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EMILE DURKHEIM : EDUCACAO E : SOCIOLOGIA com um estudo da obra de Durkheim, pelo PROF. PAUL FAUCONNET Tradugto do PROF. LOURENGO FILHO (4.99¢ 63 EDIGKO EDIGOES MELHORAMENTOS © Comp. Mehoramentes de S80 Panto, tadiatrise de Pt (alsa Postal 8120, 580 Posie vides Not pedidos telegrificos basta citar 0 bd, 007.015, all A EDUGAGAO E O$ ESTUDOS SociAis E em térmos de acdo pratica, intencional qiue mais fécitmente observamos os fatos da educacdo. Um pri, como pessoa, int sdbre a formocéo de sex filho, educando-o. Assim também o fu cada mestre em relagéo a cada um de seus discipulos. Désse modo, © que se pode charnar de perspectiva individual, vem a preva. lecer nas norées mais comuns sébre a materia Na realidade, porém, 0 pai, o mestre, ou outras pessoas que busquem educar, no operam no vazio. Os educadores, como os educandos, esto imersos num ambiente de, relagdes humanas, bem mais extenso e complexo, ou seja, num meio social. Descas relagdes é que os procedimentos praticas tomam impulse, como hor elas é que recebem sentido e direcéo. Nao se poderé negar 4 presenca de wm processo educacional, expresso com que tudo isso designa. 4 concorréncia dos dois aspectos, ou dessas duas perspectivas de andlise, muitas vézes oferece aos que se iniciam nos estudos pedagégicos uma fonte de ilusérias antiteses ¢ antinomias. £ a educugdo uma realidade individual ou social... kis 0 que o prin- cipiante desde logo quer saber. A disjuntiva nao tem razéo de ser. Nao se trata de isto ou aquilo, mas de uma ¢ outra coisa. Quando examinamos certos procedimentos priticos, técnicamente limitados, a perspectiva é individual. Quando estendemos a escala de observagéo, pastamos a perceber a aco de grupos, instituigdes, partes da vida social, © t6da ela, em conjunto, Nas concepedes tradicionais, acentuava-se a primeira perspec- tiva. Nas mais modernas, admitese que a acio individual hi de ser esclarecida mediante pesquisa das realidades sociais. Ainda que esta tiltima idéia jd se encontre, em germe, em escritos de autores antigos, sé em trabalhos mais recentes ¢ que péde ser aclarada. E que, sé nos iiltimos tempos também, os fatos sociais passaram a ser objetivamente descritos ¢ explicados. [BIBUOTECA MStDes Entre 08 condutores de tais esturlos, destaca-se Emile Durkheim, a quem se devem as lices compendiadas neste livro. Desapareceu Ale em 1917, mas alguns dos criterias fundamentais, que propés, permanecem dignos de leitura ¢ reflexdo. De modo geral, per- sistem os conceitos que criou de Jato social do método para seu estudo, inclusive na educacio. Durkheim foi dos primeiros a bem distinguir 0 dominio de wma ciéncia dos fatos da educago, com base emt investigagdes comparativas, daguele em gue as con: cepries tesrico-praticas da pedagogia devem ser analisadas. Novos conceitas, depois elaborados, vieram a aperfeicoar os esquemas que delineou. Jé a alguns déles expressamente se refere Paul Fauconnet, no belo ensaio “A obra pedagdgica de Durk- heim”, que serve de introducao a éste volume. Ainda mais recen-* temente, outros se definiram no campo da psicologia social e da antropologia cultural. De qualquer forma, as ligdes de “Educagiio @ Sociologia” continuam a representar um marco que se deve conhecer, obra classica que é. Pais, educadores, estudantes de pedagogia e dos estudos sociais, em geral, sé terio vantagem em ler éste trabalho. Representa uma excelente imiciacao a estudos maiores, que nas duas séries desta Biblioteca se apresentam. Assim, quanto a textos sébre situagdo atual dos estudos sociais, “Teoria ¢ Pesquisa em Socio- logia”, de Donald Pierson, ¢ “Fundamentos de Sociologia”, de A. Carneiro Leao. Quando se queira mais precisa andlise das rela~ goes entre a educagao ¢ a sociologia, “Sociologia Educacional”, de Fernando de Azevedo, e “Educacdo Comparada”, de Lourenco Filho. Para uma visto das relacées entre a biologia, a psicologia € a educagio, farse titil “Introducio ao Estudo da Escola Nova”. Le. DICE A obra pedagégica de Durkheim (introdugio pelo Prof. Paul Fauconnet) : 9 caPrrULo t A EDUCAGRO, SUA NATUREZA E FUNGAO § 1 — As definigdes de educagio ~ Exame critico .. 38 § 2 — Definigdo de educagio .......... nse 5S) § 3 — Conseqiléncias da definigio precedente: cardter social da educago 2... seee cece pees § 4 — A funcéo do Zstado em matéria de educacio 7 § 5 — Poder da educagdo € meios de seu exercicio . 49 cartrvto 1 NATUREZA DA PEDAGOGIA E SEU METODO § 1 — Confusio dos térmos educagio € pedagogia 57 § 2 — Ciencia da educagio e pedagogia .. . 58 § 8 — As teorias pedagégicas recs § 4 — Ciencia e arte aplicada ......... . vie 66 § 5 — Fundamentos da reflexio pedagégica caprruLo mt PEDAGOGIA E SOCIOLOGIA § 1 — Carater social da educagio B § 2 — Importancia da agio educativa ....... ae § 3 — Fins e meios da educagio ce 87 § 4 — Conclusio 89 7 A OBRA PEDAGOGICA NE DURKHEIM Durkheim dedicot om melhores anos de sua vida tanto 4 sociolo. gia como & pedagogia. Na Faculdade ve Letras, de Bordéus, de 1887 4 1902, deu semanalmente, sem intenrupgio, uma hora ‘de aula de pedagogia, ¢ os seus ouvintes ai exani, na maiotia, professéres primarios. Na Sorbonne, foi na cadcira de “Cigncia da Educagio” que veio a substituir Fernando de Buisson. Até a morte, af reser- vou & pedagogia um térso peio menos, ¢ muitas vézes dois tereos de seu ensino, em aulas aos alunos da Escola Normal Superior, cursos piiblicos e conferéncias. Essa obra pedagdgica ainda se conserva inédita, na maior parte. Poucos de seus auditores pude- ram abarcé-la, em tdda a extensio, mative por que achamos de utilidade aqui expé-ta, em suas idéias capitais, Emile Durkheim no distribuiu o pensamento € 9 tempo por duas atividades distintas, 56 porque estivessem coordenadas de modo acidental. £ pelo aspecto em que a educacio ge apresenta como fendmeno social, que éle a aborda; e a doutrina de educa- so, que levanta, ¢ elemento essencial de sua sociologia. “Como socidlogo, diz éle ~ seri sobretudo dentro da sociologia que vos falarei da edueagio, Alids, assim procedendo, nfu havert perigo em mostrar a realidade educativa, por aspecto que a deforme: estou convencido, ao centririo, de que nio ha melhor processo para salientar a verdadeira natureza da educagio. Ela é fendmeno ‘eminentemente social”. A observagio comprova essa afirmagio. Primeiramente, hd em cada sociedade tantos sistemas de educagio especiais quantos se- jam os meios diferentes que ela comporte. Mesmo nas sociedades igualitarias, como as nossas, que tendem a eliminar diferencas injustas, a educagéo varia, e deve necesstriamente variar, con- forme as profissbes. Tédas essas formas especiais de educacio Tepousam, sem diivida, sébre uma base comum. Mas a educagao comum varia também de uma sociedade a outra. Cada sociedade constr6i, para seu uso, certo tipo ideal do homem. E éste ideal € 0 eixo educative, Para cada sociedade, a educacio 8 0 “meio pelo qual ela prepara, va formacio das criangas, as condigées essenciais de sua propria existéncia”. Assim, “cada povo tem a educagio que Ihe é propria e que pode servir para defini-la, da mesma forma que a organizacio politica, religiosa ou moral”. A nbservacdo dos fatos conduz, portanto, & veguinte definigio: “A educacio ¢ a ago exercida pelas geragdes adultas, sobre aquelas nao ainda amadurecidas para a vida social. Tem por objeto susci tar e desenvolver, na crianga, certo ntimero de estados fisicos, intelectuais € morais, reclamados pela sociedade politica no seu conjunto € pelo meio especial a que a crianga particularmente se destine”. Em poucas, palavras, “a educagio € a socializago da crianga". Mas, por que isso se dd, necessiriamente? Dé-se, porque, em cada um de nés, pode-se dizer, existem dois individuos, os quais, embora ndo possam materialmente ser separados apresentam-se & andlise bem distintos. Um se compe de todos os estados mentais que nio se referem senfo a nés mesmos ¢ aos fatos de nossa vida pessoal; € ogque poderiamos chamar o “ser individual”. O outro é um sistema de idéias, sentimentos e habitos, que exprimem em nés nfo 2 nossa propria personalidade, mas 0 grupo, ou os grupos diversos, de que fazemos parte; tais sio as crencas reli- giosas, as crengas ¢ as priticas morais, as tradigdes nacionais ou profissionais, as opinides coletivas de qualquer espécie, Seu con- junto forma o “ser social”; © o objetivo da educagéo é, precisa- mente, constituir ou organizar ésse ser, em cada um de nds. Sem a civilizagio, o homem nao seria 0 que ¢. Pela cooperacdo € pelas tradigées sociais é que o homem se faz humano. Sistemas de moral, linguas, religides, ciéncias ~ sfo obras coletivas, pro- dutos sociais. Ora, € pela moral que 0 homem forma em si a vontade, que governa o desejo; é a linguagem que o eleva acima do dominio da sensacio; é nas religiSes, primeiramente, € depois, na ciéncia, que se elaboram as nocées cardczis com que a inteli- géncia ver a tornarse propriamente humana. “Este ser social nao se apresenta acabado, na constituicio primitiva do homem... Foi a sociedade que, 2 medida que se vei consolidando, pode rar de seu préprio seio estas grandes {Orcas moras... Penetrando 10 na vida, a crianga nix war senfo a constitui¢io primitiva do homem. Em face de cada nova geraci, a sociedade se acha, pois como se estivesse diante de uma tabula rasa, ou quase: € isso @ forga a novos dispéndics, para uma construcio que perpétuamente teré de renovarse. £ preciso que, pelos meios mais répidos € seguros, ela sobrepanha ao ser egoista e associal que acaba de nascer, um outro ser expaz de submeterse a vida moral © social Eis aia obra da educrcio, ‘A hereditariedade transmite os mecenismos instintivos que as seguram a vida orginiva ¢, nos animais que vivem em sociedade, uma vida social muito simples, Mas nao chega a transmitir as aptidées que a vida social do homem supe, aptiddes muito com- plexas pata serem ma‘erializadas sob a forma de predisposigdes orginicas. A transmissio dos atributos especificos, que distinguem ‘0 homem, se faz por uma via que € social, como éles 0 so: essa via é 2 acio educa Para o espitito habituado a observar a realidade, nessa forma, a concepgio sociolégica da natureza da educacio ¢ de seu papel se impde com a forg de uma evidéncia. Durkheim a propbe como uum “axioma furdamental”. Digamos, mais exatamente, ela 6 uma verdade verificivel pela observagio. Vemo-lo claramente quando, como historiadores, notamos que a educagio em Esparta era a civilizacio Iacedeménia, preparando espartanos para @ ci- dade lacedemdnia; ou que a educacio ateniense, 20 tempo de Péricles, era a civilizacdo ateniense preparando homens sob 0 ideal do inumem da época, naquele meio, para a cidade, a0 mesmo tempo que para a humanidade, tal como Atenas a representava nas suas relagdes consigo mesma. Bastard antecipar-nos ao futuro, para compreender coro os historiadores interpretario a educacto francesa do século XX: mesmé nas suas tentativas mais audaciosa- mente idealistas e humanitarias, ela é um produto da civilizagfo francesa, consistindo m transmitir essa civilizagio; logo, ela pro- cura plasmar homens conforme’o tips ideal do homem que ess2 civilizagéo implica, e preparar homens para a Franca e também para a humanidade, tal como a France a imagina. Todavia, essa verdede tio evidente tem estado quase despre- zada e, de modo especial, no decorrer dos limos séculos. Filé- sofos € educadores tém acordado em ver na educagio um fen6- meno eminentemente individual. “Para Kant, escrevia Durkheim, — para Kant, como para Mill, para Heerbart, como para Spencer, u @ educagio tinha por objoto, antes de tudo, realizar em cada individue, os auributes constitutivos da espécie humana em geral, Ievando-os a0 mais alto grau de perfeicao". Mas tal acérdo nto uma garantia da verdace. Bem sabemos que a filosofia cléssica quase sempre tem esquecido o homem real, 0 homem de certo tempo ¢ de lugar determinado, tinico que é realmente observivel, para especular sObre uma pretensa natureza humana universal, produto ideolégico © arbitratio, concebido sem método, sdbre nimero muito restrito de tipos humanos. Admite-se hoje, geral- mente, que o cardter abstrato dessa [ilosofia falseou de muito a especulacao politica do século XVIII, por exemplo: individualista em exeesso, muito separada da observacio histérica, ela legislou quase sempre para um tipo de homem convencional, indepen- dente de qualquer meio social definido. Mas o progresso a que atingiram, no século XIX, as ciéncias politicas, sob a influéncia da historia, e da filosofia inspirada na histéria, progresso para que tenderam no fim do século tédas as ciéncias morais, devia Tealizarse também no campo da filosofia da educacio. A educacio é um processo social; isto é, ésse proceso pée em contato a crianga com uma sociedade determinada, e nfo com a sociedade in genere, Se esta afirmacio € legitima, a verdade que ela encerra preside nfo sémente A reflexdo especulativa sobre a educagio, mas comanda a prépria ago pratica de educar. E, com feito, é isso incontestével, se bem que em teoria seja muitas vézes contraditada, Examinemos algumas das resisténcias que a Proposi¢io de Durkheim suscita, quando enunciada. Ouvese, primeiro, o protesto que se podia chamar de univer- salista ou bumanista. Ser danoso encorajar um nacionalismo estreito, ou seja imolar os interésses da humanidade aos do Es- tado, ou mesmo de determinado regime politico. No decorrer da guerra, ‘zeqiientemente se opds a educagio germinica 4 educa- fo latina, 2quela puramente nacional e téda em beneficio do Estado, este Liberal e humana. Afirma-se sem duvida, que a edu. cagéo prepara 2 crianga para a patria, mas também para 2 huma- nidade. De tiversos modos assim se estabelece um antagonismo gnure éstes srmot: educacio social, educagio hurmana, sociedade € humanidese. pensarsento de Durkheim paira bem acima de objecées déste Bénero. Ele vamais teve a intencio, como edueador, de fazer pre- Yalecer os fins nacionsis sobre os fins humanos, Dizer que a edn 2 cago € coisa social nv € formular um programa de educagio: € verificar um fato. Durkheim tinha éste fato por verdadeiro. por toca parte, fosse qual fésse a tendéncia que prevalecesse, aqui ou ali. O cosmopolitismo nfo ¢ menos social que © naciona- lismo, Ha civilizagées que impelem 0 educador a colocar a patria acima de tudo; ouiras que o levam a subordinar os fins nacionais aos fins humanos, ou melhor, a harmonizi-los. © ideal universa- lista esta ligado @ uma civilizagio sintética que tende a combinay tédas as outras. Aliss, no mundo contemporineo, cada nacho tem 'seu cosmopolitismo, seu humanismo préprio, no fundo do qual se reconhece o seu préprio espirito. Qual é, com efeito, para nés franceses do século XX, 0 valor relative dos deveres para com a humanidade, e dos deveres para com a pitria? Como podem éles entrar em conilito? Como podem ser conciliados? Muito altas so essas indagagoes, € 0 socidlogo no as resolver4 em proveito do nacionalisino se comecar por definir a educagio como éle o faz, Se o fizer, ao abordar essas questdes, terd as miios livres. Reco nhecer 0 cardter que realmente anima a educagio, no 0 leva a prejulgar das forcas morais que solicitam o edueador em diregées diversas ¢, as vézes, opostas. ‘A mesma resposta tesponde as objecSes individualistas. Durk- heim define a educa¢io como a socializagio da crianga. Mas entio, pensam alguns de nada vale a personalidade humana, a nogio a iniciativa, da responsabilidade, 0 aperfeigoamento préprio do individuo. Estamos tao acostumados a opor a idéia de sociedade 4 idéia de individuo que téda doutrina, que faga do térmo “socie- dade” uso freqiiente, parece sactificar o individuo. Ainda aqui, ha confusio. Se um homem existiu como um individuo, com personalidade propria, com tudo quanto o térmo implica de ori- ginalidade criadora e resistencia as influéncias coletivas — &se homem foi Durkheim, E sua doutrina moral correspondé tao bem a0 seu préprio cardter que nfo se avangaria um paradoxo se se desse a essa doutrina 0 nome de individualismo. Sua primeira obra “A Divisio do Trabalho Social” (la Division du travail social) propée tda uma filosofia da histéria, na qual a genese, a diferenciacgo, a libertagio do individuo aparecem como cardter dominante do progreso da civilizagio, ¢ a exaltagio da pessoa humana como o seu térmo atual. Tal filosofia da histéria leva 2 esta regra moral: “distingue-te, torna-te uma pessoa”, Como seme- Ihante doutrina enxergeria, na educagio, qualquer processo de 18 despersonslizacio? Se preparar uma pessoa € atualmente o fim dal! eduracio, ©, se educar € socializas, concluamos com Durkheisn| que é possivel individualizar, socializando, £ ésse, precisamentes © seu pensamento. 1 Posle-se discutir 0 modo pelo qual éle encara a educacio dal individualidade. Mas a sua definigio de educagio é a de um Pensaclor que, por um instante, nao desmerece nem sobreestima @ funglo ou 0 valor do individuo. E € preciso assinalar aos soci. logos que, justamente, da andlise que éle far da educacio, ressalta © seu pensamento acérca das relagSes entre a sociedade ¢ o indi. viduo, como a respeito da fungio dos individuos de escol no Progresso social.

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