escrevem em 84 . Os adeptos apressados do materialismo esquecem que nesta discordancia entre Marx e Hegel hz’i uma grande confor— midade. EEE‘EE6 EE‘EEE. EECM=6 W»EEE’E >M~. 219).6 El: {WE‘RE. Ora.. obliterada pelos marxistas mec anicos. gera—se a ilusao de que uma ideia é que se fez materializar em diversas particularidades.E. se aprofunda em si mesmo e se movi menta em 31 mesmo” (Marx. rnas neste caso. Isto quer dizer concretamente que Marx. 6 ’EZV‘EY‘ME‘ ..

if? :6” x. um proletario prefira a parte dele 85 “éiasi is“ $3£1353. e ern cer’tas condicoes assim o fizeram. concretamente existentes”. livre de seus inconvenientes particulates. Caso pudéssemos observar esta polémica de fora. assim. Permanecem boa parte do tempo submersos em problemas relativos a sua sobrevivéncia. Abre—se aqui urn abismo que muitos galées de tinta tentariam preencher. {"7 >335? ”K ”silks ii swam $5363 if ‘3 E?. as revolucées dos séculos XIX e XX.“ . de modo que o Proletariado e sua Missao seriam algo qualitativamente diverso de um proletario pensando em que fazer para pagar as contas do més.1 s‘ 2 i 3% ix 1% Méii Mm “2’12: If. E verdade que as classes tém uma existéncia objetiva e podem. de uma disputa individual de projetos individuais due faz do liberalismo darwinista seu principal quadro de referenc1a. Os que olham a classe ern rnovimento na dimensao hisrorica. Assim corno é perfeitamente comprovavel empiricamente que os individuos desta classe 1150 se comportam o tempo todo como sujeitos historicos. E perfeitamente provavel que diante do futuro emancipado. pois a classe so pode ganhar sua materialidade por meio dos corpos concretos daqueles que a constituem. grandes prazeres ou angfistias existenciais. de um reformismo atavico. e cada um dos trabalhadores tomados em sua individualidade. MAURO LUIS IASI maifisculas querern indicar a dimensao Universal do termo. da livre associacao dos produtores. constituir—se enquanto sujeitos hlstor1— cos. nos anunciam a inteligibilidade de um processo em que as contradicées entre as forcas produtivas materiais e as relacées sociais de produ- céio encontram sua expressao subjetiva numa classe que representa uma alternativa societaria para além do capital. posso falar no des— tino majestoso do Homem sem levar em consideracao algumas trapalhadas que o homem concreto tern feito) ficaria igualmente transcendente. poderiamos chegar a conclusao 1nquietante de que ambos tern razao. %§\M’w&z2 KL. enquanto sujeito histérico coletivo. Os que observam OS “proletarios concretos. Existiria uma diferenca essencial e nao redutivel entre a classe trabalhadora. nos trazem o retrato de um amoldamenro a ordem do capital. ou simplesmente distraidos corn pequenas alegrias.

das praticas individuais.2932» 222:3? _v: @.jg?“ '\_ 2552‘s .22: 22222 2 222. ‘2" 9“”. ”‘6 “A {mica realidade przitica e dialética.322232222 2. em ultima instancia. passam a buscar a inteligibilidade dos processos e da acao social como derivados. Mas esta afirmacao niio faz sentido e nao nos auxilia em nada. Como a praxis coletiva é a interacao de diversas subjetividades. $225. se 6: que existe uma relacao.25.\{-..}: 21:22-22. De certo modo._ _.22 22. :§ “_‘Y‘V 1.222.2??ai «gift: {’-‘-‘§5' ‘.22-2323-2s2.:2>~'§:-_. entre a praxis individual e as manifestacées coletivas que se produzem em sociedade e que ga— nham autonomia em relacao aos individuos que as criaram. é sempre possivel derivar das ma— nifestacées coletivas o substrato original de acoes individuais.":§1-2?V’N3t 23‘ {AR _2.§v. seria ela. por que.35%:q $222\'§. A questao nao é se existe uma diferenca entre o todo e as partes.fi?‘:"-\"5 ‘35::. is»: f2 ___< 22. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE em dinheiro e agora..222 2. 2.222. 465).3.. 86 Fifi. seria um fato inegz’tvel que certas estruturas sociais ganham uma objetividade independente dos seres humanos.2.2% 22222.46 ]a para outros pensadores. I). é a acfio individual” (Sartre.. entre a forma individual do ser social como uma pessoa e seu ser coletivo de classe.} 2.222. isto se apresenta também na leitura fenomenolégica existencialista de Sartre. corno produto. p. .22232.e\'§. ‘2. 22. entao.222 2-. de individuos.. entre os quais se incluem alguns marxistas e quase a totalidade dos funcionalistas durkheimianos.? $2.222. apenas que a przitica individual pode manifestar—se em maior ou menor medida como przitica de conjuntos. mol— dam seus comportamentos e definem a forma de sua acao. 0 motor de tudo. Q \\\N_ 222._ §2t2a222§2221222222.». que de uma forma ou de outra se aproximam da sociologia compreensiva de Weber. Para estes nao existe propriamente um “sujeito coletivo” como as classes. bem analisadas as coisas. acreditando que.222 222.? 2 iafiwik 2. PPM-F" i i-‘5" '3‘ ”. inevitavelmente marcada pela intencionalidade dos diversos agentes individuais? Em caso afirmativo. 22‘ 1:222. $222. mais ou menos homogéneos.» in x»: .22$1._\ 32-: g—Yfig: as :\_. ._. 1979 (v. :_.5. mas qual a relacao. Qualquer crianca sabe que uma zirvore nao é um bosque. o produto costuma se apresentar tao distante das intencées daqueles que o criaram? Alguns pensadores que fazem do individuo o sujeito da acao social.\'. e mesmo o botanico mais desatento nao costuma confundir um bosque com uma arvore.

2 2.2.. Para Elias. por ocasiz'lo do mestrado. 22.‘ 22-2-2 22.‘.2.22?»n 5-22.22. Para pensadores que fazem de seu método os elementos fun- damentais da dialética.» 2w. observamos que essa forma coletiva assume diferentes feigoes caso a desloquemos no espago (America.2. K? \2. . ou “uma porgao de pessoas juntaS”.23. -.2-22..:é2 2222223222W22‘.:2*.‘ 2 22-22-22 “=2 2: .22.2322..2. 2. . Fifi??? “Ni? $2252. 22 2 2 2:2 2-.225.23-2. ou... Sartre e outros. mas. ao contrario.2.-: in» 2’2 2”"! W't-.2. pois devem se perguntar sobre o papel que cada polo tem no sistema geral de contradigées e sempre ter em mente que um aspecto é ao mesmo tempo seu oposto e que em certos momentos uma coisa pode se transformar no seu contrario. Marx.. MAURO LUIS IASI Enquanto os primeiros tém a seu favor o fato de que ninguém nunca encontrou uma instituieiio que nao tenha sido criada por seres humanos. que “a mudancga de uma forma de Vida em comum para outra nao foi planejada por ”‘7 Este foi um dos eixos de meu estudo passado.f £4223 2. o que inclui Hegel. 3510 as partes que dao existencia e sentido ao conjunto2 o pensamento humano se enreda numa polemica apamntemeflte insolt’ivel..22 22 iim..2 22 222222 \ 2.. : 2 22.22:2. 87 :""\.x :. assim como sabemos que um termo diz respeito a um conjunto e ourro as unidades deste conjunto. Parece evidente. . que se encontra publicado no livro jzi citado O dffema dc Hdmiet: a ser (3 a mic ser dd corzsczencm. segundo a posigao do autor.. 32: {2.. 22WW“: A22: =2. aparentemente sabemos mui— to bem o que queremos dizer quando falamos em sociedade e individuos.-.222." 2' 22: W'r .. 22 “222. os segundos podem argumentar que é igualmente muito difi’cil encontrar um ser humano que nao tenha sido previa— mente moldado como tal por uma ou outra instituigao. :2: :2» 2..2:. Assim.2. . 2.47 I Vejamos de maneira mais profunda este problema. 222. quando nos perguntamos se e’ o conjunto que determina as partes. 2-12 .2.2.W\W {in 2’22_.232 2. -22 222-22. a dicotomia mecz’inica individuo—sociedade niio faz muito sentido.-. 2% W.‘<.. Asia on Africa) on no tempo (a sociedacle do século XVI e a do século XX) e nos depa— ramos com o fato de que as formas de Vida em comum mudam.2 95) g . 22L.. a coisa néio é tfio simples.“3.22..-22~*-"-2 ~12 W-.232 ...' 2222222222 2..i’ . 22 22.} 2.222. partindo da constatagao elementar de que costumamos definil’ a sociedade como c‘todos nos”. 9. pois estes formam uma unidade dialética. Como ja afirmou Elias (1994)..

Enmz'or de sociologia. zsfit we» éimmo M 2:.48 0 paradoxo que Elias atualiza e’ o centro de nosso tema.}‘5: s: r. e. segundo a qual o todo 11510 e a simples soma das partes. que é partilhada pelos pensadores dialéticos e pelos adeptos da psicologia gesta’ltica. ainda que seja exatamente esta a conclusfio de Weber corn seu raciocinio a respeito da disciplina e da burocracia como formas de agiio social49 e a de Sartre. p0r sua A c 4” ELIAS. A sociedade do: indz'w’duos. Os defensores do individuo como sujeito da agéo social resistem ao fato de que a agz'io dos individuos. P. pois. que nfto foi pretendida ou planejada por nenhum de nos.13- ’” WEBER.» H ism isgem: 32%. 13) que compunham uma sociedade. claramente. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSF. 1979. das intengées de qualquer pessoa em particular. é impossivel constatarmos que qualquer pessoa dos séculos XII ou mesmo XVI tenha conscientemente planejado o desenvolvimento da sociedade industrial dos nossos dias.? ”was :M. 3&3?e r We mm. produz algo que volta como estranho aos seus produtores. Engels [1890] parece ter indicado este fenémeno quando afirmou que: A histéria faz—se de tal modo que o resultado final decorre sempre dos conflitos que se estabelecem entre muitas vontades individuais. 1994. E. nenhum destes individuos” (Elias. quando observada no conq‘IIO. Na ver- dade. 88 ewes a» mi 92%. 129). no entanto. s: rg 1%. Diz o autor: Pelo menos. nem tampouco por todos n63 juntos? Ela so existe porque existe um grande nfimero de pessoas. “rm Rive» . Que tipo de formagio é essa. sobre o que chamou de “objetivagz’io alienadora de fins realmente perseguidos” (Sartre. Norbert. isoladamente. so continua a funcionar porque muitas pessoas. querem e fazem certas coisas. aqui se reapresenta uma velha afirmagz’io dos gregos. de um grupo infinito de paralelogramos de forgas que diio ern consequencra uma resultante — o acontecimento histérico — que. Rio de Janeiro: Zahar. sua estrutura e suas grandes transformaqées histéricas independem. esta ‘sociedade’ que compomos em conjunto. Max. 1979 [V 1]. 1996. *Mémiitm . p. de um conjunto inumerével de forgas que se entreu cruzam. Rio de Janeiro: Zahar. p. cada uma das quais é o resultado de uma multidio de condigées de existéncia particulares.

.. e mais..miss§§-%§:§§-§.3.3. com um rodo resultante desta aciio que atuaria como umaforgcz 22mm inconsciente e involuntariamente. 3. v. Pois o que um deseja tropeca com a resisténcia oposta do outro. i3 {3*}.Eééi-‘é-azfi. mas o produto é algo sem finalidade consciente. ..7..%f. mas nz'io planejada. N . iii {32$ ‘2 Eggs-.. De planos emergindo...E€:E ii isfié‘aié ifirfi‘r i @3513. __N. Vejamos: Considerados num nivel mais profundo. bem simples de ser explicado. tanto individuos quanto a so— ciedade conjuntamente formada por eles sz‘io igualmente desprowdos de 5" ENGELS.. que. . outros. o que encontraria a mais resoluta concordfincia com os pensadores weberianos.... Todo o esforco da sociologia compreensiva e de captar o sentido da acéo social.3533} 9 Q7536.. p. Carm de Engels a Bloc/J (21/22 de setembro de 1890). outros alnda preferem abolir qualquer inteligibilidade e assumir o acaso. ou... nos termos sartreanos. 4.. 8‘) N.. .. a inteligz’bilz’dade. . mas o produto da 3930 do conjunto dos individuos emerge como algo sem finalidade... Todas estas iniciativas indicam uma certa dificuldade em compreendfil‘ estas duas manifestacées opostas: a acéo intencional dos Indiw— duos e a formacio de um todo que se autonomiza destas intencoes.“.3%.is.Wn}: . N.§:-.}..figs 2%.. Friedrich.__.. via de regra.. alizis. As pessoas atuam em sua cotidianidade e juram que seus atos tern um sentido.. e o resultado de tudo isto é algo que ninguém desejava.._ _N. . 3. aparece como um produto estranho e hostil.N. WNW. lé.3‘7. MAURO LUIS IASI vez... negar a intencionalidade dOS individuos moldados por um todo externo a eles. .?.. A .§ 15. m. pode ser encarado como produto de uma forca finica.i§. como um todo. . ig’sé N3 ... atua incomcz'erzte e involuntariamente.Obms “‘0‘ Midas. Elias dzi um tom todo especial e provocativo a esta ex1stenc1a néio finalista. ou esta inteligibilidade. .. i.‘ Para enfrentar o paradoxo. no memento em que atuam os individuos. 284. N . alguns propéem estender a inteligibihdade da acéio individual :10 todo. Pa— rece que poderiamos encontrar esta relacio de sentido.50 O problema aparentemente implicito nesta Visio é a com— binacio de uma aciio motivada por interesses e orientada por valores.§.

Frederick S. cons- troem. 18. this it. 32. um exagero aqui.'-=.4. Gestalt tempy verbatim (Gestalt tempt}: exp/iatdtt).imi§} i. Para 0. <~~x 3. levado ao exagero. isms-é. N510 por acaso hzi aqui.. estamos falando. o fundo em que estas significagées séio construidas. um dos expoentes da psicologia gestaltica. Norbert. 0 tecido basico em que as pes- soas entremeiam as imagens variziveis de seus objetivos. Pois as pessoas estabelecem para si diferentes objetivos de um caso para 0mm: C 11510 hi outros objetivos senao es que elas estabelecem. AS METAMOIIFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE objetivo. Antes de tudo. Quando nos referimos a inteligibilidade e sentido. o raciocinio de Perls nao atribui uma materialidade 5‘ ELIAS.3 i iv». Nenhum dos dois existe sem o outro. swim. Perls (1976). juntas. ii:s this my?“ VFW“ sass. asi/iis. 3:. dizia que 0 “N65 nao existe. formam um sistema solar. eles simplesmente existem o individuo na companhia dc outros. niio de um sentido do processo em si mesmo.51 Ha uma grande proximidade entre esta-Visao e a afirmagiio de Sartre a respeito da determinagao da existéncia sobre a esséncia. uma coincidéncia com a relagao figura—fundo da Gestalt. as agées significantes) e o processo concreto e sem finalidade que constitui a sociedade. é evidente que estes liltirnos 3510 de uma manlfestagao empirica concreta corn muito mais densidade.pr0cedimento przitico da pesquisa. também. na verdade. far: is is. é sempre mais facil encontrar 0 Tu que 0 N63 para entrevistar. entao. mas é composto de Eu e Tu. mas ha.i'xii§:i?<'sis-t?»- :s-. ou sistemas solares que formam a Via Lactea. esre “tecido basico”. A sociedade dos indiw’duos. P. =s"~:.sia§z 13“: ->“\.. at.imam. 1976. elemento essencial para o hiperernpirismo em que estamos envolvidos. E essa existéncia nz'io finalista dos individuos em sociedade é 0 material.r. 33 iisiatwaiisiiii. liaisiiitiiiis . 52 PERLS. 3. mas daquele que os seres humanos sobre este fundo. p. As relagées de sentido seriam a figura (nos termos de Sartre. Existe um diferente grau de materialidade entre 0 Nos e 0 Eu on 0 Tu. MW: stasis-as. analisando um pouco mais profundamente.9- mm *2.“ sag-its WW“: i §.. a socie- - dade como uma sociedade de individuos —— de um modo tfio desprovido de objetivo quanto as estrelas que.550 Paulo: Summus. é uma fronteira sempre movel onde duas pessoas se encontram”?2 Em principio :udo bem. No entanro.

ou que é apenas a fronteira..$2.‘2 §.2. pode adquirir uma densidade t'ao ou mais material.}. do que 0 Eu ou 0 Tu — inclusive. O poeta pernambucano nos apresenta em seu conhecido poe— ma uma gradagao interessante sobre este assunto do 561' espesso. 0 set do Capital niio tem existéncia fora das relagées que o compéem. 91 3.. mas seria um tanto exagerado dizer que 0 Capital r1510 existe. iaiaé 1%.¥s’3. 1979. Como é ainda mais espessa so a fome a come. o encontro. . acabar por subordinafllos.Eééi-‘éai. mas somente o oxigénio e 0 hi— drogénio. Vejamos este fragmento: Espesso como uma magi é espessa.a.si‘fifimiffil as . may a Mag ia':§:3§}:§:§:l§ swa..31. Como é ainda muito mais espessa 36 I150 a pode comer a form: que a Vé. Nao é um procedimento pratico aconselhavel pedir a alguém que se afoga para manter a calma e respirar primeiro todas as moléculas do oxigénio. ainda que nao papavel. como é o caso do nosso estudo. 0 Nos nao é apenas uma “fronteira”.” 53 MELO NETO. Seria como se alguém dissesse que niio existe a zigua.sass-. 317. como diria Joz'io Cabral de Melo Nero (1979). Como uma magi é muito mais espessa so um homem a come do que 36 um homem a vé.?. 0 Capital é espesso. portanto das relaoées entre as personificagées do capitalista e do trabalhador assalariado.. p.. Joao Cabral dc. mas a abole. “como todo real é espesso”.. P085id5 complems (1940-1965l.\-.§m-. is: axis 2%.Rio de Janeiro: 10363 Olympio.“? @336. Certo. A molécula Trabalho encontra—se com a molécula Capital 6: produzem 0 set do Capital..fi-ikséfifié i: hair‘s. considerado abstratamente. MAURO LUIS IASI diferente a dimensao do Nés.

EeEEEeE. . mas nae menes concrete e objetivo.. “21‘9“:‘1 3:. ela ganha ainda mais densidade quando aquele que olha tern £01116 e nae pode comé—la. come vimos.3m {EV. na verdade estender. Evidente que o “sangue de um homem é mais espesso que o sonho de um homem”. Como é possivel que desempenhe algum papel ativo esta “objetivacao alienante de fins realmente persegui— dos” (Sartre.. a inteligibilidade individual ao corpo social. Caberia perguntar: por que es seres humanos olham para o seu proprio produto come alge “sem sentido”? Talvez pelo fate do que é hu- mane aparecer come um produto nae humane. A maca é mais espessa se um homem a come do que se ele apenas a observa pelo mesmo metive.I:_§_E_Q®?_VN. Clare que nada mais objetivo e concrete que os seres de carne e 0530. r115: 4. O conjunto das relacées que formam uma sociedade é tiio eu mais concrete.Ea Eaeee Zeeeeiefiea-eeeé arse. mas aqui se trata da materialidade palpavel. é relativa ao universe nae palpavel. esta existén— cia nae finalista que parece aos seres humanos tile natural quanto a coexrsténcia no espaco das estrelas e planetas.E fig}. mais que isto. . estranhade. é ainda um produto humane. 1979)? 92 finer-9W $“3-:%‘-§“E§‘. que chamamos sociedade. das relacées. na imagem poética. é muito mars que um simples pane de fundo em que as pessoas costuram suas relacées de significade. Marx chega a afirmar que abolindo tais relacées abolir—se—ia a propria sociedade.93 $35. quanto mais se aproximam do humane e da necessidade humana. inumano. este produto dos seres humanos.Eeeeee-. 2““'_'“E°““:I"§"EE‘ 3::.§ {an :t “W 2:113:22 Y: $9M Ag»: if‘fiifi fit’w‘efifi": EEMII Egg-T.IVT:. 5"“ _:EI. por exemplo. 0 capital nae hesita em sacrificar 21 came dos homens para salvar 05 05503 do Capital. objetivamente sem nenhuma finalidade. . porém. mas as relacées per eles criadas ganham seus 03305 e sua came.\'. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE Parece que as coisas vao ganhando espessura maior. dlante da crise. de tal forma que. Esta densidade é de uma natureza diferente. Assim.Elias esta cerreto em afirmar este caréter nae finalista da ferma soc1al contra aqueles que querem atribuir. .\E_-§p:$_:-\‘A'-@I=_:-<‘\I§n Efiiaeeee"iE-Eeefimiejfi E: eweefie efie E Me ea-seEeEefie efiefi-ete. Per isso. do que es seres que a pro— duzem. neste segundo sentido. Contudo.%e$eaae ei-fie em Ema-ere e-efie.

. como querem fazer crer os apologistas do supostamente neutro ‘mecanismo de mercado’ — mas é. MAURO LUIS 1A5] Entendendo desta maneira. o Espirito do Mundo ou o Mercado sao apenas os nomes de uma forga externa em relagao 51 agao humana que a controla e subordina. 140. de uma forma ou de outra. Na Visao destes autores... a agao individual nao desaparece. Ela é. ao mesmo tempo. O mesmo serve para a Sociedade. ora uma total falta de inteligibilidade. mas de uma forma muito prépria e invertida. 2002.) um ‘mecanismo’ racionalmente controlzivel. EdiakEE-E-Em-Eséii} E ewaaéia REE a were ii-staTE-s-Easfl‘a EEEEQE-a» : a' any: xii-{53s Ear: Eat-Es 2E}. Assim entendemos porque em Hegel os individuos 3510 a mediagz’io do Espirito: “é por isso que Hegel — no rastro de Adam Smith — teve de caracterizar até mesmo os cindividuos histéricos do mundo’ como simplesfl)?- mmenm: nas maos do ‘Espirito do Mundo’: o unico ser com um relacionamento nao ilusério entre consciencia e agéio”?5 Na verdade. Sfio Paulo: Boitempo.. segue sendo a base real da mediagz’io por meio da qual a histéria e a sociedade ganham concretude. P. Segundo Hegel: 5“ MESZAROS. lstvan.96. um produto humano que se apresenta estranhado e incontrolz’ivel. Pam além do capital. é necessario insistir que 0 capital niio é simplesmente uma ‘entidade material’ — tambe'm nao é (. esta incontrolabilidade acaba virando virtude.Ea: EE’E ZEMEEEEEMEEKE are. we . umaforma incontro/a’ve! (if corztrole socz'omez‘azlyo'lz'co. é perfeitamente coerente com a forma “sociometabélica” que assume nossa sociedade con— temporanea. no campo da teoria. podemos nos livrar da dicotornia que ora afirma um sentido. nao é a agao humana que ordena uma certa inteligibilidade. em ziltz'mzz dmflise.54 O que o autor hungaro descreve de maneira bem precisa é a forma como. para Adam Smith é a 11150 invisivel do Mercado. Esta dualidade. Em Hegel é nada menos que o “Espi'rito do Mun- do” em seu caminho para a “Liberdade”. Esta é a sociedade do Capital. Como afirma Mészéiros: Antes de tudo.EEEE-Egi. p. 55 117121. racionalidade—irracional.

sua Vida e sua vontade... seja da liberdade natural.+. EEF‘E 5 . como “capital permanente universal”... seu eu comum..yr.s :Ee-u: E EEEEE.. p. os sonhos e 03 préprios homens. seja da restricéio da liberdade no Estado civil. Assim o ser humano ou estei na abstracio do individuo egoista ou na abstracfio do ser coletivo.\v.E . . E... e ganha.57 Cada um de nos entra com “sua pessoa” e sua “autoridade”. e’ mais espesso que o sangue....WE. E ' “Eur: EfifE EE’E “ab ”EEEE.E mE vr‘EE‘E \ EEEEEEEEEMEEEE as. esse ato de associacéio produz um corpo moral e coletivo. Mid.E. G.\. a0 invés da pessoa particular de cada contratante.EE .. Este corpo moral e coletivo.56 A afirmacao de que cada um buscando seus interesses produz o bem geral é um dos axiomas mais elementares da doutrina liberal e se vé.. também.E:. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE (. . 57 ROUSSEAU.. ”WP/151050105} ofrz'g/It..w.--=. seu “eu comum” que vai determinar sua “Vida e sua vontade”. E\. e agora ela se apresenta a cada um como 0 capital permanente universal. 56 HEGEL.__». ao ganhar e produ— zir para seu préprio gozo.. 4pm! Me'szziros. 129-130.9 m . esta “complexa interdependéncia de cada um em relacao a todos”..E__ . impée como vontade geral.E. . tern uma densidade material considerével.) a busca subjetiva do préprio interesse transforma—se na mediaciio do particular através do universal. o qual recebe desse mesmo ato sua unidade. E . ..3. 1971. na base do contratualismo e sua concepciio de “corpo moral” ou da c‘vontade geral”. . como o resultado de que. Aqui o encontramos nas palavras de Rousseau: Cada um de nos péc em comum sua pessoa e toda a sua autoridade sob o supremo comando da vontade geral.. . Enquanto ser concreto é sempre mediacéio. O contmto social Szio Paulo: Cultrix. E‘:= . aliena sua soberania. Jean-Jacques. p. .. (a. de algo que se encontra fora dele. P.:.EE.31- _. EEE EEEE EEE EEZLI‘E E E.. cada homem esta 60 z'pso produzindo e ganhando para deleite de todos os demais.) Logo. E. composto de tantos membros quanto a assembleia de vozes. inteiramente gratis. A compulséio que produz este ICSUltadO CSUE enraizada na complexa interdependéncia de cada um em relagéio a todos. meio ou ferramenta.EEEEgE-EE Ea.W F. . 65. e recebemos em conjunto cada membro como parte indivisivel do todo (. _ . a “Vida e a vontade” de cada Eu—particular.

1986..‘-:-\ Em EE f. . querem para si mesmos. EEE EEEEEEEEEEEEEEEEE . na medida ern que se torna ao firm a causa de uma ordem regulada por leis desta socie- dade.. Ern Adam Smith.5 “TEE“: EE HEW."Y>:3‘\‘§\"f:--$'V?s E“: «its: .9% ($3.58 Como vemos. Hé uma racionalidade da sociedade estranha aos seres humanos e uma racionalidade humana estranha £1 sociedade. de modo um tanto mais amenizado e idea— lizado do que em Kant. mas a resultante rnoralmente positiva do conflito entre os individuos. A “sociedade” quer manter—se. . . em luta egoista com todos os outros zitomos. . é que a luta de todos contra todos (a insociabilida— de) se expressa em urn todo ordenado (sociabilidade). Estes disputam.< Ex E». w .E‘E EEEE. A ideia de uma bistdrz’zz universal de um ponto de vista: cosmopofim.v :.. E . 13.0 Paulo: Brasiliense. Nas famosas palavras de Kant. EE. .‘\\ :>>‘-'. De qualquer forma.E-EEE EEEEEE-EZE EEEEEEEEEEE EEEE Em "EEE ”EEEE EEEEEEE E1.. 95 =E-. Os seres humanos séio irracionais. Immanuel. ou seja. .Eas}? v:E “E E :=E. a imagem kantiana. Entendo aqui por antagonismo a irzsocizfvelsociaéz’lz’dade dos homens. 85. E EE EE. MAURO LUIS IASI Cada zitomo individual pode estar. = - EE-E.E . mas o resultado é uma sociabilidade pactuada dentro dos limites da ordem. E’EEE EEE EE-E EE:E E. {. seja na natureza que previamente apresenta :- aos homens suas “disposigées”. p. 0 Capital é racional.:‘. lutam. N50 (5. O sentidO encontra—se no todo.. rnas os seres humanos parecem querer constantemente dissolvé—la._. que ainda assim produziria o todo harmonioso por meio da constatagiio da necessidade da ordem. neste sentido. . como na célebre metz’ifora de Hobbes sobre a guerra de todos contra todos." EM . o todo adquire uma expres— sz'to diversa daquela que estava na intengz’io dos individuos. segundo seu desejo e inte— resse..E . . este axioma aparece da seguinte forma: Assirn como todo individuo se esforga o quanto pode para empregar sell capital em apoio 21 indfistria nacional e assim orientar essa indfistria de 5” KANT. EE. uma sociabilidade insociz’ivel: O meio de que a natureza se serve para realizar o desenvolvimento de todas as suas disposigées é 0 antagonismo das mesmas na sociedade.. : «ACE-E EE EE’E’: EAR 2 ”Y‘. EEEEEE .315 ‘3 \‘. seja no produto social.\\: : '.9'3 E‘s-u: Ema-:21 -:°=-=-.'-. 33. neste aspecto também hobbesiana.. a tendéncia dos mesmos a entrar em sociedade que estzi ligada a uma oposigéio geral que ameaga constantemente dissolver essa sociedade. .. o somatério das bondades.EE‘ .

An inquiry into the nature and azure: oftbe wealth ofNations (1863. Em geral. magicamente as acées individuais transformam—se em genéricas.hisifimiffil as ._»=-E. p- 88)- O quc succdc aqui se explica por um mecanismo comum ao fenémeno ideolégico.59 Assim.2.. 3‘s «rams2%. elc nao tenciona promover o interessc publico nem sabe o quanto o estzi promovcndo (m) é guiado por uma mio invisivel para promover um objetivo que néio Fazia partc de suas inrencécs.:. e o corpo coletivo de sua sociabilidadc. é comum quc promova 0 d3 socicdadc com eficz’icia ainda maior do que quando tenciona rcalmcntc promové—lo.\s« ‘2': :‘ E is. Realmcnte hzi um abis— m0 entre a acao dos seres humanos.. cada individuo ne— cessariamentc trabalha para tornar o rendimento anual da socicdade tiio grande quanto possivel.. 96 aw. Neste sentido... a harmonia do mercado que sc autorrcgula. guiadas por uma mao invisivcl mais sabia c eficaz quc a vontade dos individuos. o mecanismo pelo qual urn ccrto aspecto particular é apresentado como universal.}: \s’ww 1%.. O fantéstico é que os individuos nao tinham a intencao dc alcancar cstc interesse publico tz'io altruista.3:“ so: 13.a: é‘éflia iflfisfifik *5“ “mt: was arm rigs ‘2 Mambo 1!“: ix: * Essa. quc parccc adquirir uma racionalidade prépria independente das vontadcs e intencécs das pcssoas responséveis por produzi—la e reproduzi—la cotidianamcntc... néio sao cles que controlam o todo. §. sao levados por uma mao metafisica a “promover um objetivo que nao fazia parte dc suas intcncées”! . p- 199-200).§ _"_ 2:2? 4.}.. Todas e cada uma destas visécs ideolégicas guardam uma incrivcl correspondéncia com a rcalidade. clc é incontrolévcl. ao buscar seu préprio interesse.~.Eééi-‘éafi- s. Pan: 1216'»: do capital. ocorre uma profunda cisao entre o scr gcnéri co e 0 ser particular. :f’...--¢'** film-ids} i: has}. 135.. 3‘2 sass? 5"“ .-’-‘--'_=. cm luta constante entrc si.<2:\. :r:*?“W. apud Mészaros. cit.-.fi\a§a s‘“‘.. nada mais expressa senao quc o produto social nao é regulaivcl pcla acao dos seres humanos.§:. p. Revcla quc dc fato a estrutura do processo Vital da socicdadc niio esté submetida ao “cont-role consciente e planejado” dc scres humanos livremente associados (Marx [1867]. $2. Ao falar do 5” SMITH._. wasilsr‘a {@iJk-iia-afissé isréz. 0 quc aparece como a virtude do corpo moral. Adam. a Razao da Histéria. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSIS modo a dotar seu produto do maior valor possivcl.. . ou seja.?.

61). os pensadores e ideélogos da ordem capitalista estao falando de um tipo histérico bern deter— minado. Que tipo especifico de ser humano “se esforga o quanto pode para empregar 3311 capital”.s\'s issiis iiixssi {ii sis-is..“ “s":fi‘fi i’.. quem escreve em “nuvens: Eu. cré piamente que sua forma pequena. ¥“‘_"_a. quem senéio 0 “p3? de batatas morais”. age enquanto um individuo morivado pm 86118 interesses d6 alCangar o maior lucro possivel produzindo e ganhando para seu PréPFiO gozo.zz‘i".}.3 iw'Ifi-lr‘ifiri 7: $9. MAURO LUIS IASI “homem”. if. 1985. sua arte pequena. li'lnicos”60 e defende seu ego. u h 3! r 97 Eng. (’1 Expressées de Mano de Andrade em seu poema “Ode a0 burgues . “mundo” ou “realidade”. homem. que julga ser de “todos”. grades e trincheiras contra qualquer contato coletivo.-s iii? 4.1% silvfiggs-gsvg. diSPUta a riqueza e o mercado. I chips. iss. de Hans Magnus Enzensberger: “Jogzivamos pelas janelas concertos de solistas. [1843]1993. orquideas embrulhadas em celofane. Unicos” (Eufido do: que ndofizlam. O “homem” que almeja ser 0 representante genérico da espécie é prec1samente este ‘30 Referéncia ao poema “Breve histéria da burguesia”. quem seniO aqueles que “algarismam os amanhés”. sua filosofia mediocre. seu Estado. que se fecha num envoltério individual e se arma de muros. sua personalidade.is.§-.§ Eisiisiississsiiiisss $4 . cré que sua lingua é a lingua e suas palavras as corretas.’-°éi§ swi.93-9“ $“3-:i‘-§“E§ \{E 5Q}? .i:-ss-. p. assim como de “sociedade”. CSfOf‘QafldO-Se para apresenta—lo como expressao universal do género humano. d0 “SCI humane”. em concorréncia com outros in— divdOS. salvo na abstraeéo do Estado. .=_ fewf-i: ”“3 93% liai“. 115).. Nuvens/ que diziam ‘Eu’. $1. iiss} i: his siis-s issss. mas I10 hornem que consistia o seu real no homem egoista” (Marx.M-zi:_. Silo P511110: Brasiliense. acredita ser uma forga que controla seu destino e se faz a si mesmo.iiiisiisisi issi-ssié‘i s ism is“: 2%. da “humanidade”.iii i9“”? i‘” ’jiiii’iwfiism :‘. que suas pequenas ideias. :ii‘j " sisssiissss isss:ii::i§iszssi3is viii-siss.§:_':. arredondada e sebosa é a imagem da humanidade. sua histéria COHfUHd-Se com as manifestagées mais puras da alma humana. sua conta bancz’iria? Quem senao o “homem—nadegas”.61 quem senao o burgué‘s! A dissolugao da antiga sociedade feudal e dos laqos de depen- déncia mutua que ligavam os seres humanos entre si nas diferent‘es ordens foi sendo decomposta até seus elementos mais simples. 0 fundamento. p.i‘siissfi.

Eflfi-H.is" '7 . a representa—los como sendo os unicos razoaveis.-’. 77. . e que. ..%-y‘-.173.. do poder de previsao. 7. “A questzio judaica [1843]”. p.... $7.. . por fim. que em urn determinado momento histérico fundiu sua particularidade com o interesse universal da humanidade.--. diluiu sua prépria emancipacao no movim ento de emancrpacao da humanidade. $22i¢®§ 7. Friedrich. a dar aos seus pensamentos a forma da universalidade.7. @3773??? : 377% gifirwfifi W93.. O 98 . ... Karl.. ENGELS..-...) Cx Edlcoes 70..-. daocapacidade do mando. ixfifi é :N..-.' in”? 54‘: .7.7 r3125: m- 935 gws w .. é o homem como éourgeoz's (membro da sociedade civil) e naio o homem como citoyen (individuo com direitos politicos) que é considerado como o homem verdadeiro e auréntico. confundiu—se com o conjunto da sociedade em movrrnento.. p. - . ”. 7:5. o Homem. mais precisa— mente._ . Era em relaciio a ele que faziam sentido as leis e regras da vida politica. era ele que representavam no teatro e na arte. cada nova classe no poder é obrigada. 7.. consriruia o ser universal..7.. condicao de classe universal. . os L‘inicos verdadeiramenre validos.-. 77.19 3757.62 A imagem universal de Homem é sempre uma forma histérica particular que alcanca uma expressao genérica ou..‘. Corn efeito..7.. exprimindo a coisa no plano das ideias.:§77‘7.% 7 a .7.. $77.. era 0 aristocrata e era a propria natureza que imprimia nas relacées sociais aquele que era detentor da virtude e da palavra.) a esfera em que o homem age como ser genérico vem degradada para a esfera onde ele atua como ser parcial.77. e “o citoyen é declarado como servo do homem egoista” (Mi/1. quando mais nao seja para aungir seus fins. 57. >.. 3.-. “7-? ‘. Para Aristoteles. 58—59. o “homem-nz’idegas” andradiano. Diz Marx: (. .ifs-77.-...I.. -. . Marzmcritos econémico: efi/oséficos. 58). .. o burgués.77. . era sobre ele que filosofavam os sabios. A ideoiogz'a alemzi. A burgue- 31a. elevou—se a.. §Kg§<5a§a7 W. Esta identidad e prética tinha que ser acompanhada de uma identidade no cam po das ideias 6 da consciéncia social... num determinado momento histérico.7.. a. 7.*<:'§. a representar o seu interesse como sendo o interess e comum a todos os membros da sociedade ou.77....-. 3 MARX.7 ..7... A co- munidade politica se degrada em simples meio para que OS direiros desta espécie de ser humano abstrato se perpetuem.. 1993.. cz't. o Grego.i 44..73»\fl «mg.. Lisboa: t. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE homem egoista. "§ "'i‘. {$27..:‘§: $§7kfivfl§i§§ “ V“ a.7-‘ ?-.§:. (. p. Karl..-- 77 7..etbst g5.63 MAlfx..77.7 é: ":fi" “um-"7% we??? Mal-$.7 it"s-7 _§E&‘\f‘2_i *-.3% sex“.. .77 E.77..

Um ser humano age sobre a natureza e produz uma cadeira.\. Mas a relagéio nao tem este 5mm: de materialidade. ainda que menos palpavel que cadeira.>'. .\\'. . assim como o produto: a cadeira. .«\§\v.5: \g i “3% . a imensa polémica sobre o grau de intencionalidade da agao humana e 0 fatO d8 3 SOCiedade apresentar—se como algo “incontrolavel”.: .‘eW'F: r“ “4.. .. 0 set que agiu 6 material. 99 ___.__ :3: 339% $53. No entanto. ao passo que.im' \ ." ' ' ' ' ' . 8&3”? ti ’E‘.. podemos estar infimeras relaeées: um artesao. p. derivada da relagao dos seres humanos entre si.“ Mas quais sao estas relagées materiais das quais derivam esta expresséio ideal que constitui o pensamento dominante de nossa época? O termo “relagao” parece ocupar aquele espago de fronteira. :1 ex— pressao (135 [61519668 que fazem de uma classe a classe dominante. s y’xf‘: “silk mom 2%}: iii liiixiifiaiiiilfi . perante um set humano.".. um escravo grego. um e social. propriedade de outta pessoa que me contrata e paga um saliirio..53"» m“ iléi gas-Em it}: li a: ix £2 at} §§‘ i. se minha atividade realiza— —se no interior de uma manufatura.'\. a natureza igualmente. 5510 as ideias de seu dominio. de O fato de meu ato particular de ptodugao ocorrer no interior a relagées caracteristicas da produeiio agricola familiar faz da cadeir apenas um valor de uso. dizendo de outro modo. OS pensamentos dominantes siio apenas a expressiio ideal das relagées materiais dominantes concebidas sob a forma de ideias e. 3.ys_. um servo. 56. "§¥- . 3-: .‘-'..$"’?s u: gr. Acont a que esta objetividade é material. trabalhador assalariado. O que dificulta sua associagao com o vocabulo “material” que o acompanha.'. 0 «x g. -.. a dicotomia entre as agées individuais providas de sentido e as objetivagées COICIiVaS e sociais proibidas de serem dotadas de teleo— logia siio expressées coerentes com a forma histérica das relagées sociais e da profunda individualizagao dos processos sociais que caractemzam nossa época.. was View? iaém 3:22. l.. _\V . portanto. . $3. MAURO LUIS IASI Isto significa que a consciénCia social que marca nossa época. iéifiio fimimw gigs if: E 1X§:§ ”Mk-:2". mantendo os mesmos trés elementos. ainda que seja 6-1 15:21.\\. esta cadeira.5.~‘ "-'-- 13.. a natureza e a cadeira. Estamos diante de uma objetividad ece ou seja. a ... "---'--“ .

Apesar de Marx localizar este fetichismo na sua forma mais avancada na sociedade produtora de mercadorias.. 3.w W. Mas nao estamos falando de qualquer relacz’io. ela prépria também transformada em mercadoria.‘\\\\‘s>. 81). sem deixar de ser 0 mesmo subStrato fisico que era antes. 100 _..\ q $333. estabelecida entre os home ns. ENGELS. As __‘. Isto significa que a relacz'io estabelecida entre os seres humanos age como realidade material e pode inclusive. p. o produtor e a prépria natureza mudaram sua personali— dade.‘ _«--. Friedrich. 3x333. Ni 9. ao mesmo tempo em que a natureza. 333 15. --¥>. [1867]. 1N:. A ideologia alemd.3333% w -.‘ “YE-f"! rm.": $3151-S‘"=-"‘-‘=-R\'%- .65 0 fato de encontrarmos uma (‘5 MARX." 9“" " ”f3 4. elemento constitutiVO do processo de valorizacao e enquanto tal igualmente mercadoria. idiésixi>§§3s333iw3 ..13. ao invés de as controlare m” (Marx. mas de uma relacao que teria a caracteristica de produzir nos seres humanos envolvidos a estranha cisz’io entre eles como sujeitos e o produto estranhado de sua acao. assu‘I‘ne a’forma fantasmagérica de uma relacao entre coisas ”.-_s\\. 6. mafia 3%3‘ 3. 2339 s‘éwfi 3*“. p. “3’333‘3‘1333 3.eces s: \. alterar a natureza dos elementos materiais que estiveram envolvidos em sua constituicao. «“35..-« y: m..vvyg u: gag.331}. E isto nao é privilégio da cadeira._. \. assim como a cadeira nao tenha deixado de ser cadeira.5 iv?»- 3. as raizes deste estranha— mento encontram—se na prépria divisao social do trabalho.. e 0 Ser dos homens é o seu processo da Vida real”. aringindo seu ponto méximo sob a ordem do capital. O trabalhador virou capital variavel. 3233. de forma que os objeros se fetichizam e as relac‘oes humanas se reificam. s.’. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE a mesma e feita com os mesmos procedimentos récnicos. mudou de natureza. em que a propria atividade social possui a forma de uma atividade das corsas sob cujo controle se encontram. wk M. Deve— mos partir da afirmacao marxiana segundo a qual “a consciéncia nunca pode ser mais do que 0 Ser consciente.... cit. para usar a famosa expl‘CSSiO d6 Marx: uma relacao social definida. 25.38493: t" fir.534 is”: . ainda que nz'io tenha deixado de ser um ser humano. assume a forma de fonre de matérias—primas — em certas condicoes. é agora uma mercadoria.\‘Ig\V E-V-‘g‘: s.‘.. Karl.».____. = .. saiwxmiifsh . em determinadas condicées.

afirmam que: s Massimo i m a sss w issusissssfisss s. uma cisao entre o 561' humano e um nao reconhecimento das relacoes sociais que constituem a sociedade como um produto humano sobre scu controlc significa que esta inversao corresponde a uma inversz'io real quc se produz c rcproduz na producao da cxisténcia. O terceiro aspecto é que os seres humanos renovam sua prépria cxisténcia cnquanto seres fisicos c histérico—sociais mediante as relacées de familia (reproducao fisica.. . Enquanto parte da natureza fisica.s. padrées psiquicos etc). hierarquias de sexo e idade. relacées dc parentesco. ou seja.. Marx c Engels (1976) consideram quc esta producao social da existéncia envolve cinco momentos articulados dinamicamente. am 5swam ». abrigar—sc. O segundo momento seria urn desdobramento deste. a partir da forma como o ser humano satisfaz suas necessidadcs. A Vida enquanto sobrcvivéncia do organismo ainda nao seria um ato “histérico”. Entretanto. agora 11510 6 necessario somente ter 0 quc comer. instrumentos e procedimentos que usa para tanto. . ou scja. . A producao social da Vida é fundamentalmente a producao ma— terial baseada no interciimbio dos sercs humanos com a naturcza c a producfio material dos meios necessarios para este aro social. no scntido propriamentc humano. 3Hoasiszzrwsusgrs . edu— cacz'io. Ainda que os autorcs do A ideologia (231677252 nao tenham desenvolvido todos cstes aspcctos presentes nas relacées familiares._ _s. s \ . MAURO LUIS IASI consciéncia csrranhada. cm uma palavra. is: s Maw was . ma?-§1?“<¢“:?-:$_"“*§£n figs «am swig. e estes instrumentos tornam-se rao necessarios para o organismo histérico quanto os nutrientes 5230 para o fisico. an s . w _s. Ash‘s-“s was ss 1. _s ms is. mas ter instrumentos dc trabalho quc permitam plantar. ressaltaram que néo se podia reduzir a reproducao apenas £1 reproducz'io fisica. beber. desen— volvem-se novas necessidades. - . a s ms. o organismo humano precisa comer.w.. s Ms.W. Viver. dos meios. que pode deixar atras de si uma variacfio dc formas cumulativas ou nao pela qual esta existéncia foi garantida. por cxemplo. . E apenas no momento em que o ser humano passa a produzir meios nao existentes na natureza fisica que completem ou potencializem seu organismo que surge o primeiro ato historico. .

jé (111. assim como aquilo que se reproduz no ato da producao niio séo apenas novas mercadorias. porém. . N--NNNN-Ns= ANN-N» -N-. produzern-se mediante um “modo de cooperacfio” ou um certo “estado social”. E fato que a producz'io dos meios 63 em si um ato social 6 pres— supoe as relacées entre os seres sociais. na familia se reproduz o modo de Vida determinado pela sociedade das mercadorias e do capital. mas “um modo determinado de Vida”. 0 quarto momento que compée esta totalizacao é marcado pelo fato de que todos os trés primeiros momentos (a produgflO dos meios. Alguém pOdCfia af- gumentar que este nz'io seria propriamente um quarto momento. uma forma determinada dc cooperacéio entre OS seres humanos transforma—se ela prépria em uma “forca produtiva” como “forga conjugada de varios individuos”. jzi constitui um modo determinado dc atividade dc tais individuos. A0 contrario. enquanto meta reproducao da existéncia fisica dos individuos. o surgimento de novas necessidades c a reproducao biolégico—social dos seres humanos) ocorrcm por mcio de uma relacz'io entre os seres humanos. Mais quc mercadorias. p.67 Esta implicito neste raciocinio que a acao coletiva constitui uma forca autonoma...“ Isto quer dizer que aquilo que se reproduz nas relacées familia— res nao sao apenas os individuos biolégicos. . cit.8 perpassaria todos os outros. . p. (’7 Mid. Karl.. = . 102 . Uma coisa é um ser humano procurando o que comer ou 5“ MARX.2“ . ** N11???“ AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE (ILASSE (. isto é. Friedrich. mais que novas pessoas. 35. ou que se toma auténoma em relacéio aos membros particulares que a compéc. ENGELS. assim como a pI'OdUGQO d3 novas necessidades implica a relacao entre estcs seres. da mesma forma que a familia so pode ser compreendida como uma relacao social. . A ideologia alema‘r. uma forma determinada de manifestar sua Vida. um modo de vidzz determinado.) nao devemos considerar esse modo dc producz’io deste L’mico ponto de vista. 19. mas é um pouco mais que isto. 110 ato da producao se reproduzem as relacécs capitalistas.N :N':-~N£ “N ”15‘ --‘e-“:“N Vf‘““ ..

63 Mid.E1. O difemzz de Hamlet.1-E. 25.-E11111 1-1 “111 EE. mas nao estranhada. é quando isto é realizado por 166 milhoes de pessoas. nas palavras de Marx e Engels. que produzem e reproduzem a si mesmos como seres sociais de um determinado modo de Vida. néio apenas pela evidente dimensiio quantitativa. nio poderia haver estranhamento da consciéncia. cit" p. ao proce- derern dessa forma coletiva.11%. ainda que exista desde o inicio uma exteriorizagéio da consciéncia em objeto externo: a linguagem.68 Ern um primeiro momento..11 11‘EE-E‘ EEEWE-E} ““11111‘111/ 1:“ s: E..111391% 1151. . No entanto.. Vet também: VIGOTSKY. “a minha consciénCia é a minha relagao corn o que me rodeia”.. 41—55.1:El E EEg-EEE.:1. esta consciéncia so pode ser a cons— ciéncia das relagoes que 0 set consciente tem com as coisas e pessoas situadas fora dele e no espago imediato de sua agéo. 6" Ver a respeito as reflexées contidas em: “A consciéncia como questfio filoséfica e soc1olo— gica”. mas é ainda uma representagéo externada do ser representado. p. 1“: EEEE. alteram a natureza produzindo meios antes néo disponiveis. 1. L.. para isto. 2001- 1"‘1 .EE1E11E.1.. que..1: 11:31 --1111 “1 E2. e outra.E. criando novas necessidades sociais que se somam fiquelas naturais.1.E1:E E E11131. mes— mo enquanto linguagem he‘i ainda uma correspondéncia entrefla representagz’io e o conjunto das relagées de produgéio e reprodugao da Vida real.. EEE 11121111 11‘“‘*11 NEE-11. E.EEE ‘13 1 1. .1 1:12.=1..1. 5.1‘:=. mas porque se opera uma mudanga qualitativa na qual a forga combinada néio é apenas o somatorio de 166 milhoes de intengées individuais. Neste fimbito. bem distinta. Os seres que produzern so- cialmente sua existencia e.. O quinto elemento pressupée o desenvolvimento combinado dinamicamente dos quatro primeiros. transformam—se em urna forga produtiva combinada que é quantitativa e qualitativamente distinta da agfio individual. E111 1‘1 31-1-1111E:...69 Ninguém pode negar que a palavra cadeira é sirnbélrca e nela néio podemos nos sentar como no set mesmo que 0 simbolo linguistico representa. Mesmo que esta consciéncia alcance uma dimensao sirnbélica.1. MAURO LUIS IASI como se abrigar. 35 e 36..A ”WWW” do penmmem‘o :1 dd [inguagem Sio Paulo: Martins Fontes.111EEE1f1-1. Estes seres sociais desenvolvern uma consciéncia social. .

se por meio desta atividade torna—se um ser social. i222-222.2222 22222232222222. A ideologia alemzi.2 229-2232222222“2222222222222} i: 2:2-22222232 2232232: 2 22. . '2 22:22:22. p. Anrunes 1999). . o que significa que.-“\ 22‘2““ r» {322. 7‘ MARX. e este processo esta intimamente ligado £1 divisz'io social do trabalho. 104 «222 w @3125 22222»: 212*222'212 22-2 2222“ 2222:2132:. 222. Como disse um poera: “quem forja seu desviver é o préprio homem”.22 ..2232..2232 222. O fato d6 08 individuos sociais agirem na forma de uma forca produtiva coletiva 7° Bero — Poemas. "“2: 22-22-22 ”“2 :‘e-a232‘ 322. A partir deste momenro.222 2322 2322-2322222 2.22. 37. p.222. . 22. 1976. 1981.- 2‘2 522. que representa dc faro qualquer coisa sem represenrar algo de real. ENGELS. O trabalho é a protoforma da acao humana (Lukacs. Karl. na arividade do trabalho como ato sin» gular." WW2 22‘2“"2-22. para o bem ou para 0 mal. A divisao social do trabalho implica a poss ibilidade da contradicao entre os inreresses do individuo singular on da familia singular e o inreresse coletivo de todos os individuos que se relacionam entre si” (Marx e Engels. Friedrich. 1982. Naquilo que nos interessa por ora.de representar realmente algo sem representar algo de real — que se explica o fenomeno do estranhamento como um todo. ou seja.2222 ._ ' .22. a divis io social do trabalho opera uma diferenciagao qualitativa na correspondéncia enrre o ser social e sua expressao coletiva no conjunto das relacées que‘constltul. é também por meio desta arividade que pode produzir seu estranhamento. alnda que seja a base fundamental para compreender fenémenos como a religiz'io. encontramos os elementos que caracterizam a propria £19510 humana.71 N520 é apenas em razao de a consciéncia ganhar esta autonomia relativa —. SC 113 atividade d0 trabalho o ser humano se hominiza a partir d0 momento em que se torna um homo-fiber.2 -=<'-. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE Somente quando o proprio ser da producfio social da Vida Se fragmenta é que sua consciéncia acompanha a fragmentacao. 39).70 Assim descreve Marx e Engels essa relacao entre a divisao social do trabalho e seu efeiro sobre a consciéncia: A divisiio social do trabalho so surge efetivamenre a partir d0 momen to em que se opera uma divisz'io entre o trabalho material e intelectual.22 222232. a consciéncia pode supor—se algo mais do que a consciéncia da pratica existente.

2.. Com efeito.: 2-222 3:21”? \E%:‘. no interlor da d1v1sao social do trabalho .§. do traba— se colocar de maneira estranhada. Friedrich. 105 “ . a divisiio social do trabalho opera muito mais .22 . a 21950 do homem transforma—se para ele num poder esrranho que se lhe opée e o subjuga....§*2§‘2§2s2. ENGELS.. portanto se verifica uma cisao entre o interesse particular e o interesse comum. lho social total nao deixa de ser um produto humano mente dlsso nao natural. em vez de ser ele a dominzi-la.) a partir do momento em que os homens vivern na sociedade natural: desde que. mas social e historico. A ideofogizz afemd. mas pode c alterar a natureza mesma do trabalho como meio de hominizaca enta-se da espécie. Os seres que Vlvem 50b a veem como “natura l”. como vimos. MAURO Lurs IASI marcada por uma certa divisao social do trabalho e a razao. Entretanto.:2: i§:.) se r1510 quiser perder os seus meios de subsisténcia. cit” p. é exata e soc1al. portanto.?i“2""}§é2rixlklé2 . Isto porque a forca produtiva combinada apres indivrduos como um poder estranho que submete e determina os por como se fosse uma forca “natural”.0 pode sair (.” Como vemos.22:2: 2. portanto..22 "3:22-22M8 :32. 22%. de esta “forca produtiva” ser qualitativamente diversa da acao individual abrem a possibilidade de esta “forca” impor aos individuos suas posicées no interior da divisao do trabalho e expressar uma “necessidade” coletiva que pode se chocar com as necessidades das partes que compéern esta coletividade. Vejamos esta passagem: (.alermz da dual O termo natural aqui pode ser mal compreendido. que se trata: uma forca humana e. cada individuo tem uma esfera de atividade exclusiva que lhe é imposta e da qual 115. mas sim de forma natural. ou seja. desde que o trabalho comeca a ser repar— tido. E neste sentido que a Erase deve esta “universalidade iluséria” ser entendida. Marx e Engels acabavam dc falar que. histérica controla. uma parte apresent a seus interesse s particula res como se fossem universais e que a expressfio desta universalidade é o Estado. Karl.- que uma simples organizacao cooperada da atividade. i2. Na parte deA este estrato foi retirado. quando a atividade jzi nao é dividida volun— tariamente. esta forca combinada e. E sempre born lembrar que. apresenta—se aos seres sociais como algo natural que os Ideologia. 40-41. 72 MARX.§222 22:32 2.

no interior da qual aqucle momento primeiro dcve contribuir corn tal atividadc colct iva. mas nao é suficicnte. ou scja. ou cntre o Império Asteca ou Inca e as coletividades que sc- subordinavam ao seu dominio. .. 1 f1 $3.’.. a atividade no grupo nz’io lhc é cstranhada c é visivel — como diz Marx.11111... Todo cstranhamcnto tcm por base uma divisiio social do trabalho. 106 . e esta insercao mais ampla deve apresentar—se como poder impos iti— vo. 11:11 1111’1‘131r11113’11 1:11.Ef\t:1{=is\'§ $1. 1111/1151 & WK 111.1111113 1.. . a “forma direta- 7’ Mid. 1.3? 11.-. mas nem por isto o produtor particular vé o produto do trabalho total como algo quc nao a conscquéncia do trabalho conjugado do qual ale (-3 seu grup o sao os sujcitos. quer dizer. Nestcs casos. 41. 1113-1. E possivcl supor ' um grupo humano que divida entre si as tarefas que constitucm a totalidade do trabalho social.1113 931?.. a forca produriva multiplicada que é devida £1 cooperacao dos diversos individuos.. como a relacao cntrc os monarcas c as comunidades no Egito antigo..11 .111 1111. 11 1. situado fora deles e do qual nao conhecem nem a origem mom 0 fim a quc se propée._.73 A divisao social do trabalho é condiciio para o processo dc estranhamento.1.1-_._%1\.111" £1 wrisiwméfi21“}11111‘21‘11 g11 $131-$315 1 1%..1.11‘1111111 i111 {13:13:1113111 1113111 1112111111111 2113131161 1111. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE Vejamos um pouco mais precisamcnte estc fcnémeno nas palavras dos autorcs cstudados: O poder social. no qual cada membro particular da divi— sao do trabalho se veja como partc do sujeito colctivo quc cheg ou 1‘1 producéio social total do grupo. . antes lhes surgindo como um poder esrranho. mas nem toda divisao social do trabalho é necessariamenre estranhada. mas quc csta atividadc sc insira numa divisao do trabalho mais ampla. .1 1213113111 11.3:11._. p.11.2 1111-.. 135:. a qual é condicionada pela divisz'io do trabalho. pois essa colaboracao niio é voluntaria 6 sim natural. 1. . »_ _€ 12-11 «17‘.:11_1. ”1111. E possivel uma segunda hipotcse em quc a ativid adc do trabalho partilhado pelo grupo constitua um momento colct ivo nao estranhado.‘. .$1.1 1 1. 1 . que niio podem dominar e que de tal forma atravessa uma série particular de estzidios dc desenvolvimento tiio independentes da vontade e da marcha da humanidade que é na verdade ela qucm dirige cssa vontade e cssa marcha da humanidadc. r1510 se lhes aprescnta como o seu préprio poder conjugado.-$3“?:gs-I§‘2§..

“ 8. p. Como produtores de merc simplesmente como a os seres humanos nao se relacionam mais no trabalho total (igual— conjugacéio do trabalho particular (social) l pelo fato de ter mente social).7-7.. tema.°-*\7 s“...39:3 "Eaiéfiéiiti fiaflfijiéfiiikl‘i . e uma coletividade que ja produz com a inten no da troca. __.. p.7. coletividades). .77-7 ._. neste momento.. aW-. ‘f---’-‘ 2 ' £77827: 7 7 7 --"‘--=---'-7 saw-:7 3177:? li3...-w. de troca.2 a. 86). por base a acao conjugada de seres sociais. e 11510 a generalidade abstrata na qual ela se insere como parte.g_.. in7 .. Ha uma diferenca essencial entre uma comunidade que produz l de seus valores de uso. .. 0 set se torna esta totalidade abstrata é que torna os seres sociais..7. Para que o estranhamento se complete de modo que o préprio ato do trabalho se fragmente em unidades autonomizadas que se vejam como individuos diante de um poder que nao controlam.... .77. Cada produtor coloca seu produto no mercado e por este ato acaba por “ocultar a relacfio social entre os trabalhos individuais dos produtores e o trabalho total.. .77. . 7 )7.:.§-a:: 1:. pela mediacao. 77 . 7-7-<. é de grande relevancia. 7 . .7 1. ainda. A totalidade nao se mantém socia paradoxalmente. mas. O salto carz’iter social de seu valor que se expressa no valor diz respeito ao nosso de qualidade na relacao humana.727. ..-:-77.. . :. social apenas por meio..7. mesmo que proceda a alguma troca casua cionalidade produtos. 81). seriam necessarios.. dois saltos: a sociedade produtora de mercadorias e a forma capitalista de produzir mercadorias. O conjunto desses 107 a.1.. MAURO LUIS IASI mente social do trabalho” é a “forma concreta do trabalho”. do intercfimbio das e produtos Objetos liteis se tornam mercadorias por serem simplesment de trabalhos privados.. 7' W":._. $55: 7. ao refleti—la como relaciio social existente :‘1 margem deles. A producao de mercadorias pressupée uma avancada divisao social do trabalho entre produtores “privados” (ainda que estes possam ser. entre os produtos de seu préprio trabalho” (Marx [1867]. coisas. A distincao esta em que o produto do trabalho huma ja em si mesma assume a forma de mercadoria e como tal tem exatamente no uma autonomia essencial em relacao ao seu criador.7._ . independentes uns dos outros. . naquilo que adorias...7. :3. 0 dizimo page a Igreja no feudalismo “é mais palpavel que sua béncao” ou qualquer promessa de redencao eterna (Marx [1867]..-x.277777.§%§‘éaa.

. .74 Podemos observar que a polaridade contraditéria entre 0 set particular e sua expressao genérica nao é um surto ou cisz’io prépria do organismo humano ou de sua psicologia particular.*.9 t.. p.t‘.-‘-s u! .~ $. Os modos de producao anteriores nao poderiam levar ao paroxismo este processo pelo fato de que se base avam em formas de trabalho ainda diretamente sociais. -e --'. como relacées materiais entre pessoas e relacées sociais entre coisas.» :4 '4 m. nao apenas as relacécs entre os produtos do trabalho assumem caréter de relacao social. “e suas relac ées de pro— ducao assumem uma configuracao material que nao depende de seu controle nem de sua acao consciente indi vidual”. a a. a. Por isso. por intermédio de seus produtos de trabalho...:‘e-méa..:. A base do trabalho especificamente capitalista 7“ MARX. . mas encontra sua justificativa numa forma de Vida particular que insere esta dualidade no proprio ato de produca'o socia l da existéncia. Am .w/ 'gs“ : Mn.>*\.W » Manama mm. _ sy-s :. apenas através das relacées que se estabelecem entre os produtos do trabalho e.i'. Cit. Na producao de mercadorias. 103). como na exploracao de comunidades pelos Incas.. wan» M. P- 82'83- 108 W . mm %: as. mas produzem na atividade funda nte da sociedade como tal aquilo que sob 0 capital assumiria a forma plena da “incontrolabilidade”. so dentro desse intercambio se patenteiam as caracteristicas especificamente sociais de seus trabalhos privados. por meio destes.-:. ou na exploracao Servil no feudalismo europeu. entre os produtores. m was w-w .\-. os trabalhos privados atuam como partes componentes do conjunto do trabalho social. W .. . para os filtimos. 0 capital.. Processando~ —se os contatos sociais entre produtores. “Os homens procedem de maneira atomistica no processo de produgéo social”... como diz Marx ([1867]. nos termos de Mészaro s (2002). O que jzi seria assombroso. e [1510 como relacées sociais diretas entre individuos e seus trabalhos. as relacées sociais entre seus trabalhos privados aparecem de acordo com o que realmente sfio. .33? ii a:“355‘ 1amam P fivfix‘M My}. Karl. Em outras palavras.. Somente no capitalismo este fenémeno cind e 0 prépi ato do trabalho.. AS METAMORFOSBS DA CONSCIENCIA DE CLASSE trabalhos particulates forma a totalidade do trabalho social.

= N g». porranto. o capitalista apcnas refine o trabalho no mesmo espaco. . . \ ~_. mas 0 controls real da atividade esta corn 0 saber e o procedimento operéirio.m s._\\~x 14:».. Mas. \-.x.935 “3". mas que constituem funcionalmente o ser do capital. a cooperacao apro que por humana concreta dc sua expressao gcnérica na medida cm a- meio dela “desfaz—se o trabalhador dos limites de sua individualid e de 6 desenvolve a capacidade dc sua espécie” (ibidu p. sob a forma capitalista. Néio apenas pelo a- que a quantidadc altcra a qualidade da acao.5“.. Em principio. M». na e se depara cotidiana do trabalho. 378). -_ m. ou seja. ja aqui.\ :I. 7.. a forca produtiva cooperada esta sob o comando do capital. Neste caso. diz Marx. a saber. mas elevacao da forca produtiva individual através da cooperacao va” da criacao de uma forca produtiva nova. -e y. “da . . a . como vimos. a genericidad forma de com a particularidadc. ': 5 mm. 9' "5‘?“ j: "W” i Em?“ . esta cooperacao é produto da conce do..m.§\\_ :-‘ 5': ’?_ * 9. 1. pode estar em contradicao com a genericida Vejamos por qué.59. Mas nao é exatamente o que ocorre no fenomeno da cooperacao.W -. Na cooperacao esta prescnre a caracreristica de que falavamos anteriormente.\'§'°'é\‘ ”. nao faria a menor diferenca se nos defrontassemos com o produto (16 com tra- balhadores produzindo individualmente ou com o produto dcstes mesmos ccrn trabalhadores reunidos.“ . portanro. tracao dos meios do producao nas maos do proprietario priva c. Vejamos: 1 09 «We "3-:‘5. : . MAURO Lurs IASI encontra—se em elementos nao propriamente capitalistas. 374—375).\. p. «a. opera—so uma mudanca dc relevancia (mica. a particularidade da al o que.. mas esta acao qualit ular 6 a rivamente diversa sob 0 capital alrera a relacao do scr partic concrctudc espécic no préprio aro do trabalho. Entre estes elementos cncontramos a cooperacao. a forca coleti fato.\. . Lembremos que. segundo a qual a forca social combinada é mais que simplesmcnte a soma das acées individuais. xima a aciio Em um primeiro momento. como a producz'io generalizada dc mercadorias. trabalho encontra uma universalidade que é a do capit de humana.: ( Q. “Nao se trata”. for. Inicialmente este comando é formal. segundo Lukacs. - i33'§”9%@?'1$§“5§: it} it} . do ' (Marx [1867]...\. Ocorr n— que.

._-°{'°"‘ M" . p.44. agora.2‘3‘3 2311:??? N. apenas se converte em ser social.: _I\"_.4. . e outra bern distinta é uma divisz’io social do trabalho fundado em unidades. 444. o que oblitera sensivelmente a capacidade do ser quc trabalha cm . “I 54““ -)§1§s. em que o trabalho particular é também fragmentado em acées particulares. 406-407)- 110 _-.\::4. $9423.44. 4 44. Uma coisa é uma divisao de trabalho na sociedade entrc individuos unidos num corpo visivel e coletivo do grupo humano.434 444. o proprio produ to e subdmdido em partes fragmentadas. uma condicz’io necessaria da producgz'io. A divisiio do trabalho na sociedade se processa através da compra e da venda dos produtos dos diferentes ramos de trabalho. c 11510 0 inverso. destacando- -se entrc elas a divisao dc trabalho na sociedade.. .: :44}: 4. gfiffifil 4‘5?“ Mi?" 5“.4 444344 4:. . mas para o capitalista e.444 444. p.444. em concorréncia uns contra os outros. Karl._\I . Isto agrava sobremaneira o processo de estranhamento por uma série dc razées. a conexao. o ser humano é uma manifestac ao atomizada.4. como parte do 75 MARX. [1867].474 444444.g 3M 4.3--_ .. cit.5. 4. guy: 444444444444444444414 4 4:. dentro da manufatura.424. :4 _. 76 “E quc é que caracteriza a divisao manufatureira do trabalho? N510 produzir 0 trabalhador parcial nenhuma mercadoria. da producao a acao humana se fragmenta em partes de produtos._4'. K‘s-J3? «$4.44.4 44444434444444 1m. enquanto no universo particular ‘.76 Enquanto individuo. 4. Cada trabalhador faz uma parte. «q: T: Wang. O trabalho como atividade do ser humano so 0 é por meio do produto. com a aplicac’ao do maquinzirio a0 processo produtivo. 36 o produto coletivo dos trabalhadores parciais transforma- -se em mercadoria. que OCOf1'6 entre produtos do trabalho humano.. 34. ou entre coletividades sociais que formam o trabalho total. seja de cooperacao ou mesmo de exploracfio. Ele somente se torna social. transformando o ser que trabalha em um instrumento do processo dc producao. mas nao estranhado.. ..43.4. 6: r1510 apenas a relacao social so pode ser Vista no processo total como. sob seu controle.75 Evidente que isso se aprofunda com a manufatura e. portanto.“ ?‘\~_I\:-:¢_: 9:. 0 capital.) de inicio que o comando do capital sobre o trabalho era a consequéncia formal de 0 trabalhador trabalhar [1510 para si.4444.4344. dos trabalhos pa rciais se realiza através da venda de diferentes forcas dc trabalho ao mesmo capitalista que as emprega como forca dc trabalho coletiva” (Marx. 444 “4. . 379.4\__E 3: v. 54W: {4. AS METAMORFOSIZS DA CONSCIENCIA DE CLASSE Vimos (. ver na objetivizacao algo externado. V»: 43%: ms. mais ainda. o dominio do capital torna-sc uma exigéncia para a execucz‘io do préprio processo de trabalho.”W v: . Com a cooperaciio dc muitos assalariados. In fag-”3.4. 4444444 44: 4444444444 43434.

estranho sobre os seres humanos. \. cada pessoa dove abrir mao dc sua vontadc e interessc particular para submeter—sc a0 “a0 mesmo supremo comando da vontade geral”. mas controle hierarquico da forca dc trabalho. 111 ___. . a forma de realizar c 05 fins esperados.+. Dai nao estranhar Estado cao contida nos manuais dc teoria geral do Estado: “N0 o.\\-_i. sua Vida e sua vontadc”. s": w .2003.§§‘ H’xfiri. \v -. por isso mesm reconhecido como pessoa”. na industria moderna. hdnuno LUISIAM processo do trabalho comandado pelo capital. Incrivel coincidéncia entre a afirmacao dc Rousseau. Sob o comando do capital. Elementos d6 Moria gem! do Estado.99._. ou seja. . naqucla lho que resistia que prevalcce o maquinério. e a rcalidade do controle do capital sobre o tra— balho. é‘éifiia \Eifi’wiriéi‘k 293._.? “w {mg ’§\::§/\2 _»= $3.——--— Is gva§ £3".. quc a subordina e impée a atividade. o proccdimento humano dc utilizar ferram c meios.3%? . :y m s. capital quc é social gracas a combinacao do trabalho huma assim mas o scr humano que é um ser social gracas ao capital. ou scja.: €2.2. recebendo “desse ato sua unidade. ma: 2 .52 :\\_z‘. Moderno todo individuo submetido a 616 é. Nao é 0 no. osto por como nao é o Estado urn corpo politico por ser comp hccido seres sociais. o proprio ato do traba cntas unitario. Dalmo dc Abreu. .9: @163 y. 24“ ed. Para 0 velho contratualista.\vx: «3. é fragmentado em seus clementos componentes pcla inter— vencao do processo cientifico e técnico no processo dc produgao. o trabalhador é mutilado. -: ):\~. ».w. - Em“ iii-i airs-Em is}: i: a.336. Nada mais dcscritivo da subordinacao do trabalho ao capital.& 5W\)§ any 15w... desenvolvc—sc na manufatura e completa—se na indu zindo—sc a uma Na manufatura._. as Este processo do dissociacao do scr social de seu prod em podcr relacées sociais corno totalidadc humana convertida eragfio. citada anteriormente. 5s. mas 0 set so torna social apenas quando recon mos esta defini— pelo Estado como cidadao.. comeca com a coop stria moderna.p. 85.0 Paulo: 77 DALLARI. if: Ex‘kwsEzétéiaQ $11M? ifi’s‘fiéfifiiffild . Sanfiva. a. seu cu comum. a cooperacao nao é apenas potencializacao do trabalho das partcs que a constituem. $32 $65. pcla mediacao do capital.77 uto.m. “redu em fracao de si mesmo”.ia-séfiis 2:332.

mediado por meios técnicos ou ferramentas.i-'. ’ as fetrafnentas.. ( 7) uAs conseouenela . 301-302) - 112 Wmnmw g was an a m :3 .-.W --’-‘-. Este ato é cercado de certa dignidade.‘%>'--"‘-“=-s\'%- .maquma permite-lhe operar Véirias]8 seja partindo da forga motriz ain— _ d3 hurnana ou derivada de qualquer outras fonte de energia ou outro inecamsmo.<2\'=. entiio.”ii? 4. cit.\'r. Se. por urn acaso. agora.. ou uma mate’ria dela derivada. o que Aristoteles so poderia tratar com ironia. 1979. e estabelece-se uma economia otima da forea correspondente is condigées de trabalho” (Max Weber. . 0 set humano sempre foi. seu aparato psxcossocial é adaptado a urn novo ritmo através de uma especializaqao metédica de musculos que funcionam separadamente. uma vez que ele move corn sua intencionalidade e saber (mesmo que controlado pela vontade de outro) a ferramenta.-\‘Ia\_-V'§.a. a e W2 s: a :wmmt seize: ”’1 «“2»? fins-9.'_:‘. mm: 5: Views i. s finais sfio obtidas com a mecanizaqfio e discip linfl d3 Fabrica. neste caso. 10).2% <€":. “uma propriedade instrumental animada”..< ox tam mm . relegando 0 set humano a tarefa de Vigiar a maquina e corrigir seus desvios ocasionais. o centro do processo. o que nao altera a natureza do processo descrito. p. ele préprio. era um “agente preposto a todos os outros meios” (ibiozl).—4— 2—6-428. “cada instrumento pudesse executar pct Si mesmo a vontade on a intencionalidade do agente”.$'vyg aw“ . mas.. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE O ato do trabalho sempre foi a combinaez’io da forga de traba— lho em interaeao com a natureza. ‘3 0 :parato pslcofislc o do homem sc ajusta completamente as exigencias do mu ndo exterior. fié’X‘ w >5v wwyw re".79 73 MARX. p. 0 capital. o mecanismo da . em instrumen- to da maquina. neste contexto. mesmo sendo o trabalhador uma espécie de instrumento. .sm.\-. 11510 somente nas partes em que 86 dmde a Produgao interna a manufatura. nem os mestres de escravos” (ibial.\\. tendo em vista que. r: m a. 10—11)- Na indt’lstria modema.«\§\‘s>'. determinado pela estrutura dc seu organism o. O que nos importa aqui é que a atividade do trabalho fragmentou—se nfio somente nos tanlos da divisiio social do trabalho. o maquinario converte—se numa ferramenta que {move outras ferramentas.: E" Asa-rm :“1‘ -". a uma ‘fungfio’ individual. mesmo sob a forma do trabalho escravo como “instrumento animado” na concepgao de Aristételes (1998. Karl..--¥>_. fragmenta—se em um conjunto de agées de ferramentas potencializadas pela maquina fazendo com que 0 set humano converta—se. Enquanto o organismo hu’matno limita—se ao uso de alguns instrumentos. das maquinas em suma. p. p. “os arquitetos nfio precisariam de operérios. 0 individuo - e destltuldo de seu ritmo natural.

121. . Vejamos nas palavras de Hegel: No decorrer deste trabalho do espirito do mundo.213.2€s~e_.2 . {3:33. ._ 1 111."(Q-$1. m. way: «A: gwAmugxw .Opoder d“ ideologia. néio pode ultrapassar a particularidade do ser que esta. escondld .n _: .. (grifos 1105303.____. . _ \ -2. 11. fiw‘gim 11:15.o 192».2.W__._ :“t.... .. “W.3151.. No entanto. considerados como sujeitos. seja . e estao por isso diretamente de acordo com aquela a950. 3‘ Mid.s: {“3“ “92.. p. Embora sua consciéncia seja limitada a estas coisas e eles entos esrejam absorvidos em seus interesses mundanos. MW Mass.-. nesre caso. . nagées e individuos surgem animados por seu principio particular que rem sua interpretagfio e realidade atual em suas constiruigoes e em toda a extenséio de sua condigz‘io. _..‘52-»? {if}.A .‘_... inclusive :2: agées bista’rico—mzmdiazk.. F. J” 2.. ... niio e de estranhar que. por isso mesmo. mesmo em Hegel.g. MAURO LUIS IASI Assim. .2 €323: figgfifig‘ {if Max»..15.3. os seres sociais sejarn expostos primeiro como individuos e depois se faga destes individuos mera “ferramenta” de uma von— tade externa. seu desejo ele esteja 3” HEGEL. embora . Todas as agées.. . a. o deles e nao . sim. .. . : NM \ m.$11323. silo sempre instrum e orgies inconscientes do espirito universal que arua dentro deles.. ._.M3.?-.. . a agfio do individuo continua sendo o substrato ultimo da agiio histérica.1 wee-Mn . p..1:31 fits-.1._9\_ 12:15 E figfi g: . 1. Ybep/Jilosopby ofrig/Jt.a: -:. :g m __.80 Poderia parecer que esta visao dos individuos como meros instrumentos de um espirito transcendente reforga o argumento de que o hegelianismo mal digerido por Marx faz corn que ele despreze o papel dos individuos reais realmente existentes._. 1M 193%. condenado a ser “orgao inconsciente” de uma vontade que se encontra fora dele.2. G._ . 11. sendo a finica saida voltarmo-nos para o individualismo metodolégico 210 (Przeworski.1121:1111}._ 3:} gay: . nem seu objetlvo. 217. em substi‘mcia. . como transparece na continuidade do argumento hegeliano: os. “3.31 . A consciéncia do ser. .) 113 5 \we.." $93))”. W. 517..3353._ ”-2-._ . que resiste culto do individuo préprio do esclarecirnento racionalista.. consciente. a agfio do espirito do mundo. No caso de Hegel. mu.<_ . .Wfismi 1). . que dio realidade atual ao que é substan $510 03 instrumentos vivos daquilo que é. 1996. F‘ééfihfi _. 1. Szio Paulo: Ensaio. m: \-. 515. culminam com individu cial.. os Estados.. m V. 1989). v m. flPIIdMESZAROS' 1.. estes individuos sao instrumentos de um patriio chamado “espi'rito universal”. esta._.\.A.E_. p._ .. na representagz'io ideal destas relaeées.. .? up.

as 1de1as.para produzir sua existencia acabou por gerar relacoes que se objetrvaram em urn produto estranho que se volta contra eles na forma de um controle sociometabolico incontrolavel. ainda que inverta descaradarnente o papel da acao humana. Mas corno seria. ja que a raiz deste estranhamento estaria numa determinada divisao do trabalho.eracao mac é um ato de consciéncia. Marx nao hesita em propor 8113 superagao.. Como a consciéncia. corresponde a realidade da sociabilidade do capital. o estado social e a consciéncia) nao entrem em ‘contradieiio reside unicamente na hipétese de acabar de novo com a divisio social do trabalho.) ‘ente superior’. porque é mais do que conhecido que para Marx esta . combina a inverséio e falsificacao com um gran de correspondencia com a realidade. Consequentemente os ‘fantasmas’ (.. E. o que explica ao final sua eficiéncia. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE Marx caminha em sentido inverso desta concepcao. a0 fazer iStO: demonstra que este “espi'rito” ern que consiste a “substancia” que 86 encontra na mediacao concreta na acao dos individuos é somente uma das objetivacées alienantes que os seres humanos criaram e que volta a eles na forma espectral de “espirito do mundo”..e representacées estao inseparavelmente ligadas a atividade matenal. Primeiro porque revela o mecanismo que transforma o ser social na abstracao do individuo atomizado. 8510 apenas a expressao mental idealista. a superacao de uma forma de consciéncia so pode se ligar a uma agéo pratica.) a possibilidade de que esses elementos (constitufdos pela forca produtiva. o “desejo e o objetivo” dos seres que servem d6 mstrumentos a este capital. Se os momentos da sociabilidade humana acabaram por desenvolver uma contradicao entre si. segundo porque. a representacfio de cadeias e limitacées muiro empiricas 114 wmwmw am as is w? were am % 5233* as i? Him % w MMEEH’M . entao. possfvel a superacao deste estranhamen- to? aeiro.8up.. a representaciio aparente do indi— VldUO lSOladO. Neste caso. como afirma Eagleton (1997). que usa os seres humanos como instrumentos para seus fins de valorizacao do valor sem que rsto seja. ou seja. entao: (. a afirmacéo hegeliana. a acao dos seres human08. de fato. Mas toda a ideolo— gia.

superacfto da forma mercadoria e da mediagfio do capital como condiciio 33 MARX. que em Marx a luta eco— nomica é. n. 9% s2”. 's emf-s A “3“ v": \fij-"x. p. 43—71.s m. A ideologia alemz-E. 2002 b). na forma de uma “comunidade ilusoria” na qualidade de Estado.:35? :"I-“M’s s. Nao é mais. os autores com— pletariam o raciocinio sustentando que esta “expressao idealista” nao é apenas teérica. como vimos no mistico “corpo moral” rousseauniano. por consequénCIa.” Em uma passagem rerirada do manuscrito. (it. Pelo fato de que o estranha— mento que se prOduz no ambito do trabalho e. Sociologia USP. 2002- 115 W 335: _. 2”»: . neste fimbito. A emancipacao humana. cujo poder r1510 nte é nern urn pouco mitico ou transcendente. Friedrich. Seria precisamente a contradiciio entre os interesses particulares e o interesse coletivo (agora objetivado de forma estranhada) que faz com que este “interesse coletivo adquira. O estranhamento se estranha. Sfio Paulo. Plural. se estende as relacoes que constituem a sociabilidade na qual OS até os seres humanos produzem e reproduzem sua existéncia volta seres humanos na forma de um poder politico.- sweg \“*-~2j-‘?='.egs-@349.83 neste sentido.- i 3%whims}: ssia‘wiwi‘s. sass amass Rain lime? i‘ssiwsio sofa is: fissisizr’iii‘asrsi st: sins giWsifié . p. Esta aproximacéio implica algo essencial. 0 conjunto alienado do produto social total do trabalho social na forma do intercambio dos produtos do trabalho.-_“. mas eminenteme pratico: o Estado. uma luta politica. e nao por outro motivo. mas “existe na consciéncia pratica” como no Estado. E por isro.92/ gm. 5?”»‘i"’§“"?“‘ {is . 2° sem. Karl. 38. uma forma independente. \ «s so: \'r . is. 33 V61' :1 respeito “O problema da emancipacao humana” (Mauro Iasi.. MAURO LUIS IASI no interior das quais se movem o modo de produciio da Vida e o modo de troca que este implica. separada dos interesses reais do individuo e do conjunto e tome simultaneamente a aparéncia de uma comunidade iluséria”. iii?!" “iii-iii??? i Ms m3 . ENGELS. implicando. sempre.g: rW-sz . é simultaneamente a emancipacfio do trabalho como mero meio de Vida. f. portanto. mas ganhou materialidade num “corpo politico” externo e superior aos seres humanos. 9._-'-*s. na qualidade de Es— tado. niio apenas a religiao ou filosofias.

116 33 neww 3. ‘32335233‘ fiasifimfi é "K33vé3 33. também.3» £1333 hawks. na consciéncia dos seres sociais submetidos ao estranhamento drante de um campo pratico—inerte (Sartre) — ou. em um primeiro ins— tante. ao contrario.333 W.. 3. Friedrich. aquela relativa ao capital.3-3. entre a necessidade da sobrevivén— cia (aqul em um sentido mais amplo que apenas a sobrevivéncia fislca) do ser social e a funcao do organismo humano como parte fragmentada do processo de trabalho do capital na valorizacao do 3“ MARX. 333.. A ideologizz alermi. ENGELS.- g3.. Iluséria nao no sentldo de falsa. devem abolir o trabalho.3 3 _3. da superacz’io do Estado. eles encontram-se em oposicfio direta 2‘1 forma que os individuos da sociedade escolheram até hoje para expressio de conjunro. 33 3. se pretendem se afirmar como pessoas. 3 ... deVCm abolir a sua prépria condicz'io de existéncia anterior.3 3. Esta é uma comunidade iluséria”.3 333333333.84 O movimento da consciéncia se expressa. ainda que baseada na materiali— dade das relacées que constiruem 0 ser do capital. Vejamos nas palavras de Marx e Engels: (. Witt? i3 5&33 whimv‘gfiififi. . espectral. 3. Nesta emancipaciio. e a contradicz'io que move a consciencia é aquela que se expres sa3 n'este momento do movimento.. Karl.33. isto é. apresentado como objetividade alienada. As METAMORFOSES DA CONSCIENCIA or.. nos termos de Hegel.) os proletairios. a “efetividade exterior” —. submergida na serialidade. p. em oposicao ao Estado.: 33 3. sendo—lhes necesszirio derrubar esse Estado para realizar a sua personalidade. quer dizer. esta emanci- pacéio é a condicao para recuperar sua singularidade enquanto scr social.. 82-83. mas pelo fato de que inverte aquilo que constitui o carater social do ser. 0 conjunto das relacées de troca entre os produtos do trabalho (o mercado) ou o corpo politico do Estado no lugar das relacées humanas entre seres humanos na producao de sua eXIStencia. 3.. Por este motivo. wfiwk Riki‘s itmfiii‘s Q3533 ii? . 33333 33. cit.. Esta é a genericidade de uma determmada universalidade. 3_ 333333 _. Se a consciéncia se move é porque ha contr adicfio. 0 set particular transforma-se em ser genérico sern perder sua singularidade.3-3. 3. CLASSL‘ primeira da sociabilidade humana e. que é simultaneamente 3 de toda a sociedade até os nossos dias. 3.

EE’" “V“ WE -EEW-=E.‘. o que néio é senéo a mediacéo przitica e concreta da contra- digiio entre o avanco das forcas produtivas materiais e as relacées sociais de produciio.2:.E‘s-’9. Isto implica que.'“?“““.. prépria do estranhamento serial. o ser social so pode aparecer na forma particularizada do grupo.\E WE EEEEZEEE.. de fato. e néio poderia ser de outra forma. 0 final de um processo que encontra sua materialidade nas negacées particulates no nivel do grupo. MAURO LUIS IASI valor. EEIE E E. mas néio na 219510 individual..E Egg: wE‘E EEEEEEEEE. nesta primeira negacéo. Quando 0 capital nega o ser social por sua fragmentagz’io até a abstracfio do individuo egoista. isto niio pode ser determinado por nenhuma esséncia ontolégica. mas 0 capital que opera e se reproduz por meio desta fragmentacz’io é ele préprio eminentemente social 6 néo pode deixar de 5640.9510 no grupo. Enquanto individuo.. 0 set SOCial que emerge nada mais é que o proprio ser social do capital antes velado pela fragmentacz‘io individual: a classe em si. porém num tipo de acéo que permite ao ser social a primeira negacz’io desta serialidade: a 3. ou o enfrentamento de classes. EEEEEE EEE-EEEEEEEEEEEEEE. 117 :‘EEEE -Er-EW-EE“E=E2EE Em EEE \ 2g iEg‘E. Na verdade. . neste primeiro processo de negaciio... “'32-'333-‘2 ”3.<§£E:§?:':-i‘:\: Egg.. Ocorre que a emergéncia do ser social corno classe em si abre uma dupla possibilidade: a da integragz’io £1 ordem do capital pelo amoldamento/consentimento. i?"'. Negar a fragmentacéio do ser implica recuperar 0 set social.:‘ m EEEEEE E E3 $V2:.‘?-E"‘?‘ EEE. acaba determinando que a negaciio da negacfio so pode ser a recuperacz’io do ser social subsu— mido ern suas representacées ilusérias do mercado ou do Estado. Como vimos. Como a superacfio da consciéncia é um ato przitico. Seria por demais misterioso se esra negagiio desve- lasse o ser genérico de imediato. o que corresponde é fragmentacéo do préprio ato produtivo do trabalho.EEEEEEEEEEE EEEEE EE. EEEE.E:. E'EEH ”" 5E". e sim por uma contingéncia rnuito precisa. E EE Err: EE E-‘E EE N‘s.E22. ele é o ser social que unifica na comunidade iluséria o ser que ele prépno fragmentou. A formacz’io do ser social enquanto classe em si 6. esta con— tradicéio se resolve na acéio.:E EEE" "EEEE EEEEE-EE. o ser social é a expressiio da fragmentaciio promovida pela diviséio social do trabalho capitalista e pela sociedade das mercadorias.. Mas.

E EEE E‘2‘E1 E-=. E. As METAMORFOSES DA cowscrtm on cmssu Assim como o individuo submete—se £15 relacées de exploraciio do capital somente na medida em que esta exploraciio garanta. Crz’tz'm Marxism. 118 EMEE EEEE. E neste momento que a consciéncia pode assumir uma dimenséio verdadeiramente genérica.85 ou por meio de “pactos sociais” pelo crescimento econémico. O que é o fenémeno social-democrata se nz'io exatamente isto? N510 por acaso todos os mitos.‘-'-E= EE E EE ‘-"‘EEEEEE '9 "'?v E1" WEE EEEEZE-EE- E-EEEEEEE E" Ew“’EE EWEEE EE-EEE EEE-EEEEEE-EE E“: EEEZEE- “‘ EEEE E :‘e-«EEEEE. que imaginam de algum modo uma certa coexisténcia nz'io conflituosa entre capital e ttabalho. ainda que precariarnente. n. Sfio Paulo. e estes como patamar para chegar aos direitos sociais. seja pela insercfio na sociedade de consumo.EEEE-EEE- E E. de maneira que a perpetuacao destas relacées passa a ameacar a producéio social da Vida e a impor urn cardter destrutivo Es forcas produtivas (Mészziros. as classes encontrarn seu equilibrio instz’ivel no consentimento tiio so desde que as classes trabalhadoras possam arrancar do capital 03 meios necessérios a uma existéncia urn pouco mais digna Sob o regime de exploracéio capitalista. 9—38. seja na viséo de Marshall sobre a evoluce’io linear da cidadania por meio das conquistas de direitos civis como condicz'io para alcancar direitos politicos. uma classe particular pode representar o interesse universal da humanidade. sua existéncia subordinada. 16. 2003. Décio. Assim como os individuos. supée de alguma forma esta barganha. Esta impossibilidade pressupée a contradicéio plena— rnente desenvolvida entre a forma das relacées sociais e o avanco das forcas produtivas. académicas ou prz‘iticas. “Cidadania e capitalismo: uma critica :‘1 concepcfio liberal de cidadania”. constituindo—se em classe para si. as classes se movem quandO enfrentam no campo social uma impossibilidade (Sartre. na medida em que luta contra a classe que repre— senta a destrutividade e o entrave universal.E -“::E «W ‘E‘EEE‘E EEEEEEEE‘EEEE’EEEEE $4 .E:-E. EEE EEE EEEE E‘E $2. p. pois é a representacao 85 SAES. corn pro- messas de “distribuicfio de renda” dos atuais socialistas utépicos ou capitalistas realistas. 2002). EEK}. boas intencées ou brutais ingenuidades.. 1979) peremptéria. Nestas condi— goes.

ii M ”iii‘ “is? i222. pois. Da mesma forma que o ser social encontra—se velado pela fragmentacao do trabalho. 42). e neste movimen to tran— sita por formas particulares e através destas até formas univer sais. também é movimento. Mas. Neste sentido. ora como possibilidade do ser social genérico universal. nz’io dependendo de nenhuma forma estabelecida ou esséncia pré— Via. immisi iiii i iwii. Por fim. os Estados Nacionais. For tudo isto. p. querer atribuir 2mm consciéncia ao ser da classe trabalhadora é um absurdo impraticzivel. empirica e prz’itica enquanto existéncia mundial. dai os equivocos dc considera-la em si mesma revolucionaria on em si mesma reformista. a consciéncia so pode encontrar suas mediacées n0 movimento dialético das formas particulates e genéricas. 43). como niio ha linearidade neste movimento nern uma esséncia primeira a ser reencontrada ao final. Se 0 ser estz’i em movimento. 1976. enquanto c‘hornens empiricamente universais que Vivern de fato a historia mundial em vez de serem individuos vivendo numa esfera exclusivamente local” (ibid. Este caraiter. mas se define pelo momento concreto de sua acao. pois seria supor que o ser da classe trabalhadora é unico. 6 natural que sua consciéncia também esteja. iiw‘iiiwii i% SM % iiiiii‘ii‘i‘e ibis. ora como ser social integrado a esta mesma ordem. continua sendo uma forca social. é movimento. 56 a “COHSCiénCia nunca pode ser mais que 0 Ser consciente”.. 0 capital total 56 pode encontrar sua forma especifica. o ser genérico acha-se fragmentado por suas “comunidades ilusérias”. sua ma— nifestacao particular ou genérica depende do carater particular on genérico deste ser. ora mol- dado pela subordinacao ao capital como peca fragmentada de seu metabolismo. p. ern certas condicées — na confrontacao do capital como totalidade —. Isto implica que a negacao da frag— mentacao do individuo pela emergéncia do ser social da classe em si pode. fazer emergir o ser social genérico: a classe para si. como alias todo ser. 0 mecanismo 11‘) gum: aiiiiiisfi i. iii iiiiiiiiiaiiiiiai . por sua vez. O ser da classe. MAURO Lurs IASI do ser genérico como “individuos diretamente ligados a histéria universal” (Marx e Engels. ainda fragmentado 0 capital.

ue abre a possibilidade tanto do it além como do recuo. E o que estudaremos a seguir. -. que no caminho da emancipagao encontremos momentos de recuo e possibilidade de novas “objctivaoées alienantes”. mesmo diante de um novo campo pratico—inerte aberto pela praxis livre dos seres humanos. Este tern SldO o dilema de todas as transigées socialistas tal como tratou Mészziros (2002). reatuahzando o movimento. ao contrario. \ m . de manutengéio das relagées estranhadas.t as W. -§1-9”‘$“§2-:£‘-. 120 as. pois.“ w N. no sentido de possibilidade dc emancipagao e supe— ragéo do estranhamento. f). é o que o faz permanente.a . as impossibilidades so reapresentam e a agao se torna possfvel em um novo ciclo dialético q. diante de um novo campo prético-inerte fechado. mas ha uma possibilidade de regressividade dentro da progressividade. so a .“5§ 1. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE de externagao (Entdussemng) e objetivaofio (Wrgegemtz’z‘ndigung). ou seja. Ocorre que isto nio elimina o movimento. Isto significa que existe nao apenas a possibilidade progressiva.. entendendo _ os patamares em que esta totalizagz’io se totaliza em barreiras que -ransforompam a livre praxis humana em novo amoldamento e as commflIQOCS que impedem que estas barreiras sejam definitivas. s a. - W“ . . contra uma possibilidade regressiva. desafio teérico de compreender as mediagées particulates e generlcas da consciéncia de classe é nao absolutizar cada um destes momentos abstraindo o movimento de totalizagfio. pode produzir um novo estranhamento (Emfremdzmg). = a i s.3 is)?“ wousmfiufiga ‘1 3.

9. m. s- é’hi. -.. . _. 1. E? May‘s . 6’ 0 princzlvio dd sociedade capitalism. ammm: -\ 3-? a v. 33—36) — ou seja: 1) a produ instru— da existéncia na interagao com a natureza 6 na produgz’io de como mentos. para mim.§.Sal : . 86 Militante do PT da Bahia e do Movimento Negro Unificado.». 4) a reproduqfio. 1977. Lisboa: Presenga. 3 DA SOCIEDADE AO SER SOCIAL COMO INDIVlDUO Eu. 47. Martins Fontes. QMMEMS‘M‘Q J” is: iii -_ WEE _ ..is}? H‘sfig‘: E : .x $15. condicionado por um determinado estzigio de desenvolvimento das forgas produtivas.. 37 Materialismo dialético epsicmm’lz'se. 3) a reprodugéio da Vida meio dos seres humanos e a reprodugz’io das relagées sociais por da familia. M.9\ . nascerfoz' muz’to impormnte.«s g Mfg: m- .=~'-. torna fisica tfio essenciais come as primeiras. . "am ‘ \-\'. 2%".\\ e 3. 505 afiarmcz qua reveste para 220’: at'ualmente. 3“ ed..-. .vs- z: Mfixs if“. in??. . w. \W. ‘5‘ 5 EM».. Ms._\. p. de um determinado modo de Vida.. p. V.. t. . por uma certa forma de cooperagiio e das relagées sociais historicamente dadas.\«\. Reich” hiSr Apesar de a ordem de constituigéio do conceito da praxis térica da humanidade seguir os cinco momentos descritos por gfio social Marx e Engels (1976. tanto natural quanto social. E= a . Edenise Santana86 dd A definiya’io do princzpio dd realidade coma exigérzcz‘zz sociedzm’e permanecefbrmal 56 71520 acrescmmrmos concremmmte que 0 princzjaio dd reafz‘dade.. 2) a constituigfio destas atividades e seus produtos ndo-as novas necessidades que se somam £13 naturais e fisicas.

por— que reduz o fenomeno da reproduciio ideologica ao ato da repeticao e comunicacao das ideias ja formadas e articuladas num conjunto de valores. finalmente. as ideias dominantes e sua reproducfio por meio da familia. é evidente que a producfio material da existéncia ante— cede. possibilitando que os adultos os encontrem nas escolas. na Vida cultural. Uma vez que as relacées determinantes 5210 de tipo capitalista. Quando se trata da espécie. um grande mimero tie . e isto se dzi nas diferentes formas de familia. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE 5) e. ressaltado somente o privilégio de ser 0 primeiro. E: repassando estes valores para seus filhos por meio da vivéncia . o primeiro capitulo desta histéria so pode ser seu nascimento e suas primeiras relacées de socializacao. nos meios de comunicacao.mljlitantes acredita que se trata dc “trocar” um ccconjunto d6 idelas Hpor outro e adere com entusiasmo a missfio redentora da educapao. portanto muito pouco dialética. desta maneira. a 122 EEEEEVEE‘NEEEEEEEC‘E E. Poderiamos dizer que. o papel dos chamados “meios de cornunicagao” e da atividade educacional como osoprmcipais fatores de manutencao ou de transformaciio da copscrencia dos individuos. o desenvolvimento e reproducao de uma certa consciéncia social — para os seres humanos que se inserem em uma determinada sociedade. normas de conduta e Visées de mundo.na famrlia. evidentemente com a finalidade de “conscientizacao” e 03 mars nobres objetivos de transformacéo social. Primeiro. Esta analise mecz’inica caracteriza—se por urn raciocinio centrado fundamentalmente na repeticao. entrc o carater capita— lista da sociedade. na drfusao religiosa. para os seres humanos concretos. mas. desta forma. depois. MERE EEE’E E E’EEE EEMEEEE‘E E‘a E EEEEEEE‘EEE‘EE EEE‘E EE‘ EH EEEE EEEEEEE E:: EEE 123 EEEEEE‘EEEES . pelo fato de que o papel da familia fica diluido como se tratasse dc apenas mais urn espaco de repeticao destes valores. tornando—os mais amplamente difundidos. a ordem nao pode ser esta. Desta maneira. na teia das relacées coridianas. Exrstem Varios pontos cegos nesta aproximacao. Nao é por acaso que se exagera. A maioria dos marxistas costuma fazer uma ligacao direta e mecfinica. os capitalistas controlariam os meios de producao e a divulgacao de ideias e juizos sobre a socieda— de.

distribuicao dos pensamentos da sua época. como produtores de ideias. MM-MM m %.. M. de certa forma. W a V. v. . :1 criacao acao outta parte. que regulamentem a produg ideias sfio. de uma parte. A ideologia alemd.9% .32 . Esta aproximacfio.MME%§2M‘i?K%M . a dinamica e 1321 este processo ganha materialidade na reproducao ideologica ada Vlsao aceitacao.ZM% MM-MM %MLZ% % MMMM MM. a producfio ‘espiritual’.I“ MM A 3%. é légico que esses individuos domin ante como seres sentidos.3 3113’: ‘. na medida coisas uma consciéncia. 9: . esta presente em Marx e Engels quando afirmam que: entre outras Os individuos que constituem a classe dominante possuem ._ «A. no entanto. ENGELS. A “producéo de mundo fica absolutamente velada e obscurec o” das ideias sistematl— da ideologia estaria vinculada a “produca e 210 controle dos zadas como conhecimento.. notadamente para a ativid pela qual de conhecimento sistematizado ou cientifico. entre outras.r\\\-. \_ = w ”I 0 I)“ ‘ 5 WW. . . de mesmo.~:\\~. ou saber cientifico.9??? 4. ‘ . uma posiciio domin ao e a pensantes. também produz um sistema de explora das propried ades naturais e humana s tendo como suporte a ciéncia. MM %\ ' ‘9 ””3 WV: . Karl. a produgao rnaterlal. Friedrich. ela realiza a colocan- apropriaqio através da ciéncia. cste e transforma-se em capital fixo: “A produca o.‘\‘ . p. a fabrlc em resume. . . 1991. p. na visio de Marx.Y§¥E§\\§_\z _v: Hrs: M‘s-14.. de seu desenvolvimento histérico.\'.Mfs MMMMM M %%. Isso implic do” (Lefebreve. 1.': K. 123 . 33 “Num retorno as fontes.. 515 ohms da juvent capital).§ wax 9. =~=='-..» M.\ mag: § . M.. saber cientifico é subordinado a0 capital 9” Hirano nos mosrm como. 3" MARX. ou seja.’*-' :. MMMMM 1:54:3.t . Ou seja. 0 termo produ cao readq uire um sentido'amplo e Vlgorosg deixar de lado 0 nzio se reduz a fabricacao de produtoso Sentido esse que se desdobra.1% W)? Ma? '-. :\ __-. e. Ainda converter suas ideias particulates em ideias dom ade de producao que isro seja verdade. Enfim. termo designa. nao da violénCia e do poder pessoal. 56.: '. que tenham. as was as ideias dominantes de sua época. portanto. no decorrer humano’ pct 31 de coisas.it. alem cao e dominacao geral de produzir mais-valia.t.\.89 role dos meios Reparem que o argumento central é que o cont o poder dc de producz’io e distribuicao das ideias dz’i a uma classe inantes. 37)- tomada em toda a sua amplitude. -' "'{M"Q5“ ME W ' MM M? s a. MAURO LUIS IASI analise fica resrrita a “circulacao” e deixa de compreender o processo mesmo de “producao”88 das concepgées de mundo. \ . de uma determin ida. o termo envolve reprodug cit. A producao de obras (inclui ndo o tempo 6 o'espaco socrars).‘3. e é em consequéncia disto que pensam época histérica em em que dominam enquanto classe e determinam uma em em todos os toda a sua extensao.M‘ V“ ’sM}-'.“"-‘=.MM M MEM $3M?“ EM-MM. Ele designa também a producao do ‘ser a a producao das relayoes 50mm.90 ude de Marx (sem. pelo conjunto da sociedade. 1‘ ' . :5“ MM-M‘ = \-=\'-MM-EMMMMM : :'. .\§-_ . quando jzi é comandada pelo capital.

como ‘sabcr acurnulaolo E 0 capital somcnte pode se apro riar dacra (1:16 5. p. Assim. ou seja. . p. enquanto uma moda- da societiezlzaé21(t‘:iénfiafixggifririfazipggfinfa. aceitariam como seus estes Valores. 1—20. Parece um movimento que ocorreria totalmente num {imbi— to consciente.. qur tambem vemos Igualmente a énfase no aspecto a repetrgiio”.. ou seja. e nao a manutenqao da sociedade. 124 waawrémw i m a 2 w mm am rmsm ”a a a s 2H s: as imsmm .0 (gapita’l. como “consumidores”. transitando do aparelho ideolégico familiar para o cscolar.. 719mm Social RCV Soc USP 550 Paulo 13(2). 1. passariam aos seus filhos e tudo isto seria reforgado pela repetige’io insistente dos mesmos valores na escola 6 nos meios de comunicagz’io. :0 "a‘ia (Inga. 2001). ao Cipltfill’ O que 11510 ocorre com o cscravo. g 0 da ma q aria (HIRANO. sem instrumentos criticos adequados. estaria presente também em Gramsci.392. Quaderm' 46’! m’rcere: edizione critica dell’Instituto Gramsci a cum di Valentino Gerratana. os pais encontrariam mais amplamente divulgado urn conjunto de valores e ideias que explicariam a realidade e um certo funcionamento social 6. perante . Torino: Einaudi Editore.6 Given? 6 e Inaterralmente frladora )' uin . . l‘im esséncia. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE meios de circulagéio destas ideias. apesar do out: no comunista italiano o fenémeno de formagz'io d0 861150 :23. e nao socralrnente. Al— thusser (1996) ira levar ao méximo este raciocinio ao dizer que a escola “martela” uma enorme quantidade dc saberes “embru- lhados ideologicamente” num momento em que a crianga estaria fragrlmente “vulneravel”..:1:izgzrzuido por Inediagées one enriquecem dialeticamente “ . p POtenc‘i‘a crontlfica (sczmtgfl‘power) mediante .' a re p tlgao 6 ' ' e’ o melo dldatO mals eficaz para atuar sobfe o o t a o 0 ' mentalrdade popular. a maioria da sociedade entraria em contato corn estas ideias na esfera da “circulagao”. Scdl. p. . diforcntemente do e'scravo. ’fi P meflnte. Dizia Gramsci (19 77): (. Polltrca e economia como formas dc o empre dommagfio: o trabalho intelectual cm Marx”. 12. . ’ ' ' ’ ' 91 GRAMSCI’ Antonio.. agora aplicado a transformagao. Essa aproprlagio do conhec1mcnto filial. nov. este argumento. 1977.) nunca cansar—se dc repetir os préprios argumentos (variando a forma- literéiria).91 jfieoésjlgreggll-iefigficzsjj:r 5“V190 11% espéoie dc capital fixo.

. “relacao”. iéw‘isiwk mafia Eisxi‘mii‘a {3. isto é. O que.. Mmgwkm . A pista funda- é mental que nos é dada pela aproximacao marxiana. pressao de que tanto os pais quanto os mesrres nfio sfio senio representantes e intermediaries” (Durkheim. i: M same E“ H‘s iiirw‘eiéfiifrlfi . esquecem que ai ja se encontra urn complexo processo de mediacées que converteu uma certa objetividade em representacao simbélica (Vigotsky. “minha antes consciéncia sfio minhas relacées”. xg‘w we. p._ . . Mas corno um conjunro de relacées se conve em ideias? Eu olho uma cadeira e digo: cadeira. . outra. . converte-se em sua expressao ideal na consciéncia dos seres sociais? a Quando Marx e Engels afirmam que em um primeiro momento consciéncia é a linguagem (Marx e Engels. pratica”. as ideias domin em nada mais sao que as relacoes sociais dominantes convertidas rre ideias. fig“. ...1. niio podemos supor que os seres sociais olhem para a complexidade das relacées que constituem ”2 Nao é uma mera coincidéncia que também Durkheim data um peso consideravel a arivi- dade educacional... seja por meio da mera socializacz’io da linguagem. os momentos pelos quais uma determinada forma social estabelecida. . {k gamma i may. antes de mais nada. . Muito bem. 1986. ou ainda.\_:_.i‘. a nosso ver. \._ E m. 1’35 H ‘31:??? 151%.:_. e com ela uma certa visao de mundo tornada hegemo- nica. “A pressfio de todos os instantes que sofre a crianca é a prépria pressao do meio social tendendo a molda-la 21 sua imagem.. p. ._. um modo de Vida determinado historicamente._. .. como acredita o pensamento durkheimiano. que segue acriticamente um certo marxismo positivisado. seja na forma sistematizada dos processos educacionais. Aquilo que era de uma objetividade rorna—se uma representacao mediante o uso pée simbolos e convencées linguisticas. 5). 36). fili were? a‘ . 1976. “COHS' ciéncia real.92 A questz’io central continua esta: como certa ordem de relacées sociais objetivas. pressu relacées anteriores no seio das quais estes codigos foram desenvol— vidos e partilhados. No entanto._ \. 1976. tampouco sfio interiorizados pela simples “coercao”. .. A consciéncia é. MAURO LUIS IASI O que desaparece nesta aproximacao sao exatamente as me— diacées. . V 1. A interiorizac’ao destes valores nfio ocorre pela simples “comunicacao” racional.m.336. se interiorizam como Visao de mundo dos seres sociais que a compéem em cada época histérica. obviamente. 2001). g. .

que tomou o lugar da interaca’io das pessoas. . . relacao social que é inte— riorizada nos leva a urn grau de complexidade um pouco maior que inevitavelmente nos conduz a diniimica de formacao do psiquismo. mas de fora daquilo a que a pessoa dirige a arividade do cérebro de fora. . p. ano 21. 71. dirzi que “a natureza psicolégica da pessoa é o conjunto das relacées sociais.. antes. (grifos nossos. 4) o principio bdsico do trabalho das funcées psiquicas superiores (da person alidade) é social do tipo interaciio das funcées.) 126 ‘ 0.». AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE nosso atual patamar de sociabilidade e digam: “capitalismo”. “Manuscrito de 1929”. 4. M: a. Na ansia de buscar uma base materialista para o processo de consciéncia. chegando a: teoria do “reflexo psiquico”. Pavlov).93 E.3 “1'. a». [1959]: 21)- 9. transferidas para dentro e que se tornaram funcées da personalidade e formas da sua estrutura”. reduziu este processo aos seus aspectos fisicos e neuro— légicos. n. Lev S. $1.94 concluindo que: 1) é ridiculo procurar centros especiais para as funcées psicolégicas su— periores ou funcées supremas do cortex (partes frontais. através de - CStl'mUIOS. parafraseando Marx.9x :. pas— sando aurornaricamente a pensar e estrururar sua visao de mundo por meio das palavras e valores—chave do pensamenro liberal. mas construgées.3 fey. $3 ?"':’f!§‘ :\\:».3-3-1? :3»: \.E-EE :EELEE EEEE EEEZE-E. fundamentalmente a sovie’tica.)3: via? \Ifié’w‘)‘ gag-4 in“. 3) alas mfo sd’o estrumms naturaz's. o processo de 95 A formacao destes processes e determlnada pelo aparecimento de uma funcao de sinal. 95 Mid. 27. ..E EEEE E: EEEEE E: EE EEEEEEEEEEEE : LEE. Educapzfo e Sociedade. 0. ViGZLS(fSKY.3 \r_ 5-: 5.993».95 ' Uma das consequéncias desse modo de ver 0 fenomeno psi— qurco é que.9 ES“?- .E E: E: Emo HE EE Em: ”E EEE. uma certa tradicao marxista.. VigOESkY ([1929]. entretantoa urn soviético que pode nos dar o melhor exemplo sobre a limitacao desta aproximacao e apontar o caminho correto para supera—la. distanciando—se da visao organicista. A pista de que a consciéncia é. )u . 2) deve explica—Ias nz’io com ligacées internas organicas (regulacao). 2000).. 9:3 3V? ". gal): a. e dai' a centralidade das relacées de familia. If”)? 92 7: w. -:I }:\V. u: "' r u Assim nasce aaptidfio dos organismos para reHetir as acées da realidade circundante nas suas llgacoes e relacées objetivas: é o reflexo psiquico” (Leonriev..\\\'-_¢_.: _:‘~'\ {9.

EEEEEEEEEEE EEEE EEE EE E E EEE E :E EEEE. 1986 —— A.95% 'fié’w‘E‘Efi’“ 15w. que cste nfio naturaliza a consciéncia humana como algo humano é como a Visiio de W. mas para a individu funcées zaczio das funcées sociais (transformacéio das relacécs sociais em nto infantil psicolégicas.).v -. Aléxis.Eii LE E'EEEEEEEEEEEEEEE . 9" Apud LEONTIEV. . p. O ali- desenvolvimento segue niio para a socializaciio.. transforma—sc (.. Série 14. Nés perguntamos: como o coleti naquela crianca as funcées superiores?93 Ocorre que apontar para a determinacfio social podc niio resolver todo 0 problema. eleva—se.\ {11.§-Q'. Psicologia. 2000. Agora: a funcfio primeiro consrréi-se no coletivo a da na forma de relacio entre as criancas.E:: E:. -:I w\\-_i. oprime—se etc. ou 97 “Antes era pressuposto: a Funcfio existe no individuo em forma pronta.condicée s artificiai s. a consciéncia humana.) n65. 127 m3. deduzimos as funcécs sociais.9: @153 ‘E'. das formas de Vida coletiva. consequéncia é uma profunda reorientacfio do préprio método dc peq}83 pslcologica de pesasa. Toda psicologia do coletivo no desenvolvime aqucla crianca se esté sob nova luz: geralmente perguntam como csta ou vo cria nesta ou comporta no coletivo. depois conscitui—se como Funcéo psicolégic personalidade” (Vigotsky. o ‘experimento’ —. As conclusées de Vigotsky levam—no a um caminho distinto: (.'-~\‘:.. estes determinados por amadurecimentos lineares c fisiolégicos. freia—se. MAURO LUIS IASI construcfio psiquica inverte a determinacfio do individual para 0 social?6 A armadilha da Viséo organicista—ncurolégica do processo dc consciéncia é quc acaba deduzindo a conduta social pela forma de atividade e pensamento dos individuos. desenvo lvc-se. engenharia.93.97 por mais que insistam no aspecto “social” do pensamento e da consciéncia. nas quais seria posswel 21 real-lzacao modelo ”. embrionéria — enriqueceuse. $1. EE EEEE EEEE EE-E EEE ESE-IE E E: E3 EEE E3». . 95...“ .( ‘2' ‘9.3 we {mg ’§:}\2 _E: $3 995*" :\_. n. O desmvolw'mento do psiquimzo.2“ .) 192? (Bo/6’13”” 62'“ ”6 Segundo podemos ver na nota 25 do editor russo dos manuscritos de Puzircl). nosolltrnltes por meio de uma “profunda rejeicfio do paradigma experimental com ajuda de forma especial da atnndadc do qual o psicélogo em esséncia tenta criar..E:-:E:EE EEE EEEE-EE.m 5 gm: . 1. No lugar deste paradig ma seriam proposto s metodos T313 ade— do prescrito quados h natureza especifica de um objeto definido como “histériCO'Cllltural - ta. «9-. para quem “o psiquismo em toda parte e sempre o rnesmo”?9 mas afirma quc o “psiquismo dc maneira humano. 28-29. \M.. Wundt.EE‘ E EEEEEEE . 29)- 98 Mid. O préprio Leonticv insiste que o que é iéncia é caracteristico de uma Visfio marxista do processo dc consc imutzivel. UEnfl oufra Universidade ([6 Moscow. p. A. semipron no coletivo ela exercita— se. torna—sc mais complex a. p. cit. 3-": w .

pois.: =11‘12.1113-1113. pelo contrério. I28 1111111 191.11‘1‘11‘1 3111111 11". devemos ab~ solutamentc rejeitar as conccpgées metafisicas que isolam a consciéncia da Vida real. : 1111 “ 111. estudar como a consciéncia do homem depende do seu modo de Vida humano. Este carater dinamico. p. 111. e no caso da praxis humana esta atividade muda historicamente.11 1‘1 1:11-11“ ‘11:‘ 1-1-1“ 1131.1111-. p.100 A atividade humana do trabalho.111 1‘1““1:11. elaborado historicamente.. “o homem encontra um sistema de sigm'ficczgo'es pronto [grifos nossos]. da sua existéncia. pos- 51bllitariam em igual medida a representagfio simbélica da realidade destas relaoées. 95). Segundo Leontiev ([1959].11113111 1111. em contraposigao 2‘1 imutabilidade atribuida a “psicologia burguesa”. p.111:121 1111.102). O desem/olz/immto do psiquismo. Aléxis.11. 1‘11».' 1%1 1111111 12-1 1 11111111111: “111 111:1 11111311211311: 11. modificando assim sua representagao subjetiva. Isto significa quc devemos estudar como se formarn as relaqées Virais do homcm em tais e tais condigées sociais histéricas c que estrurura particular engendra dadas relagées. como eminenternente social. na nledida em que uma pessoa assimile ou nao um certo conjunto do Significagées tornando-o parte dc sua personalidade. conclui corretamente que: Para descobrir (as) caracteristicas psicolégicas da consciéncia. Devemos em seguida estudar como a estrutura da consciéncia do homem se rransforma com a estrutura da sua atividade. N50 é por acaso que para este autor “consciéncia” é sinénimo do “psiquismo”. como transparece na afirmagao. 111111311111-1111111 . Devemos. o que o leva a afirmar que o ato propriamente pmcologlco se aproxima de uma escolha “subjeriva e pessoal”.21“ 1 . e apropria—se dele tal como se apropria de um instrumento”. Ainda que este conjunto de significagées nao se apresente sempre e diretamente como uma ideia consciente. cit. além do permirir a comunicagao. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DB CLASSE qualitativa no decurso do desenvolvimento histérico 6 social” (Leontiev [1959]. do tipo: por “’0 LEONTIEV. 98. Logo. como 0 use doum’lnstrumento. permitiria que os seres partilhassem de um conjunto dc simbolos e rooresentagées fonéticas que. todo processo é consciente.11311131.1111. 1111111 §-:§-11111-§11§1131 1 111111111321‘. derivaria do fato de que a consciéncia seria agora vista como “reflexo psiquico” da atividade do 361' humano sobre a narureza (o trabalho). um “sistema de significagoes”.

w §M:. que significa que. \ 3. portanto sociais. :M as. podem ser conscientes (Leontiev [1959]. 33). me comportarei em meu trabalho como um individuo profundamente competitivo.. m M.. A “:1”: “=‘“““. Podemos deduzir que a capacidade dos organismos superiores —— por exemPlo. i“ 2t M .%::E%. is}. seu aspeCto qualitative..:Mi§:. a memoria. em certas condicées. nas palavras do mesmo autor. 113).yrs-:1“ a“: $2... p. ::*~ :1-. ou seja.§-. p..\'r. As primeiras serlam explicadas pelo amadurecimento das chamadas funcées superiorcsc definidas a partir de uma base fisico—neurolégica. por assim dizer. que a “personalidade social é o conjunto das relacoes sociais encarnado no individuo (funcées psicolégicas construidas pela estrutura social)”. . mas que “ocupam apenas outro lugar na consciencia. conscientemente. que insiste em seu duelo com a “psicologia burguesa” na dinfimica do psi- 12‘) MM}: iii-i=:.. por exemplo. MAURO LUIS IASI participar de uma sociedade capitalista e aceitar como parte da minha personalidade o ideario liberal. 1.. isto. controlados. Eis que a consciéncia se toma. como afirmava Vigotsky (op. E por demais significativo que o mesmo Leontiev.:.}:. a capacidade de associacao e sinteses abstratas -— encontram e ganham forma a partir do desen— volvimento histérico da atividade humana.§-M.gr:<.§2§l5$§§= :13.1. :.z.-. i: a. i1:. i.:§s i'““j2'=.. mais uma vez.§:-.§ 1%... For terem bases fisiologicas.. 0 sistema de significacées e suas rclacées de sentido. “ Isto leva Leontiev. a sustentar que a trafl‘Of— condlcoes de macao essencial que caracteriza a consciéncia nas desenvolvimento da sociedade de classes é a modificaciio que sofre a relaciio que existe entre o plano dos sentidos e 0 Flint.::\ <:::.. “niio significa que deixem de ser conscientes”. mas sao na esséncm.““1311???“ §::E§}13:§§ :aQ-M lizaiwmw: W§ MW“: :2"“. a segunda estafla ligada as relacOes de sentido e significaca’io.. cit.MM: w m. :“-“““3“ “"3 «re»: if: s“: “so 2%. o. sao igualmente.. escolha e assimilacao de ideias e nao.) das significacées nas quais se produz a tomada de consciénCIa ({5s uma questao de 122). :: . E essencial lembrar que o autor estabelece uma diferenciacz’io no fenémeno da consciéncia entre as chamadas “estruturas do peosa— mento” e o aspecto propriamente psicolégico. sempre os mesmos. O que mudaria seila 0 contetido desta forma imutavel. o pensamento abstrato.“:.3:...

acaba por se esquecer da relacao social que deveria ser a base deste processo dc interiorizacao: a familia.'§z>'-. A modificacéio essencial da consciéncia na sociedade de classes. para os trabalhadores. ge— rando um'a “alienaciio” cujo resultado é que sua propria atividade “deixa de ser para o homem o que ela é verdadeiramente”. a familia so aparecera na pagina 306 e de forma absolutamente abstrata e a—histérica. O conjunto de significacoes refletiria agora outras significacées que manreriam obscurecido os sentidos e interesses reais em jogo. . Os membros da classe dominante estariam condenados a uma contradicao insolfwel. reria se produzido por duas transformacées: a cisz’io operada na atividade humana entre o trabalho manual 8 o intelectual e a separacfio d0 sujeito da atividade dos meios de producao necessarios a esta. a “apropriacao de um conjunto de significacoes linguisticas é (to mesmo tempo a apropriacao de um conteL’ido ideologico muito mais geral” (z'bz'd. p. pois restabelecer o vinculo entre o sentido e a significacao dcsnudaria o carater da exploracao que lhe é funcional. com 352 paginas. mas se autonomizaria.. ao passo que. 130 “ E *"' “ ' ""°“""' ""’" “" ” EEE: 1%”? m w E‘EJEENE EEMM “WY-“'4”- H" -‘ W- E‘Ez -'\\- E: MEEE E‘EW E: Em EEEEEEEi‘EfsEx a rem-s. Ms”: “:“?e-‘. A consequéncia destas cisoes é que o conjunto das significacées passaria a nfio refletir mais diretamente a objetividade e a finalida— dc consciente. Segundo sua concepcao.. conclui o estudioso soviérico.<‘\'§-. 139). Direto da esfera das relacées de producao para a consciéncia sem escalas. Em seu livro sobre o Desenvolw’mento dopsz'qm’smo.= wag. Desta maneira. [1959]: P‘ 129)." 9"»: ‘1 ?‘W-= my {943}?:I. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE quismo contra sua imutabilidade e atribui esta dinfimica a relacéio deste psiquismo com as mudancas histéricas das relacées sociais.:“A-‘=_. que segundo o autor encontra—se nas relacées dc senrido 6 na con—- tradicao aberta entre estas e o conjunto das significacées. Seriam estas relacées objetivas ligadas ao desenvolvimenro da propriedade privada que determinariam “as propriedades da consciéncia hufl mana nas condicées da sociedade de classes” (LeontieV. o “mundo do trabalho” se transforma em “pcrcepcz'io” subjetiva d0 mundo sem a mediacao de nenhuma relacao social.

0 proximo passo é a possibilidade de superar tal consciéncia sem que isto implique superar as relacoes socials propriamente ditas. o Como as classes trabalhadoras Vivem o antagonismo entre conjunto das significacées burguesas e a “Vida real” e “anseiam” por ideias que exprimam as “relacées verdadeiras”.i""."'\'-'s5?‘:}e-‘2essiiis is-fii ass-figs axis-i we: viii-sis. se— proletariado. reendlclas Estas surpreendentes afirmacoes so podem ser comp ciéncia soc1al se percebermos que para o autor existiria uma cons burguesa e o para cada classe: a burguesia teria uma consciéncia ior. ‘01 LEONTIEV.i2"’i". Mesmo ' rcado que mascarava outror ' car {iter a o verdadelro ’ ' s lacos do patria os ultimo destas relacées eStao definitivamente quebrados.(!!!???)101 . O desenvoivimento do psiqm'smo.“ski i iii mix E’a. iii iii-its: ism-ii Eisiiiiiiéssiiiissi . pela consciéncia socialista cientifica” (ibid.is: isW iii“ '9~\ swiii i it :‘ i xiii iw'. A assertiva anter gundo a qual a consciéncia social deriva das relacées sociais. pois as classes que compéem uma certa sociedade devem por definicao partilhar de uma mesma relacao. cria aquilo que se manifesta objetivarnente por uma atracao pela ideologia socialista. uma consciéncia proletaria. Como a consciéncia foi transformada em um conjunto duos d6 Significacoes que psicologica e subjetivamente os indivi assimilam on 11510. ainda que em polos opostos e por vezes antagomcos. A dommacao Ideologlca se u g c f u . o autor conclui que: ha tracos das Nestas condicées.. Aléxis. perde todo o sentido."~: is} “i iii iss-E-issi Ems“ ifs-3i i: its is ii.-zis=*-"-i. de uma ideologia adeqzmdzz [grifos nossos]..s'=. Mas aqui se trata de uma incompreensao muito maior (lo que o simples uso incorreto do ambivalente e vago termo ideologia. 142). cit. 141. i’. Marx com toda certeza so poderia reagir com profundo espanto a busca de uma “ideologia adequada” no caminho da emancipa— cao humana. Eissi-isi‘siwsi ssi-sii‘is is: ii :iii:- 9‘s ire-u:”iii-s éziigs-ifi iii-i. p. 131 ii-Kiowa-A -.’-:sa'i. MAURO LUIs IASI toma—se vital superar esta “imperfeicao” ou “inadequacao” criando “um terreno psicologico favoravel a assimilacao de significacées ade— quadas. Vejamos. principalmente tratando—se de um proletariado que fez uma revolucao social 6 apresenta certa dificuldade em largar o Esrado. p. que 5510 as da Vida dos trabalhadores. néo condicées que fixam na sua consciéncia as relacées dominantes (1?).

Sabemos que Leonriev produziu este texto no final da década do 1950 na URSS. Pequenos abalos sfsmicos sz'io detectados proximos ao cemitério do Londres onde Marx estzi enterrado. abrindo caminho para 0 marxismo tornar-se uma “ideologia adequada’”. tece.22322a. O Operario socialista recebe um salario em troca de son trabalho. para sua classe.. mas para estc filtimo nao é senfio um meio para realizar uma parte dos frutos da produgz'io social para seu consumo pessoal. seu pai's (onde os {llrimos lagos do patriarcadO estavarn definitivamente quebrados) e o momento histérico em que se encontrava quando escreveu tais assombrosas conclusées. 10?.2"2122 2W2 222-‘22 22M 2&2‘2 2223?: Wéfifiai‘fiaao . 2. remos que afirmar que Leontiev realmente acredita no que estz‘i diZCH dO. portanro.322. porque ele n50 trabalha para os exploradOfES) mas Para ele. p. servir a uma finalidade desejada. 223.(!!!!)102 Analisemos estas afirmagées detidamenre.32:22 3 :2». Para ele. psicologicamente.2 “22 it.22 N2: 322:2 1"“:252 Ewan..222232r: 2§. como o uso de um instrumento consciente. 132 9““ W2 2‘“ 292. 52:32 22332 «ma-. Estamos cientes de que.:§22: 2 222. Vejamos entfio a descrigao de uma mudanoa na consciéncia operaria sobre as condiqées de uma transigao socialista: O Operario socialista. o morivo e o produto objetivo do trabalho 11510 550 estranhos um :10 outro. utilizemos 0 P16" prio autor. assim como sua prépria consciéncia.. ao contrério da imurabilidade atribufda a consciéncia pela P3iCOlogia burguesa.222. asseverando que a consciéncia é.2-1:“ 32222222222 2222222 2%. uma significagao dc salz‘irio. O sentido do trabalho modifica— —se porque os sous motivos sfio novos.15:22. esta muda conforme as relagées sociaiS e 0 carater da atividade humana alterem sua forma histérica. rambém para file 0 trabalho rem. 539510 etc.-i§2§2:22 .. Primeiro. a adesao ou 11510 a um conjunto dc significagées que permitem. Nao precisamos ir muito longe para buscar um exemplo que nos mostre a impropriedade destas afirmagées. ral como o operzirio da empresa capitalism. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DIE CLASSE reduziria ao fato lamentével de um proletario aceitar como sua uma ideologia “inadequada”. para a sociedade. Mas para ele o seu trabalho rem realmente o sentido de tecelagem. 144. 222.2222“£22§2$2m§2$ 2"“ i: 22. fill Etc.

1s1111‘1123-s'11 1-11-11 1.1a 1111.: 1&3 11. Em uma palavra. mas para 616 sua atividade “realmente tern scntido dc tecelagem e fiacao”.111.W911? 1111:. ao que parecc. Passemos ao final da afirmacao: “o sentido do trabalho mo- difica—se porque seus morivos sao novos”. fia etc. ou seja. O fafo de trabalhar ou nao para um proprietario privado capitalista nao é o que define a finalidade dc seu trabalho (fiacao ou tecelagemla mas uma certa divisao social do trabalho e as formas espcradas dc valor dc uso. a ativida— dc em si do trabalho ainda continua sendo um “meio para o seu 133 W. scgundo nos informa o proprio autor. O operano socialista rece.111 1-13. MAURO LUIS IASI portanto.1 ’12.11. 1'6139568 objctivas que constituem concretamcnte o Interessante quc varios aspectos desta rclacao objetiva pareccm nao ter sido alterados. De forma alguma! O scntido do trabalho nao modifica porque scus agentes encontrarn “motives novos”. . Nao por acaso a “significacao” de trabalho continua a mesma. Contudo. Dizer que a finalidade do trabalho desalienou—se significaria dizer que ela restabeleceu a predominancia do valor dc uso.-’-‘-=a.~s\. Mais que isto.1. para usar sua terminologia.a1 1111 1311311111131 11113-1111.1r-sW11W1-:s. na finalidade do trabalho para este operario socialista prevalece o valor dc troca. Portanto.1111 sWs-.” 11 111 1.M k1 111.1 11111 1311 11-1 11:}. comporia uma “ideologia adequada” que scria capaz dc romper a “imperfcicao” do conjunto dc significados burgueses que nao correspondem as relacoes verdadciras. ' Por quc o operario socialista tece e fia? Resposta dc Leontlexi: h'o”.1111111 11. Ora.11» \4111. o trabalho é um meio de Vida.91 1-11 12.11:1.122. 1‘1 11-111“ " 11. seu trabalho concreto é 0 de tecclagcm e de fiacao. mas somente 6 na medida em que mudam as ato do trabalho. esta passagem pare-CC ’11210 tcr ficado muito evidentc pcla prépria continuacz’io do rac10c1n1o apresentado. cstes valores e ideias fazem parte de sua consciéncia. pelo menos neste aspecto. pois. 1-W‘1-1‘1 11W: ?111111‘1111 1‘W: '-1 111-1: 13-131 1111. que o operario recs 6 fia porque os membros da socicdade precisam se vestir.»-11111-11131 11:1 11111111111131. fazem parte de um sistema de significacoes que ele assimilou e quc compée sua personalidade. assim como o operario no capi— talismo.1. cc0 operario socialista recebc um salairio em troca dc scu traba’l e também para ele o trabalho rem uma “significacao dc salano .

as relacées objctivas niio mudaram. dc modo que estes acreditam scr estas ideias naturais e universalmente validas? Infelizmente quem nos explica este com— 103 Voltaremos mals adlantc a questao sobre o carater das relacées soc1ais na tranSIcao e a I O \ . meio de Vida e 11:10 primeiro fundamento da existéncia (Marx). Mesmo no contexto de uma formacao social que passou por uma revolucao socialista. é a expressao das relacées que fazem da burguesia a classe dominante (Marx e Engels. o trabalho ainda é um meio de Vida. nossa questéio continua a mesma: mas como este conjunto de relacées interioriza e forma nos individuos dc uma certa época sua consciéncia social? Como se dial a transformacao das relacées sociais em funcées psicolégicas? Qual seria a causa da forca destas ideias que operam mesmo nos membros da classe oprimida. ao menos em alguns de seus aspectos. A consciéncia destc operario socialista niio mudou. «‘2 «w « -~'$ «2. ¢ a forma da consc1enc1a proprla desta passagem cm que sobrevivcm elementos importantes do sociometabolismo do capital.'«-.103 Por conseguinte. 56): as relacées capi— talistas de produciio.2 “WM”. nas palavras dc Marx. Isto quer dizer que a ideologia burguesa r1510 pode ser acusada de ser “inadequada” ou “imperfeita” porque 11510 corresponde as “verdadeiras relacées”. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE consumo pessoal”. .. --“'-°-: s « 5° ‘ «\é ‘ v '.« “Msmww «2:. Podemos entao voltar 6 nos perguntar: nestas condicées. nao ha tracos das condicoes que fixam na sua consciéncia as relacoes dominantes? Parece que sim. 1976.. 134 «W 2». a0 contrario. . p. assim como a do intelectual socialista que aprescnta os fatos c sobrc cles teoriza.“is? m“ V\«‘\« s3. um operério acredita que seu trabalho tern a significacao de salério. nao porque Leontiev nao forneceu uma “ideologia adequada”. 56 11510 quisermos if mais longe e perguntar se esta divisao social do trabalho se insere ou nao numa divisao hierarquica do trabalho que tinha por base 0 controle e a subordinaciio da classe trabalhadora. mas porque. ao que tudo indica. que 5510 as da Vida dos trabalhadorcs. ela é ideologia burguesa exatamentc porque corresponde as verdadeiras relacées estabelecidas. 23‘? i§?¥332§w3331\ .: g’wki W fikfigsgs R‘Q? ifii‘zzfiiflbw «3&2 §€“§ Mgfifigfir «3&8 «2“: «2. ' .

sua aproximagao é extremamente adequada aqueles que ura querem entender o processo psiquico nao como uma estrut sky.104 er o Os criticos soviéticos de Freud sempre acreditaram resolv problema atribuindo urn carater metafisico e. especificamente de uma dinfimica psiquica.29 22-99 12. além do sistema ner— voso como base orgiinica onde ocorre o processo. [1938] 1955.. 9-192”: 9. i2? 2.2-2.M»: *2 $255. Freud deduz a existéncia de uma estrutura psiquica de um que é menos descririva de uma objetividade fisica e mais Desta movimento. mais precisamente..2 9-25"} A2223? 2.3. p..: a“: : ':-‘-:-“'é\ $22.‘<.$'V?s 2):: 32. o procedimento de Freud aproxima da fenomenologia e se baseia na observagao e no estudo do desenvolvimento individual do ser humano. Freud opera uma diferenciagiio que nos é extre— mamente util quando se trata de nos afastar de um materialismo mecanico.22. Segundo o pai da psicanz’ilise. idealista ao de “algo concre— 36“ PCflSamento pelo fato de nao partir sua analise '0" “Neste caso. p.. das duas uma: ou a psicanzilise se opée ao marxismo como método -. 2'=. ela seria idealista e antidialética -. Mediante esta observagao.2.53993153 \9 i =2\.“.2 22. 9. 2. . 22:2: 2 2:22.. {9.12. 2232 222E. 2. 2.22 E222222§= 22%. os dois fatos que cornpéem nosso conhecirnento sobre a Vida psiquica constituem o cérebro. :2 «Ix . 1977. MAURO LUIS IASI plexo processo..2222 .i2222‘22222 2.2%. (2.22._§‘:}.\§\“:?:-. natural. 69). se Quanto ao aspecto metodolégico.22 2222-. ou pelo menos nos indica um caminho promissor. portanto. em seu domi11io especifieo. a localizagao destes processos sem contribuir ern nada com sua compreensao (Freud..2.ou entfio é possivel demonstrar que.\::\: 339W. Primeiramente. V :. no maximo.. como nos dizia Vigot descober— Wilhelm Reich (1977) afirma que é possivel deduzir das soes e tas de Freud.. mesmo considerando algumas de suas conclu . Freud.222E%§22:i?2§.22132 A 2. :3'. 135 :-.9 _..‘2 2-»: $3. e a compreensiio do sistema neurologico nos daria. nao haveria “nenhuma relagao direta” entre estes dois fatos.s§ . :°?:'--'t\' A“: 2.2 22'. 2:12-2:2. universalizagées indevidas no que range 2 explicagao sociolégica uma leitura materialista e uma dinfimica profundarnente diale’tica da constituigao e do funcionamento do psiquismo. a psicanzilise aplicou de fato o materialismo dialético e desenvolveu teorias corres— pondentes -— inconscientemente como tantas outras ciéncias naturais” (Reich.2 2:2 2 22.322 2. Para ele. i‘W-Q .52-. é a psicologia “burguesa”. 9:9 $. -9.-.32232 2222 3:222 ”$2.2222 1'2.2? $922.29". mas como uma construeao.’.neste caso. 22). maneira. e os chamados atos de consciéncia.

na medida que e5te impulso ganha uma forma. ou seja. uma parte do za’ experimenta uma transformacao particular. chamarfio a atencao para o fato de que a propria forma como se expressa para a consciéncia um impulso jri o reveste d6 U013 forma social. Podem. 2000) sobre a relagéo existente entre cmocées. que denomina de id e que consistiria em tudo aquilo que seria herdado e inato ao ser humano. isto é. “sobretudo os instintos originados na organizacao somatica” (primeiro aspecto da determinacao material) (Freud. id 0 impulso estaria revestido de uma profunda influéncia do contexto social e cultural historicamente determinado. p. e. ter fome ao meio-dia. 0 id em verdade nao seria propriamente este conjunto de instintos. de onde se conclui a inutilidade de ficar analisando o cérebro para encontrar as funcées psicologicas. consciéncia e o cérebro humane sfio significativas e interessantes. esta dialética psiquica e de que forma isto pode esclarecer nosso tema? Apesar de 0 objeto de observacao e de a esperada cura psicanalitica serem o individuo. 70). ao contrario. como a fome ou 0 Bio. I36 . as atuais reflexées de Damésio (1996. No entanto outros autores. mas a primeira expressao destes na forma de demandas instintivas que se faria notar por meio de estimulos transmitidos fisicamente. Daquilo que era original- X 105 Nestc campo. por exemplo.106 A primeira contradicfio que coloca ern movimento a dinfimica que ira resulrar no aparato psiquico se da entre estes impulsos e o mundo externo (segunda determinacfio material)_ Nas palavras de Freud: Sob a influéncia do mundo exrerior e real que nos rodeia. incorrer no antigo erro de tentar localizar fisiologicamente produtos sociais no cérebro humano.105 Como se construiria. '06 Para Freud esta manifestacao do impulso bzisico é destituida de uma forma social. como Poster ou Elias. ter fome de salgados ou necessidad e de um doce. Em urn primeiro momento. que estzi no movimento e nao no substrato fisrco. Partilhamos corn Reich a compreensao de que o movimento de entificacz’io psiquica é algo profundamente concreto. ainda que nao palpavel. Freud supée uma instancia psiquica basica. razz‘io. entao. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DIE CLASSL' to”. arcaica. a dinamica de constituicao do psiquismo nao é individual. nao é possivel rer “fome” no abstrato. no entanto. nao se explica a nao ser na insercao deste individuo nas relacées imediatas que estabelece durante a inffincia. 1955.

desenvolve—se paulatinamente uma organizagao especial que desde entao assume uma fungz‘io mediadora entre 0 id e o mundo externo. 0 ego surge como mediagfio subjetiva como reagao objetiva. externa apenas como o meio no qual tera que realizar os agéio do dCSCjoa e seu critério é ainda determinantemente a realiz portanto. 3. p610 ou.. Orienta—se. Passa por aqu ”.. 92$. portanto..70- de duas forqas materiais (a realidade “” Podemos observar aqui que 0 psiquismo é sfntese entre duas pulsional _ . como moral. 2i.2.~ 5. ”2. is. conta a realidade Neste primeiro momento.. . ... em magnitudes absolutas sentidas ées de estadOS ou desprazer.2x2-.2.2". W. MM.. .2. P.. . .» mat}.. mais precisamente. a finalidade experiéncias de “autoconservagao”: a) armazena na memo’rz'a as situagées Vividas e é capaz de associar estas experiéncias com apresentam por demais 110V38.. *9" " ‘ "‘"=-' ' ”I" -I-‘1:-54:“-“‘21 hiéfiifiifrfi 1”? iaias lass r22. O reinado do principio do prazer supé Julgamento 3 percepgéo sensorial (seja interna ou externa) do que (‘0 propriamente. 0 mov os ilo que os psicélog diatamente esta nogao do “cu”.M: W23. \. segul’ldO chamado “principio do prazer”.. Obras complems.2.2-. A este setor de nossa Vida psiquica lhes damos 0 nome de ego. do impulso. 52% $2. . 1955..2“ .. finalmente.§I‘ . MAURO LUIS IASI estimulos C de meme uma camada cortical datada dC 6rg§os l'CCCptOfCS dc dispositivos para a protegfio contra estimulagées excessivas.éV.d_ e 0 mundo externo). b) evita os estimulos que se lhe odamento intensos por meio dafugzz..~. yifm. : :-. ..«2 ha». Buenos Aires: '07 FREU D. em ultimo case. diante dos estimulos mais moderados por meio da addpmfizb do exterior mediante d) e. . malsa nitudes.3 . . e r1510 como objetividades.-:. o que implicaria valores. . .108 e ser humano 11510 possui ime- LOgO apés 0 nascimento. ‘52-“:firing- 32”“2%22- ..2:: ‘..9. Tal principio nao se baseia como prazer 0 pensador vienés.52 N. 2 . aprende a mudar o mun a atividzzde (Mid).. XXI.k it’s-steam.z.imagi. “Compendio del psicoanélisis Santiago Rueda Editores..‘°7 A 219510 do ego como instancia mediadora se dz‘i mediante qua— tro procedimentos basicos que tém.Ei} ii iii....236.V-t -32. A prépria mediaqiio aparece primeiro julgamento de valores.a2. 39:22». o ego deve levar em impulsos. mas antes no ritmo e nas modificag alteragées destas mag— sentidos pelo ego como sinais de perigo as e..» §§é mi.=-=-I“-. .. W. 137 a m 2. c) busca situagées de acom . Sigmund. .

Juntamente da manffestagfio dos impulsos bésicos apresentados pelo id e a tarefa medladora do ego. o superego completa a tri'ade que constitui o aparato psfquico. :3.?“ <53 51$?" $““2=:. os impulsos somz 'iticos e a realidade objetiva. re— gras. .2» g."‘. No entanto. Todavia. . De certa forma. esta objetividade nfio permaneceré extern a. 2‘1 qual se dd 0 Home de superego.1. NM : m _ . “Compendio del psicoanzilisis ”. E somente no momento em que a satisfaefio de um impulso instintiVO dependa de outro que néio ele é que passa a fazer sentido a ideia do “eu”." ”:52 4. esta objetividade permanece ainda externa. o'_-.ifi’é‘s ingot Essa-23m.--. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DIE CLASSE chamam de fase pré-objetal.-.~*--¥« W w . Diz Freud: Como sedimento do longo perfodo infantil. a percepgéio da ruptura desta unidade niio é imediata. a}: _. cada uma £1 sua vez. ou seja. _wkwfl.-5e}'=§t~}..§. nz'io distingue ainda exata— mente onde acaba seu corpo e onde comega o mundo externo. padroes de conduta apresentados pelos adultos que convivem com a cnanga. 71. adaptagz’io ou atividade). um campo em que terzi que aplicar seus instrumentos de autopreservagéio (fuga. xzemmmm M.3 .*‘. durante o qual o ser huma- no em formagéo vive na dependéncia de seus pais. Ewa. permitindo a esta que leve em conta as exigéncias do mundo externo mesmo na auséncia destes adultos. W 5w. v. p.3. o préprio ego é definido como sintese entre os impulsos bzisicos de origem somética C um mundo externo e objetivo. Assim. 9*:. Em raziio de que seu organismo estava em unidade com a mile no periodo de gesraga’io. {N k :t mix a3\ % éxfiéw “c <2». O salto de qualidade que aqui se verifi ca é que a mediagfio do ego agora se dz‘i internamente entre as duas instfincias que representam. entz'io. cit. Sigmund.= . ”’9 O superego constitui—se. ”’9 FREUD. na interiorizagiio de normas.i~?"%- % “R5".5.. Egg/fl E?“ imééfi 1%. a crianga imagina o mundo como um complemento de seu corpo e que pode acioné—lo por sua vontade. como afirmamos.?.»? hid-z «orig-$4.9:3 $5.3. E Vista pelo ego em formagiio como barreiras en— trepostas entre o impulso e sua realizagéio. forma— se no ego uma instincia especial que perpetua esta influ éncia parental.

uma sociedade. descobriu a natureza subjetiva ou esséncia do trabalho” op. . abstrata do desejo. como também em cerro sentido as tradigées as demandas do respectivo e nacionais que estes perpetuam. cit. ideais venerados na sociedade. v '. Vejarnos em suas palavras: indole pessoal Naturalmente. no substitutos e sucessores individual.\.—~-—-—-- . e suas demandas. De igual maneira. flag/.%ma-ei ... 21).-\ in ii? « v hiifiiiiifilo v uni -=-=--*‘ 1:54:3. 1” Ver a respeito a critica elaborada pOI‘ Mark Poster (1979) em principalmente o primeiro capitulo (p. . e esre passa passam a fazer parte do universo psiquico do indiv .a____ use. ern outras palavras.. MAURO LUIS IASI Freud completa sua apresentaefio do superego asseverando que este niio se reduz a personalidade dos adultos mais préximos. raciais dos pals.. coberta freudiana vao A grandiosidade e a relevancia desta des e.. possui pelo menos uma implicagao esse mediatizadas a internalizaeao das regras e normas sociais que sfio “0 Mid. Com al como “a realidade”. ire-1W. os perso .. 139 . . Reparern que terna. .' i.2 m m -\swim a: 9%. a reconhecer estas demandas e valores como seus. iafis a a“ EM: ia mgr:- . .“ ”5.131. os ulteriores dos pais.. 21—60).z :52 \__ W.» ~i We v-a. tal como Ricardo ”3 “Freud descobriu a natureza subjetiva ou esséncia (Deleuze e Guatta ri._.. toma a familia burguesa com de sociabilidade.i ' '--"‘"'--‘- .112 Para 0 nosso muito além do que imaginaria seu préprio artific ncial. m“ iE-i arr-Em is}: i: a..‘ mm“: 6%: a..-~ i‘aiia-éfi.. “ideais venerados . padrées de conduta iduo.“s:3}.2“ . an: s .. . . SL111 71’0”.64 (3414177131311. mntjww W . isto néio desmerec l uma certa sociedade descrito é exatamente o processo pelo qua ._.» W H». assim Corn efeito..111 como a sociedade capitalista corno forma final ser e 0 fato de que o que acaba de NO entanto. regras. in} §§‘ em (M a. na influéncia parental nfio somente atuam a familiares. mas que estes atuam como representantes de uma certa cultura e uma certa sociedade. xwas : has or d). assim como curso de sua evolugao meio social que representam. 0 superego incorpora aportes dos nagens exemplares. . apud Poster. Freud 1ra ra. ix $2. «w.~ . como os educadores.110 ado por melo Conforme observamos. . r“-3. universalizar uma determinada forma soci o “a” familia. . aquilo que é interioriz ser definido como da formagéio do superego poderia muito bem m uma culru: um certo estagio das relaeées sociais que constitue o verernos. p. we» limgxa-.

225)- I 40 _ \ v} v r s. ou conceito. no nivel conscien te. me faltam ————_-__——'—'——-—— “3 D-izernos apatentemente porque nos parec —____. segundo Leontiev. a primeira palavra que costuma ser realmente incorporada pela crianga é.” “ “MW”. t‘. Segundo estudos. quand o afirmarzi que a ideologia tem uma funqa'o de constituir. o sujeito tenha como efipressar tal contet’ldo utilizando a linguagem. E este aspecto que sera essencial a Zizek (1996). pode se dar mesmo antes da aquisigz'io da linguagem. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSES pelos adultos que convivem com a crianga nao ocorre somente pela comunicagz’io racional e. Quando L’acan afirma que o significante precede o significado nao estaria SC refer este'conteudo que se encontra no fundamento da prépri indo a a linguagem.. 0 set humano assim ila urn conjunto de significagées como que usa um instr umento. Este simples fato pode ter implicagées profundas em nosso tema.. ii? 1“ -!-‘:-. o “1150”.\59'. a dlnamica descrita nos revela que a base daq uilo que serzi expresso num conjunto de significagées (na verdade significantes) pode jé estat asmmilada sem que. 9."*??-'=-§‘. s.=. A dificuldade cor- riqueira do tipo “eu compreendo mas nao sei explicar. mas a construgz‘io de Significados como resultante da série de significante s e por Ineio da relagao entre eles. em grande medida. Isto significa que um valor jzi pode estar assimilado antes de assumir uma forma sistematizada de ideia. Recordem que. significati- vamente. Esta simples definigiio supée que a linguagem nao se confunde com as diversas fungées somaticas e psfquicas que a produzem no sujeito falante” (Jacqu es Lacan (1992.. o proprio “real”.“§-::‘?£ ‘.’.‘=¥$ filial?\f“’. como sinais de aprovagao ou teprovaoéo que seu ego traduz como estimulos que ativam seus mecanismos de autopreservagz’io.\\. de um valor moral ou um saber cientifico.. muito provavelmente simultanea— mente ao desenvolvimento da linguagem.w Weft: mt Mr. Vejamos urn exemplo.-. Diz Lacan: “Nos designamos por letra esse suporte material que o discurso concrete empresta a linguagem.j 1“" ".. muito longe. portanto.. Isto n50 quer dizer que a crianga fale a palavra “nz'io” (aparentemente contrariando Lacan. Ora. «“35. m». como movimento da cabega) mesmo antes de pronunciar o vocabulo que representa o signifi cante.\. produzir. a crianga sabe e usa a nega9510 (por exemplo.\ » _M. e que também o psica nalista franCéS Vé esta dlferenga essencxal entre a palavra e a base dos conteddos psiquicos que ela expressa.113 diriamos que o signi- ficado antecedeu o significante). p. A crianga vive a relagfio com os adultos e a incorpora antes como carga afetiva."§§:‘v§ .m. .

22 2 2. sei explicar. Niio é esta a relagao. o valor de troca é mera forma de expresséio do valor. podemos esrar confundindo a forma de expressao com (1976) E: extre— Neste sentido. mas nao consigo escrever” demonstra que existe uma diferenga entre a substancia dos contefidos interiorizados e suas formas de expressao. para que o valor de tro- ca possa expressar—se. Por analogia (6 so por analogia). Isto signlficia qne a substanc1a. Ora. .2'2.‘2:.*3) ‘ distingllll' . que constitui sua substancia.2. uma certa visao consciéncia social. Segundo estes autores.212 £. 1976. MAURO LUIS IASI palavras. a substancia de um valor social (seja uma prescrieéio moral.. de mundo. a elaboragao de Marx e Engels amentos domi— marnente reveladora.22 2222 2:22=2. 2 22222-222 2222:1222. é necessario que sua substancia tenha prévia existencia na forma de uma certa quanridade de trabalho humano abstrato socialmente necessario. ito da produgao dominantes seriam aquelas que ocorrem no amb e o vendedor da do valor. Sabemos que.n uma substancm que dele se pode A .?2222222222 222-.222: 2 22.2:222222-22222.) o valor de troca so pode ser :1 maneira dc expressar. expressa-se numa linguagem (Gramsa.222 2222 1222222222222222222 . 22. p. no eixo da relaeao entre o capitalista em pr1nc1plo. segundo o pensador alemao.. os pens riais domlnantes. as demandas e valores de ”‘1 “(. 36 por analogia podemos nos remeter ao raciocinio efetuado por Marx para diferenciar valor de rroca e valor. expressd‘o das relagées que fazem de uma mas estas relaeoes dominante (Marx e Engels. forga de trabalho. os pals Freud ja nos forneceu uma pista ao mencionar que uma apresentam.. 22.222 2. 1978). . como“nao andar por a1 pelado. 222 222..2221:222. que mas aquilo que esta expresso encontra sua substancia em algo dela se diferencia e que a ela nao pode ser reduzida. a forma de mamfestaeao de / (Marx [1867]: P. 2 222.“ Ora. 141 . 56).222 22. \ 2222222 2:. por meio de sua agao.222. ou mesmo uma conduta pratica do tlpo nao coloque o garfo na tomada”) pode estar incorporada corno carga afetiva e se expressar ou nao no corpo de codigos linguistrcos. ainda.222M . uma Naquilo que nos interessa. nantes sao apenas expresscio ideal das relagoes mate classe a classe ou. pelo menos que encontramos na familia..2-222 222 2222-22 22232 %22‘22222. 22. . 222222222 2.2222.

Isto 56 dd evidentemente dc maneira mediada.\I\‘. dc fato. sank-Ea EEEEE » EELEEEEEE EEEEME‘QE A:-'-s\§'\'*-- :-. as was relagées intimas. sis-E Ef-E-E EELE E EEEEE Ea Es: EEE’E EEQEE EEE‘E EE’NSF-2 ““2Ma EW-u. _': 9% say . Em" ’ffis ME. este operé rio trabalhava feliz por nz'io o fazer para urn explorador.\.-. O exemplo também nos é fitil. ESP} EL“._<2\\_.. Destas relagées depend em nz‘io apenas seus sucessos 6 sons fracassos. Vejarnos a descri giio trazrda pelo autor do desenvolvimento desta con sciéncia numa certa fase do amadurecimento da crianqa. mas para sua classe e para a sociedade. Para ilustrar esta dinémica. para a “pétria”. Comecemos por recordar que mas relagées sociais descritas pelo autor.. Temos que supor. pois o autor discorda veernenternente da existéncia de uma instancia inconsciente. Como serz’i que se desenvol— Veram neste operario socialista estes valores? Seria em razao de que outra classe agora controla a “produgao” e 03 meios dc “circulagao” de Irovos valores “socialistas”? Parece que nao. Tudo com ega corn uma Clafa percepgao na crianga em idade pré—escolar: de que ela depe nde de OUEIOS que determinam seus sucessos e fracassos. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE certa sociedade. mas sfio elas que encerram igualmente as was alegrras e suas penas. Verifi quemos as palavras de Leontiev: a crranga sente sua dependéncia para com as pessoas com quem esra di— rerarnente em contato. Aléxis. 305-306- 142 “saws as Was-if. que a substancia de um valor possa ser transposto para outra forma. dz.-._ __ fiW-EW if“. corn elas. .\ 29. E -E “E iEs E: EEE EEEEEE’EEE‘EEEHE . deve conrar com as exigéncias que aqueles que a roderam impéem a sua conduta. recorreremos mais uma vez a um exemplo trazido por Leonriev e sua prépria consciéncia. urn operario socialista trabalhava e seu trabalho tinha a signi— ficagao dc salario. O deserwolw'mmto do psiqm'mzo.115 “5 LEON TIEV. em troca de uma quantidade dc trabalho. neste caso para outra relagao concreta -— a familia -—. siio elas que tém valor dc motiv o. pessoais. sem que perca sua esséncia (o que de fato OCOHC com as mercadorias e as metamorfoses do valor).\. niio podendo ser acusado de disrorcer os fatos para dar razao aos argumentos psicanalr’ricos de Freud. entao. ou seja. pois é isro que dcrermina.“ Ms ‘-"=??<"-“‘3 ”“5 ‘Y‘ ”-33% 43-“ ‘1E3'Y'-=:'I S”\I:"M§':'R\$ ”E. recebia uma quantidade de equivalente geral que podia trocar por bens dirigidos a0 seu consumo. p. Segundo Leonriev.

plo. Uma crianga nesta idadc (supée—se antes dos seis anos) estz’i muito pouco preocupada com o sucesso ou fracasso na Vida. E EEEE E--. mas podem dizer que silo estas pessoas que tém o papel do impor VEIlOffiS em troca da aceitagéo.EEE-EEEEE EM. EEE E ”ESE-E EE >\E: EE-EEEE EEEEEEEEEEE = :.. 307. EEEE E E EE EEE EE EE‘ EEEEEEEEEE $4 . MAURO LUIS IASI Resumidamente. a criancga desenvolve a percepgéio de quo de— pende de outras para satisfazer suas necessidades. Ela precisa accitar as “exigéncias” que estes outros impoem £1 sua conduta.. . aquilo que a em chama de “fundamento geral” do desenvolvimento da criang idade pré—escolar. p.“7 entiio o mundo abre—se—lhe de maneira funcionalmente difere Ai' entio a criancinha vai £1 escola e suas relagées sofrem uma reorganizagfio das mais significativas.) E E . reage negativamente £1 perda cia. “7 15:21.4. Niio é possivel compreender o que o tradutor os quis dizer com “5510 elas que térn valor dc motivo”. Leontiev Esta crianga estzi descobrindo algo essencial. EEEE-WEEE -. ainda longe dc juizos valorativos ou mora conscientes. “a posigfio real da crianga a partir da qual icionada ela descobre o mundo das relagées humanas. isto é. mas parece que os mesmos adultos que estabelecem as exigéncias séio as fontes de aceitagiio. do reconhecimento e busca o equilibrio adaptando—se it exigén is tudo isto. tiver uma irmz’izinha e a mic se lhe dirigisse como a uma auxili nte”.“Mm-“*- ' E“ -=-‘EEEEEEEEEEEEEEEEEEE EEEEE E’EEE EEE EE-EE. ‘f--. E22. carinho. Por exem ar. basmm al— gira em torno de uma “coloragiio infantil”.. Jz’i seria o suficiente. EEEEE E-. 143 \ E . mas r1510 para por ai. portanto. movido pelo princfpio do prazer.. reconhecimento e trocas afetivas. pois é isto que vai determinar seu “sucesso” ou “fracasso”.EEEE RAE-1“? ”’3 to»:E-EEE EEEEEEEE 1“" EEEEEE =?‘-‘=="-.“6 Sua cons nto. posigfio cond ciéncia ainda pela posigflo quc ela ocupa nestas relagé')es”. mas ainda hzi um aspecw importante que néio fica téio 51 Vista. no enta treinando gumas “reorganizaooes” nestas atividades para que ela Vé. pois pela primeira vez suas "6 Mini. Diriamos que 0 ego. alegria e cargas afetivas essenciais.E“ E“. “se sua ccposiqfcio” nas relagées nas quais irz’i so inserir. N510 corresponder fits exigéncias é perder esta fonte do afetividade e do reconhecimento.

57): “(. A pratica 63:0?8f1tuem as classes como grupo socral dcfiomdo em fupcao on deveres para os alurlls cgaigelcs que mars se tornou comuna COHSIStla em excrcrcros atribuicées dc noras Des’env ln 0 aos professores as correcoes e as correspondentcs .\\. . _' . . a impressfio de fazer qualquer coisa dc verdadeiramente importante... . A forma pratica quc assume este treinamento sao sons dcveres . Na escola s p stos e trabalho ou de cxercrcro po Itrco no Sistema d_ e de um nivel. l. P 309). com a organizacao hierarquizada dos postos de tralfalho das . 307). entao..333. A crianca estz’i sendo treinada para o trawl/90. "‘2: >3 \'_\’. r . classificacéo e rcconhecimento do valor social dos mdl‘fldUOS numa estrutura escolar quc crescentementc valoriza a meritocracia c dela se cxrge guardar esrreira corrcSPOIIdéncia com o sistcma economico” (Dias Sobrinho. poder pfiblico. ‘( 3) A0 fazer seus deveres.119 é por outro lado reveladora.. “a nota cristaliza "3 Em 119 p. p. pois. \. E uma representagéo.. “cstarzi amanha nas fileiras dos entusiastas da producao dc vanguarda” (Leonticv. Fortalecendo-se :95 fruicanrsmos de hierarqurzagao. a crianca rem. . V6: tamb‘ém Perrenoud (1999. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DIE CLASSE “obrigacées” deixam dc scr para com ela e as pessoas mais intimas e tornam—se obrigacées em rclacz’io a sociedadc. Que diferenca das suas ocupacées e de scus jogos precedentes. o esquema dc notacfio. cresce muito a ImportanCIa pratlcas dc avalia cao como selecao também do setor rivado As hierar uias sociais correspondem as hierarquias dos 0 d P . a sua funcao e scu papel social” (ibid. q .w . . Ela agora serzi submetida a uma avaliaciio.3‘23233‘ 2 $2. 125).3 2232223 Nifio 3%?22322s2a 232. 3. acabaram os jogos..3 2 :32.. c apdCtermifliiiioéggusfiull. 307-308. . do valor cscolar ou intelecrual de outro individuo. se tornou diferente [grifos nossos]. 0 VC-Se.22%. . 3. _\. para o lugar que vai assumir na Vida ‘joam a verdade”.118 Esta espantosa descricao do entusiasmo da crianca diante de suas tarefas. Inscrcve-sc. pela primeira vez.é'10120 ganhara uma cxpressz’io numérica. . .222 2a» N331 322323223 .. O proprio lugar da sua atividadc na Vida adulta. 2. 2092’ p. p. em uma relacao social especifica.': . sem drivida.o\_'€.\. 144 ". “22:3 3232:3232a: . e esta avaliag. um ca erno 120 “A 68 :1 rev 1 " P.' l’ . que une avaliador e um avaliado”.\. . [1959]. c scu dcscmpcnho definira “o scu lugar na Vida.v: ' \s. \.o' \-_ _-. Mid-2ontra pass agem Leontiev f‘ briaedo 21 crianga mas n: a (ill-ma que “ podemos acerrar « ou recusar compaar um: (Leonticv [1959] ’308) 30 p0 emos recusar comprar—lhe um manual. construida por alguém.. . $332“ 2:212“ 32:33.) a avaliacao é scmpre muito mars que uma medida. que so poderiam ser pronunciadas por um adulto que esqueceu dc sua inlffincia. Proibc os menores de a perturbar c 05 préprios adulros sacrificam por vezcs suas atividades para quc ela possa tram/bar.:32 3-2. f3 31103 e de son Significado social. a Vida loam a verdade’que a rodeia.

. mesmo assim podera receber uma nota baixa porque colocou o nome das flores e do sol em letra maifiscula. aplicar—se com todas as forgas e ganhar as boas gragas do professor”.. . -. fixifisék v E._. e ainda n50 que se diz a crianga: entregar ao seu trabalho escolar. Suponhamos agora brincar. cit-v P. 308).\'. Assumindo a forma de fetiche. MAURO LUIS IASI em 51.<2\\-. as novas relagoes. ' “-' '3 " '. . . . s 2A}. mas nela resiste ainda a crianga. p.. contraditoriamente.317.. Uma frequentemente a crianga quer fazer coisas sem importanc treinamenro pequena e significativa atitude completara o nosso para “a verdade”. subjetividade 122 LEONTIEV. 145 =3» "7>:3"‘\\":'-.. o ser passivo para qual o professor é apenas o insrrumento que comunica e é comunicada a sentenga . e ainda mal comegou jzi imediatame o preparar as ligées. _\V:'__\. coisa." ”'3 . Tenta por todos os meios afasta nte se disrrar com outra que fazé—los.(!!)122 objetivo inquestiondvel do 121 “Desta forma o conceito fetiche é a revelagfio de um carfiter quem o aluno. Esta observagao faz enquanto n50 fizer os teus deveres.‘. nao conversar com o vizinho durante a aula. . apesar de ver nos deveres as primeiras coisas realmente importantes que jé fez na Vida.g ewe . Mesmo que ela tenha um comportamento “acima de qualquer censura”. gue entregar—se aos Suponhamos que um aluno da primeira n50 conse r o memento em que terfi seus deveres. H E hwy: ”"3 “‘u. ade que revela oscila entre duas naturezas antagonicas.9\ gm i“: gnaw {9.\\ . néio pode escapar daquilo que “os adultos chamam de objetividade da apreciagao escolar” (ibid. Alexis. Acaso compreende ele ou saberzi que lhe é precis dever..‘ $4 .). p. 0 derenvolvimmto do psiquismo. ‘ A? {‘51 =‘2 we.. 3 xv“? fig “2’" i‘“.121 A crianga socialista esta quase se convertendo em um operario seus socialista.“ “aw-2 "' =“?='--‘-‘ -§>>‘-'. o conceito. \ w r .:. que sem isso niio podera aprender é uma obrigaqfio para ele.g. que nao fez por mal. N510 podera argumentar. 92—93).'\.2. . ia.. .\\. por assim dizer.. “jamais deixar bater a tampa da carteira. . uma nova forma de co- rnunicagao em que a crianga entrou agora” (rm.- hgwék ' ' s3k»?&a’\ §3§m§££§< g: :3: 33-9“ “IE-K1315 ‘5: \{a “Q‘s ‘. que é seu que a crianga normal— tornar—se realmente 1’1til a sua piitria et<:. . " z!- .p Por certo e’ suficiente para levar a se menre desenvolvida sabe tudo isso. ou seja.$"’?s gag. ora converrendo—se em uma objetivid do processo que o desconhe ciam. como no jardim da inffincia. e.\ » _v an (m A vsvw. . 2002. ora como pura o segredo do desempenho aos sujeitos a servigo do julgamen to discricion zirio do professor ” (Iasi. nao vais efeiro e a crianga entrega—se ao trabalho.’.

O trabalho do psiquismo se deu em todos estes momentos..Kiss“ isE-i its-is. am 1: isi iiisiiiissfisi’eisis s. os “ideais venerados”.I -:I was: . Seus preceltos morais séio psicologicarnente ineficientes.ii.§§>'.\' xi: 9-2. 9:: 9. 318). psicologicamente ineficientes.i: ii ii. e este.:_s\\_ :_\ 7: s? i a.. tern um dever a comprir e perfeita consciéncia de sua responsabilidade para com a patria e o Estado. Reparem que havia urn valor em substancia transitando em diferentes formas que lhe serviram de expresséio. 1. Um operario se insere numa dlvisao hierarquica do trabalho. Eis que nosso operario esta pronto.§ as. Mas a equagéo dc troca é em si mesma 1dent1ca.9. Mudou a forma: onde esrava brincar esta agpra comer...:logflx. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DIE CLASSIE Evidente que a crianga “normalmente desenvolvida” sabe em sua consciéncia que rem que fazer os deveres e obter boas notas. atividade imposta no intervalo do qual OS seresfi homanos vivem. de mercadorias.iii Era-r3. agora é so colocar “a sociedade”.'=-§'E""<“‘ mg 9. morar. a condlgao para que compre os meios necessarios a sua existéncia que ele se entrega a tarefa... s. as condigées de sobrevivéncia ocupam o lugar do brincar. p1isss-z-isssss. No processo d6 trocas afetivas na infancia.‘.. éiéissfsliils._.3): ‘5: 19%}.'\\\'.)3: «35 _ 'fix’w‘iu' 93. :\\:».. ja sabe que so so rem acesso a urn valor de uso mediante um valor de troca e pode agora se entregar as “fileiras dos entusiastas da produgao”. vestir.‘2 Ea i i-s i .9”: .i osssiisiss isss-s ifiéiisisiis... nas relagées assalariadas no universo da produgao. .9 :3'. '?3 :. _9.3“? mg 91.iaissesi‘a isi-siis iz: ii iii: 2.’. is iii. esté depois o professor. i ssfsi.: x. :._ H.‘9 . significativamente._I_\_»\I.trabalho de mediagao do ego levando em conta que a fonte das demandas e exigéncias é também :1 fonts da afetividade I46 :15n {”52“ Q“ _: 9. Desvendemos oprocesso agora de trais para frente.:55}: gay: 5. Ivy.9: . mas estes motivos sfio. No lugar da pessoa adulta que apresenta as exrgencras sociais 6 cm relagao a qual a crianga busca o reconheci— mento e a troca afetiva.s. “a classe”. o Estado. segundo o autor.i:..2g. numa determinada posigéio e no Interior de certas relagées sociais do produgao. obedecendo a equagao: impulso — exigéncias e limitagées do mundo externo .. 99. no mercado da avaliagiio na Vida escolar.._... Brincar ocupa o lugar do desejo e... o morivo que age “verdadeiramente é 0 do obter a possibilidade dc ir brincar” (ibid. mas gostaria de estar fazendo outra coisa. mas é so lembrzi—lo de que peu trabalho é a condigao para que receba seu salz’irio. O trabalho ainda é meio de Vida. .2 ...: V_ : . 4f: 3).

fuga. 017m: psicoldgims complettzf.Y. Neste caso. as pessoas mudam. na constituigao da forma deste trabalho psiquico.rs. nao podem ser burladas pelos mecanismos de adaptagao do ego. nem deslocadas ”'5 FREUD. as circunstfincias. medo. algumas delas sao ligadas a urn conjunto de instintos relacionados diretamente a sobrevivéncia fi'sica do organismo vivo (comer. “Recordar. Poster. Freud destaca como uma dinamica essencial: o complexo de Edipo. nao sao propriamente repetidas ou recordadas. respirar. Uma vez que as pulsées 11510 5310 de natureza iden- tica. todo valor de uso se obtém mediante um valor de troca — pode permanecer a mesma e expressar—se em diferentes contextos. a forma. elaborar e repetir”. Guardadas as conhecidas criticas sobre a universalizagao desta dinamica psiquica (Reich [1932].). sua l‘gunciOImlidfilC'le aqui é evidente.123 no qual afirma que as relagées primarias podem ser revividas em outras situagées por meio da as— sociagao. Se aquilo que 0 id demanda vem de suas cargas pulsionais e instintivas. a? 1%?K‘2gs’imill’ge‘. Sigmund. No entanto. elaborar e repetir”. Rio de Janeiro: Imago.Agsgs»?:s. 1976. mas a esséncia da vivéncia é recordada e reapresenta-se por meio de uma atitude. v. uma questao parece ficar sem resposta. supostamente mais essencial ao organismo Vivo? A resposta esta naquilo que. MAURO LUIS IASI ou a garantia da sobrevivéncia —— adaptagz’io. . Freud descreve este procedimento em um texto chamado “Recordar. 147 ‘: eras 4. atividade — amol— damento e interiorizaeao de exigéncias externas como se fossern do préprio sujeito. a substi‘mcia de um valor — por exemplo.2% szs:. por que o ego opta pela aceitagéio da exigencia apresentada desde fora em ' detrimento do desejo. procedimento. ou seja. beber etc. culpa ou qualquer outra forma. 12. Assim. ou seja. 1979).-=sas\s a. manter a integridade fisica. A crianga aprende procedimentos e atua em outras situagées com base nesta referéncia priméria. mas ocorre uma “atuadagao”. ainda que de maneira inconsciente e sem que o sujeito tenha que descrevé—la com as ferramentas da consciéncia. nos nossos termos.

53535. 3"]:‘55 153 3253) 53. 22.5. 72.523. desencadeando todo um conjunto de ameagas reais ou simbélicas. Melaine Klein 16% esta dinz’imica de maneira a nos informar que eStas cargas (afetividade e destrutividade. ela projeta para fora estas cargas em objetos separados.533.. Mark Poster (1979) argumenta que estas precondigées nao estao dadas para a espécie humana meramen— te pelo fato de que as criangas sao em qualquer época ou contexto 124 FREUD.m.5§§. ou mais precisamente. mas.§. A substancia filtima desta dinamica é que na luta entre o desejo e a sobrevivéncia a crianga abre mao do desejo. sua funcionalidade para a inserg ao dos individuos numa divisao hierarquica do trabalho parece ser evidente. se prestam a estas agées do egam Segundo Freud. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE ou substituidas.iflmaww 535-5336. 148 §a5i. devido a natureza mais malezivel dos impulsos sexuais afetivos.5. muito mais que simplesmente simbélica.535. na relagao familiar triangular. a plena realizagiio da integragao emocional e afetiva com um dos componentes da familia provocaria a reagao do terceiro.. contra as manifes- tagées da sexualidade infantil... diante deste impasse. Sigmund. a crianga escolhe um objeto externo e identifica nele seu “ideal do ego”. amor e édio) coexistem na crianea.555:3 £5 "55..53 333*?33335- ”“3 «$25553 5‘3") €32 M35553 15533333553555333§$5 ‘2 323:? ~33“ 3331. O terceiro elemento que de fato disputa com a crianga esta atengéio afetiva e emocional recebe a projegao de toda a carga negativa de destrutividade. p.5m 3335:3953": :33").3515. que ele edifica como universal. Nesta disputa desigual com os adultos.3.533'3‘3’W" . uma rigida diferenciagéio de papéis sexuaiS 6 uma ameaga. O fato é que. A base.. os reprime em Home d3 autopreservagao fisica.‘*’?““3’?53"333 5)_-.:55. ainda que a forma social se altere substancialmente e possamos mesmo falar em inexisténcia do complexo de Edipo em determlnadas sociedades. gas: ) . 5&5 559« 553. fantasiando sua plena integragiio afetiva com 65“? objeto. por se tratar de uma contradieiio que produz no psiquismo uma ansiedade por seu carater ambivalente.-313331553335 53353313535).35.3.. como sabemos.55. a condigao para o desenvolvimento do complexo de Edipo parece ser uma relagiio de identidade restrita a algumas pessoas.. cit. enquanto outros. de ordem mais afetiva e ligados a sexualidade.$2.)3“? 5555255 "333133553 gyms». 53"»‘. entre as quais Freud enfatizou o medo da castraeao. 55-5 3» . a crianea. Como vemos.. Compendio dclpsz'coam z’lisis.

..:.. Nova York.« EEi-ss ESE-E sss-E.. Poster (1979. uma certa relagao de poder e autoridade. O fundamento de todo o argumento desenvolvido por Poster é a diferenea entre o efeito psicolégico quando o impulso é confrontado com uma forea externa.3.. FREUD... Sigmund.. Somente mais tarde é que a situagz’io secundaria se desenvolve (que todos nés estamos dispostos a considerar a situagao normal). 14‘) p E.0 amorais. parental.s EM.s- WWW” sags ass “ E33”soraw. Edieao brasileira: Novas confiréncids introdutorias more pszca- mflz’se. iw' Es Es‘s Ens mass. Rio de Janeiro: Imago. é evidente que esta poderosa dinamica psiquica depende das relaeées familiares.. rea— de perda de amor e estao fadadas a causar medo nela.. MAURO LUIS IASI social criadas por adultos e que a ameaea s sexualidade infantil é uma constante.E:-. 22. de maneira que uma ccansiedade inicial da crianga confrontada por uma ameaga é agora substituida por uma ansiedade interna (culpa)” (552%.s:.Es. e quando se confronta com uma forga interna.. Es. A influéncia dos pais governa a crianga. v. Es ... 1979...E. EE. levando s culpa. Segundo este autor. EEK 2”” “WEsEE‘s EEEQEQ EJJEE 22“ Exiswss Ems E's.EEEE. 1964. Vejamos nesta passagem: desem- As criangas pequenas 85.. 1973. p. 40).E-EEEE§§. no entanto.‘ s. esta generalizaeéio é tao indevida quanto a tentativa de universalizar o capitalismo pelo fato de que “os seres humanos sempre produzem e consomem” (Poster. segundo a qual o desenvol— vimento daquilo que chama de processo civilizador coincide com a mudanea do controle externo para o “autocontrole”: Freud. “P“d M. sinais provas de amor e ameagando com punieoes que silo. 40).s-Ess EEEaE-ss s: s :§:‘.. New introductory lecture: on Psychoanalysis. a oferecendo autoridade parental. o que geraria “vergonha”. O papel que mais tarde sera penhado pelo superego esta no comeeo entregue a um poder externo.. Para ele. p. 39). nao naturaliza o complexo de Edipo atribuin- do—o a mecanismos biolégicos ou organicos. O chamado complexo de Edipo pressupée.. E extremamente relevante a homologia que existe entre este argumento e a afirmaeao de Norbert Elias (1993). EE:E E s. para a crianga.::.1 2 5 e o superego toma o lugar da aeao 125. $4 . gs“... vivida pela crianga primeiro como uma forga externa que se impée aos seus desejos pulsionais. Essa ansiedade lista é a precursora da subsequente ansiedade moral. ao contrario. p. quando a coergao externa é internalizada .

e a confluencia de algumas variantes: a redugfio ou quase—exclusivi— dade dos objetos de identificagao. cit. . 5 few-s. - i 1."\' . 41). menten50 cum ri p 1:13:q 0 “5:19:10. e 6: SImEEOIICa. m i. p. -. Vimos no raciocinio kleiniano que a crianga tende a projetar separadamente suas cargas de afetividade e agressividade em objetos distintos. chega a cada uma destas determinagées. (1513:3131?133331 giftiniwaflffi‘bpi‘mit‘m . Mark Poster 36 pode concluir que: . uma das condigées é uma identidade entre o sujeito do amor e odio. New introductory". tal como nos apresenta Poster (1979). este nao é um dado invariavel..2“ . ”I 3 5} mesmo a culpa.. menos ainda em relagao aos pais blolégicos.. inclusive na forma de impulso sexual. e que nos parece obvio. diante de uma nao correspondencia com alguma norrna externa. passando na maioria das vezes o ind-USN? pelo argumento de que a ameaga dc CRStraqfio pode ser.‘ D12. 127 Q proprlo Freud. ao contrario.. portanto.332: . iii 1&3 saiigzaiiiiiili . . Esta estrutura permitiria o livre deslocamento da raiva e da afetividade. Sigmund.127 Diante disto. {“1 . uma contradlgfio . “5-.9% s“): $3315 334. pulséio e normatizagfio socral restrrtlva. o individuo apre- sentasse sentimentos de vergonha e nao propriamente de culpam ’ A condigao para a emergéneia do complexo de Edipo. cit. . e que deve mobilizar suas defesas o suficiente para que reprima o desejo pulsional. Freud que “nz'io é uma questiio de a castragéo ser realmente executada. . como argumenta Poster. 86). Mal-estar na crvilizagao”. a": w -"\°-'. O fundamento da ansiedade produzida na crianga. a identidade de objetos de amor e Ol.. ' ‘ 3‘: 60mm“ ‘16 “do “‘0 flifereme. apud POSTER. x . op. que obv1a. Mark.)k iiiiiiiifi i: ism-a iii i xvi/ii 3&3”i iiiififi iiiiié‘iii‘ii iiffis if: Eiikziiziziiaii is. :\ gm wag. \-. entre esta rn’ultiplicidade de objetos.\ g».”an“. Ievando ao fato de que. o que as caracterizava eram as relagées com uma multiplicidade de adultos evidenciadas pelo baixo grau de afetividade entre os membros. fundamentalmente. depende da forma de familia na qual a crianga se insere. f33P11C3-1h6 uma surra em vez de pumr a $1 mesmo . N3 época dc Freud estas ameaqas 150 is}: 33. Como argumen— tara Poster. m: i i.t «We "iii-“:3 7: >¢. -. 15-lgmun (FREUD . AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE Como vemos. a administragao das “provas de amor C ameagas de punigao” pelo mesmo objeto externo. 9-». Suponhamos uma familial como a camponesa ou aristocrética dos séculos XVI e XVII.que oponha realidade e desejo. : @163 9-. . mas ao seu fenehe. .b . 0 (it? e decrsrvo C que 0 pcrlgo consista em uma ameaea vinda de fora e a crianea acredita nela (FREUD. encontra—se no fato de que sua agressividade dirige-se para o mesmo objeto do amor. a ambivalénCia dai resultante e. _r\\\-. g?" 13’3““:33'63 i‘f: gm“ fill-ER“ m3.5 art-g: .9.Se s16 126 u f. p.

23222222273212 2 22 2. Assim.128 N510 temos instrumentos suficientes para afirmar ou negar a tese segundo a qual poderi'amos sustentar a inexisténcia do superego como instancia psiquica em certas sociedades. porém podemos dizer com uma margem d6 seguranga que é pouco proveivel que o superego tenha forma inva— riavel. Cit. mas no prosaico lat burgués..22.2. apud POSTER.2 . A severa repressfio. Freud generaliza a afirmagao para dizer que isto ocorre “logo que os homens se defrontam com a tarefa de viver juntos” (Mid). Freud chega a uma definigio mais centrada 119. Sigmund. uma vez que todos concordamos que 1150 se trata de um “aparato objetivo”.2132 2... 42- 151 229 2222-2 222. uma dominagiio e modelagao extrema da conduta da crianga. Mark. op. ”3 POSTER. Pois a combinagao de um amor in- tenso e de uma severa repressiio nas mesmas pessoas. tese da qual Poster muito se aproxima. 41) . 22. afirmando que: “0 sentimento de culpa é uma expressao do conflito devido 22 ambivaléncia. cit. nao nos belos mitos da Grécia antiga. MAURO LUIS IASI O segredo do Edipo estzi aqui localizado..dmaflmlca essencial do que na forma. 6 sim de um m0m€flt0 dentro de um movimento dialético de entificagao do psiquisrn02 produto da sintese entre as pulsées e o mundo externo.2222 22223-212 $2222222222 22..22.22 “2:222 ”22$. Soma—se a isso urn grau extremo de ternura. :10 mesmo tempo. A questao néio é propriamenre de existéncia ou nao do superego. uma vez que depende diretamenre do grau de ambivaléncia entre as cargas pulsionais e restrigées sociais impostas.. p.22 2 2. que provavelmente encontrada em numerosas situagées de familia. Na familia burguesa havia o controle total dos filhos pelos pais e. Logo em seguida.. uma combinagiio que comegou na familia burguesa condiciona o desenvolvimento do superego. p610 inverse. no interior deste continuum. mas SC equivoca quando universaliza o grau antagénico que esta contra— digéio chegou sob a forma burguesa. 2. Freud tem razao em supor que sempre havera uma certa restri— tiVidade social em confronto com a plena realizagao do desejo. :‘1 eterna luta entre Eros e o instinto de destruigao ou morte” (FREUD. de uma exterioridade maior ou menor destas normas2 0 que poderia nos levar ao raciocinio de Elias sobre a passagem d0 nfio cram assim rao simbélicas e estavam ligadas ao horror que a masturbacfiloDinflfan'tl1 provocava nos adultos. poderiamos falar em intensidades maiOI' 0L1 menor de internalizagao das normas sociais restritivas.. “Mal—estar na civilizagao”. on. nao é bastante.222.$2$§2§22L2 $3: $222322 122:2 22222222322222 2 . Ao final. Mark. p.2232 2. 2. Op.

Rio de Janeiro: Zahar. contrapondo a elas a “barbaric”. ewsto. O processo civilizador. 1993. A polz’tz'm. 2 V-a P. incluindo 0 pensamento cientifico. ele denomina este controle de “moral” e estz’i disposto a considera-lo “normal” (“todos n68 estamos dispostos a considerar a situacao normal quando a coercz’io cxrerna é internaliza- da e o superego toma o lugar da acao parental”). AS METAMORFOSES DA CONSCIRNCIA DE (ILASSIS controle para o autocontrole. POI‘ sua natureza. Sfio Paulo: Martins Fontes. na frase referida no 1ni'cio deste capftulo. segundo sua natureza. Como vemos. ' " Aqurlo .”=-‘:: . comanda e o segundo obedece.§a%’2t2‘22\22x2 2-222 E‘s-*2 2. niio sao apenas os “belos mitos” que Freud herdou da velha Grécia.2 *.244'247- Voltaremos a este ponto essencial ainda nestc capitu lo. internalizadas como autocontrole. O homem. o “primitivismo”.. Digo ‘por sua natureza’. 12—13). O que estzi no fundo de tal construciio teérica é a famosa conclusiio freudiana de que nz'io ha civilizacao sem repressfio. por um aspecto se apresenta como um processo de individualizacio crescente. cultura.g<-\w~2\2 “r 22:”2% * . Rio deJaneiro. depois de um corpo: '50 K ' u n .23} 2:2:e. Isto permitiria uma transicao importante na forma de acao do ego: passaria do principio do prazer para o princfpio da realidade. é cerramente por erro e contra a natureza” (ARISTOTELES. sank-“2% riflxéemifslm . é aquele bem constitufdo de alma e de corpo. por outro.: r322 2222. Na frase citada de Freud. de que “o principio da realidade como exi— géncia da sociedade permanece formal se nz'io acrescentar concreta- mente que o princfpio da realidade. (ldeev1sto. um processo de civilizaciio. parece evidente que. pois é preciso considerar o mais perfeito como tendo emanado dela.M. west irate-rs rem-sew 22W.A50ciea’ade do: z'ndz'w’duos. e 11:10 o que é degrado e sujeito 51 corrupcao. tratando-se de nossa sociedade contemporanea. Em varias passagens Freud associa esta atitude com o que chama de pratica civilizada. a “selvageria”. expressando com outras palavras que a plena realizaciio pulsional impede a Vida em sociedade e as manifestacées mais elevadas da cultura. a primelrfl. rags 3 steamer 321. 103). . 1994. e 05 impulsos espontfineos reprimidos” (ELIAS. sob a forma que reveste para nés 3. Pode-se considerar caracteristico de certaofase deste processo que se intensifiquem as tensées entre os dirames e as proibi- coes soc1als. Norbert.130 “Wilhelm Reich tem razz’io quando nos lembra. 1998. p.-. estamos diante de uma intensa introjecz’io das normas restritivas e de um controle externo transformado em “autocontrole”. r . O anlmal compoe—se pnmerro de uma alma.VCY mmbém’ do mesmo autor.129 Seja como for. p. Se nas coisas viciosas e depravadas o corpo nfio raro parece comandar a alma.

de autocontrole de predominfincia do afetiva. i6“): 63. 9‘3 $3. O que é internalizado como carga d). 47)._6. p. sus (Elias. O ego em formacao atua ionais ou sociais. p. . é o principio da sociedade capitalista” (Reich. enqua nto 0 ego é determinado princi— superego. 242).. essencialmente as dizer. mas de um tipo muito bem determinado de sociabilidade sso humana.6 .3666 6666. 66:6 momfifiimd .. Compondx’o delpsicormo’lisis. tal como esmbelecem Paulo Silveira C Salvoj Zizek (1996.$'¥?g n: aw“ _\V:'__\.: .131 Aqui exigencias pulsionais e as demandas da obje histéria. no supe l passa nas mantém a mesma nas metamorfoses pelas quais 0 set socia da pessoa.66.6». p.. ¥“‘§_a'=: ms 6.~_\. . O coisa em comum: ambos representam as influéncias do passado recebid as dos ouros. \\ _ V 6 . . p. x6_-_§. apesar de todas as diferencas fundamentais. 4.5. N50 5510 as da sociedade.“: 3%n i633: _ :f‘” "V-\\“\\“o>'-. A ambivalencia amor—édio. .-. . o antagonismo desejo-sobrevivéncia. 66. mas de “uma” sociedade. A familia. 0 id. a propria contradicéio individuo—sociedade néio siio préprios do ser humano. e nao meramente ideias. aquela que parece ter um sentido evidente de um proce loomo clau— de individualizacao. é aquela na qual é possivel a internalizacao desta 0 id. 1666666636 6 666. . 66. MAURO LUIS IASI atualmente. Sigmund. quer (FREUD. . e o superego tém uma ”1 “Adverte-se que. as herdadas. 71). mas as relacées capitalistas. pelo que é atual e acidental” palmente pelas vivéncias préprias do individuo. relacées com o conceito ”3 Aquino sentido lacaniano do termo “significante mestre” e was ) (2002._ _ _ 6‘. 11:10 3:10 “agressividade” devida a “frustracao do instinto” (Freu “demandas” apenas relacées. o 561‘ social esta— Assim. -. 66:666. . . 66636. sejam puls mente sua existéncia.-9>'.‘ewjfij .. 1993.\\ m _Lv'. 6:66 66666 :3: 3. ... que diante de demandas objetivas. na qual o ego administ tividade social.663 2%.¢6=-. 324). Esta substancia se cargas afetivas..66 “. moldam sua 219210 e contextualizam historica a das relacées sociais Nossa afirmacz’io é que a substancia filtim ns significantes mes— dominantes encontra sua expressiio ideal em algu internalizados como tres132 que em sua substancia siio transmitidos e rego. p. mas nao a também silo os seres humanos que fazem sua como um mediador fazem como querem. 121—122 de equivalente geral de Marx._ . cit. relacées que comporz’io o conjunto do ciclo vital is que se mais do que simplesmente a primeira ordem de relacées socia s relacées apresenta. podemos concluir que as relacées que se confundem com belece sfio introjetadas como cargas afetivas que ra simultaneamente as a diniimica psiquica. 1977.“666.

em um codlgo de conduras e de valores gllfgzldgjjlltlfilfigil:([1:1n pelos ind‘ivfdlios” (Jose Roberto Tozoni Reis. a formacio do superego e’ o ponto no qual uma ordem societaria converte-se em visz'io subjetiva do mundo. ao contrario das afirmacées de Freud e cstudos posteriorcs dc Melainc Klein. 13 Poster F1979) apresenta. p. 11:10 limita a formacéo do complexo dc Edipo. . por volta dos cinco anos. VVa 29:. nas quais vao se agregando e se completando aquilo que em substancia ja é uma totalidade coerente (aquilo que toraliza uma totalidade impossivel. (2pm! POSTER. E evxdente que as relacées futuras do ser social podem alterar ou entrar ern contradicao com esta visao dc mundo e.V-. segundo os quals o desenvolvimcnto do ego. op.§:::::t::lfifluifloxfiisonal de seus membros que [he permite transformar a f _ . e’ possivel constituir toda a Visflo de mundo que é posteriormente relcmbrada pela pessoa nas acées que se seguem. os argumentos dc Erik Erikson (I976) 4.~as-iaé‘a akin z“? a?a: a: i“? -=Momma -<. Erilcson amplia sua reoria para todo o ciclo vital.133 e esra socializacao primaria serve dc base. A foncao dc SOCIalizagao estzi claramente implicita nesta definiciio. 1989. i?V Ema Va . AS Mli'I'AMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSIE como cargas afetivas. sobre uma estrutura basica e um conjunto de significantes mesrrcs. h a mancna pecullar com que 0 ‘ a f ' r o '1 . De fato. neste sentido. ‘ ' ’ P~ 161). . - :{Zfigfi 3. . VamaV’ astute afiafifia liaiaiaéaa 522 . em primciro Iugar. Mark. aV mafia-swag “V. a localizacao social onde a estrutura psiquica é proeminente dc um modo sumamente decisive”. Caso considerassemos a adesao a uma ideologia simplesmente um conjunto de ideias. mas a Familia nfio esta sepdo conceptualizada primordialmcnte como uma insriruicfio investida na funcfio de soc1allzacfio. em cerras situacé es. Retomaremos este ponto posteriorme nte. ”3 A familia 3“ locus 'L da estruturacao da Vida pmqurca. cit. por pad rées emocionais. ainda que o processo de internalizacao nao se reduza a somente este momentoffi para todo o desenvolvimento futuro da consciéncia. assim como uma complexa socializacao de uma elaboracao logica que fornecesse a0 conjunto destes elementos unidade e coeréncia apropriadas.Va as {V V . que solda impossibilidades). afi-ia-‘a.aV. famlha é o Iugar onde so forma a estrutura [”91qc Ollde 11 expenéncia se caracteriza. a0 dc mundo. canto na idade adulta quanto na illfiincia (ERIKSON.». A forma como tentarnos apresentar o fenomeno nos permite supor que. 85-86) 154 ‘V’VV: V 'V . Elfl 6’ em vez disso. uma matriz psicolégica. teriamos que supor um zirduo trabalho de comu— nicacz‘io e educacao de cada um dos valores que comporiam a Viséio de mundo dominante em cada época. até mesmo com sua estrutura basica e o conjunto dos significantes mesrres.

Segundo Silveira. é enquan to o sintoma é ef’eito simbolico no real” (Lacan. \S"§§?%§ i" ’iu'v'. On ainda: “a origem da nocao de sintoma nao em Hipécrates. Rn.\' I}: n :w: i . 3. é somente com a emer .. p. _\V . 'é ' ' .$. somos capazes de operar sobre 0 coisa que nfio vai bem no real. 2002. gig??? . mas em Marx.\\' §= ‘3' -'-‘°-' ~" g“‘-'. 1: a: : $135.E § ‘ 13. 119)..:' m.03 "“5. em outros .\I. w 9 . uma vez que o valor de mercadorias so se revelaria na equacao do valor de troca.:. bem antes de Freud._-~1 x v (1" \ \ g.».z‘N: . hm.§9 a“? u. m. a equacao do valor continua fortu gencia do como uma “totalizacfio impossivel”. I??? : m)?» 3%:532. numa “equivalente geral”136 que a série se fecha numa possibilidade “totalizacao”. E neste uma mercadoria que residiria a homologia. 7.' 'k‘.h xe g." K). de mercadorias.. 76). V. mercadoria e o papel que atribui 2: “formal” do valor (Zize ficado. de forma a torna-lo signo termos. 1:. . 2002. it in.-i: i«aif): 'm x..ifi'fi5.éh . O mesmo ocorre com o significante: de sinroma ‘35 “Se 0 real manifesta—se na analise. gm}: $2: 5:5.923 (9:: gag. 33.»? :3‘.---. O argumento central de Paulo Silveira.-. de uma mercad C’\ forma extensiv a do valor relativo exprime o valor de uma mercadoria lente singular. 2’”: 823$ 8:? £3.9%. em virtude uma especie particular de mercadoria adquire a forma de equivalente e geral de de todas as ourras mercadorias converterem-se em material da forma {mica valor que consagram” (Marx [1867]. se :1 1109510 de alguma Foi introduzida por Marx.>”‘i":§.\1".. p. § i’k’k.\ #1" w. c‘c 9%” 5“ $5" 5 i? ""' " '. x -.“. 1975. 3..92(~2:. 1996).. -= l'. ' .573 ~. -. . p.‘."M5” 2*? k ’Ss-a? gvs§ 2. simples ou isolada.: éfléii’fgélifii' . sintoma deve ser buscada Silveira.§\\ \ x. 37. é que a divida de Lacan o corn Marx vai muito além de uma passagem marginal na qual mas psicanalista francés atribui a Marx a “invencao do sintorna”. __ .. " 7‘” ' : ’. . Enqu ita e acidental. 119).' it «“4.&2%\\\. para Lacan o significante precede o signi nao possui uma vez que urn significante considerado isoladamente s”. e niio somente na analise.“ i: 19.. ele poderia “produzir significados”. gfl ‘2 5 V” is ’3'. . para partindo das contribuicées de Zizek. Dadas a complexidade da quest’ao e nossa quase-ignorfincia sobre alguns de seus fundamentos (notadamente na parte relativa a Lacan). somente poderemos nos ater aqui a urn dos seus aspectos. E: K..:3.135 explicativa da se remete ao modo como Marx constroi sua teoria k.. so. em todas as outras que recebem a forma de equivalentes geral. apud.’. apud Silveira. iv.. 3“.m ' 1w: $3? Egrfk": in 5:2” 5 Eu: :9. 155 1A. na ligacao que ele faz entre capitalismo e aquilo a que chamamos o tempo Feudal” (Mid. p. 9: .’fi. na re- nenhum significado.... 5““ a]: 5 >5““. '. e somenre na “cadeia de significanre ponto lacao com outros.3’z. A particula res diferentes. 1996)... Zizek. Por fim.'m-. oria torna a outra equiva- 1} “A forma relativa do valor. na série de ssi'vel a uma delas postas em relacao de equivaléncia.2’ g” {‘. sendo impo anto série isoladamente estabelecer “sen” valor (Marx [1867]). MAURO LUls IASI A pista que aqui vamos seguir é que existiria uma homologia en— tre a teoria do significante em Lacan e a analise da forma mercadoria em Marx (Silveira..”12% . p.

ostatos que compoem as ago es cotidianas permanecem a earorlos e ac1dentais. um burro ou um bor. Em. Quando olhamos para uma dcsta s atitudes rsoladamente. Estes “significantes-mesrres” correspon— derlami segundo nosso argumento.. EE. algumas “palavras”. EE. Fora dCStfl ulna I’zagao. O conjuntoi animal (16 tragiio e carroga. EE .. E ‘2' $5.r-"-§= : :EE’EEEWEEEE ENE-. e (:16 puxa uma carmgj chela dc tralhas retiradas do lixo cujo peso parece SCI muito :efjf:d::r:aa:i:1li:dt:E-le ocupa o lugar que em uma carrO‘Ea ' gao.) \q‘ \ E EEEE-EE.3%.a.-§\\\€E_\ x. os transformam em valores relatrvos que so podem ser compreendidos por equivaléncia a uma detormmada totalizagao. nas relagées familiares. \ . “Lacan e Marx: a ideologia em pessoa”. acabado. «“5. vestido com trapos...-.a E-EEE-E-EE-EEE-‘EE.Ev» Ma'fix .__‘\. \'f _.EEEEE. é assim necessario que um dos significantes seja ‘escolhido’ e retirado da série de ‘todos os outros’ significantes (.EN. 3% «mo .Wr\)\_ 935$.. 3: E“ E.. ou seja._ . im- possivel de ser totalizada.2». no trabalho etc. isto (5.§E< . Silo Paulo: Boitempo.EEE. ela perde tod o o sentido. seu significado estarzi sempre dcslizando numa série infinita dc emparelhamentos. \\'I 5 _=.9\'.iio possivcl”.-: Pym-g: ”fit . 121-122. diante de toda a evidéncia. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE Com 0 significante ocorre algo cxatamcnte homélogo.9: . uma vez mseridas na série do significantes. E3. 4E . :E.9“? EEE EEEEE E‘EE‘EE EaE-E EEEE. da série..o’qual eXIStem instrumentos cuja tecnologia até entfio desen volvida )3 nos oferece: uma caminhonete.w.. é uma srtuagao 1nd1gna contra a qual deveriamos todos reagir com a ‘57 SILVEIRA.. que silo mais (1116 P313" was3 funcionam como esta espécie de equivalents geral.. compée um valor dc uso para . portanto. _. Q‘t’tzv. Paulo.-’E --. essa ‘totalizagz‘io’. e quc (1510 a (:19. seu carate r par— tlcu ar. 156 0 mama Q. Vemos all um ser humano. Portanto. dc maneira que.3 3 EE-:=. As relagées que comlpoem uma certa sociabilidade.). p. 2002.E. 56 apresentam em diferentes formas. Lacan denominara signz'fzmrzte-rrzesrre.. A0 significantc que produz essc: ‘bastea— mento’. dc produzir um significado L’lnico.EEE-EEE EEEE. na escolaznoogrupo dc amigos. por exemplo. representem uma “totalizac. 3% 44.ESE-E E E3. Para que esta série infinita seja interrompida. Critiaz flfrzrxism. “EEK“ EA}:... zmm.”7 A0 que nos parece. E)" 3%» g ALE-E. f E:__ EEK-ER. um cavalo. n. :\ 5'?“ w": \ &_. ”av-22' 95) g. E E2.. Conforms seu em- parelhamento com outro on com outros significanrcs. assim. a esséncia das relagées sociais determlnantes em uma certa ordem societa’ria.: K.:1br. bem-sucedido. em sua::1bstflanc1a. . _\. esta atitude isolada néo faz o menor scntido. LQE: . . . 14.

. No entanto.. a profbe de brincar e encontrar seus ...‘vé :9” News xv.. Entie imaginemes alge abso Olhe uma magi na banca do dentre dos mais altos preceites morais.. ‘. . s as :1.. 75‘ s.. ‘ 3w$35v. as :..2. V.. .. . ser humane é trabalhar. . Sequestre ela mais ama educandefla seguido de agressie? Nie. e sistemajudiciirio.95- ..\._‘<_§. aquele é seu trabzzlbo..» was.\\‘s.3 . meu henrado trabalho de feirante.. ji que o exemplo e UOS dele. .\' . a. per sua vez. {fig}. ximagie. circere privadO case extreme poderi inclusive agredi—la. is i. situagie miserivel de animalidade.‘---'. . * " . . a . .. .\.355. . «W: '. pego meu dinheiro ganho com dar aulas.mmé’l‘.§z<§’. E melhor que muites de nos.. givi‘wa‘ @933: 32$. . que hi um sentide nesta agio social.. Weber diria. . compro a magi e a come.... quigi. trabalha para viver. “ético”. ' ' ' ' ' * was"V’-«Ms M»: 25 >2... . e contra tal atitude reagiriam e feirante. “é 6a _q" \ _ . assumiri a forma alguns hens de consume que manteri aquele erganismo vivo em condigées cle puxar a carroga no dia seguinte. nesta. W9 " W «a. a. ainda que seja puxande carrega. Nie hi.3‘*. . . _ -.'5... pegar a magi tende o dinheire necessirio. investide pelOS indiVid pedago d6 papd que dela sie sujeites. amigos.-: ' ias-. .. a tralha tem um valor de troca que 86 de converteri em equivalente geral e. sentide este que atribuiu a um aceitivel de 56 se o valor de ser um meie de treca e e precedimento aparentemente. ele adquife que “estamos tedes dispostos a assumir come norm a condigio humana justamente per puxi—la! Um adultO Uma crianga quer brincar em vez de fazer seus deveres.{:I5<. \V .. . Errade seria pegar a mag ssive do ela... MAURO LUIS IASI mais pronta e decidida agio... i... -\-.\\'. é 36 um set humane. Basra entretanto inseri—la numa série um peuco maior que seu sentido comega a se revelar. -.:3.“.. tude bem. . E a pessea que entar que para que ela “seja alguém na Vida”. o aparato repre al” seria Estado e. pederia lutamente cerriqueire e as duas cenas. .\\ A-'.”M’. .-. ”fax 5 ~.\a‘-'s'...s . Ele é igual a todos nos. . a Yak-«43‘ -a&\rs....v'. «33.. norma significantes em O que é “ser” humane afinal? Depende da série de igie prévia que se encontra. O hemem é pobre.\s-"5«\'=. cend outta apro- da existéncia. Nie é mais um ser humane numa l..><=c . No case. swag : -_¢_. em ameaga a crianga. ele perde sua humanidade per puxar uma carre al”. pois 157 ..5$x\}<\I-'.=. Alguém pederia argum censide rar inad equadas um julgamente humanista. 0 are “norm pegar a magi e cemé—la sem a mediagio de um equivalente geral.0 «s }. Jana»: . .\' :. i sem pagar per nada de errado neste are. tem seu proprio negecie. Entio. Em uma ga. is.e _-.» 5 {sass a»??? ass asaaas ‘5 Es sassaaa Ms in $s {at-a“? Fri s: a 1?: a E a“ swi‘is‘a“"€?€¥"‘i " _. .

r»: »‘33 ~91 «vs-mg tW t" -. ‘59 “Mas 0 homem r1510 é um ser abstrato. (1997.éziia-gfi. 158 9. 1993. porranro. que no caso constituem a sociedade capitalista produtora de mercado— nas. que consisre em retomar nele rudo o que existia na atividade humana em estado Huido. as ideias e 03 valores de uma certa visfio de mundo nz’io deslizam numa série aberta de significanres. :“‘-'.9. 0 “real” insriruido simbolicamente corresponde ao real constituido pelas relacées sociais de produgiiO.z_$. mas nap é ela que produz a inversao que aparece totalizada como real.. 0 aceitzivel. supée a maca como mercadoria. na mesma medida em que o comprador da maca vendeu sua forca de trabalho para adquirir a quantidade de dinheiro necessaria.m i‘_:= m.-:_<2\\_.. [1844]. “she 2-3}.*“'. os comportamCmOS.\ r. fecha a serle das impossibilidades numa toralidade estruturada.maw-v~'§ a.§-. 27): “Per esse movimento essencial do esperriculo. o Esrado. seu dominio converrido em ideias. a 1'0 ' I .. .Ea. é que reconhecemos nossa velha inimiga (.Miffiaiiififi an?“ . porque eles :do um mundo invertido” (Marx.138 Somos obrigados a dizer que esta ordem simbélica institui 0 “real” (Zizek ). iaiaé 1:54:3. para possuf-lo em estado coagulado. p. mas encontram—se totalizados por um universo simbélico que. . ’?-é_‘". Neste sentido. a sociedade.. seu valor definido na relacao corn outras mercadorias na abstracao do trabalho social toral no qual os seres humanos ficam de fora. corres- pondflem as relacées sociais determinantes. it?“ “1M3? ‘4} W231. como coisa que se rornou o valor exclusivo em virtude dafieula pdo pelo (206550 do valor vivido. num mundo governado pelos produtos e [1510 pelos produtores. -t five -_-’-‘-. 77).139 Os Signlficanres mestres que servem a este fim. Por que o que é humano virou crime e o que é reificador e fetichizante tornou—se 0 “real”. O homem é o mundo do homem.}§:_-:. uma consciéncia invertida do mundo.“?r. Este Estado e esta socicdade produzem a religiao. a a 9v. A inversao estava antes produzida no corpo das relacées. neste ambiro." ”:5? 4-H“ “Xx”*‘“"--"‘"=-'°¥- Mai-MaxiE-iméaéfii i: aha-a i§§ E wsfia ia-séfieisiaz‘a véawfiib is Eafiai-éri-ix iLf-fis mgr. 0 normal? Pelo simples fato de que as aritudes. “institui” 0 “real”.. 8510 218 ideias de seu dommro..): a mercadoria”. 0 primeiro aparece como inverséo porque o segundo de fato é umainversiio. e que nz'io causa espanto. tornou—se ele préprio mercadoria. acocorado fora do mundo. p. O are corriqueiro.t e ' t.'“?“\\“':j-. Mas quais siio._“7'§:< W“ $313. 5:10 a expressiio ideal das relacoes que: fazem de uma classe a classe dom inante. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DIE (ILASSE corresponde a uma medicao de primeira ordem enrre o ser humano com fome e o valor de uso capaz de sarisfazer esta necessidade. 3.

21s. destinos insuspeitziveis. I211 “Cada coisa que possufmos rem dois usos (. esgueira—se mesmo nos partidos socialistas. uma especial junro aos educadores do MST.141 Sabiamos de onde partiamos e sabiamos aonde queriamos chegar er os elementos (formar educadores populares capazes de compreend no entan— fundamentais da critica da economia politica). Alcaneamos.. 0 use proprlo de yum sa. A inreneao inicial de Bodra era destacar as passagens em em que Arisrételes discorria sobre o método (decompor 0 todo partes e recompé-lo por meio das associagées novamen‘te em tora. no Paraguai e. p. podemos também vendémlo ou troczi-lo para obter dinl'1e1r0 ou pao (. Permitam—me descrever o processo pelo qual uma experiéncia priitica evidenciou a incrfvel e repetida incidéncia de certas ideias—chave. Hoje (2003) 0 NEP 3‘3 encotrtra na 18‘ turma nacional de monitores sediadas em 3510 Paulo. materializa-se nos cultos religiosos. recentemente. Nordeste. pato é calgar. MAURO LUIS IASI entao.22223322 W:flag-2. extrato no qual antecipava.2“§. que rem esre'nome por ser :1 data de sua formaefio a movnpentos 1983. A expcrlfincla que deserevpremosx se dcu nos esforeos de nossa equipe em formar educadores populates. reaparece na escola. 1998.EEfi-w‘finw r222 WW2: 1"“. Apesar de as primeiras rurmas cumpr . seduz o eonhecimento académico. emerge nas segées de psicanzilise e frequenta nossas melhores universidades? N510 estraguemos a surpresa. desenvolvendo um programa de cursos e atividades educarrvasjunto sociais. lidade) e a parte em que apresentava a diferenga entre a economla e a “crematistica”. partidos e pasrorais em todo o Brasil. conceitos que comporiam a analise da mercadoria. foi fundadO‘Cm ”0 O NEI’ 13 de Maio.) (Aristételes. o organizador do curso. 22622 . 23).. . mafia if:* 2:ab 2 22:222%22-222 §§§rfi§a we: 22W héaafi’e‘n’s :2:. cu]a mlcmuva L primeira forma coube ao professor Humberto Bodra. cuja substancia espectral estzi presente nas relaeées familiares primarias. sindicatos. pragueja no senso comum. incluiu enrre os textos alguns capitulos de A polz’ticrz de Aristételes. estes “equivalentes gerais” que “soldam impossibilidades”. como indicado pot Marx.aiséaé 12a. Por exemplo. mals precisamente o valor de uso e o valor de troca. 15‘) W22 ‘ We 2 a ixW222 21:322.). Quando nossa equipe de educadores populares do Nucleo de Educagao Popular 13 de Maio140 preparava 0 material para o desafio de formar educadores populares. além d6 dCSCHVOIVCI mlcranvas turma similares no Rio Grande do Sul. Humber— to Bodra. lrem to. manifesra-se no trabalho..

deixava-se envolver pelo texto. por vezes £1 beira da rebelia'o aberta. AS ME'I'AMORFOSES DA CONSCIENCIA DIi CLASSES a tarefa proposta por Bodra e chegarem aos vestigios arqueolégicos da economia politica. In1c1almente. 144). . faziamos emergir a opiniao dos participantes. .\ r: >§fi5~wg A:.ltlca acabou 'l . a linguagem.wks'xg m. EH 2&2 2 $2 33:23 W» E::-._ my». pressupostos. 2000). EEE 1E3 EEEEEEEEMES .9% ($3. como ten'taremos demons- .§_ RIM-fifvvff-a-Y"?! 2):..2“ . iaéfimfi‘a 322323215 EEEa§§é2K2E2 E3332.. {. . isto e. o grupo.-. ”:53 -:. partindo para reacées emocionais quanto as conclusoes do autor.§5_ 2% .315 ‘3 \{E it}.€. 160 9:9.:??='=-r. 1994. notamos uma enorme resisténcia por parte dos par— ticipantes diante do texto de Aristételes. -. Sécrates ia induzindo a pessoa aefpt‘essar sua opmrao enquanto a colocava em dfivida mediantc a eiro'nez’a (i tonia). . epistemo- {ogrcamenta um texto. 2. Vet mais em Maiéurim.s:___Q-\_ EdiakEKwEEENECE E.-:§\\_.__m.}::_':. p o proce lmento de Socrates para buscar o conhecunento e s1gmfica llteralrnente: am: de EIZCFPWWL O part0 aqui é usado como metafora da a rte de ajudar 30 nascnnento d3 verdade que esraria dentro de cada um. ou a'opdiniao. I’ouco a pouco e com as devidas provocacées mareutlcas.por scr ' .§-. 33. 23's: . interrompia algumas exposicoes que pareciam ter solucionado as dt’ividas e levantava outras. coeréncia interna etc. remexendo socraticamente o grupo e encurralando provocativamente suas certezas.‘\\ . p. Esta resisténcia se expressava ora num debate acalorado contra o autor. pedagoglco :ZrNéirgt: e um 13strumento valioso de pesquisa. oportunidade impar para averiguar de onde provinha aquela resisténcia. E133 3‘2 REE E 2x352. Assim. : ) (ti/11:10 . um aspecto Fundamental do rnetodo I I . a arte do part0 (Iasi.-\‘|aw-V~'§ ~§'-_ :t I‘N: -_-’-‘-. mas obstrufda pelo falso co- flhCClmCIltO.. contexto historico. Em comum acordo resolvemos Pesqulsar mais a atitude do grupo partindo da seguinte questao: O que mobiliza no grupo esta resisténcia? Nossa suposicao era de que 0 gruPo possui'a dificuldades para ler teoricamente.22::\2:y‘. sua maestria e quase—obsessao em nz’io deixar nenhuma pergunta sem resposta impunham limites a este trabalho maiéuoticom2 de seu companheiro.m. Quando Bodra coor- denava os trabalhos. desconsiderando seu método. ou seja. Como Humberto faleceu no infcio de nossa 4“l turma de monitores. mas exatamente na forma “emocional” da reacao. a contextualizaca'o historica. Esta '42 A maleutlcas OCF . refutacao. ora numa sonolenta tarefa burocratica.“-' $32515: §§. tentando encarar o desafio da leitura. com a finalidade de qucbrar a solidez aparente dos preconceitos” (Chan 1'. pot meio do didlogo. os pressupostos. Luiz Carlos Scapi e eu assumimos a coordenacao dos trabalhos.9: fig ans-fl: \f. Scapi sempre funcionara como uma espécie de “ego-auxiliar”. O que seria revela do niio estava ai'.

) e. a: : . “mas este cata é muito machista”.\ am 1:54.. r de escravos.t‘. s s ‘. Porque aquele que possui inteligéncia mais de previsz’io tern naturalmente autoridade e poder de chefe. __.}... jzi nao se podera da natureza e antes do mesmas (.-v\'. devido 21 reprodugao (.) urn set que também por obra da natureza 6 para conservagao das espécies capaz ordena e um ser que obedece. set colocado antes da part6 desde o momento em Todas as coisas se definem pelas suas fungées.-:I3.-=:'-.-'\_. 161 m ‘6 . (.).no 2%. ”.é‘aiiasfi. “muito me admira vocés do 13 usarern urn texto destes”.. cram CStflS: Deve—se. MAURO LUIs IASI apatecia como veementes criticas acompanhadas de desabafos do tipo: é um “absurdo”. de primeira necessidade. o interesse do senhor é o mesmo do escravo o é menos... $6 a lei -— dizem —.?. . o que é mais. sfio machos e fémeas. A mesma lei aplica—se naturalmente a todos os homens familia e antes de cada Na ordem da natureza.) outros sustentam que 0 poder do senhor sobre livre e 0 es— natureza.._Q a. propositalmente unia 1‘” Aqui reproduzimos as passagens segundo a apostila utilizada traduqfio “popula r” (livros de B0150 da Ediouto) e em seguida indicamos a referénaa na edigao da Editora Martins Fontes (Aristételes. _:_’§. executar sua tarefa (...__\j_ 15. (. 43:3?“.»h A 2‘» say. os homens nfio saberiam viver se. . “o cara defende a escravidéio como naturall”.._. (.. O macho e’ mais perfeito e governa.': ‘. antes de tudo.. -_ W M WMWW fiaw as.. se cada instrumento pudes entao os atquitetos nao dada ou apenas prevista.) Evidentemente o Estado esta na ordem individuo (.).-is. €11t outras. niio podem existir um sem 0 outro...352.) Dos teriam a necessidade de trabalhadores. a natureza a nenhum deles distingue. a uma ordern viver Felizes.. forgosamente.impée diferenga entt e o homem [No entanto] sem objetos cravo. forgosamente. (. gwéfis_-§g_~. 9'. como o homem e a Ha mulher.3 m. ‘--""i=--\$'-.) Corn efeito.922i. 1998.. \. unit dois a dois os seres que.) individuo. pois o todo deve.. 2 e 13). “quetia que estivesse aqui para dizer—lhe algumas vetdades”.. . =.__ i 3.. a fémea . dizet que sejam as que elas percam os seus caracten’sticos.Fm ”winks t. o que nada obedecer e possui além da forga fisica para executar deve. 0 Estado se coloca antes da (. Fontes ”4 ESta passagem encontra-se na tradugéo utilizada na edieao da Editora Martins na p.. pois.l'M o escravo é cont 1'33 (.l 43 e obedece.< ash Nam-. \.. p.) Os anlmals servir — e. e. As passagens que mais provocavam estas reagées. S. 5 a a3 3:1”: a. \ _ _._a\}.aaaaa gags mg“:.._. nem o senho .t..

0]).) A Vida 6 use e nfio produeao.<‘\'§. ao nascer.332.. Fica demonstrado claramente O que 0 escravo 6 cm si..""\‘“‘\§3§"‘. E uma coisa possuida é um instrumenro de uso. Como instrumento o trabalhador é sempre 0 primeiro entre eles..2%: V353? ficwkgtwi if»..E EE-EE. (. A propriedade.). Alguns seres. mesmo sendo homem.. Ora....) do mesmo mode a propriedade é um insrrumenro essencial 21 Vida. p.”7 ”5 ARIS’I‘O'I‘ELES. sempre que igualmente parega Litil e justo para alguém ser escravo.» WM . WE ’13"..E. separado do corpo a0 qual pertence.) Vé—se. pois é preciso que aquele obedega e este ourro ordene. :E “W lit-132:3: _E: “.) E por isso que exisre um interesse comum e uma amizade reciproc a enrre o amo e o escravo. a mandar. Os demagogos calcam-na com os pés c fazem predominar os decretos. é uma coisa possuida."16 [Na democracia] 0 Estado cai no dominio da multidao indigen te e se Vé subtraido a0 império das leis._\\.. com uma auroridade absoluta. quando a prépria natureza os julga dignos um do ourro.-:_§_E_E®_M§ (y.. (.. Trata-se de um ser composro de varias cabegas. MES-9”“ $“l?—:E‘-i"i.§ WEE. Tal genrallla é desconhecida nas politeias onde a lei governa. que a discussao que vimos de sustenrar tern algum fundamenro.. a riqueza e a multiplicida- de de instrumenros. isto é. p.. AS MI‘ZTAMORFOSIES DA CONSCIIENCIA DE CLASSIE instrumenros. (."..“” 3::.!. : =EEEEEE§EEEEEEE E. ‘5""'“ ‘:5-.) Os instrumenros sfio propriamente de produqao. ”’2“ . que ha escravos e homens livres pela prépria obra da narureza. eis por que 0 escravo 56 serve para Facilitar 0 use (. no entanto.. p. pois..§=‘. mas apenas em virrude da lei.. (.. um 5:10 animados. 925$]: 9:. at.. segundo seu direito natural. 12-17. e O que pode vir a ser.. -EEE. para outrem mandar. se veem destinados a obedecer.EEEEEEEEEEEE EEfiz-EEE EEEEEE-E EEE-EE E-EEEE. é um homem. mais ainda coisas liteis. {Eff23..:I“"'-z‘-=_:. 5e um homem pertence a outro. EE-I. é simplesmenre uso (. 10-11- ME 15:21. a0 contrario. e o escravo uma propriedade viva. 2“”'. outros.) A autoridade e a obediéncia nao sao 56 coisas necessarias.. mas todas junras.. elas dommam niio cada uma separadamenre. . mas pertence a outro.:\\§23:$I. Aquele que r1510 se pertence. . EEE‘E E EE.5?“ 55... W 15221. outros inanimados. da—se a0 contrario quando 11510 é assim.__E. esse é escravo por narureza.. Eff-9‘3 Ens 32:5._:5E 4.) O povo torna-se tirano.” Mas ha ou nz'io tais homens? Existira alguém para quem seja justo 6 (mil ser escravo? (.EEE EEE-sEiEEE-EEEEE EEEEiE-EE {E. que essa distingao subsiste em alguns seres._ EE’EEEEEKEM EEEEEEE-EEEEEZE E EEEEEEEEEE. 125. e por efeito da Violéneia.. (.

tentando identifica sua coeréncia. siio afirmagées condicionadas historicamente. o alvo das contra—argumentagoes eram imos cipalmente as passagens citadas. . os Hegel e Marx. . Salta aos olhos que alguma coisa nas afirmagoes de Aristételes nos incomoda. E preciso registrar que repet de forma sistematizada esre procedimento nas 13 turmas que se seguiram (alérn de algumas turmas extras realizadas fora de 8510 Paulo.. trarios as afirmaeées aristotélicas. unidade e coeréncia. entéo. . decompo— u em —10 em suas partes e reconstrui-lo enquanto todo nz'io nasce tanto.-.-\.Q".>.: \.\. Caso quei (111313 devernos buscar.. Olhos treinados teoricamente tendem a se livrar rapidamente do problema com mecanismos de defesa do tipo: trata—se do Aristoteles. o que totaliza. umas 18 experiéncias) e 163 \ ism w a?“ :s r3333 %. E3x§swtx 233% is eufiiizeéim 3%: 33% 153 sfiéfi‘im‘}? . ainda que com insistiam na vontade dagogico chegassem as mesmas constatagées. igualmente. o método de partir de um todo. aproximadarnente. ou seja. seus pressupostos estao si mesma jé gerava uma enorme polémica tos.. . M . quais nossos argu entes das do autor? nos conduzem a conclusoes que julgamos difer a Aristételes”.. nos permitimos ouvir o livre r no discurso.-.\ ". mentos e com estes o 3510 nossos pressupostos.'). Basra que o leitor pare urn minuto a leitura do presente texto e verifique em 81 mesmo este incémodo. MAURO LUls IASI Existia algo nestas afirmagées que provocava a ira do grupo. W zf- . . e estes levam presentes no desenvolvimento de seus argumen ramos combatéfllo coerentemente as suas conclusées.. mas alguns milhares de anos antes.\'.. . Con- Declaramos aberta :1 “temporada de caga car as afirmagoes trolando nossa ansiedade em responder ou retru fluir dos argumentos con- d0 grupo.\ . de discordar das conclusoes do velho filésofo que qualificavam como “absurdas”. Entre o trabalho pe— olhos dos educadores ern formagao.:'5-.' .: . urdas”? Aris— Langamos. o que me e dos importa é a brilhante antecipaqao do pensamento racional instrumentos da légica. da velha Grécia. V}: . seus pressupostos e prin- Como era esperado. sem revelar aos participantes. 2: . o seguinte desafio: por que “abs por tételes é um pensador “unitario e coerente” (afirmaeao esta que ).

o que levava its formas justas de governo etc. A postura pedagégica de Scapi neste momento foi essencial. E possivel imaginar a reaeiio de um grupo de educadores populates. AS: METAMORFOSBS DA CONSCIE‘NCIA DE (ILASSE em todas.u de fato ocorria é que. podemos dizer que os argumentos eram. que sempre incluiu um certo ntimero de militantes feministas. Se em um primeiro momento procu— ravampsevitar a reaeao emocionada colocando em seu lugar urn rac10c1n10 epistemologico. OS u - argumentos contrarlos a Arlstoteles seriam obvios. j 3. O mesmo argu— mento serviria para discordar que a natureza pudesse definir papéis sociais como 03 de senhor ou escravo. derivar daf uma posigao de mando ou obediéncia para homens e mulheres. Assumindo a defesa das teses aristotélicas.‘ . diante da afirmagz’io “mas r1510 ha uma diferenea natural entre homens e mulheres”. t. na esséncia. entao corno explicar as diferengas reais entre senhor e escravo? Aristoteles as inventou ou realmente existiam na Grécia antiga? (.3. por inteiro. o foco do debate concentrou— -se em alguns pontos—chave recorrentes: a questao da mulher. n . Em linhas gerais. instigava o grupo procurando coloca-lo em dt’lvida ou f“3“}3fldo para que buscassem coeréncia em suas afirmagoes. indo diretamente ao emocional. nao basta afirmar que a natureza nao atribui difereneas €103 SCFSS. EEE 2‘ :‘z-wg2 EE2 EEEEEE‘» Vi“ EEMEEEEEEEEI’EEE: . com o trabalho maiéutico. a natureza justa e fitil da escravidiio. os mesmos. na medida do possivel. ppr aSSlm dizer. i‘ixx‘i E‘EEEEVEKE‘EEEEEEECE ‘ ii“ E E132 E322‘5: EEE 2922 «a . a natureza da desigualdade. 164 “WWW-:2 E2“. ou “niio esraria srstlmos 1-18 I n '' aqur' no termo u absurdo . portanto. Os participantes alegavam que seria um absurdo148 atribuir 22. p015 parece lIldlCflI’ que. natureza uma diferenga quanto a inteligéncia. buscar uma unldade e coeréncia de seu pensamento e construir uma afirmaez‘io. os part1c1pantes eram levados a. no carater geral da sociedade e no papel do individuo diante dela (e do Estado). capacidade de previsio e. . para os partmpantes. com pequenas variagées.‘ xEEE WEE EEEE‘ENE E‘EEVZEEZE ‘MW EM EW‘E“? 1‘“: EEEEEEEEEEEE W Efik‘x EE-E‘EE Em ‘ -“::22 mix “‘2 E:. agora operzivamos no sentido oposto. Por exemplo. A naturalidade com que os partici— pantes expressavam suas oplnloes foram para nos uma importante pista na compreensfio do senso comum..

a resposta do grupo é que nao._. HOS. . e este deveria se submeter ao todo independentemente de sua vontade ou esforco préprio.t W . Contrapunham este estado da liberdaa’e e o atribuiam como um direito de todos que so podia SCI subtraido pela injusrica e pela forca. ‘talentos’.553: \.. e a posicfio social a ser ocupada nao depende da natureza. _\::I':_§.’. Nesta contraposicao. aptidoes etc). s. _s.Icy. e niio a natureza. -: 5 Ewe-s.: _»= -‘€--. $$% $ $w%% 32$32$$$$ $3% {32> $$$$$§3$i%§3 $3536. e r1510 da natureza nem da itnposicz‘io do Estado.\ a: . os seguintes argumentos: a) contra a afirmacfio arisrotélica de que a natureza produz os seres com diferencas fundamentais e que isto define a posiciio social dos seres huma— ento. - wkka"? s$$$%$%i:% $ $tfimé'52 i. C) quanto 21 escravida'io. aquilo que aparecia de maneira reiterada eram. m: ( ‘2' «s.s. «'3‘ A:.. 33m “33%. ou seja. .. os participantes consideravam-na ‘antinatural’. pois haveria aptidées diferentes. assim como injusta a atribuicao de um papel subordinado de qualquer a0 pessoa sob a vontade absoluta de outta. ‘25-. e) niio chegavam a uma contraposicao nitida quanto a questao da proprie— dade.“: 3:34} a 33‘ . ora permanecia como um vago sentido dc socializacao da propriedade porque seria mais “jUSto”. : $4. 165 :3.+. mas da ‘organizaciio social’. dons. . insisrindo que era a propriedade que definia as diferencas sociais. em sintese.‘.:»‘ r\\\-. e com ela os argumentos..23 EMWQA “$32. Pouco a pouco emergia a opiniiio do grupo. pressupostos e conclusées de um discurso articula— do objetivando se contrapor as afirmacées de Aristételes. mas todos os z'rzdz'm’duos teriam ‘potencial’ para se desenvolver. ora ia para o direito de todos terem propriedadc. era 56 exigir um pouco mais de profundidade que esra afirmaciio se mostrava “vazia”. 0 grupo constréi o argumento da igua/dade natural de nascim b) instigado sobre se esta igualdade geraria seres absolutamente iguais...\\|é\V m3 q.w. m s. chegando a asseverar que a posiciio que .63 9'.\ ._-_§\\_. $.E. cada um deve ocupar depende do esforco do individuo.33 $22 $$$ mhfififiifdfi . . na antes do indivz’duo. ordem natural.'-":\\"..9s._ii3'¥?g ‘5 sag.sv. assim como das ‘condicées’ oferecidas a0 individuo e suas capacidades inatas (talentos. MAURO LUIS IASI Aristételes certo a respeito da superioridade do homem quanto a inteligéncia on a posicéio de mando?”.\\\\§\::. -. No entanto.”9 "‘9 Algumas vezes aparecia com forca a ideia da propriedade como causa das diferencas e sua contraposicao com a socializacao da propriedade._:. d) 0 gtupo reagia 2‘1 afirmaciio de que o Estado estaria.

sindicatos. os participantes criticavam a preferéncia de Aristo- teles pela forma de governo aristocrzitica e suas crfticas 2‘1 democracia como forma ‘degenerada’. lembrem—se de que se trata de um grupo de militantes oriundos de movimentos sociais. 321. a lideranca. I66 * M \“o g'2 :‘ as” “Mg-sag “. “como garantir uma verdadeira igualdade entre as pessoas?” A riqueza desta experiéncia é que cada grupo encontrava caminhos e formas diferentes. E preciso que se diga que ate’ este ponto os participantes jul— gam que estéio contrapondo Aristételes corn suas préprias ideias. partidos politicos de esquerda. indagévamos sobre o funcionamento da sociedade partindo destes pressupostos apresentados: “assim n50 ht’Fia desigualdade”. ou seja. ainda que n50 expressamente. No entanto. Poderfamos afirmar que o senso comum nzio militante mescla mais intensamente o universo de valores de Aristételes com valores liberais. “0 problema é que a propriedade é 56 de alguns” etc.15° Uma vez chegada a diniimica a este ponto. a forma de governo ideal deveria aproximanse da democracia. ponteados de profissées de fé no socialismo. “como organizar o poder e a tomada de decisées”. “este é o papel do Estado”.:. tenham as mesmas chances”. segundo a opiniiio deles. a maior parte deles de setores mais radicalizados da esquerda que tém como perspectiva o socialismo e acreditam que 0 meio para alcancé-lo é uma revolucz’io. por exemplo. o mals Importante é a educaciio”.mgag <i§1z§ff. liberdadc. gags ageing-mtg * gjsmks M g mg:. 15° Interessante notar que esta mesma dinamica realizada com grupos niio militantes reproduz essencialmente a mesma reacio no que diz respeito £1 contraposicéo dos va- lores afirmados por Aristoteles com valores como igualdade. pessoas que tém sua autoimagem como militantes de esquerda.gmlz-gé Egg-swmmifil-ag .g§:"-'\£"z‘ F ws. valorizacao do individuo e outros.: we . para sempre chegar a uma substancia de pressupostos comuns: “a sociedade deve dar as condicées para que todos igual— ‘r‘nente. assim como. neste tipo de grupo 0corre também uma :irea maior dc concordiincia com Aristoteles quanto 21 afirmacéo da necessidade de “mando e submis- sz'lo” como uma determinante natural que explicaria.W'Il -ZSQ‘Ee-‘Eszfis‘g gggEQ-ga egwx a». sustentando que. AS METAMORFOSES DA (IONSCIENCIA [)[i CLASSE f) de forma unanime. deixzivamos livre a discussz'io e. “precisamos garantir trabalho para todos”. uma concordz’incia com as diferencns “naturflis” d6 género. iméfiég légsgmw gm izéaagzg 2. sempre expondo os argumentos de Aristételes e saindo em sua defesa.

descrevendo os fundamentos do pensamento libera palavras de alguns de seus cminentes teéricos. MAURO Lurs [AS] Quando Viamos que estavam acumuladas afirmacées sufi— cientes e um certo consenso no grupo sobre as criticas. apés 0 cs— “nz'io panto. 7" ed. Paulo Sérgio Tumolo. A primeira reacz’io. ainda que persistisse o duelo entre os participantes do grupo a respeito de algum aspecto secundario. 152 CUNHA. Apenas para citar uma passagem ilusrrativa. que formam o corpo de sua doutrina ou desses corpo de ideias nas quais ele se fundamenta. isto é. Em verdade. a sequéncia do texto l pelas Cunha. Luiz Antonio.‘52 cc Para espanto dos participantes. ao o desenvolvimento de seus talentos. ao lado de fundadores do liberalismo classico como John Locke. os cinco principios liberais. por vezes alguns dos argumentos utilizados pelos participant os: literalmente. em competicz’io jzi llavia realizado algo se- '5' Um outro membro dc nossa equipe. encaminhavamos aos participantes um texto que veio a ter 0 efeito de uma bomba. N0 entanto. a maximos da doutrina liberal. Siio eles: 0 z'rzdz'w'dualismo. OS axiomas basicos ou valores maximos” da doutrina liberal. :22 322222“: 2 2 s22 22 22:222 2222 2222 2a 22 1:2 22222 2 2 222222222 . aceitas sem discussao. os mais gerais. Rio de Janeiro: Francisco Alves. Vejam cada individuo A funcz’io social da autoridade (do governo) é a de permitir a com os demais. por isso em nosso material melllante para evidenciar os principios liberais na educacao imento de traballro possuiamos o texto de Luiz Antonio Cunha: Eduazno e desenvolv social no Brasil.153 quase que repctc es. 1983. uma ideologia. é a resisréncia que se expressava pela afirmacao de que dc foi isto que eu queria dizer”. Abordaremos alguns ou valores principios. 167 . os que constituem os axiomas basicos liberddde. a! propriedade. cit. O texto estava em nosso arsenal didatico para ser utilizado em outro momento e tratava dos principios do liberalismo. eram também as mesmas ide’ias—chave que eles haviam utilizado para contrapor as ideias de Aristoteles. Cunha apresenta como um bloco so alguns contratualistas como Hobbes e Rosseau. op. a iguaidzzde e a derrzocmcz'zz.151 Luiz Cunha (1983) inicia sua exposicz’io afirmando o seguinte: O liberalismo é um sistema de crencas e conviccées. os ou Todo sistema de conviccées rem como base um conjunto de principi verdades. .

op. ”3-.. entao. ‘55 No que range a csrc aspecro cm particular.. -.§' 55A? 3-33.iar§3§“}?§§ ififim E §._.Wu": r -. alguns corn que concordasse 6 com eles fosse escrita uma frase descrevendo uma nova sociedade com a qual cada um se identifica.\\. Além disso. O que ajuda na dinamica é o fato de que a afirmagao coleriva aparece como urn produto do grupo. diante da insisténcia do argumento de “11510 f0i bem isto que eu queria dizer”.. :5 sf}? .¢\'§_ mi? §_ k .155 afirmzivamos que nao havia problema em recuperar uma palavra e “redefini—la”.. entre os cinco principios.§TJ§«.» .im M a: .. ? :imn‘ *2. cit. os participanres veem claramenre no produro colerivo a correspondéncia com 05 fun- damentos liberais. ax} E $535134» “W. ».1‘§\33?>\§£§ REE. s": away w . “ressignificé—la” no corpo de ourra visao do mundo. assim.-. 2mm.@:__. o impacro n50 seria o mesmo apenas comunicando verbalmenrc que havia uma correspondéncia enrrc as afirmagécs do grupo c 03 principios liberais.-\. o scnso comum (c 6 disto que sc trara como vcrcmos mais adianrc) reage dc modo particularmenre diferenre quando as idcias sfio aprcscntad as na forma de texto impresso. como se cornprovou em ccrras oporrunidades em quc renramos transpor esra dinfimica para outro contexto sem o tempo rlccesszirio para dcsenvolvé—la. aésafiaé 3w: manila. que cada participanre escolhesse. $1.3». algo em torno de 10 on 12 horas.: gk gs.:>._§\\_:._. Com a sequéncia das turmas. N510 precisamos dizer que aparecia '54 CUNHA.-¢. $5». mesmo que resistindo ponrualmenre na defesa de um ou outro argumenro pessoal.a m 33%? . . COIUO disse um participante.Q}: vgxa §9\z¢.: _w. ideias-chave que séio vistas como “verdades” e “aceitas sern discussao” e sob as quais o grupo partiu para atacar Aristételes. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSES mdximo da sua capacidade. Luiz Anténio. ou “os monitores manipularam o grupo para que chegassem a estes principios”. No contexro d0 curso dc monitores. Com toda ccrteza. O individualismo acredita rcrem os difcrentes individuos atributos diversos e é dc acordo com 6163 quc aringem uma posigéio social vanrajosa ou nao. 168 " a? ‘ . urna vez quc j:i csrava pronto antes dc comcgarmos a diniimica c 11510 pode ser acusado dc repcrir os argumcnros que ainda seriam deserwolvidos pelos participanres. is» .. $33? \' -: “fir-é '. ou.2 f: fixing..~“.:z _!_(_52%.t m .2 «magma 3mm . a~. 0 faro dc aprcscnrarmos o texto dc Cunha é um podcroso insrrumento. e por vezes até mesmo na forma.__-. » w -. Propfinhamos. a dinamica ocupa dois dias c uma noire de rrabalho.N.'5“ Dada a incrivel correspondéncia com o conrefido. o exercicio foi sendo aprimorado. desdc a reflexao mais profunda até a resisténcia aberra. os participantes assumiam varias posturas. EQ¢\X. Por exemplo._w~.

considerando o coletivo dos participantes.. ‘56 Frases colhidas em algumas das turmas nas quais realizamos 1 6‘) was We %. %%‘ i. basta “reme— Para comprovar a fragilidade desre arg ificantes total1zado: termos uma palavra a dois conjuntos de sign fala dos homens “livres diferentemente. a base use que os liberais fazern da palavra “liberdade”. O préprio Cun s liberais”. livre e a propriedade serzi de todos. ern si mesmo. o faz de forma Para ele. todos os valores se reapresentavam. sentado. nem escravos. mas.:s-%.. mas como fazem parte da doutrina liberal. o fato de que um significante fora Mas é exatamente isto que n50 pode expressar um significado. Quando Aristoteles nos muito diferente do em contraposieao ao escravo. a. sagao de que estao a falar o os participantes acreditam. e as frases giravam no essencial nos limites da mesma visao de mundo. MAURO LUIS IASI novamente a utilizagao de todas as palavras—chave. s apresentadas. nismo. todos serao cada um terminara onde comega a do outro. estzi preso a uma cadeia de significantes que con o haviamos antes apre~ Observamos aqui que se revela.:%% %. homem. no comu nem opressiio da mulher pelo do homem pelo homem.. pois seu significado 11510 0 redefine pela vontade de quem o usou tinua operando. de manelra uma “ligagao estreita entre os cinco principio s implica na impossibilidade que “a 11510 realizagao de um 56 dele eitos—chave isoladamente de todos os outros”. socialista.. com da série. \ imam arias 3. Usar um dos conc . quelibera esta dinamica. nao havera exploragz‘io Diferente da sociedade capitalista. dai a sen “obvio”: ora. os seres que torna possivel a liberdade é a escravidiio. Poderiamos multiplicar as dezenas as frase lar que tais termos notem que isto ocorre mesmo depois de reve entalmente.%:%i%%% Ea. 0% 47. umento.. justa e igualitaria.3% Newman zafis if: "asks ”3%. nao acid ha alerta em seu texto que existe axiomas centrais. Por exemplo:156 iguais e a liberdade de Na sociedade que defendo. “liberdade”..3%. “liberdade” quer dizer. porque todos os individuos nascem iguais e livres. Q} l: a: 3‘: $2. iaézsé iiSsx§§£m§$ f3 . nao em cada um do grupo. cada individuo serzi Na futura sociedade que queremos.

Abrll Cultural.itiner. o direito de dispor de si mesmo como propriedade inalienz’wel.157 Emparelhados numa série de significantes... e no relarorlo de uma ONG carolica. a dourrina liberal. por exemplo. a 1gualdade socialista. ou significantes mesrres.l _ . e sell significado so pode ser buscado I 1a relagfio que esrabelcce com o corpo do qual E12 part6. a liberdade é condicionada pela igualdade natural. n a0 1103 aproximaremos um milimetro da solugao do problema" - (MARX. 5. alrnejam. Seria interessante imaginar o que pensaria o velho filosofo alemfio d6 [Cfmos como governo democrfitico-popular” com o qual 0 PT imaginava diferenciar sua proposra de gesriio dos espaqos conquisrados no Estado burgués. Crmca :10 programa de Gorha”. I erguntando-se quals rransformagées soFre ria o Esrado na transiqfio para uma sociedade comunista. 2 \\ “2232222. .10 I aulo. ou. 51 '58 Deparamo-nos com um Faro similar no trabalho r corico. assim. 6 ela se funda— menta exatamente no individuo e em seu direito natural de dispor de suas propriedades. deixam de scr simples palavras.22 P2 220321). [S2d-l.2-. ou. . e. ( (Os pensadore3)_ 1 c a :0 re ogoz/c’rrzo. Desra Forma. ern uma toralidade coerente. uma “democracia social isra”i>158 Porque niio se trata de uma quesrao linguisrica ou semantica. “comunismo”. ‘ . 05m: escolbidzzs.2e2 riéeazi’eh’s . U78. nao redefine todas as outras em fungao da totalidade de significado orversa? Por que nz'io rerr’amos. sem Esrado.. p.MWW 2%:2. 5 . tém o poder de definir cada palavra que na série se apresenta.. De nada adianta acrescentar £1 série uma palavra significa— tiva de outra Visao de mundo. gs“ 2i.: 22:e . estes valores centrais. upor mais que combinemos de mil maneiras a palavra povo e a palavra“ Estado ’ . gumlo mm! SE .§:. Karl. porranro. Marx iron izava a pretensio daqueles que como Lassalle imaginavam resolver a questfio com :1 criariva combinagao de palavras.. Para Marx. 170 W22 ‘ W. por que a inserg'ao na série da palavra “comunismo”. Para os liberais.2332 22firs-”Lira. como muitos hoje.‘zifi-M‘Wfiivw ir-séfiis VH2 W22? rags 282 if: “W 22122222222.de Durkheim. mesmo contra a suposta vontade do formulador. Mas por que cerras palavras tém o poder de funcionar como “equivalentes gerais” e ourras néio.159 Certas palavras sao determinantes porque correspondem a relagé es 157 IJOCKE .§ 122. Sabcmos que as palavraS. Sio Paulo: Alla-Omega. a palavra “solidari e'dade” ganha significados (listinros quando emprega‘l‘1 159 na ) obra . a liberdade comunisra. como na proposta de um “Estado livre”. John . AS ME'I‘AMORFOSES DA CONSCIENCIA DIE CLASSIE com instinto de mando para a associagz’io politica. no caso. so tornarem conceiros de um cer 110 to corpo teérico. ainda que nada lhe reste. com as mais altas e nobres intengées. “revolugiio” ou qualquer outra. como “socialismo”.V.

p. Em uma conhecida do o critério ole ira afirmar que. ’ p I 6 marxisra. de forma que. tal como brota da socicdade capi a ncm a superior a estrutura economic parto. sobrcvive. o direz'ro [mrgués”. pois nao se trata de uma questao dc produto social.16‘ Nao é o os marxistas dcsdc sempre e é disto sc rcsolveria criando ter— caso dc inadequacz’io dc palavras.160 ” a0 dcscnvolvimento cultural da sociedade estrutura economica A complexa c polémica rclacao entre “a ela dcterminado” assombrou e 0 “desenvolvimento cultural por que aqui sc trata. da quantidadc dc trabalho oferecida por cada prod cacao dc uma mesma “em principio. Alias. scgundo suas necessidades”? (ibid. p. 214). como demon stra o csforc o de Parsons em buscar um modclo alldadc e cstruturas soc1a1s ' o ..” % iii. ao distribuir o produto social segun utor. . mas desigual” estcs inconvenientes. vezes que so arvorou a falar um pouco mais detidamentc da transi passa gem. 236). igual. p. isto é. Crztzcrz (10 program: dc Got/m. niio pod pera da tradicao outro “principio”. mas que certos voc das por uma matcrialidade felagécs sociais. t3 quc foi criticado por Elias (1993. o quc ibulos correspondcm a certas mos apropriados. segundo sua capacidadc. V. a “apli “para cvitar todos medida igual” a individuos dcsiguais. sz'io incvitfweis talista dcpois de um longo e doloroso nista. por exemplo aquelc quc Marx recu a cada qual. optar por (Marx. Entretanto. 1. porém. “escolha” do mclhor N510. A “igualdade e democracia socialistas” sé podern corresponder a uma transigao cm quc os fundamentos das rclacées cocxistcm sem que urn possa determinar por complero o outro. O dircito r1510 pode ser nunc por ela condicionado. Karl. é cxatamcnte isto que Marx (1875) nos apresenta em uma clas poucas cao. MAURO LUIS IASI sociais dctcrminantes. 220 e 171 153‘ 1. p. entao. mas uma questfio do proprto ““ ESte nfio é somcnte um dilema da tradicao pcnsamento sociolégico. on o mais principio para regular a distribuiciio do ccluSIO”. v. socialista utépica: “de cada qual. em scu Crz’tica no programa de Got/M. c estas sao condiciona 613.} f" §~31§§ i {ii wit. isto porque: na primcira fase da socicdadc comu— Estes defeitos. o direito r1510 tcria que ser eriamos. [1875]. 2. is iii“ . 215). ‘3) teorlco quc dcssc conta da relaciio cntre “estruturas dc person n .214- I ” MARX.

x_ p... Totalizada na série do significantes as palavras—chave. mas nao apenaS) e as mediagées criadas pelos seres humanos para atuar sobre esta materialidade.11): 5: \.A.iziia-g§= siag skim lashiifiiaimm 2335 . = ._-_§\\_:_\ 7: -‘é_‘".:Ml-@_=_.\2. urnpa organizagao simbélica no interior da qual se institu ern as Yisoes de mundo. _\\::-:_\.._.o. axiomas centrais do ideario liberal apresentam—se as pcssoas como “a forma ” pela qual é possivel construir a represenragao simbolica das relagées humanas. segundo as pistas do Marx em seu Critical (to progmmz z de Got/m. 214-21 5).. sé que objetivada. é cond1c10nada por uma materialidade que inclui esta mesma aqz’io. Superar a igualdade burguesa.. subjetiva.\ ...v. por assim dizer.‘.. p. imam. portanto.5. o_-_\.3}: 95..= 9' 335. exatamente aqueles que constiruem o trabalho como protoforma da agao humana: os seres humanos..}.9: $3.. a materialidade sobre a qual agem (que inclui a natureza fisica. adjetivando a palavra igualdade como igualdade socialista. a caréncia que limira o monrante do trabalho social total._\'r_. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSE que apenas resumidamente podemos identificar com aquilo que Marx chamava do “grau dc desenvolvimenro das forgas produtivas materiais”. f or? 435325 $3.: §.‘riks 2%. \‘ss_v_ \:: swag. uma certa “cultura”. Existe aqui uma circularidade que pode desaparecer numa aproximagéio mais meca— nica.0 ser social ter assumido a esrra nha c egoista Eorrrla de Individuos” que rransformam o trab alho apenas em um mero de Vida” (Marx [1875].’. seja na forma de instrumentos e ferramenras. sua dimensao. da mesma maneira como o dinheiro apresenta-se como 172 _I. significa alterar radicalmente as relagées que det erminam os limires desta igualdadfz. por exemplo. 0 iato de ... Superar ou redefinir o conceito burgués dc lgoaldade nao é possivel por meio de uma simples operagiio sim- bolrcaou gramatical.§*W\>§W$¢ my '=_ six». agao humana. a contradiqz ’io entre trabalho manual 6: intelectual.<«xg. por exemplo a escravizante sub ordinagiio dos individuOS em relagao a uma divisiio do trabalho. tecnologia e conhecimentos. As forgas produtivas materiais 5510 o conjunto dinamico dc trés fatores. seja na forma de saberes.-§z>:§-.__ . idififlw‘ifiiwiliii‘iiiifi lifié‘a aiflf F m: ii-sé3'§"}s§:s§k i‘éifiis ‘2 Era-ai-a‘iaix rings.<~\'g. Faz parte desta materialidade.‘.t W .. que corre o risco de apresentar na forma sintética e simplificada uma complexidade que nao permite simplificagées.“’i"§ Aw:§:: V31 .5 x.

173 :EEE.*. _KE.]. E EEEEE . O fim a0 qual a natureza se propée é o bastar— Janeiro: ”’2 ARISTOTELES.. _. E. 0 “indi— viduo” n50 tem espago pela simples razéo de que o “individuo” 11510 existe! 0 set so existe na associagfio e se define a partir dela sendo uma abstragfio absolutamente indevida.E EEEEEEEEEEEEEEEEE..‘. significantes e outra.E. Aristételes (1998. p. Traduefio de Nestor Silveira Chaves. E.E_E . EE * _. *._ .E-EEE EEEE-EE. Um bom exemplo deste uso “indevido” de uma palavra 110 interior de uma série que totaliza outro significado nos é dado pelos problemas de verséo que invariavelmente encontrarnos naqueles que assumem o desafio de traduzir Aristételes. EYE. EEEEEEE.EE- 2W2 E::.En.. Existe um abismo entre a afirmagfio original e esta tradu série de abismo este que é nada mais do que a distfincia entre uma se. p.. é de cada um bastar—se a: 51 Alénl disso.E E. 4) afirma que “a natureza de uma coisa é precisarnente seu firn” e que “bastar—se a si mesmo e uma meta a que tende toda a produez’io da natureza e (E tambérn o mals .-. esta encapsulagiio do homo: 61mm: é condigz’io essencial para a série simbélica liberal.... ...E:-.‘23E.. o fim para qual cada ser foi criado é o ideal de todo irzdivz’duo. E g EE E.- EE-E._E.. ora a condigiio de bastar—se a si préprio e o que de melhor pode existir para ele... .2.E:-.. sem sentido. \ 2.. Equivaleria a0 argumento de alguém que censurasse Aristételes pelo fato de que seu raciocinio sobre a natureza de a associagao impor-se do todo até a parte deixa o “individuo” sem espaqo de agzio e liberdade. . . Vejam como esta mesma passa duzidai’ em outra versiio: ..E . .‘. WEE.EE. Rio de Ediouro.162 gz’io.. Muito bem.. EEE . ilégico. 13.. A polz’tz'az.. Numa passagem de A political.." 22*E:E2... Dentro dela é impossivel se referir ao ser social senfio na forma de “individuos”. No entanto. dai a famosa formulaQaO segundo a qual o “homem é naturalmente feito para a sociedade gem £01 tra- politica”.Em EM. E.E.. MAURO LUIS IASI “forma natural” de meio de troca. E.. [s.. Para Aristoteles e a totalizagéo simbélica dentro da qual opera.EE. _ EE} . O que se coloca “fora” desta tota- lizagiio é visto como corpo estranho. E. 22.._E.22.._. ... \ EEEEEE_.EE _. uma esséncia individual separada.E E. E‘E’EE’EEEENEEE EEEEEEE EEEiEE EEEE ”EEEE EEEEE-EE Eat.. Como a natureza fez dos seres em si incompletoS estaria em seu fim natural a associagfio.E. perfeito estado”._.E_. .” . A.. .*-._EE WE._._ .-. mesmo..:.d.*25E2= EEE {a 2E.

: s.. As difereneas de tradugao correspondem £1 diferenga entre as relaeées escravistas gregas C as modernas relagées de exploragao do trabalho assalariado. de maneira mais sofisticada.itikaafi Ea. Estas palavras surgem na consciencia das pessoas de forma tz'io natural como 0 ar que respiramos e 3210 o criterio de representaez’io e9do Julgamento valorarivo (moral) e da agao (ética) sobre mundo.-\_ Mia-awn"film-imifié l: seams->32 i§§ F .:: 2‘91. A0 que parece.. 174 9:9: 99% 8:5}: 9.':'§'E'°'<“ 993‘. 99.s :-__<. ME isEsxiéfiriiffilS . de nenhuma maneira “cada um” poderia bastar—se “a si mesmo”. 9.3“? mg 9:19:95 9.7. Nao se apresentam como uma 16 5 Haiti. O vocabulo civis é de origem latina (civizm) e equivale ao rermo grego polis.2g.}. e esta série so adquire seu significado como corpo :ImbOhfofie relagées sociais bem determinadas..._\ 7: . 9s§\v. mesmo em um problema banal. muito menos isto tornar-se “o ideal de todo indiw’duo”.s:. N210 se trata apenas de uma “tradugz’io ruim”? Parece que nao.W“ 21-3“. mais adiante.3): ‘5: 1.é:3§3§. 9:: 9. como nao se trata de um tradutor “romano”. Tradugao de Roberto Leal Ferreira.163 Ora. p. Um c‘cidada’io” dos tempos presentes entende perfeitamfiflte que o homem naseeu para a “sociedade civil”. 1998. mas seré que €flt€fld€ este termo como o anunciou o velho Arisrételes? Nao sera provzivel que o msira em sua prépria série de significantes. 53. a tecer a incri— Vel declaragao de que o homem é “um animal feito para a sociedzzde civil”.m. .-:I 9&9.3». :\\:». mas como um valor em substincia ainda incorpérea.._. como optar pela forma: “o homem é um animal politico” on o “homem é um animal civico”..39 _r.a: §. passou por Roma e deslizou para a série de significantes da velha Revolugz’io Francesa. amda que nfio apareeam como “palavras”.. dando a ele um srgnificado mais proximo do moderno uso burgués? N510 existem simples palavras.: _\'f_.. é possivel imaginar que o telefone sem fio deixou distante a velha Grécia da Polis. Silo Paulo: Martins Fumes.“ ..§§ sag-:13.9: . por serem incompleros.5%??? .-gz?.. _\: :.9: . . . I10 entanto a armadilha das palavras leva o tradutor.‘2 Rafi-flats lfirfis if: “Us 2%. 9.)3: «35 _ & 9. \. pois. gay: 5.\\-. desra forma. cada palavra :arrega srgnificados que so podem emergir na série totalizada de Signll’ioantes. 4f: _.7% 9. somenre podem alcanea—lo por meio da associaez’io. mas um brasileiro que parte da versao francesa. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE (ILASSE mas os seres. g?“ 1. o problema per— siste em outra cuidadosa e reconhecida tradueao.35:9}.-.

164 normalmente permanecem abaixo do limiar da consciéncia particular corn as relagées M38 qual a relagz’io destas ideias em de” consen— burguesas e como assumem a forma desta “naturalida da conscien— sual. ao refletir sobre o processo de formagz’io de nossa atual autoconsciéncia. de outro. e. M.3% &g’ 42". ..o: \\':_ a (”EM . graeas £1 qual desenvolvemos a percepqao de nés mesmos e dos outros como individuos.--¢: % $35? 152” 2?: _w. concepgées essas que.»32-29423.. cit. Norbert.’. 175 22. infiltrou-se nos process que hoje é quase mento humanos. .¢. .- . de nos mesmos e do mundo. 2» 23. a qual..-_\\~. _ \. .\. Elias (1994).. . Mas recordar uma época em que aquilo hecido confere relevo evidente ainda tinha o brilho e o ineditismo do descon qées fundamentais mais nitido a algumas caracteristicas de nossas concep por sua familiaridade..”. exige certas lor desta forga de trabalho.‘. Esta dorias.\ . A sociea’ade do... pouco a pouCO. nem é mesmo ‘6“ ELIAS. if: “its ”’2‘2E2é‘22‘Q2‘ 5 >>“-\\-. talvez nz'io seja época em simples nos colocarmos na situagao das pessoas que viveram na que tais experiéncias consrituiram uma inovagiio.2": ’23‘2‘4i‘iiil‘»: _ 3..'m{ z.'$'-9322'.3.2? $1222 mm 3‘" “Er? :22... 25. afirma que: muito Agora que todas estas ideias silo tidas como aceites. digamos. o que ha de singular nas relagoes capitalistaS meios d6 produgiio é o fato de que um proprietario privado de e a consome em produgao e dinheiro compra forga de trabalho ai mais valor do que 0 va— um processo de produgéio no qual extr nto.. ”‘2 232‘. de maneira refletidamente teonca. De forma absoluta- VCjamos mais detidamente esta que d6 mente resumida. de “familiaridade” que reside abaixo do limiar Revolugflo Cia? Por que estas e niio outras? A triade axiomatica da Francesa falava em liberre. . t ..2 2. MAURO LUIS IASI unidade coerente e articulada. no enta efetivar. os de pensa— niio sem uma poderosa resisténcia. “ \‘“\*--= 2 6" ._‘. de um lado.- .«22¢ .\ w. Esta telagao.2 22 Q. fraternité. Ocorre que estas precondigées sem as quais niio pode se condieées nao sao dadas “naturalrnente”.: “-33% ‘543.\1'-. mas antes como uma “fungao natural” do cérebro.-. '\v. por que esta filtima te a proprz'été? desapareceu e em seu lugar emerge quase onip0ten stao.2 2 $2M wk. 2. meros possuidores das préprias forqas uma relagfio social que relagfio nio tern sua origern na natureza. possuidores de de trabalho. égzzlz'té. iv“.. irzdim’duos. .\-.. Clara._: r.\~ya. 222:2 ”2 Emma‘s 2232-2536. pois: dinheiro ou de merca- A natureza niio produz.

33..3‘. cnquanto. cap. com a generalizacao da economia mercantil.166 [905]- I76 .. enfatiza os lacos dc dependéncia e evidencia o carater social da producao da existéncia.166 0 fato d6 “35 MARX. 189.‘. 3. o isolamento do individuo niio apenas nao faz sentido.3 33. 6 o produto social como préprio (valor de uso individual. 33. 1998. p. Nestes marcos.3. A inversao essencial que aqui se opera (5 que.3 333 33 33.3 3_ 3933333333333333 333333313333 3133:3343? 3 33333333333 3313133333353 333. 3. México: Siglo Veintcuno.3. a imprescindibilidade do dinheiro como forma dc equivalente geral.$6. 3: 3. .33 333.3.estc que garante aos participantcs do coletivo as condicées da cxisténcia. “a circulacao é o movimento em quc o produto pro’prio é posto como valor dc troca (dinheiro). . .-.. 11“ ed. uma vez que so pode apresentar £1 troca seu produto com a condicao dc niio ser comum aos outros produtores. 23333113 333-.33333. v. ou seja. p. muita zigua tevc que rolar por debaixo da ponte da histéria..165 As precondicées das relacées que constituem 0 capital siio. 4.-. do desaparecimento de toda uma série dc antigas formacées da producao social._. 3. a divisz‘io social do tra— balho. Para que dois pontos dcsta di— visao do trabalho dentro dc uma ordem mercantil sc encontrem como livres proprietzirios dc distintas mercadorias.\3'3-.3333». passa a ser 0 isolamento do produtor privad o.:. um certo desenvolvimento da divisfio social do trabalho que produza os produtores como irzdz'w’duos._ 3:33:133: 333. como produto social.3’.. a producao generalizada de mercadorias. 0 capital. e 6.3 ._33. AS METAMORFOSES DA (IONSCIENCIA DE CLASS-SE fosse comum a todos os pcriodos histéricos. v.333. 1. ou seja.’. nos marcos da producfio dc valores de uso. o trabalho privado isolado é a condicz’io da sociabilidadc conquistada na circu- 13930 das mercadorias. Karl. 6. a condicz’io mesmo da existéncia. ." 3:33-31}. fiiifé 433$} 313331:33‘_§“:13'. com o desenvolvimento da economia das trocas. o produto dc muitas rcvolucées economicas.I“. 3:”.33:3 33:33. .. livro I. 33:3 333-3333333333 3:33 $3. Desse modo.33::333 333. cit.3-. Primeiramente.. 33. objeto do consumo individual)”. como seria impossivel.. Ela é evidentcmente o resultado de um desenvolvimcnto llistérico anterior. no primciro caso3 o trabalho de cada um apcnas tcm sentido como parte do trabalho social total.5 3:33 '3 . em linhas gerais.j‘1f-:‘\3: 333. 3333:33*331. 3. portanto em condicées dc igualdade. . Entretanto. no segundo caso. '56 [d3 Grzmdrz'sse [1857-1858].

. Completa Marx seu argumento afirmando que: pri— Isto implica: por uma parte. .: . por si mesmo e para individuo que participa integrante de uma comunidade natural.. na das quais o individuo estzi condicionado. . Por icées de producao e relacées de dentro de um contexto. sua producao individualizacao do “isolado”. p. Mauuo LUIS IASI os seres sociais apresentarem seus produtos corno mercadorias nao é determinado pela vontade do individuo. niio como necessidade e suas capacidades. de existénciafw sua vinculacfio com os outros e seu proprio modo “produciio do individuo A primeira condiciio. determinada metamorfose. sob certas cond histérico. portanto. mas de “condicées e relacées historicas em virtude das quais o individuo ja se encontra determinado social- mente” (Marx. produziu mercadorias como individuo somente por sua vado independente. produziu valor de troca. -. O processo historico que gerou esta cao da forma mer— ser social rem grande impulso com a generaliza a mercadoria cantil. 1998. 167-168. nem como portanto.. mas que 86' interciimbio que devem sua existéncia 21 um processo (. produtor de valores de troca”. 177 . 3. de troca se apresenta inclusive como gfio do individuo produtor de valores um p0 nro auténorno produto histérico.\‘. por prépria iniciativa. porém nao se completa somente nela. 167). produziu jzi processo social. p. A form cia.\. :. por sua vez. determinado si mesmo. por obra desde todos os pontos de vista. “nem de sua imediata condicao natural”.'\. entretanto. "$ ¥- . a» ". se comporta com seu produto como uma fonte produto que 56 Por outra parte. sua conversao em por uma divisiio do trabalho no fimbito da producz‘lo. 11510 de forma imediata —~— enquanto ser social -— na producao e que. seu isolamento. imediata de subsisténcia. e o pode se desenvolver mesmo mantendo lacos de dependen cao intercz’imbio dos produtores privados pressupor ainda a produ “*7 16:21. . é a como ser “auténomo”. se funda numa série de condicées economicas. estfio condicionados que. urn s de passar por determinado se converte em produto para si mesmo depoi conseguinte.) O carater privado da produ— lhe apresentam como necessidade natural.

0 capital. pela pessoa da qual ela é forga de trabalho”. v. tal estado esré ligado ao fato de a pessoa nao servir de instrumento da vontade de outro.3n = \222:2 232 33:23 :22} “° 3:133? " V" ifisxiéfisiimfi . C as relagées capitalistas carecerao de um dos elementos essenciais a sua constituigz’io.) enduanto for e por ser oferecida ou vendida como mercadoria por seu propno possuidor. e. vendedores da sua forga de trabalho e. comO transparece Elaramente no texto citado.. Wé ixéfimfi‘a 32. Para 0 velho filosofo. was <2: 2 a x352. porque niio 5510 part6 direta dos meios de produqao. E nesre sentid o. como escravos e servos. de trabalho.. 2. §Qim3xw§§m§§$ i. é necessario que estes individuos sejam “livres”. convertendo este intercz’imbio numa troca de produtos do trabalho. nao tera por que vender sua “forga dc trabalho”. Enquanto o ser humano puder participar do universo das trocas por intermédio do “produto d6 seu trabalho”.. se dlstancia muito do que Vimos em Aristételes. Mais que individuos.2. cap. pois baseia—se no ato de dlspor do que é seu para atingir seus interesses.“ (2222”. Estabelecidos estes dois polos do mercado. os trabalhadores livres. 829-830. ficam dadas as condigées basicas da produqao capitalista. de sua pessoa” (z'éz'd. que a noqfio de liberdade estzi llgada as de individuo” e de “propriedade”.222 3232:2313 “W‘2n ewes: § $21233 “22W 3333s is: 2W». 24. livro I. 178 “MW W32 *3.‘_=. aqui como precondigao das relagzées capitalistas. AS MIi'I‘AMORFOSES DA (IONSCHIZNCIA [Hi CLASSE com os meios proprios de cada um. p. corno afirma Marx ([1867]. “a forga de trabalho so pode aparecer como mercadoria (. portanto. e porque nao sz‘io donos dos meios de produgao.168 . estando assim livres e desembaragados deles. 187). A liberdade. aqui a liberdade se expressa no ato de servir ao ontro como instrumento. conclulndo clue para que seu possuidor venda a forga de trabalho como mercadona é mister que ele possa dispor dela. servir livremente.2. que seja proprietzirio livre de sua capacidade de trabalho. £32 ~52». Vejamos: Duas espécies bem diferentes dc possuidores de mercadoria tém de con- frontar—se e entrar em contato: de um lado. p. como o camponés auténomo. $323232. pois. p. Trabalhadores Iivres em dois sentidos. empenhado em aumentar a soma de seus valores comprando a forga dc trabalho alheia. cit.. de outro. o proprietiil‘iO de dinheiro. d6 meios de produgz’io e de meios de subsisténcia. 187—1 88)- ”‘3 Id.

“determinada concreto da producao (como citamos anteriormente: .1» 11.-.1 1W.» 1' *1: -. indiferenc 1998.111’1 111311111 1111:1121 13’ 11111 111 1311131111111 2235 . Enquanto tal. 11131111121 . Se apresentam como o intercémbio 11510 (E mais que estc s. . aro do mesmo se acreditam a si mesmos acreditar—se.--:a'1-:54'1. cit..11..11111-111111 1111:1111. p. . Grmzdrz'sse. Tais precondi olica. o homem. “por si 6 para pelas proprias necessidadcs e capacidades préprias” equivaléncia. . .11‘ 1. c‘acredirarem—se” que marcam o ato tiplicidadcs das singularidades individuais. aquilo que diversidade natural é o “motivo do sua igua os coloca como sujeitos da troca” (Marx. . Da mesma forma esta implicita a relacao dc igualdadc pelo fato - dc tratar—se de proprietérios. '1-11'. e quando sores os axiomas centrais da representacao simb de urna tarefa (como da ordcm capitalista sfio colocados diante ar Aristo— os participantes de nosso curso em seu esforco de critic W’ MARX.93u:~. as mul— Por meio deste processo dc.11.12-11. 1998. cada um dos valores Resulta que.--c “11.. 0 como precondicocs para que se estabeleca a relac gocs séio também mundo csra cheio dc coincidéncias. liberdade.<g'. diante do que foi exposto riedade” '3 H3 cxpressos nas palavras “igualdade.1. 1111 11111 ... p..11 1.v 1:.. mas tambérn pelo fato de que os individuos se enfren no mercado como possuidores de valor de troca equivalentes. prop amento aparece aqui forma individual do ser social como fund fio do capital. do modo que: iimbio se enfrentam.175). no Assim como na qualidade de sujcitos do interc (como sujeitos). .11 1.. 175 [913l- 179 1 .. se desvanecern na universalidade da ldade social. como iguai cquivalcntes. p.m1}. Karl.169 iguais. .=. 176)- . 11.1 . ."-.11 121* 151-1 1:11... 1.1.\..11-. vendedores c compradores dc merca ram dorias. .'1\°. “agentes do mesmo trabalho social geral. MAURO LUIS IASI Estc principio ja aparece em Locke ([1690]. A si mesmos”).1 .11:1 1111. . sendo senhor de si proprio e proprierério de sua pessoa e das acées ou trabalho que executa. e as suas mercadorias como intercambiantes e. embora a natureza tudo nos ofcreca em comum. 1978) quando afirmara que “é evidente que. _. 51). teria ainda em si mesmo a base da propriedade” (56111. 71311113 1: 1111:1111 11. corno iado” (Marx.1_*: 1. portanto.

seu desenvolvimenro em conexées juridicas. Diz Marx: O processo do valor de troca.“ WWW 3v. uma ordem dc rela— ‘POCS que jflClUi Como um momento essencial dc sua continuidade a produgao . AS METAMORFOSI‘ZS DA (IONSCIENCIA DE CLASSE tales) sendo obrigados a buscar em suas consciéncias imediaras as ferramentas ideais para resolVé—la. catexizadas na diregfio dc objeitos dc identlficagao projetiva e introjetiva.» M 33 a. politicas e sociais 11510 6 mais que sua reprodugao clevando—as a outras poréncias. 179 [916]. Kari. ‘3‘. (in. ou seja.» a i M «a Va 3°? i313. Tampouco aparecem fortuitamente estes valores nas conscién— Claa I‘mediatas. por conseguinte. é a base real das mesmas. desenvolvido na circulagfio.izi‘iae} Ea. 180 «WWW 3%: 3w»: ‘ g. mais uma coincidéncia. Como idcias puras. Siio as relagées sociais domi— nantes converridas em idcias. de forma a rePrOdl' 0 fundamento das relagées dererminantes apresentando este undamento om sua substancia essencial a ser inrernalizada “)a cargas afotlvas e emocionais.39668 familiares se organizam sem que isro implique qualquerintencionalidade individual ou mesmo social. C reprodugao de si mesmas. Acreditamos convictamenre que [1510 hi nenhum aspecto fortuito ou acidental nesre conjunro de “coincidéncias”.. if: 33% :33. sao cxpressées idealizadas dos diversos mementos desre processo. Salram aos olhos 33 drferrantes formas dc familia que se aprescntam na historia da humamdade. mas uma relagao precisa e bem dererminada. £3123 i'iihiiiifiififi . A0 flfifITIar a hlstoricidade das formas de familia revela—se que esta lnStltfu‘filO faz parte de uma determinada maneira de organizar o socrometabolismo que constitui o fundamento de uma cerra sociedade. AS “31.170 . e basta transporrar uma destas formas para fora de :70 MARX. G'rzmdrisse.fiSica e espiritual dos seres sociais que a compéem. eis que aparccem de novo estes mesmos valores ccnrrais.2“ . Lembremo-nos de que certa ordem dc: relagées 500313 exP1133821 em um “modo de Vida” implica um continuum dc PEOduQEIO... p..rxfl" ifi-m-imifié i: §wa i§§ E was“ ia-séfiaisifi orig-31:3 ‘2 iafi-ai-iivix 33336. nfio $6 respeita. como estas 5510 son produro.. a liberdade e a igualdade.

9 . a maneira de internalizar as normas sociais externas. A sociedzzde do: indiw'duos.363.133 333333353‘3333 3» 3 M. filho e irmaos numa familia —. cit. k. como a autoridade do pai e a relacao de obediencia e dis— ciplina no trabalho.”1 Como se imagina a socializacao ideolégica como a transmissao simples de valores acabados em sua forma sistematizada.33 3:333 ”333. _. as diferentes formas de familia e sua especifica acao para garantir a producao material da Vida.\. .. mas seres de uma ordem de relacées da qual faz parte.. costuma- —se buscat a meta “repeticao” na familia das relagées sociais mais amplas. e sua dinamica niio corresponde necessa— riamente a uma funcionalidade mecanica com a forma social que a abriga. p.172 mesmo O autor continua seu argumento afirmando-nos que. os padrées de higiene e manifestacao da sexualidade. Ma). 181 _. um membro de uma familia camponesa que chega 3 cidade nos dias de hoje sofre o que se chama de uma “ inadaptacéo”. 11:10 siio casuais e independentes de uma sociedade historicamente determinada. 3.3:“ 3. ‘5.33.33 $93} :\: .999.9 9.333. 9.p.3. a maneira de organizar as relacoes por meio de uma particular hierarquia de idade e relacées de género.9 9..333. as relacoes familiares guardam uma autonomia relativa. seus padroes de conduta cotidiana e outros apenas revela que seu ser foi criado por outta forma de socializacao..... pela estrutura da sociedade em que a que existia antes dela. a unidade espacial na qual se desenvolvem estas relacées. Elias (1994) nos diz que: [As] relacées — por exemplo.-__.3333. assim como uma particular arquitetura funcional das moradias. .3 33:33:33.9 WWW 999. dependendo da estrutura preexistente das relacées em que eles crescem” (Elias. 3’ . o modo de desenvolvimento do psiquismo e sua Vinculacao com as manifes— tacoes de amor e édio.? $1. pre— senciamos um “desenvolvimento muito diferenciado da consciéncia e dos instintos. Repatem que o sociologo m N510 precisamos ir longe na histéria para ilustrar esu: fato..\~. . inadas. sao determ crianca nasce e estruturas basicas. 9.9 . entre pai. 1994. MAURO LUIS IASI seu tempo para evidenciar que ela nao produz os mesmos seres sociais. .9.13 3 33.: 3333-3-31} 31. 3... 28.3 33. em suas por variaveis que sejam em seus detalhes. 28).3. _..33. Ao mesmo tempo. 3x3. A légica do “preconceito” que se expressa nas formas de falar. 9. ..99 999.-.“ 3. mile. No entanto..393 3. '73 ELIAS. x. Norbert.... considerando a constituicao natural das criancas recém—nascidas. vestir.333 3333:}.9 .

e portanto a formagio individual de cada pessoa. depende da evolueao historica do padrzio social. por incrivel que possa parecer aos nossos olhos. A forma das relagées familiares de nossa sociedade arual caracteriza—se por uma estrutura que isola._\\~. inicia sua tarefa por um fato de transcendental importancia: produz o ser social como “individuos”... Isolado ‘73 Mid.5“.s y. p. O que emerge muiro mais nestas ultimas 3510 o isolamento e a Snoapsulaeao dos individuos em suas “31396. a0 se expressar.§ . -.( w \.i': - . rem o Inesmo sentido da separaeao de cada pessoa no espaeo.. ‘ 2?”. 1994. .174 N0 entanto.. nem toda sociedade constréi suas relaeées rendo por unidade singular “individuos”.-. .. gov. da estrutura das relaeées humanas.w..9:S ._____. 15w. m (m) :1 “Pam‘EfiO dOS individuos. uma crian- ea do século XII desenvolvia uma estrutura dos instintos e da consciéncia diferente da de uma crianea do século XX. evidenciou-se com bastanre clareza a que ponto a modelagem geral. 248) 182 \ '\\ : . . ja o faz assumindo uma forma que a condiciona e a dis— tancia da pura existéncia fisico-natural.”3 A familia nuclear monogamica. caractcrfstico dc um dado cstgigio do desenvolvimento dc sua autopercepefio” (id.. rompe a rede de dependéncia que uma antes os seres sociais.. portanro.552: g \. 103).\ mag: § . agindo e existindo com absoluta indcpendéncia um (l0 OLIEI‘O é llIIl pI‘OClUtO artificial (l0 lIOIIICIIl. As organizaeées sociais estudadas por Malinowski. A partir do estudo do processo civilizador. m .3 .§\\§-‘2 5': >¢.\v ' . . p.s:nu V._.‘..\ \9. inicialmente. Alguém poderia argumentar que qualquer familia produz “indi— v-i'duos”. querendo indicar que uma carga somatica pulsional. como na familia camponesa descrita por Poster (1979) ou na aldeia dos povos indigenas no Brasil. o préprio nticleo familiar.. s .\. «a. Considerados como COFPOS: 03 llldiduO-S inseridos por toda a Vida cm cornunidades dc parentesco cstreltanlente unidas Foram e 5210 separados entre si quanto membros das sociedades nacronais complexas...-. 1993.33 uns com os outros” (Elias. AS ME'I‘AMOIIFOSES DA (IONSCIE’NCIA DE CLASSE dos processes inclui nesta moldagem a partir das relagées os préprios “instintos”.>\_ 9. separa—o da atividade produtiva. outras descritas por Morgan. (la qua] :‘Is vezes se Ella como um fenomeno dado pela natureza. .3.-\E 35.-v~. ‘ i * .. -: 5 gave.. Elias que: Em consoniincia com a estrutura mutzivel da sociedade ocidental. “no-e y.-:--:.e . -...._.-’9~.--w. on mesmo a antiguidade cliissica siio prova disto. .\\_». v. A idem de individuos decidindo..» :v. Conclui. .= w ..z‘N: ""\'-'. uma vez que esres seriam entendidos como manifestaeao Singular das unidades que compéem uma sociedade.w.

discordfincia de sua propria realidade. .122 222 >222». cit. Via de regra. 0 . pelo que a estrurura emocional ganhou maior e mais decisiva intensidade. 97—1032 V3” tambem 0 capitulo “A linguagem da Familia”. : . 1996.NN-.3.2 . «“6": -:2=-. op. cit.3336. 104-127- 0 termo Eu. desde Mas 0 ponto importanre é que esta forma situa a instfin . ao par de adultos e. ”£332.. Somente os pais da crianca estavam disponiveis como modelos adultos.->. i’1"ZIzEK' Um may»: dd ideologia. p.232.177 ‘75 POSTER.175 E esta estrutura que torna possivel o desenvolvimento de um tipo particular de psiquismo do qual Freud foi o principal intérprete. as fontes de identificagiio para a crianca. antes de se objetivar na dialética da identifi cacao com o outro” — produz urn efeito dos mais significativos. Como nos mostrou Melaine Klein e foi recuperado em outro sentido por Lacan.. torna—se exclusivo e restrito. “uma transformacao produzida no sujeito quando ele assume uma imagem” numa e que constituira “a matriz simbélica em que 0 Eu se precipita forma primordial. 2 2 . op. '76 LACAN.. com mait’lscula.... Slla . o sucesso das sinteses maticamente ao devir do sujeito. Entretanto.-< 222 2 . limita o horizonte no qual ocorrera o processo de identidade. Mark.176 a prépria identidade embrionaria do en 56 se produz por meio de um objeto externo. para sempre antes de sua determinacao social. na condlcao de Eu . em razfto de este objeto apresentapse de maneira exclusiva neste processo que Lacan (1996. . in: Jacques Lacan.. 98) chamou de estagio do espelho -— ou seja. 98.if: ‘22:. in: Mark Poster.-= 2N. . op. p.2 222-2 . Como nos lembra Poster: Deve ser tambe'm assinalado que a estrutura da familia burguesa restrin- giu. p. . Rio de Janeiro: Contraponto.ou melhor. cit. MAURO LUIS IASI o nucleo familiar. numa linha de ficcéio que 56 se unirzi assinto— irredutivel para o individuo isolado -—. Jacques. “O estridio do espelho como Formador da Pu 11950 do Eu”.22-. qualquer que seja ele tenha que resolver.. p. p. no caso psicanalitico —— a miie. 22323. 19-4. como nunca antes.322‘3223 3:: its iii‘ssisfifiifrléi . 2 . é utilizado para indicar a diferenca entre os vocabulos utilizados por Lac-an para identificar 0 sujeito do inconsciente (je em francés) e 0 en indicando a instfincia psiquica nos termos freudianos (ego).. 2. dialetlc ' as pelas quais . correspondendo a0 pronome Frances moi. (Ver nora inicial do tradutor.. desta forma. p. 97.. * ' . via. i. 183 . 2.. Vejamos este efeito pelas préprias palavras do psicanalista francés: cia do eu..3 Eisxwrww 2. Jacques.§:3 2.) '77 LACAN.

o que seria mais grave.) 0 lat passou a ser 0 espago exclusivo da Vida emocional.. 5510 Paulo: Brasiliense. p. seria possivel uma ultragenerali- zaeao de uma estrutura invariaivel presente em qualqner forma de familia.)”. Segundo este autor. 3.179 Em outras formas de familia.“ twin is. depois uma certa divisao do trabalho com base em papéis sociais de género. assim como quando se trata da teoria freudiana. 8" ed.. 184 é‘”. . w -e x. n0 qual a mulher passaria a Vida em reclusio” (Mid.178 Podemos. ““3 1‘“ $3 . Toda a centralidade afetiva e emocional e 05 vinculos da mz’ie e a crianga pressupéem. ou seja. p. entre a Vida ptiblica e a privada (. na familia camponesa. 25:}.s§\£§a . uma vez que. '7‘) Tudo isto se dd muito recentemente na histéria.: was: s. todavia. -. 107-108)- ]. f'.§‘-. Sabemos que o fato de a crianga ser cuidada nos primeiros meses por “uma mile” consiste em uma manifestagao histérica nao passivel de universalizagées. englobando todas as estruturas de familia sob a mesma lei universal e com as mesmas conseq uencias psicolégicaS” (POSCCK 1979. s. pressupoe uma esrrutura particular de familia cujo produto seja exatamente a con— formagz'io desta identidade como “individuo”. AS MET'AMORFOSES [)A CONSCIE‘NCIA DE (ILASSE Esta aproximagao psicanalitica poderia nos levar. 109410). marcando uma nitida “separagz‘io entre a residencia e 0 local de trabalho. seja ou nfio ‘78 “T31 interpretaqfio.75. e. nos cuidados com as criangas a mic era “ajudada por parentes.\.m. o isolamento do nt’icleo familiar. por mogas mais novas e também por mulheres mais velhas que ensinavam e fiscalizavam as praticas relativas ao tratamento dos bebés” (REIS. [tirnm’fz'm emoprfo e ideologizz.i a familia tipicamente burguesa que se desenvolveu entre os séculos XVIII e XIX era caracterizada acima de tudo pelo “fechamento da familia em si mesma (. a crianga era cuidada por uma multiplicidade de adultos.=. reduzida a relagéio mae-bebé.533. José Roberto Tozoni. que baseia sua amilise na obra citada dc Poster (1979). no limite. \. “Em-W Wis: -& W‘s?” .:hr-_ $.. ou esra identificagao prévia por meio de uma matriz simbélica do Eu. 1989. rigs is: saws 2-33. consideraroque a forma basica que torna possivel o estzigio do espelho. .«. ou pelo menos a ideia de 720’: prevalece como determinante . primeiro. impediria efetivamente uma comprccnsfio historica da estrutura de familia e da personalidade. mais ou meme: a partir (103 56‘3”]0 5 XVIII C XIX (REIS. uma entificagiio prev1a a qualquer determinagz’io social.“gtfifé Via-r? §gé'i1. 1989).39:5? is)“ WW3a???3“’§':§%"§§:‘\§ i‘éifiifi is ifisi-ériw W". que é a de Jacques Lacan. t a v. DC qualquer modo. s: . p.§$§}§. é extremamente revelador que no contexto do estudo da formaeiio d0 psiquismo na familia nuclear burguesa. 118). a universalizar os mecanismos de formagao da personalldade. e somos levados a crer que sua identidade se aproxima mais do 2203* do que do en.

(. . 165). mesm nos—cu 1nc11nava—se forte— r .. 1994. :1 principio. assim. A medida que mais pessoas sintonizav forma sempre mais rigorosa outras. O fato seguinte foi caracteristico regulaoiio consciente ja foi salientado. Este grau de individualizagiio nao é um dado natural. a teia dc aeées teria que se organizar de l desempenhasse uma fungao e precisa. desde as simples e comu am sua conduta com a de e raras.180 O processo de individualizagao. a balanga . a fim de que cada aqiio individua lar a conduta de maneira mais social. como uma o que desejasse. MAURO LUIS IASI universalizzivel tal observagao. Partilhamos corn Elias (1995. torna vam. para 0 en” (Elias. Quanto mais diferenciadas elas se torna individuo constantemente de Fungées e. as fungées Do periodo mais remoto da historia do Ocidente ram-se cada vez mais diferencia— sociais. a forma primordial (pré—narcisismo) da identidade seja ja individualizada. “ r u . _ . cujo sentido parece ser um desequilibrio da balanga nos—cu em favor do eu. nao capitalista. Todo este processo recebe particular impu por acaso o mudangas ocorridas entre os séculos XVI e XVIII. “encapsulagao dos individuos”. '80 rem pendido intensamente. O fato da civilizagfio: o controle das mudangas psicolégicas ocorridas no curso vez mais instilado no mais complexo e estavel da conduta passou a ser cada espécie de automatismo. sob pressao da comperigz‘io.. Segundo o mesmo autor: até nossos dias. individuo desde seus primeiros anos. em parece seguir a mesma diregiio do aumento da carga restritiva 2‘1 relagao aos instintos e a Vida pulsional antes descritos e que leva se chamou internalizagao das normas sociais na formagao do que lso nas de “autocontrole”. 0 individuo era compelido a regu de que isto nao exija apenas uma diferenciada.) Nos estaglos mais prrmltlvos. A momento mesmo de transigiio para a ordem burguesa uma profunda base deste processo estaria. mais crescia o numero das. uniforme e estavel. p. muitas vezes. . segundo Elias (1993). como afirmel. Em épocas mais recentes. 1994) a ideia de que esta individualizaoao e’ fruto de um longo processo. meme. . uma autocompulsao £1 qual ele niio poderia resistir. em que compéem a “diferenciagéio” que toma conta da rede de relagées sociedade. para 0 nos. de pessoas das quais o ns até as complexas dependia em todas suas agées.

corresponds plenamente a0 conceito frendiano dc “‘1 ELIAS. era determinada pela direga‘io do processo dc diferenciado social._x _QW w‘? m.“‘-zr§.\\. além do autocontrole conscienre do individuo. o distancia dcsta ordcm teérica. \.m {a._ 21"“:. Oprocc’sso civilizzzdor. notadamcnte cm relagfio £1 conclusfio scgundo a qual a coesfio é inversamentc proporcional ao crescimento da solidarieda dc organica. a . 195-196. pela progressiva divisiio das fungées e pelo crescimento de cadeias dc interdependéncia nas quais. mas._‘< s. 186 . via. uma aproximagz’io entre a Visao de “divisz‘io das fungées” e o processo descrito anteriormente e fundamentado em Marx sobre a “divisz’io social do trabalho” com a consequente forma como a ordem mercantil produz uma inversao baseada na forma privada e autonomizada que assum em os produtores. __ . a -.vz?$ w: “..n .$51.___W»_\_y§ _ .‘81 Ha. como parece indicar a citagao. o esforgo Ilecesszirio para comportar—se ‘corrctamente’ dentro dcla ficou tfio grande que._ _ x.>.y>_r\\§\v. Aqui aparcce como que desdo— brado em mais de um controle consciente. um (:c aparelho automatico dc autocontrole foi firmemente estabelccido. No entanto. = . WSW . .. elc. ii'n‘i‘.. gm“. . a visao dc “processo” de Elias e sua critica ao llabito de 0 pensamento sociolégico transformar dinflmica cm “esrados”.l x .m. “i” _‘Z“W: 36. :s \ . precisamente porque operava cegamente e pelo hzibito. assumindo a Forma de um “aparelho automaitico” que.< ox gm ‘9. v.182 de maneira que a autonomizagz’io se completa pela interdependéncia.»_._. a direqao dessa transformagao da conduta. Mas fosse consciente ou inconsciente. Tami? \. A \. .».}. AS MI-lTAMORFOSIiS DA CONSCIENCIA DE (ILASSL‘ A tcia de agées tornou-se tao complcxa e extensa.w? _ .s‘$ .:\. com frequéncia.\. sob a forma de uma regulagao crescentemente diferenciada dc impulsos. Devemos ressaltar.3. 2. direta ou indiretamente.:.$»‘ 2%: gW i:mm i?" m.. como o préprio Elias mais adiantc irz’i estabelecer.>\ _.-e_\"_g\’-gz>\'<¢.3“ h §k駧9miffis} 5._:§:. cada impulso. Esse mecanismo visava a prevenir rransgressées do comportamento socialmcnte aceitzivel mediante uma muralha dc medos profundamentc arraigados. que supée a especializaqao das fungées. e esta ultima é a condigao de reprodugio e apro— fundamento da autonomizagiio dos produtores privados. . p. que aquilo que aparcce como fundamental é a instituigiio de um autocontrole. cada agz'io do individuo tornava— —se integrada. indireta- mente produzia colisées com a rcalidade social.51*“ -. . $13 .v ggffif’. ”‘3 Hzi igualmcntc uma Clara referéncia a Durkheim e sua tcsc sobrc a difcrcnga entre a cllamada solidariedade mccfmica c orgz’inica. $1: g A“. . que cabe tame a Parsons como a Durkheim. :s-. g 'fiqwké'” . . mais uma vez. Norbert.mtg? s3.

_.§-§ m 9ME“ 1‘“? .‘ w. 1a nas sociedades incontrolavel ou ao poder maior de um outro grup autocontrole nestes term os. =5 :..1."‘. que nada tém l e.Q.9‘ M9..:. a x.. cap. desenvolve—se costum e aceita as exigencias daque le modo de producao que por educacao.*§$ k. e a éo de forcas com esta natureza existéncia é sempre relativa a correlac o. 133 EVIden . cit.&.mwd . : H w“ W”. 102).._.Qiéggfiiggfisé‘a . O autor de 0 capital ira “Nao basta que haja. - ='-“__'.» .. . ___\ §. 2. Tampouco basta forczi-los a se venderem uma classe trabalhadora livremente. .-:‘.\. que distancia os seres rias e outras diretos presentes no c151. seres humanos condicées de trabalho sob a forma de capita para vender além de sua forca de trabalho.s.. ..§xé... 854).. na tribo.? $9.§.\\. a -. .. iduacao O fato é que. de outro. como devern ser mais térn opcao” (Elias.. desenvolver um raciocinio mais centrado volvida por Freud. Assim como na matriz psicanalitica. .§§ \aéxwlifig.§!-§$KI.\ V g t. «_._ {.‘9:= \‘yifi'izfi'fl ‘3‘5h”? 1'i .o . abrindo rdo pensar casso. no desenvolvimento do “habito” ou “costumes”. aumenta o Diante da crescente especializacao e individua oa para sua insercao tempo social utilizado para preparar a nova pess a possibilidade de fra— nesta divisao complexa do trabalho. A relacfio central é do falha na garantia d3 coletividade e a natureza ou outros grupos.‘. que a sociolog iduos um leque chama de “solidariedade mecanica”. como leis naturais evidentes”(MARX. v. abre—se aos indiv dir muito mais por de “opcoes” diante das quais eles “tém que deci autonomos” (. é um verdadeiro absu que constituem em urn dos seus membros “fora” da rede de tarefas grupo enquantO a producao social da Vida. A0 progredir a producao capitalista. uma vez acentuado este processo de indiv humanos dos lacos C €Specializacao crescente. de um lado._.m a x.W .» a3? 32%. fix.9: 1 5»? . §§. g”._ «. [1867].. lizacao.’.. MAURO LUIS IASI superego. nao si”.._ W. ”313‘' ‘V '°°' “ ’$3. p.:h kaii'wg 43:3?“' ‘95-‘75" *""‘-‘“'i:-'°I" . ___.C. 187 Mm an M? i: .._ . m.. 13:: ”"9" 1»? ”‘Y' 3-“ gab/. livro 1. ' tal como so depois iria ser desen- pois envolve a nocao de Vida psiquica e inconsciente. r. [Law w}.t .k . i. . Ocapz'ml p. ram . nao apenas “podem.0 do . o pensa sociélogo dos processos relaciona esta interiorizacao ao controle dentro sobre os instintos e pulsées e a agressividade descolada para na forma de superego. .2“ -. te que Marx nao poderla chegar a esta conclus 5. nas sociedades agra s e presenciais manifestacoes que caracterizam por lacos mais direto ia durkheimiana dos grupos de base da sociedade. . 1994. Nas sociedades coletivistas.-‘>.§:::E?§rz}.3 9" >21»?.)..Nfi-ka : 'a:.as’”. . tradicao e 14.-. Karl..< . “' ._ LQ {_.183 A formacao dos meios deste controle transformado em autocontrole (consciente ou inconsciente) corresponde ao processo que ira produzir o encapsulamento do ser social na forma de in— mento do dividuos. . Nti lm» 5*.1:2.

3 “'. = ... ._ o:_ “a . Na escala social de valores.z: ”w. p. proprieda des ou realizacéesa POr CCFtO é um comportamento fundamental da pessoa individualme nte considerada (. . a objeti— Vidade).. produz uma sociabilidade em constante tensao e disputa pelas oportunidades. lows-”922: \ my. . .8% . . g5. op. g: .. . Como Iodo o prazer e alegna (pl/21y) da mente consmtem 18-1 “r ‘ . em encontrar pessoas que.. distingu ir—se —— em suma.‘-:-\‘|<“\ BM {32. a: . “i” y: “719. . a especializacao—individua— lizacao acompanhada de uma autoimagem bipartida em uma realidade interna (o eu) e externa (os outros.__ ‘7‘? . :t «”3 ¢m’$. . 1’2. E algo que se desenvolveu nela através da aprendizagem social. \ 3W3 .:. ":1 =§-. SC ‘ nos compararmos a elas.109)- O longo processo que levou as sociedades humanas das for- mas iniciais de sociabilidade até a complexa sociedade capitalista mundial (recuperando aqui os termos marxistas... x is: H.2». a sociedade. A combinacao dos dois processos. 118).. [1642]... . .184 transformados neste processo em adver saries na disputa.'. .'. Conscientemente ou néio.. k . . :5. a independéncia e autonomia assumem urn papel central. de se suster nos proprios pés e de buscar a realizacfio de uma batalha pessoal em suas proprias qualidades. .n __ . . W i . 105). uma vez que Elias prefere ocultar o cariiter capitalista enfatizando 0 aspecto da “complexidade”) desenvolveu—se patalelamente £1 formacz’io de uma “auto-imagem” do set humano como preso :‘1 ideia de “um mundo interior” e “um mundo exterior”.¢3§5 \ -.. “Xx-$2 a“: 5&5“). . -.E.. . AS MBTAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE (ILA-SSE chamadas por Elias de “complexas”.\_ A V ‘ m.. a . 34). £2» 3 :.. esse desejo de se destacar dos outros.\\: . *1 2 {Us ‘<.'3.» vii-.w§. .__.). 188 wwm‘aw as ask 1 w as?» ‘g mm .1" . -. e o ideal dos mem bros desta sociedade passa a ser cada vez mais “diferir dos seus seme— lhantes de um modo ou de outro.-&"§'1‘2”<‘i1-‘§:t' *1 -' 413-.:I:i. separado “como por um muro invisivel” (Elias. a “abundiincia de oportunidades e metas individuais diferentes nessas sociedades é equiparz’ivel 51$ abundantes possibilidades de fracasso” (Elias. cit. p. nos fazem sentir triunfantes e com motivos para nos gabar” (Hobbes.\_< fag $5...: Q‘f}__§:<. Prossegue o autor: Esse Ideal de ego do individuo.._. §2>\§. . . p..§_\\\.Tami-1: i»). 1994. p. as [3688038 8510 inseridas numa “competicéio” em que se torna fundame ntal para sua autoafirmacao a énfase nesta ou naquela qualidade que a difere de seus semelhantes. aptidées.§>%.. 331’ diferente” (5195a._ _. .

. is ’M ”Esiéeiiaef it: its immense . as pessoas maioria das sociedades altamente diferenciadas....._ H}. 6. Ele é o ideal individual socialmente exigido e inculcado na grande . p. produzida no individuo” por meio de tern “treinamento”. ao contrario. afeto ern troca do comportamento E por puniez‘io e desaprovagao contra o que se considera desviante. .. . é antes uma um longo pessoal aprendida. . 18‘) __.”. com certeza. cit. M .._.71 sociedade dos Indivz’duos. MAURO LUIS lASl outros aspectos do autocontrole ou ‘consciéncia’. Nesta preparagéio para a competigao. aéw‘ieiiéfl ietlies ii ii i $153 1. . de demais significativo que a estrutura mais profunda do complexo £72... . 118:119.. . Norbert. aprende a encontrar satisfaefio nesse tipo de sucesso” (Elias. E algo sumamente mas.__ “a 3.. quando algo lhe granjeia aprovagao e lhe causa orgulho. a. so emergiu na histéria. esforgos e realizagoes pessoais. que é de- scjzivel distinguir-se dos outros por qualidades. (..... a. a. ao mesmo tempo. ”‘6 ELIAS. dito do contato da crianga corn 0 universo e 03 critérios Porém é na familia que siio langadas as bases de todo este processo.. aprende dcsde cedo. p.3. o reconhecimento.‘36 individuos Este comportamento r1510 aparece simplesmente nos “batalha quando entram no mercado de trabalho.. . Norbert. . . esse ideal faz parte de uma estrutura de personalidade so- que 36 36 forum em conjunto com situaqées humanas especificas. disfarga—se de “opgao” ou caracteristica da “personalidade” individual. Em outras palavras.. ”‘5 ELIAS.. op.187 a esta em jogo E no iimbito das relagées primarias que na troca afetiv aceitavel._.. ease-£2 aria r b.. dos mais relevantes. kJKKk isiwiésfl i.. gradativamente.“ w . especifico de cada sociedade. E acostumado a competir com os outros. 118).. mas.336. a escola urn papel. lfi' “Desde a infincia. 1994: 120). .185 Esse “ideal de ego” que foi se desenvolvendo gradativarnente néio se apresenta aos individuos como uma das opgées a sua escolha.. A pessoa nao escolhe a atrai pessoal- livremente esse ideal dentre diversos outros como unico que mente. ciedades dOtadas de uma estrutura particular.1513. com pessoal. universaliza—se como padriio..) Normalmente rtamento que criadas dessa maneira aceitam essa forma de batalha e compo a acompanha corno evidentes e ‘naturais’. “A individualizaqfio no processo social.. dessa maneira pronunciada e difundida. ... o individuo é treinado para desenvolver um grau baStante ClCV’ddO ‘N-u de autocontrole e independéncia pessoal..._.. basta recordar o que £01 de avaliagao. cit...

... AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE (ILASSE Edipo é uma disputa por um objeto de desejo cuja plena realizagao é impedida pela concorréncia de um terceiro.. $23. estavam ha muito tempo presentes em seu ego‘89 (._...3 53:... . no padrz'io associado a forma individualizada dc competigao 6 na formagz’io do superego como representante desta ordem de relagées sociais e historicas na qual a prépria familia se baseou. 3.. czt. 12. Identificou cste procedimcnto burgués como uma fixaqao na fase anal retentlva.. V.... Com seu abandono do complexo dc Edipo..— . por exemplo.. Freud insistiu na relagz’io existente entre a perda relativa aos objetos. Sigmund.) renunciar 21 intensa catexia objetal que depositou nos pais.3.. e a experiéncia de ser amado. 4. 18‘) F'REUZ.. que desencadeia a agressividade.... Os .23... (. op.._. aparentemente de forma paradoxal. fitniifimifsla. p... e nz’io simplesmente “reprodugfio”)..33..138 o critério do abrir mao do desejo em nome da sobrevivéncia..... (rpm! POSTER. I33 ' . ... .. _ . op.190 Assim a familia burguesa n50 apenas “socializa” uma certa ordem de Valores.. e o que volta como “sintoma” é a competigfio. New introductory lectures”. a identificagao com o “vencedor”. Por varias vezes. . e é como uma compensaga‘io por esta perda dc objetos que se verifica tz‘io vigorosa intensificagiio das identificagées com os pais que. 1' .. ela é o momento no qual as relagées sao recriadas conti- nLlanr‘I‘ente (portanto.3333 3-33.733}.. .ia‘ “. cit. 3s 3333333333..._. do ponto de Vista do novo ser social. Mark. p. . (1pm! POSTER. .._.) o superego parece o herdeiro deste vinculo emocional que é dc tamanha importfincia na infancia....3 . . provavelmente.$33.. ”3333 \ok «._. 3. 3. . o reter para si mesmo.. p.. que gera agressividade... i‘safio . Civilization and its discontents.. p.g iii’xs‘mnfi 33.) Uma consciéncia severa nasce da operagao conjunta de dois fatores: a frustragz’io do instinto.t. e a internalizagao desta agressividade.. O que a crianga leva como aprendizagem para a laténcia é muito mais que os instintos reprimidos.33333.. 3335. Mark... 3'93M.”.. __m_. 64. . RCIChr por-exemplo. ocorreria uma produgao”. 74.. Sigmund... 31:33 3333.3. cit.. gerando “identi— dado” com os sujeitos responsiveis pela perda. uma crianga dove (.. '90 FREUI/D... na perpetuagao da forma individual do ser social.... 190 _. que internaliza a agressividade e a transmite ao superci'go.3 sow-39 3.. 3.3.w ‘9x..

o que se afirmaria como “principio da iéncia social realidade”. assirn como as formas sociais. s»'. \. e que a formacéio gradativa no interior de um longo processo aponta para um sentido que é perfeitamente verificavel.':" . nem tampouco da afirma— 9:10 vazia segundo a qual as dinfimicas psicolégicas. tenham ou nz'io consciéncia disso. Para que os sores sociais se vissem como individuos isolados envol— titiva. imfs t-s' }.25». fica evidente o historico das formas sociais e como estas representacoes gerais agem gradativamentc na formacao das relacées que constituiram a base da consciéncia social. numa “batalha” compe exilados cada um em sua forma egoista. determinam cada uma a seu modo. _. Mr: iiflwiéuiiikl‘i .\_(_ QR sea-9V: _:__o. precisamos ir além desta constatacao. ou seja. sendo obrigados a escolher “livremente” o ponto dc inserciio em uma divisao social do trabalho diversa daquela a qual ele antes se ligava diretamcnte o que era caracte— rizada pelos lacos do dependéncia mfltua. foi necessario um “processo 191 ué\\}~§ £3 é. 5:1: WSW-«.\~. sao estas diniimicas reflexos das formas sociais. vidos.__m_. nao se trata da infrutifera polémica sobre so as formas sociais siio projecoes das dinz’imicas psiquicas ou..32 Kw 5??. MAURO LUIS IASI N510 se trata de um jogo no qual as polaridades so igualam.. gm: «vigéwévgggi‘ K‘?{: «v _\\~:s 14:35 \&&. Este é o principal mérito da aproxima9510 do cri— Elias. no entanto. O que apareceria pouco a pouco como padrao do comportamento on ma forma de ideal do ego dos individuos. naquilo que Elias chamou de processo do individualizacao. no caso de nosso estudo. na consc de uma certa época manifestando—se nas consciéncias dos individuos ou dessa época 6 na forma geral sistematizada como conhecimento ideologia? carater Ampliado o fato pela lento do processo. a0 contrzirio. este “processo” acaba pct 56 diluir nas Gal-'3“ zacées como “diferenciacao”. O que parece ser evidente é que exists uma relaciio entre as formas sociais e 03 padroes de personalidade.¢:__¢>_'—.wr $33. No entanto. “complexidade” ou o polémiCO tel‘mo “civilizacao”. o carater préprio das relacées sociais quc se constituem do no Huir do processo descrito: as relacées capitalistas e o chama sociometabolismo do capital. 2 :«s \ gkfi W: 32%. 3mm. diriamos as formas dc consciéncia. expressandoflse nas Visées de mundo.\\-_¢_ Y".? lifisiiéufia :55»: ii“ “3*: Kiwfiiig :2.

1.§-asm . *1“?§§1. em 1547.:._.. para de 151 serem retirados para as matas e. Eduardo VI. evacuados para darem lugar as reservas de Gaga.‘2 §. a espantada rainha Elizabeth viajando por seus dominios C declarando: pauper ubiquejczcet (o pobre eStzi prostrado em toda a parte). enquanto os vagabundos sadios eram fla- gelados e encarcerados. uma massa de gaélicos sendo expulsos de suas terras e exprimidos no litoral... que as queixas sobre a transformacgao de terras de lavoura em pastos para ovelhas haviam crescido sensivelmente. depois.1. exigindo a bondosa e sabia intervengao do rei Henrique VII para estabelecer a correta proporgiio entre as areas de lavoura e pastagem (tao infltil quanto o espanto da rainha)..a-=:. em 1489. 2. em 1572.§-. um processo que transforma em capital 05 meios de subsisténcia e 03 de produgao e converte em assalariados os produtores diretos” (Marx. 830).§. a. 1:29: a as game. . e 05 vagabundos seriam marcados a ferro com letras que indicassem sua situagao: V dc vagabundo ou um S de escravo (slave).. no reinado de Henrique VIII.w. oferecendo licenga aos pobres.:. 0 enforcamento de 72 mil pessoas por esta mesma acusagao._:{a mi». Henrlque VIII. no século XV. veriamos.3<s. e assim sucessivamente até que.§1" «. mais adiante. estabelecendo a lei segundo a qual aquele que se recusasse a trabalhar seria conduzido a srtuagao de escravo por aquele que o denunciou.3. [1867]..3: .: as? 1:as. Elizabeth.33. Aquilo que surge no produto final como um processo de dife— renciagao que resulta no encapsulamento dos individuos é de fato um longo processo de Violenta expropriagao.. V. velhos e doentes para mendigar.a-i. Este longo processo e' 0 da acumulagao primitiva de capitais e se desenvolve entre os séculos XIV e XVIII. para burlar a lei de ajuda 192 a. .¥ . m 131.2”.§a§~mw rags is: “ab skis §E§§$§a 2. veri- amos Thomas Morus tendo a delirante visao de um pais imaginério onde as ovelhas devoravam os homens. em 1530. XXIV. a mass ia-séfisiszsz‘s flailin. 15 mil gaélicos seriam substituidos por 131 mil ovelha s. AS ME'I‘AMORFOSES DA (IONSCIIENCIA DIE (ILASSE que retira do trabalhador a propriedade de seus meios de trabalho. Caso pudéssemos parar em pontos especificos deste processo. cap.5.“as. cortando as orelhas dos desocupados e enforcando reincidentes. em $25. p. alguns rieos senhores arrendando uma paréquia e lei construindo uma cadeia e.. f.s as. . “fies-TE 33. enquanto Bacon constatava.3}.‘ .

770 acres de terras comun “com os quais. avisando a vizinhanga de que quem quisesse alugar urn pobre para trabalhar deveria apresentar uma proposta lacrada “com o menor prego pelo qual ficaria com ele”. E. 50 libras por escalpo de mulher ou crianea. uma choupana ardendo em chamas com uma velha que se recusava a sair.3. uma comissz’io parlarnentar de inquérito de Londres apurando que os fabricantes empregavam criangas como aprendizes.3. 32. 333-3333.3 333 3. “por educa— ‘91 Exemplos rerirados aleatoriamente do capitulo 24 de 0 capital. proibindo que os pobres rivessem animais sob 0 pretexto de que iriam roubar cereais do celeiro para alimenrzi—los.3.. enquanto. 1 93 “333333 333. “de modo geral. e depois estas cram encontradas “em completo estado de inanigz’io”. a paréquia firmava contraro no qual se “estipulava que uma crianga idiota seria inclui'da em cada lore de 20 sadias”. formafise uma classe trabalhadora que.3 3333.33 33. em 1703. entre s.3. 333 333 3 3. Completado o movimento de expropriagiio. v.323 3. adiante. como nos indrca a trajetoria absolutamente ineficaz da elaboragfio das leis que buscavam disciplinar a expropriagflo das terras. p. estabelecendo que nz’io seria dada ajuda fiquele que se negasse a ser encarcerado. em 1813.3 33 33333 333333 3:3. 24. através do Parlamento. transferindo—as de uma fz’ibrica £1 outra. 33:33. MAURO LUIS IASI aos pobres.-. a situagio das classes inferiores do povo piorou em todos os sentidos”... em outro caso.3 3333 33 ““333 233333 3' 3 3’3 :3-3 3 33. 33.333 33:33:33 '9 $3. 828-882)..191 E O que o magistral rexro de Marx nos revela é que em cada momento do processo o sentido niio se apresenra claro ‘aquelesque estio vivendo diretamente este mesmo processo. seriam expropriados 3. outros arrendatarios. “perdeu—se naturalmente a lembranga da conexiio que existia entre agricultura e terra comunal”. livro I.333 33333333333333333 . seriam 100 libras por escalpo de um adulto homem (acima de 12 anos).. 2. quando.3333 333. esse prego subiria para 100 libras e.313 3333“ 3 333 32333333 33.511. em 1740. 03 puritanos da Nova Inglaterra apresentando uma curiosa tabela de pregos na qual o escalpo de um “pele vermelha” valia 40 libras esterlinas —— em 1720. depois. 1810 e 1831. portanto. os [andiords presentearam os landlords”. um bondoso landlord no parlamento dizendo que.333 “‘3‘. :1 assim chamada acu— mulagio primitiva de capitais (Marx [1867]. cap. 33333‘333‘33 333E313 3 333333333323 333-.

crianqas. 854). As transformaeées das formas proletarias de familia transiraram desde uma rede de relagées comunirarias muito proximas da familia camponesa. [1867]. isa‘z kiwi a Kai/{‘2‘ awafii’iifis i‘aé W12: iii‘fiizi‘ifii’i i353» if. O primeiro é caracrerizado pela chegada mais sistematica dos camponeses expropriados as manufaruras no final do século XVIII e inicio do século XIX. Os liabiros de higiene converrem—se em uma compulsao maniaca.._WW W: W WWW. Ex‘kwaiziiiiuié ii: iii 1i3saiix§s§iiilfi . in- centivada pela agao recém—inaugurada das “assisrentes sociais” e filanrropos de toda ordem. 1 94 WWWWWWWW a” W \a M W. passando por rrés estagios segundo Poster (1979). e o espaeo privado do lar. mulheres e homens dividem o trabalho de 14 a 17 horas. Visto por esre fingulo nao ha contradieao entre o processo de ccdiferenciagiio”/ “individualizagfio” e o processo pelo qual gesta— ram—se historicamenre as condigées que tornam possivel 0 capital. e disciplinadamenre irzi acordar pela manhz’i e levar a si prépria para o mercado onde se venderzi. acenrua—se de maneira doentia. Nesse periodo. O terceiro estagio é 0 do isolamento da familia em seu nucleo (pai. O espago assume uma divisiio Clara entre o rrabalho. O segundo é caracterizado pela segunda fase da Revolugz’io Industrial e pela especializagéio d6 serores da classe na segunda merade do século XIX. p. antes livremente expressa. O cuidado com os filhos passa a SCI uma tarefa domésrica. e a mulher ocupa—se mais da criagao das crlangas. surgem as preocupaeoes com a Vida familiar proletaria. o espago pL’lblico do bar e da rua. o cuidado com as criangas é parrilhado por uma multiplicidade de adultos. uma acentuaeao das preocupagoes com a higiene. AS ME'I'AMORFOSES DA CONSCIENCIA [)Ii (ZLASSIZ gao. o rompimento das redes femininas. o isolamento da mulher e sua determinagao como miie na prioridade absolura com o cuidado com os filhos. e a definigz’io dos espagos de trabalho e moradia siio rénues. prevalecendo ainda uma rede de mulheres nos bairros operzirios. a repressao a sexualidade infantil. nesra fase manrém—se os lagos comunirarios e de dependéncia mfitua. W W W W i3 1}“: $31? iiéiasiixm‘? l. tradigao e costume aceita as exigencias” do modo de produgao capitalista como “leis narurais evidenres” (Marx. . e a familia proletziria assume como seu o modelo da familia burguesa. mile e filhos). W.

..\\::':..“ EEEE . p. EEIE E E2E. .. . os seres humanos.= 2-.. 1). \_ = w ”I . Basra que nossos olhos. .‘.9. 2W2: . vejam a palavra “vantagem” para esquecermos por complete 03 pressupostos aristotélicos sobre a incompletude natural dos seres e imaginar um “proveito” proprio dos individuos que se associam.. . 9: .“ EEE E2-E..2 _»_ 2g.2.g2?...-.2EE§. . nz’io tanto nossos préximos.. no qual o autor afirma que todo Estado é uma associa “rem por fim um bem”. ou que “toda associacéo tern por meta algurna vantagem”.\-.‘ .EEE NE E-EE EEQE ESE-E3 E32. de modo que so n08 por amor aos associamos “para o ganho ou para a gléria.. seja uma vaga no mercado de trabalho. seja na livre concorréncia entre capitalistas. ..:. .22. __‘ _ :- f. .g E.22. ». _‘=. também do valor excedente getado no processo de consumo da mercadoria forca de trabalho. ._ E22. W“ EN" {SEE :E-E‘EEE EESEEEEEE'Q5 EEEEEEEEAEQE E.. . . . so 0 fazendo “para dela [receber] alguma honra ou proveito” (Hobbes [1642].. Segundo e pensador.-. e esta guerra é disciplinada pelas “leis do mercado” e suas mfios invisiveis..2».2 E2..EEEEEEE‘EEEEEE 2. mediante esre ato. treinados por outra ordem simbélica.\-_ E EXE’EEE.E'. assirn totalizad a. . 9-3.. gay”.. _M . V___.a. aos quais chama indiferentement almente a de “homens”. podernos nos referir a algumas este e argumentos centrais encontrados em Hobbes.2...9% $3.... Ex. . Séio bastante interessantes as “coincidéncias” corn as ideias ditas universais que aparecem na aurora da sociedade do capital e que servem de fun— damento para sua visiio de mundo especifica..:’%.. todos os individuos disputam entre si.3 . E.\ 2mg. E".: 5 NY. pode interferi r na compreensfio equivocada de Aristételes de outta cadeia ocorre qua ndo estudamos o primeiro pardgrafo de Apolz'tz'az cio._ i__ = .. assim como é essencial para a forma privada de apropriacfio dos meios de producfio e. e toda associacfio (1998.. Um bom exemplo como '92 Esta ideia de retirar algum “proveito” da associacfio é bastante esta cadeia de significantes.-.. ... Vimos como uma certa forma de familia produz individuos e 03 mecanismos afetivos e emocionais que internalizam na pessoa determinadas normas e demandas da sociedade. EWEEEE . 195 W .. fi . :\ _-._ _3.. MAURO Lurs IASI A individualizaciio do ser social é uma precondiciio para que os livres vendedores de forca de trabalho se apresentem ao mercado..213}.’..2. 31). ENE-SEE EEE . nfto desejariam nem procurariarn natur companhia dos outros._§\\3/. 5..'_=:. .E2‘. ideias Apenas para ilustrar. p. 3 .‘-:-° E'9\ 2. p. 29).192 entre Como ele supoe os homens todos iguais naturalmente s”.~:\\~.\\2. ‘ .. E'.2.... 2. . quanto pelo amor a nés mesmos” (£61225... isto si e com uma propensz‘io natural de “ferirem uns aos outro todos contra levaria it sua famosa formulacéo sobre a “guerra de forte. _ =. No reino da igualdade. 33. . \{a mfg. -..‘ 2”.... ._ -.

38). .. que.. 3435' ortanto. e necessariamente se decide pela espada quem é mais forte. nas palavras do proprio Hobbes. a. pois “todo homem é desejoso do que é bom para 616. que é a morte” (Hobbes. m .) vem do fato de que muitos.?.. i _. any.. [1642]. :.:‘ s ‘5t t_. se dors llomens desejam a mesma cmsa. ou a mais frequente. p.€... p. [1651] 1979.Z*-’s i‘vsxum rfi-z’fis.193 Deixemos aos psicanalistas o deleite da interpretacz’io sobre o uso da imagem félica da espada e contentemo-nos em destacar a incrivel semelhanca com a eStrutura basica descrita do complexo de Edipo. Como a primeira fundacao do direito natural reside no fato de que todos tém o direito de se empenhar em “proteger sua Vida e seus membtos” [sic].93=2.s 1. p. estado natural dos homens. do que se segue que o mais forte hzi de té—la. E no caminho para seu fim (que prlncipalmeme a prépria COHSCFV‘iGiO: e 513 V6268 apenas seu deleite) esforcam-se por se destruir ou subjugar um a0 outro” (Hobbes. sem um slstema de compromissos “por meio de convencoes ou obrigagéesns 0 set humano poderia “fazer o que quisesse e contra quem julgasse cablvel.. .. .->. [1642]. twins Zamsfiwm. E pela ansiedade e pelo medo que sentimos uns dos outros. e esta nao seria uma guerra qualquer.. i -.. nao e de surpreender que para Hobbes 0.. usar e desfrutar tudo o que quisesse ou pu‘desse obter” (26:21. nao passava de guerra. eles tornam-se inimigos. ‘4.s\i-%z. 37). para que os seres humanos desejem se ferir mutuamente (. nem dividir. aaéfiis . p. Sfio Paulo: Nlartins Fumes.-’s. M.s .:. A principal razao.Eiaiiséfi.1%“ . contudo.in. . .. .a$:.m3. . . mas acima de tudo do maior dentre todos 03 males naturais.t . mas uma’guerra de todos contra todos” (ibid.¢. e portanto possuir..§s‘s mafia EE. AS METAMORFOSES DA CONSliNClA [)Ii CLASSE todos” (Hobbes. tém um apetite pela mesma coisa. com muita frequéncia eles niio podem nem desfrutar em comum.194 O autor segue seu texto argumentando sobre os “perigos corn que os desejos naturais dos homens diariamente os ameagam” e vaticina que nao deveriamos tratar com desdém a tarefa de “cuidar de si mesmo”.. e diante da constataciio de que esta mesma natureza deu igualmente um direito a todos sobre tudo. p. que passamos a acreditar ser conveniente i: EEOBBES. 74-75). .. 196 3w. if: irate 2%. 1979. Tllonras. 75). Do cz’dzzdrio..) $3}? N‘s). 35).\. e foge do que é mau..-. antes de ingressarem na Vida social. ao mesmo tempo em que é impossfvel ela ser gozada por ambos. ao mesmo tempo. p. Lavina? [1651].

quando niio ha um poder visivel capaz de os manter em respeito. O mesmo processo que gera a ex— propriacao dos seres humanos das condicées e dos meios que garantiarn sua existéncia os individualiza como seres egoistas. por meio do castigo. na substfincia.2222.2 2222. O Leviatti de Hobbes 6.0 Corztmz‘o social de Rousseau siio apenas os precursores desta conscrencra social prépria de uma época na qual os seres sociais individualizaram-se. MAURO L015 11181 “livra rmos desta condicéo” pelo estabelecimento da sociedade civil.195 A ideia do contrato. p. Os homens.2222 2222322322 2222. Esta consciéncia social n50 se reproduz a0 longo dos séculos gra- cas 22 sua incrivel coeréncia interna e 2 preciosidade dos argumentos “)5 Veremos no proximo capitulo 0 quanto esta imagem hobbesiana se reap‘resenta no raciocinio de Freud. criarn o Estado baseado no (. como nos apresentou Mészaros. 222222222 122222222232222222 2:22. s perderam o controle sobre as formas de sociabilidade por eles mesrno criadas e geraram um modo de controle sociometabélico incontrolavel. o mesmo conceito jzi apresentado por Kanta respeito da sociabilidade insociavel do ser humano.2 2: 22:22 22322222222222} 2 2222222222 22': .222.) 1 97 22222222222222 2:2: 2M.122:222 23222222222222. (Os pen- sadorcs. ao cumprimento de seus pactos e ao respeito aquelas leis da natureza.2222 22:2 “222 2222. 103. Thomas [1651].2222 22221322222222 22 «>222 222% 2' > 2": :22»: 22 2: 2 2. segundo o qual a “ansiedade social constitui a essenc1a do que e cliamado de consciéncia” (Freud [1921]. 1979. A mesma substancri que reaparece na “mao invisivel” de Smith. E. p. Vé corno exigencra um maior controle dos impulsos naturais. 1976. 5510 Paulo: Abril Cultural. Leviatd. ")6 HOBBIES. da sociedade regida pelas leis.222 2:2 222222222 2 2 222. forcando-os. projeta—se como necessidade incontornavel de uma forca externa que zele pela ordem e garanta a soc1a— bilidade.. em respeito. .222223.) desejo de sair daquela misera condicz'io de guerra que é consequéncia necessaria das paixées naturais dos homens. pelo contrato. ou no “Espirito do Mundo de Hegel. do instrumento que permite aos hornens viverem sem se ferirem. 98). no qual o produto subordinou o produtor.. remete em Hobbes a ideia de Estado. 222222-222 2222. “que amam naturalmente a liberdade e 0 do— minio sobre os outros”.196 0 set social eStaria se livrando de todos os lacos de dependéncia mutua que os prendiarn a uma certa forma social para mergulhar na concorréncia de todos contra todos.

reiteradamente deve controlar “suas paixées naturais”. “’7 IASI.3”")..-* €942 «x Mg: )3: {WEE . 2001. submeter—se aos mecanismos externos de controle que podem a qualquer momento “castiga—lo” e forga-lo a manter—se no fimbito do pacto e do “respeito as leis da natureza”.E:::. m»: Q- ‘ ME“ iE-sEEE-E EEEEE EEEEE-XETZE E EaE-EsEEEEEEE E35363 Ea” EEEE E-EEE EEEEEEE. A prépria maneira pela qual se da’.9: $15: w: ._I: w 9. 5510 Paulo: CPV. Da mesma maneira que as condicées de expropriacao dos meios de producéio aos produtores diretos silo coridianamente recriadas. ->‘. {9. apresentamos sintetica- mente'as caracterr’sticas desta vivéncia primaria e sua relacao com a prrmelra forma de consciéncia. de modo que aquilo que ‘é vivido partlcularmente como uma realidade pontual toma-se a realidade’. ' a {365503 P353a a Julgar 0 todo pela parte em que se insere. Por se ll‘lSCl’lr ' ' em relacocs ' = preestabelecrd ' as. cujo processo de formacao do psiquismo e da identidade inicial (nar— ClSlsmO primz‘irio) é o fundamento.E Z'EEEEEEfimEEEE$ .5». recriam a si mesmas cotidianamcnte. o novo ser dcscnvolve a per— cepcao da parte como se fosse o todo. m: I( Q.z-‘N: «€34 f: g. Nos estudos que consistiram os csbocos iniciais197 da reflexao que desenvolvemos no presente trabalho. Sobrc esta base. \v :3 fly». Naquela oportunidade reduzimos estas caracterfsticas a sete pontos: 1. o ser social recriado diariamente como individuo. O n ovo ser soc1al ' vwencra ' ' relacoes ' preesrabelecrdas ' e que para 616 SC apresentam como uma realidade dada. esta relacao primaria serzi fundamental na constituiciio da primeira forma da consciéncia.& 3‘7"!\)§ sax-4 mu ':_ Pym-g: . \. 2. E também na familia que a primeira forma de consciéncia ganha seus contornos.\-\. mas pelo fato de que. assim como as relacoes que lhe servem de base. todos os dias colocado em luta competitiva contra outros individuos. Este as pecto levar ao mecanl' smo dc ‘ ultragenerallzac ' ao’. I98 {fig-0k“ ?-"«'§ 3-. Procesm d6 camcz'émz'a.E1: . 2‘ ed.Ea. Mauro. AS METAMORI‘OSES DA CONSCIENCIA DIE CLASSE da razao esclarecida. " ou seja. E na familia que encontramos a instituicao que produz nos seres sociais as condicoes para que assumam esta tarefa cotidiana como se fossem “naturais”. . lubrificar seus mecanismos de autocontrole. o novo set social ira constituir sua primeira “Visao de mundo”. .

.:77773 . . o novo ser social por sua continuidade nuidade de suas relagées a partir desta matriz..:.§_.._.7.7....7-_ 7. '- 7 7 .7737..::_.7 .-.. .».:7 32.. na situagz’io histérica em que nos en- e de contramos. rendo concentrado seu proce sentimentos ambivalentes urn mimero restrito de objetos.7 77 7777777. . .. aspecto este que esta na base da percepgao de que ‘sempre foi assim e sempre scarf.__. Assim. . o ego administra as tensées entre as demandas pulsio externas como um equilibrio interno.77. a crianga. N_.-'-".. punigiio..7. 2001. : ---\ -§ We “a.. .77. ...7... mas por urn outro. a agressividade concentra-se no superego e tern . .7::.. em nome do equilibrio e da integridade da sobrevivéncia. .- 7757. "'--"‘"=-. as relaqées vividas imediatamente perdem seu cararer historico e cultural e tornam-se ‘naturais’. -=-‘. .. =7-=="\‘ . N. a satisfagao das necessidades deve respeirar um conjunto de normatizagées que r1510 sao definidas por quem apresenta o impulso. ”H. p.. 4.7. _ z ”NW. *‘i'. uma vez nta como universal) e res centrais desre ‘real’ (particular. mas que se aprese passa a aruar na conti- passando a assumi-los como seus. .. o conjunto assume uma funcionalidade como inicial de consciéncia.. autocontrole.ii: 7. atual das relagées 6.7.._z. que servira de base para o desenvolvimento da ideologia como forma de dominagz’io.73 °:--.7. ainda 19‘) . Devido ao fato de que o novo ser apresenta suas exigéncias pulsionais num cerro contexto determinado.. 17—18). . . zelando c reproduqao (Iasi... unifica no processo de identificagao os objetos de desejo ade. na forma sso de identificagao em familiares.7 ”£7. 1. que.71:37 s . 7777.-. se vé enredada em fisica (ameagada de amor e odio. a fungao de controle se transfo comO em autocontrole.7..7. portanro a realizagz‘io do desejo implica a aceitaqao da autorid eXterno.“A... Devido a natureza distinta dos impulsos.71:7 17:72:7.727717. crlado Sem que nenhum destes aspectos seja conscientemente forma para este fim.. A parrir complemento a identificagao com a figura de auroridade externa nais e as restrieées dai.7. Submerido as relaqées dadas como reais.N7.N.. MAURO Luxs IASI 3.. .77 7773257717..i. \T--- . \ _. Esre conjunto de normatizagées r1210 permanece rma riorizado na formagao do superego.. 7. real on simbolicamente) abre miio do desejo em nome interiorizados os valo— 7.. mas é inte- 5.7 ‘...73%. Gramsci (1978) descreve 0 361150 comum partindo da afirmagao de que rodos expressam uma certa “concepgao de mundo”.-- i§777é7777737 7. 7%. Neste conjunto estao impressas as principals caracteristicas daquilo que assumira mais tarde a forma de senso comum.

o ser humano entra em contato com uma determinada época histérica e um tipo especifico de sociedade primeiramente por meio de sua inclusao numa certa forma de familia. . 3" ed. any.. ENGELS. may-‘35. r11. AS ME'I‘AMORFOSES DA (IONSCIENCIA DE (ILASSE que de maneira “espontfmea e inconsciente”. antes de tudo.. A conceppffo diale'tim dd bisro'ria.-:. abrindo caminho para naturalizar esta forma parti- cular universalizada e.) . 9. p. M a? My a M . cit. au-i.m m. por exemplo. Karl. _3.12.i 3mg: m3“ 3 9:55 5‘: J‘??? 5 5 \m.: .l99 Como Vimos. 5:: fi. aquela que é produto da insergao imediata do set humano e do was relagées diretas com as pessoas que o rodeiam num certo con- texto objetivo.. 200 Wmmwss a as.-. Em outta passagem. mom 1. p.200 lOgO apos a explicagao sobre os mecanismos dc exploragao que catac— tenzam a sociedade capitalista.24 . 6 a eterniza.3.-_. . W s M: ="“::\: -‘. Esta é uma das caracteristicas constitutivas do chamado senso comum. 1. é»: <«_:\§ ass. Segundo o marxista italiano: Pela prépria concepgz’io do mundo. p. gag: Qv _. . . ’Em outra atividade de formagao do NEP 13 de Maio. _:_\ _»= .. \. assim. chegar £1 conclusiio de que sempre foi assim e por este motivo sempre semi. ”J ‘A conscmncm e naturalmcntc. A _. é apresentada aos participantes uma questiio: desde quando existiria esta situagiio de uma part6 19H 5:31:15‘ Cibggtom-o. precisamente 0 dc todos os elementos sociais que partilham de um mesmo modo de pensar e de agir. me: Q . somos sempre homens—massa ou homens coletivos. portanto. Gramsci afirmard que “0 set huma- no dove-scar concebldo como um bloco histérico dc clementos puramcnte individuais e SllCUVOS e de elementos dc massa objctivos ou materiais com os quais 0 indidUO tece uma rclaqfio ativa" (sdemz’ dc! afrcere. O caréter imediato desta relagfio produz nesta primeira visz'io sobre o mundo um efeito que é 0 dc tomar o todo pela parte. .r. Rio dc Janciro: Civilizagfio .338. cit..]: 9i _.v - 0 qso Introdutono do pmgrama dc formagfio politica da entidade chamado Como funcmna a sociedade.. . Friedrich. pertenccmos sempre 21 um determi- nado grupo.198 A primeira forma da consciéncia s6 pode ser.:-¥> g¢§jfi 3% i‘i. Pym-g a.. por meio da linguagem. Em: ‘33 : .._-. -_. mcra conexfio limitada com as outras pcssoas c coisas situadas fora do individuo que se torna conscientc” (MARX. 200 ' . Por meio dela 0 set humano toma seus vinculos imedia— tos e particulates como “realidade dada”. 43). natural.-.“ .w ?-V"'§ _q_ . A ideologizz alemd.m.‘ 3.-_-_ -.9. Somos conformistas dc algum conformismo. mm am mam <5}.' Em. a: W2 isms/2m . w?.

\\-.. na forma mais préxima de sua primei- constituigao biolégica atual (ou seja. alternativa a parte mais recente da historia (alternativa os ou esta que na maioria absoluta dos casos encontra pouc nenhum adepto.). J.3 3 fi. 333331332333§3 3.23. aos participantes que indiq sa ser teria comegado esta exploragao. aqui nos interessa a sustenta loragao”. Aqueles da agao humana sobre o planeta jzi havia “exp oragao indicam. \\ _. por fim. e por vezes esta afirmagz’io ganha énfase na do é mundo”.‘.333: %3333%%C3 . pois sabemos que o mundo é um a forma humana amigo que a Vida e esta.3333». desconsiderando os os ros hominideos).. .3 33. .. -.3'.. .333.’. {3335 E: 13:33 . ‘2' “3 23%.. _\3 .: (3“). Pede-se. seu inicio o surgimento do ser humano. trabalhador assalariado. “sempre foi etc.3. Outro grupo de- sa 6 que indicaremos como alternativa em (1116 participantes assevera que houve um pequeno periodo maior parte da histéria 1a niio havia exploragiio. o «3 3y. Invariavelmente alguém do grupo afirma que forma de uma assim”. enriquecendo um pequeno grupo e levando ao empobrecimento da grande maioria? seria 0 monitor coloca entiio na lousa uma linha.. que esta exploragz’io corr “D”).. 33. 33-333 ‘3'”? 3333233 31:: {WERE 33% 3:13. 3323. entao. bem mais antiga que gao de que desde o inicio de Vida. MAURO LUIS IASI da sociedade explorar economicamente a outra. 3.. ? ._$w?. conhecimento de um Apesar de esta afirmag’ao revelar o des pouco mais fato cientifico.33 3. 0 monitor completa as alte o a historia do ser a possibilidade de que a linha representand meio (alternativa humano na terra seja dividida exatamente no esponda nz’io mais que ((C”) e.'y.>'2«333.. mas depois a s dc alternativa “B”..333.3. e 0 final do segmento de reta representaria uem onde dias atuais. 3. que acreditam que “sempre” houve esra expl a marcada na lou- portanto.333.\\\\§\>'. que chamaremo oria absoluta dos Estes dois grupos via de regra incluem a mai rnativas oferecendo participantes. ou declaragao de que isto ocorre “desde que o mun “desde o inicio do mundo”.333 3 3:3.13 $5: . A linha na lousa ficaria entao assinalada corn estas opgécs assumindo esta forma: 201 9 W w . ressaltando que nao preci mais—valia a forma capitalista (patrao.. o trago inicial no inicio da linh “A”. . .3 313333 3 3:32. in: 93.\ m“ J _9. s 9 3. 33. apresenta este fenomeno.33333333 \«3 3 33:23 133:33.

. Apesar de 0 om de talhar objetos de trabalho em pcdra poder ser remetido :1 are 2.5 milhées dc anos.\. no me- lhor das hipéteses.\ V3.‘. .. “N510 esuivamos sozinhos”. mas a maioria dos losseis compro vados [cm algo em torno de 4 milhées de anos.202 Os primeiros registros de sociedades de classes. Apés este procedimento. Fomando em conta o conjunto dos monitores formados que realizam esta atmdade em seus movimentos o ni’unero sobe ncima do 100 altividades por ano. E's): 5: \. my '. Independentemente da composiqio du turm :1 e do seu gran dc instruefio.x?‘. nos mais diferentes lugares e composigées possiveis. sfio realizadas dezenas destas dt1 d es por ano. “Em busca do primeiro homem”.'-~\‘\.3-_ \:= (mg. 2: P.82 2003.5 t: 1. Scientific American. 23-27. o /oomo sopz'em desenvolve-se aproximadamente hit 25 mil anos.S'cz'entafic/lmen'cmz. lui aproximadmncnte 5 on 6 rmlhées dc anos na Africa Oriental. 5 x. nas quais poderia caber a descriqiio da apropriaeiio do produto do trabalho de parte da sociedade em beneficio de uma pequena parcela.\‘|é\~. 702 :.rug 3:1.-. O Homo ”condom/Jolson} viveu na Europa e no Ocste asidtico cerca de 200 mil =1 30 mil anos atrzis.I-f53 _v: $3 s €". verifica-se quc a mesma maioria acreditaria que a cxploragfio sempre foi ou pclo mcnos se dcu nu maior partc da llistoria. seus antepassados mais préximos estflo todos num campo temporal que gira em torno de 100 mil anos. 2.x .??? ‘Vfigg \ 3:2: " _Mv. so para cfeito de uma aproxima gfio mars segura. indica a alter- nativa D. gag-(wig its? “ling 32%?” :s‘ :s- w:. normalmente duas ou trés pessoas. ou..."?\\.. o ser humano teria SC. " A abordagem mats aceita no csrudo da evoluqfio l1u mama alirma quc . n. Kate. AS ME'I'AMORFOSES DA (lONSCIi-ZNCIA DE (ILASSIE (desde que A B C D (hoje) o mundo é mundo. . O aparecimento do género Homo se dzi entrc 2. _\V:':_‘. n.'§\’w‘>§ 3:? if\\\-'. podem ser encontrados somente nos L'lltimos 10 mil anos desta histéria (se formos um pouco mais rigorosos.d€S€nV0lvido de um ancestral comum aos chimpanzés. 2003). C 'I'AT'I‘ERSALL.' 'o so: ism-i.v'§. : .<.\_ -.. consideremos o Homo mpiorzs que tcve seu aparecimento registrado em algum ponto entre 200 e 100 mil anos (WONG._ §Jio§$§€§§§§s§%%3§v :{QEVE ggfgxggfifi is»? gsii‘é § if’gj‘bigms “w" i295 {§§$}%§3§ §§k§§§ {Essa §§5 $133?s 51:} is.\ ..\u \v.201 A maioria dos participantes. foi assim na maior parte da histéria. e apenas uma pequena parcela.\-52. -.g A eso-sww 1 5»? a§v§E§M§5fimv}V} {$5 x- . a grande parte dos participantes concentra suas opinioes entre os seguimentos A e B. sobre as quais ainda palram dL'lvidas sobre :1 relaqfio com os seres humanos. enquanto o capitalismO tern ________fi___ 20] - C9n31dderand0 somfme 0 Programa de formagfio d0 NEP. renletcrinm estu dumqfio para 7 milhées. 0 monitor expoe algumas referéncias cronolégicas e histéricas que indicam de modo mais preciso a proporgz‘io represen— tada.-. p. algo em tomo de 6 mil anos). Ian.y.“""s :\ _. 2% -.:.) Realizada uma consulta geral..ss.. Por exemplo.\. acredita que sempre foi assim.-&.__.:.."'\'"-..8 milhfio dc anos (Homo liabilis e Homo rztdoyomz's). {9: . Descobertas reccntcs no Cllade.

. Esta dini‘lmica é conhecida marcaram as primeiras formas de sociabilidade human Faro de que a motiva cao inicial é proper :10 grupo uma como dinfimica da ilha. “é que o mais forte domine o egoismo”.\'\'cue.1:.Ea §QK§%\§9§Q\\\’S:$¥. w: EEEEEEEEEEE e.-2-.\ a: _. ade da dfwida 56 como se sempre houvessem existido.w.203 ralizacao de relacées O que ocorre de maneira clara é uma natu que silo universalizadas histéricas e de formas sociais particulares. a alternativa A on B revela clara tante. . RN mm ($3. A possibilid res importa ntes: a figura SC apresenta pela conjugacao de alguns fato dinz’imica que ocupa todo 0 segundo dia 2“” Estas reacées 56 85.{35363 EE. pelo ntes devem resolver os problemas situacfio de 11 aufrrigio. Indicando as datacées. A primeira reac is argumentos. :t " q-me.. a :9‘--"7’.3“‘\\""'--a$"’?s a rm (in. i tweak \§:E EM. .«ns: u. .. WM . k1”? . 11a mente que dade das experiéncias.\._-:§\\_:_\z 7: =99.: $11: 5%“. ':>. 203 . i.~§ 53-..-. 0 “real” —nos uma pista valiosa para entender 0 sense oracao.0 enfrentadas em uma longa s comunitarias que nte as relagée da atividade na qual siio recriadas psicodramaticame a. comum.\ ." :w: E'. e assim tem para os individuos é a objetividade da expl 5mm: de real sido pelo longo periodo da sociedade de classes. MAURO LUIS IASI algo préximo de 500 anos (incluindo ai o periodo da acumulacao primitiva). a partir da qual todos 05 pa rticipa da sobrevivéncia sem nenhum instrumento ou recurso da sociedade modema. = \'z. Ocorre 0 elemento descrito do senso comum é uma cons oferecendo— aqui uma inverséio daquilo que entendemos por real. . ii-:E:E§*Esz:§3‘a E‘mwliia EEaE’EE‘EiEiE .35ms.. como: é tentar recuperar alguns de seus principa da natureza humana 0 “mesmo entre os indios 1121 um chefe”. .EEEE ”ii-ET? E31" ire-“25:2 EEEE-EEE"E“§E§§“°‘ . . A B C D Homo sapiens 100 mil anos 50 mil 10 mil (sociedade de classes) totali— 0 fato de a maior parte dos presentes ter indicado. A simples dataclao da linha redefine em relacao a uma acreditava eterno e redesenha sua proporcao ao dos participantes totalidade antes desconhecida._='3:'§ it“ w” “my. r\\\-.c. .2‘. 1y Essf‘sxxiika‘i‘sag§i1-'-§s“'-W:§ i’?\“--'% Eh.” w. “bastam duas pessoas para mais fraco” etc. Aw-_\\V. a linha ficaria assim. Tern m a atual forma ainda por corresponder as relacées que sustenta este real que se de sociedade.-':’.

No senso comum. formando uma colcha de retalhos.. revistas ou jornais. E EwEE. ou seja.. preconceitos.20“ Esta forma “desagregada e ocasional” pode nos levar 2‘1 im- pressao de que todo processo é acidental. na mulher que herdou a sabedoria das bruxas on do pequeno intelectual avinagrado pela prépria estupidez e pela impoténcia para a agao) (. por exemplo... em livros. 204 a w» ‘v . pode se originar na paréquia e na ‘atividade intelectual’ do vigzirio ou velho patriarca. para transformar—se em fato. ou seja. amalgamam—se sem necessidade de uma coeréncia interna elementos dos mais diversos herdados pelas mais diferentes influéncias que se materializam no campo imediato de agao dos seres humanos em formagao... A concepfdo dizzle’rim dz: birtdrizz. Basra a datagiio sugerida ser—lhe apresentada em uma tabela.. E. por um dos vairios grupos sociais nos quais todos estéio automa — ticamente envolvidos desde sua entrada no mund o consciente (e que pode ser a prépria aldeia ou provincia. p. Segundo Gramsci: (. O senso comurn encanta—se com palavras préprias do universo cientifico (hominideos. paleontologos etc. cuja ‘sabedoria’ dita leis. Antonio. o ser humano forma sua Visz'io de mundo. incor pora ora urn valor. Gramsci rem razao ao afirmar que o senso cornum é formado de maneira “bizarra”. ora outro.. EM E‘Efiiia Essmw ia':§::é'§‘}il€:§§§ VEEmwxw rw EWE-fis EE «:2»:z-EE: fife-Es “3% E? a:E. at. o uso de argumentos considerados “cientificos”. 12.)..) ‘participa’ de uma con— cepgz’io de mundo ‘imposta’ mecanicamenre pelo ambienre exterior. (.. Isto é verdade no senrido de que os valores. AS Mlj'I'AMORFOSES DA (IONSCIENCIA DE (ZLASSE da autoridade do monitor. ou.) de maneira desagregada e ocasional. ou seja.EA:E as $2?“ EEEEEéaEmi-EEEA. .. que o individuo var Vivendo e.). ideias. assim como tende a transformar em verdade qualquer argumento que for apresentado por escrito.r airs-1. entrando em relaeao com os demais.: r”. “ideais venerados” sao retirados de sistemas articulados coerentem ente e aparecem amalgamados numa visz’io de mundo que niio parte da mesma sistemzitica de constituigao teérica que estava presente 3"" GRAMSCI. destas que ilustram livros didaticos ou alguma noticia de jornal.

Uma pessoa que agora conviva com um grupo que valoriza a militancia e o compromisso politico pode assumir para si esres valores e considerar—se um “militante”.5 Ffig Mi”. 9's «ff-u: 63. . Por este procedimento podemos juntar um juizo aristotélico. a fémea o é menos e deve obedecer”. aquilo que aparece de.9.. sem gregado esconde uma légica substantiva que lhe da unida que perca a forma desagregada._-§\\__\ i9" _“-\.. . ecu. . . . mas pelo fato antes assinalado de que as relaeées que constituem a substancia de seus valores siio aquelas que embasam a experiéncia imediata de Vida das pessoas submetidas a ordem do qual capital.. _\..~23~\. Ava-“N149. _ . ite enfrentar— A compreensfio desta substancia abstrata perm mos um dos principais dilemas daqueles que lidam com 0 861180 regado comum. N0 entanto. a afirmagao de que o “macho é mais perfeito e governa.\3 ‘ ”H" ‘9 ‘ .9. ha uma ordem nesre caos desagregado. e 03 valores nz’io deslizam numa série totalmente aleatéria e em aberto.%a§\ém &9\':_w\_s:__\-$_ .. a "‘2 E. v} can). Como ele é formado por este procedimento desag a costure e ocasional. ‘7 mean. .’.9._ ._(_ w . "' c_u. Caso z um encontrem estas afirmaeées por escrito. As pessoas sabem que estéio numa disputa acirrada na ._»_ : rwgz _. de imediaro se produ como desa— reconhecimento. '3. é possivel que incorpore uma nova ideia e seu em sua velha colcha de retalhos sem que altere a natureza de senso comum. por exemplo. sem OS mais fortes vencem e so 05 que se adaptam sobrevivem ter a necessidade de ler Adam Smith on Charles Darwin. it 3. ._ . Desta maneira._ m“ .. do mesmo modo que na CfitiCfl da economia politica a substancia comum do valor nao impede a variedade de formas do valor de troca.Vr:. . com a afirmagao de que “Deus fez todos nés como iguais” sem a menor necessidade de resolver a contradigao entre os pressuposros excludentes (diferenga natural — igualdade natural).. Uma dos aspectos evidenciados em nossas arividades de formaeao é que 0 senso comum é “liberal”. : vs. Isto r1510 ocorre porque as ideias liberais 5510 as mais encontradas e difundidas. v: = 3‘12. MAURO LUIs IASI nos sistemas de origem. Pode costurar este novo valor sobre a base de sua antiga concepeiio de mundo e chegar a concluséio de que “sempre houve injusrieas” (desde o tempo dos 205 _ rags l? Ema srfia giro“: £1: ‘M ioni’éii‘iiilx \ MALEas}?wan: téhZE-o li.

profunda— mente Vinculada ao fato descrito. mas antes urn “reconhecimento”. Depois de todo o exposto até aqui. uma vez que a visao de mundo que a pessoa julga ser sua é construida e interiori— zada a partir da relaeiio com o “outro”. se expressa como uma consciéncia 206 a a = s a at M WWW “W a s w. sobre a existencia de algumas noeées que constituem em si a consciéncia como dado anterior e natural. AS METAMORFOSES DA (IONSCIE‘NCIA Dir: CLASSE Faraos. a ”If. Este reconhecimento é o que torna possivel £1 pessoa identificar na objetividade um fator que corresponde a urn valor que orienta sua subjetividade. a escravidao no Brasil etc. como Moisés. autenticamente produzida por sua percepgao singular do mundo. a perseguigao a Jesus Cristo. O efeito de correspondencia é produzido em razz’io de a pessoa julgar certa consciéncia social “Como se fosse sua”. assim como ele. quere— mos com isso indicar nao uma aceitaeao racional consciente. Aspecto importante do fenémeno ideolégico. O novo valor pode se acomodar sem problemas SObI‘e a Velha Visao de mundo. Outra caracteristica importante do senso comum. Para nos isto nao constitui uma novidade. O fato de a concepgao de mundo ser partilhada pelo grupo imediato fortalece seu 5mm. Este reconhecimento opera. at“ some .) e por isso “sempre houve militantes”. como clemento consoli— dador da visiio de mundo no senso comum. Quando falamos que ha uma substancia “coerente” sob esta aleatoriedade desagregada que aparece no senso comum. Ao que tudO leva a crer. por exemplo. agora mili- tante. que corno Vimos representa as relagées sociais determinantes. “individuos” extraordinarios que se levantavam contra estas injustigas. de “real”. produz o efeito do reconhecimento quando encontra fora da pessoa a mesma relaeao. podemos descartar as visées aprioristicas. Zumbi e outros grandes “homens”. aquilo que é interiorizado na formagz’io da consciéncia. também. ao gosto dos apriorz's kantianos. espera set um dia e se destacar por suas qualidades sobre os demais. Jesus. central. para a analise de Althusser.

. pode olhar. tudo.222. z. Uma vez que esta praxis opera no contexto em que definirnos. . as experiéncias traumaticas ou edificantes. para urn vale ou para 0 mar. . concebida como “relagao da existéncia corn seus possiveis” (£5321 p.222222222222222 22:. A aeao sobre o mundo. .2. . MAURO LUIS 1A5! do “individuo”. 2. “as estruturas no de uma sociedade que foi criada por meio do trabalho huma ). p. . p.922. no sentido em que frentamento para superar esta determinagao. Em sintese a metafora é a seguinte de estatuas esta alinhado olhando para a mesma direqao.. mas compreender o que olham. 2.22.2-2.2-.. ou seja.) como determinagoes esquemz’iticas de um pOI'Vif individual” (Sartre. .222-. 78—79). 80).. 2. Veem-se como separaclas clas outras estatuas e do objeto que observam.221. é visto como uma espécie de sina pessoal..2.222232. amoldando—se ao grupo imediato e as relaeées estabelecidas on se confrontando corn esta realidade. . E 22. a trajetéria pessoal.22% ‘3? {9‘25 ‘5.2.22”. . cada uma isoladame nte. 22.222:1222 _2: $9.w-E.. imagina esta pratica como uma dialét encapsulagao do individuo: 75”" Elias (1994) langa mao de uma parabola para ilustrar esta : um conjunto a parabola das “estatuas pensantes”. a partir de Elias.23: W222 &»~. corno uma sociedade de individuos encapsulados.222 2. ..2 £22. 207 :3: 33. _v..2.2. nos termos sartreanos: “proje a niio existente.132 2 2. 2. a consciencia imediata so pode assumir a forma de uma consciéncia do eu. definern para cada um uma situagao objetiva de partida” (£62221 é en— Ocorre que toda praxis é negatividade.2 223..2. uma vez que o ser humano é “produto de seu produto”.. l Sartre. 2 - 2. ..2. (Sartre.22. enfim.222 22. ouvir e pensar.205 Em uma sociedade de individuos encapsulados. um salto to” sentido do “ainda nz'io existente”.222 2222. e uma positividade . -.22: 22222. 1979. _.2. p.. \.222 12222E2§2m2222$ . 96). 22. 78). mas acabam por Formar ideias disrintas. 22:22.-. os acidentes..2-2.2222 3222. O indivi- duo enfrenta as situagoes de sua Vida e encontra-se diante daquilo que Sartre (1979) chamou de “campo de suas possibilidades”.9222 22:: 22. A agao da pessoa no mundo se apresenta como urn “desdobra— no mento determinado”.= 22. de forma que a {mica certeza de existéncia é seu pensamento (A sociedade do: irzdz'm’duos.92 2.. . a busca de suprir uma “falta”.2 2222 2.2. cit.22322232 . os possiveis sociais siio vividos “positiva e nega- tivamente (... 2.222. Neste salto na diregao do aind o individuo parte de situagées e condigoes objetivas.22%. Tentam.2.>\. 2. ainda que permanega fiel 2 sua convicgao no pape ica do central do individuo.. N510 pode mover-3e.22222222222 2. (2-.-._ 2.. : 33.2“.22% 22. 2.2 . 1979. a escolha da profisséio. ‘2‘ ..2.

que se traduz quanto ao juizo literario na afirmagao de Sartre segundo a qual “a obra constréi seu proprio autor ao mesmo tempo que ele cria a obra”.33333323 ‘2 E33 3% éwww 3Wa3§t MW: W3 W.lc‘ 3..:>.. 307 MESZAROS. mas falando diretamente sobre a praxis humana e a historia. W W a . Istvén.. Crz’rim de [a razo'n dz'dléc‘tim. Neste mesmo sentido. é um passo do objetivo ao objetivo por meio da interiorizagiio. Sartre diria em sua Crz’tica dd razdo dialétim que “nosso Formalismo. Em outta passagem.W. p. consiste simplesmente em recordar que o homem faz a historia na exata medida em que ela 0 F32”.rigs-1% 3 333.33%»a g.. Este é o limite que eu hoje atribuiria 21 liberdadc: o pequeno movime nu to que faz. W W :. 208 W ‘ mg. O 1nd1v1duo mterrorrza suas determinaeées sociais: interioriza as relagées de 3”“ SARTRE.-_§\\_ :3.). Sartre descrevera o mesmo processo de modo mais direto: Creio que um homem sempre pode fazer algo a partir do que é feito dele. Jean-Paul. A praxis..--°"$~ 5'}.>3. O subjetivo aparece entiio como momento neces- sério do processo objetivo. 3‘1 ed. 1991. “Cuestiones de método”.13 3X: 9: 93-3" : ‘35:??? "3’1 £32. cit” p.22”? PE. Buenos Aires: Losada."‘-%". Crz’tim de [(1 razo’n dirzféctiw._ . p. a agao do individuo é definida como exteriorizagz’io daquilo que foi interiorizado.=-.. ’\ _\. que 5510 as determinagées cardinais da atividade.x s». . 38. (SAR'I'RE.< $. representa em si mesmo a unidade movente da subjetividade e da objetividade. 2&3 X. de um ser social totalmente condicionado. i W WW.._. ou seja. . 81. o projeto como superagiio subjetiva da objetividade em diregiio a objetividade. Ms “‘3._ = . 3 -: 5 N.207 nos permite localizar o momento subjetivo no caminho da praxis do objetivo (deter— minagées historicas das relagées sociais) em diregao ao objetivo (materialidade dada que constitui o campo de aeao dos sujeitos). de Faro. entre as condieées objetivas do meio e as estrutu— ras objetivas do campo dos possr’veis.X _ . E neste ambito que em seu “Cuestiones de método” o autor nos fala da (.) necessidade conjunta da ‘internalizagfio do exterior' e da ‘exteriorizagao do interior’.\‘|é\V gm qr. W . 5..1-. e.206 Esta concepgz’io. {'3}. alguém que nfio devolve completamente aquilo que seu condicionamento lhe deu (.353 .WW WW3}3 ' 1W we . O “momento subjetivo” e’ a “mediagao” concreta da praxis.333 -.< 3. ~32 «u. '. 1979.v SW:. A 05a de Sartre: 6mm dd [Mara/ads. _\x : :\ _ .“ . ’ 3 we ----. f: v. Jean-Paul. e“: . uma dialética na qual o objetivo internaliza— —se no sujeito e este reexterioriza este contet’ido mediante sua agfio.. 229). -. 3:3 3. Szio Paulo: Ensaio.gy’ §%>%-. que se inspita 110 de Marx.saW 3 W 3333. v . AS METAMORI‘OSL'S DA (IONSCIENCIA DI'Z (ILASSli objetivo e do subjetivo. W W.

) por esta razfio uma Vida se dcsenvolve em espirais.333 3.’.-. exercern sobre a individualidade”.'§33:33:333“-.'\3-.3. 33. ‘. 33:: 3: 3‘53 33.313-3:'. Mas a alienaeio resultado objetivado 11510 é a mesma da alienaqfio da partida” (Sartre.209 Ocorre uma negagao da negaeiio.333. o desta A inspiraeao e referéncia imediata de Sartre na construgii dialética da interiorizagao de uma objetividade e o retorno desta l.\'. ..210 trans- formando e carregando as marcas da agfio subjetiva que sofreu... o agente nunca empreende do que niio seja negagfio da alienaqao e volta a cair no mundo alienado.133333% 3': 3.3 . a heranea objetiva interiorizada mediante sua em 219510 e. imediata com este universal que estzi presente corno costumes. = 3. volta a externalizar—se um produto objetivo que dele se afasta.333 3 33 333 3 3333 . No entanto. por sua “rea— lizagao”. a seguir. 45.333 “="=‘\”‘"“3= WWW” 3 3 33 ’“"' 33 “W”. no sentido da superagfio inicial. necessariamente. .:33: . isto é. 84.3 ..-.208 ESte processo dialético que Sartre chamava de “movimento de totalizaeao” niio poderia ser julgado. MAURO LUIS IAsI produgio.33. 53.~:3:‘J. 3 33333 333333 3333333 (“3-1335 3% E§3IN§ 333.3333 .. . . preocupado com a questao da relaefio da consciéncia de sobre 0 aquilo que chamou de “efetividade exterior”.~'533J. ainda segundo 0 mesmo autor. p..<3'. habltos 3”“ SARTRE.‘. P. as instituigées contemporaneas e. _ 3 .'--.33%.333“? "t. subjetividade novamente em objetivagao é evidentemente Hege fo ale— mas especificamente sua Fenomerzo/ogizz do espz’rito. 3 3333 “-W. . mas encontra—se em um patamar superior.333.333. por meio da mesma atividade..88)- 20‘) :3: 3.3 ‘. O filéso si com méio.83: nota 1)- 2‘” “(. 1979. a familia de sua inffincia.-3. nos remetem de volta a elas.3 ‘ 33333333 333 3 3 333333333 ‘W’ “ W " ' " “° ‘ ‘ 333 3.-. rzpud MESZAROS3 1' A 0677: d" Sartre”. 1979:» P.3'3. 0 passado histérico. reexrerioriza essas coisas por meio de atos e opgées que. nada 3"" “A alienagio esta’ dc alguma forma na base e no cume. Este raciocinio implica que o estranhamento encontrar— —se-—ia no inicio e no fim do movimento de totalizarjio. Irztz'nemry ofzz thong/It. a agao humana nega. p. questionava—se minadas tipo de efeito e da influéncia que as “circumstancias deter iano. passa sempre pelos mesmos pontos mas em distintos m’veis de integragéo e complexidaden (Sartre. cit. Jean-Paul.33333333333-33..1:5?‘2-1-23- 3 3 3. pela “intengiio”...3 9 3. este produto onde Objetivo final 11510 e um mero retorno 33 situagao inicial de partiu o sujeito. 33:. ”VI-"wk“ 3. Segundo o argumento hegel como a individualidade diante destas circumstancias estabelecidas efetividade real e objetiva pode assumir trés posturas: uma maneira tranquila l) em ser 0 universal e portanto em confluir de etc. mas pela objetivaqao desta intengao. 3&3.

Diz Hegel: Portanto [dizer] que tal individualidade.333. r1510 tivessem sido. para poder “particularizar—se neste individuo”. nem sendo ativa contra eles. o chamado estado do mundo. 3'3 Mid. estado do rnundo em geral. wmeno/ogid do espz’rito. No entanto. maneiras de pensar.. 195.3 3. Entretanto. parte 1. nfio os dcixando agir sobre ela. nada é assim tao simples. e outra vez séio indicados nesta individualidade determinada.) 36 da prépria individualidade depende.212 Como vemos. e portanto em subverté—los. 3 . com total indiferenca a seu respeito. em comportarvse como oposta a eles. 3) como também em comportar—se. o que deve ter influéncia sobre ela. maneiras de pensar etc. ou em relacao a ele ser indiferente. estaria nas duas pontas do processo: como efEtividade real externa (universal) e como singularidade no individuo determina- do.3.3 «.).333 3:333M2-333. situacées.. 3” HEGEL. se contrapor a ele. e qual influéncia isso deva ter — o que vem a dar exatamente no mesmo?” Neste fragmento observamos claramente a afirmacao de que a individualidade (Die Irzdz'vz’dzmlz’tz‘it) se Vé diante da relacz‘io livre com a efetividade do real que encontra como base para sua acao no mundo e pode “fluir” com este universal enquanto unidade com ele. que uma vez sao indicados corn dados. W. pois esta individualidade é também uma “in— dividualidade determinada”.33353333. G.. (. somente exprimem a esséncia indeterminada da individua- lidade — da qual [1510 se trata aqui. Circunstfincias. em sua singularidade.. mediante esta influéncia. O individuo nz'io seria o que 6 se essas circunstiincias. costumes etc.. cit. “0 estado do mundo deveria particularizar—se em si e para si mesmo”. habitos. F.3 vm swxw 333336. porque tal substfincia universal é tudo que se acha nesse estado do mundo.:3:2. costumes. 3M . se tor— nou esta individualidade determinada nz’io significa outta coisa senao que ela jzi era isso antes. p. dai a afirmacao que depende da prépria individualidade a natureza desta influéncia.3333333‘ 33:33 3333 . pois.3333 m: 3 x 333133323333 333333313 333333331333 1:33. se conhecemos bem Hegel. com tudo o que este estado pode incluir (costumes. AS ME'I‘AMORFOSES DA (IONSCIENCIA DE (ILASSI‘Z 2) 6 [a0 mesmo tempo].

se houvesse uma galeria de quadros represenrando a determinabilidade completa e as delimitagées das circumstancias exteriores. N510 nos estranha. V: §§>'-.$:__¢'. 202).E ifi‘s 5 . no entanto.t if». mas também é em si ou tem ele mesmo um determinado quanto ser fixo originario (.\‘:'. -.}.1 $21. 93. como uma esfera na qual a superficie é o mundo do individuo e 0 interior.i’a lialiig Esamiéfigimfl .fit: 2%. como igualmente aquilo que ele produ to de Sartre mesmo.efetividade essa que no indiv imediatamente.: ~§-.“ ia-séfirfisgfik lax-Eis. A implicagao maior do argumento volta. 0 set consciente que reflete esta superficie mesma. so pode estar no agir do individuo.. y: . Esta duplicidade nao geraria maiores problemas.? “. ”...liz§s§ériaiis rigs. a da individualidade determinada e a da “exterio— imediata. p.§=C E sagas. 197). a afirmagao de que o centro so pode ser concebido a partir do individuo mesmo. _ . 0 individuo é tanto marcado por sua determinabilidadg._ :"“'. “dentro da esséncia consciente” (o individuo).?._¢. da efetividade fenomenal -. Logo. Vemos a total coincidéncia com o pressupos duas reforqada quando Hegel concluirz’i que a mediagao entre estas efetividade dimensées.& mg. p.5}. no exemplo que nos apresenta Hegel. %‘~'\ {9. portanto.“\".‘-:-\‘ '9‘ M9. 1's): 5: \.. Easies. uma vez que ambos sao em si mesmos idénticos e contrarios em unidade. Conclui Hegel: 211 E: SW: . uma vez que é ele que pode deixar Huir esta efetividade que o influencia ou interrompéflla.°?=':-r.2 §a :iéaiia N31“ §§§é M ii}: i? is...Edie-sie."'\'":.‘\\ :m 5 M3 . corno.zéaf Y" :.'3"2... e a mesma galeria “traduzida”.i. cularli por aquilo que o originou como individuo (expressao parti z de 51 zada do universal).ss \35:_$-_ if?“ '. 1997..I »\\._\‘A. Disto resulta que o ind}- viduo (D115 Individuum) é “em 51 e para si: é para si. Assim construido. o argumento de Hegel apresenta uma nova circularidade na medida em que esta “superficie”. o agir como rizagz'lo como reflexao sobre a exteriorizagao efetiva” (Hegel. MAURO LUIS IASI de maneira que existiria uma identidade entre 0 universal e sua expressao particularizada em um individuo. nao por acaso a exterioridade da esfera. on é um aglr ser livre.¢_. nas palavras de Hegel. 1997. teria uma dupla significagao: a significagao de ser mundo e a de ser 0 mundo do individuo. .3 «5WD: {1:951 . subverté—la ou inverté—la. 3‘: £2 gal. que a conclusao de Hegel é o fundamento do existencialismo de Sartre. a sua” (Hegel.) tanto movimento da consciéncia iduo é..--" 5'7" (as.

a divisao de tarefas e papéis de género se alterou. cons— titui familia e cria seus filhos. tera menos .2“ . EEE 1E3 hififizfiifeh 2 . Morarz’i agora na Cidade. 84) e. nao existira a URSS.g-. de nosso condrc1onamento social através do grupo familiar).. p. 1979. 3% . de supetagao . nele. 205. a0 mesmo tempo.'-“. [1'30 6 mais a “mesma” familia. (in.'“?“2\“.. seu ato. em Porto Alegre. p. Apesar de 0 processo iniciar e culminar na forma familia.2” Voltando a0 nosso tema direto. age no mundo orientada por certa visz’io de mundo partilhada com seu grupo imediato (nos termos de Hegel: 0 estado do mundo universal encontra na pessoa sua forma de particularizagao). e o homem individual ('3 o que o aro (5.).}.. enfrenta o campo de possibilidades que se abrem diante de suas opgées. A “(fag-10 da negagao é um processo. o mundo se apresentara mais integrado e préximo.2 x 2??” M-“qi‘i’fé.EeEiaei E:2..:_'. 1m]: Pe‘WQ-i ”’1 Eff-m? “11332-5 ‘.:‘-. e seu ser niio é somente um signo.t_2've 2f: ewe. . -&W‘>§"-’>". . possivelmente carregando a mesma estrutura e representando as mesmas relagées sociais determinantes. a individualidade é efetiva (. estarao marcados no produto objetivo.‘j-. atuaremos com estes gestos aprendidos e que queriamos negar” (Sartre. O ato é isto. e 05 filmes de James Bond terao que garimpar novos inimigos. cantaremos com Belchior e Elis que “ainda somos os mesmos e vwemos como nossos pais”.filhOS. acordaremos com Marlo Quintana num quarto de Hotel na Rua da Praia. antes. Pknommologirz do espz'rz'to. as crianeas nao entrarao no mundo do trabalho na mesma 1dadeque ele. 212 . 0 jOgO d3 interagao de “seu” projeto com os demais que se chocarn no seu cam— po de agao. O ato é isto. ainda.§1-eW-% $“IE-:2‘-é“i§\{é WEE. a pessoa interioriza as relagées sociais determinadas de uma certa sociedade e de um tempo histérico.-‘|a‘2-V~'§ e"."=??='=-r:\\ i“? " ”315‘ 43:3?“ *‘3’3-‘7-9’E“""‘-“"i:-"°\E' EEEEeEewEEEeeEECE E @2e EEE E 2eEe32: EEEEEEEN‘E @2231} EEEeEEa‘LeEE EVE-fie E22 "$22 zeEe. verao televisz'io horas seguidas. com um café e um quindim.W 31-33.2"'. mas a Coisa mesma. de modo que “pensaremos com esses desvros originais (apreensao obscura de nossa classe. e olhando para o espelho nos surpreenderemos: 3'3 HEGEL. ao final. AS MI‘JTAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE CLASSl-l O verdadeiro ser do homem é. Sua aeao no campo das possibilidades. Por meio da vivéncia subjetiva das relaeées objetivas que constituem a familia.6 eonservagfio. ou.

Mas sei que vi. 9».. por um lado. “toralidade”. Aquele menino teimoso de sempre E teus planos enfim lei se foram por terra. “o homem sé existe para o homem em circumstanaas e condieées sociais dadas. nesses cansados olhos._p :35 w‘_-... r1510 corno produto acabado.«W: -. ou 2” QUINTANA."_ rig-2 4 ix e.que jzi morreu! Como pude ficarmos assim? Nosso olhar — duro — interroga: “O que fizeste de mim?!” Eu.:. surpreendo-me no espelho. Como para o autor francés 0 set humano consrroi sua praxis em meio a uma unidade de contrérios representa— da. Arztologirzpoétiaz... a infiril guerra! — Vi sorrir. urn dia — a longa. sua agiio esrz'i sempre em aberto diante de um espaQO d6 possibilidades que 36 se desenham por meio da atividade hurnana. ruga a ruga.“2=.~. p. E por causa da énfase contida nesta concepgiio da przixis que Sartre considerara este movimento como totalzzafaoi e r1510. ass. apesar de estar inserido num campo prz’itico determinado’pelas relagoes sociais de produgz’io e pelas condicionantes de sua epoca historica. afirma que.. Pai?! Tu é que me invadisre.. Meu Deus. ' : . Para 0 autor. por outro.-‘"<W g {914' isii§'-§’}5§:§§i 2‘3 iiifim iisi-iiiziiii gas-sis if: Was-firfi‘fp‘ ... ainda. pela liberdade..g>'=. gsis.iia isizs. pela necessidade e.':.°3=-=-.:. 55.. Mario. logo toda relagiio é histérica”. meu Deus. Porto Alegre: LficPM. um orgulho triste. simplesmente. MAURO LUIS IASI Por acaso. . entretanto estas relagées histéricas siio humanas somenre na medida em que siio dadas a todo momento como consequéncia dialética da praxis.\..“ Lembremos que Freud nos explica que a dinfirnica encerrada no complexo de Edipo culmina na identificagiio com o objeto que querl’amos negar... 2001. seu rosto. e pois nos permite entender o processo em seu proprio mowmento.. Que importa? Eu sou. iW'iré-isriiWiiiiiiii} “W‘ i“-‘-“>=S=‘-a EN i saissii i fies-ii isii i‘--'W?‘W“"--$'*?s ‘=.- BrELIoTECA CENTRAL o is«:‘Em‘éiiis i‘s‘iasfi.. é cada vez menos estranho. Parece Meu velho pai —. Para nos isto é de suma imoortancla.2 seam Mat->3: {’31 swig-*1 r»_--__ >>W. quem é esse Que me olha e é tao mais velho do que eu? Porém. Lentamente.

. N50 por outro motivo. ou seja. estruturas intersubjerivas. (5‘ Am _\\~. pela relacao entre forcas produtivas materiais e relacoes sociais de produciio. isto somente pode ocorrer na medida em que esta experiéncia se define na relacao “com todos os individuos que figuram neste campo”. 230). Jean-Paul. a luta pode gerar um outro como “niio humano”. uma totalizacao em curso na qual integram—se os diferentes fins e na qual eu sou meio do fim esta— belecido pelos outros simultaneamente ao fato de 05 outros serem os meios de meus préprios fins. de forma que o Outro é. 1979. se preferlrem.§-.‘15§a§“Q‘s egl~-_-Y>§W\Vo:-. . As relacées humanas sao. .g_$'v2s i‘f: fits: .. o antagonismo é determinado pelo gran de escassez que atlnge Cada um e cada grupo particular no interior de uma dada socredade. um movimenro no qual o Outro é meio a0 mesmo tempo em que eu também o sou.’. até certo ponto. grau este determinado.= x \. Par'a cada' um o homem unste . Neste contexto. . assim como eu. 0 homem. porque nunca ha 0 bastante para todos. ._\ _»_ nip”.:$. _r\\\-. a “praxis cotidiana” se reveste de uma importancia central.‘5' a.‘.\ . Crt'tiaz de [a mzo’n dizdéctz’m. : mm. de modo que.. on. sua préptia atividade se volta contra ele e “10 cliega como Outro através do meio social._-_§\\.-s|a\?-Vx?y: §--__ . . cit” p. através da matéria socializada e da negaciio material como unidade inerte. a». \ w. Uma vez que cada um esta consrituido “em sua objetividade por si mesmo e por todos” e sua necessidade esta determinada pela sobrevivéncia. para ele. 214 W . p..}::_':. : w . Este espaco de liberdade em que se da a acz’io do individuo é ele proprio determinado por uma contingéncia.t $4 . E este fenémeno que Sartre chamara de “reciprocidade comutariva”. se constitui como Outro distinto do . de Forma que a sobrevrvéncia de um esta em contradicfio com a dos outros. esta intersubjetividade é uma relacz‘io de luta. Desta maneira. METAMORI‘OSES DA CONSCIENCIA I)I£ CLASSES AS seja.. como espécie esrranha. da pluralidade das atividades no interior de um mesmo campo prético” (Sartre.215 215 SARTRE.como borm’m mumzmo homem. segundo Sartre. 263. -..{1-9W&“}._= _. RN. se a “organizacao do campo pratico no mundo determina para cada um uma relacao real”. Como a experiéncia humana se define em um contexto de “escassez”.

:. . Sartre lanca mao do exemplo de uma fila de pessoas esperando um énibus para ilustrar 215 :‘.W s .:§s-. de certa forma.I$-s. mas um certo padrao de apropriacao e acumulacao em meio a abundancia e a riqueza. p. de forma que todos sao definidos como concorrentes e inimigos ao mesmo tempo em que cada urn é definido por todos com o inimigo. numa luta de todos contra todos na qual ninguém ajuda ninguém. na qual é “cada um para si”.\. :\. A forma social coletiva é a da ocupaciio do mesmo espaco de luta.5?” “3“)? Sign . unificar o grupo humano e estar na base das for— mas iniciais de trabalho e sociabilidade que constituem o humano como humane. mas nao integrados”.__m_t:___¢\-§_ iaeakifi-iaa-imifi i pad->32 a&.-=-. estao “reunidos. cada um é indeter- minado. A escassez na luta contra uma natureza hostil pode._\':__:.32 g»-.9*. como “pluralidade de solidées”. paradoxalmente. as)?“ <§a.I. 0 capital produz um novo tipo de escassez por meio da acumulacao privada da riqueza socialmente produzida.95-9“ “Mite ‘43 ”$1.~\I. como multiplicidade de individualidades. \s".: r we...o. ainda que desempenhe um papel consideravel. A reciprocidade ainda funciona aqui. na tradicao marxiSta.. Esta forma de expressao inicial do coletivo é que Sartre (1979. a.& “a 9. No interior desta sociabilidade determinada.. mas invertida.Ea. 33:?”i a‘éifiia E§. r313.. E um coletivo serial no qual cada parte esta acidentalmente ocupando um lugar. Na sociabilidade do capital.. naquilo que Sartre chamaria de “campo pratico-inerte”. assim como. nao pode ser reputada como fmico aspecto. mas a série em que se encontra [150 e um grupo. Cada individuo vem de sua insercao em grupos.g»-. 0s seres humanos concorrem entre si pelas possibilidades de uma vaga na divisao social do traba— lho. _I\I\::_-I_:.s?st\v. a :‘ Wait-'R‘fr‘ f: “. 396) denominara de “serialidade”.<a\. MAURO LUIS IASI Sabemos muito bem por que uma sociedade assume a forma pratica de niio humanidade e a que ponto chega este processo sob 0 reino do capital. aria-2% Zatmafiégiiam .t§-x§-%tiaix 293% was “silk z-aéa été‘ia-afi._ “Ni-‘1' o: 951?. A énfase na escassez que se apresenta em Sartre.. O reino do capital produz como desumanidade algo que nao tem por base a escassez propriamente. 0 set humano reificado é o meio para atingir 0 firm estipulado pela materialidade capitalista fetichizada e incontrolavel.:°. L’mica maneira de garantir a sobrevivéncia.

mas igualmente transcendentes. para mim. mas também numa situaefio de auséncia. neste bairro. ao mesmo tempo. Faeo parte da série dos que se sentem culpados ao tomat um sorvete. Ainda que a atividade de cada um esteja de fato integrada em uma totalidade que em nossa sociedade é 0 capital total. Nimrxatig-ésaimiri} i tantra rt= tt r:= %§.Etritrrfi. mas posso nunca conhecet um outto que sente o mesmo. A serialidade pode set vivenciada pela presenga diteta.. na volta terei que comprar cafe e p510.fiat:t-«aaar.r::'-:. no trabalho terei que terminar a tarefa que deixei incompleta no dia anterior. . Estou saindo para 0 trabalho nesta hora potque aluguei esta casa. para cada membro da série esta atividade se reveste de um interesse individualizado. que a natureza da série nao se altera. indicando que a serialidade é individualizante e. como o horzitio que cada individuo saiu de casa. seja por fatores r1510 acidentais. comO no exemplo do énibus. os membros da série apenas coexistem no mesmo espago e disputam OS flSSCI‘IEOS- Um membto da sétie pode ser ttocado pot outro. na padatia ou mesmo. 1979. p. no ttabalho e. seja pelos aspectos acidentais.:§sai t r- rr wt. Fago isto cotidianamente e em razfio de meu bairro inteiro fazer o mesmo é. talvez me presenteie com um sorvete para compensar meu esforgo. Seja como for. como a sepatagao entre 0 local C16 moradia e trabalho e um certo padriio de acumulaoao que permite a uns item com seus cartos particulates e outtos setem obtigados a enfrentar as filas do transporte coletivo. AS METAMOIH‘OSES DA (IONSCIENCIA DE CLASSE a serialidade. como é a sétie que se forma pelos ouvintes de uma estaeiio de radio (Sartre. Vivo a totalidade social em uma capsula individual e em nada alteta esta percepeiio encontrar no caminho outras Capsulas e pattilh ar com elas o espaeo no énibus. ffs laafifar- arr-kt rag-{ri » t Ea: tat-tr . 410—411)."~:. considerados normals. tt €33”?e rant-rs WW tr East-airtirir t“. absolutamente impessoal. talvez niio. ou mesmo todos. em niveis patologicos extremos. m» vrw Zarrrirfitiifrlo. pois me sentirei culpado p610 gasto corn urn item supétfluo no meu oreamento tfio apertado. em cettos casos. no casamento. O que nos interessa é que me vejo como 216 29mm =r. um fato contingente e acidental. A unidade desta reuniiio de individuos é externa a0 coletivo ali formado.

Antes dc estudarmos o processo pclo qual sc revcla que as coisas as de néio siio bem assim —— como comprova.§\ Axis} ‘3....\\\\§\V.\ 9" {9&3 x..} i zigzag“. '3». ninguém me mandou fazer isto. ntc. cada um aparece como um dc sujeito atomizado buscando scu préprio interesse enquanto. .<AKJ~\J\ 2:1I {I} fit} Q. a. %3 § .’.-'. R“Ed .. ygéfiifysfi ifii'? i«g»:} . $1: €33" l? ‘3‘ mu»\\3:. mas uma “antipraxis” na qual espaco da liberdade é nulo. agora. herdada revelando uma coeréncia irretorquivcl aquclc que a possu dc uma sociabilidade objetiva imposta. e a rede dc rclacoes que me une aos outros aparccc na forma dc uma contingéncia absolutamente acidental.s. as trajctéri Vida daqueles que se orientam por urn comportamcnto militantc —. Eu me vesti para sair ao trabalho pela manha porque cu assim quis. 09‘ _vQ (A'._ I \g §}2\\5 k ’55-“? 3’1 :25.:. mas pital total C a reproducao das condicoes gerais dc sua perpetuagéo.??? \ \ £7“ . .. w v . . . A forca cxtcrna que impunha da a atividade ao individuo se internalizou..“ ' flush" it}? E-EEAFE. desagregada e ocasional. m..i. v.. l 3%.‘. if? "' = {CV . it %xVii m}. .. fl. {km-. acordei bem cedo c fui ao trabalho porque sou um scr rcsponsz‘ivcl quc sabe dc seus dcvcres. MAURO LUIS IAsI parte isolada e singular.1% m: z: '2? is“? . constituind o niio propriamente uma praxis. .fiw?. por cxcmplo.§9 . .é 3w: s ‘_.... . g 5-. Cada um buscando scu prépl‘iO a intercsse realiza o interesse geral.-. SA}: ail-'3): E"? Igpxx 5 Ismsi.’n u. . A consciéncia imediata do 361' social sob esta ordem so podc naturalizada c se apresentar como uma consciéncia individual._‘~..53 's' . mas igualmente o na mediacao pela propria atividadc dos individuos.\\ ._-. no contexto igualdadc “natural” dos individuos. fato. . a alienacao nao cstaria apenas na objetivida ponto dc partida 6 na forma objetivada ao final.y. como a servidao on a escravidao.'-. mas atemporal. formada bizarrame i. z. rcaliza o intercssc do capital social toral. : j«J.. $6 a socicdadc capitalista podc levar cste processo dc individualizacao ao maximo pelo fato dc superar os conSErangimentos mais evidentes quc subordinam o ser humano.. -\.a.. 3-"w? 2*?‘1. 217 :3: 3._§ é K.w: i .s-.-_. . {‘.. mas cstc niio é a harmonia 6 0 ca— felicidade do conjunto como quer o pensamento liberal. 5 . .. uma coisa mi— nha. A interiorizacao dc uma objetividade social particular aparece como subjetividade singular. do meu carater. = $4 g 92’s“ 32‘3“: (13:9? ’ \ "" ' 9'5" 1. apcsar de desejar permanecer em casa olhando meu jardim. Da mesma forma.- . 9:: gm“ _w . 5. mas que o individuo julga como “sua” auténtica subjctividade. x._..'w. dc do Nestc sentido. 5“" ti: 5 “NE-9' it W a ‘3' 3' ' “E N” \' g” ‘ é.

22222222222222222} 2 21. o que nos remeteria aos séculos e milénios.. que para Sartre é o espaeo da liberdade. aquela na qua] o IlllldllO .222 222 2. ainda que niio seja Jamals o mesmo. possibllldade P 355:1 ll] 1 (. 3. Se assim fosse. A perspectiva sartreana de um movimento de toralizagao em aberto pode nos fornecer algumas pistas valiosas no caminho de nosso estudo. . Vejamos mediante a anzilise de algumas histérias de Vida como ocorre este processo. agem no terreno maleavel da historia enquanto devir. nao constitui uma fatalidade inevitavel. nao hzi uma correspondénCia direta entre o carz’iter da sociedade. . produzindo uma nova objeti- vagao. A n 218 222222 2:2. quanto alterzi—lo.I'LIIIL PCLl dittfmlnfibllldddt. . uma forma social seria imutzivel. Diante de um campo prético-inerte. mas mesmo na perspectiva temporal de geraeées. Néio apenas no que refere aos modos de produgz’io. 316 C omo22. a consciéncia de seus membros e a agao dos individuos como repro- dutores mecz’inicos desta sociabilidade.122222222222222222 . os seres humanos. . em cada momento. 3 J i ‘3 ' 1 3 ‘I ' I . institui uma realidade em movimento que pode-tanto reproduzir 0 real do qual se partiu. de uma obje— tividade historica herdada.vem .216 No entanto. ou seja. f ’ _' . ou seja.. 222 W 2222:“2-222 222 23:2 2222 2. naocassml taoneurraquamoas consequcncms. apresentada por Hegel. Mesmo que saibamos pouco sobre a sociedade humana. AS MIE'I'AMORFOSES [)A (IONSCIENCIA Dl-l (ILASSL' guardemos um pequeno espago para o fato de que esta é uma possibilidade real e que certas pessoas podem passar toda a sua Vida reproduzindo a existéncia reificada da ordem do capital. 2. Este momento da przixis.1 II tireelra (“95.222 2'2 222 222 2‘222. sabemos pelo menos com um grau muito grande de certeza que as formas de sociedade mudam e mudam muito no decorrer do tempo. 222 222222 223222 ‘2 “2 2:. ~ . na gradaez‘io de décadas. 222 22 2 222222 W22 2223222222 22 2222 2222:1222 22222222222222 2'“. por meio de sua praxis. se eSta é uma possibilidade até mesmo bastante frequente. certamente muito menos que nossa pretensao supée.

momento da interiorizacao da objetividade que constitui um set social particu— larmente determinado. Jack London218 4. “4._ . Buenos Aires: Ojala (Cubfl)/Alfiz (Argentina).'. p.) Eujd em isso. ig‘a its “52% i3 Witt? if. Marz'posas. i. :._ -: wheeze m__._ i‘iiiwiaiitiziifiii? i it. 4 DO INDIViDUO A0 GRUP O COMO TOTALIZAcAo DIALETIC A L05 hombres sin historz'zz son la historia Gmrzo a gram sefbrmam [argzzs playas 3/ [Mega view 61 vierzto y [as revuelve.:...g=. _\V:':_\. _\~.» “:5: _»= _* 43-44: :\\_>.__4.«45 _4-. 6. C 9.E ‘5‘...3 _-.\\ «x .. 1999- 2” “Como me tornei socialism”. acaba semprc tondando os séculos XIV a0 XVIII.. . 2001... defarma igmzlmerzte eficaz. A forma particular que 0 set social assume.‘.4. W2 ii3hii§i}iii§i . “3.\ 14.l: as 934. '_.44» 4 = 4_. Silo Paulo: Expressao Popular. Silvio Rodriguez217 (..?). K 9444:”): x.54.4\.4. mm % gfiiifiii“. incluindo neSte grupo gigantes do pensamento sociolégico como Weber._ ):\\\-_c\. 33—34..1. :m: \. que coincide com a formacao do modo capitalista de producao. 49. \.\.) aparenremenre mm individualismofiroz foi efi’tivammz‘e extraz’do dc mim efoi-me incufma’o 0mm coisa. 2‘9 A maioria dos autores que buscam uma alternativa ao marxismo partindo d3 critica de um certo determinismo. Foucault. . apés um longo processo hiStérico. exatamente o periodo histérico que Marx identificou como 0 de geStacao da forma capitalista de socwd ade._ -. Elias.\ 4. W9 i iiiv‘i‘t Qwiiifi. A przixis individual e o grupo O primeiro momento do movimento dialético de constituicao da consciéncia que estudamos (E 0 momento da determinacao da forma histérica sobre as consciéncias particulates. a com ajudzz ([05 [Euros descobrz' que i550 em ser sociaiz'sm.-. p.“ $322.s_.v_:. [7077717d [as pisadas e [as nombres (H) pobre hombre d6 arena. Cantos. ni atbol ni libro”. é a forma de “individuos” 2‘9 2‘7 “Sin hijo. .\'v E's): £4 \. 56s Id 0 que issofiosse.:_m.4-4 )4: gr.344.

produz 0 set social como individuo. nas palavras de Pichon-Riviére (2000. a partrr dai 1nconciliavel. proprio do eu.\‘ \w.'_ \\_ .--'-. O resultado deste processo fica impresso na pessoa e em seu préprio psiquismo como marcas daquilo que Foucault (1977) chamaria de corpos doceis e assujeitados de uma sociedade disciplinar."1-"1'Q\'§" .mm. W’} A ..$'. o muntlo externo. p.\ . «K. nos termos antes descritos por Elias.\ . fragmentacfio e divi- sz’io. mas. ao mesmo tem- PO em que reproduz a ordem social que esta na base deste ser socral Particular.9322 Hit} 33 3.\ «V a". por intermédio deSta mediacao particular. ':.U1“ tempo dc homens partidos”. na realldade material das relacoes sociais . iai’é“ 153‘ 5V“? '9" 5?: ”"§ ‘25-‘93”: 1" '13:“? -':1' 1'. sendo.. '=. como produtor 0“ vendedor autonomizado de uma me rcadoria particular. expressa padrées emocionais e apre- senta demandas de sua época hisrérica como um conjunto de restricoes e preceitos que devem ser levados em conta pelo novo SCI“ em formaciio.‘ f: fig Mg???» 9-. e. EM" 3&3 $33233}: 32:1.-. O modo Como historicamente se opera este processo éftinda responsivel pela existéncia de uma dualidade. uma forma particular de estrutura familiar que restringe os objetos de identificacao e opera dentro de uma hierarquia de idade e sexo. ‘ figifi ‘. '__.._. ' A sociedade dos individuos.\. 189). §§§§§§§§j§ ~. '11:: 1' 3330?: . 2 3'1“ {116 -\'f-. entre um universo interno. _\V . O ser social sempre se insere em relacées preestabelecidas e pode apenas viver uma parte da totalidade histérica em movimento. “uma 220 Como IMO r lembra' r dos~ versos 1 dc Dru mmond: ‘ ' ‘Vwemos um tempo dc pilftldo ' . O ser social assume a forma historica d6 capfulas IHdiViduais nao apenas como autoimagem.""=‘\"‘ ‘Q’I’fii 12“} 'fizgi ix? ’WE. m: s: \.3:: = . Wififrfiin . apresenta alto grau de desintegracz’io. uma feicz'io prépria.-. A objetividade internalizada. A particularidade vivida inicialmente como universal pela crianca em nossa sociedade é a familia nuclear burguesa.W.' ' $1'1E'1-‘1‘. isto impli- ca uma certa forma de expressz’io daquilo que denominamos senso comum. AS METAMORFOSES DA (IONSCIENCIA DE (ILASSE Para a consciéncia social desta época particular. §3§}§%b§a §‘%. ‘:. 9"". . 3 i' ki: £32. £2 §§‘ § Nfli. Alguns aspectos universais da formacz’io da consciéncia ganham. --¥>. antes como PIOCCSSO psi'quico do que como valores de ordem moral 0U SOCial. i \-..

naturalizada e universalizada. o mesmo grupo 221 E -E. . no movimento do capital como forca social. moldar seus desejos e impulsos segundo entada. ao novo ser como 52m consciéncia. Ela apenas como externaciio da prz’ixis humana anterior. apresenta uma forma particular como se fosse universal.-‘. na qual uma certa consciéncia socia . Esta objetividade constituida enquanto subjetividade se expressa nao coloca-se como alienaciio em vzirios aspectos. Sua generalidade se particulariza enquanto sua particularidade se universaliza. E.220 Nesta situaciio prevalece a serialidade (Sartre. Manifesta a objetividade corno forca incontrolz’wel diante da qual o individuo isolado nada rem a fa— zer senao se submeter..EEEEEE ME. EE EEE EEE EEE EEZE E E: E: EEE EE.. Seu caréter social é dado por algo situado fora dele. E. a x. no mercado. a normatizacz’io.‘T‘E’. normas externas. restricz'io e organizacéo externa apres meio de Como neste processo a objetividade lhe é colocada por OS figuras humanas de identificacao que concentram e sobrepéem aspectos de afetividade e punicao. mas como uma peca intercambizivel e aleatoria buscando seu préprio interesse individual e egoista. Ela é uma objetividade inter— nalizada.. MAURO LUIS IASI sociedade cindida constituida por individuos cindidos”.: -.': 9‘13: (EN: 1%): 5: x. . mas como algo estranho ao sujeito. A funcionalidade da primeira forma assumida pela conscién— cia social do individuo encapsulado. forma de A primeira forma da consciéncia assume assim uma l é apresentada imposicz’io.’-°EE EEEEEEEEEEE EEE‘E EEE ”EEE" EEEEEEEEEE E: EEE EEEEEEEEEEEEEEEEE . E individuo corno ser humano e 56 se torna social enquanto parte da engrenagem do capital. . o ser social ocupa posicoes na rede de relacées que constituem a sociedade. E EEE-EE- \:_ : \. E‘E‘EEE'E’EE‘JEEEEE E‘ EEW-E-v-E Er EEEE’QEEZE “="‘=‘. gerando a impressao de que “sempre foi assim” e portanto “sempre serz’i”. EE \“A:_$'_ :'-“. 1979). SEE-i _\E... ou seja. como Vimos. como a identificacéo com o ser que as impée Amar quem se odeia e odiar quem se ama._ME V._ a EEE-E.\_. desenvolve—se uma diale’tica de cfio das amor e (3dio que permitiré nz’io apenas a eficaz interioriza ._. pois a unica forma de contor— nar este problema seria a imortalidade.EE EEEEEEE E'E‘ E 2‘ W. O fato de uma forma particular de sociabilidade historica apresentar—se como produto da przixis de outros seres humanos é inevitz‘ivel. ou seja.\ '4.

mas apenas a realidade. sentido 68W (1116 SC expressa no préprio nomc quc niio indica uma singularidadc. qxx: _‘.. De todos os fatos relativos 21 sua crcnca sobrc os mortos.) OS espiritos voltam para visirar as aldcias uma vez por one C parricipam._. Desse modo. da mesma forma nos scntimos mais vivos ao criar um partido do quc Slmplcsmcntc entrar em um que j.}._. -. naturalizada c sem hisréria. 222 . entao. O ser social na capsula egoista individual vé o mundo como uma rcdc dc individuos em competicz’io. -. s. PW. p. ela nao é para o individuo uma aparéncia estranha. . .221 Ocorre que.» _\x :. Estc fato quc parccc improvzivcl aos olhos do loomo inclioz'dzmlz’s pode ser verificado sem maiores problemas nos mitos c relatos des— critos por antropologos que Observam outras culturas. . . impressionou o famoso antropélogo uma certa rclacfio com os morros. cnvolvidos numa guerra de todos contra todos c controlados por uma forca cxtcrna quc a a 2-1 Esra 861153950 :1 encontramos no espaco livre da praixis.1:??? “fig-gagging». Esrc scgundo aspccto niio é ncm natural ncm ineviravcl. a}? it“? lasa.. m». a grands festa anual ondc recebcm oferendas” (MALINOWSKI. csta forma social se mostra como estranhamcnto quc entra cm contradiciio com o novo ser social. Os argonaum. Sio Paulo: Abril Cultural. o quc mais me impressionou foi 0 dc que 63365 natiVOS quase n50 tém nenhum mcdo dc fantasmas c nao cxperimcntam as sensacées dc a{Ween-551‘) que nos sio caracterisricas ao pensarmos numa possivel volta dos mortos. do Paczfico Ocz'a’erzml. 1978. \s \ a._\ »_ _ s 9. c n50 dc sua simples rcptoduci‘io. .13:3 4. AS METAMORFOSES DA CONSCIENCIA DE (ILASSIE humano quc produz a socicdade vivé—la como produto. 64).§.. quando colctivamcnte participa- mos d_a‘3_r13§50 dc algo. Pym-$. E conhccido o sentido dc unidade dos membros dc cerras culturas como o conjunto da tribo 0“ c151._ l“) {EV $9: 1% §§§ iiié-i it?“ if E23351}. mas o pcrtcncimento colctivo como Navajo. Em uma cscala maior. A alienacao presente na primeira forma dc consciéncia complcta—sc ao cxpor a realidade estranhada como “0 real”.91 91". 35:9:. Bronislaw._\\~x ”mo. -_ _r\\\-. ‘-. N A???” para (131‘ um exemplo ilusrrativo. I’odcmos scnri-la quando.i cxistc._ 475". .: _\_'. primeiro diretamentc contra suas pulsécs c dcpois como forma rcstritiva num ccrto regime dc producz’io dc necessidades. mas cstranharnento. «x ?.: V_ E i 99:99“ N_.<‘\'§. nos quais rorna»sc possivcl a construczio dc uma nova socicdade e tudo parcce por fazcr. além de um produto objetivo.. . além dc aSSlsmmos a uma peca dc teatro._ 2.v'. if: fits-3i: 3 £33» i: Kiwis-*‘E‘iafis §§ {331" ‘2 if.191”: 3-.\\ . podcmos rcprcscnta r CStC espaco nos momentos revolucionarios.222 A forma histérica dc nossa sociabilidade. Tcrcna ou Waimiriarroari.’. (. $3. na cultura estudada por Malinowski — os nativos In! In) dc I PObfland —. : \\. Urn novo ser social podc cncontrar uma sociabilidadc objctivada c integrar—sc ncla como 610 do fluxo continuo de uma przixis colctiva. $3. . participa mos dc um grupo dc teatro c vemos nascer O'PWCCSSO Cfiativo.‘. ta: §i駧s§§§ £35333 if: is? its? 7%. do mi/mmzlzz. eter— nizada.. aprcscnta-sc nz'io apenas como objctivacao. a forum capitalista.

gafiigéfimfiflwg 5. p...\'-E i é-fi’EV-gii“‘i=§%i§-='°E ...I\{:.. Nesta visao..iaéfiieiéfik NATE-:13..§:. it? $. (Stimas de desenvolvirnento e de eficacia como forma de particular corno A primeira forma de consciencia ja apresenta o s a funcio— universal. que lhe dara acesso aos valores de uso necessa— iéncia rios 21 sua existéncia. 160) a forma como Freud define a relacao do superego e a interioriza cao cla norma externa.ii. assim corno os interesses e a visao de mundo propria de uma classe tornam—se a visao de mundo da propria pessoa.. -k¥%“¥%§' . MAURO LUIs IASI todos se impée — o Estado.. ern sobre 3“ Ver. a ideologia é a expressao organizada e fins deste particular para permanecer como universalidade corn dc dominacéio politica de uma classe sobre outra. a capitalista...‘:\:-7. . .-. 3. que ganha contornos de pensamento politico sistematizado em Hobbes e Rousseau.."... o histérico como natural. ainda que seja a consc particular de uma certa classe. mas...it..223 Como esta “realidade” é uma forma especifica de sociabili- dade.\‘Jé‘z’... a consciéncia inicial se produ no individuo como autenticarnente sua. do Assim.\. o novo ser social é moldado corno um ser da ordem concor- capital. . um determinado interesse particular aparece na primeira forma de consciéncia como universal. . 223 m§_. o argumento descrito por Terry Eagleton (1997...fifli. a expressao das relacées que fazern z de uma classe a classe dominante. Se a consciéncia imediata tende a viver o parti sistemz’itica corno universal.c M .. r1510 65 a sociedade que cria o Estado.. Isto implica que..\-". de certa maneira.w: i: it”? @523 i”. .zw. 2‘....‘II‘H. :1 titulo de ilustracfio.~. . o Estado que torna possivel a sociedade...Nwéagaivméh i swim-r32 suits E was. ... is...§.--\ . i $11930 lifis if: v.. como um individuo livre e igual aos outros.. IV}:'.. Esta forca externa completa—se com seu correspondente internalizado na forrna do superego. a ideologia é apena o politica de nalidade deste processo como exercicio de dominacii cular uma classe. .h. . s‘-*"'““I”"<“%”‘ ..§. r a»? 1».<1i. A “realidade” é definida pela concretude das relacoes nas quais 0 set social deve vender sua forca de trabalho para obter urna quantidade de equivalente geral na forma de dinheiro.. ideo— Tudo o que falamos até aqui ocorre antes do fenémeno vai operar légico e nao deve ser confundido corn ele.. A ideologia sobre esta base antes produzida e nela encontrara as condicées dominacao.\ ¥9’\ “$333 m.

. tram}.w av-MW-ya: rW- “‘{g}_§j§§. (. .\. .§_-m_t.v'. \ ‘1‘?” .) a natureza humana — niio importa o progresso material — é imu- taivel.. ."aE-mka %wé'w its?) r—“fi-‘u £13.. da igualdade. sem que sejam universais de fato. a democracia.. na qual a esséncia humana poderia expressar-se plenamente. Todos e cada um destes valore s 550 de fato universais. Eli-H23 w}? item-M 3m: $2" WWW} gm“. O fato sin- gular de que os seres humanos produzern socialmente sua existéncia encontra uma certa sociabilidade particular — a capitalista —._:I§\\x§.l‘é’g-. um ser capaz de autocontrole. AS Mli'I'AM(. . \ 3““ -. livre para vender e comprar. 53-:-= ‘ifli: ':-¥--“Wi\§\-i‘:§-\‘%‘=‘ .5§We"gfiFVWZEE. livre para firmar contratos. W 5: mm . : .E... se universaliza como a forma final enfirn eneontrada. O que aparece na mediaeao imediata na multiplicidade particular de individuos isolados é antes. estando obrigados a produzir a existéncia por meio das relaeées estabelecidas corn objetividade.. . ‘5‘ \.33:”? c. Ele nasceu espontaneamente. e de sua natureza. . .) O capitalismo niio é uma ideologia pré-elaborada. 21 mai. awe 2.. m. a figura dos capi- talistas em eoncorréncia entre si.x.‘\f‘1-9§_..$a\\ 2m. cuja convicefio liberal so (5 superada por sua espessa mediocridade intelectual. __ a \m*)ts\? saw») me: §E§§am Elk” . da mesm a forma que uma sociabilidade politica.‘FM§="§i§._..p %‘:2€‘15§’€§ fw‘éfii‘i'i iz‘fiiifié'tfi : NM. . ac {N . ao mesmo tempo em que se subordina a um controle externo que reconhece como legitimo.i. Paulo. ak. livre para acumular privadamente a riqueza socialmente produzida.:. Aquilo que aparece como liberdade na forma ideal valorativa de uma certa visiio de mundo é apenas a sintese universal das formas particulates nas quais cada individuo é proprietario e livre (portanto igual) para dispor de sua propriedade.. Map} : \X.-.‘ an“ stair-2s.\. eomo consequéncia natural do progresso econém ico da I‘Iumanidadefiz'1 33" 0 Ermda (Z6 5... Urn born exemplo desta ilusao nos dzi o senhor Joao Mellao Nero.H.‘i. quando nos afirma que: 0 capitalismo funciona porque ele aceita a natureza humana como ela é (. . is?”- gilt”: 1-. da liberdade e da propriedade. iN. . Os valores préprios desta universalidade assumem a forma do individuo.S‘\I§a %: i*? is“? 3“ sum M“? m uma“ $3M" .)RFOSI£S DA (IONSCIE‘NCIA DI-L (ILASSIE réncia com os outros pela propriedade das riquezas e bens dispo— niveis. p.' Q “W. '_. \..w. na forma genériea. ’m. .. a . Por meio destas relagées particulates é que o ser so- cial se eleva :1 nova generalidade. sé que na forma de uma generalidade burguesa. cadern o A. 2004. - . _!_(_ gxx {WeQ_\"_$""$‘%5\}':$.§h&g v.‘<t a:t ’?.. 2. O mundo é assim porque o ser humano é assim.

%‘~'\ {9.mente niio se referem ao simples atendimento de necessidades imediata nem a propésitos utilitarisras.). e sabemos que cada individuo quer dar o menos possivel para tirar para si 0 maximo que puder..53 pig-fl: K?. \T .. cuja sombra penetra até mesmo na mente pre— antropélogos competentes eSterilizando—lhes a visao atraves de idelas movido em concebidas. Muito ao contrario. é um homem primitivo ou selvagem imaginério._“A-@:_. Assim. uma relacao mer- cantil. em sua realizacao sao despendidas grandes parcelas de tempo e energia que.‘3. am laarfififiifrlm . do ponto de vista utilitario. seus objetivos s .\\\'-_¢_.‘ab s3}. :55}: t._. e seus estudos podem nos ade dar urn born exemplo de como o ser social de uma certa socied D12 projeta uma imagem distorcida universalizando a si mesmo.t i‘w1”’§::}‘z by: gas 9. sao inteiramente desnecessarias._ ‘ i an? ass-3a a§a§a lit-:ta’waaw 293% Ma:..:_‘_\.2? fiffir‘)‘ gag-4 1m. Um atingindo seus objetivos de maneira direta e com o minimo de absurda e' finico exemplo bem analisado serzi suficiente para mostrar quao por razées ' (esta) suposiciio (.izéiae} Ea.. projetando sua propria imagem distorcida.<~\'<._.‘.. pode ver 0 quanto era inapropriada a visao da teoria economica sobre o chamado “homem primitivo”.. Essa criatura ficticia de existéncia persistente na literatu de certos popular e semipopular. M a I“. Bastam duas pessoas para que uma explore a outra e procure tirar vantagens. P}~..:?.2.‘§>'-. todas as suas acées por uma concepciio racionalista do interes esforcos. Toda relaeao é uma relacz’io de troca.. com sua ten— tativa nem sempre bem—sucedida de “distanciamento” etnografico. MAURO LUIS Ins: Por meio de uma ultrageneralizacao. encontrada em alguns textos ra econémica cas.) o trabalho nativo nz'io é executado segundo a lei do menor esforco. antes de tudo (. 0 famoso antropélogo: a do ‘Homem Outra nocz’io que precisa ser destruida de uma vez por todas é de ciéncias econo miu Economico Primitivo’. O nativo de Trombriand trabalha movido certa— V dc natureza social e tradicional altamente complexas.=. O trabalho 225 \'\\ ? § :3 ..~§'k !\\:7. Quando Malinowski estudava os trombriandeses. O comunismo jamais sera uma forma de sociedade viavel pelo fato de que supée a possibilidade de que cada um ofereca em trabalho tanto quanto for possivel por sua capacidade e retire do produto social tudo aquilo que lhe é necessario. 9:3 $4. o individuo julga todas as e’pocas e situacées..>3: V3. se pessoal.

._. 096 an. Por este mouvo.. 331: $322."i"’. 22%" Saw" “WWW? “33“. o homem egofsta. I I I 3) Malmowski apresenta uma consideracao altamente reveladora: “5 MALINOWSKI.2 5‘21 5W‘1:f. sempre f01 asmm._ g Wi':\"-2i$i$:‘..2.2: iaémsg‘ Elk-S 222%: .‘:""§-"‘.:. a descricao d0 Papal que ocupa esta figura com denominacao tao destacada é incom — preensivel para o ser social capitalista.. “autorldad e”.\2_*\ @531? ii:.Trata—se de uma projecao de uma certa visao de mundo Prépria de uma sociedade na tentativa de descrever outta cultura.lo chefe usando pal'w c c ras como “ l1dcr‘ 'anca”. O que OS economistas encontraram no passado 11:10 ('3 0 homem do passado. aro. prepara suas baterias argumentativas. *2:. o que manda tem privilégios.z§%§:§m MW 52. ' por vezes pode haver discordanaas ' entre O ltermo utillzado e a realldade que este quer expressar. 11135250 certo ponto de vista. 57. sempre sera. AS METAMORFOSIES DA CONSCIENCIA DE (ZLASSE e o esforco nao constituem apenas meios para atingir certos fins.j. por exemplo.”6 O velho Bronislaw nao podia desconfiar até que ponto esta sombra penetra na mente de certos antropologos competentes desfigtlranclo SCuS juizos mais objetivos por meio de ideias preconcebidas. .: 21:39-22: 2:22. Os argommms do P21617220 Ocidenml.226 No entanto.3. ilustrada através dc sclvagens imagin‘irioS 22 (em apenas finalidade didzitica..:323-555j2: 55. como fica I i . No enta nto. A natureza economica do liomem é. sabemos que é muitO mais que iSSO.5. as conclusées dos autores. O senso comum.. 1:._‘2_ 3:32 . P e <1uen a palavra _. p. ..%££\’2’ ii‘éfiifiwfiyifii yimfi§§i§§§ §2ZE§E§E lofmi :a§n%\§ §§§3 :E’gugé} 52:52.gwékxfifigs gi'é avsg§m§§~w§ é gwa-gm?‘ 3522‘ imgwéfi’é g éi.. 11a realidade. r hierarqulca e ver na forma soc1al estudada “classes”. mas a si proprios. um fim em si mesmo. ao 0L1Vir 0 50m desta . ' ' uns manclam: outros obedecem. Bronislaw.‘"‘?§“i _. cstz'to ba-Scfldfls em seus estudos dos Fatos referentes 5: economia desenvolvida” (ibid. o burgués- O antropélogo britanico. 2:15. ou “castas”.. 0 Pro” prio Malinowski concorda com as ideias economicas dc seu temp0 e considera este episédio um mero deslize didatico na busca de um exemplo Simples que ilustre as teses sobre as leis de nossa sociedade.‘-" “5""??? 2w: xs _.22%}? . r1510 tem outra lmgua para narrar o que Vé que n30 aquela de sua prépria c ultura. leis CStaS que teriam sido descobertas por meio de estudos referentes a nossa sociedade desenvolvida.. Depois de definir as filngécs (. nota 28). P” 56' 236 “Isto 11510 significa que as conclusées gerais das ciéncias economicas estejam incorretas. Chefs: -.-9.": Em?” . quando usa a palavra “chefe” para identificar C .‘3. via de regra. 21”. ciL.. “13051910 c .. nascido na Polénia em 1884. u m certo papel soc1al. ou primitivo.

-\:‘-’\. . a significar muito.7 EE EJJ. ele nada mais é do quc o primus z'rzterpares entre os nativos mais vclhos da aldcia. aos quais cabe fazcr deliberacécs cm conjunto sobrc todos os assuntos importantes da tribo c chcgar a dccisées finais cm comum acordo. Bronislaw. Portanto. segundo socicdades come as dos povos indigcnas brasilciros a autora. A dificuldade r1210 a um contrar uma palavra adequada. 5510 Paulo: Francisco Alves. . EEE EEE EE-EJ EEJE EE.iii-E'EE 3. como “porta—VOZ” ou “mcstrc dc ccriménias é en— diantc da rcalidadc dcscrita pclo autor. “chcfc” por outros.-. qucr individualmente -— so :1n cm linhas ditadas pclas tradicées e convcncécs tribais. a comu obcdccc”.MEI-Jig: ”NE _ 5W.HE E E EEEE EJ _. PE 58' 23“ O principal argumento dc Marilena Chaui. N510 n08 devemos csqucccr dc quc raramentc surgcm ocasiécs dc dfwida ou oportunidades para grandcs dclibcracécs. o lidcr da aldeia é. apoiando-se cm Clastres (A souf’cf'a'de cs comumtarlas contra 0 Esmdo. \-N:- . E-EEE W- EEEJE EEJEEw”:EEE-g-EEEE i. W __N?“ E: : E. 2.2. o orador ou porta-voz dc sua comunidade. mas achar cm nossa cultur fcnémcno quc se aproximc a0 dcscrito. Ea.E¥.. fazcr a paz c falar. cvcr comumdafl 378—379).EE. 2‘27 MALINOWSKI. r1510 forma uma instfincia acima delfiaa nidadc 11o nem fora dcla”. EJ EEE E EEE EE E E E EJ.quer comunitariamente. Na maioria dos casos. cit. dentro ou dos limitcs da aldcia.EW N Jw 7*». unas e indivisiveis. 0P. E.N. Marilcna Chaui (2009. . trés funcées: doar prescntcs. : EEEEEEEE EEEEAEQ.N__ Ea?“.‘. nos ofcrccc uma aproximacfio distinta deste papél SOCIE11 edfldes em socicdadcs quc cla provocativamcntc dcnomina “som contra o Estado”. 132). cm geral. p.227 CSfOI‘QO d6 tfocar 0 term)? NOECm Como [1510 ajuda mUitO O . . na qual o “chefs nz’io manda. quando a ocasiiio assim o exige. cnvolvida na mesma dificuldadc dc dcscr ades cm dcs internamcnte homogéncas.:. w.228 O suposto c‘Chfiffi 1133 teria. como parcce 1n dicar a forum “socicdades 3cm Estado”. muito embora csta n50 che— guc. c 11510 “sem EStado”.-E.. dc mancira quc seria mais corrcto chamar tais sociedadc dc soc1cdadcs contra o Estado‘” c 11510 apenas pela definicfio de uma ausencm. socicd quc o podcr “nio sc scpara. MAURO LUIS 1A5! Em cada uma das comunidadcs existentcs nas ilhas Trombriand hei sempre um homcm quc cxcrce a autoridadc méxima. pouco mais que urn mcstrc fora dc ccriménias. E ‘tEE . com frequéncia. pois os nativos -—. é quc as sociedad da csfcm polltlctconno algo organizam-sc dc tal forma quc podem impedir a separacfio autonomizado.E . p.

apenas apresentando—se como a necessidade de manter a comunidade indivisa. _r\\\-. nem dirige a demanda a uma pessoa em particular.9% $“Y-:}£§“= 5:823. relata seus grandes feitos.= w a» -.. _\V:'__‘. . Apesar de ouvir este discurso a distancia. Mas o que mais nos interessa neste exemplo é 0 aspecto da fala e 0 ritual descrito pela filésofa brasileira: “a Grande Palavra”.-._. Conclui. Este curioso ritual é assim apresentado por Chaui. r rwiwfir NJ?“ Wig i‘érifiis Vii i2“ “3*? "’3 £93193 ”8 §. -. Pela segunda.229 O senso comum 56 poderia reagir com a afirmaefio de que um chefe destes niio é propriamente um chefe.. Chaui: A Grande Palavra tem significado simbélico: a comunidade lembra a Si mesma.= x.55% $5._m 149. tarefa que Malinowski identifica como “compra de servieos” ou tarefas “pagas”. 5. 3. ... o chefe deve devolver os membros da sociedade que ela mesma produziu. . \.. 379.5:10 I’mrlo: Atica.\. entao. a: w . sua forea e coragem..‘._ gang/’44}.\ .: 93:1.'. suas qualidades. seu prestigio. Todas as tardes o chefe afasta—se da aldeia para uma posigiio na qual ainda fique visivel aos seus membros e ainda possa ser ouvido por estes.I_»21. passa pela afirmagfio dc que as :iguas mais adequadas para beber I150 podem ser coletadas muiro préximo as margens.. 0 CIIClqf: refine toda a tribe e [hes fala sempre coletivamente dos habitos de seu povo e.\"\V _r.\rv\\. Coma-nos que.L A.\ Xa .§$'??g in 3m. 2000.\fi . _ ‘ ‘ 2:325:’3311:. adquire uma fungz'io de mediador de conflitos sem que possa se escorar em cédigos ou leis.\\ .-. mas um conjunto de significantes que totalizam 229 ’ .*kmiirziwizm? r. O que daria mostras de qrre comeeou a entender alguma coisa. diariamente.V'. . Nunca fala em seu nome como uma ordem. no mere de varios assuntos. .:. AS METAMORFOSI—LS DA CONSCIENCIA DE CLASSL‘ Por meio da primeira tarefa.3 »_ _‘ -\. Uma vez mais.\. o risco e o perigo que correria se possuisse um chefe que lhe desse ordens 6 a0 qual devesse obedecer. Come-ea entao uma grande fala na qual enaltece seu poder. ‘ lurll‘lt0 L consuicrado maproprlado para um caaque dar dlreta meme uma ordem a qualquer membro da comunidade. A Grande Palavra simboliza a maneira pela qual a comunidade impede 0 advento d0 poder como algo separado dela ("3.. .n. ..¢--__ :‘ . aqui estamos drante de fato de que as palavras trazem muito mais que seu pré- pI‘IO Slgmficado. = m“.lggscl’givg‘lff{Oi‘ififl. . .w. p. 93. . .: @3334} 39%. os membros da comunidade 0 ignoram por completo e ninguém deve lhe dar a minima atengao. . diante de uma quelxa que as muiheres estariam pegando figua muito perto das margens do rio. ‘: r>:-jé 9. ii“.. ______H 3m «rage $3. [im outro trabalho. i_ .R :\\_>. “_. Mafia ram-gr.. _ . } in? fiéfii’i‘i? rakeflih-rié =. if? a 399.. --y>§\\§l\\s¥. . _.. .

nao apenas as relacées do capital aparecem como 0 “real”. MAURO Lurs IASI urn certo registro do que é assim instituido como “0 real”. produzindo nao apenas urn reconhecimento e uma correspondéncia. 0 universal so é universal pelo fato de que se eleva novamente como universalidade por meio dc infimeros particulates.. exploracfio. e que é neste momento subjeti— vo que se acha a possibilidade de uma praxis livre. No senso cornum. esta absolutarnente correto em afirmar que a existencia precede a esséncia e que nao ha esséncia humana além daquela que os seres sociais criarn a cada momento de sua praxis historica. por que uma certa ordem de exploracao que alcanca este moto continuo permite a formaciio de uma consciéncia critica que questiona esta sociabili— dade e aponta na direcao de uma nova? Como é possivel que entre os membros desta ordem se produzam militantes contra a ordem do capital? Como se desenvolve uma consciéncia anticapitalista dentro da ordem capitalista? A pista que trilhamos a partir de Sartre nos revela que uma certa objetividade inicial encontra uma mediacao subjetiva corno caminho necessario para uma futura objetivacéio. mas uma acao sobre esta objetividade orientada por esta visao subjetiva permitindo sua reproducao. e nao outro motivo. entao. subjugaciio. Para as pessoas inseridas em nosso tipo de sociedade. Até aqui trabalharnos 229 . mas como naturais e ultrageneralizadas para toda a historia. portanto sem histéria. ou na primeira forma em que a conscien- cia se expressa como alienacao. De que maneira. uma tarefa dentro de uma divisao social do trabalho que envolva lideranca ja é em si aproximada rapidamente de relacées de poder. e estas conduzem a reproducao da forma universal.. que Sartre. depois de Marx. esta circularidade se rompe? Se as relacoes do capital conformam uma rcalidade objetiva que é interiorizada pelas pessoas como suas proprias visées subjetivas de mundo. A forma genérica da sociedade se recria cotidianamente enquanto se constitui por meio de formas particulares. E por isso.

uma vez que os velhos valores continuam ativos.comp.‘)‘il‘. acidentes. esta correspondéncia [1510 e’ um dado absoluto. que nada mais 5210 do que a expressao ideal da contradigao entre os dois contex— tos materiais distintos.‘i l)r\ (IUl-l‘HfH-IN‘IIA lil'. se a consciénCia é a inter— nalizagao de certas relagées sociais. No entanto. Graficamente poderiamos imaginar este processo da seguinte maneira: 1' SITUAv: lntemalizagao de valores Indiv1duo (1) deias Al‘Fj vii—1cm“ aficiasy Individuo (2) .‘ / _ ____ _l Certo contexto material (A) 230 PUCRSEBIELEOTECA GENTRAL .610. permitir novas internali— zagées. e de fato produzem. estabelece novas relagoes. a insergao da pessoa em novas relagoes sociais pode. muito ptovavelmente o que se segue é uma crise na qual os novos valores entram em choque com os velhos. encontra-se em outro contexto material (B). A pessoa vive suas relagées num certo contexto material (A).l'r\l‘vl()l'{l“. em uma palavra: crise. fiéfimos DA LEI9. assumir novos valores (ideias B) que podem reforgar e reproduzir os amigos ou entrar em contradigao com estes. novos processos de identi— dade com outras pessoas e pode. ao contrario. casualidades que podem produzir. arestas. de igual forma. estabelece vinculos e desenvolve processos de identidade que permitem assumir como seus os valores (ideias A) expressos por outras pessoas. conHitos. De maneira sintética ditiamos que. ELAN-Eli com a possibilidade de uma cori‘espondéncia entre a interiorizagao que forma a visao subjetiva do mundo nas pessoas e a objetividade que ela depara em sua agao.'1998 E LE)! momma-:13. AN Ml‘. Isto nao significa uma mudanga imediata de consciéncia. . contradigées. existe sempre um “resto do real” que 11510 pode ser totalizado na visao de mundo aceita como valida. Seguindo sua Vida. da mesma forma.

Aqui também é fundament mediagao do outro. sem se dar conta de que é a expressao mudan— de uma contradigao objetiva provocada pela continua produtlvas ga da materialidade no desenvolvimento das forgas no materiais. por meio de um Vineulo afetivo. A pessoa vive esta contradieao como subjetlva interna. transpor as rela-goes materiais e objetivas em cargas valorativas enraizadas afetlva e psicologicamente como visao subjetiva do mundo. ainda que seja para gerar uma identidade desumanizada. comeear a trabalhar. enfrentar um momento conju nao produz 0L1 simplesmente viver em uma época diferente etc. 231 PUCRSI'BIBUDTECA CENTRAL .) s valores.610919% E LEI 10. _ _I__ __ __. pela qual é possivel. migtat do campo para a Cldadca ntural de cnse.x Novo contexto material (B) uma A chave do movimento das formas de consciéncia é é uma nao contradieao. MAUIH) LUIS IASI 2a SITUAQAO: Internalizaqao de valores Mesmo ”' t u “a" ‘\ lndivn’duo (1) {cm A B)‘. subjetiva. Ideias B Ind1v1duo (3) vmcu (L — (Contradiqfioy “\ . O que nos importa é que mesmo esta mudanga contexto material (por exemplo. ou um jogo de contradigées. O humano é sempre o modelo de identidade do humano. O mais provavel aqul s por ela pessoa molde a nova realidade mediante os antigos vaIOte al a aceitos como sua visao de mundo. 4—. cuja sintese real correspondéncia entre a antiga visao de mundo e o mundo uma lnta em movimento.6Eéfil'2003. de uma nova fonte de identificagao. diretamente a possibilidade de internalizaeao de novo o ainda que possa gerar questionamentos profundos em telaga e que a aos velhos valores interiorizados. .CCJPIA NDS TERMOS DA LEI 9.

E§. as condigées para satisfazer seus ideais passou a ser o seu maior problema.. . de forma que.a .'_§\\?. Tendo nascido “na classe trabalhadora” e vivido sua infancia nos “ranchos da California”.E -. 1-W-. 232 z \\s a a «:52:_!. e ali “a Vida nao oferecia nada. Havia também coisas boas para comer e muita fartura.. aceitava que acima de mim estava tudo o que era fino.) Acima de mim se erguia o imenso edificio da sociedade e. AS ME'I‘AMORFOSES DA CONSCIENCIA DIE (ILASSE Vejamos um pouco mais detidamente este movimento de crise que esta na base do primeiro processo de negaeiio da forma inicial da consciéncia. 17—18. em minha meme.. vejamos como o autor descre- ve sua consciéncia inicial.. EVEEEE Ea Ea. “Meu lugar na sociedade era 03 fundos”..:E". -V‘-'- ..23’0 Primeiro. -\ E‘""'-“‘ "E ““- .\ "._a. Os trabalhadores “concretos concretamente 350 R f‘ e lro-m e aqui aos contos u O que a Vida . P"u. havia despojamento do espl’rito. pensamentos puros c nobres e uma Vida intclectual intensa.-. tV'. 23' 1M.\_. diz London. w.‘. 17-34). .. Logo.E: reW'E: 9%x EVE.\2 f: E2 E E Eaaaa EQEE EEK EaEaa EEaEaEEaaE aE-EEE Eaaa.. nobre e belo. os homens vestiam ternos pretos e camisas engomadas e as mulheres usavam vestidos lindos.-. assim como eu aceitava o nascer do Sol.V=-... (. eu sabia. inicialmente.‘- -. o relato literario de Jack London 6 sua trajetéria de Vida. Particularmente dois contos do escritor estadunidense nos oferecem um material muito rico para enrender este momento do processo de corlscic'éncia. a {mica saida era para cima. EQ m ag-’-‘-.:-a‘" . Por aqui corpo e espirito andavam famintos e atormentados (. V ENE W‘ Wa. op. DCPOiS havia as coisas do espfrito. Ea-aw. além da sordidez e miséria”..i : yams Eng:.__.g a “-x 35.. p. Jack London afirma que descobriu cedo a ambieao e 05 ideais de “subir” na Vida.E“ *9" V’ 5-"«\E \---.»m:EEEE. E EEEEEEEEEEEEEEEEEE . srgmfica ' ' para mun” ' e “Como me tome]' um socialism” (LONDON.. tudo que dzi decéncia e dignidade £1 Vida .. em suas palavras. tudo que faL' a Vlda ' valer a pena e recompensa um homem por seu sofrim ento e esforeo (.) Em resu- mo. La em cima. Jack.) Mas nao ~ e' multo ' facrl ' ' para um homem ascender e sair da classe trabalhadora.231 Amda que de manelra literaria. resolvi subir. p.w_ _ A” mm A”! a.ue um aspecto sempre presente na primeira forma de conscien— c1a proprla da classe trabalhadora é o desejo de deixar de ser da classe trabalhadora. Acima dc mim. Utilizaremos. estzi mais uma vez consta tado q.. cit. _.

33.” 3-.333. Ainda que vivenciando uma situacz’io de caréncia.3 33. -.? 3’53 33:.”2 ‘individualismo’. 233 _ 3 .§-:"-\.3. _3 3.\ -3:2.. Interessante icoes que a contradicao com a situaciio de dificuldade nas cond acao da classe trabalhadora pode levar a uma acéo. 3. t_ 332 3' .)..333. niio sabia pensamento chamada apesar de nunca ter ouvido falar de uma escola de todo o meu coragfio.33.3 3. empreendedores etc.333.333 . 3333 33:333. cao estzi presente o mecanismo de naturalizacao associado it aceita r desta determinada realidade (“assim como eu aceitava o nasce no relato é do Sol”)..3_. como pelos postos na hierarquia do edificio social. dominados etc.. por exemplo como transparece na afirmacz‘io ”2 15:22.3 33 33. . mas sua consciénc determinan— ser social 6 aquela que corresponde fits relacoes sociais ciéncia e’ a tes.“: =..3-3 A 3333333I----. a competigiio dos ada.3.. ou seja.. Isto implica que sua cons consciéncia burguesa. acompanh tudo que vemos.. as capitalistas....: 3 .3“ w _-.333“. 33W.3. 3.3 3333333 . cantava o hino dos fortes com r1510 re— E muito difi’cil um relato de Vida em que a pesso