Вы находитесь на странице: 1из 12

Ciências & Cognição 2008; Vol 13 (3): 187-198 <http://www.cienciasecognicao.

org> © Ciências & Cognição


Submetido em 07/06/2008 | Aceito em 15/11/2008 | ISSN 1806-5821 – Publicado on line em 10 de dezembro de 2008

Artigo Científico

Interpretação de metáforas com verbos de mudança de estado


Interpretation of metaphors with verbs of changing of manner

Dieysa Kanyela Fossile

Programa de Pós-Graduação em Lingüística, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC),


Florianópolis, Santa Catarina, Brasil

Resumo

Neste artigo, apresenta-se uma pesquisa através da qual se investiga se os tipos combinatórios
([tópicos] + [veículos]) de sentenças metafóricas apresentam regularidade interpretativa.
Examinam-se relações paradigmáticas e relações sintagmáticas de ocorrências metafóricas com
verbos de mudança de estado. Realizou-se uma descrição dessas relações baseada na análise de
100 exemplos reais de metáforas verbais retirados da web, porém neste artigo serão
apresentados apenas 19 exemplos. Os resultados preliminares sugerem que a interpretação de
uma metáfora ocorre por meio de dois níveis: 1º nível – identificação do tipo de metáfora, 2º
nível – identificação da relação sintagmática relevante. Este trabalho confirma a hipótese de
que a regularidade que pode ser encontrada no uso das metáforas com verbos de mudança de
estado está baseada no resultado da ação verbal e que o conhecimento semântico que organiza
classes de palavras, como a classe dos verbos de mudança de estado, é fundamental para a
interpretação de metáforas. Este estudo que se apresenta neste artigo é uma pesquisa em
andamento para a dissertação de mestrado em Lingüística, portanto os resultados obtidos ainda
não são conclusivos. © Cien. Cogn. 2008; Vol. 13 (3): 187-198.

Palavras-chave: metáfora; léxico; interpretação.

Abstract

In this article is presented a research, which is investigated if the combinated ([topics] +


[vehicles]) of metaphorical sentences presents any kind of interpretative regularity. Examining
paradigmatics relations and sintagmatics relations of metaphorical occurrencies with verbs of
changing of manner. It was realized a description of these relations based on the analyses of
100 real examples of metaphoric verbs of manner changing, took off from web, however in this
article will be presented only 19 examples. The previous results suggest that the interpretation
of a metaphor occurs throw two levels: first level – identification of the kind of metaphor,
second level – identification of sintagmatic relation relevant. This work confirms the
hypothesis in which the regularity that can be found into the metaphors use with the verbs of
changing of manner is based in the results of verbal action and that the semantic knowledge
that organizes classes of words, as the classes of verbs of changing of manner, is essential for
the metaphoric interpretation. This study that is presented in this article is a research on for
dissertation of master’s degree in Linguistics, so the results got are not conclusive yet. © Cien.
Cogn. 2008; Vol. 13 (3): 187-198.

Keywords: metaphor; lexicon; interpretation.

187
Ciências & Cognição 2008; Vol 13 (3): 187-198 <http://www.cienciasecognicao.org> © Ciências & Cognição
Submetido em 07/06/2008 | Aceito em 15/11/2008 | ISSN 1806-5821 – Publicado on line em 10 de dezembro de 2008

1. Introdução

Através deste artigo, de acordo com a perspectiva apresentada por Moura (2005,
2007), tenta-se defender que o uso metafórico é guiado por certos padrões lingüísticos. Aqui,
propõe-se descrever uma metodologia de análise de metáforas com verbos de mudança de
estado. Nesta proposta, a metáfora será enquadrada como tipo, isto quer dizer que se defende
que a interpretação de uma metáfora não acontece casualmente, mas resulta da introdução de
uma ocorrência num dado tipo. Desta forma, sustenta-se que uma ocorrência metafórica pode
estar associada a um tipo que pode definir não completamente, mas em parte a interpretação
de uma metáfora. Os padrões lingüísticos que definem os tipos de metáforas envolvem
relações paradigmáticas e sintagmáticas. Para descrever como um falante interpreta uma
sentença metafórica é necessário analisar com cuidado o contexto lingüístico e tentar
encontrar os paradigmas dos itens lexicais envolvidos e os sintagmas em que eles se agrupam,
sempre tomando por base a estrutura léxico-conceptual da linguagem, tal como defende
Moura (2007). Até agora, realizou-se uma descrição preliminar desses padrões analisando 100
exemplos reais, retirados da web, de metáforas com verbos de mudança de estudo. Neste
artigo será apresentada uma descrição desses padrões a partir de 19 metáforas que apresentam
os verbos congelar e engessar.
O objetivo desta proposta é investigar a partir de relações paradigmáticas e
sintagmáticas se os tipos combinatórios de metáforas com verbos de mudança de estado
apresentam regularidade interpretativa e, a partir daí, tentar propor um tipo combinatório de
metáforas com verbos de mudança de estado. A hipótese de trabalho é que a regularidade que
pode ser encontrada no uso das sentenças metafóricas com verbos de mudança de estado pode
estar baseada no resultado da ação verbal e não na forma ou no aspecto dessa ação. Essa
hipótese está fundamentada na perspectiva de Moura e será analisada através da metodologia
adotada.
O artigo está organizado da seguinte forma: na seção 2, apresenta-se a metáfora
enquadrada como tipo; na seção 3, descreve-se a metodologia a ser seguida na análise do
corpus e é apresentada a descrição dos dados das metáforas com verbos de mudança de
estado; na seção 4, identificam-se padrões regulares de interpretação e na seção 5, discutem-se
alguns resultados e conclusões parciais, pois este artigo está embasado na dissertação de
mestrado “Metáforas com verbos de mudança de estado” que está em andamento.

2. Teorias que explicam o uso da metáfora a partir de tipos

Um dos modelos mais famosos e conhecidos que estuda a metáfora a partir de tipos é
a teoria conceptual (Lakoff e Johnson, 2002). Essa teoria sustenta que a metáfora não é um
recurso da linguagem, mas do pensamento. Nesse modelo a sistematicidade da metáfora é
buscada no plano da representação cognitiva, portanto é uma sistematicidade externa que se
situa na mente do falante.
Nesta pesquisa, estuda-se o uso metafórico a partir de tipos de metáforas, mas de
maneira diferente da teoria conceptual. Busca-se investigar a sistematicidade da metáfora no
plano lingüístico e não no plano de representação mental. Isso quer dizer, tal como defendem
Moura (2005, 2007) e Veale (2003), que neste caso se está assumindo uma perspectiva interna
da sistematicidade da metáfora, a qual analisa quais são os fatores internos da estrutura léxico-
conceptual de uma sentença metafórica que levam à interpretação. Segundo Moura (2007), a
sistematicidade interna contribui para que se possa realizar uma descrição minuciosa dos tipos
de metáforas e mostrar, detalhadamente, a interação entre o tópico e o veículo de uma
sentença metafórica.

188
Ciências & Cognição 2008; Vol 13 (3): 187-198 <http://www.cienciasecognicao.org> © Ciências & Cognição
Submetido em 07/06/2008 | Aceito em 15/11/2008 | ISSN 1806-5821 – Publicado on line em 10 de dezembro de 2008

3. Metodologia para análise de dados

Como o objetivo deste estudo é propor um tipo combinatório de metáforas com verbos
de mudança de estado, realizam-se estudos de relações paradigmáticas e estudos de relações
sintagmáticas de sentenças metafóricas. Essas relações podem ser compreendidas como um
meio de analisar de maneira minuciosa como as metáforas funcionam. Nesta pesquisa, duas
questões postulam a análise que virá a seguir:

1. Ocorrências metafóricas exploram a estrutura léxico-conceptual da linguagem;


2. O uso de metáforas é sistemático, isto é, há tipos de metáforas que guiam a interpretação.
Essas metáforas apresentam relações paradigmáticas e sintagmáticas definidas (Moura,
2007: 431).

Juntamente com Moura, elaborou-se uma metodologia centrada nas duas questões
acima citadas, para que se pudesse realizar e desenvolver uma investigação segura. Essa
metodologia de análise de dados segue os seguintes passos:

1º Passo: Definir uma categoria semântica (nominal ou verbal) que ocorra na posição de
veículo das metáforas a serem investigadas.
2º Passo: Definir uma lista de itens lexicais pertencentes à categoria semântica escolhida
(construção da relação paradigmática).
3º Passo: Pesquisar na web ocorrências de metáforas com esses itens lexicais na posição de
veículo (Fellbaum, 2005).
4º Passo: Identificar, na análise de dados, classes de interpretação (conjuntos de paráfrases)
que possam ser inferidas a partir dos dados, para cada item lexical analisado.
5º Passo: Identificar possíveis correlações entre classes de interpretação e relações
sintagmáticas (construção das relações sintagmáticas).
6º Passo: Comparar as relações sintagmáticas dos diferentes itens lexicais, obtidas no 5º
passo, e identificar padrões de interpretação. Se padrões de interpretação forem
encontrados, postular um tipo de metáfora.

3.1. Explicação dos procedimentos adotados para análise de dados

Apresenta-se, a seguir, um comentário detalhado para cada procedimento (passo)


acima apresentado, para que seja compreendida com clareza a metodologia adotada no
desenvolvimento desta investigação. Este comentário tem como base os argumentos e a
explicação propostos por Moura (2007: 432):

1º Passo: Deve-se selecionar uma categoria semântica para investigação. Essa categoria
deve ocupar o lugar de veículo da metáfora e pode ser uma categoria verbal ou
nominal. Como nesta pesquisa o foco é estudar metáforas verbais e não nominais,
a categoria semântica selecionada para estudo é a dos verbos de mudança de
estado.
2º Passo: Almeja-se ressaltar que um paradigma (categoria semântica) como a dos verbos é
bastante vasta, grande e variada.
3º Passo: Usam-se mecanismos de busca na web (como o Google), mecanismo de análise de
dados que já foi testado na literatura (Fellbaum, 2005). Por meio deste método de
pesquisa, coletam-se exemplos de sentenças metafóricas reais e contextualizados.
Admite-se que os resultados que se obtiver nesta pesquisa não serão exaustivos e

189
Ciências & Cognição 2008; Vol 13 (3): 187-198 <http://www.cienciasecognicao.org> © Ciências & Cognição
Submetido em 07/06/2008 | Aceito em 15/11/2008 | ISSN 1806-5821 – Publicado on line em 10 de dezembro de 2008

nem quantificáveis, pois novas sentenças metafóricas podem aparecer a todo


momento na web.
4º Passo: Agora, devem-se identificar paráfrases aceitáveis. As paráfrases serão limitadas,
pois de acordo com Black (1962, 1992, 1993) e Kittay (1987), pode-se argumentar
que uma metáfora nunca é completamente parafraseável. Sobre o papel da
paráfrase literal, Davidson (1992: 48) e Finger (1996: 50) afirmam que para Black
o conjunto de sentenças literais que for obtido a partir de uma sentença e/ou
proferimento metafórico nunca será capaz e nem terá o poder de informar e
esclarecer como a metáfora original. Tal como sustenta Corôa (2005: 34), “uma
paráfrase (...) subtrai informação, por um lado, e acrescenta implicações não
desejáveis, por outro”. Depois de identificar as paráfrases, é importante definir
linhas gerais de interpretação de um dado veículo metafórico, nos variados
contextos. Se possível, deve-se identificar apenas uma dimensão de predicação
(dimensão relevante), que seja projetada a partir do veículo. As interpretações
devem respeitar as pistas dadas pelo contexto de cada ocorrência metafórica. E as
expressões idiomáticas que surgirem no corpus com os itens lexicais analisados
devem ser apontadas.
5º Passo: Devem-se analisar as correlações existentes entre essas classes de interpretação
(paráfrases) e o tipo de palavra que ocupa o lugar de tópico em uma sentença
metafórica. A classe semântica do tópico com base em cada conjunto de paráfrases
- (a classe semântica do tópico será o hiperônimo dos termos que atuam como
tópicos) - deve ser identificada. Neste passo, buscam-se relações sintagmáticas,
isto é, estabelecem-se generalizações a partir de ocorrências de metáforas com o
mesmo item lexical na posição de veículo.
6º Passo: Neste último procedimento, tenta-se obter uma generalização maior a que se
obteve no 5º passo. Deve-se testar se a mudança de um item lexical por um outro
item, dentro de um mesmo paradigma, muda ou não as interpretações das relações
sintagmáticas, para se obter uma generalização maior. Propõe-se postular um tipo
de metáfora, se for obtida uma generalização. Deve-se estar atento que um tipo de
metáfora deve se aplicar a todos os itens lexicais de um paradigma.

Observação: Somente depois de concluída a análise de todos os itens lexicais apresentados no


2º passo é que o 6º será colocado em prática. A análise de cada item lexical abordado no 2º
passo sempre será realizada a partir do 3º até o 5º passo.

3.2. Análise do corpus coletado – metáforas com verbos de mudança de estado

1º Passo: Examinar verbos de mudança de estado.


2º Passo: Os verbos congelar e engessar são utilizados como veículos de metáforas.
3º Passo: Retirar da web exemplos de ocorrências metafóricas com os verbos congelar e
engessar na posição de veículo da(s) sentença(s) metafórica(s).

3.2.1. Análise das metáforas com o verbo congelar

3º Passo - Retiraram-se dez ocorrências de metáforas com o verbo congelar da web:

(1) “Querem congelar o Espiritismo!”


(Retirado em 09/07/2007, de World Wide Web: http://www.redevisao.com/html/materias/
alamarespirita/naofalarcomespiritos.htm).

190
Ciências & Cognição 2008; Vol 13 (3): 187-198 <http://www.cienciasecognicao.org> © Ciências & Cognição
Submetido em 07/06/2008 | Aceito em 15/11/2008 | ISSN 1806-5821 – Publicado on line em 10 de dezembro de 2008

(2) “Para sair do banho, por exemplo, Luciana precisava congelar um pensamento bom na
mente.”
(Retirado em: 09/07/2007, de World Wide Web: http://scotty.ffclrp.usp.br/periodicos/veja/
Mentes%20que%20aprisionam.htm).

(3) “Outro momento lá atrás que congelaria é quando eu ganhei as ‘Olimpíadas de


Matemática do Estado de São Paulo’...”
(Retirado em: 09/07/2007, de World Wide Web: http://www.blogtematico.blogger.com.br/
2005_08_28_archive.html).

(4) “Congelaria um momento de descoberta ... ... com toda intensidade...”


(Retirado em: 09/07/2007, de World Wide Web: http://www.blogtematico.blogger.com.br/
2005_08_28_archive.html).

(5) “Congelaria a emoção de amar com toda intensidade ... ... Aliás, não congelaria não ...
Quero é manter bem aquecido ...”
(Retirado em: 09/07/2007, de World Wide Web: http://www.blogtematico.blogger.com.br/
2005_08_28_archive.html).

(6) “Modelos, atrizes e alunas fazem parte das fotografias de Silveira, que abusou de sua
capacidade de preparar atores – como Ana Paula Arósio, Déborah Secco, Fábio Assunção e
Marisa Orth – para fotografar e congelar eternamente a emoção do momento.”
(Retirado em: 09/07/2007, de World Wide Web: http://www.geleiageral.com.br/gratis/
beto_silveira.htm).

(7) “Fotografar é congelar o tempo com emoção.”


(Retirado em: 09/07/2007, de World Wide Web: http://www.photografos.com.br/
fotografo.asp?id).

(8) “Eu queria poder congelar tudo o que aconteceu ...”


(Retirado em: 09/07/2007, de World Wide Web: http://www.prettiestthing.weblogger.com.br).

(9) “Não mais desperdiçar minhas lágrimas. Não mais achar me perdido. No fundo eu fui um
idiota. Não mais acreditar no nada. Não mais congelar o medo.”
(Retirado em: 09/07/2007, de World Wide Web: http://gloria.letras.terra.com.br/
letras/206417).

(10) “... Congelar o tempo antes da morte ...”


(Retirado em: 09/07/2007, de World Wide Web: http://www.ronaldperet.com.br/
humanus_onstage.htm).

4º Passo - Encontraram-se três classes de interpretação (paráfrases): {a, b, c} no corpus


analisado:

Paráfrase (a): Tornar imóvel, paralisar. Exemplos: (1), (3), (4), (5), (8), (10).
Paráfrase (b): Guardar, registrar. Exemplos: (6), (7).
Paráfrase (c): Armazenar, ter. Exemplos: (2), (9).

5º Passo

191
Ciências & Cognição 2008; Vol 13 (3): 187-198 <http://www.cienciasecognicao.org> © Ciências & Cognição
Submetido em 07/06/2008 | Aceito em 15/11/2008 | ISSN 1806-5821 – Publicado on line em 10 de dezembro de 2008

Paráfrase (a): Tornar imóvel, paralisar. Exemplos: (1), (3), (4), (5), (8), (10).
Tópicos: Espiritismo, momento, momento, emoção, tudo, tempo.
Classe semântica (Hiperonímia):

● Religião: Espiritismo.
● Período de tempo: momento, momento de descoberta, tempo.
● Sensação: emoção.
● Indefinição: tudo.
Dimensão relevante do tópico: Duração.
Relação sintagmática (a): [Tópico (Religião, Período de tempo, Sensação, Indefinição) +
Veículo (congelar)].

Paráfrase (b): Guardar, registrar. Exemplos: (6), (7).


Tópicos: emoção, tempo.
Classe semântica (Hiperonímia):

● Período de tempo: tempo.


● Sensação: emoção.
Dimensão relevante do tópico: duração.
Relação sintagmática (b): [Tópico (Período de tempo, sensação) + Veículo (congelar)].

Paráfrase (c): Armazenar, ter. Exemplos: (2), (9).


Tópicos: Pensamento bom, medo.
Classe semântica (Hiperonímia):
●Ação/plano voltados para uma meta: pensamento bom.
●Sensação: medo
Dimensão relevante do tópico: Vivência.
Relação sintagmática (c): [Tópico (Ação/plano voltados para uma meta, sensação) + Veículo
(congelar)].

3.2.2. Análise das metáforas com o verbo engessar

3º Passo - Foram coletadas, na web, nove ocorrências de metáforas com o verbo engessar:

(1) “Para Carrion, nenhuma forma de gestão pode engessar a luta social e popular e nem
desresponsabilizar o governo ...”
(Retirado em: 03/07/2007, de World Wide Web: http://www.ongcidade.org/site/
noticias_completa.php?).

(2) “Nunca admiti, como professor titular de direito constitucional da Universidade


Mackenzie e comentarista da Constituição Federal, que brasileiros do passado pudessem
engessar o futuro da nação ...”
(Retirado em: 03/07/2007, de World Wide Web: http://clipping.planejamento.gov.br/
Noticias.asp?NOTCod=291102).

(3) “A idéia de enquadrar e engessar idéias autônomas, independentes e criativas ...”


(Retirado em: 03/07/2007, de World Wide Web: http://panocticowordpress.com/2007/05/14/
para-andrea-matarazzo-catadores-sao-problema).

192
Ciências & Cognição 2008; Vol 13 (3): 187-198 <http://www.cienciasecognicao.org> © Ciências & Cognição
Submetido em 07/06/2008 | Aceito em 15/11/2008 | ISSN 1806-5821 – Publicado on line em 10 de dezembro de 2008

(4) “A idéia do planejamento não é engessar sua vida, muito pelo contrário, dar liberdade.”
(Retirado em: 03/07/2007, de World Wide Web: http://chat04.terra.com.br:9781/
henriqueflory.htm).

5) “Eles querem engessar um juiz de 1ª Instância.”


(Retirado em: 03/07/2007, de World Wide Web: http://www.tacrim.sp.gov.br/cetac/
Palestra140501.html).

(6) “É imediatamente taxado de inimigo do progresso, contrário ao desenvolvimento, alguém


que quer engessar a Amazônia.”
(Retirado em: 03/07/2007, de World Wide Web: http://www.ssps.org.br/JUPIC/Esporadico/
cartasol.htm).

(7) “Ainda não existe súmula vinculante sobre o tema, capaz de engessar o poder de
interpretação do juiz.”
(Retirado em: 03/07/2007, de World Wide Web: http://www.amab.com.br/marcosbandeira/
sentencas.php?cod=56).

(8) “Não defendo a reserva de mercado da língua portuguesa, pois tentar engessar um idioma
é o mesmo que condená-lo à morte.”
(Retirado em: 03/07/2007, de World Wide Web: http://www.teclasap.com.br/boletim/
ed_anteriores/infotainment262.shtml).

(9) “Dessa forma cria-se um impasse, porque o Estado não teria condições de fazer os seus
registros, o que iria engessar as ações, explicou a assessoria de imprensa.”
(Retirado em: 03/07/2007, de World Wide Web: http://www.mp.mt.gov.br/noticias.php?
IDCanal=OTE=&IDSubCanal=Mjk=&view=MjE5NQ).

4º Passo - Identificaram-se duas classes de interpretação (paráfrases): {a, b} no corpus


analisado:

Paráfrase (a): Impedir de agir. Exemplos: (1), (5), (7), (9).


Paráfrase (b): Impedir de prosperar, de evoluir. Exemplos: (2), (3), (4), (6), (8).

5º Passo

Paráfrase (a): Impedir de agir. Exemplos: (1), (5), (7), (9).


Tópicos: Luta social e popular, juiz, poder de interpretação, ações do estado.
Classe semântica (Hiperonímia): Pessoas e ação social.
Dimensão relevante do tópico: Ação.
Relação sintagmática (a): [Tópico (pessoas e ação social) + Veículo (engessar)].

Paráfrase (b): Impedir de prosperar, de evoluir. Exemplos: (2), (3), (4), (6), (8).
Tópicos: Futuro da nação, idéias, vida, Amazônia, idioma.
Classe semântica (Hiperonímia):

● Período de tempo: futuro da nação.


● Ação/plano voltados para uma meta: idéias.
● Existência: vida.

193
Ciências & Cognição 2008; Vol 13 (3): 187-198 <http://www.cienciasecognicao.org> © Ciências & Cognição
Submetido em 07/06/2008 | Aceito em 15/11/2008 | ISSN 1806-5821 – Publicado on line em 10 de dezembro de 2008

● Língua de uma nação: (idioma);


● Região territorial e/ou pessoas ou grupo de pessoas por metonímia: (Amazônia).
Dimensão relevante do tópico: Desenvolvimento.
Relação sintagmática (b): [Tópico (Período de tempo, Ação/plano voltados para uma meta,
Existência, Língua de uma nação, Região territorial e/ou pessoas ou grupo de pessoas por
metonímia) + Veículo (engessar)].

4. Identificar padrões regulares de interpretação

Finalmente, será colocado em prática o 6º passo. Neste último, buscam-se identificar


padrões regulares nas relações sintagmáticas encontradas. Ressalta-se que o corpus analisado
não permite nenhum resultado conclusivo e único. Porém, algumas hipóteses, já apontadas
por Moura (2007: 444), novamente se confirmam. Isto é, por meio desta instigação,
comprova-se que, (a) as metáforas não são interpretadas casualmente; (b) as paráfrases que
foram encontradas no 4º passo, adaptam-se às relações sintagmáticas que foram detectadas no
5º passo. Isto quer dizer que um determinado tipo de tópico de uma metáfora pode definir
uma interpretação saliente de um dado veículo.
Logo, questiona-se: E as generalizações sobre as relações sintagmáticas com os dois
verbos estudados (congelar e engessar) foram alcançadas? No total, obteve-se 05 relações
sintagmáticas, isto é, 03 para congelar e 02 para engessar. Os tópicos dessas relações são
variados, assim como as paráfrases.

VEÍCULO] + [TÓPICO] = PARÁFRASE


● Religião
● Período de tempo
Congelar 1 + = Tornar imóvel, paralisar
● Sensação
● Indefinição
● Período de tempo
Congelar 2 + = Guardar, registrar
● Sensação
● Ação/plano voltados para uma meta
Congelar 3 + = Armazenar, ter
● Sensação
Engessar 1 + ● Pessoas e ação social = Impedir de agir
● Período de tempo
● Ação/plano voltados para uma meta
● Existência
Impedir de prosperar/de
Engessar 2 + ● Sensação =
evoluir
● Língua de uma nação
● Região territorial e/ou pessoas ou
grupo de pessoas por metonímia
Quadro 1 - Relações sintagmáticas de metáforas com verbos de mudança de estado

5. Resultados parciais e considerações finais

No quadro 1 pode-se verificar que os tópicos e as paráfrases são bem variados, mesmo
ocorrendo repetições, resultado já apresentado por Moura (2007). O que parece certo é que as
ocorrências de metáforas com um mesmo item lexical na posição de veículo (por exemplo, o
verbo congelar e/ou engessar) se encaixam em uma das relações sintagmáticas possíveis.
Sobre as paráfrases, a princípio, conclui-se que parecem ser dependentes do conteúdo
lexical do verbo. Por exemplo, “retenção”, é um traço que se destaca nas paráfrases das

194
Ciências & Cognição 2008; Vol 13 (3): 187-198 <http://www.cienciasecognicao.org> © Ciências & Cognição
Submetido em 07/06/2008 | Aceito em 15/11/2008 | ISSN 1806-5821 – Publicado on line em 10 de dezembro de 2008

metáforas com o verbo arquivar. E essa “retenção” parece ser interpretada de modo diferente,
isto é, de acordo com o tópico da metáfora. Observe as seguintes construções:

A - Arquivar assuntos é o mesmo que Reter assuntos;


B - Arquivar momentos/acontecimentos bons é o mesmo que Reter momentos/acontecimentos
bons;
C - Arquivar momentos/acontecimentos ruins é o mesmo que Reter momentos/acontecimentos
ruins.

Percebe-se, de acordo com a análise realizada, que ‘retenção’ é, realmente, um traço


importante que se destaca nos três exemplos metafóricos apresentados (a), (b) e (c), porém
essa retenção é interpretada de forma diferente em cada sentença metafórica por causa dos
tópicos (assuntos, momentos/acontecimentos bons, momentos/acontecimentos ruins,
respectivamente). Portanto, na frase (a) o traço que se destaca é retenção, mas por causa do
tópico ‘assuntos’ esse traço é interpretado como evitar, não abordar. Na frase (b), novamente,
o traço que se sobressai é retenção, mas devido ao tópico ‘momentos/acontecimentos bons’ é
interpretado como guardar, registrar. E, na frase (c), o traço retenção passa a ser interpretado
como esquecer, deixar de lado, por causa do tópico ‘momentos/acontecimentos ruins’. Desta
maneira, percebe-se que as paráfrases (evitar, não abordar; guardar, registrar; esquecer, deixar
de lado) são dependentes o conteúdo lexical do verbo arquivar, no caso → retenção/reter.
De acordo com a pesquisa realizada, pode-se abordar que há um elemento comum nas
paráfrases – (é só observar o quadro 1). Esse elemento comum é a existência de um resultado
específico do processo verbal. E essa é a característica principal de um verbo de mudança de
estado no sentido literal. Isto é, qualquer verbo de mudança de estado apresenta esse
resultado, que certamente varia de acordo com o conteúdo semântico de cada verbo (Moura,
2007: 446). Diante da questão abordada sobre o resultado específico que basicamente todo
verbo de mudança acarreta, mostra-se no quadro abaixo a representação semântica de verbos
de mudança de estado no seu sentido literal. Esse quadro foi adaptado de Moura (2007: 446):

Tema e/ou objeto e/ou paciente da ação verbal → (estado resultativo v)

Quadro 2 - Representação semântica de verbos de mudança de estado - (sentido literal).

No quadro 2 Moura (2007: 447) mostra que “o subscrito v indica que esse estado é
relativo ao conteúdo semântico de cada verbo. A própria natureza semântica do verbo de
mudança de estado ressalta esse estado resultativo”. De acordo com Pustejovsky (1995) e
Chierchia (2003), os verbos de mudança de estado são também conhecidos como verbos
télicos, pelo fato desses verbos acarretarem um ponto auge da ação verbal. A partir do verbo
“congelar”, tenta-se explicar a relação dos verbos de mudança de estado (verbos télicos) com
as metáforas. (Moura realizou essa explicação a partir do verbo arquivar). Nesse caso,
percebeu-se que se alguém pensar no sentido literal do verbo congelar, isto é, na ação de
congelar notará que esse item lexical envolverá:

● um agente;
● um período de tempo;
● um modo de agir;

195
Ciências & Cognição 2008; Vol 13 (3): 187-198 <http://www.cienciasecognicao.org> © Ciências & Cognição
Submetido em 07/06/2008 | Aceito em 15/11/2008 | ISSN 1806-5821 – Publicado on line em 10 de dezembro de 2008

● um resultado.

Nesse caso, uma sentença metafórica com a presença desse verbo poderia explorar
qualquer uma dessas dimensões do evento de congelar. Mas, ao se analisar as paráfrases do
quadro (1) e ao se considerar o(s) sentido(s) metafórico(s) desse tipo de ocorrência, percebeu-
se que a única dimensão relevante é o resultado da ação de congelar, as outras dimensões do
evento de congelar não se destacam. O que importa é somente o resultado, isto é, que o
paciente, o objeto da ação verbal → está congelado. E estar congelado pode gerar diferentes
analogias, dependendo do tópico ao qual se aplica a metáfora do congelar. Por exemplo:

● Congelar um pensamento bom é armazená-lo.


Logo, congelar = armazenar.

● Congelar o tempo é parar o tempo.


Logo, congelar = paralisar/imobilizar.

● Congelar uma lembrança é guardá-la, registrá-la.


Logo, congelar = guardar, registrar.

● Congelar uma mágoa é deixar de senti-la, esquecê-la.


Logo, congelar = deixar de lado, suspender.

Diante dos fatos examinados e estudados até aqui, pode-se concluir, assim como
Moura que o estado resultativo é a única dimensão relevante do processo verbal. Esta
conclusão é válida para os todos os verbos analisados neste trabalho. No momento, o tipo de
metáfora com verbo de mudança de estado pode ser postulado com base em Moura (2007:
447):

Tipo de metáfora com verbo de mudança de estado

[ TÓPICO (X) + VEÍCULO (Verbo de mudança de estado v ) ]

Paráfrase = Dimensão relevante do processo verbal = estado resultativo v


Logo, paráfrase = estado resultativo v
Quadro 3 - Tipo de metáfora com verbo de mudança de estado.

A partir desta pesquisa, deduziu-se que a interpretação de uma metáfora ocorre em


dois níveis, tal como sustenta Moura, isto é, no primeiro nível, ocorre a identificação do tipo
de metáfora e no segundo nível, a identificação da relação sintagmática relevante. Por
exemplo, ao se interpretar a metáfora, congelei um pensamento bom, primeiramente,
identifica-se o tipo de metáfora, nesse caso, trata-se de uma metáfora com verbo de mudança
de estado e, depois, identifica-se a relação sintagmática, nessa metáfora tem-se a seguinte
relação: TÓPICO (Ação/plano voltados para uma meta) + VEÍCULO (verbo de mudança de
estado: Congelar), alcançando-se desta maneira uma paráfrase condizente.

196
Ciências & Cognição 2008; Vol 13 (3): 187-198 <http://www.cienciasecognicao.org> © Ciências & Cognição
Submetido em 07/06/2008 | Aceito em 15/11/2008 | ISSN 1806-5821 – Publicado on line em 10 de dezembro de 2008

Através deste estudo e levando em conta as conclusões parciais de Moura, sustenta-se


que nas metáforas existem regularidades categorias e combinatórias (relações paradigmáticas
e sintagmáticas), respectivamente, que governam a interpretação, o que significa que as
metáforas não são interpretadas aleatoriamente. Assim como autor, esta pesquisa também
defende que ao se interpretar uma sentença metafórica se acionam categorias semânticas e
combinações entre categorias semânticas, num processo composicional parecido com o
processo composicional de proposições ordinárias.

“A diferença na composicionalidade de sentenças metafóricas e sentenças literais


corresponde a esse elemento de difícil apreensão, e que consiste na força maior da
metáfora: colocar junto o que se supõe separado, e fazê-lo de modo consistente. Ao
compor a sentença “o filósofo pensou”, combinamos o que já estava junto (entidade
dotada de razão e verbo de pensamento), ao passo que ao formar a sentença “o
navegador automático de bordo pensou” (artefato e verbo de pensamento), juntamos o
que não estava junto antes, mas as regras combinatórias são da mesma essência.”
(Moura, 2007: 448)

A partir da pesquisa desenvolvida, chegou-se a conclusão que a metáfora cria,


gera, aciona alguma coisa nova com caráter cognitivo, a partir da rede conceptual da
linguagem.

“O efeito cognitivo da metáfora deriva dos padrões de ligação entre conceitos que ela
cria [...]. O que pensamos ao dizer uma metáfora é idéia ou apresentação de como as
coisas são. Para isso, usamos a linguagem, e as correlações de categorias que ela
permite. Se a linguagem se baseia em padrões de interpretação, é natural que o
pensamento reflita esses padrões.” (Moura, 2007: 448)

Por meio desta pesquisa que desenvolveu uma análise descritiva de um corpus de 100
metáforas com verbos de mudança de estado, sendo apresentadas, neste artigo, somente 19
ocorrências metafóricas desse corpus examinado, chegou-se a algumas conclusões parciais
que já foram apresentadas por Moura ao desenvolver seus estudos. Dentre essas conclusões,
deduziu-se que o uso da metáfora busca correlações na linguagem com o objetivo de exprimir
pensamentos, dessa maneira, é possível perceber que o uso da metáfora não depende só do
pensamento, nem só da linguagem; mas, sim, está relacionada tanto à linguagem como ao
pensamento.

5. Agradecimentos

Ao orientador desta pesquisa em andamento, o Professor Dr. Heronides Maurílio de


Melo Moura, pois não consigo acreditar que uma pesquisa seja fruto de uma só mente. Nesse
sentido gostaria de agradecer pela parceria e orientação.

6. Referências bibliográficas

Black, M. (1962). Models and metaphor. Ithaca: Cornell University Press.


Black, M. (1992). Como as metáforas funcionam: uma resposta a D. Davidson. Em: Sacks, S.
(org.). Da metáfora (pp. 35-50). São Paulo: Educ.
Sacks, S. (1993). More about metaphor. Em: Ortony, A. (ed.): Metaphor and thought.
Cambridge: Cambridge University Press.

197
Ciências & Cognição 2008; Vol 13 (3): 187-198 <http://www.cienciasecognicao.org> © Ciências & Cognição
Submetido em 07/06/2008 | Aceito em 15/11/2008 | ISSN 1806-5821 – Publicado on line em 10 de dezembro de 2008

Chierchia, G. (2003). Semântica. Campinas: Editora da Unicamp.


Corôa, M.L.M.S. (2005). O tempo nos verbos do português: uma introdução à sua semântica.
São Paulo: Parábola.
Davidson, D. (1992). O que as metáforas significam. Em: Sacks, S. (org.). Da metáfora, (pp.
35-50). São Paulo: Educ.
Fellbaum, C. (2005). Examining the constraints on the benefactive alternation by using the
world wide web as a corpus. Em: Reis, M. e Kepser, S. (Eds.). Evidence in linguistics:
Empirical, theoretical, and computational perspective. Berlin: Mouton de Gruyter.
Finger, I. (1996). Metáfora e significação. Porto Alegre: EDIPUCRS.
Kittay, E.F. (1987). Metaphor: its cognitive force and linguistic structure. Oxford: Oxford
University Press.
Lakoff, G. e Johnson, M. (2002). Metáforas da vida cotidiana. (Zanotto, M. S., Trad.). São
Paulo: EDUC.
Moura, H. (2005). Metáfora: das palavras aos conceitos. Letras de Hoje, 40, (139), 51-69.
Moura, H. (2007). Relações paradigmáticas e sintagmáticas na interpretação de metáforas.
Linguagem em Discurso, 7 (3), 417-452.
Pustejovsky, J. (1995). The generative lexicon. Cambridge: MIT Press.
Veale, T. (2003). Systematicity and the lexicon in creative metaphor. ACL 2003 - Workshop
on the Lexicon and Figurative Language (pp. 22-34), [s.l.], [s.n.].

 - D. K. Fossile é graduada em Letras - Licenciatura (Língua Portuguesa; Universidade


Regional de Joinville, UNIVILLE) e Mestranda do curso de Lingüística (Área de
concentração: Teoria e Análise Lingüística. Linha de pesquisa: Léxico e Significação;
UFSC). Atua como Professora efetiva da Rede Estadual de Santa Catarina e como Tutora da
Disciplina de História dos Estudos Lingüísticos do Curso de Letras a Distância (UFSC). E-
mail para correspondência: dieysa@ibest.com.br.

198