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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO IFCH - INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS NOME

UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO IFCH - INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS

NOME

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NOME

Helenismo, Helenização e Helenicidade

Rio de Janeiro

2017

RESUMO

Neste trabalho estudaremos os principais elementos helenísticos, que caracterizaram o último período cronologicamente falando da Grécia antiga. O período compreendido entre a ascensão de Alexandre ao poder, em 336 a.C, e o domínio da Grécia pelos romanos, em 146 a.C é conhecido e denominado época Helenística. O presente estudo tem como objetivo principal mostrar as características em geral desse período histórico grego que ficou conhecido como período helenístico.

Palavras-chaves: helenístico, helenização, características helenísticas, Grécia antiga

ABSTRACT

In this work we will study the main Hellenistic elements, which characterized the last period chronologically speaking of ancient Greece. The period between Alexander's rise to power in 336 BC and the rule of Greece by the Romans in 146 BC is known as the Hellenistic period. The present study has as main objective to show the characteristics in general of this Greek historical period that became known as Hellenistic period.

Key words: Hellenistic, Hellenization, Hellenistic characteristics, Ancient Greece

Introdução

O período helenístico nos deixou grande gama de resquícios, principalmente para nós, ocidentais. Compreender tal período é compreender o presente da cultura ocidental. Alexandre, O Grande assume grande papel nessa difusão helenística pelo mundo antigo, seria impossível falar de helenismo sem citar Alexandre e seu papel que foi de suma importância para propagação da cultura helenística. No presente trabalho iremos analisar a emergência ou formação do período e sua conjuntura, iremos também analisar o mito fundador que liga tais povos que foi de suma importância para criar um projeto em comum. O processo de cunhagem do termo helenismo também irá ser abordado no trabalho, mostrando definições de diferentes autores e como tais autores divergem sobra o tema. Por sim através de uma visão culturalista ou abordagem cultural, vamos analisar o processo de desestruturação do Império Macedónio o que levou consecutivamente o enfraquecimento e a dissolução de tal período de hegemonia da cultura grega, contudo, a cultura deixou resquícios e sobreviveu.

1

A EMERGÊNCIA

Para compreendermos o período helenístico é de suma importância compreender a sua emergência ou em outras palavras a sua formação histórica. O período helenístico foi um período rico no aspecto cultural, entender a emergência ou formação de tal período é de suma importância para compreender o período e aspectos culturais como um todo. Aqui abordaremos duas visões distintas. Uma primeira que nos remonta a emergência tradicional do helenismo. A outra é através de um mito, o mito de Helen que nos faz compreender a formação inicial da cultura grega, e perceber e analisar os aspectos em comum.

  • 1.1 Contexto histórico pré helenístico, a era greco-macedônia.

Inicialmente para compreender tal período helenístico temos que entender o papel de Alexandre, O grande, ou Alexandre Magno. Alexandre era oriundo da Macedônia, região da Península Balcânica. Alexandre conseguiu expandir os domínios da macedônia para toda a Hélade 1 . Sendo educado pelo filósofo grego Aristóteles, Alexandre entrou em contato com o conjunto de valores da cultura grega. Além disso, suas incursões pelo Oriente também o colocou em contanto com outras culturas. Simpático ao conhecimento dessas diferentes culturas, o imperador Alexandre agiu de forma a mesclar valores ocidentais e orientais. É desse intercâmbio que temos definida a cultura helenística. Uma das mais significativas ações tomadas nesse sentido foi a construção da cidade de Alexandria, no Egito. Dessa forma pode-se perceber que Alexandre teve uma educação privilegiada, entrando em contato com valores gregos e como tutor teve Aristóteles, antigo filósofo grego que foi aluno de Platão.

1 Tal nomenclatura designa o complexo de cidades-Estados da Grécia Antiga.

Cronologicamente falando o período em que vamos trabalhar e analisar toda a sua conjuntura e suas características vai da ascensão de Alexandre ao poder até o domínio da Grécia pelos romanos. Ian Morris nos apresenta a divisão cronológica para a Grécia no livro historia y cultra: la revolucion de la arqueologia e estabelece o período Helenístico entre 323 à 31 a.C (MORRIS, 2007, p. 30). Para analisarmos tal período temos que analisar juntamente toda a importância e todos os resquícios deixados pelo Império Macedónio que compôs toda a estrutura e cultura helenística.

É importante entendermos como o Império Macedónio obteve sucesso e assolou as cidades-Estados gregas e compôs e período em que vamos analisar. Em primeiro lugar é valido lembrar que As guerras Médicas e do Peloponeso enfraqueceram as cidades-estados gregas, pois grande parte da população foi morta durante a guerra, também houve grande prejuízo à atividades agrícolas e comerciais (InfoEscola). Perry Anderson explica isso para nós como tal império

Macedônico tirou proveito da situação que se encontrava a Grécia “A sua base territorial e política permitiu uma expansão internacional integrada, uma vez que

aliada à civilização, muito mais desenvolvida que a Grécia propriamente dita”

(ANDERSON, 1989, p. 48). Através da análise desse trecho fica claro que o

Império Macedónio era superior as civilizações gregas. Perry Anderson vai além e nos dá uma outra razão para tal entendimento (ANDERSON, 1989, p. 49)

O sucesso dos exércitos de Filipe ao assolar as cidades-estados e unificar a península helénica ficou a dever-se essencialmente às suas inovações militares, que refletiam a composição social distinta do interior tribal da Grécia do Norte

Através dessa citação de Perry Anderson podemos concluir que o exército macedônio foi de suma importância, devido a suas inovações militares. Ainda em Perry Anderson, ele acrescenta alguns outros elementos que caracterizaram tal expansão macedônica (ANDERSON, 1989, p. 49)

A expansão macedónia, como é óbvio, não ficou a dever-se simplesmente às qualidades dos seus comandantes e soldados, ou ao

seu acesso inicial aos metais preciosos [

]

A monarquia macedónica

... consolidou os seus avanços na península com a concessão de novas cidadanias a gregos e outros, nas regiões conquistadas, e a urbanização do seu próprio território rural, demonstração da sua capacidade para administrar um território extenso.

A análise que Perry Anderson faz é de suma importância para nós compreendermos como o exército macedônico obteve sucesso nessa área, e assim compondo a era Greco-macedônia e espalhando todo seu ideal de cultura para as demais civilizações.

  • 1.2 A origem, o herói fundador

Vimos no tópico anterior a formação do período helenístico através de uma análise mais tradicional, ou seja, com ascensão de Alexandre, o Grande, e toda a sua difusão cultural. Outra análise que podemos utilizar para compreender o período helenístico é através do herói fundador chamado Helen ou Heleno. Pierre Grimal em seu livro nos informa quem foi Hélen:

Hélen é o herói que deu o nome a toda a raça dos Gregos (os Helenos).

É filho de Deucalião [

...

]

Casou com uma ninfa das montanhas, chama

Orseide, de quem teve três filhos: Doro, Xuto e Éolo, de quem descederam as principais raças helénicas: Dórios, Eólios, Iónios e

Aqueu. (GRIMAL, 2007, p. 197)

Então acredita-se que esses povos são descendentes do mesmo herói fundador dos helenos, o herói Helen ou Heleno. Tais raças helênicas desenvolveram um projeto em comum, a cultura grega. Esse processo de cultura foi se desenvolvendo mais fortemente pois além de habitaram a mesma região eles eram possuidores de outras características em comum como, língua e crença em deuses semelhantes. Com essa estrutura social e cultural similar a aproximação de tais povos foi se concretizando mais facilmente. Além de possuir todas essas características em comum eles também possuíam o mito do herói fundador que foi de suma importância para realizar tal aproximação.

  • 2 A DEFINIÇÃO DE HELENISMO

Comecemos pela definição de Helenismo. O conceito de Helenismo foi usado pela primeira vez pelo historiador germânico Johann Gustav Droysen, em

1833. Droysen lança seu Magnum opus: Geschichte Alexanders des Grossen.

Essa obra inaugura o termo Helenismo na era moderna, para se referir a cultura

grega. Comumente o termo “helenismo” é associado à expansão da cultura

helênica ou helenística, em outras palavras, a cultura grega, para diversas outras regiões terrestres.

Iniciaremos a definição de helenismo pelo com o historiador Peter Green, ele afirma: "A era helenística traz uma grande vantagem para nós: é facilmente definível" (GREEN, 1993, p. 15). No entanto outros autores nos mostram algumas outras definições, embora pareçam similares existem pequenas distinções. As possibilidades para definir Helenismo são bem amplas. De acordo com Mario Curtis Giordani (1967, p.138)

1) Civilizações surgidas como produto da fusão de elementos culturais gregos e orientais nas regiões conquistadas por Alexandre Magno.

2)

Simples extensão da civilização grega aos orientais.

 

3)

Simples continuação da antiga civilização grega

4)

A

mesma

civilização

grega

modificada

por novas

circunstâncias

 

Através dessa análise percebemos que tal nomenclatura possui diversas

explicações, mas todas com objetivos similares e não muito distintas uma das

outras. Segundo Mario Curtis Giordani (1967, p. 138) “[

...

]

não

é

pacifica a

definição de helenismo. O termo é cômodo mas discutível”. Para Mario Curtis Giordani definir com precisão a palavra Helenismo é uma tarefa difícil e não

possuidora de um único significado absoluto. Busquemos uma definição embasada por Rachel Mairs e retirada do The Encyclopedia of Ancient History, a organização ficou a cargo da Universidade de Oxford:

Helenização refere-se à propagação da cultura grega e sua adoção por povos não-gregos. O termo mais comumente usado

referindo-se ao período

após

Alexandre,

o Grande.

(

...

)

Noções

modernas de “Helenização” podem envolver todos os tipos de

comportamento cultural, do uso da língua à adoção de vestimentas gregas e de sua cultura intelectual. Um lugar ou grupo de pessoas

podem ser descritos como “sendo helenizados” como receptores passivos de influência cultural (MAIRS, 2011: 1-2) 2

Concluímos que, através dessa análise percebemos que a helenização tem como característica principal a difusão da cultura grega sobre o Mundo Antigo. Este processo de helenização podendo ser através tanto da cultura quanto do idioma grego.

  • 3 A HELENIZAÇÃO E SUAS DIFERENTES PERSPECTIVAS

Como foi mencionado acima o termo ou ideia de “helenização”, tendo como ideia magna a difusão da cultura grega pelo mundo antigo, está muito relacionada e ligada com o historiador alemão Johann Gustav Droysen. J. G. Droysen nasceu em Treptow, na Pomerânia. Desde cedo demonstrou interesse pela Antiguidade Clássica, aprendendo rapidamente grego e latim. Em 1826, ingressa na Universidade de Berlin. Para tal entendimento do período helenístico, foram compostas duas obras por ele: a História de Alexandre, o Grande e a História do Helenismo, sendo publicadas respectivamente em 1833 e 1836.

Funari e Grillo aborda do ponto de vista de Droysen o que seria Helenização, “Para Droysen, helenismo (Hellenismus, em alemão) significava tanto um período com forte difusão da cultura grega, como a fusão dessa cultura com aquela do Oriente Próximo” (FUNARI & GRILLO, 2014, p.207). Fica claro que do ponto de vista dos autores tal difusão originou um “espalhamento” de cultura grega, assim as civilizações próximas foram afetadas com tais influências greco- macedónia originando então a “helenização”. Podemos completar o pensamento acerca de Droysen retirando um trecho de um site 3 que diz, “O objetivo de Droysen era estabelecer um quadro compreensivo sobre a interação da cultura helênica com a cultura asiática isto é, desde a Pérsia até a Índia”.

  • 2 A tradução do artigo foi feita através da ferramenta oferecida pelo Google https://translate.google.com.br/

  • 3 Mundo Educação, UOL. Disponível em:

<http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historiageral/helenismo.htm>. Acesso em 16 de setembro de 2017.

Juliana Marques e Monica Selvatici completa o pensamento e vão além e nos mostra outros objetivos que Droysen possuía:

Assim, destacava-se a época helenística como uma nova era, um período distinto da história grega, sinalizando a expansão da cultura grega para o Oriente com as conquistas de Alexandre e o

estabelecimento de uma cultura unificada, que fundiria igualmente elementos gregos e orientais em uma mistura única. Droysen tinha um objetivo específico em sua argumentação. Ele defendia a ideia de que esse processo de fusão cultural criava um ambiente de sincretismo religioso, em que havia uma tendência para se cultuar as diferentes divindades como manifestações de uma força divina única, ou seja,

uma “predisposição ao monoteísmo (MARQUES, Juliana; SELVATICI,

Monica, 2012, p. 15.)

Essa análise sucinta retirada do livro de Juliana Marques e Monica Selvatici mostra toda a opinião de Droysen acerca da expansão cultural grega para o Oriente, e fortifica que tais conquistas empreendidas por Alexandre foram de suma importância para uma criação cultural, e que tais fusões culturais geravam um sincretismo religioso. Podemos ir além e vê que esse termo “helenização” foi usado no decorrer da história, até antes mesmo de Droysen definir para nós o termo em si. Peter Burke notou isso (BURKE, 2003: 20) e descore explicando para nós:

Os historiadores da Antiguidade, por exemplo, estão se interessando cada vez mais pelo processo de "helenização", que estão começando a ver menos como uma simples imposição da cultura grega sobre o Império Romano e mais em termos da interação entre o centro e periferia.

Assim, podemos perceber que tal interesse pela “helenização” e suas

características não é contemporâneo ou moderna, de fato tal nomenclatura não existia antes de Droysen denomina-la, mas o interesse pela cultura sim, e Peter Burke nos mostra isso. Podemos atribuir o termo “helenização” no contexto da idade média podendo relacionar o termo “helenização” para se referir ao processo ocorrido na fundação da cidade de Constantinopla pelo imperador Constantino, designando a supremacia cultural e idiomática grega. Já no

domínio otomano podemos atribuir a helenização, resultando em um status mais elevado da cultura grega. 4

  • 3.1 Entendendo melhor a obra de Johann Gustav Droysen

Vale comentar tal obra composta por Droysen e que é de suma

importância para entendimento de tal período, pois bem como foi dito acima, o

termo “helenismo” ou “helenização” foi composto pelo autor. Droysen escreve

sua obra em plena unificação dos estados alemães, unificação essa que ele era fervoroso defensor. Isso soa como algo em comum feito por Alexandre, pois tal expansão não deixa de ser caracterizadas como unificações. Alexandre promoveu a união dos povos do mundo. Ele utilizava o poder que tinha para promover a expansão de uma nova cultura. Droysen menciona tal feito em seu livro:

Os dois séculos da luta encarniçada que os helenos travaram contra os persas o primeiro grande conflito entre Oriente e Ocidente que a história nos legou Alexandre, os encerrou ao aniquilar o império dos persas, ao conquistar todo o território situado entre o deserto africano e a Índia, ao afirmar a supremacia da civilização grega sobre a cultura declinante dos povos asiáticos. Enfim, ao gerar o helenismo. Seu nome assinala o fim de uma época e o começo de uma nova (2010: 37).

Através dessa análise feita por Droysen podemos notar que além de Alexandre ganhar suas batalhas e administrar tais povos, ele ia além, ele instaurava uma nova era culturalista, elementos culturais esses que eram, os elementos gregos. Podemos ir além e citar os elementos que Droysen acreditava que caracterizavam a cultura helênica, segundo Droysen:

A alma asiática é, de maneira geral, mais altiva, mais uniforme e mais limitada que a alma ocidental. Era impossível fazer tabula rasa dos seus preconceitos e costumes, bem como da individualidade profunda dos povos orientais. O trabalho de assimilação só podia se efetuar

lentamente, por etapas sucessivas (

).

O que triunfou sobre o Oriente,

... em última instância, não foram os gregos, mas a civilização helênica.

Por esse fato, ela se investiu de uma importância primordial. Os

elementos dessa civilização ( democrática (2010: 330)

...

)

eram o racionalismo e a autonomia

Diante disso, podemos concluir que o helenismo de Droysen é uma cultura com características novas, a cultura do império de Alexandre, foi responsável por difundir elementos racionais e também difundir elementos da democracia grega. O helenismo afinal, era considerado por ter características superiores, assim Alexandre e seu exercito ficava a cargo de aniquilar a cultura anterior e colocar os ideiais helenísticos. Droysen nos informa sobre a tal superioridade que os militares macedônicos imaginavam ter. Droysen nos fala:

Esclarecer esses povos, ajudá-los a quebrar as cadeias da superstição, despertar neles o desejo da inteligência, habituá-los ao manejo das ideais, em suma, emancipá-los e conferir-lhes uma

identidade histórica tal é tarefa que o helenismo determinou para si

na Ásia e, aliás, terminou por cumprir (

...

)

(DROYSEN, 2010: 481).

Nesse trecho podemos perceber que tais civilizações que Alexandre e seu

império dominavam eram caracterizadas inferiores, e ficava a cargo do novo imperador levar os novos ideais considerados superiores. Podemos concluir que,

esses novos elementos levados pelo império Macedônico “engoliam” os

elementos tradicionais que as populações locais estavam habituadas.

  • 3.2 As críticas à Johann Gustav Droysen

A partir da segunda metade do século XX, o conceito de “helenização” ou “helenismo” cunhado do Droysen passou a sofrer severas críticas pela

historiografia. Entre os críticos além de Momigliano, podemos citar Claire Préaux, que defendia uma separação entre gregos e orientais, negando interações culturais entre eles, 5 e outro autor que promoveu críticas foi o Edouard Will, para ele a ideia de helenização foi pensada em um contexto em que as potências

europeias desenhavam similaridades entre a sua expansão colonial e os feitos de Alexandre (Cf. WILL 1985, p. 273-301.), em outras palavras, comparação.

Um dos autores que é de fundamental importância para entender o período helenístico é Arnaldo Momigliano foi uns dos autores que compuseram uma análise crítica do período helenístico. Segundo Funari e Grillo (2014) o objetivo principal de Momigliano com seu livro é analisar como se deu o contato entre os

5 O livro é Le monde Hellénistique, obra lançada contendo 2 volumes ou “Tome”.

gregos e os celtas, judeus e iranianos, constatando que de um espaço cultural para outro as relações foram diversas, variando tanto na intensidade quanto no impacto da presença grega. Com essa análise inicial, vamos ver quais são os

principais pontos da obra de Arnaldo Momigliano. Para Momigliano o primeiro fato relevante na conquista de Alexandre foi o encontro de povos que antes eram

totalmente desconectados “Quatro dos cinco protagonistas desta história –

greco-macedônicos, romanos, judeus e celtas se encontraram pela primeira vez no período helenístico” (MOMIGLIANO 1991, p. 10). A partir de então já podemos notar que na visão de Momigliano tal encontro proporcionou elementos fundamentais para composição da diversidade helenística, pois reuniu povos com cultuas até então distintas e estabeleceu trocas no âmbito cultural. O livro de Momigliano vai se desenvolver a partir desse ponto, mostrando as diferentes civilizações e analisando como se deu tal contanto entre elas.

Contudo, uma das principais marcas de Momigliano foi realizar críticas ao helenismo de Droysen. Thiago Biazotto membro da Revista Mundo Antigo explicita para nós como se deu tais críticas compostas por Momigliano As maiores discordâncias que Momigliano nutria em relação a Droysen, contudo, dizem respeito à decisão de o prussiano pouco escrever sobre a importância dos judeus para a fundação cultural da civilização helenística” (2015, p. 188). Para Momigliano, Droysen não tinha o mínimo interesse pela cultura judaica, ou até mesmo ignorância, segundo Momigliano. Os limites da Helenização vai tratar de da propriedade e a devida importância dos povos que participaram da composição da era helenística, tais povos que Droysen não citou e Momigliano faz questão de trabalhar em seu livro.

  • 4 A DESESTRUTURAÇÃO MACEDÓNIA O INICIO DA HELENIZAÇÃO

Com a morte de Alexandre os reinos helenísticos acabaram por serem desestruturados e foram integrados ao Império Romano. Com do grande imperador o império foi divido em três grandes reinos, e Perry Anderson explica para nós:

As lutas intestinas dos generais mecedónicos terminaram com a

partilha do Império em quadro zonas principais, Mesopotâmia, Egipto, Ásia Menor e Grécia, tendo as três primeiras, a partir de então suplantado a última de uma maneira geral, em importância política e

econômica. [

]

A civilização helenística foi essencialmente produto

50)

Podemos perceber que através dessa divisão o império foi perdendo suas forças, pois o que antes unido através da grande figura de Alexandre agora após a sua morte encontrava-se dividido, enfraquecido. Mas os problemas já podiam ser percebidos até mesmo antes. Juliana Marques e Monica Selvatici complementam o pensamento e acrescentam outra perspectiva a dissolução do império de Alexandre.

Imediatamente, começaram as disputas pelo controle do império por seus generais. A sucessão de eventos é bastante complexa e extensa,

e tanto os generais mais próximos quanto outros mais afastados começaram a disputar entre si a primazia no controle dos exércitos e

das províncias. [

]

a morte de Alexandre, como o ponto crucial que

... definiu a sucessão do império que ele havia conquistado. Isso

demonstra claramente como as conquistas de Alexandre foram não apenas grandiosas, mas também relativamente efêmeras, no sentido em que nunca foram sistematicamente planejadas e administradas para criar um império unificado e sólido. (MARQUES, Juliana; SELVATICI, Monica, 2012, p. 101.)

Ambos os autores chegam em um ponto comum, a morte de Alexandre foi o ponto mais crucial para a desestruturação do império e consecutivamente para a desestruturação do helenismo como ponto cultural. Mas Juliana Marques e Monica Selvativi apontam também outra característica que podemos tomar como ponto para entender a desestruturação, nunca houve um planejamento para administrar vasto complexo de cidades ou territórios. Outro ponto que Perry Anderson destaca nessa conjuntura é que os problemas já podiam ser visíveis dentro da sociedade Macedônia “Os problemas sociais e administrativos levantados podiam já perceber-se a partir das tentativas de fundir a nobreza

persa a macedónia por meio de casamentos oficiais” (ANDERSON, 1989, p. 49).

É importante entender como se deu a divisão do Império Macedónio pós morte de Alexandre e Perry Anderson trabalha essa questão

A dinastia Selêucida governou a Síria e a Mesopotâmia; Ptolomeu fundou o reinado dos Lágidas no Egipto; e, meio século mais tarde, o reino Atálida de Pérgamo tornou-se a potência dominante na Ásia Menor ocidental. A civilização helenística foi essencialmente produto destas novas monarquias gregas do Oriente. (ANDERSON, 1989, p.

50)

Através dessa analise composta por Perry Anderson podemos entender como consequência da morte do grande imperador e das lutas internas caracterizou-se uma divisão do império pós morte de Alexandre. Perry Anderson menciona que tais monarquias foram as responsáveis por aprimorarem a cultura helenística. Podemos concluir que após a morte do Alexandre, O Grande, a

cultura helenística ficou mais forte que nunca. Essa divisão política acabou permitindo que os romanos, entre os séculos II e I a.C., dominassem todos estes reinos. Vários traços da cultura grega acabaram sendo absorvidos nesse novo processo de dominação. Dessa forma a civilização grega vivenciou a última etapa da sua história na Antiguidade (Mundo educação).

  • 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com o que foi apresentado, vimos o surgimento do período através de uma ascensão do império Macedônio e também analisamos o que seria o mito fundador que foi capaz de unir tais povos. Vimos também as diferentes perceptivas do que seria helenismo, e seu surgimento como palavra com Doysen e sua definição por assim dizer. Chegamos à conclusão que helenismo por si só é o termo que designa a mesclagem da cultura grega com as demais do mundo antigo, já helenização é o termo que nos explica todo o processo de expansão da tal cultura pelo mundo antigo. Analisamos também a desestruturação do império macedónio, pois elementos cultuais ainda persistiram nas cultuas posteriores (arte, matemática, literatura, filosofia e etc). Vimos também que mesmo com a morte do grande imperador, Alexandre, O Grande a cultura helenística continuou a se expandir fortemente pelo mundo antigo, tendo um fim com a tomada dos Romanos.

REFÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Contraponto, 2010.

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<http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historiageral/helenismo.htm>. Acesso em 16 de setembro de 2017.

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<http://www.infoescola.com/historia/alexandre-magno-e-a-cultura-helenistica/>. Acesso em 30 de setembro de 2017.