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VISÃO GERAL DO SETOR

FUNDAMENTOS HISTÓRICOS

A Constituição Federal brasileira determina que a geração, transmissão e distribuição de energia podem ser
assumidos diretamente pelo governo ou indiretamente por meio da outorga de concessões, permissões ou
autorizações. Historicamente, o Setor de Energia Elétrica do Brasil tem sido dominado pelas concessionárias
de geração, transmissão e distribuição, controladas pelo governo. Nos últimos anos, o governo tomou diversas
medidas para remodelar o Setor de Energia Elétrica. Em geral, essas medidas tiveram como objetivo o
aumento do papel do investimento privado e a eliminação das restrições ao investimento estrangeiro,
aumentando, portanto, a concorrência no Setor de Energia Elétrica.

A Constituição Federal brasileira foi alterada em 1995, a fim de autorizar o investimento estrangeiro na
geração de energia. Antes dessa alteração, todas as concessões de geração eram detidas por pessoa física
brasileira, ou por sociedade controlada por pessoas físicas brasileiras ou pelo governo.

Foi promulgada em 13 de fevereiro de 1995, a Lei nº 8.987 ou a Lei de Concessões, e em 7 de julho de 1995,
a Lei nº 9.074 ou a Lei do Setor Elétrico, ou a Lei de Concessões de Energia que em conjunto:

• exigiam que todas as concessões para fornecimento de serviços relacionados à energia fossem
outorgadas por meio de processos de licitações públicas;

• gradualmente permitiam que certos consumidores de energia com demanda significativa, designados
consumidores livres, comprassem energia diretamente de fornecedores detentores de uma concessão,
permissão ou autorização;

• estabeleciam a criação dos Produtores Independentes de Energia, que, por meio de uma concessão,
permissão ou autorização, podem gerar e vender por sua própria conta e risco, toda ou parte da
energia que geram a consumidores livres, concessionárias de distribuição, agentes de
comercialização, entre outros;

• concediam a consumidores livres e fornecedores de energia acesso aberto a todos os sistemas de


distribuição e transmissão; e

• eliminavam a necessidade de uma concessão para construir e operar projetos energéticos com
capacidade de 1 MW a 30 MW denominados Pequenas Centrais Hidrelétricas.

A partir de 1995, parte das participações detidas pela Eletrobrás e por diversos Estados nas empresas de
geração e distribuição foram alienadas a investidores privados.

Em 1998, foi promulgada a Lei nº 9.648, ou a Lei do Setor Elétrico, para revisar a estrutura básica do setor
elétrico. A Lei do Setor Elétrico determinou:

• o estabelecimento de um órgão auto-regulador responsável pela operação do mercado de energia de


curto-prazo, ou o Mercado Atacadista de Energia Elétrica, que substituiu o sistema anterior de preços
de geração e contratos de fornecimento regulados;

• uma exigência de que as empresas de distribuição e geração firmassem contratos de fornecimento de


energia inicial, ou os contratos iniciais, em geral compromissos do tipo “take or pay”, a preços e
volumes aprovados pela ANEEL. O principal objetivo dos contratos iniciais era garantir que as
empresas de distribuição tivessem acesso a um fornecimento estável de energia a preços que
assegurassem uma taxa mínima de retorno às empresas de geração durante o período de transição
levando ao estabelecimento de um mercado de energia livre e competitivo;
• a criação do ONS - Operador Nacional do Sistema Elétrico, uma entidade de direito privado sem fins
lucrativos responsável pela administração operacional das atividades de geração e transmissão do
Sistema Elétrico Interligado Nacional; e

• o estabelecimento de processos de licitação pública para concessões para construção e operação de


usinas de energia elétrica e instalações de transmissão.

Em 2001, o Brasil enfrentou uma grave crise de energia que durou até o fim de fevereiro 2002. Como
resultado, o governo implantou medidas que incluíram:

• um programa para racionamento de consumo de energia nas regiões mais afetadas pela baixa
quantidade de chuva, a saber as regiões sudeste, centro-oeste e nordeste do Brasil; e

• a criação da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica - GCE, que aprovou uma série de
medidas emergenciais que estabeleceram metas para consumo reduzido de energia para
consumidores residenciais, comerciais e industriais nas regiões afetadas, introduzindo regimes
tarifários especiais que incentivavam a redução de consumo de energia.

Em março de 2002, a GCE suspendeu as medidas emergenciais e o racionamento de energia em virtude do


grande aumento no fornecimento (decorrente de um aumento significativo nos níveis dos reservatórios) e de
uma redução moderada na demanda. Dessa forma, o governo promulgou novas medidas em abril de 2002
determinando um reajuste tarifário extraordinário para compensar as perdas financeiras incorridas pelos
agentes de energia resultantes do racionamento obrigatório.

O governo, por meio do BNDES, lançou o Programa Emergencial e Excepcional de Apoio às Concessionárias
de Serviços Públicos de Distribuição de Energia Elétrica em novembro de 2002, e o Programa de Apoio à
Capitalização de Empresas Distribuidoras de Energia Elétrica, ou Programa de Capitalização, em setembro de
2003, com o objetivo de oferecer apoio financeiro ao refinanciamento das dívidas das empresas de
distribuição, para compensá-las pela perda de receitas resultante do Racionamento, da desvalorização do real
frente ao dólar norte-americano e dos atrasos na aplicação dos reajustes tarifários durante o ano de 2002.

Em 15 de março de 2004, o governo promulgou a Lei do Novo Modelo do Setor Elétrico em um esforço para
reestruturar o Setor de Energia Elétrica, a fim de fornecer incentivos aos agentes privados e públicos para
construir e manter capacidade de geração e garantir o fornecimento de energia no Brasil a tarifas moderadas,
por meio de processos competitivos de leilões públicos de compra e venda de energia. Essa lei foi
regulamentada por inúmeros decretos a partir de maio de 2004, e está sujeita à regulamentação posterior a ser
emitida pela ANEEL e pelo MME, conforme detalhado mais adiante.

Visão Geral

Em 2008, o Ministério de Minas e Energia – MME divulgou o Plano de Expansão de Energia 2008-2017 – o
PDE 2008-2017 para o horizonte de dez anos com o objetivo de definir um cenário de referência para
implementação de novas instalações de geração e transmissão necessárias para atender ao crescimento
projetado do mercado brasileiro. O PDE 2008-2017 projetou um aumento da capacidade total de geração, de
101 GW, em maio de 2008, para 155 GW em 2017. Esses montantes consideram a geração proveniente de
usinas hidrelétricas e termelétricas, excluindo valores relativos à importação, à geração eólica e a energia
gerada por Itaipu. Ainda, o Governo Federal prevê a necessidade de investimentos da ordem de US$7 bilhões
por ano para expandir a matriz energética brasileira a níveis satisfatórios para atendimento da demanda
projetada.

O Brasil sempre ocupou uma posição de destaque no cenário mundial no que diz respeito à hidroeletricidade,
estando entre os países com maior capacidade hidrelétrica instalada. Conforme informado no Balanço
Energético Nacional – BEN de 2007 elaborado pelo MME em conjunto com a Empresa de Pesquisa
Energética – EPE, somente cerca de 25% do potencial hidroelétrico nacional foi explorado.
Entretanto, a escassez de grandes projetos hidroelétricos aliada às crescentes restrições ambientais a estes
projetos e à preocupação mundial com o aquecimento global, tem estimulado o interesse no desenvolvimento
de fontes alternativas de energia, principalmente por outras fontes “limpas” de geração, dentre as quais se
destacam as: (i) usinas a biomassa, em particular de co-geração com bagaço de cana de açúcar
(bioeletricidade); (ii) PCHs; e (iii) usinas de geração eólica. Por possuírem menor porte, essas fontes
renováveis mitigam riscos ambientais e de construção, contribuindo para a segurança do empreendimento, o
gerenciamento da incerteza quanto ao crescimento da demanda de energia ou do atraso no cronograma de
empreendimentos já licitados, bem como garante o acesso aos consumidores incentivados do mercado livre de
energia no Brasil.

O Brasil é interconectado por mais de 87 mil km de linhas de transmissão de alta voltagem (230 kV ou mais),
formando o Sistema Interligado Nacional (SIN) que atende cerca de 98% do consumo de energia do país.

Matriz Energética Brasileira

Em em 2008, o Ministério de Minas e Energia – MME divulgou o Plano de Expansão de Energia 2008-2017
– o PDE 2008-2017 para o horizonte de dez anos com o objetivo de definir um cenário de referência para
implementação de novas instalações de geração e transmissão necessárias para atender ao crescimento
projetado do mercado brasileiro. O PDE 2008-2017 projetou um aumento da capacidade total de geração.
Totalizando todas as fontes, tem-se uma evolução da capacidade instalado do SIN partindo de 101 GW, em
maio de 2008, e evoluindo para 155 GW em 2017 para atender ao mercado projetado no período. Esses
montantes consideram a geração proveniente de usinas hidrelétricas e termelétricas, excluindo valores
relativos à importação, à geração eólica e a energia gerada por Itaipu.

O Brasil sempre ocupou uma posição de destaque no cenário mundial no que diz respeito à hidroeletricidade,
estando entre os países com maior capacidade hidrelétrica instalada. Conforme informado no Balanço
Energético Nacional – BEN de 2007 elaborado pelo MME em conjunto com a Empresa de Pesquisa
Energética – EPE, somente cerca de 25% do potencial hidroelétrico nacional foi explorado, já que sua maior
parte se situa na Amazônia.

Entretanto, a escassez na viabilização de grandes projetos hidroelétricos aliada às crescentes restrições


ambientais a estes projetos e à preocupação mundial com o aquecimento global estimula o interesse no
desenvolvimento de fontes alternativas de energia, principalmente por outras fontes “limpas” de geração,
dentre as quais se destacam as: (i) usinas a biomassa, em particular de co-geração com bagaço de cana de
açúcar (bioeletricidade); (ii) PCHs; e (iii) usinas de geração eólica. Por possuírem menor porte, essas fontes
renováveis mitigam riscos ambientais e de construção, contribuindo para a segurança do empreendimento, o
gerenciamento da incerteza quanto ao crescimento da demanda de energia ou do atraso no cronograma de
empreendimentos já licitados, bem como garante o acesso aos consumidores incentivados do mercado livre de
energia no Brasil.
O Brasil é interconectado por mais de 87 mil km de linhas de transmissão de alta voltagem (230 kV ou mais),
formando o Sistema Interligado Nacional (SIN) que atende cerca de 98% do consumo de energia do país.

A matriz energética do Brasil atualmente se apresenta conforme o quadro a seguir:


Fonte : Aneel – Banco de Informações da Geração – site: www.aneel.gov.br em 11 de fevereiro de 2009.

Dados do MME prevêem uma ligeira alteração na matriz energética brasileira nos próximos anos. A
participação da importação deverá apresentar redução gradual, basicamente devido ao aumento da
participação das fontes renováveis (PCHs,Biomassa,bagaço de cana-de-açúcar e eólicas).

Fonte: EPE – Plano Decenal 2008-2017

Os percentuais de participação de cada subsistema na capacidade instalada hidrelétrica no início (mai/2008) e


no final (dez/2017) do horizonte decenal são apresentados abaixo:
Fonte: EPE – Plano Decenal 2008-2017

De acordo com o PDE Pode-se verificar um acréscimo de 38% na oferta de geração hidrelétrica no período
2008-2017, totalizando 117,5 GW no final desse período.

Nesta evolução, atualmente no Brasil há investimentos na utilização das seguintes fontes de energia: eólica,
fotovoltaica, hidrelétrica, maré, termelétrica.

Resumo da Situação Atual dos Empreendimentos


Potência Associada
Fonte de Energia Situação (kW)
50 empreendimento(s) de fonte Eólica outorgada 2.388.173
9 empreendimento(s) de fonte Eólica em construção 348.500
31 empreendimento(s) de fonte Eólica em operação 402.780
1 empreendimento(s) de fonte Fotovoltaica em operação 20
238 empreendimento(s) de fonte Hidrelétrica outorgada 11.095.456
91 empreendimento(s) de fonte Hidrelétrica em construção 8.894.393
770 empreendimento(s) de fonte Hidrelétrica em operação 77.545.025
1 empreendimento(s) de fonte Maré outorgada 50
160 empreendimento(s) de fonte Termelétrica outorgada 11.169.275
35 empreendimento(s) de fonte Termelétrica em construção 3.733.123
1232 empreendimento(s) de fonte Termelétrica em operação 25.005.728
Fonte : Aneel – Banco de Informações da Geração – site: www.aneel.gov.br em fevereiro de 2009.
E
Fonte ANEEL (Fevereiro de 2009)

Ainda que estejam em construção mais de 100 empreendimentos de geração, diversas análises indicam que
haverá um estreito balanço entre oferta e demanda no Brasil até 2010. O governo prevê a necessidade de
investimentos da ordem de US$7 bilhões por ano para expandir a matriz energética brasileira a níveis
satisfatórios para atendimento da demanda.

BALANÇO OFERTA

Introdução
X DEMANDA

T ip o
Historicamente, a elasticidade entre o crescimento da demanda de energia e o PIB é superior a 1, ou seja, a

Central Geradora Hidrelét


demanda de energia cresce a taxas superiores ao PIB. Esta é uma característica comum a países em
desenvolvimento.

11,8

Central Geradora Eolielétr


8,6

6,0 6,4 6,3


5,3 5,7
4,9 5,1 4,7
4,6 4,2 4,2 4,6 4,5
3,6 3,8 4,3 3,9
2,9 3,7
2,5 2,7 2,7 2,7
1,3 1,0
0,8
0,2

Pequena Central Hidrelétr -7,9

Central Geradora U ndi-Elé


70/80 80/90 90/99 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006

Crescimento da Carga (% a.a.) PIB (% a.a.)

Fonte: IBGE

Central Geradora Solar Fo


Apesar do gráfico acima demonstrar relativa folga de oferta de energia em comparação com o crescimento do
PIB (salvo para os anos do racionamento), para o sistema elétrico brasileiro não é adequado comparar oferta
versus demanda em termos de capacidade instalada versus demanda máxima como feito em outros países. Isto
porque o parque gerador brasileiro não apresenta dificuldades em atender a demanda de ponta (potência), mas
sim em suprir esta demanda ao longo do tempo (energia), o que é característico dos sistemas com
predominância hidrelétrica. Por isso, no sistema brasileiro a comparação é feita em termos de oferta versus

U sina Hidrelétrica de Ener


demanda de energia assegurada.

U sina Termelétrica de Ene


A energia assegurada indica a produção máxima de uma usina de forma sustentável, mesmo na ocorrência de
uma seca severa. Uma hidrelétrica típica tem energia assegurada em torno de 55% de sua capacidade
instalada, enquanto uma térmica a gás natural tem uma energia assegurada de 90% de sua capacidade
instalada.

O gráfico abaixo apresenta o histórico do balanço oferta física x demanda de energia no Brasil de 1990 até
2006.

Fonte: PSR Consultoria


55.0
É possível observar um déficit no período de 1996 a 2000, ou seja, os valores de demanda nesse período estão
maiores que a oferta, o que causou o deplecionamento nos reservatórios do sistema e culminou no
racionamento de energia em 2001. Como conseqüência do racionamento, houve uma grande redução na

50.0
demanda em 2001, esta redução de demanda não foi recomposta aos níveis originais após o fim do
racionamento e resultou em uma sobre-oferta de energia, que se manteve pelos quatro anos seguintes.

Hidrelétricas de Grande Porte

No PDE 2007-2016, o MME estima que as principais dificuldades para a implementação de novos projetos
hidrelétricos de grande porte para entrada em operação a partir de 2014 estão relacionadas à falta de estudos
de viabilidade. Durante muito tempo o Governo Brasileiro não investiu na realização de estudos de

45.0
viabilidade de novos potencias hidrelétricos. Estes estudos estão sendo retomados pela EPE, mas poderão
levar um longo tempo para serem concluídos. Deve-se ressaltar também que, naturalmente, os potencias
hidrelétricos mais econômicos e com menor impacto ambiental já foram, em sua maioria, já explorados.

Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs)

Esta tecnologia já é bastante madura e amplamente conhecida no setor, o que permitiu ao longo dos anos uma
redução dos custos de instalação e disponibilidade de equipamentos eficientes. Apesar de possuir menor

40.0
porte, seu preço é competitivo em relação ao das hidrelétricas tradicionais, tendo em vista: (i) a possibilidade
de utilização de regime fiscal em lucro presumido; (ii) maior facilidade na obtenção de licenciamento
ambiental, (iii) isenção de pagamento de UBP, (iv) isenção do pagamento dos encargos de P&D; (v) menor
prazo de implementação e manutenção do investimento e (vi) isenção do pagamento da compensação
financeira pelo uso dos recursos hídricos. Além disso, a exploração de potenciais hidráulicos por PCHs

35.0
prescinde de processo licitatório para obtenção da outorga, bastando ao empreendedor obter mera autorização
da ANEEL.

Adicionalmente, as PCHs são atualmente muito atrativas para comercialização de energia no mercado livre
devido à regulamentação da contratação incentivada, a qual prevê redução nas tarifas de
distribuição/transmissão dos geradores e dos respectivos consumidores dessa energia. De acordo com a Lei
9.427/1996, fontes alternativas (PCH, biomassa, eólica e solar) têm direito a um desconto de no mínimo 50%
nas tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição associados. O direito a esse desconto é estendido
também aos consumidores desta energia limpa, a chamada “energia incentivada”.

O desenvolvimento deste mercado apresenta as seguintes vantagens: (i) a possibilidade de combinar a


produção desses geradores com a produção de outros geradores, de modo a compensar períodos de baixa
produção; (ii) a possibilidade de comercializar a energia incentivada com comercializadores sem que o
consumidor adquirente desta energia perca o benefício do desconto ao contratar com o comercializador, o que
implica oportunidades de venda de energia relevantes, uma vez que terão acesso a um segmento de mercado
atualmente cativo que não tem possibilidade de se tornar livre a menos que adquira energia de geradores
incentivados.
Em termos de desenvolvimento sócio-ambiental, as PCHs promovem geração distribuída local, diferente das
grandes hidrelétricas e das usinas termelétricas. Projetos de pequena escala apresentam vantagens específicas
para o local, principalmente em relação à confiabilidade na transmissão. O potencial hidrelétrico do Brasil é
um dos maiores do mundo e contribui com a maior parcela na matriz energética nacional. Os maiores
aproveitamentos hidrelétricos são concentrados na maioria em regiões isoladas, tornando os pequenos
empreendimentos importantes

Considera-se, ainda, que a geração descentralizada de energia contribui ao desenvolvimento sustentável,


sendo esta, freqüentemente, a tendência brasileira já que, dentre outras vantagens, o sistema elétrico tem
menos perdas e a economia local recebe mais ingressos. Ao mesmo tempo, a integração regional,
desenvolvida através de uma rede descentralizada conectada à rede diminui a vulnerabilidade do fornecimento
de energia elétrica.

Energia Eólica

A também denominada energia dos ventos pode ser explicada, em termos físicos, como a energia cinética
formada nas massas de ar em movimento. Seu aproveitamento é feito por meio da conversão da energia
cinética de translação em energia cinética de rotação. Para a produção de energia elétrica, são utilizadas
turbinas eólicas, também conhecidas como aerogeradores.

As primeiras experiências para geração de eletricidade por meio dos ventos surgiram no final do século XIX.
Em 1976, na Dinamarca, a primeira turbina eólica comercial ligada à rede elétrica pública. Atualmente,
existem mais de 30.000 MW de capacidade instalada no mundo. A maioria dos projetos está localizada na
Alemanha, na Dinamarca, na Espanha e nos Estados Unidos. No Brasil, os primeiros anemógrafos
computadorizados e sensores especiais para medição do potencial eólico foram instalados no Ceará e em
Fernando de Noronha (PE) no início dos anos 1990.

O mercado global de energia eólica atingiu recentemente um ponto que o coloca no rumo do desenvolvimento
em larga escala. Depois de quase uma década de formação de políticas, aprovações de projetos e algumas
instalações esporádicas, o mercado mundial terminou o ano de 2007 com 94 GW de capacidade instalada. No
gráfico abaixo, é possível observar esta evolução ao longo dos anos.
94,19

74,1

58,9
47,4
39,2
31,1
23,8
17,3
13,5
7,6 10,1

1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007
GW

Fonte: EarthTrends 2008, utilizando dados do IEA 2007

Outro fator relevante para a recente evolução deste mercado é o desenvolvimento de novas tecnologias que
permitem a produção de turbinas de maior potência. De uma turbina com capacidade de 50 kW utilizando pás
de 15 metros de diâmetro, desenvolvidas em 1980, a tecnologia evoluiu para de turbinas com capacidade de 5
MW e pás com diâmetro de 124 metros para instalação em parques marítimos, conforme ilustra a figura
abaixo.
1
5,000 kW
∅ 124m
∅ = Diametro do Rotor

2,000 kW
∅ 80m

600 kW
500 kW ∅ 50m
∅ 40m
100 kW
50 kW
∅ 20m
∅ 15m

1980 1985 1990 1995 2000 2003

Fonte: EWEA

A capacidade instalada atualmente no Brasil é da ordem de 247 MW, representando apenas 0,18% do
potencial estimado brasileiro de 143,5 GW, de acordo com o Atlas Eólico Brasileiro. Tal sub-aproveitamento
deve-se ao alto custo de instalação de parques eólicos no país, devido à falta de escala dos projetos
desenvolvidos até hoje. Esta carência de escala fez com que grandes fabricantes não se interessassem pelo
suprimento de turbinas, situação que dá indícios de estar superada.

Do potencial eólico brasileiro, 4,7 GW já foram autorizados, dos quais 247 MW estão em operação. As áreas
com maior potencial eólico encontram-se nas regiões Nordeste, Sul e Sudeste.

Estima-se que o potencial eólico bruto mundial seja da ordem de 500.000 TWh/ano do qual, estima-se que no
mínimo 10% seja tecnicamente aproveitável, o que corresponde a cerca de quatro vezes o consumo mundial
de eletricidade.

A geração de energia elétrica por meio de turbinas eólicas constitui uma alternativa para diversos níveis de
demanda. As pequenas centrais podem suprir pequenas localidades distantes da rede, contribuindo para o
processo de universalização do atendimento.

As centrais de grande porte têm potencial para atender uma significativa parcela dos Sistemas Nacionais com
importantes ganhos, contribuindo para a redução da emissão pelas usinas térmicas, de poluentes atmosféricos,
diminuindo a necessidade da construção de grandes reservatórios ou reduzindo o risco gerado pela
sazonalidade hidrológica.

Outro benefício desta fonte renovável, que pode vir no futuro a contribuir para viabilizar estes projetos,
refere-se à perspectiva de venda de créditos de carbono por ser uma tecnologia de geração limpa de energia.
Não obstante tais vantagens, a regulamentação setorial em vigor concede ainda descontos nas tarifas de uso
dos sistemas de distribuição/transmissão tanto para à usina eólica quanto para o usuário de sua energia, caso
este seja um consumidor livre ou incentivado, nos termos da regulação da ANEEL.

ASPECTOS REGULATÓRIOS

Concessões

As empresas ou consórcios que desejam construir ou operar instalações para geração, transmissão ou
distribuição de energia no Brasil devem solicitar ao MME ou à ANEEL, uma concessão, permissão ou
autorização, conforme o caso. Concessões dão o direito de gerar, transmitir ou distribuir energia em
determinada área de concessão por um período determinado. Esse período é normalmente de 35 anos para
novas concessões de geração, e de 30 anos para novas concessões de transmissão ou distribuição. Concessões
existentes de geração poderão ser renovadas, a critério do Poder Concedente, por um período adicional de 20
anos.

A Lei de Concessões estabelece, entre outros fatores, as condições que a concessionária deve cumprir ao
prestar serviços de relacionados ao mercado energético, os direitos dos consumidores, bem como as
obrigações das concessionárias e do Poder Concedente. Os principais dispositivos da Lei de Concessões estão
resumidos como segue:

• Serviço adequado. A concessionária deve prestar adequadamente serviço regular, contínuo, eficiente
e seguro.

• Uso de terrenos. A concessionária poderá usar terrenos públicos ou solicitar que o Poder Concedente
declare de utilidade pública terrenos privados necessários à prestação de serviços em benefício da
concessionária para fins de desapropriação. Em tal caso, a concessionária deve indenizar os
proprietários dos terrenos desapropriados.

• Responsabilidade objetiva. A concessionária é objetivamente responsável pelos danos diretos e


indiretos resultantes da prestação inadequada dos serviços de geração de energia, tal como
interrupções abruptas no fornecimento e variações na voltagem que eventualmente causem
perturbações ao sistema elétrico.
• Alterações na participação controladora. O Poder Concedente deve aprovar previamente qualquer
alteração direta ou indireta de participação controladora na concessionária.

• Intervenção pelo Poder Concedente. O Poder Concedente poderá intervir na concessão a fim de
garantir o desempenho adequado dos serviços e o cumprimento integral das disposições contratuais e
regulatórias. Dentro de 30 dias da data do decreto que autoriza a intervenção, o Poder Concedente
deve dar início a um processo administrativo em que a concessionária tem direito de contestar a
intervenção. Durante o processo administrativo, um interventor nomeado pelo Poder Concedente
passa a ser responsável pela manutenção e continuidade da prestação dos serviços e da própria
concessão. Caso o processo administrativo não seja concluído dentro de 180 dias da data do decreto,
a intervenção cessa e a administração da concessão é devolvida à concessionária. A administração da
concessão é também devolvida à concessionária se o interventor decidir não terminar
antecipadamente a concessão.

• Término antecipado da concessão. O término do contrato de concessão poderá ser antecipado por
meio de encampação ou caducidade. Encampação consiste no término prematuro de uma concessão
por razões relacionadas ao interesse público, que devem ser expressamente declaradas por lei. Já
caducidade deve ser declarada pelo Poder Concedente, depois da ANEEL ou o MME ter emitido um
despacho administrativo final atestando que a concessionária, entre outros fatores, (i) deixou de
prestar serviços adequados ou de cumprir a legislação ou regulamentação aplicável, ou (ii) não tem
mais capacidade técnica, financeira ou econômica para prestar serviços adequados. A concessionária
pode contestar a encampação ou caducidade em juízo. A mesma tem, ainda, direito à indenização por
seus investimentos em ativos reversíveis que não tenham sido integralmente amortizados ou
depreciados, após dedução de quaisquer multas e danos devidos pela concessionária.

• Término por decurso do prazo. Quando a concessão expira, todos os ativos relacionados à prestação
dos serviços de energia são revertidos ao Poder Concedente. Depois do término, a concessionária
tem direito de indenização por seus investimentos em ativos revertidos que não tenham sido
integralmente amortizados ou depreciados.

Autorizações

As PCHs são usinas hidrelétricas com capacidade instalada superior a 1 MW e até 30 MW, que atuam na
modalidade de Produtores Independentes de Energia Elétrica (PIE) ou autoprodutores de Energia Elétrica,
estando sujeitas ao regime jurídico da autorização para produção de energia elétrica. Ao contrário das
concessões tradicionais de uso de bem público (potenciais hidráulicos superiores a 30 MW) ou do regime de
prestação de serviço público de geração de energia elétrica, as autorizações para exploração de PCHs não
requerem licitação prévia e são mais flexíveis e menos onerosas que as concessões. As PCHs são outorgadas a
título gratuito e são dispensadas do pagamento pelo uso do recurso hídrico (conforme § 4º do artigo 26 da Lei
9.427/96).

Os titulares das autorizações, desde que arquem com os ônus das indenizações correspondentes, têm o direito
de promover, em seu próprio nome, as desapropriações e instituir as servidões administrativas de bens
declarados de utilidade pública pela ANEEL, necessárias ou úteis à construção e posterior operação das PCHs
e suas instalações de transmissão de interesse restrito.

De acordo com as autorizações, os atos que visem à modificação e ampliação das PCHs, transferência a
terceiros dos bens ou instalações e cessão dos direitos decorrentes das autorizações, requerem aprovação
prévia pela ANEEL.

As autorizações das PCHs são válidas por 30 (trinta) anos, podendo ser prorrogadas a critério da ANEEL. Os
direitos decorrentes das autorizações, incluídos aqueles sobre a exploração de potencial hidráulico, podem ser
cedidos para outra empresa ou consórcio de empresas, desde que mediante prévia autorização da ANEEL.
No Brasil, o PIE pode contratar livremente os preços (e não tarifas) de venda de energia elétrica, o que não
seria possível se sua atividade econômica fosse regida pelas regras aplicáveis às concessionárias de serviços
públicos.

A fim de permitir a utilização da energia produzida nas PCHs, os titulares das autorizações têm o direito de
acessar livremente os sistemas de transmissão e distribuição, mediante pagamento dos respectivos encargos
de uso e conexão, quando devidos. Nos termos da Resolução ANEEL 77 e da Lei 9.427 , as PCHs têm direito
ao desconto mínimo de 50% nas tarifas de uso dos referidos sistemas pela transmissão de energia gerada.

Penalidades

A regulamentação da ANEEL prevê a imposição de sanções contra os agentes do setor e classifica as multas
com base na natureza e severidade da infração (inclusive advertências, multas, suspensão temporária do
direito de participar de processos de licitação para novas concessões, permissões ou autorizações e
caducidade). Para cada infração, as multas podem chegar a até 2% do faturamento, ou do valor estimado da
energia produzida nos casos de autoprodução e produção independente, correspondente aos últimos doze
meses anteriores à lavratura do auto de infração, ou estimados para um período de doze meses caso o infrator
não esteja em operação ou esteja operando por um período inferior a doze meses. Algumas infrações que
podem resultar em multas referem-se às falhas dos agentes setoriais em solicitar a prévia e expressa
autorização da ANEEL para determinados atos, inclusive:

• celebração de contratos entre partes relacionadas; e

• venda ou cessão de ativos relacionados aos serviços prestados, assim como a imposição de qualquer
ônus sobre esses ativos.

TÉRMINO ANTECIPADO DAS AUTORIZAÇÕES

As autorizações perdem sua validade quando do término do prazo fixado pelo Poder Concedente. No entanto,
o Poder Concedente pode extinguir as autorizações antes do prazo fixado, caso a respectiva autorizada cometa
alguma das infrações listadas abaixo, consideradas razões que ensejam a extinção das autorizações antes do
prazo:

• comercializar energia em desacordo com as prescrições da legislação específica e das próprias


autorizações;

• descumprir as obrigações decorrentes das autorizações e da legislação de regência;

• transferência a terceiros dos bens e instalações sem prévia e expressa autorização da ANEEL;

• não recolhimento de multa decorrente de penalidade imposta por infração;

• descumprimento de notificação da ANEEL para regularizar a exploração das PCHs; ou

• solicitação das respectivas autorizadas.

Ao término das autorizações, não havendo prorrogação do prazo, os bens e instalações vinculados à produção
de energia elétrica nas PCHs poderão passar a integrar o patrimônio da União Federal, a seu exclusivo
critério, mediante indenização (apurada por auditoria do Poder Concedente) dos investimentos realizados,
desde que tais investimentos tenham sido previamente autorizados e ainda não amortizados. A ANEEL
também pode exigir que as autorizadas restabeleçam o livre escoamento das águas do rio no qual está
implantada a PCH.
PRINCIPAIS AUTORIDADES

Ministério de Minas e Energia – MME

O MME é o órgão do Governo Federal responsável pela condução das políticas energéticas do país. Suas
principais obrigações incluem a formulação e implementação de políticas para o setor energético, de acordo
com as diretrizes definidas pelo CNPE. O MME é responsável por estabelecer o planejamento do setor
energético nacional, monitorar a segurança do suprimento do Setor Elétrico Brasileiro e definir ações
preventivas para restauração da segurança de suprimento no caso de desequilíbrios conjunturais entre oferta e
demanda de energia.

Após a aprovação da Lei do Novo Modelo do Setor Elétrico, o Governo Federal, atuando basicamente por
meio do MME, assumiu certas obrigações que estavam previamente sob a responsabilidade da ANEEL,
destacando-se a outorga de concessões e a emissão de instruções regulando o processo de licitação para
concessões referentes aos serviços públicos.

Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL

O setor de energia elétrica do Brasil é também regulado pela ANEEL. Depois da promulgação da Lei do
Novo Modelo do Setor Elétrico, a principal responsabilidade da ANEEL passou a ser de regular e
supervisionar o setor de energia elétrica em linha com a política a ser ditada pelo MME. As atuais
responsabilidades da ANEEL incluem, entre outras:

• administrar concessões para atividades de geração, transmissão e distribuição de energia, inclusive


com o controle das tarifas praticadas por referidos agentes;

• fiscalizar a prestação de serviços pelas concessionárias e impor as multas aplicáveis;

• promulgar normas para o setor elétrico de acordo com a legislação em vigor;

• implantar e regular a exploração de fontes de energia, inclusive o uso de energia hidrelétrica;

• promover licitações para novas concessões;

• resolver disputas administrativas entre os agentes do setor; e

• definir os critérios e a metodologia para determinação de tarifas de transmissão.

Conselho Nacional de Política de Energia – CNPE

Em agosto de 1997, o Conselho Nacional de Política Energética – CNPE, foi criado para assessorar o
Presidente da República no desenvolvimento da política nacional de energia. O CNPE é presidido pelo MME,
e a maioria de seus membros é formada por ministros do governo. O CNPE foi criado para otimizar o uso dos
recursos de energia do Brasil e para garantir o fornecimento de energia no País.

Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS

Criado em 1998, o ONS é uma entidade de direito privado sem fins lucrativos constituída por geradores,
transmissores, distribuidores, consumidores livres e comercializadores. A Lei do Novo Modelo do Setor
Elétrico concedeu ao governo poder para indicar três diretores para a Diretoria Executiva do ONS. O papel
básico do ONS é coordenar e controlar as operações de geração e transmissão do Sistema Elétrico Interligado
Nacional, sujeito à regulamentação e supervisão da ANEEL.

Os objetivos e as principais responsabilidades do ONS incluem:


• ordenar os despachos dos agentes geradores, inclusive termelétricos, quando despachados
centralizadamente;

• planejamento operacional para o setor de geração;

• organização do uso do SIN e interligações internacionais;

• garantir aos agentes do setor acesso à rede de transmissão de maneira não discriminatória;

• assistência na expansão do sistema energético;

• propor ao MME os planos e diretrizes para extensões da Rede; e

• apresentação de regras para operação do sistema de transmissão para aprovação da ANEEL.

Mercado Atacadista de Energia - MAE e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE

Originalmente uma entidade auto-regulada, o órgão de mercado, a partir de 2002, passou a estar sujeito à
supervisão e regulamentação da ANEEL. O MAE era responsável pela contabilização e pela liquidação das
diferenças no mercado de energia de curto prazo entre seus agentes participantes.

Em 12 de agosto de 2004, o Governo editou um decreto estabelecendo a regulamentação aplicável à nova


CCEE e, dessa forma, em 10 de novembro de 2004 o MAE foi sucedido pela CCEE e suas atividades e ativos
foram absorvidos por esse novo órgão de mercado. Tal como o MAE, a CCEE é constituída por agentes de
geração, distribuição, comercialização e consumidores livres.

Um dos principais papéis da CCEE é realizar, mediante delegação da ANEEL, leilões públicos no Ambiente
de Contratação Regulada. Além disso, a CCEE é responsável por (i) registrar os contratos de comercialização
de energia no Ambiente de Contratação Regulada, os contratos resultantes de contratações de ajustes e os
contratos celebrados no Ambiente de Contratação Livre, e (ii) contabilizar e liquidar as transações de curto
prazo.

Empresa de Pesquisa Energética – EPE

Criada em agosto de 2004, a Empresa de Pesquisa Energética, ou EPE é responsável por conduzir pesquisas
estratégicas no setor de energia Elétrica, inclusive com relação à energia elétrica, petróleo, gás, carvão e
fontes energéticas renováveis. As pesquisas realizadas pela EPE serão usadas para subsidiar o MME em seu
papel de elaborador de programas para o setor energético nacional.

Comitê de Monitoramento do Setor de Energia

A Lei do Novo Modelo do Setor Elétrico autorizou a criação do CMSE, que atua sob a direção do MME. O
CMSE é responsável pelo monitoramento das condições de fornecimento do sistema e pela indicação das
providências necessárias para a correção de problemas identificados.

Outras instituições: ANA, IBAMA e Órgãos Estaduais

A ANA é responsável pela regulação do uso da água em lagos e rios sob o domínio federal. Seus objetivos
incluem a garantia da qualidade e quantidade da água, para atender seus usos múltiplos. Adicionalmente, a
ANA deve implementar o Plano Nacional de Monitoramento de Recursos Hídricos, uma série de mecanismos
que buscam o uso racional dos recursos hídricos do país.
O IBAMA é a agência ambiental ligada ao Ministério do Meio Ambiente e responsável pelo monitoramento
ambiental em âmbito nacional e regional. O IBAMA também é responsável, em âmbito nacional e regional
pelo licenciamento ambiental de qualquer atividade poluente ou que tenha impacto ambiental.

Por fim, em caso de rios sob o domínio estadual e de empreendimentos cujo impacto ambiental não ultrapasse
as divisas entre estados, os órgãos ambientais estaduais, a exemplo da Superintendência de Recursos Hídricos
(SRH) e o Centro de Recursos Ambientais (CRA) do Estado da Bahia assumem as respectivas
responsabilidades.

O NOVO MODELO PARA O SETOR

Sumário

A Lei do Novo Modelo do Setor Elétrico introduziu alterações relevantes na regulamentação do setor elétrico
brasileiro visando (i) fornecer incentivos aos agentes privados e públicos para construir e expandir a
capacidade de geração de energia e (ii) garantir o fornecimento de energia no Brasil a tarifas módicas por
meio de processos de leilões públicos de compra e venda de energia elétrica. As principais características da
Lei do Novo Modelo do Setor Elétrico incluem:

• Criação de dois ambientes paralelos para comercialização de energia, sendo (i) um para empresas de
distribuição, chamado Ambiente de Contratação Regulada (ACR); e (ii) outro mercado para
consumidores livres e empresas de comercialização de energia, PIEs, agentes importadores,
exportadores e demais agentes de geração, em que ocorrem operações de compra e venda de energia
elétrica livremente entre os participantes, porém a preços controlados pela ANEEL.

• Restrições a certas atividades de distribuidoras, de forma a garantir que estejam voltadas apenas a
seu principal negócio, a fim de assegurar serviços mais eficientes e confiáveis a seus consumidores.

• Proibição do self-dealing, impedindo as distribuidoras de contratarem energia de partes relacionadas,


de forma a assegurar a aplicação de tarifas módicas ao usuário.

• Cumprimento dos contratos assinados antes da Lei do Novo Modelo do Setor Elétrico, a fim de
proporcionar estabilidade às transações realizadas antes de sua promulgação.

• Proibição das distribuidoras venderem eletricidade aos consumidores livres a preços não regulados.

• Proibição das distribuidoras exercerem atividades de geração ou transmissão de energia elétrica, bem
como participarem em outras sociedades de forma direta ou indireta.

• Exclusão da Eletrobrás e suas subsidiárias do Plano Nacional de Desestatização, programa criado


pelo governo em 1990 visando promover o processo de privatização das empresas estatais.

Contestações à Constitucionalidade da Lei do Novo Modelo do Setor Elétrico

O Novo Modelo do Setor Elétrico, instituído pela Medida Provisória nº 144, posteriormente convertida pelo
Congresso Nacional na Lei nº 10.848, de 15 de março de 2004, teve sua constitucionalidade contestada
perante o STF por meio de ações diretas de inconstitucionalidade, ajuizadas em dezembro de 2003 (ADIs nº
3090 e 3100).

Os autores das ações alegavam invalidade da Medida Provisória em face do disposto no artigo 246 da
Constituição Federal, segundo o qual é proibida a adoção de medida provisória na regulamentação de
dispositivo constitucional cuja redação tenha sido “alterada por meio de emenda promulgada entre 1º de
janeiro de 1995 até a promulgação desta emenda” (Emenda 32, de 11 de setembro de 2001). Segundo a tese
defendida na ação, a Medida Provisória teria regulamentado o art. 176 §1º da Constituição Federal, alterado
pela Emenda Constitucional nº 6, de 15 de agosto de 1995.
Em 11 de outubro de 2006, o STF julgou em caráter liminar, por 7 votos a 4, que a edição da Medida
Provisória n° 144 para reger o setor elétrico não confrontava com o artigo 246 da Constituição Federal. O
entendimento do STF foi de que o art. 176, §1º não foi substancialmente alterado quanto à possibilidade de
concessões para exploração e aproveitamento dos potenciais de energia hidráulica e que a emenda à
Constituição não tinha por objetivo proibir o uso de medidas provisórias para regulamentar o setor elétrico.

Não obstante o julgamento da medida liminar considerar o novo modelo válido, não foi apreciado o mérito da
ação e uma decisão final sobre o tema depende do voto favorável da maioria dos Ministros do STF, em sessão
cujo quorum mínimo é de 8 ministros (neste caso, com maioria qualificada de 6 ministros). Não existe ainda
uma decisão sobre este mérito e, portanto, a Lei do Novo Modelo do Setor Elétrico continua em vigor.

Se a Lei do Novo Modelo do Setor Elétrico for considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal,
o marco regulatório introduzido pela Lei do Novo Modelo do Setor Elétrico poderá perder a sua eficácia,
gerando incertezas.