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Qualidade nas manchetes de Diário Catarinense e Jornal de Santa Catarina: o resultado da evolução

Qualidade nas manchetes de Diário Catarinense e Jornal de Santa Catarina: o resultado da evolução técnica e histórica 1 2

Thiago CAMINADA 3

Kamila DIAS 4

Universidade do Vale do Itajaí, Itajaí, SC

RESUMO

O jornalismo é fruto de um processo complexo de definição de sua função social e avanços

técnicos e tecnológicos. Esta evolução se reflete em todos os meios e também no impresso desde a sua capa e, assim também, na constituição e diagramação de suas manchetes, chamadas e títulos. Dessa forma, esta pesquisa investigou de forma comparativa a qualidade jornalística dos títulos e manchetes de capa dos jornais Diário Catarinense e

Jornal de Santa Catarina com base nas instruções de manuais. A investigação tem como objetivo analisar os padrões de qualidade das manchetes de capa desses jornais impressos catarinenses. Pertencentes ao mesmo grupo, mas com abrangências diferentes, os veículos foram observados através da técnica da Análise de Conteúdo para aferir a qualidade das manchetes e demais chamadas da capa. As análises mostraram que, de modo geral, ambos os jornais seguem os padrões de qualidade nas suas capas e apresentaram notável padronização em sua organização editorial.

Palavras-chave: Manchete; Título; Qualidade; Capa; História do Jornalismo Impresso.

Introdução

O percurso histórico trilhado pelo jornalismo desde a sua pré-história, se assim

podemos dizer, com as folhas volantes até os dias atuais nos mais variados meios

disponíveis tem como preocupação marcante a organização das informações. Na verdade, a

escolha de palavras-chave, a capacidade de resumir em poucas palavras e linhas acompanha

o homem desde o desenvolvimento da escrita (BERTOLINI, 2004). Esse processo de

evolução acompanha o fazer jornalístico e o transforma em seus aspectos técnicos, éticos e

1 Trabalho apresentado no GT História da Mídia Impressa integrante do 11º Encontro Nacional de História da Mídia.

2 Artigo originalmente composto como instrumento de avaliação da disciplina Iniciação Científica, sexto período, na graduação em Jornalismo na Universidade do Vale do Itajaí.

3 Coautor e orientador do trabalho, mestre em Jornalismo (UFSC), docente de Jornalismo na Universidade do Vale do Itajaí.

4 Autora, acadêmica de Jornalismo (7º período)

estéticos e incidem nos processos de produção, circulação e consumo jornalísticos. Neste artigo trataremos

estéticos e incidem nos processos de produção, circulação e consumo jornalísticos. Neste artigo trataremos brevemente da evolução das técnicas de titulação e composição de manchetes jornalísticas 5 e da preocupação com a qualidade no campo profissional, culminando nos atuais parâmetros de qualidade de títulos e manchetes.

Por sua vez, o público está sempre inserido nessas mudanças e adaptações. Para garantir a atenção para as notícias de relevância e, com isso, chamar a atenção do público- alvo é necessário dedicar-se na capa do jornal impresso. Para esse resultado é necessário um padrão de qualidade e profissionais com excelência ao produzirem os títulos e manchetes de capas de determinados jornais. Por isso, investigamos quais são os padrões técnicos utilizados na composição das manchetes no Diário Catarinense e no Jornal de Santa Catarina? Quais são as semelhanças

e as diferenças ao tratá-las? Observando esses questionamentos, esta pesquisa tem como

objetivo geral a análise dos padrões de qualidade das manchetes de capa dos jornais impressos Diário Catarinense e Jornal de Santa Catarina. Esse objetivo geral divide-se nos

seguintes específicos: verificar e sistematizar os padrões encontrados nos títulos, comparar

a composição de titulação dos veículos analisados e estabelecer parâmetros de verificação

de qualidade nos jornais impressos. ´ Como objeto empírico desta pesquisa, o Jornal de Santa Catarina foi lançado em 21 de setembro 1971 para fazer parte da primeira rede de comunicação catarinense, juntamente com a TV Coligadas e a cadeia de emissoras de rádio associadas. Para Fernandes (2005, p.

59), o jornal sediado em Blumenau e com abrangência em todas as cidades do estado inaugurou a “era da modernização” da imprensa catarinense com impressão “off-set [e]

privilégio apenas dos grandes diários das principais capitais

brasileiras”. Após passar por uma série de crises e por diferentes proprietários, o Santa foi

sistema de composição [

],

comprado em 1992 pela RBS. Dessa forma, passou a integrar, pela segunda vez em sua história, a uma rede de comunicação, só que desta vez um conglomerado midiático de porte nacional. Sob o controle da empresa gaúcha, o diário tornou-se regional. Em 2016, com a venda da RBS em Santa Catarina, o Santa passa para o controle de um terceiro grande grupo empresarial em sua história.

5 Seguimos o referencial de Melo (1985) e Comasseto (2003), além do manuais utilizados na pesquisa empírica, para considerar manchetes, chamadas e títulos como elementos similares no jornalismo impresso.

Já o Diário Catarinense , por sua vez, foi pensado e criado pelo Grupo RBS.

Já o Diário Catarinense, por sua vez, foi pensado e criado pelo Grupo RBS. Valente

(2005) conta que após as tentativas frustradas de compra de “O Estado”, os Sirostsky resolveram iniciar o projeto de criação de um jornal em Florianópolis no ano de 1984. Fundado em 5 de maio de 1986, o DC foi a primeira redação do Brasil a ser totalmente

informatizada.

Os jornais catarinenses Jornal de Santa Catarina (Santa) e Diário Catarinense (DC)

são líderes em leitura em suas versões impressas. O Santa lidera na região do Vale do Itajaí com mais de 106 mil leitores diários alcançados, e o DC é líder no estado de Santa Catarina,

alcançando 400 mil leitores no impresso, segundo a Métrica Única de Audiência, realizada pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a empresa de pesquisa de mercado Ipsos (2014).Com trajetórias distintas, ambos os periódicos pertenciam ao Grupo RBS e foram comprados pelo Grupo NC em março de 2016. Observando de forma mais abrangente, os jornais impressos brasileiros noticiam com maior confiabilidade quando comparados a outros meios de comunicação. Segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia 2015, 53% dos entrevistados afirmaram confiar nas notícias publicadas na mídia impressa. Mesmo que somente 28% dos entrevistados tenham confiança nas notícias dos jornais divulgadas pela internet, é notável que as pessoas possuam o hábito de ler o que está divulgado online. Isso porque as inovações tecnológicas estão no cotidiano das pessoas e, por já estar conectado, o acesso fica ainda mais fácil.

O processo de qualidade no jornalismo

Os profissionais responsáveis pela produção dos jornais nas redações estão pensando cuidadosamente sobre a qualidade dos serviços jornalísticos em toda sua rotina. A atenção é cotidiana, sem possibilidades de falhas. Isso acontece devido à visão do mercado, apresentando as notícias como um produto. Para Christofoletti (2010), o mercado jornalístico absorveu com alguma relutância a noção de que a notícia é um produto, que seu processo de produção se dá em larga escala e que, para a sobrevivência das empresas do ramo e do jornalismo em geral, é necessário atingir padrões mínimosde qualidade na oferta dos serviços.

O cuidado que se deve ter é, basicamente, o padrão de qualidade ao ofertarem os

produtos e serviços jornalísticos (CHRISTOFOLETTI, 2010). Isto devido às inovações das

tecnologias de comunicação e ao fácil acesso às informações diárias. Tornando-se um desafio demorado, inadiável

tecnologias de comunicação e ao fácil acesso às informações diárias. Tornando-se um desafio demorado, inadiável e exigido de cada profissional responsável por determinada função no fazer jornalístico, pois a transmissão das informações ao leitor com qualidade e credibilidade é de grande importância quando atribuídas à disputa por audiências (CERQUEIRA, 2010). Os profissionais jornalistas alcançar a satisfação do leitor, buscando a fidelidade e a confiança do mesmo, para que seja sempre a preferência daqueles que buscam a mídia impressa. No entanto, deve-se ressaltar que a função do jornalista não se preocupa somente com a venda do seu produto jornalístico, mas também em transmitir informações conforme as necessidades de seu público-alvo (PINTO; MARINHO, 2003). Para as empresas jornalísticas, é necessário atingir padrões mínimos de qualidade na oferta dos serviços, tendo como objetivo a conservação do jornal impresso, mídia que enfrenta dificuldades devido à popularização de novas tecnologias. Desta maneira, é possível ressaltar que os padrões de qualidade estão, conscientemente, nas exigências de desempenho das empresas jornalísticas aos seus profissionais. “Paulatinamente, qualidade se torna um conjunto de esforços e de vontade de mudanças no ambiente do jornalismo e no próprio fazer jornalístico.” (CHRISTOFOLETTI, 2010, p. 5). Um processo histórico, técnico e tecnológico de evolução do campo profissional e também acadêmico.

Títulos e manchetes no jornalismo: um percurso de aperfeiçoamento

A manchete tem grande potencial de convencimento. É através dela que o público

considera o que realmente vale a pena ler. Desta forma, a leitura de todo o texto,

inicialmente, depende da manchete do jornal, sendo ela instigante ou não ao leitor.

A manchete mostra a notícia de forma abreviada e objetiva, porém não deixa de

manifestar o ponto de vista do jornal. Para Pêcheux (apud MARECO; PASSETI, 2010), o sentido dos enunciados não é realizado sozinho, é produzido por intermédio de práticas de

ideias presentes no processo sócio histórico da construção dos enunciados. É o profissional que realiza esse processo, sendo de forma consciente ou inconsciente.

O título é um elemento relativamente novo no jornalismo, foi inspirado nos livros,

servindo somente para separar conteúdos. As letras eram iguais ao restante do texto e se misturavam com data e o decorrer do material. A imprensa foi se aperfeiçoando, e com isso,

os títulos foram utilizados para outros fins. O design da página é um exemplo para

os títulos foram utilizados para outros fins. O design da página é um exemplo para utilizar o título, sendo responsável, inclusive, pela venda dos jornais (BERTOLINI, 2014). Na tentativa de convencimento do outro, são utilizados argumentos para persuadir, fazendo com que o outro associe o mesmo ponto de vista (MARECO; PASSETTI, 2010). Segundo o manual de redação do jornal Folha de S. Paulo, “a maioria dos leitores de um jornal lê apenas o título da maior parte dos textos editados. Por isso, ele é de alta importância. Ou o título é tudo que o leitor vai ler sobre o assunto ou é o fator que vai motivá-lo ou não a enfrentar o texto” (FOLHA DE S.PAULO, 2011). Porém, não é somente com esse método que o jornal pode atingir a escolha do leitor

a determinado jornal. No jornalismo impresso, os assuntos com maior valor-notícia devem ser destacados, desta forma, as manchetes são preferencialmente colocadas no alto, com letras maiores, ocupando uma parte relevante da página. Isso acontece para que o leitor entenda a importância de cada notícia ao jornal, ou seja, é necessário também todo um cuidado estético para atingir um determinado resultado em relação ao número de leitores do jornal (BERTOLINI, 2014). Ao perceberem que a aparência tipográfica influenciava na venda de jornais, Hearst

e Pulitzer, que eram grandes empresários da notícia em Nova York, criaram mudanças em suas capas (BERTOLINI, 2014). Para Comasseto (2003), atualmente, o título está cada vez mais ligado à notícia, se não empregá-lo, o texto perde seu sentido. Dessa forma, “o título serve, portanto, para dar equilíbrio estético à página, anunciar o fato, resumir a notícia e ativar fatores cognitivos que guiam a compreensão. Em geral, deve ser constituído de uma frase, redigida em ordem direta e sempre com verbo, o que garante impacto e expressividade” (BERTOLINI, 2014, p. 44). O leitor com menos tempo ou menos interesse pode ter sua necessidade alcançada com pouco, ou seja, lendo somente os títulos e manchetes da capa. Ou pode, através do título, ler toda a matéria e ter uma informação mais aprofundada (FREIRE, 2009). Então, por ter tanta importância ao texto, os títulos foram se estabelecendo e tornando-se determinantes para a leitura ou não de uma notícia. Segundo Sousa (2005), os títulos devem ser atraentes ao leitor, por ser o primeiro contato para chamar a atenção à notícia. Para Amaral (2006), “um mau título altera, e até mesmo destrói, a qualidade de uma boa matéria”.

As notícias destacadas na capa do jornal, ou seja, posicionadas como manchetes e possuindo títulos

As notícias destacadas na capa do jornal, ou seja, posicionadas como manchetes e

possuindo títulos objetivos e com clareza, possibilitam ter diferentes tipos de leitores e

profundidades de leitura (FREIRE, 2009). Segundo o manual de redação do jornal O Estado

de S. Paulo, “o título deve, em poucas palavras, anunciar a informação principal do texto ou

descrever com precisão um fato” (O ESTADO DE S.PAULO, 1997). Os manuais e suas

seguidas revisões e edições sinalizam esse percurso de mudanças técnicas na história

recente das redações brasileiras.

Aspectos metodológicos

A pesquisa empreendeu análise de qualidade dos títulos nas capas dos jornais Diário

Catarinense e Jornal de Santa Catarina, levando em consideração o contexto de evolução

dos conceitos e aplicações no jornalismo. Foram observadas as manchetes e demais títulos

(chamadas) das capas destes jornais durante uma semana inteira, dos dias 5 a 11 de

setembro de 2016. As capas foram retiradas da página de Facebook dos dois jornais.

Para empreender a observação foi utilizada a técnica de Análise de Conteúdo

(HERSCOVITZ, 2007) para observar o objeto empírico desta investigação: manchetes nas

capas dos jornais Diário Catarinense e Jornal de Santa Catarina, como já explicado. Tem-

se como objetivo geral a análise dos padrões de qualidade dos títulos e das manchetes de

capa dos jornais impressos Diário Catarinense e Jornal de Santa Catarina. E por objetivos

específicos compreende-se: verificar e sistematizar os padrões encontrados nos títulos,

comparar a composição de titulação dos veículos analisados e estabelecer parâmetros de

verificação de qualidade nos jornais impressos.

As manchetes foram classificadas conforme as regras dos manuais de redação de O

Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo. Foram adotadas dez regras desses dois grandes

veículos, por serem referências no meio impresso tanto por seus jornais, quanto pelos

manuais lançados, servindo de modelo e inspiração para muitos profissionais e

organizações jornalísticas. Entre elas estão:

Não usa

Não

Preenche

Forma

Contém

Tempo

Evita

Nº por

Não ofende

Não

pontuações

divide

Espaço

Intencional

verbos

presente

o“já”

extenso

coletividade

repete

sílabas

palavras

6

Os 69 títulos e as capas foram analisados individualmente e classificados conforme esses critérios como

Os 69 títulos e as capas foram analisados individualmente e classificados conforme

esses critérios como serão descritos a seguir.

Análise comparativa entre os dois jornais catarinenses

Nossa análise foca nas manchetes das edições atuais dos veículos impressos. No

entanto, o faz com a consciência do processo técnico e tecnológico que marcou a história do

jornalismo e culminou no atual entendimento de editores, repórteres, diagramadores e

acadêmicos de organização estética, espacial e informacional da capa de um jornal diário.

A análise de qualidade dos títulos nas capas dos jornais Diário Catarinense e Jornal

de Santa Catarina foi realizada observando as manchetes e demais títulos das capas destes

jornais durante uma semana inteira, dos dias 5 a 11 de setembro de 2016. Resultando na

observação de 34 títulos do DC e 35 do Santa, totalizando 69 títulos. Os jornais são diários

e foram publicadas 12 manchetes, dentre os números já citados anteriormente. Para os fins

de semana, ou seja, no sábado e no domingo, é preparada uma única edição em ambos os

jornais. O número de títulos de capa diários do jornal Diário Catarinense vai de cinco a

sete. O Jornal de Santa Catarina tem média semelhante ao DC, de cinco a seis. Para que se

possa analisá-las, é obtido como base os manuais de redação dos jornais O Estado de S.

Paulo e Folha de S. Paulo.

Quadro 1 – Número de títulos e manchetes do dia

VEÍCUL

TÍTULOS

MANCHETES

OS

DC

34

6

SANTA

35

6

TOTAL

69

12

Quadro 2 – Apresentação dos critérios de qualidade adotados e sua incidência

Veículos

Não usa

Não

Preenche

Intencional

Contém

Tempo

Evita

Nº por

Não ofende

Não

pontuações

divide

Espaço

verbos

presente

o

extenso

coletividade

repete

sílabas

“já”

palavras

DC

34

34

0

8

28

33

34

3

34

34

SANTA

35

35

3

12

27

33

34

4

35

29

TOTAL

69

69

3

20

55

66

68

8

69

63

Durante a análise, foi possível perceber que ambos os jornais seguem a regra de pontuação.

Durante a análise, foi possível perceber que ambos os jornais seguem a regra de pontuação. Os títulos devem ser escritos em ordem direta, evitando as pontuações. Ou seja, não usam ponto, dois pontos, ponto de interrogação, ponto de exclamação, reticências, travessão ou parênteses. Apenas utilizaram vírgulas em alguns casos, porém isso não entra nesta regra de pontuação. Como mostra a Figura 1:

Figura 1 – Título da capa do DC, dia 09/09/2016

Figura 1: Figura 1 – Título da capa do DC, dia 09/09/2016 Entre os títulos analisados,

Entre os títulos analisados, nenhuma palavra foi separada no fim da linha, mesmo que isso fosse necessário para conseguir o preenchimento do espaço destinado ao título. Segundo os manuais, deve-se preencher todo o espaço designado ao título, evitando deixar muito branco nas linhas. Há exceções quando o espaço é deixado propositalmente. Dentre os títulos analisados, somente três do jornal Santa preencheram totalmente o espaço de forma correta. Esta pesquisa não utilizou como método a observação nas redações, porém é possível inferir que 20 títulos, intencionalmente, não corresponderam a esta regra de espaço, devido à composição estética da capa. Sendo oito títulos do DC e 12 títulos do Santa. No restante pode-se considerar que não houve a intenção de deixá-los com espaços em seus diagramas, mas acabaram resultando desta maneira. Mesmo que tenham deixado o espaço propositalmente, os jornais não ocuparam todo esse espaço, resultando do não cumprimento da regra proposta. Abaixo, a Figura 2 exemplifica o preenchimento total do espaço do título. Já a Figura 3 mostra o não preenchimento de espaço de forma intencional, para dar mais ênfase ao título e, desta forma, chamar ainda mais a atenção do leitor. As manchetes da Figura 4 exibem o não cumprimento do espaço destinado aos títulos, deixando eles desalinhados.

Figura 2 Título da capa do Santa, dia 08/09/2016 Figura 3 – Título da capa

Figura 2 Título da capa do Santa, dia 08/09/2016

Figura 2 Título da capa do Santa, dia 08/09/2016 Figura 3 – Título da capa do

Figura 3 – Título da capa do DC, dia 07/09/2016

Figura 3 – Título da capa do DC, dia 07/09/2016 Figura 4 – Títulos da capa

Figura 4 – Títulos da capa do DC, dia05/09/2016

Figura 4 – Títulos da capa do DC, dia05/09/2016 Em alguns casos, para que haja o

Em alguns casos, para que haja o preenchimento total de espaço nos títulos, é utilizado o emprego da palavra “já”, porém o manual do jornal O Estado de S. Paulo sugere não utilizar a palavra para estes fins, ou seja, o manual recomenda evitar o emprego da palavra “já”, especialmente nos títulos, como recurso para aumentar o tamanho da linha. Na coleta do DC não foi encontrada essa situação, porém, no Santa houve um caso no qual este recurso foi utilizado. O título do Santa da segunda-feira, do dia 05 de setembro de 2016, é escrito da seguinte forma: “Campanhas já arrecadaram R$350 mil”. Apesar de ser utilizado, na maioria das vezes, para contribuir com o preenchimento de espaço dos títulos, neste caso

é possível perceber na Figura 5 que esta finalidade não foi alcançada, pois mesmo com

é possível perceber na Figura 5 que esta finalidade não foi alcançada, pois mesmo com o emprego da palavra, o título não preencheu o espaço, deixando o texto desalinhado e espaços em branco na página do jornal. Não se sabe a intenção do editor ao produzir o título, se seria simplesmente para preencher o espaço ou para dar maior ênfase ao contexto que se refere às campanhas de candidatos municipais. No dia 05 de setembro, faltava quase um mês para o fim da campanha do primeiro turno. Este poderia ser uns dos motivos para empregar o “já” no título.

Figura 5 – Título da capa do Santa, dia 05/09/2016

Figura 5 – Título da capa do Santa, dia 05/09/2016 Um dos critérios observados é que,

Um dos critérios observados é que, para dar maior força ao título, é sugerido escrevê-lo em tempo presente, exceto quando o texto se referir a fatos distantes no futuro ou no passado. De todos os títulos analisados, somente três não estavam no tempo presente. Duas situações foram encontradas no Santa e uma no DC. Os títulos que apresentaram tempo verbal diferente do presente foram: no Santa, dia 05 de setembro - “Campanhas já arrecadaram R$350 mil”; no Santa, dia 07 de setembro – “Como será a abertura da Paralimpíada”; e no DC, dia 09 de setembro – “Porto terá novo modelo de gestão”. Outra característica analisada, segundo o Manual de Redação do Estado de S. Paulo, deve-se usar verbo nos títulos, pois ganham impacto e expressividade. O manual da Folha de S. Paulo também menciona o uso dos verbos nos títulos como algo positivo e de qualidade para os jornais. A grande maioria dos títulos analisados possuem verbos, apenas 20,2%dos títulos não utilizaram. Visto que, são 8,6% dos títulos do DC que não possuíram verbos e os outros 11,6% dos títulos são do Santa. Na Figura 6, é possível perceber que os jornais não utilizaram verbos em seus títulos, já na Figura 7 ocorreu o oposto, ou seja, o jornal apostou na utilização do verbo conforme as regras dos manuais estudados:

Figura 6 – Título da capa do DC, dia 08/09/2016 Figura 7 – Título da

Figura 6 – Título da capa do DC, dia 08/09/2016

Figura 6 – Título da capa do DC, dia 08/09/2016 Figura 7 – Título da capa

Figura 7 – Título da capa do Santa, dia 08/09/2016

Figura 7 – Título da capa do Santa, dia 08/09/2016 Buscou-se também encontrar o que o

Buscou-se também encontrar o que o manual do jornal O Estado de S. Paulo recomenda: não iniciar as orações com algarismos, mas escrever o número por extenso, exceto os títulos, que podem começar com algarismos. A análise foi realizada visando à quantidade de títulos que têm ou não números escritos por extenso. O resultado desta categoria de análise é de que foram utilizados números em 16 títulos, sendo que três números do DC e três do Santa foram escritos por extenso. Houve apenas uma situação no título do Santa em que o jornalista escreveu números tanto por extenso quanto em algarismos, isto em um único título. Segundo o manual de redação consultado, os números de um a dez devem ser escritos por extenso, e só a partir do número 11 que devem escrever em algarismos, com exceção de cem e mil. Desta forma, a Figura 8 apresenta as duas situações em um único título:

Figura 8 – Título da capa do Santa, dia 09/09/2016

Figura 8 – Título da capa do Santa, dia 09/09/2016 Outro critério, conforme o manual do

Outro critério, conforme o manual do jornal O Estado de S. Paulo, é conveniente evitar, especialmente nos títulos, qualificar as pessoas na matéria que será publicada, de

forma que possa ofender toda uma coletividade. Neste estudo, é possível perceber que não há

forma que possa ofender toda uma coletividade. Neste estudo, é possível perceber que não há nenhum desrespeito com o conjunto de pessoas envolvidas. Essa categoria, de modo especial, evita falhas éticas graves de disseminação de qualquer tipo de estereótipo ou preconceito nos títulos dos jornais. É sugerido também pelo manual do jornal O Estado de S. Paulo: não repetir palavras na mesma página e evitar fórmulas semelhantes de títulos na mesma página. Sendo assim, pode-se entender que, na página de capa é esteticamente melhor que não haja repetições tanto de palavras como de formas em que é construído o título. Pode-se destacar que, esta é a única situação em que foi analisada a capa como um todo, ou seja, observando a totalidade da composição como uma única peça. Em três dias, o Santa repetiu palavras em suas capas, sendo uma repetição em cada dia. Enquanto o DC não possui nenhuma repetição nas capas da semana analisada. A Figura 9 situa um dos casos encontrados no Santa que não seguiram essa indicação dos manuais:

Figura 9 – Títulos da capa do Santa, dia 07/09/2016

Figura 9 – Títulos da capa do Santa, dia 07/09/2016 Não somente de texto as capas

Não somente de texto as capas são compostas, há também a utilização das fotografias e de outros elementos gráficos que auxiliam nas estratégias para alcançar o interesse do leitor. Como é o caso das diferentes cores nas chamadas de capa dos jornais observados. No entanto, a proposta optou apenas pelos títulos para poder explorar os dados de uma forma mais aprofundada, além de permitir assim, esclarecer ao leitor quais fatores fazem e não fazem parte dos padrões de qualidade.

Considerações Finais

Esta pesquisa realizou uma análise comparativa entre os jornais impressos com o objetivo de demonstrar

Esta pesquisa realizou uma análise comparativa entre os jornais impressos com o objetivo de demonstrar que, apesar de os padrões de qualidade serem normalmente seguidos, há variantes nas características entre cada jornal, tendo cada um as suas particularidades, além das variantes agregadas às manchetes que seguem o modelo ao qual

o conteúdo apresentado requer. Primeiramente, deve-se ressaltar que os padrões de qualidade foram observados a partir de manuais de redação produzidos por outras instituições jornalísticas (Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo), o que torna compreensível as variações encontradas em cada veículo. Acredita-se que, de alguma forma, cada veículo tem suas regras a serem cumpridas, levando em conta um determinado padrão de qualidade. Exemplo disso é que:

somente três títulos do Santa preencheram todo o espaço destinado a ele. Neste caso, na maioria dos títulos analisados, a regra não foi devidamente seguida, no entanto, podem ter sido produzidas de forma intencional para enfatizar ainda mais a notícia ou por buscar ser diferente dos demais jornais, e assim conquistar a atenção do seu leitor. Nos jornais impressos, são as capas que aproximam do leitor, juntamente com seus títulos, por isso é grande o cuidado ao produzi-las. Desta maneira, é possível perceber a cautela em não repetir palavras na página, de forma que a estética do jornal e o entendimento do leitor sejam adequados e com qualidade. Foram 82,8% dos títulos analisados do Santa que seguiram essa regra, já o DC não repetiu em nenhuma edição da semana analisada, realizando 100% de seus títulos conforme a regra dos manuais sobre repetição de palavras. Apesar disso, foi possível perceber que, das 10 regras analisadas, três foram seguidas em todos os títulos. Sendo elas: Não utilizarem pontuações, não ofenderem a coletividade e não dividirem sílabas nos títulos. Deste modo, identificou-se que os jornais tiveram essa preocupação, tendo como decorrência atingir a atenção do leitor, pois é através da capa, junto com todas as suas informações e estética que se instiga o público. Os manuais afirmam que a utilização de verbos nos títulos são aspectos positivos e de qualidade, favorecendo as capas dos jornais. Segundo a análise realizada, somente 20,2% dos jornais não utilizaram verbos. Em vista disso, é correto afirmar que, em grande parte de suas edições, os jornais se preocupam com a utilização dessa regra. Atualmente, é necessária essa qualidade e a diferença dos demais veículos, visto que

o público está em busca de notícias bem produzidas, com informações de qualidade. É preciso verificar e sistematizar os padrões encontrados nos títulos, comparar a composição

de titulação dos veículos analisados e estabelecer parâmetros de verificação de qualidade nos jornais impressos,

de titulação dos veículos analisados e estabelecer parâmetros de verificação de qualidade

nos jornais impressos, para que desta maneira seja alcançado os objetivos dos jornais.

Por fim, resgatando a perspectiva histórica constatamos a evolução técnica dos

títulos e manchetes no jornalismo ao encontrar maneiras cada vez mais eficientes de

resumir a notícia e, ao mesmo tempo, conquistar o interesse do leitor. De modo particular,

ao observarmos a história de Diário Catarinense e Jornal de Santa Catarina, constatamos a

padronização de estilos e propostas dos jornais que nasceram como concorrentes, mas hoje

pertencem ao mesmo grupo empresarial e midiático. De certa forma, podemos dizer que a

padronização dos jornais faz parte desse avanço técnico e se tornou um processo global.

Ramonet (2012) critica os veículos jornalísticos ao afirmar que todos eles são iguais e

defende que este pode ser mais um dos motivos da crise de modelo no jornalismo. Afinal,

se todos os jornais são iguais qual a diferença de comprar um ou outro, ou até nenhum.

REFERÊNCIAS

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