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Convenio FENIPE e FATEFINA Promoção dos 300.

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173/173 vº, Fundada em 01 de Janeiro de 1980, Registrada em
27 de Outubro de 1984
Presidente Nacional Reverendo Pr. Gilson Aristeu de Oliveira
Coordenador Geral Pr. Antony Steff Gilson de Oliveira

APOSTILA Nº. 13/300.000 MIL CURSOS GRATIS EM 114 PAGINAS.

Apostila 13
CURA INTERIOR
Parte I

1. HISTÓRICO

A "vida abundante" que Jesus ofereceu aos seus seguidores tem sido
o objetivo dos mais dedicados cristãos em todas as épocas. Esta
prometida abundância tem sido usualmente entendida como harmonia
interna e liberdade espiritual, mais do que abundância material - por
razões óbvias. A busca por tal liberdade interior tem aparecido sob os
mais diversos nomes.

2. O QUE É CURA INTERIOR?

O fenômeno conhecido como cura interior tem dois objetivos. O seu


objetivo primário e espiritual é estender o senhorio e poder de cura de
Cristo ao nosso passado, afetando mesmo a nossa experiência antes
da conversão. O objetivo secundário e psicológico é portanto nos
libertar de qualquer cativeiro emocional e psicológico que a nossa
experiência passada possa ter produzido. Os teóricos da cura interior
defendem que os bloqueios emocionais e os padrões habituais de
comportamento (com os seus frutos negativos de frustração, derrota e
fraca auto-imagem) nos impedem de atingir a vida abundante que
Jesus prometeu. Portanto, eles concluem que, um esforço especial
deve ser feito para curar estas feridas interiores, de forma que
possamos ser libertos das diversas coisas que podem constringir e
empobrecer as nossas vidas. Em resumo, o objetivo geral da cura
interior pode ser descrito como uma espécie de "santificação

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
retroativa".

O propósito geral do movimento de cura interior é claramente de


natureza pastoral. Desta forma, ele defende que a "cura das
memórias" normalmente ocorra num aconselhamento de base
individual, ou em pequenos grupos. Considera-se essencial que os
dons do Espírito Santo estejam em operação, particularmente os dons
de discernimento e cura. Ao indivíduo que está buscando sua cura
será pedido que reviva seu passado através da imaginação. Isto
geralmente envolve um "retorno" ao ponto-problema - um encontro
traumático ou assustador que moldou a auto-imagem e o
comportamento da pessoa e também porque este ponto se alojou em
camadas profundas de sua psique. À medida em que o "paciente"
imaginativamente recria o ponto-problema, com toda sua intensidade
emocional, eles dizem ao paciente para imaginar que Jesus está lá
(naquela situação). Presume-se que a presença imaginativa de Jesus
traga Seu amor e poder de cura para relacionamentos perturbados
com os pais e companheiros, os quais são muito poderosos para que
o indivíduo dê conta dos mesmos sozinho.

O que devemos fazer com estes fundamentos, teorias e técnicas que


os acompanham? Na verdade, o que devemos fazer com os "ministros
e ministérios da cura interior"? A época em que vivemos, com sua
orientação voltada para o experiencial, tende a gerar um entusiasmo
desqualificado por experiências de cura interior dentro de alguns
setores da comunidade cristã. Infelizmente, esta mesma tendência tem
efeito oposto em outros cristãos, que vêem como muito suspeitas tais
experiências e a fascinação acrítica despertada por elas. Na maioria
dos casos, não existe uma única resposta simples. A época em que
vivemos é caracterizada pela crescente complexidade da vida em
todos os níveis - econômico, material, moral e intelectual. À medida
em que novas e antigas idéias se proliferam, elas influenciam o
pensamento cristão de várias formas. Algumas têm mais validade que
outras; muitas são completamente inaceitáveis. Nós devemos estar
preparados para encarar conceitos não-familiares e pacientemente e
em oração desvendar tanto as suas fontes bem como a suas
implicações. Este processo pode ser frustrante e cansativo, mas sua
necessidade é cada vez mais crescente.

Dentro disto, nós podemos comentar que a cura interior é um


fenômeno complexo e altamente variável. Não é possível nem
endossá-la, nem condená-la cegamente. É possível, entretanto,
identificar e avaliar aqueles elementos que influenciam as teorias e as
terapias dos que praticam a cura interior.
"Nossa vida interior é uma parte crítica de nossa identidade pessoal, e
portanto a necessidade para a cura das emoções e memórias sempre
fez parte da nossa condição humana."

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
3. REDIMINDO A PESSOA INTEGRAL

A queda da humanidade (Gn.3) introduziu o princípio da morte e


decadência em todos os níveis da existência humana. O veneno do
pecado perpassa cada poro do nosso ser. Em seu sofrimento e
ressurreição, Cristo venceu a morte - não somente fisicamente, mas
de todas as formas em que somos afetados por ela. Nossa vida
interior é uma parte crítica de nossa identidade pessoal, e portanto a
necessidade para a cura das emoções e memórias sempre fez parte da
nossa condição humana. O ensinamento e ministério de Jesus
reconheceram implicitamente esta necessidade, bem como o fez o
alcance da igreja primitiva. Jesus mesmo falou freqüentemente sobre
"o coração" (isto é, "a sede oculta da vida emocional") como fonte de
pensamento e ação. Ele também citou a profecia messiânica de Isaías
61, declarando seu propósito de "restaurar o coração partido" (Lc.
4:18). O apóstolo Paulo falou repetidamente sobre a renovação da
mente no Espírito Santo (Rm. 12:2; Ef. 4:23).

O encontro na estrada de Emaús (Lc. 24) pode ser visto (entre outras
coisas) como uma forma de "cura das memórias". Se nós tomarmos
este incidente como um protótipo para o exercício válido desta forma
de ministério, vários critérios podem ser vistos. Se esta forma de cura
tem sustentação bíblica, ela não se referirá primariamente às
cicatrizes emocionais e traumas psicológicos da infância. Muito mais,
ela tomará uma perspectiva mais ampla, lidando radicalmente com
todas as forças da ansiedade, medo e incredulidade que produzem
pensamento e comportamento anti-bíblico. O ponto central da cura
interior nesta perspectiva mais ampla é a morte sacrificial de Jesus e
sua vitória através da ressurreição sobre o pecado e a morte,
exatamente como aconteceu na estrada de Emaús. Deste ponto-de-
vista, a cura interior é muito menos um fim em si mesma e muito mais
um passo preliminar que capacita o cristão a conseguir a libertação
(Gl. 5:1) e a maturidade espiritual, deixando de lado a forma egoísta e
infantil de viver (I Co. 13:11-12).

Os discípulos, apóstolos e crentes do primeiro século conheciam o


Cristo crucificado e ressurreto como Senhor de toda a história -
cósmica (Cl. 1:15-23), racial (Ef. 2:11-20) e pessoal (Hb. 9:14). À medida
em que eles seguiam Seu exemplo e a promessa de Sua eterna
presença, eles eram libertos (e libertavam outros) do pecado, da
doença física e psicológica e dos problemas emocionais, bem como
do medo da morte e da falta de esperança que ela produz. Foi-lhes
dada radicalmente uma nova base para a auto-estima, a qual não está
baseada na mentira, ira ou outras formas de auto-afirmação. Esta nova
base desafiou tanto a religião farisaica como sensualidade
desenfreada.

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4. A PSICOLOGIA DA PESSOA INTEGRAL

Existe comunhão entre psicologia e o Cristianismo? Esta questão, em


seu sentido mais amplo, escapa do objetivo da nossa aula. Entretanto,
o assunto é pertinente, desde que muito da "cura interior" está
baseada em visão secular de como a nossa personalidade é formada e
influenciada.

Muitos elementos da psicologia secular, entretanto, são mais


ambíguos; alguns são frontalmente contrários ao pensamento bíblico.
Sigmund Freud é a maior fonte de tendência a se enfatizar o trauma
infantil. Carl Jung foi seu aluno e colega que se envolveu
superficialmente com ocultismo. Sua abordagem sistemática à
compreensão da natureza da mente inconsciente se tornou influente
nos anos 60 e 70. Muito dos conceitos de Jung têm sido empregados
num modelo "carismático" por pessoas como John Sanford e Morton
Kelsey. Portanto, Freud e Jung (para não mencionar outros)
indiretamente ajudaram a delinear muitas das pressuposições do
movimento de cura interior. Além do mais, algumas das técnicas
utilizadas para resgatar memórias têm sido tomadas de empréstimos
de terapias seculares.
"Alguns praticantes da cura interior...não somente têm adotado um
sub-modelo da natureza humana; eles têm permitido que os próprios
modelos se tornem parâmetros de interpretação da Bíblia."

5. ALGUNS PARÂMETROS PARA O DISCERNIMENTO

À medida em que consideramos estes fundamentos, teorias e


técnicas, e tentamos pesar suas implicações, nós devemos ter me
mente alguns fatores críticos. A cura do "interior do homem" é uma
premissa biblicamente demonstrável. Por esta razão, nós precisamos
abordar alguma idéias e métodos sobre cura interior com cautela. A
admoestação de Jesus a seus discípulos de que fossem "prudentes
como as serpentes e símplices como as pombas" (Mt. 10:16) nos
colocará numa posição bem firme para que sejamos capazes de
identificar as influências sub-cristãs sem sermos influenciadas por
elas.

A ênfase exagerada numa certa técnica na vida espiritual facilmente se


torna uma tentativa de manipulação psíquica, um esforço de produzir
uma experiência ou um encontro com Deus. Não há nada de
intrinsecamente errado em se utilizar a imaginação na oração, mas a
dependência de invocação imaginativa de imagens religiosas pode se
tornar insana. O uso do termo "visualização de fé" não batiza
semanticamente tais práticas. Os produtos da imaginação podem
também ser convenientemente trazidos para o campo do desejo e do

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ego, enquanto que o Cristo vivo não pode. Uma ênfase extremada na
confissão verbalizada pelo crente no movimento da "palavra da fé" é
outro ensino aberrante o qual, sutilmente, se torna uma espécie de
ocultismo. Nestas formas exageradas, a visualização da fé cria um
"video-interior de Jesus", o qual pode ser manipulado para quase
qualquer sentido.
Da mesma forma, devemos estar atentos para os modelos
psicológicos que se baseiam em visões anti-bíblicas da natureza
humana. É também necessário identificar e rejeitar tecnologias
terapêuticas que são utilizadas para sustentar tais modelos. Alguns
praticantes de cura interior, infelizmente, não somente têm adotado
um sub-modelo da natureza humana; eles têm permitido que os
próprios modelos se tornem parâmetros de interpretação da Bíblia.
Tais práticas se situam entre a aberração e a apostasia.

Como já dissemos, existem ligações demonstráveis entre tais técnicas


como a "visualização da fé" ou a "confissão positiva" e algumas
formas de pensamento do ocultismo e da Nova Era. Os esforços de se
voltar para o interior para encontrar a globalidade, pode levar-nos à
"dimensão divina interna" do misticismo Neoplatônico ou aos
"arquétipos" do inconsciente coletivo de Jung. Em ambos os casos,
bem como num grande número de casos similares, o sujeito que
busca termina ofuscado por um subjetivismo, o qual é racionalizado
com termos originários da metafísica oriental e da psicologia
humanística.

Neste ponto, uma mudança da verdade bíblica para especulações


humanas se torna base para uma séria confusão sobre a natureza da
cura e, mais importante, sobre a natureza do praticante da cura. Neste
novo papel, Jesus, o Messias, se torna em parte o terapeuta primal e
em parte um xamã primevo. Nesta situação, uma tentativa de se fazer
uma avaliação racional ou bíblica é negativamente rotulada como um
"falta de fé", "apagar o Espírito" ou "bloquear o fluxo"; pode mesmo
ser desprezada como uma "viseira".
"A postura bíblica sobre a nossa natureza é, com certeza, uma
avaliação verdadeira e mais confiável do que a feita por nossos
medos, iras e memórias..."

6. UMA QUESTÃO DE PRIORIDADES

É razoável assumir que os problemas psicológicos e emocionais a que


a igreja primitiva se referia eram tão complexos como os de hoje. Nós
também vamos assumir que as soluções que ela aplicava são tão
funcionais para hoje como eram no primeiro século. Não havia
nenhuma necessidade de se renunciar à visão escriturística da
condição humana ou de Jesus Cristo, a fim de fazerem estas soluções
funcionarem. A imposição de mãos, a unção com óleo, a confissão

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mútua e a meditação direcionada eram alguns dos métodos
empregados para produzir ambos, a cura interna e a cura externa. Os
apóstolos foram estranhamente silenciosos, entretanto, sobre
qualquer necessidade de reviver experiências relacionadas com a
infância, ou sobre a prática de esfaquear o pai na imaginação, como
alguns praticantes de cura interior têm aconselhado aos seus clientes.

Com certeza, há abundantes benefícios psicológicos em se colocar


Jesus como o centro radical de nossas vidas e afetos - mesmo acima
e além de nossos laços familiares. Nós também somos chamados,
entretanto, a meditar sobre coisas que estão acima e, de alguma forma
é bom que se diga, que não estão nutrindo ressentimentos ou usando
a nossa liberdade como desculpa para o mal (Ef. 4:26; I Pe. 2:16; Gl.
5:1). Existe uma considerável distância entre confessar a presença de
um desejo negativo e dramaticamente realizá-lo - mesmo que na
fantasia.

Nós devemos evitar confundir o sagrado com a saúde. A cura da


psique e emoções pode ser uma importante parte do nosso
crescimento em direção à espiritualidade. Entretanto, ela não deve ser
superestimada em detrimento de outros aspectos da santidade, nem
deve se tornar um substituto deles . Nós devemos nos guardar da
idéia de que os cristãos estão isentos de toda sorte de enfermidades,
doenças e tentações e que, qualquer ocorrência deste tipo seja um
ponto negativo em nossa condição espiritual. Por outro lado, é
importante não perder de vista as variadas maneiras pelas quais Deus
provê libertação de coisas que nos impediriam viver plenamente em
Cristo.

7. AS MARCAS DA INTEGRIDADE ESPIRITUAL

Cura espiritual pode ser considerada como tendo base bíblica. Se


assim for, ela deve ser reconhecida como uma parte integral de nossa
vida cristã. Três principais pontos nos ajudarão a discernir a
consonância bíblica de cada forma em particular, de cura interior.
Todos os três pontos são vitais para um entendimento equilibrado e
seria desaconselhável isolar ou superestimar qualquer um destes
elementos.

Primeiro: A cura espiritual deve tocar o problema na sua fonte. O


indivíduo deve ser liberto da prisão de uma memória em particular e
do falso significado atribuído a ela. As feridas emocionais causadas
pelo incidente que forçou a repressão de sua memória deve ser
curada. Paulo fala de Deus como o Pai da compaixão (I Co. 1:3-4) e
também enfatiza que a provisão do sangue de Cristo é um aspecto da
Sua perfeita sabedoria (Ef. 1:7-8). De fato, é a "contínua aspersão do

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Seu sangue" que guarda o coração e a consciência das "palavras
mortas" (Hb. 9:14; 10:22) e nos liberta do cativeiro emocional destas
palavras a fim de que possamos servir ao Deus vivo.

Segundo: A cura interior deve quebrar padrões de respostas habituais


e comportamentos que foram gerados em reação a um trauma inicial.
A pessoa que está sendo curada deve cooperar ativamente neste
processo, ao invés de reagir passivamente à instruções e
manipulações do que ministra a cura interior. Toda redenção envolve
o fazer escolhas e o exercício da nossa vontade. Uma vez que fomos
convocados ao arrependimento e renovação, somos também
chamados a abandonar velhas formas de responder às pessoas e
circunstâncias (Cl. 3:12-17; I Pe 2:1-3). Nós devemos portanto
aprender novas atitudes e formas de lidar com estas situações (Ef.
4:22-24; I Pe. 1:5-9).

Terceiro: A cura interior deve produzir mudanças pessoais que sejam


compatíveis com a revelação das Escrituras, do nosso novo ego (eu)
em Cristo. Isto deve estar combinado com uma ênfase na confiança do
que Deus nos diz sobre nós mesmos, mais do que nossos
sentimentos podem dizer. A postura bíblica sobre a nossa natureza é,
com certeza, uma avaliação verdadeira e mais confiável do que a feita
por nossos medos, iras e memórias, sem mencionar as acusações do
Adversário (Rm. 8:1-2). A cura interior deve nos ajudar a sermos
reeducados (através da palavra de Deus) acerca de quem somos em
Cristo. Uma vez que entendemos como Deus nos vê, bem como a
provisão que Ele fez para o nosso crescimento, nós começaremos a
desenvolver uma auto-estima que corresponde precisamente à nossa
confiança na justiça de Cristo, mais do que em nossa própria (Rm.
12:3).

Nós não temos que abandonar o ponto-de-vista bíblico ou o


compromisso com o senhorio de Cristo a fim de podermos nos
beneficiar da cura interior. De fato, se tal necessidade for expressa ou
se está implícita, é aconselhável reconsiderar a validade dos
fundamentos que têm sido colocados.

Jesus mesmo reconheceu o dilema fundamental da humanidade, bem


como suas secundárias implicações emocionais e psicológicas. Ele
reconheceu o problema de se atingir auto-estima diante em ambiente
hostil e uma consciência igualmente hostil que foi imperfeitamente
moldada por influências imperfeitas durante os anos de formação da
pessoa. A consciência ainda não-redimida se torna um entrave na
condição psicológica, o qual inevitavelmente produz sua própria
dissolução (Rm. 8:6). Jesus sugeriu ao homem que a vida entregue a
Ele e o fato de seguirmos seu exemplo - mesmo a sua morte como

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
mártir - é uma carga mais fácil de ser suportada do que se lutarmos
com as nossas próprias forças. (Mt. 11:28-30).

Parte II
PNEUMATOLOGIA REFORMADA DE VERDADE!
DEFINIÇÕES E DESAFIOS NICODEMOS LOPES

O que é ser "reformado"?


A primeira questão com a qual nos defrontamos ao abordar o tema desse
pequeno ensaio é a de definir exatamente sobre o que estamos falando. O
nosso assunto gira em torno da compreensão reformada sobre a pessoa e a
obra do Espírito Santo. Mas, o que queremos dizer por "reformada"?

Não existe unanimidade entre os que se consideram herdeiros da Reforma


protestante quanto ao sentido do termo. Historicamente, o termo
"reformados" foi usado a princípio indistintamente para todos os
protestantes, calvinistas, luteranos e zwinglianos. Com as controvérsias
entre eles sobre a Ceia, "reformados" passou a designar zwinglianos e
calvinistas somente, em contraponto aos luteranos. E com o arrefecimento
da importância de Zwinglio no cenário protestante, "reformados" passou a
designar os calvinistas. Portanto, é historicamente correto afirmar que um
entendimento reformado sobre o Espírito Santo tem a ver primaria e
basicamente com a teologia calvinista sobre o Espírito Santo. Hoje em dia,
muitas igrejas e denominações se utilizam do nome "reformada", mesmo
que já tenham abandonado em grande medida partes fundamentais da
teologia calvinista, inclusive a pneumatologia. O mesmo acontece com
alguns pastores que consideram-se reformados apesar do fato de que não
são calvinistas em sua doutrina. Assim, embora para alguns hoje ser
reformado seja pertencer a uma igreja que historicamente descende da
reforma protestante, ou ainda manter o espírito reformista que marcou os
reformadores, é mais exato dizer que o conceito está ligado às principais
convicções doutrinárias dos reformadores, particularmente às de João
Calvino.

Consequentemente, uma pneumatologia reformada é necessariamente


aquela adotada pelas igrejas que são herdeiras do Cristianismo bíblico. É
uma pneumatologia originada nas Escrituras e defendida por Agostinho,
Calvino, e os puritanos, tendo sua expressão adequada nas confissões de fé
reformadas. É uma pneumatologia derivada de uma leitura das Escrituras a
partir dos pressupostos principais que guiaram esses homens, a começar
com o alto apreço pelas Escrituras como Palavra de Deus, inspirada e
infalível, e única regra de fé e prática da Igreja. À luz desta visão podemos
definir pneumatologia reformada como sendo aquela compreensão da
pessoa e da obra do Espírito Santo que parte da revelação divina grafada
nas Escrituras, lida e interpretada da ótica da hermenêutica reformada, tendo
como alvo a glória de Deus e o avanço do seu reino neste mundo.

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
Se considerarmos que apenas os que se mantém leais aos principais pontos
da doutrina calvinista podem ser realmente chamados de reformados,
verificaremos que são poucos os verdadeiros reformados. Escreve o ex-
calvinista Clark Pinnock:

Tenho a forte impressão, confirmada até mesmo pelos que discordam dela,
que o pensamento de Agostinho está perdendo sua influência nos
evangélicos de hoje. Não são apenas os evangelistas que estão pregando
um evangelho arminiano. É difícil até mesmo achar um teólogo calvinista
hoje que esteja disposto a defender a teologia reformada em seus detalhes
mais peculiares, em particular as opiniões de Calvino e Lutero. Eu não estou
sozinho, especialmente agora que Gordon Clark faleceu e John Gerstner
aposentou-se.

Numa época em que o número de "reformados" comprometidos com a


teologia calvinista é tão pequeno, não é de se estranhar que tendências
teológicas, filosóficas e hermenêuticas, trazidas no bojo do pós-modernismo
e do crescente movimento neopentecostal, se infiltrem nas igrejas
historicamente reformadas, e descaracterizem, onde aceitas, a compreensão
correta acerca do Espírito Santo. Tais ameaças já estão presentes, e que
aparentemente vieram para ficar por um longo tempo. Entende-las agora é
essencial para a preservação da identidade reformada quanto à obra do
Espírito Santo no mundo e na Igreja. No que se segue, procuro detectar e
analisar alguns destes desafios

O Desafio Teológico: Pelagianismo

O que é o Pelagianismo
O primeiro desafio vem da área teológica, representado pelo pelagianismo,
heresia antiga e já condenada pela Igreja, mas jamais erradicada do seu
meio. O pelagianismo sustenta basicamente que todo homem nasce
moralmente neutro, e que é capaz, por si mesmo, sem qualquer influência
externa, de converter-se a Deus e obedecer à sua vontade, quando assim o
deseje. Uma das grandes disputas durante a Reforma protestante versou
sobre a natureza e a extensão do pecado original. Ele afetou Adão somente,
ou todo o gênero humano? A vontade do homem decaído é ainda livre ou
escravizada ao pecado? No século V Pelágio havia debatido ferozmente com
Agostinho sobre este assunto. Agostinho mantinha que o pecado original de
Adão foi herdado por toda a humanidade e que, mesmo que o homem caído
retenha a habilidade para escolher, ele está escravizado ao pecado e não
pode não pecar. Por outro lado, Pelágio insistia que a queda de Adão afetara
apenas a Adão, e que se Deus exige das pessoas que vivam vidas perfeitas,
Ele também dá a habilidade moral para que elas possam fazer assim. Ele
reivindicou mais adiante que a graça divina era desnecessária para salvação,
embora facilitasse a obediência.

Agostinho teve sucesso refutando Pelágio, mas o pelagianismo não morreu.

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
Várias formas de pelagianismo recorreram periodicamente através dos
séculos. Lutero escreveu um livro "A Escravidão da Vontade" em resposta a
uma diatribe de Erasmo, onde o mesmo defendia conceitos pelagianos.
Lutero acreditava que Erasmo era "um inimigo de Deus e da religião Cristã"
por causa do ensino dele sobre o pecado original. É bom notar que o
Catolicismo medieval, sob a influência de Aquino, adotara um semi-
pelagianismo, mesmo que na antigüidade houvesse rejeitado o pelagianismo
puro. Neste sistema, acreditava-se que o homem cooperava com a graça de
Deus para a salvação.

No século XVIII, uma forma nova e levemente modificada de pelagianismo,


apareceu, que foi o arminianismo. Existem algumas diferenças entre as duas
posições, mas ambas são sinergistas (o homem coopera para sua salvação)
e mantém o mesmo conceito de fé (uma decisão puramente humana de
receber a Jesus Cristo, e não como um dom misericordioso de Deus).

A influência de Charles Finney


No século XIX, o evangelista americano Charles Grandison Finney reavivou
o puro pelagianismo. Ele repudiou abertamente quase todas as principais
doutrinas calvinistas (mesmo que tenha sido ordenado na Igreja
Presbiteriana), em particular a doutrina de pecado original e da depravação
total. É um grave erro histórico e teológico considerar Finney como
"reformado" (alguns, exagerando, diga-se, nem desejam considerá-lo como
evangélico). A metodologia evangelística de Finney teve tanto êxito, que ele
se tornou um modelo para os evangelistas mais recentes. Embora o
evangelicalismo americano não tivesse aceitado integralmente o
pelagianismo de Finney, abraçou, entretanto, sua metodologia, uma forma
de semi-pelagianismo que infectou a alma da sua teologia até o dia de hoje.
Vários movimentos nasceram conscientemente da teologia de Finney, como
a teoria do governo moral.

Ameaças à doutrina do Espírito Santo


O pelagianismo, em suas variadas formas contemporâneas, ameaça a
doutrina reformada do Espírito Santo especialmente nas áreas da
regeneração e da chamada eficaz, das seguintes maneiras:

a) Reduz a regeneração do pecador a uma decisão de sua própria vontade.


Finney rejeitou a idéia de que a regeneração fosse um milagre, uma
transformação sobrenatural produzida pela ação soberana do Espírito no
coração dos eleitos. Para ele, regeneração era a decisão do pecador em se
voltar para Deus e obedecê-lo. Não poderia haver nenhuma transformação
miraculosa, pois não havia o que transformar, já que o pecador é
moralmente capaz de obedecer a Deus. Após a negação de pecado original,
foi somente um passo para que Finney negasse a doutrina da regeneração
sobrenatural. O sermão mais popular de Finney, pregado na Igreja da Rua do
Parque, em Boston, foi intitulado "Os Pecadores Devem Mudar os Próprios
Corações". Para ele, não há nada na religião que ultrapasse os poderes

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
ordinários de natureza. "Religião é obra do homem", disse ele. "Consiste tão
somente no emprego apropriado dos poderes naturais. É somente isso e
nada mais"

b) Reduz a chamada eficaz do Espírito Santo a uma mera persuasão moral.


Para Finney, a obra do Espírito limita-se ao exercício de influências morais
no pecador, mas "a conversão em si ... é ato do próprio pecador", afirma ele
em sua Teologia Sistemática (p. 236). O ensino calvinista é que o Espírito de
Deus, através do ministério da Palavra, chama irresistivelmente o eleito,
regenerando-o e assim habilitando-o a responder positivamente em fé à
oferta das boas novas do Evangelho. Essa chamada é irresistível, embora
não se constitua uma violação da vontade do pecador. No conceito
pelagiano (ou semi-pelagiano), o Espírito de Deus apenas se esforça para
persuadir os pecadores, cabendo a estes em última análise a decisão e a
capacidade de converter-se e tornar para Deus, exercendo fé em Cristo.

O desafio do pelagianismo em suas formas contemporâneas para a


identidade reformada é alarmante. O pentecostalismo, em seu crescimento
assombroso na América Latina e no Brasil, traz em seu bojo, além de várias
outras ameaças e desafios, os principais conceitos do antigo pelagianismo,
e desafia as igrejas reformadas a rever o conceito calvinista da atuação do
Espírito Santo na regeneração e salvação do pecador. Os pentecostais são
hoje mais de 450 milhões no mundo. Com o crescimento do pelagianismo no
Brasil, a identidade reformada das igrejas que assim se consideram fica
ameaçada, no que respeita à obra do Espírito Santo na conversão dos
pecadores.

Mas o desafio maior vem de dentro das próprias igrejas históricas. Não são
muitos os "reformados" que aderem coerentemente à doutrina calvinista da
depravação total. Embora possam afirmá-la em princípio, acabam sendo
incoerentes por também acreditar que o pecador tem a "capacidade moral de
se voltar para Deus". Praticamente ninguém hoje declararia, "eu sou um
pelagiano, ou semi-pelagiano", primeiro, por que toda a Cristandade
condenou no passado essa heresia, e segundo, por que poucos que adotam
esta linha têm idéia do que o pelagianismo significa. Muitos ministros de
igrejas reformadas provavelmente ofereceriam as respostas corretas em um
exame teológico, entretanto, operam em seus ministério como se essas
convicções não tivessem absolutamente nenhuma conseqüência.

Os Desafios Filosóficos: Pluralismo e Pragmatismo

O pluralismo religioso
Um outro desafio de imensas proporções vem de duas filosofias
características do período pós-moderno em que vivemos. A primeira delas é
o pluralismo. Como o nome já indica, essa filosofia defende a pluralidade da
verdade, ou seja, que não existe uma verdade absoluta, mas sim verdades
diferentes para cada pessoa. Esse conceito é ambíguo, mas definitivamente

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
já faz parte integrante da nossa cultura presente. Ele defende o
relacionamento de pessoas com ideologias diferentes, sem que uma tenha
de sujeitar suas convicções ao domínio da outra. A idéia de converter
alguém às suas próprias convicções é politicamente incorreto. A chave está
na valorização da negociação e da cooperação em lugar de se tentar provar
que se está certo ou errado.

O pluralismo religioso, por sua vez, prega o abandono da "arrogância"


teológica do cristianismo, nega que exista verdade religiosa absoluta, e
exalta a experiência religiosa individual como critério último para cada um.
Por exemplo, o padre católico Raimundo Panikkar, descendente de hindus,
escreveu um artigo onde defende que isolacionismo já não é mais possível
na sociedade globalista em que vivemos. Embora afirme que aceitar o
pluralismo religioso não signifique o mesmo que aceitar o relativismo, deixa
claro que a experiência religiosa individual é a chave para a convivência
pluralista. Diz ele, "No momento eu estou experimentando o amor de Deus
por mim em Cristo Jesus, e por este motivo eu sei com perfeita clareza que
ele é o caminho, a verdade e a vida".

O pluralismo religioso defende uma nova teoria missiológica, onde não mais
se prega a necessidade de conversão de outras religiões ao cristianismo, e
sim a cooperação entre todas as religiões, naquilo que têm em comum. O
pressuposto é que o cristianismo não é o único caminho para Deus, embora
seja o melhor, e que Deus está agindo salvadoramente no âmbito de outras
religiões, como as religiões orientais.

O pragmatismo religioso
A outra filosofia é o pragmatismo. Seu popularizador, o psicólogo americano
William James, afirmou que idéias humanas eram verdadeiras se
funcionassem ou fossem úteis para resolver problemas. Já que o
funcionamento e utilidade das idéias variam de contexto para contexto,
segue-se que a verdade é relativa. No dizer de Francis Schaeffer, é um
sistema de pensamento que faz das conseqüências práticas de uma crença
o critério supremo da sua verdade. O pragmatismo dominou rapidamente a
cultura americana e estendeu-se para além das suas fronteiras. Adotar as
coisas que realmente preservam a paz individual e uma situação financeira
confortável, sem qualquer preocupação com princípios fixos de certo ou
errado é evidentemente a idéia que controla procedimentos internacionais,
domésticos e individuais. Princípios absolutos tem pouco ou nenhum lugar
no pensamento ocidental moderno.

Não devemos, portanto, pensar que o pragmatismo é um fenômeno


ocidental. Seu princípio fundamental é inerente ao coração humano. Uma
das 4 premissas básicas do substrato filosófico e religioso da Ásia, por
exemplo, pode ser resumida neste parágrafo: "É direito de cada pessoa
religiosa aceitar e praticar qualquer maneira de viver que achar útil ao seu
modo de pensar e às suas circunstâncias sociais peculiares".

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
Desafios do Pluralismo e do Pragmatismo para a doutrina do Espírito Santo
O pluralismo e o pragmatismo andam geralmente de mãos dadas. Onde o
conceito de verdade absoluta deixa de existir (pluralismo), as pessoas e as
organizações passam a orientar as suas decisões em termos daquilo que
mais satisfaz as suas necessidades (pragmatismo). A combinação destas
duas filosofias aparece claramente em vários movimentos presentes nas
igrejas evangélicas, e representam um novo desafio ao cristianismo em geral
e aos calvinistas em particular. A pergunta que as pessoas fazem com
relação ao cristianismo não é se ele é a verdade ou não, mas simplesmente
se funciona. Elas querem saber se vai mudar a vida delas para melhor, se
Cristo realmente é poderoso para transformá-las, e pode dar-lhes paz,
alegria, esperança e propósito às suas existências.

Ambas as filosofias trazem sérios desafios a alguns aspectos da pessoa e


obra do Espírito Santo:

1) Quanto à extensão da operação ou atividade salvadora do Espírito Santo.


O calvinismo ensina uma distinção nas operações do Espírito Santo, que
está relacionada com os conceitos de graça comum e de graça especial. A
graça comum refere-se à atuação do Espírito Santo no mundo em geral,
preservando valores morais e trazendo benefícios materiais, sobre todos os
homens indistintamente de suas crenças religiosas. A graça especial refere-
se à operação salvadora do Espírito, restrita apenas aos eleitos,
regenerando-os, iluminando-os e santificando-os pelo Evangelho de Cristo.
O pluralismo religioso ameaça esse conceito, pois ensina que o Espírito de
Deus age salvadoramente em todos os homens indistintamente de suas
religiões, sem se restringir ao âmbito do cristianismo. Um exemplo de
pluralista cristão que defende esse ponto é o ex-calvinista Clark Pinnock.

2) Quanto à relação entre a Palavra e o Espírito. O calvinismo ensina a


relação indissolúvel entre a atuação do Espírito Santo e a Palavra de Deus. O
Espírito atua graciosamente através da Palavra; por sua vez, a Palavra
funciona como critério para reconhecermos a atividade do Espírito, em
contraste com a atividade de espíritos malignos ou do espírito humano. O
pluralismo e o pragmatismo ameaçam este conceito. O primeiro, porque
divorcia a atuação salvadora do Espírito da verdade bíblica, como vimos no
item anterior. E o segundo por enfatizar a validade de experiências religiosas
à parte de seus conteúdos teológicos, ameaçando assim da mesma forma a
relação entre o Espírito e a Palavra.

3) Quanto à soberania do Espírito de Deus em converter pecadores e


aumentar a Igreja. Segundo o ensino calvinista, o aumento da Igreja através
da conversão de pecadores é uma obra soberana do Espírito Santo, através
dos meios secundários que Deus mesmo determinou. A Igreja deve
evangelizar ardorosamente, dependendo porém da operação soberana do
Espírito Santo quanto aos resultados. O pragmatismo representa um desafio

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
para essa convicção calvinista, pois enfatiza o emprego de métodos,
estratégias e técnicas tiradas do marketing secular e de ciências sociais
como sociologia e psicologia, através das quais a igreja poderá crescer. O
sucesso ou fracasso de igrejas locais no aumentar o número de seus
membros é relacionado, não à soberania do Espírito de Deus, mas ao uso
desses métodos. Embora calvinistas defendam o planejamento das
atividades missionárias e evangelísticas da Igreja, têm entretanto sérias
reservas quanto ao planejamento de resultados, uma estratégia que faz parte
do pragmatismo do moderno movimento de crescimento de igrejas.

Influência generalizada do pluralismo e do pragmatismo entre os


protestantes
O pluralismo e o pragmatismo têm infectado o cristianismo mundialmente. O
tema da salvação em outras religiões foi discutido recentemente na
Assembléia Geral do Concílio Mundial de Igrejas. O relatório apresentado
trouxe debate considerável. Uma consulta teológica na suíça patrocinada
pelo CMI, composta por 25 teólogos, trouxe as seguintes conclusões:

Através da história, pessoas tem encontrado a Deus no contexto de várias


religiões e culturas diferentes.
Todas as tradições religiosas são ambíguas, isto é, uma combinação do que
é bom e do que é ruim.
É necessário progredir além de uma teologia que confina a salvação a um
compromisso pessoal explícito com Jesus Cristo.
Em algumas denominações o pluralismo tem sido proposto como filosofia
oficial, como na Igreja Metodista Unida, dos Estados Unidos. Nas igrejas
brasileiras que se consideram reformadas, a ameaça vem por diversas
avenidas, trazendo sérios desafios à doutrina calvinista do Espírito Santo.
Eis algumas dessas maneiras pelas quais o pragmatismo e o pluralismo têm
invadido as igrejas históricas:

a) A adoção de uma liturgia neopentecostal, particularmente a ênfase na


experiência. O culto hoje em igrejas evangélicas que adotaram esta ênfase, é
geralmente uma adaptação comunitária do pragmatismo americano, onde
todos fazem o que gostam, e todos gostam do que fazem.

b) O impacto do movimento de crescimento de igreja na área de missões e


evangelização das denominações, missões paraeclesiásticas, e das igrejas
locais. Mesmo as igrejas reformadas não tem escapado à penetração dessas
influências mencionadas acima. Embora o movimento tenha levado a Igreja a
repensar mais corretamente a sua metodologia missionária, por outro lado,
tem provocado reações por parte de calvinistas quanto à seus pressupostos
semi-pelagianos e sua metodologia claramente pragmatista.

A influência dessas filosofias pós-modernas pode ser percebida ainda de


outra maneira. Uma equipe de pesquisa composta de 60 estudiosos e mais
de 100 sócios completou um estudo sobre o presbiterianismo americano, no

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seminário presbiteriano de Louisville, nos EUA. Uma das suas conclusões é
que no século XX a denominação sofreu de uma doença teológica, com
muitos presbiterianos evitando posições firmes e claras na área teológica
porque diferenças doutrinais tendem a produzir conflito ou divisão. Essa é a
razão por que eles tentaram em anos recentes resolver problemas
potencialmente divisivos em termos políticos e não teológicos.

A diversidade de perspectivas teológicas dentro das denominações


presbiterianas tem origem na escolha enfrentada em 1927 pela Igreja
Presbiteriana nos Estados Unidos de América (PCUSA). A denominação teve
que decidir entre subscrever a um conjunto fixo de doutrinas ou permitir
uma diferença maior entre opiniões teológicas. A Igreja decidiu por não
delinear as doutrinas exatas que todos os presbiterianos teriam que aceitar,
uma decisão consistente com o presbiterianismo histórico daquele país.
Debates doutrinários haviam sido freqüentes no passado, com divisões
acontecendo sempre que as disparidades ficavam intoleráveis. A pergunta
agora é se o pluralismo teológico produziu alguma teologia que tenha
bastante substância. O pluralismo promete enriquecer a teologia mas na
realidade tende a dilui-la em opções múltiplas que não são coerentes nem
persuasivas. E a identidade reformada quanto à ação do Espírito tende a
desaparecer.

O Desafio Hermenêutico: Neopentecostalismo

O que é o neopentecostalismo
Por neopentecostalismo quero dizer aqueles movimentos surgidos em
décadas recentes, que são desdobramentos do pentecostalismo clássico do
início do século, mesmo que abandonaram algumas de suas ênfases
características e adquiriram marcas próprias, como ênfase em revelações
diretas, curas, batalha espiritual, e particularmente uma maneira
sobrenaturalista de encarar a realidade espiritual.

A hermenêutica destes movimentos é caracterizada por uma leitura das


Escrituras e da realidade sempre em termos da ação sobrenatural de Deus.
Deus é percebido somente em termos de sua ação extraordinária. Para o
neopentecostal típico, Deus o guia na vida diária através de impulsos,
sonhos, visões, palavras proféticas, e dá soluções aos seus problemas
sempre de forma miraculosa, como libertações, livramentos, exorcismos e
curas. A doutrina que define, mais que qualquer outra, as igrejas evangélicas
no Brasil hoje, é a crença em milagres. É claro que não estou dizendo que
crer em milagres seja errado. O que estou dizendo é que, na hora que a
crença em milagres contemporâneos e diários passa a ser a característica
maior da igreja evangélica, algo está errado.

Desafios para a doutrina do Espírito Santo


A hermenêutica sobrenaturalista do neopentecostalismo representa um
desafio para a identidade reformada pois tende a menosprezar uma das

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doutrinas típicas do calvinismo, que é a providência de Deus. Partindo das
Escrituras, os reformados usam o termo providência para se referir à ação
de Deus, pelo seu Espírito, agindo no mundo através de pessoas e
circunstâncias da vida para atingir seus propósitos. Esses meios não são
intervenções miraculosas ou extraordinárias de Deus na vida humana, mas
simplesmente meios naturais secundários. Os calvinistas reconhecem que
Deus intervém miraculosamente neste mundo, mas sempre em regime de
exceção. Normalmente, ele age através dos meios naturais.

O neopentecostalismo, por enfatizar a ação sobrenatural e miraculosa de


Deus no mundo (a qual não negamos, diga-se), acaba por negligenciar a
importância da operação do Espírito Santo através de meios secundários e
naturais. Essa negligência torna-se mais séria quando nos conscientizamos
que o Espírito normalmente trabalha através de meios secundários e
naturais para salvar os pecadores. Acredito não ser difícil de provar que a
esmagadora maioria dos cristãos foram salvos através de meios naturais –
como o testemunho de alguém, a leitura da Bíblia, a pregação da Palavra – e
não através de intervenções miraculosas e extraordinárias, como foi a
conversão de Paulo.

Como resultado do sobrenaturalismo neopentecostal, as igrejas reformadas


por ele afetadas tendem a considerar os meios naturais como sendo
espiritualmente inferiores. Um bom exemplo é a tendência de não se tomar
remédios, como sendo falta de fé. Um outro resultado é a diminuição da
pregação do Evangelho como meio de salvação dos pecadores, e a ênfase
nos milagres como meio evangelístico. Assim, a obra do Espírito na Igreja e
no mundo através dos meios naturais secundários é negligenciada, com
graves e perniciosos efeitos nas vidas dos que abraçam a cosmovisão
neopentecostal.

Conclusão
Esses desafios à identidade reformada quanto à ação do Espírito Santo já se
encontram presentes em nosso meio, e prometem persistir por ainda muito
tempo. Alguns dos movimentos contemporâneos que trazem no bojo de
seus pressupostos e de sua metodologia esses desafios, continuam a
crescer no Brasil, e a influenciar as igreja reformadas. Esses movimentos,
como o reavivalismo, crescimento de igrejas, batalha espiritual e
ecumenismo forçam as igrejas reformadas a reavaliar o que crêem quanto à
ação do Espírito na Igreja e no mundo. O desafio é que façamos isso
procurando cada vez mais conformar essas crenças com o ensino das
Escrituras Sagradas, a Palavra de Deus, e com a nossa tradição calvinista.

Parte III
NÓS TAMBÉM RESSUCITAREMOS
1Coríntios 15

1. INTRODUÇÃO

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Precisamos começar nosso estudo sobre a escatologia confessando nossa
ignorância. Nós sabemos muito pouco, mas sabemos o mais importante:
nosso futuro está guardado no Livro da Vida, escrito por Deus.

2. VIVENDO EM FUNÇÃO DA RESSURREIÇÃO DE JESUS CRISTO

Os versos 3 e 4, complementados pelos versos 5 a 8, formam uma síntese do


Evangelho. Foi este o conteúdo que Paulo recebeu e transmitia. (Porque
primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por
nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi
ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras; que apareceu a Cefas, e
depois aos doze; depois apareceu a mais de 500 irmãos duma vez, dos quais
vive ainda a maior parte, mas alguns já dormiram; depois apareceu a Tiago,
então a todos os apóstolos; e por derradeiro de todos apareceu também a
mim, como a um abortivo.

2.1. A narrativa da ressurreição


Este é o Evangelho que nós recebemos e devemos transmitir. Por isto,
precisamos começar falando do fato da ressurreição de Jesus e o faremos
primeiramente de forma poética.

ELOGIO À MULHER

O teu olhar para dentro da noite


é o olhar de quem busca a vida
e não teme o sepulcro.

A tua lágrima que salta de dentro


é a lágrima de quem perdeu
toda a luz que da alegria nasce.

A tua visão de dois anjos na noite


é a visão de quem enxerga o mistério
e ouve a sua voz em meio ao silêncio triste.

Soluça, mulher, maria , madalena,


que no fundo dos teus olhos
dois anjos proclamarão a manhã.

Chora, mulher, maria, madalena,


que nos intervalos dos teus soluços
ouvirás a palavra de quem procuras.

Mulher, reclama o corpo que roubaram.


Ladrões, para onde o levaram?
Mulher, de quem é esta voz que te olha?

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De quem é este olhar que te chama?
Olha, mulher, e vê que é rosto do homem que querias morto.

E agora tu o chamas pelo nome das flores.


E agora tu o vês pela imagem das águas
antes que ele Deus todo seja
e marche para o azul ao encontro deste Pai
que se fez filho conosco
e se deixou enterrar nas horas das pedras

Tu o viste, não entre a reclusão das lápides,


nem a respirar a quietude dos troncos tombados,
mas a caminhar por entre as pétalas,
a ouvir o teu lamento sem luz.

Tu o viste, não a anunciar a vitória da noite,


nem a chorar a dor por quem partiu para sempre,
Mas a proclamar o sorriso suave dos teus lábios,
tu que sorriste com ele
na mais feliz de todas as madrugadas:
quando a rocha se fendeu
e ele pôde enxugar da fronte o orvalho que anunciava a sua ressurreição.
(Israel Belo de Azevedo)

2.2. O fato da ressurreição (v. 11-11,20)


A morte de Jesus é um fato histórico não mais questionado e, junto com ele,
o seu sepultamento. No entanto, a sua ressurreição tem sido questionada
em sua veracidade histórica e isto não é de hoje. Também, e igualmente não
de hoje, tem sido questionada fortemente a possibilidade da ressurreição
dos homens no final dos tempos, especialmente pela dificuldade de elas
(tanto a de Jesus quanto a dos cristãos) fazerem sentido à luz da razão.

2.2.1. Contestações à ressurreição


Quanto à ressurreição de Jesus, os argumentos em contrário, são, entre
outros:

A falta de documentos extrabíblicos que a registrem;


As contradições nas narrativas bíblicas sobre o mesmo fenômeno;
A impossibilidade da ressurreição à luz da razão;
A natureza não essencial da ressurreição para a fé cristã.
Quanto à ressurreição dos mortos em geral, argumenta-se que o fenômeno,
tal como aconteceu com a de Cristo, não tem amparo na razão, à qual devem
estar subordinados todos os fatos.

2.2.2. Respostas às contestações


De fato, não há narrativas extrabíblicas para o fato da ressurreição de Jesus.
Não o há também para o nascimento e para a morte de Jesus.

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
A ressurreição é apontada como um fato essencial para a fé. O apóstolo
Paulo várias vezes o afirma, deixando bem claro, em Romanos 10.9-10, que a
salvação vem pela confissão de Jesus Cristo como Senhor e pela crença de
que o Pai ressuscitou Jesus dentre os mortos.

Quanto às chamadas contradições, tratam-se antes de narrativas com focos


particulares. Cada testemunha narrou segundo a sua perspectiva e segundo
o que viu. Aliás, o teórico comunista Karl Kautsky começou a levantar estas
contradições para desmascarar o Cristianismo. Sua conclusão, que ajudou a
expulsá-lo do Partido Comunista foi outra: se a ressurreição de Jesus fosse
uma lenda, as versões seriam previamente combinadas; o fato de guardarem
uma subjetividade entre elas é uma evidência que nada foi inventado. Por
isto tem razão também outro não cristão, o historiador judeu Pinchas lapide,
para quem a ressurreição é a certidão de nascimento do Cristianismo.

Os símbolos cristãos são símbolos da Ressurreição. O que é o batismo? A


imersão simboliza a morte para o pecado e a ressurreição para uma nova
vida. O que é a Ceia, senão a afirmação da morte de Cristo e sua volta, que
só é possível por ter ressuscitado.

Não podemos esquecer ainda que parte das testemunhas do túmulo vazio
era formada por mulheres. Se a história fosse uma lenda, seus inventores
não colocariam essas narrativas nas bocas das mulheres, incapazes, na
lógica da época, da falar a verdade e, portanto, indignas de crédito. Que
judeu iria crer numa ressurreição testemunhada por mulheres.

Há outra evidência interessante. Quanto custou para os primeiros a fé na


ressurreição? Além do escárnio, muitos pagaram com a vida. Não seria
razoável morreriam por uma lenda. Eles pregaram o Evangelho da
Ressurreição como testemunhas.

Alguém dirá que Paulo não foi testemunha ocular e, de fato, não o foi. Ele
pelo se autodenomina de apóstolo (testemunha) nascido fora do tempo (v.8).
Os versículos 3 e 8, especialmente 3 e 4, não são da lavra do Paulo, que
afirma tê-los recebido. Quando ele começou a pregar, já pregava segundo as
Escrituras, isto é, segundo o que recebera de outras testemunhas. A fé na
Ressurreição não foi inventada por Paulo. A fé na Ressurreição não foi
inventada por Paulo. Ele creu nela depois que o próprio Jesus lhe apareceu
e depois do que aprendeu com os outros cristãos.

Se é difícil crer na Ressurreição de Jesus, e o é, porque fruto da fé, é mais


difícil ainda crer nas idéias, há muito esposadas, que o corpo dele foi, na
verdade, roubado.

Os antigos judeus não sustentaram esta farsa diante de José de Arimatéia.


Mais recentemente, muitos creram noutro delírio: que ele não ressuscitou,

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
mas se reincarnou. Há gente de provas documentais e racionais para a
perspectivas cristã leva pessoas a forjarem teses delirantes, sem qualquer
apoio documental contemporâneo e sem qualquer elemento de
racionalidade.

O problema do crivo racional é tão sério que até mesmo cristãos, como
Rudolf Bultmann, no início do século 20, chegaram a considerar como não
essencial a ressurreição de Jesus. Ensinava aquele teólogo que o
importante era ter a fé que os primeiros cristãos tiveram, pouco importando
a historicidade desta fé.

3. A FELICIDADE DA FÉ NA RESSURREIÇÃO

Paulo cria na Ressurreição como um fato histórico e deriva o fato da nossa


própria ressurreição daquela.

É como ele que devemos crer. Ele lembra que a crença na Ressurreição era
parte da pregaçào da Igreja. O autor de !Coríntios relaciona esta ressurreição
com a nossa. (Se não há ressurreição de mortos, então Cristo não
ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã a nossa
fé, e somos tidos como falsas testemunhas de Deus. (...) Se a nossa
esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de
todos os homens. (v. 12-19)

Sem a fé na Ressurreição de Cristo e sem a esperança em nossa


ressurreição no fianl dos tempos, nós somos infelizes.

Por que somos infelizes sem a Ressurreição?

Somos infelizes porque cremos numa Bíblia que nos ensina uma farsa e nos
faz crer numa lenda ou numa alucinação coletiva, mas acontecia em blocos,
porque pessoas isoladas e grupos viram Jesus com o corpo glorificado.
Somos infelizes porque cremos num Cristianismo, que faz de uma lenda o
pilar do seu conteúdo existencial e teológico.
Somos infelizes porque abrimos mão da bênção regeneradora da
ressurreição (1Pedro 1.3). Sem a ressurreição, o evangelho está incompleto.
Sem a ressurreição não podemos ser salvos. Não há poder na mentira.
Somos infelizes porque abrimos mão da fé para ficar com a razão, razão que
matou Jesus Cristo, razão que foi insuficiente (junto com a Lei) para levar o
homem ao reencontro com Deus, razão que não faz nenhum de nós um salvo
por Cristo no presente e no futuro. Aliás, o século 20, o século da razão por
excelência, é a maior prova da falácia e da insuficiência da razão, pois foi o
século com maior número de guerras e de vítimas de toda a história da
humanidade.
Nós temos esquecido que Cristo ressuscitou. Tem feito pouca diferença em
nossas vidas a esperança de que ressuscitaremos.

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
Como Paulo, precisamos crer na Ressurreição de Jesus, por se tratar de
uma das colunas da fé cristã.

Mais que crer, precisamos viver como se crêssemos na Ressurreição,


porque somos capazes de cantar e declarar que cremos em algo sem viver
como se crêssemos.

Cristo ressuscitou para que nós pudéssemos ressuscitar -- eis o fundamento


de nossa própria esperança.

4. UMA VIDA RADICALMENTE DIFERENTE

Na primeira parte do capítulo, o apóstolo Paulo põe todo o seu argumento na


certeza da ressurreição de Cristo e dela deriva a esperança da nossa.
Precisamos ficar com esta ênfase: se não vamos viver uma vida pós-
humana, somos lastimáveis humanos. A ressurreição de Jesus e a nossa
não são temas apenas de natureza especulativa, mas de ordem existencial.

O argumento da indispensabilidade da ressurreição é repetido nas partes


seguintes do mesmo capítulo. Conquanto o apóstolo não detalhe o chronos
do que há de vir, oferece-nos uma visão bastante ampla da existência pós-
histórica.

4.1. Entre o fanatismo milenista e o fatalismo secularista


Os temas relacionados à escatologia têm sido tratados de duas maneiras
antitéticas: uma se aproxima da superstição e outra compõe a fila do
paganismo.

Essas duas tendências são retratadas neste capítulo 15 de 2Coríntios,


especificamente nos versículos 29 e 32.

4.1.1. O milênio como superstição


No verso 29, o apóstolo Paulo menciona que em Corinto havia cristãos que
se batizavam por antepassados mortos. (De outra maneira, que farão os que
se batizam pelos mortos? Se absolutamente os mortos não ressuscitam, por
que então se batizam por eles?) Esses cristãos estavam tão certos que
Cristo voltaria para aquela geração que, para salvar seus queridos já mortos,
lançavam-se às águas do batismo, achando que assim contribuiriam para a
remissão dos pecados deles e os preparariam para o juízo final próximo.

A propósito, os mórmons, com cujos representantes cruzamos a todo


instante pelas ruas da cidade, ensinam, a partir deste versículo, que os
cristãos de hoje devem se batizar pelos seus parentes não cristãos para que
eles possam ser salvos. É uma espécie de quebra de maldição ao contrário.
Esses intérpretes preferem ignorar o fato que, quando Paulo menciona
batismo pelos mortos, ele não a recomenda, mas apenas a sua para
argumentar o seu absurdo... Além disso, eles se esquecem da verdade

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
bíblica essencial, segundo a qual nós somos julgados quando, em vida,
escolhemos aceitar ou recusar o sacrifício de Jesus Cristo por nós. Como
diz o evangelista João, quem crê [em Jesus] não é julgado; mas quem não
crê, já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus
(João 3.18).

O fanatismo coríntio, no entanto, encontrou entre os tessalonicenses outra


expressão. Muitos deixaram os seus empregos e suas escolas, certos que a
volta iminente de Cristo tornava inúteis o trabalho e o estudo. Ao longo da
história, este erro foi várias vezes cometido. Centenas de líderes fanáticos
marcaram datas e lugares para a parousia. Todos fracassaram, como
fracassarão todos que continuarem a fazê-lo e muitos ainda o farão. Há
pessoas que querem saber mais que Jesus, que garantiu que aquele dia e
hora, porém, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, senão só o
Pai (Mateus 24.36). Devemos, portanto, tomar cuidado com as escatologias
calendaristas, aquelas que, olhando os inequívocos sinais da proximidade
do fim da história, equivocam-se ao marcar, com certeza, esquemas e datas.

4.1.2. O milênio distante


A segunda tendência Paulo a menciona de passagem no versículo 32,
quando transcreve um dos argumentos da filosofia epicurista, bastante
aceita à época. (Se, como homem, combati em Éfeso com as feras, que me
aproveita isso? Se os mortos não são ressuscitados, comamos e bebamos,
porque amanhã morreremos.)

Contrariamente àqueles que vivem como se o mundo fosse explodir pelos


ares ainda hoje, os secularistas de Corinto e de nossa cidade vivem na
perspectiva que isto jamais acontecerá ou, se acontecer, está muito distante.
Nesta visão, a história não tem um sentido. Sartre, que embalou as duas
gerações do pós-guerra, ensinava que a vida não tem sentido; só o presente
importa. Epicuro, no passado remoto, e Sartre, no passado recente, têm
corrompido a nossa teologia prática. Em Corintio e em nossa cidade, as más
companhias corrompem os bons costumes (verso 33). Por isto, o apóstolo
recomenda: Acordai para a justiça e não pequeis mais; porque alguns ainda
não têm conhecimento de Deus; digo-o para vergonha vossa (verso 34). Em
outras palavras, quem está neste caminho secularizado deve acordar para a
justiça, isto é, para a verdade do Evangelho, e não pecar mais seguindo
vergonhosamente teorias e perspectivas contrárias à Palavra de Deus.

Para os existencialistas de ontem ou de hoje, Cristo voltará, mas não para


esta geração. Logo, o importante é viver o agora. Há cristãos para os quais a
parousia não significa nada; é como se não fosse algo relevante, embora
haja uma profusão de textos bíblicos a respeito e todo um livro para a
descrever, o Apocalipse.

O tema da escatologia afugenta a muita gente, por suas dificuldades e pelas


muitas discordâncias entre os estudiosos do assunto. Além disso, de tanto

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
se falar que a volta de Cristo está próxima, ela acaba vista como sendo algo
distante...

No século 19 houve também uma tendência explícita, a de que o homem


construiria uma sociedade com tal grau de perfeição, pela influência do
Evangelho, que não haveria necessidade de Cristo voltar. O progresso
educacional, moral, científico e tecnológico a nova terra. Nós
reescreveríamos os apóstolos: Cristo não precisaria voltar; nós é que
iríamos ao seu encontro, ao realizarmos seu projeto. Hoje não se enuncia
esta teologia, mas se vivencia esta teologia imanentista, o que é pior.

4.1.3. Uma visão bíblica


Diferentemente destas visões equivocadas, precisamos de uma visão bíblica
acerca do presente e do futuro. O nosso presente é possível porque no
passado Jesus Cristo morreu e ressuscitou por nós. O nosso presente é
possível porque no futuro Jesus Cristo voltará para nos fazer ressucitar e
viver para sempre com Ele num tipo de vida radicalmente diferente da que
conhecemos e experimentamos.

Nossa visão de Jesus Cristo deve ser tão forte que nos leve a viver como
Paulo, que perguntava: E por que nos expomos também nós a perigos a toda
hora? Sua resposta era veemente: Eu vos declaro, irmãos, pela glória que de
vós tenho em Cristo Jesus nosso Senhor, que morro todos os dias (versos
30 e 31). Nós vivemos segundo o que cremos. Se cremos que Jesus Cristo
veio, nós o oferecemos a todos quantos podemos; se cremos que Ele
voltará, queremos que outras pessoas nos acampanhem nesta jornada sem
fim pelo tempo sem relógio da eternidade.

5. A HISTÓRIA TEM SENTIDO

O estudo da escatologia, como ensinada pelo apóstolo Paulo, no capítulo 15


de 1Coríntios, nos mostra que a história tem um sentido.

Então virá o fim quando ele entregar o reino a Deus o Pai, quando houver
destruído todo domínio e toda autoridade e todo poder.

Pois é necessário que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo
de seus pés. (Ora, o último inimigo a ser destruído é a morte.) Pois se lê:
"Todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés". Mas, quando diz: "Todas as
coisas lhe estão sujeitas", claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou
todas as coisas.

E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o próprio


Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus
seja tudo em todos (versos 24-28).

A história humana terá um fim quando o mal for aniquilado de modo

23
Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
terminal. O presente geme pela atuação dos domínios, autoridades e
poderes. Este é a primeira utilidade de uma fé que contempla as dimensões
escatológicas: nossa vida hoje pode ser marcada pelo gemido, mas esta
história terá um fim.

Não há inimigo que não seja derrotado. Aquele que derrotou o inimigo
definitivo, que é a morte, tornada relativa, derrotará qualquer outro tipo de
inimigo. A morte não venceu Jesus; graças a Ele, a morte não nos vencerá.

Todos aquele que aceitar esta morte não experimentará o poder da morte
sobre si. Toda a força da morte despencou sobre o corpo de Jesus, que
afundou numa tumba. Se a história tivesse acabado assim, estaríamos todos
mortos também. No entanto, todo o poder de Deus levantou Jesus de entre
os mortos, para que nós vivêssemos. Este é o resumo do Evangelho.

No final dos tempos, Jesus entregará o Reino de Deus ao Pai. Esta afirmação
deve ser compreendia no interior da economia divina da história, sob pena
de não entendermos a natureza da

Trindade. O que Paulo nos ensina é que o Filho tem uma missão e esta
missão terá um fim: chegará o tempo em que Ele não será mais o mediador
entre os homens e o Pai, porque não será mais necessária a presença de um
mediador, já que os homens e a Trindade estarão em contato direto e eterno,
na grande festa celestial. Ele, então, chegará perante o Pai e anunciará que
sua obra terminou.

Quando isto acontecer, o Filho receberá toda honra, toda riqueza, toda
sabedoria, toda força, toda honra, toda glória e toda bênção (Apocalipse
5.12). O contraste é claro: Ele derrota toda a autoridade e recebe por isto
toda honra. A glória do Filho é a mesma do Pai. No final dos tempos, o
Cordeiro reinará, submetendo sua obra ao Pai, que o exaltará sobre todo
nome e toda a pessoa, e fará com que todo joelho dobre diante dEle e toda a
língua Lhe cante louvores, porque estará completa a obra da salvação
(Filipenses 2.9-11).

Esta obra, no entanto, começou na criação do mundo e continuou na


Encarnação. Desde então Cristo reina. Ele venceu a morte porque reinava.
Nós, no entanto, ainda não vencemos a morte. Venceremos quando Cristo
nos ressuscitar dentre os mortos. Todos os sofrimentos humanos
encontram são recompensados com a ressurreição, que os faz cessar e dá
sentido a eles.

Por isto, as últimas coisas (escaton) são, na verdade, as primeiras. Cristo é o


princípio e o fim, o Alfa e Ômega, na linguagem apocalíptica. Quem está no
princípio e no fim governa o presente, o nosso presente.

É encorajador saber que Jesus Cristo é rei agora também. É animador saber

24
Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
que, a apesar da aparência do Seu sumiço da história, Ele a controla. Ele nos
controla. Ele controla as pessoas ao nosso redor. Ele controla as
circunstâncias ao nosso redor. Ele controla a história, história que marcha
para reconhecer que Ele é o Senhor.

6. NÃO PODEMOS PREVER O TEMPO DA PAROUSIA

Sofremos porque não vemos com clareza o tempo da vinda de Jesus Cristo.
Nós gostaríamos de sabê-lo, embora isto fosse péssimo. Se a parousia fosse
ocorrer este ano, e nós o soubéssemos, nós ficaríamos paralisados, como
ficaram alguns da igreja de Tessalônica nos tempos apostólicos. Se a
parousia fosse ocorrer em gerações posteriores à nossa, e nós o
soubéssemos, nós ficaríamos descansados e não permitiríamos que ela
afetasse o nosso presente.

É daí que advém a tendência de se calendarizar os acontecimentos


escatológicos.

Sabemos o que vai acontecer, porque a Bíblia é clara quanto a esta


descrição. Sabemos porque vai acontecer, uma vez que é a forma pela qual
Deus se torna tudo em todos. A Bíblia, do Antigo ao Novo Testamento,
garante-nos que, no final dos tempos, Deus reconciliará a criação, inclusive
a criação humana, consigo. Os problemas estão no quando e no como.

6.1. A seqüência
Somos informados, em linhas gerais, a seqüência dos acontecimentos do
fim. Paulo a enumera nos versos 24 a 28 e 20 a 23:

Na realidade Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, sendo ele as primícias


dos que dormem. Porque, assim como por um homem veio a morte, também
por um homem veio a ressurreição dos mortos. Pois como em Adão todos
morrem, do mesmo modo em Cristo todos serão vivificados. Cada um,
porém, na sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na
sua vinda (versos 20-23).

Os acontecimentos do fim estão no passado (encarnação e glorificação de


Jesus), no presente (nossa aceitação ou recusa do sacrifício de Cristo) e no
futuro. No caso dos salvos, o esquema é claramente o seguinte.

morte de Jesus Cristo » nossa morte (ou transformação, para quem estiver
vivo)
ressurreição de Jesus Cristo » nossa ressurreição (ou transformação para
quem estiver vivo)
parousia » nosso arrebatamento
juízo final » nosso julgamento
consumação do Reino de Deus » vida celestial
Esta seqüência geral pode ser detalhada, mas, ao fazê-lo, não podemos

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
perder a visão global da história no projeto de Deus. Mesmo as
discordâncias quanto ao tempo dos acontecimentos do fim no futuro não
nos devem separar da esperança que o Jesus que reina agora reinará
plenamente no porvir.

Os pré-milenistas não podem abafar a esperança com seus esquemas. Os


pós-milenistas não podem anular a esperança com seu otimismo. Os a-
milenistas não podem empobrecer a esperança com a redução dos
acontecimentos do fim a meros símbolos.

6.2. Os sinais
Pressupondo a parousia é o acontecimento central, em torno do qual
orbitam os demais, devemos nos acautelar duplamente, com o cuidado de
não achar que a volta de Cristo é algo para o "são nunca de tarde" (conforme
o alerta de Pedro -- 2Pedro 3.9) ou que é algo para tão breve que nos
perturbe (2Tessalonicenses 2.2).

Nós simplesmente não conhecemos o tempo da volta de Jesus Cristo. E isto


é muito bom, conquanto para alguns possa soar como um convite a colocá-
lo para um futuro remoto. Nós temos que viver como se Ele fosse voltar
hoje, com os olhos voltados para a Sua direção. Nós temos que viver como
se Ele fosse ainda demorar a retornar, mantendo nossos olhos voltados para
o crescimento em direção à Sua estatura perfeita. Enquanto tocamos nossos
projetos, de curto, médio e longo prazos, devemos esperar e desejar a volta.

Era assim que Paulo pensava e agia. Embora achasse que alguns de sua
geração seriam arrebatados e transformados, sem passarem pela
experiência da morte (só a da transformação), pela iminência da parousia
(versículo 51), ele não deixava de fazer projetos para a universalização do
Evangelho.

Os sinais do fim estão na Bíblia. Alguns já se cumpriram claramente. Outros


ainda não se cumpriram. Devemos ter cuidado de não os ignorar, mas
também de não os produzir, fazendo com que fatos se encaixem
artificialmente em nossos esquemas. Entre a indiferença em relação aos
sinais e a indústria dos sinais, devemos ficar com a oração apostólica:
"Maranata!" Enquanto a parousia não acontece, devemos pedir por ela,
repetindo a frase com a qual Paulo termina esta epístola: "Maranata!", que
quer dizer: "Vem, Senhor Jesus" (1Coríntios 16.22).

Devemos ter a humildade ainda de reconhecer que há sinais que dificilmente


conseguiremos divisar com clareza. O objetivo dos sinais é nos advertir
contra a possibilidade de marcar tempos que só Deus conhece. O Senhor da
história não é refém de nossas interpretações, que falham, conquanto Ele
não falhe jamais.

7. SÓ PODEMOS FALAR DA ETERNIDADE POR MEIO DA LINGUAGEM

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POÉTICA

Além da fixação do tempo para os acontecimentos do fim, nós lavramos em


um outro tipo de dificuldade: a linguagem. A linguagem objetiva não
consegue falar da eternidade; só a imaginação poética nos ajuda. É isto que
faz o autor de Apocalipse. Tudo ali é poesia.

7.1. A imaginação poética


Toda a descrição da vida celestial, ao longo de todo o Novo Testamento, é
poética. É a poesia que nos ajuda a descrever a morte, a ressurreição, a
parousia e o céu. A poesia não remete para a mentira, mas para a
incompetência da linguagem narrativa (jornalística, objetiva, positiva).

Não podemos tomar as imagens acerca da vida celestial e limitá-las. Quem lê


o salmo 23 não pensa que Deus seja um pastor de ovelhas com um cajado
na mão a cuidar delas, mas -- isso, sim -- imagina que Deus se parece com
um pastor de ovelhas com um cajado na mão a cuidar dos seus filhos. Quem
lê a descrição das ruas celestiais, como a de Apocalipse, não deve imaginá-
las como sendo de ouro, mas como sendo tão imponentes e valorosos como
o ouro, o mais rico dos metais preciosos, razão por que foi utilizado para
servir como meio de comparação acerca da vida pós-esta. O céu é um lugar.
Até podemos chamá-lo de nova terra, à falta de elementos para descrevê-lo,
porque nada tem a ver com esta vida aqui e nada sabemos como ela será, a
não ser que será radicalmente diferente desta.

Diante de nossa impossibilidade de imaginar o diferente como sendo


diferente, só podemos falar da eternidade por meio da linguagem poética.
Um exemplo neste capítulo é a referência à morte como sendo um sono (os
que dormem -- versículo 20 --, nem todos dormiremos -- versículo 51). O
apóstolo não está falando do sono da alma: está usando um termo próprio
da tradição bíblica para descrever a morte.

7.2. A vida celestial


Em sua descrição poética, Paulo prefere usar a imagem da semente para
descrever a natureza de nossos corpos (?) celestiais.

Mas alguém dirá: Como ressuscitam os mortos? e com que qualidade de


corpo vêm?

Insensato! o que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer. E,


quando semeias, não semeias o corpo que há de nascer, mas o simples
grão, como o de trigo, ou o de outra qualquer semente. Mas Deus lhe dá um
corpo como lhe aprouve, e a cada uma das sementes um corpo próprio.

Nem toda carne é uma mesma carne; mas uma é a carne dos homens, outra
a carne dos animais, outra a das aves e outra a dos peixes. Também há
corpos celestes e corpos terrestres, mas uma é a glória dos celestes e outra

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a dos terrestres. Uma é a glória do sol, outra a glória da lua e outra a glória
das estrelas; porque uma estrela difere em glória de outra estrela.

Assim também é a ressurreição, é ressuscitado em incorrupção. Semeia-se


em ignomínia, é ressuscitado em glória. Semeia-se em fraqueza, é
ressuscitado em poder. Semeia-se corpo animal, é ressuscitado corpo
espiritual. Se há corpo animal, há também corpo espiritual. (Assim também
está escrito: O primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último
Adão, espírito vivificante.) Mas não é primeiro o espiritual, senão o animal;
depois o espiritual. O primeiro homem, sendo da terra, é terreno; o segundo
homem é do céu. Qual o terreno, tais também os terrenos; e, qual o celestial,
tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno,
traremos também a imagem do celestial.

Mas digo isto, irmãos, que carne e sangue não podem herdar o reino de
Deus; nem a corrupção herda a incorrupção.

Eis aqui vos digo um mistério: Nem todos dormiremos mas todos seremos
transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da
última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos serão ressuscitados
incorruptíveis, e nós seremos transformados.

Porque é necessário que isto que é corruptível se revista da


incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade. Mas,
quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é
mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está
escrito: "Tragada foi a morte na vitória". Onde está, o morte, a tua vitória?
Onde está, o morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a
força do pecado é a lei.

Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo
(versos 35-57).

Desta seção, eivada de imagens poéticas, podemos reter algumas verdades


inquestionáveis:

1. A vida celestial é radicalmente diferente da vida terrena. Um fruto não se


parece com o grão do qual germinou. Uma árvore não se parece com a
semente que a fez nascer. A vida celeste não se parece com a vida terrena.

Nossos novos corpos não conhecerão as limitações de tempo e espaço que


experimentam aqui. Podemos, diante disto, ainda nos referir a eles como
"corpos"? Não está o apóstolo novamente fazendo poesia?

2. Estes nossos novos corpos serão corpos glorificados. O máximo que


podemos saber a este respeito é que estes novos corpos se parecerão com
o corpo do Jesus ressurreto. Mais do que isto não sabemos, exceto ainda

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que, quando adentrarmos à eternidade, os elementos constitutivos desses
nossos corpos não serão mais a carne e o sangue, isto é, não serão células
biologicamente formadas, nem serão mais passíveis de ser atingidas pelo
poder do pecado.

3. A participação na vida eterna celeste é o cume do processo iniciado na


ressurreição de Jesus: a vitória sobre a morte. Depois de ver Jesus reinando
nos céus e de nos contemplar ajoelhados diante dEle confessando o Seu
senhorio, Paulo pergunta à morte, com ironia:

-- Ei, morte, onde está a ponta aguçada de ferro com a qual você flagelava as
pessoas? Ei, morte, onde está o seu sorriso de vitória?

Mesmo a morte, este acontecimento definitivo, tornou-se relativa diante do


Absoluto dos absolutos. Por isto, podemos cantar que Jesus está vencendo
e um dia terminará sua obra.

8. CONCLUSÃO

O apóstolo Paulo termina seu capítulo mostrando qual deve ser o sentido de
se estudar escatologia: reafirmar o valor da confiança no Senhor, que
transforma as nossas ações em ações úteis no Seu reino.

A especulação deve ceder lugar ao compromisso.

A recordação deve preceder a esperança.

Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre


abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no
Senhor (verso 58).

Podemos concluir com esta oração, própria do cristão que ora, age e espera.

PLANETA PRECÁRIO

Ele vem.
A qualquer momento, ele vem.
E eu estou indo ao seu encontro.
Ainda visto as roupas de sempre,
ainda olho nas mesmas direções,
ainda piso nos mesmos caminhos,
ainda toco nos mesmos corpos,
ainda digo as mesmas palavras que os homens
mas eu espero a hora
o instante do encontro
para um abraço muito longo.
E o meu rosto será outro.

29
Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
E o meu verbo será outro.
E o meu corpo será outro.

Pode ser que eu chegue primeiro


porque eu tenho muita pressa de chegar.
Se primeiro eu for,
receberei logo a sua palavra,
mas o seu corpo
certamente esperarei
pela minha pressa de chegar.

Parte IV
UMA MULHER VESTIDA DO SOL

Um sinal grandioso apareceu no céu: uma Mulher vestida com o sol, tendo a lua
sob os pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas; estava grávida e
gritava, entre as dores do parto, atormentada para dar à luz. Apareceu então outro
sinal no céu: um grande Dragão, cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres e
sobre as cabeças sete diademas; sua cauda arrastava um terço das estrelas do
céu, lançando-as para a terra. O Dragão colocou-se diante da mulher que estava
para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho, tão logo nascesse. Ela deu à luz um
filho, um varão, que Irá reger todas as nações com um cetro de ferro. Seu filho,
porém, foi arrebatado para junto de Deus e de seu trono, e a Mulher fugiu para o
deserto, onde Deus lhe havia preparado um lugar em que fosse alimentada por mil
duzentos e sessenta dias. (...) Ao ver que fora expulso para a terra, o Dragão pôs-
se a perseguir a Mulher que dera à luz o filho varão. Ela, porém, recebeu as duas
asas da grande águia para voar ao deserto, para o lugar em que, longe da
Serpente, é alimentada, é alimentada por um tempo, tempos e metade de um
tempo. A Serpente, então, vomitou água como um rio atrás da Mulher: a terra
abriu a boca e engoliu a água que o Dragão vomitara. Enfurecido por causa da
mulher, o Dragão foi então guerrear contra o resto dos seus descendentes, os que
observam os mandamentos de Deus e mantêm o Testemunho de Jesus" (Ap
12.1.17).

Seria a santa Maria, a mãe de Jesus, essa "Mulher que deu à luz um varão", fugiu
para o deserto, onde foi alimentada por mil duzentos e sessenta dias? Colhemos
de um site de apologética católica a seguinte interpretação extra-oficial:

"No Apocalipse, João contempla nesta visão três verdades: a Assunção de Nossa
Senhora, sua glorificação, sua maternidade espiritual. O Apocalipse descreve que
esta mulher "estava grávida e (...) deu à luz um Filho, um menino, aquele que
deve reger todas as nações..." (Ap 12, 2.5 ). Qual mulher, que de fato, esteve
grávida de Jesus senão a Santíssima Virgem? (conf. Is 7, 14). Outros contestam,
dizendo que esta mulher é símbolo da Igreja nascente. Mas, a Igreja nunca esteve
"grávida" de Jesus Cristo! Antes, foi Cristo que gerou a Igreja, foi ele que a
estabeleceu e a sustenta. E para provar que esta mulher é exclusivamente Nossa

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
Senhora, em outro lugar está escrito: "O Dragão vendo que fora precipitado na
terra, perseguiu a Mulher que dera à luz o Menino" ( Ap 12, 13 ). A Igreja teria
dado à luz a um Menino? Evidente que não! Portanto esta mulher refulgente é
unicamente, Nossa Senhora, pois foi ela unicamente que gerou "o menino"
prometido conf. Is 9, 5 ). Diz ainda a Sagrada Escritura que: "(o Dragão) deteve-se
diante da Mulher que estava para dar à luz (...) para lhe devorar o Filho (...) A
Mulher fugiu para o deserto, onde (...) foi sustentada por mil duzentos e sessenta
dias" ( AP 12, 4.6 ). De fato, o demônio maquinou contra a vida de Jesus desde
seu nascimento, na pessoa do perseguidor Herodes. Maria fugiu então com o filho
para o deserto (Egito). Lá ficou por aproximadamente mil e duzentos e sessenta
dias (três anos e meio). Ou seja, do ano 7 AC, ano do nascimento de Jesus,
conforme atualmente se acredita, até março-abril do ano 4 AC, ano da morte de
Herodes. Perfazendo os três anos e meio de exílio, nos quais foi sustentada pela
Providência. Portanto, todos esses versículos, confirmam primeiramente a
assunção de Nossa Senhora. Pois o apóstolo a contempla revestida de sol, já
estabelecida desde agora na glória prometida pelo seu Filho, quando diz "Os
justos resplandecerão como o sol" (Mt 13,43). Confirma incontestavelmente sua
realeza espiritual, pois a mesma se apresenta coroada com doze estrelas, símbolo
das doze tribos de Israel e dos doze apóstolos. Portanto Rainha do Antigo e do
Novo Testamento. Por fim confirma sua maternidade espiritual, pois diz o Espírito
Santo: "(O Dragão) se irritou contra a Mulher ( Maria ) e foi fazer guerra ao resto
de sua descendência ( seus filhos espirituais ), os que guardam os mandamentos
de Deus e têm o testemunho de Jesus" ( Ap 12, 17 ). Somos de sua descendência
apenas se nos comprometermos com o Cristo Jesus, guardando os seus
mandamentos e testemunhando-o como nosso Senhor e Salvador".

A interpretação acima, que vez ou outra aparece nos debates entre católicos e
protestantes, não me parece das mais felizes. Vejamos alguns pontos
discrepantes:
1) Em nenhum momento a Bíblia relata que os salvos em Cristo receberão uma
coroa de doze estrelas;
2) Também nada registra sobre os tormentos e os gritos de Maria na hora do
parto. Acredito que Maria sentiu as dores normais, mas não a ponto de ficar
atormentada;
3) Maria fugiu para o Egito (Mt 2.14) e não para o deserto; 4) Pelo relato de
Apocalipse, o filho foi arrebatado e a mulher fugiu para o deserto, o que realmente
não aconteceu. Maria, Jesus e José foram para o Egito;
5) O cálculo dos 1.260 dias, como acima, pareceu-me impreciso, sem convicção,
aproximado. A Bíblia nada diz sobre o tempo de permanência de Maria no Egito;
6) O texto não fala - nem a Bíblia em qualquer de seus livros - na Assunção de
Maria, na sua glorificação e maternidade espiritual.
7) A interpretação está na contramão do que pensam eruditos católicos e
protestantes, conforme registros a seguir.

Vejamos qual a interpretação da Bíblia de Jerusalém (Primeira impressão em


setembro/1985, Sociedade Bíblica Católica Internacional e Paulus, autenticada em
1.11.1980 com a assinatura de Paulo Evaristo Arns, Arcebispo Metropolitano de

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
São Paulo. Na apresentação, os editores disseram que "após três anos de árduo e
intenso trabalho, realizado por uma equipe de exegetas católicos e protestantes e
por um grupo de revisores literários, pudemos entregar ao público a tradução do
Novo Testamento"). Pois bem, essa comissão do mais alto nível, concluiu o
seguinte com relação à "Mulher vestida com o sol" (Ap 12.1.17):

"A cena corresponde a Gênesis 3.15,16. A mulher dá à luz na dor (v.2) aquele que
será o Messias (v.5). Ela é tentada por Satanás (v.9), que a persegue, bem como
a sua descendência. Ela representa o povo santo dos tempos messiânicos (Is 54;
60; 66.7; Mq 4.9-10), e portanto [representa] a Igreja em luta. É possível que João
pense também em Maria, a nova Eva, a filha de Sião, que deu nascimento ao
Messias (cf. Jo 19.25)".

Então, o entendimento dos eruditos católicos é o de que a "mulher" em referência


simboliza a Igreja perseguida. Apenas no final, dizem ser "possível" que o autor do
Apocalipse estivesse pensando em Maria. Esta possibilidade não pode e não foi
levada a sério; são conjecturas, suposições. Para entendermos melhor o assunto,
vamos ler Isaías 66.7-9 (referência citada pelos exegetas católicos): "Antes que
estivesse de parto, deu à luz; antes que lhe viessem as dores, deu à luz um filho.
Quem jamais ouviu tal coisa? (...) Nasceria uma nação de uma só vez? Mas Sião
mal sentiu as dores de parto, e já deu à luz a seus filhos".

A Bíblia de Estudo Pentecostal, concordando, esclarece que "Isaías prevê o


renascimento de Israel como o povo de Deus, durante o reino messiânico; o
nascimento será singularmente rápido e trará alegria, paz e prosperidade".
Devemos ter o cuidado para não identificar Maria com tudo que dar à luz um filho.
Leiam também Isaías 26.17-19; Miquéias 4.9-10).

Vejamos os comentários da Bíblia Sagrada, Edição Ecumênica, tradução do Padre


Antônio Pereira de Figueiredo, com notas do Monsenhor José Alberto L. de Castro
Pinto, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro, BARSA, 1964, aprovada, portanto, pela
Igreja Católica:

"Apocalipse 12.1: Uma mulher: não é o símbolo da SS. Virgem, mas sim o do
Povo de Deus, primeiro Israel, que deu ao mundo Jesus Cristo segundo a carne e
depois o "Israel de Deus", isto é, a Igreja que enfrentaria as perseguições do
Dragão. O sol, a lua e as estrelas são apenas figuras para expressar seu
esplendor. Por acomodação a Igreja aplica este versículo à SS.Virgem".

Primeiro, os comentários católicos dizem o óbvio, o que não pode ter outra
interpretação, ou seja, que a mulher revestida do sol simboliza o Povo de Deus,
Israel donde nasceu Jesus, num primeiro momento; no outro momento, representa
a Igreja perseguida. No final, fala a verdade quando diz que o Catolicismo aplica o
versículo à SS. Virgem por acomodação, o que me parece uma afirmação que
compromete a lisura e imparcialidade com que as devemos interpretar e ensinar a
palavra de Deus. Acomodação dá idéia de arrumação, de arranjo. A advertência
de Apocalipse 22.19 pode ser aplicada nesse caso: "E se alguém tirar quaisquer

32
Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
palavras do livro desta profecia, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida..."

Os comentaristas da Bíblia [evangélica] de Estudo Pentecostal concordam em


linhas gerais com os das bíblias católicas. Vejam:

"Apocalipse 12.1 - Uma mulher - Esta mulher simboliza os fiéis de Israel, através
dos quais o Messias (i.e., o menino Jesus) veio ao mundo (cf. Rm 9.5). Isso é
indicado não somente pelo nascimento do menino, mas também pela referência
ao sol e à lua (ver Gn 37.9-11) e às doze estrelas, que naturalmente se referem às
doze tribos de Israel". "Apocalipse 12.6 - A mulher fugiu - Aqui, a mulher simboliza
os fiéis de Israel na última parte da tribulação (cf. os 1260 dias, metade exata do
período da tribulação). (1) Durante a tribulação, esses fiéis de Israel, judeus
tementes a Deus, opor-se-ão à religião do Anticristo. Examinando com sinceridade
as Escrituras, eles aceitam a verdade de que Jesus Cristo é o Messias (Dt 4.30-
31; Zc 13.8-9). São socorridos por Deus durante os últimos três anos e meio da
tribulação, e Satanás não poderá vencê-los (ver vv 13-16). (2) Quem de Israel
aceitar a religião do Anticristo e rejeitar a verdade bíblica do Messias, será julgado
e destruído nos dias da grande tribulação (ver Is 10.21-23; Ez 11.17-21; 20.34-38;
Zc 13.8-9)". "Apocalipse 12.13 - Perseguiu a mulher - Satanás procura destruir a
mulher. Aqueles em Israel, que aceitarem a Cristo, serão vigiados e perseguidos
por Satanás e pelos seguidores do Anticristo (cf Mt 24.15-21). Deus dará proteção
sobrenatural aos santos de Israel durante esse período (vv 14-16)".

Vamos ver alguns trechos de O Novo Comentário da Bíblia, Edições Vida Nova,
primeira edição em 1963:

"A mulher e o seu filho (Ap 12.1-17) - Os gregos contavam uma história do
nascimento de Apolo marcadamente paralela à dos vv. 1-6. Os egípcios
semelhantemente relatavam o nascimento de Hórus; um fato é que a história, em
formas modificadas, parece ter sido universalmente contada. Claramente, João
tem empregado uma narrativa bem conhecida (primeiramente adaptada,
aparentemente, por um judeu) tanto para ilustrar o seu próprio tema, como para
tacitamente excluir todos os heróis de outras crenças da posição de Redentor
universal (...) Para as nações pagãs do mundo antigo, a mulher grávida (12.1,2)
teria sido uma deusa coroada com as doze estrelas do zodíaco. O judeu teria visto
nela o seu próprio povo, encabeçado pelos doze patriarcas. João mostra que ela
não representa nenhum destes, MAS [representa] O VERDADEIRO POVO
CRENTE DE DEUS, tanto da velha, como da nova dispensação, a comunidade
messiânica. (...) O dragão agora volta a sua atenção para A MULHER, ISTO É, A
IGREJA, tendo falhado no caso do Senhor dela (cfr. João 15.20). No simbolismo
que revela o ataque contra a mulher, a serpente é considerada como um monstro
da água, inclusive a personificação do mar. Daí a mulher foge para o refúgio no
deserto (14), onde um monstro marítimo não pode ter lugar. Para não ser
superada, a serpente manda após ela um dilúvio, mas a terra o traga, de maneira
que não se faça mais nada por ele (15,16). O retrato bem ilustra a segurança
espiritual dos crentes contra tudo que o diabo possa fazer em suas tentativas para
destruí-los".

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
Todas as interpretações apontam para um só entendimento, o de que a mulher
vestida com o sol simboliza Israel, a Igreja de Cristo, o Povo de Deus. Nada há
que possa indicar a descrição do parto de Maria, na cidade de Belém. Em sua
essência, os eventos apocalípticos apontam para o futuro, e não para o passado,
"para dar aos crentes de todas as eras a perspectiva divina do férreo conflito entre
eles e as forças conjuntas de Satanás, nesta revelação de desfecho da história. O
Apocalipse revela principalmente os eventos dos últimos sete anos da segunda
vinda de Cristo, quando, então, Deus intervirá neste mundo e vindicará seus
santos, derramando sua ira sobre o reino de Satanás". Neste contexto, insere-se a
visão da mulher e o dragão, objeto da presente análise.

Parte V
A UNÇÃO DO ESPÍRITO NA VIDA DO CRISTÃO

01. INTRODUÇÃO
A igreja hoje está vivendo mais em função do seu passado do que do seu
presente. Muitos que sepultaram a velha vida, estão chorando diante da sepultura,
recordando um tempo que já não existe mais. O que aconteceu? Onde foi parar a
alegria, a fé, a ousadia?
O povo de Deus está voltando a ser um povo errante. Qualquer dificuldade é
motivo para se afastar em busca de um oásis inexistente.
A lista para explicar este tipo de comportamento é grande. Tudo tem uma
explicação para apoiar o afastamento, o desinteresse. Assim vamos colecionando
fracassos na família, no trabalho, na igreja culpando até mesmo a Deus pelas
nossas derrotas.

O estudo sobre a unção do Espírito visa restaurar o poder de Deus em nossas


vidas. Estamos vivendo num período muito singular. O mover do Espírito Santo
está começando a acontecer em muitos lugares. Precisamos estar preparados
para não deixar esta onda passar sem nos tocar. A hora é de entrega e disposição
de buscar a presença de Deus e a manifestação do Espírito Santo. Que Deus nos
ajude!

Há duas questões que precisam ser consideradas no estudo sobre a unção do


Espírito Santo:

A primeira é sobre o que o Espírito Santo está dizendo hoje para a igreja?
Sabemos que a verdade de Deus é única e que o seu propósito continua o mesmo
desde o início da criação. Malaquias 3:6
Mas sabemos também que suas revelações são progressivas! João 13:7. Em
cada período da história o Espírito Santo se moveu de acordo com as
necessidades da igreja e do povo!

Hoje não temos necessidade de ver um lençol descendo do céu cheio de animais
impuros, para caminharmos na direção indicada por Deus. Atos 10:11-12. Os
presbíteros não se reúnem para discutir se devemos ou não ser circuncidados.

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
Atos 15:1,6.

Nestes dias o Espírito Santo está dispensando à igreja o que ele tem de melhor.
Por isso é devemos estar atentos à sua voz.
Algumas perguntas devemos fazer a nós mesmos:
a. O que estamos realizando tem a ver com o plano de Deus para esses dias?
b. O nosso esforço tem respondido as prioridades do Reino de Deus?
c. A nossa motivação está sendo direcionada para o alvo certo?

A segunda questão é se a igreja está ouvindo com clareza o que o Espírito está
dizendo?
Quando não se ouve com clareza a voz do Espírito corre-se o risco de caminhar
por caminhos traçados pela nossa vontade.
Paulo adverte - 1 Coríntios 14:8

02. COMO OUVIR A VOZ DO ESPÍRITO NESTES DIAS?

Em primeiro lugar, examinando o que a Palavra de Deus fala sobre esse período.

Isaías 35 é um texto profético que fala sobre uma grande unção que será
derramada sobre o nosso deserto!
Esta unção será tão grande que o maior desejo de Deus será cumprido.
a. Ver o evangelho sendo pregado a todas as nações. - Mateus 24:14
b. Ver a igreja convivendo com o sobrenatural. - Marcos 16:17
c. Ver o povo buscando a santificação de vida. - 1 Tessalonicenses 4:3
d. Ver as influências satânicas sendo inibidas pelo poder da unção. - Lucas 4:18

Em segundo lugar, estendendo os olhos para o mundo para ver onde o vento está
soprando.

Durante um período o vento soprou em alguns países e modificou completamente


a sua paisagem.
A Escócia há cerca de quatrocentos anos estava mergulhada em profundas
trevas. O povo vivia numa pobreza degradante. O sistema feudal, que em outros
países já havia sido abolido, ainda predominava na Escócia. Não existia a classe
média. Apenas o clero, a nobreza e o povo. O povo era considerado os vassalos
dos barões. Era escravo no corpo e na mente.
O clero levava uma vida corrompida e imoral. Neste caos surge um homem
levantado por Deus chamado João Knox. Sob o ministério deste homem o país foi
transformado completamente.

A Inglaterra também em 1739 experimentou o mover do Espírito através de João


Wesley, Charles Finney, George Whitefield.

Em outros países como Irlanda, Gales, Estados Unidos o sopro do Espírito Santo
mudou a vida e o sistema de governo até então predominante.

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
Hoje o Espírito continua soprando em muitos outros lugares. A nossa oração é
que ele não deixe de soprar em nosso meio, em nossa igreja, em nosso país.

03. UM GRANDE PERIGO QUE RONDA A IGREJA

Um dos grandes riscos da igreja moderna é o de acreditar:


a. que através de uma organização bem feita;
b. de uma programação eclética;
c. de uma da habilidade em lidar com o povo
Ela produzirá os mesmos resultados que a unção do Espírito produz.

É importante frisar, que sem unção não há trabalho espiritual. Nada pode substituir
a ação do Espírito Santo. Lucas 24:49

04. O QUE É UNÇÃO DO ESPÍRITO?

Hoje esta palavra, que é nova no vocabulário evangélico, já está sendo deturpada
e desgastada.
A unção está sendo confundida com muitas práticas realizadas pela igreja.
A unção não é:
a. Um manifestação sentimental!
c. Uma demonstração humana de poder!
d. Uma encenação espiritual!

Unção, é o método que Deus usa através do Espírito Santo para operar a sua
vontade na terra. Envolve todas as graças, habilidades e poderes do Espírito
Santo. A Unção é a revelação da presença de Deus no meio do seu povo.
Ela ao se manifestar afeta todo aquele que é tocado. Quando um homem está
ungido tudo o que ele toca recebe a mesma unção.

05. UM PEQUENO HISTÓRICO BÍBLICO

No Antigo Testamento ninguém podia oferecer sacrifícios se não fosse ungido


para tal.
A unção era específica para:
- os reis - 1 Samuel 9:16; 2 Samuel 5:3
- sacerdotes - Êxodo 28:41; Êxodo 30:32
- profetas - 1 Reis 19:16

Estes eram ungidos para oficiarem diante de Deus. Quem tentou oferecer
sacrifícios sem passar pela unção, foi punido. Levíticos 10:1; 1 Samuel 13:8-9; 13.
Hoje a unção do Espírito Santo nos habilita a exercer:
- a autoridade de um rei - Lucas 10:19
- a interceder como um sacerdote - 1 João 5:16
- a profetizar como um enviado de Deus - Atos 18:9

Lembre-se do seguinte: o mundo hoje requer uma igreja que trabalhe no poder do

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
Espírito Santo. Uma igreja que saiba depender do Espírito na realização de seus
projetos.
Zacarias 4:6.

Parte VII
CONTEMPORANEIDADE DOS DONS ESPIRITUAIS II

Este estudo contempla questões levantadas por vários irmãos.

Qual a diferença entre batismo no Espírito Santo e dom de línguas?


R: Expressões equivalentes a batismo no Espírito: Ser cheio do Espírito (At 2.4;
9.17) Receber ou descer o Espírito (At 8.15-16; 19.2); Cair ou derramar o Espírito
Santo (Joel 2.28-29; At 2.17; 10.44-45; 11.15); Batizar com o Espírito Santo (Mt
3.11; Jo 1.33; At 11.16). O Batismo é uma experiência especial e sobrenatural. O
falar em línguas é uma manifestação do Espírito, um dom (1 Co 12.7, 10).

Por que só o dom de variedade de línguas é uma evidência do batismo, se


existem outros dons mais nobres?

R: A vida espiritual do crente deve ser um crescer constante. A Bíblia diz para
crescermos na graça e no conhecimento (2 Pe 3.18); Jesus crescia em sabedoria
(Lc 2.52); devemos crescer em nossa fé (2 Co 10.15; Lc 17.5). Deus concede
inicialmente ao recém-batizado um ou mais dons, mas nada impede que o crente
continue crescendo, procurando com zelo os melhores dons (2 Co 12.31; 14.1). O
apóstolo Paulo diz que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os
infiéis (1 Co 14.22), que passam a compreender porque o Reino de Deus é
diferente do reino das trevas. Para os crentes, as línguas significam que o Espírito
está sendo derramado (At 10.44-46; 11.15-17).

Por que considerar o batismo no Espírito Santo uma doutrina se essa


experiência está circunscrita ao livro de Atos e aos primeiros passos da
Igreja?

R: Se o cânon do Novo Testamento só fosse selado após o último batismo no


Espírito Santo, ainda continuaria aberto, pois a Igreja continua RECEBENDO o
Espírito. Ademais, Paulo não declara que o falar em línguas tenha sido um
privilégio da igreja em Corinto. Se dermos curso ao raciocínio de que a
experiência ficou restrita àqueles irmãos, deveríamos então desconsiderar não só
as cartas aos coríntios, mas a enviada aos romanos, aos filipenses, aos
colossenses, e outras. O registro detalhado da experiência em Atos não significa
dizer que ficou ali circunscrita. Seria desnecessária a continuação dos registros.
Mas o assunto é tratado também em I e II aos Coríntios; em Joel 2.28, como
promessa; em Marcos 16.17, na palavra de Jesus; em João 1.33, na palavra de
João Batista; em Romanos 1.11 e 12.6, na palavra de Paulo, desejoso de que
houvesse fortalecimento espiritual, e confirmando a variedade de dons e o de
profecia.

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
Jesus falou em línguas?

R: A Bíblia nada diz a respeito. Cremos que não, porque a promessa era para uma
ocasião futura (Jl 2.28; Mc 16.17; At 2.4,16). Outra razão: o falar em línguas serve
à edificação própria, do próprio crente, porque fala em espírito, em mistérios, com
Deus (1 Co 14.2,4,14). Jesus não precisava de tal edificação.

Há um local determinado para recebermos o batismo?

R: Não. O crente pode receber o Espírito em qualquer lugar, mas o local mais
apropriado é num ambiente de oração. Pode ser com ou sem imposição das
mãos.

Quando a pessoa aceita Jesus como Senhor e Salvador recebe o Espírito. Por
que receber o Espírito outra vez? Seria um reforço da graça?
R: A finalidade desse batismo está expressa nas palavras de Jesus: Envio sobre
vós a promessa de meu Pai; mas ficai na cidade, até que do alto sejais revestidos
de poder (Lc 24.49; At 1.4-5). Antes de Sua ascensão, Jesus soprou sobre os
discípulos e estes receberam o Espírito, para regeneração (Jo 20.22), cumprindo a
promessa de que o Espírito habitaria neles, como habita em nós (Jo 14.17). Os
interessados no estudo da Palavra poderão aprofundar-se no estudo dessa
passagem, em que Jesus, ressurreto, sopra sobre os discípulos para dar-lhes uma
nova vida espiritual. No segundo momento, Jesus diz que não muito depois
desses dias eles seriam batizados no Espírito Santo, em cumprimento à promessa
do Pai (At 1.4,5; 2.4,16,17,18). Não entendemos este batismo como uma nova
salvação. Entendemo-lo exatamente nos termos usados por Jesus: revestimento
de poder. O termo REVESTIR é assim definido no dicionário Aurélio: 1. Tornar a
vestir; 2. Vestir; 3. Estender-se por sobre; cobrir; tapar; 4. Atribuir a si; 5. Tornar
estável, firme, resistente; solidificar... . Cremos que a definição mais apropriada
para o batismo no Espírito Santo seria então o de dar um a cobertura, uma
sobrecapa para tornar mais firme e resistente. Num exército, todos são soldados
defensores da pátria, mas os que seguem para a linha de frente recebem
adestramento, armadura, suporte e armas específicos.

Qual a finalidade do dom de variedade de línguas?

R: Falar em espírito com Deus sem usar o seu idioma pátrio, pelo que se edifica a
si mesmo (1 Co 14.2,4,14). Todavia, essas línguas podem ser humanas e vivas
(At 2.4-6), ou uma língua desconhecida na terra (1 Co 13.1). Os crentes de Corinto
estavam exagerando no uso do dom de línguas em detrimento dos outros dons.
Para corrigir, Paulo deu a seguinte orientação: a) a profecia é mais importante
para a igreja porque exorta, edifica e consola;dela todos se beneficiam (1 Co
14.3). Os irmãos não devem pensar apenas na sua edificação; b) para que os
benefícios se estendam ao maior número possível, aquele que fala em línguas,
ore para receber o dom de interpretação (1 Co 14.13), se é que desejais dons
espirituais, procurai abundar neles para edificação da igreja (1 Co 14.12). Em

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
nenhum momento Paulo despreza ou desestimula o uso do dom de variedade de
línguas. Ao contrário, ele agradeceu a Deus porque falava muito em línguas (v.
18) e disse que gostaria que todos falassem em línguas , mas que também
houvesse muito mais profecia (v.5). Para benefício da Igreja e essa orientação
vale para hoje convém que haja intérprete; se não houver intérprete, melhor que
fiquem em silêncio, falando consigo e com Deus (v.28). Por fim, uma
recomendação do apóstolo: Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar e não
proibais falar línguas, mas faça-se tudo decentemente e com ordem (1 Co 14.39-
40). Ou seja: usemos todos os dons para que o Espírito se manifeste, mas em
ordem.

Parte VIII
CONTEMPORANEIDADE DOS DONS ESPIRITUAIS
Batismo no Espírito Santo - Dom de Línguas - (PERGUNTAS E RESPOSTAS)

Onde estão na Bíblia as promessas de batismo no Espírito?

R: Isaías 44.3; Joel 2.28-29; Mateus 3.11; Lucas 24.49.

Quando se iniciou o cumprimento dessas promessas?

R: Iniciou-se por ocasião do Pentecostes (Atos 2.1-4), a segunda grande festa


sagrada do ano judaico. Cinqüenta dias após a Páscoa iniciava-se a festa de
Pentecostes, também chamada Festas das Colheitas; Pentecostes deriva do
grego penteekostos , que significa qüinquagésimo. Leiam: E todos foram cheios
do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito
Santo lhes concedia que falassem (Atos 2.4).

Houve alguma promessa para que esse batismo ocorresse em gerações


futuras?

R: Sim. Atos 2.39: "Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a
todos os que estão longe: a tantos quantos Deus, nosso Senhor chamar".

Quais os exemplos de batismos após o Pentecostes?

R: EXEMPLOS BÍBLICOS:
(a) EM SAMARIA - Atos 8.5-17. Aqui temos o registro detalhado do batismo de
irmãos que já eram crentes em Jesus e haviam sido batizados nas águas (vs.
8,12,14). Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria
recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João, os quais, tendo
descido, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo. Porque sobre
nenhum deles tinha ainda descido, mas somente eram batizados em nome do
Senhor Jesus. Então, lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo (At
8.14-17). Portanto, foi uma experiência posterior a Pentecostes e distinta da

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
salvação em Cristo Jesus.

(b) NA CASA DE CORNÉLIO Atos 11.13-15 Aqui o relato de salvação e batismo


simultâneos: E, quando comecei a falar, caiu sobre eles o Espírito Santo, como
também sobre nós a princípio. E lembrei-me do dito do Senhor, quando disse:
João certamente batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito
Santo (At 11.15-16). Aqui Pedro declara que o batismo naquela casa tinha sido
igual ao do dia de Pentecostes: como também sobre nós a princípio.

(c) SAULO Atos 9.10-18 Saulo já era crente (v. 6,15), porém: E Ananias foi, e
entrou na casa, e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo [outra prova de que
Saulo já era irmão em Cristo], o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por
onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver E SEJAS CHEIO DO ESPÍRITO
SANTO (At 9.17). Experiência posterior a Pentecostes. A missão de Ananias não
era pregar a Palavra ou levar Saulo à conversão, mas somente restabelecer a sua
visão e enchê-lo do Espírito.

(d) OS DISCÍPULOS EM ÉFESO Atos 19.1-7 - O fato ocorreu 25 anos depois do


batismo coletivo em Pentecostes (Atos 2.4), já na terceira viagem missionária de
Paulo. Vejamos: Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo passado pela
estrada do interior, chegou a Éfeso. Aí achou alguns discípulos e perguntou-lhes:
Recebestes vós o Espírito Santo quando crestes? Responderam eles: Não, nem
sequer ouvimos que haja Espírito Santo. Tornou-lhes eles: Em que fostes
batizados, então? Responderam: No batismo de João. Paulo disse: Certamente
João batizou com o batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse no
que após ele havia de vir, isto é, Jesus. Quando ouviram isto, foram batizados em
nome do Senhor Jesus . Antes de darmos prosseguimento, devemos verificar que
as Boas Novas não haviam chegado àqueles discípulos de João Batista, que eram
gentios. Tinham sido batizados em nome do Pai, de conformidade com o batismo
de João. Então Paulo anunciou a vinda, a morte e ressurreição de Jesus, e eles
ouviram, creram e foram batizados (v. 5). Paulo não se limitou a isso. Desejava
que eles recebessem a plenitude do Espírito, tal como ele próprio recebera: E,
impondo-lhes as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo, e falavam línguas e
profetizavam (v.6).

EXEMPLOS NÃO BÍBLICOS:

Milhões de casos. Não há estatísticas sobre o assunto, mas com certeza há no


Brasil milhões de irmãos batizados no Espírito Santo, ou seja, que passaram pela
mesma experiência dos discípulos no dia de Pentecostes e de outros em anos
posteriores, como acima relatado.

Quem batiza no Espírito Santo?

R: O Senhor Jesus: Ele [Jesus] vos batizará com o Espírito Santo e com fogo (Lc
3. 16; Mt 3.11; At 2.32-33).

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
Quem pode ser batizado?

R: Somente os salvos, ou seja, os crentes em Jesus. Todos os casos bíblicos


ocorreram após haverem recebido a Palavra, ou simultaneamente. (At 2.38-39).

Quais as condições para o batismo?

R: Buscar, ter sede: Se alguém tem sede vem a mim e beba. Quem crê em mim,
como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele dizia do
Espírito que haviam de receber os que nele cressem. O Espírito Santo ainda não
fora dado, porque Jesus ainda não havia sido glorificado (Jo 7.37-39). Mas não
existe um método especial. Deus é soberano na sua vontade. Ele batiza quem
quer, como, onde e quando quer.

Irmãos de Igrejas não pentecostais podem receber o batismo?

R: Podem, e muitos recebem. Alguns continuam na sua própria congregação,


outros, por diversos fatores, vão para igrejas pentecostais. Muitos são os
exemplos de batismo de irmãos não pentecostais. Há alguns meses vi um irmão
não pentecostal ser batizado; falou em línguas e falou de sua excepcional
experiência. São muitos os casos.

Qual a evidência desse batismo?

R: A evidência bíblica é o falar em línguas.

O falar em línguas é um dom?

R: É e está em 1 Corintos 12, onde se lê também acerca dos demais dons.

Esses dons estão disponíveis hoje, ou só foram concedidos no tempo de Jesus?


R: Todos os dons ali relacionados estão em vigor, não caducaram. A Carta aos
Corintos foi escrita em 55/56 anos depois de Cristo, e ali Paulo declara que existe
diversidade de dons e de ministérios (v. 4,5). Ademais, Paulo diz que gostaria que
todos vós falásseis em línguas, mas muito mais que profetizásseis [outro dom] . (1
Co 14.5). E manifesta sua alegria em falar em línguas: DOU GRAÇAS AO MEU
DEUS, PORQUE FALO EM OUTRAS LÍNGUAS MAIS DO QUE TODOS VÓS (1
Co 14.18). Como se vê, Paulo falava em línguas por onde andava e incentivava os
irmãos a fazerem mesmo. Jesus declarou que o dom de variedade de línguas
estaria disposto a todos os que cressem (Mc 16.17).

Qual a finalidade desse dom?

R: Paulo responde: O que fala em língua não fala aos homens, senão a Deus.
Com efeito, ninguém o entende, e em espírito fala mistério. O que fala em língua
edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja (1 Co 14.2,4).

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
O batismo no Espírito Santo é condição para a salvação?

R Não. Somos salvos pela graça, mediante a fé no Senhor Jesus. Pentecostais e


não pentecostais são salvos em Cristo, irmãos em Cristo.

Então para que serve o batismo no Espírito?

R: O apóstolo Paulo responde dizendo que toda manifestação sobrenatural do


Espírito é dada a cada um para o que for útil (1 Co 12.7). Se não tivessem
nenhuma utilidade, Deus não concederia tais dons. Também não os teria
prometido. Também não teria derramado do seu Espírito sobre os discípulos no
Pentecostes. Uma das finalidades é receber poder. Vejam: Não vos ausenteis de
Jerusalém, mas esperai a promessa do Pai, a qual, disse ele, de mim ouvistes.
Pois João batizou com água, mas vós sereis batizados com o espírito Santo, não
muito depois destes dias. MAS RECEBEREIS PODER, AO DESCER SOBRE
VÓS O ESPÍRITO SANTO... (At 1.4,5,8).

O que sente o crente na hora do batismo?

R: Essa pergunta eu fiz a uma centena de irmãos, antes de escrever uma apostila
sobre o assunto. Nenhum deles soube descrever com segurança o que se passou
no seu corpo, alma, espírito. A verdade é que receberam uma infusão de alegria.
Algo indescritível e, até certo ponto, incontrolável.

Para expulsar demônios e curar enfermos precisa ser batizado no Espírito?

R: Jesus outorgou tais poderes a todo aquele que crê (Mc 16.17-18).

Devemos buscar os dons espirituais?

R: Paulo responde: Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas
principalmente o de profetizar... o que profetiza, fala aos homens para edificação,
exortação e consolação (1 Co 14.1,3).

Parte IX
CONTEMPORANEIDADE DOS DONS ESPIRITUAIS III

A única evidência do batismo é o falar em línguas?

O que a Bíblia nos mostra como evidência do batismo no Espírito Santo é o falar
em línguas. Em Atos 10.44-46 vemos que "os fiéis que eram da circuncisão" se
maravilharam ao presenciar o derramar do Espírito sobre os gentios. Como eles
souberam? "POIS OS OUVIAM FALAR EM LÍNGUAS". Então, ficaram cheios de
unção para engrandecerem a Deus (v.46). No caso de Simão, a mesma coisa.
Simão viu ou ouviu alguma coisa que evidenciou a descida do Espírito aos de

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Samaria (Atos 8.15-18). Em Pentecostes, a evidencia maior foram as línguas
(Atos 2.4). O batismo dos efésios também foi seguido pelo falar em línguas (Atos
19.5-6). Todavia, creio que o Espírito não está limitado a determinadas fórmulas. É
possível que um crente seja batizado e somente depois de algum tempo haja a
manifestação vocal e sobrenatural das línguas ou de outros dons. Mas como
determinar se o irmão foi batizado no momento em que começou a falar em
línguas ou no momento em que sentiu algo estranho?

Particularmente não conheço casos de batismo sem o dom de línguas, até porque
na ocasião do batismo, além das línguas, nem sempre há manifestações físicas
visíveis. Resumindo, o falar em línguas estranhas é uma evidência segura de que
o irmão foi batizado no Espírito Santo. Não estamos falando em falar línguas
decoradas ou em imitações grosseiras. Quem tem discernimento sabe distinguir
uma coisa da outra.

Parte X
O ESPIRITO SANTO
Uma Leitura Ortodoxa Oriental A Partir De Paul Evdokímov

Os teólogos cristãos ortodoxos orientais foram os que mais se debruçaram sobre


os estudos da teologia do Espírito Santo. Desde o século VII, em virtude do
debate com a Igreja Romana ocidental e posterior afastamento dela, produziram
uma teologia rica e sofisticada sobre o Espírito Santo, infelizmente pouco
conhecida em nossos seminários e faculdades de Teologia.

Nesse texto, o professor Marcelo Da Silva Ferreira, mestrando em Teologia e


História na Faculdade Teológica Batista de São Paulo, nos apresenta uma leitura
necessária da doutrina do Espírito Santo a partir do livro do teólogo ortodoxo
oriental Paul Evdokímov, "O Espírito Santo na Igreja Oriental", publicado em 1996,
em São Paulo, pela Editora Ave Maria. Sem dúvida, é um estudo pertinente para a
igreja evangélica. [Jorge Pinheiro].

As premissas orientais da teologia patrística

Os ensinamentos dos pais orientais sobre o conhecimento de Deus salientam que


o projeto divino da criação do homem está ligado a promessa de Encarnação do
Verbo divino, pois estas duas doutrinas complementam-se. O Oriente sustenta
que a Encarnação seria realizada mesmo fora da queda, como a expressão do
amor divino e termo último da comunhão entre Deus e o homem.

Essa idéia demonstra o aprendizado de Deus dentro de uma natureza a qual ele
havia criado, mas não havia experimentado e na humanidade de Cristo, Deus
pode compartilhar de experiências que ele conhecia, mas como divino não havia
passado. A concepção da eucaristia na Igreja demonstra o lugar da união
substancial entre Deus e o homem, esse aspecto nos leva a refletir dentro da ótica
ortodoxa que a ordenança da ceia do Senhor além de lembrar do sacrifício de

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Cristo e de sua iminente volta, nos faz pensar que tudo isso foi possível graças a
Encarnação do Verbo divino entre nós.

Esse ponto muitas vezes é esquecido por nós que nos concentramos no aspecto
do sacrifício e de sua volta, o que é importante. No entanto, a idéia da Encarnação
sendo evocada na ministração da Ceia é de grande valia.

O homem, como portador de uma certa medida de conhecimento de Deus é capaz


de pressentir este mistério e responder ao desejo divino depositado por Ele no
coração humano. A idéia de predestinação, diferente do calvinismo, repousa no
fato de que todo homem pode responder positivamente ao chamado divino,
porque ele carrega o sopro de vida divino e é justamente isso que o impele a uma
resposta positiva.

Para o Oriente existe uma distinção entre a razão (cérebro) e a inteligência


(coração). No entanto, o verdadeiro conhecimento é sempre caritativo e o amor é
sempre intelectivo. Na verdade, o conhecimento sem amor é puro intelectualismo
vazio, inócuo e sem vida, o amor sem intelecto é paixão cega, sem o alicerce da
razão.

O pecado original separou a razão do coração, falseando a faculdade do


discernimento e da apreciação. Essa condição de perversão reclama um ato de fé
(metanóia). Para o Oriente, a fé é uma reviravolta de tudo no ser humano na sua
experiência do transcendente.

Podemos dizer que aqui há uma certa semelhança da teologia ortodoxa com a
teologia pentecostal no que diz respeito a uma experiência transcendente. No
entanto, os ortodoxos, evocam uma experiência com o transcendente sem
desligar-se de sua base: a teologia bíblica, o que difere nos grupos
neopentecostais mais novos que geralmente têm nas suas experiências com o
transcendente um desligamento do alicerce teológico.

De qualquer forma, seja pentecostal, ortodoxo ou histórico, a experiência com o


transcendente é necessária justamente para vivenciar aquilo que se lê, caso
contrário, estaremos vivendo uma fé puramente intelectual e nossos cultos
repletos de tédio e marasmo. O culto verdadeiro compreende uma experiência
com o sobrenatural de Deus e com a revelação sobrenatural da teologia bíblica
que é o nosso alicerce. Teologizar é a tradução dos termos teológicos a
comunhão com Deus, relatando o seu conteúdo.

O kerigma, a didaskália e a catequese fazem parte elemento doutrinal da teologia,


no entanto, a Igreja cultiva a seiva do conhecimento escutando os santos, os Pais,
da experiência com o Espírito Santo e do colóquio com o Verbo, oferecendo a
todos na liturgia.

A teologia mística é mais do que conhecimento cerebral é o conhecimento pela


revelação de Deus e pela participação receptiva do lado do homem. Todo

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conhecimento de Deus deve partir dele e de sua proximidade.

Os Concílios Ecumênicos sempre tiveram como objetivo esclarecer a via


salvadora de forma prática, respondendo às questões de vida ou de morte. A
teologia segundo os Pais da Igreja erige-se em ministério carismático, pois o
conhecimento de Deus é obtido pelo que ele mesmo se dá a conhecer. Longe de
uma experiência puramente enciclopédica, os Pais da Igreja enfatizam a
necessidade de uma receptividade aberta às revelações fulgurantes do
Transcendente.

As dimensões positiva e negativa da teologia dos Pais

A dimensão apofática (negação), constituiu o lado negativo da teologia no sentido


de negar toda a tentativa de definição de Deus, justamente pelo fato de que todas
as nossas definições não exprimem a totalidade daquilo que é Deus em si mesmo.
Ela realiza um ultrapassar, sem nunca se desligar de sua base, a teologia da
Revelação Bíblica. Esse aspecto negativo constitui o único remédio para a
insuficiência obrigando a transcender-se, por isso, o lado negativo não é um
simples corretivo, mas uma teologia autônoma. O método apofático ensina a
atitude correta de todo teólogo: o homem não especula, mas transforma-se,
podendo contemplar pelos olhos da Pomba a Mônada una e trina escondida na
epifania.

A dimensão catafática (positiva), constitui por sua vez, o lado positivo da teologia e
tem um caráter simbólico, segundo os Pais Orientais, sendo aplicada apenas aos
atributos revelados, às manifestações de Deus no mundo. Ela se constitui num
modo inteligível do conhecimento de Deus, que está acima de qualquer sistema
de pensamento. Essa teologia tem seu valor e suas dimensões próprias e aos
seus limites.

Deus é misterioso, incognoscível pela sua própria natureza. Quando o homem


procura a Deus, é ele que é encontrado por Deus.

As particularidades da Teologia dos Pais Orientais

A teologia dos Pais é uma teologia trinitária, elaboradora das definições


dogmáticas e da unidade e diversidade das Pessoas em Deus. O termo
homoousios permitiu exprimir o mistério de Deus.

O Oriente acredita que as relações entre as Pessoas da Trindade não são de


oposição, nem de separação, mas de diversidade, de reciprocidade, de revelação
recíproca e de comunhão no Pai. A forma ocidental de uma certa maneira
contribuiu para realçar as relações de oposição e de separação.

Os atributos que se referem à natureza comum são inerentes aos Três sem
diferenciações. Sendo a Pessoa Única quando evocada na sua relação com à
Fonte que é o Pai. A inascibilidade do Pai, a geração do Filho e a processão do

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Espírito são as relações que melhor permitem distinguí-las.

As relações de origem não são o único fundamento das Hipóstases, que as


constituiria e as esgotaria do seu conteúdo.

A teologia do Oriente reserva um caráter sempre ternário ou triplo das relações,


suprimindo qualquer possibilidade de as reduzir à dualidade, à formação de
díades no seio da Trindade.

Na Trindade encontram-se reunidos e circunscritos o uno e o múltiplo, no entanto,


os Pais não procuram justificar pela razão o número Três. A própria ciência
matemática, não justifica o um absoluto, sendo assim a unidade composta de
Deus, não pode ser explicada através de pensamentos ditos "lógicos", se a própria
ciência não reconhece o um absoluto.

A filosofia latina encara em primeiro lugar a natureza em si mesma e prossegue


até o subordinado (a Pessoa); a filosofia grega encara em primeiro lugar o
subordinado e aí penetra depois para encontrar a natureza. Este ponto explica
justamente a facilidade de entendimento e compreensão do método ortodoxo para
o ocidental, partindo das três pessoas como Jesus fez na "Grande Comissão",
chega-se unidade de Deus. Nós atrelados ao pensamento ocidental partimos de
Deus para explicar a diversidade de Pessoas nele. O problema aqui não é o
método ser certo ou errado, mas a facilidade que o pensamento ortodoxo fornece
na compreensão da trindade é inegável.

O Oriente vê o perigo quando não é a Monarquia do Pai, mas a natureza una que
se erige em princípio da unidade na Trindade. O princípio de unidade não é a
natureza, mas o Pai que estabelece relações de origem em relação a Ele mesmo,
como a única Fonte de qualquer relação.

Para os Pais Orientais confessar a unidade trinitária é reconhecer o Pai como a


única fonte das Hipóstases que simultaneamente recebem dele a mesma e única
natureza.

A Hipóstase é a maneira pessoal de se apropriar a mesma natureza, sendo que


cada uma delas na sua realidade única ultrapassa as simples relações de origem.
Todos os Pais afirmam a única Fonte Hipostática do Pai e ao mesmo tempo uma
relação íntima entre o Filho e o Espírito inseparavelmente concebidos e unidos. A
processão do Filho e do Espírito Santo do único Pai foi sempre acentuada
fortemente pelos Pais Orientais.

A beatitude designa, para o Oriente, o infinito da deificação, participação da vida


divina e visão da glória trinitária através da humanidade glorificada do Cristo.

O Pai é a fonte da Verdade, o Filho é o princípio de revelação da Verdade do Pai,


o Espírito Santo é o princípio da sua manifestação dinâmica e vivificante, ele é a
Vida da Verdade, o seu Espírito.

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Parte XI
LEVANDO A SÉRIO OS PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO
Texto básico Hebreus 3.7-14
Uma das mais gloriosas promessas da Bíblia Sagrada é a da vinda do Espírito
Santo sobre a Igreja de Cristo. Ele é o Espírito da verdade (Jo 16.13), da alegria,
da paz, da justiça (Rm 14.17); é o Consolador, o Paráclito, nosso Amigo e
Companheiro de caminhada com Jesus (Jo 14.16).

No momento da nossa conversão, todos recebemos o Espírito Santo, assim o diz


Atos 19.2: "e [Paulo aos discípulos de Éfeso] perguntou-lhes: Recebestes vós o
Espírito Santo quando crestes?" Nesse instante especial, dons espirituais nos são
conferidos porque o Espírito Santo quer produzir o Seu fruto em nossa vida.
Então, como se explica que haja crentes cujas vidas não demonstram os
abençoados dons espirituais nem a maravilhosa graça do fruto do Espírito?

Diz o Antigo Testamento que dia e noite, contínua e permanentemente, o fogo


ardia no altar (cf. Lv 6.8-13). Que símbolo inspirador, claro, bendito de como o
Espírito Santo deve agir em nós, permanente e continuamente.

Mas não tem sido assim: o modo como certos crentes (mesmo o crente?!) tratam
o Espírito Santo é sinal da presença da "velha criatura". É o caso do filho de Deus
que dá lugar à hipocrisia, à fraude, à desonestidade, à falta de controle, à mentira,
e daí por diante. E quando ele age desse modo, torna-se uma pedra de tropeço
para os outros.

Pois é; o descrente peca resistindo ao Espírito Santo (At 7.51) e contra Ele
blasfemando (Mt 12.22-32; Hb 10.29); e o crente em Jesus Cristo peca
entristecendo o Espírito ((Ef 4.30) e extinguindo-O ou apagando-O (1Ts 5.19).
Aliás são dois versículos extremamente tristes: "E não entristeçais o Espírito Santo
de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção", diz o da Carta aos
Efésios; "Não extingais o Espírito", adverte Paulo aos tessalonicenses e a nós.

A BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO SANTO

Este pecado é cometido por descrentes, e é o chamado "imperdoável" (cf. Mt


12.31,32). Há muita idéia equivocada correndo nossos arraiais evangélicos sobre
em que consiste este pecado. Uma é que ninguém sabe qual é: portanto, nem
precisamos nos preocupar... Há quem pense ser uma imoralidade degradante em
que se envolveu, razão porque nunca mais terá perdão; no entanto, 1João 1.9 é
revelador e confortador: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo
para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda injustiça". Também não é
homicídio, nem adultério, nem tóxicos, nem o divórcio.

A blasfêmia contra o Espírito Santo consiste na rejeição na graça divina. Ou como


os teólogos da Igreja Antiga diziam: "rejeição do evangelho" (Irineu), "dureza do
coração humano rejeitando a obra de Jesus Cristo" (Agostinho). Pelo texto de

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Mateus 12 é a rejeição da obra, da divindade, do ministério salvador de Jesus
Cristo, o Filho de Deus.

A negação da verdade do perdão trazido pelo sacrifício de Jesus, e a conseqüente


remissão de pecados, é não permitir que sejam anulados os pecados. É a rejeição
da obra do Espírito de Deus em levar o arrependimento e ao perdão. Foi o caso
de Judas Iscariotes: acompanhou Jesus de perto; participou do Seu ministério,
até; ajudou nos milagres; conhecia os lugares de oração, mas não conhecia Jesus
como Salvador.

Por esse motivo, a blasfêmia contra o Espírito Santo dá como resultado a


condenação eterna. Ora, o perdão em Cristo é o elo de restauração entre Deus e
o ser humano. Se não há perdão, não há redenção, comunhão nem compartilhar
com Deus. Estêvão falou sobre isso: "Homens de dura cerviz, e incircuncisos de
coração e ouvido! Vós sempre resistis ao Espírito Santo, assim vós como vossos
pais!" (At 7.51).

É resistência ao Espírito; é tornar o coração como pedra, insensível aos apelos do


Espírito. Assim sendo, não pode haver perdão.

Mas a blasfêmia contra o Espírito Santo é uma atitude que pode ser corrigida, pois
Hebreus 3.7,8 o afirmam "Assim, como diz o Espírito Santo: Hoje se ouvirdes a
sua voz, não endureçais o vosso coração, como no dia da tentação no deserto,
onde vossos pais me tentaram, me provaram, e viram por quarenta anos as
minhas obras"(cf. Sl 95.7,8). Esse horrendo pecado deve ser combatido clamando
pelo Espírito Santo, arrependendo-se e obedecendo : "Se vós, pois, sendo maus,
sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o
Espirito Santo àqueles que pedirem?" (Lc 11.13).

QUANDO O ESPÍRITO SANTO FICA TRISTE (Ef 4.30)

O apóstolo Paulo estava perfeitamente consciente de que por trás do que


pensamos, dizemos e fazemos, há personalidades ativas atuando. São
personalidades invisíveis, mas bem presentes. Por essa razão, ele nos alerta a
não dar qualquer oportunidade ao Inimigo-de-nossas-almas: "não deis lugar ao
diabo" (Ef 4.27), bem como nos instrui a não entristecer o Espírito.

Ora, todo pecado é motivo de tristeza para Deus. Por uma razão simples; simples
e triste; triste e de tremendas conseqüências: é que o pecado quebra a nossa
comunhão com Ele, e nós fomos chamados a essa comunhão. Paulo com certeza
tinha Isaías 63.10a no coração ao escrever esta advertência: "Contudo eles foram
rebeldes, e contristaram o seu Espírito Santo".

Não esqueçamos que o Espírito Santo é o elo, o vinculo da vida de comunhão.


Não esqueçamos, outrossim, que o Espírito Santo, a Terceira Pessoa da Trindade
é, por essência, Santo. E Ele Se entristece com a falta de santidade dos filhos de
Deus, naturalmente; Ele Se entristece com a desunião (Ef 2.18; 4.4); Ele Se

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entristece com tudo o que não combina com a pureza, com a comunhão, com a
santidade, com a união, com a Sua própria natureza. Ele é o "Espírito da verdade"
(Jo 16.13; 14.17). Logo, Ele Se entristece com a mentira, com a falsidade e a
traição.

Ele é o Espírito que nos "sela" para o dia da redenção, ou seja, o Espírito Santo
em nós é a garantia, o selo, e a certeza da vida, e a certeza da herança que nos
aguarda. Ele está em nossos corações, e é Aquele no qual estamos garantidos
para o Dia Final (Ef 1.13,14); é Aquele que nos fez reviver em Cristo (Ef 2.5); é
Aquele que nos deu acesso ao Pai por meio de Jesus Cristo (Ef 2.18); é Aquele
que nos comunica os dons necessários para o nosso serviço (Ef 4.7,8). Portanto,
o que pode prejudicar o seu poder em nós deve terminante, enfática e
imediatamente rejeitado.

Enfim, entristecemos o Espírito de Deus cometendo aquilo que não combina com
Jesus em pensamento, palavras e ações:

· Quando mentimos, porque, como vimos, Ele é o Espírito da Verdade (Jo 14.7), já
o lembramos. Fora, então, a falsidade, a mentira e a deslealdade!
· Quando descremos, porque Ele é o Espírito de Fé (2Co 4.13). Fora a ansiedade,
a desconfiança, a dúvida, a preocupação!
· Quando não perdoamos, porque Ele é o Espírito da Graça (Hb 10.29). Abaixo o
que é amargo e malicioso, indelicado e demorado para perdoar!
· Quando nos degradamos, porque Ele é o Espírito de Santidade (Rm 1.4). Que
desapareça de nossa vida o que é impuro, ultrajante e degradante!

QUANDO O ESPÍRITO SANTO É EXTINTO

"Não extingais o Espírito" diz o texto de 1Tessalonicenses. Algumas versões da


Bíblia "apagar" em lugar de "extinguir". E esse é um pecado só cometido pelo que
já confessou sua fé em Jesus Cristo. Essa linguagem ("extinguir", "apagar")
retoma a metáfora do Espírito Santo como fogo, ou algo a Ele associado (cf. Mt
3.11; Lc 3.16; At 2.3; Rm 12.11; 2Tm 1.6). Observe-se que Romanos 12.11 e
2Timóteo 1.6 mostram graficamente o abanar de um fogo de carvão até que as
chamas sejam formadas.

Voltando à Carta aos Tessalonicenses, havia na igreja de Tessalônica uma


tendência de esmorecer, abafar as manifestações espirituais, ou seja, o fogo do
Espírito. Provavelmente, era uma reação contra o que pode ter parecido uma
ênfase entusiasta ao Espírito. Talvez, mesmo como em Corinto.

Ora, os dons foram dados para o crescimento espiritual do Corpo de Cristo. Se a


Igreja for indiferente a eles ou hostil, o exercício deles será frustrado, apagado.
Como então, se extingue o Espírito Santo em nossas vidas, como pessoas
individuais ou como igreja?
· Sem dúvida, por falta de receptividade à vontade do Espírito.
· Por suspeita, ou falta de consideração dos caminhos do Senhor (que não são os

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
nossos).
· Sempre que dizemos "não" a Deus.

Quer dizer que como a brasa apaga quando retirada da fogueira, as vidas dos
crentes rebeldes, fechados à operação de Deus também. Paulo até fez um
veemente apelo,
"Rogo-vos, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos
como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não
vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso
entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita
vontade de Deus" (Rm 12.1,2).

O que apaga o Espírito? Qualquer desafio, qualquer oposição à vontade de Deus.


O que O acende? A submissão, a entrega, o quebrantamento, a decisão de
cumprir Seu querer. Um fogo natural é apagado quando jogamos areia ou água
para sufocá-lo. Pois um pecado intencional apaga, extingue o Espírito Santo. A
crítica malvada, a grosseria, o rebaixamento de um trabalho pela palavra de
alguém, o desprezo.

Aí, você, minha irmã, meu irmão, peca contra o Espírito Santo. Você entristeceu o
Espírito; você apagou o Espírito em sua vida, em seu pensamento, em seu
testemunho, em suas ações.

Que fazer agora? Como curar os estragos desse(s) pecado(s) em sua vida
espiritual? Lembre-se de que todo e qualquer pecado entristece o Espírito.
Recorde-se, porém, de que só Jesus Cristo pode purificar do pecado. João
escreveu essa evangélica verdade em sua Primeira Carta 1.9: "Se confessarmos
os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar
de toda a injustiça". E Paulo o referenda em Tito 3.5.

A confissão é a única condição para a comunhão (1Jo 1.6,7). Afinal, nós somos
"selados" pelo Espírito Santo; somos marcados, separados para Cristo. O que
fizermos de errado no corpo ou na mente (na vida cristã não tem pertinência essa
separação), o que não for para a glória de Deus é ofensa como Aquele que
merece 100% de nós. Não 50%, nem 80%, nem sequer 98%.

Quando o irmão, a irmã se batizou nas águas tinha na mente e no coração que o
batismo é símbolo de morte e sepultamento. Morte para o lixo do passado, morte
para o pecado, e recomeço de vida em Cristo Jesus. Você tem levado a sério essa
morte para o sistema de coisas desse mundo? Você morreu para o que não
agrada a Deus? Ou continua a viver a velha vida da velha criatura com os velhos
vícios, as velhas atitudes, a vida da criatura que já devia ter morrido há muito
tempo? Você pode dizer: " Vivo não mais eu, mas Cristo vive em mim"?

Quando levamos os pecados contra o Espírito Santo a sério, queremos fazer tudo
o que é agradável a Jesus Cristo, Senhor de nossas vidas. Temos uma visão da
coisa hedionda que é o pecado, o pecado escondido, o pecado secreto, o pecado

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
acariciado tantas vezes.

A Bíblia conta que entre os querubins da tampa da Arca da Aliança (aron haberith)
brilhava a Shekinah (Ex 25.21,22; 29.43; 30.6; Lv 16.2). A Shekinah, a gloriosa
presença de Deus brilhava na antiga dispensação entre os querubins do
propiciatória (kapporeth). Hoje, na nova dispensação, chameja nas frontes dos
crentes em Jesus Cristo, lavados por Seu sangue, batizados no Seu Espírito,
purificados para servi-Lo.

Mas Satanás, nosso declarado Inimigo, fez nascer o medo do Espírito Santo entre
nós. Já pensaram que coisa horrível? Que o Espírito Santo, a Chama Divina, a
Divina Shekinah queime esse temor. Afinal, nós amamos o Senhor manifesto
como Deus Pai, Criador; Deus Filho, Sustentador e Deus Santo Espírito, nosso
Guia, Conselheiro, Amigo e protetor. Nós cantamos sobre o Espírito Santo. São
inspiradoras expressões as da terceira estrofe do hino 1 do Cantor Cristão (CC),

"A Ti, ó Deus, real Consolador,


Divino fogo santificador
Que nos anima e nos acende o amor,
Aleluia! Aleluia!"

E do 118 CC,

"Jesus, ao céu subindo,


Se penhorou mandar
Seu bom e santo Espírito,
A fim de nos guiar;
E o grande, excelso Guia
Em nós agora está,
O mundo além revela,
Conduz-nos para lá".

E as grandes verdades doutrinárias do hino 206 do Hinário para o Culto Cristão


(HCC),
"Santo Espírito divino, és o Criador,
junto com o Pai e o Filho, nosso Salvador.
Do pecado e do castigo vens nos convencer;
Pelo novo nascimento somos outro ser.

Santo Espírito, vive em mim aqui,


Pois em ti fui batizado quando em Cristo eu cri".

E de tantos outros da nossa riquíssima hinódia.

Pois é; os hinos ensinam doutrina. Mas não é porque cantamos hinos que o
Espírito Santo vem sobre nós; mas porque o Espírito Santo veio sobre nós, e está
conosco, é que cantamos e louvamos.

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
E agora uma palavra aos amigos que não têm certeza da salvação. Quando o
Espírito Santo é levado a sério, entendemos o que seja rejeitar a salvação, insultar
o Espírito de Deus, blasfemar contra Ele. A rejeição da verdade do evangelho
produz trevas, caleja, endurece o coração, petrifica-o. Por essa razão, quem se
convence dessa verdade, da verdade de Cristo, da pureza do Seu ensino, da
grandiosidade de Sua obra de salvação, e não se rende ao Salvador, endurece o
coração contra Deus.

Receber o conhecimento da verdade (que é Cristo) e rejeitá-la é um pecado


voluntário contra o Espírito. Daí a expressão de Hebreus 10.29: "De quanto maior
castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e
tiver por profano o sangue da aliança com o qual foi santificado e ultrajar o Espírito
da graça?" E isso traz condenação sobre condenação.

A Bíblia, no entanto, a Bíblia que é o livro do amor de Deus, ensina que Ele não
em leva os tempos da ignorância (At 17.30), e o próprio apóstolo Paulo, que havia
blasfemado contra o Espírito Santo foi salvo pela graça, pela misericórdia que não
leva em conta esses tempos de desconhecimento da misericórdia, graça, amor e
paz, desde que haja confissão e arrependimento: "a mim que outrora fui blasfemo
e perseguidor e injuriador; mas alcancei misericórdia, porque o fiz ignorantemente,
na incredulidade; e a graça de nosso Senhor superabundou com a fé e o amor
que há em Cristo Jesus" (1Tm1.13).

Parte XII
LEVANDO O ESPÍRITO SANTO A SÉRIO

Levam todos os crentes em Jesus Cristo o Espírito Santo a sério? A pergunta não
é descabida, porque a própria Escritura Sagrada nos encoraja a não entristecer o
Espírito, e a não extingüi-Lo em nossa experiência de vida espiritual. Uma coisa,
no entanto, deve ser enfatizada: a vida cristã foi projetada para ser de vitórias!
E elas dependem do Espírito Santo em nós, conduzindo a nossa vida e a
enchendo.

Como vamos afirmar que levamos o Espírito Santo a sério, se Ele não ocupa lugar
de seriedade em nossa vida ou na vida da igreja? Na Escritura Sagrada, ao
Espírito Santo é atribuída a mesma dignidade do Pai e do Filho. Na Carta de
Judas está ressaltado: "Vós amados, edificando-vos sobre a vossa santíssima fé,
orando no Espírito Santo; conservai-vos no amor de Deus, esperando a
misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo" (v. 20). A Palavra de Deus ensina,
ainda, que toda a Santíssima Trindade, em comunhão perfeita, trabalha unida, e
nenhuma das Suas Pessoas opera de modo separado das outras.

QUANDO NÓS LEVAMOS O ESPÍRITO SANTO A SÉRIO...

A primeira coisa que se vê na Escritura é que Ele nos põe de pé. No livro do
profeta Ezequiel, capítulo 1.28ss, está registrado:

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
"Como o aspecto do arco que aparece na nuvem no dia da chuva, assim era o
aspecto do resplendor da glória de Deus. Este era o aspecto da semelhança da
glória do Senhor; e, vendo isso, caí com o rosto em terra, disse Ezequiel, e ouvi
uma voz, a voz de quem falava. E disse-me: Filho do homem, põe-te em pé, e
falarei contigo. Então, quando ele falava comigo, entrou em mim o Espírito, e me
pôs em pé, e ouvi aquele que me falava" .

O Espírito Santo nos põe sempre em pé diante do Senhor. Ele não anda
derrubando o crente, pois o Espírito Santo não é Deus machucando o crente. Vêm
acontecendo alguns estranhos movimentos em algumas igrejas. A esse tipo de
anormalidade atribui-se uma pretensa atuação do Espírito de Santidade (melhor
tradução para Ruach haKodesh), que, segundo informam, anda derrubando o
crente. Alguém sopra e a pessoa cai; joga o paletó, cai. Talvez seja outro espírito
qualquer, mas, seguramente, não o Santo Espírito de Deus, que sempre nos põe
em pé, como ocorreu com Ezequiel e com João na Ilha de Patmos. É Deus
levantando, soerguendo, dando forças espirituais e morais para a atividade do
serviço do Senhor no dia a dia. O relato do que aconteceu com Ezequiel está em
1.27 a 2.2. Com João, em Patmos, a narrativa está em Apocalipse 1.12-17.

QUANDO LEVAMOS O ESPÍRITO SANTO A SÉRIO...

Ele nos dá uma visão da glória de Deus. Que coisa maravilhosa! Ainda em
Ezequiel (3.12), "Então o Espírito me levantou, e ouvi por detrás de mim uma voz
de grande estrondo, que dizia: Bendita seja a glória do Senhor, desde o seu
lugar".

Isso também aconteceu com Ezequiel, o profeta. E Paulo, o apóstolo, explica o


significado da revelação de Deus, o significado de tirar o véu. Pois é isso o que
quer dizer a palavra: tirar a barreira e possibilitar o acesso a essa glória, a
presença de Deus que faz brilhar, luzir, refletir a glória presenciada. O texto de
2Coríntios 3.13ss é sempre lido com emoção. Nele, o apóstolo Paulo diz,

"E não somos como Moisés, que punha um véu sobre a sua face para que os
filhos de Israel não fitassem o fim daquilo que desvanecia [ele via a glória de
Deus, e quando descia do monte, a glória começava a se apagar do seu rosto,
colocando ele um véu para que os filhos de Israel não vissem esse final da glória
de Deus] mas os seus sentidos foram embotados, pois até hoje, à leitura da antiga
aliança,[a leitura do Antigo Testamento, como ainda fazem na Sinagoga.]
permanece o mesmo véu. Não foi removido, porque somente em Cristo é ele
abolido.E até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles.
Mas, quando um deles se converte ao Senhor então o véu é-lhe retirado. Ora, o
Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade. Mas todos
nós, com o rosto descoberto, refletindo a glória do Senhor, somos transformados
de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor".

Isso porque nós levamos o Espírito Santo a sério.

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
QUANDO NÓS LEVAMOS O ESPÍRITO DE DEUS A SÉRIO...

Nós nos inclinamos para o que é espiritual. O Novo Testamento diz que há três
qualidades de pessoas: a natural, e depois, com muita tristeza, diz a Bíblia o
crente carnal e o crente espiritual.

Natural é quem nunca experimentou uma mudança no seu interior, nunca mudou
espiritualmente, a propósito de quem, a Bíblia utiliza a definição: "O homem
natural não aceita as coisas do Espírito de Deus porque para ele são loucura e
não pode entendê-las porque elas se discernem espiritualmente" (1Co 2.14).

Uma pessoa natural não entende a autoridade da Bíblia, não compreende a


inspiração da palavra de Deus, não sabe o que é o poder de Deus e para ela a
pregação bíblica é coisa sem sentido. É como diz aqui, "A palavra da cruz é de
loucura para os que perecem" (1Co 1.18). E foi, também, por essa razão que
Jesus Cristo disse, "Errais não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus."

Não devia acontecer, mas existe o crente carnal e o espiritual, diz a Palavra
Santa. O crente chamado carnal é o que se deixa levar por seus instintos, pelos
sentimentos e não pela vontade de Deus. Esses sentimentos podem ser de inveja,
de ciúme, de raiva ou um mexerico. Paulo o descreve em 1Coríntios 3,

"Eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais [está falando com os crentes,
não esqueçamos], "mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos
criei, e não com alimento sólido, pois ainda não estáveis prontos para isso.Com
efeito, ainda agora não estais prontos. Ainda sois carnais. Pois havendo entre vós
inveja e contendas, não sois carnais, e não andais segundo os homens? Pois,
dizendo um: Eu sou de Paulo, e outro: Eu de Apolo, não sois carnais?"

O crente carnal é aquele que sabe o que é a graça de Deus; entende muito bem o
que a graça imerecida de Deus fez nele. Sabe o que é a salvação em Cristo
Jesus; conhece a Escritura Sagrada. Tem perfeita noção do poder de Deus, já o
viu até manifesto. Entende o significado do Corpo de Jesus Cristo que é a Igreja;
sabe a respeito do sustento da igreja através do dízimo. Mas vive como se nada
disso existisse. Alguém pode pensar (porque Paulo diz que: "Eu vos dei leite") que
é o crente novo, o irmão que se converteu há pouco tempo. Há crentes com cinco,
dez, vinte, trinta anos e mais tempo de vida cristã, que lamentavelmente
conhecem tudo isso, mas vivem na carne. Acontece que alguns têm medo de
serem chamados de fanáticos. No domingo são "crentões", mas, na segunda,
terça, quarta, quinta e sexta-feiras agem como se Deus não fosse uma realidade
para a sua vida e como se Jesus Cristo não tivesse feito nada por ele para levá-lo
ao Pai. É uma pessoa sem amor, sem carinho pelos outros, sem alegria: é
macambúzio, triste. É uma pessoa sem paz, não tem paciência, não é gentil, não
é bondoso, não é digno de crédito, não é manso e não tem domínio próprio.
Citamos as características do fruto do Espírito, em Gálatas 5.22,23. Quando
acorda cada dia e todos os dias, tem gosto de segunda-feira cinzenta, cansada na

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
boca.

Mas a Bíblia diz (e glória a Deus!) que existe o crente espiritual: "Mas o que é
espiritual discerne bem a tudo, e ele de ninguém é discernido (1Co 2.15)". Os
outros não o entendem, porque busca as coisas do Espírito. Para ele a Bíblia tem
autoridade, ele a estuda, conhece a Palavra, tem prazer, tem alegria cada dia da
semana e leva a sério o Espírito Santo.

Fique certo, meu irmão querido, querida irmã, que Satanás sabe o tipo de crente
que você é. Sabe qual é o meu e o seu ponto fraco, e se aproveita disso para nos
acusar diante de Deus. Afinal de contas, essa é sua função, não está dito na
Bíblia?: "Eu ouvia uma voz que dizia, agora é chegada a salvação, e o poder, e o
reino, e autoridade porque já foi lançado fora o acusador dos nossos irmão" (Ap
12.10).

Há crente carnal que afasta o descrente de Jesus Cristo, e há o crente sal da


terra, luz do mundo que atrai à salvação, que leva a Jesus Cristo. Fale a verdade,
meu irmão, quantas pessoas você tem trazido a Cristo ultimamente? Pense com
seriedade. E quantos se afastaram de Jesus, ou, no mínimo, quantos se
afastaram de sua igreja ou de uma organização da igreja por sua culpa?

Uma vida que leva a sério o Espírito Santo, distingue-se por um amor profundo à
Palavra. Gosta de lê-la, e mais ainda, ama estudá-la.

Uma vida que leva a sério o Espírito Santo tem o hábito da oração. Não é a
oração por hábito: é o habito da oração, o que Paulo chama de "orar sem cessar".

É liberal na sua contribuição porque diz a Bíblia: "Mais bem aventurada coisa, é
dar do que receber".

Outra distinção é o ganhar vidas para Cristo. Como ganha vidas para Cristo! Uma,
duas, e tem alegria de trazer tantos aos pés de Jesus.

Ainda outra característica da pessoa que leva o Espírito a sério é permitir que Ele,
Espírito, se apodere dessa pessoa e na verdade esse é um anseio da vida, o
desejo de ser cheio do Espírito Santo de um modo altamente consumidor.

Quando levamos o Espírito Santo a sério ocorrem bênçãos extraordinárias na


nossa vida. E uma delas, que nos é dada por direito de salvação, é que não mais
existe condenação. Não mais somos acusados de qualquer coisa negativa do
nosso passado: "Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em
Cristo Jesus... porque a lei do espírito de vida, em Cristo Jesus, livrou-me da lei do
pecado e da morte" (Rm 8.1,2). Essa é a primeira grande bênção. O nosso
passado não mais nos amedronta, e se alguém vem lembrar-lhe o que você foi no
passado, glorie-se em Cristo, como Paulo dizia, e afirme: "Isso foi no passado hoje
eu sou outra pessoa, eu sou outra criatura. Deus falou em minha vida e Deus
tocou em minha vida através de Cristo".

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
Quando levamos o Espírito de Deus a sério, deixamos de ser avarentos com o
sustento da Causa de Cristo. Deixamos de ser cheios de ira, porque já
abandonamos os sentimentos de amargura, de ódio, e os substituímos pelo bom
senso e damos lugar à paz. Egoístas, querendo o primeiro lugar, o lugar de
destaque, ingratos para com Deus e com o próximo, com o irmão em Cristo, não
reconhecendo o bem que prestam ao reino de Deus, insensíveis ao sofrimento, às
carências, às necessidades dos outros. Somos intolerantes com quem pensa
diferentemente de nós e, vezes tantas, temos prejudicado, alguém e famílias
inteiras por causa de uma guerrinha particular, quando lutamos com forças carnais
para destruir aquela pessoa, negligentes que somos com o trabalho do Senhor.

Em uma expressão, somos carnais, influenciados pela velha natureza e não


subimos a escada espiritual que nos leva à vitória. Como tudo isso resulta em
graça e paz para a igreja, ou tristeza e miséria para o povo de Deus... Isso pode
trazer luz ou, dependendo de como o Espírito trabalha ou não em nós, trevas,
bênção ou maldição. Depende então da nossa atitude de levamos ou não o
Espírito Santo a sério, e quando o fazemos, cria-se uma unidade na igreja, uma
unidade entre os crentes. Na palavra de Deus, encontramos como Paulo colocou
essa questão da unidade: "...procurando e guardar a unidade do Espírito no
vinculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados
em uma só esperança da vossa vocação. (Ef 4.3,4). O Espírito Santo cria unidade,
mas, nós temos que trabalhar para obtê-la. E quando nós dissemos, "Eu sou de
Paulo", o outro diz, "Pois eu sou de Apolo" e um terceiro fala, "Eu sou de Cefas" e
mais um afirma, "Eu sou de Cristo", sabe o que acontece? Nós criamos sindicatos,
partidos, grupos, facções e igrejinhas dentro dessa unidade espiritual que deve ser
a igreja local. Se não levamos a sério o Espírito de Cristo, tudo isso vai acontecer
mesmo. No entanto, a palavra de Deus tem uma advertência muito pesada (tão
pesada quanto clara) quando em 1Coríntios 3.17 diz, "Se alguém destruir o
santuário de Deus, Deus o destruirá; quem favorecer a desunião da igreja, quem
prejudicar a comunhão que o Espírito quer criar, será destruído por Deus".

Mas quando a igreja leva a sério o Espírito Santo, aí há reconciliação, muito choro
às vezes, nessa reconciliação. Porque Ele é a nossa paz diz o apóstolo, "O qual
de ambos os povos fez um e derrubando a parede de separação que estava no
meio, na sua carne ele desfez a inimizade entre judeus e gentios". A igreja é,
realmente, uma comunhão de desiguais. Isso aconteceu no colégio apostólico
porque aqueles doze homens que andaram com Jesus Cristo, eram as pessoas
mais desiguais possíveis. Teria sido muito mais fácil para Jesus ter utilizado doze
fariseus para os seus apóstolos, pois eram iguais. Estudando a história do
Judaísmo, vemos que eram homens altamente honrados, tementes a Deus;
amantes da Escritura Sagrada e ortodoxos na doutrina. Criam na ressurreição e
eram tão apegados à Lei de Moisés, que chegaram a elaborar 613 mandamentos
em vez de apenas 10. Nesse ponto, viraram fanáticos.

Realmente, Jesus poderia ter usado doze desse honrados homens. Mas, na Sua
soberana sabedoria preferiu chamar doze desiguais. Ele chamou um que era fiscal

56
Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
do imposto de renda, um funcionário público, um publicano. Há dois mil anos, na
Palestina, ser fiscal de renda era considerado algo abominável, porque a pessoa
trabalhava para o Império Romano, não para o povo judeu, não para a Palestina,
não para Israel. O publicano recebia o dinheiro do judeu e o enviava para Roma,
razão porque era odiado. Mateus era um publicano. Havia no colégio apostólico
um guerrilheiro. Havia um que era zelote, o guerrilheiro daquele tempo. Os zelotes
faziam guerrilha urbana; andavam com uma faca, um punhal que recebia o nome
de sicar, o qual era escondido dentro do manto. Se ele passasse por uma viela,
num beco e se encontrasse um romano sozinho, matava-o e guardava seu punhal.
Pois um dos apóstolos havia sido zelote. Outros eram pescadores, simples
pescadores, e assim por diante. Era uma verdadeira comunhão de desiguais, que
tiveram, no entanto, que andar com Jesus para aprenderem a ser iguais.

Quando o Espírito Santo é levado a sério, a igreja é capacitada também para a


adoração. É importante verificar que a igreja de Antioquia estava em culto,
ministrando perante o Senhor, diz o livro dos Atos dos Apóstolos, quando Barnabé
e Saulo foram escolhidos e separados pelo Espírito para a tarefa de missões. A
seriedade desse empreendimento é tanta que Lucas colocou o registro de que
eles estavam ministrando a Deus, isto é adorando e jejuavam. Não era brincadeira
o que eles estavam fazendo, estavam levando o Espírito a sério.

Quando se leva o Espírito Santo a sério, a pregação se torna autêntica e parte do


coração de Deus. Aliás, há quem se incomode quando o sermão passa dos trinta
minutos, por outro lado, a pregação hoje em dia tem se tornado extremamente
pobre. Há púlpitos que só pregam a mesma coisa, não há outra lição do Senhor.
Se é que a lição que é apresentada é realmente do Senhor, e sendo sempre a
mesma, ficando sempre no mesmo lugar, cai no que podemos chamar de
"síndrome da enceradeira": ficar falando a mesma coisa. Para este pregador, a
palavra de Deus tem primazia de modo que nada o afastará de dominicalmente
anunciá-la para dar lugar a outras coisas. Porque o Espírito Santo é levado a sério
neste púlpito.

Observe que quando o irmão/a irmã leva o Espírito Santo a sério, as tentações
aumentam. Mas as vitórias são, igualmente, maiores. A renovação interior
produzida pelo Espírito de Deus no seu coração não tem com o que ser
comparada. Paulo o disse em Tito no capítulo 3.3-7:

"Outrora nós também éramos insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a


várias paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns
aos outros. Mas quando apareceu a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o
seu amor para com os homens, não por obras de justiça que houvéssemos feito,
mas segundo a sua misericórdia, ele nos salvou mediante a lavagem da
regeneração e da renovação pelo Espírito Santo, que ele derramou ricamente
sobre nós, por meio de Jesus Cristo nosso Salvador, a fim de que, justificados por
sua graça, sejamos feitos seus herdeiros segundo a esperança da vida eterna"

Quando você, meu amado, minha querida irmã em Cristo, leva o Espírito Santo a

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
sério, você é por Ele unido a outros irmãos e irmãs, em todo o mundo, numa
grande fraternidade de mãos postas, num grande círculo de oração, como diz o
apóstolo em Efésios 6.18: "E orai em todo o tempo com toda a oração e súplica no
Espírito. Vigiai nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos". E
Ele mesmo, o Espírito, intercede por nós "porque não sabemos o que havemos de
pedir como convém" (Rm 8.26; cf. Tg 4.3).

Mas, sobretudo, nosso coração que passou de coração pecador a coração salvo,
deixa de ser simplesmente um coração salvo, para ser um coração salvo e em
chamas por causa do Espírito Santo!

Parte XIII
OS CRENTES BATISTAS E OS DONS DO ESPÍRITO SANTO V
"O Dom de discernimento de Espíritos" - I Cor. 12:10

O mundo em que vivemos hoje, mais do que antes, tem se constituído num mundo
de enganos, onde existem falsificadores de todas as espécies, e este Dom
espiritual, o "dom de discernimento de espíritos", diz respeito exatamente à
capacidade, que o Espírito Santo de Deus, confere ao servo do Senhor, ao crente
em Cristo Jesus, para ter a condição de entender e distinguir os diferentes
espíritos malignos, e, desta forma, sentir, observar, denunciar e discernir, se tais
coisas que estejam acontecendo, "são ou não" de Deus.

A Palavra do Senhor está recheada de irrefutáveis exemplos, em que homens de


Deus foram usados com poder pelo Espírito Santo, verbi gratia, o Apóstolo Paulo
no incidente narrado em Atos 16.16-18, quando ele falou com autoridade, em
nome de Jesus, ao espírito maligno de engano, naquela jovem "possessa", diz a
Bíblia, por "um espírito adivinhador" que dela se retirou no mesmo instante, em
que ouviu do servo dotado pelo Espírito Santo, a ordem: "Em nome de Jesus
Cristo, eu te mando: retira-te dela. E ele, na mesma hora saiu..." (Atos 16.18b).
Outros exemplos são o de Pedro no caso de Ananias e Safira, em Atos 5.1-11;
novamente a experiência de Pedro com Elimas (Simão o mágico), de que fala
Atos 13.9-11; a ocorrência de Mateus 9.32-33, na cura do mudo que estava
endemoniado; na cura da mulher possessa por um espírito de enfermidade, como
diz a Bíblia em Lucas 13.11-16; quando Filipe pregava em Samaria (Atos 8.7, e
outros que poderiam ser mencionados).

No texto grego, é a palavra "diákrisis" que é traduzida como "discernimento", que


fala da capacidade de distinguir as várias fontes de manifestações espirituais, fala
da capacidade de diferenciar. Pois bem, no trato com os espíritos, este Dom
capacita o cristão a distinguir e, que tipo de influência eles poderão causar no seio
do povo de Deus. Este Dom espiritual, amados leitores, é um Dom apropriado
para esse momento exato, próprio, específico, singular, e sem este Dom, o corpo
de Cristo seria presa fácil diante de tantas heresias e ensinamentos distorcidos,
como os que hoje em dia se proliferam.

A igreja, o corpo de Cristo, vive o tempo todo lidando com o sobrenatural, e, não

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
vamos nós, sabendo que as coisas do Espírito são tratadas espiritualmente,
querer racionalizar e sistematizar, e ainda mais porque, o membro do corpo de
Cristo, tem que estar atento como ensina em I João 4.1, para poder discernir se
tais coisas procedem de Deus, ou de falsos espíritos, pois, se não houver firmeza
e joelhos dobrados diante do Senhor, não poderemos distinguir entre o erro e a
verdade, e é por isso que temos de usar o DIAKRISIS, isto é, a capacidade que
pelo "Espírito Santo é repartida a cada um como quer ..." para que, através deste
dom de discernimento de espíritos, possa o cristão se livrar, bem como evitar que
o corpo de Cristo que é a igreja seja atacado pelas investidas de Satanás nesses
momentos tão difíceis que a Igreja do Senhor está vivenciando à beira do terceiro
milênio e, tantas loucuras de homens, e tantas doutrinas erradas, têm se
proliferado.

Por fim, considero com os amados leitores o seguinte:

a) Não podemos e nem devemos pelo nosso arraigado tradicionalismo, ditar


regras para o Espírito Santo agir no seio do corpo de Cristo, a igreja;

b) Não podemos ensinar e ministrar como tantos já ministraram e dizer: OS DONS


CESSARAM, se nós e até os que já escreveram essas coisas, sabem, que os
dons não cessaram;

c) Não coloquemos por causa do nosso ceticismo, dúvidas sobre o que o Espírito
Santo pode, ou não operar. Estejamos submissos ao Senhor. Ele, o Espírito
Santo, dá a cada um como quer. Não é você, porque é um grande doutrinador
quem vai ditar as regras ao Espírito.

Agora, tem uma coisa, cada Dom do Espírito Santo, só é concedido para a
edificação do corpo de Cristo, e, para exaltar e glorificar a Jesus. Não esqueçam
irmãos: "Que Ele cresça e que nós diminuamos..." Se for diferente, teremos uma
vertigem de altura!

Parte XV
OS CRENTES BATISTAS E OS DONS DO ESPÍRITO SANTO IV
"Dom da Palavra de Sabedoria" - I Cor. 12.1-11

Por ser este um Dom do Espírito Santo, transcende e vai além da sabedoria do
homem. A tradução da palavra grega "sophia" é sabedoria, mas, "sophia" diz
respeito a sabedoria do homem, ao saber adquirido pelo estudo, pela pesquisa,
pelos meios que são colocados à sua disposição os quais, proporcionam ao ser
humano, uma gama de informações tal, que se pode afirmar, "fulano tem
sabedoria" pois ele entende deste ou daquele assunto.

Aqui, agora, tratamos do Dom Espiritual da Palavra da Sabedoria, isto é, daquela


palavra que emana de alguém submisso à vontade do Senhor, e que por estar
debaixo do governo de Deus, e por Ter sido equipado pelo Espírito Santo com

59
Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
este Dom, ao proferir palavras, fala com sabedoria espiritual e, ministra, ensina ou
esclarece coisas, que o simples saber humano jamais poderia explicar ou
deslindar.

Gosto muito da explicação dada por Pastor Russel Shedd, quando ao se referir
sobre palavra no grego "logos", como "capacidade de comunicar", se refere a
sabedoria, como "análise penetrante daquilo já revelado". Isto nos faz sentir a
diferença existente entre a sabedoria geral, aquela que se adquire durante toda a
vida, a cada dia, através da leitura e dos estudos, principalmente nas escolas e
universidades da vida, e a palavra de sabedoria - Dom do Espírito Santo, onde
Deus manifesta através do Espírito Santo, esta Palavra de Sabedoria, diante de
uma necessidade especial, em um determinado lugar, para solucionar algo que
precisa ser resolvido, e tudo é efetivado na realidade, essa palavra de sabedoria é
proferida, para a edificação do Corpo de Cristo e, sobretudo para a glorificação do
Senhor e do poder do seu Santo Evangelho.

Este Dom não se manifesta o tempo todo, trata-se, de uma palavra especial,
específica, para um determinado tempo e lugar, para atender a uma situação
singular.

O Dom da Palavra da Sabedoria trata de uma proclamação, de uma declaração,


de uma palavra específica dada por Deus, através do seu Espírito Santo, para
atender naquele momento a uma situação emergencial. Sendo esse um Dom do
Espírito Santo, é claro que ele não depende da sabedoria do homem, que embora
possa ser grande, vasta, graduada e pós-graduada, foge da habilidade humana e,
passa a se situar na esfera e nos domínios do ministério cristão, e este Dom, pode
ser exercido tanto no tocante ao ensino da doutrina bíblica, da Palavra de Deus,
quanto na solução de problemas em geral.

Em Efésios 1.17-19, o Apóstolo Paulo diante do Senhor, ele fala aos irmãos "que
o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo o Pai da glória, vos dê o espírito de
sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele..." e nesta súplica ardente,
Paulo mostra o seu desejo de que as três coisas pedidas possam ser entendidas e
descobertas, por revelação do Senhor, pois, sem o espírito de sabedoria o homem
jamais poderia entender apenas pelo saber humano.

Billy Graham diz: "o tipo mais alto de sabedoria vem diretamente de Deus e está
ligado à atuação especial do Espírito Santo... Ele é o manancial de toda a
verdade, seja qual for a origem... Ele dá aos crentes sabedoria de maneira
singular... dá um Dom ou capacidade especial de sabedoria para alguns."

Portanto, queridos, é através deste Dom da Palavra de Sabedoria, que o Senhor


nos revela uma situação específica, dando ou em palavras ou em ações, a
capacitação para tomarmos a atitude certa ou, falarmos aquilo que é
inquestionavelmente necessário.

Louvemos a Deus pelos Dons do Espírito Santo e, até o próximo estudo.

60
Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
Parte XVI
OS CRENTES BATISTAS E OS DONS DO ESPÍRITO SANTO III
"Dom da Palavra do Conhecimento"

I Cor. 12:8 Como é bom pensar com os amados leitores, sobre as insondáveis
riquezas espirituais que o nosso Deus coloca à disposição do Corpo de Cristo, a
Igreja, quais sejam os "Dons do Espírito Santo".

Adentro hoje de maneira específica, no âmago da questão, verificando algo sobre


o dom da PALAVRA DO CONHECIMENTO. Este Dom espiritual está inserido no
grupo de dons, que têm se mostrado extremamente necessário à vida e, ao
ministério, dos que exercem a liderança sobre à Casa de Deus, a Igreja do
Senhor.

O Dom da Palavra do Conhecimento é indiscutivelmente, uma revelação


sobrenatural de algum fato, que existindo na mente de Deus, mas, que pela
fragilidade e limitação do homem, ele, o homem, não pode conhecer, exceto se o
Espírito Santo, o revelar dando assim a capacitação especial.

Conhecimento é o mesmo que ciência, GNÓSIS, na língua grega. Falar com


ciência é "falar com conhecimento, o que é diferente de conhecer, no sentido de
que este Dom, traz apenas uma palavra de conhecimento e não, todo o
conhecimento, pois ter todo conhecimento é prerrogativa divina", conforme
esclarece Dr. José Perraçoli Moreno, ao escrever sobre o "Despertamento dos
dons Espirituais".

O Dom da Palavra de Conhecimento possibilita ao cristão sincero e que está na


dependência do Senhor, ser equipado para proferir palavras, que saem da órbita
do alcance humano, isto afirmo, porque quando estamos a analisar e estudar
sobre os Dons do Espírito Santo temos de entender claramente, que para o
exercício desses dons, o Espírito Santo é quem capacita, e, um claro exemplo que
a Bíblia nos dá, é que os Apóstolos, eram pessoas rudes, sem conhecimento e
sem cultura, todavia, em Atos 4.13a, lemos o seguinte: "Então eles, vendo a
intrepidez de Pedro e João, e tendo percebido que eram homens iletrados e
indoutos, se admiraram..." (versão da Imprensa Bíblica Brasileira).

De acordo com a recente tradução da Bíblia de Estudos Almeida, "iletrados e


incultos eram os que não haviam estudado com os rabinos".Note-se ainda, que
compara o texto referido, com João 7.15, que trata do equipamento maravilhoso
do Senhor Jesus, detentor da Palavra do Conhecimento, que deixava a todos
extasiados, pois, sabia as letras, mas, não havia estudado...

Na Bíblia Shedd, inclusive aproveito a oportunidade para dizer que aprecio


bastante os comentários do Pastor Russel Shedd, diz que: "as palavras
eloqüentes faladas pela inspiração do Espírito Santo causaram grande surpresa."

61
Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
A Bíblia é, portanto farta, em demonstrar a manifestação deste Dom Espiritual da
Palavra do Conhecimento, em diversos Ministérios, como por exemplo, nos de:
SAMUEL (I Samuel 9.15-20 e I Samuel 10.22); AÍAS (I Reis 14.6); JESUS (João
2.48 e 4.18); PEDRO (Atos 5.3 e 4); PAULO (Atos 27.23-25).

Vale destacar, que ninguém é detentor de todos os Dons do Espírito, mas cada
um recebe o Dom, da forma como o Espírito quer. O Espírito é quem reparte. A
exortação da Palavra é que busquemos os dons com avidez, e ao buscá-los
devemos fazê-lo com equilíbrio, zelo, contudo sem impedir que o Espírito possa
fluir livremente. Só não podemos é humanizar o que é do Espírito e nem dizer
como é que queremos ser dotados, e nem como é que vai ser o exercício dos
dons nas nossas vidas. Em I Cor. 12.7, a tradução da Imprensa Bíblica diz: "A
cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para o proveito comum", isto é
para o proveito do "Corpo de Cristo", que é a Igreja do Senhor. O Espírito é o
mesmo, foi o de ontem, é o de hoje, e será eternamente, e este Espírito "distribui
particularmente a cada um como quer"(I Cor. 12.11).

Não vamos misturar "Palavra de Conhecimento" com "Palavra de Sabedoria", não


vamos misturar GNOSIS com SOPHIA, pois conhecimento é distinto de sabedoria
e, em se tratando dos "Dons do Espírito" a Palavra de Sabedoria que será o
assunto do próximo estudo, iremos ver que tratará de uma palavra especial,
espiritual, sobrenatural, não é apenas, "a sabedoria frente às exigências feitas
pela vida humana..." é, coisa de Deus, é coisa do Espírito.

O Ilustre Pastor Billy Graham em um dos seus livros diz claramente: "Os dons do
Espírito nunca devem dividir o Corpo de Cristo; devem mantê-lo unido..." (O
Espírito Santo, Edições Vida Nova, São Paulo, pág. 132).

Os assuntos que estamos abordando, visam o "aperfeiçoamento dos santos, para


o desempenho do seu serviço, para a edificação do Corpo de Cristo..." (Ef. 4.12).

Parte XVII
OS CRENTES BATISTAS E OS DONS DO ESPÍRITO SANTO III
"Dom da Palavra do Conhecimento"

I Cor. 12:8 Como é bom pensar com os amados leitores, sobre as insondáveis
riquezas espirituais que o nosso Deus coloca à disposição do Corpo de Cristo, a
Igreja, quais sejam os "Dons do Espírito Santo".

Adentro hoje de maneira específica, no âmago da questão, verificando algo sobre


o dom da PALAVRA DO CONHECIMENTO. Este Dom espiritual está inserido no
grupo de dons, que têm se mostrado extremamente necessário à vida e, ao
ministério, dos que exercem a liderança sobre à Casa de Deus, a Igreja do
Senhor.

O Dom da Palavra do Conhecimento é indiscutivelmente, uma revelação

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
sobrenatural de algum fato, que existindo na mente de Deus, mas, que pela
fragilidade e limitação do homem, ele, o homem, não pode conhecer, exceto se o
Espírito Santo, o revelar dando assim a capacitação especial.

Conhecimento é o mesmo que ciência, GNÓSIS, na língua grega. Falar com


ciência é "falar com conhecimento, o que é diferente de conhecer, no sentido de
que este Dom, traz apenas uma palavra de conhecimento e não, todo o
conhecimento, pois ter todo conhecimento é prerrogativa divina", conforme
esclarece Dr. José Perraçoli Moreno, ao escrever sobre o "Despertamento dos
dons Espirituais".

O Dom da Palavra de Conhecimento possibilita ao cristão sincero e que está na


dependência do Senhor, ser equipado para proferir palavras, que saem da órbita
do alcance humano, isto afirmo, porque quando estamos a analisar e estudar
sobre os Dons do Espírito Santo temos de entender claramente, que para o
exercício desses dons, o Espírito Santo é quem capacita, e, um claro exemplo que
a Bíblia nos dá, é que os Apóstolos, eram pessoas rudes, sem conhecimento e
sem cultura, todavia, em Atos 4.13a, lemos o seguinte: "Então eles, vendo a
intrepidez de Pedro e João, e tendo percebido que eram homens iletrados e
indoutos, se admiraram..." (versão da Imprensa Bíblica Brasileira).

De acordo com a recente tradução da Bíblia de Estudos Almeida, "iletrados e


incultos eram os que não haviam estudado com os rabinos".Note-se ainda, que
compara o texto referido, com João 7.15, que trata do equipamento maravilhoso
do Senhor Jesus, detentor da Palavra do Conhecimento, que deixava a todos
extasiados, pois, sabia as letras, mas, não havia estudado...

Na Bíblia Shedd, inclusive aproveito a oportunidade para dizer que aprecio


bastante os comentários do Pastor Russel Shedd, diz que: "as palavras
eloqüentes faladas pela inspiração do Espírito Santo causaram grande surpresa."

A Bíblia é, portanto farta, em demonstrar a manifestação deste Dom Espiritual da


Palavra do Conhecimento, em diversos Ministérios, como por exemplo, nos de:
SAMUEL (I Samuel 9.15-20 e I Samuel 10.22); AÍAS (I Reis 14.6); JESUS (João
2.48 e 4.18); PEDRO (Atos 5.3 e 4); PAULO (Atos 27.23-25).

Vale destacar, que ninguém é detentor de todos os Dons do Espírito, mas cada
um recebe o Dom, da forma como o Espírito quer. O Espírito é quem reparte. A
exortação da Palavra é que busquemos os dons com avidez, e ao buscá-los
devemos fazê-lo com equilíbrio, zelo, contudo sem impedir que o Espírito possa
fluir livremente. Só não podemos é humanizar o que é do Espírito e nem dizer
como é que queremos ser dotados, e nem como é que vai ser o exercício dos
dons nas nossas vidas. Em I Cor. 12.7, a tradução da Imprensa Bíblica diz: "A
cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para o proveito comum", isto é
para o proveito do "Corpo de Cristo", que é a Igreja do Senhor. O Espírito é o
mesmo, foi o de ontem, é o de hoje, e será eternamente, e este Espírito "distribui
particularmente a cada um como quer"(I Cor. 12.11).

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
Não vamos misturar "Palavra de Conhecimento" com "Palavra de Sabedoria", não
vamos misturar GNOSIS com SOPHIA, pois conhecimento é distinto de sabedoria
e, em se tratando dos "Dons do Espírito" a Palavra de Sabedoria que será o
assunto do próximo estudo, iremos ver que tratará de uma palavra especial,
espiritual, sobrenatural, não é apenas, "a sabedoria frente às exigências feitas
pela vida humana..." é, coisa de Deus, é coisa do Espírito.

O Ilustre Pastor Billy Graham em um dos seus livros diz claramente: "Os dons do
Espírito nunca devem dividir o Corpo de Cristo; devem mantê-lo unido..." (O
Espírito Santo, Edições Vida Nova, São Paulo, pág. 132).

Os assuntos que estamos abordando, visam o "aperfeiçoamento dos santos, para


o desempenho do seu serviço, para a edificação do Corpo de Cristo..." (Ef. 4.12).
Parte VIII
OS CRENTES BATISTAS E OS DONS DO ESPÍRITO SANTO II
I Cor. 12:1-11

Mais uma vez me dirijo aos queridos irmãos para trazer algo que merece a nossa
reflexão, sobre esta pessoa maravilhosa da Trindade Santa, o "Espírito Santo", e,
o que esta pessoa tão relevante tem para todos nós, crentes batistas, através dos
"dons espirituais".

Os dons do Espírito Santo são os meios inquestionáveis, através dos quais, nós
os crentes, membros do Corpo de Cristo (a Igreja), somos capacitados, habilitados
e totalmente equipados para podermos realizar com autoridade e poder, a obra de
Deus.

Meu desejo de escrever sobre este assunto e trazê-lo para o nosso povo batista,
sinto ser vontade de Deus, sobretudo quando me deparo com o que diz a Palavra
em I Cor. 12:1, "a respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais
ignorantes..." e, é por este motivo, com esteio nas Escrituras Sagradas, que ouso
salientar que sem os dons do Espírito Santo, o Corpo de Cristo, a Igreja do
Senhor, ao contrário de ser um poderoso organismo vivo, cheio de graça e de
unção, passaria a ser simplesmente uma organização social, humana e religiosa,
sem o poder e as características espirituais que a Igreja do Senhor deve carregar
consigo.

Já li com espanto, em algumas lições que mestres antigos ministraram,


principalmente nas revistas da Escola Bíblica Dominical, em que escritores e
comentaristas ao questionarem se os dons do Espírito Santo permanecem nos
dias atuais, respondiam ao povo dizendo:

"Alguns sim; outros não (grifo nosso)." (Revista Compromisso - JUERP, 1994, pg.
32), aonde é que está escrito na Bíblia isto? Em lugar nenhum.

Eu sei que a obra que o Senhor está realizando no meio do povo batista, me

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
confere a condição de dizer com letras maiúsculas e, se questionado for, se os
dons permanecem hoje, responder:

"SIM, TODOS OS DONS DO ESPÍRITO SANTO, NA VIDA DA IGREJA,


PERMANECEM NA SUA INTEGRIDADE, PORQUE A BÍBLIA DIZ QUE SIM" e
embora homens queiram negar, prefiro ficar com a Palavra do Senhor que em I
Cor. 12:4 diz: "Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo" (grifo
nosso), isto é, Aquele Espírito Santo que deu e que repartiu, é o mesmo que dá e
que reparte hoje, a cada um, como quer, para a edificação do Corpo de Cristo que
é a Igreja do Senhor.

Vale destacar também o fato de que muitos sempre confundiram os nove (09)
dons do Espírito Santo, com fruto do Espírito Santo, que se expressa através de
nove (09) características, indispensáveis à verdadeira vida cristã, isto é, o cristão
verdadeiro tem que dar frutos, deve frutificar no seu dia a dia, e manifestar a todos
que com ele convivem, as nove (09) características do fruto do Espírito, quais
sejam: AMOR, GOZO, PAZ, LONGANIMIDADE, BENIGNIDADE, BONDADE, FÉ,
MANSIDÃO e TEMPERANÇA, conforme Gál.5:22. Portanto, é de bom alvitre
esclarecer que fruto é uma coisa e, dons outra coisa.

O fruto do Espírito Santo faz o crente sentir a necessidade de ter o seu caráter,
moldado pelo caráter do Mestre, o nosso Senhor Jesus Cristo, enquanto os dons
do Espírito Santo, são as capacitações especiais que o Espírito concede aos
cristãos, para com poder, graça e unção, realizar a obra do Senhor.

Sinto-me, pois, à vontade em escrever para o nosso povo batista sobre o tema
dos "Dons do Espírito Santo", não só porque a Palavra de Deus admoesta e
ensina aos crentes que assim o busquem: "segui o amor e buscai com zelo os
dons espirituais..." (grifo nosso) - I Cor. 14:1, mas, também, porque ao falar a
Timóteo seu filho na fé, o Apóstolo Paulo querendo encorajá-lo a suplantar as
dificuldades e destacando os grandes problemas que mercê da Graça de Deus,
dos mesmos já havia obtido a vitória, Paulo lhe admoesta dizendo: "reavives o
Dom de Deus que há em ti" - II Timóteo 1:6 (Pastor Shedd traduz por reavivar,
usando um verbo que significa fazer o fogo subir com vida, reatiçar, para que
Timóteo permitisse que o Dom que lhe fora dado pelo Espírito ardesse nele), cujo
Dom era o de profecia, recebido pela imposição de mãos do presbitério (I Timóteo
4: 14), mas, me sinto a vontade, sobretudo, pelo Tema Geral dos Batista
Brasileiros em 2001 que é: DESPERTA OS DONS QUE HÁ EM TI! Este tema é
um imperativo e, ao estudá-lo, sem dúvida, "dons" poderão ser despertados.

A partir do próximo estudo, estaremos observando o que a Bíblia Sagrada ensina


sobre os dons do Espírito Santo, conforme mencionaremos a seguir:
a) Palavra do Conhecimento, Palavra de Sabedoria e Discernimento de Espíritos;
b) Dons de Curar, Dons de Operação de Milagres e Dom da Fé;
c) Dom de Variedade de Línguas, Dom de Interpretação de Línguas e Dom de
Profecia.

65
Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
Vamos devagar, com calma e prudência, mas, que Deus está fazendo uma grande
obra no meio do povo batista, está!

Louvado seja o Senhor!

Parte XIX
OS CRENTES BATISTAS E OS DONS DO ESPÍRITO SANTO
I Co. 12:1-11

Não há como negar, seja o povo batista ou não, o Senhor Deus está realizando
uma grande obra, e, de algum tempo para cá, estamos vivendo um grande "mover
do Espírito Santo", isto porque, não tenham dúvidas, o Senhor, à luz da Sua
Palavra, está promovendo no meio do seu povo "um grande avivamento
espiritual".
Numa época como esta, nada mais justo do que exercermos atitudes cautelosas
em muitas e determinadas coisas.

Como Pastor desde meus 20 anos de idade, ordenado na Igreja Batista da


Encruzilhada em Recife, hoje com 53 anos de idade, portanto, 33 anos de
Ministério, ouví, estudei e aprendí dos grandes mestres e professores, livros e
estudos dirigidos, etc., muitas coisas que foram ministradas e ensinadas, e,
principalmente sempre lí as lições dos "Pontos Salientes" da Escola Bíblica
Dominical, que eram ministradas nas nossas igrejas e, uma das coisas que se
ensinava e escrevia, é que:

1) "os dons cessaram";


2) "não mais haveria a necessidade de manifestações dos dons" e,
3) "as manifestações dos dons eram necessárias naquela época apostólica para o
povo poder crer ..."

Todavia, queridos leitores, nós sabemos que não é nada disto, os dons do Espírito
Santo são uma evidência clara no meio do povo de Deus e, os dons do Espírito
Santo, não são propriedades exclusivas de nossos amados irmãos em Cristo,
pentecostais ou assembleianos (a quem amamos e respeitamos), ou dos néo-
pentecostais (os quais também amamos), hoje tantos, mas, os "dons do Espírito
Santo" são também uma clara evidência no meio do povo batista, no Brasil e no
mundo, numa demonstração inequívoca, de que a Palavra do senhor é a mesma
de ontem e será eternamente, pois o Senhor assim ministrou: "Passarão os céus e
a terra, mas, as minhas palavras não haverão de passar ..." Mateus 24:35.

Não sei por que, tanta gente tem medo de tratar deste assunto e de ministrar ao
povo batista, a grande verdade, de que o Senhor está a realizar grandes
maravilhas e, que o "mover do seu Espírito" é, hoje, uma realidade que ninguém
pode negar.

Não tenham dúvidas, que é por causa desta omissão do líder batista de não
querer se expor, e dizer claramente ao povo que nós os batistas CREMOS NOS

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
DONS DO ESPÍRITO SANTO e, sabemos que, como diz a Bíblia Sagrada, "o
Espírito Santo opera todas essa coisas, repartindo particularmente a cada um
como quer ..." (I Co. 12:11) e, que, a "manifestação do Espírito é dada a cada um
para o que for útil ..." (I Co. 12:7), portanto, se não for para ser útil, não será dada
a manifestação nem será dado o Dom, é por causa desta omissão que estamos
vendo tanta distorção doutrinária no meio do povo batista.

Humilde e submisso à vontade do Senhor é que pretendo escrever uma série de


estudos sobre o assunto Dons do Espírito Santo, e, para tanto, tenho orado e
pedido as orações dos irmãos da Igreja Batista dos Mares da qual sou o Pastor,
para que orem por mim, pois, o que desejo, nada mais é do que a vontade da
Palavra de Deus, e, nos próximos estudos adentrarei de maneira direta numa
análise à luz da Bíblia, sobe os "dons espirituais" e, pasmem, até sobre os "dons
de línguas" incontestavelmente um tabu no meio do povo batista mas, uma
realidade insofismável na vida do povo de Deus, contudo, ensinaremos que ao ser
exercido, mediante a dádiva do Espírito Santo, o é, para edificação própria, pois o
que "fala em língua estranha edifica-se a si mesmo" (I Co.14:4) e, este texto, fala
mesmo da "variedade de línguas, isto é, línguas que não correspondem a
nenhuma língua conhecida por aquele que fala..." , conforme está explicado no
rodapé da (Bíblia de Estudos Almeida, da Sociedade Bíblica do Brasil, às páginas
252, do Novo Testamento, edição recente de 1999, Baurerí, São Paulo), mas,
ninguém se espante, porque também iremos dizer que "o amor" além de ser
superior aos dons, é sem dúvida o elemento legitimador do uso dos dons na
edificação do povo de Deus, e, o amor não deixa o crente presunçoso, orgulhoso,
achando que é superior aos demais e, nem "orando para que os outros crentes se
convertam", pois, quem recebeu a Jesus e permanece fiél ao Senhor, dia após
dia, não tem que se converter de novo, nem, porque foi a um "encontro tremendo"
é que agora se converteu. Cuidado! É bom ter calma, prudência, mas, que Deus
está fazendo uma grande obra, está !

Até ao próximo estudo !

Parte XX
O ESPÍRITO SANTO, MISSÕES E A IGREJA BRASILEIRA

O Espírito Santo é eminentemente missionário e a missão da igreja no mundo é


participar da missão do Espírito.
Esta declaração nos deve conduzir a uma reflexão séria, principalmente porque
hoje, mais do que nunca, a sociedade brasileira necessita de uma mensagem
evangélica confrontadora. O que não significa dizer que ela queira
necessariamente ser tocada em suas feridas; porém, à luz da Bíblia, não podemos
oferecer às pessoas um evangelho paliativo e barateado como temos visto hoje
em dia. O cristianismo puro e simples (para usar o título em português do livro de
C. S. Lewis) precisa ser a mensagem pregada e o estilo de vida de todo homem e
de toda mulher salvos em Cristo.

É triste constatar o tipo de evangelho enganador que está sendo anunciado

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
atualmente. Um evangelho descompromissado da ética cristã e da santidade de
vida. Um evangelho falsificado que propõe atalhos ao invés do verdadeiro
caminho. No meio artístico, por exemplo, ouve-se falar daquele e daquela como os
mais novos irmãos na fé; entretanto, aqui e ali ficamos sabendo dos escândalos
que esses "irmãos" cometem. Não negamos que haja conversões autênticas entre
os artistas, porém, é preciso o quanto antes que o verdadeiro evangelho, com
todas as suas implicações para a igreja e a sociedade, seja resgatado em nosso
meio. É necessário que "o sal da terra" e "a luz do mundo", a igreja de Jesus
Cristo, ofereça, mediante o evangelho da verdade, a verdadeira vida para todo
aquele que perece em seus próprios pecados. E isto só acontecerá quando a
igreja proclamar o evangelho de poder e no poder do Espírito, visto que ela
também precisa enxergar além de si mesma, de sua institucionalização e de seus
paradigmas obsoletos.

Além disso, em se tratando da apresentação do evangelho ao povo brasileiro, a


igreja evangélica, não raramente, tem ido ou para o extremo da mensagem
desencarnada, distante da realidade cotidiana do povo, mediante a apresentação
de um evangelho transcendente que alcança as estrelas mas esquece da terra; ou
tem, por outro lado, oferecido Jesus Cristo às pessoas como se Ele fosse um
produto de consumo à disposição nas prateleiras do mercado eclesiástico. Outras
vezes apresenta-se Cristo no melhor dos estilos "fada madrinha". Em nome dEle
promete-se ao povo casa, carro, dinheiro; enfim, toda sorte de prosperidade.
Cremos sinceramente que Cristo pode dar tudo e até mais do que é prometido ao
povo em termos de prosperidade; contudo, não podemos perder de vista as
implicações e exigências do evangelho autêntico. As pessoas não devem ser
confrontadas somente em termos de: "Você não conseguiu? Venha para Jesus
que você consegue", mas sim, encaradas como pecadoras que precisam
urgentemente da graça redentora.

E por que precisamos nos preocupar com isto? Justamente porque a sociedade
brasileira carece do evangelho que esteja encarnado na vida dos crentes e na vida
dela mesma. Um cristianismo integral, como expressão de vidas santificadas e
consagradas ao Senhor, é o que realmente impactará nosso país e o mundo.
Cristianismo integral é a manifestação viva daquilo que dizemos acreditar. Paulo é
um exemplo fabuloso de compromisso com a verdade do evangelho. Ele nunca a
comprometia. Podia como poucos ser imitado como imitador de Cristo.
Semelhantemente o povo brasileiro precisa ver na igreja de hoje pessoas que
vivam o que dizem crer. A prática é a expressão do que acreditamos. Se não
praticamos o que dizemos, então a nossa pregação não passará de retórica
evangélica desqualificada.

O livro de Atos é um exemplo fabuloso de prática cristã autêntica sob o comando


do Espírito Santo. Eis que o Livro está aí, diante de nós, para ser conferido, lido e
relido pelo povo evangélico ou não, sob uma nova (ou velha?) ótica: a ótica do
Espírito missionário. Em Atos o Espírito Santo faz a diferença. O livro de Atos se
torna único no Novo Testamento porque nele o Espírito Santo se revela como um
Espírito missionário. Por isso, abordar o segundo tratado de Lucas numa

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
perspectiva missiológica é fazer verdadeira justiça ao seu autor. Há teologia em
Atos? É claro que sim. Mas apresentá-lo missiologicamente é a maneira mais
natural de fazê-lo. Sendo o Espírito Santo missionário, o que segue é
conseqüência natural, isto é, a igreja neotestamentária formada a partir do
Pentecostes passa a ser naturalmente uma igreja missionária. A relação Espírito-
igreja é a chave do sucesso em Atos. No entanto, do começo ao fim de seu
segundo livro, Lucas deixa claro que o Espírito Santo é quem comanda a igreja
em sua missão. Achamos importante enfatizar este ponto, visto que atualmente
existe uma concepção equivocada acerca da pessoa e obra da terceira pessoa da
Trindade em geral, e de sua missão em particular.

O Espírito Santo é Deus, e Deus soberano. Ele conduziu em triunfo a Igreja


Primitiva em sua missão evangelística, sendo o mesmo Espírito a conduzir nos
dias de hoje a igreja brasileira em sua tarefa missionária. Num estudo sistemático,
podemos observar que o Espírito Santo é quem vocaciona, capacita e dirige
soberanamente seus obreiros e a igreja na missão. Além disso, é Ele quem vai
adiante, abrindo portas e preparando o caminho para o sucesso da obra
missionária. E o mesmo Espírito que vocaciona, capacita e dirige os missionários
e a igreja na missão, além de preparar o campo, é quem transforma este mesmo
campo em base missionária. A visão missionária é uma dádiva do Espírito para a
igreja do Senhor Jesus. Praticar esta visão, como o fez a igreja de Antioquia, é
entender o verdadeiro propósito para o qual a igreja de Jesus existe.

Tudo que o Espírito Santo fez em Atos visava a ação missionária da igreja. O
Pentecostes, por exemplo, não aconteceu para que a igreja vivesse em torno de si
mesma, comodamente, degustando tão somente aquela experiência sobrenatural.
No Pentecostes o Espírito Santo capacitou a igreja e continuaria capacitando-a
para ser testemunha de Jesus em todo o mundo. Concedeu o que a igreja
esperava e o que ela buscava: poder para testemunhar. Poder para proclamar as
boas novas de Deus em Cristo Jesus, mas também poder para vencer o medo, a
covardia e a timidez por Cristo Jesus. Os dons ou manifestações do Espírito
(línguas, curas, profecias, etc.) foram dados pelo Espírito Santo com o objetivo de
que a igreja testemunhasse de Jesus ao redor do mundo. Nada do que a igreja
recebe do Espírito tem nela um fim em si mesmo.

No passado o Espírito Santo e a Igreja Primitiva deram continuidade ao que Jesus


começou a fazer e a ensinar. Hoje, é possível que nosso maior desafio seja o de
jamais esquecer que a missão do Espírito e da igreja cristã não terminou com Atos
28.

Extraído com permissão do livro ATOS DO ESPÍRITO SANTO (Ed.


Descoberta, 2002) de autoria do Rev. Josivaldo de França Pereira.

Parte XXI
O ESPÍRITO SANTO NO PROCESSO HERMENÊUTICO

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
Introdução
O presente trabalho é uma análise sucinta do papel do Espírito Santo no processo
hermenêutico e de sua relação com os outros elementos do chamado círculo
hermenêutico. Nós o dividimos em três capítulos principais, sendo que somente o
último deles trata diretamente do Espírito Santo no processo hermenêutico.
Acreditamos que esta disposição será necessária porque os dois primeiros
capítulos servirão de pano de fundo ao tema. Sendo assim, procuramos definir a
hermenêutica e seu propósito, a relação entre o Espírito Santo, a Bíblia e o
intérprete e, por último, o papel do Espírito Santo na ciência hermenêutica e no
círculo hermenêutico.
Quanto ao Espírito Santo no círculo hermenêutico, propriamente dito, abordamos
a questão no conceito de missão integral numa teologia de contexto. Como se
relaciona o Espírito com os quatro elementos do círculo hermenêutico? O Espírito
deveria ou não ser representado graficamente com os outros elementos do
círculo? Como definir o Espírito Santo no círculo hermenêutico? Esperamos
responder a contento a estas e outras perguntas semelhantes. Nossa pesquisa
não é exaustiva mas espero que atenda o propósito para o qual foi escrita; a
saber, valorizar a importância e centralidade do Espírito Santo no processo
hermenêutico.
"No estudo da Bíblia, não é bastante que entendamos o sentido de autores
secundários (Moisés, Isaías, Paulo, João); temos que entender a mente do
Espírito" (Louis Berkhof).

I. Definição e Propósito da Hermenêutica

1.1. Definição de Hermenêutica


"Hermenêutica" é uma palavra de origem grega. Platão (c. 427-347 a.C.) foi o
primeiro a utilizá-la como termo técnico.
No sentido amplo do termo, a hermenêutica pode ser definida como a ciência que
nos ensina os princípios, as leis e os métodos de interpretação de qualquer
produção literária. Antônio Almeida diz que hermenêutica é "a ciência e a arte de
interpretar. É ciência porque postula princípios seguros e imutáveis; é arte porque
estabelece regras práticas".1 Especificamente falando, a hermenêutica sacra tem
caráter muito especial, porque trata de um livro peculiar no campo da literatura - a
Bíblia como inspirada Palavra de Deus. E somente quando reconhecemos o
princípio ativo da pessoa do Espírito Santo na inspiração da Bíblia e por Ele
somos guiados na
compreensão da mesma, é que podemos conservar o caráter doutrinário e prático
da hermenêutica bíblica.

1.2. O Propósito da Hermenêutica


Em geral, estuda-se hermenêutica com o propósito de interpretar produções
literárias do passado. Sua tarefa principal é indicar o meio pelo qual possam ser
removidas as diferenças ou distâncias entre um autor e seus leitores. A
hermenêutica nos ensina que isso só se realiza satisfatoriamente quando os
leitores se transpõem ao tempo e ao espírito do autor para, por exemplo, analisar
as características pessoais do autor, as circunstâncias sociais do mesmo e as

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
circunstâncias peculiares aos escritos.
Na hermenêutica sacra o ponto de partida é a própria Bíblia, uma vez que ela
mesma é o objeto de pesquisa da hermenêutica. O propósito da hermenêutica
sacra é "transportar a mensagem bíblica, a partir do seu contexto original, a uma
situação histórica contemporânea".2

Infelizmente, boa parte dos estudiosos bíblicos partem da metodologia para a


Bíblia. Primeiro formulam suas conclusões pessoais e depois vão aplicá-las à
interpretação das Escrituras, ao invés de deixarem que a Bíblia formule as regras
para sua própria interpretação. Valdir Steurnagel, por exemplo, entende que "nós
podemos ter as duas coisas. Teologia de baixo e teologia de cima".3 Entretanto,
Padilla observa corretamente: "O esforço para deixar que as Escrituras falem, sem
impor-lhes uma interpretação elaborada de antemão, é uma tarefa hermenêutica
obrigatória de todo intérprete, seja qual for sua cultura."4

Um dos princípios defendidos pelos reformadores do século XVI era que a


Scriptura Scripturae interpres. Um século depois da Reforma Protestante, este
princípio foi apreciado e elaborado pela Assembléia de Westminster do seguinte
modo:
A regra infalível de interpretação da Escritura é a mesma Escritura; portanto,
quando houver questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da
Escritura (sentido que não é múltiplo, mas único), esse texto pode ser estudado e
compreendido por outros textos que falem mais claramente5

Na verdade é quase que impossível nos aproximarmos da Bíblia sem


pressuposições variadas, herança herdada de diversas influências (sociais,
culturais, teológicas, etc.). Os reformadores, por exemplo, não foram os primeiros
e nem seriam os últimos a negarem, entre eles mesmos, o princípio de que a
Escritura interpreta a si mesma. Dentre outras coisas, temos o exemplo clássico
dos conceitos teológicos de Lutero, Zuínglio e Calvino em relação à Ceia do
Senhor. Contudo, todas as pressuposições, sejam as nossas ou sejam as deles,
não são e nem podem ser justificadas pela Bíblia. Afim de que as Escrituras
possam ser estudadas com o mínimo de coerência, é preciso interpretá-las
gramática, histórica e teologicamente de mente e coração abertos para ouvirmos
com humildade e disposição a voz do Espírito Santo de Deus.

II. O ESPÍRITO SANTO, A BÍBLIA E O INTÉRPRETE

2.1. O Espírito Santo e a Bíblia

"Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para
a correção, para a educação na justiça, afim de que o homem de Deus seja
perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra" (2 Tm 3.16,17).

"Sabendo, primeiramente, isto, que nenhuma profecia da Escritura provém de


particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade
humana, entretanto homens [santos] falaram da parte de Deus movidos pelo

71
Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
Espírito Santo" (2 Pe 1.20,21).

As passagens bíblicas que transcrevemos acima, assim como tantas outras que
poderiam ser acrescentadas a elas, mostram que a Bíblia tem um autor principal.
"Ela é, em todas as suas partes, produção do Espírito Santo".6

Durante a história da Igreja, surgiram conceitos diversos quanto a relação


existente entre o Espírito Santo e a Bíblia. Os pelagianos e racionalistas
sustentavam que a operação intelectual e moral da Bíblia era suficiente para
produzir a salvação, independentemente do Espírito Santo. Os antinomianos, por
outro lado, ensinavam que o Espírito Santo fazia tudo, independente da Palavra
de Deus. A igreja evangélica, por sua vez, sempre sustentou o seguinte: A Bíblia
sozinha não é suficiente para salvar, e embora o Espírito Santo possa, geralmente
Ele não atua sem ela. Isto não significa que o Espírito seja subserviente à Palavra
de Deus, mas sim, que a soberania divina estabeleceu a livre atuação do Espírito
mediante a Palavra. "Na aplicação da obra da redenção os dois trabalham juntos,
o Espírito usando a Palavra como Seu instrumento. A prédica da Palavra não
produz o fruto desejado até que se torne eficaz pelo Espírito Santo".7 A verdade é
que o Espírito Santo honra a Bíblia, fala pela Bíblia e é reconhecido pela Sua
harmonia com ela. Por isso, os reformadores frequentemente se referiam às
Escrituras como "a imagem do Espírito".

2.2. O Espírito Santo e o Intérprete

Desde os tempos bíblicos Deus levantou profetas e intérpretes da lei que


conduzissem Seu povo segundo os princípios estabelecidos em Sua Palavra. No
capítulo 8 do livro de Neemias vemos vários servos de Deus que juntamente com
os levitas "ensinavam o povo na lei" (v7). E mais: "Leram no Livro, na lei de Deus,
claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia" (v8).
No capítulo 8 de Atos nos deparamos com a clássica passagem de Filipe e o
eunuco. O alto oficial de Candace, rainha dos etíopes, estava lendo o livro do
profeta Isaías. Até certo ponto podemos admitir que ele entendia o que estava
lendo. Compreendia que o profeta falava de grandes padecimentos e extrema
humilhação que um servo do Senhor teria sofrido ou iria sofrer. Faltava-lhe, no
entanto, entender o essencial para a clareza da profecia: a respeito de que servo o
profeta se referia. Falava de si mesmo ou de algum outro? "Então Filipe explicou;
e, começando por esta passagem da Escritura, anunciou-lhe Jesus" (v35). E não
poderíamos nos esquecer do Senhor Jesus, quando no caminho de Emaús diz a
dois de seus discípulos: "Porventura não convinha que o Cristo padecesse e
entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, discorrendo por todos os
profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras" (Lc
24.26,27).
Mas a atuação do Espírito, em capacitar os intérpretes da Bíblia, não se limitou a
eles.

Deus tem levantado nos dias de hoje homens e mulheres, verdadeiros mestres da
exposição bíblica, para orientarem a Sua Igreja. As divergências teológicas e de

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
interpretação sempre serão evidentes entre eles, até porque iluminação não é
inspiração, no sentido bíblico daquela "influência sobrenatural exercida pelo
Espírito Santo sobre os escritores sacros, em virtude da qual seus escritos
conseguem veracidade divina, e constituem suficiente e infalível regra de fé e
prática".8 Mas o direito da interpretação não se restringe aos chamados
"doutores". O mesmo Espírito capacita os mais simples para compreenderem o
sentido das Escrituras com muita propriedade e coerência. Particularmente tenho
sido enriquecido em meu ministério pastoral por irmãos e irmãs que, não tendo
formação teológica alguma mas conhecendo muito bem o seu Deus, lançam luz
sobre passagens bíblicas como eu nunca havia pensado antes. E muitos desses
irmãos e irmãs são originais em seus conceitos. Entretanto, não quero dizer com
isso que o alvo da boa interpretação seja a originalidade e nem também que um
texto não possa parecer totalmente novo para quem o ouve ou o lê pela primeira
vez. O alvo da boa interpretação é, segundo os doutores Gordon D. Fee e
Douglas Stuart, chegar ao "sentido claro do texto".9 Para isso, é necessário os
auxílios internos da própria Bíblia para interpretarmos corretamente o pensamento
de Deus mediante os autores secundários e dos auxílios externos disponíveis para
a interpretação gramatical do texto bíblico, tais como: gramática, dicionários,
concordâncias, léxicos, analíticos e comentários. É preciso que os comentários
ocupem, quando muito, o último lugar em nossas pesquisas, visto que um
comentário é sempre uma opinião e não a última palavra de quem quer que seja.

III. O ESPÍRITO SANTO NO PROCESSO HERMENÊUTICO

3.1. O Espírito Santo e a Ciência Hermenêutica

Certamente o Espírito Santo pode atuar independente de meios, como já


mencionamos. Entretanto, o Espírito age, geralmente, com e através da Palavra
de Deus. E de que modo Ele o faz? De um lado, através da iluminação do
entendimento do intérprete; de outro, na condução do uso correto das ferramentas
hermenêuticas por parte do intérprete. O Espírito Santo não milita contra qualquer
instrumento que nos ajude a compreender o sentido das Escrituras; pelo contrário,
como acabamos de afirmar, Ele mesmo se utiliza da hermenêutica para nos
auxiliar no modo correto de interpretar a Bíblia. A própria Bíblia apresenta muitos
exemplos dessa natureza. Em muitos casos, os autores investigaram de antemão
a matéria a respeito da qual pretendiam escrever. Lucas nos diz no prefácio do
seu Evangelho que procedeu deste modo; e os autores dos livros dos Reis e
Crônicas se referem constantemente às suas fontes. Além disso, os autores do
Novo Testamento em várias ocasiões interpretaram as profecias do Antigo
Testamento como se cumprindo em ocasiões específicas. Como chegavam a
essas conclusões? Naturalmente com os recursos da hermenêutica. O apóstolo
Pedro criticou aqueles que, por falta de uma hermenêutica sadia, deturpavam os
ensinamentos de Paulo e das demais Escrituras "para a própria perdição deles" (2
Pe 3.15,16).

Com certeza, nos tempos bíblicos os escritores e profetas sagrados não


conheciam a hermenêutica como nós a conhecemos hoje, isto é, como ciência e

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
arte de interpretação da Bíblia, mas nem por isso eram menos favorecidos, até
porque eles possuíam a inspiração do Espírito Santo que os habilitava a escrever
e interpretar a Escritura Sagrada sem nenhuma margem de erro. Isto não quer
dizer que estivessem livres do fracasso de entender a própria mensagem. O fato
de os profetas algumas vezes fracassarem em entender a mensagem que eles
mesmos traziam ao povo, serve também para demonstrar que aquela mensagem
vinha de fora, de Deus, e que, portanto, não partia da vontade pessoal deles.
Daniel, por exemplo, certa vez teve uma visão e logo em seguida declarou que
não entendia o significado daquilo tudo (Dn 12.8,9). Zacarias, por sua vez, teve
várias visões com mensagens para o povo, mas precisou que um anjo o auxiliasse
na interpretação delas (Zc 1.9; 2.3; 4.4). Pedro nos informa que os profetas que
apresentavam a mensagem a respeito dos sofrimentos e glórias de Cristo, com
frequência investigaram os detalhes disso, para poder entender com mais clareza
(I Pe 1.10,11).

Não devemos nos esquecer que o ato de fazer lembrar e entender a vontade de
Deus para a nossa vida é atribuição do Espírito Santo. Como vimos, Ele atuou no
passado na mente e no coração de homens e mulheres de Deus e hoje o faz
iluminando nosso entendimento para entendermos o que a Bíblia diz, com suas
aplicações práticas para a vida diária. E mesmo que em certas ocasiões o Espírito
nos faça compreender o sentido das Escrituras independente de uma pesquisa
prévia, via de regra as coisas não funcionam desse modo, até porque,
normalmente, o Espírito de Deus nos orienta através dos recursos da
hermenêutica. Além disso, a uma pesquisa diligente no intuito de se entender o
que lemos, deve-se unir a oração como expressão de uma vida dependente do
Espírito10. E assim, como dizia Lutero, oremos como se tudo dependesse de
Deus e trabalhemos como se tudo dependesse de nós mesmos.

3.2. O Espírito Santo e o Círculo Hermenêutico

1. O Círculo Hermenêutico

Esta última parte do nosso trabalho (O Espírito Santo e o Círculo Hermenêutico) é


o resultado natural de tudo que vimos até aqui. É a aplicação prática do Espírito
Santo no processo hermenêutico dentro do chamado círculo hermenêutico. O que
é o círculo hermenêutico? Como poderíamos representá-lo e defini-lo?

Graficamente podemos representar o círculo hermenêutico desse modo:

Embora os estudiosos não neguem a importância do Espírito Santo no círculo


hermenêutico, poucos enfatizam a centralidade Dele. René Padilla, por exemplo,
diz que "a iluminação do Espírito é indispensável no processo interpretativo"11 e
que é "urgente a necessidade de uma leitura do Evangelho desde cada situação
histórica particular, debaixo da direção do Espírito Santo".12 Entretanto, quando
Padilla representa graficamente o círculo hermenêutico omite a pessoa do
Espírito. Esta omissão também é evidente no artigo de Daniel S. Schipani
(Crezcamos en todo ... en Cristo em Misión en el Camino, p. 127).13Um dos

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
ensaios, dentre os que encontrei, que abordam com mais ênfase a pessoa do
Espírito Santo no círculo hermenêutico é The Role of the Holy Spirit in the
Hermeneutic Process: The Relatioship of the Spirit's Ilumination to Biblical
Interpretation do Dr. Fred H. Klooster em Hermeneutcs, Inerrancy and the Bible,
pp. 451-472.
Nosso objetivo neste capítulo é tentar apresentar , de maneira prática, o
relacionamento do Espírito Santo no círculo hermenêutico, visto que Padilla e
Schipani não dizem quase nada sobre o Espírito e Klooster, apesar de falar muito
sobre o Espírito Santo no processo hermenêutico, não vai além do campo teórico
e da teologia. E agora, uma vez que o Espírito Santo está no círculo, ligado aos
quatro elementos hermenêuticos e vice-versa, podemos definir o círculo
hermenêutico como a interligação mútua e dinâmica na perspectiva que devemos
ter (como intérpretes que devemos ser) da Bíblia e da realidade histórica sob a
ótica e direção do Espírito Santo de Deus. Em outras palavras, a perspectiva que
se tem de um elemento do círculo hermenêutico afeta a perspectiva que se tem do
outro. A compreensão da Bíblia, a compreensão do contexto histórico e a
compreensão do Espírito Santo, na perspectiva do intérprete, devem estar
integradas mutuamente e não podem ser separadas. A interpretação de um incide
na interpretação do outro, até porque neste caso o fator diálogo passa a ser, de
certa forma, o segredo do sucesso do círculo hermenêutico. O círculo
hermenêutico segue, então, uma dupla direção, em que não somente o intérprete
e o texto (como sugere Padilla, op. cit., p. 08), mas todas as partes dele estão em
constante diálogo.
Como o Espírito Santo se relaciona com os quatro elementos do círculo
hermenêutico? Façamos, então, uma breve análise do papel do Espírito Santo na
dinâmica do círculo hermenêutico, a fim de entendermos com mais clareza o
significado desse processo.

2. O Espírito Santo no Círculo Hermenêutico

Por uma questão de didática e propósito achamos por bem abordar, já no capítulo
anterior desse trabalho, a relação do Espírito Santo com a Bíblia e o intérprete
numa perspectiva mais teológica. Agora, passaremos a tratar, não somente destes
( Bíblia e intérprete), mas de todos os elementos do círculo hermenêutico numa
perspectiva de missão integral, como acreditamos ser o principal objetivo do
Espírito Santo no processo hermenêutico.

a. O Espírito Santo e a situação histórica do intérprete

Não se pode negar de forma alguma que todo intérprete, quer seja da Bíblia, quer
seja da vida de um modo geral, é fruto de sua época, influenciado por todos os
fatores e ditames do seu tempo. No que se refere à Bíblia, em especial, milhares
de anos e circunstâncias culturais separam o intérprete das Escrituras Sagradas.
O Espírito Santo sabe e compreende estas diferenças. Dá ao intérprete a
liberdade de se aproximar da Palavra de Deus com todos os seus pressupostos,
embora não lhe dê o direito de fazer com que a Bíblia diga o que ele gostaria que
ela dissesse. Repitamos novamente as já citadas palavras de René Padilla: "O

75
Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
esforço para deixar que as Escrituras falem, sem impor-lhes uma interpretação
elaborada de antemão, é uma tarefa hermenêutica obrigatória de todo intérprete,
seja qual for sua cultura".14 A Bíblia é a voz do Espírito ao povo de Deus. E
somente direcionado pelo Espírito, mediante a Palavra, é que o interprete se
tornará profeta e portador fiel da mensagem do Espírito Santo de Deus.

b. O Espírito Santo e a cosmovisão do intérprete

Nada melhor do que o próprio intérprete para interpretar a realidade em que vive.
Na perspectiva de sua cosmovisão ele pode aplicar os princípios bíblicos à
realidade que vê e sente, pois a sua missão não é formular meras doutrinações,
mas extrair da Bíblia as aplicações e implicações práticas da sã doutrina para seu
povo. A menos que se prejudique o significado original das Escrituras, a
cosmovisão do intérprete é válida e sustentada pelo Espírito Santo. A Bíblia não
seria o que é, como Palavra de Deus, se não fosse aplicável em todas as épocas
por quem vive a vida no seu próprio contexto. "O propósito do processo
interpretativo é a transformação do povo de Deus em sua situação concreta".15

c. O Espírito Santo e a Bíblia

O Espírito Santo é o mediador do diálogo entre as Escrituras e o contexto histórico


contemporâneo. A Bíblia fala hoje porque é a voz do Espírito de Deus. O Deus
que falou no passado continua falando hoje em dia a toda a humanidade, através
das Escrituras. A mensagem bíblica de transformação do indivíduo e da
sociedade, mediante a vocação de homens e mulheres para proclamarem o
evangelho de Jesus Cristo aos homens e mulheres do nosso tempo, é a dinâmica
do Espírito Santo.

d. O Espírito Santo e a Teologia

O Espírito Santo é a fonte de toda teologia bíblica sadia. E para que uma teologia
seja verdadeiramente bíblica, e expresse a mente do Espírito, precisa ser,
necessariamente, uma teologia de contexto, como costumava enfatizar Orlando
Costas em seus livros e artigos16. A teologia deve ser o resultado de uma
interpretação fiel da Bíblia, pois só assim tocaremos o coração do povo. E esse
deve ser o nosso maior objetivo: fazer uma teologia que toque o coração do povo.
Uma teologia que atenda os anseios e necessidades do indivíduo e da sociedade.
Uma teologia que nos faça compreender que o Deus transcendente também é o
Deus imanente que tem cuidado de nós, em todos os níveis imagináveis.

NOTAS
1. A. Almeida, Manual de Hermenêutica Sagrada, p. 11.

2. R. Padilla, A Palavra Interpretada: Reflexões Sobre Hermenêutica


Contextualizada, p. 5.

3. Anotações não publicadas.

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
4. R. Padilla, Op. Cit., p. 06.

5. A Cofissão de Fé de Westminster, I, 9.

6. L. Berkhof, Princípios de Interpretação Bíblica, p. 56.

7. L. Berkhof, Manual de Doutrina Cristã, p. 276.

8. L. Berkhof, op. cit., p. 44.

9. G.D.Fee & D.Stuart, Entendes O Que Lês?, p. 14.

10. Para uma discussão interessante sobre o Espírito Santo, a interpretação


bíblica e a espiritualidade do crente, veja Moisés Silva, A Função do Espírito Santo
na Interpretação Bíblica em Fides Reformata, Vol. II, Nº 2, pp. 89-96.

11. R. Padilla, Op. Cit., p. 05.

12. Idem, p. 09.

13. Schipani, sem nos dar uma justificativa plausível, usa a expressão circulação
hermenêutica no lugar de círculo hermenêutico. Ele apenas diz: "O conceito de
'circulação hermenêutica' (em lugar de 'círculo hermenêutico' como é utilizado por
Rudolf Bultmann e Juan Luis Segundo, entre outros) é proposto por Georges
Casalis em Las buenas ideas caen del cielo, DEI, San José, 1977". Nota 18, p.
126.

14. R. Padilla, Op. Cit., p. 06.

15. Idem, p. 07.

16. Veja, por exemplo, Compromiso y Misión de Orlando Costas, Editorial Caribe,
1979 e Misión en el Camino: Ensayos em homenaje a Orlando E. Costas, vários
autores, Fraternidade Teológica Latinoamericana, 1992.

BIBLIOGRAFIA
ALMEIDA, A; Manual de Hermenêutica Sagrada, 2ª Edição, CEP, SP, 1985.

BERKHOF, L.; Manual de Doutrina Cristã, LPC, SP, 1986.

___________; Princípios de Interpretação Bíblica, 3ª Edição, Juerp, RJ, 1985.

COOK, G. & Outros; Misión en el Camino: Ensayos en Homenaje a Orlando E.


Costas, Fraternidade Teológica Latinoamericana, Argentina, 1992.

COSTAS, O.E.; Compromiso y Misión, Editorial Caribe, Costa Rica, 1979.

77
Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
FEE G.D. & Stuart D.; Entendes O Que Lês?, Vida Nova, SP, 1984.

MARRA, C.A.B. (ed.); A Confissão de Fé de Westminster, 3ª Edição, Cultura


Cristã, SP, 1997.

MATOS, A.S., Lopes, A.N. (eds); Fides Reformata, Publicação do Seminário


Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição, SP, Vol. II, Nº 2, 1997.

PADILLA, C.R.; A Palavra Interpretada: Reflexões Sobre Hermenêutica


Contextualizada, ABUB, Curso de Obreiros, 1980.

_____________; El Círculo Hermenêutico, Artigo não publicado.

RADEMACHER, E.D. & Preus, R.D. (eds.); Hermeneutcs, Inerrancy and the Bible,
Zondervan, Grand Rapids, 1984.

Parte XXII
O DOM, OS DONS E O FRUTO DO ESPÍRITO SANTO

O início do século I da era cristã foi um desafio e um prejuízo para as religiões


pagãs do Império Romano. Um movimento oposto às crendices e às formas de
religiões arcaicas e infrutíferas começou a desenvolver-se no seio de uma
pequena comunidade. A história nos empolga, pois é contada em termos
dramáticos e desafiantes. Esse movimento, cujo surgimento e desenvolvimento
está narrado no livro de Atos dos Apóstolos, foi fruto do mover do Espírito Santo
através e nos discípulos de Jesus Cristo. E até a nossa época, este Espírito
continua a mover-se no mundo.

Em nossos dias, há uma crescente preocupação com as manifestações do


Espírito Santo. Há, até, um movimento carismático no mundo cristão. No ambiente
evangélico, percebe-se, não raro, indagações sobre batismo com ou no Espírito
Santo. Outros questionam: o que acontece com uma pessoa que recebe o Espírito
Santo? Só é verdadeiro crente quem fala em outras línguas? Pode ou deve o
crente pedir o Espírito Santo? São algumas das diversas formas que explicitam
preocupação com os dons do Espírito Santo, sem levar em conta toda a história
da redenção e a realidade de que o Espírito Santo é Deus, assim como o Pai e o
Filho.

O Espírito Santo, como a realidade de Deus, é essencialmente poder. Ele não é


apenas uma força. Deus é todo-poderoso, onipotente e, na sua grandeza
incomensurável, subsistem três pessoas de uma mesma substância: Deus Pai,
Deus Filho e Deus Espírito Santo.

Devemos entender claramente a triunidade de Deus: nós cremos em Deus Pai,


Deus Filho e Deus Espírito Santo.

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
Quem tem o Pai, tem o Filho — e só podemos tê-los e recebê-los mediante a ação
eficaz, poderosa e irresistível do Espírito Santo em nós. Está claro que os crentes
têm o Espírito Santo, pois enquanto são membros da Igreja, do Corpo de Cristo, a
qual é habitada por esse Espírito.

O mundo e a história são campos de ação do Espírito Santo através da Igreja e


mesmo além da Igreja. Porque o espírito age como quer, onde quer e quando
quer. Não podemos limitar a ação do Espírito Santo de Deus.

A descida do Espírito Santo: O Dom

A experiência de Pentecostes ficou sendo assim conhecida porque aconteceu por


ocasião da Festa de Pentecostes. O nome Pentecostes origina-se do intervalo de
cinqüenta 50 dias que separa a Festa da Colheita da Festa da Páscoa, de acordo
com a tradição judaica. A descida do Espírito Santo sobre a Igreja reunida em
Jerusalém naquela ocasião nos é narrada em Atos 2, o capítulo de abertura e de
impacto da história da igreja cristã primitiva. O livro de Atos como um todo mostra
o Evangelho em ação. O livro mostra o impacto que uma comunidade pode causar
quando vive e age no poder do Espírito Santo.

Os dois personagens principais deste livro, Pedro e Paulo, agiram no poder do


Espírito. Os capítulos 2 e 3 de Atos registram dois sermões do apóstolo Pedro,
quando oito mil almas se renderam ao pé da cruz de Cristo. O ministério do
apóstolo Paulo foi um ministério de bênçãos e vitórias, levando o Evangelho
perante príncipes, governadores e reis. Assim, o texto de Atos e o contexto do
próprio livro de Atos, mostram o que pessoas e comunidades podem fazer quando
se tornam instrumentos vivos e eficazes do Espírito Santo.

A Promessa da vinda do Espírito

Pentecostes prova ser um tempo em que as profecias se cumpriram, desde o


Velho Testamento até às promessas gloriosas dos lábios do divino Mestre: Eu vos
enviarei o Consolador. Permanecei, pois, na cidade (em Jerusalém) até que do
alto sejais revestidos de poder. Eles permaneceram. E as promessas de Deus se
cumpriram. Porque elas jamais falham. O Espírito Santo provém, pois, do Pai e do
Filho, e juntamente com o Filho e o Pai, é adorado e glorificado, como diz o texto
niceno.

Volvendo os olhos ao passado distante, vamos encontrar o profeta Isaías falando


do Reino do Messias, no capítulo 11 verso 2, dizendo: repousará sobre ele o
Espírito do Senhor. O profeta Ezequiel, falando da restauração do povo de Deus,
afirma: Porei dentro de vós um espírito novo. E, de uma maneira muito especial,
profetizou Joel: E acontecerá naqueles dias que derramarei o meu Espírito sobre
toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos terão
sonhos e os vossos jovens terão visões (2.28).

O próprio apóstolo Pedro identifica a experiência do Pentecostes com o

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
derramamento do Espírito de que fala o profeta Joel. Temos aqui um exemplo de
cumprimento de profecia. Certeza de Deus. As profecias se cumprem.

Joel afirmou: e acontecerá naqueles dias que derramarei o meu Espírito sobre
toda a carne (Jl 2.28). Sobre todos os cristãos verdadeiros, indistintamente de
serem judeus ou gentios. No Antigo Testamento o Espírito vinha sobre algumas
pessoas distintas, e seus carismas (dons) eram dados a algumas pessoas com
missão específica e em caráter temporário. Eram carismas especiais que podiam
inclusive ser retirados, caso o ungido se desviasse das promessas de Deus. Um
bom exemplo disto é a oração do rei Davi após haver pecado: não me retires o teu
Santo Espírito (Sl 51.11). Davi se refere aqui àquela unção especial que havia
recebido para ser rei, e que lhe havia sido ministrada através das mãos do profeta
Samuel (1 Sm 16.13).

Já no Novo Testamento, o Espírito Santo, juntamente com seus dons, é dado a


todos os que crêem e seus dons estão presentes na Igreja de uma forma
permanente (Jo 14.16). Diz Lucas: Estavam todos reunidos no mesmo lugar (...) E
foram todos cheios do Espírito Santo (At 2.1-4).

A promessa de Jesus foi: Eu vos enviarei o Consolador para que fique convosco
para sempre. Agora o Espírito é dado a todos os que crêem e para sempre. Como
diria Calvino: "Uma vez selado com o Espírito Santo, para sempre selado." Que
bênção e que conforto é crermos assim.

O Senhor Jesus também determinou aos apóstolos que permanecessem em


Jerusalém. Permanecei, pois, em Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de
poder (Lc 24.49). E em Atos 1.8 temos a reafirmação dessa promessa: Mas
recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo e sereis minhas
testemunhas em Jerusalém, na Judéia e em Samaria e até aos confins da terra.
Poder para testemunhar, pregar e agir, guiados pelo Espírito Santo.

O Cumprimento da Promessa no Dia de Pentecostes

Não muito depois dessa última promessa, estavam todos os apóstolos com alguns
irmãos reunidos em Jerusalém quando veio do céu um som terrível, como de um
vento impetuoso e algo como línguas de fogo apareceu e foi distribuído entre eles.
Estes fenômenos: do som terrível, como de um vento impetuoso e de línguas de
fogo, embora muito enfatizados por alguns dentro da cristandade moderna, são o
ponto menos importante da experiência. O importante mesmo é que eles foram
cheios do Espírito Santo para comunicar as grandezas de Deus e viver o
Evangelho de Cristo, num testemunho encarnado que se estenderia por toda
Jerusalém, Judéia, Samaria e até aos confins da terra, como testemunhamos hoje.

O fervor e entusiasmo aqui registrados eram do céu, e não provocados pelo


ambiente emocional. Este fato nos ajuda, com a graça de Deus, a discernir as
manifestações reais do Espírito Santo dos delírios coletivos e das circunstâncias
emocionais que possam acontecer ou serem provocadas. O fervor e o entusiasmo

80
Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
eram de Deus. Essa diferença é fundamental.

É bem verdade que a fé cristã comporta emoções as mais sublimes e santas.


Tudo, porém, seja feito com decência e ordem. Conforme nos ensina o Espírito
Santo, através do apóstolo Paulo (1 Co 14.40).

Pode-se dizer que a Igreja neotestamentária nasceu com a descida do Espírito


Santo no Dia de Pentecostes. Desde então, a Igreja e o cristão agem no mundo
como força transformadora no poder do Espírito, para implantação do Reino de
Deus entre os homens.

As línguas faladas no Dia de Pentecostes

O que dizer do dom de línguas? Esse fenômeno permite aos homens de todas as
raças compreenderem o Evangelho. É o sinal anunciador do Reino de Deus,
daquele dia glorioso quando todas as barreiras que separam os homens seriam
derribadas e a humanidade voltaria a encontrar em Deus a sua unidade perdida. O
Pentecostes assinala o princípio da grande reunião dos filhos de Deus dispersos
por toda a superfície da terra.

Convém notar que o texto de Atos relata que os apóstolos, uma vez cheios do
Espírito Santo, começaram a falar em outras línguas. Aqui não diz línguas
estranhas. Eram línguas conhecidas. Estavam presentes ali pessoas de várias
nacionalidades, com dialetos próprios. E ouviam falar em suas próprias línguas
das grandezas de Deus, conforme relata Lucas, autor deste maravilhoso livro (At
2.11). O objetivo de falar em línguas foi o de comunicar o Evangelho de forma
clara, para que as pessoas pudessem entender a mensagem. Não o de ser um
dom espetacular ou algo semelhante. O fenômeno de línguas ali registrado reside
no fato de que eram todos galileus os que falavam, e de outras nacionalidades os
ouvintes, e puderam receber e entender a mensagem em suas próprias línguas.

A lista dos povos ali representados é algo significativo, do ponto de vista


lingüístico e geográfico. Senão, vejamos: começa com povos que ficavam ao leste
(Partos, Medas, Elamitas e Mesopotâmios); move-se para o oeste até a Judéia,
nordeste e até a Capadócia e outros distritos da Ásia Menor; para o sudeste
alcançando o Egito e a Líbia , sendo ainda mencionados: Roma, a Ilha de Creta e
Arábia. Lembremos as palavras do verso 8 do capítulo 1: Sereis minhas
testemunhas em Jerusalém, Samaria, Judéia e até aos confins da terra...; ali
estava o começo glorioso da grande expansão missionária da Igreja Cristã
nascente.

O Pentecostes é ainda, num outro sentido, uma réplica divina da Torre de Babel.
Como tal, aponta para a unidade criada por Deus no Pentecostes em contraste
com a confusão de línguas, juízo divino sobre fruto do orgulho humano, que
pretende se elevar até aos céus e não consegue. Gênesis 11 relata a confusão e
fracasso humanos, seguidos do juízo de Deus. Pentecostes relata a unidade da
Igreja como um dom de Deus. A unidade de línguas é obra do Espírito Santo. Esta

81
Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
unidade da Igreja é algo que não se cria: recebe-se, manifesta-se e crê.

Muitos comentaristas apontam para o fato de que, segundo a tradição judaica,


quando a lei foi dada no Monte Sinai, a voz de Deus foi ouvida em todas as
línguas. Segundo a tradição judaica, isto aconteceu na época da Festa de
Pentecostes, e houve também manifestação da glória e do poder de Deus.
Obviamente não podemos tomar tradições judaicas por certas; entretanto, esta
crença judaica é sugestiva do fato que Pentecostes lembraria para os Judeus
presentes naquela ocasião a experiência gloriosa do Sinai e a dádiva da lei que
representava o Espírito e a vontade de Deus para o seu povo, bem como o poder
que haveria de guiá-los em sua peregrinação.

O Espírito Santo é o próprio Deus-Consolador, que guia, orienta e dirige a Igreja


na sua peregrinação à Canaã Celeste.

Se o Espírito dado à Igreja no Pentecostes foi compreendido como Sustentador da


nossa participação, na reconciliação e na nova vida, falar da Igreja como
inteiramente ligada ao Espírito é qualificá-la como o povo em quem a soberania de
Deus e o Senhorio de Jesus Cristo são reconhecidos. Portanto, Pentecostes é
decisivo para a existência da Igreja.

Ao que nos parece, para muitos cristãos modernos, o principal papel ou o único
trabalho do Espírito Santo é dar suspense emocional e alegria interna. Certamente
isso era parte da experiência neo-testamentária, todavia, não era a mais
importante. Lembremo-nos, portanto, de que quando o Espírito Santo atua na vida
do crente e da Igreja, o resultado é alegria, amor, paz e gozo, conforme descreve
o apóstolo Paulo em Gálatas 5.22-23.

Dons e Ministérios: Os Dons

A cidade de Corinto era uma verdadeira ponte transcontinental. Tudo passava por
Corinto: os peregrinos, os mercadores e os diferentes tipos de pregadores. Era
uma cidade cheia de novidades e também de muito pecado.

Na Grécia Antiga, ao lado das célebres lendas de heróis, semideuses e deuses


pagãos, existiam as religiões de mistério. Corinto era um dos centros dessas
religiões de mistério com suas manifestações estranhas; entidades que entravam
em pessoas, mudando-lhes a voz e os hábitos; adivinhações; clima de emoções
tremendas; rituais os mais variados e extravagantes.

Foi nesse ambiente e nesse contexto sócio-econômico, cultural e religioso, aqui


referidos, que viveu a Igreja de Corinto e que pregou o apóstolo Paulo.

Foi naquele arriscado ambiente de sincretismo religioso que o apóstolo Paulo


bradou: A respeito dos dons espirituais não quero, irmãos, que sejais ignorantes (2
Co 12.1).

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
A necessidade de discernimento quanto às manifestações espirituais
Ignorar os dons espirituais é desconhecê-los. Desconhecê-los no sentido de não
exercitá-los, ou mesmo no sentido de não ter qualquer informação sobre sua
origem, intensidade e utilidade. Ignorar pode também significar falta de
discernimento espiritual. Atribuir ao Espírito Santo coisas e fenômenos da própria
mente emocionada ou desequilibrada não é bíblico. Atribuir ao Espírito Santo
coisas que não edificam e nem promovem a paz, no caso "os fenômenos" das
religiões de mistério, é falta de discernimento espiritual, o qual é necessário para
não confundirmos nem sermos confundidos.

Não podemos ignorar que nem todo o fenômeno religioso vem dos céus, de Deus,
do Pai das Luzes em quem não pode haver mudanças nem sombra de variação...
(Tg 1.17). Precisamos de discernimento para buscar com zelo os melhores dons.
Precisamos de discernimento para não confundir barulho com louvor, entusiasmo
com consagração constante, emocionalismo com o verdadeiro quebrantamento
espiritual; precisamos de critério para, não confundir manifestações externas, não
raro mecânicas e estereotipadas, com comunicação íntima, com fé firme, fé
inabalável; precisamos ser pessoas lúcidas, pessoas sempre abundantes em fruto
e na obra do Senhor, sabendo que no Senhor o vosso trabalho não é vão (1 Co
15.58).

Não se pode dar crédito a todo e qualquer espírito. Nem toda a manifestação é
realmente espiritual. Nem todo o que diz estar falando pelo Espírito, o está de fato.
Paulo ensinou aqui em 1 Co 12.1-3 o critério cristocêntrico pelo qual julgar e
discernir aquele que realmente fala pelo Espírito, com unção e com poder. Paulo
lembra aos crentes de Corinto, que outrora viveram sem Deus e, sem esperança,
que naquela época eram guiados pelos ídolos mudos da antiga religião de
mistérios; mas agora, são guiados pelo Espírito a Cristo; e ensina firmemente: Por
isso vos faço compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma:
anátema Jesus. E por outro lado, ninguém pode dizer: Senhor Jesus, senão pelo
Espírito Santo (2 Co 12.3).

O apóstolo João nos adverte: Não deis crédito a todo espírito (1 Jo 4.1). O critério
cristológico e cristocêntrico aí está para nos ajudar a discernir. Jesus Cristo é a
pedra de toque; Ele sempre está, olhando para a Igreja, buscando a edificação, a
paz, o bem-estar, a unidade dos remidos. É nesta perspectiva que o apóstolo nos
fala de dons, dons espirituais. Fala de sua origem, seu uso, sua utilidade. É nesta
perspectiva que falamos sobre dons e ministérios.

Dons e Ministérios

A fonte de todos os dons é o Espírito Santo. Toda dádiva excelente, todo o dom
perfeito provém de Deus, do Pai das luzes em quem não há mudanças, nem
sombras de variação. Os dons espirituais são diversos, mas o Espírito Santo é o
mesmo. Diversos dons, uma só e a mesma fonte, visando a um fim proveitoso: a
edificação espiritual da Igreja, o crescimento dos santos em amor, a paz, a maior
compreensão.

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
Todo o cristão tem um ou mais dons e nenhum cristão tem todos os dons. Não
existe cristão sem dom. É preciso descobrir o seu dom e, para a glória de Deus, e
usá-lo para um fim proveitoso, para a edificação da Igreja.

Aptidões naturais, ou mesmo dons espirituais, podem ser exercitados


conscientemente ou até inconscientemente.

Há diversidade de ministérios ou serviços, mas o Senhor é o mesmo. Todos têm


dons do Espírito. Todos devem exercer ministérios na Igreja, ou seja, no Corpo de
Cristo, servindo ao Senhor. Os dons são aptidões em potencial. Os ministérios são
essas aptidões postas em prática.

Há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos.
Os dons vêm do mesmo Espírito Santo. Os ministérios servem o mesmo Senhor
Jesus. As realizações são do mesmo Deus que opera tudo em todos — e todas
estas coisas concorrem para a edificação da Igreja (1 Co 12.4-7).

Os dons são aptidões naturais ou especiais dadas pelo Espírito para equipar os
santos, concedendo-lhes os diversos ministérios exercidos para toda a boa obra
que são as realizações em Deus.

Todos nós recebemos dons, talentos e aptidões. É preciso exercê-los no


ministério total da Igreja em sua integridade; apresentá-los em forma de
realizações.

O Fruto do Espírito Santo

Temos visto até aqui e cremos firmemente que o Espírito Santo é Deus, é uma
pessoa, e não uma força ou energia impessoal estranha ao ensino bíblico e às
convicções reformadas.

Como pessoa, o Espírito tem inteligência (Jo 16.13 e Rm 8.27), tem vontade (1 Co
12.11), tem emotividade (Ef 4.30 e Rm 15.30), dá ordem (At 8.29), proíbe (At 16.6)
e constitui (At 20.28).

O resultado da presença do Espírito Santo no crente é também chamado de o


fruto do Espírito Santo (Gl 5.22-23). A manifestação externa desse fruto e é a
evidência maior de que ele tem o Espírito Santo, de que é batizado com o Espírito
Santo.

Paulo, em Gálatas 5, faz um nítido contraste entre "carne" e "Espírito". Carne não
dá fruto, produz obras no plural. E que obras terríveis! Carne e Espírito são
opostos entre si. O que semeia para a carne, colhe corrupção e morte; mas o que
semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna (Gl 5.8).

O fruto, que resulta do fato do crente ter o Espírito Santo, e de ser batizado com o

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
Espírito Santo, está explícito em Gálatas 5.22-23. Note que não se diz "frutos",
mas, sim, "o fruto". Além de estar no singular, vem precedido do artigo definido.

Conclusão

Vimos o dom, a dádiva, a descida do Espírito Santo, no Dia de Pentecostes, como


um evento singular; os dons espirituais, como sendo do Espírito e não nossos, a
serem usados para um fim proveitoso, a edificação do Corpo de Cristo e para a
glória de Deus. Sempre que o uso de um dom é distorcido, Deus o transfere, o
retira ou o faz cessar. Agora, o fruto do Espírito Santo que se desdobra em amor,
alegria, paz, longanimidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio é
permanecente.

Pode acontecer, e tem acontecido, casos de pessoas que se dizem batizadas com
o Espírito Santo e que, manifestam dons até espetaculares, mas não se vê nessas
pessoas as expressões do fruto do Espírito Santo. Embora não devamos julgar de
forma descaridosa estas pessoas, devemos exercer os critérios bíblicos antes de
receber tais manifestações como sendo legitimamente produzidas pelo Espírito
Santo.

Quero concluir, afirmando que todo aquele que é nascido de novo é batizado com
o Espírito Santo, é templo do Espírito Santo, e tem o Espírito Santo. E se alguém
não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele, afirma o apóstolo Paulo (Rm
8.9b).

Quem tem o Pai, tem o Filho; e quem tem o Pai e o Filho, tem o Espírito Santo.
Não se pode dividir o indivisível, que é Deus. Ele é triúno.

Nós não tememos o que vem do Espírito Santo, desde que exercitado dentro dos
parâmetros das Escrituras e sob a disciplina do próprio Espírito. Veja o que diz
Paulo: Ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: Anátema Jesus! por outro
lado, ninguém pode dizer: Senhor Jesus! senão pelo Espírito Santo (1 Co 12.3)

Parte XXIV
O TEÓLOGO DO ESPÍRITO SANTO
Um Estudo sobre o Ensino de Calvino sobre a Palavra e o Espírito

Introdução
Meu tema neste artigo é "Calvino, o teólogo do Espírito Santo." Devo começar
dizendo que este título não foi dado a Calvino pelos seus contemporâneos, mas
sim pelos estudiosos modernos, reconhecendo a sua importância como teólogo e
exegeta para esta área da Teologia que está em tanta relevância hoje.

O título pode confundir algumas pessoas. Podem pensar que o assunto sobre o
qual Calvino mais escreveu, e ao qual mais se dedicou, foi o Espírito Santo. Na
realidade, embora Calvino tenha escrito muita coisa sobre o Espírito Santo, nunca
escreveu uma obra específica sobre o assunto, como, por exemplo, John Owen e

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
Abraham Kuyper, cujos livros sobre o tema são fundamentais para a Igreja
contemporânea.(1) Embora em suas Institutas de Religião Cristã João Calvino
trate freqüentemente da pessoa e obra do Espírito Santo, não dedicou ao assunto
um capítulo exclusivo.(2)

Alguns têm criticado Calvino por não haver dado atenção mais direta ao Espírito
Santo em seus escritos, especialmente nas Institutas. A crítica é injusta. Existem
razões suficientes para esta aparente falta de atenção.

Em primeiro lugar, a doutrina do Espírito Santo não era o foco do debate de


Calvino com a Igreja Católica Romana da sua época, e nem da sua polêmica com
os reformadores radicais, os Anabatistas e os "Entusiastas", conhecidos como a
ala de esquerda da Reforma.(3) Calvino só tratou da obra do Espírito Santo na
medida em que esse assunto se relacionava com os pontos críticos em debate,
como a doutrina da salvação, da santificação, das Escrituras, e dos sacramentos.

Em segundo lugar, Calvino tinha a visão bíblica-neotestamentária de que o


Espírito Santo geralmente agia nos bastidores, como o agente da Trindade.
Embora sua ação fosse claramente perceptível, quem deveria sempre receber a
proeminência eram o Pai e o Filho. Essa convicção reflete-se nas suas obras e em
sua abordagem dos mais variados temas teológicos. Não existe praticamente
nenhum assunto teológico em que Calvino não se refira, em seu tratamento, à
obra do Espírito. Sua Pneumatologia é desenvolvida dentro das demais áreas da
Teologia Sistemática, como Teontologia (estudo da Pessoa de Deus), Soteriologia
e Eclesiologia.

Esta mesma abordagem se encontra refletida na Confissão de Fé de Westminster.


É verdade que seus autores, os Puritanos, não escreveram um capítulo exclusivo
sobre a pessoa e obra do Espírito. Mas, como sugeriu Dr. Benjamim B. Warfield,
conhecido teólogo presbiteriano reformado, do início deste século, a razão é que
preferiram escrever nove capítulos em vez de apenas um. A tentativa que foi feita
em nossa época, pela Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, para suprir esta
alegada deficiência, produziu um capítulo a mais na Confissão de Fé que,
segundo Warfield, nada mais é que um curto sumário destes nove capítulos
originais.(4)

E por fim, não se podeexigir de Calvino (e nem dos autores da Confissão de Fé)
uma abordagem do assunto que seja aguçada pelas questões relacionadas com o
surgimento do movimento pentecostal, séculos após a sua morte. Mesmo assim,
Calvino é surpreendentemente atual no que diz sobre o Espírito.

Por que, então, o título "teólogo do Espírito Santo?" Em primeiro lugar, Calvino foi
o primeiro a sistematizar de forma clara o ensino bíblico sobre o Espírito Santo.
Não é que ninguém, antes dele, não houvesse escrito sobre o assunto. Mas, é que
poucos, antes e depois de Calvino, conseguiram ser tão claros, simples, e
bíblicos.(5) Ouçamos o testemunho de Dr. Warfield:

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
A doutrina sobre a obrado Espírito Santo é uma dádiva de João Calvino à Igreja
de Cristo. . . Nos amplos departamentos doutrinários sobre "A Graça Comum,"
"Regeneração," e "O Testemunho do Espírito" do livro terceiro das Institutas,
Calvino foi o primeiro a desenvolver a doutrina da obra do Espírito Santo, e a dar a
toda a doutrina do Espírito Santo uma formulação sistemática, fazendo dela uma
possessão inalienável da Igreja de Deus.(6)

Em segundo lugar, Calvino integrou indissoluvelmente a doutrina do Espírito Santo


aos demais temas e áreas da teologia, como regeneração, santificação, os meios
de graça, e o conhecimento de Deus, entre outros. A Pneumatologia de Calvino,
igualmente, abrangia e permeava todos os demais departamentos da Enciclopédia
Teológica. Sua teologia é uma unidade orgânica, onde o Espírito aparece
apropriadamente como o Soberano dinamizador.

Em terceiro lugar, Calvino resgatou alguns aspectos da doutrina do Espírito Santo


que estavam soterrados debaixo da teologia medieval da Igreja Católica, como por
exemplo, a relação entre a Palavra e o Espírito. Nosso alvo neste ensaio é
analisar mais exatamente esta contribuição de Calvino para nosso conhecimento
da obra do Espírito Santo, ou seja, a relação vital e orgânica entre o Espírito e a
Palavra de Deus, as Escrituras.

O ensino de Calvino influenciou profundamente os estudos subsequentes dentro


dos círculos Reformados. Sua ênfase na ação soberana do Espírito continua na
tradição reformada entre os Puritanos ingleses, particularmente John Owen e
Richard Sibbes, que nos deram os estudos bíblicos teológicos mais extensos e
profundos que existem em qualquer língua sobre o ministério do Espírito Santo.

O Contexto Teológico de Calvino

Comecemos por lembrar-nos que a teologia de Calvino nasceu e desenvolveu-se


em meio ao intenso conflito doutrinário que marcou a Reforma do século XVI. Sua
doutrina do Espírito Santo foi moldada em meio à sua batalha em duas frentes.
Em uma, ele enfrentava o cativeiro das Escrituras pela Igreja Católica, e na outra,
o abandono das Escrituras pelos da Reforma radical.

A Igreja Católica e o cativeiro das Escrituras

Calvino e a Igreja Católica tinham algumas convicções em comum quanto à


doutrina das Escrituras. Para eles, as Escrituras eram a Palavra de Deus,
inspiradas pelo Espírito Santo, infalíveis, e autoritativas. Este ponto não estava
sendo disputado por Calvino, nem pelos demais reformadores. O ponto de
discórdia entre Calvino e os católicos era quanto ao ensino papista de que a
autoridade da Escritura dependia do testemunho da Igreja. A Igreja Católica
afirmava que o cânon das Escrituras, a sua preservação, a sua origem divina e
sua autoridade, deviam ser aceitos pelos fiéis como verdadeiros porque a Igreja
assim o afirmava. A autoridade das Escrituras, enfim, dependia do testemunho da
Igreja. A Igreja, além disto, tinha a correta interpretação das Escrituras; a coleção

87
Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
dessas interpretações formava a tradição eclesiástica, que possui tanta autoridade
quanto as próprias Escrituras. Assim, era vedado aos católicos leigos lerem e
interpretarem as Escrituras. Eles dependiam da interpretação dada pela Igreja.
Desta forma, a Palavra e a sua interpretação estavam cativas debaixo da
autoridade eclesiástica.

Calvino levantou-se contra esse estado de coisas, que havia prevalecido durante a
Idade Média. Ele considerava esse ensino como sendo uma afronta ao Espírito
Santo, e um abuso de autoridade por parte da Igreja. Era a Igreja que estava
fundada sobre as Escrituras, e não o contrário. A autoridade das Escrituras não
dependia do testemunho da Igreja, e sim o contrário: a Igreja só possuía
autoridade enquanto estivesse dentro da doutrina bíblica. Calvino apelava aqui
para Ef 2.20, onde Paulo ensina que a Igreja está edificada sobre o fundamento
dos apóstolos e profetas, que é o ensino das Escrituras.(7) A Igreja simplesmente
reconhecia — não estabelecia e nem determinava — a inspiração e a autoridade
dos livros que compunham o cânon sagrado.(8)

Para Calvino, amaior de todas as provas da autoridade e inspiração das Escrituras


era que o próprio Deus nos falava através delas. Calvino chamava a isto o
testemunho interno do Espírito.(9) Para ele, o homem natural não poderia ser
convencido da divindade das Escrituras por argumentos apresentados pela Igreja,
por mais lógicos e racionais que eles parecessem (1 Co 2.14).(10) Era o Espírito
quem persuadia o crente de que Deus estava falando nas Escrituras, inclinando-
lhe o coração a aceitá-las, e dando-lhe plena certeza disto, gerando-lhe fé em seu
coração. Nas suas Institutas e comentários Calvino aponta para alguns textos com
este efeito, como por exemplo, 1 Jo 5.6-7, 2 Tm 1.14-15, 1 Co 2.10-16.(11)

Para Calvino, o que o Espírito havia revelado nas Escrituras era suficiente e final.
Maomé, o Papa, e os "Entusiastas" estavam errados, ao reivindicar que o Espírito
estaria ensinando novas verdades no presente. Para Calvino, as palavras do
Senhor Jesus em Jo 14.25 deixavam claro que o ministério do Consolador
consistiria, não em revelar novas verdades, que fossem além das que haviam sido
ensinadas pelo Senhor Jesus e seus apóstolos, mas em iluminar as mentes e os
corações dos crentes, para que compreendessem e cressem nas verdades, agora
registradas na Escritura. Ele afirma: "O espírito que introduz qualquer doutrina ou
novidade que vá além do Evangelho, é um espírito de mentira, e não o Espírito de
Cristo."(12)

O efeito do ensino de Calvino foi libertador.(13) Através da ênfase no testemunho


interno do Espírito Santo como a evidência máxima da divindade e da autoridade
das Escrituras, ele libertou as Escrituras e a sua interpretação do cativeiro imposto
pela Igreja Medieval, e as colocou de volta onde elas pertenciam de direito, nas
mãos do Espírito Santo. Neste sentido, estava certa a avaliação de alguns
católicos encarregados da contra-reforma no século XVII, de que uma das maiores
diferenças que existiam entre Roma e Genebra se encontrava em suas doutrinas
sobre a pessoa e a obra do Espírito Santo.

88
Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
Os Reformadores Radicais e seu Desprezo pela Palavra

A outra fronte de batalha de Calvino era contra o ensino da Reforma radical,


conhecida como a "ala esquerdista" da Reforma.(14) Havia diversos grupos dentro
desta ala do movimento reformista. Havia, em primeiro lugar, como os
Anabatistas, os "Fanáticos", os "Espiritualistas" e os Antitrinitarianos, que "embora
diferentes em seus propósitos e em suas doutrinas, tinham em comum o desejo
de ver uma Reforma muito mais radical do que a propagada por Lutero e
Zwinglio."(15) A polêmica de Calvino contra os Anabatistas concentrou-se em
questões como batismo infantil, predestinação, governo de Igreja, relação entre
Igreja e Estado, e interpretação das Escrituras.(16)

Foi contra os excessos dos "Entusiastas" ou "Fanáticos" (como eram conhecidos)


na área de novas revelações contemporâneas do Espírito, que Calvino se
concentrou em alguns de seus escritos. Ele escreveu um tratado em 1545
entitulado Contre la secte phantastique et furieuse des Libertines qui se nomment
spirituelz (Contra a seita fantástica e furiosa dos Libertinos, que se chamam de
Espirituais), que ainda não foi traduzido para o português.(17) Freqüentemente em
suas Institutas e comentários Calvino faz menções diretas ou sugestões implícitas
sobre este movimento.

Os "Entusiastas" enfatizavam o ministério didático do Espírito, um ponto que havia


sido resgatado pelos Reformadores; porém, estavam indo além deles,
reivindicando serem ensinados diretamente pelo Espírito através de novas
revelações, por meio de uma luz interior. Afirmavam que o Espírito não podia ficar
restrito a palavras escritas, pois isto diminuiria sua soberania. Testar as
manifestações espirituais seria desonrar o Espírito. Chegavam a ridicularizar os
que se apegavam às Escrituras, pois a consideravam como uma forma inferior e
temporária de revelação, e criticavam Calvino e os demais reformadores por se
apegarem à letra que mata.

Os "Entusiastas," portanto, eram uma reação à escravidão das Escrituras por


parte da Igreja que havia vigorado até a Reforma, mas uma reação que estava
indo longe demais. Calvino, naturalmente, simpatizava-se com os "Entusiastas"
em vários pontos. Para ambos, as Escrituras, como Palavra de Deus, não
estavam cativas à interpretação da Igreja, mas deveriam ser livremente
examinadas por todos. Calvino, porém, questionava seriamente a separação entre
o Espírito e a Palavra, e considerava qualquer tendência neste sentido como
"demência".(18) Ele também duvidava que "novas revelações" fossem uma obra
do Espírito Santo, e chegava mesmo a suspeitar que os que reinvidicavam
receber revelações novas, que excediam as Escrituras, estavam sendo guiados
por outro espírito, que não o de Deus. Calvino cria na realidade e na atuação de
espíritos mentirosos, e que Satanás estava continuamente iludindo as pessoas,
procurando afastá-las da verdade, transfigurando-se em "anjo de luz" (2 Co
11.3,14). Para ele, "novas revelações", na verdade, eram invenções de espíritos
mentirosos, não provinham do Espírito Santo, sendo o cumprimento de passagens
como 1 Tm 4.1-2.(19)

89
Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
O Ensino de Calvino sobre o Espírito e a Palavra

Calvino não se limitou a criticar os exageros dos "Entusiastas." Ele apresentou, de


forma positiva e construtiva, o ensino bíblico sobre a direção divina para a Igreja
vivendo após os tempos apostólicos. No livro I das suas Institutas, onde trata de
"O Conhecimento de Deus como Criador", Calvino dá o seguinte título ao capítulo
9: Os fanáticos, abandonando as Escrituras e bandeando-se para revelação,
derrubam todos os princípios da piedade. Nesse capítulo, o reformador aborda o
ensino dos "Fanáticos", como eram conhecidos na época, a partir da inseparável
relação entre o Espírito e a Palavra.(20)

O Espírito Fala pelas Escrituras

O ponto central de Calvino eraque o Espírito fala pelas Escrituras. Não que o
Espírito estivesse restrito à Pregação da Palavra e aos sacramentos, mas sim que
Ele não pode ser dissociado de ambos. O Espírito havia sido dado à Igreja, não
para trazer novas revelações, mas para nos instruir nas palavras de Cristo e dos
profetas. De acordo com Calvino, o Espírito sela nossas mentes quando ouvimos
e recebemos com fé a palavra da verdade, o Evangelho da salvação (Ef 1.13). Ele
limita-se a guiar os crentes e a iluminar seus entendimentos naquilo que ouviu e
recebeu do Pai e do Filho, e não de Si mesmo (Jo 16.13). Como o ensino divino
se encontra nas Escrituras, a obra do Espírito consiste em iluminá-las, fazendo
com que esse ensino seja entendido pelos fiéis.

Contra o desprezo pelas Escrituras da parte de muitos "Entusiastas," Calvino


citava o exemplo do apóstolo Paulo, que mesmo tendo sido arrebatado ao terceiro
céu, onde recebeu revelações extraordinárias (2 Co 12.2), ainda assim jamais
desprezou as Escrituras, como se fossem uma forma inferior de revelação, mas as
reconheceu como suficientes e eficazes, pela graça do Espírito, para edificar a
Igreja em todas as coisas concernentes ao reino de Deus (2 Tm 3.15-17; cf. 1 Tm
4.13).(21)

O Espírito é reconhecido pela sua harmonia com as Escrituras

Outro ponto importante destacado por Calvino nas Institutas era que a atuação do
Espírito Santo poderia ser reconhecida pela sua harmonia com as Escrituras, as
quais haviam sido inspiradas pelo próprio Espírito.(22) Calvino desejava
apresentar um critério pelo qual a Igreja pudesse discernir de forma segura, no
âmbito da experiência religiosa, o que realmente procedia da parte do Espírito de
Deus, ou de espíritos enganadores. Para ele, havia somente um critério seguro e
infalível: o Espírito falando nas Escrituras. Assim, não haveria qualquer diminuição
do poder e da glória do Espírito Santo ao concordar com elas, já que Ele as havia
inspirado. Seria concordar consigo mesmo, e qual a desonra que poderia haver
nisto? Testar as manifestações supostamente provenientes do Espírito, usando-se
o crivo das Escrituras, era, na realidade, agradável a Ele, pois Ele mesmo havia
determinado que a Igreja assim procedesse com as manifestações espirituais.(23)

90
Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
Para Calvino, não poderia haver qualquer contradição entre o ensino bíblico e a
atuação do Espírito nos tempos pós-apostólicos; e é por esta razão que ele
frequentemente se refere às Escrituras como "a imagem do Espírito."(24)

A Soberania do Espírito

Um último ponto ao qual desejo me referir é a insistência de Calvino sobre a


soberania do Espírito Santo nesta relação íntima com a Palavra de Deus. Para
ele, a Palavra é o instrumento pelo qual Deus dispensa a iluminação do Espírito
aos crentes.(25) Assim, Cristo fala hoje através do ministro do Evangelho, quando
o mesmo expõe fielmente a Palavra. O Espírito torna eficaz a Palavra exposta nos
corações dos que a ouvem. Ao mesmo tempo, a relação Espírito-Palavra não é
mágica, ou automática. A Palavra não é como um talismã, que sempre que
invocado, libera seu poder mágico, ao bel-prazer do seu possuidor. A eficácia da
Palavra, ao contrário, está totalmente na dependência da soberania do Espírito.
(26) Para Calvino, a afirmação de Paulo de que somos ministros de uma nova
aliança, do Espírito que vivifica (2 Co 3.6), não é uma garantia de que nossa
pregação sempre será acompanhada pelo poder vivificador do Espírito. Pastores
não retém o poder de dispensar a graça do Espírito a qualquer um que desejem, e
quando o desejem. É por um ato soberano que o Espírito torna a Palavra pregada
em Palavra eficaz.(27)

Assim, a eloquência, a habilidade, a erudição e o fervor do pregador de nada


adiantam, se a graça e o poder do Espírito não estiverem presentes. E assim
ocorre porque, o mérito sempre deve ser de Cristo, e não dos pregadores.

A Influência de Calvino na Confissão de Fé de Westminster

A Confissão de Fé de Westminster, adotada pela Igreja Presbiteriana do Brasil, foi


elaborada no século XVII, quase um século após a morte de Calvino, por pastores
e teólogos Puritanos, reunidos com este fim pelo Parlamento Inglês, na
Assembléia de Westminster. O alvo dos eruditos ali reunidos durante vários anos
era um só: formular de forma sistemática a doutrina bíblica, partindo dos princípios
de interpretação herdados da Reforma. A Igreja Presbiteriana tem adotado essa
Confissão como a expressão correta do ensino das Escrituras. Os seus autores
foram profundamente influenciados por João Calvino. Esta influência se percebe
claramente no ensino da Confissão sobre o Espírito Santo, e em especial, na
relação do Espírito com a Palavra.

Assim, no seu capítulo sobre as Escrituras, a Confissão declara, nos melhores


termos calvinistas, que a autoridade da Escritura não depende do testemunho do
homem ou da Igreja, mas de Deus ( I, 4), que a nossa certeza da sua infalível
verdade e autoridade divina provém do testemunho do Espírito Santo em nossos
corações (I, 5), que à Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por
novas revelações do Espírito, nem por tradições de homens (I, 6). A Confissão
reafirma, com Calvino, que é necessária a íntima revelação do Espírito de Deus
para a compreensão salvadora das coisas reveladas na Palavra (I, 6), e que,

91
Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
finalmente, o Juiz Supremo pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser
examinadas é o Espírito Santo falando nas Escrituras (I, 8).

Relevância do Ensino de Calvino para Nós Hoje

A Época em que Vivemos

A influência do movimento neopentecostal, surgido na década de sessenta, tem-


se feito sentir de forma profunda nas denominações evangélicas históricas, e
também dentro da Igreja Presbiteriana do Brasil. Não podemos tratar o movimento
como um bloco monolítico — existem, dentro dele, diversas correntes e
ramificações, o que faz com que generalizações tornem-se injustas. Mas, onde
aparece com toda a liberdade, o neopentecostalismo manifesta a crença em
novas revelações através de profecia e línguas, visões e sonhos, todos atribuídos
ao Espírito Santo, e em alguns casos, práticas estranhas ao Cristianismo histórico,
que são atribuídas ao poder do Espírito Santo, como "cair" no Espírito, o "sopro"
do Espírito, o "riso santo", característica principal do movimento conhecido como
"a bênção de Toronto". Há pastores que pretendem ter controle sobre o Espírito
Santo, que presumem concedê-lo pela imposição de mãos, lançá-lo sobre o povo,
girando o paletó, soprando sobre eles, etc., como o conhecido carismático Benny
Hinn. Estes super-pastores determinam até mesmo quando o Espírito vai curar ou
agir, pois marcam com antecedência reuniões de cura e libertação, coisa que nem
mesmo o Senhor Jesus e os apóstolos fizeram.

A Igreja Presbiteriana está aturdida, tomada de surpresa, por estes ensinos.


Muitas de suas igrejas locais têm adotado, em maior ou menor medida, as
doutrinas e práticas do neopentecostalismo. Podemos receber ajuda do ensino de
Calvino, nesta hora?

Em que o Ensino de Calvino nos Ajuda Hoje?

Em primeiro lugar, o ensino de Calvino sobre o testemunho interno do Espírito


vem lembrar à Igreja que, nestes tempos difíceis, ela deve buscar de Deus a
íntima iluminação do Espírito para compreender e aplicar as Escrituras à sua vida
e missão. Corremos o risco de pensar que Calvino, em sua luta contra os
excessos dos "Entusiastas", caiu no extremo do academicismo frio. Balke nos
relata o que de fato ocorreu: "Calvino, o teólogo do Espírito Santo, queria guardar-
se contra o fanatismo, sem porém impedir a liberdade do Espírito."(28) Como
Calvino, devemos nos guardar dos excessos de hoje, ao mesmo tempo em que,
submetendo-nos à liberdade do Espírito, procuramos a sua iluminação. Mas, para
isto, é necessário arrependimento e saneamento da vida das igrejas locais, dos
conselhos, concílios, organizações e instituições eclesiásticas que compõem a
IPB. É preciso nos voltarmos a Deus em oração, suplicando a iluminação do
Espírito, como bem orienta a Carta Pastoral da Igreja Presbiteriana do Brasil sobre
o Espírito Santo:

Ao mesmo tempo em que orienta a Igreja a guardar-se de uma interpretação das

92
Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
Escrituras que parte dos princípios hermenêuticos equivocados da experiência
neopentecostal, a Igreja também adverte contra uma interpretação intelectualizada
e árida das Escrituras, que se esquece da necessidade da iluminação do Espírito
para sua compreensão e de que Deus promete ensinar àqueles que procuram
andar em santidade e retidão (Sl 119.18, 33-34; Lc 24.44-45).(29)

Em segundo lugar, Calvino nos desafia a examinar todas as manifestações


espirituais pelo crivo da Palavra de Deus, quanto à natureza, ao propósito, e ao
modo destas manifestações. Essa prática está pressupondo corretamente o
ensino bíblico de que o Espírito Santo não se contradiz. As Escrituras foram
inspiradas por ele. Embora o Espírito aja de formas distintas em épocas distintas,
jamais o faz em contradição ao que nos revelou na Palavra. Deveríamos estar
abertos para o fato de que o Espírito tem enfatizado aspectos diferentes da
Palavra em épocas diferentes — porém, jamais indo além dela ou contra ela.

Em terceiro lugar, o ensinode Calvino nos alerta contra os que pretendem ter total
controle sobre o Espírito, que pretendem dispensar o batismo do Espírito pela
imposição de mãos, que "ensinam" aos crentes imaturos e incautos a falar em
línguas. Alerta-nos a rejeitar todo ensino, movimento, culto, liturgia, onde a
Palavra de Deus não receba a devida proeminência. Se o Espírito fala pela
Palavra, a Palavra deve ser o centro.

Muitos presbiterianos consideram-se calvinistas e reformados, mas quantos


realmente percebem as implicações do ensino calvinista reformado sobre a obra
do Espírito para as práticas neopentecostais que são aceitas em muitas das
nossas igrejas? Calvino foi, de fato, um homem do Espírito Santo, que guiado por
Ele, tornou-se o principal instrumento de Deus para a Reforma do século XVI,
movimento que, na realidade, foi um dos maiores reavivamentos espirituais
ocorridos na Igreja Cristã, após o período apostólico. Todos nós queremos um
reavivamento espiritual, da mesma magnitude. Calvino, que viveu e ministrou em
meio àquela tremenda manifestação de poder divino, não teve receio de ofender o
Espírito por inquirir, de forma profunda e meticulosa, sobre a genuinidade dos
fenômenos que sempre acompanham os grandes movimentos espirituais da
História. Se por um lado não devemos ter medo do que o Espírito possa fazer, por
outro, devemos temer a obra espúria dos espíritos enganadores, e do nosso
próprio coração enganoso.

E por fim, vale a pena mencionarmos que "a era do Espírito Santo", como é
conhecida em muitos meios neopentecostais, iniciou-se, não em 1906, com a
reunião na rua Azuza, nos Estados Unidos, mas desde o dia de Pentecoste. As
evidências bíblicas são numerosas. Em seu sermão no dia de Pentecoste, o
apóstolo Pedro declarou que a descida do Espírito estava inaugurando os últimos
dias (At 2.16-21). Os demais apóstolos ensinaram, semelhantemente, que os
últimos dias, a dispensação anterior ao dia do julgamento final, já havia chegado
( 1 Co 7:29; 1 Jo 2.18). Enfatizo esse ponto pois alguns poderiam argumentar que
estamos vivendo hoje na "era do Espírito", e que Calvino viveu antes dessa época.
Os que assim acreditam, afirmam que hoje o Espírito está agindo de uma forma

93
Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
muito mais intensa, e mesmo, diferente, da época da Reforma, e que, portanto, o
que Calvino experimentou e ensinou está, num certo sentido, ultrapassado.
Entretanto, as Escrituras nos ensinam que a Igreja já está vivendo os últimos dias,
a dispensação do Espírito, desde o período apostólico. Calvino viveu e ensinou
em plena época do Espírito, tanto quanto nós hoje vivemos e labutamos. O ensino
de Calvino, por ser bíblico, pode nos servir de balizamento, indicando-nos o
estreito caminho do equilíbrio, entre uma vida de piedade e uma mente firmada
nas antigas doutrinas da graça.

Notas
1 Jown Owen, The Holy Spirit: His Gifts and Power (Grand Rapids: Kruegel, 1960);
Abraham Kuyper, The Work of the Holy Spirit (Grand Rapids: Eerdmans, 1946).
Outros autores poderiam ser acrescentados, como o Puritano inglês Thomas
Goodwin, e mais recentemente, Benjamim B. Warfield e George Smeaton.

2 Cf. João Calvino, As Institutas, ou Tratado da Religião Cristã, 4 vols., trad.


Waldyr C. Luz (São Paulo: CEP e Luz para o Caminho, 1989). Calvino trata da
divindade do Espírito em I.13.14-14, e da sua obra redentora (aplicando a
salvação) no livro III, especialmente nos capítulos 1-2.

3 O termo "esquerda" tem sido empregado recentemente por alguns historiadores


para se referir a esse grupo, sem qualquer conotação política.

4 Cf. a nota introdutória de B. Warfield em Kuyper, The Work of the Holy Spirit,
xxvii.

5 Para uma lista das obras mais importantes sobre o Espírito Santo escritas após
Calvino nos séculos XVII e XVIII, ver Kuyper, The Work of the Holy Spirit, lx-x.

6 Kuyper, The Work of the Holy Spirit, xxxiii-xxxiv.

7 Institutas, I.7.2; IV.2.1,9. Veja ainda Calvin’s Commentaries, vol. 21, trad. W.
Pringle (Grand Rapids: Baker, 1981) 242-44.

8 Institutas, I.7.1. Veja também os capítulos 7-9 do livro I, onde Calvino


desenvolve o tema da autoridade das Escrituras.

9 Institutas, III.1.1; I.7.5.

10 Institutas, I.8.13; I.7.4. Cf. Ronald S. Wallace, Calvin’s Doctrine of the Word and
Sacrament (Grand Rapids: Eerdmans, 1957) 101-2.

11 Institutas, III.1.1; III.2.33-34; II.2.20; I.7.5. Veja ainda Calvin’s Commentaries,


vol. 20, 116-17, e vol. 22, 257.

12 Calvin’s Commentaries, vol. 18, 101.

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
13 Devemos, com justiça, notar que Calvino deve muito dessa perspectiva ao
ensino desbravador de M. Lutero, que já havia, antes dele, denunciado esse
estado de coisas.

14 Veja nota acima.

15 WilliamBalke, Calvin and the Anabaptist Radicals, trad. W. Heynem (Grand


Rapids: Eerdmans, 1981) 2.

16 Para uma análise mais profunda do debate de Calvino com os Anabatistas


consulte Balke, Calvin and the Anabaptist Radicals. Resumos sobre o movimento
Anabatista durante a Reforma poderão ser encontrados nos livros clássicos em
Português de História da Igreja, como Robert Nichols, W. Walker e Justo Gonzalez
(vol. 6).

17 Esta obra se encontra publicada em Francês na coleção Corpus


Reformatorum, ed. C.G. Bretschneider (Halle, 1834-1860), vol. 7, 145-248.

18 Institutas, I, 9, 1.

19 Institutas, I, 9, 2.

20 Para um estudo mais aprofundado, veja W. Kreck, "Wort und Geist bei Calvin",
em Festchrift für Günther Dehn (Neukirchen, 1957) 168-173.

21 Institutas, I, 9, 1; cf. Wallace, Calvin’s Doctrine of the Word and Sacrament,


130.

22 Institutas, I, 9, 2.

23 Institutas, I, 9, 2. Passagens como 1 Co 12.1-3, 14.29 e 1 Jo 4.1, entre outras,


estabelecem critérios doutrinários pelos quais pode-se julgar as profecias e os
profetas.

24 Institutas, I, 9, 2-3.

25 Ibid.

26 Calvin’s Commentaires, vol. 22, 102-3.

27 Calvin’s Commentaires, vol. 20, 174; veja ainda Wallace, Calvin’s Doctrine of
the Word and Sacrament, 89-90.

28 Balke, Calvin and the Anabaptist Radicals, 326.

29 "O Espírito Santo Hoje - Os Dons de Línguas e Profecia", em Cartas Pastorais

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
(São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1995). O documento foi elaborado pela
Comissão Permanente de Doutrina da IPB.

Parte XXV
O TOQUE DO ESPÍRITO

Introdução

"Essas maravilhas de um avivamento somente poderão ocorrer se o Espírito


Santo tornar viva a Palavra de Deus, quando ela for pregada. Bênçãos genuínas
não podem vir a não ser que o Espírito Santo as traga ao povo de Deus. Traga-lhe
convencimento e nele toque."
A. W. Tozer. - A Tragédia da Igreja: Ausência de Dons p. 15

Se tivermos uma compreensão sadia do que o Espírito Santo fez em nós no início
de nossa vida cristã, nossas condições para buscar as bênçãos para nós
reservadas serão melhores, mais claras e definidas. Mostra também a Escritura
que o Espírito de Deus age em todas as suas páginas, não apenas em termos do
Espírito Santo como Pessoa Divina para uma pessoa humana, mas, igualmente,
em termos de inspiração. Extraordinário é ver na Bíblia Sagrada que o Espírito a
inicia e a conclui. Está em Gênesis 1.2, primeiro capítulo de toda a Bíblia, e
também no seu último capítulo, em Apocalipse 22.17:

"A terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, mas o
Espírito de Deus pairava sobre a face das águas".

"E o Espírito e a noiva dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede,
venha; e quem quiser, receba de a graça a água da vida".

O Espírito age intensamente nas páginas do Livro Sagrado levantando e guiando


os juizes do povo de Deus, ungindo sacerdotes, profetas e reis, e transformando
covardes em poderosos.(1) E porque o Espírito Santo é poder, figuras de poder
têm sido utilizadas pelos escritores inspirados. É comparado ao vento, ao óleo, ao
fogo, à pomba e à água. Em todos os casos, figuras concretas e altamente
gráficas.

FIGURAS DE PODER

A idéia de poder no mundo está ligada ao hedonismo e ao belicismo, ao prazer e e


ter e às armas e violência. Poder é possuir uma gorda conta bancária, de
preferência na Suíça e/ou Ilhas Cayman; poder são os músculos; são as multidões
que alguém possa arregimentar; é o número de tropas e de armas de uma nação.
Na Bíblia, porém, é criação, é manutenção, é apoio, e é, até, sofrimento?!

Na Bíblia, o Espírito Santo é comparado ao vento. O mesmo vocábulo é utilizado


pelos escritores bíblicos para dizer "vento", "fôlego", "respiração" e "espírito" (2). É
o Ruach haKodesh ou o Pneuma ton Hagion. Vento é poder criador, gerador de

96
Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
energia como nos moinhos de vento, ou poder destruidor como num furacão.

Também é comparado ao óleo ou azeite. Nessa comparação, o Espírito Santo é


um poder confortador, visto que o azeite era largamente utilizado no conforto, na
unção, e numa série de situações. Um dignitário em Israel era ungido com azeite
aromático. O rei não era "coroado", mas ungido, o azeite perfumado era
derramado na sua cabeça, e escorria pelo seu cabelo e molhava as suas faces e
sua barba (3). Não era um azeite qualquer. Há, por sinal, muita gente vendendo
azeite de supermercado afirmando ser "azeite ungido" com o objetivo de mistificar,
manipular as emoções dos simples e enganar os menos avisados. O azeite da
unção usado em Israel tinha uma fórmula, na qual entrava a mirra, a canela, as
madeiras aromáticas, a cássia e o azeite de oliveira (4), razão porque era usado
como perfume (5). Era utilizado na iluminação deixando o ambiente perfumado(6),
e, também, aplicado medicinalmente como atestam Tiago 5.14 e Marcos 6.13. No
consolo que traz, portanto, no conforto que proporciona, no poder que infunde, o
Espírito Santo tem uma figura altamente apropriada no óleo ou azeite: "... e
daquele dia em diante o Espírito do Senhor se apoderou de Davi" (7).

O fogo sempre esteve ligado a Deus ou à Sua justiça. Por essa razão, a espada
flamejante se postava à entrada do Éden guardando-o (8); a sarça ardente estava
no alto do Sinai (9); a coluna de fogo liderou os filhos de Israel na caminhada no
deserto (10); e no Monte Carmelo havia um altar de fogo (11); e, no Pentecostes,
as línguas como que de fogo pousando sobre a cabeça de cada um dos apóstolos
(12); e no Apocalipse está mencionado um lago de fogo (13). Sempre sinais da
presença e da justiça divinas! Sinais de Deus! João, previamente ao ministério de
Jesus, disse a Seu respeito: "Eu, na verdade, vos batizo em água, mas vem
aquele que é mais poderoso do que eu, de quem não sou digno de desatar a
correia das alparcas; ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo" (14). O fogo é
poder purificador.

O ESPÍRITO SANTO NO DESCRENTE

Nossa proposta é examinar como o Espírito Santo age no ser humano. Podemos
verificar na Escritura e na experiência o Espírito agindo tanto no descrente quanto
no crente.

Em João 16, nos versos 7 e 8, estão registradas as palavras de Jesus Cristo:


"Todavia, digo-vos a verdade, convém-vos que eu vá; pois se eu não for, o
Consolador não virá a vós; mas, se eu for, vo-lo enviarei. E quando ele vier,
convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo". É deste modo que Ele age
no incrédulo.

Um dos mais terríveis efeitos do pecado é a cegueira que ataca a pessoa humana
quanto a seus pecados (15). Só o Espírito Santo pode abrir os nossos olhos. Por
mais bem intencionados que sejamos, somos cegos em relação ao próprio
pecado. "O homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus porque para
ele são loucura", diz a palavra de Deus (16). Dependemos dEle; e até os nossos

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olhos o Espírito vai abrir; só Ele pode nos convencer da profundidade do pecado e
da verdade do evangelho. Essa é a razão porque é chamado "Espírito da verdade"
(17). Uma pessoa perdida não tem consciência de que é um pecador (por isso
está "perdida"). Converse com uma "pessoa natural", e ela não compreenderá o
que você está falando, porque ainda não foi convencida pelo Espírito de Deus com
respeito à sua perdição. Não há consciência de falta de retidão moral e espiritual;
não há qualquer convicção ou consciência da palavra de julgamento sobre o seu
pecado. E no verso 8 de João 16 está afirmado que "quando ele vier, convencerá
o mundo do pecado, da justiça e do juízo".

Essa tríplice convicção de João 16.8 não são funções separadas como pode
parecer, mas uma só. O Espírito não pode convencer uma pessoa do pecado sem
convencê-la do juízo de Deus; nem pode convencer alguém da justiça, da retidão
de Jesus Cristo, sem convencê-la inicialmente do pecado e do conseqüente juízo.
É um ato único e coeso. Não importa qual seja a expressão do pecado na vida de
alguém (adultério, cobiça, bebida, imoralidade, o que seja), a razão básica porque
alguém continua "destituído da glória de Deus" (18) é a falta de fé em Jesus
Cristo. Quem não foi convencido pelo Espírito Santo de Deus, o destino não é o
céu: é o outro lugar. E, por inferência, aceitar o perdão divino, confiar em Cristo
tem como resultado a vida eterna, a salvação eterna, a vida abundante (19). É
convicção da justiça e perfeição de Jesus Cristo, do fato de que Ele é reto, justo e
perfeito; é convicção do juízo, pois, pela ação do Espírito, comprova-se o amor de
Deus e igualmente o Seu julgamento sobre os nossos pecados. Isso significa uma
coisa: Deus é Quem toma a iniciativa de nossa salvação por meio do Espírito
Santo. Que gloriosa mensagem essa do evangelho! E ela se chama graça: Nós
amamos, porque Ele nos amou primeiro" (20). Foi Ele Quem tomou a iniciativa da
sua salvação; foi Ele Quem através do Seu Espírito, levou-o a Jesus Cristo; foi Ele
Quem, através do convencimento do pecado, da justiça e do juízo, levou a cada
fiel a se ajoelhar diante de Jesus. Deus nos procura antes que nós O procuremos,
ou seja, embora sejamos cheios de rebeldia, preconceito e indiferença, Deus vem
a nós através do Seu Espírito, lei espiritual encontrada na Sua Palavra (21).

E Jesus Cristo nos dá uma razão dessa tríplice convicção. Está no verso 9:
"(convicção) do pecado, porque não crêem em mim"; e fala da descrença que é
resultado do orgulho, da vaidade e da recusa de se submeter à direção do Senhor.
Nesse caso, a incredulidade está igualada à desobediência (22). Jesus fala da
rebelião voluntária ao governo de Deus em nossas vidas.

No verso 10, diz Jesus: "convicção da justiça, porque vou para meu Pai, e não me
vereis mais". E, sem dúvida, a primeira coisa a considerar é que o crente tem um
teste final da justiça de Jesus Cristo: Sua volta para o Pai como havia prometido.
Por outro lado, olhar para Jesus Cristo, o justo sem pecado, é percebermos quão
distantes e caídos estamos da retidão de Deus, e, nesse ponto, o Espírito nos vai
levar a pesar em nosso íntimo o fato do pecado contra o senhorio de Jesus e a
ação de Seu reino em nossa vontade.

O verso 11 ensina que é convicção "do juízo, porque o príncipe deste mundo já

98
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está julgado". Entendemos que esse é um fato muito alentador, porque, apesar de
a Escritura dizer que "o mundo inteiro jaz no Maligno" (23), Jesus Cristo é o
vencedor (24)! E não depositamos a nossa fé em um Cristo derrotado! O Deus a
Quem servimos vencedor de todas as batalhas! É Aquele que afirma o julgamento
de Satanás, prometido desde os mais antigos dias da espécie humana, registro
que se encontra no livro do Gênesis: "Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a
tua descendência e a sua descendência; e esta lhe ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás
o calcanhar" (25) Jesus Cristo vitorioso, portanto! Isso foi realizado no Calvário.
Foi com a cruz que a Grande Serpente, começou a se contorcer de dores. A cruz
foi um punhal cravado no coração do próprio Satã (26). Na ressurreição de Jesus,
porém, o golpe final foi dado no Grande Dragão, motivo porque a execução de
tudo será no fim dos tempos, na consumação dos séculos como está registrado no
Apocalipse (27).

Apesar dessa idéia futura para nós, no propósito de Deus já é fato consumado,
convicção que de nossa parte é necessária pelo que Satanás faz na vida do
descrente em Jesus Cristo. Não diz a Escritura que "o mundo inteiro jaz no
Maligno" (28)? No entanto, "sabemos que somos de Deus"! Isso é glorioso! Os
perdidos estão em cativeiro porque o mundo jaz no Maligno; fazem a vontade do
Inimigo-de-nossas-almas (29) porque o mundo jaz no Maligno, o que quer dizer
que a nossa ação evangelizadora e missionária é uma luta contra Satanás e suas
hostes de anjos da malignidade (30). E porque não podemos lutar sozinhos, Deus
vem ao nosso encontro pelo Espírito Santo.

PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO

A pessoa humana tem a infeliz possibilidade de cometer dois pecados contra o


Espírito. O crente deve dar glória a Deus porque contra essa doença já foi
vacinado. Mas o ser humano natural pode cometer duas tremendas faltas contra o
Espírito de Cristo. Um pecado é chamado na Bíblia de "resistir ao Espírito" (31). O
outro é identificado pela expressão "blasfemar contra o Espírito" (32).

O pecado mais comum contra o Santo Espírito é a resistência, que se apresenta


de muitas maneiras. É o caso do desprezo e do desdém para com a palavra do
Senhor; é a depreciação do evangelho salvador de Jesus (33). Outro é o
adiamento. Você diz "estou ouvindo o Espírito falando ao meu ouvido, mas vou
deixar para depois a decisão de receber a Jesus como meu Salvador". Esse
adiamento é um pecado (34). Outro mais é a zombaria, o escárnio, o levar o
Espírito Santo ao ridículo (35). E que dizer da oposição agressiva (36)? Mas em
tudo isso, vemos algo verdadeiro: enquanto a pessoa resistir à obra de convicção,
ela se priva das alegrias da salvação!

O outro caso é o da blasfêmia contra o Espírito. Mateus 12.22-32 fala desse


assunto. Havia um grupo que atribuía a cura de um endemoninhado cego ao
poder do diabo (37). A ironia de tudo isso é que o milagre realizado por Jesus,
prova, portanto, de Sua divindade, fora atribuído ao diabo. Essa atitude, esse
pecado não tem esperança de perdão. É o que está dito nos versos 31 e 32. O

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pecado da blasfêmia, então, é o ponto mais alto de um processo de resistência ao
Espírito de Deus. É blasfêmia ser antagônico ao Senhor, quando Ele o chama
para o Seu lado, e você se posiciona contrariamente. O desdém começa, vira
resistência, endurecimento do coração, blasfêmia e resulta em perdição eterna.

O ESPÍRITO SANTO E A CONVERSÃO

A primeira importante lição é que o Espírito Santo trabalha na conversão. O


Espírito de Deus completa Sua obra de convicção em nós, e traz à nossa
consciência o fato do pecado e da nossa condenação. Se não há resistência, Ele
nos conduz à conversão. Assim é que aceitamos que Jesus Cristo Se torne o
Senhor de nossas vidas. A essência da salvação é a conversão ao senhorio de
Cristo. O primeiro pecado humano foi a negação da soberania divina (38); quando
o primeiro homem resolveu não ser o gerente da criação, e, sim, o proprietário,
evidenciou-se a rebeldia, e com isso repúdio da lei divina. Resultado: a
humanidade passou a ser dominada pelo Maligno (39), que recebe os títulos de
"príncipe deste mundo", "deus deste século", e "poder das trevas" (40). Ser salvo é
ser liberto por Deus do domínio das trevas para o senhorio de Cristo Jesus (41).

A conversão ou regeneração não é trabalho do evangelista, do pastor ou do


professor da Escola Bíblica, mas, sim, do Espírito Santo. Regeneração não se
herda, não se adquire com o batismo, não é mérito da igreja, pois, na verdade,
alguém pode freqüentá-la por anos corridos e não ser regenerado. Regeneração
não consiste em boas obras (42), nem é resultado de vida moral ilibada (43).
Realmente, a palavra do evangelho é que "a todos quanto o receberam, aos que
crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus" (44), e isso
é ação do Espírito que leva ao arrependimento, à fé, e conduz à incorporação em
Jesus Cristo. E ensina a palavra de Deus que "crer no evangelho", "responder a
Jesus Cristo" e "receber o Espírito Santo" são três modos de observar o mesmo
fato (45).

O ESPÍRITO SANTO E O CRENTE

Como agiu e age o Espírito de Deus no discípulo de Jesus Cristo? O Espírito


Santo
preparou o seu coração para entrar em uma nova vida. Tito 3.5 o explicita: "...não
em virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a sua
misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo
Espírito Santo".

Espírito de Deus o recriou. Jesus não o ensinou? "Em verdade, em verdade te


digo que se alguém nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de
Deus"(49)

O Espírito Santo fez ainda mais:

imprimiu o próprio caráter de Deus em sua vida! A Bíblia chama a esse fato o selo

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do Espírito.(50) E com isso, o Espírito lhe deu a consciência de que é filho de
Deus.(51)

Jesus Cristo o batizou no Espírito Santo: "Pois em um só Espírito fomos nós todos
batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres, e
a todos nós foi dado beber de um só Espírito" .(52)

O batismo no Espírito Santo é uma das fases do ministério da Terceira Pessoa da


Trindade, sem dúvida a mais mal compreendida. Há quem ensine que ele dá ao
crente uma experiência mágica, ou que seja uma espécie de sacramento, um
meio pelo qual o crente recebe uma graça especial. Necessário se torna,
evidentemente, cuidado para não confundir o ficar cheio do Espírito Santo com o
batismo no Espírito Santo.(53) Muitos crentes confundem essas realidades porque
os que foram batizados no dia de Pentecostes também ficaram cheios.(54) É
importante compreender que o glorioso e inicial fato do batismo no Espírito Santo
não é a "segunda bênção" anunciada por alguns grupos. O batismo no Espírito
Santo, pelo ensino do Novo Testamento, é a primeira bênção na sua vida. Sua
evidência não é o falar-em-línguas, mas a vida, quebrantada, arrependida,
penitente, dedicada, consagrada ao reino e a espalhar o seu poder no coração
dos homens. Em uma palavra: serviço. A evidência do batismo no Espírito Santo é
a vida dedicada que se expressa em termos de ação e serviço.

COMO O ESPÍRITO SANTO AGE NO CRENTE?

Ele o faz concedendo carismas, ou seja, os Seus dons para o serviço acima
mencionado.(55)

O Espírito Santo ajuda na oração. A palavra de Deus é claríssima sobre isso: "Do
mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o
que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós
com gemidos inexprimíveis. E aquele que esquadrinha os corações sabe qual é a
intenção do Espírito: que ele, segundo a vontade de Deus, intercede pelos
santos". (56)

Espírito Santo guia o crente através das circunstâncias.(57) Ele orienta o cristão
fechando certas portas e abrindo outras;(58) Ele dá direção ao fiel através de
palavras, atitudes e conselhos de outros fiéis;(59) Ele norteia o caminho do crente
através das Escrituras Sagradas;(60) Ele guia o crente através da oração.(61) O
Espírito Santo guiando a Igreja, traz reconciliação, e cria a koinonia; Ele fala pela
pregação.(62) O Espírito Santo edifica o Corpo em amor. Por tudo isso, os
escritores do Novo Testamento costumam falar de Jesus Cristo e do Espírito
Santo vivendo dentro do crente, quer dizer, nós estamos em Cristo, e o Espírito
Santo está em nós. (63)

A Bíblia diz que há três tipos de pessoas: o homem natural, o crente carnal e o
crente espiritual. Paulo, apóstolo, faz uma descrição de cada um. Em 1Coríntios
2.14 está o homem natural: "O homem natural não aceita as coisas do Espírito de

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Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se
discernem espiritualmente".

O crente carnal por sua vez está em 1Coríntios 3.1: "E eu, irmãos, não vos pude
falar como a espirituais, mas como a carnais, como a criancinhas em Cristo".

O Dr. Landrum Leavell disse que a vida religiosa do crente carnal é como a
malária: frieza e febre. Ataques de frio e de febre, frio e febre, e assim por diante.
Desce e sobe, desce e sobe, vai ao alto e cai, não tem constância, não tem
estabilidade, não tem alegria. O crente espiritual, por sua vez, tem seu perfil em
1Coríntios 2.15: "Mas o que é espiritual discerne bem tudo, enquanto ele por
ninguém é discernido".

Crentes espirituais são santificados todos os dias. Não precisam de movimentos,


caminhadas, marchas e campanhas especiais para serem santificados porque têm
comunhão com o Pai diariamente, alimentam-se dia a dia com a seiva da videira
verdadeira que é Cristo Jesus, são sustentados pelo Espírito Santo cada dia, têm
propósitos especiais para suas vidas, não se cansam de obedecer a Deus. Amam
sua igreja, participam fielmente dos estudos bíblicos, contribuem biblicamente, são
dizimistas e trazem o dízimo à casa do Senhor.

Pecado e santificação são extremos como Polo Norte x Polo Sul; escuro x claro;
noite x dia; distância de Deus X proximidade de Deus. Quanto mais o crente se
conforma com o mundo, mais se distancia de Deus; quanto mais o crente se
amolda à vontade de Deus, mais distância quer do sistema de coisas do mundo.
Isso é santificação, e ação do Espírito em sua vida. O mundo precisa da ênfase
sobre a santificação. A igreja local precisa da ênfase sobre a santificação; nós
precisamos da ênfase sobre a santificação. Nossas ações, vocabulário e atitudes
dirão aos outros e a nós mesmos, a que distância estamos do Polo Norte ou do
Polo Sul, do governo do mundo ou do reino de Deus.

Há quem imagine ser santificação deixar de fazer certas coisas. A Bíblia ensina
que é resultado de andar com Deus. Não são regras, mas estilo de vida.
Santificação é um processo para toda a vida e deve ter início na conversão.
Dissemos "deve ter início" porque há crente que não cresce, e não cresce porque
não dá vez ao Espírito. Alguém disse: "já dei muita oportunidade ao Espírito
Santo, e não vi nada!" Na realidade, encastelou-se em certa posição, e não deu
vez ao Espírito de Deus!

DUAS TENDÊNCIAS

Há no crente duas tendências ou naturezas, e são antagônicas. Uma é carnal; a


outra é espiritual. A primeira coisa que o Espírito tem que fazer para sua
santificação é dominar o pecado em sua vida. Pelo poder do Espírito Santo, o
irmão, a irmã vai conquistar a natureza mundana e carnal em sua vida. Quando
aceitamos a Cristo, nascemos do Espírito, mas a velha natureza continua ao lado
da recém-nascida natureza cristã.(64) A Bíblia, porém, ensina que mesmo com o

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trabalho do Espírito Santo, só na glória é que vamos nos despir completamente da
velha criatura.(65) O Espírito é poder para sobrepujar nossa natureza carnal.(66)

A segunda fase da santificação consiste em o Espírito Santo dar ao crente um


caráter justo e santo. Esse é o lado positivo da santificação, pois em relação ao
pecado, a obra do Espírito Santo é destrutiva, em relação ao caráter, porém, é
construtiva. Conforme Gálatas 5.19 em diante, temos um resumo das duas fases:

é preciso desmanchar a primeira, as obras da carne (versos 19-21);

e construir a segunda, que é o fruto do Espírito (versos 22,23).

Outra parte da atuação do Espírito Santo é o serviço que prestamos. Assunto a


ser examinado em outras reflexões.

NOTAS
1 Cf. 2Timóteo 1.7.
2 As palavras são ruach e pneuma, nas línguas hebraica e grega respectivamente.

3 Cf. Sl 133.
4 Cf Ex 30.22-33.
5 Cf. Amós 6.6.
6 Cf. Mateus 25.3ss.
7 1Sm 16.13b.
8 Cf. Gênesis 3.24.
9 Cf. Êxodo 3.2ss.
10 Cf. Êxodo 13.21,22.
11 Cf. 1Reis 18.38 .
12 Cf. Atos 2.1-3.
13 Cf. Apocalipse 20.14,15.
14 Lc 3.16.
15 Cf. 2Coríntios 4.4.
16 Cf. 1Coríntios 2.14.
17 Cf. João 14.17.
18 Cf. Romanos 3.23.
19 Cf. João 3.16, 18, 36.
20 Cf. 1João 4.19.
21 Cf. Gênesis 3.8-10; João 3.16; Efésios 2.8.
22 Cf. Hebreus 3.17-19.
23 Cf. 1João 5.19b.
24 Cf. João 16.33; Apocalipse 3.21.
25 Gn 3.15.
26 Cf. João 12.31-33.
27 Cf. Apocalipse 20.10.
28 Cf. 1João 5.19.
29 Cf. 2Timóteo 2.26.
30 Cf. Efésios 6.12.

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
31 Cf. Atos 7.51.
32 Cf. Mateus 12.22-32; Marcos 3.28-30; Lucas 12.10.
33 Cf. Atos 26.28.
34 Cf. Atos 17.32; 24.25.
35 Cf. Atos 17.32.
36 Cf. Atos 5.33-40; 7.54-60.
37 Cf. verso 24.
38 Cf. Gênesis 3.1ss.
39 Cf. 1João 5.19; 2Timóteo 2.26
40 Cf. Cf. João 12.31; 14.30; 16.11; Cf. 2Coríntios 4.4. Colossenses 1.13.
41 Cf. Colossenses 1.13.
42 Tito 3.5.
43 Cf. Isaías 64.6.
44 João 1.12
45 Cf. 2Coríntios 11.4.
46 Cf. João 16.8-11.
49 Cf. João 3.5; 1Coríntios 12.3.
50 Cf. 2Coríntios 1.22; Efésios 1.13; 4.30.
51 Cf. Romanos 8.15-17.
52 1Co 12.13.
53 Cf. Efésios 5.18.
54 Cf. Atos 2.4. O "ficar cheio do Espírito Santo" é fato conhecido por outras
expressões: controle do Espírito e plenitude do Espírito (do latim plenus = cheio).
55 Cf. 1Coríntios 12.4-30; Efésios 4.1-16.
56 Rm 8.26,27.
57 Cf. Atos 16.10.
58 Cf. Atos 16.6
59 Cf. Atos 6;13.
60 Cf. Colossenses 3.16.
61 Cf. Colossenses 3.15.
62 Cf. Atos 2.14,18.
63 Cf. Gálatas 2.20; Cl 1.27; Rm 8.10; 1Co 3.16.
64 Cf. Efésios 4.22; 1Coríntios 3.1; Hebreus 5.13; Colossenses 3.9.
65 Cf. 1João 3.2.
66 Cf. Gl 5.16.

Parte XXVI
ENTECOSTES: O PARADOXO DE DEUS

1 Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar;

2 E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma


sobre cada um deles.

3 Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas,


segundo o Espírito lhes concedia que falassem.

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
A festa de pentecostes era uma das três festas obrigatórias dos judeus. A primeira
era a Páscoa, a segunda era o Pentecostes a terceira era a festa dos
tabernáculos.

A princípio, era uma festa agrária também chamada de festa das primícias pela
celebração do início da colheita. Posteriormente, veio, também ser a
comemoração da entrega da aliança que teria se dado cinqüenta dias após o
êxodo.

Não podemos negar que no pentecostes cristão, também estão presentes os


elementos do Pentecostes judaico. Com certeza no pentecostes, começa uma
grande colheita. Também, não podemos nos esquecer que a nova aliança de
Deus já não é escrita em tábuas de pedras, mas em nosso coração. Finalmente, a
alegria que deveria ser a tônica no pentecostes judaico extravasa no
derramamento do Espírito Santo sobre a Igreja.

Pregar sobre um texto como esse é uma das tarefas difíceis do pregador. Este
texto é policromático, polisemântico. Fôssemos abordar, todos os seus ângulos,
vertentes e nuances, levaríamos, quem sabe cinqüenta dias...

Queremos, porém, falar a partir da perspectiva dos paradoxos que se encontram


no texto. A palavra paradoxo, vem do grego e significa: parecer ou aparentar . O
paradoxo não é uma contradição. Na contradição uma coisa nega a outra. No
paradoxo, há uma aparente contradição, não, uma real contradição. Jesus, usou
paradoxos: Quem perde a sua vida por minha causa acha-la-á. (Mt. 10.39).

É nesse sentido que estaremos usando a palavra para descrever o evento


pentecostes.

Foi o fim do começo e o começo do fim.

2. 17. E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu
Espírito sobre toda a carne. O derramamento do Espírito no dia de Pentecostes é
início e fim. É o fim da antiga aliança e o surgimento de uma nova. É o fim de uma
velha era e o início de uma nova. O que era escrito em pedras agora é escrito no
coração. O povo de Deus agora já não é uma questão de raça (ser judeu) mas de
roça (é a colheita do Espírito Santo que semeia a palavra no coração do homem) .
Israel já não é o limite do arraial do povo de Deus.

No Pentecostes, ao citar o profeta Joel, Pedro deixa bem claro: o fim já começou
há muito tempo.

A compreensão de que o pentecostes marca o tempo do fim e o fim dos tempos,


traz para nós duas aplicações. A primeira, é que somos chamados à vigilância,
pois o fim se abrevia, o tempo da nossa partida para chegarmos enfim à nossa
Canaã está cada dia mais próximo. A segunda é que devemos repreender todo
espírito de alvoroço e de confusão daqueles que querem conhecer os tempos e

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
épocas que Deus reservou para si. Com expectativa, mas sem ansiedade; com
certeza no coração, mas, sem confusão na mente. Desprezemos os cálculos, as
estimativas, as projeções e nos firmemos na certeza de que a Vinda do Senhor se
abrevia, visto que a igreja o aguarda desde o dia de pentecostes.

Foi o esperado acontecendo inesperadamente.

É muito interessante observar que Lucas diz no capítulo 1.4, que os discípulos
deveriam esperar em Jerusalém o tempo da promessa. Para no capítulo 2.2, falar
do de repente do Espírito Santo.

Eles esperavam mas não sabiam quando. Eles tinham a certeza, não a previsão.

O Espírito Santo não é companheiro de encontros programados, de horas


marcadas anunciadas em cartazes e divulgados em todos os lugares.

Ele vem quando não esperamos. E não vem da forma que esperamos.

Quem quiser andar com o Espírito tem que estar preparado para surpresas, para o
inesperado.

Ele nunca falha com as suas promessas, mas nunca fará o que nós esperamos
nem quando esperamos.

Foi o incontrolável sendo conduzido.

Quando o Espírito Santo vem ninguém se controla. Mas ele controla a todos.
Naquela hora ninguém escolheu nem determinou os seus atos. Mas ninguém
estava sem controle. O Espírito Santo controlava a todos. Era conforme o Espírito
Santo concedia. Ser cheio do Espírito Santo não é ser como um trem
desgovernado ou um avião sem piloto. Ser cheio do Espírito Santo é ser
conduzido por ele que na sua soberania faz o que quer quando quer e como quer.

Talvez, uma das passagens, mais mal interpretadas das Escrituras seja aquela de
II Coríntios 3.17, que diz: Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do
Senhor, aí há liberdade. Se observarmos atentamente o contexto, o texto não está
falando de que a presença do Espírito Santo permite a cada um fazer o que
quiser, mas que a presença do Espírito Santo tira o véu da nossa face para que
possamos conhecer a Cristo.

Quando o Espírito Santo vem, perdemos o controle, mas não ficamos


descontrolados. Ele está soberanamente no controle.

Era o sobrenatural enchendo natural.

A experiência de ser visitado pelo Espírito Santo é a mais fascinante experiência


do ser humano. É ser invadido por uma alegria desmedida; é ser tomado por um

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
poder incomparável; é ser seduzido por uma glória irresistível, é ser inundado por
uma onda de amor jamais experimentado. É ser transformado para sendo o
mesmo nunca mais ser igual.

Naquele dia, foi isso o que aconteceu com aqueles homens e mulheres. Pedro
ainda era Pedro, mas já não era o que foi. O medo deu lugar a coragem. O rude
pescador era o grande pregador.

O Espírito Santo deu àqueles homens a estatura que não tinham e os projetou a
dimensão que nunca sonharam.

Pelo poder do Espírito, revolucionaram o mundo, transformaram o mundo.

Conclusão:

Como muito bem apontou John Stott, o Pentecostes é um evento único e


irrepetível, como foi o nascimento, morte e ressurreição de Cristo, mas os seus
efeitos são permanentes.
Podemos crer que assim como a promessa do Espírito se cumpriu dando início
aos últimos dias, podemos crer e esperar a vinda de Cristo no grande e glorioso
dia.
Podemos ainda hoje, crer que a qualquer momento Ele pode vir sobre nós e nos
encher do seu poder e glória.
Podemos crer, que Ele na sua soberania fará em nós conforme lhe apraz. Nunca
saberemos como e quando. Pode ser na cozinha lavando a louça, pode ser no
trânsito dirigindo o carro, pode ser no quarto orando, pode ser na igreja louvando.
Nunca saberemos como será, mas de uma coisa nós sabemos, será maravilhoso.
Finalmente, podemos crer, que a despeito das nossas limitações. O finito é
tomado pelo infinito; que o temporário é tomado pelo que é perene; que o fraco é
invadido pelo Todo-poderoso; o tangível pelo intangível; o imanente pelo
transcendente; o mortal pelo imortal; o visível pelo invisível; o contaminado pelo
incontaminado e que é Santo, Santo, Santo; o pó e a cinza pelo eternamente
glorioso e sublime. Podemos crer, que eu, que você, que nós, podemos ser tão
cheios do Espírito Santo a ponto de transbordar continuamente como foram os
discípulos. Pois Deus não nos dá o Espírito com limitações.

Glória ao Pai, Glória ao Filho, Glória ao Espírito Santo.

Amém, amém, amém.

Parte XXVII
Eu tenho o Espírito Santo ou é Ele quem me tem?

Comentário sobre a parte nove (O Espírito Santo - pp.343-365) do livro Introdução


à Teologia Sistemática, de Millard J. Erickson (1ª Ed. Trad. Lucy Yamakami. São
Paulo: Vida Nova, 1997)

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INTRODUÇÃO

Falar sobre o Espírito Santo é falar sobre nós, pois, só Ele pode nos ajudar em
entendermo-nos. Assim, Antropologia é melhor compreendida quando precedida
pela Pneumatologia. Quem é o Espírito Santo? O que é Ele? Para que foi Ele
enviado por Cristo Jesus? Espero que este estudo nos auxilie a começarmos uma
boa conversa sobre o assunto.

I. A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO

Erickson afirma que a criação, a providência e a provisão da salvação são as


obras objetivas de Deus. Mas, existe também a obra subjetiva de Deus, que é a
aplicação de sua obra salvadora divina aos homens. E é aqui que entra “a Pessoa
do Espírito Santo”, pois esta obra é feita “de dentro para fora” no ser humano,
partindo do princípio que Jesus Cristo fez a obra externa.
Millard J. Erickson comenta que outra maneira de encarar o estudo de teologia
sistemática é ver as obras dos diferentes membros da Trindade separadamente!
Por exemplo, o Pai é destacado nas obras da criação e da providência, o Filho
efetivou a redenção à humanidade pecadora e o Espírito Santo aplica essa obra
redentora à criatura de Deus, tornando, dessa forma, real a salvação.

1. A Importância da Doutrina do Espírito Santo

A doutrina do Espírito Santo, assim, é vista com muita relevância por Erickson. Na
realidade, para ele, o Espírito Santo é o ponto em que a Trindade torna-se pessoal
para o que crê. O Espírito Santo é a pessoa específica da Trindade por meio de
quem toda a Divindade Triúna atua em nós. E isto, porque vivemos no período em
que a obra do Espírito Santo é mais proeminente que a dos outros membros da
Trindade. Não que o Pai e o Filho não estejam atuando enquanto o Espírito Santo
atua, mas sim que, as duas Pessoas estão hoje agindo através da Terceira, assim
como nos períodos anteriores a este, onde Filho e Espírito atuavam através do
Pai, depois Pai e Espírito agiram através do Filho. Se quisermos, portanto, estar
em contato com Deus hoje, precisamos estar à par da atividade do Espírito Santo.
Vê-se também a importância do estudo sobre o Espírito Santo, porque, segundo
Erickson, a cultura atual dá muito valor à experiência, e é principalmente por meio
dele que experimentamos Deus! Desta maneira, é vital que entendamos o Espírito
Santo.

2. Dificuldades na Compreensão do Espírito Santo

Millard J. Erickson, sobre este assunto, assevera que, embora o estudo do Espírito
Santo seja especialmente importante, nossa compreensão é em geral mais
incompleta e confusa nesse ponto que na maioria das outras doutrinas. E isto
devido a que temos na Bíblia menos revelações explícitas acerca do Espírito
Santo do que encontramos acerca do Pai e do Filho, isto é, não há discussões
sistemáticas acerca do Espírito Santo.

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Outra dificuldade é a falta de um quadro concreto de figuras. Deus Pai é
compreendido de forma bem razoável, por causa da figura do pai que é familiar a
todos. O Filho não é de difícil conceituação porque realmente apareceu em forma
humana. Mas, o Espírito é intangível e difícil de visualizar. Erickson comenta até
que há uma terminologia infeliz da King James e de outras traduções inglesas
mais antigas que se referem ao Espírito Santo como “Holy Ghost” (Fantasma
Santo). Isto, na verdade, leva-nos mais a pensar em alguma coisa por baixo de
um lençol branco.

Durante a era presente, o Espírito exerce um ministério de servir ao Pai e ao Filho,


mas, isto não nos deve levar à conclusão de que também existe uma inferioridade
em essência. O Espírito Santo não é inferior ao Pai e ao Filho, como dizem as
teologias denominadas por Erickson de “não-oficial”. Este erro é semelhante ao
dos arianos. Aqui há uma questão não de diminuição, de inferiorização por ser o
Espírito enviado para servir o Pai e o Filho, mas sim, uma questão de “processão”,
de haver Ele partido de “alguém” ou de “algo”.

Uma questão bem lembrada por Erickson, é que também existe alguma relutância
em discutir sobre o Espírito, por medo de que tal discussão possa criar
dissensões. Por causa disto, muitos evitam totalmente tocar no assunto. Porém,
não cremos que um assunto possa se resolver sozinho, então, pode ser também
através da discussão – sadia, construtiva e não direcionada – que consigamos
chegar a um acordo!

3. A Natureza do Espírito Santo

a) A Divindade do Espírito Santo

A divindade do Espírito Santo, é comentada aqui, como uma questão que não se
estabelece com tanta facilidade quanto a do Pai e a do Filho. Mas, a conclusão
que se chega através da pesquisa Bíblica e experiencial é que o Espírito Santo é
Deus nos mesmos moldes e no mesmo grau do Pai e do Filho.
Alguns fatos que comprovam isto, são que: 1) As várias referências ao Espírito
Santo são intercambiáveis com referências a Deus (At. 5; I Co. 3:16; Ef. 6:19).
Para Paulo, ser habitado pelo Espírito Santo é ser habitado por Deus; 2) O
Espírito Santo possui os atributos ou as qualidades de Deus. Um deles é a
onisciência (I Co. 2:10-11). O poder do Espírito Santo também recebe tratamento
destacado no Novo Testamento (Lc. 1:35; Rm. 15:19). Ele tem poder que se
pressupõe ser exclusivo de Deus. Outro atributo do Espírito que o equipara ao Pai
e ao Filho é sua eternidade (Hb. 9:14); 3) Além de possuir qualidades divinas, o
Espírito Santo realiza certas obras que costumam ser atribuídas a Deus. Um
exemplo disto, é a Criação (Sl. 104:30). O testemunho bíblico mais abundante
acerca do papel do Espírito Santo diz respeito à sua obra espiritual sobre os
homens ou dentro deles. A exemplo, vemos a regeneração (comparar Gn. 2:7 com
Jo. 3:5-8 e Jo. 20:22). O Espírito Santo também levantou Cristo da morte e nos
ressuscitará (Rm. 8:11); 4) A concessão das Escrituras é outra obra divina do

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Espírito Santo (II Tm. 3:16; II Pe. 1:21); 5) A fórmula batismal na Grande
Comissão (Mt. 28:19), a benção apostólica (II Co. 13:13), a discussão paulina dos
dons espirituais (II Co. 12:4-6) e a saudação de Pedro (I Pe. 1:2).

b) A Personalidade do Espírito Santo

Além da divindade do Espírito Santo, é importante, como diz Erickson, também


notarmos sua personalidade. Não estamos aqui lidando com uma força impessoal,
ou talvez, como dizem os “Testemunhas de Jeová”, com uma “força ativa” de
Deus! O Espírito Santo é uma pessoa, aliás, é “a Pessoa” divina que habita em
nós.
Uma das provas da personalidade de Deus é o uso do pronome masculino.
Referindo-se ao Espírito Santo, agora, a palavra grega pneuma (espírito) é neutra,
mas, em João 16:13,14, a descrição que Jesus faz do ministério do Espírito Santo
usa um pronome masculino onde se esperaria um pronome neutro. Isto é um fato
que prova que Jesus estava se referindo a uma pessoa, não a uma coisa.

Outro fato importante de se lembrar é que o Espírito Santo é chamado de


parakletos (conselheiro, advogado), assim como Jesus também o foi (Jo.
14:16,26; 15:26; 16:7 e I Jo. 2:1). A palavra “outro” de João 14:16 é a tradução do
termo grego “allon” = outro da mesma espécie, e não do termo “eteros” = outro de
espécie diferente.

As associações mais interessantes do Espírito Santo com agentes pessoais são


aquelas em que ele é ligado ao Pai e ao Filho (Mt. 28:19; II Co. 13:13; I Pe. 1:2).
Se imaginarmos o Espírito Santo como uma força impessoal apenas, não seria
então correto, diante dos contextos dos versículos aqui apresentados,
imaginarmos também o Pai e o Filho como forças impessoais? O Santo Espírito
de Deus possui características pessoais incontestáveis, isto é, ele tem inteligência,
vontade e emoções (Jo. 14:26; I Co. 12:11; Ef. 4:30). Seria possível mentir ou
entristecer a algo que seja impessoal? E ainda há o pecado da blasfêmia contra o
Espírito Santo (Mt. 12:31; Mc. 3:29). Em Romanos 8:26, com certeza, Paulo tem
em mente uma pessoa! Conclui-se, então, que o Espírito Santo é um ser
consciente, não uma força, e tal ser é Deus, na mesma dimensão e da mesma
forma que o Pai e o Filho. Como canta-se no Hino 11 do Cantor Cristão (Ao Deus
Trino):

Tu, Deus, Espírito veraz


Oh! Nossas almas satisfaz
Com gozo, com divina paz
E as nossas aflições desfaz

4. Implicações da Doutrina do Espírito Santo

As implicações de tal doutrina, é apresentada por Erickson da seguinte forma:

a) O Espírito Santo é uma pessoa – Ele é alguém com quem podemos ter um

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relacionamento pessoal, alguém a quem podemos e devemos orar;
b) Ele é plenamente divino – desta maneira, deve receber a mesma honra e
respeito que dispensamos ao Pai e ao Filho. É apropriado adorarmos a Ele, como
adoramos as outras duas Pessoas da Trindade;
c) O Espírito Santo é um com o Pai e o Filho – não há pontos de tensão entre as
três pessoas;

d) No Espírito Santo, o Deus Triúno chega perto de nós – tão perto que, de fato,
entra em cada pessoa que crê.

O Hino 185 da Harpa Cristã (Invocação e Louvor) diz:

Ao grande e trino Deus


Louvem os anjos Seus e nós também,
A Deus nosso Senhor: Pai, Filho e Condutor
Louvemos com fervor, pra sempre. Amém.

II. A OBRA DO ESPÍRITO SANTO

Erickson comenta que a obra do Espírito Santo é de especial interesse para os


cristãos, pois é particularmente por seu trabalho que Deus se envolve de forma
pessoal e atua na vida do crente.

1. A Obra do Espírito Santo no Antigo Testamento

Muitas vezes é difícil identificar o Espírito Santo dentro do Antigo Testamento. E


isto, devido ao fato que, Ele foi operativo, mas não evidente. Aliás, o termo
“Espírito Santo” é raramente empregado no A.T.. Na verdade, só há três menções
deste termo no A.T. (Is. 63:10,11 e em Sl. 51:11). Mas, não se prova, com isto,
que exista uma pessoa distinta. A expressão “Espírito de Deus” bem poderia ser
compreendida como uma simples referência à vontade, mente ou atividade de
Deus, é Deus em pessoa exercendo uma influência ativa, como diz J. H. Raven
(The history of the religion of Israel – Grand Rapids, Baker, 1979 – p.164). Porém,
o acontecimento de Pentecostes (At. 2), é o cumprimento da profecia de Joel 2:28,
conforme Erickson. Desta maneira, o “Espírito de Deus” do A.T., para ele, é
sinônimo de Espírito Santo, e não apenas uma atividade de Deus.

Há várias áreas importantes de atuação do Espírito Santo nos tempos do A.T.


Alguns exemplos disto são: a) A Criação (Gn. 1:2); b) A transmissão das profecias
(II Pe. 1:21); c) A transmissão das Escrituras (II Tm. 3:16,17); d) A transmissão de
certas habilidades necessárias para várias tarefas (Êx. 31:3-5) e por fim, e) A
administração (Gn. 41:38).
Sua presença parecia limitada e específica a alguns, mas, no testemunho do A.T.

acerca do Espírito, existe um anúncio de uma época em que o ministério do


Espírito será mais completo. É uma promessa mais generalizada, que não se
restringe apenas ao Messias. Ela se encontra em Joel 2:28,29. No Pentecostes,

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Pedro citou essa profecia, indicando que ela havia se cumprido. Assim, o que
ocorreu em Pentecostes, na verdade, não é um “segundo batismo” diferente do
anterior, mas sim, uma continuação da obra operativa do Espírito santo na vida do
crente. Não é a “vestimenta” do cristão, pois assim que o fiel aceita a Jesus Cristo
como único e suficiente Salvador, já está vestido com o Espírito Santo (Jo. 20:22)!
Assim sendo, o Dom Pentecostal é melhor visto como um “revestimento” (Lc.
24:49).

2. A Obra do Espírito Santo na Vida de Jesus

Quanto a este assunto, Erickson assevera que quando examinamos a vida de


Jesus, descobrimos uma presença e atividade maciça e poderosa do Espírito
Santo em toda sua extensão. Mesmo o próprio início de sua existência encarnada
foi obra do Espírito Santo (Lc. 1:35). Já João salientou que, em contraste com seu
próprio batismo, realizado apenas com água, Jesus batizaria com o Espírito Santo
(Mc. 1:8).

Desta forma, o Espírito Santo está presente, também, de um modo marcante logo
no início do ministério público de Jesus, e isto, em referência à Sua descida
perceptível sobre o Cristo (Mt. 3:16). Devido a este fenômeno, diz a Bíblia que
Jesus ficou “cheio do Espírito Santo” (Lc. 4:1). Até no ato de conduzir Jesus ao
deserto, para ser tentado, é descrito como ação do Espírito Santo (Mc. 1:12).
Erickson comenta até mesmo que isto é uma prova que a presença do Espírito
Santo na vida de Jesus o conduz a um conflito direto e imediato com as forças do
mal, e a antítese entre o Espírito Santo e o mal no mundo precisa vir à tona.

Na verdade, todo o ministério de Jesus foi conduzido no poder e pela direção do


Espírito Santo (Mt. 12:25-28). Aliás, toda a vida de Jesus, nesse sentido, era “no
Espírito Santo” (Lc. 10:17,21).
O que nos fica como ensinamento, enfim, da obra do Espírito Santo na vida de
Jesus, é que a sua presença não é um fenômeno crescente, como se a cada dia
tivéssemos mais dEle em nós, mas sim que, a cada momento, recebemos provas
crescentes da presença do Espírito de Deus.

3. A Obra do Espírito Santo na Vida do Cristão

a) O Início da Vida Cristã

No ensinamento de Jesus encontramos uma ênfase especialmente forte na obra


do Espírito Santo na introdução das pessoas na vida cristã. Assim, o batismo nas
águas simboliza o princípio da vida no convívio cristão da Igreja, enquanto a
recepção do Dom Pentecostal (o batismo Pentecostal) é o símbolo do princípio da
vida carismática do cristão.

É claro que é certo que a obra principal do Espírito Santo é o ato de convencer o
ser humano do pecado da justiça e do juízo (Jo. 16:8-11). Na verdade, sem essa
obra do Espírito Santo, não pode haver conversão. Mas também é certo que a

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presença do Espírito Santo na vida do crente não é uma presença estática,
cristalizada. Desta forma, a regeneração é a transformação miraculosa do
indivíduo e a instalação da energia espiritual (aqui o cristão está vestido de poder),
porém, a obra do Espírito continua, levando o cristão a convicções sobrenaturais
através de experiências sobrenaturais (isto é revestimento de poder).

b) A Continuação da Vida Cristã

A Obra do Espírito, então, também é dar poder ao que crê (Jo. 14:12; At. 1:4,5),
ensinar (Jo. 14:26), interceder (Rm. 8:26,27), santificar (Gl. 5:22,23) e dar dons
especiais aos crentes dentro do corpo de Cristo (I Co. 12:4-11).
Dentre os dons especiais, os mais mencionados entre os pentecostais são o de
cura, a expulsão de demônios e, em especial, a glossolalia, ou falar em línguas. A
questão que perdura diante de alguns estudiosos é se estes dons, principalmente
o último, foram exercidos no período apostólico somente ou se continuam até
hoje!

A grande explosão do pentecostalismo, historicamente falando, ocorreu nas


reuniões organizadas por um pregador negro chamado William J. Seymour. Essas
reuniões eram realizadas numa antiga igreja metodista localizada na Rua Azuza,
312, em Los Angeles.
É importante frisar, neste ponto, como Erickson fez, a distinção na maneira de se
exercer os dons carismáticos entre pentecostalismo e o neo-pentecostalismo. Os
grupos mais tradicionais fazem uso dos dons com mais reserva, são dons usados
em momentos particulares, enquanto os neo-pentecostais vêm este fenômeno
como um meio de atrair os não crentes, por isto, os dons são usados abertamente,
em público, sem reservas.

A glossolalia, por exemplo, é vista como um Dom vitalizante na vida de oração do


indivíduo, e a proibição de sua prática, não é encontrada em parte alguma das
Escrituras. Aliás, o próprio Paulo sentia-se feliz por falar mais em línguas do que
os outros cristãos de sua época (I Co. 14:18).

Porém, algo que ainda está se cogitando, é o fato deste Dom aparecer também
em outras religiões. Mas, creio que a “contrafação” é um ardil antigo de Satanás, e
é exatamente por isso que um dos dons especiais do Espírito em I Coríntios 12, é
o de “discernimento de espíritos”!

A psicologia também entrou neste assunto dizendo que isto pode ocorrer através
de catarses, mas, se assim for, então, Paulo, Pedro, etc. estavam passando por
uma lavagem cerebral?
Erickson, assim, interpreta este fenômeno como o ato de ser “cheio do Espírito
Santo”. Porém, em nenhuma parte da Escritura, vê-se uma ordem especifica da
obrigatoriedade de sermos batizados no Espírito Santo ou pelo Espírito Santo.
Pelo que Erickson julga, diante disto tudo, que não tem certeza se os fenômenos
ocorridos atualmente, são realmente dons do Espírito Santo. Contudo, mesmo que
a história prove que o Dom de línguas cessou, segundo Erickson, não há nada

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que impeça Deus de restabelecê-lo. E este Dom, na verdade, não é uma questão
de termos mais do Espírito Santo de Deus em nós, pois todos nós possuímos o
Espírito em sua totalidade. Trata-se, antes, de uma questão de Ele possuir uma
fatia maior da nossa vida.

III. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Enfim, temos que ter em mente que mais importante que receber certos dons é o
desenvolvimento do fruto do Espírito em nossas vidas. Conforme Paulo, é através
do fruto, e não dos dons, que temos a verdadeira prova de que o Espírito está
atuando nos cristãos.
Não devemos, assim, nos apressarmos para julgar nem uma das duas partes,
mas sim, devemos tomar uma postura cônscia e bíblica diante deste fato!

Estude com fé depois de ter terminado os seus estudos, envie seu questionário
com as respostas devidas para o endereço de e-mail: teologiagratis@hotmail.com,
se assim quiser, logo após respondido e corrigido o questionário, alcançando
media acima de 7,5, solicite o seu Lindo DIPLOMA de Formatura e a sua
Credencial de Seminarista formado, também poderá solicitar estagio missionário
em uma de nossas igrejas no Brasil ou exterior traves da Federação Internacional
das Igrejas e Pastores no Brasil ou Fenipe, que depois do Estagio se assim o
achar apto para o Ministério poderá solicitar a sua ordenação por uma de nossas
organizações filiadas no Brasil ou no exterior, assim você poderá também receber
a sua Credencial de Ministro Aspirante ao Ministério de Nosso Senhor e Salvador
Jesus Cristo. Esta apostila tem 114 pagina boa sorte.

Sem nadas mais graça e Paz da Parte de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo
bons estudos.

Reverendo Antony Steff Gilson de Oliveira


Pastor da Igreja Presbiteriana Renovada de Nova Vida
Presidente da Federação Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil ou Fenipe

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