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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

12ª Câmara de Direito Privado

 

Registro: 2017.0000855869

A C Ó R D Ã O

Vistos, relatados e discutidos estes autos do Apelação nº 1001612-13.2015.8.26.0007, da Comarca de São Paulo, em que é apelante BANCO DO BRASIL S/A, são apelados SPARFLEX FIOS E CABOS ESPECIAIS LTDA, DENISE CHATZOGLOU, EDUARDO CHATZOGLOU, SHIRLEY CHATZOGLOU, ROGERIO CHATZOGLOU, LARISA FIORESI ANTONIAZZI CHATZOGLOU e BASILE CHATZOGLOU.

ACORDAM, em sessão permanente e virtual da(o) 12ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Deram provimento ao recurso. V. U.", de conformidade com o voto da Relatora, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Excelentíssimos Desembargadores JACOB VALENTE (Presidente sem voto), CASTRO FIGLIOLIA E CERQUEIRA LEITE.

São Paulo, 8 de novembro de 2017

(assinatura digital)

SANDRA GALHARDO ESTEVES

Desembargadora – Relatora.

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Voto nº 20.125 Apelação Cível nº 1001612-13.2015.8.26.0007

Comarca de São Paulo

Juiz(a): Antônio Marcelo Cunzolo Rimola Apelante(s): Banco do Brasil S/A Apelado(a)(s): Sparflex Fios e Cabos Especiais Ltda. e outros

Foro Regional de Itaquera / 2ª Vara Cível

EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO. SOCIEDADE EMPRESÁRIA MUTUÁRIA. REGIME DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL QUE NÃO EXTINGUE O DIREITO DO CREDOR DE EXIGIR SEU CRÉDITO EM FACE DOS AVALISTAS. NOVAÇÃO SOB CONDIÇÃO RESOLUTIVA. EXTINÇÃO ANÔMALA DO PROCESSO AFASTADA. DETERMINAÇÃO DE SUSPENSÃO DO PROCESSO ATÉ O DESFECHO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL, EM RELAÇÃO À COEXECUTADA PESSOA JURÍDICA. REGULAR PROSSEGUIMENTO DO FEITO EM RELAÇÃO AOS COEXECUTADOS AVALISTAS.

O deferimento da recuperação judicial ou a aprovação do plano de recuperação não obsta o direito do credor de cobrar o débito em face dos coobrigados. Ademais, a mera homologação do plano não implica em novação, e, portanto, os autos não revelam hipótese de extinção da obrigação e, em consequência, do processo em relação à devedora pessoa jurídica. Em relação a ela, o processo fica suspenso até o desfecho da recuperação judicial. Quanto aos coexecutados avalistas, o feito deve prosseguir regularmente. Apelação provida.

Vistos,

1. Trata-se de recurso de apelação interposto contra a r. sentença, prolatada às pp. 172/175, que extinguiu de forma anômala o processo dessa ação de execução de título extrajudicial que BANCO DO

BRASIL S/A move em face de SPARFLEX FIOS E CABOS ESPECIAIS LTDA., BASILE CHATZOGLOU, DENISE CHATZOGLOU, EDUARDO CHATZOGLOU, SHIRLEY

CHATZOGLOU, ROGÉRIO CHATZOGLOU e LARISSA FIORESI ANTONIAZZI, por

ausência superveniente de interesse processual, considerando a aprovação do plano de recuperação judicial da coexecutada pessoa jurídica.

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Cuida-se de ação de execução lastreada em cédula de crédito bancário, emitida pela coexecutada SPARFLEX, figurando os demais executados na posição jurídica de avalistas.

Os executados informaram que foi deferido o processamento da recuperação judicial da emitente da cédula, de modo que o débito exequendo está sujeito aos efeitos do processo recuperatório. O plano foi aprovado pela assembleia geral de credores, realizada em 16 de março de 2016. Houve novação do débito, resultando na perda do objeto da ação de execução.

O nobre magistrado a quo entendeu que (a) o pedido de Recuperação Judicial está em andamento e o Plano de Recuperação foi

aprovado pelos credores em Assembleia Geral; (b) a Lei nº 11.101/2005 prevê a hipótese da suspensão de todas as ações e execuções contra o devedor por até 180 dias contados de deferimento do pedido de recuperação judicial; mas, depois de homologado o plano em assembleia geral dos credores, não

é mais compatível tal suspensão; (c) com a aprovação do plano e a

posterior homologação (concessão) pelo Juízo competente, não mais se aplicam os dispositivos legais referentes à suspensão das execuções individuais; (d) a aprovação do plano opera novação dos créditos e a decisão homologatória constitui novo título executivo judicial; (e) em que pese haver novação em caráter condicional dos créditos por ocasião da

aprovação do plano, as hipóteses de restabelecimento do status quo ante com

a reconstituição dos direitos e garantias nas condições originalmente

contratadas referem-se exclusivamente à perseguição do crédito por meio da própria decretação da quebra da recuperanda, seja pela convolação automática prevista no art. 61, §1º, quando há descumprimento das obrigações previstas no plano dentro do prazo de dois anos da recuperação judicial, seja pela decretação da falência a pedido do credor nas hipóteses do art. 94 da Lei nº 11.101/2005; (f) em ambos esses casos, o crédito deverá ser objeto de habilitação nos autos da falência perante o juízo universal, sendo descabido o prosseguimento da execução individual; (g) a hipótese de execução específica das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial, após o prazo de dois anos, também não pode aproveitar eventuais atos da execução que tramitava antes do início da recuperação; isso porque, as obrigações excutidas passam a ser aquelas próprias da novação realizada por ocasião do plano de recuperação, passando o título executivo a ser a própria decisão judicial que concedeu a recuperação judicial e não mais o título executivo outrora excutido; e (h) é medida de rigor a extinção da execução, nos termos do art. 485, inc. VI, do

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Código de Processo Civil, cabendo ao exequente habilitar seu crédito perante ao juízo da Recuperação Judicial, vez que inviável o prosseguimento da execução de titulo extrajudicial. Assim, extinguiu de forma anômala o processo dessa ação de execução.

Inconformado, o exequente apela às pp. 191/200. Alega, em suma, que a concessão da recuperação judicial para a empresa devedora não afeta as garantias dos débitos sujeitos ao plano, podendo os credores cobrar as dívidas dos coobrigados avalistas. Pugna pelo provimento do recurso para reforma da r. sentença.

Os executados ofertaram contrarrazões (pp. 205/216).

Não houve oposição ao julgamento do recurso em plenário

virtual.

É o relatório do essencial.

2. A cédula de crédito bancário que dá sustentáculo à pretensão formulada na inicial foi emitida pela sociedade empresária coexecutada, figurando os demais coexecutados, pessoas naturais, como avalistas.

Pois bem.

Um dos efeitos mais relevantes da concessão da recuperação é a novação dos créditos anteriores ao pedido, nos termos do art. 59 da Lei nº 11.101/05. Contudo, a novação possui como condição resolutiva o cumprimento do plano de recuperação.

No caso da recuperação judicial, a novação se opera sob a condição de que o plano seja integralmente cumprido. Em consequência, com o insucesso da recuperação e a decretação da falência, os direitos dos credores são restituídos e descontados os pagamentos eventualmente a eles realizados.

A sociedade empresária devedora, sujeita às disposições da Lei n.º 11.101/2005, não deve ser confundida com as figuras de seus sócios. Os benefícios e disposições da lei específica objetivam viabilizar a superação da crise econômico-financeira da pessoa jurídica.

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Conforme dispõe o art. 6° da Lei n° 11.101/2005, fica suspensa a ação em relação à pessoa jurídica. E tal dispositivo deve ser interpretado em conjunto com o art. 49, §1º do mesmo diploma legal. Desta feita, o credor conserva seus direitos e privilégios contra os coobrigados.

Os efeitos da aprovação do plano de recuperação judicial da sociedade empresária codevedora não atingem os coexecutados pessoas físicas, coobrigados.

Era facultado ao exequente ajuizar a ação tanto em face da pessoa jurídica quanto em face dos avalistas. Assim, não há falar em extinção da obrigação em razão de novação.

O deferimento da recuperação judicial ou a aprovação do plano de recuperação não obsta o direito do credor de exigir o débito em face dos coobrigados.

0004627-33.2012.8.26.0000, Rel. Des. ALEXANDRE MARCONDES, j. em 21.05.2013; TJSP, AReg nº 0038328-48.2013.8.26.0000/50000, Rel. Des. HERALDO DE OLIVEIRA, j. em 16.05.2013; TJSP, Ap. nº 0199698-32.2010.8.26.0100, Rel. Des. RÔMULO RUSSO, j. em 09.05.2013; TJSP, Ap. nº 9147683- 73.2009.8.26.0000, Rel. Des. SÉRGIO SHIMURA, j. em 08.05.2013; TJSP, AI nº 0213988-90.2012.8.26.0000, Rel. Des. FERNANDO SASTRE REDONDO, j. em 08.05.2013; TJSP, AI nº 0255740-42.2012.8.26.0000, Rel. Des. SÉRGIO GOMES, j. em 30.04.2013; TJSP, AI nº 0038544-09.2013.8.26.0000, Rel. Des. MARINO NETO, j. em 25.04.2013.

Nesse

sentido,

dentre

muitos

outros:

TJSP,

AI

Ademais, a mera homologação do plano não implica em novação, e, portanto, os autos não revelam hipótese de extinção da obrigação e, em consequência, do processo em relação à coexecutada

SPARFLEX.

Nesse sentido:

“EMENTA: EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL Pretensão

de extinção da execução em razão da aprovação do seu plano de

recuperação judicial Impossibilidade Lei 11.101/05 tem caráter condicional

Novação prevista no art. 59 da

Necessidade de preservação do

direito do credor para o caso de eventual descumprimento do plano de recuperação judicial Suspensão da execução determinada Decisão

mantida

Recurso

desprovido”

(TJSP,

AI

0172873-89.2012.8.26.0000,

Rel.

Des.

MANOEL

MATTOS,

j.

em

04/09/2012).

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“Fase de cumprimento de sentença. Homologação do plano de recuperação judicial da agravante. Ocorrência de novação dos créditos constituídos anteriormente, ainda que não indicados na relação de credores. Necessidade de suspensão do processo por dois anos a contar da data da publicação da sentença de homologação do plano de recuperação. Recurso provido em parte, com observação.” (TJSP, AI nº 2042817-26.2015.8.26.0000, Rel. Des. LUIS CARLOS DE BARROS, j. em

29.06.2015).

Não há como extinguir um processo que mais cedo ou mais tarde pode ter o direito material nele perseguido revigorado por eventual descumprimento dos termos fixados no plano de recuperação judicial.

A Segunda Seção do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o REsp. nº 1.333.349/SP em procedimento para recursos repetitivos

regido pelo art. 543-C do Código de Processo Civil de 1973, relator o Ministro

que: “A

LUÍS

FELIPE

SALOMÃO,

julgado

em

26/11/14,

firmou

a tese

de

recuperação judicial do devedor principal não impede o prosseguimento das execuções nem induz suspensão ou extinção de ações ajuizadas contra terceiros devedores solidários ou coobrigados em geral, por garantia cambial, real ou fidejussória, pois não se lhes aplicam a suspensão prevista nos arts. 6°, 'caput', e 52, inciso III, ou a novação a que se refere o art. 59, 'caput', por força do que dispõe o art. 49, § 1°, todos da Lei n.

11.101/2005”.

3. Em face do exposto, dá-se provimento ao recurso, para afastar a extinção anômala do processo; determinar a suspensão do processo em relação à coexecutada SPARFLEX FIOS E CABOS ESPECIAIS LTDA., até o desfecho de sua recuperação judicial; e determinar o regular prosseguimento do feito em relação aos demais coexecutados.

(assinatura digital)

SANDRA GALHARDO ESTEVES

Desembargadora

Relatora.