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TEORIA DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS /I - 1.

2D03
BOBBIO, Norberto. Dicionário de Política. Brasília: Editora da Universidade de Brasília.
1986. Verbete Relações Internacionais. p. 1089-1099. .

r Relações Internacionais.
RELAÇOES INTERNACIONAIS 1089

internacional da força, é o poder de garantir, em


última instância, a eficácia de um ordenamento
jurídico, sendo por isso a garantia da manutenção
I. A DICOTOMIA"SOBERANIAESTATAL-ANAR-de relações pacíficas dentro do Estado, ela é
QUIA INTERNACIÚNAL"COMO FUNDAMENTODA também, por outro lado, a causa da guerra nas
DISTINÇÃOENTRE RELAÇÕESINTERNASE RELA- relações entre os Estados (Kant). No contexto
ÇÕES INTERNACIONAIS. - A expressão Relações internacional, a soberania do Estado significa na
internacionais indica, nos termos mais genéricos, realidade que ele não está sujeito a leis que lhe
o complexo das relações que intermedeiarn entre sejam impostas por uma autoridade supra-esta-
os Estados, entendidos quer como aparelhos quer belecida, dotada do monopólio da força; signi-
como comunidades; implica a distinção da esfera fica, por outras palavras, a existência de uma
específica das Relações internacionais da esfera situação anárquica. Não podendo, pois, os con-
das relações internas dos Estados. Tal distinção trastés que surgem nas Relações internacionais ser
está, com efeito, associada, mesmo a nível do resolvidos mediante decisão de um poder sobe-
sentir comum, à idéia de que existem importantes rano capaz de impor um ordenamento jurídico
elementos de diferença entre as relações internas eficaz, os Estados recorrem, em última análise,
e as Relações internacionais. Isto nos põe, por- à prova de força, vendo-se obrigados, em vista
tanto, diante da necessidade preliminar de escla- da constante possibilidade de tal situação, a ar-
recer rigorosamente tais diferenças, isto é, de marem-se uns contra os outros ou, se não puderem
estabelecer um critério qualitativo de distinção confiar. só em suas armas, a apoiarem-se nas ar-
das duas esferas de relações. Este critério não mas alheias. Está aqui, portanto, a raiz profunda
poderá fundar-se na diversidade dos atores, ou da política de potência, _da guerra, do imperia-
seja, pôr essencialmente a diferença no fato de lismo, entendido este no seu contexto mais geral,
que, no contexto das Relações internacionais, os quer como expansão dos Estados mais fortes em
atores seriam os Estados, enquanto, no das re- detrimento dos Estados ou povos mais débeis,
lações internas, os atores seriam os indivíduos e quer como imposição da vontade e dos -interesses
os sujeitos _coletivos não estatais, como os par- daqueles a estes. Este conceito das Relações inter-
tidos, os sindicatos, as empresas, etc. Com efeito, nacionais e da sua diferença quanto às relações
junto com os Estados, possuem também um papel internas não é desmentido pela existência de um
importante nas Relações internacionais organis- direito internacional, que muitos juristas consi-
mos de índole internacional (ONU , NATO e deram um ordenamento originário, plenamente
outros sistemas de alianças internacionais, CO- vinculador para quantos lhe estão sujeitos. Na
MECON, OPEC, etc.), organismos integrativos realidade, se se analisam as normas do direito
como as comunidades européias, grupos de pres- internacional sob o aspecto, não da sua validade,
são cemo as empresas multinacionais e as inter- mas da sua eficácia, fica fora de dúvida que esta
nacionais partidárias e sindicatos, organizações repousa, em última instância, na vontade que
como a OLP e por aí afora. Esse critério também tiverem os destinatários de as acatar. O fato de
não pode basear-se essencialmente na diferença que a determinados organismos internacionais,
relativa ao' conteúdo,. porque, no contexto inter- como a ONU, seja reconhecida pelos seus mem-
_nacional como no interno, existem relações de bros a faculdade de conhecer das contendas, en-
conteúdo político, econômico, social, cultural, tre as nações e de cominar sanções, não modifica
etc., de caráter cooperativo ou conflituoso e, aten- os termos da questão, se se considera que, salvo
dendo só a este aspecto, não se revelam diferen- casos totalmente secundários, a execução de san-
ças tão claras e evidentes que possam servir de ções desse gênero leva à guerra, que é o contrário
base a um clarificador critério de distinção. Na do direito. Tudo isto significa que, enquanto tem
realidade, tal -critério não pode senão referir-se sentido afirmar serem as relações dos homens den-
essencialmente ao modo diverso como as relações tro do Estado reguladas pelo direito, uma afir-
internas e internacionais se regulam, ou seja, mação desse tipo não tem qualquer fundamento,
ao fato de que, enquanto as primeiras se desen- se referida às Relações internacionais, onde o
volvem normalmente sem o recurso à violência, direito internacioncl, conquanto desempe ••hc aí
que é monopólio da autoridade soberana, as se- um papel preciso, pelas razões que mais adiante
gundas se desenvolvem "à sombra da guerra" serão melhor esclarecidas, possui essencialmente
(R. Aron), isto é, envolvem a possibilidade per- a função de servir de instrumento d.as políticas
manente da guerra ou da sua ameaça, quando externas dos Estados, determinadas pelo jogo dos
não sua experiência freqüente. interesses e das relações de força. •
O conceito fundamental de onde se há de Se é claro que a- diferença realmente essencial
partir é que, se a_-?OBERANIA (v.}, ou monopólio que existe entre as Relações internacionais e as
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internas diz respeito ao modo como elas se re- o do mundo inteiro, com a afirmação no século
gulam, será possível compreender como tal dife- XX de um sistema mundial de Estados e a gene-
rença estrutural influi também em seu conteúdo. ralização em todo o mundo das formas do Estado
Em substância, se excetuarmos as situações de moderno). A Europa moderna começou a formar-
profunda crise institucional ou até.de guerra civil, se em conseqüência das transformações operadas
existe dentro do Estado um grau de certeza e entre o fim da Idade Média e a paz de Westfália
de previsibilidade nas relações entre os homens (1648), que representa, ao mesmo tempo, um mo-
que,mesmo sendo relativo, visto haver sempre mento decisivo no processo de realização e con-
também dentro do Estado uma esfera não elimi- solidação do monopólio da força dentro do Es-
nável de relações antijurídicas, é, de qualquer tado, o momento em que se reconhece formal-
modo, qualitativamente diverso da natureza es- mente, de modo geral, a soberania absoluta do
truturalmente aleatória que caracteriza as Rela- Estado no plano internacional, e também aquele
ções internacionais. Estas, com efeito, além de em que se definem oficialmente as bases do di-
estarem subordinadas ao êxito das guerras, tor- reito internacional, ou seja, do direito destinado
nam-se mais difíceis mesmo nos momentos de a regular as relações entre os Estados soberanos.
paz (ou melhor, de trégua), estando sempre de Com esta situgção contrastam, de forma paradig-
aigum modo sujeitas à necessidade da segurança mática, por razões opostas, tanto a condição me-,
militar, que, como esclarece a teoria da RAZÃO dieval de dispersão da soberania, onde, não exis-
DE ESTADO (v.), possui um valor prioritário em tindo nenhuma autoridade efetivamente soberana,
relação aos princípios jurídicos, morais, políticos é extremamente problemático, se não impossível,
'e econômicos, considerados, no entanto, impera- distinguir as relações internas das internacionais,
tivos, quando não está em jogo a segurança. quanto a época em que o império romano domi-
A situação estrutural de anarquia que carac- nou de forma quase completa a área da civili-
teriza as Relações internacionais é, por outro lado, zação clássica mediterrânea, depois de nela haver
igualmente relevante quanto aos atores que ope- eliminado todo o Estado ou povo independente.
ram nesse contexto. Se é verdade, como vimos, Mas existe, ao contrário, uma certa analogia entre
que aqui, ao lado dos Estados, desempenham tam- a Europa moderna e a situação das cidades-Es-
bém um papel importante atores não estatais', tados da antiga Grécia, no período do seu maior
se é verdade que tais atores têm um papel deci- florescirnento e da sua independência. A mesma
sivo e a iniciativa num grande número de crises semelhança se encontra também nos principados'
e de conflitos internacionais (pense-se nas em- italianos do século XV. Em geral, os contextos
presas rnultinacionais), também é verdade, por históricos caracterizados pela existência durável
outro lado, que, quando se chega às provas de de uma pluralidade de Estados soberanos cons-
força, não são eles que as levam a efeito, mas tituem os modelos de referência indispensáveis
os Estados, que monopolizam a força, e os resul- na análise de situações embrionárias ou interme-
tados dessas provas são afinal avaliados segundo diárias que emergem em diversos contextos his-
a influência que eles têm na vida dos Estados tóricos e culturais. Deve-se, enfim, observar, pa-
envolvidos. O que indica que os Estados são, se ra concluir este ponto, que as conseqüências vin-
não os únicos, certamente os atores decisivos no culadas à atual existência de uma pluralidade de
contexto das Relações internacionais. Estados soberanos estão fadadas a desaparecer,
O raciocínio baseado na dicotomia "soberania caso se chegue à criação de um único Estado
estatal-anarquia internacional", é necessário ainda mundial.
precisar, não é absolutamente válido; o é em
relação ao contexto histórico específico e deter- 11. O SISTEMA DOS EsTADOS E o GOVERNO DO
minado, conquanto de grandes dimensões e im- MUNDO. - Se com o conceito de anarquia inter-
portância, caracterizado pela existência dos mo- nacional se põe em evidência o dado estrutural
dernos Estados soberanos (ou de entidades a eles constituído pela ausência de um ordenamento
assemelhadas). Na realidade, só onde existe o jurídico eficaz e pelo conseqüente predomínio da
fenômeno de uma pluralidade de Estados sobe- lei da força nas Relações internacionais, isso não
ranos é que se pode distinguir, em sentido estrito, significa em absoluto julgar que a realidade inter-
uma esfera de relações internas, ou seja, subor- nacional seja uma situação totalmente caótica,
dinadas à soberania, de uma esfera de Relações dominada pelo choque contínuo, irracional e
internacionais, isto é, desenvolvidas entre' enti- imprevisível entre os Estados, uma situação, por-
dades soberanas, nãosubordinadas a uma' autori- tanto, destituída de toda a ordem. Na realidade,
dade superior. Em concreto, o contexto' histórico os teóricos da razão de Estado começaram a per-
que corresponde de modo paradigmático a estes ceber desde o início que existem no contexto
requisitos é o da Europa moderna (depois também internacional outros elementos estruturais, além

,--
r
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do mais geral da anarquia, que tornam menos hegemônica, quer pela coalizão das restantes po-
caótico, e, conseqüentemente, relativamente mais tências contra o Estado mais forte e seus aliados,
compreensível e previsível em seu desenvolvi- quer simplesmente devido à capacidade de resis-

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mento concreto, tal contexto. O pensamento que tência de uma só das potências, no caso de· o
foram progressivamente elaborando e aperfei- sistema ser formado apenas por duas grandes
çoando (e que sobretudo nestes dois últimos sé- potências. Este mecanismo pôde funcionar, en-
culos atingiu um notável rigor teórico), na tenta- quanto se manteve, graças a que as grandes po- '!
tiva de esclarecer os demais elementos estrutu- tências adotaram como regra de comportamento
rais que atuam na realidade internacional e de no plano internacional a política do equilíbrio.
a controlar de modo mais apropriado, centraliza- Isso não quer dizer que a manutenção do equi-
se no conceito de "sistema dos Estados", que líbrio entre as grandes potências tenha consti-
trataremos agora de explicar em seus aspectos tuído sempre o objetivo primário e constante da
fundamentais. política externa de cada uma dessas potências;
O ponto de partida desta teoria é a consta- quer apenas dizer que cada uma delas, não tendo
ração de que as relações de força existentes entre possibilidade objetiva de aspirar à hegernonia,
os Estados levaram à formação de uma férrea agiu regularmente de tal forma que pudesse im-
hierarquia entre eles, uma hierarquia que discri- pedir que um Estado ou coalizão de Estados
mina as "grandes potências", ou seja, os Estados acumulassem forças superiores às dos seus rivais
realmente capazes de defender de modo autôno- coligados. Fizeram-no pela simples mas decisiva
mo, ou com a própria força, os seus interesses, razão de que a ruptura radical do equilíbrio traria
das médias e pequenas potências, que precisam, consigo a hegemonia de um Estado sobre todos
em vez disso, de buscar a proteção de uma das os outros e, por conseguinte, a perda da própria
grandes potências, a menos que estas lhe reco- soberania e independência. Este mecanismo do
nheçam concordemente a neutralidade. Uma tal equilíbrio não trouxe consigo, como é evidente,
situação implica automaticamente que as decisões a superação da anarquia internacional com suas
fundamentais de que depende a evolução das Re- manifestações violentas e b~licosas. A própria
lações internacionais sejam tomadas pelas gran- política de equilíbrio torna indispensável, aliás,
des potências e, conseqüentemente, por um núme- que toda a grande potência aumente sem cessar
ro muito reduzido de Estados soberanos em re- a sua força num mundo caracterizado por um
lação ao seu total. No sistema dos Estados euro- contínuo progresso econômico, demográfico e
peus, as grandes potências, que não foram sempre tecnológico, e esteja, enfim, também disposta a
as mesmas, nunca excederam o número de seis, fazer a guerra para" manter precisamente o equi-
ao passo que, no atual sistema mundial, foram líbrio. Por outro lado, o equilíbrio é o mecanismo
duas até há pouco tempo e hoje, com o emergir que tornou possível, no sistema europeu e mun-
da China, tendem a ser três ou até mesmo quatro, dial, a manutenção da autonomia das grandes
com a progressiva consolidação da Comunidade potências e, em conseqüência, de um sistema
Européia. pluralista de Estados soberanos, que permitiu,
Se a existência das grandes potências constitui entre outras coisas, garantir um mínimo de auto-
um primeiro e decisivo elemento estrutural no nomia às médias e pequenas potências.
quadro da anarquia internacional, nele introdu- A hierarquia entre os Estados e o equilíbrio
zindo indubitavelmente um fator de ordem muito entre as grandes potências constituem, pois, no
genérico, que preside particularmente às relações quadro da anarquia internacional, os dois ele-
entre os grandes e os pequenos Estados, o segun- mentos estruturais básicos que a transformam,
do elemento estrutural básico é o equilíbrio, que de simples pluralidade caótica de Estados, num
regula, ao invés, as relações entre as grandes sistema de Estados, ou seja, numa realidade ca-
potências, introduzindo também ele um novo racterizada por uma relativa ordem e, por isso,
fator de ordem. Ao ver no equilíbrio o dado relativamente mais compreensível e previsível em
estrutural fundamental que condiciona as relações seu desenvolvimento concreto. O equilíbrio entre
entre as grandes potências, quer-se ressaltar antes as grandes potências constitui, em particular, a
de tudo uma situação de fato, ou seja, que entre condição concreta que induziu os Estadas a se
as grandes potências dominantes no sistema euro- reconhecerem reciprocamente, até de modo for-
peu e mundial (bem como no das cidades-Estados mal, como Estados ~beranos e que, no caso da
da Grécia e no italiano do século XV) se criou Europa moderna, t mou realmente possível a
uma situação duradoura de não excessiva dife- afirmação e progress va difusão do direito inter-
rença no plano da força, capaz de impedir que nacional, garantindo- he a eficácia em medida
qualquer delas se sobrepusesse a todas as demais mais ou menos ampla, conforme os casos, apesar
e, por conseguinte, de conter toda a tentativa de ele não derivar de um poder soberano. Com
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efeito, segundo o ponto de vista da doutrina da que nos encontramos diante de uma situação em
razão de Estado (Hintze) , as normas do direito que as decisões de um número relativamente pe-
internacional que são efetivamente observadas queno -de sujeitos internacionais traçam as linhas
pelos Estados, vão buscar sua validade fatual, fundamentais do desenvolvimento das relações
não tanto ao princípio pacta sunt servanda, que entre as nações.e.delimitam em especial, de forma
é essencialmente um juízo de valor, quanto so- decisiva, corri. uma intensidade e rigor diversos
bretudo ao fato de que, dado o equilíbrio, isto conforme as circunstâncias. o campo de ação
é, a impossibilidade real de eliminar a soberania das médias e pequenas potências. Podemos, além
dos outros Estados, os atores principais do sis- disso, observar que, em certos períodos, tais de-
tema internacional tiveram de reconhecer a ne- cisões conseguem controlar a evolução da situa-
cessidade de conviver de algum modo, mesmo sem ção internacional com tal eficácia que garantem
renunciar à política de potência e à guerra como uma notável estabilidade (caracterizada parti-
extrema ratio, e, conseqüentemente, de regular cularmente pela ausência de guerras gerais, ou
de alguma forma essa convivência de caráter guerras que envolvem as grandes potências, e
anárquico, fazendo nascer um direito sui generis, pela ausência ou fraca presença de guerras limi-
na medida em que legitima o uso normal da tadas ou locais) e estabelecem. por isso, uma
violência. Em substância, se não existe um poder verdadeira e autêntica "ordem internacional", isto
soberano que garanta o respeito pelo direito inter- é, uma situação que, conquanto sempre qualita-
nacional, existe em todo caso uma situação de tivamente diversa da situação interna 'de um Es-
poder, embora instável como o equilíbrio entre tado, tende a assemelhar-se a ela. Estas fases,
as potências, que obtém de alguma maneira o mais ou menos duradouras, são em todo caso
mesmo efeito. regularmente interrompidas por fases de crise
A hierarquia entre os Estados e o papel domi- aguda na ordem internacional, ou seja, o mais
nante das grandes potências configuram, por ou- das vezes, por guerras gerais, tornadas inevitáveis
tro lado, a presença de uma espécie de Governo pelo fato de que, quando surgem contrastes pro-
no quadro do sistema dos Estados, definido como fundos entre as grandes potências ou as potências
"Governo do mundo" com referência à fase em emergentes, tendem a modificar a ordem inter-
que o sistema europeu conseguiu dominar o nacional para a ajustar às suas crescentes neces-
mundo inteiro, mas, com mais razão, em relação sidades, o único modo de resolver esses contrastes
à fase do atual sistema mundial. Trata-se eviden- é a guerra, de cujo desfecho dependerá depois
temente de um Governo de tipo qualitativamente a nova configuração dà ordem internacional. Além
diverso do existente no quadro de um Estado, desta incapacidade estrutural de gerir pacifica-
pois lhe falta o requisito da soberania, sendo cons- mente os contrastes graves e a necessidade de
tituído por um conjunto de potências soberanas mudanças profundas, o Governo do mundo, é
que praticam a política de potência entre si e em preciso observar ainda, apresenta um caráter mar-
relação aos demais Estados. A soberania implica, cadamente antidemocrático. Mesmo que existam
com efeito, que as decisões do Estado relativas procedimentos democráticos eficazes no seio das
aos cidadãos, mesmo sendo produto de discussões grandes .Fomo das médias e pequenas potências,
até muito ásperas (mas não violentas) entre os a sua eficácia se detém na fronteira dos Estados,
vários partidos e grupos econômico-sociais, uma já que as decisões do Governo do mundo são
vez traduzidas em normas que passarão a fazer fruto de relações de pura força entre as grandes
parte do ordenarnento jurídico, sejam' impostas potências e não de um debate ou de procedimen-
peIo poder irresistível do Estado, mediante a tos democráticos, sendo impostas aos demais Es-
ação conjunta dos seus órgãos. Pelo contrário, tados sem que eles tenham podido sequer con-
as decisões de valor internacional das grandes tribuir para a sua elaboração.
potências, tomadas com base nas relações de
força entre grupos armados, ou mesmo na guerra, Il l. SISTEMAS MULTIPOLARES E SISTEMAS BI-
e-traduzidas em normas de direito internacional, POLARES. - Os modelos mais típicos de confi-
tratados de vário gênero, alianças, distribuição guração das relações de força são o rnultipolar
de zonas de influência, regras formais e informais, e o bipolar: ou os atores principais, cujas forças
etc., possuem sempre uma eficácia estruturalmen- não são excessivamente desiguais, são relativa-
te inferior em comparação com as decisões in- mente numerosos, ou então só dois atores domi-
ternas dos' Estados e criam situações estrutural- nam de tal modo seus rivais que se transformam
mente mais precárias e aleatórias. Não obstante em centros de coalizões, sendo os atores secun-
tais diferenças de qualidade, não é injusto afirmar dários obrigados a tomar posição em relação aos
que as grandes potências exercem o Governo do dois "blocos", aderindo a um ou a outro, a menos
mundo (ou do sistema dos Estados), uma vez que tenham a possibilidade, graças em parte à
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sua posição geopolítica, mas, sobretudo, ao acor- relevo na situação do poder em benefício próprio,
do formal ou tácito das superpotências, de se o sistema torna-se muito estável, no sentido de
manterem neutrais. São possíveis modeios inter- que garante longos períodos de paz ou de guerras
médios, de acordo com o número dos atores prin- limitadas quanto aos meios e moderadas quanto
cipais e da maior ou menor distância, mormente aos objetivos. Nestas condições (pensemos espe-
na' configuração bipolar, entre as maiores potên- cialmente em grande parte do período que vai
cias e as potências médias. Mas vejamos agora dos tratados de Utrecht e Rastatt ao início das
as características principais dos modelos típicos guerrasdesencadeadas pela Revolução Francesa
que servem também de paradigma na análise das e, mais ainda, no que vai do Congresso de Viena
situações intermediárias e na compreensão das ao começo da era guilhermina), particularmente
variações que nelas ocorrem. nos momentos de maior estabilidade e equilíbrio,
O exemplo fundamental do equilíbrio multi- tendem, a afirmar-se, de modo vinculativo, algu-
polar (dele se aproxima, com algumas reservas mas regras semiformais de comportamento dos
relativas ao processo ainda incompleto da' for- Estados, que visam moderar a política de potên-
mação do Estado moderno, o sistema dos prin- cia, isto é, a subordiná-Ia deliberada e conscien-
cipados italianos do século XV, em cujo âmbito temente, para além do vínculo objetivo do equi-
se impôs, entre outros, o uso das embaixadas es- -Ifbrio das forças, às exigências gerais da preser-
táveis, cujo escopo original era justamente o de vação do equilíbrio. E torna-se até possível a
acompanhar de perto a evolução da potência dos formação de estruturas quase-formais, como o
outros Estados, 'para se poderem tomar medidas entendimento europeu da época da Santa Aliança,
adequadas à manutenção do equilíbrio) está no tendentes a resolver pacificamente, do modo mais
sistema dos Estados europeus, que pôde manter amplo. possível, ,as ,disputas entre os Estados e
essa configuração até se dissolver no atual sistema a ,preservar coletivamente a ordem internacional.
mundial, principalmente por causa do constante Pelo contrário, quando as diferenças de potência
papel de equilíbrio nele desempenhado pela po- se tornam muito relevantês pelo fato de um dos
tência insular inglesa. atores principais acumular tal força que se sobre-
A característica mais evidente do equilíbrio põe aos outros, usando-a para modificar radi-
multipolar é, à primeira vista, uma relativa elas- calmente a seu favor o quadro existente das Re-
ticidade sob dois aspectos. Antes de mais nada, lações internacionais, e quando, em conseqüência,
sob o aspecto das alianças, que tendem a não surge um impulso hegemônico que provoca a
enrijecer mas a mudar segundo as exigências da coalizão dos outros atores principais (que se man-
manutenção do equilíbrio, exigências que impelem terá estável, enquanto durar o perigo hegernô-
os Estados a coligarem-se contra o mais forte nico), a configuração multipolar tende efetiva-
dentre eles ou, em geral, a formarem contra- mente a aproximar-se da bipolar, com as carac-
alianças diante de alianças que se afiguram amea- terísticas de rigidez das alianças, instabilidade
çadoras para' o equilíbrio, sem se deixarem geral- do sistema, tensão constante e dimensão total das
mente guiar, na escolha dos aliados e na mudança guerras que veremos agora serem típicas de tal
de alinhamento, por considerações referentes à configuração.
solidariedade ideológica, ou seja, à hornogenei- O modelo de equilíbrio bipolar encontra a sua
dade ou não dos regimes internos dos Estados. realização mais completa no sistema mundial que
Em segundo lugar, as médias e pequenas potên- se formou após o termo da Segunda Guerra
cias possuem aqui, em confronto com a configu- Mundial. Deste modelo se aproximam tanto as
ração bipolar, possibilidades relativamente maio- fases de guerras hegemônicas do sistema europeu
res de escolha e uma maior autonomia, e isso (mas neste caso se poderia dizer que a configu-
já porque são mais numerosos os atores princi- ração bipolar possui um caráter mais conjuntural
pais onde se pode encontrar apoio, já porque a que estrutural), quanto o sistema das cidades-
passagem do campo de uma grande potência ao Estados da Grécia, fundado na primazia de Ate-
de outra pode mais facilmente ser tolerada, dadas nas e de 'Esparta. A sua característica mais clara
as possibilidades de reequilíbrio que ª" ferece a está na rigidez da política de equilíbrio posta em
existência de "terceiras pessoas", em que ' oderão prática pelos dois=atores principais, ou seja, no
apoiar-se os atores que viram diminuir se poder. fato de eles terem extrema dificuldade ou impos-
A estas indicações é preciso acrescenta algu- sibilidade em renunciar a posições de poder mes-
mas particularidades de importância. Oua do as mo mínimas e, conseqüentemente, em aceitar a
diferenças entre as forças dos atores pri cipais passagem de um aliado para o bloco oposto. Isso
se tornam muito pequenas e nenhum deles, por depende fundamentalmente de que, não havendo
conseguinte, pode ter em mira fins hegemônicos "terceiras pessoas" capazes de contrabalançar as
ou aspirar de qualquer modo a mudanças de diferenças de equilíbrio, qualquer diminuição da
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força de um dos dois pólos, por relativamente contribuições ~ue a abordagem teórica na dou-
pequena que seja, deixa automática e unilateral- trina da razão 'de Estado traz à teoria das Rcla-
mente em vantagem o outro pólo, implicando, por ções internacionais, é preciso ainda examinar o
isso, imediatamente um perigoso desequilíbrio. problema da relação entre política externa e po-
Com efeito, na configuração bipolar, a corrida lítica interna. Estavabordagern tem como carac-
aos armamentos é sempre mais acentuada que na terística mais evidente, neste contexto, a rejeição
multipolar, as crises ligadas às mudanças ou ten- da tese do "primado da política interna" (v. RA-
tativas de mudança de posição assaz mais peri- zÃo DE EsTADO), segundo a qual a política ex-
gosas para a manutenção da paz, e, enfim, quan- terna dependeria essencialmente das estruturas
do irrompe a guerra entre os atores principais, internas dos Estados. Mas não contrapõe a essa
tende fatalmente a adquirir um caráter total, quer tese, 'sic et simpliciter, a tese do "primado da
no sentido de envolver todo o sistema, quer no política externa", segundo a qual a evolução in-
de comprometer todas as energias disponíveis das terna dos Estados seria essencialmente determi-
maiores potências. nada pelas exigências da política de potência no
Pelo que respeita aos atores' menores, a for- plano internacional, uma tese que surgiu na dou-
mação de blocos fortemente hegemonizados por trina alemã do Estado-potência, mas que foi su-
uma potência-guia - inevitável, dada a limita- jeita a revisão crítica pelos maiores expoentes
díssima liberdade de escolha de que gozam na desta tradição de pensamento. Na realidade, o
configuração bipolar as médias e pequenas potên- raciocínio que desenvolvem a tal respeito os mais
cias - implica necessariamente, sobretudo nas agudos teóricos da razão de Estado é muito mais
zonas de. grande importância estratégica, a limi- complexo, tendo como ponto de partida o re-
tação de forma considerável da própria autonomia conhecimento da autonomia da política externa
de decisão interna dos Estados subordinados. Com em relação às estruturas internas dos Estados.
isso se pretende poder' impor aos "satélites" op- Com isto se afirma em resumo que, se por um
ções ideológicas e, em decorrência disso, a ado- lado os conteúdos políticos, econômicos, sociais
ção ou manutenção de estruturas políticas e eco- e culturais das Relações internacionais e, conse-
nômico-sociais homogêneas, ou, de qualquer ma- qüentemente, dos conflitos que nelas surgem, va-
neira, vantajosas quanto às necessidades do sis- riam conforme as épocas e as diversas estruturas
tema político e econômico-social da potência hege- políticas e econômico-sociais internas dos' Estados
rnônica, que é, por outro lado, obrigada a pro- (estruturas que, em parte, refletem as condições
curar impedir profundas transformações internas gerais e o nível de civilização de uma época, e
nos Estados pertencentes à sua zona de influên- em parte divergem de Estado para Estado no
cia, justamente para evitar a sua passagem ao mesmo período), os instrumentos com que os Es-
bloco oposto. ' tados regulam, por outro lado, tais relações, ou
Estas características fundamentais do equilí- seja, a política de potência, a política de equilí-
brio bipolar tendem a atenuar-se à medida que brio e a guerra (instrumentos que, como se viu;
a diferença de potência entre os atores principais deixam uma certa margem de eficácia às normas
e secundários diminui, pondo assim em crise a de direitb 'internacional), mantêm-se substancial-
posição de superioridade das superpotências. mente os mesmos, excetuados os condicionamen-
Além disso, um fator decisivo que se há de ter tos que a evolução tecnológica exerce sobre os
em conta para compreender o funcionamento do armamentos e sobre a condução da guerra, en-
sistema mundial pós-bélico e para lhe captar a quanto subsistir a anarquia internacional, isto é,
originalidade em relação a qualquer outro sistema a pluralidade dos Estados soberanos. Com efeito,
de Estados anterior é a existência das armas de as mudanças mais radicais de regimes, ocorridas
destruição total, que, tornando totalmente ab- na história moderna desde a Revolução France-
surda e inconcebível a guerra geral e direta entre sa à soviética, mudaram decerto profundamente
- as superpotências (o que fez surgir o chamado as condições internas dos Estados e as condições
"equilíbrio do terror"), impediram, de fato, que do sistema internacional em seu conjunto, e. por-
ela se deflagrasse, não obstante. a elevadíssima tanto, os conteúdos das Relações internacionais,
intensidade da competição dos armamentos e, em dos respectivos conflitos e dos próprios alinha-
geral, a rigidez e tensão peculiares de uma con- mentos, mas não fizeram cessar as leis funda-
figuração bipolar, e abriram por isso caminho mentais das relações de potência e de equilíbrio.
à possibilidade de controle e até mesmo de limi- Identificados os termos mais gerais da auto-
tação dos armamentos. nomia da política externa em relação às estruturas
internas, é possível depois enquadrar de modo
IV. POLÍTICA EXTERNA E POLÍTICA INTERNA. teoricamente válido tanto as formas em que se
- Para completar a explicação das principais manifesta mais claramente a influência da situa-

-_ -.....•
..
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ção internacional sobre a evolução interna dos Passando ao segundo ponto, o fenômeno mais
Estados, como aquelas em que se verifica o fenô- relevante que há de se tomar em consideração
meno contrário. é a tendência dos Estados com fortes tensões
Sobre o primeiro ponto se pode constatar como político-sociais internas a tentar dominá-Ias e re-
a anarquia internacional, ao obrigar os Estados primi-Ias, pondo em prática até uma política de
a criar e a reforçar constantemente, e a usar com expansão externa' ou, em todo caso, de exacer-
freqüência, os aparelhos militares destinados à bação da tensão internacional. Esta política acar-
defesa externa, exerce em geral influência sobre reta geralmente a consolidação do Governo ou
a evolução interna dos Estados, favorecendo as do regime que a levam a efeito, a menos que
tendências autoritárias, e exacerba em particular, conduza à derrota ou ruína do Estado em questão;
nos Estados cuja segurança é mais precária por nesse caso, as tensões internas que se procurara
causa da sua posição geopoIítica, a tendência à desviar para fora desembocam quase irremedia-
centralização do poder e à preponderância do velmente em fenômenos de transformação revo-
executivo sobre os demais poderes do Estado. lucíonária' do regime. Esta tendência (também
Este ponto de vista é indispensável para explicar chamada Bonapartismo) se traduz indubitavel-
de modo satisfatório um problema fundamental mente numa-Influência notável da evolução in-
da história da Europa moderna, o da profunda terna-de um-Estado em sua política externa e,
diferença entre as experiências históricas dos Es- por conseguinte, na situação internacional. Con-
tados de tipo insular (como a Grã-Bretanha e tudo; não se deve cair no erro de ver no bona-
os Estados Unidos da América - estes até se partisrno a 'causa central e dominante dos pro-
tornarem, em 1945, um dos dois pólos do equi- cessos internacionais de que, no entanto, cons-
líbrio mundial), constantemente caracterizados titui uin importante fator. Na realidade, a ma-
por uma política externa propensamente mais nobra bonapartista pressupõe, não é ela que cria
pacífica e por uma evolução interna tendente a a anarquiaInternacional, com a conjunta autono-
estruturas político-sociais liberais, elásticas e des- mia da política externa~ Por outro lado, na his-
centralizadas, e as experiências dos Estados de tória do sistema dos Estados europeus, os exem-
tipo continental (como a Prússia-Alernanha, a plos mais relevantes de política bonapartista (a
França, a Itália, etc.) caracterizados ao contrário política externa da Alemanha nazista é o último
por uma política externa indubitavelmente mais e mais clamoroso exemplo) concernem exclusi-
agressiva e belicosa e, correlativamente, pela ten- vamente às' potências continentais, onde a ten-
dência interna ao centralismo autoritário. O dado dência a desviar para, o exterior as tensões inter-
central que é preciso ter presente para se com- nas se insere tanto no caráter já de per si belicoso
preender esta diferença é, na realidade, a exis- e expansionista da política externa, objetivamente
tência de fronteiras terrestres e a necessidade de dependente da posição continental, como na in-
as defender contra o perigo sempre presente de fluência de sentido centralizador, autoritário e
uma invasão por via terrestre. Nestas condições, conservador (tudo fatores de acentuação das ten-
a necessidade de segurança impôs uma orientação
sões internas), exercida peJa posição continental
tendentemente ofensiva que procura não raro
sobre a evolução interna.
anteceder o adversário com ataques de surpresa;
Pelo contrário, se o fenômeno da dificuldade
determinou, por isso, a formação de enorme apa-
relho militar, utilizável com a máxima rapidez objetiva que os Estados fortemente descentrali-
possível; tomou, enfim, necessárias estruturas zados da fede~ais e com uma efetiva separação
políticas centralizadas e autoritárias, capazes de dos poderes enfrentam para pôr em prática uma
realizar, com fins defensivos, a rápida e completa política externa belicosa e expansionísta (pois o
mobilização de 'todas as energias disponíveis. To- equilíbrio entre os poderes do Estado é um obs-
das estas sujeições pesaram, ao contrário, infini- táculo à rapidez de decisão e intervenção no
tamente menos sobre os países insulares, dada plano internacional), põe em evidência um mo-
a sua favorabilíssima posição estratégica, pois não mento importante da influência, em sentido cla-
havia fronteiras terrestres a defender.)' Com efeito, ramente oposto ao do caso precedente, das estru-
nesses países, a defesa pôde até há bem pouco turas internas sobre a política externa, deve, por
tempo ser essencialmente garantida pela frota outro lado, ser enquadrado no contexto mais
de guerra, evitando-se assim a custosa criação, em amplo da influência que a posição no sistema dos
termos econômicos, mas sobretudo/político-sociais, Estados tem sobre a política externa e, por con-
dos enormes exércitos de terra dos Estados con- seguinte, sobre a evolução interna de cetros Es-
tinentais e dos aparelhos burocráticos centrali- tados. e claro que nos referimos aqui à proble-
zados a eles conexos. mática do Estado insular.
1096 RELAÇOES INTERNACIONAIS

V. CRÍTICAS AO MODELO DICOTÔMICO SOBERA- destituídos de capacidade descritiva e explica.


NIA ESTATAL-ANARQUIA INTERNACIONAL. En-
- tiva dentro da realidade contemporânea, como
quanto a teoria das Relações internacionais, de conseqüência da presença de alguns fenômenos
que expusemos a urdidura conceptual básica, de grande relevo, que e$volvem, todos eles, em
mergulha as suas raízes numa tradição de pen- vária medida, uma limitação substancial da sobe-
samento que remonta em suas bases mais gerais rania, tanto nas Relações 'internacionais como nas
a Maquiavel, o estudo dessas relações corno dis- internas, e, conseqüentemente, a desaparição do
ciplina acadêmica e ciência autônoma no âmbito próprio fundamento da diferença qualitativa en-
mais abrangente da ciência política é um fenô- tre relações internacionais e internas. Os fenôme-
meno relativamente recente, que, depois de al- nos mais geralmente citados são os seguintes:
gumas antecipações no entremeio das duas guer- - a crescente interdependência no plano eco-
ras mundiais, se desenvolveu sobretudo neste nômico, social, ecológico e cultural entre todos
último pós-guerra, graças principalmente a alguns os Estados do atual sistema mundial, interde-
estudiosos anglo-saxões. Que relação têm entre pendência que deu origem a um desenvolvimento
si estas duas orientações? sem igual, em confronto com épocas anteriores,
Em parte pode existir aí uma relação de inte- das estruturas da organização internacional (de
gração recíproca. Isso conta particularmente que a ONU é o exemplo fundamental) que têm
quanto à coleção de uma infinda quantidade de exatamente a incumbência de gerir, pelo método
dados empíricos (que constitui um dos mais no- da cooperação interestatal e mediante um enorme
táveis contributos, se bem que em si insuficiente, desenvolvimento, tanto no plano quantitativo co-
da ciência americana das /nternational Relations), mo qualitativo, do direito internacional, essa
que podem ser utilizados com proveito na abor- mesma interdependência:
dagem teórica acima examinada, cujas análises - o progresso e aprofundamento de tal inter-
exigem, sem dúvida, em não poucos casos, serem dependência, sobretudo no seio dos blocos e das
providas 'de uma mais completa e orgânica re- zonas de influência em que se articula o atual
colha de dados. No que respeita ao uso por parte sistema mundial dos Estados; mas também fora
dos estudiosos de /nternational Relations da me-
dele se desenvolvem formas de integração entre
todologia comportamentista, dos processos de
os Estados, no plano econômico e/ou militar
quantificação de dados, da teoria' geral dos sis-
(NATO, Pacto de Varsóvia, CEE, COMECON,
temas, da teoria dos jogos, de complexos modelos
Pacto Andino, ASEAN, etc.), que pouca relação
cibernéticos, podemos observar que tão sofisti-
têm com as alianças tradicionais, uma vez que
cadas formas metodológicas não são em si con-
limitam consideravelmente a soberania estatal;
traditórias em relação aos ensinamentos derivados
da doutrina da razão de Estado. Como exemplo - a existência, embora ligada a uma inter-
assaz significativo pode-se indicar, a propósito, dependência econômica de nível mundial cada
o esforço por tornar mais rigoroso o discurso so- vez mais acentuada, das grandes empresas multi-
bre sistemas de Estados, enquadrando-o na teoria nacionais, as quais, conquanto não gozem de so-
geral dos sistemas (Morton A. Kaplan). Com isso berania, possuem de fato um poder muito supe-
não se esquecem, por outro lado, as recentes e rior ao de numerosos Estados soberanos, sendo
assaz difusas críticas ao comportamentismo e à capazes de Ihes restringir substancialmente a so-
tendência conexa à quantificação e matematização berania.
dos dados, críticas que estão levando a uma geral A grande importância destes fenômenos no con-
e substancial reavaliação da abordagem tradi- texto atual das Relações internacionais e a neces-
cional, parecendo cada vez mais claro que o per- sidade de que a respectiva disciplina os enquadre
feccionismo metodológico e, principalmente, a de forma adequada são coisas fora de discussão.
tendência a operar só com dados quantificáveis O que nos parece pelo contrário inteiramente
obrigam a pesquisa a concentrar-se em termos infundado é a tese de que eles põem em dúvida
que são secundários. o valor da teoria das Relações internacionais ba-
Para além dos aspectos que podem com algu- seada no esquema dicotômico soberania estatal-
mas reservas ser considerados complementares, anarquia internacional. São necessários a tal res-
surgem, não obstante, no panorama das I nter- peito alguns esclarecimentos. Sobre· o primeiro
national Relations, algumas teses alternativas em ponto é preciso observar que a existência de uma
relação à teoria das relações internacionais, fun- certa interdependência (obviamente variável nas
dada na doutrina da razão de Estado. Em resumo, formas, nos conteúdos e na intensidade de época
segundo um modo -de ver bastante generalizado, para época) entre as sociedades cujos Estados
os conceitos basilares de soberania estatal e de fazem parte de um sistema de Estados foi sempre
anarquia internacional pareceriam cada vez mais condição contextual da existência de tais siste-
..... _-----------

RELAÇOES INTERNACIONAIS 1097

mas. À luz da análise histórica, eles aparecem principal. no sistema dos Estados. No que res-
sempre efetivamente ligados à existência de al- peita ao fenômeno das empresas multinacionais,
guma forma de sociedade transnacional que, em não se há de esquecer que, se é verdade que elas
termos muito genéricos, constitui ·uma civilização são capazes em muitos casos de limitar substan-
comum e implica por isso relações constantes no cialmente a soberania de numerosos Estados es-
plano econômico, social, cultural, etc., entre os truturalmente débeis, quer pelas suas dimensões
membros de tais sistemas, isto é, relações trans- quer pela sua formação recente e/ou incompleta,
nacionais que se desenvolvem entre as sociedades isso, tornou-se possível devido ao apoio direto
politicamente incorporadas em cada um dos Es- ou indireto de uma grande potência, cuja força
tados. Mas aqui é conveniente uma certa distinção é fator decisivo, sobretudo quando a atividade
terminológica. Embora exista a tendência assaz de tais empresas provoca graves conflitos. Em
freqüente de usar indistintamente as expressões resumo, se o papel que hoje desempenham as
"sistema internacional" e "sistema dos Estados", empresas multinacionais está vinculado, por um
seria mais correto, a nosso entender, usar a pri- lado, à peculiar profundidade que alcançou a
meira expressão quando nos referimos ao com- interdependência econômica, sobretudo entre os
plexo constituído pelo sistema dos Estados e pela países de economia de mercado, ele depende, por
sociedade transnacional que aquele abrange, e a outro lado, da hierarquia que existe entre os
segunda expressão quando, ao invés, nos limi- Estados e caracteriza o atual sistema mundial,
tamos a considerar o sistema dos Estados, pres- isto é, uma das manifestações do atual governo
cindindo do tipo concreto de sociedade transna- do mundo.
cional a que está ligado. Depois disso deve-se Feitos estes esclarecimentos sobre o fato de
observar que, quando as relações transnacionais que, na realidade internacional atual, o esquema
alcançam uma notável intensidade, elas impelem dicotômico soberania estatal-anarquia internacio-
os Estados a criar formas mais ou menos desen- nal mantém intata a sua capacidade explicativa,
volvidas de organização internacional destinadas não só tem sentido, como é absolutamente inevi-
a regulá-Ias. O modo como isto acontece no tável encarar outra questão. Temos de nos per-
quadro do sistema dos Estados não alcança nunca, guntar seriamente se os fenômenos de crescente
por outro lado, o mesmo grau de eficácia com interdependência das relações humanas em 'escala
que são reguladas as relações internas de cada mundial (e entre eles se há de também considerar
Estado, já que tal sistema é um sistema. político o fenômeno, que poderíamos definir COiaO de
sem o requisito da soberania e toma por isso interdependência negativa, representado pela exis-
IDe,i.ú,'ei;; a ~iúca ôe pottncia e as gu<::tnS lb:ria de armas capa:n::s de &i::struir o mundo in-
periódicas, que, conquanto não interrompam teiro) não demonstram que a estrutura anárquica
nunca de forma completa ou definitiva as relações da sociedade interestatal é cada vez mais incon-
transnacionais e a ação das organizações inter- ciliável com as exigências de sobrevivência e
nacionais, as tornam em todo caso estruturalmente desenvolvimento do gênero humano, e não nos
precárias. Isto vale também para o atual sistema põem diante do problema da criação de um Go-
internacional e há de valer enquanto ele não verno mundial eficaz e democrático e, por isso,
tiver adquirido as mesmas características dos concretamente, diante do problema das vias e
sistemas políticos dotados de soberania. QuOlnto eventuais etapas intermédias para alcançar esse
aos fenômenos de integração entre os E!tadós, objetivo.
é preciso afirmar que eles constituem em certos
casos a forma específica como se organizam .as VI. ·SISTEMA DOS EsTADOS E EVOLUÇÃO DO
relações fortemente hierárquicas entre os atores MODO DE PRODUZIR. - Por último resta enfren-
principais e os atores secundários de um sistema tar o problema de fundo suscitado pelo pensa-
de Estados de tipo bipolar (NATO, Pacto de mento de orientação marxista e, particularmente,
Varsóvia, COMECON), enquanto em outros casos pela teoria do materialismo histórico, ou seja,
(sobretudo o da integração da Europa Ocidental, a necessidade de explicar a relação existente entre
v. INTEGRAÇÃO EUROPÉIA) correspondem à ten- a evolução do modo de produção e a evolução
dência - revelada no século passado, se bem das superestruturas políticas, entre as quais ocupa
que em formas diversas, com a unificação italiana urrr=hrgar relevante o sistema dos Estados, em
e alemã - de criar entidades estatais de dimen- que se concentra aqui a atenção. O que leva a
sões mais amplas em zonas onde a interdepen- enfrentar este problema é a verificação de que
dência atinge particular profundidade e onde só alguns processos de grande relevo encontrados
através da unificação supranacional é possível na análise da problemática das Relações interna-
recuperar ou alcançar, participando de uma co- cionais não contam, no quadro da respectiva teo-
munidade estatal mais ampla, um papel de ator ria, com um instrumento que permita compreen-
1098 RELAÇOES INTERNACIONAIS
dê-Ios em profundidade. Referimo-nos particular- ração dialética que existe entre as determinações
mente aos processos de onde nascem os modernos provenientes da evolução do modo de produção e
Estados soberanos e o sistema dos Estados, que as provenientes do sistema dos Estados,
provocam a formação e desenvolvimento da so-
ciedade transnacional, politicamente incorporada Quanto à primeira das teses, é preciso rernon-
pelo sistema dos Estados, que fomentam a trans- tar às análises que mostraram de modo convin-
formação gradual ou revolucionária dos regimes cente como a formação do moderno sistema eu-
políticos e das estruturas econômico-sociais in- ropeu dos Estados tem a sua base material na
ternas dos Estados, e que, fazendo crescer a inter- consolidação do modo capitalista de produção,
dependência da atividade humana para, além dos que, por um lado, constitui o alicerce principal do
confins dos Estados, impelem à formação de Es- moderno Estado soberano (o monopólio da força
tados de dimensões cada vez mais amplas, por- e a conseqüente certeza do direito são indispen-
tanto aos fenômenos de integração supranacional, sáveis para permitir o funcionamento de um sis-
e, preponderantemente, à unificação do mundo tema econômico-social bem mais complexo que
inteiro. Por um lado, parece bastante evidente o feudal e com outras formas de conflitos sociais)
que está fora da função e das possibilidades da e, por outro, faz nascer progressivamente o cha-
teoria das Relações internacionais identificar as mado mercado mundial, isto é, uma crescente
forças motrizes destes processos, e isso porque interdependência entre as sociedades organizadas
ela, corno qualquer teoria científica, é urna teoria por cada um dos Estados e, em decorrência, uma
parcial dos fenômenos inter-humanos, que se pro- sociedade transnacional politicamente englobada
põe especialmente identificar uma série de deter- pelo sistema dos Esjados. Dentro desta linha de
minações dos comportamentos do homem, deri- análise, têm sido realizados estudos de grande
vados dos fenômenos da anarquia internacional, interesse e valor sobre a relação entre desenvol-
e, por conseqüência, do sistema dos Estados e vimento capitalista e, portanto, industrial, de um
da sua influência na evolução interna de cada lado, e o progressivo fortalecimento do domínio
um deles; deve justificadarnente deixar para ou- das potências européias sobre o mundo, do outro;
tras ciências a tarefa acima referida. Por outro explicou-se o nexo das sucessivas fases do desen-
lado, visto que tais processos exercem uma in- volvimento capitalista e da Revolução Industrial
fluência decisiva sobre o sistema dos Estados, com o aumento das dimensões do Estado, pondo-
pois mudam a sua base econômico-social (as so- se em evidência, em tal contexto, como a inca-
ciedades englobadas pelos Estados e a sociedade pacidade dos Estados europeus em se fundirem
transnacionalj.srnudam os seus atores e a hierar- numa comunidade estatal mais vasta abriu cami-
quia entre eles existente, mudam a própria ma- nho à hegemonia das' potências de dimensões
téria dos conflitos, etc., é indispensável que haja continentais; caracterizou-se o impulso que os
critérios de orientação que permitam explicar, conflitos sociais criados pelas sucessivas fases de
pelo menos nos seus aspectos mais gerais, os desenvolvimento capitalista e industrial deram à
transformação gradual ou revolucionária das es-
modos de relação entre os fatores que provocam
tais processos, bem como a evolução do sistema truturas internas dos Estados e das próprias ca-
dos Estados. Ora, as indicações mais certas para ractefísticas da sociedade trailsnacional; e assim
enfrentar corretamente esta problemática provêm. por aí afora.
a nosso entender, do materialismo histórico, única Passando agora à tese da autonomia relativa
abordagem teórica que procura explicar de modo do sistema dos Estados em relação à evolução
científico a interação existente entre os diversos do modo de produzir, dois pontos têm de ser
setores da atividade humana e as determinações ressaltados. Em geral. com base nesta tese, se
deles provenientes. Pelo que concerne ao tema pode tornar claro que, se a evolução do modo
que é objeto desta análise, o materialismo histó- de produção constitui, no sentido acima indicado,
rico, com a tese do caráter supra-estruturaI do Es- a base material do sistema dos Estados e o fator
tado e conseqüentemente também do sistema dos determinante das transformações fundamentais
Estados em relação à evolução do modo de pro- que nele se verificam, por outro lado, uma vez
duzir, mostra, antes de tudo, a estrada mestra constituído tal sistema ou reestruturado em con-
que é preciso seguir para descobrir os fatores deci- seqüência de transformações nele ocorridas, as
sivos que suscitam os processos antes indicados. determinações daí provenientes e individualizadas
Em segundo lugar, com a tese da autonomia rela- pela teoria da razão de Estado exercem uma in-
tiva das superestruturas (que, embora claramente fluência autônoma e decisiva sobre os comporta-
implícita nas análises de Marx e Engels, se desen- mentos humanos e, conseqüentemente, sobre o
volveu de forma mais clara e completa depois), processo histórico, e hão de exercê-Ia, enquanto
indica como explicar a complexa relação de inte- a evolução do modo de produção não levar à
---------

REPRESÁLIA 1099

superação do sistema dos Estados soberanos. Esta Represália ..


tese, porém, permite sobretudo compreender a
capacidade que o sistema dos Estados tem de
bloquear ou desviar, por longos períodos histó- A Represália é uma resposta por meios vio-
ricos, o processo de ajustamento da sua configu- lentos e coercitivos a uma violência ou ato ilícito
ração à evolução do modo de produzir, ou seja, sofridos. E prevista apenas pelo sistema jurídico
permite compreender que o ajustamento da su- internacional por faltar, nesse sistema, uma auto-
perestrutura à evolução da base estrutural não ridade suprema capaz de restaurar situações ju-
possui um caráter mecânico, o que constitui um rídicas violadas.
dado decisivo para a compreensão em profun- A Represália é considerada lícita somente como
didade das grandes guinadas do processo histó- resposta à violação de um direito próprio; não
rico. Um exemplo significativo para a visual i- deve violar leis humanitárias e tem de ser propor-
zação deste ponto é o do imperialismo dos Es- cionada à ofensa recebida. Alguns tratados inter-
tados nacionais europeus, que foi também um nacionais vedam o recurso à Represália, propondo
modo de evitar enfrentar o problema da criação métodos diversos para a solução das controvérsias
de uma comunidade política de dimensões con- internacionais. Segundo o sociólogo e politólogo
francês R. Aron, a interpretação da Represália
tinentais, apresentado aos europeus com a passa-
como "sanção" contra atos ilícitos não é senão
gem à fase da produção industrial de massa, e
uma ficção jurídica, pelo simples fato de que
encontrou uma alternativa histórica na integração
diplomatas e soldados, quando fazem uso da for-
européia posterior ao descalabro, em 1945, da
ça, nunca julgaram agir como "funcionários da
potência dos Estados nacionais (v. IMPERIALISMO
justiça", encarregados de uma execução decre-
e INTEGRAÇÃO EUROPÉIA).
tada por um tribunal. A doutrina, porém, é con-
Outro exemplo significativo é o da política corde em considerar lícita a violação de qualquer
de tipo bonapartista (cujo pressuposto está, como direito do agressor como reparação de um ato
vimos, na autonomia da política externa), que ilícito por este cometido. ;o.
permite diferir a transformação do regime interno Fala-se também de Represália, maciça ou limi-
de um Estado, enquanto não ocorrer o desmoro- tada, em algumas doutrinas de estratégia nuclear.
namento da sua potência. Pelo termo Represália maciça se indica a ameaça
do uso de todo o potencial bélico, atômico e con-
vencional, de um Estado, para impedir uma agres-
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